Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros
por , domingo, 27 de abril de 2014

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saúde.pngJá se tornou lugar-comum culpar os problemas do SUS à má gerência e à corrupção. No entanto, poucos se atrevem a atribuir a culpa dos problemas intrínsecos ao SUS (longas filas, falta de infra-estrutura, escassez de remédios, ausência de médicos etc.) ao próprio sistema.  

Vamos analisar alguns dos mitos mais comuns sobre os SUS para entendermos como essas características não são, de fato, um problema de gestão, mas sim inerentes ao próprio sistema.

O mito do Robin Hood

O principal lugar-comum utilizado pelos defensores do sistema público é o da "justiça" da distribuição de renda: os mais ricos pagam para os mais pobres que não têm condições de arcar com os custos dos tratamentos. Infelizmente, a realidade é exatamente oposta.

Em primeiro lugar, vale lembrar que os mais pobres também pagam uma quantia exorbitante de imposto para financiar o sistema público.  Se o que eles pagam de imposto fosse exatamente igual ao que recebem em retorno, então, por definição, não haveria sentido algum haver um sistema público de saúde.  Mesmo que não houvesse absolutamente nenhuma corrupção, isso significaria que algumas pessoas — em especial aquelas com casos clínicos mais graves, como as que necessitam de remédios controlados ou cirurgias complicadas — estariam recebendo do sistema mais do que pagaram.

O problema é que, para cada pessoa que recebe mais do que paga, existe alguém que pagou mais do que recebeu. Isso significa dizer que, longe de redistribuir renda dos ricos para os pobres, o que o SUS de fato faz é "distribuir renda" dos mais saudáveis para os menos saudáveis.  

A população mais saudável, seja ela formada por ricos ou pobres, normalmente tem poucos gastos com saúde: apenas uns poucos exames ou consultas de rotina, algo pelo qual os pobres poderiam tranquilamente pagar com a poupança que conseguiriam caso mantivessem para si o que pagam de imposto para a saúde. 

Longe de melhorar a situação dos pobres, o SUS beneficia apenas uma pequena minoria ao mesmo tempo em que torna ainda mais pobres todas as pessoas saudáveis que acabam pagando a conta, independentemente de classe social.

Se a intenção é realmente aumentar a acessibilidade aos serviços de saúde para os mais pobres, uma solução mais viável seria o governo reduzir impostos e pagar apenas por aqueles tratamentos mais caros pelo qual os pobres realmente não podem pagar, ao mesmo tempo em que se abstém de regular e administrar o setor, permitindo a livre concorrência nesta área, o que jogaria os preços para baixo e a qualidade para cima.

Também seria possível a criação de agências privadas de financiamento ou de caridade para pagar pelos tratamentos mais caros e cujos preços são proibitivos para os mais pobres, talvez até mesmo eliminando a necessidade de intromissão do governo.  Mas isso só seria possível com a extinção do atual sistema, no qual o governo monopoliza o tratamento aos mais necessitados ao mesmo tempo em que empobrece a todos no processo.

O mito do almoço grátis: o sistema público é como um grande balde furado

Ao contrário da mitologia popular — e como explicado acima —, não há nada de gratuito no sistema público de saúde.  Ou você paga por um serviço como pagador de impostos, ou você paga como consumidor.  O maior problema de qualquer serviço ou produto subsidiado é justamente o fato de que aqueles que usam tal serviço são financiados por aqueles que não o utilizam.

Mesmo que ignorássemos esse inconveniente, ainda assim há o problema relativo à maneira totalmente deturpada como o serviço é financiado.  O financiamento do serviço público provém dos impostos, cujas receitas não têm qualquer relação com a qualidade do serviço ou com a quantidade de pessoas atendidas.  Pior ainda: o dinheiro disponível por tratamento é inversamente proporcional ao número de pacientes tratados. Se o governo arrecada, digamos, R$1 bilhão em impostos e atende 10 milhões de pessoas, isso significa que ele poderá gastar até R$100,00 por paciente.  Mas se o número de pacientes dobra, isso significa que ele disporá de apenas R$50,00 por tratamento.

Vale lembrar que esse orçamento não é apenas para o tratamento: este dinheiro dos impostos também deve pagar instalações, maquinário e medicamentos.  Ou o dinheiro irá para o tratamento ou para infraestrutura.  De qualquer forma, um só é possível à custa do outro: cada centavo para infraestrutura é um centavo a menos disponível para o tratamento dos pacientes.

No setor privado ocorre exatamente o oposto.  Um hospital privado que seja gerenciado como qualquer outra empresa — isto é, buscando o lucro — só terá dinheiro disponível para investir em infraestrutura caso trate bem seus pacientes.  Parte do lucro poderá então ser reinvestido em aumentos salariais, na construção de novas alas, na compra de equipamentos etc.

Se no serviço público o investimento em infraestrutura é feito à custa de tratamentos que deixaram de ser realizados, no setor privado ocorre o oposto: tal investimento só é possível graças ao atendimento aos pacientes.  O dinheiro segue uma linha de mão única: parte do dinheiro pago nos tratamentos volta como investimento em infraestrutura. No setor público há uma encruzilhada, é ou um ou outro.

Não há nenhuma mágica aqui: no sistema público, o tratamento é uma fonte de gastos enquanto que no setor privado é uma fonte de renda.  O setor público é como um gigantesco balde furado que é enchido à custa de todos os pagadores de impostos: cada tratamento adicional significa um novo furo no balde. No setor privado não há nenhuma torneira, mas também não há furos: cada paciente atendido despeja o conteúdo de um copo d'água dentro do balde, até que este esteja cheio.

Não é preciso ser nenhum gênio para perceber qual sistema é o mais sustentável.

O estímulo ao desperdício

Outro problema com a oferta "gratuita" é que ela cria a ilusão de que os serviços médicos devem ser ilimitados, e que sempre deve haver um médico ou uma sala de cirurgia disponível, a qualquer hora, em qualquer ocasião.

Entretanto, assim como qualquer outro serviço, o atendimento médico não pode ser ofertado de uma maneira ilimitada.  Por acaso é possível uma frota infinita de ônibus?  Um número ilimitado de salas de aula, bibliotecas e professores?  (Aliás, diga-se de passagem, neste último caso não haveria sequer necessidade de salas de aula; qualquer um poderia contratar um tutor particular.)  Um número infinito de conexões ou uma velocidade de internet infinita?  Absolutamente não.  Não há por que ser diferente no setor de saúde.  Mas é essa a mentalidade que é criada quando se declara que a saúde é um "direito".

Uma das virtudes do sistema de preços é que ele fornece informações sobre a disponibilidade de qualquer bem ou serviço, e estimula um uso prudente e racional destes.

Imagine uma cidade do interior em que haja escassez de médicos, e estes cobrem 200 reais por consulta. Dificilmente alguém pagaria 200 reais por uma consulta apenas porque o filho está com uma dor de cabeça; o mais racional seria tentar alguns remédios caseiros e só levá-lo ao médico caso a situação se agrave.  O que é uma boa notícia: isso poupará um tempo precioso para os médicos, que poderão usá-lo para tratar pacientes em estados mais graves ou que necessitem de um atendimento mais urgente.

A escassez de serviços médicos, nesta ocasião, leva a um aumento do preço, que por sua vez incentiva as pessoas a usarem estes serviços de uma maneira mais prudente, recorrendo a eles apenas quando for estritamente necessário — sem contar, obviamente, que os preços altos seriam um atrativo para que médicos de outros lugares se disponibilizem a trabalhar na dita cidade, reduzindo o problema da escassez.

Entretanto, quando a oferta passa a ser gratuita, tanto o estímulo quanto essa informação desaparecem.  Torna-se impossível estimar a oferta e a disponibilidade do serviço. Alguém que usasse o serviço privado de maneira abusiva pagaria um alto preço por isso; porém, no setor público, o preço é sempre fixo e invisível (que o pagador de impostos é obrigado a bancar).  O fato de a oferta ser gratuita e de a saúde ser decretada um "direito" também cria a falsa ilusão de que a oferta de tais serviços será ilimitada.

Uma mãe cujo filho tem apenas uma dor de cabeça ou uma mera dor de barriga não mais terá o incentivo para procurar os serviços médicos apenas quando estritamente necessário.  Essa demanda irrestrita inevitavelmente criará gigantescas filas de espera, atormentando tanto médicos — que ficarão sobrecarregados — quanto pacientes, que se frustrarão pela lentidão dos atendimentos.  

É nessa situação que as pessoas começam a colocar a culpa na gestão.  Jamais lhes passa pela cabeça que o uso indiscriminado de tal serviço é a verdadeira causa das longas filas.

A questão é que os incentivos criados pelo setor público levam a um uso indiscriminado, abusivo e irresponsável do sistema — e não o contrário, que seria o ideal.

