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“Criar empregos” não é o objetivo de uma economia sólida

O assunto é aborrecidamente óbvio, mas infelizmente é necessário reprisá-lo constantemente, pois ele aparece na imprensa quase que diariamente.  Afinal, desemprego baixo é sinônimo de economia robusta?  Ou, colocando de outra maneira, pode uma economia fraca apresentar baixos índices de desemprego?

Ao contrário da crença da grande maioria das pessoas (leigos e até mesmo economistas), o objetivo de uma economia não é criar empregos.  O objetivo de uma economia saudável é ter uma produtividade crescente.  Empregos serão uma consequência positiva da produtividade

Empregos podem ser um sinal de saúde de uma economia, assim como um alto nível de energia pode ser um indicativo de um corpo saudável.  Mas assim como substâncias nocivas podem artificialmente dar ao viciado aquele impulso energético que nada tem a ver com saúde, empregos artificialmente criados e mantidos apenas exacerbam os problemas. 

Você pode dar a alguém um "emprego" de cavar um buraco num dia e tapá-lo no dia seguinte — ou talvez o equivalente a isso, porém executado em uma escrivaninha.  Mas isso não trará benefício nenhum a ninguém.  Da mesma maneira, seria possível reduzir o desemprego a zero por meio de uma regressão compulsória na tecnologia: poderíamos abolir completamente o uso de caminhões e trens, e obrigar toda a carga a ser transportada de carro.  Isso criaria milhões de novos empregos.  Ou poderíamos também abolir o uso do carro e criar ainda mais empregos, pois agora as pessoas só poderiam transportar carga nas costas.

Em cada um desses casos, o número de empregos criados iria superar com ampla margem o número de empregos perdidos na indústria de caminhões e na automotiva.  Mas fica a pergunta: essa criação de empregos por acaso nos deixou mais ricos?  Por acaso aumentou o nosso bem-estar?  A resposta é óbvia.  Essa criação de empregos, na prática, gerou uma redução no padrão de vida de todas as pessoas.

Um exemplo

Um país de economia fechada pode ter — e certamente terá — um desemprego menor do que um país de economia aberta.  No entanto, a questão é: será que tais empregos estão realmente gerando valor e riqueza para esse país de economia fechada?

Vamos a um exemplo prático.  Suponha que uma economia tenha várias pessoas empregadas na indústria automotiva, desde as linhas de montagem até as cadeias de distribuição e de peças de reposição.  Isso é bom para a economia como um todo?  Depende.

Se a indústria automotiva deste país está sujeita à concorrência de carros estrangeiros, os quais podem ser livremente comprados pelos cidadãos deste país, sem tarifas de importação, então essa indústria automotiva é eficiente, e os empregos que ela consegue manter certamente são de alta produtividade e geram um produto de alta qualidade.  Afinal, se mesmo com a concorrência de carros estrangeiros a população nacional ainda assim segue comprando os carros fabricados nacionalmente, então é porque o produto é bom, a indústria é eficiente e os produtos fabricados por seus trabalhadores satisfaz os consumidores locais.

Porém, e se essa indústria automotiva emprega muita gente simplesmente porque ela é protegida por altas tarifas de importação, as quais impedem os consumidores nacionais de terem acesso barato aos carros estrangeiros? 

Nesse caso, há uma grande chance de os empregos mantidos por essa indústria serem artificiais e ineficientes, pois ela agora está operando em um ambiente semelhante a uma "reserva de mercado".  No mínimo, esses empregos não existiriam na quantidade que existem atualmente caso a aquisição de automóveis importados fosse mais fácil.

No primeiro exemplo, os trabalhadores da indústria automotiva de fato estão criando um produto valoroso para a sociedade, e isso é nitidamente demonstrado pela preferência voluntária dos consumidores.  Dado que eles têm a opção de comprar carros importados baratos, mas ainda assim optam por comprar maciçamente os carros nacionais, então isso é um sinal de que o produto é satisfatório aos preços a que estão sendo vendidos, o que significa que os trabalhadores dessa indústria estão sendo eficientes em criar um produto de valor para a sociedade.

Já no segundo exemplo, os trabalhadores da indústria automotiva estão operando dentro de um mercado protegido pelo estado.  Isso é uma receita certa para a ineficiência.  Devido às altas tarifas de importação, que praticamente proíbem a compra de carros importados, os carros nacionais poderão ser de pior qualidade e vendidos a preços mais altos — e ainda assim serão comprados, pois a população não tem muita escolha.

Consequentemente, ao ter de desembolsar valores mais altos para adquirir esses carros, a população terá um renda disponível menor para adquirir outros bens de consumo.

Os trabalhadores dessa indústria automotiva terão salários acima dos de mercado, ao passo que o restante da população ficará com um poder aquisitivo menor do que teria caso pudesse comprar carros mais baratos do exterior.

O exemplo acima abordou apenas um setor da economia.  Se você expandir esse raciocínio para todos os outros setores — eletroeletrônicos, utensílios domésticos, produtos tecnológicos, vestuário, siderurgia etc. —, começará a ter uma noção de como o seu poder de compra pode ser afetado apenas para garantir que estes setores tenham mais emprego do que o normal.

O raciocínio econômico só é completo quando ele é capaz de contemplar não apenas o que está ocorrendo com um determinado grupo (desempregados e indústrias), mas sim o que está ocorrendo com todos os grupos da sociedade.  E não apenas no curto prazo, mas também no longo prazo.

Baixo desemprego, por si só, não quer dizer nada

Por tudo isso, um país ter uma baixa taxa de desemprego não quer dizer nada.  O que tem de ser olhado é o quão produtivo são esses empregos e se eles realmente estão produzindo aquilo que o consumidor quer.  Você ter um canteiro de obras repleto de peões que fazem o mesmo serviço que apenas um homem com uma máquina seria capaz de fazer não é um exemplo de economia pujante ou rica, mas sim de desperdício de recursos.  Você terá uma baixa taxa de desemprego, mas não estará criando riqueza de forma eficiente.

Consequentemente, o objetivo de se alcançar uma baixa taxa de desemprego não deve ser apenas a criação de empregos per se; o objetivo tem de ser a criação de empregos produtivos e economicamente viáveis

Empregos só são valiosos quando as pessoas trabalham com o intuito de fornecer bens e serviços que são genuinamente valorizados e demandados pelos consumidores.  Se não há uma real demanda pelos produtos fabricados, ou se a demanda é artificialmente criada por barreiras à importação ou por outras regulações governamentais, tais empregos representam um grande desperdício de recursos escassos.

Ao contrário do que alegou Keynes, se todos os desempregados atuais fossem compulsoriamente empregados na construção de pirâmides, isso não traria benefício nenhum para a sociedade.  No entanto, seria ótimo para as empresas que ganhassem os contratos do governo para fornecer os tijolos e o cimento.  E seria péssimo para os reais empreendedores, que agora teriam de lidar com preços mais altos para o tijolo, para o cimento e para a mão-de-obra, o que poderia inviabilizar vários outros empreendimentos mais demandados pelos consumidores. 

Conclusão

A única maneira de criar e manter empregos que não produzem realmente aquilo que o consumidor quer é utilizando o governo.

Seja por meio de subsídios diretos, seja por meio de regulações que criam um cartel e proíbem a concorrência, seja por meio de tarifas de importação que criam um reserva de mercado — apenas o governo pode manter operante empresas que produzem algo que não é genuinamente demandado pelo consumidor. 

E, ao fazer isso, empregos são gerados.  E eles podem custar muito caro.

________________________________________

Participaram deste artigo:

Lew Rockwell, chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.


Ron Paul, médico e ex-congressista republicano do Texas. Foi candidato à presidente dos Estados Unidos em 1988 pelo partido libertário e candidato à nomeação para as eleições presidenciais de 2008 e 2012 pelo partido republicano.

É autor de diversos livros sobre a Escola Austríaca de economia e a filosofia política libertária como Mises e a Escola Austríaca: uma visão pessoalDefinindo a liberdadeO Fim do Fed – por que acabar com o Banco Central (2009), The Case for Gold (1982), The Revolution: A Manifesto (2008), Pillars of Prosperity (2008) e A Foreign Policy of Freedom(2007).

O doutor Paul foi um dos fundadores do Ludwig von Mises Institute, em 1982, e no ano de 2013 fundou o Ron Paul Institute for Peace and Prosperity e o The Ron Paul Channel.

