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A propriedade intelectual é a chave do sucesso?

Uma das maiores tragédias referentes às leis de propriedade intelectual é como elas geram confusão entre os empresários bem sucedidos. Muitos têm a impressão, apesar disso estar longe da verdade, que eles devem sua fortuna ao direito autoral, à marca registrada e à patente e não necessariamente a sua avaliação de negócios.

Por esta razão, eles defendem a propriedade intelectual como se isso fosse a verdadeira força vital de seus negócios. Eles deixam de dar crédito ao principal motivo: a sua própria criatividade, a disposição de assumir riscos e a suas ações geralmente baseadas no mercado. Isto frequentemente é um julgamento empiricamente incorreto da parte deles, e isto gera a tragédia de dar ao estado o crédito por suas realizações que são, na verdade, devidas as suas próprias atividades empreendedoras.

De fato o que não faltam são histórias prontas que conduzem a esta falsa impressão. Inúmeros relatos de negócios mencionam como os lucros surgem a partir das patentes e por meio delas assumem uma relação causal. Sob essa suposição, a história do espírito empreendedor deixa de ser uma história heróica de riscos e recompensas e se torna mais uma história de decisões de escriturários de patentes e de advogados de direitos autorais.

Como resultado, muitas pessoas acham que a razão dos EUA terem crescido tão rapidamente no século XIX foi a sua proteção de propriedade intelectual, e assumem que a proteção a ideias em nada difere da proteção à propriedade real (o que na verdade é completamente diferente).

Um indício da falácia do direito autoral deveria estar óbvio para qualquer um que adentrasse alguma grande livraria. Ele veria prateleiras de livros clássicos, com capas belas e caprichadas e numa grande variedade de tamanhos e formatos. Os textos contidos são de "domínio público", o que não é exatamente uma categoria legal: significa apenas a ausência de proteção de direito autoral.

Mas eles vendem. Eles vendem bem. E não, os autores não são erroneamente identificados nelas. As irmãs Bronte ainda são as autoras de Jane Eyre, e O Morro do Ventos Uivantes. Vitor Hugo ainda escreveu Os Miseráveis. Mark Twain escreveu Tom Sawyer. O desastre que muitos preveem que ocorreria em um mundo anti propriedade intelectual não está evidente em nenhum lugar: ainda existe lucro e ganhos no comércio e o crédito ainda é dado a quem é devido.

Por que isto? Muito simples, a livraria se preocupou em trazer o livro ao mercado. Pagou o editor do livro e tomou a decisão empreendedora de assumir o risco de as pessoas o comprarem. Claro, qualquer um poderia ter feito isso, mas o fato é que nem todo mundo o fez: a companhia fez uma boa avaliação de modo que coincidisse com o gosto dos consumidores. Em outras palavras, o sucesso é uma consequencia da iniciativa. Não é nem mais e nem menos simples do que isso. A propriedade intelectual não tem nada a ver com isso.

Então, assim seria em um mercado completamente livre, ou seja, um mundo sem propriedade intelectual. Mas às vezes os próprios empresários ficam confusos.

Consideremos o caso de um empreendedor do ramo de sorvete com uma hipotética marca chamada Geórgia Cream. A companhia desfruta de certo grau de sucesso e então decide registrar sua marca, significando que agora ela desfruta do monopólio do uso do nome Geórgia Cream. E digamos que a companhia crie um sabor chamado Peach Pizzazz, que é um grande sucesso, então ela patenteia a receita de modo que ninguém possa publicar a receita sem a permissão da companhia. Então ela se dá conta que a qualidade especial de seu sorvete depende de sua técnica de mistura, então ela requer e obtêm uma patente para isso.

Deste modo a companhia possui agora três monopólios, todos conectados. Isso é o suficiente para garantir o sucesso? Claro que não. Ela precisa fazer bons negócios, ou seja, ela precisa economizar, inovar, distribuir e propagandear. A companhia faz todas essas coisas e assim segue colhendo um sucesso atrás do outro.

Se você sugerir para o fundador e CEO que deveríamos nos livrar das leis de propriedade intelectual, você traria à tona um sentimento de pânico. "Isto iria destruir completamente meu negócio!". "Como assim? Qualquer um poderia simplesmente chegar e alegar ser a Geórgia Cream, roubar nossa receita de Peach Pizzazz, reproduzir nossa técnica de mistura, e aí nós afundaríamos".

Você consegue perceber qual o problema aí? Uma pequena mudança que não ameaçaria a existência do negócio está sendo indiretamente considerada, por implicação, como sendo a própria força vital do negócio. Se isso fosse verdade, então não teria sido a destreza no negócio que construiu esta companhia, e sim o privilégio governamental, e isto definitivamente não é verdade neste caso. A revogação da legislação de propriedade intelectual não faria nada para retirar do negócio sua capacidade de criar, inovar, divulgar, negociar e distribuir.

A revogação da propriedade intelectual poderia criar um custo adicional para se fazer negócios, isto é, esforços para assegurar que os consumidores estejam informados sobre as diferenças entre o produto genuíno e suas reproduções. Este é um custo do negócio que todo empreendedor tem que arcar. Patentes e marcas registradas não têm feito nada para manter os imitadores de Gucci, Prada e Rolex fora do mercado. Mas também as reproduções não destruíram o negócio principal. Se fizeram alguma coisa, foi ter ajudado, já que a imitação é a melhor forma de elogio.

De qualquer maneira, o custo associado a estar atento aos imitadores existe, sendo a propriedade intelectual legalmente protegida ou não. Na realidade, alguns negócios devem a existência de seus lucros a patentes, que eles usam para derrotar seus competidores superiores. Mas há também custos envolvidos neste processo, como milhões em taxas legais.

Grandes empresas gastam milhões desenvolvendo "warchests" [N.T.] de patentes que elas usam para repelir ou se prevenir de processos de outras companhias, então concordam em desistir e compartilhar licenças uma com a outra após gastarem milhões em advogados. Mas logicamente, assim como o salário mínimo ou as legislações sindicais, as leis de propriedade intelectual não afetam realmente as grandes companhias, mas sim os pequenos negócios, que não podem arcar com processos de defesa de patentes de milhões de dólares.

PowerMarket.jpg A era da Internet tem nos ensinado que é totalmente impossível impor propriedade intelectual. Isto é semelhante à tentativa de se banir o álcool e o tabaco. Isto não funciona. Tudo que isto consegue é criar criminalidade onde na verdade não deveria haver nenhuma. Ao garantir direitos exclusivos para a primeira firma que "cruza a linha de chegada", acaba-se prejudicando a competição ao invés de aumentá—la .

Mas alguns podem argumentar que proteger a propriedade intelectual não é diferente que proteger propriedades materiais comuns. Isto não procede. Propriedade real é escassa. Os objetos da propriedade intelectual não são escassos, como Stephan Kinsella demonstrou. Imagens, idéias, sons, combinações de letras em uma página: estas coisas podem ser reproduzidas indefinidamente. Por esta razão elas não podem ser consideradas posses.

Comerciantes são livres para tentar criar escassez artificial, e é isto que ocorre quando companhias mantêm seus códigos privados ou fotógrafos colocam marcas em suas imagens na Internet. Produtos patenteados e de domínio público podem conviver e prosperar lado a lado, como podemos ver em qualquer drogaria que oferece ambos os medicamentos, de marca e os genéricos, separados por centímetros nas prateleiras.

