Irlanda versus Islândia - quem se saiu melhor após a crise financeira de 2008

Ao longo dos últimos cinco anos, é difícil encontrar outros dois países cujas políticas adotadas em resposta à crise financeira de 2008 tenham sido tão divergentes e, por isso mesmo, tenham polarizado tanto os comentaristas econômicos.  Estes dois países são a Irlanda e a Islândia.

Ambos foram talvez os dois países mais afetados pelo congelamento da liquidez ocorrido em 2008. 

Uma conclusão bastante recorrente nos meios econômicos afirma que um destes países fez tudo certo e que o outro fez tudo errado.  Qual país fez tudo certo e qual fez tudo errado vai depender inteiramente da ideologia do economista.  Sendo assim, meu objetivo aqui é fazer uma abordagem mais pragmática.  Há aspectos positivos em ambos os casos, assim como também há aspectos negativos.

Sempre correndo o risco de estar simplificando em demasia a situação de ambos, eis as principais diferenças nas políticas econômicas adotadas:

1. O governo da Islândia permitiu que fatias substanciais do seu setor financeiro fossem à bancarrota (majoritariamente sucursais de bancos domiciliados no estrangeiro), sem dar nenhum socorro.  Já a Irlanda utilizou dinheiro de impostos para socorrer seus bancos e, com isso, manter seu setor financeiro solvente.

2. O governo da Islândia inflacionou substancialmente sua moeda, a coroa, em uma tentativa de desvalorizar sua taxa de câmbio e, com isso, dar alguma competitividade ao seu setor exportador.  Já a Irlanda, por estar presa ao euro, não pôde trilhar um caminho semelhante.  Em vez de recorrer à desvalorização da moeda, a Irlanda tentou se tornar mais atraente aos investidores estrangeiros por meio de uma redução em seus preços domésticos.  (Nesta monografia, há explicações mais detalhadas sobre como a baixa sindicalização dos irlandeses e um setor estatal mais enxuto permitiram que preços caíssem em até mais de 6%, sem enfrentar grandes resistências).

3. A Islândia adotou controle de capitais para impedir que houvesse uma fuga de capitais e para impedir que o capital estrangeiro saísse do país, desta forma mantendo os investimentos presos dentro de suas fronteiras.  Já a Irlanda, por fazer parte da União Europeia, teve de manter seu compromisso com uma livre mobilidade de capitais, e os investidores puderam continuar entrando e saindo do país a seu bel-prazer.

No que diz respeito a qual conjunto de soluções foi mais eficaz, as evidências são mistas.  À primeira vista, a Islândia parece ter conseguido suavizar melhor o impacto imediato de sua recessão, mas o atual crescimento da Irlanda é mais sólido, como veremos mais abaixo.  De maneira similar, o desemprego na Islândia foi menor e ainda permanece mais baixo atualmente.

Para os propósitos deste artigo, irei me concentrar apenas nos efeitos das respectivas políticas monetárias de ambos os países, e em como os ganhos de curto prazo gerados pela reação inflacionária da Islândia são hoje pequenos em comparação à reação mais branda da Irlanda.

O gráfico abaixo mostra a evolução do PIB nominal de ambos os países, isto é, o PIB que desconsidera a inflação de preços.  A Irlanda está de verde e a Islândia, de azul.

figure1.jpg

Gráfico 1: PIB Nominal (2008 = 100) Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis

O gráfico 1 mostra aquilo que o senso comum prevê.  A política inflacionista da Islândia estimulou as exportações, ocultou o alto endividamento da população e das empresas, e permitiu que o país saísse da tempestade de forma aparentemente ilesa.  Já a Irlanda, por outro lado, segue presa a um baixo crescimento e, cinco anos depois do início da crise, a renda nominal do país ainda é 10% menor do que o pico alcançado antes da crise.

Mas esta análise, no entanto, ignora completamente os efeitos da inflação sobre a economia da Islândia.  A política inflacionista da Islândia aumentou a oferta monetária em quase 20% apenas em 2008, e levou a um imediato e acentuado aumento nos preços.

O gráfico abaixo mostra a evolução do PIB real, isto é, o PIB que leva em conta a inflação de preços.  A Irlanda está de verde e a Islândia, de azul.

figure2.jpg

Gráfico 2: PIB Real (2008 = 100) Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis

O gráfico 2 mostra uma realidade mais acurada da situação vivenciada pelo islandês e pelo irlandês comum.  Quando o Banco Central da Islândia inflacionou a oferta monetária do país e depreciou o câmbio, a inflação de preços disparou para quase 20%.  À medida que o poder de compra dos cidadãos da Islândia diminuía, eles sentiam que sua segurança financeira estava piorando.  Mas isso não era aparente para o resto do mundo, cujos observadores estavam fixados nos indicadores nominais da economia da Islândia.  Em seu ponto mais baixo, alcançado no quarto trimestre de 2010, a renda da Islândia ajustada pela inflação de preços havia caído 35%.

Já na Irlanda, este declínio foi sensivelmente mitigado pela deflação de preços de 6% ocorrida.  À medida que os preços domésticos caíam, foi se tornando mais fácil para os cidadãos da Irlanda continuar sobrevivendo com uma renda nominal declinante.  Em seu pior momento, a economia da Irlanda caiu 10% em termos reais.

Isso parece sugerir que a Irlanda recorreu a uma solução melhor ao não implantar uma política monetária inflacionista.  Já outros irão notar, no entanto, que a recuperação da Islândia desde 2010 tem sido bastante robusta.

Com efeito, se analisarmos a queda na taxa de emprego (atenção: taxa de emprego e não de desemprego) em ambos os países, é natural que sintamos mais comiseração pelas massas de desempregados irlandeses.

figure3.jpg

 Gráfico 3: Taxa de Emprego (2008 = 100) Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis

Porém, se analisarmos mais profundamente, as coisas não são exatamente como o gráfico acima sugere.  Por causa da inflação de preços maior, vários cidadãos da Islândia têm de trabalhar em dois empregos para chegar até o fim do mês.  Este efeito foi se tornando cada vez mais pronunciado ao longo da recessão à medida que a inflação de preços ia tornando mais difícil a sobrevivência com apenas um salário.  Como consequência, vários islandeses que perderam um de seus dois empregos durante a recessão não aparecem nas estatísticas de desemprego, pois eles mantiveram o outro emprego. 

Já na Irlanda, a situação é outra.  E mais confortável.  Além do fato de um emprego por pessoa continuar sendo a norma, a deflação de preços tornou mais fácil para uma pessoa empregada manter seu padrão de vida à medida que a recessão continuava.

Uma maneira mais acurada de mensurar a situação do emprego em ambos os países é analisar a evolução das horas trabalhadas em um ano.

figure4.jpg

Gráfico 4: Horas anuais trabalhadas (2008 = 100) Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis

Este gráfico permite ver como a situação se inverte.  No auge da recessão, em 2010, o número de horas trabalhadas pelo cidadão da Islândia havia caído 6%, ao passo que, na Irlanda, a queda foi de apenas 3,5% — quase a metade.

Conclusão

Ambos os países ainda têm problemas.  Os controles de capital adotados pela Islândia notavelmente estão afetando os investimentos, que são extremamente necessários.  Já a Irlanda está sufocada por uma enorme dívida pública gerada pelo socorro dado pelo governo aos bancos.  O fardo da dívida está impedindo sua recuperação.  Uma coisa, no entanto, é clara: os efeitos da política monetária são nítidos e os supostos benefícios da política inflacionária adotada pela Islândia foram contrabalançados pela inflação de preços que ela causou.

Jamais deixe que uma crise passe em branco; aprenda algo com ela.  Como a história destes dois países demonstra, inflacionar uma moeda pode dar a aparência de recuperação, mas a realidade é bem menos rósea do que supõem os inflacionistas.

