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Cinco maneiras de se criar um monopólio

É muito difícil manter um monopólio se você opera em um ambiente econômico genuinamente livre, no qual não há barreiras regulatórias, burocráticas e tributárias erguidas pelo estado contra o surgimento de concorrentes.

O problema é que este arranjo em que o estado permite a existência de uma genuína livre concorrência — e que, consequentemente, é formado por empresas cobrando preços baixos e continuamente colocando novos produtos no mercado — infelizmente é algo do passado.

No mundo atual, políticos estão sempre prontos para oferecer a qualquer magnata ávido por controlar toda uma indústria a chance de brilhar.  Tarifas de importação, agências reguladoras criadas para cartelizar mercados e proteger empresas favoritas, leis especiais, códigos tributários indecifráveis e impossíveis de serem cumpridos pelos pequenos empresários, burocracias ininteligíveis, e subsídios aos reis — estas são as maneiras mais garantidas de se criar monopólios e de garantir que nenhum grande empresário jamais tenha de passar aperto concorrendo no livre mercado.

A seguir, uma pequena lista contendo as cinco maneiras mais eficazes de se estabelecer um monopólio.  Todas essas medidas são alegremente defendidas pelas grandes empresas.

1. Regulamentações

Quando o custo de se empreender é alto, aumente-o ainda mais, e com isso aniquile a concorrência dos pequenos.  Pequenas empresas não conseguirão sobreviver às regulamentações impostas pelo governo, ao passo que as grandes empresas certamente serão capazes de arcar com este fardo, ao menos temporariamente.  Impostos, decretos, leis especiais e principalmente regulamentações específicas irão dizimar qualquer sombra de concorrência antes mesmo que estes coitados tenham tempo de perguntar o real significado das novas e indecifráveis leis.  As grandes empresas irão contratar lobistas para ir ao Congresso, e estes certamente serão capazes de convencer os burocratas de que aquele setor da economia em que tais empresas operam deve estar sujeito a normas mais rígidas e estritas.  Ao contrário do senso comum, agências reguladoras e grandes empresas são sólidas aliadas.

2. Subsídios

Não existe almoço grátis.  Porém, quando o governo está pagando o almoço, ele de fato tem sabor de gratuidade.  Subsídios governamentais permitem que empresas adquiram um status monopolista ao mesmo tempo em que supostamente mantêm um enfoque no consumidor.  Utilizar dinheiro do governo para aumentar suas receitas de maneira arbitrária permitirá a você reduzir acentuadamente seus preços, e ainda assim manter a sua lucratividade.  Você poderá agora dar gratuitamente um item que até então custava $10 e, com a ajuda do subsídio de $1 milhão gentilmente concedido pelo governo, continuar operando normalmente.  Seus concorrentes, por outro lado, terão de se virar dentro da crua realidade do mercado.  Ainda que eles de alguma forma consigam reduzir seus preços para $1,00 a unidade, qual consumidor irá abrir mão de um produto que está sendo literalmente dado de graça? 

Uma variante desse arranjo ocorre quando o governo utiliza agências estatais de fomento para conceder empréstimos subsidiados às suas empresas favoritas.  As consequências são idênticas.  Para os amigos do rei, as delícias dos juros artificialmente baixos; para os reles mortais, a dureza do mercado.

O subsídio não necessariamente tem de durar para sempre.  Levará apenas algumas semanas para que seus concorrentes comecem a perder receitas e a dar o calote em suas dívidas pendentes.

3. Nacionalização

Este é o método favorito dos políticos e burocratas.  A maneira mais fácil e mais direta de se criar um monopólio é simplesmente transformar o monopólio em lei.  O controle federal sobre toda uma indústria representa uma efetiva proibição à concorrência do setor privado.  Pense nos Correios e — em vários países — no setor petrolífero.  Quem estiver à procura de um pavoroso exemplo prático de ineficiência, déficits perpétuos e total falta de consideração pela qualidade dos serviços, apenas olhe para um monopólio estatal. 

Ainda assim, a defesa da nacionalização é onipresente: basta você dizer que um determinado setor deve ser monopolizado "para o bem do povo" e, em seguida, fazer perorações a respeito do papel de suma importância desempenhado pelo Ministério da Educação ou por outras burocracias estatais que as pessoas consideram sagradas e intocáveis, e sua argumentação será prontamente aceita.

4. Tarifas de importação

Estrangeiros podem ser um aborrecimento.  Alguns são barulhentos, outros são esquisitos.  Mas os piores são aqueles que competem conosco no mercado.  Por que permitir que eles vendam para nós os seus produtos?  Por exemplo, empresas chinesas produzem determinadas mercadorias a preços muito baixos e ainda têm a petulância de pensar que podem exportar seus produtos baratos para o nosso país.  Quem em sã consciência iria querer ter acesso a produtos baratos?

Se um chinês quer vender um pano a $2, mas a nossa indústria nacional não aceita vender por menos de $5, então o certo é proibir os chineses de satisfazer nossos consumidores.  Eles não podem simplesmente agir como se entendessem o real funcionamento do mercado.  É perigoso.  O certo é impor a eles tarifas de importação elevadas e desestimulantes.  Melhor ainda seria propor uma proibição total à venda de produtos estrangeiros dentro de um estado e dentro de uma cidade, de modo a isolar aquela localidade do resto do mundo.  Ato contínuo, ninguém poderá comprar nada de nenhum outro fornecedor que não seja o grande industrial nacional.  Esse é o caminho para a riqueza.  Para a riqueza dele, é claro.

6a00d8341c630a53ef00e54ff8d9eb8833-800wi.jpg5. Propriedade intelectual

Se você teve uma boa ideia, por que permitir que uma outra pessoa qualquer tenha a mesma ideia?  Pegue a sua ideia, escreva-a num papel com as letras mais garrafais possíveis, e peça sua imediata patente.  Ato contínuo, burocratas irão garantir a você o direito exclusivo de utilizar essa ideia.  E nem precisa se preocupar caso outra pessoa tenha essa mesma ideia apenas um dia depois, azar o dela.  Você preencheu a papelada antes.  Mesmo que outra pessoa do outro lado do globo tenha a mesma ideia, azar o dela.  Você aquiesceu com a burocracia antes.  Explore seu monopólio com júbilo.  Coloque um alto preço no produto e não mais se preocupe com a qualidade.  Você agora é livre para ignorá-la.  Afinal, o que os consumidores irão fazer: comprar seu produto exclusivo em outro lugar?

 

A todos aqueles que conseguiram se encaixar em uma das categorias acima, usufruam gostosamente seus privilégios.  Vocês merecem.


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autor

Brian LaSorsa
é colunista do Huffington Post e contribui esporadicamente para o jornal Washington Examiner e para a revista The American Conservative.


  • Trevor Reznik  04/11/2013 13:05
    Exemplo fresquinho ilustrando o ponto 4 do texto:

    oglobo.globo.com/economia/camex-adota-antidumping-importacoes-de-compostos-quimicos-da-alemanha-eua-10676601

    Camex adota antidumping a importações de compostos químicos da Alemanha e EUA

    A Câmara de Comércio Exterior (Camex) adotou direitos antidumping por até cinco anos às importações dos compostos químicos etanolamina e trietanolamina vindos da Alemanha e dos Estados Unidos, segundo resolução publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira.

    A determinação vale para empresas como a alemã Basf e a americana Dow Chemical.
    Segundo a decisão, será cobrada uma alíquota sobre o preço de importação de 41,2% no caso das importações dos produtos de fabricantes alemãs, incluindo a Basf.
    Para os produtos vindos dos Estados Unidos, a alíquota será de 59% para a Dow Chemical, 7,4% para a Ineos Oxide, e 59,% para as demais empresas.

    A resolução atende ao pedido da Oxiteno Nordeste, que em dezembro de 2011 protocolou petição de abertura de investigação de dumping nas exportações dos produtos pela Alemanha e pelos EUA.
  • Alexandre  04/11/2013 15:33
    TARIFAS DE IMPORTAÇÃO - Para quem trabalha com produtos importados, sugiro ler a Resolução do Senado Federal n.º 13/2012. - ICMS Interestadual passa a ser de 4%.
  • Ingo Hermann  04/11/2013 15:33
    Análise perfeita apresentada pelo Brian nos primeiros 4 tópicos. Em relação a propriedade intelectual, me parece um pouco deslocada do contexto. Mesmo que se queira trilhar uma análise ideológica sobre o tema (e foi assim no início), no que diz respeito ao direito de propriedade privada sobre coisas, a propriedade intelectual é constituída juridicamente com a finalidade de tornar possível a autodeterminação patrimonial dos indivíduos (empresas, ou grupo de pesquisa). Mesmo que uma empresa, para não fugir do contexto, tenha o registro (burocrático) de sua intelectualidade ou propriedade (patente), nada obsta que outra empresa inove e faça melhor. Talvez um bom exemplo seja Microsoft e Apple. Sistemas operacionais com a mesma finalidade, porém distintos, cada um com seu público. Não vejo porque colocar a propriedade intelectual no "mesmo saco" que os demais ítens, estes sim, altamente perniciosos a economia e a nação.
  • anônimo  04/11/2013 16:34
    Artigos sobre o assunto 'Propriedade Intelectual'
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=23
  • Tiago RC  05/11/2013 10:31
    "Não vejo porque colocar a propriedade intelectual no "mesmo saco" que os demais ítens, estes sim, altamente perniciosos a economia e a nação."

