O estado é o grande gerador da criminalidade que ele tenta combater

O brasileiro vive com medo.  Sair à rua gera medo.  Ficar em casa gera medo. Todo esse medo graças aos enormes números do crime no Brasil.  De quem é a culpa disso tudo?

Só no ano de 2012, mais de 50 mil pessoas foram assassinadas no país, e tivemos registro de mais de 556 mil casos de roubos e furtos a residências e comércios.  Mas os números podem ser ainda maiores, pois o desânimo é tanto que a maioria dos crimes nem sequer vira ocorrência policial.

Ocupamos hoje a perigosa posição de 11º pais em número de homicídios a cada 100 mil habitantes.  Segundo a Pesquisa Nacional de Vitimização, 21% dos entrevistados foram vítimas de algum tipo de crime nos últimos 12 meses.  Das 50 cidades mais violentas do mundo, o Brasil tem 14 delas no ranking.

Uma área da ciência econômica chamada de Economia do Crime trata a ação criminosa da mesma forma que trata a ação econômica: como um ato racional de empreendimento que leva em consideração o custo e o retorno que, nesse caso, incide sobre o ato de cometer um crime.

Como dito por Mises em Ação Humana, toda ação consciente efetuada por um indivíduo tem o objetivo de retirá-lo de uma situação de menor conforto e levá-lo para uma situação de maior conforto em relação à situação atual. Um investidor ou empreendedor sempre toma por base, para validar seus investimentos, o risco e o retorno esperado da ação.  Da mesma forma, um criminoso avalia o cenário para cometer o crime, seja um assalto a banco ou, simplesmente, estacionar em local proibido.  É isso mesmo: você empreendedor pensa da mesma forma que um assaltante.

Ícones da esquerda brasileira defendem que o aumento da criminalidade é resultado da desigualdade social e econômica do país, ou, ainda, que a culpa é da vítima.  Repito: da vítima.  A solução seria uma reforma do sistema capitalista ou a implantação do socialismo.  O que parece ser uma contradição quando se compara os resultados que o governo se vangloria de ter atingido e os grandes números na criminalidade.

Já o pessoal da direita diz que a causa da criminalidade é que todo criminoso é um pervertido, e que esse comportamento é intrínseco a pessoa.

O fato é que não existe uma causa única no fenômeno da criminalização, muito menos existe uma única solução, ou uma solução simples.  Como liberal, gostaria de parafrasear Bastiat e chamar a atenção para aquilo que não se vê: se existe algum "sistema" que deve ser reformado ou substituído, com certeza este seria o sistema de intervenção estatal ao qual estamos submetidos.

Seguindo a lógica da Economia do Crime podemos, facilmente, visualizar que o estado é o grande responsável pelo aumento da criminalidade.

Como?

Agindo de duas formas: diminuindo os riscos e os custos de se cometer um crime, e aumentando os riscos e os custos de se empreender uma atividade lícita e moralmente aceita.

Promovendo a sensação de impunidade

Muitos liberais defendem a existência do estado para cuidar do sistema judiciário, do policiamento e da segurança.  Mas esses são setores em que o governo falha mais miseravelmente.

As leis — sendo que algumas até preveem penas severas — sofrem fortes interveniências a favor do condenado.  A maioria dos criminosos dos ditos "crimes mais leves" não chega sequer a ir para prisão; e, quando vão, é com a certeza de que é por pouco tempo, devido à grande quantidade de brechas jurídicas que existem.

Sabendo disso, a pessoa que se aventura pelo crime o faz com ciência de que o custo de praticar a atividade ilegal (que nesse caso é a prisão) é reduzido.

É dificultado o direito à legítima defesa

"Dificultado" é uma palavra muito branda.  Negado é o correto.

Graças ao estatuto do desarmamento (dezembro de 2003), que praticamente proibiu o brasileiro de ter uma arma, o cidadão está cada dia mais vulnerável à ação criminosa.  Todos sabem que os bandidos andam armados, e fortemente armados, enquanto o brasileiro de bem não pode portar arma de fogo, spray de pimenta ou arma branca para se defender, e defender sua família dos milhares de assaltos que ocorrem diariamente.

Dificultando o acesso ao mercado de trabalho

Com um salário mínimo em um valor elevado, principalmente em relação à produtividade do trabalhador, o governo lança uma grande barreira de entrada ao mercado de trabalho para os mais jovens, para os que têm menos experiência e para os que têm menos qualificação.  Não é à toa que o número de ocupado está estagnado há um ano.

Com diversas leis e encargos sociais e trabalhistas, um funcionário que executaria uma função repetitiva e simplória tem seu custo de mão-de-obra artificialmente aumentado, não compensando assim a contratação por parte do empresário.  E aqueles que arriscam trabalhar na clandestinidade sofrem severas sanções.

O ideal seria que os salários fossem determinados pela oferta e demanda, permitindo assim que os menos favorecidos tivessem uma chance de iniciar sua carreira, e que os salários médios fossem melhorados pela competição dos empregadores pelos empregados.

Dificultando a atividade empresarial

É notável a importância das pequenas empresas para a sociedade.  Além de gerar empregos e renda, as pequenas empresas são uma ótima oportunidade para aquelas pessoas que querem desenvolver uma atividade legalmente lícita como forma de vida.

O grande problema é que os dados nos mostram que 24,4% das empresas brasileiras fecham em até dois anos, 22% dos empresários dizem que o principal motivo para o encerramento da empresa é a carga tributária e outros 3% dizem que é a burocracia.

Temos aí dois motivos ligados diretamente à interferência estatal na atividade econômica.

Outra pesquisa mostra que o tempo médio para se abrir uma empresa é de 119 dias contra a média de 20 dias de outros países do G-20, bem como são gastas 2.600 horas para resolver questões tributárias no Brasil contra 347 horas do mesmo grupo.

Péssimo exemplo

Aqueles em quem o povo confia a função de governar o país, dando-lhes seu voto, em geral não servem como bons exemplos para a sociedade.

Guerra às drogas

O motivo óbvio para cessar o combate estatal às drogas é que isso, simplesmente, não impede as pessoas de comprar e de usar drogas.

Se isso não for o suficiente, posso citar alguns dos efeitos colaterais do combate às drogas: congestionamento e morosidade do sistema judiciário; aumento desnecessário da população carcerária; aumento da violência entre vendedores, e entre vendedores e compradores; aumento da corrupção entre policiais; diminuição das liberdades civis; surgimento de novas e mais potentes drogas em função da facilidade de porte e de uso; surgimento de drogas mais danosas e mais baratas, como o crack; estímulo ao aumento do número de traficantes devido aos altos retornos gerados pela proibição.

