A bolha imobiliária em 4 etapas

1. O Federal Reserve (o banco central americano) corta a taxa básica de juros para o mínimo histórico de 1% em 2003. Levando-se em conta a inflação, a taxa real de juros se torna negativa.



2. Como conseqüência, as taxas hipotecárias se tornam as mais baixas da história.

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3. Essas taxas historicamente baixas fizeram com que os empréstimos explodissem, principalmente para o setor imobiliário. Como exemplo, os bancos comerciais mais que dobraram a quantidade de empréstimos imobiliários em suas carteiras.

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4. Todos esses empréstimos a taxas baixas tiveram obrigatoriamente de ser estendidos para pessoas com histórico de crédito ruim, o que aumentou a demanda por casas e por outros ativos imobiliários. Não deve ser surpresa alguma que isso tenha feito os preços das casas dispararem. Clique no link abaixo para ver um divertido vídeo que ilustra perfeitamente essa montanha-russa imobiliária:

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Fannie Mae, Freddie Mac, títulos lastreados em hipotecas e derivativos de crédito foram simplesmente o condutor que fizeram com que todos esses investimentos e empréstimos ruins parecessem menos arriscados do que realmente eram. Dessa maneira, o Federal Reserve pôde enganar o mercado, pelo menos temporariamente. Mas, no final, o mercado sempre acaba se reafirmando.



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SOBRE O AUTOR

Mark Thornton
um membro residente sênior do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, e é o editor da seção de críticas literárias do Quarterly Journal of Austrian Economics. Ele é o co-autor do livro Tariffs, Blockades, and Inflation: The Economics of the Civil War e editor de The Quotable Mises e The Bastiat Collection.



Mas o problema é outro, se o Estado brasileiro falisse totalmente hoje e não conseguisse manter sua coesão e quebrasse em países menores e um desses conseguisse seguir sem Estado. Como é que vou saber se não vai acabar em uma situação ainda pior no final?

Já assumindo que sua hipótese é algo ruim? É tão desesperador assim ver o governo se mostrando desnecessário em sua própria hipótese?

Será que os estados ao redor, usando desculpas esfarrapadas, não imporiam taxas alfandegárias altas contra importações de empresas instaladas nesse lugar?

Os estados não estão afim de comprar da terra sem governo? Então estão abrindo mão de um potencial grande fornecedor, e enquanto os burocratas locais tentam justificar para suas ovelhas o motivo de não poder negociar com quem pode fornecer seus pedidos, a terra sem governo segue negociando com outros lugares, e aproveitando as possibilidades de se lidar com mais pessoas, mais recursos, mais mercado. E possivelmente importando o que lhe for útil dos mesmos estados que se recusam a comprar dele, pelo menos até os estados entrarem em convulsão econômica.

Será que os governos dos locais ao redor não iriam usar suas forças armadas para dividir este trecho de terra?

Pode até tentar, mas esses governos apenas estarão aumentando os seus próprios gastos em troca de um pedaço de terra que, agora desprovido de liberdade, será apenas uma fonte de prejuízos, e não mais lucros. Para maiores informações, pergunte o que aconteceu com os conquistadores de antigamente, ou o que aconteceu na invasão do Afeganistão, por exemplo.

Não haveriam garantias internacionais, como tratados ou acordos, porque não teria estado nenhum.

É uma afirmação que não procede, uma vez que não são os governos que fazem trocas no mercado, mas sim indivíduos. O que burocratas decidiram com suas canetas mágicas são completamente desprezíveis para o cidadão comum da terra sem governo.

Ou só poderia existir um lugar sem estado em um mundo onde não houvesse estado nenhum? OU seja, em nenhum planeta que eu conheça.

Mais uma vez assumindo que sua hipótese é ruim? Da mesma forma que há ovelhas desesperadas por governo, pode haver pessoas que finalmente se livrem dos "seres iluminados" que insistem em dizer o que é bom para todos, e enquanto essas mesmas pessoas se mantiverem firmes sobre a não necessidade de "iluminados", não haverá o que ser feito a não ser deixá-los viver como escolheram.

Quais são as idéias que podem ser postas em prática que os libertários têm para se alcançar o objetivo de não ter governo?

