Vamos culpar os alemães!

A Alemanha voltou a ser o espantalho favorito.  Poucas coisas são tão populares quanto criticar alemães.  O governo americano, a Comissão Europeia e o FMI recentemente se entregaram a este esporte e passaram a condenar a Alemanha pelo fato de sua economia estar apresentando grandes superávits comerciais e um grande saldo na conta-corrente de seu balanço de pagamentos.  Paul Krugman contribuiu com a seguinte pérola:

O problema é que a Alemanha continua mantendo seus custos trabalhistas em níveis altamente competitivos e vem apresentando enormes superávits comerciais desde o estouro da bolha — e, em uma economia mundial deprimida, isso torna a Alemanha uma parte significativa do problema.

Apenas no surreal estado atual da discussão econômica ser 'altamente competitivo' pode ser considerado algo deletério.  Esta crítica à Alemanha, aliás, não é nada nova; ele remonta à década de 1950.  Porém, não mais estamos vivendo na década de 1950.  A Alemanha não possui moeda própria e há muito pouco de genuinamente "alemão" em uma exportação alemã.

Um BMW produzido na Alemanha e vendido na Espanha contém peças oriundas de todos os cantos do mundo.  A maior parte da mão-de-obra utilizada na construção do automóvel de fato será alemã, mas as inovações tecnológicas reduziram os custos desta mão-de-obra para aproximadamente 10% do preço final de um carro na Europa.  O retorno do capital irá para os acionistas, que podem estar em qualquer lugar do mundo.  A BMW pode distribuir dividendos para um acionista espanhol, o qual poderá utilizar estes euros para comprar bens espanhóis.  Dizer que um BMW é um produto da Alemanha é algo bastante forçado.

A Alemanha também faz parte de um arranjo de moeda única.  Reclamar do superávit comercial de uma região dentro de uma área de moeda única é como reclamar que, dentro de um mesmo país, há um superávit comercial de um estado em relação a outro ou de uma cidade em relação a outra.

Aliás, podemos nos aprofundar ainda mais e reduzir esta discussão ao nível individual para esclarecer melhor o argumento e, com isso, ressaltar sua tolice.  Nós temos um superávit em conta-corrente em relação ao nosso empregador e um déficit em conta-corrente em relação ao nosso supermercado.  Nosso empregador compra mais de nós do que nós compramos dele, e o oposto é válido para nossa relação com o supermercado.  No entanto, não estamos reclamando do supermercado, exigindo que seu gerente compre mais de nossos bens e serviços.

Adicionalmente, o superávit comercial da Alemanha com outros países europeus ou com membros da zona do euro foi reduzido à metade entre 2007 e 2012.  Ao mesmo tempo, o superávit da Alemanha com o resto do mundo mais do que triplicou.  Essa é exatamente a consequência esperada de uma abertura comercial, de um aumento na divisão do trabalho e da especialização possibilitada pelo enfoque em áreas em que se possui vantagens comparativas.  Criticar essa tendência é criticar as próprias razões declaradas para a criação da União Europeia.

Por motivos difíceis de serem compreendidos, a Comissão Europeia determinou que terá de intervir caso um país-membro apresente um superávit da conta-corrente do balanço de pagamentos superior a 6% do PIB durante um período de três anos.  No ano passado, o superávit da Alemanha foi de 7%, e provavelmente será bastante similar este ano. 

Um dos princípios básicos por trás da criação da União Europeia é justamente a livre comercialização de bens e serviços, e a livre movimentação de mão-de-obra e capital.  Sendo assim, se a livre comercialização de bens, serviços, mão-de-obra e capital levar a um superávit de 10%, 20% ou mais, qual o problema?  Por que esta regra sequer existe?  Por que a Comissão Europeia quer impor uma restrição que limita a movimentação de bens, serviços e capitais?  A União Europeia não foi criada para estimular a eliminação de limitações injustificadas?  A UE não deveria se surpreender caso alguns países queiram deixar o arranjo, uma vez que ela própria está impondo regras ilógicas.

