A dignidade se dá por meio da produção
Então você é um sujeito decente e de bom coração, que não fala mal dos outros pelas costas nem falta com respeito aos mais velhos. Logo, o mundo lhe deve uma vida de prosperidade e realizações, certo?

Aqui vai um segredo. Independente do que você pensa que a sociedade lhe deve pelo fato de você ser gente boa, a verdade é que o sustento da sua vida vai depender da sua capacidade de produzir ou de aproveitar os frutos da produção de alguém.

Seja sincero, quantas vezes você sustentou pessoas desconhecidas pelo mero fato de elas serem gente boa (não gente boa com você, mas gente boa assim em abstrato)?

"A sociedade está cheia de pessoas que precisam de coisas," escancara essa citação improvável de David Wong,

Elas precisam de casas para morar, comida para se alimentar, elas precisam de entretenimento e de relações sexuais satisfatórias… Ou você começa a atender essas necessidades aprendendo algum tipo específico de habilidade, ou o mundo irá lhe rejeitar, não importa o quão gentil, bondoso e educado você seja. Você acabará pobre, solitário, e jogado no frio.

Produzir é criar valor a partir da combinação e realocação de recursos escassos em bens ou serviços. Como regra, toda pessoa depende da urgência da produção para que seja possível desfrutar do consumo essencial à vida e à felicidade humana. O mais relevante fator de produção é o trabalho, por sua utilidade não ser específica a determinado fim. "O trabalho humano é ao mesmo tempo apropriado e indispensável", dizia Ludwig von Mises, "para a realização de todos os modos de produção e processos imagináveis."

Dizem que o trabalho dignifica o homem. Mas não é qualquer trabalho. O trabalho de um ladrão pode envolver muito esforço e técnica. Mas subtrair valor de uma vítima não enobrece o criminoso. É o trabalho produtivo que dignifica o produtor.

Transferências de renda podem aliviar a miséria, mas não têm sido capazes de fazer com que seus recipientes sejam criadores de valor. Ninguém quer ser um recipiente onde se jogam esmolas. Não queremos ser um passivo para a sociedade. Queremos ter consciência de que nosso trabalho está gerando valor, de que nossa sociedade seria um lugar mais pobre sem a nossa presença. Quando produzimos, tornamo-nos um ativo social. Tornamo-nos dignos.

A miséria envergonha. Calouros universitários acham bonitinho pintar a cara e pedir trocado no sinal. Mas pessoas realmente pobres sentem vergonha ao pedir esmola. Depender de caridade coloca o pedinte numa posição inferior a quem se pede.

Há quem ache que a solução é exaltar a pobreza, tratar a pobreza com respeito, dignidade e fotografias do Sebastião Salgado. Mas não devemos dignificar a pobreza (até porque não resolve, como revela essa matéria). Devemos dignificar o pobre. Devemos exigir reformas políticas que diminuam o custo do trabalho, permitindo que os pobres produzam mais do que consomem, que sejam ativos sociais.

Há muito chão a percorrer. Segundo relatório da FGV, só os obstáculos da legislação trabalhista brasileira custam de 17% a 48% do salário do trabalhador.

Ao incluir [itens como gastos com treinamento e capacitação e despesas gerenciais e administrativas] o gasto total com um trabalhador fica aproximadamente 183% maior do que o salário em carteira em um contrato de trabalho que dure 12 meses.

Para dificultar ainda mais a produtividade do pobre,

O atual modelo de acesso ao FGTS com multa de 40%, além do aviso prévio indenizado, o seguro-desemprego e a possibilidade de manter-se um tempo trabalhando na informalidade, os trabalhadores têm incentivos em manter alta rotatividade entre empregos, criando menos investimentos em qualificação e afetando negativamente a produtividade total da economia.

Se fosse possível abolir a pobreza involuntária por decreto, eu assinaria esse decreto. Mas a pobreza não pode ser revogada com uma assinatura. Ela precisa ser superada. O melhor que o governo pode fazer é preparar um ambiente em que as forças produtivas dos indivíduos possam atuar, que as barreiras para o emprego sejam diminuídas, que a abertura de empresas seja facilitada e, não podemos esquecer, que a propriedade que o pobre produziu seja dele.