Conclusão

091022_f_039.jpgAs longas filas de espera também possuem outra explicação, a qual passa por uma combinação de fatores já mencionados: a oferta de serviços médicos é limitada pela arrecadação de impostos ao passo que a destruição dos incentivos corretos gera uma demanda artificialmente alta.

Para resolver este problema, deve-se ou aumentar a oferta — o que é impossível, dado o orçamento limitado do governo e o fato de ele não ter qualquer relação com o número de pacientes atendidos — ou reduzir a demanda.

Há duas maneiras de se reduzir a demanda: aumento de preços — o que também é impossível já que a oferta é "gratuita"— ou racionamentos, como listas de espera.

A maneira como o sistema é financiado empobrece justamente aqueles a quem ele visa ajudar e derruba a qualidade do serviço, uma vez que o dinheiro disponível para cada tratamento se torna mais escasso a cada paciente atendido.  Para agravar, as regulações para impedir o êxodo dos médicos para o sistema privado impedem a concorrência e encarecem os tratamentos.

Outro efeito nefasto de todo esse paternalismo é a destruição do estímulo à caridade e também do senso de cidadania e de responsabilidade dos cidadãos. Quando o governo passa a monopolizar o cuidado aos pobres, uma das consequências naturais é que isso diminui ou destrói a propensão à caridade, uma vez que as pessoas — que já se sentem moralmente desobrigadas em decorrência dos impostos que pagam — ficam apenas esperando que o governo resolva tudo, já que passam a entender como legítima a função do governo de tutelar os mais pobres.

Longe de ser um problema de má gestão ou de corrupção, os problemas do sistema público são apenas as consequências naturais de sua própria natureza.

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Leituras complementares:

Como Mises explicaria a realidade do SUS?

Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco 

A saúde é um bem, e não um direito 

O que a medicina soviética nos ensina

Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde 


Rafael Andreazza Daros é professor particular e um estudioso autônomo das ciências econômicas.



60 comentários
60 comentários
Carlos Garcia 27/04/2014 14:35:54

Como médico, concordo com todo o artigo. Tudo o que foi descrito pode ser presenciado em qualquer hospital hospital ou UBS. Só quero deixar minha opinião sobre a ordem de importância dos três fatores descritos, e acrescentar mais um:

Considero a "demanda infinita" criado pelo SUS como o fator mais danoso de todos. Como em qualquer mercado, o aumento da demanda criou um encarecimento dos produtos e serviços. Por exemplo, somos obrigados a reesterilizar materiais que em outros países são descartáveis (como canetas de eletrocautério) e não temos acesso aos materiais de ponta devido os preços exorbitantes.

E gostaria de acrescentar o encarecimento causado pelos "amigos do rei", nos processos de licitação. Engraçado que, da boca para fora, todos defendem a concorrência, e justificam com isso o processo de seleção para licitações. Mas, como qualquer regulamentação estatal, a verdade é oposta ao defendido, e vemos acordos licitatorios firmados sempre com as mesmas empresas, desclassificando qualquer novata ou estranha quase que imediatamente.

Responder
Eduardo 27/04/2014 14:40:57

"Para resolver este problema, deve-se ou aumentar a oferta — o que é impossível, dado o orçamento limitado do governo e o fato de ele não ter qualquer relação com o número de pacientes atendidos — ou reduzir a demanda."

Faltou citar a produtividade. Esse trecho trata apenas da produtividade constante aonde a oferta seria apenas função de mais ou menos recursos do governo.

Outra forma de aumentar a produtividade e eficiência é com mais capital e tecnologia.
O que vem do setor privado, e não do setor público.

Se tomar antigamente quando praticamente toda a população trabalhava na agricultura porque eles faziam tudo na mão ou com ferramentas rudimentares, seria uma idiotice propôr que um governo no controle da agricultura fosse alimentar a todos.
Não faltavam alimentos por causa de uma administração ruim dos recursos, mas porque eles eram extremamente limitados e a produtividade de alimentos era limitadíssima.

O que veio a alimentar bilhões de pessoas (ao menos nos países que se desenvolveram com uma economia de mercado bastante livre, o que não se pode dizer dos países com menores índices de liberdade econômica tomados por ditaduras e guerras civis como na África, por exemplo) foi o acúmulo de capital e avanço tecnológico.

Da mesma forma, o sistema de saúde só irá atender mais e mais pessoas com mais capital e tecnologia.

O que o texto menciona do sistema de preços não chega aonde o típico progressista quer chegar ("saúde para todos").
Ele meramente apresenta um sistema de alocar recursos escassos e limitados sustentavelmente no momento.
Você vai ter um sistema sustentável e que aloca recursos mais eficientemente, mas muita gente ainda vai ficar na lama porque o nível de capital e produtividade que temos hoje é bastante primitivo (diferente de outras áreas que o governo interviu menos e elas cresceram exponencialmente, os setores fortemente regulamentados pelo governo são os mais primitivos e estagnados: saneamento, educação, saúde, etc)

Creio que o melhor caminho para convencer nossos 'adversários' é mostrar como é o processo de mercado que irá permitir maior acessibilidade.

Assim como a agricultura é feita por máquinas e máquinas que ninguém imaginaria que seriam possíveis há um tempo atrás, o que poupa trbalho humano e permite que mesmo uma pequena porcentagem da população trabalhando nessa área alimente bilhões de pessoas, na saúde você só vai ter maior acessibilidade quando tivermos robôs fazendo cirurgias sozinhos, aplicativos de smartphones que dêem diagnóstico, simuladores que testam o efeito de remédios computacionalmente, etc.

Comentar o sistema de preços apenas oferece uma solução para alocar recursos que temos agora. Obviamente que é o certo, mas é uma condição necessária, e não suficiente. Isso não torna claro para o progressista com o objetivo de dar saúde para todos.
Não podemos esquecer de mostrar como é o processo de mercado que acumula capital e nos torna tão produtivos que fazemos mais com menos recursos. É isso que torna bens e serviços mais acessíveis para mais e mais gente.

Responder
mauricio barbosa 27/04/2014 21:29:15

Eduardo, tudo o que você argumentou este instituto prega em vários artigos. Sua crítica está fazendo parecer que o autor desconhece o fator produtividade. Se for o caso, então você é quem está equivocado. O IMB repetidamente ensina esse conceito em seus artigos.

Responder
Jeferson 28/04/2014 15:05:57

Não me pareceu uma crítica, pareceu mais uma sugestão que ao ver dele, tornaria o artigo mais didático. A verdade é que quando falamos em "sistema de preços", estamos falando de muito mais coisa do que parece à primeira vista. Podemos ver no comentário do Pobre Paulista. Nada disso fica óbvio ao brasileiro médio. O que fica óbvio é que a gente está defendendo que os ricos sejam mais enriquecidos às custas da saúde dele, o que está longe de ser verdade.

Quando falo com pessoas leigas ou ignorantes sobre a filosofia libertária, eu não começo falando sobre o lado ético da coisa, nem sobre a superioridade do livre mercado, sempre começo dizendo que o que traz prosperidade, isso é, o que melhora a vida das pessoas, é a evolução tecnológica. Só depois eu explico como:

1 - O livre mercado ESTIMULA e ACELERA a evolução tecnológica;
2 - A livre concorência promove o acesso às novas tecnologias pela necessidade de se produzir sempre melhor e mais barato.

Até hoje ninguém ousou expressar discordância, independente de terem mudado de idéia ou não.

Responder
Pobre Paulista 27/04/2014 22:29:54

Sua análise foi incompleta, repare:

Comentar o sistema de preços apenas oferece uma solução para alocar recursos que temos agora.

Mas é justamente o sistema de preços que vai dizer quais são as soluções mais lucrativas na saúde - e mais lucrativas pode ser tanto por ter custos baixos tanto por ter valores de mercado alto, ou ambos - e com isso guiar o mercado para as melhores soluções. Deste lucro, e apenas deste lucro, virá o capital necessário para que novas soluções apareçam. Não se trata portanto de realocar os recursos que tempos agora, e sim sinalizar ao mercado quais são as áreas que tem maior urgência de se capitalizar, somente assim haverá concorrência e desenvolvimento do setor.

Responder
Jonathan 27/04/2014 18:03:16

Como médico, concordo plenamente com esse artigo. O conceito de demanda infinita é realmente o que entrava o SUS. Vemos diariamente pacientes buscando atendimento no SUS "somente pelo atestado", fingindo sintomas (acho que na verdade isso corresponde a 50% das consultas de um pronto atendimento adulto) e na pediatria, mães levando seus filhos aos médicos por qualquer espirro (e por atestados também).

Um dos aspectos que o custo zero causa, que acho que não foi citado no artigo, é que os pacientes simplesmente não valorizam seus tratamentos. Posso contar nos dedos os pacientes do SUS que efetivamente tomam suas medicações, ou param de comer sorvete às 3 da manhã para perder peso e melhorarem de suas doenças, ou que fazem exercício, ou que param de fumar. Eles tem essa idéia mágica de que é simplesmente pisar no hospital que, de graça, iremos curá-los de uma vida de péssimos cuidados próprios sem gastar nada, nem investir nada. Não se importam em se cuidar, em prevenção. Quanto mais gastamos no SUS em prevenção, menos prevenção temos! Um paradoxo do mundo real!