    Porque a "propriedade intelectual" é altamente perniciosa à economia e à humanidade ("nação", sério?).

    Já trabalhei numa empresa que pagava 2 mil euros para cada funcionário que conseguisse descolar uma patente, mesmo que a patente nunca seja usada e não sirva para nada. O único propósito é ter armas contra outras grandes empresas. Cartas na manga para poder usar num eventual processo. E se proteger também dos patent trolls, empresas cuja única razão de ser é processar outros por violação de propriedade intelectual. Graças a isso tudo, um volume incalculável de recursos é desperdiçado com inutilidades. Esses recursos poderiam estar sendo muito bem aproveitados em funções úteis à humanidade.

    E sério, leia sobre a ética da propriedade privada. A "propriedade intelectual" é anti-ética por definição. Causar uma externalidade positiva a alguém não te dá nenhum direito sobre as propriedades desse alguém. Esse fato por si só invalida toda argumentação ética em defesa da propriedade intelectual. O máximo que pode ser aceito são contratos, mas esses têm que ser voluntariamente aceitos por quem você pretende atacar judicialmente. Você não deve ter nenhum recurso jurídico contra alguém que não aceitou o contrato. Mas de fato, com bons contratos, você pode criar uma escassez artificial do teu produto/serviço por tempo suficiente para reembolsar eventuais custos incorridos em pesquisa. O pioneirismo é também comprovadamente vantajoso no mercado. E independente se você vai conseguir reembolsar ou não, você não tem direito de agredir alguém que não agrediu ninguém, isso vem antes de tudo.
  • gabriel  04/11/2013 16:16
    farei um comentario desconexo com o texto, na verdade um pedido de sugestao se possivel.

    existe algum local em q eu possa encontrar dialogos, troca de ideias, ou discussoes entre ideias libertarias e outras vertentes como conservadores ou esquerdistas? gosto de ler diferentes ideuas e replicas referentes a elas. Encontro isso com certa frequebcia aqui no mises, mas gostaria de encontrar outros meios.

    Pergunto pois pesquisei em videos do youtube, outros forum conservadores e esquerdistas mas na maiotia dos lugares fica se nao proibido, muito diminuto o dialogo.

    Normalmente encontro apenas palestra sobre isso ou aquilo mas sem contrapobtos e acho interessante vozes divergentes o q eh dificil achar em qualquer meio, parece q todos querem ouvir mais do mesmo e se auto afirmar. (nao estou de maneita alguma tecendo critica ao mises ja que eh um dos poucos lugares q pouco algumas, mentes) se alguem puder me indicar fico grato.
  • Tiago RC  05/11/2013 10:57
    Bom, não é um fórum exatamente destinado a isso que você quer Gabriel, mas na seção de política do fórum BitcoinTalk você vai encontrar infinitas discussões entre libertários e esquerdistas do tipo "Occupy Wall Street". Tem alguns melancias e uns conservadores também por lá.
  • Pobre Paulista  05/11/2013 11:36
    O que seriam "melancias"? São pessoas vermelhas e cheias de água?
  • Cleiton  05/11/2013 12:48
    Sujeitos que usam ambientalismo como desculpa para defender políticas socialistas/comunistas.

    Verdes por fora mas vermelhos por dentro.
  • Pobre Paulista  05/11/2013 13:51
    Haha, boa.

    Mas eu ainda prefiro o tradicional "goiaba" Hehe... Dá no mesmo!
  • Vito Fontenelle  05/11/2013 10:44
    E se eu copiar esse texto, montar um blog e falar que o texto é meu. E fazer isso com todos os textos que você publica, copia-los e, continuar postando no meu blog e continuar dizendo que é meu.
    Os sistemas operacionais que o amigo citou acima não é um bom exemplo, porque cada sistema operacional é um sistema diferente, o que a Microsoft fez não foi copiar o OS da Apple, mas criar um OS tão eficiente quanto o da Apple. E são todos fortemente influenciados pelo UNIX. Mas não são cópias.
    Propriedade intelectual é propriedade privada. Copiar algo é simplesmente falta de criatividade.
    Agora pega uma ideia e melhora-la, a ponto de criar uma ideia nova a partir de uma ideia antiga, é outra coisa. Foi por exemplo o que a Microsoft fez pegou a ideia de um sistema operacional monolítico(UNIX) e aperfeiçoou, a tal ponto de um usuário conseguir diferenciar completamente um sistema UNIX de um sistema MS-DOS.
  • Equipe IMB  05/11/2013 11:21
    Pode ficar à vontade. Aliás, realmente encorajamos você a fazer isso.
  • Vito Fontenelle  05/11/2013 11:48
    Sinceramente, eu não entendo, o IMB é a favor do pirates bay? Copia pela copia, venda quem tiver a melhor publicidade, cantor não é dono de sua música, mas sim o coletivo. Enfim, esse tipo de coisa?
    No que diz respeito ao direito autoral(que é propriedade intelectual) um músico não tem direito a ganhar dinheiro quando uma música, de sua autoria é tocada por outro artista?
    Se um editor, fulano de tal, pega um livro, que foi deixado pelo autor para ele editar. E o editor após um tempo lança um livro idêntico, o autor não tem direito de pedir reparação?
    Atacar a propriedade intelectual, de forma tão vazia como o autor desse texto fez, parece inveja da criatividade do outro.
    O cara tem direito de defender a propriedade intelectual dele, contra cópias, da mesma forma que tem o direito de defender a sua casa contra invasão: usando a força.
  • Hoppe  05/11/2013 11:54

    A ideia de direitos de propriedade intelectual não apenas é errada e confusa, como também é muito perigosa. E eu já comentei por que é assim. Ideias — receitas, fórmulas, declarações, argumentações, algoritmos, teoremas, melodias, padrões, ritmos, imagens etc. — certamente são bens (na medida em que são bons e úteis), mas não são bens escassos. Tão logo as ideias são formuladas e enunciadas, elas se tornam bens não escassos, inexauríveis. Suponha que eu assobie uma melodia ou escreva um poema, e você ouça a melodia ou leia o poema e, ato contínuo, os reproduza ou copie. Ao fazer isso, você não expropriou absolutamente nada de mim. Eu posso assobiar e escrever como antes. Com efeito, o mundo todo pode copiar de mim e, ainda assim, nada me foi tomado. (Se eu não quiser que ninguém copie minhas ideias, tudo que eu tenho de fazer é mantê-las par mim mesmo, sem jamais expressá-las.)

    Agora, imagine que eu realmente possua um direito de propriedade sobre minha melodia de tal modo que eu possa proibir você de copiá-la ou até mesmo exigir um royalty de você caso o faça. Primeiro: isso não implica, por sua vez, que eu também tenha de pagar royalties para a pessoa (ou para seus herdeiros) que inventou o assobio e a escrita? Mais ainda: para a pessoa (ou seus herdeiros) que inventou a linguagem e a criação de sons? Quão absurdo é isso?

    Segundo: ao impedir que você assobie minha melodia ou recite meu poema, ou ao obrigá-lo a pagar caso faça isso, estou na realidade me transformando em seu proprietário (parcial): proprietário parcial de seu corpo, de suas cordas vocais, de seu papel, de seu lápis etc. porque você não utilizou nada exceto a sua própria propriedade quando me copiou. Se você não mais pode me copiar, então isso significa que eu, o dono da propriedade intelectual, expropriei de você a sua "real" propriedade. Donde se conclui: direitos de propriedade intelectual e direitos de propriedade real são incompatíveis, e a defesa da propriedade intelectual deve ser vista como um dos mais perigosos ataques à ideia de propriedade "real" (sobre bens escassos).
  • Pedro.  05/11/2013 15:07
    Ora Hoppe,

    suponha que vc esteja caminhando e um sujeito lhe passe a mão no traseiro. Vc não vai ficar sem o traseiro e então concorda com isso.

    Se for mulher poderá ter a saia levantada e dedos introduzidos, já que não perderão nada com isso. Talvez até defendas o estupro, já que também não se perde o corpo nem parte dele.

    Francamente, estes Marx-liberalóides em nada diferem dos Marxistas seja moralmente ou intelectualmente.
  • Hoppe  05/11/2013 19:00
    Esse seu exemplo, além de um incrível mau gosto, é de uma de uma incapacidade intelectual assombrosa. Meu corpo é minha mais absoluta propriedade; ninguém tem autorização de tocar nele sem meu consentimento. Qualquer pessoa que faça isso estará incorrendo em agressão contra um inocente. E o princípio da não-agressão a inocentes é o princípio mais básico da doutrina libertária, cujo básico você pelo visto desconhece.