 

A intenção deste texto não é esgotar o assunto, mas sim chamar a atenção para o fato de que não existe uma única causa do aumento da criminalidade no Brasil, assim como não existe uma única solução.

É necessário um projeto que possibilite às pessoas o acesso ao mercado, que permita que as oportunidades sejam mais equacionadas, e que faça com que aqueles que, tendo à disposição várias alternativas lícitas e eticamente válidas, sejam efetivamente punidos ao escolherem o caminho do crime.

Para a criminalidade diminuir é necessário que o crime não compense.


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SOBRE O AUTOR

Eduardo Franco
é formado em Marketing, estuda Administração de Empresas, é pós-graduando em Finanças e Mercado de Capitais pela UNIJUI



A meu ver, essa "desregulamentação" estatal sobre a terceirização não passa de uma intervenção, de feição "liberal", que não implicará nos efeitos desejados e previstos.

Basicamente, pelo que eu entendi, a intenção do governo é gerar mais empregos que de fato paguem salários realmente vinculados à riqueza produzida pelo empregado. Com isso, busca se mover a economia, através de poupanças, maior capital do empregador para investimento e consumo real dos empregados. Desse modo, o Estado pode arrecadar mais, pois, na análise de Smith que é complementanda pelo autor do artigo, a especialização (terceirização) gera riqueza e prosperidade. Fugindo, portanto, do ideal keynesiano de que quanto maior o consumo de quem produz maior o progresso, negligenciando a possível artificialidade dessa troca.

Minha objeção consiste em afirmar que a regulamentação do modo que foi feita não é benéfica para o Estado, logo, como tudo no Brasil, querendo ou não, está ligado à esse ente, não torna se benéfica ao indivíduo.

Primeiro, pelo fato de que, as empresas que contratam outras empresas terceirizadas podem ter um elo empregatício direito com os empregados dessa última. Nessa perspectiva, caso uma terceirizada, receba os repasses do contratante, porém não esteja pagando os benéfícios/ salários dos seus empregados em dia, sob alegações diversas, iniciará se um processo judicial entre a empresa contratada e o contrante para solucionar esse caso, haja vista que é do interesse do terceirizado receber o que lhe é devido. Consequentemente, o tempo depreendido, os custos humanos e financeiros são extremamente onerosos para a empresa contratante, de modo que, sua produtividade e poder de concorrencia no mercado é reduzida. Ou seja, a continuidade do desrespeito aos contratos firmados e a morosidade da Justiça, práticas comuns no país, muitas vezes, anulam a ação estatal que visa gerar mais empregos e melhorar a produtividade das empresas. O que afeta principalmente os empreeendedores com um capital menor e que operam em mercados menos regulados. Logo, busca se intervir para corrigir um problema, sendo que o corolário dessa nova intervenção é exaurido por uma ação feita anteriormente

Outro ponto pouco abordado por vocês é que as terceirizações beneficiam também os empresários oriundos de reservas de mercado. Logo, uma ação estatal que, a posteriori privilegia os amigos dos políticos, não pode implicar nas consequências previstas a priori. Isso porque, a possibilidade contratação de terceirizados a partir de salários menores do que de fato seriam em um contexto natural/equilibrado torna se muito mais viável para os corporativistias, pelo simples fato de que seus acordos com agências e orgãos públicos influenciam também nas decisões judiciárias que envolvem a sua empresa e a empresa terceirizada. Desse modo, o megaempresário contrata a empresa terceirizada e estabelece um acordo onde há um repasse menor da grande empresa para a terceirizada e, na sequência, apenas uma parte muito pequena, não correspondente ao valor gerado, desse repasse para a empresa terceirizada é convertida em salários para os terceirizados, onde a empresa terceirizada acaba lucrando mais, ao ter menos gastos. Portanto, um terceirizado que trabalha para uma empresas monopolística (no sentido austríaco) possui maiores chances de ser ludibriado e não lhe resta muitas opções de mudança de nicho, haja vista que infelizmente inúmeros setores do mercado brasileiro sofrem regulação e intervenção constante do governo.

No mais, ótimo artigo.
Gustavo, os Dinamarqueses podem usufruir desse tipo de assistencialismo, justamente porque o mercado deles é produtivo.

O mercado deles é produtivo como consequência da LIBERDADE DO MESMO, como o próprio artigo aponta.

Lá não existe salario mínimo, o imposto sobre o consumo é baixo, assim como o imposto sob pessoa jurídica.
No máximo, o imposto de renda é alto, mas eles tem uma moeda forte e estável, um lugar livre pra se empreender e contratar alguém(não existe nem salário minimo lá!).

Defender o modelo Dinamarques na situação Brasileira demonstra toda a ignorância básica em economia, nosso mercado fechado produz pouco pra aguentar um estado desse tamanho. Ainda sim, o estado da Dinamarca é menor que o Brasileiro, nunca ouvi falar sobre lá ter quase 40 ministérios, nunca ouvi falar lá sobre a existência de Agencias Reguladoras em todos os setores do Mercado, nunca ouvi falar lá sobre a existência de centenas de estatais!

E mais, a crise Sueca dos anos 80 justamente explica isso, o Welfare explodindo nessa época acabou ''sufocando'' o mercado, deixando-os em uma crise enorme de déficits astronomicos.
Qual foi a solução?

Austeridade e Livre-Mercado, na década de 90 a suécia voltou a crescer fortemente, uma reforma radical de corte de gastos e liberdade de mercado, no fim das década de 80 e começo da 90, permitiu que a Suécia saísse da crise causada pelo Welfare.

Mas por fim, você acha justo tirar o dinheiro das pessoas a força pra sustentar tudo isso para os que não querem trabalhar?

Antes de qualquer boa consequência, analise a ética e a moral.
É como querer defender o homicídio, dizendo que isso amenizara a escassez na terra no futuro. Não interessa, homicídio de inocentes é errado, é irrelevante as boas ou ruins consequências que o crime pode trazer.

E mais, Noruega já esta retirando dinheiro do seu fundo, mais uma vez veremos mais uma crise em alguns escandinavos, o peso do estado não dura muito, por mais produtivo que um mercado seja. É economicamente impossível, a empiria da ciência economica prova isso!

O texto apenas demonstra que o sistema capitalista, ainda mais a forma liberal, é totalmente ineficiente.

