Contra o Marco Civil e a neutralidade de rede

Muitas pessoas têm alertado para os perigos ocultos no projeto de lei em tramitação no Congresso chamado de Marco Civil da Internet (Projeto de Lei nº 2.126 de 2011) — que está na iminência de ser votado pela Câmara dos Deputados —, especialmente no que diz respeito às ameaças reais de cerceamento da liberdade de expressão.

No entanto, uma questão não menos controversa e bastante perigosa para o futuro da Internet é a chamada 'neutralidade de rede', ou Internet aberta.  O próprio relator do projeto, Dep. Alessandro Molon (PT-RJ), afirma que a neutralidade de rede é "o coração do Projeto de Lei".

Diante disso, este texto tem por objetivo (i) apresentar de forma simplificada os fenômenos concretos decorrentes da ideia de neutralidade de rede, (ii) expor os efeitos nocivos decorrentes de sua implementação compulsória pelo estado e (iii) tecer comentários acerca da proposta de Marco Civil da Internet.

Antes de explorar as redes de dados em si, permita-me recorrer a um exemplo que nos ajudará mais adiante. Suponha uma auto-estrada puramente privada, sem nenhum tipo de regulação estatal ou barreira à entrada de novos concorrentes.  São três faixas em cada sentido, ligando duas grandes cidades.  O proprietário dessa estrada pode extrair lucros de diversas formas: cobrando pedágio, alugando ou vendendo terrenos marginais, permitindo placas de publicidade.  Qualquer que seja a forma de obtenção de receitas, quanto mais veículos trafegarem por sua rodovia, maior será o fluxo de caixa gerado por cada uma das alternativas acima. Como se trata de uma auto-estrada, a velocidade de tráfego é importante para os consumidores.

O proprietário da estrada pode adotar diferentes soluções de gestão de tráfego, tais como: qualquer veículo pode trafegar por qualquer faixa; caminhões só podem trafegar nas duas faixas à direita; cobrança diferenciada de pedágio conforme o veículo e o horário.  Pode inclusive não cobrar nada de nenhum veículo, e não praticar qualquer política de gestão de tráfego.

Eventualmente, uma transportadora de grande porte, que utilizasse o trecho com frequência, poderia celebrar um contrato diferenciado com a auto-estrada.  Seus caminhões poderiam trafegar por qualquer faixa, a qualquer hora do dia, com pedágio livre, mediante, por exemplo, o pagamento de um determinado valor mensal.  Carros de passeio poderiam ter passagem livre pelo pedágio, desde que instalassem sensores e o pagamento fosse feito por meio de fatura mensal (como já acontece em muitas concessões de estradas no Brasil).

Enfim, o fato de a estrada ser uma propriedade privada permite que os gestores tenham liberdade para gerenciá-la da melhor forma possível.

O arranjo descrito no exemplo acima não aparenta problemas.  O proprietário voltado para o lucro está interessado em prover mais capacidade de tráfego, e não menos.  Como os usuários financiam direta ou indiretamente o serviço oferecido, é natural que os lucros sejam reinvestidos para a conservação do pavimento e para a expansão da capacidade de tráfego, não havendo, portanto, conflito entre os consumidores e o provedor da infra-estrutura.  Contratos diferenciados podem ser celebrados com usuários diferenciados, algo muito corriqueiro em qualquer ramo de negócio.  Mais ainda: ao contrário do que se pode imaginar, a empresa em questão não está livre para cobrar preços absolutamente impeditivos e "fazer o que ela quiser".  O fato de não haver qualquer restrição à entrada de novos concorrentes (outras rodovias, trens, dutos etc.) pressiona a mesma a fornecer serviços de qualidade e a preços competitivos (se é que será cobrado algum valor pelo tráfego).

Os ensinamentos fornecidos pela Escola Austríaca acerca do processo de mercado mostram que não há melhor controle do "poder de mercado" e das "práticas anti-competitivas" do que a livre concorrência.

As redes de dados — que num passado não muito distante prestavam outros serviços, como telefonia fixa, celular e TV por assinatura — não se diferenciam em essência do exemplo descrito acima, por mais complexo que seja o aparato técnico presente nas telecomunicações.  Elas são as rodovias.  Os provedores de conteúdo — ou geradores de tráfego — são sites, aplicativos, data-centers, serviços de video on demand, video streaming, voz sobre IP etc. Podem ser comparados com os veículos que trafegam pelas estradas.

Por fim, temos os consumidores finais, presentes em qualquer setor da economia.  Os indivíduos que trafegam pelas rodovias e que consomem os produtos que circularam por elas são análogos aos que leem notícias nos jornais eletrônicos, mandam e recebem e-mails, assistem a vídeos no celular ou em casa.

Com esse esquema em mente, podemos voltar para a questão da neutralidade de rede, ou, como preferem outros, da Internet aberta.  Pode-se definir uma rede neutra como aquela em que não há qualquer discriminação de tráfego com base em aspectos comerciais, técnicos ou de conteúdo.  Em outras palavras, uma situação em que nenhum bit deve ter prioridade sobre outro.  Em termos de engenharia este é um caso muito particular de arquitetura e gestão de rede.  

Os defensores da imposição da neutralidade de rede por meio de legislação estatal argumentam que esse é o único arranjo que permite a livre circulação de informações e a efetiva liberdade de escolha por parte dos usuários finais.  Ainda, sustentam que caso as empresas de infra-estrutura operem sem qualquer tipo de restrição, estas usarão todo seu "poder de mercado" para escolher qual tipo de conteúdo pode trafegar, para privilegiar os produtores de conteúdo ligados aos seus grupos econômicos e para dificultar a operação de pequenos geradores de tráfego.

Em um recente artigo publicado na Folha de S. Paulo, o Dep. Alessandro Molon (PT-RJ) apresenta sua defesa para a neutralidade de rede.  Segundo Molon, as empresas provedoras forçariam os consumidores a ter um contrato para e-mails, outro para vídeos, outro para redes sociais e assim por diante, cobrando preços cada vez mais caros, claro.

Evidentemente que sob um regime de livre competição, de respeito à propriedade privada e de liberdade de gestão empresarial esses temores não passariam de retórica política.  Quando os consumidores contratam um serviço de banda larga, eles querem ter acesso à Internet como um todo, e não a aplicações específicas, escolhidas pelas empresas.  Caso a prestadora com a qual está vinculado passe a praticar qualquer tipo de compartimentalização, restrição, boicote ou censura, rapidamente isso seria percebido, o que geraria ampla insatisfação entre os clientes.  A própria tendência a consumir os serviços de telecomunicações em formato de "combos" mostra como o mercado tem caminhado no sentido de simplificar e agrupar os contratos com os consumidores, ou seja, na direção contrária à apontada pelo deputado no artigo.

Reiterando, a não existência de qualquer tipo de barreira governamental para a construção e gestão de novas redes é crucial para a mitigação dos comportamentos contrários aos desejos dos consumidores.  Se existem indícios (os quais eu desconheço) do cenário tenebroso descrito pelo deputado, sua ocorrência se deve às restrições à concorrência e ao nada atrativo ambiente de negócios existente no Brasil.

Por outro lado, a imposição governamental da rede neutra implicaria uma série de consequências, a maioria delas não premeditada ou não esclarecida pelos proponentes.  E seria assim porque as propostas de neutralidade padecem de uma espécie de "falácia do nirvana": a ideia é definida em termos utópicos, algo como "todos os bits devem trafegar livremente por todas as redes, sem qualquer tipo de gerenciamento de tráfego".  Os desvios entre a realidade — sempre imperfeita — e o nirvana cibernético sonhado pelos partidários da Internet aberta serão usados como justificativa para as devidas "correções das falhas". Qualquer semelhança com a enganosa ideia de 'concorrência perfeita' não é mera coincidência.

A seguir, comento as três principais consequências nocivas decorrentes de leis que imponham a neutralidade das redes. Antes, porém, peço licença para transcrever todo o artigo do Projeto de Lei do Marco Civil da Internet que trata da neutralidade de rede.

Art. 9º O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação.

§ 1º A discriminação ou degradação do tráfego será regulamentada por Decreto e somente poderá decorrer de:

I – requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada dos serviços e aplicações; e

II – priorização a serviços de emergência.

§ 2º Na hipótese de discriminação ou degradação do tráfego prevista no § 1º, o responsável mencionado no caput deve:

I – abster-se de causar dano aos usuários, na forma do art. 927 do Código Civil;

II – agir com proporcionalidade, transparência e isonomia;

III – informar previamente de modo transparente, claro e suficientemente descritivo aos seus usuários sobre as práticas de gerenciamento e mitigação de tráfego adotadas, inclusive as relacionadas à segurança da rede; e

IV– oferecer serviços em condições comerciais não discriminatórias e abster-se de praticar condutas anticoncorrenciais.

§ 3º Na provisão de conexão à Internet, onerosa ou gratuita, bem como na transmissão, comutação ou roteamento, é vedado bloquear, monitorar, filtrar ou analisar o conteúdo dos pacotes de dados, respeitado o disposto neste artigo.

Primeiro, redes de dados são muito mais complexas que estradas.  Backbones, satélites, cabos submarinos intercontinentais, roteadores, pontos de troca de tráfego, linhas dedicadas, redes de acesso, data-centers, centros de monitoramento e vários outros componentes são mantidos em funcionamento pelo estado-da-arte em termos de engenharia.  Os investimentos em equipamentos cada vez mais especializados, o aumento da capacidade de tráfego, o treinamento e a contratação de mão-de-obra altamente qualificada crescem ano após ano. Nesse contexto, a própria definição do que efetivamente é uma rede "neutra" já se apresenta como um desafio ao intelecto humano. Este vídeo ilustra bem a questão.

O que aconteceria é o estabelecimento de normas altamente detalhistas, que necessariamente abordariam as minúcias técnicas do negócio.  Um considerável contingente de burocratas seria designado para definir os conceitos e certificar quais redes são e quais não são neutras.  Leiam o § 1º e fiquem à vontade para imaginar o que poderia sair de um decreto presidencial regulamentando o tráfego da Internet.

Ademais, o que vem a ser "indispensável", "agir com proporcionalidade", "abster-se de praticar condutas anticoncorrenciais"?  Prato cheio para a promulgação de mais algumas centenas de leis, decretos, regulamentos e contendas judiciais.  De todo modo, dado o caráter estático de qualquer aparato legal, o progresso tecnológico ficaria numa zona cinzenta, entre a legalidade e a ilegalidade.  O processo de mercado no setor mais dinâmico da economia seria fatalmente prejudicado.

Segundo, como foi dito anteriormente, uma rede neutra, na qual o tráfego não sofre nenhum tipo de controle, perfaz um caso particular de arquitetura e gestão.  Como qualquer tipo de negócio, há infinitas outras formas de se gerir uma rede de dados.  Uma lei que obrigue a neutralidade implicaria uma "estatização branca" das empresas provedoras de rede.  Para não deixar dúvida, o Projeto de Lei chega a incluir a "finalidade social da rede" (Art. 1º, inciso VI), o que explicitamente representa um cheque em branco nas mãos do estado.  Toda e qualquer intervenção, incluindo a própria encampação das firmas, poderia ser justificada com base nesse absurdo jurídico. Nem precisamos nos aprofundar nos efeitos desastrosos que tal medida acarretaria.  De pronto haveria uma retração nos investimentos no setor em decorrência da ausência de garantias acerca da propriedade privada.  E em função da crescente demanda e da implacável necessidade de aumento de capacidade, em pouco tempo os consumidores notariam a degradação da qualidade dos serviços.

Vale mencionar o irresistível impulso ao riso provocado pelo Art. 3º, Inciso VIII.  Somos informados que um dos princípios da Internet no Brasil é a 'liberdade de modelos de negócios', desde que os negócios não conflitem com o estabelecido na lei, a qual, se considerada ao pé da letra, só permite um único modelo de negócio.  Eis aí mais um importantíssimo ponto sobre os qual os legisladores e juízes teriam de se debruçar: definir o que é 'liberdade de modelo de negócio'.

Terceiro, uma vez imposta a neutralidade das redes, as grandes empresas estabelecidas pressionariam para que as diferentes interpretações convergissem para o interesse particular de seus negócios.  Em qualquer setor da economia, grandes companhias são capazes de suportar melhor as exigências legais, seja em termos de custos de adaptação técnica, seja em termos de contratação de lobistas e de gastos com publicidade para compensar eventuais danos a marca.  O mesmo não acontece com empresas de pequeno porte, para as quais cada centavo conta e a gestão diferenciada é na maioria das vezes a razão de seu sucesso. Esse é o caráter protecionista de qualquer regulamentação imposta pelo governo: ela protege as empresas estabelecidas e as blinda de qualquer concorrência efetiva e potencial.

Por exemplo, uma nova companhia poderia decidir atender a um determinado nicho de consumidores, com perfil de uso da rede mais ou menos específico.  Facilmente essa conduta seria interpretada como contrária ao "princípio" da neutralidade de rede.  O Art. 9º permite qualquer tipo de interpretação acerca da diferenciação dos serviços oferecidos aos consumidores.  Isso é um terreno fértil para a judicialização e a burocratização das relações de mercado, que antes aconteciam de maneira contratual e orientada pelo sistema de preços.

Em suma, a bem-intencionada proposta de "abertura" da Internet na verdade provocaria a redução da concorrência, o que não tardaria a prejudicar os consumidores.

Um recente acordo entre Netflix e Comcast, a maior operadora de TV a cabo e de serviço de acesso à Internet dos EUA, chamou a atenção daqueles que acompanham o assunto.  No segundo semestre de 2013, os clientes da Comcast relataram certas dificuldades para começar a assistir aos vídeos da Netflix.  Claramente a Comcast estava gerindo sua rede, restringindo a banda para a Netflix.  Nada mais natural para um serviço que corresponde a 31,6% de todo o tráfego da Internet nos EUA no horário de pico, segundo relatório Global Internet Phenomena. O acordo no qual a Netflix remunerará a Comcast atende aos interesses das duas empresas: a empresa de filmes não quer perder seus clientes para os concorrentes, e a Comcast não quer ser reconhecida como uma rede lenta, em que os vídeos da Netflix e outros provedores de conteúdo não funcionam direito, o que também provocaria uma fuga de consumidores.  Os usuários finais saem ganhando sem pagar um centavo a mais, e novos investimentos em aumento de capacidade de tráfego podem ser feitos, uma vez que foi dada a sinalização de que os geradores de alto tráfego pagarão aos detentores da rede para manter sua qualidade.

Uma lei de rede neutra, aplicada na sua totalidade, impediria tal contrato, bem como a própria alocação de banda feita pela Comcast.  Os investimentos em aumento de capacidade seriam desestimulados, ou seu financiamento cairia diretamente sobre os ombros dos consumidores, por meio de preços maiores pelo acesso.  O crescimento de um determinado serviço, como video streaming, seria algo ameaçador para a percepção e qualidade de toda a rede. Reiterando o que foi dito acima, seriam deflagradas intermináveis batalhas judiciais envolvendo todos os agentes desse mercado.

No Brasil, temos o caso da operadora de telefonia móvel Claro.  Ela oferece gratuitamente a seus clientes acesso às redes sociais Facebook e Twitter.  Desconheço os detalhes do negócio, mas é muito provável que as duas redes sociais remuneram a empresa de telefonia para compensar a gratuidade percebida pelos consumidores. Aprovada a rede neutra, a Claro não poderia continuar com tal prática, uma vez que sua rede não é "neutra" com relação a outras redes sociais.  Ou a gratuidade é para todas ou que se faça a cobrança de forma igualitária.  A diferenciação, um dos mais usuais mecanismos de concorrência, seria virtualmente proibida.

Em qualquer arranjo, o aparato estatal, na condição atual de supremo mediador dos conflitos, na prática assumiria o controle dos negócios, inclusive da circulação do conteúdo.  Pior: impedida a livre celebração de contratos, o sistema de preços e os incentivos não trariam as informações necessárias para o bom funcionamento daquele que provavelmente é o mais complexo arranjo já produzido pela ação humana: a Internet.

Concluindo, não restam dúvidas de que a ideia de rede neutra representa uma grave ameaça ao futuro da Internet, seja nos aspectos tecnológicos, empresariais ou de liberdade de fluxo de informações.  Sua aprovação representaria o início de uma espiral intervencionista: as primeiras interferências gerariam distúrbios no setor, o que seria usado como justificativa para mais e mais intervenções.  Pouco impacto seria percebido no curto prazo, mas no médio e longo prazo seriam inevitáveis a redução dos investimentos e o aumento da insatisfação dos consumidores.  Veríamos o surgimento de uma pletora de leis definindo parâmetros técnicos, de qualidade, de atendimento e de conteúdo nacional mínimo, mais ou menos como já acontece com os serviços tradicionais de telecomunicações.

O estado se transformaria paulatinamente no ente central de todo o setor, do provedor de rede ao consumidor final, passando pelos geradores de conteúdo e fabricantes de equipamentos.  Isso afetaria o sistema de preços e prejudicaria o cálculo econômico dos agentes privados, o que seria a própria pavimentação do caminho para o caos nas redes.

Hoje, se considerarmos as definições postas pelos defensores da Internet aberta, as redes não são neutras.  Dito de outra forma, mesmo com toda regulamentação sobre os serviços tradicionais de telecomunicações, as empresas de infra-estrutura gozam de certa liberdade para gerir suas redes, celebrar contratos diferenciados, inovar.  O mesmo acontece com os serviços prestados sobre as redes.  Os temores de que as companhias farão controle de conteúdo, de que usarão seu "poder de mercado" contra os consumidores e de que a liberdade de expressão na Internet corre perigo sob o atual arranjo não passam de discurso político.

Todas essas ameaças são afastadas com mais respeito à propriedade privada e mais liberdade empresarial, não com menos.  Se os digníssimos congressistas de Brasília estiverem realmente preocupados com a liberdade, com a privacidade e com o desenvolvimento da Internet no Brasil, o melhor que eles podem fazer é rechaçar por completo qualquer proposta de Marco Civil.

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Leia também: Marco Civil da Internet: cada vez mais contra


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SOBRE O AUTOR

Daniel Marchi
é economista graduado pela FEA USP Ribeirão Preto e membro do Instituto Carl Menger, em Brasília.



"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Eduardo  11/03/2014 13:04
    É claro que o governo está muito pouco preocupado com a evolução tecnológica da nossa nação, mas sim com a sua própria permanência no poder, vide protestos realizados ano passado, veiculados principalmente pelas redes sociais. A internet livre é anti-estado e isso nessa segunda década do século XXI passou a ser a maior preocupação de todos os governos nos quatro cantos do planeta. A internet é de natureza anarco-capitalista e libertária, e sempre será uma pedra no sapato de qualquer Estado mundial. O marco civil nada mais é que um atentado à liberdade de expressão que o governo pretende sufocar.
  • Leonardo Faccioni  11/03/2014 14:24
    Os protestos de junho, a meu juízo, constituem exemplo bastante contraproducente das virtudes da Internet livre. Prestam-se, bem ao contrário, como estudo de caso da Internet reduzida a bode expiatório: os aparelhos para-estatais instrumentalizaram-na para justificar a ação de seus apparatchiks, em uma releitura hipermoderna da kristallnacht. O denominador comum de toda a balbúrdia limitava-se a demandar a aceleração dos programas de engenharia social empreendidos pelos próprios aparelhos de Estado. Tal como sucedido na "Primavera Árabe", que lhes serviu de paradigma.

    Que de alguma forma a adesão histérica da população não tenha correspondido ao impulso inicial é hipótese a se investigar. Mas o estopim dos movimentos definitivamente nada teve de espontaneísmos. Demandou recursos massivos para organização e planejamento.

