A bolha imobiliária em 4 etapas

1. O Federal Reserve (o banco central americano) corta a taxa básica de juros para o mínimo histórico de 1% em 2003. Levando-se em conta a inflação, a taxa real de juros se torna negativa.



2. Como conseqüência, as taxas hipotecárias se tornam as mais baixas da história.

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3. Essas taxas historicamente baixas fizeram com que os empréstimos explodissem, principalmente para o setor imobiliário. Como exemplo, os bancos comerciais mais que dobraram a quantidade de empréstimos imobiliários em suas carteiras.

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4. Todos esses empréstimos a taxas baixas tiveram obrigatoriamente de ser estendidos para pessoas com histórico de crédito ruim, o que aumentou a demanda por casas e por outros ativos imobiliários. Não deve ser surpresa alguma que isso tenha feito os preços das casas dispararem. Clique no link abaixo para ver um divertido vídeo que ilustra perfeitamente essa montanha-russa imobiliária:

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Fannie Mae, Freddie Mac, títulos lastreados em hipotecas e derivativos de crédito foram simplesmente o condutor que fizeram com que todos esses investimentos e empréstimos ruins parecessem menos arriscados do que realmente eram. Dessa maneira, o Federal Reserve pôde enganar o mercado, pelo menos temporariamente. Mas, no final, o mercado sempre acaba se reafirmando.



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SOBRE O AUTOR

Mark Thornton
um membro residente sênior do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, e é o editor da seção de críticas literárias do Quarterly Journal of Austrian Economics. Ele é o co-autor do livro Tariffs, Blockades, and Inflation: The Economics of the Civil War e editor de The Quotable Mises e The Bastiat Collection.



"Homeschooling, por exemplo. Além da desnecessidade de se utilizar o termo em inglês, qual o impeditivo de uma criança pobre que não estuda hoje se valer de tal instrumento?"

Se o pai dela fizer isso, ele vai preso. Homeschooling é proibido pelo governo. informe-se.

"Se ele já não está na escola e já não terá diploma, se ele tiver educação em casa continuará sem diploma, mas pelo menos terá educação."

De novo: o ensino doméstico é proibido pelo governo. O pai que faz isso vai em cana. Informe-se.

"Mas quem dará a educação a ele, os pais que também não tem tiveram educação?"

Se eu quiser educar meu filho em casa, você deixa ou me denuncia para o governo?

"Quando será isso, já que eles ficam o dia inteiro fora tentando sobreviver nesse nosso país hostil aos seus próprios cidadãos?"

Cidadão, homeschooling seria apenas uma opção. Se o cara quer colocar um filho em nossas maravilhosas escolas públicas, que o faça. A questão é: por que eu não posso educar meu filho em casa se eu quiser?

"Além disso, escolas são parte da especialização da nossa economia. Eu não teria nem o tempo nem a competência de ensinar todas as disciplinas para um filho"

Ué, coloque seu filho na escola, então. Quero saber o seguinte: por que eu não posso educar meu filho em casa sem ser preso por isso?

"Comungo na descrença da educação "pública, gratuita e de qualidade", mas também não acho que soluções simplistas como acreditar que educação em casa resolverão o problema."

Canto e ando para o que você acha. Quero saber o seguinte: por que eu não posso educar meu filho em casa sem ser preso por isso?

Desanimei até de ler o resto perante tanto desconhecimento da realidade. Informe-se sobre o mundo e volte quando tiver substância. Seja menos coitadista e mais racional.
"Em 2012 tinha 1 bilhão de pessoas com fome crônica e 2 bilhões em estado de subnutrição."

Apresente fontes, por favor.

Fome crônica é algo que só existe na África, justamente onde os estados são déspotas e mandam em tudo. Compare a fome de hoje com a fome de séculos passados. A população mundial só aumento e o número de pessoas famintas só diminuiu, contrariando a previsão de Malthus.

Se isso não foi um milagre da economia de mercado, então temos de dar outro nome.

Aliás, mesmo aqui no Brasil, em nossa economia semi-socialista, qualquer indivíduo fazendo malabarismo no sinal consegue o suficiente para comprar comida numa padaria. E mesmo aqueles que não querem fazer malabarismo recebem esmolas e compram comida. Você simplesmente não vê ninguém morrendo de fome nas cidades do sul, sudeste e centro-oeste (mais capitalistas). Quando há assaltos, é para comprar drogas.

"Não era por falta de alimentos produzidos ou por estatização da produção"

Ah, não? A história mostra: os maiores casos de inanição da história
ocorreram em economias socialistas. Informe-se.

"houveram [sic] várias épocas na história onde governos delimitaram um percentual por lei de produtores de alimentos a serem dirigidos a mercados internos ou ao simples consumo alimentar ao invés de processamento e exportação, para poder garantir que a população não passasse fome."

Ah, sim. No Brasil da década de 1980, quando o governo Sarney mandou prender boi no pasto, isso foi feito. A desnutrição infantil só aumentou. Óbvio: ninguém vai produzir sob o chicote.

