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A atual definição de inflação impede a adoção de políticas sensatas

Em época de aumentos generalizados nos índices de preços, os economistas tendem a explicar tal fenômeno colocando a culpa em alguns fatores pontuais, como se o aumento no preço de um determinado produto pudesse gerar toda uma reação em cascata. 

Há quase que uma completa unanimidade entre economistas e comentaristas econômicos sobre a inflação ser um aumento generalizado nos preços de bens e serviços.  Deste raciocínio, estabelece-se que qualquer coisa que contribua para um aumento nos preços irá desencadear inflação.  Uma queda no desemprego ou um aumento na atividade econômica é visto como um potencial gatilho inflacionário.  Alguns outros gatilhos, como aumentos nos preços das commodities ou nos salários, também são considerados potenciais ameaças.

Normalmente, os culpados preferidos da carestia são a alta do petróleo causada por tensões no Oriente Médio, eventos climáticos como escassez ou excesso de chuvas, pressões sindicais por maiores salários ou até mesmo a subida das tarifas aéreas, da energia elétrica e dos fretes.  Mas o mais corriqueiro é dizer que inflação de preços é sinal de economia superaquecida.

A inflação é um aumento de preços?

O problema fundamental dessa confusão jaz na incapacidade de se definir adequadamente o que é inflação.  A essência da inflação não é um aumento generalizado nos preços, mas sim um aumento na quantidade de dinheiro na economia, o que por sua vez provoca um aumento generalizado nos preços dos bens e serviços.

Como Mises explicou em seu ensaio, "Inflação: uma política fiscal impraticável",

Inflação, como esse termo sempre foi utilizado em praticamente todos os lugares do mundo, significa aumentar a quantidade de dinheiro na economia, algo que por sua vez decorre da expansão do crédito feita pelo sistema bancário de reservas fracionárias em conjunto com o Banco Central.

Porém, as pessoas hoje utilizam o termo "inflação" para se referirem ao fenômeno que na verdade é uma consequência inevitável da inflação, qual seja, a elevação de todos os preços e salários.  O resultado desta deplorável confusão é que não mais existe um termo disponível para explicar a causa desse aumento generalizado nos preços e salários.  Não mais existe qualquer palavra disponível para assinalar o fenômeno que, até então, sempre foi chamado de inflação.

Se você é incapaz de definir corretamente um fenômeno, você não tem como lutar contra ele.  Aqueles que se arvoram a capacidade de lutar contra a inflação estão na verdade lutando apenas contra a consequência inevitável da inflação: o aumento dos preços.  Seus esforços irão inevitavelmente fracassar porque não se está atacando a raiz do problema.  Eles tentam manter os preços sob controle ao mesmo tempo em que continuam decididamente aumentando a quantidade de dinheiro na economia, algo que necessariamente fará com que os preços continuem subindo.  Enquanto essa confusão terminológica não for completamente extirpada, é impossível haver qualquer chance de se acabar com a inflação.

O preço de um bem é a quantidade de dinheiro pedida em troca dele.  Assim, para uma dada quantidade de bens, quanto mais dinheiro houver na economia, maior será a quantidade de dinheiro gasta por bem, tudo o mais constante.  Isso significa que, para uma dada quantidade de bens, um aumento na quantidade de dinheiro, tudo o mais constante, deve inevitavelmente fazer com que haja mais gastos monetários por unidade de cada bem — ou seja, um aumento generalizado nos preços dos bens.

Quando a inflação passa a ser vista como um aumento generalizado nos preços, então qualquer coisa que contribua para um aumento nos preços é chamada de inflacionária.  As fontes da inflação deixam de ser o Banco Central e o sistema bancário de reservas fracionárias; as fontes da inflação passam a ser qualquer outro fenômeno não relacionado a essas instituições.  Nesse arranjo, não apenas o Banco Central nada tem a ver com a inflação, como também, ao contrário, o banco central passa a ser visto com um guerreiro contra a inflação.

Assim, uma queda no desemprego ou um aumento na atividade econômica passam a ser vistos como um potencial detonador inflacionário, devendo ser restringidos pelas políticas do Banco Central.  Alguns outros "detonadores", como aumentos nos preços das commodities ou um reajuste nos salários dos trabalhadores, também passam a ser considerados como ameaças em potencial, devendo portando estar sempre sob o zeloso e atento escrutínio do banco central.

A definição popular não é capaz de explicar por que a inflação é ruim

Se a inflação é apenas um aumento generalizado nos preços, como acredita o senso comum, então por que ela é considerada algo ruim?  Que tipo de estrago ela faz?  Os economistas convencionais dizem que a inflação — que eles rotulam como sendo um aumento geral dos preços — gera especulações e faz com que as pessoas saiam fazendo compras para se precaver contra aumentos futuros nos preços, comportamento esse que gera grandes desperdícios.  A inflação, afirma-se, também corrói a renda real dos aposentados, pensionistas e dos assalariados mais pobres, além de provocar uma má alocação de recursos.  A inflação, argumentam, solapa o crescimento econômico real.

Apesar de todas essas afirmações sobre os efeitos colaterais da inflação, os economistas convencionais não nos dizem qual a real causa de todos esses efeitos ruins.  Por que um aumento geral nos preços seria ruim para alguns grupos, mas não para outros?  Por que um aumento geral nos preços prejudica o crescimento real da economia?  Ou, como a inflação gera uma má alocação de recursos?  Ademais, se a inflação é apenas um aumento nos preços, então certamente deveria ser possível compensar seus efeitos apenas reajustando a renda de todas as pessoas da economia de acordo com esse aumento generalizado nos preços.

Entretanto, se aceitarmos que a inflação é na verdade um aumento na oferta monetária, e não um aumento nos preços, então todas essas afirmações podem ser facilmente explicadas.  Não são os sintomas da doença, mas sim a própria doença a causa dos danos físicos.  Da mesma forma, não é o aumento generalizado dos preços, mas sim o contínuo aumento na quantidade de dinheiro na economia o que provoca os estragos na criação de riqueza da economia.

Aumentos na quantidade de dinheiro na economia possibilitam que as primeiras pessoas que recebem esse dinheiro recém-criado tenham seu poder de compra elevado.  Sem que tenham produzido absolutamente nada, elas agora podem adquirir mais bens, gerando uma concorrência desleal com os reais produtores de riqueza da economia, aquelas pessoas que realmente precisam produzir algo para poderem adquirir outro bem em troca. 

Note que aumentos na oferta monetária desencadeiam uma troca de nada por alguma coisa.  Tais aumentos retiram recursos dos reais geradores de riqueza e os desviam para os portadores do dinheiro recém-criado.  Essa distorção altera a alocação de recursos na economia, privilegiando os reais beneficiários da inflação da oferta monetária (os primeiros a receberem o dinheiro recém-criado) em detrimento dos reais geradores de riqueza.  É isso, e não o aumento dos preços, que gera a má alocação de recursos na economia.

As pessoas que primeiro recebem esse dinheiro recém-criado — um dinheiro que é criado do nada pelo Banco Central e pelo sistema bancário de reservas fracionárias — podem agora desviar para si próprias uma maior fatia de toda a riqueza que existe na economia.  Obviamente, aquelas pessoas que não recebem nenhuma parte desse dinheiro recém-criado, ou que recebem apenas uma parte e após muito tempo, irão descobrir que para elas sobrou apenas uma fatia mínima de toda a riqueza da economia.  Ou, falando mais claramente, os preços de todos os bens já aumentaram antes de esse dinheiro chegar até elas, o que significa que houve uma redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos.

