Uma teoria simples sobre a corrupção
Por que há essa percepção generalizada de que políticos são corruptos?  Qual exatamente é o arranjo que gera incentivos para que eles sejam corruptos?  Existe realmente uma maneira de ser diferente?

O intuito aqui é estabelecer uma teoria muito simples sobre a corrupção. 

O poder do estado — e, por conseguinte, o poder daqueles que detêm cargos de poder dentro da máquina estatal — é o poder de pilhar, usurpar e dar ordens.  Quem detém o poder estatal detém a capacidade de se locupletar.  A capacidade de se locupletar estando dentro da máquina estatal é a definição precípua de corrupção.  A corrupção sistemática necessariamente acompanha um governo.  Ela está presente na história de absolutamente todos os governos.  Varia apenas a intensidade e o grau de exposição e de denúncia pela mídia.

A teoria por trás destas conexões é simples. 

Em primeiro lugar, o governo detém o monopólio da criação de leis.  E o monopólio da criação de leis gera oportunidades para se roubar legalmente.  Roubar legalmente significa aprovar uma lei ou regulamentação que favoreça um determinado grupo à custa de todo o resto da economia, principalmente os pagadores de impostos.

Em segundo lugar, o governo, munido do dinheiro que coleta de impostos, detém o monopólio da escolha das empresas que farão as obras públicas que o governo julga adequadas.  Esse processo de escolha, que dá à empresa vencedora acesso livre ao dinheiro da população — algo que não ocorre no livre mercado — é outra forma de roubo legalizado.

Grupos de interesse — por exemplo, grandes empresas, empreiteiras ou empresários com boas ligações políticas — ansiosos por adquirir vantagens que não conseguem obter no livre mercado irão procurar determinados políticos e fazer lobby para "convencê-los" a aprovar uma determinada legislação que lhes seja benéfica, ou para pressionar que sua empresa (ou empreiteira) seja a escolhida para uma obra pública.

A legislação pode ser desde a imposição de tarifas de importação até a criação de agências reguladoras que irão cartelizar o mercado e impedir a entrada de novos concorrentes.  Pode também ser uma mera emenda orçamentária que irá beneficiar alguma empreiteira que será agraciada com a concessão de alguma obra pública. 

Mas há um problema: se esses legisladores não cobrarem um preço pelo seu voto favorável — isto é, se o custo para se fazer lobby for zero —, então a demanda por legislações específicas será infinita.  Igualmente, se os políticos no comando de estatais não cobrarem um preço das empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas, a demanda por obras públicas da parte das empreiteiras também será infinita.

Sendo assim, os legisladores terão de cobrar caro pelo seu voto com o intuito de estabelecer parâmetros para os espertalhões que estão brigando pelo seu voto favorável; e os políticos no comando de estatais terão de cobrar um preço alto para fraudar o processo de licitação em prol de uma determinada empreiteira.

Para ambos os casos, o preço inclui contribuições de campanha, dinheiro em contas no exterior, favores corporativos, publicidade favorável, e vários outros.  Suborno e propina são apenas as formas mais cruas desse leilão.

[Nota do IMB: no atual escândalo da Petrobras, o dinheiro saía do caixa da estatal, pagava obras superfaturadas e, o que restava, voltava para o bolso dos políticos que estavam no comando da empresa na forma de propina paga por empreiteiros.  O esquema foi detalhado neste artigo].

Em todos esses casos, o dinheiro público estará sendo desviado e desperdiçado, seja em obras superfaturadas, seja na criação de burocracias desnecessárias e que irão apenas encarecer os preços dos bens e serviços e reduzir sua qualidade.  E quanto maior o volume de dinheiro público desviado, maior é a fatia que acaba indo parar no bolso desses próprios políticos.

O fato é que o voto destes políticos em prol da criação destas legislações anti-mercado ou destas emendas orçamentárias, bem como o fato de políticos comandarem estatais e escolherem as empreiteiras que farão suas obras, são um bem econômico para essas empresas.

O resultado final é uma corrupção endêmica que não pode ser eliminada.  E ela será tanto maior quanto maior for o tamanho e o escopo do estado.  Não existe algo como um governo limpo e transparente.

Senadores, deputados e burocratas reguladores — todos estão, de uma forma ou de outra, propensos a esta atitude.  Mesmo um político ou burocrata que seja genuinamente honesto pode ser acusado de conivência, pois não irá denunciar seus colegas.

Roubo e corrupção perpassam o governo em todas as suas atitudes e medidas.  Todas as atitudes e medidas do governo sempre envolvem mentiras, injustiças, malversações, delitos, propinas, subornos, favorecimentos, fraudes, deturpações, negociatas, emendas favoráveis e exploração.  E essas são apenas as coisas publicáveis.

A corrupção, aliás, já começa pela linguagem.  "Contribuições de campanha" ou "doações" são apenas um eufemismo para 'propina'.  Quem dá dinheiro a políticos o faz ou porque acredita no que eles dizem defender ou porque espera influenciar seus votos legislativos.  Tais pessoas sempre esperam ganhar algo que necessariamente virá à custa de outros.  Políticos que recebem contribuições de campanha se tornam meros porta-vozes dos interesses de seus financiadores.  O dinheiro irá ajudar o candidato a criar uma coalizão que poderá usar o poder do estado em benefício de um determinado grupo de interesse sem sofrer nenhuma resistência excessiva.  Afinal, trata-se de um roubo legalizado.  

A grande arte da política está em conseguir, simultaneamente, aplausos dos favorecidos e apoio dos que estão sendo roubados.

O político gerencia um esquema de extorsão semelhante ao da máfia.  Seu salário é pago pelas vítimas, ou seja, pelos pagadores de impostos que não têm voz ativa.  Seus "complementos salariais" — o chamado "por fora" — são pagos por grupos de interesse, o que fará com que ele espolie ainda mais os pagadores de impostos.  Tudo é feito com grande astúcia, sendo a função do político convencer as vítimas de que elas não estão sendo espoliadas.  Isso ele sempre consegue.  O político é, acima de tudo, um falso. 

Corrupção sistemática — não apenas a corrupção que envolve meios financeiros, mas também a corrupção da linguagem e das atitudes — necessariamente acompanha um governo.  Qualquer governo.  E a corrupção é endêmica porque a política é a arte da ladroagem. 

Quando eleito, um político irá se esforçar para garantir seus interesses e os interesses de seus financiadores da melhor forma possível.  Para que mais serve um governo?  Governo é roubo.  Governo é corrupção.

 

Nota do IMB: O artigo acima foi ligeiramente modificado para se adaptar à realidade brasileira, que é mais criativa que a do resto do mundo.


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SOBRE O AUTOR

Hans F. Sennholz
(1922-2007) foi o primeiro aluno Ph.D de Mises nos Estados Unidos.  Ele lecionou economia no Grove City College, de 1956 a 1992, tendo sido contratado assim que chegou.  Após ter se aposentado, tornou-se presidente da Foundation for Economic Education, 1992-1997.  Foi um scholar adjunto do Mises Institute e, em outubro de 2004, ganhou prêmio Gary G. Schlarbaum por sua defesa vitalícia da liberdade.

Tradução de Leandro Roque


Ué, dê a notícia completa: o números gerais subiram simplesmente por causa de algumas poucas cidades, que vivenciaram um pico nos homicídios.

Quais cidades? Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, e Washington.

"Half of the entire increase in big-city homicides was concentrated in just seven municipalities — Baltimore, Chicago, Cleveland, Houston, Milwaukee, Nashville, and Washington.

And only in Baltimore was the spike in homicides sharp enough to return the city to a historically high murder rate. While Charm City suffered a historic high of 55 homicides per 100,000 residents in 2015, for the seven cities collectively that figure was 21. Which is significantly lower than it was throughout the 1990s.

Meanwhile, 70 large cities saw their murder rates hold steady in 2015, while 5 saw them fall."

Enquanto isso, segundo suas mesmas estatísticas, New Hampshire, Idaho, e Vermont, estados com as leis mais liberais sobre armas, possuem as mais baixas taxas de criminalidade. O mesmo, aliás, vale para os estados do meio-oeste.

Todos os gráficos foram compilados aqui:

https://mises.org/blog/handful-cities-are-driving-increase-murder-rates

Por fim, aquela estatística que um sedizente estatístico como você não tem o direito de ignorar: a taxa de homicídios nos EUA desabou 50% nos últimos 20 anos, "coincidentemente" ao mesmo tempo em que a posse de armas disparou.

www.pewresearch.org/fact-tank/2015/10/21/gun-homicides-steady-after-decline-in-90s-suicide-rate-edges-up/
Bem, a falta de manutenção, sendo esta a geradora do acidente é crime, independentemente do risco assumido pelo consumidor. O risco não exclui a responsabilidade da empresa, tanto penal como civil. Não por existir um contrato implícito, mas por existir um contrato explícito de que o avião te levaria de A para B.

A morte do consumidor só pode ser imputada a ele se no contrato ele assumiu tal risco. Se tal risco não estava previsto no contrato, não é possível responsabilizá-lo. Se estava previsto, cabe ao consumidor escolher um meio com risco menor.

Creio que entendi o seu ponto sobre "coisas implícitas". A falha que vejo nesse ponto de vista é que essas coisas não são implícitas, elas são explícitas, tanto que você, eu ou qualquer pessoa consegue perceber que essas "coisas" estão ali, pois elas representam a finalidade do empreendimento. Por exemplo, no caso da boate, quando a boate me permite entrar em seu interior mediante pagamento (contrato), está explícito que posso utilizar o local, sendo também explícito que tal lugar não é destinado a matar pessoas. Isso não é implícito, isso está escancarado. A publicidade da boate, como qualquer outra, apela para momentos de diversão e prazer e isso é algo explícito. Se vou a um restaurante, vou para me alimentar bem, isso não está implícito, está explícito. Essa é a finalidade do restaurante. Agora, se o dono do restaurante, modifica essa regra explícita e agride, implicitamente, a integridade física de alguém, deverá ser responsabilizado, civil e/ou penalmente, a depender do dano causado.

Sobre o ponto: entendo que é um valor subjetivo. Se desejo abrir uma farmácia o ponto pode ser interessante. Se quero abrir uma padaria, pode ser que o ponto não seja mais interessante. Aqui entra o conceito de utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Abçs
Dinheiro monopolístico "de verdade" não pode ser criado do nada nem lastreado em outra coisa criada do nada (dívida), pois haverá sempre o nefasto flagelo do moral hazard de para quem e em que quantidade irá o financeiro mais recentemente parido do vento em moto-perpétuo pelo "dono do morro", o que exclui daquela categoria de sound money tanto o "dinheiro de banco central" (seu passivo em fiat money no padrão atual predominante) como também os meios de pgto criados pelos bancos comerciais, cujas reservas no caso americano a propósito só se encontram em níveis elevados recordes (porém ainda assim bem inferiores aos demais agregados monetários frequentemente empregados como se fossem depósitos à vista mas dispensados de recolhimentos compulsórios, apesar de causadores dos "busts") justamente porque foram prontamente recompostas pelo emprestador de última instância via QE's (e agora c/ "hell"icopter$ ?!) após o estouro da bolha creditícia imobiliária de 2008 por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/ o estouro da bolha predecessora em 2000 das "ponto.com" por ele anteriormente permitida e estimulada como saída p/...
Ou seja, é a eterna festa do "wash, rinse, repeat" da qual só participam permanentemente os integrantes da cabala bancária e uma ínfima parte da sociedade que consegue se aproveitar do super-privilégio de criação de moeda outorgado e garantido pelo estado (!) exclusivamente àquele cartel, sendo imediatamente criminalizado e preso como "falsificador" atentando contra a "economia popular" todo sujeito que resolver entrar na farra produzindo seu próprio "bilhete de ingresso" num fundo de quintal qualquer ! :-(

Se o governo não impôr o curso de nenhuma moeda oficial, aceitando passivamente a livre circulação de todo tipo de meios de troca na economia, rapidamente surgirão dezenas de formas de dinheiro c/ oferta controlada naturalmente pelo próprio mercado selecionando voluntariamente as melhores em detrimento das mais abundantes, configurando não um problema (conforme prega o zeitgeist keynesiano perma-inflacionista do último século) mas sim um excelente acontecimento a deflação de preços decorrente de eventual (e, neste arranjo, desejada) escassez monetária.

Vejo como o maior perigo essa racionalização do status-quo vacilando em condená-lo sumariamente e denunciá-lo como a verdadeira estrutura imoral que é.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anonimo  19/03/2014 14:36
    Essa frase é fantástica:

    "A grande arte da política está em conseguir, simultaneamente, aplausos dos favorecidos e apoio dos que estão sendo roubados."
  • Andre  19/03/2014 16:41
    "A grande arte da política está em conseguir, simultaneamente, aplausos dos favorecidos e apoio dos que estão sendo roubados."

    Esses dias mesmo, vi vários otários apoiando o bloqueio de celulares não homologados.
    Como se isso fosse beneficiar eles de alguma forma. Sendo que vai é prejudicar à todos, exceto é claro os donos das empresas do oligopólio protegido pela ANATEL.
  • Jeferson  19/03/2014 14:47
    Estou com o queixo no chão. É a verdade nua e crua pra quem quiser ver. Quem lê um texto desse perde toda a desculpa possível pra associar corrupção a políticos específicos. Sensacional!
  • Diogo  19/03/2014 14:57
    Fantástica descrição sobre o que é o estado, o brasileiro em geral acredita que o problema do nosso pais são os políticos que lá estão o Sr. Sennholz nos mostra que governos são todos iguais só mudam de tamanho, e quanto maior pior.
  • Willian  19/03/2014 15:44
    Está ai uma definição bem clara do que é corrupção e governo, excelente artigo!

    Só uma coisa que ficou de fora que, no caso, existem muitas outras formas de corrupção e isso de forma indireta afeta nossos representantes, ou seja, cada povo tem o representante que merece.
  • Marconi  19/03/2014 16:30
    Tem que tomar cuidado ao ler textos como esse. A conclusão não é a de que qualquer governo é roubo. Mas sim de que, o melhor governo possível, é o menor possível e constitucionalmente limitado.

    Ao afastar liberais e libertários da política, a única coisa que é feita, na verdade, é entregar o estado de bandeja aos esquerdistas.
  • Guilherme  19/03/2014 19:12
    "o melhor governo possível, é o menor possível e constitucionalmente limitado."

    Ainda há quem acredite neste conto de fadas?! Vejam os EUA. Nenhum governo nasceu tão cuidadosa e constitucionalmente limitado como aquele. E o que aconteceu? Transformou-se no maior, mais poderoso e mais intrusivo governo do mundo.

    Achar que um pedaço de papel (constituição) irá fazer com que políticos se restrinjam e deixem de usar seus cargos para beneficiar apaniguados é um pensamento típico de alguém que já se desconectou completamente da realidade. Deve viver em outra dimensão.

    "A conclusão não é a de que qualquer governo é roubo."

    Sim, a conclusão é exatamente essa. Aponte-me um único governo que não roube e não privilegie seus grupos favoritos. Até em Hong Kong acontece isso.

    "Ao afastar liberais e libertários da política, a única coisa que é feita, na verdade, é entregar o estado de bandeja aos esquerdistas."

    Se o sujeito se diz libertário, mas quer entrar no governo, então pode estar certo de que ele quer favorecer alguém. Ou a si próprio. Você não tem de adentrar uma quadrilha; você tem de aniquilá-la.
  • anônimo  19/03/2014 20:02
    'Vejam os EUA. Nenhum governo nasceu tão cuidadosa e constitucionalmente limitado como aquele. E o que aconteceu? Transformou-se no maior, mais poderoso e mais intrusivo governo do mundo.'

    Sim mas por culpa do povo.
    "If a nation expects to be ignorant and free in a state of civilization, it expects what never was and never will be." --Thomas Jefferson
  • Marcos  19/03/2014 20:09
    Esse negócio de "culpa do povo" é uma desculpa muito conveniente. Ora, sejamos realistas: o que o "povo" pode fazer contra políticos que estão no poder legislando em causa própria, e que na maioria das vezes aprovam leis à surdina e à sorrelfa?

    Mais ainda: o que o povo pode fazer contra políticos que estão no poder com o voto de uma ínfima minoria (veja o senhor Jean Wyllys, que está lá com inacreditáveis 13 mil votos)? Eu, por exemplo, não votei no cidadão, mas tenho de engolir a doutrinação homossexual a que ele pretende submeter meus filhos.

    Pare de inventar escusas para a democracia e para a existência do estado.
  • anônimo  21/03/2014 09:47
    o que o "povo" pode fazer contra políticos que estão no poder legislando em causa própria, e que na maioria das vezes aprovam leis à surdina e à sorrelfa?

    A mesma coisa que os founding fathers fizeram com o governo inglês.
    Se tiverem coragem pra isso, é claro, coisa que essa geração de afeminados de hoje não é capaz, mas até isso (se deixar envenenar pelo marxismo cultural) também é culpa do povo.
  • Lúcia LSG  26/03/2016 19:27
    Gostei de suas observações...muito pertinentes...!!!!
  • Pobre Paulista  19/03/2014 19:38
  • ABS  20/03/2014 01:12
    O que garante que uma anarquia não se torne um Estado mínimo?
  • Marconi  21/03/2014 00:41
    Pessoal, no mundo inteiro existem governos desde os que interferem pouco aos que interferem em tudo. Ou seja, se a teoria de que inevitavelmente o governo irá crescer fosse verdadeira, já não era para todos nós estarmos vivendo sob governos máximos?

    Os liberais e libertários precisam sim (e o quanto antes) entrarem no serviço público e na política para não deixarem os esquerdistas tomarem conta. Parem de mimimi e filiem-se ao novo e ao liber!
  • anônimo  21/03/2014 01:03
    "já não era para todos nós estarmos vivendo sob governos máximos?"

    Em qual mundo você vive? 80% dos países se encaixam facilmente na descrição do "governo máximo". O séc. XX só viu os governos se agigantarem. Muito poucos foram os que diminuiram - geralmente após o colapso do governo máximo.

    E entrar pra política? Não tenho estômago para tal, nem minha consciência deixa. Sou obrigado por ela a conquistar meu sustento com o meu próprio suor.
  • Marconi  21/03/2014 01:37
    Então só lhe resta chorar ou armar um golpe de estado. Ah não.. mas esse novo estado iria virar máximo de novo.. é, só lhe resta chorar.
  • Renato Souza  21/03/2014 09:50
    Estranho afirmarem que os EUA são o mais intrusivo governo do mundo. Certamente são o maior, e por tal motivo, sua intrusão é mais ampla (se estende a mais países). Mas se fosse o mais intrusivo do mundo, veríamos cidadãos americanos mudando para qualquer país do mundo, para ganharem mais liberdade. Um americano iria por exemplo, para a Arábia Saudita, para a Venezuela, para Cuba, para a Coreia do Norte, com a finalidade de ter uma vida mais livre. Não é isso que vemos acontecer.

    Mas, mesmo não sendo a pior situação do mundo, é ruim, principalmente em relação ao que já foi no passado. Creio que, em parte, foi a educação estatal destruiu as bases culturais nas quais se firmava a liberdade pessoal. Sinceramente, se não fosse essa má influência, penso que possivelmente esse país seria hoje muito mais livre.

    Mas há uma outra vertente desse mal, e infelizmente devo dizer que as maiores universidades privadas causaram um grande mal, pois foram os principais meios de propagação do socialismo naquele país. E não só isso, mas agora, por receberem polpudas verbas árabes, as universidades tem se tornado meios de propagação do supremacismo islâmico. E finalmente, não se pode esquecer que a imprensa e a indústria cultural tem lutado fortemente contra a liberdade.

    Vemos então que a questão é complexa. Em geral, os libertários veem o problema como essencialmente institucional. Na minha opinião, é um problema essencialmente cultural. Se não houver cultura de liberdade, todo arranjo de viés liberal (mesmo um suposto anarcocapitalismo) será destruído.
  • Eduardo Bellani  21/03/2014 13:33
    Olá novamente Renato.

    Permita-me fazer algumas esclarecimentos ao seu comentário.

    Estranho afirmarem que os EUA são o mais intrusivo governo do
    mundo. Certamente são o maior, e por tal motivo, sua intrusão é mais
    ampla (se estende a mais países).Mas se fosse o mais intrusivo do
    mundo, veríamos cidadãos americanos mudando para qualquer país do
    mundo, para ganharem mais liberdade. Um americano iria por exemplo,
    para a Arábia Saudita, para a Venezuela, para Cuba, para a Coreia do
    Norte, com a finalidade de ter uma vida mais livre. Não é isso que
    vemos acontecer.


    2 esclarecimentos:

    * O governo dos EUA é a entidade mais intrusiva do mundo externamente,
    de longe. Consegue ser assim por causa da alta extração (roubo) de
    capital de sua população. Capital esse que só foi acumulado graças a
    um certo liberalismo interno ao longo de sua história.

    * O totalitarismo interno almejado pelos controladores do poder nos
    países ocidentais tem características muito mais sutis e uma
    estratégia de implantação muito mais inteligente. É uma pegada
    fabiana, que já está acontecendo a mais de um século.

    Mas, mesmo não sendo a pior situação do mundo, é ruim, principalmente
    em relação ao que já foi no passado. Creio que, em parte, foi a
    educação estatal destruiu as bases culturais nas quais se firmava a
    liberdade pessoal. Sinceramente, se não fosse essa má influência,
    penso que possivelmente esse país seria hoje muito mais livre.

    Mas há uma outra vertente desse mal, e infelizmente devo dizer que as
    maiores universidades privadas causaram um grande mal, pois foram os
    principais meios de propagação do socialismo naquele país. E não só
    isso, mas agora, por receberem polpudas verbas árabes, as
    universidades tem se tornado meios de propagação do supremacismo
    islâmico. E finalmente, não se pode esquecer que a imprensa e a
    indústria cultural tem lutado fortemente contra a liberdade.


    Concordo. Mas devo dizer que as elites que controlam a distribuição
    dessas informação através do controle dessas instituições jamais
    teriam tido sucesso se as pessoas não depositassem sua fé no
    estado. Seriam só mais um distribuidor de loucuras, como tantos outros.