Mas o que ninguém tem permissão para fazer em um mercado livre é usar violência na tentativa de criar escassez artificial, que é tudo o que a legislação de propriedade intelectual realmente faz. Benjamin Tucker disse no século XIX que se você quer sua invenção para si mesmo, o único jeito é mantê-la fora do mercado. Isto continua verdade hoje.

Então considere um mundo sem marca registrada, direito autoral ou patentes. Este ainda seria um mundo com inovação - talvez com muito mais. E sim, ainda teríamos lucros para aqueles que fossem empreendedores. Talvez teria um pouco menos lucro para os litigantes e advogados de propriedade intelectual - mas isto seria ruim?



[N.T.] "Warchest" é uma gíria usada no mundo dos negócios para uma reserva de dinheiro que as corporações separam especificamente para tentar uma aquisição ou para se defender de uma aquisição hostil.


Tradução de Fernando Fiori Chiocca


6 votos


  • bob  05/02/2008 10:55
    Realmente a situação é esta mesma. Concordo com tudo o que foi dito.
  • Capitale  30/03/2011 08:49
    Olá Fernando

    Cheguei aqui através da discussão sobre direitos autorais no artigo recente: Democracia, estado, ouro, liberdade, direitos autorais, bancos e governo mundial (Parte 1), mas achei melhor discutir aqui.

    Suponha eu escreva um livro em meu computador. É um bem não escasso de acordo com o artigo do Hoppe, pois copiar não toma o livro de mim. Eu encontro uma editora e publico o livro. Você, dono de uma editora, compra um exemplar e faz uma cópia digital (scanner), retira meu nome, põe seu nome e o publica novamente. De acordo com o artigo do Hoppe e as idéias neste artigo, isso é perfeitamente legal e aceitável.

    O que você diria? Isso é normal numa sociedade libertária?

    Por favor atente que não estou dizendo nada sobre o Estado, apenas expondo uma possibilidade numa sociedade sem direitos autorais.

    Aguardo a resposta!

  • Tiago RC  30/03/2011 11:12
    Isso é equivalente a outras mentiras sérias, tipo calúnia. Você e sua editora poderiam chamar a outra pra prestar contas num tribunal que puniria esse tipo de plágio. Se ela aceitar, tudo seria julgado de acordo. Se recusar, ninguém mais confiaria nela ("quem não deve não teme"), sem contar que poderia ser difamada à vontade pela concorrência - não haveria censura em tal sociedade.

    Aliás, pensando bem, vender um livro afirmando que foi escrito por Fulano quando não foi, poderia até ser interpretado como fraude eventualmente... lembra-me da discussão sobre marcas isso.
  • Capitale  30/03/2011 13:13
    Olá Tiago RC

    Entendi seu argumento, o caso seria levado para o tribunal e a editora que copiou poderia escolher aceitar a decisão ou perder credibilidade. Vejo dois problemas:

    1. Por que a editora seria levada ao tribunal? Não há direitos autorais e não houve invasão de propriedade privada. Mentir, até onde eu entendo, não é crime. Esse caso seria com certeza julgado normal pelo tribunal e a editora não sofreria sanção.

    2. Vamos supor a editora vá para o tribunal e seja condenada, e escolha não acatar a decisão. Perderá credibilidade apenas se o caso for feito público. Vamos supor que assim seja. A editora ainda assim pode simplesmente contradizer publicamente a difamação feita contra ela e inclusive difamar outras (sempre pode, na verdade), e possivelmente reverter o dano sofrido.

    Sei que no fim das contas o problema 2 pode ser refutado de várias maneiras (já que a editora está numa comunidade, é possível que seus parceiros simplesmente se neguem a trabalhar com ela), então a pergunta principal é como refutar o problema 1.
  • Fernando Chiocca  30/03/2011 15:41
    Dê uma olhada no exemplo do Rothbard Burguer dado neste ensaio: Contra a Propriedade Intelectual

  • Augusto  30/03/2011 11:59
    Capitale,\r
    \r
    A situacao que voce esta descrevendo (um editor que publica um livro com uma falsa atribuicao de autoria), nao faz sentido do ponto de vista economico.\r
    \r
    Digamos que o Paulo Coelho escreva um novo livro, chamado "Peregrino da noite", publicado pela "Editora dos Recordes". Digamos que o editor inescrupuloso da "Editora das Nacoes", que voce imaginou pegue uma copia desse livro na biblioteca e faca uma reproducao mais barata, mantendo o nome original do livro, mas mudando o nome do autor para Paulo Cavalo. O livro da "Editora dos Recordes" custa R$30. O livro da "Editora das Nacoes" custa R$10.\r
    \r
    O que faz o livro ficar mais barato? Voce usa papel de pior qualidade, voce usa tinta de mancha os dedos, voce usa uma capa em preto-e-branco... Todas essas tecnicas tambem estao a disposicao da Editora dos Recordes, tudo o que ela precisa fazer eh produzir uma serie de baixo custo.\r
    \r
    Alias, o proprio Paulo Coelho poderia simplesmente criar sua propria editora e produzir os livros ao preco que ele quiser. Ou ele pode entrar em contato com a "Editora das Nacoes" e dizer, "voces fazem livros mais baratos e atingem um mercado maior, e eu gosto de ter sempre mais leitores. O proximo livro que eu escrever, vou vender direto para voces."\r
    \r
    As editoras, alias, ja fazem isso, muitos livros sao lancados primeiramente numa edicao "Capa dura" e em seguida em versao "brochura" e depois ate em "versao de bolso".\r
    \r
    Opcoes nao faltam...
  • Capitale  30/03/2011 13:27
    Olá Augusto

    Então você argumentou que, neste caso, a editora que copiou estaria gerando uma concorrência sobre esse livro, o que provavelmente baixaria o preço do livro. Paulo Coelho só seria remunerado de acordo com o sucesso de seu trabalho SE escrevesse um próximo livro, o que pode ou não ser verdade.

    E se, ao invés de eu publicar um livro e uma editora comprar e copiar, eu te mostro meu manuscrito e você, faz uma cópia e lança com seu nome? Nada foi tirado de mim, mas eu ainda me sentiria lesado.

    A idéia de se classificar apenas o que é físico (no sentido de escasso) como propriedade privada é discutível. E se eu invadir seu computador e pegar seus dados? Nada foi tirado de você, e ainda assim com certeza você se sentiria lesado. Há outros exemplos nessa linha em que nada escasso é tirado de alguém e ainda assim a pessoa se sente lesada.

    Alguma idéia?
  • Augusto  30/03/2011 15:46
    Capitale,\r
    \r
    Eh claro que eh discutido, esse eh provavelmente um dos temas mais polemicos do Instituto Mises ;-)\r
    \r
    Quanto ao exemplo do Paulo Coelho: o interesse dele seria o de receber uma soma fixa por livro escrito, em ver de contar com uma porcentagem de cada livro. Esse eh o melhor arranjo? Nao sei. O mercado descobriria o melhor arranjo para autores consagrados e autores iniciantes, para mercados novos e mercados desenvolvidos, etc.\r
    \r
    O exemplo do computador eh diferente, porque como voce mesmo diz, o computador (que eh sua propriedade), foi invadido. Nenhuma teoria libertaria seria a favor de invasoes.\r
    \r
    Mas eu quero deixar claro aqui que eu nao tenho opiniao formada e decidida sobre o assunto nao - ha argumentos bons tanto do lado de quem defende o direito de propriedade intelectual quanto de quem o ataca. Notadamente, quem ataca o direito de propriedade intelectual geralmente diz que isso significa "usar a forca do Estado para estabelecer um monopolio", mas e se as cortes fossem privadas e a jurisprudencia desse razao aos que defendem a propriedade intelectual?
  • Capitale  31/03/2011 07:07
    Olá Augusto

    Pois é, é realmente algo controverso de acordo com a definição de bem escasso. E se eu tiro a foto de um prédio e publico, não roubei nada do prédio e ainda assim o dono do prédio pode se sentir lesado. A definição era eficaz quando as coisas não podiam ser facilmente reproduzidas, hoje que é possível copiar bens digitais indefinidamente a definição talvez deva ser revista.

