Por que os carros de hoje são todos iguais

Aquele carro antigo, que havia sido especialmente alugado para a ocasião, esperava pelos noivos para levá-los a uma festa logo após a cerimônia do casamento.  Eu estava entre aqueles convidados que se mostravam mais embevecidos pelo carro do que pela festa de casamento em si.  Absolutamente maravilhoso.

Era um Studebaker.  Até onde sei, era um conversível da linha Commander, de 1940.  Tive de ir pesquisar: esta empresa nasceu em 1852 e morreu em 1967, e produziu alguns dos carros mais visualmente fantásticos de sua época.  Ela até chegou a produzir um carro elétrico em 1902!  Mas os controles de preços adotados pelo governo americano durante a Segunda Guerra Mundial encolheram suas margens de lucro, o que gerou um processo de fusão em toda a indústria automotiva, que acabaria por matar a empresa. 

Mas, naquele sábado à tarde, o carro ainda estava fabuloso, após todos esses anos.  Estávamos em um estacionamento a céu aberto repleto de automóveis modelos novos.  Mas ninguém dava a mínima para eles.  Estávamos todos obcecados com este velho Studebaker.  Seu nome havia sido escolhido corretamente: aquele automóvel despertava atenção.  O formato fazia dele uma obra de arte.  O capô não era nada parecido com o que existe hoje.  O interior de couro vermelho era extremamente luxuoso.

Ficamos lá extasiados, em total admiração.  Divagamos um pouco sobre como seria o consumo de combustível.  Não deveria ser muito maior do que o dos gigantescos utilitários atuais.  Ainda assim, concordamos que pagar mais para dirigir algo tão legal valeria a pena.

Studebaker Custom Convertible OC.jpg
Studebaker Commander Convertible
No entanto — e eis todo o problema —, isso não é uma opção.  Nenhum fabricante está autorizado a fazer um carro igual a esse.  Façamos um pequeno retrospecto e pensemos um pouco.  Na década de 1930, os telefones eram horrorosos, pesados e nada práticos, e você era um grande sortudo se tivesse um.  Ninguém hoje abriria mão de um smartphone em troca de uma daquelas coisas antigas.  O mesmo é válido para computadores, televisões, fogões, fornos microondas, sapatos etc.  Ninguém quer retroceder no tempo. 

Já com os carros, a situação é distinta.  Nossa sensação de nostalgia só faz aumentar, em vez de diminuir.  Mas o problema é que nem sequer temos a opção de voltar ao passado.  Não mais teremos carros bonitos como os de antigamente.  O governo e suas dezenas de milhares de regulamentações específicas para o setor automotivo não permitem.    

No dia anterior ao casamento, estava eu em uma loja de conveniência quando vejo outro carro fabuloso, desta vez um pequeno modelo esportivo.  Mesmo eu que não ligo muito para carros fiquei extasiado. Normalmente, não me importo muito com o modelo de carro que dirijo.  Mas aquele carro em específico era sensacional demais para não despertar a minha admiração.

Perguntei ao proprietário onde ele havia comprado, que modelo era, quem era o fabricante etc.  Aquele carro havia desafiado a minha impressão de que todos os carros atuais são iguais.  Ele me disse que ele próprio o havia construído em sua garagem.  Ele comprou todo o kit de montagem na Factory Five Racing.

Perguntei: "Você hoje tem de montar seu próprio carro porque nenhum fabricante pode vender algo assim?"

"Correto!", disse ele.

Estas empresas que se especializaram em vender componentes automotivos avulsos são uma forma fantástica de você conseguir respirar em uma era em que o controle governamental sobre o mundo físico é total.  Elas são uma maneira legal de driblar as imposições estatais.  A lei ainda permite que colecionadores, proprietários de carros antigos e praticantes de hobby possam dirigir estes belos carros.  Mas ela não permite que os fabricantes atuais comercializem carros que se pareçam com estes.

Aquele antigo ditado diz que "Se você quer algo bem feito, faça você mesmo."  Há apenas um problema com este ditado: em uma economia desenvolvida, ele não deveria ser válido.  Deveríamos poder tirar vantagem da divisão do trabalho.  Assim como não temos de tecer nossas próprias roupas, não deveríamos ter de construir por conta própria nossos carros.  Mas foi justamente a este caminho que as regulações estatais nos levaram.

Você por acaso já parou para pensar por que todos os fabricantes constroem carros visualmente sensacionais — os quais elas chamam de "carros-conceito" —, mas por algum motivo tais carros nunca estão à venda?  Sempre fiquei intrigado em relação a isso.  Imaginava que era simplesmente porque os carros-conceito eram caros demais para serem fabricados.  Mas não é por isso.  A questão é que as regulamentações estatais não permitem que eles sejam comercializados.

As coisas não aconteceram todas de uma só vez.  As proibições foram graduais e ocorreram ao longo de quatro décadas, sempre em nome da segurança e do ambientalismo.  Tudo começou nos EUA, em 1966, com a criação da National Highway Traffic Safety Administration [agência governamental que faz parte do Departamento de Transportes, cuja missão é "proteger vidas, impedir danos, e reduzir acidentes automotivos"].  Depois surgiu Environmental Protection Agency [agência governamental encarregada de "proteger a saúde humana e o ambiente"].  Inevitavelmente, dezenas de outras agências surgiram depois.  Todas queriam se apossar de uma fatia do automóvel.

A princípio, cada regulamentação criada parecia fazer algum sentido.  Afinal, quem não quer estar mais seguro?  Quem não quer consumir menos combustível?

Mas a realidade é que todos esses decretos são impostos sem a mais mínima consideração quanto à realidade dos custos e benefícios.  Mais ainda: eles são criados sem qualquer consideração em relação ao seu impacto sobre o design de um carro.  E, uma vez que as regulamentações são impostas, elas jamais são revogadas.  Elas são mais definitivas do que as normas sobre uma peça de software patenteada.

Agora o fim do jogo já chegou.  Por mais que tentem, os próprios fabricantes passam aperto para tentar diferenciar seus carros dos de seus concorrentes.  A homogeneização do automóvel já está banalizada.  Todos os carros atuais são parecidos.  Como já disse, nunca fui muito entusiasta de carros e, exatamente por isso, só comecei a notar esse fenômeno nos últimos 12 meses.  E, ainda assim, pensei que estava apenas imaginando coisas.  Porém, algumas pessoas brincando com o Photoshop descobriram que, se você apenas trocar a grade frontal dos carros, é possível fazer uma BMW ficar igual a uma Kia e um Hyundai ficar idêntico a um Honda.  É tudo um só carro.

Realmente, tem de ter uma explicação para isso.  Fui procurar e descobri um vídeo feito pela CNET que enumera cinco motivos para os carros de hoje serem iguais: decretos para que a frente do carro seja mais alta para proteger pedestres, decretos que limitam a altura do carro para economizar combustível e uma traseira grande que contrabalance a frente grande.  Essa combinação fez com que tanto o pára-brisa quanto todas as janelas dos carros se tornassem irritantemente pequenas, o que afeta a visibilidade e acaba tornando os carros menos seguros para serem dirigidos.  Adicionalmente, o peitoril das janelas ficou mais alto, o que dá a claustrofóbica sensação de se estar dentro de um tanque.  Em outras palavras, uma histeria em relação à segurança e ao ambiente destruiu toda a estética dos carros.

Pouco importa que segurança e ecologia criem resultados contraditórios.  Quanto menor o consumo de combustível, mais leve e delicado tem de ser o carro e maior é a probabilidade de você morrer em um acidente.  As regulamentações que especificam um consumo máximo de combustível certamente já mataram muitas pessoas.  Similarmente, como princípio geral, quanto mais seguro for o carro, mais combustível ele irá consumir.  Enquanto isso, a própria gasolina vem sendo arruinada em decorrência de todas as misturas etílicas que o governo determina que devem ser acrescentadas, o que reduz a vida útil do motor.

Estas regulamentações são as responsáveis pelo desaparecimento da perua e pelo subsequente domínio do mercado por veículos enormes que podem ser classificados como caminhonetes, os quais são regulados por um padrão distinto.  É isso mesmo: regulamentações criadas para reduzir o consumo de combustível geraram o efeito exatamente oposto ao estimular as pessoas a abandonar os carros e ir para os utilitários — que era exatamente o que os grandes fabricantes queriam.  Não é de se estranhar que as críticas mais contundentes às regulamentações que estipulam valores máximos para consumo de combustível não sejam feitas pela indústria automotiva, mas sim pelos usuários.