    Vemos então que a questão é complexa. Em geral, os libertários veem o
    problema como essencialmente institucional. Na minha opinião, é um
    problema essencialmente cultural. Se não houver cultura de liberdade,
    todo arranjo de viés liberal (mesmo um suposto anarcocapitalismo) será
    destruído.


    O ponto fundamental é que as instituições e a cultura de uma população
    são conceitos distintos, porém interdependentes. Um não existe sem o
    outro.

    Abraços.
  • Jango  29/03/2016 03:03
    Eduardo, desculpe-me mas nem de longe os EUA é a nação mais intrusiva que existe.

    O politicamente correto que você está se referindo no começo do texto possui como objetivo transformar um país livre e liberal economicamente (como os EUA) em um país socialista e censurado (como a ex-URSS), mas não quer dizer que já chegou nesse nível.

    https://www.youtube.com/watch?v=xBub62pfBIc

    https://www.youtube.com/watch?v=txBtasu8w-M
  • anônimo  22/03/2014 10:38
    'Mas se fosse o mais intrusivo do mundo, veríamos cidadãos americanos mudando para qualquer país do mundo, para ganharem mais liberdade. '

    Muitos realmente fazem isso, de cabeça eu lembro daquela atriz do filme mad max que era a chefe da bartertown e do sócios do facebook.
    Mas mesmo indo morar no fim do mundo os EUA querem que qualquer um continue pagando impostos pra eles.

    www.npr.org/blogs/parallels/2014/02/20/275937138/why-more-americans-are-renouncing-u-s-citizenship
  • Renato Souza  24/03/2014 02:55
    Sim anônimo, há pessoas que saem dos EUA para um país de governo menos intrusivo. Mas não para qualquer país. Ninguém muda dos EUA para Cuba.

  • cmr  27/03/2016 13:15
    Muitos dos bilionários americanos estão migrando para a Nova Zelândia, juntamente com muitos americanos cultos e bem sucedidos.
  • Joaquim Saad  28/03/2016 23:44
    Seria o preço da liberdade o eterno nomadismo ?
  • Edujatahy  10/05/2016 17:09
    Caro Joaquim Saad. No mundo de hoje, infelizmente sim...
    Nomad Capitalis: Flag Theory and Perpetual Travel
    Perpetual Traveller
  • Joaquim Saad  10/05/2016 18:24
    Valeu pelos links !

    Que irônico: o PT nos transformando em pt's (perpetual travelers) ! ;)
  • Emerson Luís, um Psicólogo  19/03/2014 18:42

    O que motiva a corrupção é a natureza humana.

    O que possibilita a corrupção é o sistema que concentra poder demais.

    * * *
  • anônimo  19/03/2014 19:15
    A praxeologia explica.

    Os homens agem para sair de um estado de menor satisfação e alcançar um estado de maior satisfação.

    Sabemos que os homens atribuem valores às coisas, dentre as quais as ideias.

    Isto é, o homem age sempre pelo caminho mais fácil/simples dentro dos valores que possui. Se o homem não possui valor algum, ou se para ele está tudo bem roubar e matar, então ele o fará.
  • Dam Herzog  19/03/2014 22:23
    Este artigo é muito oportuno e revela o tanto de capitalismo de compadres(socialismo ou facísmo) que existe no Brasil pode se entrelaçar com pessoas que tem um ódio total ao processo de livre mercado. Esta intimidade favorece os governantes os empresários amigos e as custas do dinheiro produzido pelos imposto por todos os cidadãos. O governo e os legisladores convencem os pagadores de impostos (vitimas) de que estão defendendo o interesse nacional e os interesses de quem votou neles. E o cidadão comum nem percebe a maracutaia. Outro dia vi um policial conversando com o motorista de onibus e lamentando que após a privatização da Vale o Brasil estava piorando cada vez mais a vida do povo e que todos os serviços de importantes deveriam ficar gerenciados pelo governo. O ruim é que a vale é meio privatizada. Olhem quanto serviço de convencimento ainda resta fazer naqueles de cabeça já feita para livra-los da lavagem cerebral.
  • Leandro  19/03/2014 22:52
    Sobre a Vale, segue um trecho de um artigo:

    "Em vez de sair completamente do setor e deixar a mineradora em mãos totalmente privadas, livre de influências políticas e buscando livremente o lucro, a venda foi feita com amplos recursos do BNDES e com a participação de fundos de pensão de estatais.

    Hoje, o governo federal, por meio do BNDES Participações, dos fundos de previdência de suas estatais e de sua participação direta, pode influenciar em 41% do capital votante. Juntas, a Previ, a Funcef e a Petros (fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, respectivamente) detêm 49% do controle. O Bradesco só tem 17,4%."

    As únicas desestatizações genuínas no Brasil ocorreram com as empresas vendidas no governo Collor e, quem diria!, no governo Itamar.
  • Dam Herzog  20/03/2014 01:31
    Venho através desta apelar para os deputados de todos os partidos para que não deixem passar o projeto do marco civil da internet, que inevitávelmente será custoso para a o usuário que não poderá auferir da condição dos pacotes tipo combo tendo que pagar cada item. É um verdadeiro crime contra a nação. Tem viés totalitário, e criará a muitos que trabalham na internet a pecha de fora da lei por estar desobedecendo uma lei absurda. Pensem em nós deputados e derrotem o partido totalitário conhecido como PT.
  • Renato Souza  20/03/2014 10:03
    Há necessariamente corrupção sistemática num governo tribal?
  • Andre Cavalcante  08/09/2014 16:05
    Boa pergunta Renato.

    Vamos analisar o seguinte: em geral os líderes tribais (tribos bem pequenas) tem que trabalhar como os demais para se sustentar. O líder, em geral, é chamado para decisões de justiça ou representação da tribo somente quando necessário. Então ele, portanto, não tem "impostos" a disposição. Logo, não há como fazer corrupção, pois isso significa o uso do dinheiro (recursos) alheios. Mas ainda pode surgir algum tipo de maracutaia (compra de apoio, por exemplo) para se manter no poder, mas aí ele estaria usando os próprios recursos.

    Mas, se a tribo cresce um pouquinho, em geral, ela já vai contar com alguma força policial e, para financiá-la, o jeito mais fácil é através dos impostos. Lógico, no momento que cê tem o recurso das armas e uma forma indireta de ser violento, o roubo (impostos) vai ocorrer. É aí, creio eu, que nasce a corrupção sistemática no governo.

  • Anarcofóbico  10/09/2014 14:45
    Prezado, André. Quando me refiro aos ganhos "por fora" não me refiro às trocas voluntárias entre empresas, mas a atividades celeradas de empregados que utilizam o material/conhecimento da empresa em que trabalha para fechar "negócios" com outras pessoas/empresas e assim ganhar com o dinheiro alheio! Outro exemplo ocorre quando o empregado negocia "por fora" com outra empresa em relação aos negócios fechados pela empresa que trabalha, em razão de sua influência. Portanto, a corrupção não é monopólio exclusivo do ilustre poder estatal!
  • Malthus  10/09/2014 15:19
    A diferençazinha básica é que, neste seu exemplo, não houve um centavo de dinheiro público envolvido. Nenhum pagador de imposto foi onerado por esse cidadão que quis apenas negociar um aumento salarial com outra empresa. Simples.
  • herivelto canales  20/03/2014 15:45
    Quanta bobagem?
  • Marcos  20/03/2014 16:05
    Ninguém aqui mencionou o termo 'bobagem'. Não entendi a pergunta.
  • Igor  20/03/2014 18:47
    Não discordo do Texto, achei excelente, mas questiono como tornar o Estado menor sem os liberais e libertários participarem do Estado? Acham realmente que só fazendo críticas do lado de fora vão conseguir mudar este sistema. Peço a quem saiba quais são métodos práticos realizados por outros países quanto a esta mudança de paradigma?
  • Marcelo Almeida  20/03/2014 23:17
    Igor, sua duvida é ótima. Tive a mesma indagação. Entendo que somente o Estado será menor e desaparecerá, quando tais sonhadores libertários, ao chegarem no poder, tenham em mente que o trabalho deles nada mais será a de tirarem o poder deles mesmos. Não acontecendo isso, então só funciona na teoria, e virará semelhança com a utopia de Marx.
  • Ricardo  20/03/2014 23:59
    Sonho e utopia é achar que é possível entrar no estado e mudar toda a estrutura de dentro. Todos que tentaram fazer isso foram engolidos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1417
  • Marcelo Almeida  21/03/2014 00:36
    Em partes você tem razão Ricardo. Numa geração num intervalo de 20 anos, mesmo com toda teoria libertária, não haverá grandes mudanças. É necessário introduzir no currículo escolar a explicação mais abrangente das velhas e novas possíveis formas de sociedade. Talvez, desta maneira teremos cidadãos com horizontes mais amplos. Agora somos míopes para tal futuro liberal. Existe apenas um viés sendo explicado para os estudantes. Certamente se há mais de 200 anos antes alguém dissesse para um escravocrata que no século 21, maquinas gigantes fariam toda a colheita no campo, o dito cujo não acreditasse que fosse possível livrar todos os escravos da sua fazenda. Quem sabe essa metáfora consiga explicar como nosso olhar é míope e descrente no futuro.
  • Igor  21/03/2014 12:37
    Ricardo, concordo também com isto, já havia lido este artigo que você indicou, mas penso na realidade. Hoje em dia o descrédito da população com os governantes são altíssimos, não pensam nem em debater a diminuição da criminalidade penal, imagina discutir ideias liberais para diminuir o Poder dos Estado, por isto que fico em dúvida. Marcelo Almeida, Também acredito na educação aos jovens mas até nisto estamos atrás, as ideias socialistas que impregnam os atuais mandatários do governo federal estão explorando ao máximo a nossa juventude. Nem nos EUA o Partido Liberal tem fez, apesar de que as condições liberais deste país ser bem melhor do que a nossa. O Brasil é estatista e burocrata por natureza, nunca teve uma contra-reforma das ideias vigentes, teve um pequeno lampejo na década de 90 mas muito pouco ainda. Sugiro a diretoria do MISES em colocar boas práticas liberais do resto do mundo e como essas nações chegarão a este ponto.
  • Tannhauser  21/03/2014 17:43
    Migração.

    Você pode migrar para um país mais livre ou formar um grupo de pessoas, comprar uma fazenda em algum lugar isolado e formar uma nova comunidade lá.
  • Fernando Schoulten  21/03/2014 02:07
    A corrupção é inerente ao ser humano, não aos Estados, como denota o início do texto. No entanto, Estados são formados por seres humanos, logo, podem ser corruptos.
    Como o texto deixa claro, a situação de um Estado e seus trâmites, incomparavelmente, potencializam a possibilidade de corrupção.
  • Guimarães  21/03/2014 02:15
    Frase do artigo:

    "O poder do estado — e, por conseguinte, o poder daqueles que detêm cargos de poder dentro da máquina estatal — é o poder de pilhar, usurpar e dar ordens."

    É óbvio que 'estado', por ser uma entidade abstrata e amorfa, não tem nada. Mas a partir do momento em que seres humanos são investidos de poderes monopolistas e legislativos (características concedidas exclusivamente ao estado), os incentivos tomam conta.
  • oneide teixeira  23/03/2014 14:41
    Um esquerdista estatista (redundância) vai contrapor perguntando, não existe corrupção nas empresas?
    Corrupção é uma questão moral.
  • anônimo  23/03/2014 19:14
    Uma empresa corrupta só te afeta se você escolher consumir o produto dela, já com um governo notoriamente corrupto não tem pra onde correr, mesmo sendo corrupto, mesmo todo mundo sabendo que é corrupto você ainda tem que sustentar o sistema.
    Com a ilusão de um votinho pra você achar que muda alguma coisa mas não muda nada.
  • Lucas Rosário  12/04/2014 02:32
    Existe muita corrupção nas empresas privadas sim, eu trabalhei por muito tempo na área de compras de uma multinacional e os brindes e comissões corriam soltos, porém a corrupção no ramo privado não pode ser comparada a corrupção estatal, porque nesse caso a riqueza que foi transferida(roubada)da empresa para um individuo ou para um determinado grupo foi gerada por ela própria, cabendo a sua administração encontrar formas de estancar os desvios sob pena de falência. Já na burocracia estatal o prejuízo é socializado por isso não existe interesse em combate-lo.
  • oneide teixeira  23/03/2014 14:51
    A corrupção é uma das variáveis que leva a sociedade para a anomia social.

    Anomia social

    O desenvolvimento econômico depende de variáveis sociológicas, uma das quais é o nível de anomia de uma sociedade. O conceito foi difundido pelo sociólogo norte-americano Robert K. Merton, a partir do de estrutura social, onde existe um nível de anomia. Por estrutura social entenda-se a configuração da organização interna de qualquer grupo social. A anomia social, como já Émile Durkheim recordava, refere-se pois ao grau em que as partes que compõem a estrutura social estão integradas.

    A estrutura social é determinada, em boa parte, pelas metas a atingir pelos indivíduos (ser rico, famoso, culto...) e pelas regras para as atingir (leis, costumes...).

    A anomia surge quando as normas de conduta estabelecidas como regras pela sociedade para se alcançar metas sociais não estão devidamente integradas nestas.

    A anomia ocorre pois quando os indivíduos se sentem incitados a violar as normas para poder alcançar as metas. Também poderá surgir anomia social, ainda segundo Merton, quando a cultura der mais importância ao alcance das metas (os valores que definem as metas) do que às normas sociais ou regras para se atingirem aquelas de modo legítimo (valores que definem as normas sociais).

    Assim, quando os grupos sociais aceitam aquele que atinge as metas sociais, mesmo matando ou por outros meios ilícitos, está-se a fomentar o estado de anomia na sociedade. O termo anomia é assim usado para explicar os desvios face às normas sociais por parte de certos grupos (condutas desviadas anormais), como no caso dos Estados Unidos, onde Merton aplicou a sua teoria. Nos países menos desenvolvidos, porém, a conduta desviada dos valores da sociedade é mais norma do que exceção. Nestes, o nível de anomia social é maior do que nos países mais desenvolvidos, onde há mais falhas nos sistemas judiciais e maiores possibilidades de se "burlar" as leis, embora o mesmo não deixe de ocorrer no mundo desenvolvido.

    A corrupção aumenta também a anomia social, que é por isso causada pela falta de capacidade de travar, pela sociedade, aqueles que violam normas para alcançar metas.
    Também se pode entender por anomia social quando nos referimos a situações em que as instituições sociais utilizadas para que se faça cumprir as leis falhem nos seus objetivos, como as polícias, os tribunais, as prisões.

    Quanto maior for a incapacidade das instituições para fazer com que se cumpram as leis maior é o grau de anomia social. Quando não se consegue cumprir a lei, não há integração possível entre as metas e as normas sociais, surgindo a anomia social.
  • Julio Heitor  08/09/2014 13:46
    Dúvida:

    Muitos irão defender uma "solução" para o problema de propinas: Financiamento público de campanha.

    Qual a resposta consistente para essa questão?

    Abraços!
  • Reinaldo  08/09/2014 13:53
    A resposta é simples: Petrolão.

    As empreiteiras que faziam negócio com a Petrobras pagavam propina ao esquema e o dinheiro era repassado a políticos. Esse simples esquema mostra como é ridícula toda essa conversa sobre financiamento público de campanha. Ainda que isso existisse, o mecanismo não serviria para impedir que máquinas criminosas se instalassem em estatais e beneficiassem determinados políticos que já estão no poder.

    Se o Brasil quer acabar com boa parte da roubalheira, deve começar privatizando as empresas públicas. Quais? Todas!
  • Julio Heitor  08/09/2014 14:52
    Deixa eu ver se entendi:

    O que você quis dizer é que a Petrobrás (e qualquer outra empresa estatal), sendo pública, poderia financiar legalmente qualquer partido político que ela quisesse (ou ainda doar de forma igualitária a todos)?

    Assim, as empresas que quisessem continuar a fazer financiamento privado de campanha (e agora, ilegalmente), o fariam através dos contratos ganhos com a Petrobrás?

    Abraços!



  • Reinaldo  08/09/2014 15:12
    Não. O que eu quis dizer é que financiamento público de campanha não só não vai impedir o caixa 2, como ainda será benéfico apenas para quem já está no poder, pois serão estes que se locupletarão via caixa 2 das estatais. Vide Petrolão.

    É incrível como não percebem isso.
  • Julio Heitor  08/09/2014 19:02
    Agora entendi,

    todos os demais partidos que não estão no poder, não poderão mais receber financiamento privado. E o(s) que estão no poder receberão via Petrolão.

    Não havia me atentado a isso. A perpetuação do partido no poder será ainda mais forte.

    Abraços!
  • Anarcofóbico  08/09/2014 18:28
    Caros libertários, ontem após a palestra do Ron Paul cheguei a uma conclusão: a liberdade é a melhor escolha! Inclusive a liberdade do povo decidir o que quer! Por meio do voto e do conformismo, a população optou por viver e manter esse arranjo! Não há maior liberdade do que as pessoas decidirem se auto expropriar livremente! Mas cabe salientar algo de extrema importância: a culpa da corrupção é do capitalismo! O capital é que corrompe os governantes. Se concentrarmos os meios de produção na mão do proletariado enfim romperemos tais amarras e seremos verdadeiramente livres para seguir um caminho de prosperidade! Vejam que a corrupção também ocorre na esfera privada. Quantas vezes não se vê pessoas ganhando "por fora" no meio empresarial? Portanto, é mister deixar claro qual a fonte dessa nuvem negra sobre os iluminados governantes!
  • Andre Cavalcante  09/09/2014 19:16
    KKK! Anarcofóbico. Estás ficando tão sutil quanto o nosso Filósofo.

    "Vejam que a corrupção também ocorre na esfera privada. Quantas vezes não se vê pessoas ganhando "por fora" no meio empresarial?"

    Não. Corrupção é, por definição, suborno (só olhar no dicionário), ou seja, recepção de dinheiro ilícito em troca de favor ou negócio lucrativo. Então, somente há recepção de dinheiro de forma ilícita se o dinheiro não é de quem está na transação, ou seja, somente na presença de dinheiro público há corrupção. Na iniciativa privada, se dois entes privados trocam favores entre si com o seu próprio dinheiro não é corrupção, e não há o "por fora", até porque tudo é "por fora", mas uma transação comercial qualquer. Se é ética ou não a transação é outra história.

    "Portanto, é mister deixar claro qual a fonte dessa nuvem negra sobre os iluminados governantes!"

    Esse é o grande problema dos estatistas: achar que os governantes são iluminados. Ora os governantes são pessoas como todas as outras (na verdade, pelo nosso sistema, escolhemos sempre os piores dentre nós), então não são iluminados. E mesmo que fossem, ainda assim o resultado não seria bom (na verdade seria, porque iluminados de verdade simplesmente abririam mão do poder em prol da liberdade).


  • Andre  10/09/2014 19:30
    Na verdade pode sim haver corrupção na esfera privada.

    Basta que o contador de uma empresa, na hora de comprar insumos para a empresa, como, por exemplo, material de escritório, ao invés de comprar pelo preço mais barato do mercado ele compra com um parente/conhecido que vende mais caro, e depois eles recebe uma comissão desse parente/conhecido e embolsa esse dinheiro.

    Outra forma de corrupção seria alguém do RH escolher contratar uma pessoa apenas por ser parente, ou conhecido, sem avaliar desconsiderando a aptidão dessa pessoa para o cargo.

    Mas os únicos lesados nesses casos são os donos da empresa.
    A população nada sofre com esse tipo de corrupção. E se for muito intensa pode levar a empresa a falência. Novamente, isso é problema apenas dos donos da empresa.

    Claro que como os donos têm interesse em que sua empresa não seja roubada esse tipo de corrupção é mais difícil de ocorrer.

    Lembrando: a população não é afetada!
  • André Luiz  08/09/2014 19:00
    O socialismo deposita a crença que a centralização estatal vai resolver os problemas da humanidade, e hoje, ainda, muita gente nutre essa fantasia, mesmo com o fracasso do socialismo, e com inúmeras provas atualmente de que regimes de esquerda conduzem à decadência econômica e social.
    Eu acredito na iniciativa privada,e que o Estado transfira para autonomia individual as responsabilidades para criação de riqueza e gerência da própria sociedade. Entretanto esse liberalismo exacerbado que eu farejo em muitos artigos do site eu não engulo, e francamente eu vejo que é outra fantasia, só que avessa ao socialismo. O socialismo acredita no estado, a entidade mágica que vai promover igualdade. No liberalismo clássico, a entidade mágica é o mercado. Deixado sobre as livres interações do mercado, da lei da oferta e procura, a sociedade vai naturalmente progredir.O Estado é um ladrão que só atrapalha. Eu vejo que essa insistência de que o Estado não serve para nada, que deve ser eliminado, de vilanizar o Estado, me parece o outro lado da moeda de uma esquerda radical que acredita que o mercado é o vilão.
    Como um instrumento para analisar alguns aspectos da sociedade, o Mises é bom, como concepção, muito radical para o meu gosto.
    Quanto ao Estado e evolução legal, tenho a dizer que foram garantidos inúmeras liberdades nas leis que ora nos regulam, na Revolução Francesa, e na Independência dos EUA, evolução conhecida como a 1. geração de direitos. A 2. geração de direitos, essa no século XX, depois da constatação de que simplesmente as garantias de liberdades, por si só, geravam distorções na sociedade, foi a responsável pela introdução de direitos sociais nas Constituições, o que então gerou mais intervenção do Estado.
    Nós temos hoje, acredito, constituições muito intervencionistas, grande demais, mas de maneira nenhuma algumas garantias sociais devem ser eliminadas, pois elas são fundamentais para a dignidade humana. E se os autores do Mises disserem que a dignidade humana é problema da família, do indivíduo, que o Estado não deve se meter, eu oponho que as leis são um contrato social que devem estabelecer condições mínimas para a sociedade.
  • Felipe  09/09/2014 02:22
    Concordo com você, defendo o livre mercado, mas entendo a necessidade do estado para garantir os direitos a propriedade privada, a livre expressão e demais direitos. Além de como você citou o estado tem também sua função social, dá condições minímas aos mais miseráveis, pois isso não é ser socialista isso é ser humano.
    O estado tem problemas, como de qualquer país, mas a solução não é acabar com ele e sim lutar por um estado melhor.
  • Andre Cavalcante  10/09/2014 16:40
    Oi xará,

    "Eu acredito na iniciativa privada,e que o Estado transfira para autonomia individual as responsabilidades para criação de riqueza e gerência da própria sociedade."