Senão vejamos,

1: hoje já não é proibido nenhuma empresa ter seus laboratórios e certificados de qualidade internos ou externos, inclusive no Brasil existe a certificação "Certified Humane Brasil é o representante na América do Sul da Humane Farm Animal Care (HFAC), a principal organização internacional sem fins lucrativos de certificação voltada para a melhoria da vida das criações animais na produção de alimentos, do nascimento até o abate"; (não necessita liberalismo para isso), inclusive a Korin agropecuária é certificada por essa empresa, entre tantas outras.

2: Não é proibido nenhuma instituição avaliar a qualidade dos produtos e denunciar caso seja de péssima abaixo do esperado; (não necessita liberalismo para isso também)

3: No liberalismo estas mesmas instituições que avaliariam a qualidade ou emitiriam certificados poderiam ser construídas justamente para os objetivos do bloco gigante de algum ramo, como por exemplo carne, tendo esse poder eles também teriam o poder de patrocinar jornais e revistas para desmentir qualquer empresa de certificados privados concorrente e pronto, num mundo globalizado quem não aparece não é visto. O lucro dos grandes blocos estaria garantido... num capitalismo sem regulação estatal quem iria impedir isso? Da mesma forma que a "Certificadora" do grande grupo poderia difamar as carnes de um grupo concorrente.

claro, se não existissem grupos, talvez até funcionaria, porém pq não criar grupos para ter maior vulto de recursos para maior propaganda e maior lucro? Justamente. Apenas prova objetivo maior - lucro - é o motor para irregularidades, seja de agente público ou privado.

aguardando respostas...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Economista Ordinário   16/04/2014 13:42
    Ao transcorrer a leitura desse artigo, uma tristeza profunda me arrebatou. Como pode ser o autor tão desprovido de empatia para com o próximo? Culpar o Estado da violência que aflige a sociedade foi calunioso. Quem comete um ato violento quer apenas obter o que foi privado de si pelo sistema capitalista burguês em que estamos submersos. Contra esse sistema está o resplandecente Estado esquerdista comandado pelo Partido dos Trabalhadores! Toda e qualquer tributação tem o objetivo de transferir propriedade dos que tem muito para os que não tem quase nada, ser contra isso é desumano. As drogas e o tráfico atingem principalmente as pessoas marginalizadas pelo sistema, impedindo-as de usufruírem dos programas estatais para melhoria de suas vidas. O Estado petista as ama, ele as quer ver bem, por isso combate esses dois agentes degradantes visando a dignidade do ser humano.
    Deixo, abaixo, um link que mostra claramente a revolta dos desfavorecidos contra a burguesia luxuosa:

    noticias.uol.com.br/album/album-do-dia/2014/04/16/imagens-do-dia---16-de-abril-de-2014.htm?abrefoto=15

  • Malthus  16/04/2014 14:39
    Esse é o aluno do Típico Filósofo? Tem a mesma verve irônica e o mesmo talento para o humor inteligente.
  • Mr. Magoo  16/04/2014 15:06
    Shhhh... fala baixo que se Típico acordar...
  • Jeferson  16/04/2014 15:21
    Eu pensei a mesma coisa. Será que é o Patrick atacando de novo, ou é sério isso?
  • Daniel Cristian  19/04/2014 00:54
    Por que sempre aparece alguém justificando que roubar das pessoas para fazer caridade é bom?
    Eu não sou rico, roubam de mim, pago um financiamento caro do meu apartamento por passar por R$300 do teto do Minha Casa Minha Vida. Amigos meus terminaram de pagar a casa deles de R$100.000, enquanto isso eu no mesmo período consegui amortizar R$10.000.
    Justo, né? Sempre trabalhei e tive o azar de ser bem sucedido. Votei no discurso sem perceber que estava indo pro matadouro. Obrigado aos socialistas.
  • Outro  20/04/2014 12:04
    Cara se você está perto do limite do MCMV você já deve saber que sua renda não é alta. O que você não deve saber é que pessoas com o seu nível de renda recebem mais dinheiro do governo (através da previdência e bens públicos) do que você vai pagar de impostos.

    Logo, você é um beneficiário de todo esse sistema também.
  • xapuri amax  25/04/2014 18:12
    reduzir a criminalidade a questões econômicas é ignóbil. pesquisem sobre a lei de colson, que trata de consciência x polícia e comunidade x caos. quanto mais uma sociedade tem consciência menos precisa de polícia, quanto menos uma sociedade tem a sensação de comunidade mais caos. isto é, o brasil está no fundo do poço não, somente, por falta de dinheiro e emprego mas pela degradação moral, judicial, política, social, etc. consequência da deformação do ser humano nos últimos anos pelos esquerdopatas, agindo principalmente nos dois principais polos: DESCONSTRUÇÃO ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO E MÍDIA.
  • marcelo  17/05/2014 22:45
    Patrulha virtual petista detectada e ignorada.
  • libertário  18/05/2014 19:39
    Se o pt está no caminho certo, por que tem dado tudo errado, já que socializar dinheiro dos outros é a saída por que a criminalidade não cai? Quantos anos mais eles precisam? Já foram 12, mais 12? A 50 mil por ano teremos 600 mil assassinatos. São genocidas isso sim.
  • Renato Bueno  16/04/2014 14:04
    O governo deixa transparecer que tem um plano para as drogas, um plano eleitoral.
  • Norris  16/04/2014 14:45
    Enquanto isso em Salvador...

    Com greve da PM, lojas e supermercados são saqueados em Salvador

    A primeira noite após o início da greve da Polícia Militar na Bahia foi marcada por ruas vazias e saques a lojas em Salvador. Além disso, muitas pessoas ficaram sem transporte para seguir para o trabalho na manhã desta quarta-feira, 16.

    Foram registrados saques em supermercados e lojas de oito bairros de Salvador. Apenas a rede pública de supermercados Cesta do Povo teve duas lojas arrombadas e saqueadas durante a madrugada. A maioria das escolas e faculdades, incluindo parte da Universidade Federal da Bahia (UFBA), suspendeu as atividades.

