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Na política monetária dos EUA, as relações de causa e efeito deixaram de ser previsíveis

A política monetária que vem sendo implantada pelo Banco Central americano desde o final de 2008 logrou a façanha de inverter completamente as possíveis relações de causa e efeito.  Antes de 2008, quando o Fed expandia a base monetária, era possível prever que haveria um aumento nos preços.  E quanto ele contraía a base monetária — ou, mais corretamente, quando ele reduzia o ritmo de crescimento da base monetária —, era possível prever que haveria uma diminuição da inflação de preços.  E ambas as relações de causa e efeito de fato ocorriam.

No arranjo atual, no entanto, não mais é possível prever essa relação.

Comecemos pelo fato de que o Federal Reserve começou a expandir acentuadamente a base monetária no final de 2008.  Desde aquela data, que já está completando cinco anos, o Fed mais do que quadruplicou a base monetária.  Isso nunca havia acontecido até então.

fredgraph (1).png

Gráfico 1: evolução da base monetária

No entanto, os preços praticamente não se mexeram desde 2008.

Não há nenhuma dúvida de que, durante 5 anos, houve a mais acentuada expansão da base monetária na história dos EUA, e, não obstante, os preços mal se mexeram.  Antes de 2008, sempre se imaginou que, se o Federal Reserve quadruplicasse a base monetária em um período de 5 anos, isso geraria uma hiperinflação.  Mas não gerou.  E por que não?

A explicação é que os bancos, pelo menos até o momento, vêm se recusando a emprestar todo este dinheiro criado pelo Fed.  Eles estão se recusando a emprestar um dinheiro que eles legalmente podem emprestar.  Considerando-se toda a expansão da base monetária, e o fato de que o compulsório não foi alterado, os bancos não emprestaram praticamente nada do dinheiro que o Fed lhes deu.

O gráfico abaixo mostra a evolução da carteira de crédito do sistema bancário.  Note que, após algumas oscilações, o nível está praticamente igual ao de 2008.

fredgraph (2).png

Gráfico 2: evolução dos empréstimos bancários

O explosivo aumento da base monetária não se transformou em empréstimos bancários porque a quase totalidade deste aumento transformou-se em "reservas em excesso".  "Reservas em excesso" são as reservas que os bancos mantêm voluntariamente depositadas junto ao Fed, além do volume determinado pelo compulsório.  Os bancos não emprestaram todo o dinheiro que o Fed lhes deu porque eles aumentaram suas "reservas em excesso" em mais de US$2 trilhões.  Os bancos, em vez de emprestar, preferem manter este dinheiro voluntariamente depositado junto ao Fed, que está pagando juros de 0,25% ao ano sobre este montante.

fredgraph (3).png

Gráfico 3: evolução das reservas em excesso

Tal postura não foi prevista por ninguém antes de 2008.

Como os bancos não se mostraram propensos a emprestar este dinheiro durante os últimos 5 anos, o processo de expansão da oferta monetária por meio do sistema bancário de reservas fracionárias simplesmente não ocorreu.  A base monetária explodiu, mas a concessão de empréstimos pelo sistema bancário — que é o que realmente gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia — não aumentou.

Perspectivas

Para mostrar como isso alterou radicalmente as relações de causa e efeito da política monetária americana, vejamos o que aconteceria caso o Fed finalmente parasse de criar dinheiro.  Suponha que ele decida estabilizar a base monetária, parando de comprar títulos da dívida do governo americano.  Ou seja, o Fed não mais aumentaria a base monetária; ele não mais compraria nenhum título da dívida pública que está em posse do sistema bancário.  O que ocorreria?  Vejamos.

O governo federal americano está incorrendo em um déficit orçamentário de US$750 bilhões ao ano.  Ele vende estes títulos para o sistema bancário, que os revende para o Fed.  Atualmente, metade dos títulos emitidos pelo Tesouro americano durante o ano é comprado pelo Fed (o Fed compra estes títulos dos bancos).  Logo, é factível imaginar que, caso o Fed parasse de comprar esses títulos, reduzindo totalmente a liquidez deste mercado, a reação imediata seria um forte aumento nas taxas de juros de longo prazo.  Com o Fed fora de cena, pelo menos metade das compras de títulos deixaria de ser feita pelos bancos caso as taxas de juros se mantivessem inalteradas.

Agora, aprofundemos um pouco mais.  Suponhamos que o Fed resolva reverter todo aquele aumento da base monetária.  Ou seja, ele começa a contrair a base monetária (que é o que Bernanke sempre disse que faria).  Para contrair a base monetária, o Fed tem de vender títulos da dívida pública que estão em sua posse.  Tal postura necessitará de uma enorme quantidade de compradores para estes títulos.  Mas há um agravante: não apenas teria de haver compradores para estes títulos que o Fed passou a vender, como também teria de haver compradores para aqueles US$750 bilhões em títulos que o Tesouro também está vendendo para financiar seu déficit.  Ou seja, os investidores agora teriam de ser persuadidos a emprestar volumosas quantias de dinheiro para o governo federal, principalmente a longo prazo.  Eles teriam de ser convencidos de que isso é uma ótima ideia.

Há apenas uma maneira de o governo federal americano persuadir os investidores a comprar títulos sob estas condições: pagar taxas de juros mais altas.  Se isso ocorrer — isto é, se os juros dos títulos públicos vendidos pelo Tesouro aumentarem —, os bancos ficarão em boa situação.  De um lado, eles agora poderão pagar juros de 1% ao ano para seus correntistas (atualmente, os juros não chegam a 0,25% ao ano); de outro, eles poderão emprestar para o governo federal a juros de 6% ao ano, ou mais.  Ou seja, os bancos terão um enorme benefício.  Eles passarão a ganhar um bom dinheiro com esse spread, algo que não ocorre atualmente.

Ato contínuo, os bancos começarão a reduzir suas "reservas em excesso" depositadas junto ao Fed.  Aqueles valores do gráfico 3 começarão a desabar.  Os bancos emprestarão esse dinheiro para o governo americano, que então irá gastá-lo, fazendo com que o dinheiro entre no sistema bancário de reservas fracionárias e seja multiplicado.  Assim, ao contrário de tudo o que ocorreu desde 2008, os bancos começariam a emprestar.

Nesse ínterim, o Fed, com o intuito de reduzir a base monetária, poderia vender US$1 trilhão de títulos do Tesouro em sua posse, desta forma contraindo a base monetária de US$3,6 para US$2,6 trilhões.  Isso representaria uma substancial deflação da base monetária, mas não teria nenhum efeito anti-inflacionário; os preços poderiam facilmente chegar a um valor anualizado de 100% em um curto espaço de tempo.  Por quê?  Por causa de toda a inflação monetária que estaria ocorrendo.  Os bancos, em busca de uma alta taxa de retorno paga pelo governo americano — que é considerado um tomador de empréstimo de baixíssimo risco —, retirariam dinheiro das reservas em excesso e emprestariam para o governo federal.  E eu posso garantir que o governo americano gastará cada centavo que lhe derem.  Não haverá parcimônia.

Logo, a quantidade de dinheiro na economia americana iria disparar.  Finalmente, aquilo que muitos imaginaram que aconteceria em 2009, de fato estaria acontecendo agora.  Quanto mais dinheiro for retirado das reservas em excesso para ser emprestado ao governo federal a taxas de juros mais altas, maior será a quantidade de dinheiro que será multiplicada pelo sistema bancário de reservas fracionárias.  Isso levaria a um aumento sem precedentes na inflação de preços nos EUA.

Portanto, uma política monetária que normalmente seria rotulada de deflacionária iria, na realidade, gerar uma incomparável inflação de preços nos EUA.

Conclusão

No que tange à política monetária, os EUA estão vivendo em um mundo que está de cabeça para baixo.  Trata-se de um mundo em que uma gigantesca expansão da base monetária levou a uma inflação de preços quase nula, e que uma maciça contração na base monetária pode facilmente levar a uma robusta inflação de preços, e talvez a uma hiperinflação.

É por isso que é extremamente difícil prever qual será o resultado de qualquer nova política monetária que venha a ser adotada pelo Fed.  É por isso que o Fed não sabe o que fazer.  A questão principal é que as pessoas agora têm de se acostumar com o fato de que as explicações tradicionais não mais se aplicam à política monetária americana.  Os EUA estão em uma espécie de dimensão paralela.  As trilionárias reservas em excesso mantidas pelos bancos distorceram e corromperam o sistema monetário a tal ponto que as relações de causa e efeito não mais são previsíveis.


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autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Andre Cavalcante  08/10/2013 14:49
    Pode-se concluir, do texto, que o Fed vai continuar com a política frouxa por muito mais tempo?

    Não acho que os bancos, mesmo no caso de o Fed para a política de expansão, vão cair nessa de sair emprestando. Eles sabem que uma hiper inflação faria não só o governo como todo mundo pagar os empréstimos com moeda podre, que não vale nada. O mais provável é que os bancos criassem uma inflação alta, mas não uma hiper. Mais ou menos como os brasileiros se acostumaram e ainda acham que temos uma moeda forte, como ouvi uma comentarista econômica na CBN falando...
  • Pedro Ivo  08/10/2013 20:35
    Andre Cavalcante, como diz o texto, as relações habituais de causa e efeito foram totalmente corrompidas, então duvido que seja tão simples assim: pois se o Fed., ao deflacionar pode inflacionar, é de se esperar o Fed. tenha perdido, também, a capacidade de "articular a expansão conjunta da base monetária pelos bancos" como podia antes. Então o quadro que você citou fica comprometido.

    O buraco é + em baixo, a enrascada + profunda, o fundo do poço é + lá na frente e o problema + complexo. [b]Essa gente criou um monstro que se alimenta da própria jaula.[b]

    É PARA TER MEDO! MUITO MEDO!
  • Pensador Consciente  10/08/2017 11:33
    Inflação de Moeda=Aumento generalizado de preços
    Deflação de Moeda=Queda generalizada de preços

    Politica Monetária de remuneração de reservas em excesso do FED=Captura pelo sistema financeiro.

    Solução para esta armadilha:Enxugamento de despesas do orçamento federal dos EUA,só assim o Fed saíra desta armadilha e voltará a fazer politica monetária independente...

    Mas para nós austríacos tanto faz o Fed fazer politica monetária independente ou não,na atual conjuntura ele está nas mãos do mercado financeiro e para nós a verdadeira solução passa pela eliminação desse monstro burocrático e centralizador que são os bancos nacionais de reserva,enfim quero que o Fed se exploda!!!
  • anônimo  08/10/2013 15:20
    Alguém pode me explicar melhor o motivo dos bancos não terem emprestado todo aquele montante de dinheiro? Foi por causa dos juros que o FED está pagando?
  • Leandro  08/10/2013 15:38
    Também.