Hoje, quando isso não mais ocorre e as exportações são livres, o problema da fome praticamente foi extinto.

"Procure sobre lei de pureza na cerveja, que é um exemplo disso."

E eu achando que você estava aqui a sério.
"O mercado do dinheiro anda atribulado e no fim, tem força para levar populações inteiras por água abaixo."

Correto. O dinheiro é monopólio do governo. O governo está no completo controle do dinheiro. Sendo o dinheiro um monopólio do governo, qualquer coisa que é feita com ele só pode ser feita com a anuência do governo.

E quem dá essa anuência -- aliás, quem estimula todo esse arranjo -- são os bancos centrais.

Ou você realmente acha que bizarrices como taxas de juros negativas, como as que ocorrem na Europa, são criações naturais do mercado? Quem você acha que criou o fenômeno da taxa de juros negativa senão os Bancos Centrais? E você acha que essa bizarrice não gera consequências negativas?

"Muitos economistas alertam para o fato de que o sistema financeiro praticamente faz o que bem entende, correndo riscos altíssimos às custas de todos que dependem de dinheiro."

O mercado financeiro só faz aquilo que os Bancos Centrais permitem. Quem fornece o dinheiro que circula no mercado financeiro são os Bancos Centrais. Na Europa, os programas de afrouxamento quantitativo implantados pelo Banco Central Europeu inundaram o mercado financeiro de dinheiro. Pior: inundaram de dinheiro justamente para que as pessoas especulassem no mercado financeiro, pois isso aditivaria os números do PIB.

Por que você está dando passe livre para o real culpado de tudo?

"Estava agora mesmo lendo uma ode ao dinheiro, por Rothbard, e não entendo como uma mercadoria tão especulada e cuja estabilidade seja tão essencial à sobrevivência de milhões pode ser entendida como algo que nos "salva" e "desenvolve"."

A mais branda interpretação que posso fazer é que você tem dificuldades crassas de leitura. O artigo que você leu mostra que o dinheiro surgiu naturalmente no mercado e, com o tempo, foi se tornando cada vez mais estatizado, sendo hoje 100% estatal.

Sim, por causa das manipulações do estado (Bancos Centrais), o dinheiro se tornou uma mercadoria extremamente especulada e totalmente instável. Este site dedica 80% dos seus artigos exatamente a este assunto, clamando pela abolição dos Bancos Centrais e pela desestatização do dinheiro. Que bom que você está começando a entender o problema de se entregar ao estado o estado no monopólio da moeda. Seja bem-vindo à nossa luta.
Na teoria tudo é lindo, na prática a coisa é diferente. Homeschooling, por exemplo. Além da desnecessidade de se utilizar o termo em inglês, qual o impeditivo de uma criança pobre que não estuda hoje se valer de tal instrumento? Se ele já não está na escola e já não terá diploma, se ele tiver educação em casa continuará sem diploma, mas pelo menos terá educação. Mas quem dará a educação a ele, os pais que também não tem tiveram educação? Quando será isso, já que eles ficam o dia inteiro fora tentando sobreviver nesse nosso país hostil aos seus próprios cidadãos? Além disso, escolas são parte da especialização da nossa economia. Eu não teria nem o tempo nem a competência de ensinar todas as disciplinas para um filho, mas sei que seria sim minha obrigação a de lhe prover a oportunidade de as ter da melhor forma que me for possível, inclusive a de fiscalizar a escola para que dê a educação da maneira mais próxima àquela que considero a melhor. Comungo na descrença da educação "pública, gratuita e de qualidade", mas também não acho que soluções simplistas como acreditar que educação em casa resolverão o problema.
Eu discordo em parte quanto à desnecessidade completa de regulação para todas as profissões. Concordo com o caso de jornalistas e outras profissões são absolutamente desnecessários, mas no caso de profissões com maior grau de responsabilidade, como engenharias, medicina, farmácia e outras poucas algum tipo de certificação é necessário sim. Não acho que somente o diploma seja, acho que algum tipo de chancela, por exemplo, como faz a OAB (sem entrar no mérito de se sistema que ela usa ser bom ou ruim) é necessário. Como foi dito no texto, "ah, mas assim mesmo ainda tem erros, ainda terão maus profissionais." Sim, é claro. Sempre terão. Faz parte da condição humana. Mas um erro nessas áreas trás outras consequências, até maiores ou irreversíveis, do que o mero prejuízo financeiro.
Concordo que muitos estudam apenas para obter um título , mas não é apenas por causa da obrigatoriedade do diploma pelo estado. Vi isso ao fazer meu mestrado. Fiz apenas para obter o título. Me trouxe sim novos conhecimentos e perspectivas, mas não do jeito que se esperava. E não foi por interferência estatal que eu corri atrás do título, já que a titulação de mestre é desnecessária para exercer a minha profissão, aliás, como o é para a esmagadora maioria delas. Fiz porque o grande, sábio, infalível mercado assim o quis. O mercado quer alguém com mais titulação e por isso se vê tantas pessoas fazendo cursos de especialização, mestrados, MBA e etc, mesmo sem a obrigatoriedade estatal. E mesmo que esse título seja absolutamente desnecessário para o exercício da minha função no mercado de trabalho ou em determinada empresa

