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Os fundamentos econômicos da liberdade

Durante um de seus seminários, um estudante perguntou ao Professor Mises, "Por que não são todos os empresários que são a favor do capitalismo?". "Essa pergunta", Mises respondeu, "é  inerentemente marxista." A resposta de Mises chocou-me à época. Demorou algum tempo para que eu pudesse entender o que ele quis dizer. O autor da pergunta presumiu, assim como Karl Marx, que empresários eram um grupo que tinha um interesse especial - ou um interesse de "classe" - no capitalismo, interesse esse que outras pessoas não tinham.

"O capitalismo", prosseguiu Mises, "beneficia a todos: não apenas os consumidores, mas as massas em geral. Ele não beneficia apenas os homens de negócios. Na realidade, no sistema capitalista alguns homens de negócios sofrem prejuízos. A posição de um empresário no mercado nunca está garantida; a porta sempre está aberta para concorrentes que podem desafiar sua posição e, assim, privá-lo de lucros. No entanto, é exatamente essa concorrência sob o capitalismo que garante aos consumidores que os empresários farão seu melhor para fornecer a eles, os consumidores, os bens e serviços que querem."

Em vários de seus artigos, Mises sempre deixou claro, repetidas vezes, que não é um apologista de empresas e empresários. Ele está interessado é em determinar o sistema econômico que mais aprimora o bem-estar dos indivíduos e as condições de vida das massas. E esse sistema econômico é a liberdade econômica sob o capitalismo. Somente em um ambiente de liberdade econômica, dizia Mises, mais bens e serviços serão produzidos. Somente sob o capitalismo é que os salários sobem e o padrão de vida das massas melhora progressivamente. A razão? Os consumidores são soberanos no livre mercado capitalista. Eles estão em posição de deixar os empresários saberem o que eles querem com mais urgência, recompensando com lucros aqueles que satisfazem seus desejos e impondo prejuízos — isto é, retirando riqueza — àqueles que fracassam. É esse sistema de recompensas e penalidades que guia a produção e que garante que mais dos bens e serviços que os consumidores querem serão produzidos, elevando assim os salários dos trabalhadores e o padrão de vida de todos.

O mercado é a conseqüência da cooperação social pacífica e da liberdade econômica. E é o mercado que torna possível a liberdade, a justiça, a moralidade, a inovação e a harmonia social. Como escreveu Mises:

"Um homem só tem liberdade enquanto puder moldar sua vida de acordo com seus planos", e

"A moralidade só faz sentido quando dirigida para indivíduos que são agentes livres."

 

Bettina Bien Greaves

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Os animais são guiados por desejos instintivos. São seres que se entregam a qualquer que seja o impulso prevalecente em dado momento, impulso esse que clama categoricamente por sua satisfação. Os animais são simples marionetes de seu próprio apetite.

Já a superioridade do homem pode ser comprovada no fato de ele ter a capacidade de escolher entre alternativas. Ele regula seu comportamento deliberadamente. Ele pode controlar seus impulsos e desejos; ele tem o poder de suprimir aqueles desejos cuja satisfação o forçaria a renunciar à realização de outros objetivos mais importantes. Em resumo: o homem age; ele propositalmente concentra esforços para atingir os fins por ele escolhidos. É isso que temos em mente ao declararmos que o homem é um ser moral, responsável por sua conduta.

A liberdade como um postulado da moralidade

Todos os ensinamentos e preceitos da ética — sejam eles baseados em um credo religioso ou em uma doutrina secular como a dos filósofos estóicos — pressupõem essa autonomia moral do indivíduo e, portanto, apelam à sua consciência. Esses ensinamentos pressupõem que o indivíduo é livre para escolher entre vários modos de conduta e requerem que ele se comporte em conformidade com regras definidas, as regras da moralidade. Ou seja: que ele faça as coisas certas e se afaste das erradas.

É óbvio que as exortações e as repreensões da moralidade somente fazem sentido quando voltadas para indivíduos que são agentes livres. Elas são totalmente vãs quando direcionadas para escravos. É inútil dizer a um escravo o que é moralmente bom e o que é moralmente ruim. Ele não é livre para determinar seu comportamento; ele é forçado a obedecer às ordens de seu mestre. É difícil culpá-lo se ele prefere se entregar aos comandos de seu mestre ao invés de desobedecê-lo, quando se sabe que a desobediência significará a mais cruel punição não só para ele, mas também para os membros de sua família.

É por isso que a liberdade não é apenas um postulado político; ela é um postulado de toda a moralidade, seja ela religiosa ou secular.

A luta pela liberdade

Entretanto, durante milhares de anos uma parte considerável da humanidade esteve inteiramente, ou ao menos em muitos aspectos, privada da faculdade de escolher entre o que era certo e o que era errado. Na sociedade daquela época, a liberdade para agir de acordo com sua própria escolha era — para as camadas mais baixas da sociedade, a grande maioria da população — restringida seriamente por um rígido sistema de controles. Uma formulação abertamente franca desse princípio foi o estatuto do Sacro Império Romano-Germânico, que conferia aos príncipes e condes do Reich (Império) o poder e o direito de determinar a fidelidade religiosa de seus súditos.

Os orientais docilmente se sujeitaram a essa situação. Mas os povos cristãos da Europa e seus descendentes que se estabeleceram em territórios além-mar nunca se cansaram de batalhar pela liberdade. Passo a passo eles aboliram todos os privilégios de casta e todas as desvantagens de determinadas posições sociais até que finalmente tiveram êxito na criação de um sistema. E esse sistema é aquele que os arautos do totalitarismo tentam difamar pela alcunha de sistema burguês.

A supremacia dos consumidores

A fundação econômica desse sistema burguês é a economia de mercado, na qual o consumidor é o soberano. O consumidor — ou seja, toda a população — determina, através do ato de comprar e o de não comprar, o que deve ser produzido, em qual quantidade e com que qualidade. Os empresários são forçados, por meio do instrumental de lucros e prejuízos, a obedecer às ordens dos consumidores. Somente irão prosperar aquelas empresas que fornecerem, da melhor e mais barata maneira, as mercadorias e serviços que os compradores estão mais ansiosos para obter. Aqueles que fracassarem em satisfazer o público sofrerão prejuízos e finalmente serão forçados a abandonar os negócios.