    Já ideias não são minha propriedade. A partir do momento em que eu vocalizo uma ideia, ela deixa de ser monopólio meu. Se eu utilizar o estado para impingir esse monopólio, estarei, aí sim, sendo um "marxista-liberalóide-imbecilóide", exatamente como você.
  • anônimo  05/11/2013 19:13
    Complementando Hoppe, uma idéia é algo abstrato, intangível. Se ela está na sua mente, ela é uma maneira dos seus neurônios agirem. Ela não existe por si só, precisa de um meio. Querer ser dono de uma idéia é querer ser dono do meio - no caso, da mente das outras pessoas. O mesmo vale para dados num computador. Se o computador é meu, a maneira que os átomos no disco rígido são organizados não importa. Ele continua sendo meu. Você ser dono de uma maneira específica desta organização implicaria que eu não sou, de fato, dono do computador.
  • Vito Fontenelle  05/11/2013 19:22
    @ Hoppe

    Então, você acredita na força do coletivo em detrimento do indivíduo, isto é você acredita em bens coletivos? Uma ideia divulgada é não do indivíduo, mas sim da coletividade? A ideia é criada pelo bem mais individual do ser humano: o cérebro. São todos diferentes, não existe um cérebro a igual nesse mundo. É uma maquina impressionante, algumas com maior capacidade abstrativa, criativa, é justo roubar a ideia de um cérebro genial? Eu vejo isso como pura inveja da genialidade.
  • Hoppe  05/11/2013 19:39
    É com grande lamento que constato a total mendacidade de algumas pessoas. Isso que você fez, Vito, já nem é questão de interpretação ruim, não. É questão de calúnia, mesmo.

    Fui claríssimo em minha asserção: se eu possuir um direito de propriedade sobre minha melodia de tal modo que eu possa proibir você de copiá-la ou até mesmo exigir um royalty de você caso o faça -- mais ainda, se eu puder impedir que você assobie minha melodia ou recite meu poema --, então estou na realidade me transformando em seu proprietário (parcial): proprietário parcial de seu corpo, de suas cordas vocais, de seu papel, de seu lápis etc. porque você não utilizou nada exceto a sua própria propriedade quando me copiou.

    Se você não mais pode me copiar, então isso significa que eu, o dono da propriedade intelectual, expropriei de você a sua "real" propriedade. Donde se conclui: direitos de propriedade intelectual e direitos de propriedade real são incompatíveis, e a defesa da propriedade intelectual deve ser vista como um dos mais perigosos ataques à ideia de propriedade "real" (sobre bens escassos).

    É você, portanto, quem acredita na total submissão de um indivíduo ao outro.
  • Ali Baba  05/11/2013 12:03
    @Vito,

    Propriedade Intelectual e Direito Autoral são coisas completamente diferentes.

    Economia lida com bens tangíveis. Se eu tenho uma maçã e você tem uma maçã e trocarmos de maçãs, no final cada um termina com uma maçã. Aqui a economia tem o seu domínio! Agora, se eu tenho uma ideia e você tem uma ideia e trocarmos de ideias, no final cada um termina com duas ideias! Aqui a economia perde o sentido: os bens intangiveis não são escassos.

    Por isso, coisas como Propriedade Intelectual são legislações que transformam bens intangíveis em pseudo-bens tangíveis, criando uma escassez onde não existe. Logo são constructos abominados pelos ancaps e apenas tolerados parcialmente pelos minarcos.
  • Pardal  05/11/2013 13:15
    Desculpe-me pela ignorância, mas o que são "minarcos"?
  • Ali Baba  05/11/2013 13:46
    minarcos = minarquistas
    ancaps = anarco-capitalistas

    Duas posições políticas muito frequentes em defensores da Escola Austríaca.
  • Pobre Paulista  05/11/2013 13:49
    Pejorativo para Minarquistas
  • Pedro.  05/11/2013 14:17
    Essa idéia do "não perde nada" é a defesa do estupro.
    Coisa tão cretina quanto a idéia de Marx, que advogava que somente o trabalho braçal produz valor.

    Assim, os defensores da idéia neo Proudhoniana de que que "toda propriedade intelectual é roubo" acabam concordando com Marx na questão de que só o trabalho produz valor e a posse do capital leva à exploração dos trabalhadores braçais através do capital. Afinal, a legalidade burguesa concede direito de propriedade com origem no capital e não apenas no trabalho, já que marx considerava o trabalho intelectual do empreendedor burguês desprezível como valor e por tal seria o capital que lhe atribuia a propriedade sobre o trabalho dos assalariados.

    ...é por aí a base da idéia de Marx e então uns Marx-liberalóides ansiosos por aproveitarem-se da habilidade e esforço intelectual alheio passam a defender o roubo da propriedade intelectual com as devidas exceções, tal qual Marx tb as tinha. ...hehehe!

    ...é a dialética onde pseudo liberalismo produz o socialismo intelectual. ....PQP!
    ...Massa não tem como raciocinar com principios e coerencia, tudo sai da subjetividade, do ACHISMO mais desavergonhado possivel. Principios e lógica não pertencem ao humano demasiado humano ...cuisp!

    Serão necessários milênios para a espécie abandonar o ACHISMO como metodologia sientífica (pois científica não rola). ...cuisp!
  • Jeferson  05/11/2013 14:46
    Aproveitando o embalo, tem um caso que me confunde: software. Todo mundo sabe que é extremamente fácil piratear software, ao passo que pode ser extremamente custoso desenvolver e a maioria das tentativas de impedir pirataria já realizadas até hoje só serviram pra aumentar o preço do software, porque todas falharam miseravelmente.

    Por um lado, ao copiar um software sem autorização, a empresa que o desenvolveu não perde nada, mas acho que se a pirataria fosse liberada, a maioria dos softwares venderia uma dúzia de cópias e as empresas iriam à bancarota. Hoje em dia há teconologias que permitem a boa parte das empresas oferecer software gratuito para o usuário com propaganda embutida, mas até poucos anos atrás não existia isso.

    Enfim, qual a posição libertária a esse respeito?
  • anônimo  05/11/2013 15:20
    "Enfim, qual a posição libertária a esse respeito?"

    Vender software não é o único meio de auferir receitas.
  • Tiago RC  05/11/2013 15:22
    "a maioria das tentativas de impedir pirataria já realizadas até hoje só serviram pra aumentar o preço do software, porque todas falharam miseravelmente."

    Nem todas. Os desenvolvedores de jogos têm conseguido evitar a pirataria de maneiras cada vez mais eficazes (uso de autenticação em servidores web por ex.). O importante para eles é manter a exclusividade por alguns meses, se os piratas levarem um ano para quebrar as proteções, eles não ligam mais, já fizeram a grana que tinham que fazer.
  • Vito Fontenelle  05/11/2013 19:03
    @Ali Baba @ Hoppe

    Você ficaram somente no campo abstrato. Acho que não me expressei bem. O que eu entendo com propriedade intelectual é a ideia materializada, lógico que se eu tiver uma ideia e, não conseguir por ela em prática, então não poderei protege-la e nem terei o direito para tanto.
    Agora se eu lanço um software(Illustrator, por exemplo) e outra pessoa cópia praticamente todas as linhas de código do meu produto, isso é cópia. É roubo. É pobreza intelectual e criativa.

    O que acontece quando a cópia é estimulada é: o criador da ideia não aufere lucro, ou perde um ganho que era genuinamente dele em razão da existência de uma imitação mais barata.
    Um exemplo claro de como isso afeta o mercado: é o mercado da música, o Rap, por exemplo, nada mais faz que copiar melodias de músicas antigas e colocar uma letra em cima destas. É de uma pobreza criativa incrível.
    Se a propriedade intelectual não é reconhecida como uma pessoa ganhará dinheiro com suas ideias?
    Pode abolir todo tipo de sistema operacional, só existiria o Linux, para que a Adobe iria continuar produzindo software, se toda vez que ela lança um, logo tem uma cópia de graça no pirates bay.
    Qual sentido de escrever um livro, se qualquer um vai poder baixar de graça, de criar uma bela música erudita sem retorno.
  • Vito Fontenelle  05/11/2013 19:53
    Eu quero deixar bem claro que não defendo a proteção ao conceito( a ideia em si), mas a proteção contra a cópia. Uma coisa é uma empresa lançar um editor de imagens, outra coisa é ela copiar o Illustrator. Uma empresa pode pegar a ideia do Illustrator e aperfeiçoar sem criar uma cópia pura e simples.
  • Andre Cavalcante  05/11/2013 21:41
    Fontenelle,
    Você está fazendo uma confusão sem tamanho.
    Software pode estar em 2 formatos: código fonte e executável.
    Ambas as formas permitem contratos específicos contra cópias.
    Por exemplo, o Windows não permite nenhum tipo de cópia, exceto backup.
    O Linux permite cópia do fonte e não fala nada sobre o executável.
    Copiar o Windows é quebra de contrato, portanto fraude.
    Copiar o Linux não é, exceto se VC alterar o sistema e não permitir q outros copiem as suas alterações.
  • Vito Fontenelle  06/11/2013 00:28

    @ Andre Cavalcante

    Se o Kernell do Linux for alterado, a pessoa(ou empresa) que modificou, não poderá lançar como uma variação do Linux.
    Pelo que entendi aqui, alguns leitores do IMB são a favor da legalização da fraude, porque recriminam o direito que a Microsoft tem de proteger contra alteração o código do Windows. A Microsoft é dona do Windows e tem o direito de protege-lo contra cópias. É esse meu ponto.
  • Hoppe  06/11/2013 01:20
    "Pelo que entendi aqui, alguns leitores do IMB são a favor da legalização da fraude, porque recriminam o direito que a Microsoft tem de proteger contra alteração o código do Windows."

