A teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido
por , quarta-feira, 30 de setembro de 2015

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06.pngÉ sabido que Marx popularizou a ideia de que os capitalistas exploram os trabalhadores apropriando-se de uma parte de seu trabalho.  O argumento, quando despido de toda o seu linguajar pomposo, é relativamente simples: segundo Marx, as mercadorias produzidas pelos trabalhadores são vendidas por um valor que é igual ao tempo de trabalho socialmente necessário para produzi-las; sendo assim, em um mundo justo, cada trabalhador deveria ganhar um salário equivalente ao fruto integral de seu trabalho, isto é, equivalente ao valor exato da mercadoria que ele produziu.

Consequentemente, o capitalista, que não efetua trabalho físico, retém para si uma parte do valor desses bens que os trabalhadores produziram, e ele consegue fazer isso graças ao seu monopólio dos meios de produção (os quais, vale dizer, são bens complementares indispensáveis ao trabalhador, sem os quais os trabalhadores nada conseguiriam produzir).

Falando mais especificamente, o capitalista remunera o trabalho com $100 (D), esse trabalho gera mercadorias (M), e essas mercadorias são vendidas por $120 (D').  Segundo Marx, isso só é possível de ocorrer porque há uma parte do trabalho que não foi remunerada pelo capitalista (D'-D), mas que de fato produziu mercadorias com um valor de troca. 

Essa diferença é justamente a mais-valia, que é a mensuração exata da "exploração laboral" — ou seja, o trabalhador prestou um serviço para o capitalista e não obteve a devida remuneração.

A solução de Marx?  Confiscar os meios de produção da burguesia e repassá-los aos trabalhadores para que estes possam reter o produto integral do seu trabalho sem que haja intermediários capitalistas que se apropriam de parte do suor de seu rosto.

Há vários problemas com essa teoria marxista.  Em primeiro lugar, ela parte do princípio de que todo o valor de troca de uma mercadoria depende exclusivamente do trabalho incorrido em sua produção, e não de sua utilidade marginal; o fato de que o valor de um bem é totalmente subjetivo é ignorado pela teoria.  Há também uma questão ainda mais problemática, que é a natureza distorcida que Marx atribui ao capital: Marx assume que o valor do capital (por exemplo, o valor de uma máquina utilizada na produção de uma mercadoria) também é determinado pelo trabalho que foi incorrido em sua produção, e que o valor desse capital se transforma, em função de sua depreciação, no valor da mercadoria final; trata-se de uma espécie de contabilidade de custos que se dá de acordo com o tempo de trabalho utilizado.

Eis um exemplo dessa teoria.  Se uma impressora de livros tem um preço de 100 onças de ouro (porque o tempo de trabalho necessário para fabricá-la foi equivalente a 100 onças de ouro), e supondo-se que ela possa imprimir 1.000 livros, então o valor que ela irá imputar a cada livro será, segundo a teoria, de 0,1 onça de ouro.

No entanto, na prática, as coisas funcionam exatamente ao contrário: é justamente porque os consumidores estão dispostos a pagar pelo menos 0,1 onça de ouro por cada livro, que a impressora poderá ter um valor de mercado de 100 onças de ouro.  Se, no entanto, os consumidores passarem a desejar menos livros impressos e passarem a desejar mais livros eletrônicos, então essa mesma impressora — ainda que o tempo de trabalho socialmente necessário para fabricá-la seja o mesmo, e ainda que os consumidores sigam demandando livros impressos (só que agora em menor quantidade) —  irá se depreciar enormemente.

Estabelecida a correta relação entre o preço dos bens de consumo e o preço dos bens de capital, a questão seguinte passa a ser: dado que uma impressora pode imprimir durante os próximos dez anos 1.000 livros com um valor de mercado de 0,1 onça de ouro cada um, por que então a impressora jamais custará 100 onças de ouro, mas sim muito menos?

Ignoremos os eventuais custos subjacentes, pois não é aí que está a dificuldade, e concentremo-nos na questão principal: por que ninguém pagaria hoje 100 onças de ouro por um ativo apenas para receber de volta, ao longo dos próximos dez anos, essas mesmas 100 onças?

Ou ainda mais completo: por que ninguém pagaria hoje 100 onças de ouro por um ativo apenas para receber de volta (ou talvez nem mesmo receber nada), ao longo dos próximos dez anos, essas mesmas 100 onças?

A resposta é simples: porque 100 onças de ouro hoje não têm o mesmo valor que 100 onças de ouro no futuro.  As 100 onças de ouro que você possui hoje são muito mais valiosas do que 100 onças de ouro que você talvez venha a ter no futuro.

As onças de ouro em sua posse hoje representam uma capacidade de satisfazer imediatamente eventuais necessidades que possam surgir, ao passo que as onças de ouro a serem eventualmente recebidas apenas no futuro (e há a chance de que isso nem ocorra) não conferem essa mesma segurança e nem muito menos essa mesma capacidade. 

Uma coisa é gastar 100 onças de ouro hoje adquirindo bens de consumo; outra coisa, completamente distinta, é gastar essas mesmas 100 onças em um investimento que nos permitirá recuperá-las apenas ao longo dos anos.  Sendo assim, o lógico é que compremos a impressora hoje por, digamos, 90 onças de ouro com o intuito de receber 100 onças ao longo dos próximos dez anos — sempre correndo o risco de que tal retorno pode não se concretizar.

No entanto, se o capitalista compra por 90 para receber 100, então ele está obtendo mais-valia.  Só que esta mais-valia não está vinculada à exploração do trabalhador, mas sim ao tempo que o capitalista tem de esperar para auferir essa receita e ao risco que ele tem de assumir ao incorrer nesse processo produtivo.  Dito de outra maneira, assim como a mão-de-obra é um fator de produção, o tempo e o risco também o são (se não estamos dispostos a esperar e a assumir riscos, não há como haver produção, por maior que seja a quantidade de trabalho abstrato em que incorramos).

Dado que o capital que é adiantado na forma de salários e na forma de maquinário para os trabalhadores supõe também uma espera e uma assunção de riscos para o capitalista, não seria mais correto dizer que a "mais-valia" do capitalista advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores de produção (tempo e risco)?

Ademais, segundo Marx, bens que requerem o mesmo tempo de trabalho — seja o tempo de trabalho prestado diretamente pelo trabalhador ou o tempo de trabalho incorrido na fabricação dos meios de produção utilizados — para serem produzidos deverão possuir o mesmo valor de troca, e, portanto, o mesmo preço.  (Vale notar que, na teoria de Marx, preço e valor de troca só coincidem quando os trabalhadores são donos dos meios de produção.)  Mas isso simplesmente não faz nenhum sentido.

Suponha que, para se produzir 100.000 toneladas de trigo são necessários 50 anos de trabalho, e que para se construir uma casa também são necessários 50 anos de trabalho.  Segundo Marx, desconsiderando-se oscilações de curto prazo, ambos os produtos deveriam ter o mesmo preço — por exemplo, 1.000 onças de ouro.

Logo, se um trabalhador tem 100.000 toneladas de trigo, e outro trabalhador tem uma casa, ambos poderão trocar estes bens entre si.  No entanto, a questão essencial é outra: será que devemos supor que o trabalhador em posse das 100.000 toneladas de trigo está disposto a trocá-las pelo direito de receber uma casa daqui a 50 anos?

(Lembre-se que, segundo Marx, a transação é idêntica: o que está sendo trocado são apenas tempos de trabalho.  No entanto, em um caso, o fruto de trabalho de 50 anos já está disponível (100.000 toneladas de trigo); no outro, a pessoa terá de esperar 50 anos para receber seu bem.)

A resposta é um óbvio não.  Uma coisa é uma casa já produzida ser trocada por 100.000 toneladas de trigo também já produzidas.  Isso pode perfeitamente ocorrer.  Outra coisa, completamente distinta, é imaginar que essas 100.000 toneladas de trigo serão trocadas hoje por uma casa que só estará disponível daqui a 50 anos.  Tal troca não irá ocorrer simplesmente porque ter uma casa hoje não tem o mesmo valor do que ter uma casa somente daqui a 50 anos. 

Somente estaremos dispostos a comprar a promessa de entrega da moradia se obtivermos um desconto muito grande em seu preço.  Por exemplo, se uma casa já construída vale 1.000 onças de ouro, uma casa a ser entregue somente daqui a 50 anos valerá, digamos, 200 onças de ouro.  Essa mais-valia (pagar 200 hoje para receber 1.000 em 50 anos) é exatamente a taxa de juros (matematicamente, equivale a uma taxa anual média de 2,8%).

Utilizando esse mesmo raciocínio, podemos concluir que os capitalistas adiantam bens presentes (salários) aos trabalhadores em troca de receber, quando o processo de produção estiver finalizado, bens futuros.  Existe necessariamente uma diferença de valor entre os bens presentes dos quais os capitalistas abrem mão e os bens futuros que eles receberão (se é que receberão).  E essa diferença de valor é a mais-valia.  A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído.

São muitas as pessoas que não entendem corretamente esse conceito de que os capitalistas adiantam bens presentes para receber, após muito tempo, bens futuros.  No entanto, basta verificar os balancetes de qualquer empresa para verificar esse fenômeno.  Por exemplo, a General Electric investiu (adiantou) US$685 bilhões para recuperar, na forma de fluxo de caixa anual, aproximadamente US$35 bilhões.  Ou seja, os capitalistas da GE abriram mão de US$685 bilhões (e seu equivalente em bens de consumo que eles poderiam ter adquirido no presente) para receber, anualmente, uma receita de US$35 bilhões.  Nesse ritmo, serão necessários 20 anos apenas para recuperar todo o capital adiantado. 

A pergunta é: os capitalistas que adiantam $685 bilhões — que se abstêm de consumi-los e que incorrem em risco para recuperá-los — não deveriam receber nenhuma remuneração por isso?  Será que durante os próximos 20 ou 30 anos eles deveriam se contentar apenas em recuperar — isso se tudo der certo — tão-somente os $685 bilhões de que abriram mão, sem receber nenhuma remuneração pelo seu tempo de espera e pelo risco em que incorreram?

Em suma, você realmente acredita que ter $1.000 hoje é o mesmo que ter $1.000 apenas daqui a 500 anos (e assumindo zero de inflação de preços), mesmo que ambos os valores contenham o mesmo tempo de trabalho?

Pois é exatamente esse o raciocínio por trás de toda a análise marxista da exploração.  O que há de errado, portanto, com a teoria da exploração de Marx é que ele não compreende o fenômeno da preferência temporal como uma categoria universal da ação humana.

Os capitalistas, ao adiantarem seu capital e sua poupança para todos os seus fatores de produção (pagando os salários da mão-de-obra e comprando maquinário), esperam ser remunerados pelo tempo de espera e pelo risco que assumem.  Por outro lado, os trabalhadores, ao receberem seu salário no presente, estão trocando a incerteza do futuro pelo conforto da certeza do presente.

O fato de o trabalhador não receber o "valor total" da produção futura não tem nada a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto.  O pagamento salarial representa bens presentes, ao passo que os serviços de sua mão-de-obra representam apenas bens futuros.

A relação trabalhista, longe de ser uma situação de exploração, é apenas uma relação de troca entre bens presentes (o capital do capitalista) por bens futuros (os bens que serão produzidos pelos trabalhadores e pelo maquinário utilizado, e que só estarão disponíveis no futuro).

Böhm-Bawerk expressou tudo isso de maneira bem mais resumida: "Parece-me justo que os trabalhadores cobrem o valor integral dos frutos futuros do seu trabalho; mas não é justo eles cobrarem a totalidade desse valor futuro agora."

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Leia também:

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Por que a ideia de que o capitalista explora o trabalhador é inerentemente falsa

Capitalistas e empreendedores não exploram nenhum trabalhador 

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Juan Ramón Rallo é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.



127 comentários
127 comentários
Aquariano 08/05/2014 14:31:34

Verídico. Queria ter visto isso no Ensino Médio. É incrível como tudo se encaixa quando entendemos o capitalismo. A verdade liberta.

Responder
Rhyan 08/05/2014 14:56:10

Ainda gostaria de ver alguém do IMB debatendo com algum fã do Kevin Carson.

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Vitor 11/10/2015 16:38:16

Carson é ótimo criticando corporativismo e afins. Mas se embanana demais em teoria econômicas esdrúxulas que tentam ser socialistas e pró livre-mercado ao mesmo tempo. Ele sofre de pretensão de conhecimento, achando que se o mercado for livre, tudo vai ser exatamente do jeito que ele acha ideal, tipo não haver nenhuma empresa de grande porte, tudo vai ser feitos em garagens, como se não houvesse economia de escala.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 08/05/2014 15:07:59


O marxismo tem tatas falhas lógicas que é difícil alistar todas.

O salário é debitado do lucro, não o lucro do salário como prega Marx.

Outro erro é considerar como "trabalho" apenas o trabalho manual, separando-o do trabalho intelectual ou até negando implicitamente a existência deste, quando na verdade todo trabalho envolve ambos em alguma medida.

Por fim, separa "trabalhadores" de "capitalistas" como se fossem espécies separadas, quando os capitalistas em geral trabalham muito e todo trabalhador pode formar capital.

