O papa Francisco, a desigualdade de renda, a pobreza e o capitalismo
As críticas ao livre mercado feitas pelo papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium ("A Alegria do Evangelho") geraram fortes reações ao redor do mundo.  Uma atenção especial foi dedicada a uma passagem na qual o documento faz uma crítica "às teorias do 'gotejamento'[1], as quais supõem que o crescimento econômico, estimulado por um livre mercado, irá inevitavelmente produzir maior igualdade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e ingênua na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante." (cap. 2, parágrafo 54).

Em primeiro lugar, é sim válido admitir a possibilidade de haver nuanças semânticas que podem levar a interpretações errôneas, pois Evangelii Gaudiium  não é um documento econômico.  Ademais, o "sistema econômico reinante" não é exatamente uma cópia heliográfica de um livre mercado.  No entanto, a crítica ao livre mercado é clara e é difícil contestar que o documento não esteja se referindo ao livre mercado, mesmo se considerarmos as nuanças semânticas.  Em segundo lugar, o termo "gotejamento" não é um termo técnico, muito menos uma teoria, mas sim apenas uma palavra depreciativa utilizada pela esquerda e por outros grupos críticos ao livre mercado.  

Este escorregão terminológico (apenas um exemplo dentre vários outros) sugere a necessidade de mais cuidado em relação às fortes alegações feitas pelo documento em relação a questões econômicas.  Declarações categóricas em um documento desta importância deveriam ser mais bem articuladas e fundamentadas.  Imagine um documento econômico crítico à Igreja fazendo um uso claramente superficial da linguagem utilizada pela entidade, acompanhada por adjetivos como "vaga e ingênua".  Utilizar definições imprecisas pode fazer com que vejamos problemas que na realidade não existem. 

Em terceiro lugar, o efeito produzido pela Evangelii Gaudium sobre a opinião pública nos convida a analisar e a comparar alguns indicadores gerais sobre o bem-estar econômico e social daqueles países que são mais inclinados ao livre mercado em relação àqueles que são menos propensos ao livre mercado.  Seria verdade que o livre mercado deixa os mais pobres desamparados e marginalizados?  O que há de verdade e o que há de mito nas frequentes e abundantes críticas ao "capitalismo selvagem"?  O que o papa Francisco expressou foi, na realidade, apenas uma repetição desta generalizada crença que permeia vários setores da sociedade na maioria dos países ao redor do mundo.

Se agruparmos os países do mundo em quatro categorias de acordo com sua liberdade econômica fica mais fácil obter uma perspectiva da situação social e econômica dos países mais livres e dos menos livres.  Isso permite a obtenção de um gradiente de resultados e também nos permite observar as diferenças entre os países mais livres e os menos livres.  É importante deixar claro que foram levados em conta os dados de todos os países, e não apenas os dados de alguns poucos (mais detalhes metodológicos aqui) — afinal, tal trapaça permitiria que tanto um crítico quanto um defensor do livre mercado escolhessem apenas aqueles países que mais lhes fossem convenientes.  É necessário utilizar toda a amostra como referência, e não uma mera seleção ad hoc.

Vamos, então, analisar alguns dados econômicos e sociais dos países ao redor do mundo de acordo com sua liberdade econômica.

Os gráficos a seguir mostram o PIB per capita mensurado de acordo com a paridade do poder de compra da população (ou seja, já ajustado pelo custo de vida) e a taxa de crescimento médio durante um período de 10 anos.  Os países estão separados em quatro grupos de acordo com sua liberdade econômica.  Em azul, o grupo dos países economicamente mais livres do mundo.  Em vermelho, o grupo dos menos livres.  Em verde e em amarelo, os países de liberdade intermediária, sendo os países do grupo verde mais livres que os do grupo amarelo. 

Como os gráficos mostram, os países mais livres não apenas são mais ricos, como também crescem mais rapidamente no longo prazo. (As fontes estão listadas no final do artigo.)

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Gráfico 1: PIB per capita ajustado pelo poder compra.  Em azul, o grupo dos países economicamente mais livres do mundo.  Em vermelho, o grupo dos menos livres.  Em verde e em amarelo, os países de liberdade intermediária, sendo os países do grupo verde mais livres que os do grupo amarelo.


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Gráfico 2: taxa de crescimento médio do PIB per capita entre 1991 e 2011. Em azul, o grupo dos países economicamente mais livres do mundo.  Em vermelho, o grupo dos menos livres.  Em verde e em amarelo, os países de liberdade intermediária, sendo os países do grupo verde mais livres que os do grupo amarelo.


Ao serem confrontados com estes resultados, a principal objeção apresentada pelos intervencionistas é que o PIB per capita (ajustado pela paridade do poder de compra) é apenas um valor médio, o qual nada diz sobre a distribuição de renda.  Ao recorrerem a este argumento, a intenção implícita dos intervencionistas é afirmar que os países mais ricos apresentam uma distribuição de renda mais desigual.  Ou seja, o crescimento gerado pelo livre mercado seria inegável, mas seria um crescimento imoral.

Antes de tudo, é válido observar que a maneira como a renda é distribuída pode ter várias causas.  Um sistema em que haja uma distribuição desigual de renda em decorrência do fato de que o partido político que está no poder beneficia alguns poucos setores empresariais (como ocorre no "capitalismo de estado") à custa dos consumidores é diferente de um sistema em que as diferenças na distribuição de renda ocorrem em decorrência do fato de que alguns empreendedores e indivíduos são mais bem-sucedidos do que outros.  O primeiro caso retrata uma distribuição de renda "ruim" ao passo que o segundo caso representa uma distribuição "boa", pois ela promove o real crescimento econômico. 

Essa diferença conceitual — e o fato de que impor uma igualdade de renda requer a abolição da igualdade perante a lei — parece ser um problema ignorado por aqueles que utilizam a distribuição de renda como principal argumento contra o livre mercado.

Por exemplo, onde estão os Steve Jobs, os Bill Gates e os Jeff Bezos de países como Cuba e Coréia do Norte?  Uma maneira de constatar se a distribuição de renda de um país é tão ruim quanto alegam os intervencionistas é analisar a fatia da renda recebida pelos 10% mais pobres da população.

Os gráficos a seguir mostram a renda per capita dos 10% mais pobres dos quatro grupos de países.  O gráfico 3 mostra que os 10% mais pobres recebem, em média, a mesma porcentagem da renda tanto nos países mais livre quanto nos menos livres, o que significa que a fatia de renda apropriada pelos mais pobres é semelhante independentemente da liberdade econômica do país.

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Gráfico 3: porcentagem da renda total apropriada pelos 10% mais pobres.  Em azul, o grupo dos países economicamente mais livres do mundo.  Em vermelho, o grupo dos menos livres.  Em verde e em amarelo, os países de liberdade intermediária, sendo os países do grupo verde mais livres que os do grupo amarelo.


Como mostrado no gráfico acima, se você faz parte dos 10% mais pobres, não faz muita diferença se você vive em um dos países menos livres do mundo ou em um dos mais livres.  Em termos de percentuais, seu grupo irá receber aproximadamente apenas 2,6% da renda total.

No entanto, há uma diferença crucial: o valor desta renda.  Se você vive em um dos países menos livres do mundo, você terá de se virar com US$932 por ano.  Por outro lado, se você vive em um país livre, você terá uma renda anual de US$10.556.  Este detalhe não é nada insignificante.

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Gráfico 4: renda anual per capita dos 10% mais pobres. Em azul, o grupo dos países economicamente mais livres do mundo.  Em vermelho, o grupo dos menos livres.  Em verde e em amarelo, os países de liberdade intermediária, sendo os países do grupo verde mais livres que os do grupo amarelo.


Novamente, ao serem confrontados com estes resultados, a principal objeção apresentada pelos intervencionistas é que estes dados mostram apenas o quintil da renda mais baixa, e que seria mais apropriado prestar atenção a indicadores como o Coeficiente de Gini, o qual mensura a distribuição de renda de toda a população.  Uma distribuição perfeitamente igualitária resulta em um Coeficiente de Gini de 0, e uma distribuição perfeitamente desigual (no qual apenas um indivíduo concentra toda a riqueza do país) resulta em um valor de 100.

O gráfico abaixo mostra o Coeficiente de Gini para os 25 países mais economicamente livres (em vermelho) e os 25 países menos economicamente livres (em azul).  Atenção que a partir de agora as cores se invertem: os países mais economicamente livres estão em vermelho, e os menos, em azul.

Como pode ser visto, na média, as economias mais livres apresentam uma melhor distribuição de renda de acordo com este indicador.  O argumento de que economias livres apresentam maior desigualdade de renda é um mito gerado pelo simples erro de se observar apenas alguns poucos países e não a totalidade da amostra.  Ao selecionarmos apenas alguns poucos países podemos inconscientemente escolher países que confirmam nossas ideologias e ideias pré-concebidas.  Mas isso não ocorre se analisarmos toda a amostra. 

Logo, a pergunta é: se você sabe que pertencerá à seção dos mais pobres de uma população, em qual tipo de país você preferiria viver: em um dos mais livres do mundo ou em um dos menos livres?  Os mais "pobres" dos EUA, por exemplo, possuem uma renda 60% maior do que a renda da população mundial.

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Gráfico 5: Coeficiente de Gini para os 25 países mais economicamente livres do mundo (vermelho) e para os 25 menos livres do mundo (azul).  Quanto menor o número, menor a desigualdade de renda entre pobres e ricos.


Novamente, ao serem confrontados com estes resultados, a principal objeção apresentada pelos intervencionistas é que os dados representam apenas uma fotografia do momento; ele não captam a evolução dos dados, os quais mostrariam que os ricos estão ficando mais ricos e os pobres, mais pobres. 

O gráfico abaixo mostra a mudança ocorrida na renda média de cada quintil de renda da população.  Como é possível ver, é verdade que os ricos estão ficando mais ricos (exceto justamente no quintil superior), mas o fato é que os quintis de renda mais baixa estão, na média, vivenciando um aumento de renda a uma taxa superior ao aumento observado nos quintis maiores.  O gráfico mostra a diferença de renda entre pais e filhos que pertencem ao mesmo quintil.

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Gráfico 6: evolução da renda da população nos países mais economicamente livres do mundo separadas por quintis.  Em azul, a renda dos pais.  Em vermelho, a renda dos filhos, ou seja, a renda da geração seguinte.


Não apenas é um mito dizer que as economias que apresentam mercados mais livres são mais propensas a apresentar uma pior distribuição de renda, como a realidade é que a pobreza diminuiu ao longo das últimas décadas.

O gráfico abaixo mostra o declínio da população que vive com menos de US$1 por dia entre 1970 e 2000.  Durante estes 30 anos, a população que ganha menos de US$1 por dia caiu para quase um terço do valor inicial.  Dado que as economias mais livres estão crescendo mais rapidamente, e que as economias menos livres estão crescendo mais lentamente, fica claro qual é o grupo de países que está liderando a redução da pobreza e qual é o grupo que está retardando o processo.

