A igualdade de oportunidade e a opressão do politicamente correto

Há aquelas perguntas que são feitas com um genuíno espírito investigativo, com o intuito de obter respostas e conhecimento.  Mas há também aquelas perguntas que são feitas com o claro propósito de intimidar, de irritar ou de coagir o inquirido, com o intuito de fazê-lo concordar com um determinado ponto de vista e, com isso, estabelecer a imaculada virtude das pessoas que fazem a pergunta.

Recebi recentemente uma pergunta desse tipo via email.  Quem me enviou foi o The Lancet, um dos mais importantes jornais médicos do mundo.  Dirigindo-se a mim pelo meu primeiro nome (já o suficiente para me irritar), perguntou: "Você se importa com a saúde do nosso planeta?"

Francamente, a resposta é não.  Ao contrário de cachorros, planetas não são o tipo de coisa pela qual consigo sentir afeição ou interesse.  Minha conta bancária ocupa na minha mente um espaço muito maior do que a saúde do planeta.  Aliás, nem sequer estou certo de que planetas podem ser saudáveis ou doentios, assim como não estou muito certo de que eles podem ser sarcásticos ou discretos.  Rotular um planeta de saudável é incorrer naquilo que os filósofos costumavam chamar de erro de categoria. 

Isso, obviamente, não significa que deseje o mal à terra.  Pelo contrário.  Se uma prova de múltipla escolha me for oferecida, é bem provável que eu marque as respostas que desejem bem ao mundo, e não seu mal.  Eu responderia assim nem que fosse motivado pelo simples desejo de ser aprovado.

Mas há algo de hipócrita e de insincero nesse tipo de pergunta.  Como é bem típico de nossa era — em que a realidade virtual é mais importante para a maioria das pessoas do que a própria realidade —, a simples expressão de sentimentos altaneiros e benevolentes é hoje avaliada por muitos como sendo a própria expressão da virtude.  A pessoa mais virtuosa é aquela que consegue expressar a mais abrangente benevolência recorrendo ao mais alto nível de abstração.  É isso que hoje em dia se passa por bondade e preocupação.

Senti-me impelido a responder ao editor do Lancet (mas sei que ele não iria ler) dizendo que discordava de seu "planetismo" discriminatório; que eu só passaria a me importar com a saúde do universo, ou dos universos, se as especulações feitas pelos astrofísicos sobre a existência de outros universos se comprovassem verdadeiras.

"Você se importa com a saúde do nosso planeta?" é uma pergunta que, embora não esteja na mesma classe de "Você já parou de bater na sua mulher?", está bem próxima.  Como acabei descobrindo — ao ler mais atentamente o email —, a saúde do planeta na verdade se referia à saúde das pessoas deste planeta, acrescida de um pouco de misticismo sobre diversidade biológica (o novo paganismo). 

"Nosso objetivo é responder às ameaças que enfrentamos: ameaças à saúde humana e ao bem-estar, ameaças à sustentabilidade de nossa civilização, e ameaças aos sistemas naturais e humanos que nos sustentam".  Esse editor santarrão se autoconcedeu uma visão, embora a tenha expressado na primeira pessoa do plural: "Nossa visão é a de um planeta que fomente e sustente a diversidade da vida com a qual nós co-existimos e da qual nós dependemos".  Levantem as mãos, portanto, todos aqueles pascácios que são a favor da máxima disseminação possível das ameaças ao bem-estar da humanidade e da eliminação de todas as formas de vida exceto a nossa.

Deve ser horrível levar uma vida tendo pensamentos tão enfadonhos — e não apenas ocasionalmente, mas sim corriqueiramente, se não constantemente — e se sentindo obrigado a expressá-los.

Mas estou divagando.  Voltemos ao problema das perguntas intimidadoras e coercivas, às quais se espera que respondamos.  Dentre estas perguntas, uma das mais onipresentes é aquela que emprega o slogan da nossa era: "Você é contra a igualdade de oportunidades?"

Como todos já devem saber, quem se diz contra a noção de igualdade de oportunidades é imediatamente classificado como sendo algum tipo de reacionário monstruoso e ultramontano, um Metternich ou um Nicolau I, alguém que quer, por meio de repressões, preservar o status quo no formol.

Sempre que profiro palestras, os membros mais jovens da plateia quase desmaiam de horror quando digo que não apenas não acredito em igualdade de oportunidades, como ainda considero tal ideia sinistra ao extremo, muito pior do que a mera igualdade de resultados.  Atualmente, dizer a uma jovem plateia que igualdade de oportunidades é uma ideia completamente maléfica e depravada é o equivalente a gritar "Deus não existe e Maomé não foi seu profeta" a plenos pulmões em Meca.

O problema é sempre o mesmo: os defensores de determinadas ideias simplesmente não se dão ao trabalho intelectual de analisar as consequências práticas de sua implantação.  Se a ideia da igualdade de oportunidades for realmente levada a sério, então seus proponentes terão de alterar toda a estrutura humana do planeta. 

Para começar, as pessoas não nascem iguais.  Essa é a premissa mais básica de toda a humanidade.  As pessoas são intrinsecamente distintas uma das outras. Algumas pessoas são naturalmente mais inteligentes que outras. Algumas têm mais destrezas do que outras. Algumas têm mais aptidões físicas do que outras.

Adicionalmente, mesmo que duas crianças nascessem com exatamente o mesmo grau de preparo e inteligência (algo improvável), o próprio ambiente familiar em que cada uma crescer será essencial na sua formação. Algumas crianças nascem em famílias unidas e amorosas; outras nascem em famílias desestruturadas, com pais alcoólatras, drogados ou divorciados. Há crianças que nascem inteligentes e dotadas de várias aptidões naturais, e há crianças que nascem com baixo QI.  Toda a diferença já começa no berço e, lamento informar, não há nenhum tipo de engenharia social que possa corrigir isso.

As influências genética e familiar sobre o destino das pessoas teriam de ser eliminadas à força, pois elas indubitavelmente afetam as oportunidades e fazem com que elas sejam desiguais. 

No cruel mundo atual, pessoas feias não podem ser modelos; deformados não podem ser astros de futebol; retardados mentais não podem ser astrofísicos; baixinhos não podem ser boxeadores pesos-pesados.  Não creio ser necessário prolongar a lista; qualquer um é capaz de pensar em milhares de exemplos.

