Alguns detalhes sobre o emprego no Brasil
Imagine uma economia formada por 100 pessoas.  Destas 100 pessoas, suponha que 90 tenham algum tipo de ocupação (seja um emprego com carteira assinada, seja fazendo bicos ou até mesmo um trabalho voluntário).  E suponha também que as 10 pessoas restantes estejam desocupadas, mas estão à procura de uma ocupação.

Neste cenário, temos a seguinte situação estatística:

A População Economicamente Ativa é de 100 pessoas.  A População Ocupada é de 90 pessoas, e a População Desocupada é de 10 pessoas.  A taxa de desocupação é de 10%, pois há 10 pessoas desocupadas em um universo de 100 pessoas economicamente ativas.

Agora, suponha que destas 10 pessoas desocupadas, 3 desistam de procurar alguma ocupação.  Os motivos dessa desistência podem ser vários: ou a pessoa achou alguém disposto a sustentar seu ócio, ou ela perdeu as esperanças de encontrar alguma ocupação, ou ela simplesmente aceitou um programa de assistencialismo governamental que proveja todas as suas necessidades básicas.

Em termos puramente estatísticos, houve uma alteração importante.  O fato de 3 pessoas terem deixado de procurar uma ocupação significa que tais pessoas deixaram de ser economicamente ativas.  Consequentemente, o arranjo agora passa a ser outro.

A População Economicamente Ativa passa a ser de 97 pessoas.  A População Ocupada continua sendo de 90 pessoas.  A População Desocupada caiu de 10 para 7 pessoas.  E essas 3 pessoas que se retiraram do mercado agora fazem parte da População Não-economicamente Ativa.

Consequentemente, há agora uma nova taxa de desocupação.  Antes, a taxa era de 10 pessoas em um universo de 100.  Agora, a taxa é de 7 pessoas em um universo de 97.  Ou seja, a nova taxa de desocupação é de 7,22% (7 dividido por 97).

Traduzindo: sem que um único emprego tenha sido criado, a taxa de desocupação — popularmente chamada de taxa de desemprego — caiu de 10% para 7,22%.

Por que isso é importante?  Porque é exatamente isso o que está acontecendo no Brasil.  E é o próprio IBGE quem faz esse alerta.

Comecemos por esta notícia, do final de 2013 (negrito meu):

Taxa de desemprego recua para 4,6% em novembro

A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 4,6% em novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado aponta para o menor desemprego da série histórica do IBGE, iniciada em 2002.

[...]

A redução na taxa de desemprego foi causada pela migração de indivíduos para a inatividade, e não pela geração de postos de trabalho, apontou a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

"O que a gente vê aqui é a redução da desocupação em função do aumento da inatividade. Então não houve aumento do número de postos de trabalho. O que houve foi aumento das pessoas que passaram para a inatividade", ressaltou o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em novembro, houve aumento significativo na população não economicamente ativa. Na comparação com outubro, o aumento foi de 0,8%, o equivalente a 148 mil indivíduos. Em relação a novembro de 2012, a alta foi de 4,5%, mais 801 mil pessoas na inatividade.

Agora vejamos esta notícia, de 27 de março (negrito meu):

IBGE: cresce número de inativos que não procuram emprego

O número de pessoas economicamente não ativas que não buscam emprego porque não têm interesse em trabalhar aumentou 1,2% em fevereiro em relação a janeiro, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

[...]

"O que essa população não economicamente ativa está mostrando é que são pessoas que não trabalham e não procuram, elas não estão pressionando o mercado de trabalho. O que a gente vem observando é o crescimento da fatia das pessoas que não estão exercendo pressão sobre o mercado de trabalho por uma opção", disse Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O aumento da população inativa tem contribuído para manter a taxa de desemprego em mínimas históricas. A população não economicamente ativa aumentou 3,8% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado, o equivalente a 686 mil pessoas migrando para a inatividade no período. Ao mesmo tempo, a criação de vagas ficou estatisticamente estável, com a abertura de apenas dois mil novos postos de trabalho.

Toda essa evolução pode ser observada no gráfico abaixo, que contém os dados do IBGE, que estão disponibilizados no site do Banco Central.

A linha vermelha mostra a evolução da População Economicamente Ativa nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.  A linha verde mostra a evolução da População Ocupada, e a linha azul, a da Desocupada.

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Vale lembrar que 'Ocupados' abrange absolutamente todos os tipos de ocupação, seja ela remunerada (desde o executivo até o malabarista de semáforo) ou não-remunerada (instituições religiosas beneficentes, cooperativismo, aprendiz ou estagiário).  Isso quer dizer que abrange também funcionários públicos, pessoas que prestam serviço militar obrigatório e os clérigos.

Para apreender corretamente o que o gráfico acima está dizendo, o melhor procedimento é fazer um gráfico que mostra a taxa de crescimento anual da População Economicamente Ativa e a taxa de crescimento anual da População Ocupada.  Isso nos permitirá constatar as declarações do IBGE.

taxa desemprego.png

O gráfico acima ilustra vários fenômenos interessantes.

Para começar, sempre tenha em mente a seguinte igualdade:

População economicamente ativa = ocupados + desocupados.

O primeiro fenômeno que chama a atenção no gráfico é o ocorrido no ano de 2003.  Mesmo com a recessão daquele ano, e com a SELIC a 26,5%, a população ocupada aumentou 4,5%.  Porém, também naquele ano, a população economicamente ativa cresceu a uma taxa ainda maior.  Por causa da igualdade acima, isso significa que a população desocupada também aumentou.  Consequentemente, a taxa de desemprego (ou, no caso, a taxa de desocupação) chegou a 13%.

Após aquele ano, a população economicamente ativa passou a crescer a uma taxa menor do que a taxa de crescimento da população ocupada.  De novo, pense na igualdade acima: se a população economicamente ativa cresce, mas o número de ocupados cresce ainda mais, então o número de desocupados está caindo.  Exatamente por isso, a taxa de desocupação apresentou cifras declinantes a partir de meados de 2004.  E assim foi até 2009.

A recessão de 2009 fez com que as duas variáveis ficassem praticamente estagnadas, mas por pouco tempo.  Já em 2010, ambas voltaram a crescer com grande vigor.

(Para entender as causas desse forte crescimento do emprego no período 2004-2011, veja este artigo).

Nos anos de 2011 e 2012, a situação foi de estabilidade, com a população ocupada crescendo a uma média de 2% ao ano, e a população economicamente ativa, a 1,5% ao ano.

Já em 2013, houve uma guinada radical e inédita nos indicadores, especialmente a partir do segundo semestre.  A população economicamente ativa começou a encolher.  Em novembro de 2013, por exemplo, ela foi 1% menor do que em novembro de 2012.  Isso significa que havia menos pessoas no mercado de trabalho (trabalhando ou procurando emprego) em novembro de 2013 do que havia em novembro de 2012.

