Jean-Baptiste Say: o que realmente pensava este grande economista
por , sexta-feira, 30 de agosto de 2013

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SayMarkets.jpg1. Introdução

Imagine que você jamais tenha escrito ou dito a frase "os eleitores brasileiros são idiotas" e que você não pense desta forma, mas que, por diversos motivos, venha a ficar famoso, quase dois séculos depois de sua morte, exatamente por terem afirmado repetidamente que você pronunciou essa frase. Pois é o que acontece com a Lei de Say, que jamais escreveu que "a oferta cria a sua própria procura", mas que é inevitavelmente conhecido por ter escrito algo que nunca escreveu.

Poucos postulados da economia deram margem a tantas interpretações equivocadas, algumas por incapacidade de entender as coisas simples, outras por solércia, quanto o que se tornou conhecido como Lei de Say. Principalmente depois que Keynes a deturpou na Teoria Geral (porque precisava, em conformidade com seus padrões éticos, proceder desse modo para construir sua "nova economia"), gerações sucessivas de estudantes, que depois se tornam professores e economistas, repetem qual papagaios o refrão "a oferta cria a sua própria procura", sem jamais terem lido uma página sequer de Say. É constrangedor quando uma mentira se transforma em um apotegma.

Este artigo não tem a pretensão de ser original. Seus objetivos são tão somente o de tornar mais acessível na língua portuguesa e de maneira não deturpada as ideias de um grande economista, o de mostrar como Keynes distorceu suas ideias, o que gerou e ainda gera grande confusão sobre o que ele realmente escreveu e, por fim, argumentar no sentido de que ele pode ser considerado sem nenhum favor como um importante precursor da Escola Austríaca de Economia. Nele, descrevo análises sobre Say e sua  obra e acrescento informações que acredito sejam importantes para caracterizar Say como um austríaco, ou um pré-austríaco, mas de qualquer forma um homem à frente dos demais de seu tempo.

De fato, o economista francês Jean-Baptiste Say (1767-1832) pode sem dúvida ser considerado como um dos mais importantes predecessores da Escola Austríaca. Nascido em Lyon, foi enviado para a Inglaterra para completar seus estudos e viveu em Croydon e depois em Genebra e Londres, onde trabalhou no comércio. Posteriormente, voltou a seu país natal, para trabalhar em uma companhia de seguros. Fortemente influenciado pela obra de Adam Smith, especialmente pela ardorosa defesa do livre comércio que caracterizou o pensador escocês, entre 1794 e 1800 foi editor do periódico La Decade philosophique, litteraire et politique, que se dedicava a defender as vantagens do livre mercado e a criticar o intervencionismo.

Discípulo de Adam Smith, Say fez muito para divulgar o trabalho do escocês no continente Europeu, embora  A Riqueza das Nações tenha sido traduzida para o francês quando Say tinha apenas 12 anos de idade. Assim como Smith, Say criticou fortemente as doutrinas do mercantilismo (ou, para os franceses, colbertismo) e procurou substituí-las pelo pensamento mais liberal. Teve a alegria de ver seu livro passar por cinco impressões durante sua vida. O Traité era tão popular nos Estados Unidos que a tradução em inglês serviu como um texto padrão de desenvolvimento econômico em faculdades e universidades americanas durante grande parte do século XIX.

Em 1800, publicou Essai sur les moyens de reformer les moeurs d'une nation, mas foi em 1803 que publicou aquela que é considerada sua maior obra, o Traité d'économie politique ou simple exposition de la manière dont se forment, se distribuent et se composent les richesses, cuja 6ª edição, de 1841, pode ser lida neste link. Em 1814, publicou  uma segunda edição da obra, dedicada ao imperador Alexandre I da Rússia, que tinha declarado ser seu pupilo. No mesmo ano, o governo francês o enviou para estudar a economia do Reino Unido e o resultado dessa viagem foi o pequeno livro De l'Angleterre et des Anglais. Em 1817 publicou a terceira edição de seu Traité. O Conservatório des Arts et Métiers  criou uma cadeira de Economia Industrial para ele em 1819 e em 1831  foi nomeado professor de economia política no Collège de France. Em 1828-1830 publicou seu Cours complet d'économie politique pratique. Em 1826, foi eleito membro estrangeiro da Academia Real Sueca de Ciências.

Um dos escritos que mais o caracterizam como um antecessor dos austríacos é o conjunto de cinco cartas que escreveu a Malthus, Lettres à M. Malthus sur l'économie politique et la stagnation du commerce, em que critica a visão malthusiana a respeito da estagnação econômica.

Seus trabalhos o tornaram influente na Itália, Espanha, Alemanha, Rússia, América Latina, Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, no qual teve entre seus admiradores Thomas Jefferson e James Madison. Foi coerente com sua defesa da liberdade econômica ao longo de toda a sua vida e faleceu em Paris.

Infelizmente, os livros-texto de História do Pensamento Econômico costumam mencionar Say apenas superficialmente e sempre o ligando à lei que levou o seu nome e, mesmo assim, apresentando-a de maneira descaracterizada, o que continua contribuindo para banalizar sua importante obra. A melhor das exceções é o livro de Murray Rothbard, Classical Economics: na Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. II, J.B. Say: the French tradition in Smithian Clothing.

