Como ocorreu o milagre econômico de Hong Kong - os primórdios

Hong Kong, 1962
Por vinte anos consecutivos, o Índice de Liberdade Econômica, compilado pelo The Wall Street Journal e pela Heritage Foundation, classifica Hong Kong como a economia mais livre do mundo.  Este último ranking da Heritage confirma o que o Fraser Institute, do Canadá, também afirmou em seu último Índice, o qual também classificou a economia de Hong Kong como a mais livre do mundo.  O Banco Mundial, por sua vez, classifica a "facilidade de se fazer negócios" em Hong Kong como a melhor do planeta.

Embora faça parte da China desde que a Grã-Bretanha cedeu seu controle em 1997, Hong Kong é governado em termos estritamente locais.  Até o momento, o governo chinês tem se mantido razoavelmente fiel à sua promessa de deixar a economia de Hong Kong em paz. 

O que torna a economia de Hong Kong tão livre são aqueles detalhes que soam como música aos ouvidos de qualquer indivíduo que ama a liberdade: corrupção relativamente baixa; um judiciário eficiente e independente; respeito pleno aos direitos de propriedade; império das leis; um sistema tributário extremamente simples e com baixas alíquotas tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas, e uma carga tributária total de apenas 14% do PIB; ausência de impostos sobre ganhos de capital, de renda de juros e até mesmo de renda obtida no exterior; ausência de impostos sobre vendas e sobre valor agregado; um aparato regulatório quase invisível; um orçamento governamental equilibrado, sem déficits, e com uma dívida pública praticamente inexistente.  Ah, e tarifas de importação em praticamente zero.  Isso mesmo, zero

Dizer que uma economia é a "mais livre" é o mesmo que dizer que ela é "a mais capitalista".  Capitalismo é o que ocorre naturalmente quando você permite que pessoas pacíficas cuidem de suas próprias vidas.  Não é necessário elaborar nenhum mecanismo artificial comandado por burocratas de carreira confortavelmente instalados em suas torres de marfim.  Não é necessário inventar nenhum esquema mirabolante e aparentemente sofisticado.  Basta apenas deixar as pessoas em paz.

Se formos acreditar naquilo que dizem os críticos do capitalismo, então Hong Kong tem necessariamente de ser um inferno repleto de pobreza, exploração e desespero.

Mas não.  Muito pelo contrário, aliás.

Talvez seja por isso que os socialistas não gostam de falar sobre Hong Kong: não apenas é a economia mais livre do mundo, como também é uma das mais ricas.  Sua renda per capita, 2,64 vezes maior do que a média mundial, mais do que duplicou nos últimos 15 anos.  As pessoas não fogem de Hong Kong; elas correm para Hong Kong.  Ao final da Segunda Guerra Mundial, a população de Hong Kong era de 750.000.  Hoje é quase dez vezes maior: 7,1 milhões.

A colônia

Hong Kong é um ótimo exemplo do que acontece com a economia de um local que não é explorado por políticos.  Hong Kong é produto do abandono político.  Isso mesmo: Hong Kong jamais teria se tornado a potência econômica que é hoje caso os políticos britânicos ou chineses tivessem demonstrado algum interesse pelo local no século XIX.

A Grã-Bretanha adquiriu a ilha de Hong Kong em 1842 (territórios adicionais viriam depois) por meio de um acordo entre um representante britânico — o capitão Charles Elliot — e um negociador chinês — o marques Ch'i-ying — como forma de solucionar um pequeno conflito que havia se iniciado em decorrência de contendas comerciais.  (Uma das contendas envolvia uma compensação por causa de um confisco chinês do ópio britânico, mas a pendenga era mais ampla do que essa questão do ópio, e pesquisas recentes questionam a acurácia de se rotular toda essa questão como sendo uma mera "guerra do ópio").

O acordo resultante foi impopular tanto para a Corte Imperial chinesa quanto para o governo britânico.  As autoridades chinesas não gostaram de ter de ceder um pedaço de terra para os britânicos e se preocuparam com o impacto sobre suas receitas tarifárias em decorrência da criação de um porto controlado pelos britânicos.  Adicionalmente, os chineses tinham desprezo pela obsessão dos britânicos com o comércio.  Já o governo britânico enxergava Hong Kong como uma localização ruim e pouco promissora em relação às possíveis alternativas, como a ilha de Formosa. 

