A teoria austríaca do intervencionismo
por , sábado, 26 de outubro de 2013

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No artigo anterior, foi discutida uma teoria sobre a maré estatista que vinha ocorrendo na América Latina. Agora é hora de aprofundar um pouco mais aquela teoria.

intervencionismo.jpgVivemos sob um sistema econômico intervencionista.  Mas, surpreendentemente, é raro encontrar nos escritos dos economistas modernos análises sobre a lógica do intervencionismo visto como um sistema econômico, com exceção dos economistas austríacos.  Neste artigo, revisaremos os fundamentos da análise desses autores sobre o assunto.

Ao analisar o intervencionismo como um sistema econômico, os austríacos retomam uma tradição típica da economia clássica. A Riqueza das Nações de Smith, por exemplo, se lida na íntegra, se revela uma comparação do desempenho econômico de conjuntos de instituições liberais e intervencionistas — denominadas "sistemas de liberdades naturais" e "mercantilismo", respectivamente. Da mesma forma, nos escritos de economistas antigos, como Turgot, Say, Bastiat e outros autores, em sua maioria franceses, podemos constatar a centralidade da crítica ao intervencionismo. Com o advento da ortodoxia ricardiana, no entanto, essa tradição tendeu a sair de cena, devido em parte à adoção de uma orientação teórica mais macroeconômica e agregada, até desaparecer por completo com Marx.  Na obra deste autor, os conceitos denominados "capitalismo" e "socialismo" aparecem como os sistemas econômicos relevantes, sendo o intervencionismo erroneamente visto como uma forma transitória do primeiro.[1]

O domínio da visão de mundo marxista nas ciências sociais influenciou até mesmo os economistas ortodoxos modernos.  Estes continuam a trabalhar com as noções de capitalismo e socialismo, preferindo, porém, de forma pretensamente científica, uma terceira via entre esses dois extremos, que seriam defendidos em termos puramente ideológicos.  Entretanto, raramente ouvimos explicações sobre as diferenças entre esse sistema idealizado e o intervencionismo concreto, comumente denominado "capitalismo de estado".  Mesmo assim, segundo a crença desses economistas, o intervencionismo concreto, do mundo real, não é sujeito a regularidades que justifiquem uma teoria sobre seu funcionamento.  A estatolatria prevalecente em nossa época faz com que o estado seja romantizado, visto como uma entidade abstrata pautada pelo interesse coletivo. Isso barra a análise das falhas de governo e a investigação sobre a existência de algum padrão a respeito do funcionamento da intervenção estatal[2].

Ludwig von Mises, porém, retomou no século XX a tradição clássica de crítica ao intervencionismo, desenvolvendo ao longo de sua carreira uma extensa análise de vários aspectos desse sistema econômico, desde o exame de sua ideologia[3] e estudos históricos sobre suas consequências[4], até trabalhos teóricos sobre o funcionamento da burocracia estatal[5] e também sobre a crítica ao sistema econômico intervencionista[6].  A respeito desse último tópico, não contente em estabelecer a tese sobre a inviabilidade do socialismo (tese até hoje sem respostas satisfatórias), Mises mostrou que a alternativa intervencionista tampouco consiste em um sistema econômico viável, pois as contradições inerentes ao mesmo o tornam instável, tendendo sempre para os limites de uma economia livre ou controlada centralmente.  Vejamos o argumento mais de perto.

Em primeiro lugar, Mises define intervenção como

uma norma restritiva imposta por um órgão governamental, que força os donos dos meios de produção e empresários a empregarem estes meios de uma forma diferente da que empregariam."[7].

Dada essa definição, o autor divide sua análise em dois grandes grupos, restrições de produção (como normas de qualidade, restrições ao comércio exterior ou restrições de ocupação) e intervenções no sistema de preços (como o estabelecimento de preços máximos e mínimos).  Em ambos os casos, os efeitos das intervenções são o oposto daquilo desejado pelo governo.  No primeiro caso, o emprego do capital em linhas diferentes daquelas que os agentes livres desejariam tem o efeito de reduzir a produtividade do investimento e portanto diminuir a riqueza produzida, o que gera por sua vez novos problemas de ordem econômica.

É no segundo tipo de intervenção, contudo, que Mises desenvolve de forma mais completa a dinâmica do processo intervencionista, dinâmica essa gerada pela resposta aos novos problemas que surgem como consequência das intervenções anteriores.  Se, por exemplo, o preço do leite for alto o bastante de modo a impossibilitar um nível de consumo tido como desejável, o governo poderia estabelecer um preço máximo para o produto.  O preço inferior faz com que os vendedores retirem os produtos não perecíveis do mercado, para evitar prejuízos.  Isso provoca uma reação governamental, que decreta a liberação compulsória dos estoques. Mas, como todo aluno de Introdução à Economia sabe, ao preço menor a demanda será maior do que a oferta e a quantidade de leite de fato transacionada diminui em vez de aumentar.  O governo poderá então impor um sistema de racionamento para evitar as consequências das intervenções anteriores. Com o esgotamento dos estoques, para evitar a interrupção da oferta das firmas que operariam com prejuízo, o governo deverá então controlar os preços dos insumos, desencadeando assim o mesmo tipo de efeito em outros mercados, com o capital migrando para os setores não controlados e frustrando o plano inicial.  Para obter uma alocação de recursos consistente, o controle deve então se entender para todo o sistema de preços, controlando salários e em última análise forçando os trabalhadores e empresários a empregar seus esforços nas direções desejadas pelo governo.  Chega-se assim a um sistema totalmente controlado — o socialismo.  A alternativa seria o abandono dos controles e teríamos novamente uma economia livre.

