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“Vamos abolir o dinheiro para sermos felizes!”

É com enorme frequência que vejo pessoas declamando quão belo e puro o mundo seria caso não existisse o dinheiro, pois o dinheiro macula todas as relações humanas e só traz problemas e discórdias, sendo que, na realidade, "ninguém precisa de dinheiro para viver".

Confesso haver momentos em que eu não sei se tais pessoas estão realmente falando a sério ou se elas estão apenas sendo retóricas.  Partindo do princípio de que tais declarações não são meramente retóricas, é necessário dar uma resposta.

No cerne de toda a análise econômica moderna — e tem sido assim desde a época de Adam Smith — está a importância da divisão do trabalho.  A divisão do trabalho permite que nós nos especializemos exatamente naquilo em que somos bons.  É por meio da divisão do trabalho que conseguimos descobrir que, quando nos especializamos naquelas áreas em que possuímos uma vantagem comparativa e competitiva, passa a haver uma maior demanda por nossos serviços e, consequentemente, uma maior riqueza ofertada em troca de nossos serviços.

Uma economia baseada no escambo é uma economia inerentemente primitiva.  Neste arranjo, as pessoas são incapazes de se especializar, pois não há mercados específicos prontos para adquirir os bens ou serviços produzidos por essa pessoa.  Por exemplo, um indivíduo que cria galinhas terá dificuldade em trocar suas galinhas por algum serviço específico (por exemplo, aulas de química), a menos que ele saiba exatamente qual pessoa em toda a sociedade está disposta a aceitar a galinha em troca do fornecimento do exato serviço demandado (aulas de química) por esse criador de galinhas.  Quanto mais complexa uma sociedade, menores as chances de você encontrar diretamente alguém que queira comprar exatamente aquilo que você tem para vender e que, em troca, ofereça exatamente aquilo que você comprar.

Murray Rothbard foi direto ao ponto:

No entanto, esse processo de troca direta de bens e serviços úteis dificilmente seria capaz de manter uma economia acima de seu nível mais primitivo.  Tal troca direta — ou escambo — dificilmente é melhor do que a pura e simples autossuficiência. Por quê?  Em primeiro lugar, está claro que tal arranjo permite somente uma quantidade muito pequena de produção.  Se João contrata alguns trabalhadores para construir uma casa, com o que ele lhes pagará?  Com partes da casa?  Com os materiais de construção que não forem utilizados? 

Os dois problemas básicos deste arranjo são a "indivisibilidade" e a ausência daquilo que chamamos de "coincidência de desejos".  Assim, se Silva tem um arado que ele gostaria de trocar por várias coisas diferentes — por exemplo, ovos, pães e uma muda de roupas —, como ela faria isso?  Como ele dividiria seu arado e daria uma parte para um agricultor e a outra parte para um alfaiate?  Mesmo para os casos em que os bens são divisíveis, é geralmente impossível que dois indivíduos dispostos a transacionar se encontrem no momento exato.  Se A possui um suprimento de ovos para vender e B possui um par de sapatos, como ambos podem transacionar se A quer um terno?  Imaginem, então, a penosa situação de um professor de economia: ele terá de encontrar um produtor de ovos que queira comprar algumas aulas de economia em troca de seus ovos. 

Obviamente, é impossível haver qualquer tipo de economia civilizada sob um arranjo formado exclusivamente por trocas diretas.

Há somente uma maneira de comprarmos exatamente aquilo que queremos em uma economia baseada na divisão do trabalho: por meio de um sistema monetário que estipule preços aos bens e serviços.  Preços transmitem informação, e esta informação é crucial para a sobrevivência da economia moderna.

A importância do dinheiro para a economia é enorme.  Sem a nossa atual economia monetária, praticamente toda a moderna vida industrial e urbana entraria em colapso em uma questão de poucos meses.  Por exemplo, se todo o sistema monetário eletrônico de um país rico e grande (como os EUA ou o Brasil) deixasse de funcionar em decorrência de um ataque utilizando um pulso eletromagnético, provavelmente mais da metade das pessoas deste país estaria morta em menos de três meses.  Sem o dinheiro, não haveria cálculo de preços e de custos.  Ninguém seria capaz de ofertar bens básicos às cidades.  Ninguém seria capaz de calcular o custo de nada.