A renda real dos indivíduos geradores de riqueza irá cair não por causa do aumento generalizado dos preços, mas sim por causa do aumento na oferta monetária.  Quando a quantidade de dinheiro é expandida — isto é, o dinheiro é criado "do nada" —, os portadores deste dinheiro recém-criado adquirem a capacidade de desviar para si próprios bens e serviços sem no entanto terem feito qualquer contribuição para a produção de bens.

O aumento generalizado nos preços é apenas a consequência de todo um processo destrutivo gerado pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.

Contrariamente ao senso comum, a preocupação do Banco Central em manter uma estabilidade de preços — ao, por exemplo, estabelecer um sistema de metas de inflação — pode gerar surpresas desagradáveis.  Por exemplo, caso haja um forte aumento na produtividade simultaneamente a uma forte expansão monetária, os preços poderão se manter estáveis.  Não obstante essa estabilidade, vários efeitos colaterais deletérios advirão dessa expansão monetária.  Exatamente por isso é que os economistas, bem como as autoridades monetárias, deveriam centrar-se nas fontes da inflação monetária — expansão do crédito —, e não nos sintomas da inflação.

Sobre isso, Rothbard escreveu,

O fato de que, nos EUA, os preços em geral se mantiveram relativamente estáveis durante a década de 1920 foi interpretado pela maioria dos economistas da época como uma evidência de que não havia nenhuma ameaça inflacionária.  Consequentemente, o evento da Grande Depressão surpreendeu-os por completo.

Conclusão

Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro na economia em decorrência do crédito criado pelo sistema bancário em conjunto com o Banco Central.  Aumento de preços é apenas a principal e mais visível consequência da inflação. 

Isso não se trata de uma mera pendenga semântica.  É algo muito mais sério do que isso. Se você não define exatamente qual é o problema, você não tem a menor chance de resolvê-lo corretamente.

Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema não tem nada a ver com a quantidade de dinheiro na economia, mas sim com coibir o comportamento "maldoso" de empresários, que insistem em elevar seus preços sem nenhum motivo, levados apenas pela ganância.  Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema pode perfeitamente ser o congelamento de preços ou a imposição de um teto para os preços de qualquer bem.

Saber a diferença entre inflação e aumento de preços é tão importante quanto compreender corretamente as causas de uma doença.  É a diferença entre saber o que causa todos os seus sintomas desta doença e o que deve ser feito para eliminar a fonte dos sintomas, versus tentar lidar diretamente com os sintomas.

Definir inflação como aumento de preços é o mesmo que pensar que 'doença' significa um aumento da temperatura do corpo apontada pelo termômetro, o que implicaria que a solução seria simplesmente colocar o termômetro na geladeira.

Entender corretamente o significado de inflação — isto é, um aumento na quantidade de moeda — permite entender que é plenamente possível haver inflação sem estar havendo aumento de preços e, consequentemente, saber todas as consequências em termos de investimentos insustentáveis que tal inflação pode causar. (Vide a recente bolha imobiliária americana, em que os preços dos imóveis subiam mas os preços gerais da economia estavam totalmente abaixo dos 2% ao ano, o que levou os monetaristas e os keynesianos a crerem que estava tudo perfeito e sob controle).

Portanto, é realmente fundamental saber a definição correta de inflação. Assim como o câncer pode existir sem apresentar nenhum sintoma aparente, a inflação também existe sem que esteja havendo aumento de preços — e ela estará insidiosamente fazendo uma redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos e gerando todo tipo de investimentos insustentáveis que mais tarde irão gerar uma recessão.

Quando o dinheiro é criado do nada e injetado na economia, ele adentra o sistema econômico por pontos muito específicos, de modo que as pessoas que primeiro o recebem se beneficiam às custas daquelas que o recebem por último.  Exatamente por isso, essa inflação monetária jamais afeta os preços de todos os bens na mesma intensidade ao mesmo tempo.  Tampouco o efeito é instantâneo. 

Como o dinheiro se move de um mercado para outro, de um setor da economia para outra, sempre há um atraso entre a injeção de dinheiro e a subida dos preços.  Quando o aumento da oferta monetária ocorre em períodos de aumento da produtividade, o aumento dos preços demora mais a ocorrer; quando o aumento da oferta monetária se dá em períodos de reduzida produtividade, o aumento de preços tende a ser mais rápido e perceptível.

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Sobre a não neutralidade da moeda 


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autor

Thorsten Polleit
é economista-chefe da empresa Degussa, especializada em metais preciosos, e co-fundador da firma de investimentos Polleit & Riechert Investment Management LLP.  Ele é professor honorário da Frankfurt School of Finance & Management.


  • Matheus S. de Paiva  14/01/2014 14:57
    Essa parece ser a mesma tese do Milton Friedman (da escola Monetarista), só que disfarçada. Ao invés de culpar diretamente o déficit do Governo ou o derramamento de dinheiro dos helicópteros do Banco Central, neste artigo o autor culpa a expansão do crédito bancário. Seja num ou noutro caso o problema essencial se refere à expansão da oferta monetária. Tobin, economista neoclássico, já mostrou que expansão da oferta monetária não gera o efeito riqueza, isto é, ninguém se vê mais rico do que antes da expansão. Isto acontece porque num ou noutro caso o que há, de fato, é apenas uma realocação dos ativos dos agentes. Os agentes agora possuem retêm mais moeda do que antes mas em compensação adquirem uma dívida maior. Esse excedente em moeda não tem um destino uno, qual seja, compor a Demanda Agregada e, consequentemente, tensionar os preços no curto prazo. Na verdade existem diversos fins (além do fim da Demanda Agregada) para este dinheiro, como por exemplo a especulação (aplicá-lo a uma taxa de juros maior do que a de captação) e a precaução (incertezas referentes ao futuro, como receio com a saúde, educação, segurança e etc). Destarte, muitas vezes parte do dinheiro tomado emprestado não vira Demanda Agregada. Aliás, se parte deste excedente em moeda agora vira Demanda Agregada poderá haver certa pressão sobre os preços no curto prazo mas também será um sinal para o empresário continuar/expandir sua produção, se houver fatores desempregados na economia. Em resumo eu diria que a escola Austríaca não está equivocada, mas incompleta. A expansão do crédito não é suficiente, embora tenha sua contribuição, para explicar a causa da inflação dos preços.
  • Leandro  14/01/2014 15:11
    "Essa parece ser a mesma tese do Milton Friedman (da escola Monetarista), só que disfarçada."

    Vejamos.

    "Ao invés de culpar diretamente o déficit do Governo ou o derramamento de dinheiro dos helicópteros do Banco Central, neste artigo o autor culpa a expansão do crédito bancário."

    Você aparentemente não entende como as coisas realmente funcionam.

    Se o governo incorre em um déficit orcamentário, ele tem de vender títulos para cobrir este déficit. Tais títulos são vendidos majoritariamente ao sistema bancário. E como os bancos compram estes títulos? Criando dinheiro do nada. Repito: os bancos criam dinheiro do nada para comprar estes títulos. Ato contínuo, o governo gasta este dinheiro. Logo, um déficit orçamentário do governo gera uma expansão da oferta monetária.

    Há também a possibilidade de os títulos do Tesouro serem comprados por pessoas físicas e jurídicas por meio do "Tesouro Direto". Nesse caso, não há a criação de dinheiro. Mas tal arranjo ocorre em um volume ainda muito pequeno no Brasil.