    Legal. Guarde isso!


    "Entretanto esse liberalismo exacerbado que eu farejo em muitos artigos do site eu não engulo, e francamente eu vejo que é outra fantasia, só que avessa ao socialismo."

    Hum!? Quer dizer que você quer que o estado transfira para o indivíduo as responsabilidades para criação de riqueza e gerência da própria sociedade, mas não "engole" os artigos do site que defendem exatamente isso!?

    Eu também já andei pelo duplipensar. É difícil, mas é possível acabar com essa forma ambígua de pensar. E não se trata em ser "radical" ou não. É só da lógica mesmo que falo.


    "O socialismo acredita no estado, a entidade mágica que vai promover igualdade. No liberalismo clássico, a entidade mágica é o mercado."

    Não. Você entendeu errado. O mercado não é uma "entidade" mágica. O mercado surge simplesmente da interação humana em um ambiente livre. Ponto. Não há mágica nisso, nem instituição física de espécie alguma, o que é diferente do estado, da ideia do estado, a qual é circunscrita e limitada.


    "Deixado sobre as livres interações do mercado, da lei da oferta e procura, a sociedade vai naturalmente progredir."

    De novo, entendeu errado. A sociedade livre será aquilo que seus indivíduos e as suas interações vão fazer dele. Se os indivíduos são depravados, a sociedade livre será depravada. Se os indivíduos forem trabalhadores, honestos, etc. (coloque aqui a virtude que queira) então a sociedade irá progredir.


    "O Estado é um ladrão que só atrapalha."

    Isso é fato. E não pode ser negado. Ou você fica feliz todo ano na hora de declarar o seu IR?


    "Eu vejo que essa insistência de que o Estado não serve para nada,"

    Opa! Este site está cheio de artigos sobre a natureza e a serventia do estado. Dentre outras coisas, ele serve para estimular a corrupção, por exemplo (artigo desta semana), ou para proteger seus funcionários. Então, o estado serve sim para várias coisas. Só não serve para mim!


    "que deve ser eliminado,"

    Correto. Mas veja bem, tem que ser eliminada a ideia do estado. Trocar de partido no poder não é acabar com o estado. Sempre a gente tem que lembrar isso porque as pessoas sempre acham que a gente quer é tomar o lugar. Nada mais falso. O libertário só quer não ser atrapalhado.


    "de vilanizar o Estado"

    Ora, você não tornaria vilão o ladrão que te rouba?


    "me parece o outro lado da moeda de uma esquerda radical que acredita que o mercado é o vilão."

    A esquerda tá acabada. É só uma questão de tempo. Sem o mercado a economia simplesmente entra em colapso. Os atuais governos vão dar o calote. É só uma questão de tempo, sendo que os da América Latina, fatalmente, serão os primeiros. A Argentina e a Venezuela já deram. Quando a coisa chegar na Europa (já chegou mas os alemães deram um jeitinho, parecendo coisa de brasileiro :)), pra valer, a coisa vai mudar. E, por isso mesmo, você não vai receber a aposentadoria que espera receber, nem os seus investimentos do tesouro direto em 2025!


    "Como um instrumento para analisar alguns aspectos da sociedade, o Mises é bom, como concepção, muito radical para o meu gosto."

    Pois é. O que é ser radical? É radical divulgar que imposto é roubo? É radical dizer que o governo tá quebrado, o que é uma realidade? É radical dizer que a "guerra às drogas" não deu em nada, o que já está fartamente mostrado cada vez que a gente lê ou vê um jornal brasileiro? É radical defender a liberdade, coisa que foi/é a base, pelo menos é o que dizem, da sociedade ocidental? É radical defender a propriedade privada, propriedade esta adquirida pelo próprio trabalho e esforço?



    "Quanto ao Estado e evolução legal, tenho a dizer que foram garantidos inúmeras liberdades nas leis que ora nos regulam, na Revolução Francesa, e na Independência dos EUA, evolução conhecida como a 1. geração de direitos. A 2. geração de direitos, essa no século XX, depois da constatação de que simplesmente as garantias de liberdades, por si só, geravam distorções na sociedade, foi a responsável pela introdução de direitos sociais nas Constituições, o que então gerou mais intervenção do Estado."

    Há inúmeros artigos no IMB que explicam cada um desses "direitos" e o porque a maioria deles simplesmente não é um direito! Direitos são, necessariamente, negativos. Um direito positivo implica na obrigação, por parte de terceiros, o que significa que algum direito natural deste terceiro será violado para que a obrigação seja efetivada. Como um direito deve ser universal, se não, não é direito, é privilégio, fácil ver que, se um "direito positivo" é inventado por alguém, somente um governo, que é o monopolista das leis, pode obrigar a terceiros que forneçam tal direito a alguém, ou seja, fatalmente ele não somente não estará garantindo os direitos dos seus cidadãos como estará, ele mesmo, negando e retirando tais direitos. Conclusão lógica: o que você chama de "direitos" nada mais são que privilégios que o estado concede a alguns em detrimento de outros.

    Sobre a garantia da liberdade, como um direito negativo, ela existe por si só. É necessário que um terceiro me retire a liberdade, para que eu não possa usufruir desse direito. Então, não é necessário nenhum estado para me garantir algo que a natureza me dá de graça! E, para me defender de terceiros, basta o estado não interferir em outro direito natural, que é o direito a autodefesa.


    "Nós temos hoje, acredito, constituições muito intervencionistas, grande demais, mas de maneira nenhuma algumas garantias sociais devem ser eliminadas, pois elas são fundamentais para a dignidade humana. E se os autores do Mises disserem que a dignidade humana é problema da família, do indivíduo, que o Estado não deve se meter, eu oponho que as leis são um contrato social que devem estabelecer condições mínimas para a sociedade."

    O que impede que a "sociedade", cidadãos livres e por iniciativa própria, crie instituições que garantam certas serviços sociais a quem não pode pagar por estes serviços? Há inúmeros artigos neste site que tratam da responsabilidade individual e da caridade como elementos fundamentais em uma sociedade livre.

    Sobre dignidade humana, há algumas considerações que devem ser feitas. O que é digno para o ser humano ontem? Hoje? O que será amanhã? Veja bem, a humanidade, pelo menos a parte que era tratada com "dignidade", viveu muito bem sem eletricidade, água encanada, escolas, esgotos etc, por milênios. Todos esses serviços, que foram inventados por capitalistas por causa de lucro - diga-se de passagem, e que compõe o que chamamos de a civilização moderna, somente entraram na história humana nos últimos 2 séculos.

    Então defina claramente o que é dignidade humana, aí podemos começar a conversar a respeito.





  • Erick  08/09/2014 20:30
    DEMOLIDOR!
    Simplesmente sensacionais as frases que estão neste artigo.
    De fato, quem precisa de ladrões parasitas?
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  08/09/2014 22:14
    Governo é roubo. Qualquer tipo de governo. Seja lá quem estiver no comando, roubará. Lei inevitável do ser humano. Dê-me poder sobre você e prepare-se para sofrer.
  • Felipe  08/09/2014 23:40
    Quando vão entender que anarquia não pode existir.
    Não é porque existe corrupção que devemos acabar com a política, pois ela (política) é necessária, não existe na historia região sem governo, sempre houve governo e sempre haverá, afinal tudo precisa de uma organização e por consequência quem organize, não existe isso de sociedade sem estado. Essa ideia é tão utópica quanto comunismo.

  • Andre Cavalcante  09/09/2014 18:57
    Olha só esse parágrafo:

    "... não existe na historia região sem governo, sempre houve governo e sempre haverá, afinal tudo precisa de uma organização e por consequência quem organize, não existe isso de sociedade sem estado."

    Trocando governo por escravidão e organização por trabalho:

    "... não existe na historia região sem escravidão, sempre houve escravos e sempre haverá, afinal tudo precisa de um trabalho e por consequência quem trabalhe, não existe isso de sociedade sem escravos."

    Pois é, até o séc XVII era isso que as pessoas pensavam, que era utópico pensar em uma sociedade sem escravos.

    Felipe, você já vive em uma sociedade que era considerada utópica poucos séculos atrás. Pense nisso, antes de achar que liberdade (mas liberdade de fato) é algo utópico.

    Sobre o comunismo, já respondi isso ontem (aja paciência...): o comunismo não é bonito nem no papel! O comunismo não é somente utópico (no sentido de estar fora da realidade), é impossível mesmo, as leis econômicas impedem que tal se implante e, qualquer tentativa de se colocar tal aberração na realidade só redunda em mortes, milhões delas, o que a história já demonstrou.

  • Felipe  09/09/2014 23:22
    A resposta foi boa rs.

    Mas seria possível uma sociedade sem estado apenas num futuro ainda distante, com a evolução mental do próprio ser humano e com uma descentralização gradual.
    Uma mudança radical hoje, o fim imediato do estado, faria apenas o estado voltar na mão de outras pessoas.
  • Andre Cavalcante  10/09/2014 14:54
    Felipe,

    "Mas seria possível uma sociedade sem estado apenas num futuro ainda distante, com a evolução mental do próprio ser humano e com uma descentralização gradual."

    A escravidão acabou, no Brasil no séc. XIX (fins), ou seja, 125 anos atrás somente. Um século é um futuro distante?

    "Uma mudança radical hoje, o fim imediato do estado, faria apenas o estado voltar na mão de outras pessoas."

    Agora você chegou no ponto. Liberte-se a si mesmo! Como? Não dependa do estado, ou dependa o mínimo possível. No Brasil é até fácil, porque coisas básicas como educação, saúde, água e esgoto são serviços tão ruins quando fornecidos pelo governo que a gente já se vira com as alternativas privadas (mesmo que "ilegais"). Mas, o mais importante é a liberação do pensamento.

    Abraços

  • Felipe  10/09/2014 20:00
    Tendo todos os dias fazer, me libertar do estado. Mas agora lembre-se que nem todos tem recursos para se libertar, alguns depende dos recursos do estado como saúde, educação, ajuda financeira e etc. Essa pessoas que dependem jamais aceitariam por exemplo o fim do estado, por mais que os serviços sejam pessimos essas pessoas dependem do estado, e por mais que sua miséria seja culpa do estado eles dependem do estado (meio contraditório mas é a realidade). Imagina uma nova situação, que o estado simplesmente acabasse, nem todos tem recursos para manter um padrão mínimo, acham que demoraria muito para que alguém se aproveitasse dessa situação e usasse essas pessoas a seu favor. Quem impediria alguem rica de formar uma milicia e começa a cobrar "taxas de proteção" em cima de outras pessoas que não tem recursos para se defender. Entende por que tem q haver estado pelos menos por enquanto? para nos defender do próprio ser humano.
  • Andre Cavalcante  11/09/2014 14:12
    Felipe,

    Novamente, é uma questão, primeiro, de cultura. Liberte-se! Depois liberte as pessoas próximas (sua família, por exemplo), depois o mundo. Faça a sua parte.

    Uma forma de se libertar do estado é justamente apoiar uma entidade que possa ajudar pessoas mais necessitadas, sem a ajuda do estado, como a sua igreja (seja lá de que religião for, porque todas elas pregam o bom convívio entre os seres humanos e o uso da caridade para isso).

    E sim, o estado é tão gigante no Brasil que você uma hora ou outra vai estar submetido à ele. Mas, por outro lado, os serviços do estado brasileiro são tão ruins que a maioria de nós já usa boa parte dos serviços que mais necessita de forma privada. É um passo na escada somente.

    Outra coisa é a questão da propriedade privada. Uma milícia é apenas uma outra forma de máfia ou de estado. Também devemos brigar contra esse tipo de arranjo. Uma forma de sair disso é o uso de uma empresa de segurança idônea (já há muitas nas cidades brasileiras).

    Abraços



  • Eliel  09/09/2014 18:26
    "Como um instrumento para analisar alguns aspectos da sociedade, o Mises é bom, como concepção, muito radical para o meu gosto."

    Era essa conclusão que a tempos, desde 2009, que burilava em minha mente e não conseguia desenvolvê-la. É muito radical para meu gosto, também. Valeu André Luis. Fez-me ver que nem todos que acompanham o Mises estão perdidos.
    Aliás, acredito que a hipótese de Ação Humana de Mises é incompleta, digo, falta outros elementos.
    Para começar deveria ser chamada Ação Psíquica por parte das consciências presentes desde os seres minerais, vegetais, animais e o hominal, além de outros. Seria pois não apenas Ação Humana, tempo e conhecimento a definir a economia, mas Ação Psíquica, Função Biológica, Tempo, Reciprocidade, Interdependência e Conhecimento. Pode haver mais completando sete propriedades definidoras mas ainda não a descobri.
  • SIMOES  09/09/2014 20:04
    E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.

    Apocalipse 21:1

    A ÚNICO GOVERNO QUE EXISTIRÁ SERÁ O TEOCRÁTICO O RESTO É BALELA CONVERSA MOLE ENQUANTO ESTE GOVERNO DE DEUS NÃO SE ESTABELECE LUTEMOS PELO ANARCO-CAPITALISMO!
  • Manuel Carlos  10/09/2014 13:32
    Enquanto governos existirem as pessoas não podem deixar de lutar contra eles, utilizando as armas que estão à disposição: o voto e as ideias!
    Quem deixar um destes campos de lado porque acha que a atuação é infrutífera ou porque sua voz é insignificante na multidão permite que o estado cresça, cresça, cresça, sem oposição, tal como ocorre hoje.
    O exemplo da Venezuela é flagrante! A oposição deixou de participar das eleições, ficando apenas no campo das ideias. O resultado foi um Congresso 100% chavista o que permitiu a reforma da Constituição e a completa dominação do país pelos esquerdistas.
    Hoje, não há na Venezuela sequer o direito de se manifestar contra o regime...será que esse é o caminho?
    Se você não gosta de votar porque é chato, porque tem coisa melhor a fazer ou porque não há boas opções, prepare-se pra suportar as ações dos eleitos, pois são eles que vão fazer as leis e te governar, a menos que vc decida ir pra outro planeta onde, AINDA, não tem um governo pra te governar.
    E não diga que vc pode ignorar o estado, pois ele tem braços longos e fortes, e te alcança onde vc estiver.
    A luta não pode ser apenas no campo das ideias!

  • Andre Cavalcante  10/09/2014 15:01
    A Venezuela é apenas a prova mais recente que é impossível o planejamento central da economia, porque simplesmente e paradoxalmente, um planejamento central acaba com a única coisa que permite o próprio planejamento, que é a formação de preços genuínos. Os esquerdistas assumiram na Venezuela porque as pessoas estavam com a mente presa (e ainda estão) nas promessas do estado e não porque a "oposição" se retirou das urnas - até porque a oposição não tinha (e ainda não tem) nada de liberal.

    E sim, talvez seja necessário se chegar a esse ponto, em algumas partes do mundo, para que as pessoas acordem e percebam que não é necessário, para viver, um estado intruso. Não creio que seja o caso do Brasil que já experimentou alguns momentos de pequena liberdade relativa e gostou.

    E sim, participar de eleições é uma forma de fazer parte do que está errado. Não participar é estar fora do esquema. Eu quero estar fora do esquema justamente porque meu pensamento já não condiz com este o que está aí. Então vou votar nulo em todos os níveis. E vou fazer a minha parte, explicando pras pessoas o perigo que é participar de tal esquema.

  • Felipe  10/09/2014 20:11
    Não é por que o estado é corrupto ele deve deixar de existir, entenda sua importância imaginando um mundo sem estado.
    Imagine que os estados simplesmente acabasse, saiba primeiro que nem todos teriam recursos para se manter, você acha que demorario muito para que alguém se aproveitasse dessa situação e usasse essas pessoas a seu favor, em troca de alguns recursos básicos. E o mais importante, Quem impediria alguem rica de formar uma milicia e começa a cobrar "taxas de proteção" em cima de outras pessoas, que não tem recursos para se defender. Entende por que tem q haver estado pelos menos por enquanto? para nos defender do próprio ser humano.

    Antes de você contra argumentar que a ideia de milicia e "taxa de proteção" já é aplicada pelo estado, que nos rouba através dos impostos e etc., saiba que ao meu ver não há comparação, o estado é a melhor formar de nos proteger de nós mesmos.
  • Andre Cavalcante  12/09/2014 14:09
    Felipe,

    Estava a te responder porque acredito estás querendo aprender algo por aqui. Vamos ver se não é mais um troll:

    "Não é por que o estado é corrupto ele deve deixar de existir, entenda sua importância imaginando um mundo sem estado."

    É exatamente porque o estado é corrupto que ele deve deixar de existir. Essa tua frase é mais ou menos assim: você tem uma boa empregada doméstica, mas todos os dias ela lala uma parte de sua comida e leva embora. O que você faria com a empregada? Mandaria embora, lógico. Portanto, a sua afirmação não tem nem pé, nem cabeça. É da mesma ordem de coisas que achar que um dono de uma casa ficaria com uma empregada ladra em casa.

    "Imagine que os estados simplesmente acabasse,"

    Imagino todos os dias...

    "saiba primeiro que nem todos teriam recursos para se manter,"

    Isso acontece hoje e o estado não ajuda muito. Cê tá esquecendo que a caridade também é parte da natureza humana.


    "você acha que demorario muito para que alguém se aproveitasse dessa situação e usasse essas pessoas a seu favor, em troca de alguns recursos básicos."

    Não, não acho. Acho que aproveitadores sempre existiram e ainda vão existir por muito tempo. O que você não enxerga é que, em um mundo verdadeiramente livre, você poderia fazer coisas para ganhar dinheiro e se sustentar que hoje são proibidas por causa do governo.


    "E o mais importante, Quem impediria alguém rico de formar uma milicia e começa a cobrar "taxas de proteção" em cima de outras pessoas, que não tem recursos para se defender."

    Ora, isso é exatamente a definição de estado.


    "Entende por que tem q haver estado pelos menos por enquanto? para nos defender do próprio ser humano. "Antes de você contra argumentar que a ideia de milicia e "taxa de proteção" já é aplicada pelo estado, que nos rouba através dos impostos e etc., saiba que ao meu ver não há comparação, o estado é a melhor formar de nos proteger de nós mesmos."

    De novo uma lógica totalmente descabida. Olha só o que você está dizendo: é necessário que tenhamos uma milícia grande (o estado) para nos proteger de termos várias milícias pequenas atuando (pequenos estados). Grande ou pequeno faz diferença? Não faz o menor sentido. Mas eu entendo o teu pensamento, porque já vivi assim. Imagina uma milícia em cada cidade. Teremos um estado em cada cidade. Agora imagina as várias milícias se juntando e formando uma grande milícia. Continua o mesmo problema, concorda? Novamente, liberte-se!


  • Um observador  10/09/2014 16:14
    OK, mas em quem deveríamos votar?

    Não tem um que se salva.
  • Marcos  10/09/2014 22:19
    Embora o autor me pareça um tanto radical, toca em um ponto importantíssimo. Quanto maior o poder do estado, maior a corrupção. É realmente surreal que no Brasil se tente alcançar uma diminuição da corrupção por meio de uma "reforma moral" impossível de ser feita na mente dos políticos. Realmente se espera um santo paladino contra a corrupção, que vai nos remir e acabar com os desvios do estado. Essa mentalidade sebastianista é típica do brasileiro e rigorosamente sempre se mostra inútil. Seja o "caçador de marajás" ou "o partido da ética", sempre que se elege um messias anti-corrupção o que ocorre é simplesmente mais do mesmo.

    Só há alguma esperança para o brasileiro caso um dia perceba que não há messias ou passe de mágica. Os políticos em sua quase totalidade são desonestos e o sistema não funciona sem corrupção. O que dá para fazer é diminuir o tamanho do estado, cortando privilégios e janelas de oportunidade para a roubalheira. As funções que restarem ao estado serão mais bem fiscalizadas por causa de seu tamanho menor, e será criada uma tradição diferente da que existe hoje.

    Querer consertar corrupção mantendo o tamanho do estado é o mesmo que tentar enfrentar o alcoolismo indo a bares todo dia.
  • Mr. Magoo  11/09/2014 04:02
    No meu curriculum não gostaria de ser descrito como "moderado defensor da Liberdade".
    "Radical defensor da Liberdade" é melhor.
  • André Luiz  13/09/2014 04:03
    "Hum!? Quer dizer que você quer que o estado transfira para o indivíduo as responsabilidades para criação de riqueza e gerência da própria sociedade, mas não "engole" os artigos do site que defendem exatamente isso!?"

    Os artigos do site defendem a autonomia do indivíduo, mas determinadas passagens transbordam o limite do que deve ser considerado aceitável. Transferir para a autonomia individual a responsabilidade para a criação de riqueza e gerência da própria sociedade não quer dizer, por óbvio, dar um aval para qualquer negócio. Em um artigo do Mises tem-se o título: "Contra a legalização da prostituição, dos jogos e das drogas, e de tudo." Li o artigo, considerei interessante, basicamente é a idéia de que o Estado não deve se meter, nem para legalizar, nem para proibir, esses crimes, se bem que o autor focou mais na questão da prostituição. Concordo que a questão da prostituição o Estado pode se abster mesmo de intervir, e igualmente dos jogos; mas quando o problema recai sobre as drogas, principalmente no que se refere às drogas pesadas que submetem profundamente a subjetividade do indivíduo, o Estado deve se meter sim. Transferir para a responsabilidade individual a gerência da própria sociedade não quer dizer conceder um aval para o tráfico de drogas, para ficar em um exemplo concreto. Portanto, do meu ponto de vista deve existir leis impedindo essa forma de negócio.
    Liberdade não quer dizer ausência de obrigação. O que o Direito gosta muito de dizer é que em sociedade o indivíduo cede uma parte de sua liberdade em função de garantir determinados bens públicos. Aqui nesse ponto eu me refiro ao Estado atual, democrático e de direito. Tal concepção não significa que o Estado atua subtraindo a liberdade do indivíduo. É uma espécie de contrato em que, na verdade, se procura garantir uma forma organizada de sociedade, pois é em uma forma organizada de sociedade que a liberdade pode ser adequadamente expressa. O Estado Democrático de Direito é uma forma que pode ser questionada, você pode questionar também que o Estado é ineficiente, entretanto acredito que nós estamos progredindo nessa relação entre homem e estado.


