Como ocorreu a crise financeira americana
por , quarta-feira, 25 de setembro de 2013

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too-big-to-fail.jpgSegundo a imprensa mundial, este mês de setembro de 2013 marca o aniversário de 5 anos da crise financeira americana.  Mas a crise, no entanto, começou realmente um ano antes, em agosto de 2007, quando correntistas correram ao banco britânico Northern Rock para sacar seu dinheiro, levando o banco à falência.  Esta foi a primeira corrida bancária em grande escala ocorrida desde 1930.

São inúmeros os analistas, comentaristas e, principalmente, acadêmicos que já se aventuraram a dar seus vaticínios sobre a crise financeira americana.  No entanto, ausente de todos os comentários está aquele componente indispensável para toda e qualquer análise econômica minimamente séria e sensata: a imparcialidade.  E presente em todos os comentários está aquele componente do qual, hoje em dia, ninguém abre mão: a propaganda ideológica.

A melhor maneira de se entender corretamente e de modo fácil todas as nuanças da crise financeira americana é fazendo uma narração cronológica e desideologizada dos eventos.  Caberá ao leitor, no final, concluir qual dos dois lados tem razão: se aqueles que dizem que tudo foi causado por uma falta de regulamentação ou se aqueles que dizem que tudo foi causado por excesso de intervenção estatal.

A tempestade perfeita

A crise financeira americana — a qual foi gerada pelo estouro de uma grande bolha imobiliária — teve características grandiosas e espetaculares simplesmente porque ela apresentou uma combinação de elementos até então inédita na história de qualquer economia mundial.  Nem mesmo a colossal crise financeira japonesa do início da década de 1990 — que também foi gerada pelo estouro de uma bolha imobiliária — apresentou uma conjunção tão harmoniosa de elementos a ponto de produzir um estrago semelhante.

Comecemos nossa análise com um gráfico que mostra o histórico da evolução dos preços dos imóveis americanos.  Mais especificamente, o gráfico mostra a mediana dos preços de venda de imóveis novos.

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Gráfico 1: mediana dos preços de venda de imóveis novos

O gráfico traz vários detalhes interessantes.  Até o início da década de 1970, quando os EUA ainda viviam sob alguns resquícios de padrão-ouro, os preços dos imóveis permaneceram praticamente constantes.  Durante a década de 1970, os preços praticamente duplicaram, mas isso foi efeito da alta inflação monetária ocorrida naquela década (que ficou conhecida como a década perdida dos EUA), e não especificamente de uma bolha.  Já durante a década de 1980 houve um mini-bolha, a qual estourou no início da década de 1990 (aficionados por economia podem pesquisar sobre a retração do mercado imobiliário americano nesta época).

A partir de 1993, início do governo Clinton, os preços voltaram a subir continuamente.  E aceleraram vertiginosamente a partir de 2001 até entrarem em colapso em 2008.

Logo, partindo-se deste gráfico, dois eventos devem ser analisados:

1) O que gerou a ascensão de preços a partir de 1993?

2) O que gerou a súbita aceleração a partir de 2003?

A década de 1990

Foi na década de 1990 que duas políticas governamentais voltadas exclusivamente para o setor imobiliário — mais especificamente, para aumentar o número de proprietários de imóveis — foram intensificadas.  Digo "intensificadas" porque estas políticas já existiam desde a década de 1970, mas foi somente na década de 1990 que elas ganharam poder total.

Quais foram estas políticas?

Fannie Mae e Freddie Mac

De um lado, havia duas empresas nominalmente privadas, mas que atendiam exclusivamente aos desejos do governo federal.  Estas duas empresas se tornaram mundialmente conhecidas em 2008, quando houve a quebradeira: trata-se da Federal National Mortgage Association (popularmente conhecida como Fannie Mae) e a Federal Home Loan Mortgage Corporation (popularmente conhecida como Freddie Mac).

Essas duas empresas foram criadas pelo Congresso americano e são oficialmente conhecidas como "empresas apadrinhadas pelo governo", pois usufruem vários privilégios concedidos pelo governo.  Primeiro, vamos entender o que elas fazem; depois, veremos por que elas são assim conhecidas.

Fannie Mae e Freddie Mac são empresas voltadas exclusivamente para o mercado imobiliário.  Mais especificamente, elas são empresas que existem para garantir liquidez ao mercado de hipotecas.  Elas não emprestam dinheiro para compradores de imóveis; elas apenas compram estes empréstimos dos bancos

Funciona assim: um americano vai a um banco comercial qualquer e pede um empréstimo para comprar um imóvel.  Ato contínuo, o banco cria dinheiro eletrônico e acrescenta estes dígitos eletrônicos na conta do tomador de empréstimo, que agora utilizará este dinheiro para comprar um imóvel.  Por uma questão de regra contábil, sempre que um banco concede um empréstimo, ele está criando um ativo e um passivo: o ativo é o valor do empréstimo, o passivo é o dinheiro que ele deu ao tomador de empréstimo. 

Atenção, pois esta parte é crucial: se um banco concede um empréstimo, o valor do seu ativo aumenta.  Quanto mais empréstimos ele concede, maior o valor do seu ativo (e, consequentemente, do seu passivo).  Por uma questão de regulamentação bancária (tanto do Banco Central americano quanto do Banco da Basileia), há um limite para o crescimento destes ativos.  Em termos técnicos, os ativos têm de manter uma proporção máxima em relação ao patrimônio líquido do banco.  Portanto, um banco não pode sair concedendo empréstimos a rodo, pois ele rapidamente atingiria este limite determinado. 

E é exatamente nesse ponto que Fannie e Freddie entram em cena.  A função destas empresas era comprar dos bancos comerciais exatamente estes empréstimos (títulos hipotecários) que eles concediam para compradores de imóveis

Ou seja: quando um banco comercial concedia um empréstimo imobiliário, ele colocava em seus ativos o valor total do empréstimo.  Mas se ele vendesse esse ativo (título hipotecário) para uma terceira parte, este ativo sairia de seus livros contábeis, ele receberia de volta a quantia que emprestou (na verdade, receberia um valor mais alto) e, em seguida, estaria livre para voltar a fazer novos empréstimos sem ultrapassar aquele limite entre ativos e patrimônio líquido estabelecido pelo Banco Central. 

Em resumo: Fannie e Freddie, ao comprarem as carteiras de empréstimos imobiliários dos bancos, permitiam que os bancos dessem continuidade aos seus empréstimos.  Em outras palavras, após um banco conceder um empréstimo para um comprador de imóveis, ele podia vender este empréstimo para Fannie ou Freddie.  Ato contínuo, este empréstimo não mais estaria nos livros contábeis do banco, o qual estaria agora livre para fazer novos empréstimos. 

Uma vez em posse dos títulos hipotecários, Fannie e Freddie agora eram as responsáveis pelos empréstimos.  A relação agora era entre elas e os tomadores de empréstimos imobiliários.  Enquanto estes continuassem pagando suas hipotecas, Fannie e Freddie continuariam tendo um fluxo de caixa.  Se os tomadores de empréstimos dessem o calote, Fannie e Freddie teriam enormes prejuízos.  Seus títulos hipotecários seriam remarcados para um valor zero e o patrimônio líquido de ambas seria severamente afetado.

Observe que os bancos que fizeram os empréstimos originais estão fora da jogada.  Eles não mais são os responsáveis pelo empréstimo e não mais lidam com o tomador do empréstimo.  Eles estão livres para voltar ao mercado imobiliário e conceder novos empréstimos.  Era uma espécie de moto-perpétuo.

Fannie e Freddie tinham duas opções: elas podiam manter em suas carteiras os empréstimos que compraram dos bancos (e, assim, aufeririam as receitas) ou podiam empacotar esses empréstimos e vender para investidores ao redor do mundo.  Esses empréstimos imobiliários vendidos por Fannie e Freddie para os investidores ao redor do mundo ficaram conhecidos como "títulos lastreados em hipotecas" (as famosas mortgage-backed securities).

Tradicionalmente, quando uma pessoa pega um empréstimo para comprar um imóvel, cria-se uma dívida entre ela e o banco.  Se a pessoa irá honrar sua dívida ou não, é problema do banco.  No cenário americano, Freddie e Fannie fizeram com que os bancos não mais se preocupassem com nada disso, pois eles sabiam que, tão logo concedessem um empréstimo imobiliário, Fannie e Freddie estavam lá para comprar este empréstimo a um valor acima do montante concedido. 

Desnecessário dizer que todo este processo — ao facilitar enormemente a compra de imóveis — gerou muito mais empréstimos imobiliários do que normalmente ocorreria.  Este direcionamento artificial de recursos para o mercado imobiliário aditivou os preços dos imóveis.

Freddie e Fannie usufruíam uma linha especial de crédito junto ao Tesouro americano, no valor de US$2,25 bilhões.  Esta garantia implícita de proteção conseguiu atrair um contínuo financiamento de investidores — que investiam dinheiro nestas empresas e compravam seus títulos lastreados em hipotecas —, pois estes investidores sabiam que, caso a coisa degringolasse, Fannie e Freddie seriam socorridas pelo governo americano. 

(Para se ter uma ideia da amplitude destas empresas, em setembro de 2008, quando o governo americano efetivamente nacionalizou ambas as empresas, elas detinham metade das hipotecas do país e praticamente 75% das hipotecas recém-concedidas.)

Por fim, vale ressaltar que Fannie e Freddie estavam profundamente envolvidas em politicagem.  A Fannie, mais especificamente, foi utilizada por políticos democratas que queriam diminuir as exigências que a empresa impunha para conceder empréstimos a pessoas de mais baixa renda.  Tudo em nome de estar ajudando os "necessitados".  Em setembro de 1999, ninguém menos que o próprio The New York Times publicou uma reportagem dizendo que a Fannie Mae estava afrouxando as exigências de crédito para as hipotecas que ela comprava dos bancos.  Segundo o próprio Times, a iniciativa era perigosa porque iria

estender hipotecas para indivíduos cujo histórico de crédito não são bons o suficiente para se qualificarem para empréstimos convencionais. [...]  A Fannie Mae tem estado sob intensa pressão do governo Clinton para dar sustentação a hipotecas de pessoas de renda baixa e moderada. [...] [Embora] as novas hipotecas sejam estendidas para todos os potenciais tomadores de empréstimos, [um dos objetivos do programa é] aumentar o número de proprietários de imóveis entre as minorias e os indivíduos de baixa renda, os quais tendem a apresentar um histórico de crédito pior que os dos brancos não-hispânicos. 

Ao se aventurar, mesmo que temporariamente, nesta nova área de empréstimos, a Fannie Mae está assumindo riscos consideráveis.  [...] Esta corporação subsidiada pelo governo pode vir a enfrentar problemas caso haja uma recessão econômica, o que levará o governo a socorrê-la.

Ou seja, até mesmo o The New York Times já havia percebido o risco envolvido nessa nova empreitada.

Não é o intuito deste artigo entrar em detalhes sobre o funcionamento de Freddie e Fannie, pois isso tomaria o espaço de um livro.  Há uma ampla literatura dedicada exclusivamente ao assunto (neste site há inclusive um artigo dedicado exclusivamente a estas empresas) e nada do que foi dito aqui é controverso.  Políticos democratas utilizaram estas agências para garantir que minorias e pessoas de baixa renda, sem nenhum histórico de crédito, conseguissem empréstimos para comprar a casa própria.  Estas seriam as mesmas pessoas que, como veremos mais abaixo, começaram a dar calotes nos empréstimos.

CRA e ações afirmativas

Mas apenas Fannie e Freddie não seriam capazes de estimular todo o mercado imobiliário, e muito menos o mercado subprime (subprime se refere a tomadores de empréstimo com histórico de crédito ruim).  É aí que entra em cena a segunda política governamental: ação afirmativa para empréstimos.

Fannie e Freddie não eram as únicas entidades utilizadas para reduzir os padrões de empréstimos.  Agências governamentais de vários tipos começaram a pressionar os bancos a fazerem empréstimos mais arriscados, e tudo em nome da "igualdade racial".  Caso se recusassem a assumir este comportamento temerário, os bancos poderiam ser legalmente processados por discriminação e racismo.

Em 1992, um estudo feito pela sucursal do Federal Reserve de Boston afirmou ter encontrado claras evidências de que, mesmo levando-se em conta as diferenças na capacidade creditícia de cada indivíduo, as minorias recebiam menos empréstimos do que os brancos.  Tal estudo foi considerado como definitivo por aqueles já dispostos a acreditar em sua conclusão: a saber, que os bancos americanos discriminavam negros e hispânicos — mas, curiosamente, não discriminavam os asiáticos, que recebiam ainda mais empréstimos do que os brancos.

Este estudo ressuscitou uma lei conhecida Community Reinvestment Act.  Trata-se de uma lei criada ainda no governo de Jimmy Carter, no final da década de 1970, e que foi plenamente revigorada no governo Clinton.  Esta lei deixou os bancos à mercê de processos por discriminação caso eles não emprestassem para minorias em um volume suficientemente alto, que satisfizesse as autoridades.

De acordo com as regras do Community Reinvestment Act (CRA), se um banco quisesse fazer qualquer alteração em suas operações comerciais — fusão, abertura de uma filial, entrada em uma nova linha de negócios —, ele deveria primeiro provar aos reguladores que ele, o banco, já fez uma quantidade "suficiente" de empréstimos aos mutuários preferidos do governo — no caso, minorias e pessoas de baixa renda.  

E, a partir de 1995, o governo americano passou a pressionar os bancos para que fizessem empréstimos sem que pudessem verificar critérios minimamente prudentes, como histórico de crédito do tomador de empréstimo, seu histórico de poupança e a magnitude do pagamento da hipoteca em relação à sua renda.  Os bancos não podiam nem sequer verificar a renda do mutuário.  Adicionalmente, o Banco Central americano havia dito aos bancos que a simples participação deste mutuário em programas de aconselhamento de crédito, muitos dos quais são financiados com fundos federais, poderia ser usada como "prova" da capacidade desse mutuário de baixa renda honrar seus pagamentos hipotecários.  Em outras palavras, os reguladores bancários federais exigiram que os bancos fizessem empréstimos ruins baseando-se em padrões de crédito inexistentes.

Vale novamente enfatizar que nada do que foi escrito até agora é matéria de controvérsia ou de dúvidas.  Toda a literatura a respeito do CRA e das políticas de ação afirmativa impostas por este decreto são de conhecimento público.  Para detalhes mais profundos sobre o tema, recomendo este artigo, bem como todas as suas referências bibliográficas.

A década de 2000 — a intensificação de tudo

Até aqui, falamos apenas sobre duas políticas governamentais voltadas para estimular a aquisição de imóveis: as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, e o decreto CRA.

Estas duas políticas governamentais ajudam a explicar por que houve uma bolha imobiliária, mas elas por si sós não justificam toda a amplitude da bolha imobiliária.  Adicionalmente, como mostrado no gráfico 1, foi só a partir da década de 2000 que os preços dos imóveis realmente dispararam.  Por quê?

Incentivos à especulação

Em primeiro lugar, é crucial entender a questão dos incentivos.  A partir do momento em que os critérios exigidos para se conceder empréstimos imobiliários foram artificialmente relaxados por imposição do governo americano, e a partir do momento em que o próprio governo adotou políticas que estimulavam a aquisição de imóveis, foi apenas uma questão de tempo para que o setor imobiliário se tornasse um território propício à especulação.  

O aumento na demanda por imóveis — estimulado pelo acesso artificialmente facilitado aos financiamentos — gerou um inevitável e contínuo aumento nos preços dos imóveis.  Este aumento contínuo, por sua vez, produziu o "inesperado" efeito de atrair especuladores para o mercado imobiliário.  Tornou-se extremamente comum um indivíduo adquirir um empréstimo, comprar uma casa, fazer alguns aprimoramentos nesta casa e, apenas um ano depois, revendê-la a um preço muito maior, entregando a hipoteca para o novo comprador que, seis meses depois, faria a mesma coisa que seu antecessor.  Ou seja, comprar um imóvel havia virado um investimento altamente rentável e de ganho certo. 

Aqueles que não compravam com a intenção de revender passaram a utilizar suas casas como um caixa eletrônico: sempre que o imóvel se valorizava, o indivíduo ia ao banco e, utilizando o novo valor da sua casa como colateral, negociava um novo empréstimo para gastar em bens de consumo, como carros e televisores de plasma.

Um arranjo como este perdura enquanto os preços dos imóveis estiverem em ascensão.  Se os preços começarem a cair, duas coisas ocorrerão: a revenda do imóvel passará a dar prejuízo e o valor da hipoteca será maior do que o valor do imóvel, o que impedirá qualquer tipo de renegociação com os bancos e deixará o mutuário com um patrimônio negativo.  Em suma, todo o esquema especulativo virá abaixo.  E não apenas isso: dar o calote e abandonar o imóvel passará a ser a opção mais racional (e, como veremos mais abaixo, foi isso o que ocorreu no final da década.)

Agências de classificação de risco

Mas o que tornou possível essa contínua especulação?  O que fez com que Fannie e Freddie fossem capazes de comprar e revender títulos lastreados em hipotecas ininterruptamente?  Como dito acima, em setembro de 2008, ambas as empresas detinham metade das hipotecas do país e praticamente 75% das hipotecas recém-concedidas.  De onde vieram os fundos que permitiram isso?  Resposta: de duas fontes.

Em primeiro lugar, não se pode de modo algum ignorar a função deletéria exercida pelas agências de classificação de risco, como Moody's, Fitch e Standard & Poor's.  Sem elas, a bolha imobiliária certamente teria sido menor.  Qual foi o estrago que elas fizeram? 

Para entender, voltemos àquele exemplo prático dado logo no início do artigo.  Um americano típico, John Smith, vai a um banco qualquer e consegue um empréstimo para comprar um imóvel.  Ato contínuo, este banco irá revender este empréstimo (que é um ativo) para Fannie e Freddie.  Ambas terão a opção de ou manter este ativo ou revender este ativo.  Na maioria das vezes, como mostram os números do parágrafo acima, elas mantinham este ativo em suas carteiras.  Porém, em vários casos, elas empacotavam estes ativos e revendiam para investidores de todo o mundo, em sua esmagadora maioria grandes conglomerados financeiros e grandes bancos de investimento. 

Bear Stearns, Lehman Brothers, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Merril Lynch, Morgan Stanley, Citibank, Bank of America eram os compradores americanos mais famosos, ao passo que Barclays, Royal Bank of Scotland e Northern Rock (Reino Unido), BNP Paribas e Société Générale (França), Credit Suisse e UBS (Suíça), e Deutsche Bank (Alemanha) eram os mais famosos compradores da Europa.

Esta prática de empacotar ativos e revendê-los é chamada de securitização.  O principal problema com esta securitização é que ela misturava ativos bons (mutuários com bom histórico de crédito) com ativos ruins (mutuários sem nenhum histórico de crédito) no mesmo pacote.  Logo, quem comprava um pacote contendo ativos bons também acabava por tabela adquirindo ativos ruins.  Qualquer calote dos ativos ruins afetaria sobremaneira os balancetes destas instituições.

Portanto, a pergunta inevitável é: como estes grandes bancos foram seduzidos a comprar estes ativos (tecnicamente chamados de derivativos de crédito) contaminados?  Resposta: porque agências de classificação de risco, como Moody's, Fitch e Standard & Poor's, deram classificação máxima (AAA) para estes ativos. 

O que nos leva à próxima pergunta: por que estas agências cometeram erros tão crassos?  As respostas variam.  Há quem diga que, como durante todo o período os preços dos imóveis só faziam subir e os títulos lastreados em hipotecas estavam gerando grandes retornos, com pouquíssimos calotes, as agências optaram pela decisão superficial de classificá-los de maneira extremamente favorável.  Há também quem diga que todos os departamentos do governo federal americano que possuíam ligações com o setor imobiliário e que estavam incentivando políticas de compra de imóveis fizeram pressão neste sentido.  Neste caso, as agências de classificação de risco simplesmente não quiseram se opor a iniciativas politicamente populares.

O que realmente se sabe é que estas três agências de classificação de risco são um cartel estritamente regulado pela SEC (a CVM americana).  É a SEC quem permite a existência destas três agências, e é ela quem regulamenta e decide quem pode e quem não pode entrar neste mercado. 

Na prática, isso significa que não pode surgir concorrência externa, pois o governo não deixa. Quem vai ter cacife para bancar uma agência de classificação de risco que seja genuinamente independente neste cenário altamente regulamentado?  Há um longo e extenuante processo burocrático-regulatório, de modo que é impossível surgir uma agência para confrontar as classificações destas três grandes.

Portanto, é perfeitamente plausível imaginar que estas três agências não iriam querer criar turbulência política e se indispor com o governo americano rebaixando a classificação dos títulos hipotecários.  Isso poderia colocar em risco seu privilegiado cartel (totalmente protegido pelo governo americano) e, consequentemente, afetar seus portentosos lucros.  O fato é que estas agências merecem toda a culpa que lhes foi atribuída.  Elas estavam apenas fazendo o que o governo lhes mandava.

