Thomas Piketty e seus dados improváveis

O principal livro de Keynes, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, está repleto de teoria econômica.  Há apenas duas páginas contendo dados, e Keynes ainda desqualifica esses dados dizendo que são "improváveis".

Em contraste, o novo livro do francês Thomas Piketty, O Capital do Século XXI, que é a sensação mundial do momento, é recheado de dados. Ironicamente, Piketty se considera um sucessor daquele mesmo economista cujos dados Keynes descartou como improváveis: Simon Kuznets.  Quase todas as pessoas que realmente leram o livro admitem que o argumento teórico de Piketty é fraco.  No entanto, seus defensores prontamente contra-argumentam: "Mas veja todos esses dados! Não dá para argumentar contra todo esse volume de evidências históricas!"

O principal argumento de Piketty é que a riqueza (que tende a se concentrar em poucas mãos) cresce mais rapidamente do que a economia, de modo que aqueles que já possuem muita riqueza vão se tornando cada vez mais ricos em relação a todos os outros. Supostamente, esta seria uma característica inevitável do capitalismo.

(Se essa tese lhe soa familiar, é porque ela realmente é: a teoria de Piketty é apenas uma repetição mais atualizada do que Marx e Keynes já haviam dito, embora seja válido lembrar que Keynes zombou da maioria das coisas ditas por Marx, classificando-as como "embuste").

Mas qual seria então a prova de que a riqueza cresceu mais rápido do que a economia?

Analisemos o gráfico abaixo, que foi adaptado do livro de Piketty. A linha roxa é o retorno sobre o capital e a linha amarela é a taxa de crescimento da economia mundial. A linha roxa supostamente mostra como os ricos estão se saindo e a linha amarela, como o cidadão médio está progredindo.  Observe que as partes de ambas as linhas localizadas na extrema direita do gráfico são meramente uma projeção de Piketty, e não dados históricos.

1.jpg

Este gráfico é espantoso por várias razões.  Em primeiro lugar, ele sugere que o capital apresentou um retorno de 4,5% ou mais, por ano, no período que vai do ano 0 ao ano 1800.  Este valor é insano.  Por exemplo, se toda a raça humana houvesse começado o ano 1 com uma riqueza total de apenas US$10, um crescimento composto de 4,5% ao ano durante 1.800 anos faria com que, atualmente, fossemos mais de um trilhão de vezes mais ricos do que realmente somos — lembrando que a riqueza total do mundo foi estimada pelo Credit Suisse em US$241 trilhões de dólares.

Esse valor de 4,5% de retorno sobre o capital também é insano porque o próprio Piketty argumenta, e muito corretamente, que todo o crescimento econômico ocorrido antes da Revolução Industrial foi insignificante, o que significa que retornos tão altos para os ricos simplesmente não são compatíveis com um crescimento tão ínfimo.  A verdade é que, durante boa parte desse período, os ricos estavam mais interessados em gastar ou em esconder suas riquezas a investi-las, pois, naquela época, expor suas riquezas significava se tornar suscetível a ser roubado — ou por bandidos ou pelo governo.

Por fim, se analisarmos mais atentamente a parte mais atual do gráfico (1913 a 2012) e ignorarmos a projeção feita para o futuro, veremos que as linhas também não dão sustentação à tese de Piketty.  A ideia de que, no capitalismo, os ricos sempre necessariamente se tornam mais ricos em relação a todos os outros simplesmente não é corroborada pelos dados que ele apresenta.

Já o gráfico seguinte mostra a fatia da riqueza nas mãos dos 10% mais ricos da Europa ao longo do tempo (linha azul-escura), a fatia de riqueza nas mãos dos 10% mais ricos dos EUA (a linha verde clara), a fatia da riqueza nas mãos do 1% mais rico da Europa (linha azul-clara) e a fatia da riqueza nas mãos do 1% mais rico dos EUA (a linha verde-escuro).

Este gráfico também não corrobora a tese de Piketty.  Sim, a fatia dos ricos cresceu desde 1970, mas só depois de ter caído acentuadamente antes.

2.jpg

Finalmente, o próximo gráfico mostra a renda dos 10% mais ricos dos EUA ao longo do tempo em termos da porcentagem da renda total do país.

Renda, neste caso, inclui também os ganhos de capital, que, em termos práticos, não representam renda verdadeira, mas sim apenas uma troca de um ativo por outro.  E exclui as transferências de renda feitas pelo governo, exclusão essa gera uma grande alteração nos resultados. Ainda assim, mais uma vez, não se observa nenhum aumento inexorável na renda dos mais ricos ao longo do tempo.  Longe disso.