 

Leandro Roque, editor e tradutor do site do  Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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Diversos Autores

  • Johnny  15/07/2014 14:14
    Dúvida: no exemplo acima, se houvesse liberdade total à importação de carros, o impacto na balança comercial não seria prejudicial ao país, principalmente caso outros países continuem a colocar políticas protecionistas? Concordo que o custo do protecionismo é alto, o governo pagando pela ineficiência. Como os liberais devem ver as acusações de trabalho escravo na China, que supostamente cria uma "concorrência desleal"?
  • Magno  15/07/2014 14:21
    Qual o problema com a balança comercial em um regime de câmbio flutuante? Nunca vi nenhuma explicação.

    Sobre o trabalho escravo na China, isso é outra fanfarra que a indústria inventa apenas para que o governo eleve as tarifas dos produtos chineses.

    Tudo foi abordado aqui:

    O protecionismo e o "trabalho escravo" dos chineses
  • Johnny  15/07/2014 19:18
    Acabei de ler. Excelente. Obrigado a todos que tiveram o trabalho de responder minha dúvida, foram comentários lógico, educados e esclarecedores.
  • Alexandre Melchior Rodrigues Filho  15/07/2014 15:24
    Defina "país". Pra mim e pra um montão de gente que quer comprar produtos baratos de origem estrangeira, seria ótimo.
  • Rafa  15/07/2014 15:49
    Johnny, você está considerando apenas um efeito dos vários que aconteceriam. Sim em um primeiro momento isso que você descreve realmente é correto, mas apenas em um prazo curto de tempo. O que aconteceria para o consumidor de carros por exemplo? Agora pagando menos pelo carro ele teria uma folga financeira maior para demandar outros produtos e elevar ainda mais o seu padrão de vida, esses produtos devem sair de outras indústrias de modo que capital e trabalho seriam direcionados a elas. Além disso é provável que a indústria automobilística passasse por uma reestruturação na qual ela acabaria com várias de suas ineficiências, desse modo o governo ("contribuintes") não teria mais que pagar por isso.
    Acho que os capítulos X, XII e XIV deste livro podem te responder melhor que eu:
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=25
  • Andre  15/07/2014 16:06
    "caso outros países continuem a colocar políticas protecionistas?"

    Políticas protecionistas prejudicam apenas as populações dos países que as implementam.

    O protecionismo do Brasil ao me impedir de importar carros novos e usados por preços incrivelmente mais baixos me causa enormes prejuízos, e também causa enormes prejuízos ao país inteiro, já que um bando de incompetentes conseguem vender carros fabricados aqui por preços absurdos.

    Já as pessoas que vivem nos países onde existem empresas que fabricam carros de forma eficiente estão sendo beneficiadas. Pois se não houvesse esse protecionismo a demanda por esses carros seria maior, e os preços poderiam aumentar um pouco por causa disso.

    Resumindo:
    Se protecionismo fosse bom todo mundo ficava dentro de casa sem nunca sair de dentro de casa para "importar" produtos da padaria, do supermercado, etc... e todo mundo fabricaria tudo dentro de casa, incluindo computadores, remédios e tudo mais!

    Acho que explicando assim fica mais claro o quanto o protecionismo é ruim.
  • Pobre Paulista  15/07/2014 17:12
    Quer uma visão bastante liberal e honesta sobre o "trabalho escravo" na China? Simples. Se todos sabem do trabalho escravo e mesmo assim continuam comprando produtos dos supostos exploradores, então não há problema nenhum nisso. Se ninguém se importa, porquê mudar esse arranjo? Agora, se você acha isso ruim (e isso realmente é ruim), você pode fazer sua parte não comprando nada destes exploradores, ou mais ainda, trabalhar ativamente para tirar os explorados desta situação. Mas em hipótese alguma você pode exigir que o governo sequestre meu dinheiro para criar "incentivos" para indústria nacional fabricar um monte de lixo caro para mim mesmo.
  • Morete  19/02/2015 11:59
    Trabalho em uma empresa cujo o principal concorrente são os chineses. Por aqui vivem reclamando da competição "desleal" e adoram exaltar as burocracias que criaram com o objetivo de promover o trabalhador brasileiro.
    Recentemente fizemos um estudo e das 8 horas que um funcionário deveria trabalhar, apenas pouco mais de 3 horas são de fato executando-se algo. O resto do tempo é perdido simplesmente com muita burocracia, principalmente no que tange a burocracia de segurança do trabalho. Sou 100% a favor de se ter um ambiente de trabalho seguro, mas não consigo entender como ficar preenchendo mais de 2 horas de papel vai fazer um mecânico trabalhar mais seguro (a não ser pelo fato de que quando esta preenchendo papel, esta em uma posição de menos risco).
    Enfim, a culpa da baixa produtividade brasileira é culpa dos chineses ou nossa?
  • Rony melo  08/03/2016 17:29
    Opa! Curiosa e interessante essa pesquisa! Sou professor da área, como faço pra ter acesso a essa pesquisa? Se posso tornar meus alunos menos burocráticos, desejaria saber como.
  • Elias  15/07/2014 15:57
  • Vander  15/07/2014 16:05
    O legado deixado pelos economistas diz que o objetivo da produção é o consumo, sendo o emprego da mão de obra um fator de produção um tanto especial pelo fato de não se puder emprega-lo desvinculado de seu proprietário, o homem.De acordo com este raciocínio, qualquer negócio tem como meta a criação de bens com vista a exigência e desejo dos consumidores. A geração de emprego é mera consequência. O proprietário da mão de obra, denominado de trabalhador, comporta-se no mercado tal como um empresário, já que tenta vender sua propriedade, o trabalho, pelo melhor preço. Todo mundo é um empreendedor. O problema está no governo que ao intervir no mercado deforma-o completamente. O capital e trabalho que são complementares se tornam antagônicos, e o trabalhador parece carregar uma maldição que só a mão forte do Estado pode aliviar. Se algo tem que mudar é a ideia que torna possível este estado de coisa.
  • Ricardo Felipe  15/07/2014 16:23
    Tenho uma dúvida:
    Não seria melhor ter pessoas com empregos ainda que subprodutivos do que pessoas completamente desempregadas?Veja bem; suponhamos que , derrepente, todas as barreiras protecionistas que mantêm empresas, indústrias e ,logo, empregos artificialmente sejam desfeitas. As empresas nacionais não teriam como competir com a industria internacional, muito mais moderna e produtiva. A grande maioria das indústria e empresas brasileiras iriam a falência e uma grande massa de pessoas seriam demitidas. Concordo que, para aqueles que trabalham em setores de alta produtividade e mantêm seus empregos, o custo de vida vai melhorar bastante, mas e para a grande massa de desempregados????O custo de vida melhoraria para uns mas uma grande maioria não conseguia mais consumir e teria grande chances de criar uma tensão social indesejável(assaltos, sequestros e outros, ou seja, criminalidade) não? Poderia demorar bastante tempo para conseguir realocar essa grande massa de desempregados em setores genuinamente produtivos novamente, logo, talvez, por um bom tempo, anos ou talvez gerações, viveriamos uma situação de vida bem pior do que a anterior não? Por favor, me ajudem a elucidar esse cenário.
  • Leandro  15/07/2014 17:36
    "Não seria melhor ter pessoas com empregos ainda que subprodutivos do que pessoas completamente desempregadas?"

    Era assim na URSS, e é assim em Cuba e na Coréia do Norte. Não acho que essas economias sejam exemplo de pujança, de bem-estar e de riqueza.

    "suponhamos que , derrepente, todas as barreiras protecionistas que mantêm empresas, indústrias e ,logo, empregos artificialmente sejam desfeitas. As empresas nacionais não teriam como competir com a industria internacional, muito mais moderna e produtiva. A grande maioria das indústria e empresas brasileiras iriam a falência e uma grande massa de pessoas seriam demitidas."

    É possível. Só que você só deu um lado da história.

    Por exemplo, as indústrias brasileiras sofrem com uma alta carga tributária, com as regulamentações do governo, com a burocracia e com os sindicatos poderosos. Logo, elas de fato sofreriam bastante caso as tarifas de importação fossem abolidas.

    Mas isso não é problema do cidadão brasileiro. Isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos. Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido nenhum dizer que deve haver tarifas de importação e desvalorização da moeda para se compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina

    O certo seria abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos, e não defender a destruição do poder de compra da moeda (via desvalorização cambial) e a adoção de tarifas protecionistas.
  • Juliano  15/07/2014 18:33
    Além do que o Leandro já colocou, pense em um cenário interno, local. Pegue, por exemplo, Campo Largo, vizinha a Curitiba. A cidade é muito menor que Curitiba, tem muito menos capital, não dá pra comparar com Curitiba em termos de infra-estrutura e capital.

    O que seria melhor para Campo Largo, fechar suas estradas com Curitiba e tentar fabricar tudo lá dentro? Seria melhor para os habitantes de lá se proibissem a importação de bens fabricados nas demais cidades do país para dentro de Campo Largo, com o objetivo de proteger a indústria local? Se fizessem isso, com certeza aumentaria muito a quantidade de trabalho, todos iriam trabalhar como loucos, mas isso iria melhorar ou piorar o bem-estar de seus habitantes?

