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O Banco Central americano e a “ameaça” da redução dos estímulos

O Federal Reserve — o Banco Central americano — tem sido implacável em sua tarefa de expandir a base monetária.  Embora a mídia rotineiramente goste de atormentar os leitores com insinuações de que a política sendo perseguida pelo Comitê de Política Monetária dos EUA está prestes a ser alterada, podemos ver no gráfico abaixo que ela não mudou nada desde o anúncio — feito em dezembro de 2012 — de que esta política seria implantada.


Evolução da base monetária dos EUA

Toda essa expansão da base monetária não se converteu em expansão monetária (isto é, expansão da quantidade de dinheiro na economia) porque boa parte dela ficou represada nos bancos, que não estão emprestando.  O gráfico abaixo mostra a evolução das "reservas em excesso", isto é, dinheiro que os bancos não emprestaram ao público porque preferem mantê-lo voluntariamente depositado junto ao Fed, que está pagando juros de 0,25% ao ano sobre este montante.

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Evolução das reservas em excesso nos EUA

Tenha em mente que, quando a mídia fala que o Fed está prestes a alterar sua postura monetária, não se está dizendo que haverá uma interrupção em todo este processo de criação de dinheiro; não se está dizendo que a base monetária assumirá um valor estável.  O que se está dizendo é que haverá uma redução na taxa de aumento desse processo de criação de dinheiro.  No momento, o Fed está criando o equivalente a US$1 trilhão por ano.  Tal postura passou a ser considerada normal.

Sempre que o Fed publica suas atas, o que ocorre a cada seis semanas, especialistas se debruçam nelas para estudar minúcias da linguagem e tentar encontrar alguma pista de que haverá alguma mudança de postura.  Eles estão tão preocupados com a ameaça de alguma redução na taxa de expansão da base monetária, que eles próprios tentam descobrir quando o Comitê de Política Monetária do Fed irá realmente reduzir a taxa de expansão.

Esse grau de preocupação indica o tamanho da dependência de toda a economia — não só a americana, como também a mundial — em relação a uma contínua expansão da base monetária feita pelo Fed.  Isso já deixou de ser uma minúcia meramente técnica; é hoje um assunto de interesse da imprensa mundial.  Obviamente, o tamanho do aumento na base monetária é astronômico, por qualquer que seja o padrão adotado, e isso aguça o interesse.  Um trilhão de dólares por ano é uma quantia obscena de dinheiro.  A mídia financeira supõe ser possível voltar a um mundo em que o Fed fabrica menos de US$1 trilhão por ano.  O medo hoje é que uma redução nessa velocidade de criação de dinheiro irá derrubar toda a economia.  O temor é que tal redução fará com que as taxas de juros de longo prazo voltem a subir (estavam em níveis historicamente baixos porque o Fed estava comprando títulos de longo prazo com o intuito justamente de manter baixos os juros de longo prazo), que os preços do títulos caiam, que a bolsa de valores despenque, que o desemprego suba, e que algo como a recessão de 2009 reapareça.

O mais interessante de tudo é o seguinte: isso é exatamente o que a Escola Austríaca de economia ensina.  Ela ensina que o Banco Central expande a base monetária e isso faz com que o capital seja alocado de forma errônea e insustentável.  Toda a economia se torna dependente deste dinheiro que está sendo criado do nada, bem como os mercados de capital.  Sendo assim, qualquer tentativa do Banco Central de retornar à situação anterior a este arranjo levará a uma grande recessão.  Foi isso o que ocorreu em 2007, o que gerou a recessão de 2008.

Estamos hoje vivenciando uma situação em que a mídia está tão preocupada com qualquer possibilidade de redução da taxa de expansão da base monetária, que ela está, com efeito, pressionando o Fed a continuar mantendo sua expansão.  A mídia persuadiu os investidores de que qualquer tentativa de conter a expansão da base monetária americana levará a uma série de consequências negativas para toda a economia global.  Trata-se de uma avaliação correta, mas isso pressiona o Comitê de Política Monetária do Fed a dar continuidade às suas políticas inflacionistas, pois até mesmo quando houve uma simples alusão de que haveria uma redução na taxa de expansão da base monetária, em junho passado, as bolsas de valores despencaram.

Estamos hoje em uma situação na qual a mídia financeira reconhece que o Fed é o centro da economia americana, e consequentemente o centro da economia mundial.  A mídia adotou uma estratégia de divulgar reportagens que geram temores todas as vezes em que há até mesmo uma ínfima alusão à possibilidade de o Fed começar a reduzir a taxa de expansão da base monetária.  As pessoas estão realmente alertas para tudo aquilo que o Fed está fazendo.  Isso não ocorria no passado, mas está ocorrendo agora.

Com o público investidor tão preocupado com a possibilidade de redução da taxa de expansão da base monetária, é improvável que o Fed se arrisque a realmente fazer isso.  Os economistas do Comitê de Política Monetária sabem que o público investidor está ciente de tudo que o Fed está fazendo, e este público está à procura de qualquer indicação de que o atual ritmo de compras de títulos governamentais e hipotecários pelo Fed não será mantido.  Isso praticamente garante que o ritmo das compras será mantido.  O Comitê de Política Monetária está temeroso dos efeitos de uma redução na taxa de crescimento das compras.  Ninguém quer uma recessão.  Todo o objetivo da atual política do Fed é justamente reduzir a ameaça de uma recessão.  É por isso que a economia americana está presa à atual taxa de crescimento da base monetária.

