O que houve com os ricaços da década de 1980?

Um dos erros mais frequentemente encontrados na maioria das análises ideologizadas da ciência econômica é aquele que pressupõe uma visão estática da riqueza.  Quem pensa que a riqueza é estática cai no erro de considerar que, quando uma pessoa se torna rica, ela e seus herdeiros serão ricos — e cada vez mais ricos — para sempre.

Não é necessário ir muito longe para encontrar um exemplo recente deste erro.  O economista Thomas Piketty, bastante em voga nestes tempos de demonização dos ricos, demonstra em seu deliciosamente equivocado livro Capital no Século XXI — o qual, obviamente, foi muito elogiado por Paul Krugman — que é muito provável que exista uma tendência dentro do capitalismo de que a rentabilidade do capital se situe acima da taxa de crescimento da economia, o que significa que a classe capitalista irá se apropriar de uma fatia cada vez maior da renda nacional, agravando as desigualdades sociais.

Pior ainda: Piketty também considera provável que os mais ricos dentro da classe capitalista tenham maiores facilidades para obter uma taxa de retorno superior àquela conseguida pelos capitalistas de menor dimensão, o que agravaria esse "curso natural" do capitalismo de fazer com que os super-ricos (e seus herdeiros) se apropriem de fatias crescentes da riqueza total.

Para demonstrar sua teoria, Piketty recorre ao ranking de bilionários elaborado anualmente pela revista Forbes e chega à seguinte conclusão: se agregarmos toda a riqueza possuída pela centésima milionésima parte da população mundial adulta em 1987 (ou seja, as 30 pessoas mais ricas do mundo em 1987) e compararmos esta riqueza à riqueza da centésima milionésima parte da população mundial adulta de 2010 (ou seja, as 45 pessoas mais ricas do mundo), chegaremos à conclusão de que esta riqueza cresceu a uma taxa média real anual de 6,8% (já descontada a inflação).  Isso é o triplo do crescimento médio anual do conjunto da riqueza mundial (2,1%).

Os super-ricos, portanto, estão cada vez mais ricos, segundo Piketty.  E estão mais ricos não por causa de sua exitosa gestão empresarial, mas simplesmente porque acumularam uma enorme quantidade de riqueza que é capaz de se auto-reproduzir como se estivesse no piloto automático. 

Como diz o próprio Piketty em seu livro: "Uma das lições mais impactantes do ranking da Forbes é que, a partir de um determinado valor de riqueza, todas as grandes fortunas têm suas origens ou na herança ou no valor gerado por uma empresa já estabelecida no mercado, e crescem a taxas extremamente elevadas — independentemente de se seu proprietário trabalha ou não trabalha."

No entanto, Piketty dá um salto lógico inadmissível: o fato de a riqueza da camada mais rica da sociedade ter crescido a uma taxa média anual de 6,8% entre 1987 e 2010 não significa que as pessoas ricas de 1987 sejam as mesmas de 2010

E isso faz toda a diferença em sua teoria.

Por exemplo, se o indivíduo A foi a pessoa mais rica do mundo em 1987, tendo uma riqueza estimada em 20 bilhões de dólares, nada impede que, em 2010, este mesmo indivíduo já tenha se arruinado por completo, e que outro indivíduo, o indivíduo B, tenha se tornado a pessoa mais rica do mundo, com uma riqueza estimada em 40 bilhões de dólares.

Tendo isso em mente, será que podemos concluir que a conservação e o acréscimo de riqueza é um processo simples e automático, o qual não requer nenhuma destreza pessoal da parte de seu proprietário?  É óbvio que não.

Por sorte, não há necessidade nenhuma de ficarmos apenas especulando hipóteses teóricas sobre o crescimento da riqueza dos super-ricos entre 1987 e 2010; podemos simplesmente analisar o que de fato ocorreu com os ricaços de 1987.  Será verdade que a riqueza deles cresceu desde então a uma taxa de 6,8% ao ano, como afirma Piketty?  Ou será que ela estancou ou até mesmo retrocedeu, fazendo com que eles tenham sido desbancados por outros criadores de riqueza?

Os dez homens mais ricos do mundo em 1987

Foi em 1987 que a revista Forbes começou a elaborar seu ranking de bilionários.  Se você olhar hoje aquela lista de 1987, provavelmente irá se surpreender: você não conhecerá praticamente ninguém.  E não, a razão disso não é que a maioria daqueles bilionários morreu; a razão é que praticamente todos eles viram seu patrimônio definhar de maneira considerável.

Comecemos pelo homem mais rico do mundo em 1987: o japonês Yoshiaki Tsutsumi, que tinha uma fortuna estimada em 20 bilhões de dólares.  A última vez em que ele apareceu no ranking da Forbes foi no ano de 2006, e sua riqueza já havia encolhido para 1,2 bilhão de dólares.  Descontando-se a inflação do período, isso equivalia a 678 milhões em dólares de 1987. 

Ou seja, tomando por base o poder de compra de 1987, sua fortuna caiu de 20 bilhões para 678 milhões entre 1987 e 2006, o que significa que sua riqueza encolheu 96% neste período.  E, desde 2006, sua riqueza continuou em irreversível declínio, de modo que ele hoje nem sequer figura no ranking da Forbes.

No entanto, segundo Piketty, a riqueza de Yoshiaki Tsutsumi deveria ter se multiplicado por seis.

O segundo homem mais rico do mundo em 1987 também era japonês: Taikichiro Mori.  Na época, ele tinha uma fortuna estimada em 15 bilhões de dólares, o que o tornaria, em 1991, o homem mais rico do mundo, superando Tsutsumi.  Taikichiro Mori faleceu em 1993 e legou sua fortuna a seus filhos: Minoru Mori e Akira Mori.  O patrimônio conjunto de ambos é atualmente de 6,3 bilhões, o que equivalia a 3,075 bilhões de dólares em 1987.  Ou seja, a riqueza encolheu 80%.

Não consegui encontrar dados referentes às atuais fortunas dos homens (ou de seus herdeiros) que ocupavam a terceira e a quarta posição da lista de 1987, os também nipônicos Shigeru Kobayashi e Haruhiko Yoshimoto, com fortunas estimadas em 7,5 bilhões e 7 bilhões de dólares respectivamente.  No entanto, o fato de que ambos estavam acentuadamente investidos no setor imobiliário japonês em 1987, e dado que este setor vivenciou uma acentuada desvalorização no período — tudo combinado ao fato de que não há quase nada na internet sobre eles (ou sobre suas famílias) —, parece sugerir que ambos não tiveram melhor sorte do que seus conterrâneos Tsutsumi e Mori.

