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Nem todos os problemas de saúde são seguráveis

O debate sobre políticas de saúde tornou-se global.  A tendência do momento é obrigar planos de saúde a oferecer uma cobertura cada vez mais ampla.  Esse arranjo suscita uma pergunta que raramente é feita: a saúde de um indivíduo é segurável?

O economista austríaco Ludwig von Mises ajudou a esclarecer quais tipos de eventos podem ser segurados.  Para fazer isso, ele definiu dois tipos de probabilidade: probabilidades de caso e probabilidades de classe.

Os eventos enquadrados como 'probabilidades de caso' são aqueles em que conhecemos alguns dos fatores que determinam seu resultado, mas existem outros fatores que também podem influenciar o resultado e sobre os quais nada sabemos.  Jogos de futebol estão nessa categoria, assim como guerras. 

Já os eventos enquadrados como 'probabilidades de classe' são aqueles em que sabemos ou presumimos saber tudo sobre o comportamento de uma classe de eventos ou fenômenos; mas, quanto a eventos específicos dentro desta classe de eventos, não sabemos nada, a não ser que são elementos dessa classe.  Sabemos, por exemplo, que existem noventa bilhetes numa loteria, dos quais cinco serão sorteados. Portanto, sabemos tudo sobre o comportamento de toda a classe de bilhetes. Mas, em relação aos bilhetes que serão premiados, só sabemos que integram a classe de bilhetes.

A morte também é um evento que cai nesta categoria de probabilidades de classe.  A morte é, talvez paradoxalmente, o mais certo e o mais incerto de todos os eventos que irão acometer um indivíduo durante sua vida.  Todos nós sabemos que iremos morrer, mas ninguém sabe exatamente quando, como, onde ou por quê. 

No entanto, dado que todos nós iremos morrer, podemos todos ser enquadrados em uma categoria que se comporta de maneira similar.  Por exemplo, é possível saber antecipadamente a expectativa de vida de uma pessoa ao nascer, e podemos refinar mais detalhadamente a categoria ao levarmos em conta as diferenças nos fatores que afetam a probabilidade de morte — como, por exemplo, fumar ou praticar esportes perigosos.

Seguro de vida funciona porque, para este evento, as seguradoras trabalham com médias.  Algumas pessoas que compram uma apólice de seguro de vida irão morrer antes de a seguradora haver auferido, via prêmios, um dinheiro suficiente para pagar a indenização.  Neste caso, a seguradora terá prejuízo.  Mas estes prejuízos são contrabalançados pelos lucros que ela tem com aquelas pessoas que morrem somente após já haverem pagado em prêmios um valor maior do que a indenização que a família do falecido irá receber.

A prática da discriminação no mercado de seguro de vida não apenas é algo corriqueiro; é uma necessidade.  Acima de tudo, é algo justo.  Cada segurado irá pagar seus prêmios de acordo com sua probabilidade de morte.  As pessoas são livres para praticarem atividades de risco, mas irão pagar um preço por isso.  Aquelas pessoas que optarem por viver uma vida mais tranquila e menos arriscada — isto é, aquelas que evitarem atividades que aumentam a probabilidade de morte, como fumar, praticar pára-quedismo, esqui ou automobilismo — deixarão de vivenciar o prazer que tais atividades podem proporcionar, mas, em compensação, ganharão ao pagar menos por um seguro de vida.  O clichê continua totalmente válido: não há almoço grátis neste mundo.

Planos de saúde foram criados para funcionar exatamente desta maneira.  Existem probabilidades de classe para certas doenças, tanto as contagiosas quanto as não-contagiosas.  Da mesma maneira, os fatores de risco para determinadas doenças e enfermidades também são conhecidos.  Fumantes são mais propensos a ter câncer de pulmão; peões de rodeio e lutadores de MMA correm mais risco de sofrerem fraturas ósseas; tradutores e professores de economia podem sucumbir a uma tendinite de tanto digitar artigos sobre planos de saúde.  Dependendo do estilo de vida, diferentes valores de prêmios podem ser atribuídos a um indivíduo para cobri-lo contra vários tipos de problemas de saúde.

No entanto, alguns tipos de distúrbios médicos não podem ser segurados.  Eles não pertencem a uma classe definível, a qual pode ser coberta por um seguro.  As causas do mal de Parkinson, por exemplo, ainda são muita controversas, de modo que ainda não há uma clara explicação para o que realmente causa esta doença; parece ser tudo uma questão de sorte (ou, no caso, de azar).  Igualmente, alguns tipos de câncer também são enquadrados nessa categoria.  Sempre há a esperança de que, no futuro, iremos aprender mais sobre essas enfermidades, de modo que elas finalmente poderão ser enquadradas em uma classe (ou, ainda melhor, ser curadas); mas essa infelizmente não é uma possibilidade nos tempos atuais.

Falar que alguém "deve" ter um determinado plano de saúde pressupõe que tal plano "pode" logicamente existir.  Logo, para afirmarmos que as pessoas "devem" ter um determinado plano de saúde, temos antes de responder se é economicamente "possível" haver este seguro.

Para alguns tipos de enfermidade, um plano de saúde é uma opção viável.  Para outros tipos, a cobertura é algo simplesmente não-factível.  Nos EUA, uma das várias controvérsias sobre o Obamacare gira em torno do fato de o governo americano ter estipulado que as seguradoras não podem rejeitar apólices a pessoas com condições médicas pré-existentes.  Tal regra não apenas compromete a função clássica do seguro — pois obscurece a definição de uma determinada classe —, como também anula a aplicabilidade de uma apólice. 

O fato é que há determinados riscos que simplesmente não são seguráveis.  E é assim não porque haja uma macabra trama secreta com o objetivo de fazer uma limpeza étnica e populacional (afinal, é a doença, e não o indivíduo o que está sendo excluído); é assim simplesmente por causa da fria e incontornável realidade econômica, a qual advém diretamente daquela distinção de classes feita por Mises.  Há os eventos de classe (seguráveis) e os eventos de caso (não-seguráveis).

