clube   |   doar   |   idiomas
Fui enganado pelo 4 de julho
A Revolução Americana aumentou a centralização e a tirania do estado

Eu não celebro o 4 de julho. E vem sendo assim desde que escrevi uma monografia quando ainda estava em minha pós-graduação. 

A monografia era sobre a tributação imposta pela Grã-Bretanha sobre as colônias americanas em 1775. Sem considerar a tributação local, que era de total responsabilidade das colônias, descobri que a carga tributária total imposta pelo Império Britânico era de aproximadamente 1% da renda nacional. Nas colônias do sul do país, o total pode ter chegado a, no máximo, 2,5%.

Em 2008, o cientista político Alvin Rabushka publicou um livro de quase 1.000 páginas chamado Taxation in Colonial America (Princeton University Press). Em uma resenha sobre o livro publicada no periódico Business History Review, o revisor resumiu desta forma as descobertas do livro:

A contribuição mais original e impressionante de Rabushka é sua mensuração das alíquotas de impostos e da carga tributária total. Em determinado ponto do livro, ele conclui que, no período de 1764 a 1775, "os aproximadamente dois milhões de colonos brancos na América pagaram o equivalente a aproximadamente 1% dos tributos anuais incidentes sobre os quase 8,5 milhões de residentes da Grã-Bretanha — ou um vinte e cinco avos em termos per capita, mesmo sem levar em consideração a maior renda média e o maior consumo médio das colônias" (p. 729).  

Logo depois, ele escreve que, nas vésperas da Revolução, "a carga tributária vigente na Grã-Bretanha era, no mínimo, dez vezes mais pesada do que a carga tributária imposta pela Grã-Bretanha sobre suas colônias americanas" (p. 867).  

Outros pesquisadores talvez queiram refinar estes números baseando-se em outras fontes, ou fazendo uma abordagem mais detalhada de assuntos técnicos — como uma comparação intercolonial e transatlântica levando em conta a taxa de câmbio —, ou apresentando novas estimativas da renda e da riqueza dos dois lados. Não obstante, ninguém até agora se mostrou apto a desafiar sua mais importante descoberta: a enorme disparidade entre a carga tributária imposta às colônias americanas e a carga tributária vigente no núcleo do Império Britânico.

Sim, os colonos americanos tinham uma situação invejável. A Grã-Bretanha era a segunda nação mais livre da terra. A Suíça provavelmente era a mais livre, mas eu não saberia identificar qualquer outra nação que, em 1775, estivesse à frente da Grã-Bretanha. E, dentro do Império Britânico, os colonos americanos eram, de longe, os mais livres.

Vou repetir isso, em alto e bom som: a sociedade mais livre da face da terra em 1775 era a América colonizada pela Grã-Bretanha, com a exceção do sistema escravocrata. Qualquer um que não fosse um escravo gozava de incomparáveis liberdades.

Thomas Jefferson escreveu estas palavras na Declaração de Independência:

A história do atual Rei da Grã-Bretanha é uma história de reiteradas injustiças e usurpações, sempre com o objetivo direto de estabelecer uma Tirania absolutista sobre estes Estados.

Não consigo pensar em nenhuma outra avaliação política emitida por algum líder proeminente na história dos EUA que seja mais equivocada e ilusória do que essa. Em minha concepção, dentre todas as palavras que tiveram grande impacto na história dos EUA, estas foram as menos verdadeiras de todas. Nenhum político que seja rotineiramente acusado de "o mentiroso do século" jamais disse algo tão comprovadamente falso quanto estas palavras de Jefferson.

O Congresso Continental declarou independência no dia 2 de julho de 1776. Alguns membros assinaram a Declaração no dia 4 de julho. O povo americano em geral acreditou nos líderes do Congresso Continental. Ele certamente não fazia a mais mínima ideia de que estava prestes a abrir mão de suas maiores liberdades. Ele não foi capaz de prever o preço que logo em seguida pagaria em termos de sangue, riqueza e endividamento. E ele certamente não previu a nova carga tributária que seria imposta sobre a nova nação após 1783.

Em um artigo sobre a tributação daquela época, Rabushka vai direto ao ponto.

Todos os grandes historiadores já escreveram que os impostos na nova nação americana subiram e permaneceram consideravelmente mais altos — talvez em torno de três vezes mais altos — do que eram sob o domínio britânico. O novo governo arrecadou mais dinheiro para a defesa nacional do que o total coletado pelo Império Britânico para defender as fronteiras dos índios e dos franceses. Adicionalmente, a nova nação teve de lidar com vários outros gastos.

Logo, como resultado da Revolução Americana, a carga tributária triplicou no país.

O fardo da dívida disparou assim que a Revolução começou. A inflação monetária, agora sob total controle dos revolucionários, destruiu o sistema monetário. O controle de preços imposto em 1777 levou à derrocada do Vale Forge [local onde ficava o acampamento militar do exército liderado por George Washington]. Percy Greaves, um discípulo de Ludwig von Mises e que por 17 anos frequentou seus seminários, escreveu isto em 1972:

Nosso Congresso Continental autorizou a impressão das novas cédulas de dinheiro, o Continental, em 1775.  O Congresso foi alertado de que não deveria abusar da impressão. Em um panfleto de 1776, Pelatiah Webster, o primeiro economista americano, disse aos seus companheiros que a moeda Continental iria rapidamente se tornar inútil caso nada fosse feito para coibir novas impressões e emissões do papel-moeda.

O povo e o Congresso se recusaram a aceitar este sábio conselho. Com cada vez mais dinheiro de papel em circulação, os consumidores continuaram gastando e pressionando os preços. A libra do porco subiu de 4¢ para 8¢. A libra da carne bovina disparou de 4¢ para100. Como nos informa um historiador, "Já em novembro de 1777, os preços das commodities estavam 480% maiores em relação à média do período anterior à guerra de Revolução".

A situação se tornou tão ruim na Pensilvânia, que o povo e a legislatura deste estado decidiram tentar "um período de controle de preços, limitado às mercadorias domésticas essenciais para o uso do exército". Imaginou-se que isso iria reduzir o custo da alimentação e dos suprimentos do Exército Continental. Esperava-se que tal medida fosse reduzir o fardo da guerra.

Os preços dos bens importados, que não estavam submetidos ao congelamento, dispararam, e era quase impossível a aquisição das mercadorias domésticas necessárias para o exército. Os controles eram bastante arbitrários. Muitos agricultores se recusavam a vender seus bens aos preços estipulados. Poucos aceitavam os continentais de papel. Aqueles agricultores que tinham famílias numerosas para alimentar e vestir venderam seus produtos agrícolas sorrateiramente para a Grã-Bretanha em troca de ouro. Era somente com ouro que eles conseguiam comprar itens essenciais para sua sobrevivência, os quais eles não eram capazes de produzir por conta própria.

No dia 5 de dezembro de 1777, o general-intendente do exército, que se recusava a pagar preços mais altos do que os valores estipulados pelo governo, emitiu uma declaração em nome do quartel-general da Pensilvânia afirmando que "Se os agricultores não concordam com os preços estipulados pelo governo, que então escolham homens mais sábios na próxima eleição".

Este foi o inverno do Vale Forge, o grande nadir da história americana. No dia 23 de dezembro de 1777, George Washington escreveu para o presidente do Congresso que "temos não menos do que 2.898 homens nos quartéis em condições totalmente inapropriadas para o serviço, pois estão descalços e até mesmo nus.... Estou hoje convencido, sem a menor sombra de dúvidas, de que, a menos que haja uma grande e repentina mudança, este exército terá inevitavelmente de ser reduzido a uma destas três situações: morrer de inanição, dissolver ou dispersar com o intuito de obter meios de subsistência da melhor maneira possível."

Foi somente após a lei de controle de preços ter sido revogada em 1778 que o exército se tornou capaz de comprar bens novamente. Mas a hiperinflação do Continental e de todas as outras moedas de papel emitidas pelos estados substituiu o sistema monetário vigente antes da Revolução: um sistema baseado em moedas de prata, as quais eram chamadas de dólar espanhol ou peso de ocho.

Os proponentes da independência invocaram a tirania britânica sobre a América do Norte. Não havia nenhuma tirania britânica, certamente não na América do Norte.

Em 1872, Friedrich Engels escreveu um artigo intitulado "Sobre a Autoridade". Ele criticava os anarquistas, a quem ele chamava de anti-autoritários. Sua descrição do caráter autoritário de todas as revoluções armadas deveria nos lembrar dos custos de uma revolução:

Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que se possa imaginar; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade à outra por meio das espingardas, das baionetas e dos canhões — meios autoritários como poucos. E o lado vitorioso, se não quiser ter combatido em vão, deve manter o seu poder por meio do medo que as suas armas incutem nos reacionários.

Após a Revolução Americana, 46.000 colonos americanos leais à monarquia britânica fugiram para o Canadá. Eles não estavam dispostos a jurar obediência aos novos governos coloniais. Eles mantiveram sua lealdade à nação que havia lhes dado a maior liberdade já vivenciada na terra. Ao contrário do que dizem os historiadores modernos, tais pessoas não cometeram nenhuma traição.

Já os revolucionários não são tidos como traidores. John Harrington, político britânico, já havia explicado, aproximadamente por volta do ano 1600, por que é assim:  "A traição nunca prospera. Por qual motivo? Ora, se prosperasse, ninguém ousaria chamar de traição."

São os vitoriosos que escrevem os livros de história.

O que os libertários — e até mesmo os conservadores — dariam hoje para poder retornar a um arranjo em que o governo central se apropriasse de apenas 1% da riqueza da nação? Um arranjo em que não havia imposto de renda?

Será que eles descreveriam tal sociedade como 'tirânica'?

O fato de que a principal assinatura da Declaração da Independência pertence ao mais rico contrabandista da América do Norte, John Hancock, não foi nenhuma coincidência. Ele estava muito furioso. Em 1773, o Parlamento britânico havia reduzido o imposto sobre o chá que era importado pela Companhia Britânica das Índias Orientais, o que fez com que o custo do chá britânico se tornasse menor do que o custo do chá não-britânico trazido para os EUA pelo contrabandista. Isso havia custado muito dinheiro a Hancock. 

O evento do Tea Party impediu que um navio britânico descarregasse uma carga de chá nos EUA. Tal evento nada mais foi do que uma pilhagem a um navio privado para destruir sua carga privada, arremessando-a ao mar. O navio britânico espoliado era um navio que estava fazendo concorrência aos navios de Hancock. O evento do Tea Party ocorrido em Boston foi, na realidade, um protesto muito bem organizado contra os preços baixos resultantes de uma redução de impostos.

Por tudo isso é que não celebro o 4 de julho.


5 votos

autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Ignácio  05/07/2013 12:58
    Eu sempre tive essa impressão de que ser colônia dos britânicos era um ótimo negócio. Veja como eles trataram Hong Kong, que sob o domínio britânico se tornou o país mais livre da terra, além de ter uma das mais baixas cargas tributárias do mundo. Veja também a Índia, que após sua independência se tornou socialista. E veja a história dos EUA.