Sem dinheiro, não haveria, por exemplo, transporte de cargas, de alimentos ou de combustível.  Caminhões que transportam produtos para as cidades são pagos em dinheiro eletrônico.  Nenhuma empresa de transporte mandaria um caminhão com uma valiosa carga de gasolina para uma cidade.  Em troca de quê?  Se ele fizesse isso, o motorista jamais retornaria.  Nem o caminhão.  A gasolina e o caminhão passariam a ser uma valiosa moeda de troca.  Os caminhões deixariam de rodar.

O mesmo raciocínio acima é válido para empresas de transporte que levam suprimentos de alimentos para os supermercados nas cidades.  As prateleiras dos supermercados ficariam vazias.  Quem sobreviveria em uma cidade que não recebe suprimento nenhum?  Como seria essa cidade após três semanas sem suprimentos?

Sem dinheiro, simplesmente não haveria como essa vasta quantidade de bens e serviços — algo que nem sequer podemos estimar — encontrar compradores.  A maioria da população perderia seus empregos em uma questão de semanas.  Não haveria demanda por nenhum dos serviços que somos capazes de ofertar.  Consequentemente, não seríamos capazes de comprar praticamente nada daquilo que nos mantém vivos.

Seria um colapso econômico muito além de qualquer coisa que já ocorreu na história moderna.  O retorno ao escambo resultaria em uma mortandade em massa.  Seria o colapso da economia baseada na divisão do trabalho.  As cidades se tornariam armadilhas mortíferas.

Em outras palavras, o sistema monetário está no âmago do mundo moderno.  Não poderia haver catástrofe maior para o mundo moderno do que o sistema monetário eletrônico deixar de funcionar.  Isso literalmente iria destruir a civilização.  Voltaríamos a ser uma sociedade primitiva em um breve período de tempo.  Quando digo "nós", refiro-me aos sobreviventes.

Até mesmo em épocas de hiperinflação é possível conseguir o que queremos, pois ainda existem preços.  Eles podem parecer estapafúrdios e ilógicos, mas ao menos ainda são preços.  Com os consumidores ávidos para se livrar rapidamente desta moeda hiperinflacionada, eles competem entre si pelos bens e serviços, e isso eleva os preços.  Mas esses preços ainda assim refletem o conceito de oferta e demanda dos consumidores.  Eles transmitem informação.  Eles realmente permitem que compradores e vendedores transacionem.  Se fosse um arranjo de puro escambo, a perda de produtividade seria devastadora para quase toda a população.

Se você compra um ativo, você o adquire porque ele irá gerar dinheiro para você.  Se um empreendedor faz algum investimento, ele o faz com o intuito de obter um fluxo de dinheiro no futuro.  Se, repentinamente, o dinheiro parar de fluir, a esmagadora maioria destes ativos e investimentos tornar-se-ão inúteis.  Mais ainda: sem o dinheiro e sem o sistema de preços monetários, o sistema judiciário (estatal ou privado) deixaria de funcionar.  Não haveria mais respeito aos contratos e aos direitos de propriedade, o que geraria ainda mais incerteza em uma economia já destroçada.  Haveria um completo colapso da economia.

Se o dinheiro não é importante e é possível viver bem sem ele, por que as pessoas trabalham para obtê-lo?  Se o dinheiro não é importante, por que as pessoas vão às compras com ele?  Quando você compra um ativo, você está na realidade comprando um fluxo esperado de dinheiro.  Somente na mais rara das circunstâncias você espera que este ativo gere um fluxo de algo que não seja dinheiro.  Se você compra uma mina para extrair ouro dela mina, você irá vender este ouro em troca de dinheiro (a menos que utilize esse ouro em um processo de escambo).  Logo, o dinheiro é o fluxo de renda que motiva você a comprar a mina de ouro.  O mesmo é válido para qualquer terreno agrícola.

Para resumir: se o dinheiro for abolido, morremos.

_______________________________

Leia também: Sem o dinheiro, não há nem civilização e nem progresso


1 voto

autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Augusto  05/12/2013 11:14
    Dê cabo do dinheiro e voltaremos a viver na idade da pedra...
  • Andre  05/12/2013 12:06
    Se algum conhecido me dissesse isso eu diria:

    "Então deixa que eu te ajudo, você me dá todo o seu dinheiro e se torna feliz, enquanto eu irei sofrer bravamente, suportando esse excesso de dinheiro que causa infelicidade."