No que mais, o reconhecimento de que alguns riscos de saúde podem ser segurados deve vir com um alerta: só porque é possível haver seguro de saúde para uma limitada variedade de enfermidades não significa que as seguradoras devem ser obrigadas a fornecer cobertura para todas as pessoas.  Afinal, nossas necessidades diárias de comida e de água são, no mínimo, tão vitais quanto nossa necessidade diária de cuidados médicos, e ninguém está sugerindo — ainda bem! — que o governo obrigue as seguradoras a fornecer cobertura para estes bens. 

Da mesma maneira, o fato de serviços de saúde serem caros não é uma condição necessária ou suficiente para que o governo obrigue os planos de saúde a fornecer uma cobertura universal.  Existem vários tipos de bens e serviços que são caros e para os quais não há a imposição de nenhuma cobertura de seguro.  A pergunta correta a ser feita é "por que os serviços de saúde são tão caros?".  Há vários detalhes a ser considerados, sendo os principais: 

1) Exigências de licenciamento para as faculdades de medicina, hospitais, farmácias, médicos e outros profissionais da área de saúde;

2) Restrições governamentais sobre a produção e a venda de produtos farmacêuticos e equipamentos médicos;

3) Burocracia e altos custos para se conseguir do governo a aprovação para a produção e venda de novos remédios

4) A pesada regulamentação sobre a indústria de seguros de saúde, com agências reguladoras que cartelizam o mercado e restringem a concorrência;

5) Estilos de vida cada vez mais insalubres e descuidados;

Em todo caso, a segurabilidade de qualquer bem ou serviço está subordinada ao seu custo.

Dizer que é desejável que os planos de saúde forneçam uma cobertura geral para todos os segurados é uma coisa; outra, fundamentalmente distinta, é entender que tal desejo é econômica e matematicamente impossível, pois há vários tipos de enfermidade que, por não pertencerem a uma classe definível (como mal de Parkinson e câncer), não podem ser segurados.  Eles não pertencem a uma classe definível, a qual pode ser coberta por um seguro.  Dado que somente algumas doenças e alguns tratamentos são seguráveis, a cobertura de planos de saúde tem de ser, pelo menos dentro da realidade econômica, limitada.

Oferecer seguro sem se considerar a classe específica que está sendo segurada, ou propositadamente agrupar riscos não-seguráveis às classes de risco seguráveis, são medidas que acabam com qualquer possibilidade de se determinar de maneira lógica e racional a cobertura apropriada e o preço adequado.  Se você acredita que os preços dos planos de saúde já estão caros hoje, espere para ver o que acontecerá quando todos os tipos de cobertura se tornarem obrigatórios pelo governo.  Simplesmente não mais haverá nenhum resquício de racionalidade na estipulação dos preços das apólices e dos prêmios.

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Leia também:

Como Mises explicaria a realidade do SUS?

Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde

A incerteza e suas exigências — o papel crítica das seguradoras em um livre mercado



1 voto

autor

David Howden
é professor assistente de economia na Universidade de St. Louis, no campus de Madri, e vencedor do prêmio do Mises Institute de melhor aluno da Mises University.


  • Andre  21/01/2014 15:30
    Venho lendo os artigos a alguns meses e esta sendo muito interessante entender mais sobre a linha da escola austrica.
    Parabéns por mais um texto lógico e claro.
  • Fellipe  21/01/2014 15:51
    Ótimo artigo sobre a importância do setor de seguros.

    Seria ótimo ter algo de autor brasileiro sobre a "sovietização" da SUSEP, que se tornou instrumento de planejamento central no setor, impedindo a inovação ao obrigar a padronização dos produtos de seguro no mercado. Além disso, a "SeguroBras" vai acabar com o mercado no longo (?) prazo, ao autorizar o governo a intervir diretamente no setor se achar os preços do seguro (prêmios) "abusivos", seja lá o que isso quer dizer. Quem ficou feliz com a abertura do mercado de resseguros em 2007/2008 pode se preparar para uma reversão pior ainda no futuro. Talvez eu crie coragem e escreva algo no futuro, com olhar austríaco sobre o tema...

    Deixando o desabafo de lado, gostaria de sugerir uma pequena sugestão à tradução, a pessoa que compra a proteção do seguro se denomina SEGURADO, e não assegurado. Essa é a tradução correta da palavra Assured (ou Insured) do inglês, ou asegurado do espanhol.

    Gostaria de fazer um comentário adicional à questão das doenças pré-existentes. O instituto do seguro, de maneira geral, se presta a cobrir eventos súbitos e imprevistos, e para isso se usa a probabilidade. Doença pré-existente não é nem um nem outro.

    Abs,

  • anônimo  21/01/2014 16:06
    O termo doença pré-existente se refere à legislação do Obamacare, a qual proíbe as seguradoras de rejeitar pessoas que querem comprar planos de saúde após se descobrirem doentes -- algo equivalente a adquirir seguro de carro após sofrer um acidente.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1744
  • Tann  21/01/2014 18:07
    Lembrando que os planos de saúde são regulamentados pela ANS.

  • Fellipe  22/01/2014 01:03
    Sim, é a ANS que regula os planos e seguros de saúde. Estava me referindo ao setor de seguros como um todo, que à exceção da área da saúde é regulado pela SUSEP. Setor este que é extremamente engessado como citei em meu comentário anterior, onde o conceito de liberdade passa longe.

    Quanto a doenças preexistentes o Brasil está aparentemente melhor comparado ao Obamacare, mas não há garantia absoluta às seguradoras. Ao menos no seguro de vida pode-se contar com juízes inimigos do "grande capital", que adoram ser paladinos da justiça social... coad.jusbrasil.com.br/noticias/100707145/doenca-preexistente-nao-exime-o-dever-de-pagar-seguro-de-vida?ref=home
  • Carlos Prado  27/01/2014 22:15
    Pelo que entendi, neste caso pode não ser o mesmo caso do que ocorrerá com o ObamaCare, pois não era do conhecimento nem da seguradora nem do paciente que este estivesse doente. A seguradora de certa forma deveria realizar exames que ajudassem a entender qual a predisposição às doenças seguradas.
  • Luiz Berenguel  21/01/2014 17:36
    Temos uma combinação nociva no cenário atual da saúde: pesadas cargas tributárias, modo de vida sedentário da maioria da população e outras coisas.