Sempre haverá os que são improdutivos involuntariamente e a esses devemos direcionar nossa compaixão e caridade. Mas se tratarmos o sujeito que se recusa a produzir da mesma forma que tratamos o que acorda cedo para suar a camisa, estaremos diminuindo o valor do suor, do esforço, da produção.

O ócio empobrece. A esmola (caridosa ou coercitiva) ameniza a pobreza. Mas só a produtividade verdadeiramente enriquece e dignifica.


1 voto

SOBRE O AUTOR

Diogo Costa
é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.  Seu blog: http://www.capitalismoparaospobres.com


Olá xará!obrigado pela resposta.

Então,do avião eu entendo.Mas eu vejo o conflito na questão dos consumidores assumirem o risco,a liberdade gera responsabilidades.Só que o problema é ate onde é um ''crime'' e ate onde é a responsabilidade de cada um.No caso do avião,a falta de manutenção ocasionar em um acidente pode ser considerado crime,mas e se o consumidor era consciente disso?
É ai a questão que você me disse,o contrato não prevalece em relação a vida.A grande questão aqui é, até quando a morte do consumidor pode ser ocasionada pelo seu próprio risco e responsabilidade ou por um ''crime'' do empresario.Entende?
Mas enfim,é um tema polemico e gostaria de ver a galera debatendo aqui.

Coisas implícitas é quando você usufruiu de um bem ou serviço ''rápido'', sem que haja um contrato, certas coisas são implícitas por serem tão obvias e consequentemente subentendidas por qualquer um.
Se eu comprar um carro,é subentendido que o mesmo não vai explodir na primeira partida.
Se eu comprar um navio,é implícito que o mesmo não vai pegar fogo e naufragar nas suas primeiras milhas.
Mas há uma diferença: Os exemplos que eu citei, há um contrato assinado(comum).
Agora, ao frequentar uma casa noturna por exemplo, você não assina nenhum contrato, mas é implícito que a casa noturna não vai desmoronar e muito menos pegar fogo, como foi o caso de Santa Maria.Por isso, argumentar que não houve um contrato entre os jovens e a boate, seria uma aberração pois diante o acontecimento, era implícito que tal fatalidade não poderia ocorrer.Entende mais ou menos?
Não tenho duvidas de que infelizmente, tais jovens detêm uma parcela de ''culpa'', por não serem responsáveis de frequentar uma casa noturna naquelas condições.Entendo perfeitamente também que, os incentivos de mercado garantiriam a segurança e não um alvará estatal.O ponto aqui não é esse!Só um exemplo...
Outro exemplo de implícito,é você ir a um restaurante, é implícito que a comida não virá estragada ou contaminada, logo é um contrato implícito que o restaurante não vai ti vender veneno...Entende?
Se eu for na banca comprar um jornal ou revista, é implícito que o vendedor não irá me vender algo com uma tinta toxica,ao menos que tenha um aviso prévio e um consentimento da minha parte(um contrato).

E sobre venda do ''ponto'',o que achas?

Abraços!

Séries Temporais do Banco Central. Vá a www.bcb.gov.br/?serietemp, e então clique em "Acesso ao Sistema de Séries temporais", e aí, na coluna da esquerda, onde está escrito "Por código", apenas digite o número do código de cada gráfico do artigo (o número está na parte inferior esquerda de cada gráfico).
Friddi. Eu discordo de sua afirmação: "2o O plano Morgenthau poderia ter ajudado caso que Alemanha não teria perdido seus territorios no leste (o que é hoje parte de Polonia e Russia; Silesia, Prussia leste e Oeste)."

Até o final do século XVIII a Polônia fazia da Comunidade Polaca-Lituana, independente. Entre os anos de 1792 e 1795 esta comunidade foi dissolvida na marra pelos Império Russo, pelo Reino da Prussia e pelo Império Austriaco dos Habsburgos, que a dividiram entre os três no que foi chamado de "Tripartição da Polônia".