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Gráfico 7: distribuição mundial de renda.  No eixo X, o valor da renda per capita.  No eixo Y, o número de pessoas que ganham um valor específico de renda per capita.  Observe o marco do $1/day (um dólar por dia) e como o número de pessoas que ganham esse valor específico caiu ao longo de três décadas.


Vejamos agora alguns indicadores sociais e ambientais que são de interesse geral.  O gráfico 8 mostra o trabalho infantil, o gráfico 9 mostra a poluição ambiental e o gráfico 10 mostra a taxa de desmatamento.  Novamente é possível ver a persistência dos mitos sobre os supostos malefícios do livre mercado.  Os países mais livres do mundo, na média, apresentam menos trabalho infantil e níveis mais baixos de poluição.  Já o gráfico 10 mostra que os países menos livres, na média, apresentam mais desmatamento, ao passo que os mais livres estão reflorestando suas terras.

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Gráfico 8: Porcentagem de crianças entre 5 e 14 anos que trabalham. Em azul, os países menos economicamente livres.  Em vermelho, os países mais economicamente livres.


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Gráfico 9: Nível de poluição.  Em azul, os países menos economicamente livres.  Em vermelho, os países mais economicamente livres.

 

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Gráfico 10: taxa de desmatamento (negativa) e de reflorestamento (positiva). Em azul, os países menos economicamente livres.  Em vermelho, os países mais economicamente livres


Conclusão

Primeiramente, defensores do livre mercado não afirmam que tal sistema econômico é perfeito.  Mas promover intervenções no mercado utilizando a desculpa de que o mercado não é perfeito é uma medida que não ajuda em nada na criação de riqueza e na redução da pobreza.  De fato, o livre mercado não é perfeito; no entanto, é insensato fazer desta imperfeição a desculpa para se promover arranjos institucionais menos eficientes.

Segundo, todos os resultados acima se mantêm se olharmos as diferenças entre os países mais e menos livres, porém restringindo a amostra somente para países pequenos.  Ou seja, os dados acima não decorrem de uma deturpação estatística gerada por "países grandes", os quais, simplesmente por serem grandes, afetam os resultados gerais.

Terceiro, os mesmos resultados também são observados se pegarmos apenas o grupo dos países menos livres e analisarmos os países mais livres e os menos livres dentro deste grupo.  Isso significa que a teoria da exploração internacional não se sustenta.  Dentro do grupo dos países menos livres, as economias que possuem mais liberdade apresentam indicadores sociais e econômicos melhores do que os das economias menos livres.

Por último, mas não menos importante, os comentários presente neste artigo se propõem a desmascarar críticas comuns feitas ao livre mercado, as quais são opiniões generalizadas que transcendem em muito o documento papal em questão.  Estes comentários não têm a intenção de questionar a autoridade espiritual e religiosa das autoridades máximas da Igreja, mas é sempre bom não confundir autoridade espiritual e religiosa com autoridade econômica.

Fontes utilizadas:

 (1) Economic Freedom of the World 2013 Annual Report (Fraser Institute), (2) Free Our Economies e (3) 2007 Index of Economic Freedom (Heritage Foundation).


Leia também: A doutrina social da Igreja Católica e o capitalismo



[1] Este termo pejorativo é uma tradução livre da expressão "trickle-down economics", criada durante a Grande Depressão, mas popularizada durante a era Reagan.  A expressão "trickle-down", que literalmente significa "pingar de cima para baixo", é uma referência pejorativa à teoria de que cortes de impostos para os mais ricos irão acabar beneficiando também os mais pobres — daí a expressão "pingar de cima para baixo".


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SOBRE O AUTOR

Nicolás Cachanosky
é professor assistente de Economia na Metropolitan State University, em Denver.



Pessoal,estou em duvida sobre uma polemica nos contratos.Assunto meio OFF,mas aproveitando o espaço,gostaria de levantar essa questão para saber a visão de cada um.

O proprietário de um barco ou navio,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do oceano?

O proprietário de um avião,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio do céu?

O proprietário de um motor-home,pode expulsar um individuo de sua propriedade no meio de uma floresta?

O contrato aqui como fica?O proprietário deve responder penalmente caso expulse o indivíduo nos casos citados acima?

Se eu contrato um barco,para realizar um passeio e o barco pega fogo,eu acredito que o consumidor detêm responsabilidade própria de verificar se havia seguro ou clausulas contratuais como garantia contra acidentes,ou seja,ele assume o risco de contratar tal serviço.Porem ate onde vai a quebra de contrato e a legitimidade de um processo penal?(resposta judicial)
Acontece que,se o indivíduo quebra o contrato ou a regra da dessa embarcação em alto mar,é ou não é legitimo o proprietário expulsa-lo em pleno oceano?Entendo que neste caso,o contrato poderia ter uma clausula dispondo sobre as consequências de eventuais quebras de regras,fazendo assim o consumidor esta consciente e livre para decidir.
O problema é quando há contratos meio ''implícitos'',como um serviço de balsa ou até mesmo uma casa noturna.Ao usufruir de tais serviços,você não assina um contrato ao pé da letra,é implícito de que a balsa não vai afundar,assim como é implícito que a casa noturna não ira incendiar ou desmoronar.Entendem?

Como eu faço direito e tenho somente 20 anos,ainda estou na longa caminhada de estudos,principalmente por gostar dessa parte de defesa da propriedade privada(contratos),por isso acompanho o IMB e defendo a liberdade sempre.Mas como eu disse,poucos anos de vida me obrigam a correr atrás do que ainda não deu tempo de aprender ou refletir.

Outra questão parecida é sobre invasão de propriedade indireta e oculta.
Por exemplo:

Eu tenho uma empresa de fornecimento de energia,que operam com cataventos.
Certo dia,um empresario resolveu construir algo que consequentemente muda a direção e o ritmo dos ventos,afetando assim a minha produção de energia com cataventos.Imagine que o empresario vizinho construiu um Castelo,uma muralha,um prédio...Qualquer coisa física com magnitude suficiente para influenciar na corrente de ventos que passam pela minha propriedade.
Como fica essa situação?Ouve uma invasão ou agressão a minha propriedade?
De cara é fácil dizer que sim,mas imagina o empresario vizinho,ele também teve seu direito de propriedade violado,já que o mesmo ficou completamente limitado a construir em sua propriedade,devido ao vizinho.Ele comprou a propriedade mas não pode construir o que bem entender devido ao vizinho e seus cataventos.
O mesmo vale para diversos exemplos como,poluição.Já li o artigo que saiu essa semana sobre libertarianismo e poluição,estou de completo acordo e compreendo.
Se eu forneço o serviço de abastecimento de aguá,que depende quase exclusivamente das chuvas,e alguns indivíduos desmantaram as florestas próximas que eram responsáveis pela regulação dessas chuvas.Houve uma violação na minha propriedade indiretamente,mas ao mesmo tempo os vizinhos que comprarem essas propriedades florestais,terão que manter as arvores lá pro resto da vida!?!Houve uma limitação no direito de propriedade deles também,pois terão que manter a floresta em sua propriedade para não influenciar na minha propriedade.Entendem?

Por enquanto é isso,de vez em quando tenho essas questões martelando na minha cabeça pedindo por respostas.Hoje foi sobre isso,tive um tempo e comentei aqui.Já já apareço com outras polemicas rs rs...

Grande Abraço!
Bruno Feliciano.



A questão é que Mises não defendeu a secessão até o nível do indivíduo. Os problemas de ordem técnica que ele via eram os mesmos problemas da própria anarquia. Esses problemas, segundo ele, "tornam necessário que uma região seja governada como uma unidade administrativa e que o direito de autodeterminação se restrinja à vontade da maioria dos habitantes de áreas de tamanho suficiente, para conformar unidades territoriais na administração de um país." (Liberalismo, p. 129) Por isso a secessão deva ser tal que forme uma unidade administrativa independente, com um conjunto de pessoas que realmente seja capaz de formar uma "sociedade", e que seja feita por meio de um plebiscito:

"O direito à autodeterminação, no que se refere à questão de filiação a um estado, significa o seguinte, portanto: quando os habitantes de um determinado território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes) fizeram saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais desejam permanecer ligados ao estado a que pertenciam na época, mas desejam formar um estado independente ou ligar-se a algum outro estado, seus anseios devem ser respeitados e cumpridos." Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 128

O problema da anarquia é basicamente o mesmo da secessão individual. Imagine que qualquer um possa se separar do Estado, quando quiser. Uma pessoa que quebra as regras da sociedade, um criminoso, pode facilmente pedir secessão e não se ver sujeito à punição. E essa é a mesma situação que acontece na anarquia. Por isso há a necessidade de um governo monopolista, para Mises, já que o poder de uso da força ficaria a cargo da comunidade como um todo, e nenhum indivíduo específico poderia se dizer na autoridade de matar, roubar, etc, sem que receba a punição necessária:

"A fim de estabelecer e preservar a cooperação social e a civilização são necessárias medidas para impedir que indivíduos antissociais cometam atos que poderiam desfazer tudo o que o homem realizou desde que saiu das cavernas. Para preservar um estado de coisas onde haja proteção do indivíduo contra a ilimitada tirania dos mais fortes e mais hábeis, é necessária uma instituição que reprima a atividade antissocial. A paz — ausência de luta permanente de todos contra todos — só pode ser alcançada pelo estabelecimento de um sistema no qual o poder de recorrer à ação violenta é monopolizado por um aparato social de compulsão e coerção, e a aplicação deste poder em qualquer caso individual é regulada por um conjunto de regras — as leis feitas pelo homem, distintas tanto das leis da natureza como das leis da praxeologia. O que caracteriza um sistema social é a existência desse aparato, comumente chamado de governo."

Ludwig von Mises, Ação Humana, capítulo XV, "Liberdade"

Em razão justamente disso ele nunca defendeu a secessão individual. Na citação mesmo que ele fala que "deveria ser assim", se fosse possível, ele rejeita. Mas, "se fosse possível...",da mesma forma com a anarquia, e ele achava ambos impossíveis. E lembrando que Mises não defendia as coisas por moral, mas sim por utilidade, e nem a anarquia, nem a secessão individual eram úteis para ele. Segundo ele:

"Tudo o que sirva para preservar a ordem social é moral; tudo o que venha em detrimento dela é imoral. Do mesmo modo, quando concluímos que uma instituição é benéfica à sociedade, ninguém pode objetar que a considera imoral. É possível haver divergência de opinião entre considerar-se socialmente benéfica ou prejudicial uma determinada instituição. Mas, uma vez julgada benéfica, ninguém pode mais argumentar que, por alguma razão inexplicável, deva ser considerada imoral."

