Populismo, keynesianismo e a Argentina no buraco
por , quinta-feira, 31 de julho de 2014

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BlogAxelKicillofCristinaKirchner.jpgPerante o agora evidente fracasso da política econômica kirchnerista, um modelo populista que vigora na Argentina desde 2003, começam a surgir nos jornais argentinos várias colunas escritas por "especialistas" e por ex-integrantes do atual governo que tentam limpar sua imagem e apontar os responsáveis diretos pelos acontecimentos atuais, que envolvem saques a comércios e residências, disparada do dólar, queda acentuada das reservas internacionais, restrições à compra de dólares, inflação de preços em disparada e apagões.

O ex-presidente Eduardo Duhalde, por exemplo, que ficou no cargo de janeiro de 2002 a maio de 2003, vem fazendo elogios ao seu então ministro da economia, Roberto Lavagna, tentando resgatar sua imagem e chegando ao ponto de candidatá-lo como a pessoa com a experiência necessária para resolver a situação atual.  Já o ex-presidente do Banco Central Martin Redrado (setembro de 2004 a janeiro de 2010), e o ex-ministro da economia Martín Lousteau (dezembro de 2007 a abril de 2008), vêm escrevendo dezenas de artigos nos jornais tentando se desvencilhar de suas ligações com o atual governo, sendo que participaram dele até há poucos anos.

É correto dizer que, desde 2007, Cristina Fernandez de Kirchner pessoalmente se ocupou de aprofundar o atual populismo que nasceu após o fim do regime de conversibilidade em 2002.  No entanto, cada um destes três economistas citados acima tem sua parcela de culpa pela atual situação que nós argentinos estamos vivenciando.

Em primeiro lugar, a saída do regime de conversibilidade foi feita da pior maneira que se poderia conceber.  Eduardo Duhalde acusa o atual governo de improvisação, mas foi ele próprio quem, logo após ter prometido devolver os dólares que os argentinos haviam depositado nos bancos durante a década de 1990, tratou de pesificar todas as contas bancárias, convertendo dólares em peso a uma taxa de câmbio extremamente desvalorizada, sendo assim o responsável pelo maior confisco da renda do povo argentino nas últimas décadas.  (Leia os detalhes completos neste artigo).

Em segundo lugar, é preciso deixar claro que o abandono do regime de conversibilidade e a subsequente desvalorização cambial feita por Duhalde em 2002, algo que hoje ele diz ter sido a medida que gerou a "década do crescimento" da economia argentina, foi na realidade o começo de outra "década perdida".  É verdade que, entre 1998 e 2001, ainda sob o regime de conversibilidade, a economia argentina estava em recessão e com alto desemprego; mas a súbita e acentuada desvalorização cambial ocorrida em 2002 transformou essa pequena recessão em uma profunda depressão, a qual fez o PIB despencar mais de 10% em 2002, além de destruir completamente o estado de direito do país. (Ver relato completo e em detalhes neste artigo.)

A partir de 2003 a economia começou a se recuperar, mas foi só em 2008 que o PIB real da Argentina voltou ao mesmo nível que já havia alcançado em 1998.  Enquanto Chile e Brasil aproveitaram a década de 2000 — que foi a década mais afortunada para a América Latina em mais de um século, no que se refere ao contexto internacional — para vivenciar um processo de acelerado crescimento, a Argentina teve primeiro de retroceder para só então se aproveitar desta bonança e recuperar o que havia perdido.  Em outras palavras, entre 1998 e 2008, a Argentina não cresceu; apenas recuperou o que havia perdido após a desastrosa desvalorização de sua moeda.

Vale ressaltar que, em 1999, havia outra opção, que era dolarização, a qual foi completamente ignorada.  Caso houvesse implantando essa medida, a Argentina poderia ser hoje a primeira economia latino-americana a apresentar um PIB per capita de nível europeu.

Voltando aos três personagens atuais, Roberto Lavagna assumiu o cargo de ministro da economia durante a presidência interina de Eduardo Duhalde em abril de 2002, foi ratificado no posto pelo presidente eleito Néstor Kirchner em 2003, e acabou sendo destituído do cargo em 2005 por causa de divergências internas.  Ele se destaca por ter liderado o processo de recuperação da economia argentina, mas vale ressaltar que foi durante sua gestão que também se iniciou o modelo econômico atual, caracterizado por um aumento acelerado dos gastos públicos e dos impostos.  Com Lavagna no ministério da economia, a carga tributária subiu de 24% do PIB para 30%.

Ter sido substituído por Felisa Miceli, uma intervencionista radical, em novembro de 2005 claramente não melhorou em nada a situação.  É válido dizer que, desde essa data até sua morte em outubro de 2010, Néstor Kirchner foi o verdadeiro ministro da economia, inclusive após a chegada de Cristina Kirchner ao poder, em dezembro de 2007. 

A nomeação do jovem Martín Lousteau para o ministério da economia, também em dezembro de 2007, estava em linha com o desejo de Néstor.  A margem de decisão de Lousteau era muito restrita, e ainda assim ele cometeu o incompreensível erro de tentar aumentar ainda mais a carga tributária, que nesta época já era de 36% do PIB.  Os argentinos bem se lembram de sua proposta de aumentar as retenções das exportações de soja para um valor acima dos já excessivos 35%, algo que só não ocorreu por causa de um veto do vice-presidente.  Após várias desavenças internas, Lousteau saiu do governo em abril de 2008 e, desde então, se tornou um crítico do modelo.

Já o caso de Martín Redrado é um pouco mais complexo já que ele foi presidente do Banco Central entre setembro de 2004 e janeiro de 2010.  Durante sua gestão, ele jamais reconheceu a inflação de preços real, uma vez que esta era frequentemente o dobro — e, às vezes, o triplo — da inflação de preços oficial declarada pela instituição que ele presidia.  De 2007 até sua renúncia, a inflação real só ficou abaixo de 20% ao ano em 2009, ano da recessão global, da qual a Argentina também não escapou.  Redrado jamais exigiu a independência do Banco Central e jamais se negou a imprimir dinheiro para financiar os descontrolados gastos do Executivo.  Até que o oficialismo decidiu afastá-lo do governo.

Nesta seleção arbitrária de personagens responsáveis pela débâcle que nós argentinos estamos vivenciando, chegou a hora de analisarmos o atual e pitoresco ministro da economia, Axel Kicillof.

kicillof_6.jpgO estilo Kicillof

Doutor em economia pela Universidad Nacional de Buenos Aires, Kicillof (que foi meu professor) e sua equipe econômica tomaram posse em novembro de 2013 em um espetáculo constrangedor.  Profundo estudioso de Karl Marx, Kicillof se doutorou em economia tendo como tese um estudo dos fundamentos da Teoria Geral de John Maynard Keynes.

O pensamento de Kicillof, portanto, se encontra entre Marx e Keynes, um conflito interno que não deve ser fácil de ser resolvido.  Seu pensamento é apresentado utilizando termos marxistas — algo que se nota claramente quando ele fala —, mas ele também sabe moderar seu discurso recorrendo a Keynes, cuja obra parece conhecer de cor.  Para Kicillof, o socialismo seria o arranjo desejável, embora entenda que uma transição para esse sistema é inviável no mundo moderno.  O advento do socialismo será, quem sabe, uma etapa mais avançada do capitalismo, mas não é algo que caberá a ele acelerar em seu novo cargo.  Suas propostas políticas são mais keynesianas do que marxistas.

