A diferença entre a burocracia estatal e a economia de mercado

Qual é a diferença mais notável entre o funcionamento do governo e o da economia de mercado?  Ludwig von Mises nos forneceu uma resposta surpreendente, uma resposta que ele explicou em detalhes em seu sensacional livro Liberalismo — Segundo a Tradição Clássica, publicado no longínquo ano de 1927.  Mises disse que a diferença toda estava na contabilidade, isto é, no cálculo de custos.

Dentro das burocracias não-comerciais do governo, tudo é um jogo de adivinhação.  Você não sabe exatamente o quanto deve gastar em quê; você não sabe se há algum objetivo racional naquilo que você está fazendo; você não sabe se este ou aquele plano será bem-sucedido ou se irá fracassar completamente; você não sabe onde cortar gastos caso tenha de fazê-lo; e você não sabe quais seções e quais pessoas estão fazendo um bom trabalho e quais não estão.  O setor público é um setor que, inevitavelmente, por pura lógica econômica, sempre funciona às escuras, sem ter a mínima ideia do que faz, e sempre tendo de fingir que está fazendo tudo certo.

Por quê?  Porque o governo não opera de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado.  Ele não opera segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos.  Como ele não tem acesso aos sinais de preços, ele não é capaz de calcular lucros e prejuízos.  Por conseguinte, ele não tem uma bússola que possa guiá-lo em suas ações.  Ele não tem como avaliar e estimar a real valia econômica de qualquer coisa que faça.  Seus investimentos nunca poderão ser feitos da maneira correta, seus serviços nunca serão prestados de maneira satisfatória, sempre haverá desperdício de recursos e gritante ineficiência.  Esta é uma realidade inevitável.  Não se trata de ideologia; é pura ciência econômica. 

Por não ter esta racionalidade, as burocracias estatais sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, preocupadas exclusivamente em satisfazer as demandas de políticos que visam apenas sua autopromoção e sua reeleição.  Consequentemente, as burocracias estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e ressentimento.

Já nas empresas privadas que operam em ambiente de livre concorrência a situação é diferente.  No mundo do comércio, os sinais de preços emitidos pelo mercado comandam as decisões.  O sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo empregados.  Se corretamente, os consumidores recompensam as empresas propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem as empresas impondo-lhes prejuízos.  Uma expansão ou um corte nos investimentos é algo que será guiado pelo balancete das empresas.  Os empregados são produtores que são valorados, e não explorados.  Não interessa se a empresa é grande ou micro: ela estará sempre em busca da lucratividade.  E a lucratividade sempre será, em última instância, determinada pela decisão voluntária dos consumidores.

Para ver como algo aparentemente simples possui ramificações muito mais complexas do que se poderia imaginar a princípio, peguemos o exemplo de um restaurante chique.  A estrutura de produção deste restaurante não se resume apenas à coordenação entre os garçons e a cozinha.  É necessário haver uma administração voltada exclusivamente para o controle dos estoques de todos os alimentos e de todas as bebidas.  Como não é possível saber com antecedência o que os clientes irão ordenar de seu variado menu, o estoque de alimentos e bebidas tem de ser vasto e plenamente adaptável às súbitas alterações de gosto e interesse de seus clientes.  Tal controle de estoque não seria possível de ser planejado sem preços de mercado, sem a contabilidade e sem o sistema de lucros e prejuízos.

Além da coordenação entre os chefs e os cozinheiros, e entre os cozinheiros e os garçons, a estrutura de produção deste restaurante se estende para muito além de suas paredes.  A comida tem de vir de todos os cantos do mundo.  Diversos meios de transporte têm de ser utilizados para fazer com que a comida chegue ao estabelecimento.  Mas não é possível servir comidas e bebidas se não houver agricultura, criação de gado e plantio de ervas e temperos em lugares remotos do mundo.  E a coordenação não pára por aí.  Ela ainda volta no tempo — décadas e às vezes até séculos — para as primeiras sementes plantadas nos vinhedos que produziram os vinhos, e os primeiros centeios que produziram os uísques e as demais bebidas servidas no restaurante.  E a tecnologia que possibilita tudo isso é relativamente nova, desde a refrigeração até a comunicação digital entre a cozinha e o maître.  Nada disso seria possível sem o sistema de preços, que permite a contabilidade de custos e determina se há ou não lucratividade em qualquer uma das etapas envolvidas neste processo.

Este mecanismo extraordinariamente complexo — muito mais complicado do que qualquer operação já tentada por qualquer burocracia estatal — tem de funcionar harmoniosamente para todos os clientes que aparecerem no restaurante em qualquer momento.  E se ninguém aparecer?  Se isso acontecer com muita frequência, todo o investimento entra em colapso.  Todo o planejamento, todos os gastos, todas as habilidades envolvidas se revelarão um grande desperdício.  O mercado enviou seu sinal: o empreendimento não estava empregando recursos escassos da maneira mais eficiente possível.  O que determina se este empreendimento será pujante e lucrativo ou se ele desaparecerá rapidamente é simplesmente a decisão do consumidor de comer lá ou não.  Não há ninguém apontando armas para ninguém, não há coerção, não há chantagem.  Há apenas um empreendimento implorando para poder servir seus clientes.