    Bom que você entendeu minha pergunta corretamente. Respostas relacionadas ao Estado seriam simplesmente irrelevantes.

    Vou ler o livro indicado pelo Fernando e ver os exemplos dados.
  • E. Lima  24/04/2011 12:16
    Caro Augusto,\r
    \r
    seu exemplo do Paulo Coelho me inspirou outro:\r
    \r
    Suponhamos que o escritor do livro copiado seja um pesquisador que, desta forma, gastou muito para desenvolver as ideias contidas em seus livros. O livro em si, corpo físico que as carrega, tem para ele um custo relativamente baixo de produção.\r
    \r
    De acordo com a teoria de Romer que eu mencionei no meu comentário ali embaixo, o autor original tencionaria ir diluindo o seu custo inicial com pesquisa em cada exemplar vendido.\r
    \r
    Quem quer que replicasse os livros não teria, contudo, esse custo a remunerar, mas apenas o da produção de cada um dos livros em si, entende? Com isso, aliás, Romer também questiona a teoria do lucro zero e da concorrência perfeita.\r
    \r
    Obrigada.
  • Augusto  24/04/2011 13:29
    E.,\r
    \r
    Antes de responder, eu queria reforçar que eu não tenho partido tomado nessa discussão. Falo apenas pelo que já li aqui nesse site e em outros.\r
    \r
    Obviamente, nem eu nem ninguém aqui poderá prever o que aconteceria em uma situação de mercado livre - quero dizer, como os agentes econômicos se organizariam para produzir e trocar o que produzirem.\r
    \r
    Mas nós temos alguns exemplos históricos. No campo da literatura, podemos pensar em algumas alternativas:\r
    \r
    a) escritores trabalhando por contrato para uma editora. A editora para um valor X por um texto, imprime e o distribui diretamente ao consumidor, que pode ou não pagar antecipadamente;\r
    \r
    b) O escritor pode escrever para um jornal. Os leitores só saberão o fim da história se comprarem a edição do jornal;\r
    \r
    c) o escritor pode escrever por encomenda, para um leitor individual ou para um grupo. Os pagantes podem, eles mesmos, decidir se querem ou não tornar o texto público.\r
    \r
    Por outro lado, há de se lembrar que há milhões de pessoas que escrevem simplesmente pelo prazer de escrever, e que não estão preocupadas em ganhar dinheiro com isso. A literatura não vai acabar.\r
    \r
    Agora, quanto à pesquisa científica: é bem verdade que o instituto da "proteção da propriedade intelectual", bem como o subsídio governamental à pesquisa, promoveu um imenso avanço em várias áreas do conhecimento. Mas como todo investimento governamental, ficamos sem saber se o investimento teve o retorno esperado: os bilhões de dólares gastos todos os anos em pesquisas no setor aero-espacial e dedefesa melhoram a vida da população em geral? Há estudos que dizem que não.\r
    \r
    Você deve saber que há dezenas, talvez centenas, de corpos celestes que foram primeiramente detectados por amadores. Gente com uma luneta ou telescópio, trabalhando nas horas livres no quintal de casa. Também há muita gente que estuda micróbios em casa - apenas usando um microscópio. Viajantes e exploradores passam a vida de um lugar a outro no mundo, produzindo relatos sobre plantas, animais, culturas, etc. O americano Benjamin Franklin foi um inventor consagrado (lentes bifocais, o "fogão Franklin", entre outras coisas), e nunca patenteou suas invenções. Puxa, nós mesmos no Brasil temos o grande exemplo do Santos Dumont, que inventou um modelo de avião (entre outras muitas coisas!) e jamais patenteou qualquer um de seus inventos. Tanto Franklin quanto Dumont expressamente declararam que viam a atividade de inventar como um prazer.\r
    \r
    E olhe que Dumont poderia ter sido um dos homens mais ricos do mundo - poucos anos depois de apresentar o 14-Bis ao mundo, praticamente todos os exércitos da Europa já tinham uma força aérea, baseada largamente nos aviões dele.\r
    \r
    Resumindo: a criatividade e a curiosidade humanas não vão desaparecer na ausência de leis de proteção de "propriedade intelectual".\r
    \r
    (dito isso tudo, às vezes eu tenho a nítida impressão de que o ideal libertário é o camponês "yeoman" de Thomas Jefferson, mas convencer o mundo acostumado à eletricidade, a carros e aviões, água encanada, e várias outras comodidades que bom mesmo é viver no campo, não é fácil! Mas isso é outra discussão, não vamos misturar os assuntos!)
  • Norbs  30/03/2011 15:36
    O lucro continua pras empresas? Então porque é que as gravadoras estão demitindo?
  • void  31/03/2011 13:04
    Será que é porque eu posso montar uma gravadora nos fundos de casa e sem dever nada em qualidade pra qualquer dar grandes?
  • atorres1985  10/12/2014 15:06
    Será que é porque música independente também rende uma boa grana?
  • Marcos  31/03/2011 15:13
    Propriedade intelectual é uma questão complicada. Por um lado, o excesso de proteção pode sim causar danos ao livre comércio, acabando com a competição. Mas existe um outro lado que também é muito importante. Alguns produtos precisam de um investimento imenso em pesquisa e desenvolvimento para serem lançados, como é o caso de muitos remédios. Este investimento não seria economicamente viável sem uma patente. Por este ângulo, acabar com a propriedade intelectual seria inibir a inovação.