É claro que pode ser possível nivelar um pouco a disputa criando leis que imponham a igualdade de resultado: por exemplo, insistindo que pessoas feias sejam empregadas como modelo de acordo com a proporção de seu predomínio na população.  O novelista inglês L.P. Hartley, autor de The Go-Between, satirizou esta invejosa supressão da beleza (e, por consequência, todo e qualquer igualitarismo que não fosse restrito à igualdade perante a lei) em uma novela chamada Justiça Facial.  Neste livro, Hartley contempla uma sociedade em que todos aspiram a uma face "mediana", gerada por cirurgias plásticas que são feitas tanto nos anormalmente feios quanto nos anormalmente belos.  Somente desta maneira pode a suposta injustiça da loteria genética ser corrigida.

Gracejos à parte, o mais curioso sobre essa questão da desigualdade de oportunidades é que os arranjos políticos necessários para reduzi-la ao máximo possível já existem na maioria dos países ocidentais.  Há saúde gratuita, há educação gratuita, há creches gratuitas, há escolas técnicas gratuitas, e há programas gratuitos de curas de vícios.  Ainda assim, todos continuam infelizes ou descontentes.  Consequentemente, continuamos atribuindo nossa infelicidade à falta de igualdade de oportunidades simplesmente por medo de olharmos para outras direções à procura de explicações verdadeiras, inclusive para nós mesmos.

Políticos adoram idealizar a ideia de igualdade de oportunidade exatamente porque se trata de algo impossível de ser alcançado plenamente — exceto se forem implantados arranjos que fariam a Coréia do Norte parecer um paraíso libertário.  E justamente por ser impossível, a igualdade de oportunidades se torna uma permanente garantia de emprego para esses políticos, à medida que eles seguem prometendo a quadratura do círculo ou a criação do moto-perpétuo.  Tais promessas garantem a importância deles perante o eleitorado.  E conseguir importância é provavelmente a mais poderosa motivação de todo político.

"Você é contra a igualdade de oportunidades?"  Eu sou.  Sou plenamente a favor da oportunidade, mas totalmente contra a igualdade.  E não adianta tentar me oprimir com perguntas politicamente corretas e maliciosamente formuladas.

E você, já parou de bater na sua mulher?  Responda apenas sim ou não.


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SOBRE O AUTOR

Theodore Dalrymple
é médico psiquiatra e escritor. Aproveitando a experiência de anos de trabalho em países como o Zimbábue e a Tanzânia, bem como na cidade de Birmingham, na Inglaterra, onde trabalhou como médico em uma prisão, Dalrymple escreve sobre cultura, arte, política, educação e medicina. Além de seu trabalho em medicina nos países já citados, ele já viajou extensivamente pela África, Leste Europeu, América Latina e outras regiões.



Isso é elitismo seu. Uma pessoa que realmente não soubesse fazer nada senão carregar tijolos e apertar parafusos já estaria dormindo nas ruas, sem lar e sem teto. Tal pessoa dificilmente encontraria qualquer demanda por sua mão-de-obra no mercado atual. Poderia, no máximo, encontrar um ou outro bico esporádico. E o valor monetário que ele ganhasse seria rapidamente diluído pela inflação.

O fato é que qualquer indivíduo, com um mínimo de treinamento e dedicação, consegue fazer muito mais do que isso. Eu mesmo conheço um cara que era pedreiro ("carregava tijolo") e hoje trabalha em supermercado, atendendo clientes. Upgrade. E ele continua sem ter tido ensino médio.

Essa sua visão, ironia das ironias, é a de que indivíduos são tão burros quanto uma máquina, e incapazes de aprender qualquer coisa nova. Sinceramente, isso não existe. O que existe é comodismo. Qualquer um, numa situação de extrema necessidade, aprende a se adaptar. Sim, exige esforço. Sim, é desconfortável. Sim, seria muito melhor receber tudo pronto e sem qualquer chateação. Mas a vida não é assim. Vivemos num mundo de escassez e não de abundância. Tudo exige determinação, esforço e dedicação.

Agora, se tal indivíduo que você falou realmente é uma porta e realmente não quer aprender mais nada, bom, então aí nada pode ser feito por ele. Só falta agora você querer dizer que todo o progresso tecnológico deve ser interrompido apenas porque há um cidadão que se recusa a se auto-aprimorar na vida.
"Isso é um argumento lógico sim"

Conforme eu disse: e daí? E daí que o consumo aumentaria? O que vc extrai disso? O fato de que o consumo aumentaria em caso de descriminalização faz com que você defenda a proibição de drogas?
Cidadão, entenda uma coisa: o governo (e sua proibição de drogas) não obstrui o surgimento do crime organizado (decorrente do tráfico, que por sua vez é decorrente da proibição); ele fomenta esse crime organizado. Então, você defende algo que FOMENTA o crime organizado. Essa é a consequência do que você defende.


"A comparação com os carros foi um pouco infeliz da sua parte. Carros trazem benefícios para todos. Drogas, e todos nós temos que concordar, só trazem malefícios"

Não, meu amigo, você que continua com a mente bastante confusa: a referência foi feita a "acidentes de carros". Acidentes de carros matam milhões de pessoas, mas nem por isso vc defende a proibição de carros visando a evitar a ocorrência de acidentes de carros. Seja como for, não dá para dizer que todas as drogas só trazem malefícios: vc se esquece dos inúmeros fármacos, que inclusive podem salvar a vida de pessoas. De outro lado, vc continua sem explicar pq álcool e cigarro não deve ser proibidos. Dizer que "uns são mais viciantes que outros" não é explicação. É só fugir da explicação.

Ah, é que você acha que drogas "só trazem malefícios". Ainda que seja assim, e daí? Tudo que eventualmente traga malefício para as pessoas deve ser proibido pelo estado? Então é esse seu argumento? Precisamos de burocratas e políticos dizendo o que é maléfico para nós?

Cidadão: nós somos donos do nosso corpo. A soberania do indivíduo sobre o próprio organismo lhe dá o direito de nele introduzir quaisquer substâncias (inclui drogas) que desejar. Se o estado limitar esta liberdade, ele estará se apossando indevidamente do corpo das pessoas, violando a mais sacrossanta propriedade privada.

Ademais, quando o estado assume o papel de regulador moral, as instituições que seriam naturalmente responsáveis pela moralidade se enfraquecem, abrindo mão de suas funções. O indivíduo se torna menos zeloso e mais dependente, sem falar no apelo do fruto proibido. A inibição moral do consumo de drogas cabe à família, religião, cultura, e não aos burocratas.