    Já no cenário atual, não existe nenhuma barreira pra que produtos fabricados em outras cidades sejam consumidos em Campo Largo. A cidade realmente não possui indústrias pra fabricar boa parte do que consome, mas, em compensação, pode se especializar naquilo que leva vantagem. Por exemplo, se Curitiba é uma cidade mais povoada e, por consequência, com o custo dos terrenos mais elevados, Campo Largo pode oferecer vantagens pra quem precisar de terra pra plantar, por exemplo. Da mesma forma, conforme os custos de fabricar algo em Curitiba vai ficando mais elevado, a proximidade com o grande centro passa a ser um ativo. Uma indústria pode aproveitar o "desconto" no preço dos terrenos e se mudar pra lá.

    Veja que essa proximidade seria o inferno para os defensores do protecionismo. Por eles, Campo Largo não conseguiria produzir nada, seria inundada por produtos "estrangeiros" e lá todos morreriam de fome. Deveriam proibir o ingresso de produtos, pois a "balança comercial" de Campo Largo está claramente deficitária. Que o melhor seria criar uma moeda própria em Campo Largo que fosse bem desvalorizada, pra dar "competitividade" à indústria local. É impossível manter essa paridade de 1:1 com o Real! Se tivessem sucesso com esse discurso, fechariam as fronteiras. Com certeza apareceriam algumas empresas pra suprir algumas necessidades, mas o estágio final seria de miséria. No futuro, quando alguém propusesse a abertura comercial de Campo Largo, com certeza essas empresas fechariam e algumas pessoas perderiam o emprego, mas se ajustariam naquilo que os tornasse mais produtivo. Com o tempo, o padrão de vida de todos tenderia a ser muito melhor, com mais oferta de produtos e empregos mais produtivos (e mais rentáveis).
  • Tano  15/07/2014 19:15
    Não dá ideia!!!!
  • Pobre Paulista  15/07/2014 18:59
    Vamos supor um cenário hipotético onde as barreiras tarifárias caem do dia para a noite E os Brasileiros prefiram comprar tudo lá de fora:

    1. No momento t=0, nada muda, as fabricas e capital instalado aqui permanecem os mesmos, bem como os estoques de produtos e capital de giro das empresas.

    2. Os Brasileiros começam a comprar coisas de fora. Saem cédulas de Real (Ou dólar, mas que um dia foram trocados por Reais), entram produtos de fora. O estoque de produtos externo do Brasil diminui e o interno aumenta, ao passo em que há menos cédulas circulando aqui.

    3. As fábricas aqui continuam produzindo, só que sem vender nada, os estoques apenas aumentam.

    Aqui os economistas socialistas vão começar a chorar desemprego e tal. Agora olhe a REAL situação: Temos MAIS produtos aqui e MENOS dinheiro em circulação. Isso fortalece a moeda, ou seja, uma cédula de real compra mais coisas do que antes da barreira tarifária.

    Isto posto, é fácil concluir que essa ação é extremamente benéfica para a população, especialmente para os poupadores, que mesmo que percam sua renda, ainda que momentaneamente, ganham em poder de compra da sua poupança. O dinheiro compra mais coisas, ou seja, os preços caem.

    Ato contínuo, com o desemprego em alta, é necessário deixar os salários baixarem, o que por hipótese não é um problema dado o aumento do poder da moeda. Por isso que uma derrubada nas barreiras alfandegárias deve vir acompanhada de uma reforma nas leis trabalhistas, senão o processo acaba no desemprego mesmo.

    Agora, com os salários ajustados para baixo e abundância de capital barato, os empresários poderão fazer NOVOS investimentos, só que num cenário onde os custos de produção (capital+mão de obra) são MUITO inferiores ao cenário anterior da derrubada das barreiras alfandegárias. E assim a economia se ajusta.

    Ou seja, em que pese num primeiro momento realmente haver um notável aumento no desemprego, as consequências futuras são extremamente benéficas para todos.
  • Sandro Lima  16/02/2015 16:03
    Eu acho que nao é tao simples assim...
    Mao de obra qualificada,
    tecnologia, nao se criam do nada, levam tempo!
    O probelma do protecionismo é que a industria simplesmente se acomodam e deixam de investir.
    Empresarios nao investem em pesquisa e desenvolvimento.
    Funcionarios, nao investem em novos cursos, acham que o patrao quem deve pagar, se acomodam protegidos pelos sindicatos.
    Se nao existir esse protecionismo? Seria um massacre.
  • Felipe  17/02/2015 01:22
    Hein!? Você, corretamente, cita todos os malefícios que impedem a modernização da economia brasileira, então, no fim, conclui que sem esses malefícios seria pior?!

    E outra, essa história que o Brasil não tem mão de obra qualificada é balela keynesiana, o Brasil tem o bastante para formar um nicho especializado de indústria local em um regime de livre concorrência. Não seria uma Alemanha, mas daria para começar.
  • Emerson Luis, um Psicologo  15/07/2014 16:47

    Um assunto semelhante é o aumento do consumo, que é esperado em dias especiais do ano. Sempre se noticia comparações do consumo do período (dia das mães, Natal, etc.) com o do ano anterior, mas quase nunca se menciona como vai a produtividade.

    * * *
  • Marconi  15/07/2014 16:57
    Se o governo, por regulação, exigir que as montadoras fabriquem carros com a mesma qualidade que fazem no exterior (airbag e abs), os empregos poderiam ser mantidos sem a perda de qualidade.
  • Leandro  15/07/2014 17:30
    Em primeiro lugar, a qualidade superior dos carros no exterior não se resume a airbag e ABS (mesmo porque isso já está vindo de série no Brasil). Em segundo lugar, nenhum governo pode obrigar, por decreto, uma fábrica a ser melhor, mais eficiente e mais aperfeiçoada.

    No entanto, entrando na sua brincadeira de faz-de-conta, se o governo de fato fosse capaz de fazer com que as fabricantes nacionais se igualassem às alemãs, japonesas, francesas e italianas, os custos adicionais para se alcançar isso gerariam um desses dois cenários:

    1) ocorreria um brusco aumento nos preços; ou

    2) haveria uma forte redução nos lucros (caso os preços não fossem alterados).

    No primeiro caso, haveria redução na demanda; no segundo caso, a capacidade de investimentos seria afetada. Em ambos os casos haveria redução da mão-de-obra.
  • Marconi  15/07/2014 17:56
    Eu não disse que a qualidade se resume a airbag e abs, mas, deixa pra lá, seguindo..

    Caso o governo exigisse carros "padrão fifa", não haveria brusco aumento de preços, pois todos os componentes são automatizados, ou seja, custam quase nada a mais.

    Os carros ruins só são ruins porque as montadoras economizam merreca nos carros simples pra cobrar mais caro nos "completos".

    O que haveria seria simplesmente uma pequena redução nos fabulosos lucros das montadoras, nada mais que isso, e um aumento considerável na qualidade e segurança dos nossos carros.
  • Bob Sharp  15/07/2014 18:28
    "Caso o governo exigisse carros "padrão fifa", não haveria brusco aumento de preços, pois todos os componentes são automatizados, ou seja, custam quase nada a mais."

    Hein?! Quer dizer então que é só apertar um botãozinho e puf!, tudo fica um primor? Legal. A escassez, o investimento e a necessidade de trabalho foram abolidos.

    "Os carros ruins só são ruins porque as montadoras economizam merreca nos carros simples pra cobrar mais caro nos "completos"."

    Nonsense. Os carros simples nacionais são piores e mais caros que os simples europeus e americanos. E os completos nacionais são (um pouco) piores e (muito) mais caros do que os completos europeus e americanos.

    Isso é resultado de acomodação em decorrência de protecionismo de mercado. Não é algo que será revertido com uma mera canetada, como você faz crer.

    "O que haveria seria simplesmente uma pequena redução nos fabulosos lucros das montadoras, nada mais que isso, e um aumento considerável na qualidade e segurança dos nossos carros."

    Por que haveria esse "aumento considerável na qualidade e segurança" dos carros? Só porque o governo decretou? Ele também pode fazer chover?

    Abra o mercado e, com a importação de bens de capital de ponta, e sem tributos, aí sim será possível uma modernização das fábricas. Quanto aos eventuais desempregados das fábricas, eles que se virem. Vão trabalhar em alguma oficina mecânica. É muito mais digno do que se alimentar de um cartel que impede o povo brasileiro de comprar carros decentes e baratos.
  • Andre  15/07/2014 19:08
    "O que haveria seria simplesmente uma pequena redução nos fabulosos lucros das montadoras, nada mais que isso, e um aumento considerável na qualidade e segurança dos nossos carros.".