    A indagação para qual eu conduziria o fenômeno em tela seria esta: se já foi possível induzir tamanho caos social pela mera ação de "foquistas" (guerrilheiros) remunerados contra uma Internet relativamente decentralizada e independente, quão mais avassalador seria o poder exercido contra uma Internet efetivamente submetida ao controle estatal direto!
  • Rodrigo Garcia Wettstein  13/03/2014 16:12
    Leonardo Faccioni 11/03/2014 14:24:21. O modus operandi da União na última década vem reforçando a idéia de haver uma versão sutil de noite dos cristais, como as ações sobre o jornalismo (controle da distribuição das informações pela imprensa livre), o Ministério Público (remoção de um status de inquérito policial apesar de não previsto, sem rebalanceamento posterior do vácuo do judiciário contra o executivo-legislativo), os bancos (cerceamento de liberdade de operação de taxas de créditos, etc), as empresas de energia elétrica (redução do poder econômico das empresas e maior dependência governamental) e o aparelhamento político de parte do judiciário.

    No caso do Marco Civil da Internet, não vejo uma tentativa de cercear diretamente a liberdade na Internet (ou um Kristallnacht), mas sim de intervir nas empresas provedoras que operam sob um mercado livre. E isto vai encarecer muito o valor das contas de acesso à internet porque pagaremos por um sistema de provimento "amplo e igualitário" no Brasil inteiro. A liberdade e as empresas quebrariam no final. Alguém lembra do Plano Nacional de Banda Larga com a reativação da TELEBRÁS??? Pois é, o governo não poderia arcar com um gasto tremendo sem retorno de capital via imposto ou taxas baratas. Agora joga para os provedores privados a responsabilidade do acesso universalizado. E ainda receberia o crédito político disto.

    Portanto, não discordo quanto ao autoritarismo do governo, apenas discordo quanto à restrição de liberdade intencional ou a intenção premeditada de centralização do poder com este projeto de lei. Quero dizer que: no fim isto acontecerá (menor liberdade e maior poder estatal), mas não por maldade da União, mas sim por incompetência.

    A União é um ente federativo autônomo, em igualdade com os demais entes federativos autônomos, os Estados, exceto que, pela Constituição, a União representa legalmente a República Federativa do Brasil (esta a única entidade soberana, virtual, o próprio Brasil). Este sim é o primeiro cheque em branco dado à União, bem antes. A raiz do problema é o poder centralizador da União desde o início de nossa história republicana. Nossa fundação é centralizadora. Um governo autoritário intervencionista é mera consequência.
  • Andre Cavalcante  11/03/2014 14:00
    Interessante...

    Um pensamento me ocorreu: Hoje não há marco legal nenhum. Porque as empresas não usam o agora possível "poder de mercado" para fazer o que eles alegam que elas farão no futuro se o marco não existir?

    Por outro lado, há sim um problema sério no Brasil. Há tão poucas empresas oferecendo o serviço de acesso à internet que virtualmente não há concorrência. Empresas pequenas ficam com o bolo de mercados segmentados: empresas que podem pagar internet via satélite, por exemplo.

    Com grandes empresas não há concorrência, pois elas loteiam o país: em Manaus, por exemplo, só há uma grande operadora de internet: a Net. As alternativas são via satélite, o que cai nos mercados segmentados. As "concorrentes" seriam as empresas de telefonia fixa e/ou móvel.

    Mas não dá pra comparar: todas as operadoras de acesso móvel tarifam conforme a quantidade de bytes consumidas em função das taxas entregues, que são uma piada.

    Por exemplo: a taxa máxima da Claro é de 1Mbps (velocidade do 3G, pois o 4G ainda não funfa e, mesmo se funcionasse, ninguém em sã consciência pagaria o que eles estão pedindo - e é de propósito, se baixarem, vários vão aderir ao sistema e eles simplesmente não vão poder entregar o serviço que ainda está em implantação). A mesma taxa da Claro vale para Oi, Vivo e Tim. Uau, consegui falar de TODAS as operadoras em uma única linha de texto. Mas, o pior é que eles entregam bem menos que isso - só para comparação, a capacidade máxima contratada em 1Mbps fica em torno de 600Mbytes (varia um pouco entre operadoras, mas tem um limite sempre inferior á 1GBytes). Mais que isso, a velocidade cai para 250Kbps, ou seja um pouco mais que o dobro da banda conseguida em uma linha discada (a qual poderia, teoricamente, ser multiplicada disponibilizando linhas em paralelo ao assinante, mas a operadora de fixo que é a Oi simplesmente não tem interesse nisso, porque mataria o seu mercado de acesso móvel). Mês passado consumi 1,05GBytes. Não senti diferença alguma na velocidade de acesso em qualquer época do mês. Ou seja, eles prometem 1Mbps mas só oferecem 256Kbps (quando chega a tanto). De fato, o meu smartphone tem a indicação quando ele usa HPSA, 3G, Edge ou GPRS (GSM=2G). É raro ele mostrar o H do HPSA e o 3G do 3G. Em geral fica somente o E do Edge (teoricamente, e apenas teoricamente, 236Kbps máximo).

    Penso que mais que discutir a neutralidade de rede, devemos discutir o direito à propriedade e a concorrência no Brasil, no setor de telecomunicações. Não é somente abaixo ao marco civil, mas abaixo a lei geral das telecomunicações e abaixo a ANATEL!



  • Leonardo Faccioni  11/03/2014 14:37
    O relato trazido pelo Andre Cavalcante acerca da cartelização do mercado de telecomunicações brasileiro trouxe-me logo à memória os artigos do IMB a respeito do modelo guatemalteco:

    - mises.org.br/Article.aspx?id=1160 ("A Guatemala e seu exemplo de privatização")
    - mises.org.br/Article.aspx?id=1363 ("Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui")

    Não fosse a Anatel a garantir equidade aos serviços e justiça às tarifas, quão indefesos estaríamos contra o empresariado espoliador que assola aquela população órfã e empobrecida! ...Não?
  • Bruno D  11/03/2014 14:08
    O marco civil é um engodo, querem disfarçar, de qualquer jeito, o real motivo do marco civil, que é o embrião apoiado em lei do que será o MC no Brasil: Um Great-Firewall of Brazil, pois estão vendo como a Internet pode influenciar e mobilizar as pessoas.

    Podemos ver os oportunistas como Gilberto Gil, apoiar o MC a além disso através do controverso site da AVAAZ:

    www.telesintese.com.br/com-apoio-de-gil-campanha-pelo-marco-civil-bate-110-mil-assinaturas/

    E um artigo muito bom foi publicado pelo Ethevaldo Siqueira no blog dele:

    www.telequest.com.br/portal/index.php/destaque/1182-para-entender-o-polemico-marco-civil-da-internet

    "O MC será mais um monstrinho que teremos que conviver..."
  • Renato Correa  11/03/2014 14:35
    Eu trabalho com tecnologia e internet e me lembro da primeira vez que li sobre a neutralidade na internet e achei isso algo muito bom e importante para "justiça social". Isso faz uns quatro anos.

    Agora que tenho um melhor conhecimento sobre o que é na verdade a praga do 'socialismo' e que o capitlismo não é um monstro e ainda mais lendo este artigo, vejo o estrago que as intervenções governamentais trazem aos mais pobres, como a má qualidade dos serviços e aumento de preços.

    Foi o livre comércio que transformou internet de uma simples rede de dez computadores com fins militares o acadêmicos, em uma grande rede de computadores ao redor do globo terrestre com oportunidades de negócios que geramo milhões de empregos.

    A proposta da neutralidade da internet simplesmente fará o caminho inverso daquele que transformou a internet em um sucesso. E como sempre quem saíra prejudicado serão os pessoa mais pobres.
  • Bruno D  11/03/2014 14:41
    "Evidentemente que sob um regime de livre competição, de respeito à propriedade privada e de liberdade de gestão empresarial esses temores não passariam de retórica política."

    Nada mais dito de forma mais oportuna!

    Isso nunca existiu! Para as operadoras sempre será um fardo (assim como para qualquer empresa) de cobrar serviços em separado, quais são as formas usuais e sempre praticadas: os pacotes! Ué, então o Marco Civil irá acabar com os pacotes no serviço de TV a cabo por exemplo, por isonomia um usuário também por analogia deveria requerer o mesmo tratamento? É claro que sim, podemos ver que a questão econômica é pura retórica, o fundo do MC é outro!

    Os serviços na internet sempre foram e muitas das vezes para o usuário médio gratuitos, quem aqui pagou por um email do yahoo! Da mesma forma que não pagaria por guardar arquivos em HD na web (em nuvem).
    Isso só valeira mesmo para as grandes empresas que utilizam grandes serviços de dados, por isso que elas mesmas constroem os seus datacenters e compram números IP...

    Esse pessoal nunca trabalhou com isso, por isso, aplicam a "falácia do Nirvana" o tempo todo, é claro, quando os outros tem que arcar com as exigências!

    Ora, todo técnico de internet sabe que o pacote de voz por exemplo tem prioridade sobre o de dados, os pacotes de dados podem ser recuperados em um tempo posterior o de voz não! Enquanto você esta falando com alguém pelo telefone e sua voz é dividida em pacotes e transmitido através da rede IP, ela tem que ter prioridade sobre um e-mail por exemplo. A minha voz não pode ser cortada assim como a que eu recebo do meu interlocutor! Isso é o mais básico que se aprende em uma aula de rede de Internet! Isso é uma exigência técnica para que a voz através da rede de dados (mais barato que o sistema antigo!) possa ser utilizado! Como que o roteador não pode priorizar pacotes!?!

    Será que o Dep. Molon endente isso?

    Mesmo antes do MC o governa já esta botando as manguinhas de fora, quanto mais depois..

    exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/governo-quer-taxar-servicos-como-netflix-e-totalmovie

  • Andre  11/03/2014 15:57
    Marco Civil: um conjunto de regras ditatoriais de gente querendo impedir que pessoas e empresas façam acordos livremente.

    E tem muito idiotas que apoiam isso.
    Os dois principais tipos de idiotas que apoiam isso pensam das seguintes formas:

    1) O idiota que se acha burro:
    "Oh, que maravilha, o governo vai ME IMPEDIR de realizar contratos que sejam ruins para mim, pois eu sou muito burro para saber quais contratos são bons ou ruins.
    Obrigado estado babá, por me proteger da minha própria burrice galopante.".

    2) O idiota que acha que a maioria das outras pessoas são burras, menos ele:
    "Oh, que maravilha, o governo vai IMPEDIR pessoas de realizar contratos que sejam ruins para elas, pois elas são muito burras para saber quais contratos são bons ou ruins.
    Obrigado estado babá, por proteger as pessoas da própria burrice galopante.".

    E claro, tem também o idiota que acha que TODOS são burros para escolher bons contratos, inclusive ele.

    No final isso se resume à um pensamento retardado que é mais ou menos assim:

    "Sem regulação, haverão monopólios, e as empresas só vão oferecer opções ruins e terão lucros enormes, e ninguém irá tentar concorrer com elas, mesmo sabendo que se tentar concorrer poderá ter lucros gigantescos por oferecer um serviço melhor e assim podendo roubar todos os seus clientes.".

    O problema do mundo é que tem muito burro.

    Se pelo menos eles não tivessem como usar o estado para impingir suas ideias burras sobre os outros na base da coerção...
  • gredson  11/03/2014 15:46
    o jeito será reinventar a internet, agora há um estimulo em tentar fornecer uma internet sem que dependa de empresas.
  • Andre  11/03/2014 17:17
    Concordo.
    E já estão fazendo isso:
    https://projectmeshnet.org/

    Tem outros projetos também.
    Que vençam os melhores!
  • Bruno D  11/03/2014 19:11
    O ideal seria uma internet para o usuário final mesmo, o usuário médio que só sabe ligar o computador e "falar no feice"

    Essas redes que você começa pela interface Linux é meio complicado, o livre mercado sempre vai convergir para o modo mais simples...

    Mas essa ideia é bem interessante!
  • Luiz Metello Jr.  11/03/2014 17:02
    Engraçado, vejam a briga que está acontecendo neste momento nos EUA para que o orgão regulador da internet no pais possa alterar sua definicao do que eh internet justamente para GARANTIR A NEUTRALIDADE DA REDE por la...

    La, se nao em engando, a concast ganhou uma acao permitindo que ela violasse a neutralidade da rede e aplixasse traffic shaping na conexao de seus assinante com o servico netflix.

    Quando a comcast ganhou (ou sera que foi a verizon? Esqueci) na outra semana os usuarios ja nao conseguiam mais ver videos pela internet.

    E nao pensem os senhores que isso nao acontece no brasil. Ai da que falem de concorrencia e mimimi a verdade eh que as telecons instauraram um verdadeiro cartel nos servicos de internet. Precos e velocidades parecidos e cada um com os seus defeitos.

    Eu sou totalmente a favor da regulamentacao da neutralidade da rede, principalmente por ja ter experimentado na pele o que eh a violacao desse principio (gvt aplicava ts na minha conexao, nao conseguia ver videos no youtube por conta do bloqueio dos pacotes pela gvt).

    Nao eh coisa de petista, nem de comunista (senao os eua nao estariam brigando por isso tambem), eh questao de se garantir a qualidade dos servicos ao consumidores.

    Desculpem a falta de acentuacao e outros errinhos, estou digitando a partir de um celular.
  • rudson  12/03/2014 02:06
    Percebe-se que tu não leu o artigo, pois no meio do texto ele fala sobre a questão da Verizon e Comcast e como isso não foi algo ruim.

    E de fato, existe um cartel estabelecido entre as telecons. Cartel esse que só é possível graças a ANATEL e a regulação absurda que o governo impõe no setor. Isso é algo que a teoria austríaca de economia sempre disse e cada vez mais se mostra correta: o governo intervém na economia para evitar monopólios e garantir a concorrência - no caso das teles no brasil, criando a ANATEL - e acaba favorecendo a existência desses arranjos, que numa situação de livre mercado não teriam como se formar.

    Por fim, já faz quase um século que os EUA deixaram de ser exemplo de liberdade econômica. O estado lá também é cada dia mais intervencionista, atendendo aos apelos das grandes empresas que querem proteger seu mercado da concorrência.

    A diferença entre brasil e eua é simplesmente de grau: aqui é muito pior
  • Maicon  13/03/2014 13:24
    Li todo o texto e ainda não entendi como pode ser benéfico um modelo onde a operadora de internet decide o que eu, como cliente, posso ou não acessar. Foi exatamente isso o que a Comcast fez. Impediu seus assinantes de acessar a netflix que teve de pagar para ter o acesso liberado. Então se eu sou usuário do Crackle fico sem acesso ao sistema pelo simples fato deles não terem condições de pagar pelo privilégio de seus pacotes?

    Os EUA não são exatamente o que você está pintando aqui, vide o caso rockfeller que foi impedido legalmente de ter um monopólio para o bem da sociedade. A liberdade nem sempre é benéfica ao consumidor. Sem a intervenção do estado para o fim do monopólio nunca teríamos carros populares, como Ford quis, pois a indústria não desejava que um item tão sofisticado e caro (devido aos altos lucros) chegasse às massas.

    Ao mesmo tempo concordo com o ponto do texto que fala da forma como a privatização foi feita no brasil. Penso que seria melhor se as operadoras tivessem mais liberdade, mas não TOTAL liberdade.

    Não li todo o projeto do MC mas penso que o mercado deve ser livre enquanto o povo não for prejudicado e obiviamente este ponto é extremamente subjetivo e pessoal tornando quase impossível definir quando o estado deve intervir. Mas o fato é que algumas vezes o estado deve intervir sim!

    PS: ainda não me decidi se sou contra ou a favor o MC.
  • Procurador  13/03/2014 13:34
    Prezado Maicon, sugiro que você urgentemente reveja seus conhecimentos históricos.

    Em primeiro lugar, não havia nenhum monopólio de Rockefeller, simplesmente porque a entrada no mercado era livre. Não havia restrições governamentais à entrada da concorrência. Qualquer pessoa que quisesse entrar no mercado para concorrer com Rockefeller era totalmente livre para tal. Um monopólio só existe quando há restrições legais à entrada da concorrência, restrições essas que só o estado pode criar.

    Em segundo lugar, estude o que aconteceu com os preços durante o "monopólio" de Rockefeller. Despencaram. Estude o que houve com os preços após o governo intervir no mercado: subiram.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    Dois artigos que falam exatamente sobre isso (o primeiro, sobre o período Rockefeller; o segundo, sobre monopólios e oligopólios).

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=366
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057
  • Bruno D  12/03/2014 14:44
    Nada mais equivocado. É justamente uma regulamentação em nome da liberdade da rede (chamado aqui de neutralidade da rede) que faz com que a neutralidade se torne algo politico e não deve ser. A neutralidade é a simples honra de contratos entre o consumidor e o fornecedor. Quando isso não for satisfeito novos recursos serão criados para que o consumidor tenha a neutralidade, através da disponibilização de outra empresa por exemplo.

    Garantir a liberdade (neutralidade) através de leis e decretos é mais uma falácia e utilização da retórica politica. O resultado será o inverso do pretendido, com isso já podemos contar.

    O livre mercado já o disponibiliza isso de forma muito melhor e há mais tempo.
  • Bruno D  11/03/2014 18:20
    Esse assunto muito me interessa sempre que vejo um assunto sobre tecnologia no Mises não me canso de ler, bem, reza a lenda que o FCC o órgão semelhante a Anatel no Brasil surgiu nos EUA por causa da poluição de espectro de radio frequência, eu particularmente acho que isso é uma falácia.

  • aspone  11/03/2014 20:34
    Cara, esse é um dos melhores textos do site.

    Usa o marco civil para explicar com funciona o mercado livre e quais são os problemas da intervenção do governo no mercado.

    Enfim, o Marco Civil será aprovado.

    Temos que guardar esse texto para ver o que vai acontecer. E sabemos: vai acontecer o que o autor previu.
  • thechosenilluminati@gmail.com  11/03/2014 21:10
    Não sei se a Equipe Mises já fez alguma "corrida" de artigos sobre as economias africanas, asiáticas e do pacífico(geralmente microestados) por aqui, mas seria interessante tratar do sucesso da Botswana e o fracasso do restante do continente africano, ou que tal falar sobre a famigerada Chimérica? Aliás, tava lendo a história eonômica dos países da ex-União soviética e me deparei com o seguinte terecho na wikipedia:

    "Em 1978 geólogos russos (soviéticos) encontraram uma jazida de 352 toneladas de ouro, mas na época consideraram inviável sua mineração, após a independência da URSS o mercado foi aberto e o país recebeu investimentos estrangeiros. No ano de 1996 uma empresa canadense começou a exploração da mina de Kuntor localizada a 300 km da capital e apenas 60 km da fronteira com a China. Em 2010, a mina de Kuntor é uma das 10 maiores do mundo e produz 20 toneladas de ouro por mês. A mineração de ouro representa 45% do PIB e 40 % das exportações da Quirguízia.
    O Quirguistão tem sido um dos países da ex-União Soviética mais entusiastas na realização de reformas económicas na transição para uma economia de mercado."

    Alguém poderia me explicar o que relação tem realmente o PIB com a riqueza e liberdade econômica de um país, pois eu pergunto pros professores e só recebo panfletagem marxista e lulista.
  • Ricardo  12/03/2014 01:41
    Você já deve conhecer esses dois artigos, né?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804

    Sobre Botsuana, há um trecho sobre o país (veja o último parágrafo):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=348
  • Wagner William  13/03/2014 12:27
    Minha opinião é a de que os dois lados (governo e Iniciativa privada) estão se aproveitando da situação o governo através do Marco Civil, pois ele não aborta simplesmente a chamada "neutralidade" da rede e na forma como está ele de fato abre vários questionamentos jurídicos, já a iniciativa privada naturalmente quer MAIS e (BEM MAIS) lucros, como nossos amigos acima demostram no Brasil não há concorrência entre as teles há sim é uma formação de quartel pois nenhuma entrega o que VENDE e os preços são EXORBITANTES vários estudos demostram que de fato demos o custo de rede entre os mais altos do mundo, e governo nada faz para corrigir isso ( medidas paliativas eu desconsidero) e por ultimo para completar o texto vale mencionar que nos Estados Unidos há um desentendimento pois a FCC (equivalente a nossa ANATEL) tinha normas a respeito da "neutralidade" e no Brasil isso vem através de força de lei.
    Assim caros colegas estamos realmente perdidos pois NENHUMA dos lados em questão REPRESENTA DE VERDADE OS NOSSOS INTERESSES.