Outro aspecto do custo zero é a falta de responsabilidade das famílias para com os seus. Já vi dezenas de vezes pacientes não poderem ter alta porque suas famílias os abandonam no hospital, ou não se comprometem com o tratamento e vivem despejando seus familiares no hospital quando querem passar um fim de semana na praia (sim, hospital está virando hotel no SUS, imagine no SUS um médico dizer não, que não vai internar porque não precisa, é um cachorro coxinha cruel! colegas meus já apanharam (literalmente) de familiares por querer dar alta para um paciente dependente na sexta-feira!).

Não acredito no SUS, nem jamais acreditei. Venho incentivando meus alunos a saírem do Brasil, fazer especializações, tudo para que se afastem do caos que é o SUS. Infelizmente, essa desgraça veio para ficar.

E o pior é o socialismo do cuidado do SUS se transmite aos convênios. COmo tanto nos convênios quanto no SUS, o salário do médico geralmente depende unicamente de sua produção, não se sua formação muito menos da qualidade de seu atendimento, o sistema incentiva os péssimos médicos que atendem os pacientes de qualquer jeito no menor tempo possível. O próprio sistema é responsável pela decrescente qualidade dos médicos. Volte a um sistema de preços, tanto no convênio quanto no SUS, que veremos a qualidade dos médicos melhorar progressivamente. Se bons profissionais poderem cobrar mais pelo seu tempo, isso irá incentivar aos profissionais a melhorar seu trabalho. Assim como estamos, é o caminho da perdição.

Além disso, a forte regulamentação nos convênios os sufoca. Porque uma pobre alma que ganha um salário mínimo não pode fazer um convênio barato somente de urgências? O governo proíbe com suas regulamentações de que convênios mais simples sejam vendidos.

Agora algumas perguntas aos colegas economistas do site sobre algumas particularidades da medicina atual:
1. No caso de antibióticos, em que seu uso indiscriminado não traz risco somente ao indivíduo, mas traz à comunidade como um todo, não seria necessária a regulamentação?
2. A medicina atualmente funciona como uma ciência baseada em evidências e estatística. Temos diversos estudos com experimentos em milhares de sujeitos definindo o que funciona e o que não funciona. Acabou o empiricismo individual na medicina moderna, onde cada médico faz o que ele acredita que funciona. Temos diretrizes de conduta para definir tratamentos. Se aplicarmos as regras do mercado e os pacientes poderem comprar medicamentos sem controle de médicos, como que nos asseguraremos de que eles compram coisas que funcionam e não são ludibriados por propaganda enganosa (como acontece com cosméticos e suplementos alimentares)?

Se pensar em mais alguma dúvida, adiciono. Ótimo texto!

Responder
anônimo 27/04/2014 22:51:51

"1. No caso de antibióticos, em que seu uso indiscriminado não traz risco somente ao indivíduo, mas traz à comunidade como um todo, não seria necessária a regulamentação?"

Não. Nenhuma regulamentação é necessária. Este indivíduo poderia ser processado caso alguma bactéria resistente que habitou seu corpo invada a propriedade de outro indivíduo. Mas para isso o ar necessitaria ser privatizado. O ar da minha propriedade é meu, posso alterá-lo da forma que eu quiser desde que ele não altere o ar de outros indivíduos. Observe que o problema não é teórico, é prático.


"2. A medicina atualmente funciona como uma ciência baseada em evidências e estatística. Temos diversos estudos com experimentos em milhares de sujeitos definindo o que funciona e o que não funciona. Acabou o empiricismo individual na medicina moderna, onde cada médico faz o que ele acredita que funciona. Temos diretrizes de conduta para definir tratamentos. Se aplicarmos as regras do mercado e os pacientes poderem comprar medicamentos sem controle de médicos, como que nos asseguraremos de que eles compram coisas que funcionam e não são ludibriados por propaganda enganosa (como acontece com cosméticos e suplementos alimentares)?"

Existiriam empresas cuja função seria emitir laudos de segurança e qualidade para produtos e serviços. Medicamentos nada mais são do que produtos. Caso alguma empresa emita um laudo atestando a confiabilidade de um remédio falho, seria inevitavelmente denunciada pela concorrência. Garanto que a concorrência iria fazer uma busca desenfreada por laudos mentirosos, para assim assumir uma parcela maior deste mercado.


Obs: O livre mercado é perfeito. Não vivemos nele devido a arrogância, desonestidade e malícia de políticos e burocratas.


Responder
Um observador 28/04/2014 00:02:27

"O livre mercado é perfeito"

Amigo, você já viveu em alguma sociedade com livre mercado pleno? Conhece alguma? Tem alguma base empírica para afirmar isso? Eu sou libertário e acredito que o livre mercado é o melhor sistema para o desenvolvimento de uma sociedade, além de ser moralmente correto. Mas dizer que é perfeito me parece coisa de gente fanática... E quando o fanatismo aparece, o pensamento crítico some.

Responder
Carlos Garcia 28/04/2014 00:05:26

Não é tão fácil assim resolver o ponto nº1, Anônimo. Agora porque uma pessoa teve uma pneumonia atípica no bairro, vamos processar ela toda vez que alguem na comunidade tiver pneumonia com a mesma bactéria? O primeiro paciente não é o causador da resistência bacteriana.

Minha proposta seria lançar um pouco de dúvida no aparente senso comum de que é o uso indiscriminado de antibióticos que causa a seleçao bacteriana. Será que o ritmo de resistência bacteriana diminuiu após a regulamentação da prescrição de antibióticos sob receitas controladas? Ou será que a resistência é a mesma independente do possível abuso ou nao? A resistência dos micróbios é subsequente a um combate bem sucedido à essas bactérias isso é certo. Mas será que o controle dos antibióticos teve algum impacto sobre ele? Existe a possibilidade de que mesmo sob o modelo atual a evolução desta resistência tenha sido a mesma de antes?

Esse não é um assunto muito contestado. E como não sou infectologista não posso dar uma opinião mais aprofundada a respeito. Mas gostaria de descobrir artigos contrtoversos que lancem alguma dúvida sobre o assunto.

Responder
Angelo Viacava 28/04/2014 10:38:22

Concordo contigo, Carlos Garcia.
Penso que a resistência a antibióticos seja maior por parte dos médicos, e não das bactérias. Talvez uma medicina cubana à moda brasileira, dizendo que nada é tão grave que não possa ser suportado por mais uns dias. A pressão midiática - movida não sei por quem - contra os antibióticos é tão grande que os médicos já abrem mão deste tratamento como primeira opção numa infecção - já aconteceu comigo no SUS - receitando anti-inflamatórios e analgésicos a pacientes que depois voltam ao consultório com os sintomas e problemas da infecção agravados; aí sim recebem o antibiótico como solução. Será que o atraso na prescrição do antibiótico não torna as bactérias mais resistentes também?

Responder
Ali Baba 28/04/2014 12:37:06

Será que o atraso na prescrição do antibiótico não torna as bactérias mais resistentes também?

Não. A seleção que torna a bactéria mais resistente ocorre na presença do antibiótico e não o contrário.

Também tenho dúvidas a respeito... mas imagino o seguinte:

(1) Em uma sociedade de livre mercado pleno, a vantagem competitiva de desenvolver um antibiótico que mate as bactérias atualmente resistentes seria tão grande que eles simplesmente seriam desenvolvidos. O custo de se empreender nessa área, atualmente proibitivo com as diversas regulações, cairia drasticamente... o resto a gente sabe. Com isso, a resistência bacteriana deixaria de ser um problema, ou passaria a ser irrelevante.

(2) Com a constante troca de antibiótico "mainstream" para os mais novos (que as bactérias ainda não tem resistência), os antibióticos mais antigos, ao não serem mais utilizados, podem readquirir a sua potência a medida que a população de bactérias perde a resistência aos mesmos. Já vemos isso hoje em dia, com bactérias multirresistentes aos antibióticos de ponta e susceptíveis aos antibióticos que já não eram mais usados há anos! Mas disso ninguém fala. (Veja dois artigos puxados ao acaso sobre o assunto: www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23041772 www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19799544 ).

(3) Com mais tempo para avaliar e diagosticar os pacientes (fruto do ajuste permitido pelo livre mercado) os médicos poderiam "economizar" o antibiotico uma vez que não tratariam, por exemplo, qualquer IVAS (uma infecção viral absurdamente mais frequente que uma bacteriana) com antibiótico que nem ação sobre o bicho tem.

Então, não. Não acredito que seja necessário um estado para regular o uso de antibióticos quando o livre mercado tem soluções melhores. A questão toda é que soluções que "funcionam" em uma sociedade estadista não podem ser transferidas para uma sociedade sem estado.