    Liberar as importações de carros muito mais baratos e melhores resultaria numa redução colossal dos lucros das montadoras, e um aumento considerável na qualidade e segurança dos nossos carros.

    Por que então você não é à favor da liberação das importações?
  • Marconi  15/07/2014 22:03
    Eu sou favorável! Só quis dizer que é possível sim o governo intervir de modo benéfico.

    Sou favorável a redução das tarifas, impostos e liberação do comércio.
  • Alexandre Melchior Rodrigues Filho  15/07/2014 21:25
    Pô, Marconi, mas tem empresa querendo vender carro com tudo isso que vc quer e o governo não deixa!!

    Na Suíça o governo deixa e o povo Suíço não é mais pobre nem mais desempregado que o nosso!
  • Gabriel  16/07/2014 14:10
    Fabulosos lucros das montadoras?

    Comprei um veículo faz duas semanas. Valor da NF: R$ 54.000,00 aproximadamente. Valor dos tributos diretos: R$ 23.000,00 aproximadamente.
    Mais de 40% só em tributos diretos. Imagina se considerar os indiretos.

    Esse lugar em que vivemos, está fadado ao desastre total. Só resta saber quanto tempo isso vai levar.

    Abs,
  • Malthus  16/07/2014 14:21
    O pior é que, até meados de 2012, estavam altos mesmo. Tanto é que o governo até se assanhou.

    www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/45248-dilma-quer-abrir-caixa-preta-de-montadoras-e-cortar-lucros.shtml

    Foi a partir de 2013 que a coisa degringolou.
  • vinicius   22/02/2015 00:31
    O quanto aos 5 ministérios, 12 secretarias e 2agencias reguladoras criadas para conferir e regular essa melhora de qualidade? E as máquinas mais modernas, como importá-las para melhorar a produção, sendo que o imposto de importação é imenso e a moeda fraca? Sou Engenheiro, as fabricas brasileiras são verdadeiras sucatas que parecem ter vindo da união soviética, em sua maioria. E mesmo as novas não podem adotar procedimentos e maquinas mais eficientes devido a intervenção dos sindicatos.

    Quando eu quis introduzir ferramental mais novo e eficiente e diminuir a mão de obra, meu chefe quase me demitiu, disse que o sindicato fechava a empresa no outro dia....
  • Alexandre Melchior Rodrigues Filho  15/07/2014 18:06
    Acho que o Marconi está certo.

    O governo poderia, por decreto, obrigar todos os carros a já virem blindados de fábrica e com limitadores de velocidade, para não passarem dos 120km/h (velocidade máxima permitida por lei).
  • Andre  15/07/2014 18:19
    "O governo poderia, por decreto, obrigar todos os carros a já virem blindados de fábrica e com limitadores de velocidade, para não passarem dos 120km/h (velocidade máxima permitida por lei)."

    É isso aí!!!
    E o governo poderia, por decreto, obrigar todas as casas e ruas terem sistemas de segurança de modo que não houvessem mais crimes!

    Pois como sabemos é só o governo decretar algo que este algo se torna realidade automaticamente da noite pro dia sem gerar nenhum efeito colateral negativo inesperado!

    Não sei o que o governo está esperando para decretar que todos tenham um emprego e um salário mínimo de 100 trilhões de dólares por segundo! Isso com certeza resolveria todos os problemas do país da noite pro dia!!!
  • Alexandre Melchior Rodrigues Filho  15/07/2014 21:27
    André, meu querido, eu estava sendo irônico... Estou apenas mostrando que quem defende esses absurdos do Marconi tem que estar preparado para defender o que falei acima!
  • Andre  16/07/2014 01:03
    "André, meu querido, eu estava sendo irônico..."

    Não percebi. É que tem muita gente que acredita mesmo nisso.
  • Andre  15/07/2014 18:14
    "Se o governo, por regulação, exigir que as montadoras fabriquem carros com a mesma qualidade que fazem no exterior (airbag e abs), os empregos poderiam ser mantidos sem a perda de qualidade."

    Como o Leandro já explicou isso é impossível, e caso fosse tentado teria consequências negativas.

    E afinal de contas, se o governo pudesse fazer o país melhorar em determinado aspecto, por decreto/lei, era só o governo sair por aí emitindo tantos decretos/leis quantos(as) fossem necessários(as) até o país se tornar o melhor país do mundo.

    Mas como é sabido, os países com mais leis são os piores.
  • anônimo  15/07/2014 19:34
    Alexandre está a um passo de anunciar a CarroBrás.
  • Césinha  15/07/2014 19:37
    Harry Potter tinha uma varinha mágica... Hoje, os deputados tem uma caneta mágica lol
  • IRCR  15/07/2014 18:02
    No texto diz que países de economias mais abertas certamente terão taxas de desemprego maiores, mas isso é bem relativo pois se pegarmos Hong Kong, Singapura, Suíça etc... um dos países de economias mais abertas do mundo as taxas de desemprego são baixíssimas, muito mais baixas que de países mais fechados e protecionistas.
    Até digo que países mais livres economicamente tenderão a ter taxas de desemprego mais baixas devido a maior mobilidade e flexibilidade laboral.
  • Guilherme  15/07/2014 18:20
    O termo "economia fechada" se refere exatamente a isso: uma economia totalmente isolada no mundo, vivendo em autarquia, sem comprar absolutamente nada de fora. Como a Coréia de Norte e, em escala menor, URSS e Cuba.
  • Paulo Henrique  15/07/2014 23:30
    De fato, e há muitos fatores para isso, as leis trabalhistas, leis de salário mínimo e como os sindicatos funcionam nesses países. O fato de um país ter emprego exige milhares de fatores unidos, pode ser uma união de fatores bons e ruins.. Os países nórdicos tem muito funcionalismo público, isso absorve muito trabalhador, mas eles também tem leis trabalhistas mais dinâmicas e alguns não tem lei de salário minimo imposto..

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,suicos-rejeitam-salario-minimo-que-seria-o-mais-alto-do-mundo,185198e

    Até mesmo a expansão de crédito aumenta o emprego, o que não significa que é algo bom. Há artigos aqui nesse site que mostra correlação de crédito para empresas privadas e o nível de desemprego. As demissões que vemos hoje na nossa industria pode ser consequência de uma ciclo econômico.


  • Ed  22/02/2015 03:54
    Concordo com o IRCR.

    Vamos aqui reforçar a noção de desemprego. Desemprego corresponde à porcentagem da população que não está empregada e que está efetivamente procurando um emprego. Ou seja, não conta autônomos, empresários, profissionais liberais etc.

    Além disso, a observação dessas economias que o IRCR mencionou, além das americanas e canadense demonstra que há, efetivamente, menos desemprego por lá do que na Europa ou aqui.

    Há de se tomar um cuidado, libertários, para não pular direto da premissa ou hipótese para a conclusão, sem observar os fatos. Isso não é científico, ou seja, é coisa de marxista e keynesiano.
  • Fernando R Sousa  15/07/2014 18:28
    Seria interessante um artigo sobre a recente abertura no transporte de onibus interestadual, após fracassar o velho modelo de monopolio tercerizado, resolveu-se abrir o mercado de forma quase irrestrita.
  • Leandro  15/07/2014 18:35
    Foi comentado brevemente aqui. Ainda não estou botando fé de que vai prosperar:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1876&comments=true#ac100402
  • andre  15/07/2014 20:05
    Governos erram e mercados também. Por isso a necessidade da coexistência entre os dois. A riqueza deve servir para o bem estar social. Para que uma coisa atenda a outra a visão deve ser ampla: vários aspectos devem ser observados, analisados, pesados. O mesmo ocorre na micro economia, ou mesmo dentro das empresas quando se observa uma "briga" entre o comercial e a produção, entre o financeiro e o marketing. Nesse momento entra o CEO para utilizar os recursos de modo que seja bom para a empresa e não apenas para um único departamento.
  • Primo  15/07/2014 23:12
    Economia solida seria uma economia sem mudancas bruscas e com certa previsibilidade? Nesse caso, por definicao os investimentos empresariais seriam mais certeiros e eficientes, fornecendo aos consumidores aquilo que eles desejam, ocasionando em menos individuos dispostos a transgredir a ordem social imposta. Em um economia 'liquida' o futuro eh mais incerto, os empresarios costumam fazer investimentos errados e deixam os consumidores insatisfeitos, ocasionando em um maior numero de individuos dispostos a transgredir a ordem social imposta. Se os desempregados nao criarem o seu proprio emprego, uma economia solida, fica liquida e uma economia liquida se torna gasosa. Concordo com o texto, mas nao sei como classificar nossa economia, seria solida, liquida ou gasosa? E os desempregados o que estao fazendo?
  • andre engenheiro  16/07/2014 00:41
    Qual o papel do Estado??
  • Eduardo  16/07/2014 11:19
    Atrapalhar a vida de todos, travestido de "bom moço" (é o verdadeiro lobo na pele de cordeiro), dá com uma mão e tira com as duas.
  • Vilmar  16/07/2014 00:52
    Alguem tem algum material para indicar sobre os detalhes das consequencias da abertura da fronteira economica? ex: Estimativa de desemprego, periodo de reestruturaçao da economia e afins?
  • Arthur Gomes  16/07/2014 10:58
    Leandro;
    Uma pergunta!
    Neste sentido em conformidade com este artigo, podemos afirmar que os estádios construídos para a copa do mundo foi um trabalho sem valor para o consumidor.