* * *

Responder
Marcos 16/07/2015 23:08:12

Gostaria que alguém explicasse uma questão:
a escola austríaca diz que o salário vem da venda futura de um bem fabricado agora, penso que não, o salário é o preço do meu trabalho, e como estou prestando o serviço neste momento mereço ser pago neste momento, não importa se o que eu produzi vai ser vendido daqui a meses ou anos, estou vendendo minhas horas de trabalho hoje, esse pensamento rebate a mais-valia de Marx e também a explicação da visão austríaca.
Mais uma questão, sobre a formação de preços, na minha empresa quando lançamos no mercado um produto novo, fazemos a planilha de custos como matéria prima, horas de trabalho, impostos, avaliamos os concorrentes, colocamos uma margem de lucro e depois chegamos ao preço final.A teoria da EA diz que o preço é subjetivo e depende de quanto uma pessoa está disposta a pagar pelo produto ou serviço, acho que é uma soma desses dois fatores, caso contrário as empresas quebrariam se não fizessem essa planilha detalhada pra chegar a um preço.

Responder
Rocha 17/07/2015 02:45:21

"a escola austríaca diz que o salário vem da venda futura de um bem fabricado agora"

Isso nunca foi dito. E nem poderia, pois se trata de uma impossibilidade lógica. Como eu posso pagar pra você agora com um dinheiro que eu nem recebi?

Não, o dinheiro do salário sai exatamente do bolso do capitalista. Ele arca com todos os custos. Só quando ele finalmente fizer as vendas, é que ele verá se houve lucro ou prejuízo.

Você deturpou completamente o sentido do que foi dito no texto. Não é assim que se inicia um debate honesto.

"o salário é o preço do meu trabalho, e como estou prestando o serviço neste momento mereço ser pago neste momento, não importa se o que eu produzi vai ser vendido daqui a meses ou anos, estou vendendo minhas horas de trabalho hoje"

Correto. E é exatamente isso o que o texto diz.

"sobre a formação de preços, na minha empresa quando lançamos no mercado um produto novo, fazemos a planilha de custos como matéria prima, horas de trabalho, impostos, avaliamos os concorrentes, colocamos uma margem de lucro e depois chegamos ao preço final. A teoria da EA diz que o preço é subjetivo e depende de quanto uma pessoa está disposta a pagar pelo produto ou serviço, acho que é uma soma desses dois fatores, caso contrário as empresas quebrariam se não fizessem essa planilha detalhada pra chegar a um preço."

Você pode fazer a planilha que quiser. Se o preço final que você cobrar não for do agrado dos consumidores, você simplesmente não conseguirá vender o produto. Ponto.

Por outro lado, se houver consumo aos preços que você estabeleceu, então isso simplesmente significa que há consumidores que, subjetivamente, concordam em pagar esse preço. Ponto.

Tão simples quanto isso.

Se o preço final estiver em desacordo com a subjetividade dos consumidores, não vai adiantar você recorrer a apelos emotivos dizendo que fez planilhas, cálculo de custo, embutiu impostos, avaliou concorrentes etc. Simplesmente ninguém vai comprar. Ponto.

Onde a teoria foi refutada?

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Marcos 18/07/2015 02:28:12

As pessoas jamais deixarão de comprar por achar caro, a não ser produtos fora de uso(máquina de escrever), um exemplo é o automóvel, custa o dimpostos e menos que nos EUA e todos sabem disso mas mesmo assim compramos, nos últimos anos vendeu mais carro que em toda história do Brasil, pagamos absurdos em impostos e reclamam os disso, mas nunca deixamos de comprar.
Mesmo que alguém ache que meu produto não vale a pena eu não teria como baixar mais de 10%, pois não Valeria a pena produzir, por isso digo que o preço é uma combinação de custo, demanda, e quanto a pessoa acha justo pagar.
Óbvio que o custo de produzir uma máquina de escrever é altíssimo, mas ninguém compraria pois não se usa mais, esse tipo de produto sai do mercado naturalmente e as empresas mudam de ramo ou fecham.
Mas eu queria uma explicação da parte política, do libertarianismo, como funcionaria um país sem estado, já que é o estado que garante a propriedade privada, justiça, polícia, leis.
Sem isso estaríamos cada um por si e quem tiver mais poder vence. Não acredito no princípio da não violência, pessoas são desonestas sempre que isso for possível, no estado pelo menos temos fiscalização, imprensa em cima, opinião pública cobrando, quanto mais gente te vendo mais VC faz a coisa de forma correta.
Lembrando que sou a favor do estado mínimo ,de menos impostos e menos intervenção econômica.

Responder
Dam Herzog 30/09/2015 17:40:52

Na escola austriaca os preços é que determinam os custos e não os custos que determinam os preços, pelo que já li e ouvi.

Responder
Rocha 30/09/2015 18:12:12

A formulação mais correta seria:

A avaliação subjetiva dos consumidores (como expliquei acima) define os preços dos bens de consumo. E os preços dos bens de consumo irão definir os preços dos bens de capital que irão produzir estes bens de consumo.

Ou seja, os preços dos fatores de produção são determinados pelos preços dos produtos.

Responder
Renato Souza 01/10/2015 23:11:49

Marcos

No caso específico brasileiro, os carros são mais caros porque os importados (concorrência à indústria local) tem impostos bem altos. "As pessoas não deixam de comprar" em termos. Se os impostos (inclusive sobre importados) fossem equiparáveis aos de outros países, e não houvesse entraves à importação, as pessoas teriam mais dinheiro, para gastar, logo comprariam mais coisas (inclusive alguns que não conseguem comprar carros, ou que até conseguiriam mais acham que a relação benefício/custo não vale a pena, os comprariam). O que deixaria de ser subtraído em impostos, se transformaria em parte em consumo, e em parte em poupança (investimento). Então as pessoas deixam de consumir (e em parte investir) por que os preços são mais caros. Não deixam de serem produzidos carros por causa disso, mas são produzidos menos do que seriam com impostos mais baixos.
Se os custos fossem mais altos ainda (imagine que o governo aumentassem em trezentos por cento os impostos sobre os carros) menos carros ainda seriam produzidos, e alguns modelos não poderiam ser vendidos (a imensa maioria dos potenciais compradores consideraria a relação benefício/custo de vários modelos, desfavorável). Tais modelos sairiam de linha.

Então os custos de produção não são, em princípio, o fundamento do preço, mas o fundamento da viabilidade da produção (isso até certo ponto, pois o preço de venda AFETA, até certo ponto, os preços dos fatores de produção, que não são valores fixos, como Marx ignorantemente imaginava).
Então porque os fabricantes de automóveis não tem um lucro líquido de, por exemplo, 500%? Porque construir automóveis não é nenhum segredo. Há muitas empresas, e muitos profissionais capacitados para isso. Se o lucro dos fabricantes em determinada área de atuação for grande demais, isso atrairá mais capitalistas, o que aumenta a produção, aumenta a oferta, e abaixa os lucros. Esse é um efeito que tende a aproximar (a grosso modo) as margens de lucros em áreas com riscos semelhantes.

Mas talvez a falha mais absurda de Marx tenha sido não levar em conta o fato de diferentes trabalhos (e há milhares de tipos diferentes de trabalho) pagam salários diferentes. Hora, todo mundo percebe que é natural que trabalhos diferentes recebam salários diferentes, mas ninguém pode estabelecer de forma objetiva e irrefutável, qual seria a relação JUSTA entre os salários de todas as milhares de formas diferentes de trabalho. Ora, então não poderia existir um valor "justo" objetivamente calculável para os produtos (mesmo que o restante da teoria da mais valia de Marx não fosse um lixo).

Responder
Rhyan 08/05/2014 15:24:41

Agora me surgiu uma dúvida: como os keynesianos refutam Marx?

Responder
Guilherme 08/05/2014 15:45:52

Keynesianos não refutam Marx. Keynesianos têm simpatias por Marx. No máximo, dizem que ele errou em alguns pontos.

Responder
Rhyan 10/05/2014 12:12:54

Os keynesianos brasileiros tem simpatia, acho que os keynesianos americanos não tem tanta.

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Mauric.2015 27/06/2015 01:08:32

MUITO bem colocado Rhyan.

Responder
Ali Baba 08/05/2014 15:41:46

@Emerson Luis, um Psicologo 08/05/2014 15:07:59,

Na realidade, "separa(r) "trabalhadores" de "capitalistas" como se fossem espécies separadas, (enquanto) os capitalistas em geral trabalham muito e todo trabalhador pode formar capital" é provavelmente a maior falácia do marxismo e todo o resto pode ser decorrente em algum grau dessa falácia:

O trabalhador pode acumular capital e virar capitalista e o capitalista pode trocar o incerto pelo certo e virar trabalhador. Isso ocorre toda a hora mesmo em uma sociedade não tão livre (como o Brasil)... e mistos das duas posições também são frequentes (por exemplo, pessoas que tem um emprego mas que investem em um pequeno negócio paralelamente).

Ou seja, até uma pessoa sem instrução nenhuma entende que marxismo é bullshit. Só quem gosta do marxismo são os pseudo-intelectuais... e também só os que lucram com ele. Coincidência?

Responder
Marcos 08/05/2014 17:00:44

Aqui no Brasil isso acontece o tempo todo. Muitos empresários cansam das dificuldades criadas pelo governo e resolvem virar funcionários públicos, tendo seu salário certo no fim do mês (e ainda por cima com estabilidade).

Perguntem para qualquer pessoa na rua o que é preferível: abrir um negócio ou ter um emprego estável. A grande maioria opta pelo emprego.

O fato desse mesmo país ter tantos marxistas é de uma contradição impressionante. E o pior é que pouquíssima gente percebe isso, até porque quase ninguém nem leu O Capital.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 09/05/2014 17:23:47


Ali Babá:

Entendo o que você quis dizer. O que eu tentei expressar é que erroneamente se usa a palavra "trabalhador" apenas para empregados, especialmente de tarefas mais braçais; porém, tanto o empregado de qualquer função quanto o empregador (além do profissional autônomo) são trabalhadores. Muitas vezes um empregador trabalha mais horas do que os seus empregados.

* * *

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Matheus Gomes 10/05/2014 10:27:00

Basta olhar para o mundo la fora e perceber que o mundo é esse conto de fadas que estão descrevendo. A posse dos meios de produção é histórica, no exemplo dos três padeiros, não existe uma coisa muito simples que é o meio em que o cidadão nasceu, esse exemplo dito por muitos perfeito, mostra que a pessoa que nasceu em meios precários, tem a mesmas oportunidades que qualquer um, inclusive aquele filho de dono de empresas, que por já ter aquele capital do pai, tem condições de vida melhores, e pode assumir esses riscos. Sera que a maioria da população, inclusive a mundial, não tem dinheiro porque escolheu festas??????? As 85 pessoas que detém cerca da metade de toda riqueza mundial nasceram em situação igual a todos no mundo e por escolherem festas ou formar uma família, estão hoje trabalhando para receber o que nos dia atuais ainda é somente o necessário para reprodução do trabalho. É assim então que devemos explicar as diferenças entre os países ricos para a Africa.

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Marcio Cajado 08/05/2014 16:44:56

Excelente texto

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Atylla Arruda 08/05/2014 16:49:27

Três padeiros, todos com 18 anos, recebem durante 10 anos salários iguais. O padeiro 1 gosta de festas e gasta a maioria do seu salário nelas, o padeiro 2 é casado e gasta todo o seu salário no sustento da família, o padeiro 3 poupa metade do seu salário e monta a sua padaria com 28 anos. Os dois colegas se oferecem para trabalhar na nova padaria,mas somente se o lucro for dividido por igual entre os três, eles não querem ser explorados. A maioria da população acha essa proposta justa, mas basta vc perguntar, o padeiro 1 escolheu as festas, o 2 montar uma família, o 3 não teve as alegrias das festas e da família, escolheu poupar e montar a sua padaria, é justo ele ganhar o mesmo que seus colegas? sempre que eu faço essa pergunta os que consideravam justo passam a ver a grande injustiça.

Responder
Douglas 08/05/2014 17:28:59

Muito bom este seu exemplo Atylla, a partir de agora vou sempre usá-lo para ilustrar para as pessoas que infelizmente não leem e não se dão ao trabalho de pensar.

Abraços cordiais!

Responder
Marx contra o Golias capitalista 10/05/2014 01:27:34

A estorinha dos 3 padeiros está errada. O padeiro que abriu mão do lazer e de constituir família é um egoísta frio e calculista. Ele esperou que os 2 dois amigos ficassem na pindaíba para então explorá-los. Típico de empresários desalmados. Ora, se ele juntou, por exemplo, 100 mil dólares em dez anos, esse dinheiros é dele, claro. Mas a partir do momento em que ele for investir esse dinheiro para duplicá-lo ou triplicá-lo em um ano ou mais, ele terá de dividir o lucro igualmente com os dois amigos padeiros. Afinal, sem a ajuda deles, o padeiro mão de vaca dono da padaria, não iria obter o lucro sozinho, sem a ajuda dos dois amigos explorados.

Realmente, não dá pra entender como tem gente que ainda não compreende a lógica da mais-valia de Marx.

Responder
Erandur de Dawnstar 10/05/2014 16:05:39

Você está sendo irônico né? seu comentário é caricato demais para ser interpretado ao pé da letra. seguindo essa logica, simplesmente não haveriam meios de produção.

Responder
joca 09/04/2015 18:03:49

Dessa maneira, acontece o que ocorreu em todas as sociedades socialistas. Vc acabou com o empresário capitalista esse "FDP". E controlou o investimento na mão do estado. Vc tem dois problemas ao acabar com o empresário vc inibiu a inovação na sociedade. Quando temos muitos capitalistas, uns irão bem e outros irão falir. Os que sobreviveram assim o fizeram pois tiveram mais sorte, mais eficiência, mais produtividade e etc. Mesmo dentro da teoria marxista se vc tem mais produtividade pode ter aumentos de salários reais. Esse é um ponto. Já no modelo socialista, não há incentivo a ser bem sucedido, vc acabou com esse empresário, por outro lado o estado escolhe politicamente e quem administra pouco se importa se a industria é eficiente. Daí a penúria em em que vivem alguns desses países. A Chinha escolheu o pior dos dois lados, escravisou o trabalhador ao estado e criou mega empresários bilhardários que só querem aumentar a mais valia.