Responder
aspone 28/04/2014 21:28:35

Carlos, de que maneira vc acha que uma regulamentação estatal vai impedir esse efeito típico dum filme hollywoodiano q vc cita quanto aos antibióticos?

Afinal, não é verdade que já temos muitas regulamentações? Será que foram elas que impediram uma catástrofe? Como vc sabe, eu consigo o remédio que quero na hora que quero, já que tenho dinheiro...

Pra mim, elas só servem pra atrapalhar pobre na compra de remédio.

Por fim, é importante lembrar que ninguém está propondo impedir campanhas privadas de conscientização ou mesmo, como citado no texto, ajuda humanitária. Assim, tratamentos a base de antibióticos podem ser fornecidos graciosamente por quem tem dinheiro para evitar que as pessoas tomem sem necessidade.

Olha, quem sabe os médicos, o CRM etc. nao desenvolvem cursos para leigos via internet explicando como diagnosticar sintomas tipo uma faringite ou uma laringite, mostrando a diferença dum antibiótico prum anti-inflamatório, como se toma um e como se toma outro etc. Tenho certeza que assim, algumas pessoas mais espertas (farmacêuticos, enfermeiros, autodidatas) poderiam ajudar outras sem maiores riscos... Até porque até parece qeu médico nunca erra e que obrigar um cara a tomar antibiótico só depois de ver um médicos vai fazer com que o tratamento impeça de uma vez a proliferação de bactérias marcianas mutantes...

Isso é legal lembrar pq a médica do meu filho receitava antibiótico sempre. Depois ela passou a ser mais criteriosa quando percebeu que eu e minha eposa éramos mais ligados. Hoje, de tanto perguntar, nem levo meu filho na médica mais. Dou remédio - antibiótico inclusive - por conta própria. Estou craque em diagnósticar uma infecção na gargante. E sei que a própria médica faria o que eu faço, apenas mandando eu observar para o caso de aparecer algum sintoma novo, desconhecido etc. Acho que venho acertando.

Aliás, sem a regulação estatal, isso poderia até mesmo forçar empresas farmacêuticas a produzirem antibióticos de maneira graciosa, com a receita gerada por outros remédios, justamente para impedir tal coisa, fornecendo-os apenas para médicos ou pacientes de médicos devidamente pré-cadastrados. O mercado é uma beleza! Achará uma solução!

Responder
Jonathan 28/04/2014 22:43:58

Eu já acreditava (mas vocês deram novos argumentos) de que a liberalização do consumo de medicamentos seria uma medida favorável ao desenvolvimento de novos medicamentos e de seu uso mais adequado.

Estado e patentes geram distorções absurdas, como o sofosbuvir, uma droga para vírus da hepatite C (a melhor no mercado americano atualmente) sendo vendida a U$1000 o cp, um tratamento só a parte dela custando U$88000, porque o FDA atrasa liberação dos medicamentos concorrentes. A Gilead vai enriquecer enquanto os concorrentes ficam no marasmo do FDA (imagina um órgão governamental idôneo... não é o FDA, muito menos a ANVISA, que não libera essa medicação no Brasil para que o governo não tenha que pagar através de ações judiciais em ano eleitoral ...).

Cada vez mais, acho que o liberalismo é realmente a melhor resposta a todas as situações. Deixem as pessoas livres, e algum empreendedor criará uma resposta muito melhor do que a jamais imaginada por um controle central. A criatividade da humanidade me espanta a cada dia mais.

Responder
Outro 28/04/2014 22:44:30

Pesquise sobre bactérias super resistentes ou KPC, vai descobrir que o colega falou a mais pura verdade e que o que você está fazendo pode colocar a vida de muitas pessoas em risco caso resolva levar ao limite seus tratamentos caseiros com antibióticos em uma doença nova que alguém da sua família contraia.

Sabe qual o problema do livre mercado? Todo mundo se acha bom demais para errar e isso aumenta o risco a que a sociedade é exposta.

Responder
Outro Jerico 29/04/2014 04:16:32

"Sabe qual o problema do livre mercado? Todo mundo se acha bom demais para errar e isso aumenta o risco a que a sociedade é exposta."

Hein?! O que livre mercado -- que nada mais é do que um arranjo em que as pessoas transacionam voluntariamente -- tem a ver com arrogância individual? Qual é o link?

Até onde se sabe, pessoas arrogantes, ao contrário do que você diz, tendem a ser punidas pelos consumidores em qualquer arranjo voluntário. Mais ainda: no livre mercado, quem erra é severamente punido tanto pela concorrência quanto pelos próprios consumidores.

A sua propensão a infestar a área de comentários deste site apenas para falar bobagens e se atuo-humilhar -- algo que vem ocorrendo a uma média de 6 vezes por dia -- indica um comportamento patológico que ainda tem de ser estudado em profundidade.

Responder
Carlos Garcia 29/04/2014 00:31:16

Essa resposta foi pra mim? Não parece que você está falando sobre nada do que eu coloquei no meu comentário.

Responder
Medico UBS Ijui-RS 05/05/2014 17:48:38

Sou médico e concordo com essa livre demanda nos postos e unidades 24h, é um absurdo o numero de pessoas que procuram o SUS por nada, e só sabem reclamar que demora no atendimento e que tem direitos.....

Responder
Lívio Luiz Soares de Oliveira 28/04/2014 01:29:53

"O livre mercado é perfeito. Não vivemos nele devido a arrogância, desonestidade e malícia de políticos e burocratas." Sinceramente, isso é um nonsense e uma falácia. Sou defensor convicto do livre mercado, mas dizer que ele é perfeito é forçar demais a barra. Não existe mercado livre perfeito formado por SERES HUMANOS que, naturalmente,não possuem a perfeição e, muitas vezes, tomam decisões equivocadas decorrentes de seu conhecimento limitado e imperfeito. Um mercado livre perfeito, supõe que este é formado por indivíduos perfeitos, que sempre tomam decisões perfeitas porque tem o conhecimento perfeito sobre tudo. Em suma, um mercado livre formado por Deuses oniscientes, onipotentes e onipresentes.

Responder
joao 28/04/2014 04:09:22

Artigo bom e comentários excelentes!

Sobre os problemas levantados pelo Garcia, eu penso que primeiro devemos ter o básico, e depois tratar de problemas avançados. É óbvio, mas precisa ser reafirmado.


Básico:

1) Mercado livre na saúde, assim como é nos alimentos, por exemplo. Aumentaria a produtividade, reduziria custos e preços de atendimento, maior variedade de pacotes de serviços, atendendo mesmo às demandas de pessoas pobres. Seguradoras para fazer o esquema "todos pagam para poucos", com planos diversos. Agencias certificadoras para produtos, médicos. Provavelmente uma "rede social" de saúde poderia surgir na forma de aplicativo, conectando médicos a pacientes, contendo seu historico, avaliações, etc, etc (parecido com o app de caronas).

2) Como em qualquer mercado, existem profissionais malandros e consumidores burros. Não há regulamentação que mude esse fato. Mas é de se esperar que em se tratando do próprio corpo (ou dos filhos), o consumidor vai ao menos querer saber se o médico/produto é certificado. O governo até pode intrometer obrigando todos os medicos/produtos a mostrar claramente a todo cliente sua certificação (ou a inexistencia dela, como um anúncio de riscos, igual nos cigarros ou mercado financeiro).


Responder
Lg 28/04/2014 13:59:54

"Provavelmente uma "rede social" de saúde poderia surgir na forma de aplicativo"

Lembrei de um site que faz o contato direto entre médicos e pacientes, não me recordo o nome agora.
Consultas particulares que eram feitas por 200-300 reais em grandes clínicas eram negociadas a 50, por exemplo.
Era bom pro médico pois ele ganhava mais do que trabalhando pra SUS/Planos de Saúde e era bom pro paciente que conseguia agendar uma consulta rapidamente e pagando pouco.

Sabe o que aconteceu? A AMB pirou e foi falar com o governo, pois de acordo com eles o site estava tratando saúde como um "comércio". Aparentemente quando se cobra 500 reais por uma consulta não é comércio, mas quando o médico resolve consultar um paciente por 50 é uma afronta a ética profissional.

Não sei qual o desfecho que se deu do caso, mas foi um exemplo de como a saúde funciona no Brasil. O governo disponibiliza o faz-de-conta do SUS pros pobres, e usa os impostos da saúde para dar subsídios aos amigos do rei, que depois vendem consultas a preços abusivos devido a reserva de mercado que o governo garante.

Outro caso interessante é os Estados Unidos, a 80 anos atrás (quando havia livre mercado na medicina) o setor médico tentava convencer a população de que existia uma crise no setor pois o custo das consultas e planos de saúde era muito BAIXO; a indústria de saúde fez lobby e pediu pro governo resolver o "problema", hoje com as regulamentações os preços na área de saúde são exorbitantes.

