O esfacelamento do real e as perspectivas da economia brasileira

"A estabilidade pode não ser tudo; porém, sem estabilidade, tudo vira um nada." 

Foi com estas palavras que o social-democrata Karl Schiller, ministro das finanças da Alemanha Ocidental de 1966 a 1972, definiu o quão importante era para a Alemanha ter uma moeda forte.

Durante a segunda metade do século XX, nenhum povo levou tão a sério a importância de se ter uma moeda forte e estável quanto os alemães.  Tendo sofrido duas hiperinflações em um espaço de apenas 24 anos (uma em 1922-1923 e a outra logo após o fim da Segunda Guerra Mundial), o que aniquilou toda a sua poupança, a população alemã entendeu, e de uma maneira extremamente dolorosa, que a moeda de um país não pode ser aviltada.  Foi o primeiro-ministro alemão Konrad Adenauer quem disse que "defender a moeda é a condição precípua para se manter uma economia de mercado e, em última instância, uma sociedade livre."  Já o ministro das finanças de Adenauer, Ludwig Erhard — o "pai" do milagre econômico alemão —, foi ainda mais longe e proclamou que a estabilidade monetária era um direito humano básico.

O compromisso com uma moeda forte e estável se tornou tão inegociável, que foi criada uma lei em 1957 — a Lei Bundesbank — que incorporava essa visão alemã sobre a moeda: a lei declarava especificamente que o Banco Central alemão seria completamente independente de pressões políticas e de instruções do governo federal.  Sua única função seria a de "proteger a moeda", controlando a quantidade de dinheiro em circulação na economia com o objetivo de manter a robustez da moeda.  Esta lei deu ao Bundesbank uma autonomia de poder que nunca foi vista em nenhum outro país desde então, e contava com o apoio de social-democratas e conservadores.

A aprovação e implementação desta lei, em conjunto com a genuína determinação mostrada por seus vários presidentes, fez do Bundesbank o Banco Central mais respeitado e confiado do mundo.  De 1957 até imediatamente antes da introdução do euro, em 2002, a Alemanha apresentou a menor inflação de preços do mundo, menor até mesmo que a da Suíça. 

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de preços da Alemanha (linha preta), da Suíça (linha vermelha) e dos EUA (linha azul, apenas a título de comparação).  Observe que, embora Alemanha e Suíça comecem com aproximadamente o mesmo índice, já na década de 1970 a inflação de preços acumulada na Alemanha se torna visivelmente menor que a da Suíça, permanecendo assim por toda a década de 1980 e 1990.  Foi só em 2004, já sob o euro, que a situação se inverteu e a Suíça passou a apresentar uma menor inflação de preços acumulada. 

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Esse gráfico explicita por que os alemães não são muito simpáticos ao euro, e mostra por que foi tão difícil convencê-los a abrir mão do marco alemão em prol de uma moeda única europeia. (E ajuda também a entender por que as desigualdades de renda nos EUA são muito maiores que as da Suíça, não obstante toda a generosidade das políticas assistencialistas americanas).

Com efeito, a admiração dos alemães pelo marco alemão era tamanha, que uma pesquisa feita em 1995 relatou que 80% dos alemães identificavam sua "germanicidade" com a estabilidade, a força e o prestígio internacional do marco.  Eles haviam vivenciado os "milagres" que uma moeda forte é capaz de fazer.  Uma economia que estava destruída em decorrência de uma guerra mundial, e cuja população havia perdido toda a sua poupança em decorrência de duas hiperinflações, conseguiu se reerguer, enriquecer e se tornar a mais poderosa da Europa no espaço de apenas uma geração, tudo isso possibilitado por uma moeda forte e estável, que dava a seus cidadãos um poder de compra sem par.  Os alemães perceberam na prática que uma moeda forte é uma condição indispensável — embora não seja suficiente — para a prosperidade econômica, e que uma moeda fraca e instável cria baderna e inquietações sociais.

Os alemães creditavam à robustez do marco o fato de estarem entre os trabalhadores mais bem pagos do mundo e de poderem fazer várias viagens internacionais a preços extremamente baixos.

Por que este longo prólogo dedicado à Alemanha?  Porque a Alemanha — em conjunto com a Suíça e com o Japão — é um perfeito exemplo prático de como uma moeda forte só traz vantagens para uma população.  Aqui no Brasil, economistas pós-keynesianos e progressistas diariamente afirmam que uma moeda desvalorizada é uma condição indispensável para a robustez e competitividade da indústria nacional, e que uma moeda forte levaria à extinção de nosso parque industrial e geraria fortes desequilíbrios no balanço de pagamentos, pois os brasileiros iriam "importar e viajar muito".  Aparentemente, eles ignoram o fato de que Alemanha, Suíça e Japão possuem moedas fortes há décadas e, não obstante, um setor industrial e exportador extremamente robusto e competitivo, além de uma população bastante viajada.  Não foi necessário desvalorizar suas moedas para que suas indústrias se tornassem competitivas, e até hoje nunca houve qualquer indicativo de "crise no balanço de pagamentos".

Abaixo, a evolução das taxas de câmbio da Alemanha (linha preta), da Suíça (linha vermelha) e do Japão (linha amarela, eixo da direita) em relação ao dólar.  A série termina em dezembro de 1998 porque em janeiro de 1999 a Alemanha teve de alterar seu regime cambial para se preparar para a introdução do euro.

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A súbita, porém passageira, depreciação observada na primeira metade da década de 1980 não se deve a nenhuma política inflacionista destes Bancos Centrais, mas sim à acentuada valorização do dólar neste período, que foi quando o Fed estava sob o comando de Paul Volcker, que havia elevado a taxa básica de juros americana para 20%.

A situação no Brasil

Para entender o atual momento da economia brasileira e de sua moeda, um rápido exercício de imaginação será de grande valia.  Imagine o leitor estes dois cenários completamente opostos:

1) No primeiro cenário, os bancos passam a aumentar a oferta de crédito, o que faz com que a quantidade de dinheiro na economia aumente continuamente.  Isso, por conseguinte, faz com que os salários nominais da população também cresçam continuamente.  No entanto, não obstante toda essa inflação monetária, o poder de compra da moeda mensurado em dólares, em vez de cair, também aumenta continuamente.

2) Já no segundo cenário, com a população mais endividada e com os indicadores de inadimplência em alta, os bancos se tornam mais comedidos e passam a restringir o crédito.  Consequentemente, a quantidade de dinheiro na economia passa a crescer moderadamente, e isso faz com que o crescimento dos salários nominais da população arrefeça.  No entanto, não obstante esta contenção da inflação monetária, o poder de compra da moeda mensurado em dólares, em vez de subir, passa a cair continuamente.

O primeiro cenário vigorou no Brasil de 2003 até meados de 2011.  A oferta monetária se expandiu vigorosamente e, não obstante tal inflação, o valor do real mensurado em dólares também aumentou continuamente.  No primeiro semestre de 2003, por exemplo, o dólar chegou a custar R$3,60.  A partir dali, o real começou a se valorizar perante o dólar, chegando ao ápice em julho de 2008, quando o dólar valia apenas R$1,56.  Houve um ligeiro soluço no final de 2008 e início de 2009 por conta da crise financeira mundial, mas nada que abalasse o fortalecimento do real, que rapidamente voltou a se valorizar continuamente até chegar novamente ao valor de R$1,54 em julho de 2011.

Este fenômeno — e isso deve ser muito enfatizado — foi totalmente inédito na história do Brasil.  Nunca antes havíamos vivenciado um período que conjugasse forte expansão monetária, aumento nominal dos salários e contínua apreciação da moeda nacional.  Nem mesmo na primeira fase do Plano Real, de 1994 a 1998, isso ocorreu. 

Para se ter uma ideia do que isso representou, uma pessoa que ganhava um salário mínimo no início de 2003 — R$200 — tinha um poder de compra de aproximadamente US$60.  Já uma pessoa que ganhava salário mínimo em meados de 2008 — R$415 — passou a ter um poder de compra de aproximadamente US$259.  E em meados de 2011, com o salário mínimo a R$545, tal pessoa passou a ter um poder de compra de aproximadamente US$340.  Ou seja, em dólares, o poder de compra de um trabalhador que recebe salário mínimo cresceu 332% em 5 anos e 466% em 8 anos.

Isso, e apenas isso, já ilustra a importância de se ter uma moeda forte.  E você ainda se surpreende que Lula tenha tido recordes de aprovação, principalmente entre os mais pobres?  Fernando Henrique Cardoso também usufruiu altos índices de popularidade entre os mais pobres durante seu primeiro mandato, quando o real estava atrelado ao dólar.  E foram os mais pobres que o reelegeram em 1998.  Novamente, apenas uma consequência natural de se ter uma moeda forte.

Esta valorização do real perante o dólar entre 2003-2011, a qual ocorreu durante um longo processo de expansão do crédito, foi crucial em fazer com que a inflação de preços no Brasil não aumentasse tanto quanto poderia ter aumentado em decorrência de toda a inflação monetária ocorrida.  Tal fenômeno — que representou um grande aumento na renda real das pessoas — não pode ser descartado quando se quer entender o motivo da alta popularidade de Lula.  As pessoas tinham cada vez mais dinheiro no bolso, e esse dinheiro valia cada vez mais em termos de dólares.

O gráfico a seguir ilustra como foi esse movimento.  A linha vermelha representa a evolução do câmbio (coluna da esquerda).  A linha azul representa a evolução da oferta monetária (coluna da direita).  O período analisado é de janeiro de 2002 a julho de 2011.

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Vale observar que, após a forte alta do dólar no final de 2002 — temores com a eleição de Lula —, o real volta a se fortalecer em 2003, e firmando sua tendência de valorização a partir de 2004.

Embora este mesmo fenômeno tenha ocorrido com praticamente todas as outras moedas ao redor do mundo — pois este foi um período de grande desvalorização do dólar —, a apreciação do real foi particularmente mais intensa.  E isso pode ser creditado à percepção positiva que os investidores estrangeiros, os especuladores e todos os traders que atuam no mercado financeiro tinham em relação à equipe econômica.  A boa equipe montada por Antônio Palocci no primeiro mandato de Lula, com Joaquim Levy, Marcos Lisboa e Murilo Portugal na Fazenda, além de Henrique Meirelles, Ilan Goldfajn e Alexandre Schwartsman no Banco Central, foi essencial para gerar esta confiança.  E ela foi mantida inabalada mesmo durante períodos conturbados, como por exemplo durante o escândalo do mensalão em 2005, em que não houve fuga de dólares e o câmbio não foi afetado.

E, mesmo com mudanças significativas feitas na equipe econômica a partir de 2006, com a saída de Palocci e a nomeação de Guido Mantega para Ministro da Fazenda, a confiança se manteve.  Após um forte soluço ocorrido no final de 2008, a economia se recuperou rapidamente durante o ano de 2009, pois o governo não saiu baixando pacotes, não tentou desvalorizar o câmbio, não recorreu a políticas protecionistas e, principalmente, permitiu que preços e salários se ajustassem para baixo.  Esta célere recuperação, em conjunto com as fartas matérias elogiosas publicadas pela imprensa internacional sobre a economia do país, manteve o ânimo dos investidores estrangeiros, dos especuladores e de todos os traders que atuam no mercado financeiro, e o real voltou a se valorizar perante o dólar. 

Todos os bons resultados financeiros apresentados pelas filiais de empresas estrangeiras instaladas no Brasil podem ser creditados à valorização do real, que fez com que os lucros remetidos em dólares e euros para suas matrizes fossem substanciais.  O mesmo pode ser dito sobre o espetacular momento vivenciado pelas companhias aéreas neste período, uma vez que dólar baixo significa mais pessoas viajando e querosene mais barato.

Mas tudo começou a degringolar em 2012, que foi o ano em que o governo mais exacerbou suas intervenções na economia, o que deu origem ao segundo cenário descrito no início desta seção. 

Toda a expansão creditícia iniciada em 2004 gerou dois inevitáveis resultados: endividamento recorde da população e inadimplência em alta.  O gráfico abaixo ilustra a evolução destes dois indicadores.  A linha azul mostra endividamento das famílias em relação à sua renda acumulada nos últimos doze meses (coluna da direita) e a linha vermelha mostra a evolução da inadimplência (coluna da esquerda).

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Esta situação fez com que os bancos adotassem uma postura mais comedida e aumentassem suas exigências antes de conceder novos empréstimos.  Tal postura mais restritiva dos bancos gerou um arrefecimento na até então frenética expansão do crédito, algo que, por conseguinte, reduziu a taxa de crescimento da oferta monetária.

Essa redução da taxa de crescimento da oferta monetária afetou os números do PIB, bem como a demanda por bens industriais (veja aqui o gráfico da produção industrial).  O governo então se desesperou e, confundindo causa com consequência, passou a adotar uma profusão de medidas intervencionistas para "proteger a indústria". 

Primeiro ele fechou os portos aumentando as alíquotas de importação de praticamente todos os produtos estrangeiros (está tudo aqui e aqui).  Depois, obrigou todas as grandes empresas do país a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil.  Ato contínuo, os privilegiados fabricantes destes insumos obviamente se aproveitaram deste monopólio para aumentar seus preços.  Para ajudar as grandes empresas a adquirir estes agora mais caros insumos, e simultaneamente para ajudá-las em seus projetos de investimento, o BNDES foi liberado para lhes emprestar dinheiro público a rodo, tudo a juros subsidiados.  Como o BNDES não tem todo esse dinheiro, o Tesouro começou a emitir títulos apenas para arrecadar este dinheiro, o que fez com que a dívida bruta do país chegasse a R$ 2,823 trilhões.  Em simultâneo, naquelas poucas áreas com potencial para receber fartos investimentos estrangeiros — o setor de infraestrutura rodoviária, portuária, aeroportuária e ferroviária —, o governo estipulou taxas de retorno, de estilo bolivariano.  No final, para não assustar de vez os investidores estrangeiros e os organismos internacionais, o governo passou a maquiar suas contas públicas, transformando 'recebíveis a longo prazo' em 'receita imediata', e déficit em superávit.

Paralelamente a tudo isso, a presidente e seus dois ministros favoritos (Mantega e Pimentel) se esmeraram em açoitar com gosto o "tsunami" de dólares que entrava no Brasil e apreciava o câmbio, sem se dar conta de que eram justamente esses dólares os principais responsáveis pela satisfação da população.

Resultado de tudo isso: estagnação, insegurança, alto grau de incerteza do empresariado, desconfiança dos investidores estrangeiros, saída de dólares, e acentuada desvalorização cambial.  O dólar, que em julho de 2011 chegou a valer R$1,56, disparou para R$2,44.

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Neste mesmo período, o euro foi de R$2,26 para R$3,26.  Isso significa que o dólar se valorizou 56% perante o real, e o euro, 44%. 

Ou seja, quem hoje recebe salário mínimo — de R$678 — está recebendo US$278, um valor 18% menor que os US$340 de julho de 2011.  E ainda há quem acredite que os progressistas que defendem câmbio desvalorizado são a favor do aumento da renda dos mais pobres...

São três os fatores que determinam as oscilações da taxa de câmbio de uma moeda:

1) O primeiro é a inflação monetária e sua inevitável consequência, que é a inflação de preços. A taxa de câmbio é, no longo prazo, definida pelo poder de compra da moeda. Como o poder de compra do real foi dizimado pela inflação monetária ocorrida do período 2008-2011, é natural que esteja agora havendo esse ajuste na taxa de câmbio.

2) Além da inflação monetária, a taxa de câmbio de curto prazo também é afetada pelo crescimento da economia. Quanto maior o crescimento da economia, maior a demanda por moeda nacional — logo, mais apreciada tende a ser a moeda.  Isso explica a valorização cambial que inevitavelmente ocorre quando o PIB está crescendo.  

3) Mas é o terceiro fator que está se sobressaindo atualmente.  Quando uma economia ainda em desenvolvimento — como a brasileira — adota uma taxa de câmbio flutuante, sua moeda estará diariamente sujeita aos humores dos especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que atuam no mercado financeiro. Se eles perderem a confiança no governo, a taxa de câmbio poderá se desvalorizar acentuadamente, e permanecer assim por um bom tempo. É isso que está acontecendo no Brasil atual: a inflação monetária não está mais crescendo em níveis acentuados, mas a taxa de câmbio segue se desvalorizando por causa da atuação de especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que já perceberam que as autoridades monetárias e econômicas do Brasil não são muito sérias.[1] 

Essa abrupta desvalorização do real perante o dólar alarmou toda a equipe econômica.  Desde maio último, o Banco Central já gastou quase US$ 40 bilhões em leilões de swap cambial, mas o preço do dólar continua em ascensão.  Para piorar, a percepção de que a situação está degringolando cresceu na mesma proporção.  Veja um trecho desta notícia retirada do blog do jornalista Vicente Nunes:

Nenhum dos diretores do Banco Central fala claramente, mas há um desconforto generalizado entre eles com o que consideram traição por parte do restante do governo. Acreditam que a autoridade monetária seguiu à risca tudo o que foi combinado com o Planalto nos últimos três anos, sobretudo a missão de levar a taxa básica de juros (Selic) para o menor patamar da história, de 7,25% ao ano, em outubro de 2012.

A expectativa era de que todo o governo se engajasse nesse processo, especialmente o Ministério da Fazenda, ao fazer um ajuste fiscal consistente, com transparência, sem truques, para mostrar uma saúde que as contas públicas não têm. O que o BC viu foi exatamente o contrário. 

De início, porém, os integrantes da diretoria comandada por Alexandre Tombini preferiram o silêncio ante o descompromisso com o ajuste fiscal. Mas, diante da disparada da inflação e do derretimento do que ainda restava de credibilidade em relação à instituição, houve uma rebelião no BC e passou-se a explicitar a contrariedade com a gastança e a maquiagem das contas públicas tanto nas atas do Comitê de Política Monetária (Copom) quanto no Relatório Trimestral de Inflação.

Os diretores também cobraram uma postura mais clara de Tombini em público, pois o risco de as expectativas dos agentes econômicos degringolar era enorme. O presidente do BC passou, então, a ressaltar a importância de um ajuste fiscal consistente para ajudar o Copom a reconstruir a confiança que o país tanto precisa para retomar o crescimento consistente. 

Os diretores do BC sabem que não será uma tarefa fácil, especialmente porque o maior símbolo da desconfiança, o maquiador da Esplanada, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, permanece firme e forte no cargo, simplesmente porque é amigo da presidente Dilma Rousseff.

Tombini sentiu na pele o quanto a sua credibilidade e a de toda a diretoria do BC está no chão. Na semana passada, ele se reuniu, a portas fechadas, em São Paulo, com mais de uma centena de empresários e tomou uma sova. Começou com um discurso positivo, de que tudo está bem, que a inflação está sob controle (mesmo tendo ficado acima de 6% ao longo deste ano, no acumulado de 12 meses), mas acabou sendo atropelado por uma onda de críticas em relação ao governo. Muitos presentes no encontro foram claros ao afirmar que não vão retomar os investimentos produtivos até o fim das eleições de 2014. Tombini deixou o local quase mudo.

O Banco Central, como esperado, soltou uma nota negando a veracidade destas informações, o que significa que elas de fato são verdadeiras.

O que fazer

Durante toda a expansão do crédito anterior, os indivíduos intensificaram seu endividamento para poder consumir, na crença de que a expansão do crédito continuaria farta e que sua renda futura continuaria aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo estimuladas tanto pela expansão monetária coordenada pelo Banco Central (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos. 