Por trás de toda esta crítica à Alemanha está, como sempre, o fantasma do mercantilismo.  Dentro da mentalidade mercantilista, uma transação comercial voluntária sempre gera um ganhador e um perdedor, sendo que a realidade é que, se a transação foi voluntária, então ambos os lados se beneficiam.  Segundo os mercantilistas, a Alemanha supostamente está produzindo mais do que está consumindo.  Obviamente, isso é uma falácia — bastante comum — que alguns adoram explorar visando a benefícios políticos.  Cada euro gasto em um carro alemão ou em qualquer outro produto alemão será recebido como renda por alguém que, por sua vez, irá gastar esta renda.  Há um elo direto entre produção e gastos.  A Lei de Say nos diz que a (correta) oferta cria sua própria demanda.  O consumo nunca necessita ser estimulado: tudo o que é produzido é consumido, seja para na produção de outros bens (investimento), seja na satisfação pessoal (consumo).

Como era de se esperar, a "solução" proposta por estes mercantilistas a este problema imaginário é obrigar a Alemanha a aumentar seus gastos governamentais.  Isso, segundo eles, estimularia o crescimento dos outros países da União Europeia.  Pouco importa que a Alemanha já tenha uma relação dívida/PIB de 82%, bem acima dos 60% que alguns anos atrás era vista como excessiva.  Trata-se de uma solução-padrão keynesiana que constantemente vai contra a lógica econômica.  Cada euro que o governo gasta é um euro que foi retirado dos cidadãos e que poderia ter sido gasto por ele.  Tudo o que governo pode fazer com seus gastos é alterar quem irá receber esse dinheiro.  Tudo o que ele pode fazer é alterar quem irá receber um pedaço do bolo.  Mas ele não pode aumentar o tamanho do bolo.

Quando a Alemanha tinha sua própria moeda, a crítica era idêntica.  E, mesmo naquele arranjo, a crítica continuava sendo infundada.  Naquela época, um superávit na conta-corrente do balanço de pagamentos alemão significava um equivalente déficit na conta de capitais.  Essa saída de capitais ia financiar os gastos governamentais da Itália ou da França, ou então investimentos em fábricas e equipamentos na Espanha, em Portugal, na China ou em qualquer outro lugar do mundo.  Novamente, palavras como superávit ou déficit são remanescentes de nosso passado mercantilista e não têm absolutamente nada a ver com coisas positivas ou negativas.

Se a Alemanha possui custos trabalhistas mais competitivos e é capaz de fabricar produtos melhores, qual o problema?  Por que isso deveria ser tolhido em nome do "bem comum"?  Desde quando uma produção eficiente é ruim para os consumidores?  A União Europeia não foi criada para tornar a Europa mais competitiva ao permitir que os recursos pudessem circular livremente e ir para onde eles fossem mais eficientemente utilizados?  As críticas à Alemanha feitas pela Comissão Europeia e pelo FMI são ainda mais descabidas quando se leva em consideração as razões dadas para a existência destas instituições.

O ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, membro do partido de centro-direita União Democrática Cristã, o mesmo de Angela Merkel, estava totalmente correto quando disse que "O superávit comercial da Alemanha não é nenhum motivo de preocupação nem para a Alemanha, nem para a zona do euro e nem para a economia mundial".  Na realidade, a Alemanha deveria ser louvada, e não repreendida.  Sua eficiência produtiva é um dos poucos fatores que ainda seguem estimulando a economia mundial.


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SOBRE O AUTOR

Frank Hollenbeck
é Ph.D. em economia e leciona na Universidade Internacional de Genebra.