Como sustenta Larry J. Sechrest, no capítulo 4 do excelente livro The Great Austrian Economists, uma coletânea de artigos editada por Randall G.  Holcombe e publicada pelo Mises Institute, ao invés de classificar Say como uma ligeira variação em torno de Adam Smith, é muito mais preciso reconhecer que ambos representam dois caminhos sinuosos, geralmente divergentes, incorporados dentro da economia clássica. Sechrest escreve: "Smith leva a David Ricardo, John Stuart Mill, Alfred Marshall, Irving Fisher, John Maynard Keynes e Milton Friedman. Say leva de A.R.J. Turgot e Richard Cantillon  a Nassau Senior, Frank A. Fetter, Carl Menger, Ludwig von Mises e Murray Rothbard." E acrescenta:

O leitor deve ter em mente, no entanto, que esses dois caminhos ou progressões, têm sido muitas vezes tortuosso e não lineares. Ou seja, J B Say foi de várias maneiras realmente um precursor da Escola Austríaca, mas não se deve saltar à conclusão de que ele era um austríaco completo, mas sim que estava simplesmente à frente de seu tempo. Não se deve ler Say e esperar que, em todos os pontos, vá se encontrar Mises. [pp. 170-171]

Passemos a esquadrinhar o pensamento desse extraordinário economista francês, o que faremos dividindo-o nos seguintes compartimentos: metodologia, teoria monetária e bancária, lei dos mercados, empreendedorismo, capital e juros, valor e utilidade, tributação, Estado e controvérsias.

2. Metodologia

A abordagem de Say é, em termos filosóficos, a de um realista que procura a essência dos atos econômicos, combinando um ceticismo saudável no que diz respeito à utilidade dos estudos estatísticos com a ênfase na observação dos fatos do mundo real. Bem antes de Menger, Say intuiu que as descrições estatísticas "não indicam a origem e as consequências dos fatos que tenham recolhido". Para ele, somente análises causais baseadas no essencial das entidades envolvidas podem alcançar esse fim, e tais análises são a tarefa principal da economia política. Ele vê a economia como uma verdadeira ciência capaz de estabelecer "verdades absolutas", mas alerta para o fato de que a economia só se torna uma ciência quando confinada aos resultados da investigação indutiva. Na verdade, sustenta que a economia política forma uma parte da ciência experimental e é, portanto, bastante semelhante à química e à filosofia natural.

No que se refere à taxonomia da economia política, ele divide todos os fatos em (a) aqueles que se referem a objetos e (b) os que se referem a eventos ou interações. O primeiro é o domínio da ciência descritiva (por exemplo, botânica), enquanto o último é o domínio da ciência experimental (por exemplo, química ou física).

Acima de tudo — afirma Sechrest — Say procura ser prático, pois "nada pode ser mais ocioso do que a oposição entre teoria e prática!".  Para isso, ele tenta sempre empregar uma linguagem precisa e mais simples possível, de modo que qualquer pessoa alfabetizada e razoavelmente inteligente possa compreender o seu significado. Como vemos, para Say, como para a maioria dos austríacos modernos, a economia não é um reino sombrio que só possa ser penetrado por especialistas, mas um assunto de enorme importância prática e acessível a todos. Não é, portanto, nenhuma surpresa quando descobrimos que Say, em conformidade com essa meta de clareza, lucidez e inteligibilidade, critica a Riqueza das Nações de Adam Smith por ser "destituída de método", obscura, vaga e desconexa, bem como por conter digressões demasiado longas sobre temas como guerra, educação, história e política, que distraem os leitores, afastando assim seu interesse pela matéria.

Rothbard, em seu brilhante tratado de História do Pensamento Econômico, observa, a respeito de Say, que ele foi um precursor da Praxeologia. Vejamos o que escreveu na página 15:

Say, então, brilhantemente aponta que é impossível para os povos ou nações "aprender com a experiência" e adotar ou rejeitar teorias corretamente apenas com esta base. Desde o início da era moderna, observa ele, riqueza e prosperidade têm aumentado na Europa ocidental, enquanto ao mesmo tempo os Estados-nações têm agravado as restrições ao comércio e multiplicado a interferência da tributação. A maioria das pessoas conclui superficialmente que este último causou o primeiro, isto é, que o comércio e a produção aumentaram como resultado da interferência do governo. Por outro lado, Say e outros economistas políticos argumentam o contrário, que "a prosperidade dos mesmos países teria sido muito maior, se tivessem sido governados por uma política mais liberal e esclarecida". Como podem os fatos ou a experiência decidirem entre essas duas interpretações conflitantes? A resposta é: eles não podem, que só uma teoria correta, dedutível de alguns fatos ou princípios gerais universais pode fazê-lo. E é por isso, nota Say, as "nações raramente tiram qualquer benefício com as lições da experiência". Para fazer isso,"a comunidade em geral deve estar habilitada para aproveitar a conexão entre as causas e as suas consequências, a qual, uma vez que supõe um grau muito elevado de inteligência e uma capacidade de reflexão rara ". Assim, para se chegar à verdade, apenas o completo conhecimento de alguns fatos gerais essenciais é importante; e todos os outros  conhecimentos de fatos, como a erudição de um almanaque, são meras compilações, a partir das quais nada resulta.