    "Tobin, economista neoclássico, já mostrou que expansão da oferta monetária não gera o efeito riqueza, isto é, ninguém se vê mais rico do que antes da expansão."

    Nonsense. Se eu vou ao banco e peço um empréstimo de R$50.000, ganhei poder de compra. Eu realmente não estou mais rico, mas sem dúvida estou agindo como se estivesse mais rico. Aliás, o mesmo efeito ocorre quando o sujeito faz compras no cartão de crédito ou utiliza o cheque especial. Se o sujeito não tivesse um cartão de crédito ou não tivesse acesso ao cheque especial, ele simplesmente não faria essas compras. Isso não seria um "efeito riqueza"?

    "Isto acontece porque num ou noutro caso o que há, de fato, é apenas uma realocação dos ativos dos agentes. Os agentes agora possuem retêm mais moeda do que antes mas em compensação adquirem uma dívida maior."

    Nonsense de novo. Pra começar, não houve "realocação dos ativos". Quando tomei um empréstimo no banco, ninguém deixou de gastar (ou seja, ninguém teve de poupar mais) para que eu pudesse utilizar esse dinheiro que o banco criou do nada.

    Mais ainda: quando peço um empréstimo, não existe este negócio de "reter moeda". Afinal, ninguém pede um empréstimo com o intuito de "guardar" este dinheiro. Seria imbecilidade. O sujeito vai se endividar, vai pagar juros, e vai ficar com o dinheiro guardado dentro da gaveta? Por que ele faria isso?

    "Esse excedente em moeda não tem um destino uno, qual seja, compor a Demanda Agregada e, consequentemente, tensionar os preços no curto prazo."

    De novo: se o sujeito pediu um empréstimo, ele irá necessariamente gastar este dinheiro em algum lugar. Ele não vai pedir um empréstimo e deixar o dinheiro parado na conta.

    "Na verdade existem diversos fins (além do fim da Demanda Agregada) para este dinheiro, como por exemplo a especulação (aplicá-lo a uma taxa de juros maior do que a de captação) e a precaução (incertezas referentes ao futuro, como receio com a saúde, educação, segurança e etc)."

    A primeira parte da frase é correta. O dinheiro será gasto em algum lugar. Pode ser especulação, pode ser consumo, pode ser investimento. Mas o fato é que o dinheiro que o sujeito pediu emprestado ao banco será gasto.

    Já a segunda parte insiste no mesmo erro. Não existe esse negócio de pedir empréstimo para se "precaver". Não faz sentido nenhum. Quem no Brasil irá pedir empréstimos a juros de 30% ao ano apenas para se precaver contra "eventualidades" como saúde, educação e segurança? Pode até ser que um ou outro maluco faça isso, mas definitivamente não é um comportamento padrão.

    "Destarte, muitas vezes parte do dinheiro tomado emprestado não vira Demanda Agregada."

    Nonsense de novo. Pela enésima vez, não há dinheiro tomado emprestado que não vire demanda agregada. Não faz sentido pedir dinheiro emprestado aos bancos, pagar juros e simplesmente não utilizar este dinheiro.

    "Aliás, se parte deste excedente em moeda agora vira Demanda Agregada poderá haver certa pressão sobre os preços no curto prazo mas também será um sinal para o empresário continuar/expandir sua produção, se houver fatores desempregados na economia."

    O que você chama de "excedente em moeda"? Isso é coisa de quem acha que o dinheiro entra na economia sendo diretamente despejado pelo Banco Central, por meio de algum helicóptero invisível. Mas não é assim que funciona na prática.

    No atual arranjo monetário e bancário, o Banco Central não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não expandirem o crédito, o dinheiro simplesmente não entra na economia. Não há outra maneira de o dinheiro entrar na economia que não seja pelo sistema bancário.

    Colocando de outra maneira, o dinheiro só entra na economia por meio da criação de dívida. Logo, neste cenário, não existe esse tal de "excedente de moeda" para um empréstimo concedido. Quem toma dinheiro emprestado, que se endivida, irá gastar esse dinheiro.

    "Em resumo eu diria que a escola Austríaca não está equivocada, mas incompleta."

    Já o seu raciocínio não apenas está incompleto, como também está totalmente equivocado. Você está raciocinando como um neoclássico.

    "A expansão do crédito não é suficiente, embora tenha sua contribuição, para explicar a causa da inflação dos preços."

    A única maneira de haver inflação de preços sem que esteja havendo expansão do crédito é se houver um forte choque na oferta, como por exemplo um desastre natural ou alguma calamidade gerada por uma guerra. Fora isso, inflação de preços sempre decorre da expansão do crédito.
  • Felipe  14/01/2014 16:35
    Só esse texto do Leandro já supera quatro anos de estudo em qualquer federal.
  • Jeferson Duda  14/01/2014 20:22
    Concordo, Felipe. Por isso, estou completamente "viciado" neste site! (Vida longa ao mises.org!)
  • Luiz Berenguel  03/03/2014 23:22
    Com certeza. Leandro é muito bom mesmo. Aprendi muito com as ideias dele. :)
  • MB  04/06/2017 20:25
    Choque de oferta global pois se for só um produto especifico mesmo assim não haverá inflação generalizada pois se um produto ficar escasso e seu preço subir os outros terão que abaixar visto serem abundantes e com isso correrem o risco de encalhar o estoque...

    Exemplo se a gasolina sozinha ficar escassa e os demais produtos continuarem com suas ofertas constantes estes terão seus preços diminuídos,agora se a cesta de consumo toda ficar escassa por causa de uma catástrofe aí todos os preços serão majorados mesmo não havendo uma superoferta de moeda.
  • Thiago Porto  14/01/2014 17:43
    Concordo, a corrente de entendimento Austríaca esta incompleta.
    Importante também observar que nossa expansão monetária decorreu não só como remédio anti-cíclico de escassez de crédito no pós crise de 2008 mas como forma de manter nossa moeda num padrão de Valorização que não inviabilizasse por todo nossas exportações.
    Cabe lembrar que primeiro foram os EUA que inundaram o mundo com Dólares e Títulos Públicos.
  • Doutrinador  14/01/2014 18:25
    "Importante também observar que nossa expansão monetária decorreu não só como remédio anti-cíclico de escassez de crédito no pós crise de 2008 mas como forma de manter nossa moeda num padrão de Valorização que não inviabilizasse por todo nossas exportações."

    Falou uma bobagem sem tamanho. No auge da crise financeira e da escassez do crédito, o dólar pulou de R$1,54 para R$2,40 em três meses. Ou seja, se a intenção era "manter nossa moeda num padrão de valorização que não inviabilizasse nossas exportações", então o serviço já estava feito automaticamente, sem nenhuma atuação do Banco Central.

    Por outro lado, ao longo de 2009, o crédito voltou a se expandir no Brasil, e a uma taxa muito acima da dos EUA. Essa expansão do crédito fez o PIB voltar a crescer. Consequentemente, o câmbio caiu de R$2,40 para R$1,70.

    Ou seja, as coisas ocorreram de maneira contrária à sua lógica. A expansão do crédito levou a uma valorização do real perante o dólar. O porquê desse fenômeno aparentemente ilógico foi explicado neste artigo.