Na evolução do processo intervencionista, o fator ideológico exerce papel preponderante, segundo Mises.  Na presença da ideologia estatista, cada fracasso de uma intervenção gera demandas por novas intervenções: a culpa dos problemas nunca é a intervenção em si, mas a falha em aplicar a lei e o egoísmo dos agentes econômicos. Exigem-se então novas e mais rigorosas leis.  Isso, adicionalmente, corrói a moralidade da sociedade, pois o vendedor de leite que burla a lei serve ao interesse público e o funcionário público que procura aplicá-la age contra esse interesse.  No que se refere ao passado recente no Brasil, por exemplo, todo gerente de varejo respeitável já foi preso por remarcar preços e os contrabandistas de microcomputadores de décadas atrás merecem monumentos públicos por violar a lei da informática vigente nos anos 90...

Com o exemplo do leite, Mises ilustra a tese da instabilidade do intervencionismo.  Naturalmente, outras intervenções poderiam ser tentadas, mas sempre com o mesmo efeito de consequências não intencionais que se alastram para o resto da economia, até se refletir na deterioração do quadro macroeconômico do país.  A evolução da teoria austríaca do intervencionismo a partir de então reage ao desafio de estender a análise básica de Mises aos demais tipos de intervenção.  Como notou Lavoie[8], Mises define intervenção de forma desnecessariamente estrita, excluindo de sua análise os gastos públicos, tributação, operação de indústrias estatais, fornecimento de bens subsidiados e outras intervenções, embora ele vá ao longo da sua carreira progressivamente incluindo alguns desses pontos em sua crítica.  Lavoie considera, por exemplo, que a teoria austríaca dos ciclos se encaixa perfeitamente no padrão proposto: injeções de crédito falham em estimular a economia no longo prazo, gerando ciclos de bolhas e crises que são atribuídas não às autoridades monetárias e ao sistema bancário sob sua proteção que iniciaram o processo, mas ao mercado livre.  Isso cria demanda por ainda mais crédito e gastos públicos, propostos como remédios que, além de não funcionar, geram déficits que criam novas dificuldades para a economia no futuro.

Rothbard, discípulo de Mises, procura então em sua obra principal estender o escopo da análise misesiana. Para esse autor, intervenção estatal é vista como toda "... intrusão de força física agressiva na sociedade; significa substituição da ação voluntária pela coerção."[9].

Para ajudar a generalizar a análise, Rothbard cria uma tipologia de intervenções: a) intervenções autistas, referentes ao comportamento privado (como aquelas referentes à liberdade de expressão, proibição de consumo ou direito a deslocamento das pessoas), b) intervenções binárias, relativas às relações com o estado (como tributação, bens públicos, nacionalização de indústrias) e c) intervenções triangulares, que forçam ou impedem a troca com terceiros (como controles de preços, regulações de comércio e contratos, regulações ambientais e de segurança).  De posse dessa tipologia, o autor de fato é capaz de cobrir um espectro maior de intervenções na análise, aumentando o peso do argumento original.

Com a evolução da teoria austríaca do processo de mercado a partir das contribuições de Hayek e mais tarde Kirzner[10], a análise austríaca do intervencionismo passa a ter uma base teórica comum: todas as intervenções podem ser analisadas em termos da diminuição da capacidade de adaptação dos mercados às mudanças que continuamente ocorrem nas economias.  Os erros acumulados e consequências não intencionais das intervenções são então explicados pelo bloqueio a atividade empresarial de descoberta que caracteriza a competição em mercados livres.

De posse desse aparato teórico, Ikeda[11] reformula a tese misesiana de modo a criar uma teoria austríaca de ciclos intervencionistas.  O principal problema da explicação de Mises, nota Ikeda, é a sua previsão (que lembra Marx) sobre o fim eminente do sistema intervencionista sob o peso de suas contradições.  Para Mises, esse sistema pode ter uma sobrevida devido ao uso daquilo que denomina "fundo de reservas" de riquezas previamente criado pela sociedade mais livre.  Embora seja de fato verdadeiro que sociedades já ricas podem se dar ao luxo de manter políticas destrutivas por mais tempo e que, de fato, vivemos no Brasil a experiência que comprova que estatizar antes de enriquecer impede o desenvolvimento, podemos constatar que o intervencionismo ou mercantilismo é o sistema econômico mais frequente e duradouro nas sociedades que superaram um estágio tribal de desenvolvimento.  O que explicaria isso?

A previsão de Mises pode ser entendida em termos de sua visão de mundo racionalista e otimista: no longo prazo um sistema econômico incoerente não sobrevive, pois a razão no longo prazo reconhece essa incoerência.  Para Ikeda, por outro lado, o sistema intervencionismo seria um exemplo do conceito hayekiano (e polanyiano) ordem espontânea: se examinarmos a lógica da evolução do tamanho do estado, existem forças que, por um mecanismo de retro-alimentação, conferem estabilidade ao sistema.