Esse artigo vale uma lida:
www.freenation.org/a/f12l3.html

Responder
anônimo 28/04/2014 09:28:25

Leandro, estive pensando, será que os países desenvolvidos ainda vão ter uma crise bem maior que os faça diminuir o tamanho do governo? Ou os governos vão adotar apenas medidas paliativas?

Responder
Marcos 28/04/2014 11:06:47

Muito bom

Responder
Wasabi 28/04/2014 12:11:08

O problema do livre mercado é um só.
Qual capitalista iria investir nos bolsões de misérias deste país?

Responder
Watanabi 28/04/2014 12:59:25

Estude a história. Hong Kong era uma favela a céu aberto até a década de 1960, e hoje possui uma das cinco maiores rendas per capita do mundo.

Como os bolsões de miséria daquela localidade asiática -- que, além de ser pobre, ainda tinha de absorver milhões de chineses que fugiam em massa do governo comunista de Mao -- se tornaram ricos?

Dica: não foi por meio de políticas governamentais, mas sim de capitalismo.

Pode ler toda a história aqui:

Como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong - os primórdios

Como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong - da pobreza à prosperidade

Você está momentaneamente acometido de uma doença grave chamada "tesão por políticos". Mas a boa notícia é que há cura. Basta se informar.

Responder
Wasabi 28/04/2014 13:30:07

Comparar um país continental com uma ilha é de matar.
Mas sendo realista acha mesmo que a população vai soltar o osso? O Obama só foi eleito por bancar o sistema de saúde para os pobres.
Nossa população vive com as contas no vermelho, não guardando nada para os dias de infortúnio.

De qualquer forma felizmente meu convenio é aceito nos maiores hospitais do país, com direito a quarto e tudo mais

Responder
Watanabi 28/04/2014 14:16:37

Parabéns. Acabou de admitir que a causa da perpetuação da miséria está no fato de as pessoas quererem ser tuteladas pelo estado, e não por não haver oportunidades para elas saírem da pobreza.

Muito bem, você está finalmente começando a pegar o jeito da coisa.

Responder
Occam's Razor 28/04/2014 13:17:22

O fato de que essas regiões são bolsões de miséria implica que as pessoas estarão, em uma fase inicial, dispostas a trabalhar por salários muito baixos. Isso gera a migração de algumas empresas de países com mão de obra mais cara para esses países com mão de obra mais barata, pois as margens de lucro se tornam maiores com essa redução de custos.

Ao contratar essas pessoas, necessariamente essas empresas terão que pagar um salário maior (devido a competição pela mão de obra) do que elas recebiam no emprego anterior. E assim o processo de enriquecimento se inicia e continua.

O fato de um país ser pobre (ou seja, os salários serem baixos) não é um fator que afugenta os investidores, mas sim que os atrai. Tudo que é necessário é que o governo saia do caminho.

Responder
Occam's Razor 28/04/2014 13:23:36

Esse artigo aqui é perfeito para você. Na minha opinião é a melhor das 6 lições de mises.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 28/04/2014 14:01:00


O assistencialismo gera um círculo vicioso de distorções econômicas e sociais que conduz a um socialismo cada vez maior.

Talvez as consultas e exames do SUS devessem ser pagas diretamente e não via impostos. E mais adiante o SUS deveria ser privatizado. Em uma economia mais capitalista, os preços seriam menores, a qualidade maior e as pessoas em geral teriam maior renda para pagar seus cuidados e para caridade. O problema maior é que TODA a economia brasileira está em estágios avançados de socialização.

* * *

Responder
Eduardo 28/04/2014 14:05:43

Solução para a saúde no Brasil: desestatização total de todos os serviços de saúde em todas as esferas, fim de todos os impostos e subsídios ao sistema de saúde e liberação total e irrestrita de todas as drogas para fins medicinais. Sem serviço público de saúde, a vida seria mais dura, mas as pessoas cuidariam mais de sua própria saúde, porque ia doer no bolso.

Responder
Ronaldo Radicchi 28/04/2014 14:24:56

Porque não pensar em saúde dos brasileiros sobre um novo paradigma? Porque não abandonar o atual sistema que busca tratar as doenças e não dos doentes? Porque não investir mais na prevenção e na educação para a saúde? Afinal, o que alimenta a citada "demanda infinita" que mais parece um "balde furado", é justamente a ausência de informação educacional direcionada para saúde. É claro que existem outros fatores que devem ser levados em conta, tais como uma política de implantação do sanitarismo na urbanização, sem a qual os resultados da educação para saúde poderão ser prejudicados. Enquanto se discute financiamento para a saúde, ou a adoção de um sistema de livre escolha em detrimento de um sistema paternalista, vai-se protelando a abordagem do problema pelo prisma da promoção e prevenção da saúde, esta sim, capaz de minimizar a "demanda infinita". Afinal, o que é mais racional: aumentar a quantidade caminhões de coleta de lixo, ou educar a população a saber usar sem desperdício o serviço público? Na minha forma de pensar, enquanto a base filosófica do serviço público e privado do Brasil for centrada na "política doentária", a demanda permanecerá infinita, e os recursos alocados, por maior que sejam, jamais serão suficientes para atender a demanda.
Portanto, discutir realocação de recursos para saúde, ou sua privatização ou estatização, só atende aos interesses de quem vive profissionalmente da doença dos outros. Deixo para as pessoas que me lerem, nominar quais são estes atores da vida pública e privada que tem mais interesse econômico na doença que na cura.

Responder
joao 28/04/2014 14:50:01

@Radicchi,

Afinal, o que é mais racional: aumentar a quantidade caminhões de coleta de lixo, ou educar a população a saber usar sem desperdício o serviço público? Na minha forma de pensar, enquanto a base filosófica do serviço público e privado do Brasil for centrada na "política doentária", a demanda permanecerá infinita, e os recursos alocados, por maior que sejam, jamais serão suficientes para atender a demanda.

Você deve ter muita fé no brasileiro para acreditar que tendo um serviço "gratuito" (na verdade, um serviço com custos ocultos) à disposição ele vai "se educar" para utilizar racionalmente.

Aliás, o que seria utilizar racionalmente? Como vc determinaria quantas consultas, quais, quando e com quais médicos são racionais, e quais são apenas excessos? Quem analisaria caso a caso, paciente a paciente?

Sabe, essa mania de determinar o "consumo racional" era comum na União Soviética. Uma gigantesca equipe de planejadores determinava quanto cada pessoa devia consumir, pagar, qual profissão seguir, etc, etc.

Ao invés de tirar a liberdade do indivíduo, por que não permitir que os preços sinalizem quais serviços estão em falta e precisam de oferta, estimulando o uso prudente por parte dos consumidores?


Afinal, entregar as decisões individuais de consumo a um grupo de planejadores racionais, gênios e bem-intencionados atende aos propósitos de quem?

:)

Responder
Ronaldo Radicchi 28/04/2014 16:37:04

Permita-me perguntar: Vc tem alguma formação na área de saúde? Qual? Para pensar que eu acredito que saúde é um artigo a ser consumido, ou Vc é PHD no assunto, e tem cacife para me convencer que meu pensamento antes exposto está equivocado, ou então é PHD em administração/gestão do tipo "com enfase em saúde", e com certeza, não tendo vivência clínica, tem muita pouca chance de apresentar argumentos clínicos.

Responder
Carlos Garcia 29/04/2014 00:35:34

Ronaldo, a "demanda infinita" ocorre até mesmo na Inglaterra e Suécia. Vai dizer que falta educação pra eles? Pode ser que eles tenham menos casos de gente indo pro PS por causa de "dor de cabeça ha 3 semanas", mas certamente a raiz do problema não é a educaçao da população, mas sim o fato de que o serviço é GRATUITO.

E o liberalismo não impede que o povo se eduque em medidas preventivas. Qualquer empresa fornecedora de saneamento básico vai gritar aos quatro ventos em sua propaganda as vantagens dos seus serviços vs o risco de contrair doenças. Laboratórios váo adorar financiar pesquisas e propagandas para suas vacinas, e as próprias empresas de seguro de saúde váo divulgar informações preventivas (afinal, elas lucram quando seus clientes NÃO ficam doentes).

Responder
Auxiliar 28/04/2014 17:04:07

É tudo uma questão de lógica, meu caro Ronaldo. Se você acredita que serviços de saúde não são bens de consumo, então você acredita que eles são objetos de caridade.

Isso, por conseguinte, tem duas implicações: 1) você defende que pessoas inocentes sejam forçadas, sob a mira de uma arma, a custear tratamentos de saúde para terceiros; 2) significa que qualquer profissional que atue nessa área visando ao lucro é um mercenário escroto.

Fique à vontade para pensar assim, mas tente apenas expandir a lógica do seu raciocínio: se serviços de saúde devem ser gratuitos, então por que não dizer o mesmo de alimentos? Há coisa mais necessária à vida do que alimentação? Por que só serviços de saúde devem desfrutar desse rótulo de "essenciais"? Aliás, o que dizer sobre moradia e vestuário? Certamente, ambos são tão ou mais importantes do que médicos medindo a sua pressão. Por que eles também não devem ser gratuitos?

