A economia brasileira em 2013 - um resumo de final de ano
por , quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

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01TombMant_450x300_DidaSampaio.jpgSe 2012 foi o ano em que as intervenções do governo federal na economia adquiriram um ritmo frenético (ver detalhes completos aqui e aqui), 2013 foi o ano em que colhemos as inevitáveis consequências deste frenesi. 

Desde que assumiram a presidência, em janeiro de 2011, Dilma Rousseff e sua equipe econômica declararam abertamente — e para o total regozijo de seus defensores — que o Brasil iria adotar uma "Nova Matriz Econômica".  O real mentor desta política foi o ex-secretário executivo da Fazenda, Nelson Barbosa, mas foram Guido Mantega e Márcio Holland seus mais entusiasmados defensores.

Esta "nova matriz" era, na realidade, incrivelmente velha e se baseava em cinco pilares tão sólidos quanto farofa: política fiscal expansionista, juros baixos, crédito subsidiado, câmbio desvalorizado e aumento das tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional.

Segundo os proponentes desta "nova matriz", a combinação destes cinco elementos garantiria ao país taxas de investimento típicas do leste asiático, crescimento econômico chinês, aumento da renda de fazer inveja aos outros países em desenvolvimento e um setor industrial de robustez alemã.  Tenha a bondade de conferir a entrevista concedida por Márcio Holland, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

E, de fato, não se pode acusar o governo de inépcia.  Todas as políticas prometidas foram cumpridas.

Os déficits orçamentários foram crescentes (o governo conseguiu a façanha de apresentar déficits primários durante dois meses seguidos), as tarifas de importação atingiram seu maior nível pós-plano real, os subsídios concedidos pelo BNDES alcançaram recordes históricos, a taxa SELIC foi mantida durante seis meses em seu menor valor desde o Plano Real, a desvalorização da taxa de câmbio foi quase tão acentuada quanto a ocorrida durante a crise de 2008, e o endividamento da população chegou a níveis recordes.

O que tudo isso gerou?  A consequência mais notável foi o fato de que a inflação de preços chegou a níveis não vivenciados desde 2003.  E, não apenas o governo inicialmente nada fez contra isso, como ainda seguiu aferrado à ideia de que "mais inflação gera mais crescimento", o que fez com que ele passasse a ser corretamente acusado de leniência para com a inflação.

A verdadeira inflação de preços no Brasil

Se você também tem a sensação de que a inflação de preços no Brasil está aumentando a uma taxa muito maior do que a divulgada pelo IBGE, saiba que esta sua sensação é real.  Os preços dos bens com os quais você lida diariamente de fato aumentaram sensivelmente este ano, e a uma taxa bem acima da inflação oficial divulgada pelo IBGE. 

Esta informação sobre o nível da inflação de preços pode parecer estranha, pois não é amplamente divulgada pela mídia.  A realidade, no entanto, é que a mensuração dos preços no Brasil está amplamente disponível para quem quiser ver.  Justiça seja feita, o IBGE de fato divulga este aumento.  O problema é que a imprensa lamentavelmente se encarrega de divulgar apenas o valor final ponderado.

Explico melhor: a inflação acumulada em 12 meses para os bens não-comercializáveis — ou seja, todos os produtos e serviços que não sofrem concorrência de importados — está acima de 8,20%, e com picos de 9,70%.

Isso significa que os preços de todos os serviços — desde serviços médicos até serviços pessoais, como manicure, cabeleireiro e cursos, passando por coisas como estacionamento, lavagem de carro, serviços mecânicos, consertos e manutenção — e de bens como produtos in natura, alimentação fora de casa, aluguel, despesas com habitação, recreação, cultura, livros, matrícula e mensalidade escolar estão crescendo a uma taxa acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central (6,50%), e muito acima do valor da inflação oficial divulgada pelo IBGE (5,77% em novembro).

Os dois gráficos a seguir mostram a evolução da taxa de inflação de preços dos bens não-comercializáveis.  O primeiro gráfico mostra a taxa mensal e o segundo mostra a taxa acumulada em 12 meses.

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Gráfico 1: taxa da inflação mensal de preços dos bens não-comercializáveis

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Gráfico 2: taxa da inflação de preços acumulada em 12 meses dos bens não-comercializáveis

São esses os preços que você sente diariamente sempre que utiliza algum serviço ou quando adquire algum bem que não sofre a concorrência de importados.  Observe que, em meados do ano, tais preços cresciam ao ritmo de 9,70% ao ano, o maior ritmo desde 2003 e o segundo maior desde 1998.  Estavam corretas aquelas pessoas que afirmaram que uma das causas dos protestos de junho deste ano era a disparada da inflação de preços. 

No entanto, como o IBGE só divulga para a imprensa o valor ponderado de cada item, e dado que o peso atribuído aos preços dos serviços que são controlados pelo governo (taxa de água e esgoto, energia elétrica, gás de bujão, transporte público, combustíveis, plano de saúde, pedágio, licenciamento, IPTU, IPVA) é relativamente alto, o número final da inflação total acaba sendo arrefecido, fazendo com que o valor divulgado da inflação de preços total não seja tão grande quanto o que você realmente sente.

Os dois gráficos a seguir mostram a evolução da taxa de inflação de preços dos bens monitorados pelo governo.  O primeiro gráfico mostra a taxa mensal e o segundo mostra a taxa acumulada em 12 meses.

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Gráfico 3: taxa da inflação mensal de preços dos serviços monitorados pelo governo

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Gráfico 4: taxa da inflação de preços acumulada em 12 meses dos serviços monitorados pelo governo

Observe como eles estão sendo artificialmente mantidos no nível mais baixo desde os primórdios do real.

Uma das consequências desta política de "inflação reprimida" pode ser vista atualmente na situação da Petrobras.  De um lado, a desvalorização do real perante o dólar encareceu sobremaneira o preço do petróleo importado; de outro, a estatal foi proibida pelo governo de aumentar o preço da gasolina que ela revende às distribuidores, pois isso afetaria substantivamente o índice geral de preços.

Resultado: queda acentuada nos lucros, endividamento recorde da empresa, rebaixamento de seus títulos de longo prazo e, segundo a administradora de investimentos americana Macroaxis, 32,4% de probabilidade de falência.

O outro lado da encrenca está no setor elétrico.  Após obrigar as concessionárias a reduzir as tarifas, o governo teve de arcar com os rombos nos balancetes destas empresas.  A dívida pública aumentou R$31 bilhões apenas para bancar este populismo.

Uma palavra sobre o BNDES e as manobras contábeis do Tesouro

Antes de darmos prosseguimento à análise das outras variáveis da economia, é importante o seguinte parêntese: um dos principais causadores do descalabro inflacionário apresentado acima atende pelo nome de BNDES. 

O BNDES, quando despido de toda a propaganda ideológica, não passa de uma perniciosa máquina de redistribuição de renda às avessas.  Uma vez que você entende como realmente funciona este suposto banco de desenvolvimento, torna-se claro seu mecanismo espoliativo.

Originalmente, os recursos do BNDES eram oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador — fundo destinado a custear o seguro-desemprego e o abono salarial).  Só que, dado que os recursos do FAT advêm das arrecadações do PIS e do PASEP, na prática os recursos do BNDES eram originados dos encargos sociais que incidem sobre a folha de pagamento das empresas.  Esse dinheiro era então direcionado para as grandes empresas a juros subsidiados.

Este arranjo, por si só, já denota um grande privilégio.  Por que, afinal, as pequenas empresas devem financiar os juros subsidiados das grandes empresas?

O problema é que essa matriz, já ruim, foi alterada para pior a partir de 2009.  Se antes o BNDES se financiava exclusivamente via impostos, agora ele passou a se financiar também via inflação monetária.

Funciona assim: como o BNDES não tinha todo o dinheiro que o governo queria destinar a seus empresários favoritos — como o multifacetado Senhor X —, o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para complementar os empréstimos. 

E quem compra esses títulos?  O sistema bancário.  Como ele compra?  Criando dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionárias. 

O gráfico a seguir mostra a evolução dos empréstimos do BNDES, atualmente com um saldo de R$500 bilhões.  Observe a guinada ocorrida em meados de 2009.

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Gráfico 5: evolução dos empréstimos concedidos pelo BNDES. A linha vermelha representa a soma da linha azul (empresas) com a linha verde (pessoas físicas). O valor final para o ano de 2013 ainda não foi divulgado.

Portanto, além de aumentar o endividamento do governo, este mecanismo utilizado pelo Tesouro para financiar o BNDES também aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  Logo, ele espolia duplamente os mais pobres: destrói o poder de compra da moeda e ainda utiliza os impostos dos pequenos para financiar empresários ricos.

Essas consequências duplamente perniciosas já foram detalhadamente explicadas por Fernando Ulrich neste seu importante artigo, de modo que não irei repeti-lo aqui.  Basta apenas dizer que essa operação elevou substancialmente a dívida bruta do governo (já em quase R$3 trilhões), o que acendeu a luz das agências de classificação de risco que já estão ameaçando rebaixar a classificação dos títulos da dívida brasileira. 

E a primeira consequência desta ameaça já está sendo sentida: como alertou a consultoria Tendências, os títulos do Tesouro brasileiro já estão pagando um "seguro contra calote" mais alto do que os títulos de Itália, Espanha e Irlanda.  Este seguro é conhecido pela sigla CDS (Credit Default Swap), e fica mais caro à medida que cresce o risco de um título.

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O que colhemos

E quais as consequências de tudo isso que vivenciamos em 2013?

Além da perda de credibilidade da atual equipe que comanda o Banco Central e da chacota internacional em que se transformou o Ministério da Fazenda, a leniência do governo para com a inflação e seu intervencionismo exacerbado fizeram com que o tão prometido crescimento econômico impulsionado pelo acentuado aumento dos investimentos não ocorresse; com que a taxa de crescimento do consumo — medido pelas vendas do varejo — caísse à metade e apresentasse o pior resultado em 10 anos; e com que a massa salarial registrasse a menor alta desde 2009, ano em que o país estava em recessão.

No momento em que o governo transmite a ideia de que a inflação de preços não será devidamente combatida, cria-se uma grande insegurança, o que faz com que o investimento seja sensivelmente afetado.  Isso é algo lógico: para que um empreendedor decida fazer um investimento de longo prazo, é imprescindível que ele tenha um mínimo de certeza a respeito do valor futuro da moeda.  Mas se você tem um governo que seguidamente dá demonstrações de que a manutenção do poder de compra da moeda está longe de ser uma grande preocupação, e que está disposto a tolerar taxas continuamente altas de inflação de preços, então fazer investimentos produtivos se torna uma opção extremamente arriscada.  O cálculo dos custos em relação à receita futura estimada se torna um perigoso jogo de adivinhação.  É preferível comprar um título do governo e viver de juros.  É muito mais seguro.

Essa postura de cautela em relação aos investimentos afeta o crescimento da renda e, consequentemente, o consumo das pessoas.  Para completar o cenário de pasmaceira, temos o fato de que o endividamento da população chegou a níveis recordes, o que vem afetando a taxa de crescimento do crédito.

Crédito x emprego

No nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada (na verdade, meros dígitos eletrônicos), emprestam este dinheiro e cobram juros sobre eles. Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.   

E é esse processo de aumento da quantidade de dinheiro o que de fato governa os principais números da economia, como PIB, emprego, renda e inflação de preços.  Um aumento da quantidade de dinheiro na economia, gerado pela criação de crédito bancário, aumenta a demanda por consumo, por mão-de-obra e estimula investimentos.  Ele faz com que, no primeiro momento, haja uma grande sensação de prosperidade.  A renda nominal aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

Consequentemente, a expansão do crédito faz aumentar a demanda por mão-de-obra em todos os setores da economia, desde indústria e construção civil até os setores de serviço, varejista e comércio em geral.  Todos passam a requerer mais mão-de-obra e mais recursos por causa do aumento generalizado da demanda gerada pela expansão do crédito. 

Essa disputa por mão-de-obra e por recursos leva ao encarecimento de ambos.  E isso estimula os números do PIB, do emprego, da renda e da inflação de preços.

Mas, para se manter esta taxa de "crescimento econômico", é necessário que a expansão do crédito ocorra a uma taxa crescente.  Somente um aumento contínuo do crédito, ou seja, somente uma aceleração do crédito permite que os empreendedores de todos os setores mantenham ou aumentem sua força de trabalho e mantenham ou aumentem seus estoques e suas aquisições de bens de capital a serem utilizados em novos investimentos. 

Somente uma expansão crescente do crédito permite aos empreendedores continuarem adquirindo mão-de-obra, bens de capital e acumulando estoques, uma vez que esta mesma mão-de-obra e estes mesmos bens de capital estão sendo demandados por todos os setores da economia, justamente em decorrência do aquecimento gerado pela expansão do crédito.

Isso gera uma queda no desemprego e um aumento nos preços e nos salários, o que leva à necessidade de expandir ainda mais rapidamente o crédito para que seja possível manter este ciclo.  Com o tempo, obviamente, toda esta expansão do crédito irá levar tanto a um aumento do endividamento quanto a um acentuado aumento nos preços, o que fará com que o Banco Central suba os juros para "esfriar" essa atividade econômica.  Caso a expansão do crédito seja reduzida — e vale dizer que não é necessário que haja contração do crédito; basta apenas que ele passe a crescer a taxas menores —, todo este arranjo "virtuoso" (na realidade, totalmente artificial) se arrefece.

Algo que vem chamando muita atenção é a resiliência do emprego.  Mesmo com o PIB estagnado, a taxa de desemprego se mantém estável em níveis historicamente baixos.  Mas há explicações. 

A primeira é que, como foi explicado em detalhes neste artigo, os reais valores do desemprego estão bastante subestimados, e por uma mera questão de metodologia utilizada pelo IBGE.  No entanto, pelo bem do debate e para evitar quaisquer acusações de manipulação, vamos aqui nos ater exatamente aos números coletados pelo IBGE.

O gráfico a seguir mostra a evolução do crédito total concedido ao setor privado (linha vermelha, eixo da esquerda) e o número de empregados no setor privado (linha azul, eixo da direita), segundo o IBGE.  O crédito total abrange todo o crédito concedido ao setor industrial, ao setor comercial, ao setor de serviços, ao setor rural, à compra de imóveis, e às pessoas físicas.

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Gráfico 6: Evolução do crédito total concedido ao setor privado (linha vermelha, eixo da esquerda) e o número de empregados no setor privado (linha azul, eixo da direita), segundo o IBGE.

Analisando os números absolutos, este gráfico não diz muita coisa.  Por isso, o melhor procedimento é fazer um gráfico que mostra a taxa de crescimento anual do crédito total ao setor privado e a taxa de crescimento anual do total de empregados no setor privado (o que deixa de fora os empregos no setor público).

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Gráfico 7: taxa de crescimento anual do crédito ao setor privado (linha vermelha; eixo da esquerda) vs. taxa de crescimento do emprego no setor privado (linha azul; eixo da direita)

O mecanismo da expansão do crédito descrito acima pode ser observado no gráfico.  Quando o crédito (linha vermelha) está acelerado, o emprego no setor privado (linha azul) cresce.  Quando ele estagna, o crescimento do emprego arrefece.  E quando o crédito se desacelera subitamente, o emprego se contrai (vide 2009). 

O crescimento do crédito no Brasil se estagnou no primeiro semestre de 2011 e começou a desacelerar no segundo semestre.  O crescimento do emprego foi junto.  Se em 2010, ano da forte acelerada no crédito (a taxa de crescimento anual passou de 12% em novembro de 2009 para 21% em novembro de 2010, aceleração de 75% em um ano), o emprego chegou a crescer a taxas maiores que 6%, atualmente, com o crescimento do crédito tendo arrefecido para 14% ao ano, o emprego está crescendo à módica taxa de 0,75% ao ano.  A taxa da expansão do crédito ainda está definitivamente alta para os padrões americanos e europeus, mas é a mais baixa desde fevereiro de 2010.

(Aquela recuperação pontual do emprego observada no segundo semestre de 2012 se deve provavelmente à prorrogação das isenções fiscais concedidas pelo governo à indústria e ao comércio).

Podemos apenas especular o que está causando a desaceleração do crédito.  A hipótese mais robusta é aquela que aponta para uma combinação entre endividamento excessivo da população, perda de confiança — tanto por parte dos bancos quanto por parte da população — quanto ao futuro da economia, e a inadimplência em níveis recordes (o que, além de afetar os balancetes dos bancos, torna-os mais cautelosos).

O gráfico abaixo mostra o nível de endividamento das famílias em relação à sua renda acumulada nos últimos doze meses (linha azul) e os gastos das famílias com o serviço de suas dívidas — ou seja, juros e amortização — em relação à sua renda mensal (linha vermelha).  De acordo com as últimas estatísticas, o endividamento das famílias é de mais de 45% da sua renda acumulada em doze meses, e os gastos das famílias para cumprirem o serviço de suas dívidas é de quase 22% de sua renda mensal.

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Gráfico 8: nível de endividamento das famílias em relação à sua renda acumulada nos últimos doze meses (linha azul); gastos das famílias com o serviço de suas dívidas — juros e amortização — em relação à sua renda mensal (linha vermelha).

Tal nível de endividamento levou a uma inadimplência total de R$85 bilhões, um recorde.

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Gráfico 9: inadimplência dos brasileiros junto ao sistema financeiro

Conclusão

A economia brasileira está simplesmente colhendo o que plantou nos últimos três anos, quando a atual equipe econômica decidiu "inovar" e apostar na velha "nova matriz econômica".

Com as contas do governo em descontrole, com a dívida pública se aproximando dos 60% do PIB (isso na metodologia adotada a partir de 2008; na metodologia utilizada até 2007, o valor está em 65% do PIB), com os títulos da dívida já sendo punidos no mercado estrangeiro, com o real dizimado perante o dólar e o euro, com os juros em alta (no maior patamar em 18 meses), com a inflação muito acima do centro da meta, com o custo de vida em ascensão, e com quase 70% dos lares com algum tipo de dívida, é difícil visualizar uma súbita recuperação sem antes passarmos por alguma correção mais robusta.  Enquanto estas variáveis não forem equacionadas, não há grandes perspectivas para o crescimento econômico.

Eis uma notícia interessante, que mostra bem as consequências de um modelo de crescimento baseado apenas na expansão do crédito:

Os brasileiros [pessoas físicas] chegam ao fim de 2013 devendo — somente aos bancos — um total de pouco mais de R$ 1,2 trilhão, o maior saldo da história, segundo dados do Banco Central (BC)

A situação das finanças domésticas se complica porque, com base nos números do BC sobre as operações de crédito, os consumidores têm mergulhado nas dívidas mais caras do mercado.