    Ah, claro que os idiotas que falam isso acham que, subitamente, a natureza de todos os seres humanos iria mudar e eles iam fazer tudo de graça para os outros, sem esperar NADA em troca. Todos iríamos viver como insetos, trabalhando apenas pelo bem da colônia Terra:
    Hahahhahahahaha.

    Diálogo hipotético no mundo sem dinheiro:
    Agricultor:
    "Vocês querem que eu plante milho para dar a produção para todo mundo!?"
    "Claro! Mas só tenho uma dúvida, porque não plantar beterrabas?"
    Multidão faminta e furiosa de pessoas da cidade:
    "Tanto faz! Plante agora!!!"

    Daí, depois do agricultor plantar eles comem o agricultor, pois não dá pra esperar até a comida crescer. E vão comendo uns aos outros, pois o agricultor não foi suficiente para alimentar todos.
    Por fim a população será reduzida até o ponto de equilíbrio em que o ser humano irá voltar à viver da caça e da colheita. Daí vão descobrir ou continuar a agricultura, vão começar à trocar coisas entre si, isso leva à reinvenção do dinheiro (que as gerações futuras não saberiam o que é) e, finalmente, voltamos à evoluir!

  • anônimo  06/12/2013 02:29
    Até o momento em que alguma mente brilhante dê a ideia de acabar com o dinheiro.
  • Karollos Athani  18/01/2014 01:24
    Excelente história para explicar as consequências da abolição do sistema monetário. Hahaha
  • Emerson Luis, um Psicologo  05/12/2013 13:28

    A maioria das pessoas nem sequer entende direito o que exatamente é o dinheiro.

    Poucos se dão conta, por exemplo, de que se alguém possui uma nota de $10 (ou qualquer outro valor), ele não é proprietário da nota em si e sim do valor que ela representa - por isso é crime destruir dinheiro.

    Ou que o papel-moeda era originalmente um tipo de nota promissória de uma quantidade de ouro no banco - daí tantas moedas no mundo terem nomes de medidas de peso.

    O problema não é o dinheiro em si, mas as atitudes em relação a ele (incluindo tanto a obsessão quanto a aversão e outras). O dinheiro é apenas mais um dos instrumentos inventados pelo ser humano para facilitar sua própria vida. Usá-lo com equilíbrio e bom senso é responsabilidade individual de cada um.

    * * *
  • Andre  06/12/2013 10:55
    Se uma pessoa queima dinheiro ela está fazendo um bem para a sociedade, pois está se abstendo de consumir o que poderia ser consumido com aquele dinheiro.

    Se muitos fazem isso os preços caem e todos os outros saem ganhando.
  • Rafael Fernandes  17/12/2013 06:41
    Ai teríamos deflação, que também é ruím. Alem de nos desfazermos de uma quantidade que já temos, seriam reduzidos o poder de consumos e os salários. O mercado livre organiza e modera os preços e não resolve um extremo c outro extremo que é a deflação
  • Andre  17/12/2013 11:30
    "Ai teríamos deflação, que também é ruím. Alem de nos desfazermos de uma quantidade que já temos, seriam reduzidos o poder de consumos e os salários. O mercado livre organiza e modera os preços e não resolve um extremo c outro extremo que é a deflação"

    Deflação é ruim!?

    Conte-me como é ruim o fato de que ano após ano os preços de todos os produtos de informatica, celulares, câmeras, e outros mercados não regulamentados, são reduzidos e a qualidade deles aumenta.

    Explique-me como isso é ruim, pois eu não consigo ver absolutamente nada de ruim nisso.

    "Alem de nos desfazermos de uma quantidade que já temos, seriam reduzidos o poder de consumos e os salários."
    Deflação significa redução de preços, logo o poder de consumo AUMENTA.
  • MAUSBACH  22/12/2013 14:06
    Deflação também é ruim. Veja porque:
    (obtido de pt.wikipedia.org/wiki/Defla%C3%A7%C3%A3o)

    - Falta de oferta de dinheiro e crédito.
    - Excesso de oferta de bens e serviços para consumo.

    Essa é a essência e síntese Keynesiana. Outros fatores também estão envolvidos.
    Embora a escola Austríaca não tenha a mesma visão, o problema não muda seu teor - apenas o enfoque.

    No Brasil (por incrível que pareça) chegou a acontecer por um curto período. Ninguém se beneficiou com isso a longo prazo.

