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Como a internet nos ensina os benefícios do livre mercado

A World Wide Web foi inventada em 1992 pelo físico britânico, cientista da computação e professor do MIT Sir Tim Berners-Lee como um simples mecanismo de compartilhamento de artigos científicos entre seus colegas.  A essencial e principal inovação da rede foi o uso do hipertexto — o mecanismo pelo qual, ao clicarmos em um link, normalmente uma palavra ou uma frase que aparece em destaque, fazemos automaticamente o download de um documento.  Embora esta seja uma ideia muito simples, a rede mudou completamente o mundo em que vivemos.  Seu surgimento e sua ascensão são também um esplêndido exemplo do que acontece quando o setor privado é deixado desimpedido e com plena liberdade para suprir as necessidades do mercado.

Apesar de sua grande complexidade e do seu rápido progresso ao longo dos últimos 10 anos, a internet e todas as pessoas que interagem através dela é um arranjo que funciona basicamente sem qualquer tipo de intervenção estatal.  Os web designers (pessoas que elaboram o projeto estético e funcional de um website) não necessitaram de ajuda do governo para desenvolver as habilidades necessárias para criar websites cada vez mais complexos; os profissionais de tecnologia da informação não ficaram esperando por relatórios oficiais dizendo como e quando eles teriam de se adaptar às mudanças tecnológicas; e as empresas foram rápidas em oferecer toda uma gama de serviços — sempre em constante evolução — necessários para que a internet funcionasse harmoniosamente.

Em outras palavras, o setor privado se adaptou à nova realidade; e se adaptou muito rapidamente.  Os mecanismos do livre mercado fizeram aquilo que sempre fazem — se apressaram para satisfazer as demandas do consumidor.  Isso se refletiu não apenas na ampla variedade de produtos disponíveis, mas também na rápida queda nos preços de praticamente tudo que diz respeito à internet.  Dez anos atrás, ter uma página pessoal na internet era uma ideia cara, principalmente se você necessitasse de algo mais profissional ou refinado.  Hoje, por meio de blogs ou serviços como o Facebook, é tudo gratuito.  No geral, os custos de entrada — quando consideramos o custo do treinamento que era necessário há apenas uma década e que hoje acabou — não simplesmente caíram; eles evaporaram.  Esse baixo custo de entrada permitiu que uma grande variedade de indivíduos e empresas comercializassem online, fornecendo substanciais opções para os consumidores.

Embora o crescimento que temos visto da internet seja excepcional, trata-se apenas de uma versão mais rápida de algo que o capitalismo faz muito bem: satisfazer uma miríade de necessidades em uma sociedade diversa.  É difícil imaginar um melhor exemplo do livre mercado em ação.

Igualmente importante é o que não aconteceu.  A internet está predominantemente à margem de controles governamentais, e fornece inúmeros exemplos de como a livre iniciativa pode empreender em larga escala tarefas que muitos estatistas alegam que podem ser feitas apenas pelo setor público.  Rotineiramente ouvimos que a mão condutora do estado é necessária para a execução de projetos complexos.  Porém, a própria internet em si, com seu incontável número de computadores interconectados, é uma das entidades mais complexas já criada pelo ser humano, e grande parte dela cresceu sem absolutamente qualquer tipo de planejamento.

Similarmente, o governo sempre intervém quando julga haver algum perigo para o público — daí as regulamentações sobre o uso de remédios, as regulamentações sobre o mercado em geral e as leis antifraude.  Porém, é evidente que a internet, como exemplo de um mercado relativamente livre, frequentemente derruba esses argumentos pró-intervenção.  O crescente comércio de remédios online — de antibióticos até infindáveis propagandas de Viagra — demonstra a disposição de vários em obter suas próprias informações e em tomar suas próprias decisões, mesmo que isso traga algum risco pessoal.