O principal culpado de tudo

No entanto — e este é o tema desta seção — absolutamente nada disso teria sido possível caso não houvesse uma entidade com o poder legal de criar dinheiro do nada e injetar este dinheiro no setor bancário para que os bancos pudessem continuamente criar mais empréstimos.  Sem uma entidade alimentando todo este sistema com dinheiro criado do nada, não teria sido possível que (1) os empréstimos bancários para a aquisição de imóveis aumentassem continuamente por 15 anos; (2) que os preços dos imóveis disparassem, alimentando todos os tipos de atividades especulativas; (3) que Fannie Mae e Freddie Mac fossem capazes de atrair um volume cada vez maior de dinheiro de investidores por contarem com a proteção implícita do governo; (4) que o decreto CRA fosse bem-sucedido em obrigar os bancos a continuamente fazer empréstimos para pessoas com histórico de crédito duvidoso.

Em suma: sem um Banco Central criando dinheiro e dando este dinheiro aos bancos para que estes concedessem empréstimos — e, com isso, fizessem com que a quantidade de dinheiro na economia americana aumentasse continuamente —, não teria como haver uma bolha imobiliária.  Certamente, não uma bolha destas proporções. 

Todo este novo dinheiro criado pelo Banco Central americano (Fed) e multiplicado pelo sistema bancário por meio do processo de reservas fracionárias foi majoritariamente canalizado para o setor imobiliário.  E, para intensificar ainda mais as distorções, os critérios excessivamente frouxos para a concessão de empréstimos — critérios estes gerados por políticas governamentais criadas exatamente com este propósito — fizeram com que especulações e compras imobiliárias excessivas parecessem investimentos geniais. 

Portanto, eis o resumo: as medidas governamentais visando à redução dos padrões de empréstimos em conjunto com os privilégios usufruídos pelas para-estatais Fannie Mae e Freddie Mac desviaram para o setor imobiliário uma fatia extremamente volumosa de todo o dinheiro que o Banco Central e o sistema bancário do EUA estavam criando.  Para tornar a tempestade ainda mais perfeita, as agências de classificação de risco contribuíram para a bagunça concedendo classificação máxima para todos os títulos imobiliários oriundos deste arranjo, principalmente aqueles títulos de emprestadores sem nenhum histórico de crédito.  Isso fez com que os grandes bancos americanos, e também os grandes bancos estrangeiros, comprassem títulos hipotecários em quantias volumosas, permitindo que Fannie e Freddie continuassem dando liquidez ao mercado imobiliário, perpetuando a bolha.

Mas foi o Fed, em última instância, quem tornou possível todo o boom artificial do setor imobiliário, e foi todo o dinheiro por ele criado quem forneceu o principal estímulo à subida estrondosa dos preços dos imóveis vista na década de 2000.

Anatomia do colapso

Tendo em mente todo este arranjo, e sabendo como tudo funcionava, podemos agora ver como tudo ocorreu. 

A bonança

Todo o processo começou a ser desencadeado no final do ano 2000, quando houve o estouro da bolha das empresas de tecnologia.  Temendo uma iminente recessão, o Fed aumentou suas injeções de dinheiro no sistema bancário para gerar uma redução nos juros.  Estas injeções de dinheiro foram intensificadas logo após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.  Durante este período, a taxa básica de juros da economia americana caiu de 6,5% para 1%.  E assim ficou até meados de 2004.

O gráfico abaixo ilustra este período.  A linha azul, eixo da esquerda, mostra a evolução da taxa básica de juros da economia americana.  A linha vermelha, eixo da direita, mostra a evolução da base monetária, que é uma variável sob total controle do Banco Central, e que representa todo o dinheiro criado pelo Banco Central.  Observe a aceleração ocorrida a partir de 2001.

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Gráfico 2: evolução da taxa básica de juros (linha azul, eixo da esquerda) e evolução da base monetária (linha vermelha, eixo da direita).

Este aumento na base monetária deixou os bancos repletos de dinheiro para ser emprestado.  E emprestar foi o que eles fizeram, e majoritariamente para o setor imobiliário. 

O gráfico abaixo mostra os empréstimos totais feitos pelo setor bancário (linha azul).  E mostra também os empréstimos exclusivamente voltados para a aquisição de imóveis (linha vermelha).  Observe a evolução desde 1980, e a grande aceleração ocorrida na década de 2000.

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Gráfico 3: evolução do crédito total concedido pelo setor bancário (linha azul) e evolução do crédito total concedido à compra de imóveis (linha vermelha).

Vale observar que, de 2000 a 2008, o crédito total aumenta incríveis 100%, de US$3,5 para US$7 trilhões.  Isso significa que o sistema bancário, estimulado pelo Fed, jogou US$3,5 trilhões na economia americana em apenas 8 anos.  Para a aquisição de imóveis foram direcionados "módicos" US$2 trilhões (de US$1,5 trilhão para US$3,5 trilhões).

Ou seja, dos US$3,5 trilhões jogados na economia, US$2 trilhões foram para o setor imobiliário.  Acrescente a isso todas as medidas governamentais citadas ao longo deste artigo, e realmente não há absolutamente nenhum motivo para se estranhar a bolha imobiliária que foi formada.

Isso explica toda aquela elevação de preços observada no gráfico 1.  De 1993 a 2006, os preços dos imóveis se apreciaram acentuadamente.  Em alguns mercados específicos, até mesmo os preços das moradias mais simples se tornaram astronomicamente altos.  Esta subida nos preços estimulava novos investimentos em mais construções de imóveis, o que gerava um aumento na oferta de imóveis.  E este aumento na oferta de imóveis viria, mais à frente, a exercer uma pressão baixista nos preços dos imóveis.

O colapso

A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário.  Consequentemente, os juros começaram a subir.

O gráfico abaixo mostra esta correlação entre desaceleração do crescimento da base monetária e aumento da taxa básica de juros.

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Gráfico 4: evolução da taxa básica de juros (linha azul, eixo da esquerda) e evolução da base monetária (linha vermelha, eixo da direita).

Este aumento da taxa básica de juros de 1% para 5,25% afetou as taxas de juros dos empréstimos imobiliários.  Os juros das hipotecas com taxas ajustáveis (linha vermelha) saem de uma mínima de 3,5% no início de 2004 e vão para quase 6% em meados de 2006.  Já os juros das hipotecas convencionais, de 30 anos (linha azul), vão de 5,5% para quase 7% neste mesmo período.

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Gráfico 5: evolução das taxas de juros das hipotecas com taxas ajustáveis (linha vermelha) e evolução das taxas de juros das hipotecas convencionais, de 30 anos (linha azul)

Este aumento dos juros esfriou a demanda por imóveis.  Uma redução na demanda por imóveis em conjunto com um acentuado aumento na oferta de imóveis gerou o inevitável: no final de 2006, os preços começaram a cair.

A queda nos preços — na realidade, a percepção de que os preços não mais iriam aumentar — arrefeceu toda a atividade especulativa.  Pessoas que haviam comprado imóveis para especular viram que a festa havia acabado.  O que elas fizeram?  Simplesmente pararam de pagar suas hipotecas.  Deram o calote.  Por quê?  Porque elas haviam pegado empréstimos extremamente generosos, que não exigiam absolutamente nenhum pagamento de entrada.  Elas simplesmente abandonaram seus imóveis.  Não perderam nada.

Já outras pessoas pararam de pagar suas hipotecas simplesmente porque o aumento dos juros havia tornado impossível continuar honrando suas prestações.

A combinação destes dois fatores fez com que os calotes totais nos empréstimos imobiliários disparassem.  Começou timidamente em 2006.  Disparou em 2007.  Foi para a estratosfera em 2008. 

De 2005 até o final de 2008, os calotes pularam de US$20 bilhões para US$170 bilhões.  Um aumento de 750% em 4 anos.

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Gráfico 6: Inadimplência total dos empréstimos garantidos por imóveis

A partir daí, o resto é história.  O aumento nos calotes fez com que todos os bancos de investimento que haviam comprados títulos lastreados em hipotecas repentinamente não mais auferissem essa receita.  O valor destes ativos caiu para zero.  Uma redução nos ativos sem uma concomitante redução nos passivos fez com que vários destes bancos sofressem uma brutal redução em seu capital (patrimônio líquido).  Com o capital afetado, os bancos simplesmente pararam de conceder novos empréstimos, inclusive entre eles próprios no mercado interbancário.  Isso gerou o famoso problema do congelamento do mercado de crédito. (Veja no gráfico 3 como a linha azul se torna plana no primeiro semestre de 2008).  Consequentemente, vários bancos começaram a enfrentar sérios problemas de liquidez.

Essa crise começou a se tornar mundialmente visível em agosto de 2007.  No dia 9 daquele mês, o banco francês BNP Paribas anunciou que estava suspendendo saques em dois dos seus fundos que haviam investido volumosamente em títulos lastreados em hipotecas americanas.  Isso afetou o banco britânico Northern Rock, que dependia exatamente destes fundos de investimento para conseguir liquidez.  Incapaz de conseguir um empréstimo de curto prazo no mercado bancário, o Northern Rock recorreu ao Banco Central da Inglaterra para pedir um empréstimo de 3 bilhões de libras.  Tudo parecia estar indo bem, exceto por um detalhe: um informante dentro do Banco da Inglaterra alertou a BBC sobre a operação no dia 13 de setembro de 2007.  A notícia de que o banco estava insolvente se espalhou como fogo na pólvora e, na manhã seguinte, houve uma corrida bancária ao Northern Rock, com correntistas ávidos para sacar seu dinheiro.  Foi a primeira corrida bancária em larga escala desde 1930.  O governo britânico anunciou que iria garantir todos os depósitos do banco.  No dia 17 de fevereiro de 2008, após o governo recusar várias ofertas de aquisição pelos outros bancos, o Northern Rock foi nacionalizado.

bank-run-04.gifDaí por diante, todo o castelo de cartas começou a desabar. 

O banco de investimentos Bear Stearns se tornou insolvente em março de 2008.  O Tesouro americano orquestrou sua aquisição pelo JP Morgan. 

No dia 7 de setembro, Fannie Mae e Freddie Mac foram nacionalizadas completamente. 

Na semana seguinte, o Fed orquestrou a aquisição do Merril Lynch pelo Bank of America. 

No dia 15 de setembro, o Lehman Brothers anunciou sua falência.  Não houve socorro. 

No dia seguinte, a seguradora AIG, de alcance global, também anunciou que estava sem dinheiro.  O caso da AIG é interessante.  Ela repentinamente se descobriu sem dinheiro não porque havia investido em títulos lastreados em hipotecas, mas sim porque havia emitidos seguros contra o calote de hipotecas (os chamados "credit default swaps").  Sempre que uma instituição era caloteada por algum devedor, ela recorria à AIG, que havia emitido apólices contra esses calotes hipotecários.  Com a súbita disparada nos calotes, a AIG repentinamente foi para o vermelho.

E por que a AIG havia emitido tantas apólices de seguro contra calotes de hipotecas?  Porque ela havia sido informada pelo governo de que os preços dos imóveis jamais cairiam, e havia também sido informada pelas três agências de classificação de risco e que os títulos lastreados em hipotecas eram AAA — isto é, extremamente confiáveis e seguros.  Ou seja, em troca desta segurança prometida, a AIG emitiu várias apólices e coletou uma boa soma em prêmios.  Até que tudo se reverteu, e todos os bancos foram correndo reclamar suas indenizações.

No total, até o fim do ano de 2008, o Fed viria a emprestar US$125 bilhões para a AIG em troca de 80% da empresa.  Segundo o The New York Times, esta foi "a mais radical intervenção no setor privado em toda a história do Banco Central".

Após todas estas intervenções, o Fed assumiu uma postura totalmente inaudita em toda a sua história: ele simplesmente passou a comprar todos os títulos hipotecários em posse dos bancos.  Ou seja, ele passou a imprimir dinheiro e dar aos bancos em troca dos títulos hipotecários em posse destes bancos.  Isso limpou o balancete dos bancos e fez com que a base monetária explodisse.  No entanto, e felizmente, todo este aumento da base monetária não se converteu em expansão do crédito.  Ou seja, os bancos não jogaram este dinheiro na economia.  A quase totalidade do aumento da base monetária transformou-se em "reservas em excesso".  "Reservas em excesso" são as reservas que os bancos mantêm voluntariamente depositadas junto ao Fed, além do volume determinado pelo compulsório. 

O gráfico abaixo mostra a evolução da base monetária (linha azul) e das reservas em excesso (linha vermelha), que representa o dinheiro que os bancos não emprestaram ao público porque preferriam mantê-lo voluntariamente depositado junto ao Fed, que está pagando juros de 0,25% ao ano sobre este montante.

fred7.png

Gráfico 7: evolução da base monetária (linha azul) e evolução das reservas em excesso (linha vermelha)

Toda esta nova política adotada pelo Fed resultou em um generoso e gratuito subsídio para o sistema bancário.  No final, não apenas seus lucros dos tempos da bonança foram mantidos, como os prejuízos ainda foram socializados.  Atualmente, os bancos de Wall Street operam em um regime de risco quase nulo: eles fazem empréstimos hipotecários, revendem os títulos das hipotecas para o Fed, recebem o dinheiro de volta (com um lucro), e ainda deixam boa parte deste dinheiro recebido do Fed depositado no próprio Fed, que está pagando 0,25% ao ano sobre este montante.

Por causa de toda a intervenção governamental, toda a lambança acabou valendo a pena para os bancos.

Conclusão

Não é o escopo deste artigo fazer digressões sobre como o governo americano e seu Banco Central deveriam ter atuado durante a crise.  Crises bancárias é um assunto vasto e complexo, e merece um artigo à parte (um esboço pode ser visto aqui e um mais completo aqui).  Tampouco houve o intuito de fazer algum juízo de valor.  A única intenção foi mostrar, sem ideologias ou partidarismos, como realmente se desenrolou todo o processo que levou à formação de uma bolha imobiliária, como se deu seu estouro e como isso afetou todo o sistema bancário.

De posse de todas as informações aqui contidas, o leitor deve se fazer as três seguintes perguntas:

1) Todo este arranjo apresentado configura um sistema totalmente desregulamentado, um genuíno laissez-faire, ou, ao contrário, representa um sistema fortemente intervencionista, no qual políticos, burocratas e reguladores determinavam regras e agitavam em prol de suas conveniências?

2) Um sistema bancário que goza de uma garantia implícita dada pelo governo — de que haverá socorro caso as coisas deem erradas — tende a apresentar comportamentos mais temerários ou mais prudentes?

3) Sem um Banco Central criando dinheiro e permitindo aos bancos manterem suas expansões creditícias de modo crescente, será que tudo isso teria sido possível?

As respostas a estas perguntas têm de estar claras antes de se iniciar qualquer debate a respeito da crise.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


168 comentários
168 comentários
Pepe Legal 25/09/2013 08:03:29

Artigo muito bem escrito e claro. Parabéns

Responder
Leandro 25/09/2013 20:06:59

Obrigado por ser legal comigo, Pepe. Abraço!

Responder
Pedro Ivo 26/09/2013 14:24:40

Mas elogio do Pepe não conta: ele é Legal

Responder
Pobre Paulista 25/09/2013 11:50:11

"...elas detinham metade das hipotecas do país e praticamente 75% das hipotecas recém-concedidas"""

Qualquer semelhança com a nossa querida CEF é mera coincidência.

Responder
Wilian Delatorre 25/09/2013 18:29:04

Depois do colapso quem o governo irá culpar?

Responder
Pobre Paulista 26/09/2013 12:17:48

Irão culpar os "Eles", como sempre

Responder
Pedro Ivo 26/09/2013 19:53:51

Culparão aos capitalistas gananciosos. Na falta deles aos smurffs, mas nunca ao Gargamel (Guido Mantega).

Responder
Pedro Ivo 27/08/2014 13:19:29

Overdose. Para quem não assistiu, fica a recomendação.

Responder
Flávio 25/09/2013 11:55:54

Leandro, bom dia,

Este processo brilhantemente explicado por você acabou gerando a bolha imobiliária americana e consequentemente a crise financeira americana.

Eu estaria certo em dizer que as respostas dadas pelas autoridades americanas a tal crise gerou e está gerando bolhas em todo o mundo, inclusive o Brasil.

Já se sabe que na Espanha houve um estouro da bolha imobiliária, no brasil penso que ela ainda não estourou e que só irá de fato estourar após as eleições presidenciais de 2014, visto que, qualquer que seja o vencedor, terá que necessariamente corrigir o desequilíbrio existente no setor da construção civil. Você acha que estou pensando de forma correta?

Na certeza de ser atendido, desde já antecipo meus agradecimentos.

Atenciosamente,

Flávio



Responder
Leandro 25/09/2013 19:28:27

Aqui ela já arrefeceu e o setor já iniciou sua reestruturação. Mas não será absolutamente nada parecido com o que houve nos EUA. Muito menos no setor bancário.

Responder
Pedro Ivo 26/09/2013 19:59:38

Leandro, você acha que "não será absolutamente nada parecido com o que houve nos EUA." por quê? Seria pela magnitude do setor ser menor; de a expansão creditícia ser menor; porque o governo ainda tentará reflacionar; ou por algum outro motivo?

"Muito menos no setor bancário." - De novo, por quê?

Responder
Leandro 27/09/2013 01:10:17

Será menor porque a quantidade de crédito direcionada pelo setor bancário para o setor imobiliário, embora tenha crescido muito, não representa (ainda) uma fatia substantiva da carteira dos bancos. É claro que um calote generalizado iria deixá-los em situação difícil, mas não quero especular a probabilidade deste cenário, pois não sei a real situação financeira dos mutuários. Ademais, se os problemas ocorrerem com a Caixa, o governo irá socorrê-la, como já o fez nas décadas de 1980 e 1990.

Responder
Pobre Paulista 25/09/2013 12:08:35

Em tempo, parece claro que essa crise ainda não acabou. Falta o último capítulo: Colocar essas toneladas de dólares de "reservas em excesso" de volta na economia.

Responder
Pedro Ivo 14/11/2013 12:12:35

Eu postei um palpite sobre como essa enchurrada vai acontecer num artigo + antigo, do Jim Rogers, aqui do sítio. Dá uma olhada e me dê sua opinião>É este aqui

Responder
Cleiton 25/09/2013 12:26:16

Excelente artigo. Finalmente entendi a crise de 2008. Deve ser compartilhado em toda e qualquer rede social.

Responder
Samir Jorge 25/09/2013 13:07:17

Realmente. A cronologia de uma medida aparentemente isolada, todavia com implicações associativas, amplia a capacidade perceptiva. Carter, Clinton, Alan Greenspan, instituições. Creio que o melhor remédio para a idolatria é o ceticismo.

Parabéns pelo artigo Leandro Roque. Um artigo didático e assimilável.

Atenciosamente,

(a) - Samir Jorge

Responder
anônimo 25/09/2013 13:12:36

Não se preocupem. O Super-Estado está aí para salvar. O Grande Estadista, Barack Obama, salvou a economia dos EUA! Graças às internvenções do Estado, os EUA sairam da crise.

Responder
giulia 19/03/2014 17:16:08

O estado que criou o monstro... Agora está tentando mata-lo usando as mesmas armas que fizeram com que ele nascesse: embriagando o mercado com liquidez

Responder
Fernando 25/09/2013 13:18:45

"No entanto, e felizmente, todo este aumento da base monetária não se converteu em expansão do crédito. "

Em última análise, o Fed queria expandir a Demanda Agregada. Essa é a característica fundamental de qualquer recessão: Demanda Agregada insuficiente. Isso em princípio não tem nada a ver com 'bail outs' do setor bancário, problemas de moral hazard ou socialização de perdas (sim, capitalismo é sobre perdas e ganhos e os taxpayers não devem pagar a conta, ninguém discute isso).
Portanto, não foi "felizmente" que a expansão da base não se convertou em aumento da Demanda Agregada Nominal, e sim infelizmente. Mas o Fed já tinha, sem intenção, adotado as medidas para o próprio fracasso - começou a pagar juros positivos sobre os excess reserves e ainda prometeu que recuaria em sua política de expansão monetária ao primeiro sinal de recuperação ou de maior expectativa de inflação.
O Fed foi sim muito tímido e deixou passivamente a Política Monetária contrair na maior taxa desde os anos 1930. A Grande Recessão de 2008+, assim como a Grande Depressão dos 1930's, não foi causada por uma crise financeira resultante de estouro de bolhas, e sim causada por uma Política Monetária altamente contracionista por parte do Fed.

A Escola Austríaca é fascinante em muitos aspectos, mas Macro não é o forte dela.

Milton Friedman sobre Austrian Business Cycle:
FRIEDMAN I think the Austrian business-cycle theory has done the world a great deal of harm. If you go back to the 1930s, which is a key point, here you had the Austrians sitting in London, Hayek and Lionel Robbins, and saying you just have to let the bottom drop out of the world. You've just got to let it cure itself. You can't do anything about it. You will only make it worse. You have Rothbard saying it was a great mistake not to let the whole banking system collapse. I think by encouraging that kind of do-nothing policy both in Britain and in the United States, they did harm.

Responder
Leandro 25/09/2013 14:22:37

"Em última análise, o Fed queria expandir a Demanda Agregada."

Não. Ele queria socorrer os bancos. Tanto é que criou esse programa, totalmente inédito, de pagar juros sobre reservas em excesso. Isso foi uma forma tanto de dar dinheiro de graça aos bancos quanto de impedir que eles convertessem em expansão do crédito todo o dinheiro que lhes foi dado, o que geraria uma hiperinflação à la Zimbábue.