Esta partição criou uma grande emigração de poloneses para outros paises da Europa.

A Polônia só recuperou sua independência quando os impérios alemão e austro-húngaros foram derrotados na Primeira Guerra Mundial.

Com o advento da Segunda Guerra Mundial, Hitler e Stalin dividiram novamente a Polônia, ficando a parte ocidental para a Alemanha nazista e a oriental para a URSS.

Ao final da Segunda Guerra novamente a Polônia foi libertada.

Inclusive, áreas atuais do leste da Alemanha, pré-historicamente eram habitados por povos eslavos e não germânicos (originários da região ocidental da atual Alemanha e países nórdicos (Dinamarca e etc.), como já demonstrado por descoberta arqueológicas realizados na atual Alemanha por alemães

Assim sendo, a Alemanha não perdeu terreno para a Polônia mas recuperou pois eram territórios pré-historicamente e historicamente eslavos, e que desde a pré-história habitavam inclusive terrritório que hoje pertence a Alemanha e não o contrário.

O vale do Rio Elba (nasce na República Tcheca, corta o leste da Alemanha, a oeste de Berlim, e desagua no Mar Báltico era habitado na idade média por povos eslavos, osSlowianie polabscy.

PS:
1) Sou descendente de alemães por parte de mãe: meus avós maternos vieram ao Brasil no entre-guerras. Tenho muitos primos na Alemanha;
2) de poloneses por parte de pai: meus quatro bisavôs paternos eram eslavos, nasceram, cresceram, casaram numa pequena comunidade situada a cerca de 50 km a leste da Alemanha.
Os quatro só falavam polonês, tinham feições e raizes eslavas e se consideravam poloneses, não prussianos. Mas, ao virem ao Brasil na segunda metade do século XIX vieram com passaportes prussianos, o passaporte dos dominantes da Polônia à época.

Aliás, por conta disto não consegui a nacionalidade polonesa pois quando a Primeira Guerra acabou meus bisavôs já haviam morrido e, portanto, não trocaram seus documentos de prussianos para poloneses.

Algumas fontes:

-
https://global.britannica.com/event/Partitions-of-Poland

- Norman Davies, God's Playground: A History of Poland in Two Volumes, Oxford University Press, 2005, ISBN 0-19-925339-0

- Bideleux, Robert; Jeffries, Ian (1998). A History of Eastern Europe: Crisis and Change. Routledge. p. 156

- Batt, Judy; Wolczuk, Kataryna (2002). Region, State and Identity in Central and Eastern Europe. Routledge. p. 153

Estudos sobre a presença de povos eslavos na atual Alemanha, escritos por alemães:

- The Archeology of Medieval Germany, by Günther P. Fehring :
https://books.google.com.br/books?id=7RMcBQAAQBAJ&pg=PA196&lpg=PA196&dq=slavic+settlement+Germany&source=bl&ots=DnBMN4Yl37&sig=oS9F03wUrlqh54GxzF-aZV58at0&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwjWr7-k2LXPAhVLCpAKHd_OB8AQ6AEIbzAQ#v=onepage&q=slavic%20settlement%20Germany&f=false


- Herrmann, Joachim (1970). Die Slawen in Deutschland (in German). Berlin: Akademie-Verlag GmbH
Boa noite xará! Grandes questões tem levantado...

Penso que independente de cláusula, morte e ferimentos sempre estarão cobertos pois trata-se de integridade física. Qualquer um que fere a integridade de outro está cometendo crime.
A ocorrência de morte ou ferimentos não exclui a aplicabilidade das normas contratuais, por consequência essas poderão ser cobradas perante o tribunal.

Quanto ao avião. Sim, o proprietário assume riscos. Seus passageiros também. Em uma economia de livre mercado, se tal empresa utilizasse dessa vantagem competitiva de maneira transparente, ela certamente teria consequência de morte com o acidente. Mas no caso que você citou (falta de manutenção), não é necessário nem mesmo que a empresa ofereça serviços em aeronaves inseguras e precárias. Caso uma empresa que ofereça serviços excelentes, em aviões de última geração, deixe de fazer manutenção na aeronave, e isso fique comprovado no tribunal, ela também deveria ser responsabilizada civil e penalmente (morte e ferimentos). Entendo que a empresa seria responsabilizada civil e penalmente, com direito de regresso contra o funcionário se este agiu com a intenção ou se agiu descumprindo as normas da empresa.