O saldo devedor do cheque especial, por exemplo, é o maior já registrado, com alta acumulada de 20,9% no ano. Os débitos com o cartão de crédito na modalidade rotativa — quando se quita apenas o valor mínimo da fatura — cresceram 6,2% nos 10 primeiros meses, mais do que os pagamentos à vista com cartão, nos quais não incidem juros, com alta de 5,1%.

A soma do que os brasileiros devem às instituições financeiras representa, hoje, mais de um quarto (25,8%) do Produto Interno Bruto (PIB).   

Até o momento, o grande trunfo do governo tem sido o de enfatizar a baixa taxa de desemprego.  No entanto, há aí outro problema: se o desemprego está de fato baixo, então a economia deveria estar crescendo robustamente; afinal, essa seria a consequência lógica do fato de você ter mais mão-de-obra produzindo e consumindo.  No entanto, isso não está ocorrendo. 

Logo, há duas conclusões possíveis: ou a taxa de desemprego é bem maior do que a oficial, ou então a mão-de-obra brasileira nunca foi tão pouco produtiva e tão pouco qualificada. 

Com uma mão-de-obra mal instruída e pouco produtiva, a única solução de curto prazo seria a redução das tarifas de importação para bens de capital, os quais poderiam aumentar nossa produtividade no curto prazo.  Mas o que a atual matriz econômica do governo está fazendo é justamente dificultar as importações, tudo em nome da "defesa da indústria nacional".

Ao final de um artigo semelhante escrito há exatamente um ano (dezembro de 2012), disse o seguinte:

No Brasil, além de a qualidade dos serviços no geral ser ruim, a quantidade e a variedade de bens de consumo é muito baixa, pois além de o governo dificultar ao máximo as importações, nossa desvalorizada moeda não tem poder de compra em relação às principais moedas do mundo.  E não bastasse a pouca oferta e a pequena variedade de bens e serviços, o acesso a eles é caro, justamente porque o governo destrói continuamente o poder de compra da moeda.

Portanto, eis a realidade atual do Brasil: qualidade da mão-de-obra em queda livre, quantidade e variedade de bens e serviços bastante insatisfatória, e acesso a eles cada vez mais caro.  Em vez de facilitar a aquisição de bens de capital, o que poderia remediar a questão da baixa produtividade e da qualidade dos bens e serviços, o governo dificulta o acesso, tanto por meio de tarifas quanto por desvalorizações cambiais.  E, para piorar, não há absolutamente nenhuma tendência de melhora na qualidade da mão-de-obra.  Esse é o nosso padrão de vida.

Mais ainda: a julgar pelas políticas adotadas pelo atual governo no que tange a protecionismo, câmbio e inflação, não há nenhuma indicação de que isso irá mudar no futuro próximo. 

Plus ça change, plus c'est la même chose.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


191 comentários
191 comentários
Barroso 19/12/2013 10:09:10

Leandro,

Mais uma vez parabéns por outro primoroso artigo.

Só completanto a lista de horrores...e vem aí o estouro da bolha imobiliária brasileira.

Dá até medo de pensar nas consequências.

Barroso.

Responder
Leandro 19/12/2013 11:14:01

Prezado Barroso, os sinais que estão sendo enviados pelo crédito imobiliário ainda estão contraditórios. De um lado, a taxa de crescimento anual, que chegou a 54% no final de 2010, caiu para 33% em outubro agora.

Isso fez com que já ocorresse uma enorme esvaziada da bolha. Imóveis estão sendo vendidos com desconto por todo o país, outros estão encalhados, o balancete das construtoras está apertado e as promoções estão por todos os lados. Só que, como os indicadores de preços divulgados pelas estatísticas oficiais computam apenas os valores divulgados pelas imobiliárias -- e não os valores pelos quais os imóveis são realmente vendidos --, esta queda de preços não é divulgada. Fala-se apenas em "ofertas". (No final de 2011, um apartamento no meu prédio chegou a ser cotado em R$900 mil. Atualmente, ninguém consegue vender por mais de R$750 mil, mas continua-se divulgando o valor de R$900 mil.)

Veja este vídeo, que é bem emblemático:




Dito isso, é importante ressaltar que a taxa de crescimento do crédito imobiliário está no mesmo patamar -- 33% -- desde o início do ano patamar desde o início do ano, o que indicar uma interrupção (ao menos temporária) no arrefecimento. Isso deve ser levado em conta por aqueles que estão esperando ainda mais quedas de preços.

Por fim, quanto às consequências, vale ressaltar que um eventual estouro da bolha brasileira não teria absolutamente nenhuma semelhança ao estouro da bolha americana. E a explicação é simples: a porcentagem do crédito imobiliário na carteira dos bancos é muito pequena, de modo que, mesmo no pior dos cenários, de calote generalizado, os bancos ainda assim ficariam muito pouco expostos. Por enquanto, ainda não há por que se preocupar com crise bancária.

Por fim, sugiro sempre dar uma olhada no site abaixo. Ele é interessante porque faz uma coleta de todas as notícias do setor. Ignore apenas o sensacionalismo dos títulos, e concentre-se apenas nas notícias.

www.observadordomercado.blogspot.com.br/


E também não ignore as consequências desta medida:

Governo eleva teto de valor do imóvel para compra com FGTS -- Máximo para compra sobe de R$ 500 mil para R$ 750 mil em três Estados - Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais - e no Distrito Federal


Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Geleia 19/12/2013 12:38:37

Se me permite, este site aqui é bem mais completo que o Observador do Mercado: www.bolhaimobiliaria.com

Responder
BubbleObserver 19/12/2013 13:17:26

Parabéns pelo artigo Leandro!

Quanto ao crescimento do crédito imobiliário atualmente, não é pelo fato de existir essa aberração de compra na planta e, quando fica finalmente pronto, em geral com 6 a 18 meses de atraso (rsrs), o comprador sai em busca do financiamento. Como 2010/11 houve muitos lançamentos ainda, o volume de crédito imobiliário deverá continuar em alta, a menos que mais e mais "compradores" na planta descubram que não tem condições ou não vale mais a pena ...

Responder
André 19/12/2013 15:48:01

Importantes informações, pena que muitos não querem ver.

Responder
Gredson 19/12/2013 11:01:31

estamos perdidos, não consigo ver uma luz no fim do túnel. Como esse governo, vamos até o fim do poço.

Responder
Fabiano 20/12/2013 20:13:06

Há uma luz no fundo do túnel, mas é de um trem vindo à toda em nossa direção. =)

Responder
Rhyan 19/12/2013 11:34:44

Eu já estava sentido falta desses artigos do Leand'rocks.

Só uma correção, o gráfico 8 está em milhões enquanto deveria estar em %.

Responder
Juliano 19/12/2013 12:48:33

Leandro, como sempre, um ótimo artigo!
Sua retrospectiva de fim de ano já virou tradição, o presente de Natal do IMB.

Responder
Leandro 19/12/2013 12:53:12

Gentileza e bondade extremadas, Juliano. Grande abraço!

Responder
Estudante da UnB 19/12/2013 13:21:11

Excelente artigo, Leandro. Gosto muito das suas análises.
Porém, gostaria de demonstrar que, apesar de todos os maus que nos assolam, a conjuntura atual não é das piores. =)
Então gostaria de fazer uma colocações de alguns dados que me alegram e também fazer algumas perguntas.

O IPC-C1 (FGV), que calcula a inflação para as família mais pobres, aquelas com rendimento mensal de 1 a 2,5 salários mínimos, acumulou alta de 4,39% no ano e, 5,18%, nos últimos 12 meses. No mais, o índice está variando bem pouco desde de agosto quando a inflação desacelerou.
Enquanto ao alarde sobre o endividamento das família, que realmente aumentou substancialmente entre 2010 e 2013, eu acho que vale destacar que grande parte desse endividamento derivou do maior acesso da população à casa própria.
www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2013/06/ri201306b3p.pdf

No primeiro semestre do ano, o Brasil foi a oitava economia que mais recebeu investimento estrangeiros, com um aumento de 4% na quantidade de investimentos direto em relação ao mesmo período de 2012. No mês de novembro de 2013, recebeu U$ 8,3 bilhões.
www.tradingeconomics.com/brazil/foreign-direct-investment

Sobre nossa baixa taxa de emprego e paradoxal baixa produtividade, eu não sei muito o que pensar. Eu queria saber se existe algum motivo para comemorar que foram criados 826000 novos empregos formais nos primeiros seis meses de 2012, nem que seja pela mera dignidade de se ter um emprego.
Enquanto nossa produção deixa a desejar, talvez pode-se buscar consolo na renda real média que está crescendo, ainda que em níveis menores do que no passado. A renda per capita por outro lado, parece que caiu esse ano em relação ao ano passado, de 5721,29 para 5721,23. Como isso se compara a outros países semelhantes.
www.sae.gov.br/site/?p=18330

Houve melhoras também na distribuição de renda do país. Desde a entrada do PT no governo até 2012, o índice Gini evoluiu de 0,592 para 0,512. Entendo que distribuição de renda não diz muita coisa sobre qualidade de vida individual, mas acho que dá um certo conforto psicológico na maioria das pessoas.

Obrigado.
Abraços e parabéns novamente.
Queria ler mais artigos sobre nosso país vindo de vocês.

Responder
Leandro 19/12/2013 13:40:08

Estudante, esse índice da FGV atribui um grande peso aos itens transporte e comunicação: quase 26%; para você ter uma ideia, isso é maior do o peso atribuído a alimentação, habitação, saúde e vestuário. Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte.

Estes dois itens -- transporte e comunicação -- ambos os quais, como explicado no artigo, estão com "inflação reprimida". Daí esse "baixo" valor do índice.

Grande abraço!

Responder
Rodrigo 19/12/2013 13:21:34

Não sou Economista, mas o artigo é perfeitamente entendível para leigos. Parabéns!

Comecei a ler o mises no começo desse ano, e é impressionante a quantidade de informações que aprendi nesse curto período de tempo, e também é impresisonante a quantidade de bobagens que os intitulados "especialistas" falam a respeito da nossa economia.

Também é inacreditável o grau de alienação do povo brasileiro. Já tentei várias vezes repassar o que aprendi aqui a respeito da nossa economia e dos conceitos defendidos aqui para os meus amigos e parentes próximos, mas continuo sem obter sucesso..

Realmente, brasileiro não nasceu para gostar de economia e acha perfeitamente normal, aliás, fica feliz, quando um empresário é multado e pilhado pelo governo.

Infelizmente não tenho a opção de sair do país devido a laços familiares, e não acho que nosso país mudará ou melhorará de verdade, mas pelo menos vou continuar fazendo a minha parte, sendo o "chato" da turma

Abraço e Boas Festas para a equipe!

Responder
Andre B. 19/12/2013 13:24:27

Leandro, sou um leitor relativamente recente (mas já viciado) do IMB, leigo em economia. Gostaria de entender, de uma vez por todas, como se dá essa aumento da oferta monetária, até para explicar aos mais leigos que eu, nas minhas conversas sobre o assunto.
Já entendi que ele se dá da seguinte maneira: o Tesouro emite títulos da dívida, os bancos compram (com o dinheiro de que já dispõem, sem criar dinheiro do nada), e o Banco Central recompra esses títulos (aí sim criando dinheiro do nada). Nesse caso, seria esse dinheiro criado do nada pelo BC que seria repassado aos bancos e, a partir daí, posto em circulação.
Mas já li em outros artigos, e está repetido neste, que são os bancos que criam dinheiro do nada e o emprestam.
Afinal, como se dá essa dinâmica? a) É o Banco Central que cria o dinheiro e o repassa aos bancos, que aí vão jogá-lo na economia? b) são os próprios bancos que criam o dinheiro do nada? c) as duas hipóteses estão corretas? d) existe algum outro meio de oferta monetária que eu não citei?
Agradeço antecipadamente e perdão pela ignorância, hehe.

Responder
Leandro 19/12/2013 13:40:40

André, os bancos de fato criam dinheiro do nada. São a única instituição da economia -- além do Banco Central, é claro -- que podem fazer isso. E, ao contrário do que você disse, mesmo os títulos do Tesouro são comprados pelo sistema bancário com dinheiro criado do nada.

Creio que todo esse mecanismo foi perfeitamente explicado neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

Se, após a leitura, você ainda tiver dúvidas, fique à vontade para perguntar. Grande abraço!

Responder
Eduardo Leonhardt 19/12/2013 13:47:52

Leandro, só posso agradecer pela aula.
Teus artigos são de uma clareza sem igual, ácida.
Acompanho diariamente o site e é sempre uma satisfação ao ver que o artigo do dia é teu.

Em tempo, eu te pergunto: será que temos alguma chance de assistir à troca desses trapalhões que detém as rédeas da (des)política econômica que nos arrasta pro fundo do poço? Será que existem alguns "companheiros" nessa trupe petista que pudessem ter maior autonomia e ideais "menos intervencionistas" no controle da Fazenda e BC? Tem conhecimento de algum? Ou é total utopia da minha parte? Sei lá, vai que a "presidenta" perceba que o Mantega é um louco...

Te pergunto isso pois já estou perdendo as esperanças de ver essa máfia petista varrida de Brasilia no ano que vem.

Um abraço e, novamente, obrigado!

Responder
Leandro 19/12/2013 14:00:19

Prezado Eduardo, recentemente assisti a uma palestra do Henrique Meirelles em que ele disse que o ajuste de 2003 (SELIC a 26,5%, desemprego a 14% e queda de 6% no consumo em 6 meses; uma austeridade pra espanhol, português e irlandês nenhum botar defeito) só foi possível porque Lula era oriundo do movimento sindical e estava em início de mandato. Ou seja, ninguém iria se rebelar contra ele.

Atualmente, não vejo nenhuma possibilidade de repetência deste cenário. Pode colocar quem você quiser no BC e na Fazenda; tal cenário não irá se repetir sem greves e manifestações de rua. Uma vez que as pessoas se acostumam com o bem-bom, com aquela vida de conforto propiciada pelo crédito farto e fácil, é difícil voltar a uma vida de "austeridade".

Aliás, sendo bem sincero, eu não acho um bom negócio um "oposicionista" assumir a presidência em 2015. O tamanho da encrenca que ele vai pegar não apenas poderá aniquilar sua carreira política, como ainda pavimentará o caminho para pelo menos duas décadas de mais um governo do PT.

Caso seja reeleita, é difícil visualizar altos índices de popularidade para Dilma. Endividamento crescente em conjunto com baixo crescimento econômico, inflação alta e juros também em alta é um arranjo difícil de ser contornado de maneira indolor. Europa, EUA e Japão que o digam.

Grande abraço!

Responder
Occam's Razor 19/12/2013 14:37:50

Muito bem colocado, Leandro. Tenho postado muitos comentários na internet afirmando que é difícil saber o que é pior no momento: o PT vencer a eleição ou o PT perder a eleição, justamente pelo fato de que os efeitos da farra do crédito chegarão agora.

Já o artigo está excelente, como de costume.

Responder
Renato 20/12/2013 01:50:02

Perfeito Leandro! Parece que a estratégia das tesouras está a todo vapor e mostra mais uma face:

. a "oposição" assume o poder no momento em que estoura os problemas advindos do intervencionismo e aparelhamento desenfreados do Estado;

. faz alguns ajustes na economia que surtirão efeitos no próximo governo;

. é culpada pela opinião pública por todos os problemas do país;

. o PT volta carregado pelos braços do povo como salvador da pátria, colhe e se apropria das benécias dos ajustes, se fortalecendo ainda mais;

. com total apoio do povo faz a tua tão sonhada reforma política e constitucional para implantar de vez a ditadura socialista.

Viva o Mises Brasil!
Libertando mentes.

Responder
Marcus 20/12/2013 15:58:00

O objetivo do PT é enriquecer e destruir o Brasil, se a oposição ganha a próxima eleição acontece isso que você falou e se o PT ganhar vai afundar mais ainda o Brasil levando isso aqui para um guerra civil, e quando a situação piorar esses petralhas vão fugir para um país socialista, pouco se importando para a população.

Responder
Jeferson 20/12/2013 14:55:46

Leandro, excelente artigo e excelentes colocações. Acho que vou começar a fazer propaganda pró-PT. Hehehehehe... O que me dá medo é a Dilma ganhar essas eleições, fazer muita merda (isso vai ser fato), e nas próximas o PT jogar a culpa na Dilma e ressucitar o Lula. E o povo vai acreditar que o Lula vai ser a panacéia pra economia do Brasil. E no fim, a situação que já vai estar bem ruim, vai ser piorada. E aí?

Responder
IRCR 19/12/2013 13:49:20

Leandro,

Saberia dizer quantos % do PIB está o nivel total de crédito (privado + PUBLICO), ou seja, incluindo deste emprestimos consignados para aposentados, passando pelos desembolsos fartos do BNDES até emprestimos ao setor publico nas 3 esferas (federal, estadua e municipal) ?
Sera que passa dos 100% do PIB ?

Responder
Leandro 19/12/2013 14:10:52

As metodologias de cálculo variam. O próprio governo utilizava uma até 2008 e aí trocou por outra, mais branda.

No entanto, se pegarmos o saldo total do crédito ao setor privado e às empresas estatais (federais, estaduais e municipais) mais os títulos emitidos pelo Tesouro e dividir pelo PIB acumulado nos últimos 12 meses, temos um valor de 116% do PIB. E isso não inclui as dívidas dos governos estaduais e municipais.

Responder
Isaias Lobao 19/12/2013 14:05:20

Parabéns Leandro.

Um balanço fiel da nossa economia. Estou divulgando este artigo para meus conhecidos e espero que ele desperte muita gente. Não sei quanto ao resto do pessoal que costuma visitar o site do Mises. Mas, para mim os textos aqui postados acenderam uma chama utópica em meu coração.

Não uma utopia vazia e sem sentido, como o socialismo, mas um desejo de um mundo novo, com liberdade. Realidade que já vivenciamos no passado, como, talvez, no Segundo Império brasileiro.

Responder
EDUARDO 19/12/2013 14:13:06

Leandro, parabens pelo artigo! Muito bom!

Tenho um poupança de 80 mil e zero de dividas. Agora com o aumento dos juros e a volta da TR os rendimentos melhoraram.

Minha pergunta: Voce acha que os fatores selic + TR serao sufientes para proteger o poder de compra do meu dinheiro? Como se proteger?