"Essa é a característica fundamental de qualquer recessão: Demanda Agregada insuficiente."

Errado. Crises e recessões não são causadas por uma misteriosa queda na demanda agregada. Crise e recessões são causadas por investimentos errôneos e insustentáveis -- pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima. Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

A causa de uma recessão não é demanda agregada, mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores. O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão. Exatamente como está ocorrendo agora.

"Isso em princípio não tem nada a ver com 'bail outs' do setor bancário, problemas de moral hazard ou socialização de perdas (sim, capitalismo é sobre perdas e ganhos e os taxpayers não devem pagar a conta, ninguém discute isso)."

Tem tudo a ver. Não há nenhum burocrata do Fed que negue que tenha ocorrido um bail-out e que houve problemas de risco moral.

"Portanto, não foi "felizmente" que a expansão da base não se convertou em aumento da Demanda Agregada Nominal, e sim infelizmente."

Claro que foi "felizmente". Se toda aquela explosão da base monetária houvesse se convertido em expansão do crédito -- o processo de reservas fracionárias multiplicaria aquele aumento por 10 --, o dólar não mais existiria. Os EUA virariam a República de Weimar.

"Mas o Fed já tinha, sem intenção, adotado as medidas para o próprio fracasso - começou a pagar juros positivos sobre os excess reserve"

Por que sem intenção? Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Tanto é que continua fazendo a mesmíssima coisa até hoje.

"e ainda prometeu que recuaria em sua política de expansão monetária ao primeiro sinal de recuperação ou de maior expectativa de inflação."

O Fed nunca prometeu isso. Muito pelo contrário: em suas atas ele já deixou claro, umas 25 vezes, que só vai começar a retirar os estímulos quando o desemprego cair abaixo de 6,5% e quando a inflação de preços ultrapassar os 2,5%. É a imprensa, e unicamente a imprensa, que fica inventando estas notícias. Você deveria ir à fonte em vez de confiar naquilo que a Folha de S. Paulo traduz do The New York Times.

"O Fed foi sim muito tímido e deixou passivamente a Política Monetária contrair na maior taxa desde os anos 1930."

Em momento algum houve contração na base monetária -- variável sob total controle do Fed -- durante a decada de 1930. Não precisa confiar em mim, não. Pode ir conferir na própria fonte.

O que houve foi uma quebra generalizada de bancos, o que gerou uma grande deflação monetária (do M1). Quando bancos que operam com reservas fracionárias quebram, o dinheiro literalmente some. Como alguns bancos mais alavancados haviam quebrado em decorrência do crash da bolsa, isso assustou as pessoas, que então correram em massa para retirar seu dinheiro dos outros bancos. Como o sistema trabalha com reservas fracionárias, todo o sistema entrou em colapso. Não teve nada a ver com a política monetária do Fed, a qual, como mostra o gráfico do próprio Fed no link acima, foi extremamente expansionista.

"A Grande Recessão de 2008+, assim como a Grande Depressão dos 1930's, não foi causada por uma crise financeira resultante de estouro de bolhas, e sim causada por uma Política Monetária altamente contracionista por parte do Fed."

Política monetária contracionista do Fed a partir de 2008 é uma tirada digna de Ricky Gervais. Parabéns pelo senso de humor.

"A Escola Austríaca é fascinante em muitos aspectos, mas Macro não é o forte dela."

No seu caso, além de macro não ser o seu forte, dados históricos também parecem não ser.

Abraços!

Responder
Bezerra 25/09/2013 15:28:38

O irônico foi que pesquisando sobre Milton Friedman cheguei a este site e à maravilhosa Escola Austríaca. Ao vê-lo sendo usado para justificar o intervencionismo, não me parece que Mises estava totalmente errado ao chamá-lo de socialista.

Responder
Fernando 26/09/2013 14:55:24

"Essa é a característica fundamental de qualquer recessão: Demanda Agregada insuficiente."

Tanto keynesianos e monetaristas acreditam que o que explica o fato estilizado de recessões (por que tanta gente está disposta a trabalhar e não encontra emprego?) é um problema de Demanda Agregada insuficiente. Aqui ABC ta bem fora do mainstream.
Pra ser rápido (não dá pra ficar falando sobre business cycle theory que aí já foge do escopo). O modelo que eu tenho em mente é um simples modelo AD/AS com rigidez nominal. O Fed comanda AD. AS no longo prazo é vertical e depende do estoque de capital/trabalho, tecnologia e todo o resto. AS no curto prazo é crescente. Recessões são causadas por choques nominais não antecipados. Já que a maioria dos contratos (de empréstimos, de salários, entre outros) na economia são denominados em termos nominais, se de repente você tem um choque nominal negativo na economia, fica muito mais difícil para os bancos honrarem seus empréstimos e para as empresas contratarem/manterem seus empregados, e aí você tem a sua recessão.
O famoso slogan do Milton Friedman era "Inflation are always and everywhere a monetary phenomenon". Já que nós usamos moeda como meio de troca e meio de conta, não dá pra conceber uma recessão sem estar associada à moeda. Por isso alguns economistas reaplicam esse slogan do Friedman assim: Recessions are almost always and everywhere a monetary phenomenon.


"Claro que foi "felizmente". Se toda aquela explosão da base monetária houvesse se convertido em expansão do crédito -- o processo de reservas fracionárias multiplicaria aquele aumento por 10 --, o dólar não mais existiria. Os EUA virariam a República de Weimar."

A meta de inflação do Fed implícita é de 2%. O Fed, como vc bem observou, tem o total controle da base monetária. O que implica que o Fed tem o total controle sobre a trajetória da economia nominal. Se os EUA por um acaso tivessem hiperinflação, isso só ocorreria se o Fed quisesse. Os EUA só virariam uma República de Weimar se o Fed quisesse.


"Por que sem intenção? Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Tanto é que continua fazendo a mesmíssima coisa até hoje."

O Fed, como eu disse, foi tímido. Em ata de reunião do FOMC logo após a quebra do Lehman Brothers o Fed explicitou que balanceava os riscos de inflação com os riscos de uma recessão. O FOMC decidiu então deixar o fed funds rate target inalterado (o que se revelou extremamente errado posteriormente) A política de interests on reserves foi precaucionária. O Fed é uma instituição muito conservadora e acanhada para fazer políticas agressivas ou não convencionais. O interests on reserves foi meio que uma maneira do Fed sinalizar "olha, nós vamos injetar esse monte de liquidez no sistema bancário, mas nós ainda estamos preocupados com a expectativa de inflação e estamos comprometidos a não deixar ela sair de controle, ok?"


"O Fed nunca prometeu isso. Muito pelo contrário: em suas atas ele já deixou claro, umas 25 vezes, que só vai começar a retirar os estímulos quando o desemprego cair abaixo de 6,5% e quando a inflação de preços ultrapassar os 2,5%. É a imprensa, e unicamente a imprensa, que fica inventando estas notícias. Você deveria ir à fonte em vez de confiar naquilo que a Folha de S. Paulo traduz do The New York Times."

Eu não leio Folha nem NY Times (não sou fan do Krugman hehe). Mas nesse ponto estamos de acordo (eu acho!). O Fed de fato fez essa estratégia de comunicação forward-looking, digamos assim. E ela está certa mesmo, o Fed tem que se comunicar com o público a respeito do que ele vai fazer não hoje, mas nos períodos a frente. Ora, as expectativas sobre trajetória futura da política monetária têm impacto vastamente maior sobre a Demanda Agregada hoje do que o Fed está fazendo hoje. Lars Svensson, entre outros, chegam ao ponto de reduzir a política monetária à tarefa de "manager of expectations", do tanto que as expectativas são importantes. Isso é textbook New Keynesian. Mas o que muitos críticos apontam é que isso simplesmente não foi bom o suficiente. O Fed tinha que ser bem mais claro e entusiasta nas suas ações. Até Michael Woodford, talvez o mais respeitado acadêmico sobre política monetária da atualidade, recentemente endorsou Nominal GDP Level Targeting. macromarketmusings.blogspot.com.br/2012/08/michael-woodford-endorses-nominal-gdp.html


"Em momento algum houve contração na base monetária -- variável sob total controle do Fed -- durante a decada de 1930. Não precisa confiar em mim, não. Pode ir conferir na própria fonte."

A Base Monetária não é um indicador confiável da posição da Política Monetária. Quase nenhum economista moderno vai dizer que a Política Monetária dos anos 1930 foi expansionista baseado somente na observação de que a Base Monetária aumentou. Milton Friedman e Anna Schwartz mostraram que a Grande Depressão foi resultado de um colapso da Demanda Agregada, causado por uma política monetária extremamente apertada, muito embora a base tenha aumentado fortemente. Isso é conventional view.

Portanto, é perigoso equacionar aumento de base monetária com política monetária expansionista. Do mesmo modo que é perigoso equacionar taxas de juros baixas com política monetária expansionistas. Olhar apenas para a base não diz nada sobre se a política está frouxa ou apertada. De fato, Milton Friedman conhecidamente, no seu estudo sobre a política monetária no Japão, alertou que taxas de juros baixas e base monetária inchada são sinais de que a política monetária tem sido apertada, e não frouxa. No livro texto do Frederic Mishkin de Monetary Policy encontramos: It is dangerous always to associate the easing or the tightening of monetary policy with a fall or a rise in short-term nominal interest rates. Um exemplo de como pensar política monetária em termos de taxas de juros e/ou base pode ser perigoso é Joan Robinson, keynesiana feroz, que chegou ao ponto de afirmar que a Alemanha hiperinflacionista não poderia ter sido associada a uma política monetária frouxa porque as taxas de juros estavam elevadas!


"Política monetária contracionista do Fed a partir de 2008 é uma tirada digna de Ricky Gervais. Parabéns pelo senso de humor."

Eu sei, a visão convencional é exatamente essa apresentada no artigo. Nesse ponto eu to fora do mainstream. A história convencional é essa mesmo: A causa da Grande Recessão foi a crise financeira, que por sua vez foi causada por uma política monetária frouxa vinda lá do início dos anos 2000. E também foi a história convencional da Grande Depressão. Até Milton Friedman e Anna Schwartz ensinarem pra profissão a real causa da depressão, todo mundo acreditava nessa mesma história - a Grande Depressão foi causada pelo stock market crash de 29. Ora, até nossos livros de história do colégio reproduzem essa visão convencional.
A minha visão; que na verdade não é minha (sou apenas um estudante de economia), é de um grupo de economistas de tradição monetarista - Market Monetarists; é que a causalidade simplesmente foi reversa. A Grande Recessão de 2008+ foi causada por uma política monetária altamente contracionista, que por sua vez agravou os problemas do housing sector (subprime) para todos os setores da economia. O que teria sido apenas uma crise de um setor isolado, sem maiores consequências macroeconômicas, se tornou na maior recessão americana desde os anos 1930. Tenha em vista que os problemas do housing sector já bem eram graves desde 2006, e no entanto a taxa de desemprego permaneceu inalterada. Ou seja, mesmo que a interpretação austríaca dos malinvestiments no housing sector fossem corretas, isso não é sozinho o suficiente pra gerar uma recessão em larga escala. Já em 2006 ocorreu forte deslocamento setorial do housing para outros setores da economia, bem como o ABC descreveria, mas não o suficiente pra explicar 10,7% de desemprego. Sim, RBC também não explica.

Portanto, a análise inteira da crise do subprime/Housing Sector está correta. Eu mesmo nem entendo ainda direito como funcionava os Mortgage Backed Securities, etc. Quem teve culpa do quê, etc É muito intrincado. Mas isso tudo é parcialmente irrelevante pra macroeconomia da recessão. Não há dúvidas que muita besteira foi cometida, muitos empréstimos que não deveriam ter sido feitos foram, que os órgãos do governo não deviam ter se metido a aumentar crédito (sim, eu sou um estudante de economia free market tanto quanto vocês), e portanto mesmo com uma trajetória mantida estável do NGDP ainda muitas instituições teriam sofrido bastante. Entretanto, a quebradeira geral forte de 2008+ e o disparo do desemprego foi um sintoma da queda brusca da quantidade de dólares em circulação da economia (Nominal GDP), relativo à tendência (trend). Como quem tem o controle sobre a trajetória do NGDP é o Fed, foi ele o responsável pela recessão, por deixar passivamente o NGDP despencar.

Abraços e valeu pelos comentários é muito estimulante!

Responder
Leandro 26/09/2013 15:44:47

"Essa é a característica fundamental de qualquer recessão: Demanda Agregada insuficiente. [...] O modelo que eu tenho em mente é um simples modelo AD/AS com rigidez nominal. O Fed comanda AD. AS no longo prazo é vertical e depende [...]"

Bláblá. Dado que sou economista de formação, não é necessário repetir pra mim estas teorias de manual. Quer acreditar nesta mecanicidade e nesta rigidez econômica? Fique à vontade. Mas tem de explicar também por que estes modelos não apenas não funcionam, mas não têm capacidade de prever absolutamente nada.

Dizer que recessão é causada por baixa demanda agregada é confundir causa com consequência. A demanda é baixa justamente por causa da recessão. Cabe a um economista explicar o que gerou a recessão e por que a demanda está baixa. Apenas observar que a demanda está em uma recessão tão impactante quanto dizer que o sol é amarelo.

"se de repente você tem um choque nominal negativo na economia, fica muito mais difícil para os bancos honrarem seus empréstimos e para as empresas contratarem/manterem seus empregados, e aí você tem a sua recessão."

Isso é engraçado. Neste seu modelo, a impressão que se tem é que tudo está indo muito bem com a economia até que, de repente, do nada, todos os consumidores ficam esquisitos, adotam uma postura totalmente oposta da que vinham adotando, param de gastar e puf!, a economia entra em recessão. Nonsense total.

"Já que nós usamos moeda como meio de troca e meio de conta, não dá pra conceber uma recessão sem estar associada à moeda. Por isso alguns economistas reaplicam esse slogan do Friedman assim: Recessions are almost always and everywhere a monetary phenomenon."

Ora, mas este é justamente o pilar básico da teoria austríaca. As variações da quantidade de dinheiro na economia como geradoras dos ciclos econômicos. Há 1.500 artigos sobre isso no site.

"A meta de inflação do Fed implícita é de 2%. O Fed, como vc bem observou, tem o total controle da base monetária. O que implica que o Fed tem o total controle sobre a trajetória da economia nominal."

Errado. E é esse o problema. O Fed não tem controle sobre a trajetória da economia nominal. E por um motivo muito simples: todo o dinheiro que o Fed cria vai única e exclusivamente para o sistema bancário.

No atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito).. Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não há como estimular a economia nominal.

Quem diz que um Banco Central "tem total controle sobre a trajetória da economia nominal" não entendeu nada sobre o funcionamento básico de um banco central e do sistema bancário.

"O Fed é uma instituição muito conservadora e acanhada para fazer políticas agressivas ou não convencionais."

Duplicar a base monetária em dois meses (como ocorreu no final de 2008), e quase triplicar em 3 anos (como está ocorrendo desde 2010) por acaso é postura de "uma instituição muito conservadora e acanhada para fazer políticas agressivas ou não convencionais"?

Tenho até medo de perguntar o que seria então uma instituição progressista e desembaraçada para fazer políticas agressivas e não convencionais.

"O Fed tinha que ser bem mais claro e entusiasta nas suas ações. Até Michael Woodford, talvez o mais respeitado acadêmico sobre política monetária da atualidade, recentemente endorsou Nominal GDP Level Targeting"

Estou bem familiarizado com os proponentes de um Nominal GDP Level Targeting. O problema é que nenhum deles explica claramente como o Banco Central -- que só injeta dinheiro no sistema bancário -- irá fazer para que os bancos decidam emprestar todo o dinheiro que o BC lhes dá. Sem isso, não há como fazer Nominal GDP Targeting. É só espuma.

"A Base Monetária não é um indicador confiável da posição da Política Monetária."

A evolução da base monetária é o único indicador que mostra a real postura adotada pelo Banco Central. Isso não significa, é claro, que uma expansão da base monetária irá se traduzir em expansão da oferta monetária, pois isso vai depender dos bancos. Tampouco significa que uma expansão da base monetária irá gerar um aumento do PIB nominal. Mas a evolução da base monetária mostra exatamente o que o BC está fazendo.

"Quase nenhum economista moderno vai dizer que a Política Monetária dos anos 1930 foi expansionista baseado somente na observação de que a Base Monetária aumentou. Milton Friedman e Anna Schwartz mostraram que a Grande Depressão foi resultado de um colapso da Demanda Agregada, causado por uma política monetária extremamente apertada, muito embora a base tenha aumentado fortemente. Isso é conventional view."

Friedman culpa o Fed pela queda do M1. Mas o M1 caiu porque vários bancos quebraram. No que dependeu do Fed, ele fez o que Friedman pediu: aumentou a base monetária (de novo, não precisa confiar em mim, não; o gráfico que mostra isso no link acima é do próprio Fed). O colapso na demanda ocorreu justamente porque o M1 encolheu. Se há uma deflação monetária, então é o óbvio ululante que a demanda irá cair. Deflação monetária sempre irá gerar recessão violenta caso preços e salários não sejam reajustados para baixo. Como isso não ocorreu nos EUA, a depressão foi forte nesse período.

E por que salários e preços não foram reajustados para baixo? Porque o governo não deixou. Mesmo keynesianos ortodoxos hoje já reconhecem o fracasso do New Deal, que nada mais foi do que um conjunto de políticas de controle de preços, controle de salários, arregimentação sindical, cartel de empresários incentivados pelo governo a não reduzirem seus preços, aumento das tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos e aumento dos déficits.

"Portanto, é perigoso equacionar aumento de base monetária com política monetária expansionista."

Correto. A política monetária só irá se tornar de fato expansionista se os bancos emprestarem o dinheiro criado pelo BC. Se os bancos não emprestarem, a política do BC será nula em termos de expansão monetária efetiva. Mas isso não significa que o BC, ao expandir a base monetária, não esteja querendo gerar uma expansão monetária. Ele pode muito bem estar sim querendo que os bancos expandam a oferta monetária; o problema é que ele não tem como obrigá-los.

"De fato, Milton Friedman conhecidamente, no seu estudo sobre a política monetária no Japão, alertou que taxas de juros baixas e base monetária inchada são sinais de que a política monetária tem sido apertada, e não frouxa."

O Japão é um perfeito exemplo de tudo isso que falei aqui. O Banco Central do Japão entupiu os bancos japoneses de reservas -- o que fez com que a taxa básica de juros fosse para zero --, mas os bancos simplesmente não emprestarem esse dinheiro. Como o capital (patrimônio líquido) dos bancos japoneses foi dizimado por causa do estouro da bolha imobiliária no início da década de 1990, eles não podem expandir o crédito. Por uma questão contábil, bancos descapitalizados não expandem o crédito. Consequentemente, não há como haver qualquer inflação monetária.

Obrigado por lembrar o exemplo do Japão, pois ele é o que melhor ilustra tudo isso que estou querendo dizer.

"Abraços e valeu pelos comentários é muito estimulante!"

Meu conselho: comece a estudar melhor os detalhes de como funciona o sistema bancário. Havia várias coisas em economia que pareciam não fazer nenhum sentido para mim. No entanto, quando eu passei a me dedicar com afinco aos estudos sobre o funcionamento do sistema bancário, tudo repentinamente se esclareceu. No atual arranjo financeiro e monetário, são os bancos que comandam as oscilações da economia. Economista que não dedica seus estudos à real operação de um sistema bancário estará completamente perdido, falando coisas sem sentido como "Banco Central controla PIB nominal e afins".

Grande abraço!

Responder
Fellipe 26/09/2013 16:29:16

É ótimo ver o Leandro debatendo (massacrando) economistas mainstream.

Fernando, você parece ter uma pessoa bem intencionada, gostaria de te sugerir:

1) Pare de usar a fálácia do argumento de autoridade (Porque Minton Friedman disse isso ou aquilo, etc). Citar autores não faz parecer a argumentação mais inteligente, é necessário explicar logicamente sua posição.

2) Sobre a grande depressão, que parece ser um tema que você se interessa, sugiro primeiro os artigos www.mises.org.br/Subject.aspx?id=37 e depois o livro www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=76 para sua desintoxicação.

Abraços,

Responder
Fernando 26/09/2013 19:36:44

"A causa de uma recessão não é demanda agregada, mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros."

ABC sugere que a demanda por trabalho expande no período de boom em projetos de longo prazo, enquanto a demanda se contrai nos projetos de curto prazo. No período de bust, a situação se reverte. Mas se você caracteriza como recessão o período em que a economia está reajustando trabalhadores dos projetos de longo prazo para seus projetos que prevalereciam caso a taxa de juros estivesse em seu nível de equilíbrio wickselliano, ora, esse desemprego causado pelo "sectorial shift" deveria aparecer não só no bust, mas no boom também, e no entanto ninguém diz que período de boom é período associado a maior desemprego porque você teria toda essa massa de recursos sendo realocados para outros setores. De 2006 até 2008 estava ocorrendo esse sectorial shift - trabalhadores estavam sendo realocados do housing sector para outros setores da economia. Mas após 2008, com a brusca queda das expectativas de futuro NGDP, foi aí que o produto e emprego despencou.