Este arranjo, no entanto, já foi revertido.  A renda nominal se estagnou, mas os preços continuam em ascensão, em grande parte por causa da desvalorização do câmbio.  É esta combinação entre renda nominal estagnada e preços em ascensão que vem gerando esta sensação real de aperto financeiro nos brasileiros. 

Toda a mecânica deste ciclo econômico da economia brasileira já foi explicada inúmeras vezes neste site, de modo que ela não é o escopo deste artigo (veja aqui, aqui e aqui).  Basta apenas dizer que, quando uma economia entra em uma fase de rearranjo pós-expansão do crédito, é essencial que seus preços possam cair para fazer com que a oferta entre em sintonia com a demanda.  Uma acentuada desvalorização do câmbio vai totalmente contra este propósito.  E, considerando-se que a inflação de preços acumulada em 12 meses está acima de 6%, e que a economia está estagnada, a situação é compreensivelmente ruim.

E é exatamente por isso que é de suma importância ter uma equipe econômica — tanto na Fazenda quanto no Banco Central — que inspire confiança nos investidores estrangeiros, nos traders e nos especuladores.  Havia esta equipe no Banco Central em 2008.  Como consequência, a desvalorização do real perante o dólar foi efêmera. 

Sendo assim, caso a atual equipe do Banco Central não reconquiste a confiança dos investidores, especuladores e traders, o câmbio continuará se desvalorizando e impedindo que a inflação de preços diminua como deveria. Esta contínua desvalorização cambial, geradora de grandes incertezas, continuará fazendo com que a economia permaneça nesta quase-estagflação que estamos vivenciando, com uma crescente redução na renda real das pessoas. 

Para resolver este imbróglio, uma medida já testada em vários países emergentes e de resultados imediatos e extremamente eficazes seria a transformação do Banco Central em um Currency Board (veja o que tal sistema realizou na Bulgária).  Dado que o BACEN possui hoje mais de US$370 bilhões em reservas internacionais, adquiridas ao longo de 20 anos, tal valor é mais do que suficiente para a imediata criação de um Currency Board.  Não apenas o câmbio se estabilizaria, como também a confiança dos investidores na economia seria restabelecida.  Adicionalmente, as taxas de juros cairiam, o que traria um extremamente necessário alívio nos gastos do governo com o serviço da dívida. 

Porém, e infelizmente, o apoio a tal medida seria nulo.  Um Currency Board, justamente por retirar do governo o controle sobre a oferta monetária, obriga-o a adotar um orçamento austero, não deixando espaço para gastos com 41 ministérios e secretarias, aumentos para o funcionalismo, e subsídios para artistas, grupos de interesse e movimentos sociais.  Não haveria apoio nenhum.

Sendo assim, uma segunda opção seria copiar descaradamente o estatuto do Bundesbank, adotando todos os seus métodos operacionais (cancelando as operações de mercado aberto e utilizando apenas a janela de redesconto, justamente o inverso de como opera hoje o BACEN).  Seria necessária a aprovação de uma lei que de fato impingisse a obediência desse estatuto.  Funcionou com a Lei de Responsabilidade Fiscal — pelo menos até agora —, então também pode funcionar para o BACEN. 

Adicionalmente, a plena conversibilidade do real deve ser promulgada.  Isso significa que reais poderão ser trocados por moeda estrangeira sem restrições.  Uma moeda plenamente conversível é aquela que pode ser usada para adquirir quaisquer tipos de bens ou serviços estrangeiros, incluindo imóveis, títulos, ações e contas bancárias em outros países.  A promulgação da conversibilidade seria um passo adicional na conquista da confiança dos investidores estrangeiros, podendo inclusive levar a um desdobramento natural: fazer com que moedas estrangeiras passem a ser aceitas como moeda corrente para as transações domésticas (hoje, o governo proíbe).

O problema é que não há hoje nenhum político com a testosterona necessária para criar esses dois projetos de lei.

O fato é que o Banco Central tem de reconquistar a confiança do mercado para que a taxa de câmbio possa cair, o que irá ajudar a conter a inflação de preços e, por conseguinte, ajudar na recuperação dos investimentos e da economia.  A recuperação só virá se os preços caírem, e isso não ocorrerá com o câmbio se desvalorizando em decorrência da falta de confiança.

Nomes como Gustavo Franco para a presidência do BACEN e Pérsio Arida para a Fazenda seriam um bom começo, mas serão inócuos se não vierem acompanhados destas reformas.

Conclusão

Uma moeda sólida, forte e estável é necessária — embora apenas isso não seja suficiente — para a prosperidade econômica.  Os alemães entenderam isso ainda em 1957.  A consequência foi uma estrondosa elevação em seu padrão de vida.  Os brasileiros vivenciaram algo vagamente semelhante a uma moeda forte nos períodos 1994-1998 e 2007-2011.  Embora a alegria tenha durado pouco, este curto período já foi suficiente para melhorar as condições de vida de milhões de brasileiros, especialmente dos mais pobres.

Os grandes economistas sempre enfatizaram a importância de se ter uma moeda forte.  Em 1876, Carl Menger, o fundador da Escola Austríaca, tornou-se o tutor econômico do príncipe-herdeiro da Áustria, Rodolfo de Habsburgo.  Algumas das anotações econômicas de Rodolfo foram publicadas na década de 1990.  Dentre as lições que o príncipe absorveu de Menger, vale observar o seguinte trecho:

Em grande parte, as transações comerciais e todo o comércio internacional, que são os pilares que dão sustentação ao desenvolvimento econômico, dependem de um sistema monetário ordeiro e bem-estabelecido.  Por conseguinte, flutuações na taxa de câmbio e a incerteza que tais flutuações geram em todos os cálculos econômicos irão abalar a prosperidade da economia em suas bases mais fundamentais.  Em toda e qualquer atividade doméstica ou internacional, cidadãos e empreendedores irão encontrar desconfianças e obstáculos por todos os lugares... Sendo assim, é sensato afirmar que uma moeda fraca e instável representa uma deficiência vital para uma nação, pois ela se faz sentir profundamente em todos os aspectos da vida econômica e de seu progresso.

Sim, uma moeda forte é uma bênção para qualquer população.  Ela gera um aumento do poder de compra do trabalhador e, consequente, um aumento em seu padrão de vida.  Uma moeda em constante fortalecimento equivale a um aumento salarial contínuo.  Ela permite acesso barato a uma farta quantia de bens e serviços estrangeiros, aumentando enormemente o padrão de vida de seus usuários.  Trata-se de uma instituição que não deve jamais ser colocada em risco, muito menos em épocas de recessão.  E quem discorda disso que vá ensinar aos suíços e alemães o que eles realmente devem fazer.



[1] É por isso que há grandes economistas que defendem Currency Boards para economias em desenvolvimento. Segundo eles, deixar a moeda de um país ainda em desenvolvimento flutuar de acordo com a percepção que os agentes externos têm em relação à solidez do governo nacional é loucura.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


"uma proposta legislativa que congele os gastos públicos por 20 anos."

Esse aí é de uma ignorância ímpar.

Querido Henrique, os gastos não serão congelados. Os gastos crescerão à mesma taxa da inflação do ano anterior. A menos que a inflação passe a ser zero, não haverá nenhum congelamento de gastos.

Outra coisa: os gastos com educação, saúde e assistência social poderão continuar aumentando aceleradamente, sem nenhum teto, desde que os gastos em outras áreas sejam contidos ou reduzidos.

Isso será um ótimo teste para ver o quanto os progressistas realmente amam os pobres. Se quiserem que mais dinheiro seja direcionado à educação, à saúde e à assistência social, então menos dinheiro terá de ser direcionado ao cinema, ao teatro, aos sindicatos, a grupos invasores de terra e, principalmente, aos salários dos políticos (descobriremos a verdadeira consciência social dos políticos de esquerda).

Se quiserem mais dinheiro para educação, saúde e assistência social, então terão de pressionar o governo a reduzir os concursos públicos e os salários nababescos na burocracia estatal. Terão de pressionar o governo a fechar emissoras estatais de televisão. Terão de pedir para o governo parar de injetar dinheiro em blogs progressistas.

Terão de pedir por um amplo enxugamento da máquina pública. Terão de ser extremamente vigilantes em relação à corrupção, impedindo superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais.

Terão de exigir a redução do número de políticos. Terão de exigir a abolição de várias agências reguladoras custosas. Terão de exigir menores gastos com a Justiça do Trabalho, que é o mais esbanjador dos órgãos do Judiciário.

Acima de tudo, terão de pedir para que o estado pare de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas, deixando tais áreas a cargo da livre iniciativa e da livre concorrência.

De bônus, para que tenham um pouco de diversão, terão também de pedir para que o estado pare de gastar dinheiro com anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. E que pare de conceder subsídios a grandes empresários e pecuaristas.

Se os progressistas não se engajarem nestas atividades, então é porque seu amor aos pobres era de mentirinha, e eles sempre estiveram, desde o início, preocupados apenas em manter seus próprios benefícios.

Com a PEC, o dinheiro que vai para a Lei Rouanet, para a CUT, para o MST e para o alto escalão do funcionalismo público passará a concorrer com o dinheiro do Bolsa-Família, do Minha Casa Minha Vida, da Previdência Social e do SUS.

Vamos ver quão sérios são os progressistas em seu amor aos desvalidos. Veremos o real valor de sua consciência social.

Pela primeira vez, incrivelmente, os burocratas do governo perceberam que o dinheiro extraído pelo governo da sociedade não é infinito.

A tímida PEC 241 possui falhas, mas é um passo no rumo certo - e suas virtudes apavoram a esquerda

"Gostaria de abordar aqui, como causa da crise e do desajuste das contas do governo, o vertiginoso aumentos dos juros ocorrido nos últimos anos"

Ignorância econômica atroz.

Ao contrário do que muitos acreditam, o governo gasta menos com juros quando estes estão subindo.

Sim, é isso mesmo: quando os juros estão subindo, há menos despesas com juros.

E a explicação é simples: quando os juros estão subindo, os preços dos títulos públicos estão caindo. Com os preços caindo, há menos resgates de títulos. Consequentemente, há menos gastos do Tesouro com a dívida.

Não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte. Esta planilha do Tesouro mostra os gastos com amortização da dívida. Eles caem em anos de juros em ascensão e diminuem em anos de juros em queda.

Eis os gastos do Tesouro com amortização da dívida a partir de 2011:

2011 (ano em que os juros foram de 10,75% para 12,50%): R$ 97.6 bilhões

2012 (ano em que os juros caíram para 7,25%, o menor valor da história): R$ 319.9 bilhões (sim, o valor é esse mesmo)

2013 (ano em que subiram de 7,25% para 10%): R$ 117.7 bilhões

2014 (ano em que subiram para 11,75%): R$ 190.7 bilhões

2015 (ano em que os juros subiram para 14,25%): R$ 181.9 bilhões

Conclusão: o ano em que o governo mais gastou -- e muito! -- com a amortização da dívida foi 2012, justamente o ano em que a SELIC chegou ao menor nível da história.

Vá se educar em vez de ficar falando besteiras em público.

Quanto ao nível dos juros em si, durante todo o primeiro mandato do governo Lula eles foram muito maiores do que os atuais. E, ainda assim, houve crescimento e investimentos.

Quando o cenário é estável, confiável e propício, juros não impedem investimentos. Quando o cenário é instável e turbulento, juros não estimulam investimentos.

No mais, a subida dos juros foi uma mera conseqüência inevitável das políticas econômicas heterodoxas de dona Dilma.

"Nada disso precisava ocorrer caso o governo continuasse com sua política de contenção de preços, como o da gasolina e da energia elétrica"

Putz, e eu perdendo meu tempo escrevendo isso tudo achando que o sujeito era sério...

Por fim, quer saber por que os juros são altos no Brasil? Você só precisa ler esses dados aqui.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Tiago RC  22/08/2013 08:15
    Parabéns pelo texto, Leandro.

    Só uma coisa me intriga: fazer um currency board com o dólar não seria como se atracar ao Titanic?
    O dólar não me inspira confiança nenhuma. Nenhuma moeda governamental, pra ser honesto.
  • Leandro  22/08/2013 13:22
    Caríssimo Tiago, se o dólar é o Titanic, então o real é o pré-sal: está bem mais no fundo e é não irá sair de lá.

    Não compartilho dessa teoria de que o dólar irá sumir. Mesmo porque, se isso ocorrer, o mundo deixa de girar. O dólar é a moeda internacional de trocas e não há nenhuma outra lhe fazendo sombra. A OPEP utiliza dólares e isso é um fator crucial. Adicionalmente, enquanto o governo americano estiver no controle dos grandes exportadores de petróleo do Oriente Médio, a soberania do dólar está garantida. Por exemplo, a indústria de defesa americana vende aviões e armas para esses países. Vende também peças de reposição, cursos de treinamento e outras tecnologias. E ela só aceita, obviamente, ser paga em dólares. Isso garante ao dólar uma demanda contínua. Mais ainda: garante que o dólar sempre poderá ser utilizado para comprar petróleo. Isso já basta.

    Enquanto isso ocorrer, o lugar do dólar no mundo está garantido. Para o dólar ser abandonado, outra moeda teria de ser a escolhida, e a OPEP teria de deixar de utilizar dólares. Não apenas não há nenhuma moeda em vista, como também não há chances de a OPEP sair do dólar. Quando Kadafi ameaçou sair do dólar e utilizar o ouro, foi prontamente assassinado. Qualquer regime da região que ameaçar o mesmo será prontamente ameaçado pelos EUA.

    Grande abraço!
  • zanforlin  22/08/2013 20:04
    Leandro:

    A propósito, artigo postado hoje no FUTUREFASFORWARD, intitulado "Get Ready For The Death Of The Petrodollar", encontra-se no seguinte endereço:

    futurefastforward.com/images/stories/financial/GetReadyForTheDeathOfThePetrodollar.pdf

    abraço.
    jcz
  • Tiago RC  22/08/2013 20:37
    "Caríssimo Tiago, se o dólar é o Titanic, então o real é o pré-sal: está bem mais no fundo e é não irá sair de lá."

    hehehe, ótima resposta.

    O que me faz questionar o futuro do dólar é a dívida cada vez maior do governo federal americano. Só vejo duas opções, calote ou impressora. Políticos frequentemente preferem a segunda, e no caso dos EUA o fato do USD ser usado e estocado por tanta gente no mundo inteiro deixa a impressora ainda mais tentadora.

    Mas bom, veremos no que vai dar. É bem verdade que o real é ainda menos credível. Pré-sal foi ótima. :D

    Abração!
  • Leandro  22/08/2013 20:59
    Não haverá impressora pelos seguintes motivos:

    1) O Fed não pode obrigar o sistema bancário -- que, em última instância, é quem decide se joga ou não o dinheiro na economia -- a hiperinflacionar;

    2) Isso significa que, para haver hiperinflação, o Fed teria de ser nacionalizado, ficando sob o controle do Congresso americano;

    3) No imediato momento em que isso ocorrer, todos fugirão do dólar (já prevendo a hiperinflação), e a economia americana voltará ao estado de escambo.

    Porém, pelo bem do debate, suponhamos que os bancos enlouqueçam e de fato saiam jogando todas as suas reservas na economia. Ainda assim, isso não alteraria nada da dívida. E por um motivo muito simples: nenhuma hiperinflação (no sentido correto do termo: preços subindo mais de 50% ao mês) dura mais do que um ano. E a dívida americana tem prazos de maturação muito maiores do que ano. Há vários títulos com mais de 30 anos de prazo. Teria de haver uma hiperinflação durante 30 anos. Não há a mínima possibilidade de isso acontecer.

    Por exemplo, pense nos burocratas do Fed. Esse pessoal quer se aposentar e receber suas magnânimas pensões. Uma hiperinflação destroçaria todo o poder de compra de suas pensões. Não há a menor chance de eles deixarem isso ocorrer. Adicionalmente, eles sabem que uma hiperinflação deixará a economia em pandemônio. Isso irá afetar sobremaneira a qualidade de vida deles próprios. Por que deixariam isso ocorrer?

    Entre uma recessão profunda gerada por um acentuado aumento nos juros e uma hiperinflação que destroce seus proventos, os burocratas do Fed ficarão com a primeira opção sem titubear. Eu certamente ficaria.

    O que ocorrerá será o calote. Mas o calote também não virá de uma vez e não será sobre os títulos públicos. Eles vão começar cortando daqueles grupos sem nenhum poder político e eleitoral, como alguns benefícios previdenciários. E daí vão começar a aprofundar, cortando vários benefícios do Medicare e do Medicaid. Haverá gritaria, mas será feito.

    E não vejo por que isso afetaria o valor do dólar.
  • Tiago RC  22/08/2013 22:22
    Ótimos argumentos, como de costume, Leandro.

    De fato uma nacionalização do Fed poderia resultar num impacto especulativo enorme e imediato sobre o dólar, o que reduziria muito a margem de manobra do governo. E, além disso, banqueiros são poderosos lobistas e têm muitos políticos em suas folhas de pagamento.

    É, acho que você me convenceu, o calote parece uma saída mais provável mesmo.

    Abraços!
  • anônimo  29/10/2013 15:57
    "Mas o calote também não virá de uma vez e não será sobre os títulos públicos. Eles vão começar cortando daqueles grupos sem nenhum poder político e eleitoral, como alguns benefícios previdenciários."

    hehe, talvez já estejam preparando o terreno, Leandro. Dá só uma olhada: Congress to eliminate the debt by not counting it anymore….

    "... But in reality, they're setting the stage to default on Social Security beneficiaries..."
  • anônimo  08/11/2013 19:02
    "...nenhuma hiperinflação (no sentido correto do termo: preços subindo mais de 50% ao mês) dura mais do que um ano."
    Quanto tempo durou a do Brasil?


    (não é sacanagem, adoro os textos do Leandro que acho que deveria sair pra presidente na próxima eleição - porém creio que foi um comentário dramático só para impactar né)
  • Leandro  08/11/2013 19:13
    "Quanto tempo durou a do Brasil?"

    Inflação mensal acima de 50%? No Brasil, esse arranjo durou quatro meses: dezembro de 1989 (51,5%), janeiro (67,55%), fevereiro (75,73%) e março (82,39%) de 1990.

    Em todos os outros meses (de janeiro de 1980 a junho de 1994), a inflação mensal sempre esteve abaixo de 50%.

    Pode conferir o gráfico:

    www.tradingeconomics.com/charts/brazil-inflation-rate-mom.png?s=brazilinfratmom&d1=19810101&d2=19941231&type=line


    "(não é sacanagem, adoro os textos do Leandro que acho que deveria sair pra presidente na próxima eleição - porém creio que foi um comentário dramático só para impactar né)"

    De modo algum. Se há algo que eu realmente me policio de maneira contundente a jamais ser é dramático e alarmista. Sempre que cito dados numéricos, não gasto menos do que um dia checando-os e confirmando plenamente sua veracidade.

    De resto, obrigado pelas palavras.
  • Daniel  22/08/2013 13:41
    "Nenhuma moeda governamental, pra ser honesto."
    Ancap do mundo da fantasia detected. Deveriam fazer um currency board de bitcoin? hahahah
    ACORDE para o mundo real
  • André  22/08/2013 15:50
    """""""
    "Nenhuma moeda governamental, pra ser honesto."
    Ancap do mundo da fantasia detected. Deveriam fazer um currency board de bitcoin? hahahah
    ACORDE para o mundo real
    """""""

    Ele não sugeriu Bitcoin. Porque esse fanatismo em ficar criticando o Bitcoin?
    Parece os neoateus que ficam criticando a igreja.
    Ou as feministas que ficam criticando o "patriarcado".
    As pessoas escolheriam livremente a moeda. Poderia ser ouro, prata, ouro e prata, etc...
    Mas os defensores de moedas estatizadas odeiam o Bitcoin e lembram dele mesmo sem ninguém ter mencionado nada.