É verdade que ninguém tinha a intenção de acabar com a diversidade, a funcionalidade e a beleza dos carros.  Mas isso foi exatamente o que aconteceu.  E é isso o que acontece sempre que as elites políticas e burocráticas impõem sobre os cidadãos o seu próprio sistema de valores, desconsiderando totalmente os valores subjetivos dos produtores e dos consumidores.  Eles são os mestres e nós somos os escravos, e cabe a nós aceitarmos nosso fardo resignadamente.

Considere a questão a respeito dos pedestres.  Quantas vidas realmente já foram salvas por uma frente mais elevada?  Ninguém sabe.  Mas a própria regulamentação parece excluir a possibilidade de que motoristas e pedestres possam resolver seus problemas por conta própria, sem uma intervenção regulatória.  Em outras palavras, estamos sendo tratados como crianças.  Aliás, pior ainda.  Estamos sendo tratados como se simplesmente não possuíssemos cérebro.

120412_lft3.pngA situação é muito séria.  Trinta anos atrás, os futuristas imaginavam que os carros do futuro seriam belos e estonteantes, e dariam imenso prazer ao serem dirigidos.  Considere, por exemplo, este Triumph, que era tido como o "carro do futuro".  Este futuro foi totalmente destruído.  Os reguladores o transformaram no carro do passado, um sonho frustrado que teve de morrer para abrir espaço para estas coisas esquisitas e homogeneizadas que temos a permissão de comprar atualmente.  Até mesmo os belos faróis retráteis foram proibidos.

Houve uma época em que os ocidentais se orgulhavam de seus carros e zombavam implacavelmente os carros horríveis que eram produzidos sob um sistema socialista, como, por exemplo, na Alemanha Oriental.  O Trabant já entrou para a história como um dos piores carros já produzidos.  Porém, analisando em retrospecto, o fato é que você não apenas conseguia ver algo através das janelas, como também a intenção ao menos parecia ser a de colocar os interesses do motorista acima dos interesses da Mãe Natureza e dos não-motoristas.  Parece que os planejadores centrais socialistas tinham um pouco mais de bom senso do que os burocratas reguladores da atualidade.

No final, se o objetivo é proteger os pedestres e a Terra, então o transporte coletivo e as bicicletas são o futuro.  E todos nós sabemos que é exatamente isso que eles querem.  Ano passado, por exemplo, o governo Obama — e é dos EUA que saem todas essas regulamentações idiotas — anunciou novos padrões de consumo de combustível a serem obedecidos até 2025, padrões estes aos quais nenhum carro atual movido exclusivamente a gasolina é capaz de se enquadrar.  Tais padrões irão elevar acentuadamente o preço dos carros e forçar a criação de um mundo em que os carros são todos elétricos ou híbridos recarregados na tomada.  (Quem quiser ler todos os arrepiantes detalhes, veja aqui.)

Todos nós corretamente condenamos pacotes de socorro destinados a bancos e empresas, bem como arranjos corporativistas que mesclam interesses privados com interesses do governo.  Também condenamos veementemente todo e qualquer tipo de auxílio estatal a empresas falidas.  Porém, eis aqui uma verdade: se os barões da indústria automotiva e os sindicatos que as dominam não possuíssem conexões políticas, a abolição do automóvel provavelmente já seria um fato consumado.  Por enquanto, o automóvel ainda é permitido.  Mas os governos não permitem que ele se desenvolva, que ele assuma o formato que os consumidores desejam e que ele funcione como um verdadeiro bem econômico.

O automóvel foi a base da segunda revolução industrial.  Burocratas usurpadores estão retirando o automóvel do nosso futuro.  Houve uma época em que sonhávamos com carros voadores.  Os reguladores de hoje conseguiram a façanha de nos fazer sonhar apenas com a volta dos dias gloriosos de décadas passadas.  Isso é simplesmente patético.


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"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

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www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

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Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Bruno  08/07/2013 13:37
    O autor comete erros neste artigo. Por exemplo:

    "Pouco importa que segurança e ecologia criem resultados contraditórios. Quanto menor o consumo de combustível, mais leve e delicado tem de ser o carro e maior é a probabilidade de você morrer em um acidente."

    Isso simplesmente não é verdade. Os carros, hoje, são menos leves, proporcionalmente ao tamanho, do que eram na década de 50, por exemplo. As regulamentações estatais obrigaram as fábricas, nos países da OCDE, a utilizarem aço de alta resistência, que é mais pesado - mas tem a vantagem de ser muito mais seguro em caso de acidentes. As regulamentações também obrigaram as fábricas a utilizarem esquemas de deformação programada, que também torna o carro mais seguro em caso de colisão, porém não eleva o peso.

    ...

    No caso das regulamentações em caso de colisões contra pedestres, atropelamentos, eu discordo do autor em relação ao seu juízo. Bem, elas não existem em todos os países. Nos EUA, elas são extremamente brandas; na maioria dos países da Europa, são muito rígidas. Isso não é ruim: os carros tão apreciados pelo autor, das décadas de 50 e 60, eram verdadeiras armadilhas para os pedestres, com seus pára-choques protuberantes. Hoje, temos carros como o novo Volvo V40, com airbags para pedestres.
  • Ricardo  08/07/2013 14:17
    Bruno disse:

    "Os carros, hoje, são menos leves, proporcionalmente ao tamanho, do que eram na década de 50, por exemplo. As regulamentações estatais obrigaram as fábricas, nos países da OCDE, a utilizarem aço de alta resistência, que é mais pesado [...]"

    Certo e errado. Eles são menos leves, mas é por causa dos penduricalhos como vidro elétrico, ar condicionado, direção hidráulica, pneus maiores, rodas idem etc., e não por causa da estrutura. Compare um Gol ou Palio de hoje a um Mille da década de 1990 ou mesmo a um Fusca ou Brasília. Ou compare um Opala e até mesmo um Ômega a um Astra. Os carros de hoje são mais leves.

    P.S.: particularmente nem considero que isso (ser mais leve) seja ruim, não. Estou apenas afirmando um ponto.
  • Carlos  08/07/2013 14:39
    "Isso não é ruim: os carros tão apreciados pelo autor, das décadas de 50 e 60, eram verdadeiras armadilhas para os pedestres, com seus pára-choques protuberantes. Hoje, temos carros como o novo Volvo V40, com airbags para pedestres. "

    Dizer que tais regulamentações "não são ruins" porque elas trazem segurança é exatamente o motivo pelo qual burocratas já foram longe demais em suas regulamentações.
    A verdade é que não se trata de encontrar soluções, e sim de determinar trade-offs. E que burocratas não conseguem determinar esses trade-offs eficientemente.
    Ainda que algo traga uma melhora em uma questão, essa melhora vem às custas de prejuízos em outras questões.

    E o Volvo com airbags pra pedestres... qual a regulamentação governamental que obriga airbags pra pedestres? Isso foi uma iniciativa do mercado.
    É semelhante a quando empresas deixam massagista e televisão no local de trabalho. Qual cartilha de direitos trabalhistas estabelece esse tipo de coisa?

    A própria existência dessas inovações sem ninguém mandando é evidência de que o mercado é capaz de criar mais segurança pras pessoas no trânsito, bem como melhores condições de trabalho, sem que haja ordens de "autoridades".

    A segurança de pedestres é posta em risco pela negligência de motoristas, ou pela negligência de pedestres, ou por um projeto ruim de vias de trânsito, ou por puro acidente.
    Não há características especiais nesses itens que necessitem intervenção governamental e que não possam ser corrigidos por um sistema de incentivos no mercado.

    De fato, o mercado realmente tem um incentivo pra punir motoristas por violações de vida e propriedade privada (e assim incentivá-los a evitarem esses comportamento), por ruas mais seguras (existem ruas privadas que são até monitoradas por equipes especializadas atualmente), pra encontrar os melhores trade-offs, enfim.

    E quais os incentivos do governo? Possivelmente, a única coisa que o governo alega perder com acidentes das pessoas é que este paga a conta dos hospitais. Como o governo toma esse dinheiro, creio que o governo pouco sofra de ter que pagar pelo acidente de alguém.
    Projetos ruins de vias de trânsito continuam eternamente, buracos, cruzamentos ruins, péssima sinalização... e nem sinal de quem fez isso perder o emprego.
    Não há prejuízos e nem responsabilidades diretas na regulamentação governamental.

