O setor público: desestatizando a segurança, as ruas e as estradas
por , quarta-feira, 24 de novembro de 2010

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N. do T.: com a crescente violência e o evidente despreparo da polícia para lidar não só com bandidos, mas também com o cidadão comum, passa a ser do interesse de todos analisar um projeto de desestatização dos serviços de segurança, o que envolve a privatização de ruas e estradas. Murray Rothbard (em um texto de 1973, que na verdade é um capítulo do seu livro For a New Liberty - The Libertarian Manifesto), detalha a seguir como funcionaria uma sociedade que tivesse esses serviços fornecidos pelo mercado; e explica por que, nesse ambiente, abusos de autoridade policial não seriam plausíveis — muito menos rotineiros, como são hoje. De quebra, o problema do congestionamento, consequência da oferta "a custo zero" de um bem — as ruas públicas —, seria resolvido.

 

Protegendo as ruas

segurança.jpgAbolir o setor público significa, é claro, que todos os pedaços de terra, todas as superfícies terrestres, inclusive ruas e estradas, se tornariam propriedade privada, sendo geridas privadamente por indivíduos, corporações, cooperativas ou por quaisquer outros agrupamentos voluntários de indivíduos e capital. O fato de que todas as ruas e áreas terrestres seriam propriedade privada iria por si só resolver muitos dos aparentemente insolúveis problemas da operação privada relativa a algumas áreas. O que precisamos fazer é reorientar nosso pensamento para considerarmos um mundo no qual todas as áreas de terra são geridas privadamente.

Peguemos, por exemplo, o serviço de proteção policial. Como ele funcionaria e como ele seria fornecido em uma economia totalmente privada? Parte da resposta se torna evidente se considerarmos um mundo de terras totalmente privadas, onde as ruas têm donos. Considere a área de Times Square, na cidade de Nova York. Trata-se de uma área notoriamente dominada pela criminalidade, onde a proteção policial oferecida pelas autoridades é mínima. Cada cidadão nova-iorquino de fato sabe que ele praticamente vive e anda pelas ruas — e não apenas na região de Times Square — em um estado de completa "anarquia", dependendo unicamente da serenidade e da boa vontade de seus concidadãos. A proteção policial em Nova York é mínima, fato esse que foi dramaticamente revelado quando, em uma recente greve policial que durou uma semana, a taxa de criminalidade, pasmem!, em nada se alterou. Não houve qualquer aumento acima do normal, que é quando a polícia está supostamente alerta e na ativa. De qualquer modo, suponha que a região de Times Square, incluindo as ruas, fosse gerida privadamente pela, digamos, "Associação dos Comerciantes de Times Square". Os comerciantes saberiam perfeitamente bem que se a criminalidade na sua região fosse desenfreada, se os furtos e os assaltos a mão armada fossem constantes, seus clientes iriam inevitavelmente desaparecer e iriam passar a freqüentar as áreas vizinhas, suas concorrentes. Assim, seria do interesse econômico dessa associação comercial ofertar uma proteção policial eficiente e abundante, de forma que os clientes se sentissem atraídos — ao invés de repelidos — por essa região. A iniciativa privada, afinal, está sempre tentando atrair e manter seus clientes. Assim sendo, qual seria a vantagem de ser servido por lojas de visual atraente, iluminação agradável e serviço cortês se os clientes podem ser assaltados ao andarem pela região?

Além do mais, a associação comercial seria induzida — por causa do seu desejo de lucrar e de evitar prejuízos — a fornecer não apenas uma proteção policial suficiente, mas também uma proteção cortês e aprazível. Uma polícia estatal não só não tem qualquer incentivo para ser eficiente ou para se preocupar com os desejos dos seus "clientes", como também está constantemente tentada a exercer seu poder de força de maneira brutal e coerciva. A "brutalidade policial" é uma característica bem conhecida do sistema policial estatal, e a única oposição prática a ela são algumas queixas remotas de alguns cidadãos molestados. Agora, se a polícia privada da associação comercial acaso caísse na tentação de brutalizar os clientes dos comerciantes, esses clientes rapidamente desapareceriam e iriam para outro lugar. Assim, a associação dos comerciantes teria de garantir que a sua polícia fosse cortês e eficiente.

Esse tipo de proteção policial eficiente e de alta qualidade iria prevalecer por todo o território, em todas as ruas e áreas privadas. Fábricas iriam proteger suas ruas e áreas adjacentes; os comerciantes, as suas ruas; e as empresas donas de estradas forneceriam uma proteção policial segura e eficiente em suas estradas pedagiadas e em qualquer outro tipo de estrada gerida privadamente. Roubos de carga e assaltos a caminhoneiros ou a viajantes comuns seriam nulos. O mesmo princípio é válido para bairros residenciais. Para esses bairros, podemos prever dois tipos possíveis de gerenciamento privado das ruas.

No primeiro tipo, todos os moradores de um determinado quarteirão podem se tornar os proprietários conjuntos daquele quarteirão, formando por exemplo a "Companhia do Quarteirão A". Essa companhia iria então fornecer a necessária proteção policial, os custos da qual seriam pagos tanto pelos moradores e proprietários de imóveis, como pelo aluguel dos inquilinos, caso a(s) rua(s) inclua(m) apartamentos alugados. Desnecessário dizer, mais uma vez, que os donos dos imóveis terão obviamente um interesse direto em garantir que seu quarteirão seja seguro, enquanto que aqueles que querem alugar seus imóveis tentarão atrair inquilinos oferecendo ruas seguras, além dos serviços mais habituais, como água, ar condicionado/calefação, zeladores, porteiros, etc. Perguntar por que os locadores deveriam fornecer ruas seguras em uma sociedade libertária e completamente privada seria tão tolo quanto perguntar hoje por que eles deveriam prover água e rede elétrica para seus inquilinos. A força da concorrência e da demanda do consumidor os obrigaria a fornecer tais serviços. Ademais, não importa se estamos considerando os moradores ou os imóveis para alugar, em ambos os casos o valor capital da terra e dos imóveis será função da segurança das ruas, bem como de todas as outras conhecidas características do imóvel e da vizinhança. Ruas seguras e bem patrulhadas irão aumentar o valor da terra e dos imóveis da mesma maneira que apartamentos bem cuidados são valorizados; ruas tomadas pela criminalidade irão depreciar o valor da terra e dos imóveis da mesma forma que apartamentos dilapidados são desvalorizados. Dado que os proprietários dos imóveis sempre vão preferir um valor maior para a sua propriedade, há um incentivo inerente para que forneçam ruas seguras, bem pavimentadas e eficientes.

No segundo tipo de gerenciamento privado das ruas em áreas residenciais, empresas privadas seriam donas apenas das ruas, e não das casas e dos prédios adjacentes. Essas empresas iriam então cobrar dos moradores e dos proprietários dos imóveis os serviços de manutenção, de melhoramento e de policiamento de suas ruas. Novamente, ruas seguras, bem iluminadas e bem pavimentadas irão estimular proprietários e inquilinos a se mudar para essas ruas; ruas inseguras, mal iluminadas e mal pavimentadas irão afugentar proprietários e usuários. A satisfação dos usuários e o incremento da demanda pelo uso das ruas — tanto por parte dos moradores como pelo trânsito de automóveis — irão aumentar os lucros e o valor das ações das empresas privadas que gerenciam as ruas; a insatisfação dos usuários e a diminuição do uso das ruas, bem como serviços decadentes da empresa, irão afugentar os usuários e diminuir os lucros e o valor das ações dessas empresas. Portanto, as empresas proprietárias das ruas farão o seu melhor para fornecer serviços eficientes, inclusive proteção policial, de modo a conquistar clientes e agradá-los; elas serão levadas a fazer isso pelo seu desejo de obter lucros e aumentar o valor do seu capital. É infinitamente melhor ter de depender da busca de interesses econômicos por parte de donos de imóveis e de empresas administradoras de ruas a ter de depender exclusivamente do "altruísmo" duvidoso de burocratas e funcionários do governo.

Nesse ponto da discussão, é possível que alguém esteja tentado a perguntar: se as ruas são geridas por empresas privadas, e admitindo que elas geralmente iriam se esforçar para agradar seus clientes com a máxima eficiência, o que aconteceria se algum proprietário de rua maluco ou tirânico repentinamente decidisse bloquear o acesso de um proprietário vizinho à sua rua? Como é que este iria entrar ou sair? Poderia ele ficar permanentemente bloqueado, ou mesmo ser extorquido para que lhe fosse permitida sua entrada ou saída? A resposta para essa questão é a mesma dada a um problema similar sobre propriedade de terras: suponha que todos os proprietários de imóveis ao redor da propriedade de uma pessoa repentinamente não mais a deixassem sair ou entrar. E aí? A resposta é que cada pessoa, ao comprar imóveis ou serviços de rua em uma sociedade libertária, iria se certificar de que a compra ou o contrato de arrendamento lhe garantisse acesso pleno por qualquer que seja o período de anos especificado. Com esse tipo de "servidão"[1] garantido a priori por contrato, nenhum tipo de bloqueio repentino seria permitido, já que ele seria uma invasão do direito de propriedade do dono do imóvel.

Não há obviamente nada de novo ou de assustador nos princípios dessa sociedade libertária até então imaginada. Já estamos familiarizados com os efeitos energizantes da concorrência entre serviços de transporte e entre determinadas localizações. Por exemplo, quando as ferrovias privadas estavam sendo construídas nos EUA durante o século XIX, a concorrência entre as empresas ferroviárias forneceu uma incrível força energizante para o desenvolvimento de suas respectivas áreas. Cada empresa fez o máximo possível para estimular a imigração e o desenvolvimento econômico nas adjacências de seus trilhos. A intenção, é claro, era aumentar seus lucros, o valor de suas terras e o valor do seu capital; e cada uma delas se apressou para fazer isso, pois caso contrário as pessoas e os mercados deixariam sua área e se mudariam para os portos, cidades e áreas servidas pelas ferrovias concorrentes. O mesmo princípio seria válido se todas as ruas e estradas também fossem privadas.

sss.jpgDa mesma forma, já estamos familiarizados com os serviços de proteção policial fornecidos por comerciantes e organizações particulares. Dentro de suas propriedades, as lojas têm vigias e sentinelas; os bancos têm guardas; as fábricas têm vigilantes; os shopping centers têm seguranças privados, etc. Uma sociedade libertária iria simplesmente expandir esse saudável e funcional sistema, levando-o também para as ruas. Não é por acaso que ocorrem muito mais assaltos e roubos violentos nas ruas fora das lojas do que assaltos às próprias lojas; isso é porque as lojas são munidas de precavidos guardas particulares, enquanto que nas ruas todos nós precisamos confiar na "anarquia" da proteção policial estatal. E de fato, em várias cidades do mundo têm crescido nos últimos anos, como resposta ao galopante problema da criminalidade, a contratação de vigias privados para patrulhar alguns quarteirões em troca de contribuições voluntárias dos proprietários de imóveis e moradores daquela região. A criminalidade nessas áreas sempre é substancialmente reduzida quando se adota esse método. O problema é que esses esforços às vezes se tornam vacilantes e ineficientes porque as ruas não são propriedade de seus residentes, e assim não há um mecanismo efetivo para se ajuntar o capital necessário que permita garantir uma proteção eficiente em base permanente. Além disso, os vigias que patrulham as ruas não podem estar legalmente armados porque eles não estão na propriedade de seus contratantes, e eles não podem, da maneira como podem donos de loja ou de outras propriedades, abordar qualquer pessoa que esteja agindo de maneira suspeita, porém não criminosa. Eles não podem, em resumo, fazer as coisas, financeira ou administrativamente, que proprietários podem fazer com suas respectivas propriedades.

E mais: um sistema em que a polícia é paga por proprietários e residentes de um quarteirão ou de um bairro iria não só pôr um fim na brutalidade policial contra os cidadãos, mas, principalmente, iria também acabar com o espetáculo atual em que a polícia é considerada em muitas comunidades como um grupo de colonizadores "imperiais" estrangeiros, que estão lá não para servir, mas para oprimir a comunidade. Por exemplo, atualmente temos uma situação comum e que é geral para todas as grandes cidades: áreas pobres e/ou habitadas por maioria negra são patrulhadas por uma polícia contratada por um governo central, governo esse que é tido como estranho para essas comunidades negras e pobres. Já com uma polícia fornecida, controlada e paga pelos próprios proprietários de imóveis e residentes de uma comunidade, a história seria completamente diferente; essa polícia estaria fornecendo — e todos sentiriam que ela estaria fornecendo — serviços aos seus clientes, ao invés de oprimindo-os em prol de uma autoridade estranha.

Um contraste dramático entre os méritos de uma proteção privada vs. pública foi fornecido por algo que aconteceu no Harlem, o bairro negro de Nova York. Na rua West 135th, entre a Sétima e a Oitava Avenida, está localizada a 82ª delegacia do Departamento de Polícia de Nova York. Todavia, a nobre presença dessa delegacia não evitou a erupção de uma onda de roubos noturnos a várias lojas da região. Finalmente, durante o inverno de 1966, quinze comerciantes da região se uniram e contrataram um vigia para patrulhar o quarteirão durante toda a noite; o vigia foi contratado junto a uma empresa privada de segurança que estava lá para fornecer a proteção policial que não estava sendo entregue pelos impostos sobre propriedade pagos pelos comerciantes. Desnecessário dizer que os roubos acabaram.

Mas a mais bem sucedida e mais bem organizada polícia privada em toda a história foi provavelmente a polícia ferroviária dos EUA, que era mantida por várias empresas ferroviárias com a missão de evitar injúrias aos passageiros e impedir o roubo de cargas. Essa moderna polícia ferroviária foi fundada no fim da Primeira Guerra Mundial pela Seção de Proteção da Associação Ferroviária Americana. Funcionou tão bem que, já em 1929, os pedidos de pagamento de indenização por roubo de carga haviam caído 93%. As prisões feitas pela polícia ferroviária — que, na época do maior estudo já feito sobre suas atividades, no início da década de 1930, totalizavam 10.000 homens presos — resultaram em uma porcentagem de condenações muito mais alta — variando de 83% a 97% — do que aquela atingida pelos departamentos de polícia convencionais. A polícia ferroviária era armada, podia prender normalmente e foi retratada por um criminologista nada simpático a ela[2] como sendo uma polícia que tinha uma ampla reputação de bom caráter e bom preparo.

Determinando as regras das ruas

Uma das indubitáveis conseqüências de todas as áreas terrestres de um país serem privadamente geridas por indivíduos e empresas é que haveria uma maior riqueza e diversidade de vizinhanças. A natureza da proteção policial e as regras aplicadas pela polícia privada dependeriam das vontades dos proprietários de imóveis ou dos donos das ruas, isto é, os donos de uma determinada área. Assim, os moradores mais receosos em uma área exclusivamente residencial iriam insistir que quaisquer pessoas ou carros que entrassem em sua área tenham previamente marcado hora com um morador, ou então que apenas fossem permitidos entrar através de interfones no portão de entrada. Ou seja, as mesmas regras que hoje são frequentemente aplicadas em prédios e condomínios fechados poderiam ser aplicadas para as ruas privadas dos bairros residenciais. Em outras áreas, as mais espalhafatosas, qualquer um poderia entrar a vontade; e ainda haveria vários outros graus de vigilância entre esses extremos. Muito provavelmente as áreas comerciais, ansiosas em não rejeitar e/ou repelir clientes, estariam abertas para todos. A busca pelo lucro é que determinaria a escolha do método mais eficiente. Isso forneceria uma grande disponibilidade de opções para os indivíduos, que de acordo com seus desejos e princípios poderiam escolher a área que lhes fosse mais aprazível.

Pode-se reclamar que tudo isso daria liberdade para "discriminar". Poderia haver discriminação contra o uso de imóveis ou das ruas por determinados tipos de indivíduos? Sim, não há dúvidas quanto a isso. Mas fundamental ao credo libertário é o direito de cada homem poder escolher quem pode entrar na sua propriedade ou fazer uso dela, considerando-se é claro que a outra pessoa queira fazê-lo.

"Discriminação", no sentido de escolher favoravelmente ou desfavoravelmente de acordo com qualquer que seja o critério que a pessoa utilize, é parte integral da liberdade de escolha — logo, de uma sociedade livre. Mas, é claro, no livre mercado qualquer discriminação é custosa, e acabará sendo paga pelo dono da propriedade em questão.

Por exemplo, suponha um indivíduo que, em uma sociedade livre, seja o proprietário de uma casa ou de um bloco de casas, e esteja em busca de inquilinos. Ele poderia simplesmente cobrar o preço de livre mercado do aluguel e deixar por isso mesmo. Mas aí surgem alguns riscos; ele pode escolher discriminar casais com filhos pequenos, não alugando o imóvel para eles por achar que há riscos substanciais de deterioração de sua propriedade. Por outro lado, ele pode muito bem escolher cobrar um aluguel mais caro para compensar o risco maior, de forma que o preço de livre mercado do aluguel para famílias desse tipo tenderá a ser mais caro do que seria de outra forma. Aliás, em um livre mercado, essa situação vai ocorrer na maioria dos casos. Mas e se houver uma "discriminação" pessoal, ao invés de uma estritamente econômica, da parte do locador? Suponha, por exemplo, que o locador seja um grande admirador de um determinado grupo étnico — por exemplo, suecos loiros e muito altos — e decida alugar seus apartamentos apenas para famílias de tal grupo. Em uma sociedade livre, ele estaria completamente em seu direito se assim procedesse. Mas ele claramente iria sofrer um grande prejuízo, pois teria de dispensar inquilino atrás de inquilino, em uma busca sem fim por suecos loiros e altos. Conquanto esse possa ser considerado um exemplo radical, o efeito é exatamente o mesmo — ainda que em grau variado — para qualquer tipo de discriminação no livre mercado. Se, por exemplo, o locador não gostar de ruivos e, por isso, determinar que não vai alugar seus apartamentos para esse tipo, certamente também irá sofrer prejuízos, ainda que não tão severos quanto no primeiro exemplo.

Em qualquer caso, sempre que alguém praticar "discriminação" no livre mercado, ele vai sofrer as conseqüências — seja na forma de prejuízos, seja na forma da perda de serviços recebidos como consumidor. Se um consumidor decide boicotar os bens vendidos por pessoas das quais ele não gosta - seja esse desgosto justificado ou não —, ele consequentemente irá ficar sem esses bens ou serviços que, de outra forma, teria comprado.

Portanto, em uma sociedade livre, são os donos das propriedades quem determinam as regras de uso de seus domínios, bem como as regras de admissão. Quanto mais rigorosas forem essas regras, menos pessoas irão demandar os serviços dessas propriedades, e assim o proprietário terá de fazer um equilíbrio entre rigor de admissão e perda de receita.

O preceito de que a propriedade é administrada por seus proprietários também fornece a refutação para um sempre utilizado argumento em favor da intervenção governamental na economia. O argumento afirma que "afinal, é o governo quem determina as regras do trânsito — luz verde e vermelha, direção do lado direito da pista, limites de velocidade, etc. Certamente todo mundo tem de admitir que o trânsito degeneraria em caos se não fossem tais regras. Portanto, por que o governo não deveria também intervir em todo o resto da economia?" A falácia aqui não é que o trânsito deva ser regulado; é claro que algumas regras são necessárias. Mas o ponto crucial é que tais regras sempre serão estabelecidas por quem quer que seja o dono e que, portanto, gerencie as ruas e estradas. O governo vem criando regras para o trânsito simplesmente porque é ele quem sempre foi o proprietário e, consequentemente, o gerente das ruas e estradas; em uma sociedade libertária baseada na propriedade privada seriam os proprietários quem iriam definir as regras para o uso de suas ruas.