Essas questões que parecem coisa de crianças lotam os tribunais no dia hoje. É só uma das formas de entregar as coisas do dia a dia para o Estado cuidar. No caso da fumaça, a melhor saída seria uma boa conversa com o vizinho. Se isso não resolver, você que feche sua casa ou mude de casa. Querer regular, de qualquer forma, o hábito do sujeito viver dentro de sua própria casa, ao meu ver, destrói todos os valores liberais.

Ponto: valor subjetivo, utilidade marginal. Pede quem tem, paga quem quer e pode.

Ainda não consegui compreender o "coisas implícitas"...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Henrique  23/11/2013 18:33
    Desculpem-me pelo comentário off-topic, mas ouvi falar que a causa do sucesso industrial do Japão foram as suas políticas protecionistas. Eu pesquisei (um pouco) sobre o assunto, e me parece verdade que o Japão adotou práticas protecionistas. O que os liberais dizem sobre isso?

    valeu
  • Altamir  23/11/2013 18:48
    Isso é a conversa de sempre. Sugiro ler a seção de comentários deste artigo e ver o que o Leandro escreveu sobre a Coreia do Sul. O raciocínio é o mesmo para o Japão.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1721

    P.S.: Da próxima vez, tenha a gentileza de fazer a pergunta na seção de comentários de um artigo relacionado ao assunto de sua pergunta.
  • Henrique  23/11/2013 20:46
    Valeu, Altamir.
    Só gostaria de saber por que nós ainda não temos nenhum fórum! Seria muito interessante...
  • anônimo  24/11/2013 09:41
    A última notícia era que eles estavam trabalhando nisso
  • Renato S. Borges  23/11/2013 19:19
    Belíssimo texto. Conseguiu dizer muito com pouquíssimas palavras. Vontade de imprimir uma monte de cópias e sair distribuindo na rua.
  • Renato  23/11/2013 20:48
    Eu vou dar a minha opinião para talvez começar a acabar com os impostos. Não sei se vocês irão concordar comigo: a minha ideia teria que também partir dos próprios empresários e empreendedores.

    E se começar a aparecer empresários(esses empreendedores teriam que ser em grande número) pedindo para deixar de pagar impostos pois querem financiar ou abrir escolas e hospitais para atender pessoas pobres por conta própria?

    Os empresários não seriam obrigados a fazer isso, mas em um país onde a hipocrisia esquerdista conseguiu convencer grande parte da população de que os empresários são exploradores e gananciosos, talvez não seja uma ideia ruim começar a desmascarar a mentira esquerdista diante deles.

    Imaginem como esses empresários em programas de TV, em entrevistas para jornais ou revistas dizendo que não confia em deixar o seu dinheiro nas mãos dos políticos (classe que não é bem-vista no nosso país. O que para mim é um bom sinal) e que esse mesmo empreendedor quer financiar por si mesmo a abertura ou criação de escolas, cursos profissionalizantes ou até mesmo hospitais sem a participação de políticos.
  • Pobre Paulista  23/11/2013 22:21
    Para os empreendedores digitais é mais fácil burlar impostos. Hospede seu sistema num host no exterior, em algum paraíso fiscal, cobre em bitcoins, e pague seus funcionários em bitcoins também (Nem precisam estar no Brasil, hj existe infra estrutura o suficiente para montar uma equipe com uma pessoa em cada canto do mundo). Aí vc troca seus bitcoins por dinheiro em algum mercado de bitcoins por aí e paga tudo em dinheiro (Nada de contas bancárias). Vc ainda consegue até mesmo declarar um tanto para a receita federal no IRPF, desde que esse tanto não atinja um limite que faça pagar impostos.