3.jpg

O que realmente vemos no gráfico acima são dois picos para as pessoas de maior renda: um imediatamente antes da crise de 1929 e o outro imediatamente antes da crise de 2008.  Ambos os picos ocorreram justamente durante as duas maiores bolhas econômicas da história americana, nas quais o Banco Central americano, em conluio com o sistema bancário, estimulou a expansão do crédito e criou muito dinheiro, o que gerou uma falsa e insustentável prosperidade.  Ambas também foram eras que representaram o ápice do capitalismo corporativista — também chamado de "capitalismo de compadrio" —, no qual aquelas pessoas ricas que tinham conexões com os governos utilizaram o dinheiro criado pelo sistema bancário para se tornar ainda mais ricas ou simplesmente se beneficiaram de outras políticas governamentais que as favoreciam.

Infelizmente, após a crise de 2008, o ativismo dos bancos centrais ao redor do mundo inflou outra bolha nos mercados de capitais.  Isso elevou a fatia da renda dos mais ricos novamente para o patamar de 50% da renda total em 2012, baseando-se em dados foram disponibilizados após a publicação do livro.  Só que essa nova bolha também irá estourar, o que derrubará a fatia da renda dos mais ricos de volta ao patamar dos 40% observados em 1910, início do período analisado pelo gráfico.

Talvez a afirmação mais surpreendente do livro de Piketty é a de que as burocracias governamentais terão de ser reformadas para que possam fazer um uso mais eficiente de toda a receita adicional que será gerada pelos novos impostos sobre renda e sobre a riqueza que ele recomenda.  A suposição é a de que o controle governamental quase que completo sobre a economia seria o melhor arranjo, ainda que esse mecanismo necessite de alguns ajustes para ser definitivamente implantado.

Ludwig von Mises demonstrou, há quase 100 anos, que uma economia gerenciada pelo  estado simplesmente não tem como funcionar, pois, entre outros problemas, ela não é capaz de estabelecer preços racionais. Só uma economia guiada pelos consumidores pode fazer isso.  Os socialistas têm tentado refutar a tese de Mises desde então, mas nunca conseguiram. Piketty deveria ao menos ler Mises.

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Para ver outro artigo que refuta, com fatos e dados empíricos, a tese central de Piketty, leia este:

O que houve com os ricaços da década de 1980? 


Depois, leia isto:

Algumas frases aterradoras contidas no livro de Thomas Piketty

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SOBRE O AUTOR

Hunter Lewis
é autor de nove livros, dentre eles dois novos: Free Prices Now! Crony Capitalism in America: 2008-2012. Lewis é o co-fundador do movimento anti-corporativista Against Crony Capitalism.org.  Também foi criador e presidente da Cambridge Associates, uma empresa de investimentos atuando em nível global.  Já participou do conselho de 15 organizações sem fins lucrativos, dentre elas organizações ambientalistas, pedagógicas, culturais e de pesquisa.  Também já foi membro do Banco Mundial.



"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Renato S. Borges  07/05/2014 13:21
    O mais impressionante é que estes "estudiosos"/"pesquisadores" continuam lançando livros com absurdos e as pessoas continuam comprando e repetindo às favas.

    Melhor que este artigo, só o mostrado ao final, mostrando que os 10% mais ricos, mesmo que mantenham seu % de riqueza, não permanecem os mesmos.

  • Edson  07/05/2014 13:44
    Este livro é um besteirol sem tamanho.
  • Jose Roberto  07/05/2014 13:49
    E no UOL...

    noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/paul-krugman/2014/04/27/o-panico-em-torno-de-piketty.htm
  • Emerson Luis, um Psicologo  07/05/2014 14:11

    Se a questão é a quantidade de dados, bastaria lançar um livro com o dobro de dados discordando dele. Mas daí ele lançaria outro livro com mais dados ainda e seria uma corrida sem fim.

    Não basta apresentar dados e não é necessário apresentar uma montanha de dados além do necessário. Um texto tem que ter coerência interna (provar que A+B=C) e coerência externa (suas premissas [A e B] e conclusões [C] corresponderem à realidade. Como todo bom socialista, ele falha em ambos os quesitos.

    * * *
  • saoPaulo  09/01/2015 19:43
    vide "o livro negro do capitalismo"...
    Tentei ver um vídeo do sujeito pra entender melhor toda essa história e vou dizer, difícil acreditar que ele estudou no MIT, inglês sofrível.
  • Mauricio.  07/05/2014 14:46
    S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!
  • Andre  07/05/2014 15:25
    Thomas Piketty e seus seguidores deveria se mudar para Cuba ou Coreia do Norte, assim suas ações estariam de acordo com suas palavras, quando dizem que economia planifica é melhor.
  • Mr. Magoo  07/05/2014 15:39
    " existem enormes incentivos econômicos para se difundir teorias politicamente eficazes que, obviamente, visãm apena o bem dos políticos - mesmo que tais teorias sejam falsas. Aquele que fornece uma convincente legítimação científica (!!!) para ações perseguidas pelo governo podem previsívelmente esperar altas recompensa dos burocratas. O ladrão está disposto a dividir uma fatia do seu esbulho com aqueles que estão ajudando a fazer com que , do ponto de vista das vítimas, o crime seja aceitável."
  • Gredson  07/05/2014 16:12
    Observe que as partes de ambas as linhas localizadas na extrema direita do gráfico são meramente uma projeção de Piketty, e não dados históricos.
    ------------------
    Poxa que cara mal carater.
  • carlos alberto  30/11/2014 00:24
    gredson;
    malXbem;
    mauXbom.
  • anônimo  07/05/2014 16:18
    A projeção feita no primeiro gráfico é ridícula. Ainda, colocar dois anos em um mesmo ponto no eixo das abscissas parece ser uma estratégia para confundir a interpretação do gráfico.