    0,25% ao ano sobre reservas que já estão em mais de US$ 2 trilhões não é algo tão desprezível assim, principalmente quando se compara esse rendimento líquido e certo à atual situação da economia americana. Além de as perspectivas econômicas futuras serem pra lá de incertas, há toda uma incerteza gerada pelo regime.

    Na atual conjuntura econômica, os bancos americanos -- além de financiar o governo -- preferem obter esse rendimento certo e seguro a saírem emprestando desvairadamente para empresas.

    Por exemplo, ninguém sabe ao certo qual será a política de impostos a ser adotada. O Obamacare segue na pauta. Se for aprovado na íntegra, haverá um maciço aumento no payroll tax (tributos sobre a folha de pagamento), o que encarecerá absurdamente a mão-de-obra. Como investir se você não sabe nem como serão os tributos sobre sua mão-de-obra? O empreendedor nem sabe quantas pessoas poderá contratar em seus investimentos, pois tornou-se impossível fazer previsão de custos.

    E há também a constante ameaça de aumentos de impostos que Obama vive fazendo, e que vai depender do resultado das eleições para o Congresso em 2014.

    E tem também os gastos do governo. Ninguém sabe se aumentarão, ficarão na mesma ou diminuirão.

    E há a questão da previdência, cuja reforma cada hora vai prum lado.

    Eu realmente não ia querer ser empreendedor numa hora dessas. Tampouco iria querer emprestar dinheiro para empreendedores em um cenário assim. Comparado a tudo isso, ganhar 0,25% de juros anuais líquidos e certos é uma bênção -- fora que 0,25% de 2 trilhões são 5 bilhões de faturamento garantido. Nada mau.
  • Cassim  08/10/2013 15:52
    O setor financeiro americano é afogado até o teto por intervenção governamental, chega a ser incrível como alguém ainda pode falar que a falta de intervenção estatal é a origem de qualquer problema bancário lá nos EUA.

    Leandro, uma pergunta, o que acha do Irving Fischer? Eu compreendo que sua teoria de preços é uma grande porcaria (E ele até chegou perto da falência por isso em 1929), mas ele era contra o sistema de reservas fracionárias, se estou certo.
  • Leandro  08/10/2013 21:12
    Tanto ele quanto Friedman passaram a ser contra as reservas fracionárias. Como eles defendiam um arranjo em que o BC fazia a oferta monetária crescer a uma taxa fixa (entre 3 e 5%), tal arranjo poderia ser mais bem gerenciado se os bancos não pudessem multiplicar dinheiro por meio das reservas fracionárias. Logo, com a proibição das reservas fracionárias, o BC estaria no mais completo controle da oferta monetária.
  • anônimo  08/10/2013 16:20
    Entendi. Só mais uma dúvida. O FED fez tantas injeções assim já com a intenção desse dinheiro ficar parado?
  • Pedro Ivo  08/10/2013 20:46
    Leandro, outro dia te fiz a seguinte pergunta:

    "Sobre o excesso de reservas dos bancos, depositadas junto ao Fed.: você vê algum cenários de os bancos desaguando este dinheiro, não na economia dos EUA, mas do mundo, iniciando uma(s) nova(s) bolha(s). Percebo que não é plausível façam isto nos EUA porque os próprios banqueiros não querem inflação galopante em casa. Mas, suponho, como eles terão de agir com este dinheiro em algum momento, espraia-lo mundo afora pode ser uma opção? Exportar parte da inflação? Por ex., comprar ativos em bolsas de valores ao redor do mundo; ou iniciar uma bolha na abertura de empreendimentos de longo prazo, como minas, florestas privadas manejadas, industria pesada, etc., aproveitando a sinalização equivocada que a taxa de juros baixa coloca sobre a viabilidade destes empreendimentos?"

    E você respondeu: "Não tenho a mínima ideia. Quem tiver alguma ideia, apostar nela e se mostrar correto, fica rico".

    Nova velha pergunta: o Gary North esboçou algum palpite que, remotamente que seja, sirva de resposta à minha pergunta? E o Peter Schiff? E o Hélio Beltrão? E o Kel Kelly? E o Walter Willians? E o Jim Rogers? E o Detlev Schlichter? E o Fernando Ulrich? E o Domingos Crosseti Branda? E o Rodrigo Constantino? E o Warren Buffet? E Madre Tereza de Calcutá? E quem quer + que seja?
  • Wesley  26/06/2015 22:37
    Pedro Ivo,

    Procure por Mike Maloney.
  • Matheus Cabizuca  08/10/2013 15:48
    Tenho uma dúvida quanto ao Banco Central.

    Quando o BC faz a primeira compra dos títulos que estão em posse dos bancos, ele simplesmente digita o valor na conta de reservas do banco. A fraude está ai, pois o dinheiro dessa compra não saiu de lugar nenhum.
    Porém, agora o BC tem em sua posse títulos que foram comprados do Tesouro pelos bancos com dinheiro legítimo, pois suas reservas foram diminuídas para comprar os títulos. A Questão é: O BC agora tem dinheiro legítimo? Pois se, depois de um tempo, ele quiser expandir a base monetária, ele pode usar esses títulos que ele tem agora. A fraude acontece apenas uma vez, lá na primeira compra.

    Mais uma vez, parabéns ao IMB por tirar de nós o véu da ignorância que cobria o nosso entendimento a respeito de economia e política monetária, fiscal, inflação, desemprego, etc.
  • Pedro Ivo  08/10/2013 20:57
    "A fraude acontece apenas uma vez, lá na primeira compra." Não. ela acontece todas as vezes em cada etapa.

    "Quando o BC faz a primeira compra dos títulos que estão em posse dos bancos, ele simplesmente digita o valor na conta de reservas do banco. A fraude está ai, pois o dinheiro dessa compra não saiu de lugar nenhum." - Correto. até aqui tudo bem.


    "Porém, agora o BC tem em sua posse títulos que foram comprados do Tesouro pelos bancos com dinheiro legítimo, pois suas reservas foram diminuídas para comprar os títulos." - É aqui que a porca torce o rabo: [1] sim, suas reservas foram diminuídas, e [2] não, os bancos não comprarão os títulos com dinheiro legítimo, mas com [2.1] moeda escriturária (as reservas fracionárias multiplicaram por 4 - caso brasileiro - os depósitos dos correntistas que os bancos tem a disposição para emprestar); e [2.2] moeda fiduciária que lhe foi fornecida pelo BC quando este comprou títulos desses bancos. Se a moeda é ficuciária e as reservas fracionárias, o dimdim não pode ser legítimo, pois não tem lastro em quaisquer bens físicos que conferem liquidez, como ouro, platina ou soja.

    Se é complicado para você, é porque te doutrinaram mal a acreditar nas mentiras que o estado conta. Você é mal educado, mal doutrinado, pensa com sua própria cabeça e desconfia das versões que te contam. [b]D'us te abençoe por isto.
  • Leandro  08/10/2013 21:17
    "A Questão é: O BC agora tem dinheiro legítimo? Pois se, depois de um tempo, ele quiser expandir a base monetária, ele pode usar esses títulos que ele tem agora. A fraude acontece apenas uma vez, lá na primeira compra."

    Você inverteu as coisas. Não tem como o BC usar títulos em sua posse para expandir a base monetária. O BC pode vender os títulos em sua posse, mas isso gera uma contração da base monetária. Repito: o BC não tem como expandir a base monetária vendendo títulos. Para expandir a base monetária, o BC compra títulos. E ele compra títulos criando dinheiro eletrônico do nada.
  • Pedro Evandro Montini  08/10/2013 16:04
    No alvo!
  • Pobre Paulista  08/10/2013 16:26
    Pra quê imprimir tantos dólares então? É muito mais fácil cunhar uma moeda de um trilhão de dólares e depositá-la diretamente no fed, oras!

    Eu devia ganhar um prêmio nobel por essa idéia.
  • Pedro Ivo  08/10/2013 20:59
    Não está longe disto. O Krugman ganhou
  • igor  08/10/2013 16:46
    Parabéns a todos do Mises pelo ótimo trabalho q fazem. Observei no Fed de St Louis q do período de 1929 a 1949 a expansão da base monetária foi +- 6x. O q me dá a impressão de que O Ben Bernanke simplesmente acionou a impressora antes. no período de 1949 a 1954 ela fica +- cte. Até 1966 a expansão tinha sido de +- 9x. Creio q foi a partir desse momento q começa a ocorrer a hiperinflação nos EUA. Será um futuro repetindo o passado?

    Abs.
  • Pedro Ivo  08/10/2013 21:01
    Posta os links em que você leu isto? Muito interessante!
  • igor  08/10/2013 23:40
    research.stlouisfed.org/ base monetária código é só usar o do mises se não me engano é ambns o tempo vc escolhe...
  • PESCADOR  08/10/2013 17:30
    Caramba! O gráfico 1 é assustador. Aonde vamos parar? Não dá para expandir a base monetária nesse ritmo em tão pouco tempo, sem armar uma bomba para o futuro. Keynesianos, além de burros, devem ser meio malucos.
  • Pedro Ivo  08/10/2013 21:08
    "Aonde vamos parar?" -

    [a] Áustria pós I Gran Guerra
    [b] Alemanha pós I Gran Guerra
    [c] Alemanha pós II Gran Guerra
    [d] Brasil, década de 1980
    [e] Israel, década de 1980
    [f] Zimbábue
    [g] Iuguslávia, início da década de 1990
    [h] França pós 1889
    [i] EUA pós independência, 1776 à 1790

    Destinos não faltam, e nem precisa fazer reservas. Não são roteiros servidos por linhas aéreas. Basta acomodar-se em sua poltrona e esperar Ben Bernanke agir.
  • Emerson Luis, um Psicologo  08/10/2013 18:22
    Stephen Covey (consultor de administração) ensinou que "podemos burlar as leis humanas com bons resultados por certo tempo, mas não podemos burlar as leis naturais sem pagar o preço. E a realidade é governada pelas leis naturais". Uma dessas leis naturais é a de causa e efeito. Os resultados podem ser imprevisíveis quanto a como e quando ocorrerão, mas a lei ainda vale e o preço será caro.

    * * *
  • joao  08/10/2013 18:28
    Então a TACE não se aplica mais? E as deduções praxeológicas?