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Igor 19/08/2015 18:08:29

Só esqueceu de um detalhe (sei que foi uma ironia): os outros dois padeiros também precisaram da ajuda do padeiro que economizou e tornou-se dono de padaria. Enquanto um usufruía o salário que recebia em festas, e outro usava no seio familiar, o padeiro que guardava dinheiro também trabalhava para aqueles. Tudo questão da preferência temporal já citada no artigo...

Responder
Pedro 08/05/2014 17:44:42

Na verdade pela teoria marxista a coisa vai mais longe. Como não deveria haver propriedade privada dos meios de produção nenhum dos 3 padeiros poderiam poupar e abrir uma padaria, pois isso seria proibido.

Qualquer incentivo a poupança e ao investimento voluntário seriam extintos, a própria existência de bens de capital seria impossível. É por essas e outras que os países socialistas forçam seus trabalhadores a pouparem (pagando-lhes muito pouco, bem menos do que os 'exploradores' capitalistas) e concentram os investimentos nas mãos do estado.

Sem os devidos incentivos de se poupar e investir de forma pacifica só resta forçar todo o mundo a trabalhar de graça, e no final, ainda falar que são as economias capitalistas que exploram seus trabalhadores.

Responder
Mauricio. 08/05/2014 18:23:21

Ótimo exemplo, Atylla. Torna fácil de entender como Marx era um recalcado.

Responder
Luiz 09/05/2014 03:54:53

Qualquer pessoa que estude um livro de introdução à economia ou de introdução à análise de investimentos perceberá facilmente que o marxismo é uma ideologia simplesmente bombástica. A questão é como explicar isso a pessoas que nunca estudaram tais disciplinas. Esse exemplo dos 3 padeiros é perfeito e pode ser entendido por qualquer pessoa, parabéns.

Responder
Vinícius 23/05/2014 00:10:20

Esta teoria não estaria, talvez, refutando os acontecimentos históricos que proporcionam as "diferenças" e desconsiderando todo ou qualquer processo histórico ?

Responder
Gunnar 08/05/2014 17:24:40

Achei que o autor deixou a análise por demais complexa. Para demolir a mais-valia, basta lembrar que o operário da linha de montagem não é o único trabalhador; pelo contrário: muito antes de sequer haver uma linha de montagem, houve o investidor visionário, o empreendedor corajoso, o executivo competente, todos colaborando com sua especialidade específica para tornar o negócio possível, e cada um remunerado de acordo com sua produtividade. Agora, vai explicar o conceito de produtividade para um marxista...

Responder
Lucas 08/05/2014 18:04:54

Acompanho os textos postados pelo site e gosto muito. Infelizmente ainda sou um ignorante nesses assuntos mas um dia espero chegar lá e começar a entender a fundo o sistema econômico em qual estamos inseridos. Mas enfim, sobre esse texto tenho uma dúvida. Pois tecnicamente o trabalhador não é pago pelo capitalista na hora, ele será pago apenas depois de ter servido como mão de obra(fator de produção), assim tal trabalhador só receberá no futuro e no futuro o seu trabalho também terá sido desvalorizado e o trabalhador terá um ganho menor do que o combinado no início. Assim o trabalhador também não sofre o mesmo problema que o capitalista? O problema da desvalorização e da incerteza? Muito obrigado, parabenizo mais uma vez e aguardo por uma resposta a minha dúvida.

Responder
Amaral 08/05/2014 18:23:14

O trabalhador recebe religiosamente a cada 30 dias; o capitalista recebe apenas após o projeto já estar pronto.

Pense na construção de um prédio. Os peões e os engenheiros recebem mensalmente (em alguns casos, aliás, a cada 30 dias). Já o capitalista terá de esperar pelo menos uns dois anos até o prédio ficar pronto e ter suas unidades comercializadas.

O mesmo raciocínio vale para todos os outros processos de produção, da produção do aço à produção do automóvel.

Como leitura complementar, eu realmente urjo o primeiro artigo que foi linkado imediatamente ao fim do texto:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1368

Responder
aspone 08/05/2014 18:36:32

Mais ou menos. Isso pode ocorrer, mas muito capitalista esperto já vende antes de começar a construir.

O que não invalida a crítica. Afinal, caso ele não consiga entregar o que prometeu, seus credores vão querer a grana de volta e, obviamente, ele não poderia pegar o salário que já pagou para saldar suas dívidas.

Responder
anônimo 08/05/2014 23:04:33

"Mais ou menos. Isso pode ocorrer, mas muito capitalista esperto já vende antes de começar a construir."

Esperto? Você quer o quê, que o cara espere 90 dias para que o órgão fiscalizador aprove a porcaria de um banheiro para liberar o alvará de construção? Empreendedor não precisa comer não, não tem família para sustentar, só quer é saber de lucro mesmo.

Responder
Fabio 09/05/2014 01:32:09

"Mais ou menos. Isso pode ocorrer, mas muito capitalista esperto já vende antes de começar a construir."

Contudo, o preço de um imóvel na planta tem um desconto em relação ao imóvel pronto. Mesma lógica das preferências temporais utilizada no artigo.

Responder
Reflexão 09/05/2014 03:28:03

Totalmente correto este comentário.

Mas fugindo um pouco do assunto, no que se refere a imóveis na planta, atualmente o valor será maior do que o imóvel pronto.
Curioso como neste caso a bolha inverte a lógica econômica.

Responder
anônimo 09/05/2014 10:41:05

'imóveis na planta, atualmente o valor será maior do que o imóvel pronto.'

Isso não faz o menor sentido.

Responder
Alguem 01/10/2015 12:13:38

Na verdade faz sentido sim, pelo menos pra mim o faz, qundo se compra um imóvel ainda na planta você se certifica que vai recebê-lo em seu melhor estado, novinho e sem defeitos (pelo menos o certo é isso), é como um carro zero, qual você prefere, um carro nunca usado por ninguém ou um carro já usado? O novo será mais caro e o usado terá descontos.

Responder
mauricio barbosa 30/09/2015 15:12:01

"Reflexão" lei da oferta x demanda é que regula qualquer preço,principalmente em um mercado livre...

Responder
Rene 08/05/2014 19:11:49

No momento em que o empregador contrata o empregado este já se compromete a pagar o salário no final do mês. Neste meio tempo, ele terá que dispor de capital para comprar insumos, terá que lidar com incertezas quanto à venda, terá que lidar com riscos como acidentes, assaltos. Enfim, várias coisas podem dar errado no negócio. Neste sentido, o risco do empregado não receber no final do mês é bem menor do que o risco do empregador não possuir um retorno sobre o investimento que ele fez.

Responder
João 10/05/2014 23:20:54

Recentemente Armínio Fraga disse que o Brasil precisa crescer mais para se poder então falar em aumento real de salários. Baseado nisso, gostaria de fazer um comentário e perguntar a opinião de todos:

Salário e produção, eis a regra de ouro. Não dá para aumentar um mantendo a outra.

Salário só pode crescer se a economia crescer conjuntamente, aliás, e por incrível que pareça, esta e a regra da mais-valia do Marx vista pelo ângulo real.

Se este conceito encarna a diferença entre o preço de uma mercadoria vendida a 120 em relação ao valor dos custos para produzi-la (100), que seria o lucro do empresário do qual o empregado não lança mão, é óbvio que para haver crescimento no salário do obreiro é necessário que haja produção em quantidade suficientemente para bancar o aumento.

Parece-me que esta é a verdadeira mais-valia, explicitada na quantidade de bens produzidas pelo empregado, proporcionando-lhe não só o aumento real do salário como também também a manutenção do emprego.

Na forma que Marx engendrou o raciocínio, isto é, o empregado obtendo aqueles 20 reais da "mais valia', esquece de duas premissas básicas:

a) que já recebeu antecipadamente pelo trabalho produzido sem risco algum, já que o risco exclusivo do negócio é do empresário.

b) que algo vendido à vista (trabalho) não pode ter o mesmo preço do vendido a prazo (mercadoria), pois não é indecente nem espoliatório um lucro dentro da normalidade. Imaginemos um carro trocado por uma casa no mesmo valor de hoje: o carro está à mão, mas a casa só estará liberada em 6 meses, entre a construção e a documentação; não será natural que o dono do carro tenha um lucro por conta do risco do negócio? É imoral que exija de seu bem posto à disposição hoje um valor maior do que aquele que virá - se virá - em 6 meses?

E na forma que parece ser a realidade a "mais valia" do empregado está umbilicalmente ligada no lucro do empresário. São duas faces de uma mesma moeda e não conceitos que se anulam.

Responder
Jose 17/02/2015 03:50:41

O valor do trabalho está relacionado exclusivamente a demanda da mão de obra e a sua disponibilidade.

O crescimento da economia pode sim, influenciarinfluenciar para cima a demanda de mão de obra. Mas pode haver aumento da economia e redução de salários, principalmente com os avanços da tecnologia. Vide fabricantes de máquinas de escrever.

Como já dito aqui, o aumento da qualidade de vida se dá mais pela disponibilidade de novos recursos, da capacidade da população de empreender e buscar melhor qualificação (o que brasileiro não tem, pois prefere esperar providência do governo). Do que de aumento de salários.

O único fundamento das teorias de Marx, é o pragmatismo ideológico. Onde Marx simplesmente joga a responsabilidade dos efeitos das leis naturais de escassez, nas costas dos empreendedores (capitalistas).

O motivo de Marx ser bem sucedido é que as pessoas se negam, a aceitar que o mundo não é 'justo'.

Responder
mauricio barbosa 08/05/2014 18:41:31

Atylla Arruda excelente exemplo,quem dera eu ter conhecido a TACE na minha adolescência pois hoje estaria em um patamar diferente patrimonialmente falando,haja vista eu teria valorizado mais o trabalho braçal e teria começado minha carreira profissional mais cedo,mas não fiquei iludido com essa teoria tosca da exploração marxista e desprezava começa-la por baixo achando-me um intelectual cheio de refrões anti-capitalista boçais...

Responder
Marconi 08/05/2014 19:31:06

"Na comparação de uma coisa em relação as outras, valor é a medida real da utilidade, preço é a medida do desejo na escassez. Na troca, os valores têm sempre de ser superiores ao preço, do contrário, não há legítima troca." - Marconi Soldate (livro a escrever).

Responder
Tiago 08/05/2014 21:07:28

Beijinho no ombro para os marxistas

Responder
Guilherme 08/05/2014 21:11:46

As únicas pessoas que ainda levam Marx à sério são adolescentes de 15 anos, e a direita.

Se você é da direita, atenção! Pare de ler Marx! A não ser por uma curiosidade histórica, claro. Mas ninguém da esquerda segue Marx há muitos e muitos anos. Ele estava errado quando falava de economia e, principalmente, em filosofia.

Responder
Renato Borges 08/05/2014 21:13:13

a 'mais-valia' real é o salário dos funça...

Responder
Pedro 08/05/2014 22:04:00

É o imposto em geral.

Responder
aspone 08/05/2014 22:26:40

Epa! Eu tava quieto aqui! Não venha cutucar onça com vara curta!

Hoje eu atendi duas pessoas. Quase não consegui ir ao mercado na hora do expediente por causa disso! Respeito, por favor!

Responder
Silvio 08/05/2014 21:22:17

Não é correto dizer que a teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido. Ela não faz nenhum sentido logicamente ou economicamente falando, mas algum sentido ela faz.
Ela faz muito sentido no aspecto psicológico e político, porque é uma ferramenta muito eficaz para fazer com que as massas dêem mais e mais poder a certos grupos políticos, afinal, ela é extremamente sedutora ao ouvido de muitos que querem comprar a idéia de que se você não tem mais dinheiro do que tem é porque alguém (que nunca será você) tem toda a culpa por isso.

Responder
marcos 09/05/2014 22:42:51

perfeito!!!!

Responder
Juno 08/05/2014 22:02:59

Se pararmos para pensar, o trabalhador, ou melhor, qualquer membro produtivo da sociedade, não recebe o valor integral do seu trabalho.
Mas isso se deve à exploração do ESTADO, através dos IMPOSTOS, em suas variadas formas. A crendice marxista da mais-valia é só um dos embustes usados para justificar a implantação do regime mais explorador e totalitário de todos, o socialismo.

Responder
Anônimo 09/05/2014 04:43:56

Vale notar explicitamente que tirar tal mais-valia (definida pelo autor como a "taxa de juros" dos investimentos capitalistas) tira também grande parte do incentivo de qualquer produção.

Responder
joao 10/05/2014 03:05:21

Melhor explicação do A Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo que eu já vi. Até eu, que li o livro, aproveitei esse artigo. Clarificou muitas coisas.

Responder
Marc 10/05/2014 05:54:20

Pois é, este é um trecho de um livro menos conhecido, chamado "O Capiau":



O Capiau acorda num domingo, está com pouco dinheiro. Pega um jornal de ontem emprestado de um vizinho e lê as ofertas de emprego até que se depara com algumas que o fazem pensar;

Não é bem o que gostaria, mas ele vê mais ou menos quais seriam as tarefas dele e quanto de dinheiro estão oferecendo;

Ele pensa, esboça um raciocínio de comparação "esforço x dinheiro", acende um trago;

Faz uma reflexão - "Esses Moço tão ganhando muito mais pra esse esforço que eu vou ter que fazê";

Ato reflexo, olha pros lados, e percebe que não há nenhuma arma apontada para ele;

Observa a Jurema, sua Patroa, no quintal dando de mamá pro teu filho;

Começa a cogitar também o fator "precisança" na análise das propostas de emprego. Isto fez com que o fator dinheiro se amenizasse um pouco e o fator esforço se tolerasse um pouco, dependendo do caso;

Lembrou do dono do "buteco" onde pegou o maço a "fiado", começou a imaginar como seria ele dono de um bar como o do Alemão. Parou quando pensou na grana que ia precisar.