Entretanto, será que em uma sociedade puramente livre as regras de trânsito não tenderiam a ser "caóticas"? E se alguns proprietários designassem a luz vermelha como "pare", enquanto outros escolhessem a verde, ou até mesmo uma azul, etc.? Não teríamos algumas ruas com a mão de direção no lado direito enquanto em outras ela seria no lado esquerdo? Tais perguntas são absurdas, é claro. Obviamente, seria do interesse de todos os proprietários de ruas e estradas terem regras uniformes para essas questões, de modo que o tráfego possa fluir e se integrar suavemente, sem dificuldades. Qualquer proprietário de rua excêntrico ou dissidente que insistisse em uma mão de direção à esquerda, ou no verde para "pare" ao invés de "vá", iria rapidamente se ver cercado de acidentes, além de perder todos os clientes e usuários.

É interessante observar que as ferrovias privadas nos EUA do século XIX enfrentaram problemas similares e os resolveram harmoniosamente e sem dificuldades. Cada ferrovia permitia os vagões de suas concorrentes em seus trilhos; elas se interconectavam entre si para benefício mútuo; as bitolas das diferentes ferrovias foram reajustadas para se tornarem uniforme; e classificações uniformes de cargas regionais foram implementadas para 6.000 itens. E tem mais: foram as empresas ferroviárias, e não o governo, que tomaram a iniciativa de consolidar a mixórdia caótica e ingovernável de fusos horários que existiam até então. Para ter exatidão na programação e na tabela de horários, as empresas tiveram de se unir; e em 1883 elas concordaram em alterar os cinqüenta e quatro fusos horários dos EUA para apenas os quatro que prevalecem até hoje. Um jornal financeiro de Nova York, o Commercial and Financial Chronicle, exclamou que "as leis do comércio e o instinto de auto-preservação efetuaram reformas e melhorias que todos os corpos legislativos juntos não conseguiram realizar!"

Precificando ruas e estradas

290524233_075612b7bc_o.jpgSe, em comparação, examinarmos as performances das ruas e estradas estatais, torna-se difícil imaginar que um gerenciamento privado poderia acumular um histórico mais ineficiente e irracional. Além da péssima qualidade, sobre a qual já virou clichê falarmos, hoje já é amplamente reconhecido, por exemplo, que os governos federal e estadual, incitados pelo lobby das fabricantes de automóveis, das petrolíferas, das fabricantes de pneu, e de empreiteiras e sindicatos, incorreram em uma vasta expansão de estradas. Em termos econômicos, estradas fornecem gordos subsídios aos seus usuários; em termos práticos, elas tiveram um papel central na morte das ferrovias como um empreendimento viável. Assim, enquanto caminhões podem operar em estradas construídas e mantidas pelo contribuinte, as empresas ferroviárias tiveram de construir e manter suas próprias estradas de ferro. Ademais, as estradas e ruas subsidiadas levaram a uma demasiada expansão de subúrbios acessíveis apenas por automóveis, que por sua vez levaram a uma demolição coerciva de várias casas e negócios, tanto para a construção de mais estradas, como para a construção dos subúrbios, e trouxeram um pesado fardo para o centro das cidades. O custo para o contribuinte e para a economia têm sido enormes.

Particularmente subsidiado tem sido aquele usuário urbano de automóvel que se locomove diariamente entre sua casa e o trabalho; e é precisamente nas cidades que os congestionamentos vêm aumentando como conseqüência desse subsídio dado aos usuários de automóveis, o que sempre leva a um excesso de oferta desse tipo de tráfego. O professor William Vickrey, da Universidade Columbia, estimou que as vias expressas urbanas foram construídas a um custo que varia entre 6 e 27 cents por veículo-milha, enquanto que os usuários dessas vias pagam em impostos, tanto o imposto sobre a gasolina como o imposto sobre o veículo automotor, apenas 1 cent por veículo-milha. Portanto, é o contribuinte regular, e não o motorista, quem paga pela manutenção das ruas. Ademais, o imposto sobre a gasolina é pago por milha rodada, não importa qual rua ou estrada esteja sendo usada, e não importa a hora do dia. Logo, quando estradas são financiadas pelos fundos arrecadados com o imposto sobre a gasolina, os usuários das estradas rurais de baixo custo estão sendo taxados com o intuito de subsidiar os usuários das vias expressas urbanas, cujos custos são muito maiores. Estradas rurais normalmente custam apenas 2 cents por veículo-milha para serem construídas e mantidas.

Além disso, o imposto sobre a gasolina dificilmente pode ser considerado um sistema racional de precificação para o uso das estradas, e nenhuma empresa privada jamais iria precificar dessa forma o uso de suas estradas. Empresas privadas precificam seus bens de forma a "equilibrar o mercado", de maneira que a oferta iguale a demanda e não haja nem escassez e nem excedentes. O fato de os impostos sobre a gasolina serem pagos por milha, independentemente da estrada, significa que as altamente demandadas ruas urbanas e estradas estão enfrentando uma situação tipicamente criada pelo governo: o preço cobrado pelo seu uso está muito abaixo do preço de livre mercado. Esse subsídio dado aos motoristas urbanos resulta em enormes e exacerbados congestionamentos nas ruas e estradas, especialmente nas horas do rush, enquanto que ao mesmo tempo deixa toda uma malha de estradas rurais praticamente inutilizada. Um sistema racional de precificação iria, ao mesmo tempo, maximizar os lucros para os proprietários das ruas e propiciar ruas sempre livres de congestionamento. No atual sistema, o governo mantém o preço para os usuários de ruas congestionadas em níveis extremamente baixos, e muito abaixo do preço de livre mercado; o resultado é uma escassez crônica de espaço trafegável, o que resulta em congestionamento.

Mas como seria um sistema racional de precificação instituído pelos proprietários privados das ruas? Em primeiro lugar, as ruas iriam cobrar pedágios, mas com variação de preços de acordo com a demanda. Por exemplo, os pedágios seriam bem mais caros durante a hora do rush e durante quaisquer outras horas de pico, e mais baratos durante as horas mais calmas. Em um livre mercado, a maior demanda durante as horas de pico levaria a preços de pedágio maiores, até que o congestionamento fosse eliminado e o fluxo do tráfego se tornasse estável. Mas as pessoas têm de trabalhar!, o leitor vai reagir. É claro, mas elas não têm de ir em seus próprios carros. Alguns irão compartilhar seus carros com outras pessoas (transporte solidário), enquanto outros irão pegar ônibus expressos (que seriam abundantemente ofertados em um livre mercado) ou trens; já outros irão se esforçar para alterar seus horários de trabalho, de modo a poderem ir e voltar em horas escalonadas. Dessa forma, o uso das ruas durante as horas de pico estaria restringido àqueles mais dispostos a pagar o preço de equilíbrio de mercado por seu uso.[3] Finalmente, os maiores lucros obtidos pelas empresas operadoras de túneis e pontes, por exemplo, estimulariam outras empresas privadas a construir mais dessas estruturas. A construção de ruas e estradas seria governada não pelos clamores de grupos de interesse e de usuários que querem mais subsídios, mas pelos eficientes cálculos de demanda e custo efetuados pelo mercado.

Não obstante tudo isso, a idéia de ruas urbanas privadas ainda espanta as pessoas. Afinal, como elas seriam precificadas? Onde exatamente ficariam os pedágios? Haveria pedágios em cada quarteirão? É óbvio que não, dado que tal sistema seria claramente anti-econômico, além de proibitivamente custoso tanto para o proprietário como para o motorista. Em primeiro lugar, os proprietários das ruas vão precificar o estacionamento em suas ruas muito mais racionalmente do que o modelo atual. Eles vão cobrar muito mais caro para se estacionar nas ruas congestionadas do centro, em resposta à enorme demanda. E contrariamente à prática atual, eles vão cobrar proporcionalmente mais caro, ao invés de mais barato, de quem estacionar durante todo o dia. Ou seja, os donos das ruas tentarão induzir uma rápida rotatividade nas áreas congestionadas. OK, tudo certo quanto a estacionar; novamente, esse é um quesito de fácil compreensão. Mas, e quanto a dirigir em ruas congestionadas? Como isso poderia ser precificado? Existem várias maneiras possíveis. Com a tecnologia moderna e seu constante aperfeiçoamento, desafios desse tipo são risíveis. Uma técnica arcaica sugere que câmeras de TV ou máquinas fotográficas sejam instaladas nas esquinas das ruas de modo a captar as placas dos veículos, com as faturas sendo enviadas aos motoristas ao final de cada mês. Outra, mais moderna, sugere que cada carro seja equipado com um receptor eletrônico que emitiria um sinal exclusivo por carro, sinal esse que seria captado por um aparelho instalado na referida esquina. Outra, ainda mais moderna, garante que sensores óticos, de alguma forma que só os engenheiros sabem, fariam todo o serviço.

330552_pr_01.gifO que importa aqui é que o problema da precificação racional das ruas seria de fácil resolução para a iniciativa privada e para a tecnologia moderna. A técnica que será utilizada para tal é problema para engenheiros. O que sabemos como economistas é que o livre mercado, a busca por lucros sob um o regime de propriedade privada e a moderna tecnologia são capazes de viabilizar essa exigência. Empreendedores em um livre mercado já se mostraram capazes de solucionar rapidamente problemas muito mais difíceis; tudo o que é necessário é dar a eles o espaço para agirem.

Conclusão

Se todos os sistemas de transporte se tornassem livres, se as estradas, as companhias aéreas, as ferrovias e as hidrovias fossem liberadas de suas labirínticas redes de subsídios, controles e regulamentações, e se elas se tornassem um sistema puramente privado, como os consumidores iriam alocar seu dinheiro para transporte? Será que voltaríamos às viagens ferroviárias, por exemplo? As melhores estimativas de custo e demanda para transportes predizem que as ferrovias se tornariam o principal meio de transporte de carga de longa distância, os aviões seriam os preferíveis para transporte de passageiros de longo alcance, os caminhões para cargas de pequena distância e os ônibus para as comutações púbicas diárias. Embora as ferrovias ressuscitassem para uso em transporte de cargas de longa distância, elas não seriam restabelecidas como transporte de passageiros.

Portanto, não é difícil imaginar um setor aéreo e uma rede de ferrovias particulares, não subsidiados e desregulamentados; mas poderia haver um sistema de estradas privadas? Tal sistema seria viável? Uma resposta é que estradas privadas funcionaram admiravelmente bem no passado. Na Inglaterra antes do século XVIII, por exemplo, as estradas — invariavelmente geridas pelos governos locais — eram mal construídas e pessimamente mantidas. Essas estradas públicas jamais teriam suportado a poderosa Revolução Industrial que a Inglaterra vivenciou no século XVIII, a "revolução" que prenunciou a era moderna. A vital tarefa de aperfeiçoar as praticamente intransitáveis estradas inglesas ficou a cargo de companhias privadas que, começando em 1706, organizaram e estabeleceram a grande rede de estradas que fez da Inglaterra a inveja do mundo. Os proprietários dessas companhias privadas eram em geral mercadores, donos de terras e industrialistas da área que estava sendo servida pela estrada, e eles recuperaram seus custos cobrando pedágios em pontos selecionados. Frequentemente, a coleta de pedágios era arrendada por um ano ou mais para indivíduos selecionados através de licitações concorrenciais. Foram essas estradas privadas que desenvolveram um mercado interno na Inglaterra e que reduziram enormemente os custos de transporte do carvão e de outros materiais volumosos. E já que era mutuamente benéfico para elas, as companhias de pedágio se interligaram entre si para poder formar uma rede de estradas interconectadas por todo o país — tudo isso resultado da iniciativa privada em ação.

Como na Inglaterra, o mesmo ocorreu nos EUA algum tempo depois. Defrontando-se novamente com estradas praticamente intransitáveis construídas por unidades governamentais locais, companhias privadas construíram e financiaram uma grande rede de estradas pedagiadas por todos os estados do nordeste americano, aproximadamente entre 1800 e 1830. Mais uma vez, a iniciativa privada provou-se superior na construção e manutenção de estradas, em oposição às retrógradas operações do governo. As estradas foram construídas e operadas por corporações privadas, que cobravam pedágios dos usuários. Essas empresas foram amplamente financiadas por mercadores e pelos donos das propriedades adjacentes às estradas, e elas voluntariamente se interligaram, formando uma rede interconectada de estradas. E essas foram as primeiras estradas realmente boas dos EUA.

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Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.

Notas

[1] Em termo jurídico, servidão é um encargo que dá ao possuidor de um terreno o direito de usar ou tirar algum proveito de uma área contígua que pertence a terceiros. Por exemplo, direito de passagem, busca de água, instalação de fios elétricos, etc. [N. do T.]

[2] Ver Jeremiah P. Shalloo, Private Police (Philadelphia: Annals of the American Academy of Political and Social Science, 1933).

[3] Algumas pessoas podem argumentar que essa é uma idéia "elitista", pois apenas os mais ricos poderiam fazer uso constante de seus veículos. Como contra-argumento, basta lembrar que em uma sociedade puramente libertária não existe absolutamente qualquer tipo de imposto. E como a carga tributária média de um país como o Brasil está na casa dos 35%, isso significa que a ausência de todos os impostos deixaria toda a população mais rica, na média (os funcionários públicos, de início, empobreceriam; porém, em uma economia totalmente desregulamentada,  eles não teriam dificuldades em encontrar empregos mais produtivos e bem mais importantes, como os de manobrista, frentista, caixa de padaria, coveiro, etc. Não mais viveriam luxuosamente à custa de seus concidadãos).  Além disso, a ausência de impostos incidentes sobre mercadorias e transações, bem como a ausência de uma burocracia estatal que eleva o custo dessas transações, faria com que os preços dos bens e serviços caíssem significativamente. Logo, haveria um duplo aumento da riqueza.

Ademais, no caso brasileiro, o pagamento anual de pedágios dificilmente sairia mais caro do que o IPVA pago por dois carros, quantidade hoje normal para uma família de classe média-baixa. E isso sem levar em consideração o benefício da melhor qualidade das ruas e das estradas privadas, bem como a ausência de congestionamentos e a garantia de segurança plena.[N. do T.]


Murray N. Rothbard (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



116 comentários
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Rafael Crivelli 28/11/2009 15:43:16

Sempre fui um defensor dos pedágios, em troca dos IPVAs e outros impostos para manutenção das vias públicas e que nunca chegam enfetivamente a esse fim, mas confesso que nunca havia pensado ou lido sobre este sistema ser aplicado a todas as ruas, praças e outros locais extensivamente.
Uma dúvida que tive lendo este texto: no caso de uma administração particular de um quarteirão, onde os moradores pagariam a segurança privada, o que aconteceria se um dos proprietários do lugar fosse maluco e simplesmente não concordasse em pagar pela segurança. Os outros moradores obviamente não iriam querer ficar desprovidos de segurança simplesmente por causa deste morador, mas se decidissem pagar eles próprios o morador dissidente se beneficiaria como todos os outros, só que gratuitamente. E os outros moradores também não poderiam obrigá-lo a pagar, muito menos a se mudar. Como resolver uma situação como essa?

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augusto 04/12/2010 18:57:57

Por que não? O morador de uma rua administrada pela iniciativa privada assume a responsabilidade de pagar sua parcela das despesas - voluntariamente. Se em algum determinado momento ele decide que "não está valendo a pena pagar", ele pode tentar negociar os termos do contrato ou se mudar.

Responder
Pierre 23/08/2012 13:04:46

Ele simplesmente não tem segurança... Já viram gangues de Nova York? Tem uma cena onde umas das gang tenta pedir ajudada mas não foi atendida pq ela parga apenas a policia municipal(ou coisa assim), eles brigavam no porto, lá era a policia portuária...

Responder
Luiz Carlos Vils Rolo 10/02/2013 04:00:15

Prezado Eleno, de certa forma tanto o projeto deste artigo quanto o seu questionamento já existem na prática, embora em pequena escala e em situações pulverizadas. Aqui no Rio de Janeiro é comum que os moradores de uma rua (notadamente aquelas sem saída, mas pode ocorrer em outras situações) se unam em "condomínio" e, com a autorização da prefeitura, instalem cancelas, câmeras de vigilância, guaritas de vigia e contratem vigilantes armados ou não. Estas despesas são rateadas por todos os moradores. Inicialmente, é importante ressaltar que não se trata de hipótese de condomínio, pois as ruas são de propriedade da municipalidade e, por conseguinte, públicas. O termo correto seria um "esforço comum" para melhorar a segurança e tranquilidade da localidade. Dois possíveis conflitos podem ocorrer: 1) um ou mais moradores se negam a participar desta comunhão de esforços no momento da sua constituição. Neste caso, o entendimento atual é que estas pessoas não podem ser obrigadas a participar do rateio das despesas, pois se estaria diante de uma limitação ao direito de propriedade. Assim, o rateio teria que ser realizado apenas entre os moradores que concordassem com isto, lavrando uma convenção de moradores. 2) Um dos imóveis concordantes deixa de pagar sua parcela no rateio. Nesta hipótese, o "condomínio" poderia exigir do inadimplente o pagamento forçado, inclusive podendo haver a alienação do imóvel em hasta pública, sem aplicação da proteção ao bem de família, por se tratar de uma obrigação "propter rem".

Responder
Leandro 28/11/2009 18:51:48

Por que os outros moradores não poderiam tomar estas atitudes, Rafael? É igual a um condomínio. Mediante um contrato, você assume um compromisso. Caso esse compromisso não seja honrado, você está sujeito a punições. Quais seriam essas punições? Bom, aí depende de cada contrato de cada associação de moradores.

Responder
Leonardo 14/10/2011 01:29:16

O cara teria que pagar, caso contrário seria punido? Qual a diferença entre isso e uma cobrança de imposto?

Responder
Joao 14/10/2011 07:56:18

A maior diferença é o fato de que, ao morar em uma casa/apartamento do condomínio, você assumiu os mesmos termos e condições de todos os outros moradores do condomínio. Nada foi imposto a você, pois ninguém apontou uma arma para você e o obrigou a morar lá. Se você não gostar desses termos, pode simplesmente se mudar para outro lugar.
Já um imposto não é algo que você paga porque assinou algum termo ou compromisso. É simplesmente uma taxa que você é obrigado a pagar e ponto. Não importa se você não queira pagar, se o dinheiro que você paga vá para um bando de burocratas sedentos por ainda mais dinheiro, se você é tratado como um criminoso em potencial por fiscais da receita.

Responder
anônimo 14/10/2011 08:46:49

Antes de tudo, obrigado aos moderadores por não aceitar o comentário anterior.

E só pra constar, existe uma diferença enorme entre "punição" privada e a punição estatal. Enquanto a punição privada não pode invadir seus direitos legítimos de propriedade, a punição estatal só existe desta forma. Uma é apenas uma sanção ou cumprimento de direitos estabelecidos em contrato, outra é pura espoliação.