    Seja como for, o dinheiro está aí e não podemos mais escapar dele.
    Nenhum ser humano moderno passa sem isso.
    Mesmo que nos desfaçamos de tudo e procuremos uma vida simples num lugar simples, nenhum destes é isolado o bastante para escapar da esfera de influência dele.

    Escambo só deu certo até a Idade Média, numa sociedade predominantemente rural e inculta, com menos de 100 milhões de pessoas no planeta.
    A maioria das pessoas e famílias conseguia viver sem dinheiro até aquela época.

    Hoje, dependemos não só do dinheiro: Indústria, Comércio e Serviços. Mesmo no Quarto e Quinto Setores (Economia Informal e o Crime, respectivamente), dinheiro é onipresente - e a razão de ser destas atividades.

    Como bem foi observado - e é outra faceta contemporânea da economia - o dinheiro não precisa mais ser real, físico e palpável. Na Era Digital, os valores e transações também o são. Aí reside nosso maior perigo, o calcanhar de Aquiles:

    E se alguém puxar o fio da tomada? Simples: Deflação astronômica irreversível e colapso instantâneo da economia global.
    Cai o castelo de cartas e recuamos alguns séculos como sociedade organizada.
  • Guilherme  22/12/2013 14:32
    "No Brasil (por incrível que pareça) chegou a acontecer por um curto período. Ninguém se beneficiou com isso a longo prazo."

    Quando foi que houve deflação monetária no Brasil? Onde estão as estatísticas? Nunca li nada a respeito, por mais que já tenha procurado. Alias, não me recordo nem sequer de alguma deflação de preços. Gentileza substanciar suas afirmações.
  • Andre  22/12/2013 16:30
    "- Falta de oferta de dinheiro e crédito."

    Ninguém jamais morreu ou sofreu por "falta de dinheiro".
    É só baixar o preço que alguém vai pagar pelo produto e/ou serviço sendo ofertado e pronto,
    foi sanado o problema da falta de dinheiro.

    "- Excesso de oferta de bens e serviços para consumo."

    Só no mundo da fantasia é que a abundância de bens e serviços pode ser considerado algo ruim por alguém.

    As pessoas associam deflação à algo ruim apenas porquê costuma haver deflação em excesso durante as crises.
    Mas a deflação em excesso faz parte do processo de cura da crise, ela por si só não tem nada de maléfico.
    Quando vigorava o padrão ouro havia deflação TODOS OS ANOS. E ninguém reclamava. Exceto é claro os governos
    que não podiam criar dinheiro do nada.

    Cite um momento na história de algum país em que houve deflação sem que antes tivesse ocorrido uma crise,
    não vale citar algum país que vivia no padrão ouro, o povo gostava do padrão ouro, os governantes é que não.

    Mostre também um vídeo de um pessoa reclamando porque o poder de compra do dinheiro dela AUMENTOU.

    Caso exista tal pessoa explique pra ela que é só jogar fora um parte do dinheiro que ela tem pro poder de compra dela ser reduzido.
  • Ali Baba  22/12/2013 19:55
    @Andre 06/12/2013 10:55:11

    "Se uma pessoa queima dinheiro ela está fazendo um bem para a sociedade, pois está se abstendo de consumir o que poderia ser consumido com aquele dinheiro.

    Se muitos fazem isso os preços caem e todos os outros saem ganhando."


    Você está confundindo as coisas. E isso não é culpa sua.

    Inflação virou sinônimo de inflação de preços, logo o seu oposto - deflação - também virou deflação de preços. E esse é, provavelmente, a origem de toda a confusão.

    Os preços dos produtos de informática reduzirem, como citaste em outro comentário, é excelente. Mas não é deflação. Alguns podem chamar isso de "deflação de preços", mas o fato é que os produtos baixaram de preço por que sua produção ficou mais eficiente ou por um movimento da oferta em relação à demanda (ou vice-versa)... não por que alguém saiu queimando dinheiro! Logo, sua comparação é um argumento non sequitur.

    A deflação "boa" é essa que ocorreu com os produtos de informática, é uma deflação de preços. A deflação propriamente dita (entendida como a redução da base monetária - como a causada por queimar dinheiro) pode ser tão perversa quanto a inflação propriamente dita (entendida como o aumento da base monetária - como a causada pela impressão de dinheiro, ou pela criação ex nihilo pelo sistema de reservas fracionárias).

