O que deve ser feito para nos livrarmos da opressão estatal

No último artigo, explicou-se a lógica por trás do aparato estatal, por que os piores sempre chegam ao poder e como eles ali se perpetuam.  Agora, é hora de entendermos o que fornece sustento aos parasitas, o que permite que eles permaneçam no poder e, por fim, o que deve ser feito para reverter essa situação.

O papel dos intelectuais

Antes de procedermos à solução, um fato sociológico deve ser reconhecido: a importância do papel dos intelectuais, da educação e da ideologia.  Tão logo uma agência de proteção adquira o monopólio territorial da violência e tomada suprema de decisões judiciais — ou seja, um estado — ela deixa de ser um protetor genuíno e se transforma numa máfia de extorsão.  E, para combater qualquer eventual resistência por parte das vítimas a este esquema de extorsão, um estado necessita de legitimidade, de justificação intelectual para o que ele faz.  Quanto mais explícito se torna o esquema de extorsão do estado — isto é, a cada aumento nos impostos e nas regulamentações —, maior se torna a necessidade de sua legitimação.

Para assegurar a predominância do correto pensamento estatista, este monopolista territorial irá utilizar sua posição privilegiada de beneficiário de um esquema de extorsão para estabelecer rapidamente um monopólio da educação.  Afinal, apenas deter o monopólio não será suficiente, principalmente caso a agência seja formada por uma pequena minoria em relação ao número total de súditos.  Uma minoria não pode dominar eternamente uma maioria apenas pelo uso da força bruta.  Ela precisa dominar a opinião dessa maioria.  A maioria da população deve ser adestrada a aceitar voluntariamente o seu domínio.  Isso não quer dizer que a maioria tenha de concordar com cada uma de suas medidas.  Na realidade, ela pode muito bem achar que muitas das suas políticas estão erradas.  Entretanto, ela tem de ser levada a acreditar na legitimidade da instituição do estado como tal; e que, por conseguinte, mesmo que uma política em particular esteja errada, tal erro é um acidente que deve ser tolerado em nome de um bem maior fornecido pelo estado. 

Entretanto, como é possível persuadir a maioria da população a acreditar nisso?  A resposta: somente com a ajuda dos intelectuais.

E como é possível fazer com que os intelectuais trabalhem a seu favor?  A resposta a isso também é fácil: a demanda de mercado por serviços intelectuais não é exatamente alta e estável.  Os intelectuais estariam à mercê dos valores efêmeros das massas; e as massas não estão interessadas em questões intelecto-filosóficas.  O estado, por outro lado, pode acomodar os egos tipicamente hipertrofiados dos intelectuais e oferecer a eles um cargo cordial, seguro e permanente em seu aparato.

Porém, não é suficiente que o estado empregue apenas alguns intelectuais.  O estado tem de empregar essencialmente todos eles, mesmo aqueles que trabalham em áreas bem distantes daquelas com as quais o estado está mais preocupado: filosofia, história, ciências sociais e literatura.  Pois mesmo os intelectuais que trabalham com matemática ou ciências naturais, por exemplo, podem obviamente pensar por conta própria e se tornar potencialmente perigosos.  Portanto, é importante que o estado também garanta a lealdade deles.  Colocando de maneira diferente: é preciso ser um monopolista.  E tal condição será melhor atingida se todas as instituições educacionais, desde o jardim de infância até as universidades, forem subjugadas ao controle estatal e todo o corpo docente for certificado e aprovado pelo estado.

Mas e se as pessoas não quiserem ser educadas?  Para evitar isso, a educação deve ser declarada compulsória; e para que todas as pessoas sejam submetidas a uma educação controlada pelo estado pelo máximo de tempo possível, todos devem ser declarados igualmente educáveis.  É óbvio que os intelectuais sabem que tal igualitarismo é falso.  Entretanto, afirmar tolices do tipo "todos são Einsteins em potencial desde que recebam uma suficiente atenção educacional" é algo que agrada às massas e, por sua vez, gera uma demanda praticamente ilimitada por serviços intelectuais.

É claro que todas essas medidas não garantem que o almejado pensamento genuinamente estatista torne-se predominante.  Entretanto, elas ajudam a alcançar a conclusão desejada caso o indivíduo perceba que, sem o estado, ele poderia estar sem seu emprego e talvez teria de tentar ganhar a vida como frentista.  Isso seria uma tragédia quando se sabe que ele poderia muito bem ganhar um bom salário ocupando-se de assuntos mais prementes como alienação, igualdade, exploração, desconstrução do gênero e do papel dos sexos, opressão feminina, ou até mesmo a cultura dos esquimós, dos hopis e dos zulus.

E mesmo que os intelectuais venham a se sentir subestimados pelo estado, isto é, por uma administração estatal em particular, eles sabem que a ajuda só poderá vir da próxima administração estatal, e não de um ataque intelectual à instituição do estado.  Portanto, não é surpresa alguma que a esmagadora maioria dos intelectuais contemporâneos, inclusive os mais conservadores ou mesmo os "livre-mercadistas", sejam filosófica e fundamentalmente estatistas.

A pergunta que fica: será que o trabalho dos intelectuais surtiu efeito para o estado?  Eu diria que sim.  Se perguntadas se a instituição do estado é necessária, não creio que seria exagerado dizer que 99% de todas as pessoas iriam resolutamente dizer que sim.  E, ainda assim, esse sucesso se apóia em pilares muito instáveis, e todo o edifício estatista pode ser demolido caso o trabalho dos intelectuais seja contestado pelo trabalho de intelectuais anti-intelectuais, como eu gosto de chamá-los.

A enorme maioria dos defensores do estado não é formada por estatistas filosóficos, isto é, eles não pensaram profundamente no assunto.  A maioria das pessoas não pensa muito sobre qualquer questão filosófica.  Elas apenas seguem sua rotina diária, e pronto.  Logo, a maior parte do apoio ao estado advém do simples fato de que ele existe e sempre existiu desde há muito tempo (tempo esse que é tipicamente o tempo de vida da pessoa que pensou no assunto).  Ou seja, a maior conquista dos intelectuais estatistas foi o fato de que eles cultivaram a preguiça (ou incapacidade) intelectual natural das massas, e nunca permitiram que o assunto viesse à tona para uma discussão séria.  O estado passou a ser considerado uma parte inquestionável do tecido social.

A primeira e mais importante tarefa dos intelectuais anti-intelectuais, portanto, é atacar essa letargia dogmática das massas oferecendo uma definição precisa do estado, como feito no artigo anterior, para em seguida perguntar se não há nada de verdadeiramente incomum, estranho, bizarro, tosco, ridículo e de fato burlesco em uma instituição como essa.  Estou confiante de que esse simples trabalho de definição irá produzir algumas sérias dúvidas em relação a uma instituição que anteriormente vinha sendo tida por natural.