Responder
Mujo 29/11/2009 08:34:50

os contratantes poderiam receber vantagens em relação aos "free-riders". por ex., se a empresa de segurança segurar seus clientes contra roubo, os que não forem clientes não terão nenhum ressarcimento sobre quaisquer problemas dentro da área de proteção. ou no caso da empresa que administraria as ruas desse condomínio, um "carona" teria que pagar pedágio, enquanto os moradores que forem clientes da empresa não, pois já estariam pagando a empresa.\n\nsão apenas suposições, mas o importante é que a solução para o problema terá que vir do mercado, já que o maior interessado em evitar caronas é o próprio prestador de serviço. esse tentará convencer a grande maioria que é vantagem paga-lo, como todos os serviços que o estado não monopoliza.\n\n[]'s

Responder
rafael 21/03/2010 11:34:34

as vias públicas poderiam ser privatizadas desde quando fosse abolido as taxas de manutenção das vias, pois um grupo de moradores se reuniam e contratavam uma empresa para prestar manutenção nas vias públicas. com a cobrança de impostos, como se verifica hoje, grande parte da arrecadação é desviada, em prejuízo da comunidade. o resultado desse sistema de cobrança de impostos se verifica hoje: cada vez mais pagamos mais impostos e as nossas ruas e avenidas estão cada vez mais em piores situações.

Responder
Stélio 25/11/2010 19:46:52

É uma ideia perigosa. O monopólio da violência, bem ou mal, deve ser do Estado. Não podemos entregar a mercenários nossa segurança. Apesar das afirmativas em contrário, sempre haverá quem não possa pagar. Quem não puder pagar ficará em situação pior a de hoje: sem dinheiro e sem proteção. E sem ninguém a quem recorrer. E quem tiver dinheiro ainda poderá usar essas milícias para eliminar possíveis desafetos. Ou essas milícias se oferecerem a quem pagar mais, deixando de proteger que não puder oferecer um pagamento melhor. Não podemos voltar aos tempos do feudalismo, em que tropas de mercenários só protegiam os reis e a nobreza.

Responder
Heber 25/11/2010 23:23:51

e que protecao o governo da pra estas pessoas que nao podem pagar? nenhuma e ela paga mesmo assim, mesmo que nao for em dinheiro, acaba pagando com a carcaça!

Responder
Angelo Viacava 26/11/2010 06:01:12

O problema, no Brasil, é que privatizações não vêm acompanhadas da devida redução do custo público. De Porto Alegre a Santa Maria, no RS, pedagiou-se 230km dos 300km do trecho. Anda-se muito bem e, de repente, cai-se na buraqueira ao final da viagem. Não há explicação para o fato, apenas que estava previsto no contrato. Parece proposital, o burocrata confeccionar um contrato que produza no usuário uma espécie de asco à iniciativa privada, mas é justamente no trecho estatal que a estrata se deteriora. Porém no inconsciente fica a memória do pedágio sobre todo o percurso. Ah! E ainda o contrato de algumas rodovias não prevê a manutenção dos acostamentos, o da pista principal. Até a privatização no Brasil tem seu viés esquerdista: gera mais daquilo que pretende combater.

Responder
Andre Poffo 28/11/2010 01:19:32

Uma dúvida. É claro que ninguém está aqui para prever como o mercado irá funcionar. Eu entendo isso, e nossa vontade de fazer isso é justamente para combater os intervencionistas que acham que é impossível que ocorra desestatizações de serviços de utilidade pública. As perguntas sobre como o mercado irá funcionar, são perguntas que deveriam ser direcionadas a empreendedores de sucesso. Mas enfim, minha pergunta é a seguinte: Vou dar exemplos concretos, digamos uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, de 15 mil habitantes. Qual será a motivação da empresa de estradas em criar/manter uma rua que terá poucas casas? A empresa faz uma rua, qual é o custo de uma rua? Os moradores terão que pagar este custo e mais o adicional da mais-valia certo? O preço a ser pago não seria muito alto? No meu exemplo, a estrada já existe, e é do governo mas foi repassada para uma empresa privada, como essa empresa veria a tal estrada? Seria um caso de prejuizo pois os moradores não iriam pagar tão caro para manter a estrada e sairiam de lá.. Alguém já pensou nisso? Será que outras formas de moradia surgirão? Será que outras formas de locomoção existirão? Que por exemplo, não precise de estradas asfaltadas? Já levei em consideração que criar a estrada é bem mais caro que manter, mas do mesmo modo não é barato. Isso pesará no orçamento familiar dos mais pobres..

Eu tenho certeza que o nível da sociedade será muito melhorado, mas eu sempre quero imaginar como aconteceria se fosse desestatizado, é intrigante..

Responder
augusto 28/11/2010 13:48:33

Andre,\r
\r
Não existe modelo único para tirar algo das mãos do Estado. Algumas alternativas:\r
\r
1) O Estado pode simplesmente decidir que manter as estradas/ruas não é de interesse público, e abandonar. Nesse caso, o primeiro que tomar posse, passa a ser o dono;\r
\r
2) O Estado pode promover um leilão - com todas as ruas da cidade, rua a rua, ou até km a km;\r
\r
3) O Estado pode criar uma empresa e transferir todo ou parte do controle acionário para a população.\r
\r
É preciso lembrar no entanto que a privatização deve vir acompanhada de uma desregulamentação do setor. Ou seja, se depois das ruas privatizadas, alguém resolver usar seu próprio terreno para construir uma nova rua, ou se alguém decidir construir um túnel ou passarela, não precisará de uma autorização do Estado. Ou seja, a privatização deve vir acompanhada de medidas que permitam a concorrência.\r
\r
Pessoalmente, eu acho que a privatização de ruas urbanas é um problema secundário para quem defenda idéias liberais. Parece-me algo que poderia sim ser deixado para o governo municipal (desde que permitida a concorrência), assim como certos aspectos de saúde pública (controle de pragas e doenças) e segurança pública. Mais importante na agenda liberal estão serviços como hospitais e escolas - por serem, inclusive, mais "fáceis" de privatizar.\r
\r
Eu tenho a impressão, lendo alguns artigos aqui no ILvM, de que muitos esperam uma revolução liberal-anarquista - tudo sendo privatizado ao mesmo tempo, etc. Parece-me que não há clima para isso. Eu seria a favor, no entanto, da adoção de um modelo como o da Nova Zelândia, embora tenha lido algumas críticas que não sei bem como interpretar, por exemplo: www.commondreams.org/views/081500-106.htm\r
\r
Outra impressão é de que a maioria dos artigos aqui do site se baseiam demais nos EUA. Por exemplo, fala-se muito de tirar o governo federal da linha de frente, e transferir as decisões para o nível dos Estados da federação. Eu fico pensando: será que nõs sequer precisamos de Estados? E se acabassemos com os Estados e ficassemos só com os Municípios? A consequência direta seria acabar com cerca de 2000 (número chutado) cargos de deputado estadual, governador, vice-governador e secretários.\r
\r
Bom, o texto acabou ficando muito longo e pode ter saído um pouco do foco da discussão.

Responder
Andre Poffo 28/11/2010 18:11:14

Na verdade, na verdade, você falou legal, entendi o que você quis dizer e concordo em muitas partes, porém não respondesse minhas perguntas :)
Assim, digamos que o processo de transição já tenha acontecido, e a empresa dona da rua considera aquela rua, um prejuizo pois são poucas casas, e o preço pago pelas casas deverá ser muito alto para compensar, o que fará com que as pessoas saiam de lá.
Nessa situação o que a empresa fará? Fará uma rua ruim para manter os preços baixos? Fará uam rua boa, para um alto padrão de casas? Consiguirá vender a rua para outra empresa do setor? As casas poderiam montar uma associação e criar uma empresa para administração o loteamento, isso seria viável? A empresa dona da rua manterá uma rua em prejuizo só para abocanhar um nicho de mercado e não deixar para a concorrência, como faz a coca cola?

Você falou em revolução anarco-capitalista, e eu fico pensando nisso bastante, como seriam as coisas se o governo nãs as 'resolvesse'. É dificil pensar já que poucas situações da história da humanidade as coisas foram assim..

Responder
augusto 04/12/2010 19:04:29

André,\r
\r
A solução que seria efetivamente adotada por uma empresa privada, essa a gente não pode prever. Mas você mesmo aponta algumas das alternativas:\r
\r
"Nessa situação o que a empresa fará? Fará uma rua ruim para manter os preços baixos? Fará uam rua boa, para um alto padrão de casas? Consiguirá vender a rua para outra empresa do setor? As casas poderiam montar uma associação e criar uma empresa para administração o loteamento, isso seria viável? A empresa dona da rua manterá uma rua em prejuizo só para abocanhar um nicho de mercado e não deixar para a concorrência, como faz a coca cola?"\r
\r
Além disso, é bom lembrar, o progresso tecnológico poderia levar a tornar carros - e consequentemente, ruas - algo completamente obsoleto. Jetpacks, mini-helicópteros, e até mesmo video-conferências, reduzem a necessidade de usar ruas.\r
\r
Pode parecer absurdo hoje, mas há um século, a idéia de se cruzar um oceano a bordo de um avião era impensável - aliás, acreditava-se que uma velocidade maior que a do som mataria o ser humano... ;-)

Responder
Jucésar 03/12/2010 10:23:25

o ideal é realizar leilões privatizando também as ruas urbanas. Qualquer um poderia ser dono de uma rua por exemplo. Os moradores se cotizariam, assim como que para pagar o "condôminio" da rua, além e cobrar pedágio dos carros que por alí passasem. \r
\r
Então se os moradores decidissem em assembléia que o trafego está intenso, bastaria aumentar o pedágio para o sistema de mercado obrigar os carros a usarem outras ruas.\r
\r
\r
Agora falando sério, por que bugalhos alguém iria querer ser dono de uma Rua?? \r
\r
Tem coisas que o estado faz, por pura ausência de interesse e saco do setor privado. Conservação de rua, de bueiros, pintar poste, prender marginaizinhos, dar tapa na orelha de viciados, etc...

Responder
pierre 18/09/2012 11:51:19

Basta que as ruas sejam dadas a todos que moram nelas. Os donos podem se desfazer da sua parte ou comprar parte de outras, como se mudar e continuar tendo a sua parte ou não... arcará com os custos da manutenção e terá direito a lucro da rua. Poderão cobrar quanto quiserem inclusive nada para que as pessoas passem nela, ou proibir que passem. Se cobrar muito caro ninguem passa e terão prejuiso para fazer a manuteção ou elas mesmo varrerão.

Responder
Zen 03/12/2010 12:18:39

"por que bugalhos alguém iria querer ter um computador em casa"?

Algumas perguntas:

1. Como você sabe que há falta de interesse em ser dono de uma Rua?
2. Como você pode falar por mim?
3. Como você pode falar por qualquer pessoa?
4. Por acaso não existem condomínios? Você mesmo falou deles, embora não tenha se levado a sério.
5. Por acaso os moradores destes condomínios não são os donos de suas ruas?
6. Por acaso estes lugares não seguem padrões de limpeza, caracterização e segurança segundo o que seus usuários consideram o ideal?
7. Voltando à primeira pergunta: como se sabe que há falta de interesse da iniciativa privada quando sequer me perguntaram ou deram a opção de ser dono da minha rua?
8. E se eu fosse dono sozinho de uma rua, não poderia eu dar a ela as características que eu bem entendesse?
9. Sobre os bueiros, que eu coloco como uma questão sanitária, quem disse que isso pras pessoas é menos importante do que ter onde morar?
10. E quem disse que marginalzinho precisa ser preso, ou viciado agredido gratuitamente? Na sua casa tem marginalzinho e viciado?
11. Pintar as paredes de casa, por que não deixar que o estado faça isso?
12. Por que não levou a sério suas primeiras colocações?

Responder
Glelson 14/10/2011 15:28:10

Enquanto isso no Lisarb (Brasil ao contrário)...lições educacionais para nossos filhos de como serem roubados.\r
dinheiro.br.msn.com/tributos/ensino-fundamental-e-m%c3%a9dio-poder%c3%a1-ter-disciplina-de-educa%c3%a7%c3%a3o-fiscal\r
\r

Responder
Leandro 05/06/2012 08:28:36

Você acha que o trânsito urbano flui melhor com semáforos (arranjo totalmente controlado pelo governo) ou sem semáforos (prevalecendo a ordem espontânea)?

O vídeo a seguir mostra um cruzamento em Auckland, na Nova Zelândia. No canto esquerdo, numa segunda-feira, os semáforos foram desligados. No canto direito, numa terça-feira e no mesmo horário, os semáforos funcionavam perfeitamente. Veja a diferença de fluxo e de harmonia (hayekianos, obviamente, não se surpreenderão com o resultado).


Responder
Rafael 08/08/2012 09:29:36

Enquanto isso no Brasil:

Responder
Caio 12/03/2013 01:23:29

Possuo esse exemplo na prática quando a Guarda Municipal entra em ação para fazer "fluir" o trânsito, sei quando estão trabalhando a quilômetros de distância.

Responder
anônimo 12/03/2013 02:30:02

Mais um:

Responder
Andre Vidiz 08/08/2012 08:06:01

Digamos que amanhã todos os brasileiros acordem cientes de que o estado só atrapalha a vida de todos e decidam abolir o governo e privatizar as estradas.

No caso de duas cidades que são ligadas apenas por uma estrada, como se evitaria que a empresa compradora desta cobrasse preços abusivos pelo seu uso, já que detém o monopólio do trecho? Construir outra estrada é demorado e pode ser inviável economicamente, porque ao preço concorrencial só há demanda suficiente para uma cobrir seus custos.

Enfim, acho que tudo funciona muito bem quando há concorrência, mas quando não se observa condições para que diversas empresas disputem os clientes não sei qual é a solução anarcocapitalista...

Abraço!

Responder
Viking 18/01/2016 17:49:56

Podem acontecer varias coisas:
1 - os moradores viajarem o mínimo possível entre essas cidades
2 - os moradores da cidade A, que não tem ligação com outras cidades, se mudarem todos para a cidade B, que tem varias saídas para varias cidades, ou ainda para a cidade C/D/E etc, deixando assim a dona da estrada a ver navios.
3 - alguém transportar as pessoas de ônibus entre as cidades, fazendo com que o custo por viajante seja bem menor (e consequentemente o lucro da empresa dona da estrada caia)

veja, em nenhum caso é vantajoso para a empresa cobrar muito caro. O interessante para ela é que muitas pessoas passem pela sua estrada, então provavelmente ela cobrara um preco justo, ou então pedirá falência.

Responder
Randalf 26/08/2012 06:50:53

Não consigo entender como as ruas podiam ser feitas privadamente. Parece-me que é a única coisa que não pode ser privatizada (ou pode e não entendo como), passo a explicar. Como poderia ser feito alguma vez uma autoestrada, já que depende de muitos proprietários, e portanto, bastará um deles não querer disponibilizar o terreno para a autoestrada para que esta não seja construída. Além disso, se as ruas fossem privadas, sempre que eu ia numa viagem de carro, teria de pedir autorização a 'todos' os pequenos proprietários por onde a estrada passasse, para não falar de ter de verificar as condições para passar em cada 'pedaço' de rua. E ainda há o caso de ter de pagar a passagem a todos os pequenos proprietários dessa mesma estrada, ou ruas (até ao itinerário que desejo).

Poderiam-me ajudar nesta dúvida?!

Obrigado.

Responder
Andre 13/09/2012 07:51:07

Não sei onde compartilhar, mas vai aqui mesmo!

www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120909_honduras_cidade_modelo_lgb.shtml

Responder
Marcos 14/10/2012 22:36:48

Mas isso nao seria dividir a cidade em guetos, onde pessoas "diferentes" não poderiam entrar? Veja bem: Essa idéia de desestatizar as ruas, na qual determinadas pessoas não poderiam passar. como controlar? Só usando violência, não? Aí vocês vao argumentar que, se todos respeitassem, ninguém quereria circular por onde não fosse bem-vindo. Isso não é criação de guetos? não é uma ideia segregacionista que os mais idealistas acreditavam superadas pela humanidade, mas que volta com força total disfarçada de defesa de liberdades? Acreditar que incorporar a discriminação e individualizar tudo daria certo neste mundo é coisa de lunático completo.

Responder
Marcos 15/10/2012 07:48:36

Tem mais outra coisa que eu gostaria de perguntar: e se estes proprietários cercarem as ruas e limitassem o livre trâsnito de pessoas? Seria um problemão... É como eu falei, seriam guetos.

Responder
david 15/10/2012 12:09:29

Ora Marcos.
Mas já existem esses guetos que você cita, pelo menos na sua definição de guetos.
Não existe, hoje, no Brasil, propriedade imobiliária individual. Na verdade somos todos arrendatários do proprietário estado, que detém monopolisticamente a propriedade de todo o território nacional. O estado proíbe que estrangeiros entrem livremente em sua propriedade, que comprem imóveis e que trabalhem. Ele sempre exige documentação, carimbos, autorizações, sempre com a propaganda de que isso é feito para proteger sua população. O estado discrimina quem pode entrar e trabalhar em sua propriedade. Os estados segregam a população mundial com cercas políticas. Os estados não permitem que pessoas "diferentes" entrem em suas fronteiras. Que mercadorias produzidas por estrangeiros entrem livremente em sua propriedade. Ao mesmo tempo, o estado impõe que sua população pague pela sua infraestrutura de circulação e urbanização. Obriga que sua população produza espaço de acordo com as suas regras planejadas centralmente. O planejamento espacial do estado não conta com a regulação do sistema de preços, apenas com uma regulação fajuta baseada em achismos, cientificismo e muito preconceito.
Veja só! O estado já faz tudo isso que você critica, mas você não se importa. Importaria-se apenas se indivíduos fizessem privadamente, ai seria um absurdo!
Hoppe chama a atenção pra isso, essa falta de percepção com relação à exploração do estado. Seu argumento é bastante interessante: quando a administração dessa instituição monopolística é pública, o público fantasia que um dia (ah! um dia) uma pessoa maravilhosa vai administrar de forma perfeita (perfeito aqui o que cada um acha que é). Esse ditador ou é a própria pessoa, ou alguém que pensa como ela. Já com o estado privado, como era com os reis, as pessoas conseguiam perceber que eles viviam às suas custas, pois elas nunca poderiam tomar conta da administração, inviabilizando a fantasia de suas mentes, e isso diminuía as possibilidades de exploração por parte do estado. Uma das consequeências disso é percebido por Goethe quando compara os espaços de cultura entre a França centralizada e os diversos principados alemães. O resultado foi a diversificação espacial e a maior riqueza cultural dentro de cada território.
Você mesmo deixa isso transparecer. Se glebas fossem propriedade privada e houvesse algum tipo de injustiça na discriminação de quem pode entrar ou sair, você seria um dos primeiros a insurgir contra aquele "tirano". Os concorrentes desse tirano lucrariam com o seu repúdio e o de vários outros concidadãos produzindo um espaço melhor, menos injusto. Essa concorrência entre diversos proprietários reduziria o preconceito e aumentaria a riqueza espacial.
Mais uma coisa. Cidades surgem como espacialização dos mercados, como densificação propiciada pelo aumento da produtividade, efeito do acúmulo de capital. Cidades são produtos da divisão do trabalho, que emergem da cooperação social. Um dos sinônimos de civilidade é urbanidade. As forças existentes na produção da cidade são voltadas à paz e à inclusão social natural, com respeito à liberdade e à propriedade. Qualquer tentativa de inclusão à força, pela via política, irá resultar em efeitos opostos aos desejados, como qualquer intervenção estatal. Nunca se esqueça, políticos dividem a sociedade em dois grupos: instrumentos e inimigos. Não seja político, por favor!
Claro que há externalidades na produção desse espaço mais denso, mas a liberdade de iniciativa sempre dá um jeito de corrigi-las ou minimizá-las. O land-lease na Inglaterra vitoriana foi um grande exemplo de como produzir espaço urbano sem a coerção estatal. O distrito industrial de Chicago é outro grande exemplo.
Sugestão. Não deixe que sua falta de conhecimento em economia, ou em história das cidades, ou o pensamento cor-de-rosa que parece ser inato e explorado à exaustão por políticos e demagogos sedutores deturpem seus esforços por conhecimento e esclarecimento. Assim você verá que coisa de lunático completo é acreditar que o estado pode corrigir o que você acha errado via iniciação de violência e coerção.