Se você propusesse a criação de algo assim para uma pessoa que jamais houvesse visto algo parecido em operação, ela nunca iria acreditar que tal coisa pudesse funcionar.  Muito menos existir.

É por tudo isso, escreveu Mises, que o cálculo monetário e a contabilidade de custos constituem as mais importantes ferramentas intelectuais do empreendedor capitalista.  Mises celebrou a famosa declaração de Goethe, que havia dito que o método contábil das partidas dobradas foi "uma das mais admiráveis invenções da mente humana."

Uma vez vislumbrado todo este processo, fica fácil entender por que vivenciamos recorrentemente o fenômeno dos ciclos econômicos.  Fica mais fácil entender por que empresas privadas muitas vezes parecem fazer coisas tão insensatas e imprudentes quanto o governo; por que elas também tomam decisões irracionais; por que elas também produzem burocracias; por que elas também seguem o capricho de políticos; por que elas também passam por ciclos de expansão e contração.

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Mises explicou isso, neste mesmo livro.  A causa de tudo é aquilo que ele chamou de intervencionismo.  Quanto mais o governo regula, intromete, tributa, erige barreiras, produz inflação, confisca, proíbe e todo o resto, mais a iniciativa privada se torna sujeita à mesma irracionalidade que permanentemente assola o governo.  As intervenções do governo no mercado, por menores que aparentemente sejam, provocam distúrbios no sistema de preços, afetando toda a contabilidade de custos das empresas.  As intervenções estatais podem tanto fazer com que empreendimentos insustentáveis repentinamente aparentem ser lucrativos (sem que realmente o sejam), como também pode fazer com que empreendimentos genuinamente lucrativos se tornem rapidamente insolventes.  O governo expande até a iniciativa privada os mesmos males que o acometem.

A descrição feita por Mises em 1927 é interpretada hoje como se ele estivesse de posse de alguma bola de cristal.  Tudo se torna mais claro assim que você passa a ver o mundo da mesma maneira que ele.  Basta analisar a realidade atual.

Oito anos atrás, estimulados pela expansão artificial do crédito feita por seus respectivos bancos centrais, os mercados imobiliários da Europa e dos EUA estavam a pleno vapor, com preços e lucros em contínua ascensão, o que gerava vários milionários por minuto.  Parecia que o mundo havia entrado em uma nova era de prosperidade e de riqueza infinita para todos.  E então, da noite para o dia, tudo ruiu.  Depois de cinco anos, ainda há cadáveres por todos os lados.  Várias empresas quebradas, bancos zumbis com seus balancetes contaminados e as economias totalmente letárgicas.

Os governos e os bancos centrais ao redor do mundo estão hoje completamente perdidos.  Praticamente todas as semanas, um figurão do alto escalão de algum governo ou banco central vem a público anunciar uma nova medida intervencionista, e sempre termina seu anúncio dizendo que "agora vai!".  E tudo só piora.  E quase ninguém entende por quê.

O desconhecimento das obras de Mises é algo que continuará afetando nossa prosperidade e nosso bem-estar muito mais do que você pode imaginar.


1 voto



Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
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" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Thiago  11/12/2013 09:56
    O Jeffrey Tucker certamente sabe se expressar.
  • Bernardo  11/12/2013 09:57
    "Por quê? Porque o governo não opera de acordo com os sinais de preços emitidos pelo mercado. Ele não opera segundo a lógica do sistema de lucros e prejuízos."

    Eu to lendo "O calculo economico sob o socialismo" e to tendo dificuldades pra dominar conceitos parecidos com desse artigo...Eu queria entender isso melhor, porque o governo não opera de acordo com os sinais de mercado? Se existe um mercado onde trocas podem ser feitas, porque ele não segue esses preços de mercado como qualquer outra empresa, ainda que exista a ineficiencia estatal, eu não consigo ver o porque de o estado não operar segundo o sistema de preços.
  • Leandro  11/12/2013 10:11
    Prezado Bernardo, é necessário distinguir os dois conceitos. Uma coisa é dizer que o cálculo econômico sob o socialismo é impossível. Outra coisa é dizer que agências governamentais não operam de acordo com os sinais de preços do mercado e nem de acordo com o sistema de lucros e prejuízos.

    Dizer que o cálculo econômico sob o socialismo é impossível é uma constatação obtida da pura teoria econômica. Se os meios de produção pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica -- o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

    Acho que isso não é muito difícil de entender, né?

    Quanto às agências e empresas estatais, uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira -- seus fundos, oriundos do Tesouro, não infinitos.

    Uma empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

    E há também a questão política. A gerência governamental está sempre subordinada a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais desvios de verba -- afinal, como dito, uma estatal não busca o lucro, não precisa se submeter ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado, não tem concorrência e não deve transparência a ninguém.