    Embora o autor pareça estar "desejando que os carros voltem a ser como nos 60" (que realmente tiveram vários problemas), creio que a interpretação mais apropriada é que o mercado seja livre pra descobrir como solucionar esses problemas sem decretos unilaterais que ignoram o trade-offs. Que esses problemas sejam solucionados através de interações voluntárias pela sociedade, e que esta vá determinando os melhores trade-offs a partir da eliminação de idéias ruins e perpetuações das idéias boas.
  • Otávio Dias  08/07/2013 14:59
    "A segurança de pedestres é posta em risco pela negligência de motoristas, ou pela negligência de pedestres, ou por um projeto ruim de vias de trânsito, ou por puro acidente. Não há características especiais nesses itens que necessitem intervenção governamental e que não possam ser corrigidos por um sistema de incentivos no mercado."

    Exato, Carlos.

    O fanatismo das pessoas pela "onisciência do estado" é tão absurdo, pra não dizer imbecil, que já tem gente -- como esse Bruno -- dizendo indiretamente que o estado é capaz de abolir a negligência dos motoristas para com os pedestres!
  • Catedrático   08/07/2013 13:59
    Errado.

    O real motivo é a mera maximização dos lucros da burguesia através da mais-valia retirada da exploração do trabalho repetitivo. Os produtos tendem a sempre auferir valor intrínseco máximo da padronização das circunstâncias de produção na reprodução capitalista. Assim vislumbrado pela lógica capitalista da posse privada dos meios de produção.

    Por tal motivo, é imprescindível que ocorra a abolição imediata do ciclo capitalista de produção e do sistema de classes. Assim, surgirão carros diferenciados, vide os modelos únicos da Iugoslávia socialista, o carrinho de mão e os veículos populares brasileiros.
  • Brenner  08/07/2013 17:06
    Tá de brincadeira, né ?
  • Descartes  09/07/2013 21:20
    Comentário igual a qualquer trecho de um livro didático para alunos de filosofia, sociologia ou história.

    Não diz nada a respeito do assunto e só repete um chavão marxista.
  • anonimo  10/07/2013 19:46
    Ele esta certo!

    Por exemplo vamos fazer uma Ferrari! Ela eh cara e derruba quase todos os argumentos engenheiristicos do autor... As empresas querem lucros ( me parece que todo mundo aqui eh economista...) portanto todos sabem que o objetivo da empresa eh o lucro, quem quiser que discorde. Os carros para massas tem que se usar a menor quantidade de material possivel e energia para deformar este materiais, seja para a carenagem ou componentes internos qualquer, inclusive a tal da intercambiabilidade de componentes e de ferramental. Faz de conta que sou um capitalista e sou saudosista e quero veiculos com visual bonito, charmoso e outras qualidades, bem e creio que por ser capitalista esperto contrato especialistas ( economista, engenheiros, espertos em diversas areas) e tudo que me oferecem como resultado sao desenhos que convergem para os atuais projetos de carros atuais, a nao ser que minha empresa desenvolva uma tecnica exclusiva de fabricacao... Por fim quero que minha empresa viva, dei-me lucro e tambem aos acionistas e mantenha a roda do desenvolvimento... Ou uma visao para os que estao aqui condenam, tudo exploracao. Quando se quer veiculos com visual top, tem-se que se pagar por ele.
    Por fim entendo o autor e gosto mais ainda dos comentaristas que fazem comentarios de defesa do artigo e outros que fazem de tudo para criticar de forma negativa.
  • Catedrático  14/07/2013 01:20
    Errado, Anônimo. O capitalista quer humilhar espiritualmente outras classes. Ele não modeliza seus carros visando a economia máxima de recursos e preços possíveis, ele almeja é destruir a consciência de classe dos trabalhadores através da maximização da mais-valia.

    O lucro é o segundo objetivo da burguesia, o primeiro é perpetuar-se no poder através da exploração, da humilhação cultural das classes inferiores e da alienação dos indivíduos. Trata-se de uma parcela da sociedade que pôs suas garras firmemente sobre a classe trabalhadora de tal forma que apenas um completo extermínio de sua existência(O holocausto revolucionário) e de seu legado(Marxismo cultural) criarão a sociedade dos proletários.
  • Rafael Mello  14/08/2014 18:30
    Colega Catedrático,

    De qual página do manual Marxista o senhor saiu??
  • Nilo BP  08/07/2013 14:06
    Realmente as tendências automobilísticas são frustrantes, mas não são só as automobilísticas, não? A mediocridade está no comando, é a "segurança" primeiro e todo o resto depois. Bancos não podem falir, carros não podem correr, burros não podem reprovar...

    Acho que isso se deve ao fato de os esquerdistas ditarem o espectro do "debate": ou você é 1) a favor das regulações e do igualitarismo, ou 2) irresponsável, elitista, nazista, assassino, imperialista etc. etc.
  • Francisco  08/07/2013 14:34
    Nunca havia pensado nesse tema dessa forma. Achava que os carros ficavam cada vez mais parecidos por causa da aerodinâmica (oque também faz sentido), mas não havia parado pra pensar que as regulações sobre segurança, meio ambiente, etc., empurravam a industria nessa direção.

    Outra coisa que vem me atormentando é esse negócio de carro elétrico. Claro que um carro que emite menos poluente é bom, mas não consigo compreender porque todo mundo faz festa em torno disso. Esse dias atrás vi um gráfico com a matriz energética do Brasil (2006) e se não me engano 80% da energia produzida aqui é com queima de combustível. Ora, qual a grande vantagem? Afinal se o carro não queimar o combustível não terá uma usina queimando pra produzir energia pro mesmo? Não consigo perceber o beneficio que tanto falam. Além disso com o carro deixando de produzir a energia que ele utilizava pra se movimentar, "alguém" terá que produzir, oque teoricamente faz com que tenha que ser construídas mais usinas devido ao aumento no consumo elétrico. Afinal, qual a grande vantagem?
  • Desiludido  08/07/2013 16:38
    Francisco, vou tentar responder algumas perguntas e contribuir com algumas informações do ponto de vista da engenharia.

    Vamos por partes:

    "Esse dias atrás vi um gráfico com a matriz energética do Brasil (2006) e se não me engano 80% da energia produzida aqui é com queima de combustível."

    Na verdade são pouco de menos de 60%, considerando toda a oferta de ENERGIA (eletricidade e combustíveis). Considerando apenas a ELETRICIDADE, nossa produção é acima de 80% renovável. Ou seja, um carro elétrico na matriz atual reduziria as emissões em pelo menos 50%. Claro que a maior demanda de eletricidade tenderia a piorar este número, mas mesmo assim seria positivo no aspecto de emissões, vide a resposta seguinte.

    "Ora, qual a grande vantagem? Afinal se o carro não queimar o combustível não terá uma usina queimando pra produzir energia pro mesmo?"

    Nas condições climáticas adequadas à vida humana, máquinas térmicas são dispositivos bastante ineficientes. O melhor motor a gasolina no seu ponto de operação de maior eficiência transforma menos de 40% da energia química da gasolina em energia mecânica. Se for olhar a eficiência média (considerando TODOS regimes de carga, temperatura ambiente e rotação) teremos sorte se o valor médio for 15%. Uma usina térmica moderna passa fácil de 40%, devido às economias de escala e à não necessidade de ser leve. Se utilizar ciclo combinado e fazer cogeração (aproveitar também o calor do processo industrial para fins produtivos), o aproveitamento pode passar de 90%.

    "Não consigo perceber o beneficio que tanto falam. Além disso com o carro deixando de produzir a energia que ele utilizava pra se movimentar, "alguém" terá que produzir, oque teoricamente faz com que tenha que ser construídas mais usinas devido ao aumento no consumo elétrico. Afinal, qual a grande vantagem?"

    Voltando ao automóvel, o aproveitamento da energia mecânica (tão ineficientemente convertida) é ainda mais terrível. Temos o barulho do motor e a vibração, temos perdas na transmissão. Agora a pior parte: do pouco que sobra de energia cinética, a esmagadora maioria (mais de 90%) é utilizada para esquentar nossos discos e tambores de freio.