Mudanças setoriais causadas por malinvestments não são suficientes pra explicar 10,7% de desemprego. Você precisaria de uma mudança setorial extremamente monstra, que fizesse uma enorme pauta de produção ser alterada na economia, pra vc chegar a um número desses.

Robinson Crusoé não usa moeda. Se Robinson Crusoé erra e investe tempo/recurso demais numa nova rede de pesca que se revela ser improdutiva, seu PIB vai cair. Com certeza Robinson Crusoé estará mais pobre. É até concebível que ele venha a trabalhar menos, porque muito insumo e fator de produção podem ter sido perdidos na produção da rede de pesca falhada. Robinson Crusoé precisará "corrigir" muita coisa que ele fez de errado. Introduza Sexta-Feira na ilha e faça os dois efetuarem trocas (escambo) entre si, e a história não muda. A ilha na qual Robinson Crusoé habita está em Recessão? Você pode até dizer que sim, mas tem uma coisa que caracteriza recessões que está ausente. Em recessões é mais difícil trocar coisas por moeda, e é mais fácil trocar moeda por coisas. Mesmo num período de má colheita com PIB contraído, Robinson Crusoé ainda pode realizar trocas com Sexta-Feira. Do mesmo jeito em uma economia de escambo a massagista pode oferecer massagem à cabeleireira em troca de um corte de cabelo.

Em recessões há excesso de demanda por moeda, o que é a contraparte do excesso de oferta de todos os demais bens da economia. Em uma economia de trocas monetárias todos os mercados são mercados de moeda. Você compra moeda vendendo um bem e vende moeda comprando um bem. O excesso de oferta de todos os demais bens que causam a recessão, a queda do PIB (ou a queda na atividade econômica, na quantidade de trocas efetuadas na economia) meramente reflete esse excesso de demanda por moeda. Em uma economia monetária fica difícil a massagista conseguir um corte de cabelo e a cabeleireira conseguir uma massagem porque as duas estão sitting on cash. É nesse sentido que eu não vejo como falar de recessões sem falar de política monetária. O que é bem diferente de falar de recessões em termos de um ciclo misterioso de boom e bust causado por uma ilusão misteriosa decorrente das taxas de juros artificialmente baixas determinadas pelo Banco Central.

Por isso, também, ABC vai violar Expectativas Racionais. Taxas de juros artificialmente baixas confundem os empreendedores, fazendo com que eles realoquem suas escolhas para investimentos de maior prazo. Quando as taxas de juros voltam ao normal e os empreendedores virem que seus investimentos foram ruins, então à correção se dá início.
Se os empreendedores são tão inteligentes em relação ao mercado, como podem ser tão estúpidos em relação às políticas do governo? ABC assume que os empreendedores são estúpidos por pensarem que as taxas de juros vão permanecer baixas indefinidamente , e vão basear seus cálculos de valor presente nisso. Claramente viola RE.
Mesmo que os juros baixos temporariamente induzam maiores investimentos , não há nada insustentável ou intrinsecamente desequilibrante nisso, a menos que os empreendedores sistematicamente superestimem por quanto tempo as baixas taxas de juros vão continuar. Mesmo que o ABC não aceite a hipótese de RE, isso ainda sugere que os empreendedores sistematicamente cometem os piores e custosos erros possíveis ao escolher intensividade em capital.

Colapso em NGDP e recessões são tão fortemente correlacionados que é às vezes difícil mesmo enxergar o que está causando o quê.

Crises financeiras não são sempre seguidas por recessões. Credit asset bubbles também não são sempre seguidas de recessão. Isso também gera confusão. Não é por acaso que a visão convencional é essa. Eu mesmo acreditava que "ora, é claro que uma crise financeira vai gerar recessão". Mas isso não é bem assim. Só Exemplo: Em 1987 houve um dos maiores stock market crashes dos EUA, vários bancos quebraram, e no entanto ... no recession. Por quê? Porque o Fed manteve o NGDP estável.



"Errado. E é esse o problema. O Fed não tem controle sobre a trajetória da economia nominal. E por um motivo muito simples: todo o dinheiro que o Fed cria vai única e exclusivamente para o sistema bancário. "

Errado. Olha seu argumento:
1) O nível de preços é determinado no longo prazo pela oferta de moeda (até aí ok)
2) O Banco Central amplia a oferta de moeda comprando ativos diretamente dos bancos comerciais ou emprestando aos bancos(ok, em condições normais sim)
3) Portanto quem no fim determina a trajetória da economia nominal não pode ser o Banco Central, mas os bancos comerciais, porque afinal todo dinheiro vai pra eles. (errado)

Isso é totalmente errado. Não preciso nem ser "mainstream" pra isso.

Basta olhar ao redor.
Não é por acaso que fazemos o Banco Central ser responsável pela meta de inflação. Nós não fazemos o Banco do Brasil ser responsável pelo nível de preços. Nós não fazemos a Caixa responsável pelo nível de preços. Nós não fazemos as autoridades fiscais responsáveis pelo nível de preços. Nós não fazemos o CADE responsável pelo nível de preços (bem, nos anos 70 muitos economistas acreditavam que inflação era causada por monopólios então .. nunca se sabe)

Sim, o sistema bancário é muito importante. Se nós usássemos havaianas como meio de troca e meio de conta, a indústria produtora de havaianas seria muito importante. Porque o que acontece com a indústria de havaianas afetaria a oferta e demanda de moeda na economia. Como nós usamos os passivos dos bancos comerciais como meios de troca nas nossas transações, o que acontece com a indústria bancária é importante porque afeta a oferta e demanda por moeda na economia.

Bancos são especiais porque seus passivos podem ser usados como meio de troca. Mas se eles podem criar moeda, por que os bancos não são responsáveis pela política monetária, pela determinação das taxas de juros, e pela inflação de longo prazo?
Por que só o Banco Central pode determinar o nível de preços de longo prazo?
Porque o banco comercial promete honrar seus passivos com os passivos do Banco Central a uma taxa fixa, mas o inverso não acontece: O Banco Central não promete honrar seus passivos com os passivos dos Bancos Comerciais. É essa assimetria de honrabilidade que torna o Banco Central central. É por isso que as variáveis nominais estão sob controle do Banco Central.

obs.: enquanto é verdade que sob condições normais o Banco Central só injete liquidez através do sistema bancário nada impede, em princípio, que o Banco Central imprima dinheiro e vá direto ao público - eu e você - comprar algum ativo.
obs2.: engraçado ser acusado de usar argumento de autoridade quando o nome do site é o nome de um economista.


Valeu! Abraços

Responder
Leandro 27/09/2013 02:05:58

"Mas se você caracteriza como recessão o período em que a economia está reajustando trabalhadores dos projetos de longo prazo para seus projetos que prevalereciam caso a taxa de juros estivesse em seu nível de equilíbrio wickselliano, ora, esse desemprego causado pelo "sectorial shift" deveria aparecer não só no bust, mas no boom também, e no entanto ninguém diz que período de boom é período associado a maior desemprego porque você teria toda essa massa de recursos sendo realocados para outros setores."

Não é isso o que diz a teoria. A questão não está na mudança setorial, mas sim na questão de preços e salários. Na época do boom, a oferta monetária está aumentando, preços e salários também. Qualquer mudança é rápida. Mais dinheiro na economia faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria e na construção civil, mas ao mesmo tempo o setor de serviços e o de comércio continua precisando de mão-de-obra, pois não houve aumento na poupança (abstenção de consumo). Assim, começa a haver uma batalha por mão-de-obra. Há empregos em todos os cantos. Não há dificuldade de realocação nesta etapa.

Já na época da recessão, tudo se inverte. Pessoas e empresas estão endividadas. As receitas das empresas caem. Como vários sindicatos não aceitam redução de salários, empresários não reduzem seus preços. As receitas caem, mas os custos continuam os mesmos (podendo até aumtar). Consequente, não há facilidade de realocação da mão-de-obra e nem grande disponibilidade de emprego.

A mão-de-obra que foi demitida dos setores sobredimensionados -- os quais haviam atraído muita mão-de-obra -- não encontra facilmente empregos em outros setores. Ela descobre que suas habilidades não mais estão sob demanda. Ela perde o emprego e passa a ter de se reeducar para adquirir novas habilidades para outros empregos, os quais provavelmente estarão agora no setor de serviços e comércio, e que remuneram menos.


O parágrafo sobre o Robinson Crusoé entrou aqui como Pilatos no Credo. Não entendi.


"Em uma economia monetária fica difícil a massagista conseguir um corte de cabelo e a cabeleireira conseguir uma massagem porque as duas estão sitting on cash."

Quer dizer então que você acredita na fábula do dinheiro guardado na gaveta? Ora, no atual arranjo monetário e financeiro, ninguém guarda dinheiro em casa. Ninguém fica sitting on cash. O dinheiro fica no banco, e o banco empresta esse dinheiro. Quanto mais dinheiro "parado" nos bancos, menores tendem a ser os juros para emprestar esse dinheiro. Sendo assim, você, como monetarista, deveria endossar este arranjo como sendo o mais propício a "estimular" uma recuperação da economia (já que, para vocês, taxa de juros baixa determina tudo).

"Se os empreendedores são tão inteligentes em relação ao mercado, como podem ser tão estúpidos em relação às políticas do governo? ABC assume que os empreendedores são estúpidos por pensarem que as taxas de juros vão permanecer baixas indefinidamente , e vão basear seus cálculos de valor presente nisso. Claramente viola RE."

É aqui que você prova desconhecer a própria Teoria das Expectativas Racionais. Pelo visto, para você, empreendedores odeiam dinheiro. Permita-me explicar: mesmo que você seja um empreendedor totalmente ciente da teoria dos ciclos econômicos, você não poderá se dar ao luxo de ficar de fora da farra permitida pela expansão do crédito. Você sabe que a coisa vai dar errado, mas mesmo assim terá de participar, pois, caso fique de fora, você será demolido pelos seus concorrentes, perderá fatia de mercado, perderá receitas e poderá quebrar antes deles.

Ou seja, durante uma expansão creditícia, aquele empreendedor que se reprimir e não embarcar na euforia simplesmente irá perder uma importante fatia de mercado. Logo, mesmo os empreendedores mais comedidos e totalmente versados na teoria austríaca acabam sendo obrigados a entrar na farra. Se não o fizerem, seus concorrentes agradecerão, tomarão seus clientes e, com isso, poderão até tirá-lo do mercado antes da recessão. Você simplesmente não pode se dar ao luxo de correr este risco.

Esta é a nocividade de uma expansão creditícia. Ela inevitavelmente pune os prudentes, de um jeito ou de outro.

"Em 1987 houve um dos maiores stock market crashes dos EUA, vários bancos quebraram, e no entanto ... no recession. Por quê? Porque o Fed manteve o NGDP estável."

Quantos bancos quebraram por causa do crash de 1987? Desconheço alguma grande quebra. Em 1989, várias caixas de poupança quebraram (sem nenhuma correlação com o crash de 1987), mas o governo deu dinheiro para todas. E houve recessão de 1990 a 1992.

Por favor, não tente sacar para cima de mim sobre estes assuntos. Sou razoavelmente bem estudado neles.

"Isso é totalmente errado. Não preciso nem ser "mainstream" pra isso. Basta olhar ao redor. Não é por acaso que fazemos o Banco Central ser responsável pela meta de inflação. Nós não fazemos o Banco do Brasil ser responsável pelo nível de preços. Nós não fazemos a Caixa responsável pelo nível de preços. Nós não fazemos as autoridades fiscais responsáveis pelo nível de preços.[...] Mas se eles podem criar moeda, por que os bancos não são responsáveis pela política monetária, pela determinação das taxas de juros, e pela inflação de longo prazo? Por que só o Banco Central pode determinar o nível de preços de longo prazo?"

A pergunta não é "por que só o Banco Central pode determinar o nível de preços de longo prazo?", mas sim "por que e como o Banco Central pensa ser capaz de fazer isso?"

Eu alertei sobre a importância de estudar sistema bancário. Pelo exposto acima, você desconhece o mais básico dos detalhes. O Banco Central injeta dinheiro nas reservas bancárias e determina a taxa do compulsório. Consequentemente, sabendo o valor total das reservas bancárias e o valor do compulsório, o Banco Central sabe exatamente qual o máximo de crédito que o sistema bancário pode expandir naquele momento.

É exatamente por isso que o BC se arvora a capacidade de controlar a expansão do crédito e, consequentemente, a inflação. Ele sabe qual é o [u]máximo de crédito que os bancos podem expandir a cada momento[/i]. Ele pensa que está no controle de tudo isso. Isso é básico. É Macro I. Há até uma fórmula matemática para isso.

"Porque o banco comercial promete honrar seus passivos com os passivos do Banco Central a uma taxa fixa, mas o inverso não acontece: O Banco Central não promete honrar seus passivos com os passivos dos Bancos Comerciais. É essa assimetria de honrabilidade que torna o Banco Central central."

Não entendi. O passivo de um banco comercial são os depósitos de seus clientes (entre outras coisas). O passivo do BC são as cédulas e as reservas bancárias. O que exatamente seria o BC honrar seus passivos com os passivos dos bancos comerciais? Não entendi. O passivo que o BC tem com os bancos comerciais são as reservas bancárias (que funcionam como uma conta-corrente que os bancos têm junto ao BC). Até onde se sabe, os bancos podem sacar dinheiro desta conta (e o fazem diariamente) quando quiserem. Desconheço qualquer desonra do BC neste quesito.

"Enquanto é verdade que sob condições normais o Banco Central só injete liquidez através do sistema bancário nada impede, em princípio, que o Banco Central imprima dinheiro e vá direto ao público - eu e você - comprar algum ativo."

Isso acontecia na década de 1980. O BC imprimia dinheiro, dava ao Tesouro e este repassava aos funcionários públicos como pagamento de salários. De fato, a demanda e o PIB nominal foram estimuladíssimos naquela época.

"engraçado ser acusado de usar argumento de autoridade quando o nome do site é o nome de um economista."

Em momento algum eu lhe fiz essa acusação. E, mesmo que houvesse feito, não entendi a lógica da ironia acima.

Responder
Fellipe 28/09/2013 02:36:28

"engraçado ser acusado de usar argumento de autoridade quando o nome do site é o nome de um economista."

Leandro, acho que essa foi pra mim. O engraçado é a tentativa de justificar o argumento de autoridade com um non sequitur.... O que o nome do site tem a ver com as explicações lógicas feitas até agora para o camarada?

Responder
anônimo 19/03/2014 21:31:58

Fiquei um tanto curioso em saber quem é o ABC? É alguma sigla que desconheça?

Responder
Maurício 19/03/2014 21:57:36

Creio que ele esteja se referindo a Austrian Business Cycle.

Responder
Michael Woods 25/09/2013 13:26:35

realmente fantastico Leandro... mt bom!

Responder
Samir Jorge 25/09/2013 13:27:30

Excesso de intervenção estatal. Interessante observar o efeito econômico/comportamental de medidas aparentemente destituídas de propósito econômico.

É a minha conclusão.

Atenciosamente,


(a) - Samir Jorge.

Responder
evandro 25/09/2013 13:41:16

Tudo bem Leandro? Minha pergunta é meio ''off-topic''... voce saberia ''discriminar'' a dívida pública brasileira? Gostaria de saber qtos % é dívida externa e interna, e destes percentuais, quanto são dívidas de empresas, qto são dos governos federais, estaduais e municipais, qto são de empresas estatais... enfim... gostaria de saber estes numeros para saber qual o tamanho da dívida criada ''diretamente'' pela UNIÃO... e se possível qto do orçamento federal é gasto com amortizações e qto com juros da dívida por ano... valeu, abraço !!!

Responder
Leandro 25/09/2013 15:05:35

Eis aqui o gráfico da dívida externa:

www.tradingeconomics.com/charts/brazil-external-debt.png?s=brazilextdeb&d1=19800101&d2=20131231&type=line

Para os detalhes da dívida pública interna, como não há um link direto, vá primeiro aqui:

https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

[Ao clicar no link acima, ele provavelmente vai dar errado. Sendo assim, acrescente dois pontos ( : ) logo após o https]

Depois clique em "Finanças públicas".

Depois em "Dívida líquida do setor público e dívida do governo geral"

Depois em "Saldos em reais correntes".

Pronto. Há um enorme cardápio ali.

Abraços e boa diversão.

Responder
Corretor 25/09/2013 14:17:40

No primeiro gráfico, você fala em média. Não seria mediana?

Pelo mesmo gráfico, a "mini-bolha que estourou em 1990", como está no artigo, refere-se a uma queda nominal de menos de 5% no valor dos imóveis, e a grande bolha de 2008 a uma queda de 20%. Então as quedas não foram tão grandes assim, só causaram tanto problema por causa da alavancagem dos bancos.

Podemos concluir que no Brasil não haverá nenhum problema maior, pois mesmo no caso de uma grande queda de 20%, os bancos não perderão dinheiro (em geral a entrada de um financiamento é maior que 20% do valor do imóvel), nem há securitização destas dívidas. Obrigado, você demonstrou que o Brasil não está correndo riscos.

Para concluir, você prometeu um artigo imparcial, mas citou nominalmente os democratas várias vezes, associando-os a desastrosas políticas sociais, enquanto em nenhum momento falou do governo Bush, que esteve no poder 8 anos antes da última crise. Todos hão de concordar que nenhum artigo publicado no Mises.org pode almejar ser chamado de imparcial.

Responder
Leandro 25/09/2013 14:58:42

"No primeiro gráfico, você fala em média. Não seria mediana?"

Correto. Corrigido.

"Pelo mesmo gráfico, a "mini-bolha que estourou em 1990", como está no artigo, refere-se a uma queda nominal de menos de 5% no valor dos imóveis, e a grande bolha de 2008 a uma queda de 20%. Então as quedas não foram tão grandes assim, só causaram tanto problema por causa da alavancagem dos bancos."

Exatamente por isso a alcunha de mini-bolha.

"Podemos concluir que no Brasil não haverá nenhum problema maior, pois mesmo no caso de uma grande queda de 20%, os bancos não perderão dinheiro (em geral a entrada de um financiamento é maior que 20% do valor do imóvel), nem há securitização destas dívidas. Obrigado, você demonstrou que o Brasil não está correndo riscos."

Sempre falamos sobre isso neste site. A alavancagem dos bancos brasileiros em termos imobiliários não se compara.

"Para concluir, você prometeu um artigo imparcial, mas citou nominalmente os democratas várias vezes, associando-os a desastrosas políticas sociais, enquanto em nenhum momento falou do governo Bush, que esteve no poder 8 anos antes da última crise."

Disse apenas que eram políticos democratas quem comandavam Fannie e Freddie (pesquise sobre Barney Frank). O que você queria que eu dissesse? Que eram políticos tucanos? Aliás, poderia também ter dito que alguns republicanos alertaram sobre problemas nestas agências, mas foram prontamente silenciados por democratas sob a alcunha de serem burgueses insensíveis para com os anseios dos mais pobres. O governo Bush pode e deve ser acusado de leniência: manteve tudo do jeito que recebeu.

Se esses fatos incomodaram você, nada posso fazer.

"Todos hão de concordar que nenhum artigo publicado no Mises.org pode almejar ser chamado de imparcial."

É mesmo? Cite um artigo que seja parcial a um determinado partido. Nosso único compromisso aqui é com a verdade e com a defesa de valores relacionados à liberdade. Se isso é ser parcial, então realmente somos.

Abraços!

Responder
Corretor 25/09/2013 16:19:29

Quando quis dizer parcial, não foi em relação a afiliação partidária, pois sei que nenhum partido no Brasil representa vocês, já que são todos de esquerda. Mas a parcialidade é no sentido de uma afiliação absoluta à desregulação total, para deixar a economia uma terra sem lei. O modelo econômico do Mises é uma ideologia, e não uma constatação da verdade, já que nenhum país do mundo é liberal a este ponto. O mais próximo talvez fosse a falida Islândia.

É necessário notar que a ganância humana produz uma enorme assimetria: quem corre muitos riscos pode ganhar dez vezes o patrimônio, e no máximo perder o que tem, afinal não há como obrigar executivos agressivos a pagar dívidas bilionárias com um dinheiro que eles não têm... No máximo eles vão para a prisão, mas isso não devolve ao mercado o dinheiro apostado e perdido em ativos de risco. Por isso ninguém que está no poder tem coragem de adotar a desregulamentação.

Responder
Leandro 26/09/2013 12:11:47

"O modelo econômico do Mises é uma ideologia, e não uma constatação da verdade, já que nenhum país do mundo é liberal a este ponto. O mais próximo talvez fosse a falida Islândia"

Esse é o seu critério para definir ideologia? Se nenhum país do mundo adotou uma ideia por completa, então ela é ideologia? Curioso. Ademais, a Islândia, com sua carga tributária de 40% e moeda de papel sem lastro, está um pouquinho longe da ideologia de Mises. Ainda assim, quisera eu estar tão falido quanto a Islândia e sua renda per capita de quase US$40 mil.

"É necessário notar que a ganância humana produz uma enorme assimetria: quem corre muitos riscos pode ganhar dez vezes o patrimônio, e no máximo perder o que tem, afinal não há como obrigar executivos agressivos a pagar dívidas bilionárias com um dinheiro que eles não têm..."