    "Não. Você entendeu errado. O mercado não é uma "entidade" mágica. O mercado surge simplesmente da interação humana em um ambiente livre. Ponto. Não há mágica nisso, nem instituição física de espécie alguma, o que é diferente do estado, da ideia do estado, a qual é circunscrita e limitada."

    Concordo, o mercado surge em um ambiente livre. Nem está circunscrito. Esse mesmo mercado que surge de interações livres, vai exigir regras, pois essas interações livres precisam ser organizadas e previsíveis. O mercado necessita também de segurança. A segurança vem das leis. Em toda a história humana o homem buscou regular o seus negócios. Assim surgiu o Direito Civil, e posteriormente o Direito Comercial e Empresarial. Eu vejo que Estado e mercado andam juntos. A discussão deve centrar-se em que ponto o Estado lança seus tentáculos na Economia, e passa a ser excessivo, compressor, dificultando a própria geração de riqueza, e criatividade dos indivíduos integrantes da sociedade, como em um sistema socialista, ou tendente para este. A ideia deve ficar no Estado mínimo. Eu vejo que a discussão ausência de Estado, que ele é só ladrão, sai do foco.


    "De novo, entendeu errado. A sociedade livre será aquilo que seus indivíduos e as suas interações vão fazer dele. Se os indivíduos são depravados, a sociedade livre será depravada. Se os indivíduos forem trabalhadores, honestos, etc. (coloque aqui a virtude que queira) então a sociedade irá progredir."

    De fato, eu não entendi errado. As análises de forma geral dos artigos do Mises sustentam que se o Estado se mete, a população degringola; o Estado sai de cena, tudo começa a melhorar. Exatamente porque se exalta as características virtuosas do indivíduo. É como se o Estado reprimisse essas características virtuosas, e saindo de cena, as flores brotam. A prova é o artigo recente sobre "A maneira como ajudamos as pessoas não ajudam as pessoas". Não pretendo discutir questões específicas do artigo citado, mas apenas ressaltar o ângulo sobre o qual é visto sempre as análises, que é detonar o Estado como algo em essência sem valor, e que por isso só traz malefícios.
    A diminuição do Estado só tem sentido se libertar as forças criativas do indivíduo, para que efetivamente a sociedade progrida. Se de outro modo libertar forças não virtuosas de indivíduos depravados, qual a razão dessa liberdade vindo da não interferência estatal? Ora, uma sociedade de indivíduos depravados e preguiçosos não é sociedade livre.


    "Isso é fato. E não pode ser negado. Ou você fica feliz todo ano na hora de declarar o seu IR?"

    Eu fico tão feliz quanto pagar um seguro de carro, um seguro que não utilizo o benefício. E isso é fato. Eu não uso o meu seguro, pois os acidentes que eu tive, o valor do conserto foi abaixo do valor da franquia, e eu não fui roubado até o momento. Pago o seguro para ter aquela sensação difusa de segurança. Do mesmo modo o imposto, pago porque reconheço a necessidade de Administração geral. Você pode me questionar, mas você já não paga imposto, e o Estado não deveria lhe oferecer segurança? Com essa lógica você pretenderia afirmar que o Estado é ladrão, pois te obriga a pagar uma coisa que não lhe fornece. Eu posso lhe rebater que o contrato com a empresa de seguro só tem valor porque existe Estado que forneça segurança jurídica. Isso é possível por meio de órgão central que tem poder em determinado território. Se algum dia eu me acidentar e a empresa descumprir cláusulas contratuais, eu posso provocar a Justiça, e com certeza eu vou ganha..



    "Opa! Este site está cheio de artigos sobre a natureza e a serventia do estado. Dentre outras coisas, ele serve para estimular a corrupção, por exemplo (artigo desta semana), ou para proteger seus funcionários. Então, o estado serve sim para várias coisas. Só não serve para mim!"

    Isso eu me refiro a ter visão radical.

    "Correto. Mas veja bem, tem que ser eliminada a ideia do estado. Trocar de partido no poder não é acabar com o estado. Sempre a gente tem que lembrar isso porque as pessoas sempre acham que a gente quer é tomar o lugar. Nada mais falso. O libertário só quer não ser atrapalhado."

    Um comunista genuíno falaria que deveria ser eliminada a ideia de mercado.
    O problema é a visão que o Estado te atrapalha. O excesso de Estado atrapalha.


    "Ora, você não tornaria vilão o ladrão que te rouba?"

    Eu posso vê-lo momentaneamente como ladrão. Mas isso não quer dizer que eu acredito que ele é um ser destinado à ladroagem. Ora da forma como você quer por, é que o destino do Estado é naturalmente ser ladrão.

    "A esquerda tá acabada. É só uma questão de tempo. Sem o mercado a economia simplesmente entra em colapso. Os atuais governos vão dar o calote. É só uma questão de tempo, sendo que os da América Latina, fatalmente, serão os primeiros. A Argentina e a Venezuela já deram. Quando a coisa chegar na Europa (já chegou mas os alemães deram um jeitinho, parecendo coisa de brasileiro :)), pra valer, a coisa vai mudar. E, por isso mesmo, você não vai receber a aposentadoria que espera receber, nem os seus investimentos do tesouro direto em 2025!"

    Oh amigo como tu podes falar isso? Tais fora da casinha. Só no Brasil tivemos os últimos 12 anos de governo de esquerda. Desconsiderando o PSDB na década de 90, que flutua entre centro-esquerda e centro direita. A Marina deverá ser a próxima presidente, de esquerda. A América latina está sendo infestada por esquerda. Há pouco eu li um artigo no Mises, sobre como um governo atual de esquerda, no Chile, vem destruindo algumas conquistas liberais. Esse eu até achei bonzinho, porque é mais informativo e menos ideológico. A França tem um presidente de esquerda. Enquanto se fica vociferando contra a "entidade maligna Estado", a esquerda ocupa os espaços de poder, porque eles adoram o Estado.


    "Pois é. O que é ser radical? É radical divulgar que imposto é roubo? É radical dizer que o governo tá quebrado, o que é uma realidade? É radical dizer que a "guerra às drogas" não deu em nada, o que já está fartamente mostrado cada vez que a gente lê ou vê um jornal brasileiro? É radical defender a liberdade, coisa que foi/é a base, pelo menos é o que dizem, da sociedade ocidental? É radical defender a propriedade privada, propriedade esta adquirida pelo próprio trabalho e esforço?"

    Eu já te falei o que eu acho radical.
    Divulgar que o imposto é roubo não é divulgação, é doutrinação. Aqui você está querendo forçar uma idéia para que se encaixe na tua visão de mundo de que o Estado é repressor, por natureza. Divulgar que um Estado está quebrado, beleza, desde que não parta para conclusões descabidas, de que o Estado deve ser eliminado. Do mesmo modo, para defender a propriedade privada não é necessário acreditar na ausência de Estado.


    "Há inúmeros artigos no IMB que explicam cada um desses "direitos" e o porque a maioria deles simplesmente não é um direito! Direitos são, necessariamente, negativos. Um direito positivo implica na obrigação, por parte de terceiros, o que significa que algum direito natural deste terceiro será violado para que a obrigação seja efetivada. Como um direito deve ser universal, se não, não é direito, é privilégio, fácil ver que, se um "direito positivo" é inventado por alguém, somente um governo, que é o monopolista das leis, pode obrigar a terceiros que forneçam tal direito a alguém, ou seja, fatalmente ele não somente não estará garantindo os direitos dos seus cidadãos como estará, ele mesmo, negando e retirando tais direitos. Conclusão lógica: o que você chama de "direitos" nada mais são que privilégios que o estado concede a alguns em detrimento de outros."

    Você se referiu a maioria deles, mas não todos.
    O que o Direito gosta de dizer é tratar os iguais como iguais, e tratar os desiguais como desiguais. Isso quer dizer que esses direitos universais (negativos), reconhecidos (em lei) ao adquirirem materialidade devem considerar a questão das diferentes condições das pessoas. Ao se considerar as diferentes condições das pessoas surgem os direitos positivos, que nada mais é que a ação do Estado obrigando a si próprio, e as pessoas físicas e jurídicas contemplar esses direitos ditos universais no mundo concreto, através de ações.
    Isso que eu acabei de escrever pode gerar distorções, é a justificativa perfeita para favoritismos, como você se referiu. Exemplo: obrigar as Universidades a garantir quotas para pessoas da raça negra; taxar excessivamente grandes fortunas, com a preocupação de distribuição de renda. Nesses dois exemplos eu concordo contigo sobre favoritismo, e que a emenda vai sair pior que o soneto.
    Entretanto darei outros dois exemplos: o Estado obriga que os espaços públicos de forma geral sejam adaptados para pessoas aleijadas, que usam cadeiras de rodas. Direito positivo. Não devemos esperar que os espaços sejam naturalmente construídos e adaptados para essas minorias. Isso já pode ser reconhecido em lei e forçado, como de fato o é, para incentivar uma cultura. Outro exemplo: você é fumante, eu não. Nós estamos em um restaurante, e você resolve fumar. Entretanto o seu direito de fumar está invadindo o meu direito de não fumar. O que eu posso fazer, se você resolveu fumar? Eu posso pedir a você que não fume mais, e você educadamente apagar o cigarro; você pode não dar bola para o meu pedido, o que vai gerar dois possíveis comportamentos meus; eu me atracar com você, ou eu ir embora. O Estado obrigou que os estabelecimentos reservassem espaços públicos para fumantes, buscando um acordo entre esses dois direitos. São dois exemplos de Direito Positivo, estabelecidos em lei. Portanto nesses dois exemplos que eu forneci eu não considero privilégio.

    "Sobre a garantia da liberdade, como um direito negativo, ela existe por si só. É necessário que um terceiro me retire a liberdade, para que eu não possa usufruir desse direito. Então, não é necessário nenhum estado para me garantir algo que a natureza me dá de graça! E, para me defender de terceiros, basta o estado não interferir em outro direito natural, que é o direito a autodefesa."

    O fato de a natureza nos dar de graça, não quer dizer que não se tenha que organizar a sua aplicação. Exatamente porque nós vivemos em sociedade. O Estado foi a instituição que o homem criou, desde os primórdios, para, dentre outras coisas, contemplar esses direitos.
    Quanto ao direito à autodefesa, o Estado não interfere. Legítima Defesa é excludente de ilicitude. Isso quer dizer que se algum ladrão invadir a tua casa, e você se defender com os meios disponíveis, causando algum tipo de dano à integridade física dele, você estará isento. O que não é permitido é o excesso de Legítima Defesa, por exemplo, alguém lhe dá um soco e você revida com um tiro. É excesso de Legítima Defesa, e você poderá sofrer alguma sanção legal sim. O seu direito a autodefesa não lhe autoriza a usar de qualquer ação.

    "O que impede que a "sociedade", cidadãos livres e por iniciativa própria, crie instituições que garantam certas serviços sociais a quem não pode pagar por estes serviços? Há inúmeros artigos neste site que tratam da responsabilidade individual e da caridade como elementos fundamentais em uma sociedade livre.

    Sobre dignidade humana, há algumas considerações que devem ser feitas. O que é digno para o ser humano ontem? Hoje? O que será amanhã? Veja bem, a humanidade, pelo menos a parte que era tratada com "dignidade", viveu muito bem sem eletricidade, água encanada, escolas, esgotos etc, por milênios. Todos esses serviços, que foram inventados por capitalistas por causa de lucro - diga-se de passagem, e que compõe o que chamamos de a civilização moderna, somente entraram na história humana nos últimos 2 séculos.

    Então defina claramente o que é dignidade humana, aí podemos começar a conversar a respeito."


    Eu me referi à garantias sociais que eu acredito serem básicas, não caridade.
    Exemplo: eu já li em alguns artigos do Mises que o trabalho infantil é aceitável. Se aceita tudo pela "livre decisão" do indivíduo.
    Bom, vamos considerar na nossa sociedade Brasil, atualmente. Eu acredito que é prudente traçar um limite de idade a partir do qual se torna inaceitável o trabalho infantil. A Psicologia diz que a criança está em uma espécie de período crítico biológico para aprendizagem. Obviamente as crianças não vão ocupar atividades complexas, se trabalhar, pois não tem maturidade. O mais adequado, portanto, é ela estar em escolas, desenvolvendo relações sociais e adquirindo informações, para no futuro buscar se ajustar no mundo. Não quer dizer que não exista pessoas que trabalharam na infância e não se tornaram personalidades notáveis, e felizes. Esses exemplos não vem a desmerecer o trabalho da psicologia
    Outra coisa que me vem a mente é a jornada de trabalho prologandas. Até que ponto o desejo justo do lucro do empregador não invada a necessidade, também, justa do empregado de descanso? Como já está muito extenso e eu estou cansado, não vou me estender mais.
    São dois pontos sobre dignidade: trabalho infantil (sociedade brasileira), e jornadas muito exaustivas do empregado, poderiam ser considerados condições não dignas.

  • Andre Cavalcante  15/09/2014 04:17

    "Os artigos do site defendem a autonomia do indivíduo, mas determinadas passagens transbordam o limite do que deve ser considerado aceitável."

    E quem vai definir o que deve ser considerável aceitável? Você? Note bem, esse é ponto. Ou a autonomia fica com o indivíduo ou está fora dele. Se está fora dele é que outro alguém vai definir isso por ele. E a questão da responsabilidade individual? Você define o que é "melhor" para mim e ainda assim eu fico com a responsabilidade dos meus atos ou a responsabilidade passa para você? Percebe que, do jeito que é hoje, isto é, alguém definindo coisas de natureza absolutamente individuais em teu nome é que não está funcionando bem.

    "Transferir para a autonomia individual a responsabilidade para a criação de riqueza e gerência da própria sociedade não quer dizer, por óbvio, dar um aval para qualquer negócio."

    Perfeito, entre um e outro há duas coisas a considerar: responsabilidade individual e o direito do outro.

    "Em um artigo do Mises tem-se o título: "Contra a legalização da prostituição, dos jogos e das drogas, e de tudo." Li o artigo, considerei interessante, basicamente é a ideia de que o Estado não deve se meter, nem para legalizar, nem para proibir, esses crimes, se bem que o autor focou mais na questão da prostituição. Concordo que a questão da prostituição o Estado pode se abster mesmo de intervir, e igualmente dos jogos;"

    Você é favor que o estado não intervenha em prostituição e em jogos, coisas que qualquer religião simplesmente abomina em termos de degradação moral do indivíduo e do grupo em que ele está inserido. Guarde isso.

    "mas quando o problema recai sobre as drogas, principalmente no que se refere às drogas pesadas que submetem profundamente a subjetividade do indivíduo, o Estado deve se meter sim."

    Qual a diferença em ser adicto em cocaína ou na roleta? Do ponto de vista moral é a mesma queda. Por conseguinte, se queres manter coerência deves querer que o estado também se meta na questão dos jogos. Ou então deve não querer que o estado se meta na questão das drogas.

    Do ponto de vista utilitário, a religião (qualquer uma delas) faz um papel melhor que o estado em evitar esse tipo de mal moral individual, mesmo que nem sempre funcione.

    Percebe que a sua crença é relativista, isto é, depende de algum fator que não é explícito, é ambíguo (não se mantém em problemas da mesma classe) e, por conseguinte, não tem uma lógica única?


    "Transferir para a responsabilidade individual a gerência da própria sociedade não quer dizer conceder um aval para o tráfico de drogas, para ficar em um exemplo concreto."

    Pois é. Olhe só a (in)coerência. O "tráfico de drogas" só é tráfico porque o governo votou uma lei que diz que comercializar drogas é crime. Se o governo não se metesse, não seria crime, por tanto, não haveria tráfego. Percebe o raciocínio?

    "Portanto, do meu ponto de vista deve existir leis impedindo essa forma de negócio."

    Uai, e porque só essa forma de negócio? Porque não armas? Porque não crianças? Ooops, já existem leis contra tudo isso, mas simplesmente não funcionam, porque são leis que tentam barrar certos comportamentos individuais e, como todo mundo é santo, elas só valem para os outros, porque eu estou certo? Compreende?

    Mais ainda: porque não charutos, cigarros, bebidas, refrigerantes, batatinhas fritas, sucos artificias etc., já que todo tipo destes alimentos fazem algum mal para alguns indivíduos da sociedade? Ora, porque não proibir pão e tudo que contenha glúten? Há sempre alguém que "não pode cuidar de si mesmo" e, portanto, deve receber a proteção do estado. Compreende aonde leva o teu raciocínio?


    "Liberdade não quer dizer ausência de obrigação."

    Este site está simplesmente cheio de artigos que falam exatamente sobre isso! E, pasme, é o principal motivo de a liberdade ainda não ser amplamente requerida pelas pessoas. Toda liberdade requer responsabilidade pelos atos, portanto, obrigações. É como a lei de ação e reação, mas aplicada ao mundo moral/humano.


    "O que o Direito gosta muito de dizer é que em sociedade o indivíduo cede uma parte de sua liberdade em função de garantir determinados bens públicos."

    E é aqui onde está o equívoco do pensamento atual. O indivíduo sede uma parte de sua liberdade de ação não é para garantir nada de bens públicos, mas para evitar que ele retire ou limite a liberdade de ação do outro. Exemplo: uma fábrica se instala em um certo bairro. Começa a poluir o local. Ato contínuo, os moradores vão à justiça. O juiz vai dar ganho de causa aos moradores, porque o ar sobre o bairro era limpo antes da fábrica e, depois dela, passou a ser sujo (facilmente demonstrável por uma medição da quantidade de partículas ou pelo aumento do número de casos de doenças pulmonares na população atingida). Então, o ar, no bairro, pertencia aos moradores, por primeiro uso. Logo a fábrica será "obrigada", pela justiça, a colocar um filtro ou fazer algo para minimizar o impacto da poluição. Isto significa que a fábrica vai concordar em diminuir o seu direito de poluir, porque isso impacta no direito dos outros.

    "Aqui nesse ponto eu me refiro ao Estado atual, democrático e de direito. Tal concepção não significa que o Estado atua subtraindo a liberdade do indivíduo. É uma espécie de contrato em que, na verdade, se procura garantir uma forma organizada de sociedade, pois é em uma forma organizada de sociedade que a liberdade pode ser adequadamente expressa. O Estado Democrático de Direito é uma forma que pode ser questionada, você pode questionar também que o Estado é ineficiente, entretanto acredito que nós estamos progredindo nessa relação entre homem e estado."

    Eu nunca assinei o tal "contrato social". Você já assinou? Se não, não há contrato, correto? Ou o fato de nascermos em um país já, implicitamente, confere ao estado o direito sobre as nossas vidas? E se eu não concordar com os termos desse contrato? Percebe que é uma balela isso de contrato social? Um contrato é sempre entre indivíduos, mesmo que tal contrato seja implícito.


    "Concordo, o mercado surge em um ambiente livre. Nem está circunscrito. Esse mesmo mercado que surge de interações livres, vai exigir regras, pois essas interações livres precisam ser organizadas e previsíveis. O mercado necessita também de segurança. A segurança vem das leis. Em toda a história humana o homem buscou regular o seus negócios. Assim surgiu o Direito Civil, e posteriormente o Direito Comercial e Empresarial."

    Até aqui tudo bem. Porque se precisa de estado para impor regras? Por um acaso uma instituição jurídica não pode ser privada?


    "Eu vejo que Estado e mercado andam juntos."

    Não, o estado existe para suprimir o mercado. Sempre!


    "A discussão deve centrar-se em que ponto o Estado lança seus tentáculos na Economia, e passa a ser excessivo, compressor, dificultando a própria geração de riqueza, e criatividade dos indivíduos integrantes da sociedade, como em um sistema socialista, ou tendente para este. A ideia deve ficar no Estado mínimo. Eu vejo que a discussão ausência de Estado, que ele é só ladrão, sai do foco."

    O problema é que um estado mínimo é algo mais teórico que prático. Uma sociedade de direito privado, apesar de nunca ter sido tentada de maneira mais completa, talvez seja mais real. Se há um estado mínimo, você está dando a alguém o poder de tributar e decidir, ele mesmo, questões que lhe envolvem. Logicamente nunca ele vai definir uma questão contra si próprio. E, se o faz agora, é para ganhar mais na frente. Então, um estado mínimo virará gigante em uma questão apenas de tempo. Os EUA foram criados como um estado mínimo. Hoje eles tem o maior número de funcionários públicos do mundo! E não, a questão deve ser mais ampla, não apenas na questão econômica, se bem que, se ao menos fosse discutida a questão da liberdade econômica já seria uma boa, porque hoje, não se discute nada.


    "De fato, eu não entendi errado. As análises de forma geral dos artigos do Mises sustentam que se o Estado se mete, a população degringola; o Estado sai de cena, tudo começa a melhorar."

    Não necessariamente. Veja alguns artigos aqui no site que falam exatamente o contrário, que, em uma sociedade depravada, a saída de estado simplesmente vai exacerbar a situação. Para haver crescimento é preciso muitas coisas (é uma lei natural: a entropia sempre aumenta, isto é, a confusão é fácil e pode sempre piorar, mas a ordem requer energia, esforço etc.), dentre elas, leis sensatas, povo trabalhador e disciplinado, poupança, empreendedorismo, inovação e criatividade, etc.

    "Exatamente porque se exalta as características virtuosas do indivíduo. É como se o Estado reprimisse essas características virtuosas, e saindo de cena, as flores brotam."

    Para um povo com essas características virtuosas, sim, a saída do estado é benéfica. Na verdade é sempre benéfica, mas neste caso em particular, é muito benéfica.


    "A prova é o artigo recente sobre "A maneira como ajudamos as pessoas não ajudam as pessoas". Não pretendo discutir questões específicas do artigo citado, mas apenas ressaltar o ângulo sobre o qual é visto sempre as análises, que é detonar o Estado como algo em essência sem valor, e que por isso só traz malefícios."