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Leia também:

Explicando a recessão europeia 

A crise bancária da Islândia: o colapso de um sistema financeiro intervencionista 

Em defesa do euro - uma perspectiva austríaca


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SOBRE O AUTOR

David Howden
é professor assistente de economia na Universidade de St. Louis, no campus de Madri, e vencedor do prêmio do Mises Institute de melhor aluno da Mises University.



"partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador [...] tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável. Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)"

Aí lascou tudo, né, cidadão? Se uma previdência só se mantém estável se o volume de contribuições for crescente -- de modo que o ativo terá uma renda disponível cada vez menor --, então, por definição, tal sistema é insustentável.

Outra coisa: sua neurose com o fator tempo mostra que você realmente não sabe como funciona a previdência. Não se trata de um sistema de capitalização, mas sim de repartição.

O dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Logo, essa sua insistência com o fator "tempo de contribuição" como sendo o grande diferencial da equação é desarrazoada.

"A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%."

Esse cálculo seu não faz nenhum sentido, mesmo tendo por base suas próprias premissas. Se um aposentado precisa de $10/mês, então cada trabalhador terá de contribuir com $6,99.

Isso dá quase 70% do valor de suas necessidades básicas. Sustentável?
Ambos trazem cenários e fatos possíveis, plausíveis. Todavia, meu entendimento pessoal é de que o Estado tende a ver fortalecido seu desígnio de maior controle. Maior significando mais amplo, intenso e profundo. O maior volume de dados não é, de modo algum, limitante para uma ação controladora. Antes, a facilita! E a razão disso o próprio North expõe: a evolução tecnológica. Na minha pré-adolescência o sumo da capacidade de processamento e memória estava em um DGT-100, suplantado em seguida pela capacidade de uma mera calculadora científica Dismac. Os muitíssimos Tera serão coisa pouca para as tecnologias que estão por vir, algumas das quais já existem no estado prototípico. É bem possível que a tecnologia também seja utilizada para dar proteção às pessoas, mas a tecnologia, ou ao menos o seu uso mais legal, sempre estará do lado do Estado ou de quem terá o poder de controlar a pessoa comum. Ademais, penso ser uma visão ingênua a de que a versão futura de aplicativos, empresas de TI e Zuckerbergs da vida venham a nos salvar de alguma coisa, vez que eles mesmos hoje já servem ativamente ao controle estatal sobre os indivíduos. Pior, hoje já servem ao policiamento das ideias e a projetos de controle social. Quem conhece uma coisa simples como marketing digital sabe que se pode ter perfeita ideia dos hábitos e padrões de uma quantidade incalculável de pessoas. Um amigo me disse querer viver centenas de anos para poder testemunhar como se daria esse embate entre as forças da liberdade e as da servidão. Ainda que eu aprecie uma boa e justa luta, não tenho a mesma veleidade. A história mostra que não há motivo especial algum para imaginar que a liberdade prevaleça inconteste ou que sobrepuje, campeã, os que a tolhem.
Jeff, imagino que esteja começando a descobrir a Escola Austríaca, essa dádiva deixada por Mises ainda pouco divulgada pelo senso comum.

Vou ser lúdico ao extremo, para que entenda as diferenças entre desigualdade e injustiça - essa sim, combatida pelos austríacos. Adiante:

- Em economia, existem dois tipos de desigualdade de renda, a seguir:

1- Desigualdade espontânea: Essa, como o nome pressupõe, é causada pelo enriquecimento do agente por meios próprios. Um exemplo bem comum seria um sujeito que começa a vida poupando uma parte de sua renda, e com essa poupança ano a ano investe em imóveis, comprando barato, reformando e alugando, ou vendendo por um preço mais alto. O lucro realizado é reinvestido em mais negócios. Se ele souber enxergar as distorções no mercado e fizer o correto, provavelmente ele estará muito mais rico que a maioria de seus pares após algumas décadas.

Seu enriquecimento não faz mal a ninguém, aliás muito pelo contrário: é graças a sua poupança que pessoas podem alugar um imóvel sem ter de compra-lo, ou mesmo comprar um imóvel ou compra-lo sem ter de se preocupar em comprar terreno, construir, etc. Paralelamente mas não menos importante, seu investimento gera empregos diretos e indiretos, seja na obra em si, seja para os fabricantes de insumos para construção, além dos mais indiretos, como corretagem de imóveis, serviço cartorial etc.

Ou seja, essa desigualdade é BOA. Ela gera riqueza a todos, independente para onde se olhe. É a alquimia de Flamel se fazendo presente em nossas vidas, transformando chumbo em ouro a olho nu.

2- Desigualdade provocada: Ao contrário da primeira, esta só pode acontecer quando o Estado interfere na economia, gerando distorções que enriquecem alguns e empobrecem a maioria, e vou citar os exemplos mais fáceis para que enxergue bem:

Barreiras econômicas: Quando se proíbe ou taxa a importação de bens e serviços, o privilégio a certas empresas é certo. E todo privilégio acarreta na obrigatoriedade do consumo, e com isso, a reserva de mercado traz crescimento absurdo a certas empresas, em detrimento do consumidor, que é obrigado a pagar mais caro por produtos e serviços pífios. Os setores mais consagrados são:
- Telefonia
- Segurança
- Medicamentos

Serviços e obras estatais: Ao passo que o Estado extorque o cidadão com impostos e taxas, ele monopoliza quantias absurdas de capital para realizar obras ao gosto de seus governantes. Nesse meio são escolhidas empresas alinhadas com o Estado, conseguindo concessões e direitos a fornecimento com preços altos e qualidade pífia. O resultado? Enriquecimento compulsório de poucos, em detrimento de muitos.

Cargos públicos: Se o valor dos salários e a métrica de manutenção dos empregos no livre mercado é o lucro, para o Estado vale o corporativismo e a ideologia. Contrata-se sem necessidade, paga-se mais do que se deve, criam-se empregos por pura força eleitoral. Este movimento injusto gera além de desigualdade, mais pobreza a maioria, pois tais postos são pagos com o dinheiro surrupiado de quem gera riqueza.

Câmbio: pouco se fala a respeito no senso comum, mas uma das formas mais objetivas de gerar desigualdade em um país é enfraquecendo a moeda, pois uma minoria exportadora enriquece vendendo barato ao exterior em detrimento da grande maioria, que perde poder de compra, logo empobrece.

Conclusão: enquanto a desigualdade espontânea é justa e depende somente de quem poupa, investe e toma as decisões corretas, carregando implicitamente riqueza a todos, a desigualdade provocada pelo Estado é injusta, pois proíbe pessoas não alinhadas prosperadas, e protege aqueles que estão ao lado do Estado, mantendo castas eternas.

Abraços,

Não, Xiba. Continua sendo pirâmide do mesmo jeito.
(...)
Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.


O colega começou discordando de mim, mas no final me pareceu que não. :-)

Vejamos, em uma sociedade em que alguém precise de $10/mês para atender suas necessidades, bastam 10 trabalhadores contribuindo com $1. Essa sociedade sobrevive assim e, após 1.000.000 anos, (ignorando inflação) continuarão sendo preciso 10 trabalhadores contribuindo $1, porque haverá sempre novas pessoas entrando no mercado contribuinte, e outras deixando de precisar de assistência (i.e. morrendo).

Ora, mas se só há 2 trabalhadores para cada 1 aposentado nesta sociedade (exemplo seu, arredondado pra facilitar), então a contribuição terá que ser de $5/trabalhador. E enquanto os números não mudar, sobrevimentos assim por mais 1.000.000 anos.

Matemática, certo?

Agora... Em sua resposta você ignorou completamente o fator tempo de contribuição/expectativa de vida, e ele é fundamental para se equilibrar qualquer previdência.