Comportamentos arriscados serão tão mais altos quanto forem as proteções e garantias concedidas pelo governo. Se o governo garante seguros para depósitos bancários e deixa implícito que não irá permitir a quebra de empresas "grandes demais para quebrar", então passa a ser um comportamento racional para qualquer banco ou fundo de investimento se arriscar ao máximo possível. Afinal, praticamente não há o que perder.

"Por isso ninguém que está no poder tem coragem de adotar a desregulamentação."

Agora sim você entendeu.

Abraços!

Responder
Blah 25/09/2013 16:58:30

Para concluir, você prometeu um artigo imparcial, mas citou nominalmente os democratas várias vezes, associando-os a desastrosas políticas sociais, enquanto em nenhum momento falou do governo Bush, que esteve no poder 8 anos antes da última crise.

Ser imparcial não é tentar sempre criticar ambos os lados. Todo mundo lê e ouve em quase todos os lugares da face da terra que a culpa toda é do governo Bush. Acaba sendo necessário desfazer esse mito, não para inocentar os republicanos (sério, as críticas mais ferozes e fundamentadas aos republicanos eu li aqui no IMB), mas para desinfectar a discussão. Afinal, uma das estratégias mais utilizadas pelos progressistas e afins é justamente essa: mentir, dissimular e manipular o tempo inteiro, mas logo depois exigir que o próximo seja imparcial.

Responder
Patrick de L. Lopes 25/09/2013 14:19:23

Tão brilhante quanto seu artigo respectivo à experiência argentina e do real.

Excelente trabalho novamente.

Não mais jargões como "falta de conhecimento hipotecário" repetido por analfabetos de economia poderão ser tolerados pelos novatos nos estudos da EA.

Responder
Leandro 25/09/2013 14:49:27

Obrigado pela consideração mais do que simpática, caro "Filósofo" (espero não estar revelando nada aqui). Grande abraço!

Responder
claudio samadhi 25/09/2013 14:32:39

Uma coisa ninguém pode negar: os bancos (banqueiros)são competentes naquilo que fazem. A mercadoria de um banco é o dinheiro (papel moeda), a de uma padaria é o pão. Mesmo com a crise os bancos conseguiram de alguma forma a continuar ter lucro. Eu não acredito que os bancos não sabiam como tudo isso iria acabar, na minha opinião eles só deixaram acontecer em 2008 para alavancar ainda mais seus ganhos, tanto é que depois da crise o lucro dos bancos, por incrível que pareça, aumentaram ainda mais. É uma pena que a indústria, setor que de fato cria riquezas, passou a ver o mercado pela perspectiva dos bancos.

Responder
garvatar 25/09/2013 14:55:46

O melhor artigo que li sobre a crise.

Duvido que haja algum artigo melhor escrito em qualquer língua que não seja inglesa.

Parabéns, vou imprimir o artigo e difundir com quem vale a pena.

Responder
Antony Mueller 25/09/2013 15:01:40

Muito bem apresentado, Leandro, parabéns.
Aqui link da minha palestra de ontem sobre os modelos macroeconômicos atrás dos problemas:
continentaleconomics.com/files/UdESC.Al_m_de_ISLM.A_crise_econ_mica_atual_na_luz_dos_modelos_macroecon_micos.Antony_Mueller._Semana_Acad_mica.UDESC.Florian_polis._24_de_setembro_do_2013.pdf

Responder
Leandro 25/09/2013 15:27:22

Muito bom seu material, professor! Como de hábito. Abraços!

Responder
Rudson 25/09/2013 15:20:24

Esses artigos do Leandro são, simplesmente, os melhores do site e são o motivo de eu continuamente vir aqui. Nem mesmo os artigos dos economistas estrangeiros bem conceituados, ao meu ver, batem o Leandro em termos de qualidade.

No entanto, é uma pena que algumas pessoas simplesmente se recusem a lê-los. Eu colei esse mesmo artigo para um conhecido meu numa discussão sobre bolha imobiliária brasileira (o referido conhecido é um keynesiano convicto adestrado pela le monde diplomatique e sustenta que o aumento de preços dos imóveis no brasil é o simples reflexo de uma política progressista que busca trazer para o mercado a "demanda reprimida" e que a crise americana foi causada pela falta de regulamentação bancária). O cara simplesmente disse: "parei de ler quando o artigo sustentou fazer uma análise imparcial da questão, pois não existe análise isenta de ideologias". Ou seja, não passou do segundo parágrafo introdutório.

Responder
Leandro 25/09/2013 15:31:26

Essa é nova pra mim. Eu conheço gente que diz "parei de ler" exatamente quando se depara com uma frase de cunho ideológico-partidário. Ou quando se depara com uma afirmação completamente absurda e ignara. Agora, dizer que não vai ler simplesmente porque o artigo clama imparcialidade é uma postura que eu desconhecia. Deve ser porque o elemento ficou com medo de ver suas crenças sólidas serem abaladas.

Muito obrigado pelas palavras, prezado Rudson. Forte abraço!

Responder
Rudson 25/09/2013 17:15:27

Olha, normalmente se eu colo um artigo e as pessoas vêem o "mises.org.br" no início da URL, elas já recusam-se a ler, dizendo que os austríacos são todos neoliberais-fascistas-capitalistas-satanistas-totalitários-psicopatas-burgueses-elitistas que tem raiva de pobre. O fato do cara entrar no link e começar a ler o artigo já é uma surpresa positiva até hehehe. Quem sabe um dia consigo fazer alguém ler um artigo na íntegra.

Responder
Pobre Paulista 25/09/2013 23:10:56

Ao menos seu amigo acertou o "capitalistas".

Responder
túlio 26/09/2013 12:33:34

É muito difícil para algumas pessoas admitirem que suas convicções podem ser erradas. Veja a resposta que um amigo (pessoa bem instruída) me deu quando lhe enviei um artigo aqui do site:

"... (o artigo é) Muito bem construído. Premissas bem lógicas, e claras. O problema parece que está nas conclusões. É possível chegar-se a uma conclusão errada sobre premissas verdadeiras. É possível chegar a conclusões erradas sobre premissas erradas. Mas não é possível chegar a conclusões certas sobre premissas erradas. No caso as premissas são verdadeiras, mas as conclusões, embora eu não possa dizer q sejam erradas, parece trazer certa subjetividade, ou imprecisão, não por erro mas pela própria complexidade do tema..."

Ou seja, ele reconhece que o artigo é lógico, claro, mas não pode admitir que o autor está correto (embora não consiga mostrar nenhum erro). Prefere queimar seus neurônios, recorrer ao silogismo e "inventar" uma forma de manter suas crenças inalteradas do que, simplesmente, dizer: "é, posso ter me enganado a vida toda. Parece que o autor tem razão, vou pesquisar mais a fundo". Não, ele apenas coloca em dúvida com respostas genéricas e finaliza a discussão. Melhor ficar de olhos fechados!

Ps: o artigo foi:
mises.org.br/Article.aspx?id=1645

Responder
Sergio 26/09/2013 17:36:38

Você pode ocultar a fonte usando estes dois sites:
www.webnotes.net/
evernote.com/intl/pt-br/
As vezes faço isto, pois sei que tem gente que nem entra quando vê 'veja', 'mises', etc.
O WebNotes inclusive permite que você destaque trechos. Eles não foram feitos pra ocultar fonte, mas acaba sendo bom pra isto também. Como eu já salvo lá o que eu eu gosto, as vezes compartilho a partir deles.

Responder
Oliver 25/09/2013 15:31:52

Artigo perfeito!Nunca estudei economia mas até me senti um economista em ler e entender a crise com seu artigo hehe.Minha conclusão final é que ocorreu um verdadeiro parasitismo,sabendo que a bomba uma hora ía extourar e sempre se tentando empurrar para frente!Mais ou menos isso.

Responder
Pobre Paulista 25/09/2013 15:50:46

Leandro,

Porquê o Bear Stearns e o Merril Lynch foram socorridos e o Lehman não? Algum palpite?

Responder
Leandro 25/09/2013 16:02:37

Henry Paulson achou que "aí já é demais". Segundo o próprio, ele não queria estimular mais risco moral. Ele sabia que, quanto mais ele se apresentasse para socorrer, mais outros bancos apareceriam passando o chapéu.

No final, Lehman foi o único grande que realmente se estrepou. Todos os outros ou foram socorridos ou foram incorporados.

Responder
Juliano 25/09/2013 17:17:59

Elogiar artigos do Leandro é chover no molhado. Igualmente bom é ler suas respostas aos comentários, por mais repetidas que sejam as perguntas. Adoraria vê-lo em debates com economistas governistas!

Minha pergunta:
"A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário. Consequentemente, os juros começaram a subir."

Qual foi o real motivo que fez o FED começar com o processo de redução de ritmo? Medo de inflação? Não dava pra ver que geraria um efeito em cascata?

Nosso modelo é bem diferente, mas não deixa de ter gerado um aumento muito grande de demanda no setor imobiliário. Como quase tudo é centralizado em bancos governamentais, como seria a reversão dessa situação? Mais aportes do tesouro para capitalizar esses bancos e inflação corroendo os valores dos imóveis lentamente (além dos já famosos descontos que vêm acontecendo)?

A impressão que tenho é que somente crises externas desencadeiam crises como corrida aos bancos e queda brusca no valor dos ativos. Eventos internos são sempre gerenciados pelo governo de uma forma mais branda, com socialização de dívidas e mais inflação.

Abraços,
Juliano

Responder
Leandro 25/09/2013 18:03:55

Foram dois os motivos principais.

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que os juros estavam em 1%, um valor até então inédito em toda a história do país. Logo, era a inevitável que o Fed quisesse "voltar ao normal".

Ademais, como mostra este gráfico, a inflação de preços já vinha dando sinais de rápido revigoramento. A postura adotada pelo Fed era inevitável.

Muito obrigado pelas palavras, Juliano. Grande abraço!

Responder
José Bressan Martins Júnior 25/09/2013 17:57:01

Artigo fantástico, Leandro.

Parabéns.

Responder
Leandro 25/09/2013 20:05:55

Muito obrigado, José. Grande abraço!

Responder
Jeferson 25/09/2013 18:02:52

Excelente artigo. Ótimo prato principal pra ser servido após o artigo de ontem (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1695) como entrada. Concordo que os artigos do Leandro não perdem em qualidade para os dos maiores nomes austríacos estrangeiros da atualidade (exceto os do Hoppe, mas aí também já seria demais!). Ganhar eu já acho exagero, mas como boa parte dos artigos conseguem se identificar com a realidade brasileira, eles já são naturalmente mais atraentes que os demais.

Só não concordo com a parte de "ser imparcial" justamente por eu não acreditar em imparcialidade (acho que todas as pessoas defendem a sua ideologia até inconscientemente, mesmo quando tenta não defender). Realmente, o artigo não faz propaganda ideológica, nem defende ou ataca nenhum partido político envolvido, ao contrário do que falaram ali em cima, no entanto, pelo simples fato de se basear nas teorias da EEA, ele já é partidário do libertarianismo por natureza. Claro que isso não se caracteriza como um defeito do artigo.

Enfim, ótimo trabalho. Vou mandar pra alguns colegas lerem. Esse não dá pra espalhar aos 4 ventos pela sua densidade, mas aos mais entendidos e interessados no assunto, vai ser espalhado.

Responder
Ricardo 25/09/2013 18:27:08

Leandro, você já viu o filme Grande Demais Para Quebrar? O que achou?


Responder
Leandro 25/09/2013 18:36:07

Já sim. Em termos puramente cinematográficos, é muito bom. Além das ótimas atuações (o Bernanke de Paul Giamatti, que mantém uma espécie de "calma apavorada", e que diz a todo o momento que está com medo de tudo, é engraçado), a narrativa apresentada no filme é envolvente.

Mas há dois problemas graves:

1) O filme não distribui as culpas de maneira correta. Os culpados são os de sempre: banqueiros gananciosos e falta de regulamentação. Não há uma palavra sobre as políticas do Fed, e não há nada sobre Fannie e Freddie, e não há nada sobre todas as políticas do governo voltadas para o setor imobiliário.

2) O filme retrata Paulson, Bernanke e toda a equipe do Tesouro como heróis abnegados, pessoas não apenas preocupadas com o destino das coisas, mas também lamuriosas por terem deixado a "desregulamentação" chegar a tal ponto.

Em suma, o filme vale como narrativa dos eventos. Mas sua atribuição de culpas e sua escolha de heróis é totalmente equivocada.

Responder
Pedro. 25/09/2013 18:51:46

O Estado é em essência um grupo escravizador obtendo benefícios da sociedade pagadora de impostos, forçada a aceitar as condições deliberadas na hierarquia estatal a fim de não sofrer danos ainda maiores do que os impostos exigidos sem a necessidade de uma contrapartida aceitavél pelos pagadores dos impostos em benefício dos recebedores, sendo ainda forçados a viver segundo as deliberações e preferências decididas na hieraruia estatal que se arvora, PELO PODER, o direito de iniciar a agressão contra indivíduos inocentes e indefesos.

A mais absoluta covardia!
Abs.

Responder
Fernando 25/09/2013 19:53:49

Pergunta:

Quem quem ficou a posse dos imóveis? As agencias Fannie Mae e Freddie Mac que foram nacionalizadas? Ou os bancos que compraram os titulos das hipotécas?

Me desculpem caso a pergunta seja óbvia.

Responder
Leandro 25/09/2013 20:07:21

Quem quer que esteja em posse do título será o novo proprietário do imóvel em caso de calote. Pelo menos em tese, é claro.

Responder
Garfield 25/09/2013 20:26:12

Leandro,
O que vc acha que acontecerá quando o FED finalmente acabar com o QE3?

Responder
Leandro 25/09/2013 20:50:05

Garfield, curiosamente isso já aconteceu de meados de 2011 até o final de 2012. Veja lá no gráfico 7. A base monetária ficou estável e as reservas em excesso caíram. O que aconteceu nesse período? Absolutamente nada. Há muito mais terrorismo do que eventos concretos.

Sugiro este artigo:

O Banco Central americano e a "ameaça" da redução dos estímulos

Responder
anônimo em adendo 25/09/2013 20:28:27

Excelente artigo novamente, Leandro.

Já pensou em conceder palestras ou dar aulas à pessoas semi-leigas interessadas em economia que não necessariamente trabalhem ou estudem na área? Ou abrir um canal do YouTube? Conheço gente do meio empresarial que adoraria entender o que diabos está acontecendo no mundo e nunca li um artigo sobre a crise financeira internacional tão claro e fácil de entender como este.

Você tem um talento impressionante para esclarecer tópicos econômicos.

Responder
Leandro 25/09/2013 20:48:25

Generosidade em demasia, prezado anônimo. É uma diretriz básica do IMB publicarmos artigos que sejam absolutamente compreensíveis para um leigo inteligente. Afinal, se algo é lógico, então é inteligível. Se não for compreensível, então não faz sentido. Se algum economista falar algo que você não entenda, esteja certo de que ele está tentando lhe enrolar, pois nem ele próprio deve saber direito do que está falando.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Renato Borges 25/09/2013 20:43:19

"As respostas a estas perguntas têm de estar claras antes de se iniciar qualquer debate a respeito da crise."

Ou seja, nunca haverá debate a respeito da crise em solo brasileiro, afinal nossos governantes já socializaram a ignorância de tal forma que é impossível encontrar meia dúzia de pessoas capazes de entender as perguntas, quanto mais responde-las.

Responder
Algoz sincero 25/09/2013 20:45:35

Todos sabem que a falta de regulamentação prejudicou a América. O governo interviu pouco na economia, causando sua crise.

Responder
Tory 26/09/2013 13:25:32

Você chegou a ler o artigo ou veio aqui só para propaganda ideológica?

Responder
Almondega 28/09/2013 16:14:33

Tudo está orquestrado.

Responder
Dionisio Dias da Silva 25/09/2013 21:54:44

Leandro.
Essa tonelada de dolares em reserva em excesso que o Pobre Paulista citou, permanecerá até quando nesse estado, visto que é da natureza dos banqueiros auferirem maior rentabilidade se pulverizassem isso na economia? Não existiria um "acordo velado" entre o FED e Bancos para manterem em reserva em excesso, a 0,25%, a fim de não causar o aumento da inflação monetária e juros?

Responder
Leandro 25/09/2013 22:08:28

A minha opinião é que sim. Banqueiros não são burros. Não é do interesse deles criar uma hiperinflação (seus empréstimos seriam quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, o que destruiria o valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido).

Pode acontecer, sim, de haver uma inflação de preços relativamente alta (perto de dois dígitos), mas não hiperinflação -- a menos, é claro, que os banqueiros queiram me contrariar e se comprovem de fato muito burros.

Outro detalhe: mesmo que os banqueiros de fato enlouqueçam e saiam emprestando todo este dinheiro, duvido muito que o Fed ficará passivo. Por exemplo, pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

Entre uma hiperinflação que destroce seus proventos e uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros para estancar esta hiperinflação, os burocratas do Fed ficarão com a segunda opção sem titubear. Eu certamente ficaria.

Responder
Marcio L 28/09/2013 02:13:21

Deja vu. Parece-me que já vi resposta muito semelhante. Normal, tendo em vista que as perguntas muitas vezes se repetem também.

Responder
Leandro 28/09/2013 04:18:42

Quando você tem de responder às mesmas perguntas diariamente (e isso já ocorre há 4 anos), é inevitável que em algum momento você passe a se valer do Crtl C Ctrl V. Raramente surge aqui alguma pergunta que já não tenha sido feita na semana passada.

Responder
Eduardo 25/09/2013 22:49:42

Esse valor de 2.25 bi, no início do texto, parece ser pequeno demais...
Não seria 2.25 tri?

Responder
Leandro 25/09/2013 23:29:31

Você se refere ao valor da linha de crédito do Tesouro pra Fannie e Freddie? Calma, é bilhão mesmo. Seria impossível ser US$2 trilhões. O Tesouro não tem esse valor em reserva. Não existe linha de crédito de US$2 trilhões (exceto, é claro, se for o Fed imprimindo). Para você ter uma idéia, o resgate inicial orquestrado pelo Tesouro aos bancos foi de US$700 bilhões.

Responder
Djalma 25/09/2013 23:39:31

Excelente artigo, como sempre.

Responder
anonimo 25/09/2013 23:53:27

Leandro, parabéns, tu és o cara.

Tenho três perguntas:

1) "E é exatamente nesse ponto que Fannie e Freddie entram em cena. A função destas empresas era comprar dos bancos comerciais exatamente estes empréstimos (títulos hipotecários) que eles concediam para compradores de imóveis."

Com qual dinheiro o Fannie e o Freddie compravam estes emprestimos?

2) "A partir de meados de 2004, com a economia americana já recuperada da recessão de 2001, o Fed começou a reduzir o ritmo de injeções de dinheiro no sistema bancário. Consequentemente, os juros começaram a subir."

E se o FED não reduzisse as injeções de dinheiro, o que aconteceria? Além disso, a inflação estava muito alta em 2004?

3) "Este aumento da taxa básica de juros de 1% para 5,25% afetou as taxas de juros dos empréstimos imobiliários. Os juros das hipotecas com taxas ajustáveis (linha vermelha) saem de uma mínima de 3,5% no início de 2004 e vão para quase 6% em meados de 2006. Já os juros das hipotecas convencionais, de 30 anos (linha azul), vão de 5,5% para quase 7% neste mesmo período."

Isso é algo que nunca entendi. As taxas de juros não são acordadas preliminarmente, tipo, ex: 3% ao mês. Como que no meio de um contrato a taxa pode aumentar? Existe contratos que a taxa de juros é indexa em determinado indíce?

Obrigado.

Responder
Leandro 26/09/2013 12:13:32

1) Com o dinheiro de investidores (majoritariamente bancos de investimento). Isso foi explicitado várias vezes no artigo. Destaco duas passagens:

"Esta garantia implícita de proteção conseguiu atrair um contínuo financiamento de investidores — que investiam dinheiro nestas empresas e compravam seus títulos lastreados em hipotecas —, pois estes investidores sabiam que, caso a coisa degringolasse, Fannie e Freddie seriam socorridas pelo governo americano."

E

"que Fannie Mae e Freddie Mac fossem capazes de atrair um volume cada vez maior de dinheiro de investidores por contarem com a proteção implícita do governo;"

2 Sim, estava ficando alta. Veja aqui.

3) Nos EUA, era extremamente comum você pegar empréstimos hipotecários a taxas de juros variáveis. Isso se chamava "adjustable-rate mortgages". Você começava pagando uma taxa extremamente baixa, chamada de "teaser rate", o que tornava o empréstimo ainda mais atraente. Após alguns anos, a taxa era reajustada de acordo com vários índices econômicos. E ela poderia tanto aumentar quanto diminuir.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Flavio 26/09/2013 00:13:45

Caro Leandro, mais uma vez parabéns pela clareza e objetividade dos seus artigos.
Aliás, gostaria de agradecer a todos da equipe IMB pela disponibilização de tanta informação e conhecimento relevante, tanto artigos quanto livros digitais.
Considero Ação Humana um dos livros mais importantes que já li, mudou minha forma de ver o mundo e as ciências humanas.Obrigado.

Uma questão...

Li recentemente que algumas empresas americanas (IBM inclusive) estão tomando empréstimos de longo prazo a juros baixos, ampliando artificialmente seu resultado imediato para pagar mais dividendos e valorizar suas ações.
Procede? em caso positivo, poderia comentar?