    Mais uma calúnia inominável feita pelo Vito. É inacreditável, mas eu imaginava que esse expediente baixo era especialidade da esquerda. Vejo o quão enganado estava.

    Não, meu caro Vito, aprenda a o básico do básico. A Microsoft, assim como qualquer outra empresa, pode (e deve) fazer o que quiser para proteger seus códigos e segredos. O que ela não pode é recorrer ao estado para punir empreendedores que eventualmente descubram seu segredo.

    Será que é tão difícil entender isso?

    "A Microsoft é dona do Windows e tem o direito de protege-lo contra cópias. É esse meu ponto."

    Veja a Coca-Cola. Ele criou um segredo que ninguém conseguiu desvendar. E, até onde se sabe, ela não recorre ao estado para ameaçar seus concorrentes.

    De novo: é tão difícil entender isso? Esse é o ponto.

    Vamos ver qual será sua próxima calúnia.
  • Vito Fontenelle  06/11/2013 03:26
    @ Hoppe

    Nunca disse que a empresa tem que recorrer ao Estado, você conhece bem a teoria liberal e sabe que tem outros modos de resolver esse tipo de conflito. Acho que a patente estatal é uma aberração, por exemplo, a Apple chegou a patentiar o formato do Iphone, isso é o cumulo do ridículo. Processou a Samsung por causa dos ícones, tudo isso é golpe baixo e eu não aprovo.

    Meu principal alvo desde o começo são as cópias. Defendo também o direito autoral no campo da música e da literatura. Defendo que um músico tenha o direito de cobrar pela reprodução de seu trabalho.

    Vou tentar ilustrar uma situação: na época que Einstein e sua esposa, Mileva Maric, estavam trabalhando juntos, ela o auxiliava na parte matemática. Imagine que Mileva durante esse período lance um artigo divulgando a teoria da relatividade especial(restrita) como se fosse sua. Einstein teria direito de pedir uma reparação, porque foi roubado pela própria esposa, não acha?
    Um físico teórico vive de seu trabalho puramente intelectual, uma teoria pode demorar anos para ficar pronta e requer muito esforço. A teria da relatividade por exemplo demorou quase 20 anos para ficar pronta. Você não considera isso propriedade?
    Outra coisa, não é qualquer cérebro que tem a capacidade de desenvolver uma teoria dessa, você realmente acha que ideias como a de Einstein são abundantes e, portanto, não são escassas?

    Reduzir a propriedade aos bens materiais, é assumir que todo homem é igual, portanto todo homem tem a capacidade de produzir ideias geniais. A maioria dos homens não tem a capacidade de abstração que, Tesla, Einstein, Schorindinger, Mozart, Newton e ouros grandes gênios da humanidade tem.
  • Pedro.  05/11/2013 14:50
    Sei que não é o caso.

    Porém, o fato de alguém aceitar ser roubado não justifica a idéia do roubo.
    Mesmo que na bíblia JC recomende "se roubarem o que é teu não o reclamens" isto não é justo. E tão pouco os cristãos deixam de reclamar ao serem roubados.

    Muitos são os que anuem com que lhe roubem bens materiais, não se importam, sobretudo qdo não lhes faz falta. Porém, isso não justifica o roubo.

    Quanto ao IMB, suponha que o novo site passe a contar com as verbas destinadas ao IMB e assim o trabalho de tradução, entre outros, passe a ser usufruido pelo novo site que cobrará do patrocinador um valor menor para remunerar o site.

    Digamos que muitos patrocinadores contribuam com um site que realiza determinado trabalho de divulgação e um esperto simplesmente o "espelha" e, sem custo, peça contribuições bem menores para fazer o mesmo serviço.

    Pergunto: É JUSTO?

    ...e aí o IMB me responde que sem remuneração os seus executantes não mais trabalharão e o "espelho" não terá oq copiar.

    ...Eu direi! ...EXATAMENTE ISSO! ...e voces defendem o roubo intelectual por utilitarismo ou por justiça?

    ...em nenhum dos dois casos vai dar certo. ...então ...hehehe!

  • Equipe IMB  05/11/2013 15:07
    "Quanto ao IMB, suponha que o novo site passe a contar com as verbas destinadas ao IMB e assim o trabalho de tradução, entre outros, passe a ser usufruido pelo novo site que cobrará do patrocinador um valor menor para remunerar o site."

    Isso é um patente absurdo. Se você simplesmente copiar o nosso site, colando todos os nossos artigos no seu site, por que você acha que conseguiria atrair algum patrocínio (algo que, aliás, nunca tivemos)? Por que você acha que as pessoas deixariam de dar dinheiro para algo que comprovadamente funciona e passariam a dar dinheiro para um site que meramente faz CTRL C CTRL V no material alheio? Mais ainda: quem traduziria e escreveria material para o seu site, que só faz cópias?

    "Digamos que muitos patrocinadores contribuam com um site que realiza determinado trabalho de divulgação e um esperto simplesmente o "espelha" e, sem custo, peça contribuições bem menores para fazer o mesmo serviço."

    De novo, isso não existe. Ou o esperto vai se limitar a copiar (algo que não lhe daria visibilidade nenhuma) ou ele de fato começaria a trabalhar neste site, colocando conteúdo próprio (neste caso, se ele conseguisse patrocínio seria por mérito próprio). Não há terceira hipótese.

    Desculpe a sinceridade, mas você demonstrou não fazer a mais mínima idéia de como funciona um arranjo de contratos voluntários.
  • Tiago RC  05/11/2013 15:18
    "Propriedade intelectual é propriedade privada."

    Não. Por definição, propriedade intelectual é uma violação dos direitos de propriedade de outros.

    Vou repetir: causar uma externalidade positiva à propriedade de alguém não te dá nenhum direito sobre essa propriedade desse alguém.

    E toda "propriedade intelectual" é exatamente isso: a ideia de que porque você, no uso legítimo da tua propriedade, causou um benefício a um terceiro, esse terceiro te deve algo.

    Sendo mais específico: informação precisa ser estocada em recursos tangíveis (mídias digitais, papel, pedra, cérebros etc) que podem ser propriedades de alguém. Se você, ao utilizar seus recursos, acabar permitindo a estocagem de informação na propriedade de outra pessoa - qualquer propriedade, desde um computador/gravador até o próprio cérebro do indivíduo -, isso não te dá nenhum direito sobre aquela propriedade. Ele pode continuar usando tudo o que era dele da mesma forma - ou seja, de forma soberana -, e poderá se beneficiar sim da nova informação adquirida.
    Dizer o contrário seria equivalente a dizer que o plantador de flores deve algo ao criador de abelhas pelo fato das abelhas terem polinizado suas flores (ou vice-versa).

    Tudo isso dito, repito mais uma vez: contratos podem ser usados para tentar criar escassez artificial. Se você concordou contratualmente a não copiar/propagar/etc alguma coisa, você tem que respeitar esse acordo.
  • Danielbg  06/11/2013 01:57
    Tb surge uma questão importante no caso dos softwares que é o contrato. No caso, o violador, ou seja, aquele que comprou o produto e o distribuiu poderia ser penalizado num tribunal privado.
  • Bright  05/11/2013 10:50
    O pior é ter de aturar os idiotas dizendo que liberais defendem os mais ricos.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  05/11/2013 10:56
    Saudações, lavagem cerebral total. Regular e controlar até na educação com o ENEM, e após formado, ratificando que de algum modo o súdito irá atuar no mercado, vem o grilhão da obrigatoriedade de ter um registro no respectivo conselho ou qualquer outra coisa que o valha, sob a pena de não exercer a profissão.
    É isso, pode existir o habeas corpus, mas não existe o [u]habeas mentem, não há xerife ou Juízo para um mente ilegalmente aprisionada, inexiste queixa para o homem que não percebe a compulsão psicológica, essa é tão imensa sobre aquele que ,constrangido , tem a impressão que estão agindo por iniciativa própria, servidão objetiva.
    Parimos uma hidra, alimentamos a com nosso sangue, e aquilo que mais entristece é ter amigos que não percebem, ou seja, não reclamam do cativeiro.
    O Estado Hidra não precisa anular a vontade de seus súditos, mas apenas refrear, inclinar,dirigir; raramente ordena atuar, mas frequentemente inibe as iniciativas; não destrói, mas impede que se crie muitas coisas; não é despótico, mas obstrui,reprime,debilita,sufoca, ou seja, tira aquilo para o qual fomos feitos - liberdade - , depois não sabe qual os motivos das revoltas.
    Um amigo disse a mim que a primeira questão do ENEM é um texto de Marx, tá tudo dominado!
  • Ingo Hermann  05/11/2013 12:43
    Assim como a matemática, interpretação de texto é uma das grandes dificuldades dos nossos estudantes. Em nenhum momento, me posicionei contra a propriedade intelectual, pelo contrário, creio que ela estimule o aparecimento de novas melhorias e inovações.
  • Eduardo Bellani  05/11/2013 13:08
    Onde alguém disse que você era contra a propriedade intelectual?