Junto com a queda da população economicamente ativa ocorreu também uma queda na população ocupada.  Em novembro de 2013, o número de pessoas ocupadas foi 0,73% menor do que em novembro de 2012.

E a coisa ficou ainda mais interessante agora no mês de fevereiro de 2014.  A taxa de crescimento da população ocupada foi de 0%, o que significa que a quantidade de pessoas ocupadas simplesmente não se alterou em relação a fevereiro de 2013 (segundo o IBGE, neste período houve a "abertura de apenas dois mil novos postos de trabalho").  Mas a taxa de crescimento da população economicamente ativa foi negativa, de -0,46%.

De novo, voltemos à igualdade acima: se a população ocupada não se altera, mas a população economicamente ativa encolhe, então o número de desocupados também encolheu.  Isso significa que as pessoas que estavam desocupadas simplesmente pararam de procurar ocupação e se retiraram do mercado de trabalho, tornando-se não-economicamente ativas, e contribuindo para reduzir a taxa de desocupação (desemprego).

Como o gráfico deixa claro, trata-se de um fenômeno inédito no Brasil.  Nem mesmo nas recessões de 2003 e 2009 houve uma taxa de crescimento negativa.  Muito embora a série estatística do IBGE comece apenas em 2002, a lógica leva a crer que tal fenômeno nunca antes havia ocorrido, pois a taxa de crescimento da população geral (a qual está em 1% ao ano) era bem maior no passado, o que significa que o número de pessoas jovens entrando no mercado de trabalho era maior.

Enquanto este fenômeno — pessoas desistindo de procurar ocupação e se retirando do mercado de trabalho — prosseguir, a taxa de desemprego continuará baixa.

Conclusão

2007062509039.jpgAs causas desse êxodo de pessoas do mercado de trabalho são diversas, e sua análise está fora do escopo deste artigo.  Certamente há de tudo: há pessoas que se contentam com os proventos do Bolsa-Família, há pessoas sem capacitação que desistiram da vida, há pessoas que dão seguidos golpes no seguro-desemprego, e certamente há um grande número de pessoas indolentes que têm quem lhes sustente (inclusive, e principalmente, jovens de classe média-alta).

Com efeito, as recentes notícias sobre uma "inesperada disparada" nos gastos com o seguro-desemprego, mesmo com a taxa de desocupação estando em no menor nível da história, confirmam uma das teses acima (negrito meu):

Os gastos com seguro-desemprego e abono salarial devem alcançar R$ 45 bilhões nesse ano [2013], um aumento de 16% com relação ao ano passado e tem crescido muito nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego vem declinando, passando de 13% em 2003 para 5,4% em 2013. 

Quais as principais consequências desse êxodo do mercado de trabalho?

De um lado, uma menor oferta de mão-de-obra tende a pressionar os salários para cima; de outro, a atual redução na taxa de crescimento do crédito (veja detalhes neste artigo) tende a contrabalançar essa pressão altista nos salários.  No momento, a massa salarial registra a menor alta desde 2009, ano em que o país estava em recessão

No cômputo geral, trata-se de um fenômeno lastimável.  O baixo crescimento da mão-de-obra só pode ser compensado se houver um crescente aumento na produtividade.  Como o Brasil é conhecido justamente por ter uma mão-de-obra pouco produtiva, esse baixo crescimento da mão-de-obra tende a reduzir sobremaneira o aumento da oferta de bens e serviços e, consequentemente, o crescimento da economia e o enriquecimento da população.

No final, este lamentável fenômeno serve apenas para gerar uma redução artificial na taxa de desemprego, algo que o atual governo certamente usará a seu favor como ilustração do "sucesso" de suas políticas.

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Leia também:

A real taxa de desemprego no Brasil


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.



ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Dw  02/04/2014 11:26
    A partir do seguinte link: www.odocumento.com.br/materia.php?id=448996, podemos constatar que o somatório de pessoas economicamente ativas, ou seja, empregados + desempregados, encerraram um total de 25819000 pessoas.
    Considerando a população brasileira total de 198700000 pessoas, podemos observar que a população economicamente ativa representa 12,99% da população total brasileira.
    Sei que existe pessoas idosas e crianças, mas mesmo assim, não é muita gente sendo carregada nas costas por esses 13% da população? Esses dados me causam muita revolta.
  • Leandro  02/04/2014 11:45
    Calma. Esse valor, que atualmente é de 24,2 milhões, engloba apenas as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

    Caso englobasse o país inteiro, quebraríamos no dia seguinte.
  • Dw  02/04/2014 15:31
    Realmente, fui com muita sede ao pote...
  • Deilton  02/04/2014 18:44
    Não podemos desconsiderar esse fenômeno: "IBGE: um quinto dos jovens no Brasil é "nem-nem", que não estuda nem trabalha" (noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/11/29/um-em-cada-cinco-jovens-de-15-a-29-anos-nao-estuda-nem-trabalha-diz-ibge.htm)

    "Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) baseados na Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e divulgados nesta sexta-feira (29) mostram que o número de jovens de 15 a 29 anos que não estudava nem trabalhava chegou a 9,6 milhões no país no ano passado, isto é, uma em cada cinco pessoas da respectiva faixa etária."

    Só mesmo na propaganda do governo é que está tudo bem. O pior de tudo é que não vejo perspectiva de melhora, pelo contrário, com a bolha imobiliária desinflando, os juros subindo e a inflação em alta, a tendência é que as coisas piorem. E vão colocar a culpa no capitalismo que não existe, no livre mercado que passa longe e na direita que não se elege.

    Leandro, vi essa análise sobre a CEF www.brasil-economia-governo.org.br/wp-content/uploads/2014/03/a-carteira-de-credito-imobiliario-da-caixa-e-robusta.pdf, se puder comente.

    E olha essa notícia: economia.ig.com.br/financas/casapropria/2014-04-02/cresce-numero-de-construtoras-que-fecham-as-portas-e-prejudicam-mutuarios.html
  • Henrique  02/04/2014 19:29
    Acho precipitada a conclusão de que são os jovens da "classe média-alta" que não querem trabalhar. Veja-se as reportagens sobre os "rolezeiros", "funkeiros" e afins.
    Outro dia saiu reportagem na VEJA sobre esse fenômeno, e dá pra perceber que, em sua maior parte, são pobres que não querem trabalhar nem estudar, mas querem andar por aí de roupas de marca bancadas pelos pais que se matam de trabalhar...
  • Leandro  02/04/2014 19:47
    Para o IBGE, uma família que ganha acima de R$1 mil reais mensais é classe média alta. Sério mesmo.

    www.valor.com.br/brasil/2682174/nova-definicao-da-classe-media-abrange-54-da-populacao-brasileira

    Ou seja, para o IBGE, rolezeiro é praticamente da classe mais abastada.