    O indivíduo precisa ser mais cuidadoso em relação a saúde dele, respeitar os limites do corpo humano e não acreditar ingenuamente na medicina "moderna" atual que é muito avançada e pode curar qualquer doença.

    Há dois atos básicos a se fazer para não depender totalmente do SUS ou de planos de saúde: o primeiro é cuidar da própria saúde no que for possível, ser sério em relação a isso; e o segundo é ter uma reserva financeira para ´prevenção de doenças e tratamento das mesmas.
  • Lucas Tamoios  21/01/2014 18:12
    A pessoa tem pleno direito de escolher o quem bem quiser; comprar um seguro, por exemplo; mas deveriam saber o que estão comprando. Todo seguro, bem como jogos de cassino, loterias, juros, obedece a regra de um pagamento superior à esperança matemática, que é o que garante o lucro certo de uma seguradora. A maioria das pessoas acha que está fazendo um ótimo negócio com um seguro quando na verdade não está.
  • Tann  21/01/2014 18:31
    Nem sempre é um mau negócio. O seguro de automóvel, por exemplo, pode vir com uma cláusula de cobertura de Responsabilidade Civil a terceiros.

    Assim, você paga mil reais ao ano e, caso atropele alguém e seja processado, não precisará arcar com uma indenização de cem mil reais.

    Isso sem levar em conta outros riscos, como roubo, batida, etc.

    No caso de valores pequenos, como eletrodomésticos, acho que não valeria a pena mesmo.
  • Jonny  21/01/2014 19:48
    Me desculpem, mas essa visão de vcs da saúde é muito mesquinha. Fiquei horrorizado. Não importa o problema ou risco, todos tem direito a tratamento médico integral e gratuito. Saúde é direito. Pela dignidade da pessoa humana.
  • Doutrinador  21/01/2014 20:07
    "Me desculpem, mas essa visão de vcs da saúde é muito mesquinha."

    Qual visão? Explicar a realidade econômica das coisas não é uma questão de visão; é questão de senso de realidade.

    Por essa lógica, dizer que a quantidade de comida no mundo é escassa seria uma "visão muito mesquinha".

    "Fiquei horrorizado."

    Ui! Então assista ao filme "Invocação do Mal"; sua cueca ficará inutilizada.

    "Não importa o problema ou risco, todos tem direito a tratamento médico integral e gratuito. Saúde é direito."

    O que é um direito? Se há um direito, de quem seria o dever de financiar esse "direito"? O indivíduo agraciado com este "dever" de fornecer saúde para terceiros não estaria tendo o seu "direito à saúde gratuita" violado? Como sair deste paradoxo?

    Para que alguns possam usufruir seus direitos, outros têm de arcar com o ônus dos deveres. E esta equação tem necessariamente de ser desequilibrada: alguns lados têm de arcar com o ônus de ter mais deveres do que direitos para que outros possam usufruir mais direitos do que deveres. Se não for assim, o saldo final é nulo.

    Logo, responda: na questão da saúde, a quem cabe o ônus de pagar por ela e a quem cabe o bônus de receber tudo "de grátis"? Quem será a mente onisciente que organizará esta distribuição?

    "Pela dignidade da pessoa humana."

    Pela inteligência dos beneficiários da inclusão digital.
  • Felix  22/01/2014 21:58
    Esse tipo de comentário é uma rotina diária.
    Parece um tipo de piada que nunca fica velha, infelizmente
  • Rafael  21/01/2014 20:32
    Esse artigo, principalmente aqui no Brasil, levanta uma questão muito importante: se o indivíduo raramente necessita de serviços médicos, e não se sujeita a grandes riscos de acidentes ou de contrair doenças, vale a pena manter ou contratar um plano de saúde?

    Creio que uma boa disciplina para poupar dinheiro mensalmente, visando cobrir eventuais despesas médicas futuras, seja o melhor caminho. Até pela possibilidade de negociar valores para pagamento à vista, bem como maior flexibilidade de escolher o hospital e o médico a ser contratado.
  • joao  22/01/2014 00:01
    Uma coisa que o autor podia ter mencionado é que mesmo as doenças "não-seguráveis" podem sim ser cobertas por seguros. Basta que, na média, a chance de vc contrair alguma delas seja bem baixa.

    Por exemplo: suponha que 0.5% dos brasileiros tenha câncer. É provavel que um seguro contra câncer seja viável, já que a chance de alguém contrair é bem baixa.

    Em resumo é aquela história: quanto menor a chance de pagar o prêmio, menor é o preço do seguro. E dependendo do risco vale a pena até aquilo que o Rafael comentou: poupar e investir o dinheiro, rendendo mais (bem mais) que o seguro.


    As pessoas só não fazem isso porque caso o desastre aconteça em pouco tempo de poupança, ficarão apenas com o dinheiro poupado até a data.

  • Ricardo  22/01/2014 00:12
    Acho que você desconhece a natureza e as variedades do câncer. Somando-se todos os tipos de câncer, a esmagadora maioria da população desenvolverá esta praga, sendo os principais câncer de próstata, câncer de mama, câncer de pulmão, leucemia, câncer colorretal, câncer de bexiga, câncer pancreático, câncer endometrial, câncer ovariano, melanoma cutâneo, linfoma não-Hodgkin.

    Nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos, o câncer é responsável por cerca de 25 por cento de todas as mortes. Um número altíssimo.
  • joao  22/01/2014 01:03
    @Ricardo, e eu acho que você está com problemas para enxergar ou para compreender texto.

    Vejamos o motivo. Eu disse Por exemplo: suponha que 0.5% dos brasileiros tenha câncer. É provavel que um seguro contra câncer seja viável, já que a chance de alguém contrair é bem baixa.