Responder
Marcos 15/10/2012 19:54:47

Os guetos a q me refiro não são os estados nacionais. Me refiro ao direito de você circular com liberdade dentro de seu próprio país, dentro de sua própria cidade, que são de circulação restrita para todos os cidadãos. Espaços que segregam. Guetos já existem. Você tem razão, apesar de não identificá-los corretamente.

Mas os libertários propõem o fim das fronteiras nacionais? Propõem o fim dos países? É isso?

E interessante o land-lease na Inglaterra vitoriana...Poderia citar alguma fonte que fala sobre isso. Pesquisei no Google e não achei nada, até porque o Google manda corregir: você digita land-lease e ele pergunta se queria dizer "lend-lease"... Ou vocÊ digitou errado, ou o sistema google tá uma merda...

Responder
Neto 16/10/2012 02:58:24

'Me refiro ao direito de você circular com liberdade dentro de seu próprio país'

Como diria o padre Quevedo, ESTO NON EXESTE
Ou o troço é seu ou não é, não existe isso de 'seu próprio país', do mesmo jeito que você não tem o 'direito' de circular em liberdade dentro da casa dos outros

Responder
Renato 16/10/2012 09:11:40

Isto é um conceito qua não existia no passado. O ser humano sempre foi extremamente livre para circular por onde quisesse, a não ser em territórios de alguns poucos povos, que eram extremamente hostis. O que o anarco-capitalismo propõe é uma mudança claramente para pior. Porque eu iria querer ficar preso num campo de concentração, tendo de pagar toda vez que eu quisesse sair? Alguma restrição para circulação existia e existe, mas nunca nesse patamar. O único caso semelhante foram os guetos judaicos, em certas épocas e lugares, onde eles tinham de pagar para viver, e de onde não podiam sair livremente, a não ser em determinados horários. Porque eu iria querer isso para mim ou para as outras pessoas? Que mundo desgraçado é esse da privatização total!

Responder
Neto 16/10/2012 10:11:38

Renato, de um jeito ou de outro você paga.Você paga forçado pro governo dar uma manutenção porca nas estradas.E achar que num mundo ancap o dono da rua ia querer fechar a rua e proibir todo mundo de usar é uma crença irracional, é achar que alguém vai querer rasgar dinheiro.
E essa história de 'circular onde quisesse' não cola, você finge que não entendeu que o lugar onde ele NÃO andaria era só dentro da propriedade de outras pessoas, como já é hoje aliais.Não lembro de nenhuma época na história da humanidade que todo mundo fosse como um personagem de RPG, entra na casa de todo mundo, fala com todo mundo e o dono não diz um ai
E essa comparação com os judeus foi ridícula.A última coisa que um libertário quer é forçar alguém a nada.Acho que você que não entendeu ainda o que é a liberdade que a gente defende.

Responder
Renato 19/10/2012 13:24:33

Neto\r
\r
É diferente você não poder entrar nas propriedades das pessoas de você depender da autorização do "dono da rua" para circular pelas ruas. Note que seria inviável economicamente para o "dono da rua" impedir a circulação em geral. Mas se ele é realmente o dono da rua, pode impedir a circulação por lá de qualquer pessoa em particular (o que ele poderia fazer por motivos particulares, pode ser alguém com quem ele tenha uma demanda, ou um ódio pessoal). Agora, se o dono da rua não pode impedir a circulação por ela arbitráriamente, nem pode fechar a rua e construir algo lá, então não é dono de fato, mas apenas o concessionário.

Responder
Neto 16/10/2012 03:21:03

'Tem mais outra coisa que eu gostaria de perguntar: e se estes proprietários cercarem as ruas e limitassem o livre trâsnito de pessoas? Seria um problemão...'

Se os médicos decidissem não operar mais ninguém...seria um problemão...
Se os pilotos de avião decidissem não pilotar mais nada...seria um problemão...

Responder
Marcos 16/10/2012 11:27:40

O que ninguém me respondeu é que o cidadão ia ficar limitado de transitar na cidade. O que me chamou a atenção no comentário do David é que eles falam em fronteiras. O que se propõe então é abolição das fronteiras nacionais?

Responder
Aprendiz 31/03/2016 14:58:58

Limitado de que jeito? Qual a motivação de cada "gueto" impedir de você passar nas respectivas ruas? E se tiver motivo, qual o problema? Você pode tá pensando sobre impedir as pessoas de circularem por uma área com vasta oferta de serviços. Mas qual a vantagem pra uma rua comercial impedir a livre circulação de pessoas (?????)? Da maneira que você descreve é como se em cada rua eu tivesse que parar e pagar pra passar, e assim o processo se tornaria super burocrático. Eu sendo dono (ou um grupo)de uma rua comercial iria permitir a livre circulação pois isso aumenta as chances de vendas das lojas.

Consegui responder? Se não, diga o que não ficou claro.

Responder
david 17/10/2012 13:14:29

Olá Marcos.

Entendo a sua preocupação, mas acho que isso ocorre pela falta de maiores informações sobre a produção do espaço urbano e da própria cidade. Pensando nisso, estamos planejando um espaço de divulgação de idéias sobre arquitetura e urbanismo seguindo os passos da escola austríaca. Esperamos que ele venha contribuir nessa área de economia espacial, principalmente pra urbanistas.
Ainda não estreamos e não há nenhum artigo publicado, mas se quiser assinar a RSS, fique à vontade. Acreditamos que no começo de janeiro iniciamos com as publicações. O endereço é: arquiteturadaliberdade.wordpress.com/

Sobre o land lease, procure o livro "the voluntary city: choice, community and civil society". Um dos primeiros artigos se intitula laissez-faire urban planning, escrito por stephen davis e fala da urbanização inglesa entre 1740 e 1850. Já temos um artigo resenha sobre ele, mas só em janeiro.
Nesse mesmo livro há um outro artigo chamado "the case for land lease versus subdivision", do spencer heath maccallum. Haverá um artigo sobre isso também. O land lease me parece muito superior em eficiência que condominios e loteamentos com contrato de restrição. Enquanto aquele é um investimento em espaço urbano a longo prazo, estes são mais voltados pro consumo imediato de espaço.
Enquanto isso, continue se aprofundando com os austríacos, vai ajudar.

até mais.

Responder
Rafael 16/10/2012 11:53:53

Na verdade esse problema só pode acontecer em 2 casos: por conta de uma desestatizacao mal feita ou por negligencia do proprietário. Explico: assim como dificilmente alguem compra uma propriedade que nao tenha abastecimento de agua e energia hoje em dia, dificilmente alguem compraria uma propriedade sem um contrato de passagem por pelo menos uma propriedade/estrada adjacente vinculado a essa. Lembrando que quem fizesse essa ''cagada'', ainda poderia negociar a passagem por um bom preco com os vizinhos ou sair de avião ou helicóptero de sua propriedade.

Responder
Renato 17/10/2012 15:39:59

Vejo que os anarco-capitalistas não compreendem o que é uma cidade.\r
\r
Ruas públicas não são invenção do estado. Vá a qualquer vilarejo do mundo, e proponha que as ruas sejam privatizadas, e ninguém concordará. Eu mesmo preferiria andar numa rua esburacada a ter de depender da boa vontade do dono da rua para poder sair de casa.\r
\r
Em qualquer vila do mundo, desde muito antes do surgimento do estado moderno, as pessoas consideram as passagens entre as casas como um bem de uso comum. É assim que as pessoas sentem, é assim que as pessoas raciocinam sobre isso, é assim que as pessoas se comportam, e não foi o estado que criou isso. Se a única forma de eu sair de um determinado espaço confinado é pagando alguém, eu me sinto um prisioneiro.\r
\r
Creio que mises nunca abraçou o anarco-capitalismo pelo simples fato dele perceber que seria um sistema necessariamente desumano, e provavelmente insustentável.\r
\r
Note que durante toda a história da humanidade, foi possivel as pessoas andarem livremente por caminhos e estradas, e principalmente pelas ruas de sua cidade. Não há nada de mal nisso, pelo contrário, isso é implicitamente bom. Para mim, pouco importa se uma rua privada será melhor mantida a um custo mais baixo, eu simplesmente não quero perder esse senso de liberdade, que vale muito mais do que o meu dinheiro ou meu conforto.\r
\r
Não quero me arriscar a um dia viver como viveram os judeus nos seus guetos.

Responder
Fernando Chiocca 17/10/2012 16:00:12

Vejo que você não compreende o que é anarco-capitalismo.

O que torna sua atitude de cirticar e fazer acusações a algo que não conhece um tanto quanto estranha...



Você acha mesmo que anarcocapitalista nunca vislumbraram suas objeções banais?

Acha que um pensador da envergadura de Rothbard nunca pensou em algo que você, Renato, pensou em 10 segundos de reflexão?

Puxa, quer dizer que você prefere o estado a não poder sair de casa se venderem sua rua? Dããã.

Toma vergonha nessa cara rapaz.

Suas debilidades sequer merecem respostas.

Responder
Renato 19/10/2012 13:33:42

Chiocca\r
\r
Entendi perfeitamente que não é isso que está nos artigos que eu li. Pelo que entendi, os direitos dos proprietários dos imóveis que tem acesso pela rua seriam preservados legalmente. Ocorre que não parece que é isso que alguns comentaristas estão entendendo, pelo menos não é isso que transparece nos comentários. Não é ao artigo que respondi, mas sim ao que parece ser o entendimento de alguns comentaristas.\r
\r
De qualquer forma, julquei a sua resposta bastante descortez.

Responder
Rafael 17/10/2012 18:38:35

Vejo que estatistas não entendem a diferença de espaço público e de uso comum. A rua de um condomínio, quem paga a manutenção? E a do vilarejo??

Como eu disse ao Marcos, esse problema só pode ocorrer devido a uma desestatização mal feita. Além disso, você se esquece do lado econômico - que Mises muito bem nos ensinou -, já que empreendedores são ávidos em oferecer soluções para problemas com alto retorno. Será que é muito difícil imaginar que os comerciantes de uma região se juntariam para garantir o melhor acesso a suas lojas pelo menor preço - como ocorre com o estacionamento dos shoppings, por exemplo? Ou que uma alta demanda por locomoção entre cidades faria surgir uma grande concorrência entre meios e serviços de transporte?

É muito bonito esse senso de liberdade que você prega, mas e aquilo que não se vê - como dizia Bastiat? As milhares de mortes nas rodovias - as quais constituem um monopólio do estado - e os bilhões gastos (e desviados) para a manutenção e construção das mesmas - destruindo riqueza da população (

Como as obras públicas subtraem riqueza da população
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378

), como por exemplo:

Transamazônica ainda espera o progresso após 4 décadas
www.youtube.com/watch?v=euA2NbDDkNg

- não passam por sua cabeça? Tirar a força o dinheiro de gente pobre para quem tem carro ir de um lado ao outro é realmente ético e aceitável para o senhor?

Se sua última resposta for sim, o debate está encerrado para mim. Caso contrário, peço que tenha a bondade de ler mais sobre o assunto (infelizmente ainda não traduzido):

www.freedomainradio.com/free/books/FDR_5_PDF_Practical_Anarchy_Audiobook.pdf

Responder
david 17/10/2012 20:04:32

Olá Renato.

Acho que você está sofrendo de uma das consequências não intencionais das intervenções estatais. Com o tempo as pessoas perdem a capacidade de abstração e de busca por alternativas. Como Rothbard certa vez comentou, se o estado produzisse sapatos, as pessoas achariam que a sociedade não teria as condições de produzi-los.
Tentarei resumidamente explicar como o espaço urbano seria produzido, partindo do que já conheço de economia e da história da urbanização inglesa e de um distrito industrial de Chicago.
Dificilmente haveria o dono da rua e donos de terrenos adjacentes, com pedágios em cada porta e cada um sendo "prisioneiro". O sistema mais eficiente era um proprietário (ou empresa, ou associação, ou clube) de uma gleba em urbanização e arrendamentos de terrenos individuais - o land lease. O proprietário arrendava cada terreno em contratos de longo prazo. Na Inglaterra surgiu uma tradição de 99 ou 999 anos para esses contratos, com a garantia de hereditariedade. Ainda não sei a razão desses prazos.
Cada locatário aceitava um acordo ou contrato com o proprietário, todos baseados na concorrência e cooperação de mercado entre as mais diversas glebas, ou vilas, ou bairros. Na maioria das vezes o proprietário era algum antigo aristocrata falido que arrendava suas terras pra algum empreendedor que, por sua vez, sub-arrendava os terrenos investindo nas áreas comuns pra atrair outros investidores. Nos acordos eram estipulados prazos, as responsabilidades, normas de construção e de ocupação do solo. Os locatários pagavam uma renda ao proprietário da gleba (ou para a associação, empresa, ou clube), mas detinham a propriedade do ponto. Caso eles quisessem se mudar, vendiam o ponto negociado no mercado e um percentual dessa venda ficava com o proprietário da gleba, sendo novamente investido na área.
As vilas mais bem construídas, com melhor infraestrutura, segurança etc, certamente atraiam mais consumidores, mas elas concorriam com as outras na cidade. Esse processo de mercado é que regulava os preços, a ocupação do solo e as regulamentações construtivas e de ocupação do solo eram definidas dessa forma. Quem não quisesse um curtume do lado de casa, certificava-se de que as normas daquela vila potencial não permitissem ocupação industrial. Já as indústrias procuravam áreas que possibilitassem essa ocupação. E assim a cidade ia sendo moldada.
Surgiram várias áreas com parques, praças e diversas outras amenidades comuns mantidas pelos próprios moradores como se fossem clubes, e abertas para a cidade toda, já que também tinham comércio e este depende de fluxo de pessoas. Esse próprio espaço comum bem construído era um atrativo. E, apesar de serem propriedades privadas, essas áreas não eram fechadas, muradas, cheias de pedágios e vigilantes, como guetos. Esse tipo de fenômeno surge nas cidades modernas que sofrem de demasiada intervenção estatal. O mais interessante é que a "propriedade" individual de casas e apartamentos, e principalmente de condomínios de terrenos nas franjas urbanas, é um fenômeno da intervenção estatal. A regra durante o pequeno período liberal na Inglaterra eram os arrendamentos, o land lease.
Um exemplo interessante dessa produção de espaço privado aberto à cidade e mantido por uma empresa é o distrito industrial central de Chicago (Arne, Robert C.; the voluntary city - capítulo 5 - entrepreneurial city planning). Durante muito tempo Frederick H. Prince investiu nessa área e criou um espaço magnífico, como empreendedor e longe do estado, demonstrando que planejamento urbano além de ser possível sem o estado, é muito melhor sendo feito de forma voluntária. Papo já manjado pelos libertários.
Cada vila era composta por algum tipo de governo, como qualquer clube e associação. Um proprietário de ponto tinha direito a voto, eram formados conselhos e tudo mais. O que controlava essa democracia era o voto com as pernas. Se tiranos, incapazes e desonestos começassem a tomar conta, o preço dos pontos caía e todos perdiam, principalmente o proprietário da gleba. Isso era o maior controle. Além disso,essa propriedade bem definida esclarecia as responsabilidades. Se você estivesse passeando por uma rua qualquer e caísse um galho na sua cabeça, você saberia de pronto quem era o responsável por essa falta de cuidado. Um bom exemplo atual dessa produção de espaço são os shoppings. Se você torce o pé em um buraco, ou ganha um galo se uma placa cai do forro, você sabe quem processar; diferentemente da cidade atual. E não vejo nenhum shopping fechando as portas, colocando cancelas e pedágios. Muito pelo contrário. Cada um tenta oferecer os melhores serviços para o seu público e vários deles de graça.

Bem! Confesso que ainda não sei como seria a desestatização do que hoje existe, ou como seria a melhor forma de fazê-la. Porém, das várias formas de produção de espaço urbano em um mundo livre, eu apostaria no land lease. Mas o mais importante seria deixar que os modelos concorressem entre si pra ver qual seria o melhor. Muito ao contrário de deixar essa decisão nas mãos de burocratas centralizadores.

Responder
Renato 19/10/2012 14:07:00

David\r
\r
Perceba que a existência de condomínios é bastante mais simples que a privatização total das ruas. Os condôminos são sócios, digamos assim, das ruas internas. Como o condomínio não é passagem para nenhum lugar, não há motivo nenhum para que alguém de fora esteja lá, a não ser pela vontade de algum dos condôminos, ou se estes quiserem que a entrada seja livre. Não muita possibilidade de conflito quanto a isso.\r
\r
Note que mesmo que a maior parte da área residencial de uma cidade fosse composta de condomínios, diminuiria muito, mas não eliminaria, a questão da manutenção das vias externas. Entre os casos que você citou, não existe nenhum que abranja a cidade toda. Pensarei na sua resposta.

Responder
david 19/10/2012 15:16:04

Olá Renato.

Se os condôminos são sócios das ruas internas, por que eles não poderiam se associar, formar clubes e contratar empresas para manterem essas ruas "externas"? E como alguém investiria num condomínio se não se certificasse das condições de acesso e circulação até ele?
Além disso, por que não poderia haver um proprietário, ou uma associação de moradores, que possuísse uma área bastante grande, do tamanho de toda a cidade e que arrendasse glebas (cada uma com o seu governo, competindo com as demais), lotes e serviços (como infra de telefonia, energia, água, esgoto) e com essa renda mantivesse as áreas comuns da cidade?
Eu particularmente vejo condomínios como uma negação da cidade, pelo conceito que tenho de cidade. Acho que a tendência de eles ocorrerem é fortalecida pela incompetência do estado e de todas as consequências não intencionais de suas ações.
Cidades pra mim não são apenas a forma física, a área urbana, mas toda a vida dinâmica que acontece naquele espaço. Se as cidades surgiram pra integrar pessoas em áreas comuns voltadas para o comércio principalmente, por que elas deveriam ser totalmente segmentadas em condomínios como você está imaginando? Se as coisas fossem como você está pensando, ninguém poderia dizer a "minha cidade". Teria que dizer a cidade da empresa X, ou do fulano Y, onde moro. Cidades são a produção voluntária de vários indivíduos agindo cooperativamente, dividindo trabalho em um espaço específico: como o mercado. A diferença é que esse processo fica marcado fisicamente na cidade.

Responder
Caio 12/03/2013 01:45:28

David

Honestamento vejo você caminhando a passos largos para o sistema que já existe hoje, trocando meramente definições: glebas por cidades, seu governo por prefeito... Confesso que estou ansioso por uma resposta elucidativa como já obtive em vários temas ao ler artigos deste site, mas esse que elegeu me parece já bem conhecido nos dias atuais.


Responder
Catarinense 17/10/2012 18:14:15

Não, meu caro. Você é que não quer aceitar que não sabemos de tudo, e quer impedir que novas idéias possam ser testadas e ter sua viabilidade verificadas. Você já reparou no fenômeno recente dos condomínios residenciais, com ruas, lojas, serviços, etc? É uma solução descentralizada, tipicamente de livre mercado. Lá acontece o que você tanto teme? Creio que é justamente o contrário, visto que tais condomínios normalmente são extremamente caros. E é assim que o livre mercado dita o desenvolvimento da humanidade e tem feito nos últimos séculos que tanto trouxe avanços para a civilização. Uma novidade, no início, é cara, para os mais ricos, que caso aprovem ( através da demanda ), gera cada vez mais empreendimentos e produtos mais baratos, para as camadas mais simples da população. Você acha que algum libertário ou astro-economista vai pegar em armas e impor a sua visão pessoal do que a sociedade é. No entanto, o que o pessoal por aqui defende é justamente o contrário, que simplesmente deixe-se seguir o curso da economia, sem intervenções.\r
\r
Laissez faire, telle devrait être la devise de toute puissance publique, depuis que le monde est civilisé ... Détestable principe que celui de ne vouloir grandir que par l'abaissement de nos voisins! Il n'y a que la méchanceté et la malignité du coeur de satisfaites dans ce principe, et l'intérêt y est opposé. Laissez faire, morbleu! Laissez faire!!