Estatistas frequentemente argumentam que o governo deve regular padrões e critérios.  Porém, a internet em si foi toda construída utilizando padrões voluntariamente escolhidos e consentidos de maneira comum, padrões estes que permitem que qualquer navegador de internet decifre qualquer página publicada online.  Novamente, houve poucas fontes centrais para que isso ocorresse; o mercado, na forma de web designers, programadores e usuários, escolheu voluntariamente quais métodos deveriam ser utilizados em comum para manejar a imensa variedade de diferentes websites, desde sites de publicação e transmissão de vídeos, passando por sites de compras virtuais até a própria formatação de textos utilizada.  Nada disso requereu leis ou regulamentações, e seu progresso extremamente rápido foi voluntário e benéfico para todos.

Inversamente, sempre houve tentativas de se criar por escrito padrões definidos e implementados por várias organizações virtuais, mas tais projetos sempre estiveram defasados em anos.  A realidade da internet sempre progrediu mais rápido do que todas essas tentativas de planejamento central.  A lição é simples: vários indivíduos e organizações interagindo com o público e operando competitivamente sempre irão continuamente desbravar uma miríade de alternativas, sendo esse um processo natural cujo resultado final será, por definição, um reflexo das escolhas diretas feitas pelas pessoas.

A fraude é uma atividade criminosa que, justamente por ser criminosa, é vista como uma área natural em que o governo deve intervir.  Porém, mesmo nessa área podemos ver como um livre mercado lida com essa atividade.  Não obstante as vigorosas tentativas de fraudadores, o público em grande medida aprendeu a lidar com as fraudes online.  E-mails spam são rapidamente deletados, e isso quando conseguem furar o bloqueio dos filtros anti-spam especialmente desenvolvidos por engenheiros de software e vendidos tanto para provedores de acesso à internet quanto para indivíduos.  Empresas privadas em busca do lucro têm reputações a proteger, o que as estimula a declarar explicitamente aos seus consumidores que elas jamais se comunicam por meio de canais inseguros, como e-mails, e que elas só irão pedir informações confidenciais — como um número de cartão de crédito — quando houver um elaborado programa de segurança, como aqueles que existem em seus websites seguros e criados sob medida.

Em outras palavras, o mercado se adaptou à realidade, em parte por meio de campanhas informativas visando à educação dos usuários, em parte por meio de mudanças voluntárias de comportamento.  Uma coisa é certa: nenhuma intervenção governamental foi necessária.  Porém, não é difícil imaginar uma proposta estatista visando a limitar os malefícios causados por e-mails fraudulentos e outras trapaças virtuais.  Sem dúvida, isto envolveria uma série de regulamentações para tentar controlar aquelas pessoas que potencialmente poderiam mandar essas perigosas mensagens eletrônicas para pessoas inocentes e tecnologicamente ineptas.  O tom da propaganda em prol da intervenção iria enfatizar a incapacidade das pessoas entenderem as complexidades dos sistemas online — daí a necessidade de qualificações e especializações aprovadas pelo governo.

Uma das principais denúncias feitas pelos estatistas que querem controlar a internet diz respeito ao papel ostensivo que o governo deve ter em controlar o acesso a materiais perturbadores, como pornografia infantil ou encenações de estupro.  A atual legislação sobre material impresso e televisivo é apontada como um exemplo dessa necessária intervenção; é claro que ela deveria ser atualizada para incluir também a internet, certo?  Porém, em um livre mercado, bens e serviços são determinados pela demanda do consumidor, e a demanda por material obsceno nos moldes prescritos pela atual legislação é virtualmente inexistente.  A internet em sua atual forma certamente abriga conteúdo ilegal, mas este não está prontamente disponível; ele tem de ser específica e exaustivamente caçado na deep web, e podemos assumir que tal conhecimento requer uma rede preexistente que não depende da internet.

Aqueles que exigem mais regulamentação sobre a internet frequentemente declaram que seu objetivo é impedir que cidadãos desafortunados vejam acidentalmente esse tipo de pornografia extrema.  O principal apelo é que temos de nos assegurar que os inocentes e ingênuos não encontrem por acaso esse material.  Como dito, esse cenário ignora o fato de que o produto (no caso, o conteúdo virtual) é determinado pelo mercado.  Conteúdos repreensíveis são difíceis de ser encontrados online pelo mesmo motivo que eles não são televisionados no horário nobre — porque quase ninguém quer vê-los.