    Claro que com a internet o modelo tradicional de propriedade intelectual enfrenta crise, principalmente em relação aos direitos autorais. Estas novas tecnologias demandam novas soluções, levando em consideração o equilíbrio entre proteção a inovação e competição. Ao meu ver ainda não se chegou a solução mais adequada, embora o tema tenha evoluido um pouco desde a época em que simplesmente tentavam processar todos que tinham mp3 no computador.
  • Angelo T.  31/03/2011 19:41
    Marcos, seu primeiro parágrafo é o que chamamos de argumento utilitarista para a propriedade privada. Um velho conhecido. Você mostrou um suposto benefício gerado pela proteção da propriedade intelectual, porém não vi você argumentar sobre os custos desse aparato.\r
    \r
    Se tiver tempo e interesse no assunto, recomendo a leitura do seguinte estudo:\r
    Patents and Copyrights: Do the Benefits Exceed the Costs?\r
    \r
    E também do livro recomendado pelo Fernando aqui nos comentários.
  • Angelo T.  31/03/2011 20:05
    Ops, uma correção: é o que chamamos de argumento utilitarista para a propriedade intelectual.
  • E. Lima  23/04/2011 20:05
    Olá a todos!\r
    \r
    Parabéns ao tradutor do brilhante artigo, em primeiro lugar, pela iniciativa.\r
    Concordo que a proteção da propriedade intelectual é imoral, e também ineficiente nos casos citados no texto, mas tenho uma dúvida:\r
    \r
    Numa sociedade sem esta concessão, não haveria menos estímulo às inovações, tal qual previu Paul Romer ao expor seu conhecido modelo de crescimento econômico?\r
    Àqueles que não são familiares com o autor, tentarei explicar, em poucas palavras, a questão de meu maior interesse por ele colocada, a fim de que todos possam analisá-la e que tenhamos uma chance maior de chegar a conclusões esclarecedoras:\r
    \r
    Ele expõe que, para se gerar inovações, um empreendedor deve fazer investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Com isso, acho que todos aqui haverão de concordar.\r
    No entanto, existem certas ideias que, uma vez produzidas, podem facilmente ser copiadas, e os seus imitadores, por não terem a necessidade de remunerar custos com pesquisa, serão capazes de cobrar um preço muito menor do que o seu criador, captando todo o seu mercado. Por exemplo, quem pirateia um CD só tem os custos de regravar o original numa mídia nova para cada cópia que faz.\r
    \r
    E a situação me parece ainda mais digna de atenção quando diz respeito à medicina. Que motivação teria um laboratório para desenvolver uma fórmula que se pudesse prever facilmente reprodutível? Será que doações seriam capazes de cobrir seu custo com a pesquisa? E, de qualquer maneira, não me parece certo que contemos com isso.\r
    \r
    Agradeço desde já pela atenção.
  • augusto  23/04/2011 21:22
    Caro Lima,\r
    \r
    Vou tentar responder as tuas questoes, com base no que eu ja li ate hoje. Nao significa que eu esteja de acordo com tudo que eu va dizer. Vamos la:\r
    \r
    "Concordo que a proteção da propriedade intelectual é imoral"\r
    \r
    Protecao de propriedade nao eh imoral. A questao eh se uma criacao intelectual constitui uma "propriedade". Os que sao contra as leis de protecao da "propriedade intelectual" argumentao o seguinte: voce cria algo e o coloca no mundo, se alguem reproduzir aquela criacao, voce continua sendo proprietario do original que voce criou, mas nao tem direito algum sobre a reproducao.\r
    \r
    "Por exemplo, quem pirateia um CD só tem os custos de regravar o original numa mídia nova para cada cópia que faz."\r
    \r
    Olha, eu tenho um parente que eh musico. Ele mesmo compoe, produz os CDs, faz toda a divulgacao, vende os CDs diretamente por seu site na internet. Detalhe: qualquer um pode baixar todas as musicas de graca, no proprio site. A fonte de renda principal sao os shows.\r
    \r
    "Que motivação teria um laboratório para desenvolver uma fórmula que se pudesse prever facilmente reprodutível? Será que doações seriam capazes de cobrir seu custo com a pesquisa?"\r
    \r
    Os mais radicais vao responder da seguinte forma: se nao for viavel produzir sem a protecao do estado, entao nao deve ser produzido. O fato de ser um bem desejavel por uma boa parte da populacao nao significa que possa-se usar violencia para produzir esse bem.
  • E. Lima  24/04/2011 11:24
    Prezado Augusto,\r
    \r
    obrigada pela resposta.\r
    \r
    Eu digo que a proteção da "propriedade" (melhor assim?) intelectual é imoral justamente porque implica o uso de violência contra meros copiadores, que jamais violaram a propriedade de ninguém, em verdade.\r
    \r
    E, sim, também eu estou interada no meio musical, apesar de nunca ter lançado um CD eu mesma, mas estou ciente da frequência com que se pode observar o caso que você citou. Concordo que foi um mau exemplo para os dias de hoje, mas posso fornecer outro próximo, como a criação de um software que se deseje vender.\r
    \r
    Com seu último parágrafo, retornamos à questão da moralidade, e neste âmbito não há como eu discordar da sua frase conclusiva, em especial. Mas não posso deixar de ignorar o utilitarismo que me faz procurar imaginar como esse problema poderia ser solucionado num mundo liberal. Talvez haja aí uma falha do nosso sistema, em minha opinião (não que ela deva ser corrigida com violência, no entanto).\r
    \r
    E, desculpem por não ter deixado isso claro, mas sou mulher.\r
    \r
    Obrigada.
  • Augusto  24/04/2011 13:44
    E.,\r
    \r
    Desculpe, acho que a maioria dos frequentadores do site são homens, então assumi que você também fosse.\r
    \r
    Quanto ao software, talvez seja a coisa mais fácil de se proteger sem IP. De fato, pode-se argumentar que o movimento em direção à "computação nas nuvens", onde tudo fica armazenado a distância, e todo processamento de dados é feito remotamente, é consequencia da dificuldade de se impedir cópias de software. A solução aparentemente encontrada pelas empresas é simplesmente não vender mais o software individualmente.\r
    \r
    Exemplo: a Microsoft tem o MS Office. Para cada cópia do Office, a Microsoft tem que contratar uma empresa para produzir os CDs, outra para distribuir, outra para comercializar, outra para auditar, outra para fazer propaganda, etc., etc. E cada vez que a Microsoft quer lançar um Office melhor, ela precisa anunciar, fabricar, distribuir, etc., etc. E praticamente qualquer pessoa pode comprar um CD original da Microsoft e produzir milhões de cópias no quintal de casa. É uma luta sem fim.\r
    \r
    Aí vem o Google e diz: em vez de gastar dinheiro com todos esses processos acessórios (propaganda, distribuição, etc.), vamos nos concentrar no que realmente importa, que é fazer o melhor programa de escritório possível. O consumidor não precisa baixar nada no computador, não precisa se preocupar com as atualizações, não há propaganda, etc. E o mais importante - o software fica nos computadores do Google, protegidinho.
  • Angelo T.  24/04/2011 22:06
    Olá E. Lima,\r
    \r
    Bem-vinda ao site, é sempre bom ter presença feminina por aqui. :-)\r
    \r
    Veja que seu comentário postado aqui ficou abaixo do comentário do Marcos, cuja dúvida é parecida, senão igual, a sua. Recomendo que leia minha resposta colocada ao comentário dele.\r
    Então vou pular a parte do argumento utilitário e responder outros pontos de seu texto.\r
    \r
    Propriedade é algo que se aplica a bens escassos. Uma música, fórmula de remédio, ou software não são bens escassos (eu copio sua música/software/remédio e você continua com sua música/software/remédio). Portanto não existe algo como propriedade em torno desses bens. É um monopólio concedido pelo estado. O fato de conceder esse monopólio obrigatoriamente desrespeita a propriedade de outras pessoas. Para se aprofundar um pouco no assunto, leia os textos que recomendei no comentário anterior.\r
    \r