Kicillof rejeita a ideia generalizada de que a Argentina se beneficiou, ao longo dos últimos dez anos, de um contexto internacional favorável.  Para Kicillof, não houve e nem haverá ventos favoráveis, e sim apenas ventos contrários, os quais teriam destruído a economia argentina não fossem as "exitosas" políticas protecionistas que o país implementou ao longo destes últimos dez anos.  Ele parece ignorar que foram justamente as políticas de expansão do crédito orquestradas pelo Federal Reserve e pelo Banco Central Europeu que injetaram liquidez no mercado e, consequentemente, elevaram substancialmente os preços das commodities — como trigo, soja e petróleo —, algo que claramente beneficiou tanto a América do Sul quanto a Argentina.

Kicillof compartilha da ideia de Robert Skidelsky — o principal biógrafo de John Maynard Keynes — de que este é o momento ideal para o "retorno do maestro".  Kicillof recorre a Keynes para justificar uma série de medidas que devem ser implementadas para corrigir o capitalismo e regulá-lo, uma vez que, sem estas medidas, o mercado irá inevitavelmente nos levar a sucessivas crises.

Em sua tese de doutoramento, ele explica em detalhes como uma política anticíclica keynesiana deve ser usada para enfrentar uma situação de recessão: a demanda agregada deve ser impulsionada com políticas monetárias e fiscais expansionistas.  Ou seja, deve haver mais gasto público — sem se importar que ele seja deficitário — e mais expansão do crédito por meio de taxas de juros baixas e até mesmo negativas (em termos reais), o que impulsionaria ao mesmo tempo o consumo e o investimento.  Até o momento, no entanto, esta receita de Kicillof logrou apenas desvalorizar ainda mais a moeda e piorar o já acentuado desequilíbrio fiscal, justamente a fonte de todos os problemas da Argentina nas últimas décadas, e fonte do atual e real problema da inflação de preços que atormenta o país.

É de se imaginar que, além das já implantadas medidas que aumentaram o controle estatal sobre a economia (como as restrições à compra de dólares e o confisco da Repsol), novas expropriações e estatizações também estejam em seus planos, principalmente quando levamos em conta seu expresso desejo de "reverter os anos 1990".

Algo que Marx e Keynes tinham em comum, além da desconfiança em relação ao mercado, era seu desapreço pela função empresarial.  Tanto em suas aulas quanto em seus discursos atuais, Kicillof deixa transparecer de forma cristalina seu ódio aos donos do capital.  Ele enxerga os lucros das empresas como sendo uma indevida apropriação da mais-valia por parte do capitalista, sendo a "mais-valia" o valor monetário que o trabalhador assalariado cria acima do salário que recebe.  Essa injustiça social justifica — em sua visão — qualquer ação do governo que vise a expropriar ou tomar medidas para limitar aquilo que para ele é basicamente um roubo.

Kicillof entende o comércio como sendo um jogo de soma zero, no qual uns ganham (os empresários) e outros perdem (assalariados e consumidores).  Tal raciocínio faz com que ele tenha uma enorme satisfação em tomar medidas que reduzam os lucros empresariais, que imponham estratégias de investimento ou que proíbam a remessa de lucros para o exterior.  Seu discurso na ocasião da expropriação da Repsol-YPF foi justamente neste sentido.  Ele parecia ignorar o fato de que o maior problema vivenciado pela Repsol-YPF foram as pesadas regulamentações sobre a empresa, as quais reduziram sua margem de lucro e, consequentemente, impediram novos investimentos na Argentina e estimularam mais investimentos no exterior.

Kicillof, assim como a maioria dos burocratas governamentais, sofre da arrogância fatal de acreditar que sabe melhor do que todos os empresários argentinos como e onde devem ser feitos os investimentos, e quais são os reais interesses coletivos do país.  Em suma, para Kicillof, os interesses de um coletivo imaginário estão acima dos interesses individuais, de modo que, se for necessário sacrificar várias empresas para dar sustentação ao seu modelo econômico, ele não hesitará em fazê-lo.

O mesmo, aliás, pode ser dito sobre seu programa de controle cambial.  Se for necessário encarecer ainda mais o turismo de argentinos no exterior, ele não terá nenhum problema em fazer isso.  No que mais, confiscar dólares e proibir seu uso no exterior é uma função social que está muito acima das liberdades individuais.

Ironicamente, este atual modelo populista e inflacionário é chamado por Kicillof de "inclusão social".

As quatro etapas do populismo

O roteiro deste tango argentino é convencional: na primeira etapa de um programa populista, sempre se observa um suposto êxito do modelo, principalmente quando a economia parte de uma situação deteriorada em termos de PIB e emprego.  Por isso, entre 2003 e 2007, o modelo populista mostrou uma recuperação da atividade econômica, do emprego e dos salários reais.  Consequentemente, a continuidade do kirchnerismo era óbvia. 

No entanto, já naquela época, não eram poucos os economistas liberais alertando que tal etapa aparentemente exitosa era insustentável, que o gasto público estava saindo de controle, e que as tendências mostravam que nem os preços crescentes da soja e nem suas crescentes retenções poderiam sustentar a bonança.

Com o tempo, os dados começaram a mostrar que não apenas a carga tributária não parava de crescer, como também já estava se tornando corriqueira a monetização dos déficits orçamentários do governo.  O surgimento de desequilíbrios fiscais, monetários e cambiais, bem como de uma resiliente inflação de preços, caracteriza exatamente a segunda etapa do populismo.  Preocupados com este arranjo, estes economistas intensificaram seus alertas, mas foram sumariamente ignorados. 

A terceira etapa do populismo é justamente a atual, em que estes desequilíbrios básicos se ampliam e se tornam evidentes para toda a população na forma de uma acentuada inflação de preços, o que leva o governo a maquiar estatísticas e a impor o congelamento de vários preços, o que por sua vez gera desabastecimento e escassez de vários produtos.  Quanto mais a economia se desarruma, mais intensas e desesperadas se tornam as medidas do governo para tentar ocultar esta realidade.

A quarta e última etapa, que ainda está por vir, é a etapa do "ajuste", uma etapa da qual ninguém quer falar, mas que dificilmente poderá ser evitada.  O ajuste normalmente é composto por liberação de preços e sua subsequente disparada, ajuste monetário e fiscal, recessão, desemprego, queda do salário real e aumento da pobreza.  Aqueles que negam a necessidade deste ajuste devem explicar como é possível sustentar este atual arranjo por um longo período de tempo.

Conclusão

Uma medida relativamente simples e que ajudaria a corrigir estes três desequilíbrios (fiscal, monetário e cambial), além de minimizar os efeitos do ajuste, seria a dolarização da economia, cujo plano está explicado em detalhes aqui.  Porém, lamentavelmente, nem a oposição e nem mesmo aqueles economistas que identificaram corretamente os problemas parecem saber o que defender. 


Artigo originalmente publicado em janeiro de 2014


Adrián Ravier é doutor em economia aplicada pela Universidad Rey Juan Carlos de Madri e professor da Escuela de Negocios da Universidad Francisco Marroquín, na Guatemala, e da Facultad de Ciencias Económicas y Jurídicas da Universidad Nacional de La Pampa, Argentina.  Veja seu website.



74 comentários
74 comentários
Cesar 30/01/2014 12:08:45

Excelente artigo, além de elucidativo quanto aos aspectos políticos o professor Ravier ensaia uma magistral "teoria do ciclo economico populista".