"...Ah, mas um churrasquinho igual o do Milton?" - e ficou reticente por um instante;

O Capiau terminou seu trago, respirou fundo, e usou do seu mais profundo e real conhecimento do "mais valia" para a seguinte indagação:

- Ô Jurema, "mais valia" eu vender churrasquinho, aceitar o emprego desse jornal, ou "mais valia" eu pegar o jornal da semana que vem?




Só pra descontrair um pouco :)

Responder
Munin 10/05/2014 14:44:59

Prezado Matheus Jarel?, primeiramente não vim aqui para defender o socialismo e sim a insolência e deturpação de ideias. Bem como, disponibilizar um momento reflexivo no que tange a brutalidade do sistema vigente e sua tremenda desigualdade social. Se para você, minhas críticas não condizem com a realidade, terei de voltar na aula de história, o que na minha opinião, está faltando na sua formação.

Pois bem, as primeiras fissuras do sistema feudal, deu-se por volta do século X, quando cessaram as invasões bárbaras no Ocidente. O fim das guerras contra os invasores acabou por provocar aumento da população dos feudos, gerando a necessidade de aumentar a produção, com isso, a procura por novas terras cultiváveis. Outro não foi o objetivo das Cruzadas, iniciada no século XI. Com as Cruzadas vieram às transformações. Lançavam-se as bases do desenvolvimento do comércio e consequentemente desagregação do sistema feudal. Formando uma nova camada social: a burguesia. Todavia, as terras das cidades pertenciam aos feudos, o que daria origem aos primeiros conflitos entre comerciantes e senhores. A estrutura política, econômica e jurídica da sociedade feudal era incompatível com a expansão comercial. A burguesia passaria lutar por transformações naquela estrutura, aliando-se com o rei, que pretendia ampliar sua autoridade. O resultado foi à centralização gradativa do poder real por meio de financiamento de exército mercenário. Em contra partida, os monarcas passaram a garantir os meios para expansão do comércio, organizando, inclusive grandes navegações. A burguesia que já tinha se estabelecido como poder econômico, agora também, com o controle político da sociedade. Nesse período, o crescimento urbano fomentou o êxodo rural, no qual, o crescimento das cidades significava uma possibilidade de ''libertação'' dos servos.

Não obstante, o acréscimo populacional nos burgos, fizeram com que os antigos servos aceitassem qualquer condição de trabalho, dado a disputa entre trabalhador contra trabalhador, ou seja, todos ansiando uma condição subsistente de vida. No caso da Inglaterra, essa alteração iniciou-se ainda no século XVI, quando as ''Leis de Cercamentos de Terras'' foram sendo editadas por sucessivos monarcas ingleses. Essa alteração consistiu em uma crescente ação de privatização de terras que eram de uso comum dos camponeses. Esses que utilizavam as terras de forma comunal e dela extraíam madeira, caça e outros produtos viram-se privados dessa fonte de recursos. A incapacidade de produção em seus pequenos lotes de terras obrigou esses camponeses a abandoná-las – sendo então apropriadas pelos grandes proprietários – e a tentar melhores condições de vida nas cidades. Ainda sim, com condições precárias de vida os artesões possuíam as técnicas os insumos para produção. Entretanto, ao longo do tempo, foram instituídas as formas de produção registrada, onde o artesão teria que se submeter as normas de produção e divisão do trabalho. Logo, paulatinamente, os trabalhadores iam perdendo as técnicas de produção.

Com a Revolução Industrial no século XVIII, os trabalhadores perderam o controle total do processo produtivo, uma vez que passaram a trabalhar (na qualidade operários) para os donos dos meios de produção. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam aos donos dos meios de produção (capitalistas) os quais passaram a receber todo o excedente de produção (mais-valia). As fábricas eram incapazes de utilizar toda a força de trabalho que se concentrava nas cidades, gerando uma imensa massa de pessoas que ficavam desempregadas, o chamado ''exército industrial de reserva''. Para os burgueses donos das fábricas, o excesso de força de trabalho servia para manter baixos os salários.

Responder
Eduardo 10/05/2014 18:26:46

É verdade que a preferência temporal explica por quê os trabalhadores optam por trabalhar para um empregador: o empregado prefere bens mais imediatamente do que arriscar investindo em capital e tentar a sorte vendendo sua produção no mercado para talvez ganhar mais no futuro.

Mas me parece que este trecho ignora completamente os investimentos ruins ou a própria subjetividade do valor:
"O fato de o trabalhador não receber o "valor total" da produção futura não tem nada a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto"

Não é "impossível". Um investimento ruim é justamente isso.
Só porque você investiu para receber mais no futuro, não quer dizer que você irá receber. Exceto se você assumir que as suas receitas vêm do seu trabalho e esforço, e nela se acrescentam uns juros por cima, mas nada garante isso.

Inclusive, uma das vantagens de ser um empregado é justamente não apenas às vezes receber o "valor total" da produção futura, mas às vezes receber muito mais do que o valor da produção futura!
Isto é, se você foi contratado para produzir bonés, mas ninguém quer comprar esses bonés, você recebe o seu salário e pronto. Quem fica sem receber é o seu patrão, e ele não pode chegar pra você: "ei, dá pra me devolver esse salário que eu te paguei? é que o que você produziu não vendeu e tal"

Nesse caso, não só o trabalhador recebeu o suposto "valor total", ele recebeu muito mais do que o valor dos bonés, que é próximo de zero no mercado segundo essa experiência ilustrativa.
Pense em quantos produtos encalham e em quantas empresas vão à falência (em muitos lugares do mundo a taxa de falência é em torno de 25%, se não estou enganado).

A idéia é por aí, mas tenho a impressão de que ou o texto dá umas invertidas em causa e efeito em alguns trechos, ou faltou uma clarificação mais profunda de determinados conceitos jogados no texto (o que seria compreensível, porque é um assunto bastante extenso para ser resumido em um artigo).


Responder
Carvalho 10/05/2014 19:22:43

O artigo enfatiza em três parágrafos distintos a possibilidade do investimento nem sequer dar certo. Você deve ter pulado esses trechos.

Quanto à sua "impressão de que ou o texto dá umas invertidas em causa e efeito em alguns trechos, ou faltou uma clarificação mais profunda de determinados conceitos jogados no texto", seria interessante você ser mais claro e citar trechos específicos.

Responder
Eduardo 16/05/2014 05:22:32

O artigo enfatiza em três parágrafos distintos a possibilidade do investimento nem sequer dar certo. Você deve ter pulado esses trechos.

Quanto à sua "impressão de que ou o texto dá umas invertidas em causa e efeito em alguns trechos, ou faltou uma clarificação mais profunda de determinados conceitos jogados no texto", seria interessante você ser mais claro e citar trechos específicos.


Não pulei; eu quis dizer justamente que em alguns trechos ele assumia isso, e em outros ele parecia assumir implicitamente o inverso disso. Daí a observação!

O trecho específico do texto eu citei:

"O fato de o trabalhador não receber o "valor total" da produção futura não tem nada a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto"

Como eu disse no comentário anterior, muitas vezes o trabalhador recebe mais do que o valor total (no caso do investimento ruim que o trabalhador embolsa o salário e o patrão fica com as perdas)

Nesse trecho fica parecendo que fatalmente (já que ele usa o termo IMPOSSÍVEL logo depois) o trabalhador recebe sempre menos (o que é falso), e que a razão disso é meramente a preferência temporal.


Como eu disse também, eu entendo que a preferência temporal explica perfeitamente por quê o trabalhador escolhe trabalhar para o patrão (que segundo a teoria marxista é um arranjo tão ruim e explorador, quando faz todo sentido pela razão da preferência temporal)
Mas ela sozinha não explica por quê capitalistas geram receitas maiores do que salários pagos (até porque, isso não é verdade, novamente).

E me pareceu que o texto tentou reduzir a diferença do preço do produto com o salário à preferência temporal, até chamando a mais-valia (termo inócuo que deveria ser descartado, e não explicado) de juros. Entendi errado?

As receitas maiores do que salários são um dos fenômenos decorrentes do fato do valor ser subjetivo (que por si só já derruba a teoria marxista).
Receitas maiores que salários podem ou não ocorrer a partir de determinados investimentos (aonde a teoria da preferência temporal se aplica).
As oscilações nesses valores vêm da competição. Empregados competidores podem reduzir os salários, e empresas competidoras podem reduzir as receitas.
Como os próprios austríacos sabem, a _tendência_ é o salário ficar bem próximo da produtividade marginal do trabalhador, os lucros ficarem próximos de zero.

Quis dizer que são diversos fatores controlando a diferença de receitas da empresa e salários dos empregados que me pareceram ter sido reduzidos somente à preferência temporal, e que há trechos aparentemente contraditórios no texto (posso estar errado, no entanto!)
Abraços.

Responder
J. Rodrigues 11/05/2014 01:58:18

Mas caramba! Ninguém é obrigado a trabalhar para ninguém e assim deixar para o outro a tal de "mais valia".

Responder
Anonimo 12/05/2014 03:03:06

O contra-argumento da esquerda para isso é que as ofertas são limitadas e o sujeito se vê obrigado a trabalhar para alguém, posto que não tem os recursos para iniciar o próprio negócio.

Responder
Jean Cherem 11/05/2014 13:07:15

Toda semana compartilho artigos de vocês na minha página no facebook (hora do bananense). Os professores deveriam ler um pouco de economia com gente que realmente entende de economia, pois assim evitariam colocar tanta conversa fiada na cabeça dos alunos.

Responder
Brasileiro Nato 12/05/2014 12:36:36

Como podemos explicar os abusos cometidos na época da revoluçao industrial?
Pessoas trabalhando por muito tempo e sem qualidade de vida?
Quando estudamos o liberalismo nas escolas so vemos esses exemplos, que na Rev. Industrial as condiçoes de trabalho eram pessimas por que o estado nao intervia, e deixava os trabalhadores sem nenhum direito...

Responder
Brasileiro Nato 13/05/2014 03:47:19

Obrigado, guilherme
lerei esses artigos

Responder
Fábio 17/05/2014 21:00:09

Com certeza antes da Rev. Industrial, na Idade Média, no sistema de servidão existente, as pessoas tinham uma "ótima" qualidade de vida. Foram os odiosos burgueses capitalistas que estragaram tudo... Vai estudar!

Responder
Ricardo 12/05/2014 22:32:40

Vcs tem que tomar cuidado sobre o marx porque o livro dele por ser muito confuso dá margem a muitas interpretações e se vc chega satirizando assim a teoria de marx o marxista estupido sai todo todo por vcs não entenderem o marx real. Por exemplo, na unicamp a teoria da mais valia é assim: as pessoas não tem conhecimento do valor do trabalho que desempenham e do valor do trabalho que os outros desempenham assim os indivíduos não se movimentam de um serviços para o outro pois não sabem se o serviço do outro é mais vantajoso do que o dele. Então o salário do trabalhador é um valor aleatório que o empresario.Então a mais valia é a diferença entre o valor justo de mercado e esse valor aleatório. Isso é uma leitura meio estranha que está sendo difundida nas escolas de economia Brasileira. Mais não adianta sempre que eles tiverem uma oportunidade de por marx na discussão eles iram por é sempre muito fácil mudar a interpretação de um texto que não diz nada com nada.

Responder
Jose 17/02/2015 03:15:03

Que absurdo!

Responder
Yonatan Mozzini 14/05/2014 13:56:57

É absurda a teoria marxista de que ocorre exploração e consequentemente furto institucionalizado do produto do trabalho alheio como algo inerente ao capitalismo. Apesar de haver exploração do governo aos pagadores de impostos – e esta sendo exógena ao sistema capitalista – e a exploração esporádica efetuada por alguns agentes imorais que não cumprem seus contratos para com outros agentes – o que também é um fator da natureza humana, infelizmente, sendo indiferente a qualquer sistema econômico –, o capitalismo é, sem dúvida, o sistema mais eficiente, moral e justo que pode existir.

(É justo que todas as pessoas éticas e inteligentes devam sentir um enorme respeito ao terem contato e conhecerem a Escola Austríaca, o Instituto Mises e a grande maioria dos artigos publicados aqui. No entanto, honestamente, a ideia 'temporal' da justificação da mais-valia que este artigo apresenta é pouco abrangente, pois mostra fatores que geram apenas oscilações da mais-valia, mas não o porquê de sua existência; a explicação pura e a correta justificação da mais-valia tem origem com os neoclássicos, conforme a explanação que darei a seguir Os leitores não devem considerar o texto a seguir como refutação deste artigo do professor Rallo, mas sim uma correção técnica e uma melhor especificação.)

Em primeiro lugar deve-se ter em mente que os tanto empregadores quanto funcionários enxergam um ao outro como bens intermediários a fim de obterem bens finais, ou insumos para a obtenção de dinheiro. Para o empregador isoladamente, seu funcionário não diferencia de uma máquina ou ferramenta; o custo de pagar por usar essa 'ferramenta' é o salário. Para o funcionário, o empregador também não passa de uma fonte para a obtenção de renda, e o custo de usufruir dessa fonte é, basicamente, abrir mão de seu tempo livre e produzir bens/serviços para a firma. Em linhas gerais é isso o que ocorre e, obviamente, não há exploração de um para o outro; ambos são beneficiados ao efetuarem essas trocas.

