O estado gera as desigualdades sociais que ele próprio alega ser o único capaz de resolver

O atual sistema monetário é baseado em um monopólio estatal de uma moeda puramente fiduciária.  O dinheiro é criado monopolisticamente pelo Banco Central e é em seguida entregue ao sistema bancário.  O sistema bancário, por sua vez, por meio da prática das reservas fracionárias, se encarrega de multiplicar este dinheiro (eletronicamente) por meio da expansão do crédito.  Falando mais diretamente, o dinheiro criado pelo Banco Central é multiplicado pelo sistema bancário e entra na economia por meio do endividamento de pessoas e empresas.

Ao analisarmos os negativos efeitos sociais e políticos deste arranjo, a seguinte pergunta tem de ser feita: onde estão as manifestações dos defensores e apologistas da justiça social contra este arranjo fiduciário que destrói o poder de compra dos poupadores e aumenta as desigualdades?  Por que não ouvimos clamores de políticos e sociólogos — que juram ter em mente o bem-estar geral da população — contra o crédito fácil?

Presumivelmente, a resposta é que todos eles possuem apenas um conhecimento rudimentar sobre a função do dinheiro em uma economia baseada na divisão do trabalho; e, por esse motivo, as consequências de um sistema monetário baseado em uma moeda fiduciária são por eles amplamente desconsideradas.

O atual sistema monetário, formado por um sistema bancário que pratica reservas fracionárias e por bancos centrais que protegem e dão sustentação a este sistema, está em franco contraste a um regime monetário de uma economia genuinamente de mercado, na qual os participantes do mercado poderiam decidir por conta própria, sem a pressão e a coerção do estado, qual dinheiro eles gostariam de utilizar, e na qual não seria possível a ninguém criar dinheiro a seu bel-prazer.

Essa expansão da oferta monetária feita pelos bancos centrais e pelo sistema bancário de reservas fracionárias é o que realmente gera a inflação de preços e, por conseguinte, um declínio na renda das pessoas em termos reais.  Em seu livro The Theory of Money and Credit, Ludwig von Mises escreveu:

A mais importante causa de uma diminuição no valor do dinheiro é um aumento na quantidade deste dinheiro sem um simultâneo e igual aumento na demanda por ele. ... Esta menor valoração subjetiva do dinheiro é então transmitida de pessoa a pessoa, pois aqueles que passam a ganhar uma quantidade adicional de dinheiro se tornam propensos a consentir em pagar preços mais altos do que antes.

Quando os preços aumentam em decorrência de uma expansão da oferta monetária, os preços dos vários bens e serviços não aumentam com a mesma intensidade, e também não aumentam ao mesmo tempo.  Mises explica os efeitos:

A quantia adicional de dinheiro que entra na economia não vai parar diretamente nos bolsos de todos os indivíduos; e dentre os beneficiados que recebem primeiramente essa nova quantia, nem todos recebem a mesma quantia e nem todos reagem da mesma forma à mesma quantia que recebem.  Aqueles primeiros beneficiados têm agora um efetivo em caixa maior do que antes, o que os permite ofertar mais dinheiro no mercado em troca dos bens e serviços que desejam adquirir.

Essa quantia adicional de dinheiro que eles ofertam no mercado pressiona os preços e salários para cima.  Mas não são todos os preços e salários que sobem; apenas os desses setores que primeiro receberam o novo dinheiro em troca de seus bens e serviços.  E mesmo esses preços e salários que subiram, não sobem no mesmo grau.  Por exemplo, se o dinheiro adicional for gasto com obras públicas, apenas os preços de algumas mercadorias e apenas os salários de alguns tipos de trabalho irão subir, sendo que os de outras áreas irão permanecer inalterados ou podem até mesmo cair temporariamente.[...] 

Assim, as mudanças nos preços em consequência da inflação começam apenas com algumas mercadorias e serviços, e depois vão se difundindo mais vagarosamente de um grupo para outro.  Leva-se tempo até que essa quantia adicional de dinheiro tenha perpassado toda a economia e exaurido todas as possibilidades de mudanças de preço.  Mas, mesmo ao final do processo, os vários bens e serviços da economia não foram afetados no mesmo grau.  Esse processo de progressiva depreciação monetária alterou a renda e a riqueza dos diferentes grupos sociais.[...] 

Aqueles que estão vendendo mercadorias ou serviços cujos preços são os primeiros a subir poderão, em decorrência desse fenômeno, utilizar seus maiores proventos para adquirir o que quiserem a preços que ainda não se alteraram.  Esses são os indivíduos que tiveram um ganho de riqueza.  Por outro lado, aqueles que são os últimos a receber esse novo dinheiro estarão vendendo mercadorias ou serviços a preços ainda inalterados.  Esses indivíduos ainda não obtiveram nenhum ganho de renda.  Contudo, esses mesmos indivíduos agora têm de comprar as outras mercadorias e serviços a preços mais altos.  Esses são os indivíduos que perderam riqueza.

Ou seja: os primeiros a receber o novo dinheiro obtiveram ganhos específicos; eles são os exploradores.  Os últimos a receber o novo dinheiro são os perdedores, os explorados, de cujos bolsos saem os ganhos extras obtidos pelos exploradores.  Enquanto durar o processo de inflação, estará havendo uma alteração contínua na renda e na riqueza dos indivíduos.  Um grupo social ganha à custa de outros.  Quando todas as alterações de preços em decorrência da inflação estiverem consumadas, pode-se dizer que ocorreu uma transferência de riqueza entre os grupos sociais.  Há agora no sistema econômico uma nova dispersão de riqueza e renda.

Com efeito, caso o preço da mão-de-obra de um trabalhador (isto é, seu salário) aumente a uma taxa menor do que o aumento do preço dos alimentos ou do aluguel, é possível ver como essa alteração na relação entre renda e preços dos bens e serviços pode empobrecer vários trabalhadores e consumidores.

Uma inflação da oferta monetária pode gerar empobrecimento e desigualdade de renda de variadas maneiras:

1. O Efeito Cantillon

A distribuição desigual desta inflação de preços é conhecida como 'Efeito Cantillon'.  Aqueles que recebem o dinheiro recém-criado antes de todo o resto da sociedade (primordialmente o governo federal, mas também algumas grandes empresas e grandes magnatas que querem especular no mercado de ações) são os beneficiários de uma política de crédito fácil.  Eles podem fazer compras com este novo dinheiro a preços que ainda não se alteraram.  Já aqueles que obtêm este dinheiro por último, ou que nem sequer o recebem, são os prejudicados (assalariados, aposentados e pensionistas).  Eles terão de se virar comprando bens e serviços a preços que, durante este ínterim, subiram, sem que suas rendas também tenham subido.

2. Inflação de preços de ativos

Grandes investidores e especuladores podem diversificar seus investimentos e seus ativos; consequentemente, eles estão em posição de investir em ativos tangíveis como ações, imóveis e metais preciosos.  Quando os preços desses ativos aumentam em decorrência da expansão da oferta monetária, os detentores destes ativos se beneficiam, uma vez que seus ativos ganham valor.  Logo, os detentores destes ativos se tornam mais ricos ao passo que as pessoas que detêm poucos ativos ou nenhum ativo irão, respectivamente, ganhar menos ou absolutamente nada com estes aumentos de preços. 

3. O mercado de crédito amplifica os efeitos

Os efeitos de uma inflação dos preços dos ativos podem ser amplificados pelo mercado de crédito.  Aqueles que possuem uma renda alta podem conseguir empréstimos volumosos dos bancos para adquirir, por exemplo, imóveis.  Já aqueles que possuem uma renda pequena tendem a ser rejeitados pelos bancos, por medo de calotes.  Se os preços dos imóveis aumentarem por causa da expansão da oferta monetária, eles irão lucrar com estes aumentos de preços, e a disparidade de renda entre ricos e pobres aumentará ainda mais.

4. Ciclos econômicos e desemprego

A causa direta do desemprego é a inflexibilidade do mercado de trabalho gerada pela interferência estatal, como leis trabalhistas rígidas, altos encargos sociais e trabalhistas, e sindicatos poderosos.  Já uma causa indireta do desemprego é a expansão do crédito, que gera crescimentos econômicos ilusórios e investimentos insensatos.  Especialmente em economias com mercados de trabalho inflexíveis, como as europeias, quando estes investimentos errôneos se tornam evidentes e a economia entra em recessão, as consequências finais são um grande aumento no desemprego e a perpetuação deste alto desemprego, algo que é sentido mais severamente por pessoas de baixa renda.

O estado continua a se expandir

Tão logo as desigualdades de renda e de distribuição de ativos começam a aumentar, os defensores e apologistas da justiça social se tornam ainda mais histéricos em seus protestos, sem saber (ou sem dizer) que é o próprio estado — com seu sistema monetário monopolista — o responsável pelas condições descritas.

