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Palimpsestos e o tal “estado empreendedor”

Um palimpsesto (do grego palimpsestos, os, on e do latim palimpsestus, i) é um pergaminho ou papiro cujo manuscrito original tenha sido lavado ou raspado com pedra- pomes para ser substituído por um novo texto.  Ao pé da letra significa "riscar de novo". De um lado, os palimpsestos tinham o objetivo de tentar paliar ou amenizar erros cometidos, mas também eram utilizados para escrever novos textos, já que os custos do papiro eram elevados naquela época. 

Talvez o mais famoso dos palimpsestos seja o palimpsesto de Arquimedes (287 a.C — 212 a.C), um texto escrito sobre outro anterior em pergaminho e formando um códice e que originariamente foi uma cópia em grego de diversas obras de Arquimedes — o famoso matemático, físico e engenheiro de Siracusa — e de outros autores. Posteriormente foi apagado de forma rudimentar e usado para escrever salmos e orações em um convento.

Mas vamos escrever agora sobre outro palimpsesto, bem mais moderno, que podemos chamar de palimpsesto de Keynes.  Neste café requentado, com gosto de terra, economistas, jornalistas e pretensos "intelectuais" nada mais fazem do que tentar, sem sucesso, apagar as velhas teses de que o estado deve ser o "indutor" do crescimento para em seguida reescrevê-las.  Há incontáveis exemplos desse tipo de pretensão fatal para as liberdades individuais.  Citarei apenas um, para não me estender muito.  Quanto aos demais, pretendo apresentá-los em artigo acadêmico para a Revista MISES, mais especificamente sobre a crise econômica atual e o êxito dos economistas da Escola Austríaca em antecipá-la, explicar suas causas e propor os remédios adequados, em contraposição ao fracasso das palimpsésticas tentativas keynesianas e monetaristas no que diz respeito à antecipação, à explicação, à identificação das causas e à administração de "remédios", que só têm feito piorar o estado do doente.

O exemplo que escolhi dentre tantos outros é o da Professora Mariana Mazzucato, britânica de origem italiana, economista da Universidade de Sussex, com doutorado na New School de Nova York, uma universidade de Economia e Ciências Sociais com viés claramente intervencionista e de esquerda.  Entrevistada no programa "Milênio" da Globonews, parece cantar um hino — ou, melhor dizendo, um funk de péssimo gosto — ao estatismo.

Ela defende a tese de que o estado deve ser o maior responsável pelas pesquisas inovadoras nas áreas fundamentais da ciência e tecnologia, e separa o que chama de invenções "ligeiras" (naturalmente, as produzidas pelo setor privado), como novos modelos de tablets, e inovações "grandes", de horizontes mais amplos, como as da área da saúde e mecanismos de "ciclo completo", como a Internet.

Ela diz que as grandes inovações produzidas nos EUA foram todas financiadas pelo estado, como a Internet, o GPS (pelo Pentágono) e medicamentos (pelo Departamento de Saúde).  E ainda elogiou o estado brasileiro e o BNDES, referindo-se obviamente à Finep.  Chegou a afirmar que o setor privado tem "medo" de assumir riscos, o que não acontece com o estado.  Ao que tudo indica, essa senhora vê o mundo de cabeça para baixo, ou olha para trás pensando que está olhando para adiante.  As teses que defende parecem um palimpsesto lavado ou raspado sem cuidado, ou ambas as coisas. Vejamos por quê.

A Internet, ou melhor, sua tataravó, foi de fato concebida em plena Guerra Fria por técnicos da NASA, mediante o ARPA (Advanced Research Projects Agency), mas só se expandiu e progrediu com o desenvolvimento da rede em ambiente mais livre, não militar — ou seja, privado —, em que não apenas os pesquisadores, mas também seus alunos e os amigos desses alunos, puderam ter acesso aos estudos já empreendidos e usaram sua inteligência e desenvolveram esforços para aperfeiçoá-los de uma forma fantástica.  

O mesmo processo se deu com a Internet propriamente dita: foram jovens da chamada "contracultura" — e não funcionários do estado —, ideologicamente defensores da difusão livre de informações, que realmente contribuíram decisivamente para a formação da Internet como hoje é conhecida.

Masaru Ibuka, um engenheiro, e Akio Morita, um físico, ambos japoneses, logo após a II Guerra Mundial, procuraram o Ministério da Indústria e Comércio do Japão em busca de recursos para desenvolverem suas ideias. Receberam um sonoro "não"!  Resolveram, então, fundar a empresa Totsuko, em maio de 1946, em um grande armazém bombardeado pelos americanos, em Tóquio.  A nova empresa não tinha qualquer maquinaria e possuía muito pouco equipamento científico e contava apenas com a inteligência, conhecimentos de engenharia e o espírito empreendedor de Ibuka e Morita. Trata-se, como o leitor já deve ter percebido, simplesmente, da Sony.