    ----
    Voltando: se o FED encolhesse a base, e assim os bancos passassem a comprar os títulos emitidos buscando os juros mais altos, resultando em mais dinheiro pro governo...tudo bem que o governo pode fazer esse dinheiro voltar pra economia (através de obras públicas, um New Deal do século 21). É isso que o artigo diz.

    Mas pra eu entender bem, tenho que listar como está o ambiente:

    1) O governo usar o fluxo de dinheiro dos bancos pra diminuir a dívida. É, não é uma piada intencional.

    2) Os juros continuam altos. Dessa forma, o que o governo pode fazer? Se ele abusar na intervenção DIRETA nos setores "reais" da economia (como construção), vai haver pressão sobre os preços (como o artigo sinalizou), e qual a arma que o governo adora usar? MAIS juros.

    Só que mais juros incentivam mais dinheiro a fluir para o governo (e menos para o setor privado). Se o governo repetir o passo 2 ad infinitum, vai acabar gerando uma inflação com juros altos, um ambiente meio brasileiro. E a dívida vai continuar lá.

    Com juros altos, sem chance do setor privado voltar à vida. E mesmo assim não há garantia de preços estabilizados, já que simplesmente substituiram o gastador privado pelo público. (é o que o artigo mostra)

    3) Se os bancos não estão emprestando esse excesso de dinheiro ao setor privado, então como estão os juros cobrados para empresas?

    4) Como aconteceu em outras crises, nessa mesma situação (bancos retendo o dinheiro criado pelo governo)? Qual a diferença de 1929?


    Não gostei da situação do artigo porque passa a impressão que o FED poderá imprimir dinheiro infinitamente, e de qualquer forma o governo americano vai poder gastar infinitamente. Entretanto, me parece que há sim um "limite": os juros pagos pelo governo. Quanto mais ele imprime, mais pesados ficarão os juros. Como ele vai poder pagar esses juros crescentes, dado que já está extremamente individado?

    Caso ele não possa pagar juros crescentes (seja em % ou termo absoluto), ele vai ter que baixar a taxa de juros (o %).

    (pode acontecer como no Japão?)

    E quando as taxas de juros baixarem a um ponto ridículo - negativas - o que os bancos farão com o dinheiro que têm? Emprestar a um setor privado vacilante ou "pagar" ao governo (já que os juros estão negativos)?

    (isso sem levar em conta a migração em massa de dólares para o exterior)

    ****************
    Agora o que aconteceria no seguinte cenário:

    O governo continua gastando todo dólar que chega até ele, mas vai diminuir as intervenções no setor privado, facilitando o ajuste de preços.

    Os preços iriam despencar. O governo, para "estimular" a economia, vai baixar os juros pra um nível japonês. Os bancos vão direcionar seus recursos para o setor privado, reiniciando o ciclo da bolha. É isso?

  • Leandro  08/10/2013 21:13
    "Então a TACE não se aplica mais? E as deduções praxeológicas?"

    Por que não se aplicaria mais? A TACE explica os efeitos da expansão do crédito sobre a estrutura produtiva da economia. Agora, se alterações na base monetária irão se traduzir em expansão do crédito, aí são outros quinhentos, e não há teoria para prever isso, pois depende exclusivamente do comportamento dos bancos.

    "Se os bancos não estão emprestando esse excesso de dinheiro ao setor privado, então como estão os juros cobrados para empresas?"

    Procure no site do Fed por Bank Prime Loan Rate. Eles estão na casa dos 3%. Empresas sólidas e conceituadas não têm problema nenhum em conseguir crédito. O problema está nas pequenas.

    "Como aconteceu em outras crises, nessa mesma situação (bancos retendo o dinheiro criado pelo governo)? Qual a diferença de 1929?"

    A diferença é total. Durante a Grande Depressão, houve várias corridas bancárias, as quais levaram vários bancos à falência (dado que eles operam com reservas fracionárias). Essas múltiplas falências bancárias geraram uma forte deflação monetária. Quando bancos que operam com reservas fracionárias quebram, o dinheiro literalmente some. Como alguns bancos mais alavancados haviam quebrado em decorrência do crash da bolsa, isso assustou as pessoas, que então correram em massa para retirar seu dinheiro dos outros bancos.

    Deflação monetária sempre irá gerar recessão violenta caso preços e salários não sejam reajustados para baixo. Como isso não ocorreu nos EUA, a depressão foi forte nesse período.

    E por que salários e preços não foram reajustados para baixo? Porque o governo não deixou. Mesmo keynesianos ortodoxos hoje já reconhecem o fracasso do New Deal, que nada mais foi do que um conjunto de políticas de controle de preços, controle de salários, arregimentação sindical, cartel de empresários incentivados pelo governo a não reduzirem seus preços, aumento das tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos e aumento dos déficits.
  • joao  08/10/2013 21:32
    Ok Leandro, entendi a parte da TACE.


    Mas então...onde poderia entrar uma "punição" pelo endividamento americano? Esperar que o governo reduza o endividamento por puro bom senso é ridículo.

  • Leandro  08/10/2013 21:36
    Essa é a pergunta. Dado que o atual arranjo monetário e financeiro existe apenas desde 1971, nunca se viu na prática como todo o endividamento criado por ele foi revertido.

    Em outros arranjos, como na Alemanha de 1923 e 1948, o endividamento foi zerado por meio da hiperinflação. Mas não foi só o endividamento que foi zerado. Toda a poupança das pessoas também virou éter.
  • joao  08/10/2013 21:46
    Deixe-me ser claro, pra eu saber se não estou viajando:

    + juros = + dinheiro entrando no governo (compra de títulos)
    - juros = situação igual atual (dinheiro parado)


    Em todo caso não há grande alteração nos preços, seja pra cima ou pra baixo. Agora, e se o governo começar um New Deal (um programa gigante de obras públicas)?



  • Leandro  08/10/2013 22:04
    A sequência correta é:

    1) Fed anuncia uma interrupção total em toda a expansão da base monetária (ou, no extremo, uma reversão de sua atual postura, começando uma contração da base monetária).

    2) Como consequência dessa nova postura do Fed, o mercado de títulos da dívida perde liquidez (gerar liquidez para o mercado de títulos é uma das duas principais funções de um Banco Central; a outra é proteger o sistema bancário).

    3) Ato contínuo, os juros de longo prazo sobem. (Se não subirem, não terá como o Tesouro financiar todo o seu déficit.)

    4) Como o governo agora está pagando juros maiores, os bancos retiram dinheiro das reservas em excesso e passam a emprestar para o Tesouro, que agora está pagando, digamos, 6% ao ano.

    5) Esta nova postura dos bancos aumenta a quantidade de dinheiro na economia. Se este dinheiro será utilizado para obras públicas ou para pagar burocratas, isso é secundário.

    Fim.
  • Rhyan  10/10/2013 09:33
    Esse mecanismo só gera inflação, ou também gera bolhas?
  • Gilberto  10/10/2013 16:01
    Leandro,
    O dinheiro das reservas em excesso ficam simplesmente parados no FED rendendo 0,25 a.a ou o FED empresta esse dinheiro ao tesouro? Além disso, por que o FED reverteria sua politica monetária atual para uma estabilização ou uma contração da base monetária, se agora não há risco de inflação?
  • Leandro  10/10/2013 17:14
    1) Fica parado rendendo 0,25% ao ano. O Fed não pode financiar diretamente o Tesouro.

    2) O Fed não reverterá nada. O artigo apenas imaginou uma hipótese para demonstrar como as coisas ficaram de cabeça para baixo.
  • Gilberto  11/10/2013 16:02
    É possível que aconteça nos EUA com a taxa de juros o que ocorre no Japão? Uma baixa taxa por um longuíssimo período mesmo em um país que poupa muito pouco como os EUA juntamente com estagnação? Ou quando a economia americana começar a melhorar os bancos começarão a colocar esse dinheiro na economia aumentando a inflação e forçando o FED a tomar uma atitude?
  • Leandro  11/10/2013 17:08
    As premissas são parecidas, mas há diferenças cruciais. Assim como o Fed, o Banco Central do Japão entupiu os bancos japoneses de reservas -- o que fez com que a taxa básica de juros fosse para zero --, mas os bancos simplesmente não emprestarem esse dinheiro. Como o capital (patrimônio líquido) dos bancos japoneses foi dizimado por causa do estouro da bolha imobiliária no início da década de 1990, eles não podem expandir o crédito. Por uma questão contábil, bancos descapitalizados não expandem o crédito. Consequentemente, não há como haver qualquer inflação monetária no Japão.

    Já nos EUA, como os bancos estão mais bem capitalizados, isso é possível. Mas é um tanto improvável. A menos que aconteça isso que o artigo ilustrou.
  • Andreas  12/10/2013 05:43
    "Não gostei da situação do artigo porque passa a impressão que o FED poderá imprimir dinheiro infinitamente, e de qualquer forma o governo americano vai poder gastar infinitamente".

    João, infelizmente essa impressão é fato, é realidade. Quando os EUA nos pós-2guerra impuseram o padrão dólar (no lugar do padrão ouro) e o dólar se tornou moeda oficial global de transação financeira como é até hoje, os EUA podem imprimir cash at will sem medo de ser feliz porque o planeta acredita que aquele papel impresso com uns carinhas no centro de fato tem valor. Até o dia em que o mundo parar de acreditar que esse papel não tem tanto valor assim. E se isso acontecer (algum dia), pode ter certeza que o padrão ouro voltará e os EUA estarão bem forrados de metal dourado em seus cofres. Porque hoje eles trocam esse papel por ouro. E porque quem troca ouro por papel hoje acredita que este de fato tem valor.

    Aliás, acreditar que só ter uma maquininha no quintal de casa que imprime dinheiro é a única forma de ter grana, hoje criar grana do nada por meios virtuais é muito mais fácil e rápido. E tudo isso acontece por que? Simples, porque eles podem. Infelizmente.
  • joao  12/10/2013 15:29
    Então ANDREAS, mas é que pela EA aprendemos que o Estado pode imprimir dinheiro, mas não infinitamente. Uma hora a inflação perturba o processo, os juros sobem até tudo se estabilizar, e o ciclo recomeça.

    Veja bem:

    1) Os EUA podem imprimir dinheiro a vontade pra bancar o governo sem se preocupar com inflação, já que o dinheiro fica parado nos bancos (aplicado em T-Bonds). Ou seja, o governo compra T-Bonds (pra mandar dinheiro aos bancos), só que os bancos aplicam esse dinheiro...em T-Bonds (o governo vende a eles)! Na prática significa que o dinheiro continua só com o governo.