    Hoje em dia temos muitíssimas bandas fazendo novas músicas, programadores fazendo softwares, e empresas fabricando novos remédios. Talvez este seja o período da história da humanidade em que mais temos esses bens disponíveis para a população. E tudo isso com a facilidade que temos para copiar todas essas coisas. Basta olhar em nossa volta para percebermos a abundância desses bens, mesmo com a facilidade de copiá-los. Isso parece deixar claro que a inovação é movida por outra coisa senão a propriedade intelectual. O máximo que a propriedade intelectual pode fazer é retirar investimentos de outras áreas e colocá-las em coisas que podem ser patenteadas. Uma clara distorção do mercado. E ao custo de violar a propriedade de terceiros. Novamente peço a leitura dos textos indicados aqui nos comentários.\r
    \r
    Você perguntou "Que motivação teria um laboratório para desenvolver uma fórmula que se pudesse prever facilmente reprodutível?".\r
    Ora, a imensa vantagem de ser a primeira empresa a fornecer o produto no mercado.\r
    E essa é só uma das vantagens!\r
    \r
    Por fim gostaria de dizer que o argumento utilitarista, no caso de ser verdadeiro, na minha opinião não é suficiente para termos justificada a coerção do estado como é na propriedade intelectual.\r
    Por exemplo, poderíamos fazer a barbárie de matar uma pessoa e utilizarmos seus órgãos para salvar a vida de várias outras pessoas. Uma clara vantagem! Mas será que é certo fazermos isso? Claro que não! A propriedade da pessoa (nesse caso, sobre seu corpo) é muito mais importante que qualquer argumento utilitarista.\r
    \r
    Abraço.\r
  • E. Lima  24/04/2011 23:19
    Angelo T.,\r
    \r
    obrigada pela resposta! Não sei como não dei atenção ao comentário do Marcos e ao seu anterior, mas vou dar uma olhada no texto, sim, obrigada.\r
    \r
    Bom, certamente você e o Augusto (no seu comentário láá de cima) já apontaram aqui válidos exemplos contemporâneos do registro de patentes que levam a crer que o incentivo para as inovações não seria perdido numa sociedade liberal, o que já me deixa mais otimista do ponto de vista utilitário.\r
    \r
    E, como eu disse, era esse o meu problema, mesmo: saber como essa questão se desenvolveria num mundo liberal, porque eu nunca discordei de que é errado o governo tomar parte nisso.\r
    \r
    Esta foi a primeira vez em que comentei aqui no site, e fiquei satisfeita com os esforços que eu vi com a finalidade de me eliminar essa dúvida. Ela não é minha única, então esperem me ver mais por aqui, haha! (:\r
    \r
    Obrigada mesmo!
  • Marcelo Werlang de Assis  19/06/2011 20:49
    Olá!\r
    \r
    Eu li o brilhante ensaio do Kinsella e o excelente artigo do Tucker, e a minha concordância aos pontos defendidos é de 100%.\r
    \r
    Realmente, possuir "propriedade intelectual" sobre determinado objeto ideal significa exercer domínio sobre a propriedade física de outros, na medida em que os impede de utilizar a sua própria propriedade (opa, uma redundância) com base no objeto ideal protegido pela PI; e isso é totalmente contrário às concepções libertárias (propriedade absoluta sobre o próprio corpo e sobre os próprios bens físicos). Concordo com o postulado de que objetos ideais não são recursos escassos (i.e., o uso de uma ideia por B não retira o uso da mesma por A, que a concebeu), como pizzas e notebooks.\r
    \r
    A única coisa que fica me incomodando é este exemplo: eu, hipoteticamente, sou grande escritor profissional, sendo esta atividade o meu ganha-pão; escrevo o livro X e mando, de boa-fé, o manuscrito para uma editora, de modo que ela avalie a obra e decida publicá-la mediante o pagamento de determinada soma. Todavia, o editor faz em segredo uma cópia das páginas do meu manuscrito e o devolve para mim, dizendo-me que não deseja publicá-lo. Logo após, ele manda publicá-lo. Eu não perdi o meu recurso escasso (o manuscrito), porém a minha obra, em minha opinião, foi "surrupiada". Assim, na visão de vocês, o caso em tela denotaria fraude ou não?\r
    \r
    Um detalhe que evitaria tal situação seria a assinatura prévia de um contrato: "Eu, Marcelo, dou à editora Y o manuscrito do livro X, para que esta o avalie, decidindo depois publicá-lo ou não; em caso positivo, pagar-me-á a quantia Z e uma porcentagem de 5% sobre o valor de cada livro vendido por ela, além de me entregar gratuitamente um exemplar da obra. Todavia, a editora Y, na hipótese de decidir por não publicá-lo, não poderá copiá-lo, e os funcionários que o lerem (as específicas pessoas C, D e E) não deverão falar sobre o seu conteúdo a terceiros, mesmo que sejam seus familiares e colegas de trabalho, sob pena de ter de me pagar o já estipulados valores presentes na hipótese positiva (decidir publicá-lo)."\r
    \r
    No entanto, se Hollywood desejasse utilizar a obra para fazer um filme, eu nada ganharia diretamente deles em valores monetários, visto que o fato de fazerem um filme baseado em meu livro não me impediria de desfrutar do meu manuscrito e do exemplar que ganhei da editora. No entanto, o filme poderia fazer o meu livro ficar famoso, e isso atrairia mais compradores de exemplares.\r
    \r
    Porém, há outro aspecto: as demais editoras (e também as de outros países) poderão publicar o livro sem precisar pagar algo para mim, e, por não precisar realizar esse custo extra e por causa de sua crescente quantidade, seus livros ficarão mais baratos, resultando em que poucos exemplares da editora Y sejam vendidos (pelo menos, nos primeiros dois meses de vendas, somente foram vendidos os exemplares da editora original...).\r
    \r
    Creio que seria difícil para os escritores poder viver tão-só com a renda dos seus livros, os quais teriam de ser o fruto de um hobby, não de uma profissão, e talvez isso os desestimulasse... Mas, num mundo anarco-capitalista, com genuíno padrão-ouro, os preços de todas as coisas seriam cada vez mais baixos, e um bom padrão de vida poderia ser alcançado sem a necessidade de receber muita grana.\r
    \r
    É isso. Se puderem me responder, ficarei grato.\r
    \r
    Fortíssimo abraço a todos!\r
  • Roberto Chiocca  20/06/2011 12:39
    Marcelo,
    Tais contratos de sigilo já existem e são aplicados normalmente.
    O editor que "surrupiasse" obras(no caso de não ter havido um pré contrato) teria muitos problemas em fazer escritores lhe entregarem manuscritos. Mas não estaria incorrendo em fraude.
    E sim, uma vez que uma ideia saiu da sua cabeça, foi mostrada a alguém, ela não é mais sua propriedade, logo assim como alguém pode imitar um passo de dança que vc inventou e mostrou numa boite, alguém pode copiar suas palavras e vende-la sem te dar um tostão. Você pode até considerar tal pratica imoral, mas de maneira nenhuma pode considerá-la anti-ética.
    Muitos que se dizem liberais, mas são contra a propriedade privada(ou seja, a favor da PI), acreditam que o fato de alguém ter investido lhe dá direito de lucrar, uma loucura só comparada à "mais-valia". Acreditam que se o sujeito passar meses desenhando um projeto de uma casa lhe dá magicamente direito sobre tijolos e concreto de todos os demais.
  • Marcelo Werlang de Assis  20/06/2011 13:26
    Muito obrigado, Roberto, pelas tuas respostas!\r
    \r
    Concordo com tudo que escreveste. \r
    \r
    De fato, defender a PI significa ser contra o instituto da propriedade privada e, portanto, contra os princípios básicos do libertarianismo. Realmente, o desenho de um projeto de uma casa não deve dar ao seu autor o direito sobre os materiais de construção de todos os demais.\r
    \r
    E o escritor, neste mundo anarco-capitalista sonhado por nós, teria de continuar a trabalhar (como palestrante, como colunista de jornal ou revista, como repórter, etc.), não interrompendo, assim, a prestação de serviços produtivos de sua parte, o que beneficiaria "a sociedade como um todo", no jargão esquerdista.\r
    \r
    Grande abraço!!!
  • Carlos  20/06/2011 18:38
    Recentemente tive uma contenda com um colega meu.

