As reais causas da desindustrialização do Brasil
Artigo atualizado em 06/04/2015

As notícias estão por todos os lados e já são conhecidas por todos: a atividade industrial está em queda há nada menos que quatro trimestres consecutivos.  São quatro trimestres consecutivos de retração na atividade industrial

Apenas em fevereiro de 2015, houve um tombo na produção de quase 9% em relação a fevereiro de 2014.

Para se ter uma ideia, em 12 meses, a quantidade de bens duráveis — mobiliário, aparelhos eletroeletrônicos, jóias e bijuterias, automóveis novos e usados, motocicleta e outros — produzidos pela indústria caiu 13,4%.  Isso significa que há hoje 3,7% menos bens duráveis produzidos em território nacional e à disposição no mercado do que havia há 12 meses. 

Uma das consequências desse mergulho da produção industrial é que o pessoal ocupado na indústria em fevereiro de 2015 recuou 3,4% em relação a fevereiro de 2014..

A narrativa de sempre

Até o momento, a explicação dada pela imprensa para essa queda da atividade industrial é bastante convencional. 

Segundo os relatos, a inflação de preços em disparada estaria afetando o poder de compra das famílias, e esse efeito da carestia estaria sendo intensificado pelo elevado nível de endividamento das pessoas, que passaram a pagar mais caro pelo crédito em decorrência do aumento dos juros.  Com o consumo mais fraco, os estoques do comércio aumentaram. Diante disso, os lojistas reduziram as encomendas à indústria, que então cortou a produção.

Simultaneamente, a indústria vem sofrendo com a política de aumento salarial do governo, com a falta de mão-de-obra qualificada, com o excesso de burocracia, com uma infraestrutura deficiente e com o excesso de impostos, o que faz com que as empresas já não mais consigam competir com os produtos importados.

Para piorar, a indústria também não estaria conseguindo competir no exterior porque o governo não faz acordos comerciais e transformou o Mercosul em um clube bolivariano.

Como cereja do bolo, em vez de conquistar a confiança do empresariado, incentivando os investimentos produtivos com regras consistentes, o governo preferiu intervir em contratos no setor elétrico, tirando qualquer previsibilidade sobre quanto custará a energia, item vital na planilha de custos da indústria.

Muito bem.

À exceção da parte que diz que a culpa é das importações — o Brasil é hoje a economia mais fechada do G-20, e também a mais fechada do mundo em termos de importação de bens e serviços como porcentagem do PIB —, o diagnóstico até está correto, mas ainda está incompleto.

Culpar o câmbio não cola

Em primeiro lugar, culpar o câmbio supostamente valorizado pelos problemas atuais da indústria é algo que não tem o menor sentido econômico.  Veja o gráfico da cotação do câmbio.  O câmbio está hoje quase 50% mais desvalorizado do que estava em meados de 2010, ano da indústria pujante. 

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Vale notar que o período do declínio industrial — a partir de meados de 2013 — coincide totalmente com o período da desvalorização cambial mais intensa (veja mais detalhes aqui).  Ou seja, foi justamente no período em que o câmbio se comportou de maneira mais favorável às exportações — ao menos, segundo os economistas desenvolvimentistas —, que houve a queda na produção industrial.

Logo, culpar o câmbio não cola.

A real causa da desindustrialização

Descartado o câmbio, resta aos economistas entender que a derrocada da indústria brasileira possui outras raízes, as quais não poderão ser solucionadas com políticas paliativas e pacotes do governo.

Pode observar: em toda a sua história, a indústria nacional só não esteve ameaçada naqueles momentos em que o governo praticamente proibiu as importações e impôs uma reserva de mercado.

Portanto, fica a pergunta: quais os principais fatores que afetam o desempenho industrial? 

São dois: a inflação monetária e os impostos sobre a renda da pessoa jurídica.

Antes de ir às explicações, duas outras perguntas complementares à resposta acima: por que é difícil encontrar países com histórico de inflação alta que possuam uma indústria robusta e eficiente?  Da mesma maneira, por que são exatamente aqueles países com histórico de moeda sólida e baixa inflação que possuem indústrias eficientes e robustas?

E então, como a inflação e o imposto sobre a renda da pessoa jurídica atuam para prejudicar a indústria?

A inflação monetária — gerada pela expansão do crédito — aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  Esse aumento da quantidade de dinheiro na economia aumenta o volume de gastos das pessoas, aumenta o consumo e, consequentemente, aumenta os lucros nominais das empresas.  Esse aumento dos lucros nominais faz, de um lado, com que as empresas vivenciem uma situação econômica que aparenta ser melhor do que na realidade é; de outro, faz com que o volume de impostos sobre a renda que elas têm de pagar aumente na mesma proporção.

Simultaneamente, a inflação monetária também encarece os preços dos bens de capital (máquinas), os preços das peças de reposição do maquinário, os preços da mão-de-obra e todos os demais custos operacionais (contas de luz, água, telefone, aluguel etc). 

Ao final, as empresas, enganadas pelos falsos lucros gerados pela inflação, terão feito investimentos errôneos e, ao mesmo tempo, terão menos recursos (os quais foram confiscados pelos impostos) e terão de arcar com custos operacionais maiores, o que significa que houve uma redução na sua capacidade de investimento. 

A inflação, portanto, gera um consumo de capital das empresas e afeta sua capacidade de investir e de aumentar sua produtividade.

Para entender como ocorre esse processo, são necessárias apenas algumas noções básicas de contabilidade.

Em primeiro lugar, para entender como a inflação cria uma aparência de lucros maiores, é necessário saber que, por uma questão de regra contábil, os custos que são computados nos balancetes das empresas são necessariamente "históricos", representam gastos feito no passado.  Ou seja, as despesas são computadas antes de as receitas serem auferidas.  E é assim simplesmente porque a produção é um processo que ocorre ao longo de um período de tempo.

Mão-de-obra e bens de capital têm de ser comprados meses — ou até mesmo anos — antes de os produtos criados serem finalmente vendidos no mercado.  Uma grande indústria, ao investir em máquinas novas e ao contratar mão-de-obra para produzir novos produtos, só irá auferir as receitas trazidas pela venda destes produtos muito tempo após este investimento.  É comum o maquinário e as instalações serem adquiridos vários anos antes de sua contribuição para o processo de produção finalmente ocorrer.

Assim, os custos em que as empresas incorrem para produzir seus bens, e que são computados em seus balancetes, representam gastos monetários feitos com vários meses, ou anos, de antecedência.  E não são corrigidos ao longo desse período — tanto porque não há como isso ocorrer quanto pelo fato de que maiores lucros valorizam ações e satisfazem acionistas.

Se a Volkswagen adquire hoje maquinários para produzir um novo modelo de carro que só chegará às ruas daqui a dois anos, os custos deste maquinário serão computados em seus balancetes hoje (entrarão como ativos, pois representam um investimento).  Já as receitas com as vendas destes carros só serão auferidas daqui a dois anos.

Sendo assim, quanto maior for a inflação monetária entre o período em que foram feitos os investimentos e o período em que ocorrerá as vendas, maior será o lucro nominal desta operação.

Os investimentos foram feitos em uma época em que a quantidade de dinheiro na economia era menor, o que significa que os gastos com esses investimentos foram menores do que seriam caso fossem feitos hoje.  Da mesma maneira, a receita com a venda dos produtos fabricados por estes investimentos estão ocorrendo em uma época em que a quantidade de dinheiro na economia é maior.  As receitas são maiores do que seriam caso as vendas ocorressem no passado.

Ou seja, a inflação monetária ocorrida entre o momento dos investimentos e o momento da venda dos produtos faz com que o lucro nominal da indústria aumente: dado que os custos computados nos balancetes refletem despesas feitas lá no passado, esse aumento nas receitas gerado pela inflação monetária irá necessariamente aumentar os lucros da indústria.

Quais as consequências?

Imagine uma economia em que a inflação de preços seja zero e a alíquota do IRPJ seja de 35%.

Suponha que uma indústria tenha feito um investimento em mão-de-obra e maquinário de R$850 milhões.  E suponha que sua receita bruta, ao final do ano, tenha sido de R$ 1 bilhão.  Nesse caso, seu lucro nominal foi de R$ 150 milhões. 

Com uma alíquota de 35%, os impostos que ela pagará serão de R$ 52,5 milhões, o que lhe deixará com R$ 97,50 milhões extras em caixa ao final do ano. 

Como a inflação de preços é zero, tanto os custos operacionais quanto os preços dos materiais de reposição que ela terá de adquirir no ano seguinte não se alteram.  Logo, nenhum centavo deste lucro terá de ser utilizado para arcar com eventuais custos adicionais para o ano seguinte, de modo que a empresa começará o ano com R$ 97,50 milhões extras e disponíveis para novos investimentos.

Agora, suponha que uma expansão do crédito ao longo do ano eleve as receitas desta indústria em 30% (embora pareça exagerado, o valor é equivalente ao IPCA acumulado ao longo dos últimos 4 anos).

Nesse caso, a indústria terá agora uma receita bruta anual de R$1,3 bilhão, mas seus custos operacionais computados continuarão sendo de R$ 850 milhões.  Assim, seu lucro nominal será de R$ 450 milhões.  Com uma alíquota de 35%, os impostos que ela pagará serão de R$ 157,50 milhões, o que lhe deixará com um lucro líquido de R$ 292,50 milhões.   

Até aí, ela parece estar em melhor situação.  Só que, por causa da expansão monetária, os preços e os custos também subiram (no nosso exemplo, 30%).  Portanto, para o ano seguinte, todos os custos incorridos por esta indústria — compra de bens de capital (máquinas), compra de peças de reposição do maquinário, o salário da mão-de-obra e todas as demais despesas (contas de luz, água, telefone, aluguel etc) — subirão 30%, o que significa que uma fatia de seu lucro líquido terá de ser usada para bancar esse encarecimento.

No nosso exemplo, os custos operacionais subirão de R$ 850 milhões para R$ 1,105 bilhão (aumento de 30%), o que significa um encarecimento de R$ 255 milhões. 

Para arcar com estes R$ 255 milhões adicionais, o dinheiro terá de ser retirado do lucro líquido da indústria (de R$ 292,50 milhões), o que a deixará com apenas R$ 37,50 milhões extras.

Ou seja, em relação ao primeiro cenário, além de ter menos dinheiro para futuros investimentos, a indústrias terá agora de lidar com uma economia cujos preços estão 30% maiores.

Eis um resumo:

Cenário 1 (inflação zero):

Receita: R$ 1 bilhão

Custos computados: R$ 850 milhões

Lucro nominal: R$ 150 milhões

Imposto de renda: R$ 52,50 milhões

Lucro líquido: R$ 97,5 milhões

Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 0

Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 0

Capital extra disponível para futuros investimentos: R$ 97,5 milhões

 

Cenário 2 (inflação de 30%):

Receita: R$1,3 bilhão

Custos computados: R$850 milhões

Lucro nominal: R$ 450 milhões

Imposto de renda: R$ 157,50 milhões

Lucro líquido: R$ 292,50 milhões

Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 255 milhões

Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 255 milhões

Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 37,50 milhões (R$ 292,50 - R$ 255)

 

Ou seja, a inflação falsificou a contabilidade da empresa e gerou a ilusão de lucros elevados.  Mas estes lucros elevados não apenas eram ilusórios, como na realidade deixaram a empresa com um poder de compra menor do que ela teria em um ambiente não-inflacionário.

Quanto maior for a inflação no período, maior será a ilusão contábil da empresa, e consequentemente menor será a sua capacidade de fazer novos investimentos no futuro.

O exemplo numérico acima ajuda a explicar por que é raro encontrar países com histórico de alta inflação que possuam uma indústria robusta e competitiva. 

Da mesma maneira, ajuda a entender por que os países com histórico de moeda sólida e baixa inflação — como Suíça, Alemanha pós-1948 e Japão pós-guerra — possuem uma indústria forte, eficiente e produtiva.

Também ajuda a entender por que a China só firmou a sua base industrial após ter domado sua inflação a partir de meados da década de 1990.  Processo idêntico ocorreu com a Coréia do Sul.

Consequências

A inflação, portanto, cria inicialmente um cenário de falsa prosperidade para a indústria, que imagina ter lucros maiores do que realmente possui.  Essa ilusão de prosperidade faz com que a indústria faça investimentos que não são economicamente sensatos, mas que, por causa da contabilidade falsificada pela inflação, parecem fazer todo o sentido.

À medida que a inflação de preços vai encarecendo seus custos — em conjunto com outros fatores, como a subida dos juros, o maior endividamento dos consumidores, e o arrefecimento da demanda —, a situação da indústria começa a se reverter, e todo aquele bom momento inicial se revela insustentável.

Seus investimentos iniciais se revelam otimistas demais e sobredimensionados, o que a leva a tomar medidas como redução de turnos, suspensão temporária de contratos, férias coletivas, redução das horas de trabalho e corte da produção.  No extremo, há demissões e o fechamento de fábricas.

(Aqui vale um parêntese: uma eventual hesitação em recorrer a demissões é uma característica específica do setor industrial.  Na indústria, a retenção de mão-de-obra costuma ser maior do que em outros setores porque o empregado industrial tende a ser mais qualificado e mais bem treinado do que os dos outros setores.  Sendo assim, o custo de demissão é elevado — e, para contratar outra mão-de-obra novamente, há gastos com treinamento de pessoal na fábrica e em cursos bancados pela empresa.)

Quanto maior o histórico inflacionário de um país, mais obsoleta, atrasada e pouco produtiva é a sua indústria.  Eventuais surtos de bonança são passageiros, e só ocorrem em épocas que sucedem períodos de inflação de preços mais baixa. 

É por isso que não deveria ter sido surpresa nenhuma quando o próprio Ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, veio a público confessar que a indústria brasileira está envelhecida 17 anos em média, e que os países mais diretamente concorrentes do Brasil contam com indústrias de 7 a 8 anos, na média.  Na comparação com os EUA, a coisa piora; a produtividade brasileira é de apenas 20% da produtividade da indústria americana.

Com o nosso histórico inflacionário, realmente não tinha como a indústria nacional não estar envelhecida.  E não tem como ela ser produtiva.

Infraestrutura também é afetada

Não é apenas a indústria.  A inflação também afeta toda a infraestrutura estatal do país, de rodovias e ferrovias a portos e aeroportos. 

À medida que a inflação monetária aumenta as receitas tributárias do governo, os políticos agem como se realmente possuíssem mais receitas, e saem expandindo os gastos do governo e concedendo aumentos ao funcionalismo, ignorando a necessidade de dedicar uma parte dessa receita adicional para a manutenção e o reparo dessas infraestruturas, cujos custos também aumentaram. 

O resultado são estradas esburacadas, aeroportos saturados, ferrovias em frangalhos, portos com serviços extremamente lentos, túneis que desabam e sistema de saneamento ruim e pouco abrangente.

Conclusão

Durante a época da hiperinflação no Brasil, praticamente nenhuma indústria fazia planejamento de longo prazo, pois era impossível saber exatamente quais eram os custos reais e quais eram os lucros genuínos.

Após a estabilização da economia, a redução da inflação e a abertura dos mercados — o que permitiu a importação de maquinário de boa qualidade —, a indústria nacional ganhou algum vigor. 

Entre 1999 e 2010, a inflação acumulada em qualquer período de quatro anos sempre foi menor do que a inflação acumulada no período de quatro anos imediatamente anterior. (Por exemplo, a inflação acumulada entre 2007 e 2010 foi menor do que a acumulada entre 2003 e 2006).  A partir de 2011, no entanto, houve uma grave reversão desta tendência.  E parece que essa reversão pegou a indústria de surpresa.