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Esse comentário não faz o menor sentido. Vc usa a linguagem jurídica e estatal para condenar pessoas, mas sem nenhum processo. Ter um cargo publico não pode ser crime no regime atual. Se vc se revelasse seria claramente processado por calunia e difamação. Pois não crime sem lei que o prescreva. Que é isso? Os libertários querem se unir aos marxistas para ditar regras de moral ao mundo. A existência de um aparato que extorque e atrapalha o desenvolvimento da população, pode ser imoral mas não pode ser considerado crime no sistema atual. Tente convocar uma assembleia constituinte libertaria e acabe com o sistema atual e talvez no seupais seja crime. Como podemos responder por crimes, contra uma legislação ideológica que ignoramos, que não aprendemos nem em casa e nem na mídia. Embora os recursos da receita federal sejam usados de ma fé, isso não faz da sua existência um crime. Antes de tudo existe um regulamento, produzido pelo consentimento da sociedade que prevê a existência daquele órgão. Pelo seu ponto de vista todas as pessoas são criminosas porque o estado não tributa tudo, mas regulamenta tudo. Então para ser um libertário coerente eu teria que cancelar meu CPF, abrir mão de todo beneficio estatal que veio parar nas minhas mão, mesmo sem que eu ferisse ninguém, renunciar minha cidadania brasileira, o que mais. Resumindo ter pessoas que respeitem os direitos civis e as liberdades individuais dentro do estado, é bem melhor do que ficar se gabando e massageando o próprio ego dizendo pra todo mundo, olha só nós estamos certo, todos vocês são ladroes, sem fazer nada pela liberdade.
Se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente -- por favor, me digam -- seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ei, Marcelo Siva, quer falar de escravidão? Vamos lá (aliás, é hora de você começar a responder perguntas, como todos fizeram com as suas):

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

No aguardo das suas respostas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Valente L  29/11/2013 13:12
    Eu não tinha acreditado nessa citação do Krugman ai em cima... (apesar de saber o nível do cidadão...)

    Fui checar e ,Nossa Senhora, como esse Krugman cospe m***. Que cara DOENTE!

    www.nytimes.com/2013/11/04/opinion/krugman-those-depressing-germans.html

    Quanto ao Hollenbeck, esse é o tipo de artigo leio e não consigo acreditar no nível de estupidez que esse povo (políticos / "economistas") chegou.


  • jaspion  29/11/2013 13:17
    interessante!
    isso mostra bem o perigo que significa participar de blocos "econômicos" e deixar que países tenham sua economia controlada por bancos ou outras entidades estrangeiras. Se a Alemanha for esperta, ao ser punida, declararia sua saída do bloco EURO e voltaria a usar sua antiga moeda ou criaria uma nova.

    o fato é que ser punido por ser eficiente é um absurdo grotesco. Seria como reprovar um aluno porque ele tirou nota 10 em todas as disciplinas. Nunca vi isso!
  • Change Dragon  29/11/2013 17:15
    É só eles usarem suas reservas em ouro como lastro (se é que elas ainda existem), e pro inferno com o euro!
  • L. Levlavi  29/11/2013 22:12
    As reservas existem e eles já estão trazendo-as de volta para a Alemanha...
  • Change Griffon  30/11/2013 10:46
    Leia o artigo. O autor levanta dúvidas à existência destas reservas.
  • Leonardo Faccioni  29/11/2013 13:18
    "O problema é que a Alemanha continua mantendo seus custos trabalhistas em níveis altamente competitivos e vem apresentando enormes superávits comerciais desde o estouro da bolha — e, em uma economia mundial deprimida, isso torna a Alemanha uma parte significativa do problema." (Paul Krugman)

    Pode alguém ler um tal libelo sem recordar, imediatamente, o enredo de "Atlas Shrugged"?

    Escrever ficção em nossos dias é atividade demasiado difícil. A concorrência exercida pelas personas do mundo real é de uma competitividade espantosa!
  • Pedro Ivo  29/11/2013 17:17
    Escrever ficção em nossos dias é atividade demasiado difícil. A concorrência exercida pelas personas do mundo real é de uma competitividade espantosa!