Quanto mais tempo isso perdurar, pior será a má alocação de capital.  Sabemos disso.  Economistas seguidores da Escola Austríaca se concentram nisso.  Mas essa é uma preocupação menor entre os economistas seguidores da Escola de Chicago, e raramente chega a ser uma preocupação entre os economistas keynesianos.  Os economistas acadêmicos e profissionais já se posicionaram em defesa do Fed, como sempre fazem.

bernanke-fomc.gi.top.jpgBen Bernanke viciou a economia americana a uma contínua inflação da base monetária.  A magnitude do aumento na base monetária tem sido tão grande, que a criação de US$1 trilhão por ano passou a ser necessária para ao menos começar a estimular a economia americana.  Não fosse a relutância dos bancos comerciais em conceder empréstimos, o país já estaria hoje em uma hiperinflação.  Mesmo assim, Bernanke ainda não foi desafiado de maneira significativa pelo Comitê de Política Monetária do Fed.  Apenas um membro do Comitê manifestou oposição à continuidade desta política monetária, no dia 31 de julho.  Isso indica um total apoio à política de Bernanke.  Indica também que a atual política monetária não é simplesmente a política de Bernanke; é a política de todo o Comitê.

William McChesney Martin, que foi presidente do Fed de 1951 a 1970, fez a famosa declaração de que a função do Banco Central é retirar o barril de chope quando a festa começa a ficar animada.  O problema é o seguinte: não haveria festa animada se o Banco Central não houvesse fornecido o barril de chope.  O barril de chope do Fed é a única coisa que está sustentando o atual nível da bolsa de valores americana.  É por isso que os comentaristas e jornalistas financeiros estão apavorados com a possibilidade de o Fed vir algum dia a deixar de expandir a base monetária em seu ritmo atual.  A economia está sendo estimulada unicamente pela inflação.  Mas ainda assim ela não consegue decolar.

A atual política seguida pelo Fed é clara.  Seus economistas já disseram repetidas vezes que manterão a atual política monetária até que determinados critérios sejam alcançados.  E estes critérios ainda não foram alcançados.  O desemprego ainda é de 7,5%, e a meta é 6,5%.  A inflação de preços ainda está abaixo de 2% ao ano.  E não há nenhuma pressão externa sobre o Fed para que ele reduza a taxa de expansão da base monetária.

Bernanke sairá do Fed no início de 2014.  O novo presidente estará em uma enrascada.  Como não sabemos quem será o novo presidente, não é possível fazer boas previsões sobre qual será a nova política do Fed.  A minha crença é esta: não haverá nenhuma mudança fundamental na política monetária até que a inflação de preços se torne um sério problema político.  Os mercados temem uma alteração na política monetária.  E o Comitê de Política Monetária do Fed teme os mercados.

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Leia também: Onde está a inflação de preços nos EUA?


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autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Rhyan  07/08/2013 14:55
    Como sair dessa situação? Hiperinflação ou um cara durão no comando do Fed? Quais seriam as consequências?
  • Leandro  07/08/2013 15:12
    Não há saída simples e indolor. O mais provável é que continuem empurrando com a barriga até o limite do possível. Mas não creio em hiperinflação. Não é do interesse dos bancos e eles teriam muito a perder -- mesmo porque o atual arranjo, em que eles emprestam majoritariamente para o governo, é bem mais confortável e lucrativo.
  • Rhyan  07/08/2013 15:43
    Mas se empurrar com a barriga, acabaria onde e como?
  • Tiago RC  07/08/2013 16:09
    Leandro, se os bancos impedirem a hiperinflação, não chegaria um momento em que o governo não mais conseguiria usar indiretamente o Fed para financiar sua dívida? Isso não poderia colocar em conflito o interesse dos banqueiros e com o do governo? O "atual arranjo" não poderia acabar mudando, culminando num cenário onde o governo usa o Fed diretamente, sem passar pelos bancos? Nesse cenário, acho que você concorda que hiperinflação seria só uma questão de tempo, não?

    É uma série de especulações, mas não sei não, com essa dívida que não para de crescer, não me parece impossível.
  • Leandro  07/08/2013 18:18
    Prezado Tiago, a sua dedução foi correta. A única maneira de driblar o sistema bancário e fazer com que o dinheiro entre diretamente na economia (provocando uma inflação direta) é adotando aquele modelo que vigorou no Brasil até o ano 2000: com o Banco Central financiando diretamente o governo. No caso dos EUA, isso ocorreria se o Congresso aprovasse a nacionalização do Fed.

    Ainda não há conversas sobre isso, no entanto.
  • Lopes  07/08/2013 16:12
    Leandro, hemos de considerar a possibilidade de um aumento radical nos juros dos títulos de tesouro dos EUA nos próximos anos caso esse siga com o endividamento desmedido que já lhe ocorre há tempos?