Responder
Leandro 19/12/2013 14:35:01

Seu dinheiro vai render entre 6,50 e 7% ao ano. Vai ficar acima do IPCA, mas, dependendo da sua cesta de consumo, isso pode não bastar. Se você gasta muito com serviços e com bens não-comercializáveis, seu rendimento está abaixo da inflação de preços.

Mas não há muito para onde correr, a menos que você queira arriscar em ações. Pagar imposto de renda em CDB ou em fundos de investimento não compensa para este seu atual valor. Mas talvez uma LCI ou LCA possa ser interessante.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Guilherme 19/12/2013 14:17:49

Aproveitando a deixa, hoje saiu uma notícia interessante. Eis o título:

Taxa de desemprego recua para 4,6% em novembro

Agora, eis a explicação:

"A redução na taxa de desemprego foi causada pela migração de indivíduos para a inatividade, e não pela geração de postos de trabalho, apontou a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

"O que a gente vê aqui é a redução da desocupação em função do aumento da inatividade. Então não houve aumento do número de postos de trabalho. O que houve foi aumento das pessoas que passaram para a inatividade", ressaltou o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em novembro, houve aumento significativo na população não economicamente ativa. Na comparação com outubro, o aumento foi de 0,8%, o equivalente a 148 mil indivíduos."


Ou seja, como demonstrado no artigo do Leandro, não está havendo criação de empregos. Há apenas gente parando de procurar emprego.

Responder
Leandro 19/12/2013 14:23:15

Obrigado pela informação, Guilherme. Fenômeno semelhante vem ocorrendo nos EUA, só que com muito mais intensidade. As pessoas param de procurar emprego, aí o desemprego cai. Veja o gráfico da razão emprego/população nos EUA.

Responder
Alexandre 19/12/2013 19:25:00

Mais rápido que eu hein Guilherme.


Taxa de desemprego recua para 4,6% em novembro em função do aumento da inatividade. Vc vai ver um monte de patife dizendo que foi graças ao planejamento do governo. Os mestres da dissimulação.

Responder
IRCR 19/12/2013 14:29:26

Leandro,

Não poderia montar um gráfico historico com essas variaveis ? Ficaria muito grato.
Esses 116% comparado a outros paises seria muito ou pouco ?

Aqui tem um grafico interessante

www.zerohedge.com/node/477285

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 19/12/2013 15:00:22


Faltam 12 dias para o fim do ano, ainda dá tempo do governo fazer alguma grande tolice econômica em 2013.

* * *

Responder
Diones Reis 20/12/2013 12:04:04

Para o governo o ano acaba hoje 20/12. :-D

Responder
Alexandre M. R. Filho 19/12/2013 15:45:33

Leandro,

sempre que converso sobre a TACE, alguém me pergunte:

"porque então a taxa de crescimento do crédito não fica sempre aumentando? Aí a gente evitaria a recessão".

Sei que isso é o ponto nevrálgico da TACE, mas eu nunca consigo explicar direito pras pessoas.

Provavelmente, não entendi direito.

Me dá uma luz aqui??

Obrigado e parabéns pelo texto (mais uma vez)!

Responder
Leandro 19/12/2013 15:59:26

Isso é simples: a inflação de preços se transformaria em hiperinflação, e isso não é do interesse dos bancos.

Mesmo que houvesse um maluco no Banco Central que continuasse injetando dinheiro indefinidamente no sistema bancário com o intuito de manter os juros baixos e estimular essa expansão do crédito eternamente, uma hora os próprios bancos aumentariam os juros dos seus empréstimos, pois se eles não aumentassem os juros cobrados, eles simplesmente receberiam -- no momento da quitação do empréstimo -- um dinheiro com um poder de compra muito menor do que o que esperavam receber quando concederam o empréstimo.

Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

Responder
Alexandre 19/12/2013 19:03:00

Foi exatamente o que aconteceu na Alemanha antes do Hitler assumir o poder.

Responder
Alexandre 19/12/2013 19:13:02

www.mises.org.br/Article.aspx?id=169

Responder
Ricardo 19/12/2013 19:49:57

Esse artigo sobre o mesmo assunto é igualmente bom:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1739

Responder
Alexandre 19/12/2013 19:26:41

Aliás foi graças a hiperinflação que criou o ambiente favorável para o anticristo assumir o poder.

Responder
anônimo 19/12/2013 19:34:11

Está certo, Leandro. Então o que esses caras fazem é exatamente isso. Ficam brincando pra ver se conseguem controlar essa coisa aí.

Responder
Lucas 19/12/2013 16:15:22

Leandro, estou investindo em tesouro direto. A NTNB Principal com vencimento em 2035 está pagando hoje 6,51 mais IPCA. Outro dia estava sendo negociada a 6,80 mais IPCA.

É um excelente investimento pra aposentadoria.

Minha pergunta: ao longo desses 20 anos, vc acredita que o governo pode decretar uma moratória ou calote na dívida interna ?

Lembrando que o os fundos de pensão quebrariam com tal medida.

Responder
Leandro 19/12/2013 19:43:47

Calote nos títulos da dívida não. Isso aniquilaria todo o setor bancário. O governo dará sim um calote em suas obrigações, mas isso não virá de uma vez e não será sobre os títulos públicos. Eles vão começar cortando daqueles grupos sem nenhum poder político e eleitoral, como alguns benefícios previdenciários. E daí vão começar a aprofundar, cortando vários outros benefícios de idosos. Haverá gritaria, mas será feito.

Mas antes de chegarmos a esse ponto, ainda haverá muitas estatais a serem vendidas e muitos ministérios a serem cortados. Ainda está longe.

Responder
Jonatas Mand 22/12/2013 16:49:11

Leandro, parabéns pelo artigo. Você respondeu ao colega sobre um possível calote em títulos da dívida pública. Nos últimos meses tenho pensado em migrar parte dos meus investimentos para Tesouro Direto como forma de mitigar os efeitos da inflação, porém sempre tenho aquela sensação de que estaria ajudando o Leviatã. Como você vê essa questão e se há algum artigo no site que discuta isso?

Responder
Leandro 22/12/2013 21:07:16

Sim, não há como escapar do fato de que, ao comprar títulos do Tesouro, você está vivendo à custa dos pagadores de impostos.

Responder
Julio 19/12/2013 18:59:52

Dúvida de um leigo: a recente eleição da socialista Bachelet no Chile pode afetar em algo a economia brasileira, tendo em vista aquele país ser o único latinoamericano considerado desenvolvido?

E sobre essa notícia, alguma importância?
blogs.estadao.com.br/jamil-chade/2013/12/19/europa-abre-processo-contra-incentivos-fiscais-no-brasil/


No mais, Leandro, parabéns pelo excelente artigo. Extremamente esclarecedor e de fácil compreensão. Um abraço.

Responder
Baiano 19/12/2013 19:06:19

Excelente artigo.

Leandro,

Tenho uma dúvida:

Como você acha que deverá se comportar o mercado de trabalho do Brasil no ano que vem, em meio as eleições.
Será que irá dar uma arrefecida ou possivelmente o "governo" intervirá para mantê-lo aquecido?

Abraço.

Responder
Leandro 19/12/2013 19:55:05

A arrefecida já está no máximo e ele está longe de estar aquecido. Os dados do emprego divulgados hoje mostram isso: em 12 meses, o emprego no setor privado cresceu apenas 0,33%. É o menor número desde agosto de 2009.

Mas como muita gente parou de procurar emprego -- o que diminui o número da população economicamente ativa --, a taxa de desemprego cai. É tudo um truque matemático.

Veja a notícia:

"A redução na taxa de desemprego foi causada pela migração de indivíduos para a inatividade, e não pela geração de postos de trabalho, apontou a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

"O que a gente vê aqui é a redução da desocupação em função do aumento da inatividade. Então não houve aumento do número de postos de trabalho. O que houve foi aumento das pessoas que passaram para a inatividade", ressaltou o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em novembro, houve aumento significativo na população não economicamente ativa. Na comparação com outubro, o aumento foi de 0,8%, o equivalente a 148 mil indivíduos."


O que Dilma poderá fazer é sair criando emprego no setor público ou estimular empreiteiras (por meio de licitações) a contratar terceirizados para novas obras para a Copa.

Responder
Típico Filósofo 19/12/2013 19:17:33

Meu resumo de final de ano: (Dotado de compromisso social p/ com a igualdade)

- Em 2013, logramos libertar o Brasil da tirania do capital internacional graças às medidas econômicas de 2012. Não mais a classe mé-r-dia nazi-brasileira regojizar-se-á a pagar menos por serviços de maior qualidade, cumprindo para com a agenda da globalização; o governo federal consolidou seu compromisso para com o acúmulo de capital para as indústrias de base nacionais, dificultando o consumo de insumos competitivos no mercado internacional - o que apesar de haver gerado o infame episódio do "tomate" (quando houve um repentino encarecimento de 23% nos preços alimentícios) no início de ano, lembrou os cidadãos brasileiros de que o carrinho de supermercado deve ter uma função social.

P.S: Eventuais diminuições no poder aquisitivo dos pobres devido às medidas econômicas acima possuem fins dialéticos: servirão para alimentar politicamente futuras ações políticas. P.S II: É preciso combater a obesidade.

- Logramos libertar-nos gradualmente da agenda retrógrada dos pensadores econômicos que abominam o gasto governamental: registramos deficit fiscal em dois meses seguidos, evidência do compromisso do governo federal para com o estímulo da demanda agregada e a realização das metas da república.

- O BNDES, sem o qual o Brasil seria um gigantesco mangue, foi democratizado através de um recorde histórico de subsídios (que em oposição necessária à visão fatalista dos velhos economistas que creem que "nada pode vir do nada") para garantir sua liquidez. Após duas décadas de precariedade e papel coadjuvante, ele retornará ao papel de um dos protagonistas da concessão de crédito no Brasil e o fará de forma estratégica para impedir uma fatal desaceleração no setor da construção civil por parte dos produtores devido ao aumento no preço dos insumos. Enquanto isso, a Caixa Econômica agirá juntamente para impedir que o "endividamento das famílias" e a "inadimplência" (termos econômicos obsoletos) enfraqueça a demanda no setor devido ao aumento do risco na concessão de crédito imobiliário. Não há erro.
P.S: Os EUA deveriam adotar a mesmíssima estratégia.

- O Brasil finalmente tornou-se uma nação de primeiro mundo: nossa dívida pública bateu impressionantes 60% do PIB, aproximando-nos gradualmente de gigantes do bem-estar social como França(89.9%), Grécia(160%) e Itália(126%). Complemento o que diria Keynes: "somos só nós devendo a nós mesmos..." - "e a um ou dois vizinhos". Trata-se do caminho correto.

Conclusão:

Não lidamos mais com o mundo da velha economia. Apesar de tal afirmação haver estado presente em todos os grandes planos econômicos "fracassados" do passado (Hoover antes de 1929 e FDA durante a grande depressão), hoje é consenso mundial de que a intervenção governamental para estimular investimentos estratégicos de cunho econômico e social é necessária. Quem pagará a conta? - É irrelevante, pois falamos de um bem maior; à esta pergunta destruidora, caberá à democracia do século XXI ignorar completamente.

Os britânicos já aprenderam a lição:

Responder
Pedro 19/12/2013 20:15:27

Rsrs nem o mestre Típico Filosófico teve estômago para escrever "nova classe média brasileira".

Excelente artigo, tenho impressão que o pessoal gosta muito de seus resumos sobre a situação desse país.

Responder
Occam's Razor 19/12/2013 19:48:08

"...dificultando o consumo de insumos competitivos no mercado internacional - o que apesar de haver gerado o infame episódio do "tomate" (quando houve um repentino encarecimento de 23% nos preços alimentícios)"

"É preciso combater a obesidade."


Pelo menos essa parte é coerente. Queremos combater a obesidade, logo vamos encarecer os alimentos!

Responder
Eduardo 19/12/2013 23:19:38

Excelente artigo, como sempre, Leandro!
Textos muito bem escritos, dados bem completos e de um bom senso econômico que está em falta nas análises que se vê por aí.

Gosto muito, particularmente, dessas análises do Brasil dentre outros conteúdos do site.
Uma coisa que percebo acompanhando os círculos austríacos, libertários e liberais (clássicos) americanos é que eles têm muitos dados e artigos do ponto de vista adversário ao do estado, e no Brasil ainda é difícil achar esse tipo de coisa (muitas discussões por aí acabam me fazendo trazer dados americanos à respeito das coisas) e é bom ver que os brasileiros também estão começando a produzir esse conteúdo importantíssimo.

Agradeço pelo ótimo trabalho; abraços.

Responder
Felipe 20/12/2013 13:19:39

Olá pessoal do IMB

Essas últimas notícias a respeito do desemprego me deixaram com uma pulga atrás da orelha.Afinal, qual a diferença entre estar desempregado e não estar procurando emprego? Ser economicamente inativo pra mim é não ter condições de trabalhar/aposentado/muito jovem.De resto, parece uma classificação "ibgetista" pra mascarar desemprego real, mas posso estar equivocado.Alguém se habilita pra dar uma luz ae?

Responder
Leandro 20/12/2013 13:54:57

Funciona assim:

Imagine uma economia formada por 100 pessoas. Destas 100, 90 estão empregadas ou ocupadas (desde executivos até malabaristas de semáforo, passando por flanelinhas e lavadores de carro) e 10 estão desempregadas, mas procurando emprego.

Logo, temos os seguintes valores:

População Economicamente Ativa: 100 pessoas

Empregadas ou ocupadas: 90 pessoas

Desempregadas: 10 pessoas

Taxa de desemprego: 10/100 = 10%


Muito bem.

Agora suponha que, daquelas 10 pessoas que estão desempregadas, 3 desistam da vida e parem de procurar emprego. Estas 3 pessoas agora deixaram de fazer parte da População Economicamente Ativa. Elas passaram a fazer parta da População Não-Economicamente Ativa.

Portanto, eis agora os novos números:

População Economicamente Ativa: 97 pessoas

População Não-Economicamente Ativa: 3 pessoas

Empregadas ou ocupadas: 90 pessoas

Desempregadas: 7 pessoas

Taxa de desemprego: 7/97 = 7,22%


Ou seja, a taxa de desemprego caiu de 10% para 7,22% sem que absolutamente nenhum emprego tenha sido criado. Houve apenas uma redução da População Economicamente Ativa (PEA). Pessoas desempregadas pararam de procurar emprego e, com isso, deixam de ser contabilizada como parte da PEA.

É assim que funciona.

Isso está ocorrendo nos EUA desde 2009, e começou a ocorrer agora no Brasil.

Daí a notícia:

"A redução na taxa de desemprego foi causada pela migração de indivíduos para a inatividade, e não pela geração de postos de trabalho, apontou a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.

"O que a gente vê aqui é a redução da desocupação em função do aumento da inatividade. Então não houve aumento do número de postos de trabalho. O que houve foi aumento das pessoas que passaram para a inatividade", ressaltou o gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Em novembro, houve aumento significativo na população não economicamente ativa. Na comparação com outubro, o aumento foi de 0,8%, o equivalente a 148 mil indivíduos."

Responder
Felipe 20/12/2013 14:40:38

Obrigado Leandro!

Mas mesmo assim, eu fico aqui pensando, como que eles fazem pra saber se a criatura está procurando emprego, ou simplesmente resolveu virar hippie?Acho que só vi alguém do ibge em minha residencia umas 2 vezes em meus 30 anos de vida... =S

E tipo, o cara que desiste de procurar emprego, vai viver de ar(ou bolsa família...)? =P

Ou então é o caso da pessoa ir tirar aquelas férias do ócio...vai voltar a procurar emprego depois das festas..ou do carnaval...Viver do que a vida lhe trouxer...afinal de contas...trabalhar pra que não é mesmo? =)

Responder
Gafanhoto 20/12/2013 17:58:45

Na empresa em que trabalho já houve casos de mulheres que após terem filhos resolveram param de trabalhar e viver para cuidar dos filhos. Nesses casos, a família é sustentada financeiramente pela marido.

Responder
Jeferson 20/12/2013 14:53:16

O que eu não consigo entender é como essa metodologia é adota e amplamente utilizada, e as pessoas engolem! Até a mídia já tem noticiado isso, que o desemprego está caindo porque pessoas desistem de procurar emprego! Meu Deus! Não faz sentido tanta gente se deixar enganar por uma lorota descarada dessas!

Responder
Ronaldo Quinto 20/12/2013 20:02:09

Leandro,

É chover no molhado, mas parabéns pelo artigo. Como sempre, irretocável!

Grande abraço e boas festas a vc e ao pessoal do IMB,

Ronaldo

Responder
Leandro 22/12/2013 21:52:48

Obrigado pelas palavras, pelo reconhecimento e pelos votos, prezado Ronaldo.

Grande abraço!

Responder
Hugo 20/12/2013 22:13:41

Ótimo texto Leandro!

Eu gostaria de saber em que link exatamente vc pegou os dados dos preços desde 1998,estou procurando nos links do IBGE e não os acho...

Responder
Leandro 20/12/2013 23:16:08

Todos os dados estão disponíveis no site do BACEN, na seção "séries temporais".

www.bcb.gov.br/?sgs

Grande abraço!

Responder
adam 20/12/2013 22:58:10

O brasil precisa de uma correção urgente: 1 - Redução em, no mínimo, 70% da máquina estatal em todos os níveis(federal, estadual e municipal), 2 - Privatização urgente de empresas públicas, etc, 3 - Redução e racionalização das leis brasileiras, etc. A correção deve vir já, de preferência hoje mesmo, para "compensar" todo o prejuízio já causado.

Responder
Pobre Paulista 21/12/2013 00:23:37

Acho impressionante esses magos que aparecem de vez em quando. Vamos lá.

1 - Redução em, no mínimo, 70% da máquina estatal em todos os níveis(federal, estadual e municipal)

70%? De onde veio esse número? Poderia ser 65% ou 75%? ou 60%, 80, 100%? Qual foi a mágica para se chegar nesse valor. E outra, 70% do que? Da folha de pagamento? Do número de funcionários? Da área que os prédios públicos ocupam? Não ficou claro.

2 - Privatização urgente de empresas públicas, etc,

Dependendo do que você chama de "privatização" isso até faz sentido. Mas se você fala de entregar a administração para a iniciativa privada mas continuar mandando e desmandando via agências regulatórias, trata-se apenas de mais uma bobagem. Mais importante que "privatizar" tudo é acabar com o protecionismo.

3 - Redução e racionalização das leis brasileiras, etc.