    O mesmo estava reclamando da performance do corel draw (um programa de computador).

    Eu disse a ele que poderia até reclamar, mas que de forma alguma poderia cobrar da Corel qualquer atitude referente ao problema (já vi casos de pessoas ligarem para o suporte da Microsoft pedindo ajuda, e o funcionário descobrir que o windows era pirata).

    Ele veio com aquele papo de sempre de que as pessoas não tem dinheiro para comprar estes programas e que as grandes empresas deveriam pressionar o governo para que baixassem os impostos sobre seus produtos, e que ao mesmo tempo o governo oferecesse subsídios para a produção de conteúdo computacional, e que eu não tinha razão em defender a corel neste caso pelo fato do programa ser pirata (pelo tom que ele falou parecia que eu é que estava cometendo um crime defendendo a empresa "yankee").

    É óbvio que a solução dele passa longe da melhor possível deve ser levada em consideração, mas minha pergunta é:

    É justo que alguem reclame por um programa não estar funcionando bem, sendo que ele não comprou tal programa?

    E se a pirataria em si não é o problema, como fica o capital investido por exemplo, pela microsoft para a criação de um novo windows?

    Obrigado
  • Roberto Chiocca  20/06/2011 20:13
    É justo que alguem reclame por um programa não estar funcionando bem, sendo que ele não comprou tal programa?

    Pode reclamar sim, só não pode é esperar que a empresa dê suporte.

    E se a pirataria em si não é o problema, como fica o capital investido por exemplo, pela microsoft para a criação de um novo windows?

    Como todo o investimento, este também tem risco, e cabe ao investidor calcula-lo para saber se compensa ou não. Se eu investir todo o meu dinheiro numa loja de areia em plena praia, como fica meu capital?
  • Carlos  20/06/2011 21:54
    Bom, então seria meio "burro" oferecer um produto privado onde há abundância "pública" digamos assim.

    Mas no caso de programas de computador, não haveria "praia", ou seja, só há a oferta de um sistema robusto e pirateado, pois houve um grande investimento para criação do mesmo.

    O Linux é um bom exemplo de sistema robusto e grátis, mas seu sucesso deve-se a segurança, principalmente bancária, e também ao preço do windows. Em termos de manuseio ele é mais complicado, mesmo para quem não se sente "intimidado" em testá-lo.

    Desculpe se não consigo entender direito como em um livre mercado teríamos um sistema como o windows, sendo que não existiria propriedade intelectual. Acho que é porque estou acostumado a montar máquinas com windows original caso o cliente queira algo assim.

    Aliás, eu entendo que "programar" não seja uma PI. Você está criando algo, montando, fazendo crescer algo que vai aumentar sua produtividade. Tá certo que é digital, mas não tira o fato de que é necessário um trabalho para fazê-lo, e que não é uma coisa apenas "intelectual".
  • anônimo  20/06/2011 22:09
    "Em termos de manuseio ele é mais complicado, mesmo para quem não se sente "intimidado" em testá-lo."\r
    \r
    Nao quero desviar a conversa, mas isso nao eh verdade. Eh que praticamente todos nos crescemos usando o Windows, e o Linux eh diferente. Para quem cresce usando o Linux, o Windows eh bem estranho. ;-)
  • Breno Almeida  21/06/2011 11:19
    A Apple usa o IOS cujo o Kernel é de dominio público copiado do FreeBSD. Se a Microsoft torna-se o Kernel do windows público não faria diferença. Bastaria vender o software junto com o hardware como acontece-se no Xbox. A Nokia comprou a empresa que fazia o Symbian (sistema dos celulares) por 600 milhões e em seguida ela tornou o código do sistema público.\r
    \r
    Dificilmente um profissional/empresa de reputação trabalharia com photoshop/corel/3ds pirata. A razão do seu amigo usar corel pirata é pq ele é pobre ou o nacionalismo (que é uma doença) impede que ele consiga raciocinar que o melhor para um profissional corel é usar o original.\r
    \r
    De maneira geral as pessoas tem responsabilidade e sabem da importancia de ajudar com dinheiro aqueles que nos ajudam com cultura/software. \r
    \r
    Tem um software 3d muito caro que é o Maya, por muito tempo a saida para quem queria entrar nesse mundo era buscar o pirata, então a empresa entendeu a importancia de ter uma versão grátis e lançou uma. Muito dos usuários pirata acabam em empresas ou comprando o original mais tarde quando tinham recebido $ por trabalhos e se sentiam responsavel por ajudar no desenvolvimento do software.\r
    \r
    Propriedade intelectual só serve para enriquecer advogado, juíz, monopolistas e dar poder para o estado.
  • Carlos  21/06/2011 21:14
    Sua resposta clarificou minhas idéias.
    Obrigado.
  • Ulisses Alfredo  20/09/2011 10:21
    Aos que compartilham o fim da PI, tenho boas notícias, vocês ganharam uma pessoa muito "desimporante": DILMA que também e a favor de acabar com ela...



    Dilma defende quebra de patentes de medicamentos em discurso na ONU

    Luciana Antonello Xavier, correspondente de O Estado de S.Paulo
    A presidente Dilma Rousseff defendeu a quebra de patente de alguns medicamentos em seu discurso na abertura da Reunião de Alto Nível sobre Doenças Crônicas, na sede da ONU, em Nova York, nesta segunda-feira, 19. A presidente voltou a afirmar que é favorável à quebra nos casos de remédios para tratamento de algumas doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, e acesso gratuito a medicamentos para população de baixa renda para tratar essas doenças.

    blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/09/19/na-onu-dilma-defende-quebra-de-patentes-de-medicamentos/
  • Marcelo Mota Ribeiro  04/10/2011 15:19
    Seria Mises contra a propriedade intelectual? "A liberdade de imprensa não significa o direito de copiar o que outra pessoa escreveu, e assim alcançar o sucesso a que o verdadeiro autor fez jus por suas obras. Significa o direito de escrever outra coisa. A
    liberdade de concorrência no tocante às ferrovias, por exemplo, significa liberdade para inventar alguma coisa, para fazer alguma coisa que desafie as ferrovias já existentes e as coloque em situação muito precária de competitividade." (As seis lições - Mises)
  • Fernando Chiocca  04/10/2011 16:02
    Não sei Marcelo. Seria?
    Como ele responderia aos argumentos do artigo acima?
    Ou como ele responderia aos argumentos desenvolvidos por Kinsella ou como salvaria os pro-IP de seus últimos suspiros antes de morrerem?


    Sabemos que Mises não se deforntou com estes estudos, mas você está vivo e tem acesso a eles. A sua opinião seria qual? Como você Marcelo responde a essas questões.

    Bom, de Mises ao menos podemos pesquisar e saber o que ele pensava e saber que ele estava ciente do privilégio monopolístico anti-mercado que as patentes concedem:

    Quando isto ocorre, as instituições vêm em socorro dos antigos fabricantes que formam o cartel. As patentes lhes concedem um monopólio legal que ninguém pode infringir.

    É claro que somente alguns dos seus processos de produção podem ser protegidos por patentes. Mas um competidor que seja impedido de recorrer a esses processos e de fabricar os artigos correspondentes pode ficar numa situação tão desfavorável que prefira não ingressar no campo de atividade da indústria cartelizada.

    O detentor de uma patente usufrui de um monopólio legal que, se as demais condições forem propícias, pode ser usado para estabelecer preços monopolísticos. Fora do campo específico abrangido pela patente, esta também pode proporcionar, subsidiariamente, o estabelecimento e a preservação de um monopólio marginal, quando existirem condições institucionais favoráveis ao seu surgimento.