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Guilherme 30/01/2014 12:18:57

Notícia fresquinha:

Argentina multa por aumento de preços

Governo de Cristina Kirchner multou 31 empresas por remarcações de preços; ministro chama empresários de 'anti-patrióticos'

O governo argentino começou ontem a multar comerciantes que remarcaram preços de produtos por causa da disparada do dólar. Segundo o chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, Jorge Capitanich, já foram autuados 31 estabelecimentos. "Recebemos diversas denúncias sobre manobras (de remarcações) de empresários de supermercados que não estão cumprindo os acordos de preços e, por isso, já fizemos 31 atas sobre infrações", disse Capitanich.

O ministro acusou os empresários argentinos de "comportamento antipatriótico" por causa dessas altas. A acusação de Capitanich constituiu a primeira vez na qual o governo admitiu a existência de remarcações à revelia do congelamento aplicado pela Casa Rosada. O governo de Cristina Kirchner impôs um congelamento de preços em fevereiro do ano passado que englobava 12,5 mil produtos de supermercados e eletrodomésticos.

No entanto, essa política fracassou em meados do ano, quando a Casa Rosada decidiu reduzir o congelamento a 500 produtos. Ao longo do segundo semestre, essa nova paralisação de preços também foi a pique. Dessa forma, o governo optou por um congelamento de apenas 195 produtos desde a primeira semana de janeiro. Mas, com a desvalorização do peso e a escalada da inflação nas últimas semanas, diversos empresários começaram a remarcar os preços.

Empurrados pela alta do dólar e pelas incertezas sobre a política econômica, os preços dos eletrônicos e produtos para o lar, por exemplo, aumentaram, em média, 15% nos últimos dez dias, segundo um relatório da consultoria econômica Elypsis.

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Vitor Sousa 30/01/2014 13:04:46

Não sei se é verdade, mas parece que a Petrobras anunciou ontem o congelamento dos preços dos seus produtos na Argentina.

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Pedro Ivo 30/01/2014 19:09:42

Deve estar querendo rumar para a falência + rápido, e o tabelamento de preços cá no Brasil não é suficiente.

Se fosse no governo FHC, a esquerda estaria a acusá-lo de estar dilapidando o valor da Petrobras para a entregar à privatização. Mas como o governo é de esquerda, essezinhos se calam. Atribuem conspirações aos d+ para esconder às próprias.

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Alexandre Werner 30/01/2014 13:06:40

Isso ai parece uma noticia do Revolta de Atlas. Any Rand realmente não escreveu um livro de ficção, ela descreveu nossos tempos.
É caricato( e triste) demais ler esse tipo de noticia.

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Vinicius 31/07/2014 14:32:56

E veja que ela escreveu o livro em 1957. Profético.

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Cesar 30/01/2014 13:11:48

O Brasil tá saindo da primeira etapa e entrando na segunda. E tudo tende a ficar ainda pior com a recuperação da economia americana. Perdemos o lugar no bonde da economia mundial. Aproveitamos a ultima década de prosperidade para inflar e criar um crescimento artificial. Sem investimentos na infra-estrutura, prevejo dificuldades nos anos vindouros.

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dw 30/01/2014 14:05:57

Prezado, acredito que estamos chegando na 3ª etapada deste processo, visto que já temos maquiagem, inflação e estagnação da economia.

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Elói Carneiro 30/01/2014 15:45:43

venho lendo os artigos dos IMB a algum tempo e observando os eventos que ocorrem no dia-a-dia (no Brasil) me parece que estamos caminhando para um crise, talvez pior que a da Argentina, existe algum "manual" de como se preparar para a crise ou simplesmente não tem como? :-/

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Pedro 30/01/2014 17:44:47

Concordo com você. Já estamos na terceira etapa desde 2011...

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Pedro Ivo 30/01/2014 19:13:28

Bitcoin neles ora!

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anônimo 01/08/2014 09:25:15

Ah tá, com o tabelamento de preços o produto some das prateleiras, pra que serve o seu bitcoin? Você come ele?

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Andre Cavalcante 04/08/2014 19:33:03

E você come uma moedinha de ouro, ou prata, ou mesmo as cédulas de papel? É cada um que aparece por aqui...

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Rodrigo Garcia Wettstein 30/01/2014 13:43:44

Muito grato pelo artigo. Porém, no meu ponto de vista de leigo, uma dolarização com um câmbio em 8:1 trará um enxugamento significativo da moeda circulante e consequentemente uma inflação enorme por um bom tempo, apesar de lavar a maior parte da dívida interna, que não está em dólar. Obrigatoriamente deverá ter uma conversão justa, o que o governo não pode e não quer. Kicillof tem duas alternativas: aumentar a "inclusão social" e o controle estatal, fazendo todos os cidadãos, empresários, etc ganharem 1 peso por mês de salário, ou basear todas as suas ações em algo que ele nunca fez: o Laissez faire, que provoca pruridos em todos os nossos líderes da América Latina. Soube há alguns dias que Kicillof culpou o presidente da Shell na Argentina pelo "ataque especulativo" do câmbio. Não vejo um pingo de dúvidas da parte dele quanto a primeira opção ser sua escolha.

Responder
Andre Cavalcante 30/01/2014 16:22:59

Olá Rodrigo Garcia Wettstein, você disse:

"Porém, no meu ponto de vista de leigo, uma dolarização com um câmbio em 8:1 trará um enxugamento significativo da moeda circulante e consequentemente uma inflação enorme por um bom tempo."

Não entendi uma coisa, como é possível haver uma "inflação generalizada" com um "enxugamento significativo da moeda circulante"? Me parece que é justamente o contrário...

E acho que a Cristina não vai dolarizar a economia Argentina de novo. Eles por lá só sabem fazer câmbio atrelado, com o governo gerando moeda local a rodo, o que gera um descompasso significativo do câmbio oficial em relação ao mercado (o câmbio paralelo, ou negro), enão dá certo, e não o que deveriam fazer de fato, que seria um Currency Board, ou mesmo o uso da moeda americana diretamente. Mas essas últimas soluções simplesmente tiraria do governo o poder de emitir moeda e financiar o seu deficit, o que faria que o governo desse novo calote e Argentina passaria por um bom tempo (uns 4 ou 5 anos) de recessão e sem investimentos externos de vulto.

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 30/01/2014 20:47:37

Olá André Cavalcante, realmente na escrita ficou mal entendido. Na verdade seria o enxugamento do PESO, na troca deste pelo dólar e o ato da troca, e não a moeda nova, traria inflação implícita após os diversos setores perceberem uma perda monetária após a troca de 8:1. Claro que digo com uma grande ingenuidade nos conhecimentos sobre economia.

Grande abraço.

Responder
Andre 30/01/2014 14:00:58

Os brasileiros deveriam aprender com a Argentina sobre o que não se deve fazer.

Responder
anonimo 30/01/2014 15:44:35

Há muito tempo que se comenta sobre o efeito Orloff... E acho que a América do Sul tem dificuldades de aprendizado (quero crer que o resto do mundo não, mas...), se assim não fosse, não estaria na situação que está.

Obrigado.