    Interessante artigo.
  • Rui Alberto  05/07/2013 14:00
    E veja a Austrália e Nova zelândia
  • Paulo  08/07/2013 01:15
    E veja o Sudão e o Zimbabwe...
  • Pedro Ivo  28/12/2013 11:57
    Encontrei um texto no Mises Hispano que aprofunda a discussão deste artigo:

    El accidentado camino de los impuestos en Estados Unidos
  • cmr  08/09/2017 21:01
    Hong Kong não é um país, nem tem reconhecimento como tal.

    Hong Kong é parte da China.
  • Típico Filósofo  05/07/2013 13:34
    A única revolução que não é um erro é a comunista.
  • Pol Pot, o príncipe da paz  07/07/2013 02:28
    Concordo. Minha revolução distribuiu paz, amor e esperança pelo Camboja.
  • Rafael Franca  05/07/2013 13:40
    Minha cabeça explodiu!
  • Pedro Ivo  05/07/2013 14:43
    A minha idem. Ouço desde criança que a história é escrita pelos vencedores, e desde a faculdade sei que a maior parte do que aprendemos sobre história não passa de panfletos. Mas toda vez que leio alguma revisão feita por historiadores sérios ou libertários me assusto, escandalizo e surpreendo de novo! É impressionante a extensão dessa Matrix.

    Os EUA nunca foram um experimento libertário, mas uma revolução socialista proposta pelos Pais da Pátria?!?!?!?!?!?!?! Vou ter de digerir isto. Eu achava que nunca + me escandalizaria com a panfletagem dos historiadores, até ler este artigo. Benza D'us!
  • Gilberto  05/07/2013 14:53
    Pedro Ivo, você precisa urgentemente de umas aulinhas básicas de interpretacao de texto.

    Onde, por favor me diga, o texto afirma que "Os EUA nunca foram um experimento libertário, mas uma revolução socialista proposta pelos Pais da Pátria"?!?!?!?!?!?!?! (estou aproveitando seus acenos ortográficos)

    De fato, "Benza D'us!" o analfabetismo funcional deste país. Não há 10% do PIB que resolva...
  • Pedro Ivo  05/07/2013 17:43
    "Onde, por favor me diga, o texto afirma que "Os EUA nunca foram um experimento libertário, mas uma revolução socialista proposta pelos Pais da Pátria"?!?!?!?!?!?!?!" - Mas ora:

    [1] se você tinha uma estrutura tributária, na colônia em 1775, que era 1/3 comparada ao pais independente a partir de 1783;

    [2] se o Continental gerou uma inflação de 480% em dois anos;

    [3] se 46.000 pessoas imigraram para o Canadá por não aceitar se tornarem súditos do governo dos EUA independente, pois acreditavam perderiam em liberdades e autonomia;

    [4] se a dívida pública explodiu por ocasião da independência, seus gastos de guerra e dos gastos federais posteriores; [4.1] se a estrutura tributária e militar da defesa das colônias britânicas contra os franceses e os índios custava menos e não provocou os endividamentos e inflação supracitados (vide no texto onde está escrito "O novo governo arrecadou mais dinheiro para a defesa nacional do que o total coletado pelo Império Britânico para defender as fronteiras dos índios e dos franceses. Adicionalmente, a nova nação teve de lidar com vários outros gastos.");

    [5] e se "Em 1773, o Parlamento britânico reduziu o imposto sobre o chá que era importado pela Companhia Britânica das Índias Orientais, o que fez com que o custo do chá britânico se tornasse menor do que o custo do chá não-britânico trazido para os EUA pelo contrabandista" (John Hancock no caso) –> então me parece correto concluir que a independência dos EUA foi um esquema de redistribuição da riqueza dos seus cidadãos rumo ao governo central maior que a Grã-Bretanha jamais o fez.Daí, concluo, socialista, porque socialismo é, pela coerção, redistribuição sistemática da riqueza alheia para os amigos do tirano-em-chefe.

    De fato não está escrito isto no texto que foi uma revolução socialista; mas se socialismo for um esquema sistemático de violência monopolística que redistribui riqueza da parcela produtiva da população para uma elite parasitária, não é uma conclusão disparatada. E não se trata de analfabetismo funcional extrair uma conclusão de um texto. Minha conclusão pode estar errada, mas analfabetismo funcional é a incapacidade de extrair conseqüências de um texto (corretas como erradas).

    Penso você tenha muita sinceridade para pouco brilho meu caro, e nem por isto te acho analfabeto funcional: só grosseiro.

    PS! Se conclui algo errado sobre o texto, que me façam o favor de mostrar o que.
  • Felipe  05/07/2013 19:28
    Ivo,

    Tudo que é socialismo é autoritário, mas nem tudo que é autoritário é socialismo.

    Entendi seu ponto d vista, mas generalizar qualquer violência estatal com socialismo, acho que é um engano.
  • Pedro Ivo  08/07/2013 18:32
    Mas como pode haver violência estatal se algum grau de socialismo? I. é, sem redistribuição de riqueza via monopólio da coerção?
  • Rafael  05/07/2017 10:57
    Sua conclusão, certa ou errada, foi muito interessante e bem escrita. Pena que você tenha precisado "desenhá-la" praquele que te acusa de não entender o texto!
  • Fernando Ulrich  05/07/2013 14:00
    Esse artigo vai incomodar muita gente.
  • Miqueias  05/07/2013 14:03
    A liberdade existente não se pode medir apenas pelos impostos da época. O autor do texto ignora todas as restrições comercias impostas as colônias na América. Não leva em conta as restrições que obrigavam todas as colônias a vender determinado produtos apenas para a Grã-bretanha e comprar certos produtos apenas da mesma.

    No livro quarto de as Riquezas das Nações, Adam Smith, ao relatar a situação das colônias britânicas, deixa claro que elas desfrutavam de muito mais liberdade que as colônias de outros países, porém também fica evidente as restrições e os monopólios de compra e venda impostos pelo coroa britânica. Além disso, segundo Smith, os gastos da coroa britânica com as colônias superava em muito os impostos pagos por elas. Assim, aos se tornarem independentes, obviamente que os governos colônias tiveram que aumentar os impostos, em relação ao que era cobrado antes pela coroa.

    Por fim, não me parece muito justa a comparação de um período de paz, anterior a revolução, com outro período de guerra, quando a revolução estava em curso.
  • Malthus  05/07/2013 14:11
    Miquéias, em primeiro lugar, a guerra de Revolução não durou para sempre. Tão logo ela acabou, não havia mais necessidade de impostos. No entanto, os mesmos não regrediram. Como você explica isso? E a inflação monetária?

    Em segundo lugar, quais eram as profundas restrições comerciais impostas pela Grã-Bretanha aos EUA? Nunca estudou a "negligência salutar"?

    Em terceiro lugar, você está reagindo exclusivamente com a emoção, ignorando fatos e sacando conclusões. Não é assim que se debate.

    Em quarto, há inúmeras teorias -- todas já comprovadas realidade -- sobre as intenções dos criadores da Constituição americana. Leia o resumo aqui.

    No final, todo mundo apenas quer o poder para si. Quem mais agitou para sair do jugo do Rei foi o primeiro a se aboletar no poder.
  • Antonio  05/07/2013 16:22
    Concordo fundamentalmente com a análise do Miqueias e não consigo perceber em que aspecto seus argumentos se fundam na emoção.

    Considero extremamente interessante a parte do artigo que traz dados históricos sobre a tributação e mostra como, em relação a essa situação específica, a situação até piorou após a independência e também a exposição do fato (já há muito conhecido) de que a colonização, em muitos casos, trazia mais custos do que benefícios aos colonizadores. Até aí perfeito. No entanto, me parece que a liberdade não se resume apenas a isso e que os novos valores trazidos ou redescobertos pela Revolução Americana foram fundamentais para o desenvolvimento do liberalismo no mundo.

    Neste contexto, o 4 de julho é uma das poucas datas a ser merecidamente celebrada. Se o autor não quiser comemorar, problema dele!
  • Malthus  05/07/2013 16:32
    Antonio, sob este aspecto burocrático e de regulamentações, a liberdade era maior também sob a Coroa.

    During the 1720s and 1730s, while Robert Walpole was the English Prime Minister, many of the trade laws were loosely enforced, if at all. Walpole's motto, "Let sleeping dogs lie," was reflected in his attitude toward the American colonies. A free-trader at heart, Walpole allowed the Board of Trade, the enforcement arm of mercantilism, to languish. And to the important position of Secretary of State for the Southern Department, Walpole appointed the like-minded Thomas Pelham, Duke of Newcastle.
    The Duke of Newcastle was responsible for American affairs. More interested in the patronage of his office than in enforcing commercial regulations, Newcastle pursued a policy which the Irish statesman Edmund Burke later called "salutary neglect." That is to say, Newcastle pretty much left the colonies alone, allowing customs officials to take bribes in exchange for looking the other way. In the view of Burke and other proponents of free trade, this neglect—or "corruption," as some called it—allowed both Americans and Britons to prosper. It was said that Newcastle had a closet-full of unopened dispatches from colonial governors who were complaining about American lawlessness.



    www.libertarianism.org/publications/essays/excursions/americans-attitudes-smuggling-colonial-america

    Ou seja, os burocratas britânicos simplesmente não estavam nem aí para impingir leis e regulamentações.
  • Oziel Jose  05/07/2013 17:26
    Tão logo acabou, o risco de voltar a ser colônia acabou também? Me desculpem mas o IMB ás vezes peca pelo excesso.
  • Miqueias  05/07/2013 19:09
    "Miquéias, em primeiro lugar, a guerra de Revolução não durou para sempre. Tão logo ela acabou, não havia mais necessidade de impostos. No entanto, os mesmos não regrediram. Como você explica isso? E a inflação monetária?"

    Como eu disse, a coroa gastava mais do que arrecadava com as colônias, segundo Adam Smith, no livro quarto de a Riqueza das Nações. E o principal gasto era com a defesa das colônias. Ou seja, a coroa realmente cobrava pouco imposto, porém aqueles que viviam na Inglaterra é que estavam sustentando os gastos com a colônia.
    Além disso, ainda segundo Smith, eram as assembleias das colonias que arrecadavam os impostam e tinham o poder de vetar novas taxas, o que contribuiu para evitar o aumento de impostos.
    Sobre a inflação monetária, é claro que foi em decorrência de um erro, porém a revolução por si só não implicou em inflação, assim não se pode dizer que a revolução foi um erro porque seus lideres cometeram erros depois de assumir o poder.

    "Em segundo lugar, quais eram as profundas restrições comerciais impostas pela Grã-Bretanha aos EUA? Nunca estudou a "negligência salutar"?"

    Sim, inicialmente a coroa não deu a mínima para as colônias na América, porém assim que as colônias começaram a ter excedentes na produção, criou-se uma lista de Mercadorias Enumeradas que só podiam ser vendidas para a Inglaterra. Em alguns casos chegou-se a proibir a produção de manufaturas e o produto deveria ser vendido em sua forma bruta ou no seu estágio primário para os comerciantes ingleses.Pag 239


    "Em terceiro lugar, você está reagindo exclusivamente com a emoção, ignorando fatos e sacando conclusões. Não é assim que se debate."

    É mesmo? Em que trecho eu reagi de forma emocional? Como é que se debate?