O intelectualismo anti-intelectual

A partir desta constatação sobre a importância das ideias e do papel dos intelectuais como protetores do estado e do estatismo, segue-se que o papel mais importante no processo de liberalização — a restauração da justiça e da moralidade — deve ser assumido por aqueles que podemos chamar de intelectuais anti-intelectuais.  No entanto, fica a pergunta: como estes intelectuais anti-intelectuais podem ter êxito em deslegitimar o estado perante a opinião pública se considerarmos que a esmagadora maioria de seus colegas é formada por estatistas que farão de tudo para isolá-los e desacreditá-los, taxando-os de extremistas e malucos?  O espaço aqui me permite fazer apenas breves comentários sobre esta questão, que é fundamental.

Primeiro: Dado que será necessário enfrentar a oposição cruel e maliciosa de seus colegas, para que o indivíduo possa resistir e não se deixar abater é de máxima importância não basear sua posição no utilitarismo e na ciência econômica, e sim em argumentos de ordem ética e moral.  Pois somente convicções morais provêem a força e a coragem necessárias para uma batalha intelectual e ideológica.  Poucos se sentem inspirados ou se dispõem a aceitar sacrifícios quando estão se opondo a coisas que consideram ser meros erros ou superficialidades.  Por outro lado, inspiração e coragem podem ser obtidas em grande dose se se souber que se está lutando contra o mal e combatendo mentiras perversas. (Retorno a este ponto brevemente).

Segundo: É importante reconhecer que não é necessário convencer outros intelectuais convencionais.  Como demonstrou Thomas Kuhn, isto é algo bastante raro até mesmo nas ciências naturais.  Nas ciências sociais, praticamente não se conhece casos de intelectuais consagrados que abandonaram suas opiniões anteriores e se converteram.  Em vez disso, os esforços devem ser concentrados naqueles jovens que ainda não se comprometeram intelectualmente; jovens cujo idealismo também os torna particularmente mais receptivos a argumentos morais rigorosos.  E, da mesma maneira, deve-se ignorar o mundo acadêmico e se esforçar para alcançar o grande público (isto é, os leigos inteligentes esclarecidos), o qual, de modo geral, nutre alguns saudáveis preconceitos anti-intelectuais, que podem ser facilmente explorados.

Terceiro (retornando à importância de um ataque moral contra o estado): É essencial compreender que não se pode fazer nenhuma concessão em nível de teoria.  É claro que não se deve recusar uma cooperação com pessoas que possuam opiniões que sejam essencialmente erradas e confusas, desde que os objetivos delas possam ser classificados, clara e inequivocamente, como um passo correto em direção à desestatização da sociedade.  Por exemplo, é correto cooperar com pessoas que pretendem introduzir um imposto de renda uniforme (flat) de 10% (embora não iríamos querer cooperar, por exemplo, com aqueles que gostariam de combinar esta medida com um aumento em outros impostos a fim de manter a arrecadação inalterada).  No entanto, sob nenhuma circunstância esta cooperação deve levar a, ou ser obtida por meio de, uma contemporização dos próprios princípios.  Ou a tributação é algo justo ou ela é injusta.  E uma vez que ela seja aceita como justa, como então será possível se opor a qualquer aumento da mesma?  A resposta logicamente é que não é possível!

Em outras palavras, fazer concessões em nível de teoria, como vemos acontecer, por exemplo, entre liberais moderados como Hayek e Friedman, ou mesmo entre os chamados minarquistas, não apenas denota uma grande falha filosófica, como também é uma atitude, do ponto de vista prático, inútil e contraproducente.  As idéias destas pessoas podem ser — e de fato são — facilmente cooptadas e incorporadas pelos governantes e pelos ideólogos do estado.  Aliás, não é de se estranhar a frequência com que ouvimos estatistas defendendo a agenda estatista dizendo coisas como "até mesmo Hayek (Friedman) diz — ou, nem mesmo Hayek (Friedman) nega — que isto e aquilo deve ser feito pelo estado!"  Pessoalmente, eles até podem ter ficado descontentes com isso, mas não há como negar que suas obras serviram exatamente a este propósito; e, consequentemente, queiram ou não, eles realmente contribuíram para o contínuo e incessante crescimento do poder do estado.

Ou seja, gradualismo ou concessão teórica irá gerar apenas a perpetuação da falsidade, do mal e das mentiras do estatismo.  Somente o purismo teórico, com seu radicalismo e sua intransigência, pode e irá resultar primeiro em reformas práticas e graduais, depois no aprimoramento, até finalmente chegar a uma possível vitória final.  Deste modo, sendo um intelectual anti-intelectual no sentido rothbardiano, um indivíduo não deve se limitar apenas a criticar diversas tolices do governo, ainda que ele possa ter de começar por elas; ele deve sempre partir deste ponto e ministrar um ataque fundamental à instituição do estado, mostrando-o como uma afronta ética e moral.  O mesmo deve ser feito com seus representantes, que devem ser expostos como fraudes morais e econômicas, bem como mentirosos e impostores — devemos sempre apontar que os reis estão nus.

Particularmente, o indivíduo jamais deve hesitar em atacar o próprio núcleo da legitimidade do estado: seu suposto papel de indispensável fornecedor de segurança e proteção.  Já demonstrei em termos teóricos o quão ridícula é esta alegação: como é possível uma agência que pode expropriar propriedade privada alegar ser protetora da propriedade privada?  Mas tão importante quanto o ataque teórico é atacar também a legitimidade do estado em bases empíricas.  Isto é, trabalhar arduamente sobre o tema de que os estados, que supostamente deveriam nos proteger, são eles próprios a instituição responsável por 200 milhões de mortes apenas no século XX — mais do que as vítimas de crimes privados em toda a história da humanidade (e este número de vítimas de crimes privados, crimes contra os quais o governo não nos protegeu, teria sido bem menor caso os governos de todos os locais e de todas as épocas não tivessem se empenhado continuamente em desarmar seus próprios cidadãos para que eles mesmos, os governos, não encontrassem resistência e pudessem se tornar máquinas mortíferas ainda mais eficientes)!

Portanto, em vez de tratar políticos com respeito, nossa crítica a eles deveria ser significativamente intensificada: quase sem exceção, eles não são somente ladrões; são também falsificadores, corruptos, charlatães e chantagistas.  Como ousam exigir nosso respeito e nossa lealdade?