No entanto, a precária comunicação vigente no século XIX acabou forçando os dois governos a delegar a autoridade da resolução da contenda aos seus representantes locais.  O resultado foi aquilo que o excelente livro de Frank Welsh, A History of Hong Kong, rotulou de "uma fonte de constrangimento e aborrecimento para seus progenitores desde seu surgimento no cenário internacional".  (Doravante, todas as citações serão do livro de Welsh).

Os primórdios

As primeiras avaliações do potencial de Hong Kong foram pessimistas.  O então futuro primeiro-ministro britânico Lord Palmerston, naquela que talvez seja a pior previsão já feita por um diplomata britânico, concluiu que se tratava de "uma ilha estéril e inaproveitável, a qual jamais será um pólo para o comércio".  O então tesoureiro lotado em Hong Kong, Robert Montgomery Martin, que também escrevia prolificamente sobre as possessões estrangeiras britânicas, fez eco à análise de Palmerston em 1844, afirmando que "não há nenhum comércio visível em Hong Kong. . . . É difícil encontrar uma empresa na ilha.  As poucas pessoas aqui se aventuraram estariam felizes se conseguissem recuperar metade do dinheiro que gastaram na ilha e fossem embora. . . .  Não parece haver a mais mínima probabilidade de que, algum dia, sob quaisquer circunstâncias, Hong Kong venha a se tornar um local propício ao comércio".

No entanto, algum comércio começou a surgir em decorrência do estabelecimento de armazéns de mercadores britânicos.  Mas as políticas adotadas inicialmente pela Grã-Bretanha em relação ao seu novo território quase nada fizeram para promover o crescimento econômico.  Com efeito, uma investigação parlamentar de 1847 sobre a situação econômica de Hong Kong descobriu que o domínio britânico havia inicialmente levado consigo um governo empenhado em usar a ilha para coletar o "máximo possível de receitas", o que afetou severamente o comércio.  E concluiu que "pode se datar desta época os reveses sofridos por Hong Kong".

Após isso, a Grã-Bretanha fez relativamente muito pouco com sua nova colônia, se concentrando apenas em manter a ordem pública e ampliar o império das leis.  O resultado foi essencialmente um Porto de Tratado, muito semelhante àqueles que as potências europeias estabeleceram na China sob o Tratado de Nanquim em 1842-43.  Um dos motivos para esta política relativamente sem interferências da Grã-Bretanha foi a persistência da visão adquirida pelos primeiros oficiais coloniais britânicos de que os chineses residentes em Hong Kong não queriam ou não apreciavam as legislações britânicas.  Esta atitude foi ilustrada de maneira bem clara no depoimento prestado pelo Coronel John Malcolm, que estava lotado em Hong Kong, para um comitê do Parlamento britânico em meados do século XIX.  Malcolm relatou que "os chineses são um povo peculiar e não gostam de sofrer interferências.  Eles não nos entendem; eles não conseguem entender nossos métodos; e quando são recomendados a fazer primeiro uma coisa e só depois outra, eles se assustam e não mais nos procuram". 

Se era ou não uma característica "peculiar" dos chineses não gostar de governos arbitrários, o fato é que a Grã-Bretanha parou de expedir ordens conflitantes e incompatíveis, e a tendência geral passou a ser a de deixar as pessoas em paz.  Ambas estas políticas foram adotadas com o intuito de estimular.  Como consequência, deram à colônia o benefício de regras claras e simples desde seus primórdios.

Um centro comercial natural?

O que a Grã-Bretanha criou em Hong Kong?  A combinação entre o excelente porto e o primado das leis fez de Hong Kong um centro comercial natural.  Mas Hong Kong não era o melhor local para se comercializar na China.  Já no início do século XX, Xangai vinha crescendo em importância e, consequentemente, abocanhando uma fatia do comércio que até então passava por Hong Kong.  Xangai possuía uma população mais educada e mais preparada, estava em uma localização mais conveniente, desfrutava uma proteção europeia por causa de tratados de concessões feitos pelo governo chinês, e sofria relativamente pouca interferência do governo chinês devido ao declínio do poder imperial. 

Por volta de 1910, Xangai já havia se tornado um centro comercial significativamente mais importante do que Hong Kong.  Com os britânicos optando por Cingapura — que era mais fácil de ser defendida — como centro do poder naval britânico na região, Hong Kong acabou perdendo o que restava de sua já pequena importância para o governo britânico.  Como resultado, a colônia definhou e foi para o esquecimento, tornando-se mais conhecida como um centro de prostituição e de jogatina.