Por um lado teríamos uma fase expansionista do ciclo intervencionista: como descreve Mises, intervenções geram uma reação em cadeia que demandam mais intervenções.  O acúmulo de problemas gerado por um estado altamente intervencionista, embora comumente atribuído aos mercados livres, diminui a efetividade das novas intervenções e facilita para um número progressivamente maior de pessoas a tarefa de reconhecer as verdadeiras causas do fenômeno.  No limite, o crescimento do estado se depara com o problema da impossibilidade do cálculo econômico socialista: sem propriedade privada não teríamos mercados cujos preços auxiliam os agentes na tarefa de avaliar a importância das diferentes linhas de ação econômicas alternativas.

Quando a crise do intervencionismo se manifesta sob a roupagem de uma crise macroeconômica, os governos são pressionados a, contra sua própria ideologia, promover reformas na direção liberalizante.  Teríamos então a fase contracionista do ciclo intervencionista.  Será possível que essa fase nos leve a um estado mínimo ou ainda a uma sociedade anárquica, com estado zero, no outro extremo?  Para o autor, isso não ocorre devido à instabilidade do estado mínimo (ou nulo): os problemas informacionais que assolam a ação estatal (ou organizações voluntárias para provisão de bens públicos) permanecem e, sendo assim, se faz presente o mesmo processo de expansão (criação) do estado propelido por erros de ações anteriores.

A análise de Ikeda tem vários méritos, o maior deles relativo à ideia em si de ciclos intervencionistas. Adicionalmente, o autor engloba em sua análise não apenas o intervencionismo dirigista convencional, mas também o intervencionismo distribucionista, fundamental para a compreensão da lógica do estado de bem-estar moderno.  Além disso, por motivos de rigor analítico, a teoria é construída supondo interesse público da parte do governo, mostrando assim que apenas o problema hayekiano de conhecimento limitado basta para explicar o ciclo intervencionista, embora o autor não despreze o estudo da lógica do autointeresse na política.  A introdução desse tipo de consideração aumenta imensamente o poder explanatório da teoria a respeito dos padrões observados na desaceleração da fase contracionista, o que aumenta a importância da discussão das questões ideológicas: seria possível a difusão do diagnóstico liberal quebrar a resistência a reformas imposta por aqueles que vivem de privilégios concedidos pelo estado?

Neste ponto a análise de Ikeda poderia ser modificada. Para esse autor, as preferências ideológicas são em larga medida exógenas, variando um pouco, porém, em termos de modificações na taxa marginal de substituição entre ação voluntária e ação estatal conforme estejamos em diferentes fases do ciclo: no extremo liberal, demandam-se mais intervenções, no extremo estatista preferem-se liberalizações.  A correção do excesso de otimismo de Mises no poder da razão e uma compreensão mais profunda da relação entre ideologia e evolução institucional seriam dadas pela incorporação na análise das ideias desenvolvidas nos últimos trabalhos de Hayek[12].  Nestes trabalhos, Hayek investiga, por um lado, a evolução da ideologia que fundamenta o intervencionismo e o socialismo, derivada de uma moral tribal, disfuncional em termos das necessidades impostas por uma sociedade livre mais complexa.  Por outro lado, o autor explica em termos evolucionários o processo de mudanças institucionais, como algo entre a razão e o instinto e não como algo que possa ser planejado de cima para baixo. Essas duas linhas de investigação, trazidas para a teoria dos ciclos intervencionistas, são capazes de explicar uma assimetria entre as fases expansionista e contracionista do ciclo: ou seja, porque tão logo que as primeiras reformas liberalizantes aliviam as crises do intervencionismo, o processo de reformas é abortado e as práticas intervencionistas retomadas.

Levar mais a sério a tenacidade da ideologia intervencionista nos leva então a um problema fundamental: como quebrar a lógica de expansão do estado?  Embora nossas preferências políticas liberais nos direcionem para a investigação desse desafio intelectual, uma solução convincente ainda não existe e, infelizmente, uma teoria de ciclos intervencionistas realista ainda se assemelha a um modelo biológico de hospedeiro-parasita, no qual o problema do estado é extrair o máximo de recursos do hospedeiro sem matá-lo.  Paradoxalmente, o fantástico grau de adaptabilidade da ação livre, capaz de sobreviver a ataques extremamente agressivos do parasita, é a causa última da ubiquidade e permanência do intervencionismo.



[1] Para uma análise do contraste entre as noções marxista de modos de produção e o mercantilismo, ver Osterfeld, D. "Marxism, Method and Mercantilism" in Maltzev, I. N. (ed.) A Requiem for Marx, Auburn: Ludwig von Mises Institute, 1993.

[2] A crítica a políticas intervencionistas como controles de preços subsiste na análise ortodoxa em ambientes nos quais prevaleceria a estrutura de mercado denominada "competição perfeita". Fora desta, os economistas acreditam que os fundamentos da economia, como a estrutura de custos e as curvas de demanda, são conhecidas pelo governo e pelas firmas de modo independente do processo competitivo no mercado, de forma que se recomenda a intervenção no sistema de preços sem as consequências negativas reconhecidas no primeiro caso. Para uma análise da justificativa econômica padrão das intervenções, ver o artigo anterior: "Eficiência econômica e a abordagem do nirvana".