Como você poderá ver aqui e também aqui, graças ao espírito verdadeiramente empreendedor desses dois fantásticos homens, a Sony cresceu e hoje seu nome está associado a inovação, tecnologia avançada, qualidade e durabilidade.  Ver televisão em uma Bravia, trabalhar em um laptop Vaio, tirar fotos com uma Cybershot, jogar Playstation, gravar com uma Handycam, ouvir música em um Walkman... Essas são apenas algumas das "crias" tecnológicas de dois indivíduos, graças ao "não" recebido dos burocratas japoneses.  Perguntemos à Professora Mazzucato se eles eram funcionários púbicos.

E o que dizer de Steve Jobs, cofundador, presidente e Diretor Executivo da Apple Inc. e que revolucionou seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicação digital?  Era por acaso funcionário público?  E Bill Gates e Paul Allen, criadores da Microsoft em 1975, em Albuquerque, no Novo México?  Eram burocratas iluminados ou empreendedores que acreditaram em suas ideias e assumiram os riscos de colocá-las em prática?

Mais exemplos: Jorge Paulo Lehmann é um burocrata?  E Alexandre Tadeu da Costa, fundador da Cacau Show?  E Antônio Alberto Saraiva, criador da Habib´s?  E Romero Rodrigues, da Buscapé Company?  E Robinson Chiba, da China in Box?  E Flavio Augusto da Silva, que com apenas 23 anos decidiu lançar um projeto inovador com o objetivo de, em 18 meses, dar fluência na língua inglesa a adultos, e que, para fundar sua empresa, a Wise Up, usou R$ 20 mil de seu cheque especial, com juros de 12% ao mês?  Qual o papel exercido pelo estado em todos esses casos, a não ser o de recolher tributos para benefício próprio?

Quanto ao GPS — e poucos sabem disso — foi uma ideia de uma estrela de Hollywood, a belíssima Hedy Lamarr, nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler (1913-2000), nascida em Viena, estrela sexy de filmes como Idílio Perigoso (1944), Sansão e Dalila (1949), O Vale da ambição (1950) Meu Espião Favorito (1951), e A História da Humanidade (1957), entre muitos outros.  Hedy criou a tecnologia básica para o Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês) durante a II Guerra Mundial.  Judaica de origem e horrorizada com o avanço nazista, queria ajudar os EUA e os aliados.  Havia aprendido sobre radiocomunicação graças à convivência, ainda na Áustria, com o ex-marido, Fritz Mandl, um rico fabricante de armas e seus colegas engenheiros.  E sua contribuição científica aconteceu quando já havia se divorciado de Mandl e fugido para os EUA.

Além do GPS, Hedy inventou também uma coleira fluorescente para cachorros e um aparelho de banho para deficientes.  Mas, naquela época, ninguém levou seus dotes científicos, que eram admiráveis, a sério, preferindo admirar seus dotes físicos (também admiráveis), a ponto dela ter dito: "Meu rosto foi minha ruína".  Hedy foi uma burocrata ou economista de esquerda, Professora Mazzucato?

Conforme relatado aqui, a famosa atriz inspirou-se no som do piano para bolar sua maior invenção: em 1940, conheceu o compositor George Antheil, também curioso por ciência. Certa noite, quando tocavam piano, ela se deu conta de que cada tecla emitia uma frequência de longo alcance diferente.  E, assim como elas se alternavam rapidamente em uma música, talvez algo parecido pudesse ser aplicado aos espectros de comunicação militar. Aprimorada por Antheil, a análise de Lamarr originou o sistema "salto de frequência", no qual estações de radiocomunicação eram programadas para mudar de sinal 88 vezes seguidas (o mesmo total de teclas de um piano).  Com isso, as forças inimigas teriam dificuldade em detectar esse registro alternado, que poderia ser então usado por navios e aviões, para orientar torpedos.

A dupla chegou a patentear a ideia e a ofereceu à Marinha dos EUA, mas foi rejeitada, sob o argumento de que seria demasiadamente cara (existe algo "caro" para governos)?  A invenção perdeu — felizmente — exclusividade militar e se tornou a base de várias tecnologias atuais.  Ela é aplicada, por exemplo, em satélites de orientação para meios de transporte civis — o famoso GPS (Global Position System) e também no wi-fi e no bluetooth.

Quanto ao BNDES e à Finep, é desnecessário comentarmos o que todos os brasileiros (e estrangeiros) com um mínimo de bom senso já sabem: que se trata de um órgão extremamente custoso para os pagadores de tributos e mero distribuidor de benesses para pseudo-empreendedores, aqueles que têm bons amigos em Brasília, ou que são amigos do rei ou rainha de plantão no Planalto.  Ou que contratem bons lobistas.