Trata-se de um "modelo organizacional" pérfido, no qual o estado cria a desigualdade social por meio de seu sistema monetário monopolista, divide a sociedade em pobres e ricos, e torna as pessoas dependentes do assistencialismo.  Para "remediar" este arranjo, ele intervém criando regulamentações e políticas redistributivas, tudo para justificar a sua existência.  O economista alemão Roland Baader observou que:

A casta política tem constantemente de provar a necessidade de sua existência, e ela faz isso implementando seguidamente novas políticas.  No entanto, dado que tudo o que ela faz apenas piora as coisas, a única solução é estar continuamente inventando novas reformas — ou seja, ela tem de estar sempre fazendo algo, pois já fez alguma coisa antes.   Ela não teria de fazer nada caso não houvesse feito nada anteriormente.  Se apenas soubéssemos o que poderíamos fazer para impedir que ela saia fazendo coisas...

O estado até mesmo explora as incertezas da população quanto aos reais motivos da crescente desigualdade de renda e de distribuição de riqueza.  Por exemplo, o Quarto Relatório sobre Pobreza e Riqueza do governo alemão afirma que, desde 2002, a nítida maioria do povo alemão defende a implantação de medidas para reduzir as diferenças de renda.

Conclusão

O sistema monetário dominante está no cerne da crescente desigualdade de renda que observamos na maioria dos países atuais.  Não obstante, o estado continua aumentando seu poder com a desculpa de estar justamente domando o sistema de mercado que supostamente gerou esta desigualdade e este empobrecimento relativo criados pelo estado e seus aliados.

Se aqueles que alegam estar falando em nome da justiça social nada fizerem para protestar contra isso, seu silêncio pode ser interpretado de apenas duas maneiras: ou eles não entendem absolutamente nada sobre como funciona o atual sistema monetário, o que significa que eles nunca se interessaram em pesquisar e estudar sobre o assunto; ou eles de fato leram, estudaram e entenderam perfeitamente bem, o que significa que eles estão ignorando de maneira cínica uma grande fonte de desigualdade e pobreza simplesmente porque provavelmente estão se beneficiando deste sistema.


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SOBRE O AUTOR

Andreas Marquart
é o diretor-executivo do Instituto Ludwig von Mises da Alemanha.   Ele é consultor financeiro independente há mais de 15 anos e defensor da Escola Austríaca de economia.



Henrique Zucatelli
Bom dia
Sei que ter capital, fundos, poupança é importante mas:
Será que os consumidores quererão os meus produtos e serviços.
Se ninguém se interessar em comprar meus produto ou serviço que eu estou vendendo?
Se surgir uma oportunidade de negócios vou perder?
Meus concorrentes oferecerem melhores produtos e serviços que eu vou ter que aprimorar meus produtos ou serviços senão vou pra falência.
Isso estou vendo do lado do produtor, fornecedor de produtos e serviços.
Do lado do consumidor:
Será que preciso desse produto ou serviço?
Se preciso vou pagar a vista ou a prazo?
Caso eu compre à vista vou ter de poupar para adquirir o produto ou serviço que quero.
Caso eu compre à prazo vou ter de calcular quanto do meu ganho posso desprender para gastar.
Qual é melhor comprar a prazos curtos ou longos?
E finamente o que não se deve fazer:
Vou tomar empréstimo para comprar bens de consumo.
Vou compra itens no cartão de débito\crédito mesmo que não tenha fundos para cobrir o mesmo.
Vou Tomar empréstimo para pagar o cartão.
Isso do lado do consumidor.
Do lado do produtor\finacista e fornecedor de serviços:
Vou produzir itens em grande quantidade, mesmo que não consiga vender tudo.
Vou me associar a políticos para que tenha venda cativa de produtos e serviços para o governo cobrando acima do mercado e oferecendo produtos e serviços ruis
Vou toma empréstimo do governo para especular a compra e venda de empresas, mesmo que não entenda o que elas produzem ou serviço que elas oferecem.
Criarei lobis junto ao governo para que os meus interesses sejam atendidos.
Se falir terei AMIGOS no governo e me dá uma mãozinha.

O item 4 é contraditório com o item 10.
O professor Mueller tem uma visão um tanto equivocada com respeito à lógica.
Tanto a lógica aristotélica, quanto a lógica simbólica, incluindo a teoria dos conjuntos, são sistemas de ordenação argumentativa orientados na direção dedutiva nos quais a inferência está ligada necessariamente às premissas.
Para que o valor seja logicamente subjetivo, temos que incluir o valor campo dos objetos predicados por subjetivo.
Ora, vejam:
Para que isso ocorra, temos de recorrer às definições desses termos, pensando no método geométrico, as definições deveriam anteceder às teses, não estar incluídas nelas. Se ocorrer essa inversão lógica, o argumento é falacioso, chamada de Petição de Princípio (vide ORGANON - Aristóteles; COPY - Manual de Lógica; pesquisem sobre método geométrico)
Além disso, para que não haja inconsistência entre os itens 4 e 8 o trabalho deveria ter sido definido, tal como o valor o foi, como subjetivo. Senão o item 8 cria uma ambiguidade na passagem (por si só) que, do ponto de vista lógico, é um condicionante. Sem tal definição, o valor parece ter uma parte subjetiva e outra objetiva e, pior ainda, somente o condicionante do valor parece ser subjetivo. Se o trabalho não for caracterizado como subjetivo, o valor é efetivado objetivamente e, portanto, é objetivo.

Uma reordenação não viciada desses itens deve começar supondo o item 4, isto é, ser uma hipótese (eliminação do item 10). Posteriormente, definir o trabalho ou, por extensão ampliativa, incluir o trabalho no item 4.
"Se "4" e o trabalho for subjetivo, então "1""2""3""5""6""7""8""9""

Outro problema, mais grave, é usar o termo subjetivo e, por extensão, objetivo como predicados lógicos, i. é., características de coisas. A distinção entre subjetivo e objetivo é maior, isto é, anterior no processo de conhecimento, do que aquilo sobre o qual a lógica trata: as relações entre enunciados. Digamos, em termos mais simples, subjetivo não é uma característica de coisas, mas de afirmações, frases (vide POPPER - Lógica da Pesquisa Científica; RUSSELL & WHITEHEAD - Principia Mathematica; TARSKI - A Concepção Semântica da Verdade). Para incluir subjetivo e objetivo no vocabulário é necessário realizar uma metalinguagem que, por definição, exigirá a suspensão e a revalidação das definições. Dizer o por que tais definições devem ser aceitas.

A tentativa de criar leis em uma ciência que sejam a priori não funcionou nem na Física (vide KANT - Crítica da Razão Pura), mesmo na matemática (vide o embate entre FREGE e HILBERT) a tentativa foi, em parte, frustrada. Esse tipo de posição, chamada de Fundacionista, é uma visão, sinto informar, ultrapassada. A exigência de indicações empíricas e construções não totalizantes é regra fundamental para alcançar qualquer teoria saudável no pensamento científico atual.

PS. Desculpem-me o tecnicismo, não tenho o hábito de escrever para leigos. Devo melhorar nesse aspecto.
Bom dia Vladimir, como vai?

Que bom que começou a entender o começo da história. Agora falta a outra metade.

Não tem como prevermos a inovação. Pode parecer pleonasmo, mas inovar é fazer o novo, algo que ninguém fez até hoje. E isso pode dar certo (ou não). Claro que quando pensamos em inovações sempre vem a mente exemplos de sucesso como Apple, Microsoft, Ford e outros. Mas nos esquecemos que estes foram os vencedores. Em seus respectivos momentos, existiram dezenas (ou até centenas) de concorrentes brigando para saber quem iria se perpetuar, e a maioria caiu no caminho, foi absorvida ou simplesmente esquecida.

Se quiser entender mais como funcionam todos esses sentimentos de um grande inventor nos primórdios de sua carreira, recomendo que leia um livro muito bom (meu de cabeceira) do próprio Henry Ford- Os princípios da prosperidade . Tenho um exemplar da primeira edição, com o autógrafo do tradutor, ninguém menos que Monteiro Lobato. É um tesouro que guardo com muito carinho.

Voltando ao assunto, como toda inovação é nova (!), precisará de uma dose maciça de confiança de quem produz, aliado ao fato de que são recursos direcionados a esse projeto, com pouca ou nenhuma certeza de que irá dar certo. Repito à exaustão: quando olhamos invenções consagradas damos um valor a elas que não existia na época.

Justamente por esse princípio, é necessária a existência de poupança para financiar esses projetos. Sem poupança, sem inovação, por melhor que seja a ideia. Se tiver interesse nesse assunto, recomendo um ótimo livro de Peter Schiff - Como a economia cresce, e por que ela quebra .

Inclusive está a venda aqui no IMB:
www.mises.org.br/Product.aspx?id=55 .

Para finalizar, é melhor entender um pouco mais sobre como funciona o socialismo, e porque ele está sempre fadado ao fracasso. Como bem ilustra a Venezuela, os defensores do socialismo desconhecem uma lei básica da economia

Um grande abraço, e ótima semana para ti.