    Errata: escrever ficção é fácil; conseguir vaga no hospício por delírio é que são elas.
  • Filipe F.  29/11/2013 13:22
    "A Lei de Say nos diz que a (correta) oferta cria sua própria demanda. O consumo nunca necessita ser estimulado: tudo o que é produzido é consumido, seja para na produção de outros bens (investimento), seja na satisfação pessoal (consumo)."

    Fiquei na dúvida do que seria essa "correta" oferta?

    Abs!

  • Magno  29/11/2013 13:31
    Explicado no artigo linkado. É só clicar e ler. Taí abaixo para facilitar.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1164
  • Valente L  29/11/2013 13:40
    Quando há uma "desestruturação" na estrutura do capital, via aumento da oferta monetária.

    Isso cria um descompasso entre as visões dos ofertantes vs visões dos demandantes.

  • Daniel  29/11/2013 13:37
    Isso me lembrou dos tempos da escola, onde a nota boa de 1 ou 2 nerds expunha a vagabundagem daqueles que não queriam nada com nada. Esses pensavam em estudar mais? Claro que não, eles sonhavam mesmo era em acabar com os nerds, pois ninguém indo bem nas provas dava pra colocar a culpa no professor.
  • Willian  29/11/2013 14:26
    Realmente essa logica faz todo sentido, vendo por esse ponto da para perceber qual é o real problema.
  • Andre  29/11/2013 15:18
    Pensei na mesma coisa, e postei, antes de ler seu comentário.
    Aliás, pelo visto várias pessoas pensaram na mesma analogia!

    Realmente, são um bando de vagabundos que querem que todos se rebaixem ao nível deles.
    Os alunos burros e os governantes.
  • Diego Bretas  29/11/2013 14:54
    Brilhante o texto,

    Moro na França e estou estudando economia aqui e a situação é EXATAMENTE essa retratada no texto, os franceses (minha professora e colegas de turma) todos culpam os alemães pelo superávit, e ao invés de pensar em seguir o exemplo alemão ou algo do tipo, querem que os alemães desistam de sua política que está funcionando e se juntem a eles.
  • Pedro Ivo  29/11/2013 17:25
    idiotice + inveja = frances
  • Lopes  29/11/2013 18:43
    Pergunto-me quando a velha França dos físicos e engenheiros industriais foi corrompida por indivíduos fanáticos pelo estado e aversos completamente ao empreendimento e à inovação. Reconheço a crítica do Pedro Ivo e receio ter de concordar: o pensamento francês que vem a nós é suspeitosamente semelhante ao produzido por quaisquer intelectuais titulares de uma certa federal paulista da qual guardo um ressentimento.

    Mesmo entre os empresários franceses, é chocante que ainda tenham de demonstrar vergonha ou evitar protestar aqueles que deixaram o país pelo absurdo imposto de renda de 75%. Um dia, ao ler uma coleção de redações de alunos de 16~18 anos cujo tema era, estranhamente, a "função social do empreendedorismo e os limites(?) que deve ter o lucro", fui decepcionado mas não surpreendido com o fato de que apesar de ser uma escola privada cara e renomada, todas as redações que me eram legíveis condenavam o empresariado (juntamente aos textos de doutrinação, ou melhor, de apoio; que ficam próximos à folha de redação) de todas as formas. O texto mais bem avaliado elogiava o controle de preços e acreditava que ao restringir as "margens de lucros exploratórias", o estado incentivava a criação de empregos(?).

    Frente a este cenário absurdo, ao menos somos capazes de enxergar ainda mais claramente a importância do trabalho que está sendo feito pelo IMB.

