Os cinco pilares da liberdade econômica
O grande debate entre capitalismo e socialismo sofre de uma enorme falta de clareza a respeito de suas respectivas definições.  É imperativo entender que há uma diferença intransponível entre "capitalismo genuíno" e "capitalismo corporativo", ou, como dizem, capitalismo de compadres. 

O que exatamente você entende por 'capitalismo'?

Diariamente, por exemplo, lemos sobre como a bagunça econômica na Europa representa uma "crise do capitalismo".  Oi?  Já faz mais de cem anos que os governos europeus não mais deixam suas economias crescerem por conta própria, sem coagi-las com regulamentações, sem tributar espoliativamente o público, sem inundar o sistema financeiro com dinheiro falso criado do nada, sem cartelizar o sistema produtivo, beneficiando os amigos do regime, sem criar inúmeros benefícios assistencialistas, sem financiar colossais programas de obras públicas e por aí vai.

Alguns defensores da liberdade de mercado acreditam que o termo "capitalismo" deveria ser descartado permanentemente porque gera confusão.  As pessoas podem pensar que você preconiza o uso do estado para defender o capital contra o trabalho, o uso de políticas públicas para defender importantes empresários contra os consumidores ou a imposição de prioridades políticas que favoreçam os negócios à custa do trabalho.

Se um termo explica uma ideia com grande acurácia, ótimo.  Mas se ele causa confusão, então tem de ser alterado.  A linguagem é algo que está em constante evolução.  Nenhum arranjo específico de letras pode embutir em si um significado imutável.  E o que está em jogo neste debate sobre a liberdade de mercado (ou o capitalismo ou o laissez-faire ou o livre mercado) é um conteúdo de profunda importância.

É com o conteúdo, e não com as palavras, que devemos nos importar.  Não é exagero algum dizer que o futuro da civilização, o qual está cada vez mais periclitante, depende disso.

A seguir, cinco elementos essenciais a esta ideia de liberdade de mercado, ou seja lá como você queira chamar este arranjo.  Trata-se de meu breve resumo sobre a visão liberal clássica a respeito da sociedade livre e de seu funcionamento, visão esta que não se resume apenas à economia, mas sim a tudo de que depende nossa vida.

Vontade 

Mercados se resumem ao exercício da escolha humana em todos os níveis da sociedade.  Tais escolhas se estendem a todos os setores e a todos os indivíduos.  Você pode escolher o seu trabalho.  Ninguém pode obrigar você a ter um emprego que você não queira, mas você também não pode obrigar nenhum empregador a lhe contratar.  Da mesma forma, ninguém pode obrigar você a comprar nada, mas você também não pode obrigar ninguém a vender algo para você. 

Este direito à liberdade de escolha reconhece a infinita diversidade que existe dentro de todo o conjunto de indivíduos que forma uma sociedade (ao passo que políticas governamentais têm necessariamente de supor que as pessoas nada mais são do que meras unidades perfeitamente permutáveis).  Algumas pessoas sentem uma vocação para viver uma vida de oração e contemplação em uma comunidade de religiosos fervorosos.  Outras possuem um talento para gerenciar ativos em fundos de alto risco.  Já outras preferem as artes, ou a contabilidade, ou qualquer outra profissão ou vocação que você puder imaginar.  Qualquer que seja sua vocação, você pode segui-la livremente, desde que o faça de maneira pacífica, sem iniciar violência ou coerção contra terceiros.

Você tem liberdade de escolha; porém, em suas relações com terceiros, "acordo" ou "concordância" é a palavra-chave.  Isto implica a máxima liberdade para todos os indivíduos na sociedade.  Também implica um papel máximo para aquilo que chamam de "liberdades civis".  Implica ter liberdade de expressão, liberdade de consumo, liberdade de comprar e vender, liberdade publicitária e assim por diante.  Nenhum arranjo de escolhas possui privilégios legais sobre outros.

Propriedade

Caso houvesse uma infinita abundância de recursos no mundo, não haveria necessidade de propriedade sobre os recursos.  Porém, considerando a realidade do mundo em que vivemos, sempre haverá potenciais conflitos sobre recursos escassos.  Estes conflitos podem ser resolvidos por meio de uma simples e brutal guerra por estes recursos, ou pelo reconhecimento de direitos de propriedade.  Se quisermos paz em vez de guerra, vontades e escolhas em vez de violência, produtividade em vez de pobreza, todos os recursos escassos — sem exceção — terão de ser propriedade privada.

Todos os indivíduos podem utilizar sua propriedade de qualquer maneira que seja pacífica.  Não há limites para a acumulação nem a necessidade de permissão para acumulações.  A sociedade não pode declarar que alguém já está excessivamente rico (e que, logo, parte de sua riqueza deve ser confiscada) e nem proibir o asceticismo ao declarar que alguém é excessivamente pobre (e que, logo, terceiros devem ser roubados para que se possa enriquecer o pobre).  Em situação alguma pode alguém pegar o que é seu sem sua permissão.  Você tem plena liberdade de estipular como será a distribuição de sua propriedade para seus herdeiros após você morrer, sem que ninguém confisque uma fatia desta sua propriedade.

O socialismo realmente não é uma opção para o mundo material.  Não é possível haver propriedade coletiva de qualquer coisa que seja materialmente escassa.  Alguma facção sempre acabará exercendo o controle dos recursos em nome da sociedade.  Inevitavelmente, esta facção será a mais poderosa da sociedade — ou seja, o estado.  É por isso que todas as tentativas de se criar socialismo sobre bens ou serviços escassos sempre degenera em sistemas totalitários.

Cooperação

Vontade e propriedade garantem a qualquer indivíduo o direito de viver em um estado de total isolamento, em um estado de pura autarquia.  Por outro lado, tal arranjo não levará ninguém muito longe.  O indivíduo que assim deseja viver será pobre e sua vida, muito curta.  Indivíduos necessitam de outros indivíduos para poder viver uma vida melhor.  Nós incorremos em atividades comerciais para melhorarmos mutuamente nossa situação.  Cooperamos por meio do trabalho.  Criamos e desenvolvemos todas as formas de associação mútua: comercial, familiar e religiosa.  A vida de cada um de nós é aprimorada pela nossa capacidade de cooperar, de alguma forma, com outras pessoas.

Em uma sociedade baseada em vontades e desejos, em propriedade e cooperação, redes de associações humanas se desenvolvem ao longo do tempo e do espaço para criar as complexidades da ordem social e econômica.  Ninguém é o senhor da vida de ninguém.  Se quisermos ser bem sucedidos em nossas vidas, temos de aprender a bem servir outros indivíduos — nossos clientes — da melhor maneira possível.  Empresas e empreendedores servem a seus consumidores.  Gerentes servem a seus empregados assim como os empregados servem à sua empresa.

Uma sociedade livre é uma sociedade de relações humanas extensivas.  É uma sociedade de amizade ampliada para todos os setores.  É uma sociedade de prestação de serviço, de benevolência e de cuidado para com a qualidade dos serviços ofertados para todos os indivíduos.

Aprendizado

Ninguém nasce sabendo muito a respeito de qualquer coisa.  Aprendemos com nossos pais e professores, mas, ainda mais importante, aprendemos com os infinitos pedaços de informações que chegam a nós a cada instante do dia ao longo de todas as nossas vidas.  Observamos o sucesso e o fracasso de terceiros, e aprendemos com eles.  Acima de tudo, somos livres para aceitar ou rejeitar estas lições.  Isso vai de cada um.  Em uma sociedade livre, temos a liberdade de emular os outros, acumular sabedoria e colocá-la em prática, ler e absorver ideias, extrair informações de toda e qualquer fonte, e adaptá-las ao uso que mais nos aprouver.

Todas as informações com as quais nos deparamos ao longo de nossas vidas são bens gratuitos e não-escassos, desde que obtidas não-coercivamente.  Elas não estão sujeitas às limitações da escassez porque são infinitamente copiáveis.  Você, eu e todas as outras pessoas da sociedade podemos ter uma mesma informação e ainda assim ela não será escassa.  A informação é algo que pode ser propriedade coletiva, sem limitações.

E é justamente neste ponto que encontramos o lado "socialista" do sistema capitalista.  As receitas para o sucesso e para o fracasso estão disponíveis em todos os cantos, e plenamente livres para serem estudadas e utilizadas — ou descartadas.  É por isso que a própria noção de "propriedade intelectual" é hostil à liberdade: ele sempre implica a coerção de pessoas e, consequentemente, a violação dos princípios da vontade, da autêntica propriedade e da cooperação.

Concorrência

Quando as pessoas pensam em capitalismo, provavelmente 'concorrência' é a primeira ideia que vem à mente.  Porém, tal ideia é amplamente mal compreendida e interpretada.  Concorrência não significa a necessidade da existência de vários ofertantes de todos os tipos específicos de bens e serviços, ou a necessidade da existência de um determinado número de produtores de qualquer coisa.  Concorrência significa apenas a não existência de limites legais (coercivos) à entrada no mercado, o que significa que, falando mais diretamente, não deve haver restrições à maneira como podemos servir uns aos outros.  E, realmente, há infinitas maneiras nas quais isto pode ocorrer.

Nos esportes, a competição possui um único objetivo: vencer.  Na economia de mercado, a competição também possui um objetivo: atender ao consumidor com um grau de excelência continuamente crescente.  Esta excelência pode vir na forma de uma oferta de produtos ou serviços mais baratos e de melhor qualidade, ou na forma de novas inovações que atendam às necessidades das pessoas de forma mais eficiente e barata do que os produtos e serviços já existentes.  Competição não significa "aniquilar" os concorrentes; significa se esforçar para fazer um serviço melhor do que todos os seus concorrentes.  

Qualquer ato competitivo é um risco, um salto rumo a um futuro desconhecido.  Se o julgamento foi certo ou errado, isto é algo que será ratificado pelo sistema de lucros e prejuízos.  Lucros e prejuízos são sinais enviados pelo mercado que servem como mensurações objetivas: eles mostram se os recursos estão sendo utilizados corretamente ou não.  Estes sinais são derivados dos preços cobrados pelos empreendedores e pelos custos nos quais eles incorrem para produzir, e são estabelecidos livremente no mercado — o que significa dizer que os preços atuais são um mero reflexo de todos os acordos prévios que foram feitos entre indivíduos com liberdade de escolha.

Ao contrário dos esportes, não há um ponto de chegada para a competição do mercado.  Trata-se de um processo que nunca acaba.  Não há um vencedor final; há um contínuo e ininterrupto rodízio de excelência entre os competidores.  E qualquer um pode entrar no jogo, desde que participem dele pacificamente.

Resumo

Aí está, portanto: vontade, propriedade, cooperação, aprendizado e concorrência.  Eis aí, a meu ver, a essência do capitalismo, exatamente como ele foi descrito pela tradição liberal-clássica, a qual foi aprimorada pelos teóricos sociais austríacos do século XX.  Não se trata exatamente de um sistema, mas sim de um arranjo social — para todas as épocas e lugares — que favorece o desenvolvimento humano.

Não é difícil, portanto, especificar a visão política de genuínos liberais: se algo se encaixa nestes requisitos, somos a favor; se não, somos contra.  Donde vem a pergunta: a atual crise mundial é realmente uma crise do capitalismo?  Ao contrário, um autêntico capitalismo é a solução para os maiores problemas do mundo atual.

________________________________________

Leia também:

As diferenças essenciais entre uma genuína economia de livre mercado e uma economia intervencionista

Seria o liberalismo uma ideologia a serviço de empresários?


0 votos



"No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas."