O quinto lugar da lista de 1987 era ocupado por Salim Ahmed Bin Mahfouz, cambista profissional e criador do maior banco da Arábia Saudita (o National Commercial Bank da Arábia Saudita).  Naquele ano, o saudita gozava de uma fortuna estimada em 6,2 bilhões de dólares.  Em 2009, faleceu seu herdeiro, Khalid bin Mahfouz, com uma riqueza estimada em 3,2 bilhões de dólares, que equivaliam a 1,7 bilhão em dólares de 1987.  Ou seja, um empobrecimento de 72,5%.

O sexto lugar da lista era ocupado pelos irmãos Hans e Gad Rausing, donos da multinacional sueca Tetra Pak.  Ambos detinham um patrimônio estimado em 6 bilhões de dólares.  Atualmente, Hans Rausing, já com 92 anos de idade, possui um patrimônio estimado em 12 bilhões de dólares, e ocupa a 92ª posição entre os mais ricos do mundo.  Gad morreu no ano 2000, mas estima-se que seus herdeiros possuem uma fortuna de 13 bilhões de dólares.  No total, portanto, a fortuna de ambos passou de 6 bilhões de dólares para 25 bilhões.  No entanto, descontando-se a inflação do período, o enriquecimento de ambos foi muito menor: de 6 bilhões para 12,2 bilhões, o que equivale a uma taxa média de rentabilidade anual de 2,7%.  Muito abaixo dos 6,8% sugeridos por Piketty.

O sétimo lugar era ocupado por um trio de irmãos: os irmãos Reichmann, proprietários da Olympia and York, uma das maiores imobiliárias do mundo.  Sua riqueza também era estimada em 6 bilhões de dólares.  No entanto, cinco anos depois, a empresa protagonizou uma das mais estrondosas bancarrotas da história, a qual reduziu seu patrimônio a apenas 100 milhões de dólares.  Um dos irmãos, Paul, conseguiu se recuperar das cinzas e hoje a riqueza de seus herdeiros está estimada em 2 bilhões de dólares, equivalentes a 975 milhões em dólares de 1987.  Ou seja, uma perda de 84%.

A oitava posição estava ocupada por outro japonês, Yohachiro Iwasaki, com uma fortuna estimada em 5,6 bilhões de dólares.  Seu herdeiro, Fukuzo Iwasaki, morreu em 2012 com um patrimônio de 5,7 bilhões, equivalentes a 2,8 bilhões em dólares de 1987: ou seja, uma perda patrimonial de 50%.

Melhor sorte teve o nono homem mais rico do mundo em 1987: o canadense Kenneth Roy Thomson, proprietário da Thomson Corporation (hoje parte do grupo Thomson Reuters).  Naquele ano, Kenneth desfrutava um patrimônio de 5,4 bilhões de dólares; quando morreu, em 2006, havia conseguido incrementá-lo para 17,9 bilhões, equivalentes a 9,3 bilhões em dólares de 1987.  Neste caso, sua média de retorno anual foi de 2,9%.  De novo, muito abaixo dos 6,8% certificados por Piketty.

Finalmente, em décimo lugar estava Keizo Saji, com um patrimônio de 4 bilhões de dólares.  Saji morreu em 1999 com uma fortuna de 6,7 bilhões de dólares, a qual, descontando-se a inflação do período, equivalia a 4,6 bilhões em dólares de 1987.  Ou seja, uma taxa média de retorno anual de 1,1%.

A extremamente complicada conservação do capital

Ludwig von Mises já alertava para a inevitabilidade deste fenômeno ainda na década de 1940:

Em uma economia de mercado, naquela em que há liberdade de empreendimento, e ausência de privilégios e protecionismos estatais, a riqueza de um indivíduo representa a recompensa concedida pela sociedade pelos serviços prestados aos consumidores no passado.  E esta riqueza só pode ser preservada se ela continuar a ser utilizada — isto é, investida — no interesse dos consumidores.  

Atribuir a cada um o seu lugar próprio na sociedade é tarefa dos consumidores, os quais, ao comprarem ou absterem-se de comprar, estão determinando a posição social de cada indivíduo.  Os consumidores determinam, em última instância, não apenas os preços dos bens de consumo, mas também os preços de todos os fatores de produção.  Determinam a renda de cada membro da economia de mercado.

Se um empreendedor não obedecer estritamente às ordens do público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do mercado, ele sofrerá prejuízos e irá à falência.  Outros homens que melhor souberam satisfazer os desejos dos consumidores o substituirão.

Os consumidores prestigiam as lojas nas quais podem comprar o que querem pelo menor preço.  Ao comprarem e ao se absterem de comprar, os consumidores decidem sobre quem permanece no mercado e quem deve sair; quem deve dirigir as fábricas, as fornecedoras e as distribuidoras.  Enriquecem um homem pobre e empobrecem um homem rico.  Determinam precisamente a quantidade e a qualidade do que deve ser produzido.  São patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e imprevisíveis.  Para eles, a única coisa que conta é sua própria satisfação.  Não se sensibilizam nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos.

Contrariamente ao que muitos imaginam, e ao que Thomas Piketty pretende demonstrar, não é nada simples conservar seu patrimônio em uma economia de mercado: este sempre estará ao sabor (1) das volúveis e inconstantes preferências dos consumidores, (2) do surgimento de novos concorrentes que podem acabar roubando sua fatia de mercado, ou (3) de um possível reajuste (e posterior colapso) do preço dos seus ativos.  É falso dizer que há um valor acima do qual a acumulação de capital passa a ocorrer de modo quase automático.

Ao contrário, aliás: quanto maior for o patrimônio pessoal de um indivíduo, mais complicado será fazê-lo crescer: as oportunidades para reinvestir todo o seu capital a altas taxas de retorno são muito escassas, a menos que se queira arriscar e se aventurar em outros mercados, nos quais não se tem nenhuma vantagem comparativa. 

As mesmas razões que fazem com que um estado grande seja um péssimo gestor de capitais servem para explicar por que os bilionários vão ficando sem ideias e aptidões para gerenciar sua fortuna — até o ponto em que não mais são capazes de se reinventarem continuamente, acabando por ver seu patrimônio reduzido, nem que seja apenas pela inflação.  Não é à toa que a sabedoria popular a este respeito vale mais do que as elucubrações de muitos economistas míopes: from clogs to clogs in three generations[1], o que significa que a riqueza acumulada por uma geração já estará totalmente dissipada na terceira geração.

Atualmente, com efeito, nem sequer são necessárias três gerações.  Bastam três décadas para se perder quase tudo.

Em 2013, os sobrenomes Tsutsumi, Mori, Reichmann, Iwasaki e Saji eram praticamente irrelevantes.  Da mesma maneira, em 1987, muitos dos homens mais ricos da atualidade — Bill Gates, Amancio Ortega, Larry Ellison, Jeff Bezos, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg — estavam trabalhando em uma garagem, ou estavam fazendo faculdade, ou estavam brincando no jardim de infância.  Nenhum herdou sua atual fortuna.  Veremos quantos deles seguirão na lista dentro de três décadas.