    Mas o estado é, em essência, sem valor - nada produz na sociedade e vive parasiticamente dela. Se não houver impostos não haverá estado. E imposto é um roubo. Pense bem, se você roubar alguém tanto faz se esporadicamente ou assiduamente, você deve ser detido. Se uma empresa engana seus clientes, está fazendo uma fraude, portanto, deve ser fechada. Ora, tanto você, uma pessoa física, quanto uma empresa, uma pessoa jurídica, são instituições da sociedade como quaisquer outras. Porque você não admite estes comportamentos de todas as instituições e admite do estado, que nada mais é que uma outra instituição da sociedade?

    "A diminuição do Estado só tem sentido se libertar as forças criativas do indivíduo, para que efetivamente a sociedade progrida. Se de outro modo libertar forças não virtuosas de indivíduos depravados, qual a razão dessa liberdade vindo da não interferência estatal? Ora, uma sociedade de indivíduos depravados e preguiçosos não é sociedade livre."

    Exatamente, a saída do estado é sempre benéfica, mesmo para indivíduos depravados.

    Em uma sociedade ordeira, a saída do estado simplesmente desembaraça o que estava preso: a criatividade e as forças individuais.

    Se você considerar que os vícios também aprisionam o indivíduo, a saída do estado não vai tornar uma sociedade de indivíduos depravados em uma sociedade livre. No entanto, ao se acabar com o estado, cada um vai receber a sua parcela de responsabilidade pelos seus próprios atos. Então, indivíduos depravados tentem a ser alijados, pouco a pouco de uma sociedade livre, seja porque seus vícios os matam, seja porque eles não toleram as consequências de seus próprios atos e acabam por se modificar. Aliás, a existência de gente que se mantém no vício é maior justamente em uma situação em que o estado proíbe que seja demitido, em que recebe "auxílios" financeiros diretamente do estado etc. Sem isso, o auxílio que receberá será, muito provavelmente, de instituições religiosas que farão todo o possível para recuperar o indivíduo e torná-lo efetivamente um ente produtivo e moral.



    "Eu fico tão feliz quanto pagar um seguro de carro, um seguro que não utilizo o benefício."

    O que? Você está comparando algo que, se você não fizer, vai preso, com algo que, se você não fizer o máximo que pode acontecer é você pagar mais em caso de um acidente de carro? Cê só pode tá te brincadeira...

    "E isso é fato. Eu não uso o meu seguro, pois os acidentes que eu tive, o valor do conserto foi abaixo do valor da franquia, e eu não fui roubado até o momento."

    Ooops, você é roubado mensalmente pelo leão da receita, na fonte do salário e ainda tem que fazer a declaração anual sob pena de levar uma multa alta, se não o fizer, e ser considerado sonegador e, por fim, ser preso, se insistir em não fazer a tal declaração. Acho que você não tem consciência disso.

    Ah! sobre o seguro, bem se você não usa, porque paga? Você é obrigado a pagar seguro? Ou é por Prevenção?

    "Pago o seguro para ter aquela sensação difusa de segurança."

    Exatamente.

    "Do mesmo modo o imposto, pago porque reconheço a necessidade de Administração geral."

    Não. Você paga porque é obrigado. Diz aí, se fosse voluntário você pagaria o que atualmente recolhem de seu salário todo mês? Você poderia até recolher alguma coisa, mas jamais a quantidade que cobram hoje e isso somente até você perceber que o seu vizinho, que não recolhe, este ano vai de férias à Aruba e você não consegue descer a serra...

    Se tem empresa, então, você recolheria todo o ICMS que lhe cobram? Claro que não, porque o seu concorrente, que não vai recolher o ICMS voluntariamente, vai repassar para seus preços os descontos do não recolhimento e você, se recolher, vai ter que cobrar mais caro. Aí você não vai ter nenhum cliente e o seu concorrente vai ficar rindo da sua boa vontade para com a "Administração geral". Portanto, empresas não recolheriam, se fosse voluntário, por necessidade e pela concorrência.


    "Você pode me questionar, mas você já não paga imposto, e o Estado não deveria lhe oferecer segurança?"

    Jamais questionaria uma idiotice dessas. O estado recolhe imposto não é para fornecer segurança, mas para financiar os seus desmandos. Se você quisesse mais segurança, mesmo que difusa (e olha que o estado nem essa segurança difusa consegue fornecer) você contrataria um seguro patrimonial que englobasse sua casa, seu carro, seu trabalho, e as vias em que trafega, coisa que hoje não podes fazer porque é proibido pelo estado.


    "Com essa lógica você pretenderia afirmar que o Estado é ladrão, pois te obriga a pagar uma coisa que não lhe fornece."

    De novo, eu jamais pensaria assim, porque sei o que significa o estado. Você, talvez por ser novo nestas bandas, ainda não pensou suficientemente no assunto. O estado é ladrão e não porque não fornece os serviços que promete, mas somente pelo fato de cobrar impostos.


    "Eu posso lhe rebater que o contrato com a empresa de seguro só tem valor porque existe Estado que forneça segurança jurídica."

    Não, o que fornece segurança jurídica é o fato de todos concordarem que o contrato é uma lei e deve ser cumprida e, caso não seja, o fórum tal, definido no próprio contrato, é o mais adequado para dirimir eventuais desavenças. Isso tudo poderia muito bem ser feito de forma privada. Aliás, as custas dos processos, mesmo na justiça socializada do estado, já é paga como se a justiça fosse um ente privado.


    "Isso é possível por meio de órgão central que tem poder em determinado território. Se algum dia eu me acidentar e a empresa descumprir cláusulas contratuais, eu posso provocar a Justiça, e com certeza eu vou ganhar.."

    Tenta ganhar contra o próprio governo? Podes até ganhar, mas daqui a uns 20, 30 anos, quando a tal da sentença já não faz o menor sentido para você, nem pra mais ninguém.


    ""Opa! Este site está cheio de artigos sobre a natureza e a serventia do estado. Dentre outras coisas, ele serve para estimular a corrupção, por exemplo (artigo desta semana), ou para proteger seus funcionários. Então, o estado serve sim para várias coisas. Só não serve para mim!"

    Isso eu me refiro a ter visão radical."

    É radical defender a propriedade privada? É radical defender a liberdade? É radical sonhar em uma sociedade de justiça privada? É radical defender que não se pode roubar, matar, enganar os outros? Uns caras explodem dois aviões em Nova York e são chamados de radicais. O estado daquele lugar vai a forra e mata mais gente em uma guerra que já vai lá com 13 anos que as que morreram no referido ataque e ninguém diz que são "radicais" - estão apenas defendendo o seu "povo". Sim, o estado não serve para mim. Não serve para ninguém. Nem para você. Você só ainda não percebeu isso.


    "Um comunista genuíno falaria que deveria ser eliminada a ideia de mercado.
    O problema é a visão que o Estado te atrapalha. O excesso de Estado atrapalha."

    Qualquer quantidade de estado atrapalha. Você ainda não percebeu, mas é a instituição estado que atrapalha. No início dos tempos, eles se justificavam como deuses. Depois passaram a se justificar que tinham sangue nobre, tinham "direito de nascença" pelo trono. Hoje se justificam porque foram "escolhidos" pela maioria (mentirinha - um presidente é eleito no Brasil com um pouco mais de 50 milhões de votos, o que é menos de 1/4 da população, e isso se for muito bom de voto).


    "Ora, você não tornaria vilão o ladrão que te rouba?"

    Eu posso vê-lo momentaneamente como ladrão. Mas isso não quer dizer que eu acredito que ele é um ser destinado à ladroagem."

    Ok. Mas o que pensar de uma instituição que você sabe que vai te roubar sempre?

    "Ora da forma como você quer por, é que o destino do Estado é naturalmente ser ladrão."

    Não é o que eu quero por. É só olhar o que ele faz. Ele cobra impostos, logo, confisca uma parte da minha renda para manter-se - isso é o mesmo que roubar, ou roubo mudou de configuração?


    ""A esquerda tá acabada. É só uma questão de tempo. Sem o mercado a economia simplesmente entra em colapso. Os atuais governos vão dar o calote. É só uma questão de tempo, sendo que os da América Latina, fatalmente, serão os primeiros. A Argentina e a Venezuela já deram. Quando a coisa chegar na Europa (já chegou mas os alemães deram um jeitinho, parecendo coisa de brasileiro :)), pra valer, a coisa vai mudar. E, por isso mesmo, você não vai receber a aposentadoria que espera receber, nem os seus investimentos do tesouro direto em 2025!"

    Oh amigo como tu podes falar isso? Tais fora da casinha. Só no Brasil tivemos os últimos 12 anos de governo de esquerda. Desconsiderando o PSDB na década de 90, que flutua entre centro-esquerda e centro direita. A Marina deverá ser a próxima presidente, de esquerda. A América latina está sendo infestada por esquerda. Há pouco eu li um artigo no Mises, sobre como um governo atual de esquerda, no Chile, vem destruindo algumas conquistas liberais. Esse eu até achei bonzinho, porque é mais informativo e menos ideológico. A França tem um presidente de esquerda. Enquanto se fica vociferando contra a "entidade maligna Estado", a esquerda ocupa os espaços de poder, porque eles adoram o Estado."

    Tá chovendo no molhado. Eu sei que a esquerda está no poder no mundo hoje. Mas é uma questão econômica, ou melhor, uma lei econômica. Cada intervenção do estado na economia faz com que esta cresça menos. Cada novo imposto ou aumento de gastos do governo, faz com que seja necessário mais crescimento da economia justamente para cobrir aquele rombo provocado pelos governos mundo afora. Logo, é uma questão de tempo. Isso tudo vai ruir. Uma hora o estado estará tão gigante que não haverá livre iniciativa suficiente para sustentá-lo. Ele irá colapsar. É uma lei econômica. Ou você acha que o governo brasileiro, magicamente, vai pagar o deficit público que já é da ordem de 2 trilhões de reais, para uma arrecadação de 1,5 tri? Ou que o governo americano, cedo ou tarde, não vai dar o calote dos seus 13 tri de dólares?


    "Eu já te falei o que eu acho radical.
    Divulgar que o imposto é roubo não é divulgação, é doutrinação. Aqui você está querendo forçar uma idéia para que se encaixe na tua visão de mundo de que o Estado é repressor, por natureza. Divulgar que um Estado está quebrado, beleza, desde que não parta para conclusões descabidas, de que o Estado deve ser eliminado. Do mesmo modo, para defender a propriedade privada não é necessário acreditar na ausência de Estado."

    Primeiro, roubo é roubo. E roubo é crime desde os tempos de Moisés. O fato de uma instituição dizer que o que ela faz não é roubo, mesmo sendo, não significa que deixa menos de o ser.

    Segundo, o estado é repressor, por definição. Uma das possíveis definições de estado é esta: é o monopolista da jurisdição em determinado território. Corolário: se tem o monopólio da jurisdição, tem o poder de definir o que é lei. Se tem o poder de definir o que é lei, pode definir que é lei pagar tributos. Ora, para que ele exerça essa capacidade, a de cobrar tributos, só o pode fazer por meio da força. Ninguém vai abir mão de uma parte de seus ganhos voluntariamente e, como eu mostrei acima, nenhuma empresa vai poder fazer isso voluntariamente. Logo, o estado só pode existir porque usa de coerção. E esse é justamente o outro conceito que se tem de estado: Estado é a instituição que tem o respaldo legal de usar a força contra terceiros.


    "Você se referiu a maioria deles, mas não todos."

    Não, fui bem generalista.


    "O que o Direito gosta de dizer é tratar os iguais como iguais, e tratar os desiguais como desiguais. Isso quer dizer que esses direitos universais (negativos), reconhecidos (em lei) ao adquirirem materialidade devem considerar a questão das diferentes condições das pessoas. Ao se considerar as diferentes condições das pessoas surgem os direitos positivos, que nada mais é que a ação do Estado obrigando a si próprio, e as pessoas físicas e jurídicas contemplar esses direitos ditos universais no mundo concreto, através de ações."

    Bingo! E você não tinha dito que era uma radicalização minha achar que o estado só existe porque obriga as pessoas a fazerem o que elas não fariam de forma voluntária? Te peguei no duplipensar. Tudo bem, já estive assim também. Me curei lendo alguns dos artigos do site e meditando muito sobre eles. Faça o mesmo.

    Sobre os direitos universais, você mesmo respondeu porque os positivos não são direitos. É necessário uma instituição, que use da força para fazer com que ele próprio e as demais instituições da sociedade, isto é indivíduos e empresas, executem ações que permitam que certas pessoas passem a ter aquele direito. Logo, esses não são direitos universais, porque alguém ou não vai ter acesso a eles ou será obrigado a fornecer tal "direito", por que positivo. Ao se perder a característica de voluntarismo, um direito universal e negativo, que é o direito de propriedade de uns passa a ser sistematicamente atacado para que outros possam usufruir de direitos positivos. Ora, se uns recebem direitos que outros não, então não são direitos, mas privilégios, ou seja, recebem exceções às leis que valem para todos


    "Isso que eu acabei de escrever pode gerar distorções, é a justificativa perfeita para favoritismos, como você se referiu."

    Será sempre para favoritismo - lembre-se são privilégios, logo, favoritismos previstos em lei.

    "Exemplo: obrigar as Universidades a garantir quotas para pessoas da raça negra; taxar excessivamente grandes fortunas, com a preocupação de distribuição de renda. Nesses dois exemplos eu concordo contigo sobre favoritismo, e que a emenda vai sair pior que o soneto."

    Como todos os direitos positivos são privilégios, e todo privilégio vai ser uma redistribuição de renda.


    "Entretanto darei outros dois exemplos: o Estado obriga que os espaços públicos de forma geral sejam adaptados para pessoas aleijadas, que usam cadeiras de rodas. Direito positivo. Não devemos esperar que os espaços sejam naturalmente construídos e adaptados para essas minorias."

    Não necessariamente. Espaços adequados para o caminhante são quase sempre adequados para o cadeirante - com exceção de escadas. Espaços adequados para carrinhos de bebê, são igualmente adequados para cadeirantes. Os espaços tendem a ser adequados àqueles que o utilizam. Em uma empresa, a ergonomia manda que as linhas de produção se adéquem aos operários. Em um escritório, se há cadeirantes, os espaços naturalmente vão começar a ser adaptados para eles. Idem nas universidades. Percebe que os espaços problemáticos são somente os espaços "públicos"? Por que será?


    "Isso já pode ser reconhecido em lei e forçado, como de fato o é, para incentivar uma cultura."

    A única coisa boa dessa lei. De resto a cultura pode ser melhor incentivada com a propaganda adequado nos meios de comunicação.


    "Outro exemplo: você é fumante, eu não. Nós estamos em um restaurante, e você resolve fumar. Entretanto o seu direito de fumar está invadindo o meu direito de não fumar."

    Não necessariamente. O restaurante tem dono. Logo, ele decide que tipo de cliente ele quer. Se ele quiser fumantes, vai indicar que posso fumar no local e não estarei invadindo nenhum direito seu. Agora se o dono decidir que o seu restaurante é para não fumante, se eu fumar simplesmente estarei indo contra as regras e serei chamado a me retirar do ambiente.


    "O que eu posso fazer, se você resolveu fumar? Eu posso pedir a você que não fume mais, e você educadamente apagar o cigarro; você pode não dar bola para o meu pedido, o que vai gerar dois possíveis comportamentos meus; eu me atracar com você, ou eu ir embora."

    Isso porque não se tem respeito pelo direito de propriedade do dono do restaurante. Em casas privadas, direitos privados. Neste caso, o dono diz como deve ser. E caba a nós, clientes, se subordinar a ele.

    "O Estado obrigou que os estabelecimentos reservassem espaços públicos para fumantes, buscando um acordo entre esses dois direitos. São dois exemplos de Direito Positivo, estabelecidos em lei. Portanto nesses dois exemplos que eu forneci eu não considero privilégio."

    Não. São um privilégio sempre. Perceba que, se ele "obriga" o estabelecimento a reservar um espaço para fumantes, mesmo o dono sendo um não fumante e não querer este tipo de cliente, o estado está desrespeitando o direito de propriedade do dono e dando um privilégio para fumantes. O contrário também irá acontecer. Imagine que um dono de restaurante é fumante e aceita fumantes. O estado vai lá e diz: não se pode fumar em locais "públicos" (admitindo-se aqui que locais públicos são locais com aglomeração de pessoas não necessariamente da mesma família), então você vai ter que criar um espaço reservado para fumantes. Ora, isto é claramente um privilégio para não fumantes naquele restaurante.


    ""Sobre a garantia da liberdade, como um direito negativo, ela existe por si só. É necessário que um terceiro me retire a liberdade, para que eu não possa usufruir desse direito. Então, não é necessário nenhum estado para me garantir algo que a natureza me dá de graça! E, para me defender de terceiros, basta o estado não interferir em outro direito natural, que é o direito a autodefesa."

    O fato de a natureza nos dar de graça, não quer dizer que não se tenha que organizar a sua aplicação. Exatamente porque nós vivemos em sociedade."

    Errado de novo. Um direito negativo é direito de fato justamente porque não é necessário "organizar a sua aplicação". O direito é direito porque universal, então sua aplicação é simplesmente universal. Novamente, e parece que você não entendeu, eu tenho o direito, para perdê-lo é necessário que alguém use de coerção (de violência) para comigo. Exemplo: se eu nascer, estou vivo. Logo, tenho direito à vida. É necessário que um terceiro me retire a vida para eu não exercer esse direito.


    "O Estado foi a instituição que o homem criou, desde os primórdios, para, dentre outras coisas, contemplar esses direitos."

    Visão distorcida. O estado nasceu quando alguns acharam-se melhores que outros, ou os únicos que eram capazes de fornecer "segurança". No início se justificavam no poder por serem deuses ou filhos dos deuses. Depois porque tinham sangue nobre. Hoje porque são eleitos pela maioria.


    "Quanto ao direito à autodefesa, o Estado não interfere."

    Sim, quando interfere no porte de armas, por exemplo. Ou interfere na capacidade policial de uma instituição privada, que não pode fazer, ela mesma, inquérito sobre crimes, o que é de alçada somente da polícia institucionalizada pelo estado (claro, porque se entes privados passarem a fazer investigações e inquéritos com valor legal, em pouco tempo, ninguém chamaria mais polícia estatal, que não investiga e descobre nada, a não ser que alguém do grupo que te roubou dede um ao outro..., porque entidades privadas são muito mais competentes que suas correlatas públicas).


    "Legítima Defesa é excludente de ilicitude. Isso quer dizer que se algum ladrão invadir a tua casa, e você se defender com os meios disponíveis, causando algum tipo de dano à integridade física dele, você estará isento. O que não é permitido é o excesso de Legítima Defesa, por exemplo, alguém lhe dá um soco e você revida com um tiro. É excesso de Legítima Defesa, e você poderá sofrer alguma sanção legal sim. O seu direito a autodefesa não lhe autoriza a usar de qualquer ação."

    Perfeito. E porque não posso usar de legítima defesa contra o roubo do estado?


    "Eu me referi à garantias sociais que eu acredito serem básicas, não caridade.
    Exemplo: eu já li em alguns artigos do Mises que o trabalho infantil é aceitável. Se aceita tudo pela "livre decisão" do indivíduo."

    Na minha infância trabalho infantil era até estimulado. Incrível o que 20 anos de (aí sim) doutrinação socialista não fazem. Já pensou que o trabalho de aprendiz foi e é natural para os adolescentes? Que não tem melhor maneira de aprender do que realizando tarefas? O que deve ser combatido é a pobreza extrema que força a crianças trabalharem 8, 10 horas por dia para conseguir míseros reais, e que poderiam valer muito não fosse a política inflacionista do governo.

    "Bom, vamos considerar na nossa sociedade Brasil, atualmente. Eu acredito que é prudente traçar um limite de idade a partir do qual se torna inaceitável o trabalho infantil. A Psicologia diz que a criança está em uma espécie de período crítico biológico para aprendizagem. Obviamente as crianças não vão ocupar atividades complexas, se trabalhar, pois não tem maturidade. O mais adequado, portanto, é ela estar em escolas, desenvolvendo relações sociais e adquirindo informações, para no futuro buscar se ajustar no mundo."

    Lindo. Porque não há escolas de empresas, onde você aprende fazendo? Ainda me lembro de empresas que tinham isso na minha infância. Hoje, necas...

    "Não quer dizer que não exista pessoas que trabalharam na infância e não se tornaram personalidades notáveis, e felizes. Esses exemplos não vem a desmerecer o trabalho da psicologia
    Outra coisa que me vem a mente é a jornada de trabalho prologandas. Até que ponto o desejo justo do lucro do empregador não invada a necessidade, também, justa do empregado de descanso? Como já está muito extenso e eu estou cansado, não vou me estender mais.
    São dois pontos sobre dignidade: trabalho infantil (sociedade brasileira), e jornadas muito exaustivas do empregado, poderiam ser considerados condições não dignas."

    Você já parou para pensar porque as pessoas se sujeitam a essas situações "não dignas"?

    O problema é que tais condições estão intrinsecamente relacionadas ao desenvolvimento econômico da região considerada. Trabalho infantil em São Paulo (SP), em Manaus (AM) ou em Porto Alegre (RS), por exemplo, é trabalho de menor aprendiz, a partir de 12, 14 anos, e com acompanhamento, em geral, da escola e realizando em um ambiente em uma empresa grande. Já em Marabá (PA) ou Coari (AM), trabalho infantil é a prostituição. Jornada de trabalho em Manaus é de 8:30h com compensação no sábado. Jornada de trabalho nos canaviais cearenses é 14 horas por dia no período do corte da cana.

    Qual a diferença entre o corte de cana no Ceará e a extração de petróleo na Bacia de Campos? Produtividade do trabalho.

    Todas essas situações poderiam ser melhoradas melhorando-se a produtividade. A produtividade, contudo somente pode aumentar, aumentando-se o capital disponível para o trabalho, o que pode requerer treinamento do trabalhador para usar aquele capital disponível.