Errado. Poderiam também ser pagos por qualquer um que se voluntariasse a pagar em nome de terceiros. Seria, tenho certeza, o seu caso em relação ao catador de papelão.

"Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido)."

Isso ocorre diariamente no arranjo estatal em que vivemos. E nunca o atropelador é punido.

Aliás, houve um caso em que uma adolescente e modelo foi atropelada em Belo Horizonte, num bairro chique. Ela ficou aleijada (teve a perna amputada) e a motorista embriagada teve apenas uma multa de R$ 1,5 mil.

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/12/29/interna_gerais,603237/jovem-atingida-por-carro-na-raja-gabaglia-tem-perna-amputada.shtml

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/04/20/interna_gerais,639299/a-superacao-de-paola.shtml

revistaglamour.globo.com/#/noticia/Na-Real/noticia/2015/11/modelo-que-perdeu-perna-posta-foto-de-biquini-e-recebe-elogios-dos-fas.html

Que bela justiça estatal!

Ou seja, o pior cenário que você vislumbra num ambiente anarcocapitalista já ocorre rotineiramente no arranjo de justiça estatal em que vivemos.

Já no caso do catador de papelão, haveria ao menos uma chance: você poderia começar uma campanha nas redes sociais para coletar o dinheiro necessário para processar é punir o motorista. Seria até fácil.Se hoje as pessoas arrecadam dinheiro até para abrir hamburgueria, certamente não faltariam doadores para ajudar nesta causa tão mais nobre.

Solução tem pra tudo; o que é realmente difícil é nêgo conseguir pensar fora da Matrix estatal a qual foi condicionado.
Aos que acompanham Instituto Mises Brasil:
Deixo aqui uma pergunta para reflexão dos que acompanham esta página. Para haver justiça, é necessário investigação.
No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas (e não por um Estado).
Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido).
Suponhamos também que a vítima vivia em uma casa extremamente simples, sozinho (por ter abandonado o contato com a família há muitos anos), e que seus escassos bens fossem insuficientes para cobertura de gastos de investigação e justiça privadas.
Neste caso, para que a investigação descubra a autoria do crime e a sociedade possa vislumbrar a possibilidade de justiça, quem arcaria com os custos? Quem faria a opção pelo tribunal que poderia julgar a causa? Quem acompanharia a causa para que fosse devidamente solucionada?
Lembrando que o motorista irresponsável teria fugido e não deixado vestígios suficientes (à princípio) para ser encontrado e responsabilizado pelo ato.
A sociedade que consistisse em justiça e investigação privadas (com custos 100% privados) não se importaria com a elucidação e punição em casos como o descrito acima? Ficaria o motorista embriagado livre, mesmo tendo atentado contra a vida de outro?
Na suposição, usei como exemplo um catador de papelão, mas a análise serviria para qualquer possível vítima de injustiça que não dispusesse de recursos suficientes para cobrir os custos de investigação e justiça privadas.
O que acham?
É uma dúvida real. Gostaria de verificamos possíveis respostas com educação e respeito.
Grato!
Eu morei 5 anos em Paris. Lá, a educação é gratuíta, obrigatória, e vai de 7 da manhã ás 17:00, De segunda à sexta, menos na quarta-feira. Esse é o dia do "se vire" para os pais, quando eles têm que ficar com os filhos de uma forma ou de outra. Uns levam para o trabalho, outros deixam em creches, outros arrumam uma babá por um dia.

As crianças são obrigadas a decorar poesias. O vestibular é feito no final do segundo grau, pra avaliar o quanto aprenderam, e filosofia é obrigatória. As provas não são de múltipla escolha. São feitas na forma de redações com 4 folhas de papel almaço. Se chama Bacalaureat, ou BAC, como todos chamam.

E por isso os franceses arrumam emprego em qualquer lugar do mundo onde vão, em geral chegam no estrangeiro e criam a próprias empresas. //existe ensino profissionalizante em todos os níveis, os professores, assim como todos, fazem reciclagens e avaliações constantes. é um sistema mais complexo, criado por pessoas com muita cultura. Sem falar que os franceses leem mais de 20 livros por ano. Existe a divisão que existia antigamente no segundo grau, exatas, biomédicas, humanas, artes... Se houvesse mais estudos no Brasil, saberíamos estudar os sistemas de ensino mais adequados para nosso país, na situação que se encontra. Poderíamos copiar as técnicas de sucesso destes países, ou mesmo daqui, de escolas que trazem sucesso aos alunos. Mas quando o povo não tem estudo, e confunde cultura popular com cultura geral, esquizofrênicos delirantes como o Carlos Magno dos pobres fazem um impichement, e ditam regras toscas como suas mentes delirantes, pois acham que ao poder é algo que deve ser conquistado por conchavos de ordens discretas. Me refiro ao presidente em exercício, que é maçom.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anônimo  27/11/2013 11:58
    Aprendizado acontece aqui no mises.org.
    A cada dia, a cada artigo, a cada podcast, eu aprendo um pouco mais.
    A cada dia, a cada artigo, a cada podcast, eu me afasto ainda mais do estatismo.
    Esse artigo do Tucker tá muito didático. Só não entende quem não quer.
  • Douglas  28/11/2013 03:26
    Esse é o grande problema meu caro amigo, a maioria não quer, portanto não vão aprender. Muito triste.
  • anônimo  26/02/2016 14:06
    Só os socialistas que se negam a realidade.
  • Guilherme  27/11/2013 11:59
    Muito bom artigo, desfaz alguns dos preconceitos em relação ao capitalismo, colocados na cabeça do povo pela doutrinação estatal corporativista
  • Eduardo  27/11/2013 12:00
    Adoro artigos assim, simples práticos e que mostram a essência de tudo.
    Disse algo relacionado a isso esses dias para alguns amigos, falando que a culpa de todas essas crises não é o capitalismo mas a falta de um verdadeiro capitalismo.
  • Joao  27/11/2013 12:08
    Bom artigo..so discordo da frase " voce pode escolher seu emprego...Nem sempre

    Para nao morrer de fome alguns sao obrigados a carregar lixo!!
    E duvido que alguem goste de ser lixeiro

    E melhor dizer que a "a cada um segundo a sua competencia"

    Ou seja, sendo franco e nao hipocrita, vai cuidar do lixo sim aquele estupido e idiota...problema dele..ou o lixo ou a fome

    E cruel mas e a verdade...

    E nao poesias de que e possivel escolher o trabalho

    O que precisa haver e oportunidade para todos de educacao
    Ai cada um fara suas escolhas..
  • Ricardo Chaves  27/11/2013 12:26
    Seu pensamento é totalmente elitista, prezado João. Como assim "lixeiro não gosta de ser lixeiro"? E por que parar em lixeiro? Da mesma forma que vejo vários lixeiros sorridentes e fazendo com grande alegria seu trabalho, posso lhe apontar várias profissões muito bem remuneradas cujos profissionais são pra lá de infelizes. No próprio serviço público, por exemplo (setor para onde vão os incompetentes), tá cheio de gente deprimida com a profissão e com o fato de saber que estão ali porque, no fundo, não sabem fazer mais nada da vida a não ser carimbar relatórios.

    Isso que você falou nada mais é do que um clichê marxista-elitista: se o trabalho é mal remunerado e pouco confortável, então é claro que quem o faz não gosta. O que dá a entender que, se o trabalho é bem remunerado e feito numa repartição com ar condicionado, o sujeito o executa com alegria radiante. E a realidade é bem diferente disso.
  • mogisenio  27/11/2013 13:21
    Tirante as limitações de interpretação, acredito que compreendi o que o João quis dizer. Concordo em partes com os argumentos dele. De fato, dependendo do contexto, pode-se concluir que trabalhar como lixeiro não seria algo "livremente" desejado.

    Igualmente, caro Ricardo, posso concordar com os seus argumentos. De fato, a profissão de lixeiro não é tão ruim assim ( dependendo do contexto, ou do "país", por exemplo).
    Se formos pensar bem sem o lixeiro, viveríamos no lixo. Por outro lado, o lixo, em si não necessariamente pode ser definido como algo ruim. Ora, se reciclado, além de uma possível "economia" de fatores, pode gerar ainda mais riqueza. Enfim.

    Nesse sentido, se o lixo pode ser a escolha (cooperação de alguns), naquela parte socialista do capitalismo tratada no texto, garantir a segurança, via atuação no setor público, pode ser a escolha de outros (cooperação).

    Competência ou incompetência pode ocorrer tanto na "cooperação" do lixeiro quanto na cooperação do servidor.

    Portanto, com o devido respeito, parece-me que a argumentação racional não foi privilegiada neste princípio de debate. Boo Hooray

  • Gafanhoto  27/11/2013 16:29
    Lembrei de uma manchete de um tempo atrás sobre mais de cem mil candidatos a lixeiro no Rio:
    www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u641621.shtml

    Me parece que existe uma parcela da população que não acha a profissão tão ruim assim.
  • Jeferson  27/11/2013 19:34
    "No próprio serviço público, por exemplo (setor para onde vão os incompetentes), tá cheio de gente deprimida com a profissão e com o fato de saber que estão ali porque, no fundo, não sabem fazer mais nada da vida a não ser carimbar relatórios."

    Discordo das partes grifadas. Há 3 anos, antes de conhecer o IMB, eu mesmo estava tentando ser funça. Junto comigo, vários colegas do trabalho e alguns do MBA. Com os salários inflados oferecidos pelo "generoso" governo brasileiro, ele consegue efetivamente "capturar as melhores mentes da iniciativa privada", como já foi dito em alguns artigos aqui. E captura tão bem que é extremamente difícil tirar alguém do serviço público, mesmo dando a essas pessoas conhecimento de Ética Libertária e de Economia Austríaca, afinal, deve ser difícil pra um cara que ganha mais de R$ 10.000 por mês num ambiente tranquilo de trabalho, com estabilidade ainda por cima, abandonar tudo por suas convicções ideológicas e se aventurar no mercado de trabalho privado.

    Enquanto na iniciativa privada se dá o sangue pra conseguir um emprego que pague os 10.000 que muitos funças ganham como salário de início de carreira, os requisitos pra progressões salariais certamente são muitos mais agressivos do que no serviço público. Fora que há o risco de ficar desempregado, que não existe pra quem trabalho pro governo.
  • anônimo  27/11/2013 20:24
    (...)ele consegue efetivamente "capturar as melhores mentes da iniciativa privada"(...)

    Não. Consegue no máximo os melhores em decorar. Por definição, os melhores estão na iniciativa privada, produzindo, criando, inovando. É isto que os torna "os melhores". Ninguém faz parte deste grupo a priori. O funça, ao ingressar no serviço público, assina um atestado de incompetência: ele está ativamente renunciando o mercado, o mundo real, onde teria que usar seu próprio esforço e mérito para trazer comida para sua mesa.
  • Edson  27/11/2013 21:56
    Enquanto vocês discutem os improdutivos funcionários públicos, anarcocapitalismo utópico e modelos econômicos que provavelmente o Brasil jamais adotará, eu ganho meus 17K - salário que a maioria, aqui no site e no Brasil inteiro jamais terão - com meu emprego público.

    Sejam menos ideologistas e mais práticos, do contrário muitos de vocês estarão condenados a enriquecer alguém mediante a venda barata da força de trabalho própria.

    Grande abraço aos ideólogos e saudações aos práticos "parasitas da nação".
  • anônimo  27/11/2013 22:47
    Parabéns, Edson. Ao menos você é honesto na sua desonestidade. Mas continua sendo incompetente, incapaz de viver do esforço próprio.
  • Lopes  27/11/2013 23:40
    Já diziam os sábios: a aceitação é a atitude que antecede a culpa, que por sua vez, é a que motiva a redenção.