    Quem ele pensa que engana com esses truques mirins?
  • Pedro  07/05/2014 20:25
    Que viagem é essa de contar do ano zero? Ano zero é o nascimento de cristo? Qual a lógica?

    Então, porque não a criação de Adão e cia LTDA? Se for pra retirar a lógica da jogada eu ganho viu: digo que coloque o ano zero como sendo o Big Bang e pronto.

    Se fosse possível retroagir, o ano zero deveria ser então a criação da primeira ferramenta (bem de capital) pelo homem das cavernas.

    Fora que os intervalos temporais no primeiro gráfico, embora espaçadamente iguais são incrivelmente díspares (em sequência: 1000; 500; 200; 120; 93; 37; 62; 38; 50). Sei que seria difícil, por uma questão de representação gráfica colocar tudo em escala. Mas então não partisse do ano zero.
  • Rodrigo Amado  07/05/2014 16:53
    É mais um livro para tentar convencer às pessoas de que o governo deve ROUBAR, para o bem delas próprias.

    E ele ignora o fato de que a desigualdade não é problema algum se não foi causada por ROUBO, e além disso os pobres do primeiro mundo estão num padrão de vida que corresponde à classe média do terceiro mundo, então a desigualdade nesses países é menos grave ainda.

    O resumo do pensamento dessa gente é:
    "Pessoas ficaram ricas através de trocas voluntários sem nenhum uso da violência.
    Isso é errado! Temos que roubar deles para reduzir a desigualdade.
    Não nos importa se os mais pobres têm um ótimo padrão de vida, os mais ricos
    tem uma vida muito boa e o correto é reduzir a qualidade de vida deles!"

    É inveja PURA.
  • marcos  08/05/2014 13:32
    Bela síntese. Infelizmente, enquanto houver inveja haverá socialistas.
  • PESCADOR  07/05/2014 16:55
    Quem fez o gráfico 1? Homer Simpson?
  • Rudson  07/05/2014 17:02
    Não cheguei a ler o livro, mas pelos reviews que eu li, o argumento dele é que existe uma tendência a concentração de riqueza numa economia de livre mercado e que o período entre 1930-1970 seria uma exceção a regra graças a forte intervenção do estado na economia naquele momento, o que vai ao encontro dos gráficos 2 e 3. Por isso, a solução apresentada por ele - de novo, pelo o que eu li sobre o livro - seria um intervencionismo mais forte, ou melhor, um retorno ao keynesianismo (como se algum dia desde 1930 nós tenhamos saído dele).

    Exatamente por isso que eu fiquei surpreso com a repercussão do livro por aí. O cara apresenta os mesmos argumentos que todos os economistas "mainstream", como Krugman e cia, falam há 60 (isso se desconsiderarmos o mercantilismo) e que já foram rebatidos pela escola austríaca, só que como tem mais figurinhas coloridas acaba causando todo um alvoroço.

    Ou eu recebi a informação errada sobre os argumentos, ou o negócio ta feio mesmo.... Pretendo ler a obra quando surgir um tempo livre pra ver qual seira
  • Graça   07/05/2014 17:28
    O "argumento" da concentração de riqueza é refutado pelos próprios fatos. Veja aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1836
  • Bancario  07/05/2014 19:22
    Rudson

    Acho que é questão de saber fazer o marketing corretamente. No Brasil, você fala em privatizar alguma empresa e é apedrejado em praça pública. Mas se falar em "Concessão de 200 anos", em que o "Patrimônio é público mas administrado pela iniciativa privdada" você pode ter uma privatização na prática que as pessoas ficarão calmas, ou vão até aplaudir.

    Acredito que o livro usa as palavras-chaves certas: concentração de renda aumenta, ricos mais ricos pobres mais pobres, isso cria problemas. Eu não li o livro mas me disseram que ele NÃO faz propostas sobre qual caminho seguir, mas nem precisa, fica tudo implícito. Vamos taxar os ricos, vamos redistribuir renda, etc.

    Não entendo o motivo de concentração de renda ser visto como problema. O problema na verdade é empobrecimento da população. Se os ricos estão proporcionalmente mais ricos mas todo mundo está melhorando, qual é o problema? Se uma única pessoa detivesse 99,99% da renda mundial e todo o resto do mundo dividisse 0,01%, mas essa fração fosse o suficiente para todos viverem muito melhor do que o padrão americano atual, qual é o problema nisso?