[1] Clogs é um tipo de sapato barato, feito inteiramente de madeira e comumente utilizado por operários que realizam trabalho pesado.


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SOBRE O AUTOR

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.



O IR se encontra todo desonesto. Em principio não se exclui uma só pessoa que não teria direito de buscar todo o seu imposto ou parte dele contra a Receita. Só possui forma e aspecto de honesto. Em primeiro lugar a declaração desenvolvida não abrange situações individuais. Estaria ferindo o principio da individualização do tributo ou capacidade tributária. Mais do menos, não combina os ítens da cesta básica, nem as garantias da saúde, dando um tiro ao vento, alvejando quem possa. Em faixas menores desatende ao principio constitucional do piso mínimo legal.É valentemente ou leão contra a distribuição de renda, pois fixa e presume gastos com educação de parcela dedutiva não real. Só exemplo e o mesmo vale para vários itens. Covarde, o IR financia trapaças dos economicamente mais fortes, vertendo isenções de todo gênero, fazendo gracinhas a título de incremento ao desenvolvimento. Atua como bancos, pegando o dinheiro dos desfavorecidos, e atua como os salários de países pobres, não havendo igualdade de direitos e proporcionalidade nas bocadas. As declarações obrigatórias anualmente são falaciosas e preguiçosas invertendo o ônus da prova, o que contraria o principio da dignidade humana. Se torna medida de Príncipe, não permitida pela Constituição Federal, existente somente em casos de graves prejuízos à ordem econômica e social, o que seria só permitido com o respaldo do congresso. Para quebrar um pouco essa fuga dos objetivos éticos de Estado, até se poderia cogitar da sua apresentação de cinco em cinco anos. É feito guerra,e possui até armísticio pois dispo e de uma série de princípios que permite o ladrão sair pela porta da frente, via atitudes de prescrições e decadência. Só governos e juristas sabem engendrar um galope desses.
Sim, é o poder de compra. E apenas o poder de compra.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402

Fluxos cambiais atípicos afetam o câmbio no curtíssimo prazo, coisa de um dia. No longo prazo, o que determina o câmbio é pura e simplesmente o poder de compra.

Prova empírica disso é que, em 2015, o fluxo cambial para o Brasil foi positivo, mas o dólar subiu de 2,30 para 4,20.

br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0UK1WC20160106
"Leila 10/11/2016 14:38
Cobrança de impostos realmente atrapalha a economia.
"

Prove! Prove com raciocínios lógicos e não com argumentos emotivos. A linha de raciocínio de Hope em
The Economics of Taxation é que o imposto atrapalha a formação de longas cadeias de produção, partindo do pressuposto que o produtor arca com o custo do imposto. Eu aceito esse argumento, mas há uma ligação direta em aceitar esse argumento e aceitar a existência da mais-valia. Quando você lê o artigo de Hope, e por alguns instantes pensa na mais-valia, verá que tem uma grande semelhança com os argumentos de Karl Marx. Ora, se existe a mais-valia, uma sociedade sem imposto não estará livre da coerção econômica. Logo, o imposto se justifica por si.
Essa é pra você, Dementador:

Em 2015, a Seguridade Social recebeu R$ 2,5 bilhões em repasses das loterias da Caixa para garantir benefícios previdenciários.

www.loterias.caixa.gov.br/wps/portal/loterias/landing/repasses-sociais/

Como disseram os outros acima -- para desespero seu -- toda a conta do Seguridade Social só fecha por meio do desvio de rubricas.

Eu sabia que a Previdência era deficitária, mas eu jurava que a Seguridade Social era superavitária. Nem isso.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Emerson Luis, um Psicologo  07/04/2014 14:15

    Verificamos o mesmo fenômeno de olharmos a lista das 500 maiores empresas de 2004 (não trinta, mas apenas dez anos antes). Muitas caíram de posição ou saíram da lista, foram absorvidas por outras ou faliram. Poucas empresas ficam muito tempo na lista, principalmente na mesma posição.

    Também vale lembrar o quanto a situação dos pobres nos países capitalistas (alta ou média-alta liberdade econômica) melhorou desde 1987. Até no Brasil estão melhores!

    * * *
  • Mr. Magoo  07/04/2014 15:18
    kkkk o Krugmann é o alter-ego do Mantega!
  • Mohamed Attcka Todomundo  08/04/2014 14:57
    mas na frança as 45 maiores da déc. 1970 ainda estão na lista. kkkkkkkkkk. Sustentei a ideia do piquete (digo, Piketty)! como eu sou esperto. hahahahaha. ganha um doce kem adivinhar a falha do meu raciocinio
  • Robson Cota  10/04/2014 15:24
    Hum, seria porque os donos dessas empresas são outros, ou seja, nem eles nem seus herdeiros conseguiram manter as empresas em suas mãos?
  • Edu.  30/04/2014 19:04
    Talvez por que há muitas estatais?
  • Angelo T.  07/04/2014 15:30
    Meu patrimônio em 1987: 0,000000001 bilhões de dólares.
    Meu patrimônio em 2014 (já descontada a inflação no período): 0,00000001 bilhões de dólares.

    Crescimento de 1000%. Bem melhor que esses empreendedores aí. :-P
  • Gredson  07/04/2014 15:55
    Tem a questão também de se adaptar as inovações do mercado. como Ludwig von mises citou em seu livro, a mentalidade anticapitalista.

    "O herdeiro de um milionário goza de certa vantagem pois começa em condições mais favoráveis que outros. Mas sua tarefa na disputa pelo mercado não é fácil e pode ás vezes, tornar-se mais cansativa e menos recompensadora do que a de um recém-chegado.

    Ele tem de reorganizar sua herança de modo a ajustá-la ás mudanças de condições de mercado. Assim, por exemplo, os problemas que o herdeiro de um "império" ferroviário teve de enfrentar, nas ultimas décadas, foram certamente mais complicados do que os encontrados por alguém que, vindo do nada, tenha entrado no transporte rodoviário ou aéreo."
  • sir  07/04/2014 16:01
    Isto prova que o mercado se ajusta, não precisamos de governo interferindo.
    Quem tem competência se estabelece, se o governo não atrapalhar.
  • Giovani  07/04/2014 16:17
    "Dizem que não se deve dar o peixe ao povo, que deve ensiná-lo a pescar. Mas, se lhe tiramos o barco, os anzóis, a vara de pescar, temos que começar a lhe dar o peixe." Pepe Mujica

    Sugestões para refutar essa pérola?
  • Leandro  07/04/2014 17:19
    Essa é fácil. Apenas utilize a lógica.

    Comece com a seguinte pergunta: quem é que tirou "o barco, os anzóis, a vara de pescar" dos pobres?

    E então prossiga:

    Quem é que, ao estimular o setor bancário a expandir o crédito -- e, com isso, fazer com que a inflação de preços se mantenha continuamente alta -- aniquila o poder de compra dos mais pobres?