    "Concordo, a corrente de entendimento Austríaca esta incompleta"

    O que dizer então do seu raciocínio? Ele nem sequer pode ser acusado de incompleto.
  • Thiago Porto  14/01/2014 18:36
    cara , não seja mal educado, se vc não concorda ok, exponha seus argumentos, não precisa ficar agredindo ninguém com palavras.

    Primeiro, tenha mais carinho e boa vontade na leitura do comentário alheio.

    Eu disse em meu comentário:

    "Manter nossa moeda num padrão de Valorização que não inviabilizasse as exportações"
    Ou seja, a intenção era que se desvalorizasse, exatamente o que aconteceu e o que você demostrou com seus dados.

    Política Monetária Simples, com os EUA inundando o Mundo ( e o Brasil ) de dólares a tendencia eram as moedas locais valorizarem-se, e aqui no Brasil "como você demonstrou"
    ocorreu o inverso.

    Veja que você preferiu discordar sem nem entender o que eu tinha escrito.
  • Gigolouco  20/03/2014 23:45
    Com o CMN controlando de perto o valor da taxa de câmbio para engordar o país com o advindo das exportações, fica difícil o dollar cair de preço, né.
  • Doutrinador  14/01/2014 18:46
    Prezado Thiago, não houve agressão nenhuma. Apenas disse, e comprovei, que você falou bobagem -- a qual, aliás, você agora quer corrigir.

    Você disse que a expansão do crédito foi feita no Brasil para impedir a valorização do dólar. Mostrei que a expansão do crédito no Brasil, ao contrário, gerou uma valorização do dólar.

    Você, ao afirmar agora que "a intenção era que se desvalorizasse, exatamente o que aconteceu e o que você demostrou com seus dados", comprova que nem sequer sabe o significado das palavras. O dólar se valorizou (bom para a indústria exportadora) quando não houve expansão do crédito e se desvalorizou (ruim para a indústria exportadora) quando a expansão do crédito aumentou.

    Ou seja, ocorreu exatamente o oposto do que você pregou em sua teoria.
  • Philipe  14/01/2014 15:03
    Muito bom! Artigo bastante pertinente nos dias atuais.
  • Andre B.  14/01/2014 15:28
    Melhor artigo, mais claro, mais didático que eu já li sobre inflação. Na verdade, a minha grande dúvida como leigo em economia era como surge essa tal de inflação. Talvez este seja o principal motivo pelo qual passei a ler o site: o fato de ter encontrado uma explicação sobre o que é e o que causa inflação. Parabéns ao site! O artigo será repassado aos amigos, com certeza!
  • Pepe Legal  14/01/2014 15:53
    desde "sempre" procuro pela definicao de inflacao (se é aumento nos precos ou na quantidade de moeda). Em todo lugar é definido ou subentendido como aumento de precos. Excecao wikipedia e esse artigo. Acredito no wikipedia, mas 99,9% do mundo fala o contrario, incluindo blogs e artigos de economistas.

    Qual a relacao entre inflacao monetaria e crescimento do PIB? Sempre leio frases detonando o primeiro como causa (parcial) do segundo, mas essas nunca entram em detalhes. Há como um pais crescer com a impressora de dinheiro desligada? Houve isso?
  • Eduardo  14/01/2014 16:22
    Ao meu entender, inflação teria outra definição: seria a diferença ou variação percentual (delta) entre a taxa de crescimento da oferta monetária e a taxa de crescimento da oferta global em um dado período de tempo. Isso significa que a inflação cresce tanto com o aumento da oferta monetária (criação de moeda) quanto com a diminuição da oferta global (choque de oferta) e que, caso essas duas taxas forem equivalentes, a inflação seria mantida constante e igual a zero.
  • Leandro  14/01/2014 16:37
    Eduardo, esse seu raciocínio contém armadilhas perigosas.

    Você está partindo da premissa Chicago-keynesiana de que a consequência da inflação monetária é apenas o aumento dos preços, quando o certo seria analisar como os preços seriam na ausência da inflação monetária.

    Se a oferta monetária fosse fixa, os preços tenderiam a cair -- e é essa queda em potencial que é completamente ignorada por todos os índices de preços divulgados. Assim, para termos a exata noção do efeito de uma expansão monetária sobre os preços, temos antes de considerar qual seria a queda potencial nos preços caso essa expansão monetária não houvesse ocorrido.

    E esse raciocínio tem de ficar claro. Em uma economia de mercado, todos os indivíduos trabalham de modo a produzir bens e serviços de maneira cada vez mais eficiente. Nesse cenário, em que a oferta de bens e serviços aumenta constantemente, se a oferta monetária fosse fixa, o preço de cada bem e serviço inevitavelmente cairia com o passar do tempo. Qualquer comportamento diferente desse seria incompreensível.

    Assim, se você considera a inflação apenas aumento de preços, então a estatística que você utiliza está necessária e sistematicamente ignorando a queda natural de preços que também é parte da inflação.

    Para ficar mais claro: suponhamos que, em uma economia qualquer, na qual a oferta monetária fosse fixa, os preços no mercado caíssem naturalmente 5% ao ano. Agora, suponha que um banco central seja criado e que, já no ano seguinte, ocorresse um aumento de 5% nos preços em relação ao ano anterior. Nesse cenário, os economistas diriam que a inflação foi de meros 5%. Mas isso estaria errado. A inflação não foi de meros 5%. Para sabermos a real inflação ocorrida, temos de comparar esse novo nível de preços com o nível que ocorreria caso não houvesse ocorrido uma expansão monetária --- isto é, caso o banco central não tivesse sido criado.

    Assim, tomemos como base o ano anterior à expansão monetária. O nível de preços seria 100 (apenas para facilitar os cálculos). No ano seguinte, caso tudo continuasse como antes -- isto é, com oferta monetária fixa -- haveria uma queda de 5% nos preços. Logo, o nível de preços seria de 95. Porém, como houve uma expansão monetária e os preços subiram 5%, o nível dos preços foi de 105.

    Qual a inflação real do período? Ora, se o nível de preços era para ser de 95, mas foi de 105, então a inflação real do período foi de 105/95 = 10,5%. Ou seja, nesse exemplo simples, a estatística oficial, ao declarar inflação de apenas 5%, declarou menos da metade da real inflação de preços ocorrida na economia.

    Portanto, sempre que você vir um IPCA indicando 6,5%, pense em como ele seria caso não houvesse ocorrido expansão na quantidade de dinheiro na economia. Se a economia houver produzido 5% a mais de bens e serviços, então o IPCA teria de ser de, por exemplo, -5%. A diferença entre -5% e 6,5% (106,5/95 = 12,1%) foi a real inflação de preços ocorrida.

    Traduzindo, jamais se deve ignorar os efeitos insidiosos da inflação. Analisar apenas índices de preços é algo um tanto afastado da realidade. Caso tenha ocorrido expansão monetária, mesmo que uma economia apresente 0% em algum índice de inflação, ainda assim houve inflação de preços -- haveria deflação na ausência dessa expansão.