    Sobre empreendedorismo e a importância das ideias que o defendam, recomendo este podcast:
  • Mohamed Attcka Todomundo  30/11/2013 20:34
    lopes, vc é professor? ja pensou em usar akelas 10 liçoes do Iorio com seus alunos. ja vi umas pessoas aki nas postagens dizendo q deram elas aos filhos e sobrinhos p/ imunizar as crianças. de repente...
  • Andre  29/11/2013 15:15
    Hahahaha, esses keynesianos e socialistas são uma piada.

    É como se em uma sala de aula um aluno levasse bronca do pai porque tirou nota 5.
    Daí o filho explica pro pai que praticamente TODA a turma tirou notas próximas de 5,
    e diz que o único empecilho para alcançar a "igualdade" na turma é um aluno muito
    inteligente que tirou 10, o aluno diz: "Se não fosse por ele todos nós seriamos iguais!".

    Quando eu leio/ouço a palavra "igualdade" sei que na maioria das vezes ela deve ser
    trocada por "mediocridade" para se entender o que o interlocutor realmente quis dizer.

    O Krugman quer que a Alemanha desça até o mesmo nível de mediocridade do resto do mundo.
    Assim todos serão igualmente medíocres, ou seja: mediocremente medíocres.
  • Moralista  29/11/2013 15:35
    Alemanha só não é a primeira potência mundial, a locomotiva que os EUA se intitulam, porque foi durante quase 100 anos aviltada por indenizações relativas a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, além de ter quase a totalidade de seus cientistas, intelectuais e classe empreendedora atraídas de forma coercitiva e criminosa para os EUA ou Inglaterra.
    Somente as indenizações em dinheiro somam, corrigidas pela inflação, mais de 2 trilhões de dólares.
    De forma perseverante os alemães foram superando todos obstáculos.
    Agora, vendo que mesmo extorquindo uma nação por quase um século, os "donos do poder" não se contentam e fazem tudo que é bizarrice para impedir a vitória da nação alemã.
    Na história, tudo se repete. Vá que surja um novo líder populista... Isto pode não dar em boa coisa...
  • Bruno D  29/11/2013 16:45
    Esse paul Krugman.. ele só pode estar ganhando (e muito bem) para colocar tanta desonestidade em seus argumentos.
  • Eduardo  29/11/2013 16:52
    O mal que os países latino-europeus (França, Itália, Espanha, Portugal) e os países latino-americanos sofrem é o seu povo achar que cultura gera mais riqueza que tecnologia. Cultura remete ao passado; tecnologia ao futuro. Os povos germânicos valorizam mais a tecnologia, daí porque a Alemanha sempre ficará na vanguarda da Europa. Infelizmente, tecnologia e riqueza estarão sempre de mãos dadas, assim como cultura e pobreza. Quem ignora a tecnologia só tende a empobrecer. Isso vale tanto para uma pessoa quanto para um país.
  • Felix  29/11/2013 17:53
    Que comentário mais doido
    quer dizer que não existe cultura alemã?
  • Andre Cavalcante  29/11/2013 18:48
    "Que comentário mais doido
    quer dizer que não existe cultura alemã?"

    Ou tecnologia japonesa?
  • Eduardo  29/11/2013 19:04
    Existe, mas eles dão mais valor à tecnologia; não deixam de valorizar o passado, mas o futuro é mais importante. Diferente dos povos latinos, que são mais saudosistas. Essa é a grande diferença da mentalidade germânica para a mentalidade latina, daí que os povos germânicos tendem a ser mais modernos e vanguardistas que os povos latinos.
  • JBALL  29/11/2013 17:12
    Uma dúvida.. Supondo que no mundo há 4 países: A,B,C,D.
    em 1 mês..
    A exporta para B e C no valor de 10 cada.
    B exporta para C e D no valor de 5.
    C exporta para A no valor de 20.
    e D não exporta.

    No final do balanço temos teríamos;
    A: +20 - 20 = 0
    B: -10 +10 = 0
    C: -10 -5 +20 = 5
    D: -5 = -5

    A e B mantiveram um balanço bom, mas C possui agora mais dinheiro e D menos.