    Mas talvez, e aqui eu começo a entrar em uma área que não domino, a psicologia possa explicar, da mesma forma como no famoso experimento do jogo de divisão. Alguém sabe o nome? Duas pessoas jogam um jogo onde vão dividir um valor em dinheiro. A primeira delas escolhe qual é a proporção da divisão. Depois disso a segunda pessoa diz se aceita ou não. Se aceitar, ambas levam o valor. Se recusar ninguém leva nada. Na teoria, se a divisão de 100 for feita 99 pro primeiro e 1 pro segundo, o segundo está em situação melhor do que antes e deveria aceitar. Mas no mundo real, as divisões que fogem do limite de 70x30 são recusadas. Acho que a questão humana não é ficar apenas melhor, é não ficar proporcionalmente distante, não sei. Acho que falei um monte de bobagens nesse último parágrafo, alguém me corrija pf onde eu estiver errado.
  • André  08/05/2014 11:58
    "Mas talvez, e aqui eu começo a entrar em uma área que não domino, a psicologia possa explicar, da mesma forma como no famoso experimento do jogo de divisão.".

    Explica sim, a psicologia chama isso de INVEJA.
  • Paulo  08/05/2014 12:24
    Bobagem nada, você foi no cerne de toda essa questão.
  • Leonardo Faccioni  07/05/2014 17:23
    Temo que sujeitos como Piketty, seguindo a senda de Krugman, tenham há muito abdicado a qualquer pretensão científica e contentem-se em empenhar seus nomes e reputações à sustentação retórica do regime vigente. Um fenômeno tão antigo quanto a roupa nova do rei: estão todos plenamente cientes da nudez do velhaco, mas, por um lado, o prêmio à bajulação de suas cores e rendas imaginárias é irresistível, enquanto o ostracismo imposto aos divergentes é tremendo. De tal sorte que os mais astutos preferem o ridículo da doxa ao martírio da verdade.

    Não é possível, por absurdo que seja o percurso de estudos atravessado pelos atuais acadêmicos - uma formação destinada desde o berço a desassociar intelecto e realidade - que não percebam intuitivamente os lapsos lógicos evidentes em teorias como a ora examinada. Uns recusam-se a ver aquilo que os olhos lhes mostram, e talvez até convençam-se em seu íntimo de que o monarca desfila no mais excelso cetim; a maioria, contudo, contém o riso e nega-se a gritar, consciente do preço a pagar. Justificam-se afirmando que o tabuleiro está posto e tal é a "regra do jogo". Para a população média, cuja opinião advém de fontes segundas ou terceiras, orelhadas e leads televisivos, o consenso entre lunáticos e covardes basta como prova da validade da teoria, na proporção mesma das páginas preenchidas por essas legítimas "Wonderland statistics".
  • Pedro  07/05/2014 19:00
    Excelente!
  • Eduardo  08/05/2014 14:12
    Eu quase choro com o comentário.

    Excelente!!!
  • Vagner  07/05/2014 18:00
    O gráfico simplesmente é contraditório com o que o cara diz... Que doença.
  • Pedro  07/05/2014 18:56
    Além disso, como disse David Friedman:

    "Na maioria das atividades econômicas, a eficiência de uma firma é proporcional ao seu tamanho até um tamanho ótimo e então a relação se inverte. O crescimento da eficiência reflete as vantagens da produção em massa. Essas vantagens geralmente ocorrem até um determinado nível de tamanho; por exemplo, uma usina siderúrgica é muito mais eficiente que um alto-forno de fundo de quintal, mas aumentar uma usina siderúrgica que já existe não traz vantagens adicionais (é por isso que as usinas siderúrgicas são do tamanho que são) e duas usinas não são mais não são mais eficientes do que uma. Aumentar também aumenta o custo para as burocracias administrativas. Os homens no topo da produção são cada vez mais excluídos do que está realmente acontecendo na base e, logo, estão mais propensos a cometerem erros que podem custar caro à empresa. Assim, a eficiência tende a diminuir com o aumento de tamanho uma vez que a firma tenha passado do ponto em que consegue tirar a máxima vantagem da produção em massa. Por essa razão, algumas grandes empresas, como a General Motors, se dividem em unidades semiautônomas, com a ideia de se aproximarem o máximo possível da eficiência administrativa das empresas menores."

    Por isso, se não houver barreiras legais à entrada nos mercados, a riqueza não se acumulará indefinidamente.
  • Rennan Alves  07/05/2014 20:41
    E por falar em "novo Marx", olha só que bacana!