    Sobre o que almeja o IMB:

    Em suas ações o IMB busca:

    I - promover os ensinamentos da escola econômica conhecida como Escola Austríaca;

    II - restaurar o crucial papel da teoria, tanto nas ciências econômicas quanto nas ciências sociais, em contraposição ao empirismo;

    III - defender a economia de mercado, a propriedade privada, e a paz nas relações interpessoais, e opor-se às intervenções estatais nos mercados e na sociedade.


    Retirado de: www.mises.org.br/About.aspx
  • Edson  28/11/2013 02:01
    E de onde me conheces pra inferir que sou incompetente? rs A sua prepotência, sim, é digna dos incapazes.
  • anonimo de cima  28/11/2013 14:51
    Não preciso lhe conhecer, você mesmo disse que é funcionário público. Você preferiu o caminho mais fácil pois não se julgou apto a obter os mesmos retornos na iniciativa privada. Logo, você admitiu, mesmo que inadvertidamente, não ter competência para se dar bem no mundo real, aquele onde é preciso produzir algo para viver, e não apontar uma arma para roubar o que os outros produziram.

    O fato de você ter aversão ao risco só reitera o meu argumento. Você é incapaz de lidar com risco. Quem é incapaz é incompetente. Questão de definição e raciocínio lógico, coisa que sei que vocês funças não são muito bons.

    Ps. rs rs rs rs
  • Rodrigo D.  28/11/2013 03:14
    Eu ganho 36k sem dar satisfação para ninguém. apenas usando meu cerebro e minha capacidade de produzir. Fica ai com a sua ilusão de dinheiro fácil do governo enquanto eu continuo sendo "explorado" pelo mercado.

    Funças acham que ganham muito. Eles deviam virar empresários para ver que o salário deles não é nada. Se bem que para ganhar dinheiro como empresário tem de trabalhar e pensar muito. Coisas que eles tem aversão ou são apenas incapazes.
  • Edson  28/11/2013 12:06
    Parabéns, cara. Você é um ponto extremamente fora da curva. Só que tenta extrapolar a sua situação pra toda uma população, como se houvesse realmente a possibilidade de TODOS chegarem ao topo vivendo da iniciativa privada. Desconsidera que há pessoas que detestam correr riscos. Desconsidera que a iniciativa privada nem sempre é justa, e frequentemente vemos casos de gente incompetente recebendo os maiores salários enquanto os competentes são preteridos. E foi isso que me motivou a sair dela.

    Pra você ganhar 36K, o que é extremamente difícil e deve ter te custado correr riscos altos em sua carreira, com certeza há um ou mais profissional de nível superior ganhando 2K.

    E é disso que eu estou falando. Enquanto você considera um salário de 17K uma merda, tem milhões de profissionais privados competentes ganhando 3K. Que fiquem com os 3K, eu e muitos preferem abrir os olhos pra realidade de que, por melhor que você seja, nem sempre vai conseguir boas remunerações.
  • Ricardo  28/11/2013 12:54
    O mais legal -- para não dizer trágico -- é que o cidadão realmente acha que os baixos salários do setor privado não têm nenhuma ligação com os altos salários do setor público. Ele genuinamente acredita que são dois mundos completamente separados, cada qual com uma fonte própria de renda.

    E sabe o que é pior? A maioria dos brasileiros também é incapaz de fazer esta distinção de causa e consequência.
  • anônimo  29/11/2013 09:49
    'Só que tenta extrapolar a sua situação pra toda uma população, como se houvesse realmente a possibilidade de TODOS chegarem ao topo vivendo da iniciativa privada.'

    Como se houvesse a possibilidade de TODOS chegarem ao topo sendo funça.

    Pra você ganhar 36K, o que é extremamente difícil e deve ter te custado correr riscos altos em sua carreira, com certeza há um ou mais profissional de nível superior ganhando 2K.
    Primeiro que ser profissional de nível superior não é garantia de que ele mereça ganhar nada, até porque hoje em dia só o que não falta é fábrica de diploma vendendo nível superior pra todos os gostos.
    Depois, quem decide o rumo da empresa não é o empregado, é o empresário.Então é aquele salário do empregado que não existiria sem o patrão alí.
    E finalmente, pra VC ganhar seus 17K aí sim, muita gente tem que ganhar menos pelo motivo idiotamente óbvio que é a tonelada de impostos que as empresas tem que descontar dos empregados pra sustentar parasitas públicos. Como vc.
  • Jonh Galt  28/11/2013 03:23
    Qual é o seu código moral?
    É ético ganhar mais do que se produz, mas é antiético ganhar com o suor do próprio rosto.
    É correto valorizar a improdutividade, mas é tolo quem luta para fazer mais e melhores bens com menos e mais baratos recursos.
    Ao fim do dia estar descansado e relaxado porque mais consumiu do que gerou riqueza é ser bom. Estar extenuado às 18h depois de um dia de trabalho pesado é mau.
    É bonito ser sustentado com recursos subtraídos de quem produziu, mas é feio aprimorar processos produtivos.
    Esta é a sua ética, e esta ética conquistará mais e mais adeptos até quando seu número será tão expressivo, seu peso será tão grande, que tornar-se-á impossível encontrar alguém disposto a carregá-los, a construir suas moradias, produzir seus vestuários ou plantar seus alimentos.
    Então vocês poderão recostar na cadeira e almoçar suas papeladas e beber a tinta de seus carimbos.
    Jonh Galt
  • Edson  28/11/2013 12:09
    Que coisa linda você disse. Vai dizer isso pra um trabalhador braçal, de que é moralmente bonito e aceitável que ele chegue suado e cansado em casa todos os dias a troco de 1K de salário pra ver o que acontece. E torça pra ele te agredir apenas verbalmente ;)
  • Mauro  28/11/2013 12:45
    Não, Edson, sua abordagem está errada e incompleta. É você quem tem de chegar a um trabalhador braçal e dizer a ele que ele chega em casa todos os dias suado e ganhando apenas R$1.000 por mês porque tanto o patrão dele quanto ele próprio têm de pagar impostos escorchantes para que você possa ganhar R$17 mil por mês e passar o dia numa repartição com ar condicionado.

    O patrão dele tem de arcar com IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação e Sistema S. Isso sem contar os encargos trabalhistas como o 13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios.

    Já ele próprio tem o seu imposto retido na fonte e seu INSS, ambos os quais na prática terminam no bolso dos funças.

    Ou seja, o sujeito recebe pouco porque ele tem de doar parte de seu salário para sustentar você.

    E então, Edson? Você é homem suficiente para dizer tudo acima para um trabalhador braçal? Fica aqui o desafio.
  • Edson  28/11/2013 13:38
    Não Mauro, eu não tenho que chegar pra ele e perguntar nada, porque quem propõe a "ética de chegar suado em casa e ganhar uma miséria" foi outro comentarista.

    Eu tenho senso de ridículo e jamais faria uma proposição absurda destas de escolher ganhar alário mínimo em prol da falsa ideia de que não se deve existir um Estado nos tutelando.
  • Moderador  28/11/2013 13:44
    Prezado Edson, nenhum outro comentarista falou nada disso que você alegou.

    Você fez um desafio insensato, foi corrigido com fatos e argumentos, e foi desafiado de volta. Tenha a bondade de se manifestar quanto a este desafio proposto pelo Mauro -- no mínimo, mostre quais são os erros na argumentação dele.
  • Jonh Galt  29/11/2013 01:11
    Edson
    E então?
    Vai responder qual dos dois é o seu Código Moral?
    Quando falarem de você, quais desses princípios deseja serem lembrados pelos seus filhos?
  • anônimo  28/11/2013 03:46
    Você ganha seus 17k sabendo que é um parasita, que é o peso de parasitas como você que gera miséria, ineficiência e sustenta políticos populistas, que como consequência disso seus filhos vão ter que pagar sua dívida de um jeito ou de outro, seja herdando um país falido, seja correndo o risco cada vez maior de ser assaltado sequestrado ou estuprada toda vez que sai de casa
    Eu durmo com a consciência limpa, seus 17k conseguem comprar isso?
  • Edson  28/11/2013 12:14
    Ponho minha cabeça no travesseiro todo santo dia e durmo em menos de 5 minutos. Se o país está desta forma, tenho absoluta certeza de que eu não sou o culpado. Não sou um parasita, independente do que você ou outros ideológicos pensem.

    O artigo atual traz um tema interessante e o raciocínio para o público é o mesmo do trabalhador privado. Eu desejei ter este emprego, o governo desejou me contratar, todo o processo foi realizado dentro das vias legais estipuladas e cá estou eu desempenhando minhas funções, dentro do horário estabelecido, a troco do pagamento previamente estipulado.

    Eu não sou ideólogo. Eu sou prático. Se o governo me paga melhor do que o particular, não vejo motivos pra não migrar para o público.

    Portanto, durma com isso, meu caro. Eu durmo, e muito bem ;)
  • Pupilo  28/11/2013 12:26
    Caro Edson, você se engana. O estado deve roubar para pagar seu salário. Logo, entre o estado querer te contratar e você aceitar se contratado existe a coerção, imoralidade.

    Você consegue seu salário através do roubo de terceiros e não pela sua produtividade. Durma pensando nisso. Você não passa de um parasita que vive as custa do setor produtivo. Um abraço.
  • Diogo  28/11/2013 12:42
    Edson,

    Só esqueceu de mencionar que todo recurso do estado se da por meio da extorsão de pessoas inocentes, você não é o parasita mas trabalha para ele, faz parte do corpo dele.
  • anônimo  29/11/2013 09:40
    Se o país está desta forma, tenho absoluta certeza de que eu não sou o culpado.
    Então teu dinheiro vem de onde? Cai do céu? Você acha que ninguém, incluíndo os pobres, sai prejudicado tendo que trabalhar quase metade do ano pra sustentar vc e sua companheirada?

    'O artigo atual traz um tema interessante e o raciocínio para o público é o mesmo do trabalhador privado. Eu desejei ter este emprego, o governo desejou me contratar'
    E o principal vc omite, EU não desejo ter vc como empregado, EU não desejo te contratar mas EU sou quem paga teus 17K de funça porque sou obrigado.

    Eu não sou ideólogo. Eu sou prático. Se o governo me paga melhor do que o particular, não vejo motivos pra não migrar para o público.
    Portanto, durma com isso, meu caro. Eu durmo, e muito bem ;)

    Não tem nada a ver com ideologia nenhuma, tem a ver com o teu salário magnífico, a realidade de quem é obrigado a sustentar esse salário e que vc faz questão de fingir que não sabe.

  • Jeferson  28/11/2013 14:04
    "Não. Consegue no máximo os melhores em decorar. Por definição, os melhores estão na iniciativa privada, produzindo, criando, inovando. É isto que os torna "os melhores". Ninguém faz parte deste grupo a priori. O funça, ao ingressar no serviço público, assina um atestado de incompetência: ele está ativamente renunciando o mercado, o mundo real, onde teria que usar seu próprio esforço e mérito para trazer comida para sua mesa."

    Anônimo, coloquei entre aspas porque usei as palavras de outras pessoas, embora talvez as palavras nem tenham sido exatamente essas, mas o viés da idéia é. Concordo que os melhores estão inovando e produzindo e se reinventando constantemente, mas o fato é que há sim muita gente boa que não quer inovar, não quer empreender, e talvez mais importante, que prefere ter um bom salário com um ritmo de trabalho bom do que ficar se matando pra conseguir um salário muito alto.