    Quem é que, ao desvalorizar a moeda e a taxa de câmbio, impede os pobres de utilizarem seu já escasso poder de compra para adquirir produtos importados?

    Quem é que, além de desvalorizar a moeda, a taxa de câmbio e gerar inflação de preços, ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial -- e, com isso, impede duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, impede que os salários sejam maiores?

    Após responder a todas as perguntas acima (dica: a resposta é a mesma para todas elas), você verá o quão "genial" é essa solução proposta. Em vez de simplesmente abolir todas as causas da perpetuação da pobreza, a entidade que criou os problemas quer apenas remediá-los com novas intervenções. E ainda consegue a simpatia das vítimas!

    Deve ser gostoso ser governo.
  • Giovani  07/04/2014 18:12
    Excelente!! Ótima resposta: sarcástica, lógica, e real!
    obrigado Leandro
  • Francisco Seixas  07/04/2014 18:43
    Excelente, Leandro.

    Se me permite, vou copiar e fazer uso ipsis litteris dessa sua "Ode ao Livre Mercado".

    Abraço.
  • rafael isaacs  08/04/2014 01:20
    Os burgueses.
  • Josiane  08/04/2014 16:53
    Se me permite, gostaria de copiar a resposta. A lógica é inegável para quem a quer aceitar.
  • Patrício   24/05/2014 02:00
    Agora continue, quem financia isto tudo e tem a retribuição por isto? O sistema não é feito para dar certo.
  • mauricio barbosa  07/04/2014 16:37
    É Angelo T.Esqueceu de descontar a inflação do período.

  • Andre  07/04/2014 17:07
    "No entanto, Piketty dá um salto lógico inadmissível: o fato de a riqueza da camada mais rica da sociedade ter crescido a uma taxa média anual de 6,8% entre 1987 e 2010 não significa que as pessoas ricas de 1987 sejam as mesmas de 2010.".

    Tentou criticar o livre mercado e se deu mal. Normal.
  • diego  07/04/2014 17:50
    Tudo na terra tem começo, meio e fim! ESSA LEI É UNIVERSAL e IMUTAVEL!
  • Rene  07/04/2014 18:49
    Esta rotatividade de pessoas ocupando o posto de mais ricos do mundo explica muito porque os grandes empresários, tão logo ocupam o posto de líderes do mercado, logo pedem regulamentações, tarifas protecionistas e qualquer outra coisa que limite a concorrência. Uma verba de campanha eleitoral é muito mais barata do que uma potencial perda de capital tal como as sofridas pelos campeões de 1987. E a proteção a empresas nacionais é facilmente justificável perante a população: Proteger empregos, desenvolver a indústria nacional, se proteger contra a dependência estrangeira e outras baboseira do tipo. Os efeitos negativos disso também são disfarçados facilmente com maquiagens contábeis ou simplesmente jogando a culpa para o livre mercado e/ou o imperialismo americano, seja lá o que isso signifique.

    E o brasileiro ainda se acha muito esperto quando consegue trazer algum equipamento eletrônico do Paraguai ou de Miami sem pagar imposto. Trágico.
  • Maycon  07/05/2014 19:48
    Você falou igual o senhor Omar, o agente funerário de Todo mundo odeia o Cris.
  • Antônio Nunes  07/04/2014 19:09
    E os "ricos comunistas" tais como Fidel Castro. O que aconteceu com a fortuna deles? Alguém sabe responder?
    Agradeço.
    Antônio Nunes
  • Eduardo  07/04/2014 19:32
    Muito bom. Thomas Sowell e John Stossel também já trouxeram muitos dados sobre fortunas que são totalmente contrários ao senso comum.

    A idéia de que ricos sempre herdam suas fortunas, que o pobre não tem chances de enriquecer, que os pobres e os ricos são sempre os mesmos geração após geração, etc, não têm qualquer relação com a realidade, que é praticamente o contrário.

    A esmagadora maioria dos milionários vieram da pobreza, bem como uma quantidade significante de ricaços perdeu tudo rapidamente.

    Isso sem contar manipulações e má interpretações das estatísticas, que são frequentemente denunciadas por Thomas Sowell.
    Faz-se estatística do 1% dos mais ricos americanos, mas pode acontecer do cara ter recebido um pagamento de um enorme investimento de longo prazo, e não ser uma renda constante e frequente, mas um evento raro.

    Faz-se estatística de x% de pessoas que recebem salário mínimo, mas a grande maioria delas são adolescentes de classe média entrando no mercado de trabalho, e não o cenário pintado pela esquerda de que são milhões de famílias vivendo de salário mínimo. Adicionalmente, praticamente todos esses que recebem salário mínimo já estão recebendo mais no ano seguinte, e não são uma massa constante das mesmas pessoas que recebem salário mínimo ano após ano.

    Enfim, o cidadão comum desconhece todos esses dados, mas está pronto para engolir as ladainhas do professor de geografia bestão de como é impossível enriquecer (segundo o bestão, enriquecer é uma isca que o capitalismo malvadão põe para iludir as pessoas enquanto elas enriquecem os já ricos e opressores no processo), de como é impossível os ricos deixarem de ser ricos, e todo esse blablabla.

    É muito mais difícil ensinar teoria econômica para as pessoas tirarem suas conclusões educadas, então ao menos continuemos com esse esforço de apresentar números e fatos... quem sabe assim a galera comece a parar de escutar o professor de geografia e comece a duvidar dessa luta de ricos vs pobres.

  • anonimo  08/04/2014 13:22
    Depois do IPEA acho que dá pra ter uma boa ideia de como as estatísticas são feitas (quem acompanha o site já sabia mas a grande maioria dos brasileiros não...).
  • Nerdão Minarquista  07/04/2014 19:58
    ""Antônio Nunes E os "ricos comunistas" tais como Fidel Castro. O que aconteceu com a fortuna deles? Alguém sabe responder?""
    Fidel Castro segue sendo o verdadeiro homem mais rico do mundo desde a década de 1950, sem sombra de dúvida o maior burguês de todos os tempos!
  • Gustavo Leitte  12/05/2014 01:33
    Detentor dos meios produção, explorador dos trabalhadores cubanos e finalmente prática a real mais-valia já que paga praticamente nada aos trabalhadores e com isso possui custo com mão de obra zero, ou seja, escravidão. Fidel "Burguês" Castro. Era deste burgues que Marx falava rsrsarsrs
  • Paulo  08/04/2014 12:52
    Estranho isso. Aqui se critica muito o atual arranjo econômico/estatal do mundo justamente por favorecer os "grandes" através de privilégios advindos de associação direta e indireta a determinados "canais" estatais em benefício próprio, gerando consequências como oligopólio, reserva de mercado etc. Como, então, defender o puro mérito dos super-ricos, utilizando como argumento justamente algo que se defende aqui que atualmente não existe: o livre mercado?