    Considero improvável que os maiores donos de títulos de dívida dos EUA como o banco central da China seguirão religiosamente sem vendê-los por mais dois anos caso o governo federal não expresse qualquer medida de austeridade(O que é improvável, dadas as taxas de desemprego e as próximas eleições). Lembro-me(Perdoe-me se houver engano) de haver assistido a um vídeo do Schiff onde o mesmo expressara a mesma preocupação minha. Como reação a tal possível aumento na desconfiança dos donos de títulos do tesouro americano, seria natural um aumento dos juros desses que tornaria o endividamento americano ainda mais insolúvel; poderia demonstrar se há algum equívoco em meu prognóstico ou divagar a respeito?
  • Leandro  07/08/2013 18:23
    Não vejo por que haveria um aumento radical. Enquanto houver Banco Central, nenhum governo se preocupa com endividamento, pois nenhum banco irá deixar de comprar títulos do governo. Por que deixariam? É uma vida muito fácil. Você compra títulos do governo e depois os revende para o Banco Central, e ainda colhe lucro nessa operação.

    Sobre a China, eles só vão parar de comprar títulos americanos se deixarem o iuan flutuar em relação ao dólar. Só que isso vai contra os interesses do poderoso setor exportador chinês. E o governo chinês trabalha em função deste setor. Logo, não visualizo o BC chinês mudando sua postura.
  • Marcelo  07/08/2013 17:00
    Leandro,

    Vê se concordas com o meu raciocínio, por favor.

    Não é de interesse dos bancos, agora, que o governo americano ainda consegue pagar o serviço de sua dívida (através de novas dívidas), mas e quando o governo perder credibilidade como pagador, a quem os bancos emprestarão senão ao setor privado, finalmente despejando todo esse dinheiro na economia?

    E acrescento mais uma pergunta: tu vês alguma chance de o governo americano NÃO dar o calote em sua dívida, nos próximos anos, seja abertamente ou através da inflação?
  • Leandro  07/08/2013 18:30
    Os bancos continuarão emprestando para o governo enquanto houver Banco Central. O Banco Central tem duas funções: proteger o setor bancário e financiar a dívida do governo.

    No atual arranjo, os bancos compram títulos do Tesouro e os revendem ao Banco Central, auferindo lucros neste processo. Atualmente, o Fed é o maior detentor dos títulos do Tesouro americano, o que significa que os simplesmente bancos compram os títulos e os revendem para o Fed. A encrenca é entre o Fed e o Tesouro (que tem de pagar juros ao Fed). Logo, não vejo por que os bancos deixariam de continuar financiando o governo.

    Sobre o calote, este é inevitável (para qualquer governo), mas ele não ocorrerá subitamente, de uma só vez. O governo (de qualquer país) vai começar dando o calote naqueles grupos que têm menos poder político. Nos EUA, o governo vai começar a cortar o Medicare e o Medicaid. Aqui no Brasil serão alguns pensionistas. E assim por diante. A faca começará sempre sobre os menos influentes.
  • Marcelo  07/08/2013 20:17
    Contudo, quando a faca começa a cortar os menos influentes o mercado se assuta e os juros sobem; além de a economia entrar em forte depressão, agora o serviço da dívida fica mais caro; para pagá-lo, mais dólares são criados, deteriorando o valor da moeda; com isso, menos os consumidores americanos importam e mais caros se tornam os produtos domésticos devido à concorrência dos estrangeiros e à contração da oferta; os EUA se tornam um país mais pobre, e o dólar uma moeda mais fraca. Dependendo da extensão desse processo (a relação cortes/aumento da taxa de juros/novos endividamentos/fluxo de dólares do exterior), é possível que o valor do dólar entre em colapso antes que o gráfico do endividamento total do país atinja um pico e entre em trajetória descendente, ou seja, antes que o mercado retome a confiança na economia americana. Nesse caso, um pouco antes disso, imagino os bancos privados percebendo o desfecho e se livrando dos dólares rapidamente, acelerando o processo final.

    Ou será que os bancos agiriam antes disso? Tentei mas não consegui visualizar, baseado no que tu disseste - de que não é do interesse deles parar de financiar o governo.
  • Rhyan  08/08/2013 10:04
    Desculpe, mas ainda não entendi o que vai acontecer se o Fed empurrar com a barriga, que parece ser a possibilidade mais provável.
  • Leandro  08/08/2013 12:51
    Quem souber exatamente, e agir de acordo, fica rico.

    O que posso dizer é que é sim possível postergar ad aeternum. O Fed continua injetando dinheiro no sistema bancário e continua pagando para que os bancos não se desfaçam de suas reservas em excesso. Os juros básicos continuam próximos de zero (pois o mercado interbancário está inundado de dinheiro, e não mais há empréstimos entre os bancos) e poupadores não ganham absolutamente nada em suas aplicações bancárias. Consequentemente, qualquer inflação de preços de 1% ou mais já corrói a poupança das pessoas.

    Em decorrência disso, investidores e administradores de fundos de pensão terão de sair à procura de qualquer coisa que prometa uma rentabilidade melhorzinha, na qual irão despejar seu dinheiro. Isso pode ocorrer ou em alguma área da própria economia americana (o que tenderia a formar uma bolha) ou em outro país, o que geraria um enorme influxo de capital estrangeiro para este país, o que certamente faria com que seu governo "tomasse medidas" para impedir a valorização de sua moeda no curto prazo.

    Agora alguém tenha a bondade de continuar essa história, fazendo suas próprias especulações.
  • anônimo  08/08/2013 13:32
    Leandro, qual a vantagem, do ponto de vista dos bancos, em ser pago pra não soltar esse dinheiro no mercado? Porque esse dinheiro que ele recebe não é relativamente uma migalha perto do montante real que ele já tem guardado?
  • Leandro  08/08/2013 13:43
    0,25% ao ano sobre reservas que já estão em US$ 2 trilhões não é algo tão desprezível assim, principalmente quando se compara esse rendimento líquido e certo à atual situação da economia americana. Além de as perspectivas econômicas futuras serem pra lá de incertas, há toda uma incerteza gerada pelo regime.