    Para os estatistas fanáticos o mundo seria horrível se não houvessem pessoas armadas dizendo pra todo mundo que moedas eles podem e/ou devem ou não aceitar. Terrível.
  • Eduardo  22/08/2013 16:23
    Espero que a implicação desse comentário não seja que bitcoin é a única/melhor alternativa pra moeda não-governamental.
  • Andre  22/08/2013 17:42
    "Espero que a implicação desse comentário não seja que bitcoin é a única/melhor alternativa pra moeda não-governamental."

    Não vi ninguém dizer isso. Nem sequer levantar essa hipótese.

    Mas se você acha que existe essa "possibilidade" de que o que foi escrito implique nisso aí, ao ponto de anunciar a sua "expectativa",
    que tal se ao invés de ficar "esperando" você lesse o texto com calma e chega-se logo de uma vez à conclusão sobre o fato da
    mensagem implicar, ou não, que "bitcoin é a única/melhor alternativa pra moeda não-governamental"?

    Depois nos conte como chegou à sua conclusão final, apontando os trechos do texto que levaram à tal conclusão.
  • Andre  22/08/2013 10:59
    "Já o ministro das finanças de Adenauer, Ludwig Erhard — o "pai" do milagre econômico alemão —, foi ainda mais longe e proclamou que a estabilidade monetária era um direito humano básico."
    E como sempre o melhor para se alcançar tal "direito" seria deixar o mercado escolher a moeda.
    Foi uma grande lambança pra Alemanha ter entrado no euro, mas lembro que ela sofreu pressões políticas pra isso.

    "Este fenômeno — e isso deve ser muito enfatizado — foi totalmente inédito na história do Brasil."
    É o que o Rodrigo Constantino chama de loteria chinesa. Parece que os ganhadores da loteria terminaram de torrar a grana, hora de voltar à trabalhar.

    "Embora este mesmo fenômeno tenha ocorrido com praticamente todas as outras moedas ao redor do mundo — pois este foi um período de grande desvalorização do dólar —, a apreciação do real foi particularmente mais intensa."
    E agora a desvalorização será, creio eu, a mais intensa. Efeito gangorra.

    "transformando 'recebíveis a longo prazo' em 'receita imediata', e déficit em superávit."
    Pode-se enganar alguns investidores por algum tempo, mas não se pode enganar todos o tempo todo.
    A verdade prevalece sobre a mentira, principalmente para investidores, que tem incentivos econômicos para descobrir a verdade.

    "Desde maio último, o Banco Central já gastou quase US$ 40 bilhões em leilões de swap cambial, mas o preço do dólar continua em ascensão."
    Chegou a hora do Banco Central ser obrigado à torrar os cerca de 300 bilhões de dólares acumulados de 2003 à 2013:
    www.tradingeconomics.com/charts/brazil-foreign-exchange-reserves.png?s=brazilforexcres&d1=20030101&d2=20131231

    À vezes eu penso que esses social-democratas são uns "comunistas bonzinhos" (oxímoro), eles pensam que se o governo for tomando o controle
    total e absoluto da economia aos poucos, um passinho de cada vez, conseguirão instalar o comunismo (aquele em que o governo controla TUDO e não
    aquele em que os seres humanos se tornam zumbis abnegados espontâneamente e só pensam no próximo) e obter sucesso (sucesso na cabeça deles significa que os
    políticos serão a classe superior dominante e o resto do povo será um bando de zumbis abnegados que trabalham pra burro sem reclamar e ficam só com
    uma fração dos frutos do seu trabalho, ou seja, se tornam escravos pra ser exato, só chamo de "sucesso" pois na cabeça deles as pessoas seriam
    felizes por serem iguais, mesmo que estando todos na pobreza, exceto os políticos, pois os políticos bonzinhos estão cuidado bem delas.).

    Espero sinceramente que TODOS os jovens de hoje em dia com tendências socialistas/comunistas fiquem completamente viciados em jogos de estratégia
    (aqueles jogos em que uma pessoa controla TUDO) e passem toda a sua vida jogando esses jogos sentindo que têm PODER e CONTROLE TOTAIS E SUPREMOS.
    Assim eles não vão atrapalhar ninguém.

    "O Banco Central, como esperado, soltou uma nota negando a veracidade destas informações, o que significa que elas de fato são verdadeiras."
    Hahaha, concordo, pois como dizi Lenin: "Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é!".
    Então quando um integrante, ou órgão, do nosso governo socialista solta uma declaração negando alguma coisa ele está, de fato, confirmando. Pois ao negar estão chamando os outros de mentirosos, que é o que eles são.

    "Sendo assim, caso a atual equipe do Banco Central não reconquiste a confiança dos investidores, especuladores e traders, o câmbio continuará se desvalorizando e impedindo que a inflação de preços diminua como deveria."
    Minha aposta é de que o dólar chegue até 3 reais antes de 2014.

    "O problema é que não há hoje nenhum político com a testosterona necessária para criar esses dois projetos de lei."
    Nem juntando a testosterona de todos eles.
  • Ivan Filho  27/08/2013 15:25
    Tenso como toda uma classe de jovens estudantes como eu perde sua credibilidade por causa dos malditos militantes socialistas, hahah.
  • mauricio barbosa  22/08/2013 11:39
    Leandro Roque como libertário que somos no campo das idéias e na militância diária tentando convencer mentes e corações em torno de nosso ideal de paz e prosperidade e no fim do intervencionismo estatal em todas as áreas sociais e econômicas...Eu te pergunto esse pragmatismo do artigo é uma medida paliativa ou definitiva para nossos problemas com o estatismo?Por favor não tome essa pergunta como ofensa é só tentando entender seu pragmatismo diante dessa calamidade destes incompetentes e malvados governantes atrás de votos e popularidade,longa vida ao IMB.
  • Mauricio  22/08/2013 12:07
    Brilhante artigo Leandro.Como a sensatez e a inteligencia nao prevalecem entre os politicos as propostas apresentadas para o que fazer nunca serao implementadas e estaremos f....
  • JOSUELITO BRITTO  22/08/2013 12:24
    Como sempre, excelente o artigo de LEANDRO. Peco-lhe, no entanto, que explique melhor (para entendimento dos que nao são economistas) o mecanismo do currency boards.
  • Leandro  22/08/2013 13:26
    Prezado Josuelito, a explicação sobre o funcionamento do Currency Board está nos artigos que foram linkados na passagem que fala sobre o Currency Board.

    Coloco aqui os links:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601

    Não repeti a mesma explicação neste artigo porque, se o fizesse, o texto ficaria demasiadamente longo. Espero que compreenda.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • Rodrigo Makarios  22/08/2013 12:40

    Leandro,
    Excelente artigo.
    Estava aguardando seu diagnóstico sobre o buraco em que a nossa presidente e seus palhaços nos enfiaram.
    No final, a verdade é essa mesma: falta um político com bolas.
    A crise de testosterona é grave nesse país, como Olavo de Carvalho diz há tanto tempo.
    Abraço.
  • Ricardo  22/08/2013 12:41
    Excelente artigo Leandro! Gosto muito das suas explanações sobre a economia nacional.

    O triste é saber que nada disso será feito, muito pelo contrário.
  • amauri  22/08/2013 12:46
    Bom dia Leandro!
    Se o governo não tivesse mudado a direção, não teríamos problema?
  • Leandro  22/08/2013 14:49
    Ainda assim haveria o problema inerente a todos os ciclos de expansão do crédito: uma hora eles chegam ao fim, e a economia faz uma pausa.

    No entanto, é exatamente como o governo se comporta o que determina a duração desta pausa. Em 2003 ele agiu bem. Em 2009 também. Atualmente, ele está fazendo tudo errado. E, ironicamente, ele está agindo ao contrário de como agiu em 2003 e 2009. É isso que não está dando para entender.
  • Nilo BP  23/08/2013 13:25
    Quem diria que um dia sentiríamos saudades do Lula.
  • Mohamed Attcka Todomundo  25/08/2013 00:58
    eh pq ñ era o lula q governava. ja dilminha insiste q sabe dalguma coisa e q tem q mandar
  • Angelo T.  22/08/2013 13:09
    Como de costume, mais um texto muito bom do Leandro!
  • Lopes  22/08/2013 13:19
    Sem dúvidas um artigo extremamente poderoso.
    Já habituado a comentar sobre as desventuras da economia brasileira, você logrou tamanha clareza neste artigo em especial que esse é digno de lágrimas.

    É apenas lamentável que o Filósofo não virá para defender a indústria brasileira contra o maligno capital internacional, a globalização e o aumento no poder de compra dos cidadãos; ele estará ocupado fiscalizando diretamente as habilidades críticas de médicos cubanos quanto ao bem comum e ensinando aos jovens sobre os males do mais restrito livre-mercado possível no transporte coletivo de São Paulo.

    Este será, por hora, meu artigo de referência sobre quaisquer tópicos relacionados ao histórico cambial do Brasil. Apesar de triste, mal posso esperar pela próxima burrada a ser cometida(Há dúvidas que haverá uma próxima?) para que um novo artigo de tal magnitude venha.
  • cassiocan  22/08/2013 13:32
    Muito Bom artigo. Infelizmente a mentalidade da mídia de massa distorce os fatos e assim facilmente a massa é manipulada. Precisamos inverter certos valores que estão erroneamente enraizados em nossos políticos e economistas. Divulgar o trabalho do Mises é fundamental para mudanças. Parabéns.
  • Caio Rocha  22/08/2013 13:39
    Bom dia Leandro,

    Poderia me explica a seguinte afirmativa: "No final, para não assustar de vez os investidores estrangeiros e os organismos internacionais, o governo passou a maquiar suas contas públicas, transformando 'recebíveis a longo prazo' em 'receita imediata', e déficit em superávit".

    Obrigado e continue com o ótimo trabalho!!
  • Caio Rocha  22/08/2013 14:03
    Obrigado Leandro.
  • Ali Baba  22/08/2013 13:44
    @Lopes,

    Apesar de triste, mal posso esperar pela próxima burrada a ser cometida(Há dúvidas que haverá uma próxima?) para que um novo artigo de tal magnitude venha.

    É triste de fato. Eu nunca fui do time de torçer contra. Pelo contrário, quero que as pessoas de dêem bem e honestamente. Muita gente honesta vai sofrer pelas burradas dessa corja comandando a economia brasileira (e sem poder recorrer a secessão, fica ainda mais difícil).

    Atualmente, no entanto, venho me juntando aos que torçem contra (deve ser síndrome do palhaço, de ver o circo pegar fogo), nem que seja para ler mais excelentes artigos como o atual.
  • Caio Rocha  22/08/2013 14:13
    Penso exatamente como você, no entanto, quando a burrada seguinte ocorrer, o povo irá fazer exatamente isso: pedir mais intervenção do governo e colocar a culpa nas "empresas capitalistas exploradoras".

  • Ali Baba  22/08/2013 15:14
    @Caio Rocha,

    Nada mais natural com a doutrina esquerdopática dominando a cultura desse país há tanto tempo. Tudo o que ocorre de ruim é culpa dos mal-intencionados capitalistas. Tudo o que o governo faz é tentar salvar os pobres indefesos cidadãos de tão malévolos seres.

    Novamente: infelizmente.

    Ultimamente estou me deixando levar por devaneios. Em um dos mais graves, vejo muito mais pessoas do que aparecem aqui nos comentários lendo os artigos do IMB e se familiarizando com a EA. Vejo essas pessoas de forma descentralizada e conscientemente dizendo "não" aos desmandos e à doutrina esquerdopática. Vejo todas essas pessoas se negando a alimentar o Leviatã e sonegando impostos, boicotando eleições e estabelecendo serviços alternativos aos monopólios estatais. Vejo as pessoas transacionando com ouro ou com bitcoins e mandando às favas os Barões de Brasília.

    Acho que tenho de tomar meu remedinho agora...
  • Pupilo  22/08/2013 13:51
    De todas as intervenções que o estado faz... A da moeda é a mais maléfica. Excelente artigo. Uma moeda forte é sinal de prosperidade para a sociedade, como foi notado de 2007 a 2011. Pena que as ações do governo só foca a curto prazo, porém, prazo suficiente para se ganhar popularidade e se reelegerem. GOD BLESS US
  • Caio Rocha  22/08/2013 14:01
    Muito bom o texto.

    Alguns dias atrás eu estava discutindo sobre esse assunto com meus amigos comunistas e explicava todos esses números e tal. Simplismente ouvi a seguinte frase: " de números nós não entendemos nada e nem nos interessa, se isso tudo está ocorrendo é por causa do capitalismo e do consumismo gerado pelas propagandas das empresas capitalistas".

    O futuro é sombrio.
  • Caio Rocha  22/08/2013 14:14
    "Simplesmente".
  • Marcelo  22/08/2013 14:47
    Ótimo artigo, Leandro, como sempre. Parabéns!

    Fiquei com uma dúvida.

    "Sendo assim, uma segunda opção seria copiar descaradamente o estatuto do Bundesbank, adotando todos os seus métodos operacionais (cancelando as operações de mercado aberto e utilizando apenas a janela de redesconto, justamente o inverso de como opera hoje o BACEN)."

    De que forma isso ajudaria?
  • Leandro  22/08/2013 15:10
    Com a exceção do Fed, apenas o Banco Central brasileiro adota as operações de mercado aberto como principal instrumento de política monetária. O Banco Central Europeu, o Banco Central suíço, o Banco Central da Inglaterra, o Banco Central japonês, o Banco Central canadense, o Banco Central australiano e o Banco Central neozelandês (além, é claro, do antigo Bundesbank) utilizam a janela de redesconto e outros instrumentos como forma de política monetária, um mecanismo muito mais punitivo para os bancos e menos propenso a uma ampla expansão monetária.

    Basta dizer que mercado aberto (Brasil e EUA) é dar dinheiro para os bancos em troca de títulos públicos, ao passo que janela de redesconto é empréstimo. O primeiro mecanismo é inevitavelmente inflacionista; o segundo é bem mais contido. O primeiro estimula explicitamente os bancos a financiar os déficits dos governos (basta comprarem os títulos do governo e revenderem estes títulos ao Banco Central, lucrando com uma eventual diferença de preços); já o segundo é mais discreto e menos direto neste aspecto (os títulos comprados pelos bancos são utilizados como colateral para obterem empréstimos junto ao BC, empréstimos que devem ser quitados).

    Não é à toa que os países que adotam o redesconto podem se dar ao luxo de ter compulsórios menores. Ao passo que o Fed (que adota mercado aberto) trabalha com um compulsório de 10%, o BC suíço impõe apenas 2,5%, ao passo que os BCs do Canadá, da Austrália e da Nova Zelandia sequer estipulam compulsórios -- e ainda assim têm uma inflação de preços muito baixa.

    Ou seja, a adoção deste mecanismo seria uma clara sinalização rumo a uma política monetária menos inflacionista.

    Expliquei isso em mais detalhes neste artigo.

    Grande abraço!
  • Emerson Luís, um Psicólogo  22/08/2013 15:03
    Curiosamente, durante a campanha de reeleição do FHC se dizia que, caso Lula fosse eleito, o petista acabaria com o Plano Real e este dizia que não era verdade.

    Na medida em que a situação econômica piorar, o governo vai sim tomar medidas. Mas provavelmente serão medidas errôneas, guiadas pela ideologia esquerdista. Eles farão tudo para que a crise exploda só depois das eleições.

    Será necessário uma recessão para que o PT saia da presidência? Será este o preço que os brasileiros pagarão por escolherem mal seus líderes?

    * * *
  • FGB  22/08/2013 15:47
    Leandro, postei seu artigo num fórum sobre economia que participo e fiz o seguinte comentário sobre a questão envolvendo a desindustrialização dos setores não-protegidos pelo governo e a taxa de câmbio:

    "O problema da indústria com o câmbio tem uma clara origem na ação protecionista seletiva do governo.

    O governo cria enormes barreiras de proteção para alguns setores, como o da indústria automobilística e o dos equipamentos de telecomunicações, e deixa os demais setores 'desprotegidos'. Isso faz com que as divisas em dólar se concentrem inteiramente na importação desses produtos que sofrem com barreiras comerciais menores, o que diminui a margem de retorno desses setores em relação aos demais.

    Caso não houvesse barreiras comerciais, as divisas em dólar se concentrariam na importação daqueles produtos cuja fabricação nacional é menos eficiente em comparação com o exterior, como é o caso do setor automobilístico.

    Eu discordo porém, em princípio, da visão do Leandro Roque de que podemos ter uma moeda forte. Nós só podemos ter uma moeda forte em época de bons preços e forte demanda por commodities. O Brasil não produz praticamente nada de forma eficiente, então não somos capazes de oferecer ao mundo produtos em troca de dólares; logo, estamos fadados a ver nossa moeda se fortalecer em épocas de maior demanda por commodities e se esfarelar quando essa demanda arrefece.

    A Alemanha e o Japão possuem moeda forte por oferecem ao mundo uma enorme variedade e quantidade de produtos de fabricação eficiente. Esse não é, e não será por muito tempo, o nosso caso."
    www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=106395630&posted=1#post106395630


    O que você acha sobre essa minha posição? Que fique claro que não estou atacando o fato de sermos exportadores de commodities, mas sim o fato de não termos capacidade de diversificar nossa pauta de exportações, o que nos garantiria um fluxo maior e mais estável de divisas.
  • Leandro  22/08/2013 16:12
    "Nós só podemos ter uma moeda forte em época de bons preços e forte demanda por commodities. O Brasil não produz praticamente nada de forma eficiente, então não somos capazes de oferecer ao mundo produtos em troca de dólares".

    Embora a frase seja em si correta, a conclusão a que ela leva é errada. E por dois motivos:

    1) Exportação não é a única maneira se obter divisas. Investimentos estrangeiros diretos e demais fluxos de dólares (seja para compra de ações na bolsa ou de debêntures de empresas) também são cruciais para a obtenção de divisas. Ainda mais importante do que exportar, é criar um clima econômico estável e de ampla seguridade jurídica para os investidores estrangeiros, de modo que eles tragam para cá suas divisas. E o governo atual só faz escorraçar os investidores estrangeiros com suas políticas de fixação de taxa de retorno e de imposição de taxas (como IOF) sobre a entrada de dólares

    2) Como dito no artigo, no longo prazo, o que determina o câmbio não é o fluxo de divisas, mas sim o poder de compra da moeda. Se o país seguir uma política monetária sólida e austera, de modo que seus preços subam menos que os preços do resto do mundo, sua moeda será forte.

    "A Alemanha e o Japão possuem moeda forte por oferecem ao mundo uma enorme variedade e quantidade de produtos de fabricação eficiente. Esse não é, e não será por muito tempo, o nosso caso."

    Não. Ambos os países possuem moedas forte porque apresentam uma política monetária austera, com baixíssima inflação de preços.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1613
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=735
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=894

    Grande abraço!
  • FGB  22/08/2013 16:34
    Obrigado pela resposta. Mas me permita contra-argumentar:

    1) Concordo que o fluxo de capitais é uma maneira de se obter divisas, mas no longo prazo esses capitais precisam retornar ao meio externo, pois o investidor remete parte do lucro a sua matriz. Logo, o fluxo de capitais não é uma fonte estável de recursos para o Brasil, pois o incremento na produção que ele gera no país é totalmente consumido internamente, já que o peso do governo e nossa infraestrutura caótica impede que nossos produtos sejam competitivos lá fora. Vide o mercado automobilístico, que tem enorme investimento externo, mas gera poucas divisas com exportações.