Essa alegação dos estatistas também ignora o ponto de vista dos provedores de conteúdo.  Todo grande website que aceita conteúdo enviado pelo público possui estritas regras de governança que definem o que é considerado aceitável.  Nenhuma empresa pode se dar ao luxo de se associar a qualquer coisa que o público considere desagradável, seja o conteúdo legal ou não.

Muitas pessoas confundem seus sentimentos.  Uma coisa é desejar que a lei seja aplicada; outra, bem diferente, é querer que o governo encontre uma maneira de tomar o controle de um meio de informação porque as pessoas o utilizam para propósitos ilegais.  Isso é análogo a dizer que o estado deve controlar as ruas porque elas às vezes são utilizadas por assaltantes de banco.  Ninguém levaria tal lógica a sério; entretanto, é exatamente essa a lógica por trás das propostas para o controle estatal da internet.

Legislações criadas para proteger os usuários da internet contra exposições casuais a pornografia infantil de nada servem para impedir a produção e o armazenamento deste material online, pois isso já é ilegal e ocorre mesmo assim.  Já os provedores de conteúdo, entretanto, têm todos os incentivos para controlar o acesso a esse material, pois dependem da boa vontade de sua audiência.  Ou seja, o livre mercado fornece um método bem mais eficiente de regulação, pois os fornecedores de conteúdo têm fortes incentivos para se autorregularem baseando-se no fato de que a pornografia extrema é repugnante.  Qualquer tentativa do estado de atacar essa reduzida e restrita área — como, por exemplo, instalando firewalls controlados pelo governo — significaria um ataque sobre todos nós.  Mais ainda: o estado simplesmente utilizaria esse 'potencial para atividades ilegais' como desculpa para monitorar todos os cidadãos.

O meteórico sucesso da internet é praticamente um exemplo clássico de livro-texto libertário sobre os benefícios dos mercados irrestritos.  Quando as pessoas entendem que estão no controle e que suas atitudes têm influência, as coisas acontecem.  O mercado fornece, e as pessoas escolhem de acordo com as opções.  Quanto mais opções elas tiverem, mais concorrência haverá, e maior a probabilidade de nossas demandas serem atendidas.  Ademais, indivíduos não são criaturas estáticas.  Algo que 15 anos atrás era de domínio exclusivo de usuários com conhecimento avançado de computação tornou-se uma experiência simples e rotineira para muitos — algo não mais desafiador do que utilizar o telefone ou um forno microondas.

Essa explosão no crescimento da internet deveria acabar de uma vez por todas com as críticas frequentemente feitas aos ideais libertários — que eles são uma fantasia porque não se pode confiar que cidadãos ignorantes interagindo com o setor privado irão atender às necessidades da sociedade, e que coisas importantes só podem ser manuseadas por aqueles que trabalham por um ideal elevado, e não pelo lucro.

Há vários outros exemplos parecidos com o da internet, nos quais o governo não intervém ou não é capaz de intervir — e ainda assim (ou justamente por causa disso) as coisas funcionam muito bem.  O sucesso da internet, e o claro papel desempenhado pelo público consumidor, que fez com que a internet se desenvolvesse de acordo com seus anseios, demonstra a capacidade da sociedade em conseguir o que quer de um livre mercado.

Agora que começamos a ouvir murmúrios advindos da classe política sobre a necessidade de se regular a internet para nos proteger da pornografia, do jihadismo ou de qualquer tipo de fraude, é imperativo resistirmos a todo e qualquer apelo por mais controle estatal.  Governos não são competentes para controlar nada, muito menos a internet.  Sua intervenção lograria apenas diminuir nossa capacidade de fazermos nossas próprias escolhas.  O estado quer retirar de nós a capacidade de tomarmos decisões de acordo com nossos gostos e preferências, direcionando arbitrariamente esse poder para a própria classe política, que então escolheria um modelo estatal qualquer de sua preferência.  E tudo para nos proteger.

Como a própria internet já demonstrou, qualquer proteção de que porventura necessitemos no futuro nos será rapidamente fornecida como que por mágica, precisamente porque um livre mercado responde diretamente às necessidades das pessoas.


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autor

Gerard Docherty
é designer de software e escreve sobre variados assuntos, dentre eles livre mercado, liberdades civis e tecnologia.  Mora no Reino Unido.