Ainda de acordo com Rothbard, uma característica particularmente notável de Say é que foi ele o primeiro economista que pensou profundamente sobre a metodologia adequada de sua disciplina e baseou o seu trabalho, tanto quanto pode, nessa metodologia. A partir da leitura de economistas que o antecederam historicamente e de seu próprio estudo, ele chegou ao método único da teoria econômica, o que Ludwig von Mises, um século depois, chamou de "Praxeologia". Nas palavras de Rothbard,

Say percebe que a ciência econômica não pode ser baseada em uma massa de determinados fatos estatísticos incipientes, mas, em vez disso, em fatos muito gerais (jait generaux), fatos geral, universal e profundamente enraizados na natureza do homem e seu mundo que todos, ao tomar conhecimento ou leitura deles, os aceitariam. Estes fatos são baseados, então, na natureza das coisas (la natureza des choses), e nas implicações dedutivas desses fatos, tão amplamente enraizada na natureza humana e na lei natural. Uma vez que estes grandes fatos sejam verdadeiros, suas implicações lógicas devem ser verdadeiras também.[pp. 12-13]

3. Teoria monetária e bancária

A discussão sobre a teoria monetária de Say abre com o que é agora um argumento padrão, o problema da "dupla coincidência de desejos" e de como um meio de troca é capaz de resolvê-lo. Sua explicação de como um produto muito procurado espontaneamente se transforma em um meio de troca aceito lembra o famoso tratamento que Carl Menger deu à mesma questão, embora antecedendo Menger em sete décadas. Historicamente, o dinheiro aparece devido ao autointeresse, e não a algum decreto do governo e sua forma deve ser determinada livremente pela interação das preferências dos consumidores.

Em seu Traité ele analisa a lista das propriedades que um meio de troca deve idealmente possuir: durabilidade, portabilidade, divisibilidade, elevado poder de compra por unidade e uniformidade e a partir daí chega à conclusão, familiar hoje em dia, de que os metais preciosos (ouro e prata) são excelentes opções como ativos monetários. Em outras palavras, se os indivíduos são livres para escolher, é altamente provável que eles vão escolher a moeda-mercadoria (espécie). Embora seja verdade que Say tenha sido um forte defensor de ouro e prata como dinheiro, é interessante perceber que ele não admitia a possibilidade de que eles poderiam ser substituídos por outras commodities caso veias ricas de um minério novo fossem descobertas.

Para Say, a única intervenção justificável pelo Estado em questões monetárias necessárias é a cunhagem de moedas. Na verdade, admite que essa atividade deve ser monopolizada pelo Estado , pois, segundo ele, provavelmente haveria mais dificuldade em detectar as fraudes de emissores privados. Em particular, em qualquer sistema em que o ouro e a prata coexistam como metais monetários, os governos devem evitar cuidadosamente definir uma taxa de câmbio oficial entre os dois, ao contrário do que foi feito nos episódios históricos de bimetalismo.  Say claramente entende por que a prática do bimetalismo sempre levou ao desastre. Ou seja, o dinheiro oficialmente sobrevalorizado alijou o dinheiro oficialmente subvalorizado de circulação, um princípio conhecido como a Lei de Gresham (enunciada pelo aforismo "a moeda má expulsa a moeda boa").

Say também afirma enfaticamente que a moeda é regida pela oferta e demanda, assim como todas as commodities. O poder de compra de uma unidade monetária sobe e desce conforme a proporção relativa entre a demanda e a oferta de moeda.

No que diz respeito aos bancos, Say distingue entre bancos de depósito e bancos de circulação, tratando ambos como instituições legítimas. O primeiro funciona como um armazém para dinheiro: detém reservas de cem por cento em todos os momentos, e proporciona conveniência, bem como segurança, na medida em que garante as transações em nome de seus depositantes, transferindo fundos da conta de um cliente para outro, serviços para as quais cobra uma fee. Os segundos – os bancos de circulação — funcionam como verdadeiros intermediários financeiros. Detêm reservas fracionárias, emitem notas e geram uma receita de juros, descontando notas promissórias e letras de câmbio. Contanto que os bancos sejam bem administrados, devem ser independentes do governo. Eis aí, então, em Say, outro componente austríaco moderno!

Há dois insights adicionais de Say sobre temas monetários que não podemos ignorar. O primeiro é que ele enfatiza que, como a divisão de trabalho se prolonga cada vez mais na sociedade, horizontal e verticalmente, isto é, como os indivíduos são cada vez mais especializados, o número e a importância das trocas aumentam. E isso requer um meio de identificação de troca. Em poucas palavras, o dinheiro é uma parte integrante da ascensão da moderna civilização. Em segundo lugar, Say concorda, com mais de um século de antecedência, com Mises e Rothbard, que insistem que qualquer oferta nominal de moeda é "ótima", enquanto os preços são livres para o processo de mercado fazer os ajustamentos, porque qualquer aumento ou redução em termos nominais simplesmente muda o poder de compra por unidade em proporção inversa. Assim, a oferta real de moeda (ou liquidez real) permanecerá a mesma.

Rothbard, na página 40, observa que Say defende o regime de 100 por cento de reservas dos bancos de Hamburgo e Amsterdã. Bancos de circulação livres para emitirem são preferíveis a um regime de monopólio por parte de um banco central, já que a competição obriga cada um deles a cortejar, bajular e competir pelo público. E se esses bancos não operam em regime de 100% de reservas, Say continua a sustentar que é melhor a competição entre eles do que o monopólio estatal, pois assim eles terão que executar "políticas monetárias" saudáveis, isto é, que garantam a capacidade de resgate de suas notas emitidas.