    Outra coisa, o autor critica suposto "salto lógico" do outro autor. E pergunta, já respondendo:

    "Tendo isso em mente, será que podemos concluir que a conservação e o acréscimo de riqueza é um processo simples e automático, o qual não requer nenhuma destreza pessoal da parte de seu proprietário? É óbvio que não."

    OK, não. Mas essa negação e toda sua argumentação seguinte, apesar de provar sua tese, não refuta outra, implícita (o que de certo modo a reforça):

    "A riqueza, independentemente do 'dono', tende a se concentrar".
  • Michael  08/04/2014 13:13
    "Aqui se critica muito o atual arranjo econômico/estatal do mundo justamente por favorecer os "grandes" através de privilégios advindos de associação direta e indireta a determinados "canais" estatais em benefício próprio, gerando consequências como oligopólio, reserva de mercado etc."

    Correto.

    "Como, então, defender o puro mérito dos super-ricos, utilizando como argumento justamente algo que se defende aqui que atualmente não existe: o livre mercado?"

    Não entendi nada. Em primeiro lugar, há sim no mundo vários ricos que enriqueceram sem ter ligações com o governo ou sem receber favores do governo. Mas é compreensível que brasileiros, que não estão acostumados a um cenário de genuína livre iniciativa, sem BNDES, não consigam visualizar isso. Mas tal cenário existe no resto do mundo, creia-me.

    No que mais, no que esse seu raciocínio contradiz o artigo? Qual a ligação deste raciocínio com a primeira frase acima?

    O resto da sua postagem foi ininteligível.
  • anônimo  08/04/2014 14:36
    'Como, então, defender o puro mérito dos super-ricos, utilizando como argumento justamente algo que se defende aqui que atualmente não existe: o livre mercado?"'

    Existem ricos por mérito próprio e ricos por mérito do governo.Você fez uma salada de frutas aí.
    E o objetivo do artigo nem foi defender rico nenhum, foi mostrar que a idéia de que basta ter algum dinheiro pra que seus herdeiros virem uma casta privilegiada pro resto da vida, que é o que a inteligentsia esquerdista fala, é uma mentira.
  • Jeferson  08/04/2014 14:53
    "A riqueza, independentemente do 'dono', tende a se concentrar".

    Não sei como te responder, Paulo. Preparei duas respostas por via das dúvidas:

    1 - Entendi. A "riqueza" então é um ser vivo, dotado de vontade, inteligência e um instinto, ou por que não dizer, um ímpeto em se concentrar e crescer mais e mais, absorvendo suas células que estão espalhadas pelas pessoas ao longo do globo e crescendo, tal qual um monstro de filme de ficção científica digno de Sessão da Tarde. Interessante essa observação. Nunca pararia pra pensar nisso sem esse seu comentário.

    2 - Que bom que a concentração de riqueza independa do dono. Porque não faz sentido falar que alguém é "rico" ou que há uma "classe rica" sem se falar do SER HUMANO que é rico, ou do CONJUNTO DE SERES HUMANOS, de INDIVÍDUOS que é rico. Se há uma "classe rica" cujos membros se alternam, então não há uma "classe rica", o que há é a rotação da riqueza entre pessoas que, em determinadas épocas, se mostram mais competentes em adquirí-la. E essa aquisição de riqueza, quando não se dá por espoliação, estorção, roubo, etc. - que é a riqueza do aparato estatal e é a forma que seus favorecidos, como você mesmo citou, enriquecem - se dá por pura competência em fazer uso dos recursos que possui para agradar às pessoas, recebendo delas um pagamento que elas consideram justo pelo que recebem em troca.

    Logo, não entendo qual seria o problema de aqueles que mais beneficiam às outras pessoas serem as que mais recebem benefícios delas em retorno pelo produto vendido ou serviço prestado, especialmente porque isso só se mantém real bilateralmente: tão logo um ricasso deixe de ser competente em entregar benefício à população por um preço baixo e tendo uma estrutura de custos rentável, ele rapidamente deixa de ser ricasso. É isso que diferencia as pessoas e empresas que continuam figurando na lista da Forbes das que sumiram dela por perderem sua competência e, consequentemente, seu patrimônio.

    Eu chuto que a maioria dos superricos não chegou aonde chegou com ajuda de nenhum governo, embora também chute que muitos receberam algum tipo de ajuda pelo menos depois de já ter se tornado multimilionário. Não vejo contradição no texto, porque o que ele mais ataca é a idéia de que há uma "classe", um grupo de pessoas, que detenha a riqueza do mundo e se perpetue nesse monte de riqueza como se a riqueza sozinha atraísse mais e mais riqueza para eles. A realidade é muito diferente disso.
  • Andre  09/04/2014 11:50
    "Como, então, defender o puro mérito dos super-ricos, utilizando como argumento justamente algo que se defende aqui que atualmente não existe: o livre mercado?"
    Esse artigo não defendeu o puro mérito dos super ricos.
    Se você discorda aponte o trecho em que você acha que o artigo defendeu o "puro mérito dos super ricos".
    E ainda que não exista "o livre mercado" existem mercados que são mais livres do que outros, e quanto mais livres
    são esses mercados mais podemos ver como as ideias defendidas por este site se confirmam na prática.
    www.heritage.org/index/ranking

    "A riqueza, independentemente do 'dono', tende a se concentrar".
    Se várias pessoas que eram super ricas se tornaram muito menos ricas e ao mesmo tempo outras pessoas ficaram super ricas, isso não é concentração de riqueza.
    A existência de pessoas ricas é algo que ocorre naturalmente em um livre mercado, por uma combinação de mérito e sorte. E não há nada de moralmente errado nisso.
    Pois em um livre mercado essas pessoas só ficaram ricas porque fizeram trocas voluntárias que beneficiaram elas próprias e outras pessoas.
    Moralmente errado é o governo roubar dinheiro das pessoas e chamar elas de "contribuintes" como se elas não estivessem sendo assaltadas.
  • Paulo  08/04/2014 13:31
    Traduzindo:

    Parte 1: o artigo passa a impressão de que há um livre mercado real, genuíno e até mesmo cor-de-rosa, sendo que a opinião corrente aqui me parecia dizer o contrário. "(...) há sim no mundo vários ricos que enriqueceram (...)". Veja seu tom nessa afirmação. Você trata os "sem ligação" como exceção. Nem acho que seja tão grave assim; minha observação inicial foi apenas na intenção de expressar minha estranheza com a aparente contradição de "tom" que o artigo introduziu ao pensamento do site.

    Parte 2: na segunda parte tento mostrar (ou que alguém me mostre o contrário) que ao provar que os mais ricos não são os mesmos, como se isso fosse o mais importante, o autor não refutou um ponto importante colocado pelo outro autor: que a riqueza vem se concentrando.
  • Michael  08/04/2014 13:49
    Parte 1: cite aqui o trecho do artigo que "passa a impressão de que há um livre mercado real, genuíno e até mesmo cor-de-rosa".