  • Tiago  10/02/2014 12:48
    Ótimo texto. Eu sempre enxerguei esse aspecto da internet (que é um produto do livre mercado). Diria até que o fato de trabalhar com TI e ver todo esse fantástico produto do livre mercado evoluir tão bem e rapidamente me ajudou a reconhecer as vantagens da liberdade, e como a ordem surge espontaneamente através dela.
  • Heber  10/02/2014 12:48
    Na verdade o futuro nessa área é obscuro. Em países como a China, Coréia do Norte e Mianmar a internet já e controlada e censurada. A resistência da qual o autor fala terá que ser ferrenha para que não controlem a nossa também!!
  • Rodrigo  10/02/2014 12:49
    Como cientista da computação e libertário, tenho apenas aplausos ao autor do texto!
  • Zé Ninguém  10/02/2014 12:50
    Profundo e brilhante! É a pura verdade - a internet é o exemplo perfeito de uma sociedade sem governo e é o espelho da evolução da procura dos consumidores e da oferta do mercado, assim como da inexistência de fronteiras arbitrárias e da satisfação gratuita das necessidades dos participantes mais fracos ou pobres. Talvez um dia possamos ver essa realidade plasmar-se no mundo não-virtual. Viva a Liberdade!

    p.s.: em Portugal, os piores websites (mais enigmáticos, complexos e ineficientes) são os do governo... principalmente o do ministério das finanças. Que monte de entulho!
  • Mirada  10/02/2014 12:51
    Verdade absoluta. Não poderia ser diferente. Sou um profissional da área de TI e o que ocorre nessa área é assim msm. Há regulamentações, padrões, protocolos pra seguirem certas regras mas nada criada por "estudiosos iluminados de um grupo centralizado". Não são regras que vem de cima, muito pelo contrário. Qd algo que ocorre é bom, o mercado enxerga isso e mantém esses princípios, absorve-os. A própria comunidade de profissionais em suas diversas áreas criam reformas pra coisas já existentes, mas nada imposta por um grupo ou outro.

    Qd comecei a entender o livre-mercado e o pensamento liberal, a 1a coisa que me veio à cabeça foi a força da internet e seu funcionamento. Pra um profissional de TI isso pode soar muito claro, mas pra alguém de fora nem tanto. Mas como a internet é algo presente na vida de qq um, um texto assim (simples porém muito intuitivo) pode dar uma luz pra quem não acredita na livre iniciativa de pessoas.
  • Carlos Prado  10/02/2014 23:13
    MVC, Orientação a Objetos, Árvore assim, Árvore assado, Modularização, HTML5, Java, Ruby, HTTP, Programação Linear, ou seja lá o quê, usa quem quer do jeito que quiser. Se o cara quiser fazer o programa em Assembly com o os dados num arquivo de texto ele faz. As técnicas e tecnologias da área não são impostas, mas absorvidas conforme se mostram satisfatórias. Não é necessário um governo para regularizar e dizer como arquitetar um programa, quando usar threads e comunicação inter-processo, quando usar um banco de dados relacional, dados em nuvem ou configurações num simples arquivo.

    E assim a área funciona muito bem. E sempre com novidades que aparecem de todo o canto do mundo. É uma área em que logo se está desatualizado, num momento todos falam de clipper ou cobol, depois todos já largaram a dor de cabeça do java para trabalhar com ruby ou javascript. Ainda bem que não temos ainda um lobby de gerentes de TI que se cansaram de tantas reciclagens e novidades na tecnologia para engessar toda a área e fazer com que programemos em clipper e dbase para sempre.
  • Giovanni  10/02/2014 13:07
    A internet está a salvo dos governos? Eu posso, com alguma alteração técnica simples, acessar o site do IMB daqui de casa sem precisar de um servidor raiz (se eu souber o IP do IMB, por exemplo)? O que é exatamente um servidor raiz?

    A estrutura da internet pode ser facilmente replicada utilizando-se a rede física já existente?

    Quero entender, pra ver se a internet sobrevive caso os servidores raiz sejam tomados pelos governos. Se alguma boa alma que entenda do assunto quiser esclarecer essas coisas, acredito que será uma boa coisa.