Nas eras pré-capitalistas, os ricos eram aqueles proprietários dos grandes terrenos e imóveis. Eles e seus ancestrais adquiriram sua propriedade, os feudos, como presente dado pelos soberanos que — com sua ajuda — conquistaram territórios e subjugaram seus habitantes. Esses aristocráticos proprietários de terras eram verdadeiros lordes, pois não estavam sob o jugo do público consumidor. Por outro lado, os ricos de uma sociedade industrial capitalista estão sempre sujeitos à supremacia do mercado. Eles adquirem sua riqueza ao servir os consumidores de uma forma melhor e mais eficiente do que outras pessoas, e perdem sua riqueza quando essas outras pessoas satisfazem os desejos dos consumidores de uma forma melhor e mais barata do que eles. Em uma economia de livre mercado, os donos do capital são forçados investi-lo naquelas linhas que melhor irão servir o público. Assim, a propriedade dos bens de capital é algo que se transfere continuamente para as mãos daqueles que mais têm êxito em servir aos consumidores. Nesse sentido, é a economia de mercado baseada na propriedade privada que representa o verdadeiro serviço público: é ela que impõe aos proprietários a responsabilidade de empregar seu capital no melhor dos interesses dos consumidores soberanos. É a isso que os economistas se referem quando eles dizem que a economia de mercado é uma democracia na qual cada centavo dá direito a voto.

Os aspectos políticos da liberdade

O governo representativo é o corolário político da economia de mercado. O mesmo movimento espiritual que criou o capitalismo moderno substituiu o domínio autoritário dos reis absolutistas e das aristocracias hereditárias pelo sistema de representantes democraticamente eleitos.[1] Foi esse tão menosprezado liberalismo burguês que trouxe a liberdade de escolhas, de pensamento, de expressão e de imprensa, e pôs fim à intolerante perseguição de dissidentes.

Um país livre é aquele em que cada indivíduo tem a liberdade de moldar sua vida de acordo com seus próprios planos. Ele é livre para concorrer no mercado em busca dos empregos mais desejáveis e, no cenário político, dos cargos mais altos. A sua dependência em relação a favores alheios não é maior do que a dependência dos outros em relação a ele. Se ele quiser ter êxito no mercado, terá de satisfazer os consumidores; se quiser ter êxito na vida política, terá de satisfazer os eleitores. Esse sistema trouxe aos países capitalistas da Europa Ocidental, América do Norte e Austrália um aumento demográfico sem precedentes e o mais alto padrão de vida jamais visto na história. O cidadão médio, sobre o qual tanto se fala, tem hoje à sua disposição amenidades e confortos com os quais os homens mais ricos das eras pré-capitalistas sequer sonhavam. Ele tem o privilégio de poder desfrutar das conquistas espirituais e intelectuais da ciência, da poesia e da arte, coisa que, no passado, eram acessíveis apenas a uma pequena elite de pessoas abastadas. E ele é livre para adorar e cultuar os símbolos religiosos que bem quiser.

A distorção socialista da economia de mercado

Todos os fatos a respeito da operação do sistema capitalista foram deturpados e distorcidos por políticos e escritores contrários à escola de pensamento que, no século XIX, esmagou o domínio arbitrário de monarcas e aristocratas e pavimentou o caminho para o livre comércio e a livre empresa. Essa escola chama-se liberalismo. Do ponto de vista desses defensores do retorno ao despotismo, todos os males que atormentam a humanidade se devem às sinistras maquinações feitas pelas grandes empresas. O que é necessário fazer para levar riqueza e felicidade para todas as pessoas decentes é colocar as corporações sob estrito controle governamental. Eles admitem, ainda que bem indiretamente, que isso significa a adoção do socialismo, o sistema vigente na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Mas eles declaram que o socialismo será algo inteiramente diferente nos países da civilização Ocidental em relação àquilo que é na Rússia. E ademais, dizem eles, não há outra maneira de despojar as gigantescas corporações do enorme poder que elas adquiriram e impedir que elas sigam prejudicando os interesses populares.

Contra toda essa propaganda fanática, torna-se necessário enfatizar repetidas vezes a verdade: foram as grandes empresas que tornaram possível a melhora sem precedentes do padrão de vida das massas. Para um relativamente pequeno número de abastados, bens de luxo podem ser produzidos por empresas de pequeno porte. Mas o princípio fundamental do capitalismo é produzir para satisfazer as necessidades e desejos da maioria. As mesmas pessoas que estão empregadas nas grandes corporações são as consumidoras principais dos bens produzidos. Se você olhar ao redor das casas das famílias de classe-média, entenderá o que estou dizendo. São as grandes empresas que tornaram todas as conquistas da tecnologia moderna acessíveis ao homem comum. Todas as pessoas são beneficiadas pela alta produtividade da produção em larga escala.

É tolice falar sobre o "poder" das grandes empresas. A marca intrínseca do capitalismo é que o poder supremo em todas as questões econômicas é conferido aos consumidores. Todas as grandes empresas tiveram um começo modesto e se tornaram grandes justamente porque o apoio dado pelos consumidores as fez crescer. Seria impossível que pequenas e médias empresas criassem os mesmos produtos dos quais, hoje, nenhum cidadão médio consegue abrir mão. Quanto maior é uma corporação, mais ela depende da prontidão do consumidor para comprar suas mercadorias. Foram os desejos — ou, dizem alguns, a tolice — dos consumidores que levaram a indústria automotiva a produzir carros cada vez maiores para, logo depois, forçá-las a fabricar novamente carros menores. Redes de lojas e lojas de departamento necessitam ajustar diariamente suas operações para poder satisfazer as mudanças de desejos de seus clientes. A lei fundamental do mercado é: quem manda é o consumidor.