A grande sorte da humanidade é que essa sua lógica ainda não foi levada a esse extremo.

Responder
Sofista/Pos moderno 28/04/2014 14:32:12

Não é o sus que destrói a saúde dos brasileiros , são os próprios brasileiros que fazem isto sózinhos, ou a natureza. O Certo é dizer que o Sus não tem capacidade de restaurar a saúde perdida. Outra questão tornar as pessoas doentes não pode aumentar o lucro? como usaríamos o lucro aqui, se dissermos sim pra pergunta acima? E como diria o sambista:Eu sei que vou morrer, não sei hora" Complemento Isto pode ser no pior leito chinfrim do SUS , ou na mão de um DR House masoquista no Albert Einstein.

Responder
Outro 28/04/2014 19:07:07

O artigo é relativamente bom e ataca um dos grandes drenos financeiros atuais do Brasil: o SUS. Mas ele se esquece (ou falha) em alguns pontos:

1) ninguém recorre ao SUS porque está com uma simples dor de cabeça. Primeiro que existe sempre o desgaste físico e mental de ficar na fila por horas - muitas vezes em vão - e que pobre não pode perder um dia de trabalho só para ficar atrás de médico. Como ganham pouco (e muitas vezes não tem carteira assinada para garantir o pagamento mínimo mensal), os pobres só vão ao SUS ou só levam seus filhos quando eles acreditam que precisam.

2)saúde é claramente um bem comercializável, mas se o mercado for deixado livre vamos ter muito mais investimentos no combate à calvície (por exemplo) do que contra doenças simples e tropicais, ou seja, quem ganharia mais com a liberação de recursos da saúde seriam os ricos e não os pobres como se defende (dado que o SUS é financiado por contribuições sociais e não impostos, e todas as contribuições não previdenciárias incidem sobre as empresas e seus lucros).

3) para economizar mais o seu suado dinheirinho os pobres iriam se medicar sozinhos (para não precisarem pagar consulta) e isso poderia favorecer a resistência de algumas doenças através da seleção natural, prejudicando a população como um todo.

Claro que eu tenho outras objeções e acho o SUS um desperdício, mas vou me deter a esses pontos por enquanto.

Responder
Lamas 28/04/2014 19:18:57

Sobre o item 1, logo se vê que você nunca utilizou o sistema. Tenho um parente (primo de segundo grau) que já atendeu pelo SUS. Ele disse que é inacreditável o tanto de gente que procura atendimento pelos motivos mais banais possíveis. Boa parte, aliás, em busca de um atestado médico para faltar ao trabalho. (Esse fato, inclusive, é atestado por comentários de alguns médicos feitos na seção de comentários deste artigo)

Já sua especulação no item 2 não apenas é ridícula, como é completamente ilógica. Você está dizendo que o tratamento de doenças tropicais -- que afligem boa parte da população -- não é lucrativo. Ora, se algo com tão alta demanda não seria lucrativo, então nada mais é. Esse seu achismo é totalmente sem sentido. Você está projetando sua ignorância no resto do mundo e jurando que todo mundo pensará assim como você. Isso me lembra o Cesar Maia, que disse que se a maconha fosse legalizada ninguém mais iria plantar café no Brasil...

Sobre o item 3, eu mesmo faço isso. Ponha a polícia atrás de mim.

Responder
Otan 28/04/2014 20:25:06

Na verdade você está mal informado.

1) se você tem um parente médico que vive uma realidade isso não implica que o sistema inteiro funcione assim. Essa generalização simplesmente não pode ser feita. Primeiro que hoje quem precisa de atestado para alguma coisa é o trabalhador com carteira assinada, e esse tipo de pessoa são apenas 30 milhões no país inteiro – sem falar que ficar o dia na fila para ter um atestado médico e conseguir um dia de folga é burrice, é muito mais simples comprar um atestado por R$ 20 como vendem por aí na rua (aqui em Brasília é assim). Segundo que se fosse desse jeito (lotação por besteiras) os leitos de UTI e os centros de quimioterapia não viviam todos lotados;

2) mercado não é só demanda (mesmo porque ela normalmente é infinita para todos os produtos que existem)! Para haver um mercado em potencial é preciso que haja renda para comprar o produto, e em locais tropicais não existe renda alta. Isso é o básico de economia! Sem falar que esse raciocínio da calvície nem é meu, eu peguei do Bill Gates, quando ele comentou porque financiava pesquisas sobre doenças tropicais;

3) você se medica não é crime, é estupidez. Você põe a sua própria vida em risco (porque você não é médico, se fosse não falava do seu primo de segundo grau) e você ainda pode prejudicar a população inteira com essa sua imprudência caso pegue uma bactéria com grande capacidade de mutação, como a da tuberculose, e tome medicamentos aleatoriamente, matando as mais fracas e deixando apenas as mais fortes, resultando na sua própria morte e deixando como herança para a humanidade um risco sanitário gigantesco. Mas é óbvio que tomar medicamentos como antitérmicos e antiinflamatórios não tem problema algum e deveria ser livremente permitido.

Responder
Lg 28/04/2014 20:38:42

Toda vez que alguém chama o dinheiro que me roubam todo dia de "contribuições social" eu fico puto da cara... pelo menos o ladrão que me para na rua pra roubar minha carteira não tenta embelezar a sua vigarice.

Responder
josuel 08/05/2014 14:44:08

Sobre o item 2 há um equívoco: contribuições sociais são apenas um nome diferente para impostos. O art. 149 da CF atribui somente à União instituir contribuição social para financiar a seguridade social. Entre outras temos o PIS, a Cofins e a CSLL. O PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento das empresas. A CSLL incide sobre o lucro. Todas elas estão embutidas no preços dos produtos e serviços e são pagos tantos por ricos quanto por pobres. Sendo que os pobres pagam mais impostos proporcionalmente.

Responder
anônimo 29/04/2014 00:52:12

Calma Radicchio. Fugir do debate com a desculpa que a teoria é para a Defesa de "interesse de classe", é Polilogia, o, se quiser, covardia mesmo. Abraços Libertarios.

Responder
Ronaldo Radicchi 29/04/2014 14:25:32

Não sei do que Vc está falando. Se é em resposta ao que escrevi, acho que não faz sentido o que Vc escreveu, pois o que penso é a mudança do paradigma de tratamento da doença para tratar do doente, dentro dos aspectos biopsicosociais que constituem as características de todos nós. Dentro desta perspectiva, a iniciativa privada é muito bem vinda e necessária, e quanto menos o governo se intrometer, melhor será. Neste sentido, o governo deveria estar apenas intervindo na formação de nossos profissionais para que estejam mais preparados para prevenção. Afinal, vejo mais valor numa medicina que atua prevenindo os grandes males da humanidade gerados pelo consumo desenfreado (vide obsesidade e sua intercorrência de abreviação do período produtivo do homem, e o final dramático de vida das pessoas com doenças cardiovasculares de curso letal, e de alto custo para manutenção da vida, do que a medicina que atua construindo UTIs para receber pacientes em estado grave e terminal, que padecem de mal que poderia ter sido evitado através da simples intervenção baseada na educação para a saúde. Acho que nesta caminhada, o administrador e gestor, político ou não, juntamente com o sanitarista e os profissionais da saúde poderiam andar juntos, em busca de uma condição de higidez do homem, em especial na sua condição produtiva. Tenho certeza, por experiência própria que empresas que subsidiam assistência de saúde como forma de investimento na sua produtividade obtêm os melhores resultados. O saneamento do ambiente laboral, o planejamento e implantação de um PCMSO que atue primordialmente na prevenção tem determinado uma redução significativa do absenteísmo tipo I e II. Os empresários de visão já conhecem o valor e a capacidade de retorno do investimento, e deles não tenho coletado nenhuma opinião contrária em prosseguir no investimento na saúde preventiva. Se Vc não vê nenhum valor nesta opinião, pelo menos reconheça que que sua exposição sem a capa protetora do anonimato me concede pelo menos a coragem de expô-las.
Considero que Vc deve ter suas razões para agir assim, e não as discuto nem julgo. Gostaria apenas de ser entendido, da mesma forma que Vc também deve pretender, sem julgamentos, e se possível trocar experiências embasadas em evidências. De outra forma, não vejo como continuar esta troca de informações.
Saudações.

Responder
Edson 29/04/2014 15:33:56

O texto é excelente, mas, como de praxe, os comentaristas quase sempre são ridículos. O sonho de ter Estado Zero me provoca risos descontrolados rssss

Responder
anonimo 02/05/2014 01:52:37

A medicina comercializada é contra os interesses do doente, 70% das doenças existentes no BRASIL são de responsabilidade de médicos, hospitais e medicamentos.

