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A paralisação do governo americano e o pavor dos keynesianos

O governo americano está, a partir desta terça-feira, 1º de outubro, com pagamentos de funcionários públicos e de fornecedores, bem como repasses a estados e municípios, suspensos por falta de orçamento.  A oposição republicana se manteve irredutível: só votaria o orçamento do ano fiscal de 2014 se a Casa Branca concordasse em postergar em um ano a adoção da reforma da Saúde.  Como isso não ocorreu, o orçamento não foi votado e, como consequência, grande parte do setor público dos EUA será "paralisado" a partir desta terça-feira.

Segundo uma reportagem do governista The Washington Post, a paralisação do governo americano está longe de ser uma genuína paralisação.

Portanto, é hora de começarmos a pensar em como realmente seria esta paralisação do governo federal.

Nem todas as funções do governo irão simplesmente se evaporar no dia 1º de outubro.  Os cheques da Previdência Social continuariam sendo enviados pelos Correios, os quais também continuariam funcionando.  O controle de tráfego aéreo, os pagamentos de pensões, os serviços militares, os serviços médicos e controle de fronteiras, entre outros, também continuarão ativos.  Porém, vários ministérios e agências federais serão fechados, desde o Ministério da Educação até centenas de parques nacionais, e seus funcionários ficarão em casa em licença não-remunerada.

Como é que é?  O Ministério da Educação será fechado?  Uma agência que supervisiona um fracasso universalmente reconhecido será fechada e isso deve ser visto como algo ruim, como uma ameaça? Próxima!

Os parques nacionais serão fechados?  Sem problemas!  O governo pode simplesmente elevar os preços das entradas para conseguir algum lucro.  Cobrar valores inteiros em vez de subsidiados por impostos não é o mesmo que um fechamento.  Mas e se os americanos não quiserem pagar para visitar parques federais?  Aí então a ameaça de um fechamento não é realmente uma ameaça.  Seria apenas o fechamento de algo pelo qual os turistas não querem pagar para visitar.

Keynesianos têm um mantra: os benefícios dos gastos do governo federal sobrepujam os malefícios dos déficits.  Trata-se de um raciocínio econômico tosco.  Já a Escola Austríaca de economia possui um outro mantra: redução de impostos aumenta a liberdade.  Os EUA estão prestes a testar o primeiro mantra.

Esta reportagem da CNN é típica.

Um fechamento do governo poderia custar à ainda debilitada economia americana aproximadamente US$1 bilhão em salários não-pagos a funcionários públicos federais que serão compulsoriamente colocados em licença não-remunerada.  E esta é apenas a ponta do iceberg.

Em primeiro lugar, estima-se que 800.000 funcionários públicos que ficarão sem emprego.  Este é praticamente o mesmo número de trabalhadores empregados por todas as linhas de montagem de automóveis e por todas as fábricas de autopeças do país.

O inchaço federal será reduzido.  Isso apavora os keynesianos.  No entanto, o que pode ocorrer é que dificilmente alguém irá notar a ausência destes burocratas.  O maior perigo é que o cidadão americano descubra que tudo aquilo que estes burocratas fazem à custa dos pagadores de impostos pode perfeitamente ser feito sob um arranjo de "taxas em troca de serviços".  Talvez empresas privadas possam ofertar tais serviços.  Talvez o governo possa, em vez de cobrar impostos universais, cobrar apenas dos usuários destes serviços uma taxa que cubra os custos.

Se um cidadão quer ir a um museu federal ou a um parque nacional, ele que pague para entrar.  É assim que funciona na Disney.  Um grande conceito.  Nada de férias grátis para alguns eleitores que gostam de tais atividades.

Se um cidadão americano quiser um passaporte, ele pode pagar separadamente para o governo lhe vender um.  Por que tal atividade deveria ser subsidiada pelos pagadores de impostos?

Estes trabalhos por acaso exigem grandes habilidades?  Não.  Pode o governo contratar trabalhadores avulsamente, a um salário de US$15 a hora, sem benefícios de aposentadoria e sem ter de pagar seguro-saúde?  É claro que sim.

Este fechamento do governo americano irá revelar aquilo que os cidadãos que realmente pagam impostos já sabem: há muita gordura no governo federal.  Há vários burocratas recebendo salários nababescos e sendo protegidos pelo seu status de funcionário público.  Eles fazem trabalhos que podem ser perfeitamente terceirizados, a custos bem mais baixos, para o setor privado.