  • Andre  14/03/2014 18:10
    "...nenhuma entrega o que VENDE e os preços são EXORBITANTES vários estudos demostram que de fato demos o custo de rede entre os mais altos do mundo, e governo nada faz para corrigir isso..."

    É ingenuidade sua afirmar que "o governo nada faz para corrigir isso", pois não é que o governo esteja "deixando de fazer" alguma coisa para melhorar essa situação de oligopólio e preços altos.
    Foi o próprio governo que CRIOU essa situação de oligopólio, com a criação da ANATEL.

    Se o governo realmente não estivesse fazendo absolutamente NADA então qualquer empresa, nacional ou internacional poderia vir aqui oferecer os seus serviços, logo haveria concorrência, e, por fim, os preços seriam menores.

    Eu mesmo poderia dividir a minha internet com o meu vizinho para que EU, e MEU VIZINHO pagássemos a METADE DO PREÇO, já que eu não preciso de TODA A BANDA, o tempo todo.

    Mas quem é que me impede de dividir a internet com meus vizinhos?
    E quem é que me impede de abrir uma empresa de Telecom para, cobrando preços mais baixos, varrer do mercado essas empresas que cobram CARO?

    Adivinha só, é o GOVERNO!!! Com a ANATEL!!!

    Então, deixe de ser ingênuo achando que o governo está sendo "ineficiente" na sua missão de "melhorar o mercado", pois essa não é a missão do governo! A missão dele é piorar o mercado criando monopólios e oligopólios!!!

    E nisso ele está sendo bem eficiente, tanto que temos uma das internets mais caras do mundo!!!

    Quer melhorar o mercado!? Retire as barreira e deixe TODO mundo oferecer seus serviços pelos preços que eles quiserem!!! Quem tentar cobrar caro demais vai à falência, é simples.
  • Leonardo Couto  14/03/2014 20:20

    Olá Wagner William,
    Sua indignação com a qualidade do desse ramo do mercado é justificável e correta. Obviamente, as empresas do ramo desejam sempre mais lucro. O cenário é pior se comparado a outros países. Até aqui estamos de acordo.

    Mas o que você não percebeu, meu amigo, é que esse cenário de qualidade inferior e preços elevados em relação ao resto do mundo é causado devido à interferência do governo na blindagem dessas operadores da concorrência. Outras empresas são obstruídas de concorrer com as atualmente estabelecidas em virtude da regulamentação da ANATEL.

    Esse sufocamento do livre mercado, que é a situação do Brasil, impede que o desejo por lucro esteja vinculado à satisfação do consumidor, como seria em um ambiente livre.

    Lembre-se que estabelecer uma relação causal correta é imprescindível para não se amargurar experimentando erros perfeitamente evitáveis.

    Lhe convido a explorar o conteúdo deste site e conhecer mais sobre a cartelização da economia feita pelo estado.
  • Comerciante  11/03/2014 21:18
    Caso seja aprovado, o jeito vai ser migrar totalmente pra DW, embora vou ter que adquirir algum conhecimento em programação já que tem que saber mexer pra navegar por lá sem riscos.
  • antonio maria  21/03/2014 00:36
    Todo o texto traz contradições disfarçadas de pontos importantes, não vou esmiuçar cada um mas claro vou citar onde ocorrem. Primeiro quanto às privatizações das rodovias, os serviços citados de beira de estrada não entraram nos contratos, assim quem comprou levou de brinde um bolo maior que o encomendado. Portanto, quem vai pagar o acesso aos serviços de bank net, por exemplo. A velocidade será de acordo com o pacote? No caso dos COMBOS, NÃO SE TRATA DE UMA DEMANDA DE MERCADO, NADA MAIS É QUE UMA IMPOSIÇÃO DAS EMPRESAS para venda de serviços casados, e normalmente com fidelização de no mínimo doze meses e multas pesadas. Os serviços contratados separadamente são inviáveis ao consumidor pelo custo elevado, obrigando-o assim ter ser coisas que não quer. No caso da telefonia, não existe concorrência entre elas, pois quase todos os usuários possuem mais de uma linha de operadoras diferentes. Assim, elas correm para fazer o usuário gastar seus créditos impondo tarifas pesadas se for entre operadoras diferentes. Quem investe em ações, sabe que o maior investimentos dessas empresas é em propaganda, não em infraestrutura, ou seja, as teles fazem muito barulho e pirotecnia para esconder seus serviços ruins e o desrespeito ao consumidor. Quanto ao excesso de leis regulamentadoras, é por que o argumento de que o mercado obrigaria as empresas a prestarem bons serviços não funcionou, muito pelo contrário, a falta de regulamentação só causou prejuízos ao consumidor. Hoje os meios de comunicação no Brasil são livres, a imprensa fala o que quer, o problema é que a internet desmente quase tudo. Fica claro a tentativa de se criar restrições aos conteúdos ou sites que sejam contrários ao grande capital ou aos grandes grupos de direita, e pior, a imposição de limites financeiros é a mesma coisa que censura formal, só que psicologizada, onde a culpa do não saber ou conhecer é do usuário que não tem dinheiro para pagar por mais acesso.
  • Procurador  21/03/2014 00:40
    A primeira metade do comentário do senhor Antonio Maria é nonsense puro, de modo que irei direito aos pontos mais deliciosos.

    "Portanto, quem vai pagar o acesso aos serviços de bank net, por exemplo. A velocidade será de acordo com o pacote?"

    Não entendi. Atualmente, não há neutralidade de rede, e tal serviço não é comprado. Ué, por que não? Por que as empresas não estão cobrando?

    Como disse este artigo, pela lógica dos intervencionistas, as empresas já deveriam estar oferecendo pacotes extremamente restritos, daqueles em que os usuários finais podem acessar apenas "e-mails, redes sociais ou vídeos".

    Ficam então as perguntas: por que as malditas empresas já não fazem isso? Será que alguma empresa seria estúpida o suficiente para oferecer algo assim?

    "No caso dos COMBOS, NÃO SE TRATA DE UMA DEMANDA DE MERCADO, NADA MAIS É QUE UMA IMPOSIÇÃO DAS EMPRESAS para venda de serviços casados, e normalmente com fidelização de no mínimo doze meses e multas pesadas."

    Gozado. Eu não uso combo e, até agora, ninguém nunca me impôs nada. Dica: você está sendo tapeado. Certamente deve ter cara de bobo.

    "No caso da telefonia, não existe concorrência entre elas, pois quase todos os usuários possuem mais de uma linha de operadoras diferentes."

    Raramente vi uma frase tão contraditória quanto essa. Você conseguiu a façanha de se contradizer na mesma sentença! Ao mesmo tempo em que você diz que "não existe concorrência entre [as telefônicas]", você afirma que "quase todos os usuários possuem mais de uma linha de operadoras diferentes."

    Pior ainda: você diz que não há concorrência porque todos utilizam operadoras distintas!

    Sua lógica é espantosa.

    "Quem investe em ações, sabe que o maior investimentos dessas empresas é em propaganda, não em infraestrutura"

    Fantástico! Empresas que só investem em propaganda conseguem acionistas?! E os próprios acionistas sabem que as empresas só gastam e nada investem?! E ainda assim seguem sendo acionistas?!

    "Quanto ao excesso de leis regulamentadoras, é por que o argumento de que o mercado obrigaria as empresas a prestarem bons serviços não funcionou,"

    Mercado?! Que mercado?! Outra contradição sua: não há mercado.

    Pelo visto, você não tem o mais mínimo conhecimento do real funcionamento das agências reguladoras, em especial a ANATEL.

    As operadoras são ineficientes justamente porque estão protegidas pela ANATEL, que fechou o setor à concorrência estrangeira e criou uma genuína reserva de mercado, de modo que as empresas não estão submetidas a uma genuína livre concorrência.

    A postura correta -- que é a do autor do artigo -- é a de pedir o fim da mamata dessas empresas e exigir a completa liberalização do mercado, com a total abertura do setor para a vinda de toda e qualquer empresa estrangeira, o que aniquilaria as atuais empresas ineficientes e protegidas.

    Você diz que a internet funciona mal no Brasil. Concordo plenamente. Trata-se de um setor -- telefonia e TV a cabo -- que o estado controla e regula totalmente. Qual a sua solução? Mais estado. Qual a solução correta? Leia os artigos abaixo.

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui
    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Em teoria, agências reguladoras existem para proteger o consumidor. Na prática, elas protegem as empresas dos consumidores. Por um lado, as agências reguladoras estipulam preços e especificam os serviços que as empresas reguladas devem ofertar. Por outro, elas protegem as empresas reguladas ao restringir a entrada de novas empresas neste mercado.

    No final, agências reguladoras nada mais são do que um aparato burocrático que tem a missão de cartelizar os setores regulados — formados pelas empresas favoritas do governo —, determinando quem pode e quem não pode entrar no mercado, e especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, impedindo desta maneira que haja qualquer "perigo" de livre concorrência.

    "muito pelo contrário, a falta de regulamentação só causou prejuízos ao consumidor."

    Falta de regulação?! Então rebata o que acabei de escrever acima.

    "Hoje os meios de comunicação no Brasil são livres, a imprensa fala o que quer, o problema é que a internet desmente quase tudo."

    Agora você realmente entregou suas cores.

    Qual o problema de os meios de comunicação serem livres?! Você acabou de confessar que quer uma imprensa amarrada e tolhida. Como todo totalitário. Aliás, controlar a imprensa é justamente o objetivo de vocês. Acabou de se entregar.

    E não há melhor maneira de regular a imprensa do que regulando justamente a internet. Só poderemos acessar sites que o governo autorizar. Só poderemos ler Paulo Henrique Amorim, Carta Capital, Azenha, Nassif, Caros Amigos, Emir Sader

    "Fica claro a tentativa de se criar restrições aos conteúdos ou sites que sejam contrários ao grande capital ou aos grandes grupos de direita"

    Quem está tentando "criar restrições aos conteúdos ou sites que sejam contrários ao grande capital ou aos grandes grupos de direita"? cite nomes e especifique as práticas adotadas. Caso contrário, é apenas vitimismo.

    "e pior, a imposição de limites financeiros é a mesma coisa que censura formal, só que psicologizada, onde a culpa do não saber ou conhecer é do usuário que não tem dinheiro para pagar por mais acesso."

    Ininteligível.

    Neste site você precisará de um pouquinho mais do que apenas palavrinhas chorosas, frases de efeito, e chavões de oitava série para conseguir algum consolo.
  • Thiago  21/03/2014 00:43
    Sugestão à moderação: este é o tipo de artigo que será impiedosamente invadido por MAVs do PT para ser caluniado. Não há nenhuma justificativa para vocês darem voz a esse tipo de gente. Nos sites deles, nós não podemos nem sequer comentar sem antes fazermos um enorme cadastro, tendo de dar até CPF. E, após comentar, o comentário obviamente não é aprovado.

    Façam a mesma coisa aqui. Não há qualquer chance de diálogo minimamente civilizado com totalitários que querem extirpar a única liberdade que nos restou, o livre mercado da internet.
  • Moderador  21/03/2014 00:45
    Verdade. Anotado.
  • Dam Herzog  12/03/2014 04:30
    Depois de ler este artigo acho que o PT é um câncer que esta corroendo o Brasil aos poucos, tipo aquele mesmo que infectou a Venezuela e a Argentina, proveniente de Cuba. Amanha os embaixadores inclusive o do Brasil vai defender estas ditaduras assassinas.
  • Tiago RC  12/03/2014 09:42
    Ótimo texto! Bem escrito e com bons exemplos. A comparação a uma rodovia foi muito boa. De fato há muitas similaridades entre todos os serviços de rede, sejam rodovias, ruas, ferrovias, internet, telefonia, água, esgoto, eletricidade etc. Todos eles poderiam ser muito bem fornecidos pelo livre mercado.
  • anonimo  12/03/2014 13:06
    O projeto não foi rejeitado ontem com o apoio da bancada PMDBista juntamente com a aprovação da criação de uma comissão para ir até a Holanda investigar a Petrobras ? Eu vi essa notícia no site Terra...
  • Vive la liberte!  12/03/2014 14:00
    Acho que ele será votado hoje.
    Ontem a bancada do PMDB se reuniu para decidir sobre a postura que adotarão hoje.
    noticias.terra.com.br/brasil/politica/bancada-do-pmdb-decide-votar-contra-marco-civil-da-internet,6db2bcfb96da4410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html
    Espero que essa oposição significativa seja suficiente para derrubar o projeto.
  • Kennedy Lucas  12/03/2014 21:57
    Vamos ficar na torcida! Há muita desinformação na mídia. A população está por fora disso tudo.

    Fora o absurdo da neutralidade da Rede (adeus QoS, um dos maiores trunfos do poder de livre mercado do setor de telecomunicações),o PT quer obrigar as empresas a manterem seus datacenters no Brasil. Imagina os custos agregados que as empresas terão que arcar com os altíssimos custos brasileiros! Quem vai pagar a conta? Todos nós, claro.

    Art. 12 da proposta do Relator:
    edemocracia.camara.gov.br/documents/679637/0/MCI_2014_Molon_tabela.pdf/807b0e8b-3dc7-4e40-bd09-67da2e05b3a1
  • Vive la liberte!  12/03/2014 13:37
    Enquanto isso, em certa revista financiada por estatais:
    www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/marco-civil-da-internet-e-eu-com-isso-1031.html

    Esse artigo está entre os mais lidos.

    Eu sinto tristeza com essa exploração da democracia. Um punhado de gente lê coisas a favor do Marco Civil e depois se sente compelida a votar a favor do projeto e quiçá a manifestar-se em frente ao Congresso.
    Aposto que os que votaram no avaaz sequer cogitaram sobre as consequências danosas desse projeto.
  • Nilo BP  15/03/2014 02:02
    Exploração da democracia? Isso é democracia em seu mais puro estado. Idiotas úteis metendo o nariz no que não entendem, achando que vão consertar o mundo com seus pitacos cheios de sabedoria.
  • Cauê  15/03/2014 16:20
    Isso não é democracia na verdade, democracia só existe se for diretamente.

    Isso é Democracia-liberal, um lixo , oligarquia, ou poliarquia,etc.
    Aqui eles dão vários nomes pra falarem que você é um idiota (ou covarde).
  • Mateus Bernardino  12/03/2014 14:15
    Realmente esclarecedor. De fato, enquanto serviços podendo ser considerados como estruturados em 'redes', a comparação entre serviços de internet e outros serviços envolvendo infraestruturas não é anódina. Parabéns pelo artigo.
  • Tércio Martins  13/03/2014 16:53
    Já li os dois artigos do IMB sobre a questão da neutralidade da rede. Eles têm vários argumentos bem montados, mas a discussão no âmbito técnico é ridícula, quando não inexistente. Isso porque os autores são economistas. Nada contra os economistas, mas não há nas fileiras do Instituto algum profissional de TI que possa fazer um texto mais holístico, misturando os conceitos econômicos com os detalhes técnicos inerentes à Tecnologia da Informação?
  • Advogado  13/03/2014 16:57
    Talvez você queira nos agraciar com a sua conspícua sabedoria produzindo um artigo próprio, acrescentando às informações econômicas todas as informações técnicas. Aí você poderá provar que não é apenas um crítico vazio, mas sim alguém com muito conteúdo a transmitir. Só não vale fugir.
  • Tércio Martins  14/03/2014 11:51
    Infelizmente, não sou liberal o suficiente para ter um artigo aceito pelo IMB. Mas acredito que existam por aqui liberais que sejam da área de tecnologia, e que poderiam gerar artigos melhores que publicados até então sobre a neutralidade da rede -- escritos por economistas. A opinião dessa classe é importante, mas o Instituto não pode ignorar os profissionais de outras classes que estão em suas fileiras.

    Atualmente, no Brasil, a criação de pareceres sobre mudanças de caráter econômico só pode ser exercida por economistas, conforme a regulamentação profissional da classe, regulada pela CONFECON:

    www.cofecon.org.br/dmdocuments/2.3.1.pdf

    Nunca li aqui algum texto falando sobre a opinião do IMB sobre os Conselhos de Classe e Ordens de profissionais, que não deixa de ser uma restrição em cima das organizações sobre quem pode trabalhar em seus quadros. Pode ser o mote de um artigo futuro para um membro do Instituto.

    Espero que o IMB dê voz aos seus membros não economistas, especialmente das áreas de Ciências Exatas. Que dê aos profissionais de outras áreas a liberdade que o Estado brasileiro tira deles.

    Escrevo isso não como crítica, e sim como sugestão.
  • Advogado  14/03/2014 14:40
    "Nunca li aqui algum texto falando sobre a opinião do IMB sobre os Conselhos de Classe e Ordens de profissionais, que não deixa de ser uma restrição em cima das organizações sobre quem pode trabalhar em seus quadros. Pode ser o mote de um artigo futuro para um membro do Instituto."

    Isso mostra que você é mais um daqueles que pensam assim: se eu nunca vi é porque não existe.

    Aqui vai apenas uma amostra de artigos inteiramente dedicados a este assim:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=319
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=340
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=976
  • Emerson Luis, um Psicologo  12/03/2014 19:22

    Esse marco civil tem aparência de censura, cheiro de censura e gosto de censura.

    * * *
  • Silvio  12/03/2014 21:48
    Na verdade, esse marco civil tem aparência de censura, cheiro de abuso e gosto de opressão. Mas, assim como é de costume do governo ao servir esses pratos pouco palatáveis, colocou uma boa pitada de falcatrua para mascarar essas características.
  • Rafael  12/03/2014 22:53
    Achei um artigo interessante que contrapõe este, e levanta 3 pontos de discussão que estão no marco civil: 1) liberdade de expressão; 2) respeito à privacidade e 3) neutralidade da rede.

    Vale a pena ler, mas, como o foco da discussão está na neutralidade, coloco aqui minha percepção, baseada no que li até o momento. Por favor, me corrijam se eu estiver errado!

    Há dois conceitos a serem entendidos: CAPACIDADE de tráfego e PRIORIDADE de tráfego. Capacidade é a velocidade de Internet contratada. Prioridade é um privilégio de tráfego que pode ser concedido a alguém.

    Um exemplo: se sua empresa de notícias "online" contrata um plano de 100 Mb, e outra empresa concorrente contrata o mesmo plano, o provedor pode oferecer a vocês a venda de um privilégio de tráfego. Ou seja, quem paga um dinheiro extra, terá prioridade de tráfego de dados em detrimento aos demais, que pagam pela mesma velocidade. Se o seu concorrente pagar esse "extra" a qualidade e velocidade do vídeo dele vai ser melhor que a sua, mesmo tendo vocês contratado a mesma velocidade.

    A "neutralidade" defendida propõe a proibição da venda de privilégios no tráfego de dados. Usando o exemplo da auto-estrada, citado em ambos os artigos, seria como algumas empresas pagarem para terem acesso à uma pista exclusiva, enquanto os outros podem ficar no engarrafamento.

    A concorrência no fornecimento de "vias de tráfego" (velocidade de Internet) vai continuar, mas se concordarmos com a existência de privilégios dentro dessas vias, como existe atualmente, permitimos que grandes empresas "comprem" qualidade superior de transmissão, tornando assim a concorrência totalmente injusta.

    É o que ocorre com a Globo na transmissão de TV. Já imaginou se todos nós, ou se pelo menos mais 100 canais de TV, tivessem acesso aos satélites de transmissão? O Brasil todo teria uma multiplicidade enorme de programação e de opiniões, e teríamos um mercado infinitamente mais concorrido, descentralizado e rico. Portanto, me parece que a "neutralidade" está muito mais sintonizada com o livre mercado do que "priorização" de tráfego.

    www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/marco-civil-da-internet-e-eu-com-isso-1031.html
  • Carlos Garcia  13/03/2014 13:04
    Ponto interessante. Mas eu levanto outras questões: porque as duas empresas são "reféns" da mesma operadora? Aonde estão os provedores concorrentes? Porque é que o mesmo satélite usado pela globo TEM que ser o mesmo utilizado pelas outras empresas? Porque outros meios de transmissão não estão circulando por aí, para oferecer concorrência, já que existe a demanda desses "oprimidos"* meios de comunicação? A questão da livre concorrência é convenientemente esquecida quando se trata destes provedores de serviços "superiores", vamos colocar assim. Foram regulações que permitiram a cartelização das operadoras. Achar que mais regulações irão sanar problemas os problemas que elas mesmas criaram é tolice.