Mas será que uma vigorosa e distinta radicalização ideológica trará os resultados desejados?  Não tenho a menor dúvida que sim.  De fato, apenas ideias radicais — e, na verdade, radicalmente simples — podem incitar as emoções das massas inertes e indolentes, e deslegitimar o governo perante seus olhos.

Uma revolução de baixo para cima

Finalmente, vamos à explicação detalhada do significado desta estratégia revolucionaria feita de baixo para cima. Para isto, deixe-me voltar aos comentários feitos no artigo anterior sobre o uso defensivo da democracia — isto é, o uso dos meios democráticos para se alcançar fins libertários não-democráticos e pró-propriedade privada. Duas constatações preliminares já foram estabelecidas.

Primeiro, da impossibilidade de uma estratégia de cima para baixo, segue-se que não se deve gastar muito (na verdade, nenhum) tempo, dinheiro e energia em disputas políticas nacionais, como eleições presidenciais.  E, particularmente, também não se deve perder tempo em disputas por qualquer cargo no governo central, seja no senado ou na câmara dos deputados.

Segundo, de acordo com a constatação sobre o papel dos intelectuais na preservação do atual sistema, da atual máfia de extorsão, segue-se que, igualmente, não se deve gastar muito (ou nenhum) tempo, dinheiro ou energia tentando reformar a educação e o meio acadêmico a partir de sua própria estrutura.  Tentar se infiltrar no sistema universitário para lecionar sobre livre iniciativa ou propriedade privada, por exemplo, só ajuda a emprestar legitimidade à própria ideia que se quer combater.  As instituições oficiais de educação e pesquisa devem ser sistematicamente combatidas, agitando-se para que suas verbas e fontes de financiamento sejam retiradas e secadas.  E, para que isso seja feito, todo o apoio ao trabalho intelectual — sendo isso uma parte essencial da tarefa geral que temos pela frente — deve logicamente ser dado a instituições e centros determinados a fazer precisamente isto, como este instituto.

As razões para estes dois conselhos são claras: nem a população como um todo e nem todos os educadores e intelectuais são completamente homogêneos ideologicamente.  E, mesmo que seja impossível conquistar uma maioria que apoie uma plataforma decididamente antidemocrática e libertária em escala nacional, parece não haver nenhuma dificuldade insuperável para se conquistar esta mesma maioria em localidades suficientemente pequenas, e em funções locais e regionais dentro da estrutura governamental democrática geral.  Com efeito, parece não ser nada fora da realidade esperar que essa maioria exista em milhares de localidades.  Ou seja, localidades dispersas por todo o país, mas não dispersas uniformemente.  Igualmente, mesmo que a classe intelectual deva ser de modo geral considerada inimiga natural da justiça e da segurança, existem em diversas localidades intelectuais anti-intelectuais isolados e, como o Instituto Mises comprova, é totalmente possível reunir estes indivíduos isolados em torno de um centro intelectual e dar a eles unidade e força, bem como uma plateia nacional ou até internacional.

Mas, e depois?  Todo o resto advém quase que automaticamente do objetivo supremo, que deve ser mantido sempre em mente, em todas as atividades desenvolvidas: a restauração, de baixo para cima, da noção de propriedade privada e do direito de proteger a propriedade; o direito à autodefesa, à liberdade de contrato, e de excluir ou incluir quem quisermos em nossas relações.  E a resposta pode ser dividida em duas partes. 

Primeiro, o que fazer nestas pequenas localidades, onde um candidato pró-propriedade privada e personalidade anti-populista possa vencer.  E segundo, como lidar com os níveis mais elevados do governo e, especialmente, com o governo federal centralizado.  Primeiramente, como um passo inicial, e refiro-me agora ao que deveria ser feito em nível local, o primeiro alicerce central da plataforma deveria ser: deve-se fazer de tudo para restringir o direito de voto sobre decisões a respeito de impostos locais — particularmente a respeito de impostos sobre propriedades e regulamentações — aos donos de imóveis e propriedades.  Somente donos de propriedades devem poder votar, e seus votos não devem ter pesos iguais, e sim devem valer de acordo com o valor do patrimônio líquido possuído e do total de impostos pago.

Além disso, todos os funcionários públicos — professores, juízes, policiais — e todos os recebedores de ajudas assistencialistas do estado, inclusive empresários protegidos, devem ser excluídos de votações que tratem de impostos locais e regulamentações locais.  A renda destas pessoas advém de impostos e, por isso, elas não deveriam poder dizer nada a respeito do valor dos impostos.  É óbvio que, com esta plataforma, não se pode vencer em todo lugar.  Você certamente não será eleito em Brasília com uma plataforma como esta, mas eu arriscaria dizer que, em muitas localidades, principalmente naquelas formadas majoritariamente por indivíduos trabalhadores e produtores, isto pode facilmente acontecer.  As localidades têm de ser pequenas o bastante e têm de ter um bom número de pessoas decentes.

Consequentemente, todos os impostos e taxas locais, bem como a arrecadação fiscal como um todo, irão inevitavelmente diminuir.  O valor das propriedades e a maior parte da renda local irão aumentar, ao passo que o número de funcionários públicos e o valor de seus salários irão cair.  

Neste momento, e este é o passo mais decisivo, o seguinte deve ser feito – e sempre tenha em mente que estou falando sobre distritos territoriais muito pequenos.

Nesta crise de financiamento do governo, que surgirá assim que o direito de votar for retirado da turba, uma maneira de sair dela seria a privatização de todos os ativos do governo.  Faz-se um inventário de todos os prédios públicos — e em um nível local não são tantos assim: escolas, corpo de bombeiros, delegacia de polícia, tribunais, ruas etc. — e, em seguida, ações ou títulos parciais de propriedade devem ser distribuídos aos donos de propriedade privada locais de acordo com o total de impostos — impostos sobre propriedade — que estes pagaram durante suas vidas. Afinal, tudo isso é deles, pois foram eles que pagaram por estas coisas.

Consequentemente, uma vez que as autoridades locais não mais estivessem sujeitas aos ditames do governo central, as ordens deste seriam apenas palavras ao vento. Todavia, enquanto o número de comunidades liberadas ainda for pequeno, esta postura parece ser um tanto perigosa.  Seria aconselhável, portanto, que, durante esta fase, fossem evitados confrontos diretos com o governo central, não se condenando publicamente sua autoridade e nem mesmo renunciando solenemente ao reino.

Preferencialmente, seria aconselhável praticar uma política de não-cooperação e de resistência pacífica.  Os cidadãos locais simplesmente param de ajudar na imposição e na execução de toda e qualquer lei federal.  Pode-se assumir a seguinte atitude: "Tais regras são suas, e cabe a você impingi-las.  Não posso impedir que você faça isso, mas também não irei ajudá-lo, pois meu único compromisso é com meu eleitorado local".