Ludwig von Mises, Liberalismo – Segundo a Tradição Clássica, p. 62
"Comprar produtos britânicos está mais barato, por causa da desvalorização da libra, e o ftse subiu porque está mais barato comprar ações na bolsa de Londres."

Ué, por essa lógica, no Brasil de Dilma em que o real foi pra privada, era para o Ibovespa ter disparado e para as exportações terem bombado. Afinal, nossos produtos ficaram baratinhos.

No entanto, ocorreu o exato oposto. Bolsa e exportações desabaram.

Por outro lado, no período 2003 a 2011, em que o real se fortaleceu acentuadamente, o Ibovespa disparou, assim como as exportações. Pela sua lógica, era para acontecer o oposto.

Aliás, também segundo esse raciocínio, era para a bolsa americana ter desabado e suas exportações terem despencado desde 2011. Afinal, para todo o mundo, o dólar encareceu bastante desde lá. No entanto, aconteceu o exato oposto.

A pessoa dizer que a bolsa reflete o câmbio e não a saúde financeira das empresas e da economia é uma abissal ignorância econômica.

Para entender por que exportações e saúde das empresas andam de acordo com a força da moeda, ver estes artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2378
www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175

"Agora, bancos e empresas japonesas já estão pensando em tirar o time, os hate crimes aumentaram."

Então não tem lugar nenhum no mundo para onde elas irem. Em qualquer país há hate crimes.

"Como manter as multinacionais sem as mesmas vantagens? Como as universidades ficarão em recursos, uma vez que o dinheiro vem da UE?"

Você está terrivelmente desinformado. O Reino Unido é um pagador líquido para a União Européia: paga 136 milhões de libras por semana para a União Europeia. Repito: por semana.

Portanto, se a sua preocupação é com os "recursos das universidades", então aí sim é que você tem de ser um defensor do Brexit.
"Os interesses privados do livre mercado vão capturar o estado sempre, tenha ele o tamanho que for."

Belíssima contradição. Livre mercado, por definição, significa um mercado cuja entrada é livre. Não há impeditivos burocráticos, regulatórios e tarifários para os novos entrantes e, principalmente, não há privilégios estatais para os já estabelecidos.

Empresas capturarem o estado para impor barreiras à entrada de novos concorrentes e para garantirem privilégios a si próprias é o exato oposto de livre mercado. Isso é mercantilismo, protecionismo, cartorialismo e compadrio.

Seu começo já foi triunfal.

"Grandes grupos vão seguir sua trajetória de "sucesso" através de consolidações e aquisições, se tornando cada vez mais megacorporações mono ou oligopolistas, ditando as regras."

Se a entrada no mercado é livre, não há como existir oligopólios e monopólios.

Não é à toa que quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

"Temos ai, a título de exemplo de livre mercado, o Uber, que através de concorrência desleal leva prejuízo a setores regulados como os taxistas e escraviza motoristas, impondo jornadas de trabalho de até 12 horas."

Sensacional!

Primeiro você reclama das corporações que utilizam o estado para conseguir uma reserva de mercado e, com isso, manter oligopólios e monopólios. Aí, logo em seguida, derrama lágrimas porque uma corporação que utiliza o estado para conseguir uma reserva de mercado (os taxistas) está sendo quebrada pelo livre mercado!

Fazia tempo que eu não via alguém se auto-refutar de maneira tão pirotécnica quanto você.

"Esse papo furado de que o mercado regula tudo é para iludir os tolos e facilitar a vida das megacorporações."

Tipo, o megacartel dos taxistas desafiados pela Uber e pela Lyft? As grandes redes hoteleiras, que agora estão sofrendo com o AirBnB, que permite que qualquer dona de casa concorra com grandes corporações globais do setor hoteleiro? Os grandes bancos, que agora sofrem a concorrência das FinTechs e de sites como o "Descola Aí" e o "Banca Club"? As grandes redes varejistas, agora desafiadas pelo OpenBazaar?

É...

"Me parece que os "libertários" são os cães de guarda ideológicos delas."

Já a realidade mostra que são idiotas inconscientes como você os verdadeiros defensores dos monopólios e oligopólios concedidos pelo estado, via regulamentações, às grandes empresas.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Emerson Luis, um Psicologo  13/12/2013 13:25

    Friedman (ou outro economista) disse que, se fosse pobre, aí que ele defenderia o livre-mercado mais ainda. Esse artigo mostrou por A+B (ou por 2+2) que essa afirmação é empiricamente válida.

    Um economista brasileiro afirmou que, na faculdade pública que cursou, aprendeu apenas sobre Keynes e jamais sobre Mises. Se isso ocorre com especialistas, muito mais com leigos, ainda que tenham boa instrução formal.

    Assim, prefiro pensar que Jorge Bergoglio foi mal orientado no passado e no presente e está sinceramente dizendo aquilo que acredita (erroneamente) que vai ajudar os pobres.

    * * *
  • Gilberto  05/01/2014 14:00
    Ele não escreveu por mal. Basta ver o que ele escreveu:

    "Se alguém se sentir ofendido com as minhas palavras, saiba que as exprimo com estima e com a melhor das intenções, longe de qualquer interesse pessoal ou ideologia política. A minha palavra não é a dum inimigo nem a dum opositor. A mim interessa-me apenas procurar que, quantos vivem escravizados por uma mentalidade individualista, indiferente e egoísta, possam libertar-se dessas cadeias indignas e alcancem um estilo de vida e de pensamento mais humano, mais nobre, mais fecundo, que dignifique a sua passagem por esta terra"
  • Andre  06/01/2014 13:03
    Os resultados concretos são mais importantes que as intenções proferidas.
  • gilberto  06/01/2014 15:15
    Mas pra quem escreveu aí que ele escreveu essas coisas pq era marxista, ta ai a prova de que ele só seguiu as orientações (erradas) dos Papas anteriores Paulo VI e Leão XIII
  • Eduardo Franco  13/12/2013 14:19
    Genial!

    Este artigo merece virar uma palestra!
  • Marcos  13/12/2013 14:26


    Pelo concílio do vaticano, qualquer pessoa católica se intitular comunista ou ter qualquer tipo de simpatia por essa idelogia, esta automaticamente excomungada.

    Esse tipo de declaração o papa não seria automaticamente excomungado pela própria igreja?
  • Fabio MS  13/12/2013 14:53
    Não, não seria. Leia o artigo do Thomas Woods (o link está final do artigo de hoje) e você entenderá melhor como é tratada a questão econômica dentro da Igreja.
    Só uma palhinha: "a infalibilidade papal é válida para questões de moral e fé, e não para questões econômicas."
  • mauricio barbosa  13/12/2013 16:14
    Fabio MS deixa o fanatismo de lado e abre essa cabeça onde já se viu isso infalibilidade papal em questões econômicas não existe,ora que Deus é este que ele serve.Não entende de economia só de questões morais, propriedade privada também é uma questão moral pois se eu invadir sua propriedade e toma-la para mim estarei praticando uma injustiça que por sua vez é uma atitude imoral,alias o papa concorda com o confisco estatal para beneficiar os pobres?Então que ele começe distribuindo os bens da igreja.
  • Fabio MS  17/12/2013 18:35
    Mauricio, deixe de lado o seu fanatismo e leia o artigo de Thomas Woods.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  13/12/2013 18:01
    Não,Fábio, a infabilidade papal é tão somente em questões de doutrina.
  • Jose Ricardo das Chagas Monteiro  13/12/2013 18:14
    Errei duplamente: infalibilidade; e Fábio, realmente, tu tens razão, li teu comentário e entendi totalmente ao contrário. Sim, a clarificação do Sumo Pontífice em questões de costumes e dogmas são infalíveis.
    Desculpa.
  • Julio  14/12/2013 09:16
    O Sumo Pontífice é um ser humano sujeito a falhas.

    Esse conceito de "infalibilidade" é de uma cretinice tamanha.
  • Julio  14/12/2013 09:02
    E como se separa questões de moral e fé de questões econômicas?

    A moral e a fé estão intrinsicamente ligadas às questões econômicas, não tem como separar.
    Se eu professo que sou contra o livre mercado, automaticamente estou defendendo o controle do mercado pelo Governo. Isso é o socialismo.
  • Gilberto  05/01/2014 18:33
    Jesus deu a Pedro as "chaves do céu" para "desligar e ligar" na terra e no céu. Ou seja permitir ou proibir. Por isso quando o Papa decide ex Cathedra ou seja usando a cátedra de Pedro ele é assistido pelo Espírito Santo para que ele não Ligue(permita) na Terra uma coisa que não possa ser permitida no céu. Veja como mesmo os piores e mais corruptos Papas não alteraram a doutrina da Igreja.
  • mauricio barbosa  13/12/2013 14:26
    As intenções dele para mim pouco importa,a maioria esmagadora dos católicos fingem que entende já que é dogma não questionar a autoridade papal e se for pensar assim vamos perdoar Guido Mantega afinal ele é bem intencionado... Durma com um barulho desse.
  • Andre  13/12/2013 14:34
    Se depender das pessoas seguirem o que o Papa diz a África do Sul vai virar um país comunista:

    O que o papa disse:
    "I pray that the late president's example will inspire generations of South Africans to put justice and the common good at the forefront of their political aspirations," Francis said in a telegram to South African President Jacob Zuma.
    www.reuters.com/article/2013/12/06/us-mandela-pope-idUSBRE9B50BW20131206

    O que o Mandela disse:
    "We Communist Party members are the most advanced revolutionaries in modern history ... the enemy must be wiped out from the face of the earth before a Communist world can be realized."

    Assim concluímos que o papa reza para que os sul africanos varram da face da terra todos os inimigos do comunismo, ou seja todos os seres humanos.

    Em um pequeno intervalo de tempo o papa elogia um comunista e critica o capitalismo.
    Só posso concluir que ele apoia o comunismo.

    E sendo assim acho que a igreja devia parar de aceitar doações em dinheiro, pois dinheiro é coisa de capitalista.
    Ou deveria pelo menos pegar TODO o dinheiro recebido por doações e dar para o pobres.

    Mas, como sempre, os críticos do capitalismo nunca recusam dinheiro.

    Só espero que ele não seja um apoiador do comunismo, e sim apenas mais um idiota útil que foi enganado pela "me®dia". E claro, que se desengane logo.


  • Gilberto  05/01/2014 14:13
    Você que é um ignorante que sai julgando sem ler. O então Padre Bergoglio eliminou o marxismo da ordem dos Jesuítas na Argentina cujos Padres mais se preocupavam em pegar em armas pra fazer revolução do que em rezar. É impossível ser cristão e marxista.
  • Matheus  13/12/2013 15:15
    Basta falar a palavrinha "evangélico" e a população católica brasileira se contorce porque a associa ao dinheiro, empresário e ganância. Tal reação mostra o que os católicos pensam sobre a vida e todo mundo já sabia: se a Igreja Católica não prega a pobreza, como alguns católicos capitalistas acham, então a mensagem não está chegando corretamente aos fiéis.