Eis uma rápida lista de empregos públicos que serão cortados.

Adicionalmente, o estrago para a economia é muito maior do que apenas o gasto público federal.  Aqueles empregados públicos considerados "não-essenciais" são sim essenciais para vários setores da economia que dependem deles.  Por exemplo, a perda de dados do Departamento da Agricultura fará com que seja mais difícil para agricultores e investidores tomarem decisões.

O que ocorrerá se todo o Ministério da Agricultura for fechado?  Os subsídios e as tarifas protecionistas para os ineficientes acabarão.  Regulamentações restringentes serão abolidas. A produção agrícola irá aumentar.  Os preços dos alimentos cairão.

E então há estes burocratas.

O aparato regulatório também sofrerá.  A Comissão de Valores Mobiliários colocará vários de seus empregados em licença não-remunerada, mas não quis fornecer o número exato.  A Comissão emitiu uma declaração dizendo que a agência "permanecerá aberta e funcional mesmo que o governo federal enfrente um lapso em suas apropriações".

A Commodities Futures Trading Commission [responsável pelo mercado de futuros] irá dispensar 652 de seus 680 funcionários.  Isso deixará 28 pessoas para regular boa parte do mercado de derivativos, que gira US$565 trilhões.  Sim, trilhões.

Nenhum destes burocratas é vital.  Nenhum deles foi capaz de alertar sobre a crise de 2008.  O Diário Oficial da União publica 80.000 páginas de novas regulamentações por ano.  E se elas fossem reduzidas a zero?  Os EUA reconquistariam boa parte de suas liberdades.

Quantos destes 800.000 empregos públicos podem ser abolidos ou terceirizados?  Por que não fazer um teste para descobrirmos?

Porém, economistas dizem que o impacto virá não somente destes salários que deixarão de ser pagos aos funcionários públicos, mas também de vários empreendimentos ligados a estes funcionários públicos, os quais terão de retrair ou até mesmo interromper seus negócios.  Isto irá levar a uma retração nos gastos dos trabalhadores destas empresas afetadas.

O impacto econômico total supostamente será pelo menos 10 vezes maior do que o simples cálculo dos salários não-pagos aos funcionários públicos, disse Brian Kessler, economista da Moody's Analytics.  Sua empresa estima que uma paralisação de três a quatro semanas irá custar à economia americana aproximadamente US$55 bilhões.

Isso significa que o impacto econômico de um fechamento de um mês seria praticamente igual aos distúrbios causados conjuntamente pelo furacão Katrina e pela super-tempestade Sandy, desconsiderando os danos físicos causados por essas tempestades.

Em suma: gastos federais são positivos para a economia, pois, dentre outras coisas, ajudam a manter aquelas empresas privadas voltadas exclusivamente para atender às demandas destes gastos públicos.  Um corte de gastos tem o mesmo poder destruidor de um furacão.  Sério.

Várias empresas privadas, como empreiteiras que possuem contratos com o governo federal, terão de reduzir seu quadro de empregados caso não mais consigam os contratos de prestação de serviços que normalmente conseguem junto ao governo.  Há também uma grande variedade de empreendimentos que dependem do governo para conduzirem suas operações rotineiras — por exemplo, empresas de turismo que dependem de os parques nacionais permanecerem abertos.

O corporativismo e o clientelismo serão reduzidos?  Empresas terão de se virar no livre mercado, sem usufruir contratos privilegiados e superfaturados junto ao governo?  Isso soa extremamente produtivo.

Um fechamento do governo irá também afetar pequenos empreendimento, uma vez que [a agência reguladora] Small Business Administration também não mais poderá processar pedidos de empréstimos.

Isso é positivo.  Empreendimentos de alto risco, esbanjadores e subsidiados pelo governo não serão iniciados.

Mas o que realmente preocupa os economistas não é o que ocorrerá em decorrência de um fechamento do governo.  A real preocupação é se a atual batalha legislativa irá impedir que o teto da dívida seja elevado antes que o Tesouro fique sem dinheiro para pagar as contas nacionais.