    * e aqui quero fazer uma observação. Dizer que nos dias de hoje, uma pessoa que tem vontade de se fazer ouvir, ou que quer oferecer algum tipo de entretenimento audiovisual, não consegue por causa da globo, é de uma onocência imensurável. Youtube está aí para oferecer espaço pra quem quiser. Várias emissoras americanas tem também canais oficiais no youtube. Tudo gratuito, graças ao milagre da desregulada internet. Hoje eu assisto mais interne do que televisão.
  • Ricardo  13/03/2014 13:12
    Exato, Carlos. O pessoal inventou a bola quadrada: querem preços de livre concorrência, qualidade de serviços de livre concorrência, mas com um mercado totalmente regulado pelo governo.
  • Guilherme  12/03/2014 23:56
    A parte que fala sobre a Comcast/Netflix fala uma bobagem, e infelizmente essa bobagem é utilizada pra argumentar contra a neutralidade da rede, o que é outra bobagem (calma, eu já vou explicar.)

    > No segundo semestre de 2013, os clientes da Comcast relataram certas dificuldades para começar a assistir aos vídeos da Netflix. Claramente a Comcast estava gerindo sua rede, restringindo a banda para a Netflix.

    Até aqui, tudo bem. A Comcast fez isso porque, se deixasse o tráfego da Netflix dominar a sua rede, as conexões dos seus usuários em outros sites sairia prejudicada, e isso poderia causar uma fuga de usuários, o que lhes daria prejuízo financeiro. Todos na rede sofreriam irmãmente a incompetência da Comcast em prover a banda *que eles venderam.* Ou seja, o fato de estar lento não é culpa da Netflix. Não é culpa de "37% do tráfego da Internet americana ser da Netflix em horário de pico." Isso não seria problema se a Comcast tivesse infraestrutura pra garantir o serviço que eles venderam.

    Então o problema todo já começa como uma injustiça da parte da Comcast. Coisa que ela prontamente contorna com outra injustiça.

    Isso é ruim, ela não deveria poder fazer isso, e não faria isso se fosse obrigada a ter uma rede neutra. Ela seria obrigada a simplesmente melhorar a sua infraestrutura pra entregar as velocidades vendidas, assim a Netflix e os usuários se beneficiariam, e os serviços da Comcast melhorariam. Eles precisariam de capital pra isso, mas esse capital poderia ser facilmente resgatado através de uma melhoria de serviço, o que atrairia mais usuários e lhes colocaria em uma posição de vantagem. Aí estaria a verdadeira competição capitalista benéfica.

    Mas, obviamente, tratando-se de uma empresa que quer otimizar para o lucro, ao invés de fazer a coisa correta, a Comcast tentou achar uma forma mais simples de resolver o problema. Primeiro, baixou a velocidade da Netflix. Mas a Netflix, usando do seu poder de persuação (que no nosso mundo significa basicamente que ela tem dinheiro pra car#lho,) convenceu a Comcast a resolver a situação com um acordo...

    > O acordo no qual a Netflix remunerará a Comcast atende aos interesses das duas empresas.

    Corretíssimo. A Netflix sai ganhando porque os usuários podem assistir Netflix sem lentidão, e a Comcast sai ganhando porque a Netflix tá pagando. Mas e os usuários finais?

    > Os usuários finais saem ganhando sem pagar um centavo a mais, e novos investimentos em aumento de capacidade de tráfego podem ser feitos, uma vez que foi dada a sinalização de que os geradores de alto tráfego pagarão aos detentores da rede para manter sua qualidade.

    OPA. Será mesmo? Você chega a essa conclusão como? Achando que tudo o que o usuário quer é fazer stream da Netflix sem travar? E o resto das conexões, como ficam? Aí é que entra a questão da neutralidade.

    Ferir a neutralidade da rede não significa melhorar a rede pra que ela tenha banda disponível em horário de pico, nem tampouco a Comcast instalar uma rede de distribuição exclusiva pra Netflix, de forma que a sua rede principal não seja congestionada. Não existe nada de errado em instalar uma rede de distribuição de conteúdo especial pro seu serviço. Todo o mundo faz isso. É justo e bom pra todos, mais ou menos como você tá tentando fazer parecer uma rede sem neutralidade, o que é absurdo.

    Ferir a neutralidade da rede significa que a Netflix paga a Comcast pra que ela *tire banda de outras pessoas* pra dar pra Netflix. Isso é possível porque a banda disponível pra conexões domésticas de banda larga não é dedicada, ela é variável. Se o meu vizinho estiver fazendo streaming da Netflix e o resto dos usuários da Comcast estiverem fazendo uso intenso da Internet também, vai faltar pra mim.

    O que o contrato Comcast/Netflix significa é que o tráfego de download de usuários domésticos da Netflix é "holier than thy." Isso significa exclusivamente que, em horários de pico, o download de outros sites vai ser sacrificado pra dar espaço pra Netflix.

    Isso *não significa* que a Comcast vai instalar um aparato mágico dedicado pra todos os usuários da Netflix que permite que os usuários assistam a streaming da Netflix sem danar o resto do tráfego. Isso não é tecnicamente possível.

    O acordo é pura e simplesmente uma forma da Comcast priorizar o tráfego deles *em detrimento* do resto, da mesma forma como a Comcast priorizou o tráfego do resto do mundo antes do acordo *em detrimento* dos streams da Netflix.

    Caso você não esteja convencido, deixa eu usar um termo bonitinho que você deve gostar muito: O acordo Comcast/Netflix é uma *agressão* da Comcast/Netflix a sua conectividade com outros sites que não o da Netflix. Era uma banda que você tinha e vai deixar de ter. É um roubo da sua banda. A Comcast está satisfeita em comprometer a conectividade dos seu usuários porque a Netflix está pagando. Mesmo que alguns abandonem a Comcast por causa disso (e a maioria não vai porque sequer entende o conceito, como você mesmo não entendeu,) a Comcast continua ganhando dinheiro através da Netflix.

    Além disso, a partir do momento em que isso for permitido, *todas* as operadoras vão criar acordos assim, e os insatisfeitos vão ter que opção? Abandonar a Internet? Montar a sua própria? YEAH, RIGHT.

    Por fim, uma característica importante da rede não-neutra é que nenhuma empresa com dinheiro sai perdendo: Todas firmam acordos com operadoras de banda larga e garantem sua banda.

    Assim o tráfego doméstico fica completamente sacrificado e algo horrível acontece. [Ironia:] Algo que nenhuma empresa produtora de material fonográfico gostaria que acontecesse [Fim da ironia]: Não sobra banda pra tráfego P2P. Oh, o horror.

    [Ironia de novo:] Aposto que eles não pensaram nisso. Se tivessem, com certeza não estariam tentando pressionar legislação pra garantir o fim da neutralidade. [Fim da Ironia]

    Detalhe de rodapé: A própria Comcast, sendo uma empresa de TV a cabo, tem fortes conexões e interesses na saúde do monopólio de cultura (filmes, música, etc.) da indústria fonográfica.

    Mas não. Claramente não é por isso que eles querem o fim da neutralidade. A Comcast e a Netflix não querem acabar com a pirataria (que interesse eles tem nisso??? Nenhum!) e fortalecer seus monopólios. Eles só querem prover um serviço melhor pros seus usuários :) E eu sou o Gohan, filho do Goku.
  • Daniel Marchi  13/03/2014 14:49
    Guilherme

    Indiretamente seu comentário ajuda a provar um dos pontos que levantei no texto: redes de dados são altamente complexas, envolvem um sem-número de possibilidades de gerenciamento. Mas vamos lá, enfrentar algumas das muitas questões levantadas no comentário:

    1) Não sei se percebeu a contradição quando abordou o a questão Netflix/Comcast. Primeiro diz que não há problema da Comcast gerir sua própria rede, depois desce a lenha num contrato livremente celebrado entre duas empresas. Uma fornece a rede e outra usa a rede; não há nada de errado nisso. Um dos pontos centrais da neutralidade é esse: a livre contratação e o sistema de preços seriam substituídos pela sabedoria de algumas dezenas de burocratas, que definiriam o que pode e o que não pode acontecer na rede. Já temos conhecimento suficiente do intervencionismo pra saber que a segunda opção seria um desastre.

    2) Sim, o acordo entre Comcast e Netflix não implicará em nenhum custo adicional para os usuários finais. As empresas não vão alterar seus preços por conta disso. Netflix está crescendo em número de usuários e em receita, ou seja, tem fôlego para pagar por melhor tráfego. Ademais, opera num mercado altamente concorrencial; a degradação de seus vídeos poderia representar o início do fim da empresa. Desculpe, deixe-me corrigir. Houve mudança de preço sim: no final de 2013 a Netflix anunciou a REDUÇÃO de U$1,00 para novos clientes. Veja aqui: goo.gl/IyfLLW

    3) Sobre a ameaça que a livre celebração de acordos pode representar para a Internet como um todo, vou reforçar o que está dito no artigo. Quando um consumidor contrata um serviço de banda larga, ele está interessado não só nos serviços específicos como Skype, Gmail e Netflix. Ele quer além dessas plataformas, acessar todo a World Wide Web. Se as empresas provedoras de rede começarem a prejudicar a experiência de livre navegação, o consumidor ficará profundamente insatisfeito e procurará outro prestador. Com as diferentes tecnologias fixas e móveis disponíveis hoje, opções é que não falta. Permita-me um exemplo. Aplicativos como WhatsApp destruíram o mercado de SMS. As operadoras de celular tinham todo incentivo do mundo para controlar o tráfego do WhatsApp, certo? Não, errado. A operadora que deixasse os aplicativos de mensagens gratuitas funcionarem livremente teria uma enorme vantagem sobre as outras. Por isso nenhuma se atreveu a restringir o uso de tais facilidades. É assim que as coisas funcionam com um pouco de concorrência. Com a livre e irrestrita concorrência, não há a menor chance dos consumidores serem prejudicados. Quem se aventurar a fazer isso estará assinando sua própria falência.
  • Guilherme  14/03/2014 14:14
    Daniel,

    1)

    Não foi a minha intenção fazer parecer que eu concordo com o shaping da Comcast pra reduzir o tráfego da Netflix. O meu "até aí, tudo bem" foi com relação ao seu artigo. Quis dizer que estava de acordo com o meu conhecimento, nada de errado, etc. Eu acho essa intervenção absurda, eu esperava que isso ficasse claro no paráfrago seguinte:

    "Então o problema todo já começa como uma injustiça da parte da Comcast [vender mais banda do que pode dar conta.] Coisa que ela prontamente contorna com outra injustiça [fazer shaping no tráfego da Netflix.]"

    Depois você disse que eu "desço a lenha num contrato livremente celebrado entre duas empresas. Uma fornece a rede e outra usa a rede; não há nada de errado nisso."

    Isso faz parecer que eu sou contra empresas celebrarem contratos em geral, o que obviamente não é o caso. Contudo, eu sou, sim, contra um contrato entre duas empresas que vai decidir com que velocidade certos conteúdos vão ser entregues a mim.

    Veja bem, repetindo o que eu quis dizer e que aparentemente não ficou claro: O acordo entre eles não é pra dar mais banda de upload pra Netflix. Essa negociação é livre. O que é, é um acordo que diz que, quando eu estiver vendo um vídeo da Netflix, a Comcast priorizaria na *minha* velocidade de download (não a de upload da Netflix) a stream da Comcast. E se todos os meus vizinhos começassem a assistir Netflix no mesmo horário, a *minha velocidade de download* seria sacrificada. Por isso eu disse que isso é uma agressão, um roubo.

    O governo não pode dizer "não, a Netflix vai ter um máximo de X de banda de upload," pra que sobre pro resto. O governo não poderia fazer isso nem que o Marco Civil passasse santificando a neutralidade da rede. Não é isso. O que o governo diria, caso a neutralidade da rede fosse ser obrigatória, é "não, a Netflix não pode pagar a Comcast pra que ela tire banda dos outros usuários pra que a stream Netflix dos seus vizinhos não travem."

    Você sabe que, eu sou um fã da racionalidade do Stefan Molyneux, locutor de um programa de rádio sobre filosofia chamado Freedomain Radio (https://www.youtube.com/user/stefbot) e anarcocapitalista "die-hard." Foi graças a ele e uns artigos que li no Mises.org que eu tive um pouco de contato com a doutrina libertarianista.

    Sua defesa do libertarianismo me vez ficar pensando em exemplos de como empresas poderiam explorar a liberdade de seus clientes sem a ajuda do Estado (o Stefan costuma dizer que, sem o Estado, não haveria corrupção; obviamente que eu dou risada de tamanha ingenuidade, mas como ele me parece uma pessoa muito inteligente, me dispus a entreter essa possibilidade por um tempo...)

    Eis que aqui se encontra um ótimo exemplo disso. Sem a intervenção do Estado, a Netflix, através de um contrato e poder econômico corromperiam a gerência de rede da Comcast em benefício próprio.

    Obviamente que através da concorrência, outras empresas poderiam vender a neutralidade de suas redes como "feature," e cobrar mais por isso, ou simplesmente usar pra ganhar vantagem sobre as outras.

    Mas isso não aconteceria por dois motivos: Primeiro, porque esses contratos devem dar muito mais dinheiro do que satisfazer as poucas pessoas que entendem o que é neutralidade de rede, e segundo porque a barreira de entrada nesse mercado é muito grande devido às necessidades de infraestrutura.

    Telecomunicações é um setor fadado a pouca concorrência por causa desse último ponto, na minha opinião. Logo, o fator neutralizador da monopolização no "livre mercado" não cumpre seu papel, permitindo o monopólio. Dê ao monopólio, ainda, o poder de decidir todas as regras do jogo, e eles vão deitar e rolar.

    2)

    Você disse:

    > Sim, o acordo entre Comcast e Netflix não implicará em nenhum custo adicional para os usuários finais.

    Talvez não implique custo adicional financeiro, mas implica sim que a minha Internet vai ficar mais lenta em horários de pico de uso da Netflix, independente de eu usar Netflix ou não. Minha Internet vai ficar abaixo da velocidade contratada por causa do contrato Netflix/Comcast.

    Normalmente ela fica abaixo da velocidade contratada porque meus vizinhos estão usando muito suas bandas, mas isso independente do tipo de tráfego. A maioria dos usuários domésticos aceita esse problema como "uma coisa da vida," e sabe que isso não ocorre porque um bambambam com muito dinheiro foi lá e pagou, e sim porque simplesmente sua comunidade tá usando muita Internet por um momento. Isso me incomoda, mas paciência, sabe? Minha rede não é dedicada, eu sei disso. Eu pago mais barato por isso. E em geral isso não me atrapalha.

    A coisa muda de figura se o tráfego de todas as empresas começarem a ser priorizados, menos o tráfego P2P ou com pequenas empresas. Daí a Internet não-dedicada tá sendo simplesmente pervertida pelo capital, nada mais.

    Infelizmente eu não tenho como te provar isso, mas talvez você possa confirmar através de uma pesquisa na Internet a esse respeito. Caso você não tenha certeza, sugiro que, no mínimo, condicionalize claramente sua argumentação (ou parte dela) a validade do seu entendimento frente ao que significa "priorizar o tráfego de uma empresa."

    É comum as pessoas simplesmente confiarem no redator ao invés de checar se as suas premissas são verdadeiras. É mais honesto da parte do redator deixar claro suas dúvidas onde elas existem, assim as pessoas sabem o que procurar pra formar a própria opinião.

    3)

    Você disse:

    > Aplicativos como WhatsApp destruíram o mercado de SMS. As operadoras de celular tinham todo incentivo do mundo para controlar o tráfego do WhatsApp, certo? Não, errado. A operadora que deixasse os aplicativos de mensagens gratuitas funcionarem livremente teria uma enorme vantagem sobre as outras.

    Bom, mais ou menos. A sua escolha de falar em WhatsApp/SMS é muito oportuna pra mim, como contra-argumentador.

    Pra começo, o mercado de SMS ainda existe. Contudo, ele não deveria existir. O mercado de SMS deveria ter morrido há uns 15 anos atrás. Quiçá, ele não deveria nunca ter existido. E observe que eu digo "mercado de SMS," não o sistema SMS em si. Ou seja, SMSs deveriam ter existido gratuitamente desde sempre.

    Digo isso porque uma mensagem SMS é minúscula. O custo de transmitir elas de um celular para o outro é de, sei lá, um milésimo ou menos do custo de transmitir 1 segundo de voz. Contudo, SMSs não custam proporcionalmente mais barato assim. Enviar um SMS pra uma operadora deve ser algo tão fácil que eles deveriam permitir o envio de um certo número de SMSs como cortesia por você sequer contratar a linha.

    Contudo, olha quanto tempo demorou até esses pacotes de SMS se tornarem realidade? Uns 10 anos? As empresas esperaram a coisa se tornar o absurdo dos absurdos até largar mão disso. O fato de que SMSs ainda são cobrados hoje em dia é algo que me deixa muito, muito irritado. Mexe com meu senso de justiça, mesmo. É uma exploração evidente. Contudo, eu compreendo que é uma opção da empresa ser injusta nessa instância. Ela não está "iniciando força" contra mim, ela só tá cobrando caro demais por algo banal. Uma pena, mas nada que eu possa querer barrar legalmente. Isso é fundamentalmente diferente da luta pela neutralidade da rede, onde tiram algo de mim. Daí, literalmente, vira algo pessoal.

    Depois, as operadoras sabem que ficar controlando tráfego disso ou daquilo por motivos comerciais é coisa de raposona. O quê? Eu lhe vendo um serviço dando direito a determinada velocidade e banda pra você fazer o que quiser, e depois vou atrás de você e digo: "Sabe o que é? Essa coisa que eu te vendi... Agora você não quer mais comprar essa minha outra coisa aqui. Por isso, eu vou mudar as regras do jogo e colocar restrições no que você pode fazer com o serviço que eu te vendi como livre. Ok? obrigado pela compreensão!"

    Então elas não fazem isso porque não é do interesse delas, e sim porque elas não podem fazer isso. Isso deixaria seus usuários furiosos e, ainda que contratualmente eles tivessem o direito de fazer isso porque alguma cláusula obscura dava essa margem, a defesa seria tão hiperbólica que a má intenção ficaria evidente em corte.

    Até onde eu sei, antes da 3G, nenhuma operadora ofereceu pacotes de SMS honestos pros seus usuários, dizendo "veja, sabe esses SMSs que você manda? Eles não são nada comparados a sequer a ligação mais curta que você fez nos últimos 10 anos, quando você ligou pra alguém e a ligação durou 200 milisegundos, então eu vou te dar isso de graça, ok?"

    Isso teria lhes dado uma grande vantagem competetiva, mas alguém fez isso? Não. Que estranho, hein? Seguindo pela sua lógica, eles deveriam, não? Bom, talvez eles saibam que é melhor ninguém fazer isso, assim não há concorrência nesse aspecto e todos saem ganhando cobrando por uma banalidade.

    Eles começaram a oferecer pacotes depois do 3G, pra que as pessoas continuassem usando a porcaria arcaica deles, mesmo sem necessidade, e continuassem lhes dando dinheiro, mesmo que em menor quantidade. Então aqui você vê um conjunto de empresas, sem o auxílio do Estado, deixando todas ao mesmo tempo de prover um melhor serviço porque sabem que é melhor pra todas não competir e simplesmente cobrar por SMSs.

    Depois, quando cobrar por isso se tornou injustificável, aí eles começaram a vender pacotes mais baratos da coisa, pra lucrar até o último suspiro da tecnologia SMS.

