O governo não pode gerenciar empresas eficientemente

As bem conhecidas ineficiências das operações governamentais não são meros acidentes empíricos, resultados talvez de uma falta de tradição na área.  Elas são inerentes a todas as iniciativas estatais.  E a demanda excessiva que é gerada pelos serviços 'gratuitos' ou subprecificados ofertados pelo governo é apenas uma das várias razões dessa condição.

A oferta gratuita de um bem ou serviço não apenas subsidia os seus usuários à custa dos contribuintes que não o utilizam, como também faz com que os recursos sejam alocados erroneamente, fazendo com que os bens e serviços não sejam ofertados naquelas áreas que mais necessitam deles.  O mesmo é válido, em um grau menor, sempre que o preço de um bem ou serviço está abaixo do preço de livre mercado.  No livre mercado, os consumidores podem ditar a precificação e, com isso, garantir a melhor alocação dos recursos produtivos de modo a suprirem seus desejos.  Em um empreendimento governamental, isso não pode ser feito. 

Peguemos novamente o caso de um serviço gratuito.  Como não há um sistema de preços para racionalizar as decisões — e, portanto, não há a exclusão de utilizações improdutivas —, não há como o governo, mesmo que ele queira, alocar seus serviços de modo a satisfazer as mais prementes necessidades e os mais ávidos consumidores.  Todos os compradores e todas as necessidades são artificialmente mantidos no mesmo plano.  Como resultado, as mais urgentes necessidades serão desprezadas, e o governo ver-se-á diante de insuperáveis problemas de alocação, os quais ele não pode resolver mesmo para benefício próprio

Assim, o governo será confrontado com o seguinte problema: devemos construir uma estrada no local A ou no local B?  Sem estar guiado pelo sistema de preços e pelo mecanismo de lucros e prejuízos, o governo simplesmente é incapaz de tomar uma decisão de maneira racional.  Suas decisões serão tomadas somente de acordo com os caprichos do funcionário do governo que está no comando — isto é, somente se o funcionário do governo, e não o público, for quem estiver "consumindo".  Se o governo de fato deseja fazer apenas o que é melhor para o público, ele está irremediavelmente lidando com uma tarefa impossível.

Diz-se com muita frequência que uma única empresa estatal, operando dentro da esfera de mercado privado, comprando bens e serviços deste, pode precificar seus serviços e alocar seus recursos eficientemente.  Isso, entretanto, é incorreto.  Existe uma falha incontornável que permeia todo o tipo concebível de empresa estatal e que inescapavelmente a impede de praticar uma precificação correta e de alocar eficientemente seus recursos.  Por causa desta falha, uma empresa estatal jamais pode operar "em condições de mercado", não importam quais sejam as intenções do governo. 

E qual é essa falha incontornável? 

É o fato de que o governo pode obter recursos virtualmente ilimitados por meio de seu coercivo poder de tributação.  Empresas privadas precisam obter seus fundos por meio de investidores que estão atrás de lucro e de consumidores que voluntariamente optam por consumir seus bens e serviços.  É essa alocação de fundos feita por consumidores e investidores guiados por sua presciência e preferência temporal que vai direcionar os recursos para as mais lucrativas — e, portanto, mais úteis — aplicações.  Empresas privadas podem adquirir seus fundos somente por meio de consumidores e investidores; em outras palavras, elas podem arrecadar fundos somente daquelas pessoas que valorizam e compram seus serviços, e daqueles investidores que estão dispostos a arriscar seu capital poupado investindo-o em algo que acreditam poder gerar algum lucro futuro.  Ou seja: no mercado, pagamento e serviços são coisas indissoluvelmente complementares. 

O livre mercado fornece um "mecanismo" para a alocação de fundos para consumo presente e futuro, para o direcionamento de recursos para as aplicações mais produtivas e valiosas para todas as pessoas.  O mercado, por meio de seu funcionamento natural, fornece meios para os empreendedores alocarem recursos e precificarem serviços de modo a garantir seu uso otimizado.  O governo, por outro lado, pode conseguir o tanto de dinheiro que ele quiser.  O governo não possui rédeas sobre si mesmo; ele não está sob a exigência de satisfazer o teste de lucros e prejuízos que mede a qualidade do serviço ofertado a seus consumidores, algo que, no mercado, é o que permite a uma empresa obter fundos. 

Empresas privadas — aquelas que operam em um ambiente de genuína livre concorrência, sem receber subsídios, benefícios e proteções do governo — podem adquirir seus fundos apenas de consumidores satisfeitos e de investidores guiados pelo mecanismo de lucro e prejuízo.  Já o governo pode adquirir seus fundos literalmente de acordo com seus próprios caprichos.

Uma vez que não há rédeas, deixa de haver também qualquer chance de o governo alocar recursos racionalmente.  Como pode o governo saber se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve "investir" em uma estrada ou em uma escola, ou se deve produzir mais eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, ou se deve alterar seu serviço de entrega de cartas? Com efeito, como pode ele saber o quanto deve gastar em todas as suas atividades em que está envolvido?  Não há maneira racional de o governo alocar fundos ou mesmo decidir o quanto ele deve ter. 

Quando há uma escassez de professores, ou de salas de aula, ou de polícia ou de ruas, o governo e seus partidários têm apenas uma resposta: exigir mais dinheiro dos pagadores de impostos.  Se a qualidade dos serviços ofertados pelo governo cai, isso significa que as pessoas devem renunciar a seu próprio dinheiro e entregá-lo de bom grado ao governo. 