Mas houve algo que a Grã-Bretanha não criou em Hong Kong: um governo democrático.  Ao contrário do que ocorreu na maioria das outras colônias britânicas, em Hong Kong não se permitiu que nenhuma instituição democrática local se desenvolvesse, pois os britânicos não estavam dispostos a dar à maioria chinesa uma voz na administração.  Como resultado, concluiu Welsh, "Hong Kong continuaria tendo uma administração tão antidemocrática quanto qualquer governo chinês, mas com a importante diferença de que a autoridade final seria a lei, e não os caprichos de algum ditador".

O governo central imperial chinês nunca defendeu a liberdade econômica ao longo de sua história, e o período compreendido entre o final do século XIX e início do século XX não foi nenhuma exceção.  À medida que o poder do governo central foi se esvanecendo, déspotas e chefes militares regionais começaram a estabelecer centros de poder rivais, mas igualmente predatórios.  Os poderios europeu, americano e japonês também se expandiram na China, tentando ampliar o acesso de suas respectivas empresas ao mercado chinês.  Mas tais poderios não criaram nenhuma liberdade econômica para a população chinesa dentro de suas esferas de influência. 

Neste cenário, a estabilidade política de Hong Kong começou a atrair cada vez mais emigrantes que saíam da China.  A população da colônia cresceu de 600.000 em 1920 para mais de um milhão em 1938.  À medida que as condições foram se deteriorando na China com a invasão japonesa e com os conflitos entre os déspotas regionais, o Kuomitang (nacionalistas) e os comunistas, uma média de 5.000 migrantes por dia passou a aportar em Hong Kong. 

Quando a ocupação japonesa terminou, em 1945, a economia de Hong Kong estava devastada.  O golpe comunista na China, em 1949, acelerou a fuga de migrantes para Hong Kong.  Em março de 1950, a cidade já tinha 2,3 milhões de pessoas.  

Para piorar, embargos ao comércio com a China em 1951, durante a Guerra da Coréia, afetaram severamente a condição de entreposto comercial de Hong Kong, justamente a atividade sobre a qual se baseava uma grande fatia da economia local.

No entanto, havia um aspecto positivo: o golpe comunista na China e a consequente fuga de chineses para Hong Kong forneceu à colônia não apenas um número significativo de mão-de-obra, como também um grande capital humano, formado por empreendedores que conseguiram fugir do exército de Mao.  Adicionalmente, a vitória dos comunistas na China fez com que Xangai deixasse de ser um concorrente para Hong Kong.

Superpovoada, refém de embargos comerciais, e com um contínuo influxo de refugiados, o que praticamente estrangulou a infraestrutura da colônia, Hong Kong teve de se reinventar.

A ilha passaria por uma transformação radical no início da década de 1960, com a adoção de políticas econômicas que criaram a potência econômica que Hong Kong hoje.  Os detalhes desta transformação serão abordados no próximo artigo.

___________________________________

Participaram deste artigo:

Lawrence W. Reed, presidente da Foundation for Economic Education.

Andrew P. Morris, professor de Administração da Universidade do Alabama.

Jean-François Minardi, analista de políticas públicas do Montreal Economic Institute.


1 voto

SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


"Quem em sã consciência vai querer deixar sua vida sujeita à competição mercadológica?"

Não sei exatamente em qual galáxia você vive, mas, no planeta em que eu vivo, a comida chega à minha boca devido à concorrência entre produtores. Não houvesse competição entre eles, e o mercado de alimentos fosse estatizado, eu já teria morrido de fome. Assim como toda a população desse planeta.

Mas talvez aí no seu planeta, o estado -- que aboliu a competição mercadológica -- seja realmente bom em garantir produção e distribuição de comida. Tentaram isso aqui na Venezuela e
o resultado foi fome em massa.

Não consigo imaginar o que seja mais crucial à vida do que a produção e a distribuição de alimentos. E esta é toda feita pela "competição mercadológica", e sempre funcionou.

"a competição no mercado gera não só competição pelo preço do feijão e itens essenciais, invenção de produtos incríveis e às vezes totalmente desnecessários, como também fraudes, desinformação e até crises econômicas brutais."

Fiquei curioso quanto a essa. Explica aí: como exatamente a competição por melhores produtos gera crises econômicas brutais?! Como exatamente pessoas comprando e vendendo voluntariamente geram crises econômicas?

Gostaria muito de saber.