A não-elevação do teto da dívida seria excelente.  Isso significa menos dinheiro sendo retirado de atividades produtivas para ser desviado para os títulos do governo.  Isso significa que o dinheiro poderá ir para o setor privado em vez de financiar as ineficiências estatais. 

Até agora, tudo está ótimo.

Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, testemunhou perante o Congresso na semana passada e disse que, embora um fechamento do governo vá gerar uma redução no crescimento econômico, a não-elevação do teto da dívida irá forçar o governo a implementar profundos cortes de gastos, os quais iriam rapidamente afundar a economia americana em uma nova recessão.

Isso é keynesianismo em estado bruto.  É sempre bom ter uma chance de testar o keynesianismo em condições de laboratório.

Será que realmente devemos acreditar que é impossível o governo federal equilibrar seu orçamento?  Se isso de fato for verdade, então ele inevitavelmente irá quebrar, e isso o obrigará a equilibrar o orçamento. 

Portanto, o orçamento terá de ser equilibrado de um jeito ou de outro.  Isso deve ser feito agora ou mais tarde?  Meu voto é que seja agora.

Que comece o teste.  Quais burocratas serão dispensados?  Por quanto tempo?  Quais podem ser terceirizados?

Isso irá responder a uma pergunta: "E se nada daquilo com que a maioria dos eleitores realmente se importa for fechado?"

Conclusão

A frase "fechamento do governo" não significa realmente um "fechamento do governo".  Significa "paralisação de atividades improdutivas".  Significa "paralisação de subsídios para grupos de interesse".

E os Correios?  Serão fechados?  Não.

E a CIA?  Será fechada?  Não.

E a agência de bisbilhotagem NSA?  Será fechada?  Não.

E a TSA [Transportation Security Administration] e seus burocratas que apalpam as partes íntimas de passageiros nos aeroportos?  Será fechada?  Não.

E o Departamento de Segurança Interna?  Será fechado?  Não.

Minha sugestão: parem de se preocupar com um fechamento do governo.  Ao contrário, preocupem-se com o fato de que grande parte do governo ainda continuará funcionando.


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autor

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website

  • Típico Filósofo  01/10/2013 13:34
    Esta é uma paralisação fantástica. Demonstrará quão necessário é o governo federal.
    Afinal, do que seriam os EUA sem 10,46 bilhões de dólares gastos por dia pelo governo federal?
  • Pupilo  01/10/2013 14:08
    Eu chuto: Seria um país prospero, com alto índice de produtividade. pobreza seria coisa de um passado sombrio quando o estado existia. Todos teriam uma vida digna, com 4 ou 5 refeições diárias, um carro voador na garagem e uma piscina na área de churrasco.
  • Fabio  01/10/2013 14:16
    Ótimo texto.so acho que e so política, eles chegaram em um acordo para continuar a gastar e manter as ineficiencias. Vamos aguardar
  • Daniel  01/10/2013 14:22
    A brincadeira de déficits crescentes e governo ilimitado acaba no dia seguinte ao fechamento do Federal Reserve.
  • Algoz sincero  01/10/2013 14:48
    O governo voltará mais forte que nunca, para espoliar os empresários corruptos e ajudar a classe operária. Aguardamos ansiosamente.
  • Fabio  02/10/2013 11:57
    Ajudar a classe operária a continuar operária, para todo o sempre. Ou você acha que algum governo vai ajudá-lo a ser uma pessoa próspera? O que importa é que você continue produzindo, consumindo e exigindo mais governo, mais pessoas de sabedoria extrema para dizer o que é melhor para você: o que você deve consumir, o que você deve estudar, onde morar, como se locomover, como viver. O governo te enxerga como uma pequeníssima engrenagem que ajudar a girar o sistema. Não quer nem saber dos seus desejos e anseios. Mas, uma vez que você deu este poder a ele, você não é mais responsável pela própria vida. Contudo, lá fundo, regojizar-se-á pelo fato da sua bandeira ter sido campeã, que a luta de classes foi vencida pela classe operária. Como num campeonato de futebol, o seu time venceu, mas você não irá receber nenhuma parte do prêmio.
  • Antônio Galdiano  02/10/2013 23:45
    Sim, igual na Venezuela.
  • anonimo  01/10/2013 14:55
    E no Brasil isso é impossível de acontecer, licença não remunerada? Demissão? Tudo isso é proibido, se chegar a esse ponto o governo só vai imprimir mais dinheiro ou deixar de pagar título público, mas deixar de pagar funça, duvido...