Qualquer um que critique a conduta dos negócios feitos no mercado e tenha a pretensão de saber métodos melhores para a provisão dos consumidores não passa de um tagarela desocupado. Se ele acha que seus esquemas são melhores, então por que ele próprio não os aplica? Sempre haverá capitalistas à procura de um investimento lucrativo para seus fundos. Estes se mostrarão dispostos a fornecer ao tagarela o capital necessário para qualquer inovação sensata. E o público sempre estará ávido para comprar o que for melhor, ou mais barato, ou que for simultaneamente melhor e mais barato. O que vale no mercado não são devaneios fantásticos, mas, sim, ação. Não foi o falatório que enriqueceu os "magnatas", mas o serviço prestado aos consumidores.[2]

O acúmulo de capital beneficia a todos

Virou moda hoje em dia ignorar silenciosamente o fato de que toda e qualquer melhoria econômica depende da poupança e do acúmulo de capital. Nenhuma das maravilhosas conquistas da ciência e da tecnologia poderia ter sido posta em prática se o capital requerido não tivesse sido previamente disponibilizado. O que impede que as nações economicamente atrasadas façam uso pleno dos métodos ocidentais de produção — inação essa que mantém empobrecida sua população — não é a infamiliaridade com os ensinamentos tecnológicos, mas sua insuficiência de capital. Trata-se de uma avaliação seriamente incorreta dizer que os problemas enfrentados pelos países subdesenvolvidos se devem à sua falta de conhecimento técnico, o chamado "know how". Seus empresários e seus engenheiros, grande parte deles graduados nas melhores universidades dos EUA e da Europa, estão bem familiarizados com o estado da atual ciência aplicada. O que amarra suas mãos é a escassez de capital.

Cem anos atrás os EUA eram ainda mais pobres do que essas nações atrasadas. O que fez com que os EUA se tornassem o país mais afluente do mundo foi o fato de que o "individualismo vigoroso" dos anos anteriores ao New Deal não colocou obstáculos muito pesados no caminho dos homens empreendedores. Os empresários desse país enriqueceram porque reinvestiram a maior parte dos seus lucros em seus negócios, e consumiram apenas uma pequena parte deles em proveito próprio. Assim, eles enriqueceram não apenas eles próprios mas também todas as outras pessoas. Foi essa acumulação de capital que elevou a produtividade marginal do trabalho e, consequentemente, os salários.

No capitalismo genuíno, a cobiça de um empreendedor individual beneficia não apenas ele próprio, mas também todas as outras pessoas. Há uma relação recíproca entre sua aquisição de riqueza — seja por meio dos serviços prestados aos consumidores, seja por sua acumulação de capital — e a melhora do padrão de vida dos assalariados que formam o grosso dos consumidores. As massas — tanto na sua condição de assalariados, como na de consumidores — estão interessadas é na florescência dos negócios. É isso que os antigos liberais tinham em mente quando declararam que, na economia de mercado, prevalece uma harmonia dos verdadeiros interesses de todos os grupos da população.

O bem-estar econômico ameaçado pelo estatismo

Foi na atmosfera mental e moral desse sistema capitalista que o cidadão americano enriqueceu. Ainda existem em algumas partes dos EUA condições que aparentam ser, para os prósperos habitantes dos avançados distritos do país, que são a maioria, altamente insatisfatórias. Mas o rápido progresso da industrialização já teria há muito acabado com esses bolsões de atraso não fossem as infelizes políticas do New Deal, que reduziram bruscamente a acumulação de capital — essa insubstituível ferramenta para o melhoramento econômico.

Acostumado às condições de um ambiente capitalista, o americano médio já toma como certo que a cada ano o mercado irá criar algo novo e mais acessível pra ele. Olhando para trás, relembrando seu próprio passado, ele percebe que muitos objetos que lhe eram totalmente desconhecidos nos dias de sua juventude, bem como muitos outros que àquela época só podiam ser desfrutados por uma minoria ínfima, já são hoje o equipamento padrão de quase todas as famílias. Ele está totalmente confiante que essa tendência vai continuar no futuro. Ele simplesmente chama isso de "o estilo americano de vida", e não pára muito para pensar no que tornou possível essa contínua melhora na oferta de bens materiais. Ele não está devidamente preocupado com o avanço de alguns fatores destinados não apenas a impedir uma ulterior acumulação de capital, mas que podem muito brevemente levar a uma desacumulação de capital. Ele não se opõe às forças que — ao aumentar estupidamente o gasto público, ao reduzir a acumulação de capital, ao consumir partes do capital investido nos negócios e, em última instância, ao inflacionar a oferta monetária — estão enfraquecendo as genuínas fundações de seu bem-estar material. Ele não está preocupado com o crescimento do estatismo, um sistema que, onde quer que foi aplicado, sempre resultou na produção e na preservação de condições que, a seus olhos, seriam horripilantemente miseráveis.

Não há liberdade pessoal sem liberdade econômica

Infelizmente, muitos de nossos contemporâneos são incapazes de perceber quais seriam as conseqüências de uma mudança radical nas condições morais do homem, da ascensão do estatismo e da substituição da economia de mercado pela onipotência do estado. Eles são iludidos pela idéia de que prevalece um dualismo bem definido nas relações do homem. Eles crêem que é possível separar, de um lado, toda a esfera das atividades econômicas e, de outro, toda a esfera das atividades consideradas não econômicas. E entre essas duas esferas, crêem eles, não há qualquer conexão. A liberdade que o socialismo abole é "apenas" a liberdade econômica, enquanto que a liberdade em todas as outras questões permanece intocada.

Entretanto, essas duas esferas não são independentes uma da outra, como assume essa doutrina. Os seres humanos não flutuam em regiões etéreas. Tudo o que um homem faz tem necessariamente que, de uma maneira ou de outra, afetar a esfera econômica ou material — o que requer que ele interfira nessa esfera. Para poder continuar existindo, ele precisa laborar arduamente e lidar com alguns bens tangíveis.

A confusão está explícita na idéia popular de que o que ocorre no mercado refere-se apenas ao lado econômico da vida e da ação humana. Mas, na verdade, os preços de mercado refletem não apenas "interesses materiais" — como conseguir comida, abrigo ou outras amenidades —, mas refletem também aqueles interesses que são costumeiramente chamados de espirituais, nobres, superiores. Por exemplo: o cumprimento ou o não cumprimento de mandamentos religiosos — se abster de certas atividades completamente ou em dias específicos, assistir os necessitados, construir e manter casas de culto religioso, e muitos outros — é um dos fatores que determinam a oferta e a demanda de vários bens de consumo, o que necessita de preços — como sinalizadores de mercado —, os quais por sua vez necessitam da conduta dos negócios no mercado. Assim, a liberdade que a economia de mercado garante ao indivíduo não é meramente "econômica"; ela se estende para todas as outras áreas. Ela não se distingue de qualquer outro tipo de liberdade. Ela também implica a liberdade de determinar todas as outras questões que são consideradas morais, espirituais e intelectuais.