    O choro é livre - e já prevejo gente dizendo que não é bem assim, que existem várias interpretações pois a Igreja não é una, escolásticos ibéricos...
  • atorres1985  24/01/2015 18:20
    Basta falar a palavrinha "evangélico" e a população católica brasileira se contorce porque a associa ao dinheiro, empresário e ganância.

    Isso é da parte dos pastores e bispos de megaigrejas, que vivem de enganar os seus fiéis - e não da doutrina de pobreza da igreja em si. Mesmo porque tem muito evangélico pobre dando tudo para o paxtô esperando a poderosa chuva de bênçãos.
    Aliás, nunca em minha vida ouvi falar de a igreja proibir o acúmulo de bens. Na melhor hipótese, apenas lembra aos fiéis que "a carne é fraca", e que a riqueza pode corromper.


  • Renato  13/12/2013 16:06
    Canso de falar que os católicos que seguem a igreja conciliar do Vaticano II seguem uma falsa igreja.

    Francisco é um anti-papa eleito pra destruir o que restou da Igreja Católica após o Concilio Vaticano II. Os católicos devem abrir os olhos enquanto antes e colocar esse impostor e essa falsa igreja conciliar para fora o mais rápido possível. E antes que alguém critique, isso é uma legítima defesa da fé dos católicos.
  • Gilberto  05/01/2014 13:15
    Sevacantista é tudo herege. Tome vergonha na cara irmão!
  • Cauê  13/12/2013 16:14
    A Doutrina econômica da Igreja não leva em consideração apenas a parte econômica, por isso que vocês ficam igual bobos criticando o que esse ou outro papa diz.

    E vocês só vêm somente a parte econômica.

    Vejamos agora taxa de suicídio entre os países mais livres e menos livres.
    Tem a questão das drogas que pra Igreja é devido a libertinagem e quebra das famílias devido ao individualismo extremado, tal como pregada pela tal democracia-liberal, etc etc

    Claro que temos que levar em conta outros fatores mais é óbvio que o sistema atual não atende esse aspecto. E a critica do Papa Francisco é exatamente nessa linha.

    "Tal como o mandamento 'Não matarás' impõe um limite claro para defender o valor da vida humana, hoje também temos de dizer 'Tu não' a uma economia de exclusão e desigualdade. Esta economia mata".

    Enfim como já disse aqui a Igreja sempre condenou o capitalismo porque sabe que não funciona. A Igreja não é contra o livre-mercado, mais é contra a ganância e o egoísmo.

    Vejam o tratado dos EUA (FED?) com o Irã atualmente que irão descobrir muita coisa. Vejam o protesto em Singapura depois de 39 anos. Invasão do Kenya por terroristas. Protestos na Ucrânia. Protestos no Brasil. Todos controlados, e sim, pelo "capitalismo" que a Igreja está criticando.

    afkinsider.com/22004/will-kenya-play-host-africas-first-yuan-clearinghouse/

    www.wnd.com/2013/12/central-bankers-controlling-u-s-iran-talks/


    Agora as intenções da China e da Rússia permanecem desconhecidas. As dos EUA e EU estão aí pra quem quiser ver. Brasil também mais ou menos a céu aberto, se alguém pode nos salvar talvez seja o exército, do contrário viraremos o Cubão.

    Se vocês não levarem política em consideração nunca aprenderão nada de economia, nem de nada. Política determina até ciência quem dirá economia.
  • Lucas  13/12/2013 16:33
    Cara, vocês são uma piada.
    "O capitalismo é bom pq os países capitalistas são mais ricos" - que diabos de argumento é esse?
    Lembrei do Carl Sagan e do kit pra identificação de falácias.
  • Doutrinador  13/12/2013 16:43
    Não. Os países ricos são ricos justamente porque adotaram o capitalismo. Os que não adotaram, não são ricos.

    Isso é algo demasiado óbvio, mas ignaros e analfabetos funcionais como você são incapazes de entender uma simples relação de causa e efeito. Sabem apenas relinchar, e o fazem em tom superior. Você é a única piada aqui.
  • Rafa  13/12/2013 17:10
    Poxa vida eu sei q é difícil ter paciência com marxistas, mas se esperamos que as ideias da Escola Austriaca avancem não é este tipo de atitude que devemos ter. Aliás está escrito aqui "Envie-nos seu comentário inteligente e educado:" acho que o pessoal do IMB não está observando sua própria regra.
    Ao invés de dar porrada vamos sugerir leituras, se não der certo não tem problema, outros que lerem os comentários mas forem simpáticos às ideias de nossos amigos esquerdistas podem acabar se interessando. Não é muito produtivo esta estratégia de espalhar o conhecimento.
  • Moderador  13/12/2013 17:22
    Os comentários acima nada têm a ver com "o pessoal do IMB".

    Um comentário atrevido foi aprovado e um leitor, muito corretamente, desceu a lenha no ignorante que fez o comentário. Pensar que este tal Lucas estava disposto a um debate minimamente sério e educado é muita ingenuidade sua. Basta ver a postura dele.

    Os forasteiros sérios e interessados que aqui chegam sempre fazem uma abordagem educada. Já os detratores marxistas sempre chegam com uma postura idêntica a desse Lucas. Tratá-los com educação seria uma imerecida gentileza.
  • anônimo  13/12/2013 17:11
    Deve ter lembrado mesmo, já que vem falar de capitalismo usando a falácia do espantalho.
  • Lucas  13/12/2013 17:34
    Po cara. Desculpa minha ignorância.
    Cresci numa região pobre. Meu pai perdeu a perna ainda novo, nunca teve chance de ganhar muito dinheiro pra sustentar a familia.
    Não pude estudar porque tive que ajudar no sustento da casa com meus irmãos mais velhos. Só depois de adulto consegui terminar o ensino médio.
    Acontece que a sociedade nunca me deu oportunidades. Como conseguiria fazer dinheiro se nasci em meio a um cortiço?
    Nunca tive instrução, mas ai vocês me dizem que isso está certo. Que talvez, a culpa seja do meu pai que não conseguiu fazer dinheiro.
    Quantos de vocês cresceram sem dinheiro nenhum? (não vale mentir só por causa do anonimato da internet).
    As chances de subir na vida para quem nasce pobre são mínimas. E a tendência é de quem tiver dinheiro juntar cada vez mais.
    A quantidade de dinheiro é limitada no mundo. Se alguns juntarem mto, vai faltar pros outros.

    :(
  • Ricardo  13/12/2013 17:50
    Quanto vitimismo coitadista. Você é daqueles que acha que o mundo deve vários favores a você pelo simples fato de você existir. Você realmente acha que representa uma dádiva para o mundo e que, portanto, os habitantes do mundo têm a obrigação de "lhe dar oportunidades".

    Há bilhões de pessoas no mundo com um histórico muito pior que o seu (supondo-se que o seu histórico seja de fato verdadeiro, algo bem duvidoso). E a maioria delas não ficou resmungando na internet. Ao contrário, correu atrás e tratou de prosperar. Vá à Índia ou à China e você concluirá que, na verdade, você vive como um sultão.

    Para se curar desta mentalidade vitimista e coitadista, sugiro este artigo para você:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=863

    E quanto a essa bobagem de "A quantidade de dinheiro é limitada no mundo. Se alguns juntarem mto, vai faltar pros outros", sugiro este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=971

    Agora, saia da internet e vá procurar oportunidades de trabalho e empreendimento. Apenas ficar reclamando aqui não lhe garantirá nenhum aumento em seu padrão de vida.
  • Bruno D  13/12/2013 18:21
    LUCAS THROLLIUM EST
  • dw  13/12/2013 18:32
    Cara, nasci na pobreza, meu pai ao longo dos seus 57 anos nem sequer uma casa, ou terreno tem, pois de tao pobre ainda mora de aluguel. Sendo assim, não teve condições de me ajudar muito na vida. realmente tive que me esforçar para ser alguém, consegui concluir a minha faculdade (não que isso signifique muita coisa) e consequentemente hj tenho um emprego razoável. Ainda não adquiri minha casa, já que as políticas intervencionistas do estado causaram uma bolha imobiliária no país, como este sítio já alerta desde 2009 e pobres como eu e você não conseguimos comprar nada. O governo, com suas medidas expansionistas, causaram inflação monetária, como este site também já cansou de explicar, prejudicando assim a camada mais pobre, que somos nós. Não tem como não defender a liberdade quando somente vemos ao longo da história que o estado somente causa empobrecimento, morte, escassez e etc..
    Como o próprio autor do artigo comenta, um mundo livre também não seria perfeito, pois nada é perfeito, no entanto, ao menos não existiria distorções causadas pelo estado, devastando tudo por onde passa.
  • anonimo  13/12/2013 21:37
    Boa noite.

    No podcast do Danilo Gentile ele fala que nasceu em um cortiço, acho que vale a pena ouvir, pode ser uma situação parecida com a sua.

    Vai na parte de multimídia do site e daí clica em podcasts e dá uma procurada, mas é o n° 95.

    Obrigado.
  • Felipe  14/12/2013 02:45
    Meu pai, marceneiro, construiu nossa casa de sábado e domingo ao longo de três anos. Isso depois de ter sido roubado pelo Collor. Minha mãe terminou o ensino médio aos 46 anos. Hoje, aos 60 anos, ele já tem três casas próprias, para complementar a renda, já que ele também foi roubado pelo INSS. Sempre vivemos com pouco, só com o necessário e guardamos o pouco resto de cada mês para investir depois. Ele sacrificou o fim da semana para trabalhar, durante toda a vida. Nada mais justo que ele colha os frutos de seu próprio trabalho.
  • anônimo  14/12/2013 10:41
    'Meu pai, marceneiro, construiu nossa casa de sábado e domingo ao longo de três anos.'

    Esse é um bom exemplo de como o GOVERNO ferra a vida dos pobres.Um pobre que queira e possa construir a própria casa, em vez de se endividar por décadas, não vai poder fazer porque o governo obriga todo mundo a depender dos CREA da vida
  • Mario Filho  14/12/2013 17:15
    Lucas, realmente os recursos disponíveis no mundo são escassos, mas é justamente quem tem disciplina para administrar bem esses recursos escassos é quem consegue acumular capital. Meu pai quando se casou tinha apenas um martelo - ele era carpinteiro, mas ele juntava 10% de tudo que ele ganhava e investia, com isso conseguiu construir um patrimônio que o deixou em uma situação bem confortável hoje.
  • anônimo  24/01/2015 22:53
    'A quantidade de dinheiro é limitada no mundo. Se alguns juntarem mto, vai faltar pros outros.'