    Os libertários da linha do Rothbard/Hoppe/Roderick de Long é que são contra a
    'propriedade' intelectual, pois observam idéias como bens não escassos. Suspeito que aqueles que responderam a você se enquadrem nessa linha.

    Realmente, interpretação de texto é difícil.

  • Pedro.  05/11/2013 13:47
    A questão da patente:

    Claro que grandes empresas com afrtura de capital e crédito estatal podem rapidamente produzir produtos com os quais nada despenderam de pesquisa ou de esforço para criar.

    Assim, sem patentes, um sujeito criativo inventa um produto de grande utilidade. Um motor fantástico ou uma maquina qualquer.

    Se ele tiver a patente, ele poderá iniciar a produção de sua criação intelectual e, devido a menor oferta, obter margens elevadas que permitirão grande investimento para ampliação da produção e ficará rico. Será um rico empreendedor.

    Porém, com a defesa vergonhosa do roubo a propriedade intelectual, uma grande empresa simplesmente, sem esforço ou brilhantismo algum, COPIA a IDÉIA ALHEIA e tendo farto acesso a grandes montantes de capital passa a produzir em escala e assim com custo menor do que aquele que o brilhante e esforçado criador é capaz de produzir.

    Assim, a grande empresa simplesmente abafa a oportunidade de um pequeno crescer. Este brilhante criador terá que procurar outra atividade, pois não será capaz de produzir seu invento e competir com aqueles já estabelecidos e com fartura de capital.

    Esse é o novo Socialismo-Liberalóide que propõe que "toda propriedade intelectual é um roubo"

    Estes Marx-liberalóides anuem com a idéia marxista de que O CAPITAL é o responsável pelo direito de propriedade dos meios de produção. Afinal, concordam com Marx de que somente o trabalho braçal produz valor.
    Lógico, pois somente o trabalho braçal é capaz de produzir bens concretos.

    Neste caso deviam, por coerência e decência concordar com Marx que a propriedade dos meios de produção é uma exploração dos trabalhadores.

    Não por acaso Marx defendia que ao empreendedor era devido apenas o capital pór ele empregado.
    Ou seja, já que as idéias do empreendedor e seu trabalho intelectual não merecem reconhecimento de valor, apenas o capital por ele empregado lhe é de direito.
    Portanto Marx entendeu que se o trabalho intelectual nada vale e não merece ser respeitado ccomo propriedade, a propriedade dos meios de produção decorre apenas do capital.

    Portanto, os trabalhadores ao devolverem ao capitalista o capital empregado no empreendimento, o empreendimento é legitima propriedade dos trabalhadores. Se o Estado defende esta propriedade para o capitalista, trata-se de uma ilegitimidade.

    Claro que grandes empresas adoram a idéia de não haver direito de propriedade intelectual, pois que tal lhes permite abafar individuos e pequenas empresas com idéias grandes.

    Contudo, grandes empresas não querem que suas marcas possam ser pirateadas por pequenas empresas ou empreendedores, comncordam apenas com o livre roubo da criatividade e esforço alheios, sobretudo dos pequenos.

    Ora, sem o natural direito a TUDO QUE DECORRA DO TRABALHO, seja braçal ou intelectual, quem possui fartura de capital poderá dedicar-se a despesas apenas de produção, roubando idéias alheias tal como bandidos roubam bens materiais alheios.

    Estranho que defensores do roubo de bens intelectuais sejam contrários ao roubo de bens materiais e de marcas. ...muito estranho!

    ...nada é por acaso!
  • Márcio  05/11/2013 14:02
    Prezado Pedro, "liberalóide" é quem defende que o estado conceda monopólios a uma determina empresa e proíba, no porrte, que outros empreendedores desenvolvam ideias semelhantes. Como o próprio texto diz -- e você ignorou --, se um empreendedor coincidentemente tiver a mesma ideia do outro lado do mundo, sem nem saber que outra pessoa já registrou a patente, ele está proibido de empreender, podendo ser processado e ir em cana caso continue suas pesquisas. E você, um genuíno "liberalóide", defende esse totalitarismo estatal.

    Por último, você está aqui desafiado a explicar por que a indústria da moda, que é a mais copiada mundo a fora e que não conta com nenhum protecionismo intelectual, não só não vai à falência como ainda apresenta altos lucros.

    No aguardo.
  • Pedro.  05/11/2013 15:16
    Quem falou em Estado?

    A propriedade intelectual tem direito de defesa tal como a propriedade material.
    Ambas são direitos naturais de quem as criou ou adquiriu.

    Se usamos a violência para defender o direito de propriedade de bens materiais também vale para defesa de bens intelectuais.

    TUDO QUE TIVER ORIGEM NO RABALHO DO INDIVÍDUO LHE É PROPRIEDADE POR DIREITO NATURAL.

    Se com seu trabalho físico (braçal) produz um bem físico, este é sua legitima propriedade. da mesma forma e PELO MESMO PRINCIPIO o BEM INTELECTUAL também é sua legitima propriedade.
  • saoPaulo  05/11/2013 14:42
    A razao de varios liberais serem contra a "propriedade intelectual" nada tem a ver com Marx, mas se baseia no fato de que nao há sentido algum em se definir propriedade sobre bens nao excassos, como ideias.

    Se voce quer manter sua ideia em segredo, nao a divulgue. Invente mecanismos para mante-la em segredo. Firme contratos com quem vc for contá-la.

    Mas, uma vez que ela caiu em conhecimento comum, você nao tem direito algum em proibir que outras pessoas tirem proveito dela. Ideias nao sao excassas. O fato de eu usar a sua ideia nao consome de forma alguma a mesma ideia que se encontra na sua mente.

    Contra isto nao há o que discutir. Agora, se pode ser proveitoso criar um conceito ARTIFICIAL de "propriedade intelectual" para supostamente fomentar pesquisa e desenvolvimento, isso já é outra discussao. Discussao da mesma natureza daquela velha "vamos encarecer as exportacoes para estimular a producao nacional".

    Por favor, se informe sobre o que está criticando antes de falar merda.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=23
  • saoPaulo  07/11/2013 09:56
    *escassos ao invés de excassos
    ** importacoes ao invés de exportacoes.
  • Pedro.  05/11/2013 14:02
    Para fugir da concorrência dos mais eficientes também se pode propor uma sexta, que é o desrespeito à propriedade intelectual.

    Assim, se um pequeno inventa algo genial com seu esforço e habilidade mental, um estupido com dinehiro pode rapidamente produzir o invento em grande escala e levar a falencia qualquer tentativa do brilhante criador de tornar-se um grande empresário com sua idéia genial. Afinal, quem já esta estabelecido no mercado e dispõe de fatura de capital, proprio e de crédito, facilmente aniquilará a concorrência do pqueno e brilhante criador de produtos geniais.

    ...mas o grande que já possui marca reconhecida não ha de querer que alguém lhe pirateie a marca que nada é senão um idéia, um bem intelectual. ...hehehe!

    Tudo que tem origem no trabalho de um indivíduo, seja no trabalho intelectual ou braçal, lhe é propriedade por direito natural.

    ISSO É UMA QUESTÃO DE PRINCIPIO.

    Não só a habilidade, esforço ou trabalho físico deve ser origem do direito de propriedade, mas também o esforço e habilidade intelectual originam o dioreito de propriedade.

    Roubar um bem intelectual não difere de roubar um bem material.
    Ambos são violações ao legitimo e natural direito de propriedade.

    Marx criou seu besteirol calcado na idéia de que SOMENTE O TRABALHO FÍSICO DÁ ORIGEM AO DIREITO DE PROPRIEDADE.

    ...e aí uns Marx-Liberalóides igualmente arbitram segundo seus interesses politiqueiros e econômicos que não se deve respeitar a propriedade intelectual mas apenas a propriedade física. Claro que como Marx, também apelam para exceções que sejam convenientes a seu besteirol.
  • Pedro.  05/11/2013 15:32
    Não, sem resposta apelam para "ah! ninguém fará isso" ...isso não é da realidade!
    Ora, os estatistas não fazem diferente.

    Todos no IMB trabalham de graça e pagam hospedagem do proprio bolso? ..não teem patrocinadores?
    Parecem que nãom leram oq escrevi. ...tem sim! ...

    Simplesmente fugiram da resposta?

    É JUSTO????
    Me digam se é justo.

    Imaginemos um site de jornalismo que recebe propaganda ou uma revista com fotografos, jornalistas e etc., então um esperto vai e copia a revista ou o site, cobrando um preço menor pelas reportagens da sua revista pirata e cobrando menos dos anunciantes de seu site que oferece conteúdo idêntico.

    Vão dizer que isso é impossível?? ...sairão assim pela porta dos fundos? ...hehehe!

    Vcs parecem que não vão publicar meus comentários.

    Tudo bem que não publiquem todos, mesmoq ue apenas argumentando racionalmente sem ataques pessoais (que recebo e vcs sempre publicaram)

    Sem problema, isso só demonstra a qualidade moral de voces, afinalestou restrito a comentar embora fatos embora vcs publiquem até ofensas diretas a mim.

    É direito de vcs não publicar no site.
    Se eu quiser expor meus comentários que eu vá para outro site que os aceite.