    Grande abraço!
  • Eduardo  14/01/2014 17:08
    Leandro, não foi esse o meu raciocínio. Concordo plenamente com o que você dissera, apenas que se o aumento da oferta monetária é acompanhada pelo aumento da oferta de bens e serviços, a inflação não será percebida, e sim quando houver uma diminuição da oferta de bens e serviços, ou quando houver expansão monetária sem aumento da oferta de bens e serviços. Tem que ser consideradas essas duas taxas, e não só a de oferta monetária, para se calcular a inflação.
  • Leandro  14/01/2014 17:12
    Eduardo, o ponto continua válido. Meu objetivo foi explicar que, mesmo a taxa de inflação de preços sendo de 0%, ainda assim está havendo inflação de preços neste seu arranjo. A inflação de preços seria negativa sem o aumento da oferta monetária.
  • Eduardo  14/01/2014 17:48
    Sim, concordo, mas somente no caso de aumento da oferta de bens e serviços. Mas a inflação de preços pode ser positiva mesmo com a oferta monetária constante, bastando para isso acontecer um "choque de oferta" (diminuição da oferta de bens e serviços), como fora o choque do petróleo na década de 1970, ou como fora a "inflação do tomate" em abril do ano passado (2013).
  • Marcus  14/01/2014 18:14
    Nem assim.

    Não é possível haver aumento generalizado de preços com oferta monetária constante. Não no longo prazo. Alguém sempre terá de ceder. Por exemplo, se um terremoto faz com que os preços dos alimentos, dos transportes e dos materiais de construção aumentem, os preços de outros bens e serviços, como lazer, boates, roupas elegantes, DVDs, livros, bonés, óculos escuros, TV a cabo, jantares em restaurantes chiques, teatro etc. terão de cair. Caso contrário, simplesmente não venderão nada.

    Se não há aumento da quantidade de dinheiro na economia, como os preços podem subir generalizadamente? Aumentos de preços em um setor levariam à diminuição do consumo e dos gastos em outros setores. Logo, os aumentos em um setor seriam compensados pela diminuição em outros setores.

    Se a oferta de dinheiro não aumentar, não poderá haver aumentos generalizados de preços. Aqueles produtos cujos preços aumentarem, sofrerão diminuição da procura.

    Se houver um aumento generalizado de preços e salários em uma economia com oferta monetária constante, o que ocorrerá será uma diminuição do volume de gastos (a mesma quantidade de dinheiro agora está perseguindo mão-de-obra e bens mais caros). Ato contínuo, haverá um aumento do desemprego, o qual só será corrigido se houver uma redução de preços e salários.

    Aumentos de custos não são repassados para os preços se não houver um aumento na quantidade de dinheiro na economia. O caso do choque de petróleo ocorreu em uma época em que a oferta monetária estava em forte ascensão. Procure os agregados monetários dos EUA, da Europa e da América Latina naquela época.
  • Marconi  14/01/2014 17:14
    Deflação é terrível para a economia
  • Leandro  14/01/2014 17:29
    Deflação monetária -- isto é, redução da quantidade de dinheiro na economia -- de fato pode ser ruim caso não seja antecipada.

    Já uma deflação de preços oriunda de um aumento da produtividade é excelente, como bem mostra o setor tecnológico
  • Felipe  14/01/2014 17:40
    Eu sempre pensei, por lógica, que deflação elevaria o poder de compra da moeda. Claro, sem deflação gritante, que atrapalhe investimentos. Não vejo nenhuma implicação lógica para que uma leve deflação seja terrível.
  • Eduardo  04/03/2014 02:16
    Leandro, hoje felizmente consegui entender que inflação é pura e simplesmente aumento da oferta monetária em uma dada economia, e mais nada além disso. O que não estava conseguindo enxergar era o aumento "invisível" dos preços quando no aumento da oferta de bens e serviços, mascarado por uma "inflação zero" (de preços, obviamente). Muito obrigado pela insistência! Não é tão fácil ter essa percepção.
    Abraços
  • Eduardo  14/01/2014 18:30
    O mal do keynesianismo é achar que o correto é estimular a economia pelo lado da demanda. Isso porque a curva de demanda cresce a uma taxa maior que a curva de oferta, dado o mesmo estímulo monetário, justamente porque é mais fácil usar o dinheiro como despesa a usá-lo como um investimento realmente produtivo (até porque investimento improdutivo ou mau investimento é o mesmo que despesa). Dá mais trabalho aumentar a oferta. O seu crescimento é mais lento. Mas esse é o lado real da economia, e é o que realmente indica a saúde econômica de um país.
  • Tiago Moraes  15/01/2014 13:38
    Há uma explicação muito mais simples para o seu dilema. Basta entendermos que as decisões sobre consumo são tomadas tacitamente, ao passo que os investimentos são baseados em expectativas de longo-prazo que orientam planejamentos cuja execução e maturação consomem tempo, muito tempo... quanto mais alta for a ordem da produção, pois isso implica em uma demanda por capitais mais intensivos na cadeia de produtiva.
  • Robson  14/01/2014 18:31
    Contextualizando com a nossa realidade encontro alguns pontos exposto pelo autor que mão se aplicam ao nosso país.

    Imagine o CMN (Conselho Monetário Nacional, órgão normativo do nosso Sistema Financeiro Nacional) causando DEFLAÇÃO, isso traria implicações agravantes as instituições monetárias (bancos) e aí deixo uma questão que não consigo - num primeiro momento - elucidar:

    - Como diminuir o crédito (no nosso país) e manter a ECONOMIA aquecida, ou melhor, estável?
  • Leandro  14/01/2014 18:52
    "Contextualizando com a nossa realidade encontro alguns pontos exposto pelo autor que mão se aplicam ao nosso país."

    Vejamos.

    "Imagine o CMN (Conselho Monetário Nacional, órgão normativo do nosso Sistema Financeiro Nacional) causando DEFLAÇÃO, isso traria implicações agravantes as instituições monetárias (bancos)"

    Isso não é exclusividade do Brasil. Nenhum Banco Central do mundo tenta acintosamente causar deflação (nem monetária e nem de preços). Todos os Bancos Centrais estão aí para inflacionar a moeda, proteger e cartelizar o sistema bancário, e coordenar uma contínua expansão do crédito.

    Ou seja, é assim em todo o mundo, e não apenas no Brasil.

    "e aí deixo uma questão que não consigo - num primeiro momento - elucidar: Como diminuir o crédito (no nosso país) e manter a ECONOMIA aquecida, ou melhor, estável?"

    Impossível. Esse é o cerne da teoria dos ciclos econômicos. Uma redução na taxa de crescimento do crédito sempre irá gerar, no primeiro momento, redução do crescimento econômico (no entanto, será benéfico no longo prazo). Isso foi explicado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767
  • Augusto  14/01/2014 19:23
    Vocês são os caras! Estou aprendendo muito, obrigado.
  • Jeferson Duda  15/01/2014 00:09
    Assino embaixo, Augusto. Eu, particularmente, se não aprendo mais, é só por que minha burrice não deixa. Mas tentar domá-la no mises.org tem sido meu esporte predileto. Ao menos meus preconceitos esquerdistas e estatistas cultivados ao longo de uma vida inteira aqui se esboroam a cada leitura. Parabéns por libertarem mentes! E obrigado por me ajudarem a libertar a minha!
  • Eduardo  15/01/2014 15:55
    Eu pensei em fazer faculdade de economia.

    Mas não precisa, depois de formado teria que aprender tudo de novo aqui no Mises, então venho direto pra cá. São duas aulas por dia: a do artigo, e a dos comentários do pessoal.
  • Jeferson Duda  15/01/2014 17:17
    Endosso.
  • Andre Cavalcante  15/01/2014 20:12
    Cara, quer fazer faculdade, faz uma engenharia (qualquer uma dessas aí (pejorativamente) mesmo, só pra abrir a cabeça), ou direito (que, de quebra te prepara para esses famigerados concursos públicos) e depois vem aprender economia aqui no mises.org.br. Não falo em medicina porque dá muito trabalho...