    Ação Humana

    E tb saber que sem estes privilégios de patentes e de direitos autorais, os invetores e autores estariam na mesma posição que empreendedores, e que não há nada de errado em ser um empreendedor. Mises on IP
  • Joao  04/10/2011 16:50
    Se quiser mais motivos para ser contra patentes e IP em geral, basta verificar o circo que virou a indústria de TI nos EUA. Empresas registram patente toscas como "deslizar o dedo em uma tela para arrastar um item", "comprar um item com um clique", e utilizam essas patentes para atrapalhar a concorrência.
    Hoje em dia, se você se trancar em sua casa, sem acesso à Internet ou sequer a manuais, e decidir produzir um software não trivial, as chances de você acabar infringindo uma ou mais patentes é de praticamente 100%.
  • Marcelo Mota Ribeiro  04/10/2011 17:58
    Obrigado. Vou refletir sobre os comentários.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  20/06/2012 15:37
    "A revogação da propriedade intelectual poderia criar um custo adicional para se fazer negócios, isto é, esforços para assegurar que os consumidores estejam informados sobre as diferenças entre o produto genuíno e suas reproduções. Este é um custo do negócio que todo empreendedor tem que arcar".

    R - Não é auto-evidente que os empreendedores tenham que arcar com mais este custo, no país das taxas, impostos, contribuições de melhoria, etc.


    "Mas alguns podem argumentar que proteger a propriedade intelectual não é diferente que proteger propriedades materiais comuns. Isto não procede. Propriedade real é escassa. Os objetos da propriedade intelectual não são escassos, como Stephan Kinsella demonstrou. Imagens, idéias, sons, combinações de letras em uma página: estas coisas podem ser reproduzidas indefinidamente. Por esta razão elas não podem ser consideradas posses".

    R - Propriedade intelectual pode não ser escassa, mas pode ser considerada posse sim. Sem a menor dúvida!
  • Pedro Lima  17/08/2012 10:53
    Vide Coca-Cola e sua Fórmula Secreta
  • pierre  18/09/2012 10:48
    ^Cabe ao proprietario guardar a formula, não o governo. Investir na perceguição de plagidores é investir contra preços mais asseciveis e desenvolvimento. Duvido que um quimico não descubra a formula de qualquer bebido, comida ou remédio. Porem, uma vez que as tais marca neguem ser essa a formulaa não será.
  • Rafael  26/08/2012 15:25
    [url=www.ted.com/talks/johanna_blakley_lessons_from_fashion_s_free_culture.html]Johanna Blakley: Lessons from fashion's free culture[/url]
  • Pedro Ivo  27/08/2012 11:25
    Escritora vai ficar seminua na av. Paulista para protestar contra pirataria

    ultimosegundo.ig.com.br/cultura/livros/2012-08-07/escritora-vai-ficar-seminua-na-av-paulista-para-protestar-contra-pirataria.html
  • André Luiz S. C. Ramos  17/09/2012 11:46
    Para dar um 'up' na discussão sobre PI, olhem isso:\r
    \r
    www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI163924,81042-Empresa+de+comida+mineira+Uai+in+Box+nao+pode+utilizar+a+expressao
  • André Luiz S. C. Ramos  18/09/2012 09:30
    Mais uma notícia quentinha sobre PI.\r
    Que beleza...\r
    \r
    www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI164106,11049-Fabricante+de+energetico+vitima+de+pirataria+sera+indenizada
  • Angelo T.  05/11/2012 09:15
    Sugestão de leitura (e também de tradução):

    Jeffrey A. Tucker and Stephan Kinsella - Goods, Scarce and Nonscarce
  • Rafael  27/03/2013 01:45
    Vale lembrar que um produto ser fácil de copiar não implica que não haverá quem se sensibilize com a situação da empresa e compre o produto. Um exemplo disso é o ramo de jogos:

    Pesquisa mostra os 10 jogos com os maiores custos de produção da história


    GTA IV, por exemplo, custou em torno de US$ 100 milhões para ser produzido e desde o seu lançamento pode ser copiado por qualquer um. Você? acha que a Rockstar, produtora do jogo, teve prejuízo? Saiba que GTA V já está sendo produzido e estima-se que custará em torno de $137 milhões, venderá 18 milhões de unidades e dará um lucro operacional de $230 milhões!!

    GTA V dev costs over $137 million, says analyst
  • anônimo  27/03/2013 02:10
    Só da pra saber se ela teve prejuízo se pegar um delorean, voltar no tempo e ver o quanto isso venderia sem ninguém pirateando.
    Prejuízo no sentido de não lucrar tanto quanto poderia
  • pobretano  29/07/2016 14:32
    Mas isso não é prejuízo. É como dizer "puxa, eu poderia vender essa balinha a cem vezes o quanto me custou, mas só consigo vender ao dobro por causa do outro vendedor de balinhas que vende ao triplo, estou no maior pré-jú!"
  • Cat  08/05/2013 16:00
    Quem tá a fim de "trollar" uns estatistas e quem sabe ganhar uma grana?

    (...)Propriedade intelectual
    O concurso de propriedade intelectual é voltado para alunos de ensino superior, que precisam se inscrever com o envio de dados e documentos para concursocecop@sds.sc.gov.br.

    Os trabalhos devem ser individuais e abordar concorrência desleal ou domínio público, temas dessa edição. Além disso, precisam ser inéditos e ter três referências bibliográficas no mínimo.

    O conselho anunciará os vencedores no portal da SDS entre 28 e 31 de outubro e dará R$ 4 mil para o primeiro colocado, R$ 3 mil para o segundo e R$ 2 mil para o terceiro.(...)

    Edital
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  15/06/2013 10:04
    A liberdade de copiar deve ser mantida livre da interferência do governo, embora o ideal é que exitam inovações originais.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  19/06/2013 22:47
    A ideia de "propriedade intelectual" choca-se diretamente com o conceito de Liberdade. Se os libertários acreditam numa ordem realmente livre, devem abandonar qualquer consideração de "proteção à propriedade intelectual" e desferir outro golpe no governo, eliminando essa suposta "atribuição". Claro que isso implica em custos, na forma que o autor explicou, mas eles são inerentes a todo negócio, ou seja, sempre haverão pessoas invejosas que vão querer copiar as invenções legítimas, sem que, por essa razão, tenha que haver "regulações".
  • Emerson Luís  07/08/2013 17:50
    Propriedade intelectual é um assunto que requer reflexão.

    * * *
  • Gilberto Ferreira da Silva de Souza  01/12/2013 22:33
    "A propriedade intelectual é a chave do sucesso?"

    SIM. A propriedade intelectual, na forma que eu entendo(como sendo a proteção dada a um invento ou obra até então inéditos), deve ser garantida. Porém, a garantia de proteção feita pelo "estado" é ILEGAL, pois toda ação estatal é ILEGÍTIMA, pois é baseada em imposição e/ou ordem unilateral e não em contrato e/ou acordo mútuo. A solução é o fim da participação estatal nesse campo de atividade(ou seja, garantia de proteção da propriedade intelectual) e a criação de empresas privadas que, competindo entre si, ofertam esse serviço de forma totalmente flexível e que atenda às ordens de seus patrões, ou seja, os seus consumidores.