    2) Mas o que seria uma moeda forte? Seria uma moeda que representa uma economia real forte, com produção forte. Eu só posso comprar produtos no meio externo se o meio externo tiver interesse em comprar os produtos que eu produzo. Meu país pode estar há 10 anos com inflação zero que se eu não tiver o que vender para os outros países minha moeda não valerá nada do mesmo jeito.
  • Leandro  22/08/2013 17:46
    1) Aqui você está tratando a economia como algo estático, e não como algo dinâmico. Você está abordando o fluxo de capital e os investimentos estrangeiros como se ambos fossem algo que ocorressem de uma só vez, e não como algo contínuo. Sim, parte do dinheiro que aqui é investido é remetido de volta para as matrizes. Mas isso não finaliza o ciclo. Assim como uma empresa estrangeira investiu aqui mês passado, várias outras podem decidir fazer o mesmo nos próximos meses, garantindo uma entrada contínua de capital estrangeiro. O dólar que entrou aqui e voltou para os EUA na forma de remissão de lucros pode perfeitamente voltar de novo no próximo mês, agora nas mãos de outra empresa que decidiu aqui investir.

    Ou seja, como o próprio nome diz, trata-se de um "fluxo". Daí a importância de se ter uma economia sólida e atraente para essas pessoas.

    2) De novo, tal raciocínio não procede. Se você tiver uma moeda conversível e pouco inflacionada, ela será naturalmente demandada, nem que seja como hedge inflacionário. Se a isso você conjugar uma economia que trate bem o capital estrangeiro e que dê garantias jurídicas aos investimentos estrangeiros, você terá uma moeda forte, mesmo sem fazer grandes exportações. É claro que tal arranjo é difícil, pois ele não é muito popular em termos eleitorais. Mas em termos puramente econômicos ele é viável.

    Faz umas três décadas que o pessoal fala que os déficits comerciais americanos irão acabar com o dólar. Coisa típica de quem não entende teoria econômica.

    Recomendo este artigo:

    O que um país deve fazer para substituir o dólar como moeda de reserva mundial

    Abraços!
  • Jarbas Machioni  22/09/2013 13:53
    A questão da moeda forte, e suas consequências , principalmente para o bem estar do povo , são muito bem e expostas no texto . O resultado é visível politicamente com bolsa família e nova "classe média" da governo do PT . Mas com o quadro atual , Dilma arrisca a reeleição e a permanência deles no poder .
    Do ponto de vista econômico me parece que a preocupação do procede , como exportador de commodities , com a histórica flutuação delas, é muito difícil manter a moeda forte .
  • Rafael Franca  23/08/2013 12:47
    FGB, se tivéssemos uma moeda forte, que fosse confiável tal qual o ouro, isso já seria um produto forte!
  • Daniel  22/08/2013 17:17
    Excelente texto. Uma questão política me deixou intrigado, referente a passagem: "com a saída de Palocci e a nomeação de Guido Mantega para Ministro da Fazenda, a confiança se manteve."

    Se antes, o Mantega conseguiu dar conta do recado, porque agora ele vem falhando consistentemente? O que explicaria essa mudança tão repentina do sucesso ao fracasso?
  • Leandro  22/08/2013 17:59
    Porque antes havia Meirelles no BC, um cara que fez sua carreira no setor privado, que entendia das coisas e que passava confiança; hoje há um tal de Tombini, que sempre foi burocrata e que não impõe respeito nenhum.

    Antes, Mantega era mais contido e mais submisso ao BC; hoje, ele é o real presidente do BC e czar da economia.

    Antes, o pessoal estava deslumbrado com o Brasil (veja aqui); hoje, a ficha já caiu.
  • Bruno D  22/08/2013 17:20
    "Tombini sentiu na pele o quanto a sua credibilidade e a de toda a diretoria do BC está no chão. Na semana passada, ele se reuniu, a portas fechadas, em São Paulo, com mais de uma centena de empresários e tomou uma sova."

    Como eu queria ver isso...
  • Dw  22/08/2013 17:57
    Uma coisa eu digo com conhecimento de causa: Do professor de História ao diretor de empresa, todos as pessoas que conheci/convivi são comunistas/fascistas. Nunca conheci pessoalmente, alguém genuinamente libertário. Na empresa em que trabalho, sou visto como radical/ignorante, apesar de defender conceitos como valorização da moeda, e desregulamentação estatal. Acho que vou ter que ficar na minha, mesmo sabendo que os 99% da população estão errados..
  • Jeferson  22/08/2013 17:58
    O que eu mais gosto dos artigos do Leandro, é que eu posso recomendá-los sem restrição a quem não tem nenhum conhecimento das teorias da EEA, logo, não é sequer um simpatizante do libertarianismo (Aliás, muitas vezes nem conhece a idéia de que o estado não deveria existir). Essas pessoas não se chocam, justamente devido ao pragmatismo bem identificado pelo colega Maurício Barbosa, e pelo pouco radicalismo ideológico em seu conteúdo (mesmo que alguns ainda pareçam radicais pra maioria das pessoas que ainda sofrem com os efeitos da lavagem cerebral ideológica feita em nossas escolas).

    Como se isso fosse pouco, os artigos ainda são focados na realidade econômica brasileira. Graças a eles eu já atraí diversos leitores ao IMB, alguns leram um ou dois artigos, outros se tornaram leitores assíduos. Excelente trabalho, Leandro!
  • Leandro  22/08/2013 18:05
    Muito obrigado pelas palavras e pelo reconhecimento, Jeferson.

    Grande abraço!
  • Tano  22/08/2013 17:59
    Concordo com o artigo. Mas acho que só se pode defender uma moeda forte se antes o Brasil faz reformas urgentes... como a Reforma do Trabalho e Reforma Fiscal. Também deve investir muito em educacao, já que a forma de concorrer com o mundo é por preco ou por qualidade. Por preco nao concorremos mais com a China (moeda e salarios muito baratos), com qualidade nao concorremos com a Alemanha (tecnología, educacao).. temos que escolher uma opcao, deve ser a segunda, mas para isso temos que investir em educacao. Tem muitas pessoas que nao conseguem nem reter um trabalho por salairo mínimo!!

    Reforma Fiscal e do Trabalho: Sem elas nunca vamos concorrer com outros paises...
    Contratar é muito caro! Produzir é muito caro, muitos impostos... logistica ruim. Sai mais barato um frete da Holanda até o Brasil do que uma carreta aberta (sem refrigeracao nem nada) desde Santos até o Interior paulista!!! (so para Informacao, um frete de Holanda a Santos custa mais ou menos 1.100 euros!)

    E estou falando do BASICO a ser feito...
  • Leandro  22/08/2013 18:10
    Prezado Tano, eis um resumo do seu argumento:

    1) O mercado de trabalho é regulado, as empresas pagam muitos impostos e a população como um todo é inculta;

    2) Nossos produtos não são dos melhores, por causa de todos os elementos citados no item 1);

    3) Portanto, precisamos de uma moeda fraca que retirr continuamente o poder de compra do cidadão, pois isso irá, miraculosamente, aliviar um pouco o fardo do governo sobre as indústrias e sobre o mercado de trabalho.

    Faz sentido?

    No mais, não é necessário ter essa sua preocupação. Um país que apresente estas características que você corretamente listou não tem o menor perigo de ter uma moeda forte.

    Abraços!
  • Tano  23/08/2013 19:14
    Ok, respeito a sua opiniao, mas acho que está errada.

    O Brasil valorizou sua moeda por dois motivos: Fluxo de capital extrangeiro positivo por causa dos baixos juros americanos e altos juros no Brasil, e superavit comercial, especialmente por causa do aumento do preco dos comodities.

    O valor da moeda também é regulada pela oferta e demanda!

    O que estava acontecendo com o Brasil com a Moeda forte? A balanca comercial estava cada vez mais negativa, e o motivo é porque so conseguiamos vender ao exterior as commodities, e cada vez mais o Brasil estava comprando tudo o que é industrializado de fora. A industria Brasileira sobrevive por causa que é proibido (ou sumamente taxado) trazer certas coisas de fora..

    O que voce acha que ia acontecer quando os commodities baixem de preco?? Ou o fluxo de capital mude, como está mudando??? é normal!!

    Nao pense que acho bom estar fechado ou ter moeda fraca... Acho muito ruim.

    Acho que a única forma de ter uma economia com moeda forte, é como fazem os alemaes, produzem alta tecnologia, tem uma legislacao laboral mais flexivel, e nao exportam impostos!

    Nao acho que o Brasil tenha que ter uma moeda fraca, e sim uma moeda de equilibrio de longro praco, coisa que nao estava acontecendo com o real a 1,80!
  • Leandro  23/08/2013 21:22
    Primeiro você diz que estava havendo "superavit comercial, especialmente por causa do aumento do preço dos comodities". Logo em seguida, diz que "a balança comercial estava cada vez mais negativa". Você se contradisse totalmente em menos de dois parágrafos.

    A balança comercial foi amplamente positiva durante todo o período 2004-2011. Pode conferir aqui, assim como o desempenho da indústria. Verifique o básico antes de repetir os mesmos chavões da imprensa.
  • Tano  26/08/2013 13:55
    O correto deveria ter dito, "a Balanca comercial estava cada vez menos positiva, com tendencia a ficar negativa".

    O que nao concordo é que a moeda forte tem que ser um objetivo "per se" no pais. Acho que é o resultado de outras politicas e condicoes da sociedade.
  • Andre  26/08/2013 18:48
    "O que nao concordo é que a moeda forte tem que ser um objetivo "per se" no pais. Acho que é o resultado de outras politicas e condicoes da sociedade."

    Moeda forte é o resultado direto do governo não ficar criando dinheiro do nada.
    Moeda forte não é "resultado de outras politicas e condicoes da sociedade".
    Simples assim.
  • anônimo  26/08/2013 18:58
    Acho que o Tano não entendeu o que é uma moeda forte e, ainda, chegou a uma conclusão equivoca quanto ao texto e comentários.
  • Valmir  22/08/2013 18:15
    Quanto mais trabalho e junto dinheiro na poupança mais vejo quão retardado sou.

    To ficando esperto agora, espero me proteger contra essas lambanças no futuro, para que eu não perca dinheiro com uma desvalorização monstruosa dessa. Minha ideia de mudar para a Irlanda após acabar a faculdade já não é tão viável mais, por enquanto. Como eu queria voltar no tempo e me proteger disso. Com alguns minutos eu protegeria meses de ganhos acumulados que viraram pó.
  • Leandro  22/08/2013 18:25
    No início de 1995, 1 grama de ouro custava R$10. Ontem, esse mesmo grama valia R$107,50. Uma valorização de 975%.

    Ou, colocando de outra forma, o real perdeu mais de 90% de seu poder de compra em relação ao ouro em apenas 18 anos.
  • FeroBHZ  22/08/2013 19:11
    Apreendi muito com o texto. Parabéns.
  • zanforlin  22/08/2013 19:32

    Meu caro Leandro:

    Não pretendo chover no molhado para elogiar seus textos e, sobretudo, a implacável lógica argumentativa em que são vazados, de um entelaçamento que lembra os contrapontos da música de JS Bach...(acabei elogiando).

    Agora, o texto suscitou-me uma questão, paralela à sua exposição da plena conversibilidade do real. É que essa plena conversibilidade me parece algo incompatível com cabrestos tributários que impedem o cidadão de adquirir produtos no mercado internacional; dito de outra forma, posso converter meus reais, mas não adquirirei mercadorias por seu valor de oferta, mas acrescidos da "parte do leão". Assim, a aduana "neutraliza" a utilidade pragmática de livre conversibilidade, no particular aspecto do comércio.

    Agraço,
    jcz








  • Leandro  22/08/2013 19:50
    Perfeita colocação, meu caro Zanforlin. De fato, para onde quer que se olhe, lá está a Receita Federal, atrapalhando e encarecendo tudo. Parodiando o menino paranormal do filme O Sexto Sentido,

    - Vejo agentes da Receita.
    - Onde?
    - Em todos os cantos.

    Para tornar a conversibilidade plenamente efetiva, tais impostos realmente teriam de ser abolidos -- ou, no mínimo, substancialmente reduzidos. Cadê o político com tamanha testosterona?

    Grande abraço!
  • anônimo  22/08/2013 20:00
    O Real não foi moeda forte, apenas teve valorização relativa devido a situação no exterior.
    Os juros baixos no resto do mundo teve o efeito inverso das crises até então sofridas pelo @#$%$#@ fhc. Foi deste ambiente que o pé-de-cana se beneficiou, porém não se pode afirmar que o Real estava forte, não estava até pode-se perceber que moeda forte implica em boas condiçõers para investimento com segurança e a alta taxa de juros brasileira em relação ao resto do mundo bem o demaonstrava que o real estava fraco, embora estivesse pagando bem pelo risco da sua fraqueza.
    O mercado de opções (cassino desavergonhado) muito contribuiu para que moeda não entrasse rasgando o mercado e os governos ainda arrecadarm impostos sobre "lucro não sacado" e assim a arrecadação subiu escorada em expectativas e não em produção.
    ...JUNTE-SE A ISSO a China, com sua mão de obra escrava, oferecendo produtos ao mundo em quantidade e sobretudo bancando a gastança de governos. Claro que a inflação foi segura por barbantes. Ocorre que a arrecadação em cima de "ganhos" em investimentos no mercado futuro (ganhos desde que não sacados) ajudou a não haver uma derrama de liquidez.

    Enfim, foram bolhas cheias de ar e os investimentos numa China com mão de obra escrava onde se produzia, e produz, em infraestrutura precária (de baixissimo custo - daí investimentos co rápido e grande retorno) que ajudou os governos a sustentarem-se. Não por acaso os investidores na China SOCIALISTA são capitalistas do primeiro mundo com bons contatos com os Senhores da China.

    Claro que agora poderão fazer emissões sem uma explosão imediata de preços, já que há de fato pouquissima poupança disponível (sobretudo pq enxugada nos "ganhos" não sacados. Assim, os credores não tem como receber e daí não há tanta liquidez.
  • Leandro  22/08/2013 20:14
    Foi por isso que tive o cuidado de escrever a seguinte frase no artigo:

    "Os brasileiros vivenciaram algo vagamente semelhante a uma moeda forte nos períodos 1994-1998 e 2007-2011."

    E ainda coloquei a ênfase em "vagamente semelhante". Mas a sensação de maior enriquecimento -- por causa de um maior poder de compra -- foi real.

    Abraços!
  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  22/08/2013 20:04
    Leandro, parabéns pelo excelente, instrutivo e bem construido artigo. Muito interessante a sua solução second best para a derrocada econômica em que o Brasil se encontra: adoção de um estatuto estilo do Bundesbank para o Bacen , mais conversibilidade. A adoção de um estatuto desse tipo para o Bacen parece ser semelhante à recomendação feita por Robert Barro para que se adote uma espécie de Constituição Monetária pelos Bancos Centrais, como meio de dar estabilidade à moeda. Mas, pergunto: caso se adotasse apenas esse estatuto monetário sem se adotar a plena conversibilidade da moeda, quais seriam as implicações disso? Seria uma espécie de solução manca, ou a adoção do estatuto, por si só, já teria poder de conferir estabilidade à moeda, caso fosse estritamente respeitado?

    Grato pela atenção
  • Leandro  22/08/2013 20:27
    Já seria um grande avanço, mas seria um avanço incompleto. A inflação monetária poderia ser reduzida, mas a necessária demanda estrangeira pela moeda nacional ficaria aquém do potencial, o que, por conseguinte, não estimularia os investimentos estrangeiros tanto quanto possível e não atrairia o fluxo de capitais em todo o seu potencial. Investidor quer facilidade para comprar e vender uma moeda; ele não quer ter de enfrentar burocracia e tributação neste processo.

    Como eu sei que não causa impacto nenhum ficar citando a Suíça e seu franco suíço como exemplo (cujo câmbio foi de 3,88 francos por dólar em 1972 para 0,92 franco por dólar atualmente), vou deixar aqui o exemplo da Bulgária (a Bulgária!), cujo lev é conversível. Veja a variação da sua taxa de câmbio em relação ao dólar desde 2011, e compare com a do Brasil.

    Grande abraço!
  • anônimo  22/08/2013 20:08
    A situação do braziu é péssima, esta mal se equilibrando no fio da navalha que já vai "cortanto a sapatilha e já já vai cortar a na carne mesmo.
    As tais reservas são uma fantasia, pois que não tão próprias e podem evaporar rapidamente.
    A infrestrutura e as condiç?es para investimento, sobretudo segurança juridica e estabilidade legal, são pífias. Portanto dificilmente o braziu continuará sendo atraente mesmo que comece aumentar seu pagamento pelo risco. O braziu esteve sempre nas ultimas opções do investidor decente que quer criar, trabalhar, investir e produzir. É notório que por aqui nada é seguro e que as autoridades cientes de uma população com grandes trazeiros flácidos não hesitam em imporem qualquer canalhice por mais absurda que seja. ...o braziu só se pode comparar com paisecos de M* como Coréia do norte, Cuba e alguns sub paises africanos onde os governantes são imperadores e a população apenas o rebanho destes.
  • marcos  22/08/2013 22:06
    Leandro, bom texto, mas e o Currency Board na Argentina? Funcionou por um bom tempo, mas depois a moeda artificialmente valorizada (e economia com baixa produtividade) arregaçou a economia e a saída do Currency Board arregaçou ao cubo. Não se esqueça do efeito multiplicador. USD 370 bi de reservas não são R$ 925 bi de real apenas...

    Minha sugestão: let it flow
  • Leandro  22/08/2013 22:35
    Prezado Marcos, sua análise sobre a Argentina está extremamente equivocada -- para não dizer de um simplismo pavoroso --, inclusive sobre a moeda estar "sobrevalorizada". Afinal, qual moeda sobrevalorizada consegue mais do que duplicar as exportações?

    Peço-lhe a bondade de ler este artigo, que explica as reais causas do colapso argentino:

    Cambalache - a história do colapso econômico da Argentina

    Abraços!
  • marcos  22/08/2013 23:25
    Leandro, naquele seu artigo:

    "(...)Ambas essas medidas eram totalmente contrárias ao funcionamento de um regime de conversibilidade e à ortodoxia de um Currency Board. As medidas de Cavallo deixaram óbvio que o governo estava totalmente propenso a alterar o regime de conversibilidade"

    Cavallo nao acordou um dia e falou: "acho que vou alterar o CB". Ele foi forçado a isso. CB se tornou insustentável e por isso ruiu. E nao o oposto: mexeram no CB e aih sim ele se desfacelou

    Concordo que o CB tem o grande mérito de tolher as estripulias fiscais dos governos, uma das características mais nocivas (e inerentes) de praticamente qquer Estado no planeta. Analogamente o Padrão Ouro tbém tem seu mérito por esse prisma.

    Mas como voce bem descreve no artigo, recessão na Argentina foi ficando cada vez mais severa, sendo golpeada pelas inumeras crises a partir da do Mexico. Sem ter a moeda como colchão, a variavel de ajuste foi somente via juros (encarecendo ainda mais o serviço da dívida até seu eventual default)

    Alguem pode dizer, "ah, mas os caras nao fizeram um ajuste fiscal parrudo"

    Obvio que poderiam ter feitos mais.

    Só que chegarem até a diminuir, alem de salarios, APOSENTADORIAS, nominalmente! Um feito político. Alguém consegue imaginar isso no Brasil?