Grato,

Flavio

" Um gênio criativo não pode ser treinado. Não existem escolas para criatividade. Um gênio é precisamente um homem que desafia todas as escolas e regras, que se desvia dos caminhos tradicionais da rotina e abre novos caminhos através de terras inacessíveis antes. Um gênio é sempre um professor, nunca um aluno; ele é sempre feito por si mesmo."
Mises

Responder
Leandro 26/09/2013 12:12:24

Prezado Flavio, isso é algo até bem comum em ambientes de juros anormalmente baixos. Não estou acompanhando especificamente o caso da IBM, mas isso que você descreveu faz sim todo sentido. Se os empréstimos estão "de graça" e eles podem ajudar sua empresa a aditivar seus dividendos e satisfazer seus acionistas, então chega até a ser inevitável o uso de tal prática.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Lucas Mendes 26/09/2013 00:22:12

Obrigado por tão esclarecedor artigo, caro Leandro.

Lhe pergunto: as recentes LCIs (Letra de Crédito Imobiliário) que os bancos estao emitindo para investidores pessoas físicas para captar recursos para credito imobiliário, pagando uma rentabilidade acima da poupança e do CDB, pois sao isentas se IR, e ainda garantidas pelo FGC valores ate 250 mil reais, tem algum componente de semelhança com as hipotecas americanas?
Tais LCIs estao se popularizando cada vez mais entre os pequenos investidores...

Obrigado desde já e um abraço!

Responder
Leandro 27/09/2013 20:14:24

Prezado Lucas, o princípio de funcionamento é bem semelhante. A diferença, no entanto, é que aqui no Brasil os investidores pessoa física estão fazendo o papel de Fannie e Freddie.

Este arranjo brasileiro não é, nem de longe, tão problemático quanto o americano, mas o fato de o investimento ser garantido pelo FGC até R$250 mil faz sim com que este arranjo atraia um volume de financiamento bem maior do que atrairia em circunstâncias normais, o que ajuda a reduzir os juros do financiamento imobiliário. E isso, por sua vez, ajuda a aumentar as chances de calotes quando os juros subirem. Mas não acho que haja risco para os pequenos investidores, já que eles são protegidos.

Grande abraço!

Responder
Everton Ribeiro 26/09/2013 02:40:12

Leandro, vc nao acha um tanto incoerente alguns austriacos dizerem que o FED deveria subir os juros e outros que não deveria existir o FED? Isso porque me parece que extinguir o FED tem mais a ver com o pensamento austriaco, ao passo que ele subir os juros tem um viés rentista, ou seja, de quem quer só viver de juros e nao esta nem ai para aspectos morais. O que acha?

Responder
Leandro 26/09/2013 12:13:59

Acho que você não entendeu o básico. Aliás, qualquer um que diga que a função dos juros é apenas a de remunerar parasitas e rentistas não tem a mais mínima idéia do papel crucial da taxa de juros em uma economia de mercado.

Os juros são o preço mais importante de uma economia de mercado; são os juros que equilibram poupança e investimento, e que, quando livres, sinalizam a escassez de um e a abundância de outro.

Os austríacos criticam os juros zero do Fed porque sabem que tal aberração não existiria em uma genuína economia de mercado. Juros zero representariam uma infinidade de poupança e de capital, algo por definição impossível. Austríacos criticam os juros zero justamente porque sabe que tal excrescência só existe em decorrência da intervenção de um extremamente poderoso aparato estatal. E sabem que as distorções assim criadas são extremamente deletérias para uma economia.

Pedir a abolição do Fed e criticar os juros zero é exatamente a mesma coisa. Sem o Fed e suas intervenções, os juros não teriam como ser zero.

Responder
Ronaldo Quinto 26/09/2013 13:51:55

É isso aí!

Responder
IRCR 26/09/2013 03:45:31

Texto de P.Krugman publicado no Carta Capital:

www.cartacapital.com.br/revista/767/japao-nao-estrague-uma-coisa-boa-2470.html

Deu medo de ler já no primeiro paragrafo "....que o (BOJ) não vai esconder a garrafa de saquê exatamente quando a festa está se animando...."

Fear the boom. moçada

Para piorar promovendo mais estimulos fiscais - se já não bastasse +200% de divida sobre o PIB.

Responder
Ronaldo Quinto 26/09/2013 11:40:42

Parabéns, Leandro.
Excelente artigo...como sempre!
Uma pergunta: quando sai o seu livro sobre a crise de 2008 e seus desdobramentos?

Abraço,

Responder
Leandro 26/09/2013 12:11:10

Prezado Ronaldo, não atormente o mundo com estas ameaças terroristas...

Grande abraço e obrigado pelas palavras!

Responder
Pedro Ivo 28/09/2013 13:01:53

Qualquer dia desses Leandro, reúno seus artigos cronologicamente, escrivinho uns parágrafos p/ interconectá-los, e envio para umas 10 editoras assinado com seu nome.

Responder
Corretor 26/09/2013 14:00:19

Foi falado mais acima que a escola austríaca é contra a existência do FED.

Gostaria de entender melhor sobre isso. Para esta escola, no mundo ideal não haveria títulos públicos, nem reuniões para definição de taxa de juros, nem dívida pública?

Nesse sentido, o Chile seria uma espécie de país avançado, por ter uma dívida pública pequena?

obrigado

Responder
Marcio 26/09/2013 14:19:33

Dívida pública haveria, mas esta seria financiada exclusivamente via impostos, e não via impressão de dinheiro.

Sobre "haver reuniões para definição de taxa de juros" creio ser desnecessário qualquer comentário. Qual a diferença entre burocratas definindo juros e burocratas definindo o preço do pão?

Primeiro leia este artigo. Depois este.

Responder
Zezinho 26/09/2013 15:12:57

Leandro parabéns por mais esse artigo. Existem muitas duvidas, mas elas estão aos poucos sendo respondidas indiretamente com seus comentários. Um exemplo de duvida, era a questão da recessão e a expansão da base monetária, você respondeu na resposta ao fernando.

Responder
Eduardo Bellani 26/09/2013 15:19:38

Leandro.

Ótimo artigo, suspeito que Mises ficaria orgulhoso.
Achei esse pequeno erro:

e que representa todo o criado pelo Banco Central.

Suspeito que faltou uma palavra ali.

Abraços.

Responder
Leandro 26/09/2013 15:43:12

Obrigado, Eduardo. A palavra faltante era dinheiro. Já acrescentada. Grande abraço!

Responder
Fellipe 26/09/2013 16:19:50

Leandro,

Espetacular artigo, como de costume.

Gostaria de sugerir uma pequena correção, pois sou do ramo de seguros e há dois termos que não estão corretos, quando você cita o caso da AIG:

"a AIG emitiu várias apólices e coletou uma boa soma em anuidades. Até que tudo se reverteu, e todos os bancos foram correndo resgatar seus prêmios."

Prêmio é o nome técnico para o montante que a seguradora recebe do segurado para gatantir determonado risco, com a emissão de uma apólice. E indenização é o montante que o segurado recebe da seguradora na ocorrência de um evento segurado, após abrir um sinistro / fazer uma reclamação na apólice. Assim, o correto seria: a AIG emitiu várias apólices e coletou uma boa soma em PRÊMIOS. Até que tudo se reverteu, e todos os bancos foram correndo RECLAMAR SUAS INDENIZAÇÕES.

Grande abraço e continue com o ótimo trabalho.

Responder
Leandro 26/09/2013 16:31:49

Obrigado pela correção, Felipe. Tenho de fazer um curso de ciências atuariais. Grande abraço!

Responder
Roger 26/09/2013 21:50:03

O que eu tenho pra perguntar não tem muito a ver com a matéria em si. Mas é uma dúvida que me surgiu e eu resolvi aproveitar que já estava lendo a matéria e perguntar aqui mesmo.

Perdoem minha possível ignorância, talvez esta dúvida até já esteja respondida em algum artigo. Eu sou adepto de muitas filosofias liberais, mas a dúvida é a seguinte: em vários artigos do site fica evidente a posição liberal com relação ao Estado, de que ele é sempre, em qualquer ocasião, maléfico. A dúvida surgiu ao estudar a época do início do Mercantilismo, onde uma das justificativas de terem sido Portugal e Espanha os pioneiros é de que eles possuíam o poder centralizado. Partindo do princípio que o Mercantilismo foi, de maneira geral, benéfico para a humanidade, e, inclusive para o capitalismo; e que sem ele provavelmente estaríamos hoje em um estágio de desenvolvimento com um atraso de talvez alguns séculos, devido à possível diferença de tempo até que o primeiro grupo de mercadores independentes, ao invés do Estado, resolvesse investir tão alto em empreendimento de tamanho risco. Concordo que os recursos usados pelo Estado veio em grande parte destes mercadores, mas a decisão de usá-los desta maneira não. Então não seria esse um cenário onde a presença de um Estado, mesmo que mínimo, tenha sido benéfico?

Obrigado.

Responder
Roger 26/09/2013 21:53:29

Correção: na verdade, o conceito que eu quis usar era de Expansão Marítima, e não de Mercantilismo.

Responder
Matheus Cabizuca 27/09/2013 02:18:05

Eu sempre empaco em um ponto.

O tesouro emite títulos para financiar a divida pública, os dealears primários compram estes títulos e o dinheiro dessa compra vai para o governo gastar. Esse primeiro dinheiro é injetado na economia através dos cheques que o governo emite.
Depois o Banco Central entra em cena e compra esses títulos dos bancos e injeta novamente outro dinheiro na economia através dos bancos agora, que aumenta ainda mais através do fator multiplicador.
A questão é: De onde o BC tira esse dinheiro. Da onde veio o primeiro dinheiro do BC, será que ele não tem uma dotação orçamentária para esse fim? Essa prática é reconhecida pelo próprio BC?

Responder
Leandro 27/09/2013 02:58:33

O dinheiro do BC não vem de lugar nenhum. Ele cria do nada. São dígitos eletrônicos em um computador. O burocrata vai lá, aperta umas teclas, acrescenta alguns zeros e puf!: a reserva de algum banco aumentou magicamente.

Essa é a única coisa que um BC faz. Criar dinheiro do nada. Todas as suas outras supostas atividades advêm deste único fato: o BC cria dinheiro do nada. Ele não trabalha restrito a uma dotação orçamentária. É a única instituição que tem autorização para falsificar dinheiro.

Desde o fim do padrão-ouro, é assim em todos os países do mundo.

Há inúmeros artigos sobre isso neste site.

Responder
Luiz P. 27/09/2013 03:47:49

Clap Clap Clap... perfeito Leandro, seus artigos são extremamente didáticos, mesmo para um leigo.

Responder
IRCR 27/09/2013 04:55:04

Leandro,

Mas antes deles apertarem as teclas o BC precisa comprar titulos da divida no sistema bancario certo ? não que isso desqualifique o fato de o dinheiro ser criado "out of thin air" mas apenas confirma que é um dinheiro criado do nada lastreado em dividas.

Responder
Leandro 27/09/2013 11:58:24

Sim. Neste sentido, todo o dinheiro existente está lastreado tanto em dívida pública (quando criado pelo Banco Central) quanto em dívida privada (quando criado pelo sistema bancário de reservas fracionárias).

Mas a pergunta havia sido sobre de onde vem o dinheiro criado pelo Banco Central. E a resposta a esta pergunta -- independentemente do lastro deste dinheiro -- é: do nada.

Responder
Roger 27/09/2013 07:57:57

Leandro, gostaria de saber a sua opinião sobre a minha observação com relação à Expansão Marítima.

Responder
Leandro 27/09/2013 12:02:07

Não sei. Esta não é minha especialidade. O que se sabe é que tal expansão ocorreu porque estes dois estados puderam financiar. E como eles puderam financiar? Utilizando as riquezas que haviam coletado e confiscado ao longo de sua história. Ora, se eu sou uma instituição que coleta e confisca boa parte da riqueza produzida, é claro que eu terei uma maior capacidade de financiar todo e qualquer empreendimento mais portentoso.

Responder
Roger 27/09/2013 17:18:08

Obrigado pela prontidão Leandro. Sou leitor assíduo do site. Inclusive faço uso os ideais liberalistas em todos os âmbitos de minha vida. No entanto, tenho uma abordagem pragmática do liberalismo defendido pelo mises que não me deixa concordar com tudo que é postado no site. Gostaria de abusar um pouco mais de você para saber qual sua opinião sobre a minha abordagem, pois sua opinião é muito importante para mim. Se outras pessoas quiserem dar suas opiniões também sintam-se convidadas.

Essa é uma dúvida que tenho que, entre outras, ainda me faz optar pelo minimalismo com conscientização social ao invés do anarcap. Social não no sentido de walfare, mas no sentido de sociedade mesmo. Ou seja, se toda sociedade tiver consciência dos limites do Estado, suas únicas funções e seus possíveis males ao intervirem além do mínimo, então esse Estado mínimo não deveria crescer novamente, pois isso só pode ocorre com o apoio social. Aliás, mesmo para uma sociedade sem Estado, que é o que o site defende, essa conscientização também é fundamental, senão a sociedade vai clamar pela volta do Estado logo na primeira dificuldade. Além disso, visto que não há como desaparecer com o Estado de um dia para o outro, então, por definição, teríamos que, em algum momento do processo, passar por uma situação de Estado mínimo.

Essa situação de Estado mínimo tem três opções: progredir para o anarcap; estagnar em minimalismo; regredir para onde estamos. A afirmativa do Mises é que ele inevitavelmente regredirá caso não progrida para o anarcap. No entanto, ao afirmar isso, creio que não seja levado em conta que, para chegarmos a esse minimalismo e, principalmente, para progredirmos ao anarcap, é uma condição sine qua non que a sociedade esteja plenamente conscientizada no sentido supracitado. Conscientização inclusive sobre como os serviços prestados pelo Estado devem ser restritos e LIMITADOS, e não generalistas e ilimitados, como são hoje. Portanto, de acordo com a escassez de recursos. Trocaríamos o "todos têm direito a tudo" por "alguns podem ter acesso a algumas coisas", que, aliás, é o que já ocorre hoje em dia.

Outro ponto é que, com um Estado mínimo, sua ineficiência, ainda que presente, será mínima, pois seus recursos serão mínimos, sua abrangência será mínima e seu pessoal será mínimo. Essa pequenez do Estado, facilitando sua supervisão, juntamente com a conscientização social que deve, inevitavelmente, estar presente, deve eliminar quase que totalmente a corrupção deste. Até porque com poderes mínimos, não mais será possível satisfazer os infinitos lobbies existentes, como é feito hoje. As possibilidades de corrupção seriam extremamente limitadas e evidenciáveis.

Gostaria de saber sua posição sobre o minha abordagem. Há algo de muito errado nela? De antemão, obrigado Leandro. Seus textos são excelentes e esclarecedores.

Responder
Porta-Voz 30/09/2013 14:52:53

"Ou seja, se toda sociedade tiver consciência dos limites do Estado, suas únicas funções e seus possíveis males ao intervirem além do mínimo, então esse Estado mínimo não deveria crescer novamente, pois isso só pode ocorre com o apoio social."

Esse é o raciocínio padrão de todos os minarquistas. Embora sejam bem-intencionados, eles ignoram completamente o conceito de "poder". Ora, a partir do momento em que você concede a uma poderosa instituição o monopólio da tributação, da violência e da tomada suprema de decisões judiciais dentro de um determinado território, não faz o mais mínimo sentido você acreditar que tal instituição irá se manter rigorosamente confinada dentro de seus limites. Por que ela faria isso? O que impede esta instituição monopolista e armada de expandir seus domínios? Se você acha que a simples "consciência popular" é capaz de restringir o estado, você está superestimando o real poder do povo.

"Aliás, mesmo para uma sociedade sem Estado, que é o que o site defende, essa conscientização também é fundamental, senão a sociedade vai clamar pela volta do Estado logo na primeira dificuldade."

O site não defende uma sociedade sem estado. Defendemos a livre concorrência, a não-coerção e o fim de todo e qualquer monopólio. Se o estado se tornar uma agência de adesão meramente voluntária, com os impostos se tornando "doações voluntárias" (o pleonasmo é aqui utilizado para reforçar a ideia da voluntariedade das doações), com seus serviços deixando de ser compulsoriamente financiados e com suas regulamentações sendo abolidas, não há motivo algum para se pedir o fim do estado, pois ele passará a ser uma mera agência prestadora de serviços, como qualquer outra.

"A afirmativa do Mises é que ele inevitavelmente regredirá caso não progrida para o anarcap."

Mises nunca falou nada disso. Mises jamais sequer utilizou o termo anarcocapitalismo e jamais fez quaisquer considerações sobre o possível funcionamento deste arranjo.

"para progredirmos ao anarcap, é uma condição sine qua non que a sociedade esteja plenamente conscientizada no sentido supracitado. Conscientização inclusive sobre como os serviços prestados pelo Estado devem ser restritos e LIMITADOS, e não generalistas e ilimitados, como são hoje."

Esta é exatamente a estratégia de Hoppe. Ver aqui.

"Portanto, de acordo com a escassez de recursos. Trocaríamos o "todos têm direito a tudo" por "alguns podem ter acesso a algumas coisas", que, aliás, é o que já ocorre hoje em dia."

A frase mais acurada é: Trocaríamos o "todos supostamente têm direito a tudo" por "todos podem ter acesso a absolutamente tudo, desde que dêem algo em troca". Essa é a essência de toda e qualquer troca voluntária. Ignorar isso é ignorar as motivações da ação humana. Até mesmo na caridade, o caridoso está recebendo algo em troca (sua sensação de auto-satisfação).

"Outro ponto é que, com um Estado mínimo, sua ineficiência, ainda que presente, será mínima, pois seus recursos serão mínimos, sua abrangência será mínima e seu pessoal será mínimo. Essa pequenez do Estado, facilitando sua supervisão, juntamente com a conscientização social que deve, inevitavelmente, estar presente, deve eliminar quase que totalmente a corrupção deste. Até porque com poderes mínimos, não mais será possível satisfazer os infinitos lobbies existentes, como é feito hoje. As possibilidades de corrupção seriam extremamente limitadas e evidenciáveis."

De novo, esse é o argumento básico do minarquismo. O problema é que nunca explicaram por que diabos o estado -- que detém o monopólio da coerção, da tributação e do aparato judicial -- irá se contentar em ficar deste tamanho. Veja aqui uma teoria que explica por que nenhum estado jamais permanecerá mínimo, por mais esclarecida e iluminada que seja sua população.

Responder
Roger 30/09/2013 21:06:31

Porta-voz, concordo que o Estado tem interesse em aumentar seu círculo de influência cada vez mais. No entanto, você afirma que um Estado mínimo irá sempre aumentar, inevitavelmente, mas, se um Estado que é mínimo, não pode, ato contínuo (daí a conscientização), diminuir de volta ao tamanho original sempre que aumente -ficando, assim, "constante"- então como pode-se diminui um Estado que já está gigante? Não vejo como se possa defender esse ponto de vista sem chegar à conclusão de que o anarcap é utópico, pois pressupõe a diminuição de um Estado gigante, mas afirma que um Estado mínimo não pode diminuir quando tentar aumentar.


"Ora, a partir do momento em que você concede a uma poderosa instituição o monopólio da tributação, da violência e da tomada suprema de decisões judiciais dentro de um determinado território...
O site não defende uma sociedade sem estado. Defendemos a livre concorrência, a não-coerção e o fim de todo e qualquer monopólio."

Ao definir Estado como monopólio das forças de coerção, tributação, violência e tomada de decisões e defender o fim de todo e qualquer monopólio, por extensão, se está defendendo o fim do Estado, sim. Portanto, as matérias do site defendem o anarcap em suas argumentações, mesmo que indiretamente.


"A frase mais acurada é: Trocaríamos o "todos supostamente têm direito a tudo" por "todos podem ter acesso a absolutamente tudo, desde que dêem algo em troca""

Meu intuito ao colocar aquelas frases foi alterar um paradigma socialista utópico impregnado no ideário popular por algo factível, ou seja, trocar algo que é defendido mas que não pode ser posto em prática por algo que não é defendido mas que pode ser posto em prática. No caso das suas frases, elas são ambas verdadeiras, e já são ambas aplicadas. A primeira frase se deve ao fato de minha primeira frase não poder ser aplicada na prática; a segunda frase sua já é verdadeira em qualquer país não-comunista.


"Mises nunca falou nada disso. Mises jamais sequer utilizou o termo anarcocapitalismo e jamais fez quaisquer considerações sobre o possível funcionamento deste arranjo."

Me desculpe, eu me expressei mal, ao falar em Mises eu me referia ao site. Eu não conheço a obra de Mises em profundidade suficiente para dizer que ele defendia isso.