Qualquer tentativa de revigorar a indústria que não passe pela redução da inflação não terá nenhum efeito.  E desvalorizar o câmbio, uma medida que gera ainda mais carestia, irá apenas piorar as coisas. (Aliás, isso já está acontecendo: nos últimos 3 anos, justamente o período de mais intensa desvalorização cambial, as exportações caíram continuamente, ano após ano).

Além do problema da inflação, eis uma pequena fatia da carga tributária que incide sobre a indústria nacional: IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, e mais COFINS de 7,6%.

E não nos esqueçamos também da burocracia, das regulamentações restritivas, dos encargos trabalhistas e sociais, e dos sindicatos.

Sem que todos esses problemas sejam atacados, não haverá nenhuma solução minimamente viável.  O encolhimento da indústria brasileira não será revertido por meio de medidas paliativas, por empréstimos do BNDES ou por sucessivos pacotes reciclados pelo governo.  Se a inflação, a carga tributária, a burocracia e a infraestrutura (necessária para reduzir os custos operacionais e para escoar os bens produzidos) não forem atacados, a produtividade e a competitividade da indústria continuarão em declínio.

Por fim, é válido enfatizar que deixar indústrias obsoletas quebrarem é mais economicamente sensato do que tentar salvá-las com os paliativos de sempre, com mais subsídios, mais reservas de mercado, mais proteção cambial e mais tarifas de importação. 

E isso nos leva às perguntas que realmente interessam: o país realmente tem a propensão para produzir coisas valiosas? É economicamente sensato tentar produzir todas as linhas de industrializados no Brasil, de panelas e pentes a navios e satélites?  Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

Tentar manipular o câmbio e proibir brasileiros de comprar produtos estrangeiros e de maior qualidade com o intuito de exibir estatísticas positivas para a balança comercial servirá apenas para inflar as contas bancárias dos barões da FIESP.  Não podemos ser obrigados — por causa da incompetência do governo — a comprar porcarias fabricadas em solo nacional em detrimento de produtos de maior qualidade fabricados no exterior.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


Ué, dê a notícia completa: o números gerais subiram simplesmente por causa de algumas poucas cidades, que vivenciaram um pico nos homicídios.

Quais cidades? Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, e Washington.

"Half of the entire increase in big-city homicides was concentrated in just seven municipalities — Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, and Washington.

And only in Baltimore was the spike in homicides sharp enough to return the city to a historically high murder rate. While Charm City suffered a historic high of 55 homicides per 100,000 residents in 2015, for the seven cities collectively that figure was 21. Which is significantly lower than it was throughout the 1990s.

Meanwhile, 70 large cities saw their murder rates hold steady in 2015, while 5 saw them fall."

Enquanto isso, segundo suas mesmas estatísticas, New Hampshire, Idaho, e Vermont, estados com as leis mais liberais sobre armas, possuem as mais baixas taxas de criminalidade. O mesmo, aliás, vale para os estados do meio-oeste.

Todos os gráficos foram compilados aqui:

https://mises.org/blog/handful-cities-are-driving-increase-murder-rates

Por fim, aquela estatística que um sedizente estatístico como você não tem o direito de ignorar: a taxa de homicídios nos EUA desabou 50% nos últimos 20 anos, "coincidentemente" ao mesmo tempo em que a posse de armas disparou.

www.pewresearch.org/fact-tank/2015/10/21/gun-homicides-steady-after-decline-in-90s-suicide-rate-edges-up/
Bem, a falta de manutenção, sendo esta a geradora do acidente é crime, independentemente do risco assumido pelo consumidor. O risco não exclui a responsabilidade da empresa, tanto penal como civil. Não por existir um contrato implícito, mas por existir um contrato explícito de que o avião te levaria de A para B.

A morte do consumidor só pode ser imputada a ele se no contrato ele assumiu tal risco. Se tal risco não estava previsto no contrato, não é possível responsabilizá-lo. Se estava previsto, cabe ao consumidor escolher um meio com risco menor.

Creio que entendi o seu ponto sobre "coisas implícitas". A falha que vejo nesse ponto de vista é que essas coisas não são implícitas, elas são explícitas, tanto que você, eu ou qualquer pessoa consegue perceber que essas "coisas" estão ali, pois elas representam a finalidade do empreendimento. Por exemplo, no caso da boate, quando a boate me permite entrar em seu interior mediante pagamento (contrato), está explícito que posso utilizar o local, sendo também explícito que tal lugar não é destinado a matar pessoas. Isso não é implícito, isso está escancarado. A publicidade da boate, como qualquer outra, apela para momentos de diversão e prazer e isso é algo explícito. Se vou a um restaurante, vou para me alimentar bem, isso não está implícito, está explícito. Essa é a finalidade do restaurante. Agora, se o dono do restaurante, modifica essa regra explícita e agride, implicitamente, a integridade física de alguém, deverá ser responsabilizado, civil e/ou penalmente, a depender do dano causado.

Sobre o ponto: entendo que é um valor subjetivo. Se desejo abrir uma farmácia o ponto pode ser interessante. Se quero abrir uma padaria, pode ser que o ponto não seja mais interessante. Aqui entra o conceito de utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Abçs
Dinheiro monopolístico "de verdade" não pode ser criado do nada nem lastreado em outra coisa criada do nada (dívida), pois haverá sempre o nefasto flagelo do moral hazard de para quem e em que quantidade irá o financeiro mais recentemente parido do vento em moto-perpétuo pelo "dono do morro", o que exclui daquela categoria de sound money tanto o "dinheiro de banco central" (seu passivo em fiat money no padrão atual predominante) como também os meios de pgto criados pelos bancos comerciais, cujas reservas no caso americano a propósito só se encontram em níveis elevados recordes (porém ainda assim bem inferiores aos demais agregados monetários frequentemente empregados como se fossem depósitos à vista mas dispensados de recolhimentos compulsórios, apesar de causadores dos "busts") justamente porque foram prontamente recompostas pelo emprestador de última instância via QE's (e agora c/ "hell"icopter$ ?!) após o estouro da bolha creditícia imobiliária de 2008 por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/ o estouro da bolha predecessora em 2000 das "ponto.com" por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/...
Ou seja, é a eterna festa do "wash, rinse, repeat" da qual só participam permanentemente os integrantes da cabala bancária e uma ínfima parte da sociedade que consegue se aproveitar do super-privilégio de criação de moeda outorgado e garantido pelo estado (!) exclusivamente àquele cartel, sendo imediatamente criminalizado e preso como "falsificador" atentando contra a "economia popular" todo sujeito que resolver entrar na farra produzindo seu próprio "bilhete de ingresso" num fundo de quintal qualquer ! :-(

Se o governo não impôr o curso de nenhuma moeda oficial, aceitando passivamente a livre circulação de todo tipo de meios de troca na economia, rapidamente surgirão dezenas de formas de dinheiro c/ oferta controlada naturalmente pelo próprio mercado selecionando voluntariamente as melhores em detrimento das mais abundantes, configurando não um problema (conforme prega o zeitgeist keynesiano perma-inflacionista do último século) mas sim um excelente acontecimento a deflação de preços decorrente de eventual (e, neste arranjo, desejada) escassez monetária.

Vejo como o maior perigo essa racionalização do status-quo vacilando em condená-lo sumariamente e denunciá-lo como a verdadeira estrutura imoral que é.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Cesar  13/08/2014 12:10
    Caro Leandro,
    Parabéns pelo seu excelente artigo e pertinente análise. Análises deste calibre despertam muito mais o interesse dos leigos (como eu) pelas ideias e metodologia de MISES do que artigos de carater politico como aqueles que foram publicados recentmente.
    "Apareça" por aqui mais vezes, sua analise sempre traz discernimento aos leigos.
    Cesar
  • Cleber  17/09/2014 04:59
    O texto eh didatico porem nao releva varios outras forcas economicas que ocorrem na pratica. Alguem que ler o artigo pode achar que entende de economia atraves da expansao de credito. E que o problema da economia do Brasil eh somente isto, nao eh. Tampouco eh o IRPJ. A situacao eh muito mais complexa e vou aqui tentar contribuir.
    A economia eh mundial, o Brasil, mesmo que nao tendo grande expressao no comercio internacional, dele participa. Como exemplo, ate o peixe congelado esta vindo da China ultimamente. Acho um absurdo, pois temos uma area costeira de matar de inveja. Mas fazer o que, eh isso. A moeda de troca no mundo eh o dolar. E eh aqui que esta o pulo do gato. O dolar tem sido totalmente manipulado por anos. Os asiaticos, fabrica do mundo, tentam nao deixar que o valor do dolar suba, pois isso afetaria suas exportacoes. Isso vem a refletir no Brasil para o lado bom e para o ruim.
    No sentido bom, os precos dos bens de capital - com varios dos seus componentes ou totalidades fabricados na Asia - vieram caindo nos ultimos tempos. Logo, como no seu exemplo, se a Volks comprou varios maquinarios e ferramentas, acabou pagando menos ao longo dos ultimos tempos. Isso eh deflacao.Essa mesma deflacao de produtos industrializados (computadores, televisao, geladeira, pecas de carros etc), aliado com a expansao da produtividade do setor agricola - o Brasil eh altamente superavitario na agricultura - nao deixou inflacao disparar no pais.
    Agora o lado ruim eh que como o dolar nao cai em relacao as moedas asiaticas,ou em outras palavras, como o Yen e outras moedas nao sobem em relacao ao dolar, os produtos produzidos no Brasil nao conseguem competir com os da Asia nem internamente tampouco no mercado externo . O que leva o governo brasileiro e fechar mais ainda a economia com tarifas sobre importacoes. Eu sei, logico que tem tambem que contar a estorinha do custo Brasil, intromissao sem fim do governo e produtividade do brasileiro. Mas isso eh secundario e de dificil ajuste no curto prazo. Alias, a produtividade do brasileiro eh maior do que do chines.
    E se voce imaginar que 35% de aumento na cotacao do dolar, vista nos ultimos meses, seria o bastante para alavancar as exportacoes brasileiras, isso nao eh nada. As impressoras de dinheiro nos EUA, China, Japao e ECB etc. ja nao estao surtindo o mesmo efeito. As moedas estao parando mais em seus paises. A ativadade economica - da economia real, a de produtora de bens reais - esta desacelerando em todo o mundo. O mesmo esta se passando no Brasil que, por ser mais fechado, sente os efeitos da inflacao mais depressa.
    Outra coisa que nao concordo sao as razoes que economistas dao para a causa do aumento da cotacao do dolar. Para mim, nao tem nada a ver com a recuperacao da economia americana ou ameaca do FED em aumentar os juros – que neste momento eh impossivel. No meu ver as coisas estao se invertendo. Ha algo de diferente no ar. Ha de se notar que pouco a pouco esse modelo mercantilista asiatico parece estar se exaurindo. A inflacao ja esta comecando a incomodar nos EUA, que se medida como era ate a decada de 70 seria algo em torno de 7% a.a e nao 2% anunciados pelo governo . Os chineses e o resto da Asia nao parecem tao sedendos por dolar como tempos atras. Ja estao comecando a cair na real que os americanos nunca terao como pagar honestamente os quase $4 trilhoes estocados em seus bancos. Aqui pausa para Brasil: coidados de nos quando descobrirmos que aqueles $370 bilhoes de reservas nao passam de confeti. Voltando ao mundo, me parece que ha um realinhamento das economias. Na China comecam a pipocar os malinvestments; a inflacao esta preocupando os asiaticos, que estao cada vez mais estocando secretamente ouro. Nos EUA e Europa o aumento de precos estao sendo comuflados . Ha bolhas no setor imobiliario, acionario e principalmente nos titulos do governo americano. Quando essas bolhas estourarem, teremos um 'reset" na economia mundial e, espero que nao, possivemente guerra.
    Neste estado que o Brasil poderia fazer? Primeiro, usar metade das reservas internacionais para comprar ouro . Nao da para ficar a seco com $370 bilhoes em titulos do governo americano, esperando que a bolha estoure na cara. Segundo, poderia abrir mais a economia ao fazer mais acordos economicos bilaterais com os EUA, Europa e Asia. Nao seria a panaceia, nao resolveria todos os problemas. Mas pelo menos nos inseriria mais no mercado internacional. Mas para isso a poticagem teria que dar mais espaco ao pragmatismo. Coisa dificil em nosso pais. Avancamos relativamente bem quando as comodities estavam com os precos nas alturas. Mas isto pelo visto passou, pelos fatos que expus acima. Ha varias outras nuances e fatores de interacoes na economia. O Brasil nao eh um lugar economico isolado; somente a expansao monetaria interna nao explica completamente os aumentos de precos ; e a anemica taxa de investimentos esta ligada com a falta de clareza nas regras e ingerencia constante do governo na economia.
  • Neto  07/04/2015 02:19
    Belo comentário, muita informação em poucas linhas.
  • Douglas Espindola  21/05/2016 19:28
    Ótimo comentário! Complementa ainda mais o texto. Abraços!
  • Pedro Ivo  13/08/2014 12:21
    Caríssimo Leandro, graças por + este artigo. O trabalho que você vem desempenhando de educar e despertar ao longo destes teues anos no IMB é inestimável. D'us te abençoe por isto, pois só o Eterno pode te recompensar à altura.
  • Leandro  13/08/2014 13:19
    Prezado Pedro, palavras muito exageradas. Mas agradeço muito o apreço. Grande abraço!
  • Leandro  13/08/2014 13:20
    Obrigado, Cesar. Mas os artigos de caráter filosófico (e não políticos; não há artigos políticos neste site) são igualmente importantes. Por exemplo, os artigos econômicos explicam as consequências de uma expansão do crédito; porém, sem os artigos filosóficos, principalmente aqueles que explicam os mecanismos de interesse ocultos sob o manto da democracia, seria impossível entender por que os políticos adoram tanto a expansão do crédito.

    Grande abraço!
  • Andre B.  13/08/2014 12:39
    O artigo consegue ser melhor do que a foto de Mantega com aquela carinha de "ai, meu Deus, o que é que eu faço agora?". Valeu, Leandro!
  • Gredson  13/08/2014 12:43
    Excelente artigo, sem duvida uma verdadeira aula.
  • Zara  13/08/2014 12:56
    Leandro: Parabéns pelo belíssimo texto. O final foi em grande estilo:

    ''Não podemos ser obrigados — por causa da incompetência do governo — a comprar porcarias fabricadas em solo nacional em detrimento de produtos de maior qualidade fabricados no exterior.''

    Uma duvida: No período de pujança industrial que citou, você atribui algum mérito aos governantes da época?
  • Leandro  13/08/2014 13:20
    Zara, foi apenas a expansão do crédito (o que aumentou as receitas) ocorrida em um ambiente de relativamente baixa carestia. É claro que tal cenário não poderia durar para sempre. Tão logo a carestia se intensificou (por causa dessa própria expansão do crédito), a coisa voltou a degringolar.

    Abraço!
  • Andre  13/08/2014 13:35
    Excelente artigo!
    Com relação à esse exemplo: "túneis que desabam" poderia ser incluso o exemplo "viadutos que desabam", com um link para, por exemplo, essa notícia:

    g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2014/07/viaduto-desaba-sobre-caminhoes-carro-e-micro-onibus-em-bh.html
  • Rafael  13/08/2014 13:46
    Leandro, ótimo artigo, como sempre.

    Na parte dos impostos, você esqueceu do maravilhoso ICMS. Aqui em SP ele é de 18%, sendo que o próprio valor do imposto entra na base de cálculo da operação. Vai vender alguma coisa por R$ 100? Sua base de cálculo vai ser R$ 118. Pois é, a indústria paga imposto sobre o próprio imposto.