    Serviços como pay-pal até podem ajudar mas no final das contas sempre é possível te localizar. Com bitcoins é praticamente impossível.
  • Fabrício  23/11/2013 22:25
    Os grandes empresários do nosso país detestam concorrência, por isso fazem lobby com o governo para impor regulações que impeçam o crescimento de empresas com menos capital, diminuindo a produtividade da economia do país, e assim adquirindo monopólio no setor que atuam.
  • Leandro Levlavi  24/11/2013 00:11
    Renato,

    você é tão utopista quanto os socialistas em seu comentário. As regras do jogo do jeito que estão impostas não incentivam empresário algum a fazer o que você diz. No sistema atual, todos têm que buscar ser amigos do REI.
  • Renato  24/11/2013 12:29
    Leandro Levlavi,

    as regras do jogo podem ser mudadas. Me explique então como os anarco-capitalistas irão convencer as pessoas contra o pensamento estatizante?

    Os grandes empresários tem o monopólio junto com o governo, mas os pequenos e médios empresários, que são os mais prejudicados, poderiam começar uma reação.

    Então eu volto com a minha pergunta:

    Me explique então como os anarco-capitalistas irão convencer as pessoas contra o pensamento estatizante e propagar os pensamentos libertários?
  • Gredson  24/11/2013 16:46
    Eu acredito que anarcocapitalismo é inevitável, assim como a liberdade. não é uma questão de convencimento,mas sim uma questão de necessidade. as trocas voluntárias necessitam disso. só existe trocas por causa da liberdade e cada vez mais aumenta essa necessidade de fazer trocas sem a interferência do estado.

    Em uma palestra no TEDxCopenhagen, Lasse Birk Olesen comentou como a tecnologia muda sociedade e não os político. Ele citou três tecnologias que não dependem do estado e estão mudando o mundo e mostrando principalmente que o estado não é necessário.
    www.youtube.com/watch?v=XRh1xsSIjlg

    Por isso na minha opinião a melhor forma de acabar com o estado e protestar contra ele, é mostrar o quanto desnecessário ele é. E isso já está acontecendo através da tecnologia, como O bitcoin, impressoras 3d, enfim dando poder ao individuo.
  • Renato  24/11/2013 17:50
    "Por isso na minha opinião a melhor forma de acabar com o estado e protestar contra ele, é mostrar o quanto desnecessário ele é."

    Gredson, e pequenos e médios empresários que são prejudicados pelos monopólios não poderiam começar a protestar?
  • PEdro  25/11/2013 10:54
    Inevitável? Cite um território do mundo onde exista este sistema. O anarcocapitalismo nem engatinhando está. Na minha opinião, sequer foi "concebido". E, sinceramente, pra mim parece inviável.
  • Eduardo Bellani  25/11/2013 12:26
    Eu acredito que anarcocapitalismo é inevitável

    Inevitável, por quê?

    E, sinceramente, pra mim parece inviável.

    Inviável, por quê?

    ************************************************

    O fórum fica melhor com mais argumentos e menos palpites.

    Em outras palavras, mais Herman Hoppe, e menos Delfim Netto.

    Abraços.
  • Gredson  25/11/2013 16:05
    eu citei os motivos que eu acredito que levaria a liberdade a ser inevitável,assim como o anarcocapitlismo, mas tudo bem, vamos lá de novo.

    Eu acredito que anarcocapitalismo é inevitável, assim como a liberdade. No primeiro comentários eu citei uma palestra no TEDxCopenhagen, Lasse Birk Olesen, mostrando que a tecnologia muda a sociedade e não a politica, e para chegar ao meu ponto, eu citei uma das 3 tecnologias que não dependem do estado, mas ao mesmo tempo são essas três tecnologias que estão mudando o mundo e sendo um passo passo para o fim do estado, entre elas o destaque para o Bitcoin e o projeto Seasteading que iria permitir civilizações no meio do oceano. Enfim tudo isso para chegar a conclusão de que a melhor forma de acabar com o estado, é mostrar o quanto desnecessário ele é. E isso já está acontecendo através da tecnologia. e para concluir vou recomendar uma excelente palestra do Adam Kokesh que fala exatamente sobre isso, ele acredita que os jovens iriam usar a tecnologia para se levantar contra o status quo e o estatismo. (como está acontecendo agora através da tecnologia)
    www.youtube.com/watch?v=drzI55S6ipY


  • Eduardo Bellani  25/11/2013 21:12
    Acho que entendi seu ponto Gredson (tecnologia leva a mudanças
    sociais, que levam a mudanças políticas), mas acho também que não deixei
    claro o meu.