    Finalmente tenho um bom argumento contra o Stefan e o anarcocapitalismo. Obrigado! :-)
  • Andre Cavalcante  13/03/2014 17:22
    Guilherme,

    Você falou, falou e não disse quase nada.

    Primeiro, o que é tecnicamente válido. Só temos stream de voz, áudio ou vídeo na internet, com qualidade, se houver priorização de tráfego. Sem priorização de tráfego, até é possível haver stream, mas a banda necessária para isso é simplesmente monstruosa. E isso é o que é tecnicamente relevante na discussão. Ou seja, querer banda igual para tráfegos diferentes é inviabilizar tecnicamente o serviço que exige priorização.

    Segundo, priorização é exatamente isso: eu retiro banda de um serviço e passo a outro. E isso NÃO É ERRADO! Isso é normal. Isso JÁ acontece e, mesmo assim, não acontece o que cê julga que vai acontecer se o tal do marco civil não for aprovado. Questão relevante: porque é necessário regular algo que na realidade NÃO acontece e que, se regulado for, vai piorar o que JÁ acontece?

    Terceiro, você está batendo em um espantalho. O problema real não é falta de isonomia na rede. O problema real está na falta de concorrência no Brasil (e em qualquer lugar do mundo que queira beneficiar o consumidor). Bata na existência de somente 4 operadoras de celular no Brasil! Bata na falta de concorrência em telefonia fixa, pois que as empresas são praticamente monopólios em suas áreas de atuação, áreas inclusive que chegam a ter uma população superior a de muito países da Europa. Bata na falta de provedores de banda larga para a internet, pois a maioria das cidades conta apenas um (ou seja, monopólio) serviço de internet e tv via cabo. Mesmo cidades grandes (as bem grandes) você conta nos dedos as empresas que fazem esse tipo de serviço.
  • Guilherme  14/03/2014 19:05
    André, se priorizar tráfego de vídeo e áudio se faz necessário pra que eles funcionem (eu acho que não, mas vou deixar no achismo,) então que eles priorizem *toda* a stream de áudio e vídeo, não só de uma empresa.

    Se esse é o seu único argumento contra a neutralidade, espero que você reclame quando os provedores resolverem priorizar outros tipos de tráfego que não tem essa necessidade.
  • Andre Cavalcante  15/03/2014 20:18
    Incrível, Guilherme.

    Coloquei 3 pontos em meu comentário e cê não refutou nenhum deles. Ficou num achismo e ainda criou outro espantalho pra bater. Foi irônico e, ao mesmo tempo, desonesto quando disse que "esse era meu único argumento" (coloquei 3, só sobre o seu comentário, fora o que eu tenho discutido com outras pessoas aqui neste artigo).

    Vou somente fazer um pergunta que, espero, você a responda diretamente, sem criar espantalhos ou nada de subterfúgios, se for capaz (se não for, por favor, encerre o debate e/ou aceite o artigo), da seguinte passagem:

    "Se esse é o seu único argumento contra a neutralidade, espero que você reclame quando os provedores resolverem priorizar outros tipos de tráfego que não tem essa necessidade."

    Pergunta: hoje não há neutralidade de rede, porque os atuais provedores não priorizam "outros tipos de tráfego que não tem essa necessidade"? Colocando de outra forma: Por que você acha que, sem a lei que "exige" neutralidade na rede, as empresas irão se comportar de forma diferente?

  • Rodrigo Garcia Wettstein  16/03/2014 12:04
    Caros, se me permite um aparte aos dois, comentarei de uma forma mais incisiva, para ajudar no debate.

    "Neutralidade da rede" é uma idéia criada por Tim Wu, professor dos Estados Unidos, para garantir a todos os internautas direitos iguais de acesso à rede e mesmo stream. Mas o próprio Tim Wu vem tendo, como li nos debates lá, dificuldades conceituais e aceitando exceções para a neutralidade, como o fluxo de vídeo e áudio.

    Outros exemplos, no meu ponto de vista, que batem de frente com a neutralidade na rede, tratado literalmente, sob a noção de "neutralidade", independente de quanto os provedores de fluxo de dados ofertam:
    1) O fluxo de dados maior para momentos de emergências (localizados geograficamente ou departamentos de emergência ou governamentais);
    2) A "restrição" de fluxo para certos endereços eletrônicos (governamentais de inteligência, bancos, etc - neutralidade implica fluxo igual mas o próprio governo e bancos restringem nos setores de inteligência com filtros e criptografia, obviamente);
    3) O maior fluxo para sites de empresas privadas muito procurados, como facebook ou google (maior lentidão caso não aumentem a oferta do provedor pois a oferta é maior nestes);
    4) A variação do fluxo de dados, maior ou menor, dependente da hora do dia ou da noite, ou sendo fim de semana ou dia de semana;
    5) O fluxo de dados maior nos grandes centros urbanos;
    6) Maior fluxo de dados para negociações internacionais (Forex, bancário internacional (de conversão de moedas), entre Bolsas de Valores de países diferentes com as CDRs para ações ou outras) ou nacional (Bovespa).

    O Stream (fluxo) de dados se comporta como a energia elétrica, não como uma sociedade, com direitos e deveres. Ela deve ser priorizada para áreas onde que existem demandas. Porém ela tem repercussões sociais, criminais e políticas (onde deve ser policiada), porém limitadas em relação a nossa vida real. Portanto, ela é mais que um simples fornecimento de energia elétrica e menos que uma sociedade.

    Mas querem tratar o stream como se fosse uma cidadania, apesar de não passar de um serviço de fornecimento com cunho de alta dependência social. Assim considerado como uma "sociedade igualitária", poderia dizer que:

    A) Quem não recebe o stream satisfatório (igualitário) está sendo discriminado pela lei do Marco Civil da Internet,

    Extrapolando a consequência do item A:

    B) Quem não tem internet é um excluído socialmente. Não é gente. É indigente.

    Claro que quem não tem internet perde chance enorme de aprender, de ler. Fica para trás. Então, consideremos: há uma necessidade do governo colocar acesso à internet em regiões mais pobres, onde o privado não vê chance de lucro? Talvez. Mas é uma incógnita de qual seria a consequência disso: haveria um aumento ao acesso aos mais pobres da divulgação ideológica governamental? Ou haveria um benefício com programas de ensino técnico e reforço de alfabetização a distância? Os dois extremos têm importantes repercussões e pouca gente se ateve ao primeiro. Ninguém, nem grupos políticos, nem grupos subversivos, se ativeram a isto: criar um provedor de internet para doutrinar uma comunidade, pobre ou não, antes sem acesso à internet.

    (Abre parêntese para especulação pura): Imagine também o seguinte. Você juraria que o(s) governo(s) central(is) não teria(m) provedores exclusivos, com velocidade e volume maiores que os simples mortais ("cidadãos" e empresas privadas)? D U V I D O. Repito: D U V I D O. É o bom senso. Por baixo do pano, o governo não irá querer stream igual. Oficialmente ele proclama a neutralidade da rede, mas sendo ele o regulamentador... nada mais a declarar. Crackers e hackers não terão o stream igual ao do governo, e este é um dos objetivos principais dos governos (dos EUA e do Brasil). Não acessarão páginas secretas do governo. Wikileaks e outras informações sobre podres de governos acabarão de vez, mas também o terrorismo virtual. Ao contrário, o governo poderá invadir seu computador rapidamente sem ser notado a tempo. (Fecha parêntese de especulação pura).

    A neutralidade na internet, como o comunismo da nossa vida real, nunca será neutra. Alguém sempre se beneficia. E é sempre o governo central, na miopia dos cidadãos.

    A liberdade da internet, o direito a todas as informações, mesmo de um vídeo tosco da Deep Web, mesmo de escutas divulgadas em sites das várias transmissões entre bases militares russas, ucranianas, cubanas, de textos ou vídeos de outros países, etc, tudo corre o risco de também ser controlado sob a desculpa do "stream igualitário". E, todos com fluxos iguais no Brasil inteiro, voltaremos à internet discada (e pelo Santo Http, só quem viveu a época da internet discada sabe o horror que isto representa!!!).

    Abraços a todos!

    Rodrigo Garcia Wettstein
  • Paulo Takimoto  13/03/2014 08:17
    Sou um dos (milhões de) leigos sobre o assunto.
    Algumas observações que gostaria de colocar a respeito dos comentários:
    - Vcs estão analisando a questão sob 3 pontos de vista principais; o Técnico, o Econômico e o Ideológico. E todos se relacionam. Mas vcs não analisam a questão do Conteúdo com a mesma profundidade. Sabemos que hoje em dia, através de acordos comerciais, grandes empresas tem facilidade de priorizar seu conteúdo frente à outras menores. Essa é uma concorrência desleal quando falamos de diversidade de conteúdo produzido para a rede. Dentro da realidade atual, pequenos produtores não tem como brigar de igual para igual (no quesito capacidade de tráfego pela rede - e por tanto visibilidade e acesso)com grandes produtores de conteúdo. Isso limita as possibilidades que um usuário "Médio" tem de acessar materiais mais diversos e originais de forma mais espontânea. E tmb de dar maior visibilidade a quem produz esse material/conteúdo.
    - Outro ponto que queria abordar [e basicamente é uma variação do ponto anterior] é o seguinte; a comparação (feliz) que foi feita da rede com uma estrada para veículos. A estrada privatizada quer gerar mais tráfego sim, como vcs disseram! Mas principalmente (ou exclusivamente) tráfego que gere retorno financeiro/lucro (seja com pedágios, comércio ao longo da via, etc - como foi exemplificado no texto). Ou seja, tráfego que não gere retorno financeiro de alguma forma, não faz parte dos interesses da empresa. Fazendo uma analogia à Rede, isso significa que, tanto pra quem produz conteúdo quanto pra quem consome, a questão do retorno financeiro pro distribuidor sempre estará presente balizando quais conteúdos são "mais importantes" e quais são "menos importantes".
    - Enfim, vcs fazem uma análise muito bacana e pertinente sobre o papel das Teles nessa história toda (do ponto de vista técnico e econômico), mas dão menor espaço pro que acredito ser realmente é o foco do Marco Civil; que é a questão da democratização do Conteúdo que trafega pela rede.
  • Macedo  13/03/2014 11:21
    Takimoto, não entendi a questão do conteúdo. Não visualizei nenhum caso prático. Disserte mais, por favor.

    Quanto à questão das estradas, entendi menos ainda. Como seria um tráfego que não gera retorno financeiro? Absolutamente todos os veículos que trafegam por uma estrada -- seja a passeio, seja a trabalho -- paga pedágio. Carros, caminhões e motos, não importa o motivo da locomoção. Como seria um veículo que não gera retorno financeiro para a empresa que gerencia a estrada?
  • Cesar Massimo  13/03/2014 08:44
    Se o estado e o Gilberto Gil são a favor, não deve ser bom para o cidadão
  • Clesio Luiz  13/03/2014 11:16
    Recebeu quanto das teles para publicar esse texto? Você pinta um quadro como se as coisas funcionassem nos trilhos aqui no Brasil, quando a situação é justamente o contrário. E é impressionante como você só deixa publicar as respostas favoráveis a sua opinião.
  • Moderador  13/03/2014 11:27
    Prezado Clesio, todos os comentários são publicados, até mesmo os idiotas como este seu.

    Você nos acusa de receber propina das teles. Muito bem. Então nos explique por que é que somos o site que tem os textos mais críticos às operadoras de telefonia?

    Por que é que somos o site que acusa as operadoras de serem ineficientes porque não estão submetidas a uma genuína livre concorrência e são protegidas pela ANATEL, que fechou o setor à concorrência estrangeira e criou uma genuína reserva de mercado?

    Por que é que somos o único site que pede o fim da mamata dessas empresas e exige a completa liberalização do mercado, com a total abertura do setor para a vinda de toda e qualquer empresa estrangeira, o que aniquilaria as atuais empresas ineficientes e protegidas?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1363
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1647

    Você diz que a internet funciona mal no Brasil. Concordamos plenamente. Trata-se de um setor -- telefonia e TV a cabo -- que o estado controla e regula totalmente. Qual a sua solução? Mais estado. Qual a solução correta? Leia ao menos o primeiro artigo acima.

    De resto, pode nos criticar à vontade, cidadão, mas, antes, ao menos verifique o que realmente defendemos. Partir para acusações graves e descabidas como essa sem sequer nos conhecer é uma postura que depõe severamente contra o seu caráter.
  • anônimo  13/03/2014 12:38
    O IMB critica as teles quase todo dia, e o cara vem falar que eles recebem propina das teles.Um analfabeto funcional típico.
  • Andre  13/03/2014 13:02
    "Recebeu quanto das teles para publicar esse texto? Você pinta um quadro como se as coisas funcionassem nos trilhos aqui no Brasil, quando a situação é justamente o contrário. E é impressionante como você só deixa publicar as respostas favoráveis a sua opinião."

    O IMB sempre critica as teles e o oligopólio que elas tem graças à ANATEL.
    Se a ANATEL fosse abolida, aí sim teríamos enorme concorrência e preços bem menores.

    Então, já que você é quem é o defensor de oligopólios aqui, me diga, recebeu quanto para enviar esse comentário? Ou é só um idiota útil que defende oligopólios de graça?
  • André Dias  13/03/2014 12:56
    Acho engraçada essa comparação com uma estrada. Um deputado do Rio, não me lembro qual, fez uma analogia com a energia elétrica. Entretanto, há algumas falhas inerentes tanto em um argumento, quanto em outro.

    Em primeiro lugar, os usuários não são os dados que trafegam pela rodovia. Estes dados são as encomendas solicitadas pelos usuários, que já pagaram pelo seu transporte ao dono da rodovia. A cobrança diferenciada alegada pelo autor do artigo nada mais é do que uma nova tributação: além do assinante do serviço pagar por uma quantidade mensal de Bytes, os provedores de conteúdo teriam de pagar para entregar os Bytes aos assinantes! Isso parece certo para alguém que por acaso?

    Dizer que os usuários não seriam prejudicados pela cobrança diferenciada é pura ilusão. Esse custo adicional em algum momento vai chegar ao usuário final. No caso do Netflix, por exemplo, é bem provável que haja algum aumento no preço da assinatura em algum momento próximo.
  • Bruno  13/03/2014 13:13
    Prezado André, e regulações por acaso diminuem preço e aumentam a qualidade dos serviços? Cite um -- um só! -- exemplo de serviços de livre mercado que diminuíram preços e melhoraram a qualidade após serem severamente regulados pelo governo.
  • Andre Dias  13/03/2014 13:30
    Eu aleguei em algum momento que diminuiria o preço? Disse que vai aumentar, o que é bem diferente. O que faz os preços diminuirem é a concorrência e não a regulamentação. Por outro lado, a falta dessa regulamentação facilita muito a majoração dos preços.

    Mas, caro Bruno, estou esperando os contra-argumentos dos pontos que levantei. Onde estão?
  • Bruno  13/03/2014 13:36
    Prezado Andre, você fez uma afirmação sem nexo e eu apenas fiquei curioso: você diz que a "falta de regulação" facilita o aumento dos preços. Pergunto: que falta de regulação? Por acaso, a ANATEL foi abolida e eu não estou sabendo?

    Abraço!
  • Maicon  13/03/2014 13:44
    Posso citar um produto que melhorou em qualidade e baixou MUITO o preço quando o estado interviu no "livre comércio" da época. Indústria automobilistica.

    Sem o processo contra rockfeller por monopólio nenhuma outra empresa conseguiria crescer nos EUA pois ele fazia de tudo para quebrar qualquer poderoso que surgisse, em qualquer ramo! Mesmo que ele precisasse entrar em um novo ramo só para quebrar o novo empresário.

    Com a queda de monopólios (O governo interviu no livre mercado que existia e era dominado por rockfeller) Ford pode produzir um veículo barato e de qualidade.

    O problema real do brasil é a falta de mais concorrentes no mercado. Só assim eu consigo ver possibilidades reais de melhora nos serviços.
  • Procurador  13/03/2014 14:27
    Oi?!

    Prezado Maicon, reveja seus conhecimentos históricos. O que permitiu a queda nos preços e o aumento da qualidade dos carros foi a introdução de processos industriais revolucionários (à época) para a produção em massa de veículos.

    Ao fazer isso, Henry Ford foi capaz de reduzir drasticamente o preço de um produto (automóveis) que até então era acessível apenas para a camada mais rica da sociedade. Ford não criou o desejo de se comprar carros, o qual sempre existiu independentemente das condições de mercado. Ele apenas expandiu enormemente a quantidade de carros baratos, o que permitiu que a demanda fosse saciada por meio do consumo.

    O capitalismo gerou e desencadeou a capacidade produtiva de empreendedores e trabalhadores, o que derrubou os custos dos bens e serviços e possibilitou altos níveis de consumo para uma ampla gama de indivíduos. Sem as inovações que Ford e outros industrialistas americanos implementaram à época, não teria havido nenhuma melhoria e nenhuma redução nos preços.

    Ford reinvestia quase todo o seu lucro para aprimorar o processo de produção. Isso fez com que os automóveis apresentassem uma espetacular redução real de custo, indo de um preço hoje comparável ao de um iate para um preço que praticamente qualquer pessoa podia bancar.

    Não é à toa que o fordismo é odiado por esquerdistas até hoje. Eles não suportam ver capitalistas melhorando a vida do cidadão comum. Para eles, só governo pode fazer isso.

    E antes de continuar falando besteiras sobre Rockefeller ser "monopolista", algo que você ouviu da sua professora de oitava série, leia a minha resposta a você aqui, da qual você fugiu.
  • Andre Dias  13/03/2014 13:49
    Bruno, até agora você não rebateu meus argumentos sobre essa dupla cobrança pelo tráfego na rede. Aliás, gostaria que o autor do artigo se manifestasse sobre quão justo isso é. Do ponto de vista econômico e moral.
  • Magno  13/03/2014 14:33
    É sempre assim. Quando o cara fica sem argumentos econômicos, ele imediatamente recorre a afetações de moralismo e a efusões de sentimentalismo. Pior ainda: utiliza como cenário um arranjo regulado pelo estado dizendo que se trata na verdade de um genuíno livre mercado.

    A pergunta da qual o André foge é: como é que uma regulação estatal da rede irá reduzir preços e melhorar os serviços? Por que a regulação estatal seria preferível à abolição da agência reguladora -- que existe para proteger as grandes empresas -- e a consequente abertura do mercado para absolutamente toda e qualquer empresa de qualquer lugar do mundo?

    Em suma, por que a regulação estatal seria preferível a uma livre concorrência ampla e irrestrita, com empresas coreanas, japonesas, suíças e alemãs disputando clientes a tapa?

    Só isso.
  • Andre  13/03/2014 13:34
    Desde o surgimento da internet os preços vêm caindo e a qualidade vem aumentando continuamente.
    Como é normal em um marcado altamente desregulamentado.
    Baseado em quê você acha que isso vai parar de acontecer? Bola de cristal, borra de café, tripas de peixes?

    E ainda que isso fosse verdade... Não sabia que nos últimos milhares de anos todas as regulações de preços, sem exceção, foram um completo fracasso?
    O Marco Civil é também uma regulação de preço, pois diz que todos os tipos de dados devem trafegar pelo mesmo preço.

    E, pra finalizar, se as empresas aumentarem os preços de modo à terem lucros exorbitantes é só você ir no banco,
    explicar isso pro seu gerente, e pedir um empréstimo para entrar no mercado e aniquilar essas empresas ineficientes!
    Ah, é, não vai poder, pois a ANATEL, que você tanto ama não vai deixar você entrar no mercado.
    Tá vendo, é a ANATEL que mantém os preços no Brasil altos, pois ela impede a entrada de concorrentes.

    Se não tivesse a ANATEL eu poderia vender uma parte da minha velocidade de acesso à internet para
    o meu vizinho. Com isso nós dois teríamos internet mais barata. Mas a ANATEL não deixa, ela está
    aí para manter os preços elevados.
  • Daniel Marchi  13/03/2014 14:32
    André

    Sobre a comparação com as estradas, é claro que existem limitações no exemplo. No próprio texto argumentei que as redes de dados são muito mais complexas que as estradas.