Será que não é necessário haver um agente externo criando perturbações e distorcendo a realidade do mercado -- por exemplo, expandindo o crédito de maneira artificial e barata via bancos centrais -- para causar crises econômicas?

Toda a história mostra que recessões econômicas são causadas por intervenções do governo no mercado, quase sempre via políticas monetárias que geram expansão artificial do crédito -- expansões essas que não seriam possíveis caso não houvesse um Banco Central manipulando juros e programas governamentais estimulando crédito subsidiado.

E todas essas expansões geram, primeiro, um boom econômico artificial; em seguida, e inevitavelmente, uma profunda recessão econômica. Não há um único caso de recessão econômica que não tenha essas características.

Foi assim na crise de 1929, na estagflação americana da década de 1970, na hiperinflação brasileira da década de 1980, na crise financeira de 2008, e agora na tripla recessão brasileira.

Aliás, pela sua lógica, a atual recessão econômica brasileira, que se arrasta a três anos, se deve à competição mercadológica por melhores produtos?
"Por que as pessoas adoram ver competições na arena dos esportes — seja nos campos, nas quadras, na pista de atletismo, na piscina ou na quadra de tênis —, mas temem e desprezam a competição na arena do mercado?"

Poxa, porque o primeiro trata-se de diversão e espetáculo, e o segundo trata-se da sua vida, sobrevivência, condições de saúde, educação, segurança, sua e dos seus entes queridos. Quem em sã consciência vai querer deixar sua vida sujeita à competição mercadológica?

O argumento de que nas mãos do governo as coisas tendem a ser morosas, e mal feitas, pela falta de incentivo final (lucro), e que o único incentivo dos políticos seria a manutenção e obtenção de cargos, o que os faz suar apenas nas épocas de eleições é muito ruim. Isso pode ser um fato em alguns lugares do Brasil, mas não é uma regra, o que só faz com que este argumento da competição possa ser realocado: temos que mudar o sistema político de forma a fazer os governantes ficarem a maior parte do tempo incentivados a realizar boas governanças. Tornar o sistema político livre de parasitas e feito para condecorar honestos, bravos e esforçados governantes também parece muito mais viável que tentar fazer isso com o mercado, pois não temos qualquer controle sobre que tipo de pessoa está comandando as empresas que fornecem os produtos e serviços essenciais à nossa sobrevivência.

A competição nos esportes geram medalhas ou vídeos mitológicos de feitos e erros, a competição no mercado gera não só competição pelo preço do feijão e itens essenciais, invenção de produtos incríveis e às vezes totalmente desnecessários, como também fraudes, desinformação e até crises econômicas brutais.

E ainda tem o que já foi comentado logo acima, que as competições SÃO REGULADAS por um conjunto de regras acordadas, que recebe punição do órgão organizador se não forem cumpridas, e também que as condições para que aconteçam os jogos são mais ou menos niveladas.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Rene  13/02/2014 12:35
    Apenas um detalhe no artigo que apresenta uma pequena contradição: Em um trecho, fala-se: "Ao final da Segunda Guerra Mundial, a população de Hong Kong era de 750.000. Hoje é quase dez vezes maior: 7,1 milhões.
    ". Posteriormente, ele diz: " A população da colônia cresceu de 600.000 em 1920 para mais de um milhão em 1938", emendando ainda com " Em março de 1950, a cidade já tinha 2,3 milhões de pessoas".

    Lógico, só um pequeno detalhe que não invalida as análises feitas pelo artigo. Estou ansioso pela continuação.
  • Leandro  13/02/2014 12:53
    Não é contradição, não. Entre 1941 e 1945, a população caiu de 1,6 milhão para 500 mil. Este foi o período da ocupação japonesa.

    en.wikipedia.org/wiki/Demographics_of_Hong_Kong#Demographic_statistics
  • Rene  13/02/2014 13:40
    Obrigado, Leandro.
  • thiago  13/02/2014 19:39
    maldito positivismo lógico! sempre esperando aumento em populações!
  • Pedro Ivo  13/02/2014 12:44
    No documentário "A aterrorizante história da dívida trilionária do governo britânico" tem uma parte sobre Honk Kong de 1961 em diante, e seu "milagre" (que de miraculoso não tem nada) econômico.



    E tem a transcrição no blog 'Zoo_na...' (aviso aos que nunca foram neste blog: o dono ilustra os textos com fotos de mulheres nuas)

    A aterrorizante história da dívida trilionária do governo britânico
  • Bruno Kuriri  13/02/2014 14:08
    Quando você compara essa lista com a lista de desenvolvimento "IDH" as coisas ficam bem interessantes...