    Para entender por que a deflação (propriamente dita) pode ser perversa, é mais simples se pensarmos no dinheiro de papel como se fosse uma mercadoria. A deflação, nesse caso, seria o equivalente a escassez dessa mercadoria. Então, ao contrário da deflação "boa" - que reduz os preços das coisas enquanto aumenta o poder de compra da moeda - a deflação (propriamente dita) força os salários para baixo - uma vez que a mercadoria dinheiro ficou escassa, só vou poder pagar menos.

    Por que "pode ser perversa" e não "é perversa". Por que isso vai depender muito do contexto econômico e do estado das trocas. Com o dinheiro escasso, mesmo que você receba menos, seu poder de compra pode permanecer o mesmo para muitas mercadorias. Nos setores que dependem de dinheiro a priori, seu poder de compra pode reduzir; e nos que dependem de dinheiro a posteriori, seu poder de compra pode aumentar. Aí depende se você demanda mercadorias do primeiro ou do segundo setor predominantemente...

    Já me estendi demais e não sei se me fiz entender... De qualquer forma, cuidado quando definir deflação (ou inflação) pelo seus efeitos nos preços... uma coisa não tem a ver com a outra. Com efeito, queimar dinheiro pode causar uma "inflação" de preços embora esteja deflacionando a economia.
  • Tano  06/12/2013 14:26
    Concordo Emerson com isto

    "O problema não é o dinheiro em si, mas as atitudes em relação a ele "

    Mas també seria o mesmo problema com o escambo, já que o "problema" em definitiva é do ser humano.

  • Leonardo  22/12/2013 22:58
    Esse é o ponto: o dinheiro deve ser usado mas é necessário saber que através dele as pessoas são manobradas, usadas igual fantoche.( O dinheiro faz a "ponte" entre os relacionamentos: pessoa-dinheiro-pessoa. O ideal seria: pessoa-pessoa, sem "ponte") Pior que ser usado igual um fantoche é não saber que esta sendo usado, manobrado. O dinheiro e tudo relacionado a ele possui a grande capacidade, poder, de provocar a inércia - vivemos nesse estado.
  • Eduardo  05/12/2013 13:53
    Acho que o autor desse artigo está sendo extremamente determinístico no sentido de que, na ausência do dinheiro, todos morreremos. Não acredito nisso. Acredito sim na capacidade que o ser humano tem de se adaptar às situações difíceis, o que é próprio da inteligência da nossa espécie. Obviamente, a ausência de dinheiro causaria um verdadeiro caos para a humanidade, mas o fim da mesma. Muitos morreriam de fome e sede mas, como sempre, os mais fortes, mais inteligentes e mais empreendedores sobreviveriam, além de auxiliar na sobrevivência de muitos. Mas também concordo que o dinheiro não traz nenhum mal à humanidade, e ele é deveras importante e necessário para a fluência das relações comerciais. A história prova isso muito bem. O mal, na verdade, está no coração de alguns, infelizmente. E é isso que poderia trazer o fim da humanidade na Terra, fenômeno esse que só a Deus pertence. É muito fácil para alguém atribuir os males da humanidade em coisas inanimadas, como é o caso do dinheiro. Muitos esquecem que esses males são cometidos por nós mesmos. O que a humanidade precisa é ser mais humilde, e ter coragem de assumir os próprios erros.
  • Magno  05/12/2013 17:22
    "está sendo extremamente determinístico no sentido de que, na ausência do dinheiro, todos morreremos. Não acredito nisso."

    Todos não. Apenas aproximadamente a metade. E ele fala isso: "se todo o sistema monetário eletrônico de um país rico e grande (como os EUA ou o Brasil) deixasse de funcionar em decorrência de um ataque utilizando um pulso eletromagnético, provavelmente mais da metade das pessoas deste país estaria morta em menos de três meses."

    "Obviamente, a ausência de dinheiro causaria um verdadeiro caos para a humanidade, mas o fim da mesma. Muitos morreriam de fome e sede mas, como sempre, os mais fortes, mais inteligentes e mais empreendedores sobreviveriam"

    Isso também está no artigo: "Voltaríamos a ser uma sociedade primitiva em um breve período de tempo.  Quando digo "nós", refiro-me aos sobreviventes".
  • Eduardo  05/12/2013 17:30
    Acho que você se esqueceu de ler a última frase: "Para resumir: se o dinheiro for abolido, todos morremos."
  • Emerson Luis, um Psicologo  05/12/2013 19:12

    Morrer, todos nós morreremos de qualquer jeito, com ou sem a entidade "dinheiro". Mas se este instrumento não existisse, além da população ser muito menor, a expectativa de vida e a qualidade de vida seriam extremamente reduzidas. É isso que ele quis dizer.