    "A única maneira de criar e manter empregos que não produzem realmente aquilo que o consumidor quer é utilizando o governo. Seja por meio de subsídios diretos, seja por meio de regulações que criam um cartel e proíbem a concorrência, seja por meio de tarifas de importação que criam um reserva de mercado — apenas o governo pode manter operante empresas que produzem algo que não é genuinamente demandado pelo consumidor"

    Como podemos identificar um trabalho com valor para o consumidor e outro sem valor para
    o consumidor?
  • Leandro  16/07/2014 12:25
    Ha várias maneiras: observando se ele se sustenta sem subsídios e demais protecionismos, observando se as pessoas estariam dispostas a pagar mais por ele em caso de revogação dos subsídios, observando se há uma demanda voluntária por ele ou se ele precisa de uma demanda artificial (usufruir contratos com o governo; ter o governo como principal consumidor) para se sustentar; observando se a ameaça de alguma concorrência já seria o suficiente para desbancá-lo.

    Falei sobre isso com mais profundidade neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1465


    P.S.: no caso dos estádios, por exemplo, não é preciso ser Peter Drucker para saber que a Arena Amazônia não tem como se sustentar abrigando Nacional x Rio Negro e São Raimundo x Tarumã. O governo pressionará a CBF para fazer vários amistosos da Seleção lá.
  • Lucas Timm Lima  16/07/2014 19:37
    Gosto muito dos textos desse site pela sua consistência lógica e abordagem prática ao mesmo tempo. Também fui surpreendido quando li um livro de Mises pela primeira vez.

    Por acaso alguém sabe de algum estudo que tenha sido publicado mostrando que a criação artificial de empregos diminui o bem-estar geral da população de um país? Ou que a proteção de algumas indústrias (mesma coisa) provoca esse efeito?

    Gostaria de ler um artigo que tenha sido publicado em alguma revista respeitada e que tenha uma base de estatística/econometria.

    Eu conheço muitos estudos que mostram que empresas estatais são menos eficientes do que empresas privadas, mas neste caso me refiro às privadas que são protegidas.

    Obrigado!
  • Guilherme  16/07/2014 20:59
    Desculpe, Lucas, mas como é que econometria vai mostrar diminuição de bem-estar?

    Meu bem-estar após um dia de trabalho exaustivo é pior do que após um sábado festeiro. Como a econometria me mostraria isso?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1735
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=70
  • Lucas alves  18/07/2014 22:33
    Tiago Cavalcanti - O Brasil tem claramente um problema de oferta. Não falta demanda.

    exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/106702/noticias/conselhos-que-vem-de-cambridge

    Faz sentido o que este economista analisa?
  • Lucas Amaro  24/07/2014 00:58
    Lúcido o suficiente para ser taxado de neoliberal defensor do imperialismo por nossos amigos socialistas, mas ainda está um pouco fora de pontos fundamentais para economistas austríacos.

    Por exemplo, segundo o próprio, é preciso "repensar o Estado", completando com "é preciso melhorar a gestão". Ao invés de repensar o Estado e como melhorar sua gestão, que tal repensar se deve ser o Estado o responsável por determinadas gestões?
  • At84  16/02/2015 16:54
    No município de Camocim Ceará, existe uma fábrica de calçados masculinos que emprega 1.000 pessoas com uma produção média de 700.000 pares ano, digamos que o governo acabe com a proteção de mercado do setor calçadista, A empresa é transferida para China onde o produto é fabricado com a mesma qualidade com o custo menor de R$ 10,00 por par, dos 1.000 funcionários 980 se mantem em atividades produtivas, 20 se tornam criminosos, (10 passando a integrar uma quadrilha de roubo de cargas e 10 de tráfico de drogas) vamos levar em consideração um período de 10 anos:

    Ganhos com o livre mercado: 70 milhões

    Devido a natureza da atividade criminosa, as quadrilhas matam 8 pessoas produtivas ano( caminhoneiros,seguranças,moradores, etc) resultando nos seguintes custos:

    - 15 milhões em roubo de cargas durante 10 anos.
    - 55 milhões referente a 80 mortes de pessoas produtivas, tendo como base 30 anos de atividade futura a um salário médio de R$ 2.000,00.( salário de caminhoneiros, policiais,etc)

    Estou apenas seguindo os ensinamentos de Henry Hazlitt, e olhando o outro lado dentro da realidade brasileira.



  • Marcos Rocha  16/02/2015 17:14
    Como é que é?! Quer dizer então que todas as 20 pessoas que ficaram sem emprego viraram bandidas? Todas elas viraram ladrões de carga e assassinos?

    Nem irei comentar a estupidez do seu cálculo, que é totalmente sem lógica e sentido. Vou abordar apenas sua "sociologia".

    Segundo esse At84 (o covarde nem sequer se identifica), 100% dos desempregados viraram homicidas e ladrões de carga. 100% dos desempregados recorreram à bandidagem.

    Essa é a nossa esquerda: para ela, todo pobre é um assassino e um ladrão em potencial. Basta ficar desempregado, que o pobre logo irá mostrar seu real caráter.

    É assim que a esquerda vê os pobres: ou eles estão trabalhando, ou estão matando e assaltando. Não há uma terceira hipótese.

    E é essa gente que está no comando do país.
  • anônimo  16/02/2015 17:44
    Serio mesmo que foi isso que você aprendeu com Henry Hazlitt??

    Você inventa um monte de números, e chega a bela conclusão que haverá um custo de 70 milhões com o livre-comercio, devido a você achar que 20 desempregados se tornarão excelentes criminosos (como se houvesse uma relação perfeita).


    Tudo que um discípulo de Hazlitt deveria dizer é que, com o livre-comercio, haverá sapatos mais baratos para a população e mais recursos disponíveis para o desenvolvimento de outros setores. Fim.
  • Antônio Roberto  16/02/2015 18:43
    Aliás, os americanos perderam milhões de empregos no setor industrial ao longo das ultimas décadas. E a criminalidade só fez cair.

    Correlacionar livre comércio com aumento da criminalidade é coisa de vigarista intelectual que não tem coragem de dizer diretamente que pobre se transforma em ladrão e assassino quando perde o emprego.

    Aliás, se livre comércio causasse criminalidade, Cingapura e Suíça seriam zonas de guerra, e o Brasil seria um oásis de tranquilidade. Ooops...
  • At84  16/02/2015 19:23
    Como não estamos nos EUA, Suíça e Cingapura vou mostrar números da realidade brasileira:
    Roubo de cargas apenas um exemplo:
    extra.globo.com/casos-de-policia/a-cada-12-horas-um-caminhao-de-carga-roubado-em-areas-proximas-pedreira-ao-chapadao-14765402.html
    Tráfico de drogas:
    www.cearanews7.com.br/ver-noticia.asp?cod=24538
    Se um policial é morto sua família vai receber pensão,tratamento psicológico, e o estado tem que contratar um novo policial, quem esta pagando a pensão do INSS? o mesmo vale para o caminhoneiro, etc.

    Assim como a inflação não atinge toda a sociedade ao mesmo tempo, os ganhos do livre comércio também não, o empresário pode direcionar o lucro para outro país, ex: comprar casas em Miami.
    Apenas quero mostrar que caso o livre comércio fosse implantado no Brasil, teríamos grande problemas no curto prazo.

  • Malthus  16/02/2015 19:49
    É ou não é uma graça?

    O sujeito pega as estatísticas criminais do Brasil -- que é um dos países mais fechados do mundo -- e diz que, se houvesse livre comércio (ainda bem que ele reconhece que não há), tudo seria ainda pior!

    É um portento da lógica!

    Estamos mal pela ausência de livre comércio (as próprias estatísticas dele mostram isso). Mas se tivéssemos livre comércio estaríamos ainda pior! Gênio.
  • At84  16/02/2015 21:30
    Malthus, Quando a Grécia entrou na zona do Euro houve um aumento do livre mercado, pq o Syriza
    ganhou a eleição ?