  • Emerson Luis, um Psicologo  13/02/2014 14:13

    Impressionante! Só para comparar, Hong Kong tem um território de 1,104 km², enquanto o estado de São Paulo tem 248 209,426 km².

    * * *
  • anônimo  13/02/2014 19:17
    Pois é, e isto só torna ainda mais necessário o livre mercado por aqui. Se num território tão pequeno a centralização e o planejamento são ineficientes, aqui a coisa toma uma proporção muito maior. Se lá, tão próximos dos seus burocratas, ele optam pela liberdade economica, aqui isto se torna uma necessidade urgente.
  • Cesar  13/02/2014 14:33
    Esperando o próximo artigo ansiosamente =D
  • Pobre Paulista  13/02/2014 15:13
    Pena que tudo isso irá acabar em 2047, quando a ilha será reintegrada à China Comunista.
  • Pedro Ivo  13/02/2014 17:22
    Acho difícil que acabe. Você teria que refutar toda a atual organização legal e econômica de Hong Kong - HK (consuetudinária e estatutária) e adotar direito e administração Chinesas. Aposto que em torno de 2037 vão começar negociações para estender o modelo por outros 50 anos. Até porque + da metade dos hongkongoleses tem passaporte britânico. A China se arriscaria muito em perder cidadãos ao interferir no estatuto legal de HK. Como todo intervencionismo depende em última instância de ter riqueza para parasitar, permitir uma liberdade relativa nalgumas áreas é fundamental para sustentar o regime.
  • Pobre Paulista  14/02/2014 11:18
    Eu gostaria muito de crer nisso, mas pelo que vemos a história de HK é repleta de situações que criaram um ambiente propício para o seu desenvolvimento que surgiram por mero acaso, ou descaso. Agora que ele está consolidado como potência, me parece óbvio que aqueles que se julgam seus "legítimos donos", no caso a China, irão querer se aproveitar da imensidade da riqueza criada por lá, quando se julgarem "no direito" de fazer isso...
  • max evangelista  16/02/2014 18:38
    Eu acho complicado os chineses quererem matar a galinha dos ovos de ouro. Eles não poderão fazer isso sem encontrar resistência local e pressão internacional.
  • Eduardo  13/02/2014 15:21
    Estive recentemente em Hong Kong, e o artigo só confirma o que vi lá. :)

    Se possível, façam um nos mesmos moldes sobre a Cingapura.
  • Arthur Gomes  13/02/2014 15:39
    No Brasil, precisamos de uma revolução cultural. Enquanto existir no Brasil o raciocínio de que o estado é o grande provedor de tudo, o país nunca irá avançar se temos alguma coisa é graças ainda ao grande fazendão que é o país. Devemos aproveitar isto é criar leis simples e claras para os produtores e os empreendedores.
    Este é um país muito bom, de povo, clima e solo.
    Mas as leis no país são terríveis, existe muita burocracia e muita taxação, impostos e limitações para tudo.
    Hoje um agricultor não consegue construir um silo, devido a falta de licença ambiental.
    Como um país pode crescer desse jeito.
    É muita lei, muito imposto.
  • Tannhäuser  13/02/2014 17:12
    Concordo com você, Arthur

    Mas essa mudança cultural deve ser feita de "baixo pra cima". Não adianta esperar que o sistema de ensino, que é estatizado, altera a cabeça das pessoas.

    O Mises é um ótimo exemplo de como as coisas devem ser feitas. No entanto, ainda é pouco, pois somente chega nele quem já entendeu mais ou menos que tem alguma coisa errada com o mundo. A maioria ainda está totalmente "conectada" na Matrix.

    Então, temos NÓS que explicar o que está errado à moça da padaria, o garçon do restaurante, o porteiro, o garoto que faz malabari no sinal.

    Outra medida efetiva é formarmos uma rede de pessoas que já entenderam. Estou tentando fazer isso com meus amigos. Um grupo de pessoas honestas pode se beneficiar mutuamente, mesmo com todos os entraves em que vivemos. Acredito que esse grupo pode ser muito grande.

    Mandei uma proposta ao Leandro, mas ele não me respondeu.