    Do ponto de vista energético, um veiculo elétrico é bem mais eficiente. Não é incomum uma eficiência de 90% ou maior na conversão de eletricidade em energia mecânica. Mesmo considerando perdas elevadas de carregamento e transmissão de eletricidade, passa fácil de 70%. E temos o freio regenerativo, que ao invés de dissipar o movimento como calor, o utiliza para recarregar a bateria. Por isso que tanto se propala a vantagem do veiculo elétrico (uma consequencia disso é que o consumo urbano do elétrico é inferior ao rodoviário).

    Agora as desvantagens: é um veiculo mais pesado (baterias), o que tem um preço na dirigibilidade. A autonomia é limitada (entre 100 e 400 km), mesmo com as tecnologias mais avançadas. Ninguém fala nos impactos ambientais da produção de baterias (metais pesados ou compostos exóticos e tóxicos são comuns em baterias).

    Não advogo o incentivo ao carro elétrico, mas acho errado o desincentivo que existe no Brasil ao seu uso (carro elétrico paga o nível mais alto de IPI, por exemplo). Creio que é uma tecnologia com grande potencial, mas que ainda não é a melhor alternativa econômica.

  • Francisco  08/07/2013 17:55
    Esclareceu bastante. O meu principal problema quanto a esse assunto não é o fato do veiculo em si, mas quanto a matriz energética mesmo. Entendo que ha ganhos de escala em se produzir energia em uma usina, mas tinha duvidas se esses ganhos são grandes o bastante pra que a mudança aconteça. Porque sinceramente venho me perguntando, se chegamos a tal ponto que vale a pena ter carros elétricos (ou híbridos) circulando, porque isso ainda não aconteceu? Pra mim é indiferente qual tecnologia meu carro utiliza, eu apenas quero me locomover.

    Obrigado
  • Nilo BP  08/07/2013 19:14
    Por mais que o motor de combustão interna seja uma ferramente pouco eficiente, em termos econômicos e logísticos os carros elétricos não valem a pena. O motor pode ser essa maravilha de eficiência, mas o gargalo são as baterias. São caras, demoram para carregar, e apanham feio da gasolina em termos de quanta energia conseguem armazenar dado um certo peso/volume.

    E não há nenhuma tecnologia no horizonte que vá melhorar essa situação - a eficiência das baterias tem estado estagnada por um bom tempo. Por isso que os únicos carros "elétricos" que são marginalmente utilizáveis no dia a dia são os híbridos, que dependem de um motor de combustão interna para recarregar a bateria ao longo do tempo, não muito diferente do que um carro a gasolina faz com a sua própria bateria em menor escala.

    As melancias não têm nenhuma dúvida de que carros elétricos são muito menos economicamente viáveis que carros a gasolina. A questão é que elas simplesmente não se preocupam.
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 20:31
    Oooops,

    "E não há nenhuma tecnologia no horizonte que vá melhorar essa situação - a eficiência das baterias tem estado estagnada por um bom tempo."

    Bateria recarregável de zinco-ar de alta eficiência e baixo custo

    Recarregamento de carro elétrico é feito em duas horas

    "Por isso que os únicos carros "elétricos" que são marginalmente utilizáveis no dia a dia são os híbridos, que dependem de um motor de combustão interna para recarregar a bateria ao longo do tempo, não muito diferente do que um carro a gasolina faz com a sua própria bateria em menor escala."

    Carro de corrida elétrico bate recorde mundial de velocidade

    Tesla Model S

    ------------

    Não confunda alhos com bugalhos. Os problemas dos elétricos, hoje, não são tecnológicos, mas econômicos - enquanto os governos mundo afora continuarem a subsidiar o petróleo e os derivados, e as empresas, por causa mesma dos subsídios, não tocarem a fazer as peças dos elétricos em escala suficiente, o preço vai continuar alto em comparação com os de combustão.

    Outra coisa, não compare os elétricos nacionais (adaptações de carros normais e usando baterias de chumbo-ácido) com os já fabricados aí pra fora.
  • Nilo BP  09/07/2013 21:26
    Não, os problemas são práticos mesmo. A bateria lítio-íon tem uma energia específica máxima de 950 kJ/kg, e de acordo com este artigo aqui (que, note, é de um site melancíaco) a densidade da zinco-ar com esse tal novo método pode ser "mais de duas vezes" a da Li-íon. Sejamos generosos e digamos que a densidade é 3x a da Li-íon, ou ~3 MJ/kg. A gasolina tem 45 MJ/kg.

    O aproveitamento da energia química da gasolina num motor de combustão interna é baixo, sim, mas não o suficiente para que as baterias sejam mais densas. O número citado acima, de 15% em média, é razoável. Isso dá uma energia específica efetiva de 15%*45MJ/kg = 6,75MJ/kg, mais que o dobro da performance teórica de uma bateria altamente experimental e que tem problemas crônicos de recarga.

    A Tesla é um excelente exemplo dos problemas tecnológicos que os carros elétricos enfrentam. O último modelo deles, o S, idolatrado pelas melancias high-tech, tem trocentas limitações ligadas principalmente à bateria (volume, peso, autonomia, tempo de recarga) que o tornam substancialmente menos versátil que um carro com motor de combustão interna.

    E do ponto de vista da eficiência econômica: a Tesla monta carros de luxo, um segmento que tradicionalmente tem margens gigantes para as montadoras. E no entanto, as margens da Tesla são ridiculamente baixas... negativas, se forem retirados os subsídios. O que aconteceria se eles tivessem que competir no impiedoso mercado de carros populares?

    Em outras palavras: o melhor carro elétrico já construído fica devendo muito para o carro a gasolina médio. E não é questão de ser uma nova tecnologia ainda em processo de maturação. Baterias químicas e motores elétricos são usados por todo canto há muito tempo. Quaisquer melhorias vão ser incrementais e provavelmente trarão trade-offs. E, até aí, o motor de combustão interna também está sempre sendo aperfeiçoado.
  • Andre Cavalcante  15/07/2013 13:37
    Mais uma vez, o que defendo é: deixe o mercado decidir, e não os governos...

    Países ricos gastam cinco vezes mais em subsídios para petróleo do que no fundo climático

  • VilaMail  06/08/2014 21:54
    Isso que se diz nada mais é que a ciência se metendo demais em nossas vidas:
    Hoje está impossível cozinhar com amor e paixão (como se diz) seguindo todas as regras das malditas nutricionistas de plantão com o manual da ANVISA (ciências biológicas).
    Ir ao médico se tornou um martírio com toda a sub-divisão envolvida. Desanima qualquer um que calcule o tempo perdido em idas e vindas e se tiver um plano meia boca acrescente aquelas malditas 'Guias'.
    O meio ambiente virou desculpa para desastres feitos por prefeitos. Recentemente uma reportagem demonstrou uma ciclovia passando na frente de uma escola onde não se podia mais estacionar na frente desta para desembarque.
    Isso sem falar no direito que torna a vida tão burocrática baseada as vezes em pequenos casos que geram verdadeiras aberrações como tipificar crime hediondo a alteração de produtos cosméticos.

    Odeio nutricionistas: burocratas da arte de cozinhar.


  • Renato  20/08/2014 12:12
    Que bobagem. Ninguém te obriga a contratar um nutricionista. Por que eles se meteriam na sua vida?
  • Antônio  08/07/2013 14:37
    Excelente artigo! Há muito tempo tenho refletido sobre as razões para a involução dos automóveis. Acho que o autor foi especialmente feliz ao lembrar que em relação a outras tecnologias, o passado não causa inveja (o que é natural, dentro do conceito de evolução), ao contrário do que acontece em relação aos automóveis.
    A única ressalva que faria é que o artigo se concentrou mais no lado estético dos veículos, dando, talvez, um pouco menos de importância a falta de inovação tecnológica nos automóveis como um todo. É ridículo o número de mortes por acidentes de trânsito anualmente e a falta de alternativas de combustíveis e me parece inegável que a causa principal deste fenômeno é a ingerência estatal no setor. No Brasil, então, é lamentável o protecionismo,o poder ilimitado dos sindicatos e o incentivo à produção destes veículos 1.0 que são verdadeiras máquinas de moer. E, pior, produção no Brasil, de forma a garantir ao consumidor brasileiro a pior relação custo-benefício do mundo...
  • Ricardo S.  08/07/2013 14:53
    Francisco, apenas corrigindo, no Brasil a matriz energética é uns 80% hidráulica.