    2) Então o governo está imprimindo dinheiro pra guardar pra si mesmo? Os bancos não estão usando, nem o resto do setor privado. Ao mesmo tempo, o governo também não está gastando esse dinheiro (comprando bens reais), pois senão a inflação teria aparecido. O que o governo dos EUA está fazendo com o dinheiro?

    E se ele não está gastando, então sua "reserva" de dólares está aumentando. Mas qual o objetivo disso?
  • Jonas  08/10/2013 19:00
    Quando o Fed injeta dinheiro nos bancos, o que ele recebe em troca?
  • Pedro Ivo  08/10/2013 21:10
    O que tiver comprado em troca do dimdim: títulos da divída pública e derivativos, por ex..
  • Rhyan  09/10/2013 02:35
    O interesse do BC (Fed) não é comprar, vender, lucrar é fazer política monetária com isso.
  • Jonas  08/10/2013 19:01
    O Fed compra títulos do Tesouro diretamente?
  • Leandro  08/10/2013 21:21
    Não. Isso já foi explicado inúmeras vezes neste site (a uma média de 7 vezes por semana).

    No atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito). Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de hiperinflação.
  • Jonas  08/10/2013 19:10
    Os bancos emprestarão esse dinheiro para o governo americano, que então irá gastá-lo, fazendo com que o dinheiro entre no sistema bancário de reservas fracionárias e seja multiplicado.

    Ora, mas os 750 bilhões que o governo americano gasta em excesso, não entram no reserva fracionária e são multiplicados?
  • Leandro  08/10/2013 21:26
    Tecnicamente, sim. Mas nada impede que os próprios bancos "enxuguem" este dinheiro. Por exemplo, quando um banco quer aumentar seu capital, ele vende papeis (letras financeiras ou qualquer outra operação contabilizada como "captações no mercado aberto"). A pessoa ou empresa que comprar este papeis irá transferir dinheiro da sua conta-corrente para este banco. O banco pegará este dinheiro (totalmente eletrônico) e irá contabilizá-lo como 'reservas bancárias', que é um ativo em seu balancete. Ao final do processo, houve uma redução da quantidade de dinheiro na economia e um aumento das reservas bancárias, que é um dinheiro que não está na economia.
  • Jonas  09/10/2013 01:22
    Ato contínuo, os bancos começarão a reduzir suas "reservas em excesso" depositadas junto ao Fed. Aqueles valores do gráfico 3 começarão a desabar. Os bancos emprestarão esse dinheiro para o governo americano, que então irá gastá-lo, fazendo com que o dinheiro entre no sistema bancário de reservas fracionárias e seja multiplicado. Assim, ao contrário de tudo o que ocorreu desde 2008, os bancos começariam a emprestar.

    Nesse ínterim, o Fed, com o intuito de reduzir a base monetária, poderia vender US$1 trilhão de títulos do Tesouro em sua posse, desta forma contraindo a base monetária de US$3,6 para US$2,6 trilhões. Isso representaria uma substancial deflação da base monetária, mas não teria nenhum efeito anti-inflacionário; os preços poderiam facilmente chegar a um valor anualizado de 100% em um curto espaço de tempo. Por quê? Por causa de toda a inflação monetária que estaria ocorrendo. Os bancos, em busca de uma alta taxa de retorno paga pelo governo americano — que é considerado um tomador de empréstimo de baixíssimo risco —, retirariam dinheiro das reservas em excesso e emprestariam para o governo federal. E eu posso garantir que o governo americano gastará cada centavo que lhe derem. Não haverá parcimônia.

    Logo, a quantidade de dinheiro na economia americana iria disparar. Finalmente, aquilo que muitos imaginaram que aconteceria em 2009, de fato estaria acontecendo agora. Quanto mais dinheiro for retirado das reservas em excesso para ser emprestado ao governo federal a taxas de juros mais altas, maior será a quantidade de dinheiro que será multiplicada pelo sistema bancário de reservas fracionárias. Isso levaria a um aumento sem precedentes na inflação de preços nos EUA.


    Não entendi que diferença vai fazer, se os bancos reduzirem suas reservas em excesso para financiar uma parcela maior do déficit público, considerando que este não aumente. Se eles as diminuíssem, o enxugamento monetário do Fed não compensaria? Então, considerando que o déficit público se mantenha no atual patamar, por que surgiria pressão inflacionária? A inflação não deveria continuar baixa como hoje? Não sei se fui suficientemente claro na minha pergunta. Pra mim parece trocar 6 por meia dúzia.
  • Leandro  09/10/2013 09:47
    "Se os bancos diminuíssem as reservas em excesso, o enxugamento monetário do Fed não compensaria?"

    Nem de longe. Os bancos americanos têm hoje US$ 2,3 trilhões de reservas em excesso. Logo, em teoria, se a intenção for realmente evitar qualquer possibilidade de expansão creditícia hiperinflacionária, então o Fed teria de enxugar esses US$2,3 trilhões de reservas em excesso. Qualquer valor abaixo disso que o Fed enxugasse não alteraria a capacidade dos bancos de expandir o crédito.

    "Então, considerando que o déficit público se mantenha no atual patamar, por que surgiria pressão inflacionária?"

    Porque uma enorme parte do déficit é hoje financiado por investidores estrangeiros, principalmente pelos Bancos Centrais da China e do Japão (e do Brasil). O deficit não é totalmente financiado pelos bancos americanos -- ou seja, ele não é todo financiado por bancos que criam dólares eletrônicos do nada.
  • Pobre Paulista  09/10/2013 11:50
    Então a vovó Dilma estava certa? Vai vir um tsunami monetário por aí ainda?
  • Jonas  09/10/2013 20:42
    Mas os dólares emprestados por esses BCs ao governo americano, para financiar o déficit deste, não caem no sistema de reserva fracionária do sistema bancário dos EUA e são multiplicados neste?
  • Leandro  09/10/2013 21:25
    Essa é uma confusão muito comum que algumas pessoas cometem. A realidade é que estes dólares nunca saíram dos EUA.

    Observe a sequência:

    1) Um americano importa bens da China;

    2) o exportador chinês recebe dólares em seu banco na China.

    3) Como o dólar não é moeda corrente na China, o BC chinês imprime renminbis e fica com estes dólares;

    4) Estes dólares são imediatamente remetidos de volta aos EUA, agora para comprar títulos do Tesouro.

    Na prática, estes dólares nem saíram dos EUA. Houve apenas um remanejo de contas bancárias. Os dólares saíram da conta de um importador americano e foram parar na conta do Tesouro, que imediatamente irá gastar estes dólares, fazendo com que eles voltem ao sistema bancário. Ou seja, não houve alteração na oferta de dólares dentro dos EUA.
  • Rhyan  10/10/2013 09:37
    Se mexer no depósito compulsório, dá pra arrumar?
  • Guilherme  08/10/2013 19:30
    Leandro,
    e se o FED simplesmente aumentasse o compulsório e essas reservas em excesso passassem a ser reservas obrigatórias. Não seria uma forma de evitar a inflação? Qual seria o efeito desse aumento no compulsório já que as reservas já estão lá?

    Abs
  • Leandro  08/10/2013 21:32
    Sim, essa seria a melhor maneira de resolver a situação. Abolir as reservas fracionárias e implementar a reforma bancária detalhada neste artigo.

    As chances de os bancos aceitarem isso? Deixo a cargo de sua noção da realidade.
  • Fábio   08/10/2013 21:05
    Mas o dólar não é lastreado em petróleo? Afinal, a compra de petróleo é feita apenas em dólares...
  • Leandro  08/10/2013 21:30
    Isso não caracteriza lastro. Em termos monetários, lastro é quando uma moeda é emitida estritamente de acordo com a variação de uma determinada quantidade de commodity.

    Se o dólar fosse lastreado em petróleo, cada dólar só poderia ser emitido estritamente de acordo com a extração de uma determinada quantidade de petróleo.
  • Típico Filósofo  09/10/2013 00:06
    Não se preocupem, uma mulher será a presidenta da Federal Reserve:

    br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE99709Z20131008

    Ela, com certeza, será capaz de sobrepor-se à manutenção da ditadura do patriarcado imposta pela covarde burguesia judaico-financeira e desafiará o medo da inflação. Qualquer um que criticar suas decisões (Diferentemente de ao Bernanke) estará agindo em prol dos interesses da classe patriarcal e por isso, não deverá ser levado à sério. Sim, direciono-me aos cavalheiros dos Mises Institutes.

    (Antes que venham com a velha apologia reacionária de que o sexo da presidentA do FED é irrelevante frente ao seu perfil como economista, lembrem-se que seu discurso será puramente irracional e reacionário)
  • Gustavo  10/10/2013 00:26
    A seguir um discurso irracional e reacionario:

    "A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

    [link]exame.abril.com.br/carreira/noticias/presidente-ou-presidenta-qual-o-certo[link]
  • Dionisio Dias da Silva  09/10/2013 02:22
    Leandro,
    O Fed sempre sinalizou que evitaria atitude drástica tipo "...não mais aumentaria a base monetária; não mais compraria nenhum título da dívida pública que está em posse do sistema bancário.", visto que faria um "pouso suave" REDUZINDO devagar, aos poucos, a atual política monetária, quando os índices de emprego e inflação de preços atingissem determinado nível. Mas, como se trata de uma análise de suposição, se isso ocorresse, o governo continuaria com déficit orçamentário de US$62,5 bilhões/MÊS (porque não seria possível zerá-lo de um a hora para outra), mas os Bancos assumiriam o papel de agente financeiro governamental, a juros mais altos, sacando suas "reservas em excesso" e aumentado sua carteira de título governamental. Enquanto isso, o Fed ainda continuaria com a sua monumental carteira. De que forma esses Bancos se livrariam desse estoque de títulos do governo, visto que precisa de sua matéria-prima que é dinheiro vivo? E o estoque astronômico de títulos junto ao Fed, de que forma e como seria reduzido?
  • Leandro  09/10/2013 09:56
    "De que forma esses Bancos se livrariam desse estoque de títulos do governo, visto que precisa de sua matéria-prima que é dinheiro vivo?

    Por que eles iriam querer se livrar destes títulos? Manter estes títulos é vantajoso. Você aufere juros e principal do Tesouro americano. Ou seja, continua recebendo dinheiro e aumentando suas reservas. É renda garantida. Portanto, se o Fed disser que não mais irá comprar estes títulos, os bancos mantê-los continua sendo uma ótima opção.