Então, o empregador usa essa 'ferramenta', juntamente com outras, para gerar renda para si, que ele chamará de lucro. Qualquer empregador – por pior que seja seu nível de instrução – sempre irá contratar alguém que pelo menos 'pague' seu próprio salário e que lhe forneça algum rendimento extra, por menor que seja. Em outras palavras, esse trabalhador deverá fornecer algum nível de produto que seja maior que seu custo.

A visão marxista do sistema capitalista pode ser ilustrada com o exemplo a seguir: na ilha está Robinson Crusoé, o capitalista, que contrata o proletariado Sexta-Feira para pescar para ele numa lagoa repleta de peixes que está dentro de uma parte da ilha que pertence à Crusoé. Sexta-Feira pesca 15 peixes ao dia, sendo que cinco ele paga a Crusoé e os outros dez toma para si; seu salário é igual a dez peixes. Marx chama essa diferença entre produção e salário de mais-valia. Além disso, Marx afirmaria que nesse caso houve uma mais-valia de 50% (taxa de mais-valia = lucro / salário; então, se 5 / 10 = 0,5 ou 50%). Para Marx, disso é que se origina a exploração e a injustiça do sistema capitalista, de um trabalho efetuado pelo proletariado que não é devolvido a este em rendimentos. Marx disse que essa disparidade, esse furto institucionalizado, entre produção e a renda de quem produziu é inerente ao capitalismo. Mas, já que Sexta-Feira é explorado, por que ele simplesmente não deixa de trabalhar para Crusoé e não ganha seu sustento trabalhando em outras atividades? O dramático Marx afirma que devido à expropriação da riqueza – a acumulação primitiva – efetuada pelos antepassados de Crusoé aos antepassados de Sexta-Feira, este agora está desprovido de seus meios de produção e se submete a trabalhar para Crusoé para não morrer de fome; trabalha por um salário que lhe fornece o mínimo de rendimento para este seguir vivendo miseravelmente e enriquecendo cada vez mais o capitalista. Então, os capitalistas acabam explorando esses trabalhadores que apenas possuem a mão de obra como fonte de obtenção de renda. Realmente, essa ideia é uma verdadeira armadilha para enganar leigos no assunto. Não é a toa que o marxismo vem aliciando milhares, senão milhões, de pessoas durante cento e cinquenta anos, fazendo-as crer que esse processo de produção é injusto.

Neste artigo, o professor Rallo, com viés austríaco, por sua vez, tem uma visão completamente oposta a Marx, crendo que a justificativa da mais-valia se origina da remuneração justa do risco e do tempo do capital adiantado pelo empregador, isto é, a diferença entre o produto e a renda de quem produziu é a questão temporal. Vou explicar sua justificativa utilizando o exemplo anterior da ilha: Crusoé, o desbravador, aquele que chegou primeiro em determinado pedaço da ilha, encontra Sexta-Feira e ambos realizam um contrato: do que Sexta-Feira pescar, 60% dos peixes ficam para si, e o resto para Crusoé. Crusoé lhe adianta um salário de dois peixes pela manhã e espera passar algum tempo do dia para receber o fruto de seu contrato, tendo em mente é claro, que o valor que o salário que paga a Sexta-Feira deve cobrir o risco de, por algum motivo que seja, não receber no fim do dia seus devidos peixes.
Bem, os austríacos, para poder justificar essa teoria, passam a explicar um sistema capitalista a partir de um cenário complexo, partindo de uma sociedade mais organizada, quase que colocando normas para a explicação da mais-valia, algo que necessariamente não existiria em uma economia capitalista primitiva ou simplificada. Na verdade, até atualmente, em várias situações, muitas vezes com acordos informais entre os agentes, esses detalhes de esperar algum tempo, correr o risco, etc, simplesmente não existem no mundo real. O exemplo mais claro disso são algumas comissões: não há risco nem tempo de espera significativos: do que a pessoa vender, de tal receita ela receberá alguma parte e ponto final. Assim, mesmo que Crusoé não adiantasse nenhum peixe a Sexta-Feira e não houvesse nenhum risco e nenhuma questão temporal a ser considerada (Crusoé pensa: se Sexta-Feira pescar alguma coisa, tudo bem, eu fico com uma parte e ele com outra; se ele não conseguir pescar nada, não há problema nenhum, não tenho perdas nenhumas), ainda assim haveria mais-valia; ele ainda assim iria cobrar alguma coisa para o Sexta-Feira por este obter produção para si da lagoa que pertence a Crusoé. Desse modo, os riscos, o tempo e o adiantamento de renda ao trabalhador ajudam a explicar apenas a grandeza da mais-valia em determinado mercado (quanto maiores os adiantamentos aos empregados, maiores os riscos e maior incerteza do negócio, maior será a mais-valia), mas não a sua origem. Então, o que explica a natureza da existência dela?

Os autores neoclássicos, assim como os austríacos, fazem uma investigação apurada e analisam a realidade econômica mais precisamente. Consideram que há uma oferta e uma demanda no mercado de trabalho. Quem demanda trabalho são as firmas e elas contratarão trabalho até que o produto marginal do trabalho se iguale ao salário real. Numa linguagem simples, os neoclássicos afirmam que uma firma tende a perder a produtividade conforme aumenta o número de trabalhadores (mantendo-se constante a estrutura de capital) e que esta poderá maximizar seu lucro quando utilizarem mão de obra até o último funcionário que pelo menos 'pague' seu salário. Como exemplo, suponha outro cenário, que agora estejam Robinson Crusoé na ilha, com o mesmo pedaço de terra no qual há a mesma lagoa fértil de peixes, e que além de Sexta-Feira há mais quatro primos seus que irão pescar na lagoa. Crusoé estipula um contrato diferente: o que eles pescarem, metade é de Crusoé e a outra metade é de cada um; além disso, Crusoé ainda lhes garante pagar pelo menos um peixe a mais ao dia para cada um (o salário total de cada um é = ½ produção individual + 1 peixe). Então, faz um teste com o pessoal e obtém o seguinte resultado: Sexta-Feira pesca 10 peixes; A pesca 7; B pesca 4; C pesca 2. D pesca apenas 1, pelo fato de haver pessoas demais na lagoa. No fim do dia, Sexta-feira recebe 6 peixes, A recebe 4,5 peixes; B recebe 3 peixes; C recebe 2 e D recebe 1,5 peixe. Crusoé, após esse teste, observa a produtividade e conclui que irá contratar A, B e C, mas D não será contratado. D deverá estar fora deste mercado de trabalho, pois a economia da ilha não estará otimizando seus fatores de produção – o produto marginal é menor que seu salário real. Assim, após organizar sua empresa e otimizá-la, Crusoé obterá receita de 23 peixes e gastará 15,5 peixes com custo de mão de obra, obtendo, então, um lucro de 7,5 peixes.

Os neoclássicos, apesar de estarem cheios de pressupostos extremos e irreais (todos maximizam lucros e utilidades, as informações são perfeitamente conhecidas, entre outros), conseguem acertar a origem da mais-valia. Suas conclusões teóricas e matemáticas concluem então que a renda que as pessoas recebem é igual ao produto que elas agregam na economia; elas recebem rendimentos conforme sua produtividade. Então, se uma pessoa recebe R$ 100 ao mês e outra R$ 100.000 ao mês, não há injustiça econômica: elas recebem conforme o que agregam de valor na economia. O que faz com que as pessoas ganhem mais ou menos e que haja aquela disparidade entre valor de produção e remuneração da produção é a diferença da quantidade de capital que as pessoas possuem. Assim, um neoclássico afirmaria que aquele que ganha R$ 100 provavelmente possui apenas como capital humano a sua mão de obra (e esta sendo desqualificada) e mais nenhum outro capital; o que ganha R$ 100.000 ao mês possui em seu poder um montante elevado de capital, seja capital físico (terrenos, máquinas, galpões, etc) e/ou capital humano (cursos, experiência, imensas habilidades, etc.). Essa teoria de viés neoclássico acerta ao mostrar as disparidades de montante de capital entre as pessoas como explicação das disparidades entre o que se produz e a renda de quem produziu, chegando à origem do motivo, apesar de não lhe dar muita especificação.

Por fim, a visão corrigida é esta: existe mais-valia pelo fato de as pessoas possuírem (e utilizarem) diferentes montantes de capital. No entanto, qualquer vantagem competitiva pode ser considerada como algum capital. (Ex.: O indivíduo A fornece uma demanda de trabalho para B, e B apenas repassa a demanda que recebeu para C, cobrando uma pequena margem. Nesse caso, o único capital que B utilizou é a preferência (ou boas relações) com A.) Então, não é exatamente o fato do quanto elas, em si mesmas, agregam de valor à economia, mas sim do que o capital que pertence a elas que está agregando valor à economia. Assim, se o criador do Facebook recebe uma renda de US$ 7 milhões ao ano, não é porque a pessoa dele agrega isso de valor à economia, mas sim o capital total dele, tanto a estrutura física e virtual quanto o seu inseparável capital humano (sua inteligência, instrução, experiência, referências, e por aí vai).

Resumindo, tudo o que as pessoas recebem de renda é a remuneração proporcional ao seu capital. Apenas isso. Mas, e se perguntarem, qual é a origem do capital delas?
• Obtiveram através de crimes: roubo, furtos, corrupção em geral (inevitável fator humano, sendo externo a qualquer sistema econômico);
• Sorte: nasceram mais ricas, mais habilidosas, mais bonitas, mais inteligentes que o resto da população; nesse caso, deve-se também procurar a origem nos seus pais; ou também ganharam de alguma maneira, por sorteio, por doação, etc;
• Apesar de serem pessoas de qualidades naturais medianas, foram poupadoras e diligentes, investindo parte da renda que obtiveram em diversas fontes (montaram algum negócio, utilizaram para adquirir capital humano em estudo, etc.);
• Possuem referências, indicações e influências com determinadas pessoas: do governo, da alta sociedade, de pessoas estratégicas, etc. (isso também pode ser considerado como capital humano);

Vejam esta frase do artigo:
"Dado que o capital que é adiantado na forma de salários e na forma de maquinário para os trabalhadores supõe também uma espera e uma assunção de riscos para o capitalista, não seria mais correto dizer que a "mais-valia" do capitalista advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores de produção (tempo e risco)?"

Resposta: Sim, da remuneração do capital, dos fatores de produção, mas não necessariamente tempo e risco.

"A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído."

Quase sempre também isso conta, mas não é o motivo da existência dela; quanto maiores os riscos e o tempo, maior o volume de capital envolvido. Não é necessário que haja nenhum tempo de espera e risco para que haja mais-valia. A frase anterior melhor explicada seria:

A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim a remuneração correta para o proprietário do capital (incluindo tempo de espera e risco) que foi utilizado para a realização do processo produtivo.

Responder
Gustavo Torres 21/05/2014 20:24:05

Irretocável.
Também estranhei o fato da argumentação do artigo ter levado em conta tão-somente a questão temporal - que, como você disse, integra a questão em relação à quantidade de capital investido no processo produtivo, mas que não exaure a refutação da teoria da exploração.

Se a questão do juro fosse a única a ser observada, na hipótese de um empreendimento cujo risco fosse inexistente, e cuja remuneração do dono do capital fosse imediata, toda esta remuneração deveria ser repassada para o trabalhador que produziu qualquer que seja o bem.

Responder
Lucas 21/05/2014 18:07:07

Fiquei na dúvida sobre a "fábula" do padeiro, pelo que foi dito a análise partiu de três padeiros que ganhavam a mesma quantidade de dinheiro. MINHA DÚVIDA É:

E se nós partirmos de uma análise de três pessoas, com discrepantes níveis de salário, o seu sucesso será determinado pelo quanto ele conseguirá poupar e de seus objetivos futuros? está se desprezando a desigualdade de oportunidades? como a escola austríaca lidava com essa questão de desigualdade de oportunidades?


Lembrando: sou liberalista, mas essa dúvida sempre me persegue, gostaria de respostas inteligentes, por favor.

Responder
Leandro 21/05/2014 18:44:03

A Escola Austríaca não tem nada a dizer sobre desigualdade de oportunidades, pois ela é apenas um método dedutivo aplicado às ciências econômicas. Como tal, ela não faz juízo de valor.

Quem faz juízo de valor é a filosofia libertária. Logo, se você quer saber o que a filosofia libeetária pensa sobre esse assunto, veja estes dois artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1843

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1859

Responder
Diogo Francis Ferreira Lima 29/07/2014 19:39:05

A ideia difundida e infundada para justificar a manutenção dos nossos sindicatos "pior sem eles" faz parte desse contexto e pior, são eles responsáveis em sua grande maioria, pela distorção dos pensamentos de Marx.

Responder
anônimo 08/04/2015 02:20:56

Faltou o autor explicar porque uns tem os "bens presentes" para investir e o restante não....

Responder
Antônimo 08/04/2015 10:59:32

Faltou você pesquisar...

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457

Responder
Eduardo Dalagnol 08/04/2015 06:05:16

Espero que o autor deste artigo seja um capitalista milionário. Do contrário não seria alguém que se pode chamar de esperto.

Responder
Marcos Malacol 08/04/2015 10:56:50

Você se importaria em explicar melhor essa sua "lógica"? Tenho certeza de que ela deve ser impecável...