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Humberto  21/10/2011 18:25
    Por que os empréstimos do setor imobiliário continuaram subindo mesmo depois de o Fed aumentar os juros em 2004?\r
    \r
    No link vocês podem ver o gráfico mais atualizado:\r
    (research.stlouisfed.org/fred2/series/REALLN?cid=100)\r
    \r
    Não eram esses empréstimos que alimentavam a bolha imobiliária, e depois que o Fed começou a aumentar os juros, para controlar a inflação, eles não caíram? E dessa forma, fez com que a demanda por casas diminuísse e consequentemente os preços despencassem, assim estourando a bolha?\r
    \r
    Esse gráfico me deixou meio perdido, achava que os empréstimos deveriam ter caído.
  • Leandro  22/10/2011 00:17
    Prezado Humberto, este gráfico mostra perfeitamente a falácia que é dizer que houve "contração do crédito". O crédito continuou subindo graças à intervenção do Fed, e do que isso adiantou? Não apenas não "estimulou" a economia, como serviu apenas para endividar ainda mais a população.

    Meu palpite é que, à medida que os juros iam aumentando, as pessoas necessitavam de cada vez mais dinheiro para quitar (ou rolar) seus empréstimos -- o que aumentava o volume do crédito. Até que chegou um ponto em que não aguentaram mais. E, curiosamente, a partir do momento em que os juros despencam, o crédito também se reduz.

    Isso mostra que, não importam a intervenções, não importa a criação artificial de crédito: quando chega o momento de o mercado demandar que a estrutura da economia passe por uma correção, não há forças capazes de deter isso.

    Esse fenômeno, aliás, foi explicado neste artigo. Não são os juros que determinam a mecânica de um ciclo econômico. Os juros desencadeiam o ciclo, porém, a partir daí, variações na oferta monetária afetam a economia de maneira muito mais acentuada. E, em minha opinião, foi isso que ocorreu. Veja o comportamento da oferta monetária americana e veja como o crescimento da quantidade de dinheiro se estagna a partir de 2005 e assim permanece até 2008. Uma vez que isso ocorre, o processo de correção é, geralmente, irreversível.

    Grande abraço!
  • Humberto  23/10/2011 19:10
    Leandro, obrigado pelas explicações e pelo artigo que tu indicou, me ajudou a entender melhor o que aconteceu com o crédito.\r
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    Eu fiquei confuso porque depois de ler este artigo do George Reisman (A Geração e o Estouro da Bolha Imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil - www.mises.org.br/Article.aspx?id=786) , ele escreveu o seguinte: \r
    \r
    "Assim que essa política (aumento dos juros) teve êxito em estancar a aceleração da expansão do crédito que até então estava indo para o mercado imobiliário, os fundamentos para um aumento contínuo nos preços dos imóveis foram removidos - pois a redução da expansão do crédito significou uma redução na demanda por imóveis. Ademais, a redução da expansão do crédito provocou um aumento nos juros das hipotecas:\r
    \r
    Como houve de fato uma queda na expansão do crédito, a demanda por imóveis inevitavelmente teve de cair. Isso porque um dos principais componentes da demanda por imóveis eram exatamente os fundos gerados pela expansão do crédito. Um declínio nesse componente gerou um equivalente declínio na demanda geral por imóveis. O declínio na demanda por imóveis foi, obviamente, seguido de um declínio nos preços dos imóveis."\r
    \r
    Depois eu vi o gráfico dos empréstimos imobiliários aqui no artigo do Mark Thornton, que mostra o crédito aumentando, e me perdi um pouco. \r
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    Então seria correto eu dizer que não foi uma queda no crédito que diminuiu a demanda e consequentemente o preço dos imóveis, e sim que muitas pessoas não conseguiram quitar as suas dívidas, fazendo com que a oferta de imóveis aumentasse tremendamente, e isso sim teria feito o preço das casas despencar?\r
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    Valeu Leandro, \r
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    Abração!\r
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  • Rafael  15/01/2013 02:54
    O link do vídeo da "montanha-russa imobiliária" está quebrado.
  • Leandro  16/01/2013 01:35
    Link corrigido. Obrigado pela notificação.

    Abraço!
  • Emerson Luis, um Psicologo  16/12/2013 16:22

    Esse artigo lembra aquela expressão: "Quer que eu desenhe?"

    * * *
  • Fernando Souza  01/09/2016 13:04
    Ia comentar a mesma coisa.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  15/03/2015 15:14
    Precisamos de uma taxa de juros de 1000% mensal. É uma medida dura, mas necessária.
  • Tiago Voltaire  07/08/2016 13:02
    Por quê?
  • Andre Cavalcante  07/08/2016 18:05
    Link da montanha russa imobiliária tá quebrado novamente.
  • Benjamin  31/08/2016 23:46
    https://www.youtube.com/watch?v=kUldGc06S3U


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