    Abraços!
  • Andre Cavalvante  11/12/2013 11:40
    Leandro,

    Entendo que seja assim no geral.
    Mas ha uma situação em que os órgãos governamentais concorrem entre si por verbas
    Assim minimiza o problema.
    Como há algum retorno as pessoas acabam por defender a intervensão.
  • Guilherme   11/12/2013 12:14
    Disputa para receber uma maior fatia de um quinhão obtido via impostos (ou seja, não-voluntariamente, como ocorre no mercado) não altera em nada, a meu ver, essa realidade.
  • Marcelo Werlang de Assis  11/12/2013 16:41
    Leandro,

    Percebi que você tem algumas respostas já prontas (como essa aí sobre o cálculo econômico), as quais você apenas copia e cola, visto que muitas dúvidas são iguais ou parecidas.

    Eu me lembrei de uma resposta sua referente às instituições sociais que favorecem o progresso (respeito à propriedade, segurança jurídica, etc.). Você poderia colá-la aqui?

    Abração!
  • Leandro  11/12/2013 19:34
    Eu a utilizo quando surge alguém jurando que descobriu uma "nova" política capaz de enriquecer um país. Eu respondo:

    A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente, por um governo que respeite a liberdade etc.

    Se um país quiser criar riqueza, ele tem de obedecer a todos estes requisitos. Se, por outro lado, o país que quiser continuar pobre, basta ele desrespeitar apenas alguns destes requisitos. Ser pobre é fácil. Enriquecer é que dá trabalho.

    A economia pobre que souber obedecer a estes requisitos terá o mesmo destino de Hong Kong e Cingapura, que eram favelas a céu aberto na década de 1960 e hoje possuem renda per capita maior que a americana.

    Veja aqui a evolução do PIB per capita de Hong Kong (de US$3.080 em 1960 para US$34.000 em 2012

    E veja aqui a evolução do PIB per capita de Cingapura (de US$2.252 em 1960 para quase US$ 35.000 em 2012).
  • Marcelo Werlang de Assis  11/12/2013 22:50
    Muito obrigado, Leandro!!!

    Forte abraço!
  • Juliano  11/12/2013 10:21
    Um dos sinais mais claros da diferença de empresas públicas e privadas fica estampada logo na entrada.

    Enquanto empresas privadas mostram cartazes agradecendo o cliente, pedindo que volte sempre, as públicas mostram ameaças de prisão pra quem desrespeitar funcionários públicos. Não podia ser mais explícito!
  • Pupilo  11/12/2013 13:05
    hahaha, excelente colocação.
  • Renato  12/12/2013 01:46
    Muito bom!
  • Emerson Luis, um Psicologo  11/12/2013 12:20

    E pensar que a maioria das pessoas acredita que a busca de lucro é algo intrinsecamente ruim ou mesquinho e que as intervenções estatais beneficiam a população em geral!

    * * *
  • Juliano  11/12/2013 13:25
    As intervenções estatais normalmente não são justificadas com base na alocação ótima de recursos, mas na distribuição de renda. O ponto não é como atender a alguma demanda de alguém que pode pagar, mas como fornecer um serviço a quem tenha uma necessidade não atendida pelo mercado.

    Não estou de forma alguma defendendo a intervenção estatal nem estou dizendo que o Estado faz isso bem, mas mostrando que são dois problemas diferentes. Em várias situações, a solução de mercado vai ficar distante do que as pessoas desejam, justamente porque o mercado lida com recursos escassos e a propriedade desses recursos dita quem vai ter atendido primeiro.

    Como exemplo, uma empresa de ônibus em uma comunidade pobre vai muito provavelmente conviver com veículos mais velhos e em condições piores que comunidades mais ricas. Foi a alocação possível, tendo em vista a quantidade de recursos disponível. O governo vai se vender como quem vai trazer a igualdade, oferecendo o nivelamento da qualidade de serviços. Como ele não obedece as limitações impostas pelo mercado, pode tirar recursos de quem tem mais o fornecer um serviço que seria inviável em uma comunidade muito pobre.

    Além disso, o mercado força as pessoas a tomar medidas desagradáveis, a encarar as limitações dos recursos. O mercado pode deixar claro que uma determinada região é inviável e que seria preferível aos seus moradores que se mudassem de lá. Ou ainda que uma determinada atividade não faz sentido naquele contexto. O governo vai se oferecer como a solução para essas limitações, como quem vai subsidiar localidades e empreendimentos.

    Novamente, não estou defendendo a intervenção estatal, estou apenas enfatizando que são dois problemas diferentes. Quando a gente diz para um estatista que o governo não aloca recursos da forma mais eficiente, essa informação pra ele não significa muita coisa. Eles são mais movidos por satisfazer necessidades, por satisfazer desejos. Acham perfeitamente aceitável que atividades mais rentáveis sustentes as atividades menos rentáveis, mesmo que isso não seja ótimo do ponto de vista de alocação de recursos. Acreditam que alguém deve trazer igualdade, que, se o modelo de intervenção não está funcionando, precisa ser corrigido (ad infinitum), mas nunca abandonado.