    "Em quarto, há inúmeras teorias -- todas já comprovadas realidade -- sobre as intenções dos criadores da Constituição americana. Leia o resumo aqui.

    No final, todo mundo apenas quer o poder para si. Quem mais agitou para sair do jugo do Rei foi o primeiro a se aboletar no poder"

    Ora, claro que os lideres da revolução também tinham seus interesses específicos, porém isso não implica que ela foi de todo mal. Além disso, não se pode ignorar que o governo britânico não era composto por anjinhos. Ou você ignora que a Inglaterra também se valia do mercantilismo, mesmo na relação com as suas colônias?
  • Ignácio  05/07/2013 19:31
    Prezado Miqueias, perdoe-me a intromissão, mas li este seu link e ele curiosamente fala o exato oposto do que você apregoou. Smith chega até mesmo a exaltar a "mais perfeita liberalidade do comércio" entre a América e o resto do mundo. Logo depois, ele cita alguns produtos sobre os quais Londres intervinha, mas nenhum deles era de produção americana.

    Eu concordo que nao se deve exaltaria Coroa britânica (justiça seja feita, ninguém aqui o fez), mas o fato é que, no que tange aos EUA, a coisa era sim bem liberal. E mesmo que Londres viesse a estipular que determinados produtos tinham de ser vendidos à metrópole, ela não dificultava importações de nenhum canto do mundo, algo que a posterior imposição de tarifas viria a fazer.

    Ok, tudo poderia piorar mais tarde, claro. Porém, concentrando-se exclusivamente nos fatos e analisando o antes e o depois, fica difícil ignorar os pontos levantados pelo autor.

    Saudações
  • Miqueias  05/07/2013 21:48
    "A mais perfeita liberdade de comércio é permitida entre as colônias britânicas da América e das Índias Ocidentais [...]

    A liberdade da Inglaterra, porém, para com o comércio de suas colônias foi confinada principalmente ao que concerne o mercado de seu produto, quer no seus estado bruto, quer no que pode ser chamado primeiro estágio da manufatura. As manufatura mais avançadas ou mais refinadas do produto colonial, os mercadores e manufatureiros ingleses escolhem reservar para si mesmo e prevaleceram sobre a legislatura para prevenir seu estabelecimento nas colônias, por vezes por impostos elevados, por vezes por proibições absolutas."

    Pg 239
    A Riqueza das Nações, Adam Smith


  • Ignácio  05/07/2013 21:56
    Sim, isso tudo eu li. E comentei exatamente esse trecho. Mas você deveria postar o restante em vez de selecionar apenas os trechos que lhe interessam. Como eu disse "Logo depois, ele [Smith] cita alguns produtos sobre os quais Londres intervinha, mas nenhum deles era de produção americana."

    E complementei: "Eu concordo que nao se deve exaltaria Coroa britânica (justiça seja feita, ninguém aqui o fez), mas o fato é que, no que tange aos EUA, a coisa era sim bem liberal. E mesmo que Londres viesse a estipular que determinados produtos tinham de ser vendidos à metrópole, ela não dificultava importações de nenhum canto do mundo, algo que a posterior imposição de tarifas viria a fazer."

    Tem de ler o que foi escrito antes de sair comentando desatinadamente.

    Cordiais saudações!


    P.S.: longe de ser um apelo à autoridade, vou aqui repetir o que disse o leitor Gilberto Costa:

    "North é historiador e seu Ph.D. foi justamente sobre este tema. Aliás, ele cita isso logo no início do artigo. Não deixa de ser engraçado ver nêgo vindo aqui tentando "provar que o autor está errado" utilizando os mesmíssimos argumentos que eu aprendi na sexta série em livros de autores brasileiros..."
  • Marconi  05/07/2013 16:55
    Sir. Adam Smith já escreveu tudo que é preciso saber sobre economia e política. Até essa questão está lá, como você descreveu. O cara era um gênio.

  • Yochanan Ben Efraym  05/07/2013 14:12
    Cara! Esse site é um tesão.........eu amo os artigos aqui. Pois se pautam na historicidade de uma forma maravilhosa. Aprendo cada dia mais com vocês. Deus abençoes sem medida a todos os reesposáveis pelo Instituto.
  • Pedro Ivo  16/08/2013 18:45
    O melhor de tudo é que quanto + a gente aprende + se dá conta da própria ignorância. Nem dá p/ ter aquele gostinho acre-amargo-dogmático-esquerdista do "eu sei tudo", como nas postagens do "típico filósofo"
  • Marcelo Werlang de Assis  05/07/2013 14:19
    Artigo fantástico!
  • Daniel Marchi  05/07/2013 14:31
    Você nunca é o mesmo depois de ler um artigo do Gary North.
  • Bernardo Santoro  05/07/2013 14:33
    Acho que o autor erra em um momento decisivo: compara os EUA atuais com a Inglaterra do Rei George. Os EUA atual são mais livres que a Inglaterra, então, por mais que os founding fathers estivessem errados na época, a história mostra que, no longo prazo, o arranjo americano se tornou mais livre que o inglês.
  • Gilberto  05/07/2013 14:42
    Bernardo, além de o autor nada ter falado sobre os EUA atual, vale lembrar que a Hong Kong de 1997 era mais livre do que a Grã-Bretanha. Aliás, era mais livre do que é hoje, depois que se tornou independente. Sua lógica não se sustenta.
  • Diones Reis  05/07/2013 15:37
    Que eu saiba, Hong Kong não se tornou independente.
    Apenas virou mais Estado-Satélite da China comunista.
    E que ainda tenta botar banca de chefão na parada.

    "www.scmp.com/business/economy/article/1275470/beijing-fails-win-hearts-and-minds-hongkongers-cepa-trade-pact"
  • Malthus  05/07/2013 15:41
    Tornou-se independente da Coroa Britânica em 1997. Não é possível que isso seja novidade pra você...
  • Tiago Moraes  06/07/2013 03:12
    O termo "independência" não se aplica ao caso de Hong Kong, pois o que houve, de fato, foi a devolução do território a China, sob a prerrogativa de se preservar o sistema político e econômico vigente em Hong Kong, controle da política externa e preservação da autonomia interna, ainda baseado no modelo das common law's.
  • Tiago RC  05/07/2013 16:57
    O ideal seria comparar com os territórios ultramar do Reino Unido de hoje, não com o Reino Unido propriamente dito. O próprio artigo nota o fato de que a coroa da época já era mais agressiva em casa do que fora.

    Diversos desses territórios britânicos são considerados paraísos fiscais hoje.
  • Icaro  05/07/2013 17:06
    Exato, Tiago. A Ilha de Man é hoje um dos territórios mais livres do mundo.
  • Lopes  05/07/2013 17:38
    Recomendo que os parâmetros sejam ainda mais específicos dado a faceta diferenciada do Império Britânico em sua colonização contemporânea.

    À bem da verdade, comparemos os EUA ao Canadá e quem sabe à Austrália(Que iniciara como colônia penal e ascendeu graças à liberdade concedida. Havia preparado uma análise aprofundada de toda a problemática lógica enfrentada pela comparação de nosso prezado aluno do Bira além de uma estratégia de solução para tal, mas a perdi graças à excelente Internet brasileira.

    É um tópico interessante e planejo levantar as consequências econômicas e históricas da revolução de Gary North.

    Deixo no ar uma curiosidade minha que é relevante:

    Muitos liberais(não confundir com democrata) e libertários nos EUA tomam a sina dos pais fundadores e sua constituição como documento que legitima o governo mínimo e a liberdade do indivíduo. Argumentos constitucionalistas são, por exemplo, usados para defender a posse privada de armas e a privacidade, além de servirem contra p assistencialismo(Vide Horatio Bunce e o Não é seu para Dar").
    Apesar de certos interesses coercitivos presentes entre os paia fundadores e sua constituição, ainda serviria a tradicional defesa dos liberais americanos contra políticas autoritárias de que "essas não representam aquilo que fora desejado pelos pais fundadores"?
  • Artur  05/07/2013 15:06
    Contrabandista não é o termo que os estatistas utilizam para conflagrar a OP contra comerciantes não autorizados?
  • anonimo  05/07/2013 15:33
    Boa tarde.

    E no Brasil colônia, pagava-se menos para Portugal do que se paga hoje em dia....(Comentário baseado no texto, mas considerando o que aconteceu por aqui).

    Obrigado.
  • Luciano Rocha  05/07/2013 16:13
    Ótimo texto. Realmente um tapa em quem só viu a Revolução Americana através dos livros de escola.

    Seria interessante fazer um texto criando um paralelo com o Brasil, algo como "A proclamação da república foi um erro". Afinal, guardadas as devidas proporções de época - e apesar da política fortemente agrária - o Brasil Império era inegavelmente mais desenvolvido do que o republicano.
  • Tiago RC  05/07/2013 17:00
    O império era escravagista. Isso por si só já faz dele pior do que a república. Até porque a porcentagem de escravos na população era enorme.
  • Fernando Soares  05/07/2013 19:26
    Os escravos foram libertos ainda no Império; a República foi uma reação dos ex-senhores de escravos ressentidos com a abolição.
  • Luciano  05/07/2013 20:02
    Tiago RC,

    No Império também tinha padrão-ouro, inflação quase nula, que começou a subir logo cedo na nova república (pesquise sobre "encilhamento") e a indústria começou a se desenvolver. O Brasil foi um dos primeiros países da América a ter linhas telegráficas e o 2º do mundo a emitir selos e ter um sistema postal.

    A escravidão era sim algo que pesava contra o regime, mas os EUA já eram uma república antiga e ainda mantinham o regime de escravidão.

    O Império foi sim uma época melhor para o Brasil. Tem um texto aqui no site em que falam sobre isso nos comentários, mas agora não me recordo qual é.

    Abraços.
  • Gabriel Miranda  05/07/2013 20:28
    Um pequeno adendo para enriquecer a discussão: vale a pena pesquisar sobre a história do Barão de Mauá, pois o Império não era lá essa maravilha toda em termos de liberdade econômica, não.
  • Luciano  06/07/2013 01:31
    Gabriel,

    Claro que não era. O Barão de Mauá faliu 2 vezes, se não me engano. E boa parte do motivo dessa falência foi a ação de pessoas politicamente influentes - pra variar.

    O Império era sim uma época complicada em muitos aspectos. Mas isso não muda o fato de que nesse período também houveram grandes avanços - quase todos deixados pra lá ou destruídos mesmo pelo regime republicano.

    Abraços.
  • carlos alberto  12/07/2013 02:24
    meu caro, não dá para por entre ( ) as diferenças!
    Pois são elas q distinguem as duas épocas!
    Escrito isto, é fácil objetar q o império não era, não era inegavelmente melhor;
    as diferenças, brutais, todas favoráveis à República - e nem mencionarei a escravidão...
    Sob a república mais população, mais crescimento demográfico, mais urbanização, mais desenvolv ec, mais cosmopolitismo, mais migração, maior circulação das elites, maior mobilidade social;
    o grosso do processo de substituição de importações é de pós-29;
    entre 1950 e 2000 praticamente quadruplicamos a pop, fenômeno incomum na história! do fim do império pra cá crescemos em média pouco menos de 7% aa!
    saímos de 58º lugar no ranking dos PIBs pré-64 e pulamos para 8º em 1984!
    o triênio 64-67 é o mais rico da nossa história em reformas e modernizações.

    império=pasmaceira ec-social-demográfica;
    ali por 1900 nossa população era de pouco mais de dez milhões! Os EUA em 1860 eram três vezes mais populosos.
    império = pop rarefeita, esmagadoramente rural e escrava, monocultural;
    éramos um país mais ridículo ainda!
    Que sangrou com a guerra do PARAGUAI, cinco anos.