"só consigo comprar um IPhone por 'apenas' R$ 2000,00 porque ele é produzido aos milhões. Caso grande parte da população deixasse de comprar IPhone essa economia seria menos efetiva e com certeza cada IPhone custaria mais para ser produzido. Exemplo canônico: quase ninguém compra uma Ferrari e isso não faz ela ser mais barata, muito pelo contrário, ela seria muito mais barata se todo mundo comprasse uma: seria produzida na China e se chamaria Jac. :D"

Existem duas maneiras de um produto baratear, isto é produzir em larga escala com preços reduzidos ou produzir em larga escala com preços reduzidos e não houver demanda para tal produção, isso significa que pessoas estão se abstendo do consumo ou estão em crise. Portanto, as pessoas que pouparam ontem, hoje podem estar consumindo Iphones e ferraris ou investindo em bens de capital e assim aumentando ainda mais a abundância dos produtos.
Essa situação da demanda aconteceu recentemente com o consumo reduzindo e os preços acompanhando essa redução do consumo praticando menores preços.

"Além da economia de escala existe outro fator que você desconsiderou, as indústrias de bens não são facilmente reconfiguradas para produzir bens para as quais não foram inicialmente projetadas."

Para produzir bens tem que haver capital e o último advém de poupança. Contudo, para haver poupança para a população, os impostos sempre terão que ser baixos e isso possibilitaria empresas de várias partes do mundo vir produzir aqui pelas novas medidas do governo. As indústrias vindas do exterior automaticamente estaria trazendo seu conhecimento e técnicas para tal trabalho, isso significa que o país poderá produzir bens que não eram bons. Essa situação ocorreu na Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e Singapura.
Coreia do Sul não tinha LG, SAMSUNG e Hyundai, e em pouco tempo pelos investimentos estrangeiros obteve conhecimento necessário para produzir o que não sabiam, produtos de alta tecnologia e carros.
Hong Kong seria tecnologia.
Taiwan idem de Hong Kong.
Japão acho que seria o setor automobilístico.
Singapura seria produtos de alta tecnologia.
Até tempo atrás não eram bons no que fazem hoje, e em pouco tempo conseguiram a façanha de realizarem tal ato.


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Occam's Razor  23/12/2013 13:57
    Texto muito bom. Aqui no Brasil a possibilidade de acesso a crédito subsidiado (como no BNDES) intensifica ainda mais esse problema, correto? Eike Batista aprova o efeito Cantillon!
  • Malthus  23/12/2013 14:03
    Totalmente, como explicado neste recente artigo do Leandro:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767
  • Renato  25/03/2014 15:38
    Nada em português?
  • Eduardo Leonhardt  23/12/2013 14:07
    Brilhante. Coeso e explicativo.

    Não me restam dúvidas que a geração indiscriminada de dinheiro por parte do BC e dos bancos através das reservas fracionárias é a causa raiz da inflação que, por sua vez, corrói o poder de compra dos mais pobres, aumentando cada vez mais a desigualdade social existente.

    Porém, minha dúvida paira no outro extremo: a total ausência da geração de dinheiro por parte dos bancos e BC. Está correto supor que poderíamos ter inflação nula, zero (ou próxima a zero) se a prática de reservas fracionárias fosse abolida? O acesso ao crédito para financiamento/aquisição de bens de capital pelas empresas não ficaria demasiadamente dificultado e caro?

    Antecipadamente agradeço a quem puder me ajudar nessas questões.

    Um abraço!
  • Guilherme  23/12/2013 14:15
    Tudo vai depender da propensão das pessoas a poupar. Se pouca gente estiver disposta a abrir mão do consumo imediato -- isto é, poupar --, os juros subirão e a demanda por empréstimos cairá. Essa própria alta dos juros tornará atraente aplicações bancárias (tipo depósitos a prazo), o que aumentará a oferta de dinheiro a ser emprestada pelos bancos, levando a uma queda dos juros para os empréstimos.

    Ou seja, neste sistema, a taxa de juros readquire a sua função clássica: intermediário e coordenar poupança e investimento.
  • Pedro  23/12/2013 14:20
    A inflação seria nula por definição, já que a inflação é definida como a criação de dinheiro do nada.

    Agora a inflação de preços, o índice geral de preços, tenderia a ser negativa, uma vez que os ganhos de produtividade superariam o aumento da oferta monetária (que seria nulo no caso). Isso aconteceu nos EUA ao longo do século XIX, no final desse século o dólar possuía um maior poder de compra do que no inicio do mesmo, e olha que houve uma pequena inflação monetária no período.

    O único jeito dos preços em geral subirem sem aumento da oferta monetária é com uma queda da produtividade e um choque de oferta absurdo, algo bem improvável.

    Com relação ao crédito, o mesmo seria mais escasso, sem duvida, mas longe de ser ruim, esse é exatamente o objetivo: fazer com que o crédito reflita realisticamente a poupança e quantidade de capital disponível.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  23/12/2013 14:19
    Excelente artigo que sintética e eficazmente expõe os pilares da EA.
    É sempre bom ler algo que desmascara a mentira de a esquerda buscar justiça.
    Aumento de circulação de moeda fiduciária e sistema de reservas fracionárias implicam concentração de renda, isto é, somos nós, nunca eles, que pretendemos ver os pobres enriquecerem.
    Eles diuturnamente praticam sacrilégios econômicos - aumento de moeda e expansão de crédito - cujas consequências são tornar os bem relacionados com o governo mais ricos e os pobres mais miseráveis.
  • Gredson  23/12/2013 14:38
    Texto muito bom. o pior de tudo isso, é que quando a desigualdade entre ricos e pobres for muito grande, vão acusar o capitalismo de ser o culpado. Logo vão pedir por mais intervenção do estado no mercado. Ou seja é um pesadelo.
  • Fernanda Alves  23/12/2013 19:39
    Isso acontece o tempo todo...
  • Emerson Luis, um Psicologo  24/12/2013 11:32

    Se o keynesianismo não funcionou, a solução é mais keynesianismo!

    * * *
  • Henrique  23/12/2013 15:33
    Artigo humorístico sobre a Disney:
    "O parque temático dos horrores: a lógica neoliberal do império na busca de maior acumulação de capital"

    www.espacoacademico.com.br/023/23jsf.htm
  • Gunnar  23/12/2013 17:13
    Não consegui decifrar em que idioma foi escrito.
  • Típico Filósofo  23/12/2013 17:28
    Cai-me aos aplausos ao finalizar a leitura de tamanha façanha do intelecto humano. Apenas um indivíduo com profundo discernimento revolucionário seria capaz de conceber uma análise tão precisa sobre a lógica perversa oculta em um parque de diversões.
  • Felipe  23/12/2013 18:11
    Filósofo, você vai precisar se esforçar mais para não ser superado por esse tipo de gente. Talvez você ainda tenha resquícios pequeno-burguês contidos em sua retórica? Hahaha...
  • Fábio  23/12/2013 18:25
    Devo chamar o sujeito que escreveu este artigo de "cavalgadura"?

    "jornalggn.com.br/fora-pauta/desvendando-a-espuma-o-enigma-da-classe-media-brasileira"
  • ANDRE LUIS  23/12/2013 18:53
    A atual popularização da internet tornou viável a criação de moedas criptografadas (ex,BITCOIN), com inflação pré determinada e fracionável quase que infinitamente. Este modelo, ao meu ver, tem o potencial de "retirar dos parasitas o controle dos meios de troca e devolvê-lo a quem produz riqueza" (puxa, gostaria de lembrar quem disse esta frase).

    No último mês de novembro, 1 BTC chegou a valer US$ 1,200, despertando interesse de pessoas pelos mais diversos motivos. Em recente pesquisa realizada nos EUA, 40% dos entrevistados declararam que conheciam a moeda.

    Não vejo recente interesse por parte deste site sobre o assunto. Gostaria de saber como os liberais do IMB enxergam este fenômeno.
  • Magno  23/12/2013 18:59
    Brincou, né, André? Ainda na semana passada, o IMB fez um podcast de uma hora e meia exclusivamente sobre este assunto.

    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=303
  • ANDRE LUIS  25/12/2013 02:57
    Obrigado pela dica, não tinha visto o podcast que, por sinal, está ótimo. Retiro o que disse. Um abraço.
  • Julio  28/01/2014 22:36
    Alguém saberia me dizer se a identidade do Satoshi Nakamoto já foi reveralada e se o software central do Bitcoin é software livre?

    Fiz pesquisas e não encontrei nada sobre isso.
  • Hayek  28/01/2014 22:51
    Ainda não Julio. A hipótese mais provável é que se trate de um grupo de programadores.

    O protocolo do bitcoin tem o código aberto.
  • Julio  29/01/2014 00:11
    Sim. O Bitcoin Cliente tem o software aberto, mas o software (se é que existe um) que cria os bitcoins não está disponível. Era desse que eu estava falando.
  • gabriel  28/01/2014 23:03
    Deve ter mais informações nesses links, fiz uma rápida busca, até onde sei não é revelado identidade do criador não, mas não cheguei a ler muito

    blockchain.info/pt

    https://bitcoinfoundation.org/
  • anônimo  23/12/2013 19:57
    Fora os vários artigos.
  • Lg  23/12/2013 19:47
    "Por que não ouvimos clamores de políticos e sociólogos — que juram ter em mente o bem-estar geral da população — contra o crédito fácil?"