Responder
anônimo 08/04/2015 12:37:19

Conhecendo um pouco da mente esquerdista, provavelmente ele está dizendo que o cara não sendo um milionário está defendendo um sistema que só beneficia os milionários.
O que é totalmente falso, é nos países de economia liberal que o pobre vive melhor e onde tem mais chance de sair da pobreza.

Responder
Rodrigo 08/04/2015 13:10:23

Duvido muito que seja esse o raciocínio dele. A ignorância humana não pode ter chegado a um nível tão avassalador quanto este.

Responder
gabriel 08/04/2015 13:31:38

Pode até nao ser a logica dele especificamente mais esse argumento já ouvi de utros, jamais subestime s ignorancia humana

Responder
Victor 16/04/2015 15:43:45

Esse artigo é ouro, deveria ter um lugar fixo no site.

Eu tenho lido uns livros de esquerda pra "ver qualé" (pura panfletagem) e me embasar melhor intelectualmente contra o marxismo, mas depois de ler esse artigo (e a Escola Austríaca no geral) eu vejo que nada nessa ideologia faz sentido pois tudo deriva desse princípio mentiroso de exploração do trabalho e luta de classes.

Responder
Lucas 08/09/2015 11:59:07

Caros, alguém pode me ajudar a validar um argumento, estou tentando explicar a um amigo leigo o porque a mais valia não faz sentido. Li o texto, e apesar de ter entendido, achei muito teórico a explicação da preferência temporal e do valor-subjetivo.

Optei por falar o seguinte: "a produtividade do trabalhador é um fenômeno tanto humano quanto das máquinas e instrumentos que o empresário disponibiliza com seu investimento, portanto, não faz sentido em falar que o trabalhador deve ficar com toda a produção".

Vocês acham que este argumento está correto? Obrigado.

Responder
Netanyahu 08/09/2015 12:27:50

Correta está, mas não é muito científica.

Mande pelos menos este resumo:

Você realmente acredita que ter $1.000 hoje é o mesmo que ter $1.000 apenas daqui a 5 anos (e assumindo zero de inflação de preços), mesmo que ambos os valores contenham o mesmo tempo de trabalho?

Pois é exatamente esse o raciocínio por trás de toda a análise marxista da exploração.

Os capitalistas adiantam bens presentes (salários) aos trabalhadores em troca de receber, somente quando o processo de produção estiver finalizado, bens futuros. Existe necessariamente uma diferença de valor entre os bens presentes dos quais os capitalistas abrem mão (seu capital investido na forma de salários e maquinário) e os bens futuros que eles receberão (se é que receberão).

Os capitalistas, ao adiantarem seu capital e sua poupança para todos os seus fatores de produção (pagando os salários da mão-de-obra e comprando maquinário), esperam ser remunerados pelo tempo de espera e pelo risco assumido. Por outro lado, os trabalhadores, ao receberem seu salário no presente, estão trocando a incerteza do futuro pelo conforto da certeza do presente.

O fato de o trabalhador não receber o "valor total" da produção futura nada tem a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto. O pagamento salarial representa bens presentes, ao passo que os serviços de sua mão-de-obra representam apenas bens futuros.

A relação trabalhista é apenas uma relação de troca entre bens presentes (o capital e a poupança do capitalista) por bens futuros (bens que serão produzidos pelos trabalhadores e pelo maquinário utilizado, mas que só estarão disponíveis no futuro).

O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk expressou tudo isso de maneira bem mais resumida: "Parece-me justo que os trabalhadores cobrem o valor integral dos frutos futuros do seu trabalho; mas não é justo eles cobrarem a totalidade desse valor futuro 'agora'."

Responder
Lucas 08/09/2015 13:46:08

"Os capitalistas, ao adiantarem seu capital e sua poupança para todos os seus fatores de produção (pagando os salários da mão-de-obra e comprando maquinário), esperam ser remunerados pelo tempo de espera e pelo risco assumido."

Gostei desta parte. Muito obrigado.

Vejo que marxistas ignoram o tempo (como se um retorno de 0% fosse algo correto) e também o risco (como se todo investimento fosse certeza de lucro).

Responder
Rodrigo Pereira Herrmann 09/09/2015 19:14:44

O investidor precisa remunerar o capital e o tempo/risco do negócio. Se o trabalhador auferir toda renda gerada pelo produto de seu trabalho, de onde o investidor irá tirar sua remuneração?

A matemática não fecha, simplesmente.


todas essas teorias marxistas são apenas tolices sem fim de uma mente doentia.

Responder
anônimo 09/09/2015 17:08:37

Essa sua explicação também não é nada científica, é apenas uma questão de semântica.

Responder
Diego 30/09/2015 15:09:58

Infelizmente a esquerda tem quase o monopólio sobre a informação no Brasil. Controlam todos os setores. E nada mais brasileiro do que vender o coitadismo, o vitimismo, dizer que você é um pobre inocente explorado.
Toda essa ladainha da esquerda só faz sentido porque o capitalismo e a livre iniciativa nunca chegaram perto daqui. O que você tem é um capitalismo de estado, onde os "empresários" aliados dessa corja tem as tetas do governo pra mamar e muitas barreiras pra impedir qualquer concorrência. Sejam construtoras, imprensa, frigoríferos, siderúrgicas... Basta olhar a lista dos brazilians na Forbes e ver a ligação estreita e muitas vezes histórica desses "capitalistas" com quem está no poder. E nunca antes na história "destipaíf" houve tanto $ fácil pra eles como nos 12 anos dessa quadrilha. Agora tira essa mamata e me diz quantos sobreviveriam? É por isso que essa anta não tomou um impeachment e essa máfia já não foi pra cadeia, conseguiram aparelhar o país todo e agora ninguém tira essa quadrilha do poder.

Responder
Juan Domingues 30/09/2015 17:47:08

Marx e Keynes são probavelmente os dois seres que mais danos causaram à evolução da humanidade.

Responder
Cacau 30/09/2015 18:00:05

Marxistas são fracassados.

Responder
Alfaiate 30/09/2015 18:32:37

Tese do texto: "A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído."

Convém mostrar alguns exemplos que foram dados pelo autor para defender a sua tese:

"Uma coisa é gastar 100 onças de ouro hoje adquirindo bens de consumo; outra coisa, completamente distinta, é gastar essas mesmas 100 onças em um investimento que nos permitirá recuperá-las apenas ao longo dos anos. "

"No entanto, se o capitalista compra por 90 para receber 100, então ele está obtendo mais-valia. Só que esta mais-valia não está vinculada à exploração do trabalhador, mas sim ao tempo que o capitalista tem de esperar para auferir essa receita e ao risco que ele tem de assumir ao incorrer nesse processo produtivo. "

Vejamos o lugar do trabalhador...."LUGAR"..porque não me parece que ele tenha um, olhando para a tese defendida e para os exemplos dados:

Se invisto hoje, o trabalhador só pode ser remunerado quando o processo de produção E VENDA estiver finalizado. Quer dizer então que, o coitado do trabalhador terá de esperar pelo futuro, e estará dependente da procura ao produto que ELE NÃO DECIDIU PRODUZIR... Isto porque podem surgir necessidades de custo que a empresa deve colmatar, e portanto, não pode o detentor do capital pagar ADIANTADO.

Ora bem, se seguirmos esta brilhante lógica, seria justo o trabalhador receber no dia da sua morte, ou seja, ele finaliza ali os seus trabalhos para a empresa, é feito o balanço dos ganhos e perdas da empresa, e depois é-lhe dado o dinheiro merecido e justo, no tempo correto, depois de termos esperado pelo tempo certo para concluirmos que o negócio foi bem feito e que o empregador pode pagar a "mais-valia" ao seu trabalhador. Então, acho que faz todo o sentido o trabalhador ficar à mercê do jogo do capitalista, esperar pelos resultados e receber o que tem a receber no dia da sua morte. Por que não haveria de fazer sentido? Até porque o proprietário também, em sua casa, no seu quotidiano, passa grandes necessidades para obter o mais básico, comida, água, luz...piscina, Porsche... Este dinheiro que o empregador despende nada tem a ver com o seu capital de investimento na empresa...Zero!!!! O trabalhador deve esperar...não é ele todo esperança? Sempre? Ele foi feito para esperar religiosamente...

Acho que o presente do trabalhador deve ser hipotecado pelo futuro do capitalista... claro que sim... Ambos têm o mesmo poder, as mesmas necessidades, o mesmo capital.... No meio disto tudo o trabalhador é aquele que troca as fichas no fim da roleta russa andar à roda, é aquele que retira duas fichas (se der para ele) para poder sobreviver, enquanto o proprietário tem as 100 para poder apostar mais na seguinte jogada, que ainda é de mais risco, e porque precisa de mais capital para arriscar... e se perder, ainda tem de ter para os gastos da piscina e do Porsche...

Responder
Costureiro 30/09/2015 19:29:14

"Se invisto hoje, o trabalhador só pode ser remunerado quando o processo de produção E VENDA estiver finalizado."

Isso aí é invenção totalmente sua (e, se você quiser implantar tal arranjo, boa sorte). O artigo é claro ao dizer que o trabalhador, por meio do seu salário, é remunerado no tempo presente, e o valor do seu salário é o valor presente descontado do valor futuro dos bens produzidos.

E se você não sabe o que é valor presente descontado de um produto futuro, então economia não é a sua área.

"Quer dizer então que, o coitado do trabalhador terá de esperar pelo futuro, e estará dependente da procura ao produto que ELE NÃO DECIDIU PRODUZIR..."

Do que você está falando, criança? Que cenário fictício é esse que você inventou? Dê ao menos um mínimo de lógica pra ele.

"Isto porque podem surgir necessidades de custo que a empresa deve colmatar, e portanto, não pode o detentor do capital pagar ADIANTADO."

Ué, mas como você explica o pagamento mensal de salários para operários que estão construindo um edifício que só ficará pronto daqui a mais de um ano?

Pela sua lógica, esses capitalistas devem ser muito bonzinhos para fazer isso.

"Ora bem, se seguirmos esta brilhante lógica"

Desculpe, mas a "lógica" que você inventou não tem nada de brilhante.

"seria justo o trabalhador receber no dia da sua morte, ou seja, ele finaliza ali os seus trabalhos para a empresa, é feito o balanço dos ganhos e perdas da empresa, e depois é-lhe dado o dinheiro merecido e justo, no tempo correto, depois de termos esperado pelo tempo certo para concluirmos que o negócio foi bem feito e que o empregador pode pagar a "mais-valia" ao seu trabalhador."

A sua "lógica" é tão "brilhante" que cegou meus olhos e ofuscou o meu cérebro, e eu não consegui entender absolutamente nada nem do seu ponto de partida fictício e nem da sua conclusão surreal.

Volte quando tiver mais substância. A sua participação serviu apenas para mostrar como a inteligência nacional se tornou uma commodity escassa.

Responder
André 30/09/2015 19:54:06

O que você fumou? tem mais? Onde compra?

Responder
Evo Morales 30/09/2015 18:40:01

Grande Rallo!

Responder
Paulo 30/09/2015 18:46:55

E ainda falta considerar a habilidade do trabalhador.

Digamos que D. Maria, costureira leve 2 horas para fazer um vestido e D. Teresa leve 4 horas para fazer o mesmo vestido. D. Maria receberá por cada vestido, apenas a metade do valor de D. Teresa?

Ela pode até cobrar mais barato, pois tem capacidade para fazer mais vestidos num dia, portanto sua remuneração total será maior. Será que o velho Marx sabia que existem incompetentes?

Responder
Alfaiate 30/09/2015 22:06:19

A teoria de Marx, como é óbvio, é uma crítica voraz a qualquer tipo de alienação... Em linguagem nietzchiana, é uma tese dionisíaca... Ou seja, se o ser humano não se alienasse, iriam perceber as diferenças e singularidades de cada ser, assimilando isso, iriam pensa: ok, não somos todos iguais, nem temos ritmos iguais, um ser que produz mais meias em menos tempo, produz mais, mas pode não produzir melhor, outro pode demorar-se mas produzir com melhor qualidade... como pode, em outra atividade, produzir melhor, mais rápido, porque lhe é mais intuitivo e natural e assim compensar a sua lentidão na produção das meias. O mundo é plural...algo que a nossa civilização nunca percebeu...

Mais fácil é falar com transcendências: olha o Rei, como ele é superior, tocado por Deus!!! Olha a Nação, como por ela devo morrer! Olha o Refugiado, que vem desde o outro lado da Fronteira!... Ui..que rol de abstracções vazias que são os trombos do pensamento....

Responder
anônimo 30/09/2015 22:32:12

Só enrolou, enrolou e não disse nada.

Responder
anônimo 30/09/2015 18:58:16

Há, no texto, algumas simplificação das teses de marx.
Como exemplo, vou citar uma aqui.

Na crítica ao programa de Gotha, ele elucida a questão sobre o citado fruto integral do trabalho em uma sociedade com os meios de produção coletivizados:

"Tomemos, em primeiro lugar, as palavras «o fruto do trabalho" no sentido do produto do trabalho; então o fruto do trabalho coletivo será a totalidade 'do produto social.

Daqui, porém, é preciso deduzir:

Primeiro: uma parte para repor os meios de produção consumidos.

Segundo: urna parte suplementar para ampliar a produção.

Terceiro: o fundo de reserva ou de seguro contra acidentes, transtornos devidos a fenômenos naturais, etc.

Estas deduções do "fruto Integro do trabalho" constituem uma necessidade econômica e sua magnitude será determinada de acordo com os meios e forças existentes e, em parte, por meio do cálculo de probabilidades; o que não se pode fazer de modo algum é calculá-la partindo da eqüidade.