    Essa abordagem, claro, vai sempre ter o apoio daqueles supostos beneficiados pelas medidas estatais. Tudo o que uma pessoa quer ouvir é que ela não vai precisar enfrentar os custos de suas escolhas, que os recursos vão magicamente aparecer e que alguém vai satisfazer suas necessidades sem olhar a sua capacidade de pagar por elas. Estatistas, quando falam em demanda, falam em vontades, em necessidades, nunca em capacidade de pagamento. O justo, para um estatista, não tem nada a ver com transações voluntárias, tem a ver com o atendimento necessidades, mesmo que seja feita com recursos de terceiros. Isso, claro, no mundo das intenções. Todas as conseqüências não intencionais do intervencionismo é sempre visto como problemas que podem ser remediados, só precisa de uma pouco mais de regulação.
  • Andre Cavalcante  11/12/2013 16:48
    Só um comentário sem muita intenção...

    Deslocar renda/recursos de um lugar que tem em abundância para um lugar menos abundante pode ser perfeitamente feito pela iniciativa privada. Neste caso é caridade, mas quem disse que uma sociedade não pode ser montada de tal forma que as pessoas, por que querem, podem dispor de alguma renda/recurso que seja deslocado para regiões/lugares com menos? Acredito mesmo que é o papel da religião pregar esse tipo de coisa e um dever moral do indivíduo que, vivendo relativamente bem, se interesse pelo bem estar dos seus semelhantes...
  • Juliano  11/12/2013 18:06
    Sem dúvida, André. Mas daí não entra a motivação pelo lucro. Só quis salientar que o mercado não substitui a caridade nesse aspecto. Quando falamos com estatistas, o diálogo fica confuso porque cada um defende um ponto diferente. Quando dizemos que o mercado atende à demanda, eles não entendem da mesma forma porque pra eles demanda é pura e simples necessidade.

    Sobre a caridade, um exemplo bem recente e louvável foi o caso de um garoto de 13 anos daqui de Curitiba, filho de um motoboy, que tirou medalha de ouro nas Olimpíadas de Matemática. Ao dar uma entrevista, o estudante de escola pública disse que a escola que ele estuda é tranquila, puxado mesmo é o Projeto Bom Aluno (www.bomaluno.com.br), que foi quem lhe ajudou a estudar. O projeto é mantido por empresários daqui sem alarde nenhum.

    Outro exemplo histórico daqui de Curitiba foi Victor Ferreira do Amaral. Médico, atendeu na Santa Casa de Misericórdia (hospital religioso) por sete anos sem remuneração e em sua clínica atendia pobres e ricos, sem distinção. Fundou a Universidade do Paraná (que depois se tornou Federal), primeira universidade brasileira.

    Apesar de ter se envolvido com política, fez muita coisa por conta própria, sem precisar espoliar ninguém, sem ter colocado bombas em locais públicos ou pego em armas para lutar, como são os ditos heróis que costumam estampar camisetas. Fez o que pode, com trabalho e generosidade, valores cada vez mais raros hoje em dia.
  • Rogerio  11/12/2013 18:07
    Leandro, desculpe o comentário fora de escopo, mas recentemente observei um outro comentário esdrúxulo com o nome de Ludwig Von Mises no google+. Provavelmente deve ser um fake criado no gmail.
    Um abraço
  • Heisenberg  11/12/2013 18:57
    Muito bom!

    No Brasil, multinacionais possuem até dificuldades em adaptarem-se a tanta burocracia e ineficiência. Geralmente têm que contratar um especialista local no assunto.
  • Fernando Soares  11/12/2013 18:57
    O colégio onde estudo é público e é excelente... Aliás, o melhor do estado. Não estou defendendo aqui o Estado, só estou dizendo que empresas estatais podem ser eficientes, talvez por mero acaso.
  • Leandro  11/12/2013 19:00
    Dentre todos os serviços ofertados pelo estado, educação é o único que pode manter uma certa qualidade por um tempo mais prolongado (o que não significa que não haverá desperdícios, é claro, pois isso é inerente à atividade estatal).

    Por que a educação estatal é a única que pode manter sua qualidade por mais tempo? Porque "dar ensino", ao contrário de "dar saúde", é algo perfeitamente possível de ser feito no âmbito estatal -- afinal, basta colocar um sujeito pra falar.

    Já a saúde, por outro lado, é um setor que consome capital -- e, logo, precisa receber maciços investimentos em capital para constantemente repor o estoque que foi consumido. (Sobre a impossibilidade de o estado fornecer saúde de qualidade por muito tempo, veja este artigo.)

    Tal necessidade de reposição constante de capital não ocorre na educação -- a menos que consideremos a necessidade de repor quadro-negro e giz, coisas de custo ínfimo.

    Logo, dizer que é possível o estado ofertar educação de qualidade não é nenhuma afronta à lógica econômica; basta o estado contratar um sujeito inteligente e com boa didática para sair falando para seus alunos.