    Manifesto do PSB preocupa pré-campanha de Eduardo Campos

    O que essa gente esperava que o Partido SOCIALISTA Brasileiro fizesse com o Brasil? A nuvem rosa dos ursinhos carinhosos?
  • Ronaldo  07/05/2014 23:07
    O pior dessa palhaçada toda é ver as incoerências

    www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2014/04/02/interna_politica,497312/eduardo-diz-que-investidores-precisam-ter-seguranca-nas-regras-do-mercado-do-pais.shtml

    www.cartacapital.com.br/blogs/carta-nas-eleicoes/no-wall-street-journal-surge-o-eduardo-campos-201cpro-mercado201d-2747.html

    www.onordeste.com/blogs/index.php?titulo=Blog%2BPernambuco%2BDesenvolvimento%2B-%2BPernambuco%2Bvive%2Bsua%2Brevolu%C3%A7%C3%A3o%2Bindustrial%2B¬id=5000&id_user=7


    Conclusão
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=273085272874422&set=a.187019378147679.1073741828.187007398148877&type=3&theater
  • Lopes  07/05/2014 22:00
    Para ser honesto, não logrei compreender a tese do Piketty; muito menos a euforia rodeando suas estatísticas (que estão, francamente, apenas alguns passos acima do mais arbitrário dos rabiscos sobre um eixo cartesiano). Não é por desconversar ou por 'rixa ideológica' que tomo este atitude, mas sim por mera confusão.
  • Eduardo Bellani  08/05/2014 11:52
    A tese é simples. O capitalismo tem defeitos estruturais que levam a
    concentração das riquezas da sociedade nas mão de uma determinada
    classe, as custas de todo o resto. Isso é eticamente inaceitável, e a
    única solução pra isso é uma determinada vanguarda utilizar dos
    mecanismos de coerção legitimados para redistribuir essa riqueza, para
    o bem de todos.

    Tecnocracia humanista totalitária. Deixo aos leitores a tarefa de
    identificar quais outras ideologias se encaixam nessa descrição.

    Abraços.
  • Vito Fontenelle  08/05/2014 03:53
    Do jeito que a coisa está feia: daqui a pouco esse Piketty é laureado com um Nobel.
  • Cleiton  09/05/2014 11:54
    É o novo Paul Krugman, já que o atual está falando muitas bobagens até para o padrão esquerdista.
  • Tory  09/05/2014 14:45
    Paul Krugman? Esse cara é o novo Keynes. Mais um livro interminável que será usado para legitimar a extorsão de propriedade privada por parte dos governos. E, é claro, ninguém dará ouvidos às refutações como as desse artigo.
  • lasare  08/05/2014 12:59
    O velho Marx com nova roupagem.Como falavam professorezinhos comunistas:"geente,o 'método' de marx é impressionante!".Agora seria:" A quantidade de 'dados' de piquêti é impressionante!".
    Quem é fascinado por dados que vá jogar no cassino.
  • Marcos  08/05/2014 16:40
    O mais triste de tudo é que daqui há uns 20 anos esse autor será o mais seguido e admirado no Brasil. Brasileiros são mestres em endeusar ideias erradas com anos de atraso, quando elas sequer são relevantes no resto do mundo.

  • Antonio  08/05/2014 18:10
    O texto está bom, mas acho peca por supor que toda a renda do capital (capital rental) é poupada e reinvestida. Em realidade, boa parte da renda do capital é consumida, já que pode ser a única fonte de renda para o seu detentor. Então, pode ser que aqueles retornos listados por Piketty não sejam tão exagerados. De qq forma, suas argumentações estão equivocadas, pois sabemos que a prosperidade depende do aumento de produtividade, que depende da mecanização dos processos produtivos, que por sua vez é dependente de investimento em máquinas e equipamentos, e estes só podem ser viabilizados com poupança anterior. Se os impostos são aumentados, a poupança é destruída, e todo o progresso é retardado.
  • Carlos  08/05/2014 18:31
    "Então, pode ser que aqueles retornos listados por Piketty não sejam tão exagerados"

    4,5% ao ano durante 17 séculos, sendo que estes foram séculos em que nem sequer havia acumulação de capital e direitos de propriedade bem definidos?
  • Pedro  08/05/2014 19:48
    Aqueles que acumulam riqueza em um livre mercado não desfrutam de sua riqueza sozinhos pelo simples fato de que para acumular riqueza antes é preciso criar riqueza numa proporção muito maior.

    Caras como Henry Ford e Steve Jobs acumularam muita riqueza, mas criaram muito mais e eles não foram os únicos a usufruírem de toda riqueza criada. Consumidores, trabalhadores e é claro, a própria máfia estatal desfrutaram da maior parte da riqueza criada por esses grandes empreendedores na forma de salários melhores, bens de consumo que satisfazem mais necessidades, na forma de impostos, ganhos de produtividade, etc.

    Um sistema de trocas voluntárias por definição é um sistema onde as pessoas se beneficiam no ato da troca (do comércio) e para que uma pessoa acumule riqueza em tal sistema, antes ela precisa criar riqueza numa proporção ainda maior para as outras pessoas.
  • Bernardo F  09/05/2014 12:28
    Uma outra resenha que se propõe a expor erros cruciais do livro do Thomas Piketty é esta daqui:
    www.amalgama.blog.br/05/2014/capital-no-seculo-xxi-thomas-piketty/
    Bem bom esse artigo.
  • Rodrigo Amado  09/05/2014 15:19
    Excelente análise do livro.
    Acho improvável acabar com a pobreza até 2030, pois a África e o Oriente Médio são muito atrasados. Mas espero estar errado.
  • anônimo  18/05/2014 16:07
    Paul Krugman é de fato o propagandista deste cara. O pior que agora as pessoas que nunca leram nada em suas vidas estão repetindo por ai: "Refutamos os libertarios, refutamos os liberais, refutamos os conservadores"