    Cerca de mil policiais grevistas estão acampados desde a noite desta terça-feira na área de um antigo parque aquático da cidade, transformado em local de shows musicais, na Avenida Paralela - a mais movimentada de Salvador. Representantes dos policiais levam, na manhã desta quarta-feira, uma pauta de reivindicações ao governo. O apoio da Força Nacional de Segurança já foi solicitado pela administração estadual, mas ainda não há previsão de chegada de tropas federais ao Estado.

    www.estadao.com.br/noticias/cidades,com-greve-da-pm-lojas-e-supermercados-sao-saqueados-em-salvador,1154705,0.htm


    Ou seja, o estado desarma o cidadão e usa a polícia para impingir a lei do desarmamento, dando a ela o monopólio da segurança. Aí ela entra em greve e a população -- que foi desarmada pela própria polícia -- fica ao relento.
  • Marcelo Motta  16/04/2014 15:09
    Apenas lembrando que esta é a segunda greve da Polícia neste segundo mandato do petista Jaques Wagner.
    Ele próprio um ex-sindicalista, parece não ter habilidade nenhuma para lidar com a situação. Aliás, professores também ameaçam entrar em greve. Isto acontece há tantos anos que já foi incorporado ao calendário letivo da Bahia. Mas, este ano há uma inovação. A greve será por 3 meses. Sim, greve por tempo Determinado.

    Pensa num absurdo. A Bahia tem precedente.
  • Lucas Rosario  16/04/2014 15:46
    O estado adora uma greve da policia, pois quando a greve acaba o estado "restabelece a ordem", e as pessoas em seu inconsciente visualizam a importância do aparato estatal.
    Note que se a população estivesse armada a greve da policia passaria desapercebida, a necessidade do estado seria questionada!
    Como diz Olavo de Carvalho " é necessário que exista um coeficiente de caos para justificar a centralização do poder"
  • Sofista/Pos moderno  16/04/2014 19:11
    É utópico achar que não existirá concentração de poder. Sempre vai existir pessoas medrosas, covardes que se uniram em torno de ideal de segurança.Por isso não acredito em nada da teoria liberal que é filha do iluminismo, como a teoria marxista. A razão é ineficaz para este sentimento demasiadamente humano que é o medo.
  • Lucas  17/04/2014 17:15
    Sou jurista de formação e respeito muito o Instituto Mises. Posso dizer que meus conhecimentos econômicos são, em grande parte, calcados nos teóricos austríacos, mas acho que artigos interdisciplinares (e, portanto, extremamente complexos do ponto de vista teórico) como esse que não se aprofundam no tema proposto apenas apontam problemas superficiais e, ainda, revestem todo o conteúdo do artigo de um manto ideológico tão nocivo quanto o manto marxista que tanto criticam.

    A ciência da Criminologia se propõe a um estudo aprofundado da temática criminal e sequer foi citada ao longo desse artigo. O Direito penal e o sistema carcerário, idem.

    Ao invés de ficarmos repetindo que "o Brasil é o país da impunidade", que "o crime compensa pois ninguém é preso, nem cumpre a pena integralmente", deveríamos estar nos perguntando: "o quanto eu conheço da realidade criminal brasileira?". Quantos aqui já acompanharam um processo penal, quantos aqui já lidaram diretamente com criminosos, quantos aqui sequer tem noção da complexidade teórica que fundamenta o Direito penal brasileiro?

    Quem conhece o mínimo do sistema penal e judiciário brasileiro sabe que as questões vão muito além dessa problemática maniqueísta de "Estado vs cidadãos", ou de "criminosos vs cidadãos de bem".

    Nos encontramos hoje numa situação difícil. Realidade e teoria se chocam brutalmente e constantemente, e nessa esteira parece que cada cientista social possui sua própria teoria pra resolver os problemas propostos. O Hayek já professava no século passado que as ciências sociais são indissociáveis. Dessa forma, todos aqueles que problematizarem uma determinada realidade social devem buscar entender os pressupostos teóricos que fundamentam cada ciência envolvida no problema em questão, ao invés de simplesmente se fecharem em realidades intelectuais que são confortáveis a seus egos.

    Abraços.
  • Mário  17/04/2014 17:19
    Prezado Lucas, fique bastante à vontade para submeter a sua própria e profunda análise, a qual certamente será completa e nada superficial.

    Você certamente será capaz de problematizar "uma determinada realidade social" buscando "entender os pressupostos teóricos que fundamentam cada ciência envolvida no problema em questão, ao invés de simplesmente se fechar em realidades intelectuais que são confortáveis a seu ego."

    Ao dizer que o artigo nada fala sobre o sistema carcerário, sobre o sistema penal, e sobre os problemas do judiciário, você comprova que sequer leu o artigo. No máximo, leu com muita pressa. Direito seu, é claro, mas sua honestidade intelectual fica a descoberto quando você sai emitindo juízos apressados que se comprovam em total desacordo com o real conteúdo do texto.

    De resto, você disse que "realidade e teoria se chocam brutalmente e constantemente, e nessa esteira parece que cada cientista social possui sua própria teoria pra resolver os problemas propostos". Pois bem. Qual realidade se chocou com a teoria?
  • Marcelo Motta  16/04/2014 15:01
    O crime no Brasil compensa. E o Estado não cansa de criar novos incentivos para o criminoso, especialmente o mais jovem. O ECA tem tido exatamente esta função. Enquanto, os caminhos para uma vida lícita são dificultados, com um sistema educacional que não educa, falta de oportunidades de trabalho, leis trabalhistas antiquadas. O ECA proíbe jovens de trabalhar ou impõe condições que limitam severamente as possibilidades de emprego (no Brasil menor de 18 anos não pode sequer ser gandula em partida de futebol), ainda cria facilidade para os que optam pelo crime. Como penas estupidamente brandas para a gravidade de certos crimes, e outros benefícios que só elevam a atratividade do crime.

    De fato, não é novidade para ninguém que neste país o Estado faz de tudo para que seus cidadão se tornem bandidos.
  • Felipe  16/04/2014 16:41
    No Brasil, é permitido trabalhar a partir dos 16 anos. Na verdade, é possível desde o 14, mas só como aprendiz, até chegar nos 16 anos.
  • Ricardo  16/04/2014 17:25
    De qual Brasil você está falando? Esse coitado desse empresário foi dar emprego para um cidadão de 14 anos e foi multado.

    primeirahorams.com/2014/03/18/revoltado-com-multa-empresario-que-deu-oportunidade-a-menor-pensa-em-fechar-a-oficina/

    Em que país você vive?
  • Felipe  16/04/2014 18:28
    Ele foi multado porque, provavelmente, o menor não tava na condição de aprendiz e sim de empregado comum. Quem tem 14 ou 15 anos pode trabalhar, desde que conste como aprendiz. A partir dos 16 anos, é possível trabalhar como empregado.

    Quem diz isso não sou, é a Constituição:

    Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
    (...)
    XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;

    Se o menor tava como aprendiz e mesmo assim o empresário foi multado, então cometeram ilegalidade.