    "E o estoque astronômico de títulos junto ao Fed, de que forma e como seria reduzido?"

    Ele só pode ser reduzido de duas maneiras: os títulos vencem e são resgatados pelo Tesouro (que pagam juros e principal ao Fed) ou o Fed os vende para o sistema bancário, desta forma reduzindo as reservas bancárias.
  • anônimo  09/10/2013 17:14
    Leandro,
    Desculpe, por aproveitar a sua boa vontade e do seu dom de ensino, mas para esclarecer mais essas dúvidas:

    "Por que eles iriam querer se livrar destes títulos? Manter estes títulos é vantajoso." Mas, então, porque repassaram ao Fed os títulos comprados do governo? Não seria porque atualmente é mais seguro manter dinheiro-vivo em "reserva em excesso" a 0,25%/Mês do que os títulos que estão prestes a derreter?

    "O estoque de títulos do Fed só pode ser reduzido de duas maneiras: os títulos vencem e são resgatados pelo Tesouro (que pagam juros e principal ao Fed)..." Mas, Leandro, o Tesouro está quebrado e toda sua arrecadação comprometida, precisando inclusive captar US$62,5 bilhões/MÊS para cobrir o déficit. Nesse caso só fariam rolar a dívida, trocando os títulos antigos por novos títulos, através dos bancos, que tem o compromisso de recompra pelo Fed. Se o Fed parar de comprar, um abraço no gaiteiro!

    "... ou o Fed os vende para o sistema bancário, desta forma reduzindo as reservas bancárias". Não estariam os bancos se livrando da batata-quente que são os moribundos títulos do governo americano, apesar de artificialmente ainda transparecerem "seguros" e com taxas baixas? Afinal, o artigo esclarece que a engenharia monetária deles viraram o mundo de cabeça para baixo e que o artificialismo tem um preço alto a pagar e a hora pra acabar!!
  • Leandro  09/10/2013 18:39
    "Mas, então, porque repassaram ao Fed os títulos comprados do governo?"

    Por dois motivos:

    1) Eles revendem ao Fed com lucro; e

    2) ao fazerem isso, eles adquirem mais reservas bancárias, com as quais podem conceder mais crédito

    "o Tesouro está quebrado e toda sua arrecadação comprometida, precisando inclusive captar US$62,5 bilhões/MÊS para cobrir o déficit. Nesse caso só fariam rolar a dívida, trocando os títulos antigos por novos títulos, através dos bancos, que tem o compromisso de recompra pelo Fed. Se o Fed parar de comprar, um abraço no gaiteiro!"

    Exatamente por isso que o Fed nunca irá parar. O artigo apenas explorou as possíveis consequências de uma mudança de postura. E, com isso, mostrou que ela não ocorrerá.

    "Não estariam os bancos se livrando da batata-quente que são os moribundos títulos do governo americano, apesar de artificialmente ainda transparecerem "seguros" e com taxas baixas?"

    No dia em que os bancos realmente pensarem que os títulos do governo americano são moribundos, o mundo financeiro entra em colapso. Pode acontecer, é claro, mas ainda -- a se julgar pelas taxas de juros de longo prazo, que estão em níveis historicamente baixos -- não há o mais mínimo indício de que haja tal temor.
  • Rhyan  09/10/2013 02:37
    Janet Yellen para presidência do Fed. Que acham?
  • Leandro  09/10/2013 09:59
    No discurso, é um Bernanke em esteróides. Resta agora ver na prática.
  • IRCR  09/10/2013 10:17
    Leandro,

    O discurso do FED para mantar a impressora de dinheiro ligada está na criação de empregos, mas se o dinheiro pouco sai das reservas dos bancos como que isso estimularia a geração de empregos ? ou isso tudo não passaria de conversa fiada para dar dinheiro para banqueiro e engravatado do governo e wall street ?
  • Paulo  09/10/2013 11:57
    É... Mais uma vez, não surpreendentemente, o "gigante" Brasil vai passando em branco no prêmio Nobel...
  • André  09/10/2013 13:31
    Sendo que se o governo tiver que aumentar os juros, isso dará início à um aumento
    astronômico (mais ainda) da dívida deles que já é bem grande.

    Então, acho que irá ocorrer algo parecido com o que está ocorrendo na Europa, eles
    terão que demitir pessoas inúteis e cortar assistencialismos. Pois não será possível quitar
    a dívida.

    Enfim, vamos que vamos aos trancos e barrancos!
  • Antonio  10/10/2013 00:20
    Leandro,

    "4) Como o governo agora está pagando juros maiores, os bancos retiram dinheiro das reservas em excesso e passam a emprestar para o Tesouro, que agora está pagando, digamos, 6% ao ano.

    5) Esta nova postura dos bancos aumenta a quantidade de dinheiro na economia. Se este dinheiro será utilizado para obras públicas ou para pagar burocratas, isso é secundário."

    A minha observação alinha-se com a do Jonas. De todo jeito, o governo já tem um déficit de 750 bilhões, com metade sendo monetizado. Se o Fed não mais comprar essa metade do déficit, os bancos o farão, diminuindo suas reservas. Bem, isso não alterará em nada os gastos do governo, ceteris paribus. Então continuará entrando o mesmo dinheiro na economia via governo. Com a reversão do QE, e aumento dos juros, O déficit aumentaria, e o gov gastaria mais, apenas se o teto da dívida permitisse (se subissem de 1% para 6%, grosso modo, seriam uns 500 bilhões/ano de gastos adicionais com juros, resultado de 5% de aumento vezes 10 trilhões, que o a dívida em poder do público). A única mudança, desconsiderando que os juros tenham subido, é que agora a parte do déficit outrora monetizada vai reduzir os excessos de reservas, pq terá necessariamente de vir dos bancos, mas isso não aumentaria a qtde de dinheiro na rua (antes não diminuíam o excesso de reserva pq o Fed comprava metade dos novos títulos para financiar o déficit). Então via governo continuam saindo gastos somente de 750 bilhões, desconsiderando aumento de juros e de teto da dívida. A gde mudança, que lançará mais dinheiro na rua, será o aumento de juros, o que fará com que os bancos comecem a emprestar (pelo menos enquanto acreditarem que a economia vai bem).

    Por outro lado, não adianta os bancos quererem comprar mais títulos do tesouro simplesmente pq agora os juros estão altos e é bom negócio pra eles. O tesouro emitirá em termos líquidos somente os títulos suficientes para cobrir seu déficit (que agora deverá aumentar por conta dos custos mais altos com o serviço da dívida). Além disso, o tesouro tem de respeitar o teto da dívida.

    Vc citou que os bancos hj emitem títulos para o mercado e enxuga parte do dinheiro da rua. Essa parte não entendi bem. Pq fazem isso se já estão locupletados de dinheiro? Sei que com o FED comprando, eles têm incentivo pra fazer isso, mas não precisam de mais dinheiro no momento.

    Ainda temos de consider que dos 85 bilhões de compra mensais do QE, 40 bilhões é pra aquisição de Mortgage Backed Securities, e esse dinheiro vai necessariamente pra rua, pois é carimbado. Com a cessação da compra deles pelo FEd, seria menos dinheiro injetado na economia.

    Espero tenha me feito fazer entender.
  • Leandro  10/10/2013 00:35
    Não entendi qual é o seu ponto e nem aonde você quis chegar.
  • anônimo  10/10/2013 10:02
    Supondo o cenário de pior caso, como se proteger da hiperinflação?
  • Jason  10/10/2013 15:05
    Ativos reais. Pessoalmente considero o ouro uma boa opção.
  • Bob tupiniquim  10/10/2013 14:12
    Olha, se permanecer esse processo de aumento no volume da base monetária, e tudo indica que vai sera assim, creio que não há outra perspectiva a longo prazo a não ser a hiper inflação.

    Se você continua a soprar no bico do balão que vai enfeitar a festa uma hora qualquer ele inevitavelmente irá explodir, de uma forma ou de outra. Só há um jeito disso não acontecer, parar de soprar mais ar pra dentro do mesmo.
  • Antonio  10/10/2013 16:06
    Leandro,

    à luz do que expus acima, simplificarei:

    1) Se o governo americano não pode aumentar seus gastos a bel prazer, pois existe um teto de gastos aprovado pelo congresso, pq o tesouro emitira mais títulos do que o estritamente necessário para cobrir seu déficit (hj de 750 bilhões por ano) simplesmente pq os bancos estariam dispostos a comprar mais títulos pq os juros subiram em face da reversão do QE? Como isso alteraria o M1 (dinheiro na rua, grosso modo)?

    2) A cessação de compra de títulos pelo FED diminuiria o M1, ceteris paribus, já que cerca de 40 bilhões das compras mensais do FED (480 bilhões por ano) é de Mortgage Backed Securities (hipotecas). Isso não é verdade?

    Estou apenas tentando esclarecer essas dúvidas, que inclusive foram levantadas por colegas meus tb. Mto do que aprendi de política monetária foi lendo seus comentários, e reconheço vc como alguém que conhece mto bem essa praia. Acho que o Garry North, por pressa ao escrever, pode ter deslizado nisso.
  • Leandro  10/10/2013 17:15
    "Se o governo americano não pode aumentar seus gastos a bel prazer, pois existe um teto de gastos aprovado pelo congresso"

    Não existe nenhum "teto de gastos", tanto é que eles crescem anualmente. Existe apenas teto de endividamento, o qual é seguidamente aumentado.

    "pq o tesouro emitira mais títulos do que o estritamente necessário para cobrir seu déficit (hj de 750 bilhões por ano) simplesmente pq os bancos estariam dispostos a comprar mais títulos pq os juros subiram em face da reversão do QE?"

    O artigo não falou nada sobre "o Tesouro emitir mais títulos simplesmente porque os bancos estariam dispostos a comprar mais títulos". Não entendi de onde você tirou isso.

    "A cessação de compra de títulos pelo FED diminuiria o M1, ceteris paribus, já que cerca de 40 bilhões das compras mensais do FED (480 bilhões por ano) é de Mortgage Backed Securities (hipotecas). Isso não é verdade?"

    Em tese, sim. Mas os bancos podem contrabalançar essa saída do Fed, uma vez que estão com reservas em excesso. Logo, o M1 pode perfeitamente subir.

    "Acho que o Garry North, por pressa ao escrever, pode ter deslizado nisso."

    Não houve deslize nenhum.
  • alerj  10/10/2013 16:30
    Esse passo a passo do Gary North me parece errado.