    O Império foi superior em liberdade de imprensa.
    Claro, infinitamente menos vulgar q a República.
    E muito menos violenta politicamente.
    No mais...

    Mas v sempre pode perguntar:
    - post hoc, ergo propter hoc? (depois disso logo por causa disso(?)

    O q veio com a república pode não ter sido efeito da república...

    Infelizmente isso não é abonado pelos historiadores econômicos
    (Simonsen, Celso Furtado, Caio Prado Jr, Lorenzo Fernandes.)
    Nem pelos historiadores político-diplomáticos nem pelos sociólogos.
    abs
    ca
  • carlos Mello  05/07/2017 01:16
    A monarquia era melhor que a República então?
    Um regime baseado na esperteza é melhor que um baseado ma meritocracia?

    Só pode ser piada aparecer bobos da corte defendendo uma excrescência da humanidade.
  • Historiador Honesto  05/07/2017 01:35
    "A monarquia era melhor que a República então? Um regime baseado na esperteza é melhor que um baseado ma meritocracia?"

    República é meritocracia?! Só se, para você, há algum mérito na ladroagem, na corrupção, no desvio de verbas, nos conchavos, no apadrinhamento.

    Como já dizia o grande H.L. Mencken, na república democrática "os demagogos, em virtude de seu talento para o absurdo e para as tolices, insuflam a imatura imaginação da massa."

    É isso o que você chama de meritocracia?

    E Mencken acrescentou:

    "Os políticos raramente, se nunca, são eleitos apenas por seus méritos — pelo menos, não em uma democracia. Algumas vezes isso acontece, mas apenas por algum tipo de milagre. Eles normalmente são escolhidos por razões bastante distintas, a principal delas sendo simplesmente o poder de impressionar e encantar os intelectualmente destituídos.

    Será que algum deles iria se arriscar a dizer a verdade sobre a real situação do país? Algum deles iria se abster de fazer promessas que ele sabe que não poderá cumprir — que nenhum ser humano poderia cumprir?

    Iria algum deles pronunciar uma palavra, por mais óbvia que seja, que possa alarmar ou alienar a imensa turba que se aglomera ao redor da possibilidade de usufruir uma teta que se torna cada vez mais fina?

    Eles todos prometerão para cada homem, mulher e criança no país tudo aquilo que estes quiserem ouvir. Eles todos sairão percorrendo o país prometendo remediar o irremediável, socorrer o insocorrível, e organizar o inorganizável. Todos eles irão curar as imperfeições apenas proferindo palavras contra elas. Quando um deles disser que dois mais dois são cinco, algum outro irá provar que são seis, sete e meio, dez, vinte, n.

    Em suma, eles saberão que, em uma democracia, os votos são conseguidos não ao se falar coisas sensatas, mas sim ao se falar besteiras; e todos eles dedicar-se-ão a essa faina com vigoroso entusiasmo."

    "Só pode ser piada aparecer bobos da corte defendendo uma excrescência da humanidade."

    Excrescência da humanidade é gente defendendo políticos e o povo que elege esses safados. Excrescência é exatamente isso o que temos hoje.

    Aliás, a definição de ironia: brasileiro dizendo que nossa república democrática é de fazer inveja.

    Antes ler isso do que ser cego.

    Ah, para você ter um treco:

    Por que a monarquia é superior à democracia
  • Pobre paulista  05/07/2013 16:27
    "Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que se possa imaginar; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade à outra por meio das espingardas, das baionetas e dos canhões"

    Difícil acreditar que Engels disse isso.
  • Silvio  24/11/2014 01:43
    A frase foi tirada de contexto. Se você ler o texto inteiro, vai desfazer sua perplexidade e dizer para si: "agora sim, só um socialista mesmo para dizer uma coisa dessas!"

    O texto: www.marxists.org/portugues/marx/1873/03/autoridade-pt.htm
  • Renato Souza  05/07/2013 17:02
    Alguns pontos importantes:

    1. A Inglaterra gastava com segurança das colônias, muito mais do que arrecadava. Inclusive esse era um dos argumentos de Adam Smith contra a manutenção das colônias. Argumentava ele que seria muito mais vantajoso para o povo inglês, se as colônias fossem livres e pudessem negociar com quem quisessem. É natural que, uma vez independentes, o custo subsidiado pelos ingleses recaísse sobre os americanos.

    2. A constituição americana foi escrita como um documento miniarquista. Esse ideal foi traído. Por esse motivo, os impostos são muito maiores do que eram. Além de haver muito menos liberdade civil.

    3. Haviam restrições de comércio para os americanos, mas evidentemente essas restrições seriam consideradas pequenas em relação às restrições, de toda ordem, que os americanos sofrem hoje em seu próprio país.

    4. Os EUA seriam independentes hoje, em relação à Inglaterra, de uma forma ou de outra. Como são Austrália, Nova Zelândia e Canadá.
  • Icaro  05/07/2013 17:14
    "Haviam restrições de comércio para os americanos, mas evidentemente essas restrições seriam consideradas pequenas em relação às restrições, de toda ordem, que os americanos sofrem hoje em seu próprio país".

    Havia, mas não eram impingidas. Leia a postagem do Malthus lá em cima.
  • Oziel Jose  05/07/2013 17:15
    Precisaria de mais informações avaliar mais apropriadamente, mas existe muitos prismas não levados em consideração nesse artigo. Porque Edmund Burke apoiou o movimento de independência? Pra ser chato? Se alguém já leu sua biografia sabe que não foi assim, inclusive ele tentou convencer o rei George a não fazer o que ele fez. Gosto geralmente dos artigos de Gary North mas esse acredito que ele exagerou na dose.
  • Malthus  05/07/2013 18:00
    Ué, o artigo em momento algum questiona as intenções dos revolucionários. Aliás, ninguém aqui está questionando. O artigo se limitou apenas a relatar fatos, utilizando amplo back-up histórico, daquela época.

    "Gosto geralmente dos artigos de Gary North mas esse acredito que ele exagerou na dose."

    Cite exemplos. Cite uma informação errônea que tenha sido passada. E explique por que é "exagerar na dose" alguém dizer que não comemora o 4 de julho.
  • Oziel Jose  05/07/2013 18:39
    Texto sem contexto é um pretexto. Acredito que o autor planeja direcionar uma conclusão através dos textos escolhidos, mesmo que sejam fatos históricos. A revolução americana não influenciou em nada o tratamento do império com suas outras colônias? A América estava crescendo de tal maneira que em um dado momento poderia ameaçar o império, tanto os americanos sabiam disso, quanto os ingleses. O que Burke condenou foi a mudança de política em relação as colonias dada essa realidade precedente.

    Ele tem todo direito de não comemorar o 4 de julho, mas eventualmente a América independente influenciou as políticas internas da Inglaterra e por conseguinte do mundo todo, pois passou a ser um "referencial de sucesso" do livre comércio e naquela época não existiam países ou monarquias que pudessem servir para esse propósito.
  • Malthus  05/07/2013 18:54
    "Referencial de sucesso" do livre comércio em um país repleto de tarifas de importação, como eram os EUA no século XIX? Deixa de falar besteira, meu caro. Livre comércio, na prática, existia quando os EUA eram colônias. Eram um exemplo muito maior de livre comércio do que os EUA do século XIX. Adam Smith até escreveu sobre isso, exaltando o fato.
  • Oziel Jose  05/07/2013 19:03
    A América colonial não era um lugar de mil maravilhas, não era incomum que os estados entrassem em guerra devido a marcações de território e questões comerciais, inclusive havia muita animosidade entre eles, não fosse o inimigo comum, eles talvez nunca se juntariam, mas sei que isso pode quebrar a lógica "economia é paz" dos libertários.
  • Oziel Jose  05/07/2013 17:23
    O Autor por exemplo se esquece que os EUA não queriam ser independentes e que tinham orgulho de fazerem parte do império britânico, mas esse orgulho foi se esvaindo pouco a pouco. Isso demonstra que a revolução não foi uma coisa imposta e sim eventualmente um clamor da sociedade americana, que na época não se considerava americana, os estados eram praticamente independentes entre si. Como uma evento em Boston teria colocado todos os estados juntos contra os britânicos? Querendo ou não a frustração de não participar da aristocracia foi de fato um dos grandes motivos de repulsa dos americanos da colônia e não apenas impostos, ou seja, achei esse artigo muito tendencioso, o autor desejou reescrever a história e filtrou o que lhe era proveitoso.
  • Leonardo Faccioni  05/07/2013 17:34
    Prezados, desviando-me (pero no mucho) do tópico, gostaria de exortá-los (em especial os colegas da área jurídica) a comentar, enquanto possível, o mais recente artigo do nacionalmente conhecido jurista gaúcho Lênio Streck, a defender o endurecimento do direito penal contra crimes contra "bens metaindividuais" (i.e. "que atentem contra Os Objetivos da República") e a redução da penalização contra crimes contra "interesses individuais". Não se enganem, isso virá implementado pelo novo Código Penal em trâmite no Congresso. O artigo em si não é de todo mau, mas o trecho que segue é preocupante:

    "Antes de tudo, devo louvar o interesse e a dedicação do senador Pedro Taques (PDT-MT). Se o seu mandato encerrasse hoje, seu nome já estaria gravado no Senado como um dos mais combatentes parlamentares contra a impunidade. Veja-se a sua luta para a aprovação do novo Código Penal e suas discussões — fortes — com setores refratários a uma exasperação das penas dos crimes de cariz metaindividual. Taques tem muito claro que no Estado Democrático de Direito, o Direito Penal deve voltar as suas baterias em direção aos crimes que colocam em xeque os objetivos da República. Ou seja, penas menores para os crimes de cariz individual e penas mais duras para os crimes cometidos pelo andar de cima, em que se enquadra, sim, a corrupção, bem como a sonegação de tributos (o "sonegômetro" aponta para o valor de R$ 415,1 bilhões/ano — clique aqui para ler). Já, aqui, vai um pequeno registro: parcela considerável do Direito Penal de terrae brasilis não quer discutir essa questão da criminalização mais dura da sonegação de tributos... Por que será?
    [...]
    Já denuncio de há muito (e nessa esteira uma série de orientandos meus) que o Direito Penal em terrae brasilis não passou por uma filtragem constitucional em 1988 e segue sendo remendado sem a observância dos requisitos impostos pela nova ordem paradigmática e consoante com o avanço da teoria do delito. Aproveito para refutar aqui a tola (e tão comum no imaginário jurídico) ilusão de que se pode separar teoria e prática, como se por trás desta última não houvesse qualquer fundamento teórico, de modo a realizar-se por si mesma.