Redução da quantidade de leis? Quais leis? Você conhece um meio universal e absoluto de medir qual lei é boa e qual é ruim para decidir quais leis ficam e quais vão embora? E o que é "racionalizar" uma lei? Uma lei é por natureza algo irracional, caso contrário seria óbvio e ela não precisaria existir.

A correção deve vir já, de preferência hoje mesmo, para "compensar" todo o prejuízo já causado.

Excelente ideia. Mas qual o seu plano exatamente? Vamos todos dar as mãos e torcer para que isso aconteça? Vamos vandalizar os bens públicos? Vamos xingar muito no twitter? A propósito, a compensação virá de onde? E virá para quem exatamente? Bradar palavras vãs é muito fácil, mas quem vai por a "mão na massa" para que tudo isso aconteça?

Responder
Mateus 21/12/2013 00:50:09

Leandro, sobre a cotação do dólar, entendo que sua opinião é de que o Real já desvalorizou demais ("real dizimado perante o dólar"). Alias, acho que já li artigos no qual você já expressou sua preferência pelo Real forte, talvez por isso considere o Real agora desvalorizado.

Eu mantenho uma planilha no qual faço o ajuste da cotação tanto pela inflação do Brasil quanto pela dos EUA. Isso é necessário, porque mesmo se a cotação do dólar ficasse nominalmente fixa, em termos reais o Real estaria se valorizando a uma taxa igual a diferença entre a inflação do Brasil e dos EUA.

Pela planilha, em que pese a desvalorização do Real ocorrida nos últimos doze meses, ainda há espaço para o Real se desvalorizar mais ainda, considerando uma média histórica desde 1995.

Uma análise identica que faço encontrei, para minha supresa, no último relatório do Fundo Verde da Credit Suisse, do famoso Luis Stuhlberger e notório pessimista com a economia brasileira.

www.cshg.com.br/site/publico/download/fundos/relatorios_noticias/relatorio_gestao/13_11/verde.pdf

Como exemplo do que estou falando, o pico do dólar na crise de 2008 foi R$ 2,55, mas hoje isso equivale a R$ 2,90. O gráfico do relatório vai até 2008, mas se formos mais para trás ainda, encontramos coisas do tipo o pico de R$ 3,99 em 2003, valer hoje R$ 8,00. Imagina se tivessemos uma cotação sequer próxima desta?

O que quero dizer é que devido a inflação acumulada nos últimos dez anos e a desvalorização do dólar no mesmo período, criou uma situação de Real supervalorizado que ainda não teria atingido um "ponto justo", entendido aqui o ponto que refletisse a nossa produtividade perante o mundo, mesmo após as recentes desvalorização.

O relatório aponta que em 2008 o Brasil queimou 50 bi para segurar a cotação, e que neste ano, sem crise grave ainda, já queimou 77 bi para segurar a cotação. Imagina quanto precisaria queimar para segurar a cotação quando a crise vier. A verdade é que não haverá como segurar a cotação, mesmo que as custas das reservas, e como isso é algo improvável que seja feito, o jeito vai deixar o dólar subir mesmo.

Então, eu não ficaria surpreso se o dólar viesse a bater entre R$ 3,00 a 4,00, quando a crise aqui chegar mesmo.

Grato se puder comentar.

Responder
Leandro 21/12/2013 11:44:09

Não estou certo se entendi bem qual é o ponto, mas vou fazer duas considerações.

1) Em um regime de câmbio flutuante, são três os fatores que definem a taxa de câmbio de uma moeda:

a) Inflação monetária e sua inevitável consequência, que é a inflação de preços. A taxa de câmbio é, no longo prazo, definida pelo poder de compra da moeda.

b) Além da inflação monetária, a taxa de câmbio de curto prazo também é afetada pelo crescimento da economia. Quanto maior o crescimento da economia, maior a demanda por moeda nacional -- logo, mais apreciada tende a ser a moeda. Isso explica a valorização cambial que inevitavelmente ocorre quando o PIB está crescendo.

c) Para uma economia ainda em desenvolvimento -- como a brasileira --, a moeda estará diariamente sujeita aos humores dos especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que atuam no mercado financeiro. Se eles perderem a confiança no governo, a taxa de câmbio poderá se desvalorizar acentuadamente, e permanecer assim por um bom tempo. Os especuladores, os investidores internacionais e os traders que já perceberam que as autoridades monetárias e econômicas do Brasil não são muito sérias.

2) Nunca entendi essa ideia de câmbio sobrevalorizado em um regime de câmbio flutuante. Isso não faz sentido. Quem acredita nisso tem de explicar por que não está rico -- afinal, se o sujeito realmente crê que o câmbio está fora do lugar, então ele irá fazer as devidas operações especulativas no mercado futuro.

Mais ainda: em um regime de câmbio flutuante, quem acredita em câmbio fora do lugar está dizendo que ele sabe mais do que as milhões de pessoas que participam das bilhões de transações que ocorrem diariamente em termos voluntários. Por que nenhuma dessas milhões de pessoas faz as devidas operações de arbitragem para lucrar com o câmbio fora de lugar? E se elas fazem, então por que o câmbio continua "fora do lugar" e não vai imediatamente para o seu "valor correto"?

São exatamente as arbitragens que ocorrem diariamente que fazem com que não haja câmbio sobrevalorizado por um longo período de tempo. Todas as flutuações cambiais decorrem dos três itens citados na minha primeira consideração.

Grande abraço!

P.S.: desnecessário lembrar que George Soros ganhou bilhões especulando contra a libra unicamente porque a libra estava artificialmente atrelada ao marco alemão. Aí, sim, é inteiramente possível pensar em sobrevalorização ou subvalorização.

Responder
Pobre Paulista 22/12/2013 21:22:58

Sobre a explicação do item 2: Você não está exemplificando a teoria do mercado eficiente?

Responder
Leandro 22/12/2013 22:25:43

Não. A questão é simples: se o sujeito acredita em "câmbio fora do lugar", então ele tem de especular no mercado futuro, pois irá ganhar dinheiro fácil. Se ele não especula, então ele realmente não acredita em câmbio fora do lugar, e está apenas repetindo jargão da imprensa. Agora, se todos acreditam em câmbio fora do lugar e especulam de acordo, então o câmbio imediatamente vai para o "lugar certo".

Só isso. Nessa abordagem, não há nem concordância nem discordância em relação à hipótese do mercados eficientes. Há apenas praxeologia.

Responder
IRCR 22/12/2013 20:50:17

Leandro,

Qual a diferença de atrelar artificialmente e não artificialmente um moeda ?
No caso do marco conversivel da Bosnia ou do dolar de Singapura que é atrelada a moedas de paises parceiros.
Ouvimos dizer comumente que cambio fixo (ou atrelado) gera ataques especulativos e crises cambias, então como hoje em dia moedas de HK, Emirados, Arabia Saudita, Qatar, Oman, Bahrain ... não sofrem crises cambias já que possuem cabio fixo ?

Responder
Leandro 22/12/2013 21:13:44

Toda e qualquer "atrelagem" é artificial, pois é o BC quem fica fazendo as manipulações para deixar a moeda nacional perto de um determinado valor. Para não ser atrelado, o câmbio tem de ser genuinamente fixo. E isso só ocorre com um Currency Board.

O marco conversível da Bósnia é fixo em relação ao euro (o país tem um Currency Board). Já o dólar de Cingapura é atrelado a uma cesta de moeda.

Sobre crises cambiais, ataques especulativos, câmbio fixo, câmbio atrelado, Hong Kong, Cingapura e todo o resto da sua pergunta, tudo foi explicado em enormes detalhes neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601

Responder
Eduardo Ferreira 23/12/2013 08:33:04

Parabéns pelo artigo, não sabia da existência até ler a Epoch Times, muito instrutivo para quem é leigo ! Já coloquei link no meu Facebook ! Eduardo

Responder
gladston do rego lages neto 23/12/2013 12:15:21

Leandro,

Parabéns pelo artigo, que traduz, com fidelidade, a verdadeira situação do Brasil. Será que o Sr. Mantega e a Sra. Presidente não enchergam que essa política monetária estão levando o Brasil novamente para o fundo do poço?

A cegueira parece ser um mal dos governos sul americanos. Estamos tomando o mesmo caminho dos governos da Venezuela, da Argentida e da Bolívia.

Responder
IRCR 23/12/2013 15:20:50

Leandro,

Já li tal artigo, porém nunca ficou muito claro para mim. Hj em dia todos os paises que tem moeda atrelada ou fixa possuem uma currency board ? Se não, caso eles utilizem um BC pq eles não sofrem ataques especulativos ? Em paises como Arabia Saudita, Qatar, Oman, Bahrain, Emirados... lá tem uma CB ou um BC ?

Responder
Leandro 23/12/2013 17:17:00

Todos estes países que você citou possuíam um Currency Board que foi transformado em banco central na década de 1970. No entanto, todos estes bancos centrais continuam operando como se fossem Currency Boards: mantendo uma taxa de câmbio fixa em relação ao dólar. E eles conseguem manter o câmbio fixo justamente porque são entupidos de reservas internacionais (dólares).

Este é todo o necessário para fazer com que um BC possa operar como um Currency Board: ter amplas reservas internacionais, em um valor maior do que a base monetária do país. Munido de tais reservas, basta o BC estipular uma taxa fixa de câmbio (sensata) e se comprometer a comprar e vender dólares neste valor. Pronto, está formado um CB imune a qualquer ataque especulativo.

Observe que o BC chinês também vem na prática se comportando como um CB. E ele pode fazer isso justamente por causa da inacreditável quantidade de reservas internacionais (dólares) que ele possui.

Por outro lado, quando um BC tenta fixar ou atrelar o câmbio escolhendo um valor apreciado e sem ter reservas internacionais suficientes para saciar as demandas por conversão em dólares, os inevitáveis ataques especulativos acabam obrigando o BC a liberar o câmbio -- que quase sempre irá desvalorizar imediatamente mais de 50%, exatamente como ocorreu no Brasil em 1999.

Em suma: câmbio fixo só é possível com um CB ou com um BC que se comporte como um CB (amplas reservas internacionais). Quando este critério não é cumprido, os inevitáveis ataques especulativos (os especuladores atacam justamente porque sabem que o BC não irá agüentar, pois nao possui reservas internacionais suficientes) fazem com que o BC se desfaça de suas tentativas de controlar o câmbio.

Responder
IRCR 23/12/2013 18:04:25

Leandro,

Vamos ver se eu entendi, para que um BC opere como uma CB, podendo fazer politicas monetarias basta que ele tenha um reserva bem grande. Agora, se ele não tiver um reserva adequada ele terá que se comportar completamente como uma CB e não fazer politicas monetarias, certo ?
No caso da Dinamarca eles possuem reservas suficientes ? e podem fazer politicas monetarias ? sem sofrer ataques especulativos ?
Na venezuela eles mantem um cambio fixo com dolar, fazem politicas monetarias mega expansionistas, as reservas não são muito grandes e estão caindo rapidamente. Seria uma questão de tempo para a Venezuela afundar de vez como a Argentina de 90s ?
E por fim grandes reservas em ouro podem ajudar na manutenção desses BCs que agem como CBs ? um ataque especulativo no ouro seria possivel ?

Obrigado.

Responder
Leandro 23/12/2013 18:53:32

"para que um BC opere como uma CB, podendo fazer politicas monetarias basta que ele tenha um reserva bem grande."

Parcialmente correto. Ele será capaz de manter o câmbio fixo, mas estará fazendo política monetária, algo que um CB ortodoxo não faz. Logo, ele não seria exatamente como um CB, mas de fato conseguiria manter o câmbio fixo.

"Agora, se ele não tiver um reserva adequada ele terá que se comportar completamente como uma CB e não fazer politicas monetarias, certo?

Sem ter reservas adequadas, ele simplesmente não conseguirá manter o câmbio fixo. Logo, nem tem como ele "se comportar completamente como um CB".

"No caso da Dinamarca eles possuem reservas suficientes -- e podem fazer politicas monetarias -- sem sofrer ataques especulativos?"

A Dinamarca possui um câmbio atrelado ao euro e a um valor alto (creio que 7,46 coroas por euro). Não tenho informações quanto às reservas da Dinamarca em euros.


Sobre as reservas da Venezuela, elas eram sim substancialmente altas. Para você ter uma idéia, em 2009, elas chegaram a US$42,3 bilhões. Nesta mesma época, a base monetária era de 75 bilhões de bolívares, e era taxa de câmbio era de pouco mais de dois bolívares por dólar. Ou seja, as reservas cobriam toda a base monetária.

Foi só recentemente que a coisa degringolou nesta área. Atualmente, a taxa de câmbio está em 6,3 bolívares por dólar, a base monetária disparou para 294 bilhões de bolívares, e as reservas despencaram para 21 bilhões de dólares. Ou seja, o ataque já está ocorrendo e isso tem sido relatado aqui no IMB nos artigos sobre a Venezuela, que relatam a explosão do mercado paralelo de câmbio, consequência direta da fuga de dólares.

Por fim, sobre o ouro, o BC poderia vender ouro em troca de dólares, mas confesso não ter idéia de qual seria a eficácia desta política. Há relatos de que o Chipre fez isso para conseguir euros e estancar a sua crise vivenciada no início deste ano.

Grande abraço!

Responder
Bernardo 23/12/2013 19:00:20

Parabéns, Leandro.
Um dos primeiros artigos que eu li aqui no Mises foi a "retrospectiva 2012", assim que eu saí lendo td que vc tinha escrito depois de adorar "Cambalache: a história do colapso econômico argentino". A de 2013 também foi excelente.
Mal posso esperar pelas próximas 5 (apesar de achar que serão, infelizmente, bem parecidas com essa de 2013...).
Grande abraço.

Responder
Bernardo 23/12/2013 19:46:58

Dei-me ao trabalho de ler a entrevista do Holland.
Fiquei pensando se ninguém vai prender esse cara...

Responder
IRCR 24/12/2013 02:28:43

Leandro,

Obrigado novamente. Verifiquei e vi que tirando a Arabia Saudita que possui reservas altissimas o resto desses paises não tem reservas tão grandes assim. E olha que no Bahrain eles mantem o Dinar bastante apreciado (1 dinar para 2,65 dolares) e em Oman (1 rial para 2,6 dolares). Será que o fato deles jorrarem petroleo influencia nisso ?

Mudando de assunto, vc poderia fazer para nós uma analise de economia chinesa em um artigo, tocando em pontos como crédito, inflação, PIB, cambio, bolhas etc...
Taxa de juros interbancaria na china explodiu novamente esse ano
www.tradingeconomics.com/charts/china-interbank-rate.png?s=chinaintrat&d1=20130101&d2=20131231
A China parece ser uma bomba atomica crediticia.

Responder
Leandro 24/12/2013 02:53:04

Acabei de conferir as reservas, a base monetária (M0) e a taxa de câmbio, e tanto as reservas do Bahrein quanto as de Omã cobrem (e em muito!) o valor da base monetária, mesmo a esta taxa de câmbio. Para você ter uma ideia, o M0 do Bahrein é de 450 milhões de dinares bareinitas e as reservas são de 5,5 bilhões de dólares.

data.worldbank.org/indicator/FI.RES.TOTL.CD

Sobre a China, creio não haver fontes realmente confiáveis para um artigo detalhado e acurado. O que é uma pena.

Grande abraço!

Responder
Márcio 27/12/2013 11:26:47

Aí, Leandro, aquilo que você já falava em 2010 agora virou mainstream:

"Guido Mantega é o pior ministro da Fazenda da história", afirma Sr. Dinheiro

Responder
Jeferson 27/12/2013 13:27:27

Leandro Hipster. Falando a verdade sobre o Mantega "before it was cool". :D Se pensar, todos os austríacos são "hipsters" nesse sentido. Prevendo a crise de 2008 "before it was cool", etc.