Na página da University of Sussex há diversos vídeos com palimpsestos da professora Mazzucato, quase todos versando sobre o tema do "Estado empreendedor", que nós austríacos sabemos ser um fenômeno tão contraditório quanto o "molhado seco".  Um desses vídeos tem o título de "The Entrepreneurial State: Debunking public vs. private sector myths".  E há um comentário do Professor Robert Wade, da London School of Economics, sobre o novo livro de Mazuccato, "The Entrepreneurial State", lançado em junho deste ano, que me causou arrepios, a ponto de não conseguir relê-lo:

O livro Entrepreneurial State fornece um desmonte bem pesquisado e elegantemente escrito (até mesmo divertido) à crença que perpassa quase todo o espectro político, bem como a profissão econômica, de que "o mercado sabe melhor".  Dado que vários governos da atualidade estão às voltas com a questão de como estimular a produtividade e a inovação de seus setores industriais, o livro fornece diretivas — baseadas em casos exitosos e nem tão exitosos — de como fazer uma boa política industrial.  Acima de tudo, mostra por que a comum pressuposição de que o estado 'sobrepuja' o setor privado — como se o setor privado fosse um leão enjaulado por um estado sufocante — é contraditada pela realidade de que governos de economias que vão dos EUA ao Brasil e China de fato 'trazem' inovações para o setor privado.

Creio que basta uma interjeição — que nada tem de científica, que não está nos dicionários, mas que todos entenderão — para descrever esse palavrório palimpséstico: argh!

É curioso lembrarmos que esses economistas que se autodenominam como "desenvolvimentistas" são de duas espécies: os ignorantes, que não conseguem interpretar corretamente o passado, e os "não-ignorantes mal intencionados", que até enxergam o passado, mas o interpretam ao sabor e com as tintas da ideologia.

Dei o exemplo da economista britânica para ressaltar, primeiro, como os palimpsestos, que remontam ao século V a.C, continuam sendo usados.  Simplesmente, tentam apagar os erros do passado — como no caso da defesa do "capitalismo de Estado" —, para reescrevê-los.  Francamente, se isso é "desenvolvimentismo", então borboletas são mamíferos...

E, segundo, para lembrar como nossa mídia valoriza esses garranchos, piores dos que sou obrigado a ler quando corrijo provas de certos alunos da UERJ.

Não existe "capitalismo de estado", não existe "estado empreendedor", não existe "função social do estado", não existe "investimentos socialmente úteis"!  Existe apenas intervencionismo.  E seu oposto, que é a liberdade.  Quando será que vão entender isso?

Uma boa leitura, escrita de forma simples, mas bastante esclarecedora é o livro de Adriano Gianturco Gulisano, "L'Imprenditorialità di Israel Kirzner — L'Etica della Proprietà e la Moralità Del Profitto nel Libero Mercato Imperfetto", editado neste ano por Rubettino, na Itália.  É uma boa vacina contra os palimpsestos dos "desenvolvimentistas do estado-empreendedor".

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Leia também:

Ciência financiada pelo livre mercado versus ciência estatal

Quem realmente inventou a internet? 

 

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autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Bezerra  01/11/2013 12:20
    Eu também já perdi a paciência com os repórteres efeminados do Globo News dando trela para qualquer intelectual esquerdista que pareça centrista, a esquerda caviar. Para acabar de lascar, a minha operadora de tv a cabo tirou a Fox News do pacote. Ver tv a cabo tá ficando cada vez mais coisa de desvirilizado sem cerebro.
  • marcelo prieto   01/11/2013 12:44



    Bom dia senhores,

    Tenho lido e realmente confesso aprendido muito com o Professor Ubiratan, formado em ciencias economicas, desde do inicio da faculdade tive a sorte de ler e apreciar um livro da serie economistas , com Jevons e MENGER em seu conteudo, o que me colocou em conflito com o que me era lecionado. Gracas a Deus , fui atras de corrigir essas deficiencas e ate hoje me surpreendo a cada texto em relacao a escola austriaca e a minha sorte continuo , principalmente depois de ler Acao Humana.
    Acho que estou me estendendo um pouco, enfim,,, mais uma vez obrigado professor..... seu esforco e dedicacao sao no minimo fascinantes.

    marcelo prieto.
  • Pedro Ivo  01/11/2013 13:37
    Todo elogio e gratidão ao professor Iorio é pouco. Também aprendi muito com ele, e tenho usado seus textos com meus sobrinhos, de modo que tal como antigamente havia o médico de família, o professor Iorio é nosso economista de família.
  • TC  01/11/2013 14:56
    Muito oportuno o artigo, prof. Iorio.