    Esses guerreiros de teclado são o que estragam os comentários.
  • Ricardo  16/04/2014 18:45
    Guerreiro do teclado? Você falou algo que não condiz com a realidade e eu gentilmente lhe corrigi, linkando uma notícia que mostra que a realidade brasileira é um tantinho distinta do que prega a lei. Choque e espanto.
  • Geraldo Andrade  16/04/2014 19:03
    Existe um trabalho, bem remunerado, que a cada dia, recruta mais menores de 18 anos: executor. Empregadores: traficantes de droga. Está bem de acordo com este governo está aí.
  • Ricardo Costa  16/04/2014 16:09
    Fico analisando os comentários de todos, e percebo que todos estão longe da realidade, e do encontro das respostas que podem verdadeiramente mudar o mundo, elas não estão onde os amigos procuram, seja nas instituições, nas ruas, no estatuto do desarmamento e por ai vai...
    Elas estão dentro de cada um de nós, pois, somos egoístas por excelência, não abrimos mão de nada que possa nos incomodar minimamente, desde um pisão nos pés a um não de qualquer natureza.
    O egoísmo uma doença terminal que reside dentro de cada um de nós é a grande responsável por tudo, não procuremos culpados lá fora, pois, eles estão dentro de cada um, transforme-se, aceite os outros, as coisas, liberte-se, ajude a si e ao próximo, que as coisas, as violência irão pouco a pouco sendo exterminadsa da face da terra.
  • Pobre Paulista  16/04/2014 21:25
    Mais um com a receita definitiva de como um ser humano deve ser e se comportar.

    Próximo esquerdopata, por favor.
  • Gunnar  17/04/2014 11:53
    Cheirinho de incenso...
  • CARLOS  17/04/2014 16:52
    De onde você saiu amigo?

    Quer dizer que, caso eu me indigne com tudo isso que tá aí, então eu sou o responsável pela minha falta de amor ao Bandido que venha a estuprar nossas filhas e filhos ou que venham a roubar o patrimônio que construímos com esforço e dedicação?
    É isso?
  • CARLOS  17/04/2014 17:01
    Mas a culpa disso tudo não é do PT e nem de nossos políticos de plantão...
  • Rennan Alves  17/04/2014 17:59
    Eu, sinceramente, estou levando-me a acreditar que a culpa é do PT mesmo...

    www.linhadireta.org.br/camping/militante/
  • anônimo  17/04/2014 19:08
    'Nunca entendi por que é egoísmo querer ficar com o próprio dinheiro mas nunca é egoísmo querer ficar com o dinheiro dos outros'
    Thomas Sowell.
  • anônimo  16/04/2014 16:40
    Tudo que foi atribuído nesse artigo ao governo acontece em governos [/b]de esquerda. OS EUA dos pais fundadores tinha governo e não tinha nada disso.

    O motivo óbvio para cessar o combate estatal às drogas é que isso, simplesmente, não impede as pessoas de comprar e de usar drogas.
    O motivo óbvio para cessar o combate estatal aos sequestros é que isso, simplesmente, não impede as pessoas de continuar com os sequestros.
    O motivo óbvio para cessar o combate estatal aos assassinatos é que isso, simplesmente, não impede as pessoas de continuar com assassinatos.
    ...e por aí vai.
    Um argumento ridículo que muitos libertários adoram papagair, mas que não significa nada.
    Se a questão é que drogas são uma coisa e sequestros outra muito diferente, esse é [b]outro
    argumento, que pode até ser verdade mas não foi utilizado no texto.
    Um artigo muito fraco, de um jeito ou de outro.
  • Lg  16/04/2014 18:41
    "OS EUA dos pais fundadores tinha governo e não tinha nada disso."

    Opa opa opa, os EUA dos pais fundadores tinha um governo MINUSCULO. Não existia educação pública, não existia nenhum tipo de benefício ou welfare, não existiam leis trabalhistas etc. O negócio funcionava poiso governo era quase inexistente, as áreas um pouco mais remotas literalmente não tinham intervenção do estado, NENHUMA.

    Nos últimos séculos o governo dos EUA ta crescendo cada dia mais, e cada dia o país ta indo mais pro buraco.

    A lógica é simples, quanto MENOS governo, MAIS riqueza.
  • anônimo  16/04/2014 19:02
    'O negócio funcionava poiso governo era quase inexistente '
    Era exatamente o que eu quis dizer.
  • Bruno  16/04/2014 19:06
    Anônimo, o uso de drogas não é uma agressão a terceiros.
  • Felipe  17/04/2014 01:37
    Bruno, você não leu com atenção o comentário do anônimo.

    O que ele quis dizer é que o argumento apresentado em relação às drogas no texto é muito ruim. O combate estatal às drogas deveria cessar devido ao fato de que elas não causam dano direto à terceiros, e não porque este combate é infrutífero (já que continuam vendendo e consumindo).

    É quase que uma tecnicalidade, mas é importante tomarmos cuidado com a forma como os argumentos são colocados.
  • Paul  17/04/2014 03:04
    "O combate estatal às drogas deveria cessar devido ao fato de que elas não causam dano direto à terceiros, e não porque este combate é infrutífero"

    Hein?! Infrutífero no sentido de inócuo?

    O combate às drogas é responsável pela morte de vários inocentes que são pegos no fogo cruzado, bem como pelo enriquecimento de vários barões, bem como pelo fortalecimento de quadrilhas que se armam militarmente em decorrência do fato de este mercado se tornar extremamente lucrativo por causa da proibição (veja detalhes neste artigo).

    A guerra às drogas congestiona e paralisa o sistema judiciário, aumenta desnecessariamente a população carcerária, gera ainda mais violência, corrompe policiais, diminui as liberdades civis, acaba com a privacidade financeira, estimula buscas e apreensões ilegais, destrói inúmeras vidas inocentes, desperdiça bilhões em impostos, atrasa o desenvolvimento legítimo de analgésicos e de outros remédios contra dores, transforma cidadãos cumpridores da lei em criminosos meramente pelo que injetam em seu corpo, e irracionalmente cria obstáculos para o comércio varejista. Os custos da proibição às drogas excedem sobremaneira seus possíveis benefícios.

    E você vem dizer que a guerra as drogas é algo infrutífero?
  • Felipe  17/04/2014 03:30
    "Infrutífero" não foi uma boa escolha de palavra. "Ineficaz" provavelmente seria uma alternativa melhor para o que eu quis dizer.

    No mais, concordo com tudo o que você falou.
  • Felipe  16/04/2014 16:42
    Só uma ressalva: o Estatuto do Desarmamento não proíbe o porte de spray de pimenta ou armas de choque
  • Marcos  16/04/2014 17:25
    Ambos são ilegais.
  • Andre  16/04/2014 16:42
    "O estado é o grande gerador da criminalidade que ele tenta combater".