    De resto, o texto não apresenta "a conclusão de que são os jovens da "classe média-alta" que não querem trabalhar." Isso foi uma generalização pra lá de precipitada de sua parte. Tal fenômeno foi cuidadosamente citado como sendo apenas um dentre vários.

    Gentileza ter mais cuidado ao fazer afirmação generalista de cunho denuncista.
  • EDSON GOMES  27/07/2014 01:38
    10.000.000 geração nem-nem
    16.000.000 bolsa família= 32.000.000- uma bolsa dois adultos
    total= 42.000.000= 20% da população total e 30% de desemprego.

    aceito contestação.


    edsonfidel@HOTMAIL.COM















  • amauri  02/04/2014 12:07
    Bom dia Leandro!
    Voce sabe qual o numero de trabalhadores que "contribuem" ao sistema de aposentadoria estatal?
  • Leandro  02/04/2014 12:39
    Todos os trabalhadores com carteira assinada mais todas as pessoas que decidiram contribuir autonomamente. Não sei o número exato.
  • Gustavo Sauer  02/04/2014 13:16
    De altíssima importância esse artigo. Favoritado.
  • Rodrigo  02/04/2014 14:02
    Leandro,

    Você tem algum artigo que fala sobre o "milagre econômico brasileiro"?

    Naquele momento, houve realmente alguma competência por parte do governo (mesmo que competência relativa a situações anteriores) ou foi tudo endividamento, manipulação da base monetária, etc?

    Abraço!
  • Leandro  02/04/2014 14:20
    Durante o governo Castelo Branco, várias reformas importantes e sensatas -- comandadas por Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões -- foram feitas.

    Essas reformas de fato criaram as bases para um crescimento mais robusto, o qual, no entanto, deveria ser moderado e nada espalhafatoso.

    Porém, o que veio a partir do governo Médici foi puro nacional-desenvolvimentismo, o qual foi levado ao ápice pelo governo Geisel. Todas as reformas de Castelo Branco foram solapadas. As consequências vieram na década de 1980.
  • Romilson Carvalho  02/04/2014 14:41
    A explicação mais sensata que encontrei para o milagre econômico foi a que explicou as consequências da mudança do dólar de Moeda para Dinheiro, em 1971 por Nixon.

    Dólar deixou de ser lastreado no ouro e sua produção aumentou consideravelmente.
    Este dinheiro entrou em várias economias do planeta, energizando o crescimento destes países.

    Em 80', os EUA tiveram que frear os gastos p/ controlar a economia. E ai o Brasil afundou junto com outros.
  • Leandro  02/04/2014 14:56
    Correto. A abolição do que restava do padrão-ouro -- um fenômeno abundantemente relatado neste site (veja dois exemplos aqui e aqui) -- aumentou a oferta de dólares no mundo. O governo brasileiro aproveitou, se endividou em dólares e fez a farra.

    Mas há detalhes técnicos:

    1) Quando os dólares entravam no Brasil, o Banco Central ficava com estes dólares e imprimia moeda nacional. E não fazia nenhuma esterilização. Consequentemente, a base monetária explodiu.

    2) Naquela época, e ao contrário do que ocorre hoje, o BC podia financiar diretamente o Tesouro. Ou seja, o BC podia imprimir moeda nacional e entregá-la diretamente para o Tesouro gastar. Esse foi o destino de boa parte da moeda criada em decorrência do ingresso de dólares. Ou seja: o aumento da base monetária se traduziu em aumento dos agregados monetários.

    Endividamento, inflação, gastança e protecionismo (este, mais acentuado a partir de Geisel): esta foi a base da política econômica do governo militar pós-Castelo Branco.
  • Romilson Carvalho  02/04/2014 14:42
    Segue livro que li sobre isto:

    The Corruption of Capitalism

    www.richardduncaneconomics.com/the-corruption-of-capitalism/
  • Romilson Carvalho  02/04/2014 14:10
    Tenho algumas curiosidades neste tema:
    - Os que passaram a ser idosos e economicamente não ativos influenciaram em quanto estes dados de 2013 (envelhecimento da população desocupada causando aumento na taxa de emprego).

    - Os estudantes fazem parte dos economicamente não ativos. Houve aumento no número de estudantes de forma que a população economicamente ativa caísse? (Ou seja, pessoas usando tempo para estudar, ao invés de trabalhar).
  • Leandro  02/04/2014 14:29
    "Os que passaram a ser idosos e economicamente não ativos influenciaram em quanto estes dados de 2013 (envelhecimento da população desocupada causando aumento na taxa de emprego)."

    Quem é idoso e aposentado não era considerado desempregado. Logo, não muda nada.

    Quem estava trabalhando e se aposentou, deixou de ser ocupado e passou a ser inativo. Neste caso, há uma redução da população economicamente ativa, mas o número de desocupados segue inalterado. Em termos puramente matemáticos, haveria um aumento da taxa de desemprego, pois o numerador (desocupados) permaneceu constante e o denominador (PEA) caiu.

    Sobre desempregados idosos que desistiram de procurar emprego, não creio ser uma fatia expressiva da população. Não há nenhum relato sobre isso no IBGE e na PNAD.

    Aliás, em época de inflação de preços em alta, a tendência seria inversa: idosos deixariam de ser inativos e regressariam ao mercado de trabalho para tentar complementar suas rendas. Isso aumentaria a PEA.

    "Os estudantes fazem parte dos economicamente não ativos. Houve aumento no número de estudantes de forma que a população economicamente ativa caísse? (Ou seja, pessoas usando tempo para estudar, ao invés de trabalhar)."

    Houve aumento do número de pessoas que passam mais tempo na universidade, protelando a formatura e o ingresso no mercado de trabalho. Procure no Google a respeito.
  • anonimo  02/04/2014 14:19
    mas qual o problema em ser desocupado? suponto, que alguem voluntariamente resolveu sustentar outra pessoa. seja uma mae que cuida da casa, seja um filho que quer estudar, existe n motivos para alguem nao estar no mercado de trabalho. e mesmo o clasico vagabundo sustentado pelo pais, qual o crime dele? ele apontou uma arma na cabeça dos pais e mandou eles o sustentar?
  • Leandro  02/04/2014 14:34
    Nestes moldes que você delineou (ociosidade financiada exclusivamente por voluntários) não há crime nenhum. E o artigo não faz nenhum juízo de valor a esse respeito. Leia com mais atenção na próxima vez.
  • Jeferson  02/04/2014 15:47
    O problema está em saírem manchetes como "A taxa de desemprego alcançou seu piso histórico" e outras gracinhas do tipo que vemos na mídia, sugerindo que nunca houve tanto emprego como hoje em dia, quando na verdade isso acontece porque pessoas estão desistindo de procurar emprego, não por a demanda por mão de obra ter superado a oferta. Outro problema é a consequência imediata disso, que é o governo vender esse fato como sucesso de suas políticas econômicas e/ou sociais.
  • anônimo  02/04/2014 20:01
    Neste quesito, a taxa de desemprego mais desavergonhada de todas é a suposta taxa de desemprego em Porto Alegre: 2,5% de dezembro!