Laboratórios precisam de faturamento e as doenças não devem ser curadas e sim controladas.

No Brasil existe muito tratamento para pouca cura. O doente é conhecido como jacaré, calango ou Teiú.

Hospitais desviam o dinheiro do INSS, porque não existe auditoria em contas médicas.
Enriquecimento ilícito de médicos pelo desvio de dinheiro.

Médico é uma Profissão de pai para filho, e muita corrupção.

Responder
Renan 02/05/2014 19:38:34

É evidente que o sistema de saúde público, rígido mas disfarçado de flexível, corruptível tanto para o mal quanto para o bem, controlado pela sordidez do Estado, só seria perfeito em uma sociedade biônica, onde todo problema "A" sempre fosse resolvido com a medida "X". O substrato material das nossas políticas de saúde é o brasileiro. Logo, não pode dar certo. Qual a surpresa? O brasileiro é indisciplinado em todas as áreas, por que haveria de ser disciplinado somente como "usuário" dos recursos públicos da saúde? Poucas vezes leio algum colega médico, ou estudiosos das áreas sociais, que faça a devida crítica às pessoas que abusam do sistema. É claro que estamos frente ao caos quando a Carta Magna diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Em um país sem educação, dar direitos ilimitados é pura safadeza. Nas principais portas de entrada do SUS (a saber: postos de saúde e emergências), o que se vê é uma minoria de doentes que precisariam de fato daquele tipo de serviço. As filas são engrossadas pela tecnologia primitiva dos serviços, pela falta de educação e pelo excesso de direitos. Em pequenas cidades, onde a cobertura das Estratégias de Saúde da Família é de 100%, o mesmo paciente chega a consultar com um médico mais de 20 vezes em um ano. Não há "educação em saúde" ou "acolhimento", nos moldes asquerosamente construtivistas atuais, que tenha persuasão suficiente para livrar o dito usuário da tentadora idéia de usufruir mais e mais dos seus infinitos direitos. Acho elogiável, no entanto, quando um gestor convence um paciente a pagar, ao menos parcialmente, por seus exames ou consultas fora do âmbito do SUS, no serviços considerados "complementares" (os particulares), desafogando um pouco as filas do sistema e educando para uma partilha saudável. Por mais que às vezes isso seja usado como favorecimento político, em geral dá certo. Bom mesmo seria se os serviços do SUS fossem exclusivos para circunstâncias especiais, como miséria ou doenças graves. O perfil predominante de paciente que temos hoje é aquele que não vem para ouvir uma orientação ou seguir uma conduta correta, mas aquele que já chega solicitando produtos: exames, consultas especializadas, remédios (tudo "gratuito") - quando não disposto a conduzir a conduta médica e de enfermagem, desde a triagem ao exame físico e à prescrição. E nosso Estado retroalimenta tudo isso, jogando a todos em um ciclo vicioso. Particularmente, acho que estamos em um beco sem saída e assim será por muitas e muitas gerações. Alguns médicos, porque são da classe profissional da saúde em geral melhor preparada, dentre eles os mais - digamos - espiritualmente diferenciados, podem ajudar sobremaneira na educação do próprio povo e daqueles que formam a opinião do povo. É um trabalho de efeito loco-regional, lentíssimo, um adágio pianíssimo e longo, cujo efeito poderemos medir em algumas décadas. Mas seria preciso um reforço continuado das áreas humanas na educação médica, bem como negociações "à brasileira" entre médicos e gestores municipais. Eu apostaria em um manejo econômico mais caótico, dentro do próprio sistema que aí está, de forma a devolver a cada um, pouco a pouco, a responsabilidade com a própria saúde, que foi transferida ao Estado. Em um outro braço, tornar mais atraente, quase que popularizar, a educação liberal nos cursos da área da saúde. Levando-se em consideração, claro, que a faculdade de medicina ainda forma médicos, não santos.

Responder
Nilson 05/05/2014 20:29:12

Prezados. Vejo me na obrigação de manifestar minha total discordância a esse artigo. Da mesma forma que sou contra ao extremo do estado totalitário, sou contra o extremo do estado totalmente vazio. Não usarei termos técnicos dos economistas, mas tenho algum entendimento sobre o assunto, usando matemática simples, enxergo inconsistências no artigo acima. Existem pacientes que, se precisarem comprar medicações que lhes custem menos de 10 reais, ficarão sem se medicar. E não vejo na redução de impostos a solução para isso, pois o paciente permanecerá pobre e mal poderá pagar a consulta, quem dirá o medicamento. Pagamos impostos caros? Sim! Mas vejamos o absurdo da dívida pública, cujos impostos são levados como num verdadeiro (aqui sim!) balde furado, apenas para quitar juros, e mesmo assim essa dívida só aumenta. Essa sangria por si só justifica porque o país arrecada muito e reinveste na sociedade pouco. Além disso, podemos decidir se queremos viver numa sociedade onde as pessoas se apoiam e se sustentam ou se vivemos numa sociedade de puro individualismo, onde o "cada um por si" impera. Se quiser o individualismo, imagine nós vivendo num local onde alguns se fartarão de tudo que precisam e justamente aqueles que não podem trabalhar (porque estão adoecidos) morrem a míngua por ficarem sem o que precisam pois não podem pagar pelo tratamento, medicação, cirurgia, exame, procedimento, etc. Ou então se quiser o coletivismo, imagine nós vivendo num país onde aqueles que podem dão algum conforto aos mais necessitados nos momentos em que eles mais precisam. Enquanto uns tem tudo, outros muito, outros o suficiente, existem os que tem pouco ou nada. E sem entrar no mérito do que causa isso, não acho justo simplesmente virar as costas e dizer que eles devem ficar sem atenção, e elocubrando como a livre concorrência resolveria isso. Tive a oportunidade de presenciar uma mulher que, ao se deparar com um morador de rua, pegou o celular e chamou o SAMU. Ela manifestou verbalmente que queria que ele fosse atendido, afinal, ela pagava impostos. Enquanto isso, Maria a louca, desinformada da realidade do povo carente, continua a dizer aos que se queixam da falta do pãozinho simples, "ora, comprem brioches", imaginando que eles poderiam resolver seus problemas da mesma forma que ela resolvia os dela...

Responder
Christian 08/05/2014 15:58:10

Você não está considerando que num cenário de livre mercado, com baixa carga tributária, baixa regulamentação estatal e moeda com lastro os preços dos produtos seriam mais baixos e o poder de compra da população seria maior. Com os medicamentos não seria diferente. A questão da auto-medicação (ou não-medicação) já acontece mesmo existindo saúde pública. Muitas pessoas simplesmente não vão ao médico não por não terem meios de pagar a consulta e os medicamentos, mas por não acharem necessário, especialmente em problemas de menor gravidade. Além, é claro, daqueles que nem cogitam tentar ser atendidos pelo sistema público por saberem da sua ineficiência, a qual é uma característica inerente ao próprio sistema, presente até em países ricos que o adotam e não exclusiva do Brasil, como demonstrado em vários artigos disponíveis aqui no site.

Claro que sempre existirão pessoas que "ficarão para trás", pelas mais diversas razões, mas num arranjo de livre mercado esse contingente de "desvalidos" tende a ser baixo e pode perfeitamente ser amparado pela caridade privada. Não caia na crença falsa de que sem o Estado as pessoas seriam totalmente egoístas. Se hoje vemos pouca solidariedade nas pessoas isso foi causado principalmente por essa ideia de que o Estado deve assumir o papel de protetor dos "fracos e oprimidos". Esse é um dos mais perversos efeitos do intervencionismo: o monopólio estatal da caridade fez com que as pessoas se sentissem desobrigadas de ajudar os pobres, afinal já pagam altos impostos para que o Estado assuma esse papel. Pesquise sobre isso e verá o quanto o "estado protetor" prejudicou a caridade privada.

E apenas uma pequena correção, a frase dos brioches é atribuída à Maria Antonieta, e não à Maria I "A Louca". Porém, a atribuição é falsa e a rainha da França não disse isso.

Responder
josuel 08/05/2014 14:59:03

Muito bom o artigo. Tenho duas dúvidas e agradeço pelas respostas:
1)"...ao passo que a destruição dos incentivos corretos gera uma demanda artificialmente alta." Não entendi este trecho.

2)A CF diz que a saúde é um "direito de todos e dever do estado". No caso é uma cláusula pétrea e não pode ser modificada ou extinta? É possível que o sistema de saúde no Brasil possa ser privatizado ou ter menor intervenção do Estado?

Responder
Malthus 08/05/2014 15:06:34

Sobre demanda artificialmente alta para serviços "gratuitos" de saúde, recomendo este artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=923

Já a sua outra pergunta é sobre direito constitucional; não é minha área.

Responder
Jorge Pizarro 09/05/2014 02:15:50

Muito bom o artigo, entretanto gostaria de colocar em pauta mais alguns pontos controversos do SUS para discussão por aqui.