    Na atual conjuntura econômica, os bancos americanos -- além de financiar o governo -- preferem obter esse rendimento certo e seguro a saírem emprestando desvairadamente para empresas.

    Por exemplo, ninguém sabe ao certo qual será a política de impostos a ser adotada. O Obamacare segue na pauta. Se for aprovado na íntegra, haverá um maciço aumento no payroll tax (tributos sobre a folha de pagamento), o que encarecerá absurdamente a mão-de-obra. Como investir se você não sabe nem como serão os tributos sobre sua mão-de-obra? O empreendedor nem sabe quantas pessoas poderá contratar em seus investimentos, pois tornou-se impossível fazer previsão de custos.

    E há também a constante ameaça de aumentos de impostos que Obama vive fazendo, e que vai depender do resultado das eleições para o Congresso em 2014.

    E tem também os gastos do governo. Ninguém sabe se aumentarão, ficarão na mesma ou diminuirão.

    E há a questão da previdência, cuja reforma cada hora vai prum lado.

    Eu realmente não ia querer ser empreendedor numa hora dessas. Tampouco iria querer emprestar dinheiro para empreendedores em um cenário assim. Comparado a tudo isso, ganhar 0,25% de juros anuais líquidos e certos é uma bênção -- fora que 0,25% de 2 trilhões são 5 bilhões de faturamento garantido. Nada mau.
  • Vinicius Costa  07/08/2013 14:56
    Nas ultimas semanas o Peter Schiff tem falado bastante sobre a inflação de preços nos EUA, afirmando que o governo tem manipulado os números e que sem isso o proprio GDP já indicaria uma recessão (Já que o deflator usado seria maior). Ele cita o aumento das commodities, saúde, educação e gasolina.

    Existem bons medidores de inflação privados nos EUA para que se possa comparar esses números?
  • Leandro  07/08/2013 15:09
    Há dois gráficos aqui:

    www.shadowstats.com/alternate_data/inflation-charts

    O primeiro mostra qual seria a verdadeira inflação de preços utilizando-se a metodologia atual, mais branda.

    O segundo mostra qual seria a verdadeira inflação de preços utilizando-se a metodologia em voga até o início da década de 1990, quando foi alterada pelo governo Clinton.
  • Diones Reis  07/08/2013 15:46
    Qual a perspectiva de Janet Yellen ser a nova "Chairwoman" do FED?

    Ficaríamos com saudades do Bernanke?
  • Pobre Paulista  07/08/2013 16:10
    O preço do ouro em dólares deveria estar disparando, dada a inundação de dólares na economia. No entanto desde o começo do ano o ouro não para de cair. Alguma explicação racional para isso?
  • Lopes  07/08/2013 16:34
    Perdoe-me caso minha análise tenha sido incompleta, entretanto, o ouro viveu quase uma década de grande valorização ininterrupta. E tal ganho de valor não fora quebrado de forma alguma pela inundação de dólares do FED, tendo servido como um indicador casual de inflação de preços até sua desvalorização recente.

    Cito aqui o pequeno ensaio de Jessie Rogers como atentado de justificar a desvalorização recente:

    1) A Índia elevou sua tarifa de importação de ouro de 4% para 6%, o que restringiu a demanda por ouro naquele que hoje é o maior mercado mundial do metal.

    2) Analistas técnicos e estudiosos das tendências dos preços vinham afirmando repetidamente que os preços do ouro cairiam.

    3) Muitos proprietários da moeda digital Bitcoin também possuíam ouro. O colapso do Bitcoin ao longo das duas últimas semanas(Artido escrito em 16 de Abril, receio) desencadeou uma venda de ouro por parte dessas pessoas.

    4) A exigência da Alemanha para que o Chipre vendesse parte de seu ouro para arrecadar euros — e com isso aliviar preocupações geradas pela dívida do país — ajudou a intensificar a queda nos preços do metal.

    Em minha visão, receio que é inerente uma revalorização do ouro nos próximos meses.
  • Tory  07/08/2013 16:52
    My 0.02 USD:

    O ouro já tinha subido um bocado mesmo antes do estouro da crise, diante de uma expectativa de inflação que não se concretizou (ainda - novamente, IMHO) por todos os motivos que são diariamente discutidos aqui. Note que a oscilação de cotação do ouro, recentemente, também tem sido bem alta. Nada inexplicável, no meu entender.
  • Leandro  07/08/2013 18:38
    Tudo o que o Lopes disse está correto, mas houve também as seguidas ameaças do Fed de que não mais daria continuidade à sua política monetária. Essa simples ameaça fez com que todo mundo corresse para o dólar (e vendesse outros ativos), pois imaginaram que a economia americana já estava voltando a crescer.