    Para mais sobre a educação, recomendo este artigo, reputado pelos leitores como um dos melhores do site:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=319

    Abraços!
  • Qatar  11/12/2013 19:28
    Fernando, mesmo que a escola que você goste seja incrívelmente interessante na sua opinião (porque na minha opinião tudo público é terrível), e cheia de professores magníficos, ainda assim ela somente sobrevive da extorção dos cidadãos. Além disso, a educação pública trava a inovação em educação (homeschooling e grupos de estudos por exemplo) e cria um monopólio.

    Uma analogia seria por exemplo um supermercado obrigar você a fazer compras nele, o supermercado pode ser incrível mas ele está obrigando você pagar por ele e isso por si só é algo inaceitável. Não se trata de uma questão de qualidade e sim de propriedade,liberdade, paz e livre mercado, espero que você tenha entendido qual é o ponto. Flw
  • anônimo  11/12/2013 20:02
    Ensino de qualidade é algo subjetivo. Aquilo que você possa achar útil, eu posso achar uma completa falta de tempo. Você vai estar satisfeito, e eu não. Só que eu vou ter dificuldades de procurar outro lugar que satisfaça meus anseios educacionais, pois a atividade estatal na educação prejudica todos os concorrentes, isso quando não os proíbe.

  • Cesar Massimo  22/12/2013 09:35
    Fernando Soares
    O colégio em que eu atuo também é público e o melhor do estado. Mas, voltando ao artigo e a Mises, e a contabilidade? Como é a contabilidade da sua escola? E a da escola onde atuo? Talvez até sejam a mesma escola!
    Qual a verba anual que nossa escola recebe? Vamos somar tudo, de custeio direto a novos recursos, manutenção, equipamentos, etc.
    Qual o valor gasto por aluno?
    Agora compare com a mensalidade da segunda melhor escola do estado, mas antes tem que descontar os impostos subtraídos dessa escola privada e que a nossa, que é pública, não paga.
    Conclusão:
    A nossa mensalidade é uma das mais altas do mundo, só que quem paga é o cidadão. Cada um paga um pouquinho, do rico até aquele pobre que tem seu filho estudando na escola que chove dentro.