    È justo, meus caros Marx-liberalóides que possuem patrocinadores, sim.

    Se escondem comentários que não conseguem rebater ...estão no seu direito à covardia intelçectual.
  • Moderador  05/11/2013 19:13
    "Não, sem resposta apelam para "ah! ninguém fará isso" ...isso não é da realidade!
    Ora, os estatistas não fazem diferente. Todos no IMB trabalham de graça e pagam hospedagem do proprio bolso? ..não teem patrocinadores? Parecem que nãom leram oq escrevi. ...tem sim! ...
    Simplesmente fugiram da resposta?"


    Não que você mereça qualquer consideração, mas o IMB não tem patrocinadores. Isso é proibido por estatuto. Sobrevive majoritariamente da venda de livros (os quais, aliás, também estão disponíveis gratuitamente) e de cursos online. Pessoas físicas são, obviamente, livres para fazer doações quando quiserem. Porém, não há nenhuma quantia mensal certa, com a qual sempre poderíamos contar -- como seria o caso se houvesse patrocinadores.

    "Vcs parecem que não vão publicar meus comentários. Tudo bem que não publiquem todos, mesmoq ue apenas argumentando racionalmente sem ataques pessoais (que recebo e vcs sempre publicaram). Sem problema, isso só demonstra a qualidade moral de voces, afinalestou restrito a comentar embora fatos embora vcs publiquem até ofensas diretas a mim. "

    Todos os seus comentários sempre foram publicados. Mas quando você manda 30 testamentos ofensivos por dia, eles não são publicados imediatamente, por uma mera questão de higiene visual. Vai ter de ter paciência. Ao longo dos dias vindouros eles serão publicados.

    "É direito de vcs não publicar no site. Se eu quiser expor meus comentários que eu vá para outro site que os aceite. È justo, meus caros Marx-liberalóides que possuem patrocinadores, sim. Se escondem comentários que não conseguem rebater ...estão no seu direito à covardia intelçectual."

    Se algum comentário seu não foi respondido certamente foi por mera incapacidade nossa de entender o significado de seus ininteligíveis relinchos.
  • Vito Fontenelle  06/11/2013 03:51
    As pessoas em geral possuem inteligência mediana. A maioria dos grande inventos e grandes teorias, saíram de mentes geniais, fora do comum, não quer dizer que uma pessoa mediana, com muito esforço, não possa vir a criar algo genial.
    Não aceitar o direito a propriedade intelectual, é assumir que as pessoas possuem a mesma capacidade intelectual e todo mundo sabe que isso é uma grande mentira. Existem pessoas mais esforçadas e mais inteligentes, que contribuem somente com ideias e, essas pessoas tem direitos sobre essas ideias.
  • Ali Baba  06/11/2013 10:10
    @Vito Fontenelle 05/11/2013 19:03:25

    Você ficaram somente no campo abstrato. Acho que não me expressei bem. O que eu entendo com propriedade intelectual é a ideia materializada, lógico que se eu tiver uma ideia e, não conseguir por ela em prática, então não poderei protege-la e nem terei o direito para tanto.
    Agora se eu lanço um software(Illustrator, por exemplo) e outra pessoa cópia praticamente todas as linhas de código do meu produto, isso é cópia. É roubo. É pobreza intelectual e criativa.


    Você está misturando Propriedade Intelectual e Direito Autoral.

    Propriedade Intelectual é a patente de ideias. Por exemplo, o "Botão Iniciar" do Windows é uma ideia patenteada. Faz parte da Propriedade Intelectual da Microsoft (provavelmente).

    O código do Windows é de autoria da Microsoft. O que protege o código do Windows é o Direito Autoral, não a Propriedade Intelectual.

    Se você lança o Illustrator, provavelmente vai distribuir em formato binário. Ou seja, ninguém pode copiar seu código. O máximo que pode acontecer é alguém copiar o design e a funcionalidade do programa (que são ideias). Se você patenteou algum traço do design e da funcionalidade do Illustrator, você pode reclamar dessa pessoa que os copiou.

    Se algum funcionário seu, por outro lado, ou alguma empresa com a qual você tem contrato e com a qual compartilhou o código do Illustrator, vazar esse código, aí você tem um problema de Direito Autoral.

    Entendeu a diferença?

    Quanto a sua pergunta: "... outra pessoa cópia praticamente todas as linhas de código do meu produto, isso é cópia. É roubo.". É e não é. Se você tem, com essa pessoa, um contrato que a proibe de usar o código entre vocês compartilhado, é roubo. Caso contrário, não.

    O que é execrado, sob o ponto de vista libertário, nessa situação, é isso ser presumidamente roubo a priori. Isso não afeta em nada a propriedade tangível de ninguém! Agora, se entre vocês vigora um contrato... bom, aí é outra coisa. É um contrato voluntário e, para os libertários, sagrado.

    O que acontece quando a cópia é estimulada é: o criador da ideia não aufere lucro, ou perde um ganho que era genuinamente dele em razão da existência de uma imitação mais barata.

    O criador deveria ter pensado antes de divulgar o produto. Uma cópia não afeta em nada a propriedade tangível do criador. Não estamos falando de um bem escasso.

    Alguém citou o caso da Coca-Cola e acho bastante útil usar esse exemplo. A formula original da Coca-Cola foi publicada no livro "Por Deus, Pela Pátria e Pela Coca-Cola". Então por que o Vito Fontenelle não lança a Vito-Cola? Muito simples, a Coca-Cola é mais do que uma fórmula. A Coca-Cola é uma cadeia de produção e distribuição, uma marca consagrada. Tudo isso, a Vito-Cola não é. Se mesmo assim a Vito-Cola fosse produzida, ela teria de trabalhar muito (provavelmente um tempo equivalente à Coca-Cola) para atingir a escala da primeira e ter a possibilidade de desbancá-la.

    No caso da Microsoft, já ficou provado diversas vezes que as cópias do Windows só fizeram popularizá-lo ainda mais. É provável que as cópias do Windows foram o que o fizeram o sistema operacional hegemônico dos Desktops.

    Um exemplo claro de como isso afeta o mercado: é o mercado da música, o Rap, por exemplo, nada mais faz que copiar melodias de músicas antigas e colocar uma letra em cima destas. É de uma pobreza criativa incrível.

    Na sua opinião, certo? Na opinião do Mercado, o Rap é bem sucedido. E os rappers de "uma pobreza criativa incrível" não estão muito preocupados com a sua opinião.

    Se a propriedade intelectual não é reconhecida como uma pessoa ganhará dinheiro com suas ideias?

    Produzindo coisas (ou oferecendo serviços) que as pessoas queiram comprar a preços que elas possam pagar.

    Pode abolir todo tipo de sistema operacional, só existiria o Linux, para que a Adobe iria continuar produzindo software, se toda vez que ela lança um, logo tem uma cópia de graça no pirates bay.

    Como eu disse, é provável que a Adobe esteja fomentando a cópia "não autorizada" de seu software para popularizá-lo. Sempre vai ter alguém que vai comprar. Se a Adobe mantiver os preços em níveis que as pessoas podem pagar, está com o mercado garantido. Além disso, ela vive muito da forma como a Coca-cola vive: O GIMP é, provavelmente, um software tão bom quanto o Photoshop, mas todos preferem o último.

    Qual sentido de escrever um livro, se qualquer um vai poder baixar de graça, de criar uma bela música erudita sem retorno.

    O sentido de escrever um livro e criar uma música continua existindo. O sentido dessas coisas sempre foi satisfação pessoal, criar coisas belas e duradouras. Se você pensa que o sentido dessas coisas é ganhar dinheiro, então a sua visão da realidade está deturpada. Ganhar dinheiro com qualquer atividade criativa sempre foi algo a posteriori pq elas precisam sobreviver ao teste do Mercado.

    Pense bem... o que tem valor? O show do artista XXX (que somente ele pode fazer por que precisa da presença física e tangível do mesmo), ou o CD do artista XXX (que ele fez uma vez em um estúdio e multiplicou). O CD (ou o MP3, o o que for) do artista XXX vai servir para sua função econômica natural: propaganda para o show. Qualquer coisa fora disso é artificialidade de transformar coisas intangíveis em pseudo-tangíveis.
  • Jeferson  06/11/2013 13:58
    Só pra desvincular da discussão original que já está assumindo proporções enormes, vou citar uma frase do André Cavalcante pra tentar chegar no ponto que eu quis perguntar originalmente, reformulando minha pergunta de modo que fique mais inteligível, embora em parte ela já tenha sido respondida.

    "Por exemplo, o Windows não permite nenhum tipo de cópia, exceto backup. [...] Copiar o Windows é quebra de contrato, portanto fraude."

    É bem, por aqui que eu queria entender "como fica a indústria de software", porque, embora quem compre o Windows concorda com o contrato (EULA) e realmente não possa copiá-lo, salvo pra backup, quem não compra, mas pirateia (baixa pela internet, por exemplo), não comete nenhuma fraude, pois não aceitou nenhum contrato. Apesar disso, tenho certeza que a 99,9999% de quem pirateia sabe que não está adquirindo uma licença original. Se o Windows "é da Microsoft", então ela não deveria possuir o direito de proibir quem não licenciou o software de usá-lo? Ao mesmo tempo, permanece a lógica de que, uma vez desenvolvido, o software deixa de ser um bem escasso, e a empresa não perde nada quando alguém pirateia seu programa.