    Vc tem muito que aprender sobre o que é dinheiro.
  • Cauê  13/12/2013 18:31
    E eu também gostaria de lembrar que por exemplo o Canadá, Austrália, EUA etc etc
    São ricos ? Sim, mais se levarmos em conta a dívida tanto privada como pública eles na verdade são pobres. A não ser que deem o calote. E quando derem os bancos já vão ter adquirido todas as propriedades que lhes interessam bem como companhias e recursos interessantes.

    Então simplesmente não tem como avaliar nada do ponto de vista puramente econômico. E sim político.

    Agora vir com marxismo e outras palhaçadas é simplesmente ridículo.
    E sim concordo que o Lucas por não ter argumentado nada deveria se desculpar com a equipe do IMB.
    A EA é maravilhosa em sua explicação sobre como a economia funciona, na minha opinião só peca em não levar em conta o aspecto político devidamente.

    Por exemplo, a teoria do Jesús Huerta de Soto pra restaurar a economia é excelente e só não tenho certeza quanto ao ouro, eu acredito que o ouro deveria ser utilizado em transações internacionais somente e com preço variável. A limitação da quantidade de moeda deveria ser colocada de outra forma (política), alguma fórmula na constituição, clausula pétrea só podendo ser alterada por plebiscito sei lá. Mesmo que falhar a população vai logo perceber a porcaria que fez e pedir pra voltar. Se não servir de controle, servirá de lição.

    Peca em não punir os banqueiros e alguns outros. Eu particularmente decapitaria todos para servir de exemplo, pelo menos prender de forma exemplar sei lá. Junto com todos os burocratas da UE, parlamentares e envolvidos. Isso é fácil obter informação sobre quem está nos pagamentos, qualquer serviço de inteligência conseguiria reunir as informações necessárias. Um julgamento justo e exemplar. Pronto estamos livres por uns 100 anos dessa praga.

    A grande questão, quem o fará ?
  • Pobre Paulista  14/12/2013 12:55
    São ricos ? Sim, mais se levarmos em conta a dívida tanto privada como pública eles na verdade são pobres. A não ser que deem o calote.

    Leia-se:

    Sou apenas mais um infeliz que acredita que a riqueza está na quantidade de dinheiro existente e não na quantidade de capital acumulado.

    Vá se informar do porquê esses países serem ricos antes de falar besteiras do tipo. Pelo menos vc não usou o PIB também.
  • Cauê  15/12/2013 15:29
    "E eu também gostaria de lembrar que por exemplo o Canadá, Austrália, EUA etc etc
    São ricos ? Sim, mais se levarmos em conta a dívida tanto privada como pública eles na verdade são pobres. A não ser que deem o calote. E quando derem os bancos já vão ter adquirido todas as propriedades que lhes interessam bem como companhias e recursos interessantes."

    Passar bem.
  • orfao batalhador  13/12/2013 17:17
    Para complementar:
    [link]www.elcato.org/otra-vez-el-papa-francisco[link]

  • Lucas  13/12/2013 17:27
    Usar palavras dificeis fazem vocês se sentirem mais inteligentes?
  • Ricardo  13/12/2013 17:34
    Palavras difíceis? Onde? Não vi uma só palavra difícil aqui. Pelo visto, seu intelecto é ainda mais latrinário do que imaginou o Moderador.
  • Erick V.  13/12/2013 18:12
    "Nunca teve instrução" e "a sociedade nunca lhe deu oportunidades", mas está na frente do próprio computador (o qual existe em menos da metade das casas brasileiras, dados do IBGE) e tem tempo para ler Carl Sagan. Sei bem.
  • José ricardo das Chagas Monteiro  13/12/2013 17:44
    Saudações, perfeitos o texto e os quadros, esclarecedores. Papa Francisco tem tido , com todo respeito,atitudes estranhas, muito parecidas com simpatizantes do marxismo,discursos antagônicos aos seus predecessores - João Paulo II e Bento XVI -. Por exemplo,na Evangelii Gaudiumhá uma longa exortação condenando a desigualdade e a economia de exclusão. Interessante que economia sacramental é, em teologia, tudo aquilo que JESUS CRISTOfaz na história,ações, para nos levar para o céu, desse jeito o Sumo Pontífice vai levar o rebanho dele à dependência, ou seja, um bando de vagabundos.
    Não quero pensar que o Santo Padre recebeu o maldito do G.Gutierrez, meio que secretamente, principal líder da Teologia da Libertação, vermelhinha,vermelhinha.
    Estou vacinado, eu sei.
  • anônimo  13/12/2013 18:41
    Participei de alguns encontros da igreja e posso afirmar que por muitas vezes quase atrapalhei o encontro pois os líderes que ali diziam coisas completamente fora do aceitável, entre elas:

    * Dizer que o sofrimento é algo que purifica, que as pessoas deviam sofrer para se elevar a Deus.

    * Dizer que as pessoas são egoístas e que o coletivo está acima da individualidade

    * Um deles disse exatamente essas palavras: "A intenção está acima dos resultados"

    Enfim, hoje em dia, eu vejo as coisas que Jesus Cristo dizia, e justamente é isso aí, vivia de doações, não acumulava nada, era indiferente a coisas materiais inclusive a própria vida, negava a própria família ao dizer que não tinha irmãos nem mãe, tirou alguém da profissão de pescador para ser um andarilho sem ofício, contava histórias como aquela que dá festas ao irmão que foi irresponsável enquanto é indiferente ao responsável, perdoou os que mataram sua vida mas criou briga com comerciantes.

    Eu sei que Jesus Cristo é alvo de ataque de comunistas, mas eu não sei porque, se eu fosse comunista a primeira coisa que iria fazer é pregar o evangelho. E digo mais, muitos conservadores frequentam esse site, porém volto a afirmar, se alguém for seguir o que Jesus dizia irá ser um dependente, com risco de morrer na rua.

    A religião cristã é isso, são doentes, desculpe a sinceridade, mas é isso aí. O papa nada mais diz do que o Próprio Cristo diria, mas pessoas como Olavo de Carvalho não aceitariam isso de forma alguma, mas é a pura verdade. Eu já caí nessa armadilha de ser contra-comunista, só que é aquilo que está no artigo do Nelson Mandela, os inimigos dos meus inimigos não são necessariamente meus amigos.
  • Cauê  13/12/2013 18:53
    O que me diz dessa parábola ?

    Pois é assim como um homem que, partindo para outro país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. O que recebera cinco talentos, foi imediatamente negociar com eles e ganhou outros cinco; do mesmo modo o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, foi-se e fez uma cova no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu senhor. Chegou também o que recebera dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito, entra no gozo do teu senhor. Chegou por fim o que havia recebido um só talento, dizendo: Senhor, eu soube que és um homem severo, ceifas onde não semeaste e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder o teu talento na terra; aqui tens o que é teu. Porém o seu senhor respondeu: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e que recolho onde não joeirei? Devias, então, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, teria recebido o que é meu com juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem, ser-lhe-á tirado. Ao servo inútil, porém, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá o choro e o ranger de dentes.
  • anônimo  13/12/2013 19:12
    Tem uma coisa que devo corrigir, a questão de viver de doações. É claro que tem instituições que vivem de doações, como o Mises, e alguns orfanatos privados. E não é problema isso, fui infeliz nas palavras. Apesar de estar anônimo, minhas desculpas.

    Mas a impressão que passa, lendo as passagens da Bíblia e pelo que participei da igreja católica é que a miséria é uma coisa ótima! Claro que posso estar enganado, mas a impressão ficou ainda mais forte com esse Papa Francisco.
  • Cauê  13/12/2013 22:08
    Me diga uma instituição que está inteira ?

    O pessoal da EA também tem seus infiltrados.

    Agora, a doutrina católica é a verdade caro anônimo. Não tenho dúvida disso.

    Quanto ao pessoal da Igreja, bom são todos pecadores.
    O Grande problema é que, os padres, que deveriam olhar pelo seus seguidores, se omitem para parecerem bonzinhos, por vaidade,etc.
    Catequese é piada e crisma é recreio. Mais isso irá mudar, está mudando.

    Mais quem realmente busca a verdade nos documentos da Igreja não tem como perder. É absolutamente perfeito, não existe melhor lente para enxergar o mundo. Eu dou meu voto de confiança, é o que eu posso e devo fazer.

    Também as vezes fico com um pé atrás com o Papa Francisco, mais até agora ele não fez nada de errado, quando você realmente lê os documentos você pode ver que nada do que falam é a realidade. O que acontece é que manipulam de toda forma suas palavras.

    Aí que está o Papa Bento XVI falava tudo certinho e não aparecia na mídia e portanto não tinha como influenciar os católicos mais brandos. O Papa Francisco pode estar fazendo um jogo político, veremos. O que se pode dizer é que ele está atraindo a atenção de todos. Agora veremos como ele irá utilizar essa "fama" que recebeu.

    Ele só não pode ir contra a doutrina. Para a esquerda ou para direita.

    Imagina se a Igreja tivesse adotado as reformas que outras Igrejas tomaram, hoje estaríamos destruídos.

    "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará."
  • anônimo  14/12/2013 03:40
    Cauê, não acredito em deus, mas não sou um EuAteu-like. Procurei a igreja em busca de pessoas.

    E mesmo que eu não tivesse essa experiência com a igreja, ler a bíblia é o suficiente. Um exemplo foi próprio trecho que você mandou. A versão que você mandou foi a de Mateus, a que vou colar agora é a de Lucas:

    «Disse, pois: Certo homem ilustre foi para um país longínquo a fim de obter para si o governo e voltar. Chamou dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até eu voltar. Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este homem nos governe. Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do governo, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro a fim de saber como cada um havia negociado. Apresentou-se o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez. Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom, porque foste fiel no mínimo, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este respondeu: Sê tu também sobre cinco cidades. Veio outro, dizendo: Senhor, eis a tua mina que tive guardada em um lenço; pois eu tinha medo de ti, porque és homem severo, tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Respondeu-lhe: Servo mau, pela tua boca eu te julgarei. Sabias que sou homem severo, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; por que, pois, não puseste o meu dinheiro no banco? E então na minha vinda o teria exigido com juros. Disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina e dai-a ao que tem as dez. Responderam-lhe: Senhor, este já tem dez. Declaro-vos que a todo o que tem, dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, até aquilo que tem, lhe será tirado. Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu os governasse, trazei-os aqui e matai-os diante de mim.» (Lucas 19:17-27)

    O trecho final é trágico, nem vou comentar.
    Porém, caso essa parte da bíblia possa ser enquadrado em uma interpretação econômica, o que muitas pessoas poderiam dizer que não poderia, no mínimo seria uma relação de servo-senhor, o que não representa em hipótese nenhuma um livre mercado. Pois não se está considerando a ação propositada do agente e sim uma servidão a um senhor, o que é no mínimo algo a ser denunciado e nao a ser louvado! E mesmo não sendo um cristão eu acho um erro usar um trecho desse da bíblia para enquadrar na economia, pois não creio que ele queria dizer sobre dinheiro em si, mas sim sobre os ensinamentos que deveriam ser multiplicados e não ficar guardados para grupos fechados, como era na época com os fariseus. Portanto usar esse trecho da bíblia como uma defesa de uma proposta econômica é no mínimo um perigo além de não ser muito correto do ponto de vista do sagrado.