    outraspalavras.net/destaques/o-panico-a-piketty-e-a-direita-sem-ideias/
  • Gredson  23/05/2014 21:04
    Livro de Piketty estaria repleto de erros estatísticos, diz Financial Times
    veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/economia/livro-de-piketty-estaria-repleto-de-erros-estatisticos-diz-financial-times/

    agora fedeu para ele.
  • Ricardo  24/05/2014 02:40
    Quem lê o IMB já sabia disso desde o dia 7 de abril:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1836
  • anônimo  26/05/2014 16:40
    Ola, em q trecho do livro de Keynes ele diz q os dados de Kuznet são "improváveis"? Concordo que a sessao IV do capitulo 8 do livro terceiro possui essas duas paginas de dados q o autor coloca, mas nao encontrei nesse trecho uma referência a esses dados como "improváveis". Seria em outro texto ou outro trecho desse mesmo livro?
  • Keynes  26/05/2014 17:27
    Capítulo 10, final da seção 5.
  • Senhor A  28/11/2014 15:02
    Enquanto isso... Piketty abre sua boca para emitir besteiras mais besteiras vezes besteiras.

    exame.abril.com.br/economia/noticias/no-brasil-piketty-rebate-bill-gates-e-propoe-imposto-global
  • Felipe  28/11/2014 16:47
    E olha essa frase do brilhante Piketty:
    "Se fosse suficiente ter imposto baixo para ser rico, Romênia e Bulgária seriam mais ricos do que Dinamarca e Suécia . O tamanho do governo em si não é o que importa."

    Para ele o tamanho não importa.

    Pode taxa em 80% a renda não irá alterar o crescimento.

    Gênio!!!!

    A bulgária e a Romênia era países comunistas, enquanto Dinamarca e Suécia não.
    Mas isso não tem nada haver certo?

    e olha só qual é o índice de liberdade econômica desse países em 2014 segundo o doutor wikipedia:

    Temos a Dinamarca em 10° e a Suécia em 20°

    E olha só:

    A bulgária em 61° e a Romênia em 62°


  • o Belo  28/11/2014 17:32
    Gênio!!!!

    E você acha que ele não tem acesso a esses dados que você apresentou? Burro ele não é e muito provavelmente sabe tão bem quanto você quais são as reais causas da pobreza da Romênia e Bulgária. A burrice ajuda a explicar muita coisa, mas a burrice não é explicação para tudo. Um cara como esse é um picareta de marca maior, isso sim.
  • Felipe  28/11/2014 16:45
    Olá,
    Sei que não é bem o assunto do tópico, mas, onde encontrar dados estatísticos sobre a expansão da base monetária (incluindo os empréstimos bancários através das reservas fracionárias).
    No site do BC achei somente dados do meio circulante (que diminuiu 4% desde o começo do ano).

    Obrigado
    Felipe
  • Alexandre  28/11/2014 23:06
    OT: Caros amigos, poderiam por favor me indicar alguns bons livros de História? Procuro algo no estilo "Enciclopédia" ou "História do Mundo", que venha desde a Pré-História até o período contemporâneo, mas que não seja tão contaminado pelo marxismo.

    Comecei a ler alguns livros aqui da biblioteca do Mises, mas percebi que a versão da história contada por alguns autores é bem diferente das que eu aprendi na época de colégio e faculdade. Mas muito diferente mesmo! Dada a relevância desses autores, comecei a questionar a minha própria formação histórica como um todo e quero primeiro me atualizar nesse ponto antes de embarcar em assuntos mais específicos como economia e política, por exemplo.
    Tenho procurado bibliografias confiáveis na internet, mas tenho tido muita dificuldade.

    Agradeço desde já, e peço desculpas pelo off-topic.
  • lucas  29/11/2014 04:05
    Também estou atrás de livros sobre isso alexandre
  • José Ricardo das C.Monteiro  29/11/2014 11:09
    Saudações, prezado Alexandre, esperando que ajude em sua empreitada:

    Antiguidade:
    Geschichte des Altertums* (trad. História da Antigüidade), Eduard Meyer
    Historical Sociology: A History of Autobiography in Antiquity, Georg Misch;

    Idade Média:
    O Reinado e a Lei na Idade Média, Fritz Kern;

    Renascença:
    A Civilização da Renascença na Itália, Jacob Burkhardt;

    Revolução Francesa:
    História da Revolução Francesa: Pierre Gaxotte;

    Iluminismo, Modernidade:
    The Age of Minerva: Cognitive Discontinuities in Eighteenth-Century Thought : From Body to Mind in Physiology and the Arts, Paul Ilie;

    América Latina:
    Aztecs: An Interpretation, Inga Clendinnen;

    Brasil:
    História dos Fundadores do Império no Brasil, Otávio Tarquínio de Sousa;
    Teoria da História do Brasil, José Honório Rodrigues;