    Sobre os preços da Netflix. Como empresas privadas, tanto ela como a Comcast são livres para estabelecerem seus preços. Em países que os governos expandem continuamente sua oferta monetária, é um pouco difícil dizer se os aumentos decorreram do negócio em si ou do aumento generalizado dos preços. Só um detalhe, no setor de informátia e telecomunicações é muito comum observar queda de preços e aumento sensível da qualidade. No final de 2013 a Netflix anunciou a REDUÇÃO de U$1,00 para novos clientes. Veja aqui: goo.gl/IyfLLWN
  • Andre Dias  13/03/2014 14:49
    Obrigado pela resposta. Contudo, a limitação não está na metáfora utilizada. Essa mesma metáfora leva a dois outros questionamentos:

    1. Concorda que haveria dupla cobrança pelo tráfego na rede?
    2. Por que essa dupla cobrança seria justa uma vez que esse tráfego em rede já foi pago pelo assinante que fez a solicitação do conteúdo?
  • Carlos Garcia  13/03/2014 16:10
    Sobre a dupla cobrança: depende do contrato celebrado pelas duas partes. Vou ser meio advogado do diabo aqui, mas se um provedor não é obrigado por contrato a não fazer controle do seu tráfego, então ele pode fazer. Não acho injusto por um seguinte motivo: o tráfego de dados no horário de pico é um recurso escasso, e como qualquer recurso escasso, está sujeito à lei de oferta e demanda. Já que estamos fazendo analogias, vou compararas a prioridade na transmissão de dados com o papel higiênico na Venezuela. A partir do momento que o governo tratar esse escasso recurso como um bem inesgotável, e passar a regular seus preços, a oferta não se alterará, mas a demanda não sera controlada. Ao invés de internet de qualidade para todos, teremos internet medíocre (ou pior, internet nenhuma) para todos.
  • Carlos Garcia  13/03/2014 16:55
    Só pra não parecer que eu sou só mais um libertário reclamão, que parece ser contra tudo que o governo faz (apesar de ser sim, hehe), vou propor a - óbvia - solução libertária:

    Se você quiser baratear um produto/serviço, aumente sua oferta. Para aumentar a oferta, siga um - ou ambos - dos caminhos a seguir: 1) aumente sua produtividade com investimentos em capital, e/ou 2) aumente a concorrência do setor.

    As duas vias podem ser implementadas pela mesma resposta: diminua a regulamentação. Menos impostos para importar equipamentos eletrônicos permite aos provedores investir em infraestrutura (opção 1), menos burocracia e menos restrições regulatorias facilita abertura de novas empresas (opção 2), e por aí vai. Sem a "neutralidade" da internet empresas podem oferecer pacotes diferenciados para atrair os consumidores mais "atípicos" (tanto os mais econômicos, como a claro fez ao oferecer facebook gratis, quanto os mais gastadores que não se importam de pagar preços exorbitantes por tecnologia de ponta).

    Mais regulação não passa por nenhuma destas duas opções. NÃO aumenta a oferta do serviço, e portanto não o barateia. Mais uma vez, a resposta libertária é tão lógica e básica, que se torna repetitiva.
  • Andre Cavalcante  13/03/2014 17:48
    Xará, que mundo cê vive?

    A analogia com uma estrada é muito boa! Os carros são os quanta da estrada assim como os pacotes são os quanta da Internet. Para usar uma estrada, cê paga pedágio. Para usar a Internet cê paga a mensalidade para a operadora de telecom. Quanto tem muito carro para pouca estrada, temos engarrafamento. Quanto temos muitos pacotes para pouca fibra, temos congestionamento. As técnicas para controle de tráfego, inclusive, são iguais em ambas (semáforos, desvios via balde furado, etc.), isto porque são ambas chamadas de indústrias de rede.

    E o que tem uma empresa pagar à outra para ter melhor acesso? O que tem de mal em uma transportadora pagar mais para uma operadora da estrada para ter prioridade de acesso e maior velocidade de tráfego? Resposta: nada, em absoluto. Da mesma forma, o que tem de mal em a Netflix pagar para à provedora de acesso para que seu tráfego tenha maior prioridade? Resposta: nada, novamente, em absoluto.

    E se a Netflix vai repassar esse custo para os clientes? Ora, pode até tentar, agora se os clientes vão permanecer com ela é outra história:

    www.youpix.com.br/trending/nao-e-so-netflix-as-diferencas-entre-os-5-principais-servicos-de-streaming/

    corporate.canaltech.com.br/noticia/mercado/Totalmovie-chega-ao-Brasil-para-tentar-desbancar-Netflix/

    www.baboo.com.br/hardware/hardware-tecnologia/sky-lanca-seu-concorrente-do-netflix/
  • João Vitor  24/04/2014 13:01
    A questão que não vejo ninguém comentar é que as Teles já tem um lucro massivo atualmente oferecendo um serviço de qualidade baixa e investindo uma fração irrisória em melhorias de infraestrutura. No Brasil é tudo muito cosmético, faz de conta pra o povo ver e fingir que acredita e está certo. Forçar a oferecer qualidade de conexão quando o youtube estiver saturando a rede não vai aumentar o preço final perto consumidor, vai forçar a tele a gerenciar melhor os investimentos pra não perder pro concorrente.
  • Ricardo  24/04/2014 13:42
    Você infelizmente segue sem entender o básico. Enquanto o mercado for fechado, e essas empresas forem protegidas pela ANATEL contra qualquer concorrência estrangeira, tudo será uma porcaria.

    Faça o correto: defenda a abolição da ANATEL e peça a imediata liberalização do mercado para a vinda de empresas estrangeiras. Se empresas coreanas e japonesas tiverem liberdade de entrar aqui para oferecer seus serviços, quero ver se as atuais empresas ficarão de bobeira.

    Agora, se você realmente acha que a solução é ficar regulando o mercado, controlando preços e impondo condições mínimas de serviço, aí é porque é burro mesmo, e eu nada mais posso fazer por você.
  • Rodrigo Amado  24/04/2014 13:59
    Se as teles têm um lucro MASSIVO porque as empresas estrangeira não vêm pra cá concorrer com elas, oferendo preços bem menores, e ainda assim terem um lucro razoável?

    Ah, é... A ANATEL não deixa. A ANATEL pensa que é ruim para as pessoas pagar mais barato por telefonia e internet.
    Tanto que a ANATEL até me proíbe de revender metade da minha internet pros meus vizinhos para fazer com que gastemos menos.

    Continue acreditando que a ANATEL vai resolver tudo que eu estou me preparando para emigrar para um país onde qualquer empresa possa tentar me vender os seus serviços, e não apenas aquelas que tem amigos no poder.
  • Bruno D  13/03/2014 13:49
    O MC não ia passar, para evitar a derrota, o governo espertamente segurou a votação:

    g1.globo.com/politica/noticia/2014/03/pedido-do-planalto-alves-adia-votacao-do-marco-civil-da-internet.html

    g1.globo.com/politica/noticia/2014/03/pedido-do-planalto-alves-adia-votacao-do-marco-civil-da-internet.html

    Mas enfim, como é bom ver o PT acuado.. Estou adorando isso!
  • Rodolfo  13/03/2014 15:04
    Um dos pontos da neutralidade da rede não é a defesa dos usuários finais, mas dos possíveis empreendedores da rede.

    Por exemplo, imagine que tenho uma ideia brilhante para distribuir vídeos das pessoas. Um concorrente seria o youtube. Sem neutralidade, meu negócio poderia se tornar inviável, já que o youtube disporia de melhores "estradas" e prioridade na rede. A competição seria desleal, uma vez que o google (dono do youtube) tem muito mais poder de barganha para ter melhor acesso à toda a rede do que uma empresa iniciante.

    Agora imagine se o Facebook, a alguns anos atrás, fosse 100x mais lento de acessar do que o Orkut? Teria ele, hoje, o tamanho que tem? E o Netflix, faria o sucesso que fez se as empresas que vendem TV+Internet (quase todas as teles daqui, se não todas) cobrassem a mais para usar a rede com esse serviço?

    A internet é uma revolução também por causa dessas possibilidades de empreendedorismo. E não vejo isso acontecendo sem a neutralidade da rede.
  • Alexandre  13/03/2014 15:22
    O gozado é que atualmente (ainda) não há neutralidade de rede e nenhum destes cenários tétricos se comprovou. Por quê?
  • Rennan Alves  13/03/2014 15:48
    Prezado Rodolfo, se o Youtube possui as melhores "estradas" a sua disposição, como você explica o alto "traffic shapping" realizado pelas prestadoras de serviços?

    Aliás, como você explica que o Youtube possui estas estradas garantidas, se (até onde sabe-se) não há acordos entre o Google e as empresas de telefonia que garantem tal privilégio?

    E, para finalizar, o que tem haver o seu terceiro parágrafo com o resto do seu raciocínio? A meu ver estes são meramente casos isolados que servem para imaginar o que aconteceria se tais serviços em um livre mercado fossem piores que os antigos, cuja conclusão óbvia seria o seu extermínio.

    No aguardo de suas explicações.
  • Carlos  13/03/2014 16:01
    Ai você teria que oferecer um diferencial para que o pessoal venha para a sua rede social ou seu portal de videos. De qualquer forma começando pequeno é grande a chance de ser mais lento que as grandes, pois você não tem a infraestrutura necessária para competir com elas; precisa de servidores, um bom serviço de rede(ou mais, para ter redundância), um software otimizado e estável...

    Sem um diferencial que atraia os usuários fica difícil competir saindo lá de baixo. Não vai ser esse privilégio da rede que vai te atrapalhar. Tem coisa que um algoritmo melhor faz mais em um pentium do que um supercomputador em força bruta. Se não tiver um diferencial que atraia as pessoas para que vai servir o seu serviço?
  • Carlos Garcia  13/03/2014 16:02
    Deixa eu ver se eu entendi: voce acha ruim que o youtube aplique essa "desleal" concorrência, ao destinar recursos para oferecer um serviço gratuito de MELHOR qualidade aos usuários, só porque você quer entrar no mercado? A lógica dos estatistas é que se um serviço detém a maior parte de um mercado por oferecer o melhor custo-benefício para o consumidor, o certo seria criar fatores dificultantes para esta empresa, apenas para que novatos ofereçam serviços mais limitados sem quebrar. É uma total falta de consideração para com a opinião do consumidor (ah, se eles soubessem o mal que a ANATEL faz). É só uma forma de justificara a mediocrização de todo um setor.
  • Vive la liberte!  13/03/2014 16:19
    Rodolfo, eu acho esse cenário pouco provável.
    Ainda que viesse a acontecer, sua empresa poderia fechar um acordo com alguma provedora de internet. Essa provedora passaria a oferecer um produto diferenciado e superior. Esse arranjo é atrativo para a provedora, pois estamos partindo do pressuposto de que o seu site é "uma ideia brilhante para distribuir vídeos das pessoas" e naturalmente há muitos clientes que desejam acessá-lo. Esse acordo servirá até como uma bandeira na hora de fazer propaganda e roubará clientes dos provedores adversários que optaram pelo YouTube.

    Pode ser que a Google, com sua enorme fortuna, se disponha a cobrir a receita de prospecção de novos clientes e assim impedir que seu site coloque o YouTube para escanteio. Porém, essa estratégia é inviável a longo prazo. É mais provável que a Google ou outro gigante da rede faça uma oferta a você.

    Na verdade, isso já aconteceu. Lembra que existia o Google Vídeo? Era bem médio. Foi então que a Google comprou o YouTube, em vez de fechar acordos com provedoras.
  • Zening  13/03/2014 16:22
    "Por outro lado, a imposição governamental da rede neutra implicaria uma série de consequências, a maioria delas não premeditada ou não esclarecida pelos proponentes. E seria assim porque as propostas de neutralidade padecem de uma espécie de "falácia do nirvana": a ideia é definida em termos utópicos, algo como "todos os bits devem trafegar livremente por todas as redes, sem qualquer tipo de gerenciamento de tráfego". Os desvios entre a realidade — sempre imperfeita — e o nirvana cibernético sonhado pelos partidários da Internet aberta serão usados como justificativa para as devidas "correções das falhas". Qualquer semelhança com a enganosa ideia de 'concorrência perfeita' não é mera coincidência."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1603
  • Rodrigo Garcia Wettstein  13/03/2014 16:49
    Não entendo Rodolfo. Por exemplo, existindo uma Vale do Rio Doce, por que eu não teria chance com uma mineradora de pequeno porte? O meu sucesso e lucro possivelmente não seriam iguais ao da Vale, mas minha empresa não morreria pela Vale existir. Morreria pela burocracia e taxação do governo, ou por alguma incompetência ou falta de criatividade minha.
  • Andre Dias  13/03/2014 17:20
    Eu acho que o ponto que o Rodolfo colocou é muito válido. Não será mais apenas o interesse pelo conteúdo que fará um ou outro site ser mais visitado, mas também a qualidade do acesso a esse site.
    Por exemplo, se o nível de traffic shaping da NET sobre o Skype for muito alto, eu não vou mais usar o Skype porque o serviço ficará péssimo.

    Eu não entendo essas pessoas defendendo o fim da neutralidade como se isso não fosse ter impacto na liberdade, na qualidade nem no preço do serviço. Como se o fato de alguém ter algum provedor de conteúdo ter de pagar a mais para oferecer seus serviços não fosse refletir em algum momento em nossos bolsos.

    Eu não quero que meu provedor de internet decida o que eu posso ou não baixar. Eu já pago pelo acesso de uma certa quantidade a uma certa velocidade. Sou eu quem decido o que eu quero ver e cabe à prestadora do serviço de internet me fornecer uma conexão confiável conforme o contrato estabelecido.

    Se é um recurso escasso como afirmou Carlos Garcia e com quem concordo, cabe à provedora de internet garantir o seu nível de serviço com investimentos constantes em melhoria. No preço da mensalidade e no planejamento dessas operadoras, já está embutido isso. Vender mais do que sua capacidade e cobrar uma taxa a mais por sua ineficiência é que não pode ser.
  • Magno  13/03/2014 17:32
    Andre Dias, ainda estou no aguardo da sua resposta à minha pergunta dali de cima. Dado que você fugiu, vou repeti-la aqui:

    Como é que uma regulação estatal da rede irá reduzir preços e melhorar os serviços? Por que a regulação estatal seria preferível à abolição da agência reguladora -- que existe para proteger as grandes empresas -- e a consequente abertura do mercado para absolutamente toda e qualquer empresa de qualquer lugar do mundo?

    Em suma, por que a regulação estatal seria preferível a uma livre concorrência ampla e irrestrita, com empresas coreanas, japonesas, suíças e alemãs disputando clientes a tapa?
  • Andre Dias  13/03/2014 17:59
    Mas em que momento exatamente eu afirmei que a regulação estatal vai reduzir preços e melhorar os serviços? Quando afirmei que a regulação estatal é preferível à abolição de uma agência reguladora?
    Onde é que eu estou defendendo a regulamentação estatal?

    Quem deu a entender isso foi o Bruno. Pergunte a ele. Da minha parte, a falta de regulamentação a que me referia é a respeito apenas da neutralidade da rede. Afinal, traffic shaping é proibido ou não? Quais as punições?

    Há outro André na discussão. Se quiser se referir a minha pessoa, melhor usar André Dias.
  • Daniel Marchi  13/03/2014 17:52
    Ninguém está defendendo o fim da neutralidade de rede. Ela não existe hoje. O que se defende é que ela não seja imposta pelo estado.

    Sobre o provedor de rede fazer o controle do seu tráfego, é muito simples. Se algum deles começar a praticar isso, troque de empresa. A livre concorrência vai inibir qualquer prática que desagrade os consumidores.
  • Carlos Garcia  13/03/2014 18:06
    Mas André, se você tem tanto medo de ter seu conteúdo controlado por empresas desreguladas, então por que isso não aconteceu ainda? A resposta libertária é simples: porque os consumidores não compram o que não querem! Em um mercado de livre concorrência, partindo de uma situação hipotética em que uma ou mais empresas praticam esse controle descarado e imoral, basta uma única concorrente oferecer serviços irrestritos (ou ao menos "menos restritos", como o que ocorre hoje) para esbanjar esse cartel. Mesmo que seja uma empresa pequena e com internet lenta e inferior, ela tem tudo para crescer, simplesmente porque fornece o que os consumidores querem. Assim poderia forçar suas concorrentes ou a 1) baixar preços ou 2) mudar sua política e se adequar ao que o povo quer.

    Acho que você tem o coração no lugar certo, André. Mas em suas argumentações você está esquecendo do fator concorrência. Regulamentar a internet dificulta a entrada de provedores concorrentes, porque muitos simplesmente não terão capital inicial para oferecer os "recursos mínimos" requeridos pela lei. E se eu achar que a minha internet lerda e instável vale o preço que eu pago? Se ela for barata o suficiente, pode ser que valha a pena. Será que o governo tem o direito de me dizer que eu não posso fazer essa escolha por mim mesmo?

    P.S.:
    Hoje estou de folga, posso passar o dia inteiro comentando no IMB, dando trabalho pros moderadores, hehe
  • Andre Dias  13/03/2014 19:57
    Daniel Marchi: Mas que concorrência? Aqui onde moro tem a NET e mais uma só que se chama Desktop! Duas ruas mais a frente, nem NET tem!

    Além disso, deve haver um mínimo de direitos a ser estabelecido em lei. A neutralidade da rede é um deles a meu ver.

    Carlos Garcia escreveu: "E se eu achar que a minha internet lerda e instável vale o preço que eu pago? Se ela for barata o suficiente, pode ser que valha a pena. Será que o governo tem o direito de me dizer que eu não posso fazer essa escolha por mim mesmo?"

    Mas peraí! O governo diz quanto sua internet tem de custar? É por isso que a internet no Brasil é tão cara?

    O pessoal vem falando de regulamentação como se isso fosse uma coisa inerentemente ruim. Por acaso alguém se lembra de que no contrato de internet a operadora só garante 10% da velocidade contratada? Há uma regulamentação que exige um aumento desse percentual mínimo para 20% e mais para frente para 30% etc. Sem essa regulamentação ficaríamos amarrados a essas condições. E se não gostar, vai correr pra onde? Todas as duas disponíveis fazem o mesmo.

    Se um provedor quiser entrar no mercado com uma internet ruim e barata, basta cumprir o que promete, isto é, se diz que fornece 512kbps, que seja. Compre quem quiser. A regulamentação só exige que você cumpra o que promete. Isso é ruim por acaso?

    A regulamentação por si só não dificulta a entrada de concorrentes. Se uma regulamentação ficou assim, com certeza é porque teve os dedos das operadoras para evitar a entrada de outros ou do governo, para garantir um preço mínimo como vai acontecer agora com o 4G, em que o governo quer diminuir as obrigações para aumentar o preço do leilão e engordar o caixa. Sendo assim, que livre concorrência é essa?

    A regulamentação pode ser boa e necessária para defender os direitos dos consumidores, que são o elo mais fraco na relação de consumo com as operadoras. Sem isso, nos seriam impostos contratos abusivos.

  • Alexandre  13/03/2014 21:07
    É mais fácil dialogar com uma porta do que fazer o André Dias perceber como ele está sendo incoerente. O nêgo dá vários exemplos práticos de como as regulamentações da Anatel cartelizaram o mercado, impediram a entrada de novas empresas e acabaram com qualquer tipo de concorrência. E aí o que ele sugere? Ainda mais regulamentações, as quais supostamente irão (agora vai!) corrigir as lambanças geradas pelas regulamentações anteriores.

    Por que as pessoas simplesmente não entendem que não se corrige cagadas feitas pelas regulamentações criando novas regulamentações? Por que as pessoas não entendem que a solução é fechar a Anatel e liberar geral a entrada de empresas (de qualquer lugar do mundo) no setor?

    Estudem a Guatemala ao menos.
  • Andre Dias  13/03/2014 21:41
    Alexandre, por que você não aponta exatamente os pontos onde fui incoerente e apresenta suas contra-argumentações ao invés de fazer críticas soltas e sem sentido?