Se aplicado com consistência, sem nenhuma cooperação e sem nenhuma ajuda em nenhum nível, o poder do governo central diminuiria drasticamente.  Ou até mesmo se evaporaria.  E, levando-se em consideração a opinião pública geral, seria extremamente improvável que o governo federal ousasse ocupar um território em que os habitantes não fizeram nada além de tentar cuidar da própria vida.

Tão logo o número de territórios implicitamente separatistas atingisse uma massa crítica — e cada ação bem-sucedida em uma pequena localidade estimula e encoraja a próxima —, tudo inevitavelmente tornar-se-ia um movimento de municipalização radical em nível nacional, com políticas locais explicitamente secessionistas, demonstrando pública e insolentemente desobediência à autoridade federal.

E então, será em uma situação como esta — quando o governo central for obrigado a abdicar de seu monopólio da violência e da tomada suprema de decisões judiciais, e quando a relação entre as autoridades locais (em ressurgimento) e as autoridades centrais (prestes a perder seus poderes) puderem ser colocadas em um nível puramente contratual — que recuperaremos o poder de defender nossa própria propriedade novamente.

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Leituras complementares:

O fundamento lógico para a privatização total 

A esperança para a liberdade está na secessão - Hans Hoppe sobre economia, filosofia e política


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SOBRE O AUTOR

Hans-Hermann Hoppe
é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics. Ele recebeu seu Ph.D e fez seu pós-doutorado na Goethe University em Frankfurt, Alemanha. Ele é o autor, entre outros trabalhos, de Uma Teoria sobre Socialismo e Capitalismo e The Economics and Ethics of Private Property.




OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Tiago RC  20/09/2013 15:17
    Não querendo ser pessimista, mas a estratégia de Hoppe sequer seria possível num lugar como o Brasil, sem mudar uma tonelada de leis federais e talvez até a constituição antes. Governos municipais não têm controle sobre como vão taxar seus súditos. Muito menos distribuir suas posses a proprietários privados.

    Na verdade, gostaria de saber se existe uma única jurisdição no mundo que permita tal autonomia aos governos municipais.

    Sei não, mas ainda acho a estratégia de Patri Friedman (seasteads + cidades autônomas como a que estava sendo planejada em Honduras) mais factível.

    Só o tempo dirá...
  • Mohamed Attcka Todomundo  20/09/2013 19:51
    vc tem razao Tiago RC. ao meno no brasil o plano do Hope eh infactivel. cidades dependem do governo federal. elas ñ tem autonomia. se tomarem a decisao de ñ repassar tributos ao governo central, ou de restringir o voto a kem tem propriedades (e depois redistribuir as proprieddes da cidade p/ eles), o governo central veta tudo isto atraves do judiciario (o plano do hope viola lei eleitoral; ñ considera q a receita federal se reporta a Uniao; q o governo central repassa p/ as cidades, ao menos em parte, os impostos q elas arrecadam; q tem cidades q vivem só do fundo de participaçao dos municipios e de proventos da previdencia e bolsas-esmolas-da-vida, pq ñ produzem nada. isso só p/ citar uns complicadores no nosso caso) e se faz obedecer pelas policias militares estaduais, ou pela policia civil, ou pela federal (as forças armadas tão sucateadas, mas num pais desarmado, mesmo elas tem força).

    tlv oq o hoppe diz tem aplicação nas realidades dos EUA, Reino Unido e Alemanha, q são as realidades + afins ao hoppe. lá as localidades tem + poder decisorio. nos EUA por ex. as leis estaduais e municipais ñ podem revogar a lei federal anti-drogas, mas tem poder de dizer q recursos estaduais e municipais ñ serao usados p/ impor essa lei (plebicitos de 2012 impuseram essa derrota ao governo central). entao deve ter paralelos entre a ideia do hoppe e as leis desses lugares, q sao + descentralizados, e tem esferas locais atuantes. mas no brasil ñ dá, infelizmente.

    tb acho q a estrategia do hoppe dá + certo em locais menores, como uruguai, nova zelandia, romenia, panama, por um motivo q o hoppe cita noutro artigo: locais pequenos ñ podem se dar às ilusoes de autosuficiencia. se o panama, ou a romenia se fechassem a importações, passariam fome em questao de semanas. lugares muito grandes e ricos, e com acesso a muitos recursos humanos e naturais, como russia, brasil, EUA, mexico, argentina - até o canada e a australia tlv, a despeito das populações pequenas - suportam por + tempo os desmandos e arbitrariedades do dirigismo estatal. nossa grandeza e força são nosso calcanhar de aquiles.
  • anônimo  21/09/2013 19:08
    Patri Friedman saiu do instituto seasteading. Mas a luta continua, a campanha deles no indiegogo foi bem sucedida, eles já tem o dinheiro pro primeiro seasteading, só falta escolher o país onde ele vai ficar
  • Típico Filósofo  22/09/2013 00:27
    Recomendo que o seasteading fique próximo à Cuba.

    Apenas assim poderemos observar o fracasso do livre-mercado conforme esse não será capaz de salvar os milhares de traidores da revolução que tentarão fugir da justiça e da igualdade através da água.

    No fim, serão as revolucionárias aulas de educação física castrista que salvarão os fugidos contra as ondas artificiais geradas pelo HAARP da CIA(Os americanos usam tecnologia ambiental para impossibilitar a pesca e gerar fome em Cuba). Até os cientistas mais reacionários terão de reconhecer a generosa educação cubana que salva até as vidas daqueles que abandonam a revolução.

    Cuba Libre é superior a qualquer seasteading.
  • Mauro  20/09/2013 15:26
    "sequer seria possível num lugar como o Brasil, sem mudar uma tonelada de leis federais e talvez até a constituição antes."

    Ora, é exatamente por isso que o artigo fala sobre desobediência às leis federais e resistência pacífica.

    "Governos municipais não têm controle sobre como vão taxar seus súditos. Muito menos distribuir suas posses a proprietários privados".