    Sem referência de mercado, sem concorrência em igualdade de condições nos dois aspectos, qualidade e custo, a comparação entre escola privada e pública é errônea.
  • Bryan  12/12/2013 02:26
    Acho que discordo da maioria das coisas que estão escritas, mas vamos lá, pelo que li, é como se o Governo dirige-se suas empresas às cegas, sem ter em vista o que entra e o que sai, seus gastos e ganhos, discordo totalmente, um empresa Estatal de ônibus por exemplo, tem suas contas de gastos perfeitamente legíveis, não é difícil saber o quanto se gastou com 100 motoristas, supondo, que recebem 100 reais por mês, ou o gasto com produtos de limpeza, sendo que alguém tem que comprá-los, ou gasto de diesel visto a quilometragem percorrida pelos busões e daí vai. No final há uma conta, e se você cobra, sim! Pois uma empresa Estatal também pode cobrar, x, e gasta 2x, tem coisa errada, aumentar os preços, diminuir custos, tudo pode ser avaliado sem haver concorrência, simplesmente olhando para os próprios custos, e o lucro? Ele seria revertido na manutenção do negócio, vendo-se gastos presentes e futuros etc e tal, e o excedente distribuído novamente à população através de investimentos Estatais, Ou, digamos que não houvesse uma cobrança da população, apesar de que sempre há, seja através da cobrança direta, ou impostos. Da muito bem para saber o quanto se obteve em impostos, e determinar o quanto será usado para manutenção de determinado serviço Estatal, caso este serviço não esteja com suas contas em dia, é hora de reavaliá-lo, é possível reduzir custos? Não? Então aumente os impostos. Vejo toda uma lógica mercadológica, se é que posso usar esse termo, mas enfim, vejo uma empresa que funciona normalmente.
    O cara também fala sobre a livre concorrência como que sem ver nenhum defeito, assim como essas empresas Estatais acabam muitas vezes não funcionando por questões de interesse partidários e afins, que podem ser evitados simplesmente votando certo, e claro através de órgãos de fiscalização, pois se fosse assim um monte de maluco do PT, que representam a situação, não estariam indo em cana, mas continuemos, estava falando sobre a livre concorrência, então, e cartel? E Truste(trusting enfim)? Daí vai. O Estado não entra aí para fiscalizar, intervir, impedindo tais práticas? Fala-se que empresa Estatal não dá lucro, e a Petrobras? Não é Estatal, pelo menos majoritariamente?
    A diferença básica, seria que empresa Estatal pelo menos em tese, veria o lucro como forma de manutenção e melhoria de sua empresa, não! Como forma de enriquecimento de uma minoria, pois enriquece mesmo os cabeças, o dono da empresa, vice presidente, grandes acionistas, uma minoria. Essa galerinha acumula dinheiro, e dinheiro não é infinito, nada é, se de 10.000 latas de carne moída, não sei de onde tirei isso mas serve, eu tenho 5.000, só sobra 5.000 pra dividir entre um resto de população de 9.999 pessoas, enquanto, que cada um tivesse a sua aí é diferente, geral come. Emendando, entendo que tem uma cambada de preguiçoso que tem oportunidade e nada faz, esses aí se não correm atrás tem que mais ficar com fome, mas também não me venha dizer que é só se esforçar, porra! Não é. É preciso capacitação, capacitação até de pensamento crítico, pois por mais que tenhamos uma capacidade, variante de indivíduo para indivíduo, de senso crítico, a base do pensamento vem de nossa capacitação, nisso eu digo vivência, educação, de casa em grande parte, religiosa ou não, da escola, etc.
    Acho que o administrador da página, sei lá, nos comentários, fala dessa questão de distribuição de renda levantada por um leitor, que diz que o Governo entra também com a função de assistir às comunidades carentes, que do ponto de vista lucrativo, de mercado, uma empresa não se importaria. Ele me fala em filantropia, po! Se vai contar mesmo com a solidariedade? Se não é obrigação, não pode ser cobrada. Agora do Estado eu posso, e tenho poder pra isso meu voto, "a mas não funciona", depende, aqui no Brasil não, e na verdade não totalmeeente, pois também temos políticos de qualidade, e a tendência é melhorar, pego o exemplo do PT novamente, com certeza esse é só um passo.
    Bill Gates, um dos maiores filatropos do mundo, o cara tem uma comunidade que convence uma porção de ricaços a dar grande parte de suas fortunas a instituições de ajuda, é, mas voltou a ser o mais rico do mundo, e aí? Tudo bem, nunca que eu vou querer ganhar algo nem similar ao Bill, o cara é um gênio, alguns dizem ladrão, pode ser mas gênio também, e com certeza muito esforçado, assim deve ser remunerado de acordo, mas porra, ta brincando que todo sua fortuna é merecida, ou mesmo se fosse a consequência disso é a pobreza de uma outra porção da população, "Mas a Microsoft tem papel na valorização do dólar", no aumento do papel em circulação sem perda de poder de compra, sem geração de inflação, nada! Seja empresas nacionais ou internacionais, alguém paga a conta, talvez para lucrarem mais, mas vc lucra mais para eu lucrar menos, seja porque minha empresa não é robotizada, ou mesmo que sua empresa expanda para uma área sem qualquer empresa local daquele produto, por exemplo filmes, vamos supor que suas empresas começam a exportar filmes pra Mongólia onde não tem filmes, de qualquer forma, sua expansão significará a perda de bilheteria do teatro local, porque ou você compra entrada pro teatro ou cinema, não há dinheiro pros dois. Assim, o programa da Microsoft que você comprou e te fez mais rico, fez mais gente pobre. Aqui eu posso estar falando um monte de merda, é bom que vcs me ajudam a ficar mais esperto, mas pelo que vejo é assim, pela minha reduzida crítica. Voltando ao papo do Bill, tem mais uma questão, será o Bill, profissional da área de computação, quem deve definir pra quem esse excedente lucrativo, onde essa grana, bufunfa, deve ser investida? Po, o Estado em teoria pelo menos, teria pessoas capacitadas, que tem como profissão averiguar o melhor uso dos recursos públicos de acordo com os problemas de cada região, seria obrigação deles saberem, assim esse dinheiro em tese seria muito melhor aplicado, dividido em frações para cada setor, de acordo com suas necessidades. Daí você me fala e a Copa? Aí tu me fode. Mas a questão mesma é: não existe sistema mágico, todo sistema econômico tem problemas, quero dizer capitalismo, socialismo, comunismo, políticas de esquerda, direita. A parada é usar o melhor de cada uma de acordo com a nossa realidade, pois gente safada tem em qualquer lugar, e mesmo senão, a direita é melhor em determinados casos a esquerda em outros, essa parte é desabafo, pensamento meu. Mas isso aí, me critiquem, gosto de uma conversa legal, e desculpem a merda do texto, é que tava cheio de preguiça, mas acho que deu pra entender.
  • Juliano  12/12/2013 17:40
    Em uma discussão recente, um colega defendia a obrigatoriedade dos air-bags nos carros nacionais. Ele já tem carro com air-bag, então, pra ele, não fará diferença positiva no preço. Pode até baratear, já que pode haver ganho de escala. Na visão dele, sem a obrigatoriedade de outros países, simplesmente nem haveria demanda suficiente para que o mecanismo existisse. Fora esse argumento, ainda aparece a história de que assim haverá menos carros na rua (já que custará mais caro) e menos custos em função de acidentes.