    E ele faz isso propositalmente, para se perpetuar no poder.
    Se ele deixa-se todos terem porte de armar, e se ele permitisse que surgissem empresas de policiamento privadas em pouco tempo as pessoas perceberiam que a polícia do estado não serve para nada.
  • Emerson Luis, um Psicologo  16/04/2014 16:59

    "É isso mesmo: você empreendedor pensa da mesma forma que um assaltante."

    O mais adequado é dizer que o assaltante pensa da mesma forma que um empreendedor e qualquer pessoa tomando qualquer decisão: (1) pesando as vantagens e desvantagens, perigos e oportunidades, custos e benefícios de cada alternativa e (2) guiado por suas crenças e valores.

    * * *
  • Klaus  16/04/2014 17:16
    Presenciei um assaltante apontando a arma para a cabeça de um cara de T.I americano e roubando seu notebook.
    Conclusão, a empresa matriz achou que foi um atentado terrorista e o roubo foi orquestrado para roubar as informações da empresa alertando o governo deles.
    O cara que teve a arma apontada na cabeça é o "cabeça" da empresa, vale bilhões. A empresa optou por investir mais no Brasil, investir em T.I para que todos os processos sejam controlados diretamente de sua matriz nos E.U.A e deixar aqui somente robôs trabalhando e alguns funcionários.
    A empresa só manda agora funcionários terceirizados para o Brasil com medo da violência.
    Essa é uma tendência geral na América Latina, o que adianta uma R.O.I. atraente se você pode ser morto a qualquer momento como ocorreu com o diretor na Microsoft em São Paulo?
  • Antonio  17/04/2014 00:01
    A impunidade é um problema, mas, por outro, se tudo é criminalizado no país, todos nós poderíamos estar na cadeia, já que não há nenhum brasileiro, por mais santo que seja, que não tenha cometido algum crime. Sendo assim, talvez antes de fortalecer as punições, deveríamos abolir todas as leis anacrônicas, coisa que não é fácil. Acaba que a não eficiência judicial compensa as leis excessivas e que atacam a liberdade individual, em vez de protegê-la. Estamos num beco sem saída, pois a cada dia mais leis esdrúxulas são criadas...
  • Otan  17/04/2014 19:44
    Pelo mesmo raciocínio os países em que o Estado é mais fraco (como alguns países africanos) são ilhas de paz num mundo conflituoso.

    Ou, pera, não são!

    Os mais tranquilos do mundo são os que possuem Estado forte. O Brasil tem um Estado que apesar de consumir muitos recursos (22% do PIB só para previdência e juros) é muito fraco.
  • Ricardo  17/04/2014 21:55
    Estados fracos na África?! O continente africano é formado majoritariamente por ditaduras cujos governos ou estão estuprando sua população ou estão diretamente trucidando parte dela. E esse sujeito vem aqui dizer que os estados africanos são fracos?

    É cada coitado que surge aqui...
  • Outro  17/04/2014 22:34
    Ricardo vá diminuir outra pessoa, eu estou expondo uma opinião em um ambiente livre, se puder contradite com fatos ou argumentos.

    Vou fazer isso agora com você. Seu raciocínio é que não existem Estados fracos na África porque lá existem ditaduras (vou relevar o fato de que o continente tem democracias também).

    Pergunto: Só porque um país é uma ditadura ele tem um Estado forte é? Um Estado forte e ditatorial (como a Somália) permite que surjam guerras civis?

    Vou explicar meu raciocínio.

    (1)Por definição, uma guerra civil é um confronto militar de um (ou mais) grupos internos.
    (2)Todo confronto militar tem uso de força.
    (3)Um Estado forte tem o monopólio do uso da força em seu território.
    ------------------------------------------
    CONCLUSÃO: Onde tem guerra civil não pode existe um Estado forte.

    MEU PONTO: Existem países na África em que o Estado não tem força, inexistindo em algumas partes do seu território, e a situação local é pior do que em qualquer país com um Estado forte. Assim, a conclusão de que o Estado gera a violência está errada, já que a realidade deveria mostrar o contrário do que acontece para validar esse raciocínio.

    Não é o Estado que gere a violência (apesar de os argumentos do autor do texto serem pertinentes ao caso brasileiro e realmente o Estado piorar a nossa violência), mas ele -em regra- a diminui.

    É melhor ser ameaçado de morte por um ente só e em condições publicamente conhecidas do que ficar a mercê de diversos grupos diferentes.
  • Carlos Prado  18/04/2014 02:34
    Cara, você está criando a sua definição de estado forte. Se quer confrontar a definição de estado forte anterior tem que usar a mesma. O que você está fazendo é atacar um espantalho. Pela sua definição estado forte mesmo é os EUA e a Russia, por poderio militar. Mas a definição de "estado forte" utilizada ali é de um estado que se faz presente em diversas áreas, grande e interventor. E mesmo pela sua definição um estado forte pode ter uma guerra civil, pois podem haver grupos tão fortes quanto o estado ou grupos que queiram tomar este estado para si.
  • Ricardo  17/04/2014 23:08
    "Onde tem guerra civil não pode existe um Estado forte."

    Ah, é? Mesmo quando é o estado quem comanda a chacina, como ocorreu por exemplo em Ruanda?

    O governo liderado por Hutus dizimou os Tutsis a machadadas. Mas você diz que isso não é estado forte. Realmente, era um estado fraquíssimo. Quase ausente.

    Legal.

    Dica: estude um pouquinho como funcionam as coisas no Sudão, na Nigéria, na Libéria, em Ruanda, no Burundi, na Serra Leoa, na Guinea, no Zâmbia, na Costa do Marfim etc.

    E não, não serei eu quem irá lhe dar, de graça, aulas noturnas à véspera de um feriado. Estude por conta própria. Ou, se quiser, pode continuar pensando como melhor lhe aprouver. Estou cantando e andando.

    "Só porque um país é uma ditadura ele tem um Estado forte é? Um Estado forte e ditatorial (como a Somália) permite que surjam guerras civis?"

    Se a sua lógica para um estado bom é "ausência de guerra civil", então o governo da Coréia do Norte é um exemplo a ser seguido. Acho difícil haver melhor exemplo de governo que sabe perfeitamente como manter a população totalmente pacificada. A população é tão ordeira que seus homens seguem até os cortes de cabelo impostos pelo anão tarado.

    Pela sua lógica, portanto, o governo da Coréia do Norte é um exemplo a ser seguido pelo Ocidente: há um estado forte, porém bom, moderado e que não gera violência.