Proibir as drogas é nivelar por baixo: restringir a liberdade dos bravos e fortes, que saberiam se controlar e ter uma relação saudável com as substâncias alucinógenas, em nome dos impotentes que se tornariam viciados.

Uma sociedade pode ser caridosa com os fracos, mas não deve se guiar por eles. Proibir as drogas em nome de potenciais viciados é cultuar a mediocridade.


"Mas eles são criminosos e não deixarão de ser quando for retirado o "core-business"deles. Eles não vão passar a acordar às 6 da manhã pra trabalhar. Vão simplesmente migrar de crime"

Os traficantes vão migrar de crime? Sim, e daí? Por causa disso vc defende uma medida (proibição de drogas) que os mantenham como chefões poderosos de crime organizado, matando e praticando violência como decorrência da proibição, que vc mesmo reconhece como sendo aquilo que lhes dá poder? Nossa, que posicionamento racional e humanista esse!

Então vc defende proibição sob o argumento de "evitar" migração de crime? Então vc quer manter os traficantes como chefões do tráfico. Muito sensato e inteligente de sua parte.

Se eles "migrarem" de crime, que sejam punidos conforme o crime que vierem a praticar, ora bolas. O que não é racional - nem moral - é manter um arranjo em que chefões do tráfico matam milhares de pessoas em virtude de uma proibição estúpida, ineficiente e imoral.


"Em tempo, eu nunca defendi o desarmamento civil, ok?"

Como vc é confuso, cidadão!

Eu não disse que vc defende ou defendeu isso; o que eu falei foi uma resposta à sua frase de que "traficantes escravizam a população mais pobre usando armas que o cidadão de bem não pode ter", frase que não tem nenhuma serventia para para quem defende proibição de drogas, como vc vem fazendo.














A evolução tecnológica se dá a pequenos passos, muitas vezes desconexos no início. Porém, sempre firmes e, às vezes, rápidos.

A cada passo da criação de algo, o ser humano também fica mais inteligente e com mais capacidade.

O seu cenário é possível sim, mas neste caso, as máquinas seremos nós. Afinal, somos máquinas, mas biológicas, naturais (ou como alguns querem: que Deus fez) e então é sim possível a criação de uma máquina semelhante, mesmo que isso dure vários milênios para acontecer, dado que podemos estudar sistematicamente a natureza e aprender com ela (ou, como querem alguns, porque Deus nos fez a sua imagem, então somos co-criadores).

Claro que, neste ponto, as duas máquinas (biológica e artificial) se confundem. Eu diria que criaríamos o nosso próprio corpo, de acordo com a nossa necessidade. Então, neste sentido, as coisas ainda seriam feitas por nós mesmos. Tem gente que leva a sério esta do transhumanismo e do homo technologicus (TripleC)

Sobre as máquinas serem programadas... Sim, de fato é isto, você pode programá-las para aprenderem, para interagirem, para reagirem e para otimizarem seu funcionamento. E mais, se você programar tudo isso de forma que a máquina o faça automaticamente (por ela mesma), ela se torna auto-reativa, com auto-aprendizado (aprendizado não supervisionado), auto-otimizada, auto-organizada etc. (Auto-X). As interações entre várias delas suscita novidades "não previstas", o que é chamado processo de emergência.

Na moderna IA, não se fala mais em programar o computador para realizar tal e tal tarefa (isso ainda é muito comum, mas não é mais alvo de pesquisas [= realidades futuras]), mas se fala em ensinar o computador a realizar tal e tal tarefa.

Mas essas características não vão acabar com os empregos, mas somente com os empregos ruins, exatamente como diz o artigo...

Abraços
Mesmo que as máquinas substituam tudo que fazemos hoje (não só na produção, mas estamos falando em praticamente todos os níveis de serviço hoje existentes, desde restaurantes até agências de publicidade e entretenimento) sempre existirá mais "trabalho" a ser realizado.

As nossas necessidades irão mudar em um mundo de uma "inteligência artificial plena", iremos nos dedicar a outras atividades. Por exemplo, em um mundo assim talvez uma parcela maior da população se dedique a esporte profissional (a não ser que você me diga também que iremos preferir ver jogadores de futebol robôs…), outras áreas do conhecimento humano, exploração espacial e por aí vai.

Entenda, meu caro: os recursos são escassos! Mesmo que as máquinas produzam "tudo" eles continuarão sendo escassos. O que iremos consumir pode ser muito barato em um futuro assim, mas os recursos continuarão escassos e desta forma eles terão sim preço.

A realidade é que, independente do que você acredita ser inteligência artificial ou não, com exceção do cenário apocalíptico das máquinas nos destruírem, elas irão continuar a ser ferramentas que irão aumentar a nossa produtividade. Se uma fábrica precisar apenas de uma pessoa para ir lá e apertar o botão a cada 100 anos isso significa que a produtividade alcançada é altíssima. Apenas isso…

Realisticamente, a economia é complexa demais para acreditar que máquinas irão simplesmente substituir os homens em todos os níveis possíveis de trabalho existentes (ou que nem existem ainda…)
"O tributo do pessoal ativo + tributação do lucro (apesar dos altos lucros serem temporários, eles não são nulos ao longo do tempo) não seriam suficientes para pagar a "renda básica"?"

A renda básica e todo o resto das operações estatais hoje vigentes?

Detalhe: os valores nominais arrecadados seriam decrescentes, o que significa que tanto os salários dos funcionários públicos e dos políticos, quanto o salário de toda a população (a "renda básica"), bem como todos os repasses a saúde, educação, segurança, justiça, cultura, lazer etc. terão de encolher anualmente em termos nominais. Isso nunca aconteceu em lugar nenhum na história do mundo.

Gostaria de ver a turma toda aceitando isso.

"o valor arrecadado pelo governo não seria maior em termos reais, apesar de não aumentar nominalmente?"

Depende. O valor nominal certamente irá cair. A questão então passa a ser: a deflação de preços cairá ainda mais?

E, mesmo que isso ocorra, o que comanda a política e a população são os valores nominais. Sempre foi. Nunca ninguém aceitou contínuas reduções nominais sob a promessa de que "ano que vem tudo estará mais barato, portanto aceitem". Esse será o jogo.

"Qual a diferença entre o governo arrecadar um valor nominal menor (mas com ganho real) e um valor nominal maior (mas com ganho real menor). O primeiro caso não seria melhor para o governo?"