4. A "Lei de Say"

Como bem faz notar Rothbard na página 27 do segundo volume de seu tratado sobre a História do Pensamento Econômico, Say é praticamente ignorado pelos economistas e historiadores econômicos modernos, exceto por uma única parcela de seu pensamento, que ficou conhecida como Lei dos mercados de Say, que foi mais tarde absorvida pelos ricardianos britânicos. Rothbard afirma que James Mill, a quem denomina de "o Lenin" do movimento ricardiano, apropriou-se da lei em sua Commerce Defended de 1808 e que Ricardo a adotou diretamente a partir de seu descobridor e mentor.

A lei de Say é muito simples e quase um truísmo de tão autoevidente, e não é difícil compreender que despertou uma série de tempestades apenas por causa de suas implicações políticas e consequências. Para Say e os austríacos que o sucederiam nos séculos seguintes, a lei é uma resposta severa e adequada aos vários ignorantes econômicos, bem como aos que, em cada recessão econômica ou crise, começam a queixar-se em voz alta sobre o terrível problema da "superprodução geral" ou, na linguagem utilizada no seu tempo, um "excesso geral" dos bens no mercado.

"Superprodução" quer dizer produção em excesso ao consumo, ou seja, a produção é muito grande, em geral, comparada com o consumo e, portanto, os produtos não podem ser vendidos no mercado. Se a produção é muito grande em relação ao consumo, então, obviamente, este é um problema - que hoje é chamado de "falha de mercado" -, um fracasso dos mercados e que deve ser compensado pela intervenção do governo. Tal intervenção teria que ser uma ou mais das seguintes formas: reduzir a produção ou estimular artificialmente o consumo. Exatamente como o New Deal o fez, com duplo insucesso, nos anos 30 do século XX.

Ora, estimular a demanda do consumidor tem sido o programa preferido dos intervencionistas há muitos anos. Geralmente, isto é feito pelo governo, seja com seu banco central inflacionando a oferta de moeda e/ou pelo governo, quando este incorre em fortes déficits. Deixemos Rothbard, com a lógica e o talento que lhe eram característicos, se expressar:

Com efeito, déficits no orçamento do governo pareceriam ser o ideal para os adeptos da teoria da sobre-produção e do sub-consumo.  Afinal, se o problema é o excesso de produção ou a insuficiência dos gastos em consumo, então a solução é estimular o consumo improdutivo — e quem melhor do que o governo para fazer isso, sendo ele uma instituição que, por sua própria natureza, é improdutiva e até mesma contraproducente? [pág. 27]

Mark Skousen, em artigo intitulado A verdadeira Lei de Say - e não a distorção keynesiana, começa com uma citação do economista keynesiano Steven Kates: "Keynes . . . além de não ter entendido, deturpou a Lei de Say. . . . Este é o legado mais duradouro de Keynes, um legado que deformou permanentemente toda a teoria econômica". De fato, Keynes deturpou a teoria original de Say - sua famosa lei de que os mercados sempre tendem ao equilíbrio - com o único objetivo de, ao atacar essa teoria de maneira deturpada, poder gerar uma revolução na ciência econômica.  Segundo Kates, toda a Teoria Geral "é uma tentativa de refutar a Lei de Say".

Portanto, a fim de justificar suas propostas intervencionistas, Keynes precisava refutar a Lei de Say e o fez de forma moralmente condenável, porque a distorceu e a adulterou escandalosamente.  Como afirma Kates, "Keynes se equivocou em sua interpretação da Lei de Say e, ainda mais importante, se equivocou quanto às implicações econômicas da mesma."  E vale ressaltar, como menciona Skousen, que Kates é totalmente simpatizante da economia keynesiana!

Como Keynes compreendeu erradamente a Lei de Say (ou simulou isso deliberadamente)?  

Já na introdução da Teoria Geral o Sr. Keynes afirma que a principal questão da macroeconomia estava na Lei de Say:

Creio que, até uma época recente, a ciência econômica em todos os lugares tem sido dominada . . . pelas doutrinas associadas ao nome de J. B. Say.  É verdade que sua "lei dos mercados" já foi há muito abandonada pela maioria dos economistas; porém, eles próprios ainda nãose  libertaram das suposições básicas criadas por Say, particularmente de sua falácia de que a demanda é criada pela oferta. . . No entanto, uma teoria baseada nesta suposição é claramente incapaz de atacar os problemas do desemprego e dos ciclos econômicos.

Infelizmente, Keynes não foi capaz de entender, ou, se a entendeu, distorceu-a deliberadamente — o que é pior — a Lei de Say.  Ao afirmar incorretamente, seguindo Mill, que a lei reza que "a oferta cria sua própria demanda", ele na realidade sugeriu que o objetivo de Say era dizer que qualquer bem ou serviço que venha a ser produzido será automaticamente comprado nos mercados.  Logo, a Lei de Say não poderia explicar os ciclos econômicos. Mas Keynes, além de não ser apegado a valores morais sólidos, era arrogante e abusado. Foi avante e escreveu que a Lei de Say "pressupõe pleno emprego".  E gerações de keynesianos vêm cometendo este erro até hoje, embora dificilmente algo possa estar mais longe da verdade.  As condições do desemprego não proíbem a produção e nem as vendas, pois ambas formam a base do aumento da renda e do aumento da demanda. Ademais, segue Skousen, a Lei de Say serviu especificamente de base para a teoria clássica dos ciclos econômicos e do desemprego.  Como declarou Kates, "A posição dos economistas clássicos era a de que o desemprego involuntário não somente era possível, como na realidade ocorria frequentemente, e com sérias consequências para os desempregados".