    "Economy Minister Domingo Cavallo announced salary and pension cuts for government employees. Cabinet chief Chrystian Colombo said monthly salaries and pensions for public officials earning more than $200 would be cut between 8% and 10%."
    www.rte.ie/news/business/2001/0712/16841-argentina/

    Chegou a hora em que politicamente era melhor dar totó no "grande capital" do que continuar como o torniquete do CB. Estavam que nem peixe fora d'agua. Se debatendo a esmo, nao sabendo para que lado ir, mas claramente como tava não deu para segurar.

    O que voce teria recomendado ao Cavallo, cortar salarios e aposentadorias em 30, 40%

    Ps. Sobre aumento das exportações no período. País firma novos acordos (inclusive com Brasil) e corrente de comercio cresce. Nossas exportações tbem subiram qdo tinhamos cambio fixo.

    Abs
  • Leandro  22/08/2013 23:29
    Prezados Marcos, não entendi o seu ponto, pois o seu raciocínio foi contraditório.

    Primeiro você diz, erroneamente (negligenciando toda a sequência de acontecimentos), que Cavallo "foi forçado a isso a altear o CB", pois "o CB se tornou insustentável e por isso ruiu."

    Errado. O CB em momento algum se tornou insustentável. As finanças do governo é que se tornaram insustentáveis. Em vez de fazerem ajuste fiscal, preferiram abolir o CB para voltar a inflacionar livremente. Ora, convenhamos: se os políticos decidiram abolir o CB porque o CB estava restringindo sua gastança, então não faz nenhum sentido dizer que isso representou um colapso do CB, e que ele estava "insustentável". Insustentável estavam as finanças do governo.

    E você parece que sabe disso, pois logo em seguida disse, muito corretamente, que havia chegado "a hora em que politicamente era melhor dar totó no "grande capital" do que continuar com o torniquete do CB. Estavam que nem peixe fora d'agua. Se debatendo a esmo, nao sabendo para que lado ir, mas claramente como tava não deu para segurar."

    Correto. Óbvio. E inevitável. CB não combina com devassidão fiscal. Se um país for fiscalmente devasso tendo um CB, sua economia emperrará.

    Hong Kong, Bulgária, Estônia e Lituânia sabem disso, e exatamente por isso suas finanças são exemplares. (Além destes países, vários outros pequenos também mantêm CBs, como as Ilhas Falkland, Maurícia, Santa Helena etc.)

    Hong Kong opera um CB desde 1985; a Bulgária, desde 1997; a Estônia teve um de 1994 a 2011, quando foi direto para o euro, que até então lastreava sua moeda (a relação dívida/PIB da Estônia não chega nem a 10%!); e a Lituânia tem Banco Central que funciona como se fosse um CB.

    Sim, um CB, assim como um padrão-ouro, restringe governos e pune os gastadores. Tal mecanismo de punição não é um defeito seu; é a sua própria virtude.

    Abraços!

    P.S.: apenas lembrando que não havia opção para a Argentina. Quando um país subdesenvolvido está vivenciando uma hiperinflação, ele não tem muita escolha. O mercado não acredita que o seu BC irá repentinamente adotar uma política monetária austera. Exatamente por isso, há apenas dois recursos para se sair de uma hiperinflação: Currency Board (que é um câmbio literalmente fixo) ou câmbio atrelado, que é diferente de câmbio fixo e totalmente insustentável. Nenhum regime de câmbio atrelado durou. Isso valeu tanto na Europa, quanto na América Latina, quanto no Sudeste Asiático.

    Sobre isso, recomendo:

    Um pequeno histórico das políticas monetárias do real - e por que estamos em uma sinuca de bico
  • marcos  22/08/2013 23:35
    "As finanças do governo é que se tornaram insustentáveis."

    Concordo com voce. Mas como resolver isso?

    Ja mostrei que tiveram a panca de reduzir em 10% salarios e aposentadorias

    Qual a sua solução? Reduzir em mais 20, 30, 40%? Ou aumentar imposto?

  • Leandro  22/08/2013 23:48
    Bom, uma vez que você concordou que o problema está nas finanças, então o assunto está resolvido. Sim, tem de cortar gastos. Não tem outra solução mágica. Por que isso é tão chocante assim?

    Agora, se políticos e funças não vão aceitar isso, então aí é problema deles, e não do regime monetário. Eles que assumam as consequências de seus atos irresponsáveis. Temos de parar com essa mania de achar que essa gente é intocável e que pedir sacrifícios deles é um pecado mortal. O pessoal quer viver na delícia, mas não quer trabalhar e se sacrificar para isso.

    P.S.1: reduzir salários e aposentadorias em uma economia que está vivenciando uma deflação de preços, como era o caso da Argentina, é muito menos doloroso do que você está fazendo parecer.

    P.S.2: Grécia e Portugal fizeram cortes no setor público. Ao que me consta, ambos os países continuam existindo. E o que é melhor: sua população não teve sua poupança dizimada por uma hiperinflação, que é o que ocorreria caso saíssem do euro. E que foi o que aconteceu com a Argentina.
  • marcos  23/08/2013 10:30
    Dizer que o CB nao deu certo pq "resolveram" mexer nele, equivale a dizer que a deval de 1999 do Real aconteceu pq o Chico Lopes "resolveu" alterar a politica cambial e implantar a banda diagonal endógena
  • Leandro  23/08/2013 11:15
    Errado, Marcos.

    Existem três regimes cambiais. Câmbio fixo (só possível com um Currency Board), câmbio atrelado e câmbio flutuante.

    O regime cambial que foi abolido no início de 1999 no Brasil foi o do "câmbio atrelado", o qual, dentre os três, é o único totalmente instável e insustentável, pois ele é um regime contraditório. Todos os países que o adotaram (na América Latina, no Sudeste Asiático e na Europa) enfrentaram severas crises. A insustentabilidade do regime de câmbio atrelado foi explicada em profundos detalhes neste artigo.

    Deixe de ideologia boba e atente-se à lógica econômica. Não seja impermeável à teoria.

    Abraços!
  • marcos  26/08/2013 01:43
    Vc esta certo. E por aih vemos o "merito" do currency board na Argentina. Foi o ultimo a cair.
  • Leandro  26/08/2013 02:18
    Não entendi bem o sentido de "o último a cair". Todos os Currency Boards dos países supracitados continuam plenamente operantes, mesmo que vários ainda em uma forma não totalmente ortodoxa (o que aumenta um pouco sua instabilidade). Ainda assim, eles seguem firmes.
  • Yonatan Mozzini  17/10/2014 13:37
    Leandro, não quero ser impertinente nem querer desfazer tua argumentação, mas algo tem que ser esclarecido: um dos fortes motivos de haver dobrado as exportações da Argentina nesse gráfico linkado foi o fato do Brasil -- que é o principal parceiro comercial da Argentina -- ter adotado o real e ter mantido o câmbio atrelado, fazendo com que as exportações argentinas crescessem a despeito do peso valorizado, visto que o real também tornou-se bastante valorizado.
    Tanto é que o 'pulo' no gráfico se dá justamente na metade de 1994 e permanece alto, tendo seu pico mais elevado em meados de 1998. Em 1999, quando o Brasil adotou o câmbio flutuante, observa-se uma significativa queda nas exportações argentinas.
  • Leandro  17/10/2014 15:50
    Sim, mas isso não prova e nem refuta nada. A única conclusão é que a adoção do real acrescentou mais um país à lista de importadores da Argentina. E só.

    Veja bem: segundo os intervencionistas, um câmbio mais valorizado afeta as exportações. Então, por essa lógica, a Argentina, após ter adotado a paridade em 1991, deveria ter vivenciado uma forte queda em suas exportações. No entanto, esse gráfico mostra que isso não ocorreu em nenhum momento. Após 1991, a exportações continuaram as mesmas que antes.

    A partir de 1995, com o Brasil adotando o real, a Argentina aumenta suas exportações, é verdade. Mas a teoria intervencionista diz que era para as exportações terem caído após 1991. E isso não ocorreu em nenhum momento.

    De resto, fenômeno semelhante ocorreu no Brasil. De 2003 a 2011, o pais vivenciou um boom em suas exportações. Ao mesmo tempo, o dólar caiu de R$ 3,50 para R$1,56. Era para as exportações terem despencado; mas elas só subiram. Já hoje, com o real na privada,mas exportações estagnaram. Eram pra estar bombando segundo os intervencionistas.
  • Neto  22/08/2013 22:12
    Tive o privilégio de escutar dois desses presidentes de empresa que se reuniram, com a presença do Tombini, na semana passada (foi uma reunião de, se não me engano, 104 CEOs de algumas das maiores companhias brasileiras).
    A percepção deles é de que estamos em crise, eles não acreditam nos números do governo e estão bem pessimistas.
    Se esses caras, que tem acesso a muito mais informação que nós, estão preocupados, então temos sim que nos preparar, e já, para essa situação.
    Abraços
  • Ali Baba  27/08/2013 11:00
    @Neto,

    Sim, estamos em crise. Anunciada e previsível... era soh ter acompanhado o IMB. Essa crise está anunciada há meses!

    Agora pare de seguir o que esses 104 CEOs das maiores companhias brasileiras dizem e pensam. Eles vão fazer o que for melhor para eles. E essas companhias (com muitíssimo poucas excessões) são as preferidas do governos. Essa reunião foi do rei com seus amigos. O que essa gente faz dificilmente é bom para o restante de nós.

    Vou fazer uma pequena previsão do que está por vir: (1) aumento dos juros; (2) aumento dos impostos e contribuições; (3) absurdo aumento no já bastante inchado protecionismo; (4) aumento dos concursos públicos e da folha do governo; (5) manutenção e ou aumento do fator previdenciário (isso nunca vai acabar!); (6) pequenos cortes isolados na estrutura do governo que geram grandes manchetes como se fossem resolver o problema; (7) aumento da inflação; (8) aumento do desemprego; (9) aprofundamento da crise com a retomada de imóveis financiados e inadimplentes.

    Quem quiser contratar a minha bola de cristal, me contate pelo alibaba@mailinator.com
  • Neto  27/08/2013 15:46
    Seguir é um pouco forte, e eu não sigo ninguém. Prefira manter minha independência de ideias.
    Agora eu seria burro se não ouvisse o que esse público tem para falar. Basta ter capacidade para discernir o que é útil e o que não é.
    E a minha percepção é que eles são, pelo menos, francos, diferentemente do governo.
    Não vão investir, apontam a crise, não apostam no governo atual, etc
    Enquanto o governo aposta num crescimento do PIB de 3%, eles não apostam nem em 2%, para esse ano. Só como exemplo.
    Então não existe esse alinhamento com o governo, pelo contrário, eles estão esperando acabar esse governo para então pensar numa atuação de longo prazo.
    Tentar fazer previsão, para um empresário, é necessário. Planejamento é isso. Como o cenário não permite fazer previsões, por conta da inflação e das intervenções constantes do governo, então eles se recusam a planejar. Nada de investimentos.

    Então, o que eu fiz, foi compartilhar. Eu não dei minha opinião.
    Dizer que "basta acompanhar o Mises" é bastante ingenuidade.
  • Julio Cesar  23/08/2013 00:34
    O leandro, o dólar a 2,40 hoje é mais valorizado do que 1995 a 1, sabe o que o Japão,Suíça e Alemanha da decada de 90 tem em comum, eles tiveram a decada perdida com crescimento muito baixo na casa de 1 porcento de media durante toda decada de 90 sendo que somente a Alemanha se recuperou um pouco a partir do euro.
  • Leandro  23/08/2013 01:22
    "o dólar a 2,40 hoje é mais valorizado do que 1995 a 1"

    Gostei dessa mágica. Um câmbio flutuante em uma economia parada e que está vivenciando uma saída de dólares consegue ser mais valorizado que um câmbio artificialmente atrelado ao dólar por meio de altos juros (na casa dos 30%) para continuar atraindo dólares. Câmbio este que, quando foi "solto", imediatamente saltou de R$1,20 para R$2,00.

    Sim, mais valorizado hoje...

    "sabe o que o Japão,Suíça e Alemanha da decada de 90 tem em comum, eles tiveram a decada perdida com crescimento muito baixo na casa de 1 porcento de media durante toda decada de 90 sendo que somente a Alemanha se recuperou um pouco a partir do euro."

    Suíça e Alemanha tiveram década perdida? Já avisou pra eles? Eles não estão sabendo disso. Sugiro que você urgentemente anuncie ao mundo que inventou um parâmetro próprio de definição de riqueza econômica, e corra para avisar para os alemães e suíços que eles empobreceram enquanto que nós brasileiros, com nossa potência monetária, é que somos a inveja do mundo.

    Sobre o Japão, lamento, mas isso de década perdida foi algo bastante exagerado.

    P.S.: PIB de 1% ao ano, para países que já são ricos, está longe de ser um resultado ruim. País pobre é que apresenta PIBs altos, pois, justamente por serem pobres, partem de uma base menor.

    P.S.2: O artigo enfatizou duas vezes: moeda forte é essencial, mas não é tudo. Mercados regulados e gastos e déficits governamentais afetam sobremaneira o desempenho de uma economia. A moeda sozinha não faz milagre nenhum.
  • Bright  23/08/2013 01:06
    Quando a economia for para o saco, a culpa será do livre mercado.
  • Rhyan  23/08/2013 01:20
    Excelente, Leandro!

    Saindo um pouco do assunto, um rapaz me disse que o mundo prefere negociar no mercado mundial com dólar ao invés de usar ouro, e que isso demostra que o dólar é superior ao ouro. Onde está o erro dessa análise? Há alguma obrigação em usar o dólar?

    Obrigado, abraço!
  • Leandro  23/08/2013 01:32
    Eu também usaria o dólar e guardaria o ouro. Por que vou gastar meu ouro se todas as pessoas aceitam um pedaço de papel -- ou, mais especificamente, um mero dígito eletrônico sem nenhum lastro? É um negócio e tanto você pode gastar dígitos em vez de ouro.

    Ademais, o mercado de ouro não é tão líquido assim.

    Obrigado pelas palavras, Rhyan. Abraço!
  • anônimo  23/08/2013 01:46
    Será que o pessoal do BC leu o artigo de hoje e resolveu fazer alguma coisa?

    economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201308222204_RTR_SPE97L08A
  • Leandro  23/08/2013 01:58
    Isso tem um nome: enxugamento de gelo. No máximo, impede grandes desvalorizações em um dia e promove algumas pequenas valorizações em outro dia. Nada faz para valorizar o real em definitivo. Isso depende dos outros fatores citados no artigo.
  • anônimo  23/08/2013 02:10
    Sem dúvidas Leandro, medida totalmente paliativa. Será que podemos esperar um "mini-ciclo" de baixa, com potencial para baixar dos 2 reais até o final do ano ( e subindo para 2,50 ou mais em um ano ou dois )? Seria bom para quem aloca ativos...
  • Heisenberg  23/08/2013 02:11
    Se reelegermos o Collor e ele fizer reposição hormonal, resolvemos o problema de testosterona?

  • Um Direitista  23/08/2013 06:30
    O salário dos médicos cubanos será entregue ao governo de Cuba, que repassara uma pequena fatia aos médicos. Isso sim é que é mais-valia.
  • IRCR  23/08/2013 07:46
    "P.S.2: Grécia e Portugal fizeram cortes no setor público. Ao que me consta, ambos os países continuam existindo. E o que é melhor: sua população não teve sua poupança dizimada por uma hiperinflação, que é o que ocorreria caso saíssem do euro. E que foi o que aconteceu com a Argentina."

    Por isso Jesus Huerta de Soto é a favor do Euro para esses países.
    Imagina os lixos do Escudo, Drachma e Peseta sendo usados por eles hj em dia.
  • Felipe Santos  23/08/2013 14:25
    "O problema é que não há hoje nenhum político com a testosterona necessária para criar esses dois projetos de lei"

    Em um país comandado por uma mulher, que nada mais é que uma marionete de desvios e esquemas para engrandecer apenas aqueles que já possuem poder financeiro elevado, não haverá um punho firme e com coragem de por a prova as melhorias que este país mais precisa.

    Por isso temos que começar de baixo, mudar nossa visão, abrindo os olhos para o que queremos e qual a forma correta de se conseguir isso, um dia esperamos que este Brasil esteja nos primeiros lugares entre os países mais desenvolvidos.
  • Tano  26/08/2013 14:35
    As mulheres tem muito mais coragem que os homens para lutar contra a corrupcao!
    Também tem mais coragem para fazer o que é necessario, aperto das contas.
    Nao todas, obvio, mas veja o caso da Yeda no RS!
    Nao é problema de genero!
  • Andre andre   23/08/2013 17:45
    Bem, como fica meu bolso nessa celeuma? Pq tenho a impressão que vai sobrar pra minha caderneta de poupança? Será que voltaremos aos esquecidos dias de hiperinflação do tio SarneY (mais de 100% POR DIA) e corte de zeros em cédulas? Olha o confisco da poupança.....
  • Leandro  23/08/2013 18:32
    Não há nenhuma chance de hiperinflação aqui. Para que isso acontecesse, todo o estatuto operacional do Banco Central teria de ser mudado e revertido para como era nas décadas anteriores a 2000, quando o BC podia financiar diretamente o Tesouro.

    Haverá o de sempre: inflação de preços contínua e alta, variando entre 3 e 9% (não se deixa enganar pelos brandos números do IBGE), o que, em uma década, já faz um bom estrago em seu orçamento.
  • anônimo  23/08/2013 19:10
    E nos EUA? A tal hiperinflação que o Schiff dizia parece que ficou impossível. O dólar não morre tão cedo.
  • JOJO  31/12/2013 16:39
    Nos Estados Unidos gente como Paul Craig Roberts, Jim Willie do Golden jacass, e outros estao surpreso porque o dollar nao despencou Muitos, que por sinal, sao adeptos da escola austriaca de economia politica ve o dollar se despencando e o padrao ouro se ressurgindo das cinzas. Antal Fekete parece ver um total desmoronamento da economia mundial com o ouro fisico desaparecendo do mercado, nas maos dos que nele investgiram.
  • IRCR  23/08/2013 19:50
    "Haverá o de sempre: inflação de preços contínua e alta, variando entre 3 e 9% (não se deixa enganar pelos brandos números do IBGE), o que, em uma década, já faz um bom estrago em seu orçamento."

    Leandro, acho que seus numeros estão brandos tb. De acordo com meus gastos historicos a inflação de aluguel foi em media 40% aa nos ultimos 14 anos (tudo bem que teve o boom imobiliario) de alimentos em torno de 20% aa e serviços diversos algo em torno de 20% aa tb.

    Por isso que eu concordo com Peter Schiff quando ele fala da inflação de preços nos USA. Pois indices dos governos são manipulados (como o seu tb está heheh)
  • Leandro  23/08/2013 21:15
    Uma inflação de 40% ao ano daria, após 14 anos, um acumulado total de 11.000%.
    Já uma inflação de 20% ao ano daria, após 14 anos, um acumulado total de 1.184%.

    Calma, não é assim. Quero-me a pessoa mais paranóica com a inflação em todo e qualquer debate, mas também tenho senso das proporções. Você exagerou para muito. Por mais que eu não seja entusiasta do IGP-M, que é o índice pelo qual o aluguel é reajustado, seu acumulado em 14 anos foi de 250%, um poquinho menos que seu 11.000%...

    Lembre-se se de que uma inflação de 6% ao ano equivale a 79% ao longo de 10 anos. Isso não é nada brando.

    Abraços!
  • Luiz Fernando  23/08/2013 20:58
    Leandro, mais um artigo excepcional. Mesmo para um leigo como eu, com formação estritamente jurídica, seus textos apresentam uma coesão inquestionável, facilitando muito a compreensão.