    Claro que têm. São eles que estipulam IPTU e ISS.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  20/09/2013 17:06
    Inicialmente, quero deixar claro que concordo com o excelente artigo. Todavia, no Brasil, a situação é inda mais difícil.
    Mauro, você disse:
    "Claro que têm. São eles que estipulam IPTU e ISS."
    Desculpe-me, mas essa é uma das abundantes falsas ideias que a constituição socialista de 1988 vende: o Brasil não é uma federação.
    Os municípios brasileiros, especificamente quanto ao IPTU e ao ISS, não podem:
    a) definir o fato gerador, base de cálculo e sujeito passivo;
    b) alterar as regras básicas sobre responsabilidade tributária.
    Quanto ao ISS, os municípios brasileiros não podem cobrar menos que a alíquota mínima eventualmente imposta por lei complementar federal.
    Por fim, a câmara municipal e o prefeito que decidam não instituir e cobrar imposto municipal serão considerados "irresposáveis fiscais" e sujeitos às consequências previstas no parágrafo único do art. 11 da Lei de Responsabilidade Fiscal.
    Por isso, endosso a afirmação de Tiago RC:
    "Governos municipais não têm controle sobre como vão taxar seus súditos."
  • Eduardo O. Rodrigues  20/09/2013 15:33
    Embora eu queira me tornar menos estatista e libertário, as idéias - ou deveria dizer 'programa' - propostas nesse artigo me parecem um tanto lunáticas: p.ex. limitar o direito de voto apenas aos proprietários de imóveis (tal como era no Império), bem como suprimir o direito de voto dos funcionários públicos e dos que recebem benefícios assistenciais. Impressionante mesmo é que o peso do voto seja proporcional à extensão da propriedade ou dos impostos locais pagos. A velha bandeira 'one man one vote' ecoa em meus ouvidos, e vejo que deve ter sido usada para enfraquecer os estados e instituir a federação (união) em detrimento da confederação anterior (das 13 colônias).
  • Ricardo  20/09/2013 15:46
    Claro. Idéia sensata mesmo é dar a pessoas que recebem o dinheiro roubado o direito de escolher candidatos que prometem justamente aumentar a fatia do roubo para repassar a estes privilegiados. Isso sim é lógico, justo e nada lunático, né, Eduardo? Não gera privilégio nenhum...
  • Pedro Ivo  20/09/2013 20:17
    A este respeito tenho uma pergunta para o Leandro Roque. O Hoppe disse " deve-se fazer de tudo para restringir o direito de voto sobre decisões a respeito de impostos locais — particularmente a respeito de impostos sobre propriedades e regulamentações — aos donos de imóveis e propriedades. Somente donos de propriedades devem poder votar, e seus votos não devem ter pesos iguais, e sim devem valer de acordo com o valor do patrimônio líquido possuído e do total de impostos pago. ". Já você Leandro, disse no artigo Tributação X Regulamentação - O que é pior? , que " Para essas grandes empresas e indústrias, essa carga tributária, por mais que seja alta, é um preço válido a ser pago, pois ela garante que novas empresas fiquem afastadas e que a concorrência seja mínima. Com 77 tributos e uma burocracia que é um emaranhado de leis, medidas provisórias, decretos e outros atos tributários aterrorizantes, qual empresa vai se aventurar a concorrer com os barões já estabelecidos? Ainda mais nesses tempos de terrorismo tributário, em que o contribuinte é chamado de "sonegador" por um simples erro no formulário ou na declaração de renda... ". Ou seja (corrija-me se interpreto mal): para as elites estabelecidas, impostos, burocracia, regulações e estatismo são proteções contra os novos ricos; o Zé Povinho que ascende economicamente por seus méritos.

    Na sua opinião Leandro Roque (e de quem mais quiser responder), como conciliar estas duas coisas: votos apenas dos proprietários na definição das regulações, e a liberdade econômica dos demais não ser restringida pelas elites estabelecidas. Você não acha (é o que me salta aos olhos do paralelo entre os 2 artigos) que do mesmo modo que os 'amigos do rei' são favorecidos, por tributos e regulações, em sua permanência sem concorrência no topo da pirâmide econômica, seriam-no numa situação em que [1] os ativos públicos lhes fossem transferidos e [2] lhes fosse entregue todo o poder legislativo?

    Isto sem falar que os ativos públicos, ao contrário do que diz o Hoppe, não foram constituídos a partir da propriedade apenas dos proprietários, mas também de cada trabalhador, pois estes pagam impostos de renda ou de consumo (nunca demais lembrar que preços dos produtos nas gôndolas são, parcialmente, impostos sobre a produção, sobre o trabalho e de importação). De modo que o Hoppe está enganado: não apenas proprietários são taxados, logo os "bens públicos" são expropriações bem mais genéricas. E como uma parcela da riqueza das elites econômicas resulta da limitação à concorrência com que foram favorecidas pelo estado, esta estratégia do Hoppe me parece simplista e preconceituosa.

    Qual sua opinião Leandro Roque? E de quem mais queira opinar.
  • Leandro  20/09/2013 20:43
    Simples, Pedro.

    Uma coisa é eu votar em impostos que recairão igualmente sobre todos, inclusive sobre mim (esse é o cenário do Hoppe). Outra coisa, bem distinta, é eu votar impostos que não apenas não recairão sobre mim, como também recairão exclusivamente sobre terceiros e, mais ainda, cujos proventos virão para o meu bolso (este é o cenário da sociedade atual, na qual os recebedores de impactos podem decidir quem irá pagar e quanto estes infelizes irão pagar).

    A diferença entre os dois cenários é abissal, e eles nada têm em comum. Imagine que você pudesse escolher o valor das alíquotas e as faixas de renda sobre as quais alíquotas mais altas incidem, deixando-se a si próprio totalmente fora do esbulho. Este é o segundo cenário.
  • Pedro Ivo  21/09/2013 11:34
    Tem razão. Agora entendi. Erro de interpretação meu. Grato pelo esclarecimento.
  • PESCADOR  20/09/2013 16:44
    Hoppe sempre perfeito, ótima artigo. Mas seria muito difícil os parasitas estatais não iniciarem uma guerra contra os municípios que estivessem se libertando. De qualquer forma é um artigo irrepreensível do ponto de vista teórico.