    Num primeiro olhar, até faz sentido sua afirmação de que é indiferente você queimar combustível para produzir energia elétrica e depois utilizar no automóvel elétrico, ou queimar o combustível diretamente no automóvel. Entretanto, uma usina termelétrica é muito mais eficiente do que um carro na queima do combustível, por isso há uma ganho de eficiência nesse processo.
  • Jeferson  08/07/2013 15:51
    Na verdade, a energia hidroelétrica constitui apenas 14% da energia consumida no Brasil, e o petróleo quase 40%, mas isso considerando a energia utilizada por carros, caminhões, ônibus, etc. Em nível de mundo, a maior parte da energia elétrica produzida é por usinas que utilizam carvão como combustível, o que dá sentido à constatação do colega.

    No entanto, termoelétricas realmente são bem mais eficientes que automóveis, mas carros elétricos têm o problema de ter pouca autonomia, além de serem bem mais caros não pela tecnologia de fabricação em si, mas pelos incentivos e proteção dados à indústria automobilistica do jeito que é hoje em dia.
  • Matheus  08/07/2013 15:07
    (parênteses)
    Hoje carros são mais leves sim.

    A prova? Bate num Del Rey e bate num Clio pra ver qual ficará mais destruído. Aliás, as carrocerias precisam amassar mais mesmo, como proteção (absorvem mais o impacto, chegando menos aos passageiros). E para amassar mais, precisam ser menos rígidas e, portanto, menos densas. Deve haver regulamentação sobre isso, também.
    (fecha parênteses)

    O ARTIGO é interessante, sim.

    Realmente um ponto interessante de ser refletido e estudado. Mas eu achei ele com um foco muito abrangente. Ele aborda a questão dos modelos e as consequencias das regulações, porém, não fica claro aonde ele quis chegar, porque começa a se perder na questão das intenções das indústrias, especulando que "era o que as indústrias queriam".

    Depois, fala que ainda bem que existe lobby, porque pelo menos sobreviveram (as indústrias automobilísticas). E por fim, não conseguiu desenvolver o porquê é ruim carro elétrico!

    Tá, mas ele não estava criticando a homogeneização dos veículos por causa da regulações? E o que tem a ver aquele carro socialista?

    Na boa, artigo interessante, mas com rumo perdido!
  • Leitor Inteligente  08/07/2013 15:20
    "Ele aborda a questão dos modelos e as consequencias das regulações, porém, não fica claro aonde ele quis chegar, porque começa a se perder na questão das intenções das indústrias, especulando que "era o que as indústrias queriam"."

    Em momento algum ele "se perde" na questão das indústrias. Ele deixa claro que as regulamentações para a homogeneização não vão necessariamente contra os interesses da indústria automotiva, mas sim dos consumidores. Em momento algum o artigo coloca a indústria automotiva como vítima. Tenha mais atenção.

    "Depois, fala que ainda bem que existe lobby, porque pelo menos sobreviveram (as indústrias automobilísticas)."

    Correto. Antes ter uma indústria protegida pelo governo do que uma indústria extinta por decreto pelo governo.

    "E por fim, não conseguiu desenvolver o porquê é ruim carro elétrico!"

    Nota-se que você nada entende sobre carros. Experimente andar num carro elétrico para ver a "emoção" que ele proporciona....

    "Tá, mas ele não estava criticando a homogeneização dos veículos por causa da regulações? E o que tem a ver aquele carro socialista?"

    Citado em apenas um parágrafo e com o intuito de fazer uma crítica à imbecilidade dos atuais reguladores, que conseguem ser ainda mais indiferentes ao ser humano que dirige o carro do que os eram os planejadores socialistas.

    "Na boa, artigo interessante, mas com rumo perdido!"

    Na boa, você sofre de sérias dificuldades de interpretação de texto.
  • Matheus  08/07/2013 18:24
    "E por fim, não conseguiu desenvolver o porquê é ruim carro elétrico!"
    Nota-se que você nada entende sobre carros. Experimente andar num carro elétrico para ver a "emoção" que ele proporciona...."

    Quem você pensa que é para em uma frase "notar" que "nada" sei? Virou guru? Jogador de cartas? Quanta petulância! Eu estou me referindo AO ARTIGO!! E não aos meus conhecimentos. O texto não explora o carro elétrico informativamente ao leitor. Ficou solto, vago. Entre outras coisas que achei que foram misturadas sem uma linha de raciocínio clara e unificadora.

    Como disse, o cara termina de ler e não sabe se ele está criticando o lobby, se está defendendo o lobby, se ele é o culpado, se não é... não ficou claro a questão do consumidor... depois entra carro socialista para uma espécie de crítica, mas que depois recebe elogio, depois elétrico... e assim vai.... "ah, mas se você reler, verá que na frase no meio do parágrafo ele disse que...." daí meu amigo é que eu direciono a crítica!

    Para um "leitor inteligente" dotado de uma invejável "interpretação de textos", isso não passou de exposição gratuita de ignorância... Se não sabes ler críticas, não assumas posição de respondê-las!

    No mais, mantenho minha opinião, (sabe? aquela coisa que em ambientes civilizados as pessoas podem expressar sem precisar serem ofendidas pelo desacordo): não acho que o texto tenha sido tão claro assim quanto você imagina que ele esteja, apesar do excelente ponto de reflexão e estudo.

    O artigo vale justamente por isso, pela "chamada de atenção". Eu mesmo sou uma de provavelmente várias pessoas que passarão a contar com mais uma informação. E o texto tem vários pontos bons. Ele colocou vídeos, a questão dos carros auto-montáveis. Coisas bem interessantes. Agora, é preciso saber receber críticas também, de qualquer tipo.

    Essa sua resposta à minha crítica só mostra seu despreparo. Repito: não assumas posição a qual não estás nem emocional nem mentalmente capacitado à realizar!

    Repito: o texto é bom, o assunto é bom, mas a maneira como está redigido, infelizmente, na minha opinião (e não precisas defender o texto ou me ofender dizendo que não sei intepretar, é só a minha opinião cara, relaxa), não ficou muito boa. Não está ruim, não disse isso. Mas acho que pelo fato de querer passar muitas informações sobre muitos assuntos acabou não o deixando linear, com uma linha de raciocínio condutora, unificadora dos vários tópicos abordados. Se tu és incapaz de ler isso sem se sentir ofendido e sem ofender quem o disse, então, não assumas a posição de respondê-la.
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 17:57
    Matheus

    A única linha em que é citado um carro elétrico no artigo é para mostrar que uma empresa tinha um projeto de carro elétrico (o que é vendido como algo atual e de interesse do estado americano) já em 1902.
  • Felipe de Lima  08/07/2013 16:46
    Olá amigos do IMB,

    Eu estava lendo na revista carta capital, um post do digníssimo Paul Krugman, reclamando que, se todos cortassem gastos e poupassem, ninguém iria comprar os produtos a venda.Poderiam me fornecer uma resposta lógica e direta para refutar essa falácia baseada no "enriquecimento a partir do fluxo de capital"?
    E se possível um argumento prático e direto de entender e convencer, que a teoria da mais valia é uma falácia ainda pior?rs

    Serei muito grato.
  • Alexandre M. R. Filho  08/07/2013 19:17
    Pra acabar com o Paul Krugman é só ler o Bob Murphy!!
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 18:02
    Olá Felipe.

    1º ponto: ora, todo mundo tem que consumir, ao menos os itens básicos. Logo, não faz sentido isso, porque sempre precisamos hoje, comprar algo para a nossa subsistência. Assim, quando coloco meus filhos na escola, compro material escolar, fardas, livros etc. Quando inicio o mês faço uma compra de itens não perecíveis para o mês e por aí vai. Isso é uma necessidade.

    Outra maneira ver: poupança é abstenção de consumo presente, mas que só existe porque quero consumir algo no futuro. Ora, como o meu futuro é diferente de outros, há sempre alguém que já está pronto para o consumo hoje!

    2º ponto: fale sobre o exemplo da empregada doméstica? qual é a mais-valia que o patão tira do trabalho da empregada? na verdade ele toma prejuízo, logo, se a mais-valia é uma exploração, é a empregada que explora o patrão?

  • Felipe de Lima  08/07/2013 19:19
    Olá André,

    Primeiro obrigado pela atenção, mas eu não compreendi exatamente seu 2 ponto.
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 20:05
    Por definição mais-valia é o valor final da mercadoria produzida menos o valor dos meios de produção, inclusive o trabalho.