Por que essa mesma medida nunca é aventada no livre mercado?  O motivo é que, para empresas que operam sob um arranjo de livre concorrência, esse dinheiro só pode ser obtido voluntariamente e em troca de bens ou serviços de maior qualidade.  Ou seja, o dinheiro tem de ser retirado de seu presente uso em algum investimento ou consumo e essa retirada tem de ser voluntariamente concedida pelos próprios consumidores e investidores. 

Empresas que operam sob um arranjo de livre concorrência têm de se guiar pelo sistema de lucro e prejuízo, o qual indica que os mais urgentes desejos dos consumidores estão sendo atendidos.  Se uma empresa ou produto estão gerando altos lucros para seus proprietários, e esses lucros tendem a continuar, então mais dinheiro estará disponível no futuro; caso esteja ocorrendo o oposto, e a empresa esteja incorrendo em prejuízos, o dinheiro estará fluindo para fora daquele empreendimento.  O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos.  Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico.  Quanto mais dinheiro ele gastar, mais serviços ele pode ofertar — mas onde parar?

Defensores de empresas estatais podem contra-argumentar dizendo que o governo poderia simplesmente dizer a seus burocratas para agirem como se estivessem em uma empresa em busca de lucros e que operassem da mesma maneira que uma empresa privada.  Há dois defeitos nessa teoria.  Primeiro, é impossível brincar de empresa.  Empreender significa arriscar o próprio dinheiro em um investimento.  Burocratas e políticos não têm incentivo real em desenvolver habilidades empreendedoriais, em se ajustar de fato às demandas do consumidor.  Eles não arriscam a perda do próprio dinheiro no empreendimento. 

Segundo, fora a questão dos incentivos, mesmo os mais ávidos administradores estatais não poderiam operar como se fossem empreendedores privados.  Independente do tratamento concedido ao empreendimento após ela já ter se estabelecido, a criação da empresa é feita com dinheiro de impostos — portanto, por meio da taxação coerciva.  Essa empresa estatal já nasceu com um grave defeito "enraizado" em seus órgãos vitais.  Ademais, quaisquer gastos futuros poderão ser feitos utilizando-se de receitas tributárias, o que faz com que as decisões dos administradores estejam sujeitas aos mesmos vícios.  A facilidade de se obter dinheiro irá inevitavelmente distorcer as operações da empresa estatal.

Além disso, o estabelecimento de uma empresa estatal cria uma inevitável vantagem competitiva sobre as outras empresas privadas, pois ao menos parte de seu capital foi obtido por meio da coerção, e não dos serviços prestados.  Torna-se claro que o governo, com seu ilimitado poder de subsídio próprio, pode expulsar empresas privadas de sua área de atuação.  O investimento privado no mesmo setor em que opera uma estatal será enormemente restringido, uma vez que futuros investidores sabem que terão prejuízos por causa de seus privilegiados concorrentes governamentais. 

Ademais, considerando-se que todos os serviços concorrem entre si pelo dinheiro do consumidor, todas as empresas privadas e todos os investimentos privados serão de alguma forma afetados e obstruídos.  E quando a empresa estatal começar a operar, irá gerar temor nas outras empresas da área — ou elas perderão seus investimentos, ou elas serão confiscadas ou serão forçadas a competir com empresas subsidiadas pelo governo.  O temor tende a reprimir ainda mais os investimentos produtivos, o que gera um decréscimo no padrão de vida.

O argumento que decide a questão, e que é utilizado corretamente pelos oponentes das empresas estatais, é: se operações empresariais são tão desejáveis, por que seguir uma rota tão tortuosa?  Por que não abolir o gerenciamento estatal e entregar à iniciativa privada todas as operações?  Por que escolher o caminho mais difícil de tentar imitar o ideal (o gerenciamento privado) quando o ideal pode ser obtido diretamente?  A alegação de o governo estar buscando princípios de mercado, portanto, não faz sentido, mesmo que a empreitada porventura desse certo.

Nos casos em que o governo não pode nem sequer competir com outras empresas sob essas condições, ele pode arrogar a si próprio um monopólio compulsório, expulsando os concorrentes à força.  Isso ocorre, por exemplo, no caso dos Correios.  Quando o governo garante a si próprio um monopólio, ele pode ir para o lado oposto dos serviços gratuitos: ele pode passar a cobrar um preço de monopólio.  Cobrar um preço de monopólio — o oposto a um preço de livre mercado — distorce os recursos e cria uma escassez artificial do bem em questão.  Também gera uma qualidade de serviços extremamente baixa.  Um monopólio estatal não precisa se preocupar com a possibilidade de seus clientes recorrerem à concorrência ou com o fato de que a ineficiência possa significar o fim de suas operações.  Da mesma maneira, somente o governo pode fazer anúncios vaidosos de que vai cortar serviços para economizar.  Na iniciativa privada, só é possível economizar exitosamente melhorando a eficiência dos serviços prestados.