Exemplificando, em um sistema de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida, em média 1 só trabalhador contribui para 2 beneficiários.

(Existem outros fatores que criam mais complexidade, como por exemplo valor contribuído x renda, mas vamos ignorá-los de propósito agora para facilitar nossa vida.)

Bom, isto posto, os números do IBGE contêm basicamente este fator ignorado. Porém, os números do IBGE não vão diminuir pra sempre. Eles não tendem a zero, mas a 1, porque não é factível que a população ativa seja menor que a não-ativa, a não ser em casos de guerras, catástrofes, etc.

Ora, partindo da premissa de que em um futuro infinito nosso IBGE vai calcular um relação ativos/inativos = 1, neste ponto cada trabalhador (num regime de 40 anos de contribuição e 20 anos de expectativa de vida) tem que contribuir com 50% do salário para se haver uma previdência estável.

Ou seja, no extremo teórico, a previdência é financeiramente sustentável (ainda que extremamente sacrificante para o contribuinte.)

A título de curiosidade, se os 1,43 do IBGE se confirmarem em 2060, pela matemática a contribuição por trabalhador terá de ser de "apenas" 28% do salário. Ainda um absurdo, mas devo lembrar que hoje a alíquota de autônomos, dentre outras categorias, é de 20%.

Veja: em nenhum momento quis colocar que é fácil ou até factível se criar um sistema justo aqui no Brasil. Meu único objetivo foi contribuir pra discussão mostrando que previdência é matemática e estatística, e que aplicando os cálculos certos é fácil ver que ela pode ser um sistema financeiramente sustentável, ainda que instável e/ou injusto.

E sistema financeiramente sustentável, por definição, não é uma pirâmide (vide texto da Wikipédia, citado no artigo).

Não representa. O próprio Rothbard explicou que, se existisse um botão que destruísse o Estado imediatamente, ele o apertaria já; mas este botão infelizmente não existe, então temos que ir lutando para reduzi-lo na medida do possível (ou pelo menos conter seu crescimento), mas advertiu que existem formas de fazê-lo coerentes com a ética liberal e existem formas incoerentes.

Rothbard explicou que nem toda isenção ou redução de impostos promove o liberalismo e a diminuição do Estado, então temos que prestar atenção a COMO uma determinada isenção ou redução de impostos será feita para não corrermos o risco de promover sem querer o crescimento do Estado pensando que estamos promovendo sua redução.

PS: Percebi certa dificuldade de comunicação entre os colegas, então vou dar um toque de psicologia cognitiva/programação neurolinguística:

"Juízo de Realidade": Afirmação reconhecendo que algo existe (ou que não existe), sem entrar do mérito disso ser bom ou ruim, certo ou errado, melhor ou pior, importante ou sem importância, etc.

"Juízo de Valor": Afirmação de que algo deve/deveria existir porque é/seria bom, ou certo, ou melhor, ou importante, etc. (ou que não deve/não deveria existir pelos motivos inversos), sem que a afirmação queira dizer que este algo de fato existe (ou que não existe).

Exemplos:

JR: "Mulheres devem evitar andar sozinhas e desarmadas em locais isolados e desconhecidos à noite"

JV: "Não diga às mulheres para evitar o estupro, diga aos estupradores para não estuprar"

Notem como a aparente incompatibilidade entre estas duas afirmações desaparece quando percebemos que elas pertencem a categorias diferentes de afirmativas e não são mutuamente excludentes, mas sim complementares. O mesmo ocorre com grande parte do debate minarquistas x anarcocapitalistas.

* * *
Qual o padrão de vida em Auroville? A população tem acesso a uma grande variedade de bens e serviços? Se a pessoa ficar doente, ela tem pronto acesso a serviços médicos? Há escolas? Há universidades?

Isso meio que me lembra a experiência da cidade espanhola de Marinaleda, que passou a ser venerada pela esquerda como "exemplo de coletivismo que deu certo".

Primeiro,
assista ao vídeo. É rapidinho.

Assistiu? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, você deve ter visto que se trata de um arranjo que não tem nada de novo ou original. É como se fosse uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar.

Ali, como relatou a reportagem, há pleno emprego. Qualquer pessoa que quer trabalhar encontra trabalho.

Só que o padrão de vida ali é extremamente precário. Note o semblante das pessoas e veja se há algum conforto ali. Tem gente ali que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo. Não há nenhuma máquina no campo (ou seja, não há a "temida" acumulação de capital). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Isso é algo que pode ser classificado como "imune à crise"?

A veneração a este arranjo é a prova suprema de como as pessoas perderam completamente o senso de proporção. Não discuto que há quem goste de viver assim, e defendo totalmente a liberdade destas pessoas de fazerem isso. Mas dizer que aquela pobreza maranhense é um oásis invejável é de uma imbecilidade econômica grotesca.

Ademais, qualquer pessoa que goste de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- é adepta da escravidão voluntária. Nada contra; só uma constatação.

Mas dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está "bem" e que tal arranjo é um "oásis a ser imitado", bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.
Isso segundo a Oxfam, esse portento da imparcialidade. Pergunta: você por acaso conhece a metodologia utilizada por essa Oxfam?

Segundo a bizarra metodologia da Oxfam -- que diz que 8 pessoas têm mais dinheiro do que metade da população mundial --, se você tirar um real do bolso e der para seu sobrinho de dez anos, ele vai ter uma riqueza maior do que "2 bilhões de pessoas somadas".

Sim, seu sobrinho instantaneamente passa a ser um magnata com mais riqueza que bilhões de pessoas juntas.

Como isso é possível? Porque a metodologia considera apenas a riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas) das pessoas. E 2 bilhões de pessoas, tendo dívida, têm riqueza negativa.

Segundo essa metodologia, alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

Não importa se o cara de Harvard gasta centenas de dólares tomando McCallahan's 18 anos todas as vezes em que sai para a balada. Para a Oxfam, ele é mais pobre que o camponês indiano.

Ainda segundo esta metodologia, quando você compra um jatinho, você se torna imediatamente mais pobre. Como? Você acaba de assumir uma dívida de 25 milhões de dólares (incluindo juros) e adquiriu um patrimônio de valor de mercado de uns 20 milhões de dólares. Logo, você está 5 milhões de dólares mais pobre.

Para a Oxfam, quem viaja de jatinho usando financiamento é mais pobre do que quem viaja de ônibus pagando à vista.


Dica: não seja apenas mais um desavisado repetindo chavões ignorantes.

Classificar o "Relatório da Desigualdade" da Oxfam de farsa seria pouco
Esse debate precisa de uma comprovação de tal relação:

www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1836839-commodities-pressionam-petrobras-e-vale-e-ibovespa-cai-3-dolar-sobe.shtml

oglobo.globo.com/economia/com-commodities-em-alta-bolsa-ganha-092-dolar-cai-043-20265162

extra.globo.com/noticias/economia/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-japao-19834792.html

www.valor.com.br/financas/4530505/alta-de-commodities-impulsiona-bovespa-e-dolar-cai-para-r-355

https://economia.terra.com.br/dolar-cai-mais-de-1-com-valorizacao-de-commodities-e-fluxo,e48105674452ef52d0892d0a457891d2u3jzcvnm.html