    Sobre você ter estranheza com "tom", isso não é problema meu.

    Parte 2: É nisso que dá querer comentar sem conhecer o que está sendo debatido. O outro autor disse que não apenas a riqueza tende a se concentrar nas mãos dos mesmos (após atingir um determinado valor), como ainda a multiplicação e perpetuação desta riqueza é fácil e automática após chegar a este valor. Segundo ele, a riqueza acumulada é capaz de se auto-reproduzir como se estivesse no piloto automático, de modo que, quem alcança um determinado valor de riqueza, se torna cada vez mais rico, automaticamente.

    Veja a frase dele retirada de seu livro: "Uma das lições mais impactantes do ranking da Forbes é que, a partir de um determinado valor de riqueza, todas as grandes fortunas têm suas origens ou na herança ou no valor gerado por uma empresa já estabelecida no mercado, e crescem a taxas extremamente elevadas — independentemente de se seu proprietário trabalha ou não trabalha."

    A realidade mostrou que tudo isso que ele afirmou é balela. A riqueza não apenas não se reproduz no piloto automático, como também quem era do clube dos super-ricos na década de 1980 o deixou de ser.
  • anônimo  08/04/2014 14:40
    'ao provar que os mais ricos não são os mesmos, como se isso fosse o mais importante, o autor não refutou um ponto importante colocado pelo outro autor: que a riqueza vem se concentrando.'

    Então explique direito como é que pode isso? A riqueza aumenta aqui, aumenta aumenta e PUF some num passe de mágica e começa a aumentar nas mãos de outro?
  • Paulo  08/04/2014 16:54
    Eu tenho mesmo que explicar que a "riqueza" (entre aspas pois ela não existe de verdade, segundo alguns aqui) vem se concentrando devido justamente a interferência estatal? E que essa interferência estatal é resultado justamente da ação daquela? Tenho mesmo que dar exemplos concretos? Tipo o atual tsunami monetário que assola o mundo e cujo resultado não é outro senão a concentração de riqueza (riqueza SIM, ou meios de produção, propriedades, processos produtivos, fatias em concessões, parcerias e contratos com governos, tudo isso não é riqueza de verdade?)? Ou o próximo tsunami monetário que ameaça vir aí, dessa vez em euros (que certamente não vai ajudar, no final, as classes médias e pequenos produtores da Europa)? Quantas vezes já se falou neste mesmo site dos efeitos nefastos da inflação, sendo um deles justamente a expropriação de riqueza da massa, ou seja, concentração de riqueza? E as agências reguladoras, não concentram riqueza? E os juros subsidiados às campeãs nacionais? E tudo o mais que se critica aqui, o efeito final é outro além da deletéria concentração de riqueza nas mãos dos amigos dos reis?

    Estou pra ver ainda uma crítica ser postada aqui, por mais sutil que seja, sem que imediatamente surja uma chuva de pedras. Essa última crítica não se dirige aos contra-argumentos apresentados, mas às constantes "alfinetadas", gratuitas e contraproducentes (a prova é esta crítica final, que nada acrescenta ao assunto original, a não ser que me engano quanto às intenções), por isso desnecessárias, que vêm junto às respostas discordantes do crítico. Pensem: numa discussão presencial, você daria uma resposta no mesmo tom (aos que dão importância ao tom) do que escreve aqui?
  • Andre  09/04/2014 11:35
    "Pensem: numa discussão presencial, você daria uma resposta no mesmo tom (aos que dão importância ao tom) do que escreve aqui?"

    Muitas pessoas são mais cordiais no mundo real do que na internet porque elas sabem que seus interlocutores podem ser bestas selvagens.

    E bestas selvagens, quando são postas contra a parede com argumentos irônicos, sarcásticos, xingamentos, dentre outras técnicas argumentativas nada amigáveis, partem para a violência física.

    Pois bestas selvagens não são capazes de rebater argumentos e xingamentos com argumentos e xingamentos, então elas usam a violência física.

    Esse é um dos benefícios da internet:
    Permitir que pessoas inteligentes eduquem bestas selvagens, com argumentos e xingamentos, sem correrem riscos físicos.

    Com isso todos saem ganhando, as bestas selvagens ficam menos burras, e as pessoas inteligentes continuam vivas e saudáveis, para poderem prosseguir na sua missão de educar as bestas selvagens remanescentes que ainda habitam o mundo.

    Sei que xingamentos não servem como argumentos e não passam conhecimento, mas eles pelos menos têm a função de deixar o interlocutor com um pouco de raiva.
    De modo que assim existe a possibilidade de que o interlocutor que foi xingado, não podendo revidar com violência, tente ler algum material para refutar quem o xingou.
    Então nesse processo de leitura ele poderá aprender alguma coisa. O que é bom.
  • Beto  14/10/2015 21:12
    Que besteira hein Sr Andre? O leandro é sem duvida um dos melhores educadores desse site. Sempre que responde alguém é dando show, uma aula de conhecimento. Jamais vi ele precisar recorrer a xingamento para fazer isso. Depois de ler uma resposta lógica, coerente e sensata, não tem como ficar com raiva. Recorrer a xingamento e a proteção da internet para se proteger de suas palavras mostra apenas sua incompetência em educar e ensinar os mais ignorantes. Nesse caso é melhor se calar e deixar alguém mais competente assumir a bronca. Até porque quem precisa se esconder dos outros para evitar ser responsabilizado pelos seus atos costuma vestir terno e trabalhar em Brasília.
  • Andre  15/10/2015 12:56
    "Que besteira hein Sr Andre?".

    Besteira é o que dizem as bestas selvagens.

    "O leandro é sem duvida um dos melhores educadores desse site.".

    Concordo.
    Mas sigo afirmando que mesmo os argumentos mais perfeitos são incapazes de
    convencer uma besta selvagem.
    Você já tentou convencer um esquerdista ferrenho de que as crenças dele são
    falsas para ver como isso é simplesmente impossível de se fazer usando-se apenas
    argumentos perfeitamente lógicos e racionais?
    Talvez você convença um em cada 10000, mas não mais que isso.

    "Sempre que responde alguém é dando show, uma aula de conhecimento."

    Sim, eu sempre leio as respostas dele para aprender algo novo.
    Mas duvido que as bestas selvagens das quais eu falei estejam
    aprendendo algo. Nunca vi uma delas responder dizendo algo do tipo:
    "Puxa é mesmo, você está certo, eu era socialista mas agora estou começando
    a ver que quem causa o aumento da pobreza é o estado e não os empresários".

    "Jamais vi ele precisar recorrer a xingamento para fazer isso.".

    É verdade, mas isso não muda o fato de que bestas selvagens não se convencem com
    argumentos lógicos e racionais.

    "Depois de ler uma resposta lógica, coerente e sensata, não tem como ficar com raiva."