Uma razão adicional para a ineficiência governamental já foi mencionada: os funcionários não têm incentivos para ser eficientes.  De fato, as habilidades que eles vão desenvolver não serão habilidades econômicas voltadas para a produção, mas habilidades políticas — tais como conchavos políticos, esquemas de propina em licitações, loteamentos de cargos para apadrinhados políticos, bajulação de pessoas em altos cargos públicos e tentativas de seduzir demagogicamente o eleitorado.  Essas habilidades são muito diferentes das habilidades produtivas, e consequentemente as pessoas que ascendem ao topo na política são diferentes daquelas que obtêm êxito no mercado.

É particularmente absurdo clamar por "princípios de mercado" quando se tem uma empresa estatal funcionando como monopólio.  Periodicamente, há demandas para que os Correios sejam geridos "como uma empresa privada" e assim acabem com seus déficits, que são pagos pelo contribuinte.  Mas acabar com o déficit em uma operação governamental que é necessariamente e inerentemente ineficiente não significa que se está adotando princípios da iniciativa privada.  Para se fazer isso (acabar com déficit), os preços dos serviços teriam de ser elevados a níveis de preços monopolísticos, de modo que seja possível cobrir os custos das ineficiências do governo.  Porém, um preço de monopólio irá gerar um fardo excessivo sobre os usuários dos serviços postais, principalmente quando se sabe que o monopólio é compulsório. 

Por outro lado, já vimos que mesmo os monopolistas precisam agir de acordo com a curva de demanda dos consumidores.  Se essa demanda for suficientemente elástica, é bem possível que um preço de monopólio reduza as receitas a tal ponto que um preço maior fará com que os déficits aumentem ao invés de diminuir.  Um exemplo famoso foi o do metrô de Nova York nas décadas de 1960 e 1970: no intuito de zerar seu déficit, a administração do metrô começou a aumentar as tarifas. Resultado: o volume de passageiros caiu tão drasticamente que o déficit aumentou ainda mais. 

Empreendimentos governamentais não apenas irão obstruir e reprimir o investimento privado e o empreendedorismo no mesmo setor em que o estado atua ou em outros setores da economia, mas também irão desorganizar todo o mercado de trabalho.  Pois (a) o governo irá diminuir a produção e o padrão de vida da sociedade ao desviar para a burocracia a mão-de-obra potencialmente produtiva; (b) ao utilizar fundos confiscados, o governo será capaz de pagar aos seus burocratas um salário maior que o de mercado, o que fará com que os parasitas que buscam empregos no setor público clamem por uma expansão da improdutiva máquina burocrática; e (c) por meio dos altos salários, todos financiados via impostos, o governo pode iludir trabalhadores e sindicatos a crer que esses representam de fato os salários do setor privado, o que levará os sindicatos a exigir salários mais altos, causando desemprego desnecessário.

Ademais, as empresas estatais, que se baseiam na coerção do consumidor, dificilmente substituirão seus valores por aqueles de seus consumidores.  Logo, serviços de baixa qualidade e artificialmente padronizados — modelados de acordo com o gosto e a conveniência do governo — seguirão impávidos, em contraste com aqueles ofertados no livre mercado, onde serviços diversificados e de alta qualidade são ofertados de modo a satisfazer os gostos variados de uma multiplicidade de indivíduos.

Um cartel ou uma empresa não podem ser proprietários de todos os meios de produção de uma economia.  Pois se fossem, não poderiam calcular preços e alocar os fatores de maneira racional.  Essa é a razão por que o socialismo não foi capaz de planejar e tampouco alocar racionalmente.  Com efeito, mesmo dois ou mais estágios de produção não poderiam ser completamente integrados verticalmente no mercado, pois a total integração iria eliminar todo um segmento do mercado e estabelecer uma ilha de caos calculacional e alocacional, ilha essa que iria impossibilitar o planejamento ótimo dos lucros e a satisfação máxima dos consumidores.

No caso da simples gerência estatal, surge uma outra extensão dessa tese.  Pois cada empresa governamental introduz sua própria ilha de caos na economia; não é preciso esperar pelo socialismo para que o caos comece a reinar.  Uma empresa governamental jamais poderá determinar preços ou custos ou alocar fatores ou fundos de maneira racional e maximizadora do bem-estar.  Nenhuma empresa estatal pode ser estabelecida "em caráter de mercado" mesmo que tal desejo estivesse presente.  Logo, qualquer operação estatal cria um ponto de caos dentro da economia.  E dado que todos os mercados são interconectados na economia, cada atividade governamental desorganiza e distorce os preços, a alocação dos fatores, a razão entre consumo e investimento etc. 

Todo e qualquer empreendimento governamental não apenas diminui as utilidades sociais do consumidores — ao forçar a alocação de fundos para fins outros que não aqueles desejados pelo público —, como também diminui a utilidade de todos os indivíduos (incluindo, talvez, as utilidades do funcionários do governo), pois distorce o mercado e difunde o caos calculacional.  Quanto maior a extensão da participação do estado, mais pronunciado será esse impacto.

Além das consequências puramente econômicas, a gerência estatal cria outro tipo de impacto na sociedade: ela necessariamente substitui a harmonia do livre mercado pelos conflitos.  Dado que serviços governamentais significam serviços decididos por uma equipe de tomadores de decisão, a consequência real é que os serviços passam a ser uniformes.  Os desejos de todos aqueles que foram forçados, direta ou indiretamente, a pagar pelos serviços estatais não poderão ser satisfeitos.  Apenas alguns formatos desses serviços poderão ser ou serão ofertados pela agência governamental.  Como resultado, empreendimentos estatais criam enormes conflitos de casta entre os cidadãos, cada qual tendo uma ideia diferente sobre a melhor forma de serviço.