    O argumento de moralidade fica muito vago, já que questionar a autoridade do Estado e de seus controles, pra quem não tem bagagem teórica, soa simplesmente ridículo. Alguém tem alguma sugestão de abordagem nesse tipo de situação?
  • Jeferson  12/12/2013 20:04
    Nesse tipo de situação é realmente difícil. Normalmente eu nem tento entrar no mérito do quão ético o governo é ao privar muitas pessoas de terem um carro, nem do problema com o trânsito advir do fato de as ruas não serem privadas, muito menos tento entrar no mérito de como essas coisas que o governo torna obrigatórias por decreto se tornariam itens de série mais rápido e por menos dinheiro se simplesmente o governo deixasse que o livre mercado ditasse as regras de como devem ser os carros, ao invés de regular o mercado e criar dificuldades para a concorrência, tanto por dificultar as importações, quanto por dificultar a entrada de novas montadoras em território nacional com toda a sua burocracia e regulações.

    Normalmente quando eu identifico esse tipo de pessoa, eu procuro esperar outra(s) discussão(ões) em que eu consiga expor duas coisas pra elas:

    1 - O que melhora o padrão de vida das pessoas é o desenvolvimento tecnológico, e o que impulsiona, viabiliza e barateia esse desenvolvimento é a livre concorrência. Quanto mais livre for a concorrência, mais rápido a tecnologia se desenvolve, e quanto mais rápido isso acontece, maior o acesso de todas as pessoas às novas tecnologias. Até hoje nenhum estatista com quem conversei sequer tentou apresentar um argumento contra isso.

    2 - O que gera "prejuízo" à sociedade não é a ganância, nem a busca pelo lucro, nem nada parecido, é o poder. E poder em duas dimensões: a) A capacidade de influenciar a vida e as ações das pessoas (seja oferecendo benefícios que normalmente ela não teria, seja impondo punições caso ela não obedeça) e b) a capacidade de se isentar de responder pelas consequências de seus atos. Normalmente, até aqui ninguém nunca ousou questionar ou tentar contra-argumentar, mas a partir daqui, alguns já começam a questionar.

    Depois disso eu explico como até hoje nenhum indivíduo ou organização conseguiu reunir essas duas capacidades tão bem quanto o estado. O estado pode impor incentivos ou punições a quem ele quiser e como ele quiser, pelo motivo que ele quiser, e nenhum membro do estado jamais precisou ser responsabilizado por nenhum de seus atos de governo, não importa o quanto esses tenham prejudicado as pessoas.

    Esse é o caminho que eu tenho seguido que mais tem dado certo na desconstrução da lavagem cerebral estatista. Antes de as pessoas se convencerem pelo menos dessas idéias, é muito difícil qualquer argumento libertário colar. Pode ver o que o Anônimo falou ali. É exatamente assim.
  • Anônimo  12/12/2013 20:58
    Seu amigo também não sugeriu que todo mundo vestisse armadura enquanto estão no carro? Se o estado não forçar ninguém a vestir, ninguém irá. É melhor que qualquer airbag e pode vir em vários tamanho.
  • Juliano  13/12/2013 00:58
    Tipo assim:
    youtu.be/-lFVlD-xULU

    Como é que vc começa a argumentar?

    A impressão que dá é que falamos idiomas diferentes.
  • Antônio Galdiano  17/12/2013 08:39
    Você pode perguntar a ele o que ele acharia se o governo, ou quem quer que seja, obrigá-lo a estudar durante 95% do tempo dele livre, ficando com só 5% do tempo livre atual. Obviamente é bom para ele: passará a aprender muito mais do que ele conseguiria naturalmente. É bom para a economia como um todo também: a sociedade terá mais capital intelectual acumulado para produzir cada vez mais. Há também ganhos de escala para que faz a exigência: os produtos tecnológicos possivelmente ficarão mais baratos para todos (caso isso seja feito em larga escala pelo governo).

    Se ele tem o direito de usar o estado para exigir algo de seu gosto de alguém, porque os outros também não podem exigir algo dele? Não é tudo para o bem comum mesmo? Não estamos o obrigando para o próprio bem dele e do país?

    A discussão sobre a liberdade não é necessariamente sobre o que é melhor do ponto de vista econômico, mas sim de respeitar o indivíduo. Essa discussão é a mesma estória de sempre: o valor de algo é objetivo ou subjetivo?
  • Daniel  29/11/2016 16:10
    estou com uma dúvida, se reduzisse o estado sob a economia, ele não interfere em preços... totalmente liberal para mercadorias girar, sob a acusação do estado monopolizar tal empresa e assim explorar da população. Se retirar o estado, duas empresas privadas não podem combinar entre si e também monopolizar sua área? No sentido de ganhar clientes e fazer deles o que quiserem, pelo fato da empresa ser mais próxima ao cliente, fato de só tal empresa ter único produto... Iria dar na mesma, não?
  • Marcos  29/11/2016 16:38
    "Se retirar o estado, duas empresas privadas não podem combinar entre si e também monopolizar sua área?"

    E como elas fariam isso?

    Como é que, por exemplo, duas redes de supermercado podem controlar um país inteiro?

    Mais ainda: como é que duas redes de supermercado podem impedir que outras redes surjam?

    Mais: como é que duas redes de supermercado podem impedir que outras redes de outros países venham para cá e aqui se instalem?

    Ou ainda mais: como podem impedir que os consumidores importem produtos?