    Estou esperando a resposta, Leandro!! Vou te colocar no Reclame Aqui... hehe

  • Leandro  13/02/2014 17:43
    Perdoe-me. Recebo uma média de 15 emails por dia, e a maioria é de gente pedindo para eu ler e comentar teses de mestrado de 50 páginas (um cidadão chegou a pedir para eu escrever a tese dele), para eu "comentar detalhadamente" artigos da Carta Capital e do Valor, e para eu explicar conceitos econômicos que já estão totalmente destrinchados em nossos artigos. Quando não é isso, é gente me xingando.

    Aí parei de ver email. Converso apenas aqui na seção de comentários. Aliás, sempre respondo às perguntas que me são feitas aqui.
  • Aspone  13/02/2014 18:16
    Leandro, seja gentil e libera o seu whatsapp pra gente!!
  • Deilton  13/02/2014 17:51
    Nesse sentido, temos que destacar o trebalho feito pelo EPL. Uma coisa que tenho notado é o crescimento, em comentários de outros sites (papo de homem, carta capEtal,) de pessoas que citam o mises.
    Como o modelo adotado pelo PT (endividamento e gastos crescentes) está mostrando um certo desgaste, estou enviando para contatos os artigos anos anteriores que já mostravam o quanto este modelo é insustentável.
    Se houver o estouro da bolha imobiliária, vou divulgar em massa os artigos escritos pelo Leandro que já mostravam a formação de bolhas a 2 ou 3 anos atrás.

    Falar em bolhas, eu nunca li aqui nada que se refira ao crédito automotivo, que cresceu exponencialmente. Será que não há o risco de, se houver uma recessão, estourar uma bolha do crédito automotivo?
  • Luiz Oliveira  13/02/2014 17:18
    Arthur, levei um susto quando comecei a ler "No Brasil, precisamos de uma revolução cultural". Pensei: -lá vem um marxista falando bobagens novamente!

    Felizmente, você não é um deles. É que a influência do pensamento comunista de Antônio Gramsci é tão grande hoje no Brasil, tão arraigada, que mesmo os defensores do mercado estão a utilizar termos marxistas. Isso não é bom. Tenho que dizer: revolução cultural é uma expressão de esquerda. Por sinal, a mais conhecida revolução cultural foi a de Mao, na China, que destruiu a economia chinesa.

    Assim, nunca deseje uma revolução cultural no Brasil. Pois isso é esquerdismo puro. Apenas uma mudança da mentalidade estatista e patrimonialista, que herdamos dos portugueses, em favor da defesa da livre iniciativa.
  • PESCADOR  13/02/2014 15:48
    Ótimo texto. Algo me diz que o próximo artigo será ainda melhor
  • Marconi Soldate  13/02/2014 16:45
    "Pouco mais é necessário para erguer um Estado, da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência, além de paz, de baixos impostos e de boa administração da justiça: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas."

    Sir. Adam Smith em 1.776

    https://pt.wikiquote.org/wiki/Adam_Smith

    pt.wikipedia.org/wiki/A_Riqueza_das_Na%C3%A7%C3%B5es
  • Moderador  13/02/2014 16:50
    O Marconi, que é um fã imperturbável do Adão Ferreiro, vai gostar da continuação do artigo amanhã. Haverá fartos elogios ao homem que pôs em prática os ensinamentos de Adam Smith em Hong Kong.
  • Marconi Soldate  13/02/2014 17:23
    Ô maravilha!!! Instituto Mises se rendendo ao maior de todos! rsrsrs...
  • Aspone  13/02/2014 20:51
    Marconi, vc é servidor do TJDF?
  • Marconi  14/02/2014 02:12
    exatamente! vc tb?
  • Aspone  14/02/2014 17:13
    Eu não, mas te conheço da época da "luta pelo subsídio". Me manda um e-mail em assessorpone@gmail.com

