A bolha imobiliária em 4 etapas
por , sexta-feira, 3 de outubro de 2008

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1. O Federal Reserve (o banco central americano) corta a taxa básica de juros para o mínimo histórico de 1% em 2003. Levando-se em conta a inflação, a taxa real de juros se torna negativa.

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2. Como conseqüência, as taxas hipotecárias se tornam as mais baixas da história.

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3. Essas taxas historicamente baixas fizeram com que os empréstimos explodissem, principalmente para o setor imobiliário. Como exemplo, os bancos comerciais mais que dobraram a quantidade de empréstimos imobiliários em suas carteiras.

Figure3.png


4. Todos esses empréstimos a taxas baixas tiveram obrigatoriamente de ser estendidos para pessoas com histórico de crédito ruim, o que aumentou a demanda por casas e por outros ativos imobiliários. Não deve ser surpresa alguma que isso tenha feito os preços das casas dispararem. Clique no link abaixo para ver um divertido vídeo que ilustra perfeitamente essa montanha-russa imobiliária:

RealEstateRollerCoaster.jpg


Fannie Mae, Freddie Mac, títulos lastreados em hipotecas e derivativos de crédito foram simplesmente o condutor que fizeram com que todos esses investimentos e empréstimos ruins parecessem menos arriscados do que realmente eram. Dessa maneira, o Federal Reserve pôde enganar o mercado, pelo menos temporariamente. Mas, no final, o mercado sempre acaba se reafirmando.



Mark Thornton um membro residente sênior do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, e é o editor da seção de críticas literárias do Quarterly Journal of Austrian Economics. Ele é o co-autor do livro Tariffs, Blockades, and Inflation: The Economics of the Civil War e editor de The Quotable Mises e The Bastiat Collection.



9 comentários
9 comentários
Humberto 21/10/2011 18:25:45

Por que os empréstimos do setor imobiliário continuaram subindo mesmo depois de o Fed aumentar os juros em 2004?\r
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No link vocês podem ver o gráfico mais atualizado:\r
(research.stlouisfed.org/fred2/series/REALLN?cid=100)\r
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Não eram esses empréstimos que alimentavam a bolha imobiliária, e depois que o Fed começou a aumentar os juros, para controlar a inflação, eles não caíram? E dessa forma, fez com que a demanda por casas diminuísse e consequentemente os preços despencassem, assim estourando a bolha?\r
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Esse gráfico me deixou meio perdido, achava que os empréstimos deveriam ter caído.

Responder
Leandro 22/10/2011 00:17:21

Prezado Humberto, este gráfico mostra perfeitamente a falácia que é dizer que houve "contração do crédito". O crédito continuou subindo graças à intervenção do Fed, e do que isso adiantou? Não apenas não "estimulou" a economia, como serviu apenas para endividar ainda mais a população.

Meu palpite é que, à medida que os juros iam aumentando, as pessoas necessitavam de cada vez mais dinheiro para quitar (ou rolar) seus empréstimos -- o que aumentava o volume do crédito. Até que chegou um ponto em que não aguentaram mais. E, curiosamente, a partir do momento em que os juros despencam, o crédito também se reduz.

Isso mostra que, não importam a intervenções, não importa a criação artificial de crédito: quando chega o momento de o mercado demandar que a estrutura da economia passe por uma correção, não há forças capazes de deter isso.

Esse fenômeno, aliás, foi explicado neste artigo. Não são os juros que determinam a mecânica de um ciclo econômico. Os juros desencadeiam o ciclo, porém, a partir daí, variações na oferta monetária afetam a economia de maneira muito mais acentuada. E, em minha opinião, foi isso que ocorreu. Veja o comportamento da oferta monetária americana e veja como o crescimento da quantidade de dinheiro se estagna a partir de 2005 e assim permanece até 2008. Uma vez que isso ocorre, o processo de correção é, geralmente, irreversível.

Grande abraço!

Responder
Humberto 23/10/2011 19:10:28

Leandro, obrigado pelas explicações e pelo artigo que tu indicou, me ajudou a entender melhor o que aconteceu com o crédito.\r
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Eu fiquei confuso porque depois de ler este artigo do George Reisman (A Geração e o Estouro da Bolha Imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil - www.mises.org.br/Article.aspx?id=786) , ele escreveu o seguinte: \r
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"Assim que essa política (aumento dos juros) teve êxito em estancar a aceleração da expansão do crédito que até então estava indo para o mercado imobiliário, os fundamentos para um aumento contínuo nos preços dos imóveis foram removidos - pois a redução da expansão do crédito significou uma redução na demanda por imóveis. Ademais, a redução da expansão do crédito provocou um aumento nos juros das hipotecas:\r
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Como houve de fato uma queda na expansão do crédito, a demanda por imóveis inevitavelmente teve de cair. Isso porque um dos principais componentes da demanda por imóveis eram exatamente os fundos gerados pela expansão do crédito. Um declínio nesse componente gerou um equivalente declínio na demanda geral por imóveis. O declínio na demanda por imóveis foi, obviamente, seguido de um declínio nos preços dos imóveis."\r
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Depois eu vi o gráfico dos empréstimos imobiliários aqui no artigo do Mark Thornton, que mostra o crédito aumentando, e me perdi um pouco. \r
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Então seria correto eu dizer que não foi uma queda no crédito que diminuiu a demanda e consequentemente o preço dos imóveis, e sim que muitas pessoas não conseguiram quitar as suas dívidas, fazendo com que a oferta de imóveis aumentasse tremendamente, e isso sim teria feito o preço das casas despencar?\r
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Valeu Leandro, \r
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Abração!\r
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Responder
Rafael 15/01/2013 02:54:55

O link do vídeo da "montanha-russa imobiliária" está quebrado.

Responder
Leandro 16/01/2013 01:35:21

Link corrigido. Obrigado pela notificação.

Abraço!

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 16/12/2013 16:22:01


Esse artigo lembra aquela expressão: "Quer que eu desenhe?"

* * *

Responder
Amarilio Adolfo da Silva de Souza 15/03/2015 15:14:03

Precisamos de uma taxa de juros de 1000% mensal. É uma medida dura, mas necessária.

Responder
Tiago Voltaire 07/08/2016 13:02:28

Por quê?

Responder
Andre Cavalcante 07/08/2016 18:05:26

Link da montanha russa imobiliária tá quebrado novamente.

Responder

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