Responder
anônimo 17/11/2012 15:13:12

Como se fosse fácil fazer isso, como se as ruas não fossem públicas justamente para preservar o direito de ir e vir das pessoas, como se não houvesse redes de água, esgoto, telefone, energia elétrica e drenagem passando nestas ruas e como se a administração destes serviços não fosse pública.

"No primeiro tipo, todos os moradores de um determinado quarteirão podem se tornar os proprietários conjuntos daquele quarteirão, formando por exemplo a "Companhia do Quarteirão A"."

- E cada quarteirão vai ter sua própria companhia de água e esgoto e energia elétrica né?

E a infraestrutura só vai chegar na "companhia do quarteirão A" se tiver autorização expressa das companhias dos quarteirões ao lado, que podem muito bem não querer passar por transtornos para adiantar a infraestrutura pros vizinhos, eles que se fodam.

Se fosse defender algo assim, deveriam defender um projeto de cidades privadas, como em Honduras, e não só a desestatização das ruas.

Responder
Luis Almeida 17/11/2012 15:42:31

Sim, todos estes detalhes de infraestrutura (redes de esgoto, telefonia, eletricidade, água etc.) já foram adereçados em detalhes neste artigo.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=646

De resto, não precisa ficar nervoso. O modelo que você defende -- estado cuidando da segurança e da infraestrutura -- está aí firme e forte, totalmente eficiente e protetor. Ele não irá sumir tão cedo. A segurança e a infraestrutura fornecidas monopolisticamente pelo estado são excelentes e, com efeito, qualquer um que se atreva a apontar suas falhas e propor alternativas deve ser menosprezado. Nada de incomodar aquilo que funciona com excelência e do qual ninguém tem nada a reclamar.

Desfrute a perfeição da atualidade!

Responder
joão 10/02/2013 01:47:16

OLá. Eu tenho uma dúvida um pouco "antiga" sobre a ação do livre mercado num ambiente com poucos consumidores (não em quantidade, mas em renda disponível pra consumo).

Como seriam ofertados serviços BÁSICOS necessários à sobrevivência humana nesses locais? Por exemplo, que empresa teria interesse em construir uma estrada no meio do sertão nordestino?

Ou melhor, saindo das estradas...quem teria interesse em construir um hospital, ou escola, por lá? E oferecer segurança? Rede de saneamento básico e eletricidade?

Neste caso, qual seria a solução proposta do ponto de vista libertário?

Aguardo sinceramente alguma resposta.

Responder
Eleno 10/02/2013 02:29:39

E se se o governo tivesse, por várias razões, o monopólio do fornecimento de sapatos — utilizando o dinheiro do contribuinte, é claro — desde tempos imemoriais? Se o governo, e somente o governo, tivesse o monopólio da fabricação de sapatos e fosse o dono de todas as revendedoras, como será que a maioria das pessoas iria reagir ao libertário que viesse advogar que o governo saísse do setor de calçados e o abrisse para empresas privadas? Sem dúvida nenhuma as pessoas iriam bradar: "Como assim? Você não quer que as pessoas, e principalmente os pobres, usem sapatos! E quem iria fornecer sapatos ao povo se o governo saísse do setor? Diga! Seja construtivo! É fácil ser negativo e desrespeitoso quando se trata do governo; mas diga-nos quem iria fornecer sapatos? Quais pessoas? Quantas lojas de sapato haveria em cada cidade? Em cada município? Como isso seria definido? Como as empresas de sapato seriam financiadas? Quantas marcas existiriam? Qual material elas iriam usar? Quanto tempo os sapatos durariam? Qual seria o arranjo de preços? Não seria necessário haver regulamentação da indústria de calçados para garantir que o produto seja confiável? E quem iria fornecer sapatos aos pobres? E se a pessoa não tiver o dinheiro necessário para comprar um par?"

Pois é. Quem construiria as estradas? Dê liberdade de empreendimento e de lucro (ambas as coisas que o governo proíbe nesta área) e observe os resultados.

Responder
Gustavo BNG 10/02/2013 02:56:21

As leis ambientais também atrapalham muito a construção de infraestrutura pela iniciativa privada.

Responder
joao 10/02/2013 16:29:34

Não precisa (re)lembrar a parábola dos sapatos. Mas entre montar uma fábrica de sapatos, e um hospital/estrada/escolas há uma pequena diferença. E o preço de um sapato, o preço relativo, ainda assim é muito inferior a serviços médicos.

A questão, que ainda não foi respondida: de que forma seria "atrativo" para o livre mercado investir em áreas que não têm potencial de consumo? Por exemplo:

1) Manter AEROPORTOS deficitários (caso da maioria dos brasileiros): ou aguenta o prejuízo, ou uma região inteira do Brasil fica sem aeroportos.

2) Manter ESTRADAS em regiões com população paupérrima.

3) O mesmo para hospitais e escolas.


Um exemplo para compararmos com o setor "livre" são os shoppings. Eles praticamente inexistem nas regiões a qual me refiro. E se o mesmo acontecer com as estradas, aeroportos, hospitais e escolas, nessas regiões?

Responder
Massimo 10/02/2013 18:05:09

Duas coisas:

1) para determinar se tais operações são ou não rentáveis, e dado que elas exigem altos investimentos, é necessário que o estado destribute, desburocratize e desregulamente ao máximo. É necessário também que o estado libere por completo o investimento de consórcios estrangeiros (pois eles têm capital para tais investimentos). Hoje, nada disso ocorre.

2) se, após tudo isso, determinadas áreas ficarem sem aeroportos (duvido que ficariam sem hospitais; hoje, todo município tem um hospital privado), então é porque tal região não é realmente viável -- certamente, porque só tem carroça ali.

Agora é a sua vez: qual a sua solução para os péssimos serviços estatais nos municípios pobres? Como melhorar os serviços estatais, dado que eles não operam dentro do sistema de lucros e prejuízos (e, logo, é impossível serem eficientes)? Faça uma defesa humanística dos serviços estatais.

Responder
joao 10/02/2013 18:23:41

Wow! Será que todos aqui estão estressados, ou é impressão?

Só compartilhei uma dúvida que me afligia, e que provavelmente surgirá no debate.


Fiquei surpreso quando, num artigo daqui do IMB, soube que 20 dos 27 (?) aeroportos brasileiros são deficitários. E imaginei como seria um conjunto de Estados sem nem um aeroporto, ou coisa do tipo. Mas ainda assim, aeroportos podem ser estruturas supérfluas quando comparadas à serviços básicos (saneamento,estradas,hospitais).

Agora, nessas regiões pobres é evidente que as pessoas não dispôem de recursos nem para cuidar das suas propriedades adequadamente (veja o tipo das suas casas), quiçá pagar pelo uso de estradas, escolas, saneamento básico e outros serviços essenciais.

Ou seja, ao prover serviços à essas pessoas, o Estado está subsidiando. Mas qual seria a outra alternativa?

Me parece que é, também, impossível abdicar completamente do subsídio, mesmo que voluntário. Entretanto, doações não são estáveis o suficiente para manter esses serviços funcionando, para essas pessoas.

Responder
Randalf 11/02/2013 09:50:16

João, será que está a dizer que as pessoas dessa região têm 'direito' ao trabalho dos outros?.. Cuidado, pois isso é exactamente a definição de escravatura. As pessoas não podem exigir mais do que aquilo que conseguem obter por trocas voluntárias. Uma região se é pobre, deve viver conforme os seus meios e não usar esse argumento para 'expropriar' outros.

Além disso, conhece a história de Hong Kong, desde 1950?.. Como é que uma região que era bastante pobre, conseguiu ser o que é hoje? (Não foi com subsídios)

Responder
anônimo 11/02/2013 10:03:54

'Wow! Será que todos aqui estão estressados, ou é impressão?'

Pode esperar uma reação muito forte quando qualquer um por aqui notar que querem defender o trabalho escravo.

Responder
joao 26/02/2013 12:03:55

Antes da reação, deviam ao menos saber se a "ação" foi intencional ou fruto da ignorância.

Responder
TL 11/02/2013 12:41:26

Prezado João.

Entendo sua dúvida e ela é pertinente. Dado o caráter genérico de suas perguntas, minhas respostas precisam ser extensas.

Como seriam ofertados serviços BÁSICOS necessários à sobrevivência humana nesses locais? Por exemplo, que empresa teria interesse em construir uma estrada no meio do sertão nordestino?

Em lugares sem potencial econômico, empreendedores não construiriam estradas, pois apenas destruiriam seu capital (teriam prejuízos). Mesmo quando o estado é o empreendedor, a construção dessas estradas têm o mesmo destino, a destruição de capital. Dado que esses locais não têm potencial econômico, a construção da estrada não implicaria em desenvolvimento econômico.

Para melhor entender essa questão, retrocedemos um pouco ao passado, quando a interferência estatal era menor. No passado, quando o interior do Brasil ainda estava em processo de colonização, duvido que o estado tenha construído estradas e depois fomentado a colonização de uma região. Primeiro pessoas agregaram valor econômico a uma determinada região e somente depois as estradas foram aprimoradas. Logo, o aprimoramento de rodovias é uma consequência do aumento do potencial econômico de um região, e não o contrário.

Em muitos lugares do interior, como no Mato Grosso, as estradas são construídas pela iniciativa privada. Eu conheço várias dessas rodovias (todas de estrada de chão).

Por que essas rodovias não são asfaltadas? Porque o custo desse tipo de pavimentação é alto dado a quantidade de tráfego. Não é economicamente viável esse tipo de pavimentação.

Quem constrói essas estradas? Usualmente fazendeiros, madeireiras ou conjunto de indivíduos diretamente interessados pelo empreendimento. É interesse deles terem uma estrada para chegar em suas propriedades, ou para que os outros consigam chegar em suas propriedades.

Sobre a pavimentação de rodovias com asfalto no Mato Grosso, não era incomum que proprietários das terras adjacentes às rodovias contribuíssem com uma quantia monetária para a sua pavimentação, mesmo eles não sendo proprietários dessas rodovias.

Agora, em cidades. Você já foi condomínio fechado ou a algum loteamento de casas? É interesse dos proprietários desses empreendimentos que os futuros moradores tenham acesso as suas residências. As ruas são privadas e administradas pelo condomínio. Em loteamentos, acredito que o estado assuma a responsabilidade dessas ruas, depois de sua construção. O tipo de pavimentação vai depender do tipo de empreendimento.

Você já foi a uma cidade incipiente (exitem várias no Mato Grosso)? As cidades são planejadas e a construção de ruas são privadas. Somente depois o estado assume a responsabilidade por elas.

Manter AEROPORTOS deficitários (caso da maioria dos brasileiros): ou aguenta o prejuízo, ou uma região inteira do Brasil fica sem aeroportos.

Sobre os aeroportos, a explanação é a mesma. Se algum aeroporto é deficitário, é porque o capital está mal empregado, ou porque não deveria existir aeroporto nessa localidade (não existe demanda desse tipo de serviço nesse local).

No Brasil existe grande necessidade por aeroportos, principalmente em regiões que conforme o estado seriam deficitários. Se fosse permitido a construção de aeroportos privados, a quantidade de aeroportos aumentaria. A deficiência dos aeroportos é causada exclusivamente pela proibição desse tipo de empreendimento privado e pela administração pública dos existentes.

Um ótimo exemplo de como funciona bem aeroportos privados é o programa do Discovery Channel Flying Wild Alaska. O programa se baseia no aeroporto privado de uma cidade de 5.000 habitantes, numa região isolada do Alaska. A família proprietária do aeroporto, além de oferecer uma infraestrutura completa, também têm aeronaves. Tudo compatível com a região e o potencial econômico. Aeronaves de pequeno porte para transporte de pequenas cargas e poucos tripulantes (4 a 12 tripulantes). Inclusive, essa empresa familiar faz transporte aéreo privado para localidades com menos que 1.000 habitantes, até mesmo para cabanas de uma única família. Tudo isso, sem ser deficitário.

Agora, você entende por quê esses aeroportos são deficitários? É por causa da mal utilização dos bens de capital. Cada região tem suas próprias necessidades e caberia a empreendedores privados descobrirem esses potenciais e ofertarem um nível de serviço compatível com a capacidade econômica da região.

Responder
Gustavo BNG 10/02/2013 18:56:16

Isso inclui eliminar leis sobre salário mínimo e permitir a contratação de mão de obra estrangeira, o que ampliaria a atratividade de investimentos hoje considerados inviáveis.

Responder
Randalf 10/02/2013 19:47:13

É natural que nessas zonas não hajam hospitais mas centros de saúde, não hajam universidades mas escolas, não haja auto-estradas mas apenas ruas. Não será essa a melhor alocação dos recursos? Será que era produtivo colocar hospitais, shoppings, universidades, auto-estradas, aeroportos, teatros, cinemas nessas regiões pobres?

A questão dos aeroportos serem deficitários (eu não sei do brasil, eu sou português), mas talvez porque são governados pelo sector público, ou então o mercado está a dizer que o aeroporto é muito grande para o que é necessário, por isso, devem fornecer menos serviços (menos viagens, menos aviões, menos empregados, enfim menos despesa).

Para além disso, as zonas não são atractivas apenas se tem muito consumo ou não, mas pelo consumo que poderá ter. Estradas são um exemplo, elas não só pretendem servir a população já existente (e o comércio já existente), mas também facilitar que mais comércio e investimento se estabeleça na região. Ora, assim torna o investimento inicial rentável.

Espero ter respondido.

Responder
joao 26/02/2013 12:16:01

Obrigado ao Randalf e ao TL. A questão dos aeroportos em regiões pobres/pequenas sempre me foi interessante. Eu não havia pensado que a própria interferência estatal coíbe o surgimento de aeroportos privados para suprir a demanda existente, e os públicos são péssimamente administrados (pelos motivos expostos aqui no IMB).

Tudo isso surgiu do fato observado na minha cidade natal. Ela é pequena (100 mil hab), porém o seu aeroporto passou a receber os vôos da cidade grande mais próxima (500 mil hab, fica a 88km) porque o seu aeroporto estava em reformas. Foi interessante constatar que os vôos nunca tinha baixa taxa de ocupação, apesar de todos daqui pensarem que, por sermos uma pequena cidade próxima de grandes centros não haveria demanda suficiente para sustentar os vôos.


Agora se nesse ambiente tão sujeito à ingerência estatal isso foi possível, imagina sob o livre-mercado? Ainda mais depois do exemplo do Alasca, eu fiquei muito entusiasmado!

Por fim, sobre a lógica de prover infra-estrutura mínima em regiões paupérrimas: é, de fato cairíamos na falácia do Hazlitt... tiramos recursos de um grupo para favorecer um outro. Enquanto os moradores daquela região teriam boa infra-estrutura, várias pessoas empobreceriam por causa disso. Agora entendo a expressão "empreendimento SOCIALMENTE sustentável".

A solução? Bom, adequar os empreendimentos ao potencial da região e no pior caso, as pessoas deveriam emigrar(?).

Responder
Vinicius Costa 10/02/2013 20:05:37

Luis, entendo a sua pergunta e tenho certeza que o livre mercado não atenderia 100% do território brasileiro. A questão é: Essas pessoas estão sendo atendidas pelo sistema público?

Pegue o caso da saúde por exemplo. Nessas áreas que você mostra a sua preocupação, é comum que os moradores, quando ficam doentes, precisem viajar quilômetros de distância em estradas de terra para serem consultados em hospitais precários. Isso mostra que nem o estado consegue garantir que todas as pessoas possam ser atendidas em condições satisfatórias.

Agora, em um sistema de livre mercado, essas mesmas pessoas teriam melhores condições de deixaram suas casas em terras improdutivas para melhorarem de vida em outros lugares.

Responder
Rodrigo D. 10/02/2013 20:03:57

Aeroporto deficitário? É só dimenciona-lo ao tamanho da demanda. O custo fica sob controle e dá lucro. Fácil de fazer, qualquer adiministrador de padaria sabe disso. O mesmo vale para quase tudo. Todas essas operações serão lucrativas e eficientes se o governo deixar os empreendedores em paz.

Responder
Bright 11/02/2013 11:06:57

Qualquer empreendimento deficitário, por definição, é dispensável. Simples assim.

Se aeroportos não são capazes de auferir lucros, seja qual for o motivo, significa que eles não devem existir. Significa que nenhum suposto benefício de mantê-los abertos justifica o custo de mantê-los.

Pensar de qualquer outra forma significa dizer que pessoas terão de ser roubadas para manter o tal aeroporto aberto. Pessoas que jamais andarão de avião na vida inteira terão de pagar para manter o tal monstro de pé, o que significa, em última análise, que tais pessoas ficaram mais pobres a troco de nada.

Algumas pessoas dirão que os aeroportos são deficitários por causa dos impostos. Ou por causa do sistema de concessão. Isso é irrelevante. Se eu sou um empresário do ramo, e um determinado país é incapaz de me auferir lucros por causa dos impostos, eu devo me retirar deste país e investir em outro. Este país, que está adotando custos proibitivos para seus empresários, necessariamente, tem que quebrar, para, assim, emitir sinais para seus governantes que a política está errada.

Responder
Rodrigo 05/03/2013 18:16:41

E se os donos de uma rua privada impedir o livre transito das pessoas? E se eles impedir a passagem de bombeiros ou ambulância, por exemplo?

Responder
Pedro Evandro Montini 11/07/2013 02:40:39

Acredito que no caso das ruas urbanas a melhor solução seria a transferência da gestão para os próprios moradores e donos dos imóveis (incluindo as indústrias).

Explicando: os próprios moradores se organizariam em associações de bairro para decidir como administrar toda a região onde moram ou trabalham. Isso incluiria não só a manutenção das ruas e calçadas, mas também a coleta de lixo, a segurança, os cuidados paisagísticos, o controle de pragas, o fornecimento de eletricidade, o saneamento básico e o próprio desenvolvimento imobiliário futuro. Algo muito próximo a um condomínio fechado atual. Não acredito que vingaria a simples "venda" das ruas e avenidas. Elas ficariam sob cuidados dos próprios moradores.

Em alguns casos - e acho que essa seria a tendência natural do mercado - surgiriam empresas especializadas na terceirização da gestão urbana privada. Essas empresas já teriam seus próprios contratos com as mais variadas empresas especializadas em cada tipo de serviço demandado. A remuneração dessas administradoras adviriam das mensalidades pagas pelos moradores. (Eventualmente alguns podem se negar a pagá-las. Neste caso, serviços individualizados como a coleta de lixo seriam cortados, embora continuassem a usufruir de outros coletivos, como o controle de pragas da região)

Acredito neste modelo, não só porque seria o mais lógico, mas também porque seria o mais aceitável pela maioria do que "vender ruas". Além disso, o custo de se pagar por um "pacote fechado" de serviços seria bem menor do que contratá-los avulsamente.