    Boa parte dos políticos, especialmente prefeitos e vereadores de cidades menores, são literalmente analfabetos funcionais. Não estou falando isso de sacanagem ou só para ser agressivo, é a realidade. Políticos são a personificação da frase do Jimmy "Não existe coisa mais nociva que um idiota com iniciativa"... boa parte são analfabetos funcionais que são populares em suas pequenas cidades e acabam entrando em cargos públicos por não terem capacidade de produzir nada e não gostarem de trabalhar; Acabamos com um bando de idiotas em cargos com certo poder, essas pessoas ai munidas de muita iniciativa e muita ignorância acabam destruindo com a vida de todo mundo.
  • Renato  23/12/2013 23:11
    O que acham dessa suposta entrevista do Papa?

    blitzdigital.com.br/index.php/fe/549-papa-desmascara-o-socialismo-comunismo-em-uma-entrevista-bombastica
  • Cassim  23/12/2013 23:51
    Não sou religioso e gostaria que fosse verdadeira, entretanto, não vejo muitos motivos para confiar. É uma boa leitura de desintoxicação contra o socialismo, mas pelo seu tom político e excessivamente polêmico, acho difícil que seja verdadeira; é simplesmente conveniente demais a nós e inconveniente demais aos fãs do estatismo em geral. Seria ótimo se fosse verdade, ao menos uma pessoa influente no mundo saberia que a política apenas cria pobreza.

    Não vejo como uma entrevista com uma figura religiosa desaguaria imediatamente em questões econômicas quando qualquer repórter estaria muito mais interessado em falar sobre assuntos que envolvem especificamente a igreja, como o diálogo com o público gay.
  • Renato  24/12/2013 00:48
    Veja bem, nos videos, nas cartas e outros fica muito claro a condenação do socialismo/comunismo, desde a muito tempo, pela igreja católica, não é nenhuma novidade e sim apenas uma não divulgação na grande mídia.
  • Occam's Razor  24/12/2013 00:24
    Para quem pensa que o Brasil está 10 ou 15 anos atrás da Venezuela, pense outra vez.

  • Fred Henrique  24/12/2013 02:12
    Nossa! Por que parar na cesta básica? Eu quero que o supermercado garanta carro e gasolina (transporte), tv de lcd 52'' e ps4 (lazer) e, no mínimo, uma casa de 150m² (moradia).

    Meu deus, esse povo acha que riqueza aparece do nada? É inacreditável como o nazismo foi pelo ralo da históra, mas a redistribuição socialista ainda tem poder de parecer viável e desejável.

    Algum dia os historiadores do futuro compararão a nossa era com a idade média e nós seremos chamados de servos também...
  • Rafael Fernandes  31/03/2014 14:52
    Servos da inveja do sucesso alheio
  • Luiz Berenguel  24/03/2014 04:42
    O impressionante é que esse "movimento" luta por "direitos do povo" e "justiça social", e que uma ocupação(para não dizer invasão) dos supermercados é a "solução" do problema da fome no Brasil. Como se esse problema fosse algo tão simples?

    O que me deixa horrorizado é que essa mentalidade é a predominante no Brasil. É a falta de uma consciência financeira, é a falta de uma sociedade séria o suficiente para entender que vivemos num mundo de escassez, e que por isso devemos aprender, muitas vezes com muitos esforço, a gerir da melhor maneira possível tais bens.
  • Trevor Reznik  25/12/2013 20:59
    Caramba, texto muito bom. O mais incrível é que em poucas linhas ele explica muito bem um problema tão fundamental.

    Gostaria de enviá-lo para alguns amigos meus que são militantes do PSOL, mas sei que só de lerem trechos como "um regime monetário de uma economia genuinamente de mercado" eles ignorariam o texto inteiro, me xingariam de neo-liberal e continuariam achando que a causa do problema é a mais-valia e a solução é a socialização dos meios de produção.
  • anônimo  25/12/2013 22:02
    Estes aí não adianta nem tentar salvar. Tente salvar apenas quem ainda tem dúvidas, ou quem está ainda em formação. E principalmente, aprenda você mesmo sobre o assunto, pois mais importante que tentar o dialogar com quem não quer diálogo, é estar preparado para desmoralizá-los publicamente.
  • Jean Cherem  28/12/2013 15:36
    O pessoal metido a intelectual gosta é de criticar, não de entender a fundo.
  • Renato  24/03/2014 15:30
    Existe algum artigo, ou comentário, a respeito do Projeto Venus? pt.wikipedia.org/wiki/Projeto_Venus
  • Roberto  24/03/2014 15:58
  • Renato  27/03/2014 15:52
    Nada em português?
  • Guimarães  27/03/2014 15:56
    Felizmente, tudo indica que no Brasil as pessoas ainda não estão perdendo tempo e energia pensando nesta besteira. Sorte a nossa.
  • Marcelo Henrique  24/03/2014 15:56
    Por que não ouvimos clamores de políticos e sociólogos — que juram ter em mente o bem-estar geral da população — contra o crédito fácil?

    ACREDITO que a resposta a esta questão é: os políticos e sociólogos NÃO entendem de economia. São leigos, mal informados. Não podem sequer levantar uma questão assim, pois ainda caminham em conhecimentos elementares. Não lhes é dito nada a respeito no ensino médio, nada na faculdade, nada no sindicato... Não sabem e nunca saberão. E o povo também não sabe. O conhecimento, senhoras e senhores, o conhecimento libertará uma Nação.

  • Rafael  26/03/2014 13:42

    De vários artigos que tratam do sistema monetário atual e reservas fracionárias aqui do Mises eu não encontrei algum que falasse como funciona as reservas fracionárias no Brasil. Ela se dá na mesma forma?

    Alguém poderia me indicar um artigo para esclarecer isso? Pois já fui questionado que no Brasil não funciona assim. E eu não tinha as fontes para provar.

    Gostaria também se alguém tivesse o link que apontasse para o acordo de Basiléia que regulamenta a reserva fracionária.

    Obrigado
  • Leandro  26/03/2014 14:15
  • Rafael  26/03/2014 14:30
    Obrigado Leandro.

    Eu sabia que você iria me ajudar. O artigo é de 2012, eu passei a frequentar aqui a partir das manifestações do ano passado. Por isso não tinha visto ainda. :)
  • Anderson  24/05/2014 00:33
    Leiam 'The Lost Science of Money'.

    O estado não possui o monopólio da criação do dinheiro, são os bancos privados. Nesse tópico a escola austríaca trabalha com muitas distorções e importantes omissões. O dinheiro como nós conhecemos não surgiu através do mercado mas sim através da lei como o Autor do livro mostra.

    Lastrear uma moeda em algo é ridículo. Os Espanhóis vieram para a América e dizimaram os indígenas porque eles precisavam do ouro, precisavam do 'sound money' como dizem os entusiastas da escola austríaca. O dólar americano que basicamente é lastreado no petróleo; os conflitos continuam. O dia que lastrearem o dólar em água os Marines vão dar uma passada aqui pela Amazônia.

    O que o autor desse artigo também convenientemente omitiu é que o banco central americano não é um órgão estatal é uma organização privada. O Banco Central alemão antes da hiperinflação da década de 30 também era privado. O Banco Central brasileiro é estatal mas vive ocupado de amiguinhos de mega-especuladores.

    Outra: nesse mesmo livro que eu citei o autor mostra que ante de 1850 nos EUA se tinha praticamente um 'livre-mercado' no quesito de dinheiro, qualquer um podia emitir sua moeda. O que sucedeu foram vários golpes de pessoas emitindo sua moeda ao máximo para tirar proveito máximo. Essa situação continuou-se até o governo americano introduzir regulações (uma blasfêmia para os austríacos).
  • Leandro  24/05/2014 02:00
    "O estado não possui o monopólio da criação do dinheiro,"

    Se você realmente acredita nisso, experimente criar cédulas idênticas às de real para ver o tratamento que o estado irá lhe dispensar. Aliás, experimente criar uma moeda própria, com o Liberty Dollar, cujo criador foi preso.

    "são os bancos privados."

    Bancos (privados ou estatais, não importa) criam dinheiro eletrônico, mas só fazem isso porque o estado não apenas autoriza, como na verdade estimula.

    Mais ainda: apenas os bancos podem fazer isso. Se você fizer a mesma coisa que um banco faz, você vai preso. Se qualquer empresa fizer o que um banco faz, o estado irá fechá-la. O estado autoriza apenas os bancos a criarem dinheiro, emprestá-lo e cobrar juros. O estado concede este monopólio aos bancos.

    No que mais, você deve ser novato neste site. Há inúmeros artigos que fala m sobre isso. Aqui dois exemplos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854

    "Nesse tópico a escola austríaca trabalha com muitas distorções e importantes omissões. O dinheiro como nós conhecemos não surgiu através do mercado mas sim através da lei como o Autor do livro mostra."

    "O dinheiro como nós conhecemos" seria o quê? O atual papel-moeda? Ok, e como o atual papel-moeda adquiriu poder de troca? Como ele se tornou universalmente aceito? Estude um pouco de história. O atual dinheiro de papel só tem poder de troca porque anteriormente ele estava lastreado em alguma commodity, a qual era ela própria uma moeda de troca.