    E olha que nem entrei no mérito da substituição tributária.
  • Leandro  13/08/2014 13:54
    Pois é, eu quis ficar só nos impostos federais, que são um pouquinho mais maleáveis do que os estaduais (os estados têm menos fontes de renda do que o governo federal).

    Mas é verdade tudo o que você disse.
  • Reflexao  13/08/2014 14:09
    A inflação torna o cálculo econômico praticamente impossível, nos cálculos acima o Leandro usou o IPCA, porém acredito que a inflação para uma indústria está bem acima deste índice, agravando ainda mais o problema.
    A carga tributária aumentou muito nos últimos anos.
    A burocracia aumentou muito também, vide a legislação do ICMS e a guerra fiscal entre os Estados, o que abre ainda mais margem para apadrinhamentos e ineficiência. Sem falar nas desonerações do IPI, que serve ainda mais para desalinhar os investimentos eficientes...
    Quanto ao dólar, na minha humilde opinião, está valorizado, talvez o aumentou da taxa de juros ultimamente e as intervenções do Banco Central deram uma segurada. Em julho saiu o levantamento do índice big mac, o que parece reforçar esta visão.
    Leandro, quanto ao dólar sua visão é a de que ele está valorizado ou desvalorizado? E tu poderia colocar na sua opinião, o porquê do governo o manter assim.
  • Leandro  13/08/2014 14:31
    Se o objetivo é ver valorização de moeda, esse Índice Big Mac não faz sentido nenhum. Pra começar, o preço do bem em questão (hambúrguer do McDonald's) varia muito por causa dos custos trabalhistas de cada local (algo que não está diretamente relacionado ao poder de compra da moeda).

    A "lógica" desse índice é a seguinte: os dois sanduíches têm de custar o mesmo valor em qualquer lugar do mundo.

    Sendo assim, pega-se o valor cobrado no Brasil e divide-se pela taxa de câmbio. Se após essa divisão o valor do sanduíche no Brasil continuar acima do americano, então diz-se que o real está apreciado -- o dólar teria de ser mais caro para que a divisão desse o mesmo valor do sanduíche americano.

    Exemplo: nos EUA, o Big Mac custa US$1. No Brasil ele custa R$3. Para que ambos tenham o mesmo valor, a taxa de câmbio tem de ser 3:1.

    Se a taxa de câmbio for de 1,5:1, então a divisão vai dar 2. Sendo assim, segundo os gênios, o real estaria sobrevalorizado. Ele teria de custar 3 dólares e não 1,5.

    Outra coisa: o Big Mac é um bem "non tradable" -- isto é, um bem que não pode ser exportado e importado (você não importa um Big Mac da China, por exemplo). Não se trata de um bem negociado no mercado internacional. Logo, não faz sentido utilizá-lo como comparativo de moedas.

    Curiosamente, a própria The Economist não se cansa de repetir que o índice tem fins meramente lúdicos, e não deve ser levado a sério. Parece que a imprensa brasileira, aparentemente a soldo da FIESP, não leu este alerta.

    Sobre o real estar valorizado, não sei como isso seria possível em um regime de câmbio não-fixo. No entanto, se a pessoa tem certeza de que haverá uma grande desvalorização, então ela tem de explicar por que ainda não tomou posição no mercado futuro, apostando em uma baixa do real e ficando comprado em dólar.
  • Eduardo  13/08/2014 14:17
    Excelente texto.

    Tão importante quanto entender as causas e consequências de políticas econômicas (das mais sensatas [a virtual ausência de políticas econômicas] às menos sensatas [intervencionismo brutal]), é também entender como os incentivos dentro da política motivam a escolha logo das menos sensatas.

    É um ponto importante para clarificar para as pessoas que pensam que (a intervenção econômica do) estado é um instrumento cujos interesses coincidem com o "do povo" e serve para remediar o suposto mal do livre-mercado.

    Pelo contrário, ao observar as causas e consequências da sensatez econômica, na medida do possível no cenário fortemente intervencionista que temos em todo lugar do mundo (moeda forte, baixa inflação, baixa tributação, etc) e da loucura econômica (expansão de crédito, desvalorização cambial, controle de preços, alta tributação, protecionismo, etc), também é possível observar por quê o interesse de curto prazo do estado se volta para a insanidade econômica.

    Tal observação bota a desconfiança devida na intervenção estatal. Mesmo os defensores de determinadas intervenções aqui e ali largam o papo místico do altruísmo estatal e tomam mais cuidado com o que defendem ao entenderem que o estado está longe de representar o interesse coletivo, mas que tem seus próprios interesses e poder político (uso de coerção e violência) para buscá-los das formas mais predatórias.
  • Martim  15/08/2014 02:46
    Leandro,

    Eu sou um empresário do ramo de construção civil. Um mercado onde o ciclo de produção é no mínimo de 5 anos e onde a inflação é um fator muito relevante. Gostaria de discordar um pouco de você, mas acrescentando, não subtraindo, se você me permitir.

    O real problema da inflação não é o acima citado. O buraco é mais embaixo.

    O modelo que você adotou de tributação acima é aplicado em empresas que adotam o lucro real. São por volta de 150 mil empresas no Brasil que adotam esse sistema. Contra 3 milhões de empresas no lucro presumido, onde o efeito exposto acima não é válido.

    O que tem feito a indústria recuar na verdade é um aumento salarial acima da produtividade. Isso é um efeito muito mais imediato. E é a conta mais rápida que o empresário faz. Se eu colocar mais um funcionário a minha margem melhora? Sem aumento de produtividade não melhora. Ou seja, a margem cai.

    Outro efeito que tem reduzido a margem é o custo do dinheiro, que de um ano pra cá aumentou quase 10% na ponta final. Isso também corrói a margem.

    Numa situação com as margens menores com previsão de aumento de taxa de juros, e com o mercado recuando do jeito que está, como se espera que a indústria não recue?

    Mas foi legal você ter iniciado a discussão.

    Abraço,
  • Leandro  15/08/2014 02:57
    O setor da construção civil sofre exatamente do mesmo problema: carestia. No caso, carestia dos insumos (e mão-de-obra é um insumo).

    Não há nada de diferente nessa sua situação. Enquanto algumas empresas lidam com o encarecimento de máquinas e alugueis, você lida com o encarecimento dos materiais de construção, dos terrenos em que será feita a obra, e dos salários. É a mesma coisa. Alterou apenas o fator de produção que encareceu.

    (E note que o preço da mão-de-obra foi citado várias vezes no artigo).

    Sobre o modelo de tributação, ele é inócuo. A carestia enfrentada será a mesma, independentemente do modelo de tributação adotado. A carestia é uma realidade inescapável, e a adoção de um determinado modelo de tributação não irá aboli-la. Nenhuma empresa consegue contornar os efeitos da carestia por meio de alterações na forma da contabilidade. Elas podem, no máximo, poupar alguns trocados na hora de pagar o imposto de renda. Mas o encarecimento da mão-de-obra, das matérias-primas e de outras despesas operacionais não é contornável. Ela terá de ser enfrentada.

    Se fosse possível contornar a carestia por meio de modelos tributários diferenciados, você não estaria tendo problemas com o encarecimento de mão-de-obra, dos materiais de construção e dos lotes.

    "Outro efeito que tem reduzido a margem é o custo do dinheiro, que de um ano pra cá aumentou quase 10% na ponta final. Isso também corrói a margem. Numa situação com as margens menores com previsão de aumento de taxa de juros, e com o mercado recuando do jeito que está, como se espera que a indústria não recue?"

    Em 2012, as taxas de juros não apenas eram declinantes, como chegaram ao seu menor valor da história. E a indústria encolheu. Já em 2004, 2007 e 2008, os juros eram muito maiores, e a indústria vivenciou bons anos.

    Se os juros fossem a explicação, a indústria deveria ter sumido na década de 1990, quando os juros reais eram muito altos.

    Obrigado pelo comentário.

    Grande abraço!
  • Henrique  12/03/2016 03:11
    Leandro, o problema não está na inflação, e sim na contabilidade. No seu exemplo, o custo deve ser inflacionado na mesma proporção (30%) antes de subtrair a receita bruta. Isso é básico. Não creio que um problema tão amador deste tipo esteja acontecendo. É mais do que óbvio que a receita bruta não pode ser subtraída pelo custo de 2 anos passados quando se teve uma inflação de 30%. O real problema, realmente é a valorização forçada do salário sem que a produtividade aumente. Vc diz que o modelo de tributação referido pelo Martim é inócuo, mas não argumenta a respeito. Gostaria de uma explicação do por quê é inócuo.
  • Leandro  12/03/2016 03:37
    Prezado Henrique, por favor, tenha mais humildade. Informe-se minimamente sobre um assunto antes de querer debatê-lo.

    Essa questão inflação x contabilidade não é nem sequer uma opinião minha. Estou apenas relatando como a coisa funciona. Sou apenas o mensageiro.

    Vou repetir o que já disse em outra resposta: ajustar pela inflação não é padrão na contabilidade (isso não é opinião minha; isso é regra do Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade). Até houve uma tentativa de estabelecer algumas regras durante a década de 1970, de alta inflação em todos os países desenvolvidos, mas foi ineficaz e rapidamente foi abandonada.

    O Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade não especifica regras claras sobre como as empresas devem lidar com a inflação nos balancetes. Você, ingenuamente, diz que elas simplesmente devem inflacionar seus custos pelo IPCA (de 30%). Ora, por quê? Por que você alteraria todos os ativos do seu balancete de acordo com o IPCA, o qual, por si só, é um índice viciado? Isso seria, no mínimo, molecagem, e seu balancete não seria aprovado em nenhuma auditoria.

    Atualmente, repito, não há regras claras para como lidar com a inflação (mesmo porque seria subjetivo demais; qual índice você usaria?), e, ao contrário do que você ingenuamente sugere, ninguém pode inventar nessa área, caso contrário será acusado de estar fazendo truques contábeis para pagar menos impostos.

    Nem irei lhe aborrecer com inúmeros links a respeito; irei mandar apenas uma notícia de cunho mais leve sobre este assunto (que encontrei logo na primeira googlada):

    fernandonogueiracosta.wordpress.com/2011/05/19/efeito-inflacao-sobre-regras-de-contabilizacao/

    E um trabalho acadêmico a respeito:

    www.repec.org.br/index.php/repec/article/view/5/5

    Quanto a você dizer que eu não respondi ao Martim por que seria inócuo, isso realmente beira o escárnio. Leia de nova minha resposta para ele.

    Mais humildade, por favor. Pesquise sobre um tema antes de querer debater sobre ele. Você não apenas nem sabia sobre as regras impostas pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade, como ainda caiu na ingenuidade de dizer que balancetes podem ser inflacionados a gosto pelas empresas, algo que, se de fato fosse feito, poderia gerar sérios problemas jurídicos para a empresa.
  • Henrique  12/03/2016 05:38
    O problema de se comunicar por mensagem é não saber como a pessoa está "falando". Eu não quis ser prepotente, mas realmente eu fui desleixado ao escrever a mensagem e acabou transparecendo arrogância. Desculpe-me por isso e obrigado por me responder e por me corrigir em relação à educação. Enfim, percebo que o tema sobre a relação entre inflação, contabilidade e tributação não é tão simples quanto parece. Com relação a qual índice usar, há índices de inflação de custos de produção e outros podem ser desenvolvidos. E se no Brasil não é permitido este reajuste, é aí que devemos mudar e não num cambio valorizado(não tenho certeza mas me pareceu que é essa uma das medidas que você defende). Não que eu defenda um cambio desvalorizado, mas um meio termo. Então creio que desenvolver um índice mais representativo e/ou regulamentar e estruturar a maneira que será feito estes reajustes é uma melhor opção pois não necessitaria valorizar o cambio e resolveria o problema da tributação que vc se referiu. Não que não tenha que solucionar a inflação, mas ela deve ser combatida com investimentos e não por meio do cambio. Não concorda que regulamentar e definir o sistema é melhor do que por meio do cambio? Em relação a você não ter respondido o Martins, você disse que o problema da inflação continuaria acontecendo, mas o argumento dele foi sobre a questão do lucro ilusório que é tributado. Segundo o argumento dele, este problema diminui muito. Queria saber se ele está errado e se o problema continua mesmo nos modelos citados por ele?
  • João  13/08/2014 14:28
    Leandro

    Primeiramente, parabens pelo texto. Na teoria economica, voce esta mais que certo.

    Eu gostaria apenas de fazer um contraponto pratico, para sua apreciação.

    Trabalho em uma industria familiar, então tenho conhecimento de causa. Realmente, pelos motivos que voce citou, é muito dificil a atividade industrial no Brasil. Nossas industrias realmente sao defasadas, na maioria dos casos.

    O que me irrita um pouco, é que na maioria dos casos, essa defasagem é causada pelas dificuldades inerentes a atividade industrial no Brasil (citados por voce no texto), e não por incompetencia dos industriais. Toda vez que vejo textos sobre atividade industrial, noto um vies que da a entender que o industrial brasileiro é incompetente, e que todos sao baroes da FIESP, o que não é verdadeiro. Ja visitei industrias em muitos paises, e o empresario brasileiro nao é menos capacitado.

    Quanto ao cambio, vou tentar explicar porque alguns industriais defendem o cambio desvalorizado: os problemas de competitividade da industrias são causados pelo governo (impostos altos, infraestrutura ridicula, leis trabalhistas stalinistas). Como esses problemas NUNCA são resolvidos, a unica maneira que a industria local tem para sobreviver é a desvalorização do cambio. Em condições de cambio baixo, é simplesmente IMPOSSIVEL CONCORRER COM A MAIORIA DOS PAISES ESTRANGEIROS, POR MAIS COMPETENTE QUE VOCE SEJA.

    Nao estou dizendo que isso seja o correto, o correto seria atacar os problemas citados nos texto. Porem é uma questao de sobrevivencia. Simples assim. Espero ter contribuido.

    Abraço
  • Leandro  13/08/2014 14:35
    João, o fato de a indústria sofrer com uma alta carga tributária, com as regulamentações do governo, com a burocracia e com os sindicatos poderosos não é problema do cidadão comum.

    Sim, é verdade que as indústrias sofreriam bastante caso as tarifas de importação fossem abolidas. Mas isso não é problema do cidadão brasileiro. Isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho.

    São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos. Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido nenhum dizer que deve haver tarifas de importação e desvalorização da moeda para se compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina

    O certo seria abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos, e não defender a destruição do poder de compra da moeda (via desvalorização cambial) e a adoção de tarifas protecionistas.

    Grande abraço!
  • Joao  13/08/2014 15:37
    Concordo que seria o correto. Mas, se isso nunca foi feito no Brasil, o que se faz? Fecha e espera morrer?
  • Leandro  13/08/2014 16:04
    O que não dá pra fazer é o governo ferrar duplamente a população apenas para remediar temporariamente os efeitos nefastos gerados por suas próprias políticas.

    Isso está longe de ser uma solução inteligente. Muito mais inteligente e fácil seria simplesmente abolir -- ou, pelo menos, minimizar -- tais políticas distorcivas.

    Por que tais reformas não podem acontecer?
  • Joao  13/08/2014 17:21
    Pelo simples motivo de que o Brasil é uma republica sindicalista, em que nada se muda. Leis trabalhistas sao clausulas pétreas, imutaveis.