    Até mesmo Fidel Castro e os países da URSS eram um pouquinho mais comedidos ao relatarem o desemprego em seus países, e inventavam algo em torno de 4%, pois sabiam que algo menor do que isso geraria algumas piadas. Bobinhos. Poderiam ter contratado o IBGE, o qual prontamente se encarregaria de dar "credibilidade" aos seus números.

    Pelo visto, até as baratas arrumam algum emprego com carteira assinada em Porto Alegre.

    Imagina se o mundo souber da existência desse oásis? Vai ter nêgo saindo de Cingapura e atravessando o Pacífico a nado para chegar ao paraíso gaúcho. Em Porto Alegre, ao que tudo indica, você tem de tomar cuidado ao passar em frente à porta de alguma empresa, pois você pode acabar sendo sequestrado e obrigado a virar o presidente dela, tão alta é a demanda por mão-de-obra lá.
  • anônimo  04/04/2014 02:56
    Mas mto longe disso não está! Ninguém aqui quer trabalhar! Nos últimos anos nossa empresa tem brigado para conseguir contratar gente e isso que fomos baixando a exigência cada vez mais, hj em dia serve qq pessoa desde que cumpra razoavelmente o horário e se submeta ao "absurdo" de acatar ordens. Dinheiro líquido na mão: R$1.120,00 (+VT) função: jardineiro. Estamos inclusive com um contrato novo para ser fechado que nos dá até medo de conseguir esse cliente, pois implica em uma nova contratação!
  • Drplease  04/04/2014 15:03
    Bah amigo, ceito esse emprego até por 300 reais hahahaahhah, me falta....
  • Emerson Luis, um Psicologo  02/04/2014 15:07

    O surpreendente é que essa informação é basicamente simples e de domínio público, mas ainda assim muitos pensam que tudo está bem e são otimistas com a economia brasileira.

    Vale lembrar que nem todo desocupado em sentido econômico também é desocupado em sentidos não-econômicos. Por outro lado, ser deliberadamente desocupado (tanto em sentido econômico quanto em sentido não-econômico) deixou de ser um estigma.

    * * *
  • Bruno  02/04/2014 15:40
    Pode parecer loucura, mas o constante aumento do consumo de drogas no Brasil fez com que alguns milhares deixaram o processo econômico legal para adentrar o sub mundo do trafico.
  • amauri  02/04/2014 16:59
    Leandro tem algum artigo do Mises que aborda posiveis medidas na previdencia social para sanar o problema sem prejudicar o varejo (o "contribuinte") ?
  • Leandro  02/04/2014 19:22
    Sim. Este artigo sugere uma reforma bancária que teria como efeito zerar todo o problema da previdência, e sem afetar nenhum pensionista ou contribuinte do INSS,

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553
  • IRCR  02/04/2014 17:12
    Leandro,

    Outro ponto importante que vale ressaltar é o "submundo" que a economia brasileira possui, o mercado informal. Se todos fossem depender de empregos formais, acredito que a taxa de desemprego explodiria, muito devido as regulamentações trabalhistas, custos e burocracia, como tb a exigencia que muitas empresas impoem na hora da contratação.
    Sempre digo que esse pais não quebrou de vez, por causa do mercado informal que "sustenta" o Brasil.
  • Leandro  02/04/2014 19:24
    Trabalhadores informais são incluídos entre os ocupados na rubrica "empregados no setor privado sem carteira assinada".

    No entanto, se você estiver atrás de uma métrica mais rigorosa para o cálculo do desemprego, veja este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1471
  • Hay  02/04/2014 18:10
    No link sobre a "inesperada disparada" do seguro-desemprego, encontrei também essa pérola:

    Alguns analistas, incluindo o Ministério da Fazenda, elegeram um suposto aumento da rotatividade para explicar o aumento de gastos, aventando inclusive a possibilidade de fraudes na concessão do benefício.

    Quase caí da cadeira ao ler isso. Ainda estou meio anestesiado com esse trecho. A coisa é tão patética que eu tive que verificar se não era uma brincadeira de primeiro de abril. E pensar que esses analistas do Ministério da Fazenda ganham salários altíssimos para isso...

    Pensando bem, essas pessoas ainda estão achando que a Lei de Informática era uma ideia genial para transformar o Brasil em um grande exportador de tecnologia. Sim, porque é só cortar impostos de produtos "fabricados no Brasil". Esses métodos de substituição de importações funcionou muito bem no passado, não é mesmo?
  • Leandro  02/04/2014 19:27
    É bem por aí. Os erros sempre são ou da população em geral ou de um pequeno grupo de pessoas mal intencionadas. Burocratas nunca são responsáveis por nada, nem muito menos pela própria incompetência.
  • Silvio  02/04/2014 21:52
    O método de substituição de importações nunca funcionou, seja no passado, seja hoje. É só pensar nas vantagens comparativas de Ricardo para perceber que essa política é de uma estupidez além dos limites da imaginação. É claro que essa política de substituição não encontra explicação na lógica, mas é óbvio que ela tem grande apelo junto ao povo, pois acena com mais e melhores empregos.
  • anônimo  02/04/2014 18:19
    Nesse caso dos traficantes, eles seriam população economicamente ativa? Pois estão na "atividade! atividade!", só que na ilegalidade! Hehehehe.
    Outra dúvida, eu de tão honesto fico aqui pensando com meus botões mas não faço nem idéia de como viver de esmolas governamentais... como se faz isso??? Eu quero! Alguém pode me explicar? Cansei de pagar impostos a toa.
  • Anderson Nunes Vieira  02/04/2014 18:45
    Caro Leandro, parabéns pelo artigo. Bom trabalho.

    Só tenho uma dúvida. Na parte que fala: "Os gastos com seguro-desemprego e abono salarial devem alcançar R$ 45 bilhões nesse ano [2013], um aumento de 16% com relação ao ano passado e tem crescido muito nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego vem declinando, passando de 13% em 2003 para 5,4% em 2013."

    Minha dúvida é a seguinte:

    Esse aumento no seguro desemprego (é um aumento nominal ou real?) se deve a quantidade de desempregados ou aos valores reajustados do seguro desemprego? Por exemplo: Uma coisa é 10 desempregados recebendo R$ 600,00 de seguro desemprego e outra é 5 desempregados recebendo R$ 2000,00 de seguro desemprego. O que pesou nesse aumento? a quantidade de desempregados ou o aumento do valor do seguro.