  • Mohamed Attcka Todomundo  21/07/2014 21:35
    leandro, pq os artigos + antigos q esse ñ aparecem? a numeraçao desse eh www.mises.org.br/Article.aspx?id=17. abaixo de 17 ñ tem. pq?
  • Homem Verde  13/09/2014 17:53
    "Os textos contidos são de "domínio público", o que não é exatamente uma categoria legal: significa apenas a ausência de proteção de direito autoral." Na minha opinião, a proteção de direito autoral deve ser mantida a todo custo. Veja: o autor do invento ou obra teve a criatividade e o trabalho pessoal e, muitas vezes, particular, de inventar o objeto da discussão. Nesse caso, tem TODO O DIREITO de proteger, se assim o desejar, todos os lucros de sua invenção e exigir punição a quem ousar copiá-lo sem autorização. Ex: Eu invento um novo computador, que é melhor que todos os existentes na Terra. Assim, eu tenho o direito de exigir proteção de quem, indevidamente tentar copiá-lo sem minha autorização expressa ou, então, exigir uma compensação econômica ou acordo pela exploração autorizada por mim. Para mim, os inventores devem ser protegidos por lei para que se incentive a proliferação desse tipo de benfeitor da humanidade. Quem quiser algo melhor do que tem hoje, que invente algo melhor.
  • Homem Verde  13/09/2014 18:02
    Quem inventa deve ser protegido pela lei. Ou seja, os lucros de sua invenção devem ser SÓ SEUS. Não há pessoa no mundo que me convença do contrário. Se querem inventar algo novo e serem protegidos por lei, estão livres para isso. Mas, CÓPIA NÃO AUTORIZADA PELO DONO É CRIME. Abaixo a pirataria!
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  22/03/2015 11:03
    Continuo achando que a propriedade intelectual deve ser mantida. Mas, não nas mãos de algum órgão público. Ao inventor deve ser dada a opção de escolher proteger sua invenção de qualquer cópia não autorizada, lucrar com ela, etc.
  • Rafael Dias  22/10/2015 17:27
    Leandro?
  • Rafael Dias  22/10/2015 17:54
    Esse é meu único impasse para abraçar completamente o pensamento libertário...
    Patente sobre invenções... como ser contra?
    O inventor tem o direito de lucrar com o que inventou ou não.
    Agora ser simplesmente copiado a partir do segundo dia da invenção.... Não posso aceitar isso. Não está certo.
    O que eu penso é que a regulação disso deve ser por empresas privadas, por judiciário privado e não necessariamente pelo Governo (estado).
    Sou novo no site, mas até o momento concordo e entendo perfeitamente tudo, exceto isso.


  • Magno  22/10/2015 17:59
    "O inventor tem o direito de lucrar com o que inventou ou não."

    Direito de lucrar? De onde vem esse direito? Não existe esse direito. Os três únicos direitos que um ser humano tem é que:

    1) Não tirem sua vida;

    2) Não roubem sua propriedade honestamente adquirida;

    3) Não tirem sua liberdade de fazer o que quiser (desde que, obviamente, você não agrida e coaja terceiros).

    Não existe "direito garantido ao lucro". O lucro vem de um serviço bem prestado e da satisfação do consumidor. E só. Ter direito ao lucro significa obrigar terceiros a consumirem seu produto, o que infringe diretamente os itens 2 e 3 acima.

    No que mais, sua pergunta já foi respondida aqui.
  • Rafael Dias  22/10/2015 18:34
    Calma lá.
    Eu disse que ele tem o direito de lucrar OU NÃO com seu invento.
    Você não leu com atenção
  • Rafael Dias  22/10/2015 20:27
    "Uma disputa entre libertários

    O status dos direitos de propriedade intelectual (copyrights, patentes e semelhantes) é um problema que divide libertários há muito tempo. Ídolos libertários como Herbert Spencer, Lysander Spooner e Ayn Rand foram fortes defensores dos direitos de propriedade intelecutal. Thomas Jefferson, por outro lado, era ambivalente à questão, enquanto libertários radicais como Benjamin Tucker no último século e Tom Palmer no presente rejeitaram completamente os direitos de propriedade intelectual.

    Quando libertários do primeiro tipo se encontram diante de um direito de propriedade intelectual, eles veem mais um exemplo da justa reivindicação de um indivíduo pelo produto de seu trabalho. Quando libertários do segundo tipo se encontram diante de um direito de propriedade intelectual, eles veem mais um exemplo de injustos privilégios de monopólio garantidos pelo governo."

    fonte: rodericklong.com/o-caso-libertario-contra-direitos-de-propriedade-intelectual/
  • Rafael Dias  22/10/2015 19:06
    Nunca disse que tem direito garantido ao lucro. escrevi (OU NÃO)
    Na minha opinião ele tem o direito de inventar, se arriscar no mercado com seu invento e poder ou não obter lucros ( pode ter prejuízo também). Mas não poderia ser simplesmente copiado no dia 2 e acabou-se tudo.
    Estamos do mesmo lado, Magno.
    Não atire... rsrsrsrs
  • Márcio  07/12/2016 04:19
    Iniciei há pouco tempo meu estudos sobre o libertarianismo e, a questão aqui apresentada, é de longe a que mais me gera desconforto. Li todos os comentários e o principio para que aja a proteção de algo é a sua escassez, onde, de acordo com o artigo e vários comentários, um filme produzido, com altos custos de produção, poderiam ser distribuídos de maneira indiscriminada.

    O ponto que realmente "pega" é o fato de que foram utilizados de bens escassos para sua produção. Além disso, penso que bens escassos diferem de bens materiais, portanto, acredito que o tempo também o é (bem escasso). Então, se eu, escritor de um livro, por exemplo, desloco centenas de dias em sua produção, ao ter meu livro publicado, outro editor o publica na integra sem que aja lucro para mim, não haveria nenhuma proteção a este tipo de conduta?

    Creio que muitos só levam em conta os recursos materiais gastos na produção de "propriedade intelectual", sem levar em conta os recursos físicos necessários para sua criação. Assim, fico ainda resistente a este tipo de pensamento contra qualquer tipo de propriedade intelectual. Possa ser que com mais estudos eu o mude, mas me parece algo extremamente ilógico por hora.
  • Fernando  09/01/2017 18:50
    Sim, propriedade intelectual é a chave para o sucesso!

    E sinto muito dizer, mas anarco"capitalismo" é só mais um dos disfarces do COMUNISMO. Não existe capitalismo em propriedade, sem capital e acumulação de capital.
  • Paulo Filipe  24/04/2017 12:08
    Sabe-se que grandes mentes sobreviveram no século passando vendendo suas patentes para empresários. Thomas Edison foi talvez o maior exemplo de empresario de ideias. Como seria se não existisse o comercio de ideias? Como a Apple, por exemplo, grande compradora de inovações poderia saber sobre ideias como o mouse?
  • Magno  24/04/2017 12:20
    Esse seu cenário já ocorre: veja a indústria da moda.

    Lá as cópias correm soltas e a indústria está cada vez mais forte. A cada ano surgem novas grifes e consumo de roupas de uma marca específica só aumenta (exceto em épocas de crise econômica, obviamente).

    Não podemos também nos esquecer da indústria de cosméticos e de perfumes. Estas também só se expandem. Embora as cópias existam em profusão, os investimentos em linhas caras de perfumes só aumentam.

    Vale repetir: no ramo da moda, as cópias ocorrem da noite pro dia, e no entanto trata-se de uma das indústrias mais lucrativas do mundo. Não há absolutamente nenhum tipo de direito autoral ou de patente. Mais ainda: você pode comprar cópias de roupas e bolsas de enorme qualidade, e ainda assim as marcas originais continuam ganhando fábulas de dinheiro.

    E os grandes nomes da sua indústria são podres de rico. E todas as suas obras são copiadas livremente. Não há absolutamente nenhum tipo de propriedade intelectual, os produtos piratas e baratos abundam, e mesmo assim os lucros das grandes seguem intactos.


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