Mas o que é, afinal, a Lei de Say?

No Livro I, capítulo 15 (Des débouchés, em português, "das oportunidades"), Say escreve assim:

C'est pour cela qu'une bonne récolte n'est pas seulement favorable aux cultivateurs, et qu'elle l'est en même temps aux marchands de tous les autres produits. On achète davantage toutes les fois qu'on recueille davantage. Une mauvaise récolte, au contraire, nuit à toutes les ventes. Il en est de même des récoltes faites par les arts et le commerce. Une branche de commerce qui prospère fournit de quoi acheter, et procure conséquemment des ventes à tous les autres commerces ; et d'un autre côté, quand une partie des manufactures ou des genres de commerce devient languissante, la plupart des autres en souffrent.

Em português,

É por isso que uma boa colheita não é favorável apenas para os agricultores, mas também para os comerciantes de todos os outros produtos.  Nós compramos mais sempre que interagimos mais. A má colheita, no entanto, afeta todas as vendas. O mesmo é verdade para os bens e coleções produzidos pelas artes e comércio. Um ramo do comércio que seja próspero o suficiente para comprar, portanto, fornece vendas para todas as outras lojas e, por outro lado, quando algumas fábricas ou empreendimentos tornam-se debilitados, a maioria dos outros sofre.

Say queria dizer que, quando um produto é criado, ele, desde aquele instante, por meio de seu próprio valor, proporciona acesso a outros mercados e a outros produtos. E que quando um vendedor produz e vende um produto, ele instantaneamente se torna um potencial comprador, pois agora possui renda para gastar.  Para poder comprar alguma coisa, um indivíduo precisa antes vender.  Em outras palavras, a produção é o que gera o consumo, e um aumento na produção é o que permite que haja um maior gasto com consumo.

Em suma, eis a Lei de Say: a oferta (venda) de X cria a demanda por (pela compra de) Y. E ilustrou seu pensamento com o exemplo do agricultor.

E, sob o ponto de vista da Escola Austríaca, Say está correto.  Sempre que uma recessão se inicia, a produção é a primeira variável a entrar em declínio, bem antes do consumo.  E quando a economia começa a se recuperar, acontece o mesmo fenômeno, porque a produção foi retomada e somente depois é seguida pelo consumo.  O crescimento econômico começa com um aumento na produtividade, na produção de novos produtos e na criação de novos mercados.  Portanto, os gastos em produção sempre acontecem antes dos gastos em consumo. E isso funciona também na escala individual. Ou não é uma insensatez José querer aumentar seu padrão de vida simplesmente aumentando seus gastos ou se endividando para comprar uma Ferrari, sem antes ter aumentado sua produtividade? Skousen arremata:

Você pode até ser capaz de viver luxuosamente dessa maneira por algum tempo, mas um dia inevitavelmente a conta chegará - no caso, a fatura do cartão de crédito ou o vencimento dos empréstimos bancários.

Naturalmente, o mesmo princípio que se aplica ao agricultor e ao consumidor José da Silva aplica-se também aos países. A criação de novos e melhores produtos cria novos mercados e possibilita o aumento do consumo.  Portanto, "o estímulo ao mero consumismo não traz benefício algum para o comércio; pois a dificuldade jaz exatamente em como criar os meios para o consumo, e não em como estimular o desejo do consumo.  E já vimos que a produção, por si só, fornece estes meios."  E Say então acrescenta: "Sendo assim, o objetivo de um bom governo seria apenas permitir que a produção ocorresse desimpedidamente, ao passo que o objetivo de um mau governo seria estimular o consumo".

A Lei de Say e a ABCT (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos)

A Lei de Say afirma que recessões não são causadas por "insuficiências de demanda", tal como Keynes apregoava, mas sim por uma ausência de coordenação entre a estrutura da oferta (ou estrutura de capital, na linguagem austríaca) e a da demanda.  As recessões começam quando os produtores percebem que erraram em suas estimativas sobre o que os consumidores querem consumir, o que faz com que os bens não vendidos se acumulem nos estoques. Então, a produção é reduzida, a renda cai e, só então, o consumo diminui. Keynes estava errado e Say estava correto, 133 anos antes!

Portanto, a maioria dos livros trancafia a Lei de Say na falsa proposição "a oferta cria sua própria demanda." No mínimo, isso deveria ser ensinado como "a oferta agregada cria a sua própria demanda agregada", porque a alegação correta é de que não é a produção de commodities X que resulta necessariamente em uma demanda equivalente para X, mas sim que a produção de X leva a uma procura de produtos A, B, C, e assim por diante.

A produção ou oferta de mercadorias em geral, leva ao consumo de mercadorias em geral. É certamente possível para que exista ou uma falta ou um excesso de qualquer produto em particular, mas a superprodução ou subprodução geral não pode ser mais do que um fenômeno momentâneo. Por seus próprios dispositivos, o mercado irá corrigir esses desequilíbrios. Say acreditava, como os austríacos, nessa lei praxeológica.