    1-) Se supormos que o Fed decida estabilizar a base monetária, parando de comprar títulos da dívida do governo americano.

    2-) os bancos continuarão a comprar títulos do governo americano a taxas mais altas

    3-) o governo irá gastar esse dinheiro, como faz hoje, e esse dinheiro entrará no sistema de reservas fracionárias, como entra atualmente, e não tem causado inflação.

    4-) ademais se o Fed quiser diminuir a base monetária, basta vender os títulos aos bancos e sumir com o dinheiro por meio do sistema de créditos e débitos.

    O que afirmo é:

    antes o governo americano pegava dinheiro dos bancos, gastava e colocava assim no sistema de reservas fracionárias.

    Isso não causou inflação

    Assim, como ele vai fazer a mesma coisa, não tem como haver inflação.

    Att, Alerj

  • Leandro  10/10/2013 17:15
    "o governo irá gastar esse dinheiro, como faz hoje, e esse dinheiro entrará no sistema de reservas fracionárias, como entra atualmente, e não tem causado inflação."

    Você está ignorando algo que já mencionei três vezes aqui nesta seção de comentários: uma fatia substancial dos títulos do Tesouro americano é comprada por investidores estrangeiros. E, como detalhei em uma das minhas respostas ao leitor Jonas, tal processo não altera a quantidade de dinheiro na economia americana. Não é inflacionário.

    "ademais se o Fed quiser diminuir a base monetária, basta vender os títulos aos bancos e sumir com o dinheiro por meio do sistema de créditos e débitos."

    O simples fato de o Fed vender títulos já diminui a base monetária. Desnecessário esse complemento de "sumir com o dinheiro por meio do sistema de créditos e débitos", algo sem sentido.

    "antes o governo americano pegava dinheiro dos bancos, gastava e colocava assim no sistema de reservas fracionárias. Isso não causou inflação. Assim, como ele vai fazer a mesma coisa, não tem como haver inflação."

    Pela quinta vez: uma fatia substancial dos títulos do Tesouro americano é comprada por investidores estrangeiros. E, como detalhei em uma das minhas respostas ao leitor Jonas, tal processo não altera a quantidade de dinheiro na economia americana. Não é inflacionário.
  • Antonio  10/10/2013 18:32
    Leandro,


    Realmente o limite é de dívida, mas isso significa indiretamente que os gastos são tb limitados.

    Vc realmente está certo qto às compras dos BCs estrangeiros, que saem do M1.

    Em relação ao artigo não dizer sobre venda ao governo, ao menos implicitamente disse:

    ....." Os bancos, em busca de uma alta taxa de retorno paga pelo governo americano — que é considerado um tomador de empréstimo de baixíssimo risco —, retirariam dinheiro das reservas em excesso e emprestariam para o governo federal. E eu posso garantir que o governo americano gastará cada centavo que lhe derem. Não haverá parcimônia.

    Logo, a quantidade de dinheiro na economia americana iria disparar. Finalmente, aquilo que muitos imaginaram que aconteceria em 2009, de fato estaria acontecendo agora. Quanto mais dinheiro for retirado das reservas em excesso para ser emprestado ao governo federal a taxas de juros mais altas, maior será a quantidade de dinheiro que será multiplicada pelo sistema bancário de reservas fracionárias. Isso levaria a um aumento sem precedentes na inflação de preços nos EUA."

    Abraço...
  • Leandro  10/10/2013 19:29
    "Realmente o limite é de dívida, mas isso significa indiretamente que os gastos são tb limitados."

    Não se a receita nominal também estiver subindo (que é o que acontece em qualquer economia cuja oferta monetária seja crescente e que não esteja em profunda recessão).

    Sobre o trecho que você destacou, ele não fala que o Tesouro irá emitir mais títulos simplesmente porque os bancos estariam dispostos a comprar mais títulos (considerando-se que o déficit seja o mesmo, é claro). Ele fala apenas que, a juros mais altos, uma maior fatia do déficit tenderá a ser financiada pelo sistema bancário americano (que suplantará os investidores estrangeiros).
  • Antonio  10/10/2013 21:13
    Leandro,

    De fato, o teto da dívida não significa limite dos gastos necessariamente, já que a arrecadação depende do crescimento nominal do PIB. No entanto, o déficit fica quase sempre limitado pelo teto da dívida, e a emissão de novos títulos depende do tamanho do déficit.

    O artigo não diz com todas letras isso, mas diz explicitamente:

    " Os bancos, em busca de uma alta taxa de retorno paga pelo governo americano — que é considerado um tomador de empréstimo de baixíssimo risco —, retirariam dinheiro das reservas em excesso e emprestariam para o governo federal. E eu posso garantir que o governo americano gastará cada centavo que lhe derem. Não haverá parcimônia.

    Logo, a quantidade de dinheiro na economia americana iria disparar."

    Como a quantidade de dinheiro na economia iria disparar via gastos do governo sem a emissão de mais títulos (em valor)do que antes?

    Abraço...
  • Leandro  11/10/2013 01:55
    Como a quantidade de dinheiro na economia iria disparar via gastos do governo sem a emissão de mais títulos (em valor)do que antes?

    Pela sexta vez: uma fatia substancial dos títulos do Tesouro americano é comprada por investidores estrangeiros. E, como detalhei em uma das minhas respostas ao leitor Jonas, tal processo não altera a quantidade de dinheiro na economia americana. Não é inflacionário. Sendo assim, se os bancos americanos substituírem estes investidores estrangeiros, os empréstimos agora serão feitos via criação de dinheiro (por meio das reservas fracionárias). Isso é inflacionário.

    Espero não ter de repetir a mesma coisa sete vezes em uma única seção de comentários. Gentileza lerem todas as respostas já dadas aqui para se certificarem de que suas eventuais perguntas já não foram respondidas.
  • Henrique  11/10/2013 01:56
    Leandro, este artigo, então, dá base para as previsões apocalípticas do Peter Schiff e do Jim Rogers? Pelo o que eu entendi, as previsões destes dois economistas só daria certo se o dólar deixasse de ser a moeda de reserva mundial. Caso ocorra uma hiperinflação, este vai ser o destino do dólar, não é?

    abraços
  • Leandro  11/10/2013 02:15
    Não haverá hiperinflação. Não é do interesse dos bancos e já expliquei os motivos aqui. O artigo do North trabalhou com um cenário hipotético apenas para mostrar como as coisas estão de cabeça pra baixo nos EUA.

    No entanto, pelo bem do debate, suponhamos que os bancos americanos enlouqueçam e de fato saiam jogando todas as suas reservas na economia. Minha opinião: o Fed não deixaria isso ocorrer e iria fazer alguma coisa (muito provavelmente subir os compulsórios para 100%). Por quê? Apenas pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

    Entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e no compulsório e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria.
  • luiz  11/10/2013 15:07
    Leandro,

    então é correto concluir que os bancos americanos são um importante pilar da estabilidade econômica, e não vilões como a turma do Occupy diz.....?
  • Leandro  11/10/2013 15:27
    O problema é que, para os bancos, os lucros devem ser privados (correto), mas os prejuízos devem ser socializados. Durante a farra da expansão do crédito, eles se dão muito bem e colhem altos lucros. Porém, quando a conta chega (endividamentos e investimentos ruim que geram calotes), eles querem que o estado os socorra. O problema principal está na expansão do crédito em si, como mostram os inúmeros artigos deste site.

    Logo, não é correto dizer que os bancos são um importante pilar da estabilidade econômica, pois eles (em conjunto com o Banco Central, que existe para protegê-los) são a causa primária dos ciclos econômicos.
  • Tiago Moraes  11/10/2013 22:12
    Leandro, eu ficaria grato se você ou o professor Ubiratan, desenvolvessem um artigo (bem imersivo) a cerca do embate entre Hayek e Sraffa sobre as relações entre variações monetárias e efeitos sobre os níveis de preços e estruturas de capital. O tema tem me incomodado porquê, embora eu seja assumidamente um "austríaco", fui inclinado a dar razão a Sraffa na controvérsia.
  • Leandro  11/10/2013 22:51
    Prezado Tiago, com qual parte da teoria de Hayek você não concorda? Qual parte da teoria de Sraffa você acha ser superior à de Hayek?

    Sempre tenha em mente que o próprio arcabouço no qual Sraffa se baseia é conceitualmente falho.
  • Antonio  11/10/2013 18:54
    Havia lido e relido artigo e todos os comentários antes de postar. Não farei mais pergunta. Só vou comentar, pois faz-se uma pergunta e responde-se outra. Em nenhum lugar do artigo foi dito as reservas em excesso substituiriam as compras feitas por investidores estrangeiros, nem mesmo implicitamente. Pelo contrário: "Ato contínuo, os bancos começarão a reduzir suas "reservas em excesso" depositadas junto ao Fed. Aqueles valores do gráfico 3 começarão a desabar. Os bancos emprestarão esse dinheiro para o governo americano, que então irá gastá-lo, fazendo com que o dinheiro entre no sistema bancário de reservas fracionárias e seja multiplicado. Assim, ao contrário de tudo o que ocorreu desde 2008, os bancos começariam a emprestar."

    Por outro lado, nada garante que os investidores estrangeiros não continuarão a comprar títulos, já que agora os juros estão mais altos. Ainda há a questão das Mortgage Backed Securities (480 bi ao ano, e portanto maior do que os 375 bi ao ano atualmente monetizados, não compensando portanto a desinjeção do Fed em hipotecas).

    A reversão do QE vai desencadear crise financeira pq elevará os juros, o que foi mto bem explicado no artigo. Isso encarecerá as necessidades de financiamento do setor público (déficit nominal mais dívida de curto prazo), e, portanto, aumentará o déficit, o que mto provavelmente tornaria a dívida/déficit dos EUA impagável. Ao chegar a esse ponto, o governo dos EUA teria duas opções: dar o calote direto ou indireto, via processo inflacionário acelerado.
  • Leandro  11/10/2013 22:51
    "Em nenhum lugar do artigo foi dito as reservas em excesso substituiriam as compras feitas por investidores estrangeiros, nem mesmo implicitamente."

    Antonio, esta frase "Ato contínuo, os bancos começarão a reduzir suas "reservas em excesso" depositadas junto ao Fed. Aqueles valores do gráfico 3 começarão a desabar. Os bancos emprestarão esse dinheiro para o governo americano, que então irá gastá-lo, fazendo com que o dinheiro entre no sistema bancário de reservas fracionárias e seja multiplicado." designa justamente isso. Mas é verdade que ela pressupõe um certo conhecimento prévio da situação. Como nos EUA já é papo corrente que o déficit americano é financiado pelos chineses, o North não viu a necessidade de ressaltar a questão (mesmo porque ele faz isso diariamente em seu site). A culpa, neste caso, é do tradutor (este que vos escreve), que deveria ter feito este acréscimo ao artigo.