    Resposta: elas só podem fazer isso se recorrerem ao estado e pedir que ele imponha essa legislação regulatória. Fora isso, nada podem fazer.

    Mesmíssimo raciocínio é válido para qualquer setor da economia.

    Dica: seu país, seu estado e sua cidade não são uma ilha isolada, mas sim uma simples delimitação geográfica em meio a todo o globo terrestre.

    Quando você entende que um país é um mero pedaço de terra envolto por vários outros no globo terrestre, sua perspectiva muda completamente. A partir do momento em que você entende que o seu mercado é global — em vez de apenas local —, que você pode transacionar com qualquer indivíduo do planeta, que você pode vender para, e comprar de, qualquer pessoa de qualquer ponto do mundo, e que, principalmente, qualquer indivíduo do mundo pode investir em sua área, toda a análise econômica muda.

    Um exemplo trivial bastante interessante é o do setor aéreo de um determinado país. Vários economistas temem um oligopólio neste setor simplesmente porque eles próprios cometeram o erro de criar um arranjo no qual empresas aéreas estrangeiras são proibidas de fazer vôos nacionais dentro deste país. Sendo assim, com o mercado nacional fechado ao mercado global, e com as empresas aéreas nacionais usufruindo uma reserva de mercado (por obra e graça das regulamentações estatais, que proibiram empresas aéreas estrangeiras de fazerem voos nacionais), a possibilidade de fusões e aquisições neste setor realmente irá levar a um oligopólio.

    Ato contínuo, os próprios criadores deste cenário de reserva de mercado passam a aplicar políticas que visam a impedir o surgimento deste oligopólio — como leis anti-truste — ou que, em última instância, visam a tentar regular esse oligopólio.

    Perceba, no entanto, que o erro foi cometido lá no início — quando o governo proibiu empresas aéreas estrangeiras de fazer voos nacionais —, e o que se está fazendo agora é um mero paliativo. A partir do momento em que o governo fecha um mercado à concorrência externa, tentar regulá-lo é um esforço inútil. É impossível tornar mais eficiente, por meio de imposições burocráticas, um mercado fechado que foi fechado à concorrência.

    Por outro lado, se o mercado aéreo de um país é aberto ao mundo, de modo que empresas estrangeiras não são proibidas de — ao contrário, são bem-vindas para — fazer vôos nacionais, não há a mais mínima possibilidade de fusões que levem a um oligopólio. Para isso acontecer, todas as empresas aéreas do mundo teriam de se fundir em uma só.

    O mesmo raciocínio acima se aplica ao setor de telefonia, ao setor de internet, ao setor de TV a cabo, ao setor bancário, ao setor elétrico, ao setor petrolífero, ao setor rodoviário e até mesmo ao setor de saneamento. Aliás, se aplica até mesmo a empresas de ônibus, de seguro-saúde, hospitais, escolas, açougues, restaurantes, churrascarias, padarias, borracharias, oficinas mecânicas, shoppings, cinemas, sorveterias, hotéis, motéis, pousadas etc.

    Se você pensa nestes mercados apenas em termos locais ou nacionais, partindo da premissa de que apenas pessoas que nasceram dentro dos mesmos limites geográficos que o seu podem investir nestes setores, aí realmente o desenvolvimento de vários destes setores será um grande desafio. Se você proíbe o capital externo de investir nestes setores, a melhoria deles se torna bem mais difícil.

    Por outro lado, se você pensa nestes mercados em termos globais, de modo que qualquer pessoa ou empresa do mundo tenha a liberdade de investir nele e de auferir lucros, a realidade muda.

    Por fim, lembre-se: quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

    Artigos para você sair desse auto-engano:

    Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

    A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

    Grandes empresas odeiam o livre mercado

    Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

  • saoPaulo  29/11/2016 23:41
    Complementando a resposta do caro Marcos:

    Além disso, se um produto estiver muito caro por ser um monopólio -- coisa da qual nunca ouvi falar sob um livre mercado -- você ainda é livre para não comprá-lo.
    Agora, quero ver você não pagar seus impostos...
    Se você ganha relativamente bem no Brasil, cerca de 66% do que você produz vai para o governo distribuir entre estádios supervalorizados e empreiteiros corruptos, salários nababescos de funças vagabundos, plano de saúde vitalício para senadores depois de apenas 180 dias de serviço, desvios de dinheiro da transposição do São Francisco -- tem que ser muito desalmado para desviar dinheiro disso --hospedagens de políticos e apadrinhados nos mais luxuosos hotéis, etc.
    Pois então, o que você prefere?
    Viver sob o remoto risco de você não poder comprar algo pois um capitalista malvadão conseguiu, sabe-se lá como, monopolizar determinado mercado.
    Ou viver sob a certeza de que terá monopólios estatais -- correios, petrobrás, produtoras e distribuidoras de energia -- barreiras regulatórias que favorecem a manutenção de oligopólios -- telecons, planos de saúde, setor bancário, montadoras de automóveis -- e ainda ter que pagar 66% do que você produz para o governo te "proteger" das coisas que ele mesmo produz.


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