Um notável exemplo disso são as escolas públicas.  Alguns pais ainda preferem escolas segregadas por gênero; outros preferem educação integrada.  Alguns pais querem que seus filhos aprendam socialismo; outros querem ensino anti-socialista nas escolas.  Não há maneira de o governo solucionar esses conflitos.  Ele pode apenas impor a vontade da maioria (ou uma "interpretação" burocrática dela) por meio da coerção e com isso deixar uma minoria — quase sempre significativa — insatisfeita e rancorosa.  Qualquer que seja o tipo de escola pública escolhida, alguns grupos de pais irão sofrer.  Por outro lado, não há conflitos desse tipo no livre mercado, que fornece qualquer tipo de serviço demandado.  No mercado, aqueles que querem escolas separadas por gênero ou integradas, socialistas ou individualistas, podem ter seus desejos satisfeitos.  Torna-se óbvio, portanto, que a oferta governamental de serviços — em oposição à oferta privada — reduz a qualidade de vida de grande parte da população.

Portanto, ao ponderar a questão do gerenciamento privado versus gerenciamento estatal de qualquer empreendimento, é preciso ter em mente as seguintes conclusões da nossa análise:

1. Todo e qualquer serviço pode ser ofertado privadamente no mercado;

2. A iniciativa privada e o livre mercado são mais eficientes em ofertar serviços de melhor qualidade a custos mais baixos;

3. A alocação de recursos em um empreendimento privado irá melhor satisfazer as demandas dos consumidores, ao passo que um empreendimento estatal irá distorcer alocações e criar ilhas de caos calculacional;

4. Empreendimentos estatais irão reprimir a atividade privada tanto nas empresas que concorrem diretamente com o estado como nas que estão em outras áreas.

5. Empreendimentos privados no livre mercado asseguram uma harmoniosa e cooperativa satisfação de desejos, ao passo que empreendimentos estatais criam conflitos de casta.


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SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • mogisenio  04/12/2013 13:37
    Olá pessoal,
    selecionei algumas passagens do texto para comentar a saber:

    Texto:
    (...)
    É o fato de que o governo pode obter recursos virtualmente ilimitados por meio de seu coercivo poder de tributação. (...)
    Meu comentário:
    A proposição é notadamente falsa e um dos fundamentos para falseá-la encontra-se na própria economia de mercado: ora, não há recursos ilimitados ou não há a possibilidade de um carga tributária de 100%( ou mais, isto é, ilimitadamente) num regime de economia de mercado.
    Mesmo se esse fosse o viés, os proprietários dos fatores de produção imediatamente migrariam para outra parte do globo. Logo, o "governo" ou mais precisamente o "Estado" , numa economia capitalista, não pode obter recursos ilimitados, ainda que coercitivamente. Ou pode?
    Se pode, gentileza explicar como seria possível a obtenção destes recursos ilimitados.

    Texto:
    Empresas privadas — aquelas que operam em um ambiente de genuína livre concorrência, sem receber subsídios, benefícios e proteções do governo — podem adquirir seus fundos apenas de consumidores satisfeitos e de investidores guiados pelo mecanismo de lucro e prejuízo.

    Meu comentário:
    Antes de prosseguir gostaria de ressaltar que coaduno deste ambiente de genuína livre concorrência, sem subsídio, benefícios, proteções, mais ainda, sem conluios, cartéis, oligopólios, monopólios, monopsônios, enfim, qualquer forma que , efetivamente, limite a livre concorrência.
    Dito isso, prossigo.

    A primeira proposição, não me parece possível. Não creio que existe alguma livre concorrência nesses moldes, conquanto, reiterando-lhes, esse também seria o meu desejo.

    A segunda proposição , ... podem adquirir seus fundos "apenas" de consumidores... é falsa. Ora, o consumidor "satisfeito" não pretende consumir nada. Ademais, há consumidores- que por qualquer motivo, mesmo irracionais - visam consumir , por exemplo, água para matar a sede, a qualquer preço! Ou mesmo oxigênio. Ou seja, em matéria de NECESSIDADES fisiológicas NÃO impera ou não deve imperar a racionalidade HUMANA de um consumidor. Nesse sentido, podemos chegar aos alimentos etc.

    A satisfação que se prende a qualidade do produto, evidentemente, pode atrair novamente o consumidor, mas essa "satisfação" não esgota as possibilidades ou razões de demanda de um consumidor ( necessidade, gosto, preferência, outro motivo irracional qualquer, etc)

    Texto:
    (...)
    O motivo é que, para empresas que operam sob um arranjo de livre concorrência, esse dinheiro só pode ser obtido voluntariamente e em troca de bens ou serviços de maior qualidade. Ou seja, o dinheiro tem de ser retirado de seu presente uso em algum investimento ou consumo e essa retirada tem de ser voluntariamente concedida pelos próprios consumidores e investidores. (...)