    Abraços
  • Gredson  14/01/2014 19:36
    Sempre que eu assisto o jornal da globo, e eles convidam um economista para ir falar sobre a inflação. porque esse cara não diz que é culpa do banco central? ele sempre da uma desculpa. será que ele não sabe? ou será que é mal caráter?
  • Eduardo Pimenta  15/01/2014 00:52
    Acho que ele não sabe ou então sabe, mas considera tal explicação como sendo retrógrada.
    A maioria dos economistas tendem a ir com o que se especializaram nos seus anos de estudos ou com aquilo que anda mais na moda. :)
  • Jeferson Duda  14/01/2014 20:04
    "Quando o dinheiro é criado do nada e injetado na economia, ele adentra o sistema econômico por pontos muito específicos, de modo que as pessoas que primeiro o recebem se beneficiam às custas daquelas que o recebem por último. Exatamente por isso, essa inflação monetária jamais afeta os preços de todos os bens na mesma intensidade ao mesmo tempo. Tampouco o efeito é instantâneo."

    Não sei se seria adequada a comparação, mas essa inflação monetária me lembra aqueles esquemas de "pirâmide", em que os primeiros a entrar, ou os que estão no "topo", enriquecem às custas dos que entram depois.
  • Rennan Alves da Costa  14/01/2014 21:16
    Pensei justamente nessa comparação. Alguém que esteja mais inteirado no assunto poderia comentar sobre isso?
  • Magno  14/01/2014 22:33
    Correto. Sugiro a leitura dos dois artigos linkados ao final deste artigo.
  • IRCR  15/01/2014 01:08
    Leandro,

    A inflação do bitcoin que já é conhecida e pré determinada, já poderia ser considerada danosa ? (se fosse usada como moeda global). Até mesmo pq não há reserva fracionária de bitcoins e muito menos alguem pode sair imprimindo-os além daquilo já pré programado.
    Na propria revista Mises tem um artigo falando de oferta monetária, que até questiona um regime monetário super rigido (100% inelástico), como tb questiona o atual modelo 100% elástico.
    Ou se hj as moedas fossem 100% lastreadas em ouro com 100% de caixa, com uma oferta monetária aumentando de 1% a 5% aa de acordo com a escavação de ouro, essa inflação tb já seria considerada danosa ?
  • Leandro  15/01/2014 13:05
    Sobre o ouro, há argumentos que dizem que não.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=838

    Sobre o Bitcoin, esperemos nosso especialista, Fernando Ulrich, dar o ar de sua graça.

    Abraço!
  • Lg  15/01/2014 13:30
    Acredito que exista uma inflação "justa" e outra "injusta";
    Inflação justa seria um garimpeiro que com o seu trabalho encontra uma pepita de ouro... ocorre uma inflação no mercado de ouro, mas foram gastos recursos e alguém teve que trabalhar por aquela pedrinha de ouro encontrada. Essa inflação afeta a economia (o ouro está um pouquinho mais abundante e perde um pouco do seu valor) mas ela é "previsível" e positiva, no fim foi criado riqueza (mais ouro).
    A inflação injusta seria a Dilma ligando uma impressora e dando papel sem valor pro Eike Batista... esse papel será trocado por casas e barcos. Nesse caso NÃO FOI CRIADO RIQUEZA, a Dilma e o Eike não criaram um BEM (como o ouro) para trocar por esse barco e essa casa, eles apenas imprimiram papel e passaram uma lei forçando as pessoas a aceitarem esse papel sob pena de prisão.

    Existe uma diferença muito grande, em um caso a pessoa trabalhou e encontrou ouro... são ações positivas que geram resultados positivos. No segundo caso não foi criado nada, é tudo baseado em papel, porrete, e mentiras... são ações negativas que transferem riqueza de um trabalhador para um vagabundo.

    Nesse caso, a inflação do Bitcoin se enquadra no primeiro cenário... é uma inflação previsível (no sentido de "todos sabem que vai acontecer") para todos os atores do mercado e justa pois todos tem a mesma condição de ir la e "minerar" o próximo BTC. Não é controlado por um grupo que pode simplesmente criar BTC quando der vontade.

    Eu tenho certeza que existem explicações mais técnicas, mass ai é com o pessoal do mises.
  • Fernando Ulrich  16/01/2014 12:11
    Caro IRCR,

    A melhor definição de inflação, para entendermos se o aumento da oferta de bitcoin é bom ou ruim é a do Guido Hülsmann em The Ethics of Money Production:

    "Inflation is an extension of the nominal quantity of any
    medium of exchange beyond the quantity that would have
    been produced on the free market. Since the expression "free
    market" is shorthand for the somewhat long-winded "social
    cooperation conditioned by the respect of private property
    rights," the meaning of inflation is that it extends the nominal
    money supply through a violation of property rights. In this
    sense, inflation can also be called a forcible way of increasing
    the money supply, as distinct from the "natural" production of
    money through mining and minting."

    Portanto, o aumento da oferta de bitcoins não é inflação, nessa definição, e não seria algo prejudicial a economia. Ou melhor, não constitui uma violação dos direitos de propriedade de nenhum indivíduo.
  • Lineker  15/01/2014 12:42
    Bom dia a todos. Venho tentando entender economia há pouco tempo e muitas coisas ainda não entram na minha cabeça. E este trecho é um deles:

    "O preço de um bem é a quantidade de dinheiro pedida em troca dele. Assim, para uma dada quantidade de bens, quanto mais dinheiro houver na economia, maior será a quantidade de dinheiro gasta por bem, tudo o mais constante. Isso significa que, para uma dada quantidade de bens, um aumento na quantidade de dinheiro, tudo o mais constante, deve inevitavelmente fazer com que haja mais gastos monetários por unidade de cada bem — ou seja, um aumento generalizado nos preços dos bens."

    Pois, no meu entendimento, se você tem uma saída maior do bem ele não tende a baratear ? Talvez esse "gastos monetários" explica tudo e eu não entendi. Peço por gentileza uma explicação =)
  • Thomas  15/01/2014 12:54
    Imagine uma economia extremamente simples em que haja 10 bananas e $10. Logo, cada banana custará $1.

    Agora, suponha que a quantidade de dinheiro foi duplicada, e que a oferta de bananas aumentou apenas 50%. Ou seja, agora há 15 bananas e $20.

    Logo, o preço de cada banana será de R$1,34 por banana.