    Agora se essa situação se repetir por mais 30 meses.. teríamos então C = 150 e D = -150.

    O país D estaria com cada vez menos dinheiro.

    Não é isso a que acontece hoje?
  • Murphy  29/11/2013 17:25
    Onde isso ocorre hoje?

    Se um país não exporta nada, então ele só irá conseguir importar se receber investimentos estrangeiros. Se isso também não ocorrer, então ele simplesmente não conseguirá importar nada. Logo, as exportações de A, B e C para D simplesmente não existiriam. Seu cenário, portanto, é irreal.
  • Pedro Ivo  29/11/2013 17:50
    Se isto que você citou ocorresse à D, então vejo os seguintes canários:

    [1] neste país está havendo destruição de capital: se você mês a mês exporta + que importa, por anos a fio, então sua estrutura de capital esta se depreciando. Seu consumo é sustentado por obsolescência da estrutura produtiva. É o que ocorre na Argentina atual. Isto é insustentável indefinidamente.

    [2] está havendo uma reestruturação da estrutura produtiva. Neste local, mês a mês, gasta-se com renovação de capital. Logo, espera-se, no futuro, haverá uma reversão destes déficits. mas Isto é insustentável indefinidamente, caso este investimento em capital não dê retorno.

    [3] este pais produz algum tipo de meio de troca, fiduciário, universalmente utilizado. É o caso dos EUA, que por imprimirem a moeda internacionalmente utilizada para comércio, cobre seus déficits exportando moeda e títulos da dívida pública. Isto é insustentável indefinidamente: a conta um dia será cobrada.

    [4] este pais produz algum tipo de meio de troca, commoditie, universalmente utilizado: por ex., ouro, prata, platina, paládio (qualquer dos quatro, isolados ou em arranjos). E mês a mês importa os d+ bens dando estas commodities em pagamento. É sustentável enquanto suas reservas durarem. Um caso atual que oferece uma ilustração de algo semelhante é a Arábia Saudita, que dá petróleo em pagamento por suas importações (embora intermediado em dólares esta troca de petróleo pelos d+ bens). A Arábia Saudita, se não me engano, até apresenta superávits ano após ano, mas se apresentasse déficits daria na mesma: só tem petróleo para financiar seus gastos.
  • Pedro Ivo  29/11/2013 18:30
    Errata: [1] neste país está havendo destruição de capital: se você mês a mês importa + que exporta...
  • Pobre Paulista  29/11/2013 18:39
    Não se esqueça que nesse seu cenário, C teria muito dinheiro e D teria pouco dinheiro. Isso faria com que os preços em C subissem e em D baixassem, forçando assim com que as pessoas de C passem a compras coisas de D e reequilibrando as contas, desde, claro, que não existam políticas protecionistas interferindo.
  • L. Levlavi  29/11/2013 22:28
    JBALL, nas provas da FACAMP e UNICAMP com esse raciocínio sua nota seria DEZ (10)!

    Parabéns.
  • JBALL  30/11/2013 00:30
    mas por exemplo, se o país D tiver produtos e serviços inferiores, que seria o caso de um país africano por exemplo; com a concorrência dos outros, ninguém iria comprar os produtos do país D. Ele teria que virar subsistente, e acabar com suas importações devido aos cenários insustentáveis que você afirmaram.
  • Pedro Ivo  30/11/2013 10:38
    se o país D tiver produtos e serviços inferiores, que seria o caso de um país africano por exemplo;

    Isto já acontece. Pense em países como Guiné Bissau, Djibuti ou Cabo Verde. As exportações são reduzidas, o mercado consumidor interno pequeno, atraem poucos investimentos porque tem pouco a oferecer e porque as regulações internas são desestimulantes ao investimento estrangeiro como ao empreendedorismo. São lugares pobres, que se beneficiam pouco do comércio internacional: exportam pouco, logo, não podem importar muito.