    * * *
  • Andre  06/12/2013 10:56
    Acho que você se esqueceu de ler a última frase: "Para resumir: se o dinheiro for abolido, todos morremos."

    Isso foi um pleonasmo.
  • Pupilo  05/12/2013 16:02
    Aqui o artigo tratou do aspecto econômico...
    D'Anconia trata do aspecto moral.
  • O Volta  06/12/2013 00:55
    Hehehe... Estava esperando uma referência qualquer ao Discurso Sobre o Dinheiro. Uma obra de arte!
  • Charlton H. Hauer  05/12/2013 16:41
    Pior mesmo é quando vemos "defensores das mulheres" (os nazifeministas) dizerem quão belo e puro seria o mundo sem os homens.
  • Cauê  05/12/2013 17:16
    Bem se não tivéssemos professores de economia isso seria algo bom na maioria absoluta das vezes ...

    Bem como várias outras matérias ... Pagamos um preço absolutamente incalculável pelas "idéias(?)" dos ditos "Intelectuais". Essa palavra me dá arrepios.
    Até a física já está meio que indo pro espaço... Lamentável, Lamentável...

    Idolatria com certeza é um pecado mortal.
  • Filipe F.  05/12/2013 17:40
    tem uma passagem em "a revolta de atlas" ainda no primeiro livro da serie que fala sobre o dinheiro através do personagem Francisco... simplesmente sensacional !!
  • mogisenio  05/12/2013 17:51
    Excelente artigo.

    As premissas foram claríssimas. A conclusão foi quase perfeita. Isso porque não se pode afirmar, em suma, que TODOS morreriam com a abolição do dinheiro. Alguns, "naturalmente mais fortes", sobreviveriam.

    De qualquer forma, o quantificador não a invalida.( na minha opinião). Certamente, muitos morreriam em função do provável "caos"( sem a possibilidade de ordem mesmo na "desordem"; para muitos)

    Lado outro, a ideia de dinheiro evoluiu bastante ao longo da história.
    É razoável supor que nessa evolução ( ou involução) , a atitude humana arriscada, via "câmaras de custódia", deve ter contribuído para transformar o dinheiro num mero "símbolo". E quanto a este dinheiro simbólico ou aquele que se propaga "do nada", creio que os debatedores aqui convergiriam, sem delongas, para destruí-lo.


    Saudações.
  • Rene  05/12/2013 18:15
    Um regime que tentou abolir o dinheiro foi o Khmer Vermelho, de Pol Pot. O resultado foi um genocídio que exterminou 1/4 da população do Camboja, deixando ainda a população que sobrou em uma miséria tão grande que até hoje eles ainda não se recuperaram. Em todas as conversas que tive até hoje, nunca vi ninguém que falasse em abolir o dinheiro ter uma alternativa, nem que fosse uma alternativa que só funcionasse em um mundo de fantasia.
  • Malthus  05/12/2013 18:38
    Não têm mesmo. Veja a leitora Marília na seção de comentários deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1379
  • Gust  05/12/2013 18:52
    Além de ser um comentário infantil, ingênuo e totalmente imbecil dessa menina, a mula ainda responde:

    "Já, e só porque deu errado, sempre dará? Eu hein."

    Estamos mortos...
  • Andre Cavalcante  05/12/2013 19:47
    Pois é,

    Cadê o pessoal do movimento zeitgeist agora?

    Abraços

  • Daniel C.  04/01/2014 14:01
    André Cavalcante, não é possível o pessoal do Zeitgeist fazer um comentário porque a análise do autor ainda está longe de atingir as propostas do movimento, as quais NÃO propõem a substituição de dinheiro por escambo. Seria, para que você entenda, o mesmo que trocar seis por meia dúzia.
  • Andre Cavalcante  06/01/2014 18:03
    Daniel, não sei qual o seu envolvimento com o MZ, mas, no FAQ do site brasileiro, no item 5 lê-se:

    (5) Quais são algumas das características centrais da solução proposta (MEBR - Modelo de Economia Baseado em Recursos)?