    Gosto da idéia do Patri Friedman, mas ainda acredito que seja mais viável, por exemplo, uma migração me milhares de britânicos libertários para as Falklands, seguido por um plebiscito sobre independência - há quase 3 mil habitantes hoje nas ilhas. Teríamos uma nação libertária nascente. Eu não tenho a menor dúvida: me mudaria para lá depois que os britânicos libertários fizessem a "transição".
  • anônimo  20/09/2013 17:19
    Como mudar isso sem educação?!! As massas simplesmente se revoltariam, inflamadas pelos militantes esquerdistas locais... A única forma de tudo mudar é uma transição radical por meio da militância intensa nas universidades, órgãos governamentais e mídia para culminar numa derrubada de poder pela população. Esquerdistas devem ser humilhados em público, rebaixados e expostos pelos que realmente são. Socialistas/comunistas devem ser ridicularizados de tal forma que seus argumentos sejam motivo de chacota. Devemos escrever nossos livros desmistificando a constituição, governo e ordenamento jurídico e revelando cada barbaridade e afronta cometida contra o povo. Não existe um caminho pacifico, existe confronto e exposição direta.
  • Anônimo  20/09/2013 17:32
    (OFF-TOPIC)
    Enquanto isso, Wagner Moura e Matt Damon são os irmãos Castro em Elysium:

    cinema.terra.com.br/elenco-exalta-wagner-moura-e-diz-que-futurista-elysium-aborda-crises-atuais,5ee032af0c231410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html
  • Blah  20/09/2013 19:40
    E lá se foi minha vontade de ver o filme... mais um filme dos "ricos do mal que escravizam a humanidade" versus "socialistas do bem que só querem salvar os pobres".
  • Cassim  20/09/2013 21:55
    Recomendo a excelente aula do Stefan Molyneux sobre esta porcaria de filme:

    https://www.youtube.com/watch?v=ycmzRMmr7dQ

    É tão surpreendente que justamente o capitalismo que permitiu ao mundo o poder aquisitivo de sustentar a casta intelectual de Hollywood e seus filmes estupidamente politizados desperte tanto ódio entre seus atores, roteiristas e diretores. A situação de Elysium não apenas seria impossível onde ocorre amplo respeito dos direitos de propriedade como também não é economicamente conveniente. É quase um documentário brasileiro produzido em alguma federal mas com efeitos especiais de qualidade.

    Só faltaram o Chico Buarque ou o Emir Sader fazendo participação especial.

    Distrito 9 foi uma obra tão interessante. Este novo é uma inenarrável perda de tempo. Deixei a sessão quando descobri que os ricos odeiam dinheiro: A máquina que cura magicamente fica exclusivamente em uma colônia espacial.
  • anônimo  22/09/2013 11:54
    (aviso:spoilers)Na verdade a máquina que cura os ricos se chama...thananã! GOVERNO! Tanto que basta todo mundo virar cidadão de elysium que a tal máquina passa a ser distribuída pros pobres. Os ricos safados não querem que os pobrezinhos tenham obamacare, mais esquerdista que isso impossível.

    E essa crítica do Molineux é irritante, o cara enche linguiça demais, pqp. Uma hora e meia pra falar que o filme é uma coleção de clichês esquerdistas? Eu tenho mais o que fazer.
  • Emerson Luis, um Psicologo  25/09/2013 19:25
    Senti alergia só de assistir o trailer de Elysium.

    Alguém pode indicar filmes que divulguem conceitos liberais?

    * * *
  • Guilherme  25/09/2013 19:31
    À Procura da Felicidade, com Will Smith, ainda é imbatível.

    Inimigo do Estado, também com Will Smith (e com um Gene Hackman idêntico ao Rothbard), também é sensacional.
  • anônimo  25/09/2013 19:52
    À procura da felicidade devia se chamar à procura de um emprego
    O clássico dos clássicos é o filme do Atlas Shrugged, mas não sei se saiu a parte dois
  • anônimo  20/09/2013 18:06
    Concordo com os argumentos. Entretanto boa parte das pessoas que têm o potencial de começar a estudar EA, ao se deparar com este texto como um primeiro contato (e para a maioria dos brasileiros este é o portal do primeiro contato com a EA) é capaz de virar as costas e nunca mais voltar aqui.
  • Jeferson  20/09/2013 22:01
    Eu pensei exatamente a mesma coisa. Talvez esse seja o artigo com maior potencial de atrair a antipatia do povão brasileiro já publicado aqui no IMB.

    Acho que a idéia de que NINGUÉM passa a poder votar e legislar sobre impostos muito melhor do que dar somente aos ricos esse direito. Também acho mais provável que esse direito seja abusado, e os donos de propriedades passem a legislar sobre a propriedade alheia de maneira a pesar mais nessa do que a própria (porque sempre se dá um jeito de fazer isso), do que ele encaminhe a uma revolução libertária.

    Também achei interessantes e pertinentes os comentários do Pedro Ivo sobre os impostos indiretos e sobre o consumo. Pelo menos no que tange a nossa realidade tributária, o artigo do Hoppe apesar de excelente, não é perfeito.
  • Fabio Bastos  20/09/2013 18:45
    Eu penso que após convencer boa parte dos intelectuais, a convocação de plebiscitos para eliminação de impostos e mudanças nas leis seria interessante. É lógico que havendo resistência para realização "oficial" de plebiscitos o mesmo deveria ser convocado pela sociedade civil de forma independente. Assim a autoridade que contrariar o que for decidido em plebiscito estará agindo contra a vontade popular e poderá ter a sua legitimidade como autoridade questionada.
  • Espartano  20/09/2013 20:58
    ESTE TEXTO FALOU TUDO. DISSE TUDO. SEM NENHUMA VÍRGULA.

    E AOS DEMAIS, COMO O PRÓPRIO DESTA DESCREVEU, TUDO VIRÁ AUTOMATICAMENTE.

    "Tentar se infiltrar no sistema universitário para lecionar sobre livre iniciativa ou propriedade privada, por exemplo, só ajuda a emprestar legitimidade à própria ideia que se quer combater. As instituições oficiais de educação e pesquisa devem ser sistematicamente combatidas, agitando-se para que suas verbas e fontes de financiamento sejam retiradas e secadas. E, para que isso seja feito, todo o apoio ao trabalho intelectual — sendo isso uma parte essencial da tarefa geral que temos pela frente — deve logicamente ser dado a instituições e centros determinados a fazer precisamente isto, como este instituto."

    É por isso que eles se deram bem, porque os mesmos fizeram isso.

    Aprendi também uma coisa com este texto: Seja cruel, radical, intransigente, se apoiando na base moral, verdadeira e na justiça, com todos que defendem o pensamento imoral da escória. Só assim, venceremos esta batalha.

    Eu estava pensando nisso a um bom tempo, de como poderíamos reverter esta situação.

    Este texto caiu como uma pluma do céu. Muito Obrigado.
  • Francisco Amado  21/09/2013 00:24
    "Ideias só pode ser combatidas através de idéias melhores.
    A batalha consiste não em opor-se, mas sim de expor, não para revelar, mas para refutar, não para fugir, mas para corajosamente proclamar uma alternativa completa, coerente e radical".
    -- Ayn Rand —
    Portanto, acredito que usando as redes sociais, não apenas de forma gratuita, mas, paga e propagando as ideias liberais refutando as ideias socialistas ponto a ponto a maioria ficaria esclarecida e abandonaria pouco a pouco o pensamento estadista.
  • Victor  21/09/2013 06:23
    PESCADOR 20/09/2013 16:44:35

    "Hoppe sempre perfeito, ótima artigo. Mas seria muito difícil os parasitas estatais não iniciarem uma guerra contra os municípios que estivessem se libertando. De qualquer forma é um artigo irrepreensível do ponto de vista teórico.