    O fato é que, independente da ganância do empregador ou da necessidade do trabalhador (ou sua "dignidade" como você coloca), tais condições estão relacionadas a uma lei econômica: o trabalho, assim como qualquer outro bem de capital disponível para se produzir algo, é um fator econômico na produção e está sujeito a lei de oferta e demanda, isto é, o preço do trabalho (o salário do trabalhador) e suas condições de trabalho, incluindo aí, horas de trabalho e salubridade/insalubridade do ambiente, são função da quantidade de trabalhadores disponíveis para efetuar determinado trabalho e a quantidade de trabalho disponível para estes trabalhadores.

    Todos os pontos acima levantados já haviam sido respondidos adequadamente por vários artigos deste site. Procure-se usando a caixa de pesquisas, digitando lá palavras chaves, como, por exemplo, Salários, Inflação, Direitos, etc. ou veja o histórico de artigos do site em: Aritgos




  • Eduardo Bellani  15/09/2014 12:09
    Transferir para a responsabilidade individual a gerência da própria
    sociedade não quer dizer conceder um aval para o tráfico de drogas,
    para ficar em um exemplo concreto.


    Óbviamente que quer dizer exatamente isso. Você só quer usar de
    violência pra impor sua moralidade. E como todo bom totalitário, se
    veste em roupas angelicais ao fazê-lo.

    Portanto, do meu ponto de vista deve existir leis impedindo essa
    forma de negócio.I


    Seu ponto de vista me parece como a poeira no chão de uma casa. Só
    serve pra dar trabalho pra alguém varrer ela pra fora.


    A segurança vem das leis.

    A segurança vem da capacidade de um indivíduo de impor sua vontade. E
    o mercado nasce de uma rede de confiança entre as pessoas, aos
    poucos.

    Eu vejo que a discussão ausência de Estado, que ele é só ladrão,
    sai do foco.


    Você confunde o mercado de arbitração, com o estado. Um código de leis
    não necessita de estado pra existir[1]. E o estado é um ente que se
    financia com fraude e roubo (inflação e impostos). Isso não é
    controverso, e se você tem alguma informação desmentindo isso,
    compartilhe-a.


    A diminuição do Estado só tem sentido se libertar as forças
    criativas do indivíduo, para que efetivamente a sociedade progrida. Se
    de outro modo libertar forças não virtuosas de indivíduos depravados,
    qual a razão dessa liberdade vindo da não interferência estatal? Ora,
    uma sociedade de indivíduos depravados e preguiçosos não é sociedade
    livre.


    A natureza humana não é necessariamente boa ou má. Ela é egoísta, auto
    interessada. E você novamente mostra que quer impor sua moralidade
    através da violência sistemática, como se algum tipo de ética pudesse
    ser imposta a força. Você é só mais um totalitário que não tem nem a
    coragem de se admitir como tal.


    porque existe Estado que forneça segurança jurídica

    Novamente, confunde um fornecedor monopolista com um mercado.[2] Vai
    estudar mais, aqui não é lugar pra amadores.

    Divulgar que o imposto é roubo não é divulgação, é
    doutrinação.


    Chamar um triangulo de quadrado não o tranforma num quadrado. As
    pessoas daqui lhe forneceram razões substanciais para justificar a
    posição de que o estado retira seu sustento a ponta de faca. Rebata-as
    ou fique em silêncio enquanto os adultos conversam.

    obrigando a si próprio

    Afirmação auto contraditória.

    pessoas aleijadas, que usam cadeiras de rodas. Direito
    positivo. Não devemos esperar que os espaços sejam naturalmente
    construídos e adaptados para essas minorias. Isso já pode ser
    reconhecido em lei e forçado, como de fato o é, para incentivar uma
    cultura.


    Característica normais dos totalitário covardes: usar os fracos como
    desculpa pra impor suas moraliades de escravo. Vire homem, deixe de
    usar desculpas e mostre sua cara.

    Outro exemplo: você é fumante, eu não. Nós estamos em um
    restaurante, e você resolve fumar. Entretanto o seu direito de fumar
    está invadindo o meu direito de não fumar. O que eu posso fazer, se
    você resolveu fumar? Eu posso pedir a você que não fume mais, e você
    educadamente apagar o cigarro; você pode não dar bola para o meu
    pedido, o que vai gerar dois possíveis comportamentos meus; eu me
    atracar com você, ou eu ir embora. O Estado obrigou que os
    estabelecimentos reservassem espaços públicos para fumantes, buscando
    um acordo entre esses dois direitos.


    Você e a sua lenga lenga estão buscando infringir o direito do dono do
    restaurante de servir a quem bem entende.


    Eu acredito que é prudente traçar um limite de idade a partir do
    qual se torna inaceitável o trabalho infantil. A Psicologia diz que a
    criança está em uma espécie de período crítico biológico para
    aprendizagem. Obviamente as crianças não vão ocupar atividades
    complexas, se trabalhar, pois não tem maturidade.


    Veja só, aleijados e crianças. Como seu coração é lindo, como você é
    bonito de alma, se importando com os mais fracos. Me derreto todo com
    essa demonstração jurídica de uma ética mais nobre. Minha calcinha se
    desfaz com tanta demonstração de bondade.

    Como eu disse antes, vire homem, seu moleque. Se quer defender a
    posição que suas idéias deveriam ser impostas a ferro e fogo a quem
    não concorda, diga isso sem usar crianças e aleijados como
    desculpa. Vá sacar sua moralidade de escravo pra outros.


    [1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Lex_mercatoria
    [2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_polic%C3%AAntrica
  • anônimo  15/09/2014 14:31
    Senti falta das respostas de Eduardo Bellani...
  • Andre Luiz  17/09/2014 22:05
    André Calvacanti, serei sucinto nas respostas. Espero que ela seja virtualizada para que todos vejam. Não pretenderei mais me alongar na discussão. Um abraço.

    "E quem vai definir o que deve ser considerável aceitável? Você? Note bem, esse é ponto. Ou a autonomia fica com o indivíduo ou está fora dele. Se está fora dele é que outro alguém vai definir isso por ele. E a questão da responsabilidade individual? Você define o que é "melhor" para mim e ainda assim eu fico com a responsabilidade dos meus atos ou a responsabilidade passa para você? Percebe que, do jeito que é hoje, isto é, alguém definindo coisas de natureza absolutamente individuais em teu nome é que não está funcionando bem."

    Você tem um conceito distorcido de autonomia do indivíduo. A autonomia do indivíduo não é só um bem do indivíduo. O indivíduo está inserido em sociedade. E porque você está inserido em sociedade, você precisa fazer determinadas coisas que são exigências sociais. Algumas dessas exigências são expressas em lei. Isso não é retirar a autonomia do indivíduo, é considera-la de um ponto de vista mais amplo.

    "Você é favor que o estado não intervenha em prostituição e em jogos, coisas que qualquer religião simplesmente abomina em termos de degradação moral do indivíduo e do grupo em que ele está inserido. Guarde isso.".
    Que mané religião rapaz? É possível mensurar os danos concretos do que cada uma dessas atividades provoca.

    "Qual a diferença em ser adicto em cocaína ou na roleta? Do ponto de vista moral é a mesma queda. Por conseguinte, se queres manter coerência deves querer que o estado também se meta na questão dos jogos. Ou então deve não querer que o estado se meta na questão das drogas.".

    Errada essa tua conclusão. Ela é proveniente de uma pessoa extremista, que quer relativizar tudo em nome de uma suposta liberdade.
    Se você considerar que as drogas tem um poder destrutivo maior que os jogos, traz embutido uma ameaça maior a determinados bens públicos, ou bens que a sociedade como um todo confere maior valor, entenderá a minha opinião(liberdade e vida, por exemplo) . A vida é um dos bens que a sociedade confere mais valor, por consequência as pessoas que ameaçam a vida sofrem uma sanção penal maior. Isso tudo está dentro da coerência do Direito. Entretanto deve ser debatido e desenvolvido estudos. Isso é lógico.

    "Mais ainda: porque não charutos, cigarros, bebidas, refrigerantes, batatinhas fritas, sucos artificias etc., já que todo tipo destes alimentos fazem algum mal para alguns indivíduos da sociedade? Ora, porque não proibir pão e tudo que contenha glúten? Há sempre alguém que "não pode cuidar de si mesmo" e, portanto, deve receber a proteção do estado. Compreende aonde leva o teu raciocínio?"
    Esse é o teu raciocínio. Eu não levaria o meu raciocínio a um pensamento idiota como esse. E nem um argumento novo é. Eu já li esse argumento de malucos que defendem tráfico de drogas. Tu queres relativizar tudo, jogando tudo no mesmo saco. A questão está respondida acima. Há coisas que devem ser separadas, pois causam uma maior ameaça ao bem público. É simples assim.

    "Este site está simplesmente cheio de artigos que falam exatamente sobre isso! E, pasme, é o principal motivo de a liberdade ainda não ser amplamente requerida pelas pessoas. Toda liberdade requer responsabilidade pelos atos, portanto, obrigações. É como a lei de ação e reação, mas aplicada ao mundo moral/humano.".
    E no momento que você aplica no mundo moral e humano, você contempla na lei. A lei não está separada da moral humana. Quem aplica a lei é o Estado. A evolução concreta na história levou o Estado a monopolizar as leis.
    "E é aqui onde está o equívoco do pensamento atual. O indivíduo sede uma parte de sua liberdade de ação não é para garantir nada de bens públicos, mas para evitar que ele retire ou limite a liberdade de ação do outro. Exemplo: uma fábrica se instala em um certo bairro. Começa a poluir o local. Ato contínuo, os moradores vão à justiça. O juiz vai dar ganho de causa aos moradores, porque o ar sobre o bairro era limpo antes da fábrica e, depois dela, passou a ser sujo (facilmente demonstrável por uma medição da quantidade de partículas ou pelo aumento do número de casos de doenças pulmonares na população atingida). Então, o ar, no bairro, pertencia aos moradores, por primeiro uso. Logo a fábrica será "obrigada", pela justiça, a colocar um filtro ou fazer algo para minimizar o impacto da poluição. Isto significa que a fábrica vai concordar em diminuir o seu direito de poluir, porque isso impacta no direito dos outros.".
    No momento que o Estado retira ou limita a liberdade de ação do outro, ele está garantindo determinados bens públicos. Bens considerados públicos são superiores aos bens privados em nossa Constituição. E em todas as outras do mundo. Os bens no mundo jurídico têm diferentes valores. Os bens mais valorizados, como vida, propriedade, liberdade, tem status público, também. Transcendem a pura liberdade individual. Então é da autonomia da Administração exercer determinada coação, em nome de garantir esses bens. É a vida. Goste você ou não. Mas importante, se a Administração cometer abuso, cabe ação contra ela. Do mesmo modo, nós elegemos os representantes periodicamente. Em última análise é a população a detentora dessa autonomia da Administração. Aqui no Brasil.
    Eu nunca assinei o tal "contrato social". Você já assinou? Se não, não há contrato, correto? Ou o fato de nascermos em um país já, implicitamente, confere ao estado o direito sobre as nossas vidas? E se eu não concordar com os termos desse contrato? Percebe que é uma balela isso de contrato social? Um contrato é sempre entre indivíduos, mesmo que tal contrato seja implícito.
    O Contrato é um vínculo obrigacional antes de tudo. Não precisa, necessariamente, de assinatura. E qual a diferença se existisse uma sociedade sem Estado? Você estaria submetido de qualquer jeito às relações privadas que imporiam uma determinada norma de conduta. Há sim, mas em uma sociedade sem Estado nós não pagaríamos impostos. Grandes coisas...

    "Até aqui tudo bem. Porque se precisa de estado para impor regras? Por um acaso uma instituição jurídica não pode ser privada?".
    Porque um dos fundamentos do Estado é exercer o Poder em certo espaço geográfico. Esse Poder é conferido (democraticamente ou não) pela população desse território. Não vemos a população se rebelando contra o Estado em si. Portanto ele mantém a legitimidade para ditar as regras.

    "Não, o estado existe para suprimir o mercado. Sempre!".
    Reitero que o excesso de Estado é o problema.
    "O problema é que um estado mínimo é algo mais teórico que prático. Uma sociedade de direito privado, apesar de nunca ter sido tentada de maneira mais completa, talvez seja mais real. Se há um estado mínimo, você está dando a alguém o poder de tributar e decidir, ele mesmo, questões que lhe envolvem. Logicamente nunca ele vai definir uma questão contra si próprio. E, se o faz agora, é para ganhar mais na frente. Então, um estado mínimo virará gigante em uma questão apenas de tempo. Os EUA foram criados como um estado mínimo. Hoje eles tem o maior número de funcionários públicos do mundo! E não, a questão deve ser mais ampla, não apenas na questão econômica, se bem que, se ao menos fosse discutida a questão da liberdade econômica já seria uma boa, porque hoje, não se discute nada.".
    Talvez seja mais real... O homem cria muita coisa na sua cabeça que parece ser lógica...
    Se o Estado mínimo é teórico, como você diz, sociedade sem estado é uma fantasia.

    "Veja alguns artigos aqui no site que falam exatamente o contrário, que, em uma sociedade depravada, a saída de estado simplesmente vai exacerbar a situação.".
    Pombas, primeiro tu falas isso aqui em cima.
    Depois:
    "Exatamente, a saída do estado é sempre benéfica, mesmo para indivíduos depravados."
    Qual é exatamente o certo?
    Se a saída do Estado pode exacerbar vícios dos indivíduos, então não dá para sustentar, que o Estado é em essência sem valor, como tu sustentas. É essa uma das justificativas do Estado, é coagir os vícios dos indivíduos.

    "Se você considerar que os vícios também aprisionam o indivíduo, a saída do estado não vai tornar uma sociedade de indivíduos depravados em uma sociedade livre. No entanto, ao se acabar com o estado, cada um vai receber a sua parcela de responsabilidade pelos seus próprios atos. Então, indivíduos depravados tentem a ser alijados, pouco a pouco de uma sociedade livre, seja porque seus vícios os matam, seja porque eles não toleram as consequências de seus próprios atos e acabam por se modificar.".
    Aqui colega tu estais fazendo uma abstração teórica, e não visualiza que a forma que o homem procurou para resolver os seus conflitos, satisfazer suas pretensões diante do outro passou por fases durante a História. Isso que tu estais pondo, a autotutela, foi regime que existia lá nas sociedades primitivas. Milênios a. C. Esse regime era caracterizado por vingança privada, e imposição das decisões a força (lei do mais forte). Depois veio a autocomposição, regime de eleger árbitros para solucionar conflitos. A autocomposição vigorou no Império Romano, por exemplo, e o Estado tinha pouca participação na solução de litígios. Com o tempo o Estado foi se afirmando e impondo-se aos particulares. A verdade é que esta foi a evolução concreta histórica. No futuro, talvez o homem mude sua relação com o Estado. Talvez retorne mais aos mecanismos de autocomposição, como de fato já vem acontecendo, mas a presença do Estado ainda vai ser importante.

    "Mas o estado é, em essência, sem valor - nada produz na sociedade e vive parasiticamente dela. Se não houver impostos não haverá estado. E imposto é um roubo. Pense bem, se você roubar alguém tanto faz se esporadicamente ou assiduamente, você deve ser detido. Se uma empresa engana seus clientes, está fazendo uma fraude, portanto, deve ser fechada. Ora, tanto você, uma pessoa física, quanto uma empresa, uma pessoa jurídica, são instituições da sociedade como quaisquer outras. Porque você não admite estes comportamentos de todas as instituições e admite do estado, que nada mais é que uma outra instituição da sociedade?".
    E imposto é roubo. Imposto é roubo. Imposto é roubo... Você está fixado nessa ideia. E tenta persuadir os outros com argumentos falsos. O imposto é uma obrigação. Essa é a definição mais adequada. Em obrigação há o devedor (nesse caso pessoas físicas e jurídicas), o credor (nesse caso o Estado), e o vínculo obrigacional. Atente bem: no momento que eu vejo como uma obrigação, eu estou considerando que o Estado me prestou algum tipo de serviço. Se o serviço é precário ou não é precário é outra história. Portanto eu não tenho a noção que o Estado é em essência parasítico. Essa concepção de Estado é ideológica. É o transbordar os limites que eu me referi.

    "Ooops, você é roubado mensalmente pelo leão da receita, na fonte do salário e ainda tem que fazer a declaração anual sob pena de levar uma multa alta, se não o fizer, e ser considerado sonegador e, por fim, ser preso, se insistir em não fazer a tal declaração. Acho que você não tem consciência disso. "
    Blá-blá-blá.. Tem muita gente que tem cabeça inflada aqui.
    "Jamais questionaria uma idiotice dessas. O estado recolhe imposto não é para fornecer segurança, mas para financiar os seus desmandos. Se você quisesse mais segurança, mesmo que difusa (e olha que o estado nem essa segurança difusa consegue fornecer) você contrataria um seguro patrimonial que englobasse sua casa, seu carro, seu trabalho, e as vias em que trafega, coisa que hoje não podes fazer porque é proibido pelo estado.".
    Idiotice é ficar repetindo que o imposto é roubo. Você tem que se preocupar com os desmandos do Estado quando ele interferir, por exemplo, na tua liberdade de dizer que o Estado é um desmando.

    "De novo, eu jamais pensaria assim, porque sei o que significa o estado. Você, talvez por ser novo nestas bandas, ainda não pensou suficientemente no assunto. O estado é ladrão e não porque não fornece os serviços que promete, mas somente pelo fato de cobrar impostos."
    E quais bandas cara pálida?
    Você pode falar que os agentes do Estado são ladrões. Quando você diz que o Estado é ladrão você está querendo corrompe-lo. É igual a um comunista faz. Ele quer corromper o sistema capitalista. O Estado, assim como o sistema capitalista, são feitos por homens, e tem virtudes e defeitos. O problema é que vocês tem uma ideologia no cabeção.

    "É radical defender a propriedade privada? É radical defender a liberdade? É radical sonhar em uma sociedade de justiça privada? É radical defender que não se pode roubar, matar, enganar os outros? Uns caras explodem dois aviões em Nova York e são chamados de radicais. O estado daquele lugar vai a forra e mata mais gente em uma guerra que já vai lá com 13 anos que as que morreram no referido ataque e ninguém diz que são "radicais" - estão apenas defendendo o seu "povo". Sim, o estado não serve para mim. Não serve para ninguém. Nem para você. Você só ainda não percebeu isso.".
    E você não percebeu que não defende a liberdade. Simplesmente porque pode haver sociedade estatal com mais liberdade em relação a uma sociedade sem estado. Apesar de essa ser uma comparação não apropriada porque não existe/existiu local sem estado. A única coisa que existe em relação a isso, atualmente, é lá no oriente, Iraque, Síria, que há territórios nesses países que o Estado está vazio, pois foi dominado por gangues religiosas que impõe suas regras.
    O que eu acho radical é isso que está nesse artigo que fala sobre a corrupção : "Quando eleito, um político irá se esforçar para garantir seus interesses e os interesses de seus financiadores da melhor forma possível."
    Até aí tudo bem. Mas olha o pulo do gato do cara:
    "Para que mais serve um governo? Governo é roubo. Governo é corrupção.".

    "Não é o que eu quero por. É só olhar o que ele faz. Ele cobra impostos, logo, confisca uma parte da minha renda para manter-se - isso é o mesmo que roubar, ou roubo mudou de configuração?"
    Sim, ele cobra imposto, ele cobra imposto, ele cobra imposto... E imposto é roubo, roubo e roubo... Uma inverdade repetida mil vezes se torna verdade.