    Dúvida de leigo: com a taxa de câmbio atual entre yen e dólar, é possível falar que o Japão possui uma moeda forte? Qual a diferença entre uma coisa e outra?
  • Leandro  23/08/2013 21:37
    Prezado Luiz Fernando, em 1972, imediatamente após a dissolução de Bretton Woods e a adoção dos câmbios flutuantes, um dólar comprava 305 ienes. Então o iene começou a se valorizar continuamente até que, em outubro de 2011, um dólar comprava apenas 75 ienes. Aqui o gráfico. Isso dá uma apreciação total de 306%.

    Uma das definições de moeda forte é que sua unidade monetária valha cada vez mais em termos das principais moedas do mundo (a outra definição é que, obviamente, seu poder de compra em território nacional seja relativamente constante).

    O que você pode estar estranhando é o alto valor nominal das cédulas do iene. Isso se deve a uma forte inflação ocorrida na Segunda Guerra Mundial. A moeda do Chile apresenta a mesma característica, pois vivenciou uma hiperinflação na década de 1970. Ambas não foram trocadas desde então, ao contrário da moeda brasileira.

    Vale lembrar que, ao passo que o real é de 1994, o iene é de 1871.

    Grande abraço e obrigado pelas palavras.
  • IRCR  23/08/2013 22:16
    É verdade, errei no calculo pq fiz de cabeça, fazendo no excel agora deu uma inflação de 15,5% aa no aluguel que mesmo assim já é bem acima da média do IGP-M no periodo que foi de 9,42%.
  • Antonio  24/08/2013 00:21
    Caro Leandro,

    Não tive tempo de ler todos os comentários, e não sei se alguém levantou o que vou colocar. A depreciação do real coincidiu com a baixa das commodities, cujos preços atingiu o pico em abril de 2011 (salvo engano). Isso fez com que menos dólares entrassem no Brasil, o que mais do que compensou a menor abundância de real na economia. É verdade que há um conjunto de fatores, pois o endividamento, por exemplo, também se somou ao quadro, reduzindo o crescimento econômico e por consequência a confiança internacional no país. No entanto, talvez a queda dos preços das commodities possa explicar a maior parte do fenômeno da desvalorização do real recentemente.
  • Leandro  24/08/2013 01:37
    Prezado Antonio, o movimento de baixa do dólar no período 2003-2011 foi mundial e beneficiou as moedas de todos os países em desenvolvimento, não só o Brasil. O dólar caiu majoritariamente por causa das políticas expansionistas do Fed, as mesmas que criaram a bolha imobiliária.

    Os preços das commodities de fato influem no influxo de dólares para o Brasil, mas eles sozinhos não têm poder algum. E posso provar isso com os seguintes dados empíricos (a teoria já foi explicada no artigo):

    1) Evolução da balança comercial brasileira (é neste item que se contabiliza as exportações das commodities). Veja o gráfico e observe que, justamente no período em que o real mais se valorizou, a balança comercial era menor. Sim, pode-se argumentar que balança comercial caiu porque o real mais forte estimulou importações; porém, por esta sua teoria, tão logo a balança comercial diminuísse, o real deveria se desvalorizar, o que não houve até o final de 2012. Ademais, caso isso ainda não o tenho convencido, mostrarei abaixo que os valores envolvidos na balança comercial são menores do que os das duas próximas variáveis, que são as mais importantes.

    2) Investimento estrangeiro direto. Este sim é importante, pois, ao contrário das exportações de commodities -- cujos dólares não precisam ser imediatamente trazidos para o Brasil e convertidos em reais --, no IED os dólares que entram são imediatamente convertidos em reais, pois é com reais que o investidor irá comprar máquinas e pagar salários. Veja a evolução e note como seus valores são geralmente maiores que os da balança comercial.

    3) Fluxo de capital. Esse é o mais substancial de todos. E o mesmo raciocínio se aplica ao do IED. Note como seus valores são maiores.

    Some o fluxo de capital ao IED, e você verá que seus valores são muito maiores que os da balança comercial.

    Portanto, a teoria de que o real se valorizou por causa das commodities não procede, e por três motivos:

    (a) a teoria ensina que não é assim, pois a expansão monetária ocorrida nos EUA é o fator crucial;

    (b) países em desenvolvimento que não são grandes exportadores de commodities para a China também tiveram sua moeda valorizada (como Colômbia e Paraguai)

    (c) Os valores somados do IED e do fluxo de capitais para o Brasil sobrepujaram em muito a balança comercial. Mesmo assim, essas duas variáveis têm impacto apenas pontual no câmbio. Elas não definem o câmbio no longo prazo, pois este é definido pelo poder de compra da moeda.

    Grande abraço!
  • IRCR  24/08/2013 19:14
    Bolha crediticia fazendo seus estragos na China.

    "www.estadao.com.br/noticias/impresso,credito-facil-seca-e-afeta-economia-da-china-,1066953,0.htm"
  • Mauro  25/08/2013 20:47
    Só tenho uma pergunta.

    Todos os países do mundo podem ter uma moeda forte?

    É uma duvida minha com leigo, agradeço se puderem esclarecer.
  • Guilherme  25/08/2013 21:05
    Sim. É só todos utilizarem uma commodity estável e relativamente escassa como moeda -- o ouro, por exemplo.
  • Tiago RC  26/08/2013 07:57
    Qual a vantagem entre um currency board baseado numa moeda X, e simplesmente declarar a moeda X como "moeda oficial", como faz o Panamá com o USD?

    No segundo caso, nem há necessidade de se obter e manter enormes reservas de X...
  • Leandro  26/08/2013 10:42
    São dois os motivos, Tiago.

    1) Nem sempre há uma disponibilidade de cédulas da moeda estrangeira. Tal problema é maior em países de maior dimensão territorial.

    Vale lembrar que o fato de um BC ter reservas internacionais não significa que tais reservas estejam na forma de dinheiro físico. A maior fatia destas reservas -- para não dizer 'praticamente toda ela' -- está na forma de títulos do governo americano, os quais não podem ser prontamente convertidos em cédulas, pois têm prazo de maturação.

    Para um país se dolarizar, teria de haver um acordo entre ele e o governo americano, para que este pudesse enviar para lá os dólares necessários. (Mas isso quase nunca é problema, pois o governo americano tem total interesse em ter sua moeda circulando amplamente em outros países).

    2) Quando você passa a usar diretamente uma moeda estrangeira, você transfere para o país emissor da moeda todos os ganhos de senhoriagem. Já quando você tem um Currency Board -- e considerando-se o fato de que as reservas do Currency Board estão investidas em títulos americanos --, os ganhos de senhoriagem ficam com o próprio país.

    Explicando melhor: o Currency Board aufere receitas com a aplicação de suas reservas em títulos americanos. E seus custos operacionais são a impressão de moeda nacional. Essa diferença entre receita e custos tende a ser substantiva, e é majoritariamente transferida para o governo nacional. O Currency Board, portanto, gera receitas para o governo nacional. Já a adoção direta de uma moeda estrangeira, não.
  • Tiago RC  26/08/2013 14:16
    Obrigado pela resposta, Leandro.
  • Antonio  26/08/2013 23:21
    Caro Leandro,


    Boa a sua resposta, mas mais interessante seria fazer um gráfico do índice CRB Commodities e do câmbio. Vc perceberá que o real caminha junto com o Índice CRB. Já fiz isso no passado. A Colômbia é sim exportadora líquida de commodities, ainda que não necessariamente para a China. Ela é exportadora de petróleo dentre outros. O Paraguai tb é gde exportador agrícola (relativamente à sua produção total) , ainda que não para China necessariamente. Conquanto o saldo comercial represente pouco em relação ao FDI (US$ 60 bilhões líquidos ao ano) e investimento em portfólio, as exportações de commodities são substanciais (somente agrícolas somam US$ 100 bilhões/ano). Por outro lado, o FDI tende a entrar mais qdo os negócios no Brasil estão prosperando, e isso geralmente acontece qdo as commodities estão em alta. A mesma coisa com os investimentos em bolsa, pois a vasta maioria das empresas abertas são ligadas a commodities. Dessa forma, os fluxos financeiros (FDI e portfólio) acontecem a reboque do que acontece no mercado de commodities.

    Abraço ...
  • Leandro  26/08/2013 23:39
    "mas mais interessante seria fazer um gráfico do índice CRB Commodities e do câmbio. Vc perceberá que o real caminha junto com o Índice CRB. Já fiz isso no passado."

    Essa confusão é bastante comum. As pessoas olham para a variação do CRB, comparam-na à evolução do câmbio, e acabam invertendo as coisas. Vou explicar melhor.

    O CRB varia estritamente de acordo com o poder de compra do dólar. E é assim simplesmente porque as commodities são precificadas em dólar. Sempre que o dólar se fortalece, os preços das commodities caem; sempre que o dólar enfraquece, os preços das commodities sobem.

    Por exemplo, no início de 2008, quando o dólar estava fraco, os preços das commodities dispararam. Já no final de 2008, quando o dólar se fortaleceu acentuadamente, os preços das commodities entraram em colapso. Depois voltaram a subir à medida que o dólar se desvalorizou. E então voltaram a cair com a atual valorização do dólar.

    Veja o gráfico e observe que as subidas dos preços andam pari passu com a força do dólar. No período em que o dólar se desvaloriza, o CRB aumenta (pois as commodities, que são precificadas em dólar, ficam mais caras); no período em que o dólar se valoriza, o CRB cai. Não há exceção a esta regra.

    Portanto, tendo entendido isso, você perceberá que, ao contrário do que você diz, não é o real que caminha junto com o Índice CRB, mas sim o dólar.

    Abraços!
  • Felipe de Lima  27/08/2013 16:31
    Olá Leandro td bem?

    Me desculpe pela minha ignorância, mas ao ler este post, eu fiquei bem confuso.Eu acredito que não irá se recordar, na verdade, eu também não me recordo do post em que comentamos sobre a questão da inflação do Real e da perda de poder aquisitivo.Eu sei que foi ano passado ainda, quando em uma aula de transações financeiras internacionais, meu prof, como você mesmo percebeu, um "chicaguista", alegou que o ideal era um "pouco de inflação, com um maior crescimento econômico". Mas eu me lembro que havíamos discutido sobre a questão da perda do poder aquisitivo ao longo dos anos, e que você havia até mencionando dados do BC, para mostrar que houve uma perda do poder aquisitivo a partir de 2002, e que somente a partir de 2010/2011 este valor se recuperou ao mesmo patamar de 2002.Agora aqui, pelo que eu entendi, e posso estar enganado, leio que houve uma valorização do Real neste mesmo período, dando a "sensação" de aumento do poder aquisitivo.Conseguiu perceber onde eu perdi o meu norte?rs
    Se puder me esclarecer a situação, serei eternamente grato!

    Abraços!
  • Leandro  27/08/2013 17:26
    Creio que você esteja se referindo ao rendimento médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada. Tal rendimento depende exclusivamente do nível de preços no mercado interno -- no caso, do IPCA.

    O rendimento médio caiu de 2002 a 2010.

    Este artigo fala sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=821
  • Antonio  27/08/2013 22:27
    Caro Leandro,

    Assumo que esteja referindo-se ao câmbio efetivo real do dólar. De fato, tenho o índice efetivo real em gráfico a partir de 2005 apenas, e o dólar cai em termos efetivos reais, subindo a partir da crise, voltando a cair partir de 2010 até 2011, qdo de novo ele começa a subir, ainda que de forma contida. Vc está sugerindo então que em termos reais as commodities não têm tido seus preços alterados, e só se valorizam ou desvalorizam em termos nominais?

    Não fiz uma análise mais cuidadosa, mas as commodities metálicas (principalmente o ferro, que tem gde importância na pauta exportadora do Brasil) tem caído drasticamente, mesmo em termos reais. Tanto que até mesmo o setor de madeira foi fortemente atingido, já que a demanda por carvão vegetal para siderúrgicas caiu.


    Outra coisa, o que está fazendo os juros de títulos de 10 anos dos EUA caírem nesta semana? Tinham chegado chegado a 2,9% na semana passada (estavam em 1,6% em maio, antes das conversas sobre tapering off), e hj está em 2,7%. Será que o FED intensificou a compra deles, em uma nova operação twist?

    Grato...
  • Leandro  28/08/2013 00:39
    Não estou me referindo a câmbio real e nem a câmbio efetivo. Estou me referindo unicamente ao poder de compra do dólar em nível mundial (câmbio nominal) e o reflexo disso sobre os preços das commodities.

    Quando o dólar se fortalece em relação a todas as outras moedas do mundo -- isto é, quando ele fica mais caro em relação às outras moedas do mundo (real, euro, franco suíço, iene etc.) --, os preços das commodities (em dólar) caem. E quando o dólar se enfraquece em relação a todas as outras moedas do mundo, os preços das commodities (em dólar) aumentam.

    Tal relação advém do óbvio fato de que, quando uma moeda perde poder de compra, os bens precificados nesta moeda ficam mais caros. E quando uma moeda ganha poder de compra, os bens precificados nesta moeda ficam mais baratos.

    Isso foi especialmente claro no ano de 2008. Até agosto, o dólar vivenciou um período de extrema fraqueza. A consequência desta fraqueza do dólar é que os preços das commodities, que são em dólares (veja especialmente os alimentos e o petróleo), dispararam. No final do ano, quando o dólar vivenciou um período de extrema valorização, os preços das commodities despencaram (o do petróleo, em especial, caiu de US$140 o barril para US$40) em dois meses.

    Não consigo ser mais claro do que isso.

    Quanto os juros dos títulos de longo prazo do Tesouro americano, eles estão caindo porque os investidores estão sob a crença de que a economia americana está se recuperando. Ato contínuo, eles retiram seu dinheiro dos títulos de longo prazo (ou seja, eles vendem títulos, que são adquiridos em épocas de recessão como forma de proteção), e investem em outros ativos, como ações e papeis de empresa. A venda de títulos provoca uma redução em seus preços -- logo, um aumento em seus juros.

    Abraços!
  • Antonio  28/08/2013 20:44
    Leandro,

    Estou convencido sobre a explicação das commodities. Em ouro, o preço do petróleo é o mesmo do que o dos anos 1970. Então o aumento do preço em dólar é consequência da queda do dólar. Câmbio efetivo refere-se ao câmbio comparado a todas as moedas. Então, referias mesmo ao efetivo (mas nominal). Ok, grato pela paciência.

    Sobre os títulos, havia perguntando o pq da inflexão nesta semana, já que voltaram a subir (os juros caíram). Bem, mas hoje os títulos já em queda (juros em alta). Creio seja volatilidade normal.

    Abraço!
  • Anônimo  28/08/2013 20:52
    Dilma: Alta no dólar não tem nada a ver com a economia brasileira.

    g1.globo.com/economia/noticia/2013/08/alta-do-dolar-nao-tem-nada-ver-com-economia-brasileira-diz-dilma.html

    É tudo culpa da zêlite e da CIA.
  • Diego  29/08/2013 13:29
    Leandro,

    Sobre política cambial e monetária. Estou com uma dúvida...

    De acordo com este artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601 :
    "Já quando ocorre uma saída de dólares, o fenômeno inverso é observado: há uma tendência de depreciação do câmbio devido à maior procura por dólares. Para evitar isso, o Banco Central vende dólares para satisfazer esse aumento da demanda por dólares. Essa venda de dólares pelo Banco Central gera uma redução da base monetária. Para evitar essa redução, algo que tende a gerar uma recessão, o Banco Central cria reais e compra títulos públicos em posse dos bancos."

    Atualmente temos o dólar subindo e ao mesmo tempo as taxas de juro subindo. Me parece que estas duas atitudes vão no mesmo sentido: diminuem a quantidade de reais na economia. Esta afirmação está correta? Não parece algo estranho que estejam fazendo as duas políticas no mesmo sentido? Este cenário não tende a acelerar um processo de recessão por aqui?
  • Leandro  29/08/2013 13:55
    Diego, atente para o fato de que este mecanismo descrito vale para um câmbio atrelado, que não é o atual regime cambial brasileiro. Aqui, o Banco Central trabalha com swaps, o que equivale à venda de dólares no mercado futuro (em termos práticos, nada mais é do que um acordo de recompra, algo que o BC já faz diariamente com títulos públicos). Ou seja, nada de especial está sendo feito.

    Adicionalmente, como explicado em detalhes aqui, uma subida de juros não necessariamente implica retirada de reais da economia; pode significar apenas uma redução na taxa de aumento da base monetária.
  • Tiago RC  31/08/2013 22:09
    Leandro e outros instruídos economistas que frequentam esse site, agradeceria se pudessem responder a seguinte dúvida:

    É tecnicamente possível manter um currency board que se utiliza de um ativo X, mas que tenta manter a moeda que ele emite atrelada ao preço de um outro ativo Y?

    Por ex., vamos supor que esse instituto resolva criar sua própria moeda, o IMB. Ele manteria altas reservas de USD, e as compraria/venderia, emitindo e destruindo IMBs, com o intuito de sempre manter o preço de 1 IMB = 1 EUR.

    É possível um tal arranjo? Existem vulnerabilidades a ataques especulativos?


    Se estiverem curiosos do por que da minha pergunta, é porque pessoas prominentes no mundo Bitcoin estão lançando um projeto interessante, o MasterCoin. Uma das capacidades dessa tecnologia seria permitir a qualquer um de criar seu próprio currency board, usando o MasterCoin como reserva. O cenário seria o que eu descrevi acima: um currency board que tem suas reservas num ativo, mas tenta manter o preço da moeda emitida atrelado a outro ativo. Tecnicamente o projeto é interessante, mas questiono sua viabilidade do ponto de vista econômico.
  • Leandro  02/09/2013 03:56
    Não, esse arranjo não faz sentido.

    Um Currency Board não faz política monetária e nem política cambial. Um Currency Board nada mais é do que uma mera casa de câmbio, uma simples agência cuja única função é trocar uma moeda por outra específica.

    Neste seu exemplo, se nós decidirmos criar um Currency Board tendo a moeda IMB atrelada ao dólar, tudo o que iremos fazer é imprimir um IMB para cada dólar que entra em nossas reservas, e dar um dólar para cada IMB que nos é devolvido. Só isso. Não faríamos nada além disso. Qualquer outra coisa que fizéssemos além disso faria com que o arranjo deixasse de ser um Currency Board.

    Portanto, é impossível, neste arranjo, regular a taxa de câmbio do IMB com o euro. Se quiséssemos manipular a taxa de câmbio do IMB em relação ao euro, teríamos de imprimir IMBs arbitrariamente, sem qualquer elo com a entrada ou saída de dólares de nossas reservas.

    Logo, por definição, é impossível um Currency Board que tenha reservas em dólar manipular a taxa de câmbio de sua moeda em relação a qualquer outra moeda que não seja o dólar -- pois, para fazer isso, ele teria de incorrer em uma política monetária (imprimindo IMBs sem qualquer relação com a variação das reservas de dólares), e isso faria com que o Currency Board virasse um mero Banco Central.
  • Tiago RC  02/09/2013 13:25
    Obrigado pela resposta.

    Da maneira como você descreveu, fiquei com uma dúvida... o que você está descrevendo não seria uma moeda lastreada? Eu imaginava que um currency board não era exatamente a mesma coisa... imaginava que ele não necessitasse ter 100% de reservas por exemplo, e que ele pudesse ter uma tolerância a uma ligeira variação cambial, e só intervir quando especuladores executando arbitragem não forem suficientes e essa variação ultrapassar sua tolerância.

    teríamos de imprimir IMBs arbitrariamente, sem qualquer elo com a entrada ou saída de dólares de nossas reservas

    No exemplo em questão, não é tão sem elo assim: se você imprimir IMBs, será exclusivamente para comprar dólares - portanto suas reservas em dólares aumentariam. Se você destruir IMBs, seria após tê-los comprados com dólares que estavam em reserva, ou seja, você só destruiria IMBs após diminuir a reserva de dólares.