  • Luiz Berenguel  13/02/2014 18:17
    Artigo impressionante. Hong Kong é uma esperança de liberdade econômica.
    Estou ansioso com a segunda parte dessa história.
  • Vive la liberte!  13/02/2014 19:12
    Fiquei até com vontade de conhecer a região. Alguém recomenda um documentário com tema semelhante ao do artigo? Gosto muito de imagens. :)
  • Mohamed Attcka Todomundo  14/02/2014 15:41
  • Vive la liberte!  24/02/2014 18:08
    Obrigado, Mohamed Attcka Todomundo.
    Não só pelas imagens, mas também por esse documentário elucidativo.
    Abraços.
  • Dam Herzog  13/02/2014 19:40
    Alô turma do Mises, com que prazer leio vocês. Mas a formula é bem simples e pratica.
    1)Livre discussão 2)Que decorre da Liberdade 3) Principio da não agressão 4)Direito de propriedade 5) Império da lei. 6) Troca voluntárias 7) Os contratos são instrumento de deveres e direitos entre as partes. 8)Acentuar que o governo nunca produziu nada tudo que o governo tem foi adquirido com dinheiro do povo. 9)Pulverizar através de ações os bens do governo entre a população. Extinguir as linhas divisórias dos estados, não deve existir Estados. As cidades devem competir entre si. As cidades serão entidades federadas com autonomia. O "prefeito" será autoridade máxima, tendo função de um sindico. Não haverá funcionário estatal. A segurança será particular fornecida por empresas, que receberam direto do representante do quarteirão. A educação e saúde e justiça e segurança serão fornecidas por firmas particulares. As ruas e rodovias, aeroportos, portos e todos os bens do estado serão privatizadas. Os funcionários públicos serão indenizados pelo tempo de serviço a tabela de impostos seguirá até que todos sejam dispensados. Dai em diante todos trabalharão para si mesmos. O estado nunca deu segurança, saúde, justiça, para ninguém até hoje e no mundo inteiro também não dá, apesar de termos pagos todos estes tempos. Não existirá nenhum tipo de imposto de renda, circulação de mercadorias, de exportação ou importação. Deixaremos de ser propriedade dos governos, mandaremos em nossas próprias vidas. Ai então seremos uma maior e melhor Hong Kong.
  • Tannhauser  14/02/2014 11:05
    Gostei das diretivas, Dam. Mas para implantar isso é necessário atingir uma massa crítica. Temos que começar com poucos, formando um grupo. Um pequeno grupo já pode se beneficiar de um sistema de livre negociação. Se você quiser, podemos começar a formar o grupo. Podemos trocar os e-mails por intermédio do misses.
  • Rafael Isaacs  13/02/2014 19:43
    Todos os países poderiam crescer assim ao mesmo tempo?
  • anônimo  13/02/2014 20:41
    Sim. Este artigo explica porquê muito bem:

    Por que a economia não é um jogo de soma zero
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1751

  • gredson  13/02/2014 19:47
    As pessoas não fogem de Hong Kong; elas correm para Hong Kong.
    -------------------
    atualmente é muito dificil migrar para Hong Kong?
  • Dam Herzog  13/02/2014 20:27
    Por falar em Hong Kong li em alguma parte que Roberto Campos, após visitar aquela ilha, foi lhe dito que: olhe bem aqueles pobres que nasceram e moram a vida toda em pequenos barcos,quando você voltar é provável que este quadro não exista mais, pois eles deixaram de ser pobres. A unica maneira justa e honesta de diminuir a desigualdade de renda é via mercado.
  • Dam Herzog  13/02/2014 21:09
    As pessoas não correm para Cuba, elas fogem de Cuba e da Real Coroa Cubana de Fidel Castro e Raul Castro. Que contraste mais interessante. Porque Hong Kong é rico e porque Cuba é pobre. Já respondida pelo Mises. Mas lembrando Churchil: O Socialismo distribui igualmente a miseria enquanto o capitalismo distribui desigualmente a riqueza.
  • IRCR  13/02/2014 23:43
    Leandro,

    Nos proximos artigos será abordado algo sobre a currency board de HK ? já li algo uma vez falando que na decada de 70 tinha uns mecanismos diferentes.
  • Leandro  14/02/2014 00:29
    O Currency Board em seu formato atual só foi implantado em 1983. Mas de 1935 a 1972, o dólar de Hong Kong estava ancorado na libra, em um sistema que, na prática, também era um Currency Board.

    Aqui vai um pequeno resumo da história monetária de Hong Kong:

    www.hkma.gov.hk/media/eng/publication-and-research/background-briefs/hkmalin/04.pdf

    E aqui, a apresentação detalhada do Currency Board de Hong Kong:

    www.hkma.gov.hk/media/eng/publication-and-research/reference-materials/intro_to_hkma.pdf
  • Alexandre Melchior  14/02/2014 02:42
    Infelizmente, ao discutir sobre o desenvolvimento de HK e seu exemplo para o Brasil, muita gente diz "mas não dá pra comparar, HK é muito pequeno e o Brasil é grande".

    Dizer "e vc ainda quer manter o brasil grande" não resolve.

    As pessoas pedem exemplos de países parecidos com o Brasil mas que tenham se desenvolvido num ambiente como HK.