Que tal a ideia de informar os que não entendem o que acontece com eles próprios? Talvez uma boa ideia seja a de abrir um site na internet que posta artigos, livros, vídeos, etc, feito por pessoas entendidas do assunto, com acesso grátis, para iluminar o caminho dos perdidos, e um dia finalmente poder mostrar aos perdidos de hoje a total falta de necessidade dos "iluminados" em seus tronos. Tenho uma leve sensação que já me encontro em um site como eu descrevi acima, mas é apenas uma leve impressão.

Eu li vários dos livros daqui do Mises, Rothbard e Hayek, por sorte fiz download enquanto ainda estavam de graça. E gosto muito da idéia de não ter que pagar impostos. Mas é possível no mundo real? Possível na teoria eu já sei que é.

Até onde eu sei, os livros continuam de graça. Parece que tinha sido um erro com o novo site, mas já corrigido.
E caso não tenha governo, não há impostos a pagar, isso é automático. Mais um motivo pra se livrar desses que só servem para gastar o que não possuem, certo?

Agradeço se me responderem sem me acusar de defender o "arranjo atual".

Ajudaria se parasse de assumir em seu raciocínio que o governo é algo vital, de existência obrigatória, e que sua não presença signifique caos instantâneo. Lembre-se que primeiro veio o ser humano, e só depois, muito depois, apareceu a figura do governo.
Vou ser acusado de defender o estado, querem ver?

Todos as contradições apontadas no texto são verdade. Apesar de que as contradições são contra quem defende um estado social democrata, não um estado mínimo.
Sabemos que o estado é horrível, que ele rouba os nossos ganhos com impostos. Mas é possível um pedaço de terra existir sem estado no mundo real?
Em um texto anterior eu fiz perguntas sobre preocupações que eu acho genuínas, mas fui acusado de defender o arranjo atual. Eu acho o arranjo atual uma droga, temos quase tão pouca liberdade para empreender quanto na China. Se tivéssemos pelo menos a mesma liberdade que os cidadãos do Chile têm, eu já estaria feliz.

Mas o problema é outro, se o Estado brasileiro falisse totalmente hoje e não conseguisse manter sua coesão e quebrasse em países menores e um desses conseguisse seguir sem Estado. Como é que vou saber se não vai acabar em uma situação ainda pior no final?
Será que os estados ao redor, usando desculpas esfarrapadas, não imporiam taxas alfandegárias altas contra importações de empresas instaladas nesse lugar?
Será que os governos dos locais ao redor não iriam usar suas forças armadas para dividir este trecho de terra?
Não haveriam garantias internacionais, como tratados ou acordos, porque não teria estado nenhum.
Ou só poderia existir um lugar sem estado em um mundo onde não houvesse estado nenhum? OU seja, em nenhum planeta que eu conheça.
Quais são as idéias que podem ser postas em prática que os libertários têm para se alcançar o objetivo de não ter governo?
Eu acho minhas perguntas genuínas.
Eu li vários dos livros daqui do Mises, Rothbard e Hayek, por sorte fiz download enquanto ainda estavam de graça. E gosto muito da idéia de não ter que pagar impostos. Mas é possível no mundo real? Possível na teoria eu já sei que é.

Agradeço se me responderem sem me acusar de defender o "arranjo atual".
De nada adianta querer soluções sem antes entender as causas.

Quem é que gerou a pobreza?

Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?

Quem é que confisca uma fatia do salário do trabalhador apenas para que, no futuro, quando este trabalhador estiver em situação ruim, ele receba essa fatia que lhe foi roubada de volta (e totalmente desvalorizada pela inflação)?

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2383


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Humberto  21/10/2011 18:25
    Por que os empréstimos do setor imobiliário continuaram subindo mesmo depois de o Fed aumentar os juros em 2004?\r
    \r
    No link vocês podem ver o gráfico mais atualizado:\r
    (research.stlouisfed.org/fred2/series/REALLN?cid=100)\r
    \r
    Não eram esses empréstimos que alimentavam a bolha imobiliária, e depois que o Fed começou a aumentar os juros, para controlar a inflação, eles não caíram? E dessa forma, fez com que a demanda por casas diminuísse e consequentemente os preços despencassem, assim estourando a bolha?\r
    \r
    Esse gráfico me deixou meio perdido, achava que os empréstimos deveriam ter caído.
  • Leandro  22/10/2011 00:17
    Prezado Humberto, este gráfico mostra perfeitamente a falácia que é dizer que houve "contração do crédito". O crédito continuou subindo graças à intervenção do Fed, e do que isso adiantou? Não apenas não "estimulou" a economia, como serviu apenas para endividar ainda mais a população.