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/08/02/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-e-japao.htm

www.jornaldepiracicaba.com.br/economia_negocios/2016/11/commodities_pressionam_petrobras_e_vale_e_bolsa_cai_3_d_lar_sobe

https://www.poderjuridico.com.br/ibovespa-ganha-forcas-com-commodities-e-com-dados-dos-eua-dolar-cai-e-encosta-nos-r-320/

m.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1812849-commodities-derrubam-mercados-bolsa-cai-3-e-dolar-sobe-a-r-330.shtml

https://massanews.com/blogs/agronegocio/eugenio-stefanelo/precos-das-commodities-aumentam-em-outubro-e-dolar-cai-vDkl5.html

www.fiorde.com.br/wordpress/blog/bolsa-sobe-092-com-commodities-e-expectativa-de-aprovacao-de-pec-dolar-cai/

portalcm7.com/negocios/bovespa-sobe-2-5-e-d-lar-cai-1-com-salto-das-commodities/

www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/dolar-cai-commodities-sobem/20100615-105531-O832

www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/com-commodities-em-alta-ibovespa-ganha-180-dolar-cai-r-255

www.istoedinheiro.com.br/commodities-incentivam-apetite-por-risco-e-dolar-fecha-em-queda/

https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/12/10/dados-da-china-beneficiam-moedas-atreladas-a-commodities-e-dolar-cai.htm

www.valor.com.br/financas/4354060/dolar-sobe-194-puxado-por-cenario-politico-e-queda-de-commodities

exame.abril.com.br/mercados/dolar-abre-em-leve-queda-apos-japao-aprovar-medidas/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/ibovespa-sobe-15-com-cenario-externo-e-commodities-em-alta-dolar-cai-para-r-392

g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/derrocada-das-commodities-e-alta-do-dolar-pautaram-a-quinta-feira.html

https://economia.terra.com.br/panorama-dolar-sobe-commodities-e-bolsas-caem,50ae95246a40b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

exame.abril.com.br/mercados/panorama2-acoes-commodities-sobem-e-dolar-cai-na-vespera-do-fed/

https://economia.uol.com.br/ultnot/2008/08/22/ult29u62955.jhtm

economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088

economia.estadao.com.br/noticias/geral,queda-do-dolar-ajuda-alta-de-commodities-diz-meirelles,206267

https://noticias.bol.uol.com.br/economia/2007/02/14/bolsa-quebra-3-recordes-num-dia-e-sobe-177-dolar-cai-abaixo-de-r-210.jhtm

Existem notícias de 2007 a 2017, todas com essa relação entre o dólar e commodities, é claro que existe exceções como o dólar caindo e o apenas o petróleo subindo ou do café, mas não postei por ser "simplista" demais. Veja que sempre tentam dar outras explicações sobre esse fenômeno.

Mas agora a parte que mais me agradou nessa pequisa foi exatamente isso:
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/03/correlacao-entre-precos-de-commodities-e-a-moeda-de-cotacao/
economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088
economia.estadao.com.br/noticias/geral,commodities-caem-com-alta-do-dolar,528831
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/23/o-dolar-enfraquece-udo-que-e-cotado-em-dolar-sobe-de-preco-petroleo-e-ouro-em-alta/
www.planetaforex.pt/relaciones_economicas_entre_divisas/


Embora alguns deles tentaram dar outras explicações sobre essa relação de dólar e commodities, enfim...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Rene  06/11/2013 12:07
    A nossa vida seria bem mais fácil se os economistas e governantes seguissem o conselho dado no final do artigo: "Jamais deixe que uma crise passe em branco; aprenda algo com ela."

    Infelizmente, a única lição que eles aprendem é: Como nós podemos fazer para continuar arrancando dinheiro desses trouxas sem eles perceberem?
  • Pobre Paulista  06/11/2013 14:09
    Não entendi como o socorro aos bancos ajudou a Irlanda a sofrer menos o impacto da crise. Não seria mais negócio abrir mão de receitas (diminuir os impostos) e assim aumentar ainda mais a renda nominal da população?
  • Marcos  06/11/2013 14:26
    Onde foi dito que o "socorro aos bancos ajudou a Irlanda a sofrer menos o impacto da crise"?
  • Pobre Paulista  06/11/2013 16:43
    Daqui:

    " Já a Irlanda utilizou dinheiro de impostos para socorrer seus bancos e, com isso, manter seu setor financeiro solvente. "

    Minha pergunta foi: Não era melhor reverter esse dinheiro de impostos em abstenções fiscais, deixando mais dinheiro na mão da população, e deixar o sistema financeiro se virar?
  • Marcos  06/11/2013 16:54
    Manter o sistema financeiro solvente não é, nem remotamente, sinônimo de "sofrer menos o impacto da crise". E o artigo nada fala sobre isso. Foi você quem forçou essa comparação.
  • Pobre Paulista  06/11/2013 18:31
    O artigo disse que a a Irlanda usou o dinheiro irlandês para socorrer os bancos, sem especificar como. Eu não forcei barra nenhuma, está escrito lá. O fato é que cédulas de dinheiro do governo foram para os bancos, seja lá pelo meio que foi.

    Na minha visão poderia ser mais efetivo o governo reduzir os impostos e usar esse dinheiro para se manter e eventualmente ainda cortar mais gastos. O resultado disso seria mais dinheiro circulando na economia. Vejo isso como um aumento de liquidez monetária mais efetiva do que salvar os bancos.
  • Gustavo Torres  07/11/2013 01:40
    Pobre Paulista, o artigo diz sim que a Irlanda usou dinheiro público para resgatar os bancos, mas diz também que ambas Islândia e Irlanda acertaram e ERRARAM em certas decisões econômicas tomadas no pós-crise.
    Não precisou de muito esforço para perceber que esta foi uma das decisões erradas tomada pela Irlanda, enquanto as outras duas expostas foram as corretas. No mesmo sentido, Islândia acertou ao não resgatar os bancos.
  • Pobre Paulista  07/11/2013 11:03
    Exatamente. Concordo com isso. Mas fiquei na dúvida justamente por não ter ficado claro no texto. Mas acho que é por aí mesmo. Obrigado.
  • Reflexao  02/06/2014 20:54
    A resposta para a ajuda aos bancos.
    Amigos do REI.
  • Fernando  06/11/2013 14:14
    "Uma coisa, no entanto, é clara: os efeitos da política monetária são nítidos e os supostos benefícios da política inflacionária adotada pela Islândia foram contrabalançados pela inflação de preços que ela causou."

    Tem outras coisas bem piores que inflação e salários reais declinantes. Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda têm eles.

    Islândia só não tem o desemprego da zona do euro porque ela pôde desvalorizar o krona.
  • Bezerra  06/11/2013 14:21
    Adoro a Escola Autríaca, mas uma coisa Keynes estava certo, acerca da inflação. Em uma crise os preços têm que cair para se ajustar a nova situação, os salários inclusive. Os sindicatos tornaram politicamente impossível a redução nominal de salários, criando com isso altas taxas de desemprego. Devido a isso, a inflação, ou redução real dos salários, tornou-se uma maneira mais fácil politicamente de se ajustar os preços da economia. No meu ponto de vista os sindicatos são danosos, pois criam desemprego e diminuem os salários dos trabalhadores não sidicalizados, e nos tempos de crise não permitem que a economia se recupere reajustando os salários, resultando em altas taxas de desemprego. Infelizmente a deflação para resolver crises, como a EA receitua, só funciona no século XIX, quando os sindicatos eram politicamente fracos, inexistente ou, até mesmo, proibidos.
  • Occam's Razor  06/11/2013 14:30
    É politicamente mais fácil e aumenta a desigualdade, pois gera a conhecida redistribuição de renda às avessas. Tem tragédia pior que essa?
  • Leandro  06/11/2013 14:32
    "mas uma coisa Keynes estava certo, acerca da inflação. Em uma crise os preços têm que cair para se ajustar a nova situação, os salários inclusive"

    Isso está longe de ser exclusividade de Keynes. Não sei de onde você tirou isso. Qualquer escola econômica minimamente decente sabe que, se houver uma deflação monetária, os preços e os salários terão de cair para a economia se reajustar. Caso eles não caiam (por pressão sindical), a economia não se recupera.