    1. Ausência de Dinheiro ou de Sistema de Mercado
    2. Automação do Trabalho
    3. Unificação Tecnológica da Terra através da Abordagem de "Sistemas"
    4. Acesso ao invés de Propriedade
    5. Cidades Autonômas/Descentralizadas e Sistemas de Produção
    6. Ciência como Metodologia de Governança

    Ou eu tô lendo errado o português ou o movimento quer a abolição do dinheiro e do sistema de mercado (o "ou" do texto já é, em si, um erro econômico, porque se tem sistema de mercado tem que ter dinheiro, ou algo que seja equivalente a dinheiro e troca para se chegar ao cálculo econômico e ter um mercado).

    Se não é assim, deveriam mudar o site do movimento, certo?

    Abraços


  • Andre  06/01/2014 18:20
    Zeitgeist é comunismo do século 21.

    Eles falam que com a tecnologia atual já é possível produzir o suficiente para TODOS terem uma vida plena. E que, portanto não precisaremos de dinheiro.

    Só não sei o que é que eles estão esperando para começar à produzir e distribuir produtos para todos AGORA!

    Ora, se é possível então FAÇAM, PRODUZAM!

    Enquanto isso ficarei esperando meus produtos GRÁTIS trabalhando, para não morrer de fome.
  • ANDRE LUIS  05/12/2013 22:00
    Ótimo texto. Daria um excelente roteiro de filme em Holywood.
  • André  06/12/2013 02:50
    Ótimo texto.
  • Leonardo Lopes  06/12/2013 22:22
    "Dinheiro, tendo ele tudo se resolve todos os problemas acabam, realmente, é tudo que precisamos. Vida longa ao sistema financeiro mundial!"
  • Peter Anderson  03/11/2014 21:37
    Bom pessoal, discordo do texto. É muito simples, abolir o dinheiro não significa necessariamente voltar ao escambo. Na realidade é possível utilizar o seguinte sistema , quem trabalha tem acesso a alimentos, produtos e serviços. Este sistema eu apelidei de Andersonismo pois abole o dinheiro mas não volta ao escambo. Embora poderia surgir dois potenciais problemas que vislumbrei, mas felizmente já encontrei a solução.

    O primeiro problema potencial do Andersonismo seria que caso não existisse limite do que consumir, é que alguns poucos poderiam consumir tudo e poderia faltar para os outros. Nesse caso deveria ter distribuição igualitária para que todos possam ter acesso aos alimentos, produtos e serviços.

    O segundo tem a haver com a solução do primeiro problema que acabaria por gerar outro problema. Pelo fato de todos terem igual acesso a produtos e serviços, os profissionais que estudassem mais acabariam tendo acesso ao mesmo que estudassem menos ou não estudassem. Para resolver o problema, a solução seria que quem estudasse também tivesse direito a alimentos, produtos e serviços.
  • Andre  04/11/2014 12:18
    Peter Anderson, esse sistema já foi inventado e está operando com sucesso na Coréia do Norte.
    Sendo que lá eles chamam esse sistema de comunismo.

    Sugiro que consiga um passaporte, junte dinheiro para a viagem e vá morar lá, assim você poderá ver esse sistema funcionando em primeira mão.

    Então você poderá analisar o funcionamento do sistema em detalhes e terá a chance de sugerir melhorias para deixá-lo cada vez melhor, contornando todos esses problemas que costumam ocorrer.

    Boa sorte e boa viagem!
  • Peter Anderson  26/11/2014 21:23
    Peter Anderson, esse sistema já foi inventado e está operando com sucesso na Coréia do Norte.
    Sendo que lá eles chamam esse sistema de comunismo.

    Sugiro que consiga um passaporte, junte dinheiro para a viagem e vá morar lá, assim você poderá ver esse sistema funcionando em primeira mão.

    Então você poderá analisar o funcionamento do sistema em detalhes e terá a chance de sugerir melhorias para deixá-lo cada vez melhor, contornando todos esses problemas que costumam ocorrer.

    Há mais lá tem o ditador e eles não aboliram o dinheiro. A moeda que ele utilizam lá é o Won norte-coreano.

    No Andersonismo não é o governo que controla , mas são os próprios trabalhadores, inclusive poderiam ter trabalhadores empresários, e realmente abole o dinheiro enquanto que no comunismo Norte Coreano existe moeda emitida pelo Banco Central Norte-Coreano, o Won e quem controla tudo é o Estado e há ditadores, enquanto eu sou democrata.
  • Andre  28/11/2014 11:05
    "Há mais lá tem o ditador e eles não aboliram o dinheiro. A moeda que ele utilizam lá é o Won norte-coreano.".