Responder
Reginaldo Soares 28/12/2013 22:20:55

Avaliando o artigo:"...cinco pilares tão sólidos quanto farofa: política fiscal expansionista, juros baixos, crédito subsidiado, câmbio desvalorizado e aumento das tarifas de importação para "estimular" a indústria nacional."Desde quando isso é errado?Alemanha, Japão, EUA... todos fazem isso.Faça o inverso pra ver o resultado desastroso e vai se arrepender de ter criticado essa política.A inflação do plano real nunca atingiu o centro da meta."O problema é que a imprensa lamentavelmente se encarrega de divulgar apenas o valor final ponderado."A Globonews sempre trata da inflação de preços nos seus programas, é só assistir que está na internet.Por que inflação ponderada?Bens não comercializáveis não são afetados pela economia externa só a interna.Se estão subindo (inflação) é que a concorrência é fraca e o consumo é ativo no mercado interno.Coerente com os bons índices do comércio divulgados pelo Nassif.Se você for criticar a divulgação de inflação ponderada, vai ter que refazer o conceito de inflação usado pela economia global.O objetivo não é comparar o Brasil com outros países?Deixe assim então."dado que o peso atribuído aos preços dos serviços que são controlados pelo governo (taxa de água e esgoto, energia elétrica, gás de bujão, transporte público, combustíveis, plano de saúde, pedágio, licenciamento, IPTU, IPVA) é relativamente alto, o número final da inflação total acaba sendo arrefecido, fazendo com que o valor divulgado da inflação de preços total não seja tão grande quanto o que você realmente sente."Agora me diga se esses preços fossem livres?Se não houvesse alguma intervenção do governo?O que aconteceria?Economia gerida apenas pelo mercado sempre resultou em desastre (vide o recente 2008). Economia com intervenção total também leva a desastre. Procuremos o meio termo.E ainda tem um monte de pangarés inventando que a Petrobrás está quebrando porque o governo não deixa aumentar a gasolina (mentira, pois o lucro dela esse ano foi enorme) depois volta pra reclamar da gasolina aumentando...A Petrobrás não tem problema de demanda e preço.O problema principal é a queda na produção por conta de manutenção corretiva não programada. Se seu carro quebra logo depois de uma revisão geral o problema é do governo?Tenha dó!Queda de lucro não é saldo negativo, ponha isso na cabeça!A empresa põe 18 bilhões líquidos no caixa e está quebrando?Fala sério!www.jcom.com.br/noticia/140615/Queda_na_producao_deve_afetar_resultados_da_PetrobrasTodo mundo não quer retorno dos impostos?Porque reclamam do subsídio às contas de luz?É dinheiro que você já perdeu evitando que você perca ainda mais, que tem prazo pra acabar aliás.Quando empresta dinheiro o BNDES está cumprindo sua função de desenvolvimento econômico.Qualquer empresa pode solicitar empréstimo barato, não só as grandes e ricas, as pequenas também, mas ir lá parece ser algum tipo de pacto com o diabo pra esse economistas.Em tempo, o BNDES não está quebrando: g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2013/11/bndes-tem-lucro-de-r-49-bi-alta-de-de-35-de-janeiro-setembro.htmlEsse lucro não é via tesouro nacional, é da carteira de empréstimos pagos. Mostra que é sustentável.A dívida pública brasileira não é de R$ 3 trilhões como disseram e também está sob controle, já que a maior parcela está com a Caixa e o Banco do Brasil. É o governo devendo pra si próprio:www.estadao.com.br/noticias/impresso,tamanho-da-divida-publica-nao-e-o-principal-problema-,1101560,0.htm O Maurício não vai quebrar se passar o dinheiro que ele tem num banco pra outro banco. Há países avançados e não cuja dívida é mais que 50% do PIB e está tudo bem para as agências de rating. Estranho que isso é ruim só no Brasil..."você tem um governo que seguidamente dá demonstrações de que a manutenção do poder de compra da moeda está longe de ser uma grande preocupação" Como assim? O dólar e o real estão sob controle. O dólar não disparou como previu João Milagres no início do ano!O país depende muito da economía externa, o que é normal num mundo globalizado. Não cresce muito por conta disso. Precisa melhorar a competitividade e a eficiência das empresas. Isso é fato.Todo economista reclama que os juros precisam cair, mas BNDES, Caixa, BB emprestarem com juros baixos é um sacrilégio econômico para esses "bachareis"!O Brasil tem um número enorme de pequenas e micro-empresas. É difícil investir quando se é pequeno, mesmo quando há crédito. Empresas maiores, preferem ganhar com a inflação que com a escala de produção, por isso evitam investir ao máximo. Isso gera inflação de demanda, mais que o crédito. Observe pela capacidade instalada. Acima de 80% é alerta de inflação, de que a empresa precisa aumentar sua produção, mas esse índice permanece acima de 80% desde FHC e poucas empresas se mexem pra sair do sufoco www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1336708Se a economia fosse focada em vender mais a preços menores, a dependência de crédito seria menor, o emprego maior e o governo não precisaria intervir tanto. Mas os empresários se sentem extremamente cômodos em faturar apenas com a inflação e demitir toda vez que o crédito não atende o aumento de preços impostos por eles. O endividamento seria menor, já que compra à vista seria mais fácil. Mas o endividamento só é problema se a inadimplência sai do controle e, embora a manchete seja negativa, está menor em 2013 que em 2012: economia.terra.com.br/inadimplencia-do-consumidor-cresce-17-em-novembro-diz-serasa,f52d2e4180bf2410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html(usar valor nominal pra falar de recorde é erro e safadeza de quem quer forçar ponto)"Com uma mão-de-obra mal instruída e pouco produtiva, a única solução de curto prazo seria a redução das tarifas de importação para bens de capital, os quais poderiam aumentar nossa produtividade no curto prazo. Mas o que a atual matriz econômica do governo está fazendo é justamente dificultar as importações, tudo em nome da "defesa da indústria nacional"."Isso não está feito genericamente como sugere o escritor. É feito pontualmente, por setor, exigindo contrapartidas (veja o caso da automotiva). Importar máquinas e equipamentos por exemplo é mais barato do que nunca foi hoje. Importar material e instrumentos para a pesquisa também. Aumentar impostos para supérfluos, vestuário, viagens ao exterior, carros importados, material eletrônico é proteger a economía de inflação e deve ser feito com contrapartida de investimentos (que a indústria sempre adia, mesmo com subsídios e taxas externas).A mão de obra é pouco preparada sim, mas as empresas (embora digam o contrário) acabam preferindo profissionais menos experientes, pois custam menos. O desemprego diminui, mas a massa salarial não cresce. Ninguém quer pagar um bom salário pra um engenheiro, sempre vão achar desculpa pra não contratar um profissional altamente especializado e treinado justamente pra não pagar salários altos. O resultado é a enorme quantidade de serviços e produtos de baixa qualidade e pouca competitividade internacional.

Responder
Leandro 28/12/2013 23:07:44

"Desde quando isso é errado? Alemanha, Japão, EUA... todos fazem isso. Faça o inverso pra ver o resultado desastroso e vai se arrepender de ter criticado essa política."

Já começou mentindo logo na primeira frase. A Alemanha sempre teve moeda forte e não recorre a tarifas protecionistas para proteger a sua indústria. Tampouco é adepta de políticas fiscais irresponsáveis. O mesmo, aliás, pode ser dito da Suíça. Sempre teve moeda forte, sempre foi adepta do livre comércio e sempre apresentou um orçamento ainda mais equilibrado que os alemães. O próprio Japão, aliás, teve uma moeda que se valorizou continuamente nas últimas duas décadas (a tendência foi revertida apenas em 2011).

Todos esses países possuem robustos setores industriais, não obstantes suas moedas se valorizarem continuamente.

Por outro lado, a atual política -- a qual você diz que eu deveria me arrepender de criticar -- levou a indústria nacional a ter a sua menor participação no PIB

Participação da indústria no PIB é a menor desde 1955

Isso deve dar um nó górdio na sua cabeça.

Artigos sugeridos:

Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

Os efeitos não premeditados de uma desvalorização da taxa de câmbio

Quando a sensatez não tem vez

O esfacelamento do real e as perspectivas da economia brasileira

"A inflação do plano real nunca atingiu o centro da meta."

Segunda mentira. E ainda estamos apenas no início.

Em 1998, o IPCA foi de 1,65%. Em 2006, 3,14%, Em 2007, 4,46%. Em 2009, 4,31%.

"A Globonews sempre trata da inflação de preços nos seus programas, é só assistir que está na internet."

Que bom. Manda o link aí, por obséquio.

"Por que inflação ponderada? Bens não comercializáveis não são afetados pela economia externa só a interna. Se estão subindo (inflação) é que a concorrência é fraca e o consumo é ativo no mercado interno."

E as políticas monetárias e fiscais expansionistas nada têm a ver com isso? São fatores exógenos completamente alheios ao mundo real?

"Se você for criticar a divulgação de inflação ponderada, vai ter que refazer o conceito de inflação usado pela economia global. O objetivo não é comparar o Brasil com outros países? Deixe assim então."

Eu não critiquei nada. Apenas mostrei que, quando determinados índices são analisados isoladamente (e não há absolutamente nada de errado nessa prática), eles apontam para uma inflação de preços que está em níveis historicamente altos. Só isso. Em nenhum momento disse ser necessário "refazer o conceito de inflação usado pela economia global" e em nenhum momento utilizei outros dados que não fossem do IBGE. Isso é desespero seu.

"Agora me diga se esses preços fossem livres? Se não houvesse alguma intervenção do governo? O que aconteceria?"

Você realmente acha que preços podem ser congelados para sempre? Qual o seu grau de compreensão da teoria econômica? Até agora, você só cuspiu ideologia e regurgitou panfletagem político-partidária.

Preços controlados levam a uma redução de receitas ao mesmo tempo em que os custos seguem aumentando. Isso afeta severamente a capacidade de investimentos de qualquer empresa. Com o tempo, elas acabam tendo de ser socorridas pelo Tesouro (ou seja, com o dinheiro de impostos, majoritariamente dos mais pobres). E você defende isso.

"Economia gerida apenas pelo mercado sempre resultou em desastre (vide o recente 2008)."

Fique à vontade para apontar onde havia uma economia "gerida apenas pelo mercado".

Como ocorreu a crise financeira americana

A única coisa que você sabe fazer, repito, é vomitar ideologias e panfletagens, sem se dar ao mais mínimo trabalho de uma pesquisa mais aprofundada.

"Economia com intervenção total também leva a desastre. Procuremos o meio termo."

É exatamente sob esse arranjo que o mundo vive.

"E ainda tem um monte de pangarés inventando que a Petrobrás está quebrando porque o governo não deixa aumentar a gasolina (mentira, pois o lucro dela esse ano foi enorme) depois volta pra reclamar da gasolina aumentando..."

Apenas para um ideólogo fanático como você é que dizer a verdade torna alguém um "pangaré".

Aliás, outra mentira sua:

Lucro da Petrobras cai 45% no 3º trimestre e alcança R$ 3,4 bilhões -- Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 39%.


"A Petrobrás não tem problema de demanda e preço. O problema principal é a queda na produção por conta de manutenção corretiva não programada. Se seu carro quebra logo depois de uma revisão geral o problema é do governo? Tenha dó!"

Entendi! O controle de preços nada teve a ver com isso. Em nada afetou as receitas e, consequentemente, a capacidade de investimento da empresa. Nada! Em seu mundo fantástico, coisas como o sistema de preços e o sistema de lucros e prejuízos são meros adornos. Não têm função nenhuma e não geram absolutamente nenhuma relação de causa e consequência!

Com esse nível de conhecimento, você já está preparadíssimo para ser nosso futuro Ministro da Fazenda.

"Queda de lucro não é saldo negativo, ponha isso na cabeça! A empresa põe 18 bilhões líquidos no caixa e está quebrando? Fala sério!"

E quem foi que disse qualquer coisa minimamente relacionada a "saldo negativo", criatura? Aponte onde no artigo foi dito que a Petrobras teve prejuízo. Faça isso ou retrate-se pela calúnia.

"Todo mundo não quer retorno dos impostos? Porque reclamam do subsídio às contas de luz? É dinheiro que você já perdeu evitando que você perca ainda mais, que tem prazo pra acabar aliás."

Isso foi explicado, mas um ignorante em economia como você não teve a capacidade de entender. Estes subsídios foram custeados com endividamento do Tesouro. O Tesouro lançou títulos para dar estes subsídios. Estes títulos são comprados pelos bancos. E esta operação, como foi detalhadamente explicada no artigo, é inflacionária, pois os bancos criam dinheiro para comprar estes títulos.

Ou seja, este subsídio está longe de ser apenas um "dinheiro que você já perdeu evitando que você perca ainda mais". Trata-se de uma operação inerentemente inflacionária, que aumenta os preços de toda a economia.

Cansei. Passei o olho no restante e vi que só tinha propaganda partidária. Tinha até uma maravilha como "É o governo devendo pra si próprio". Após esta conclusão triunfal, confesso que perdi o interesse em ler o resto (principalmente com esta formatação maravilhosa). Ainda mais em um sábado à noite. Se algum leitor bem-aventurado quiser se dar ao trabalho, terá minha eterna gratidão.

Responder
R Santos 29/12/2013 22:47:29

Quando eu leio um comentário como esso do Reginaldo, me dá tristeza. A ideologia está impregnada na cabeça de muitas pessoas que se consideram instruídas. Poucos se dão ao trabalho de pesquisar fontes, mesmo que governamentais (BNDES, BC, Tesouro, Receita). A onda é repetir como um macaco de circo o que diz a sua ideologia.

Responder
Hugo 29/12/2013 19:50:28

É curioso que em todos os anos após 2004 a inflação dos preços não comercializáveis sempre foi maior que a inflação total,a valorização cambial desde 2004 ajudou muito mais no controle de inflação que o próprio governo...

Responder
Gustavo 01/01/2014 17:04:24

Leandro Roque, Parabéns pelo excelente artigo!!!
E que 2014 possa ser um ano mais ético e de mais cultura!!!

Responder
Deilton 03/01/2014 19:14:15

Vou lhe dizer, a medíocridade desse desgoverno é muito grande:

oglobo.globo.com/economia/governo-cumpre-sua-parte-na-meta-de-superavit-primario-para-2013-11201951

"Mantega diz que antecipou anuncio do resultado para 'acalmar os nervosinhos' do mercado."

"Estamos o tempo todo preocupados com a despesa, em reduzir ou não deixar subir acima do PIB. Temos reduzido despesas que a cada ano sobem menos, como custeio, passagens e diárias. No entanto, educação e saúde são investimentos e vão continuar subindo - acrescentou ele "

Pior é que ele sair ou não na reforma ministerial não mudará a direção do governo.

Responder
Lg 03/01/2014 19:35:37

"Temos reduzido despesas que a cada ano sobem menos"
HAHAHAHA, eles estão reduzindo viu, a cada ano sobe menos!

Responder
Deilton 03/01/2014 20:23:05

Prezado Leandro, me corrija se eu estiver errado:

A dívida pública, segundo o site do bacen (https://www3.bcb.gov.br/sgspub/consultarvalores/consultarValoresSeries.do?method=consultarGrafico - Série 2213 Dívida mobiliária (Saldos) Títulos do tesouro total emitido) está em R$ 2.922 trilhões de reais. O PIB, segundo IBGE, R$ 4.004 trilhões de reais (2012).

A relação dívida/PIB não seria de aproximandamente 73%?

Responder
Leandro 03/01/2014 20:47:20

Em termos puramente numéricos, está correto.

Mas vale enfatizar que uma parte dessa dívida está em posse do Banco Central (que continua auferindo os juros do Tesouro normalmente, mas que, em última instância, pode ser caloteado sem grandes problemas). Outra parte está em posse de investidores estrangeiros e, neste caso, as reservas internacionais podem entrar na equação para contrabalançar o valor desta dívida.

Segundo o FMI e sua metodologia, a dívida bruta do governo brasileiro em 2012 foi de 68,5% do PIB.

en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_public_debt

Responder
Deilton 04/01/2014 23:50:42

Prezado Leandro,

Veja essa notícia: www.portugues.rfi.fr/brasil/20131213-hollande-diz-admirar-desempenho-da-divida-publica-do-brasil.

"No Brasil, esse coeficiente é de 30%. Já na França, a taxa de endividamento público representa 94,3% atualmente."

Fica claro que ele está se referindo a dívida pública líquida.

Nesse caso, a dívida pública líquida da França é 94,3%? Ou ele está equivocado e comparando a dívida bruta francesa com a dívida líquida brasileira?

Responder
Leandro 05/01/2014 00:12:35

Exato, o coitado está se referindo à dívida líquida. Mas não é culpa dele; esse é o valor que a imprensa nacional divulga, e esse é o valor que a imprensa estrangeira copia. Aliás, a imprensa estrangeira divulga caninamente até o nosso superávit primário (ignorando completamente nosso déficit nominal).

Prova suprema de que o ativismo e a intimidação do governo junto à imprensa trazem grandes resultados.

Responder
Me 09/01/2014 15:07:33

Tenho aprendido bastante com os seus textos e entrevistas. Muito obrigado.

Responder
Hugo 10/01/2014 22:58:48

Leandro gostaria de perguntar algo relacionado ao gráfico dos não-comercializáveis,mais especificamente o período 1998-1999:

Muita gente achava que o câmbio estava sobrevalorizado e que deveria ter sido posto para flutuar livremente,porém o governo ficava receoso em fazer tal mudança por temer que uma grande desvalorização reativasse a indexação generalizada da economia,e com isso o Real seria posto a perder.Porém quando o Real passou a flutuar e se desvalorizou em 1999 a inflação foi muito mais baixa do que todo mundo esperava,ainda mais se tratando dos produtos não-comercializáveis que tiveram um aumento baixíssimo de menos de 2% ao ano no fim de 1999,apesar de a inflação geral ter ficado em mais de 8%.Muitos apontaram que a inflação não disparou porquê a indexação não havia voltado.

Levando em conta esse último ponto seria correto dizer que o comportamento dos preços dos não-comercializáveis seria um indicador de indexação da economia?

Responder
Leandro 12/01/2014 11:10:59

É um bom ponto, Hugo. Pessoalmente, não veria problemas em utilizar esta variável como mensuração da desindexação da economia. Acho, aliás, que seria até bem acurado.

No que mais, vale observar o total fracasso da política de metas de inflação versus a política do câmbio atrelado ao dólar. Desde que o real passou a flutuar, o resultado foi escabroso para a taxa de inflação de preços dos não-comercializáveis, a qual quase nunca ficou abaixo dos 5% ao ano, um índice extremamente alto para uma economia que se pretende desenvolvida.

Responder
Hugo 12/01/2014 17:06:39

E sem contar também que desde 2004 os não comercializáveis estão maiores que o IPCA total e desde 2010 estão em pelo menos 7%.

Responder
anônimo 11/01/2014 00:00:10

O ano tá começando bem:

O confisco secreto da Caixa
Relatórios da Controladoria-Geral da União e do Banco Central mostram que a Caixa encerrou irregularmente mais de 525 mil contas poupança e usou o dinheiro para engordar seu lucro de 2012 em R$ 719 milhões

istoe.com.br/reportagens/342813_O+CONFISCO+SECRETO+DA+CAIXA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Responder
Ali Baba 11/01/2014 10:46:39

@anônimo 11/01/2014 00:00:10

"O ano tá começando bem:

O confisco secreto da Caixa"


Olha... tudo indica que esse confisco tem a ver com o aumento do lucro para turbinar os bônus dos executivos... nada diferente do que ocorre em todo o mundo. Mas é impossível não querer se filiar à teoria da conspiração que esse aumento do lucro serviu para mascarar os prejuízos dos empréstimos imobiliários e manter uma imagem de normalidade no mercado imobiliário...

Alguém com experiência nessas análises se habilita a confirmar ou refutar tal teoria?

Responder
anônimo 11/01/2014 14:23:25

Ali Babá, eles deliberadamente encerraram as contas de meio milhão de pessoas para contabilizar estes fundos como lucros. É bastante diferente de "contabilidade criativa". Não acredito que esta prática, de encerrar as contas dos clientes para engordar os lucros do banco sejam uma prática comum ao redor do mundo. Isso destrói qualquer reputação que o banco possa ter, afinal, isto em nada difere de roubo. Quem iria utilizar um banco destes? Só um banco estatal pode se dar ao "luxo" de uma arbitrariedade destas.

Responder
Reinaldo Vizcarra 14/01/2014 16:41:09

Senhores, vocês, defensores do modelo selvagem, do cada um por si, da total falta de soberania do país, frente aos mercados, e DEFENSORES DO MERCADO COMO O DETENTOR DO SUPREMO DIREITO A TUDO COMANDAR, VÃO AMARGAR A DERROTA DO PSDB - NOVAMENTE - em 2014. E o Brasil, ao contrário de suas previsões nefastas, vai continuar a ser uma terra que afugenta a pobreza e a miséria, nos moldes do que arrazoa Amartya Sen. Felizmente, os senhores são minoria. Temos visto muita gente sair da pobreza extrema à empregabilidade. Da fome à dignidade. Desejo, então, que aos senhores não lhes falte nada, exceto o poder, que não pode mais ficar nas mãos de quem substituiu os valores humanos pelos do mercado, e de quem coloca a economia a serviço do dinheiro, e não a serviço do homem.