    MEC fechado? Empreiteira deixar de receber dinheiro?

    Nunca acontecerá por aqui e em relação aos EUA, acho que no final das contas vão chegar a um acordo, como sempre... Não tem tanta diferença entre um e outro...

    \obrigado.
  • Jason  02/10/2013 14:12
    Só para esclarecer: aqui é possível sim, se não houver orçamento o governante não só pode como deve demitir, tem até uma ordem específica, se não me engano, primeiro são demitidos os apadrinhados (cargos em comissão = aspone). Mas também não consigo imaginar isso acontecendo, o governo imprimindo dinheiro para pagar já é bem fácil de imaginar.
  • Guilherme  01/10/2013 14:56


    Nada neste mundo funciona sem dinheiro, inclusive o estado.E se iniciasse-mos uma campanha pela internet pelo fim do pagamento de impostos aqui no Brasil,eu tô dentro! O govero não teria condições de mandar tanta gente pra cadeia, ele não consegue manter nem os que já estão lá.
  • Fabio  01/10/2013 18:18
    Brilhante idéia. Sempre pensei nisso como forma de protesto pacífico muito mais eficiente que qualquer "vamos para a rua". É falar a linguagem dos homens de política, privando-os da teta que julgam eterna.
  • Andre Cavalcante  01/10/2013 22:13
    Boa, mas no Brasil não funda porquê aqui boa parte dos impostos são recolhidos na fonte. O que as empresas podem sonegar podes apostar que já estão sonegando. E o trabalhador paga no salário e na hora que compra qualquer coisa.
  • Francisco Seixas  02/10/2013 00:08
    Infelizmente, Guilherme, o governo poderia, por exemplo, decretar estado de sítio.

    Lembre-se de que o estado detém o monopólio da violência.

    Contudo, simpatizo com sua sugestão.

  • Ali Baba  01/10/2013 15:24
    @Guilherme,

    Ele não mandaria todo o sonegador para a cadeia. Só os fomentadores da sonegação... Portanto, se você quiser ser o fomentador da sonegação vá em frente. Eu vou, quietinho, atrás, torçendo para não me descobrirem.

    "Quem tem medo do estado mau, estado mau, estado mau...."

    Eu tenho. Posso matar um sem número de pessoas, roubar o dinheiro público a vontade. Mas se eu deixar de pagar imposto, me prendem. Aliás, esse pensamento só coloca no lugar as prioridades do estado brasileiro.
  • Occam's Razor  01/10/2013 16:51
    Pois é. Ainda não vi um esquerdista defender que a sonegação pode ser entendida como justiça social ou que foi a sociedade que levou o indivíduo a sonegar (o que poderia livrá-lo da responsabilidade pelo "crime"). Eu sou defensor da ideia de que o que diminui a sonegação é educação de qualidade e não a punição. Tô precisando de alguém pra me apoiar.
  • anônimo  01/10/2013 21:21
    Acho que uma educação de qualidade é que leva a sonegação. A pessoa aprende quão imoral o estado na realidade é.
  • Típico Filósofo  01/10/2013 22:21
    Uma educação VERDADEIRAMENTE de qualidade leva à submissão do indivíduo ao bem comum e à sua identidade classista, almejando a fuga imediata do sistema capitalista de produção e a tomada do funcionalismo público como refúgio da identidade coletiva do aluno. Nenhuma criança que já eduquei chegaria a considerar defender o ato de não permitir que o Estado espolie os frutos de seu trabalho em função de um bem maior.
  • Phelipe  02/10/2013 02:16
    Me fale onde você dá aula pra eu nunca levar meu filho pra lá. Submissão do indivíduo ao coletivo de forma tão radical e voluntária é prática de rebanho selvagem e não de indivíduos racionais.

    E crer que o Estado faz bom uso da espoliação é no mínimo uma pesada utopia. Veja que belo Estado nós temos nos espoliando e devolvendo tudo em forma de progresso (sic).
  • Occam's Razor  02/10/2013 02:56
    Acho que uma educação de qualidade é que leva a sonegação. A pessoa aprende quão imoral o estado na realidade é.