    Portugal:
    Qualquer livro de Alexandre Herculano;

    Espanha:
    Arms for Spain: The Untold Story of the Spanish Civil War, Gerald Howson;

    Estados Unidos:
    A Constitutional History of the United States, Andrew C. McLaughlin;
    The Politically Incorrect Guide to American History, Thomas Woods;

    Inglaterra:
    Domesday Book and Beyond: Three Essays in the Early History of England*, F. W. Maitland;

    Rússia:
    People's Tragedy. The Russian Revolution 1891-1924 (Editado em português com o nome A
    Tragédia de um Povo), Orlando Figes;
    USSR: The Corrupt Society - The Secret World of Soviet Capitalism, Konstantin M. Simis;

    África e Escravidão:
    Histoire de l'Afrique des origines à nos jours, Bernard Lugan;
    A Enxada e a Lança: A África Antes dos Portugueses, Alberto da Costa e Silva;

    Igreja:
    History of the Popes: Their Church and State*, Leopold von Ranke;
    A História da Igreja de Cristo, de Daniel-Rops;

    Segunda Guerra Mundial:
    Stalin's War: A Radical New Theory of the Origins of the Second World War, Ernst Topitsch.


    Sorte, e fica com O PAI DE BONDADE
  • Alexandre  29/11/2014 23:43
    Caro José Ricardo das C. Monteiro, sua contribuição foi de extrema ajuda para mim. Agradeço muito as suas indicações!

    O que acha de adicionar na seção russa da sua lista o livro "Arquipélago Gulag" de Aleksandr Solzhenitsyn? Esse foi o livro que me abriu os olhos sobre os perigos do totalitarismo, e principalmente, do comunismo.

    Grande abraço e, mais uma vez, obrigado!
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  30/11/2014 12:13
    Saudações, sem dúvidas, denso livro, mas pouco histórico, de qualquer modo educar o imaginário, povoar a imensidão do cérebro.
    Vai nessa, estou acreditando muito na formação da nova elite intelectual brasileira, essa vai mudar toda essa porcaria.
    Abraços e estamos juntos.
  • pedro  30/11/2014 03:13
    Acabei de ver na televisão Americana uma série, em 4 capítulos (quase 8 horas)sobre os homens que construíram esse país. Vanderbilt, Rockffeler,Carnagie e Morgan. Estes 3 últimos chegaram a ter (em valores de hoje) MAIS DE UM TRILHÃO DE PATRIMÔNIO. Os 40 homens mais ricos da atualidade, em todo o mundo, somados, não teriam um patrimônio igual! Somente Rockffeler chegou a uma fortuna equivalente hoje a 660 bilhões! Morgan chegou a comprar as siderúrgicas de Carnagie por 310 bilhos (à epóca, 480 milhões. Se a tese do Piketty estivesse correta, os mais ricos da atualidade teriam patrimônio bem maior que esses ícones do capitalismo Americano. Mas, como diz o documentário, 3 daqueles gigantes tinham mais dinheiro do que os 40 homens mais ricos da atualidade (The Men Who built America).
  • Zacca  10/02/2015 18:31
    Como afirmar isso, inclusive o Pikkety fala da dificuldade de mapear algumas riquezas... isso é fato.
  • pedro  30/11/2014 03:35
    Caro Alexandre,
    Considero imperdível a leitura de A History of the America People e Modern Times, ambos de autoria de Paul Johnson. O primeiro é o melhor livro sobre a história dos Estados Unidos que conheço; o Segundo, nos faz entender o que ocorreu no mundo no século vinte e nos esclarece os fundamentos filosóficos dos debates entre conservadores e esquerdistas. Acredito que já ~tenham sido lançados no Brasil. São obras impressionantes. O autor é historiador e pensador conservador britânico. Quem quiser saber sobre caráter dos ícones da esquerda tem que ler Intelectuals. Paul Johnson faz uma dissecagem impressionante de todos os que formaram o pensamento de esquerda. Imperdível
  • Senhor A  30/11/2014 12:01
    Paul Johnson é um dos maiores historiadores de todos os tempos.

    E acrescentaria, na lista que mencionaste, o livro dos hebreus do mesmo Johnson.
  • Alexandre  30/11/2014 23:06
    Muito obrigado, Pedro e Senhor A. Adicionarei à minha lista esse autor também.

    Grande abraço!
  • Jonathas   18/12/2014 13:03
    Primeira pergunta que deve ser feita, todos aqui sentaram e pelo menos leram o livro do cara? porque isso seria o mínimo para fazer alguma crítica, independente de qual posicionamento político ele tenha, até porque ele mesmo falou que é a favor do capitalismo, da propriedade privada e de uma certa desigualdade social. O receio dele que é justificável é de um capitalismo controlado por pouquíssimas pessoas, o que pode inviabilizar até mesmo a democracia.
  • Andre  22/12/2014 11:46
    "porque isso seria o mínimo para fazer alguma crítica", pela lógica para se fazer elogios e defesas também é preciso ter lido a obra toda.