    Um dos meus colegas de MBA que falei trabalhava na Philips ganhando perto de 20K por mês. O diretor que trabalhava com ele foi promovido a presidente de uma empresa que a Philips tinha acabado de comprar, e o convidou pra ser diretor dele, ganhando mais (não sei o quanto a mais). Ele recusou e saiu pra ganhar 10K porque tinha passado no concurso do BNDES e não queria trabalhar naquele ritmo da iniciativa privada. Na época eu fiz o concurso, hoje, depois de quase 3 anos de leitura diária do IMB, não faço mais concursos. Apesar de hoje eu ganhar mais do que ele, mas ainda não cheguei perto do salário que ele tinha na Philips. Acredito que com o ritmo do meu trabalho seja bem mais agressivo que o dele também, e talvez só não seja ainda mais porque trabalho numa área de apoio. (provavelmente meu salário não é maior por isso também)

    Fique à vontade pra argumentar que ele não era "um dos melhores" ao pé da letra, mas o fato é que ele é um cara muito inteligente e com muito potencial, tanto que conseguiu um salário alto no mercado de trabalho real, que é altamente competitivo. Ele tem o mérito dele. Assim como ele, muitos outros altamente qualificados e/ou com muito potencial preferem sair de um ritmo de trabalho altamente estressante e ganhar um pouco menos, ou até um pouco mais pra ter uma vida mais tranquila. Muitos que estão iniciando, e teriam muito potencial com alguns anos de trabalho, preferem não passar pelo tranco que é o início de carreira da iniciativa privada, e já saem da faculdade fazendo concurso. Outro colega meu de MBA passou nesse mesmo concurso, a diferença é que ele estava em início de carreira na iniciativa privada e ganhava metade do salário inicial do BNDES. Ele com certeza não era "um dos melhores", mas é alguém que provavelmente tinha bastante potencial.

    Note que não estou fazendo uma defesa ética dessas pessoas. A questão é que a sociedade não as condena, nem irá condená-las tão cedo. Por mais que eu conheça a ética libertária, eu não os condeno pela sua ignorância, até porque, por pouco, eu poderia estar do lado de lá, e acho que se tivesse conseguido entrar, ia ser difícil eu sair do governo e voltar pro mundo real.

    Outro motivo é que eu trabalho num banco privado. Dado tudo o que todos conhecemos sobre banco e sua relação de parasitismo com o estado (e consequentemente, sua condição de cúmplice na quadrilha que rouba a população), eu me pego me sentindo tão parasita quanto um funça de vez em quando. E mesmo quando penso que "se não existisse estado a minha profissão seria legítima, os bancos seriam instituições legítimas que ofereceriam serviços honestos simplesmente porque seriam obrigados a sê-lo", essa idéia não me convence muito. Se não existisse estado, todos os funças estariam sendo produtivos na sociedade.

    Também fico pensando na legitmidade de empresas que enriquecem porque o estado lhes garante um monopólio ou oligopólio, como as telefônicas e aéreas, nas empresas que são praticamente controladas pelo estado, como a Vale... acho que esse esquema maligno permea a sociedade de um jeito tal que poucas pessoas podem se considerar realmente inocentes. E isso me entristece muito.
  • anonimo de cima  28/11/2013 14:43
    Enquanto ele estava produzindo, criando, inovando, fazia parte do grupo dos "melhores". A partir do ponto que ele preferiu a mamata de viver do dinheiro espoliado de terceiros, ele deixou de fazer parte deste grupo, e outros tomaram o lugar dele.
  • Jeferson  28/11/2013 16:31
    Mas ele nem deixou de ser competente, nem deixou de ser inteligente, nem assinou um atestado de incompetência. Ele simplesmente assinou um atestado de vontade de viver, coisa que, na acepção dele, ele não conseguia em seu emprego anterior. Só ganhava dinheiro e mal tinha tempo pra gastar. Não acho justo alguém que opte por outro paradigma de vida ser taxado de incompetente. Improdutivo sim, imoral sim, mas com certeza muitos dos que falam essas coisas fariam EXATAMENTE a mesma coisa se nunca tivessem tido contato com as idéias de Mises, Hayek, Rothbard e cia.

    É importante lembrarmos também que a condição de ignorância da maioria da população não é ignorância natural, mas é uma ignorância programada. Programada pelo estado desde a infância e ao longo da vida. O esforço necessário pra mudar alguém do estado de ignorância pro de conhecimento é muito maior nesses casos.
  • anonimo  28/11/2013 17:16
    Outro paradigma de vida? Viver da renda tirada a força de terceiros é outro paradigma de vida, sem dúvida.

    A questão da competência expliquei melhor abaixo.
  • Paulo  28/11/2013 15:08
    Irretocável seu depoimento, Jeferson. Fico feliz quando encontro habitantes deste planeta.
  • Junior Aquino  04/02/2014 18:34
    Ricardo Chaves disse:"No próprio serviço público, por exemplo (setor para onde vão os incompetentes), tá cheio de gente deprimida com a profissão e com o fato de saber que estão ali porque, no fundo, não sabem fazer mais nada da vida a não ser carimbar relatórios". Bem, discordo veementemente, haja vista q a concorrência é gigantesca e tem q estudar muito p/ conseguir passar. Não é p/ qualquer um, porém o q tem de gente da iniciativa privada, de alto escalão, prestando concursos não é pouco. Outra,não conheço um servidor público deprimido, mas conheço vários da iniciativa privada q estão de licença médica por depressão, ansiedade e muito mais. No serviço público, hoje em dia, só entra quem sabe, e não por padrinhos, amizades e indicações.
    OBS: TRABALHO NA INICIATIVA PRIVADA.
  • Juliano  27/11/2013 13:00
    Você tem que ler a frase toda:

    "Você pode escolher o seu trabalho. *Ninguém pode obrigar você a ter um emprego que você não queira, mas você também não pode obrigar nenhum empregador a lhe contratar*. Da mesma forma, ninguém pode obrigar você a comprar nada, mas você também não pode obrigar ninguém a vender algo para você."

    Acredito que uma forma mais precisa de expressar a idéia seria dizer que "você pode se oferecer para qualquer emprego".

    Nossas vontades estão sempre condicionadas. Primeiro pela natureza, segundo pelo respeito aos demais. Posso ter vontade de ser jogador de futebol, mas não posso obrigar ninguém a me dar dinheiro pra isso.

    Vale ressaltar que a liberdade abordada no texto é completamente diferente do que temos hoje. Existem diversas regras que obrigam vc a pagar por coisas que vc não quer, além de te proibir de se oferecer para trabalhos que você poderia prestar.
  • Pupilo  27/11/2013 14:03
    Joao, você compreendeu o texto muito mal. Leia todo o paragrafo e não somente a primeira frase.

    Como o autor disse: "Você pode escolher o seu trabalho". Porém, ele completou: "Ninguém pode obrigar você a ter um emprego que você não queira, mas você também não pode obrigar nenhum empregador a lhe contratar."

    Você pode escolher o seu emprego, desde que alguém queria contratar você, e alguém pode contratar você, desde que você queria ser empregado. São trocas voluntárias, sem coerção.

    Ou seja, quando o autor disse que você pode escolher o seu emprego, ele não fantasiou que um rapaz que não possui nem o ensino fundamental pode virar CEO de uma grande empresa, só porque é seu desejo. Ele quis dizer que você tem total direito de escolher sua profissão, desde que o empregador deseje te contratar.

    Não nos contemple que sua ignorância. Dá próxima vez, tente interpretar o texto corretamente.

    Abraços.
  • mauricio barbosa  27/11/2013 17:12
    Caro João não adianta só educação para fazermo-mos escolhas empregatícias é preciso também que haja empreendedores(principalmente inovadores)investindo,para que haja geração de emprego,coisa que em nossa terra(Brasil)anda escassa por causa do desgoverno do estado papai papador da poupança alheia.
  • Paulo  28/11/2013 11:35
    Ser funça é só mais uma opção oferecida pelo mercado. O cara olha as opções e simplesmente escolhe a com melhor custo benefício - que normalmente é ser funça. Não são todos que querem inovar, a maioria só quer pagar o mercado e a escola dos filhos.

    Qual a diferença do funça para um funcionário privado? Um é tão "funça" quanto o outro. Empreender sim é diferente, mas se é para ser empregado, tanto faz ser funcionário público ou privado. Me ache um lixeiro que é lixeiro porque acha a profissão nobre, porque gosta de ver as ruas limpinhas, que não trocaria seu emprego por um que trabalhe menos e pague mais.

    Nem todos querem resolver os problemas do mundo. Alguns querem simplesmente resolver seus próprios problemas.
  • Pobre Paulista  28/11/2013 11:57
    Ser funça é só mais uma opção oferecida pelo mercado

    Nunca vi abobrinha tão grande. Ser funça não é uma opção oferecida pelo mercado, e sim uma opção oferecida pelo governo. O mercado está sujeito ao sistema de preços e lucros, e não pode oferecer uma remuneração que não seja lucrativa para ele. Já o estado pode oferecer a remuneração que quiser, pois não precisa lucrar. Se precisar de dinheiro, basta tributar, se endividar ou criar dinheiro do nada.

    Ademais, não há muita diferença entre empreender e obter um emprego, se as relações de emprego forem flexíveis, basta ambos entrarem em algum acordo de produtividade ou coisa parecida.

    Não se esqueça que o empreendedor é quem assume o risco do negócio, ele terá mais lucros em caso de sucesso mas irá arcar com o prejuízo em caso de fracasso. Já o empregado irá receber precisamente o que foi combinado, ou seja, ele não está sujeito a riscos. Isso sim é uma opção oferecida pelo mercado: Correr mais riscos com a chance de ganhar mais dinheiro, ou correr menos riscos mas garantir uma certa quantia.
  • Pupilo  28/11/2013 12:04
    Qual a diferença do funça para um funcionário privado? Um produz o outro não. Um deve fazer as coisas da melhor maneira possível ou é demitido o outro não.
  • Juliano  28/11/2013 12:14
    Ser funça não é só uma opção oferecida pelo mercado, simplesmente porque NÃO É OFERECIDA PELO MERCADO. É uma opção oferecida por um grupo que obtem seus rendimentos por meio da força, o que é exatamente o oposto do mercado.

    Um funça recebe dinheiro que seus "clientes" não tiveram a opção de recusar. Foram obrigados a isso. Um funcionário de uma empresa privada precisa que a empresa convença seus clientes a aceitar seus serviços e produtos, ninguém é obrigado a nada.
  • Paulo  28/11/2013 12:32
    Ok, "filosoficamente", a ocupação pública não é oferecida pelo mercado. Mas, do ponto de vista de quem está procurando o emprego, é sim apenas mais uma dentre tantas opções oferecida pelo mercado, lato sensu. Não interessa muito a ética por trás de quem está oferecendo aquela vaga. A vaga está ali, e é comparada a outras nas dimensões esforço/retorno/ambiente/equipe. Não existe isso de: "ah eu sou feliz porque estou produzindo bastante (voz boçal falando)". Do contrário, quem condena os funças, deveria condenar também os funças da Oi, Vivo, OGX, TAM, Odebrecht e qualquer outra grande corporação que atue em setor regulado, além dos funças de qualquer empresa que tenha contrato com o setor público.
  • Juliano  28/11/2013 12:51
    Sim, várias questões se resumem à "filosofia", ou melhor, à moralidade.