    O sonho do brasileiro médio é passar num concurso da receita federal, ganhando um belo salario para "fiscalizar o contribuinte". Qual a chance do governo baixar tributos nesse cenario?

    Um exemplo: me recordo, quando foi diminuido o IPI dos carros TEMPORARIAMENTE, foi aumentado PARA SEMPRE o imposto sobre cigarro e bebidas. Pois bem, o IPI voltou ao seu patamar normal (ou quase isso), e os impostos sobre cigarro e bebida NUNCA MAIS VAO BAIXAR NOVAMENTE.


    Desculpe pelo meu pessimismo, instituições como o Mises e pessoas como voce fazem um belo serviço para tentar mudar a mentalidade estatista e neo-comunista do brasileiro. Particularmente sou fa do teu trabalho, vejo que voce nao se apega somente a questoes economicas, mas também filosoficas (de onde tudo mais emerge, inclusive a teoria economica).

    Mas o trabalho é arduo, com certeza novas gerações precisarão surgir para que tenhamos uma chance. Essa massa de pessoas "educadas" no modelos socio-construtivista de nosso "patrono" Freire fez mais mal para esse pais que qualquer outra coisa.

    Um abraço e continue assim
  • Leandro  13/08/2014 17:42
    O simples controle da inflação já seria um grande passo. Nem é necessário fazer coisas mirabolantes e revolucionárias. Basta acabar com a carestia.
  • Pedro Ivo  13/08/2014 17:42
    João, o Leandro falou em detanhes das questões que você levantou no artigo Tributação X Regulamentação - O que é pior?. Penso que você deve ler este texto porque demole e desmistifica tudo que você disse.
  • Osmar Neves  13/08/2014 14:34
    Rapaz, que aula! Sabe quando dizemos: "entendeu ou quer que eu desenhe?", pois é, você desenhou! Parabéns e muito obrigado Leandro!
  • Rômullo Freitas  13/08/2014 14:35
    Parabéns, Leandro.

    Mais um excelente artigo!
  • Lopes  13/08/2014 14:36
    Excelente lição, Leandro. Uma refutação quase que intencional ao tradicional modelo de industrialização à moda do governo: desvalorização monetária, tarifas, subsídios & inflação - quando não há o próprio governo utilizando o último para fundar suas próprias 'indústrias de base' que em poucos anos atingem níveis medievais (espero que esta ideia de criar estatais e semi-estatais para empurrar o setor já esteja morta).
  • Deilton  13/08/2014 14:55
    Ler esse artigo do Leandro e essa reportagem da exame (A era das fábricas inteligentes está começando) exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1068/noticias/a-fabrica-do-futuro, só me deixa mais desanimado com o futuro deste país.

    Está havendo uma nova revolução industrial no mundo e nós aqui no Brasil discutindo em quem votar, se num Partido bolivariano e antidemocrático (PT) ou num socialista light (PSDB).

    E a dúvida é: como se proteger da inflação no longo prazo e se preparar para não depender da previdência pública?
  • Alexandre M. R. Filho  13/08/2014 20:50
    Ouro.
  • Leo  13/08/2014 14:59
    Estranho sistema tributário! Como é que o próprio imposto pode entrar na base do cálculo da tributação.

    Pergunta: os empresário,pelo menos os grandes,que são muito competentes em fazer lobbys políticos, (para adquirir proteção do governo, por exemplo) porquê permitem que o governo lhes inflijam uma carga tributária deste jeito? Porquê permitem que o governo permita uma inflação que lhes diminua o lucro assim? Não são eles bons em articular lobbys para alguns fins que lhes são convenientes, porquê não quando se trata da corrosão imposta pela inflação?

    Alguém poderia responder, por favor?

    Obrigado
  • Leandro  13/08/2014 15:20
    É aí que entra a função protecionista dos impostos sobre a renda.  A maioria das pessoas - e toda a esquerda - acredita piamente que os grandes empresários são capitalistas pró-mercado e anti-impostos.  Enganam-se redondamente. 

    É certo que ninguém gosta de ter seu dinheiro tomado e certamente os grandes empresários, nesse quesito, também não gostam de impostos.

    Porém, o que poucos entendem é que uma carga tributária alta e complexa, como no Brasil, é uma ótima aliada das grandes empresas: elas impedem que pequenas empresas cresçam, que novas empresas surjam e que empresas estrangeiras aqui se instalem.  Uma alta carga tributária, acompanhada de um emaranhado indecifrável de códigos tributários, serve como barreira de entrada no mercado, o que apenas ajuda as grandes empresas já estabelecidas e que, em sua maioria, só se tornaram grandes por causa de algum apadrinhamento do governo.

    Para essas grandes empresas e indústrias, essa carga tributária, por mais que seja alta, é um preço válido a ser pago, pois ela garante que novas empresas fiquem afastadas e que a concorrência seja mínima.  Com 92 tributos e uma burocracia que é um emaranhado de leis, medidas provisórias, decretos e outros atos tributários aterrorizantes, qual empresa vai se aventurar a concorrer com os barões já estabelecidos?  Ainda mais nesses tempos de terrorismo tributário, em que o sujeito é chamado de "sonegador" por um simples erro no formulário ou na declaração de renda...
  • Andre  13/08/2014 15:44
    Exatamente!

    Para os grandes empresários já estabelecidos está ótimo do jeito que está.
    Eles já estão podres de ricos, um bilhão à mais, um bilhão à menos não faz lá grandes diferença, como explicado pela lei da utilidade marginal.

    Só para os pequenos empreendedores que ainda nem sequer conseguiram abrir suas empresas, devido aos altos custos e extrema burocracia, é que está ruim do jeito que está.

    Só que é mais fácil poucos empresários endinheirados pressionarem o governo do que milhões de potenciais empreendedores com poucos recursos financeiros e poder de influência conseguirem exercer qualquer influência.

    Por isso que o PT recebe MUITO mais doações de empresas enormes do que qualquer outro partido menos esquerdista.

    "PT recebe mais doações que PSDB, PMDB e PSB juntos":
    www1.folha.uol.com.br/poder/2014/05/1456159-pt-recebe-mais-doacoes-que-psdb-pmdb-e-psb-juntos.shtml
  • Leo  14/08/2014 13:49
    Então, Leandro, estes industriais de que você se refere no texto são os pequenos? Que realmente sofrem com a inflação e o aumento dos custos no ano seguinte e a redução dos lucros? Os grandes não "sofrem tanto" assim com a inflação? Pelo menos não nesta magnitude? Entendi corretamente?

    Antes de mais nada, obrigado por ser tão didático e claro nos seus textos e explicações.
  • Leandro  14/08/2014 16:12
    Qualquer indústria, qualquer empresa, de qualquer tamanho. Não há exceções. É tudo uma questão de contabilidade, e a contabilidade não permite truques nem dribles.

    Grande abraço!
  • vinicius  13/08/2014 15:08
    Muito bom o artigo mas ao descartar o Dólar não usou argumento convincente para mim. O governo está vendendo no mercado futuro dólares para segurar o preço e atuando também no mercado presente para isto. Se eu falar que estou 35% mais magro não quer dizer que agora sou magro, pode ser que só esteja menos gordo.

    Acho que as duas explicações podem se complementar tanto o dólar está valorizado quanto a inflação pressiona a indústria e sim sou a favor de concentrarmos somente na industria que somos competitivos sem ajuda governamental.
  • Leandro  13/08/2014 16:02
    Por essa lógica, era para a indústria brasileira ter desaparecido totalmente entre 1995 e 1998, quando o real de fato estava valorizado (e a prova dessa valorização é que, tão logo foi adotado o regime flutuante, o dólar pulou de R$1,20 para R$2,25 em apenas uma semana).

    Mais ainda: naquela época, o mercado era mais aberto em termos tarifários do que é hoje.

    Ou seja, a pressão vinha dos dois lados.

    Entenda: dólar forte é bom para as indústrias (para as competentes, é claro), pois permite que elas possam importar bens de capital bons e a preços baixos. Isso torna as indústrias mais produtivas, e sem que elas tenham de aumentar seus custos. E foi isso o que elas fizeram na segunda metade da década de 1990, quando viram que o câmbio semi-fixo ficaria por um bom tempo.

    Chorar que a culpa é do câmbio é coisa de empresário preguiçoso que não quer se esforçar para ser mais eficiente e fabricar produtos melhores.
  • Ismael Bezerra  13/08/2014 16:12
    Estudo ciências contábeis, e meu professor de finanças estava falando sobre o assunto deste artigo. A diferença é que o enfoque dele era o balanço patrimonial. Muito bom este artigo do mises.
  • Leonardo  13/08/2014 16:25
    Perfeita análise, parabéns pelo excelente trabalho.
  • Ronaldo  13/08/2014 17:20
    Leandro, e o papel dos bancos nesse história? Hoje, no Valor, o Steinbruch reclama dos "juros abusivos" cobrados pelos bancos ...Queria saber seu comentário sobre isso
  • Leandro  13/08/2014 17:40
    Já comentado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854

    Grandes empresários recebem juros subsidiados (dos menores do mundo) tanto do BNDES quanto dos bancos estatais. Reclamam de pança cheia. E eles têm de recorrer a empréstimos justamente porque não têm capital próprio, pelos motivos explicados no artigo.

    Agora, o senhor Steinbruch é, de longe, um dos mais nefastos mercantilistas deste país. E ele está simplesmente incorrendo naquele truque manjadíssimo: diz que algo nefasto (juros subsidiados) ainda é insuficiente. Isso faz com que o governo nem pense em acabar com isso.
  • Carlos  13/08/2014 18:20
    Artigo fantástico.

    Fico triste com uma coisa. Compartilhei a matéria no Facebook já faz umas 3 horas. NENHUM "like" ou "share". Quando posto uma piada ou imagem engraçadinha em minutos um monte de "likes".

    É uma pena que para mudar nossa situação o brasileiro tem que primeiro se interessar por leituras de textos do nível deste artigo. E vejo que ainda vai demorar. pra isso acontecer.

    Grande abraço.
  • Dw  19/08/2014 19:58
    Quando posto no meu face acontece a mesma coisa. Uma única vez, compartilhei um link daqui, e muitos meses depois surgiu um único comentário. realmente, a jornada é longa..
  • Alexandre M. R. Filho  13/08/2014 18:24
    O Leandro tem o dom de usar os fatos para nos mostrar como é clara a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

    Incrível como ela é boa para explicar essas crises malucas que ninguém entende por aí...

    Leandro, adianta aí qual vai ser o tema da sua apresentação lá no seminário!
  • PESCADOR  13/08/2014 18:53
    Artigo nota 10. O último parágrafo foi nota 20. Sensacional.

    Será que se eu compartilhar esse artigo no facebook com a equipe do Skaf, eles ficariam com raiva? Vou fazer isso só pra ver se algum deles responde. Abraço.
  • Henrique  13/08/2014 20:14
    Os artigos do Leandro são uns dos melhores.
  • Dalton C. Rocha  13/08/2014 20:17
    Atualmente, a política industrial da Dilma é uma cópia da política industrial/cambial de José Alfredo Martínez de Hoz (1925 – 2013). A destruição da indústria nacional, pela política cambial absurda, sem qualquer investimento real em infra-estrutura ou educação. Ver site es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Alfredo_Mart%C3%ADnez_de_Hoz
  • Marcos  13/08/2014 22:49
    Dalton, não tem nada de errado com a política cambial. Os problemas são outros.
  • pageUp  13/08/2014 22:08
    Então a inflação tem duplo efeito de tributação porque além de ter dinheiro criado, ela aumenta artificalmente o lucro das empresas que por sua vez é a entrada do cálculo de imposto. Correto?
  • Ivo Rodrigues  13/08/2014 22:23
    Leandro, boa noite.


    Parabéns pelas colocações.

    Fiz uma viagem de negócios pela Áustria e Alemanha no mês de Julho.
    Visitei fábricas de implementos agrícolas e percebi que estamos 50 anos atrasados. Ou seja, as máquinas que nossa indústria produz são as máquinas que eram produzidas 50 anos atrás na Áustria e Alemanha. As máquinas que usamos hoje são as que estão nas fotos antigas pregadas como decoração nos escritórios das fábricas européias.

    Pois bem, caso as importações fossem liberadas, ou, caso a indústria nacional pudesse se desenvolver, a produção nacional de leite iria dobrar. Desta forma, a proteção da indústria nacional neste caso está gerando um gigantestco prejuízo ao país. Os empregos gerados no campo seriam infinitamente maiores que os perdidos pelas indústrias.

    Enfim, o imposto de importação inviabiliza a importação do equipamento. E, todos os produtores preferem comprar máquinas improdutivas porque o mais importante é que os juros do BNDES são muito baratos.

    Será que um dia mudaremos a visão? E conseguiremos enxergar analiticamente cada situação?

    Grato,
    Ivo
  • Leandro  14/08/2014 01:04
    Bom relato, Ivo.

    Eu também observo isso quando vou a esses países. A qualidade da infraestrutura geral, do maquinário agrícola, das instalações fabris, dos carros, das ruas, das estradas, dos aeroportos etc. é de cair o queixo.

    E por aqui, o brasileirinho pró-governo (que nunca saiu da cidade em que nasceu e que se informa sobre o mundo apenas pela televisão) ainda bate no peito dizendo que nós é que estamos bem e que é a Europa que tem de aprender conosco.

    Nem no futebol...
  • Paulo  14/08/2014 01:33
    De fato... porque não exportar bananas e assim utilizarmos nosso potencial. Ou porque até hoje não transformaram a rapadura em um produto tipo 'caviar'? Produzimos cacau, mas não o melhor chocolate.

    Tá na hora de aprender a lucrar...com nossas bugigangas e daí... e não ficar posando de 'industrial'.

    Agora sushi 'agente sabe comer'. E não existem uma industria pesqueira brasileira nesse imenso litoral ? A pesca é ainda na 'jangada'.

    Nossas industrias também... navegam aos ventos dos subsídios cruzados e vitalícios.

    observer.com/2013/05/bluth-for-a-day-how-the-observer-talked-our-way-into-the-banana-stand/
  • Alexandre M. R. Filho  14/08/2014 15:14
    Mais ou menos.

    Tenho amigos esquerda-caviar que vão pra Europa e voltam dizendo extamente o oposto, ou seja, que precisamos de um estado eficiente como o deles para podermos ter a infra-estrutura que eles tem.

    Isto é, eles percebem a diferença, mas a explicam pela falta de um bom estado.

  • Leandro  28/08/2014 17:40
    Diga a eles que a conclusão deles não se sustenta.

    A Itália tem uma carga tributária semelhante à da Alemanha, mas sua infraestrutura é bem pior (no sul do país há várias estradas que ainda nem foram asfaltadas). Pela lógica desses seus amigos, era para a infraestrutura italiana ser pelo menos semelhante à alemã (no entanto, veja o histórico inflacionário da Itália antes do euro).

    Já a Suíça possui uma carga tributária bem menor do que a da Alemanha e da Itália, o que significa -- segundo seus amigos -- que era para o país ter uma infraestrutura em frangalhos. No entanto, o país possui uma infraestrutura invejável(melhor inclusive que a da Alemanha). De novo, vide o histórico inflacionário deste país.

    Já o Japão tem carga tributária intermediária entre Suíça e Itália, mas inflação quase nula. E sua infraestrutura é excepcional.
  • Lucas  14/08/2014 03:17
    Olá Leandro,

    Gostei do artigo, mas fiquei com uma duvida, não seria procedimento padrão ajustar o valor nomianl dos investimentos de 2 ou mais anos atras para a inflação do periodo até o calculo do balanço?