    "O abismo cultural é escancarado quando é preciso dizer o óbvio nos mínimos detalhes. Daqui a pouco ficarão surpresos se eu avisar que, uma reunião no fundo de uma piscina cheia de água pode acabar mal." - FMB

    Em lugar algum eu disse que é um fato comprovado, por amplas pesquisas cietíficas, que a incidência de câncer é de 0.5%. Usei uma ilustração para demonstrar que várias "doenças não-seguráveis" (por serem exemplos de caso, não de classe - como definiu o autor) podem ser seguráveis sim, bastando apenas que a incidência média seja pequena o bastante para justificar a oferta de seguro.
  • Guilherme  22/01/2014 01:21
    Não entendi, João. Você disse que o câncer é segurável. O Ricardo disse que, pelas estatísticas atuais, não é, pois a incidência é bem alta. E substanciou a afirmação com dados e argumentos. Já você se limitou a atacá-lo gratuitamente e a não apontar onde ele está errado.

    Se a sua intenção era apenas a de escolher uma doença qualquer de baixa incidência, então você não deveria ter escolhido o câncer, que foi justamente a doença a que o autor do artigo se referiu. Sendo assim, acho que realmente quem está precisando ler com mais cuidado essa frase da piscina que você citou é você próprio.
  • joao  22/01/2014 02:11
    @Guilherme,

    Não entendi, João. Você disse que o câncer é segurável.(1) O Ricardo disse que, pelas estatísticas atuais, não é, pois a incidência é bem alta. E substanciou a afirmação com dados e argumentos. Já você se limitou a atacá-lo gratuitamente e a não apontar onde ele está errado(2).

    Se a sua intenção era apenas a de escolher uma doença qualquer de baixa incidência(3), então você não deveria ter escolhido o câncer, que foi justamente a doença a que o autor do artigo se referiu. Sendo assim, acho que realmente quem está precisando ler com mais cuidado essa frase da piscina que você citou é você próprio.


    1: Não disse. Eu dei um exemplo, uma suposição. Meu erro foi não ter colocado "neste caso" ou "então" depois da primeira frase do meu exemplo.

    2: Está bem apontado e negritado. Mas vou escrever de novo: foi uma suposição. Substitua câncer por "chance de algo X acontecer é de 0.5%". Pronto. Esse X pode ser qualquer coisa que eu imaginar, já que, curiosamente, estamos tratando de um exemplo ilustrativo, uma suposição, não um fato inconteste da natureza.

    3: Não era minha intenção. Minha intenção era mostrar que qualquer desastre de baixa incidência pode, a princípio, ser seguradol. Isso não significa que todos os casos específicos, de pessoas específicas (como as de histórico) têm chance de receber seguro. Só significa que baixa incidência tem chance de tornar um seguro algo a se considerar, da parte da seguradora.
  • Dw  22/01/2014 09:51
    João, eu entendi perfeitamente o seu exemplo no 1º comentário. Ficou bem claro que o cancer foi um exemplo de doença.
  • Macaco  22/01/2014 13:08
    Não gostei tanto do artigo. Qualquer evento é matematicamente segurável - maior ou menor previsibilidade só aumenta o fator de risco a ser incluído no prêmio, aumenta o spread necessário entre custos esperados do pool de risco X prêmios cobrados. Se tal seguro será comprado por alguém voluntariamente ou não é outra história.

    Em um livre mercado seria oferecida sim a cobertura contra o mal de Parkinson, porém com um prêmio maior para cobrir a maior incerteza de custos. Inclusive por mecanismos como reajuste periódico de acordo com a sinistralidade real do pool de risco.

    No geral qualquer evento de grande porte (digamos, que gere gastos de 6 dígitos a um indivíduo médio, como incêndio em sua residência) é facilmente segurável. O seguro é, para o segurado, sempre um mau negócio do ponto de vista estritamente matemático, mas ele está comprando segurança (valor subjetivo).

    Há outros artigos aqui melhores que falam sobre o perigo moral. No geral só funcionarão seguros sobre eventos indesejáveis (câncer, acidente de carro, incêndio), de preferência com uma participação ou franquia. Eliminar a franquia aumenta o risco pelo aumento do perigo moral. E segurar eventos que dependem apenas da vontade do segurado (consultas e exames médicos) é insanidade, e um problema bem maior que cobrir ou não cobrir câncer ou Parkinson.
  • João   22/01/2014 15:07
    "Qualquer evento é matematicamente segurável"

    Você teria uma empresa que fornece seguros contra dor de cabeça? Ia ser um estouro...
  • Macaco  22/01/2014 17:55
    Não, não ia. O preço ia ser muito caro. Mas é seguráVEL. Não quer dizer que será segurADO. Eu deixo isso bem claro na mensagem, meu caro.
  • Eduardo Bellani  22/01/2014 15:29
    Qualquer evento é matematicamente segurável

    Nenhum evento onde o ator segurado pode alterar as chances do evento é segurável.
    Um exemplo extremo: Segurar minha casa contra a chance que eu bote fogo nela.
    Você está aplicando causalidade em situações teleológicas, e por isso cai nesse erro.

    Outros exemplos: suícidio, obesidade, ataques cardíacos, filhos, certos tipos de câncer, etc.
  • Macaco  22/01/2014 18:20
    Eduardo, você que não está entendendo o conceito de MATEMATICAMENTE SEGURÁVEL. É bem diferente de afirmar que haverá alguém oferecendo esse seguro, que ele será barato ou que ele terá mercado. É diferente de segurável do ponto de vista de negócios.

    Sua frase "Nenhum evento onde o ator segurado pode alterar as chances do evento é segurável." não faz nenhum sentido e vai contra o próprio texto. O motorista altera as chances de ocorrer um acidente. A manutenção elétrica de uma casa altera as chances de ocorrer um incêndio. O estilo de vida altera as chances de morte. Tudo isso é, inclusive, considerado nos pools de risco.