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Andre Cavalcante 30/01/2014 16:15:55

E aí xará?! Aí caberia a discussão que começou as besteiras antes. Pois o Brasil tá do mesmo jeito: máquina inchada (acreditem! a globo está divulgando o deficit público, o real: R$2,12 tri), contabilidade criativa, inflação alta, controle de preços (controlados pelo governo) etc. Só não tá tendo panelaços generalizados pelo país porque a imprensa de cá faz o jogo do governo que tá tudo muito bem obrigado, que o problema é a educação, essas coisas.

Responder
Hugo 30/01/2014 16:04:59

A Argentina como sempre cometendo erros pavorosos na economia...

Responder
Felipe 30/01/2014 16:44:22

Desculpe pela trollagem, mas vendo o governo argentino todo esses anos só posso postar uma coisa:

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Responder
Thomaz 30/01/2014 17:10:13

Não era a Argentina um país culto, cheio de livrarias e tals?

Bullshit!

A vigarice intelectual campeia também o país de Los Hermanos. Um país que cai na lábia de comunistas só pode ser pleno de mentecaptos à lá república das bananas.

Brasil esse ano já está na posição 114 de liberdade econômica...vamos lá ...força que logo chegaremos na Koreia do Norte, Cuba, Venezuela e Argentina.

R.I.P.

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 30/01/2014 21:31:33

Thomaz, isto é uma questão de influência dos países vizinhos, de fraqueza política e econômica de todos da América Latina. Todos os países, dependentes de exportações e benesses dos seus vizinhos não desejam destoar diplomaticamente ou ideologicamente, visto que podem perder os canais econômicos. Ser liberal é destoar com todo o grupo. Socialista (na realidade, populista) tolera socialista, mas não tolera um liberal. Chamarão o país que destoa de imperialista. O Brasil, o Chile ou a Argentina eram os grandes candidatos para uma futura confrontação, mas com o tempo percebemos que todos se deixaram levar pela onda ideológica com Estado forte, depredação do patrimônio privado e tentativa de controle dos meios de comunicação. Se nenhum país se levantar e fincar os pés, todos continuarão a dançar na mesma música. E não acho que uma crise econômica mudará os ventos da política central, porque não necessariamente mudará as intenções de votos nos seus respectivos países (basta ver a Venezuela que está de joelhos frente a um Estado forte em meio a uma crise). Vejo um futuro de países da América Latina com um Estado muito mais forte e intervencionista, mostrando claramente aos povos as consequências finais dos seus atos. Aí sim poderá haver alguma oposição real. Porque hoje não existe oposição política nenhuma. E nós brasileiros sabemos disso muito bem.

Responder
Carlos Garcia 31/01/2014 09:18:15

Destoar como o Chile?
Mostrar pro seu povo como um regime estadista é ruim... Tipo o povo de Cuba, que se revolta todos os dias contra fidelidade?

Concordo que ter um histórico socialista pode servir para vacinar um país (vide Ucrânia), mas quanto tempo isso demora? Uma centena de anos?

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 31/01/2014 14:22:31

Cuba é bem diferente, você sabe. Cuba se fechou completamente na década de 60, recebendo apoio financeiro da CCCP. Não digo 100 anos, mas uns 20 anos talvez. Torço por estar enganado mas o caminho e o tempo é este. Não vejo como algo ruim, mas sim como experiência coletiva. Como um processo de seleção natural de Darwin, veremos se vingará ou extinguirá. Uma vacina, não, mas a habilidade de produzir anticorpos seria a evolução natural da coletividade da América Latina. Acredito piamente que estamos passando por um evento necessário e que não pode ser interrompido até o momento em que todos os povos da AL compreendam profundamente e digam o que querem. A partir daí creio que teremos uma raiz mais sólida e uma compreensão maior de liberdade e cidadania.

PS: Perdoe a todos por falar tanto de política.

Responder
Daniel costa 01/08/2014 02:22:45

Acredito que o fim do estatismo começará em algum país mais livre como os países nórdicos ou alguma "província" norte americana rebelada, mas não aqui na américa latina. Seremos sempre retardatários. O fim da escravidão levou décadas para aportar aqui, fomos um dos últimos países a reconhece-la. Com o aumento da imbecilização da população nenhum de nós viverá para alcançar uma sociedade livre.

Responder
Pedro Mundim 31/07/2014 18:03:24

Thomaz levantou uma questão interessante: não é a Argentina um país educado, cheio de livrarias? Essa pergunta já foi feita várias vezes no passado, em tom de perplexidade. Pois a impressão que eu tenho é que foi justamente o fato do povo argentino ser mais letrado que o nosso que tornou-o mais susceptível ao ideário veiculado pelos intelectuais marxistas e todo o seu corolário. Aqui no Brasil, o véu da ignorância tem dado uma certa proteção contra a penetração dessas ideias. Até quando?

Responder
Mohamed Attcka Todomundo 31/07/2014 21:34:11

"não é a Argentina um país educado..." mas educado por quem? eis a kestão

Responder
anônimo 30/01/2014 17:45:16

Esse artigo foi muito bem até chegar no fim.Dolarização? Então esse autor não sabe que o mundo está prestes a ser inundado pelos dólares dos Q1, Q2, Q10 do Obama?
Ou entendi algo errado?

Responder
Leandro 30/01/2014 22:07:07

Anônimo, aí cabem várias considerações.

1) Em primeiro lugar, um país que quer reformar totalmente sua moeda tem inevitavelmente de recorrer ao dólar ou ao euro como âncora. Não há outra opção. Os motivos disso foram explicados em detalhes neste artigo.

2) É verdade que o Fed está criando um volume maciço de dólares, mas estes dólares são entregues apenas e exclusivamente ao setor bancário. Se os bancos não emprestarem, estes dólares simplesmente não entram na economia.

3) Dado que, para os bancos emprestarem, as pessoas precisam se endividar, e dado que o endividamento americano é recorde, não há muitas perspectivas de que todo estes dólares adentrem a economia mundial.

4) Mesmo na eventualidade de que isto ocorresse, duvido muito que o Fed deixasse ocorrer uma hiperinflação. Simplesmente não é do interesse deles. Pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

Entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria. Logo, eles dariam uma pancada na taxa básica de juros ao menor sinal de hiperinflação.

5) Por fim, entre peso e dólar, não sei quanto a você, mas se eu fosse um argentino já estaria entulhado de dólares a essa altura.

Logo, a dolarização de fato é a melhor opção para a Argentina.

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 30/01/2014 22:59:23

Caro Leandro. Concordo, mas com uma dúvida. Devido a questões nacionais extraordinárias, como eventos de guerras internas ou externas, catástrofes naturais grandes, etc, o governo é obrigado a aumentar seus gastos. Com uma dolarização, o país teria margens pequenas para gastos extras, afinal não pode mais imprimir sua própria moeda. Não sei, sinceramente, se o governo conseguiria fazer reservas satisfatórias para estes eventos numa dolarização da economia. Acredito que vale ressaltar este detalhe para contrapor a noção de que a dolarização seria a solução perfeita.

Abraços!

Responder
Leandro 30/01/2014 23:27:02

A dolarização corrige os três desequilíbrios citados pelo artigo, mas não é a solução para tudo. Várias outras reformas têm de ser feitas, principalmente nos gastos do governo.

Quanto a gastos de emergência (com a exceção de guerras), o governo teria de fazer exatamente o mesmo que qualquer outro governo com Banco Central próprio (e que não pode dar dinheiro diretamente para o Tesouro) teria de fazer: cortar gastos em determinadas áreas (sugere-se a burocracia) e tomar empréstimos (internos e externos), mesmo a juros maiores. Nada muda.