    A intenção é justamente essa. Se o que reduz a criminalidade é a "educação de qualidade", então não devemos punir a sonegação. Vamos deixar que os professores convençam seus alunos da importância de pagar impostos.

    Acabei escrevendo uma frase no estilo Típico Filósofo. Minhas desculpas.
  • w matos  01/10/2013 15:25
    g1.globo.com/economia/noticia/2013/09/entenda-crise-que-pode-parar-o-governo-dos-estados-unidos.html

    "A paralisação dos serviços pode impactar o crescimento econômico do país. Entre outras consequências, o governo pode ter mais dificuldade em vender títulos para se financiar, e acabar elevando as taxas de juros. Taxas mais altas atrapalham o crescimento da economia, pois tornam mais caro investir. Por outro lado, isso pode gerar consequências negativas para os demais países, pois juros mais altos nos EUA tenderão a atrair recursos e "esvaziar" de dólares o resto do mundo."

    Alguém poderia me explicar se isso tá certo?
  • Mauro  01/10/2013 16:15
    A parte final está.
  • Cesar Massimo  03/10/2013 09:00
    Vejamos se consigo explicar.
    As taxas de juros subiriam para o Governo americano? Sim, porque ficou mais arriscado emprestar para ele.
    As taxas de juros subiriam para as empresas privadas americanas?
    Imagino a forma de pensar do jornalista que escreveu a matéria dando um exemplo:
    Eu tenho um empregado fixo. Se eu perco minha fonte de renda ou parte dela, a chance do meu funcionário não receber salário aumenta. Caso ele vá pleitear um empréstimo, o banco exigirá um prêmio maior.
    Neste paralelo, eu = governo, empregado = empresa america.

    A VERDADE para mim.
    A quantidade de recurso para emprestar não vai cair. Se emprestar para o governo ficou desinteressante, mais recurso irá fluir para as empresas produtivas, que não operam com o governo ou dependem dele.
  • Algoz sincero  01/10/2013 16:39
    Não se iludam.
  • Marco  01/10/2013 16:44
    Resumo dos serviços afetados:
    www.usa.gov/shutdown.shtml
  • Bezerra  01/10/2013 16:50
    Eu estava pensando com meus botões em uma reforma do estado que seguisse uma linha austríaca, mais para a linha de um estado limitado do que para propriamente anarcocapitalismo de Rothbard. Cheguei em um modelo em que apenas o governo local teria poder para cobrar impostos do cidadão. O governo estadual teria sua receita cobrando talvez um dízimo (10%) do governo local, e o governo federal, por sua vez, cobraria também 10% do governo estadual. Nesse modelo o governo local ficaria com 90%; o estadual, 9%; e o federal, 1% da receita.

    Alguém sabe me dizer se algum autor conhecido já propôs algo parecido? Esse modelo limitaria muito o poder do governo federal e estadual, já que eles não poderia tributar o cidadão diretamente.
  • Pedro.  02/10/2013 10:38
    Desde ha muito aventei esta idéia, pois que como todos os governos cobram impostos diretamente do cidadão perde-se a possibilidade de algum nivel de governo apontar a exploração dos impostos sobre si.

    É exatamente por isso que não se permitirá jamais que apenas UM NIVEL DE GOVERNO COBRE IMPOSTOS DO CIDADÃO.
    Aliás, o correto seria apenas a administração municipal arrecadar impostos e ser então cobrada pelo Estado e pela união. Isto seria mais adequado neste modelo safado de governo senhor da sociedade.
    Contudo isso levaria a que prefeituras (o falatório politico) questionasse a "justissa çocial" contra sua cidade e atacariam tanto o governo estadual qto o federal, questionando os impostos cobrados ao municipio sem dar-lhe retorno. Logo logo ACABARIA A MAIOR INVENÇÃO POLITICA DE TODOS OS TEMPOS: A NECESSIDADE COMO DIREITO E A POBREZA COMO MERITO.

    O estado e união achacando os municipios ricos sob o argumento de ajudar os pobres iria resultar em criticas a tal moralidade e sobretudo criticas ao uso dos recursos, bem como apontar-se-ia desperdicios, desvios e etc.. Afinal politicos municipais iriam querer reter a arrecadação para si, para eles mesmos consumirem-na e comprar apoio. Sem contar que um municipio com baixa carga iria DESLANCHAR ECONOMICAMENTE e demonstrar que IMPOSTOS CAUSAM MISÉRIA NA POPULAÇÃO PRODUTIVA.