[3] Mises, L. (2010) A Mentalidade Anticapitalista. São Paulo: Instituto Mises Brasil.

[4] Mises, L. (1985) Omnipotent Government: The Rise of the Total State and Total War. Spring Mills: Libertarian Press.

[5] Mises, L (1983) Bureaucracy. Grove City: Libertarian Press.

[6] Ver Mises, L. [1929] (s.d.) Uma Crítica ao Intervencionismo. Rio de Janeiro: Instituto Liberal-Nordica; Mises, L. [1929] (2010.) Intervencionismo: uma análise econômica. São Paulo: Instituto Mises Brasil e também Mises, L. [1949] (2010) Ação Humana, São Paulo: Instituto Mises Brasil.

[7] Mises, L. Uma Crítica ao Intervencionismo, página 18.

[8] Lavoie, D. (1982) The Development of the Misesian Theory of Interventionism in Kirzner, I. Method, Process, and Austrian Economics. Lexington: Lexington Books.

[9] Rothbard, M. (1993) [1962] Man, Economy and State. Auburn: Ludwig von Mises Institute , pág, 766.

[10] Hayek, F.A. (1980) Individualism and Economic Order. Chicago: The University of Chicago Press; Kirzner, I. (1986) Competição e Atividade Empresarial, Rio de Janeiro: Instituto Liberal.

[11] Ikeda, S. (1997) Dynamics of the Mixed Economy: toward a theory of interventionism. Londres: Routledge.

[12] Hayek, F. A. (1985) "Direito, Legislação e Liberdade", vols. I, II e III, São Paulo: Editora Visão Ltda. e Hayek, F. A. (1991), Hayek, F.A. "The Fatal Conceit: The Errors of Socialism". Chicago: The University of Chicago Press.

 

Fabio Barbieri é mestre e doutor pela Universidade de São Paulo.  Atualmente, é professor da USP na FEA de Ribeirão Preto.




31 comentários
31 comentários
Jose Ricardo Monteiro 26/10/2013 15:59:39

Saudações, Fábio, lembrei das reuniões relatadas no livro de Ayn Rand,"A Revolta de Atlas", reuniões entre (des)governo e produtores,cujo assunto era a liberação de um segmento produtivo arruinado pelo (des)governo, fantástico: a ficção imitando a realidade.

Mandou muito bem, grato.

Responder
Vitor Morosine 26/10/2013 16:00:38

A síntese da parte final pode ser resumida em Hank Rearden. Enquanto a sociedade produtiva não perceber que só existe espoliação porque mesmo com todos os cambaleios o sistema segue com algum tipo de progresso geral, ele tende a se manter.

Acho que o personagem é um representante fantástico do quadro em que vivemos e enquanto não houver o estalo vivido pelo mesmo quando entende a frase dita pelo burocrata "Vocês sempre dão um jeito", haverá mais estado e intervenção, travestidos de bem-estar e igualdade entre os homens, é claro.

Responder
João M 26/10/2013 16:08:09

Excelente artigo, Fábio, meus parabéns.

Recentemente também li sua dissertação de mestrado, e fiquei surpreso com a forma coesa (e, o que mais me surpreendeu, convincente) como você foi capaz de mapear as teorias da Escola Austríaca sobre o processo de mercado. Apesar de não concordar com o liberalismo nem com a ideologia liberal, fico feliz em ver que ainda se produz com qualidade neste campo, de forma séria, sem deboche, sem arrogância e sobretudo com esforço (bem sucedido, devo ressaltar) de abordagem científica.

Isso só enriquece o debate, contribui para um "embate" saudável entre as diversas escolas.

Novamente, meus parabéns.

Responder
David 26/10/2013 16:10:00

Comparando um trabalhador chinês com um europeu.

Chinês semi-escravidão, não tem sindicatos, não tem qualidade, segurança e meio ambiente. Como resultado produtos baratos (todos conhecemos bem o resultado)

Trabalhador europeu. Sindicalizado, alta qualificação, qualidade, segurança, meio ambiente, altos salário etc etc. È um lord perto do chinês.

Qual dos 2 trabalhadores o senhor Mises escolheria para sua fábrica ????????????

Responder
Leandro 26/10/2013 16:17:12

Ué, David, por que você não expande sua brilhante interpretação econômica? Por que você não fala sobre a diferente acumulação de capital que há na Europa e na China, acumulação essa que permite que os trabalhadores europeus sejam mais produtivos e, consequentemente, que tenham salários maiores?

Isso não entra em sua análise?

Um trabalhador alemão pode se dar ao luxo de trabalhar menos que um chinês, pois a Alemanha possui mais capital acumulado que a China. Consequentemente, um trabalhador alemão é mais produtivo que um chinês, seu salário é maior e ele pode até se dar ao luxo de se sindicalizar e exigir assistencialismos estatais.