Falta combinar com os funcionários públicos, com os políticos e com toda a população. A Grécia, por exemplo, está em deflação monetária (todo mundo tirou os euros de lá e mandou para outros países da zona do euro) e até mesmo com deflação de preços. Mas ninguém quer saber de redução salarial. Com isso, o desemprego vai para os dois dígitos. A Espanha está na mesma situação.

"Ou seja, por que a deflação é ruim para o governo?"

Porque afeta suas receitas nominais. E todo mundo só quer saber de ver os valores nominais subindo. Nunca o funcionalismo público, os dependentes do assistencialismo e os setores da saúde, educação, segurança, justiça etc. aceitaram reajustes salariais para baixo. Em nenhum país do mundo. Pode vir a acontecer? Até pode. Mas aí seria algo completamente inédito.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Economista Ordinário  18/04/2014 14:38
    Características congênitas jamais deveriam ser decisivas no alocamento de um indivíduo em uma sociedade. Quando são, uma vitória das mentes reacionárias é obtida - a estratificação social foi definida por elas.
    Seres humanos, paridos de ventres pobres ou ricos, tem as mesmas necessidades físicas. Nada mais correto que todos tenham a mesma oportunidade de supri-las. Para isto, temos o Socialismo!

    Neste sistema mais-que-perfeito, apenas duas castas são encontradas:

    (1) - Trabalhadores do Estado
    (2) - Trabalhadores da Sociedade

    Todos tem a mesma oportunidade de praticar altruísmo diariamente - a única oportunidade relevante na vida de um Ser Humano. E todos também tem a igual oportunidade de receber proporcionalmente ao esforço que sua casta encontra na realização das tarefas diárias.

    (1) - São os trabalhadores mais nobres da Terra! Abstêm-se do trabalho braçal, extremamente prazeroso, por um trabalho intelectual cansativo. Estudam sem cessar as necessidades dos Trabalhadores da Sociedade, para coordenar o trabalho destes corretamente. Nada mais justo que comerem melhor e terem as melhores coisas - afinal, seu trabalho é enfadonho.
    (2) - O esforço físico desta casta é a chave da transformação das matérias primas em bens de consumo. Mas, não são autônomos! Não tem a capacidade de alocar seu trabalho corretamente em alinhamento com o bem comum. Este trabalho de alocação é mais degradante que qualquer outro. Não comem tão bem quanto os Trabalhadores do Estado e não tem as melhores coisas, mas como suas necessidades físicas são supridas, reclamar é desnecessário e a reclamação deve ser criminalizada!
  • Luis Filipe  18/04/2014 16:50
    Digno de um romance de George Orwell
  • Pobre Paulista  19/04/2014 02:49
    Achei que ele falava do Brasil mesmo.
  • Carlos  19/04/2014 15:10
    Mesmo tendo as mesmas necessidades físicas, as pessoas tem méritos diferentes (uns se esforçam mais que outros, uns tem mais valores que outros, uns são mais leais que outros, etc) e, portanto, a igualdade de oportunidades/resultados é intrinsecamente injusta.

    Daí o fracasso inegável de qualquer forma de socialismo. O socialismo somente implica em cinismo crescente da população e em fracasso econômico. Fica o pergunta: há pelo menos um caso de sociedade socialista que tenha prosperado?
  • Marcelo Motta  18/04/2014 15:21
    A igualdade perante as leis já é a igualdade suficiente a que a humanidade pode suportar. Defender qualquer outro tipo de igualdade, é apenas um eufemismo para que os invejosos e preguiçosos continuem se escorando nas conquistam alheias. De um lado, sua inveja encontra justificativa na falta de oportunidades, do outro sua preguiça apenas aguarda o momento de gritar "justiça social" para exigir o mesmo benefício, sem que faça o mesmo esforço.

    Igualitários são como toupeiras, cavando o buraco da humanidade cada vez mais fundo, enquanto apenas aguarda o seu alimento chegar pelas paredes, pelo chão, pelo teto.

    Aliás, igualitários não são como toupeiras, pois, estas precisam trabalhar para construir os seus túneis.
  • Eduardo Bellani  18/04/2014 16:32
    A igualdade perante as leis já é a igualdade suficiente a que a humanidade pode suportar.

    E assim você caiu na armadilha gramatical. Existem 3 tipos de sentidos normalmente usados para a palavra igualdade:

    1 Igualdade econômica.
    2 Igualdade perante as leis (jurídica)
    3 Igualdade com as leis (justa)

    Usado na 1, você tem o totalistarismo socialista. Usado na 2, você tem o estatismo. Usado na 3, você tem uma sociedade livre.

    Recomendo esse artigo: Igualdade: o ideal desconhecido
  • Marcelo Motta  18/04/2014 20:39
    Obrigado pelo artigo indicado. Acrescentou e corrigiu alguns conceitos e conhecimentos que eu tinha em mente.

    Mas, ainda não estou de todo convencido que possa existir, na prática, uma igualdade com as leis. Eu estou no segundo grupo entre aqueles que defendem a igualdade lockeana. Porque não consigo conceber uma sistema praticável que garantisse a proteção da liberdade total.

    Veja, ainda que estejamos falando numa liberdade em termos negativos, isto não muda o fato de que alguns indivíduos poderão utilizar da força para violar a liberdade alheia. E mesmo sendo garantido a todos o direito de proteger-se, não há qualquer garantia que ele teria sucesso neste intento. Daí, penso ser necessário atribuir a um Estado o poder de uso da violência para garantir a liberdade de todos os indivíduos. Trata-se não de um poder coercitivo, mas, de um poder restritivo e punitivo.

    Desta forma, pelo menos, por enquanto, insisto: a igualdade perante as leis já é a igualdade suficiente que a humanidade pode suportar .


  • Bernardo F  18/04/2014 15:21
    Uau. Que texto esplêndido.
  • Aron  18/04/2014 20:49
    OFF/ existe neste site algum artigo que explique a recessão japonesa, gostaria de ver uma analise desse evento sob o ponto de vista da escola austríaca.
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/04/2014 21:01

    Duas características dos esquerdistas e criaturas similares: (1) reivindicam o monopólio da virtude e (2) querem debater intenções e não resultados práticos. Basta pedir para que definam seus termos e deem exemplos antes de respondermos duas questões para ser demonizado.