  • Ricardo  17/02/2015 00:27
    Livre mercado?! O que houve foi um agigantamento soviético do estado grego, com o governo chegando a ocupar quase 59% do PIB. Pode conferir todos os índices aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2017

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2031

    Pelo visto, parece que o estado grande não entregou o que prometia.
  • Brant  16/02/2015 22:04
    Como assim se o livre mercado fosse implantado no brasil teríamos grandes problemas?
    Primeiro que livre mercado não se "implanta", o que se implanta é socialismo que precisa de violência e coerção para existir, livre mercado pressupõe liberdade e voluntarismo, não precisa ser "implantado" por ninguém.
    Sobre o brasil sofrer "imensos problemas" caso houvesse livre mercado gostaria de saber onde você vive, problemas imensos vivemos hoje com o estado regulando toda a economia e 40% da nossa renda sendo confiscada.

    Sobre o empresário que compra uma casa em miami ao invés de reinvestir seu lucro na empresa, isso só é um problema em economias fechadas e com reservas de mercado como a nossa. Em um ambiente de liberdade de mercado a concorrência se encarregaria de varrer empresários que tomassem esse tipo de decisão.
  • Vander  16/02/2015 23:32
    At84: Você é um monstro, que possui, infelizmente, a forma humana.

    Afirmar que todo o desempregado torna-se criminoso porquê perdeu o emprego é um dos argumentos mais baixos e vis que já tive o desprazer de ler aqui no Mises. Aliás, nem vou me dar ao trabalho de afirmar que a maioria esmagadora de despedidos simplesmente encontra outro emprego, sendo que o resto encontra conforto em assistencialismos governamentais. Os que, por ventura, recorrem ao crime geralmente são ex-criminosos que começaram cedo a vida de delitos e que, gente da tua laia [socialistas] insistiram em reintegrá-los à sociedade através de programas de 'inclusão social de presidiários' ou outras merdas do gênero.

    Pegar notícias sobre a criminalidade no Brasil e usá-las para embasar um pensamento tão torpe como o que você afirmou prova para mim que a estupidez humana é realmente infinita, como genialmente declarou o pai da teoria da relatividade. Acredito que nem vale a pena provar para ti que a criminalidade só vem aumentando aqui no Brasil conforme vai aumentando o socialismo. Seria coincidência? Rsrsrs...

    Mas enfim, já li e ouvi coisas similares desses idólatras de Marx por aqui. Não tem como contra-argumentar com animais dessa estirpe. O cérebro deles não vai conseguir assimilar, jamais, a realidade. É como ensinar física quântica à um abacaxi. Eles só conseguem vislumbrar a realidade quando esta desaba sobre eles, geralmente na forma de fome ou guerras. E neste ponto já é tarde demais.
  • At84  17/02/2015 01:56
    Vander, não falei q todo desempregado se torna criminoso, no meu exemplo foram 20 de 1000, A fábrica em Camocim treina e oferece emprego para dezenas de jovens, se ela estiver na China muitos destes jovens serão atraídos pelo crime, e o crime tem um custo. Houve sim um AUMENTO do livre mercado na Grecia, Espanha, Portugal quando elas entraram na União europeia, mas os burocratas estatais estragaram tudo! como se livrar desses burocratas? Vcs estão dispostos a enfrentar a violência dos governos do Brasil,China e Russia...apenas com o poder das idéias, pregando o novo evangelho,vcs são as Testemunhas de Rothbard? Boa sorte! Malthus, se eu sou o Gênio,só sobrou para vc o título de Ingênuo. Não vou gastar mais o tempo do moderador.
  • Malthus  17/02/2015 10:51
    Não. Se 1.000 pessoas foram demitidas, mas 980 acharam novas ocupações, então essas, por definição não estão desempregadas. Consequentemente, os reais desempregados somam 20 pessoas. E, segundo você, todas essas 20 pessoas desempregadas foram para a bandidagem. Ou seja, todos os 20 desempregados (100% deles) viraram bandidos.

    Aliás, nem sei o que é pior: você dizer que todo pobre desempregado vira assassino e ladrão de carga, ou você inventar aqueles números completamente estapafúrdios.
  • Henrique  16/02/2015 17:11
    Não sei se o Leandro sabe, mas ele é citado como uma fonte de um artigo da Wikipédia. Não sei se tem mais artigos que usam algum texto dele como refência...

    Ele é citado sobre a definição de moeda conversível
    pt.wikipedia.org/wiki/Doleiro
  • Leandro90  16/02/2015 18:46
    Antes do mises: muitos colegas, mas pouca liberdade. Colegas de estado
    Depois do mises: pouco colegas, mas com grande liberdade.
    Como lido num artigo daqui: ninguém deve nada a ninguém!
  • Brant  16/02/2015 19:10
    Os únicos ensinamentos que você está seguindo caro at84 são os dos sociólogos progressistas que correlacionam pobreza e desemprego com banditismo. Seu comentário está entre os mais vigaristas e desonestos que eu já li neste site.
  • Marcelo Simoes Nunes  17/02/2015 00:42
    A matéria é muito clara e não há do que discordar. No entanto, a transposição teórica para a realidade brasileira é um assunto tão complexo que se torna quase impossível uma análise em poucas palavras. Me parece óbvio que um corte abrupto dos subsídios e barreiras tarifárias que protegem a indústria nacional levaria o país ao caos total. Me parece claro que é possível e desejável a retirada dessas proteções, mais isso teria de ser um processo de ajustes graduais. Primeiro, quero dizer que uma coisa é falar da indústria nacional, outra é falar da indústria multinacional aqui instalada. São coisas completamente diferentes. Nenhuma multinacional iria a falência nem mesmo com um ajuste abrupto e isso é tão óbvio que dispenso maiores comentários. Há muitas teorias do desenvolvimento e isso é um assunto extremamente complexo. Porque o Brasil não se industrializou de baixo para cima (sem a mão do governo), como os EUA? É preciso que se reconheça que não há geração espontânea de desenvolvimento. A simples retirada da mão governamental, não criará empreendedores, nem gênios, nem pessoas altamente qualificadas. O Brasil, desde a colônia até a década de 30 era um país eminentemente agrícola. E tudo indica que continuaria assim se não fosse Getúlio. Foi ele quem começou a criar esse modelo interventor que temos instalado. Com o golpe militar, os generais, no nível econômico, fizeram exatamente aquilo que os esquerdistas gostariam de ter feito, estatizaram o país. Ao deixarem o poder, 70% da economia era estatal. Hoje, depois das privatizações do FHC, pelos meus dados, 65% da economia está na mão do Estado (não estranhem se escrevo o nome em maiúscula, mas essa coisa dá tanta dor de cabeça que acho melhor lhe dar um destaque). Então vejam o monstro que foi criado. O Estado engole 65% da economia, as multinacionais, outra boa porcentagem e o que sobrou para os brasileiros? Não tenho dados, mas é difícil até mesmo lembrar rapidamente o nome de uma indústria nacional. Continuamos com a roça, com a pecuária, com o serviços miúdos, com os botecos e as padarias, de um modo geral. Na verdade, a indústria nacional brasileira quase que não existe, ou é um mero apêndice das indústrias multinacionais. E para piorar as coisas temos essa classe (acho o nome perfeito, sociologicamente falando) de governantes que nos extorquem. Trocamos a extorsão portuguesa pela republicana, e nem percebemos a diferença. Estávamos há séculos anestesiados pelo cotidiano e assim ficamos. Somente a conscientização de nossos problemas pode levar a uma atitude transformadora.
  • Augusto  17/02/2015 10:56
    Ok, vou fazer o seu e conceder -- por apenas um segundo -- que tarifas protecionistas sejam necessárias para o desenvolvimento das empresas. A pergunta é: no Brasil, as empresas já não tiveram o bastante? O mercado brasileiro está praticamente fechado há mais de um século e ainda é necessário dar mais tempo?

    Aos protecionistas ficam as seguintes perguntas: Tarifa de quanto? Por que tal valor? Por que não um valor maior ou menor? Por quanto tempo deve durar tal tarifa? Por que não um tempo maior ou menor? Qual setor deve ser protegido? Por que tal setor e não outro? E, finalmente, por que o segredo para a eficiência é a blindagem da concorrência?

    Sem respostas claras e diretas a essas perguntas, tudo não passa de ilação.
  • Anarca da floresta  17/02/2015 12:49
    E tudo indica que continuaria assim se não fosse Getúlio

    ...