Ao controlar absolutamente todos os fatores de produção, o regime socialista controla também a vida de cada indivíduo. O governo determina para cada indivíduo um emprego específico. Ele determina quais livros e jornais devem ser impressos e lidos, quem deve gozar da oportunidade de poder escrever, quem pode ter o direito de usar as salas de montagem para transmitir e usar todos os outros instrumentos de comunicação. Isso significa que aqueles no controle da conduta suprema dos assuntos do governo determinam, em última instância, quais idéias, ensinamentos e doutrinas podem ser propagados, e quais não. O que quer que uma constituição escrita e promulgada possa dizer sobre a liberdade de escolha, de pensamento, de expressão e de imprensa, bem como sobre a neutralidade em questões religiosas, em um país socialista se torna letra morta caso o governo confisque os meios materiais que possibilitam o exercício desses direitos. Aquele que monopoliza todos os meios de comunicação tem o total poder de manter uma mão firme sobre as mentes e as almas dos indivíduos.

O que torna muitas pessoas cegas às características essenciais de qualquer sistema socialista ou totalitário é a ilusão de que esse sistema será conduzido precisamente da maneira que elas próprias consideram desejável. Ao apoiar o socialismo, eles tomam como certo que o "estado" irá sempre fazer aquilo que elas querem que ele faça. Apenas aquele tipo de totalitarismo em que os regentes acatam suas idéias é que é chamado de socialismo "verdadeiro", "real" ou "bom". Todos os outros tipos são denunciados como falsificados. O que elas esperam em primeiro lugar é que o ditador suprima todas aquelas idéias com as quais elas discordam. De fato, todos esses apoiadores do socialismo sofrem, sem que percebam, desse complexo ditatorial ou autoritário. Elas querem que todas as opiniões e planos com os quais discordam sejam esmagados por uma ação violenta da parte do governo.

O significado do direito efetivo de dissentir

Os vários grupos que advogam o socialismo — não interessa se eles se chamam a si próprios de comunistas, socialistas ou reformadores sociais — concordam com seu programa econômico essencial. Todos eles querem substituir a economia de mercado e a supremacia dos consumidores individuais pelo controle estatal — ou, como alguns deles preferem dizer, controle social — das atividades produtivas. O que separa alguns grupos de outros não são questões de gerenciamento econômico, mas convicções religiosas e ideológicas. Existem socialistas cristãos — católicos, protestantes e outras denominações — e existem socialistas ateus. Cada uma dessas variedades toma por garantido que a futura nação socialista será guiada, no caso dos religiosos, pelos mesmos preceitos da sua fé, ou, no caso dos ateus, pela rejeição de qualquer credo religioso. Eles nunca pensam na possibilidade de que o regime socialista possa vir a ser dirigido por homens hostis à sua fé e aos seus princípios morais. Homens que podem considerar como sua tarefa principal utilizar todo o enorme poder do aparato socialista para suprimir aquilo que, do seu ponto de vista, é um erro, uma superstição, ou uma idolatria.

A simples verdade é que apenas onde há independência econômica em relação ao governo os indivíduos podem ser livres para escolher entre o que consideram certo ou errado. Um governo socialista tem o poder de tornar qualquer discordância impossível, discriminando contra grupos religiosos e ideológicos não desejados e negando a eles todos os instrumentos materiais necessários para a propagação e a prática de suas convicções. O sistema de partido único, o princípio político da regra socialista, significa também um sistema de religião e moralidade única. Um governo socialista tem à sua disposição meios que podem ser usados para a obtenção de uma rigorosa conformidade para com todos os aspectos; Gleichschaltung (conformidade política), como os nazistas chamavam. Os historiadores já mostraram o papel importante que a imprensa teve durante a Reforma. Quais seriam as chances dos reformadores se toda a imprensa estivesse sendo operada pelos governos liderados por Carlos V, da Alemanha, e pela Casa de Valois, da França?[3] E, por falar nisso, quais seriam as chances de Marx em um sistema no qual todos os meios de comunicação estivessem nas mãos dos governos?

Qualquer um que queira liberdade de idéias tem de abominar o socialismo. É claro, a liberdade permite ao homem fazer não apenas coisas boas, mas também coisas erradas. Mas nenhum valor moral pode ser atribuído a uma ação — por melhor que ela seja — que tenha sido feita sob a pressão de um governo onipotente.

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[1] Apesar de Mises ter sido, na época, um entusiasta da democracia, isso não significa que todo o movimento austríaco atual apóie essa idéia. Com o passar do tempo, a democracia foi corrompida a tal ponto que, hoje, se tornou difícil distingui-la de outras formas de totalitarismo, conquanto mais branda. Leia o artigo de Hans-Hermann Hoppe, Democracia - o deus que falhou. [N. do T.]

[2] No Brasil, infelizmente, criou-se uma maneira fácil, rápida e imoral de enriquecimento: o serviço público. Nele, não há cobranças, não há riscos e não há — ao contrário do mercado — como levar incompetentes à falência. E o que é ainda pior: todos os proventos de seus membros advêm do roubo, pura e simplesmente.[N. do T.]

[3] Carlos V, da Alemanha (1500-1558), um católico devoto, oprimiu heresias religiosas nos Países Baixos e lutou para suprimir o luteranismo nos principados alemães. Durante o reinado dos reis Valois da França (1328-1589), guerras religiosas eclodiram, uma vez que os protestantes franceses, incluindo os huguenotes, lutavam pela liberdade de culto.


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autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • liberdade???  20/07/2010 15:03
    Desculpe-me, se os proprietários deste site me permitirem (aliás, Mises sempre defendeu o debate entre ideias e não a censura), eu posso discordar este texto.

    Mises não compreendia o conceito de "socialismo". Se quer saber o que é socialismo, existiu em Paris, em 1871. Foi o único modelo de democracia direita (e verdadeira) na História da Humanidade. Fica a pergunta: qual o nome do ditador da Comuna?