    Uma dúvida que me atormenta: será que "intelectuais" como a dra. Mazzuccato realmente acreditam nestas concepções que defendem ou será que passam a carreira toda cientes das falácias da ideologia socialista-keynesianista ditada por seus financiadores?
  • Melanie Schwartz  01/11/2013 15:16
    Acho que ela realmente acredita. Ela quer trilhar o caminho da fama e reconhecimento. Imagina se algum esquerdista acertasse uma receita que fizesse o Estado ser tudo o que prometem? A pessoa que desenvolveu a tal receita estaria elevada a um nível de divindade, pois teria encontrado a solução para o problema que a ciência econômica visa resolver. =)

    Em outro assunto: Parabéns ao Professor por mais esse excelente artigo.
  • Daniel C.  02/11/2013 12:36
    TC, somente pessoas não esclarecidas ou desprovidas de inteligência acreditam em fábulas. A melhor forma de transformar um crente em ateu é pedir a ele que leia a bíblia em sua totalidade. Se ele continuar crente é porque seguramente é desprovido de inteligência, ou então é um profissional do ramo, ganha dinheiro através do embuste, da empulhação, do engodo, mente para os incautos ao afirmar que um tal de deus existe. Traçando um paralelo, essa "doutora" é pessoa esclarecida e provida de inteligência, portanto NÃO acredita em fábulas, restando como única possibilidade o fato de ela ganhar dinheiro através do embuste e da enganação, mentindo para os incautos ao afirmar que existem governos empreendedores. A propósito, foi se utilizando deste expediente que Keynes se tornou multimilionário.
  • TC  02/11/2013 17:27
    Daniel C., seu paralelo parte do princípio que o livro sagrado do cristianismo é composto por "fábulas", seja lá o sentido que queira dar a esta termo (Lições de moral? Literatura? Mitologia?).
    Adiante, escreve que qualquer cristão inteligente que vir a ler a Bíblia e se esclarecer abandonará sua fé, "seguramente".
    A partir dos argumentos que você apresenta, a conclusão que advém é que indivíduos como Santo Tomás de Aquino, Santo Agostinho, G. K. Chesterton, Santa Teresa de Ávila e Bento XVI seriam "não esclarecidas ou desprovidas de inteligência", isto caso cada um não fosse "...profissional do ramo, ganha dinheiro através do embuste, da empulhação, do engodo...". É muita pretensão!

  • Andre Cavalcante  01/11/2013 15:05
    Só uma pequena correção que não afeta o conteúdo do texto em si. Paul Allen e Bil Gates criaram a Microsoft em 1975, e não o Windows. O MS-DOS veio em 1980 e o Windows só veio ao mundo em 1982 e, na época não era um SO de verdade, era apenas um gerenciador de janelas para o MS-DOS (este sim um SO, dito de 8 bits). Como SO mesmo, somente com o Windows NT (uma cópia do VAX, compilada no 386, com uma interface gráfica windows explorer) em 93, e com o Windows 95, em 95, claro. O fim da linha Windows para PC de casa só se deu com o Windows XP, já em 2001, que integrou a linha NT ao ambiente doméstico.

    Abraços.
  • Jeferson  01/11/2013 16:55
    Lembrando que o Windows 95 foi lançado em 96!!!
  • Andre Cavalcante  02/11/2013 00:11
    Jeferson,

    O lançamento foi em agosto de 95 (7 milhões de cópias vendidas nas primeiras 5 semanas). Mas não chegou ao Brasil (exceto por piratas) antes de 96.

    Lembro-me até do lançamento do Win 98, no meio do ano. Ele travou. Mas conseguiram comercializá-lo ainda naquele ano.

    Mas concordo, são somente detalhes que não diminuem em nada o artigo.

    Abraços
  • Fred Henrique  01/11/2013 19:15
    Incialmente era "micro-soft".

  • Gustavo André  01/11/2013 21:27
    Isso é detalhe.

    Também me deparei com a ausência do ilustríssimo Steve Wozniak que, para o ramo da Computação, é muito mais importante que o Steve Jobs em si. Mas seria só mais um detalhe, afinal o texto não perde sua essência com essas falhas.

    E parabéns ao professor.
  • Rubens Mesquita  01/11/2013 15:07
    "... "investimentos socialmente úteis"! ...!

    Sou adepto do Estado Mínimo e do Livre Mercado, mas cético quanto ao dito acima.
    Existem N exemplos de parcerias público-privadas que são investimentos úteis.