    [todo o meu conhecimento sobre o assunto foi extraído desta entrevista: www.youtube.com/watch?v=nLjJfhHQ8XI , então vá com calma]

    [para quem não faz idéia nenhuma de como funciona a internet, recomendo assistir à entrevista]
  • Tiago  10/02/2014 13:12
    Rafael, não é assim tão simples fazer o que foi feito no Egito. Digo do ponto de vista jurídico. Poucos governos, normalmente apenas ditaduras, detém hoje o poder para imediatamente fechar todo o acesso à internet. O governo brasileiro precisaria aprovar leis bastante autoritárias antes de poder fazer tal coisa, por exemplo.

    Não que isso não possa mudar um dia, mas hoje não é assim tão simples.

    Vou assumir que por "servidor raiz" você se refere aos servidores raízes do protocolo DNS. O sistema DNS é o sistema que permite traduzir nomes como www.mises.org.br para endereços IP como 200.234.196.174, por exemplo.

    O maior problema nesse sistema não é a existência de servidores raízes, e sim dos "servidores de autoridade", aqueles que têm a autoridade pra dizer a que endereço cada nome corresponde. Esses servidores são identificáveis e, quando não estão sob controle direto de algum estado, como por exemplo no caso do *.br, estão sob o controle de uma empresa que é controlável por estados. O governo dos EUA já aprendeu a abusar disso e sequestrar nomes de sites (seize domain name).

    Embora isso seja ruim, não é o maior problema. Você não precisa do DNS para acessar um servidor, e sistemas 100% distribuídos de nomenclatura já começam a ser planejados (graças às bitcoins, aliás ;-)).

    O maior problema na minha opinião é que todo acesso a internet depende de um ISP, uma empresa que dá esse acesso via meios físicos (linhas físicas), e bom, essas empresas estão sob o controle de algum estado, sempre. É aí onde os governos podem atacar mais ferozmente, como fez o governo egípcio ou como faz constantemente o chinês. E esse tipo de problema não se resolve com software, é um problema físico. Algumas tecnologias para criação de redes sem fio que poderiam driblar controles governamentais começam a surgir, mas estão longe demais de serem algo decente.
  • Johnny  10/02/2014 13:23
    Estamos na minarquia da internet. Redes sem fio é o anarco-capitalismo dela. Sem não quisermos que o estado cresça sobre essa minarquia, é ora de avançamos pra as redes sem fio.
  • Malthus  10/02/2014 13:29
    Internet sem fio são só ondas de rádio. E quem é que regula as empresas de radiodifusão? Pois é, o estado. Sem uma desregulamentação total do setor, fica tudo na mesma.

    Aliás, isso deveria estar no plano de governo de qualquer partido minimamente liberal: retirar do estado o poder de regular o espectro eletromagnético. Isso faria, dentre outras coisas, que as atuais emissoras de televisão -- que funcionam como concessões públicas -- não precisassem ficar bajulando o governo, temendo a não-renovação de sua concessão. O espectro deveria ser propriedade privada.
  • Pobre Paulista  10/02/2014 13:51
    Dado que ondas eletro-magnéticas são bens não escassos, não seriam propriedade de ninguém.
  • Andre Cavalcante  11/02/2014 15:06
    Não, Pobre Paulista,

    Um canal é um pedaço do espectro. Em uma mesma área não pode duas operadoras usar o mesmo pedaço de espectro, se não uma influencia o sinal da outra e nada é recebido ou emitido pelo outro. Daí a escassez.

    Os canais por onde trafegam as informações são sim escassos e, portanto, necessitam de um dono. Hoje é o governo o dono e que concede à iniciativa privada fazer uso de tal ou tal canal. Se as empresas privadas fossem efetivamente donas do seu pedaço no espectro, não haveria necessidade de regulação do governo nesta área.
  • Jason  10/02/2014 14:21
    Redes Mesh são totalmente descentralizadas, cada usuário é um nó da rede. O governo pode proibir as pessoas de usarem qualquer faixa do espectro eletromagnético, mas para derrubar uma rede Mesh só desligando todos os pontos.
  • Tiago  10/02/2014 14:25
    Internet sem fio são só ondas de rádio. E quem é que regula as empresas de radiodifusão? Pois é, o estado. Sem uma desregulamentação total do setor, fica tudo na mesma.