Outra coisa muito importante e, acredito também, muito positivo: as pessoas se obrigariam a exercer mais as suas relações sociais e a cidadania com os demais moradores, pois passariam a conversar mais sobre as necessidades do lugar onde moram. Até isso a presença dos governos (do municipal ao federal) destruiu.

p.s.: esse comentário também fiz no artigo abaixo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=302

Responder
Pedro Ivo 11/07/2013 12:17:54

Caro Pedro Evandro Montini. Comentando sua postagem: "Acredito que no caso das ruas urbanas a melhor solução seria a transferência da gestão para os próprios moradores e donos dos imóveis (incluindo as indústrias)." - "Acredito neste modelo, não só porque seria o mais lógico, mas também porque seria o mais aceitável pela maioria do que "vender ruas"." - Discordo que este modelo seja mais 'lógico' porque mais 'aceitável'. Ainda que haja muita resistência à venda das ruas, as arengas valorativas que as pessoas fazem são um fato, mas dar-lhes ouvidos ou valor é uma escolha. E seria péssima escolha, como o atual modelo (modelo político, em que a propriedade privada é relativizada às pressões extra-econômicas) já o mostra, ao dar voz a toda forma de bravata. Uma das características de qualquer gestão profissional é levar em conta soluções não com base em estas massagearem ou ferirem os preconceitos da plebe, mas em eficiência e exequibilidade.

O modelo de entrega aos moradores vai funcionar mui bem em zonas que as vias sejam usadas quase que somente pelos habitantes dali (tais vias não são a ligação entre zonas das cidades, mas apenas a parte final do trajeto, em que as pessoas terminam de chegar em suas residências). Nestes casos, bairros que funcionam apenas residencialmente, e não como rota de ligação na cidade, tenderão a se tornarem condomínios, uns mais outros menos fechados. Mas as vias que fazem ligação entre partes da cidade, estas terão sim de serem privatizadas e pedagiadas. 1º porque a manutenção delas é mais cara dado o trafego intenso; 2º porque o nº de usuários é tão grande e não-fixo (ao contrário de um condomínio ou bairro, em que os usuários são um nº fixo e fechado); 3º porque são um tremenda oportunidade econômica (administrar um condomínio ou bairro é um negócio pequeno, para empresas pequenas e medias. Não envolve grandes somas de capital, pois a estrutura já esta pronta e só demanda manutenção. Uma via de grande tráfego é uma demanda outra natureza e magnitude); que sentido faz entregar um empreendimento desses aos delírios igualitários do senso comum? Quem não gostar de propriedade privada e preferir propriedade compartilhada que se mude para Cuba.


Responder
anônimo 14/08/2013 18:06:00

Qual a diferença disso para o feudalismo?

Responder
Eduardo Bellani 14/08/2013 20:50:03

Em uma palavra? Justiça.

Responder
Pedro Ivo 14/08/2013 21:03:18

qual a diferença "do q" p/ feudalismo? de cidades inteiras privadas, ou de uma cidade em q várias empresas são donas de ruas, transmissão elétrica e de água, coleta de lixo, etc..

Lembrando que feudalismo, grossíssimo modo (mas grossíssimo modo mesmo), é um sistema em que os servos estavam vinculados aos senhores de terra por um contrato de servidão em troca do direito de habitar o feudo. As cidades (burgos), via de regra, não eram parte do feudo, mas independentes a este (ainda que estivessem cercadas pelo(s) feudo(s)). Seus cidadãos não eram servos do feudo. - Aliás, estes burgos eram ótimos exemplos de cidades privadas (tinham leis próprias, tribunais particulares; regras para decidir quem podia ser habitante, eleitor, prefeito e conselheiro [morar não era garantia de poder eleger, e poder eleger não era garantia de poder ser eleito - isso variava bastante de burgo p/ burgo]; algumas estavam vinculadas ao imperador, outras ao príncipe, putras ao barão, etc.)

O fato é que cada local da Europa tinha um modelo de feudalismo. O feudalismo na Inglaterra era distinto de Portugal, ou da Transilvânia. Para você ter uma ideia da colcha de retalhos que o feudalismo podia ser, leia "A Bruxa de Kepler", biografia do astrônomo Johanes Kepler. Nela você verá como era o feudalismo da Áustria-Hungria e Sacro Império Romano Germânico.

Responder
joao 15/08/2013 02:46:42

Me perguntaram a mesma coisa: qual a diferença do ancap pro feudalismo?

Primeiro que o feudalismo não era uma sociedade de contratos voluntários. Segundo, e em consequencia do primeiro, não havia uma liberdade individual decente.


Outra coisa a agregar no debate contra estatistas: dizem que foi graças ao ESTADO que o comércio floresceu e assim chegamos à Renascença. A burguesia APOIOU o fortalecimento estatal para o mesmo proteger os comerciantes e padronizar regras que facilitavam o comércio.

Isso é o que aprendemos na escola. Na verdade, a padronização de regras comerciais já existia bem antes da centralização estatal. Grandes mercadores e feiras comerciais perceberam que era importante ter um conjunto de leis mais padronizado. Um exemplo é a Lex Mercatoria.

Os estados se fortaleceram DEPOIS do florescimento comercial, e no processo eles ainda espoliaram muitos comerciantes (veja Filipe, O Belo). Onde o comércio era mais vigoroso era numa região descentralizada: o norte da Itália.

Responder
Sérgio 15/08/2013 04:37:13

Mais mitos sobre a Idade Média e o feudalismo.

"Primeiro que o feudalismo não era uma sociedade de contratos voluntários. Segundo, e em consequencia do primeiro, não havia uma liberdade individual decente."

Mais um mito. O camponês medieval era considerado uma pessoa revestida de alguns direitos civis básicos, como o de possuir bens, casar, de assinar contratos e de deter uma parte dos bens que possuía. E o senhor feudal não podia expulsar os servos da terra. Diferentemente do escravo romano e grego, que era tratado como uma coisa, o camponês medieval procurava a proteção de um nobre, justamente porque este era o poder político da época. O nobre, através do uso das armas, garantia a segurança do povoado e defendia a comunidade. Tinha o dever de fazê-lo. Por isso cobrava tributos.

Recomendo ler estes texto:

archive.lewrockwell.com/goodwin/goodwin28.1.html

Ademais, havia muito mais liberdade individual do que hj. Hj nós pagamos muito mais impostos do que o camponês medieval. Também há muito mais barreiras e entraves burocráticos que na Era Medieval. Hj, há quase uma fusão entre "1984" e Admirável Mundo Novo. E ainda achamos que somos "livres".

Responder
César 24/08/2013 22:50:32

Uma coisa que o Olavo falou e foi muito sensato, no bate-papo recente que ele teve com o Lobão foi justamente sobre isso. Os libertários querem privatizar tudo e, não é assim que as coisas funcionam.

Primeiro, porque tem serviços que devem ser públicos pela sua própria natureza. O exemplo disso é a Segurança, por exemplo. Não é possível simplesmente colocar pessoas de fora do Estado nesta função. Não seria possível já que é uma função que não visa lucro.

Acho que esta lógica se aplica no saneamento também. Tratamento e distribuição de água só são lucrativos quando os clientes são empresas (indústrias), mas abastecimento doméstico, o custo é muito alto, o retorno é baixo e ocorre muito problema. Só lembrando que a água é subsidiada pelo governo na maioria dos lugares, por isso a conta de água não é muito alta. Sendo a água um bem da humanidade, o que é cobrado é somente o serviço de tratamento d'água e levar até a casa do contribuinte. Se fosse uma empresa privada visando o lucro, não pode simplesmente cortar a água de uma pessoa que não pagou, por razões óbvias de dignidade. Como deixar uma pessoa sem ter o que beber, sem tomar banho e sem ter como cozinhar alimentos ou lavar roupas?

O problema dos libertários é justamente esta ânsia que eles tem de querer privatizar tudo e achar que não deve existir NENHUM tipo de funcionário público ou serviço público. Seria muito mais eficaz se vocês entrassem no governo em cargos estratégicos e usassem a influência para batalhar por um Estado Mínimo, coisa que, aliás, os marxistas já fazem, eles sempre se infiltram em locais onde o poder está constituído.

Outra coisa também, eu trabalho na iniciativa privada. Claro que os empresários são impiedosamente extorquidos pelo governo, mas por outro lado também, há muito "empreendedor" que se acha a última bolacha do pacote só porque tem um negocinho, gosta de contar vantagem, humilhar e ofender os funcionários, etc. Isso sem falar na ingerência. Não sei se é o fato de o Brasil ser um país de tradição escravagista e ter abolido a escravidão muito depois dos outros países, mas aqui no Brasil vc é contratado para fazer uma função e acaba fazendo 5 ou 10 funções, muitas delas mais bem remuneradas do que a função na qual vc está registrado na carteira. E se vc não aceita fazer, o patrão simplesmente chuta teu rabo e vai atrás de outro que aceite fazer.

Outra coisa também, enquanto na maioria dos países de Primeiro Mundo, a terceirização da mão-de-obra visa otimizar os processos colocando os mesmos nas mãos de pessoas especializadas para tal; no Brasil, a terceirização visa baixar os salários e os custos com a mão-de-obra.

Responder
Cassim (Pseudônimo) 25/08/2013 00:24:06

Perdoe-me, César.
Parei de ler quando disse que a segurança não pode ser privada porque busca o lucro. Por favor, não entenda a ironia que colocarei a seguinte como uma grosseria, é que não há nenhuma forma melhor de lidar com este assunto. Bem-vindo à sessão e por favor, volte para novos questionamentos.

Entre tantas coisas mais complexas de privatizar(Como o setor energético, onde sendo engenheiro elétrico, reconheço algumas dificuldades mas vivo tendo ideias), impressionei-me com o alarme logo sobre a afirmação normativa de que a segurança não pode ser privada e rapidamente tive uma epifania: A segurança do shopping deve ser, até hoje, uma anomalia do espaço e tempo; assim como aquela do condomínio e a loja. Assim como sua eficiência, a prestatividade de seus funcionários e sua educação para com os que habitam o local; deve ter sido até hoje miragem em minha cabeça liberal.

Mais seguro estarei entregando o monopólio da segurança à uma instituição que deve nada a absolutamente ninguém, não depende da aprovação de qualquer consumidor e que por tal motivo, seu funcionalismo não opera para a satisfação daqueles que recebem os serviços prestados por esses; mas sim para si mesmos e seu sistema.

Tal instituição que monopolizará o serviço de segurança e o sustentará independendo da satisfação de qualquer pessoa também será famosa por sua honestidade: Mesmo obtendo dinheiro através da coerção ao invés de trocas voluntárias e mesmo não possuindo um patrão para garantir que seu capital(No caso, será dinheiro tirado da população) não seja saqueado por funcionários oportunistas e traidores, os gerentes desta segurança pública que não almeja o lucro deverão ser líderes honestos, capazes e famosos por sua produtividade em detrimento de sua capacidade de "amigar-se" aos que estarão por cima nesta nobreza do paraíso. Não é estranho que em uma instituição onde a conivência para com a corrupção dos mais poderosos(Que não dependem de produzir nada para terem seus cargos) é a lei da sobrevivência dos mais fracos e não há se quer um burguês safado que tenha interesse em fazer o serviço funcionar

Quem precisa de lucro para fazer um serviço funcionar, afinal?! A única coisa que ele faz é alocar recursos racionalmente e incentivar o empreendedor a oferecer o produto mais adaptado à demanda dos consumidores. É frescura liberal. Ontem mesmo conheci um generoso funcionário desta corporação divina que fez questão de me lembrar com um arranhão na porta do carro de que "civil não deve se meter onde não é chamado". É apenas estranho para mim, porque o garçom que é controlado pelo lucro não suja minha camisa caso não goste de mim arbitrariamente.

Nem precisamos pensar em polícia e em militarização para vermos a maravilha que é nossa segurança livre do maligno lucro, os serviços públicos completamente CIVILizados já são espetáculos de tal vida. Educação então, nem se fala; o sindicato substitui o batalhão a garantia permanente, a frequência com que sindicâncias e pedidos na corregedoria desaparecem por força divina nas investigações institucionais da corporação.

É a realidade, companheiro. Agora, ironias à parte, amigo; creio que sua conclusão foi muito diferentemente do que o Olavo de Carvalho tenha tentado dizer. Reconheço que esse indivíduo é bom, porém não é o maior pensador de todos os tempos; mas culpar o lucro por ineficiência é negação mais que ontológica da realidade. Tenho sérias dúvidas de que ele tenha dito algo assim. Se houver dito, melhor trocar o terno pela camisa do Che Guevara e comprar a nova edição luxo de "O Capital - 1º Volume" de 59 reais, além de conseguir alguns livros do Eric Fromm, Horkheimer e Paulo Freire para "enriquecer" o arcabouço revolucionário.

(Novamente, perdão caso o tom desta réplica tenha sido ofensivo. Insisto que o sarcasmo é a forma mais eficiente de responder ao enunciado)

Responder
joao 25/08/2013 01:23:31

Vamos lá:

Primeiro, porque tem serviços que devem ser públicos pela sua própria natureza. O exemplo disso é a Segurança, por exemplo. Não é possível simplesmente colocar pessoas de fora do Estado nesta função. Não seria possível já que é uma função que não visa lucro.

Acho que esta lógica se aplica no saneamento também. Tratamento e distribuição de água só são lucrativos quando os clientes são empresas (indústrias), mas abastecimento doméstico, o custo é muito alto, o retorno é baixo e ocorre muito problema. Só lembrando que a água é subsidiada pelo governo na maioria dos lugares, por isso a conta de água não é muito alta. Sendo a água um bem da humanidade, o que é cobrado é somente o serviço de tratamento d'água e levar até a casa do contribuinte. Se fosse uma empresa privada visando o lucro, não pode simplesmente cortar a água de uma pessoa que não pagou, por razões óbvias de dignidade. Como deixar uma pessoa sem ter o que beber, sem tomar banho e sem ter como cozinhar alimentos ou lavar roupas?


Você falou de segurança e saneamento. E depois usou o velho argumento marxista de que a NECESSIDADE justifica o roubo.

No mundo real, fora do Jardim do Éden, bens são escassos, incluindo a tubulação de água tratada. Se um usuário do sistema tem seu consumo subsidiado, alguém está pagando a mais pelo seu consumo. E geralmente esse pagamento a mais não é voluntário. Traduzindo: forçam A a pagar parte do consumo de B, porque B é um coitadinho. Roubo. Se não fosse, você não poderia se revoltar quando for assaltado por algum ladrão mais pobre que você, afinal, ele precisa comer, pagar a escola dos filhos, comprar TV, roupas, aluguel e tal. Ele tem necessidades, e você tem recursos. É isso que você defende? O libertário é contra a agressão a pessoas pacíficas, como no caso de roubo. É isso que você acha estranho?

Ademais, sobre privatização da Segurança e Saneamento o IMB já tratou disso bem antes da sua dúvida aparecer:

Desestatizando ruas, segurança e estradas.

Serviços de Defesa no livre mercado

A produção privada de serviços de segurança

Como privatizar serviços de Infra-estrutura

Só depois que você ler esses artigos - se já não leu antes - volte e refute cada argumento, precisamente. Nada de dizer: "serviço X não pode ser privado porque não visa lucro". Queremos os motivos disso.




O problema dos libertários é justamente esta ânsia que eles tem de querer privatizar tudo e achar que não deve existir NENHUM tipo de funcionário público ou serviço público. Seria muito mais eficaz se vocês entrassem no governo em cargos estratégicos e usassem a influência para batalhar por um Estado Mínimo, coisa que, aliás, os marxistas já fazem, eles sempre se infiltram em locais onde o poder está constituído.

Queremos privatizar tudo pelo motivo exposto acima: não existe propriedade "pública". Recursos públicos nada mais são que dinheiro retirado à força de você e de toda a população pacífica. Isso não é certo nem aqui, nem aí. E ainda por cima é ineficiente.


Outra coisa também, eu trabalho na iniciativa privada. Claro que os empresários são impiedosamente extorquidos pelo governo, mas por outro lado também, há muito "empreendedor" que se acha a última bolacha do pacote só porque tem um negocinho, gosta de contar vantagem, humilhar e ofender os funcionários, etc. Isso sem falar na ingerência. Não sei se é o fato de o Brasil ser um país de tradição escravagista e ter abolido a escravidão muito depois dos outros países, mas aqui no Brasil vc é contratado para fazer uma função e acaba fazendo 5 ou 10 funções, muitas delas mais bem remuneradas do que a função na qual vc está registrado na carteira. E se vc não aceita fazer, o patrão simplesmente chuta teu rabo e vai atrás de outro que aceite fazer.

Outra coisa também, enquanto na maioria dos países de Primeiro Mundo, a terceirização da mão-de-obra visa otimizar os processos colocando os mesmos nas mãos de pessoas especializadas para tal; no Brasil, a terceirização visa baixar os salários e os custos com a mão-de-obra.


Sabe porque o empregado é sobrecarregado de funções, e ganha tão pouco? Por causa das leis trabalhistas, especialmente salário-mínimo.

O empregador não pode contratar um número suficiente de empregados se o seu "preço" está acima do valor que eles podem produzir. Quem produz mais que o valor do mínimo, é contratado e sobrecarregado.

E porque o empregado vale tão pouco ao patrão? Porque há um exército de reserva (parafraseando alguém detestável) formado pelo salário mínimo. Se não fosse essa maravilhosa LEI ESTATAL, os salários se igualariam à demanda e não haveria desemprego involuntário. Não haveria tanta gente caçando emprego e isso faria os patrões concorrerem por empregados.

O IMB tem vários artigos sobre salário mínimo e legislações trabalhistas, aqui estão alguns:

Salário mínimo, estupidez máxima
Um tratado sobre empregos e desempregados

Leia os artigos e volte com opiniões concretas e específicas. Abraço.

Responder
Renato Souza 25/08/2013 13:53:44

Não creio em segurança privada, principalmente segurança externa. Creio em educação privada, saneamento privado, saúde privada. Os meus argumentos são totalmente diferentes dos comumente utilizados.

Imagine-se um território libertário, com algumas centenas de quilômetros de diâmetro. Dentro desse território, e nada é público, tudo é privado. Não só as áreas dos "terrenos", mas também todas as ruas, praças, acesso, etc. Imagine-se um governo agressivo vizinho a esse território, tentando conquista-lo. Imagine que eu sou o dono de uma determinada rua. Há ruas vizinhas que tem vários donos, há ruas que são propriedades de seus moradores. Eu, como muitas pessoas, comprei mais de uma rua, que não são contíguas, afinal, comprei aquelas que representavam melhor oportunidade de negócios. Cada proprietário de rua assinou contrato (ou não) com a empresa de segurança externa que lhe pareceu melhor, e o que é melhor para mim não é o melhor para outras pessoas. Há um grande número de empresas de segurança externa, cada uma seguindo suas próprias estratégias. Ocorre que espalhar um exército por determinadas ruas, estradas e campos de um terrítório, sendo impedido de operar em outras ruas, estradas e campos, não é uma estratégia de defesa viável. O exército invasor não faz essa diferença, e avança pelos campos do fazendeiro que tem contrato com a empresa A, para os campos do fazendeiro que tem contrato com a empresa B. Os teatros de operações tem seu tamanho determinado pelas condições reais dos locais e dos exércitos envolvidos, e não por contratos particulares. Dependendo do tipo de terreno, a profundidade estratégica para defender um determinado território pode ser de 20, 30 quilômetros, ou até mais. O inimigo não considera os contratos, ele toma as posições que lhe parecem mais estratégicas, que podem abranger as propriedades de centenas de milhares de pessoas. E os inúmeros exércitos defensores, se não quiserem ser arrasados, terão de avançar (ou recuar) por terrenos, dependendo do seu valor estratégico ou de acesso aos pontos estratégicos, bombardeando o inimigo sempre que for necessário, onde quer que ele se encontre. A população das áreas de fronteira, sempre que tiver tempo para isso, fugirá por estradas ou campos, para não cair prisioneira, abarrotando as áreas mais distantes. E não poderá ser expulsa pelos proprietários (e todas as áreas tem proprietários) porque qualquer área contígua a onde ela esteja também tem proprietários.