Say identifica dois meios pelos quais opera o processo de correção: principalmente, ele argumenta que, se os indivíduos poupam parte da renda derivada da produção, na medida em que a reinvestem em "trabalho produtivo ", no conjunto não há necessidade de diminuição da produção, renda ou consumo. Este processo de reinvestimento é alimentado por diferenças nos lucros auferidos pelos empresários. Os bens que são relativamente mais escassos, e, assim, experimentam preços crescentes, atraem investimentos adicionais, enquanto que aqueles que são relativamente menos escassos e, assim, têm preços em queda desestimularão investimentos. E mesmo se alguém entesourar ou enterrar dinheiro, o objeto final é sempre empregá-lo em uma compra de algum tipo, por isso não pode existir demanda deficiente desde que os valores econômicos reais estejam sendo produzidos. Para que possam existir consumidores, primeiro deve haver produtores.

Ao longo de sua discussão sobre produção e consumo, Say afirma que a moeda é apenas um condutor neutro, através do qual a oferta agregada se traduz em demanda agregada, que é o mesmo que dizer que o dinheiro é o agente de transferência de valores. O mecanismo de transmissão pelo qual as mudanças na oferta de dinheiro alteram os preços relativos dos bens e, portanto, redirecionam toda a estrutura inter-relacionada de produção é um mecanismo desconhecido.

Say também foi austríaco ao expressar um claro entendimento de que é totalmente benéfica para a sociedade uma queda dos preços em geral, sempre que tais preços decrescentes são resultantes de ganhos de produtividade.

Para encerrar essa breve exposição sobre a verdadeira Lei de Say, que tal recorrermos às palavras de Mises proferidas em uma palestra nos anos 60, na Foundation for Economic Education?

O mais sincero defensor e pregador da inflação em nossa época, Lord Keynes, estava certo, do seu ponto de vista, quando atacou aquilo que é chamado de "Lei de Say".  A Lei de Say é uma das grandes façanhas da teoria econômica.  O francês Jean-Baptiste Say, na chamada Lei de Say, disse que você não pode aprimorar as condições econômicas simplesmente aumentando a quantidade de dinheiro na economia; quando os negócios não estão indo bem, não é porque não há dinheiro suficiente.  O que Say tinha em mente, o que ele disse quando criticou a doutrina de que deveria haver mais dinheiro na economia, era que tudo o que alguém produz representa, ao mesmo tempo, uma demanda por outras coisas.  Se há mais sapatos produzidos, esses sapatos serão oferecidos no mercado em troca de outros bens.  A expressão "a oferta cria demanda" significa que o fator produção é essencial.  Expressada mais acuradamente, ele estava dizendo que "a produção cria consumo", ou, ainda melhor, que "a oferta de cada produtor cria sua demanda pelas ofertas de outros produtores".  Dessa forma, um equilíbrio entre oferta e demanda sempre existirá em termos agregados (embora Say reconheça que pode haver escassez e fartura em relação a produtos específicos).

Em última instância, os bens não são trocados por dinheiro — o dinheiro é apenas um meio de troca; os bens são trocados por outros bens.  "Você quer minhas maçãs?  O que você me dá em troca delas?"  Say acreditava que a criação de mais dinheiro simplesmente cria inflação de preços; mais dinheiro perseguindo a mesma quantidade de bens.

E se você aumentar a quantidade de dinheiro, você não estará melhorando a situação de ninguém, exceto daquele indivíduo — ou daquele grupo de indivíduos -. para quem você dá esse dinheiro recém-criado; esse indivíduo, ou esse grupo, poderá então comprar mais coisas, retirando mais bens do mercado, privando outras pessoas desses bens, piorando o bem-estar delas".

Creio que, depois do que escreveu Mises (citado por Skousen), nada há a acrescentar.

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18. SKOUSEN, Mark. A Verdadeira Lei de Say e não a distorção keynesiana, disponível em: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1164


Ubiratan Jorge Iorio é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.


21 comentários
21 comentários
Lopes 30/08/2013 13:57:54

Já era hora de uma advertência clara como esta fosse colocada contra o já lugar comum que ilude estudantes de economia como a "aprovação" de Say ao método de Keynes.

Excelente artigo e grande homenagem ao economista, prof. Ubiratan.

Responder
Diego 30/08/2013 14:45:36

Professor Ubiratan, estudo em uma universidade onde a economia é vista sob a ótica keynesiana. Entretanto, já faz algum tempo, venho através do Mises conhecendo o pensamento econômico da Escola Austríaca, que vem demonstrando ser mais coerente na explicação da economia. Contudo, vez ou outra, talvez por as ideias keynesianas ainda estarem muito enraizadas em meu pensamento, não consigo compreender o funcionamento de alguns "mecanismo" apresentados pela escola . Por exemplo, nesse trecho do texto:

"Sempre que uma recessão se inicia, a produção é a primeira variável a entrar em declínio, bem antes do consumo. E quando a economia começa a se recuperar, acontece o mesmo fenômeno, porque a produção foi retomada e somente depois é seguida pelo consumo. O crescimento econômico começa com um aumento na produtividade, na produção de novos produtos e na criação de novos mercados."

Uma vez que em períodos de recessão a renda declina e o consumo diminui, como a oferta vai ser atendida, ou como os produtos serão vendidos para assim possibilitar a criação de novos mercados? Em outras palavras, de onde vai vir a renda para comprar os produtos, visto que consumo e renda estão retraídos?