É fácil para uma economia rica adotar modelos assistencialistas (difícil é mantê-los indefinidamente, como atual situação europeia vem mostrando). Já para uma economia pobre, que passou décadas destruindo capital -- como fez a China sob Mao --, é economicamente impossível fazer o mesmo. Tanto o Brasil quanto a China não podem se tornar a Alemanha por decreto governamental. Para que ambos cheguem ao padrão alemão, antes é preciso acumular capital. E para acumular capital, é preciso investir. E para investir, é preciso poupar. E para poupar, é preciso trabalhar.

Você desconsidera tudo isso, e se limita a fazer apelos emocionais à varinha mágica do governo. Você parece achar que basta o governo decretar bem-estar social e pronto, fica tudo resolvido. Em momento algum você parou pra pensar sobre detalhes básicos e chatos, como poupança, acumulação de capital e investimentos -- que é o que permite que haja benesses assistencialistas.

É exatamente este tipo de ignorância econômica e pensamento simplista, voltado puramente para o emocional, que o IMB procura combater.

Para uma explanação mais completa sobre isso que falei aqui, tenha a bondade de ler os seguintes artigos:

Sociedades pobres e sociedades ricas - o que faz a diferença

O imposto sobre as grandes fortunas e os baixos salários no Brasil

Responder
João M 26/10/2013 16:25:25

"Para que ambos cheguem ao padrão alemão, antes é preciso acumular capital. E para acumular capital, é preciso investir. E para investir, é preciso poupar."

Então, esse é um dos vários pontos de discordância que tenho com as teorias liberal e neo-clássica, de que a poupança deve necessariamente preceder o investimento. A mim me parece mais coerente a exposição feita pelos pós-keynesianos, sobre a forma como a lógica de operação do setor bancário quebrou esse postulado (que, em outrora, foi verdadeiro).

Se tiver paciência, há um bom texto da Victoria Chick (a tradução, por outro lado, é ruim) que debate o ponto. O título em português é "A evolução do Sistema Bancário e a teoria da poupança, do investimento e dos juros". Uma busca rápida no google deve achar. Chick (na verdade não ela, essa proposição é bastante comum para keynesianos e pós-keynesianos) pressupõe que dada a existência de um sistema bancário interconectado e desenvolvido, os recursos para o financiamento do investimento não viriam necessariamente da abstenção do consumo, mas sim da própria capacidade dos bancos em gerir os depósitos a vista utilizados pelos agentes para liquidar suas transações.

Financiar o investimento seria uma das consequências "positivas" da capacidade dos bancos de criar moeda ex nihilo...

Kalecki, por sua vez, levantará a importância da poupança micro prévia como condicionante do acesso a novos financiamentos. Só terá acesso a novas linhas de financiamento para o investimento aqueles agentes que possuem colaterais. Não tenho uma referência pontual, só a obra mestra do autor. Se ainda sobrar tempo e paciência, o título é "Teoria da Dinâmica Econômica".

Posteriormente, alguns autores fizeram uma relação desta condição específica levantanda por Kalecki com a hipótese minskyana de frouxidão dos mecanismos de avaliação de riscos em momentos de aceleração econômica, que seria um dos geradores de instabilidade financeira. Mas não cabe discutir agora.

Responder
Leandro 26/10/2013 16:31:04

Prezado João, a teoria keynesiana simplesmente revoga a realidade. Ela não apenas ignora que vivemos em um mundo de escassez -- no qual as coisas devem ser produzidas e trabalhadas para que possam existir --, como na realidade vai além e decreta que a abundância é possível simplesmente com a mera criação de dinheiro.

Ou seja, basta criar dinheiro eletrônico que milagrosamente bens e serviços passarão a existir, sem que aparentemente tenham de ser trabalhados e produzidos. Ninguém precisa poupar para que seja possível haver investimentos que irão criar produtos. Não. Basta criar dinheiro que os investimentos e os produtos magicamente surgirão. Como? Ora, apenas surgirão. Tenha fé.

A sociedade pode ter exaurido todos os seus produtos e bens de capital (o que impossibilitaria qualquer investimento); no entanto, segundo os keynesianos, isso não é problema. Basta imprimir dinheiro e tudo surge magicamente.

O keynesianismo ignora por completo a estrutura do capital da economia. Apenas a Escola Austríaca a leva em consideração em suas análises econômicas.

Para que eu não seja acusado de estar criando um espantalho para fins cômicos, pode ir direto à fonte: veja a pérola que está escrita em um texto publicado pela Associação Keynesiana Brasileira (AKB -- pronuncia-se á-cá-bei):

"Keynes demonstrou que a poupança decorre da renda e esta depende do investimento.
Ou seja, o investimento gera a renda, que, por sua vez, cresce como um múltiplo do
investimento (multiplicador dos gastos), e, após este processo, parcela da renda é
poupada. A poupança é igual ao investimento ex post, mas é este que causa aquela; e
não o contrário."

Entendeu? Segundo os keynesianos, o investimento vem antes da poupança; é o investimento que gera a poupança. Ou seja, primeiro a empresa compra seus equipamentos e bens de capital; depois, só depois, é que eles serão fabricados com os recursos que foram poupados por outros. Faz sentido? Só se utilizássemos o túnel do tempo.

A economia keynesiana, em sua ânsia de dizer que o longo prazo não importa, acaba na prática invertendo a própria ordem cronológica das coisas. Primeiro você come, depois o alimento é produzido.