Li parcialmente o artigo de Hoppe, pois esse não é o foco. Li na íntegra o texto sobre o crescimento de Estados mínimos, usando como exemplo os EUA. Concordo que seja um exemplo de agigantamento do Estado, mas discordo que isso implique que todo e qualquer Estado mínimo irá aumentar baseado em um exemplo. De novo, recorro ao argumento da conscientização. Ora, se hoje se defende a instauração de um anarcap através da conscientização de desobediência ao Estado, especialmente no que toca o não pagamento de impostos -que é a raiz de tudo- fica claro que os americanos daquela época não possuíam essa consciência, pois aceitaram os aumentos de impostos. Qual seria a diferença entre os americanos daquela época rejeitarem um aumento de impostos de 1% e dos brasileiros de hoje rejeitarem impostos de 50%? Em essência, nenhuma, mas, na prática, seria muito mais fácil para os primeiros o fazerem. Portanto, vejo como uma incoerência defender o segundo e dizer que o primeiro nunca vai acontecer. Espero que o minimalismo seja possível, caso contrário, o anarcap também não é, e as únicas opções que teríamos seriam o capitalismo de estado ou comunismo.

Além disso, hoje temos contraexemplos das ingerências do Estado e seus resultados desastrosos, os americanos daquela época não possuíam isso. A conscientização revoluciona a sociedade, fazendo com que coisas que eram inimagináveis há tempos atrás sejam corriqueiras atualmente. Quem diria que mulheres votariam e negros receberiam salário há 150 anos atrás?

Todavia, temos hoje um problema, de longe, muito mais sério do que defender o minimalismo ou anarcap. O Brasil está rumando à ditadura do proletariado e, se nada for feito, vamos ver o país, o continente e a humanidade perderem mais algumas décadas com ditaduras. Quando isso acontecer, vamos todos ser presos apenas por pensar que pode existir um país sem Estado ou que temos que limitar seus poderes. Talvez o agigantamento dos EUA tenha sido providencial para impedir que o comunismo tomasse conta do mundo, para que pudéssemos pelo menos ter uma ideia do que é capitalismo. Talvez devamos agradecer que o minimalismo dos EUA não deu certo e eles tiveram um exército para lutar contra o comunismo. Ou talvez o sucesso do minimalismo dos EUA tivesse influenciado todos a o seguirem e teria eliminado o comunismo de maneira definitiva, e não apenas militarmente, mas ideologicamente, quem sabe.

Responder
Marcio L 01/10/2013 01:50:59

Os países escandinavos se conservaram social-democratas por anos (aquela velha social democracia trabalhista apoiada nos sindicatos de trabalhadores), e nem por isso se tornaram ditaduras comunistas. Acho exagerado dizer que o Brasil caminha para algo assim, ainda ouso dizer que muitos social-democratas trabalhistas levam em consideração até como estímulo intelectual o conteúdo aqui divulgado.

Responder
Roger 01/10/2013 08:07:55

Você acha que o Brasil caminha para se tornas um país escandinavo ou uma Cuba ou Venezuela? TODAS as vertentes internas do PT, inclusive o Rui Falcão -o mais "conservador"-, assumem que o intuito to partido é instaurar o socialismo no país, não sou eu quem estou falando. Assista aos vídeos no final e tire suas próprias conclusões. Calote das dívidas públicas, "reformas" agrária e urbana, demarcação de terras indígenas, reestatização de todas as empresas privatizadas, entre outros, são algumas das propostas dos "intelectuais" mais esquerdistas do PT. Você acha que se esse povo ficar no poder mais uns 2 mandatos eles não vão começar a radicalizar?

Eu não subestimaria essa possibilidade, especialmente tendo em vista a política externa do Lula e da Dilma de apoio a ditaduras, além das políticas "afirmativas" e de "inclusão social" que vêm sido feitas aqui, ao que tudo indica, a fase gramsciana de doutrinação que vem sendo posta em prática há décadas está abrindo espaço para uma tentativa efetiva de implantação do socialismo. Provavelmente não será nos moldes de Stalin, pois o país tem peculiaridades que não permitiria isso. Será a "Via Brasileira para o Socialismo", vamos nos tornar a República Bolivariana do Brasil. Já imaginou? Não estamos muito longe.

O primeiro é do PED do PT, é bem longo, mas é extremamente esclarecedor no que diz respeito às reais intenções do partido com relação ao Brasil, pode-se ver o que cada vertente interna do PT pensa com relação às diretrizes que devem ser tomadas para a implantação do projeto de poder do PT. O segundo é do Gabeira falando sobre os grupos armados, é bem curtinho. O terceiro é de uma ex-guerrilheira, também é bem curtinho. Tire suas próprias conclusões sobre o que o PT vai fazer com o país:

www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=F_dvSX1F-sQ
www.youtube.com/watch?v=Fm_pZXRTo30
www.youtube.com/watch?v=311w66Zpyuw

Responder
Marcio L 01/10/2013 18:36:13

Não acredito nesta possibilidade. Até mesmo Hayek notou em um artigo que mesmo Trotsky cloncluíra a importância do Mercado e da propriedade privada em uma Economia.

Os esquerdistas de modo geral fizeram uma grande revisão, e fora alguns setores minoritários mais extremistas, todos sabem quais os limites (não políticos, mas os limites reais do Socialismo).

Interessante notar que mesmo alguns ainda fazem usos de teorias economicas que lhes permitam avançar no objetivo de construir um Estado de Bem Estar social.

Como exemplo cito Ignácio Rangel, um marxista declarado, mas que fazia leituras de Schumpeter e em alguns excertos pude perceber algo próximo dos austriacos quando fala da distorção que pode ser causada pelos gastos públicos. Sabe-se que ele foi uma das grandes influências dos Economistas do PT, entre eles da Maria da Conceição Tavares que é mesmo mestre até de economistas do PSDB, e de Paul Singer um dos maiores teóricos atuais da Economia Solidária (uma curiosidade a respeito do ultimo: ele tem nacionalidade austríaca apesar de não ser um economista austríaco).

Sendo assim a questão é saber em que medida a intervenção estatal crescerá. Não vejo esse horizonte Bolivariano, nem mesmo das políticas de controle de preços e quetais. Mas há muita agitação por parte da oposição para ver se com isso conseguem trocar a direção do Estado.

Responder
Roger 01/10/2013 22:43:51

Claro, concordo que é impossível se desatrelar do capitalismo totalmente. Até Cuba, Venezuela e China mantiveram e até incrementaram suas trocas comerciais com outros países a fim de manter suas receitas e financiar o regime. Nem a União Soviética comunista era totalmente isolada do capitalismo. Mas nada disso impediu que se instaurassem regimes ditatoriais ou semi-ditatoriais, com extrema intervenção estatal em todos os âmbitos culturais, sociais e econômicos, com supressão de liberdades e direitos.

Acho improvável, até por falta de capacidade gerencial, que eles desapropriem todas as propriedades e meios de produção privados neste momento, apesar de alguns ainda acharem que esta é a saída. Mas que o capitalismo brasileiro, mesmo que capenga, junto com as liberdades e direitos que temos, mesmo que limitados, estão seriamente ameaçados. Você disse que Trotsky reconhecia o valor do mercado, no entanto, não foi ele quem governou, mas sim Lênin, que não tinha uma visão tão romântica.

Possuir propriedade privada não é garantia de NADA! Cuba permite propriedade privada, China e Venezuela também, e nem por isso são modelos de democracia, liberdade e respeito aos direitos.

Claro que não acredito que do dia pra noite eles vão instaurar um socialismo 100% marxista, não é viável. Mas é inegável que estamos cada vez mais para Karl Marx do que para Adam Smith, e a tendência é ir piorando cada vez mais.

Eles vão continuar cozinhando o sapo em água morna, tem sapo que está até gostando da água quentinha.

Veja esse vídeo, e me fale se depois dele você ainda acha que o plano do PT não é nos levar cada vez mais perto de Cuba e Venezuela e cada vez mais longe do capitalismo de verdade:
www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=vpryiO7xauk&list=UU8hGUtfEgvvnp6IaHSAg1OQ#t=187

Responder
anônimo 01/10/2013 09:05:19

Não se tornaram comunistas porque comunismo é impossível.Se tornaram o que a esquerda de lá queria que se tornasse: um meio pra sustentar os vagabundos esquerdistas. A mesma coisa que o brasil já é, mas que ainda vai piorar bem mais.

Responder
Roger 01/10/2013 14:44:50

Obviamente que por comunismo eu não me refiro à versão esquerdista de comunismo: sistema onde todos vivem em igualdade, há saúde, educação, moradia, trabalho, dignidade, liberdade, segurança e tudo que é de melhor para todos e em quantidade infinita, há pássaros furta-cores sobrevoando os bosques e unicórnios cor-de-rosa andando pelas vielas. Eu me refiro à única realidade possível ao tentar se implantar esse sistema: ditaduras, miséria, injustiça, etc, etc, etc, tudo que já sabemos.

Responder
Trevor Reznik 27/09/2013 12:58:47

Será que se a gente pedir pro Hélio Beltrão ele consegue persuadir o Leandro a lançar um livro? Eu me contentaria até mesmo com uma coleção de ensaios que ele já postou aqui no IMB.

Enfim, parabéns pelo artigo, Leandro! Excelente trabalho, como todos os outros que você posta aqui.

Responder
Eu 27/09/2013 13:23:22

Tenho uma dúvida que talvez seja mais política do que economica.

Porque em 2008, quando a crise estava estourando, o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, que é de centro-direita, declarou que o laissez-faire estava acabado?

Ele simplesmente não estava enxergando corretamente os fatos? Ou havia algum motivo político por trás daquele famoso discurso?

Ou ainda, seria porque a centro-direita na França, assim como no Brasil, é um apenas socialismo moderado?

Responder
Ricardo 27/09/2013 13:42:27

E desde quando político francês é padrão de honestidade, decência e inteligência? Há algum político francês que sabe do que fala? Há alguém que se importa com o que diz algum político francês? Existe político francês que não venere o estado?

Responder
Luiz 27/09/2013 17:36:31

Excelente texto, claro e acessível ao entendimento de qualquer um. Continue assim!!!
Deixo a sugestão para você escrever sobre a bolha imobiliária brasileira, que principalmente depois da recente visita e declarações de Robert Shiller sobre o mercado de imóveis brasileiro, tido como profeta da crise das hipotecas nos Estados Unidos, virou assunto da moda.
Virou moda comparar a bolha da crise americana com a brasileira.
Daria outro excelente texto.

Responder
Rodrigo Moura 27/09/2013 18:36:08

Já feito.

Aqui:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=611 (fevereiro de 2010)

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347

Responder
anônimo 27/09/2013 19:27:47

Leandro, parabéns pelo artigo, muito esclarecedor.
Fiquei com uma dúvida que gostaria que me esclarecesse, se possível:
Quando um banco concede um empréstimo, eu achava que saía dinheiro do caixa e ia para a conta clientes, ou seja, movimentação apenas no Ativo do banco. Pelo que você disse, é criado um ativo e também um passivo. Em que conta do passivo entra esse valor, ou seja, para quem o banco fica devendo? Você pode explicar melhor?
Grato desde já!

Responder
Leandro 27/09/2013 19:45:54

Anônimo, imediatamente após o banco criar o crédito (por exemplo, $1.000), haverá duas entradas em seu balancete: $1.000 no lado dos ativos (crédito concedido) e $1.000 no lado do passivo (conta-corrente aberta).

Porém, assim que o tomador de empréstimo gastar seu dinheiro, o valor criado na conta-corrente (passivo) cai para zero e o total de reservas (ativo) deste banco será subtraído deste mesmo valor.

Ou seja, haverá agora apenas uma entrada na coluna de ativos escrita "ativos a receber".

Quando o empréstimo é quitado, o principal ($1.000) volta para as reservas bancárias e o juro cobrado vai para o capital do banco.

Abraço!

P.S.: na prática, a redução das reservas raramente ocorre, pois ao mesmo tempo em que o banco A expande o crédito e perde reservas para o banco B, o banco B expande o crédito e perde reservas para o banco A.


Sugiro fortemente a leitura deste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

Responder
Matheus Cabizuca 27/09/2013 22:46:10

Sugiro a leitura desse artigo, "A Criatura da Ilha Jekyll"
www.espada.eti.br/fed.asp
O real motivo para a criação desenfreada de todo esse dinheiro é o poder. Eles sabem muito bem o que estão fazendo.

Responder
IRCR 27/09/2013 23:15:42

Leandro,

Existe algum criterio para o governo emitir titulos de divida ? ele pode emitir quantos quiser e o BC comprar todos eles ?
Quanto a titulos privados...??? seria como as reservas dos bancos estarem se esgotando devido a uma alta demanda por credito, ai o BC injetaria dinheiro nos bancos utilizando operações open market, porem no caso do BCE seria utilizado a janela de redesconto que implicaria em emprestimos com os bancos certo ?

Responder
Leandro 27/09/2013 23:33:55

"Existe algum critério para o governo emitir títulos de divida?"

Nos EUA, vira e mexe, o governo está às voltas com a elevação do teto da dívida (isto está acontecendo neste exato momento), pois lá há, em teoria, um limite máximo, o qual é continuamente elevado. Aqui no Brasil não há nem isso. Portanto, a resposta, na prática, é não.

"ele pode emitir quantos quiser"

Sim.

"e o BC comprar todos eles ?"

Calma. O BC não pode comprar títulos diretamente do Tesouro. Apenas os bancos podem fazer isso. O BC compra títulos públicos em posse dos bancos, mas ele não pode comprar títulos diretamente do Tesouro. Por favor, ouça os primeiros minutos do meu último podcast, que fala justamente sobre isso.

Em todo caso, sim, o BC pode comprar do sistema bancário todos os títulos que quiser.

"Quanto a titulos privados...??? seria como as reservas dos bancos estarem se esgotando devido a uma alta demanda por credito, ai o BC injetaria dinheiro nos bancos utilizando operações open market, porem no caso do BCE seria utilizado a janela de redesconto que implicaria em emprestimos com os bancos certo ?"

Não entendi muito bem o que "títulos privados" está fazendo neste parágrafo, que ficou meio confuso. Excetuando-se esse detalhe, todo o resto que você escreveu está correto.

Responder
IRCR 27/09/2013 23:51:57

Obrigado Leandro,

Eu sei que o BC nao compra direto com o governo, apenas não deixei claro isso.

Então como que funciona esses titulos privados ? como seria seu funcionamento ? desculpe minha ignorancia.

Responder
Leandro 28/09/2013 00:06:12

Desculpe-me, mas a exatamente o que você se refere quando diz "títulos privados"? Olhei aqui nos comentários e em momento algum escrevi isso.

Você por acaso está se referindo aos títulos hipotecários citados no artigo? Se sim, o fato é que o Fed pode comprar qualquer ativo em posse dos bancos. Absolutamente qualquer ativo.

Responder
IRCR 28/09/2013 01:24:43

Leandro,

Desculpe, queria dizer divida privada que os BCs compram, o que seriam ? e como seria seu mecanismo ?
No caso de titulos hipotecarios, o proprio QE serve para compra-los dos bancos certo ?
Entao nao seria absurdo algum dizer que o dolar está sendo lastreado em ativos toxicos ?

Responder
Leandro 28/09/2013 04:19:20

Creio que você esteja se referindo a este trecho: "todo o dinheiro existente está lastreado tanto em dívida pública (quando criado pelo Banco Central) quanto em dívida privada (quando criado pelo sistema bancário de reservas fracionárias)."

Dívida privada é todo e qualquer empréstimo concedido pelos bancos a empresas ou pessoas físicas. Se eu vou ao banco e peço um empréstimo, há a criação de uma dívida privada. Se uma empresa vai ao banco e pede um empréstimo, há a criação de uma dívida privada.

Já dívida pública é quando o governo emite um título e o sistema bancário compra esse título. Nesse caso, há a criação de uma dívida pública.

Portanto, esclarecendo a frase em questão: Quando o BC cria dinheiro eletrônico e compra títulos públicos que estão em posse dos bancos, o dinheiro criado desta forma está lastreado em dívida pública. Quando os bancos criam dígitos eletrônicos (por meio do sistema bancário de reservas fracionárias) e concedem empréstimos a pessoas físicas ou jurídicas, o dinheiro criado desta forma está lastreado em dívida privada.

Espero que agora esteja mais claro.

Quanto às suas duas últimas perguntas, a resposta é sim.

Responder
IRCR 28/09/2013 05:58:42

Leandro obrigado de novo,

No caso como o dinheiro criado pelo FED esta estocado nas reservas dos bancos (por isso que nao ocorreu nenhuma grande inflaçao até o momento) não sendo usado para emprestimos... como que esse dinheiro "estimularia" a economia como acredita o FED para reduzir o desemprego ? ou o QE seria apenas uma desculpa do FED para dar dinheiro para banqueiro ? hehe

No caso da divida americana, qual seria a soluçao ? subir o teto e deixar rolando a divida infinitamente ? imprimir mais dolares ? arrecadar mais imposto da população ? ou simplesmente deixar o governo quebrar ?

Cada vez estudando mais os preceitos da EA dá para entender que o arranjo de governos inchados, bancos centrais, bancos com reservas fracionarias é altamente instável. E que a melhor soluçao seria um minarquismo ou até mesmo um anarco capitalismo, sem bancos centrais e bancos com 100% de caixa. heheh

Responder
Eduardo 28/09/2013 11:50:25

Eu aqui esperando um artigo do Leandro, que há tempos não estava aparecendo...
Do nada o cara nos traz essa pérola.
Parabéns, cara.

Responder
samir 28/09/2013 17:19:30

Parabéns pelo artigo, muito bem fundamentado!
obrigado!
att;

Responder
Charles 29/09/2013 08:47:26

Deixa ver se eu entendi: no fim das contas, os que mais se foderam foram os caras da AIG, que tomaram um golpe do governo.

No fim de tudo,o governo acabou por enriquecer os bancos dando-lhes suporte com verbas públicas, para tentar controlar a crise... e ficou por isso mesmo já que os bancos não fizeram e provavelmente não jogarão essa grana no mercado fazendo uma expansão de crédito...

Mas minha pergunta é: esse sistema irá se sustentar desse modo a longo prazo?

o que irá ocorrer se o FED manter esse sistema?

Responder
Diego 29/09/2013 17:32:46

Caro Leandro,

No mercado falta um livro definitivo sobre "história monetária e financeira do Brasil". Você deveria escrevê-lo, cara! Talvez com a co-autoria de outros aqui, mas com certeza você é o ideal para escrever essa obra.

Abraços

Responder
joao 30/09/2013 16:08:13

Boa tarde, alguém conseguiria explicar este artigo?
www.infomoney.com.br/minhas-financas/imoveis/noticia/2968246/nao-evidencias-bolha-imobiliaria-brasil-diz-estudo

Responder
Pedro Ivo 03/10/2013 13:42:09

João, leia os seguintes artigos: Em que ponto do ciclo econômico está a economia brasileira?, O início do fim da bolha imobiliária? e Tendências da economia brasileira - números e gráficos . Por meio deles acho que você pode esclarecer suas dúvidas




Responder
Emerson Luis, um Psicologo 30/09/2013 18:10:10

Muito esclarecedor!

* * *

Responder
Luciano 30/09/2013 22:33:14

Caro Leandro

Excelente artigo, como sempre. Acaba de sair a notícia da elevação do teto de financiamento para o SFH, subiu para R$ 750.000,00 ( 650.000,00 em algumas regiões)e aumento do percentual a ser financiado para 90% do valor. Na última vez que isto ocorreu, em 2009, colaborou para mais quatro anos de elevação nos preços dos imóveis no Brasil. As notícias que temos visto nos últimos meses sugere uma acomodação de preços e uma queda na velocidade de venda dos imóveis. Esta medida pode ser suficiente para reativar o mercado residencial? Me parece que a renda da população já está bastante comprometida e os bancos, principalmente públicos, já um pouco alavancados. Isto poderia reinflar a bolha brasileira? Como você vê esta situação?

Um abraço
Luciano

Responder
Pedro Ivo 03/10/2013 12:23:48

Pergunta ao Leandro Roque: [1] o que são as áreas destacadas em cinza nos gráficos?

Pergunta ao Leandro e ao Hélio Beltrão:[2] Sobre o excesso de reservas dos bancos, depositadas junto ao Fed.: você vê algum cenários de os bancos desaguando este dinheiro, não na economia dos EUA, mas do mundo, iniciando uma(s) nova(s) bolha(s). Percebo que não é plausível façam isto nos EUA porque os próprios banqueiros não querem inflação galopante em casa. Mas, suponho, como eles terão de agir com este dinheiro em algum momento, espraia-lo mundo afora pode ser uma opção? Exportar parte da inflação? Por ex., comprar ativos em bolsas de valores ao redor do mundo; ou iniciar uma bolha na abertura de empreendimentos de longo prazo, como minas, florestas privadas manejadas, industria pesada, etc., aproveitando a sinalização equivocada que a taxa de juros baixa coloca sobre a viabilidade destes empreendimentos?

Responder
Leandro 03/10/2013 12:58:58

1) Recessões. (Está escrito na parte inferior do gráfico. "Shaded areas indicate US recessions")

2) Não tenho a mínima ideia. Quem tiver alguma ideia, apostar nela e se mostrar correto, fica rico.

Responder
Lucas 05/10/2013 01:15:24

Bom artigo. Já assisti dois filmes a respeito da crise do sub prime estado unidense. "Too Big to fail" que é um lixo total e "Inside Job" que é praticamente seu artigo em forma de documentário, recomendo.