    O texto cita muitos exemplos de sucesso, mas exemplo não é prova, é contra-prova. Mostra apenas que essas ações foram possíveis sem o Estado.
  • Rafael  01/11/2013 15:16
    "Parcerias público-privadas que deram certo" é um oximoro. Algo que utiliza dinheiro público para garantir lucros privados e que protege os empresários da concorrência não é algo que possa ser chamado de "investimento útil". Você não pode defender estado mínimo e, ao mesmo tempo, defender PPP, que nada mais é do que um mercado cartelizado.

    Recomendo:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=25
  • Pobre Paulista  01/11/2013 16:32
    Repare que "socialmente útil" é algo intrinsecamente inconsistente. Para se medir a "utilidade social" de algo, é necessário que a percepção de utilidade de cada indivíduo que compõe a sociedade seja a mesma. Ora, basta uma pessoa não ter a mesma percepção de utilidade que outra que já se impossibilita definir algo que seja "socialmente útil". Portanto "socialmente útil" é algo que só existe em teoria. Na prática existe apenas a intervenção estatal e suas desculpas esfarrapadas.

  • Juliano  01/11/2013 15:12
    O empreendedorismo estatal é tão bom que eles precisam te ameaçar para financiá-lo.
  • Ricardo  01/11/2013 18:00
    Este vídeo de apenas 4 minutos é espetacular e vai bem no estilo do artigo:

    Tudo é maravilhoso e ninguém está feliz
  • coutinho  01/11/2013 20:59
    Eike Batista é funcionário público? Nem tudo que brilha é ouro.
  • Malthus  01/11/2013 21:12
    Dado que ele utiliza o dinheiro dos pagadores de impostos (BNDES) para benfício próprio, ele de fato é praticamente um funça. O modus operandi é semelhante.

    Recomendo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1714
  • Juliano Camargo  01/11/2013 21:11
    Parabens pelo excelente artigo professor Iorio.

    A unica coisa que tenho a adicionar, que me e' simplesmente insuportavel e apavorante ao trabalhar com pesquisa no Brasil, e' constatar que a famigerada 'Lei Rouanet' cada vez mais serve de modelo para tudo.

    Na pratica o que temos e' a criacao de um grupo de pessoas especializado em recuperar creditos fiscais para as artes, a ciencia, e agora, para a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. Claro que estas pessoas mesmo assumindo que o processo seja neutro e honesto vao gastar 99% do seu tempo lendo editais e digerindo a burocracia que descreve os meandros dos processos de captacao de verbas.

    No final disto tudo quem esta' na ponta do processo, que e' meu caso, tem sua carreira inviabilizada no Brasil a menos que aceite trabalhar como bolsista (!) vinculado a uma instituicao oficialmente reconhecida como provedora de pesquisa aplicada.

    Neste pais com essa mentalidade todas estas iniciativas dao origem a feudos e mero 'rent-seeking'. Olho pela minha janela e ao inves de ver empresas startup vejo um enorme predio ocupado pelo SENAI, outro ocupado por algum sindicato de empreendedores, pasmem. Muita gente nesse pais pra ser cacique e pouca gente fazendo.

    Mas os empresarios brasileiros citados me servem de inspiracao e mostram que existem muitos brasileiros criativos e inteligentes que cresceram sem entrar neste jogo sujo, e passaram anos voando sob o radar, apenas munidos de sua competencia e suas ideias.

    Um grande abraco.
  • Eduardo  01/11/2013 21:28
    Muito bom o artigo e muito oportuno.
    Alias aproveitando o tema queria saber se tem alguma sugestão de leitura com criticas ao desenvolvimentismo cepalino.
  • Renato Souza  02/11/2013 03:27
    Complementando as informações do artigo sobre palimpsestos:

    1. Normalmente são encontrados em pergaminhos, muito mais que em papiros. Pergaminhos permitem processos drásticos de limpeza, papiros são frágeis.

    2. O motivo era econômico. A tinta dos pergaminhos se desgastava com o passar dos séculos, a ponto do texto se tornar difícil ou impossível de ler em muitos lugares, perdendo sua utilidade. Descartar o pergaminho seria um desperdício, porque era um material caro. Então, em vez de queima-lo ou joga-lo fora, eles limpavam a tinta antiga para reaproveita-lo.