    Isso me parece algo muito óbvio para escapar aos contadores, a menos que o governo desconsidere os ajustes e considere apenas os valores nominais para cobrar imposto, é isso o que acontece?

    Grato!
  • Leandro  14/08/2014 10:05
    Ajustar pela inflação não é padrão na contabilidade. Até tentaram estabelecer algumas regras durante a década de 1970, mas foi ineficaz. Atualmente, não há regras claras para isso (mesmo porque seria subjetivo demais; qual índice você usaria?), e ninguém pode inventar nessa área, caso contrário será acusado de estar fazendo truques contábeis para pagar menos impostos.

    Agora, existe um procedimento chamado de 'depreciação', que ocorre no sentido de desvalorizar o ativo.

    Se a empresa compra uma máquina, o governo (sim, o governo) estabelece que essa máquina tem uma vida útil de 5 anos. Sendo assim, a cada ano, a empresa deduz 20% do valor total desta máquina da sua receita nominal. Isso diminuiu a mordida do IRPJ.

    Eu não entrei nesse detalhe no artigo simplesmente porque, não apenas o exemplo ficaria desnecessariamente cheio de números, como também o valor da depreciação seria o mesmo nos dois exemplos (pois é o governo quem determina, e ele não reajusta esses valores), de modo que o raciocínio final não seria alterado em nada.

    O que o governo poderia fazer, mas não faz, é permitir que, a cada ano, as empresas atribuíssem porcentagens maiores para a depreciação de suas máquinas e equipamentos, de modo que, de um ano para o outro, essa depreciação reduzira o valor das receitas e, com isso, reduziria o valor confiscado pelo imposto de renda.

    Mas ele não faz isso. Ele estabelece que a máquina tem vida útil de 5 anos, e assim fica durante décadas.

    De resto, eis a realidade: o dinheiro já foi utilizado. Não há como reavê-lo.

    Suponha que, em abril, você comprou um engradado de cerveja por R$30 e, em maio, conseguiu revendê-lo por R$32.

    Você obteve um lucro nominal de R$2 e ficou feliz da vida.

    Porém, em junho, por causa da Copa, o preço do engradado subiu para R$33.

    O que você faz? Você só tem R$32. Como você contorna esse fato? Não há truque contábil que contorne essa realidade.

    Você terá de tomar empréstimos para comprar o próximo engradado.
  • Tomio  14/08/2014 22:54
    E aqui temos mais uma pegadinha do governo.
    A empresa é obrigada a lançar a depreciação em seu balanço. E o governo decidiu que a vida útil de uma máquina, por exemplo, é de 5 anos.
    Assim, se você compra uma máquina por R$ 10.000,00 em 5 anos ela estará totalmente depreciada e se você vendê-la por R$ 5.000,00 a Receita Federal considera que você teve um LUCRO de R$5.000,00 e te cobra IRPJ e CSLL sobre este valor.
    Se vocês perguntarem pra alguém da Receita, a resposta será : "mas a empresa beneficiou-se durante os 5 anos, porque lançou o valor como despesa". O que é uma quase verdade... Ocorre que este procedimento se aplica também para optantes do lucro presumido. Desta forma, não teve nenhum benefício ao lançar a depreciação e ainda tem de pagar IRPJ e CSLL, sobre o "lucro".
    Sensacional, não?

    Abs.
  • IRCR  14/08/2014 06:59
    Curioso que não era Paul Krugman que estava revoltado pq a industria alemã era tão produtiva ? que estava oprimindo os outros países do Euro.
  • Paulo Freire  14/08/2014 12:45
    Pelo que se deduz, a inflação alta gera mais arrecadação de impostos para o governo. Tira dinheiro da sociedade que seria investido na produção.
  • Vive la Liberte  14/08/2014 18:15
    Parabéns pelo artigo Leandro. Ficou bem legal.

    Queria saber sua opinião sobre essa obsessão que alguns economistas têm com o câmbio.

    Eu estava pensando aqui com o meus botões... as exportações brasileiras são essencialmente compostas por produtos primários como soja, minério de ferro, carne bovina, café, petróleo bruto, açúcar e frango, certo? Não é toda empresa brasileira que exporta. Acredito eu, que as empresas brasileiras exportadoras devem ser, via de regras, empresas bem grandes.
    Por que se assume uma alta taxa de câmbio (desvalorização o real) ajudaria o Brasil a se industrializar? Não ficaria mais difícil de importar maquinário? Não fortaleceria apenas essas grandes indústrias que já recebem outros tipos de benefícios? Não consolidaria o papel de exportador de commodities ao Brasil?
    Há alguma pesquisa séria para o Brasil que demonstre a relação entre industrialização e taxa de câmbio?

    Obrigado. Abraços.
  • Leandro  14/08/2014 21:33
    Também nunca entendi e nem nunca li nenhum trabalho científico a respeito. Se alguém souber de algo, agradeço.
  • Marcelo  14/08/2014 18:29
    Uma correção: a reportagem do Estadão fala de quarto MÊS consecutivo, não de quarto TRIMESTRE consecutivo.

    Obrigado.
  • Leandro  14/08/2014 21:21
    Não. Já estamos realmente no quarto trimestre.

    www.iedi.org.br/artigos/top/analise/analise_iedi_20140530_pib.html
  • Observadora  14/08/2014 19:56
    Em primeiro lugar, eu gostaria de cumprimentar o autor pelo elucidativo artigo. Uma análise explicando um assunto assim, de interesse de uma nação mas polêmico, sob medida para qualquer entendimento não é coisa que se vê por aí. Sem esquecer de mencionar os colegas que sempre perguntam e/ou puxam o texto para além do que foi.

    Não mais importante, eu gostaria de encarecidamente sugerir que sejam escolhidas melhor as imagens. Por exemplo nesse artigo poderia ter sido escolhida uma em que o nosso atual Ministro da Fazenda apareça com uma imagem mais séria ou austera. Eu li o artigo e os comentários, mas minhas impressões mais revoltantes sobre o assunto se desmancham em um pouco de escárnio toda vez que olho a imagem inserida (será que isso só acontece comigo?). E isso não é correto; juro que estou me sentindo muito mal por isso. Mas como eu sou um pouco uma alienígena, então leve em conta também a possibilidade de essa ser apenas uma visão distorcida minha, e desconsidere a sugestão.

    Muito obrigada pela atenção.
  • Ítalo Soares  15/08/2014 03:39
    Mais um artigo arrebatador do Leandro Roque. É admirável a lucidez de suas palavras e a sinceridade de seu iniciativa.

    Se o Brasil fosse um país sério, o Leandro já estaria assinando a coluna de economia de algum grande jornal.

    Siga com esse nobre trabalho.

    Abraços.
  • Charles Miller  15/08/2014 14:12
    Tem algum artigo que mostre como a inflação atrapalha o próprio Estado? Incrível como as burradas do Estado atrapalham ele mesmo...
  • Vítor Jó  15/08/2014 17:58
    Bom artigo.
    ALGUÉM teria mais textos sobre esse fenômeno?
    Obrigado
  • Primo  15/08/2014 23:42
    Belo artigo. Ficou bem evidente nos exemplos numéricos apresentados como a inflação pode atrapalhar a percepção de resultados do empresário. O artigo comentou rapidamente a questão a energia elétrica que é aplicado diretamente na conta do balanço empresarial. Fico imaginando o estrago que causa os planos governamentais de ação direta na economia. Economia tem um equilíbrio, seja ele natural ou forçado. Dizem que o governo está segurando o preço da gasolina e dizem que isso está afetando a indústria de álcool. A um tempo atras houve forte incentivo para industria alcooleira. Eu particularmente prefiro beber álcool à gasolina. Dizem que é possível comprar ferramentas metálicas na china mais barata que a matéria prima que se compra aqui, e o brasil é que exporta o minério de ferro. Será que isso ocorre porque na china tem carvão e transformam o mineiro em aço com mais eficiência? Ou será que é um dos poucos subterfúgios que temos para conseguir um pouco de dólar? As industria de ferramentas se transformaram em importadoras.
    O que quero dizer é que além da inflação temos o efeito secundário de uma ação direta do governo na economia. Como ele é soberano e ele define as regras e essas regras mudam a todo momento o empresariado nacional além do calculo inflacionário deve ficar atento as medidas protecionistas. Quando a proteção governamental no setor acaba muitas empresas quebram pois certamente estavam participando de uma micro "bolha".
  • alessandro  16/08/2014 00:53
    Prezado leandro

    Me informaram do mises em um blog que frequento. Parabens pelo seu artigo. Excelente.
    Sou apartidario e servidor publico - auditor fiscal do trabalho.

    De antemao digo que tudo que vc falou esta correto. Apenas gostaria de comentar sobre a questao dos encargos trabalhistas.
    Seu artigo foi jornalistico e imparcial. Perfeito. Acontece que sj to grande dificuldade em aceitar um sistema produtivo em que nao seja garantido o que chamamos de "trabalho decente". Confesso que prefiro pagar mais por um produto e saber que todos da linha produtiva podem comer do que ser apenas economico.
    Digo isso por causa do que vem sendo pregado no brasil, de que o trabalhador xing ling eh uma opcao. Sinceramente discordo. Nao eh, nem nunca serah. Trabalhadores sem banheiro nem agua, para mim eh demais.

    Enfim, novamente parabens pelo trabalho
  • alessandro  18/08/2014 12:11
    Oi Leandro

    uma duvida.
    Vc não acha que o empresariado brasileiro tem erro quanto à não aplicação de economia de escala quanto aos preços? Eu vejo uma diferença absurda na forma de prática comercial dos EUA e as nossas. A economia de escala brasileira funciona apenas par a produção. Na política de preços, para aumentar o faturamento, preferem aumentar o preço e diminuir as vendas do que o contrário, como fazem os EUA.

    Acho até que é por culpa dos impostos crescentes. Acho isso tão arraigado que até os bancos privados, quando chegam no Brasil, seguem a mesma cartilha!
  • JBALL  17/08/2014 08:41
    Muito interessante Leandro. Uma dúvida..

    Não existe nos países hoje um cenário com inflação nula, ela sempre será mínima, mesmo nos países que tem indústrias robustas. Ou seja, baseando-se nos cenários que você assumiu (inflação 0 e 30%) o valor no caixa sempre será menor que os 97,5 milhões por menor que seja a inflação.

    Então, os empresários de países de inflação baixa ainda sim terão menos caixa para investimento. Qual o critério para saber a partir de quantos % da inflação irá causar problemas?
  • Ismael Bezerra  17/08/2014 18:58
    Prezado Leandro, em sua opinao porque a contabilidade, os contadores e os cursos de contabilidade sao tao desprezados no Brasil. Em paises mais desenvolvidos acontece a mesma coisa?
  • Leandro  18/08/2014 13:54
    Boa pergunta, Ismael. Como venho dizendo há um bom tempo, economista que não entende o básico da contabilidade não entende como funciona o sistema bancário e nem as decisões de investimento de uma empresa. Contabilidade é imprescindível.
  • Ismael Bezerra  18/08/2014 16:23
    Eu pretendo, depois de formado, montar uma empresa na área contábil (não mais um escritório contábil que se preocupa apenas com declarações e darf) qual livro você me indicaria sobre contabilidade, do ponto de vista libertário?
  • Leandro  18/08/2014 17:20
    Contabilidade libertária?! Contabilidade não permite ideologias. Por isso ela é essencial.
  • Ismael Bezerra  18/08/2014 17:34
    Quando eu falo em contabilidade libertária, não é uma ideologia. Acontece que a contabilidade da qual nós aprendemos e praticamos é voltada para a burocracia(DCTF Dacon, DIPJ) ou fiscal (qual o melhor enquadramento SIMPLES, Lucro Real). Na verdade o que eu quis dizer é a contabilidade pura, isto é, receita - custo= lucro/prejuízo. Mais lucro e um fluxo de caixa bom sua empresa cresce, sem lucro e sem fluxo de caixa sua empresa vai a falência.
  • Ronaldo  29/08/2014 16:16
    Ismael


    CONTABILDIADE EMPRESARIAL - MARION
    ANALISE FINANCEIRA DE BALANÇOS - MATARAZZO

    recomendo tambem estudar Financeira

    ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA - GITMAN
  • Ismael Bezerra  23/08/2014 18:44
    Achei o livro que eu estava procurando. Ação Humana do Mises.
  • Universitário  18/08/2014 03:44
    Muito bom texto, mas enquanto lia uma dúvida não me saia da cabeça. Levar em consideração o lucro real, descontado a inflação do período, ao invés do lucro nominal não evitaria esse todo esse problema nos investimentos? Empresas como a Wolksvagem, e empresas menores, não contariam com a inflação na apuração dos resultados? As variáveis reais são o que realmente importam no final das contas. O principal problema da inflação, ao meu ver, estaria no fato da mesma deteriorar o poder de compra dos agentes econômicos, causando uma queda na produção, demissões e desestimulo aos investimentos.
    Obrigado pela atenção.
  • xisburge  18/08/2014 04:00
    Com todo respeito, mas culpar a inflação e excluir o câmbio, como motivos da derrocada da indústria é uma explicação totalmente deslocada da realidade. Assim como o joão eu também tenho uma pequena indústria e vejo o dia a dia da situação, então vou falar minha visão da coisa.

    Digamos assim, a inflação realmente atrapalha bastante os negócios, tirando a previsibilidade do negócio. Mas, quando a inflação fica estagnada num patamar estável, ainda dá pra fazer as contas, tirar seus impactos e tocar projetos de investimento adiante. Então, se vc sabe que a inflação vai ser 6% no próximo ano, já vai colocando isso nas contas, e no final tem uma cálculo razoável.

    O problema é quando a inflação começa a galopar como está acontecendo agora e do dólar não acompanha. Os funcionários pressionam por salários, os fornecedores pressionam pra repassar seus preços e os compradores pressionam pra não receber os repasses. Como o dolar não acompanha, voce não pode repassar para o preço final todos os aumentos de custos, pq o produto internamente tem q ter o mesmo preço do mercado externo, ou vc será substituido. Resultado que sua margem de lucro é pressionada.

    Nos últimos 8-10 anos, por aí, vimos o dolar caindo de uns 3,50 lá em 2002 (que equivaleriam a uns 7 pila hj), para até 1,60 no período. No mesmo tempo vimos os custos internos, em termos nominais, triplicarem. Resultado: em diversas indústrias os preços de venda interna ficaram praticamente estabilizados ao passo que os custos dispararam. A margem de lucro q era absurda lá em 2002, foi caindo... caindo... caindo.. até chegar num ponto que a para a indústria, na média, simplesmente parou de ser interessante continuar investindo e aumentando a produção. Ninguém investe para não obter retorno compatível ou abaixo do que acha no mercado financeiro. Ao meu ver isto foi lá por 2007. De 2008 até hoje a indústria está praticamente no mesmo patamar. Continua trabalhando, pq na maioria dos setores é impossível vc desinvestir uma fábrica inteira e conseguir algum retorno por isso. Então você continua trabalhando, esperando q melhore, tomando pequenso prejuizos, ganhando pequenos lucros. MAS CERTAMENTE NAO INVESTE MAIS. Então o dólar explica sim, uma parte significativa das coisas. No tete-a-tete não interessa se a maquina custa 200 mil dolares e 400 mil ou 800 mil reais. Interessa que colocando na ponta do lapis, no fim das contas, montar a operação dê um retorno sobre o investimento.