    "Tá chovendo no molhado. Eu sei que a esquerda está no poder no mundo hoje. Mas é uma questão econômica, ou melhor, uma lei econômica. Cada intervenção do estado na economia faz com que esta cresça menos. Cada novo imposto ou aumento de gastos do governo, faz com que seja necessário mais crescimento da economia justamente para cobrir aquele rombo provocado pelos governos mundo afora. Logo, é uma questão de tempo. Isso tudo vai ruir. Uma hora o estado estará tão gigante que não haverá livre iniciativa suficiente para sustentá-lo. Ele irá colapsar. É uma lei econômica. Ou você acha que o governo brasileiro, magicamente, vai pagar o deficit público que já é da ordem de 2 trilhões de reais, para uma arrecadação de 1,5 tri? Ou que o governo americano, cedo ou tarde, não vai dar o calote dos seus 13 tri de dólares?".
    Tomara que estejas certo. Que a esquerda no futuro tenha menos força. E que tenhamos um Estado mais diminuto. E isso com certeza tende a evitar corrupções e ingerências, não acabar, mas diminuir a possibilidade. A corrupção está muito associado a um Estado mamute.
    "Segundo, o estado é repressor, por definição. Uma das possíveis definições de estado é esta: é o monopolista da jurisdição em determinado território. Corolário: se tem o monopólio da jurisdição, tem o poder de definir o que é lei. Se tem o poder de definir o que é lei, pode definir que é lei pagar tributos. Ora, para que ele exerça essa capacidade, a de cobrar tributos, só o pode fazer por meio da força. Ninguém vai abir mão de uma parte de seus ganhos voluntariamente e, como eu mostrei acima, nenhuma empresa vai poder fazer isso voluntariamente. Logo, o estado só pode existir porque usa de coerção. E esse é justamente o outro conceito que se tem de estado: Estado é a instituição que tem o respaldo legal de usar a força contra terceiros."
    Eu tenho outro conceito de Estado:
    O Estado é uma instituição organizada política, social e judicialmente, dotada de personalidade jurídica de Direito Público, submetido às normas estipuladas pela matéria, que no Brasil é a Constituição escrita e dirigida por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como externamente. (CARVALHO, Matheus, 2014, p.29).
    "Não, fui bem generalista."
    Você escreveu isso aqui quanto ao Direito Positivo:
    "Há inúmeros artigos no IMB que explicam cada um desses "direitos" e o porque a maioria deles simplesmente não é um direito!"
    Depois:
    "Será sempre para favoritismo - lembre-se são privilégios, logo, favoritismos previstos em lei."
    Primeiro você põe que a maioria deles não é um direito. Então nesse caso deixa margens para exceções. E se há exceções, é possível tirar a conclusão que determinados direitos positivos são "direitos reais", portanto não é favoritismo.
    Depois diz que sempre é favoritismo e privilégio.
    E depois fica apontando contradições nos outros.
    "Não necessariamente. Espaços adequados para o caminhante são quase sempre adequados para o cadeirante - com exceção de escadas. Espaços adequados para carrinhos de bebê, são igualmente adequados para cadeirantes. Os espaços tendem a ser adequados àqueles que o utilizam. Em uma empresa, a ergonomia manda que as linhas de produção se adéquem aos operários. Em um escritório, se há cadeirantes, os espaços naturalmente vão começar a ser adaptados para eles. Idem nas universidades. Percebe que os espaços problemáticos são somente os espaços "públicos"? Por que será?"
    O espaço não tem que ser adequado depois que surgem os problemas. O espaço já deve ser adequado antes. É igual a um problema de incêndio. Depois que surge um incêndio, que possivelmente cause danos às pessoas, você faz as adequações de segurança necessária?
    Se você considerar que um espaço não adequado pode causar um dano a mobilidade do cadeirante, mesmo que ele vá eventualmente a determinado local, então por que não prevenir que os espaços sejam mais adequados?
    "A única coisa boa dessa lei. De resto a cultura pode ser melhor incentivada com a propaganda adequado nos meios de comunicação.".
    Pode ser feito com os dois. A propaganda não é um mecanismo tão eficiente de convencer as pessoas. Se eu resolver fumar cigarro agora eu fumo, apesar de toda a propaganda contrária. A lei é um mecanismo mais coativo.
    "Não necessariamente. O restaurante tem dono. Logo, ele decide que tipo de cliente ele quer. Se ele quiser fumantes, vai indicar que posso fumar no local e não estarei invadindo nenhum direito seu. Agora se o dono decidir que o seu restaurante é para não fumante, se eu fumar simplesmente estarei indo contra as regras e serei chamado a me retirar do ambiente.".
    Sim, como era antes da Lei na maioria dos estabelecimentos, para falar concretamente? Fumantes e não fumantes ficavam no mesmo espaço. Implicitamente a maioria dos locais era para fumantes. E os nãos fumantes tinham que conviver com os fumantes, porque era de forma geral assim. O dono não decidia as coisas, tudo estava misturado. Era cultural.
    Por outro lado, é improvável que o dono decida em favor dos não fumantes, ou seja, que crie essa regra impedindo de entrar fumantes. Porque existe o potencial de perder clientela. Ele vai preferir atrair os dois tipos de clientes, fumantes e não fumantes. Ele vai estar mais preocupado com os lucros dele, o que é normal, pois é um empresário, do que com questões de saúde.
    "Isso porque não se tem respeito pelo direito de propriedade do dono do restaurante. Em casas privadas, direitos privados. Neste caso, o dono diz como deve ser. E caba a nós, clientes, se subordinar a ele."
    O direito de propriedade não é absoluto em nossa Constituição. E nem em nenhuma Constituição do mundo. Não obstante ele ser um dos bens que mais se confere valor. E não é absoluto exatamente para não dar o ensejo para malucos criar uma espécie de jurisdição própria no seu espaço.
    "Não. São um privilégio sempre. Perceba que, se ele "obriga" o estabelecimento a reservar um espaço para fumantes, mesmo o dono sendo um não fumante e não querer este tipo de cliente, o estado está desrespeitando o direito de propriedade do dono e dando um privilégio para fumantes. O contrário também irá acontecer. Imagine que um dono de restaurante é fumante e aceita fumantes. O estado vai lá e diz: não se pode fumar em locais "públicos" (admitindo-se aqui que locais públicos são locais com aglomeração de pessoas não necessariamente da mesma família), então você vai ter que criar um espaço reservado para fumantes. Ora, isto é claramente um privilégio para não fumantes naquele restaurante."
    Cara, isso que tu estais falando não tem nada a ver. A Lei não vai impedir o dono de fazer as coisas. Se o dono não quer não fumante, ele que decida. Se ele quer expulsar os fumantes, igualmente. Escolha seu cliente. O estabelecimento é dele. Por que os donos não fizeram ainda isso? Mas desde o momento que eles aceitem os dois tipos de clientes, eles terão que aceitar essa norma. Se não existisse a norma, seria um privilégio para os fumantes.
    "Errado de novo. Um direito negativo é direito de fato justamente porque não é necessário "organizar a sua aplicação". O direito é direito porque universal, então sua aplicação é simplesmente universal. Novamente, e parece que você não entendeu, eu tenho o direito, para perdê-lo é necessário que alguém use de coerção (de violência) para comigo. Exemplo: se eu nascer, estou vivo. Logo, tenho direito à vida. É necessário que um terceiro me retire a vida para eu não exercer esse direito"
    No momento que a vida é ameaçada por terceiro, como você se referiu, é necessário organizar a aplicação. Sem mais enrolações...
    "Visão distorcida. O estado nasceu quando alguns acharam-se melhores que outros, ou os únicos que eram capazes de fornecer "segurança". No início se justificavam no poder por serem deuses ou filhos dos deuses. Depois porque tinham sangue nobre. Hoje porque são eleitos pela maioria.".
    Eu devo ter visão distorcida de tudo.
    O Estado nasceu porque o homem tem necessidade de organização política. O Estado representa uma luta histórica do homem por formas cada vez mais democráticas de poder. Visto em um aspecto geral, desde a Antiguidade até os tempos contemporâneos.


    Quanto ao direito à autodefesa, o Estado não interfere.

    "Sim, quando interfere no porte de armas, por exemplo. Ou interfere na capacidade policial de uma instituição privada, que não pode fazer, ela mesma, inquérito sobre crimes, o que é de alçada somente da polícia institucionalizada pelo estado (claro, porque se entes privados passarem a fazer investigações e inquéritos com valor legal, em pouco tempo, ninguém chamaria mais polícia estatal, que não investiga e descobre nada, a não ser que alguém do grupo que te roubou dede um ao outro..., porque entidades privadas são muito mais competentes que suas correlatas públicas).".

    Mas quem tem porte de armas, está necessariamente querendo a autodefesa? Considerando que as armas que mais se matam em cenários de violência são principalmente armas de pequeno porte.
    Quanto à interferência na capacidade policial de investigação de empresas privadas, poderia se dizer muitas coisas, mas vou resumir: o inquérito é uma formalidade pública que deve ser feito segundo determinados procedimentos legais, e não de forma arbitrária por uma empresa. Se for feito de forma arbitrária aí sim será coercitivo. Determinadas atribuições do Estado não dá para se relativizar, e o Poder de Polícia é uma.
    "Na minha infância trabalho infantil era até estimulado. Incrível o que 20 anos de (aí sim) doutrinação socialista não fazem. Já pensou que o trabalho de aprendiz foi e é natural para os adolescentes? Que não tem melhor maneira de aprender do que realizando tarefas? O que deve ser combatido é a pobreza extrema que força a crianças trabalharem 8, 10 horas por dia para conseguir míseros reais, e que poderiam valer muito não fosse a política inflacionista do governo.".
    Correto.
    Lindo. Porque não há escolas de empresas, onde você aprende fazendo? Ainda me lembro de empresas que tinham isso na minha infância. Hoje, necas...
    Correto igualmente.
    Eu não sou contrário a escolas de empresas, muito pelo contrário.
    "Você já parou para pensar porque as pessoas se sujeitam a essas situações "não dignas?
    O problema é que tais condições estão intrinsecamente relacionadas ao desenvolvimento econômico da região considerada. Trabalho infantil em São Paulo (SP), em Manaus (AM) ou em Porto Alegre (RS), por exemplo, é trabalho de menor aprendiz, a partir de 12, 14 anos, e com acompanhamento, em geral, da escola e realizando em um ambiente em uma empresa grande. Já em Marabá (PA) ou Coari (AM), trabalho infantil é a prostituição. Jornada de trabalho em Manaus é de 8:30h com compensação no sábado. Jornada de trabalho nos canaviais cearenses é 14 horas por dia no período do corte da cana.".
    Concordo com você que depende das condições intrínsecas do local. Mas não quer dizer que não se possa exigir condições mínimas. É óbvio, atendendo as condições particulares do local.
    Ou que se deva aceitar tudo?
    Não sou eu, por lógica, que vai dizer o que se deve ou não ser aceito. Mas a sociedade como um todo. Quando eu me referi que é prudente traçar um limite de idade a partir do qual se torna inaceitável o trabalho infantil, eu não pretendi ser rígido, apesar do termo inaceitável. O problema é que tem pessoas (não me refiro a você) aqui que tem mentes inflacionadas, e parece que tem uma convulsão no teclado.
    E quanto ao trabalho de menor aprendiz, eu já tinha conhecimento e via com bons olhos isso.
  • Andre Cavalcante  18/09/2014 16:08
    Xará, fizeste uma salada grande com o que eu coloquei. Tudo bem, erro meu que havia colocado coisas demais em uma simples sessão de comentários.

    Então para remediar, vou me ater somente a um único ponto. Os outros, deixo para pesquisa em vários dos artigos do site.

    "Você tem um conceito distorcido de autonomia do indivíduo. A autonomia do indivíduo não é só um bem do indivíduo. O indivíduo está inserido em sociedade. E porque você está inserido em sociedade, você precisa fazer determinadas coisas que são exigências sociais. Algumas dessas exigências são expressas em lei. Isso não é retirar a autonomia do indivíduo, é considera-la de um ponto de vista mais amplo."

    Do dicionário:

    au·to·no·mi·a
    (grego autonomía, liberdade para usar leis próprias, independência)
    substantivo feminino

    1. Faculdade de um país conquistado ou de uma região administrativa de se administrar por suas próprias leis.

    2. Independência administrativa em relação a um poder central.

    3. Liberdade moral ou intelectual.

    4. Distância que pode percorrer ou tempo que pode permanecer em funcionamento um meio de transporte sem necessidade de se reabastecer de combustível.

    5. Tempo que pode funcionar um aparelho ou equipamento sem necessidade de recarregamento de energia.

    Logicamente estamos nos referindo ao indivíduo, portanto vale o item 3. Liberdade moral ou intelectual. Mas, em termos de política e sociedade, também é interessante o conceito 2. Independência administrativa em relação a um poder central.

    Logo, para eu ter liberdade moral ou intelectual e, igualmente, independência administrativa do poder central, a autonomia individual significa que eu, como indivíduo, é que tenho a capacidade de decidir sobre questões morais ou intelectuais que me dizem respeito e sobre a capacidade de decidir como administrar a mim mesmo: autonomia individual.

    Portanto não tô com nenhum conceito deturpado de autonomia individual - uso o que tá no dicionário: ou a decisão está com o indivíduo, ou fora dele; se estiver fora dele é que um alguém irá decidir por ele, e isso é retirar a autonomia (liberdade moral e intelectual ou independência).

    Quando você diz que a autonomia individual não está no indivíduo, aí sim, você está deturpando o conceito de autonomia e de autonomia individual. O fato de o indivíduo está inserido em uma sociedade simplesmente vai fazer com que ele exerça a sua autonomia, se respeita a dos outros, de uma forma que limite a sua para que não aja de forma a retirar a autonomia e a liberdade de outros. Se não respeita, agirá de forma que a demais pessoas da sociedade podem lhe aplicar penalidades por esta falta, pois estará retirando a liberdade de alguém.

    A lei, no caso, deve ser considerada a lei natural e os costumes da sociedade em questão. Lei o artigo de ontem sobre o mercado do namoro para verificar como funciona a sansão natural da sociedade. Claro que, em casos mais graves, uma força de justiça pode mesmo fazer com que um indivíduo seja encarcerado (perca completamente a sua liberdade).


  • Nill  06/02/2015 15:10
    Primeiro, parabéns ao Emerson Luís, um Psicólogo pelas duas frases abaixo:

    "O que motiva a corrupção é a natureza humana.

    O que possibilita a corrupção é o sistema que concentra poder demais."

    Segundo, a corrupção no Brasil só vai diminuir tremendamente depois que muitíssima gente, o povão no geral, se lascar, se ferrar de forma estupenda. Digo isto pois de maneira geral o brasileiro é muito compassivo, manso, compreensivo com a corrupção.

    Este mesmo pensamento meu encontrei num grande liberal, o Rodrigo Constantino, colunista da Veja. Quem duvidar de minhas palavras vá a um bar, comércio, praça e puxe conversa sobre corrupção, Petrobrás etc e veja a frouxidão moral e falta de indignação do brasileiro em geral. Percebam o que a maioria responde.

    Vejam o caso da Petrobrás, os "bodes" parecem não ter fim toda hora surge uma trapalhada nova. A coisa não para de dar "peti". Vejam: veja.abril.com.br/noticia/economia/em-dia-de-escolha-da-presidencia-acoes-da-petrobras-despencam

    Sabe, eu até torço muito para que esse caso da Petrobrás continue dando e dando muito "bode", prejuízo, trapalhadas, escândalos, vexames para muita gente importante.
    Pois como disse o nosso Emerso Luís, o Psicólogo: "O que motiva a corrupção é a natureza humana." Pelo menos que os corruptos e simpatizantes da corrupção se ferrem muito e muito.

    "O que possibilita a corrupção é o sistema que concentra poder demais." E aqueles esquerdistas que querem um Estado gigantesco, autoritário, que comande tudo na vida das pessoas, o deus estado. Que estes esquerdistas se ferrem, se lasquem e se arrebentem.
  • Miqueias  06/02/2015 16:02
    "Para ambos os casos, o preço inclui contribuições de campanha, dinheiro em contas no exterior, favores corporativos, publicidade favorável, e vários outros. Suborno e propina são apenas as formas mais cruas desse leilão."

    Outdoor da Momento Engenharia aqui na cidade de Joinville. Até outdoors com elogios à dona Dilma financiados pela mesma empresa foram expostos, mas não consegui achar nenhuma imagem deles no google.
  • Pedro  06/02/2015 16:05
    Olá,

    Nao ficou claro para mim o seguinte trecho:

    "Mas há um problema: se esses legisladores não cobrarem um preço pelo seu voto favorável — isto é, se o custo para se fazer lobby for zero —, então a demanda por legislações específicas será infinita. Igualmente, se os políticos no comando de estatais não cobrarem um preço das empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas, a demanda por obras públicas da parte das empreiteiras também será infinita."

    Alguém poderia comentá-lo, por favor?
  • Álvares  06/02/2015 16:24
    O que você não entendeu?

    Suponha que você é um político. Aí um empresário vai atrás de você e pede para você colocar uma tarifa de importação para proteger o mercado dele contra a concorrência. Se você ceder, todos os outros empresários que também sofrem concorrência de importados vão querer o mesmo.

    Ou seja, se você simplesmente se limitar a atender pedidos, a demanda será infinita. Logo, para racionalizar essa encrenca, você vai começar a cobrar propina por cada legislação criada para beneficiar setores específicos.

    Não dá pra ser mais claro do que isso.
  • Sérgio Cambraia  06/02/2015 16:11
    Primeiramente, parabéns! Ótimo texto. Deixe-me ver...Você conduz através de seu texto o receptor a acrditar que não precisamos do governo. Isso na política economica? Ou, também, em os outros setores?
    Se for sim. O Estado não existiria, certo? E ai, como funcionaria a segurança,a saúde, a educação? Os quais, antes que eu seja "crucificado, são precários! Apenas cumprem função burocrática. A iniciativa privada é quem assumria esta herença?

    Atenciosamente,

    Sérgio Cambraia.

    Obs.: Por falta de tempo não li os comentários, pode ser que minhas perguntas já tenham sido feitas!
  • Marcos Montes  06/02/2015 16:24
    Seja bem-vindo ao mundo da racionalidade. Suas perguntas estão todas respondidas nestas duas séries de artigos. Boa leitura.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=16

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=32
  • Silvio  06/02/2015 19:32
    Por falta de tempo não li os comentários, pode ser que minhas perguntas já tenham sido feitas!

    Rapaz, suas perguntas já foram respondidas neste site há 7 anos (e vêm sendo repetidamente respondidas desde então).

    Como disse o Marcos Montes, bem vindo ao mundo da racionalidade. E prepare-se para dividir sua vida em pré-IMB e pós-IMB. É uma pena que você não tenha conhecido antes este site, pois, após ler seu conteúdo, vai se lamentar profundamente de não tê-lo feito antes.
  • Pedro Mundim  06/02/2015 17:49
    Roubo sempre há, o que limita o roubo do governo é a vigilância do eleitor. Mas no Brasil esta vigilância não existe, porque a maioria dos eleitores é pobre demais para pagar impostos diretos, então não se sentem pessoalmente lesados pelo roubo dos políticos, e inclusive reelege-os mesmo sabendo que são corruptos, conforme há numerosos exemplos. O expediente mais comum é o político renunciar para evitar a cassação, sabendo que será reconduzido ao cargo na próxima eleição, até com maior número de votos. Apenas a classe média pagadora de impostos se importa com a corrupção, mas a classe média é minoritária e não decide eleição.

    Enquanto a classe média não se torna maioritária, a solução para diminuir a corrupção dos políticos é limitar a quantidade de dinheiro que passa pelas mãos deles. Estado mínimo.
  • Ricardo  06/02/2015 18:11
    E vocês acham que não existe corrupção privada?
  • Miscellaneous  06/02/2015 19:45
    Corrupção é, por definição, suborno (só olhar no dicionário), ou seja, recepção de dinheiro ilícito em troca de favor ou negócio lucrativo. Então, somente há recepção de dinheiro de forma ilícita se o dinheiro não é de quem está na transação, ou seja, somente na presença de dinheiro público há corrupção.

    Na iniciativa privada, se dois entes privados trocam favores entre si com o seu próprio dinheiro os únicos lesados nesses casos são os donos da empresa. A população nada sofre com esse tipo de corrupção. E se for muito intensa pode levar a empresa à falência. Novamente, isso é problema apenas dos donos da empresa.

    Claro que, como os donos têm interesse em que sua empresa não seja roubada, esse tipo de corrupção é mais difícil de ocorrer.

    De novo: a "corrupção" no ramo privado não pode ser comparada à corrupção estatal, pois, no ramo privado, a riqueza que foi transferida (roubada) da empresa para um indivíduo ou para um determinado grupo foi gerada pela própria empresa, cabendo à sua administração encontrar formas de estancar os desvios sob pena de falência. Já na burocracia estatal o prejuízo é socializado, por isso não existe interesse em combatê-lo.
  • Juliano  06/02/2015 19:53
    Claro que existe... o dono da padaria pode contratar cinco parentes dele pra não fazer nada e ficar o dia inteiro batendo papo. Na verdade, o dono da padaria pode contratar 50 pessoas que não façam nada, que nem apareçam pra trabalhar.

    A grande diferença é que o problema é dele. Ninguém é obrigado a consumir nada lá, ninguém é obrigado a pagar a conta. A concorrência agradece!
  • Diogo  06/02/2015 20:32
    Volta lá e leia novamente o artigo.
  • Andre Cavalcante  09/02/2015 14:23
    Segundo o dicionário: www.priberam.pt/DLPO/corrup%C3%A7%C3%A3o:

    cor·rup·ção
    (latim corruptio, -onis, deterioração, sedução, depravação)
    substantivo feminino

    1. .Ato ou efeito de corromper ou de se corromper.

    2. [Antigo] Deterioração física de uma substância ou de matéria orgânica, por apodrecimento ou oxidação (ex.: após vários meses no mar, a corrupção dos mantimentos era inevitável). = DECOMPOSIÇÃO, .PUTREFAÇÃO, PUTRESCÊNCIA

    3. Alteração do estado ou das características originais de algo. = ADULTERAÇÃO

    4. Comportamento desonesto, fraudulento ou ilegal que implica a troca de dinheiro, valores ou serviços em proveito próprio (ex.: os suspeitos foram detidos sob alegação de corrupção e desvio de fundos).

    5. [Figurado] Degradação moral (ex.: corrupção de valores). = DEPRAVAÇÃO, PERVERSÃ

    Estamos falando aqui do significado atribuído ao item 4, certo?

    Neste caso, corrupção somente pode acontecer se envolver dinheiro público ou o alvo é um funcionário público. Se dois empresários trocam dinheiro por serviço ou em proveito próprio com o seu próprio dinheiro, não há corrupção, obviamente. Se é um funcionário de uma empresa privada que desvia dinheiro da empresa em proveito próprio, é roubo puro e simples. Então, o termo corrupção somente remete a ideia de que o dinheiro envolvido no ato ou é público ou vai para um funcionário público. E isso, meu caro, não é invenção nossa, tá no dicionário.


  • Iosif Stalin  06/02/2015 20:48
    A corrupção é inerente ao sistema capitalista-trotskista, como os intelectuais britânicos puderam concluir após as visitas que fizeram à nossa gloriosa república soviética nos anos 20 e 30. Esses intelectuais, ainda que pequeno-burgueses, se maravilharam ao constatar a fartura de bens - alimentícios ou não, que o nobre povo soviético dispunha, enquanto o capitalismo liberal aniquilava o proletariado ocidental em benefício dos grandes agiotas internacionais.

    O novo homem soviético não se preocupa com a corrupção, pois suas naturezas são completamente antagônicas; assim como um sol não pode se tornar um planeta, o homem soviético não pode se degenerar como seus pares ocidentais. Essa é uma simples conclusão dialético-materialista hegeliana. Infelizmente, os intelectuais ocidentais pecam em estudar profundamente a construção materialista filosófica do homem soviético, preferindo - estranhamente - advogar as maravilhas do socialismo estalinista em país alheio, ao invés de fomentar a revolução em sua própria casa. Têm orgasmos múltiplos ao verem uma fazenda kulak sendo desapropriada em país terceiro mas, ao mesmo tempo, censuram-se na própria nação, principalmente quando se trata de suas nababescas mansões - talvez reticentes em dividir sua luxúria com o proletariado inglês.
  • João Souto  06/02/2015 22:13
    Acabo de perder as esperanças na política brasileira.
  • sandro lima  09/02/2015 21:51
    A verdade, é que hoje no Brasil TODAS as empresas fazem isso. o brasileiro é corruptor e corrupto.
    Hoje, empresas de médio e grande porte, quando você não faz negócio diretamente com o dono, você não consegue fechar um contrato sem que tenha que dar um quebra para o gestor.
    É a mesma política utilizada pelos políticos, gestores de empresas publicas.
    A diferença de publico/privado, é que a empresa privada, dependendo da "festa" ela quebra! Já a publica não, quem paga o rombo é a população.
    Hoje, no Brasil já está escrachada a coisa.
    Essa é a frase mais comum para se vencer a concorrência: "o Sr quer nota de quanto?" cansei de ouvir de vendedores, Daí respondo "sou o dono..." - "Ahhh...".