    Alguém que seja contratado por um sequestrador para manter uma vítima refém também só está "aproveitando uma oportunidade que lhe foi oferecida", tentando "resolver os seus problemas". E daí? Continua sendo imoral.

    O setor estatal é sustentado por dinheiro tirado à força das pessoas. Não há jogo de palavras que mude essa realidade.
  • Pedro  28/11/2013 13:11
    Juliano, sua comparação não tem sentido. Sequestro é uma atividade ilícita.
  • Ricardo  28/11/2013 13:37
    E roubo, não é ilícita?
  • Pedro  28/11/2013 13:47
    Esse tipo de roubo a que você se refere, não. Não é ilícito.
  • Ricardo  28/11/2013 13:53
    Não perguntei qual a posição do governo quanto a este ato. É claro que, para o governo, o ato de coletar impostos não é um ato ilícito. Perguntei se, para você, roubar e viver à custa deste roubo é um ato correto e moralmente aceitável. Só isso.

    Se o ato é legitimado por Sarney ou não, isso é totalmente secundário. E se você se baseia nisso, então isso fala um pouco a respeito do seu caráter.
  • Pedro  28/11/2013 14:04
    Ricardo, então já entramos no território da opinião. E a minha é que ser funça público ou privado dá na mesma, na prática. Veja o caso das empresas citadas acima ou do restaurante abaixo.
  • Renato Borges  28/11/2013 13:42
    lícito, neste caso, nada mais é que um crime previsto em lei.
  • Juliano  28/11/2013 15:33
    Se lícito ou ilícito só depende da opinião que o Estado tem sobre a operação. Não tem absolutamente nada a ver com moralidade.

    Comprar alguma coisa com o teu dinheiro e tentar trazer para o Brasil é considerado um ato ilícito. Na Alemanha, esconder judeus já foi considerado um ato ilícito. Se oferecer para transportar pessoas com o teu carro e cobrar por isso sem a licença do governo é algo ilícito. E daí? Moralidade nunca andou lado a lado com a legalidade.

    Ter um emprego sustentado por uma organização que usa de ameaça física para se financiar, sendo ou não lícito, é imoral. Você só está terceirizando a roubalheira.
  • Pedro  28/11/2013 13:19
    Tem um restaurante aqui na área que só dá servidor público. Pelo que li aqui nos comentários, os funcionários do restaurante são incompetentes, já que a empresa em que trabalham se aproveita de dinheiro que foi tomado à força dos outros. A não ser que se beneficiar só um pouquinho de dinheiro público não tenha problema.
  • Edson  28/11/2013 13:35
    Cara, vá viver nas ruas, pedindo dinheiro. Você não terá que pagar impostos e ainda vai se beneficiar de um monte de caridade que o Estado fará pra ti. Olha que legal...
  • Maurício  28/11/2013 13:58
    Isso mostra o quanto você é ignorante. Mesmo um mendigo paga impostos. Qualquer produto que ele comprar com suas esmolar possui impostos embutidos (média de 40%). Até o mendigo tem de sustentar você.
  • Eduardo Bellani  28/11/2013 13:03
    Ok, "filosoficamente", a ocupação pública não é oferecida pelo
    mercado. Mas, do ponto de vista de quem está procurando o emprego, é
    sim apenas mais uma dentre tantas opções oferecida pelo mercado, lato
    sensu. Não interessa muito a ética por trás de quem está oferecendo
    aquela vaga.
    A vaga está ali, e é comparada a outras nas dimensões
    esforço/retorno/ambiente/equipe. Não existe isso de: "ah eu sou feliz
    porque estou produzindo bastante (voz boçal falando)". Do contrário,
    quem condena os funças, deveria condenar também os funças da Oi, Vivo,
    OGX, TAM, Odebrecht e qualquer outra grande corporação que atue em
    setor regulado, além dos funças de qualquer empresa que tenha contrato
    com o setor público.


    Ok, "filosoficamente", o assalto a mão armada não é oferecida
    pelo mercado. Mas, do ponto de vista de quem está procurando o
    emprego, é sim apenas mais uma dentre tantas opções oferecida pelo
    mercado, lato sensu. Não interessa muito a ética por trás de quem está
    oferecendo aquela vaga. A vaga está ali, e é comparada a outras nas
    dimensões esforço/retorno/ambiente/equipe. Não existe isso de: "ah eu
    sou feliz porque estou sendo honesto (voz boçal falando)". Do
    contrário, quem condena os bandidos, deveria condenar também outros
    bandidos ...

    *******************************************************************

    Dissonância cognitiva, a gente se vê por aqui.

    Eu até aceito o cara ser ignorante da sua condição de parasita e
    continuar sendo funça. Aceito também o cabra que aceita sua condição
    de parasita. Agora esses malabarismos semânticos pra se enganar são tragi-cômicos.


  • Paulo  28/11/2013 13:32
    Bellani, assim não vale. Favor tentar fazer o mesmo usando uma atividade lícita como substituta, por favor.
  • Paulo  28/11/2013 13:38
    E outra, explique porque é imoral ser funça do estado e não é imoral ser funça das empresas citadas acima.
  • Guilherme  28/11/2013 13:50
    Ser funcionário de uma empresa privada que tem conexões com o governo é "quase" tão imoral quanto ser funcionário público. A diferença -- e daí aquele "quase" -- é que tais empresas ao menos fornecem alguns serviços aos consumidores, e estes consumidores ao menos têm a opção de utilizar estas empresas.

    Já isso não ocorre com funças, cujos salários são confiscados da renda de terceiros sem que estes terceiros sequer tenham consumido os serviços destes funças.
  • Paulo  28/11/2013 13:58
    Ahh, agora estou vendo alguma coerência. Então, tudo é apenas uma questão de gradação: Quanto mais a empresa ou órgão para o qual você trabalha se utiliza de recursos públicos (confiscados de terceiros), mais imorais e incompetentes são seus funcionários.

    Não sei se o conceito está correto, mas tem mais sentido do que dizer: "funça é tudo vagabundo e empregado privado é tudo gente boa."
  • anonimo de cima  28/11/2013 14:55
    Ora Paulo, se a renda que financia sua atividade é proveniente de coerção, é óbvio que ela é imoral. O estado é o extremo oposto ao mercado, onde as pessoas precisam convencer os outros a utilizar seus serviços, não podem ameaçar prender quem se recusa a utilizá-los, como o estado faz.

    Só com este argumento a sua segunda frase se torna óbvia. Quem precisa que outros ameacem com força física a terceiros para receber seu salário não pode ser "gente boa". Quem precisa convencer pacificamente os outros a utilizar seus serviços ( mercado ), se não for "gente boa", já está com larga vantagem frente aos funcionários públicos.
  • Paulo  28/11/2013 16:01
    Anônimo, eu até concordo que você possa julgar os "funças" como imorais. Afinal, é um julgamento bastante íntimo (moral) e fortemente relacionado com suas convicções, e estas, só você conhece. Então, apesar de não compartilhar completamente de sua "régua moral", considero seu uso da mesma coerente.

    Porém, acredito que um dos motivos da discórdia aqui seja sua caracterização dos funças como incompetentes, de forma geral. Incompetência é um conceito consagrado e muito mais objetivo, muito mais concreto que o conceito de moral. Está relacionado com a ideia de se desempenhar adequadamente uma determinada tarefa. Ora, não é correto afirmar que, de modo geral, os funças sejam incompetentes apenas por serem funças. Aparentemente, numa rápida análise bastante superficial, eu diria até mesmo que eles são bastante competentes, visto que o objetivo final do Estado, que é espoliar a massa, vem sendo cumprido de modo bastante eficiente. É claro que uma avaliação mais rigorosa deveria ser feita caso a caso, mas o fato é que está claro que chamar a todos de incompetentes não condiz com a realidade.

    Eu até concordo que muitos dos funças, sob muitos aspectos, sejam abjetos. Seres mais abjetos que estes, apenas os tais "concurseiros". Esses, é de dar náuseas.

    Para evitar a controvérsia, você poderia ter sido mais específico, por exemplo: "são, em geral, incompetentes para o setor produtivo".
  • anonimo  28/11/2013 16:43
    Paulo, minha definição de moral é pautada pelo direito natural.
  • anonimo  28/11/2013 17:07
    Paulo, vou responder num comentário novo, para fins de ter uma melhor leitura. Este estará no final dos comentários.
  • Juliano  28/11/2013 15:52
    Sim, Paulo. A realidade não é tão preta e branca.

    Ser funcionário de uma empresa que tem conexões com o Estado é, em parte, se beneficiar de um ato imoral. Ser funcionário de uma empresa "pública" também. O importante é expor essa imoralidade e tal situação deve ser sempre combatida.

    Na minha opinião: não, nem todos os funcionários públicos são "inúteis", como é a opinião de alguns comentáristas.

    Só como exemplo, se o governo proibisse as escolas privadas e todas se tornassem públicas de uma hora pra outra, isso não tornaria todos os professores inúteis do dia pra noite. Em Cuba, onde quase todo mundo desempenha alguma atividade ligada ao governo, não diria que são todos inúteis. São mais vítimas do processo do que qualquer outra coisa. O Brasil não é tão diferente... todo mundo sofre a influência dos humores estatais, variando apenas em grau.

    Mesmo dentro do Estado, existem atividades que podem se justificar. Um médico que atende a alguém doente ou um policial que impede um assalto são exemplos disso. Pode se argumentar em relação aos rendimentos, mas não são inúteis! Já alguém que trabalha abrindo mala nas fronteiras para impedir que alguém entre no país com mercadorias compradas no exterior está apenas sendo um capacho dessa gangue. Da mesma forma, uma pessoa que trabalhe para o Estado para ganhar muito mais do que ganharia na iniciativa privada está simplesmente usando a coerção estatal para ganhar dinheiro.

    Repetindo o que disse acima, o mundo não é preto e branco. A moralidade é um ponto importante, pois serve como termômetro para analisar o dia a dia, mas está longe de ser algo absoluto. Na iniciativa privada, longe dos privilégios estatais, o mérito é medido pela disposição que as pessoas têm para comprar o que você produz. No Estado, não existe esse termômetro, deixando tudo fica mais nebuloso.
  • jainy  17/06/2016 18:16
    Apesar de nem todos gostar, se faz necessário a existência de lixeiros que por sua vez são muito úteis a sociedade. Não a acho uma profissão que os coloque inferior a outros. Só acho um trabalho duro com baixa remuneração ainda, nada que isso não possa mudar né?!
  • Rafael Gomes  27/11/2013 12:09
    Uma coisa que me surpreendeu e que eu sempre encontro implícita nos artigos que leio aqui é que, sem fazer proselitismo politicamente correto, a teoria liberal/austríaca estimula as pessoas a serem boas, cooperativas. Não há moralismo ostensivo, apenas a confiança num certo número de valores que embasam as leis de mercado. Muito diferente da perspectiva de esquerda, que vive tendo de apelar para discursos em prol da "ética", como se fossem os donos da dita cuja, mas no fundo querendo apenas disfarçar as próprias trapalhadas.

    Sou relativamente neófito aqui no site, mas já percebo que, em geral, a rejeição das pessoas às propostas liberais é mais um problema de auto-confiança (e, por conseguinte, de confiança no próximo) do que uma crítica ponderada.

    Ótimo artigo!

  • Giancarlo  27/11/2013 13:10
    Rafael,

    Exatamente! Ótima constatação!
  • anônimo  27/11/2013 13:51
    (...)em geral, a rejeição das pessoas às propostas liberais é mais um problema de auto-confiança (e, por conseguinte, de confiança no próximo) do que uma crítica ponderada.(...)