E o pobre do Robinson Crusoé sem saber dessa mágica...

E são esses caras que estão no comando das economias do principais países do mundo, tomando todas as decisões de política econômica.

Responder
Pedro. 28/10/2013 12:55:46


Eu entendo a idéia de poupança da seguinte forma:

O indivúo "A" produziu 200 laranjas, porém "A" não irá consumir estas duzentas laranjas que possui, mas sim vai poupar 100 laranjas. Essa poupança de "A" permite que ele pague a "B" ara plantar mais laranjeiras e assim no futuro "A" poderá ter 400 laranjas para consumir.

Ou seja, aquilo que "A" possuia e não usou para seu consumo, tornou-se investimento.
O investimento é a remuneração que permite o consumo de "B" que nada possuia para consumir.

Aquilo que "A" deixou de consumir imediatamente é a poupança de "A" que permitirá o consumo de "B" que irá criar infraestrutura capaz de aumentar a produção.

Ou seja, oque de fato acontece é o "TRÂNSITO de CONSUMOS". Se "A" nada poupasse não teria como ceder consumo para "B" plantar laranjeiras. "B" nada consumiria e nenhuma laranjeira plantaria. O resultado é que a produção não cresceria.

Ora, os funcionários do governo CONSOMEM PARTE DAQUILO QUE OS PRODUTORES PRODUZIRAM,mas NÃO "plantam" laranjeiras. O ESTADO É A MAIS PURA ESTERILIZAÇÃO DE CAPITAL.

Sem capital poupado não há como investir. Os produtores de infraestrutura não teriam como consumir antes de produzir bens de consumo com os investimentos.

Portanto, se "A" acumulasse pouca poupança, por exemplo apenas uma laranja, esta uma laranja não conseguiria remunerar o trabalho de "B" plantar laranjeiras. Logo, sem poupança é impossível o investimento. Sem excedentes de produção não há como poupar.


Oque prejudica mortalmente o entendimento da economia é a idéia de que o dinheiro possui valor próprio. O populacho absurdamente entende que dinheiro é riqueza e que tendo dinheiro haverá o produto para ser comprado.

Raciocinar com os produtos sendo trocados em ESCAMBO permite uma fácil compreensão do mercado e o quanto é uma exploração anti ética a existencia do Estado (uma quadrilha de assaltantes).

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 04/11/2013 17:22:35

"Associação Keynesiana Brasileira (AKB -- pronuncia-se á-cá-bei)"

Brasil, o país das piadas prontas!

* * *

Responder
David 26/10/2013 16:26:36

A minha pergunta foi bem direta e provocativa.

Frequento aqui principalmente para aprender de economia. Sou investidor e preciso
tomar decisões antecipadas ao mercado e por isso frenquento aqui.

Conheço muito de política, as vezes oq vc escrevem são um absurdo politicamente. Só pra lembrar em outro artigo Mises disse que não se aumenta salários com pressão de sindicato, mais pra frente do artigo ele disse que prima pela liberdade.
"Ué" se eu tenho liberdade eu posso organizar sindicatos e brigar por melhores salários.

Voltando na pergunta, foi direto mesmo e gostei da sua resposta mesmo meio que indireta.

Vc analisou o contexto da situação e eu baseado em Mises concluo que não dá pra existir uma política de assistencialismo concorrendo com um país como China. Não existe livre mercado, teoria austríaca se existir um mundo de reserva de mão de obra como a chinesa. Como diz nossos empresário por aqui: " É impossível competir".

Toda poupança tem um tempo para acabar, não vai durar pra sempre. Por isso que os Keynesianos criam dinheiro do nada. Claro, eles são práticos e é o que os mantém no poder.

Por fim acho que todo mundo queria um trabalhador chinês em sua fábrica, para acumular capital e fazer poupança.

Responder
Leandro 26/10/2013 16:32:03

David, você tem total liberdade para formar sindicatos. O que você não tem liberdade para fazer é utilizar seu sindicato para, com o sustentáculo do governo, coagir empresas a atender suas exigências e ameaçar de violência trabalhadores que não quiserem se filiar ao seu sindicato e obedecer às suas ordens -- que é o modus operandi de todo o sindicato atual.

Quanto à concorrência chinesa, você está ignorando toda a carga tributária, toda a burocracia, todas as regulamentações (inclusive ambientalistas), e todos os encargos sociais e trabalhistas que as empresas brasileiras têm de enfrentar (e as chinesas, não). Sem levar isso em conta, culpar os chineses é apenas desculpa para implantar protecionismo.

Sobre keynesianos criarem dinheiro do nada para simular poupança, veja a minha resposta acima para o João.

Abraço.

Responder
saoPaulo 26/10/2013 18:40:24

poxa vida, que patético. Parabéns ao Leandro pelo paciência...

um que confundo dinheiro com riqueza...
sim, claro. Basta o governo sair imprimindo papel colorido e todos ficaremos ricos.

e outro que acha que trabalho é um fim em si, não um meio...
se um chinês está contente fabricando sapatos praticamente de graça pra mim, por que eu seria tão imbecil a ponto de recusar este presente?

Vamos bloquear o Sol porque isso está prejudicando os mercadores de velas!