    Eis aqui um trecho de um livro inteiro que conta a história desta evolução:

    www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=676

    "Lastrear uma moeda em algo é ridículo."

    Sensato mesmo é deixar uma moeda ser expandida livremente por banqueiros e políticos.

    "Os Espanhóis vieram para a América e dizimaram os indígenas porque eles precisavam do ouro, precisavam do 'sound money' como dizem os entusiastas da escola austríaca."

    Gozado. Se naquela época o dinheiro fosse toras de madeira, os índios passariam incólumes? Você está atribuindo ao ouro a culpa de ações cometidas por indivíduos. É como dizer que, dado que o petróleo causa guerras, o correto seria pararmos de utilizá-lo. Quão lógico é isso?

    "O dólar americano que basicamente é lastreado no petróleo; os conflitos continuam."

    Não sabia que o valor do dólar está atrelado ao volume de petróleo existente no mundo (que é a definição precípua de lastro). Por gentileza, explique melhor isso, o mundo precisa saber.

    "O dia que lastrearem o dólar em água os Marines vão dar uma passada aqui pela Amazônia."

    A água da Amazônia? O que tem de especial nela? E a água que cobre 3/4 da terra? Aliás, o dólar era lastreado em ouro até 1971. Cite os países invadidos pelos americanos e que tiveram seu ouro confiscado (Minas Gerais, em especial, deveria ter sumido do mapa).

    "O que o autor desse artigo também convenientemente omitiu é que o banco central americano não é um órgão estatal é uma organização privada."

    Não. Informe-se melhor. Essa afirmação sobre o Fed ser privado não é totalmente correta.

    O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha, em tese!, poderes sobre a política monetária que este adota.

    Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

    É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

    Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.

    Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

    1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

    2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

    Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo.

    "O Banco Central alemão antes da hiperinflação da década de 30 também era privado."

    Mesmíssimo modelo do Fed. Aliás, quando o Reichsbank só podia emitir moeda lastreada em ouro (Goldmark), a moeda era extremamente estável. Aí eles aboliram o lastro (como você defende), e a coisa acabou em hiperinflação (ler relato aqui).

    "O Banco Central brasileiro é estatal mas vive ocupado de amiguinhos de mega-especuladores."

    O mesmo ocorre com o Fed.

    "Outra: nesse mesmo livro que eu citei o autor mostra que ante de 1850 nos EUA se tinha praticamente um 'livre-mercado' no quesito de dinheiro, qualquer um podia emitir sua moeda. O que sucedeu foram vários golpes de pessoas emitindo sua moeda ao máximo para tirar proveito máximo. Essa situação continuou-se até o governo americano introduzir regulações (uma blasfêmia para os austríacos)."

    Se o livro fala isso, então o autor é um ignorante. Em primeiro lugar, ao contrário do que você disse, não era "qualquer um que podia emitir sua moeda", mas apenas os bancos.

    Mas havia dois detalhes cruciais:

    1) Os governos estaduais permitiram que os bancos continuassem criando dinheiro, emprestando e cobrando juros sem serem obrigados a restituir em espécie (ouro ou prata) esse dinheiro de papel que eles criavam. Em resumo, os bancos tinham o privilégio (concedido pelo estado) de operar sem terem que pagar suas obrigações.

    2) Era proibido aos bancos ter filiais bancárias em outros estados, algo que, em conjunto com um sistema de transporte ruim, impedia que os bancos locais prontamente exigissem que outros bancos mais distantes restituíssem em espécie (ouro ou prata) as cédulas que eles criavam.

    Ou seja, se um banco de Nova York criasse dinheiro e esse dinheiro fosse parar em um banco do Wyoming, este banco não poderia exigir que o banco de NY restituísse em ouro ou prata este dinheiro de papel. Consequentemente, o banco do Wyoming ficava com um papel inútil em suas mãos. É óbvio que este sistema desmoronou.

    Ou seja, foram exatamente as regulamentações estatais (que protegiam os malfeitores) que causaram a baderna.

    Informe-se melhor sobre as coisas antes de sair palpitando atabalhoadamente.

    Abraço!
  • Anderson  24/05/2014 05:06
    Caro Leandro,

    O Estado não possui o monopólio de emitir moeda. O Estado possui o monopólio para dizer o que pode ser usado como moeda, ou seja, legal tender. Fazer com que somente uma coisa seja válida para ser usado como moeda não é igual ao poder de poder emiti-la. Tanto é que dependendo das fontes que se lê 97% (aprox) do 'dinheiro' em circulação é criado por bancos privados. Você é capaz de deixar um pouco se ideologia liberal de lado e perceber tamanho o poder que é depositado nas mãos de pessoas que podem criar dinheiro - "dê-me o poder de emitir dinheiro e pouco me importa que cria as leis" dizia o banqueiro judaico-inglês Rothschild.

    O que o autor do livro mostra Leandro é que o valor das moedas na época de Roma, Grécia antiga era determinado por lei mesmo peças de ouro ou prata. Ou seja, o que dava valor à moeda não era a sua composição metálica e sim quanto que a lei dizia valer aquela moeda de ouro. O dinheiro nada mais é que um instrumento que permite a troca de riqueza mas não é riqueza em si mesmo.

    Você me chama de novato; eu já li os artigos do Ron Paul, do Rothbard (What has the government done to our money) e outros da escola austríaca. Aliás, pelo o que eu vejo você só manda artigos que relfetam a 'verdade' liberal, você não cogitou a possibilidade de que ela pode estar errada. Continuando...

    Em nenhum momento eu disse que eu apoio a "moeda ser expandida livremente". A idéia de que nós precisamos cavar a terra para depois imprimir ao invés de simplesmente não imprimir descontroladamente é palhaçada. O que você ignora também com o 'sound money' é que países que não possuem ouro precisariam emprestar ouro para depois imprimir moeda e depois devolver esses empréstimo com juros para o credor. A alternativa é ter o GOVERNO imprimindo sua própria moeda, sem banqueiros inescrupulosos e investindo esse dinheiro em infra-estrutura ou no que ele precisa ser gasto. Assim os tributos podem ser reduzidos. Essa imprimida óbviamente tem de ser controlada. Agora o que alguns liberais ignoram é que hoje os bancos emitem moeda à vontade e que a maioria dos seus empréstimos vão parar o setor improdutivo e especulador onde não se cria riqueza alguma. Isso virou um 'giant billiard table' onde não existe limites para quando se arrisca, quando se ganha e quanto se perde. Dinheiro por si só não cria riqueza. O governo tem de emitir a moeda, e emprestá-la para área produtivas e não para a especulação que não agrega valor nenhum para a economia. Veja os EUA, os empréstimos bilionários para bancos e fundos poderem especular em bolsas ou câmbios, imagina se todo esse dinheiro fosse aplicado em infra-estrutura, empréstimos para pequenos empreendedores, ou desenvolvimento de tecnologia... enfim.

    A lógica do ouro é simples. Aliás, a lógica de qualquer material escasso que é 'dinheiro'. Se o ouro é dinheiro se precisa de ouro para ter dinheiro e para ter poder, logo se não se tem ouro é preciso conseguir ouro, como? Pegando dos outros. À respeito das toras de madeira, se o dinheiro fosse lastreado em toras de madeira provavelmente não haveriam mais florestas na Europa ou as pessoas todas passariam à plantar árvores. Vale ressaltar que antes da independência americana eles lastrearam sua moeda no tabaco ; que tal você ir ler à respeito de outra experiência falha com 'commodity money'.

    Ué, (repare que eu escrevi basicamente) o que mantém o valor do dólar é o fato de que todo o petróleo do mundo é negociado em dólares. Quando o Sadam Hussein ameaçou fazer comércio em Euros, bye-bye Hussein. Quando o Ghadafi ameaçou fazer comércio com os dínares de ouro, bye-bye Ghadafi.

    O exemplo da água; água doce, por isso a referência à Amazônia. Se o FED precisasse de água doce e potável nos seus cofres nós iríamos receber sim uma visita nada agradável dos Marines. Se lastreássemos o real em figurinhas da Copa de 2006 sou um homem rico. Aliás, vale ressaltar que para os grandes banqueiros pouco iria mudar se introduzissem uma moeda lastreada no ouro, eles já possuem a maior quantidade de ouro no mundo e são acionistas das grandes mineradoras.

    O FED não é estatal. Foi idealizado em Jekyll Island por Warburg, apoiado por Rockefeller e cia. Se é estatal porque elas NUNCA permitiram fazer uma auditoria do FED? Você aqui se mostra equivocadíssimo, o FED é privado, tem os Greenspan, Bernanke, Yellen e cia que são apontados por pelo governo etc mas quem manda lá não é o governo. E quem manda lá não está interessado com o povo americano.

    À respeito da inflação da Alemanha; Hjalmar Schacht que era presidente do banco central Alemão mostrou que foi a especulação que derrubou a moeda, procure essa informação você mesmo. Especulação e não impressão descontrolada...

    archive.mises.org/15404/the-nightmare-of-1923-and-its-cause/ Leia o primeiro comentário

    Se um órgão é do governo mas é ocupado por pessoas contrárias aos interesses nacionais a organização é governamental somente no nome, como é o caso do BC brasileiro.