    Gosto da idéia do Patri Friedman, mas ainda acredito que seja mais viável, por exemplo, uma migração me milhares de britânicos libertários para as Falklands, seguido por um plebiscito sobre independência - há quase 3 mil habitantes hoje nas ilhas. Teríamos uma nação libertária nascente. Eu não tenho a menor dúvida: me mudaria para lá depois que os britânicos libertários fizessem a "transição"."


    Caro pescador existe um projeto de imigração de libertários,só que o objetivo é o estado americano de new hampshire.
  • PESCADOR  24/09/2013 14:43
    É o Free State Project, uma ótima idéia.
  • Mauricio  21/09/2013 11:35
    Concordo com Anônimo; o texto soa radical demais em um primeiro momento para defender a causa libertária. A ideia de um imposto único que atinja todos os mortais substituindo os demais impostos e um bom começo para estancar a sangria sobre a classe produtora
  • Bright  21/09/2013 13:02
    Como se livrar do estado? Bitcoin.
  • Leandro  21/09/2013 13:25
    Ao pessoal que está reclamando que este artigo é muito radical sugiro conversarem com os leitores do artigo abaixo, que estão reclamando que ele é muito moderado.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1614
  • anônimo  21/09/2013 16:09
    'E, levando-se em consideração a opinião pública geral, seria extremamente improvável que o governo federal ousasse ocupar um território em que os habitantes não fizeram nada além de tentar cuidar da própria vida.'

    Acho que esse é outro erro estratégico dele.Os governos irão sim, se achar no direito de invadir e dominar qualquer povo que esteja apenas cuidando da própria vida.Todas as guerras recentes dos EUA mostram isso.E foi a própria opinião pública anti-guerras que colocou o Obama lá.E depois, num país como o brasil, é claro que a maioria de parasitas iria apoiar a agressão contra um estado ou cidade que passasse a boicotar brasília.
  • joao  22/09/2013 04:13
    Cidades libertárias? Isso me lembra um pouco Canudos.

    Eu particularmente acredito que os libertários criarão algo como o "Vale Galt", do livro da Ayn Rand. Um local difícil de ser encontrado/acessado, com acesso muito restrito. Esperar que uma cidade de um governo centralizado torne-se na prática independente do governo central, sem represálias, é ingenuidade. Os intelectuais são burros, mas alguns têm noção das consequências desse ato ficar impune.

    Talvez em Estados mais fracos (seja economicamente, seja pela geografia) isso dê certo. Um Estado sem grana é um Estado sem poder. Já é um começo.
  • Anonimo  22/09/2013 22:33
    Correto pensamento, no Brasil o problema é mais grave, toda a política e todo o social para o migrante que chega ao Sudeste ou Sul.

    A República Federativa foi introduzida no Brasil em 1968, através do Golpe de Estado de 1964. Alterando a antiga denominação de Estados Unidos do Brasil.

    A sua principal política ainda ocorre: AI5 – cerceamento da defesa dos cidadãos locais, Intervenção nos Estados através de grande número de migrantes, centralização do poder através do aumento dos impostos.

    Na região de São Paulo o esquema utilizado, em oposição à terra, ao emprego e ao direito aos locais, foi através do favorecimento aos migrantes com a abertura da terra em loteamentos, empresas totalmente abertas, toda política social.

    A imposição cultural e racial agora é evidente, Movimento Tupiniquim e Afro que toma conta do país.
    Loteamento - Migração ( Base do Golpe de 1964)
  • Diego  24/09/2013 02:18
    Discordo quando ele diz que se deve ignorar o mundo acadêmico.

    Na vida todos passamos por alguma educação institucional, não há problema com isso exceto pelo fato de que essa educação atualmente é controlada pelo Estado.

    No Brasil mesmo, temos alguns professores estão fazendo um grande trabalho em promover a causa liberal e acho que temos ganhado muito com isso.

    Esse meio não deve ser ignorado, certamente os socialistas não o ignoram.
  • JoaoB  04/08/2014 23:26
    Gosto do aproach para privatzar os ativos hije na mao do governo..mas como isso seria conseguido?
    Por democracia numca...os eleittores sao estupidos e ignorantes..entao vamos esperar um salvador da patria, um Castelo Branco que nos livre do Estado?
    Mas esse golpe militar tb nao eh força bruta do Estado? Nao acreito em salvadores da patrai..mesmo que fosse eu mesmo...com esse imenso poder eu nao tenho certeza que teria sabedoria e coragem para me deixar de exerce lo, acreditando que sou honesto e quero o bem do povo e a liberdade de todos..o poder corrompe e eu mesmo sseri corrompido..eu nao teria força pessoal,para abrir mao do meu poder e eu acrdoto mesmo na liberdade total, acredito no anarco capitalismp

    Nao eh sarcasmo..sou um libertario mas me pergnuto sempre como atingir esse objetvivo em menos de mil anos..

    Faco discursos todos os dias defendendo os libertarios
    Recentemente fui a uma cerimonia de homenagem a um amigo, um desembargador...assisti o mestre de cerimonias convodar
    os componentes da mesa...e foram chamadas dezens de " autoridades" ..juizes, delegados, parlamentares, etc..fiquei livido..o desflile dessas pessoas se dirigindo a mesa me fez lembrar dos desfiles dis exercitos alemaes saudando o assassino Adolf..

    Mine Gott!!

    Como vamsos instituir a lberdade sem uma revolicao, sem mortes, sem um novo Estado opressor??

    Ensinando pessoas durante mil anos? Nao vou viver tudo isso...
  • Vban Vitor  21/01/2015 12:07
    Tenho grande admiração pelo movimento libertário. Cheguei aqui com a mente confusa, mas fui apresentado a este modo de pensar que parece desentoxicar e aliviar a consciência ao tirar a culpa de não conseguirmos salvar a todos, fomentada pelo socialismo.

    Aprendi, dentre várias coisas, que o meu sustento só depende de mim mesmo e que a avaliação detalhada e crítica de qualquer afirmação, suas causas e consequências, é essencial para evitar ser enganado e passado para trás. Questionar sempre.