    Aliás, também por essa lógica, as ditaduras de Pinochet e da Argentina tiveram um pulso frouxíssimo, pois permitiram que surgissem vários grupos armados para combatê-la (na iminência de gerar uma guerra civil), algo que o competente governo norte-coreano conseguiu suprimir logo de início. Um exemplo para o mundo civilizado.

    Vá procurar uma ocupação, cidadão.
  • Outro  18/04/2014 01:07
    Você está distorcendo o que eu disse. Eu nunca disse que ter um Estado é garantia de tranquilidade. Como eu disse antes, não existe relação direta entre a força do Estado e a segurança da população, só que não existe ligação na via contrária. Ou seja, a ausência de Estado não garante tranquilidade.

    O que eu disse foi que nos lugares onde o Estado beirou a inexistência (e inevitavelmente todo país em guerra civil tem um Estado sem poder em alguma parte do território) a violência não diminuiu - muito pelo contrário.

    Quando você fala em Hutus e Tutsis está falando de genocídio, não de guerra civil, os tutsis nunca foram capazes de impedir o Estado existente de exercer seu poder genocida em nenhuma parte do território.

    E quando fala em ditaduras distorce por completo o que eu disse, nunca defendi que as ditaduras melhoram a condição de ninguém. As ditaduras só entraram na história para ajudar a identificar os países com conflitos internos graves de que eu falei (já que nos democráticos da África não tem guerra civil).

    Então, a argumentação de que sem Estado a tranquilidade está garantida está errada porque nos locais onde o Estado faliu na sua função de monopólio da força a tranquilidade nos locais em que ele não esteve presente não surgiu espontaneamente como alguns argumentam (vide os Talibãs no Afeganistão, que se encaixa na minha definição de parte do território sem o poder do Estado e na mão dos locais).
  • Antonio  18/04/2014 00:33
    Outro,


    A Somália tem um Estado forte? A Partir de 2012 foi restabelecido um estado lá, mas soma apenas 1% do PIB. Foi anarco-capitalista durante mais de 20 anos, e nesse período foi bem pacífico, 0.9 assassinatos por 100 mil habitantes (na Suíça, há 0,7). O fato de haver guerra entre clãs distintas está ligado à tentativa dos EUA e da ONU de restabelecer um estado lá, onde um clã assumiria o poder (salvo engano o Al-Shabah). Toda a violência era circunscrita a Mogadishu e porque os demais grupos não queriam ser dominados pelo Al-Shabad. Logo, sem intervenção de estados externos (e do governo global, ONU), não haveria guerra civil. Infelizmente a mídia mainstream distorce a informação. A Somália durante seu período ancap desenvolveu o melhor sistema de telecomunicações na África e um dos melhores do mundo, coisa pouco noticiada. A justiça funcionava perfeitamente, com chefes de clãs ou religiosos sendo juízes. A lei estatal foi abolida e adotaram a Sharia. Isso provo que é o estado que gera a violência.
  • Outro  18/04/2014 01:14
    Eu nunca disse que a Somália tem Estado forte, ela foi meu exemplo de Estado falido. E sempre que o Estado vai à falência inevitavelmente os grupos mais fortes que sobrarem vão tentar dominar os outros e reestabelecer uma nova relação de dominância sob novas regras, e nesse processo muita gente morre - até o poder ser unificado e voltar a paz inicial.

    E a Somália é que vai ser seu exemplo de anarcocapitalismo no mundo real? Vai querer que as pessoas comprem a ideia de transformar o Brasil na Somália? Ela se desenvolveu quanto nesses 20 anos (a URSS conseguiu desenvolver muito sob o comando do Estado em 20 anos, mas isso é só um contra ponto, eu concordo com os argumentos de Mises sobre a economia planificada)?
  • Robson  20/04/2014 14:56
    Fantástico o artigo. Exato. O crime é o negócio viável para boa parte da população deste país, cujas oportunidades viáveis de negócios foram reduzidas fortemente por regulamentações legais desastradas. O crime é a consequência da desocupação de uma imensa parte da população, unida a regulamentações incentivadoras de crimes. O altíssimo nível de criminalidade atual denuncia a altíssima taxa de desocupação da população, afinal, quem trabalha por horas em negócios legais não teria ânimo de cometer crimes comuns (roubos, assaltos, sequestros, etc.) nas horas de folga, nas quais está descansando. O nível de criminalidade atual denuncia a total incompetência gerencial de nossos políticos e autoridades...
  • Eli Khouri  20/04/2014 20:24
    Acho válido também citar, além dos riscos e custos citados, os custos religioso e moral de se cometer um crime.

    Em alguns países e culturas, é esse tipo de custo que detém o indivíduo de praticar um crime. E foi essa, inclusive, uma das funções das grandes religiões ao longo da história. Para coibir as pessoas de roubarem e garantir o direito a à propriedade privada, criava-se um deus onipresente que tudo via, criava-se um inferno para ir caso cometesse um crime. Algo semelhante a polícia e cadeia.

    Há, também, o custo moral. A educação que se recebe em casa. A mãe que martela na cabeça do filho que roubar é errado.

    Alguns países e culturas puderam abrir mão das religiões e da moralidade excessiva por terem um arranjo econômico e social que dispensasse isso. Não é, obviamente, o caso do Brasil. As pessoas deixaram de ser religiosas, deixaram de ter moral criada em casa, mas não houve substitutos pra essas funções da religião e moral.

    Meninas de 16 anos têm iPhone, têm acesso à internet mas continuam engravidando de homens diferentes, gerando filhos que, em 16 anos, não estarão sendo criados num lar recebendo educação ou lavando prato em casa, mas deixados na rua pra fazer o mesmo que os pais. A cultura do brasileiro é um ponto sensível, mas acho que precisamos tocar nele também.
  • Outro  27/04/2014 13:58
    Estou em Salvador e em todo lugar que pergunto sobre como estava a cidade na época da greve da PM e todo mundo fala que estava o caos e a violência reinou.

    Quer prova maior do que essa de que o Estado, por mais que não consiga resolver o problema, é a melhor resposta disponível e os impostos, por isso, são, também, um mal necessário?
  • Outro Jumento  27/04/2014 15:00
    Não, por favor, diga que você está de piada. Ou, no mínimo, está se esforçando muito para apenas soar imbecil.