    Outra dúvida. É viável utilizar o seguro desemprego para medir o crescimento das pessoas economicamente não ativas? haja vista que o seguro é um benefício temporário? Não seria um dos fatores que mais pesa na questão do desemprego e consequentemente no aumento do seguro desemprego (aumento de segurados) os problemas gerados pela desindustrialização que o país vem atravessando?

    Grato.
    att.
  • Leandro  02/04/2014 19:37
    "Esse aumento no seguro desemprego (é um aumento nominal ou real?) se deve a quantidade de desempregados ou aos valores reajustados do seguro desemprego?"

    Aumento nominal. Tal aumento se deve majoritariamente a um aumento na quantidade de pedidos. Houve reajuste de valores em janeiro de 2013, mas este foi de "apenas" de 6,2%.

    "É viável utilizar o seguro desemprego para medir o crescimento das pessoas economicamente não ativas, haja vista que o seguro é um benefício temporário??"

    De modo algum. Como explicado no artigo, um desempregado que receba seguro-desemprego mas que esteja procurando emprego é economicamente ativo. O problema ocorre quando o sujeito encosta porque descobriu uma maneira de trambicar.

    "Não seria um dos fatores que mais pesa na questão do desemprego e consequentemente no aumento do seguro desemprego (aumento de segurados) os problemas gerados pela desindustrialização que o país vem atravessando?"

    É uma hipótese, mas ela é um tanto fraca. A indústria está ruim simplesmente porque vivenciou um estrondoso boom de 2004 a 2011 (com um pequeno hiato em 2009). Ela cresceu demais e agora está voltando à realidade. Exatamente como explica a teoria dos ciclos econômicos.
  • Bernardo  02/04/2014 19:19
    Mas um índice que não está valendo muita coisa aqui no Brasil...
    Arrumaram um jeito de maquiar outro número.
    Eles poderiam aumentar a parcela ocupada, mas isso seria complicado sem diminuir o poder deles. Ou eles poderiam diminuir a desocupada sem ocupá-la, usando apenas o regulamento.
    Se alguém que não trabalha e desistiu de tentar não está desocupado, vamos fazê-lo desistir.
    Pronto, resolvido o problema do desemprego no Brasil.
    Para tornar a jogada de mestre, só faltaria fazer isso de uma forma que a pessoa ainda ficasse satisfeita. Ou seja, em vez de matá-lo ou deportá-lo, por que não damos um dinheirinho pra ele desistir? Mais um ponto.
    Agora reduzo o "desemprego" e ainda crio meu curral eleitoral.
    Mas em "defesa" desses gênios:
    - Por que o pessoal economicamente menos desequilibrado não viu que precisava fazer alguma coisa urgentemente pelos mais pobres do Norte e Nordeste, uma vez que vivemos numa "democracia" e que eles também votam?
    - Parte da redução do número de desocupados foi por opção, mas parte foi por emprego também, né? E parte disso foi responsabilidade da irresponsabilidade de longo prazo do governo.
    Mais um bom texto, Leandro, parabéns.
  • Vicente  02/04/2014 20:20
    A queda da PEA está relacionada a menor participação dos jovens entre 18 e 24 anos. Andei lendo uma publicação de conjuntura econoômica do Itaú que faz uma correlação desse fenômeno com a concessão de bolsas universitárias (via PROUNI e FIES). Fiquei impressionando: por exemplo, em 2010, pelo FIES, foram concedidos 76 mil financiamentos, passando para mais de 500 mil no ano passado.

    No curto prazo, a combinação de baixa produtividade com estagnação da ocupação vai nos manter na mediocridade. Mas há um espaço para sonhar com crescimento mais robusto da produtividade nos próximos anos (2017 em diante, acredito)
  • Malcolm  02/04/2014 20:36
    Embora esse fenômeno das bolsas universitárias seja uma realidade, não faz sentido atribuir toda a queda da PEA a essas bolsas.

    Afinal, estudante não é economicamente ativo. Se o sujeito decide prolongar seus deliciosos anos universitários porque recebeu uma bolsa, isso não afeta a PEA.

    A única maneira de isso afetar a PEA seria se todos esses universitários estivessem trabalhando ou procurando emprego, e repentinamente decidissem sair do mercado de trabalho apenas para estudar. Pode ser que isso também esteja ocorrendo, mas não explica tudo. Vários outros fatores concorrem para essa redução da PEA, e não apenas bolsas universitárias.
  • Jose Roberto  03/04/2014 11:13
    Além disso:

    Eu estudo em uma faculdade privada, quase todo os os alunos da minha sala recebem algum tipo de bolsa ou financiamento público, porém todos trabalham. Então não da pra colocar que são 500 mil bolsas = 500 mil desocupados, até porque quem só estuda nem entra como desocupado. Essas bolsas ajudam muito aqueles que querem estudar e não trabalhar, principalmente em curso de período integral ou pessoas sem interesse em trabalhar mesmo, isso é verdade, mas grande parte está ocupada.
  • Alonso Ehlert  02/04/2014 22:30
    Olá, Leandro! Parabéns pelo empenho no artigo.
    Tenho só uma dúvida (e sugestão) para você nos próximos artigos:

    Seria possível explicitar todas as fontes bibliográficas consultadas no final do artigo?

    Grato,

    Alonso
  • Vettel  02/04/2014 22:38
    Todas as fontes estão ao longo do artigo no formato de hyperlinks. Basta clicar em cima de todas as palavras azuis e você terá acesso direto às fontes (contei pelos menos nove). Não tem segredo.
  • Eduardo  03/04/2014 01:12
    Estava sentindo falta dos artigos do Leandro.

    Muito bom.
  • André   03/04/2014 08:48
    Excelente artigo Leandro!
    O IBGE é uma agência de propaganda. Pois sempre dizem que está tudo uma maravilha, mesmo quando as coisas estão piorando.
  • Ali Baba  03/04/2014 10:25
    Olá,

    Isso é sempre assim: crie um indicador e automaticamente duas interpretações completamente divergentes surgem para o mesmo.

    Mas tenho uma humilde sugestão para trazer os números de volta a realidade. Podemos excluir da população economicamente ativa todos os funcionários públicos. Aliás, podemos incluí-los na rubrica desocupados. Isso deve trazer os números para a realidade.
  • Anderson Nunes Vieira  03/04/2014 12:26
    Desculpe-me comentar seu comentário, mas acredito ser incoerente tal argumentação de incluir os funcionários e servidores públicos numa rubrica de desocupados. Além de não retratar a realidade somente serve para alimentar paixões e ideologias que como já vimos ao longo da história só prejudicaram a economia.