    Se você quiser um seguro contra incêndio que inclua a cobertura contra incêndio criminoso por parte do proprietário, posso fazê-lo. É bem provável que tal seguro exija, além de um preço alto, uma participação sua muita alta em caso de sinistro - alta o suficiente para você perder R$ junto comigo na ocorrência do evento, de forma a limitar o perigo moral. Simples assim. Se fosse oferecida essa opção, para quem quer segurar sua casa, junto de outras opções de seguro muito mais baratas por não cobrir tal tipo de sinistro, o mais provável é que ninguém fosse realmente comprar

    É aí que está o erro do artigo. Não ter tanto conhecimento sobre o mal de parkinson não o torna não-segurável, apenas impede o uso de pools de risco melhor segmentados (ou seja, diminui o prêmio para os que seria grupo de alto risco - mas eu não sei quem são - e aumenta o prêmio para os que seriam, com informações melhores sobre a doença, grupos de baixo risco).

    O principal ponto nos seguros de saúde NÃO É segurar ou não o evento catastrófico X ou Y (câncer disso ou daquilo, mal de parkinson ou não), e sim a esquizofrenia de cobrir eventos cotidianos, como consultas e exames. Isso é bem explicado em outros artigos no IMB.
  • Jeferson  22/01/2014 17:53
    João e Eduardo, a parte matematicamente no texto talvez tenha passado despercebida por vocês. Assim como a parte: "Se tal seguro será comprado por alguém voluntariamente ou não é outra história."

    Outro óbvio ululante que sequer precisaria ser dito é que muitos dos seguros sequer existiriam porque seriam mais caros do que a indenização. Por exemplo, uma apólice que indenizasse em R$ 500.000,00 a alguém em caso de suicídio de outra pessoa provavelmente custaria R$ 500.000,00 + taxa de administração + lucro da seguradora. Óbvio que ninguém compraria um seguro desses, portanto, ele sequer seria ofertado ao mercado.

    Achei que o artigo foi muito bom, inclusive porque não me parece que o fim dele era explicar sobre eventos seguráveis ou não, mas alertar as pessoas sobre as consequências de se ter um sistema de saúde controlado pelo estado. Seja ele público ou privado, no fim das contas os mais cuidadosos e/ou os que estão em melhores condições de saúde terão de pagar injustamente pelos demais. Ele também serve bem ao fim de explicar que não só não é errada a prática de discriminação no mercado de seguros, mas ela é necessária para que esse funcione bem. Senão, um dia, todos terão de pagar apólices de "seguro suicídio" pra ter um plano de saúde comum.
  • Macaco  22/01/2014 18:26
    Jeferson,

    A crítica dele contra a cobertura total e geral está correta. Eu só acho que ele escorregou um pouco na primeira metade do texto. Poderia ter sido mais cuidadoso.
  • Eduardo Bellani  22/01/2014 21:48
    Você parece que não entendeu o que eu falei.

    Pra você calcular uma chance de algo acontecer, você precisa de um ambiente com múltiplos casos repetidos (uma classe de acontecimento).

    Um ser racional, ao ser segurado, altera seu comportamento baseado nos novos incentivos, o que invalida a análise de chance inicial.
    Se você voltar a calcular a chance baseado no novo comportamento, o processo se repete.

    Percebe a falha? Você repetir a palavra 'matematicamente' não resolve esse problema.
  • Macaco  23/01/2014 13:56
    Eduardo,

    Não temos desabamentos repetidos de arranha-céus de 100 com estrutura de aço, e mesmo assim o WTC tinha seguro. Há muitas maneiras de resolver isso, como expandir o pool de risco (qualquer prédio com estrutura de aço, por ex) ou estimar os riscos em base zero (como seguros "one of a kind"). É possível fazer, também, por analogia com outros tipos de bens.

    Não há "problema" a ser resolvido. O que tu citastes gera apenas aumento do risco/incerteza, o que significa apenas maiores prêmios ou contratos mais rígidos em alguns aspectos.
  • Eduardo Bellani  23/01/2014 14:52
    Antes de mais nada, minha definição de seguro:

    contrato pelo qual uma das partes, segurador, se obriga a
    indenizar a outra, segurado, em caso da ocorrência de um evento,
    em troca do recebimento de um prêmio.


    Me repetindo, com essa definição, é possível existir um seguro
    para um prédio que cubra o desabamento intencional do mesmo pelo segurado?

    Se a sua resposta é afirmativa, o que o segurador está fazendo (assumindo, é claro,
    que ele deseja lucrar com tal contrato) vai de encontro ao axioma da ação humana.
    Em outras palavras, é impossível.


    Perceba novamente que eu não estou falando que não podem existir seguros, e
    sim que existe classes de eventos que não são seguráveis.

  • Ludwig von Mises  23/01/2014 14:58
    O Bellani está correto em suas colocações.

    Não existe uma fronteira claramente definida entre a saúde e a doença. Estar doente não é um fenômeno independente de vontade consciente e de forças psíquicas atuando no subconsciente. A eficiência de um homem não é meramente o resultado de sua condição física; ela depende amplamente de sua mente e de sua determinação. Assim, toda a ideia de que é possível, por meio de exames médicos, separar o incapaz do capaz e dos fingidores, bem como separar aqueles que são aptos a trabalhar daqueles que não são, é insustentável.

    Aqueles que acreditam que seguro-saúde e seguro contra acidentes podem se basear em meios totalmente eficazes de certificar doenças, ferimentos e suas consequências estão redondamente enganados. O aspecto destrutivo do seguro-saúde e do seguro contra acidentes está, acima de tudo, no fato de que tais instituições promovem (subsidiam) acidentes e doenças, retardam a recuperação, e muito frequentemente criam -- ou de alguma forma intensificam e prolongam -- os distúrbios funcionais que se seguem às doenças ou aos acidentes.