    A criação/destruição da moeda emitida estaria ligada ao aumento/diminuição das reservas. A grande diferença é que a paridade almejada é com outro ativo. E isso de fato é ... excêntrico.
    Eu me pergunto se é apenas excêntrico, ou se é de fato vulnerável a ataques especulativos, como quando um "currency board" tenta bancar o banco central e manipular as taxas de juros, além do câmbio. Nesse exemplo ele só tenta manipular um preço, não dois... mas usando outro ativo....

    Abraços,
    Tiago.
  • Leandro  02/09/2013 13:48
    "o que você está descrevendo não seria uma moeda lastreada? Eu imaginava que um currency board não era exatamente a mesma coisa... imaginava que ele não necessitasse ter 100% de reservas por exemplo, e que ele pudesse ter uma tolerância a uma ligeira variação cambial, e só intervir quando especuladores executando arbitragem não forem suficientes e essa variação ultrapassar sua tolerância."

    As características básicas e inegociáveis de um Currency Board são:

    1) ter 100% (ou mais) de reservas internacionais cobrindo a base monetária;

    2) câmbio estritamente fixo (nada de bandas ou ligeiras variações), pois sua única função é emitir uma moeda que nada mais é do que um substituto monetário da moeda utilizada na reserva internacional;

    3) nenhuma política monetária, pois se trata de uma instituição completamente passiva, que funciona no "piloto automático". Não há nada disso de "intervir quando especuladores executando arbitragem não forem suficientes e essa variação ultrapassar sua tolerância."

    Se uma instituição monetária viola as regras 2 e 3 (a primeira é tolerável durante uma fase de transição), ela não é um Currency Board, mas sim um Banco Central fazendo política monetária e cambial.

    Irei enfatizar mais uma vez: um Currency Board nada mais é do que uma agência que emite um substituto monetário exclusivamente de acordo com a quantidade de moeda estrangeira que entra em suas reservas (e que recolhe um substituto monetário que ela emitiu em troca de uma igual quantidade de moeda estrangeira). Currency Board não faz política monetária; ele não imprime dinheiro arbitrariamente com o intuito de manipular o câmbio. Ele simplesmente troca uma moeda por outra. Só isso. Qualquer outro arranjo que não esse não é Currency Board.

    "No exemplo em questão, não é tão sem elo assim: se você imprimir IMBs, será exclusivamente para comprar dólares - portanto suas reservas em dólares aumentariam. Se você destruir IMBs, seria após tê-los comprados com dólares que estavam em reserva, ou seja, você só destruiria IMBs após diminuir a reserva de dólares."

    Correto. Ao fazer isso, duas coisas estão ocorrendo:

    1) a taxa de câmbio entre IMBs e dólares está irremediavelmente fixa. (Se você quisesse vender 1 dólar por um valor maior do que 1 IMB para outra pessoa, esta preferiria simplesmente ir ao Currency Board e lá trocaria 1 IMB por 1 dólar. Ou seja, tal artifício é totalmente eficaz em realmente fixar a taxa de câmbio.)

    2) não está havendo política monetária ou cambial -- logo, é impossível a agência emissora de IMBs tentar manipular seu valor em relação ao euro, por exemplo.

    "A criação/destruição da moeda emitida estaria ligada ao aumento/diminuição das reservas. A grande diferença é que a paridade almejada é com outro ativo. E isso de fato é ... excêntrico."

    Não é apenas excêntrico; é uma impossibilidade econômica.
  • Guilherme  02/09/2013 14:03
    Leandro,
    você sabe explicar o porquê do grande aumento dos meios fiduciários em 2013 aqui no Brasil? Estamos tendo picos que historicamente só ocorrem em dezembro.

    Abcs
  • Leandro  02/09/2013 14:14
    Prezado Guilherme, a partir do segundo semestre de 2011 e com ainda mais intensidade durante todo o ano de 2012, o BACEN realizou várias alterações nas regras de compulsório, principalmente dos depósitos a prazo. Isso provocou várias migrações de dinheiro que até então estava contabilizado nas reservas bancárias (que, por definição, são as reservas exclusivas para os depósitos em conta-corrente e que, por isso, são contabilizados como parte da "base monetária") para as reservas dos depósitos em poupança e dos depósitos a prazo.

    Consequentemente, isso gerou uma redução no valor das reservas que são contabilizadas na base monetária, o que por sua vez gerou este aumento dos meios fiduciários (M1 menos base monetária). A partir de 2012, você pode ignorar por completo este cálculo dos meios fiduciários. Pelos motivos acima explicados, eles perderam sua eficácia.
  • Guilherme  02/09/2013 15:24
    Obrigado pela resposta Leandro. O que você tem feito então para tentar acompanhar a criação de dinheiro sem lastro?
  • Leandro  03/09/2013 03:41
    Além de acompanhar a evolução mensal do crédito (divulgado no site do BACEN) no final de cada mês, também acompanho a evolução semanal dos seguintes agregados: M1, depósitos em poupança e depósitos a prazo.
  • Típico Filósofo  03/09/2013 13:14
    Produção industrial brasileira volta a cair em julho, mostra IBGE:

    g1.globo.com/economia/noticia/2013/09/producao-industrial-brasileira-volta-cair-em-julho-mostra-ibge.html
  • Oswaldo Dias  03/09/2013 14:45
    Enquanto isso, o que você, Leandro, recomenda a um ser humano normal que guarda suas economias e pretende comprar um imóvel à vista a título de investimento? O momento é para compra ou para investir o dinheiro?, obrigado.
  • Leandro  03/09/2013 18:58
    Depende da cidade em que você mora. Em algumas cidades, os preços já estão caindo. Em outras, ainda não começaram a cair. A queda nos preços dos imóveis não é noticiada com alarde porque as instituições que coletam as estatísticas se baseiam exclusivamente no preço disponibilizado pela incorporadora, ignorando os descontos e promoções.

    Na maioria dos casos, as incorporadoras estão fazendo um "queimão de estoque" com descontos de até 35%.

    Veja esta notícia do Estado de S. Paulo:

    "As construtoras e incorporadoras Rossi e PDG Realty realizam esta semana campanhas promocionais. A estratégia da Rossi é utilizar o seu canal no YouTube para efetuar vendas on-line com descontos de até 35%. A ação, batizada de Outlet Digital, acontecerá no dia 27 de agosto, ao vivo, às 20 horas.

    Já o feirão "Nocaute PDG – quero ver quem bate", ocorrerá entre os dias 30 de agosto e 8 de setembro no Campo de Marte, na zona norte da capital paulista, com entrada gratuita. No evento serão ofertadas mais de 1.600 unidades, de 50 empreendimentos, todas com facilidades e descontos iniciais de até R$ 150 mil."

    Recomendo também esta notícia.

    Isso é tudo o que posso dizer. Por uma questão de estatuto, o IMB não fornece dicas de investimento.

    Abraço!
  • anônimo  03/09/2013 19:33
    Eu já estou observando promoções extraordinárias em São Gonçalo, RJ. Trata-se de uma cidade/dormitório grande que geralmente abriga pessoas humildes que servem os funcionários públicos da cidade que trabalham na capital e que viu nos últimos anos a construção de vários condomínios(O perfil financeiro dos nativos ajudou a alimentar a bolha) e mesmo assim uma valorização absurda nos valores imobiliários. Típica situação de expansão creditícia.

    Confesso que há até ares de filme de terror no que está acontecendo, já que tenho muitos amigos que são engenheiros civis ou que trabalham na construção civil. Apesar de duvidar que as prefeituras e o governo estadual vão deixar ocorrer uma recessão com tanta facilidade; alguns projetos da região marcam quantias absurdas de mão-de-obra com 5 mil a 20 mil homens.

    Eu creio que esta crise na construção civil seria o princípio de uma explosão de endividamento das prefeituras(Sua situação fiscal já é terrível) nos estados mais afetados.

    Mas isso é assunto para discutir com o Leandro de daqui a 3 anos. Nem consigo imaginar quão aterrorizante a situação estará até lá.
  • Fabio Trevizan  03/09/2013 14:54
    Prezado,
    Não sou economista para dar pitacos, mas me tira uma dívida.

    Caso o poder de compra dos brasileiros cresça em relação ao dólar o que seria muito bom, não afetaria a produção da indústria nacional, ou seja, importado produtos e serviços a empresas brasileiras deixariam de vender e consequentemente geraria uma demissão em massa, falta de emprego seria pior ainda...os empresários do brasil forçam o governo a fazer isso para poder vender suas produções. O lobe da indústria brasileira no governo é muito grande...prova disse que quem financia as campanhas dos politos como LULA e Dilma são as indústrias do Brasil

    Outra coisa....antes talvez de aprovar uma lei para independência do banco central em relação ao governo, teria que fazer leis para acabarem com os políticos corruptos, pois o que os políticos roubam do brasil daria para quita em um período não muito longo o endividamento do Brasil.

    É uma vergonha ter acontecido o que aconteceu com o escandalo do mensalão e ninguém ir preso. É um Absurdo isso. Se fosse na súiça era prisão perpétua no mínimo sem contar que político corrupto lá é uma questão de vergonha para eles.

    Mas é claro que os deputados federais e os senadores não vão criar uma lei que os prejudique e tão pouco uma lei que de autonomia individual ao banco centrar para gerir essa moeda forte.

  • Leandro  03/09/2013 18:27
    As empresas ineficientes e os empresários preguiçosos, que se acostumaram a ser protegidos e que por isso mesmo ofertam produtos caros e de baixa qualidade, certamente perderiam. E isso seria ótimo para o país. Nenhuma economia se torna rica e eficiente tendo um setor esbanjador e ineficiente, que utiliza recursos escassos (mão-de-obra e bens de capital) de maneira irracional e antieconômica. Nenhuma economia se torna rica e eficiente proibindo seus cidadãos de comercializarem livremente com o resto do mundo. A mão-de-obra e os recursos deste setor seriam agora liberados para ser utilizados em outros setores mais eficientes da economia.

    Sim, é verdade que há indústrias eficientes que são acossadas por uma alta carga tributária, por burocracias infernais, por regulamentações restritivas e por sindicatos selvagens. Mas isso não é motivo para se destruir o poder de compra da moeda e prejudicar o cidadão brasileiro. Tais problemas devem ser resolvidos pelo Ministério da Fazenda, pelo Ministério do Planejamento, pela Receita Federal e pelo Ministério do Trabalho, pois são eles que criaram essa bagunça. O cidadão brasileiro e seu poder de compra não podem ser prejudicados e violentados por erros criados pelos próprios burocratas.

    Quem defende desvalorização da moeda para proteger uma indústria afetada por intervenções governamentais está dizendo que violências governamentais devem ser corrigidas por novas violências governamentais. Isso é estupidez.

    Artigos recomendados, os quais aprofundam melhor os pontos feitos acima:

    A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

    Descubra se você é um protecionista mercantilista

    Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

    Qual o benefício de exportar mais do que importar?

    Quando a sensatez não tem vez
  • Fabio Trevizan  03/09/2013 19:14
    Prezado Leandro,

    Obrigado pela resposta. Só queria registrar aqui, que sou 100% a favor do seu artigo, concordo com tudo que vc escreveu. No meu comentário por mais que talvez tenha parecido que fui contra, mas não sou. Acredito sim que o Brasil possa se tornar uma grande potência econômica mundial competitiva com qualquer outro país do G8. Entendi que precisa ter políticas econômicas e fiscais que controle tudo.

    Parabéns pelo artigo!!!

    Fabio Trevizan
  • Rodrigo  04/09/2013 17:34
    Olá,
    Belo texto, didático, bem desenvolvido e tudo mais.
    Concordo com muito do que está posto, além de ter agregado em informação e opinião.
    Uma colocação apenas, destoa de todo o resto:

    "O problema é que não há hoje nenhum político com a testosterona necessária para criar esses dois projetos de lei."

    O que falta nos nossos políticos (todos, creio) é caráter e responsabilidade compatível com a função que exercem. Mas nunca testosterona, que é um hormônio presente em grande quantidade apenas nos homens. Toda a boa cultura e inteligência demonstrados nas demais linhas ficam em cheque a partir daí.

    Não é uma crítica raivosa, apenas uma constatação e um alerta.

    Atenciosamente,
  • Deilton  04/09/2013 18:20
    Coloquei o comentário abaixo no artigo sobre a bolha imobiliária brasileira, como esse artigo é mais recente copio e colo aqui:

    Achei essa excelente análise sobre o mercado imobiliário de SP:

    O tamanho da bolha dos imóveis usados em São Paulo
    www.opequenoinvestidor.com.br/cpy/2013/06/o-tamanho-da-bolha-dos-imoveis-usados-em-sao-paulo/

    Se estiver correta a conclusão da pesquisa, o bicho vai pegar.
  • anônimo  06/09/2013 14:40
    Leandro, saiu uma notícia dizendo que o BC está adotando agora uma "política fiscal neutra". O que isso significa na verdade?
  • Leandro  06/09/2013 18:24
    BC adotando política fiscal?! Até onde se sabe, BC adota política monetária.

    De resto, tal informação não significa nada e não tem a mais mínima importância, nem prática nem teórica, exceto preencher lacuna de jornais. Ignore.
  • anônimo  06/09/2013 19:03
    Saiu assim numa matéria do Valor: "Copom sinaliza nova alta da Selic":

    "Contando com uma possível ajuda da política fiscal, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou na ata da sua reunião da semana passada, divulgada ontem, que vai manter sua estratégia traçada de aumento do juro básico, a despeito da mais recente rodada de depreciação cambial.

    A política fiscal, que desde janeiro era claramente apontada como expansionista, dificultando o controle da inflação, agora é vista pelo comitê como possivelmente neutra, o que significa que deixaria de atrapalhar."
  • Leandro  06/09/2013 19:29
    Obviamente, a matéria se refere a como o BC avalia a política fiscal do Minsterio da Fazenda. Há dois meses, o BACEN ousou criticar os gastos do governo, dizendo que eles estimulavam a inflação de preços. Pelo visto, os burocratas do BACEN tomaram pito do Mantega e já foram devidamente enquadrados, voltando a mostrar total subserviência à Fazenda, recuando de toda e qualquer crítica. Uma tristeza.
  • Melanie Schwartz  06/09/2013 19:30
    Não, Sr. Anônimo.
    O governo federal está fazendo um contingenciamento de gastos. Essa redução de despesas é a política fiscal contracionista, mas quem a decidiu foi o MPOG e não o BACEN. O Copom só agradece, pois uma redução nos gastos do governo facilita o trabalho do Copom de conter a inflação (o Copom teve que aumentar a SELIC umas três ou quatro vezes esse ano).
    :)
  • Lopes  12/09/2013 22:48
    ONU: "BACENs devem buscar canalizar o crédito para investimento produtivo(...)"

    agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-09-12/onu-bancos-centrais-nao-podem-se-limitar-ao-controle-da-inflacao

    Perdoe-me por eventuais alarmismos, porém creio que o atual arranjo "mainstream" onde o BACEN não pode comprar diretamente os títulos do tesouro corrente desde a década de 70 não durará mais 20 anos.

    Esse apenas fora conveniente à democracia durante o período da expansão. É mister ressaltar que não há muitos burocratas suficientemente bravos para permitir que os salários sejam propriamente reajustados para baixo e que outras medidas para acelerar de forma definitiva(Sem revés no longo prazo) a recuperação como cortes de impostos e diminuição do aparato burocrático para o estabelecimento de negócios.

    Em adendo, também sou pessimista quanto às próximas gerações; essas crescerão entre influências econômicas ininteligíveis e o besteirol à maneira "Carta Capital" e "Le Monde" onde a força do segundo somada à doutrinação dos "Típicos Filósofos" do sistema educacional tenderá a vencer. O fortalecimento do ideário de livre-mercado entre ideólogos é iminente e já está acontecendo, mas receio não ser rápido o bastante para alterar a atual tendência.

    Pergunto-me como determinar e operar um investimento produtivo sendo uma instituição que sobrevive da coerção daqueles capazes de fazê-lo e não está sujeita à mecânica dos lucros e prejuízos. Há uma linha preocupantemente tênue na retórica estatal que separa "investimentos produtivos" de utilizar o dinheiro esquimó para cavar buracos nos trópicos e assim gerar empregos enquanto valor é destruído.

    (Estou ciente que o arranjo atual da compra de títulos do tesouro entrega aos bancos uma parte do banquete e esses estarão dispostos a resistir contra eventuais mudanças)
  • myself  01/10/2013 01:22
    Totalmente off-topic:

    Pelo que li em outros artigos do mises.org, o BC pode criar dinheiro do nada e fazer dinheiro desaparecer completamente. Desta forma, o BC nunca fica sem dinheiro. Ele nunca precisa verificar o saldo de uma determinada conta pra ver se tem fundos, porque ele simplesmente cria os fundos.

    Agora me deparo com a seguinte manchete (portal G1): "BC tem prejuízo de quase R$ 4 bi com operações para conter dólar"

    g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2013/09/bc-tem-perda-de-quase-r-4-bilhoes-com-swaps-cambiais-ate-agosto.html

    Essa manchete não está totalmente correta, certo? O BC não teve nenhum "prejuízo", ele apenas criou mais 4 bilhões para cobrir os contratos de swap cambial.

    Aproveitando o ensejo, alguém tem um link para um artigo que explique o tal do swap cambial em detalhes?
  • Leandro  01/10/2013 01:28
    Em condições normais, quando o BC apresenta lucros operacionais (normalmente oriundos de operações cambiais e de receitas auferidas com títulos do governo), ele repassa esses lucros ao Tesouro. Se houver prejuízos, não há o que ser repassado ao Tesouro. Mas o prejuízo é puramente contábil. Ele não significa que o BC precisará de qualquer tipo de aporte financeiro. Significa apenas que ele não poderá repassar ao Tesouro seus lucros.

    Leilões de swap cambial envolvem operações no mercado futuro. O BC vende contratos de dólar hoje com o intuito de entregar apenas no futuro. Não há uso efetivo de dólares no processo.
  • Anonimo  06/10/2013 13:14
    Lendo o Livro América de Lobato, diz o autor que existem no Brasil 4 regiões econômicas: São Paulo (SP, Triangulo Mineiro, Parana e Mato Grosso); Minas Gerais ( MG, RJ e ES); Rio Grande e Pernambuco. E que o grande problema do Brasil sempre foi a ineficiência do estado e a não tributação (exclusiva) sobre o Lucro.

    No período de 2001 até 2013, verificamos um aumento no salário mínimo de 349%, salário real de 178% e cesta básica de 163%.também um aumento do salário real sobre a cesta básica de 5,85% em 12 anos.

    Foi uma política para o trabalhador de baixa renda (1 salário mínimo)
  • Anônimo  23/10/2013 19:04
    "Tombini diz que real foi a moeda que mais se valorizou desde agosto."

    www.odocumento.com.br/materia.php?id=443151

    Essa vai integrar a lista das pérolas, a lista de mentiras, a da entrega de falsa segurança ou as três?
  • Hoppe  05/11/2013 19:58
    As três. Mas mostra também o oportunismo. Basta esperar um dia em que o real se valoriza mais acentuadamente, e essa gente já fica excitada e sai fazendo autopropaganda.

    Mas eis a realidade: mais de dois meses após a publicação deste artigo, e com pirotecnias diárias do Banco Central no mercado de câmbio, tudo o que eles têm para mostrar é que o dólar caiu de R$2,40 para R$2,30 e o euro, de R$3,20 para R$3,10.