  • Andre Cavalcante  09/02/2015 22:26
    Vamos ver se eu entendi:

    Eu sou um fornecedor privado de um empresa média/grande privada e, seu não der um agrado pro cara da empresa que é meu cliente, eu não consigo vender?

    Vamos aos números:

    Produto: preço de venda R$1.000,00.
    Pra vender pra empresa você diz que dá um agrado, ou seja, do valor de venda, você abate o agrado:
    digamos 10% pra facilitar as contas. Então o Produto tem preço de venda de R$900,00 (é o que vem pra sua mão).

    O fato de você dar um desconto no preço do produto não é novidade alguma no mercado. Agora, se você emite uma nota para a empresa de R$1.000,00, (e você só recebeu R$900,00) então você está sendo cúmplice de roubo, sem falar que tá pagando imposto sobre R$1000,00, o que diminui ainda mais a sua margem, o que pode te levar pro buraco.

    De qualquer forma, se você tiver tendo lucro com esse arranjo é porque o produto, de fato, custa R$900,00, e o seu concorrente pode vender desse preço. Se a empresa procurar, vai achar alguém que forneça a este preço, o que quebraria a sua jogada com o cara que tá querendo um por fora.

    Se o chefe do cara que tá te cobrando este "por fora" fica sabendo do esquema, o que você acha que vai ocorrer? E não precisa nem mesmo você ter "consciência" e ir dedar o cara para o chefe, o teu concorrente faz isso por você. Se um eventual concorrente sabe que você está vendendo a R$1000,00, pode simplesmente ir atá a empresa e oferecer o mesmo produto por, digamos, R$950,00. Só isso já faria quebrar o esquema "privado". E de tira do mercado rapidinho.

    Mais uma vez: a palavra corrupção, no sentido do item 4 do dicionário, isto é receber dinheiro ilícito para benefício próprio só tem sentido quando se trata de uma relação com ente público.


  • Wilson Zem  10/02/2015 15:49
    Seu raciocinio segue uma sequencia lógica, porém está errado, pelo simples fato de que existe MUITA corrupção no setor privado. Conheço um síndico que ganhou um carro na construção de uma churrasqueira. O mundo real nao segue esta sequencia, muitas vezes o chefe está envolvido no esquema, ou o concorrente não sabe da negociação para poder intervir, enfim, muita coisa pode acontecer fora desse esquema simplista que vc explicou.
  • Pedro Moura  10/02/2015 16:12
    "Conheço um síndico que ganhou um carro na construção de uma churrasqueira"

    E como isso afetou a população do seu bairro, da sua cidade e do seu país?

    Afetou os condôminos do seu prédio (se muito), exatamente como acontece com uma empresa com funcionários corruptos. Mas não afetou mais ninguém.

    Falar que isso é a mesma coisa que corrupção estatal é viver em outra dimensão.
  • sandro lima  13/02/2015 05:04
    "pagando imposto sobre R$1000,00"
    R:não, esse valor a mais é descontado dos 100 do "bonus".

    "Se a empresa procurar, vai achar alguém que forneça"
    R: Quem procura é justamente o cara que recebeu os 100

    "Se o chefe do cara que tá te cobrando este "por fora" fica sabendo do esquema, o que você acha que vai ocorrer"
    R:Esse é o risco, mas tratando-se de milhões, e com notas fiscais para provar o valor, o máximo que acontece, é a empresa mandar o funcionário embora, que ganhou em 1 ano o que levariam 10 trabalhando.

    "...Se um eventual concorrente sabe que você está vendendo a R$1000,00, pode simplesmente ir atá a empresa e oferecer o mesmo produto por, digamos, R$950,00"
    R:Tá, mas o responsável pela área é justamente o cara que está recebendo os 100, você vai ouvir um "não obrigado"

    "Mais uma vez: a palavra corrupção, no sentido do item 4 do dicionário, isto é receber dinheiro ilícito para benefício próprio só tem sentido quando se trata de uma relação com ente público. "
    R:????

    Conselho: Se o sr é empresário, é bom abrir os olhos, pois esse tipo de "confiança" pode te derrubar.




  • wilson zem  10/02/2015 17:18
    Mas quem falou que é a mesma coisa? O ponto em discussão é outro. O que estou discutindo é que o enfrentamento da corrupção em empresas privadas não é tão simplista como vc se referiu no seu primeiro comentario. Não estou defendendo o estadismo, só acho muito ingenua a analise que alguns libertarios fazem.
  • Thiago  10/02/2015 17:27
    "Mas quem falou que é a mesma coisa?"

    Você próprio.

    O André mostrou uma sequência lógica de raciocínio, mostrando a abissal diferença entre a corrupção do setor público e trapaça no setor privado, e você respondeu apenas dizendo que "existe MUITA corrupção no setor privado". E, como exemplo dessa MUITA corrupção, citou um síndico que ganhou um carro em troca de uma churrasqueira (fiquei até curioso para saber quem foi o imbecil que estava do outro lado da transação).

    "O ponto em discussão é outro. O que estou discutindo é que o enfrentamento da corrupção em empresas privadas não é tão simplista como vc se referiu no seu primeiro comentario."

    Pois então contra-argumente. Cite exemplos que sustentem seu ponto. O seu exemplo da churrasqueira, por exemplo, foi rebatido e você nem sequer conseguiu contra-argumentar.

    "Não estou defendendo o estadismo, só acho muito ingenua a analise que alguns libertarios fazem."

    Quem é o ingênuo aqui? Quem contra argumenta com exemplos, ou quem apenas recorre a frases de efeito vápidas e sem conteúdo?
  • Silvio  10/02/2015 18:32
    Não conhecia a palavra 'vápido'. Obrigado por estreitar um pouco o imenso horizonte da minha ignorância.
  • Wilson Zem  10/02/2015 23:31
    "Você próprio.

    O André mostrou uma sequência lógica de raciocínio, mostrando a abissal diferença entre a corrupção do setor público e trapaça no setor privado, e você respondeu apenas dizendo que "existe MUITA corrupção no setor privado". E, como exemplo dessa MUITA corrupção, citou um síndico que ganhou um carro em troca de uma churrasqueira (fiquei até curioso para saber quem foi o imbecil que estava do outro lado da transação)."

    Isso foi o suficiente para vc inferir que igualei a corrupção no setor privado e no público? cuidado com as inferencias, vc esta fazendo um espantalho do que eu disse. O que fiz foi somente tentar expor que todos sistemas tem problemas, sempre terá vantagens e desvantagens comparando sistemas, mas nenhum será 100% superior, quando se deixa de enxergar isso pode estar próximo à um fundamentalismo, o que não é produtivo na construção do conhecimento.


    "Pois então contra-argumente. Cite exemplos que sustentem seu ponto. O seu exemplo da churrasqueira, por exemplo, foi rebatido e você nem sequer conseguiu contra-argumentar."

    De que forma oq vc disse rebateu o exemplo do superfaturamento da churrasqueira? até pq foi um exemplo, não um argumento, o que é rebater um exemplo????????


    "Quem é o ingênuo aqui? Quem contra argumenta com exemplos, ou quem apenas recorre a frases de efeito vápidas e sem conteúdo?"

    O que eu chamo de ingênuo é isso: "Se o chefe do cara que tá te cobrando este "por fora" fica sabendo do esquema, o que você acha que vai ocorrer? E não precisa nem mesmo você ter "consciência" e ir dedar o cara para o chefe, o teu concorrente faz isso por você. Se um eventual concorrente sabe que você está vendendo a R$1000,00, pode simplesmente ir atá a empresa e oferecer o mesmo produto por, digamos, R$950,00. Só isso já faria quebrar o esquema "privado". E de tira do mercado rapidinho." Considero ingênuo pois se pega uma situação hipotética e faz generalizações, sendo que um pouco de vivência se percebe que as explicações são frágeis. Tive experiência de trabalhar no setor de compras de uma empresa por pouco tempo, e isso de "Se um eventual concorrente sabe que você está vendendo a R$1000,00, pode simplesmente ir atá a empresa e oferecer o mesmo produto por, digamos, R$950,00." não é pratica frequente no meio corporativo, apesar de ser um bom meio de controle. A realidade é muito mais complexa do que esses exemplos hipotéticos que tentam justificar sistemas. Vejam que não tento refutar nada, só pretendo mostrar que todo modelo tem suas falhas, o que é óbvio. O Comunismo no papel é lindo, nosso sistema representativo é maravilhoso teoricamente, se livrar do poder repressivo do estado, num sistema libertário, é fantástico na teoria.

    Gostaria de deixar claro que não estou defendendo posição x ou y, pois diante da complexidade que envolve o assunto, prefiro estudar muito mais, enquanto isso faço criticas pontuais.






  • gabriel  10/02/2015 20:04
    Entendo seu ponto, o problema está no uso das palavras. O que esse sindico que ganhou o carro ou empresa privada que faz esses esquemas está incorrendo não é corrupção. Pode ser roubo ou fraude mas nao corrupção como ela está sendo discutida aqui.
    Contudo sim, existe muita fraude e roubo no Brasil. Sei de alguns exemplos de condominios com obras superfaturadas que se 'recebe um' por fora, o esquema de notas adulteradas já ta tão 'na veia' que as vezes vendedores oferecem adulteração a notas sem você nem demonstrar esse interesse.
    A questão é quem sai afetado com esse comportamento criminoso. Quando é no âmbito privado fica restrito aos envolvidos (empresa, condominos ou quem diretamente arca com os custos).
    Acredito que isso funcione muito bem chegando a uma consideravel fatia até em ambito privado, pq temos uma população em sua maioria servil e acomodada, mais facil aceitar ser roubados que tomar alguma atitude (alguns até percebem e aceitam com o pretexto de 'é assim que funciona'), ao menos ai é um ponto ao sistema vigênte que consegue domar muito bem seu rebanho de humanos
  • Wilson Zem  10/02/2015 23:54
    Muito sensato seu comentário Gabriel. Minha critica é direcionada à pessoas incapazes de perceber isso, que se tornam fundamentalistas, impedindo de perceber que todo sistema têm suas falhas. Se o desvio de dinheiro """é menos pior""", sinceramente não me considero capaz de julgar isso, e acho complicado, pois o libertarianismo é ainda um modelo muito hipotético, mas as premissas do sistema me faz crer que realmente permite um controle maior sob questões como a corrupção. Tenho me concentrado mais no comportamento individual, questões que tento estudar: quais fatores levam ao comodismo e a corrupção? Como podemos prefinir e remediar tais comportamentos? E foram estas questões que me aguçaram curiosidade sobre o libertarianismo, e também sobre como aprofundar nosso sistema representativo.
  • gabriel  11/02/2015 11:38
    Quais fatores, acredito serem inúmeros e individuas, no sentido de um fator que induz ao comodismo ou corrupção a um individuo pode ter efeito diferente em outro.
    Defendo o libertarianismo justamente por isso, não consigo ver uma solução genérica que possa ser aplicada globalmente, acredito em soluções locais e diferentes para um melhor resultado de cada região, isso perpassa valores e cultura que são os mais divergentes possiveis, a mudança tem que ocorrer no pensamento e valores de uma massa critica, ou continuamos apenas trocando um dono por outro, jamais se questiondo. A educação tem papel fundamental, mas é complicadissimo reverter anos de deseducação compulsoria - e cada ano se recrutam as crianças mais cedo
  • Forever  11/02/2015 12:07
    ''impedindo de perceber que todo sistema têm suas falhas. Se o desvio de dinheiro """é menos pior""", sinceramente não me considero capaz de julgar isso, e acho complicado''

    Mas você entendeu a abissal diferença entre corrupção no setor 'público' e no privado, correto?

    A questão não é ''de se o desvio de dinheiro é menos pior'', corrupção em uma empresa privada afetará apenas os clientes dessa determinada empresa --e você é livre para cancelar os serviços oferecidos pela mesma, é só procurar uma concorrente --, já no setor público eu não posso simplesmente parar de pagar imposto, ou seja, eu não posso cancelar os ''serviços oferecidos pelo governo''.
  • sandro lima  13/02/2015 05:15
    Por essas e por outras que sou a favor da privatização, quem não tem competência de gerenciar uma empresa, DEVE falir. Empresas públicas vem a falir, simplesmente injetam dinheiro de impostos e em menos de 2 anos ninguém se lembra do que aconteceu... Jogam na imprensa "empresa X é a 5ª da américa latina", "nunca na historia desse pais a empresa X foi tao longe" etc...

    Com dinheiro é dos outros é fácil brincar de ser patrão.
  • Andre Cavalcante  12/02/2015 15:29
    Wilson Zem,

    Entendi o teu ponto: você está usado o conceito do item 5 do dicionário Priberam. Mais ainda, você está com o conceito do Michaelis:

    corrupção
    cor.rup.ção
    sf (lat corruptione) 1 Ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação. 2 Depravação, desmoralização, devassidão. 3 Sedução. 4 Suborno. Var: corrução.

    Fraude e roubo são comuns tanto em funções públicas quanto em funções privadas. Isto não se discute.

    Mas o conceito de corrupção que postei do dicionário Priberam e o do artigo, se trata de uma relação com um ente público. E isso em "qualquer grau".

    No exemplo do síndico, este funciona para o condomínio como o prefeito numa cidade, isto é, ele em algum grau está se apoderando de recursos de terceiro para realizar uma atividade. Neste caso ele é virtualmente um ente público. Só que, se o síndico for pego, ele não vai em cana por "corrupção", mas por roubo, por se tratar de uma relação privada.

    Ao seu exemplo inicial, isto é, de alguém pagar por fora uma pessoa em uma empresa privada é roubo, simplesmente, e não corrupção, no sentido do item 4 do dicionário.

    Mas ambos os exemplos seriam de corrupção no sentido do Michaelis, o sentido que você está usando em todos os seus comentários.

    Abraços
  • sandro lima  13/02/2015 05:25
    Pra mim, a questão da punição ou caracterização do crime é o de menos, o que realmente deve se levar em consideração é quem paga a conta.
  • Cristiano  14/02/2015 21:38
    Isaías 10
    1 Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores,
    2 para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!
    3 Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas?
    4 Nada poderão fazer, a não ser encolher-se entre os prisioneiros ou cair entre os mortos. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida. Provérbios 29: 2 Quando os honestos governam, o povo se alegra; mas, quando os maus dominam, o povo reclama.Provérbios 29:4 Quando o governo é justo, o país tem segurança; mas, quando o governo cobra impostos demais, a nação acaba na desgraça.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  03/04/2015 16:26
    Estado é roubo e homicídio em escala industrial. Não existe político honesto. Todos roubam.
  • filipe  22/05/2015 13:18
    Alguem conhece uma forma inteligente do povo conseguir atingir os políticos? Porque no momento os políticos são blindados e fazem qualquer coisa que desejam. Se houvesse uma forma de retaliação real contra eles, poderia gerar alguma mudança.
  • Edujatahy  22/05/2015 14:29
    sonegação... é a forma mais eficiente.
  • Andre Cavalcante  22/05/2015 14:29
    "Porque no momento os políticos são blindados e fazem qualquer coisa que desejam."

    Bingo! Descobriu o maior dos óbvios...
    O sistema foi construído justamente para ser assim!

    "Se houvesse uma forma de retaliação real contra eles, poderia gerar alguma mudança."

    Só conheço uma: liberte a si mesmo!

    É sério: não dá pra ficar dando murro em ponta de faca, mas no momento em que um grande número de pessoas passa a ignorar os políticos e suas políticas, ir literalmente "contra a cultura" vigente e passar a não querer ou usar os tais "serviços públicos" (faze contratos informais de trabalho em que nem você, nem o patrão vão pagar impostos, por exemplo - tem gente que não consegue fugir, mas tem muitos que sim!), ou simplesmente não votando (ou votando nulo) então a coisa simplesmente vai começar a acontecer.

    Ao contrário de que muita gente pensa, acho mesmo que o governo tinha era que crescer mais e mais, até o ponto em que ele ruiria de vez. O Brasil é muito grande e razoavelmente importante no mundo, de forma uma "venezuelização" por aqui, ao contrário da Venezuela teria sim impactos relevantes na China, nos EUA e na UE, e que reações internacionais acabariam tendo alguma repercussão local.

    Sendo que a cultura, por mais que seja estatista, é antipolíticos (parece um contrassenso [e é], mas tem algumas considerações relevantes que se deve notar sobre isso, veja o novo livro do Bruno), então é mais provável que chegando a certo ponto, os ricos vão cada vez mais para fora do país, a classe média, indo pro buraco, comece a modificar o seu jeito de viver independente do governo (por exemplo adotando o dólar ou bitcoin, ou que for, como moeda alternativa), e a classe mais baixa vai sofrer horrores..., mas no final os políticos vão acabar reagindo a "perda" de poder sobre as pessoas - que no fundo é disso que se trata.

  • Felipe  22/05/2015 14:32
    Não pagar os impostos e não aceitar mais o real em nenhuma transação comercial.
    Basta a população aderir as duas coisas e você quebra o estado da noite para o dia.
  • Um observador  22/05/2015 15:41
    Felipe

    Medidas como essa infelizmente não tem chance de dar certo porque são ações que atrapalham a vida do indivíduo - e só dariam certo se muita gente fizesse isso ao mesmo tempo.

    Mas alguém precisaria começar a fazer isso... Quem iria sacrificar-se dessa forma?

  • Felipe  22/05/2015 16:16
    Correto, só funcionária se houvesse apoio massivo e simultâneo.

    Além disso, também seria necessário um certo sacrifício, a curto prazo, da população.

    Só o abandono imediato ao real faria muita gente perder dinheiro, e sem abandonar o real o estado não cai.

    Depois disso, apareceria muitas mazelas, no curto prazo, com o fim do estado. Pensa na quantidade de gente que sobrevive hoje a custas do governo, e até o mercado se ajustar a isso...

    Por isso a melhor solução é a secessão.
  • Rennan Alves  22/05/2015 17:04
    Eu já comecei. Estou começando a utilizar o UpWork para trabalhar, o que me isenta dos impostos trabalhistas. Também utilizo o AvaTrade para treinamento no Forex, o qual futuramente será minha fonte de renda primária. Para ambos utilizo o dólar.

    Os únicos impostos que faltam são os locais, estes só deixarei de pagar quando sair do país.
  • Renato  25/03/2016 17:26
    Estamos no momento ideal para ajudar a tirar da cabeça do brasileiro esses pensamentos estatistas. Por isso temos que agir para que muitos tenham essas informações.

    Quem quer criar um grupo para agir nesse sentido de informar as pessoas de como os políticos são perigosos para toda a sociedade?

    Quem for do Rio de Janeiro, e se interessar, poderemos falar sobre isso.

    Os primeiros que poderemos alertar é a classe empreendedora do país. Cobraríamos uma quantia, de comum acordo, troca voluntária, com esses empresários para que o grupo criado tenha condições de fazer esse serviço para todos os que não tem contato com os pensamentos de livre-mercado.

    Quem é do Rio de Janeiro e está interessado?
  • roberto  26/03/2016 02:52
    Penso que se partimos para uma análise menos pragmática, poderemos ter a percepção que não apenas a decisão do indivíduo determina se ele comete corrupção porquê sentiu vontade! acredito que a abordagem Weberiana sobre patrimonialismo, racionalidade e dominação legal reflete muitas características da corrupção...enfim...

    recomendo a leitura:

    portalrevistas.ucb.br/index.php/rvmd/article/download/2598/1589
  • Henrique Zucatelli  26/03/2016 14:10
    Dando uma olhada nos comentários, da pra perceber que muitos se eram/ se tornaram funcionários públicos e estavam procurando justificativas morais para viver nas costas dos pagadores de impostos.

    Aliás estive pensando esses dias e percebendo que a corrupção de um país só se combate com secessão ou com a corrupção benéfica, convido a todos aqueles que querem se tornar parasitas estatais a fazer um único favor em troca de seu gordo salário, principalmente os fiscais: NADA. Será muito mais proveitoso para o produtivo se um fiscal passar o dia inteiro no Facebook do que atormentando empresas, não acham?
  • Joaquim Saad  24/06/2016 17:03
    Corretíssimo ! Sairia muito mais barato se pagássemos pra que todos os políticos, funças e "sorvedores" públicos ficassem em casa.
  • Alexandra Moraes  28/03/2016 20:49
    Na verdade a democracia somente funciona com grande participação. E participação significa acompanhar frequentemente o trabalho e posicionamento de nossos representantes. Democracia dá trabalho. Se acharmos que iremos ficar passivos e tudo funcionará maravilhosamente estamos totalmente enganados.
    Precisamos cobrá-los e expurgarmos os que são corruptos.
  • Alexandra Moraes  25/04/2016 22:05
    Como povo precisamos reagir. Nossos governantes e representantes não estão atendendo as demandas da sociedade.
    A primeira corrupção é o governante voltado para os próprios interesses em detrimento das necessidades da nação.
    O Brasil padece deste mal e o único remédio efetivo é a cobrança e o acompanhamento do trabalho de governantes e representantes.
  • Ricardo Vieira  10/05/2016 13:38
    A estrutura da corrupção entrou em colapso.
    A mentira se chocou com ela mesma.
    Nossos representantes não representam nossos interesses, mas, infelizmente, representam o que o povo é.
    Solução pro Brasil: substituir a população ou esperar que quando investirem em educação, 100 anos se passem até vermos resultados positivos.
  • Francisco Seixas  19/06/2016 16:02
    Leandro, não seria interessante indicar quais foram as modificações e adaptações introduzidas, de forma a que o leitor possa ficar a par do contexto original e do modificado, relativamente à essa nossa inegável "criatividade corruptiva"?


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