Talvez o texto já tenha respondido essa questão. Como já falei acima, me ensinaram economia com base na teoria de Keynes. Então isso pode estar dificultando o entendimento real do mercado. Se você ou os colegas do site puderem esclarecer um pouco mais este ponto ficarei grato.

Responder
Ricardo 30/08/2013 15:05:33

É justamente pelo fato de o consumo estar em declínio, que sobra mais poupança (mais crédito barato) para se financiar a produção. Caso o consumo estivesse aquecido, o crédito para a produção seria mais caro, inviabilizando assim o processo.

Responder
Miqueias 30/08/2013 21:00:17

O consumo de qualquer bem é uma troca. E você só pode fazer uma troca se tiver algo, de valor equivalente ao bem ou serviço que você quer (ou equivalente ao quanto vale para quem está em posse dele), para oferecer na troca. Mas você só pode ter esse algo de valor se você tiver produzido, ou se tiver emprestado e nesse caso alguma outra pessoa terá produzido. Assim a produção vem antes do consumo.
O consumo diminui porque o poder de consumir diminui, ou seja, as pessoas tem menos coisas de valor para oferecer nas trocas, o que implica que elas já estão produzindo menos.

Responder
Diego 02/09/2013 19:14:08

Agradeço por sua resposta Miqueias.

Responder
Renato Souza 31/08/2013 04:29:20

Diego

Pense no crescimento normal da economia. Isso funcionou durante a maior parte da história, até o final do século XIX, é o que normalmente acontece, e é um processo mais rápido depois da revolução técnica e científica.

Agora imagine o fim de um ciclo econômico gerado pela inflação. Imagine que assuma o cargo um novo governante que é alguém instruído na EA (ou simplesmente alguém que aceite a economia clássica). Ele permite as liquidações, a deflação monetária, a deflação de preços e salários, deixa as pessoas ficarem desempregadas, e diminui os gastos do governo.

Passam-se vários meses, talvez mais de um ano, e ocorreu já a readaptação da economia à situação sem inflação monetária, a sociedade está mais pobre (empreendimentos inviáveis foram liquidados), há várias empresas a menos, há menos produção, e os salários estão mais baixos. Como não houve impedimento para a diminuição de salários, já não há desemprego voluntário. Porque haveria?

O que há de especial nessa sociedade? É apenas uma sociedade mais pobre do que era, que terá de acumular capital para chegar ao ponto em que já esteve e ultrapassa-lo. O que a impede de crescer? Nada.

Mas há um handcap. Os ativos "liquidados" não sumiram num buraco negro, eles estão disponíveis (pelo menos a maior parte deles), custam barato, e muitos podem ser readaptados a novas funções economicamente mais viáveis. Então a acumulação de capital será mais fácil e mais rápida, e não demorará tanto tempo assim para chegar à situação em que estava antes, em termos de riquezas (é claro que estará melhor em termos de solidez monetária e viabilidade da estrutura de capital).

Responder
Renato Souza 31/08/2013 15:06:48

Ou talvez explicando mais especificamente:

Para produzir qualquer coisa, os fatores de produção terão de ser remunerados. Que são esses fatores de produção? salários, aluguéis, empreitas, matérias primas, emprestadores de dinheiro, produtores, os fatores de produção das matérias primas, os transportadores, representantes comerciais, marketeiros, etc. Quando o produto chega à loja para ser vendido, um monte de gente já ganhou em cima dele. Logo, essas pessoas terão dinheiro para comprar produtos de todo tipo. Logo, a produção de um determinado bem gera a demanda por bens em geral.

creio que isto responde a sua pergunta: "Em outras palavras, de onde vai vir a renda para comprar os produtos, visto que consumo e renda estão retraídos?"

Mas para isto é necessário passar rápido pelo período de liquidações. Se os governos tentarem salvar empresas condenadas, haverá destruição de riquezas, e portanto menos capacidade de produção e consumo.

Responder
Diego 02/09/2013 19:11:25

Obrigado pela explicação Renato Souza.

Responder
Leonardo Couto 31/08/2013 18:48:03


Não sei se entendi sua pergunta, Diego, mas vamos lá:

"Uma vez que em períodos de recessão a renda declina e o consumo diminui, como a oferta vai ser atendida, ou como os produtos serão vendidos para assim possibilitar a criação de novos mercados? Em outras palavras, de onde vai vir a renda para comprar os produtos, visto que consumo e renda estão retraídos?"

Pelo que entendi (corrija-me em caso de erro) você está se referindo ao processo de recuperação econômica.

Durante o boom que precede (e causa) a recessão há uma produção errônea devido à sinalização errônea dada por preços distorcidos pela ação governamental. Bens que não deveriam ser produzidos o são, e esses bens não conseguirão demanda suficiente a seu preço vigente no boom quando a recessão se manifestar. Eles terão de ser liquidados.

A recuperação econômica genuína se dará quando produtos realmente demandados sejam produzidos. A "renda" para comprar esses produtos da economia virá da própria retomada da produção, ela em si supre os indivíduos com a riqueza para se consumir.

Um abraço.

Responder
Diego 02/09/2013 19:08:34

Obrigado pelo esclarecimento Leandro.

Abraço.

Responder
Diego 02/09/2013 19:10:28

Obrigado pelo esclarecimento Leonardo Couto.