    Acredito que é hora de estudarmos teoria econômica, e como essa ciência trata da realidade social baseado em pressupostos teóricos e empíricos, os servidores e funcionários públicos (queiramos ou não) fazem parte de um mercado consumidor e fomentam a economia seja como consumidores, investidores, trabalhadores, etc.

    Separemos a teoria econômica de ideologia.
  • Rodrigo Amado  03/04/2014 17:40
    "Desculpe-me comentar seu comentário, mas acredito ser incoerente tal argumentação de incluir os funcionários e servidores públicos numa rubrica de desocupados. Além de não retratar a realidade somente serve para alimentar paixões e ideologias que como já vimos ao longo da história só prejudicaram a economia."

    """ao longo da história só prejudicaram a economia"""
    Bom, é isso mesmo que os funcionários públicos sempre fizeram: prejudicar a economia.
    A pobreza é fácil de ser explicada

    "Acredito que é hora de estudarmos teoria econômica, e como essa ciência trata da realidade social baseado em pressupostos teóricos e empíricos, os servidores e funcionários públicos (queiramos ou não) fazem parte de um mercado consumidor e fomentam a economia seja como consumidores, investidores, trabalhadores, etc."

    Estudar teoria econômica é exatamente uma das coisas mais feitas nesse site.

    "Separemos a teoria econômica de ideologia.".

    Apontar o fato de que funcionários públicos não contribuem para o crescimento da economia de um país não tem nada de ideologia. Ao aplicarmos os conhecimentos da escola austríaca de economia vemos que isso é um fato inegável.
    A escola austríaca de economia não faz juízos de valor, ela chega à conclusões do tipo:
    "Os gastos do governo prejudicam a economia".
    Logo, a conclusão seguinte é de que:
    "Os funcionários públicos prejudicam a economia".

    Pois ou eles gastam contratando empresas privadas, ou eles gastam pagando salários para eles próprios. Como são gastos governamentais, esses gastos estão prejudicando a economia.

    Acredito até que para uma melhor análise da situação econômica de um país deveria ser criada uma categoria especial para os funcionários públicos:
    População Economicamente Parasita.

    Se ao invés deles estarem parasitando a economia, estivessem em casa sendo sustentados por parentes, a situação econômica do país poderia melhorar bastante.
  • Anderson Nunes Vieira  03/04/2014 19:32
    Pena que sua visão de mundo não retrata a realidade.

    E uma "teoria" que não retrada a realidade e cientificamente inválida.
  • Rodrigo Amado  04/04/2014 18:44
    "Pena que sua visão de mundo não retrata a realidade.
    E uma "teoria" que não retrada a realidade e cientificamente inválida."

    Você está certo, a minha visão de mundo baseada na Escola Austríaca de Economia não retrata a realidade mesmo.
    É por isso que os países com maior liberdade econômica são pobres e miseráveis:
    1º Hong Kong
    2º Singapura
    3º Austrália
    4º Suíça

    E os países com menos liberdade econômica são os mais ricos e prósperos:
    175º Venezuela
    176º Zimbábue
    177º Cuba
    178º Coreia do Norte

    Fonte da classificação: www.heritage.org/index/ranking

    Deve ser por isso que eu costumo ver notícias na televisão de pessoas tentando fugir desesperadas da Suíça e da Austrália para
    poderem emigrar para Cuba ou para a Coréia do Norte.
    É, você está certo mesmo.
    A sua visão de mundo é a que retrata a realidade. A sua visão de mundo é cientificamente válida.
    Eu que fui um tolo esse tempo todo.

    Vou agora mesmo comprar uma passagem só de ida para Cuba ou Coreia do Norte, assim viverei num país rico e próspero e terei uma ótima qualidade de vida.
    Mas estou em dúvida sobre qual desses países seria melhor...
    Você que é mais sábio do que eu, aposto que já está vivendo em Cuba, certo?
    Ou preferiu a Coreia do Norte? Imagino que a Coreia do Norte seja melhor do que Cuba, pois está depois de Cuba no ranking.

    Por favor, me ajude com sua sabedoria.
    Pra qual desses países você acha melhor eu emigrar, Cuba ou Coreia do Norte?
    Mas se você tiver outra sugestão melhor, além desses dois, como, por exemplo, a Venezuela ou o Zimbábue, pode falar.
  • Anderson Nunes Vieira  04/04/2014 20:54
    Verdade, concordo "plenamente". É curioso o fato de que mesmo esses países relacionados que são pobres e miseráveis:
    1º Hong Kong
    2º Singapura
    3º Austrália
    4º Suíça

    ainda com toda essa maior liberdade econômica ainda não foram capazes de abolir o Estado e consequentemente os servidores públicos. E também nunca vi em nenhuma pesquisa desses mesmos países classificarem servidores públicos como "População Economicamente Parasita".

    E pior segundo dados do FMI somente Hong Kong figura entre as 10 maiores economias do mundo, se fossem tão perfeitos assim porque não estaria todas as quatro relacionadas nas 10 maiores economias do mundo? (análise por PIB)

    Ranking até março de 2014:

    Colocação País PIB

    1º Estados Unidos US$ 16,913 trilhões

    2º China US$ 9,926 trilhões

    3º Japão US$ 6,163 trilhões

    4º Alemanha US$ 3,462 trilhões

    5º Brasil US$ 2,685 trilhões

    6º Reino Unido US$ 2,652 trilhões

    7º França US$ 2,622 trilhões

    8º Índia US$ 2,315 trilhões

    9º Rússia US$ 2,308 trilhões

    10º Itália US$ 1,983 trilhão

    Fonte: infobrasil.spaceblog.com.br/2169813/AS-DEZ-MAIORES-ECONOMIAS-DO-MUNDO-EM-DUAS-DECADAS/

    E OLHA QUE NEM GOSTO DE ANALISAR CRESCIMENTO ECONÔMICO SOMENTE COM NÚMEROS DO PIB. Nem mesmo lideram a lista por IDH.

    O mais estranho é que o debate era sobre a forma de classificação que sugeriram através de uma "teoria" para enquadramento dos servidores públicos em pesquisas sobre agregados, mas as paixões e ideologias LIBERALISMO x INTERVENCIONISMO sempre voltam a tona desnecessariamente.

    O mais estranho ainda é algumas escolas de pensamento descredibilitar totalmente a macroeconomia de suas teorias, mas vivem recorrendo a ela para justificar seus pontos de vista. E pior, uma discussão que abrange questões de desenvolvimento econômico endógeno e não exógeno. Ou será que o sapato que meu vizinho calça serve no meu pé também? Cada país com sua realidade e economia não é mesmo?

    Acredito que extremismo nunca levou e nunca levará ninguém a lugar nenhum. Teóricos que analisam uma economia com visão extremista para a vertende liberal ou intervencionista não possuem uma visão nítida do que é a realidade, acreditando assim num mundo de fantasias, onde uma sociedade perfeita é alcansável ou até pior, que o ser humano é tido como vítima do sistema segundo Jean Jacques Rousseau (o homem como bonzinho) ou Smith (o egoismo que leva a perfeição).