    Por favor, aponte o tal 'tudo', que indicaria que as pessoas do Brasil não gostam de
    ganhar dinheiro criando indústrias.
  • anônimo  17/02/2015 16:49
    Só pra começo de conversa, pra ter indústrias você precisa de engenheiros, gente competente e inteligente que goste de matemática, tudo que o brasileiro não é.
    É notório que um dos maiores problemas da indústria brasileira é a falta de mão de obra.
    Por aqui, evasão de um curso como medicina, uns 2%, já engenharia: 60%
  • Anarca da floresta  17/02/2015 18:00
    tudo que o brasileiro não é.

    E o Getúlio criou essas indústrias usando pessoas nascidas onde mesmo?
  • anônimo  17/02/2015 20:19
    Tudo que o brasileiro EM GERAL não é. Claro que tem um ou dois que sabem matemática, mas nem de longe dá pra comparar a porcentagem de engenheiros e técnicos com a do povo da China por ex.
    Até porque o contexto da conversa era a dificuldade da indústria pra achar mão de obra qualificada, coisa que até leigo sabe. Você quer um motivo pra indústria não ter como prosperar? Pois taí. Mais alguma coisa?
  • Anarca da floresta  17/02/2015 21:31
    Esse aqui era o contexto da conversa:


    E tudo indica que continuaria assim se não fosse Getúlio

    ...

    Por favor, aponte o tal 'tudo', que indicaria que as pessoas do Brasil não gostam de
    ganhar dinheiro criando indústrias.


    Se faltava gente pra criar indústrias, como o Getúlio criou-as? Se não faltava, por quê a certeza que o Getúlio era indispensável?

    A dúvida continua, poderias me ajudar?
  • Vander  17/02/2015 22:38
    Tudo que o brasileiro EM GERAL não é. Claro que tem um ou dois que sabem matemática, mas nem de longe dá pra comparar a porcentagem de engenheiros e técnicos com a do povo da China por ex.

    =======================================================

    1º) Começou mal, criando uma generalização banal emotiva para dar suporte à sua teoria. O brasileiro NEM SEMPRE foi assim. Aliás digo que uma BOA parcela do povo brasileiro não é assim. Pois caso contrário, não estaríamos aqui, hoje, discutindo pela internet. Mas os tempos estão realmente mudando...

    2º) Não acho justo comparar um país de quase 1.5 bilhões de pessoas com um de 200 milhões. As diferenças de proporções serão sempre significativas. Além do mais, mesmo sendo assolada pelo comunismo, a China possui uma tradição milenar que preza a disciplina. E essa tradição brilha em outros países asiáticos livres do comunismo: Japão, Coréia do Sul e Singapura. Imagine se a China não tivesse sofrido com o comunismo!

    3º) O Brasil vem sendo, historicamente, um celeiro fértil para o agigantamento do Estado. Por isso não me surpreende nem um pouco saber que nossa criação científica é uma das piores do mundo. Também não me surpreende verificar o porquê o Brasil forma tão poucos acadêmicos ligados as ciências exatas: pois a maioria prefere as 'humanas' ou seja, querem um canudo para poderem passar em algum concurso público. Logicamente, porquê arriscar-se nas ciências exatas? Assim sendo, o fato de uma faculdade de engenharia possuir 60% de evasão não me soa estranho. A maioria desses 'engenheiros' simplesmente está preferindo ir fazer alguma outra faculdade, tipo sociologia, direito, letras, administração, etc. E depois, se a sorte ajudar, conseguir alguma teta em alguma instituição pública. Mas isso não representa o brasileiro, mas tão somente a cultura que aqui se firmou de que o Estado é o melhor empregador: 'estabilidade, salário maior, pouco trabalho, etc'.

    4º) Com as premissas acima, respondo sua principal pergunta: a indústria não consegue encontrar mão de obra pois o Estado, na sua 'eficiência', destruiu essa mão de obra. Não é a toa que em TODAS as eleições que presenciei após a 'ditadura', um dos carros-chefes dos políticos em TODOS os palanques que presenciei era justamente... a educação! O outro a saúde. Ou seja, quando político 'vende' educação, a real mensagem que ele está passando é: vou destruir ainda mais a educação, para poder 'vende-la' novamente nas eleições seguintes. Óbvio dizer que essa técnica sempre funciona.

    5º) Já ouviu falar de 'Capitalismo de Estado'? Leia mais sobre esse assunto e entenda o porquê o Brasil está na situação atual e o porquê a indústria NUNCA vai se desenvolver aqui enquanto houver esse horrível sistema de governo. E não jogue a culpa toda no povo. Este possui uma grande parcela desta culpa, mas não é o único.
  • anônimo  18/02/2015 09:54
    'Começou mal, criando uma generalização banal emotiva para dar suporte à sua teoria. O brasileiro NEM SEMPRE foi assim.'

    Quem começou péssimo foi você, diga aí UMA, só uma época na história em que o brasil teve a maioria dos alunos com notas boas em matemática e física. Pelo contrário, o brasil só desaba, o brasil tá no mesmo nível que os países pobres da áfrica.É claro que tem um ou dois gênios lá no ITA, mas esses não vão construir indústria nenhuma porque só estão esperando a primeira oportunidade pra ir embora (como qualquer pessoa inteligente)

    'Não acho justo comparar um país de quase 1.5 bilhões de pessoas com um de 200 milhões. '

    Nem foi isso que eu fiz, eu não falei de números absolutos, falei da proporção de estudantes que escolhe seguir uma carreira técnica. Se o brasil tivesse mais gente interessada em ciência ou exatas esses 200 milhõezinhos seriam mais do que suficiente.Aprenda a ler ajuda.

    No resto quanto ao estado, concordo que ele só atrapalha.MAS isso não significa que tudo seja culpa dele.
  • Vander  18/02/2015 22:41
    "Quem começou péssimo foi você, diga aí UMA, só uma época na história em que o brasil teve a maioria dos alunos com notas boas em matemática e física. Pelo contrário, o brasil só desaba, o brasil tá no mesmo nível que os países pobres da áfrica.É claro que tem um ou dois gênios lá no ITA, mas esses não vão construir indústria nenhuma porque só estão esperando a primeira oportunidade pra ir embora (como qualquer pessoa inteligente)".

    --------------

    Calma rapaz! Não estava me referindo À NOTAS, mas ao fato de que ESTÁ HAVENDO UM DECLÍNIO no número de inscritos e concluintes de cursos de engenharia e exatas. Para te provar tal fato, vou te passar um artigo da UNICAMP que mostra essa tendência: clique aqui. Dê especial atenção à "TABELA 1 - CONCLUINTES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR EM ENGENHARIA".

    Agora mais uma vez repito: O BRASIL NEM SEMPRE foi o que você está afirmando. Nunca chegou perto de países desenvolvidos, mas já foi melhor do que é hoje. Assim, não me venha generalizar dizendo que o Brasil SEMPRE foi assim.

    E porquê está piorando? Simples: porquê o Estado está intervindo cada vez mais, destruindo setores cruciais da economia como P&D por exemplo. Quais empresas de tecnologia de ponta temos no Brasil? Assim sendo, porquê se formar em exatas quando não se tem mais mercado para isso?
  • Rodrigo Amado  19/02/2015 15:12
    "Assim sendo, porquê se formar em exatas quando não se tem mais mercado para isso?".

    Isso me lembra que quando eu era mais novo eu pensava em ser cientista, pois sempre adorei ciências.

    Daí conforme fui crescendo e percebendo que no Brasil não existe pesquisa cientifica fui adaptando meus planos à realidade brasileira.
    Afinal de contas eu não tinha nenhuma perspectiva de poder emigrar do Brasil enquanto era jovem para poder trabalhar com pesquisas cientificas.

    Aqui não se projeta nem circuito integrado, quanto mais fazer pesquisas cientificas.

    Prêmios Nobel do Brasil: ZERO.
    Muitos países incrivelmente menores que o Brasil possuem vários prêmios Nobel.

    Mesmo assim eu me formei em exatas, no caso informática, e logo que possível emigrarei.
    A vantagem da informática é que basta um computador simples qualquer para que se possa criar
    qualquer software. Assim a falta de máquinas de qualidade no Brasil e seu alto custo
    possuem um impacto menor nessa área.
    Claro que mesmo assim o Brasil nunca produziu nenhum software mundialmente usado, pois
    a mentalidade no Brasil é de que quem estuda é otário. Tem outros fatores é claro, como
    a próprio dificuldade de se criar qualquer empresa no Brasil, dentre muitos outros...