Responder
Melanie S. 30/08/2013 17:04:35

Devorei o texto.
Há muito tempo eu queria ler algo mais aprofundado sobre o Say e o Professor Ubiratan fez um ótimo trabalho.

Porém, remarquei dois errinhos triviais:
"A melhor das exceções é o livro de Murray Rothbard, Classical Economics: AN Austrian Perspective on the History of Economic Thought, vol. II, J.B. Say: the French tradition in Smithian Clothing". O autocorretor trocou an por na.

"Detêm reservas fracionárias, EMITEM notas e GERAM uma receita de juros, descontando notas promissórias e letras de câmbio". A frase original me soou estranha, acha que é um problema de paralelismo. =)

Abraços e parabéns por essa aula.

Responder
Pedro Ivo 30/08/2013 17:39:08

Prof. Iorio, o Sr. disse "Passemos a esquadrinhar o pensamento desse extraordinário economista francês, o que faremos dividindo-o nos seguintes compartimentos: metodologia, teoria monetária e bancária, lei dos mercados, empreendedorismo, capital e juros, valor e utilidade, tributação, Estado e controvérsias".

O Sr. abordou neste artigo metodologia, teoria monetária e bancária, lei dos mercados.

Haverá outro com empreendedorismo, capital e juros, valor e utilidade, tributação, Estado e controvérsias?

Responder
Leandro 30/08/2013 17:43:58

Haverá. Esta foi só a primeira parte.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 30/08/2013 17:54:05

Keynes é o protótipo daqueles que colocam suas próprias palavras na boca de grandes pensadores, por engano ou propositalmente.

______


Falando em economistas, alguém viu o "Livro da Economia" da Editora Globo? Apenas folheei na livraria, ele fala um pouco de Mises & cia. Será que é bom?

* * *

Responder
Marcos 30/08/2013 18:49:37

Há muito tempo desconfiava da tal "Lei de Say" repetida por aí. Quanto mais ouvia isso mais ficava com a pulga atrás da orelha. Daí minha grande alegria em ver finalmente a resposta para minhas dúvidas no texto. Parabéns ao professor Ubiratan, esse é um conhecimento importantíssimo para entender o keynesianismo e a relação entre produção e consumo.

Não me admira o keynesianismo ser ilógico. Constrói sua teoria sob uma falácia do espantalho. É um verdadeiro castelo de cartas, caindo ao mais leve vento.

O que me admira é que até hoje poucos economistas se atentem para um erro tão grosseiro na obra de Keynes. É realmente impressionante.

Responder
Gustavo BNG 31/08/2013 00:56:33

Prof. Ubiratan é de altíssimo nível intelectual e moral. Um dos maiores intelectuais de verdade brasileiros.

Responder
Cauê 31/08/2013 21:34:48

Prezada equipe do IMB,

Gostaria de saber se vocês têm algum posicionamento sobre o livro de Tomáš Sedlácek, Economics of Good and Evil: The Quest for Economic Meaning from Gilgamesh to Wall Street ?

De certa forma está implícito uma sugestão para a escola austríaca no capitulo final. Apesar de achar que o posicionamento do autor seria mais para um keynesianismo com reservas ao invés deficit. (Acho que ele tentou ser bem sútil nas criticas ao papel dos governos.)

Acho que o livro é uma grande porta de entrada para mudança de paradigma entre escolas do pensamento econômico (mesmo com as receitas equivocadas). Principalmente do ponto de vista filosófico e de revisionismo histórico. Acho que seria muito bom para colocar algumas dúvidas em universitários, e em alguns libertários-libertinos.

Tem uma discussão sobre a mão-invisível dos mercados que eu achei muito interessante.

De qualquer forma gostaria de saber a opinião de vocês, pois estava no Youtube assistindo uma de suas palestras e ele foi questionado por Gary North (é impossível ver quem pergunta, mais a voz dele é inconfundível hehe). Queria saber se tem algo a respeito ?

Eu não encontrei o.O

Responder
Bernardo 01/09/2013 16:11:33

Muito feliz por fazer minha contribuição anual.
Aos que ainda não se associaram, pensem na possibilidade após essa aula.
Abs a todos.

Responder
Amarilio Adolfo da Silva de Souza 01/09/2013 22:18:36

Se o "estado" não interferir vai dar tudo certo.

Responder
Lucas 02/09/2013 00:23:19

Esse artigo, embora bem intencionado, traz um erro fatal: está unicamente fundado em interpretações alheias, seja para reforçar a visão do autor, seja para criticar os opositores.

Explico melhor: já que estamos tratando de uma má interpretação, deliberada ou não, de um determinado economista, me parece lógico que partamos daquilo que o próprio Say escreveu. No entanto, o único trecho do artigo que foi efetivamente enunciado por Say está mal traduzido, e não me parece ser sensato extrair a Lei de Say de um pequeno trecho confuso, muito embora realmente pareça que a interpretação do professor Iorio e da EA realmente se mostre mais convincente e lógica.

Acho que o IMB já poderia pensar em aprofundar e adensar mais os debates que cercam a ciência econômica, haja vista o farto material já postado no site. Às vezes leio artigos que me parecem demasiadamente superficiais ou políticos, no sentido de não primarem pela análise econômica e, ainda por cima, terem a "paixão" que é característica do discurso político.

Estamos fazendo ciência de verdade ou simplesmente confirmando nossas apostas?

Abraços.

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