    "Por outro lado, nada garante que os investidores estrangeiros não continuarão a comprar títulos, já que agora os juros estão mais altos. Ainda há a questão das Mortgage Backed Securities (480 bi ao ano, e portanto maior do que os 375 bi ao ano atualmente monetizados, não compensando portanto a desinjeção do Fed em hipotecas)."

    A sua segunda frase mostra que haverá amplo espaço para os bancos americanos entrarem em cena sem desalojar os investidores estrangeiros.

    "A reversão do QE vai desencadear crise financeira pq elevará os juros, o que foi mto bem explicado no artigo. Isso encarecerá as necessidades de financiamento do setor público (déficit nominal mais dívida de curto prazo), e, portanto, aumentará o déficit, o que mto provavelmente tornaria a dívida/déficit dos EUA impagável."

    É isso que o Peter Schiff vem falando diariamente.

    "Ao chegar a esse ponto, o governo dos EUA teria duas opções: dar o calote direto ou indireto, via processo inflacionário acelerado."

    Não haverá calote via "processo inflacionário acelerado". Esqueça isso. Trata-se de uma impossibilidade prática, e por dois motivos muito simples: o primeiro é que, como dito, não é do interesse dos bancos. Logo, o Fed teria de ser nacionalizado. Ademais, mesmo que isso acontecesse, o fato é que nenhuma hiperinflação (no sentido correto do termo: preços subindo mais de 50% ao mês) dura mais do que um ano. E a dívida americana tem prazos de maturação muito maiores do que ano. Há vários títulos com mais de 30 anos de prazo. Teria de haver uma hiperinflação durante 30 anos. Não há a mínima possibilidade de isso acontecer.
  • anônimo  14/10/2013 16:32
    Agradeço o seu gentil post, mas reservo-me no direito de não ficar convencido. Por exemplo, Mark Thorton, em uma das suas três entrevistas disponíveis na primeira página do Mises Institite, diz que já está havendo um financiamento negativo do déficit por parte de governos estrangeiros (ou algo do gênero).

    Sobre possibilidade de aceleração da inflação de preços, creio que, uma vez iniciada via maiores déficits do governo (por conta de juros mais altos), os bancos não vão deixar seus excessos de reservas quietos perdendo valor. Deixar 2 trilhões quietos com uma inflação de 10% aa significa perdas de 200 bilhões por ano. Isso pode suplantar as perdas inflancionárias com empréstimos feitos anteriormente. Creio fariam empréstimos indexados à inflação como fizeram no Brasil, o que contribuiria para inflacionar ainda mais os preços. Conheço a sua tese de que, no arranjo atual em que o Teseouro não pode vender títulos diretamente ao Fed, hiperinflação não ocorrerá nos EUA. Vc pode estar certo, mas não creio pela razão acima exposta. Bem, ação humana ninguém pode prever, são milhões de pessoas tomando decisões, algumas racionais, outras não. Ainda há a variável governo, ainda mais imprevisível. O próprio North no artigo admite possibilidade de hiperinflação.

    Sobre prejuízo baixo em títulos de longa maturação, se tenho título com valor de face de um bilhão, se houver inflação de 100% num ano, o valor do dólar nesse único ano caiu pela metade. Meu título então qdo eu resgatar o 1 bilhão valerá em termos reais meio bilhão, somente por conta da inflação daquele um ano. Assim, a dívida em termos reais do governo desaparecia. Bem, sou aprendiz nesse tema, posso estar equivocado. Cursei uma matéria na faculdade nos EUA chamada Money and Banking, mas o enfoque foi completamente diferente. O professor nunca deixou claro que o Fed criava dinheiro do nada, enrolava com estória de passivos e ativos do Fed.
  • Bruno Cardoso  02/11/2013 16:42
    Quando os juros estadunidenses aumentarem devido à interrupção do programa de estímulos do FED, os títulos americanos serão desvalorizados por serem pré-fixados e quem os adquiriu terá prejuízo?
  • Malthus  02/11/2013 18:01
    Não terá prejuízo, pois o fluxo de renda continuará inalterado; mas, como o valor dos títulos caíram, o valor da carteira (protfolio) será menor.
  • Bruno Cardoso  02/11/2013 19:35
    Então não há uma bolha de títulos americanos em crescimento? Pensava que o programa de estímulos do FED era uma forma de "facilitação quantitativa" com o objetivo de "monetariezar" a dívida publica. Explico: como foi mostrado no artigo, após a interrupção do programa de estímulos do FED não faltarão justificativas para elevar bruscamente a taxa de juros. Assim, pensava que o programa de estímulos visava indiretamente diminuir o valor total a ser pago aos credores dos títulos americanos, o que seria um "pseudo-calote".
  • Leandro  02/11/2013 21:29
    Sim, está havendo uma grande bolha nos títulos americanos, talvez a maior da história. E sim, o programa de afrouxamento quantitativo nada mais é do que uma maneira furtiva de financiar os déficits do governo.

    Mas não entendi o que você realmente quis dizer com a segunda parte do seu comentário, e nem em que ela contradiz o que foi dito acima.
  • Bruno Cardoso  02/11/2013 23:03
    Segundo o Malthus, os credores dos títulos americanos não terão prejuízo. Bolhas econômicas geram prejuízo aos investidores do setor afetado. Portanto, não consigo compreender como pode existir uma bolha nos títulos americanos e quem terá um prejuízo diretamente relacionado ao seu estouro.
  • Leandro  02/11/2013 23:41
    O fluxo dos juros pagos pelo Tesouro aos portadores dos títulos não é alterado. O fluxo de juros de cada título é determinado no leilão primário. Um aumento dos juros não gera alterações no montante de juros pagos aos portadores desses títulos.

    No entanto, dado que um aumento dos juros significa que o valor nominal dos títulos diminuiu, é correto dizer que houve uma perda de riqueza para os portadores desses títulos -- afinal, o preço de seus ativos caiu. Porém, não houve uma perda de renda, já que os juros são pré-fixados e pagos pelo Tesouro.

    Isso significa que, em termos contábeis, todos os bancos que estão maciçamente investidos em títulos do Tesouro sofrerão uma brusca redução no valor de seus ativos. Mas as receitas de juros (pagos pelo Tesouro) que eles continuarão auferindo desses títulos permanecerão inalteradas, pois, como dito, o fluxo de juros de cada título é determinado no leilão primário

    Em suma: quem comprar títulos após os juros terem subido terá um rendimento maior do que terão aquelas pessoas que já os possuíam antes da alteração dos juros (afinal, os juros pagos pelo Tesouro são constantes, mas você comprou o papel por um preço menor). Por outro lado, se você já tinha títulos e decidiu não vender esses papeis, sua renda não será afetada, embora sua riqueza tenha, sim, diminuído.

    Espero que agora não haja mais confusão.
  • Bruno Cardoso  04/11/2013 18:10
    Obrigado pela excelente explicação Leandro! Após a elevação da taxa de juros os bancos que investiram intensamente nos títulos públicos se tornarão insolventes e como consequência terão que reduzir os passivos dificultando a concessão de novos empréstimos e cobrando os empréstimos concedidos anteriormente. Correto?
    A elevação da taxa de juros e o estouro da bolha dos títulos estão relacionados à interrupção do programa de estímulos do FED ou é impossível prever quando ocorrerão?

  • Leandro  04/11/2013 18:45
    Eu não chegaria ao extremo de afirmar que eles se tornarão insolventes, mas certamente seus balancetes serão afetados. É por isso que não é muito realista esperar aumento de juros nos EUA -- pelo menos, não nos juros de curto prazo.

    Sobre a redução dos empréstimos, isso já está ocorrendo há um bom tempo, e tem duas causas: as novas regras de Basiléia III (que exigem mais capital por ativos de risco) e a reforma Dodd-Frank. Ambas afetam diretamente a capacidade dos bancos americanos de conceder crédito.

    A consequência pode ser vista aqui: a concessão de crédito nos EUA estagnou.

    "A elevação da taxa de juros e o estouro da bolha dos títulos estão relacionados à interrupção do programa de estímulos do FED ou é impossível prever quando ocorrerão?"

    Estão relacionadas. No que depender do Fed, nunca ocorrerão.
  • Rafael  09/11/2013 23:00
    Não acredito que exista uma bolha nos títulos americanos. Por favor, mostrem os dados que comprovem isto.
  • Daniel H  23/12/2013 23:09
    Eu fiquei com uma dúvida:

    O Fed cria dinheiro do nada para comprar os títulos da dívida em posse dos bancos. OK
    Os bancos, por sua vez, compraram esses títulos do governo federal, usando dinheiro captado no mercado. OK

    Por que os bancos vendem esses títulos ao Fed? O Fed paga muito mais do que os bancos pagaram ao governo federal?? quanto mais??

    eu gostaria muito de entender 100% essa dinâmica de criação de dinheiro
  • Leandro  24/12/2013 00:19
    "O Fed cria dinheiro do nada para comprar os títulos da dívida em posse dos bancos. OK"

    Correto.

    "Os bancos, por sua vez, compraram esses títulos do governo federal, usando dinheiro captado no mercado. OK"

    Não. Os bancos não utilizam dinheiro captado no mercado. Funciona assim apenas na teoria descrita nos manuais de economia. Na prática, os bancos, assim como o Banco Central, também simplesmente criam dinheiro do nada.

    É importante entender que, no atual sistema monetário e financeiro, o dinheiro é uma mera criação eletrônica; o dinheiro nada mais é do que um sistema contábil de partidas dobradas. Bancos adquirem um ativo criando dinheiro, e este dinheiro criado passa a ser o seu passivo.

    Ou seja, sempre que um banco adquire um ativo, ele também cria um passivo. O ativo é o papel que ele comprou criando dinheiro eletrônico; o passivo são justamente os dígitos eletrônicos que ele acrescenta na conta da pessoa ou da instituição de quem ele comprou o ativo. Ao fazer isso, o banco aumenta a oferta monetária.

    Portanto, não. Não é correto dizer que os bancos "utilizam dinheiro captado no mercado". O dinheiro que os bancos eventualmente captam no mercado também é totalmente eletrônico e serve apenas para compor reservas e, com isso, atender a critérios regulatórios estipulados pelo Banco Central. Não houvesse essa exigência de reservas, os bancos não teriam por que emitir papeis para captar esse dinheiro eletrônico, pois isso representa um passivo para eles.