Responder
anônimo 31/01/2014 12:02:06

Desculpe se essa é uma pergunta idiota, mas só pra confirmar se eu entendi
Aumentando os juros E imprimindo muito papel, não tem risco de hiperinflação na economia porque mesmo com muito dinheiro as pessoas não iriam comprar nada a prazo, certo?

Responder
Leandro 31/01/2014 13:17:32

Não, não tem como o governo argentino "imprimir dinheiro" se ele está dolarizado. O que eu disse é que o governo vai prometer pagar juros mais altos em seus empréstimos justamente para poder conseguir mais dólares emprestados.

Responder
Atylla Arruda 31/01/2014 16:36:58

"Pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões".
Leandro, burocratas tipo Kicillof não estão preocupados com suas pensões,eles querem status, poder, Bens, Hoje! Se milhões vão perder azar o deles. Os EUA não estão imunes ex:Obama e o obamacare, etc.

Responder
Leandro 31/01/2014 22:29:09

É um pouquinho diferente, né? Para começar, a Argentina já estava destroçada antes do Kicillof; logo, ele não está fazendo quase nada de diferente.

Mas o principal é o seguinte: todos esses burocratas latino-americanos têm contas no exterior e suas poupanças estão seguras ou na Suíça ou em dólares. Eles não perdem nada. Se você realmente acha que políticos latino-americanos mantêm seus ativos no papel-moeda que eles estão destruindo, então você ainda é um pouquinho ingênuo quanto à natureza dessa gente.

Responder
anônimo 31/01/2014 17:36:53

Leandro, estava me referindo agora aos EUA
Principalmente esse trecho:
'Entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria. Logo, eles dariam uma pancada na taxa básica de juros ao menor sinal de hiperinflação.'

Responder
Leandro 31/01/2014 22:48:25

Esse trecho quer dizer o seguinte: na eventualidade de os bancos americanos encontrarem pessoas dispostas a se endividar, e tal expansão creditícia consequentemente começar a gerar pressão nos preços, basta o Fed jogar os juros lá para cima. Com juros mais altos, a demanda por empréstimos cairá.

Responder
anônimo 31/07/2014 22:23:43

Em relação a resposta 1), poderia fazer um currency board lastreado em ouro ou prata, daí estaria fora do dólar e ou do euro, não?

Responder
EUDES 30/01/2014 18:05:42

Excelente artigo. Isso me faz lembrar de um outro país da América Latrina onde se fala o português.

Responder
Andre 30/01/2014 18:55:10

A retirada do dinheiro CRIADO DO NADA pelo FED pode causar um problema muito sério nessa situação. Isso ainda não aconteceu porque os bancos que venderam os títulos da dívida pública americana para o FED estão se segurando. Os países que estão investindo em dólares (Brasil, por exemplo) podem ver suas reservas valerem nada em médio a longo prazo.

Responder
Dalton C. Rocha 30/01/2014 19:27:48

Sobre este assunto, eu tenho de dizer três coisas:
1- O Brasil está cada vez mais parecido com a Argentina.
2- A Argentina está cada vez mais parecida com a Venezuela.
3- A Venezuela está cada vez mais parecida com Cuba.

Responder
Diego 31/01/2014 00:09:04

Leandro,

Como você vê a economia mundial (e também brasileira) no curto prazo, considerando o atual tapering do Fed, incrementos na taxa de juros no Brasil e diversos outros países emergentes, e a taxa de crescimento de crédito desacelerando?
Você acredita que poderá ocorrer um "baque", uma recessão aqui pelo Brasil, ou a coisa parece tender mais a uma estagflacao?

Abraços

Responder
Leandro 31/01/2014 05:17:19

"Economia mundial" seria uma pernosticidade excessiva de minha parte. Arrisco-me apenas a falar da brasileira. E isso foi feito em grandes detalhes neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767

Responder
IRCR 31/01/2014 03:15:59

Leandro,

Tem que se levar em consideração, que os USD$ printados pelo FED compram treasury bonds. E exportam inflação.

Peter Schiff
"The Federal Reserve keeps buying bonds to keep interest rates from rising. We have no choice but to default if creditors want their money back. If interest rates go up, we can't afford that. That is why the Fed feels that it has to keep interest rates down at all costs. So the Federal Reserve prints more money to buy up bonds. That puts pressure on the dollar. Foreign central banks than buy those dollars to prevent their currencies form rising, which imposes costs on their own population, as they are forced to absorb our inflation.
The Fed prints money, which is inflation. Then Americans spend that money on imports. So goods flow in, and the new money flows out. Then foreign central banks print their own currency to buy up those dollars. This creates inflation in those countries, as foreigners spent that cash on goods and services. The dollars are then? used to buy treasuries. So we get higher bond prices (and lower interest rates) and foreigners get higher consumer prices. So our inflation is exported."

Se esse dinheiro ficasse "trancado" nos bancos americanos, os emergentes que importaram a inflação do FED não estariam com suas moedas derretendo agora.

Responder
Leandro 31/01/2014 05:16:33

"Tem que se levar em consideração, que os USD$ printados pelo FED compram treasury bonds. E exportam inflação."

Não, não é assim que funciona, e isso já foi explicado inúmeras vezes neste site. De novo:

O Fed não está autorizado a comprar títulos diretamente do Tesouro. Aliás, o BACEN brasileiro sofre da mesma restrição. Quem pode comprar títulos diretamente do Tesouro são os bancos (que criam dinheiro ao fazerem isso), as empresas e as pessoas físicas (no Brasil, via Tesouro direto). Nestes dois últimos casos não ocorre, obviamente, criação de dinheiro. Ou seja, não é inflacionário.

No caso específico americano, China, Japão e vários outros países compram os títulos do Tesouro com dólares que saíram do país via importação. Ou seja, boa parte do déficit americano é financiada de maneira não-inflacionária (pois utiliza dólares que já existiam). Ao contrário do Brasil, cuja dívida é majoritariamente comprada pelo sistema bancário via criação de dinheiro.

Se o Fed realmente pudesse comprar títulos diretamente do Tesouro, a inflação americana estaria em níveis de Zimbábue, dado que os déficits foram da ordem de 1,5 trilhão de dólares nos anos de 2009, 2010 e 2011.

O que o Fed está fazendo é comprar títulos que já estão em posse dos bancos -- e não apenas títulos públicos, mas também títulos hipotecários.

"Se esse dinheiro ficasse "trancado" nos bancos americanos, os emergentes que importaram a inflação do FED não estariam com suas moedas derretendo agora."

Os bancos não "trancaram" todo o dinheiro. É óbvio que eles emprestaram uma fatia. Mas de maneira nenhuma emprestaram todos os 3 trilhões que o Fed criou em reservas. Esse é o ponto.

Outra coisa: a atual desvalorização das moedas dos países emergentes não está ligada exclusivamente a uma expectativa quanto ao futuro dos juros do EUA. O que também está ocorrendo é que muitos daqueles investidores que antes apostavam nestes países e estavam desiludidos com Europa e EUA finalmente perceberam que estes ainda são bem mais sérios do que os países em desenvolvimento -- principalmente a Europa do euro, cuja austeridade está começando a ser recompensada (vide a abrupta queda nas taxas de juros nos títulos de 10 anos de Itália, Espanha e Irlanda).

Tudo isso foi explicado em detalhes neste artigo.