    Inevitabilidade é uma palavra muito forte. Tão forte, que é o que
    certas religiões (como o marxismo, com a inevitabilidade do comunismo
    através do progresso da história) a usam pra tentar convencer
    incautos de seus dogmas.

    Não existe prova alguma da inevitabilidade de uma sociedade mais justa
    e livre. Isso não é motivo para pararmos de buscar-la, entretanto.

    Abraços.
  • Emerson Luis, um Psicologo  26/11/2013 11:09
    Algumas pessoas realmente necessitam de caridade. Mas quem possui capacidade de produzir algum bem e/ou serviço, deve fazê-lo. Muitos pensam em "distribuição de riqueza" e poucos pensam em "criação de riqueza".

    * * *
  • Renato   26/11/2013 15:34
    Emerson Luis, o meu comentário mais acima não está de acordo com o seu?

    Empresários e empreendedores gerando riqueza, é claro que também pode gerar caridade.
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/11/2013 17:30
    Renato:

    Sua sugestão é interessante, eu precisaria refletir melhor sobre ela.

    A caridade significa beneficiar outras pessoas sem receber nada em troca delas, por humanitarismo. Isso é importante e as pessoas que já ajudam os necessitados fariam muito mais caridade se a carga tributária fosse menor.

    O que poucos entendem é que, ao criar riqueza, um empresário já está beneficiando muitas pessoas através da reciprocidade, que é outra forma de se fazer o bem.

    Se um empresário tem cem funcionários e cada um deles faz parte de uma família de quatro pessoas, temos quatrocentas pessoas diretamente beneficiadas pelo empreendimento dele.

    Some a isso o trabalho gerado para centenas ou milhares de profissionais por seus fornecedores, atravessadores, empresas paralelas(*), sem contar suas respectivas famílias. Até a concorrência beneficia as pessoas por minimizar os preços e maximizar a qualidade. Inúmeros clientes são beneficiados.

    (*) Empresa paralela é o fornecedor de um produto ou serviço que complementa o de outra. Por exemplo, a indústria de pão para cachorro-quente é complementar à indústria de salsicha, mostarda, etc.

    Muitas pessoas que estão recebendo esmola estatal poderiam estar produzindo e crescendo em sentido material, intelectual, emocional e existencial.

    * * *
  • Renato  28/11/2013 14:39
    Emerson Luis, e quem disse que esses serviços de caridade seriam de graça?

    Empresários e empreendedores que estejam dispostos de abrir ou financiar hospitais e escolas fariam isso colocando preços acessíveis para pessoas de baixa renda. Nada seria de graça. Mas provavelmente de forma caridosa, essas pessoas colocariam preços baixos para demonstrar caridade. Mesmo porque, lembremos: esses empresários e empreendedores estão lutando para não pagar mais impostos.

    A proposta que eu fiz é para dar um ponta pé inicial no fim dos impostos e mostrar que o Estado é um lixo. Até nisso temos chance de conseguir bons resultados, pois quem não sabe que os serviços feito pelo estado é um serviço porco. E desculpe se eu estou sendo utopista, mas isso incentivaria outras pessoas a abrir o próprio negócio. Ajudaria a incentivar a criatividade das pessoas para que futuramente elas também não tivessem que pagar impostos.
  • Pobre Paulista  28/11/2013 15:47
    Eu tenho uma visão meio particular sobre "A caridade significa beneficiar outras pessoas sem receber nada em troca delas, por humanitarismo.". Para mim, caridade também é um ato individualista, visto que aquele que a pratica o faz pois acredita que está fazendo algo de útil, portanto ele está satisfazendo a si mesmo com esta atitude. Entendo que caridade é um bem de consumo, assim como um big-mac.
  • bruno  28/11/2013 15:17
    Vc acha que as agências reguladoras como a ANVISA ou o MEC deixariam isso passar incólume?