    3. Felizmente, hoje em dia, existe tecnologia óptica que permite ler grande parte do texto raspado. Isso permite aos estudiosos o acesso tanto ao texto anterior quanto ao posterior.
  • Carlos Marcelo  02/11/2013 04:42
    Aqui tem um blog mostrando exemplos de empresas multinacionais e que, no entanto, nasceram de baixo. Apesar de te um pouco de exagero em criticar a necessidade do "acúmulo de capital", é muito estimulante pra se mostrar, por exemplo, para alunos do ensino médio e introdução à economia. comosurgiramasgrandesempresas.blogspot.com.br/
  • Marx contra a lógica perversa do capitalismo  02/11/2013 04:48
    O Estado criou a Petrobrás, Vale do Rio Doce e muitas outras gigantes do mercado nacional. Durma-se com um barulho desses.
  • Juliano  02/11/2013 14:23
    Tem que colocar de uma forma mais precisa:

    O Estado proibiu a criação de empresas privadas em determinados setores e criou empresas que, por pior que fossem administradas e por mais prejuízo que gerassem, estariam ativas e financiadas com dinheiro extraído à força da população.
  • Lucas Nutels  02/11/2013 14:25
    Trechos traduzidos de um artigo de Terence Kealey:

    "A nação líder durante o século XX foi os Estados Unidos, e que era laissez faire também, principalmente na ciência. Em 1940, 50 anos depois de seu PIB per capita ter ultrapassado o do Reino Unido, o orçamento anual total dos EUA para pesquisa e desenvolvimento (P&D) foi de 346 milhões de dólares, dos quais nada menos do que 265 milhões dólares foram arrecadados de fundos privados (incluindo 31 milhões para universidades e fundações de ciência). Do orçamento em P&D do governo federal e dos estados mais de 29 milhões de dólares foram para agricultura (remetendo — lembre — ao problema crônico dos Estados Unidos de superprodução agrícola) e 26 milhões para a Defesa (a qual tem um benefício econômico trivial). A América, portanto, produziu a sua liderança industrial, bem como seus Edisons, Wrights, Bells e Teslas, sob a pesquisa laissez faire.


    [...]

    Além do mais a evidência econômica contemporânea confirma que o financiamento do governo em P&D não tem benefício econômico algum. Deste modo, em 2003, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico — a agência de pesquisa econômica dos países industrializados) publicou o título Sources of Economic Growth in OECD, que analisou todos os principais fatores mensuráveis que poderiam explicar as diferentes taxas de crescimento das 21 principais economias do mundo entre 1971 e 1998. E descobriu que enquanto financiamento privado em P&D estimulou o crescimento econômico, o financiamento público em P&D não obteve impacto.
    Os autores do relatório ficaram desconcertados com suas próprias descobertas. "Os resultados negativos para o P&D público são surpreendentes", escreveram eles. Eles especularam que o financiamento público de P&D pode ter um efeito crowding out sobre os fundos privados de P&D, o que, se for verdade, sugere que o financiamento público de P&D pode realmente prejudicar o crescimento econômico [6]. Certamente, tanto eu quanto o Walter Park, da American University, já havíamos informado que os dados da OCDE mostravam que o financiamento governamental em P&D, de fato, expulsa o financiamento privado, em detrimento do crescimento econômico. Nas palavras de Park, "o efeito direto da pesquisa pública é fracamente negativo, como deve ser caso o gasto público de pesquisa tenha um efeito substitutivo e que adversamente afete o crescimento da produção privada"."
  • Anonimo da Silva  02/11/2013 20:52
    Hedy Lamarr não criou o GPS. Já existiam sistemas de radio-localização anteriores a ideia dela. O que ela criou foi um sistema de transmissão que criptógrafa e melhora a robustez do sinal. Foi patenteado como "Secret Communications System", ou seja, não era um sistema de posicionamento utilizando satélites, embora a idéia dela ainda seja utilizada em sistemas modernos. O GPS por sua vez é muito mais complexo, e assim como a internet, é difícil dizer quem foi o inventor, já que muitos tiveram insigths que foram impressindíveis ao desenvolvimento. E, embora eu concorde com a idéia do texto, o fato é que a infraestrutura, como os super-custosos satélites foi criada pelo governo americano, isso é inegável.
    O mesmo vale para o programa espacial. O que pode-se contestar é que embora eu me inspire no programa espacial, e concorde em pagar para financia-lo, outros não concordavam e foram forçados a pagar impostos para financia-lo. Além do fato que se não houvessem restrições, talvez o sector privado já dominasse as viagens espaciais melhor que a NASA.
  • Ricardo  02/11/2013 21:40
    "Já existiam sistemas de radio-localização anteriores a ideia dela. O que ela criou foi um sistema de transmissão que criptógrafa e melhora a robustez do sinal."