    Se considerarmos que o valor das coisas está associado ao trabalho, o lucro do capitalista vem do fato de este se "apropriar" do valor a mais o qual "deveria" ser apropriado pelo trabalhador (que é quem "fez" o produto). A essa diferença, a mais-valia é que se sustenta a tese da esquerda de que o trabalhador é "explorado" pelo patrão.

    Para mostrar o absurdo do pensamento é só fazer o pensamento contrário: pegue um exemplo em que o patrão não tem lucro nenhum, neste caso o trabalhador seria o explorador, porque recebe (sempre) do patrão e não dá nada em troca. O exemplo típico seria o da empregada doméstica, que nada produz em termos que será vendido e, portanto, não dá lucro ao patrão (na verdade prejuízo), logo, é ela quem explora o patrão?

    É óbvio que não: o patrão contrata a empregada porque não quer perder tempo com tarefas domésticas, quer usar o seu tempo em seu trabalho que lhe dá mais vantagens do que ficar fazendo as tarefas domésticas, porque é preguiçoso ou porque quer passar o dia inteiro vendo as coxas grossas da menina. Em outras palavras, ele não é explorado, porque se beneficia de algo e ela também não, justamente porque o valor das coisas não é dado pelo trabalho que você teve para realizar aquele algo, mas pela subjetividade de cada um que valor a coisa de acordo com seus critério internos.

    Abraços
  • Jeferson  08/07/2013 20:44
    É porque você não tem nenhum lucro com o trabalho da doméstica em sua casa. Só tem ganho de qualidade de vida (afinal, se não tiver empregada, é você quem precisa lavar e passar a roupa, limpar e arrumar a casa, fazer comida...). Se há mesmo "mais valia" em toda relação de trabalho, é a empregada que extraiu dinheiro do patrão, sem dar a ele nada em troca. Ela tem uma mais valia de 100%! Ou seja, é ela a exploradora. Isso tudo, obviamente, da lógica distorcida dos que defendem essa idiotice marxista.
  • Felipe de Lima  08/07/2013 21:09
    Obrigado André e Jefferson, me ajudaram e muito a simplificar essa questão da mais valia, o quela eu sabia que era ridícula, mas não estava conseguindo expor dessa forma!
  • Emerson Luís, um Psicólogo  09/07/2013 11:30
    "1º ponto: ora, todo mundo tem que consumir, ao menos os itens básicos. Logo, não faz sentido isso, porque sempre precisamos hoje, comprar algo para a nossa subsistência.

    Outra maneira ver: poupança é abstenção de consumo presente, mas que só existe porque quero consumir algo no futuro. Ora, como o meu futuro é diferente de outros, há sempre alguém que já está pronto para o consumo hoje!"


    Desenvolvendo um pouco mais este ponto, é interessante notar que "hoje" é o "amanhã" do "ontem". Ou seja, a cada momento entramos no tempo para o qual poupadores do passado deixaram de consumir, ou melhor, adiaram o seu consumo para fazê-lo no futuro que agora torna-se presente.

    Além disso, a abstenção de consumo atual aumenta a oferta de produtos e serviços disponíveis e de crédito, o que diminui os seus preços, beneficiando os mais pobres e permitindo aos empreendedores produzir ainda mais.

    * * *
  • anônimo  08/07/2013 18:32
    www.youtube.com/watch?v=CRENnVnRWTQ
  • pensador de esquerda  08/07/2013 19:12
    Ford pintava os carros só na cor preta. Aliás, pra que pintar mesmo? Deveriam ser todos sem tinta, assim agredia menos a mãe natureza com substância tóxicas.
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 20:10
    Ooops,

    Os carros são pintados para proteger o metal da corrosão (oxidação em contato com o oxigênio e outras substâncias do ar e asfalto).

    A ideia de Ford era a da especialização máxima e a produção em escala máxima. Se todos os carros tivessem a mesma cor, não precisava refazer setups da linha, ou criar linhas diferentes.

    Tal problema hoje é resolvido por um processo de manufatura flexível e/ou manufatura ágil, que permite personalizações na produção.
  • Gustavo  08/07/2013 20:51
    Vamos abolir logo com o sistema capitalista de produção e voltar imediatamente à idade da pedra..
  • Engenheiro Anti-Cartórios  08/07/2013 21:19
    Hahahaha, excelente artigo!! (desculpem as risadas de feissibúqui, é que não consigo expressar de outra forma em texto...).
    Além de todo o peso e custo adicional decorrente das regulações idiotas, tem uma coisa que me perturba: serei eu o único a sofrer do problema de dar cabeçada naquelas malditas colunas dianteiras grossas e inclinadas para trás de todo carro atual??? Tenho estatura baixa (por volta de 1,68 m) e preciso regular o banco para a frente, e com isso tenho que ter todo cuidado na hora de entrar e sair, para não perder os meus adereços cranianos frontais ao me movimentar de modo um pouco intempestivo!! Que saudades do velho Milleco, e da velha e boa Elba 1.6, com seu pára-brisa a quase 45 graus, e sua interseção alta com o teto... eu conseguia entrar e sair dele sem qualquer receio... Agora - além da coreografia para entrar e sair do meu "poderoso" 2012, tenho que ficar mexendo a cabeça pros lados para saber se vou atropelar alguma coluna na garagem... Por favor, comentem pra me tirar esse trauma de pensar que sou o único que precisa de capacete?!?!?!
    Abraços austro-libertários a todos os autores e leitores do IMB.
  • Victor Cezar  26/07/2013 02:40
    Meu pai não troca a Elba CSL 1.6 dele por nada. Há uns anos ele chegou perto, mas na hora H, quando entrou no suposto carro, desistiu.
  • Emerson Luis, um Psicologo  09/07/2013 11:54
    Já existem protótipos de carros voadores há anos, mas eles não são produzidos em parte por limitações tecnológicas e em parte por causa das regulamentações.

    Com respeito à uniformidade dos carros atuais, existem diversos fatores atuando. As regulamentações governamentais com certeza influenciam muito, conforme o artigo explica bem, mas não é toda a resposta.

    Outro fator são as leis naturais, como a aerodinâmica. O número ótimo de rodas para um carro ter estabilidade, mobilidade e boa estética é quatro. Para um carro, três rodas é pouco e mais de quatro rodas é excesso. Os engenheiros não podem criar carros com visuais bizarros que não funcionam, não por causa ou só por causa das leis humanas, mas por causa de princípios universais.

    Um terceiro fator são as leis do mercado, que se baseiam nas leis naturais. Se a maioria dos consumidores prefere carros que tenham determinadas características, as empresas que querem lhes vender precisam produzir veículos com este perfil. Os carros-conceito podem ser impressionantes, mas diversos deles simplesmente não venderiam. Caso muitas pessoas aceitassem e quisessem comprar veículos em forma de disco voador e com três rodas, as empresas com certeza os produziriam em massa.

    Este é um argumento semelhante ao do artigo sobre a obsolescência:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1528