    Há quase 20 anos, venho denunciando a seletividade penal e a consequente disparidade de tratamento dado às penas previstas para os delitos individuais, em especial nos crimes contra o patrimônio cometidos sem violência à pessoa, e os metaindividuais cometidos por agentes econômica ou politicamente poderosos, como nos casos da sonegação fiscal, da apropriação indébita previdenciária e dos crimes contra o sistema financeiro em geral. E tenho sido criticado duramente por isso.

    Denuncio, com veemência, que o Código Penal de 1940 foi escrito sob a lógica liberal individualista, o que fez com que a propriedade privada tenha ocupado o centro das atenções e recebido uma tutela amplamente superior se comparada à dos bens jurídicos coletivos. Por justiça, diga-se: é um código de seu tempo."


    Por favor, ajudem a trazer alguma luz aos "leitores-juridicantes" da área de comentários da revista jurídica . Essa aberração histórica não pode passar por lugar comum inconteste. Estão sovietizando a cavalo a legislação penal brasileira, sob aplausos unânimes. Está em www.conjur.com.br/2013-jul-04/senso-incomum-crimes-hediondos-enquanto-enforcavam-tungavam
  • Lopes  05/07/2013 18:17
    Planejava conceder tal análise à primorosa lógica do "Típico Filósofo" dado a verossimilhança entre a gigantesca ilusão presente no antipenúltimo parágrafo de que a constituição prioriza crimes contra a prioridade privada(Para os quais quase nunca são lançadas punições maiores que o pagamento de cestas básicas e serviço social) em detrimento do patrimônio público e as causas da república.

    Pergunto-me se em jurismo há algum tipos de soma zero entre "direitos da república" e os direitos privados. Apenas garanto que sob a perspectiva do direito natural, quase sempre há. Porém não é o cerne da questão. O tipo invoca uma lógica inexistente pela qual parece responsabilizar um suposto partido da constituição por direitos individuais pelo "problema" da santa violação privada do direito da república sobre fundos privados.

    Tal protesto é politicamente conveniente e devido à sua influência, o jurista pode acelerar as já estatizantes intenções de qualquer reforma no código penal.
  • Oziel Jose  05/07/2013 17:39
    Um pequeno lembrete, o império britânico continuou sedo o maior império do mundo, ou seja, mesmo perdendo a guerra se fosse para ditar as escritas da história, a Inglaterra teria plenas condições mudar o que foi dito, seguindo a ideia de que são os vencedores que escrevem a história, e apesar de muitos britânicos condenarem as ações da coroa inglesa, eles eram numerosamente insignificantes.
  • Ricardo  05/07/2013 18:11
    Muito auê dos desinformados. Nada do que o North falou é tabu e tampouco é inédito. Hoppe já havia dissecado isso:

    [...]a Constituição americana representou um vasto aumento no poder governamental, e que esse era justamente seu real intento. A Constituição americana criou um poderoso governo central, utilizando a retórica da liberdade como desculpa para sua criação. Hoppe citou a Constituição americana como um exemplo característico de um argumento ainda maior: todas as constituições possuem a mesma intenção. Em nome de estar limitando o governo — que é o que elas supostamente defendem —, elas invariavelmente surgem em períodos da história em que as elites estão se reagrupando para emergir de uma situação que consideram ser de quase anarquia. Uma Constituição, portanto, representa uma afirmação de poder.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=953
  • Sérgio  05/07/2013 18:30
    Errado.

    A Revolução Americana foi contra os pesados impostos que os britânicos impuseram sobre os americanos:

    The American revolutionary era began in 1763, after a series of victories by British forces at the conclusion of the French and Indian War ended the French military threat to British North American colonies. Adopting the policy that the colonies should contribute more to maintain the territories as part of the Empire, Britain imposed a series of direct taxes (later known as the "Stamp Act"). Americans protested vehemently at the idea that the Parliament in London could pass laws upon them, such as levying taxes, without any of their own elected representatives in the government. When tea was taxed, Bostonians dumped it, leading to harsh reprisals known as the Intolerable Acts intended to demonstrate Parliament's supremacy. Benjamin Franklin, appearing before the British Parliament testified "The Colonies raised, clothed, and paid, during the last war, near twenty-five thousand men, and spent many millions."

    en.wikipedia.org/wiki/American_Revolution#Summary

    Leiam mais:

    1733–1763: Navigation Acts, Molasses Act and Royal Proclamation

    1764–1766: More provocative legislation

    Sugar Act

    Lembram daonde provém o Tea Party?

    1767–1773: Townshend Acts and the Tea Act

    Os americanos já estavam cansados de pagar tantos impostos aos britânicos e com as restrições à liberdade econômica impostas pelos mesmos, por isso fizeram a Revolução. Portanto, causa justa e legítima.

    Tanto é verdade que no final do século XIX, os EUA já eram um país muito mais livre e mais próspero que a Grã-Bretanha.
  • Ricardo  05/07/2013 18:53
    "A Revolução Americana foi contra os pesados impostos que os britânicos impuseram sobre os americanos"

    Isso nunca foi questionado pelo artigo. O analfabetismo funcional de alguns aqui anda grande. O artigo analisa justamente as consequências de ter se livrado da colônia e criado uma legislatura própria.

    Quanto aos seus links, eles apenas complementam todos os que foram fornecidos pelo artigo -- os quais, aliás, ainda não sofreram nenhuma tentativa de refutação.

    "Tanto é verdade que no final do século XIX, os EUA já eram um país muito mais livre e mais próspero que a Grã-Bretanha."

    Assim como Hong Kong em 1997 quando ainda era colônia britânica. Assim como as Ilhas de Man, as Bahamas e as Falkland são hoje. Austrália, Nova Zelândia e Canadá também. Em todas estas, a chefe de estado é a Rainha. Qual o ponto?
  • Caio  05/07/2013 18:30
    O pleno liberalismo econômico, como proposto por alguns teóricos, é impossível e utópico. Tanto é impossível e utópico, que a economia do próprio Estados Unidos, cujas instituições foram fundadas nos ideais do liberalismo clássico europeu, sofreu estas três intervenções logo após sua fundação: Aumento da tributação (praticamente triplicou), emissão exagerada de moeda e consequentemente, congelamento de preços. O interessante é que essas três intervenções constituem basicamente o alicerce do "receituário nefasto das economias intervencionistas", contra o qual os economistas liberais tanto esbravejam.
  • anônimo  05/07/2013 18:31
    Outra coisa que deve ser ressaltada é que, durante o período em que eram colônia, os EUA praticavam livre comércio a rodo, pois a Coroa simplesmente não impingia restrições ("negligência salutar"). Já após a Independência, tarifas de importação foram criadas unilateralmente para todos os estados, e representavam mais de 90% das receitas do governo. As tarifas acabariam resultando na tentativa de secessão do sul e na consequente guerra civil e seus 600 mil mortos, como bem já retratou este sítio.
  • Arthur Nunes  05/07/2013 18:45
    Bem eu sempre pensei que o episódio do Tea Party foi o aumento da cobrança de impostos sobre o chá, ou seja, os colonos estão furiosos com o aumento dos impostos para cobrir os gastos da guerra com a França(Guerra dos 7 anos).
    O artigo é muito bom, sempre houve grande liberdades para os colonos americanos, pois essas colônias nunca forneceram muito coisa para a Inglaterra, apenas um lugar onde os ingleses conseguiam enviar o excesso de sua população principalmente os puritanos calvinistas, pessoas com idéias socialistas e coletivistas eles colonizaram a Nova Inglaterra e espalharam as suas idéias para o restante da América.
    Precisamos de uma artigo a respeito da cobrança dos impostos no Brasil colônica, como era a taxação dos impostos no Brasil colonial.
    Hoje seria bom o Brasil fazer parte do Reino Unido de Brasil,Portugal e Algarves, como o Rei Dom João.
  • RonSwanson  05/07/2013 19:15
    E aquela história do Stamp Act, em que os soldados ingleses tinham autoridade para entrar na casa dos americanos e verificar se os documentos estavam devidamente com o selo da Coroa Britânica?

    E se isso não era devidamente aplicado quando foi assinado, quem garante que não seria depois? Em outras palavras, se o governo emitisse uma lei pra cobrar 80% de imposto de renda, mesmo sendo inefetivo nessa cobrança, estaria tudo bem?

    E se formos ver o lado dos ingleses, se o gasto com a colônia dos EUA era maior que arrecadava, por que os pobres cidadãos ingleses tinham que bancar esse fardo? Afinal, não seria uma transferência de renda dos ingleses para os americanos?

  • anônimo  05/07/2013 19:37
    E se formos ver o lado dos ingleses, se o gasto com a colônia dos EUA era maior que arrecadava, por que os pobres cidadãos ingleses tinham que bancar esse fardo? Afinal, não seria uma transferência de renda dos ingleses para os americanos?"

    Ué, mas esse é justamente o ponto. Se há otários dispostos a pagar pelo seus bem bom, problema deles. Por que você abriria mão?

    Este é o mesmo argumento utilizado hoje para aqueles países que dão subsídios às suas industrias exportadoras, o que as permite vender mais barato para os outros países. Ora, se os cidadãos do país exportador sao otários o bastante para aceitar financiar produtos baratos para os países importadores, por que estes deveriam recusar? Têm mais é que agradecer mesmo.
  • IRCR  05/07/2013 19:16
    Tiradentes se revoltou por causa do quinto, ou seja, 20% de imposto. E hj ? quanto pagamos de impostos diretos e indiretos ? uns 80% ?
  • Gilberto Costa  05/07/2013 19:58
    North é historiador e seu Ph.D. foi justamente sobre este tema. Aliás, ele cita isso logo no início do artigo. Não deixa de ser engraçado ver nêgo vindo aqui tentando "provar que o autor está errado" utilizando os mesmíssimos argumentos que eu aprendi na sexta série em livros de autores brasileiros...
  • Andre Cavalcante  05/07/2013 21:38
    Esse texto me lembrou a nossa história.

    Para a coroa portuguesa pagávamos o "quinto dos infernos", mas era suportável. Hoje pagamos 2/5 para a "coroa brasileira em brasília".

    E depois que o D. João abriu os portos, já estávamos muito bem. Imagina hoje a gente participando da UE, negociando em euros ao invés do real?

  • Carlos  05/07/2013 22:28
    Cuidado com esse texto, o Obama e a NSA podem tirá-lo do ar!
  • Um Filósofo  06/07/2013 02:18
    Seria um favor. O revisionismo histórico apenas fere a tradição e a pátria. Revela aquilo que criminaliza grupos minoritários e deslegitima movimentos sociais. Por tal motivo, é uma arma utilizada por senhores como Gary North e Leandro Narloch para fins de luta ideológica. Trata-se de um grande absurdo que a verdade não seja utilizada pela defesa das causas do povo.