    Meu palpite é que, à medida que os juros iam aumentando, as pessoas necessitavam de cada vez mais dinheiro para quitar (ou rolar) seus empréstimos -- o que aumentava o volume do crédito. Até que chegou um ponto em que não aguentaram mais. E, curiosamente, a partir do momento em que os juros despencam, o crédito também se reduz.

    Isso mostra que, não importam a intervenções, não importa a criação artificial de crédito: quando chega o momento de o mercado demandar que a estrutura da economia passe por uma correção, não há forças capazes de deter isso.

    Esse fenômeno, aliás, foi explicado neste artigo. Não são os juros que determinam a mecânica de um ciclo econômico. Os juros desencadeiam o ciclo, porém, a partir daí, variações na oferta monetária afetam a economia de maneira muito mais acentuada. E, em minha opinião, foi isso que ocorreu. Veja o comportamento da oferta monetária americana e veja como o crescimento da quantidade de dinheiro se estagna a partir de 2005 e assim permanece até 2008. Uma vez que isso ocorre, o processo de correção é, geralmente, irreversível.

    Grande abraço!
  • Humberto  23/10/2011 19:10
    Leandro, obrigado pelas explicações e pelo artigo que tu indicou, me ajudou a entender melhor o que aconteceu com o crédito.\r
    \r
    Eu fiquei confuso porque depois de ler este artigo do George Reisman (A Geração e o Estouro da Bolha Imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil - www.mises.org.br/Article.aspx?id=786) , ele escreveu o seguinte: \r
    \r
    "Assim que essa política (aumento dos juros) teve êxito em estancar a aceleração da expansão do crédito que até então estava indo para o mercado imobiliário, os fundamentos para um aumento contínuo nos preços dos imóveis foram removidos - pois a redução da expansão do crédito significou uma redução na demanda por imóveis. Ademais, a redução da expansão do crédito provocou um aumento nos juros das hipotecas:\r
    \r
    Como houve de fato uma queda na expansão do crédito, a demanda por imóveis inevitavelmente teve de cair. Isso porque um dos principais componentes da demanda por imóveis eram exatamente os fundos gerados pela expansão do crédito. Um declínio nesse componente gerou um equivalente declínio na demanda geral por imóveis. O declínio na demanda por imóveis foi, obviamente, seguido de um declínio nos preços dos imóveis."\r
    \r
    Depois eu vi o gráfico dos empréstimos imobiliários aqui no artigo do Mark Thornton, que mostra o crédito aumentando, e me perdi um pouco. \r
    \r
    Então seria correto eu dizer que não foi uma queda no crédito que diminuiu a demanda e consequentemente o preço dos imóveis, e sim que muitas pessoas não conseguiram quitar as suas dívidas, fazendo com que a oferta de imóveis aumentasse tremendamente, e isso sim teria feito o preço das casas despencar?\r
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    Valeu Leandro, \r
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    Abração!\r
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    \r
  • Rafael  15/01/2013 02:54
    O link do vídeo da "montanha-russa imobiliária" está quebrado.
  • Leandro  16/01/2013 01:35
    Link corrigido. Obrigado pela notificação.

    Abraço!
  • Emerson Luis, um Psicologo  16/12/2013 16:22

    Esse artigo lembra aquela expressão: "Quer que eu desenhe?"

    * * *
  • Fernando Souza  01/09/2016 13:04
    Ia comentar a mesma coisa.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  15/03/2015 15:14
    Precisamos de uma taxa de juros de 1000% mensal. É uma medida dura, mas necessária.
  • Tiago Voltaire  07/08/2016 13:02
    Por quê?
  • Andre Cavalcante  07/08/2016 18:05
    Link da montanha russa imobiliária tá quebrado novamente.
  • Benjamin  31/08/2016 23:46
    https://www.youtube.com/watch?v=kUldGc06S3U


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