    Foi exatamente isso que o artigo disse. Copio o trecho:

    "Hedy criou a tecnologia básica para o Sistema de Posicionamento Global. [...] Conforme relatado aqui, a famosa atriz inspirou-se no som do piano para bolar sua maior invenção: em 1940, conheceu o compositor George Antheil, também curioso por ciência. Certa noite, quando tocavam piano, ela se deu conta de que cada tecla emitia uma frequência de longo alcance diferente. E, assim como elas se alternavam rapidamente em uma música, talvez algo parecido pudesse ser aplicado aos espectros de comunicação militar. Aprimorada por Antheil, a análise de Lamarr originou o sistema "salto de frequência", no qual estações de radiocomunicação eram programadas para mudar de sinal 88 vezes seguidas (o mesmo total de teclas de um piano). Com isso, as forças inimigas teriam dificuldade em detectar esse registro alternado, que poderia ser então usado por navios e aviões, para orientar torpedos."
  • Anonimo da Silva  03/11/2013 01:37
    Não, o que ela criou não é "a" tecnologia básica do GPS, como diz o texto. É uma das tecnologias utilizadas no sistema GPS. Seria o mesmo que dizer que quem criou a injeção eletrônica criou o carro. A injeção eletrônica é utilizada no carro, mas nem de longe é equivalente ao carro.
  • bruno  03/11/2013 10:21
    Tbm assisti à entrevista citada pelo autor, no programa Milênio da Globonews e assim como ele, fiquei enojado. No início da narrativa do repórter, vc já fica cismado com a assunção do mesmo, nada isenta sobre o assunto.

    Fiquei curioso com o fato de tanto na entrevista, como aqui neste texto, não terem se dado conta do seguinte. Ok, a internet pode ter tido uma origem estatal, mas num ambiente realmente livre, poderia tbm ter havido a internet?

    Entendem o que digo?

    Ficamos tão presos ao que é/foi que esquecemos o que seria feito num ambiente mais livre.

    Talvez um sistema de holograma do tipo skype ou carros voadores rs. Pra que se prender ao que foi, qdo poderíamos estar mais longe tecnologicamente e tbm numa realidade diferentíssima da atual?
  • Dalton C. Rocha  04/11/2013 00:33

    "Elio Gaspari
    Eike Batista, o bilionário-celebridade

    A banca esqueceu-se dos exemplos de empresários como Amador Aguiar, Antunes e Sebastião Camargo

    A quebra da OGX de Eike Batista era pedra cantada e foi a maior concordata da história do país. Em 2010 suas ações valeram R$ 23,27. Para desencanto de 52 mil acionistas e algumas dezenas de diretores da grande banca pública e privada, saíram da Bolsa a R$ 0,13. Todo mundo ganhará se disso resultar algum ceticismo em relação à exuberância irracional da cultura das celebridades poderosas. Nela juntam-se sábios da banca que se supõem senhores do universo e autoridades que se supõem oniscientes.

    Admita-se que um vizinho propõe sociedade num empreendimento. Ele é um homem trabalhador, preparado, poliglota, esportista e bem-sucedido. Apesar disso, expôs sua vida pessoal mostrando que tem um automóvel de luxo na sala de estar, comunica-se em alemão com o cachorro. (O bicho chegou ao Brasil num Boeing privado, com dois treinadores.) Sua mulher desfilava numa escola de samba com uma gargantilha onde escreveu o nome dele e deixou-se fotografar de baixo para cima usando lingerie transparente. Nomeou para a diretoria de uma de suas empresas um filho que declarou só ter lido um livro em toda a vida. Revelou que estava ligado em astrologia, confiando no seu signo (escorpião) e disse coisas assim: "Tenho alguma coisa com a natureza. Onde eu furo eu acho". Quando suas contas começaram a ter problemas, defendeu-se: "Meus ativos são à prova de idiotas". Tem jogo?

    Eike tornou-se uma celebridade, listada por oráculos da imprensa financeira como o homem mais rico do Brasil, oitavo do mundo, e anunciou que disputaria o primeiro lugar. Até junho, quando as ações da OGX estavam a R$ 1,21, sentavam-se no seu conselho de administração figuras respeitáveis como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie. Lula visitava seus empreendimentos. A doutora Dilma Rousseff dissera que "Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado". Quem entrou nessa, micou, inclusive a doutora.

    Em seus delírios, Eike Batista criou uma fantasia que pouco tem a ver com a real economia brasileira, ou com as bases dos setores de petróleo, mineração e infraestrutura. Parte do mico ficou para os gênios da banca internacional. Cada um acreditou no que quis e deu no que deu. Falta de exemplos, não foi. Para falar só de grandes empresários que já morreram, a austeridade foi a marca de empreendedores como Augusto Trajano de Azevedo Antunes, que criou a mineradora Icomi, Leon Feffer, criador da Suzano Papel, e Amador Aguiar, pai do Bradesco. Não foram celebridades. Descontando-se o fato de que "seu" Amador não usava meias, não tinham folclore.

    EIKE E AS CONTAS

    Se o processo de recuperação judicial da OGX levar peritos a examinar saques feitos nos últimos meses no caixa de empresas do grupo, a coisa ficará feia.