Responder
anônimo 20/01/2014 12:48:23

Primeiro, pro pessoal aqui PSDB é tão lixo quanto o PT.
Segundo, ninguém está contando com melhora nenhuma que venha da democracia.
Terceiro, o governo assistencialista que você tanto admira é quem mais ferra a vida do pobre.O pobre acha que bolsa esmola e cia são um grande favor porque não entende como o governo arranca muito mais dele, porque não sabe que um motorista de ônibus numa economia liberal tem uma vida de rei comparado com um motorista de ônibus de um país socialista.
Quarto, ninguém substitui valores humanos pelo mercado coisa nenhuma, o livre mercado é a consequência de defender os valores corretos: trabalho duro, honestidade, liberdade e respeito a propriedade privada.Já 'valores humanos' como vitimismo, coitadismo, roubar e empobrecer uma nação inteira pra beneficiar meia dúzia de funças e parasitas que mamam nas tetas do governo...

Responder
Khilweb 15/01/2014 00:45:07

Estudante na área de finanças, me deparei com o site hoje e fiquei impressionado. Raramente vi artigos sobre economia com tanta QUALIDADE e CLAREZA. Como alguns já ressaltaram, até para leigos. Já virei fã :)
Meus parábens Leandro e ao IMB!!!

Me chamou a atenção a frase "Plus ça change, plus c'est la même chose.", pois sou fluente em francês tbm. É um slogan? Poderia me explicar a quê se refere? Merci :)

Abraços

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 20/01/2014 05:28:23

Leandro parabéns pelos artigos. Sinto-me honrado por ter acessado estes textos.

Faço uma pergunta me desculpando pela minha ignorância: As reservas internacionais criadas a partir de emissão de moedas e venda de títulos, elas não tiveram nenhum efeito no aumento da inflação em todos os anos do Plano Real?

Atenciosamente,

Rodrigo

Responder
Leandro 20/01/2014 13:52:03

Quando o Banco Central compra dólares para compor suas reservas internacionais, ele cria reais (na verdade, dígitos eletrônicos) do nada e os repassa ao sistema bancário. Este dinheiro, portanto, irá entrar nas "reservas bancárias" do sistema bancário.

Esta operação, por si só, não é inflacionária, pois o dinheiro não entrou na economia. Ela só será inflacionária se este dinheiro entrar na economia, algo que ocorrerá sempre que os bancos concederem algum tipo de empréstimo (nem que seja desconto de duplicata) para uma pessoa ou para uma empresa.

No entanto -- e isso é extremamente importante --, um dos efeitos diretos deste aumento das reservas bancárias foi a redução da SELIC. Dado que a taxa SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário para emprestar (ou tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas, quanto maior for a injeção de dinheiro (feita pelo BC) nestas reservas, menor será a SELIC.

Logo, a queda da SELIC observada no período 2003-2012 (de 26,5% para 7,25%) tem uma de suas causas nestas compras de dólares.

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 20/01/2014 15:30:25

Perfeito. Era uma dúvida eterna.

Bate com o fenômeno nos USA em que, mesmo com a expansão monetária do FED, não houve inflação significativa, devido aos bancos recebedores não terem feito circular a maior parte daquele gigantesco capital.

Forte abraço!

Rodrigo

Responder
Adriano 26/01/2014 17:56:51

Olá Leandro,

Muito bom esse artigo. Queria te perguntar algo sobre nossos índices de inflação e do PIB. Neste video: www.youtube.com/watch?v=zPkTItOXuN0&list=PL7E8A774DA8435EEB (Crash Curse - Chris Martenson) ele explica como o cálculo desses indicadores é feito. É algo que beira o surrealismo. Os dados simplesmente não tem nenhum vínculo com a realidade. Me pergunto: no Brasil, existem esses mecanismos apontados no vídeo como o "Hedonics", em que um produto que tem um incremento tecnológico, porém sem aumento de preço (ex: uma TV de plasma para LCD) acarreta para o índice uma diminuição do índice inflacionário em virtude do aumento da utilidade do produto!? Desde já agradeço. Se possível, gostaria de saber também sobre outro tema que o autor trata, o Choque do Petróleo. Há algum texto no Mises sobre o tema?

Abraço

Responder
Mauro Ricardo 05/02/2014 11:31:11

Agora vai!

Aloizio Mercadante começará a palpitar mais ativamente na economia.

Com Mercadante, Casa Civil terá mais poder na economia

Ministro, que é economista, terá uma equipe mais voltada a temas econômicos no novo ministério e poderá influir no debate interno

O governo da presidente Dilma Rousseff está levando para o Palácio do Planalto o debate sobre a política econômica brasileira - que passa por uma crise de credibilidade no mercado -, dando à Casa Civil, desde ontem sob nova direção, maior influência nas decisões sobre a economia do País.

Despachando do 4.º andar do Palácio do Planalto, o economista e fundador do PT Aloizio Mercadante começa a formar uma equipe voltada para temas econômicos, tendo à frente o secretário executivo, Valdir Simão, que foi secretário de Fazenda do Distrito Federal e no governo federal implementou o software de gestão operacional da máquina federal, e o secretário executivo adjunto, Gilson Bittencourt, que por quase cinco anos, até o início de 2012, foi um dos principais técnicos do Ministério da Fazenda.

Há, em curso, uma substituição do perfil jurídico da Casa Civil, que era tocada até meados do ano passado pelo então secretário executivo Beto Vasconcelos, advogado, por um econômico. Não há, no entanto, perda de força interna do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que continua participando do núcleo duro do governo Dilma Rousseff, mas sim uma ascendência de Mercadante. "Onde cabia um, agora cabem dois", resumiu um influente auxiliar presidencial.

www.estadao.com.br/noticias/impresso,com-mercadante-casa-civil-tera-mais-poder-na-economia,1126761,0.htm

Responder
Tiago Diniz 07/02/2014 01:38:11

Leandro Roque, Parabéns pelo excelente artigo, mais esclarecedor impossível.

Responder
Leandro 07/02/2014 10:22:26

Obrigado pelas palavras gentis, prezado Tiago. Grande abraço!

Responder
Aspone 07/02/2014 16:54:53

Leandro,

o Constantino publicou em seu blog na Veja.com nesta data que as reservas cambiais do governo federal estão 20% abaixo dos números oficiais divulgados.

Segundo dados do governo, seriam quase 400 bi, mas por conta de operações de swap, elas estariam abaixo de 300 bi.

Vc sempre disse que temos risco zero de hiperinflação por conta justamente dessas reservas.

Dá pra começar a ficar com medo ou ainda não?

Obrigado!

Responder
Leandro 07/02/2014 17:19:29

Eu nunca fiz absolutamente nenhum tipo de ligação entre hiperinflação e tamanho das reservas internacionais. Deve estar havendo algum erro interpretativo de sua parte.

O que eu já disse várias vezes (e repito) é que:

1) Resevas internacionais são essenciais para um país que queira implantar um Currency Board;

2) Reservas internacionais são essenciais para um BC que queira atrelar sua moeda ao dólar;

3) Não há crise cambial em países de câmbio genuinamente livres;

4) Hiperinflações só ocorreram em arranjos monetários nos quais o Banco Central podia comprar títulos diretamente do Tesouro, desta forma monetizando seu déficit. Hiperinflações nunca ocorreram (pelo menos até a presente data) em arranjos nos quais apenas o sistema bancário (e não o BC) pode jogar dinheiro na economia. E é neste arranjo em que vivemos atualmente.


Nesta minha entrevista (modéstia à parte, cada vez mais atual e com previsões certeiras), falo sobre isso:

www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=284

Responder
Andre Cavalcante 07/02/2014 17:33:38

Ei Leandro, você pode colocar a modéstia de lado, mesmo.
Acompanho o site desde 2011 e já se vão então 3 anos que tu acertas em quase todos os pontos. Quando erras é porque o governo fez lambança acima da média e aí não dá prá prever mesmo...

Responder
Leandro 07/02/2014 17:50:21

Obrigado, meu caro Andre. E, realmente, você tem razão. Por exemplo, eu errei feio neste artigo de 2009, quando disse que o real não iria se desvalorizar muito perante o real.

Bem feito para mim por ter subestimado a incompetência dos burocratas do BACEN.

Ou seja: da única vez em que me arrisquei a dar alguma credibilidade para os burocratas do BACEN, me estrepei. Eles são muito piores do que imaginei. É bom para eu aprender a nunca, jamais, em hipótese alguma, dar meu voto de confiança para esses ignaros.

Responder
Thalita Garcia 10/02/2014 01:06:48

Leandro. Parabéns pelo artigo, excelente e de leitura fácil para leigos como eu.. Aqui adquiro conhecimentos a mais de 2 anos, apesar de nunca comentar.


Sobre o que você escreveu:

''Aliás, sendo bem sincero, eu não acho um bom negócio um "oposicionista" assumir a presidência em 2015. O tamanho da encrenca que ele vai pegar não apenas poderá aniquilar sua carreira política, como ainda pavimentará o caminho para pelo menos duas décadas de mais um governo do PT.''

Pelo que você disse, parece que após a eleição teremos tempos difíceis..

Li entrevistas em que alguns economistas acreditam em um possível ajuste fiscal logo em 2015. Você também compartilha dessa opinião ?

Esses ajustes poderia acabar com programas de subsídio como o MCMV ? Pergunta isso pois onde eu moro ( interior do nordeste cidade de 10k a 20k habitantes ), financiamento habitacional para população com renda de até R$ 1800, para casas de até R$ 89000,00, tem muito espaço para crescer, pois a população por aqui começou a se interessar pelo mercado no meio do ano de 2013 em diante..



A minha dúvida seria se o programa minha casa minha vida tem risco de acabar logo após a eleição desse ano por causa de um possível ajuste ? Manter o programa custa caro dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2014/01/09/minha-casa-minha-vida-ja-gasta-mais-que-30-dos-39-ministerios/ ....

A demanda por imóveis de preço inferior aos R$ 90.000,00 tem muito espaço para crescer, tudo depende se os juros do programa MCMV(D) ( que não sobem nem com alta da selic ) vão continuar abaixo da inflação( 4,5% a 5% ) e o governo ainda dando subsídio ( no interior ronda o máximo de 9k de subsídio).

O fim do programa daria uma pancada legal nos preços dos imóveis em grandes capitais !

Se o programa ainda existir por mais algum tempo, de certeza que o rombo será grande, pois o pessoal que financiou, ( com decore de contador para comprovar renda ) comprometem mais de 50% da renda, e na primeira crise deixam de pagar...

E então, acredita ser possível o fim do programa ou a manutenção dele por mais alguns anos após a eleição ?

Grata e na espera da sua opinião.





Responder
Leandro 10/02/2014 13:05:46

O ajuste fiscal terá de ocorrer em 2015, nem que seja por conveniência política: é sempre melhor fazer o ajuste no primeiro ano de governo (vide Lula em 2003), pois as inevitáveis dores tendem a já estarem esquecidas nas eleições dali a 4 anos.

Sobre o MCMV, não o vejo sendo abolido. No máximo, o governo criará algumas dificuldades adicionais na concessão de crédito, apenas para dar a impressão de que está fazendo alguma coisa. Mas um programa tão eleitoralmente popular como este não tem a mínima chance de ser abolido, nem pela "oposição". Se, no entanto, isso acontecer, digo que será uma das maiores surpresas que já terei vivenciado em termos de política econômica.

Grande abraço!

Responder
Deilton 12/02/2014 19:20:37

Prezado Leandro,

Discordo que, caso reeleita a atual presidente, haverá ajuste fiscal. O governo deve manter a corda esticada. Gastando e dizendo que está cortando gastos.

Responder
Thalita Garcia 05/03/2014 20:07:30

"Sobre o MCMV, não o vejo sendo abolido. No máximo, o governo criará algumas dificuldades adicionais na concessão de crédito, apenas para dar a impressão de que está fazendo alguma coisa. Mas um programa tão eleitoralmente popular como este não tem a mínima chance de ser abolido, nem pela "oposição". Se, no entanto, isso acontecer, digo que será uma das maiores surpresas que já terei vivenciado em termos de política econômica."

Leandro,

Desculpe insistir no assunto, é que sua opinião é suma importância. www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/03/1420926-caixa-vai-frear-ritmo-de-aumento-de-emprestimos.shtml

Isso afetaria drasticamente o programa MCMV não ? Pois sem os recursos da união a caixa não poderá dar subsídios e financiamentos a juros baixos a torta e a direita como está dando ainda...

Responder
Leandro 05/03/2014 20:16:53

Exatamente como eu disse. O governo criará algumas dificuldades adicionais na concessão de crédito, apenas para dar a impressão de que está fazendo alguma coisa.

A Caixa está com um nível relativamente baixo em seu Índice de Basileia, o que obriga o governo a fazer contínuas injeções de capital no banco (silêncio absoluto da esquerda quanto a este explícito pacote de socorro bancário). Porém, dado que o orçamento do governo já está em frangalhos, alguns cortes serão feitos.

Mas nada de mais. Como bem diz a reportagem, haverá apenas uma redução no ritmo do avanço.

Responder
Guimarães 12/02/2014 19:07:31

Enquanto isso, nos países sérios do continente:

A Aliança do Pacífico elimina os impostos para 92% dos produtos

Colômbia, México, Peru e Chile reforçam sua união com um acordo comercial que prometem levar a 100% das mercadorias. A Costa Rica inicia seu processo de adesão ao bloco

brasil.elpais.com/brasil/2014/02/11/internacional/1392076207_510966.html

Responder
Deilton 13/02/2014 13:39:05

Enquanto isso, o Mercosul...

Responder
Dioner Segala 27/02/2014 14:44:39

Excelente artigo. Tenho lido diariamente os artigos publicados e ouvido os podcasts.

Em relação ao artigo, ainda não devemos nos esquecer que todos estes indices são os oficiais, divulgados pela agência estatistica estatal, que utiliza metodos obscuros para elaborar todos os seus indices. Imagina como deve ser a realidade.

Responder
Marcos 27/02/2014 14:56:17

Realmente, Dioner. Vale ressaltar que o próprio Banco Central, por meio de seu indicado IBC-Br, confessou que o país entrou em recessão no quarto trimestre. Os resultados do IBGE estão pra lá de discrepantes.

br.reuters.com/article/topNews/idBRSPEA1D01M20140214

Responder
amauri 27/02/2014 15:31:24

Boa tarde Leandro!
Um blog do Estadao dá que o Brasil teve o terceiro maior PIB do mundo em 2013,perdeu apenas para a China e Coreia do Sul. E os militantes estao em disparando contra a oposicao como um grande feito do petismo.

Responder
Leandro 27/02/2014 15:42:32

Você se refere a isso aqui?

A notícia é obscenamente enganosa. Pra começar, a própria matéria afirma que o 3º lugar ocorre apenas "entre 13 economias que já apresentaram seus resultados".

Mas ignora que, em toda a América do Sul, o Brasil só fica à frente da Venezuela e da Argentina. O PIB do Peru cresceu 5% em 2013. A matéria não cita. Os dados de Chile e Colômbia ainda não foram divulgados, mas, de acordo com estimativas do banco Barclays, as economias de ambos devem registrar um crescimento de 4,4% e 4,2%, respectivamente. A matéria não cita. Até mesmo a Argentina deve apresentar números da ordem de 2%.

Vocês deveriam estar mais bem preparados para lidar com militantes partidários.

Responder
IRCR 27/02/2014 16:30:25

Leandro,

Poderia me explicar como a economia cresceu 2,3% em 2013 se a economia em cada trimestre cresceu (0%, 1,8% -0,5% e 0,7%) respectivamente, dando um total de 1,9% ?

Temos que levar em consideração tb que esses numeros seja 2,3% ou 1,9% estão superdimencionados pois utilizam o IPCA como deflator, indice que já sabemos que é manipulado para baixo.

*Achei comico tb a militancia Petista falando em terceiro maior crescimento do mundo

Responder
Leandro 27/02/2014 17:10:46

Não é assim que se calcula a variação anual do PIB. Você tem de somar os PIBs dos quatro trimestres de 2013 e então compará-los com a soma dos quatro trimestres de 2012.

Apenas somar a variação percentual entre os quatro trimestres de 2013 não lhe dará a variação do PIB anual.

No que mais, vale destacar que o que realmente impulsionou o pequeno PIB de 2013 foi o agronegócio, justamente o setor mais demonizado e atacado pelo governo, e o que mais enfraqueceu foi a indústria, justamente o setor mais protegido e mimado. Há uma lição aí.

Responder
chato 27/02/2014 17:47:56

Faltou atualizar a inadimplência.

Responder
Leandro 27/02/2014 18:00:12

Fale isso para o BACEN, que ainda não atualizou. Mágica eu não posso fazer...

Responder
IRCR 27/02/2014 17:56:46

Leandro,

Não entendi muito bem, no tradingeconomics eles contabilizaram 1,9%.

Na realiadade quem demoniza o agronegocio é o MST e o pessoal da esquerda mais radical.
Ademais, o setor agricola do Brasil tb é super protegido, cheio de subsidios e protecionismo. Tanto que ano passado produtores de café queimaram safras e o governo federal comprou com um preço maior que do mercado para evitar um queda no preço, pois o preço do café estava em queda no mercado internacional.
Mesmo para os que demonizam o agronegocio, há tb meia verdades, pois boa parte para não dizer quase tudo vai para exportação e nós ficamos com o pior da safra a preço de ouro.

Responder
Leandro 27/02/2014 18:07:38

1,9% foi o crescimento do 4º trimestre de 2013 em relação ao 4º trimestre de 2012. Essa é uma das duas métricas utilizadas pelo Trading Economics.

Responder
Bernardo M 27/02/2014 18:09:28

Sei que esse artigo nao é o lugar mais apropriado pra isso, mas é que eu vi a noticia do Bitcoin e estou preocupado. O que aconteceu????? POr favor, alguma luz

Responder
Andre Cavalcante 27/02/2014 19:45:41

O artigo é esse aqui: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1594.

Sobre o que aconteceu? Simples: o mtgox quebrou.