    * * *
  • Felipe C. Figueredo  15/04/2015 01:18
    Achei fantástico sua abordagem, sintetizou estes últimos tempos de uma maneira didática e clara, menos para os míopes eternos. Assino em baixo.
  • Antônimo  19/04/2016 02:22
    Emerson Luis: sintetizou muito bem. Monopólio da virtude e detenção da régua moral que determina em que medida cada indivíduo deve ser "desigual" para atingir tal "igualdade". O conceito de "igualdade de oportunidades" não resiste sequer à análise do termo "oportunidade". Vamos lá: QUEM define o que é oportunidade? Para alguns, é CONQUISTAR uma vaga de emprego. Para outros, é GANHAR tal vaga, e ainda, para um terceiro grupo, pode ser PERDER o emprego(!!). Quem sabe lá o que se passa na cabeça de cada indivíduo? Ainda que soubesse, quem seria capaz de prever ou calcular o que é oportunidade para cada indivíduo? "Igualdade de oportunidades", considerados, implica em conhecimento absoluto sobre cada aspecto da humanidade (versão mais utópica). Ou absoluta mentira/absoluto cinismo (versão mais realista).
  • André Terra  19/04/2014 01:05
    Percebi uma certa confusão entre "igualdade de oportunidades", a qual entendo procedente, e a "igualdade de resultado", esta sim, que gera distorções. Diante da exemplificação do autor, situando os aspectos distintivos socioeconômicos , culturais e biológicos, vejo como apropriado o estabelecimento de um patamar mínimo de acesso aos bens sociais pelos indivíduos para que estes possam se desenvolver na medida de suas aptidões. Pareceu-me que o autor criticou, na realidade, a igualdade de resultados (foco e meta de regimes estatizantes, pois centram a igualdade no "resultado", isto é, nas condições finais objetivas de cada um e de todos), mas deu o nome de "oportunidades", que é o contrário, portanto, investe "a igualdade" nas condições a priori, no ponto de partida, deixando o resultado a cargo do mérito, desempenho e competência dos indivíduos.
    ===
    Gentileza publicarem esta esta versão.
    Grato,
  • Ricardo  19/04/2014 01:37
    Percebeu errado. O autor inclusive gasta uma parágrafo inteiro falando da igualdade de resultado e distinguindo-a da igualdade de oportunidade. Se você realmente leu o texto, saberá que parágrafo é esse.

    Igualdade de oportunidade é impossível se o berço é diferente, se a criação é diferente, se o carinho paterno é diferente, e se a inteligência nata é diferente. Se eu nasci com tudo isso e cocê não, já não há igualdade de oportunidade. É impossível, portanto, haver qualquer tipo de ponto de partida igualitário -- que é justamente o conceito de igualdade de oportunidade.

    Mais atenção na próxima e seja menos afobado. É sempre bom restringir os impulsos e conter os ânimos antes de sair aponta dedos.
  • Andre Terra  19/04/2014 03:04
    Olá Ricardo,

    Sim, eu li o texto e vi a referência do autor sobre a igualdade de resultados. No entanto, não está esclarecida no texto, ou no seu comentário, a ambiguidade e ambivalência presentes nos conceitos tomados por igualdade. Mas, a partir do seu exemplo, tanto você quanto o autor parecem se referir à "igualdade" como um parâmetro UBÍQUO e ABSOLUTO, algo aplicável tanto à "estrutura humana do planeta"(no caso da ironia do autor) quanto ao âmbito familiar(sua citação), o que é um equívoco porque são coisas de ordens completamente diferentes. Veja, exatamente por existir a diversidade de contextos micro e macrossociais, creio ser defensável uma base mínima que permita aos sujeitos, oriundos de toda essa variedade e de contingências socio-bio-econômica-afetivas e cognitivas distintas, terem acesso aos recursos que são considerados fundamentais para o desenvolvimento pessoal. A posição do autor é extrema porque trata daqueles que levam a igualdade ao extremo, e nesse sentido, as críticas se anulam, ambos se "equivalem", se me permite a ironia.

    Saudações,
  • RISP  12/04/2015 20:21
    não sei se foi proposital (trollagem) ou não, mas o André Terra fugiu da discussão com raciocínio convoluto e construções confusas, no melhor estilo "Allan Sokal" e outros da academia, que escondem sua falta de conteúdo numa estrutura gramatical propositalmente pomposa e cheia de parêntesis que nunca terminam, a fim de desestimular uma discussão honesta.
  • Sandro lima  13/04/2015 23:12
    Eu entendi +/-, O que ele quis dizer foi:
    "Não interessa, se este indivíduo tem a cabeça grande, e aquele indivíduo tem 3 pernas".
    Para o estado, os dois possuem, como ponto de partida, bens básicos, acesso a escola,
    a saúde etc".


    Quando na realidade, quando fazem essa pergunta, o que eles realmente esperam ouvir é: "você gostaria de abrir mão do seu dinheiro conquistado através de anos do seu suado trabalho, para poder pagar escola, hospital diferenciado para seu filho, para dar uma chance para quele garotinho ali, que o pai dele passou a vida toda coçando o saco, ter as mesmas chances que o seu filho futuramente??"
    Minha resposta: HÁ!
  • anônimo  13/04/2015 23:42
    'exatamente por existir a diversidade de contextos micro e macrossociais, creio ser defensável uma base mínima que permita aos sujeitos, oriundos de toda essa variedade e de contingências socio-bio-econômica-afetivas e cognitivas distintas, terem acesso aos recursos que são considerados fundamentais para o desenvolvimento pessoal.'

    Também acho, e quem faz isso é o livre mercado.
  • Marconi  19/04/2014 19:20
    A igualdade de oportunidade tem que ser buscada. Sem ela, não há mérito. Sem mérito, não há justiça.

    Quem nasce em "berço de ouro", jamais saberá que venceu na vida porque largou na frente ou se é porque era bom mesmo.

    Não creio que seja possível fazer uma igualdade absoluta, mas também não é certo um bebê mal ter o que comer (e isso influenciar na sua capacidade física/intelectual de forma permanente) enquanto outro nasce em "berço de ouro".

    É preciso uma renda mínima para que, mesmo que continue existindo uma grande desigualdade, que ela não seja tão exagerada, praticamente intransponível.
  • Marcos Cury  20/04/2014 17:16
    Então assumimos que uma criança que nasceu em uma comunidade pobre e com uma família desestruturada é burra, e não adianta colocá-la em um sistema de ensino de qualidade que seu destino já está fadado à miséria? Não temos pessoas com QI suficiente para se tornarem excelentes profissionais em qualquer ramo, que não possuem recursos financeiros o suficiente para chegar lá? É fácil rotular as pessoas como vagabundos, preguiçosos, invejosos. É fácil entrar em uma universidade de ponta quando se tem 8 horas por dia para estudar. Agora vá dizer ao moleque que está trabalhando com 14 anos de idade para ter o que comer que ele não vai nunca ter a oportunidade de ter uma ascensão econômica porque infelizmente ele não teve berço.