    Agora a pergunta reformulada: Pensando num mundo que adote o direito natural, que tipo de parecer vocês acham que os tribunais normalmente adotariam? Contra ou a favor da Microsoft poder proibir o uso do software POR QUEM NÃO O LICENCIOU, como sua propriedade, até mesmo usando a força se for necessário, como se tivesse sido roubada? Claro, quero também saber o porquê da resposta.

    Sobre a venda de software não ser a única forma de auferir receita, isso acho que todo mundo já sabe. Dá pra tirar pelos trocentos programas gratuitos que se consegue hoje em dia. Eu mesmo jogo um jogo online que é "Free o play", mas que oferece a possibilidade de uma experiência de jogo diferenciada pra quem paga. Mais uma obra dentre muitas soluções geniais do mercado! Mas eu ainda não vi nenhum software de uso profissional que fosse gratuito (salvo as cópias sofríveis do office), e os únicos sistemas operacionais grátis são o Linux e o FreeBSD (e variantes deles), que são de uso indigesto para a maioria das pessoas. Não obstante o Windows povoar a quase totalidade dos PCs. Isso me leva a crer na inviabilidade, senão impossibilidade, desse tipo de investimento em um mundo sem um aparato coercitivo que proiba a cópia não autorizada.
  • Pobre Paulista  06/11/2013 14:19
    Em primeiro lugar, você omitiu parte da história quando afirmou que "quem baixou não violou nenhum contrato". A questão é que se ele baixou, ele baixou de ALGUÉM que violou o contrato, pois esse alguém criou uma cópia ilícita a partir de uma cópia lícita (alguém fez isso a primeira vez, caso contrário não existiria software pirata).

    Mas o X da questão é que o software em si é um bem intangível. Não é um bem escasso. É um bem abundante. Eu posso criar cópias e mais cópias e mais cópias. O bem escasso é a mídia eletrônica, mas uma vez armazenado ele pode ser lido infinitas vezes. E é por isso que ele cai no mesmo caso da propriedade intelectual.

    Fazendo um paralelo BEM grosseiro, é como se fosse uma cantiga popular. Quem compôs "Parabéns para você"? Alguém foi, certamente. No entanto, uma música é um bem abundante pois eu posso decorá-la e cantá-la quando e quantas vezes eu quiser.
  • Jeferson  06/11/2013 17:30
    Eu omiti porque considerei irrelevante para a minha questão. Pra mim é óbvio que o primeiro a adquirir a licença e copiar está cometendo fraude e sujeito a processo que certamente resultaria no pagamento de indenização. Como eu não tinha qualquer dúvida a respeito disso, e não me pareceu que qualquer outra pessoa teria, achei que não valia a pena.

    Talvez eu esteja errado nesse ponto, mas na minha cabeça o fato de alguém ter quebrado uma relação contratual dando a outras pessoas acesso a um bem não escasso não vincularia automaticamente essas outras pessoas ao contrato original. E, independente da fraude do primeiro, uma vez disponibilizado o software, todo mundo que quiser, copia. Sem ter firmado qualquer contrato com o desenvolvedor original. Mantenho a pergunta: em uma sociedade que adote o direito natural, qual seria a posição predominante dos tribunais a esse respeito?

    Grato.
  • Ali Baba  06/11/2013 14:13
    @Jeferson 06/11/2013 13:58:52

    Agora a pergunta reformulada: Pensando num mundo que adote o direito natural, que tipo de parecer vocês acham que os tribunais normalmente adotariam? Contra ou a favor da Microsoft poder proibir o uso do software POR QUEM NÃO O LICENCIOU, como sua propriedade, até mesmo usando a força se for necessário, como se tivesse sido roubada? Claro, quero também saber o porquê da resposta.

    Você fez a pergunta e parece já saber a resposta. Supondo que não exista lei de Direito Autoral ou de Propriedade Intelectual, que cópias do Windows não fossem vazadas por seus funcionário e que a Microsoft comercializasse CDs contendo o Windows com um contrato que impedisse a redistribuição, é óbvio que somente o primeiro da cadeia deve ser chamado pela Microsoft a cumprir o seu contrato ou reparar eventuais danos que um tribunal privado poderia arbitrar.

    Se você comprou um CD do sujeito, você pagou ao sujeito e, de forma alguma, incorreu em alguma quebra de contrato com a Microsoft. Agora, aquele sujeito que adquiriu uma cópia do Windows, diretamente da Microsoft, e a redistribuiu para você claramente quebrou um contrato em que ele voluntariamente aceitou não fazer isso.

    Em uma sociedade ancap, com tribunais privados, esses provavelmente deixariam você livre de acusações, mas exigiriam do sujeito de quem você comprou uma cópia não autorizada, compensações para a Microsoft por ele ter quebrado o contrato entre eles.

    Agora, é claro, isso é tudo elaboração da doutrina libertária. Não temos muitos exemplos práticos disso pq não vivemos em uma sociedade ancap... esse é apenas o cenário que eu considero mais provável, dentre os possíveis.
  • Jeferson  06/11/2013 18:09
    Obrigado pela resposta. Eu não acho que "saiba" a resposta, eu só acho estranho aplicar a mesma lógica do ponto de vista das consequências que essas trariam ao mercado em si. Como eu disse antes, não conheço nenhum software de uso profissional gratuito amplamente utilizado. Claro que pode ser pura falta de informação minha, mas acho que se houvessem vários, eu conheceria. Eu acho que boa parte das empresas que utilizam softwares como o Photoshop, Premiére, After Effects, Autocad, Maya, etc. adquirirem cópias originais e não piratas (dada a facilidade de conseguir piratear qualquer coisa hoje em dia) é porque existe legislação e fiscalização estatal, com a possibilidade de pesadas multas.

    Que fique claro que eu não advogo a ação do estado nem nesses termos, mas fico me perguntando como seria se essas ações inexistissem. Tendo a acreditar que esse tipo de software sumiria das prateleiras e se tornaria mais raro e mais custom made, e consequentemente, muito mais caro.

    Ainda gostaria de ler mais opiniões a respeito.

    Abraços.
  • Vito Fontenelle  06/11/2013 18:56
    Hoje me dia, uma pessoa de classe média pra cima, comprar software pirata ou baixar da internet cópias ou, é muito desenformada ou, muito mão de vaca ou, sem vergonha mesmo.
    Por exemplo, o plano da Adobe custa 49 dólares mensais e, tem direito a usar todos os aplicativos e baixar todas as atualizações disponibilizadas no futuro. A licença do Corel é uns 400 reais e esses são os que conheço. São preços acessíveis para produtos de qualidade.
    Eu acredito que empresas não utilizem produtos, seja qual for, piratas. Acredito que quem baixa mais as cópias desses softwares são pessoas leigas com o objetivo de apreender a utilizar o produto. Desenformadas, porque a Adobe libera 1 mês de uso para qualquer aplicativo. Tempo suficiente para conhecer o produto.
  • anônimo  07/11/2013 12:21
    "Parabéns" Vito, o assunto foi praticamente desenhado aqui nos comentários, e você ainda não entendeu...

    Você deve ser totalmente contra impressoras 3D, afinal, como impedir as pessoas de "violar" propriedade intelectual dos outros e saiam criando todo tipo de objetos?
  • anônimo  06/11/2013 19:39
    O mercado se adapta. Não é por que nós, em algum momento, não acreditamos ser possível, que de fato o seja.

    Diziam que a pirataria iria matar a música. Que a tv iria matar o rádio. Que a internet acabaria com os livros. Os aviões acabariam com os navios. Etc, etc, etc.

    Existem vários softwares gratuitos que substituem os pagos que você citou. Claro, como são pouco utilizados, se desenvolvem numa velocidade menor. Um exemplo de como o mercado lida com a pirataria? Veja a Microsoft com o Office 365. Ou o Steam, Origin, etc. Ou a Blizzar com o World of Warcraft.

    Não se engane, o mercado simplesmente encontra uma maneira. Só que se o estado se mete no meio a solução acaba demorando para surgir ( vide os carros voadores ).
  • Pupilo  07/11/2013 13:11
    "vide os carros voadores" huahuahuaha
  • Pobre Paulista  08/11/2013 11:02
    Não é piada. Existe tecnologia sim para fazermos algo parecido com helicópteros. Poderíamos usar gasolina de aviação para isso ou até mesmo mini-motores nucleares.