    ...com a concorrência dos outros, ninguém iria comprar os produtos do país D. Ele teria que virar subsistente, e acabar com suas importações devido aos cenários insustentáveis que você afirmaram.

    Sim. Isto já acontece com muitos estados. Suas economias são de subsistência porque não há capital instalado para aumentara produtividade do trabalho (leia por ex.:A pobreza é fácil de ser explicada ). São estados fracassados: suas fronteiras são totalmente artificiais porque sequer é capaz de defendê-las. Só existem como estados porque os d+ estados os reconhecem. Ex.: Haiti.

    Logo, os cenários não são insustentáveis: apenas conduzem à + opressiva pobreza e miserável existência.
  • Andre  30/11/2013 10:43
    Não, mesmo países que são inferiores em produzir todo e qualquer produto podem se fazer comércio de forma lucrativa, conforme explicado teoria das vantagens comparativas:

    Vantagem comparativa

    Por analogia, aplicando-se essa lei à indivíduos pode-se perceber que mesmo um completo incapaz, que mal sabe varrer um chão estará em vantagem se escolher trabalhar para alguém varrendo o chão do que ficar em casa e varrer apenas o chão da própria casa.

    Claro que com isso percebe-se que poderíamos ter pleno emprego, até porque a demanda por mão de obra é infinita enquanto a oferta é finita. Mas os governos estão aí pra impedir o pleno emprego custe o que custar.
  • Ali Baba  30/11/2013 11:56
    @JBALL 29/11/2013 17:12:07,

    Você está descrevendo em D a situação de diversos estados-ilha. São países que não exportam nada, têm um solo impossível de praticar agricultura (ou uma extensão pífia) e têm de importar praticamente tudo.

    Esses países têm um problema para resolver e podem optar pelo jeito capitalista ou pelo jeito socialista para resolvê-lo. O jeito capitalista ignora completamente os déficits e os superávits da "balança comercial" e simplesmente acha alguma coisa que o resto do mundo queira comprar dele, por exemplo, turismo. Não dá exatamente para chamar turismo de "exportação", mas se estrangeiros deixam dinheiro na sua ilha em troca de um mergulho pelos recifes próximos, você pode usar esse dinheiro para comprar os bens que precisa de outros países e que não pode produzir. Aqui descrevi a República de Mauritius, por exemplo.

    O jeito socialista fecha a nação e impede as pessoas de comprar coisas do "estrangeiro". Controla o movimento de pessoas e capital e "zera" a balança comercial simplesmente por não comprar mais nada de fora. Aqui descrevi Cuba.

    Alguns outros países inventam uma "terceira via", que comumente chamamos de Mercantilismo. Infelizmente esse sistema é adotado em praticamente todo o mundo, em maior ou menor grau. A tragédia desse sistema é que ele caminha para o socialismo de forma inexorável. Pode demorar alguns anos ou algumas décadas, mas qualquer coisa que começa no Mercantilismo tende ao Socialismo.
  • Diogo  30/11/2013 17:32
    No caso de D continuar seguidamente com o déficit no balanço de pagamentos teremos uma diminuição na oferta monetária, que forçará os preços para baixo equilibrando a balança comercial, e em determinado momento virará superávit, o qual fará aumentar a oferta monetária pressionado os preços para cima, ou seja, em uma economia livre o balanço de pagamentos tende ao equilíbrio, oscilando entre períodos de déficit e superávit.
  • Emerson Luis, um Psicologo  29/11/2013 17:59

    Também pensei automaticamente na comparação de dizer que a "culpa" da nota baixa dos alunos negligentes é daquele estudante que se empenha para tirar notas boas.

    * * *
  • Valente L  29/11/2013 18:10
    D pega emprestimo de C, pra pagar.
  • Karin  30/11/2013 02:00
    Não acredito que o problema com a Alemanha seja unicamente econômico... O que deve incomodar esses socialistas é o fato da Angela Merkel ser Conservadora.


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