    Mas qual é a liberdade que um trabalhador possui dentro de uma empresa???John Locke definiu o homem que vende serviço em troca de uma salário como "servo" de outro. Que liberdade é esta onde meia-dúzia de parasitas determinam a vida de milhões? Até que Hoppe tem uma certa razão: se compararmos o regime político de uma Empresa Privada, perceberíamos que é o mesmo regime que os liberais combateram há 300 anos. Antes era o Rei que decidia as coisas sem consultar o povo. Hoje, um empresário decide demitir trabalhadores, ou devido à sua incompetência e a conta sempre sobra para os trabalhadores, ou prefere mudar os "fatores de produção" porque seus "cálculos" lhe mostraram que outro local é mais "lucrativo". Neste caso, nem os tais consumidores ((aos quais, segundo Mises, os empresários servem) são poupados. Vejam o que aconteceu quando as Casas Bahia mudou seus "fatores de produção" do RS.

    Mises não deve ter vivido o suficiente para ver o representante das telefônicas dizer que "o consumidor nem sempre tem razão". Nesta questão, Rothbard é mais racional do que o Mises. Rothbard diz literalmente que os consumidores não são soberanos, e até defende a queima de café.

    Do jeito que o Mises fála, parece que o capital existe desde a Pré-História, quando o homem começa a aperfeiçoar o métodos de caça e coleta...
    por esta linha de raciocínio, imagine aologista do Faraó: "vejam o progresso da civilização, temos pirâmides, irrigação...De que esses escravos reclamam???Querem fugir da civilização, são uns loucos..."
    Capital é uma relação social, tal como a senzala e o feudo.
  • Daniel M.  21/07/2010 10:29
    Muito elucidativo o comentário do "liberdade???". De acordo com o padrão das ideias que circulam pelo nosso país, ele está perdendo uma grande oportunidade de abrir um blog e ter uma considerável audiência.

    Faria apenas uma ressalva às críticas feitas acerca do suposto desconhecimento de Mises sobre o socialismo e outras intervenções. Certamente "liberdade???" leu muitos textos de Mises, mas não deve ter lido "Intervencionismo", disponível gratuitamente aqui no IMB. No capítulo VII, escreve Mises:

    "Se os governos realmente quisessem acabar com os monopólios bastaria usar os meios que têm à sua disposição - bastaria eliminar todas as barreiras tarifárias. Se fizessem apenas isso, o "problema do monopólio" perderia a sua importância. Na verdade, os governos não estão interessados em acabar com os monopólios; ao contrário, são eles que criam as condições que permitem aos produtores exercer preços monopolistas."

    E depois:

    "Não é verdade que os que apoiam o regime de economia de mercado livre sejam defensores dos interesses egoístas dos ricos. Os interesses específicos dos empresários e dos capitalistas os levam a solicitar a intervenção para que não tenham que competir com produtores mais eficientes e mais ativos."


    Será que isso se encaixa ao contexto de setores fortemente regulados, como telecomunicações, energia, petróleo, aviação etc ??? Eu acho que sim.
  • mcmoraes  21/07/2010 14:28
    Fiquei com uma dúvida: seria o comentarista denominado "liberdade???" um seguidor do prof. Hale?
  • Mises...  21/07/2010 15:24
    E alguém faou sobre monopólio, aqui? Eu cito o caso de uma empresa que retira seus investimentos para direcionar seus "fatores de produção" em outro lugar, prejudicando os tais consumidores de outro, e você vem falar em monopólio.

    Quanto ao Mises, nem entendeu as obras do Mises. Já leu todas? Mas você omitiu algumas verdade do Mises, por exemplo, no mesmo parágrafo citado por você, algumas frases antes do trecho citado, Mises diz: "É possível, e até mesmo provável, que numa economia de mercado que NÃO seja obstruída pela intervenção governamental venham a ocorrer situações que possibilitem, ainda que temporariamente, o exercício de preços monopolísticos. Pode-se admitir como provável, por exemplo, que mesmo numa economia de LIVRE MERCADO venha a se formar um monopólio internacional do mercúrio, ou que existam monopólios locais de alguns materiais de construção e de combustíveis." Ou seja, Mises não descarta a possibilidade de formação de monopólios mesmo sob uma economia de mercado SEM Intervenção Estatal. Em "Liberalismo", Mises dá uma explicação melhor, afirma literalmente que o "desenvolvimento econômico" capitalista "NÃO obstado por medidas protecionistas" e "anticapitalistas", "o resultado" seria que, "em TODO ramo de produção", haveria "um número relativamente PEQUENO de firmas, ou mesmo apenas UMA ÚNICA FIRMA, voltada para produzir com alto grau de especialização e para suprir todo o mundo." (Liberalismo, Capítulo 2, pag. 91). Ou seja, Mises diz literalmente que SEM a intervenção do governo, em todo ramo de produção, haveria concentração da produção em poucas empresas (ou até uma única empresa).
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  25/07/2010 08:07
    No comentário intitulado "Liberdade???" o misterioso comentador atribuiu ao mercado as mazelas do próprio Estado. Isso é bem típico da mentalidade marxista.\r
    \r
    Acho curioso que os críticos dos textos do site nunca apresentam seus nomes.\r
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    Isso me lembra o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo, que sempre denuncia a rede petralha que fica fazendo "vigília" na internet.\r
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    O socialismo é um conjunto de idéias autoritárias, que levam a fome, miséria e sofrimento do povo, como demonstrado em diversos países que adotaram esta loucura.\r
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    Onde a liberdade econômica floresceu houve progresso material e cultural das pessoas. O resto é ideologia.\r
    \r
    Saiba o comentador nem todas as pessoas tem miolo mole.
  • Diogo Siqueira  25/07/2010 16:00
    Caro "liberdade??? ",

    Já recebi uma boa dose de marxismo e estatolatria durante minha vida escolar e acadêmica; inclusive já li o manifesto comunista várias vezes.