Responder
IRCR 31/01/2014 08:05:18

Leandro,

Sim, eu não quis dizer que o FED opera direta com o governo, só falei que o FED compra os bonds.

A concessão de crédito ao setor privado americano está bem baixo nos ultimos anos, mas enquanto ao setor publico ? quantos que eles estão pegando do sistema bancário ?
Ademais, vc disse que o governo americano se financia com dinheiro já pré-existente, mas se por exemplo, eu pego 1 milhão emprestado de um banco americano (dolares do QE), compro produtos chinenes, a China pega esses dolares e compra os titulos americanos, assim, financiando o governo, qual é a diferença de o governo pegar esse dinheiro diretamente dos bancos ou mesmo do FED ? pois em ambos os casos o dinheiro teve a mesma origem o FED.
Por isso que os adeptos ao colapso do dólar, dizem que ele colapsará quando todo esse dinheiro retornar para economia americana, gerando uma hiperinflação.
Outro ponto, pq o Bernanke não imprimiu menos dinheiro já que não era intenção emprestar todos os trilhões impressos ? Até vi esses dias, que parece que a Yellen que que os bancos liberem mais créditos para melhorar o indice de taxa de participação no mercado trabalho.

Qual a a análise nessa queda de juros nos titulos de 10 anos nesses paises ? Nos USA e no Brasil elas estão com tendência de elevação ?

Responder
Leandro 31/01/2014 08:54:55

"A concessão de crédito ao setor privado americano está bem baixo nos ultimos anos, mas enquanto ao setor publico ? quantos que eles estão pegando do sistema bancário ?"

Não sei os números. Desconheço relatórios que apresentem a diferenciação exata entre "dinheiro tomado junto a bancos", "dinheiro tomado junto ao público", "dinheiro tomado externamente". Certamente devem existir tais relatórios, mas eu desconheço.

"Ademais, vc disse que o governo americano se financia com dinheiro já pré-existente,"

Só quando é do público ou de estrangeiros que utilizam dólares.

"mas se por exemplo, eu pego 1 milhão emprestado de um banco americano (dolares do QE), compro produtos chinenes, a China pega esses dolares e compra os titulos americanos, assim, financiando o governo, qual é a diferença de o governo pegar esse dinheiro diretamente dos bancos ou mesmo do FED ?"

Em termos inflacionários, nenhum. Mas de novo: dado que a concessão de crédito bancário está baixa (apenas um pouco acima de onde estava no início de 2008), esse seu cenário não está ocorrendo maciçamente.

"Por isso que os adeptos ao colapso do dólar, dizem que ele colapsará quando todo esse dinheiro retornar para economia americana, gerando uma hiperinflação."

Esse conceito é esquisito. Afinal, se "todo esse dinheiro retornar para economia americana", a primeira coisa que vai acontecer é que as taxas de retorno passarão a ser incrivelmente baixas, tornando pouco atrativo qualquer investimento em papeis. Neste cenário, qualquer republiqueta latino-americana meramente estável passa a ser atraente.

No mais, no extremo, o Fed pode alterar os compulsórios ou simplesmente começar a vender suas toneladas de títulos a preços bem baixos (o que faria disparar os juros).

Eu simplesmente não entendo quem acredita que o Fed irá deixar o dólar ser destruído. Os burocratas seriam os primeiros a perder com tudo isso, como expliquei ali em cima para o anônimo. Sempre seja cauteloso com estes catastrofistas; normalmente eles estão querendo vender algum ativo.

"Outro ponto, pq o Bernanke não imprimiu menos dinheiro já que não era intenção emprestar todos os trilhões impressos ?"

Essa é fácil: porque sua principal preocupação era socorrer os bancos, que estavam com seus balancetes destroçados após os vários calotes hipotecários. Injetar dinheiro nos bancos (comprando seus ativos podres) era a melhor forma de elevar sua razão capital/ativos de risco, que é o índice de Basileia.

"Até vi esses dias, que parece que a Yellen que que os bancos liberem mais créditos para melhorar o indice de taxa de participação no mercado trabalho."

Ela é keynesiana; normal querer expandir o crédito.

"Qual a a análise nessa queda de juros nos titulos de 10 anos nesses paises ?"

Investidores estrangeiros perceberam que as finanças destes países estão entrando nos eixos, o que reduz o risco de calotes. Logo, eles aceitam juros mais baixos.

"Nos USA e no Brasil elas estão com tendência de elevação ?"

Veja você mesmo: Brasil e EUA.

Responder
Marconi 01/08/2014 21:47:29

Sempre seja cauteloso com estes catastrofistas; normalmente eles estão querendo vender algum ativo

Peter Schiff por exemplo.

Responder
IRCR 31/01/2014 09:22:53

Leandro,

Obrigado pelas respostas. Sobre o colapso do dolar, Peter Schiff é um, "curiosamente" ele faz propaganda para comprar ouro. hehe

Quando me referi a tendencia de elevação, foi baseado nos ultimos anos, não nas ultimas decadas. hehe

www.tradingeconomics.com/charts/united-states-government-bond-yield.png?s=usgg10yr&d1=20120101&d2=20141231

Outra coisa, tem como aumentar os agregados monetarios sem haver um grande expansão de crédito ? Seria dessa forma que o FED fez, injetando dinheiro nos bancos ? Na Suiça eles aumentaram bastante o M2 desde a crise, mas não houve nenhuma expansão de crédito relevante no periodo.

www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m2.png?s=switzerlanmonsupm2&d1=20000101&d2=20141231

Responder
Andre 31/01/2014 16:07:51

Leandro, concordo com alguns dos seus pontos de vista, mas ainda acho que o colapso do dólar parece ser inevitável.

Os bancos americanos estão entupidos de dinheiro que, mais cedo ou mais tarde, vai entrar na economia (contando com o esquema das reservas fracionadas). O FED (que é privado e possui acionistas visando lucro) está cheio de títulos da dívida americana, que pagam o valor do título mais taxa de juros. O governo americano está sempre aumentando o teto da dívida pública e criando mais títulos para levantar recursos. Sem a "demanda artificial" gerada pelo FED, muito provavelmente os bancos comprariam esses títulos e, com os bancos comprando, o dinheiro entra na economia através dos gastos governamentais.

Esse fluxograma não é sustentável e pode se romper a qualquer momento.

Vale lembrar que desde a criação da moeda fiduciária, todas elas falharam e perderam seu poder de compra.

Responder
Leandro 31/01/2014 22:43:48

"Os bancos americanos estão entupidos de dinheiro que, mais cedo ou mais tarde, vai entrar na economia (contando com o esquema das reservas fracionadas)."

De novo: para que isso aconteça, pessoas e empresas têm de estar dispostas a se endividar. Para os 3 trilhões de dólares saírem das reservas e entrarem na economia, pessoas e empresas têm de estar dispostas a se endividar em mais 3 trilhões de dólares. Mais ainda: elas têm de demonstrar capacidade de quitação desta dívida.

Isso é até possível; no entanto, no presente cenário, não é viável.

"O FED (que é privado e possui acionistas visando lucro) está cheio de títulos da dívida americana, que pagam o valor do título mais taxa de juros."

O Fed funciona da seguinte maneira: uma parte de seu lucro é repartida entre os acionistas das sucursais; o resto é remetido o Tesouro. Até o presente momento, dado que o Fed vem remetendo sobras para o Tesouro anualmente, não está havendo nenhum problema em termos de lucro. E nem haverá. Afinal, ele está entupido de títulos do Tesouro que estão em seu maior valor da história.