    Concordo plenamente! Uma besta selvagem lendo uma resposta lógica, coerente e sensata não tem
    como, nem porque, ficar com raiva. A besta selvagem vai apenas dar de ombros e nem vai tentar argumentar, por ser incapaz, porém não terá sido convencida a mudar de opinião só porque leu argumentos excelentes, ou até mesmo perfeitos.

    "Recorrer a xingamento..."

    Eu não recorro a xingamentos, e chamar uma besta selvagem de besta selvagem não é xingar.
    É usar um termo descritivo preciso.

    "e a proteção da internet para se proteger de suas palavras"

    Na verdade como eu descrevi a proteção da internet serve para quem deixa as bestas selvagens
    nervosas se protegerem da agressividade das bestas selvagens.

    "mostra apenas sua incompetência em educar e ensinar os mais ignorantes."

    Isso só seria válido se fosse realmente possível educar qualquer pessoa apenas com argumentos lógicos.
    Mas bestas selvagens não podem ser educadas apenas com argumentos lógicos. Então um pouco de sarcasmo pode ativar algumas emoções da besta e ajudar no processo educativo.

    "Nesse caso é melhor se calar e deixar alguém mais competente assumir a bronca."

    É o que eu costumo fazer mesmo, em geral não argumento com as bestas.
    Só às vezes por diversão eu mando algumas delas irem morar em Cuba.
    E se você parar para pensar isso nem poderia ser considerado sarcasmo pelas bestas,
    já que as próprias bestas dizem que Cuba é um lugar legal então quando eu mando
    elas para lá elas deviam ficar felizes.
    Mas elas ficam com raiva, porque apesar de amarem Cuba e os irmão Fidel de coração
    em algum lugar lá no fundo do cérebro delas elas sabem que Cuba é grande lixão.

    "Até porque quem precisa se esconder dos outros para evitar ser responsabilizado pelos seus atos"

    Se você acha que evitar ser responsabilizado pelos seus atos significa evitar sofrer agressões físicas de bestas selvagens então eu digo que todos os serem humanos precisam disso. É muito saudável não sofrer agressões.

    "costuma vestir terno e trabalhar em Brasília.".

    Ou apenas ser um defensor do PNA (princípio de não agressão):
    Por que o princípio da não-agressão é o único condizente com a moralidade e com a ética
    Ou você acha que se Fulano xinga ou é sarcástico com Beltrano então Fulano merece sofrer agressão física?

    ----

    Apesar de eu ter mencionado que bestas selvagens rebatem xingamentos com violência ao invés
    de usarem outros xingamentos, argumentos, ou ignorarem o xingamento... eu não advogo que elas
    sejam xingadas, pois isso não as educa em nada mesmo. E nem é divertido. Foi só uma observação
    com relação ao comportamento das bestas.

    Já o sarcasmo eu considero muito educativo. Por isso sempre que tenho a oportunidade eu mando
    defensores do socialismo para Cuba e defensores do comunismo para a Coréia do Norte.
    Ou digo para defensores do protecionismo que eles deveriam fabricar todas as suas coisas, pois já
    que o livre comércio prejudica a vida das pessoas eles deveriam se abster de fazer livre comércio.

    Já uma pessoa de boa fé que apenas acha que o protecionismo taaaalvez seja algo bom porque 99%
    dos economistas que aparecem na mídia o defendem com unhas e dentes... essa pessoa sim merece
    uma resposta educada, esclarecedora e explicativa sobre como o protecionismo empobrece à população.
  • Thiago  29/06/2014 02:14
    Vejo você reclamando do tom dos argumentos, mas pra começar você nem intendeu o que o autor do texto quis dizer.
    Esse texto serve apenas para mostrar que a riqueza não se acumula sozinha e fica multiplicando no automático, como Piketty disse. (dinheiro faz dinheiro).
    O dinheiro faz dinheiro quando bem administrado.
    O que esse texto mostra é que um vez bilionário, esse Super Rico terá que trabalhar ainda mais para administrar sua riqueza.

    No livre mercado é natural alguém se tornar muito rico, afinal se é faz um bom trabalho ele será recompensado.
  • Jeferson  08/04/2014 14:58
    Parte 2: Entendi. Pra você não é importante quem enriquece, e sim o fato de alguém enriquecer, e é terrível a idéia de que, cada vez mais haja bilionários no mundo.

    Se entendi corretamente, o nome dado ao que impulsiona esse seu pensamento é "inveja", e há um motivo ético e moral para todas (ou a maioria das) religiões a condenarem.
  • Thiago  29/06/2014 03:43
    Não sei como você leu o que eu escrevi e chegou a esse pensamento, deveria se atentar mais ao ler alguma coisa.
    Se você prestar mais atenção estou defendendo a livre iniciativa.

    "No livre mercado é natural alguém se tornar muito rico, afinal se (é)faz um bom trabalho ele será recompensado".

    Defendo a meritocracia.
  • mauricio barbosa  08/04/2014 15:31
    Anônimo aqui em minha terra fortunas foram dissipadas como por exemplo,jogo de baralho,os herdeiros não tem a mesma competência do pai,problemas de saúde,negócios mal feitos,sociedades mal feitas,empréstimos bancários,hipotecas,enfim podemos elencar vários motivos para essa alternância na história de cada fortuna formada e dissipada,mas o resumo da história é o mesmo pois,em um livre-mercado ou não, só permanece quem é competente,agora é lógico que em um livre-mercado essa distribuição é mais justa do que é hoje.
  • Paulo  08/04/2014 17:13
    Isso, exatamente. Isso que você disse é coerente com tudo o mais neste site.
  • Paulo  08/04/2014 17:08
    anônimo 08/04/2014 14:40:11:

    Você está brincando que não entendeu, não é? O autor não apresenta uma pesquisa do outro autor, na qual se demonstra que a riqueza dos mais ricos cresceu mais rápido que a riqueza média? Isso não é concentrar? Ele prova que as pessoas não são as mesmas, OK, mas em algum ponto ele demonstra que a riqueza não vem se concentrando? É possível ser mais claro que isso?

    Jeferson 08/04/2014 14:58:10

    Você conseguiu deduzir isso de minhas palavras? E é minha lógica que é deturpada? Veja acima, eu apenas reproduzi o resultado da pesquisa do primeiro autor, e disse que o segundo não refutou um determinado ponto da pesquisa, que julgo importante. Deixa eu dar umas dicas: aqui, pra rebater meu argumento, você poderia: 1. discordar da importância da aludida concentração da riqueza; 2. dizer que o segundo autor não refutou, mas também não concordou com o ponto, o que não me permite objetar sobre o assunto; 3. provar que a concentração da riqueza apresentada é na verdade benéfica a todos; etc.

  • Guilherme  08/04/2014 19:58
    Não, isso não é concentrar riqueza de jeito nenhum.