    E vou além, tem uma parte assim:
    Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.
    E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.
    Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.
    E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
    [...]
    Todo aquele que abandonar a sua casa, irmãos, pai, mãe, mulher, filhos ou bens, para me seguir, receberá cem vezes tanto em paga e terá a vida eterna. Mas muitos que agora são os primeiros virão a ser os últimos; e alguns que são agora os últimos virão a ser os primeiros.
    Mateus 19:21-24


    Olha a dica que Jesus da ao Homem, venda tudo e de aos pobres e me segue. Como que pode isso? Desculpe mas não posso achar isso normal. E ainda por cima deixa a entender que o sujeito que lutou uma vida toda para conquistar as coisas não merece respeito.

    E isso não são somente alguns trechos em particular que fiquei procurando horas e horas, o evangelho de Jesus traz essa essência em sua totalidade.
  • Cauê  15/12/2013 16:45
    A questão do camelo primeiro é uma tradução errada mais não muda o sentido.

    O jovem em questão perguntou a Jesus:
    (porcamente falando)

    -Eu faço tudo certo , o que me falta pra eu poder ir para o céu.

    Jesus, responde: Vende tudo e me siga.

    Jovem, responde: Nahh, prefiro minhas posses.

    Jesus, "conclui" que ele prefere ter riquezas do que entrar no céu. Então que assim seja. As portas do céu estão fechadas pra ele.

    Livre-arbítrio.

    Esse é um caso. Cada, caso é um caso. A Igreja tem sua doutrina para isso. Para que você possa seguir nos caminhos corretos. Ninguém está falando para você virar pedinte. Se você for criar uma família é sua obrigação tomar conta deles.
    Do contrário você pode virar padre ou monge, cuidar dos enfermos, virar catequista, virar cavaleiro antigamente etc,etc.
    Você tem que procurar o que melhor se adapta a tua vocação.
    -------------------------------------------------------------------------------------

    Outra coisa é que você está tirando tudo de contexto.
    Se não fosse Jesus você continuaria sendo escravo meu caro. Ou Índio. Dá uma pesquisada (não nos livro do MEC) sobre escravidão e o cristianismo.

    E Hoje também existem "senhores", se estiver duvidando vai reclamar lá pros bandidos que te roubam + de 4 meses de salário. Só de impostos, o resto não tem preço.
  • Marcos  13/12/2013 23:03
    Anonimo, pelo jeito você não conheceu a Igreja de verdade, mas a Teologia da Libertação. Que, infelizmente, se infiltrou por toda parte. Sugiro, para um debate produtivo, sem ouvi-lá-nuns-grupos-católicos-que-conheci, que você se baseie no Catecismo oficial da Igreja Católica. Há também um cacoete mental seu que me parece deslocado: julgar o pensamento católico com uma régua protestante. A Bíblia (que foi coletada, selecionada, em parte escrita, e editada pela própria Igreja) é uma fonte de verdade (não a única) que não pode ser compreendida por livre associação de ideias. Se for assim, ela já não afirmaria verdade alguma, mas bilhões de opiniões antagônicas entre si. Assim, achar que Jesus era a favor de não se trabalhar porque pegou pescadores para discípulos é ridículo. Daí, o passo seguinte, achar que, por isso, ele é anticapitalista...Já parou pra pensar que, apenas num sistema social em que o indivíduo é livre , ele pode optar por não trabalhar e viver com o que a coleta e a misericórdia alheia lhe proporcionem ? Num sistema de opressão estatal ou de escravidão o indivíduo NÂO pode escolher não trabalhar. Sim , percebo que os padrecos-de-passeata perturbaram seu juízo. Recomendo Chesterton ("Ortodoxia", "O homem eterno", por exemplo, ambos disponíveis em versão digital e e em português na Amazon)para uma desintoxicação e inspiração nos mistérios, que são mais complexos e belos ; e menos reducionistas. Abs
  • TC  13/12/2013 18:36
    Todos temos que concordar que o autor foi muito bem sucedido nos fatos que apresentou em sua defesa do livre mercado.
    Em relação à Sua Santidade, a opinião acerca de assuntos econômicos é somente mais um dos vários pontos nos quais o Papa Francisco aparenta estar em desarmonia com a doutrina e a tradição da Igreja. Isto obviamente trás apreensão e sofrimento aos católicos sinceros.
    Não sabemos o que pensa realmente o Papa, o que o motiva, quais pressões sofre, porquê foi escolhido, etc. Talvez até nunca saibamos precisamente mas a utilização de jargão esquerdista em um documento papal é sem dúvidas uma informação bem interessante.
    Por último, lembremos que o catolicismo não esta enfrentando a pior crise de sua história, como os meios de comunicação querem fazer parecer. O arianismo, a cisma, a reforma protestante, dentre outros, foram momentos muito mais críticos e a Igreja se manteve de pé.
  • Felipe  14/12/2013 03:02
    O Papa é uma das pessoas mais bem educadas da Terra. Acho muito estranho ele apelar para esse tipo de discurso, especialmente aquele condenando a busca do "lucro a qualquer preço"
  • bruno  13/12/2013 21:45
    O que vocês acham deste artigo do instituto mises americano. www.mises.org/daily/1724 ele cita, que o índice de liberdade econômica, tem falhas e não é preciso. se isso for verdade, este artigo postado aqui fica em cheque, pois a principal base para provar os argumentos,é o índice de liberdade econômica, que como citado no artigo do mises.org, tem falhas. e ai como fica isso?
  • Leandro  14/12/2013 00:16
    Nem precisava ter ido tão longe assim. Nós do IMB também somos críticos a esses índices de liberdade econômica, e já expressamos isso aqui.

    Só que há um detalhe: a crítica se concentra em dois quesitos:

    1) na questão da política monetária -- estes índices não mensuram a verdadeira expansão monetária que está ocorrendo, mas sim apenas a inflação de preços. Isso é um erro.

    2) na questão da propriedade intelectual -- estes índices a consideram algo positivo, e nós a consideramos negativo.

    De resto, itens como carga tributária, gastos do governo, burocracia, tarifas de importação, facilidade de fazer negócios, flexibilidade do mercado de trabalho, liberdade de investimento, direitos de propriedade etc., o índice é bastante acurado.

    E mais uma coisa: as duas críticas acima se concentram no índice da Heritage. Só que o artigo utiliza também, e majoritariamente, o índice do Fraser Institute, que é muito mais completo e isento de críticas.

    Por fim, uma observação interessante: em 2010, quando o Brasil crescia 7,5% ano, era comum intervencionistas virem aqui dizer que a má colocação do Brasil nestes índices e o seu alto crescimento, e boa colocação de europeus e seu baixo crescimento, eram a prova suprema de que uma economia intervencionista era boa para o PIB. Ou seja, naquela época, o índice prestava porque era conveniente às suas ideologias. É gozado como o discurso de vocês tende se adaptar às conveniências do momento.

    Sugestão: deixe de ideologia boba, deixe de desesperadamente tentar fazer com que os fatos se encaixem na sua ideologia, e concentre-se nos estudos da ciência econômica de forma isenta. Essa sua tentativa de desmerecimento não deu. Ficou pra próxima.

    Abraço!
  • Israel  13/12/2013 22:45
    Independente do que o Papa disse ou não disse, a doutrina da Igreja é muito clara: assim como condena o comunismo e o socialismo, condena também todas as formas de liberalismo.

    Um mercado totalmente livre permitiria a venda de bebês, por exemplo, caso haja alguém querendo vender e outro querendo comprar. O livre-mercado permite que eu compre o terreno onde está a nascente de um grande rio, e jogue todos os dejetos que desejar nesse local, inutilizando o mesmo para a população que depende desse rio. O liberalismo econômico permite que qualquer um negocie qualquer coisa sem se preocupar com moral e ética, bastando que hajam compradores e vendedores.

    O que a Igreja defende e sempre defendeu é diferente de intervencionismo estatal para beneficiar empresários ou trabalhadores, para controlar o que quer que seja na economia, ou para impor regras monetárias. O que ela defende é que o Estado seja o guardião da moral, de forma a impedir que as pessoas possam negociar os valores humanos e cristãos, ou que possam agir contra o bem comum. Por isso ela sempre foi contra o Estado laico, uma vez que os governantes devem basear suas decisões na moral católica, submetendo-se à vontade de Deus.

    O liberalismo econômico é o pai do comunismo. Em uma economia totalmente livre, os mais ricos tendem a acumular cada vez mais, ela tende a ser cada vez mais centralizada em grande corporações, até que no final tudo esteja na mão de um ou de poucos. Qual a diferença disso para o comunismo, em que tudo está na mão do Estado?
  • Leandro  14/12/2013 00:22
    O seu desconhecimento sobre a doutrina do liberalismo não é só desconcertante; ele é apavorante. Você diz que liberalismo leva a monopólios e a privilégios. O curioso é que todos os monopólios e oligopólios que já existiram e existem no mundo são resultados não do livre mercado, mas sim da intervenção estatal.

    Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

    E quando não era assim, o que ocorria? Quando o governo não tinha ainda poderes para se intrometer, havia formação de cartel entre os poderosos? Havia "exploração"? Não. O que ocorria era isso.

    Monopólio e livre mercado - uma antítese

    Outros artigos obrigatórios para você sair deste perigoso autoengano:

    Sobre as privatizações (Parte 1)

    Sobre as privatizações (final)

    Celular ilimitado por R$30/mês - saiba como aqui

    Regulações protegem os regulados e prejudicam os consumidores

    Tributação X Regulamentação - O que é pior?

    Aeroportos + governo = caos

    A bem-sucedida regulação privada

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas

    Legislações antitruste e agências reguladoras não podem existir em uma sociedade livre

    A Guatemala e seu exemplo de privatização

    As parcerias público-privadas - a porta de entrada para o socialismo

    Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?


    Por fim, sobre a liberdade de poluir, sugiro este artigo:

    Justiça, poluição do ar e direitos de propriedade

    Gentileza se informar minimamente sobre um assunto antes de sair emitindo comentários definitivos e "arrasadores" sobre ele.
  • Douglas  14/12/2013 04:04
    O que me assusta Leandro, é que a máxima "de boa intenções o inferno está cheio", se

    aplica para o Israel e para muitos outros no Brasil e no mundo, sempre achando que

    podem salvar o mundo ou que tem alguém mais preparado o qual nós devemos obediência

    cega.