    Meu comentário:

    Também sou muitíssimo a favor da autonomia da vontade. Todavia, nem sempre ela está presente. Esqueçamos qualquer intervenção estatal e vamos nos limitar ao "contrato".
    Nem mesmo neste instituto, pode ser assegurada, "objetiva e subjetivamente" a autonomia da vontade.
    Algumas razões já foram expostas no meu anterior comentário.
    Outra razão que me ocorre agora ( há várias) seria a própria execução do contrato. Ela pode NÃO SER voluntária.
    Portanto, a retirada do dinheiro, mesmo a total, absoluta e irrevogável livre iniciativa, pode não ocorrer de forma "voluntária".


    Esse são meus comentários iniciais. Espero encontrar debatedores que visem apenas o engrandecimento do debate, sem ironias ou ad hominem, o que certamente trará mais conhecimento para todos nós.

    Saudações


  • Doutrinador  04/12/2013 14:39
    "ora, não há recursos ilimitados ou não há a possibilidade de um carga tributária de 100%( ou mais, isto é, ilimitadamente) num regime de economia de mercado. [...]Se pode, gentileza explicar como seria possível a obtenção destes recursos ilimitados."

    Acho que você não observou o termo "virtualmente". Trata-se de um advérbio cujo significado é "de um ponto de vista prático". O governo pode conseguir dinheiro via tributação (limitada), via endividamento (ilimitado) e via criação de moeda (que é a consequência final do endividamento, pois quando o governo emite um título os bancos criam dinheiro para comprar esse título).

    Logo, na prática, realmente não há limites de financiamento para estatais.

    "Não creio que existe alguma livre concorrência nesses moldes, conquanto, reiterando-lhes, esse também seria o meu desejo."

    Nos grandes setores, de fato é difícil encontrar livre concorrência, pois o governo regula todos eles. Porém, em nível mais micro, ainda existem situação que beiram a livre concorrência. Por exemplo, restaurantes a quilo, oficinas mecânicas, cabeleireiros, padarias, mercearias etc.

    "A segunda proposição , ... podem adquirir seus fundos "apenas" de consumidores... é falsa. Ora, o consumidor "satisfeito" não pretende consumir nada."

    Meu Deus! Isso é serio? "Satisfeito" não está no sentido de "saciado", mas sim no sentido de "contente". Tá difícil...

    "Ademais, há consumidores- que por qualquer motivo, mesmo irracionais - visam consumir , por exemplo, água para matar a sede, a qualquer preço! Ou mesmo oxigênio. Ou seja, em matéria de NECESSIDADES fisiológicas NÃO impera ou não deve imperar a racionalidade HUMANA de um consumidor. Nesse sentido, podemos chegar aos alimentos etc."

    Você é comediante, né?

    "A satisfação que se prende a qualidade do produto, evidentemente, pode atrair novamente o consumidor, mas essa "satisfação" não esgota as possibilidades ou razões de demanda de um consumidor ( necessidade, gosto, preferência, outro motivo irracional qualquer, etc)"

    Ininteligível.

    "Também sou muitíssimo a favor da autonomia da vontade. Todavia, nem sempre ela está presente. Esqueçamos qualquer intervenção estatal e vamos nos limitar ao "contrato". Nem mesmo neste instituto, pode ser assegurada, "objetiva e subjetivamente" a autonomia da vontade. Algumas razões já foram expostas no meu anterior comentário. Outra razão que me ocorre agora ( há várias) seria a própria execução do contrato. Ela pode NÃO SER voluntária. Portanto, a retirada do dinheiro, mesmo a total, absoluta e irrevogável livre iniciativa, pode não ocorrer de forma "voluntária"."

    Ininteligível

    "Esse são meus comentários iniciais. Espero encontrar debatedores que visem apenas o engrandecimento do debate, sem ironias ou ad hominem,"

    Para haver um debate engrandecedor, o mínimo necessário é que o interlocutor (1) tenha entendido corretamente o artigo e (2) saiba se expressar de maneira compreensível. Só.
  • Katarino  21/12/2013 14:55
    Primeiro diria que foi desnecessário o cinismo nas repostas que o "Doutrinador" deu ao
    "mogisenio".

    Segundo só pela resposta abaixo, já o suficiente para ver que o individuo é que vive em um mundo virtual.

    " O governo pode conseguir dinheiro via tributação (limitada), via endividamento (ilimitado) e via criação de moeda (que é a consequência final do endividamento, pois quando o governo emite um título os bancos criam dinheiro para comprar esse título).

    Logo, #na prática#, realmente #não há limites# de financiamento para estatais."

    Pode isso Arnaldo?
  • Arnaldo  21/12/2013 15:17
    Absolutamente nada de errado com as colocações do Doutrinador. Talvez o Katarino queira ser mais explícito em suas acusações em vez de se refugiar em meras insinuações semânticas.
  • K  04/12/2013 15:16
    Magnífico. Mais um petardo intelectual. mogisenio segue surpreendendo a cada dia com sua incomparável capacidade de raciocínio. Diante da solidez de seus argumentos, o próprio sr. Murray Rothbard ficaria envergonhado.
    Obrigado por existir e continuar compartilhando seus preciosos insights conosco, ó grande mestre :)

    Saudações
  • Pedro Ivo  05/12/2013 10:54
    Como você deseja debater se seu texto sequer é inteligível?! Você lança um monte de assertivas desconexas que não formam qualquer trama identificável de narrativa, e espera que a gente faça o que com estes fios desconexos? Um boné, talvez.