    Devemos então deixar a seleção natural fazer sua parte e varrer os menos favorecidos para debaixo do tapete?
  • Ordenhador  20/04/2014 18:39
    A única coisa fácil e inquestionável é rotular você, Marcos Cury, como burro e ignaro.

    Em momento algum o artigo diz que "uma criança que nasceu em uma comunidade pobre e com uma família desestruturada é burra". Aponte, por gentileza, o parágrafo em que isso sequer é insinuado. O fato de você ter concluído isso mostra que o seu QI é abaixo do mínimo requerido para se ser civilizado. Tampouco o artigo diz que "não adianta colocá-la em um sistema de ensino de qualidade que seu destino já está fadado à miséria". Aponte o trecho que diz isso.

    Não sei se sua intenção foi caluniar ou apenas gemer. O certo é que, por não ter como rebater os argumentos do artigo, e por se sentir incomodado por eles, só restou a você o batido recurso da gemeção e do esperneio. Atitude típica dos bocós que tentam recorrer a efusões de sentimentalismo para fazer seu ponto.
  • anônimo  20/04/2014 18:49
    Tava demorando, toda semana aparece um desses falando que a economia liberal vai foder com o pobre; é justamente o contrário, a pobreza no Chile caiu quando ele passou de comunista pra liberal, e o mesmo em todos os países que fizeram reformas liberais.Tudo que realmente melhora a vida do pobre vem do livre mercado, não da esmola estatal.

  • Mr. Magoo  20/04/2014 19:28
    Marcos: Facebook, Apple, Microsoft, Google, me diga qual dono/chefão dessas empresas era "filinho de papai"?
  • anônimo  20/04/2014 22:51
    mimimimi falta de oportunidade mimimimi
    Falta de oportunidade? A maioria desses caras nem faculdade tem, começaram as empresas numa garagem
  • anônimo  12/04/2015 22:17
    Bill Gates era
    Mas isso é irrelevante, no máximo ele tinha dinheiro pra investir mas ainda teve que aprender a programar, aprender a administrar, a selecionar o pessoal, a definir o rumo da empresa...
    Bill Gates é o cara que teria sucesso em qualquer ramo.
  • Mr. Magoo  21/04/2014 18:49
    Marcos você esqueceu:-E já pensou a tristeza de não poder ter todo mundo com o corte de cabelo...da Dilma?-
  • Gunnar  22/04/2014 19:18
    A liberdade é um valor em si, o que já faz do arranjo libertário o único modelo moral e eticamente defensável. A grande ironia é que, para além disso, como bônus ele ainda traz todos os benefícios que os estatistas tanto prometem entregar de bandeja, cobrando em troca nosso dinheiro e obediência. As oportunidades dos menos validos (seja intelectual, seja financeiramente, seja por terem uma família desestruturada) só podem efetivamente melhorar com o crescimento econômico, e em todos os sentidos: não só cresce a demanda por mão-de-obra cada vez menos especializada, mas também produtos e serviços se tornam cada vez mais abundantes e baratos (incluindo aí saúde e educação), e a cada dia surgem novas tecnologias para melhorar sua qualidade de vida. O mais próximo que um estatista pode chegar de "melhorar as oportunidades" dos desvalidos é, no máximo, uma tapação de sol com a peneira de efeito pífio, cujos custos, em matéria de cerceamento econômico (um enorme ceifador de oportunidades), mais do que (des)compensam tais "ganhos".
  • Gustavo Leal  24/04/2014 15:04
    Tenho uma dúvida. Se uma criança de 3 a 14 anos, por exemplo, não tem condições de saber o que é bom para ela (ou de saber quais bens ela quer adquirir e manter) e sendo que pais que decidem se uma criança deve estudar ou não, ou se a criança terá plano de saúde ou não, não seria sensato haver esses serviços públicos para este tipo de "público alvo"?

  • Alfredo Gontijo  24/04/2014 15:17
    Claro! Não há melhor maneira de ajudar crianças do que colocando burocratas para cuidar delas! Genial...

    Como explicado nesse artigo:

    Uma parte vital do objetivo da esquerda progressista é a destruição da família tradicional, "burguesa" e composta de pai e mãe, que deve ser substituída por um sistema em que as crianças são criadas e educadas pelo estado e por sua Nova Classe de orientadores, tutores, terapeutas e demais "cuidadores" infantis.
  • Gustavo Leal  24/04/2014 15:32
    Alfredo, já lido o artigo que você sugeriu e obrigado pela resposta. Veja que, apesar de ter sido irônico, não respondeu à pergunta implícita: como fica a liberdade das crianças se os pais não quiserem dar educação a elas já que ainda não têm poder de escolha?
  • Alfredo  24/04/2014 15:43
    Ora, você irá ajudá-la. Os familiares irão ajudá-la.

    Mas antes você tem de provar que a atitude dos pais é errada, algo que você em momento algures deu ao trabalho de fazer. Eu, por exemplo, conheço uma família cujo pai tradicionalista proibiu suas filhas de estudar em universidades. "Há muita droga", disse ele. E o que ele dez? Colocou-as para trabalhar. O resultado? Elas hoje são comerciantes muito bem sucedidas. E sem ter perdido tempo alisando banco de faculdade.

    Eu mesmo brinco com elas dizendo que, se tivessem se formado em administração, certamente já teriam ido à falência, pois teima aprendido muita porcaria sem aplicação prática no mundo real.

    As coisas reais são um pouquinho mais complicadas do que sugerem suas simples suposições.
  • Gustavo Leal  24/04/2014 16:07
    Então você está dizendo que se um pai negligente não querer que o filho aprenda a ler e a escrever não há problemas nisso?! O exemplo que você deu não é o que ocorre geralmente. Realmente, tem gente no mundo da fantasia aqui, mas não sou eu.
  • Alfredo  24/04/2014 16:13
    Eu acabei de responder. Você e familiares irão se prontificar para resolver a situação. E ainda expliquei que, não obstante, há um ônus da prova. Você convenientemente ignorou isso e apenas repetiu a pergunta em um tom afetando ainda mais indignação. Isso é recurso de quem quer defender algo mas não tem coragem de se expressar abertamente.