    Direto ao ponto, caro Rafael. Muito bem colocado.
  • mauricio barbosa  27/11/2013 14:28
    Trabalhar de lixeiro na minha opinião é péssimo negócio,mas a partir do momento que ninguém mais se oferecer para este tipo de trabalho com certeza será criada novas tecnologias para fazer tal atividade,portanto enquanto houver oferta e demanda por trabalho humano neste setor ele será preenchido,quanto a satisfação laboral concordo em gênero,número e grau com o comentarista Ricardo Chaves,realmente isto é algo subjetivo.
  • Rene  27/11/2013 17:10
    Mesmo que não sejam criadas novas tecnologias, Maurício, o fato é que as pessoas não gostam de viver atoladas no lixo. Se ninguém mais se oferecer para o trabalho de lixeiro, aí quem não quiser jogar o lixo de sua casa na rua, vai pagar mais pelo serviço de lixeiro. Com os salários da categoria subindo, várias pessoas que antes não queriam trabalhar neste tipo de profissão passarão a querer. Neste contexto, mão de obra de outros setores que exigem baixa qualificação (Por exemplo, empacotadores de supermercados) irão mudar de profissão, suprindo a carência de mão de obra.

    O livre-mercado pode não ser perfeito, mas nós não vivemos em um mundo perfeito. Vivemos em um mundo de escassez. Basta dar liberdade para as pessoas, que elas próprias passarão a resolver os problemas, da melhor maneira que estiver ao alcance delas.
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/11/2013 18:05

    [Ironic Mode On]

    É muito radical dizer que o socialismo nunca funciona em lugar e época algum.

    Pode ser que haja algum Universo Paralelo com leis naturais diferentes em que as pessoas são idênticas ou podem ser tornadas idênticas, todos os recursos são infinitos, os líderes possuem virtudes e intelectos sobre-humanos, a coerção funciona bem no longo prazo, todos podem receber sem contribuir e sem que o sistema entre em colapso, não é necessário pensar e agir com sabedoria para obter o seu próprio bem-estar, não existe concorrência e ainda assim as pessoas recebem produtos e serviços de qualidade a preços razoáveis, não existem riscos, a economia pode ser planejada com êxito por um comitê central, etc.

    [Ironic Mode Off]

    Ótimo artigo! Temos que ajustar nosso vocabulário, a quantidade e tipo de informação e o modo como a transmitimos aos nossos ouvintes específicos. Com pessoas menos informadas e/ou mais doutrinadas, temos que ser mais simples e começar pelo básico do básico e nos aprofundar conforme a capacidade delas aumenta.

    * * *
  • mauricio barbosa  27/11/2013 18:27
    Concordo Rene,mas havendo diminuição da mão de obra menos qualificada tal processo atrairá imigrantes de países pobres igual acontece nos EUA e EUROPA enfim o mercado soluciona os problemas que aparecem mais rápido e melhor do que os políticos com certeza e para isso não precisa do mundo ser perfeito logicamente.
  • Gredson  27/11/2013 20:29
    Cara tem uns artigos no mises Brasil,que são uma verdadeira lição de vida. (não sei se essa era a intenção).

    Muito bom.
  • Marconi Soldate  28/11/2013 12:17
    [Off-topic] Os autores desse site bem que podiam fazer um artigo sobre essa história da correção da poupança que ronda o STF, sob o ponto de vista austríaco. O que acham ?
  • anonimo  28/11/2013 17:08
    Paulo,

    Quanto a questão da incompetência, esta é a qualidade de quem não é competente. Competente vem de competir. O funcionário público renuncia às regras de mercado, onde é preciso as regras da competência prevalecem ( aquele que é mais competente é melhor remunerado pelos clientes ).

    No estado, não é a competência em prestar serviços ao público que determina quem vai ter sucesso, mas sim a competência em puxar o saco dos superiores e estar ao lado de quem está no topo. Funcionário público para subir na vida não precisa mostrar serviço, mas sim ter conexões políticas. Alías, sequer precisa servir bem o público para colocar comida na sua mesa. Diferente da iniciativa privada, onde quem não é julgado capaz pelo mercado passa fome. A renda do funcionário público está garantida, independente de fazer bem ou não seu serviço.

    Neste sentido, o funcionário público é um incompetente por escolha. Ele julgou não ser apto, não ter competência, de obter os mesmos benefícios de um emprego público na iniciativa privada. Óbvio que eles vão dizer que o risco e esforço não valem a pena. Mas isto só corrobora o ponto que expus.
  • mogisenio  28/11/2013 19:03
    Olá,

    o texto é interessante. Pena que o debate, a meu ver, desvirtuou-se.
    Abaixo relacionei algumas passagens para tentar iniciar um debate de acordo com a proposta do texto. Vejamos:

    Texto:
    "Ninguém pode obrigar você a ter um emprego que você não queira, mas você também não pode obrigar nenhum empregador a lhe contratar."

    Meu comentário: Se estamos considerando a puramente o pacto - pacta sunt servanda ok, parece-me correto.
    Todavia, as obrigações ao longo da vida não são, necessariamente, assumidas com racionalidade. É possível alguém errar e se ver "obrigado" a se submeter a um determinado contrato que , racionalmente, não seja bom para si próprio. Humanos erram. Além disso, não somos materialmente iguais. Lado outro, temos necessidades que, obrigatoriamente , precisam ser atendidas. Essas necessidades podem contribuir ainda mais para a nossa "irracionalidade".
    Além disso, o termo emprego , de per si, é espécie do gênero trabalho. Este sim, quando dividido, embasa a liberdade econômica.

    Portanto, a proposição embora parcialmente correta não é irrefutável.

    Texto:

    Você pode escolher o seu trabalho.

    Meus comentários:

    Sim, é verdade que também temos essa possibilidade. Mas ela não esgota o tema.
    Há casos nos quais NÃO podemos escolher o nosso trabalho.
    E ainda, dentro da liberdade econômica, há vários outros fatores de produção que combinados, geram o ambiente de "liberdade econômica".
    Efetivamente, após combinados, não se escolhe o trabalho. Planeja-se e escolhe-se o projeto. Com base neste , o "trabalho" estará PREVIAMENTE escolhido, sob pena de não alcançar êxito.

    Logo, a proposição não nos leva a uma conclusão verdadeira.

    Texto:

    Se quisermos paz em vez de guerra, vontades e escolhas em vez de violência, produtividade em vez de pobreza, todos os recursos escassos — sem exceção — terão de ser propriedade privada.

    Meus comentários:

    A proposição parece correta, porém, não possibilita um conclusão verdadeira, abrindo caminho para todo tipo de interpretação.
    Ademais, o próprio entendimento do que vem a ser "paz", nos remete ao conhecimento da guerra. Ora, só saberemos se estamos em "paz" quando houver ausência de guerra. Casos particulares podem existir dentro da própria guerra ou da paz , mas isso não nos permite definir o termo sem qualquer viés.
    Ademais, a propriedade privada, de per si, não garante a paz. Ao contrário, pode ser a causa da guerra. A guerra ocorre entre seres humanos, com ou sem propriedade afora a propriedade do próprio corpo.

    Texto:

    Vontade e propriedade garantem a qualquer indivíduo o direito de viver em um estado de total isolamento, em um estado de pura autarquia. Por outro lado, tal arranjo não levará ninguém muito longe. O indivíduo que assim deseja viver será pobre e sua vida, muito curta.

    Meus comentários:

    Autarquia não parece se "enquadrar" em "arranjo. Aquela é tida como poder absoluto, em si mesmo. Este sugere a existência de um subconjunto. Uma combinação de mais de um elemento. Portanto, paradoxal o argumento pois a autarquia não pode ser e nem pode gerar um arranjo.
    Ademais, não se pode concluir que o indivíduo será pobre e sua vida, muita curta, baseando-se nessas premissas. Riqueza e pobreza são gêneros que se desdobram em várias espécies.

    Em que pese a interpretação "vulgar" deste fragmento do texto, não me parece possível dele tirarmos conclusões seguras.

    (Robson Cruzoé haja vista o sexta feira)

    Texto:

    A informação é algo que pode ser propriedade coletiva, sem limitações.

    Meus comentários:

    Esta proposição é insegura. Informação difere de dado. Todavia, extraída dele. O dado se torna informação quando SERVE para alguém. ( bit tornando-se infon)
    Uma banco de dados NÃO É NADA, sem um objetivo. Portanto, não chega a ser informação e por isso, nesse contexto, não serve para nada.

    Ademais, a informação pode ser resultante do próprio conhecimento. E este , em vários casos, é protegido.

    Texto:

    Nos esportes, a competição possui um único objetivo: vencer. Na economia de mercado, a competição também possui um objetivo: atender ao consumidor com um grau de excelência continuamente crescente.

    Meus comentários:

    Em que pese a compreensão "vulgar" do que foi escrito, não se pode concordar com a conclusão.
    E o embasamento parte do próprio sistema de "divisão de trabalho" e livre mercado.
    O objetivo - no bom sentido - é atender a si próprio. A consequência é atender ao consumidor, como já amplamente demonstrado pela famigerada "mão invisível".
    Evidentemente, para atender às suas necessidades, o indivíduo deve observar a demanda dos consumidores, mesmo na ótica microeconômica.

    Texto:

    O socialismo realmente não é uma opção para o mundo material. Não é possível haver propriedade coletiva de qualquer coisa que seja materialmente escassa. Alguma facção sempre acabará exercendo o controle dos recursos em nome da sociedade.

    Meus comentários:

    Não se discute socialismo no mundo atual pois, como já se sabe, ele praticamente, quase não existe, exceto, em tese.

    Todavia, a segunda proposição é falsa. Ora, é possível haver propriedade coletiva de várias coisas que sejam escassas. Ex: arranjo de propriedades numa sociedade em nome coletivo.
    E mesmo no pilar do sistema de livre mercado, temos a sociedade anônima, na qual, VÁRIAS PESSOAS, podem possuir parte de um MESMO BEM QUE NÃO PODE SER DIVIDIDO. E podem pactuar desta forma.

    Um cooperativa , atuando numa economia de mercado, será propriedade de vários proprietários.

    A propriedade intelectual de um compositor não se divide da música, surgindo dali, uma nova propriedade coletiva possivelmente indivisível. Etc.

    Logo, a proposição do texto é facilmente refutável não podendo servir de base para conclusões amplas e seguras para "definir" os "pilares" da liberdade econômica.

    Por último, salienta-se que o objetivo não é "derrubar" os pilares da liberdade econômica mas sim, contribuir para a definição , visando encontrar argumentos seguros que, efetivamente, sirvam de pilares para a precitada liberdade econômica.