Note que a base legal para a operação de cada exército liga-se a áreas privadas específicas, mas eles não podem ficar presos a isso, se não quiserem ser destroçados. Pode ser que as muitas empresas façam um acorde de emergência, escolhendo um general (talvez um freelancer) e subordinando todos (ou muitos) exércitos a ele. Mas então como eu saberei a qualidade do serviço que contratei? A defesa efetiva do território foi executada por um pool de exércitos, sob comando único de um general, que utilizou os diversos recursos de muitas empresas conforme foi mais útil ao seu trabalho, reunindo ou espalhando tropas de muitas empresas, conforme a necessidade. Eu não recebi um serviço para mim, mas centenas de milhares (ou até milhões) de pessoas receberam conjuntamente o serviço (se a defesa foi efetiva e os invasores foram derrotados). Se eu tivesse comprado um serviço de internet, poderia dizer ao meu vizinho "o serviço que recebo não é tão bom quanto o seu, acho que vou mudar de operadora". Mas eu havia contratado um serviço para que minhas propriedades não caíssem nas mãos de um inimigo externo (e eu não fosse morto, ferido ou coagido por uma força estrangeira). O serviço foi feito, mas eu não sei quem o fez, não sei se a minha empresa era boa ou não, não entendo de estratégias e equipamentos militares, nem de treinamento de tropas. Tudo o que sei é que, sob o comando do general X, um grande pool de empresas consegui efetuar a defesa. Meu vizinho pagou menos que eu para a empresa de defesa dele, mas eu não sei se a minha foi mais efetiva no cômputo geral. Na verdade, talvez ninguém saiba. Se não há base de comparação da qualidade de serviço, não há mercado verdadeiro.

Diferentemente do que pensam os ancaps, essa foi a real causa da unificação dos comandos defesa das tribos, aldeias, cidades e territórios (porque o território de cada cidade incluía áreas ruais sob sua jurisdição e defesa). O comando de defesa é unificado, não porque um grupo maquiavélico resolveu mandar em tudo, mas porque é indivisível. O tamanho e forma do território atendia não só ao aspecto econômico, mas também ao aspecto militar. Cidades que não tivessem um território defensável eram logo tomadas. Você não podia contratar seu próprio sistema de defesa, da mesma forma que você não pode contratar uma empresa diferente de água e esgoto dentro do seu prédio. Se, sob certo aspecto, uma área contendo muitos proprietários diferentes, tem de ter um serviço unificado, naquele aspecto ela é um condomínio. E, portanto, tem uma estrutura política.

Responder
Anarcofóbico 25/08/2013 15:33:19

Exato! E se aliens invadirem nosso território?!! Certamente, temos um exército ultra poderoso pertencente ao estado que poderá muito bem retaliar qualquer força invasora.... O exército brasileiro, por exemplo, é referência universal. Exatamente por isso, a Suíça foi totalmente devastada e conquistada por Hitler, pq ela não tinha um exército preparado, apenas cidadãos com alguns rifles escondidos nos alpes...

Além disso, o setor privado é totalmente incompetente para traçar planos que visem os mesmos objetivos. Provavelmente, burocratas iluminados saberão melhor como lidar com TODO o território.

E muito forte o seu argumento, se um dia as pessoas se reuniram pra ter estado, então certamente elas estão corretas e devemos ter estado pra sempre!!

Viva o estado! The King do no wrong!

Responder
Anarcofóbico 25/08/2013 14:51:00

Exatamente, César!! Esses libertários viajam na maionese! Obviamente, não haveria ninguém para fazer o empresário cumprir o contrato para com seu funcionário, como um tribunal privado. E realmente, pobre funcionário, de todas as opções que ele poderia ter, foi obrigado a trabalhar para esse inescrupuloso empresário, que cobra resultados. certamente, ele não pode escolher por entre as milhares de empresas espalhadas por aí. Ou seja, anarquia seria uma bagunça total, afinal, nada de tribunais privados, segurança privada e nem água, pois o setor privado é muito ineficiente e não saberia a arte do saneamento...

Responder
Renato Souza 25/08/2013 20:41:53

Uma coisa deve ficar clara. A Suíça tinha e tem um exército estatal. É verdade que países com grande liberdade de auto-defesa dos cidadãos (liberdade de posse e porte de armas) tem um histórico excelente de vencer guerras de auto-defesa contra inimigos mais numerosos e melhor armados (Israel na guerra de independência e Finlândia na guerra com na URSS) ou de inibir o ataque (Suíça na II Guerra). Mas isso é diferente da não existência de um exercito oficial.

Essa questão de defesa em larga escala implica em teatros de operação grandes. Mesmo que imaginássemos um mundo em que a maioria das cidades fossem independentes entre si, elas teriam de formar confederações voluntárias para autodefesa contra inimigos de maior peso. Nessas questões, eficiência não basta, é preciso tamanho, profundidade estratégica.

Responder
joao 26/08/2013 20:50:42

Do comentario no artigo: "A sociedade nao precisa de dirigentes"

From Practical
Anarchy
:

Collective Defense: An Example of Methodology

Ideally, invasions should be prevented rather than repelled, just as illnesses should be prevented rather than cured.

The strongest conceivable case for anarchism is that a stateless society would by its very nature prevent invasion, rather than merely possess the ability to violently repel it.

So first, before we figure out how to repel an invasion, let us look at what an invasion is actually designed to achieve.

Why Invade?

Let us imagine a land where there are two farms, owned by Bob and Jim respectively. Bob is a rapacious and nasty fellow, who wishes to expand his farm and make more money.

To the east of Bob is Jim's farm, which is tidy, efficient, and productive, with a wide variety of cows and chickens and neatly-planted fields.

To the west of Bob is an untamed wilderness full of bears and wolves and coyotes and mosquitoes and swamps and all other sorts of unpleasant and dangerous things.

From the standpoint of mere practical considerations, how can Bob most efficiently expand his farm and increase his income?

Surely it would be to invest in a few guns, head east, and take over Jim's farm. For a very small investment, Bob ends up with a functioning and productive farm, ready to provide him with milk, eggs and crops.

On the other hand, Bob could choose to go west, into the untamed wilderness, and try to cull a number of dangerous predators, drain the swamps, hack down and uproot all the embedded trees and bushes. After a year or two of backbreaking labor, he may have carved out a few additional acres for himself – an investment that would scarcely seem worth it.

If Bob wants to expand, and cares little about ethics, he will "invade" Jim's farm and take it over, because he will be taking command of an already-existing system of exploitation and production.

Thus, we can see that the act of invading a neighboring territory is primarily motivated by the desire to take over an existing productive system. If that productive system is not in place, then the motivation for invasion evaporates. A car thief will never "steal" a rusted old jalopy that is sitting up on bricks in an abandoned lot, but rather will attempt to steal a car that is in good condition.

This analysis of the costs and benefits of invasion is essential to understanding how a stateless society actually works to prevent invasion, rather than merely repel it.

When one country invades another country, the primary goal is to take over the existing system of government, and thus collect the taxes from the existing citizens. In the same way that Bob will only invade Jim's farm in order to take over his domesticated animals, one government will only invade another country in order to take over the government of that country, and so become the new tax collector. If no tax collection system is in place, then there is no productive resource for the invading country to take over.

Furthermore, to take a silly example, we can easily understand that Bob will only invade Jim's farm if he knows that Jim's cows and chickens are not armed and dangerous. To adjust the metaphor a little closer to reality, imagine that Jim has a number of workers on his farm who are all ex-military, well-armed, and will fight to the death to protect that farm. The disincentive for invasion thus becomes considerably stronger.

In the same way, domestic governments generally keep their citizens relatively disarmed, in order to more effectively tax them, just as farmers clip the wings of their geese and chickens in order to more efficiently collect their eggs and meat.

Thus the cost-benefit analysis of invasion only comes out on the plus side if the benefits are clear and easy to attain – an existing tax collection system – and if the costs of invasion are relatively small – a largely disarmed citizenry.

In a very real sense, therefore, a stateless society cannot be invaded, because there is really nothing to invade. There are no government buildings to inhabit, no existing government to displace, no tax collection system in place to take over and profit from – and, furthermore, there is no clear certainty about the degree of armaments that each citizen possesses (don't worry, we will get into gun control later…).

An invading country can be very certain that, if it breaks through another government's military defenses, it will then not face any significant resistance from the existing citizenry. A statist society can be considered akin to an egg – if you break through the shell, there is no second line of defense inside. Invading governments are well aware of the existing laws against the proliferation of weapons in the country they are invading – thus they are guaranteed to be facing a virtually disarmed citizenry, as long as they can break through the military defenses.

Invading Anarchy

Let us imagine that France becomes a stateless society, but that Germany and Poland do not. Let us go with the cliché and imagine that Germany has a strong desire to expand militarily. The German leader then looks at a map, and tries to figure out whether he should go east into Poland, or west into France.

If he goes east into Poland, then he will, if he can break through the Polish military defenses, be able to feast upon the existing tax base, and face an almost completely disarmed citizenry. He will be able to use the existing Polish tax collectors and tax collection system to enrich his own government, because the Poles are already controlled and "domesticated," so to speak.

In other words, he only has one enemy to overcome and destroy, which is the Polish government's military. If he can overcome that single line of defense, he gains control over billions of dollars of existing tax revenues every single year – and a ready-made army and its equipment.

On the other hand, if he thinks of going west into France, he faces some daunting obstacles indeed.

There are no particular laws about the domestic ownership of weapons in a stateless society, so he has no idea whatsoever which citizens have which weapons, and he certainly cannot count on having a legally-disarmed citizenry to prey on after defeating a single army.

Secondly, let us say that his army rolls across the border into France – what is their objective? If France still had a government, then clearly his goal would be to take Paris, displace the existing government, and take over the existing tax collection system.

However, where is his army supposed to go once it crosses the border? There is no capital in a stateless society, no seat of government, no existing system of tax collection and citizen control, no centralized authority that can be seized and taken over. In the above example of the two farms and the wilderness, this is the equivalent not of Bob taking over Jim's farm, but rather of Bob heading into the wilderness and facing coyotes, bears, swamps and mosquitoes – there is no single enemy, no existing resources to take over, and nothing in particular to "seize."

But let us say that the German leadership is completely retarded, and decides to head west into France anyway – and let us also suppose, to make the case as strong as possible, that everyone in France has decided to forego any kind of collective self-defense.

What is the German army going to do in France? Are they going to go door to door, knocking on people's houses and demanding their silverware? Even if this were possible, and actually achieved, all that would happen is that the silverware would be shipped back to Germany, thus putting German silverware manufacturers out of business. When German manufacturers go out of business, they lay people off, thus destroying tax revenue for the German government.

The German army cannot reasonably ship French houses to Germany – perhaps they will seize French cars and French electronics and ship them to Germany instead.

And what is the German government supposed to do with thousands of French cars and iPods? Are they supposed to sell these objects to their own citizens at vastly reduced prices? I imagine that certain German citizens would be relatively happy with that, but again, all that would happen is that German manufacturers of cars and electronics would be put out of business, thus again sharply reducing the German government's tax income, resulting in a net loss.

Furthermore, by destroying domestic industries for the sake of a one-time transfer of French goods, the German government would be crippling its own future income, since domestic manufacturing represents a permanent source of tax revenue – this would be a perfect example of killing the goose that lays the golden egg.

Well, perhaps what the German government could do is seize French citizens and ship them to Germany as slave labor. What would be the result of that?

Unfortunately, this would not work either, at least not for long, because slave labor cannot be taxed, and slave labor would displace existing German labor, which is taxable. Thus again the German government would be permanently reducing its own income, which it would not do.

Another reason that Germany might invade another country would be to seize control of the wealth of the government – the ability to print money, and the ownership of a large amount of physical assets, such as buildings, cars, gold, manufacturing plants and so on.

However, nothing remains unowned in a stateless society, except that which has no value, or cannot be owned, such as air. There are no "public assets" to seize, and there are no state-owned printing presses which can be used to create currency, and thus transfer capital to Germany. There are no endless vaults of government gold to rob, no single aggregation of military assets to seize.

Furthermore, if we go up to a thief and say to him, "Do you want to rob a house?" what is his first question likely to be?

"Hell I don't know – what's in it?"

A thief will always want to know the benefits of robbing a house – he is fully aware of the risks and costs, of course, and must weigh them against the rewards. He will never scale up the outside of some public housing welfare tenement in order to snag an old television and a tape deck. The more knowledgeable he is of the value of a home's contents, the better he is able to assess the value of breaking into it.

The German leadership, when deciding which country to invade, will know down to almost the last dollar the tax revenues being collected by the Polish government, as well as the value of the public assets they will seize if they invade. The "payoff" can be very easily assessed.

On the other hand, if they look west, into the French stateless society, how will they know what they are actually going to get? There are no published figures for the net wealth of the society as a whole, there is no tax revenue to collect, and there are no public assets which can be easily valued ahead of time. There is no way to judge the cost effectiveness of the invasion.

Invading a statist society is like grabbing the cages of a large number of trapped chickens – you get all of the eggs in perpetuity. Invading a stateless society is like taking a sprint at a flock of seagulls – all they do is scatter, and you get nothing, except perhaps some crap on your forehead.

Thus it is completely impossible that the German leadership would think it a good idea to head west into France rather than east into Poland.

We could leave the case here, and be perfectly satisfied in our responses, but I am always willing to go the extra mile and accept the worst conceivable case.

Let us say that some mad German who was beaten with bagfuls of French textbooks when he was a child ends up running the government, and cares nothing at all about the costs and benefits of invading France, but rather just wishes to take it over in order to – I don't know, burn all the textbooks or something like that.

We will get into the nature and content of private agencies in the next chapter, but let us just say that there are a number of these private defense agencies that are paid to defend France against just such an invading madman.

Well, if I were setting up some sort of private military defense agency, the first thing I would do is try to figure out how I could most effectively protect my subscribers, for the least possible cost.

The first thing that I would note is that nuclear weapons have been the single most effective deterrent to invasion that has ever been invented. Not one single nuclear power has ever been invaded, or threatened with invasion – and so, in a very real sense, there is no bigger "bang for the buck" in terms of defense than a few well-placed nuclear weapons.

If we assume that a million subscribers are willing to pay for a few nuclear weapons as a deterrent to invasion, and that those nuclear weapons cost about $30 million to purchase and maintain every year, then we are talking about $30 a year per subscriber – or less than a dime a day.

The defense agencies only make money if an invasion does not occur, just as health insurance companies only make money when you are not sick, but rather well.

Thus the question that I would be most keen to answer if I were running a defense agency is: "How can I best prevent an invasion?"

Let us assume that the French stateless society is a beacon of liberation in a sea of aggressive and statist nations. The French defense agencies would work day and night to ensure that the costs of invasion were as high as possible, and the benefits as low as possible. Were I running one of these agencies, I would think of solutions along the lines of the following…

Deactivated Money

If I were concerned that my subscribers might be robbed by an invading army, I would offer reduced rates to those willing to allow their electronic money to be secured so that it could not be spent without their own thumb print, or something like that. (Naturally, any system can be hacked, and people can be kidnapped along with their money, but the purpose here is not to prevent all possible workarounds, but rather to simply reduce the material benefits of invading France.)

Similarly, I might offer reduced defense rates to manufacturers that would be willing to allow a small GPS device to be installed in the guts of their machinery, so that if it was removed to another country, it would no longer work. This device could also be included in cars and other items of value, so that they would either have to be used in France, or they could not be used at all.

Given that the control of bridges is a primary military objective, in order to facilitate the movement of troops and vehicles, I would also encourage the installation of particular devices in domestic cars and trucks, which would automatically keep access to bridges open. Thus invading armies would find their access to these bridges much harder, which would again slow down the speed of their invasion.

Furthermore, if invasion seemed imminent, I would arm and train as many citizens as possible. Any invading army would face a quite different challenge in a stateless society. If Germany invades Poland, how many citizens would risk their lives fighting against just another government? Whether a Polish leader taxes you, or a German one, makes relatively little difference – which is why your average citizen does not care much about who runs the local Mafia. Citizens of a stateless society, however, would be resisting an attempt to inflict taxation and a government upon them, and so would be far more willing to fight the kind of endlessly-draining insurgencies that we see so often in the annals of occupation.

These are just a few admittedly off-the-cuff ideas, but it is relatively easy to see how the benefits of invading France could be significantly diminished or even eliminated, while the costs of invading France could be significantly increased or made prohibitive.

The objection could be raised that some lunatic group could simply detonate a nuclear bomb somewhere inside France, for some insane or nefarious motive – but that is not an argument against private defense agencies, and for a statist society, but rather quite the reverse.

The "nuclear madman" argument is not solved by the existence of a government, since no government can protect against this eventuality – however, a free society would be far less likely to be the target of such an attack, since it would have a defensive military policy only, and not an aggressive and interventionist foreign policy, and thus would be infinitely less likely to provoke such a mad and genocidal retaliation. Switzerland, for instance, faces no real danger of having airplanes flown into buildings.

It is my belief that over time, the need for these proactive and defensive strategies would diminish, since the only thing that would really ever be needed is a few nuclear weapons as a deterrent – and even the need for these would diminish over time, since either the world itself would become stateless, thus eliminating the danger of war, or the statist societies would continue to attack each other only, for the reasons mentioned above, and the need to continually defend a stateless society would diminish.

Finally, let's look at some of the illusions that we have about statist "protection" in history, as a demonstration of how we can critically evaluate an example of a statist function.

Statist National "Defense": A Critical Example

Briefly put, "national defense" is the need for a government to protect citizens from aggression by other governments.

This is an interesting paradox, even beyond the obvious one of using a "government" to protect us from "governments." If you were able to run a magic survey throughout history, which government do you think people would be most frightened of and enslaved by? Would it be (a), their local State or Lord, or (b), some State or Lord in some other country? What about ancient Rome – would it be the local rulers, who forced young Romans into military service for 20 years or more, or the Carthaginians? What about England in the Middle Ages? Were the peasants more alarmed by the crushing taxation and strangling mobility restrictions imposed by their local Lord, or was the King of France their primary concern? Let us stop in Russia during the 18th century, and ask the serfs: "Are you more frightened of the Tsar's soldiers, or the German Kaiser?" Let us go to a US citizen of today, and demand to know: "Are you more frightened of foreign invaders taking over Washington, or of the fact that if you don't pay half your income in taxes, your own government will throw you in jail?"

Of course, we have to look at the Second World War, which has had more propaganda thrown at it than any other single conflict. Didn't the British government save the country from Germany? That is an interesting question. The British government got into WWI, helped impose the brutal Treaty of Versailles, then contributed to the boom-and-bust cycle of the 1920s, which destroyed the German middle class and aided Hitler's rise to power. During the 1930s, the British government supported the growing aggression of Hitler through subsidies, loans and mealy-mouthed appeasement. Then, when everything had failed, it threw the bodies of thousands of young men at the German air force in the Battle of Britain. Finally, it caused the deaths of hundreds of thousands more British citizens by defending Africa and invading France, rather than let Nazism collapse on its own – as it was bound to do, just as every tyranny has done throughout history. Can it really be said, then, that the British government protected its citizens throughout the first half of the 20th century? Millions killed, families shattered, the economy destroyed, half of Europe lost to Stalin, and China to Mao… Can we consider that a great success? I think not. Only States win wars – never citizens.