    Isso discutido amplamente neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

    "deflação para resolver crises, como a EA receitua"

    Deflação significa redução da quantidade de dinheiro na economia. A EA não receitua isso. Tenha mais cuidado com suas afirmações.
  • Bezerra  06/11/2013 17:18
    Quando falei em deflação, não me referi à deflação monetária, mas sim, à diminuição de preços, apesar de realmente me referir à inflação monetária, quando falei de inflação. Desculpe-me se eu não fui bastante claro. No entanto, já que você tocou no assunto, uma vez que a postura da EA é não resgatar bancos insolventes, isso não causaria deflação monetária? Então a EA acabaria por advogar indiretamente por deflação monetária?
  • Vinicius Costa  06/11/2013 16:45
    Sempre fico com um pé atrás quando vejo esses índices agregados de emprego para mostrar o crescimento de uma economia. Se várias pessoas estiverem trabalhando mas em setores improdutivos (o famoso caso de uma pessoa cavar buraco para a outra tampar depois), ninguém está ficando mais rico.
    Não seria melhor, nesse caso, usar índices de produtividade nesses dois países?
  • Leandro  06/11/2013 17:07
    Compartilho do seu ponto. Nível de emprego pouco tem a ver com a saúde de uma economia, e pelos motivos que você corretamente apontou. Coisas como moeda forte, qualidade da mão-de-obra, quantidade e variedade de bens e serviços, e o custo deles são critérios essenciais.

    Índices de produtividade seriam uma boa, mas há um problema: o cálculo da produtividade se baseia na taxa de desemprego. O cálculo é feito dividindo-se o PIB pelo número de pessoas empregadas.
  • Tiago RC  07/11/2013 13:15
    Eu tenho dificuldade para imaginar como pode-se medir produtividade de forma objetiva...
  • Pedro Ivo  07/11/2013 13:45
    Concordo com o Tiago RC. Não seria o caso de usar cada uma destas métricas, citando sempre os limites e eficácias que cada uma tem, como qualquer metodologia?
  • RESUMINDO  06/11/2013 19:48
    RESUMINDO: Se os políticos estivessem de férias e recebessem seus gordos salários sem "trabalhar" os países em questão estariam em melhores condições, ou seja, os caras são pagos para atrapalhar :) MHUAHAHAHAHAHAHAHA.
  • Lucas  06/11/2013 21:31
    Algo que não entendi sobre o artigo é em referência ao que não houve expansão monetária na Irlanda. Claro que houve, o Banco Central Europeu reduziu as taxas de juros para próximo de zero assim como os EUA, mas sem fazer o famoso QE. Assim, o BCE injetou moeda em todo o sistema financeiro do Euro, inclusive via LTROs, não é verdade ? ou estou enganado ?? Inclusive a expectativa é que Mario Draghi reduza para 0,25% a taxa de refinanciamento amanha e jogue mais dinheiro no sistema.
  • Leandro  06/11/2013 21:46
    Não. Esta é uma confusão bastante comum. Semanalmente alguém vem aqui fazer esta mesma pergunta.

    Mas o fato é um só: no atual arranjo financeiro, os principais bancos centrais do mundo (Fed, BCE e inclusive o Banco Central brasileiro) [b][u][i]não injetam dinheiro diretamente na economia; eles injetam dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito). [b][u][i] Se os bancos não expandirem o crédito, este dinheiro simplesmente não vai entrar na economia. É assim que funciona.

    Na Europa, os bancos não expandiram o crédito. Consequentemente, o dinheiro que o BCE deu aos bancos não entrou na economia.

    Este artigo, que foi recomendado ao final do artigo acima, mostra gráficos da oferta monetária de vários países europeus:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514
  • Lucas  06/11/2013 22:41
    Perfeito Leandro, havia me esquecido disso completamente. Minha monografia tinha sido inclusive sobre isso, mas o fato do artigo dizer que na Islandia houve aumento da oferta de moeda me deixou confuso. Voce sabe onde consigo a abertura dos dados abertos da base monetária da Islandia ???
  • Pedro Ivo  07/11/2013 13:41
    Leandro, "Money Supply M0" é o mesmo que "money zero maturity"?
  • Leandro  07/11/2013 13:49
    Não. M0 é a base monetária. Money of Zero Maturity é um conceito que, até onde sei, só existe nos EUA, e mesmo assim é bastante falho.
  • Pedro Ivo  07/11/2013 13:54
    Falho em quê?
  • Leandro  07/11/2013 14:45
    O MZM foi criado com o intuito de ser o melhor mensurador para prever a inflação de preços. Fracassou, pois vários de seus componentes não podem ser classificados como "dinheiro" propriamente dito.
  • Lucas  07/11/2013 16:31
    Leandro
    Esse dado que voce passou é a base monetária, o que nao indica que o dinheiro impresso pelo banco central na economia real, já que monetary base = currency + reserves. Logo, um aumento da base monetária indica apenas que mais dinheiro foi criado, mas pode estar guardado como reserva no próprio banco central, que é o que acontece no japão, EUA e Euro. Acho que o que comprova o artigo é melhor mostrar o M1, que engloba a moeda em circulação. Esse gráfico evidencia isso www.tradingeconomics.com/iceland/money-supply-m1 . mostra que teve uma forte expansão no fim de 2008, depois ficou bastante volátil.
  • Leandro  07/11/2013 16:49
    Prezado Lucas, releia o que você escreveu acima e veja que foi você quem me pediu os dados da base monetária. Vou até colar aqui o que você escreveu, dando destaque para o trecho:

    "Perfeito Leandro, havia me esquecido disso completamente. Minha monografia tinha sido inclusive sobre isso, mas o fato do artigo dizer que na Islandia houve aumento da oferta de moeda me deixou confuso. Voce sabe onde consigo a abertura dos dados abertos da base monetária da Islandia ???"

    Ou seja, apenas fiz o que você pediu.

    De resto, concordo plenamente que são os Ms, a não a base monetária, que indicam mais acuradamente o quantidade de dinheiro que realmente entrou na economia, exatamente como também escrevi para você ali em cima.
  • Lucas  07/11/2013 18:14
    Tudo certo Leandro. Quando pedi a abertura dos dados da Base Monetária queria dizer a moeda em circulação e as reservas. Foi apenas uma confusão de informação.
  • Pedro Ivo  07/11/2013 13:37
    Lucas, você fez uma monografia sobre expansão creditícia? Postou-a em algum blog ou biblioteca eletrônica. Interessaria-me muito em lê-la por favor.
  • Lucas  07/11/2013 15:59
    Pedro Ivo.
    Fiz uma análise dos efeitos de políticas monetárias não convencionais quando taxas de juros estão próximas de zero, fazendo estudo de caso dos EUA e Japão. Na época não seguia a EA a fundo. Mas algumas conclusões que eu tirei após o estudo são bastante parecidas. Não disponibilizei para download, mas se voce tiver interesse posso enviar se vc me passar seu email.
  • Pedro Ivo  08/11/2013 17:20
    Leandro, sobre o fato de os bancos estarem mantendo parte significativa da moeda criada em reserva, ao invés de expandirem o crédito. Suponho que isto seja pela incerteza que eles tem sobre o valor de seus ativos depois de 2008. Estes bancos estão se movimentando para abrir a caixa preta que são estes ativos, e descobrir quanto valem realmente? Ou estão adiando este acerto de contas?

    Outra coisa. Você disse: O MZM foi criado com o intuito de ser o melhor mensurador para prever a inflação de preços. Fracassou, pois vários de seus componentes não podem ser classificados como "dinheiro" propriamente dito. - Que componentes são estes que não podem ser classificados como "dinheiro" propriamente dito.?
  • Leandro  08/11/2013 17:44
    "Estes bancos estão se movimentando para abrir a caixa preta que são estes ativos, e descobrir quanto valem realmente? Ou estão adiando este acerto de contas?"