"O governo americano está sempre aumentando o teto da dívida pública e criando mais títulos para levantar recursos. Sem a "demanda artificial" gerada pelo FED, muito provavelmente os bancos comprariam esses títulos e, com os bancos comprando, o dinheiro entra na economia através dos gastos governamentais."

Isso já está ocorrendo. Mas um déficit orçamentário de 700 bilhões de dólares ainda é inócuo em termos de pressão inflacionária nos preços. Isso é menos do que 5% do PIB. O déficit nominal brasileiro é de 3,3% do PIB, e quase todo financiando via bancos.

E repito: no extremo, é só dar uma pancada nos juros, ao estilo Volcker. Antes uma recessão forte do que o colapso da moeda. Fizeram isso em 1978-1982; podem perfeitamente fazer de novo.

"Esse fluxograma não é sustentável e pode se romper a qualquer momento. Vale lembrar que desde a criação da moeda fiduciária, todas elas falharam e perderam seu poder de compra."

Corretíssimo quanto ao poder de compra. E isso já pode ser considerado uma falha.

Responder
Andre 31/01/2014 23:50:49

Leandro, obrigado pela atenção e pela breve explicação sobre o funcionamento do FED. Concordo com as correções que você colocou e acrescento que diante desse cenário, me parece que os aumentos no teto da dívida pública dos EUA vão continuar ocorrendo (não sei se será com maior frequência).

Responder
mauricio barbosa 01/02/2014 04:40:06

Leandro sugiro a você ou a equipe IMB criar uma apostila resumindo a teoria austríaca de forma didática e definitiva mostrando como seria um mundo sem estado e banco central de maneira a tirar qualquer dúvida quanto a causa e consequências de políticas econômicas tendenciosas e falaciosas,pois os artigos do IMB são excelentes e esclarecedores,mas a seção de comentários é divertida e confusa ao mesmo tempo, haja vista os críticos procurarem o tempo todo nas entrelinhas encontrar falhas nas análises feitas a luz da teoria austríaca e confesso que apesar de ser formado em economia as vezes me pego desorientado e sem saber opinar determinados assuntos abordados na seção de comentários,exemplo, ao ler sobre o acúmulo de reservas em excesso por parte dos bancos privados norte-americanos sabemos que eles estão varrendo a sujeira para debaixo do tapete e Paul Krugman está equivocado ao elogiar tal postura,mas ao mesmo tempo você concorda com ele(Krugman) ao dizer que os burocratas do FED se preocupam com suas aposentadorias,enfim a impressão que você esta passando é que Krugman tem razão em o FED ter salvo os bancos sem criar hiperinflação e que a política do FED é um sucesso,Leandro não estou entendendo mais nada a impressão que tenho é que os apologistas do governo estão vencendo o debate na seção de comentários e você não está percebendo isto,o que para mim é uma pena pois repito os artigos são excelentes mas a seção de comentários está cada vez mais confusa,enfim este é o meu desabafo procurando ajuda-lo e mim ajudar ao mesmo tempo...

Responder
IRCR 01/02/2014 05:05:09

Leandro,

Uma pancada nos juros não afetaria a monstruosa divida do governo ?
Por isso que muitos dizem que o FED quando subir (se subir) não consiguirá subir muito.
Ademais, um pancada dessa não iria desvalorizar muito as moedas do emergentes ?

Outra coisa, se hipoteticamente o BCB decidisse zerar a SELIC, basicamente o que ele deveria fazer ? entupir os bancos de dinheiro ?

Responder
Leandro 01/02/2014 06:17:15

"Uma pancada nos juros não afetaria a monstruosa divida do governo ?"

Sim. Mas entre afetar a dívida e evitar uma hiperinflação, ficarão com a segunda opção.

"Ademais, um pancada dessa não iria desvalorizar muito as moedas do emergentes ?"

Não creio que eles irão se preocupar muito com isso.

"Outra coisa, se hipoteticamente o BCB decidisse zerar a SELIC, basicamente o que ele deveria fazer ? entupir os bancos de dinheiro ?"

Apenas começar a comprar títulos públicos dos bancos ao maior preço possível e anunciar que vai vender os títulos em sua posse também ao preço mais alto possível. Quanto mais alto o preço dos títulos no mercado interbancário, menores os juros.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 01/02/2014 11:16:43


O Brasil não aprende com os próprios erros, muito menos com os erros da Argentina.

* * *

Responder
Gustavo 02/02/2014 20:11:44

Kicillof, doutor?. Nao, mentiroso e arrogante intellectual.
www.lanacion.com.ar/1660488-error-de-calculo-las-paradojas-de-axel-kicillof

Responder
Gustavo 03/02/2014 12:43:23

Esta está demais!
"Poupar promove cobiça e pouca solidariedade. Atrasa a expansão e crescimento econômico"
www.lanacion.com.ar/1660852-jorge-capitanich-por-que-quienes-compraron-dolares-tienen-que-recibir-subsidios
E agora sim, esta vez vão conseguir!
"Presión de Kicillof a los intendentes para que controlen precios en los supermercados"
www.lanacion.com.ar/1660796-presion-de-kicillof-a-los-intendentes-para-que-controlen-precios-en-los-supermercados
(Obs: intendente = prefeito)

Responder
Gustavo 03/02/2014 12:51:59

Que desubicados estos da Shell... Tentando fazer um negocio rentável!!!!
www.lanacion.com.ar/1660859-jorge-capitanich-la-actitud-de-shell-y-de-su-mas-alto-directivo-es-conspirativa-y-atentoria-

Responder
Gustavo 03/02/2014 15:14:02

Comentario 316:
Esta clase de ignorancia económica de los gobernantes de una nación de 41 millones de personas es aterradora. Pero en Argentina no es de extrañar. LAMENTABLE. PERO CIERTO. Y MUY DEPRIMENTE. Estaba releyendo este fin de semana HISTORIA DE DOS HIPERINFLACIONES DE SOURROUILLE A ERMAN GONZALEZ, escrito por Walter Graziano, y parece mentira, exactamente las mismas medidas economicas aplicadas en ese entonces y que nos condujeron a dos tremendas hiperinflaciones son aplicadas hoy. Control de cambios, acuerdo de precios y otras medidas. Este libro fue escrito en 1990. Han pasado 24 años y los argentinos vuelven a lo mismo. Lo que es aun peor. Cómo pudieron darle el titulo de licenciado en economia a Kicillof, y no solo eso, le dieron medalla de oro. ¿Que tan mal esta la educación universitaria en la Argentina? ¿que se enseña alli? Y finalmente ¿quien volvera a pagar todo esto y quienes saldran ganando?

do artigo www.lanacion.com.ar/1660858-en-la-argentina-una-megadevaluacion-parece-inevitable

Responder
Gustavo 04/02/2014 15:18:10

Complementando a informação anterior (a 1660852), agora a poupança é uma virtude. No caso dele!
www.lanacion.com.ar/1661142-jorge-capitanich-el-ahorro-en-mi-caso-es-una-virtud
Impressionante o esforço que fazem para colher ódio.