    Via de regra sou contra ad hominem, mas só quando existe alguma estrutura racional com que dialogar. Se o homem degenera num retardo, psicose, delírio ou desvario de frases ininteligíveis, resta o que usar fora ad hominem?
  • Augusto  04/12/2013 14:26
    Uma dúvida. Por que grande parte dos artigos do Mises é tradução? Não há bons liberais no Brasil?
  • Leandro  04/12/2013 21:40
    Em quantidade grande o bastante para produzir seis artigos por semana e de qualidade? Não. Aliás, a única coisa que há em profusão no Brasil é marxista e petista.

    Ademais, a ciência econômica possui verdades universais, de modo que pouco importa a nacionalidade de quem escreve um texto. O artigo acima, por exemplo, foi escrito por um americano, mas parece ter sido escrito hoje por um brasileiro.
  • Anônimo  04/12/2013 22:30
    Eu ainda acho que o Rothbard não morreu, veio ao Brasil e hoje adapta os artigos antigos dele para a realidade daqui. Ele mencionou uns 10 lugares comuns utilizados nas universidades recorrentemente para defender o "estado empresário".
  • Pedro Ivo  05/12/2013 17:23
    Mas claro que Rothbard não morreu. Nem ele nem Elvis. Os dois dividem um apartamento aqui em Sobradinho-DF que aluguei para eles.
  • Emerson Luis, um Psicologo  04/12/2013 16:24

    "A mais importante mudança que o controle extensivo do governo produz é uma mudança psicológica, uma alteração no caráter das pessoas." Hayek

    * * *
  • Pedro Ivo  06/12/2013 17:25
    A subjetividade é uma formação socio-interacionista: desenvolva-se num ambiente de autoresponsabilidade e liberdade e você tende a ser livre. Desenvolva-se num ambiente intervencionista e infantilizante e você tende a ser latino-americano.
  • Giovani  04/12/2013 20:17
    A iniciativa privada, como sempre, dando de "relho" na 'iniciativa' pública.

    "...no noroeste do Estado, moradores das duas cidades decidiram fazer o que seria a função do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). Organizados em torno da campanha de "Adote um metro cúbico de asfalto", eles iniciaram a arrecadação de fundos para consertar por conta própria a via."

    polibiobraga.blogspot.com.br/2013/12/povo-poe-placa-na-estrada-arrecada.html
  • Dalton C. Rocha  04/12/2013 22:45
    Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e eu lhe dou uma cleptocracia e um país pobre. Exemplos: Argentina, Brasil, Bolívia, Irã, Iraque, Coreia do Norte,etc.
  • DiegoR  05/12/2013 19:45
    Malásia?
  • Pedro Ivo  06/12/2013 17:28
    Não é um Iraque, mas não passa perto de Noruega.
  • Anarcofóbico  05/12/2013 11:46
    Ahh, se o governo destinasse mais verbas para seus próprios institutos de pesquisa, certamente o seguinte projeto já estaria sendo implantado em todo o Brasil:

    Brasileiros dizem desafiar leis da física e gerar energia através da gravidade
  • Pobre Paulista  05/12/2013 18:14
    Depois dizem que expansão monetária não gera investimentos ruins.

    Meus pêsames a quem financiou isso aí.
  • Pobre Paulista  05/12/2013 18:22
    Sério cara, não tem nada que me irrita mais que a burrice. Isso aí deve ter sido um golpe muito bem dado em investidores inocentes (ainda não achei quem financiou essa loucura). O site da empresa já saiu do ar, mas tem coisas interessantes aqui ó: peswiki.com/index.php/Directory:RAR_Energia_Ltda_Gravity_Motor (repare nos comentários)
  • Pobre Paulista  05/12/2013 18:40
    Desculpe pelo flood, é minha terceira resposta, mas esse negócio realmente mexeu comigo.

    Vejam a importância da ciência. A gravidade é um campo conservativo. As leis da termodinâmica dizem que a energia não se cria, apenas se transforma. Um corolário imediato disso é que é impossível se criar um moto-perpétuo. Muito menos um movido à gravidade. Mas ainda existem pessoas burras ou má intencionadas que insistem em tentar. Só para constar, nenhum escritório de registro de patentes no mundo aceita receber patente de motos-perpétuos.

    Eu faço um paralelo à ciência econômica. É incrível que as pessoas insistem em desafiar a ciência, mesmo que "só um pouquinho". Pessoas que defendem intervenções estatais, por menor que seja, estão no fundo fazendo a mesma coisa que os "cientistas" da matéria.
  • Ricardo Santos  25/01/2014 10:24
    Quando entrei nesse site, vi o slogan "plantando notícias". Pensei que era um desses sites onde vc escreve qualquer abobrinha e eles publicam, mas não, parece que a coisa é seria! Alguém realmente queimou dinheiro no projeto.
  • Isaias Lobao  05/12/2013 13:50
    Caro Leandro. Aproveito a exclente postagem para apresentar uma dúvida

    Alguém, com quem estava travando um debate, alegou que nosso país tem 60% dos recursos da união contigenciados para o pagamento da dívida externa. Por isso, o governo federal não pode investir em infraestrutura. (blá, blá). Achei o argumento fraco e datado. Lembrei-me dos terríveis anos 1980. Mas, confesso que não tive muitos dados para argumentar. Perguntei ao Prof. Carlos Pio e ele já me orientou em alguns pontos. Peço a você mais dados e links de artigos ou textos.
  • Leandro  05/12/2013 16:52
    Dívida externa?! A dívida externa bruta das três esferas de governo é de R$115 bilhões. Em termos líquidos, ela é de ínfimos R$85 bilhões.