    Se de 2010 pra cá o dolar subiu 35% e mesmo assim a indústria não reagiu, boa parte da explicação é pq os custos subiram na mesma proporção. E em 2010 a indústria já estava definhando. Desde 2008, a grosso modo, só um setor relevante tem investido bem, que é o de automoveis. Esse cresceu uns 45-50% no periodo. Quase todo o resto da indústria tá afundando vagarosamente. Mas tá afundando. Não pq não tem o maquinário mais moderno que poderia ter comprado com o dolar baixo, mas pq para trabalhar no Brasil, com essa ineficiência, burocracia, leis anacronicas e infraestrutura medieval, nem tecnologia alienígena dá conta. Alguns setores específicos, algumas empresas específicas podem até prosperar. Um outro bom tanto da indústria pode se segurar, sobreviver. Mas no geralzão, dado que reformas nunca sairão, a saída deveria ser pelo câmbio. O câmbio livre certamente já estaria bem acima do patamar atual. Mas com governo continuando a deteriorar as condições internas, e segurando a cotação da moeda via BC, não dá pra esperar algo muito melhor no futuro próximo. A indústria vai continuar a putrefar.
  • Leandro  18/08/2014 06:55
    "Assim como o joão eu também tenho uma pequena indústria e vejo o dia a dia da situação, então vou falar minha visão da coisa."

    Vejamos se você saberá ligar causa e consequência.

    "O problema é quando a inflação começa a galopar como está acontecendo agora e do dólar não acompanha."

    Perceba que, logo de cara, você já corrobora todo o texto: o problema é quando a inflação galopa.

    O dólar não acompanhar essa galopagem é secundário (e benéfico para a economia como um todo). O real problema, você próprio confessa, está no aumento dos custos.

    "Os funcionários pressionam por salários, os fornecedores pressionam pra repassar seus preços e os compradores pressionam pra não receber os repasses."

    Ou seja, você próprio reconhece que o problema está no rápido crescimento dos custos.

    "Como o dolar não acompanha, voce não pode repassar para o preço final todos os aumentos de custos, pq o produto internamente tem q ter o mesmo preço do mercado externo, ou vc será substituido. Resultado que sua margem de lucro é pressionada."

    Ou seja, você próprio reconhece que o problema está no rápido crescimento dos custos.

    "Nos últimos 8-10 anos, por aí, vimos o dolar caindo de uns 3,50 lá em 2002 (que equivaleriam a uns 7 pila hj), para até 1,60 no período."

    E este período -- que foi de 2002 a 2008 -- foi aquele em que a indústria mais cresceu, segundo as estatísticas.

    "No mesmo tempo vimos os custos internos, em termos nominais, triplicarem. Resultado: em diversas indústrias os preços de venda interna ficaram praticamente estabilizados ao passo que os custos dispararam."

    Ou seja, você próprio corrobora que o problema foi o aumento dos custos.

    "A margem de lucro q era absurda lá em 2002, foi caindo... caindo... caindo.. até chegar num ponto que a para a indústria, na média, simplesmente parou de ser interessante continuar investindo e aumentando a produção."

    Ou seja, você próprio corrobora que o problema foi o aumento dos custos.

    "Ninguém investe para não obter retorno compatível ou abaixo do que acha no mercado financeiro. Ao meu ver isto foi lá por 2007. De 2008 até hoje a indústria está praticamente no mesmo patamar. Continua trabalhando, pq na maioria dos setores é impossível vc desinvestir uma fábrica inteira e conseguir algum retorno por isso. Então você continua trabalhando, esperando q melhore, tomando pequenso prejuizos, ganhando pequenos lucros. MAS CERTAMENTE NAO INVESTE MAIS. Então o dólar explica sim, uma parte significativa das coisas."

    A sua conclusão está completamente desconectada das suas próprias premissas. Você citou vários problemas relacionados ao aumento dos custos, e em seguida concluiu que o problema é o dólar, que não encareceu o suficiente.

    Ou seja, em vez de apenas os custos encarecem, o ideal seria que o dólar também encarecesse com a mesma intensidade. Aí sim, com essa carestia dupla, ficaria tudo ótimo.

    Lógica incompreensível.

    "No tete-a-tete não interessa se a maquina custa 200 mil dolares e 400 mil ou 800 mil reais. Interessa que colocando na ponta do lapis, no fim das contas, montar a operação dê um retorno sobre o investimento."

    Ou seja, é você próprio quem está dizendo que o preço do dólar não importa, mas sim o retorno sobre o investimento (algo diretamente relacionado aos custos).

    "Se de 2010 pra cá o dolar subiu 35% e mesmo assim a indústria não reagiu, boa parte da explicação é pq os custos subiram na mesma proporção."

    Depois dessa, eu posso parar: você mais uma vez reconhece que o problema está no aumento dos custos gerados pela inflação.


    Conclusão: você concordou totalmente com o artigo, mas por algum motivo insondável, você diz que o problema todo está no câmbio, que não encareceu na mesma magnitude do encarecimento dos custos. Ou seja, segundo você, o problema não é que os custos subiram; o problema é que o dólar não subiu na mesma proporção. Pelo seu raciocínio, em vez estarmos sofrendo apenas com o encarecimento dos preços, era para também estarmos sofrendo com o encarecimento das outras moedas no mercado internacional. Aí sim estaríamos bem...

    Lógica impecável.
  • patricio  25/08/2014 20:57
    O que ele está procurando é a proteção do dolar. Qualquer semelhança com os subsidios do BNDES/taxas de importação é mera coincidencia.
  • FGB  19/08/2014 13:28
    Ótimo artigo, Leandro!
  • Renato  20/08/2014 23:57
    Leandro, desculpe por estragar seu dia com a seguinte notícia, mas acho que você deveria ver isto. O que dizer sobre isso?
    carplace.virgula.uol.com.br/bc-injeta-25-bilhoes-na-economia-credito-para-veiculos-sera-estimulado/
  • Lucas Amaro  22/08/2014 11:05
    Leandro, certamente concordo com a questão central do artigo, mas vejo que não é assim tão simples de definir os preços, já que conforme ocorrer a escalada inflacionária vários gastos da empresa irão sim sofrer reajustes por parte dos fornecedores. Os ativos propriamente ditos realmente não, mas várias despesas administrativas, por exemplo, sofrerão reajustes nominais conforme a escalada de preços, então o gap não será tão grande assim.

    Uma dúvida: o mesmo problema da inflação maquiar a contabilidade também ocorre com o setor de serviços e agrícola, correto? Por que no caso da indústria o processo se intensificaria em relação aos outros?
  • Guilherme  23/08/2014 17:20
    Leandro, seus artigos são simplesmente FANTÁSTICOS!
    Muito bem argumentado, muitos dados e com excelente escrita.

    Meu sincero MUITO OBRIGADO!
  • Yonatan Mozzini  28/08/2014 12:53
    Um desabafo aos amigos virtuais do Instituto Mises Brasil.

    De segunda-feira até ontem, dia 27 de agosto, tivemos a Semana Acadêmica de Economia na Unioeste de Francisco Beltrão, Paraná. O tema foi a indústria brasileira. De modo geral, até que foram construtivas as falas dos preletores. Ontem, no entanto, o Dr. Oreiro, o presidente da Associação Keynesiana Brasileira, o palestrante da noite, teve atitudes deploráveis, além de defender uma teoria furada. Tudo o que ele disse pode ser resumido numa única sentença: câmbio valorizado causa desindustrialização e é isso o que está ocorrendo atualmente no Brasil.

    Primeiramente eu havia feito uma pergunta escrita, com viés de crítica, dizendo conter imoralidade e irracionalidade na política de desvalorização do real a fim de fortalecimento da indústria, pois esta ocorre em detrimento do padrão de vida de toda uma população. Ele, talvez por não ter entendido a pergunta, criou um espantalho e começou a esbofeteá-lo, criando um cenário deplorável para o futuro do Brasil caso não tenhamos essa política de desvalorização. Chegou ao absurdo de citar a Alemanha Oriental como fosse um desastre da manutenção da política monetária atual. Após o fim das perguntas escritas, foi solicitado se alguém tinha algum comentário ou pergunta final a fazer. Eu pus-me de pé e critiquei a desvalorização do real, dizendo que economias que ele tanto citou como industrializadas – como a Alemanha e o Japão – desenvolveram sua indústria com moedas fortemente valorizadas. Ele desviou do foco citando um fato dos anos noventa a respeito de uma ligeira recuperação da indústria de um país europeu devido uma desvalorização da moeda. Eu respondi dizendo que a Alemanha, após a Segunda Guerra, além do marco fortemente valorizado, adotou o modelo econômico chamado ordoliberalismo. Antes desse período, que vai de 1945 a 1947 o regime econômico alemão – estrutura produtiva e institucional - ainda era nazista. Eu já estava citando o burocrata responsável pelo sucesso alemão, economista liberal Ludwig Erhard quando o senhor Oreiro, na sua ignorância, interrompeu-me e disse para eu estudar, encerrando grosseiramente a sua fala...

    No segundo dia, o palestrante era um representante da Fiep – Federação das Indústrias do Paraná. Eu me surpreendi, pois ele criticou severamente a posição atual do governo através do incentivo ao consumismo e disse ser necessária maior liberdade econômica ao setor industrial: menores regulações e menor carga tributária. Em nenhum momento sequer tocou na questão do câmbio. Tive que aplaudir o cara.

    Na próxima edição da Semana Acadêmica vou procurar convencer a direção do curso para trazer um membro do IMB para discorrer sobre o assunto que for. Se não nos mobilizarmos, jamais estaremos livres dessas maldições intervencionistas e imbecilidades acadêmicas.

    Um grande abraço à equipe IMB e a seus seguidores.
  • Leandro  28/08/2014 17:31
    Essa gente tem um samba de apenas duas notas: desvalorizar o câmbio e aumentar as tarifas de importação. É só isso que eles sabem dizer e é só isso que sabem recomendar. E ainda acham que isso representa uma análise econômica profunda.

    Desconhecem totalmente os efeitos combinadas da inflação, da carga tributária, das regulamentações e das exigências sindicais.

    Eles são absolutamente cegos para as consequências maléficas dessas duas medidas que recomendam (ou enxergam perfeitamente, o que apenas aumenta sua perfídia) e são totalmente incapazes de entender as reais causas do problema, pois consideram que "um pouquinho de inflação" não apenas é desejável, como também é benéfico.

    Eles desconhecem a lição de Bastiat, que ensina que tão importante quanto aquilo que se vê é aquilo que não se vê.
  • Yonatan Mozzini  18/02/2016 13:06
    Leandro, esses dias atrás nós estávamos na aula de Economia Internacional e eu contei ao professor a respeito desse episódio lamentável na faculdade e sobre a "teoria" keynesiana da desindustrialização, pois ele não estava presente no dia do ocorrido. Quando eu disse a ele a opinião do Oreiro, o professor, o Dr. Jaime, disse: "Esse cara é louco". E ele disse mais ou menos assim: "É justamente o contrário: é num cenário de câmbio desvalorizado que se tende a haver maior reprimarização da economia".

    Segundo o professor Jaime, a formação bruta de capital fixo depende fundamentalmente de uma moeda forte. Segundo ele, uma moeda fraca causa desnacionalização da indústria pelo fato dos ativos em moeda nacional serem muito atraentes aos estrangeiros. Além disso, segundo ele, uma moeda forte atua em sentido similar a uma economia aberta: gera maior eficiência por promover maior concorrência e maior especialização.
  • Leandro  18/02/2016 13:59
    Alvíssaras!

    Bom saber que ainda há alguma esperança no meio acadêmico.
  • Yonatan Mozzini  30/06/2016 13:46
    Agora minhas aulas já acabaram, mas me lembro que eu perguntei a ele: "professor, na sua opinião, seria mais importante termos uma economia aberta ou uma moeda mais forte?" Ele respondeu que é mais importante termos uma economia mais aberta, até porque isso facilitará/permitirá que venham maiores investimentos estrangeiros, o que fará com que tenhamos naturalmente uma moeda mais apreciada – baseando-se na abertura de Collor, que fez com se aumentasse nossas reservas para US$ 40 bilhões em pouco tempo.

    Leandro, nisso você concorda com meu antigo professor ou, na sua opinião, a moeda forte deve ser buscada antes de uma maior abertura econômica?
  • Leandro  30/06/2016 15:09
    Por que essa dicotomia? É perfeitamente possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

    Mais ainda: não há como ter uma moeda forte num país fechado. Se o país se fecha, seu governo está mandando um claro sinal de que não quer o livre comércio. E, a partir do momento em que o livre comércio é obstaculizado, a força da moeda se deteriora. Barreiras ao livre comércio equivalem a uma redução no poder de compra da moeda. Se o comércio deixa de ser livre e passa a ser restringido, o poder de compra da moeda vai junto.

    Consequentemente, os mercados financeiros derrubam a cotação da moeda.
  • Henrique Figueiredo Simoes  28/08/2014 17:39
    Leandro, melhor que os seus artigos, só as suas respostas às perguntas e refutações. Parabéns, mais uma vez, por todo o trabalho.

    Grande abraço,
  • Leandro  29/08/2014 13:33
    Obrigado pela gentileza das palavras, Henrique. Grande abraço!
  • Ronaldo  29/08/2014 16:12
    O IMB poderia fazer um artigo mostrando as dificuldades que o empresario e empresas brasileiras, como as pequenas, sofrem aqui no Brasil com um olhar mais "Micro"? (Não necessariamente os assuntos que englobam a Microeconomia). Tipo, o dia-dia de uma empresa e seus problemas com a complexidade, alguns exemplos como a MALDITA Substituição Tributária. Ou isto estaria fora do foco do site?
  • Marcelo F. P. Alcantara  29/08/2014 22:03
    Aproveito o espaço para instigar pessoas sérias a comprovar minha teoria sobre o atraso econômico do Brasil: O problema consiste na evidente falta de carvão de boa qualidade.
    Até 1750 os países europeus que possuíam bom carvão e ferro tinham boas armas e bons utensílios, usados como fonte econômica.
    Após a Primeira Revolução Industrial a situação se acentuou com as máquinas a vapor, quando Inglaterra e Austria-Hungria se sobressaíram, paralelo a esses os EUA foram o maior objetivo de investimento europeu, pois lá se encontra bastante carvão bom e bastante ferro.
    Após a segunda Revolução então as diferenças entre os europeus e norte-americanos se tornou mínima em competitividade. E nós, do Brasil, não podíamos competir em nada...
    Espero que gostem, pois não aguento mais ouvir esse silêncio sobre o atraso econômico
  • Daniel  29/08/2014 22:14
    Isso! O problema todo era o carvão! Sempre foi!

    (De onde surge essa gente exótica?)
  • Lopes  30/08/2014 00:13
    Darei ao Marcelo o benefício da dúvida, dada a importância do carvão e a real coincidência espacial entre industrialização e produção de carvão na Europa. De forma incômoda, ele associa atraso econômico à ausência de industrialização, pressupondo uma marcha à tal como um imperativo histórico na definição de progresso (daí o uso do termo 'atraso') e não como uma possibilidade advinda da pura divisão de trabalho, feita para gerar mais bens com menor destruição de recursos: - como por lógica, fazer agricultura em áreas de clima e solo cômodos e fábricas em áreas próximas da mineração; um arranjo oposto apenas geraria utilidade menor que a possível, apenas feito marginalmente mais lucrativo e produtivo pela existência de encarecimentos ou proibições artificiais.