Eu fico imaginando amanhã surgir uma caixa mágica, na qual você digita o produto, espera 5 minutos, e ela materializa o produto dentro de si. Sujeitinhos com este tipo de pensamento certamente tentariam destruir todas as caixas mágicas existentes junto com o criador de tal maravilha. Excelente! Afinal, o que importa são os empregos, e não a qualidade de vida das pessoas.

Isso que é economia da miséria, e em pleno século XXI. Triste isso.

E essas pessoas votam...

Responder
Pedro Ivo 05/11/2013 11:45:54

David, sério mesmo que você é investidor?

Como alguém que não diferencia causa de consequência consegue trabalhar na sua área?

Responder
Eduarod 27/10/2013 01:24:38

Leandro, voces rem um forum de discussoes? Acredito que seria muito produtivo para construir analises com opinioes diversas dentro da óptica liberal, para compartilhamento de conhecimento e etc.

Responder
mauricio barbosa 27/10/2013 01:43:36

O que esses alienados não entendem é que alocação de recursos deve ser feita por alguém e esse alguém não é o governo,muito menos um burocrata,os empresários são eficientes devido a concorrência e não por protecionismo,reserva de mercado,ajuda do governo e por ai vai,simplesmente quem agrada mais o fregues(cliente)consegue ganhar a clientela e a poupança precede o investimento sim pois até os livros-textos de economia possuem essa afirmativa apesar de tudo.

Responder
Dorival 27/10/2013 04:47:32

Olá, este é o meu primeiro comentário no site e preciso antes de mais nada adiantar que sou leigo quando se trata de economia, portanto me desculpem se caso fizer uma pergunta absurda. Já adiantar também que aprendo muito com os textos postados aqui, enfim...

O governo atual vem exercendo um papel intervencionista muito maior que os anteriores, o maior exemplo é no caso da Petrobras acho eu, porque essa postura foi adotada? É pura e simplesmente um fator eleitoral ou é porque tem muita coisa em jogo acontecendo e o governo não quer ficar sem o seu pedaço da pizza? Ou ambas as opções?

Outra dúvida. Haveria um país menos intervencionista?, um que mais se aproxima ao modelo ao qual o site é destinado a difundir?

Devido ao nosso atual estado econômico/político/social não vejo como uma transição de um modelo para o outro poderia ser feita, como bem lembrado no ultimo paragrafo do texto somos o hospedeiro e o estado o parasita, um já vive a tanto tempo com o outro que o hospedeiro ou morreria ou passaria por mals bocados caso o parasita fosse retirado. O estado se tornou parte indispensável para nossa sociedade? Há como viver sem ele nessa altura do campeonato?

Bem, obrigado pelo conhecimento disponibilizado por vocês e parabéns pelo ótimo trabalho feito no site.

Abraços!

Responder
anônimo 27/10/2013 15:58:03

Outra dúvida. Haveria um país menos intervencionista?, um que mais se aproxima ao modelo ao qual o site é destinado a difundir?

Não há uma resposta objetiva a essa pergunta. Diferentes governos desrespeitam diferentes liberdades/direitos de diferentes maneiras. Logo, acaba sendo subjetivo, depende de quais liberdades são mais importantes para ti pessoalmente e/ou teu negócio/profissão.

Claro que isso não impede certos "consensos", países que são claramente mais livres em diversos fatores. No âmbito das liberdades ditas "econômicas", há dois institutos que tentam criar um ranking mundial de quais jurisdições são mais livres. Mas, novamente, cada um dá diferentes importâncias à diferentes aspectos, então o resultado acaba sendo obviamente diferente, não obstante com diversas similaridades. Os rankings são o do Fraser Institute e o da Heritage Foundation. Segundo comentários que já vi nesse próprio site, o primeiro (Fraser) se aproxima mais do que economistas austríacos tenderiam a defender. Por ex., ele dá mais importância a uma política monetária menos intervencionista.

Ignoro se existe um instituto que tenta ordenar países segundo o nível de liberdades ditas "sociais". Esses critérios seriam ainda mais subjetivos, creio eu.

Responder
Frank Percy 27/10/2013 11:03:20

E pagarás impostos para sempre!

Responder
Frank Percy 27/10/2013 22:20:09

O interessante no Broxil é o otimismo doentio. O país, literalmente, na merda e o povo, ingênuo, achando que está tudo bem, que está "progredindo" através de empréstimos e impostos elevados, até mesmo para padrões bovinos, aplicados sem piedade num povo embrutecido pelas desgraças que o assolam desde seu nascimento, os serviços básicos não atendidos, insegurança geral, não respeito aos contratos e à palavra dada, família em crise, drogas, políticos depravados, educação limitadíssima ou quase nula, etc, etc e etc... Tudo isso aliado à pobreza espiritual e corrupção que está no sangue desse povo safado, corrupto e injusto.

Responder
anônimo 28/10/2013 03:07:29

Leandro, qual seria a solução para casos como esse?
oglobo.globo.com/rio/caminhao-pipa-lucra-com-venda-de-agua-compra-por-32-vende-por-4mil-10555541

Responder
Leandro 28/10/2013 08:29:00

A explicação é demasiado óbvia: o monopólio estatal da distribuição de água falhou miseravelmente em seu nível mais básico (a reportagem conta que há pessoas sem água desde quinta-feira), e os moradores tiveram de recorrer ao mercado para conseguir água.