Responder
Ricardo 20/05/2014 19:25:15

Argentina está em 'leve recessão', afirma consultoria

Sete em cada dez argentinos desaprovam política econômica do governo argentino

A consultoria Abeceb afirmou que a economia da Argentina está "mergulhada em uma leve recessão, sem perspectivas de dar uma guinada neste rumo a curto prazo". A Abeceb, comandada pelo ex-secretário de indústria Dante Sica, informou que detectou no primeiro trimestre de 2014 uma queda de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação com o mesmo período do ano passado. No último trimestre de 2013, a queda teria sido de 0,3%.

"O ajuste nas empresas privadas está apenas começando", afirmou a economista Belén Olaiz, da Abeceb, em alusão às demissões e suspensões que iniciaram ao longo dos últimos dois meses em diversos setores da economia argentina.

Segundo a consultoria, o PIB terá uma queda de 1,5% neste ano. "O ajuste monetário e cambial, além de elevados níveis de incerteza complicaram um quadro que apresenta crescentes dificuldades para crescer desde 2012", sustentaram os economistas da Abeceb.

Sem poupança. Uma pesquisa da consultoria de opinião pública OPSM indicou que 67% dos argentinos não possuem "capacidade alguma" de poupança ou investimento. Outros 21,8% possuem pouca capacidade.

A pesquisa também indica que 70% dos entrevistados desaprova a política econômica do governo da presidente Cristina Kirchner, administrada pelo ministro da Economia, Axel Kicillof.

economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,argentina-esta-em-leve-recessao-afirma-consultoria,185418,0.htm

Responder
Torrano 31/07/2014 17:24:54

Leandro,

2) É verdade que o Fed está criando um volume maciço de dólares, mas estes dólares são entregues apenas e exclusivamente ao setor bancário. Se os bancos não emprestarem, estes dólares simplesmente não entram na economia.
Qual seria o interesse em manter esse novo dinheiro parado no banco? Vejo como inevitável que, mais dia menos dia, o governo dê um jeito de fazer com que os bancos emprestem esse dinheiro para incentivar o consumo, fazer a economia crescer e etc.

4) Mesmo na eventualidade de que isto ocorresse, duvido muito que o Fed deixasse ocorrer uma hiperinflação. Simplesmente não é do interesse deles. Pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?
O argumento é tentador, mesmo assim não consigo apostar no bom-senso do FED, graças ao seu histórico. Claro que há incentivo entre seus burocratas para não deixarem que exploda uma hiperinflação, mas há de se notar que eles podem mesmo acreditar que estão fazendo a coisa certa, ignorando seus efeitos óbvios. Eles podem nem mesmo compreender o que é inflação. O mais provável, dado à natureza do FED, é que de fato não compreendam. Eles podem entrar em negociatas com empresários, ou podem se vender pelo ego, pela sensação de heroísmo de fazer a coisa certa (expansão monetária, ou inflacionar, é a coisa certa na cabeça dessa gente).

Note o quanto é impopular para o establishment americano os conselhos de Peter Schiff, de que os EUA deveriam abraçar a recessão ao invés de evita-la.

Responder
Leandro 31/07/2014 20:34:52

"Qual seria o interesse em manter esse novo dinheiro parado no banco?"

O Fed está pagando juros (0,25%) sobre essas reservas em excesso.

"Vejo como inevitável que, mais dia menos dia, o governo dê um jeito de fazer com que os bancos emprestem esse dinheiro para incentivar o consumo, fazer a economia crescer e etc."

Independe de governo. Para os bancos emprestarem, pessoas e empresas têm de estar dispostas a se endividar. Se elas não estiverem com essa propensão ao endividamento, esse dinheiro não entra na economia.

Sobre hiperinflação, não é algo factível. No atual arranjo monetário e bancário, o dinheiro só entra na economia via endividamento (pessoas, empresas e governo). Portanto, para haver hiperinflação neste cenário, empresas e pessoas têm de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim), e o governo tem de incorrer déficits orçamentários maciços. Não há outra hipótese de haver hiperinflação -- a menos que o estatuto do Fed seja mudado e ele possa monetizar diretamente todos os gastos do Tesouro.

Responder
Torrano 01/08/2014 02:47:04

O Fed está pagando juros (0,25%) sobre essas reservas em excesso.
Qual o interesse do governo?

Independe de governo. Para os bancos emprestarem, pessoas e empresas têm de estar dispostas a se endividar.
Basta que para isso o juro esteja barato, como está agora.

Portanto, para haver hiperinflação neste cenário, empresas e pessoas têm de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim),
Já não abriram as torneiras para qualquer um que quisesse financiar um imóvel até pouco tempo atrás?

Responder
Leandro 01/08/2014 10:10:00

"Qual o interesse do governo?"

Na real? Recapitalizar os bancos, cujos balancetes foram dizimados com a desvalorização súbita dos ativos em decorrência do estouro da bolha imobiliária.

"Basta que para isso o juro esteja barato, como está agora."

Não se as pessoas estiveram excessivamente endividadas e quiserem se desalavancar.

"Já não abriram as torneiras para qualquer um que quisesse financiar um imóvel até pouco tempo atrás?"

Sim, e talvez aquela experiência ruim os tenha deixado um pouquinho mais prudentes.

Responder
Torrano 02/08/2014 00:35:33

Sim, e talvez aquela experiência ruim os tenha deixado um pouquinho mais prudentes.
Aqui está nossa diferença. Sou um pessimista quanto à capacidade de aprendizado dos burocratas do FED, ainda mais nesta administração.

Responder
Gabriel da Silva Merlin 01/08/2014 02:50:33

Infelizmente hoje o próprio povo estimula os governos a tomarem medidas populistas, caso contrário não se elegerão. Ninguem quer saber quem vai pagar a conta dos benefícios, eles simplesmente querem ter direitos, mas se esquecem que o dinheiro precisa sair de algum lugar, não existe mágica.

Isso aliado a políticos medrosos que se preocupam apenas em se manter no poder acaba gerando o que nós vemos em acontecer em vários países do mundo.

Responder
Rhyan 01/08/2014 03:41:14

Leandro, sinto falta dos artigos sobre a economia americana por aqui. Como está sendo visto esse crescimento da economia americana em 4% ano ano? Isso pode provocar um freio na política monetária frouxa? Obrigado, abraço!

Responder
Leandro 01/08/2014 10:05:49

É necessário tomar cuidado com a maneira como a mídia divulga as notícias.

Não houve crescimento de 4% ao ano. O crescimento foi de 1% trimestral, ou seja, o segundo trimestre cresceu 1% em relação ao primeiro trimestre.

Eles falam em crescimento de 4% porque, nos EUA, é tradição anualizar a taxa trimestral: pega-se o crescimento de um trimestre, eleva-se ao expoente 4 (um ano tem 4 trimestres), e tem-se então quanto seria essa taxa para um ano. É assim que eles fazem.

O crescimento trimestral de 1% foi muito? Bom, se você considerar que o PIB do 1º trimestre foi negativo ("a culpa foi do inverno rigoroso", disse o governo), então este valor de 1% sobre um valor baixo foi até pouco.

Abraços!

Responder
Paulo Henrique 19/09/2014 04:44:48

A argentina acaba de aprovar uma lei horrível.. www.valor.com.br/internacional/3701816/argentina-aprova-reforma-da-lei-que-limita-precos-e-margens-de-lucro Com essa lei podemos dizer que o mercado e a iniciativa privada no país, se não foi abolido de vez, está por um fio.. Teremos mais uma Venezuela na América latina?

Responder
Andre Cavalcante 19/09/2014 14:43:14

Nada que o Brasil já não tenha feito - e se deu mal!

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1488

Abraços

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