    Mas sobre a mentalidade anti-estudos do Brasil, teve até uma vez que eu fui dizer ao meu
    professor de matemática que eu tinha feito todo o dever de casa e ele me disse que eu era
    muito CDF. No Brasil quem estudo é zoado até pelos professores.
  • Marcelo Simoes Nunes  17/02/2015 21:33
    Anarca, Inverta a questão. O que indica que, se o governo não executasse um projeto de industrialização do país, nós nos teríamos industrializado, assim mesmo, e até com mais intensidade? Vou dar dois exemplos para você ver que a falta de intervenção estatal por si só não gera industrialização: Da independência do Brasil até a década de 30, mais de um século se passou sem que o governo atuasse nesse sentido e, nem por isso, o país se industrializou no período. Nossos índios estão por aqui há 20 ou 30 mil anos, não têm sequer governo, nem Estado, e nesse tempo todo não saíram da pedra lascada. Também não estou dizendo que um país precisa da intervenção estatal para se industrializar. Se quer saber, sou totalmente contrário ao que foi feito no Brasil. Acho que se o governo não tivesse se metido estaríamos melhor. Tenho certeza de que pelo menos eu estaria melhor. É preciso entender que a industrialização da Inglaterra foi um raro processo histórico, um momento único, num imenso passado da humanidade sem industrialização significativa. Num dado momento o Brasil os demais países subdesenvolvidos se deram conta de que poderiam se desenvolver como os EUA etc e, num processo de emulação, passaram a produzir teorias do desenvolvimento, cujo objetivo era entender o atraso e encontrar a qualquer custo o caminho do desenvolvimento. Toda essa intervenção teve um êxito relativo, mas nenhum desses países conseguiu de fato decolar. Então a conclusão óbvia é que o desenvolvimento de um país é um assunto tão complexo que tem escapado da capacidade humana de querer controlar a realidade. Eu, nesse assunto, tenho muito mais dúvidas do que certezas e me espanto com a certeza de alguns. Não é fácil ser empresário no Brasil: o governo protege com tarifas alfandegárias, dá crédito subsidiado para alguns escolhidos, mas enfia a mão no bolso de quem produz retirando muito mais do que dá. E, de outro lado, é uma balela essa história de que os EUA ou os países da zona do euro sejam liberais e não criem embaraços ao comércio internacional. Vá você tentar vender guaraná num desses lugares. E isso, que é um fato incontestável, é um complicador a mais para um país como o Brasil, que se industrializou um pouco, mas sem competitividade, não produz tecnologia, e no único setor em que compete, no agronegócio, encontra pesadas barreiras para exportar: sanitárias, trabalhistas, ambientais e tudo quanto possa servir de desculpa para o cinismo internacional.
  • Carlos  18/02/2015 03:05
    Você está dizendo que não há como haver industrialização sem uma mãozinha do governo? Pelo visto, história não é o seu forte:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804
  • Anarca da floresta  18/02/2015 15:25
    Anarca, Inverta a questão.

    Por quê eu deveria? O ônus da prova está com quem faz uma afirmação
    absoluta completamente fora da experiência comum como:

    O Brasil, desde a colônia até a década de 30 era um país
    eminentemente agrícola. E tudo indica que continuaria assim se não
    fosse Getúlio.


    Vou dar dois exemplos para você ver que a falta de intervenção
    estatal por si só não gera industrialização


    Quem afirmou isso? O que gera industrialização são indivíduos
    empreendedores, munidos de informação relevante e arriscando seu
    pescoço e seu capital.

    Da independência do Brasil até a década de 30, mais de um século se
    passou sem que o governo atuasse nesse sentido e, nem por isso, o país
    se industrializou no período.


    E? Correlação não é causalidade.

    O resto do seu comentário é um emaranhado confuso, onde eu não consegui achar o seu ponto. Se você quiser continuar essa conversa, por favor seja mais claro com o que você quer dizer.

  • Tio Patinhas  17/02/2015 21:21
    " O Brasil, desde a colônia até a década de 30 era um país eminentemente agrícola. E tudo indica que continuaria assim se não fosse Getúlio."

    Só o Matarazzo começou um processo de industrialização e quando gv chegou ao poder ele era uma dos homens mais ricos do mundo. E ele não era o único industrial.

    Diria até que getúlio mais atrapalhou do que ajudou.
  • Vinicius  18/02/2015 23:12
    Não se esqueça de Irineu Evangelista e Delmiro Golveia, ambos muito atrapalhados pelo pai estado.
  • Hugo  17/02/2015 00:53
    Boa noite Leandro!

    Refletindo sobre o protecionismo pude concluir que ele,ao obrigar as pessoas e empresas a fazerem muito mais dispêndio para adquirir os bens demandados por elas do que seria num mercado com no máximo parcas proteções estatais nos setor produtivo (como nos países mais desenvolvidos),tem o efeito no médio e longo prazo de limitar a taxa interna de poupança da economia,já que a economia não teria muitas condições de formar poupança com essa necessidade maior de dispêndio para se adquirir os bens produzidos no país tanto pelas pessoas e empresas. E caso não se incomode,gostaria de dar-lhe a sugestão de fazer algum artigo relacionando a formação de poupança da economia com o grau de liberdade comercial da mesma.
  • Occam's Razor  17/02/2015 00:56
    Acho engraçado como essas pessoas que defendem o protecionismo com o argumento de que os produtos seriam fabricados em um país com mão de obra barata (não sei se é o caso do AT84) não percebem que isso imediatamente implicaria na defesa da abolição das tarifas de importação em relação a todos os países que tem uma mão de obra MAIS CARA em relação à nossa. Estou aguardando ansioso por carros alemães!

    O raciocínio é mais ou menos assim: não podemos competir com países ricos por que eles são ricos mas também não podemos competir com países mais pobres por que a mão de obra é mais barata. Uma beleza, não?
  • Marcos  18/02/2015 23:24

    Marcelo Simões e anônimo nunca ouviram falar do Barão de Mauá ?!

    Lá no século XIX, esse homem estava industrializando rapidamente o país até que o Estado brasileiro o impediu violentamente. Ou seja , o Estado brasileiro não só não ajudou nada como atrapalhou ativamente.

    E vcs vÊm me dizer que "antes de Getúlio" nenhuma iniciativa industrialista tinha sido tomada? Vamos estudar um pouco de história pra não dar vexame.
  • Mateus  19/02/2015 05:40
    Além de Mauá, é bom que eles estudem sobre Delmiro Gouveia e Francisco Matarazzo. Ah sim, que se foda o Gegê, aquele FDP (até rimou).
  • Gutemberg Feitosa  18/02/2015 23:57
    Em um regime econômico autoregulado, o surgimento de monopólios é factível. Isso seria aceitável?
  • Marcos Frias  19/02/2015 01:10
    Não, não é factível. E a própria empiria mostra isso. Nunca houve monopólio em um mercado genuinamente livre.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de monopólio ou de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese
  • Charlilson  23/02/2015 17:27
    Só ficou uma dúvida. Como saber o que realmente os consumidores querem?
  • Andre  23/02/2015 19:39
    "Só ficou uma dúvida. Como saber o que realmente os consumidores querem?".

    Tentativa e erro.
    Alguém inventa um produto e tenta vender, se vender é porque eles queriam, se não vender é porque não queriam.

    Simples.
  • Thiago  23/02/2015 19:45
    Além disso, há o sistema de preços, que fornece a baliza para mostrar o que realmente está sendo mais demandado e o que já está excessivamente ofertado.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  28/03/2015 23:52
    Para mim, nunca existirá Livre Concorrência se existir alguém ditando normas e cobrando impostos.





  • Bruno  10/04/2015 23:36
    Faltou os emempregos públicos, os mais improdutivos que existem.
  • Leonardo   12/07/2015 18:19
    Sou leigo e gostaria de esclarecimento. Socialistas dizem que uma menor quantidade de pessoas empregada, faz com que o consumo e consequentemente as vendas abaixem, já que os desempregados ficam sem renda...como a visão libertária vê essa questao? Um maior numero de desempregados num cenario de produtividade alta, afeta o consumo?
  • Ribeiro  12/07/2015 21:12
    Depende das causas do desemprego. Se for causado por políticas monetárias, realmente há esse efeito.

    Mas se for um desemprego transitório, então a realidade é outra:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2045

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2097
  • Gabriel Medeiros  08/03/2016 04:44
    "Da mesma maneira, seria possível reduzir o desemprego a zero por meio de uma regressão compulsória na tecnologia: poderíamos abolir completamente o uso de caminhões e trens, e obrigar toda a carga a ser transportada de carro. Isso criaria milhões de novos empregos. Ou poderíamos também abolir o uso do carro e criar ainda mais empregos, pois agora as pessoas só poderiam transportar carga nas costas."

    Isso só seria possível em um livre mercado onde os salários não tem piso, certo? Pois como a produtividade vai cair, a receita do empregador também vai. Num mercado regulamentado como o nosso, creio que tais medidas gerariam até um desemprego em massa.


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