    Toda a estratégia politica iria se esfarelando paulatinamente. No primeiro municipio com administração produtiva com baixa carga tributária e baixa intervenção, a idéia de dominio politico iria começar a se esboroar... Mas é uma ótima idéia unificar o discurso com essa idéia:

    - O POVO SÓ PAGAR IMPOSTOS A UM NIVEL DE GOVERNO, aquele onde a administração é próxima do cidadão.
    Assim, haveria concorrencia politica e não um corporativismo safado entre as classes estatais, todas voltadas diretamente contra o cidadão pagador de impostos. Todas as classes estatais extraem seu rendimento avançando sobre o rendimento do cidadão pagador de impostos. Com essa idéia haveriam classes estatais avançando umas sobre as outras e VOILÁ!!! ...sentiriam na pele a sensação que jamais sentem ao se custearem via apenas os pagadores de impostos.

    Aliás, oq falta a idéias antiestatistas é um DISCURSO UNIFICADO que se repita incessantemente.
    Com muitos discursos tão originais todos acabam se perdendo no consciente da coletividade:
    "Uma verdade nunca repetida torna-se uma mentira".

    Abs
  • Luiz Freire  03/10/2013 13:32
    Excelente comentário!!
  • Andre  01/10/2013 17:18
    "Minha sugestão: parem de se preocupar com um fechamento do governo. Ao contrário, preocupem-se com o fato de que grande parte do governo ainda continuará funcionando."

    Excelente sugestão, isso é o que me preocupa mesmo!
  • Comerciante  01/10/2013 17:18
    Não tem relação com o artigo, mas gostaria que algum pudesse sanar-me uma dúvida de um iniciante.

    Nos CDB com swap cambial (dólar): se o Real se desvaloriza frente ao Dólar, a minha rentabilidade aumenta ou diminui?
  • Grego  01/10/2013 22:03
    Depende em qual ponta ativa vc está... Se vc estava ativo em pós fixado, fez o swap pra dólar e o real desvalorizou, quer dizer que você ganhou, pois agora você compra mais reais com a mesma quantidade de dólares.
  • Emerson Luis, um Psicologo  01/10/2013 17:21
    Que legal, os esquerdistas americanos podem ter involuntariamente dado início à uma reforma liberal! Nada como experiências práticas para testar a validade de teorias!

    * * *
  • Renan   01/10/2013 17:22
    O artigo do Bernardo Santoro diz que os republicanos aprovaram o orçamento na câmara dos deputados e os democratas rejeitaram no senado. Portanto, quem está paralisando tudo são os democratas. Tem que ver isto aí...
  • Mauro  01/10/2013 17:35
    A Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos, e o Senado, controlado por democratas, aprovaram medidas opostas sobre os gastos.

    O impasse permaneceu devido aos esforços dos republicanos para utilizar um projeto sobre gastos temporários como uma forma de atrasar a implementação do Obamacare.

    A Câmara aprovou uma medida que instrui o líder da maioria republicana a nomear um conjunto de negociadores para elaborar uma resolução orçamentária. Mas a medida Republicana não trouxe concessões sobre a demanda central do partido: que os democratas concordem em modificar a nova lei federal da saúde.

    Os democratas do Senado já haviam rejeitado a medida da Câmara. Eles disseram que não entrariam em negociações até que a Câmara concordasse em reabrir o governo, estendendo seu financiamento por várias semanas e sem exigir mudanças na nova lei de saúde federal.
  • Algoz sincero  01/10/2013 17:42
    Pessoal, não há escolha. Não podemos deixar a humanidade livre ou, então, a ganância de uma pequena elite devorará todos os recursos naturais e acabará com o planeta. É preciso haver governo, mesmo que seja mínimo, para a nossa segurança. O próprio Mises reconheceu isso: leiam a sua obra, "As seis lições". Não podemos permitir que uma pequena elite(1%) domine a maioria(99%). Isso é escravidão e é INJUSTO. Devemos criar uma ORDEM CAPITALISTA LIVRE que beneficie a todos nós. O capitalismo não é mau em si. As pessoas são más. Devemos buscar o lucro para que seja investido em benefício de todos. Exemplo: Uma empresa capitalista que reparta os lucros para seus empregados e patrões na proporção justa de 51%(patrões) para 49%(empregados). Isso seria mais justo com todos nós e faria o mundo evoluir corretamente, sem injustiças. Uma ORDEM CAPITALISTA LIVRE é o que precisamos.
  • Herói Franco  01/10/2013 18:39
    "Não podemos permitir que uma pequena elite(1%) domine a maioria(99%). Isso é escravidão e é INJUSTO"