The fact of the matter is that we do not face threats to our lives and property from foreign governments, but rather from our own. The State will tell us that it must exist, at the very least, to protect us from foreign governments, but that is morally equivalent to the local Mafia don telling us that we have to pay him 50% of our income so that he can protect us from the Mafia in Paraguay. Are we given the choice to buy a gun and defend ourselves? Of course not. Who endangers us more – the local Mafia guy, or some guy in Paraguay we have never met that our local Mafia guy says just might want a piece of us? I know which chance I would take.

There is a tried-and-true method for resisting foreign occupation which does not require any government – which we can see being played out in our daily news. During the recent invasion, the US completely destroyed the Iraqi government, and now has total control over the people and infrastructure. And what is happening? They are being attacked and harried until they will just have to get out of the country – just as they had to do in Korea and Vietnam, and just as the USSR had to do in Afghanistan. The Iraqi insurgents do not have a government at all – any more than the Afghani fighters did in the 1980s.

Let's look at the Iraqi conflict in a slightly different light. America was attacked on 9/11 because the American government had troops in Saudi Arabia, and because it caused the deaths of hundreds of thousands of Iraqis through the Iraqi bombing campaign of the 1990s. Given that the US government provoked the attacks, how well were the innocent victims of 9/11 protected by their government? Even if we do not count the physical casualties of the war, given the massive national debt being run up to pay for the Iraq war, how well is the property of American citizens being protected? How much power would Bush have to wage war if he did not have the power to steal almost half the wealth of the entire country? The government does not need taxes in order to wage war; it wages war because it already has the power of taxation – and it uses the war to raise taxes, either on the current citizens through increases and inflation, or on future citizens through deficits.

This simple fact helps explain why there were almost no wars in Western Europe from the end of the Napoleonic Wars in 1815 to the start of World War One in 1914. This was largely because governments could not afford wars – but then they all got their very own Central Banks and were able to pave the bloody path to the Great War with printed money and deficit financing. World War One resulted from an increase in State power – and in turn swelled State power, and set the stage for the next war. Thus, the idea that we need to give governments the power to tax us in order to protect us is ludicrous – because it is taxation that gives governments the power to wage war.

For pacifist countries, this "war" may be a war on poverty, or illiteracy, or drugs, or for universal health care, or whatever. It does not matter. The moment a government takes the power – and moral "right" – to forcibly take money from citizens, the stage is set for the ever-growing power of the State.

The question then arises – how does a citizen keep his property and person safe? The first answer that I would give is another question, which is:

Which sector does more to protect you and your property – the public or the private?
Let's look at the security mechanisms the private sector has introduced in just the past few decades:

- ATMs/credit cards (less need to carry cash);

- Cell phones (can always call for help);

- Call display (virtually eliminates harassing phone calls);

- Sophisticated home security systems;

- ID tracking tags;

- Credit card numeric security;

- Pepper spray;

- GPS;

- Security cameras;

- Anti-shoplifting devices;

- Secure online transactions;

- And much more…

What has the public sector done? Well, they shoot harmless drug users and seize their property. They will shoot you too, if you don't pay the massive tax increases they demand. The police are virtually useless in property crimes – and many violent criminals are turned loose because the courts are too slow, or are put in "house arrest" because the prisons are too full of non-violent offenders.

So, who has most helped you secure your person and property over the past few decades? Your government, or your friendly local entrepreneurs? Those who have stepped in to protect you, or those who have doubled your taxes while letting criminals walk free? Have capitalist companies enraged foreigners to the point of terrorism? Of course not – the 9/11 terrorists attacked the World Trade Center (to protest the financing of the US government), the Pentagon, and the White House. They didn't go for a Ford motor plant or a Apple store – and why would they? No one kills for iPhones. They kill to protest military power, which rests on public financing.

In summation, then, it makes about as much sense to rely on governments for security as it does to rely on the Mafia for "protection." The Mafia is really just protecting you from itself, as are all governments. Any man who comes up to you and says: "I need to threaten your person and steal your property in order to protect your person and property," is obviously either deranged, or not particularly interested, to say the least, in protecting your person and property. As long as we keep falling for the same old lies, we will forever be robbed blind for the sake of our supposed property rights, and sent to wage war against internal or external "enemies" so that those in power can further pick the pockets of those we leave behind.

Responder
Leonardo 26/08/2013 10:53:32

Creio que a ideologia libertária padece de um paradoxo que mina sua própria base. A maioria das pessoas prefere viver sob o jugo do estado porque são ignorantes de seus malefícios, certo? Se essas mesmas pessoas vivessem num mundo sem estados, elas perceberiam que esta seria uma melhor opção, certo? O estado nem sempre existiu, certo? Então por que ele passou a existir? E mais: por que o estado passou a ser uma coisa tão ubíqua, visto que, sendo uma coisa ruim para as pessoas, estas logo descartariam a experiência e voltariam a viver em liberdade?

Responder
Pupilo 26/08/2013 13:35:57

(1) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que as grandes empresas não aceitam concorrer no livre mercado e encarar seus prejuízos, preferindo ser socorridas pelo governo sempre que possível?"

(2) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que as pessoas preferem ganhar dinheiro por meio de privilégios especiais em vez de por meio da produção e do trabalho duro e honesto?"

(3) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que a polícia não quer abrir mão do dinheiro, dos armamentos e de toda a autoridade oriunda da guerra às drogas?"

(4) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que algumas pessoas preferem alcançar seus objetivos por meio da violência, da fraude e do roubo?"

(5) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que os grandes empresários sempre preferem receber subsídios e privilégios, e ainda pedem ao governo que aumente as tarifas de importação?"

(6) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que a classe política prefere viver parasiticamente à custa do trabalhão dos outros e adora exercer seu vasto poder sobre toda a população?"

(7) "Sabemos que lobistas e grupos de interesse conseguem sempre ganhar benefícios especiais porque, ao passo que tais benefícios são concentrados e individualmente significativos, seus custos estão dispersos entre toda a população e são individualmente irrisórios, o que significa que o público em geral não tem nenhum interesse em se organizar contra isso. Um aumento de $0,10 no litro de leite dificilmente estimulará alguém a dedicar sua vida a se opor aos lobistas, mas um ganho extra de $100 milhões por ano em lucros para as empresas envolvidas no lobby certamente é algo pelo qual é válido gastar tempo e esforço.

Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que isso acontece?"

(8) "Se o arranjo que os libertários defendem é tão bom, então por que as pessoas não se esforçam para tentar implantá-lo após terem passado uns 18 anos de sua vida sofrendo lavagem cerebral nas escolas e universidades, ouvindo diariamente sobre o quão maravilhoso e insubstituível é o estado?"

Fonte: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1619

Responder
Leonardo 26/08/2013 14:00:07

Se você reparar bem, minha pergunta não tem um décimo da ingenuidade dessas que você copiou e colou aqui. Eu não perguntei por que não existe um "país libertário", mas por que, de que forma e movido por quais forças o estado se formam em primeiro lugar. É importante responder essa pergunta, pois, a partir dela, outra ainda mais importante se impõe: como garantir que o mesmo processo não ocorra novamente, uma vez atingido o estágio pretendido pelos libertpários?

Responder
Pupilo 26/08/2013 14:55:34

Com uma população fortemente armada... Tanto fisicamente como intelectualmente.

Responder
Leonardo 26/08/2013 18:13:01

Bem, eu duvido que seja possível usar ideias para persuadir todos os que se beneficiam do estado a deixarem de fazê-lo; e, uma vez alcançado o fim dos governos, é difícil dissuadir com ideias quem levaria vantagem em reconstruí-los. A dificuldade seria até maior de que a de tentar convencer um bandido a deixar de cometer crimes.

De vez em quando há uma região do mundo onde deixa de haver governo. Na África mesmo agora há alguns lugares assim, e eu não gostaria de morar nesses lugares.

Responder
Pupilo 26/08/2013 18:37:17

Gostaria de saber que lugares da áfrica não existe governo.

Responder
Leonardo 26/08/2013 19:10:05

Leste da República Democrática do Congo e Sudoeste da Somália, por exemplo. Mas nem é necessário ir tão longe assim.

Responder
Danielbg 26/08/2013 19:24:07

Ah... a Somália!

Anarquia na Somália

Responder
Leonardo 26/08/2013 20:03:47

Agora você me pegou. Como não conheço a Somália, não posso mais opinar. Talvez a Somália esteja melhorando, apesar de um ou outro afirmar que o elevado número de mortes de civis por lá constitua um genocídio. Dadas as circunstâncias, talvez seja melhor para os somalis que ninguém vença a guerra e as coisas continuem como estão, pois nenhuma das facções constituir-se-ia num bom governo de toda forma. Mas o meu ponto é que vácuos de poder causam guerras e mortes. Eu gostaria de saber se houve algum evento na história da humanidade em que o estado faliu e não houve derramamento de sangue até a formação de outro estado.

Responder
anônimo 26/08/2013 20:35:48

Detroit. O que mostra que a situação não é tão simples como você está colocando. Fatores culturais influenciam enormemente, fazendo a diferença entre a prosperidade e a miséria. E fatores culturais demoram décadas, se não séculos, para serem alterados.

Responder
Leonardo 26/08/2013 21:10:03

Detroit? Não entendi. Os Estados Unidos ainda estão longe de perecer.

Responder
anonimo de cima (outro anonimo) 26/08/2013 21:27:10

A questão são os serviços básicos. A cidade não está conseguindo os prover. Empreendedores estão provendo alguns dos serviços que antes eram oferecidos pela prefeitura ( saneamento, segurança, energia ), que não tem mais dinheiro para nada. A "lógica" seria que a cidade estivesse mergulhando num caos. Não está ( mantendo-se as devidas proporções ).

Responder
Leonardo 26/08/2013 22:06:16

Ah... Eu nem sabia que Detroit tinha falido literalmente. Mas a situação não pode se deteriorar tanto por lá por causa da presença das outras esferas de governo, acho. Essas empresas privadas que estão provendo os serviços que antes eram municipais ainda estão sob jurisdição do estado americano.

Responder
errata 26/08/2013 21:10:10

*Questão é uma palavra melhor do que situação para este contexto.

Responder
Lg 26/08/2013 19:04:10

A questão não é convencer um bandido a parar de cometer crimes; Se o risco for baixo e a recompensa alta o bandido não irá parar, NUNCA.
O que precisamos fazer é aumentar o risco, já que a recompensa está sob controle do estado, no entanto o aprisionamento de políticos e funças é inviável pois o governo já desarmou a população para garantir que isso não aconteça. De qualquer forma, não acredito que a liberdade triunfará através de ideias (acho que isso é "wishful thinking" para racionalizar a covardia), a maior parte das pessoas ta cagando e andando pra ideias (nós somos a minoria da minoria da minoria da menor minoria, bem pequena la no menor canto). Ao meu ver a única solução será através de revolução, a única questão é se o conflito vai acontecer antes ou depois do estado tomar controle absoluto e acabar com todos os meios de produção.

Responder
Leonardo 26/08/2013 19:29:10

Bem, achar que os revolucionários resistiriam à tentação de formar um novo governo depois de derrubar o atual é ser tão ingênuo quanto os políticos brasileiros que acharam que os militares iriam devolver-lhes rapidamente o comando do país depois de destituírem João Goulart. A derrubada de um governo pode acabar gerando um vácuo no poder que, antes de ser preenchido, provocaria o derramamento de muito sangue, como muitas vezes comprovado na prática. Eu não sei como escapar dessa regra. Vocês, libertários, já devem ter pensado numa forma de contornar isso, certo?

Responder
anônimo 26/08/2013 19:41:15

Já, inúmeras vezes. Comece por aqui:

www.mises.org.br/Subject.aspx?id=16

Agora você não tem mais desculpa para dizer que não sabe como escapar desta regra.

Este aqui é um bom texto para começar:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1540

Responder
Leonardo 26/08/2013 22:15:55

Cara, li alguns dos artigos e não me convenci. Não dá pra acreditar que as pessoas vão simplesmente se abster de usar a força para conseguirem alguma vantagem. É muita ingenuidade pra mim.

Responder
anonimo de cima 27/08/2013 13:30:01

Leonardo, é exatamente este o ponto. As pessoas vão querer se defender. E vão precisar contratar alguém para fazer isto. Seguranças privados buscando o lucro teriam todo o incentivo ( ao contrário da polícia estatal ) para serem justos e fazer bem o seu trabalho ( manter a paz ), assim buscando serem eficientes e eficazes para manter seu mercado consumidor e não o perder para algum concorrente. Existem inúmeros textos aqui no site falando sobre como o mecanismo de preços é essencial para guiar a atividade humana, e como a falta deste mecanismo é prejudicial e leva a péssimos serviços e à corrupção.

No livre mercado, é justamente a ganância das pessoas que vai manter a paz. Desde que a livre concorrência seja permitida e a propriedade privada seja respeitada. Senão não pode haver, de fato, um livre mercado.

Responder
Eduardo Bellani 26/08/2013 16:03:53

mas por que, de que forma e movido por quais forças o estado se formam em primeiro lugar.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=82

como garantir que o mesmo processo não ocorra novamente, uma vez atingido o estágio pretendido pelos libertpários

Com idéias. No fim das contas, as pessoas só são livres se sabem o que é liberdade e escolherem serem livres.

Responder
Danielbg 26/08/2013 17:40:56

"Então por que ele passou a existir? E mais: por que o estado passou a ser uma coisa tão ubíqua, visto que, sendo uma coisa ruim para as pessoas, estas logo descartariam a experiência e voltariam a viver em liberdade?"

Porque o estado não é algo que possa ser facilmente exterminado. O estado é resultado de um processo; ele não é um fim em si mesmo. Passam-se gerações com a ideia de que o estado é necessário para garantir paz e prosperidade, sejam quais forem as consequências para o povo. Os burocratas lucram, os governantes lucram e os súditos são sutilmente saqueados. O povo simplesmente se contenta com a segurança das sobras e com o imediatismo das medidas políticas.

Dessa forma, homens são moldados a não perguntar o por que do estado e se sentem surpresos ao se depararem com tal desafio racional. É o resultado do medo, da insegurança e do conformismo. É a caracterização do inflexível, daquilo que foi e o que as pessoas acham que deve ser: - porque sempre foi assim -, dizem.

Logicamente, nações mais avançadas passaram a estabelecer um estado mínimo, apontando para uma evolução no sistema econômico e capitalista, ainda que como por uma sombra.

Portanto, não sendo fim, mas meio, o estado está fadado a ser mais uma etapa do ciclo de desenvolvimento e, assim, pronto para ser excluído do processo e ridicularizado num futuro distante.

Responder
Jeferson Duda 17/12/2013 23:31:44

Texto fabuloso. Eu destacaria o trecho em que se garante a plena disposição da propriedade ao mesmo tempo em que todas as espécies de discriminação são desencorajadas. E tudo isso sem leis específicas restringindo o direito de propriedade ou de escolha em favor da redução ou abolição de determinadas discriminações, como as de caráter étnico, por exemplo. Sem nenhuma lei coercitiva operando ali. Só a racionalidade econômica e cooperativa do cálculo lucro/prejuízo. E, claro, o axioma da propriedade ("fundamental ao credo libertário é o direito de cada homem poder escolher quem pode entrar na sua propriedade ou fazer uso dela, considerando-se é claro que a outra pessoa queira fazê-lo").

Achei especialmente emblemático do quanto o livre mercado parece o arranjo mais adequado para mediar relações sociais da forma a menos impositiva, autoritária e violenta possível.

Também destaco a abordagem sobre transportes. O autor cita exemplos históricos como as ferrovias americanas do século dezenove, feitas por companhias rivais inclusive. E as estradas inglesas que, no século dezoito, teriam dado suporte à Revolução Industrial. E que tambem naturalmente se interconectaram numa rede privada eficiente e ordenada. Parece o Rothbard teria morrido em 1995, antes, portanto, do boom da internet ou no seu início. Não sei se seria um exemplo adequado. Mas me veio à mente essas "estradas" virtuais separadas ("particulares") interconectando-se numa rede sem, aparentemente, um governo central a lhe dirigir.

Responder
Alexandre Queiroz 18/12/2013 00:47:51

Um problema que realmente me incomoda é como seria a privatização das ruas já existentes.
Para as novas não existe problema.
A simples oferta e demanda garantiria bons sistemas.
(Pelo menos num conceito econômico, que é o único que podemos avaliar sem entrar em gostos pessoais)..

Porém possuo hoje uma casa,
Existem regras atuais sobre o acesso a ela.
Seria justo, uma alteração destas regras?

Como fazer para esta privatização não alterar os direitos de propriedade?

Mesmo a entrega das ruas para os moradores delas, afetaria o direito individual de propriedade .

Gostaria de saber se alguém tem uma solução para as grandes cidades brasileiras.

Responder
Rodrigo 19/04/2014 17:32:09

Estava pensando sobre a questão de proprietários malucos simplesmente cortarem o acesso por suas ruas, a questão de pedir permissão para entrar, a cobrança, e etc.

Cheguei a seguinte conclusão: numa sociedade voluntária, membros de uma cidade não poderiam acordar em permitir o livre acesso? Nesse caso, o restringidor poderia ser restringido também de entrar na propriedade dos outros, e ficaria preso. Afinal, se é interesse de todos andar livremente, porque não achar que as pessoas tomarão decisões nesse sentido?


Segundo, não poderia também ser adotado um modelo voluntário de gerência municipal, ou zonal? Como uma prefeitura, só que de pagamento desobrigado. Ela administraria as coisas "públicas", porém sua ineficiência seria punida com abstenções de pagamento e claro, ela não deteria nenhum monopólio. Poderia funcionar também, não?

Penso que o maior trunfo do liberalismo é dar as pessoas o poder de organização sempre respeitando a liberdade e a propriedade privada, e não a defesa de uma forma única de administração. Creio que é isso que os maiores críticos do liberalismo não enxergam.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 13/08/2014 22:22:52


No século 17 era difícil imaginar o mundo sem a escravatura. Mas alguns visionários afirmavam que a abolição era possível e que era o correto a fazer.

* * *

Responder
anônimo 22/12/2014 02:51:28

E privatizaçaõ de ruas não vai limitar o direito de ir e vir?

Responder
Felipe 22/12/2014 18:05:24

"E privatizaçaõ de ruas não vai limitar o direito de ir e vir?"

E porque? As ruas ficariam sobre uma administração privada, mas a concessão seria dos moradores. Bairros residenciais teriam todo direito de impor controle sobre quem entra e sai. Bairros comerciais jamais fariam isso por questão lógica.

Na prática, você teria uma casa, pagaria uma taxa (ao invés de imposto) para uma empresa que iria cuidar da rua. A diferença é que você poderia reclamar caso a rua estivesse esburacada ou a insegurança aumentasse. E em certos casos trocar de empresa.

Responder
anônimo 23/12/2014 00:06:36

"Bairros residenciais teriam todo direito de impor controle sobre quem entra e sai."

E se os residentes de muitos bairros forem antisemitas e impedirem o trânsito de judeus?

Responder
Felipe 23/12/2014 13:29:44

Você está vendo da maneira errada.

Seria como um condomínio fechado, só entra quem tiver permissão de algum morador.

Afinal é uma propriedade privada, só entra quem você permitir.

Responder
anônimo 23/12/2014 23:02:59

Qual o problema? Os judeus também fazem isso, na terra 'deles' é só judeu, não tem multiculturalismo.

Responder

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