    A verdade, diferentemente daquilo que é defendido por tais prezados historiadores, é mero produto da interpretação de castas; daí sua irrelevância. O "historiador" não é um detetive, mas sim um guerreiro da ideologia; o passado não deve ser sua investigação, mas sim a transmissão de ideias que construirão um futuro justo para as minorias.
  • Renato Souza  06/07/2013 12:37
    O "filósofo" é ótimo. Ele diz exatamente o que os "intelectuais" de esquerda realmente pensam, mas sem embromação. Põe a nu a natureza criminosa e manipuladora do esquerdismo.
  • Renato Souza  06/07/2013 13:17
    É de se notar que o IMB não tenha até agora publicado absolutamente nada sobre a terrível amplidão e inconstitucionalidade do BIG BROTHER obamista. Perto dos crimes de Obama, os atos de Nixon parecem brincadeira de criança. E a imprensa, quieta.

    Outro assunto que ficou de fora foi a perseguição a adversários políticos utilizando a máquina do imposto de renda. Nunca antes um mandatário americano havia utilizado a máquina do IR para perseguir, explicitamente e por atacado, adversários políticos. Houve um tremendo upgrade dos poderes "presidenciais". Como em Roma, a república agora nada mais tem de república, transformou-se realmente em império.

    Outro assunto é o fato de que Obama já não pede autorização do congresso para declarar guerra. Não foi isso o que, na prática, aconteceu na Líbia?

    Outro ponto é o apoio de Obama a guerrilheiros que estão massacrando cristãos na Síria. Estranhamente, gente da Al Qaeda.

    Outro ponto: o vazamento de informações sobre os soldados que atacaram Bin Laden.

    Esse é não só o mais liberticida governo americano, mas também o mais estranho.


  • Roberto Ramos  06/07/2013 14:17
    Juro que não entendo toda a fuzarca que estão fazendo com esta atual questão. Todos os governos espionam seus cidadãos. Vocês acham que o governo brasileiro faz diferente? Pois então caiam de costas: a Receita Federal tem acesso instantâneo à ficha financeira de todo e qualquer cidadão do país que já tenha pago impostos. Certa vez estava eu andando de carona com uma pessoa que trabalha na inteligência da Receita. Um carro deu uma fechada nessa pessoa. Ela ficou tão puta que me pediu pra anotar a placa do carro e disse "Vou fazer uma devassa na vida dessa pessoa".

    Nos EUA, o presidente utilizar a Receita para perseguir oponentes é praxe. Bill Clinton soltou a Receita para fazer uma devassa na vida de um jornalista da Fox News que vinha o incomodando (Bill O'Reilly). E foi Bush quem, por meio do Ato Patriótico, deu ao governo federal plenos poderes para ouvir conversas telefônicas e ler emails.

    O pessoal só ficou assustado agora por que tais desmandos foram cometidos pelo Ungido, o negrinho imaculado que nasceu na manjedoura. Nunca esperavam isso dele.

    Acordem para a vida! Estado é isso. Existe para isso e sempre fará isso.
  • Renato Souza  06/07/2013 18:25
    Então você não percebe um aumento do nível de ingerência? Você mesmo citou que o Clinton foi acusado de usar os poderes da receita contra UM jornalista. É perfeitamente possível imaginar que ele tenha usado isso contra outras pessoas, mas ninguém jamais o acusou de fazer isso por atacado. Agora os conservadores estão sofrendo perseguição explícita da receita, e isso por atacado, não apenas algum sujeito que o imperador ache particularmente inconveniente. Fiscais da receita perguntaram sistematicamente a "contribuintes" conservadores sobre as suas rezas e orações! Quando foi que isso aconteceu anteriormente?

    O fato de o sujeito ser considerado "ungido" não é um detalhe a mais, faz parte do conjunto. As pessoas que fabricaram esses sujeito e criaram esse messianismo em torno dele já tinham a intenção de intensificar os poderes do estado e diluir os direitos dos cidadãos, com vistas a levar a um estado totalitário como a URSS.
  • Uzbe  06/07/2013 02:31
    Mais uma vez o IMB me surpreende. Excelente! Isto me faz pensar que a maior parte dos historiadores são meros baba-ovo de políticos, atuais ou históricos. Querem ganhar seu tutu panfletando a história, inventando meleca para a criançada ler. Por essa ótica, os vestibulares e enem's, com relação a História e Geografia, são flatulências organizadas para a bobocada decorar e sair pela rua gofando titica.
  • Otávio Ziglia  06/07/2013 02:48
    O Gary North nesse texto aborda temas interessantes, no entanto, um libertário defender monopólios, como o do chá, ou mesmo falar sobre eles sem criticá-los é algo estranho...
  • Icaro  06/07/2013 03:04
    Qual monopólio? Qual defesa? Como inúmeras vezes repetido aqui nos comentários, com fontes e tudo, nenhuma imposição da metrópole era impingida.
  • joao  06/07/2013 21:20
    Bom, vamos com calma. Sem falar em anafalbetismo funcional porque nem todos foram agraciados com o dom de ler algo completamente estranho às suas convicções e aceitar sem resistência.

    Inicialmente, faço um apelo: PAREM de comparar a carga tributária de um país hoje com um país a 200 anos atrás. Isso é ridículo, e vou explicar. A realidade é completamente diferente: o Estado é paquidérmico e em tendência de ascenção, os inimigos externos são diferentes, a consciência das pessoas é diferente. Vejo pessoas dando a entender que era o Jardim do Éden um país com baixíssima carga tributária, como se isso fosse a pílula mágica que solucionaria todos os problemas que enfrentamos hoje.

    Mas não é assim. O fato da tributação alta ser ruim (utilitariamente e moralmente falando) não faz com que o simples fato de um país ter baixos impostos ser o paraíso.

    A Somália, por exemplo. Eu não disponho dos dados, mas me parece que pelo fato do Estado lá ser um pouco menor que o brasileiro e o americano, os impostos serão menores. Logo, pela lógica de parte do artigo (e dos comentários) lá seria um país melhor para se viver.

    Focar apenas na questão tributária é algo muito utilitarista. Como se não houvesse nada de imoral em não ser independente, e não ter sua liberdade individual garantida por lei. Mas vamos lá.

    O artigo cita que UK tinha prejuízo com as 13 Colônias. Um exemplo desss gastos extras era a defesa. Quem financiava a defesa do lugar contra invasores era o Reino Unido. Depois, com a nação sem o pai financiador, era óbvio que os gastos governamentais subiriam. O Reino podia direcionar dinheiro de outras fontes para financiar a defesa da região.

    O povo americano em geral acreditou nos líderes do Congresso Continental. Ele certamente não fazia a mais mínima ideia de que estava prestes a abrir mão de suas maiores liberdades. Ele não foi capaz de prever o preço que logo em seguida pagaria em termos de sangue, riqueza e endividamento. E ele certamente não previu a nova carga tributária que seria imposta sobre a nova nação após 1783.

    Quais liberdades? Se considerarmos apenas o nível de taxação, o trecho faz sentido. Mas lembremos que a liberdade não pode ser medida apenas pela taxação. Se existiam outros fatores que aos olhos das pessoas daquela época justificavam esse sacrifício, então certamente eles não fizeram uma má escolha em apoiar a Independência.

    Sua descrição do caráter autoritário de todas as revoluções armadas deveria nos lembrar dos custos de uma revolução:
    Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que se possa imaginar; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade à outra por meio das espingardas, das baionetas e dos canhões — meios autoritários como poucos. E o lado vitorioso, se não quiser ter combatido em vão, deve manter o seu poder por meio do medo que as suas armas incutem nos reacionários.


    Aqui ele faz parecer que a Revolução americana foi aquela do tipo: tomada de poder - ditadura. Quase me fez lembrar da Revolução Francesa, Russa e Cubana. Bom, se ele está escrevendo esse artigo, então é um pequeno sinal de que não foi assim.

    O grupo "líder" da Revolução não impôs sua vontade à força. Pelo menos não é informado no texto que todos os americanos foram fechados numa Cortina. Se a causa foi um engano deliberado dos líderes é outro caso. Ele começa insinuando isso (ao citar Jefferson) e depois insinua que a Revolução foi uma forma dos líderes enfiarem a nação americana goela abaixo dos colonos. Lembrando: ele não disse isso no texto, mas é o que dá a entender após essa citação sobre a natureza das revoluções.

    Depois da Revolução: se a nova nação era tão tirânica, como deram a entender, então como se explica o crescimento absoluto americano no século seguinte? A Constituição e suas leis protecionistas continuaram em vigor em todo o século. E aí? Vários artigos do site citam o século XIX como período de ouro do livre-mercado americano. Então estamos em contradição.

    Falando em contradição, citaram Hoppe nos comentários, ao falar sobre Constituição. Engraçado que o mesmo Hoppe defende o federalismo como alternativa mais concreta rumo ao ideal ancap. E não há como negar: as leis americanas desconcentraram o poder, em relação à estrutura formal britânica.

    Nos comentários começaram a atacar todo país que lutou pela independência do Reino. Citaram a Índia. Ao fazer isso, estão jogando o trabalho de Gandhi no lixo. Havia tirania na índia e áfrica do sul a ponto de justificar uma mudança de governo. Se depois esse ideal foi traído (como costuma acontecer) a culpa não é de quem defendeu a independência. É o mesmo que culpar o capitalismo por este ter gerado os bancos, e agora são eles (os bancos) que se cartelizaram (graças ao Estado) e provocam os ciclos econômicos. Simplesmente pessoas ruins se aproveitaram de uma janela de oportunidade para obter mais poder. Quem propiciou essa janela pode ter feito isso sem intenção.

    E outro tipo de comentário descabido: comparar EUA com Austrália, Nova Zelândia e Hong Kong. HK é uma ilhota subsidiada (deixe que ela banque seus gastos de defesa contra a China, pra ver aonde vai parar a "liberdade econômica"). Austrália é um país isolado no oceano, o mesmo vale para NZ. A situação geográfica já começa diferente.


    Minha crítica ao artigo específico é que ele foi parcial. Ele martela a questão tributária, mas esquece-se das variáveis que possibilitaram esse arranjo favorável aos colonos americanos. As colônias eram "mimadas" pelo Reino, com proteção e subsídios garantidos pela metrópole. É como dizer que é mais vantajoso morar com os pais, já que o máximo que você precisará é ajudar eventualmente em casa, ao invés de arcar com os 30% (e mais) de tributos do nosso governo, quando você é "independente".

    Faltou levantar outros aspectos para emitir o veredicto de que a vida sob o jugo britânico era "mais livre" do que a vida como nação independente. Resumir essa questão apenas na carga tributária é simplista e incompleto.

    Sugiro que leiam Alexis de Tocqueville. Ele estudou o "país tirânico criado pelos pais fundadores" 50 anos depois da Revolução.



  • Leandro  06/07/2013 22:13
    O artigo não fala só de carga tributária. Quem faz essa acusação ao artigo está agindo de má fé. O artigo fala explicitamente de uma alteração feita no sistema monetário. Ora, isso não é negligenciável. Aliás, é ainda mais importante do que a carga tributária. Um padrão metálico foi suprimido em prol de um sistema de papel-moeda fiduciário. Foi só em 1814 que os EUA voltaram ao padrão-ouro, e mesmo assim um padrão-ouro meia-boca, em que o estado estimulava os bancos a praticarem reservas fracionárias.