    Ué, se você realmente não quer ver uma minoria explorando e se aproveitando de uma maioria, então, por definição, você tem de defender a abolição do estado, de sua burocracia e de seus burocratas e reguladores, que oprimem e exploram o povo para enriquecimento próprio. Qualquer postura que não seja essa indica incoerência de sua parte, e comprova que, apesar do discurso, você quer apenas estar no controle da faca que irá repartir o bolo. É apenas mais um que quer se aproveitar do aparato estatal, se escondendo atrás de chavões e discursos amadores.
  • Algoz sincero  01/10/2013 19:03
    Sim, defendo o fim do Estado, desde que tudo esteja funcionando corretamente e sem exploração.
  • Pedro.  01/10/2013 19:28
    És, sim, um verdadeiro heroi e dos fortes!!!
    ...rsrs

    Acertou na mosca:

    Brilnate:

    "É apenas mais um que quer se aproveitar do aparato estatal, se escondendo atrás de chavões e discursos amadores."
  • anônimo  01/10/2013 18:02
    U[e, eu jurava ter impressão que nos EUA a alcunha de funcionário público era pejorativo...
  • Cleiton   01/10/2013 18:47
    Uma dúvida que eu tenho. Até que ponto os EUA vão poder aumentar esse teto da dívida? Isso vai ter que parar uma hora certo? Uma hora a realidade vai se impor. Mas quando? E se não parar o que pode acontecer?
  • Algoz sincero  01/10/2013 19:21
    Você não precisa se preocupar com isso. O governo providenciará tudo e a nação seguirá em paz. O que o cidadão precisa fazer é se preocupar em diminuir o salário dos governantes e aumentar o seu próprio.
  • Fabio  01/10/2013 19:35
    Isso ai é zoeira dos Republicanos, pra avaacalhar com a popularidade dele. Vai dar em nada.
  • Carlucio  01/10/2013 21:16
    Amigos, os americanos acabaram de descobrir como acabar com o MEC, façamos o mesmo, essa insituição nefasta tem que ser destruida.
  • Algoz sincero  01/10/2013 22:12
    Qual o porquê disso?
  • Algoz sincero  01/10/2013 22:28
    A ideia fatal de espoliação legal

    Mas, por outro lado, imagine-se que este princípio funesto venha a ser introduzido e que, a
    pretexto de organização, de regulamentação, de proteção, de encorajamento, a lei possa tirar de uns para dar a outros: a lei possa lançar mão da riqueza adquirida por todas as classes para aumentar a de algumas classes - tais como a dos agricultores, dos manufaturadores, dos negociantes, dos armadores, dos artistas, dos atores. Em tais circunstâncias, cada classe então aspiraria, e com razão, a lançar mão da lei. As classes excluídas reivindicariam furiosamente o direito ao voto e a elegibilidade. E arruinariam a sociedade, em vez de obter o pretendido. Até os mendigos e os vagabundos provariam por si próprios que possuem títulos incontestáveis. Eles diriam: "Não podemos comprar vinho, tabaco, sal, sem pagar imposto. E uma parte desse imposto é dada pela lei - sob a forma de privilégio e subvenção - a homens mais ricos do que nós. Outros usam a lei para aumentar o preço do pão, da carne, do ferro, das roupas. Já que cada um tira da lei o proveito que lhe convém, nós também queremos fazer o mesmo. Queremos da lei o direito à assistência, que é parte da espoliação do pobre. Para tanto, é necessário que sejamos eleitores e legisladores, a fim de que possamos organizar a Esmola em grande escala para a nossa própria classe, como vocês fizeram para a sua classe. Não venham
    nos dizer, a nós mendigos, que vocês agiram por nós, que nos darão, segundo a proposta do Sr. Mimerel, 600.000 francos para que fiquemos calados, como se nos estivessem atirando um osso para roer. Temos outras pretensões e, de qualquer forma, queremos estipular, barganhar para nós mesmos, da mesma maneira que as outras classes o fizeram!"
    E O QUE SE PODE DIZER PARA RESPONDER A TAL ARGUMENTO?