    Assim como o ouro disparava sempre que Bernanke anunciava um novo QE, ele agora despenca sempre que um figurão do Fed dá a entender que a atual política monetária será abandonada.
  • Pobre Paulista  08/08/2013 02:42
    Eh, tendo a crer nisso, mas é difícil aceitar que o mundo inteiro toma decisões desse tamanho baseado somente no que um velho barbudo de gravata disse.
  • Lopes  08/08/2013 12:54
    É de praxe o mundo girar ao redor dos ditos de "velhos barbudos", Paulista. Trata-se da irresistível gravitação do intelecto humano quando há adulação dos princípios de tais homens.
  • Pobre Paulista  08/08/2013 13:18
    E eu achando que o segredo estava na gravata :-)
  • Eu  07/08/2013 16:11
    Gostei do artigo, mas ficou uma dúvida conceitual.

    Se os bancos estão represando grande parte do dinheiro que o FED tenta despejar na economia, e se a inflação moderada se deve à isso, então este quantitative easing não está sendo totalmente inefetivo?

    Quer dizer, se o dinheiro não está de fato entrando na economia, ainda é correto afirmar que toda economia está dependente deste dinheiro?
  • Leandro  07/08/2013 18:43
    O QE foi extremamente efetivo em melhorar o balancete dos bancos americanos, aumentando enormemente seu capital e impedindo que eles quebrassem. Como sempre dissemos neste site, Bancos Centrais existem para proteger o sistema bancário. No caso americano, os bancos saíram limpos da lambança de 2008. Aliás, tiveram altos lucros com ela.

    Os austríacos foram os únicos que defenderam as quebras bancárias como maneira de punir os ruins, expurgar o sistema e fazer com que apenas os competentes sobrevivessem. Mas todo o mainstream defendeu os socorros -- os mesmos que hoje reclamam dos lucros e dos privilégios dos bancos.

    De resto, o dinheiro está sim entrando na economia americana, só que (felizmente) a um volume muito menor do que está sendo criado pelo Fed.
  • Marcel  07/08/2013 16:14
    Leandro, por favor me corrija se estiver errado.

    Mas no ambiente atual parece que, em razão da quantidade absurda de dinheiro injetado na economia para reanimá-la, estamos com praticamente todos os campos possuindo preços extremamente caros, e que entrarão em queda assim que houver o final da festa por parte do BC em aumentar os juros, e os bancos em realizar empréstimos (o que parece já estar acontecendo levando-se em consideração o grau de endividamento das pessoas e os índices de inflação se desacelerando). Se você considerar, no Brasil, o valor absurdo dos imóveis, do ouro, do Ibovespa (considerando que ele estava em cerca de 5300 pontos há quinze anos), creio que estamos no ápice dos preços, e em breve entraremos em um período corretivo de todos esses elementos, porque todos eles cresceram absurdamente em pouquíssimo tempo, enquanto a renda do cidadão brasileiro subiu muito menos do que tudo isso. Correto?

    Quanto ao valor do dolar, considerando esse aumento nos estímulos e na base monetária nessa ordem do artigo, por que ele está se valorizando tanto em relação ao real? Tudo isso é dúvida à respeito do futuro (os investidores não sabem o que fazer), especulação ou nossa base monetária está se expandindo mais do que a base americana (o que não me parece isso, certamente)?

    Um grande abraço!
  • Leandro  07/08/2013 19:00
    Marcel, concordo com tudo o que você falou sobre os preços e o nosso futuro ajuste. Meus últimos artigos têm sido exclusivamente sobre isso.

    Sobre a disparada do dólar (e do euro) em relação ao real, há outros fatores. E também escrevi sobre isso.

    São três os fatores que determinam as oscilações da taxa de câmbio de uma moeda.

    1) O primeiro é a inflação monetária. A taxa de câmbio é, no longo prazo, definida pelo poder de compra da moeda. Como o poder de compra do real foi dizimado pela inflação monetária ocorrida do período 2008-2011, é natural que esteja agora havendo esse ajuste na taxa de câmbio.

    2) Além da inflação monetária, a taxa de câmbio de curto prazo também é afetada pelo crescimento da economia. Quanto maior o crescimento da economia, maior a demanda por moeda nacional -- isso explica a valorização cambial que inevitavelmente ocorre quando o PIB está crescendo. Em 2008, a expansão monetária foi forte, mas o real se apreciou porque a economia estava crescendo. O mesmo ocorreu em 2010 e no primeiro semestre de 2011.

    3) Esse terceiro fator é, na minha opinião, o que está se sobressaindo atualmente.

    Quando uma economia ainda em desenvolvimento -- como a brasileira -- adota uma taxa de câmbio flutuante, sua moeda estará diariamente sujeita aos humores dos especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que atuam no mercado financeiro. Se eles perderem a confiança no governo, a taxa de câmbio poderá se desvalorizar acentuadamente, e permanecer assim por um bom tempo. É isso que está acontecendo no Brasil atual: a inflação monetária não está mais crescendo em níveis acentuados -- na verdade, está bem contida, o que está gerando uma sensação de aperto financeiro, pois os preços seguem subindo --, mas a taxa de câmbio segue se desvalorizando, por causa da atuação de especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders.

    Repito: em um cenário de inflação monetária relativamente baixa, o dólar pulou de R$1,54 para R$2,30 e o euro pulou de R$2,23 para R$3,07, o que vem alimentou a inflação de preços atual.