    Eu preciso achar o capítulo do livro para te dar melhores informações à respeito do sistema financeiro no EUA pré 1850. E agora estou sem tempo, e já passei por 100 páginas sem conseguir achar a informação que eu queria. Mas, pensemos no seguinte: você pensou na questão pragmatismo de deixar várias moedas diferentes circularem com moedas novas entrando e sendo usadas para pagar impostos etc. Se eu for pago com a moeda do Leandro em dezembro mas em janeiro o moeda é abandonada porque ela foi impressa demais. E se eu quiser usar uma moeda nova, a moeda Anderson, e chegar na padaria para comprar pão e doces com a moeda 'Anderson', eu se fosse o padeiro jamais iria aceitar isso, mais vale o dinheiro do banco imobiliário. O que tal aplicar a lei de Gresham para essa 'solução' de um mercado de moedas. Ou que tal se eu usar sua moeda mas não puder pagar impostos com ela?

    Real World Application 1 - Mises Theory 0

  • Felipe  27/04/2015 01:27
    "Aliás, pelo o que eu vejo você só manda artigos que relfetam a 'verdade' liberal, você não cogitou a possibilidade de que ela pode estar errada. Continuando..."

    Existe apenas uma verdade e se há algo de errado nos artigos então apresente ao invés de argumentar sem fundamento, o que é típico de idiotas ou esquerdistas.
  • Ayrton  24/05/2014 17:48
    "A alternativa é ter o GOVERNO imprimindo sua própria moeda, sem banqueiros inescrupulosos e investindo esse dinheiro em infra-estrutura ou no que ele precisa ser gasto. Assim os tributos podem ser reduzidos. Essa imprimida óbviamente tem de ser controlada"

    Coisa de gênio. O Brasil fazia acatamentos isso na década de 1980, e os tributos eram bem baixinhos...

    Aliás, TODOS os países -- sem exceção -- que adotaram este seu arranjo caíram na hiperinflação. Isso é tão óbvio que fico até sem graça de explicar: e você dá ao governo a liberdade de emitir, por que ele não irá fazer isso para cobrir suas despesas correntes?

    Todas as economias que adotaram esse modelo que você defende descambaram em hiperinflação. Todas!

    P.S.: o Leandro em momento algum disse que o estado tem o monopólio de emitir dinheiro. Ele foi claro ao falar que quem fisso emissão são os bancos. Aliás, ele fala isso com tanta freqüência (tanto em seus artigos quanto em seus comentários aqui) que devo confessar que já está até ficando chato. E você saberia disso se ao menos tivesse lidos os links que ele postou. Ele disse que o estado tem o monopolio sobre a moeda e não sobre a emissão da moeda.

    Deixe de ser caluniador barato, rapaz.
  • Ayrton  25/05/2014 00:35
    acatamentos = exatamente

    Corretor de iPad...
  • Anderson  25/05/2014 07:19
    "Coisa de gênio. O Brasil fazia acatamentos isso na década de 1980, e os tributos eram bem baixinhos..."

    Se o Brasil podia emitir sua própria moeda porque ele estava endividado? A dívida externa portanto tinha que ser detida pelo governo, o que não foi o caso. Todos os grandes projetos de infra-estrutura feito pelos militares (Itaipú etc) teriam de ter sido financiado com dinheiro que o governo emitiu; o que não aconteceu uma vez que nós emprestamos esse dinheiro!

    Com todo o respeito senhor Ayrton, essa sua afirmação demonstra uma ignorância tremenda nesse sentido. Se o governo tivesse o poder de emitir moeda ele não poderia estar endividado pois ele imprimiria ao invés de emprestar de um banco privado que também imprimiu...

    1- "TODOS os países - sem exeção" - quais?

    2- "Todas as economias que adotaram esse modelo que você defende descambaram em hiperinflação. Todas!" - quais?

    3- Qual é o interesse do governo em destruir sua própria moeda? O governo sabe que se imprimir demais o valor iria cair, se o valor cair a popularidade cai (como demonstrado recentemente na Argentina, Venezuela e até certo ponto, no Brasil). Portanto, para o governo não EXISTE NENHUM interesse em erodir o poder de compra da população. O mesmo não é o caso do setor financeiro privado que pode expandir a quantidade de moeda sendo o principal beneficiário uma vez que é o primeiro na linha à utilizar o crédito recém criado pois possui maior poder de compra do que aquela mesma quantia terá em um determinado tempo futuro. Aliás, quando o setor financeiro faz as cagadas e a inflação sobe a culpa sempre vai cair em cima do governo por incompetência na gestão economica etc...

    4- Caluniador?! Eu apenas afirmei o óbvio:
    "O Estado não possui o monopólio de emitir moeda. O Estado possui o monopólio para dizer o que pode ser usado como moeda, ou seja, legal tender. Fazer com que somente uma coisa seja válida para ser usado como moeda não é igual ao poder de poder emiti-la."

    Porque o camarada ali havia dito "Se você realmente acredita nisso" em reposta à "O estado não possui o monopólio da criação do dinheiro,"

    Portanto, ele equacionou erroneamente o monopólio de dizer o que pode ser usado como dinheiro com 'monopólio da criação do dinheiro', são duas coisas diferentes! Eu já havia escrito isso antes e bem claro por sinal: "O Estado possui o monopólio para dizer o que pode ser usado como moeda, ou seja, legal tender. Fazer com que somente uma coisa seja válida para ser usado como moeda não é igual ao poder de poder emiti-la."
  • Ayrton  25/05/2014 13:46
    "Se o Brasil podia emitir sua própria moeda porque ele estava endividado? [...] Com todo o respeito senhor Ayrton, essa sua afirmação demonstra uma ignorância tremenda nesse sentido. Se o governo tivesse o poder de emitir moeda ele não poderia estar endividado pois ele imprimiria ao invés de emprestar de um banco privado que também imprimiu..."

    Oh, boy, é sério isso? A dívida interna era totalmente desprezível. O problema era a dívida externa. O país estava endividado em dólares. Já ouviu falar dos petrodólares? Já ouvir falar sobre a extrema liquidez daquela época, decorrente justamente do fim do pouco que ainda restava do padrão-ouro?

    Se você desconhece tudo isso, não serei eu quem irá ensiná-lo, ainda mais num domingo. E ainda me chama de "tremendo ignorante". Se enxerga, ignaro.

    "TODOS os países - sem exeção" - quais?" ""Todas as economias que adotaram esse modelo que você defende descambaram em hiperinflação. Todas!" - quais?"

    Falei que era um ignaro.

    Brasil, Argentina, Peru, Bolívia, Nicarágua (década de 1980), Bulgária (1996-1997), Iugoslávia (1989-1994), Chile (década de 1970), Alemanha e Áustria (década de 1920), Hungria (1945), Grécia (1941), China (1947-1949), Bósnia (1992), Ucrânia (1992), Polônia (1923), Estônia, Lituânia e Letônia (início da década de 1990).

    Aqui vai uma lista com as 56 maiores hiperinflações da história.

    www.cato.org/sites/cato.org/files/pubs/pdf/hanke-krus-hyperinflation-table-may-2013.pdf

    Repito: o fato de você simplesmente desconhecer esses casos mostra o seu domínio do assunto,

    "Qual é o interesse do governo em destruir sua própria moeda?"

    Pergunte para os 56 governos dos países acima. Não se trata de uma teoria, mas de uma realidade.

    "Portanto, para o governo não EXISTE NENHUM interesse em erodir o poder de compra da população."

    Você vive num mundo paralelo. Esse "nenhum interesse" já ocorreu 56 vezes, e você ainda diz que está esperando um único exemplo. Quanta ignorância.

    Paro por aqui. É domingo e não estou nem um pouco a fim de dar aulas gratuitas.
  • Leandro  25/05/2014 13:54
    Pegando carona na paciência do Ayrton, vale ressaltar que foi apenas em 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que o Banco Central ficou proibido de comprar diretamente do Tesouro os títulos da dívida do governo. Está escrito lá, nos artigos 35 e 39:

    Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente.

    [...]

    Art. 39. Nas suas relações com ente da Federação, o Banco Central do Brasil está sujeito às vedações constantes do art. 35 e mais às seguintes:

    I - compra de título da dívida, na data de sua colocação no mercado, ressalvado o disposto no § 2o deste artigo;

    § 2o O Banco Central do Brasil só poderá comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira.

    O que isso quer dizer?

    Até o ano 2000, o Tesouro emitia um título da dívida que podia ser comprado diretamente pelo BACEN. Tal medida fazia com que o dinheiro criado pelo BACEN fosse diretamente para o Tesouro, e dali para toda a economia, sem passar pelo mercado de crédito.