Responder
Bernardo M 27/02/2014 20:40:40

Quer dizer que quem tinha conta lá simplesmente perdeu tudo? Isso nao me parece tao simples, o buraco é muito mais embaixo.
E so mostra como é diferente de outras moedas, pois nunca vi o Itau por exemplo sumindo com o dinheiro das pessoas

Pra mim o bitcoin ta em xeque

Responder
Felix 28/02/2014 00:39:53

O MtGox era o homem do meio entre duas operações
para alguém operar tinha que dar o dinheiro pra ele e ele entregar para o outro
por isso as pessoas perderam o dinheiro, porque não estava mais nas suas carteiras
e isso pode acontecer com qualquer coisa, não só com bitcoin,
com seu dinheiro no banco,
com títulos públicos, poupança,
com LCI, LCA, CDB, etc...

Responder
zanforlin 27/02/2014 18:36:40

Meu caro Leandro:
Parabéns: mais de 125 comentários em algumas horas é um "terremoto" intelectual - no bom sentido, claro!
Estou escrevendo outro artigo (sobre correção da tabela do IR). Dois ministros do STF, em julgado de 2010, como argumento (dentre outros) para não atualizar a tabela, afirmam que a correção monetária alimentaria a "cultura inflacionária", e seria ela própria inflacionária. Ora, embora correção do poder de compra da moeda seja mera atualização desse poder de compra, não posso negar que alguns dígitos seriam acrescentados, por exemplo, na conta bancária dos indivíduos por conta dessa correção. O que vc pode me dizer a respeito, CORREÇÃO MONETÁRIA É INFLACIONÁRIA? Pelo que tenho lido aqui não é...mas vc melhor dirá.

Grato desde já.
Abraço.
jcz

Responder
Leandro 27/02/2014 21:38:23

Prezado Zanforlin, o artigo foi na realidade publicado em dezembro do ano passado. Daí o grande número de comentários já acumulados.

Sobre sua tese, ela é bastante interessante: de fato, se a tabela do IR fosse corrigida de acordo com a inflação, algumas pessoas teriam mais dinheiro em suas contas bancárias. Mas funcionários públicos e empreiteiros teriam menos, de modo que estimar o efeito final deste rearranjo não é nada simples e direto.

Mas não faz absolutamente nenhum sentido dizer que tal arranjo seria "inflacionário". Além de não estar havendo criação de dinheiro -- que é a definição própria de inflação --, não há nenhum motivo sólido para se acreditar que uma determinada quantia de dinheiro nas mãos de algumas pessoas geraria um aumento maior de preços do que este mesmo dinheiro nas mãos de outras. Afinal, é disso que se trata: uma realocação de dinheiro. Dinheiro foi tirado de algumas pessoas e repassado a outras.

Grande abraço!

Responder
Alexandre (SEP) 28/02/2014 00:52:51


Por isso trabalho com PJ.

Joguei na nota os valores que "deixaria" de receber de FGTS, férias e 13º.

Pago meu INSS numa faixa de isenção do IR e o resto tiro como distribuição de lucro, sem IR.

A empresa contratante economizava 28,80% em encargos previdenciarios.

Daí veio a obsena "desoneração" da folha, que jogou 1% de CPP sobre a receita bruta.

Responder
Bernardo M 28/02/2014 14:48:04

Leandro,

nao entendi isso: "Além de não estar havendo criação de dinheiro -- que é a definição própria de inflação--"

Que eu saiba definiçao de inflaçao é variaçao nos preços. Tanto é que quando se divulga os dados de inflaçao sao de crescimento dos preços. Claro antigamente se denominava inflaçao a quantidade de dinheiro a mais posta na economia, mas era outra época, quando se contava quanto de moeda tinha na economia. Hoje, até mesmo é dificil se definir o que é moeda: seria a base? o M1? M2?M4?
Parece-me que houve uma confusão ai

Responder
Leandro 28/02/2014 15:05:30

Confusão nenhuma. A definição precípua de inflação é "aumento na quantidade de dinheiro na economia". Aumento de preços nada mais é do que uma consequência da inflação.

Desde que a imprensa e o establishment econômico passaram a chamar de inflação algo que na verdade é a consequência da inflação, os governos fizeram a festa, pois não mais eram tidos como os responsáveis pelo aumento generalizado de preços. A culpa do aumento de preços passou a ser exclusivamente dos "empresários gananciosos".

Recomendo fortemente este artigo:

A atual definição de inflação impede a adoção de políticas sensatas

Responder
aspone 27/02/2014 21:48:18

Quem bom que os ministros pensam assim.

Então quando alguém entrar com uma ação pedindo pra proibir o fracionamento pornográfico das reservas bancárias, eles vão deferir sob o mesmo argumento!

Responder
Pedro 27/02/2014 21:16:11

Alguém viu esse absurdo?

blogs.estadao.com.br/radar-economico/2014/02/27/brasil-tem-3o-maior-crescimento-economico-do-mundo-em-2013/

Olha o titulo: "Brasil tem o 3º maior crescimento econômico do mundo em 2013"

Quantos países foram considerados no ranking? 13, isso mesmo, apenas treze.

Ser o terceiro de uma lista de 13 países é ser o terceiro do mundo (com mais de 200 países), para nossa querida mídia.

Esse é o nível do debate econômico no mainstream brasileiro, por isso estamos tão ferrados....

Ainda bem que temos o Mises, uma ilha de conhecimento num mar de ignorância.

Responder
IRCR 27/02/2014 22:07:43

Leandro,

Vc tem o grafico atualizado dos meios fiduciarios ?

Responder
Leandro 27/02/2014 22:21:28

Não. Eles perderam o sentido, pois o Banco Central, desde o final de 2008, vem alterando seguidamente o compulsório, tanto dos depósitos à vista quanto dos depósitos a prazo. Isso provocou várias migrações de dinheiro que estava contabilizado nas reservas bancárias (que, por definição, são as reservas para os depósitos em conta-corrente) para as reservas dos depósitos em poupança e dos depósitos a prazo. Consequentemente, os valores numéricos para aquele cálculo passaram a flutuar muito, fazendo com que eles perdessem a eficácia que tinham para prever o comportamento futuro da inflação e do PIB.

Para o caso específico do Brasil, utilize ou a expansão do crédito, que fornece uma capacidade de previsão bem acurada -- exceto quando a agropecuária e o agronegócio resolvem surpreender, como sempre ocorre no Brasil.

Responder
Roger 28/02/2014 01:51:20

Fantástico artigo Sr. Leandro, preciso e conciso. Parabéns!!
Não sou "expert" na área, mas aprendi muito.

Responder
Leandro 28/02/2014 03:25:00

Obrigado pelas palavras, Roger. Forte abraço!

Responder
IRCR 28/02/2014 02:56:20

Leandro,

Concessão de credito ao setor privado continua muito forte, são quase 25%aa, poucos paises mantem uma taxa acima disso, como Turquia e Argentina.

Voltando sobre a agropecuaria. Será que é tão surpresa assim ? em um artigo do opontobase o setor rural foi um dos setores que mais acelerou no recebimento de credito.
clique aqui
Vemos que o setor industrial e imobiliario tiveram quedas no recebimento de credito, talvez por isso vem mostrando um enfraquecimento nesses setores.

Responder
Leandro 28/02/2014 03:25:17

No total, não são 25% ao ano, mas sim 14% ao ano.

De resto, estava vendo aqui no site do BACEN e, de fato, o crédito ao setor rural saltou de 11% para 30% ao ano em um período de um ano. Tá explicado agora.

Responder
JBALL 28/02/2014 03:25:29

Uma dúvida.

Num cenário onde ocorra um período muito longo de deflação, a moeda vai ficando cada vez mais valiosa com o tempo, portanto não haveria necessidade de investir e também bastaria guardar o dinheiro debaixo do colchão que ele se valorizaria depois. Logo, aquela noção de poupar para depois crescer não entraria em prática pois ninguém estaria disposto a arriscar emprestando dinheiro. Seria preferível eu mesmo guardar meu dinheiro em casa e deixar ele valorizando do que lidar com a incerteza genuína de um investimento.

Algum ideia?

Responder
Leandro 28/02/2014 03:35:04

Por essa lógica, não haveria um único investimento em produtos tecnológicos -- de máquinas fotográficas e celulares, passado por iPads, laptops e desktops --, pois tais produtos vivenciam uma deflação de preços há décadas.

O seu erro está em ignorar o conceito de preferência temporal. As pessoas sempre irão preferir consumir um produto hoje a consumir este mesmo produto daqui a um ano. Em um cenário em que todos os preços estejam caindo, essa propensão ao consumo presente será ainda mais forte, pois o indivíduo sabe que, daqui a um ano, seu dinheiro terá ainda mais poder de compra, o que diminui sua urgência em poupar. Se ele sabe que terá mais poder de compra no futuro, então seu temor em relação à sua renda futura é menor, o que aumenta sua propensão ao consumo presente.

Responder
JBALL 28/02/2014 03:56:15

Ficou meio confuso ainda, tipo:

Hoje com inflação, há justamente o investimento (que seria emprestar o dinheiro para bancos ou pessoas jurídicas) porque espera-se que o poder de compra da moeda vai esfarelar se a moeda não girar na economia, não?

E no mundo deflacionário, pelo o que você falou, faz todo o sentido não poupar. Haverá muito mais consumo do que investimento. Aquela ideia que eu já vi muitos usando como exemplo, Robson Crusoé deixa de consumir para investir, iria desaparecer. Por que eu iria investir (ou emprestar meu dinheiro para alguém) se eu não tenho temor de que no futuro meu poder de compra não vai ser menor e portanto não precisaria fazer um planejamento para ganhar mais?

A própria noção de juros seria a própria usura. Imaginando que eu tenho 100 reais e daqui 3 anos esse 100 reais já vão valer muito mais do que valem hoje sem eu fazer nada, se eu emprestar esperando receber em troca, que seja, 110, eu estaria explorando a riqueza alheia, pela definição de Sto. Tomás, porque provavelmente, por ninguém querer investir os juros seriam altíssimos para quem precisa de um empréstimo.

Responder
Leandro 28/02/2014 04:10:28

Não, você inverteu causa e efeito. Só haverá deflação de preços (não estamos supondo deflação monetária, certo?) se houver investimentos crescentes, de modo que a oferta de bens e serviços seja cada vez maior. Se ninguém investir, não haverá produção. E sem produção, é impossível haver queda de preços. Simples.

Você partiu do princípio de que haverá uma mágica queda de preços em decorrência de alguma dádiva da natureza. Infelizmente, não é assim que funciona a economia. Para que esta queda de preços se materialize é necessário haver investimento e produção. Se todo mundo cruzar os braços e ninguém investir -- e só consumor -- não haverá motivos para uma queda de preços.

Responder
JBALL 28/02/2014 04:20:48

Eu estava me referindo a deflação monetária mesmo. Supondo que a mesma quantidade de moeda se mantivesse, ou crescesse a uma taxa muito menor que a produção de bens e serviços.

O que estava me dizendo era.. Se parássemos qualquer tipo de inflação (digo expansão monetária). Ou então numa base ouro, se a quantidade de exploração de ouro fosse cada vez menor; daí haveria essa 'mágica' queda geral de preços.

Responder
Leandro 28/02/2014 14:21:13

Se a quantidade de moeda se mantivesse ou crescesse (ainda que a uma taxa muito menor que a produção de bens e serviços), isso não configuraria deflação monetária. Deflação monetária ocorre apenas quando a quantidade de dinheiro na economia diminui. Isso é recessivo.

De resto, neste seu cenário de oferta monetária constante ou crescendo pouco, para haver a "mágica queda geral de preços", as pessoas têm de investir e produzir. Mas se todo mundo apenas ficar quieto esperando que os preços magicamente caiam, e se esquecerem de produzir, os preços simplesmente não cairão, pois não haverá nenhum aumento da oferta. E aí voltamos ao início do ciclo já explicado nos meus comentários acima.

Responder
Pobre Paulista 28/02/2014 14:26:31

JBALL,

Se a quantidade de dinheiro permanece constante, e os bens e serviços TAMBÉM permanecem constantes, não há meios de os preços baixarem. Eles simplesmente ficam constantes.

Agora, se a oferta de bens e serviços aumentar E a quantidade de dinheiro ficar constante, aí sim os preços podem baixar.

E a única maneira de se aumentar a oferta de bens e serviços é através do investimento. Sem investimento, não há aumento de bens e serviços e assim não há como os preços baixarem.

Responder
JBALL 28/02/2014 19:11:28

Isso não faz sentido. O Japão uns anos atrás configurou aumento no PIB e uma expansão monetária que não acompanhou esse crescimento, portanto deflação de preços.

Agora a questão que eu afirmo é o seguinte. Se adotássemos o padrão ouro, ou outra divisa de metal com limites físicos, uma hora iria acabar a produção dela e portanto iria se estabilizar sua quantidade total. Com a oferta monetária constante e a produção crescendo, iria configurar o cenário de deflação de preços. E isso ao meu ver não parece ser benéfico.

Responder
Leandro 28/02/2014 19:30:22

JBALL, se o problema é visualizar a teoria na prática, então basta você ver o que ocorreu nos EUA na segunda metade do século XIX. A deflação de preços foi a regra durante todo o século XIX nos EUA, sendo ainda mais intensa no período 1865-1913. E foi justamente durante esse período que o país apresentou os maiores níveis de crescimento anuais de sua história.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=721

Responder
JBALL 01/03/2014 00:20:05

"Esse sistema foi descrito por F.A. Hayek como um "sistema monetário com um banco central semi-oficial". Como consequência, a criação desse sistema inflacionário desencadeou um ciclo de expansão e recessão econômica, do tipo previsto pela teoria austríaca"

Calma aí, não entendi. Primeiro ele fala que configura um caso da teoria austríaca dos ciclos.. Houve o crescimento da área de transportes e tal (que segundo o texto) pela oferta de crédito baixo.. Portanto isso seria o boom. Mas tem que vir o bust depois, só que o texto logo em seguida afirma que não teve depressão. Então cadê o ciclo austríaco?

Eu encontrei isso aqui

The nation's first transcontinental railroad had been completed in 1869. Entrepreneurs planned a second, called the Northern Pacific. Cooke's firm was the financial agent in this venture, and poured money into it. On September 18, the firm realized it had overextended itself and declared bankruptcy.

Mirroring the firm's collapse, many other banking firms and industries did the same. This collapse was disastrous for the nation's economy. A startling 89 of the country's 364 railroads crashed into bankruptcy. A total of 18,000 businesses failed in a mere two years. By 1876, unemployment had risen to a frightening 14 percent.


Aí seria o bust. Mas então essa deflação não foi propriamente boa.

Responder
Leandro 01/03/2014 00:48:43

Prezado, boom e bust vai existir sempre que houver expansão do crédito. É exatamente disso que fala a Escola Austríaca. Não entendi seu espanto ao constatar que isso de fato ocorre na prática...

Você pediu um exemplo de investimentos em um ambiente de contínua deflação de preços, pois disse que não visualizava como isso era possível. O exemplo foi dado: EUA da segunda metade do século XIX. Vários investimentos foram feitos em um ambiente de contínua deflação de preços.

Agora, ter havido ciclos econômicos neste cenário é outro assunto, e está relacionado à expansão do crédito, e não à deflação de preços em si. Afinal, no século XX, todos os ciclos econômicos (com a exceção da Grande Depressão) ocorreram sem gerar deflação de preços.

Responder
Pobre Paulista 28/02/2014 19:53:49

...Com a oferta monetária constante e a produção crescendo...

Produção só cresce com investimentos, investimentos só são realizados com poupança.

...O que estava me dizendo era.. Se parássemos qualquer tipo de inflação (digo expansão monetária). Ou então numa base ouro, se a quantidade de exploração de ouro fosse cada vez menor; daí haveria essa 'mágica' queda geral de preços...

Novamente. A mágica da redução de preços requer que existam cada vez mais produtos e serviços. Interessantemente, se a base monetária ficar constante e a quantidade de bens e serviços diminuírem por algum motivo qualquer, teremos aumentos de preços sem aumento de base monetária.

Num cenário onde ocorra um período muito longo de deflação, a moeda vai ficando cada vez mais valiosa com o tempo, portanto não haveria necessidade de investir e também bastaria guardar o dinheiro debaixo do colchão que ele se valorizaria depois.

O dinheiro debaixo do colchão só irá valorizar se existirem cada vez mais bens e produtos em circulação na economia. Esses produtos, por sua vez, só irão existir caso haja investimentos. Para existir investimento, é necessário poupança.

No seu exemplo, a pessoa pode manter a nota de 100 debaixo do colchão e ter a mesma nota de 100 daqui a um ano, OU emprestar essa nota de cem e sair com 110 daqui a um ano. O que faria ela deixar o dinheiro embaixo do colchão?

Abs!

Responder
JBALL 01/03/2014 06:10:56

Mas você não precisa necessariamente de investimento para aumentar produção. Se ocorre um baby boom, você tem mais produto (mão de obra)

Responder
Henrique 13/05/2014 20:20:42

E como você contrata mais pessoas sem pagar mais salários, construir mais postos de trabalho, etc?

Responder
Rafael 28/02/2014 14:40:22

Leandro, muito bom o seu texto. Parabéns.

Estou receoso quanto ao cenário econômico brasileiro para os próximos anos, independentemente de quem vença as eleições 2014. Pelos indicadores apresentados estamos fazendo certinho para termos um desastre no médio prazo.

Gostaria de saber no quê vocês investem para se proteger desse cenário assustador.

Abs

Responder
Marconi Soldate 28/02/2014 16:51:30

Leandro,

como se deu o espantoso crescimento japonês e alemão pós-guerra ? Como se dá o crescimento chinês atualmente ?

Creio eu que se deu privilegiando a indústria interna, ao mesmo tempo em que se importavam bens de capital.

Uma espécie de governo fechando o país, mas cobrando eficiência das empresas. Não creio que houve um amplo livre-mercado nesses países.

A medida que foram ficando ricos, aí sim liberavam mais o comércio, em busca de inovação, ao mesmo tempo em que se ampliava o estado de "bem estar social".

Ou seja, os estados usaram do captalismo estatal para alcançarem a riqueza ("roubando o conhecimento ocidental") e só depois o livre mercado para continuarem crescendo.

Tô certo ou errado ?

Responder
Leandro 28/02/2014 17:59:13

Totalmente errado, é claro. Seria uma grande mágica um país enriquecer estando fechado para os bens estrangeiros e comercializando internamente apenas produtos próprios. Quem fez isso foi o Brasil na década de 1980, junto com Cuba e Coréia do Norte.