    Estão esperando que o Fed compre tudo e faça o serviço.

    " Que componentes são estes que não podem ser classificados como "dinheiro" propriamente dito.?"

    Várias modalidades de fundos mútuos: money market deposit accounts, retail money market mutual funds e institutional money funds
  • Pedro Ivo  08/11/2013 19:02
    Estão esperando que o Fed. compre tudo e faça o serviço. - Leandro, parte desses ativos se baseia em imóveis que pessoas compraram, não pagaram e abandonaram. Parte destes imóveis já foi a leilão. O Fed. está comprando derivativos baseados em títulos de propriedades de imóveis que ele não pode reaver? (Salvo talvez por ações juduciais caso a caso?)

    Noutros casos, os derivativos estão baseados no título de propriedade de imóveis que ainda seriam construídos (conjuntos residencias inteiros, por ex.). Estas construções nunca foram iniciadas. O Fed. está comprando derivativos baseados em títulos de propriedades de imóveis inexistentes?
  • Leandro  08/11/2013 19:32
    Está fazendo isso desde outubro de 2008, e sempre com a promessa de que, "no momento certo", iria revender esses títulos no mercado, "ao seu preço correto".

    Até hoje, esse "momento certo" ainda não chegou. No entanto, não há pressa nenhuma. É impossível o Fed se tornar insolvente. Logo, ele não tem por que se preocupar com seus balancetes.

    The Insolvency of the Fed
    Can a Central Bank Go Broke?
  • Pedro Ivo  09/11/2013 13:22
    Graças pelos esclarecimentos Leandro. em sei por que ainda me escandalizo com a magnitide desta fraude.
  • Mohamed Attcka Todomundo  10/11/2013 19:32
    legais esses artigos leandro.

    vc conhece alguma previsao de qando esses ativos dos bancos terminarao de serem comprados pelo Fed?

    e qando terminar, vc pensa q eh qando os bankeiros vao começar uma fase de expansao do crédito c/ esse dimdim todo em reserva?

    e vc vê algum atrator p/ esse dimdim, em algum lugar da economia? (eh. tô pedindo uma dica de investimento)
  • IRCR  06/11/2013 22:47
    A concessão de crédito na Irlanda só vem caindo

    www.tradingeconomics.com/ireland/loans-to-private-sector

    E mesmo salvando os bancos na Irlanda, houve uma deflação monetaria

    www.tradingeconomics.com/ireland/money-supply-m2
  • Pedro Ivo  07/11/2013 13:50
    Leandro, notei que o autor usa gráficos produzidos pelo Federal Reserve Bank of St. Louis. Já vi um gráfico desta filial da reserva federal num artigo ou postagem sua, em que você mostrava que - ao contrário do que afirmam Milton Friedman e Ana Schwartz - durante o período posterior ao Crack de 1929 ouve aumento de liquidez. É só coincidência ou o Federal Reserve Bank of St. Louis tem função específica de elaboração de estatísticas?
  • Leandro  07/11/2013 14:18
  • Lucineia  07/11/2013 15:05
    Interesting analysis. I would like to read something that show the forecasts for economic crisis future. What I feel living in European country is that nobody knows for sure, when this recession will end, or if it might take yet another decade.
    Finally, I believe big banks can and should absorb the results of their failures investment, because the bank has the power to decide where and when to invest. In the end, the citizen should not be responsible for debt to paid by the mistakes made by the financial banks.
  • IRCR  07/11/2013 19:18
    Leandro,

    BCE baixou para 0,25% o juros hj, considerando que continue sem grandes expansões de crédito na zona do EURO, pq o BCE continua abaixando o juros ? seria desespero ? ou uma forma de entupir os bancos e grandes investidores de dinheiro barato ? para bombar artificialmente as bolsas

    Ironicamente dizendo seria melhor baixar o juros para -10% negativo e jogar dinheiro literalmente do helicoptero kkk
  • Leandro  07/11/2013 19:35
    "considerando que continue sem grandes expansões de crédito na zona do EURO, pq o BCE continua abaixando o juros ? seria desespero ? ou uma forma de entupir os bancos e grandes investidores de dinheiro barato ? para bombar artificialmente as bolsas"

    Tudo isso. Mas há também o intuito de baratear o financiamento dos déficits dos governos. Isso é crucial, dado que os PIIGS estão em situação de insolvência.
  • IRCR  07/11/2013 20:03
    Leandro,

    Mas quem se interessaria em comprar titulos a 0,25% de um Grecia ou Irlanda ou qualquer pais do EURO ? como que eles conseguiriam rolar suas dividas com juros tão baixos ?
  • Leandro  07/11/2013 20:31
    Quem se interessaria? Os próprios bancos destes países.

    Com a entrada em vigor de Basileia III -- que obriga os bancos a elevarem seu capital e a reduzirem seus ativos de risco (empréstimos ao setor privado) em relação ao próprio capital --, fazer empréstimos para o governo passa a ser um bom negócio. Títulos do governo não são considerados ativos de risco e, portanto, não exigem que os bancos tenham de reservar capital para lastreá-los. Logo, bancos podem comprar títulos do governo à vontade, pois eles não são enquadrados nas novas regras de Basileia III.

    Era tudo que os governos queriam: não mais terão de concorrer com o setor privado por empréstimos junto ao sistema bancário.
  • Pablo  08/11/2013 11:46
    Leandro;

    Com relação às novas regras de Basileia III.
    Caso as taxas de juros Americanas venham a subir em 2014, poderiamos esperar uma pressão maior de aumento na SELIC aqui no Brasil?

  • Leandro  08/11/2013 12:59
    A pressão já existe hoje e já está ocorrendo. Logo, tudo vai depender da intensidade com que ela ocorra agora. (Mas não visualizo o Fed subindo os juros).
  • Pablo  08/11/2013 17:02
    Imaginas a SELIC em junho/14 a quantos %?
    12?
  • Leandro  08/11/2013 17:43
    Nem ideia. Se eu soubesse, já estaria especulando.
  • Pedro  07/11/2013 21:31
    Eu estou aprendendo sobre economia e tenho uma dúvida bem simples, o autor diz que o PIB nominal desconsidera o efeito da inflação no país, mas não é o real que desconsidera essa fator? O nominal não é o PIB a preços constantes? Ele faz uma analise em "base 100" medindo a evolução do PIB em um período (pós crise), isso é Current Price, PIB REAL, Fiquei realmente confuso, espero que ajudem!

    Obrigado!
  • Leandro  07/11/2013 21:58
    Você se confundiu com os termos, mas raciocinou corretamente.

    PIB nominal é o PIB a preços correntes. Já o PIB real é o PIB a preços correntes dividido por um deflator.

    Sobre a questão da base 100, não entendi a sua dúvida. Trata-se de um método matemático extremamente comum. Você pega um valor de um determinado ano (que será o ano-base), atribui a este valor o número 100, e então, para os outros anos, trabalha com a porcentagem relativa ao valor do ano-base.

    Exemplo: suponha que em 2008 o PIB foi de $500, em 2009 foi de $600, e em 2010 foi de $700.

    Para 2008, você atribui o valor 100. Sendo assim, em 2009 seu valor será de 120 (pois 600 é 20% maior que 500, ou 1,2 vezes 500) e em 2010 será de 140 (pois 700 é 1,4 ou 40% maior que 500).