    Agora me faça um favor, leia PICTURES OF THE SOCIALISTIC FUTURE, de EUGENE RICHTER, e logo após, se desejar, poste um comentário com as suas opiniões sobre esta pequena obra.
  • eu também...  26/07/2010 15:37
    Eu também já bastante livros liberais. Inclusive baxei 'Ação Humana" no meu computador, lí o "Liberalismo", e recentemente í o livro "A Mentalidade Anticapitalista" de Von Mises....portanto, eu tenho bastante conhecimento, bastante informações sobre as idéias liberais.
  • RENATO BARBOSA DA SILVA RAMOS  04/08/2010 13:10
    Ludwig von mises foi e sempre será por séculos um dos maiores pensadores da humanidade.O socialismo é e sempre será um modelo anti-democrático,contra a liberdade individual,ditatorial,que não respeita o DIREITO DE PROPRIEDADE PRIVADA(ou seja contra a civlização), e que jamais será responsável pela formação de uma sociedade livre e desempedida,cujos habitantes terão a liberdade de escolher e traçar o seu próprio destino.\r
    Os Liberais estão abertos a novas idéias,mas será muito difícil aparecer algo que suplante A ECONOMIA DE LIVRE MERCADO.Para mim,a CATALÁXIA é um dado irredutível,que irá guiar a humanidade pela a sua eternidade.\r
    Não podemos esquecer também dos feitos do mestre FRIEDRICH AUGUST VON HAYEK,que foi um brilhante aluno de mises,e que se tornou PRÊMIO NOBEL em 1974.seus trabalhos atigem a ECONOMIA,a Filosofia do Direito,história e a ciência política.\r
    Aos críticos de Ludwig von Mises,sugiro-lhes que leiam e re-leiam os seus escritos,pois podem estar sofrendo do erro de interpretação.
  • Diogo Siqueira  04/08/2010 18:07
    "eu também...",


    O conteúdo do romance que indiquei não relata feitos liberais, e sim, socialistas. É um retrato da "comuna" sob o receituário do próprio Marx. Não perca seu tempo lendo as obras de Mises, por enquanto. Antes, é melhor desfazer o mito da praticabilidade do socialismo; e este romance cumpre muito bem este papel. Penso que com mais didática e clareza que "O Caminho da Servidão" de Hayek. Vale a pena lê-lo!
  • não sou doutrinado  05/08/2010 17:05
    Caro Diogo Siqueira...posso ler o mais liberal que for, pode o mais anticomunista que for, que não serei doutrinado, se fosse, já teria sido...já lí até Böhm-Bawerk...portanto, posso ler o que quiser que não vai mudar...

    Só uma pergunta: Hayek não é aquele mesmo autor que prefere uma DITADURA com liberalismo do que uma "democracia" sem liberalismo???Então quem é o Caminho da Servidão???
  • Neto  10/10/2012 16:35
    Eu também prefiro,muita gente preferiria, democracia é uma grande porcaria.Democracia é a ditadura da maioria medíocre.
  • Carlos Eduardo  10/10/2012 22:29
    Você pode ter lido duzentas obras liberais, mas ou não entendeu ou simplesmente criou imagens e espantalhos pra cada uma delas. Hayek argumenta que o coletivismo e o planejamento estatal central criam raízes, e formas pelas quais o totalitarismo nasce e se expande. Sem liberalismo, o totalitarismo nasce e cresce aos poucos. Logo, liberdades individuais e liberdades econômicas estão interligadas. Quanto ao argumento de Mises, existem contra-argumentos que estão expostos em outros textos do site, escritos por outros autores. Somente pelo fato de que o instituto se chama Mises, não significa que aceitamos suas idéias como dogmas ortodoxos imutáveis ao longo do tempo, coisa que marxistas adoram fazer com as obras de Marx. Existem diversos textos neste site que falam da questão dos monopólios. Basta procurar.
  • mcmoraes  11/10/2012 04:57
    O Hayek falou isso para expressar o seguinte: entre duas ditaduras, ele prefere a menos opressora. Visto que o liberalismo representa o respeito à propriedade privada, o cumprimento de contratos e a ausência de coerção, é óbvio que o Hayek está certo. Sendo assim, a resposta para a sua última pergunta é: você!
  • Sérgio  10/10/2012 15:41
    "Carlos V, da Alemanha (1500-1558), um católico devoto"??? Bem se vê mataram muito as aulas de História. Carlos V era um católico tão "devoto" que saqueou e depredou o Vaticano junto com os luteranos (ao contrário do que o texto diz):

    "O saque de Roma foi um evento militar levado adiante por tropas amotinadas de Carlos de Habsburgo, Rei de Espanha e Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, em Roma, então parte dos Estados Papais. Foi uma crucial vitória imperial no conflito entre o Imperador e a Liga de Cognac, a aliança entre França, Inglaterra, Milão, Veneza, Florença e o Papado.

    Foi no dia 6 de maio de 1527 que cerca de quarenta mil homens espalharam na Cidade Eterna o terror, a violência e a morte. Eram seis mil espanhóis, quatorze mil italianos e vinte mil alemães, quase todos fanáticos luteranos. Gritavam: "Viva Lutero, nosso papa!". Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, os invasores assaltaram, estupraram, saquearam, incendiaram, trucidaram, mutilaram, jogaram crianças pelas janelas e as esmagaram contra as paredes. Grande parte da população foi dizimada."

    pt.wikipedia.org/wiki/Saque_de_Roma_(1527)

  • Matheus Polli  10/10/2012 21:20
    Carlos V, rei Carlos I de Espanha e imperador do Sacro Império Romano Germânico um protestante?

    Na mesma página que você tirou sua pérola fora de contexto:

    "O Imperador Carlos ficou enormemente embaraçado e IMPOTENTE EM PARAR SUA TROPA, mas, politicamente falando, não estava triste em saber que eles tinham atingido ferozmente o poder papal. Na verdade, Carlos foi parcialmente responsável pelo saque, porque expressou seu desejo de ter uma audiência privada com o papa, sendo que assim seus homens agiram com as próprias mãos."

    Se alguém matou alguma aula aqui esse foi você - a aula de ética.
  • Sérgio  11/10/2012 00:17
    Eu não disse que ele era protestante, eu disse que ele se aliou com os protestantes no Saque de Roma em 1527, fato histórico conhecido. Um católico devoto jamais cogitaria fazer o que Carlos V fez: querer "atingir ferozmente" o Papa e enviar tropas para destruir Roma e saquear igrejas e monastérios.
  • Matheus Polli  11/10/2012 21:43
    Seja honesto e volte ao seu texto:

    "O saque de Roma foi um evento militar levado adiante por tropas amotinadas de Carlos de Habsburgo". Você conseguiu ler a palavra AMOTINADAS?