Como se deu o milagre econômico alemão do pós-guerra

Juro que não entendo por que você tenta adornar o protecionismo com uma linguagem rebuscada. Apenas seja honesto, bata no peito e diga "Defendo o mercantilismo e sou contra a livre concorrência!". Pronto. Seria bem mais respeitável.

Ah, sim, esse arranjo que você defende é exatamente o mesmo que vem sendo adotado desde 2011 no Brasil. Não parece ter sido supimpa pra indústria...

Responder
Guilherme 28/02/2014 18:14:27

Eis o Marconi, o cidadão que se diz fã absoluto de Adam Smith e Milton Friedman, mas que defende o mercantilismo e o protecionismo às indústrias, justamente o arranjo que Smith e Friedman mais desprezavam.

Responder
Marconi Soldate 28/02/2014 18:59:05

Eu sou fã de Sir. Adam Smith e de Milton Friedman sim, defendo o liberalismo, estado mínimo, etc. Não perguntei no sentido de me colocar contrário ao livre mercado, mas sim de entender o crescimento por outros meios que não os de livre mercado.

Sou defensor incondicional do liberalismo, não apenas por eficiência econômica, mas por uma questão moral de respeito ao indivíduo.

Bom, mas o fato é que a China atual, por exemplo, vem enriquecendo de forma rápida e tem um governo ditatorial que participa bastante da economia. Me parece que as empresas de todo mundo, que se instalam lá, enfrentam muitas regulações e outras exigências (como passar o conhecimento) pra poderem entrar no mercado chinês.

Assim, creio que o crescimento Chinês se dá muito mais por copiar tudo que já existe, do que de genuíno livre-mercado. Ou seja, em resumo, o governo meio que combina com grandes empresários do mundo que vai manter os lucros deles em alta e cumpre.

Não vejo o sucesso econômico chinês como um exemplo de livre mercado, então imaginei que talvez o japão e a alemanha teriam ficado ricos mais ou menos dessa maneira chinesa também.

Estou certo de que a base do aumento da riqueza é a inovação e o aumento da produtividade, que só existem num ambiente livre, com competição, o que gera novos produtos, melhores e mais baratos. Mas não estou certo de que esse é o único caminho de um país pobre chegar a riqueza. O modelo Chinês funciona, pelo menos até o momento em que ele precisará inovar. Aí, só com livre mercado.

Responder
Nigel 28/02/2014 19:36:37

Pra quem se diz fã de Smith e Friedman, seus conhecimentos econômicos são parcos.

Em primeiro lugar, as regulamentações e tributações da China são menores que as do Brasil, por exemplo. Lá, o envolvimento estatal se dá muito mais na distribuição do crédito.

Mas não é nem isso o que faz a China crescer. A China cresce quase que por grávida. Você tem 1,5 bilhão de pessoas em uma economia que foi devastada por 50 anos de maoísmo. Ou seja, você está partindo de uma base extremamente baixa e tendo um excesso de mão-de-obra. Neste cenário, qualquer coisa fará o PIB crescer a dois dígitos. É matemática pura.

Por outro lado, a renda per capita da China é muito pior que a do Brasil. Qual o país que tem inveja e quer copiar o "modelo chinês"? Desconheço.

A receita já foi dada, e é de simples replicação: Hong Kong

Responder
IRCR 28/02/2014 19:56:54

Leandro,

Utilizando os dados do BIS, desde 2010 o credito expandiu mais de 20%aa. Isso apenas o setor privado, excluindo o faminto setor publico.
Qual é o numero da serie que visualizou no site do BC sobre o credito rural ?

Sobre o rapaz acima defensor do nacional-desenvolvimentismo, esqueceu de dizer que outro pais que vem adotando tais medidas é a Argentina, e vemos o caos economico do pais.
Outro ponto imporante que nem Japão e nem Alemanha fizeram politicas industriais, pois suas moedas se valorizaram constantemente ao longo do tempo
clique aqui
clique aqui

Responder
Leandro 28/02/2014 20:30:11

O crédito rural é a série 2048.

Quanto ao BIS, ele utiliza a série 20263, a qual, além de empréstimos e financiamentos, também engloba a aquisição de debêntures, a participações acionárias dos bancos em empresas, e as contratações de câmbio com pessoas físicas e jurídicas.

É mais completa, mas não mensura apenas crédito.

Responder
Gafanhoto 28/02/2014 21:22:09

Uma dúvida primaria sobre o BNDES: saiu na imprensa hoje que o BNDES teve um lucro líquido de mais de 8 bilhões de reais em 2013. Como eles conseguem essa proeza emprestando a taxas abaixo do mercado?

Responder
Guilherme 28/02/2014 22:48:11

O custo de captação é quase zero (o dinheiro é simplesmente dado pelo Tesouro e recolhido via FAT). Ele pode emprestar aos juros que quiser, e ainda terá lucro.

Responder
Gafanhoto 07/03/2014 13:04:11

Ainda estou com dúvida nessa relação entre o Tesouro e o BNDES. O BNDES não precisa pagar juros ao Tesouro? Considerando que o Tesouro vendeu um título e repassou o dinheiro para o BNDES. Quando esse título vence, de onde o Tesouro tira o dinheiro para pagar o investidor? O BNDES não precisa devolver esse dinheiro ao Tesouro?

Responder
Leandro 07/03/2014 13:49:19

"O BNDES não precisa pagar juros ao Tesouro?"

Não. O BNDES paga dividendos ao Tesouro. O que o Tesouro faz se chama "injeção de capital", algo que acionistas fazem com suas empresas. O Tesouro é o acionista do BNDES.

"Considerando que o Tesouro vendeu um título e repassou o dinheiro para o BNDES. Quando esse título vence, de onde o Tesouro tira o dinheiro para pagar o investidor?"

Ele emite novos títulos para pagar os vincendos. Isso se chama ou refinanciamento da dívida -- popularmente conhecida como "rolamento". Por isso a dívida bruta não pára de crescer.

"O BNDES não precisa devolver esse dinheiro ao Tesouro?"

Não. Ele paga apenas dividendos.


Se você achou esse arranjo um pouquinho absurdo, então você finalmente está começando a entender por que o BNDES deve ser fechado.

Quando os governos americanos e europeus fizeram a mesmíssima coisa para socorrer seus bancos (e apenas uma vez), toda a esquerda brasileira ironizou. "Tá vendo? Lá o governo usa dinheiro público para salvar bancos! Aqui a gente não precisa disso!" Aqui, o Tesouro faz rotineiramente a mesma coisa (e o dinheiro foi majoritariamente para o senhor X) e não se ouve um pio.

Responder
Gafanhoto 07/03/2014 18:54:15

Obrigado Leandro. Ficou claro agora.

Responder
Roger 01/03/2014 01:51:22

Outra dúvida sobre o BNDES:

Vi no site do BNDES que existe a possibilidade de eles concederem empréstimos a fundo perdido.

Fico me perguntando se toda aquela novela mexicana das empresas do 'Senhor X', envolvendo 'alguns' bilhões de reais, não estaria enquadrada nessa categoria? Afinal, de socialistas podemos esperar qualquer coisa...

Responder
Roger 02/03/2014 16:31:30

Incrível.

O que o intervencionismo estatal não faz. Muito me pergunto sobre qual finalidade estará indo parar este dinheiro todo... Eleições fraudulentas? Contas em paraísos fiscais? Compra de favores? Aumento da máquina estatal? São muitas as quimeras que o Estado pode produzir com esse dinheiro todo.

Enfim... para os socialistas o mundo não é o bastante.

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 02/03/2014 13:08:12

Lendo novamente sua atualização Leandro. Repito: excelente análise.

Tentei interpretar as variáveis da Lei de Responsabilidade Fiscal para o BNDES, emissões de títulos do Tesouro, dívida mobiliária e União (ente federativo, também autônomo). Apesar de complexo para mim e não conseguindo fechar um diagnóstico, posso entender o seguinte:

Uma emissão de título do tesouro para uma administração pública indireta (o BNDES) é, numa realidade de dependência do BNDES a um Ministério da própria União, no fim das contas, uma transferência de gastos do orçamento federal para uma entidade "de fora", uma instituição financeira, que possui exceções legais vantajosas pela LRF.


As negociações entre BNDES e União ou BACEN me parecem "vazamentos legais". Não vejo com bons olhos isso.

Lembro que nesta semana que passou houve uma proposição de projeto a respeito de permitira um percentual dos recursos financeiros do BNDES para investimento no PAC. Incrível, não?!

Lembro também num passado recente as operações de compra de 50 Bi em barris de petróleo da Petrobrás pelo BNDES e emissões de títulos do Tesouro. Se me lembro bem foi algo assim, resumidamente.

Abraços

Responder
Rodrigo Garcia Wettstein 02/03/2014 22:18:32

Acabei de ler o trabalho de Fernando Ulrich do fim de 2012, mais precisamente no tópico do BNDES.

Sabiam que na lei de responsabilidade fiscal, a observância fiscal é feita pelo... Ministério da Fazenda? Sim. Está escrito, exceto se houve mudança no caminho:

Seção III / Da Recondução da Dívida aos Limites

Art. 31. Se a dívida consolidada de um ente da Federação ultrapassar o respectivo limite ao final de um quadrimestre, deverá ser a ele reconduzida até o término dos três subseqüentes, reduzindo o excedente em pelo menos 25% (vinte e cinco por cento) no primeiro.
(...)
§ 4o O Ministério da Fazenda divulgará, mensalmente, a relação dos entes que tenham ultrapassado os limites das dívidas consolidada e mobiliária.

e

Seção IV / Das Operações de Crédito / Subseção I / Da Contratação

Art. 32. O Ministério da Fazenda verificará o cumprimento dos limites e condições relativos à realização de operações de crédito de cada ente da Federação, inclusive das empresas por eles controladas, direta ou indiretamente.

Eu queria uma empresa assim, ser presidente da empresa e fiscalizar minhas próprias contas e dos demais executivos.

Responder
Paulo 04/03/2014 03:52:10

Leandro,

Excelente análise. Gosto muito dos seus artigos aqui no IMB.

Gostaria de sugerir que criasse uma análise para refutar a "ilha da fantasia" divulgada por Lula no Valor semana passada, talvez num post em separado:

www.institutolula.org/artigo-de-lula-por-que-o-brasil-e-o-pais-das-oportunidades/

Abç.

Responder
brunoh-rj 04/03/2014 23:33:51

Uma população altamente endividada apoiará com todas as forças políticas econômicas populistas que diminuam suas dívidas. O populismo da suposta redução das tarifas de energia e o programa Mais Médicos estão aí para comprovar. Tudo não passa de paliativos dados a conta-gotas para garantir a permanencia do monstro esquerdopata no poder.

O povo é burro, cínico e cheio de vícios comportamentais. Enquanto ele não olhar para o próprio umbigo e admitir que tem grande culpa na própria situação que está, nada mudará.

Responder
Manoel Barroso 07/03/2014 20:29:59

Leandro, pesquei isso no Facebook do Felipe Salto:

"Mais uma manobra do Tesouro e do BNDES foi anunciada hoje. O Tesouro vai resgatar R$ 2 bilhões em títulos públicos (resgate não é feito com recurso primário, notem bem) que estão nas mãos do banco de fomento. Os recursos financeiros entregues ao BNDES encherão seus cofres, temporariamente, e voltarão, em forma de pagamento de dividendos (receita primária), para a União.

Alguém poderia levantar a questão de que, na prática, isso não se sustenta, porque, mesmo o recurso utilizado para monetizar os títulos não sendo "primário", trata-se de um gasto e, portanto, afetam-se as necessidades de financiamento do setor público (a dívida vai crescer). Ora, mas isso é mero detalhe, minha gente. O importante é engordar o caixa já e financiar a conta da energia elétrica, que deixaram passar batido no anúncio do decreto de contingenciamento. Se continuar assim, meu fio de esperança no anúncio do corte orçamentário vai durar menos de um mês. Vamos ver o resultado de fevereiro... Gente à toa"

Aí o Gustavo Franco comentou:

"Veja exatamente como funciona uma opereta de maquiagem fiscal: resgate é por baixo da linha, e o caixa gerado serve pra pagar "dividendos" e assim vira receita primária (em cima da linha). O dinheiro dá um "passeio", volta de onde saiu e o superavit primario aumenta."


O que você acha?

Responder
Leandro 07/03/2014 23:59:02

Prezado Manoel, essa prática é tão antiga, que já temos um artigo sobre ela. Escrito em 2010! Não dá pra entender por que só agora os grandes nomes resolveram abordar esse tema.

Mais especificamente sobre o que foi dito, o Tesouro vai se endividar em R$2 bilhões e vai dar estes R$2 bilhões para o BNDES. E o BNDES irá utilizar parte deste dinheiro para pagar dividendos ao Tesouro.

No cômputo final, a dívida do Tesouro aumentou R$2 bilhões, mas isso não conta para o superávit primário. Ao mesmo tempo, os dividendos que o Tesouro receber do BNDES serão computados como receita e farão parte do superávit primário.

Traduzindo: o governo se endividou, a dívida bruta aumentou, mas o superávit primário -- uma excrescência inventada pelo FMI, e levada a sério apenas pela imprensa -- aumentou.

O governo está recorrendo à engenhosa medida de expandir o gasto por meio dos bancos públicos, medida essa que neutraliza a dívida líquida ao mesmo tempo em que aumenta a dívida bruta. Ou seja, o PT descobriu como ludibriar alguns investidores mais desatentos: utilizando principalmente o BNDES para "investir" e distribuir dinheiro para os amigos.

Veja este exemplo com números mais simples:

O Tesouro vende títulos públicos para o sistema bancário e arrecada, digamos, R$ 100, com a promessa de pagar aos bancos R$ 10,75 daqui a um ano (juros de 10,75% ao ano, atual valor da SELIC). Ele transfere esses R$ 100 para o BNDES, que irá emprestá-los para suas empresas favoritas cobrando módicos 5% ao ano (valor da TJLP). No final do ano, o BNDES repassará uma parte ao Tesouro como dividendo (por exemplo, R$ 3).

No final, esses R$ 3 entram no cômputo do governo como uma receita primária, ao mesmo tempo em que os R$ 10,75, por serem pagamento de juros, não entram na conta do superávit primário!

Percebeu a safadeza? No cômputo final, houve uma piora fiscal de R$ 7,75, porém, no balanço divulgado pelo governo, houve uma melhora de R$ 3 no saldo primário!

O senhor Mantega descobriu o moto-perpétuo: quanto mais ele se endivida, melhor fica a sua situação fiscal! É por isso que a dívida líquida aparece estável (ou com tendência de queda), mas a dívida bruta já está próxima de 60%, o que coloca o Brasil como o terceiro país com a maior dívida bruta entre os emergentes, atrás apenas da Índia e da Hungria.

Responder
Deilton 11/03/2014 12:49:10

"Crise no setor imobiliário força corretores a abandonarem emprego"
www.infomoney.com.br/minhas-financas/imoveis/noticia/3229847/crise-setor-imobiliario-forca-corretores-abandonarem-emprego?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=nlminhasfinancas

(In)Felizmente, Leandro acertou mais uma vez.

Responder
aspone 11/03/2014 22:39:03

Leandro, vc disse que achava que tudo ia degringolar lá por 2019 que, por ser um primeiro ano de governo haveria mais clima para "ajustes" na economia.

O Sachsida previu o estouro da bolha pra esse ano.

E agora?

Responder
Leandro 11/03/2014 23:13:06

2019?!?! Eu?! Quando foi que eu cometi essa insanidade?! Nunca, jamais mencionei essa data.

Aliás, se há algo que eu nunca faço é ficar especulando datas. Gentileza não me confundir com outros.

Sobre o estouro da bolha, acho que você está um pouco atrasado. Neste artigo de meados de 2012, eu já dizia que a bolha estava desinflando. E explicava por quê.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347

Ou seja, há dois anos eu já antecipava o que só agora está sendo noticiado.

Responder
Renan 11/09/2014 12:33:42

Ola Leandro

Um assunto que está sendo bem discutido atualmente é sobre a autonomia do Banco Central. Você pode indicar artigos que tratem do assunto?

Responder
Leandro 12/09/2014 12:44:56

Esse debate sobre independência do Banco Central é apenas espuma para desviar o debate sobre o real problema, que é a própria existência do BC.

No que mais, independência do BC não é um assunto em que haja uma resposta definida.

Por exemplo, os libertários americanos são rigorosamente contra a independência do Fed, pois a Constituição estipula que é o Congresso quem deve ser o responsável pela política monetária.

Isso pode até fazer algum sentido lá nos EUA; aqui no Brasil, no entanto, seria um desastre. Imagine os deputados do PT e do PSOL apitando as taxas de juros e determinando a impressão de dinheiro? Eu passo.

Em termos práticos, a independência do Bundesbank provou funcionar muito bem, ao passo que a independência do BC da Inglaterra não impediu que país vivenciasse uma bolha imobiliária.

O problema todo, como já foi exaustivamente repetido por este site, está na capacidade dos bancos em criar crédito do nada e em fazer isso protegidos (e até mesmo estimulados) pelo Banco Central.

O BC ser independente ou não em nada altera a mecânica acima. O debate, portanto, está totalmente desvirtuado.

Responder
aspone 12/03/2014 17:09:15

Desculpe. Realmente vc não falou de bolha. Exprimi errado.

Vc apenas havia dito que o governo provavelmente só aceitaria tomar medidas de ajuste econômico no primeiro ano de governo.

Responder
Deilton 25/03/2014 21:16:43

Interessante os comentários do Sr. Dinheiro: "A crise imobiliária já está instalada. Até as construtoras estão devendo dinheiro para os bancos. Tem uma teoria que diz: 'A frase mais perversa do mercado financeiro é: dessa vez é diferente'. Todas as crises financeiras começam com crises imobiliárias e não adianta dizer que dessa vez é diferente".


epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2014/01/sr-dinheiro-nao-compre-imovel-ou-veiculo-em-2014.html

Responder
Marconi 05/08/2014 12:32:32

A "nova matriz econômica" falhou e agora seus defensores correm pra pular fora.

www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1495845-impedir-recessao-e-dificil-diz-belluzzo.shtml

Segundo ele, a solução apregoada no mercado financeiro pressupõe o aumento no desemprego.

Criam o pepino e depois colocam "o mercado financeiro" como o vilão que quer demitir os trabalhadores.

KKKKKKKKKKKK tem que rir pra não chorar!

Responder
Marconi 05/08/2014 13:03:10

Ah, esqueci de alertar.. comprem dólar que a casa vai cair!

E, se possível, mantenham ele no exterior. Fica a dica!

Responder

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