    Uma doença especial, a neurose traumática, que já havia aparecido em alguns casos como resultado da regulamentação dos pedidos de indenização por lesões, acabou se tornando, por causa da seguridade social compulsória, uma doença nacional. Ninguém mais nega o fato de que a neurose traumática é resultado da legislação social. De maneira avassaladora, a estatísticas mostram que as pessoas que têm seguro levam muito mais tempo para se recuperarem de suas lesões do que aquelas que não têm. Da mesma forma, elas também são mais propensas a sofrer distúrbios funcionais permanentes (ou prolongados) do que os não segurados.

    Seguro contra doenças produz mais doença. Observações individuais feitas por médicos, bem como pela estatística, comprovam que a recuperação de doenças e lesões é muito mais lenta para funcionários públicos, empregados permanentes e pessoas compulsoriamente seguradas do que para os membros de profissões não seguradas, bem como para indivíduos também não segurados.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=364
  • Macaco  24/01/2014 11:30
    Ludovico,

    A maior parte do seu texto trata de seguros compulsórios, cobertos pelo dinheiro da viúva. Tais transações vão destruir valor por definição - os exemplos que colocaste apenas evidenciam isso.

    Não quer dizer que, por exemplo, a "neurose traumática" (ou outras doenças subjetivas) não seja matematicamente segurável. A alta frequencia de sinistros apenas significará um prêmio maior. Alta subjetividade também.
  • Macaco  24/01/2014 11:00
    "é possível existir um seguro
    para um prédio que cubra o desabamento intencional do mesmo pelo segurado?"

    "Em outras palavras, é impossível."

    "eu não estou falando que não podem existir seguros"

    Você claramente coloca em pauta a existência desses seguros, fala ser impossível pelo axioma da ação humana, e depois fala que não está falando da existência. Eu não estou te entendendo - até porque não estou falando da existência prática e física de contratos nesses termos, e sim da possibilidade matemática de tal seguro existir.

    Seguro é transferência de risco. Todo e qualquer risco - incluindo o perigo moral - é precificáVEL e transferiVEL. Maior ou menor conhecimento sobre o evento, pool de risco melhor definido ou não, perigo moral grande ou pequeno, alta repetição e disponibilidade de estatísticas ou não, tudo isso vai no preço. Conforme já foi alertado por outro colega, até a auto-finalização da vida é precificável e pode ser colocado um prêmio nisso. Se tal contrato será executado ou não voluntariamente entre duas partes é outra história.
  • Eduardo Bellani  24/01/2014 13:46
    Você claramente coloca em pauta a existência desses seguros, fala ser
    impossível pelo axioma da ação humana, e depois fala que não está
    falando da existência. Eu não estou te entendendo - até porque não
    estou falando da existência prática e física de contratos nesses
    termos, e sim da possibilidade matemática de tal seguro existir.


    Eu disse que existem classes de eventos que não podem ser seguradas. O
    que implica que existem outras classes que não podem. É isso que eu
    quis dizer.

    Seguro é transferência de risco. Todo e qualquer risco - incluindo o
    perigo moral - é precificáVEL e transferiVEL. Maior ou menor
    conhecimento sobre o evento, pool de risco melhor definido ou não,
    perigo moral grande ou pequeno, alta repetição e disponibilidade de
    estatísticas ou não, tudo isso vai no preço. Conforme já foi alertado
    por outro colega, até a auto-finalização da vida é precificável e pode
    ser colocado um prêmio nisso. Se tal contrato será executado ou não
    voluntariamente entre duas partes é outra história.


    Novamente, me repito, como você calcula o risco de algo onde o
    processo de calcular o risco muda o risco inicial calculado?

    Seguro de suicídio é uma contradição dos termos envolvidos,
    pois o conceito de seguro implica a expectativa de lucro por parte do segurador.

    Não acho que eu consigo ser mais claro que isso no momento, mas, pra
    enfatizar, repito a pergunta chave:

    * Como você calcula o risco de algo onde o processo de calcular o
    risco muda o risco inicial calculado? *
  • Fellipe  24/01/2014 14:19
    Srs,

    Apesar de não ser advogado, vou utilizar o jargão técnico-jurídico do ramo para tentar ajudar na discussão.

    O seguro serve para cobrir riscos de eventos que possuem duas palavras chaves: SÚBITOS e IMPREVISTOS, ou não seria risco (incerto) e sim certeza.

    Outra tecnicidade, o segurado deve fazer de tudo ao seu alcane para preservar o bem segurado e não tomar medidas que agravem o risco ( e piorem a posição da seguradora) - trata-se de contrato de boa fé. Caso isso ocorra cancela-se automaticamente a cobertura.

    Eventos como o suícidio, que está 100% sobre o controle do segurado e agrava seu risco de perder a vida, não é evento seguravél pois não é imprevisto - além de ocorrer agravação unilateral do contrato. Assim como deixar de fazer manutenção em uma turbina termelétrica vai causar uma quebra, mas não é imprevisto e totalmente sob o controle do segurado, logo não é segurável.

    Não atuo na área de seguro/plano de saúde, mas entendo que cancer (na verdade o custo do tratamento para a doença cancer) poderia ser segurável já que a doença em si é imprevisível (e a descoberta é súbita) desde que não fosse pré-existente (previsto). O risco do evento cancer poderia ser estimado estatisticamente/atuarialmente e poderia ser coberto.

    Ressalto novamente, seguro serve para cobrir RISCOS. O que já se sabe ou que está totalmente no controle do segurado é CERTO ou PREVISTO que ocorreu/pode ocorrer.

  • Macaco  27/01/2014 13:52
    Fellipe e Bellani,

    Existem inúmeras definições do que é segurável ou não. E existem, na PRÁTICA, dezenas de seguros feitos sobre itens teoricamente "não-seguráveis". Por isso que usei o termo MATEMATICAMENTE segurável.

    No geral quando se fala em algo "segurável" de forma genérica, se fala no seguro "perfeito" (da wiki em inglês):

    1) Alto número de "unidades" semelhantes expostas ao mesmo risco (pool);
    2) Perda definida, ocorrendo em um local específico, tempo específico, etc;
    3) Perda acidental;
    4) Perda grande o suficiente para ser um problema ao segurado;
    5) Prêmio em conta;
    6) Perda calculável;
    7) Risco limitado de perdas catastróficas.