    Logico que a teoria econômica prova que os países desenvolvidos hoje só puderam se desenvolver porque experimentaram um ambiente como o de HK por algum tempo.

    EUA, Alemanha, Inglaterra, França, Canadá, Austrália, Suécia, Dinamarca etc.

    Mas hoje esses países também tem alta carga tributária e muita regulamentação. Ainda que menos que aqui.

    O que leva nosso antagonista a dizer "viu? dá pra ser grande com carga tributária, assistencialismo etc.".

    Como fugir desse dilema? Muito difícil...
  • Alfredo Gontijo  14/02/2014 09:46
    Essa lógica não faz sentido sentido.

    Pra começar, é o óbvio ululante que um país de dimensões continentais jamais será igualmente rico em todas as suas regiões. Aliás, mesmo um estado brasileiro como Minas Gerais -- que está submetido às mesmas leis e normas tributárias do Brasil -- é profundamente desigual internamente: o norte do estado nada tem a ver com sul do estado, e ambos nada têm a ver com o Triângulo Moneiro, que sempre quis se separar.

    Sendo assim, esperar que todo um país -- formado por pessoas de mentalidades díspares e com distintas propensões ao trabalho -- irá enriquecer igualmente é utopia.

    O que interessa no exemplo de Hong Kong é justamente compará-lá com qualquer outra cidade brasileira. Pense, por exemplo, no Recife. Quem mora lá está submetido a três governos distintos (municipal, estadual e federal), sua carga tributária total é de quase 40% do PIB, há 81 impostos distintos, e há inúmeras e incompreensíveis regulamentações municipais, estaduais e federais.

    Logo, como tornar este ambiente mais parecido com o de Hong Kong?

    É assim que funciona a abordagem do individualismo metodológico.
  • anônimo  14/02/2014 17:09
    Ora, porra. Se para Hong Kong que é minúsculo e, teoricamente, muito mais simples de controlar e planejar foi necessário, justamente, abandonar qualquer pretensão de controle e planejamento para que crescesse, por que para um país de proporção continental como o Brasil o controle e o planejamento seria mais eficiente? É de uma lógica tão espúria esta manobra do "ahh, mas é um país tão pequeno, por isso funciona", que chega a ser patético. É justamente pelo tamanho do país que é AINDA MAIS NECESSÁRIO e URGENTE que se deixe de controlar e planejar.
  • IRCR  14/02/2014 08:46
    Leandro,

    Vc acredita que uma currency board seja melhor que um banco central com cambio flutuante e metas de inflação ? teria alguma desvantagem em relação a um BC ?
  • Leandro  14/02/2014 12:32
  • anônimo  03/03/2014 22:17
    E essa correlação negativa entre liberdade econômica e bem estar?

    i17.photobucket.com/albums/b68/dantond/HDIvIEFLow.jpg
  • Professor  03/03/2014 23:20
    Sugiro urgentemente que você aprenda o básico de estatística. Esse gráfico mostra apenas os países do terceiro quintil. Ao passo que Hong Kong pontua 90 pontos no Índice de Liberdade Econômica, esse gráfico engloba países que mal chegam aos 60 pontos. Ou seja, o gráfico aborda apenas os países semi-socialistas. E, ainda assim, essa "correlação" é totalmente negligenciável.
  • Tiago RC  04/03/2014 09:17
    Além desse truque, ele está igualando o IDH a "bem estar". Isso é absurdo. Esse IDH é um índice ridículo. Deveria se chamar IDS - índice de desenvolvimento socialista.

    Só pra ter uma ideia, se não me engano 2 terços da nota nesse índice vem exclusivamente de saúde e educação. Isso por si só já é errado: quem disse que saúde e educação compõem 2 terços do meu "bem estar"? E mesmo a forma como eles calculam essa nota. Se me lembro bem, coisas como "taxa de reprovação" te fazem perder pontos na parte de educação do IDH. Ou seja, estados brasileiros que implementaram essa política catastrófica de passar todo aluno de ano conseguiram ganhar uns pontinhos a mais no IDH.
    Basta ver que Cuba está razoavelmente bem no IDH pra compreender como esse índice não deve ser levado a sério.
  • Andre Henrique  08/03/2016 18:33
    Impressão minha ou ninguém apareceu para dizer que Honk Kong só se destacou em decorrência do seu pequeno tamanho territorial?!
  • Scholastic  08/03/2016 18:46
    O segundo texto aí da série.


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