    Por favor, leia seu texto novamente e outros sobre ele. Este único evento não outorga suas afirmações, pois você não está entendendo seus motivos. E ainda diz que Mises matou aula de historia.... me poupe.
  • Sérgio  11/10/2012 22:23
    Eu tava m referindo à nota que provavelment não foi o Mises... Geralmente um autor escreve um livro, mas quem adiciona as notas não é autor, é o tradutor ou um dos editores...

    O fato é que Carlos V madou tropas contra o Papa e declarou guerra ao Papa. Como eu disse, se ele fosse um católico devoto, nem cogitaria fazer isso.
  • Sérgio  10/10/2012 20:19
    Outra coisa. O Mises está errado quando afirma que o homem "pode controlar seus impulsos e desejos; ele tem o poder de suprimir aqueles desejos cuja satisfação o forçaria a renunciar à realização de outros objetivos mais importantes." Pode apenas se estiver dotado de uma percepção ética e moral sólida que lhe diga, sem relativismos, o que é certo e o que é errado. Se você se baseia, como os libertários, no princípio da "não coerção" para justificar que qualquer um pode fazer o que lhe der na telha, e se abstem do combate cultural reduzindo-o a meros "boicotes" ou "discordâncias respeitáveis", você abre espaço para que a esquerdalha continue doutrinando gerações e gerações de indivíduos que seguem impulsos e desejos momentâneos, e que "vivem o agora", carpem diem, e etc., justamente o contrário do que o Mises disse.
  • anônimo  11/10/2012 08:32
    Outra coisa, discordo do Mises quando ele diz que o homem pode "controlar seus impulsos e desejos; ele tem o poder de suprimir aqueles desejos cuja satisfação o forçaria a renunciar à realização de outros objetivos mais importantes."

    Pode apenas se estiver dotado de uma percepção ética e moral sólida que lhe diga, sem relativismos, o que é certo e o que é errado. Se você se baseia acredita que qualquer um pode fazer o que quiser, conforme seus impulsos e impulsos, só porque "é algo voluntário", e se abstém do combate cultural, você abre espaço para que a esquerda continue doutrinando gerações e gerações de indivíduos que seguem impulsos e instintos, e que "vivem o agora", justamente o contrário do que o Mises disse. O que estamos vivendo hoje é uma guerra cultural contra o relativismo.
  • Neto  12/10/2012 03:50
    Anônimo, ou você come pizza ou compra um brinquedo pro seu sobrinho.Isso é controlar seus impulsos.
  • Matheus  28/11/2012 08:42
    Anônimo, assim como dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço o mesmo dinheiro não pode comprar duas coisas, logo o indivíduo é forçado a renunciar a um dos seus objetivos e será sempre aquele que ele , no momento da decisão, considerar menos importante
  • anônimo  28/11/2012 08:52
    Caros companheiros interessados pela escola austríaca, poderiam sanar-me uma dúvida?

    Eu li a critica da escola austríaca à teoria do valor do trabalho de Marx e entendi que o jurus é intrínseco à economia porque um bem presente vale mais que um bem futuro. Entendi que o trabalhador de uma fábrica não recebe o que Marx chamaria de "valor total de seu trabalho" porque o salário é na verdade um adiantamento. o trabalhador recebe antes que o fruto do seu trabalho seja vendido e dê lucro.
    Certo, mas então o "lucro" do capitalista, que na verdade é um jurus, não é tão maior quanto for o intervalo entre o pagamento do salário e a venda? Não seria interessante para o capitalista então que os produtos demorassem para vender? Mais: Com a transição do sistema fordista de produção para o sistema toyotista "Just in Time", em que o funcionário só monta o carro quando este já tem comprador como fica essa teoria? O lucro do capitalista não seria menor? Em última instância, como se justifica o lucro dele nessa situação?
    Obrigado
  • Leandro  28/11/2012 09:56
    "Certo, mas então o "lucro" do capitalista, que na verdade é um juro, não é tão maior quanto for o intervalo entre o pagamento do salário e a venda?"

    Não entendi o seu salto lógico que o levou a essa conclusão. O que você pode dizer é que, quanto maior a estrutura de produção -- isto é, quanto maior o número de etapas intermediárias utilizadas para a produção de um bem --, mais produtivo tende a ser o processo de produção, e consequentemente maiores seriam os lucros. Só que existe uma coisa chamada preferência temporal, e é ela que determina que as coisas devem ser produzidas o mais rápido e não o mais demorado possível.

    "Não seria interessante para o capitalista então que os produtos demorassem para vender?"

    Como explicado acima, seria mais interessante aumentar a estrutura da produção, mas isso nem sempre é economicamente factível. Imagine se um pão demorasse um ano para ser feito?

    Quanto a demorar a vender, isso não faz sentido. O salário que o capitalista tem de pagar é mensal; se ele não obtiver receitas mensais, ele simplesmente irá exaurir seu capital: ele irá pagar salários mas não obterá receitas. Quebrará.

    "Com a transição do sistema fordista de produção para o sistema toyotista "Just in Time", em que o funcionário só monta o carro quando este já tem comprador como fica essa teoria?"

    Intacta. Como explicado detalhadamente neste artigo, os capitalistas não deduzem seus lucros dos salários dos trabalhadores; os salários dos trabalhadores é que são deduzidos dos lucros. Primeiro há o lucro; do lucro deduz-se o salário.