    A ideia dessas redes mesh seria que qualquer pessoa possa facilmente se tornar um roteador na rede, fornecendo acesso a quem precisar, e usando dispositivos de outras pessoas à proximidade para seu próprio acesso também. Indivíduos particulares fariam os papéis de fornecedores de acesso com seus telefones, por ex. Seria muito difícil regular/censurar uma rede dessas.

    A dificuldade está em conseguir construir uma tal rede com uma performance adequada. Uma boa rede com cabos de fibra ótica chegando ao seu apartamento é incomparavelmente mais eficaz. Bom, pelo menos por enquanto. Quem sabe o que o futuro nos reserva?
  • Emerson Luis, um Psicologo  10/02/2014 20:46

    "...não é assim tão simples fazer o que foi feito no Egito. Digo do ponto de vista jurídico. Poucos governos, normalmente apenas ditaduras, detém hoje o poder para imediatamente fechar todo o acesso à internet. O governo brasileiro precisaria aprovar leis bastante autoritárias antes de poder fazer tal coisa, por exemplo."

    É claro que eles não vão emitir leis bastante autoritárias de forma direta e imediata. Os esquerdistas usam métodos graduais para nem percebermos as mudanças.

    Vão aprovar leis paternalistas aparentemente inocentes, depois que as pessoas se acostumarem eles lançam outras um pouco mais rigorosas, mas que os usuários vão tolerar e se habituar e assim por diante.

    Daqui a alguns anos, vamos pensar que tudo está normal, mas brasileiros que passaram muito tempo em países de liberdade ficarão chocados quando visitarem o Brasil.

    Pensando bem, parece que isso já aconteceu em grande medida. Não apenas estamos mais próximos da Coreia do Norte do que da Coreia do Sul com respeito à liberdade, mas estamos nos aproximando cada vez mais.

    * * *

  • gredson  10/02/2014 13:59
    me lembrei agora de um prejeto, que tinha a proposta de fornecer uma internet descentralizada que não precisasse de servidor. funcionaria mais ou menos como a rede torrent.
  • Tiago  10/02/2014 14:28
    A Internet já é descentralizada, não precisa de servidor. A única peça importante que continua centralizada é o serviço de resolução de nomes (DNS). Mas a internet em si é descentralizada.

    O problema é o que eu disse no outro comentário: o acesso à rede é sempre provido por empresas que podem ser facilmente controladas pelo estado.
  • Jason  10/02/2014 19:08
    Tiago, esse problema será resolvido com as redes mesh. Padrão 801.11s.
    Nessa rede é tudo descentralizado, não precisa de um provedor. Para controlar essa rede o estado precisaria controlar cada ponto individualmente o que seria equivalente a ter um agente vigiando cada usuário.
    O problema do DNS pode ser resolvido com o namecoin.
  • Tiago  10/02/2014 23:00
    Jason, sim, como disse no meu outro comentário acima, espero que tenha razão. O problema por enquanto é questão de eficiência. Não dá nem pra comparar o custo/benefício dessas redes mesh com uma rede de fibras óticas por ex. Mas enfim, esperemos que isso mude, ou que outros protocolos se desenvolvam e que tornem a rede algo bem mais difícil de censurar/controlar (por exemplo o cjdns, onde, se não me engano, roteadores intermediários desconhecem o destino e a origem de um pacote, e tudo é criptografado).
  • Marcelo Almeida  10/02/2014 15:36
    Fico feliz em ver parte da minha ideia sendo analisada aqui. Segue abaixo meu comentário em relação ao texto: "Como funcionaria uma sociedade sem estado". Mantive a data e hora do comentário publicado; no qual fiz uma comparação entre o ambiente físico e virtual em relação à segurança do estado e do livre mercado.