    Onde é que eu sugeri mais regulamentações? Onde eu falei que essas regulamentações vão corrigir as lambanças anteriores?

  • Alexandre  13/03/2014 23:26
    Acabei de falar. Você confunde causa e consequência. Você vivencia os efeitos da regulamentação, mas diz que tais efeitos decorrem de um mercado livre e desimpedido. E, para corrigir os efeitos causados pela regulamentação do setor (ANATEL), você pede ainda mais regulação.

    Não sei ser mais claro do que isso. Aliás, toda a conversa aqui se resume a isso. Veja os comentários do Bruno, do Magno, do Carlos Garcia e do próprio Daniel Marchi, que teve a gentileza de comparecer aqui nos comentários. Todos falam a mesma coisa. Se você ainda não entendeu nem isso, então já não é nem questão de conhecimento econômico. É de literatura mesmo.
  • Daniel Marchi  13/03/2014 22:26
    Entre nesse portal e você vai entender bem porque não há concorrência.

    legislacao.anatel.gov.br/

    Com a imposição da neutralidade de rede pelo governo, a quantidade de resoluções deve crescer mais um pouco.

    Procure também informações sobre normas municipais para construção de dutos e instalação de antenas. Não se esqueça das tarifas de importação de equipamentos. Junte a isso todo o sistema jurídico que não protege de forma alguma a propriedade privada. A cereja do bolo é a CLT.

    É isso. Talvez falte um pouco mais de intervenção do estado para "promover" a concorrência.

    Sinceramente...
  • Carlos Garcia  13/03/2014 18:28
    Vou terminar com duas recomendações de leitura

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1647

    E uma recomendação de vídeo (essa, vou ficar devendo o link). Procure por free market product safety no youtube, e entenda que mesmo sem órgãos para garantir a qualidade de produtos e seviços, um mercado livre consegue manter um alto padrão de qualidade para seus consumidores.

  • Andre Cavalcante  13/03/2014 18:15
    Rodolfo,

    "Por exemplo, imagine que tenho uma ideia brilhante para distribuir vídeos das pessoas. Um concorrente seria o youtube. Sem neutralidade, meu negócio poderia se tornar inviável, já que o youtube disporia de melhores "estradas" e prioridade na rede. A competição seria desleal, uma vez que o google (dono do youtube) tem muito mais poder de barganha para ter melhor acesso à toda a rede do que uma empresa iniciante."

    Uai, mas a sua ideia não é brilhante? Acho que perdi o ponto aqui, você tem ou não uma ideia brilhante para distribuir vídeos? Se tem de fato, o que vai impedir você de distribuir os vídeos com sua ideia brilhante. Lembre-se, quando o youtube começou, ele também não tinha nada para barganhar uma prioridade de tráfego e mesmo assim cresceu. Porque não pode acontecer o mesmo com você?

    "Agora imagine se o Facebook, a alguns anos atrás, fosse 100x mais lento de acessar do que o Orkut? Teria ele, hoje, o tamanho que tem? E o Netflix, faria o sucesso que fez se as empresas que vendem TV+Internet (quase todas as teles daqui, se não todas) cobrassem a mais para usar a rede com esse serviço?"

    De novo. O que impede essas teles de fazer isso agora? Nada, certo. E porque não ferram com o facebook? Porque não ferram com a Netflix? Não é de interesse delas que os filmes sejam vistos nos canais TeleCine em vez da Netflix? Pense bem, não é difícil...


    "A internet é uma revolução também por causa dessas possibilidades de empreendedorismo."

    +1

    "E não vejo isso acontecendo sem a neutralidade da rede."

    Eu já não vejo isso acontecendo COM a neutralidade da rede. De novo: hoje não há neutralidade da rede. É difícil empreender nela? Sim é, mas quem o faz com seriedade e perspicácia, consegue e os lucros são formidáveis. Com a neutralidade vai ficar mais fácil? Não, vai ficar MUITO mais difícil, porque o teu negócio vai ficar amarrado ao que o governo decidir o que é bom e o que não é.


  • Rodrigo Garcia Wettstein  13/03/2014 19:21
    Regulamentação pelo Poder Executivo e definição do que seja Internet. 2 pontos fraquíssimos e pouco detalhados.

    Como seria esta regulamentação? Com punição? Pelo Ministério das Comunicações? E a Deep Web? Perto das eleições teremos censuras de divulgação política pelo próprio governo?

    E a definição da internet? O próprio termo "protocolo lógico" pode parecer o senso comum de internet, mas não é e carece de exatidão. Internet (para mim) é a inter-transferência de dados com código binário (e que usa protocolo lógico para comunicação). Honestamente, não foge disso. Porém, o projeto de lei descreve a internet como:

    (...) " Art. 5 - Para os efeitos desta Lei, considera-se: I - Internet - o sistema constituído de conjunto de protocolos lógicos, estruturado em escala mundial para uso público e irrestrito, com a finalidade de possibilitar a comunicação de dados entre terminais por meio de diferentes redes;" (...)

    Com esta definição, o PL cobriria também as tecnologias de rede que não usam código binário, não apenas a internet no seu real conceito. Afinal, "protocolos lógicos" não são apenas http ou o "código binário".

    "Protocolo lógico" num entendimento generalizado, envolvem, por exemplo, tecnologias futuras que usem codificação de pontos referenciais nas formas de ondas transmitidas, códigos Morse (sim, eles podem ser usados em escala mundial, serem codificados, transmitidos, recebidos e decodificados e são um "protocolo lógico"), a telegrafia, as futuras transmissões codificadas por terra ou água (de ressonância / pulsos), a própria telefonia digital (não analógica), transmissões codificadas por fontes de luz e, incrivelmente, a TV digital (que usa protocolo lógico).

    PS: Ressalva ao que disse no início sobre a Telebrás, para não fazer injustiça, apesar de eu não acreditar e achar eleitoreiro. O Ministério das Comunicações declarou semana passada: [link]www.comunicacoes.gov.br/noticias/30112-banda-larga-popular-ja-esta-em-mais-de-4-500-municipios[link]
  • Paulo  14/03/2014 16:46
    òtimo artigo e se essa extrovenga for aprovada, esse artigo servirá como profecia.
    Se G.Orwell vivesse nos dias de hoje, o livro dele 1984 teria incluído mais um postulado no duplipensar.

    "Internet neutra é Internet controlada"
  • gabriel  14/03/2014 23:53
    Engraçado utilizar a concorrência desleal e pequenos produtores junto com teles, serviço o qual por mais que se tente, nem pequenos nem grandes podem entrar no mercado cartelizado brasileiro
  • João Araujo  15/03/2014 02:18
    Alguém tem tem o video comentado no artigo que fala sobre a neutralidade da rede em português dublado ou legendado?
    Eu entendo mas grande parte das pessoas que me rodeiam, ou entendem pouco, diminuindo o interesse pelo video, ou não compreendem nada.
    Seria de grande importancia divulgar esse video. Hoje as correntes no whatsapp rodam o Brasil muito rápido. Creio que é uma forma eficaz de mostra o engodo que é o projeto.

    O video que me refiro é esse:
    https://www.youtube.com/watch?v=oTshrURtcjU

    Obrigado.
  • Aderbal Araújo  24/03/2014 23:21
    Dificilmente a internet no Brasil ficará como é... Aliás, é caríssima, e por mais complexa que seja a estrutura, os preços da internet no país são abusivos e a tendência é as operadoras passarem a oferecer internet como oferecem tv a cabo e planos de telefonia móvel. De que adiantaria livre concorrência se todas poderão fazer isso? Hoje, a Claro faz isso com facebook e twitter, amanhã todas as operadoras farão isso com boa parte do conteúdo. Pacotes e mais pacotes de conteúdo e a internet brasileira vira Tv a cabo... Que aliás, também é caríssima.
  • Juvenal  24/03/2014 23:42
    "De que adiantaria livre concorrência se todas poderão fazer isso?"

    O livre mercado -- que só seria possível com a abolição da Anatel e total e incondicional abertura do mercado nacional à vinda de empresas de qualquer lugar do mundo -- iria justamente coibir qualquer chance desse tipo de coisa. Afinal, a empresa que adotasse tal prática perderia completamente seus clientes, que iriam migrar para as inúmeras outras empresas.

    O grande problema do brasileiro é que, como ele nunca vivenciou um livre mercado, ele não tem a mais mínima ideia de como as coisas funcionam sob este arranjo. Logo, ele é incapaz de raciocinar sob estes termos.
  • Andre  25/03/2014 00:06
    "De que adiantaria livre concorrência se todas poderão fazer isso?"

    No livre mercado todo mundo pode ofertar o preço que quiser.
    Se uma empresa quiser oferecer internet à velocidade de 64kbps (velocidade da década de 90) por 500 reais por mês ela tem esse direito.
    E, naturalmente, as outras empresas, para roubar clientes dessa empresas irão oferecer velocidades maiores à preços menores. E com a competição os preços diminuem cada vez mais.

    Como você mesmo deve saber empresários querem ganhar dinheiro, e a melhor forma de ganhar dinheiro não é "combinar" com os outros empresário para todo mundo oferecer preços altos, pois sempre vai ter um, ou mais que não irão participar de tal acordo, e irá oferecer preços menos, daí aqueles que estavam no acordo vão tentar oferecer preços menores ainda, e assim sucessivamente. Até que a margem de lucro daquele mercado chegue à níveis tão baixos que ninguém mais quer invetir naquele mercado, e nesse momento os consumidores estão bem satisfeitos, pois o processo de concorrência levou os preços à valores bem baixos.

    Mas brasileiro que sofreu lavagem cerebral na escola pensa que a coca-cola só não cobra 100 reais por litro porque o governo não deixa. E não porque existe concorrência.
    Vai entender...
  • Peter  26/03/2014 07:22
    E o que mais se temia aconteceu hoje... marco civil da internet foi aprovado. "Big brother is watching you".
  • Tiago RC  26/03/2014 10:24
    Que merda. Ainda tem que ser aprovado pelo senado, mas se passou tão fácil na câmara, vai provavelmente passar no senado também.

    É galera do IMB... melhor tirarem seus servidores do Brasil. Na verdade, melhor vocês mesmos saírem do país. Na verdade, melhor todo brasileiro sensato sair do país... deixem essa terra a esses iludidos, não vale a pena o esforço.
  • Pobre Paulista  26/03/2014 13:18
    Ué, alguém achou que não ia passar? Quanto otimismo desnecessário...
  • anonimo  26/03/2014 13:49
    Vc é o mesmo que comenta no bolha imobiliária?

    Vejo os comentários ali e fico desolado. Pq ali aparentemente é um grupo com uma capacidade de entendimento maior e vejo absurdos (com frequência) como:

    1) O governo tem que fazer alguma coisa.
    2) É certo o governo aumentar imposto.
    3) Aumentar imposto é bom.
    3) Especulador é o que existe de pior no mundo (um dos motivos pq aumentar imposto é bom é que eles acham que isso vai ferrar apenas a vida do especulador).
    4) O governo é bom, talvez este governo não, mas é apenas uma questão de partido.
    5) Mais leis, mais fiscalização, uma presença maior do governo e impostos contra especuladores, é disso que o Brasil precisa.

    Isso me dá um desânimo... Vejo o quanto estamos longe de qq liberdade econômica e/ou social.

    Desculpe acho que é um pouco fora de tópico o que acabei de escrever.

    Obrigado.

  • Pobre Paulista  26/03/2014 14:42
    Olá, sou eu sim e muitas vezes me sinto como você. O ponto é que eu ainda acho que muita gente por lá "tem salvação", então sempre que é pertinente eu tento colocar as coisas numa ótica liberal para ver se o pessoal entende.
  • Diego  26/03/2014 20:10
    Acho que não se trata de uma regulamentação, mas sim de organizar a internet. O que temos hoje é ainda uma penumbra cinzenta entre o legal e o ilegal. As pessoas esquecem que a internet abriga milhares de sites de pedofilia, os domínios da deep web são repletos de conteúdo tóxico que pode ser visto e compartilhado por pessoas anonimamente sem qualquer restrição. Aí quando você se pergunta porque uma família enfrenta problemas com um jovem desequilibrado e sucumbindo aos vícios em jogos, percebe que a resposta está exatamente na facilidade que algumas pessoas tem de produzir e divulgar conteúdos criminosos na rede, vitimizando psicologicamente as pessoas e seus meios de convívio. Isso é a destruição da sociedade. Concordo que o caráter anárquico da rede é fundamental pra a contestação das tentativas de estados totalitários de censurar as pessoas, mas antes da rede existir, já existiam as lutas por liberdade de expressão. As pessoas esqueceram de que a internet foi essencialmente criada para o compartilhamento de pesquisas, em todas as áreas de abrangência. A principal função da rede é espalhar o conhecimento, o verdadeiro, aquele que perdura mesmo quando falsos intelectuais tentam criar verdades. Você pode escolher ler um blog de um cara que leu Foucault, ou pode escolher ler o próprio Foucault, e criar sua própria opinião a respeito do que ele escreve em comparação com aquilo que se vivencia. As pessoas estão entrando numa de comprar qualquer opinião alheia para se fazer passar por alguém mais informado e profundo, e se esquecem de que isso é como a poeira em cima de um móvel antigo. Parece impossível de se desfazer, mas basta passar um pano molhado que sai tudo. Lamento que nosso país careça enormemente de acesso à educação de qualidade, e as vezes penso que mesmo com toda essa qualidade que desejamos, o nosso povo é estúpido demais para conseguir se livrar de sua maldição. Me pergunto que mal eu fiz pra ter nascido aqui.
  • Norris  26/03/2014 21:03
    Que lindo esse raciocínio! Um imbecil e delicado fica todo desestruturado só porque viu coisas na deep web, e a consequência é que o estado deve abolir a minha liberdade!

    Esse tal Diego é o pior tipo de charlatão que existe: aquele que recorre a argumentos humanistas como justificativa para conceder mais poderes totalitários a tiranos.

    Um delicado ficou desestruturado porque viu pornografia na web? Ora, isso é motivo mais do que suficiente para entregarmos o controle da internet para o PT!

    Seja coerente, exerça sobre si próprio uma autocensura e caia fora daqui, pois este site não é para totalitários.
  • Rodrigo Garcia Wettstein  26/03/2014 22:17
    Norris, preste atenção no que ele escreveu e veja quem foi mais coerente com liberdade, democracia e generosidade intelectual, se você ou ele:

    ELE: "Concordo que o caráter anárquico da rede é fundamental pra a contestação das tentativas de estados totalitários de censurar as pessoas, mas antes da rede existir, já existiam as lutas por liberdade de expressão."

    ELE: "Acho que não se trata de uma regulamentação, mas sim de organizar a internet. O que temos hoje é ainda uma penumbra cinzenta entre o legal e o ilegal."

    VOCÊ: "Seja coerente, exerça sobre si próprio uma autocensura e caia fora daqui, pois este site não é para totalitários."

    Norris, voto no Diego. Não importa quem você seja, pode ser o Mises, o papa, a presidente, respeite a opinião QUANDO é dada sem rasteiras intelectuais. Isto aqui a princípio ainda é um site Liberal, do qual eu admiro muito!
  • Leo  27/03/2014 13:46
    Achei o artigo excelente, em especial porque até o momento eu não havia lido nada em oposição a neutralidade da internet que realmente tivesse qualquer relevância.

    Em relação a esse assunto, creio que ela é muito mais complexo e sistêmico, e que marco algum conseguirá abarcar todo tipo de situação que pode nascer dessas decisões. Mas sejamos realistas, e me arriscando parecer um esquerdista, as maiores empresas não são focadas em melhorar a vida de consumidores que conscientemente irão decidir pelo melhor serviço e etc. Trabalho em marketing a mais de uma decada e to pagando para ver na cultura brasileira essa capacidade de posicionamento e engajamento de médio a longo prazo no nosso povo, mesmo entre os mais cultos. Exemplo clássico é a Tim que tem um serviço na melhor das hipotéses patético e continua sendo o principal fornecedor de telefonia móvel do Paraná por causa de um mix de preço e preguiça do consumidor em passar pelo processo de mudança de operadora.

    Acho que neutralidade na internet nem deveria ser discutido, mas num país de tantos contrastes, onde temos um governo populista esquerdista ao mesmo tempo que tem um dos campos mais prolificos para se ganhar com operações bancárias (esses mesmos os maiores investidores em campanhas políticas de todas as tendências e direcionamentos) não é de se estranhar que neutralidade venha a ser discutido e transformado em regras nascidas dentro do nosso incompetente governo em todas as suas esferas e poderes.

    Mas como eu disse, o assunto é complexo demais e faz parte de ser cidadão brasileiro aguentar todo tipo de ideia, boas e ruins e apenas curtir a discussão de boteco!
  • Andre  27/03/2014 15:56
    "Mas sejamos realistas, e me arriscando parecer um esquerdista, as maiores empresas não são focadas em melhorar a vida de consumidores que conscientemente irão decidir pelo melhor serviço e etc."

    No livre mercado tanto faz se as empresas estão, ou não, focadas em "melhorar a vida de consumidores".
    Pois, no livre mercado, empresas ruins vão à falência rapidamente.

    No livre mercado tanto faz se o dono da empresa tem desprezo pelos seus clientes. Ou ele vende o que os clientes querem ou ele vai à falência.
  • Leo  27/03/2014 16:13
    Empresas não vão a falência por serviço mal entregue, empresas vão pro buraco por péssima gestão de marca. Isso quer dizer que temos em nosso arsenal uma infinidade de ferramentas para manter uma boa imagem mesmo quando entregamos algo muito ruim. Novamente, veja o caso da TIM.

    Livre concorrência é bom, mas não é essa linda utopia de meritocracia perfeita, e empresas com grande munição são capazes de influenciar o estado a darem beneficios para elas em detrimento do consumidor. Veja o outro lado da Neutralidade na internet, quem sabe se o desfecho tivesse sido outro, as empresas estariam agora enlouquecendo seus setores de marketing para criarem novos e lindos produtos para segmentos especificos e com forte posicionamento. Legal, mas isso não significa nada de verdade além de mais opções de geração de receita com chances de mantermos os mesmo problemas de infra que já temos hoje.

    Pense, quanto do lucro vai para fora do país para manter as matrizes, quanto poderia ser reenvistido em melhoria da qualidade do serviço. Li um artigo a um ano atrás onde um gestor da TIM (não é obssessão minha, é apenas para manter o mesmo caso referência) dizia que a culpa do péssimo serviço era porque os clientes estavam usando em demasia o 3G e sobrecarregando as linhas! Ahhh, pare, se eles tem uma enorme demanda, grande volume de negócios, mais e mais clientes consumindo isso significa entrada de receita, logo, possibilidade de investimento em melhoria do serviço, certo? Não necessariamente!

    Sério, defender um lado em detrimento do outro é no mínimo temerário, acho que o mais certo a se fazer seria tentar articular um caminho no meio da qual a livre concorrência não necessáriamente é a melhor solução, mas com certeza passaria por ela.

    Assunto polêmico e que abre muitas possibilidades de percepções e desdobramentos.
  • Andre Cavalcante  27/03/2014 20:10
    Sr. Leo, meus comentários sobre o seu texto:

    "Empresas não vão a falência por serviço mal entregue, empresas vão pro buraco por péssima gestão de marca. Isso quer dizer que temos em nosso arsenal uma infinidade de ferramentas para manter uma boa imagem mesmo quando entregamos algo muito ruim. Novamente, veja o caso da TIM."

    Empresas vão a falência quando seus custos vão além da sua receita. Sinto, mas não há mágica que o marketing possa fazer se os custos estão acima da receita. E a receita cai quando os consumidores vão procurar outros produtos ou serviços. No caso da TIM seria assim: os consumidores saem da TIM e vão para OI (ou outra operadora), por exemplo (mas tem uma coisinha no meio que atrapalha isso, veja abaixo).

    "Livre concorrência é bom, mas não é essa linda utopia de meritocracia perfeita, e empresas com grande munição são capazes de influenciar o estado a darem beneficios para elas em detrimento do consumidor."