    Um seguro com estes 7 itens é tão-somente um seguro muito fácil de fazer. Teremos dezenas de empresas oferecendo ele, e será, via de regra, barato e popular.

    Agora, a própria wiki, no link abaixo, cita N casos que não seguem tais itens. Exemplo: seguros one-of-a-kind (específico para indivíduos famosos, partes do corpo de indivíduos famosos, etc), o seguro do WTC, etc. Estes seguros não deixam de existir, são apenas mais caros pelo menor nível de certeza sobre os custos.

    Por isso que eu usei o termo MATEMATICAMENTE segurável. Um seguro é uma transferência de risco, e, no limite, qualquer risco é precificáVEL e transferíVEL (o que não quer dizer que será transferIDO). Um maior ou menor perigo moral apenas influencia os prêmios para cima ou para baixo - até o caso limítrofe de seguro de vida cobrindo suicídio, com prêmio igual a indenização.

    Inclusive se vocês fizerem uma busca, BOA PARTE DOS SEGUROS DE VIDA COBREM SUICÍDIO (GOOGLE IT), sujeito a carência (13 meses, 2 anos, 5 anos, depende do contrato) e/ou possível exclusão em caso de tentativas anteriores ou histórico de doença mental. Foi a forma que o mercado encontrou para minimizar o perigo moral (outra seria um prêmio gigante, mas ninguém ia querer). Ou será que essas cias são apenas burras e não pensam no lucro? Lolz...

    :)

    I rest my case.

    Wiki:
    en.wikipedia.org/wiki/Insurance
  • Eduardo Bellani  27/01/2014 18:08
    Inclusive se vocês fizerem uma busca, BOA PARTE DOS SEGUROS DE VIDA
    COBREM SUICÍDIO (GOOGLE IT), sujeito a carência (13 meses, 2 anos, 5
    anos, depende do contrato) e/ou possível exclusão em caso de
    tentativas anteriores ou histórico de doença mental. Foi a forma que o
    mercado encontrou para minimizar o perigo moral (outra seria um prêmio
    gigante, mas ninguém ia querer). Ou será que essas cias são apenas
    burras e não pensam no lucro? Lolz...


    Seguro contra suicídio não faz sentido econômico, dentro de um livre
    mercado. Por isso tenho toda a confiança que o que você achou no
    google foi o resultado da interferência estatal nos contratos
    alheios.[1] Em todos os lugares que tem essas carências, o estado
    força as seguradoras a pagar os prêmios depois desse tempo,
    independente do que aconteça.

    Agora, vamos a análise econômica. Se o estado força os atores
    econômicos a adotar comportamentos claramente prejudiciais ao lucro
    desses atores, aumentando seus custos, os atores que não são
    eficientes o suficiente pra ter margem de lucro pra sobreviver a esse
    aumento de custo sairão do mercado. Isso levará a diminuição da oferta
    desses serviços, e, ceteris paribus, ao aumento do preço. O que me
    leva a constatar que os preços dos seguros são mais altos do que
    seriam sem essas legislações idiotas.

    E, como um favor aos seus leitores, quando você decidir pontificar
    sobre 'a forma que o mercado encontrou' pra fazer uma idiotice,
    procure pesquisar sobre a legislação e as regulações existentes
    naquele mercado.

    Abraços.

    [1] Como exemplo local -> www.penteadomendonca.com.br/public/artigo.php?id=54&tablename=artigos_td
  • Fellipe  27/01/2014 20:12
    Bela explanação do colega Bellani. Cobertura para suicídio é mais uma bizarrice criada pela busca da "justiça social" neste país, já que os juízes em geral tendem a ver uma "hipossuficiência econômica" por parte dos segurados em contratos de seguro. Em outros termos a seguradora é a malvadona e o segurado é o coitadinho. As seguradoras se precavendo de perseguições nas cortes adotaram a estratégia abordada no artigo do escritório Penteado e Mendonça Advocia sugerido no link do comentário acima, simplesmente para não pararem de operar.

    Como já comentado, seguradoras estão neste negócio para ter lucro como qualquer outra companhia em qualquer outro mercado. Vamos fazer um exercício hipotético para cobrir o risco de suicídio: eu no papel de seguradora sei que este evento está totalmente no controle do segurado (o que foge do item 3) informado anteriormente) e consequentemente não quero segurar o risco. Eu sugeriria um limite de 500k, com franquia de 100k e prêmio de 400k para o negócio ser aceitável para mim. Você aceitaria este negócio? Portanto não existe esse conceito de matematicamente segurável, ou o negócio é aceitável para ambas as partes ou ele não existe.

    Vou usar os 7 itens para o risco ser segurável informados pelo colega Macaco para comentar, que é até uma relação interessante porém trata-se de um texto geral sobre o tema (não dá pra ser expert usando artigos da wikipedia). Acredito que o colega tenha compreendido mal principalmente o primeiro:

    1) Alto número de "unidades" semelhantes expostas ao mesmo risco (pool);

    Sim, é possível fazer o seguro do bumbum da Carla Perez (quem já está nos trinta e tantos vai lembrar...), seguro de "pernas" de jogadores de futebol ou outro seguro específico de artistas. Porém quem disse que isso não faz parte de um portfolio (pool) de apólices de acidentes pessoais, ou ainda mais, uma diversificação deste portfolio? Verifique se o "seguro de artistas" não se trata de um simples seguro de acidentes pessoais "turbinado". Você vai ver que não tem nada de one-of-a-kind, e sim isso faz parte de um portfolio que a seguradora sabe bem como precificar.

    Várias seguradoras que tem portfolio muito exposto de catástrofes naturais (ex. terremoto) podem investir em outros produtos para balancear seu risco, como seguro saúde, seguros patrimoniais em regiões não expostas, seguros paramétricos, etc. Todos os produtos e/ou portfolios possuem deals semelhantes entre si.