    Marcelo Almeida 04/02/2014 17:16:50
    Na verdade já estamos utilizando serviços de segurança fora do estado. Basta um olhar mais atento para notarmos. Empresas de monitoramento e que oferecem rondas, ou mesmo moradores do bairro contratando alguém para tal finalidade. Ainda o fato de muitas residências terem uma simples cerca elétrica, já significa a total falta de confiança na segurança publica. Ou seja, pagamos impostos para o estado nos proteger, porem, paga-se empresas particulares para aumentar esta proteção. Isso significa um pagamento duplicado para mesma finalidade. É a clara impotência do estado diante de nossa segurança. Analisem este mundo novo que estamos descobrindo com o advento da internet. O estado não tem capacidade de proteger o computador particular de cada internauta. Necessitamos de antivírus de empresas no livre mercado. Não se pode negar que hoje temos uma vida digital na rede, e que merece a mesma segurança da vida física. No mundo virtual; este mundo que está apenas mostrando sua utilidade e importância, o estado não tem também capacidade alguma de proteger o cidadão. Realmente a ideia no texto merece reflexão. Importante descobrirmos novas maneiras de se viver. O mundo velho gerido pelo estado já deu mostras do total fracasso.
  • Renato Borges  10/02/2014 16:08
    cadê o comentário falacioso de que a internet foi 'inventada' pelo governo?! não se fazem mais bots de esquerda como antigamente... =/
  • Daniel Marchi  10/02/2014 17:51
    É lógico que políticos e burocratas não suportam o fato da Internet ser tão livre e funcionar tão bem assim.

    Eles frequentemente buscam brechas e tentam criar ambiente favorável ao controle.

    Vejam esse evento que será sediado no Brasil no próximo mês de abril.

    Encontro internacional sobre governança começa a receber contribuições sobre temas da conferência
    www.teletime.com.br/10/02/2014/encontro-internacional-sobre-governanca-comeca-a-receber-contribuicoes-sobre-temas-da-conferencia/tt/367761/news.aspx

    Página do evento
    netmundial.br/pt/
  • anônimo  10/02/2014 19:48
    Engraçado como toda vez que aparece uma tecnologia nova ela é mais pró liberdade, mas suas versões mais avançadas tendem a ser algo mais restrito
    Quando apareceu o vídeo cassete nos anos oitenta ninguém tinha que pagar pra ter nada, vc gravava o filme na televisão e pronto, hoje em dia nem gravador de blue ray tem
    No tempo que a Microsoft começou a ser odiada, alguém podia imaginar o Bill Gates com toda sua crueldade fazendo com que todo mundo que quisesse criar um programa pro Windows fosse obrigado a vender na appWindows? Absurdo né, mas é o que acontece hoje com as porcarias da apple e do android.
    Mas não acho que a culpa seja só do governo, o povo também é muito estúpido e sem memória.
  • Ismael   11/02/2014 01:34
    Viva a liberdade da Internet....e Viva o Linux! Dois ícones admiráveis da livre iniciativa colaborativa humana!
  • Gredson  12/02/2014 09:23
    Como o assunto é internet, eu não posso deixa de sugerir. Seria muito interressante se o Instituto Ludwig von Mises Brasil, tivesse um forum de discussões.
  • Admin do fórum  12/02/2014 11:49
    Criei esse fórum pra suprir exatamente
    essa demanda. Está meio vazio, mas vou de vez em quando fazer umas propagandas por
    aqui.

    Sinta-se a vontade por lá.
  • Tann  12/02/2014 12:39
    Gredson, sobre o forum de discussões, você não acha que um twitter resolveria a demanda? Nunca utilizei essa ferramenta, pois acredito que as pessoas usam da forma errada. No entanto, se adicionássemos somente pessoas com intuito de discutir ideias liberais, seria uma ótima ferramenta, não concorda?
  • Daniel Bonatto  15/02/2014 21:18
    Ótimo maneira de definir liberdade de mercado!!!
  • Homem Verde  13/04/2014 17:46
    Uma dica aos políticos e pretensos "reguladores": por que não estudam computação e se dedicam a criação de programas anti-vírus que poderiam competir com os já existentes? Garanto que estariam fazendo um duplo favor à sociedade.
  • Carlos  14/04/2014 03:19
    Nan...
    É mais legal atrapalhar as vidas das pessoas do que criar algo útil


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