    Ele ter dito que o liberalismo é o pai do comunismo foi o fim! Espero que ele leia os

    artigos por você colocados. Ótimo trabalho! Muito obrigado!
  • Julio  14/12/2013 09:13
    Israel, isso aqui que você escreveu é de uma imbecilidade incomensurável: "Um mercado totalmente livre permitiria a venda de bebês, por exemplo, caso haja alguém querendo vender e outro querendo comprar."

    Sem comentários.
  • Felipe  14/12/2013 20:28
    Melhor o bebê vendido para uma boa família do que ser jogado no rio, como aconteceu esses dias.
  • Israel  15/12/2013 03:44
    Em primeiro lugar, só quis comentar um pouco da doutrina da Igreja, pois vejo que muitos católicos leem seus artigos, e acabam se convencendo de que o liberalismo é um caminho moralmente válido.

    Em segundo, não adianta me mostrar que regulamentações são ruins para a Economia. Eu concordo com tudo isso. Concordo que o Estado hoje é o grande criador de monopólios e privilégios para grandes empresas, e que ele não deveria tentar "melhorar" a Economia de forma alguma, deixando isso por conta da livre iniciativa.

    Entretanto, a Igreja afirma que a função do Estado não é apenas defender a propriedade, mas também o bem comum e as leis de Deus. E isso só pode ser feito intervindo onde houver qualquer atividade contra a moral e os bons costumes. É difícil de entender isso quando só se olha o lado econômico; é necessário, portanto, fazer um esforço para ver que a Igreja tem uma preocupação muito mais elevada do que o bem estar social: a salvação das almas.

    Aceito as críticas, mas sigo aguardando que me mostrem o que ou quem impediria um comércio de bebês em um livre-mercado.

    Ou então - para que os católicos vejam que não podem defender o liberalismo - quero que me expliquem quem impediria que uma empresa como a Parent Parenthood comercializasse abortos em uma Economia liberal.

    Eu quero um Estado mínimo, que não se meta desnecessariamente em questões econômicas, e que não proteja empresa alguma, nem trabalhador algum. Mas quero que ele ainda tenha poder para proibir atividades imorais, ainda que 100% das pessoas as desejem.

    Quanto ao capitalismo ser pai do comunismo, é devido ao dinheiro passar a ser a medida de poder dos indivíduos. Com o advento da democracia liberal, se pretendeu que todos tivessem os mesmos direitos - pois têm total liberdade -, o que fez os mais ricos ganharem mais condições de assumir o poder (basta olhar o que ocorre hoje). Assim, para realmente efetivar a igualdade de direitos, os comunistas procuraram igualar também as condições econômicas, acabando com a propriedade privada.

    O erro hoje é pensar que só existem duas vias, ou capitalismo, ou socialismo.

  • Leonardo  17/12/2013 10:00
    O que impediria a venda de bebês é o que impede uma pessoa de cometer um homicídio. O judiciário ou qualquer instituição que exerça a função de deliberações sobre conflitos oriundos da vida em sociedade julgaria o ato como injusto, antiético ou, seja lá com preferir. Liberalismo pouco ou nada diz sobre essas questões morais, e certamente nada incentivando essa prática. Estamos todos relegados ao livre arbítrio, desde de que a coita da da eva nos condenou a este destino. Não tratemos os governantes como os seres altruístas com senso de moralidade superior, qualquer primeira página de jornais nos desmentiria...
  • Carlos Prado  03/01/2014 00:58
    A Igreja não defende um Estado para isto. A doutrina católica é bem clara quanto a voluntariedade do fiel para seus atos. Se ela defende-se a imposição estatal ela era mais uma lobista, que ainda usaria do poder estatal para combater os infiéis para não ter um dissonante sequer.
    A Igreja não alega papel de estado nenhum defendendo moral e bons costumes. Este é o próprio trabalho dela e se há alguém que pensa assim no vaticano ele deve repensar de o porque ele acredita ser melhor um estado agindo e não as iniciativas privadas que partem de vários movimentos católicos.
  • anônimo  15/12/2013 10:18
    Felipe, vc não entendeu nada.É uma imbecilidade porque vender o bebê vai contra o direito natural dele, a imbecilidade é atribuir isso ao livre mercado.
  • Felipe  15/12/2013 21:55
    Caro anônimo, também sou contra a venda de bebês. Só fiz uma pequena observação, com um pouco de ironia realista.
  • anônimo  15/12/2013 10:21
    'Independente do que o Papa disse ou não disse, a doutrina da Igreja é muito clara: assim como condena o comunismo e o socialismo, condena também todas as formas de liberalismo. '

    Você já começa com uma contradição.Se condena o comunismo, é claro que defende uma economia com alguma liberdade, então não tem como falar que condena TODAS as formas de liberalismo.
  • Fábio - DF  14/12/2013 11:02
    Parece que muitos estão preocupados porque a Igreja usa uma linguagem parecida com a dos comunistas. É o caso de se perguntar quem copiou de quem.
    A Igreja não se preocupa em seguir o Liberalismo ou o Comunismo. Ao contrário, ambos é que se utilizam de conceitos nascidos dentro da Igreja e ainda fazem o favor de deturpá-los.
    Querem saber das intenções dos documentos da Igreja? O primeiro passo é ler o documento. O segundo passo é mais complicado, pois exige pensar. Tem que comparar as ações, discursos, tendências, intenções do Corpo da Igreja e tentar inserir no contexto do documento e verificar se é coerente com a missão da Igreja que é buscar a Verdade, a liberdade e o amor, ou seja, encontrar o próprio Cristo. Ou o contrario disso, se o documento prega é a busca do poder, do acumulo de bens e o prazer.
    Eu sei que a Igreja está infestada de ideias comunistas e em menor grau de idéias liberais que não dizem respeito ao Cristianismo, mas que têm uma forma parecida. Isso de certa forma já era esperado, porque Jesus veio pelos pecadores e não pelos justos. Cabe à Igreja convertê-los e não o contrário. Nesse sentido toda contribuição intelectual que pode melhorar a compreensão do documento é válida, para que se possa aperfeiçoá-lo.
  • Carlos Gil  14/12/2013 21:18
    A civilização ocidental é igual ao cara que vê a sua mulher traí-lo pelo buraco da fechadura,porém, à luz do quarto se apaga. Logo, ele concluiu que a sua mulher não o trai.
    Conclusão:
    O Papa, fala com marxista, agem com marxista, porém não marxista!
  • Altler Ricotisin  14/12/2013 23:56
    O pastel está caríssimo: R$ 1,50. Quem é o culpado?
  • N'importe qui  15/12/2013 16:36
    Empresários gananciosos, é claro. Pois o mercado de pastéis é pouquíssimo regulado e muitos são vendidos na informalidade.
    Não pode ser os insumos... isso não. Os insumos, em sua maioria proveniente diretamente das nossas fazendas, são produtos altamente subisiados por nosso generoso governo. :)
  • Andre  15/12/2013 17:45
    "O pastel está caríssimo: R$ 1,50. Quem é o culpado?"

    Você, que tendo descoberto que o vendedor de pastel está tendo altos lucros não abriu uma barraquinha do lado para vender por um preço mais barato e ainda assim obter bons lucros.

    E se você não abriu a barraquinha porque a polícia não deixou então a culpa é do governo.
  • PAULO  16/12/2013 21:04
    "às teorias do 'gotejamento'[1], as quais supõem que o crescimento econômico, estimulado por um livre mercado, irá INEVITAVELMENTE produzir maior igualdade e inclusão social no mundo. Esta opinião, que nunca foi confirmada pelos fatos, exprime uma confiança vaga e INGÊNUA na bondade daqueles que detêm o poder econômico e nos mecanismos sacralizados do sistema econômico reinante."

    Brilhante, texto, o Papa está certo nesta afirmação, o livre mercado por si só ainda deixa a desejar, é necessário junto de si uma doutrina Cristã sólida, para que as ações individuais sejam direcionadas para o bem comum ("A Doutrina Social da Igreja Católica"). Como se vê nos dados apresentados, os países mais livres tem resultados melhores, mas estes resultados seriam muito mais expressivos numa sociedade verdadeiramente Cristã. Aqueles acham que o livre mercado se sustenta por si só, cometem o mesmo erro do Comunismo ao achar que existe um grupo de pessoas perfeitas e que irão gerar o mundo perfeito, sem a Doutrina Cristã é impossível e com ela já é muito difícil. É claro que o Papa, em minha opinião foi ingênuo, se esquecendo que a esquerda pode utilizar cada palavra sua para justificar uma mentira e se dizer Cristã, coisa que ela não é.
  • RedLaser  16/12/2013 23:09
    PAULO, Os topos do Ranking de liberdade são Hong Kong, Singapura, onde que esses países tem fortes relações com cristianismo??!??!?!

    E se um investidor fosse seguir o conselho de Jesus? Ele doaria tudo pro pobre e seria um falido!!!! Então porque ainda esse povo fica dizendo que Jesus é responsável pelo capitalismo?!!?!

    Ninguém aqui precisa ser cristão para ser honesto não!
  • anônimo  17/12/2013 06:41
    Discordo do Paulo em diversos pontos, mas uma pérola como a que você soltou (Então porque ainda esse povo fica dizendo que Jesus é responsável pelo capitalismo?!!?!) não dá pra deixar passar. Cidadão, já leste estes artigos?

    O papel crucial da religião no desenvolvimento da ciência econômica
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1026

    Religião e libertarianismo
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=834

    Liberalismo e cristianismo
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=781

    O cristianismo colaborou grandemente com algumas - se não todas - as pedras fundamentais que possibilitaram o surgimento do capitalismo.
  • PAULO  17/12/2013 15:01
    Boa pergunta RedLaser, hoje comemos arroz e feijão e achamos que eles vem do supermercado.
    O que Hong Kong e Singapura tem a ver com o Cristianismo? Isto é tema de um Livro, o qual o Dr. Thomas E Woods Jr. escreveu (Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental). Sendo assim pode haver um cidadão em Singapura olhando as horas em um relógio e dizendo: "Não tenho nada a haver com o cristianismo", sendo que o primeiro relógio que se tem notícia foi construído pelo futuro Papa Sisvestre II por volta do ano 996; vemos um estudante em Singapura dizendo não tenho nada a ver com o Cristinanismo sendo que o Sistema Universitário no qual ele estuda é uma Criação da Igreja Católica; um Jurista em falando que não tem nada a ver com o Cristianismo, mas segue normas de leis Internacionais cujo entre os Pais fundadores estão os Padres Jesuítas, um economista fala que não tem nada haver com o cristianismo sendo que os Padres Escolásticos, "mais do que qualquer outro grupo foram os que chegaram mais perto de ser os fundadores da ciência econômica" (Joseph Schumpeter). Enfim é mais fácil questionar em que áreas Hong Kong e Singapura nada tem haver com o Cristianismo.
  • RedLaser  17/12/2013 23:31
    PAULO, o que você quer dizer com isso mais precisamente?