    Entretanto, acredito que a liberdade aqui proposta está um tanto longe de qualquer um que viva nas metrópoles brasileiras. Parece-me, ainda, que se afasta cada vez mais porque a classe média está crescendo devido a ações estatais que fornecem a sensação prazeirosa de aquisição de nível social. A cada dia, tal classe fica mais e mais dependente das ações governamentais. Até mesmo varrer a calçada deixou de ser digno.

    Por causa disso, apesar de toda a revolta que brotou em mim contra a máquina governista, não consigo enxergar saída e, pior, acho que nem mesmo quem escreve, posta ou comenta os artigos enxerga. Se enxerga, não faz. Fica sugerindo e reclamando, esperando surgir alguém que compre a idéia.

    Acredito que existam artigos criticando todas as nuances do sistema estabelecido, mas as iniciativas e tentativas, provavelmente, não acompanham os artigos e os comentários em quantidade.

    Acredito que fomos, todos, amansados e condicionados pelo Governo a não emitir nossas opiniões, pela imposição do medo de represálias, de sermos presos, exilados, mortos ou de ver mortos nossos parentes e amigos. Por isso, talvez, falamos através de codinomes, sem rostos ou endereços. Esbravejamos e criticamos, mas o nosso CPF, o nosso emprego, o FGTS, a casa de praia, ar condicionado, filhos, plano de saúde... queremos intactos.

    O raso conhecimento sobre História que possuo me faz perceber que entre o "status quo" e um novo "status quo" existe ou uma guerra civil ou um estado de abandono. Ouso dizer que ambos exigem corpos para nutrir a mudança.

    Diante de tal raciocínio, parece-me racional que os não-civilizados e não-amansados, mas oprimidos e abandonados, sejam os precursores de uma nova ordem, não a classe média, não os estudiosos, não os críticos, não os que se esforçam para fazer parte da sociedade. Nem eu, nem vocês.

    Sinto um frio na barriga ao pensar em dizer isso, mas me parece que o único lugar em que o libertarianismo funciona, ao menos parcialmente, é nas favelas dominadas pelo tráfico e ainda não alcançadas pelo Governo.

  • Carioca  21/01/2015 14:11
    Se você realmente pensa isso, então você ainda não entende nem sequer o básico sobre a teoria. O problema das favelas é justamente o excesso de estado.

    Uma área pobre de uma grande cidade, infestada de quadrilhas de traficantes que circulam por ali sem qualquer restrição, vendendo abertamente drogas nas ruas e becos e descarregando rajadas de metralhadora em qualquer um que apresente um comportamento suspeito está nessa situação terrível justamente porque a polícia opera ali rotineiramente e com truculência.

    Se a polícia realmente nunca se preocupasse em impor qualquer lei naquela área, então ninguém teria de se preocupar com o risco de ir pra cadeia por estar vendendo drogas.

    Consequentemente, empresas de fora poderiam ir se instalar naquele bairro, abrir lojas com janelas à prova de balas e vigiadas por seguranças muito bem armados, e vender cocaína e outras drogas para os moradores (ou, principalmente, para os clientes que vêm de outros bairros) por uma fração do preço vigente nas ruas.

    Essas empresas iriam rapidamente quebrar todas as quadrilhas de traficantes que operam na região, uma vez que os clientes iriam correr em manada para aqueles empreendimentos profissionalmente geridos, principalmente por causa de seus preços baixos e pela qualidade de seus produtos.

    Porém, por que isso não ocorre? Porque se alguns empreendedores tentassem de fato implementar o plano acima, eles seriam rapidamente impedidos pela polícia, que interromperia suas atividades (com o indisfarçável apoio dos traficantes locais).

    Mais ainda: essas empresas teriam suas contas bancárias confiscados por ordem do judiciário, inviabilizando qualquer operação. Líderes comunitários e religiosos iriam reclamar que uma farmácia não pode vender cocaína para adolescentes em plena luz do dia (embora os traficantes o façam imperturbáveis) e o chefe da delegacia encarregada da região iria concordar.

    Com efeito, nem ocorre a qualquer empreendedor tentar fazer o que foi dito acima porque - duh! - seria algo totalmente ilegal.

    Portanto, não é difícil entender que não é inoperância do governo o que permite que determinadas favelas permaneçam em um equilíbrio violento; ao contrário: é justamente o ataque do governo aos direitos de propriedade que faz com que bandidos detenham um poder permanente sobre determinadas regiões.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=836
  • Vban Vitor  22/01/2015 00:14
    Prezado Carioca,

    Concordo com tua opinião e com o artigo que indicaste. Entretanto, a minha intenção não era dizer que nas favelas o tráfico representa o libertarianismo. A ansiedade de publicar o comentário fez-me deixar o mesmo sem uma conclusão coerente e isto te levou a entender de tal forma.

    O que percebo nas favelas dominadas pelo tráfico é que o comércio e o empreendedorismo andam quase sempre juntos. A liberdade para se abrir um negócio, a criatividade, a vontade de ser bem sucedido e destacar-se faz daquela localidade um terreno onde as idéias libertarianistas, mesmo que inconscientemente, se propaguem: não há taxação senão algum pagamento ao tráfico; não há burocracia; não há restrições de localidade, tamanho e quantidade; monopólio somente de produtos que sustentam o tráfico da área; a propaganda pode ser feita livremente; o melhor prestador de serviços aos cidadãos locais é que se destaca; o governo local (tráfico) tem mínima interferência no mercado.

    Foi noticiado em 2012 que o comércio das favelas do Rio movimentou cerca de 13 bilhões de Reais.

    Entendo que seja disso que se fala neste site.

    Quando disse, em meu comentário anterior, que isso ocorre em favelas ainda não alcançadas pelo Governo é porque acredito que quando favelas são transformadas em comunidades elas cedem às pressões e aos argumentos políticos de inclusão e deixam de ser livres. A inveja de ainda não fazer parte de algo que consideram melhor os engana.

    Entretanto, o tráfico é a única coisa que mantém o Governo distante dessas terras. Eliminado este empecílio, os 13 bilhões de Reais serão taxados. Tudo será planificado e a classe C, amansada, condicionada e controlada, será ampliada em C1, C2, C3... como uma enorme manada em uma enorme fazenda: alimentada, medrosa, cercada e vigiada. Nós, habitantes de metrópoles, graduados, profissionais, pais de família, comerciantes, professores e esclarecidos, não faremos nada contra isso, a não ser reclamar, comentar, criticar. Não abdicaremos de nossas vidas medíocres para lutar contra o Estado. Talvez a maioria pense que é melhor viver mal do que aceitar a possibilidade de sofrer e até morrer pelo correto, pelo futuro dos filhos e pela liberdade. Não faremos isso. Somos covardes e egoístas.


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