    * * *
  • Assis  10/07/2013 18:34
    O autor foi saudosista, romântico e vago, demonstrando que pouco entende de engenharia e desing de automóveis, muito menos das regulamentações governamentais aplicadas ao setor automobilístico.O desing atual é fruto da economia de mercado, da redução de custos, da padronização e distribuição global de modelos baseados em uma única plataforma, de margens de lucro exorbitantes e das preferências dos consumidores muito mais do que das regulamentações estatais.Realmente muitos automóveis do passado eram glamourosos, opulentos, espaçosos e bonitos de se contemplar, mas é temerário acreditar que eram melhores, mais seguros, mais econômicos, mais confortáveis e agradáveis de dirigir do que os atuais. Ao longo da história do automóvel milhões de vidas foram perdidas precocemente e trilhões de dólares foram gastos em reparos de patrimônio público avariado, indenizações, resgates, remoções de urgência, internações, cirurgias reparadoras, aposentadorias e pensões por morte ou invalidez tendo por causas falhas estruturais, de projeto, de segurança passiva e ativa desses veículos, tudo pago com dinheiro do contribuinte.Essa é apenas uma das externalidades negativas provocadas pelo automóvel.Embora o autor defenda o "livre" mercado, se esquece de que virtualmente TODAS as vezes que o mercado se autorregulou terminou em truste, monopólio, oligopólio, cartéis, dumping, lobby da indústria e desastres econômicos: recessão, desemprego, falência, fome, miséria, doenças e até guerras.A máxima do mercado é: LUCRO E EXTERNALIDADES POSITIVAS PRIVADOS, PREJUÍZOS E EXTERNALIDADES NEGATIVAS PÚBLICOS, sendo seu eterno corolário: A CULPA PELAS FALHAS (DE/DO MERCADO) É EXCLUSIVAMENTE DO GOVERNO... Esse é um discurso sofismático e tautológico, indefensável nos dias atuais.As regulamentações existem, principalmente, para melhorar a segurança ativa, a passiva e a eficiência energética dos veículos, nada dizem sobre o desing, a potência, a motorização ou a tecnologia que os fabricantes vão utilizar para atingir esses objetivos. Elas passam por amplos debates e discussões nos órgãos reguladores, inclusive com CONSULTAS PÚBLICAS e sugestões de TODOS os stakeholders e do cidadão antes de serem aprovadas e publicadas.Os reguladores não são acéfalos, também existem muitos doutores, mestres e especialistas, inclusive em engenharia, nos quadros das agências governamentais.Ao contrário do que foi dito nos comentários de alguns leitores os automóveis mais modernos estão mais pesados e não mais leves, eles têm estrutura mais rígida e reforços em pontos do monobloco onde estatisticamente os acidentes vitimam mais as pessoas (portas, assoalho, teto, coluna A e B, parede de fogo, etc).Também a deformação programada torna a estrutura mais pesada, não mais leve (materiais especiais, chapas duplas, soldas reforçadas).Esse aumento de peso do monobloco, somado ao acréscimo de dispositivos de segurança e conforto (ABS, EBD, ESP, ASC, GPS, Central Multimídia, AC Digital, direção assistida, câmbio automatizado, tração integral, suspensão ativa, teto solar panorâmico, etc.) anularam os ganhos em eficiência dos motores a combustão muito mais do que as regulamentações ambientais (nível de emissões de CO, NOX, HC e particulados).O carro elétrico e o híbrido são alternativos ao convencional e vieram para ficar, mas não são uma mudança de paradigma. Como já dito o uso do automóvel trás consigo muitas externalidades negativas: consome uma quantidade colossal de materiais nobres e de energia em sua produção e durante sua vida útil, degrada (muito) o ar que respiramos e a água que bebemos, ocupa muito espaço, tem um custo de propriedade elevado e desproporcional a sua utilidade, produz um trânsito caótico e violento das grandes cidades, ceifando milhares de vidas todos os dias, produz grande quantidade de resíduos tóxicos e lixo não reciclável, etc.Tudo isso para levar apenas uma pessoa na maior parte do tempo em que é utilizado.Somos mais de sete bilhões de seres humanos, contudo menos de vinte por cento do transporte mundial de pessoas é feito por automóveis. O automóvel é uma epidemia global, ocupa virtualmente todos os espaços urbanos: árvores, praças, parques e construções são derrubados para que sejam construídos estacionamentos e avenidas mais largas.Ele nos deixa sedentários, obesos, preguiçosos e ansiosos. Basta dar a partida que, protegidos do mundo por uma tonelada e meia de aço, vidro e plástico, esquecemos-nos do outro, do tempo e do espaço a nossa volta, da fragilidade da vida.Sou um grande apaixonado pelo automóvel, mas acredito que o seu tempo de glamour, com visual exótico, motores potentes e (enorme) estrutura insegura já passou.A mobilidade urbana é a grande questão de nosso tempo.Precisamos urgentemente de transporte público de qualidade, seguro, silencioso, confortável e não poluente PARA TODOS. Um bom começo é implantar mais linhas de metrô nas grandes cidades, ônibus e VLTs movidos a diesel de etanol ou elétricos, veículos ultracompactos elétricos, motos e bicicletas elétricas em vias exclusivas.Demógrafos e cientistas sociais indicam que o futuro da humanidade será nas grandes cidades, elas concentrarão cada vez mais habitantes, funções e atividades se tornando megalópoles. Portanto precisamos urgentemente recuperar os espaços, a convivência, a saúde, a qualidade de vida e o tempo perdidos para o automóvel utilizando veículos comunitários, silenciosos, eficientes, seguros e não poluentes, reservando o carro (com qualquer tipo de propulsão) apenas para lazer e viagens ocasionais.No fundo é bem mais do que uma questão de escolha binária perde-ganha, ou trade-off para utilizar um termo tão caro ao leitores, envolve múltiplos fatores, múltiplos atores e comporta mais de um tipo de solução ideal, ou mesmo de second Best.O papel de qualquer governo democrático que se preze é no mínimo zelar pelo bem-estar, vida, segurança e prosperidade DE TODA A SOCIEDADE que representa e dirige.Para tanto necessita utilizar-se das leis, da política alocativa e da política distributiva, as quais, citando verdade inconteste em Marx e em Gramsci, são naturalmente contra os interesses do mercado no modelo hegemônico global de produção capitalista (irresponsável, hedonista e excludente).Fica a reflexão para a turma do Laissez-faire.
  • Massimo  10/07/2013 18:38
    "O autor foi saudosista [...] demonstrando que pouco entende [...] das regulamentações governamentais aplicadas ao setor automobilístico."

    Tipo, o autor passou o artigo inteiro especificando as regulamentações, e ainda forneceu links e um vídeo feito por especialistas do setor automotivo expondo em detalhes as regulamentações governamentais.

    Outro que comentou sem ler. O resto do comentário está ilegível.
  • anônimo  10/07/2013 18:46
    Afff, já não tenho mais paciência pra esse papinho de "bem público".... o maior respeito ao bem público é a não interferência do governo em qualquer fagulha do livre mercado, ou melhor, a inexistência de um governo seria o melhor dos bens públicos.
  • Tory  10/07/2013 19:32
    Ok, então não tenha um carro. Mas não queira me salvar de mim mesmo e me deixe ter um.
  • Assis  11/07/2013 14:30
    Tory, se você leu o artigo TODO sabe que não defendo a proibição do automóvel, e sim seu uso limitado e consciente. Não se trata de o governo proibí-lo de comprar o seu carrão potente e espaçoso para acelerar de um semáforo ao outro nos domingos e SOZINHO... Mas reflita que virtualmente TODOS os espaços disponíveis nas grandes cidades do mundo já foram ocupados pelo automóvel, esse modelo está em franca decadência, só não vê quem não quer!
  • Anarcofóbico  10/07/2013 20:04
    Sonho com o dia em que o governo proibirá os carros nas ruas! O problema do capitalista é essa busca pela felicidade e alegria nas coisas materiais. Na verdade, não há maior virtude do que a tristeza, ela sim é que enaltece o espírito do homem e o torna mais humilde! O lucro deixa o homem arrogante e indiferente ao sofrimento alheio.
  • S.D.  12/07/2013 16:21
    O Delorean DMC é tão foda.. até hoje acho o carro do futuro. Não é por causa do filme, mas veja o design dele na Internet. Aquilo é vanguarda e destuiram.
  • Eduardo  14/07/2013 00:11
    Revista época abordou o tema:

    epoca.globo.com//ideias/noticia/2013/07/em-carro-que-esta-ganhando-bnao-se-mexeb.html
  • Daniel  15/07/2013 19:42
    Engraçado que o mesmo aconteceu com a expressão máxima do automobilismo, a Fórmula 1. Há um certo tempo todos os carros são iguais, para cumprir a regulação cada vez mais pesada. E mais, quando numa roda de bar se fala dos carros top's em tecnologia, sempre são lembrados bólidos de VINTE anos atrás.
  • Anarco-Individualista  18/07/2013 02:09
    E a minha liberdade de querer coisas antigas? Cadê?

    Cara arrogante esse Tucker.
  • Bruno  06/08/2014 15:42
    Falem das exigências da CNH, aproveitando o assunto.
  • anônimo  06/08/2014 18:01
    Desculpem, é meio off-topic, mas gostaria de saber o que o Leandro Roque ou os outros colaboradores do IMB tem a dizer sobre este artigo www.empiricus.com.br/o-fim-do-brasil/ ,que faz análises sobre a situação da economia brasileira.
  • Leandro  06/08/2014 18:35
    Mistura coisas interessantes com previsões catastrofistas. A explicação dele para a hiperinflação é contraditória.
  • mauricio barbosa  08/08/2014 15:06
    E essas previsões catastrofistas tem base ou é puro marketing barato eu te pergunto Leandro Roque.
  • Vander  08/08/2014 02:09
    É bom ter carro no Brasil (não é crítica ao texto, mas é a realidade diária):

    1) 2 horas para ir e mais 2 horas para voltar do serviço.