    Países como Cuba, Coréia do Norte, Venezuela já demonstraram o fracasso que é adotar políticas extremistas em suas economias, principalmente as políticas de esquerda. São exemplos vivos do que não se devem fazer. Porém o extremismo liberal nem sequer conseguiu suporte em nenhuma nação para realizar a tão sonhada abolição do Estado e criar um país privado.

    Não estudo economia com paixão e sim com a realidade que se encontra
    à vista de todos. É por isso que economistas pararam de resolver problemas e só se dedicam a estudá-los e alguns ainda com a bossal prática quantitativa.


    Abraços!

  • Rodrigo Amado  04/04/2014 21:52
    "E pior segundo dados do FMI somente Hong Kong figura entre as 10 maiores economias do mundo, se fossem tão perfeitos assim porque não estaria todas as quatro relacionadas nas 10 maiores economias do mundo?"

    Deve ser porque esses países são pequenos e suas populações são pequenas.
    Achei que fosse óbvio.

    Como sempre alguém vem aqui dizer que "não querer ser roubado" para sustentar funças é "extremismo".
  • Bronson  04/04/2014 21:42
    "ainda com toda essa maior liberdade econômica ainda não foram capazes de abolir o Estado e consequentemente os servidores públicos."

    Duh! E você realmente acha que estado é abolível? Você acha que funças e burocratas voluntariamente abdicam de seus poderes? Saia do paraíso...

    "E também nunca vi em nenhuma pesquisa desses mesmos países classificarem servidores públicos como "População Economicamente Parasita"."

    Ué, eu nunca vi nenhuma pesquisa feita nesses países fazendo essa pergunta específica a seus habitantes. Mas você, pelo visto, conhece. Cole o link dessa pesquisa aqui, por favor.

    "E pior segundo dados do FMI somente Hong Kong figura entre as 10 maiores economias do mundo, se fossem tão perfeitos assim porque não estaria todas as quatro relacionadas nas 10 maiores economias do mundo?"

    Cidadão: existe uma diferença básica entre PIB e PIB per capita. A China tem um PIB maior que Japão e Alemanha. Você acha que um chinês tem um padrão de vida melhor que um alemão e um japonês?

    Confira aqui a lista dos PIBs per capita e compare-a à lista do Rodrigo.

    Se você não sabe nem diferenciar entre PIB e PIB per capita, todo o resto de sua participação perde importância. Não há muito que você possa eventualmente acrescentar ou ensinar.

    Abraço.
  • Anderson Nunes Vieira  04/04/2014 23:45
    Sim. Descobri o primeiro brasileiro ganhador do Nobel de Economia.

    Sendo assim cheio de ilustres economistas que conseguiram mudar o mundo ao descobrir a RODA, me retiro do debate.

    Afinal, ciência se faz com "teorias" extremistas e intolerãncia de conhecimento, típicos de socialistas comunistas e anarquistas liberais (QUE ALIÁS SÃO FARINHA DO MESMO SACO), só mudam as "preferências de lado".

  • Guilherme  05/04/2014 17:15
    É sempre assim. O cara comete uma tremenda incorreção econômica, aí quando é exposto neste erro, sai esperneando e se dizendo vítima de "intolerância". Realmente, estamos virando uma sociedade de frouxos.
  • Ezequiel  03/04/2014 12:05
    Um dos mais importantes artigos deste site. O mito do baixo desemprego tem sido a última tábua de salvação do atual governo, e ele se apega a ela com todas as suas forças. Se esse mito for desmascarado não sobra mais discurso nenhum.
  • Leandro  03/04/2014 12:27
    Permita-me uma retífica, prezado Ezequiel. Não é muito correto dizer que se trata de um "mito". Afinal, a estatística tem uma metodologia bem clara e definida (se tal metodologia é a mais acurada é um outro debate; eu pessoalmente a considero extremamente branda, e falei sobre isso aqui).

    Logo, dado que a metodologia é bem clara e definida, não podemos dizer que seus resultados expressam um "mito". Eles expressam apenas o resultado de uma dada metodologia. Qualquer um é livre para coletar os dados disponibilizados pelo IBGE e, utilizando uma metodologia própria, montar sua própria estatística.

    Agora, se a "oposição" não faz nada e acaba dando um passe livre para o governo, e se a imprensa se limita a apenas papagaiar as frases exultantes pronunciadas por membros do governo e se furta a fazer o seu papel investigativo, aí a culpa tem de recair exclusivamente sobre essas entidades.

    Por fim, vale ressaltar que um fenômeno idêntico vem ocorrendo nos EUA. A taxa de desemprego lá caiu de 10 para 6,7% porque a população está se retirando maciçamente do mercado de trabalho. A quantidade de pessoas economicamente ativas simplesmente voltou a níveis da década de 1970.

    research.stlouisfed.org/fred2/graph/?g=v6w
  • Deilton  03/04/2014 12:51
    E na Venezuela:

    Venezuela vai obrigar proprietários a venderem imóveis para seus inquilinos
    InfoMoney
    Veja mais em: www.infomoney.com.br/minhas-financas/consumo/noticia/3266200/venezuela-vai-obrigar-proprietarios-venderem-imoveis-para-seus-inquilinos?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=nlimoveis

    Vi o texto abaixo em um blog e gostaria de compartilhar:

    "Proponho a divisão do pais em duas partes. Não em norte e sul, como prega a maioria, mas em um lado socialista e outro capitalista.
    Creio que esta seria a única maneira de agradar a todos.

    A partir do momento da divisão o cidadão poderá escolher de que lado ficar, tendo ciência de que um lado não poderá desfrutar de nada criado pelo outro lado. Uma vez que escolheu seu lado, está escolhido.

    Logo, o lado socialista não poderá desfrutar de nada criado pelo capitalista e vice-versa, se é que do lado socialista se cria algo que preste ou que tenha serventia.
    Precisamos também dividir os bens. Proponho a seguinte divisão:

    Os socialistas podem ficar com o Movimento dos Sem Terra e dos Sem Tetos, as ONGs, os Direitos Humanos, as reservas indígenas, os partidos políticos comunistas, os Black blocks, os ativistas.
    Pode ficar com o Lula e cumpañeros, com o Paulo Henrique Amorin, com a Globo, com o Gil, Caetano, Paula Lavigne, Roberto Carlos e com o Chico Buarque.
    Podem também desarmar a população.

    Do lado capitalista queremos pouco. Ficam apenas as satânicas empresas e indústrias capitalistas, com todo o seu lucro satânico produzido, ficamos com o petróleo que só traz prejuízo ao meio ambiente.
    Ficaremos também com todas as multinacionais imperialistas rejeitadas pelo socialismo: Mac Donalds, Wal Mart, Subway, Burguer King, Starbucks, Donnuts, entre outras.