    É por isso que há grandes economistas -- como Steve Hanke -- que defendem Currency Boards para economias em desenvolvimento. Segundo eles, deixar a moeda de um país ainda em desenvolvimento flutuar de acordo com a percepção que os agentes externos têm em relação à solidez do governo nacional é loucura.
  • Marcel  07/08/2013 20:30
    Olá Leandro,

    Quando você fala o seguinte:

    É isso que está acontecendo no Brasil atual: a inflação monetária não está mais crescendo em níveis acentuados -- na verdade, está bem contida, o que está gerando uma sensação de aperto financeiro, pois os preços seguem subindo --, mas a taxa de câmbio segue se desvalorizando, por causa da atuação de especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders.

    Esse ponto acabei não conseguindo captar:
    Por que os preços continuam subindo? Esses preços subindo não gerariam aumento na taxa de inflação? Esse aumento nos preços tem alguma vinculação à taxa de câmbio?

    Se não me engano você fez um texto falando à respeito disso, não?

    Um abraço!

  • Leandro  07/08/2013 21:20
    Estão subindo por causa de toda a inflação monetária ocorrida no passado (2008-2011) e por causa da forte desvalorização cambial.

    Sim, os artigos sobre isso foram linkados na minha resposta acima.
  • Cauê  07/08/2013 16:51
    Minha opinião é que voltaremos ao ouro.

    As implicações políticas disso é que são sombrias.

    Aí resta a questão de se todos estão em conluio ou quem está com quem. E quais as visões políticas desses grupos. Além disso se vai pela diplomacia ou por guerra.

    Embora, ache que um pouco de repressão será inevitável por um tempo. Um tipo de regime a la Putin.

    Queiramos ou não.

    Quando estava no Canadá ano passado, foram realizados diversos treinamentos militares em uma região de Ontário. Em todas as cidades dessa região (County). Soldados com rifles e carros fortes, em algumas cidades até tanques.

    Eles ficavam perto de escolas, igrejas, avenidas principais.

    Então acho que logo menos vão mudar o regime, não sei para fazer o que. Pode ser pra melhor ou para pior. A questão é que em breve irá mudar.

    E isso não é notícia, vi com meus próprios olhos. Ouvi dizer que nos EUA foram realizados esses treinamentos também.
  • Cauê  07/08/2013 17:08
    Aliás,
    Carros blindados.
  • Nilo BP  08/08/2013 12:17
    Mas qual é a ligação entre um padrão ouro e a repressão estatal? Do jeito que os governos atuais estão viciados em inflação, a adoção de um padrão ouro limitaria seriamente a capacidade do Estado agir.

    Ou você está falando da vinda do Estado mundial?
  • Cauê  08/08/2013 18:33
    Acho que vão tentar implantar o ouro em alguns países e outros irão resistir.

    Principalmente, EUA & Canadá (mesmo país huahau) e acredito que a Inglaterra também.

    Canadá e Inglaterra já venderam todo o ouro de seus bancos centrais. EUA é um grande mistério. Eu acredito que não exista mais nada também. Aliás dizem que até o ouro da Alemanha, tanto na Inglaterra quanto nos EUA, já se foi. Fato é que só existe papel rolando por aí.

    Na transição vão tentar manter a ordem. Agora o que vem depois é que não sei.
    Sinais contrários de todos os lados.

    E nos EUA só conseguirão isso (estado mundial) com guerra civil. Canadá não dura 10 min. Povinho bovino igual aqui.

    Agora, o dia está próximo porque ou o pessoal da UE ou dá o golpe agora ou vai tudo por água abaixo. Porque na Holanda a direita vai ganhar. O UKIP, na Inglaterra também. Na França a direita está crescendo. na Itália também. Na Alemanha a Merkel vai tentar reeleição e terá fôlego depois. E quase todos partidos novos ou ressurgindo. E aí bye, bye UE.

    Fato é que o dólar já era. Ao menos que tenhamos guerra ou cederem de alguma forma (por exemplo, fizerem um acordo mundial pra fazer uma transição mais suave).
    Que vai gerar tumulto geral(miséria). E aí entra a repressão que eu falei.
    Vão por algo no lugar. Mais aí vai depender de política.
    E as coisas vão ficar feias nesse meio-tempo. Pode ter certeza.

    Poder é poder. Nunca se esqueçam disso. Economia é só um meio nunca um fim para políticos, psicopatas e afins.

    Na Europa no médio/longo prazo acredito que teremos monarquias voltando.

    Sempre falo isso. A diferença de país decente e país zuado é que os sérios têm pra onde voltar.

    A Rússia e China nunca deixariam EUA e UE se unirem e formar um governo mundial, não pacificamente. Nem os Sheik doidão lá uahuah
  • amauri  07/08/2013 17:48
    Boa tarde!
    Os bancos deixam estas reservas no FED por ser a melhor opção ou por estar apoiando o governo e ajudando a inflação não estourar?
  • Eduardo  07/08/2013 20:09
    O "esquema americano" é o seguinte: o dólar é a moeda internacional desde o fim da segunda guerra. O FED produz dinheiro para os EUA, uma parte fica encaixada nos bancos americanos, outra parte entesourada pelo povo, e o resto é exportado para o mundo, via importações de produtos, o que segura a inflação de preços. Os bancos centrais do resto do mundo compram os dólares dos seus exportadores, de modo a valorizá-lo mais ainda e estimular mais as exportações para os EUA. Para que isso se rompa, os americanos deverão perder o poder de consumo de importados, o que é muito improvável. Ou todo o mundo parar de exportar para os EUA e resolver comprar tudo deles, com dólares, de modo a inundar os EUA de dólares. Mesmo assim, caso isso aconteça, o que também é muito improvável, o governo americano eleva a carga tributária e os dólares voltam para o próprio governo, aos cofres do seu Tesouro Nacional. Tudo é contornável para eles, porque o dólar ainda é a moeda internacional. Isso se mantém por causa dos costumes americanos e do idioma inglês, que também ainda é o idioma mais internacionalizado do mundo, o que torna a cultura americana extremamente difundida e aceita nos quatro cantos do planeta, mesmo que indiretamente.
  • Bob  14/08/2013 12:34
    Um tanto tardio neste tópico, pois o mesmo foi editado em 7 de agosto ultimo, mas mesmo assim gostaria de perguntar para o Leandro, se é possível ele fazer uma analise e colocar aqui, ou até mesmo se já existe tal analise, sobre a questão da capitalização, por parte do governo, do BNDES e de mais algumas estatais, cuja capitalização é proveniente de títulos do Tesouro Nacional. O que isso tem haver com a criação do dinheiro? Seria ai uma forma de criar o dinheiro e injetá-lo na economia?