    É só isso que o trecho quis dizer.
  • Lineker  15/01/2014 13:08
    Certo. Mas esse aumento no preço da banana se encaixa no "abuso do empresário", como o artigo citou ?
    E obrigado pela resposta, Thomas. Simples e didática.
  • Pedro  17/01/2014 00:11
    Se o preço não aumentar, as bananas vão acabar rapidamente. Ou o preço aumenta, ou o estoque é destruído. Não há alternativa.
  • Thomas  15/01/2014 13:14
    De modo algum. O aumento da quantidade de dinheiro gera um aumento da demanda. Se antes havia $10 perseguindo 10 bananas, agora são $20 perseguindo 15 bananas, exatamente como explica o trecho que você selecionou. Os novos preços são apenas uma tradução matemática desta nova realidade da oferta e da demanda.
  • Pobre Paulista  17/01/2014 01:38
    O X da questão é que o dinheiro não surge expontaneamente, do nada, como se um helicóptero o jogasse uniformemente à todos. O dinheiro surge na mão de alguém e esse alguém terá um poder de ter para si mais bananas do que as pessoas que não tiveram esse dinheiro novo. Assim não só o preço da banana sobe, por conta de um aumento artificial na sua demanda, como o poder de compra de quem tinha o dinheiro cai, por conta da inflação da base monetária. É esse o processo de empobrecimento que o estado dispara quando emite moeda.
  • IRCR  16/01/2014 23:37
    Acredito que uma inflação do tipo Bitcoin, escavação de ouro ou quiçá a uma oferta fixa de um BC (como alguns monetaristas eram até então a favor), sendo em todos os casos com 100% de caixa, seria o modelo melhor de todos, melhor que as impressoras freneticas dos atuais BCs e melhor que em um modelo com oferta monetaria ultra rigida.
  • Emerson Luis, um Psicologo  17/01/2014 00:52

    Quando o Sarney era presidente, o governo instava à população que contivesse os seus gastos familiares e pessoais para ajudar a conter a inflação. Faziam as pessoas se sentirem culpadas por gastar dinheiro e assim estimular o aumento de preços. É estarrecedor ler esse artigo e lembrar disso.

    * * *
  • IRCR  18/01/2014 11:03
    Leandro,

    Caso a quantidade de Real fosse fixa desde o plano real, como que seria a taxa de cambio para dolar hoje em dia ?
    Poderiamos ter uma taxa de cambio de 1 real para 10 dolares por exemplo ?
    Muitos diriam que isso quebraria com as exportações, mas temos que levar em consideração que os custos de produção despencariam nesse periodo
  • Leandro  18/01/2014 15:16
    "Caso a quantidade de Real fosse fixa desde o plano real, como que seria a taxa de cambio para dolar hoje em dia ?"

    Impossível saber, pois não tenho ideia de qual seria o governo e nem muito menos qual seria a confiança por ele transmitida.

    "Poderiamos ter uma taxa de cambio de 1 real para 10 dolares por exemplo ?"

    Seria possível, mas pouco provável quando se leva em conta nosso histórico de governos populistas.

    "Muitos diriam que isso quebraria com as exportações, mas temos que levar em consideração que os custos de produção despencariam nesse periodo"

    Correto. E não apenas os custos, mas também a carga tributária e a burocracia -- coisas que não se sustentam em níveis altos sem que haja uma contínua expansão da oferta monetária -- teriam de ser bem menor.
  • Thiago Porto  18/01/2014 17:45
    Misericórdia, se Mises estivesse vivo pra ler isso teria forte Forte Cefaléia agora.
    Se o Cambio fosse Fixo a resposta é bem obvia né?
    Ou então ele não é fixo ou você não entende de cambio.
    Se o Governo tivesse optado por manter o cambio na paridade 1 para 1 ( Dolar x Real), assim estaria determinada sua cotação.
    A resposta que você deveria ter dado ao rapaz é, qual o custo de manter essa paridade.


    Sério, to assustado com o nível de algumas bobagens que tenho lido.
    Fora, o fanatismo.
    Defender teorias dessa forma é tão irracional quanto brigar por causa de Time de Futebol ou Religião.
    Parece apenas que vocês optaram por uma modalidade diferente de "disputa".
  • Leandro  18/01/2014 18:26
    "Misericórdia, se Mises estivesse vivo pra ler isso teria forte Forte Cefaléia agora."

    Por quê? A proposta de Mises para uma reforma monetária envolvia a proibição total de emissão de meios fiduciários (isto é, a proibição da criação de dinheiro sem o equivalente lastro em metais). Basta você ler "The Theory of Money and Credit."

    Ou seja, você pode perfeitamente discordar da proposta de Mises, mas dizer que ele teria enxaqueca ao ver alguém defendendo sua teoria é no mínimo incoerente.

    "Se o Cambio fosse Fixo a resposta é bem obvia né? Ou então ele não é fixo ou você não entende de cambio. Se o Governo tivesse optado por manter o cambio na paridade 1 para 1 ( Dolar x Real), assim estaria determinada sua cotação."

    Em nenhum momento foi mencionado câmbio fixo aqui. Se você acha que "oferta monetária fixa" é o mesmo que "câmbio fixo", então seu conhecimento econômico é seriamente deficiente, para ser bem educado.

    "A resposta que você deveria ter dado ao rapaz é, qual o custo de manter essa paridade."

    Qual paridade? De novo, em nenhum momento falamos de câmbio fixo aqui.

    "Sério, to assustado com o nível de algumas bobagens que tenho lido."

    Isso é porque você nem imagina o que senti ao ler este seu comentário.

    "Fora, o fanatismo. Defender teorias dessa forma é tão irracional quanto brigar por causa de Time de Futebol ou Religião."

    Qual teoria que foi defendida? Qual foi a irracionalidade? Você mostrou que nem sequer sabe do que está falando.

    "Parece apenas que vocês optaram por uma modalidade diferente de "disputa"."

    A mim me parece que você simplesmente optou por atacar sem possuir o mínimo conhecimento do que fala.
  • IRCR  18/01/2014 19:28
    Leandro,

    O rapaz ali bebeu um pouco. hehe


    Na Suiça de 2003 a 2009 o M1 e M2 ficaram quase estáticos ou mesmo em leve queda, e nem por isso o país estava quebrando (como poderiam dizer alguns).
    Apenas de 2009 para cá que eles dobraram os agregados, muito provavelmente para conter uma possivel supervalorização do Franco. E curiosamente de 2003 a 2009 teve uma média de 1% de inflação de preços e de 2009 a 2013 um deflação de 0,1% nos preços.

    www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m1.png?s=switzerlanmonsupm1&d1=20000101&d2=20141231
    www.tradingeconomics.com/charts/switzerland-money-supply-m2.png?s=switzerlanmonsupm2&d1=20000101&d2=20141231

    Muitos dizem que há diversas bolhas imobiliarias pelo mundo, e uma delas na Suiça, pq desde da crise os preços subiram 20% lá (oq me parece até muito pouco pq no Brasil subiram 200%-300% desde a crise). Assim, esses indices de inflação possuem pontos cegos, pq não pegam a valorização de ativos, e muito dessa valorização na Suiça pode ser explicado talvez pela forte expansão dos agregados.
  • Leandro  18/01/2014 20:00
    O Banco Mundial passou a divulgar duas ótimas séries estatísticas. Uma mostra a evolução dos preços de vários tipos de imóveis nos principais países do mundo. A outra mostra a evolução do crédito concedido ao setor privado.

    Nenhum desses dois indicadores aponta bolha para a Suíça.
  • IRCR  18/01/2014 21:52
    Leandro,

    Muito bom mesmo essas series.
    Nessa de crédito consta tb ao setor público ? pq ai mostra 3,5 trilhões enquanto no tradingeconomics mostra 2,5 trilhões.
    Tambem não acho que haja bolha na Suiça até pq mesmo que o imoveis lá sejam bastante caros (800 mil dolares) por um AP de 80m², mas eles são um dos povos mais ricos do mundo, ganham em média 6k francos por mês, fazendo que o preço do imovel pela renda fique muito baixo. Bem diferente de Brasil e China que os preços estão muito descolados da renda média nacional.
  • Leandro  18/01/2014 22:13
    Não. É só o crédito concedido ao setor privado, inclusive crédito concedido pelo setor bancário externo, coisa que o Trading Economics não mostra, pois este mostra apenas o crédito concedido pelo setor bancário nacional. Daí essa diferença.
  • IRCR  19/01/2014 07:48
    Leandro,

    Pois é, ainda estou a procura de um que mostre o setor privado + publico. Entretanto, oq seria exatamente esse setor bancário externo ? oq bancos de fora emprestam aq ?