    2) As sinaleiras devem ter inteligência artificial, só pode! Não tem explicação em uma via rápida o seu sinal abrir e imediatamente o seguinte fechar.

    3) Multado ao mesmo tempo (mesmo dia, mas com umas 3 horas de diferença) em Goiás e Mato Grosso do Sul, mas você mora em Minas Gerais e nunca esteve nesses locais. Mesmo assim, a coisa chamada Detran rejeita sua defesa de multa. Sai mais a pena pagar as multas do que contratar advogado.

    4) Falando em Detran! Há o Detran! Não tem nada como o Detran! Não mesmo! Só quem um dia precisa desse tal de Detran sabe do que eu falo. Emoção única.

    5) A cada enchida de tanque no posto, você vê cada vez mais água saindo do cano de descarga.

    6) Para que serve o IPVA e o Seguro Obrigatório mesmo? Tá bom, é imposto, eu sei. Mas para que serve mesmo?

    7) Você vê uma das principais vias da sua cidade perder uma pista, e ganhar uma 'ciclovia'. O interessante é você constatar que a via de 4 pistas já estava saturada. Agora com 3...

    8) E falando de ciclovia: enquanto você está ali, no engarrafamento parado a uns 15 minutos, passaram nesse tempo todo 2 ciclistas por você: um desses com uniforme coladinho e capacete e uma senhora com bicicleta de cestinha.

    9) E falando em engarrafamento, você ainda tem de aguentar (e respeitar!) a fila do meio dos motoqueiros. Se não respeitar, perde seu retrovisor.
  • alguem  08/08/2014 12:09
    Vander

    Gostei da sua ironia,vc só esqueceu de falar que os ciclitas que usam uniforme coladinho parecem viadinho,aliais,como todo esquerdista.
  • Ricardo Moriya  08/08/2014 12:33
    Bom artigo, interessante a analogia feita com a uniformização atual causada por entes reguladores, que apesar das ditas boas intenções, servem apenas como cabide de emprego hoje em dia. Quanto aos comentários acima, fica um questionamento: o site foi invadido por militantes socialistas? Há bons comentários, realmente bem escritos e pontuais, mas alguns são de doer (propositais ou não!).
    O artigo fala dos excessos de regulamentações, de todos os tipos e cores, todavia hoje penso que o brasileiro médio não consegue mais viver sem o auxílio do Estado. O brasileiro é literalmente viciado em Estado, e irá lutar contra qualquer um que sinalize tirar esse "bem" dele. E pior, ele se esquece que a burocracia local é autofágica, pois cobra um absurdo de impostos sobre um veículo particular, e ao mesmo tempo, cria ciclovias, BRTs e outros empecilhos que limitam a capacidade do mesmo poder trafegar, de poder chegar no seu trabalho. Há um paquiderme no quarto e ninguém quer falar nele.
  • Brian  10/08/2014 00:55
    Quero fazer uma menção contra todos os problemas de liberdade, que influenciam no cotidiano urbano das grandes cidades. Podem incluir nestes quesitos a eficiência energética, estética, segurança, e outros assuntos de dívida de capital estatal.

    Sistema ferroviário é dispendioso.
    ônibus e carros são dispendiosos.

    Supomos que fizessemos uma séria contabilidade dos custos dos problemas de trânsito, que são enormes, e que o governo fizesse um "socialismo" dando uma motocicleta 125cc para cada cidadão. Deixo claro que não sou socialista, mas "ecochato".

    Só a motocicleta salva.
  • Realista  10/08/2014 22:12
    "Só a motocicleta salva."

    E dia de chuva?
    E se tiver que levar os filhos na escola?
    E o 'rancho' que temos de fazer toda a semana no super (as 7 sacolas lotadas de coisas)?
    E se a família for de 3 pessoas ou mais? Cabe tudo na moto?

    Enfim: vai casar, ter filhos para você ver como nesse caso "só o carro salva"....
  • Luiz Tedesco  12/08/2014 19:55
    Sim, existe influência das regulamentações no design dos carros de hoje, mas o autor se esqueceu daquele que é o fator mais importante, a convergência tecnológica. Aqui tem um artigo muito bom sobre isso:
    autoentusiastas.com.br/2012/02/brincando-de-adivinhar-o-futuro/
    Em resumo, o mercado de automóveis hoje está plenamente amadurecido e é extremamente competitivo, com margens bem estreitas. Um projeto de um novo modelo consome bilhões de dólares em seu desenvolvimento e nenhum fabricante hoje teria condições de apostar suas fichas em um modelo muito diferente do atual, sob pena de ter sua posição no mercado comprometida. Por isso não teremos mais, pelo menos para os carros "comuns" soluções muito diferentes de um carro para outro.
  • Andre Cavalcante  15/08/2014 13:30
    "Sim, existe influência das regulamentações no design dos carros de hoje, mas o autor se esqueceu daquele que é o fator mais importante, a convergência tecnológica. Aqui tem um artigo muito bom sobre isso: autoentusiastas.com.br/2012/02/brincando-de-adivinhar-o-futuro/"

    Convergência tecnológica? Bom, o artigo trata de design. E não, o design não tem "convergência tecnológica", a não ser que o governo obrigue os fabricantes a usar determinados tipos de tecnologia, exatamente como o artigo explica. Interessante é que você fala disso no seus próximos parágrafos:

    "Em resumo, o mercado de automóveis hoje está plenamente amadurecido e é extremamente competitivo, com margens bem estreitas."

    Falso. No Brasil as margens são grandes e por motivos que não tem nada a ver com a tecnologia ou "mercado amadurecido". Procure no site e há um artigo muito bom do Leandro sobre o porque os carros aqui são mais caros que o mesmo carro no México, ou porque os carros daqui são como carroças que andam sem cavalos (ou bois) se comparados com qualquer carro europeu, americano ou japonês.

    "Um projeto de um novo modelo consome bilhões de dólares em seu desenvolvimento e nenhum fabricante hoje teria condições de apostar suas fichas em um modelo muito diferente do atual, sob pena de ter sua posição no mercado comprometida. Por isso não teremos mais, pelo menos para os carros "comuns" soluções muito diferentes de um carro para outro."

    Você chegou ao cerne do problema. Porque o desenvolvimento de um novo modelo diferente é tão caro? Será que a infinidade de legislações de "segurança" que uma montadora tem que provar que atende não tem nada a ver com isso? E as legislações ambientais? Será que elas não direcionam o design do carros? É disso que trata o artigo.

    Remova estas legislações e você vai ver uma profusão de novos modelos, nem todos tão bons em serem econômicos ou seguros.

    Sobre o artigo que trata da convergência tecnológica, chega a ser risível o exemplo da chave de boca. Ora, a chave de boca não mudou o seu formato simplesmente porque ela atende a uma padronização do parafuso. Nenhum fabricante vai inventar nada diferente simplesmente porque deixaria de ser um chave de boca que deve ser usada para determinado tipo de trabalho e determinado tamanho de parafuso. E sim, há muitas chaves de boca hoje no mercado que tem o formato em S. E muitas são sextavadas. E isso é claro, porque há trabalhos que exigem o formato em S. Isso não é nenhuma "convergência" o fato de existir chaves em S e chaves retas, é simplesmente adequação ao uso. E mais, os parafusos existem desde os tempos de Arquimedes e mudaram muito pouco, porque as chaves deveriam mudar?

    Tecnologia, ao contrário de seres vivos, não evoluem "naturalmente" como o texto implica. A tecnologia evolui de forma direcionada e consciente pela ação humana a fim de maximizar a sua adequação ao uso que se faz daquela tecnologia. Se há uma seleção aí, ela é toda artificial. E mais, este site está cheio de artigos que explicam que, não fosse o governo e suas intermináveis leis de proteção à propriedade intelectual, o processo de lucros e prejuízos aceleraria muito o acesso das diversas tecnologias às pessoas, justamente porque os fabricantes poderiam imitar, copiar etc., os desenhos, invenções etc. dos concorrentes, criando-se uma concorrência por preço após pouco tempo. Para a empresa original (que concebeu a tecnologia) só resta uma alternativa: desenvolver inovações!

    Resumo: como disse o artigo, e muito diferente do que seu comentário deixa transparecer, é sim culpa do governo acontecer esse tipo de "falha" na inovação do design dos carros.




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