    Antecipadamente fico grato por uma possível resposta.
  • Leandro  14/08/2013 12:45
    Essa prática é tão antiga -- exceto para a imprensa, que a aparentemente só a descobriu agora --, que foi por nós abordada e explicada em detalhes neste artigo de 2010:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=837
  • Bob  14/08/2013 13:21
    Obrigado Leandro.

    Ontem lendo um artigo do Rodrigo Constantino na Veja nestes link: veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/2013/08/13/orcamento-paralelo-em-uma-imagem/
    e como eu já vinho algum tempo lendo vários artigos aqui no Mises Brasil, inclusive os seus Leandro, que por sinal são excelentes e sem paralelo aqui no Brasil, me despertou essa curiosidade de que tanto tem sido tratada nos artigos deste site, que é a criação do dinheiro do nada e e de como esse dinheiro entra na economia.

    Fui verificar superficialmente o histórico de capitalização do BNDES via esses títulos do Tesouro e a sua relação com dívida publica bruta, daí que achei interessante o assunto ser abordado por pessoas com maior conhecimento e habilidade para tanto.

    Obrigado pela informação e dica do artigo.
  • Hugo Siqueira  20/08/2013 14:52
    UM SENTIDO PARA COOPERAÇÃO
    Durante anos a baixa inflação americana foi decorrência da capacidade da China de exportar produtos mais baratos do que americanos conseguiam produzir. O trabalhador americano é mais eficiente que qualquer outro e não compensa utiliza-lo na função de outro mais barato. Exportar tecnologia traz mais benefício do que a exportação do próprio bem industrial. Bens tecnológicos – que são intangíveis – são poupadores de energia e transporte. Altas tecnologias – constituídas apenas de ideias – são desocupadores da mão de obra. Mas, a difusão em larga escala dos objetos tecnológicos propriamente ditos, os computadores, celulares, Ipad, etc., requerem tal quantidade de mão de obra que os países industrializados não suportam, tanto na quantidade quanto baixa qualificação requerida. Por isso o foco da fabricação dos objetos tecnológicos foi deslocado por iniciativa própria dos países asiáticos, especialmente a China.
    È interessante notar que o deslocamento do foco não se deu por iniciativa dos países industrializados
    A cooperação foi iniciativa própria dos países asiáticos ao abrir deliberadamente seu território às empresas tal como se deu na década de 70 para o Brasil, com a transferência de fábricas inteiras, inclusive o processo de linha de montagem.
    Pelo contrário, a formação de blocos é contrária à cooperação espontânea. Faço questão de frisar: não sou economista, Sou um mero "eletrecista".
  • Julio dos Santos  24/09/2013 18:10
    Leandro,
    Ao analisar o balanço do FED, do Treasury e do consolidado dos bancos comerciais dos USA, cheguei a algumas conclusões e dúvidas, me corrija se estiver errado.
    Boa parte do ativo do FED, cerca de um terço, está alocado na compra de títulos hipotecários, imagino que grande parte seja ativo podre. Estes ativos tem sua grande maioria vencimento para mais de 10 anos. Outra grande parte do ativo do FED encontra-se alocado em títulos do Treasury, cerca de metade do total do ativo. Na outra ponta, no passivo, estão os depósitos dos bancos e a emissão de dívida do FED, financiando a compra destes ativos podres e de títulos do Treasury, com uma remuneração próxima a zero.
    Já os bancos ficam no meio do caminho fazendo uma ótima troca, pois trocaram ativos podres, por ativos seguros do Treasury e ainda vendem estes títulos para o FED ficando no final das contas com um depósito no FED, também seguro. Nisto eles ganham tendo a certeza de receber um juro pequeno ao invés de não receber nem o principal das hipotecas, prestando o serviço para todo o sistema de repassar a dívida do Treasury para o FED e repassar o dinheiro do FED para o Treasury.

    Esquematizando o exposto acima:
    > FED (www.federalreserve.gov/releases/h41/current/h41.htm)
    Ativo: + Dívida do Treasury
    Ativo: + Hipotecas
    Passivo: + Dívida do FED
    Passivo: + Deposito dos Bancos

    > BANCOS (www.federalreserve.gov/releases/h8/current/)
    Ativo: + Deposito no FED
    Ativo: - Hipotecas
    OBS: A dívida do Treasury somente passa pelo balanço e chega no FED, do mesmo modo que o dinheiro do FED passa pelo banco e chega no Treasury

    > Treasury (www.treasurydirect.gov/govt/reports/pd/account/2013/2013_mar.pdf)
    Passivo: + Dívida do Treasury
    Ativo: + Funds ???