    Saudações
  • K  28/11/2013 23:09
    Bravo! Bravo! Observações brilhantes, como sempre. Quanta sabedoria em poucas palavras... és um gênio.
    Continue comentando e trazendo alegria a este "sítio", mogisenio :)

    Saudações
  • Alessandro  29/11/2013 10:30
    Que contrasenso o rapaz ser criticado e tirado como incompetente e parasita só pq ele aproveitou uma oportunidade no mercado de trabalho (posso incluir os empregos públicos no mercado de trabalho?) O rapaz é livre, inteligente ( não é qq um que passa num concurso público) e não está prejudicando ninguém então qual é o problema, ô anônimo? Pq vc não mostra a cara e age como um verdadeiro liberal? Um verdadeiro liberal está ocupado demais vivendo a própria vida pra se incomodar com as escolhas dos outros. Um verdadeiro liberal aceita a realidade como ela é e não fica idealizando ela, (ah! a pobreza só existe pq existe funcionário público, buaáaa) isso é coisa de comunista! E a realidade é essa: temos um governo, todos tem um governo, até os pigmeus da áfrica tem um, ele é uma pedra no sapato de todo mundo mas a maioria acha que precisa dele, principalmente nossos empresários pequenos e grandes que procuram influência através dele e das maçonarias da vida. O pobre tb adora o governo e todas as suas bolsas. As minorias veem nele um escudo protetor contra as "injustiças sociais". As mulheres acham que o governo as protege dos homens, os homens pequenos acham que eles os protege dos homens grandes, os gays dos héteros, o pobre do "rico malvado" e por aí vai. Na realidade o Governo é um grande sucesso hj em dia. Ele é a nossa cara! E ele esta crescendo, comandando e ocupando todas as áreas da nossa vida, todo o vácuo que deixamos, e com total concordância da "maioria democrática" .E vai continuar crescendo e roubando as nossas liberdades até que só exista ele. Um único governo mundial, autoritário, onisciente e escravizador. Não cuspa para cima anônimo, na sua forma de pensar vc é culpado tb. Talvez um dia vc precise da influência de alguém do partido para conseguir aquela vaguinha no serviço de limpeza do seu gulag e poder levar a sua cota racionada diária para casa (pra sobreviver vc pode deixar de lado os "ideais" ninguém vai achar feio) Vc vota anônimo? Vc usa os serviços do cartel bancário que está por traz de todos os big brothers do ocidente? Vc compra carro caro e vagabundo produzido pelo cartel automobilístico? Então vc tb é sócio do governo. É vc que torna o emprego do Edson possível. E pense bem: com um salário de 17.000 reais um verdadeiro liberal veria nele, não um parasita, mas um ótimo cliente...
  • anonimo de cima  30/11/2013 21:19
    Alessandro, vou considerar seu comentário como uma piada. Você não refutou meus argumentos, não soube a diferença entre mercado de trabalho e livre mercado, e solta a seguinte pérola "não está prejudicando ninguém" logo no começo. Você não sabe a diferença entre coerção e persuasão, e sequer sabe o que é um "liberal" - ou um libertário. Além do que, você aparenta acreditar que o governo é um ente produtivo, que produz alguma coisa, e que não haveria nenhum problema se ele fosse dono de tudo - igual em Cuba ou na Coréia do Norte.

    Ps. Se você quer lamber a bota que pisa na sua cara, fique a vontade. Eu me recuso a beijar a mão que segura o açoite. E fico anônimo sim, pois sou empresário, e num país onde quem produz e trabalha duro é olhado como bandido, e os bandidos ( funças incluídos ) são idolatrados, não precisa ser um gênio para ver que tenho mais a perder me expondo do que a ganhar.

  • anônimo  01/12/2013 03:08
    Você não entendeu? Ele é um aspirante a típico filósofo
  • anonimo de cima  01/12/2013 16:48
    Realmente espero que seja isso mesmo, anônimo...
  • Ildomar  29/11/2013 19:57
    SENSACIONAL!!
  • Filipe Ramos  30/11/2013 16:43
    O autor foi preciso. Porém há de se ressaltar que numa sociedade amoral, dificilmente esses pilares serão respeitados. Se não há valores morais absolutos, somente sobrando a lógica evolucionista do "mais forte", sem freios morais o capitalismo é substituído pelo socialismo, seja pelo domínio econômico do poder político colocando-o a serviço de interesses particulares (é o que acontece hoje nos estados unidos), seja pelo domínio político do poder econômico (é o que aconteceu em todos os países socialistas). Nesse sentido a moralidade cristã é um pilar fundamental, pois ela trás freios morais e valores nobres como solidariedade sem os quais o capitalismo se torna autodestrutivo.
  • mogisenio  02/12/2013 00:12
    Olá pessoal
    antes de mais nada gostaria de ressaltar o prazer - se quiserem epicurista - de emitir uma opinião aqui. Isso porque a galera, que não é nada boba, sempre agrega.

    Cada um traz um comentário bem embasado. Não dá pra "persuadir" simplesmente, conquanto a mídia nacional( e a internacional) tem, de "serta" forma, conseguido.

    Mas essa questão de mídia é outro assunto.

    Voltemos ao tema.

    "Navegar é preciso. Viver, não é preciso. " E eu concordo. Portanto, o autor, na minha opinião, jamais seria preciso.


    O pessoal de cima parece tratar, equivocadamente, diga-se, os "funças", de forma pejorativa. Ledo engano.

    "Pra quem tem alguma noção de "Estado" de direito, seria coerente aplaudir os tais "funcas".

    Não podemos nos enganar, os "funcas" são necessários haja vista a "tirania, oligarquia ou demagogia" que podem existir facilmente no Estado.

    É importante compreender como o "PODER" se manifesta.

    Saudações




  • Ali Baba  02/12/2013 10:32
    @mogisenio 02/12/2013 00:12:54

    A sua proposição é que funcionários públicos são necessários para que a "tirania, oligarquia ou demagogia" inerentes ao arranjo do estado seja coibida, é isso?

    Faltou provar o seu ponto. Por que você acha isso?

    A maioria das pessoas que segue uma dedução lógica a partir de como o estado se forma e se consolida no poder, e como o exerce, tem os funcionários públicos como engrenagens do sistema. Colocados em sua posição para fazê-lo funcionar, e não o contrário. Então, do ponto de vista praxeológico, o funcionário público é uma ferramenta do estado contra o Mercado. Tanto com relação a salários mais altos, quanto com relação a sua função de engrenagem.

    Agora, talvez você tenha, de fato, levantado uma hipótese interessante (ainda que inadvertidamente). O fato de a competência dos funcionários públicos ser de facto menor que a dos funcionários da iniciativa privada (tanto intrínseca: pessoas de fato menos qualificadas; quanto exógena: pessoas que se limitam de forma proposital para equiparar-se a seus pares e "passar abaixo do radar" - quem trabalha sempre ganha mais trabalho!) talvez sirva justamente como um limitador do poder e da abrangência do estado. É como se a engrenagem fosse ineficiente, comprometendo o funcionamento "a pleno" da máquina.

    Pensando bem, pode ser até que esse efeito seja importante: se a guerra contra a pirataria fosse eficiente já teria erradicado o Mercado "paralelo" de bens piratas, afinal de contas, o estado pode despejar tanto recurso quanto necessário para atingir esse fim... mas ao empregar seres que só querem ser parasitas como fiscais, nunca atinge esse objetivo e o Mercado "paralelo" se mantém...

    Interessante...
  • Alessandro Velozo  02/12/2013 11:19
    Bom dia, anônimo. Foi só um comentário jocoso. Não quis refutar nada. Só quis fazer vc pensar um pouquinho. Não tem nada a ver vc criticar algo periférico como a existência de funcionários públicos em uma sociedade que se criou e se reproduz a sombra do estado patrimonialista que sempre foi dono de tudo por aqui. Isso é um fato. Não sei se vc notou mas vc não vive em uma sociedade de livre mercado. Vc vive em uma sociedade profundamente marcada pela intervenção estatal em todos os aspectos da nossa vida. O Brasil sempre foi um país socialista...

    Tudo em nossa vida economica é cartelizado, depende de autorização estatal, paga propina, suborno, requer influência... tudo aqui é ridiculamente regulamentado, burocratizado. O direto positivo do estado e seus sacerdotes a tudo e todos julgam, tudo sabem. Quem é mais parasita amigo: o auxiliar administrativo de um posto de saúde ou as empresas que mantém uma relação fascista com o estado. Pra que servem as agências regulatórias? Grandes grupos ou empresas amigas do rei precisam competir por aqui? Quem é o modelo de grande empresário pra vc, o Eike Batista? Taí um funcionário público que ganha muito bem!

    O que eu quero dizer é que o estado esta tão intimamente entrelaçado em nossas vidas que não tem sentido criticar o problema menor, e que não é a causa mas a consequência, um derivado _o funcionalismo. Falei tb de mercado de trabalho e não de livre mercado que não existe em lugar nenhum a mais de 1 século. Só existe nos nossos ideais, na nossa cabeça, anônimo. E quando vc chama um simples funcionário público de algoz ou de inimigo só pq ele esta aproveitando uma oportunidade que qq um de nós aproveitaria (o cargo existe, se não ele, outro ocupa) isso soa ridiculamente esquerdista e faccioso. Se eu pudesse matar o leviatã, amigo... Ninguém precisa de governo, ou melhor, eu não preciso pq me autogoverno, talvez vc não, mas não se esqueça, amigo de que a realidade que vivemos não é formada só por nós mas por centenas de milhões de ovelhas que preferem um pastor, por pior que seja, do que a liberdade _e o risco_ de viver por conta própria.

    O governo que vc critica é nada mais que a projeção do medo e da ignorância da maioria dependente que prefere a merda de uma bolsa do que arregaçar as mangas e ir trabalhar. Então, amigo, dado que há muitos culpados, aumente a sua lista de parasitas para uns 200 milhões.
    É só esta a questão que coloquei. Qto a mim, eu amo a liberdade, liberdade para comprar, para vender, para amar, para seguir a minha vontade, para que os outros sigam a sua. Amo o mérito, amo o trabalho. Acredito que direito é algo conquistado. Amo as minhas duas pernas. Será que sou um liberal? Bom começo de semana, anônimo.
  • anônimo  02/12/2013 12:13
    Menos mal, Alessandro, fico aliviado. No entanto, discordo profundamente de você, quando você diz:

    "E quando vc chama um simples funcionário público de algoz ou de inimigo só pq ele esta aproveitando uma oportunidade que qq um de nós aproveitaria (o cargo existe, se não ele, outro ocupa) isso soa ridiculamente esquerdista e faccioso."

    Por causa destes burocratas, você leva 6 meses para abrir uma empresa. A questão não é somente participar no espólio, mas ativamente atrapalhar o andamento da sociedade. Apesar de moralmente errado, dá pra conviver com algum nível de roubo. As pessoas inventam, e acabam encontrando maneiras de se virar. No entanto, se este grupo de ladrões ainda faz de tudo para avacalhar a vida de quem quer empreender ( e ainda fazer pose de mocinhos ), então eles são bem diferentes dos Eike Batistas da vida. Este avacalhou bastante com a economia, o mercado, e a vida de um monte de gente. Mas cada fiscal da prefeitura, cada burocrata da receita, diariamente, tem o poder de simplesmente destruir a vida de gente honesta para ser usado de acordo com o seu humor. Irrite um bandido destes, se você tem algum patrimônio ou uma empresa, para ver quanto vocÊ e o seu negócio duram.

    Como libertário, eu não ligo para o que os outros fazem. Claro, se a sociedade onde estou é altamente imoral, isto me prejudica diretamente, e é meu interesse, e de todo capitalista, mudar esta situação. Afinal, o desenvolvimento tecnológico sempre traz desenvolvimento humano, e isto deveria ser o ideal de todos. O Insituto Mises deixa claro em seus artigos ( para quem estudar o bastante ), que existe uma moral superior, correta, e que promove o desenvolvimento econômico e humano quando adotada.

    Por isto não aceito quando alguém escolhe o serviço público. Uma empresa com ligações com o governo é ruim, com certeza, e devemos sempre procurar boicotá-la ( na medida do possível, é claro ), mas alguém que escolhe fazer parte do problema, entrar para a gangue que promove a destruição de capital e a estagnação do desenvolvimento, faz uma escolha muito pior, sob o aspecto moral. Simplificando, é como decidir entrar para uma gangue criminosa, como trabalhar para um bando de ladrões ou sequestradores. Pessoas como o Eike, apesar de se beneficiarem da atividade destes, não participam ativamente na execução destas. Os funcionários públicos participam. E se não houvesse a atividade destes últimos, ao menos em escala suficiente para roubar grandes quantias, não existiriam Eikes por aí.