    Além disso, o Anderson parece desconhecer até mesmo a Conta Movimento, do Banco do Brasil. O governo sacava dinheiro diretamente do Banco do Brasil (para cobrir absolutamente qualquer gasto que quisesse) e o Banco do Brasil sacava esse dinheiro livremente do Banco Central. Ou seja, na prática, o BACEN monetizava o Tesouro.
  • Anderson  25/05/2014 22:51
    Petrodólares, nunca ouvi falar; por isso eu disse que o que sustenta o valor do dólar é que todo o petróleo é comercializado em dólares e que quando o Hussein e o Gaddafi ameaçaram mudar foram derrubados, eu escrevi isso é só ler.

    Bacana sua lista mas e daí? Mostra os países que tiveram inflação alta e não por causa de imprimir sua própria moeda. Aliás, para os dois, quando eu digo imprimir sua própria moeda eu não digo fazer um empréstimo de uma estatal (BB) e financiar um projeto, eu digo financiar com dinheiro e não com crédito. Crédito = dívida, dinheiro = livre de dívida. Ou seja, quando o governo quer construir uma ponte ao invés de emprestar dinheiro seja de um banco ou emitir títulos, ele, por falta de uma palavra melhor, imprime esse dinheiro, sem dívida e investe no projeto.

    Desde os Greenbecks Americanos eu não sei de nenhum outro país que tenha imprimido sua própria moeda, sem dívidas.

    Existe desemprego; é do interesse do governo desemprego? Eu posso te mostrar 300 países com desemprego HOJE e isso não prova que o governo desses países quer fazer com que a população fique no desemprego...
    Mesma coisa com a inflação, ela já ocorreu em grande em escala em vários países como sua lista mostrou, sim. Isso não desqualifica minha afirmação que não é de interesse do governo ter inflação. Me mostre que esses 56 países, ou que nessas 56 vezes o governo estava imprimindo sua própria moeda, sem dívida, como os Greenbacks americanos da guerra e eu reconhecerei meu equívoco.

    Abraço

    Caro Leandro,

    Eu te perguntaria, esses 2 artigos, que bom para os bancos né, agora temos de emprestar deles e ir cedendo cada vez mais nossa soberania.

    Para onde ia o dinheiro que o governo pagava para o BC? O FED privado distribui um valor irrisório do seu lucro para o tesouro americano e o resto vai para os acionistas daquela organização. O mesmo acontecia com o BC?

    Eu acho que talvez eu não tenha me explicado direito... o governo emitindo sua própria moeda quer dizer que o governo não contrai dívidas para financiar certas coisas. Emprestando de um órgão estatal o governo ainda estará endividado. Como era no caso antes de 2000.
  • Sperandio  26/05/2014 10:41
    "Bacana sua lista mas e daí? Mostra os países que tiveram inflação alta e não por causa de imprimir sua própria moeda."

    Ué, como assim? O que causou a hiperinflação foi justamente o fato de imprimirem dinheiro a taxas exponenciais. Não há outra maneira de haver hiperinflação que não seja a impressão de dinheiro a taxas exponenciais. Eis aqui a monografia completa de onde a lista foi tirada.

    "Aliás, para os dois, quando eu digo imprimir sua própria moeda eu não digo fazer um empréstimo de uma estatal (BB) e financiar um projeto, eu digo financiar com dinheiro e não com crédito. Crédito = dívida, dinheiro = livre de dívida. Ou seja, quando o governo quer construir uma ponte ao invés de emprestar dinheiro seja de um banco ou emitir títulos, ele, por falta de uma palavra melhor, imprime esse dinheiro, sem dívida e investe no projeto."

    Todos os arranjos supracitados de hiperinflação ocorreram em um cenário em que o Banco Central tinha liberdade de criar dinheiro e jogar diretamente esse dinheiro na economia. Se você não quer aceitar esse fato, não posso fazer nada.

    De resto, deixo aqui algo para você pensar:

    Há três tipos de arranjos monetários possíveis:

    1) Um padrão-metálico, em que o dinheiro é commodity: nesse arranjo, qualquer pessoas pode "fabricar" seu dinheiro (por exemplo, escavando ouro de minas), e o dinheiro entra na economia sem ser por meio de endividamento.

    2) Arranjo em que o BC joga dinheiro diretamente na economia: nesse arranjo, o dinheiro também não é criado por meio de dívida, mas, justamente pelo fato de o governo ter liberdade de se autofinanciar irrestritamente, tal arranjo sempre descambou em hiperinflação.

    3) Arranjo em que são os bancos que jogam o dinheiro na economia: neste arranjo, todo o dinheiro existente é resultado de endividamento.

    O arranjo 2 tem a "vantagem" de não elevar o endividamento, mas sempre se degenera em hiperinflação (fato histórico e empiricamente confirmável).

    O arranjo 3 tende a gerar altos endividamentos, mas não tem a tendência de gerar hiperinflação. Afinal, para haver hiperinflação neste arranjo, as pessoas e as empresas teriam de se endividar exponencialmente, algo um tanto difícil.

    No que mais, não é do interesse dos bancos gerar hiperinflação. Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

    "Desde os Greenbecks Americanos eu não sei de nenhum outro país que tenha imprimido sua própria moeda, sem dívidas."

    Pesquise sobre o endividamento dos países que vivenciaram a hiperinflação acima. Pesquise sobre o endividamento em relação ao PIB do Brasil, da Bolívia e do Peru na década de 1980. (Não, não mais ficarei fornecendo links para você; já chegou a hora de você parar de receber as coisas na mão e começar a se esforçar um pouquinho).

    "Para onde ia o dinheiro que o governo pagava para o BC? O FED privado distribui um valor irrisório do seu lucro para o tesouro americano e o resto vai para os acionistas daquela organização. O mesmo acontecia com o BC?"

    Sim, exatamente o mesmo ocorre com o BC. Seus eventuais lucros operacionais são remetidos ao Tesouro.

    Ah, e os lucros que o Fed remete ao Tesouro estão longe de ser "irrisórios". Com efeito, são maiores do que o que recebem os próprios acionistas. Não precisa confiar em mim, não. Pode ir à fonte.

    www.reuters.com/article/2013/03/15/us-usa-fed-financials-idUSBRE92E0QV20130315
  • Hay  26/05/2014 12:06
    . Me mostre que esses 56 países, ou que nessas 56 vezes o governo estava imprimindo sua própria moeda, sem dívida, como os Greenbacks americanos da guerra e eu reconhecerei meu equívoco.

    Bem, vamos lá:

    1) Hungria: Impressão de dinheiro para tentar "reativar" a economia, em frangalhos após a destruição causada pela 2a. Guerra Mundial.
    2) Zimbábue: Nem preciso comentar mais nada. Impressão de dinheiro exacerbada.
    3) Iugoslávia: Impressão de dinheiro para financiar o governo.
    4) Sérvia: Idem Iugoslávia, já que esta era parte da Iugoslávia.
    5) Alemanha: República de Weimar. Impressão de dinheiro. Hiperinflação.
    6) Grécia: Impressão de dinheiro, pelo mesmo motivo que a Hungria.

    Só precisei de pesquisas rápidas para refrescar a memória. Parei no número 6 porque, bem, acho que já é suficiente, não é mesmo? Nos 6 piores casos de hiperinflação, houve impressão de dinheiro. ALiás, o "sem dívida" ali em cima não faz sentido algum, já que a hiperinflação não depende da existência ou não de dívidas para acontecer.
  • Crítico  27/04/2015 14:32
    Anderson, além dos pontos já apontados por outras respostas aos teus comentários, acho válido ressaltar que você ignora o principal motivo pelo qual o arranjo que você propõe não deveria ser considerado uma opção:

    O "Governo" nada mais é do que um grupo de pessoas que possuem seus próprios interesses assim como qualquer outro ser humano.

    Sua contra-argumentação lógica é defender o fato de que eles "foram eleitos democraticamente" mas acredito que você não é ingênuo o bastante para acreditar que receber votos faz de alguém uma pessoa mais inteligente, justa ou bem intencionada. Recomendo uma pesquisa sobre a teoria da escolha pública se te interessa saber mais a respeito.

    Relegar o poder de criar dinheiro à um grupo seleto escolhido por uma suposta "maioria" é ainda mais temerário do que distribuir este poder para todo e qualquer cidadão de uma sociedade. Afirmar o contrário seria concordar que um sub-grupo da população é confiável, mas o total não o é. Ou você talvez defenda que o processo democrático é uma ferramenta perfeita de seleção de pessoas confiáveis. Eu particularmente acredito que esta afirmação já foi bastante refutada pelos noticiários do dia a dia.

    Um vigarista criando dinheiro sem valor certamente causará danos à algumas pessoas, mas um governo monopolista criando dinheiro de maneira indiscriminada causará danos à TODAS as pessoas (exceto aos integrantes e camaradas do governo obviamente). E não seja ingênuo a ponto de achar que o governo vai ter controle na criação deste dinheiro, pois ele não tem nem conhecimento suficiente nem a necessidade de ser sensato neste aspecto. Vide os exemplos citados em outras respostas de hiperinflação. Um governo democrático não precisa fazer bem para seu povo, ele só precisa conseguir votos e, neste aspecto, ideologia falaciosa, propaganda e discursos costumam ser bastante efetivos.