    Já que as indústrias bélicas ficam do nosso lado, a população terá acesso a uma arma para defesa própria.
    Podemos ficar com as FFAAs e com as policiais já que elas não são do agrado da esquerda.
    Creio que desta forma, tudo se resolve e todos ficam satisfeitos!"
  • Maycon  03/04/2014 14:23
    Cara... foi a melhor solução que já vi!! Perfeito!
  • Pobre Paulista  03/04/2014 18:11
    Só não entendi porquê colocar as ONGs nesse pacote. Elas simplesmente fazem o trabalho que o governo não sabe fazer mas diz que faz - E ainda fazem muito melhor do que o governo faria.

    Sim, existem ONGs que são apenas fachada para desvio de verba - Assim como existem empresas para isso também. Mas de uma maneira geral as ONGs são o principal mecanismo do mercado da caridade privada, que é o mercado que mais sofre com a existência de um governo que adora roubar os cidadãos de bem.
  • Renato Souza  03/04/2014 21:14
    Mas as ONGs do G ficam com os socialistas. E estas são as maiores e mais poderosas. Não quero esses trambolhos do meu lado.
  • Drplease  04/04/2014 15:24
    Vocês me lembraram de uma situação. Mendigos ganhando muito mais que gente trabalhando, isso é veridico, vi com meus próprios olhos, to até pensando ser mendigo, que tal, gostaram da idéia?
  • paulo  07/04/2014 01:05
    É verdade. Na França, há o RMI em que o governo paga mais de 1000 euros por mês para uma família em que ninguém trabalha. O único pré-requisito é preencher a cada 3 meses um formulário e colocar na caixa do correio, afirmando que está procurando emprego. Mais de uma vez ouvi casos de franceses que moram no Brasil recebendo o "benefício" e deixando um laranja para assinar o formulário e assim avisar o papai estado que infelizmente, não conseguiram um emprego.
  • paulo  07/04/2014 01:09
    Leandro, trata-se de um comentário off-topic, mas é o meio de conseguir uma referência da resposta.
    O falecido Enéas Carneiro foi um dos primeiros a tratar do assunto do nióbio no Brasil ,que tem cerca de 97% das reservas mundiais. E se o Brasil adotasse o nióbio como lastro de seu dinheiro, criando o padrão-nióbio em vez do padrão-ouro?
  • Deilton  14/04/2014 14:08
    "A bolha imobiliária e o subprime brasileiro"
    www.bolhaimobiliaria.com/2014/04/14/a-bolha-imobiliaria-e-o-subprime-brasileiro-ca/

    Análise interessante:

    "o problema é termos distratos que variam de um mínimo de 20% até mais de 60% das vendas brutas (mais de 60% no caso da PDG no 3T13) e ainda, que representam cada vez mais bilhões de Reais a cada ano, afetando várias construtoras de forma simultânea, esta situação, não existe para nenhum segmento de negócio, em nenhum lugar do mundo"
  • Leandro  17/04/2014 14:26
    E a saga continua...


    IBGE: desemprego caiu por redução no nº de desocupados

    Embora a taxa de desemprego de 5,0% no mês de março tenha sido a menor para o mês desde o início da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), em 2002, não houve geração de vagas no período de um ano. A população ocupada ficou estável (0,0%) em relação a março do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    "A população ocupada é praticamente igual à de março do ano passado. A taxa caiu porque teve uma redução da população desocupada. Mas, como a população ocupada está estável, então houve aumento da inatividade", concluiu Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

    A população desocupada recuou 11,6% em março ante março de 2013, o equivalente a menos 159 mil pessoas na fila do desemprego. Ao mesmo tempo, houve uma elevação de 4,2% no número de inativos no período, o mesmo que 760 mil pessoas migrando para a inatividade.

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,ibge-desemprego-caiu-por-reducao-no-n-de-desocupados,182359,0.htm
  • Jose Roberto  17/04/2014 19:15
    Nada como torturar os números em ano eleitoral.
  • Bernardo F  18/04/2014 14:35
    O Salman Khan (da Khan Academy) fez um vídeo curtinho no qual ele demonstra graficamente aquilo que o Leandro explicou em texto escrito. A demonstração do Salman Khan toma como base a situação dos EUA, mas as premissas da demonstração se aplicam ao Brasil também. O vídeo é falado em inglês. Vale a pena conferi-lo: https://www.khanacademy.org/economics-finance-domain/core-finance/current-economics/unemployment-tutorial/v/unemployment-rate-primer--v2
  • Deilton  24/04/2014 14:34
    Enfim uma medida séria do governo para baixar o índice oficial de inflação:

    "Técnicos do governo estudam tirar alimentos do cálculo da inflação"
    oglobo.globo.com/economia/tecnicos-do-governo-estudam-tirar-alimentos-do-calculo-da-inflacao-12270247

    Agora a inflação cai.
  • Rodrigo Amado  24/04/2014 15:43
    "Técnicos do governo estudam tirar alimentos do cálculo da inflação"

    Bando de amadores!
    Deviam fazer como é feito nos países comunistas, é só decretar o valor da inflação e pronto! A realidade irá se submeter ao decreto! Pois como sabemos, no socialismo/comunismo todos os problema são resolvidos com meras canetadas!

    Daí, depois dessa canetada eles poderão imprimir trilhões de notas de reais todos os dias e mesmo assim não haverá inflação! Basta que todos tenham fé no poder da canetada!
  • Leandro  22/05/2014 18:25
    Números atualizados para abril de 2014 em relação a abril de 2013:

    Pessoas empregadas no setor privado (com e sem carteira assinada): queda de 0,71%

    Pessoas empregadas (setor privado com e sem carteira assinada, autônomos e empregadores): queda de 0,8%.

    População economicamente ativa: queda de 0,85%

    Pessoas ocupadas (incluindo o funcionalismo público, os militares e todos os tipos de biscates): aumento de 0,15%.


    Resultado: a redução de quase 1% na população economicamente ativa (o que significa que quase 1% da população que estava no mercado de trabalho se retirou dele e não mais trabalha ou procura emprego) fez com que taxa de desemprego caísse de 5,8% em abril de 2013 para 4,9% em abril de 2014. Ao mesmo tempo, o número de empregos no setor privado também caiu 0,71%.

    Conclusão: há hoje menos gente trabalhando no setor privado e há menos gente querendo trabalhar no geral do que havia em abril de 2013.
  • Cesar  18/09/2014 20:48
    Agricultor revoltado:

    https://www.facebook.com/video.php?v=717090468362736
  • Eduardo R., Rio  18/02/2015 18:14
    "Juventude transviada?", por Alexandre Schwartsman.


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