    É o óbvio ululante que uma greve de polícia aumenta a criminalidade. Afinal, a polícia, seguindo ordens do estado, desarmou os cidadãos de bem ao mesmo tempo em que permitiu que a bandidagem se mantivesse fortemente armada. Em um cenário assim, tão logo a polícia (que impingiu o desarmamento da população e garantiu que ela se tornasse um alvo manso) sai de cena, a bandidagem deita e rola. O estranho seria se a situação se tornasse mais pacífica.

    Gentileza raciocinar minimamente antes "iluminar" o mundo com seus pensamentos.
  • Sérgio  28/04/2014 05:08
    "O uso de drogas não é uma agressão a terceiros."

    Já passou pela cracolândia? Já viu como ficam violentos os usuários em decorrência do uso das drogas?

    As drogas transformam as pessoas em monstros, todo o mundo sabe disso...
  • anônimo  31/05/2015 09:45
    Aumenta a chance, mas não é uma agressão em si.
    Os libertários tem que entender que ninguém quer conviver com drogados, pelo menos gente decente não.Ficar falando em liberar tudo e não falar que num mundo livre (e me corrijam se eu estiver enganado) vc não seria obrigado a conviver com usuários de crack, não ajuda a causa.
  • Eduardo  31/05/2015 14:12
    Veja isso: spotniks.com/este-e-o-melhor-video-sobre-a-guerra-as-drogas-que-voce-assistira/

    E mais, drogas como o crack só surgiram pela proibição das drogas. Pense, se proibirmos as bebidas alcoólicas, o cidadão comum que toma uma cerveja aos domingos ira parar, provavelmente por medo de violar a lei ou de ter que se meter em locais perigosos para comprar, quem resta para consumir a bebida alcoólica? Aqueles que a consomem puramente pelo efeito do álcool no corpo. Nesse ponto, pouco importa o sabor ou a qualidade da bebida, mas sim se ela vai te deixar bêbada, então bebidas mais fortes dominam o mercado ilegal.

    No mesmo raciocínio com as drogas, caso sejam legalizadas, o publico consumidor terá acesso a drogas de maior qualidade e mais baratas, drogas que dão mais efeito prazeroso e menos efeitos não desejados como agressividade, paranoia, etc O crack vende porque as drogas menos perniciosas se tornam caras demais, e o usuário acaba usando o crack, que custa uma miséria. Pense no consumidor casual de cerveja que agora se vê obrigado a tomar bebidas muito mais fortes por causa do preço.

    Lembrando que o objetivo da legalização não é "oferecer drogas de qualidade", é respeitar o direito do individuo, é parar com o nonsense da guerra as drogas, que só gera gastos absurdos por parte do estado e mortes de inocentes, além de agravar ainda mais a situação, marginalizando o usuário comum, que acaba se tornando um viciado completo.

    As argumentações apocalípticas de que "todas virarão drogados" , ou que "vamos ter usuários de crack em cada esquina" simplesmente não procedem. Isso é tao provável quanto dizer que "todos irão cometer suicídio amanha". Ja ouvi argumentações como "se legalizar tudo, o funcionário chegara na empresa sob efeito de LSD e o dono da empresa não poderá fazer nada, porque é legal", e isso é um absurdo. O que acontece hoje se alguém chegar bêbado na empresa? É demitido obvio, porque com as drogas seriam diferentes? Parece que quando o assunto é drogas, todos tapam os ouvidos e berram asneiras, sem parar pra pensar 30 segundos no que esta dizendo.
  • Marcos  29/04/2014 13:20
    Bom texto do autor, que chama a atenção para os fatores econômicos sem afirmar que "a culpa é toda do estado", o que o faria semelhante aos esquerdistas que dizem "a culpa é toda da sociedade". Concordo com todos os elementos, exceto com a questão da droga.

    No Brasil, a coisa é ainda mais profunda. Temos grupos pró-criminosos no topo das instituições mais poderosas do país. Nossa constituição chega ao ponto de banir a possibilidade de pena de morte ou perpétua, mesmo em caso de reforma constitucional. É espantoso que questões como essa sejam retiradas de discussão permanentemente, mesmo sendo adotadas em países civilizados. Temos inclusive um artigo declarando a maioridade em 18 anos. Um dispositivo dessa natureza em uma constituição é de uma estupidez tão grande que quase não acreditei quando vi.

    E não é só isso: esses grupos agem ativamente para proteger criminosos das sanções penais ao mesmo tempo em que tentam criminalizar a legítima defesa das vítimas e mesmo a censura ao discurso de apoio a reação (vejam o que o governo fez com a Rachel Sheherazade, por exemplo). É engraçado que para esse pessoal a pena é uma coisa terrível, mas quando se trata de policiais que matam bandidos em confrontos ou cidadãos que agem em legítima defesa, esses mesmos grupos passam a achar que colocar o cara atrás das grades por décadas resolve a situação. É o cúmulo da hipocrisia.

    Ou seja, os criminosos "profissionais" são protegidos enquanto os cidadãos comuns, que sofrem com a violência maior do que de países em guerra civil, sequer podem se defender. Quando o fazem são perseguidos pelos grupos de "direitos humanos".

    Em suma: estamos pior do que o estado de natureza apontado por Locke. Neste não haveria governo civil para garantir a segurança, mas os próprios cidadãos teriam o direito natural para fazê-lo. No nosso caso temos uma tirania que nada faz contra os transgressores mas impede o cidadão de puni-los ou mesmo de agir em legítima defesa. É a ditadura dos criminosos profissionais.

    Se depender da esquerda só teremos na cadeia policiais, gente que age em legítima defesa ou pessoas presas por crimes de opinião.
  • claudio  30/05/2015 22:13
    minha cidade é pequena é só este ano já mataram vinte.

    https://www.facebook.com/Janaubanoticias/posts/964488366915228

  • Sigmund Freud  26/02/2016 01:24
    As pessoas ligadas ao crime estão constituindo uma nova classe social e econômica diferenciada, com uma espécie de subcultura própria (vestuário, peculiaridades linguísticas e valores próprios).

    A esquerda deu aos grupos que se identificam com a cultura do crime um poder cada vez maior e agora eles assumiram o controle da sociedade em muitas regiões.

    Se o Estado quisesse proteger os seus cidadãos, lhes daria armamento pesado e treinamento militar, ao invés de desarmá-los. Em seguida declararia guerra ao crime.

    Não é correto desarmar os cidadãos antes de desarmar os criminosos. Deveria ser o contrário.
  • anônimo  26/02/2016 08:44
    'Se o Estado quisesse proteger os seus cidadãos, lhes daria armamento pesado e treinamento militar,'

    Não dotô, o estado não tem que dar nada. Só tem que não atrapalhar.


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