    Por isso, vou desentocá-lo: você defende que essas crianças sejam compulsoriamente levadas para orfanatos e semelhantes instituições estatais (que já existem, ao contrário do que você deixou implícito) para serem "cuidadas" por burocratas? Sim ou não?
  • Gustavo Leal  24/04/2014 16:25
    Compulsoriamente não. Porém sempre haverá pais que não irão conseguir pagar um ensino privado para seus filhos (mesmo que haja concorrência entre elas) e que, portanto, terão a oportunidade de matriculá-los em uma instituição pública. Ora, a criança não tem culpa de seus pais não conseguirem bancar os estudos e ainda não tem idade suficiente para colocar em prática sua liberdade plena de estudar ou não. Sou membro do Rotary International, e acredite, nem mesmo 1,2 milhões de pessoas em um clube beneficente conseguem resolver este tipo de problema.

    Agora, imagine se o pai de Mises não o colocasse para estudar? Tem certeza que "há muita droga" em uma universidade?
  • Pedro  24/04/2014 17:30
    Juro que não entendo sua posição, Gustavo. Esse arranjo que você defende como senso o ideal é exatamente o que já existe e que está em pleno vigor há mais de 25 anos no Brasil. Escolas públicas, hospitais públicos, creches e orfanatos estatais. Logo, cabe a você o ônus da explicação do fracasso e/ou ineficiência destes arranjos.
  • Gustavo Leal  25/04/2014 12:38
    Pedro, eu só tenho essa dúvida e levantei uma questão. Acredito piamente em livre mercado, acredito na teoria dos ciclos econômicos de Mises e tudo o que leio da Escola Austríaca de Economia me parece a coisa mais sensata. No entanto minha dúvida é: acredito, sim, que devemos respeitar a liberdade incondicional de todas as pessoas. Porém, as crianças não têm idade para saber o que querem. A questão é pensar qual é a solução para dar o mínimo de condições para que estas crianças sejam competitivas no mercado de trabalho, já que não têm culpa das escolhas realizadas pelos pais no passado e no presente delas e que, certamente, influenciará o futuro. Machlup foi um pioneiro ao afirmar que capital humano é insumo de uma nação. Você deu o exemplo das escolas públicas no nível fundamental do Brasil serem um fracasso. Porém, nos EUA e na Coreia do Sul não o são. Veja bem, estou defendendo que a escola pública seja uma alternativa para pessoas que ainda não sabem o que fazer. Espero ter elucidado um pouco a dúvida, pois não estou dizendo que estou certo, apenas é um questionamento.
  • Juliano  25/04/2014 13:54
    Gustavo,

    Acredito que vc esteja misturando algumas coisas.

    Sim, investir em educação é importante. Existem algumas famílias que não terão condições de fazer esse invetimento e precisarão de caridade. Isso é um fato. Pode não ser culpa nem das crianças e nem dos pais.

    Mas aí vem outra pergunta: é legítimo você obrigar outras pessoas, mediante violência, a fazer essa caridade? A questão não é se existe a necessidade, a questão é se essa necessidade legitima você a pegar o que não é teu. A resposta libertária seria um sonoro não.

    Perceba que isso já existe fora das fronteiras dos Estados. Ninguém ganha legitimidade para tirar dinheiro à força de brasileiros para fazer uma escola no Paraguai, por mais que exista essa necessidade por lá. Pela mentalidade estatista, os pobres dentro de uma linha imaginária merecem caridade, mesmo que forçada, enquanto pobres fora dessa linha não são problemas nossos. Inclusive existem leis para impedir que pobres cruzem essas linhas imaginárias e que, caso realmente tentem, sejam abatidos.

    Por que seria legítimo você obrigar alguém a pagar por uma escola em Manaus mas não seria legítimo obrigar alguém a pagar por uma escola em Assunção?

    Já a caridade voluntária não enxerga fronteiras. O próprio Rotary, que você citou, tem presença em vários países e não precisa ficar forçando ninguém a lhe dar dinheiro. Pobres paraguaios não são diferentes dos brasileiros, são todos seres humanos e merecem respeito da mesma maneira.

    Abraços,
    Juliano
  • Gustavo Leal  25/04/2014 14:07
    Obrigado, Juliano. Vou bem elucidativo seu ponto de vista. Confesso que tenho que pensar mais sobre o assunto e, com certeza, seu ponto de vista será de grande importância.

    Abraços.
  • Wasabi  25/04/2014 17:06
    Alguns são mais iguais que os outros, simples assim.
  • Roger  26/04/2014 01:04
    Após ler esse artigo descobri que sou reacionário. Fascista. Nazista. Tudo o que o socialismo odeia. E já li "Animal Farm" também: sei do que os porcos são capazes.
  • Zappa  21/06/2014 22:13
    Caros, o que acham dos seguintes verbetes da wikipedia?

    - pt.wikipedia.org/wiki/Discurso_politicamente_incorreto
    - pt.wikipedia.org/wiki/Politicamente_correto
  • anônimo  27/01/2015 09:56
    wikipedia = lixo.
    Não entendo como alguém pode levar isso à sério, é óbvio que um wiki onde qualquer um pode editar vai refletir não a verdade mas sim o pensamento geral das massas medíocres, ou no máximo as mentiras que são repetidas à exaustão nos cursos de humanas
  • Felipe  26/01/2015 20:47
    É óbvio que a igualdade de oportunidade absoluta é impossível, e concordo que qualquer força externa na tentativa de concretizar tal ideia é, no melhor dos casos, vã, e no pior, bastante perniciosa; mas há diferenças naturais e diferenças artificiais, e nessas duas, diferenças altamente degradantes e diferenças irrelevantes ou superáveis pelo puro esforço individual médio. Quanto às diferenças artificiais degradantes, devem ser sempre alvo de políticas públicas - exatamente aquelas que liberais dos mais ortodoxos tentam desmontar. Considero-me hoje um liberal bastante moderado, e não entendo como é possível que se veja beleza em deixar morrer o pobre que nada herda, enquanto alguns crescem em apartamentos de milhões, achando que isso é a ordem mais natural da vida. A questão é dirimir essas diferenças em algum nível - tornar possível para todos alguma dignidade -, não seguir a linha marxista de destruir a livre sociedade empreendedora. Como propôs Karl Popper (ex-marxista e combatente fervoroso pela democracia), o Estado deve adotar a postura do utilitarista negativo, ou seja, minimizar o sofrimento que é possível e justo minimizar, e não prover a "felicidade": apenas abrir caminho para ela.
  • Jarzembowski  27/01/2015 12:58
    Todo esquerdista fundamenta seus argumentos nessa tentativa de obtenção de autoridade moral.
    Só ele se preocupa com o sofrimento alheio, só ele se compadece dos pobres e desafortunados e a receita pra corrigir isso é sempre uma montanha de dinheiro pra burocrata gastar.
    O maior gerador de "diferenças artificiais degradantes" são as políticas públicas e os burocratas cujas bolas você lambe com tanta avidez.
    Claro que não poderia faltar a dissonância cognitiva: O que você defende é precisamente o que existe hoje na maioria das democracias ocidentais, inclusive nesse buraco onde vivemos.
    Pro Estado minimizar o sofrimento humano basta reduzir seu impacto destrutivo sobre os agentes que realmente criam riqueza e prosperidade.