    "Concentrar" pressupõe que a riqueza esteja imutavelmente nas mãos de um mesmo grupinho. O artigo demonstra que absolutamente nada disso ocorre. A riqueza não apenas não fica concentrada nas mesmas pessoas como também nem sequer fica concentrada em pessoas de mesma nacionalidade ou que atuam no mesmo setor econômico.

    Os bilionários são poucos porque poucos conseguem chegar ao bilhão (duh!, isso é obvio, mas pelo visto tem de ser desenhado). Sigo sem entender qual o seu problema em existir alguns poucos bilionários.
  • anônimo  09/04/2014 10:13
    Acho que entendi, concentrar pra ele significa que menos gente está ficando rica.
    Mas vc só conclui isso se comparar com essa riqueza 'média', sem considerar que muita gente não liga pra ficar rica justamente por ter uma vida que já considera confortável.
    Isso é mais ou menos como um indicador de países pobres e ricos: os pobres são os que tem mais empreendedores (não por vocação mas por necessidade)
  • Hay  09/04/2014 12:54
    Paulo, você está aqui perdendo seu tempo ao criticar algo que nem sequer está presente no artigo, já que o autor em nenhum momento disse "não existe nenhum tipo de concentração de riqueza". Vamos começar já pelo primeiro parágrafo:

    Um dos erros mais frequentemente encontrados na maioria das análises ideologizadas da ciência econômica é aquele que pressupõe uma visão estática da riqueza.

    Essa visão estática de riqueza está presente na citação de Piketty:

    "Uma das lições mais impactantes do ranking da Forbes é que, a partir de um determinado valor de riqueza, todas as grandes fortunas têm suas origens ou na herança ou no valor gerado por uma empresa já estabelecida no mercado, e crescem a taxas extremamente elevadas — independentemente de se seu proprietário trabalha ou não trabalha"

    O texto serve justamente para desmontar a visão estática da riqueza e, em especial, a visão (não só de Piketty, é uma visão comum) sobre a concentração de riqueza nas mãos de donos de empresas estabelecidas que passam a ganhar dinheiro automaticamente. O objetivo do autor é negar essa ideia do grande empresário que não trabalha, fica sempre cada vez mais rico, passa tudo para os filhos, que deixam a empresa no piloto automático, ganham cada vez mais, etc.

    Preste mais atenção da próxima vez...
  • Eduardo R., Rio  04/05/2014 19:14
    Trecho de artigo de Elio Gaspari, que faz propaganda do livro de Piketty, "um monumento de pesquisa e elegância": "Obsessivo, mergulhou até nas listas de bilionários das revistas de negócios, mesmo ressalvando que têm pouco valor científico. (Os brasileiros que compraram ações de Eike Batista sabem que é isso mesmo.) Se os números dos bilionários da "Forbes" merecem pouca fé, as carteiras de investimentos das universidades americanas merecem toda. Os patrimônios mobiliários daquelas que têm fundos com mais de um bilhão de dólares cresceram 8,8% ao ano entre 1980 e 2010. Já as pobrezinhas, com menos de 100 milhões, ficaram com 6,1% ao ano. Harvard, com US$ 30 bilhões, teve rendimentos de 10,1% anuais. (As reservas da Universidade de São Paulo encolheram.)"
  • Marcos Pinho  29/05/2014 18:40
    O artigo limitou-se a listar as maiores fortunas da Forbes, não cheguei a ler o livro do Pikety mas quando os economista falam que ele está repleto de dados eu fico a me perguntar como refuta um livro usando apenas um artigo.
    É fácil: recorta-se uma afirmação, retira do contexto e faz a refutação com base no texto apresentado, o que podemos chamar de falácia do espantalho.
    Assim como o autor do artigo pôs em questão a proposta do livro, eu ponho em questão o artigo apenas com esse comentário, aqui eu pelo menos tenho a vantagem que que os leitores do comentário vão ter acesso aos dois textos.
    Não estaria o autor se referindo à massa de milionários em relação à massa da plebe, quanto postulava a tese da acumulação?
    Nesse sentido, pode parecer desonestidade intelectual tomar a parte pelo todo, só porque a ponta da massa de milionários teve alternancia, não significa que a plebe também alternou com a massa de milionários do enriquecimento.
    Ou seja é preciso ver o conjunto dos dados para perceber as reais mudanças nos termos que o autor postula.
    O flanelinha do morro que juntou uma grana e montou um lava-jato não constitui uma regra social social de ascenção, seus vizinhos da favela ainda estão com os pés na merda. Como também não é comum que o publicitário famoso morador dos jardins acabe indo para uma casa modesta na periferia, isso também não é paradigma de mobilidade social.
    Dito isto, porque não fazer um estado mínimo apenas para proteger a propriedade privada que é arrancada dos pobres para os ricos mediante os corredores de boi economicos montados pelas corporações, deixando todo o mercado livre?
  • Leandro  29/05/2014 18:55
    O artigo em momento algum se propôs a "refutar" o livro, mas sim em fazer uma abordagem empírica da tese central propagandeada pelo livro: a de que a riqueza dos bilionários aumenta por inércia, a uma taxa maior que a do crescimento da economia (e essa afirmação não está nada fora de contexto: é exatamente esta a tese central do livro).

    Sobre os dados fajutos de Piketty, ver este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1855


    E aguarde o artigo de amanhã, ainda mais demolidor.
  • José Everaldo  29/05/2014 19:04
    Tá por fora, hein, Marcos? Até a mídia mainstream já está divulgando os erros crassos descobertos nas manipulações de Piketty. Veja uma resenha desses erros (com links para os artigos originais, em inglês):

    www.amalgama.blog.br/05/2014/capital-no-seculo-xxi-thomas-piketty/

    veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/economia/livro-de-piketty-estaria-repleto-de-erros-estatisticos-diz-financial-times/
  • Gabriela  30/05/2014 14:52
    Eu gostaria de saber se algum dos senhores conhece alguma bibliografia que critique a ideia de impostos progressivos porque eu acho o assunto muito interessante mas infelizmente eu me formei em um lugar que defende impostos progressivos e eu não conheço o suficiente a visão contrária que francamente é a que mais me agrada.
  • João Odil  13/06/2014 20:05
    Para corroborar. O império X é o maior exemplo, na atualidade, do que foi colocado no artigo. Eike que o diga...
  • Stephen Kanitz   27/06/2014 21:30
    Harrod E Domar usaram capital investido, no caso do F acebook, seria os 20.000 do Brasileiro Eduardo Saberin.

    Mas Pikety usa o vslor de mercado do FB, que não é valor investido, e sim o valor presente dos lucros futuros dos proximos 10 a 20 anos. Compara pêra com maçãs, ao pegar o PIB do ano passado como denominador.
  • Andre  06/06/2016 12:43
    Faz sentido, já que a Itália tem MENOS liberade econômica do que:
    Ruanda, Guatemala e Kuwait, só para citar três bem conhecidos:
    www.heritage.org/index/ranking


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