    Mas só nessas 2 linhas acima já encontrei 3 barreiras que o estado impõe. Gasolina de alta octanagem não pode ser comercializada para o público em geral. Objetos voadores não podem transitar sem o aval de alguma entidade soberana sobre o espaço aéreo, em qualquer lugar do mundo. E nem vou comentar sobre combustível nuclear, acho que todo mundo sabe o "perigo" que uma energia limpa e extremamente eficiente representa para o mundo né :-). Por isso mesmo que o estado proíbe, a não ser, claro, para aquelas indústrias protegidas por ele.
  • anônimo  08/11/2013 11:56
    https://en.wikipedia.org/wiki/Aerocar

    https://en.wikipedia.org/wiki/ACA_AC-35

    https://en.wikipedia.org/wiki/AVE_Mizar

    https://en.wikipedia.org/wiki/Convair_Model_118

    https://en.wikipedia.org/wiki/Curtiss_Autoplane

    https://en.wikipedia.org/wiki/Fulton_Airphibian

    Pupilo e Vitor, vocês realmente acham que o motivo destes projetos ( e muitos outros ) não terem ido adiante foi a falta de demanda por tal veículo?
  • Vito Fontenelle  08/11/2013 01:05
    Desenha no Paint aí e me mostra. Beleza garotão! Menino esperto!
  • TeVe  07/11/2013 11:49
    Àqueles fazendo a defesa da "propriedade" intelectual*

    1. Acusar de marxismo e usar a teoria do valor-trabalho como defesa da "propriedade" intelectual é no mínimo irônico.

    2. A defesa da "propriedade" intelectual usando exemplos concretos geralmente acaba virando uma instância de petitio principii, isto é, argumento falacioso qual já se supõe a conclusão ao se fazer o argumento. Não estou dizendo que todo argumento concreto seja uma falácia mas que se você começa com os pressupostos empíricos atuais (quais você acha que apoiam a "propriedade" intelectual) para defender a própria "propriedade" intelectual (nos casos acima, os lucros deste monopólio), sua argumentação foi circular. e.g. Se desonerarmos as importações as empresas do Brasil não conseguiriam competir com empresas estrangeiras / Sem "propriedade" intelectual a Microsoft não conseguiria lucrar vendendo software.

    3. É por causa do 2 acima que o abstrato é importante: a definição em princípios gerais permite a alcançar uma resposta mais profunda e generalizada.

    4. Por favor pare de confundir um ato que requer invasão com um ato que requer mera observação. Isto é na melhor das hipóteses ignorância e na pior das hipóteses pura desonestidade intelectual.



    *propriedade entre aspas porque "propriedade" intelectual não é propriedade
  • Vito Fontenelle  08/11/2013 01:23
    Marx não dava valor ao trabalho intelectual. É este o ponto em comum com os Black Blocks capitalistas aí.
  • anônimo  08/11/2013 14:46
    Marx não entendia a implicação do que escrevia. Ponto comum com você, Vito.
  • Vito Fontenelle  08/11/2013 16:00
    Sua referência é wikipedia? Dá para perceber no nivel dos seus argumetos.
  • anônimo  08/11/2013 16:45
    Minhas referências:

    Artigos sobre o assunto 'Propriedade Intelectual'
    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=23

    Livro: Contra a Propriedade Intelectual
    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=29

    Capítulos do livro acima:
    Capítulo I - DIREITOS DE PROPRIEDADE: TANGÍVEIS E INTANGÍVEIS
    Capítulo II - SUMÁRIO DAS LEIS DE PI
    Capítulo III - VISÕES LIBERTÁRIAS SOBRE PI
    Capítulo IV - PI E DIREITOS DE PROPRIEDADE
    Capítulo V - PI COMO CONTRATO
    CONCLUSÃO
    APÊNDICE I - Alguns Exemplos Questionáveis de Patentes e Direitos Autorais
    BIBLIOGRAFIA

    Manda ver, só começar a leitura.
  • Vito Fontenelle  09/11/2013 00:21
    Fica ai nesse teu sonho de utopia, enquanto o Brasil é dominado pela esquerda, sendo que a maioria do povo brasileiro é conservador.

    É esse minha crítica final: o liberais tem uma visão de cima, acham que detêm os segredos para uma sociedade perfeita, mas quando o bolivarianismo tomar conta, vocês estarão tão fudidos, quanto nós os conservadores. Mas pelo menos os "conservas" vão pra luta, como o Reinaldo, Olavo, João Coutinho, Ponde e tantos outros. Temos uma visão mais realista do mundo, não enfrentamos utopia com outra o utopia. O povo está cansado de utopias.

    Fica nesse teu sonho garotinho: quando você acorda vai ser tarde demais.
  • Eduardo Bellani  10/11/2013 00:12
    A diferença fundamental é que o pessoal que estava discutindo com você
    esta preocupado em buscar a verdade. Você me parece que está preocupado com
    buscar um plano de poder.

    Isso não me surpreende, dadas as origens
    12
    do neoconservadorismo.


  • anônimo  10/11/2013 01:22
    Beleza, campeão. Fica na tua luta aí se imaginando o soldadinho, que vou tocando minha empresa e garantindo meu futuro - com bolivarianismo ou não. Quando chegar a hora, faço que nem aqueles que tinham uma visão mais apurada na Alemanha Nazista: dou no pé e continuo minha vida em paz em outro lugar.

    Se você acha que assoprar contra o furacão vai ajudar a desviá-lo, boa sorte.
  • anônimo  10/11/2013 04:16
    Sem 'soldadinhos' qualquer que seja esse teu 'outro lugar' vai ter o mesmo rumo que o brasil está tendo agora.Até no Chile, o único país rico e liberal da AL, a esquerda trabalha firme e forte, espalhando suas mentiras.
  • anonimo de cima  10/11/2013 15:13
    Socialismo* têm em todo lugar. Cabe a cada um definir o nível que acredita aceitável para conviver. Eu não acho aceitável dar 40% do fruto do meu trabalho pra governo nenhum. Quando o limite que o indivíduo considera aceitável for ultrapassado, cabe a ele arrumar suas malas e ir embora. Ou lutar e servir de mártir. Pessoalmente, prefiro a primeira opção. Quero ver meus filhos crescerem, e os filhos deles também. Mas a escolha é de cada um.


    *Socialismo na definição hoppeana. [O socialismo] deve ser conceituado como uma intervenção institucionalizada ou uma agressão contra a propriedade privada e contra os direitos de propriedade privada. - Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo, cap. 1
  • Vito Fontenelle  10/11/2013 05:12
    Se conseguir dá no pé a tempo. E se conseguir, vai deixar sua empresa para trás, que tenho certeza, foi erguida com muito esforço. Os anti-socialistas, têm sim que buscar o poder, deixar o poder na mão da esquerda é que não dá. Eu gosto desse país e a atual situação me entristece, fugir como último recurso: me assusta. Não desejo isso pra ninguém.
  • anônimo de cima  10/11/2013 15:08
    Abra seu negócio próprio e não vai demorar para você deixar de gostar deste país. Se bem que tem que ser muito masoquista para gostar de trabalhar 120 dias de graça por ano. O mundo é um lugar enorme, tem muitos outros lugares onde trabalhar duro e juntar dinheiro não te fazem ser tratado como bandido.
  • Tiago RC  08/11/2013 09:07
    Ótimo post TeVe.
  • Emerson Luis, um Psicologo  08/11/2013 17:52
    Se cada item vale dois pontos, os mercantilistas brasileiros merecem entre 8,5 e 10.

    * * *
  • Francisco  12/11/2013 13:16
    Discordo da última. Em relação à patente de novos produtos, acredito que seja um importante estímulo à pesquisa.. e é temporária, 10 anos se não me engano.
    Minha área por exemplo, agronomia: quem gastaria milhões de dólares e décadas de pesquisa para desenvolver novas moléculas, se fosse possível esperar a concorrência fazer todo o trabalho e apenas copiar a molécula e técnicas de produção, sem gastar um centavo em pesquisa?
    Acredito que o período de vigência da patente, e conseqüente "monopólio" temporário sobre determinado produto, seja importante para recompensar esforço intelectual e financeiro despendidos pelo obtentor das novas tecnologias.
  • Alonso  12/11/2013 13:27
    Beleza. Não há problema nenhum em crer que "o monopólio garantido pelo estado é importante em alguns casos". No entanto, o ônus da explicação recai sobre você: se o monopólio é "absolutamente essencial" para o desenvolvimento de um determinado mercado, por que ele seria deletério para todos os outros mercados?

    Por que os outros mercados também não poderiam requerer o mesmo privilégio? Por que este privilégio só valeria para setores específicos?

    Por que os outros mercados não podem utilizar essa mesma justificativa sua -- "Ah, precisamos que o estado nos conceda um monopoliozinho para prosperarmos e ficarmos bons"?
  • Eduardo Bellani  12/11/2013 14:17
    Como já diria o velho ditado, "Não aguenta o calor, saia da cozinha"

    Tenho certeza que algum competidor seu vai inovar pra tomar seu mercado e ganhar reputação, não interessa o quão fácil seja copiar.

    Vide o mercado de moda, onde a cópia rola solta, e ainda assim os caras investem pra criar novas coleção sei lá quantas vezes *todo ano*.
  • mauricio barbosa  19/11/2013 13:25
    Engraçado a COCA-COLA é uma engarrafadora de refrigerantes gigantesca e seus produtos são incomparáveis,seus concorrentes não conseguem chegar ao mesmo padrão de qualidade e logística e no entanto ela não pratica preços extorsivos.Exatamente por não possuir um monopólio ela sabe que seus concorrentes são mais fracos no padrão de qualidade e logística, mas fortíssimos em preços baixos ou seja não exite barreiras a entrada de novos concorrentes em seu setor,tal princípio se aplica a qualquer mercado ou setor de atividade econômica.


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