    O outro exemplo dado, do WTC, não teve nada de one-of-a-kind, era um seguro patrimonial com cobertura adicional para terrorismo como outro qualquer em sua época (a cobertura para terrorismo como cobertura adicional padrão foi excluída em todos os mercados após este evento), por favor se informar. Só foi mais divulgado na imprensa internacional por razões óbvias.


    2) Perda definida, ocorrendo em um local específico, tempo específico, etc;

    Não é necessário se alongar muito aqui, ou a seguradora determina qual evento, de qual segurado, em que local, em qual período de vigência, sob quais exclusões, com qual franquia se pode cobrir ou ela não vai fazer isso sob o risco de cobrir mais do que gostaria, isso é lógico. Você daria seguro de vida pra alguém que não conhece, por período incerto, sob qualquer causa?

    3) Perda acidental;

    Como comentei no meu post anterior, o risco deve ser acidental, ou seja, não pode estar sob o controle ou ser influenciável por ações do segurado, ou não é risco.

    4) Perda grande o suficiente para ser um problema ao segurado;

    Você faria seguro de perda/roubo de seu isqueiro? Eu pessoalmente posso suportar uma perda de alguns reais, mas prefiro ter proteção para riscos que podem me custar dezenas de milhares de reais.

    5) Prêmio em conta;

    Se seu carro custasse 20k e eu te cobrasse 10k pra fazer o seguro você faria? Acho que dá pra entender o ponto. É o que acontece com motos esportivas, onde uma moto de 80k tem prêmio de 40k e franquia de 12k, dependendo do perfil (eu cotei quando era solteiro e a ordem de grandeza é essa mesmo) e isso faz com que pouquíssimas pessoas se disponham a fazer este seguro. Do ponto de vista da seguradora é um risco quase certo, e essa é a forma educada de dizer que não querem fazer este tipo de seguro. Para motos de baixa cilindrada, como as utilizadas pelos motoboys, praticamente não se encontra seguradoras dispostas a fazer seguro pois o nível de roubo/furto é tão grande que as seguradoras já vêm o risco como certo.

    6) Perda calculável;

    Se eu tenho uma planta petroquímica no polo de Camaçari eu posso calcular o valor dos meus ativos e encontrar uma seguradora que se disponha a cobrir o risco de incêndio ou explosão da planta, limitando a perda ao valor dos ativos (ex. BRL 2bio). Agora se eu quero cobrir os danos que eu posso causar às demais plantas do polo de Camaçari, a vida de seus funcionários, os veículos que ali circulam no momento da explosão, suas perdas financeiras, etc, sem limites de responsabilidade da seguradora em pagar indenizações, aí já complica...

    7) Risco limitado de perdas catastróficas.

    A seguradora pode cobrir danos por terremoto na Califórnia para um ou alguns sites, porém ela não concentrará seu portfolio com risco de perder vários locais e pagar altas indenizações na mesma região. Por isso as seguradoras tem modelos de exposição a riscos catastróficos e o usam para balancear seu portfolio.

    Espero ter ajudado.


  • Macaco  27/01/2014 13:38
    "Novamente, me repito, como você calcula o risco de algo onde o
    processo de calcular o risco muda o risco inicial calculado?"

    O "processo de calcular" não muda o risco calculado, não estamos falando de física quântica. O que acontece é que o segurado pode (e vai, geralmente) se comportar de forma diferente que um não-segurado. Por exemplo: em situações marginais de perigo (em que há opção) vai entregar o carro ao bandido, ao invés de arrancar. Justamente por isso que as estimativas de custo são feitas ASSUMINDO o fato de que ele está segurado. O perigo moral é simplesmente aumento de frequencia e/ou gravidade de sinistros, e não só é estimável/precificável matematicamente como todos os seguros funcionam assim.

    "Seguro de suicídio é uma contradição dos termos envolvidos,
    pois o conceito de seguro implica a expectativa de lucro por parte do segurador."

    Já foi respondido tanto por mim quanto pelo Jeferson. Você leu?

    Matematicamente a única diferença é o tamanho do perigo moral. Ele é, porém, precificáVEL.
  • Rafael  22/01/2014 21:55
    Apenas tentando contribuir:

    Um exemplo prático que pode ser dado sobre o quão prejudicial é o intervencionismo estatal na saúde (e que na minha opinião daria até um ótimo artigo) é comparar a medicina estética com as demais áreas da saúde.

    A medicina estética é mercado mais livre e menos regulada pelo Estado do que outras especialidades, e tratada na maioria dos casos, tanto por Este como pelas próprias seguradoras (que não incluem tais procedimentos em seus seguros), como um BEM e não um DIREITO.

    É notável os avanços dessa área da medicina frente as demais área nos últimos 20 anos. E quando cito avanços estou considerando aqui desde avanços científicos, como avanços na popularização de procedimentos cirurgicos complexos (como o implante de silicone) em pessoas mais pobres que eram até poucos anos atrás bem expensivos.

    O Brasil inclusive tem mais cirurgiões plásticos por habitante do que os Estados Unidos, e tem atraído pessoas de fora do país para ser tratado por aqui.

    Imagina se a saúde fosse um mercado livre de fato...
  • Emerson Luis, um Psicologo  24/01/2014 22:05

    Ninguém deveria ser obrigado a ter um plano de saúde.

    Os planos de saúde deveriam poder oferecer variedades diferentes de benefícios e de custos, para cada cliente poder escolher aquele que mais se enquadra no seu perfil.

    A regulamentação excessiva interfere nestas liberdades.

    * * *
  • anônimo  25/01/2014 09:43
    Tenho um amigo meu nos EUA que não vai conseguir pagar o seguro com o salário dele, logo ele vai ter que economizar com comida e transporte.

    Que ironia, um seguro de saúde que deixa doente...

    O mais triste é o Obama usar o Canadá como base. Embora o sistema de saúde do Canadá é melhor que o SUS, pra um país desenvolvido é muito ruim.


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