Fica a parte restante do produto total, destinada a servir de meios de consumo.

Mas, antes dessa parte chegar à repartição Individual, dela é preciso deduzir ainda:

Primeiro: as despesas gerais de administração, não concernentes à produção. Nesta parte se conseguirá, desde o primeiro momento, urna redução considerabilíssima, em comparação com a sociedade atual, redução que irá aumentando à medida que a nova sociedade se desenvolva.

Segundo: a parte que se destine a satisfazer necessidades coletivas, tais como escolas, Instituições sanitárias, etc.

Esta parte aumentará consideravelmente desde o primeiro momento, em comparação com a sociedade atual, e irá aumentando à medida que a nova sociedade se desenvolva.

Terceiro: os fundos de manutenção das pessoas não capacitadas para o trabalho, etc.; em uma palavra, o que hoje compete à chamada beneficência oficial.

Só depois disto podemos proceder à "repartição", Isto é, à única coisa que, sob a influência de Lassalle e com uma concepção estreita, o programa tem presente, ou sei a, a parte dos meios de consumo que será repartida entre os produtores individuais da coletividade.

O "fruto íntegro do trabalho" transformou-se já, imperceptivelmente, no "fruto parcial", ainda que o que se retira ao produtor na qualidade de indivíduo, a ele retorna, direta ou indiretamente, na qualidade de membro da sociedade.

E do mesmo modo como se evaporou a expressão "o fruto íntegro do trabalho", evapora-se agora a expressão "o fruto do trabalho", em geral. No seio de uma sociedade coletivista, baseada na propriedade comum dos meios de produção, os produtores não trocam seus produtos; o trabalho Invertido nos produtos não se apresenta aqui, tampouco, como valor destes produtos, como uma qualidade material, por eles possuída, pois aqui, em Oposição ao que sucede na sociedade capitalista, os trabalhos individuais Já não constituem parte Integrante do trabalho comum através de um rodeio, mas diretamente. A expressão "o fruto do trabalho", já hoje recusável por sua ambigüidade, perde assim todo sentido.

(...)


Dessa forma, toda a construção de premissas sob as quais se fundamenta o raciocínio do texto estão partindo de deturpações e simplificações estapafúrdias. Essas simplificações foram veementemente combatidas pelo autor quando ainda vivo, e como se sabe, são próprias de pessoas que, como a maioria dos que estão aqui, não tem o mínimo conhecimento da obra do autor, tanto em seu viés filosófico, quanto em relação a suas teses econômicas.

Para haver o debate, e para que ele seja construtivo, este pelo menos deve ser justo, e não pautado em deslealdade intelectual e deturpações. Isso só contribui para reafirmações ideológicas simples que não contribuem inclusive para o desenvolvimento das teorias e das ciências, sob seus mais diferentes pontos de vista.

Responder
Agradecido 30/09/2015 19:18:39

Obrigado, anônimo. Você involuntariamente mostrou que, quanto mais se tenta dar algum sentido a Marx, pior fica a situação (você realmente acha que explicou alguma coisa com esse seu emaranhado de palavras convolutas e desconexas?).

Realmente, Marx era uma cabeça confusa, e cujas idéias geraram apenas homicídios em massa.

Obrigado.

Responder
cmr 30/09/2015 20:47:30

Para haver o debate, e para que ele seja construtivo, este pelo menos deve ser justo, e não pautado em deslealdade intelectual e deturpações. Isso só contribui para reafirmações ideológicas simples que não contribuem inclusive para o desenvolvimento das teorias e das ciências, sob seus mais diferentes pontos de vista.

Deslealdade intelectual, deturpações, reafirmações ideológicas simples que não contribuem é o que mais se ouve nos discursos marxistas.

Marx era um zé ruela que nunca trabalhou na vida, se casou com uma mulher rica, além de gigolô era um péssimo marido, teve filhos com empregadas e não assumiu; e ainda teve a canalhice de escrever a quantidade de merda que escreveu. Ou seja, tudo a ver com o caráter de quem defende ideologias de esquerda, pois adoram idolatrar maus exemplos. Os afins se atraem.

Responder
Advogado de Marx, o deturpado 30/09/2015 21:33:46

Naturalmente vocês falsificaram as obras de Marx, para assim tentar refutar seu brilhantismo intelectual e análises precisas do egoísmo da sociedade capitalista.

O primeiro passo para entender Marx é dominar fluentemente a língua alemã. Pois Marx usava algumas expressões únicas, que quando traduzidas para outras língua, como o português, perdem seu significado primordial e deturpam seu ensinamento original.

Responder
cmr 01/10/2015 13:45:08

O primeiro passo para entender Marx é dominar fluentemente a língua alemã. Pois Marx usava algumas expressões únicas, que quando traduzidas para outras língua, como o português, perdem seu significado primordial e deturpam seu ensinamento original.

Tive um professor que era fluente em alemão e especialista em Marx, foi o único professor anti-Marx que conheci na vida.

Responder
Andre 01/10/2015 14:34:42

Sei que é ironia mas vou fazer mesmo assim...
Compartilhe sua fluência em alemão e "filosofia" e nos dê uns 2 exemplos onde as ideias de marx foram deturpadas na tradução para as línguas latinas.

Responder
Ricardo Rocha Brandão 30/09/2015 19:31:01

Meu, marxistas são tão bizarros -- não é à toa que todos eles se apresentam sob anonimato, vide os dois espécimes acima (anônimo e "alfaiate") --, que eles conseguem a façanha de fazer keynesianos parecerem razoáveis.

Responder
cmr 30/09/2015 20:37:15

Perto de marxistas os keynesianos de fato são razoáveis.

Keynesianos acham que Marx errou em alguns pontos, marxistas acham Marx a solução para todos os problemas da humanidade.

Responder
Tales 30/09/2015 19:41:51

Não tem haver com o texto, mas estou com uma dúvida? Reduzir imposto estimula o consumo. Fato! Mas permanentemente, ou provisoriamente?

Mas reduzir imposto e, ao mesmo tempo, estimular o crédito é uma 'bomba relógio'. E isto nós já vimos. Qual a opinião de vocês? Embasem!

Responder
Tales 30/09/2015 22:36:01

Estava com uma dúvida em relação a Curva de Laffer. A arrecadação deverá aumentar, mas isso não implicará no aumento, na mesma proporção, das contrapartidas ao cidadão. Sou cético de que a máquina administrativa seja eficiente. E portanto, o aumento da arrecadação não se justifica. Muito melhor é reduzir os impostos muito abaixo do nível ótimo. Estou convencido de que é melhor que as pessoas fiquem com mais do seu dinheiro pois o utilizarão muito melhor do que o Governo.

Valeu de Mileto. Risos...

Responder
Amarílio Adolfo da Silva de Souza 30/09/2015 20:22:20

Marx foi o maior homicida da história humana ou um dos três maiores. Como homem de "ideias" foi o maior assassino indireto, com certeza: responsável por, no mínimo, MEIO BILHÃO DE MORTES HUMANAS. Se isso é "algo bom", então sigam-no. Eu prefiro chamá-lo de assassino.

Responder
anônimo 01/10/2015 12:08:49

Concordo plenamente, seus livros são piores que qualquer livro nazista.

- Apologia a violência (incitação a destruição da propriedade privada)
- Apologia a vadiagem (desmerecimento do trabalho assalariado)
- Incitação ao ódio (aos ricos e empresários)
- Calunia e difamação (aos ricos e empresários)
- Discriminação (aos ricos e empresários)

Responder
Alex 30/11/2015 13:52:04

Isso ai! Da mesma forma que os pensadores do iluminismo caluniaram a nobreza e promoveram chacinas em 1789 na França!
O fato é que o sistema vigente mudou e quem conta a história é quem está no poder, hoje, os "pobres" ricos e empresários. Coitados, uma minoria tão marginalizada.
Imagine que, hoje, no Brasil, são obrigados a blindar seus carros e viver em condomínios fechados!?

Responder
Campos 30/11/2015 15:37:05

"Imagine que, hoje, no Brasil, são obrigados a blindar seus carros e viver em condomínios fechados!?"

Nunca vi uma defesa tão direta e explícita do assalto aos ricos. É como se o simples fato de um indivíduo ser rico já o tornasse obrigado a ser assaltado. Parabéns pela coragem.

Responder
outro anônimo 30/11/2015 19:00:55

Esqueceu-se do racismo e genocídio. Marx era realmente um cara batuta.

Responder
Victor Hugo Piovan 01/10/2015 05:09:45

Boa noite, excelente artigo, e que dificilmente entrara na cabeça dos marxistas. Esses dias estava discutindo e debatendo com um, mostrando as malezas do estado e do banco central,emprestei a ele um livrinho básico do petter shiff, e até ai ele foi concordando.
Depois de tudo discutido, ele entra com um papinho de que é contra o lucro, que não aceita de maneira nenhuma o dono da fabrica ganhar 50.000,00, e o trabalhador 1.000,00 , e o culpa por exploração.
Qual seria a melhor forma de rebater esse argumento entre lucro x salário?

Responder
Demóstenes 01/10/2015 11:17:23

Quem é contra o lucro, é contra o desenvolvimento e a inovação. E quem é contra o desenvolvimento e a inovação é a favor da perpetuidade da pobreza. Logo, quem é contra o lucro é a favor da manutenção dos pobres na pobreza.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1374

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1383

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2073

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2182

Sobre discrepâncias entre salários de donos de empresa e salários dos empregados, há duas questões:

1) Essa fábrica trabalha em algum setor regulado pelo governo ou protegido por tarifas de importação? Se sim, então não há nada que possa ser feito. Sendo a entrada de concorrentes proibida, não há como os concorrentes competirem pela mão-de-obra, que é o que geraria aumentos salariais.

Em um mercado livre, essa discrepância salarial faria com que vários indivíduos decidissem também investir neste ramo, em busca desses altos lucros. Isso não apenas diminuiria a margem de lucro das empresas ali operantes, como aumentaria os salários da mão-de-obra, pois haveria maior disputa por elas.

2) Se porventura tal fábrica opera em um setor desregulamentado -- o que, por se tratar de fábrica, duvido bastante --, então os dados que ele forneceu (sem nenhuma fonte) estão errados. Tal setor já estaria sob intensa concorrência hoje, com salários bem mais altos.

Gostaria muito de saber a procedência deste exemplo, pois fiquei curioso quanto aos números.

Responder
Victor Hugo Piovan 04/11/2015 21:24:25

Ele acha injusto o operário ganhar menos que um CEO ou executivo propriamente dito, essa é a critica deles, a distancia dos salarios

Responder
anônimo 01/10/2015 12:11:59

As pessoas não entendem que um trabalhador só presta um serviço ao dono da propriedade. Não existe salário injusto, só existe o que foi livremente acordado.

Responder
John 01/10/2015 13:04:06

Acho essa teoria as vezes confusa. Essa ideia de bens futuros por bens presentes é correta quando falamos de adiantamento de bens de capital. Agora sobre o salário não faz muito sentido, talvez em ciclos de produção longo sim, mas se estivemos falando de ciclos curto ninguém irá entender.

Um trabalhador recebe um salário após ter completado 1 mês de trabalhado, e se estivemos falando de um setor com ciclo curto de produção não faz sentido nenhum falar que houve adiantamento do bem futuro e tal.

Agora faz sentido se estivemos falando que o empresario adiantou todos os bens de capital para a produção do funcionario e por isso merece uma taxa de retorno.

Responder
McClane 01/10/2015 13:27:10

"Um trabalhador recebe um salário após ter completado 1 mês de trabalhado, e se estivemos falando de um setor com ciclo curto de produção não faz sentido nenhum falar que houve adiantamento do bem futuro e tal."

Óbvio que faz sentido. E faz sentido simplesmente porque não existe isso de "setor com ciclo curto de produção".

Até mesmo uma padaria já plenamente estabelecida, com anos de mercado, não tem "ciclo curto de produção": o pão que a menina assalariada do caixa vende utiliza trigo que foi plantado e colhido (processe que leva meses), que foi importado, que foi estocado, que foi transportado de caminhão, que foi distribuído, que foi transformado em massa, que utilizou energia elétrica, que utilizou um padeiro, e que foi empacotado em um pacote fornecido por outras empresas.

Só esta venda de um simples pãozinho embute um processo de produção que certamente levou mais de um mês. O dono da padaria paga por todos os estágios deste ciclo. E a caixa de padaria recebe seu salário antes mesmo de o dono da padaria auferir lucros com este processo (se é que ele realmente vai auferir lucros).

Responder
John 01/10/2015 13:45:38

Sim, quando falamos de adiantamento de insumos e bens de capital faz sentido a teoria.

O que eu acho que não faz sentido é falar que, por exemplo, o padeiro recebeu um adiantamento pela sua produção - como deu para entender em parte do texto.

Se um padeiro produziu milhares pães - e que já foram vendidos - antes de receber o primeiro salário, como eu posso falar que houve algum adiantamento do seu salário? isso não colaria para algum marxista.

Não estou dizendo que o argumento esteja errado, está certo na verdade, mas faz mais sentido quando falado da importância do adiantamento de bens de capital e insumos para o trabalhador, mas não muito sentido quando falamos de salário adiantado.

Espero que tenha me entendido.

Responder
McClane 01/10/2015 14:57:57

"O que eu acho que não faz sentido é falar que, por exemplo, o padeiro recebeu um adiantamento pela sua produção"

E recebeu, como expliquei no meu exemplo.

"Se um padeiro produziu milhares pães - e que já foram vendidos - antes de receber o primeiro salário, como eu posso falar que houve algum adiantamento do seu salário?"