Responder
Gabriel 15/10/2013 13:18:23

Leandro, uma pergunta meio tosca. Vi um texto do Rothbard em que ele falava que o foverno é o único capaz de inflacionar a moeda por meio do banco central que falsifica moeda. Tudo bem, entendo essa parte, o que eu não entendo é o seguinte: uma das soluções para a inflação que ele fornece é que o governo pare de reduzir por lei as reservas mínimas exigidas dos bancos. Eu posso estar enganado, mas acho que só existe uma reserva mínima por que o BC autoriza os bancos a criarem dinheiro do nada. Se o banco empresta meu dinheiro a outra pessoa e eu não perco acesso a este dinheiro então houve criação de dinheiro do nada. Então os bancos também criam dinheiro do nada. O que mais me assusta se meu raciocínio estiver certo é o fato de que o que os bancos fazer é uma falsificação tremenda. Se eu não posso imprimir dinheiro para emprestar para meu vizinho e lucrar com isso, por que diabos os bancos podem? Enrolei muito mas o que quero saber é se meu raciocínio está certo, se os bancos realmente criam seu próprio dinheiro e aumentam suas reservas na sacanagem mesmo.

Responder
Leandro 15/10/2013 14:20:24

"uma das soluções para a inflação que ele fornece é que o governo pare de reduzir por lei as reservas mínimas exigidas dos bancos."

O que ele quis dizer é que o Banco Central deveria parar de reduzir a taxa do compulsório. Sempre que o BC reduz o compulsório, o sistema bancário de reservas fracionárias está liberado para criar mais dinheiro do nada.

E sim, é isso mesmo que os bancos fazem: criam dinheiro do nada. Algo que se você e eu fizéssemos nos levaria para a cadeia, os bancos fazem com a total chancela do governo.

Todo este processo foi explicado em plenos detalhes neste artigo, cuja leitura recomendo fortemente:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

Responder
Gabriel 15/10/2013 14:30:06

Eu até já estou com esse artigo impresso, esse e outro seu sobre inflação. Minha duvida era se poderia mesmo culpar os bancos tanto quanto culpo o BC. Parece que no fim das contas todos são culpados do mesmo crime. O texto a que me referi está no livro "A Grande Depressão" e me deixou uma dúvida, sob o padrão ouro é possivel acontecer este tipo de fraude?

Responder
Leandro 15/10/2013 14:34:39

Bancos e Banco Central trabalham em conjunto. O BC existe justamente para cartelizar o sistema bancário, para protegê-lo de insolvências e para coordenar toda a expansão do crédito de maneira segura e harmônica, evitando que um banco concorra "predatoriamente" contra os outros.

Sim, é possível bancos praticarem reservas fracionárias sob um padrão-ouro. Mas, sob este arranjo, eles terão apenas de torcer para que não haja nenhuma corrida bancária, uma vez que não é possível imprimir ouro.

Responder
Henrique Lourenço 18/10/2013 14:53:34

Obrigado por esta explanação Leandro, não havia lido nenhuma que expusesse os fatos sem moldá-los com ideologias.

Parabéns!

Responder
Pedro 19/10/2013 19:51:54

Leandro,
surgiu uma dúvida:
Uma auditora fiscal chamada Maria Lucia Fatorelli, responsável por uma organização chamada "auditoria cidadã da divida" afirma que uma das causas da crise de 2008 foi uma desregulamentação do mercado financeiro ocorrida em meados da década de 90, que permitiu aos bancos lançarem desenfreadamente títulos derivativos no mercado, possibilitando o processo de alavancagem ad infinitum.
No seu artigo você cita a questão das agências de classificação de risco como responsáveis por dar classificação máxima aos derivativos, mas segundo ela, o mercado financeiro era mais regulamentado e não permitia tao facilmente o processo de alavancagem.
Gostaria de saber se tem fundamento apontar desregulamentação do setor bancário para que estes comprassem derivativos com mais facilidade, pois no seu texto parece ter ficado claro que foi justamente a regulamentação a principal causa da crise. Ela também não deu maiores esclarecimentos de quando e como ocorreu essa desregulamentação. Fiquei meio confuso.
Agradeço desde ja!

Responder
Leandro 20/10/2013 04:13:03

Confusão básica e, infelizmente, muito comum. Ela confundiu causa com consequência.

O que causa ciclos é a expansão do crédito, e não a criação de derivativos. Os derivativos americanos surgiram em consequência da expansão do crédito. Eles não causaram a expansão do crédito, mas sim foram uma criação oriunda da expansão.

E o que possibilitou a expansão irrefreada do crédito, bem como sua concessão para pessoas com histórico creditício para lá de duvidoso, foram todos os mecanismos citados no texto: Fannie e Freddie, decreto CRA, pressão do governo para a concessão de crédito para pessoas discriminadas etc. Derivativos de crédito foram simplesmente o condutor que fizeram com que todos esses investimentos e empréstimos ruins parecessem menos arriscados do que realmente eram. Sem a expansão do crédito, derivativos seriam inócuos.

Responder
Carlos P.Samanez 04/11/2013 04:07:25

Um dos melhores artigos que já li sobre a crise das subprime.

Você respondeu a um comentário: " No atual arranjo financeiro e monetário, são os bancos que comandam as oscilações da economia. Economista que não dedica seus estudos à real operação de um sistema bancário estará completamente perdido, falando coisas sem sentido como "Banco Central controla PIB nominal e afins".

Colocação perfeita e real. Os jovens economistas deveriam passar a conhecer melhor o funcionamento do sistema bancário e as finanças. Infelizmente, tem muito curso de economia que não tem disciplina específica que ensine aos jovens estudantes o mínimo indispensável. Falar a esses economistas sobre Securitização ou "Default Credit Swap" é falar coisas ininteligíveis para eles.

Grande abraço

C.P.Samanez, Ph.D
PUC-Rio e FCE-UERJ

Responder
Leandro 04/11/2013 10:55:47

Prezado Carlos, na economia neoclássica que é ensinada nas universidades -- inclusive aí na PUC-RJ -- o setor bancário nem sequer é mencionado nos modelos. É como se bancos simplesmente não existissem, não gerassem efeito nenhum sobre a economia e não tivessem a mais mínima importância para nada.

Não é à toa que economistas neoclássicos são incapazes de prever -- e de explicar -- oscilações na economia.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!

Responder
Carol 14/11/2013 11:39:23

Afinal, essa crise foi financeira ou econômica, pois sempre ouço falar a crise econômica? Estou fazendo um artigo sobre ela, e queria entendê-la melhor.

Responder
Leandro 14/11/2013 11:52:49

O termo "crise econômica" não é do meu agrado porque é muito inconcluso e dá margem a várias interpretações um tanto, digamos, catastróficas e espalhafatosas. Crise econômica ocorreu na Argentina em 2001 e está ocorrendo agora na Venezuela. Mas não é o que ocorre nos EUA.

O que ocorreu nos EUA foi que os bancos fizeram uma expansão desvairada do crédito e geraram uma bolha, a qual inevitavelmente tinha de estourar e gerar uma recessão. Porém, quando esta bolha estourou e gerou a recessão, ela gerou também uma crise financeira, pois os bancos ficaram descapitalizados.

Crise financeira, portanto, é um termo mais acurado.

Responder
Levao Thomaz 15/11/2013 03:32:42

Leandro, parabéns pelo artigo. Sua didática e linha de raciocínio é formidável. Minha formação é Engenharia Civil e, Depois que conheci o site através do MSM, passei a me informar mais sobre economia; ciência que em mãos erradas pode fazer um belo estrago numa nação. Outrossim, vejo que já corre o cavalo vermelho do apocalipse: vermelho do sangue derramado de milhões por onde ele passou, o qual já vem galopando há 100 anos e empunhando sua bandeira de mesma cor e, eis que agora - há 12 anos - capturou o Brasil.

Minha dúvida é: O congresso americano teve que subir o teto da dívida em 2011, ou então, os EUA entrariam também no hall dos caloteiros.
Lembro que no dia 2 de agosto de 2011 eles subiram o teto em alguns trilhões de dólares (acho que 3 + ou-). Recordo também que foi dito na época que esse anabolizante econômico duraria pelo menos uns 4 anos, entrementes não durou mais que 2 anos e 2 meses.

Pois bem, diante do arranjo em que estamos: FED imprimindo mais dinheiro, inflando o balão mais ainda... é provável que essa subida de teto da dívida dure menos que a vez passada, ou seja, se a outra estava prevendo uma folga de 4 anos e ficou em 2, dessa vez pode ser em apenas um ano e, quando for subir de novo o teto, quem sabe dure só 6 meses e assim vai até que suba teto todo dia (sic).
Ora, essa situação é insustentável, estando quase naquela situação de vender o almoço para comprar a janta.
Minha pergunta é: não estaríamos a beira de um colapso total do sistema financeiro mundial com a falência dos EUA num prazo de aproximadamente 2 anos com base nessa subida de teto da dívida em prazos cada vez menores?
Abraços.

Responder
Letícia 06/01/2014 15:06:43

Caro Leandro,
Conheço o site há dois meses, e sou curiosa em economia depois de descobrir Olavo de Carvalho. Levando em conta esta curiosidade repentina, sou grata pela clareza dos teus artigos que, não só para uma iniciante e leiga como eu, assim como para qualquer especialista são muito úteis. Obrigada pelas luzes! Abraços.

Responder
Leandro 07/01/2014 13:53:46

Muito obrigado pelas palavras e pelo incentivo, prezada Letícia. Grande abraço!

Responder
Vive la liberté! 21/02/2014 19:27:06

Reli o artigo hoje e vários comentários.
Concordo com a maioria aqui: os artigos escrito pelo Leandro são simplesmente fantásticos. São, de longe, os que eu mais gosto de ler nesse site.
Parabéns.

Responder
Bruno Rodrigues 02/05/2014 18:17:52

O texto é excelente, a não ser pelo fato de omitir um detalhe: o FED é privado, não estatal.
Um blog alemão mostra como funciona a instituição:

alles-schallundrauch.blogspot.com.br/2011/11/die-fed-ist-eine-privatfirma-die.html

Responder
Leandro 02/05/2014 19:44:04

Não. Essa afirmação sobre o Fed ser privado não é totalmente correta.

O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha, em tese!, poderes sobre a política monetária que este adota.

Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.

Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo.

Responder
anônimo 21/05/2014 19:50:04

No livro "Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos" Jesus Huerta de Soto fala sobre a constante fraude que os bancos cometem ao violar a obrigação de manter a guarda do valor depositado. Mas eu me pergunto: quando nós abrimos uma conta em um banco, não está escrito em um contrato que o banco irá utilizar o dinheiro para empréstimos?

Responder
joao marcelo 22/05/2014 20:17:00

Então imprimir dinheiro causa bolha e não inflação? não entendo como uma "farra" de impressão de moeda consegue causa uma bolha enquanto o país está sem nenhuma inflação. Porque as outras bolhas não causaram uma crise desse tamanho? Muitos outros países fizeram esse tipo de política em um nível muito maior e nada ocorreu.
Mais do que isso, essas agencias não erraram somente seguiram o modelos matemáticos de calculo de risco para dar essas notas. Onde está os estudos sobre o saneamento do sistema financeiro que dizia que alguns bancos podiam quebrar.
Não adianta tudo estava perfeito. O governo tomou certas atitudes que ajudaram na crise porem sempre com o aval de economista neo-liberais que desenvolviam modelos matemáticos onde tudo estava perfeito. Diziam que o sistema poderia sobreviver a quebra de alguns bancos. Diziam que os ativos eram seguros. Quando tudo veio abaixo eles passaram a culpar o governo e a sua teoria econômica ficou sem ter nada para dizer.
A questão assim não é saber o que causou a bolha e sim porque ela causou a depressão. Bolha ocorre sempre. Crise economica só ocorre quando depois de uma revolução tecnologica!!

Responder
Leandro 22/05/2014 22:19:54

"Então imprimir dinheiro causa bolha e não inflação?"

Em primeiro lugar, uma bolha é justamente um aumento rápido e excessivo de preços. Portanto, uma bolha é, por definição, uma inflação de preços, só que localizada em apenas alguns poucos setores (aqueles para onde o dinheiro recém-criado está fluindo).

Não faz sentido você diferenciar esses dois conceitos (bolha e inflação de preços) como se fossem opostos.

"não entendo como uma "farra" de impressão de moeda consegue causa uma bolha enquanto o país está sem nenhuma inflação."

De onde você tirou "nenhuma inflação"? Tanto a inflação de preços dos imóveis e dos materiais de construção quanto os salários de toda a mão-de-obra envolvida com o setor imobiliário (do arquiteto ao peão, do engenheiro ao mestre de obras) dispararam. Mas como tais itens não entram no cálculo do CPI (que é o IPCA deles), o Fed não se importou.

Isso foi explicado no artigo.

"Porque as outras bolhas não causaram uma crise desse tamanho?"

Porque "nas outras bolhas" (não sei bem a quais outras bolhas você se refere, mas tudo bem) a expansão do crédito não foi tão acentuada e nem a exposição dos bancos a devedores que deram calote foi tão ampla.

"Muitos outros países fizeram esse tipo de política em um nível muito maior e nada ocorreu."

Cite exemplos e mostre que tais exemplos de fato praticaram "esse tipo de política em um nível muito maior". Apenas dizer generalidades não é uma postura intelectual correta.

"Mais do que isso, essas agencias não erraram somente seguiram o modelos matemáticos de calculo de risco para dar essas notas."

Utilizar matemática para prever os resultados da ação humana é algo impossível de dar certo. Os economistas austríacos sempre alertaram para isso, e a prática sempre os confirmou (por exemplo, LTCM em 1998).

"Onde está os estudos sobre o saneamento do sistema financeiro que dizia que alguns bancos podiam quebrar."

Nenhum economista convencional os apresentou. Apenas economistas marginalizados e que apareciam apenas em rápidas entrevistas na televisão fizeram esses alertas. (Veja aqui um exemplo).

"O governo tomou certas atitudes que ajudaram na crise porem sempre com o aval de economista neo-liberais que desenvolviam modelos matemáticos onde tudo estava perfeito."

Esses economistas que utilizam planilhas para prever os resultados da ação humana são diariamente fustigados neste site (veja aqui, aqui, aqui).

Você está atacando um inimigo em comum, embora acredite piamente que está nos atacando.

"Diziam que o sistema poderia sobreviver a quebra de alguns bancos. Diziam que os ativos eram seguros. Quando tudo veio abaixo eles passaram a culpar o governo e a sua teoria econômica ficou sem ter nada para dizer."

Concordo. Já passou da hora de mandarmos para a lata do lixo essas teorias econômicas insensatas -- que ignoram coisas básicas como expansão do crédito, endividamento, taxa de juros e, acima de tudo, a praxeologia -- e os cabeças-de-bagre que as defendem (como Paul Krugman, que era um dos que jurava que estava tudo perfeito e que havia sido um ardoroso defensor da criação de uma bolha imobiliária para combater a recessão de 2001).

"A questão assim não é saber o que causou a bolha e sim porque ela causou a depressão."

Explicado em detalhes no artigo. O estouro da bolha levou a calotes que levaram a uma total insolvência do sistema bancário, o que paralisou o mercado de crédito. Você deveria ler o artigo.

"Bolha ocorre sempre. Crise economica só ocorre quando depois de uma revolução tecnologica!!"

Essa é nova. Desenvolva-a, por favor.

Responder
antonio madeira pacheco 18/07/2014 04:38:49

Parabéns pelo artigo. Se possível, gostaria de explicações referentes a crise de 29. Vi que vocês são contra o intervencionismo governamental. Tudo que li até hoje sobre a tragédia diz que foi graças a uma ação do governo que situação foi superada. Gostaria de um comentário nesse sentido.

Responder
Leandro 18/07/2014 12:19:42

Há um farto material específico sobre a Grande Depressão neste site.

Eis aqui um compêndio de artigos específicos a respeito:

www.mises.org.br/Subject.aspx?id=37


Porém, podemos resumir toda a encrenca da seguinte maneira:

A crise de 1929 começou a ser gestada em 1924, quando o Fed começou uma agressiva política de expansão monetária. Os resultados dessa expansão foram notáveis, como comprovam os índices da bolsa de NY e os preços dos imóveis em todo o país.

Ainda no final de 1928, o Fed começou a reverter e adotar uma política contracionista. Em 1929, começaram as consequências dessa mudança de postura do Fed.

O primeiro sinal dessa interrupção da expansão monetária foi a brusca queda no valor das ações. Como o crédito agora estava caro, a especulação havia diminuído sensivelmente, o que afetou sobremaneira os preços das ações. Várias pessoas que haviam tomado empréstimos para especular começaram a dar calotes nos bancos.

Por sua vez, os bancos — que praticavam reservas fracionárias — começaram a restringir empréstimos e a pedir a quitação de empréstimos pendentes.

As pessoas se assustaram com a situação e, temendo quebras bancárias, correram para sacar seu dinheiro dos bancos. Por causa das reservas fracionárias, isso gerou uma série de falências bancárias. Essas falências bancárias geraram uma forte contração na oferta monetária — consequentemente, uma recessão.

Tal recessão não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários, de modo que estes se adequassem à nova realidade da oferta monetária. Mas ele não permitiu. Mesmo keynesianos ortodoxos hoje já reconhecem o fracasso do New Deal, que nada mais foi do que um conjunto de políticas de controle de preços, controle de salários, aumento das tarifas de importação, aumento de impostos, aumento de gastos, aumento do déficit, e de arregimentação sindical e de empresários incentivados pelo governo a não reduzirem seus preços.

Resultado: a recessão foi prolongada por 15 anos.

Responder
anônimo 18/07/2014 16:50:27

A expansão monetária que está sendo feita através do Quantitative Easing vai gerar uma recessão pior que a de 2008 no futuro? E vai estar acompanhada de uma crise nas finanças publicas porque quando os juros subirem, rolar a dívida de quase 18 trilhões será insustentável no atual padrão de gastos governamentais?

Responder
Mauricio 08/08/2014 03:12:23

1) As duas coisas. Houve um intervencionismo que desregulamentou o sistema financeiro. Fannie e Freddie foram usadas para contornar a regulamentação de bancos contra aumento excessivo de alavancagem (proporção entre ativo e patrimônio líquido).
Em um primeiro momento, o social ficou acima do econômico (esquerdismo). Todo o dinheiro usado para manter a integridade do sistema financeiro foi desviado para a compra/construção de casas.
Em um segundo momento, o monetário ficou acima do econômico (direitismo). Os bancos foram socorridos pelo Fed, que agora ganham dinheiro diretamente do Banco Central, sem nenhum incentivo à produção.

2) A teoria diria mais temerário, e foi o que aconteceu com Fannie e Freddie. Os bancos, por outro lado, preferiram ficar ganhando 0,25%/ano do Banco Central.

3) Sem o Fed para limpar a sujeira, o estrago teria sido pior. Mas sem a intervenção que desregulamentou tudo, talvez não houvesse sujeira a ser limpada em primeiro lugar.

No fim, surgiram muitas casas para a população e os banqueiros estão ganhando dinheiro. Só ignore quem infartou durante o passeio forçado pela montanha russa da criação e estouro da bolha sub-prime.
Isso se chama Keynesianismo. Cava-se um buraco e depois tampa-se de novo. O buraco em si não serve para nada, mas o simples fato de cavar e tampar de novo provoca um crescimento econômico em volta do buraco.

No Libertarianismo, tenta-se ter o mesmo crescimento econômico, sem a necessidade do buraco (intervenção) em primeiro lugar. Usando-se de mecanismos de mercado que direcionam a economia diretamente para o ponto que necessita de crescimento.
O direcionamento direto é devido ao mercado ser movido diretamente pela população que necessita do crescimento.
Quão bem os mercados funcionam do ponto de vista econômico depende do setor. As vezes funciona, as vezes não.
Funcionando ou não, ainda existe um atrativo de liberdade pois a população atua diretamente no rumo da economia e da sociedade.

Quando não funciona, regulamentação pode remediar. Quanta regulamentação é desejável é onde libertários, liberais e totalitários tem opiniões distintas:

No Libertarianismo, quanto menos regulamentação, melhor. Se os mercados não funcionarem, fica inteiramente a cargo da boa vontade das pessoas para remediar.

No Totalitarismo, liberdade é uma ameaça à quem está no poder, e quanto mais regulamentação e menos liberdade, melhor. Funciona... para quem está no poder.

No Liberalismo, regulamentação pode ser boa se ajudar a proteger os mercados e a liberdade, ruim se não. Se a regulamentação não funcionar, vira mais um Totalitarismo.

Responder
Jeosadá 01/10/2014 03:27:51

"Atualmente, os bancos de Wall Street operam em um regime de risco quase nulo: eles fazem empréstimos hipotecários, revendem os títulos das hipotecas para o Fed, recebem o dinheiro de volta (com um lucro), e ainda deixam boa parte deste dinheiro recebido do Fed depositado no próprio Fed, que está pagando 0,25% ao ano sobre este montante."

Certo. Mas e qual é a possível previsão daqui pra frente?

O FED vai continuar inchando até dar um calote trilionário?

Responder
Leandro 01/10/2014 03:47:08

Por aí. Não há previsão de o Fed se desfazer desses títulos, e na realidade nem tem como ele se desfazer deles: a venda desses títulos não apenas iria gerar uma retumbante deflação da base monetária, como também geraria um forte aumento da taxa básica de juros.

Portanto, a política a ser mantida será a mesma dos últimos 6 anos: ir empurrando com a barriga.

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