    Mas mesmo partindo de premissas questionáveis - não exagerarei a assumir julgamento de valor total do Marcelo, dado que foi apenas um comentário casual e não uma tese econômica; exigir a franqueza d'uma seria, talvez, desonestidade da minha parte. Não farei a suposição que ele de fato acredita que o único motivo para uma industrialização é o carvão, por respeito ao artigo do Leandro - é de fato um questionamento feito de boa vontade que merece ser relevado:

    O grande problema no argumento do carvão como causa do atraso é quando encaramos países que hoje detêm uma produtividade / competitividade altíssima comparada ao trabalhador americano com aquela detida pelos brasileiros. Veja a Coréia (Quarta maior IMPORTADORA de carvão do mundo¹) e Taiwan neste gráfico do Financial Times comparando a produtividade de vários países em relação à americana):

    www.mises.org.br/images/articles/2012/Dezembro/Ecobrasileira/Labour-productivity-the-gap-with-the-US.png

    [b]Taiwan e Coréia do Sul, pelo raciocínio do carvão, deveriam estar no mesmo patamar ou inferior em atraso relativo ao Brasil
    , possuindo, para piorar, ainda menos recursos naturais de uso energético. Mas isto não é visto no gráfico. Além disso, o lacuna de produtividade deveria ter uma proporcionalidade objetiva para com o tempo levado até o início do acesso ao carvão por um país em uma dadajustificativa puramente em recursos para o 'atraso da industrialização' de uma nação qualquer.

    ¹ = Dados da EIA. www.eia.gov/countries/cab.cfm?fips=ks (Coréia 4º maior importadora de carvão)
  • Felipe  30/08/2014 02:06
    A existência de generosas reservas carboníferas pode realmente ter sido um fator catalisador - no século XIX - isto é, de 1840 a 1900, período onde ocorreu a segunda revolução industrial. No entanto, carvão era e é um bem extremamente abundante e barato na Europa, de modo que seria extremamente barato importá-lo.

    Por outro lado, o Brasil era e é rico em borracha, e nem por isso participou do boom dos eletrônicos primitivos (as vezes chamado de 2,5 revolução industrial, isto é, posterior ao motor a combustão e anterior ao microchip), altamente dependentes da borracha como isolante, que ocorreu de 1910 a 1950.
  • Rodrigo Amado  29/08/2014 23:53
    Correlação não implica causalidade.
    Além do mais em geral o que determina o destino de determinada população não é apenas um fator, mas uma combinação de fatores.

    E veja que é possível achar muitos contra exemplos para essa teoria:
    Japão, Suíça e Coréia do Sul são três que me vêem à cabeça de imediato que são desenvolvidos e que não possuem carvão bom.
  • Pobre Paulista  16/09/2014 12:48
    Sobre o "Correlação não implica causalidade": Spurions Correlations

  • Emerson Luis, um Psicologo  31/08/2014 18:47

    É triste ver que as causas e soluções do problema são conhecidos, mas são simplesmente ignorados por dogmatismo e que a situação provavelmente vai piorar.

    * * *
  • Hugo  07/09/2014 19:47
    Leandro como ficaria o balancete dessa empresa num cenário de deflação leve,de mais ou menos 0,5% q nem acontece agora nos países mais afetados pela crise do Euro?
  • Leandro  08/09/2014 13:58
    Ainda melhor que no cenário de inflação zero, pois os custos estariam diminuindo.

    Os países do euro não puderam vivenciar esta benção porque os governos aumentaram (e muito) os impostos, e os sindicatos não permitiram reduções salariais.
  • Rhyan  16/09/2014 01:54
    Leandro, por que há expectativa de inflação alta no futuro sendo que a base monetária está decrescendo (varição anual), e o M1 mais ainda (os meios fiduciários estão negativos)?

    Obrigado, abraço!
  • Leandro  16/09/2014 12:18
    Base monetária não é padrão para nada, pois as reservas bancárias, que compõe a base monetária, simplesmente não entram na economia.

    Meios fiduciários podem, em determinadas circunstâncias, ser um tanto ludibriosos, pois o que pode estar havendo é a transferência de dinheiro da conta-corrente para conta-poupança, para depósitos a prazo ou para fundos de investimento.

    No que mais, o cálculo dos meios fiduciários perdeu um pouco do sentido, pois o Banco Central, desde o final de 2008, vem alterando seguidamente o compulsório, tanto dos depósitos à vista quanto dos depósitos a prazo. Isso provocou várias migrações de dinheiro que estava contabilizado nas reservas bancárias (que, por definição, são as reservas para os depósitos em conta-corrente) para as reservas dos depósitos em poupança e dos depósitos a prazo. Consequentemente, os valores numéricos para o cálculo passaram a flutuar muito, fazendo com que eles perdessem a eficácia que tinham para prever o comportamento futuro da inflação e do PIB.

    O melhor prognosticador continua sendo a expansão do crédito, pois se trata de um dinheiro que definitivamente entra na economia e é gasto (ninguém pede empréstimo e deixa o dinheiro parado, sem gastá-lo).

    E o grande vilão são os bancos estatais.
  • david  16/09/2014 13:39
    Leandro, só uma dúvida. Em 2008, no artigo "Exemplo Clássico", você disse que "A Teoria Austríaca explica que o aumento indiscriminado da base monetária - que consequentemente causa o aumento dos agregados monetários M1, M2, M3 E MZM - irá causar inflação de preços, investimentos errôneos e, finalmente, ciclos econômicos". Logo abaixo você comentou que além disso, "o governo ainda criou leis populistas que obrigavam os bancos a conceder financiamentos a pessoas sem qualquer condição financeira e/ou com histórico creditício duvidoso". Já antecipando o que ocorreria no Brasil alguns anos adiante.

    A base monetária causa a expansão dos outros agregados, a inflação de preços e investimentos errôneos? Como isso ocorre?

    inté,

    david..
  • Leandro  16/09/2014 14:27
    Em épocas normais, um aumento na base monetária permite aos bancos expandir o crédito cobrando juros menores. No entanto, tal relação nem sempre é tão simples e direta.

    Os bancos podem estar entupidos de reservas (como os bancos americanos), porém se eles não concederem empréstimos (seja porque não há demanda por empréstimos; seja porque eles ficaram mais rigorosos na concessão do crédito), o dinheiro simplesmente não entra na economia.

    Da mesma maneira, a base monetária pode estar encolhendo sem que isso não signifique nada. Como? É simples. Uma das variáveis da base monetária são as "reservas bancárias", e as reservas bancárias contemplam reservas apenas para depósitos em conta-corrente, e não para depósitos em poupança, a prazo ou em fundos de investimento. Sendo assim, a simples transferência de dinheiro da conta-corrente para outras contas bancárias tende a gerar uma redução das reservas bancárias (logo, da base monetária) sem que isso implique qualquer contração monetária ou redução da expansão do crédito.

    O buraco é bem mais embaixo.
  • Jairson Sampaio Lobo  08/10/2014 18:36
    Leandro.
    Inicialmente Boa Tarde.

    Ao ler as análises citadas acima, bem como, o trabalho desenvolvido pela FIESP, como
    também, os trabalhos desenvolvidos por 25 economistas renomados do Brasil, com base no
    10º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, ocorrido em 30 de setembro de 2.013, observa-se em síntese os seguintes dados:

    As Indústrias de Transformação que participavam na formação do PIB brasileiro em 1.995
    com 27,2 %, no exercício de 2.014 deverá atingir somente 13,5 % ou seja, uma perda de
    " SHARE " de somente 50,4 % pontos e se nada for feito, uma projeção para continuidade
    do cenário atual : perda de dinamismo da economia doméstica, vindo a representar no
    ano de 2.029 uma participação de 9,3 % , onde poderemos dizer níveis incompatíveis com o desenvolvimento econômico e social almejado pela sociedade brasileira.

    Nos últimos 10 anos, enquanto a " Produção Física Industrial" teve um crescimento de
    23,9% o " Comércio Varejista " veio a apresentar uma variação acumulada de mais de 109,6 %.

    Isto só vem a demonstrar, as grandes distorções existentes no tratamento dado aos segmentos citados.

    Podemos concluir que o cerne da questão não tem sido o " Setor Industrial " mas sim
    o cerne da riqueza é o conhecimento. Mas sim o de reduzir o percentual total da indús
    tria na economia e de aumentar a riqueza das massas por meio dos serviços.

    Se isto é uma verdade, um País tem que ter um equilíbrio sustentado, para administrar
    esta posição, pois, ao redor do mundo as nações industrializadas terceirizaram suas bases manufatureiras para os países extremamente pobres, onde o custo da mão de obra é bem mais barato, vindo a competir com os produtos desenvolvidos no mercado mundial.

    Ou seja, cada vez mais, os países mais desenvolvidos, tornando-se mais ricos, em de -
    trimento dos países em desenvolvimento.

    Diria também, como estimular o parque industrial brasileiro, visando tornar esta situ
    ação mais sustentável, se nada for feito.

    Qual a solução que poderemos encontrar para darmos início nesta nova posição, diria
    então, que nos trabalhos apresentados, não vim a encontrar nenhuma solução que real -
    mente viesse a contemplar esta necessidade.

    Será que a resposta é simples, eu diria que não, mas uma somatória de medidas de âm-
    bito nacional poderiam ser desenvolvidas, para reverter este quadro,e a partir destas medidas factíveis, melhorar substancialmente o quadro da " Participação da Indústria de Transformação " na participação do PIB brasileiro.

    Como resposta, temos o nosso próprio desenvolvimento das " Vendas do Comércio Varejis
    ta " como resposta, ou será que esta distorção ainda não foi observada.

    Exemplificamos: Enquanto uma indústria demora para desenvolver um simples ferramen -
    tal em tempo " 1 ano " o varejo consegue colocar no mercado no prazo aproximado de
    2 meses.

    A síntese da resposta está aí..........
    Vamos pensar juntos....................??
  • bruno  13/10/2014 21:31
    Leandro,

    Concordo com esse artigo. Não sei se estou correto, mas acredito também que haveria menos inflação se as empresas investissem mais com capital próprio, ficando assim menos alavancadas. Os empréstimos bancários podem fazer a demanda crescer acima da produtividade, levando ao aumento geral de preços. Por outro lado, um aumento de demanda induzido por um investimento originado de um aumento do capital próprio das empresas não levaria à inflação.

    Diante desses fatos, o governo poderia reduzir ao máximo possível o imposto de renda, pois deste modo o capital próprio da empresa aumentaria e ela teria maior capacidade de investimento, dependendo menos de bancos para se manter. O ideal, se for para ter imposto, que seja somente o indireto no consumo que dá uma certa flexibilidade de pagamento ao contribuinte.

    Por fim, vejo que o conjunto de incentivos de nosso sistema econômico é perverso, pois pune quem é mais responsável financeiramente. Ele obriga todas as pessoas a se endividarem muito e correr riscos excessivos para obter ganhos significativos.
  • Leandro  14/10/2014 04:31
    Correto.

    O diabo é que, como você corretamente diagnosticou, o atual arranjo monetário e bancário desestimula a poupança e o investimento com capital próprio, e estimula o endividamento. E como o endividamento se dá via expansão de crédito (criação de dinheiro), tal arranjo estimula a inflação de preços, os ciclos econômicos e o desarranjo contábil dos balancetes.

    Esse artigo fala sobre isso.
  • bruno  14/10/2014 12:09
    Leandro,


    Existe algum momento na história econômica do mundo em que os empreendimentos eram financiados mais com capital próprio? Se sim, a inflação era baixa na época?

    O padrão ouro estimulava o investimento com capital próprio, visto que ele é considerado deflacionário no longo prazo?
  • Leandro  14/10/2014 13:19
    1) Sim, ao longo da segunda metade do século XIX.

    2) Sim, deflação de preços -- e, consequentemente, aumento contínuo do poder de compra da moeda -- era a norma.

    3) Sim.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=721

    E pode brincar aqui com os dados:

    www.measuringworth.com/inflation/

    Digite o ano inicial como 1865 até 1913 (ano de criação do Fed). A inflação de preços média anual era de - 1,03%.
  • bruno  14/10/2014 17:18
    Obrigado.
  • Yonatan Mozzini  07/02/2015 01:45
    Leandro, li novamente este seu artigo e dei um prosseguimento à sua simulação de inflação sobre os lucros reais de uma firma:

    Eis sua parte:

    " Cenário 2 (inflação de 30%):
    Receita: R$1,3 bilhão
    Custos computados: R$850 milhões
    Lucro nominal: R$ 450 milhões
    Imposto de renda: R$ 157,50 milhões
    Lucro líquido: R$ 292,50 milhões
    Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 255 milhões
    Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 255 milhões
    Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 37,50 milhões (R$ 292,50 - R$ 255) "

    Prosseguindo...

    Ano 2 (inflação de 30%):
    Receita: R$ 1,69 bilhão
    Custos computados: R$ 1,105 bilhão
    Lucro nominal: R$ 585 milhões
    Imposto de renda: R$ 204,75 milhões
    Lucro líquido: R$ 380,25 milhões
    Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 331,5 milhões
    Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 331,5 milhões
    Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 48,75 milhões (R$ 380,25 - R$ 331,5)

    Após uma política de drástica redução da inflação por parte da autoridade monetária...

    Ano 3: Inflação zero (novamente):
    Receita: R$ 1,69 bilhão (devido à menor pressão de demanda, a receita é a mesma do ano anterior)
    Custos computados: R$ 1,4365 bilhão (os custos ainda são altos porque são computados anteriormente)
    Lucro nominal: R$ 253,5 milhões
    Imposto de renda: R$ 88,725 milhões
    Lucro líquido: R$ 164,775 milhões
    Aumento dos custos no ano seguinte por causa da inflação: R$ 0
    Fatia do lucro líquido a ser utilizada para bancar o aumento dos custos no ano seguinte: R$ 0
    Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 164,775 milhões (Uau!)

    A lógica do seu exemplo demonstra claramente o sucesso das políticas de combate à alta inflação sobre a atividade econômica de qualquer país. Fica claro também que um dos motivos de flutuações econômicas são as flutuações no estoque de dinheiro circulante na economia, que promove toda essa bagunça sobre os preços.
    Percebo o tão grande sucesso do fim da hiperinflação argentina após adotar o regime de conversibilidade, pois se livrou desse maligno imposto inflacionário sem precisar de juros estratosféricos (conforme ocorreu no caso brasileiro da implantação do real).

    Este modelo deveria fazer parte de todos os manuais de economia, ao invés da baboseira keynesiana do IS-LM e afins...
  • Leandro  07/02/2015 02:42
    Exato, Yonatan. E é por isso que tenho insistido excessivamente nesse ponto: sem o controle da inflação, não há indústria robusta. É impossível ter indústria forte em país de inflação alta. Todos os países que têm indústrias pujantes e que produzem bens de alta qualidade são países de inflação baixa ou quase nula. Não há exceção.

    O problema é que o pensamento econômico aqui no Brasil é dominado tanto por keynesianos que dizem que inflação estimula o crescimento quanto por neoclássicos adeptos da insanidade do câmbio flutuante, do controle da inflação via juros e das metas (fictícias) de inflação. Nenhum deles sabe nada de análise de balanço e dos efeitos perniciosos da inflação sobre os balancetes. Os dois únicos que sabiam -- Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen -- já morreram.

    O economista John Hicks já dizia: no que tange à economia, nada é mais importante do que um balancete. Só que nossos economistas não entendem de contabilidade e nossos contadores não entendem de economia. E aí todos acabam concordando em pedir tarifas protecionistas e câmbio mais desabalroado, o que só intensifica o problema.