    Esta metodologia obviamente funciona tanto para PIB real quanto para nominal.
  • IRCR  08/11/2013 07:32
    Leandro,

    Existe alguma estatistica oficial ou não de quanto os bancos estão financiando esses governos ?
    no caso dos bancos comprando esses titulos, os governos teriam que emitir mais titulos da divida ? mais isso não elevaria mais ainda a divida bruta desses paises ? que já estão nas alturas
    Essa politica não poderia ser inflacionista nos preços ? e por fim quando vc diz que não há risco é pq quem paga a conta caso o governo não honre é o povo mesmo né ? hehe
  • Leandro  08/11/2013 11:06
    "Existe alguma estatistica oficial ou não de quanto os bancos estão financiando esses governos?"

    Certamente que sim, e muito provavelmente no site do BCE. Nunca tive a curiosidade de procurar.

    "no caso dos bancos comprando esses titulos, os governos teriam que emitir mais titulos da divida?"

    Não apenas no caso dos financiamentos via sistema bancário, mas sim via qualquer financiamento. Sempre que o governo recorre a empréstimos, ele o faz via emissão de títulos. Sempre. Não importa se quem vai comprar estes títulos é o sistema bancário ou investidores; governos sempre lançam títulos para conseguir empréstimos.

    "mais isso não elevaria mais ainda a divida bruta desses países, que já estão nas alturas?"

    Certamente.

    "Essa politica não poderia ser inflacionista nos preços?"

    Se os títulos forem comprados pelo sistema bancário, sim, pois aí estará havendo criação de dinheiro. Se for comprado por pessoas físicas, como investidores estrangeiros que utilizam dinheiro próprio, não.

    "e por fim quando vc diz que não há risco é pq quem paga a conta caso o governo não honre é o povo mesmo né?"

    "Não há risco" é a definição dos reguladores de Basileia, que classificam os títulos governamentais como de risco baixo ou nulo, contra os quais os bancos não precisam manter capital. Esta é a definição deles, e não minha.
  • Diego  11/11/2013 14:21
    Pra mim tem uma coisas coisas que não batem nesse artigo, se alguém puder explicar ficaria grato.


    Primeiro; Se os bailouts endividaram tanto a Irlanda a ponto de estagnar seu crescimento agora, como é que houve deflação e não inflação? Como é que ficou/fica a poupança nessa história?


    Segundo; Se houve tamanha inflação na Islândia e controle de capitais, como é que a econômia deles agora aparenta se recuperar de forma muito mais rápida que a irlandesa? Pois, isso deveria ter matado a poupança e limitado a recuperação a médio/longo prazo.
  • Leandro  11/11/2013 14:46
    "Se os bailouts endividaram tanto a Irlanda a ponto de estagnar seu crescimento agora, como é que houve deflação e não inflação?"

    O governo, via impostos e via emissão de títulos, arrecadou dinheiro da população para dar aos bancos. Isso aliviou os balancetes dos bancos, que, no entanto, seguem sem emprestar.

    Não entendi por que você acha que isso deveria ter gerado uma grande inflação de preços. Isso sim é que seria estranho.

    "Como é que ficou/fica a poupança nessa história?"

    Não sei. Não dá para saber se baseando apenas no que foi descrito acima.

    "Se houve tamanha inflação na Islândia e controle de capitais, como é que a econômia deles agora aparenta se recuperar de forma muito mais rápida que a irlandesa?"

    Porque partiram de uma base numérica baixa. Isso é matemática pura. Veja o gráfico 2 e note que eles ainda estão muito longe dos níveis pré-2008. Não há nada de impressionante em uma recuperação que ainda lhe deixa longe do seu nível anterior.

    "Pois, isso deveria ter matado a poupança e limitado a recuperação a médio/longo prazo."

    Este é exatamente o problema de se confiar em números de PIB. Eles estão diretamente relacionados com a inflação monetária. Há vários artigos sobre isso no site.
  • Diego  11/11/2013 16:24
    Ok, agora acho que estou començando a entender, mas...



    "O governo, via impostos e via emissão de títulos, arrecadou dinheiro da população para dar aos bancos. Isso aliviou os balancetes dos bancos, que, no entanto, seguem sem emprestar.

    Não entendi por que você acha que isso deveria ter gerado uma grande inflação de preços. Isso sim é que seria estranho. "



    \\"1. Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação adicional de dinheiro."-www.mises.org.br/Article.aspx?id=1296

    Emissão de títulos não causam inflação? O governo não está emprestando esse dinheiro as bancos para eles ganharem liquidez? Porque se espera deflação neste caso? Se a inflação é extranha pelas medidas tomadas pela Irlanda, porque a deflação seria normal?

    "Porque partiram de uma base numérica baixa. Isso é matemática pura. Veja o gráfico 2 e note que eles ainda estão muito longe dos níveis pré-2008. Não há nada de impressionante em uma recuperação que ainda lhe deixa longe do seu nível anterior."

    Sim, eu entendi a normalização feita, talvez não tenha sido claro. Se a inflação matou a poupaça e o consumo a longo prazo e, portanto, os investimentos, como a Islândia recupera sua econômica numa taxa de 5% (pelo gráfico dá isso) ao ano? Na melhor das hipóteses, deveriamos ver uma suavização (não a constância que está sendo apresentada no gráfico) a medida que o tempo passa, dado que não há folego, porque não há poupança.
  • Leandro  11/11/2013 16:56
    "Emissão de títulos não causam inflação? O governo não está emprestando esse dinheiro as bancos para eles ganharem liquidez? Porque se espera deflação neste caso? Se a inflação é extranha pelas medidas tomadas pela Irlanda, porque a deflação seria normal?"

    Não basta o governo dar dinheiro aos bancos; os bancos têm de emprestar este dinheiro. Se não emprestarem, não há inflação. Mais ainda: os bancos têm de emprestar um volume de dinheiro muito maior do que aquele que receberam. Na Irlanda, isso não ocorreu. Por causa do estouro da bolha imobiliária naquele país, o que gerou vários calotes em hipotecas, os bancos se tornaram insolventes. E bancos insolventes, com balancetes afetados, não concedem empréstimos. Isso é uma regra contábil já explicada aqui.

    "Se a inflação matou a poupaça e o consumo a longo prazo e, portanto, os investimentos,"

    Isso nunca foi dito no artigo. E nem poderia. Uma inflação de preços de 20% em um único ano não é capaz de "matar a poupança, o consumo e o investimento no longo prazo". O que faz isso é hiperinflação prolongada, e não uma mera inflação de preços de 20% em apenas um ano. Não faça generalizações indevidas.
  • Diego  11/11/2013 17:30
    Acho que entendi o caso da Irlanda, o problema é que eles agora tem que pagar a dívida que contraíram nos bailouts, então não tem dinheiro suficiente para investir e crescer, é isso?


    Sobre a Islândia eu não afirmei nada, só estou tentando perguntar algo me baseando numa hipótese. Acho que a pergunta que estou tentando fazer é o porque de sua última resposta. Se o crescimento é devido a inflação, não se espera que o crescimento comece a diminuir ao se aproximar do nível pré-crise? No gráfico ele se mantem em 5%.
  • Michel  11/11/2013 17:35
    "Se o crescimento é devido a inflação, não se espera que o crescimento comece a diminuir ao se aproximar do nível pré-crise?"

    Por quê?

    "No gráfico ele se mantem em 5%."

    O PIB real atual ainda é 25% menor do que o de 2008. Ainda tem "muito espaço" pra crescer muito.
  • Pedro Ivo  11/11/2013 19:41
    O PIB real atual ainda é 25% menor do que o de 2008. Ainda tem "muito espaço" pra crescer muito.

    Não necessariamente. PIB é uma medida financeira (mostra o volume de transações em dinheiro numa economia [vide As falácias sobre o PIB brasileiro]), não de capital instalado ou produtividade deste capital. O PIB podia ser alto porque havia muita circulação financeira na Islândia, devido à alavancagem. Pode ter sido estritamente capital especulativo, sem haver instalado nenhuma estrutura de capital produtivo. Visto o colapso da alavancagem, o PIB sofreu redimensionamento, e pode ficar nisto, sem recuperação aos níveis de 2008 por absoluta ausência de estrutura de capital para isto, ou de circulação financeira para tal.