    A quantidade de normas a serem seguidas invializaria a própria manutenção do empreendimento para um VPL (valor presente líquido) = 0 (com um alto nível de investimento inicial) ou não?

    Pode ser polêmico, mas de certa forma isso que vc propõe já existe - ok, dá lucro mas poderia ser financiada por caridade - na figura das clínicas de aborto ilegais ou nas casas de massagem (e neste último vc pode alegar que não se trata de um item de saúde...mas outros divergiriam de vc rs).

    E por favor não mudem o tema só pela questão do aborto, ainda não tenho opinião formada sobre o tema - pq vcs me encheram de dúvidas em outros textos.

    A que ponto chegamos...praticar a doação com o risco de ser preso.
  • Renato  28/11/2013 16:26
    "Vc acha que as agências reguladoras como a ANVISA ou o MEC deixariam isso passar incólume?

    A quantidade de normas a serem seguidas inviabilizaria a própria manutenção do empreendimento para um VPL (valor presente líquido) = 0 (com um alto nível de investimento inicial) ou não?"

    Bruno, se o próprio governo quebra normas por que não podemos quebrá-las também?

    Tenho a impressão que muitos libertários, que são os primeiros a criticarem os impostos e governos, são também os primeiros a aceitar tudo isso.

    "Pode ser polêmico, mas de certa forma isso que vc propõe já existe - ok, dá lucro mas poderia ser financiada por caridade - na figura das clínicas de aborto ilegais ou nas casas de massagem (e neste último vc pode alegar que não se trata de um item de saúde...mas outros divergiriam de vc rs)."

    Se os imorais podem fazer isso, por que os moralistas não podem fazer o contrário?

    "A que ponto chegamos...praticar a doação com o risco de ser preso."

    Você não acha que dessa forma pode-se influenciar muitas pessoas a abrirem o próprio negócio para deixar de financiar o estado corrupto?

    Lembrando que no meu primeiro comentário eu disse que nenhum empresário será obrigado a financiar nada, mas quem não vai querer se livrar de pagar impostos incentivando cada vez mais essa pratica?

    Se não queremos pagar mais impostos, temos que criar ideias que nos favoreça e favoreça outros também.
  • bruno  28/11/2013 18:20
    Renato, eu critico apenas a viabilidade do que vc propõe.

    Vc espera que alguém mantenha um hospital, escondido em algum lugar no mercado negro, longe das garras da regulação? Isso não existe.

    A melhor idéia que já vi foi proposta num video que eu vi do neto do Milton Friedman. Ele teve a idéia de inventar um hospital num barco, relaizando procedimentos cirúrgicos em águas internacionais, longe de qq Estado.

    Agora se isso seria possível via caridade, não sei. Lembro de ter lido em algum lugar sobre um navio que realizava abortos, ou algo do tipo.

  • Renato  28/11/2013 18:51
    Bruno, o neto do Milton Friedman teve a ideia de inventar um hospital num barco, realizando procedimentos cirúrgicos para ajudar as pessoas e isso não é ato de caridade?
  • bruno  28/11/2013 19:27
    Antes vc tem que me definir o que vc entende por "caridade" ou "ajudar".

    Para alguns, se vc trabalha, vc "ajuda" sua empresa, claro em troca de uma recompensa por isto. Sou partidário dessa concepção, uma vez que acredito que o trabalho transcende recompensa financeira.

    O próprio termo "caridade" pode trazer consigo uma pitada de egoísmo. Afinal, vc não se sente bem ao praticá-la?

    Renato vc está misturando as coisas. Em nenhum momento escrevi q o navio não visava lucro...preste mais atenção. Qto ao barco que realiza abortos...pra alguns pode ser considerado caridade...para outros, pirataria ou assassinato ou algo do tipo.

    São conceitos relativos. Nada de sair impondo suas verdades por aí, ouviu?


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