    O estado gera as desigualdades sociais que ele próprio alega ser o único capaz de resolver

    Vamos debater as causas da pobreza

    A redistribuição é uma ideia economicamente insensata



  • Vander  12/04/2015 17:21
    "Considero-me hoje um liberal bastante moderado, e não entendo como é possível que se veja beleza em deixar morrer o pobre que nada herda, enquanto alguns crescem em apartamentos de milhões, achando que isso é a ordem mais natural da vida."

    Quer dizer que o rico que tudo herda possui beleza em sua própria morte? Gente, que pensamento de puro terror! Imagina se essa cabecinha fosse liberal radical então? Desde quando a morte é objetivo de beleza? A única coisa que eu já presenciei que iguala à tal pensamento são os dogmas de certas religiões que pregam a miséria absoluta como único meio de alcançar o paraíso. Principalmente quando o indivíduo era sacrificado em altares para coroar a 'beleza' do ato.

    Quanto mais ouço e leio o que essa gente louca e paranoica fala e escreve, mais me convenço que está mais que na hora de algum empreendedor inventar a dobra espacial, URGENTE, e permitir que escapemos desse hospício de loucos.

    "Como propôs Karl Popper (ex-marxista e combatente fervoroso pela democracia), o Estado deve adotar a postura do utilitarista negativo, ou seja, minimizar o sofrimento que é possível e justo minimizar, e não prover a "felicidade": apenas abrir caminho para ela."

    E para fechar com chave de ouro o terrorismo, nada mais óbvio do que defender o 'empobrecedor' supremo da humanidade: o Estado. O avatar da miséria em pessoa. O único deus que à milênios tem tornado a vida humana uma verdadeira... miséria!
  • Rayanne Galavotti  15/02/2015 17:11

    Lançamento livro de Theodore Dalrymple, inédito no Brasil - já está na pré-venda

    www.facebook.com/erealizacoeseditora/photos/a.213839598654854.50130.213460985359382/818508638187944/?type=1&theater
  • Rafael Sarkissian  12/04/2015 16:00
    Excelente artigo. Comentando:
    E mesmo se a igualdade de oportunidade (genética, intelectual, familiar, física, geográfica etc) fosse possível, perderia sua função (competir com igualdade), pois os resultados obtidos por pessoas iguais seriam obviamente iguais, ou seja, ao fim da disputa que motivou a "igualdade" não haveria um vencedor, um mais apto, um mais belo etc, pois todos teriam extamente o mesmo nível.
    É uma idéia ilógica e absurda, poreém, não nos enganemos, seus pregadores sabeem muito bem disso e não são ingênuos. Eles atiram "errado" de propósito para acertarem um outro alvo que, hoje, não está visível.
    O discurso da igualdade de oportunidade, além de servir para perpetuar políticos demagogos, subliminarmente acostuma as mentes dos cidadãos à nova ordem mundial (sem competição, sem melhor nem pior), seduzindo-os inconscientemente com palavras bonitas.
  • marcelo  12/04/2015 16:06
    Igualdade. Palavra mais abjeta da língua portuguesa. Existe uma paranóia esquerdista pela busca de igualdade. Igualdade nunca vai existir porque os seres humanos são diferentes, simples assim. A única forma de atingir igualdade é através da coerção, da força, do Estado opressor. Logo IGUALDADE = TOTALITARISMO. Eu não sou rico, muito pelo contrário, e não invejo os ricos, e não me incomoda que existam bilionários. Quando um esquerdista PROJETA suas ideias para os outros como única solução, ele na verdade está sendo totalitário, o verdadeiro opressor. Existem pessoas como eu, e como o autor do texto, e acredito outros milhares ou milhões que NÃO querem igualdade, não ao menos igualdade como fim, como objetivo. Eu valorizo outros valores, valorizo a liberdade e as diferenças. Quem busca igualdade, sinceramente, precisa de tratamento, precisar tratar a inveja, pois tem problemas sérios de convivência em sociedade onde existem os "diferentes" como eu.
  • anônimo  12/04/2015 22:19
    Igualdade nunca vai existir e exatamente por isso sempre vai ser uma bandeira da esquerda, é a coisa mais conveniente do mundo: lutar pra sempre por algo que nunca chega, e lógico, dependendo de uns parasitas mentirosos pra isso
  • Daniel Marchi  13/04/2015 20:46
    Leiam tudo de Theodore Dalrymple. É desses autores que uma eventual discordância se transforma rapidamente em aprendizado.
  • Geraldo  15/04/2015 19:07
    Vira e mexe se vê falarem em vestibular igualitário, com democratização de acesso, igualdade de oportunidade e outras baboseiras esquerdistas. Ora,todo processo seletivo pressupõe desigualdade. Num vestibular com igualdade de oportunidade onde, por exemplo, existam 5000 candidatos e 50 vagas, todos os 5000 candidatos teriam de ter o direito de ocupar as 50 vagas, o que contrariaria a lei da física que diz que dois ou mais corpos não podem ocupar o mesmo espaço.
  • anônimo  16/04/2015 01:06
    Rapaz, tudo no vestibular está errado.Vestibular não devia nem existir.Se eu sou obrigado a PAGAR pelo troço lá, porque diabos depois eu devia entrar numa competição pra depois ter acesso ao troço que eu já paguei?
    Privatiza TUDO e fim da obrigatoriedade de diploma, esse é o ponto.Não percam o foco discutindo besteira de cotas.


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