    Outrossim, suponhamos que a ascensão do PIB, via alavancagem, tenha introduzido uma estrutura de capital nova na Islândia. O colapso subsequente pode haver denunciado que esta estrutura de capital é inoperável no ambiente pós-colapso. Não é uma estrutura de capital genuinamente ancorada em poupança real (dos islandeses ou de quem quer que seja) nem em demanda genuína dos consumidores (islandeses ou de quem quer + que seja). Com o fim do sistema altamente alavancado, ficou clara a real estrutura produtiva da Islândia, e o capital instalado durante o a fase de expansão creditícia tornou-se inviável após a correção da recessão. Logo, este PIB 25% menor pode ser isto mesmo: uma circulação financeira 25% menor, sem qualquer base produtiva para recuperação via produção de bens, e portanto não haverá giro financeiro na forma de compra destes bens para colocar o PIB em patamares anteriores.

    Por ex.: a ALCOA (empresa estadunidense de produção de alumínio, siderúrgica e metalúrgica) pretendia explorar uma mina de minério de alumínio na Islândia, e depois processar o minério, contanto o estado islandês construísse uma hidroelétrica para fornecer a energia. Após 2008, não sei o que ocorreu com esta usina, que já estava atrasada e com orçamento estourado na época. Não sei se a Islândia, sem a alavancagem anterior, é capaz de concluir este projeto. Ótimo ex. de estrutura de capital inviável, e cuja sinalização distorcida da economia - evidenciando uma poupança inexistente através de uma taxa de juros irrealmente baixa - foi passada ao estado e a investidores.
  • Mohamed Attcka Todomundo  11/11/2013 21:41
    Esqueci-me de postar este artigo que explica as opiniões de minha postagem anterior: Expansão do crédito e investimentos improdutivos. Boa leitura!
  • Emerson Luis, um Psicologo  11/11/2013 16:15
    Os dois países erraram, mas parece que a Irlanda só não errou mais porque não pôde.

    * * *
  • Pedro Ivo  11/11/2013 17:01
    ... ou dito doutro modo: governos não mudam, salvo como não deveriam
  • Jonathan Cano  20/11/2013 13:15
    Um vídeo sobre o tema que achei interessante relacionado a politica da Irlanda que utilizou dinheiro de impostos para socorrer seus bancos.

    Alguém ai se arriscaria a responder esse cara já que o palestrante não respondeu???

    https://www.youtube.com/watch?v=qpc-Au-kQIo

    Para mim essa politica é uma forma de transferir renda para a fatia da população mais rica aumentando o acumulo de capital e desigualdade. Usam recursos dos contribuintes que deveriam ser destinados em bens e serviços públicos para a população, mas ao invés disso eles realizam resultados primários onde o governo arrecada mais do que gasta para pagar uma dívida que em grande parte se deve não ao gasto público em bens e serviços realizados pelo governo maior do que sua receita, mas sim injetando Bilhões/Trilhões de dólares/Euro para salvar bancos (vide politica monetária dos USA salvando bancos e colocando essa dívida como publica para a população pagar por intermédio de impostos sobre seus trabalhos, consumos, patrimônio, renda) que fizeram alavancagem de derivativos sobre títulos de risco e depois não valiam mais nada.
  • Mauricio.  25/11/2013 04:20
    Pessoal, vocês já leram este artigo do Washinton Post?

    A surprising map of the best and worst countries to be born into today
    www.washingtonpost.com/blogs/worldviews/wp/2013/01/07/a-surprising-map-of-the-best-and-worst-countries-to-be-born-into-today/

    Achei especialmente interessante este trecho:

    The best countries to be born in are small, peaceful, homogenous, liberal democracies
    .
    Yes, it's yet another international ranking on individual well-being where the Nordic countries come out on top, alongside Ireland, Australia, New Zealand and Canada. The top 15 also include Austria and Switzerland, which seem to meet similar criteria. The three best places to be born are, in order: Switzerland, Australia and Norway.

    Here's a surprise: the top-ranked countries also include Asia's two super-rich city-states, Hong Kong and Singapore, as well as Taiwan. I'll admit to being surprised by the data's suggestion that a newborn today is better off being Taiwanese than American or German, particularly because Taiwan's aging population and declining birthrate could lead the economy to decline. But Taiwan does enjoy good political freedoms and improving health and living standards.

    There is some interesting variation among the top-ranked countries. New Zealand ranks seventh overall even though its GDP per capita is low compared to many worse-ranking European countries. Singapore, though ranked sixth, is not a liberal democracy by any stretch, and life satisfaction in the hyper-competitive city seems relatively low. But it sure is rich.
  • Pobre Paulista  31/05/2014 13:07
    Ao contrário do que diz a matéria, não é surpresa alguma encontrar Hong Kong e Singapura nesta lista. Esses 2 micro-países são hoje o exemplo mais ululante de como o livre mercado é o único meio de trazer prosperidade a todos.
  • Mohamed Attcka Todomundo  15/12/2013 22:21
    achei umas informaçoes sobre a islandia q podem interessar vcs.

    Protestos contra a crise financeira na Islândia em 2008-2009 wikipedia portuguesa

    Como a Islândia enfrentou a crise reportagem portuguesa
  • Pedro Ivo  16/12/2013 11:33
    Vejam este também, sobre o modo como subsídios estão provocando toda sorte de distorção na Europa. A Europa dos Euros Esbanjados
  • JBALL  02/03/2014 21:42
    E o pacote de 6 bilhões do FMI pra Islândia?
  • Guilherme  02/03/2014 22:13
    Excelente para os bancos e para os políticos.
  • anônimo  31/05/2014 04:16
    Leandro ou quem puder,

    Li num artigo que a islândia só se recuperou da crise porque houve estatização de bancos.

    Segundo o autor os bancos viking bank, larson bank e suédson union foram estatizados e isso foi fundamental para explicar a saída da islândia da crise.

    Alguém tem algo sobre essa estatização? Neste artigo do mises, o autor não fala disso...

  • Jose   31/05/2014 09:51
    O problema é o eufemismo. Vamos então utilizar os termos corretos: o governo utilizou dinheiro de impostos para capitalizar os bancos, o que equivale a uma aquisicão do capital social destes bancos. Feito isso, o governo assumiu o controle dos ativos podres (empréstimos que foram caloteados) dos bancos e absorveu o calote deles. Igualmente, decretou também que esses bancos não mais pagariam suas dívidas com instituições de outros países. Um presentaço para banqueiros incompetentes (que ganharam uma injeção de capital e foram liberados de suas obrigações) e um salvo-conduto para futuras lambanças.

    Vale notar que, sem a intervenção do governo, os bancos teriam sofrido o calote e os banqueiros virariam mendigos.

    Que a esquerda tenha aplaudido essa bolsa-banqueiro é algo que diz muita coisa sobre seu caráter.

    Havia uma solução muito mais completa, que é essa:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553
  • Filosofo comum  31/05/2014 10:35
    Imaginei que a Islandia tinha deixado os bancos Falirem sozinho e virarem os próprios CEOs mendigos, o Calote não era certo?
  • Marcos  31/05/2014 11:29
    Era o que deveria ter acontecido. Mas não. O governo assumiu os bancos, os bancos foram caloteados, e o governo entregou a fatura pros cidadãos. E a esquerda aplaudiu.
  • anônimo  02/06/2014 18:42
    Obrigado! O que eu queria era sintetizar isso mesmo! Valeu!
  • Eduardo R., Rio  10/04/2015 18:10


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