    Já a dívida interna bruta é de R$2,87 trilhões e a juros bem maiores. O gasto com o serviço da dívida interna -- dívida essa que foi criada totalmente pelos deficitário orçamentarias do governo -- eclipsa totalmente os ínfimos gastos com o serviço da dívida externa.
  • Pedro Ivo  05/12/2013 19:47
    E o pior é que, no dia em que ela começar a ser um problema, o calote custará pouco politicamente porque será dado dentro do território brasileiro. Cada brasileiro já é de um jeito ou doutro escravo do estado. Basta reavaliar os termos da servidão.

    O calote nem precisa ser explicito e repentino. Pode ser sub-reptício e gradual. Basta pagar juros reais negativos, ou emprestar dinheiro criado sem lastro ao governo via todo tipo de negociata através do BB, CEF, BNDES, ou, para dar menos na cara, bancos privados (no fim, estes dependem de favores do estado, logo, são suscetíveis a chantagens); só para ficar em 2 exs..

    Esta dívida sequestrou o Brasil (população) pelo estado. E qualquer um que tenha caderneta de poupança está pagando por ela.
  • Isaias Lobao  05/12/2013 19:53
    Obrigado Leandro. Os dados refutam a tese do meu interlocutor. Agora mande coisa para eu estudar: Links de artigos e estudos.
  • Pedro Ivo  06/12/2013 17:31
    Cara, tem os artigos de economia brasileira deste sítio.
  • Isaias Lobao  11/12/2013 11:03
    Obrigado.
  • Pedro Ivo  12/12/2013 10:48
    Às ordens.
  • Pedro Ivo  05/12/2013 17:34
    Defensores de empresas estatais podem contra-argumentar dizendo que o governo poderia simplesmente dizer a seus burocratas para agirem como se estivessem em uma empresa em busca de lucros e que operassem da mesma maneira que uma empresa privada. Há dois defeitos nessa teoria. Primeiro, é impossível brincar de empresa. Empreender significa arriscar o próprio dinheiro em um investimento. Burocratas e políticos não têm incentivo real em desenvolver habilidades empreendedoriais, em se ajustar de fato às demandas do consumidor. Eles não arriscam a perda do próprio dinheiro no empreendimento.

    Antes da crise de 2008, havia uma corrida à BMF-BOVESPA. Como ela estava apresentando ganhos significativos, todo mundo se sentia idiota por estar de fora, e queria por parte da poupança em ações. O parágrafo supracitado de Rothbard, bem como a charge da Petrobras devorada por piranhas, lembra-me de algo anedótico da época. Uns amigos e conhecidos esquerdistas que compravam ações da Petrobras (houve período em que elas se valorizaram substancialmente) sob a justificativa não (apenas) da valorização, mas de que se houvesse qualquer problema o governo socorreria a petrossauro (leia-se: minhas economias estão protegidas porque quaisquer perdas que eu sofra estas serao socializadas pelo estado ao resto da população. Agora o governo Dlma está sistematicamente dilapidando a pretrossauro. TÃO TOMANDO NA TARRAQUETA E EU ACHO BOM QUE TOMEM! MERECEM PELA VILEZA!).

    Alias, quanto já não ouvi que CEU e BB são bons investimentos em ações pelo mesmo motivo: são sólidos. Se entrarem em problemas serão socorridos/subsidiados. E tem gente que prefere fazer financiamento imobiliário na CEF e BB, mesmo que possam obter um financiamento a juros menores noutros bancos, porque pensam que num caso de inadimplência geral na economia, há + chances de um socorro a estes bancos, e eles não perderiam seus imóveis (juro! Já vi isto inúmeras vezes na época em que Real e Santander tentaram entrar no mercado de financiamentos, e ofereciam juros menores que a CEF para clientes com histórico de crédito seguro. Hoje já praticamente desistiram deste mercado porque não conseguem concorrer com a CEF pelos clientes com histórico de crédito seguro: mesmo eles tem o viés de preferir a CEF por crerem ter a chance de não perder o imóvel em caso de inadimplência).
  • Carlos Marcelo  05/12/2013 17:48
    Oi, concordo com o que foi dito, mas alguns defensores de estatais poderiam dar outros argumentos. Por exemplo, que na Alemanha, o funcionalismo público é independente de partidos políticos, são funcionários de carreira, que recebem bônus por atingir metas e bastaria implantar um sistema de meritocracia para o setor público funcionar bem. E que as estradas estatais dos países europeus são de ótima qualidade, assim como seu sistema de saúde, educação e transporte público. Não foi necessário privatizar pra ter qualidade. Basta "ter uma gestão técnica, despartidarizada". Pelo menos é o que eles dizem. Como vocês refutariam?
  • Leandro  05/12/2013 18:35
    Essa é uma tática tão manjada quanto desonesta. O sujeito simplesmente se limita a sair elencando setores sem nem sequer substanciar com a mais mínima quantidade de fatos as suas assertivas. Ele simplesmente sai dizendo que estradas, saúde, educação e transporte são tudo "gratuitos e de ótima qualidade", e já dá a discussão por encerrado.