    Outra coisa: muitas pessoas aqui estão tentando reduzir a importância do aumento ocorrido na carga tributária, dizendo que tal mensurador não é tão importante assim. Ora, é por meio da carga tributária que o estado adquire seu financiamento para impor suas regulamentações e obstruir a economia. Junte-se a isso o fato de que o sistema monetário foi alterado em prol de um sistema mais favorável ao governo e você tem a tempestade perfeita. Isso não pode ser ignorado de forma alguma.

    Por fim, é perfeitamente compreensível que algumas pessoas tenham tido um certo desconforto com o texto. Mas não é intelectualmente correto atribuir ao autor coisas que ele não disse e nem ignorar outras coisas que ele disse (como, repito, a alteração do sistema monetário em prol de um sistema de papel-moeda que era totalmente benéfico à expansão do estado).

    Critiquem o que foi dito, parem de atribuir ao autor coisas que ele não disse e não ignorem coisas importantes que ele de fato mencionou (como a alteração do sistema monetário).
  • joao  07/07/2013 00:56
    Ok, ele fala da alteração do sistema monetário. Em alguns poucos parágrafos, mas não deixa de ser relevante. Mas a questão para avaliar a tirania do Estado americano sempre aparece vinculada à carga tributária.

    Minha crítica ao artigo é justamente reduzir toda a avaliação do "grau de liberdade" de um local pela carga tributária (e a inflação :)). Sabemos que ela é um trampolim para o crescimento estatal (depois da inflação) mas apesar de ser necessária, não é uma variável suficiente para definirmos o grau de liberdade.

    Dada a formação do autor, desconfio que essa não tenha sido sua intenção. Desconfio que ele não celebra o 4 de Julho apenas por causa de uma carga tributária maior. Sendo assim, prefiro acreditar que foi um artigo colocado fora de contexto, de uma análise mais profunda e detalhada de como era o grau de liberdade americano ANTES e DEPOIS da Independência.

    Isso - uma análise detalhada que permitiria embasar uma opinião firme - não foi encontrado no artigo, nem nas referências e comentários muito menos.

    Por fim, eu questionei a abordagem adotada no artigo. "Martelar" não significa falar exclusivamente de tributação, mas dar uma ênfase excessiva, e isso não há como negar. Outra coisa que não responderam é como o nível de gastos poderia ser mantido o mesmo dado que "o filho saiu de casa e precisa se bancar".

    Eu acho que no fundo, a pergunta que nos fazemos (e que o autor deve ter feito) é: havia mesmo motivos para eles procurarem a independência dos britânicos?

    Eu prefiro julgar esse tipo de decisão pelo grau de liberdade. O arranjo que permite maior liberdade (e GARANTA essas liberdades também) é o que eu escolheria. Só por esse artigo não é possível definir isso. Então jogar a História no lixo depois de um simples artigo é um tanto precipitado, mesmo acadêmicamente.
  • Renato Souza  07/07/2013 11:07
    Leandro

    Você disse:

    "Foi só em 1814 que os EUA voltaram ao padrão-ouro, e mesmo assim um padrão-ouro meia-boca, em que o estado estimulava os bancos a praticarem reservas fracionárias."

    Eu supunha que o primeiro país a liberar legalmente as reservas fracionárias foi a Inglaterra. Estou errado?

    Também, segundo informações que li aqui mesmo no Mises, os preços dos produtos foram basicamente estáveis, com ligeira tendência de queda, nos EUA, durante o século XIX (tirando alguns eventos específicos). Ora, se houvesse uma política fortemente inflacionista, isto seria impossível.

    E quanto à inflação gerada durante a revolução, é comum que políticos, em época de guerra, tomem medidas desesperadas e contraproducentes. Mas não creio que isso seja um argumento tão forte assim contra a revolução americana. Há outros argumentos bem mais fortes, tanto a favor como contra.

    E a citação de Lênin me pareceu um pouco fora do contexto.

    Creio que o texto tem muito mérito, o considerei bastante informativo, e apresenta uma tese inteligente e bem fundamentada que me acrescentou bastante. Mas ficou a impressão de que o autor errou um pouquinho na mão.
  • Leandro  07/07/2013 16:57
    "Eu supunha que o primeiro país a liberar legalmente as reservas fracionárias foi a Inglaterra. Estou errado?"

    Reservas fracionadas são praticadas desde o surgimento da atividade bancária. O que veio depois foi a criação de bancos centrais para proteger esta prática. O primeiro BC criado foi o da Suécia. As atuais colônias britânicas não possuem BC. A maioria utiliza um Currency Board.

    "Também, segundo informações que li aqui mesmo no Mises, os preços dos produtos foram basicamente estáveis, com ligeira tendência de queda, nos EUA, durante o século XIX (tirando alguns eventos específicos). Ora, se houvesse uma política fortemente inflacionista, isto seria impossível".

    Foram estáveis sim, mas foi um período repleto de flutuações econômicas, algumas bastante severas. Porém, claro, nada se compara ao período pós-Fed.

    "E quanto à inflação gerada durante a revolução, é comum que políticos, em época de guerra, tomem medidas desesperadas e contraproducentes. Mas não creio que isso seja um argumento tão forte assim contra a revolução americana. Há outros argumentos bem mais fortes, tanto a favor como contra."

    É uma opinião tão válida quanto a opinião contrária do autor.

    "E a citação de Lênin me pareceu um pouco fora do contexto."

    Por quê?

    "Mas ficou a impressão de que o autor errou um pouquinho na mão."

    Onde, como e por quê?
  • Renato Souza  08/07/2013 21:20
    Leandro

    "Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que se possa imaginar; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade à outra por meio das espingardas, das baionetas e dos canhões — meios autoritários como poucos. E o lado vitorioso, se não quiser ter combatido em vão, deve manter o seu poder por meio do medo que as suas armas incutem nos reacionários."

    Isto aplica-se integralmente ao caso americano? A revolução americana foi basicamente contra o poder governamental britânico. É claro que haviam americanos que eram favoráveis à manutenção do poder britânico sobre as colônias (e, reconheço, com argumentos que hoje parecem bastante razoáveis) mas a maioria não queria estar sob essa autoridade.

    A segunda parte da citação é menios aplicável ainda. Havia algum movimento restauracionista, querendo reimplantar a autoridade do rei George nos EUA? Uma vez tornados independentes da Inglaterra, isso foi dado como fato irreversível por todos.

    Nada disso tira o mérito do artigo. Realmente, uma revolução para garantir a independencia em relação à coroa britânica, parece hoje até ociosa. Outras colonias não realizaram revolução nenhuma, e são hoje apenas formalmente súditos da coroa.
  • Leandro  08/07/2013 21:42
    "Isto aplica-se integralmente ao caso americano? A revolução americana foi basicamente contra o poder governamental britânico."

    O pior é que se aplica, sim. Afinal, o que queriam os revolucionários? Um novo governo. E quem deveria estar no comando deste novo governo? Eles próprios. Ou seja, "Queremos liberdade, mas desde que eu esteja no poder e controlando tudo". [/i]

    Uma genuína revolução libertária seria aquela em que um governo central fosse derrubado e não se instalasse nenhum outro governo central em seu lugar, ficando cada estado (ou, melhor ainda, cada município) com sua própria forma de governo. Isso nada tem de radical. Qualquer outro arranjo que no final leve à criação de um novo governo central nada tem de "revolução libertária". Trocou-se apenas o tirano que está no comando.

    Note que eu não estou condenando a Revolução Americana. Ela certamente foi muito melhor do que a Francesa, a Russa, a Chinesa e a Cubana. Estou apenas fazendo uma análise imparcial, sem juízo de valor, utilizando apenas as definições dos termos.

    "É claro que haviam americanos que eram favoráveis à manutenção do poder britânico sobre as colônias (e, reconheço, com argumentos que hoje parecem bastante razoáveis) mas a maioria não queria estar sob essa autoridade."

    Bom, em primeiro lugar, isso é um chute seu. Não estou dizendo que seu chute está errado, mas você utilizou o mesmo argumento falho utilizado pelos defensores da democracia: se uma maioria quer, então a demanda é legítima. De novo, isso nada tem de libertário. E repito: os vencedores da Revolução criaram apenas uma nova forma de governo, desta feita com mais impostos e mais inflação. Então, sim, aumentou-se a opressão, de forma que a "troca de autoridade" não trouxe as melhoras prometidas.

    "A segunda parte da citação é menios aplicável ainda. Havia algum movimento restauracionista, querendo reimplantar a autoridade do rei George nos EUA?"

    Nunca saberemos ao certo. Porém, como acabei de dizer, a Revolução levou a apenas uma "troca de autoridade", com o agravante de que a opressão fiscal e monetária piorou, e o governo central manteve suas armas. Ou seja, a opressão não foi de forma alguma reduzida, como prometem todas as revoluções.

    "Uma vez tornados independentes da Inglaterra, isso foi dado como fato irreversível por todos."

    Mesmíssimo argumento em prol da democracia.
  • Sérgio  07/07/2013 21:03
    Se querem boas informações sobre a História Americana, recomendo ler os 4 Volumes de Conceived in Liberty do Grande Rothbard:

    Conceived in Liberty Volume 1: A New Land, A New People

    Conceived in Liberty, Volume 2: The American Colonies in the First Half of the 18th Century

    Conceived in Liberty, Volume 3: Advance to Revolution

    Conceived in Liberty, Volume 4: The Revolutionary War

    É uma boa fonte alternativa à história politicamente correta.
  • joao  08/07/2013 01:22
    cara, muito obrigado mesmo!

    Um dia quem sabe eu ou alguma equipe afortunada traduza. Mas vou ler, mesmo assim.

  • Andre Cavalcante  08/07/2013 14:49
    As pessoas que estão minimizando o aumento da carga tributária, justificando que não havia como não ser diferente hoje, porque o estado é maior, inimigos externos são outros etc. etc. etc. esquecem-se que o estado só cresceu por causa dos tributos, que a criação de inimigos externos é fruto justamente da formação dos impérios por causa dos tributos (sejam eles europeus ou o americano), e que há sim uma alternativa de ser diferente.

    Colocando as coisas num ponto bem familiar: vivíamos um hiperinflação nas décadas de 80 e 90. O que mudou com o Plano Real? Simples: a simples estabilização da moeda e a queda na inflação, por causa justamente da abertura (um pouquinho é verdade, mas...) econômica, já tirou um monte de gente da miséria. Imagina agora se a carga tributária caísse dos atuais 2/5 de volta para o 1/5 do tempo da colônia? Eu diria que o Brasil ia bombar... Mas com os atuais governos, não vejo a menor chance de isso ocorrer.

    (No nosso caso a justificativa é nossa eterna "divida social", como se ela não tivesse sido criada justamente por "eles")


  • joao  08/07/2013 15:06
    As pessoas que estão minimizando o aumento da carga tributária, justificando que não havia como não ser diferente hoje, porque o estado é maior, inimigos externos são outros etc. etc. etc. esquecem-se que o estado só cresceu por causa dos tributos, que a criação de inimigos externos é fruto justamente da formação dos impérios por causa dos tributos (sejam eles europeus ou o americano), e que há sim uma alternativa de ser diferente.

    Em nenhum momento neguei isso: de que os tributos possibilitaram o aumento do Estado. Mas estou atacando um ponto de vista dos comentários e do final do artigo em especial, aquele que diz "imagina se hoje a carga tributária fosse igual a de 200 anos atrás".