Este súbito aumento na demanda gerou uma acentuada elevação de preços (pois a oferta é restrita). Não poderia ser de outra maneira. Caso os preços não subissem, simplesmente faltaria água para as outras pessoas. Haveria desabastecimento.

A elevação dos preços em situações como esta é a única maneira de se garantir que haja oferta para todos. Imagine que o governo entrasse em cena e decretasse controle de preços. Os mais ricos correriam para lá e comprariam o máximo possível de água. Ato contínuo, o fornecedor começaria a guardar estoque, e só liberaria quando outros ricos oferecessem dinheiro por baixo da mesa. Os mais pobres nada teriam. Exatamente como ocorreu no Brasil na década de 1980.

No final, não se trata de uma opção entre a caridade e a ganância, mas sim entre a oferta para todos (com os preços altos) ou a oferta para poucos (com escassez gerada por preços controlados, e apenas com ricos tendo acesso ao produto).

Essa é a mais básica lei da economia, e leitores deste site não podem demonstrar hesitação perante qualquer manifestação dela.

Responder
anônimo 28/10/2013 16:32:10

Desculpa a minha ignorância, mas eu não entendi essa parte dos "ricos comprariam o máximo de água possível".. Teria como explicar melhor?

Responder
Leandro 28/10/2013 16:41:14

Se estiver havendo um racionamento, e o governo decretar controle de preços, a primeira coisa que as pessoas irão fazer é correr para o local e comprar o máximo possível, antes que o produto acabe.

Ato contínuo, os comerciantes -- proibidos que estão de elevar seus preços para equilibrar oferta e demanda -- irão esconder seu produto, e só irão vendê-lo para quem oferecer um valor maior "por baixo do pano".

Isso foi extremamente comum na década de 1980, quando o governo decretava controle de preços. As carnes sumiam dos supermercados, mas prontamente reapareciam tão logo surgisse algum comprador ofertando um valor bem acima daquele decretado pelo governo. Obviamente, eram apenas os mais ricos que tinham a capacidade de ofertar tais lances.

Recomendo este artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=374

Responder
anônimo 28/10/2013 17:09:07

Ah sim.. Entendi agora, obrigado pela atenção.
É triste a pessoa ter que pagar esse preço "absurdo" pela água, mas é realmente a única saída.

Responder
Alexandre 28/10/2013 11:34:48

O autor pergunta: "como quebrar a lógica de expansão do estado?"

R: Corrompa com bilhões de dólares a fatia mais importante do governo e, em troca, exija privatizações. Seria um tipo de MENSALÃO da privatização.

É lógico que se trata de uma solução drástica e totalmente antiética, mas não deixa de ser uma solução.

Responder
Jeferson 28/10/2013 14:55:17

E impraticável, porque você precisaria de uma cifra em bilhões maior do que a simples existência das estatais coloca à disposição deles...

Responder
Gustavo 14/11/2013 12:34:18

Pessoal, vocês já viram os livros do Ha-Joon Chang, "23 coisas que não nos contaram sobre o capitalismo", e o "Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva"? Gostaria de saber se alguém aí já escreveu críticas aos livros, ou se saberiam me indicar algum material à respeito. Grato pela atenção.

Responder
Leandro 14/11/2013 12:59:29

O Chang é especialista em fazer propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados. E o faz com credenciais acadêmicas, o que traz mais respeitabilidade ao mercantilismo. Os políticos e os grandes empresários que têm pavor da concorrência adoram.

Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

O grande problema do livro (Chutando a Escada) é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Singapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. E em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

Esse livro é apenas propaganda protecionista em prol dos grandes conglomerados coreanos.

Não há nenhuma dúvida de que protecionismo é bom para as grandes indústrias e seus empregados, mas resta ainda alguém explicar como é que restringir as opções de consumo, diminuir a oferta e encarecer os produtos disponíveis pode ser algo bom para o enriquecimento da população.

O grande problema do livro é que ele confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer". Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não houvesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Singapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul em termos per capita. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que eles se desenvolveram porque adotaram políticas protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. Porém, em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

A teoria indica que tais países protecionistas teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

Mais especificamente sobre a Coréia do Sul, não é verdade dizer que ela "era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

Caso domine o inglês:

mises.org/daily/2001

mises.org/daily/2960

Responder
Gustavo 07/12/2015 17:51:03

O texto ficou dobrado, mas ajudou bastante.

Responder
Matheus 02/09/2015 19:48:13

"como quebrar a lógica de expansão do estado?"

Quebrando o monopólio do Estado, como ente solucionador de todas as questões possíveis e existentes na sociedade.

O intervencionismo econômico é só uma faceta de um problema maior: o de que a religião ou uma filosofia ética-moral superior foram expulsas do seu lugar de direito, e, no lugar, puseram o Estado e a suposta razão isenta de um burocrata.

Responder
Rodrigo Vaz 19/04/2016 22:01:26

Estou em pleno 2016 para dizer que esse artigo é excelente! Muito obrigado professor Fabio Barbieri.

Responder

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