    EIKE E OS POÇOS

    Entre as lições deixadas por Eike Batista há uma que vai em benefício dele e de todos os empresários perseguidos por maledicências. Quando Eike criou a OGX e levou para sua equipe ex-diretores da Petrobras, a sabedoria convencional estabeleceu que capturara os segredos das pesquisas geológicas da empresa. Essa suspeita foi vocalizada até mesmo pela cúpula da Petrobras. Era lorota. Se eles soubessem onde estava o petróleo, a OGX não teria quebrado.

    EIKE E OS BÔNUS

    Numa das explicações que Eike Batista deu para suas dificuldades estava a queixa de que diretores de suas empresas inflavam expectativas e resultados para engordar os bônus de fim de ano. A lição vale para todos os empresários. Basta ligar um desconfiômetro. Qual dos diretores seria capaz de sustentar projetos e iniciativas que garantem seu bônus em dezembro e quebram a empresa daqui a alguns anos, quando ele estará na praia? Das diretorias de Eike Batista pelo menos dez executivos saíram com mais de R$ 100 milhões no bolso. Alguns, com R$ 200 milhões. Nenhum micou.

    EIKE EM HOLLYWOOD

    Um produtor de cinema americano veio ao Brasil para oferecer a Eike o conglomerado da "Playboy" ameri-cana. Durante o jantar, o empresário ofereceu-lhe um negócio melhor: um filme sobre a sua vida. Punha duas condições, o Eike jovem deveria ser Leonardo DiCaprio; o maduro, George Clooney.

    EIKE E O PODER

    Recordar é viver. Em junho do ano passado, quando Eike Batista emprestou seu jatinho a um poderoso amigo para um feriadão na Bahia, respondeu às críticas dizendo o seguinte: "Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador Sérgio Cabral. (...) Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas [e] trazer a Olimpíada para o Rio." Tudo verdade, menos o piro da Olímpiada.

    EIKE E FRICK

    Faz tempo, um homem de negócios chamado Henry Frick habilitou-se para um empréstimo no banco Mellon. O dinheiro saiu, mas os arquivos do banco mostram que havia uma recomendação de cautela em relação a ele, porque comprava muitas obras de arte. Frick comprou três dos 34 Vermeers conhecidos. Mais três Rembrandts, dois Goyas e até um Cimabue, do século 13. Sua casa, projetada para ser museu, tem uma das melhores coleções do mundo. Até janeiro, quem quiser poderá ir lá para ver a "Menina com o Brinco de Pérola", emprestado pela Holanda. O banco Mellon não arriscava, nem Frick.

    EIKE E O ELEVADOR

    Despencou mais um empresário que tem elevador privativo em sua empresa, ou bloqueia-o quando está chegando ao prédio. Juntou-se a um grupo onde estiveram Richard Fuld, que destruiu a Lehman Brothers, Angelo Calmon de Sá (Banco Econômico), Theodoro Quartim Barbosa (Comind) e Edemar Cid Ferreira (Banco Santos).

    EREMILDO, O IDIOTA

    Eremildo magoou-se ao saber que Eike Batista disse que seus negócios eram à prova de idiotas. Ele continua botando fé no doutor.

    EIKE, EDUARDO PAES E A MARINA DA GLÓRIA

    Em 2009 Eike Batista comprou a concessão da Marina da Glória, uma área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Seu plano era transformá-la num anexo náutico do Hotel Glória, construindo um centro de convenções que jamais esteve no projeto original.

    Esse patrimônio da Viúva estava nas mãos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Até maio passado o prefeito Eduardo Paes explicitou em diversas ocasiões seu apoio ao projeto. Sua assessoria dizia que ele fora aprovado pelo Iphan, mas era patranha. Logo depois a Justiça suspendeu a concessão.

    Eike pôs à venda o hotel e passou adiante a marina. No dia 29 de junho, Paes criou uma comissão para definir o futuro da área: "Queremos deixar as regras claras, criar parâmetros. Vai poder ter lojas e centro de convenções? Não vai poder?"

    Caso de curiosidade tardia para quem assumiu a prefeitura em 2009. "> www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/137151-eike-batista-o-bilionario-celebridade.shtml
  • Emerson Luis, um Psicologo  07/11/2013 17:53
    Intelectuais esquerdistas devem ficar furiosos quando eles elaboram teorias sofisticadas e pensadores liberais as estragam com simples fatos.

    * * *
  • Boaventura  22/05/2015 23:10


    Quero agradecer à possibilidade de ler esse artigo. Essa tal de Mariana Mazzucato esteve no Brasil nesse mês com essa conversa de "estado empreendedor", e apareceu na Folha, ÉPOCA ...rsrssr. Mas que piada de péssimo gosto.


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