    Um país em que uma inflação anual de 7,2% -- em um momento em que o resto do mundo desenvolvido está com inflação nula -- é vista com naturalidade e sem causar nenhuma revolta não tem a menor chance de se desenvolver.
  • Yonatan Mozzini  02/04/2015 16:31
    Leandro, este artigo instigou uma questão muito interessante e real. Aqui no Brasil a correlação tem sido explícita:

    Inflação:
    www.tradingeconomics.com/charts/brazil-inflation-cpi.png?s=bzpiipcy&d1=20070101&d2=20151231&trend=1

    Produção industrial:
    www.tradingeconomics.com/charts/brazil-industrial-production.png?s=bzipyoypct&d1=20070101&d2=20151231&trend=1


    Resume-se, então, numa nova lei econômica:
    Ceteris paribus, a variação da taxa de produção industrial é inversamente proporcional à variação da inflação de preços. E a sensibilidade dessa variação é diretamente proporcional à carga tributária sobre o lucro das indústrias.

    Excelente contribuição à Macroeconomia!
  • Leandro  02/04/2015 18:45
    Ótimo gráfico, Yonatan.

    Justiça seja feita, e como eu disse logo acima, essa constatação fazia parte do bom senso de alguns economistas de outrora. E, entre os austríacos e os clássicos, era quase que um lugar comum.

    No entanto, com a revolução keynesiana e a destruição de todos os vestígios de pensamento racional, esse bom senso foi simplesmente esquecido. Hoje, a mídia se espanta ao ver que a indústria definha em um cenário de inflação alta e desvalorização cambial.
  • Ismael Bezerra  03/04/2015 00:51
    "Só que nossos economistas não entendem de contabilidade e nossos contadores não entendem de economia" concordo plenamente, e como estudante e trabalhador em um escritório de contabilidade eu aprendo economi no Mises. Porém existe um problema, muitos empresários não entendem economia e acham que balancete, DRE, Fluxo de caixa são obrigações governamentais que não servem para nada. Sendo assim, no Brasil temos uma tríade de problema: economistas, contadores empresários(que não enxergam os benefícios de uma boa contabilidade).
  • Renato  03/03/2015 20:24
    Leandro,

    O exemplo numérico do texto seria um exemplo típico de como são feitos maus investimentos em épocas de expansão monetária segundo a teoria dos ciclos econômicos da EA?

    Obrigado!
  • Leandro  03/03/2015 22:55
    Corretíssimo.
  • Leonardo Regazzini   31/03/2015 15:56
    Leandro, a mim nao fica claro (i) por que os setor primario (agricultura, mineração) nao seriam igualmente prejudicados pela inflação e (ii) como o lucro pode ser maior em um exercício no qual houve inflação se os preços dos insumos e mão de obra já subiram nessemesmo ano.
    Abs,
  • Leandro  31/03/2015 16:51
    (i) Quem disse que não? Certamente, não eu.

    (ii] O reajuste dos preços dos insumos (no caso, bens de capital) afetará apenas quando houver reposição (o que nem sempre acontece anualmente). Já o reajuste do preço da mão-de-obra não ocorre mais de uma vez por ano. Quando ele ocorre, é para compensar a inflação do ano passado, e não para antecipar a do ano vigente.
  • Samir Jorge  01/04/2015 21:36
    Leandro boa noite.

    Que artigo didático. Continue traduzindo o discurso econômico para leigos como eu.

    Continue explicitando diferenças conceituais entre custo contábil histórico e atual, entre lucro nominal e lucro real.

    Atenciosamente,


    (a) - Samir Jorge.

  • Luiz Riccetto Neto  07/04/2015 11:26
    QUESTAo POLÍTICA - Parabéns ao autor do artigo, que tratou de abordar com muita profundidade, os aspectos da desindustrialização no Brasil. Penso que toda essa problemática se resume ao mote político que se estabelece no Governo Federal, seja em razão de proposta de poder ou de buscar aprovação popular. Com esse mote, há muitos anos que a política vem priorizando o trabalho em detrimento da indústria/empresa, quando qualquer acadêmico sabe que o trabalho é conseqüência do lucro da indústria/empresa. Dessa relação não escapa nem o trabalho do funcionário público, que depende da arrecadação do Estado que, por sua vez, está atrelada aos fatos geradores de tributo, na maioria, sãos os rendimentos com as atividades da indústria/empresa, que geram importações, salários, compra e venda e outras operações próprias de um ambiente em que se pode lucrar. Se não mudar o mote político de priorizar o atendimento de anseios e reivindicações despropositadas dos sindicatos e movimentos criminosos (sem formalização estatutária e que costumeiramente praticam invasões e danos à propriedade), a situação lastimável em que se encontra essa rica Nação (capaz de viabilizar infraestrutura e dar empregos em outros Países de relação com o Partido do Governo), não se resolverá apenas com a extirpação dos corruptos que se aparelharam no Governo, por indicações partidárias. A exemplo da mudança de mote político, priorizando um ambiente de lucro, seria investir na infraestrutura do País, como ocorreu na época do Governo Militar, com a construção de ferrovias, portos, rodovias, hidroelétricas e etc, bem como, na revisão de insuportáveis encargos trabalhistas e previdenciários, certamente irá gerar mais empregos, com melhores salários. Saliento que a questão política não é a única razão da desindustrialização do Brasil, mas não se pode deixar de considerá-la.
  • Yonatan Mozzini  29/05/2015 14:09
    A economia rupestre -- como disse o professor Ubiratan Iorio uns tempos atrás num Podcast aqui do Mises, se não me engano -- contaminou até o chicago-boy:

    g1.globo.com/economia/noticia/2015/05/mp-dos-importados-ajuda-industria-nacional-diz-levy.html

    Às vezes eu penso: será que ele realmente acredita nisso ou o sucateado lobby industrial está pressionando-o tanto e ele se sente compelido a ser desonesto intelectualmente? Triste realidade, para nós, consumidores brasileiros.
  • Leandro  29/05/2015 14:29
    Em defesa do elemento, digo apenas que a frase dele, por si só, não está de todo errada: protecionismo é sim ótimo para os grandes empresários da indústria nacional.

    É péssimo para todos os outros cidadãos normais -- principalmente os pobres --, que agora terão de pagar mais caro por produtos ruins. Mas para o grande baronato da indústria nacional o protecionismo é ótimo.

    Levy está apenas fazendo um agrado aos seus patrões de fato, que são os grupos de interesse. São esses que comandam o governo. Qualquer governo.
  • Yonatan Mozzini  29/05/2015 15:32
    Concordo com sua colocação, Leandro -- e até por isso eu disse o termo 'sucateado'. Mas, como bem sabemos, se considerarmos o setor industrial de modo geral, no longo prazo, será um zumbi que sobreviverá às custas do sangue do cidadão pagador de tributos, pois a falta de concorrência industrial trará ineficiência ao setor e a possibilidade de menores ganhos totais futuramente.
  • Wesley  06/06/2015 22:59
    "Por fim, é válido enfatizar que deixar indústrias obsoletas quebrarem é mais economicamente sensato do que tentar salvá-las com os paliativos de sempre"
    Isso não geraria um colapso econômico? A indústria nacional é péssima para o consumidor, mas mantém empregos artificiais que gera um número positivo para o governo e o baronato. Se toda a indústria nacional falir e ir para o buraco não quebraria toda a economia? Além do mais não interessa ao governo, visto que atualmente o desemprego está subindo e isso pega muito mal para ele.
  • Snipes  06/06/2015 23:50
    Não. Esse seu temor implica que as indústrias de carroças, velas e máquinas de escrever -- que empregavam a esmagadora maioria da população -- teriam de ser protegidas contra a indústria automobilística, de lâmpadas e de informática.

    No que mais, indústria não desaparece. Seus ativos, seus maquinários, suas instalações, tudo continua existindo -- elas apenas trocarão de gerência e alterarão sua linha de produção.

    Este artigo explica bem os benefícios da destruição criativa.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2097
  • Henrique  18/06/2015 15:53
    Estava fazendo umas contas (de engenheiro) aqui, os mais letrados em contabilidade que me corrijam se eu estiver errado:

    Cenário 1:

    Imposto de renda: R$ 52,50 milhões
    Capital extra disponível para futuros investimentos: R$ 97,5 milhões

    Total: 150M, dos quais
    Governo fica com: 35%
    Empresa fica com: 65%


    Cenário 2:
    Imposto de renda: R$ 157,50 milhões (+105MM) - VP: 121,15MM
    Capital extra disponível para novos investimentos: R$ 37,50 milhões (-60MM) - VP: 28,85MM

    Total VP: 150MM, dos quais
    Governo fica com: 80,77%
    Empresa fica com: 29,23%

    Ou seja, o governo ROUBOU R$ 68,5MM da empresa via inflação.

    Faz sentido?
  • Henrique  18/06/2015 16:55
    Retificando, houve um erro de digitação.

    Onde consta:
    Total VP: 150MM, dos quais
    Governo fica com: 80,77%
    Empresa fica com: 29,23%

    Leia-se:
    Total VP: 150MM, dos quais
    Governo fica com: 80,77%
    Empresa fica com: 19,23%
  • Pobre Paulista  18/06/2015 17:26
    Não entendi sua conta, mas tem um jeito bem simples de mostrar como a emissão monetária implica em confisco de riqueza.

    Suponha uma sociedade onde haja apenas 10 maçãs e 10 unidades monetárias. Podemos concluir que o preço médio de uma maçã é uma unidade monetária.

    Agora o governo vem e emite mais 10 unidades monetárias. Agora existem portanto 20 unidades monetárias, e o preço das maçãs disparou para 2 unidades monetárias.

    Só que estas 10 unidades monetárias fabricadas pelo governo não são uniformemente distribuídas. Se ele ficar com estas 10 unidades, ele pode simplesmente comprar 5 maçãs, que antes ele não poderia. E se fizer isto a tempo, ele ainda pega o preço da maçã a 1 unidade, podendo capturar para si todos os bens existentes na economia! (Claro que durante este processo o preço da maçã subiria gradualmente).

    Enfim, é bem simples. Emissão monetária é confisco pois dá poder de compra sem que haja sido prestado algum serviço ou oferecido algum bem do mesmo valor.
  • Henrique  18/06/2015 17:48
    Pobre Paulista, a conta é um pouco de contabilidade básica (não conheço muito).

    No primeiro cenário, como não há inflação, os valores são os que deveriam ser.

    No segundo, considerando a inflação, é necessário trazer o valor futuro (IR e caixa daqui 1 ano) para o presente.

    Aqui leia:
    R$ 157,50 milhões ||| (+105MM) ||| VP: 121,15MM
    Valor Nominal ||| Variação Nominal ||| Valor Presente

    Quis dizer que os 157MM recebidos pelo governo daqui 1 ano equivalem a 121MM em dinheiro de hoje (descontada a inflação).

    Tudo isso, para comparar, em termos de valor presente, quanto o governo roubou dessa empresa.

    Repare que a soma IR + Caixa Restante é 150 milhões no cenário sem inflação e também no cenário inflacionário, mas trazido a valor presente.

    Não sei se isso faz muito sentido.
  • Felipe R  23/02/2016 19:42
    Este artigo me lembrou uma discussão que o setor de Contabilidade precisa resgatar: o cálculo da Correção Monetária Integral (CMI).

    As instituições internacionais recomendam o uso, e acredito que as empresas sérias brasileiras utilizam essa ferramenta para valorar corretamente os negócios e tomar decisões.

  • Gustavo   05/08/2016 15:48
    Leandro, existe uma situação que talvez esteja fazendo com que os desenvolvimentistas soltem foguetes:

    www.bloomberg.com/news/articles/2016-06-19/japan-exports-decline-for-eighth-consecutive-month-in-may

    Observe o gráfico da reportagem. Depois procure pela valorização do Iene.

    Não era para estarmos observando o contrário? No caso, um fortalecimento das exportações japonesas?
  • Leandro  05/08/2016 16:10
    Ué, mostremos os dois gráficos inteiros, que mostram todo o histórico:

    De 1971 (ano do fim dos últimos resquício de padrão-ouro) a 2008, o iene se valorizou acentuadamente: em 1971, um dólar custava 300 ienes; em 2008, custava menos de 100 ienes.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/japan-currency.png?s=usdjpy&v=201608051650n&d1=19710101&d2=20160805

    Nesse mesmo período, as exportações explodiram, aumentando esse tantinho aqui:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/japan-exports.png?s=jnbpexp&v=201607311914n&d1=19710101&d2=20160805

    Aí veio a crise de 2008 e derrubou tudo.

    Hoje, o iene está mais desvalorizado que em 2008. E as exportações estão menores.

    Sinceramente, não vejo motivo para foguetes dos desenvolvimentistas.


    Tudo sege imutável:

    A empiria comprova a boa teoria: desvalorizar o câmbio piora a economia e reduz as exportações
  • Gustavo  05/08/2016 16:32
    Sim concordo com você em relação à perspectiva histórica. Eu me refiro mais exatamente à esse último período de meados de 2015 até agora.

    www.xe.com/currencycharts/?from=USD&to=JPY&view=5Y

    Perceba que, se compararmos com o gráfico da Bloomberg, assim que o Iene começou a se valorizar as exportações caíram com mais força. Deve existir alguma explicação para esse fenômeno inverso, mesmo que seja algo no curto prazo.

    Minha teoria é essa (me corrija se eu estiver errado): desde 2012 o Iene se desvalorizou bastante por causa do genial Abenomics, sendo assim, todo esse encarecimento sobre a cadeia produtiva (que vc explicou no artigo acima) atingiu em cheio a indústria japonesa. Ou seja, ela desde então já vem perdendo competitividade. O que acontece com esse fortalecimento do Iene de hoje é que, com produtos já menos atrativos para o mercado, a alta de preços causada pela moeda mais forte traz um efeito de curto prazo na direção de queda das exportações.

    Por isso eu diria que essa tendência de queda que vemos agora deve se reverter caso o Iene continue se valorizando no resto do ano.
  • Leandro  05/08/2016 16:56
    Pegar um curtíssimo período de tempo isolado (no caso, alguns meses), fazer observações empíricas sobre este curto período (ignorando todo o contexto econômico e político em volta), e daí sair tirando conclusões definitivas é a receita certa para se ter conclusões econômicas equivocadas.

    Por exemplo, de setembro de 2015 até hoje (agosto de 2016), o dólar caiu de R$ 4,24 para R$ 3,18. Um observador descuidado diria que era para estar havendo profunda deflação de preços. No entanto, obviamente, isso não aconteceu. Somente um observador atento da cena política e econômica brasileira poderia explicar corretamente o que houve durante todo esse período.

    A teoria que você apresentou está, em si, correta. Mas ela também não explica tudo. Veja: o Japão tem sido um verdadeiro laboratório de experimentações econômicas heterodoxas. Tudo isso que está ocorrendo hoje na Europa começou no Japão.

    Em um cenário assim, qual realmente é a confiança e segurança de empresários para fazer novos investimentos, ampliar sua capacidade produtiva e, com isso, aumentar exportações? Eu diria que não é muito grande.
  • Gustavo  05/08/2016 17:28
    Entendi. Essa questão da confiança que você citou inclusive faz bastante sentido, e é "confirmável":

    cdn.tradingeconomics.com/embed/?s=jnsballi&v=201607072213n&d1=20130805&d2=20160805&type=type=line&h=300&w=900
  • David Ximenes  24/09/2016 12:59
    Ai leio esse artigo e leio o artigo da UNCTAD em quem devo acreditar, o primeiro se baseou em opinião própria e o segundo em pesquisa e números. Oh dúvida em quem devo acreditar?!
  • Magno  24/09/2016 14:31
    Acho que você se confundiu na ordem: o artigo que se baseou em números, dados e fatos, e os amarrou tudo dentro de uma teoria coerente, foi este.


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