Para produzir "milhares de pães", o padeiro teve de utilizar vários insumos (farinha, levedo, maquinários, energia elétrica, gás, instalações físicas etc.), e tudo isso foi adquirido pelo capitalista. Ou seja, o capitalista adiantou vários gastos (comprou matéria-prima e alugou vários insumos e equipamentos) para que o padeiro pudesse produzir pães.

Sem esse gasto do capitalista, não haveria como o padeiro produzir pães. Consequentemente, não haveria como o padeiro trabalhar e ganhar um salário.

A sua afirmação parte do princípio de que o padeiro fez "milhares de pães" com um passe de mágica, só na base do amor e da vontade. Mas não é assim que o mundo funciona. Sem os equipamentos e as matérias-primas fornecidos pelo capitalista, o padeiro não é nada.

Responder
Rentista Opressor 01/10/2015 16:35:48

Ah, o salário é um dos insumos. Se os pães não venderem, o padeiro ainda recebe. Se não receber, pode processar. Ao menos que o padeiro seja um sócio, é claro, mas no caso ele não o é porque estabelecemos que ele é um assalariado. Quando o capitalista fez a conta do preço do pão, contabilizou o salário como todos os outros custos, pagando ao fim do mês, por semana, na hora ou no início; não importa - ele tem de pagar. O mesmo vale para a energia que a conta vence só no fim do mês.

A contabilidade de todos os recursos só pode ser adiantada, nunca atrasada. Se o capitalista calculou errado e ninguém comprar seus pães, ele ficará sem lucro, mas o padeiro assalariado ainda terá direito ao salário. Ele só teve um salário para começar - assim como os insumos só foram comprados para começar - porque o capitalista tinha a expectativa de lucro apesar de todos os gastos. Não foi seu salário que gerou o lucro, mas foi aproximadamente o contrário.

Responder
PedroF 02/10/2015 02:03:57

Cerca de 60 %das medias e pequenas empresas fechalm at'e o Segundo ano. Isso quer dizer que os empegados dessas empresas receberam pelo trabalho efetuado e o capitaista SIFU! O risco empresarial eh grande. Ha setores de enoreme riskco. Por exemplo:nunca fundem empresas de aviacao, frigorificas e bancarias. Praticamente todas quebram aos longo dos anos. Falam do PROER, mas o PROER nao salvou os banqueiros (perderam tudo), salvou os bancos porque o dinheiro da sociedade estava la dentro.

Responder
Anônimo 17/10/2015 10:15:09

'Falam do PROER, mas o PROER nao salvou os banqueiros (perderam tudo),'
haha se fosse seria muito bom.Banqueiros nunca perdem, somos todos escravos dos bancos

Responder
Alexei Dimitri Diniz Campos 03/10/2015 17:36:02

Olá! Gostaria de dizer, que apesar do tema e da hipótese defendidos serem incorretos, o texto apresenta uma temática e alguns argumentos interessantes. Legal!

Mas meu caro, se eu não explorar os outros, por menor que seja a exploração, eu não realizo nada que eu mesmo não faço. Vou dar o exemplo simples. Amizade. Quem nunca usou da amizade para pedir favores? Não estou dizendo que é errado pedir favores, é concebível tal processo.

Você considera uma pessoa muito sua amiga quando os pedidos de favores estão dentro de certos limites. Nem muito (abuso) nem pouco (se a pessoa não pede nada, não exige um pouco de você, você acaba sentindo que não há trocas, e acaba por desvalorizar o relacionamento). O próprio ato de conversar é uma exploração, pois alguém fala, alguém ouve, e sempre acaba por alguém ouvir mais do outro. Claro, a longo prazo isso tende a "zerar", mas nem sempre.

Como eu disse uma vez no IMB, Marx foi um judeu, pertencente às classes mais ricas da Europa. Seu objetivo quando escreveu o Manifesto Comunista, e também sua célere obra O Capital não era educar um povo que ele considerava ignorante. O objetivo dele era destruir o então decadente Império Russo. Estudando um pouco de história, você irá descobrir que os judeus (não como nação mas como "força") sempre tiveram uma rixa com os russos, e muitas vezes isso motivou os conflitos mundiais.

Isso quer dizer que ele estava errado sobre existir mais-valia? NÃO, como eu mesmo disse acima, seu texto apresenta argumentos bons, pontos interessantes e convence até uma boa parcela dos leitores, mas tal como Marx, o problema é que a hipótese defendida estava INCORRETA (O Comunismo), o que deturpa certos pontos, e gera afirmações que são falácias. Daí a múltipla interpretação do Capital.

Voltando ao seu texto, sim, temos que levar em conta a história. Historicamente, as pessoas quando migraram do campo para a cidade se viram forçadas a isso. Ninguém sai de uma situação relativamente boa para uma de falsa promessa sem nenhum respaldo ou pelo menos de esperança. Como na cidade as pessoas precisam explorar umas as outras, já que os alimentos são produzidos no campo, elas precisam compulsoriamente trabalhar.

O problema era que inicialmente elas não faziam ideia de que tipos de produtos ou serviços poderiam ou não vender, e dessa forma, só lhe sobraram a possibilidade de se alocar como empregados. Como o empregador precisa explorar sua mão de obra para remunerar outros tipos de gastos, como impostos, etc, e o seu próprio lucro, ele aproveita a crescente mão-de-obra e paga salários baixos e periodicamente demite pessoas, já que não existiam sindicatos e greves.

Como o passar do tempo, o salário dos trabalhadores já não atendia mais seus anseios, pois as pessoas SEMPRE vão querer consumir mais, e SEMPRE vão querer executar trabalhos mais leves. Daí, surgiram os luditas, greves, sindicatos, etc, etc...

Mas voltando ao trabalhador. Ele também explora seu patrão. Já que para ele seu serviço não lhe serve para nada, ele vende ao patrão sua mão-de-obra, que o paga com a promessa de ganhar mais com isso, tanto o EMPREGADOR para com o seu lucro quanto o FUNCIONÁRIO para com seu salário.

Pois, afinal, o trabalhador possui gastos de alimentação necessários a sua existência, e de sua família, bem como seu lazer pessoal, e daí temos a mais-valia do trabalhador para com seu empregado.

MAS tal como determinados produtos possuem seu preço determinado pelos consumidores, a mão-de-obra também possui seu preço determinado pelo grau de retorno E pela quantidade de mão-de-obra existente. Como atualmente há uma forte proteção aos direitos trabalhistas, o lado forte da balança passa a ser a do empregado, e ele possui mais opção de escolha de empregador do que o empregador de funcionários.

Atualmente, observamos que existe uma maior liberdade do que antigamente para sair da condição de empregado para a de empregador. Exige-se menos capital atualmente do que antigamente para montar uma empresa. Como os direitos trabalhistas são maiores, os salários são maiores.

É importante observar que a condição de PJ não classifica apenas uma pessoa como empregador, já que no final das contas ela exerce o mesmo papel de um empregado.

Agora, vamos aos pontos de sua explanação:

'Dado que o capital [...] não seria mais correto dizer que a "mais-valia" do capitalista advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores de produção (tempo e risco)?'

Tempo e risco são fatores apessoais. Em outras palavras, quem fica com a remuneração de tempo e risco são pessoas.

Lembra de débito e crédito? São a mesma coisa. Apenas uma distinção, para saber da onde entra e da onde sai.

Logo, o fato de um empregador usar tempo e risco como fatores são o "outro lado da balança" da mais-valia: se um funcionário vai receber menos do que ele pressupõe gastar com seu trabalho, ele não trabalha. A não ser que seja um consumista acéfalo.

Outra vez eu li em comentários no IMB que o preço da mão-de-obra de certo setor era fortemente determinado por si mesma. Logo, o seu custo e projeções futuras possibilitariam ao empregador determinar se a mais-valia obtida dessa relação iria sustentar o risco e o tempo demandado por si. E vale a pena. Do contrário, tal atividade seria extinta, tal como ocorreu com as máquinas de escrever.

'Utilizando esse mesmo raciocínio [...] adiantam bens presentes [...] bens futuros [...]. E essa diferença de valor é a mais-valia. A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído.'

JURO, essa é a palavra chave. Juro e mais-valia são em essência a mesma coisa. E esse é o ponto onde sua argumentação fica interessante.

Da onde que o banco extrai os juros? Do próprio tomador de empréstimo. Logo, não é criado valor, é transferido valor. O que o banco faz para que esse valor exista, ou seja, a remuneração de seus consultores, empregados, etc, é o outro lado da moeda.

Você deveria estar pensando. Mas seguindo seu raciocínio, a mais-valia surgiria da relação empregador-cliente, e isso desmantelaria por baixo a teoria marxista.

É aí que a conversa segue um rumo desconexo. E o dinheiro que a pessoa tomou como empréstimo? Esse dinheiro serve para a pessoa de alguma forma, em geral, para comprar um bem que dê a ela um retorno maior do que o valor tomado como empréstimo. É aí que entra a mais-valia empregado-empregador.

Quando uma pessoa assume um empréstimo bancário, ela o pagará com seu trabalho, que para ela nada vale, para assumir um valor que a possibilite adquirir um produto que a satisfaça, seja na forma de lazer, seja na forma de status-quo. São essas coisas que remuneram os juros, o tempo e outras questões apessoais.

É aí que mais-valia e valor subjetivo das coisas se confundem, pois são lados opostos da mesma balança. Se você perceber, o boom de consumo e o de desenvolvimento tecnológico estão intimamente ligados. Isso não quer dizer que uma sociedade extremanente consumista seja muito desenvolvida; afinal, 'coeteris paribus' é uma teoria, e na verdade, tudo varia, e geralmente questões políticas e culturais mandam com mais intensidade.

Você deve estar pensando, mas você está viajando, está confundindo conceitos. Não, meu caro, estou levando em conta toda a história da economia, estou levando em conta a discussão Keynesianos x Liberalismo. São duas visões da mesma realidade. É esse o motivo de ainda existirem Keynesianos, de esse pensamento ser ufanado em determinados momentos, e do mesmo ocorrer com o liberalismo.

Se uma pessoa fosse extremamente objetiva, ela se mudaria desse país, porque aqui a mais-valia é muito grande. A pessoa paga muitos juros, impostos elevados, inflação alta e é pouco remunerada.

Lembrando que na mesa de negociação de salários, quem determina o preço da mão-de-obra é quem possui mais direitos trabalhista e é mais sindicalizado.

'O fato de o trabalhador [...] não tem nada a ver com exploração [...]'

Cara, esse negócio de futuro e presente é relativo. A maioria das empresas comerciais e de serviços recebe o valor da mercadoria antes mesmo de pagar salários e inclusive antes de pagar fornecedores. É por isso que são as atividade mais facilmente executadas, porque a pessoa não precisa de calculadora o tempo todo, já que há quase sempre dinheiro entrando.

Se você analisar o percentual de empresas que prosperam, irá perceber que o comércio possui o maior percentual de pessoas com baixa escolaridade.

Aliás, se não existisse exploração, o valor presente e futuro de um bem seria o mesmo, já que não há mais-valia na relação.

A exploração decorre de alguém que faz algo e de uma pessoa que não faz algo. Quem fica com a diferença? Quem não faz. É por isso que se você prestar atenção, os mais ricos são aqueles que menos fazem alguma coisa. Eles passam o tempo deles gastando, conversando e executando atividades supérfluas, da mesma forma que os trabalhadores fazem em seu tempo livre; a diferença, é claro, está nas quantias em questão.

PEÇO atenção, entretanto, para aqueles que acham que estou desmerecendo a classe empregadora. Não estou dizendo que não fazem nada. Estou dizendo que executam outras tarefas, as quais são remuneradas por aquelas executadas pelos seus empregados. Um exemplo muito claro é o RH. Uma empresa, se não prestar serviços dessa classe, utiliza o RH como ferramenta, e não como fim; logo, sua remuneração advém do fruto das operações da empresa.

Estou dizendo que as atividades de apoio não agregam valor ao produto final? NÃO ESTOU DIZENDO isso. Mas dizer que todo o valor advém dessas funções é deturpar a realidade.

Para finalizar, esquecem de dizer que a inflação na verdade é o aumento geral dos preços, causados pela ânsia dos empregadores em aumentar sua fatia de remuneração. Mas na verdade não houve aumento da mais-valia; Em outras palavras, o aumento do salário do trabalhador foi menor do que o aumento dos preços, e sua produção não aumentou na proporção esperada. Por fim, a demanda cai e o preço volta ao valor anterior. Logo, não se pode dizer que mais-valia decorre puramente da relação cliente-empregado, ela existe em todas as relações.

Conclusão: mais-valia = exploração = trocas = relações.

Responder
Glauco Saporiti 17/10/2015 00:53:51

Achei o artigo um tanto repetitivo e não abordou a questão concorrencial e de ganhos de escala, pois se uma empresa adota um sistema de produção mais eficiente do que outras (treinamento da mão-de-obra "explorada", tecnologia, etc), produzindo a um custo mais baixo, naturalmente ela vai explorar essa vantagem competitiva e colocar o produto no mercado a um preço mais baixo, com ganhos unitários e "mais-valia" consequentemente menores. À medida que outras empresas adotarem tais técnicas, buscando capturar uma participação de fatia de mercado, se não houver um aumento de demanda, o preço do produto no mercado cairia e consequentemente a suposta "mais valia".

Responder
Hugo 17/10/2015 01:58:23

Você escreve essa coisa completamente desconexa, sem lógica e inconclusa, e ainda diz que os outros é que são repetitivos?

Responder
Caio Cesar 05/03/2016 15:57:50

A sua explicação é que não tem base Max esta certo.

Responder

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