    Por favor, reveja teus conceitos e entenda que Governo não é Povo. Estado não é uma entidade: São pessoas, e geralmente não são as melhores ou mais bem intencionadas das pessoas. Proporcionar poder e privilégios para o Governo não é o mesmo que o fazer para o povo, na verdade é o oposto disso.

    Obrigado pela tua atenção e espero que você entenda que não existe um grupo iluminado de pessoas que salvarão o mundo com sua sabedoria. Apenas a garantia de liberdade individual e a igualdade perante a lei são garantias de prosperidade e criação de riqueza. Governos são a antítese de tudo isso.
  • Adelson Paulo  26/04/2015 19:53
    Excelente artigo. Creio mesmo que a inflação é a maior aliada dos economistas liberais, e a maior inimiga dos populistas. O descontrole das contas públicas causa invariavelmente a inflação, que depois de instalada dificilmente é debelada, apenas com muitos sacrifícios de toda a nação. E a inflação é um fardo mais pesado exatamente para os mais humildes, os mais pobres. Se não ocorresse a inflação, ou se fosse fácil controlá-la, os governos populistas e gastadores ganhariam todas as eleições no mundo.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  26/04/2015 21:46
    Lógica implacável. Esse pensamento deveria ser a base de qualquer "política" econômica lúcida. Aliás, me pergunto se deveria existir uma "política econômica". Acredito que isso seja mais um ensinamento estatal sobre "necessidades" inexistentes. A moeda forte e inflação zero deveriam ser dois objetivos básicos de qualquer nação. O Instituto Mises Brasil deveria ser mais divulgado em redes sociais, principalmente. Aliás, em qualquer local.
  • Silvio  27/04/2015 17:22
    Quanto vejo os comentário aos artigos do IMB no Facebook tenho um desgosto tão grande que até dá vontade de chorar.
  • Jarzembowski  27/04/2015 18:29
    Verdade!
    Engraçado como o pessoal de lá não é o mesmo daqui.
    A argumentação no Facebook do mises.org.br ainda está no nível de "o terrível capitalismo opressor que explora o trabalhador".


  • Cassim  27/04/2015 20:09
    Não utilizo o Facebook, mas minha sugestão é justamente copiar os melhores comentários daqui e postá-los lá. O nível da discussão é tão baixo no FB que qualquer coisa que o pessoal discute, refuta e faz posicionamento na sessão de comentários do IMB já seria suficiente para oferecer argumentos fáceis a quaisquer usuários do FB que quisessem refutar os paraquedistas (que são os únicos que justamente comentam no material do portal no Facebook).

    O nível de discussão no Brasil é baixo. Muito baixo. Os jovens daqui beiram à demência e seus mentores intelectuais mostram sinais de megalomania e psicopatia em seus quasi-dogmas sempre que questionados.
  • Kant  27/04/2015 14:14
    Finalmente vocês terão um experimento no mundo real:
    Liberland

    Segundo o que leio aqui, deveremos ter em breve o país mais próspero do mundo, é sentar para ver.
  • Schopenhaeur  27/04/2015 15:35
    Boa tentativa, mas revelou apenas ignorância.

    Não posso falar em nome de terceiros, mas ao menos este instituto jamais afirmou que "basta ocupar uma faixa ínfima de terra, e este espaço será a maior potência do planeta". Tal afirmação não faz absolutamente nenhum sentido.

    Para que um lugar prospere, independentemente de seu tamanho, é necessário que haja divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Se todos estes pré-requisitos forem seguidos em Liberland, e se nenhum governo externo resolver boicotar essa região (por exemplo, impondo boicotes e tarifas ao livre comércio com a região), então de fato há chances de sucesso.

    Agora, se esses pré-requisitos forem ignorados e o local se tornar um mero aglomerado de pessoas sem rumo, então não há motivo nenhum para haver qualquer tipo de sucesso.
  • anônimo  09/07/2015 10:56
    Quem revelou ignorância foi vc.
    'Não posso falar em nome de terceiros, mas ao menos este instituto jamais afirmou que "basta ocupar uma faixa ínfima de terra, e este espaço será a maior potência do planeta".'

    Onde é que alguém disse isso?Sua preguiça de ler é tão grande que inventa um espantalho dos mais ridículos.Clicando no link lá aparece em letras garrafais 'só aceita cidadãos que respeitem a liberdade'.E não podia ser diferente uma terra que começa se chamando 'LIBERland'...
  • Marcio Cajado  27/04/2015 15:55
    "Se aqueles que alegam estar falando em nome da justiça social nada fizerem para protestar contra isso, seu silêncio pode ser interpretado de apenas duas maneiras: ou eles não entendem absolutamente nada sobre como funciona o atual sistema monetário, o que significa que eles nunca se interessaram em pesquisar e estudar sobre o assunto; ou eles de fato leram, estudaram e entenderam perfeitamente bem, o que significa que eles estão ignorando de maneira cínica uma grande fonte de desigualdade e pobreza simplesmente porque provavelmente estão se beneficiando deste sistema."

    Eu acredito na segunda hipótese...
  • Antônio  08/07/2015 19:34
    Vocês do Mises.org.br nunca citam que o Estado também pode ser um empreendedor.

    Leio o livro da Mariana Mazzucato - O Estado empreendedor: Desmascarando o mito do setor público vs. setor privado - nele ela desmistifica essa ideia de que o Estado não cria riqueza, com evidências:
    www.amazon.com.br/Estado-empreendedor-Desmascarando-p%C3%BAblico-privado-ebook/dp/B00P9SLCY6/ref=sr_1_1?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1436383637&sr=1-1&keywords=estado+empreendedor
  • Conselheiro  08/07/2015 19:57
    O estado pode sim ser um empreendedor. Isso nunca foi negado por este site. Agora, é virtualmente impossível ele ser um bom empreendedor.

    E os argumentos foram exaustivamente listados aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=84
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1754
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1180
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1993

    E os seus argumentos em prol de um estado empreendedor competente, quais são? Aliás, cite aqui uma lista de governos reconhecidamente empreendedores, que criaram várias riquezas para o mundo.

    Feito isso, diga o que podemos fazer (quero soluções concretas) para tornar o estado brasileiro um empreendedor de altíssimo gabarito mundial. Podemos fazer isso com Dilma mesmo ou temos de trocá-la por alguém de PSOL? Mantemos o BNDES (que tem sido excelente em criar riqueza...) ou criamos outra instituição? Vamos usar impostos ou endividamento público?

    Sigo no aguardo das soluções práticas (as quais, tenho certeza, você tem na ponta da língua).

    Para ajudar na sua argumentação, não se esqueça de citar dados, fatos, argumentos e teorias.


    Por fim, sobre Mazzucato:

    fee.org/freeman/detail/the-government-rd-canard

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1726

    mises.org/library/government-spending-innovation-true-cost-higher-you-think

    mises.org/library/entrepreneurial-state-anything
  • anônimo  08/07/2015 20:09
    Você e a autora caem naquilo que Bastiat já tinha dito: "o que vemos e o que não vemos"

    Você vê o estado gastando bilhões para desenvolver alguma merda.

    O que você não vê é as invenções que deixaram de existir porque o estado tirou recursos da população.

    Um exemplo claro é os EUA. OS estadistas citam várias invenções proporcionadas pelo exercito americano, mas esquecem de citar os custos para isso. São trilhões de dólares gastos pelo governo americano nas últimas décadas só com o exercito. Tem noção disto? Quanto desse dinheiro poderia ter sido aplicado nas indústrias voltadas ao consumo? Quantas inovações que prestariam ao consumidor deixaram de existir?
  • wilmar  02/03/2016 14:52


    Infelizmente o artigo coloca a figura do negro quando se fala em desigualdades sociais.Isso é racismo. Não é somente o negro afetado, e sim outras raças, tembem.





  • Tiago Marques  10/03/2016 04:00
    Sou formado em Ciências Sociais, e recentemente fui aprovado no concurso para professor de Sociologia, irei lecionar numa cidade de aproximadamente 45 mil habitantes. Pois bem,me livrei da literatura marxista há um pouco mais de um ano, e isso me rendeu várias exclusões no Fecebook..hehe, meu primeiro livro fora da literatura mediocre e que cega, foi a Riqueza das Nações, o que me despertou uma outra visão sobre a política e a economia. Conheci esse site há pouco meses, e estou me deliciando com a riqueza de artigos bem elaborados, porém, ainda tenho dificuldades em compreender alguns termos do economês, gostaria de sugestões de livros de autores liberais para pode iniciar, pois pretendo me especializar e trabalhar em sala de aula com uma Sociologia mais econômica, fora daqela sociologia hestérica e militante que presenciei durante meu curso. Desde já agradeço.
  • Fernando  10/03/2016 10:48
    Eu feliz por saber que o socialista tem cura.

    Em breve teremos um método acadêmico e cientifíco de cura coletivista e igualitária.
  • Valter Borges  03/12/2016 19:11
    Cientista Social interpreta a sociedade e não cria a ilusão de tentar justifica-la.
    Interpretar significado construir um senso crítico que envolva todos na sua análise e não apenas alguns.


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