    Agora você chegou no ponto - o governo. Com ele, não há efetivamente "livre iniciativa". Isso porque só com o governo (leia-se a ANATEL) é que possível uma empresa como a TIM sobreviver. Então, o problema NÃO É a livre concorrência, como você coloca, mas o como o governo interfere justamente na livre concorrência, para beneficiar algumas empresas, o que se tem é uma realidade bem diferente: temos um oligopólio.

    "Veja o outro lado da Neutralidade na internet, quem sabe se o desfecho tivesse sido outro, as empresas estariam agora enlouquecendo seus setores de marketing para criarem novos e lindos produtos para segmentos específicos e com forte posicionamento. Legal, mas isso não significa nada de verdade além de mais opções de geração de receita com chances de mantermos os mesmo problemas de infra que já temos hoje."

    Não tenho nada contra mais opções e nem com empresas que ganham muito. Mas tenho muito contra, justamente, a falta de opções, o que é justamente que acontece hoje.

    "Pense, quanto do lucro vai para fora do país para manter as matrizes, quanto poderia ser reenvistido em melhoria da qualidade do serviço."

    Aqui caberia a questão, porque as empesas não reinvestem no Brasil?

    "Li um artigo a um ano atrás onde um gestor da TIM (não é obssessão minha, é apenas para manter o mesmo caso referência) dizia que a culpa do péssimo serviço era porque os clientes estavam usando em demasia o 3G e sobrecarregando as linhas! Ahhh, pare, se eles tem uma enorme demanda, grande volume de negócios, mais e mais clientes consumindo isso significa entrada de receita, logo, possibilidade de investimento em melhoria do serviço, certo? Não necessariamente!"

    Será o "custo Brasil" e as tarifas protecionistas para a importação de materiais (principalmente de bens de informática), não tem algo a ver com isso? Será que as políticas de controle de capitais do governo não tem a ver com isso?

    "Sério, defender um lado em detrimento do outro é no mínimo temerário, acho que o mais certo a se fazer seria tentar articular um caminho no meio da qual a livre concorrência não necessáriamente é a melhor solução, mas com certeza passaria por ela."

    A livre concorrência é a melhor solução. Mais ainda, é a única solução. O problema é que você está fazendo uma confusão danada de causa e efeito. Não temos concorrência, por causa do governo. Logo, não temos opções. Sem opções, as empresas que aí estão tem uma reserva de mercado de fato. Você não disse, mas subentende-se que o seu pensamento é: as empresas prestam um péssimo serviço porque não querem investir na melhoria. Só não se dá conta que empresa nenhuma no mundo vai querer investir em melhoria, porque significa custo. Só o faz porque é obrigada. No Brasil, quem obriga é o governo, justamente porque foi ele quem criou este estado de coisas: obriga mal e é o antro da corrupção. E a solução que você defende: mais governo. O resultado será serviços piores. E isso por causa de uma falha na percepção, sua e do resto da população. E outra, os libertário defendem exatamente o contrário do que você disse que estamos defendendo. Ao defender a livre concorrência, nós estamos, na verdade defendendo que as empresas se virem para funcionar direito e, se não o fizerem, inexoravelmente vão perecer (de novo, sem ajuda governamental). E, de novo, falha de percepção sua.

    "Assunto polêmico e que abre muitas possibilidades de percepções e desdobramentos."

    Na verdade não é nem um pouco polêmico: basta analisar cuidadosamente de quem é a culpa e rapidinho você vai ver que não muitas possibilidades para consertar o que está aí. O problema é que eles nunca vão largar o osso do poder de mandar e desmandar nas teles (ou em qualquer outro setor da economia).
  • Marco Gomes  30/03/2014 23:06
    No exemplo e no restante do seu texto você ignora um fator crucial em relação à neutralidade da rede: a telecom também pode ser dona de serviços concorrentes aos oferecidos pelos provedores de serviço (sites e serviços online), impossibilitando a "livre concorrência" que você alega ser a melhor opção para nosso caso.

    Por exemplo: Vivo Play, serviço concorrente da Netflix, oferecido pela Telefônica. Se a Telefônica é dona da infraestrutura da rede e tem o poder de discriminar pacotes de acordo com sua origem, o serviço Vivo Play teria vantagem sobre a Netflix, que estaria competindo de maneira desigual com o serviço oferecido pela própria Telefônica. Como em muitas localidades brasileiras há o monopólio de serviço de telecom, fruto da nossa burocracia, estes clientes estariam sempre presos apenas ao conteúdo oferecido pela telecom.

    Se a Comcast tivesse uma concorrente do Netflix, como a Telefônica tem, clientes da telecom poderiam nunca mais ter acesso ao serviço de vídeos independente, apenas ao de propriedade da telecom, exatamente como acontece hoje com os serviços de TV por assinatura. "Mas aí os clientes sairiam da Comcast e assinariam com outra telecom" você deve estar alegando mentalmente. De novo: em muitas localidades isso simplesmente não é uma opção, não há outra telecom provendo serviços.

    O é o problema com o tipo de comparação que você faz, equiparando infraestutura de telecomunicações com autoestradas, é que muitos detalhes se perdem na simplificação feita. Mas para manter no seu exemplo, é como se a dona da auto-estrada fosse dona também de lanchonetes na estrada, podendo, portanto, fazer vias largas e acessos rápidos à suas propriedades, relegando às demais lanchonetes apenas vias estreitas ou até bloqueios completos, impossibilitando seus negócios. Fim da "livre concorrência" apontada por você.

    Agora fica a pergunta: Você omite este ponto do seu texto por ignorância ou má fé?
  • Daniel Marchi  31/03/2014 17:49
    Prezado Marco Gomes,

    Realmente, ignorei no texto essa possibilidade. Aliás, ignorei um monte de possibilidades de arranjos empresariais, até porque se fosse relacioná-las todas o artigo ficaria com milhares de páginas.

    A NET tem seu serviço de vídeo-on-demand, o NOW. A Claro tem o Clarovideo. Nos EUA, a Verizon tem o FLEXVIEW. São os que me lembrei, devem existir muito mais. Prontamente vou enviar um e-mail a elas, dizendo que elas não sabem ganhar dinheiro, e que para isso deveriam prejudicar o tráfego – ou até mesmo bloquear – todos os provedores vídeo concorrentes.

    Alguma coisa me diz que os provedores de rede não vão seguir minha sábia orientação. Os consumidores têm uma estranha mania de demandar acesso à web o mais amplo possível. Por outro lado, as empresas de rede também têm esse comportamento meio estranho de, quanto maior a liberdade de entrada no mercado, atender o que os consumidores querem.

    Sobre a comparação que fiz com as estradas. Se fosse pra escolher um exemplo que abarcasse todos os detalhes de uma rede de dados, por que usaria o artifício do exemplo? É meio estranho explicar isso... mas usei um exemplo pela exata razão dele ser mais simples que o tema principal!!!

    Pra finalizar, fique à vontade para escolher se estou do lado da ignorância ou da má fé. Na Internet você encontrará excelentes sites patrocinados por estatais, todos eles muito idôneos.
  • Anemona  31/03/2014 03:00
    Usando o exemplo da estrada e o acordo Netflix/Comcast, temos a seguinte situação: eu, motorista, paguei para a dona da estrada Comcast para trafegar livremente nesta estrada, nas três pistas disponíveis.

    De repente, quando tento entrar em uma das pistas, sou informado que a Comcast fechou um acordo com a enorme transportadora Netflix, e agora só os caminhões desta transportadora podem usar aquela pista, e eu fico limitado às duas restantes.

    Melhor ainda: a cobrança pelo uso da estrada continua igual, e não adianta reclamar que a Comcast não devolverá o dinheiro.

    Não sei quanto a vocês, mas nessa situação eu recorreria ao odiado sistema judiciário estatal, para exigir que a Comcast me devolva um terço do que paguei, já que ela me roubou um terço do serviço que havia sido contratado.
  • Ranunculácea  31/03/2014 17:54
    Ué, mas esse seu exemplo configuraria uma explícita quebra de contrato, já que você contratou algo e recebeu outra coisa. Não há ninguém -- de nenhuma ideologia -- que discorde que uma quebra de contrato tem de ser resolvida pelo judiciário (dado que se trata de um monopólio sobre o qual o estado se arroga o direito exclusivo). Não entendi qual é o busílis aí.
  • anônimo  23/04/2014 22:03
    Por que a internet no Brasil é tão cara e lenta?
  • Auxiliar   23/04/2014 23:34
    Porque existe uma agência reguladora chamada ANATEL que está ali justamente para fechar o mercado, proteger as empresas favoritas do governo e impedir o surgimento de qualquer concorrência externa.

    O estranho seria se essas empresas realmente se preocupassem com qualidade. Por que iriam? Elas sabem que não há nenhum risco de livre concorrência, pois a ANATEL está ali justamente para protegê-las e impedir a vinda de empresas coreanas e japonesas.

    Elas não têm por que se preocupar com nada. Elas têm sua reserva de mercado garantida pela agência reguladora.

    Neste cenário de reserva de mercado, qualquer investimento em velocidade passa a ser um mero ato de caridade.

    Enquanto isso, na Guatemala, onde o mercado é genuinamente livre (como é incansavelmente defendido aqui), os serviços chegam a todos os cafundós. E com alta qualidade.

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    A postura correta é a de pedir o fim da mamata dessas empresas e exigir a completa liberalização do mercado, com a total abertura do setor para a vinda de toda e qualquer empresa estrangeira, o que aniquilaria as atuais empresas ineficientes e protegidas.

    Em teoria, agências reguladoras existem para proteger o consumidor. Na prática, elas protegem as empresas dos consumidores. Por um lado, as agências reguladoras estipulam preços e especificam os serviços que as empresas reguladas devem ofertar. Por outro, elas protegem as empresas reguladas ao restringir a entrada de novas empresas neste mercado.

    No final, agências reguladoras nada mais são do que um aparato burocrático que tem a missão de cartelizar os setores regulados — formados pelas empresas favoritas do governo —, determinando quem pode e quem não pode entrar no mercado, e especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não ofertar, impedindo desta maneira que haja qualquer "perigo" de livre concorrência.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1363

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1647
  • Daniel Marchi  06/05/2014 14:18
    Da série "eu avisei".

    Artigo de 11/03/2014 - Contra o Marco Civil e a neutralidade de rede

    "No Brasil, temos o caso da operadora de telefonia móvel Claro. Ela oferece gratuitamente a seus clientes acesso às redes sociais Facebook e Twitter. Desconheço os detalhes do negócio, mas é muito provável que as duas redes sociais remuneram a empresa de telefonia para compensar a gratuidade percebida pelos consumidores. Aprovada a rede neutra, a Claro não poderia continuar com tal prática, uma vez que sua rede não é "neutra" com relação a outras redes sociais. Ou a gratuidade é para todas ou que se faça a cobrança de forma igualitária. A diferenciação, um dos mais usuais mecanismos de concorrência, seria virtualmente proibida."


    Notícia de 05/05/2014

    Para consultoria do Senado, Marco Civil proíbe acesso gratuito ao Facebook
    www.teletime.com.br/05/05/2014/para-consultoria-do-senado-marco-civil-proibe-acesso-gratuito-ao-facebook/tt/376520/news.aspx

    Espero que as outras "previsões" que fiz no texto não se concretizem.
  • Pobre Paulista  06/05/2014 16:36
    Aposto que o autor da "idéia" leu seu texto. Nenhum burocrata é capaz de imaginar esse tipo de coisa sem alguém inteligente por perto.
  • André  07/05/2014 11:18
    Como sempre, os artigos do Mises acertam no diagnóstico.
    Daniel Marchi, parabéns pela sua previsão acertada!
    Pena que a concreção da outras previsões signifiquem coisas ruins e não boas.
    O estado está aí pra isso mesmo, para causar dificuldades.
  • Daniel Marchi  02/06/2014 18:19
    O que escrevi para o Brasil já está acontecendo no Chile. Lá eles implementaram a lei de neutralidade de rede em 2010. Agora ela começa produzir seus "frutos", tudo em nome da concorrência e do bem-estar do consumidor.


    Chile multará a empresas de telefonía móvil que ofrezcan redes sociales "gratuitas"
    es.panampost.com/belen-marty/2014/06/02/chile-multara-a-empresas-de-telefonia-movil-que-ofrezcan-redes-sociales-gratuitas/

    Para quem achar que a notícia é sensacionalista, abaixo vai o link do regulador chileno, e uma pequena citação:
    www.subtel.gob.cl/noticias/138-neutralidad-red/5311-ley-de-neutralidad-y-redes-sociales-gratis?utm_content=buffer0443a&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

    "Subtel ofició a las empresas para poner fin a las promociones llamadas "Redes Sociales gratuitas". Por esta razón deben terminar con estas ofertas antes del 1 de junio. Esto en base a la Ley de Neutralidad en la Red.

    La Ley de Neutralidad en la red autoriza a las empresas de Internet a mantener la administración de sus redes, pero esta gestión de tráfico no puede ser discriminatoria ni puede atentar contra la libre competencia. No puede usarse para bloquear o interferir el acceso a contenidos y aplicaciones por parte de los internautas."


    Lembrando que o Chile é o 7º colocado no ranking de liberdade econômica ( www.heritage.org/index/ ). Fico imaginando o que pode acontecer no Brasil, que é o 114º.


    Políticos sempre se protegendo da população. Hoppe explica.
  • Fernando Chiocca  02/06/2014 18:50
    Quando começaram a falar dessa neutralidade, a primeira coisa que pensei foi que a minha operadora de celular deixava o acesso ao facebook grátis, e seria proibida de fazer isso.
    Exatamente o que houve no Chile.. Em breve por aqui também...
  • Andre  02/06/2014 20:11
    Além de dificultar as trocas voluntárias, roubando e chamando o roubo de "imposto", o estado ainda que impedir que as pessoas recebam serviços GRATUITOS das empresas!

    O estado realmente odeia a população.
  • Alexandre  03/06/2014 04:32
    Mas é a neutralidade da rede que dará liberdade de acesso à internet. É a neutralidade da Rede que vai continuar permitindo que enviemos, recebamos, acessemos aquilo que queremos na Internet. Se a neutralidade da Rede for derrubada para que, com isso, os provedores de conexão aumentem os seus lucros, para que determinados pensamentos e ideias sejam acessados, vai depender da escolha daqueles que controlam os negócios na Rede.

    Outro ponto: a garantia da privacidade do usuário. A nossa privacidade também está em risco porque, hoje, toda navegação dos usuários de Internet pode ser copiada, gravada, analisada e vendida como mercadoria, sem que o usuário saiba que tudo aquilo que ele faz na Internet está sendo copiado, gravado, analisado e vendido. Eu cito apenas um exemplo: até há pouco tempo a nossa navegação era gravada, analisada e vendida como informação, sem que nós sequer soubéssemos disso. Ora, isso é inaceitável! O projeto proíbe isso. E ele tem que proibir, para proteger a privacidade do cidadão brasileiro. Ele deixa claro que a nossa privacidade merece uma garantia legal; que se coloque em prática aquilo que a Constituição já nos garante, mas que na Internet muitas vezes não é respeitado. Então, proteção à privacidade. É uma proteção forte contra abusos de provedores de conexão e contra abusos de provedores de aplicação. Cito alguns exemplos: quando alguém abre um perfil numa rede social, quando quiser encerrar esse perfil, o provedor de aplicação será obrigado a excluir as informações ali postadas, desde que o usuário peça isso, ao contrário do que ocorre hoje, quando alguns provedores de aplicação não apagam essas informações, apenas as indisponibilizam. Isso é uma violação da nossa privacidade, da nossa proteção à privacidade. Isso será proibido, e será exigido que sejam apagadas as informações.
  • Andre  10/06/2014 17:35
    "Mas é a neutralidade da rede que dará liberdade de acesso à internet."

    Eu sempre fui livre para acessar a internet.
    Agora, com essa lei é que eu serei menos livre.
    Se uma empresa quiser me dar acesso gratuito à determinados serviços ela não poderá, ou melhor
    o governo irá me proibir de fazer tal contrato. Minha liberdade foi reduzida.

    "É a neutralidade da Rede que vai continuar permitindo que enviemos, recebamos, acessemos aquilo que queremos na Internet."

    Que estranho, você viu em alguma bola de cristal que sem essa lei a internet iria simplesmente PARAR de funcionar no Brasil???
    Caso afirmativo peço que me empreste sua bola de cristal, para eu fazer umas apostas, ganhar bastante dinheiro e sair do Brasil.

    "Se a neutralidade da Rede for derrubada para que, com isso, os provedores de conexão aumentem os seus lucros, "

    Você viu naquela bola de cristal também que os provedores aumentariam seus lucros?
    E qual o problema dos provedores aumentarem seus lucros?
    A riqueza dos outros causa sofrimento em você? Inveja?

    "para que determinados pensamentos e ideias sejam acessados, "

    Estranho, eu sempre pude acessar TODA a internet, sem nenhuma restrição.
    Nunca precisei dessa lei, até porque, como já disse ela vai REDUZIR minha liberdade e não aumentar.

    "vai depender da escolha daqueles que controlam os negócios na Rede."

    Estranho, nunca nenhuma empresa me impediu de acessar determinados conteúdos na rede.
    Você está mesmo falando do Brasil de 2014? Ou você viu algo na sua bola de cristal e achou que era o presente?

    "Outro ponto: a garantia da privacidade do usuário. A nossa privacidade também está em risco porque, hoje, toda navegação dos usuários de Internet pode ser copiada, gravada, analisada e vendida como mercadoria, sem que o usuário saiba que tudo aquilo que ele faz na Internet está sendo copiado, gravado, analisado e vendido..."

    Quanta propaganda!
    Cansei de retrucar toda essa propaganda.

    Apenas me explique o seguinte:
    Por que nos países mais desenvolvidos não existe nenhuma lei similar ao Marco Civil da Internet e a internet nesses países funciona MUITO MELHOR?

  • Andre Cavalcante  10/06/2014 19:04
    Bom, isso aqui:

    "Outro ponto: a garantia da privacidade do usuário. A nossa privacidade também está em risco porque, hoje, toda navegação dos usuários de Internet pode ser copiada, gravada, analisada e vendida como mercadoria, sem que o usuário saiba que tudo aquilo que ele faz na Internet está sendo copiado, gravado, analisado e vendido..."

    Merece uma resposta, não por quem está emitindo a opinião, mas, de repente, possa alertar a algum leitor que ainda esteja em dúvida.

    Primeiramente é falso o que você disse sobre o usuário não saber que tudo aquilo que ele faz na Internet está sendo copiado, gravado, analisado e vendido. Isto está muito claro nos Termos de Serviço tanto do Google, quanto nos termos da Microsoft (os que já li, mas creio que seja o caso para a maioria). No youtube, inclusive há um cláusula dizendo que cê cede os direitos de autor do conteúdo colocado no site para o Google. Se você clicou "ACEITO", sem ler, meu caro, o problema é seu. Não venha reclamar. Você foi avisado.

    Agora, com o marco civil, a pouca privacidade que temos é que vai acabar de vez, porque os provedores serão obrigados a manter o log das conexões e terão que monitorar realmente TUDO o que você faz, porque senão eles também poderão sofrer penalidades caso você queira usar a sua conexão para baixar, via torrent, o Star Trek recém lançado e Paramount der em cima e o provedor não te entregar antes (é claro que eles vão começar a entregar todo mundo).

    O pior disso tudo é que agora você não vai poder nem ao menos clicar em "ACEITO" (mesmo sem ter lido), porque é lei, e a lei vai ser cumprida em todas as linhas. Detalhe, é o governo quem vai dizer o que pode e o que não pode através de "normas" e "decretos presidenciais", e não mais por votação no Congresso. Ou seja, a Internet no Brasil vai ficar a mercê das políticas e dos políticos que estiverem no Planalto.

    Conclusão, vai ficar tudo mais nebuloso. E você parece apoiar tudo isso.

    E, como disse um outro companheiro aqui do site: e isso vota!

    Abraços
  • jailson   19/09/2014 01:17
    Uma palavra basta .
    HIPOCRISIA


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