    E discordo da afirmação de que é preciso ler um livro antes de criticá-lo.

    Por exemplo, eu posso afirmar que qualquer livro que defenda o comunismo é puro lixo, baseando-me no fato previamente conhecido de que todos os lugares que tentaram implementar o comunismo só geraram fome, morte e miséria, não preciso ler esses livros para classificá-los como lixo.

    Portanto como o título do livro desse cara já é uma referência ao livro "O Capital" de Karl Marx, e eu sei previamente que os seguidores do Marxismo são um bando de psicopatas eu posso de antemão classificar esse livro como lixo.

    Outro exemplo, agora hipotético, eu poderia classificar um livro que defende o livre assassinato como repugnante e nojento, sem nem mesmo ler o livro.

    E quanto ao receio dele de um capitalismo controlado por pouquíssimas pessoas... Isso só ocorre nos países onde impera o capitalismo de estado. E nos países socialistas então nem se fala!
    Em Cuba tudo é controlado pelo Governo. Na Coréia do Norte também.
    Já na Suíça, país altamente capitalista, nunca ouvi falar de controle na mão de pouquíssimas pessoas.
  • Jonathas  22/12/2014 13:41
    Se você faz uma crítica referente a determinado assunto beleza, mas se faz uma crítica referente ao livro, daí precisa lê-lo. Pelo visto aqui no site a crítica refere-se ao livro do cara. Se quer fazer uma crítica séria, não pode partir do pressuposto que conhece todos os argumentos que estão no livro sem ao menos lê-lo, porque teria que partir também do pressuposto que conhece todos argumentos que existe e que existirão.
  • Jorge  22/12/2014 13:55
    Ué, o autor leu, e é isso o que importa (e não a opinião de leitores do artigo).

    De resto, se você quer uma refutação ponto a ponto de alguém que também leu o livro de Piketty, tá aqui:

    georgereismansblog.blogspot.com.br/2014/07/pikettys-capital-wrong_28.html

    Bom proveito.
  • Jonathas  22/12/2014 14:03
    Por experiência própria, vou comprar o livro, ler todo ele, e depois ver tanto o comentários de pessoas de esquerda e de direita, acredito que isso seja uma boa atitude crítica, mas desde já, agradeço pelo link. Abraços.
  • Andre  22/12/2014 16:27
    "...não pode partir do pressuposto que conhece todos os argumentos que estão no livro sem ao menos lê-lo..."

    Eu não parti desse pressuposto.
    Eu parti do pressuposto de que quanto mais socialista é uma país pior ele é.
    Esse pressuposto é baseado em fatos da realidade.
    E contra fatos não há argumentos.

    Assim como se alguém escrevesse um livro para provar que dois mais dois não são quatro eu jamais perderia meu tempo lendo e me sentiria de antemão no direito de dizer que o autor é biruta.

    E como foi observado, o autor do artigo leu o livro e fez uma crítica apontando erros do livro.

    Portanto você pode tentar contra-argumentar os pontos levantados pelo autor do artigo e apontar os erros que você acha que o autor do artigo cometeu.

    Não ligue para mim que sou apenas um reles leitor que leu esse artigo e concordou com os argumentos apresentados.
  • saoPaulo  22/12/2014 23:04
    Off topic

    Algum artigo sobre Dan Ariely, autor de Predictably Irrational, ou sobre "Behavioral Economics"?

    Em alguns pontos, o autor chegar a desafiar o conceito de que toda troca voluntária seja benéfica e parece conclamar mais regulamentacoes governamentais.

    Obviamente, o benéfico é altamente subjetivo. O que o autor afirma é que em várias situacoes, devido a viéses cognitivos, pessoas acabam fazendo péssimas opcoes comparadas a situacoes onde "param pra pensar". Ora, quem seria entao a entidade última que deveria regulamentar o mercado e evitar tais decisoes? Uma mariola pra quem adivinhar...

    Devo, porém, admitir que ainda tenho receios quanto ao "approach" praxeológico. Poderia ele acabar sendo desmentido por alguma gambiarra evolutiva do nosso cérebro? Praxeologia é, em si, falseável?

    "Finally, the author claims that the relationships between supply and demand are based on memory rather than on preferences."

    en.wikipedia.org/wiki/Predictably_Irrational#The_Fallacy_of_Supply_and_Demand

    Enfim, alguma crítica sobre isso?

  • Vitor Rodrigues  09/01/2015 15:33
    Só pelo primeiro gráfico vê-se a má fé do cidadão. Excluindo a projeção que ele mesmo inventou, é extremamente nítida a distribuição de riqueza ocorrida no período da revolução industrial e o consquente caminhar de mãos dadas até os dias atuais. Se o gráfico não incluisse a expeculação tendenciosa do autor, não haveria impacto positivo sobre sua argumentação, pelo contrário.
  • Rodrigo Amado  06/02/2016 23:17
    Thomas Pikaretty, é como eu o chamo.


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