    Leia também este artigo:

    Por que a ideia de que o capitalista explora o trabalhador é inerentemente falsa
  • Anonimo  14/04/2013 20:59
    Bom dia Leandro e caros austríacos em geral,
    Eu sou um aluno do terceiro ano do ensino médio e estou com uma questão fundamental para que possa defender consistentemente a liberdade, a igualdade, a prosperidade, a paz e a justiça. Eu tenho uma professora de história que usou como exemplo para defender que "a força do capital pode exercer coerção" a história da índia. Segundo ela, a Índia era muito rica até entrar em contato com a Inglaterra. Dai a Inglaterra passou a pagar um preço muito acima do mercado aos produtores de algodão pelo algodão até falir todas as indústrias de tecido, assim, desindustrializando a índia e condenando-a à pobreza através da "violência do capital".
    Essa estória não faz nenhum sentido. Mesmo que a Inglaterra tenha comprado todo o algodão da gigantesca Índia(que tinha sua rica economia sustentada nisso), que seria uma oferta que cresceria exponencialmente, já que ofereceria lucros enormes, e as indústrias de tecido falissem, isso não explicaria nenhuma pobreza. Tudo que a Inglaterra fez foi enriquecer absurdamente os produtores de algodão da índia( e empobrecer à si mesma), que poderiam então construir várias indústrias para suprir qualquer demanda.
    Mesmo sabendo que a estória não faz sentido, ela tem diploma e seria arrogante e contraprodutivo contraria-la. Eu gostaria, portanto, de saber de historiadores confiáveis para que eu pudesse saber dos FATOS. Gostaria de nome de historiadores e de livros se possivel(em geral a sobre a india em especifico)
    Isso seria de uma ajuda impagável!

    agradeço desde já à todos!!!
    tenham um bom dia!
  • Anônimo Politicamente-Incorreto  14/04/2013 22:47
    Nem sei por onde começar, aluno.

    - Em primeiro lugar, não havia UMA Índia. Já no momento do início da dominação política britânica(Últimas décadas do século XVIII e início do XIX), o país estava dividido entre diversos reinos, sendo o maior deles o Império Mogol.

    - A Inglaterra não vende e compra qualquer coisa. Seus comerciantes fazem. Se o governo comprasse algo, seria com o dinheiro da população direta ou indiretamente, não há almoço grátis.

    - Tenho sérias dúvidas que existia na Índia uma indústria exportadora moderníssima.

    - Mecânica do lucro. Caso a demanda supere enormemente a oferta elevando preços sem que ocorra queda na primeira, é inevitável que inúmeros recursos e capital seriam desviados da sociedade para atender a tal pedido. Simplificando: Qualquer um poderia ganhar dinheiro fácil com a tal valorização absurda do algodão. Assim como os chineses fracassaram miseravelmente ao comprarem as armas japonesas para que esses não se armassem, os ingleses falhariam pois nada impediria os mercados asiáticos de produzir mais.

    - Se os britânicos houvessem realizando tal enorme compra de algodão, a única coisa que ocorreria é que a seja lá qual moeda utilizada nos reinos indígenas valorizar-se-ia enormemente em relação à libra(Que era aproximadamente 1/3 de onça de ouro na época, creio.). Isso apenas daria um aumento absurdo do poder de compra e importação dos indianos(Seu professor se condenou por colocar toda a dúzia de reinos indianos em uma só categoria). Não haveria nenhum tipo de redução no padrão de vida, muito pelo contrário.

    - Sobre a dominação britânica, recomendo que leia o livro "Império" de Nail Fergusson. Ele não possui nenhuma relação com a escola austríaca - muito pelo contrário; não obstante, explana os detalhes históricos com a profundidade necessária.

    - Outra questão relevante: Tal situação apenas enfraqueceria os estados indianos caso eles não tivessem leis reter as importações e exportações(Tarifas). Se tivessem impostos para a passagem de produtos, seria dinheiro fácil aos governos de lá.

    - Agora que eu já expliquei alguns fatores, partirei para o ad hominem e à raiva politicamente incorreta pelo desserviço que seu professor está fazendo a vocês por lançar esta explicação irracional que eu nunca vi em lugar algum, nem mesmo em meus tempos no PSTU(Vi absurdos).
    Meu protesto: Sinceramente, estão pagando professores para falarem este tipo de pantumima em sala? E como diabos isso ao menos aconteceu?! Os mercadores britânicos malvados foram a um congresso quando esqueceram completamente o bom senso e do nada decidiram comprar todos os produtos indianos na esperança que isso os empobreceria(?) e permitiria seu domínio por parte de um governo? E quanto aos 14 reinos indianos, ninguém colocou a mão em um tostão das fortunas que os produtores de algodão estavam ganhando com os imbecis supramencionados? Se foi o estado que realizou a compra, considero muito complicado encontrar alguma lei no Code of Laws britânico que justificasse o governo utilizando dinheiro público para comprar bens internacionais.

    Faça o seguinte, amigo: Fique em casa e assista a vídeos do canal do YouTube "libertarianismoplus" ou Reason TV, leia os artigos do Mises ou simplesmente passe o vídeo inteiro assistindo a filmes. Estará educando-se mais e melhor do que indo à academia de esquerdis... Quer dizer, escola.

    Seu professor parece ser o tipo de profissional que faria melhor serviço se ganhasse salário e não trabalhasse.

    Assista ao seguinte vídeo porque muito em breve este acéfalo estará falando sobre globalização predatória:
    www.youtube.com/watch?v=LryfamQhFZw
  • Anonimo  18/04/2013 00:48
    Obrigado pela resposta! Eu concordo com você, apesar da minha professora ser pessoalmente simpática e humilde, ela faz uma trabalho bem contraproducente. Só para constar, não estamos falando de um colégio qualquer, mas de um tido como um dos melhores de São Paulo e cuja mensalidade beira 3.000. O Colégio Santa Cruz. E isso é só a minha professora de história. Ela é fichina perto do de geografia.
    Eu vous pesquisar o livro que você me indicou, obridado!
  • Emerson Luis, um Psicologo  25/06/2014 18:48

    Mises cada dia mais atual!

    Como estamos na Era da Informação, é ainda mais forte a crença de que a causa majoritária da pobreza nos países subdesenvolvidos é a falta de tecnologia, quando continua sendo a ausência de produtividade, austeridade e liberdade econômica, junto com o intervencionismo estatal.

    Os intelectuais marxistas de países relativamente livres defendem o socialismo porque sempre se imaginam como parte da elite dominante neste, não da maioria subjugada.

    * * *
  • Guilherme  20/03/2016 19:32
    Esse artigo, juntamente com o do Hayek entitulado O Argumento Completo em Defesa da Liberdade, são ótimos artigos (muito convincentes e quase irrefutáveis), creio que são ótimos para converter as pessoas ao liberalismo, e servem também como um certo resumo do pensamento desses grandes pensadores, Mises e Hayek.


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