    Na prática, os dígitos eletrônicos que estão na sua conta bancária não são "utilizados" para comprar papeis. Os dígitos ficam ali, imóveis. Os bancos simplesmente criam outros dígitos quando querem adquirir novos ativos. Não existe essa "transferência de dígitos".

    Caso duvide disso que eu falei, pode conferir na seção "Banks DO, In Fact, Create Money Out of Thin Air" deste artigo uma coletânea de declarações de autoridades monetárias ao redor do mundo confirmando estes fatos.

    "Por que os bancos vendem esses títulos ao Fed? O Fed paga muito mais do que os bancos pagaram ao governo federal?? quanto mais??"

    Correto. O Banco Central (não importa se o Fed ou BACEN) paga mais por estes títulos. Se não pagasse, os bancos não venderiam para ele. No caso do Fed, dado que os juros estão próximos de zero, o valor que o Fed está pagando por títulos é substancial.

    "eu gostaria muito de entender 100% essa dinâmica de criação de dinheiro"

    Modéstia à parte, este artigo explica bem claramente.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Daniel H  24/12/2013 00:32
    MUITO obrigado!
  • Pobre Paulista  24/12/2013 02:06
    Leandro, perdoe a chatice, mas eu também ainda não entendo 100% dessa dinâmica.

    Suponha que eu deposite R$1000,00 no Itaú. Nesse caso o Itaú terá um "passivo" de 1000 comigo, afinal o dinheiro é meu, correto? Neste caso, cadê o ativo para contrapor?

    Mesmo no caso que o Daniel H comentou, ainda não entendi 100%.

    O Tesouro emite um papel qualquer e o banco o compra digamos por R$900. Como ele poderia usar um dinheiro não existente para comprá-la? O Tesouro não precisa exatamente do dinheiro "real", de papel, para cumprir com suas obrigações?
  • Leandro  24/12/2013 02:38
    "Suponha que eu deposite R$1000,00 no Itaú. Nesse caso o Itaú terá um "passivo" de 1000 comigo, afinal o dinheiro é meu, correto? Neste caso, cadê o ativo para contrapor?"

    O ativo é o seu dinheiro que agora está na rubrica "reservas" do Itaú. "Reservas" é um ativo para o banco. Já a sua conta-corrente (ou conta-poupança ou depósito a prazo) é um passivo para o banco. Leis contábeis.

    "O Tesouro emite um papel qualquer e o banco o compra digamos por R$900. Como ele poderia usar um dinheiro não existente para comprá-la?"

    Criou dígitos eletrônicos do nada e transferiu estes dígitos eletrônicos para a conta do Tesouro.

    Vou explicar em câmera lenta:

    Imediatamente após o Itaú criar o dinheiro (R$900) e comprar o título, haverá duas entradas em seu balancete: $900 no lado dos ativos (título adquirido) e $900 no lado do passivo (dinheiro creditado na conta que o Tesouro tem no Itaú).

    Ato contínuo, o Tesouro irá gastar seu dinheiro. Suponhamos que estes R$900 sejam repassados integralmente a um funcionário público que tem conta na Caixa Econômica Federal. Logo, os R$900 que o Itaú criou na conta-corrente que o Tesouro tem no Itaú (passivo) caem para zero e as reservas do Itaú (ativo) também são subtraídas em R$900, pois esse valor é repassado, via mercado interbancário, à Caixa Econômica.

    Fim de papo.

    "O Tesouro não precisa exatamente do dinheiro "real", de papel, para cumprir com suas obrigações?"

    Por que precisaria? Você conhece algum funcionário público que recebe seu salário em cédulas e moedas metálicas dentro de um embrulho enviado pelos Correios?
  • Daniel H  24/12/2013 13:39
    Engraçado que não apenas o Fed cria dinheiro do nada para comprar os títulos da dívida em posse dos bancos, como também os bancos criam dinheiro do nada para primeiramente comprar estes títulos do governo. Eu perdi algo ou é isso mesmo? W T F !

    Estamos falando dos EUA, é exatamente igual aqui (com diferentes % de compulsório e juros etc., obviamente)?
  • Joaquim Saad  12/08/2015 03:38
    Sds, Leandro.

    Acerca das respostas ao Daniel H e ao Pobre Paulista nas quais explicou que os bancos pagariam suas compras de títulos públicos c/ depósitos criados "ad hoc" em conta titulada pelo Tesouro nas instituições financeiras concedentes de tais empréstimos ao governo (da mesma forma como fazem na liberação de quaisquer outros créditos a pessoas físicas e jurídicas, configurando a multiplicação monetária que praticam exclusivamente), pelo que pude depreender de informações no site do BCB as aquisições de papeis federais (também) nos leilões primários seriam liquidadas (em tempo real - LBTR) no Sistema de Transferência de Reservas (STR) mediante migração de fundos das contas bancárias p/ a conta do Tesouro mantidas todas na própria autoridade monetária.

    Se este for mesmo o caso brasileiro (i.e. reservas bancárias sendo gastas "instantaneamente" na subscrição de ofertas primárias de títulos, a exemplo do que pelo jeito acontece no mercado aberto), na prática isto representaria alguma redução significativa na capacidade dos bancos de repassarem papeis federais ao BC ? Imaginei que não, pois as reservas me parecem mais do que suficientes p/ os bancos comprarem títulos nos leilões e os revenderem no mesmo dia ao Banco Central. Só não entendo porque então a autoridade monetária tem participado cada vez mais do mercado primário (conforme o Gustavo Franco e você mesmo vêm alertando), já que mesmo c/ a dívida brasileira ficando cada vez pior, os bancos poderiam sempre lucrar algum spread nesta mera intermediação intradia de títulos (ponto - interesse lucrativo - aliás levantado em alguma de outras respostas aos questionamentos deste artigo).

    Obrigado.

    Grato.
  • anônimo  14/08/2014 14:06
    Leandro, quando se diz que a dívida do governo americano é a maior da história, maior que toda a riqueza da terra junta, quem são os credores?
  • Leandro  14/08/2014 16:16
    Qualquer um em posse de títulos do Tesouro americano: pessoas, empresas, bancos comerciais, bancos de investimento, e bancos centrais mundo a fora (majoritariamente China e Japão).
  • Gil  29/08/2014 10:56
    Não é tão grande nem quanto todas as riquezas dos EUA (o PIB não mede riqueza, mede a produção de um ano, os ativos, são mais de 10 vezes o PIB). E os credores são esses www.facethefactsusa.org/facts/who-holds-the-note-look-in-the-mirror-infographic
  • Felipe  16/01/2016 15:23
    Caro Leandro

    Como se explica esse movimento de contração da base monetária dos EUA, que reduziu 10% de novembro até agora?
    É possível que o FED esteja aproveitando a falta de bons investimentos no mercado mundial para vender os títulos em sua posse com juros ainda baixos, bem como o próprio Tesouro?

    https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=39UP


    Tradicionais cumprimentos pela manutenção da alta qualidade de todo material.

  • Leandro  16/01/2016 23:47
    Voltou aos mesmos níveis de 2014:

    https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=3a49

    Por quê? Porque houve uma diminuição das reservas em excesso que os bancos voluntariamente mantêm depositadas junto ao Fed:

    https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/fredgraph.png?g=3a4a

    Por que houve essa diminuição? Bom, aí tudo vira especulação. Vai ver os bancos, ao verem que o Fed iria dobrar os juros que ele paga sobre as reservas em excesso (de 0,25% para 0,50%), concluíram que valia a pena reduzir um pouco a quantidade em excesso (e ainda assim ganhar mais do que ganhavam antes) e emprestar mais dinheiro ao setor privado.

    Mas, repito, tudo é especulação.

    O Gary North, que sempre acompanha esses gráficos e que sempre se manifesta a respeito, ainda nada falou.

    Grande abraço!
  • Joaquim Saad  20/08/2016 06:14
    Boa noite (madrugada), Leandro.

    O analista Alasdair Macleod (a propósito, que acha dele ?) escreveu o seguinte em seu último artigo:

    "The source of this increase in bank lending can be attributed in some measure to a draw-down of bank reserves held at the Fed. Controlling the release of excess reserves was always seen as the eventual challenge for the Fed, when it expanded its balance sheet in the wake of the Lehman crisis, and that moment seems to have arrived. Since March, total reserve balances have declined just $150bn, which when geared up through a modest fractional reserve multiplier, easily accounts for the spurt in bank credit. It requires an increase in the Fed Funds Rate to slow down the outflow."

    Além da aquisição de títulos públicos diretamente dos governos (nos leilões primários) e/ou das carteiras dos respectivos bancos centrais (via operações compromissadas\definitivas), não haveria outro modo do agregado das reservas bancárias se reduzir em termos absolutos, correto ? obs: exceto devido também a eventual elevação na circulação de papel-moeda sacado das agências.
    Neste caso, quando se afirma que as reservas "diminuíram" por conta de empréstimos (presumivelmente ao público), o que de fato se está querendo dizer é que ocorreu unicamente um crescimento no volume de crédito fracionariamente lastreado por elas (aproximando-se do limite imposto pelos depósitos compulsórios), as quais portanto cairiam apenas relativamente, correto ?

    Acerca da tendência de aumento da LIBOR desde ao menos o início de 2015, concorda que isto possa representar uma espécie de indicador de um possível "vazamento" da liquidez excessiva até então quase totalmente "represada" (i.e. não multiplicada) nas instituições financeiras dos EUA ?
    ps: recomenda algum texto p/ melhor compreensão do tema ? Nem sabia que aquela taxa apurada no interbancário londrino aplicava-se (também, ou exclusivamente ?) ao USD...

    Agradeço pelas explicações a estas e às demais perguntas que frequentemente tenho colocado aqui.

    Att
  • Leandro  22/08/2016 11:42
    Sobre a expansão do crédito nos EUA, ao menos por ora, nada de anormal.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-loans-to-private-sector.png?s=unitedstaloatoprisec&v=201608192216n&d1=20060101&d2=20161231

    Lerei mais tarde o artigo linkado. Parece interessante.
  • Joaquim Saad  24/08/2016 00:09
    A propósito do aumento recente da LIBOR (cujas primeiras vítimas da consequente escassez de dólares seriam bancos japoneses): www.zerohedge.com/news/2016-08-23/first-victims-libor-surge-have-emerged-japan.


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