    Que se o papa e a igreja criaram, relógios, universidades, e que se algumas pessoas tem valores que coincidem com os valores da igreja/papa, então isso significa que deveriamos ter um estado cristão?

    Não percebe o quanto isso é equívoco do ponto de vista da lógica? Ou percebe e mesmo assim o faz?
  • PAULO  17/12/2013 15:25
    Só acrescentando, na ação humana, o Crsitianismo modelou no mundo todo o conceito do que é ser uma boa pessoa, conforme o Dr. Thomas E Woods Jr, como também o conceito de humanidade, liberdade e caridade. Desta forma mesmo paises não Cristão, hoje em dia, seguem alguns valores cristãos como ideal de ser humano.
  • Luís  18/12/2013 03:17
    Há vários pontos a se ressaltar no artigo acima. Primeiramente, qual o entendimento do autor quanto a economias "mais livres" e "menos livres"? Quais países se enquadram em cada um dos grupos? Depois, por que fazer parte do artigo os dividindo em quatro grupos para, subitamente, juntá-los em dois, levando em conta apenas os 25 mais de cada lado? Para quem diversas vezes no texto criticou a suposta manipulação de dados dos críticos, a mudança parece estranha.
    Agora, passando ao artigo em si, a discussão, quando feita meramente através de valores, me parece demasiadamente rasa. Me refiro, especialmente, ao gráfico 4, que representa quase nada, visto que o valor da renda nominal não diz muita coisa, ideal seria termos a renda real, embasada no PODER DE COMPRA que as pessoas têm em seus países com aquele valor.
    Seguindo, "Por exemplo, onde estão os Steve Jobs, os Bill Gates e os Jeff Bezos de países como Cuba e Coréia do Norte?". Embora seja totalmente contrário ao sistema desses países, não entendi tal argumento. Ora, Cuba e Coréia do Norte são países, supostamente, comunistas, não há, portanto, a figura de um empreendedor principal que se tornará milionário através de seu sucesso, visto que, idealmente, as empresas nesses países deveriam ser regidas pelo todo.
    O principal, para mim, no entanto, se refere a um ponto que acaba se tornando uma falha crucial do estudo. Não me vem a mente qualquer país que tenha se mantido completamente livre por todo o período pós-guerra até a atualidade. Todos os países, desenvolvidos ou não, cresceram fortemente durante o período de forte controle estabelecido durante a Golden Age, onde havia menor liberdade econômica, assim, é difícil analisar o real efeito da liberdade econômica no período atual, visto que os não-desenvolvidos foram afetados negativamente pela maior liberdade.
    Por fim, como já dissera acima, acho muito raso basear o debate apenas em valores, tendo em mente que os países com maior IDH atualmente são os escandinavos, onde há forte presença do wellfare state, ainda que o PIB desses países não seja proporcional a seu nível interno de bem-estar.
  • Moderador  18/12/2013 04:31
    "Primeiramente, qual o entendimento do autor quanto a economias "mais livres" e "menos livres"? Quais países se enquadram em cada um dos grupos?"

    Índice definido pelo Fraser Institute e pela Heritage Foundation. Ambos os institutos levam em consideração coisas como carga tributária, gastos do governo, burocracia, tarifas de importação, facilidade de fazer negócios, flexibilidade do mercado de trabalho, liberdade de investimento, direitos de propriedade etc.

    Isso foi explicado no artigo. Você já começou deixando claro que nem sequer leu todo o artigo. Mau começo.

    "Depois, por que fazer parte do artigo os dividindo em quatro grupos para, subitamente, juntá-los em dois, levando em conta apenas os 25 mais de cada lado? Para quem diversas vezes no texto criticou a suposta manipulação de dados dos críticos, a mudança parece estranha."

    Você misturou duas coisas, e o fez de forma bem desonesta.

    Em primeiro lugar, a divisão dos países em quatro grupos é justamente a mesma daquela feita nos dois índices acima referidos. É o procedimento padrão daquelas instituições. O artigo simplesmente utilizou estes índices. Estude-os.

    Já a divisão entre as 25 economias mais ricas e as 25 mais pobres -- algo que foi feito bem depois e, portanto, nada de "súbito" -- foi justamente para mostrar que, não importa o grau de liberdade do país, a distribuição de renda tende a ser igual. Qual o seu problema com isso?

    Ao contrário do que você disse, não houve nada de "súbito" nesta divisão. Ela foi perfeitamente explicada. Ou você não leu o artigo, ou então você de fato leu, se sentiu incomodado e, sem ter o que refutar, saiu querendo inventar críticas. Coisa bem típica de alguns que caem de pára-quedas neste site.

    "Agora, passando ao artigo em si, a discussão, quando feita meramente através de valores, me parece demasiadamente rasa. Me refiro, especialmente, ao gráfico 4, que representa quase nada, visto que o valor da renda nominal não diz muita coisa, ideal seria termos a renda real, embasada no PODER DE COMPRA que as pessoas têm em seus países com aquele valor."

    A prova suprema de que não leu absolutamente nada do artigo. Veja este trecho do artigo: "Os gráficos a seguir mostram o PIB per capita mensurado de acordo com a paridade do poder de compra da população (ou seja, já ajustado pelo custo de vida) e a taxa de crescimento médio durante um período de 10 anos."

    Apenas isso já serve para desmascarar a real honestidade intelectual de sua crítica.

    "Seguindo, "Por exemplo, onde estão os Steve Jobs, os Bill Gates e os Jeff Bezos de países como Cuba e Coréia do Norte?". Embora seja totalmente contrário ao sistema desses países, não entendi tal argumento. Ora, Cuba e Coréia do Norte são países, supostamente, comunistas, não há, portanto, a figura de um empreendedor principal que se tornará milionário através de seu sucesso, visto que, idealmente, as empresas nesses países deveriam ser regidas pelo todo."

    E é exatamente este um dos objetivos do artigo. Mostrar que países menos livres não são propícios ao empreendimento, que é justamente o que eleva o padrão de vida das pessoas. Tá começando a entender o básico?

    "O principal, para mim, no entanto, se refere a um ponto que acaba se tornando uma falha crucial do estudo. Não me vem a mente qualquer país que tenha se mantido completamente livre por todo o período pós-guerra até a atualidade."

    Não há nenhum país completamente livre, de fato. Mas é sim perfeitamente possível classificar os países de acordo com seus graus de liberdade, levando-se em conta os critérios mencionados lá na minha primeira resposta a você.

    Mais ainda: é possível sim mostrar um histórico da evolução destes países ao longo de décadas. Tanto o Fraser Institute quanto a Heritage Foundation fazem esse histórico. Você, a julgar pela crítica acima, desconhece-os por completo. E critica mesmo assim. Você está cada vez mais a descoberto.

    "Todos os países, desenvolvidos ou não, cresceram fortemente durante o período de forte controle estabelecido durante a Golden Age, onde havia menor liberdade econômica, assim, é difícil analisar o real efeito da liberdade econômica no período atual, visto que os não-desenvolvidos foram afetados negativamente pela maior liberdade."

    Não entendi. No entanto, como disse acima, há um histórico da evolução das liberdades. E o que se observa é que os países mais livres de hoje já o eram há quarenta anos, com as possíveis exceções da Nova Zelândia e da Irlanda.

    "Por fim, como já dissera acima, acho muito raso basear o debate apenas em valores, tendo em mente que os países com maior IDH atualmente são os escandinavos, onde há forte presença do wellfare state, ainda que o PIB desses países não seja proporcional a seu nível interno de bem-estar."

    Outra mentira gravíssima de sua parte. Eis a seguir a lista dos IDHs:

    IDH da Noruega (1º lugar): 0,955
    IDH da Austrália (2º lugar): 0,938
    IDH dos EUA (3º lugar): 0,937
    .
    .
    .
    IDH da Suécia (7º lugar): 0,916
    .
    .
    .
    IDH da Dinamarca (15º lugar): 0,901

    Detalhe: à frente de Dinamarca e Suécia estão países como Irlanda, Nova Zelândia, Alemanha e Holanda.

    en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_Human_Development_Index

    Sendo assim, não sei de onde você tirou que os países com maior IDH atualmente são os escandinavos. Tanto Suécia quanto Dinamarca estão bem abaixo de vários outros países. Você está apenas cuspindo ideologia barata, sem se dar ao mínimo trabalho de pesquisar fatos básicos.


    Por último, cabe perguntar: você escreveu tanto -- e, como demonstrado acima, sem nenhum argumento substantivo --, mas em nenhum momento propôs algo diferente. Nem sequer ofereceu qualquer dica ou sugestão de novas metodologias. Qual foi a sua real intenção? Apenas ventilar seu desagrado com as conclusões do artigo?
  • Edu  05/01/2014 15:48
    Com certeza um marxista iria argumentar que o poder de compra dos 10% mais pobres e o desenvolvimento dessas sociedades mais livres é devido a exploraçao e a lavagem de dinheiro de capital acumulado via exploraçao em outros países... Como vcs contra argumentariam de forma didática? Partir pra cima direto pra teoria da exploraçao? Mas em países que nao apresentam instituiçoes que defendem o direito natural, o acumulo de capital nao pode ter sido exploratorio? E esse acumulo ter levado ao desenvolvimento dos paises livres via investimentos? E ai, o que responder?
  • Múcio  05/01/2014 16:11
    Não entendi nada, Edu, mas recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457
  • Eduardo  23/06/2015 01:34
    Esse artigo é um chute no estômago dos críticos do livre mercado. Todos os gráficos e dados vão na direção contrária do que eles dizem e acreditam, tem que fazer um malabarismo exaustivo para tentar negar esses dados.
  • Fernando  23/06/2015 03:22
    A estratégia de Gramsci está sendo um sucesso.

    "Se infiltrar nas igrejas para levar a propaganda comunista às massas" sempre foi uma tática explícita por Gramsci no Cadernos do Cárcere.
  • Luiz Eduardo  23/06/2015 21:58
    Excelente artigo, parabéns!
  • M.S. Batista  11/09/2015 20:20
    Leandro,

    Tem algum artigo que aborde acerca do Papa Francisco e comunismo?
  • Flavia  25/09/2015 23:36
    Papa Francisco tem uma longa história ao lado do peronismo e da TL: https://www.washingtonpost.com/world/you-cant-understand-pope-francis-without-juan-peron--and-evita/2015/08/01/d71e6fa4-2fd0-11e5-a879-213078d03dd3_story.html


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