    Ainda em março deste ano, o dólar custava R$1,95 e o euro, R$2,53.
  • Maurício  07/11/2013 19:56
    E o real, hein?

    Tá tão na privada que o Banco Central Europeu corta a taxa de juros e o euro, em vez de cair, sobe em relação ao real
  • Guilherme  02/12/2013 17:35
    E o real segue se afundando na privada. Euro já está a R$3,20 e o dólar a R$2,35 -- e isso com a SELIC de volta aos dois dígitos.
  • Wellington R Costa  03/12/2013 08:45
    Ponderando a situação politica interna o descontentamento do povo gerando protestos; o advento de Dois eventos Internacionais (Copa e Olimpíadas) sendo realizados no Brasil, a credibilidade brasileira perante a comunidade internacional, principalmente do governo, pode ruir significativamente de modo muito pontual e rápido... Diante deste cenário poderemos ver a necessidade de mudanças rápidas que o potencial populismo do atual governo tentem barrar. Ou seja o marco dos eventos supracitados podem significar a continuidade do estado de coisas ou mesmo sua total mudança. Some a isto a leitura de certas novas forças politicas como Barbosa declinando de participar das próximas eleições por anteverem potenciais desastres para os que ocuparam cargos de comando. Sim o Brasil esta em uma sinuca na qual o povo começa a notar no seu dia a dia o mascaramento dos índices infrarracional reais no que tange seu consumo real e continuado, assim como o mascaramento de vários aspectos de levantamento de dados que não traduzem a realidade e sim somente auto propaganda dos detentores do poder.
  • Pobre Paulista  03/12/2013 10:31
    Não se preocupe, para essas pessoas que protestam e dizem o fazer em nome de todos a solução é sempre mais governo. Não sei como o país vai sair dessa sinuca mas sei que o estado vai sair mais presente em nossas vidas.
  • Elias Ramon  29/12/2013 14:58
    Parabéns! Por favor continuem!
  • Paulo roberto  11/01/2014 14:03
    Leandro, assisti uma antiga entrevista com o Dr. Enéas e ele falou da possibilidade do Brasil ter uma moeda realmente forte, com lastro no nióbio, ao qual o país possui 97% das reservas mundiais. Poderia comebtar sobre essa possibilidade? Obrigado.
  • Guilherme  23/01/2014 21:08
    A inexorável marcha para a privada.

    Hoje, 23/01/2014, o dólar fechou a R$2,40, e o euro a R$3,28.

    Segundo a imprensa, "Este é o maior valor desde 22 de agosto, quando o Banco Central anunciou o programa de intervenções diárias no câmbio e o dólar era negociado na casa dos R$ 2,43."

    Ou seja, 5 meses após intervenções diárias no mercado de câmbio, as quais foram saudadas pela "imprensa especializada" como bem-sucedidas (porque não queimavam reservas), o BACEN logrou reduzir o preço do dólar em apenas 3 míseros centavos. Estupendo.
  • Deilton  03/02/2014 18:21
    "A inexorável marcha para a privada."

    A bovespa já chegou lá.
  • JBALL  27/02/2014 06:14
    Umas dúvidas:

    1- Como a alemanha conseguiu manter sua moeda forte?

    2- não entendi direito como que a moeda se valorizou com expansao monetária.

    2- Foi dito que está acontecendo desvalorização do real graças a falta de confiança de investidores aqui. Por que essa falta de confiança?

    3- Uma deflação na economia fortalece sua moeda?

  • Leandro  27/02/2014 08:37
    1- É uma arte. Além de ter uma equipe econômica que transmita seriedade, você tem de saber combinar baixa expansão do crédito com contínuo crescimento econômico. Até hoje, apenas os suíços e os alemães souberam fazer isso por várias décadas.

    2- O real não se valorizou com a expansão monetária. Foi o dólar quem se desvalorizou com mais intensidade do que o real.

    3- Porque o pessoal já percebeu que as equipes do Ministério da Fazenda e do Banco Central não estão nem um pouco comprometidas com inflação baixa e austeridade orçamentária, pois seguem a linha desenvolvimentista.

    4- Normalmente sim. Vide euro e iene.
  • JBALL  27/02/2014 12:51
    Obrigado, Leandro.

    Mais uma coisa. Um câmbio fixo ou Currency Board é respeitado na economia? Não pode acontecer do mercado paralelo desvalorizar a moeda para atrair dinheiro de fora como a pop da Venezuela fez?
  • Leandro  27/02/2014 14:06
    Não vejo como isso seria possível. Afinal, se há uma agência trocando R$1 por US$1, por que alguém compraria dólares no mercado paralelo por qualquer valor acima de R$1? Bastaria ir até a agência e trocar R$1 por US$1.
  • JBALL  27/02/2014 15:37
    Se a demanda por moeda estrangeira for maior q o disponivel pode entrar em escasez, igual a congelamento d preços. Por isso q imagino q pagariam mais q ovalor fixado, como ocorre na venezuela
  • Leandro  27/02/2014 15:46
    Em um arranjo de Currency Board ortodoxo, não existe isso de "demanda por moeda estrangeira ser maior que o disponível", pois, por definição, o Currency Board tem uma quantidade de moeda estrangeira igual ou maior que a base monetária. Logo, quem quiser trocar suas cédulas nacionais por moeda estrangeira, conseguirá fazer isso sem problemas.
  • Pobre Paulista  27/02/2014 16:53
    JBALL, acho que vc ainda não entendeu o conceito de currency board.

    Vou tentar resumir como começar um "do zero". Suponha que eu acabei de inventar uma moeda - o Real. Mas eu não emito nenhuma nota sequer. Para emitir uma nota de 1 Real, eu preciso que alguém deposite, digamos, um Dólar nos meus cofres. Aí para R$ 1,00 sair da Curency Board, necessariamente US$ 1,00 TEM que ter entrado. Senão não é uma Currency Board, é outra coisa.

    Ou seja, no extremo, caso ninguém mais confie no Real, todos vão para a Currency Board, devolvem seus R$, pegam seus US$ e vão embora. O Real simplesmente deixa de existir nesse cenário.

    Em teoria, transformar um Banco Central em uma Currency Board é fácil. Basta pegar todas as reservas de dólares como lastro, digamos 1 bilhão de dólares, medir a quantidade de Reais circulando, digamos 3 bilhões, e assim temos que US$1,00 = R$3,00. Caso TODOS queiram se livrar dos seus reais e trocar por dólares, eles poderão fazer isso na Currency Board sem problemas.

    Espero ter esclarecido.
  • JBALL  27/02/2014 21:03
    Então seriam duas moedas em circulação? O comércio poderia utilizar as duas caso tenha confiança de que o governo não vá mexer no CB?

    E se todo mundo não quiser mais usar mais o real e converter tudo para o dólar. Não seria uma dolarização da economia brasileira?

    Outra coisa, se nesse cenário de CB diminuísse o investimento externo no Brasil, diminuiria a base monetária, não é? Nesse caso entraríamos em deflação?
  • Leandro  27/02/2014 21:44
    1) Em todo e qualquer arranjo de Currency Board, você é livre para utilizar as duas moedas, já que o valor entre elas é estritamente fixo. A moeda nacional passa a ser um mero substituto monetário da moeda de reserva.

    2) se todo mundo trocar dólar por real haveria uma mera dolarização, mas não teria efeito nenhum -- a menos, é claro, que o Currency Board não fosse ortodoxo e não possuísse a quantidade suficiente de dólares como reserva.

    3) A base monetária diminuiria apenas se a quantidade de dólares que saísse fosse maior do que a quantidade que entrasse (deficit no balanço de pagamentos). Ato contiínuo, os próprios bancos teriam de elevar os juros para atrair dólares de fora, caso contrário ficariam insolventes.
  • aspone  27/02/2014 21:49
    Pra quê um CB então, Leandro? Dolarizar a economia de um país com bastante reserva de dólares já não resolveria tudo duma vez?
  • Leandro  27/02/2014 22:08
    A explicação é técnica.

    Segundo os proponentes do Currency Board, quando você passa a usar diretamente uma moeda estrangeira, você transfere para o país emissor da moeda todos os ganhos de senhoriagem. Já quando você tem um Currency Board -- e considerando-se o fato de que as reservas do Currency Board estão investidas em títulos americanos --, os ganhos de senhoriagem ficam com o próprio país.

    Explicando melhor: o Currency Board aufere receitas com a aplicação de suas reservas em títulos americanos. E seus custos operacionais são a impressão de moeda nacional. Essa diferença entre receita e custos tende a ser substantiva, e é majoritariamente transferida para o governo nacional. O Currency Board, portanto, gera receitas para o governo nacional. Já a adoção direta de uma moeda estrangeira, não.
  • marcos  27/02/2014 22:10
    Nao foi muito bem isso na Argentina

    No mercado futuro de NDF tinha gente pagando acima

    Ou seja, compravam US$ 1 por ARS 1,2 a termo (e pagavam mais conforme o prazo). Quem fez isso ganhou MUITO dinheiro. Pois 1 nao era igual a 1.....

    Turma esqueceu do efeito multiplicador

    Não foi só a base monetária que Banco Central teve que honrar depois de alguns anos de CB

    Alias, não honrou....

  • Leandro  27/02/2014 22:23
    Isso foi às vésperas do corralito, e logo depois de o governo ter alterado completamente a lei original do regime de conversibilidade, o que, na prática, aboliu o pouco que ainda restava do CB. Todo esse processo foi explicado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562
  • Rogério  28/02/2014 02:59
    Não seria melhor que um Currency Board deixar o câmbio flutuante, mas institucionalizar um limite máximo (indexado pela variação do PIB) de aumento da base monetária pelo Banco Central? Quando a variação relativa (%) da base monetária for menor que a variação relativa (%) do PIB, ocorrerá uma diminuição dos preços e um aumento do poder de compra das pessoas. Isso pode ser feito assim: no primeiro ano em que o sistema for implantado haverá uma redução brusca da base monetária ( para tornar improvável que a variação do PIB deste ano seja inferior a da base monetária ), e a variação máxima da base monetária a partir do segundo ano seria OBRIGATORIAMENTE e significativamente inferior a taxa de variação do PIB do ano anterior. Obviamente o sistema bancário de reservas fracionárias deve ser abolido.
    Indo além: Mas onde o Banco Central iria injetar o dinheiro novo nos anos em que ele puder promover um aumento da base monetária? Simples: única e exclusivamente no governo. TODOS os impostos seriam abolidos e a ÚNICA fonte de renda do governo seria essas injeções controladas de dinheiro pelo Banco Central. Assim os gastos governamentais distribuirão o dinheiro novo pela economia e nunca mais o estado roubará alguém.


  • Leandro  28/02/2014 03:52
    Se o seu plano é substituir impostos por impressão de dinheiro, isso já foi feito: na Alemanha em 1922, na Iugoslávia em 1994 e no Brasil na década de 1980. Não foi muito legal, não

    Aliás, atualmente, as três esferas governamentais gastam mais de um trilhão e meio de reais por ano. Jogar um trilhão e meio de reais por ano na economia (quase um terço do PIB) transformaria o país em um Zimbábue.
  • Rogério  28/02/2014 04:17
    "institucionalizar um limite máximo (indexado pela variação do PIB) de aumento da base monetária pelo Banco Central". "a ÚNICA fonte de renda do governo seria essas injeções controladas de dinheiro pelo Banco Central.". Leia isso, atentando ao trecho "(indexado pela variação do PIB)" e à palavra "controladas", depois leia o seu comentário. Se não percebeu a incoerência entre o meu comentário e a sua resposta, eu explico.
    Apenas fiz uma reformulação do plano que você apresentou no seu podcast ( www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=168 ). Pois não é garantido que a oferta de bens e serviços cresça mais que 2% ao ano (entendi por isso "PIB", caso não seja, me dê o nome do indicador que quantifique a variação da oferta de bens e serviços).

  • Leandro  28/02/2014 14:16
    E que reformulação, hein? Eu havia falado apenas em aumentar a oferta monetária em 2% porque, historicamente, 2% é a taxa anual do aumento do estoque de ouro no mundo. Logo, se a gente estivesse sob um padrão-ouro, seria de se esperar que a oferta monetária aumentasse a uma taxa de 2% ao ano. E falei que esse dinheiro deveria cair diretamente na conta dos aposentados do INSS (22 milhões de pessoas), que foram os mais logrados da sociedade e um dos mais prejudicados pela redistribuição de renda às avessas criada pela inflação.

    Já este seu programa é quase que um "socialismo científico". Pra começar, há uma defasagem de pelos menos 3 meses entre a determinação do PIB e o presente momento. Logo, se você for criar dinheiro à mesma taxa do PIB, você estará fazendo isso com 3 meses de atraso. Para piorar, há os trimestres de PIB negativo. Como ficaria? Haveria deflação monetária? Mas aí tal deflação afetaria o desnecessariamente a economia, prejudicando inclusive o crescimento do ano.

    Por outro lado, você poderia optar por se basear apenas no PIB anual. Mas aí seu programa monetário estaria defasado em 1 ano e três meses.

    Por fim, há também a questão de que a mensuração do PIB está sempre sujeita a grandes alterações, o que tornaria essa política ainda mais traiçoeira e insensata.

    Esqueça essas fantasias de querer controlar oferta monetária baseando-se em estatísticas fajutas e incertas sobre a economia. Eu mesmo já as acalentei e hoje tenho vergonha deste meu passado.

    Grande abraço.
  • ARLEN  25/07/2014 18:24
    A matéria estava perfeita até o momento " não deixando espaço para gastos com 41 ministérios e secretarias, aumentos para o funcionalismo, e subsídios para artistas, grupos de interesse e movimentos sociais. Não haveria apoio nenhum." Não concordo definitivamente!! Existe uma coisa chamada Constituição Federal. E como fica o funcionalismo público?? É graças ao funcionalismo público no Brasil que milhares de pessoas conseguem uma oportunidade na vida. Indubitavelemte, não posso concordar com essa matéria por completo.
  • Pobre Paulista  25/07/2014 19:09
    E... ?
  • Yonatan Mozzini  08/10/2014 15:38
    Bom dia, Leandro e equipe IMB

    Há um trecho que me gerou uma dúvida:

    "Dado que o BACEN possui hoje mais de US$370 bilhões em reservas internacionais, adquiridas ao longo de 20 anos, tal valor é mais do que suficiente para a imediata criação de um Currency Board."

    Caso o Brasil adotasse um currency board ortodoxo atualmente, deveria ser trocado (fixado o câmbio) o real numa paridade 1:1 (ou quase isso) com o dólar ou seria mais recomendável simplesmente fixar no valor atual (cerca de R$2,40 / US$ 1)? Penso eu que, caso fixado num patamar valorizado (1:1), haveria severa retração das exportações e iríamos apenas queimar nossos dólares em importações (devido aos altos custos internos: burocracia, taxações, etc) até chegar numa recessão, e então, voltar ao equilíbrio.

    Obrigado e parabéns pelo artigo!
  • Leandro  08/10/2014 16:07
    A segunda opção.

    A "metodologia" seria deixar todo o mercado de câmbio funcionando de maneira inteiramente livre por aproximadamente um mês. Não deve haver absolutamente nenhuma restrição ao fluxo de capitais, e nem qualquer resquício de controle de capital.

    Tão logo a taxa de câmbio começar a demonstrar "alguma estabilidade" (sim, isso é bastante subjetivo, mas é tudo o que a teoria tem para oferecer), é chegada a hora da fixação da taxa. No dia escolhido, a taxa daquele dia passa a ser a taxa oficial -- fixa e imutável -- para a conversão. Daí cria-se o Currency Board.

    Ou seja, paradoxalmente, para se fixar a taxa de câmbio, é necessário deixá-la totalmente flutuante por algum tempo.

    Grande abraço e obrigado pelos elogios.
  • Yonatan Mozzini  09/10/2014 11:17
    Leandro, obrigado pela resposta. Tenho outra dúvida.

    Certa vez eu estava estudando Economia Brasileira Contemporânea, não lembro em qual livro, que dizia que o fato de fixar a moeda gera uma valorização real do câmbio devido a uma 'inflação residual'. Eu entendi isso pelo fato de que, na hora que se fixa o câmbio, alguns bens estão com preços defasados e, ao serem reajustados, ficarão mais caros que os equivalentes estrangeiros, gerando assim um câmbio real mais valorizado.
    Isso procede? Caso afirmativo, pode ser um problema - pelo menos de curto prazo - para a economia?

    Abraço!
  • André B.  11/06/2015 17:37
    Leandro, me explica uma coisa, por favor.
    O que aprendi aqui no site foi que a inflação é causada, basicamente, pelo sistema bancário, que joga o dinheiro na economia através de empréstimos. E a estagflação? Como é que ocorre a estagflação? Se a economia está estagnada, se a população já está altamente endividada, nem ela vai demandar tantos empréstimos, nem os bancos estarão dispostos a concedê-los, certo? Como é que, nesse cenário, a inflação continua alta? Por que ocorre esse aumento generalizado de preços, se a expansão da oferta monetária não está tão aquecida? É tudo por causa do câmbio? Como é que se dá esse processo?
  • Leandro  11/06/2015 19:39
    "O que aprendi aqui no site foi que a inflação é causada, basicamente, pelo sistema bancário, que joga o dinheiro na economia através de empréstimos."

    Essa é apenas uma das três maneiras possíveis de se gerar inflação. Eis as três:

    1) Banco Central imprime dinheiro livremente para financiar diretamente o Tesouro. Esse arranjo foi proibido em 2000 pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

    2) Bancos concedem crédito para pessoas e empresas em volumes exponenciais. Nesse cenário, o dinheiro só entra na economia via endividamento (pessoas, empresas e governo).

    3) As pessoas decidem abandonar a moeda. Nesse cenário, a demanda pela moeda cai, os agentes passam a utilizar outra moeda ou alguma commodity, e aí ocorre uma grande inflação de preços sem que necessariamente esteja havendo expansão do crédito ou déficits orçamentais do governo. (Monetaristas entusiastas do câmbio flutuante têm pavor deste cenário, pois não têm solução para ele).

    "E a estagflação? Como é que ocorre a estagflação?"

    A estagflação é uma mistura dos três (como ocorreu no Brasil na década de 1980 e primeira metade da de 1990) ou dos dois últimos (como ocorreu nos EUA na década de 1970).

    "Se a economia está estagnada, se a população já está altamente endividada, nem ela vai demandar tantos empréstimos, nem os bancos estarão dispostos a concedê-los, certo?"

    Não totalmente certo. Embora esse cenário que você descreveu seja perfeitamente possível de acontecer, ele nunca se verificou. Tanto no Brasil da década de 1980 e primeira metade da de 1990, quanto nos EUA da década de 1970, o crédito seguiu se expandindo (e altamente). O problema é que a desvalorização da moeda (algo que podia ser verificado pela taxa de câmbio) ocorria a uma velocidade muito mais alta do que a expansão do crédito.

    Sendo assim, a expansão do crédito (que gera aumento da renda nominal) era incapaz de aditivar a economia, pois os preços subiam mais do que a renda nominal das pessoas.

    No Brasil atual, está acontecendo exatamente isso.

    "Como é que, nesse cenário, a inflação continua alta? Por que ocorre esse aumento generalizado de preços, se a expansão da oferta monetária não está tão aquecida? É tudo por causa do câmbio? Como é que se dá esse processo?"

    Espero que tenha ficado claro.

    Recomendo estes dois artigos:

    A impiedosa destruição do real

    Uma radiografia da destruição do real - ou: não há economia forte com uma moeda doente


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