É fato que temos um modelo público de referência para o tratamento de HIV no Brasil, porém isso tornou nosso país um importador de soropositivos dos países da região. São inúmeros os paraguaios, bolivianos, chilenos, argentinos, peruanos, e até gente de outras nacionalidades, e até mesmo outros continentes, que simplesmente vem para o Brasil tratar-se da doença e receber os medicamentos gratuitamente oferecidos pelo governo. Por quê nós contribuintes brasileiros temos que pagar essa conta?! Nosso governo alega que negar tratamento para estes indivíduos seria uma forma de discriminação, porém também me sinto discriminado por ter pago meus impostos durante toda minha vida, para verem recursos drenados por pessoas que nunca foram contribuintes.

Outro detalhe! No Brasil existe o SUS, Sistema Único de Saúde, considerado público e universal, e os planos de saúde suplementar, oferecidos por empresas, seguradoras, cooperativas, entre outras. Pessoalmente tenho um plano da Sul América. Não sei se vocês têm conhecimento, mas se por qualquer motivo eu me dirigir para um hospital público, e realizar qualquer tipo de consulta ou procedimento, o valor do que foi realizado deverá ser reembolsado ao SUS pelo meu plano de saúde. E o pior, a tabela utilizada para remuneração do SUS não é a famosa "tabela SUS", mecanismo pelo qual o governo remunera instituições privadas por procedimentos realizados para pacientes do SUS, mas sim uma tabela muito mais "turbinada", com valores elevados, ou seja, mais uma forma indireta de drenar recursos dos cidadãos e saúde para o ineficiente segmento público. Pessoalmente considero uma cobrança um absurdo! Um cerceamento ao meu direito de escolha de onde desejo me tratar, assim como um cerceamento de meu direito a ter uma saúde pública, e uma cobrança que torna mais oneroso manter um plano de saúde suplementar.

Responder
Eduardo 22/12/2014 16:10:55

O argumento do autor e bom, mas tem algo q precisa ser explicado. O problema nao e o fato de, em um sistema de saude ( pode ser plano) algumas pessoas serem mais ou menos saudaveis... O problema e o sistema nao ser capaz de precificar isso! Ai sim, td oq o autor falou de transferencia de renda e valido. Quanto a oferta tendendo a infinito, apesar da possibilidade de que um plano de saude o faça, parece implausivel, pela simples necessidade de se eviatr o sobreuso, desgaste, prejuizo. Porem, nada impede q um sistema filantropico o faça ou qqer outro, só nao e racional do ponto de vista economico. Portanto existe uma obvia vantagem quanto a precificaçao entr saudaveis e n sauaveis ( vale lembrar a consequencia normativa disso) e a possibilidade de impedir q a oferta tenda ao infinito.

Responder
Woody 15/04/2015 20:33:01

A questão da demanda infinita é tão verdadeira que boa parte dos planos de saúde no Brasil estão migrando (ao menos oferecendo e incentivando) planos com co-participação. O sistema atual, em que você paga um valor fixo e pode usar ilimitadamente, acaba gerando as mesmas distorções que o SUS (que você também paga, com impostos). Isso acaba acarretando um uso indiscriminado e desnecessário (sim, minha esposa é médica e muitos conveniados vão ao PS para pegar atestados). Isso é um dos motivos dos preços dos planos não pararem de aumentar, e portanto essa é uma maneira que encontraram de racionalizar o uso, levando um pouco do ônus do uso para o cliente, reduzindo assim seus custos e o valor da mensalidade.

Responder
Felipe 26/05/2015 16:22:35

Olhem o nível do jornalismo brasileiro:

Na matéria abaixo, a jornalista diz que o serviço do SUS iria melhorar se as pessoas usassem mais, e que o brasileiro está dormindo por não está aproveitando um serviço gratuito e boa qualidade como o SUS.

E depois a jornalista lamenta que para a Santa casa atender o casal (Huck), tiveram que deixar de atender outras pessoas.

Além da falta de noções econômicas, ela não conseguiu enxergar a contradição que cometeu.

www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2015/05/1633570-os-hucks-e-o-sus.shtml

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sauldavi 20/12/2015 10:20:24

Desregulamentar não daria certo pois os médicos criariam carteis de especialidades e aumentariam exorbitantemente os preços. Isso é o mundo real, se associariam para aumentar cada vez mais os preços dos serviços. Sem o SUS os preços de planos de saúde e serviços médicos e exames iriam subir varias vezes. O ideal nem sempre é o real. Sempre no Brasil os médicos agem em grupo por seus interesses e não como concorrentes.

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Auxiliar 20/12/2015 15:58:24

"Desregulamentar não daria certo pois os médicos criariam carteis de especialidades e aumentariam exorbitantemente os preços."

Dê um exemplo prático de como isso aconteceria e, principalmente, de como seria mantido em um país de dimensões continentais como o Brasil, e com livre entrada de médicos vindos do estrangeiro.

Você faz suposições que nunca se concretizaram na prática. Se o mercado não for regulado pelo estado, cartéis de preços não se sustentam, pois se torna extremamente lucrativo para um integrante deste cartel "descumprir o acordo" e vender a preços mais baixos.

E eu vivencio isso na prática. A família da minha mulher é quase toda ela formada por suinocultores. Eles criam porcos e os vendem para frigoríficos. Todos os suinocultores da região têm um grupo no WhatsApp por meio do qual vivem tentando combinar preços com o intuito de "forçar os frigoríficos a pagar mais".

No entanto, sempre -- sempre! -- tem uma pessoa que descumpre o combinado e vende abaixo do preço do "cartel". E o motivo é óbvio: como os frigoríficos compram em grandes volumes, qualquer redução de centavos terá um grande efeito sobre o custo final para os frigoríficos. Para o sujeito que sai do cartel, reduzir seu preço em centavos lhe trará uma receita muito maior (porque venderá um maior volume) do que teria caso mantivesse o preço do cartel (e, consequentemente, vendesse um volume bem menor).

"Isso é o mundo real,"

O que acabei de descrever acima é que é o mundo real. É uma empiria que vivencio diariamente, ao contrário de seus achismos.

"Sem o SUS os preços de planos de saúde e serviços médicos e exames iriam subir varias vezes."

Ao contrário: é justamente por causa do SUS que os preços da medicina privada sobem. Explicado em detalhes neste artigo.

Enquanto pessoas como você continuarem vivendo dentro da Matrix e fornecendo suporte à continuidade desse falido status quo, aí sim é que as coisas não irão melhorar.

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josé damasceno 07/04/2016 22:16:23

Corroborando o autor e demais comentários entendo que a estrutura de logística e contratações de empresas desqualificadas mais a escravização dos salários e honorários médicos aliados à falta de carreira de Estado para os Médicos põe em cheque esse sistema que na minha opinião já está em colapso há mais de 10 anos. É preciso rever e aperfeiçoar em outros moldes a Saúde no Brasil como um todo. Entendo que a privatização do sistema pode ser dado de forma gradual e sistemática como exemplos temos rede Sarah. Há uma autonomia de empresa privada mas com responsabilidade pública.

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JOSE WILSON 17/05/2016 12:43:55

Divirjo do autor em vários pontos. Todo grupo de participação esta ni fundo transferindo recursos de um participante para o outro. Desde um consorcio de qualquer bem até os contratos de seguro de bens e serviços.
É lógico que quem mais usa está pagando menos. Mas quem não usa hoje, pode vir a ser um usuário de um atendimento de alto custo amanha. A Previdência Social também é assim. É claro que se você reunir o recurso de quarenta anos de contribuição a qualquer entidade de Previdência você poderá se aposentar muito melhor remunerado. Mas, e se, você vier a precisar antes desse prazo de capitalização???

Sou convencido de que o grande problema do SUS é exatamente GESTÃO. Pela grandeza de sua atuação. Pela amplitude de atendimento concebida. E pelos vários níveis de Administração, o SUS tem sido constantemente atacado pelas aves de rapina, pela incompetência, pela negligencia.

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PepePoA 17/05/2016 15:01:59

"Todo grupo de participação esta ni fundo transferindo recursos de um participante para o outro. Desde um consorcio de qualquer bem até os contratos de seguro de bens e serviços."

Isso se chama sistema de trocas, a diferença é que em consórcios ou contrato de seguros eu realizo esta troca VOLUNTARIAMENTE ao contrário de serviços estatais (como SUS e Previdência) onde, usufruindo ou não, eu sou OBRIGADO a bancar. Entendeu a diferença?


"Sou convencido de que o grande problema do SUS é exatamente GESTÃO."

Bingo! Assim como qualquer serviço de gestão ESTATAL financiado por um fundo quase sem fim de recursos alheios e protegido de livre concorrência.

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Fernando Hélio de :Oliviera 17/05/2016 15:04:30

Os recursos são insuficientes por todos os motivos elencados acima, no entanto, é também muito mal gerido e muito desviado. Já se diz que o perdido com a corrupção daria para construir outros Brasis.

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