    Minhas conclusões:
    - Este sistema está sendo muito eficiente para limpar os balanços dos bancos;
    - Este sistema está fazendo o Treasury (administrador do dinheiro do governo federal americano) conseguir um financiamento fácil e barato, à custa da população americana;
    - Os maiores beneficiários disto são os expostos à dívida hipotecária, que até agora não perderam nada, e o governo federal americano, que está se financiando;
    - Os bancos sairão ilesos;

    Dúvidas:
    - Quando estas hipotecas vencerem, quem pagará ao FED?
    - Todo aquele dinheiro captado pelo Treasury, que eles alocam em Funds (General Fund, Fund Balance, etc), que por sua vez pagam as despesas do governo, não há um furo neste balanço? Parece, à primeira vista, que se coloca como ativo uma despesa já ocorrida, fraude básica contábil. Sendo assim dentro deste balanço não há ativo nenhum. É meio catastrófico, eu sei, mas não vejo o ativo para o passivo do Treasury. Corrija-me se eu estiver errado.
  • Leandro  24/09/2013 19:51
    Prezado Julio, há alguns erros conceituais e contábeis.

    Em primeiro lugar, o Fed não emite dívida. Nenhuma. Ele cria dinheiro e compra títulos do Tesouro (treasuries) em posse dos bancos. Ao fazer isso, o título se torna seu ativo, e o dinheiro que ele criou e que foi para as reservas dos bancos, o passivo. Logo, não existe essa rubrica "dívida do Fed".

    Adicionalmente, "depósitos dos bancos" foi uma rubrica dúbia. Se você se referiu aos depósitos bancários como um todo (conta-corrente, conta-poupança, depósito a prazo etc.), isso não é passivo do Fed. Isso é passivo do sistema bancário. Passivo do Fed são as reservas bancárias depositadas junto ao Fed. (É nesta conta que entra o dinheiro criado pelo Fed e entregue ao sistema bancário).

    Sobre suas quatro conclusões, elas estão perfeitas e irretocáveis.

    Sobre suas dúvidas:

    - Pagará ao Fed quem for o devedor. Mas a intenção do Fed é desovar estas hipotecas antes que elas vençam.

    - O fato de o Tesouro estar manipulando seus balanços já é algo amplamente sabido (e aceito) nos EUA. Mas ninguém liga. Veja este artigo a respeito:

    www.garynorth.com/public/11461.cfm

    Grande abraço!
  • Julio dos Santos  24/09/2013 21:04
    Ótimo, Leandro! Entendido!

    Minha interpretação como "Dívida do FED" originou de uma rubrica que há no seu passivo chamada "Federal Reserve notes, net of F.R. Bank holdings", aparentemente esta é uma linha de dívida via emissão de título, talvez algo entre os FED's regionais.

    O chamado "Depósito dos Bancos" são mesmo as reservas bancárias como tu falaste, utilizei o termo depósito pois no balanço do FED a rubrica se chama "Deposits".

    Sobre as dúvidas:
    - A desova destes títulos será via venda no mercado secundário por um preço muito menor que o de face e absorver este prejuízo?
    - Um ente com uma dívida sem o seu ativo correspondente é muito preocupante! Nenhum ente privado faz essa prática, pois é fraude! Até o governo brasileiro não utiliza disto. Aqui eles têm no seu ativo um bolo gigantesco chamado "Dívida ativa", algo como um "Contas a Receber" infindável, mas nunca com despesas em forma de ativo, é a coisa realmente está feia por lá e eu não tinha noção.

    Muito obrigado pela pronta atenção!
  • Leandro  24/09/2013 21:44
    Julio, "Federal Reserve notes, net of F.R. Bank holdings" se refere às cédulas de dinheiro em posse dos bancos (nos cofres e nos caixas automáticos).

    Sobre a desova de títulos, não tenho a mínima ideia de como lidarão com isso. E nem se realmente farão isso.

    Abraço!
  • Fernando Rodrigues  16/12/2013 16:26
    Quando a compra de títulos pelo FED for interrompida ou até mesmo diminuída, haverá um aumento da taxa básica de juros pois sem esse aumento não há como o governo financiar seus déficits? E esse aumento consequentemente reduzirá o valor dos títulos norte-americanos, induzindo seus portadores a vendê-los ocasionando um aumento da inflação que levará à um aumento maior ainda da taxa básica de juros? Se estas duas suposições feitas por mim forem verdadeiras, acredito que esse arranjo foi elaborado maliciosamente com o intuito de monetizar a dívida norte-americana.







  • Hugo Siqueira  21/01/2014 17:21
    POLITICA DO FED AINDA É EXPANSIVA
    O FED não está retirando estímulos. Vai emitir menos. Os estímulos continuam a crescer, só que em ritmo menor. A dívida não diminui: apenas cresce menos: 500 bilhões a mais, em lugar de 1 trilhão de dólares anuais.
    É muito pequena a retirada de 10 bilhões mensais (500 bilhões no ano) para produzir qualquer efeito significativo. Para estacionar os estímulos no nível atual a redução deveria ser o dobro.


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