    Frédéric Bastiat, em A Lei.
  • Andre Cavalcante  02/10/2013 12:44
    Fazendo uma análise mais profunda do texto esta parte me intrigou:

    "Nenhum destes burocratas é vital. Nenhum deles foi capaz de alertar sobre a crise de 2008. O Diário Oficial da União publica 80.000 páginas de novas regulamentações por ano. E se elas fossem reduzidas a zero? Os EUA reconquistariam boa parte de suas liberdades."

    Aqui vemos um problema sério. As regulamentações não foram reduzidas, em outras palavras, para abrir uma empresa (ou fechá-la) ainda será necessário a autorização do governo; para realizar uma construção, uma autorização da prefeitura, conselhos, bombeiros, ambientalistas etc.; para isso ou para aquilo... Mas não tem ninguém, nem para subornar, para conseguir as liberações.

    Bem, dá pra perceber que o problema existe: se você não quiser correr o risco de ver o seu empreendimento ser fechado e o seu investimento ir pro buraco quando o governo retornar, é melhor não começar nada por agora. E isso é um problema real.

    Realmente não creio que essa crise sirva pra qualquer coisa de liberal nos EUA e em qualquer lugar no mundo. Na verdade vejo sim a alimentação e a perpetuação da crise de 2008 e os governos mundo afora cada vez mais gigantes.

  • Marcos  02/10/2013 16:23
    Duvido que isso dure muito tempo. Provavelmente vai acontecer o mesmo do que no último "fechamento do governo", a coisa vai se resolver em menos de um mês.


    Ou seja, não vamos ter um intervalo de tempo razoável para testar adequadamente qual das duas teorias é a correta, a austríaca ou keynesiana.

    O experimento só será conclusivo se houver uma janela de tempo muito superior. Estou falando de meses ou até de anos. É muito difícil que isso aconteça.
  • Daniel de Oliveira Costa  02/10/2013 19:24
    Prefiro que os EUA quebrem depois. Uma política "neoliberal" agora daria créditos àqueles que a implementassem como aconteceu nos anos 1980. Que os Republicanos se unam aos Democratas e quando a casa cair as pessoas não terão dúvidas sobre as décadas atrasadas pelos salafrários.
  • Algoz Sincero  03/10/2013 21:27
    Não há nada mais lindo que o Estado e suas leis!
  • Andre Cavalcante  05/10/2013 15:28
    kkkkk. :-)

    Essa é de uma sinceridade de doer...

    Dá até pra imaginar o Algoz Sincero em Brasília no dia da posse da Dilma com câmara em punho pra tirar umas fotos, como um bom fã. Pena que ele é fã da coisa errada.
  • Jorge Castro  09/10/2013 06:40
    Governo, iniciativa privada. Conservadores, liberais. Teoria austríaca, teoria keynesiana. Esquerda, Direita. Numa comparação grosseira: braços, mãos, pernas, pés... Penso: como e quando conseguiremos controlar o cérebro ganancioso que sempre dá a última palavra, que controla todo o sistema... Feita a Lei, feita a trapaça!

    Ainda assim, vocês são ótimos. Abraço!
  • Atílio  08/11/2013 22:48
    Essa merece:

    "O setor privado americano criou 212 mil vagas no mês da paralisação parcial do governo, acima da previsão dos economistas, de 120 mil, o que sugere que as empresas ignoraram a paralisação do governo americano no mês passado."

    economia.estadao.com.br/noticias/economia-internacional,eua-criam-mais-empregos-que-o-esperado-em-outubro,169694,0.htm
  • Leonardo Faccioni  22/05/2015 17:46
    Prezados, salvo engano, o Mises certa vez publicou um artigo a demonstrar a constante preferência dos governos por, quando confrontados com a intransponível necessidade de aplicar aparentes restrições orçamentárias, optar por constringir aquelas áreas mais imediatamente perceptíveis à população (saúde, ensino, segurança), de sorte a angariar clamor público contra a "austeridade". Ocorre que não consigo localizar referido artigo. Por gentileza, algum amigo saberia dizer de qual se trata?


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