    Boa semana.
  • Alessandro Velozo  02/12/2013 11:43
    Leia Raimundo Faoro ou um livro simples, mas revelador "Máua, Empresário do Império" vc vai ver onde quero chegar.
    Já um outro assunto q eu queria ressaltar:
    O conhecimento econômico real sempre foi velado ao grande público e monopolizado por algumas dinastias bancárias. Desde os escolásticos. Fundações como a rockfeller ajudaram financeiramente o sr. Mises e os estudos da escola austríaca mas depois se apropriaram destes conhecimentos e fizeram de tudo para que o legado do sr. Mises permanecesse oculto do público até nas universidades. Aí a visão econômica predominante sempre foi keynes e Milton Friedman ou outros autores pró intervenção estatal. Qdo Von Mises diz que o conhecimento real da economia deveria ser estudado por todos e que isso seria um grande fator de liberdade do indivíduo perante o escravismo estatal ( não me lembro a fonte ou a frase correta) ele mostra o quão benfeitor da humanidade ele foi. Isso é sintomático dos nossos tempos. Os grandes heróis são esquecidos. O idiotas uteis (keynes) são promovidos.
  • mogisenio  02/12/2013 13:27
    Olá Ali Baba,
    grato pelo comentário

    Antes de desenvolver o tema seria necessário compreender até que ponto podemos concordar com algumas premissas.
    Estou lhe dizendo isso porque se você parte do princípio de que o "Estado" não deva existir de jeito nenhum, então nosso debate não nos levaria a lugar algum. Seria dois vetores apontados para lados opostos com igual capacidade de forças. ( 180 graus)

    Todavia, se combinarmos "vetores" que formam um ângulo menor que 180 graus, positivamente, então poderemos chegar a alguma resultante devidamente equilibrada que traga alguma informação nova para ambos os lados.

    Como o debate aqui não é on line, por óbvio, neste momento, não sei qual seria a inclinação do seu "vetor",(pensamento) mas partirei do princípio de que estaríamos formando um campo de forças nem próximo de 180 graus e nem próximo de Zero grau. Digamos, 90 graus. Logo, a resultante deve ficar mais ou menos ali, próxima dos 45 graus.

    Portanto, partindo-se dessa condição, tenho a lhe dizer o seguinte:


    As deformações do "uso" do poder pelo Estado resultam mais ou menos nesses desvios, isto é, Demagogia, tirania, e oligarquia. Creio que você já deve saber disso.
    Estas deformações estão diretamente ligadas ao uso do poder. Se pudéssemos graduar o poder poderíamos traçar uma linha onde num extremo há o poder total, absoluto, irrestrito ( pleonasmos propositais) e na outra ponta a ausência de poder. Dependendo do ponto onde se encontra o tal "uso do poder" , certamente, na minha opinião, haveria equilíbrio ou desequilíbrio no sistema. Sistema que necessariamente é aberto e gera entropia positiva ou negativa. As razões para isso são várias. Tendem ao infinito, como num "limite" matemático.

    Apenas mais uma ressalva: no lugar do vocábulo "Estado" , que já vem bastante carregado de ideologias, vou usar a expressão "organização". Tratemos deste vocábulo com a máxima pureza possível. ( sem vieses e deixando claro que não estou aqui "defendendo" um ou outro tipo de Estado etc. Estou tentando uma análise imparcial dentro, obviamente, da condição possível de imparcialidade)

    Temos de considerar que estamos lidando com uma organização que, essencialmente, contém o elemento humano.
    Estamos falando portanto, de uma organização, isto é, algo arranjado, bem ou mal pactuado, eficaz ou ineficaz para determinados fins que , necessariamente contém "condutas" ou "comportamentos" humanos em seu bojo.

    Exemplificando, para tentar ser uma pouco mais claro, e já me aproximando do cerne do tema ( trabalhadores servidores públicos e trabalhadores não servidores públicos) pode -se dizer que uma organização que se assemelha a esta a qual me refiro poderia ser uma "empresa". Dentro de uma organização da espécie "empresa" encontramos um emaranhado de "condutas" humanas que serão organizadas e combinadas entre si e com outros elementos, para gerar algum resultado.
    Algum indicador ( previamente acordado e razoavelmente objetivo) pode e deve existir para "medir" o grau de efetividade em relação ao objetivo.
    A competência técnica de cada "comportamento humano" também pode ser avaliada. Enfim, qualquer insumo deve ser racional e efetivamente empregado para se chegar a algum objetivo.
    Criam-se premissas que embasam a razão de ser desta "organização empresarial". A missão, a visão definidas previamente em algum momento anterior, dão rumo, norte, direção que , necessariamente, seguirão algum algoritmo o qual a levará a um ponto estratégico diferente e superior num futuro razoavelmente próximo. Este "momento" estratégico futuro, dever ser proporcionalmente melhor do que aquele do ponto de partida.

    Uma organização como esta administra um conjunto de elementos ( de insumos, de ativos ou de propriedade) para gerar algum resultado.
    Nela há, necessariamente "competência" nos dois sentidos, isto é, aquele vulgar, onde se mede a capacidade de agir, a competência técnica para atingir um êxito qualquer e a competência limitadora de conduta. Nesta define-se o que "pode" e o que "não pode" ser feito. Seria a limitação do "agir" humano, dentro de algum acordo previamente pactuado. Ex: um trabalhador do tipo "empregado", pode e deve "vender um item de ativo de curto prazo ( estoque) almejando um "resultado" superior ao CMV. Por outro lado , pode não está autorizado a vender um item do ativo não circulante que gera itens do estoque. Nessa linha , há regras internas que ele deve obedecer. Essas regras limitam o seu comportamento, a sua conduta sob pena de sanção negativa. O ambiente é livre mas há ordem. O sistema , embora aberto e com incertezas, é organizado. As condutas são previamente limitadas por "contratos" que, necessariamente contém cláusulas. Cláusulas que estabelecem o "agir", sob pena de algum tipo de sanção. O trabalhador , por exemplo, deve atingir alguma meta, sob pena de distrato. O trabalhador não deve usar a propriedade ( que não é sua) de forma arbitrária, sob pena de sanção. Se há sanção prévia, a ,necessariamente, coação ainda que pedagógica, moral etc. Mas, no contrato os termos são claros. Ex: o trabalhador deve se apresentar para o trabalho com o uso de uniforme sob pena de dispensa por "justa causa"( entenda a justa causa do jeito que foi pactuada) Há ,portanto, a presença de "poder". Olhando para uma organização aos moldes de Fayol, pode-se perceber, nitidamente, a estrutura hierarquizada na qual o "poder" ocorre "de cima para baixo".( teoria clássica). Se há poder há, necessariamente, forma de propagação deste. A liberdade existe mas, necessariamente é limitada pela própria estrutura hierarquizada. Eis a importante e necessária divisão do trabalho responsável por todos os avanços que podemos perceber ao longo do século passado. A "lei" interna aqui também limita a conduta humana.
    A lei heterônoma aqui permite tudo que não é proibido. Para os defensores do jusnaturalismo esta lei , atemporal, já estaria definida, "pela natureza humana". ( Creio que seja a opinião de vários aqui). Mas é importante perceber o que foi dito pelos engenheiros da organização empresarial( Taylor e Fayol) - pilar do desenvolvimento capitalista a partir do início do século passado. ( mais tarde usado por Ford)
    Mudando o que deve ser mudado, o trabalhador "servidor" público, como ser humano, racional que é, também transita nestas duas competências. Mas a competência limitadora de conduta lhe é ainda mais enfática, isto é, o servidor, ainda que ele tenha competência técnica para fazer alguma coisa só deve agir de acordo com a lei. É dizer: tudo pode ser feito somente de acordo com a lei. Diferente, portanto, do trabalhador não servidor que pode fazer tudo que a lei não proíbe.
    Se quiser retirar o vocábulo "lei" tudo bem. Vamos nos referir a algo que , de alguma forma, limita a conduta humana.

    Para encurtar bastante o argumento, este foi o ponto que vislumbrei no sentido de "coibir" aquele "uso do poder" gerador de "desvios" de condutas previamente pactuadas.( tirania, demagogia, oligarquia)

    Numa organização do tipo "Estado", o uso do poder também ( e ainda bem que é assim) se baseia em regras. O servidor pode e deve atuar ( dever poder) para alcançar algum fim. Todavia, o item de estoque ( o bem ) não é privado. O item de estoque é público e não visa, necessariamente, um resultado superior ao CMV, apenas. Não visa porque não é propriedade privada. Isso não quer dizer ausência de resultado. O resultado existe porém, é "medido" de outra forma. Esta forma de medir pode ser "qualquer uma" que pactuarmos.
    Quem "usa o poder" não é o trabalhador servidor público. Este segue regras. O poder, ao contrário, definem as regras para todos e para si próprio( contra o absolutismo, por exemplo.) Portanto, impede, ou deveria impedir a tirania, a oligarquia e a demagogia.

    Voltando os "desvios" , creio que aqui se encontra, inclusive, uma das razões para que o trabalhador servidor público tenha "estabilidade" ou "vitaliciedade". ( tema polêmico eu sei). Como estes atuam APÓS( bem próximo ) o uso do poder estes precisam de um certo "apoio" em algo que limita o poder. Esse algo é a lei, atualmente.

    Talvez por aqui seja o maior dilema entre os pensadores racionais que não admitem a propriedade pública. Aqui talvez a tal "falta de cálculo econômico apoiada pela tese capitalista. ( quanto isso , não me oponho)
    Mas, mesmo entre os liberais ( não anarquistas) a Organização "estado" deve existir para atuar num meio social qualquer, visando, a segurança interna e externa etc.
    Se estamos diante deste liberal que "concorda" com a existência desta "organização social" - que não é empresarial - então , necessariamente, deve existir "trabalhador do tipo "servidor" ( ou o nome que se quiser dar) para administrar por exemplo a segurança interna e externa. Deve existir alguma forma de "financiar" este "ATIVO", para alcançar algum "resultado" prático e eficaz.

    Uma outra questão é se o "investimento" em trabalhadores servidores públicos tem gerado resultado ou não, por exemplo, em segurança interna e "externa". Lembrando que externamente, é mais razoável acreditar que estamos diante de uma ambiente ANÁRQUICO.

    Nessa questão de eficiência, eficácia, efetividade, economicidade, ai sim, estaríamos longe de algo almejado. O custo supera o benefício, certamente.
    Saudações
  • K  02/12/2013 16:14
    SIMPLESMENTE SUPIMPA! Mais um texto direto e certeiro do Filósofo mogisenio, mestre dos mestres da sabedoria universal. Impossível evitar um orgasmo intelectual ao ler algo de sua pena.
    Parabéns por mais essa bomba de genialidade! ;)

    Saudações
  • Ali Baba  02/12/2013 14:50
    @mogisenio 02/12/2013 13:27:09,

    Vou tratá-lo como trato o Típico Filósofo, como um personagem que quando comenta ou responde simplesmente aciona o Gerador de Blá Blá Blá e o deixa ligado por algum tempo.

    Sua resposta é uma salada de nada com coisa nenhuma. Se você é um personagem irônico dos que gostam de frequentar esse site, parabéns, me enganou. Caso contrário tem alguma coisa muito errada com o seu pensamento... sugiro um psiquiatra.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.