  • Leandro  19/01/2014 16:17
    Bancos estrangeiros, situados em outros países, fazendo empréstimos para empresas nacionais. É como se o Bank of America fizesse um empréstimo para a Vale.
  • Henrique  14/05/2014 13:32
    Tenho uma inferência lógica que gostaria de confirmá-la como correta:

    A inflação da economia gera aumento nos preços se, e somente se não houver um aumento equivalente na produção de bens e serviços.

    ---

    Sobre as moedas virtuais, como a BitCoin e demais, como estudante de engenharia da computação, sei que existe um limite físico para a geração dessas moedas que, no longo prazo, tendem a um valor finito, uma vez que se torna cada vez mais difícil "minerar" tais moedas, mesmo utilizando todo o poder computacional da Terra.

    Quais seriam as implicações de uma economia mundial cuja base monetária (aí já não sei dizer se estou falando de M0, M1, M2... são conceitos novos pra mim) é fixa? Isso acabaria com a inflação? Acabaria com as hiperinflações?

    Um colega metido a keynesiano diz que caso o mundo passe a adotar somente esse tipo de moeda, a economia passaria a ser um jogo de soma zero, pois, uma vez que a quantidade de dinheiro é constante, não há como gerar mais riqueza. Lendo este e mais alguns artigos, consegui compreender que na verdade isso é uma falácia das grandes =].
  • Henrique  14/05/2014 13:33
    Outra pergunta: o que é exatamente um Currency Board? E de que maneira ele é diferente de um Banco Central?
  • Mauro  14/05/2014 14:18
    Explicado em detalhes excruciantes aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562
  • maycon rogers ribeiro alves  20/01/2015 23:42
    Acabei de jogar fora tudo que eu imaginava sobre inflação, excelente artigo. Estou realmente aprendendo muito em cada artigo que leio, desmontando vários "mitos" que eu achava que era verdade.
  • Gabriel  23/12/2015 01:52
    Leandro, mas quando de fato a expansão monetária vai aumentar os custos?
    Por exemplo: Digamos que eu seja dono de uma loja de doces e amanha chega alguém com um caminhão de dinheiro[recém criado do nada] e compra todos os doces da loja. No manhã seguinte eu recupero todo o estoque e pelo tarde a mesma pessoa volta à loja com outro caminhão de dinheiro e compra todo os doces de novo. Ao menos que meus custos aumentem eu não tenho por que aumentar os preços e isso acontecerá infinitamente. Então quando é que a expansão chega nos custos? Existe um artigo explicando isso? Abraços.
  • Leandro  23/12/2015 02:43
    "Digamos que eu seja dono de uma loja de doces e amanha chega alguém com um caminhão de dinheiro[recém criado do nada] e compra todos os doces da loja."

    Neste exato momento (ou melhor, no dia seguinte) seus preços terão de subir. Caso contrário, tão logo passe o caminhão no dia seguinte pela manhã e compre tudo, você ficará sem estoques para os outros clientes. Vendo que houve um estrondoso aumento da demanda, e dado que a oferta permaneceu inalterada, os preços terão de subir para evitar o esgotamento do estoque.

    Pergunte a qualquer lojista ou dono de mercearia se não é assim que eles agem.

    E olhe que aqui estou desconsiderando todo o tempo de reposição de estoques, algo que certamente não acontece de um dia para o outro, como você parece acreditar.

    "Na manhã seguinte eu recupero todo o estoque"

    Não é assim no mundo real. Reposição de estoque é um processo longo e demorado. Envolve pedido de ordem, manufatura, acerto do frete, transporte e entrega. Certamente não é algo feito da noite para o dia.

    E, enquanto tudo isso ocorre, você está sem estoque, perdendo cliente para a concorrência. Você não pode se dar a esse luxo.

    "e pela tarde a mesma pessoa volta à loja com outro caminhão de dinheiro e compra todo os doces de novo."

    No mundo real, você nem sequer terá estoque para oferecer. Esse caminhão irá para o seu concorrente.

    No entanto, pelo bem do debate, ainda que você houvesse reposto os estoques, tão logo o caminhão chegasse com a mesma voracidade do dia anterior, disposto a acabar com seus estoques (os quais você não tem), você irá cobrar dele um preço maior. A não ser que você não entenda nada de comércio.

    "Ao menos que meus custos aumentem"

    E eles aumentarão. Você passou a fazer encomendas diárias e fretes diários. Tanto a indústria quanto a transportadora estão vivenciando um súbito aumento na demanda, sendo que não aumentaram a oferta (a transportadora não comprou mais caminhões e a indústria não adquiriu mais maquinário).

    Para dar conta de seus novos pedidos, os preços irão subir. Mais uma vez, questão de oferta e demanda.

    "eu não tenho por que aumentar os preços e isso acontecerá infinitamente."

    Percebeu o problema de se ignorar o fator 'tempo' e toda a estrutura do capital em uma análise econômica, por mais simples que ela seja?

    Abraços!
  • Gabriel  23/12/2015 05:17
    Entendi em partes, Leandro. Mas me refletir melhor. Grato pelos esclarecimentos.
  • Jeferson  23/12/2015 19:51
    Aula... Encantado!
  • Gabriel  23/12/2015 22:36
    Só pra não passar batido; faltou um "resta" antes do refletir. hehehe
  • Welington Leal  27/01/2016 03:32
    Inflação é oferta e demanda.

    Aumento de demanda é mais dinheiro na economia.

    A oferta é controlada pela quantidade de produto no mercado.

    O custo do produto envolve toda a cadeia de despesa para cria-lo. Isso não muda.Envolve vários fatores e há varias formas de se medir.

    Quanto para explicar pq o excesso de dinheiro na economia gera inflação.

    Vamos a uma parábola.

    Imagine uma cidade de difícil acesso, onde todo mundo tem uma carroça e sonham com o unico caminhão dela, a venda na unica concessionaria da cidade.

    Ele custa 100.000 dinheiros.

    Três sortudos da cidade acordam com 300.000 dinheiros em casa.

    Chega o primeiro na concessionaria com 100.000 e logo vai comprar o caminhão. Nos tramites com o dono da concessionaria, chega o segundo e atravessa o negocio oferencendo 200.000 pelo caminhão. Logo chega o terceiro e para não perder o caminhão desejado, oferece logo todos os 300.000 para não ficar sem o caminhão.

    Quando valia o caminhão? 100, 200 ou 300?

    Na realidade, valia o quanto cada um tinha para ofertar, pois a demanda só dava conta de UM dono do caminhão.

    Sem produto, papel moeda, só é papel.
  • William Szalai  09/12/2016 15:43
    Depois da inflação ter feito seu estrago, como seria a solução para haver uma deflação, como tirar o dinheiro de circulação, se é que essa seria a solução ?
  • Ludovico  09/12/2016 16:19
    Esta não é a solução. A solução é simplesmente parar de inflacionar.

    Provocar uma deflação com o intuito de anular os efeitos de uma inflação equivale a dar marcha-à-ré sobre um atropelado para tentar desfazer os efeitos do atropelamento.


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