    Será mesmo? Na Europa, as únicas estradas estatais em que você não paga pedágio para circular são as da Áustria e da Suíça. No resto, há pedágios em todas as autoestradas estatais. Até mesmo na França (aliás, o pedágio francês é especialmente caro). Como isso seria "gratuito"?

    Na saúde, o único sistema europeu que é 100% estatal é o britânico. A consequência? É o piro da Europa. Eis alguns fatos: No Reino Unido, bebês doentes estão sofrendo eutanásia compulsória. Sem recursos (que inesperado!), os hospitais do NHS (National Health Service) estão simplesmente cortando a alimentação deles, que são deixados à míngua até morrerem.

    www.dailymail.co.uk/news/article-2240075/Now-sick-babies-death-pathway-Doctors-haunting-testimony-reveals-children-end-life-plan.html

    E tem mais:

    1.200 pessoas morreram de fome nos hospitais estatais do Reino Unido (o National Health Service - NHS) porque as "enfermeiras estavam ocupadas demais para alimentá-las".

    www.dailymail.co.uk/news/article-2287332/Nearly-1-200-people-starved-death-NHS-hospitals-nurses-busy-feed-patients.html

    Todos os outros sistemas de saúde europeus são financiados com taxas compulsórias, inclusive o francês. Gratuito? Aliás, na França, a grande maioria dos médicos faz consultas privadas, mas ganham dinheiro de fundos públicos gerenciados pelo estado.

    Para entender por que uma saúde genuinamente estatal não funciona no longo prazo, veja este artigo:

    Como Mises explicaria a realidade do SUS?

    Continuando, não sei de onde inventaram que o transporte é público. Paga-se normalmente para utilizar todos eles. E as linhas de trem europeias são majoritariamente privadas.

    Sobre o funcionalismo público alemão ser independente de partidos políticos e ser formado por funcionários de carreira que recebem bônus por atingir metas, ora, isso já é feito por vários governos estaduais aqui no Brasil. E há um bom tempo. Isso não é nada de inovador ou espantoso.

    Por fim, você diz que, segundo eles, "bastaria implantar um sistema de meritocracia para o setor público funcionar bem".

    Mais uma frase meramente retórica. O que é "funcionar bem"? Como você define o "bem"? Qual o real preço desse "funcionar bem"? Se você pagar R$1 milhão mensais para cada funça do DETRAN, realmente existe uma chance de os serviços melhorarem. Mas a esse valor? Isso seria eficiente? Será realmente que o inevitável aumento de imposto compensaria isso? Será que tal serviço não seria bem mais barato e rápido se fosse meramente terceirizado? "Funcionar bem" é algo que não pode jamais estar desacompanhado da variável "custo". E a variável custo nunca entra no raciocínio destas pessoas, que genuinamente acreditam que é possível haver coisas gratuitas.

    Essas são apenas perguntas iniciais que você tem de fazer. Se você continuar dando passe-livre para pessoas que apenas se escondem na retórica, e que não dão sustentação nenhuma às suas frases de efeito, eles continuarão vencendo o debate.
  • Carlos Marcelo  06/12/2013 00:05
    Muito bom pra incrementar os argumentos. Só não tenho paciência mesmo é com quem tá do meu lado e diz que a URSS não foi um exemplo do verdadeiro socialismo. Vontade de mandar tomar naquele lugar.
  • Johnny  05/12/2013 18:37
    Responderia que, se é para ser gestão técnica e despartidarizada, não faz sentido ser estatal.. se pode ser como o exposto, por que não ser feito pela iniciativa privada?
  • Julio Heitor  26/12/2013 12:16
    Conversando ontem com meu Pai, e lendo também reportagens sobre a probabilidade de 32% de falência da Petrobras nos próximos 2 anos, ficamos pensando: Ora, o governo não deixará a Petrobras quebrar. Basta fazer capitalizações gigantescas sempre que a empresa entrar em dificuldades.

    Assim, me pergunto: Será que realmente a Petrobras irá quebrar? Será que a capacidade de capitalização do governo é ilimitada?

    Como se daria uma bancarrota da Petrobras nestas condições?

    Abraços a todos!
  • anonimous  21/10/2014 19:43
    perguntas básicas:

    Numa economia de livre mercado:

    1- Como uma companhia de água pode ter concorrência se só passa 1 cano pela rua? Teria vários canos passando ao mesmo tempo, e cada empresa nova que surgir tem que abrir buracos na rua toda?

    2- Como pode ter mais de 1 companhia de energia elétrica, se só tem 1 linha de transmissão que vai até a sua casa? como medir se a eletricidade da minha casa é da empresa A ou B se a linha é só uma?

    Teria que encher a rua de postes por todos os lados, se elas nao quiserem "compartilhar postes" por exemplo?
  • Ricardo  21/10/2014 20:56
    Explicado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646
  • Cético  26/07/2016 15:48
    Esta texto me lembrou a discussão de libertários com os sociais-democratas do partido Novo.
    Quando vejo o pessoal da lá falando em "gestão eficiente" do estado fico decepcionado. É um PSDB com maquiagem nova. Escuto esta história de "gestao eficiente" há anos.

    Não adianta, o Brasil não tem jeito.

    O interessante foi a abordagem de Rothbard em relação à escola pública. Só me lembrou da histeria dos neocons em querer apoio dos libertários para a escola sem partido.


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