    Não aboliram ainda, mas esse é o objetivo, declarado, deles.

    "No Andersonismo não é o governo que controla , mas são os próprios trabalhadores..."

    Nesse caso saiba que a maioria das tribos indígenas que ainda existem no mundo já adotam esse sistema: sem dinheiro e sem governo.
    Então o jeito é você virar índio.

    "...inclusive poderiam ter trabalhadores empresários..."

    Seriam então empresários que praticam escambo?
    Sem problema, os índios podem fazer isso, é só alguém lhes ensinar.

    "... e realmente abole o dinheiro enquanto que no comunismo Norte Coreano existe moeda emitida pelo Banco Central Norte-Coreano, o Won e quem controla tudo é o Estado e há ditadores..."

    Lá só tem ditadura porque se não usarem a força o povo sai todo correndo pra Coréia do Sul atrás de dinheiro e capitalismo.
    Se todo o povo Norte Coreano gostasse do comunismo não haveria ditadura. Seria o comunismo voluntário.
    Exatamente o que ocorre em praticamente todas as tribos indígenas.

    "enquanto eu sou democrata."

    Mas na democracia existe imposto, que, atualmente, em todos os países democráticos, é pago com dinheiro.
    A menos que você esteja propondo uma democracia em que os impostos são pagos através do confisco de comida, roupas, bens, produtos, etc... menos dinheiro.
  • Silvio  04/11/2014 14:55
    Muito bom o seu comentário. Confesso que cheguei a rir alto aqui. Continue postando essas brincadeiras divertidas.
  • Eduardo  07/11/2014 00:47
    O melhor do comentário do Anderson é que mostra a lógica de que quanto mais á cada problema que o governo "resolve", surge outro.

    Primeiro, ele pressupõe um sistema onde o salário da trabalhador seja bens ou serviços (eu acredito que seja, ele diz que no sistema dele quem trabalha tem acesso á bens e serviços, mas não diz exatamente como). Genial! Pense que bacana, entregaríamos nossa lista de compras no supermercado para o estado para que ele faça as compras por nós! Afinal, deixar o trabalhador ir no mercado e fazer as compras ele mesmo é uma ideia absurda e que não funciona.

    Depois ele pensa, opa, mas alguém pode pedir mais do que deve! Antes, o que o trabalhador podia consumir era determinado pelo seu salário em dinheiro, mas e agora? Um burguês explorador pode pedir tudo de bom e do melhor, enquanto eu e meus camaradas humildes ficamos com menos. Aí vem a ideia que veio para salvar á todos. Racionamento! Se ditarmos o que as pessoas irão consumir, afinal o Estado é um Deus conhecedor de todas nossas necessidades, não teremos mais que se preocupar com pessoas ganhando mais que nós!

    Mas aí, como ele mesmo diz, "O segundo tem a haver com a solução do primeiro problema que acabaria por gerar outro problema." (?)

    Certas pessoas irão estudar mais, mas vão ganhar o mesmo do que as pessoas que estudaram e se esforçaram menos, isso é injusto! A solução? Dar bens e serviços para quem estuda também, é lógico! Mas camarada Anderson, isso não geraria desigualdade entre aqueles que estudam e não estudam?
  • anônimo  22/11/2014 00:00
    eu penso que se abolir o dinheiro vamos ser felizes de verdade, e só trabalharmos de "graça" e ganharmos coisas de "graça" imagine a medicina vai avançar muito por que os médicos não vão se preocupar em quanto em quanto se dinheiro vai ser gasto nos equipamentos, a nasa ira descobrir novas coisas por que hoje em dia a nasa não chegou ate outras galaxias por que para ir apenas ate a lua são bilhões e bilhões de dólares gastos em propulsores do foguete, combustível etc, não haverá roubo por que os ladroes não vão ter oque roubar, né?, diminuirá os sequestros e muito mais. mas não posso mudar o mundo depende do povo.
  • Andre  22/11/2014 15:02
    Nada te impede de começar a trabalhar de graça agora mesmo.
    Lá na Coréia do Norte tem um pessoal tentando fazer isso, recomendo.
  • anônimo  11/02/2017 23:53
    O que acham da experiência da comunidade de Auroville, localizada na ìndia:

    revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2016/03/conheca-cidade-que-nao-tem-politicos-ou-classes-sociais.html


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