    As diferenças entre as épocas vão muito além de valores dos impostos. Para entender como inimigos externos se relacionam com o assunto Liberdade (em especial, econômica), sugiro que ouça o podcast do IMB, com o Olavo.

    Alternativa? Bom, mostre-me como, por exemplo, na época da Guerra Fria os EUA poderiam "pacíficamente" reduzir sua carga tributária e abdicar da Defesa. Ah, e mostre-me porque a URSS não tiraria proveito disso.

    Entre ditadura soviética e carga de impostos, eu prefiro a última. Não é meu ideal, mas é minha escolha entre essas opções.

    O raciocínio de que basta diminuir a carga tributária e tudo será o paraíso é ingênuo. Não se aplica a um país relevante internacionalmente como os EUA. Ou alguém aqui pensa que países desarmados, ao lado de ditaduras armadas até os dentes, seriam poupados?

    Voltando ao que tenho dito em todo comentário meu: liberdade não é medida APENAS pelo nível da carga tributária. Devemos analisar mais condições dos indivíduos antes e depois do domínio britânico.
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 15:55
    joao,

    Te percebo um tanto sectário quanto às ideias. Tudo bem, faz parte, mas, a bem de qualquer discussão, peço que abra a sua mente.

    O primeiro ponto é que não falei especificamente para ninguém, mas fiz um apanhado geral dos comentários acima. Esse meu comentário, agora, é direcionado para você. Vê a diferença?


    "Alternativa? Bom, mostre-me como, por exemplo, na época da Guerra Fria os EUA poderiam "pacíficamente" reduzir sua carga tributária e abdicar da Defesa. Ah, e mostre-me porque a URSS não tiraria proveito disso."

    É esse o nosso ponto. Você acha que para ter defesa é necessário estado e é necessário bombas nucleares. Se os americanos tivessem uma carga tributária menor, os russos teriam ido à Lua primeiro, teriam muito mais bombas nucleares, mas os americanos seriam muitos mais ricos hoje e, muito provavelmente, não estariam em crise, já teríamos hotéis em órbita etc. Considerando que a URSS acabaria de qualquer forma (como de fato acabou!) não precisaria, como de fato não foi preciso, criar os armamentos nucleares para "ganhar a guerra fria". Na boa, os EUA não ganharam a guerra, como costumam propagar aos 4 ventos, mas a URSS é, como previu Mises, que quebraria!

    E olha só a vantagem: como o governo americano foi, de fato, imperialista, hoje colhe o que plantou com revoluções em toda a parte do mundo em que é chamado a se posicionar. Com um estado menor e voltado para as coisas internas, não teria nada disso. Mais uma vez: "inimigos externos" só existem porque existe estado para criá-los, alimentá-los, e usá-los como desculpa para mais poder.

    Já reparou que todo estado tem que ter um "inimigo"? O do Brasil é a fome, a miséria, as diferenças sociais... O dos EUA é o terrorismo, a Russia, a China... o da Venezuela é imperialismo americano... o da Argentina são os empresários safados, e por aí vai

    Abraços
  • joao  08/07/2013 18:03
    Sim sim, entendi seu ponto em relação aos inimigos externos. Mas há um pequeno problema: parte-se da pressuposição que duas nações A e B começam em um ambiente pacífico. Aí, em tese, basta manter-se pacífico.


    Agora suponhamos um caso mais complicado: A é inimigo de B, e B é uma ditadura militarizada. Mesmo que A deseje com todo coração tornar-se uma nação pacífica e voltada aos negócios internos, ela vai conseguir isso?

    O ponto de partida importa. Países muito pequenos e cidades-estado têm mais autonomia para decidir seus rumos políticos porque, entre outras causas, não adianta se preocuparem muito com "inimigos" (reais ou não) já que diante de um inimigo realmente poderoso, não teriam muitas chances. Por isso que, em geral, a segurança dos pequenos é garantida, ainda que implicitamente, por outra potência.

    Ou então o pequeno país fica numa região isolada geograficamente, entre montanhas escarpadas e coisas do tipo.

    Mesmo hoje, dificilmente os EUA poderiam, num caso hipotético, "voltar atrás" e tornarem-se pacifistas e voltados a si mesmos. O estrago já foi feito e ou todo mundo muda mais ou menos ao mesmo tempo, ou então continua do (péssimo) jeito que está hoje.

    Mas isso tem alguma relação com o artigo? Na verdade tem sim. Tanto lá quanto cá (nos comentários) falaram "imagina o país hoje com 1.5% (ou 2, etc) de impostos?" como se essa fosse a resolução de todos os males que nos afligem. Não nego que seria algo fantástico, mas está longe de ser tudo isso que imaginam. Pelo menos num país com importância política (ou seja, que já se meteu em conflitos algum dia, que tem inimigos consideráveis e coisas do tipo) é muito difícil ele simplesmente voltar atrás.

    Para vivermos num patamar onde uma carga tributária baixíssima fosse próxima da realidade, devíamos ter "começado certo". Não ter criado inimigos ameaçadores. Isso no caso americano.

    Ainda assim, acredito que (apesar do ideal ancap) um Estado que se restrinja essencialmente à defesa externa e justiça pode muito bem ser sustentado com impostos BEM menores do que o atual patamar. Fatias importantes dos gastos públicos, como previdência, saúde, educação e infra-estrutura não mais existiriam. Mas com 1.5% de impostos é um pouco difícil ter algo além de uma milícia interna.
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 19:51
    "Mesmo hoje, dificilmente os EUA poderiam, num caso hipotético, "voltar atrás" e tornarem-se pacifistas e voltados a si mesmos. O estrago já foi feito e ou todo mundo muda mais ou menos ao mesmo tempo, ou então continua do (péssimo) jeito que está hoje."

    Pois é, foi com esse mesmo pensamento que o Império Romano ruiu. Veja aqui o processo.

    Voltar a trás é exatamente o que os EUA devem fazer para não se perder. De novo, seus problemas externos são causados por eles mesmos, pela sua política externa intervencionista.

    Imagine que os EUA retirem todo o seu apoio à Israel e fechasse todas as suas bases ao redor do mundo, inclusive aquelas contra o terror e contra as drogas (improvável, mas...). Isso só bastaria que o mundo muçulmano se aquietasse na lutra contra a América e que todo o motivo do terrorismo ficasse à míngua (eles teriam que inventar outro espantalho pra bater).

    Claro não resolveria todos os problemas (longe disso), mas, pense bem, que país ou mesmo grupo de países vai se envolver militarmente contra os EUA? (Há meia dúzia que poderiam falar mais alto, mas justamente esses nenhum interesse tem). E mais, com inteligência adequada, poderia sim evitar muitos dos danos que eventuais descontentes pudessem realizar. E só isso já retiraria um peso enorme do déficit do governo americano, aliviando e muito a sua economia.

    Mas, por que esse cenário nunca vai acontecer? Porque, por definição, governo é controle e quem está no controle nunca diminui o seu ímpeto de controlar cada vez mais. O gigante vai cair por causa do próprio peso. Não precisa de ninguém estourar prédio em NY (aliás, estes são apenas sinais que a coisa já degringolou). É só uma questão de tempo, como o foi o Império Romano. Pode demorar um século, mas o inevitável acontecerá.

  • Renato Souza  11/07/2013 22:28
    A ideia de que os inimigos são sempre ficções criadas pelo governo é falsa. Porque seriam? Todos os conflitos que já existiram são ficções criadas pelos governantes? Tem de ter um pouco mais de consistência uma argumentação dessas. Conflitos tem existido continuamente, em todos os lugares do mundo, muito antes da existência dos estados modernos.

    E no caso da URSS, ela foi uma das maiores fontes de conflitos da história moderna. Eles abocanharam metade da Europa, e foram os maiores causadores de revoluções e genocídios, ao redor do mudo.

    Finalmente, o fato de guerrilheiros, terroristas e governantes, ao redor do mundo, dizerem que é apenas como reação aos EUA que eles fazem o que fazem, não quer dizer que isso seja verdade. Eles mesmos dizem que os que se opõem a eles são "reacionários" (isto é, aqueles que estão reagindo), mas de repente invertem o discurso e dizem que são eles que estão apenas reagindo.

    Veja, antes da existência dos EUA a humanidade vivia em conflitos, como vive hoje. Então não tem o menor sentido imaginar que é a existência dos EUA (ou algo que eles façam) a principal fonte de conflitos no mundo.
  • Andre Cavalcante  12/07/2013 13:08
    Oi Renato,

    "A ideia de que os inimigos são sempre ficções criadas pelo governo é falsa. Porque seriam?"

    Sim são. Se não fosse a existência de dois estados em disputa por um determinado lugar, simplesmente não haveria disputa. Se um estado quer desviar a atenção das pessoas para algo, nada melhor que uma guerra externa. Se há uma "necessidade" por recursos que outro governo tem acesso, e eu não me preocupo muito com os custos da empreitada, um ataque para ter acesso àqueles recursos são uma ótima solução. Se um governo quer ser se meter em uma determinada região do globo, por qualquer motivo, nada mais prático que dizer que há "inimigos" ali e criar uma ataque "preventivo".

    Pensando um pouco, parece um bocado bobo o argumento, dada a sua simplicidade. Comparo com a simplicidade da causa das ondas nos oceanos: o vento. É claro que há ondas causadas por terremotos, deslizamentos de terras, atividade vulcânica e uma série de outros fenômenos, mas a causa natural é a simplicidade do vento soprando. Vejo que se trata da mesmíssima coisa: sem estados, os inimigos externos são todos pontuais (pessoas, empresas); com estados, os inimigos externos são abstratos: é o terrorismo, são as drogas, a fome, ou espantalhos: a Coreia do Norte, o Irão etc.

    "E no caso da URSS, ela foi uma das maiores fontes de conflitos da história moderna. Eles abocanharam metade da Europa, e foram os maiores causadores de revoluções e genocídios, ao redor do mudo."

    Novamente um estado. Boa parte desse ímpeto da URSS se deveu para desviar atenção dos seus problemas internos.

    "Finalmente, o fato de guerrilheiros, terroristas e governantes, ao redor do mundo, dizerem que é apenas como reação aos EUA que eles fazem o que fazem, não quer dizer que isso seja verdade. Eles mesmos dizem que os que se opõem a eles são "reacionários" (isto é, aqueles que estão reagindo), mas de repente invertem o discurso e dizem que são eles que estão apenas reagindo."

    Exatamente. A questão que o joao levantou foi que os EUA não poderiam "voltar atrás" em sua política imperialista (intervencionismo externo). O que eu defendi foi exatamente essa "volta a trás". Justamente para forçar uma mudança de posturas dos atuais "inimigos" deles que, de fato, acredito que mudariam ou de foco ou de discurso. Agora, é claro, que os EUA não poderiam descuidar da sua segurança, enquanto estado. Mas, a bem deles mesmos, seria muito interessante ver um movimento de menos intervenção interna e externa do governo deles: amenizaria muitos conflitos.

    "Veja, antes da existência dos EUA a humanidade vivia em conflitos, como vive hoje. Então não tem o menor sentido imaginar que é a existência dos EUA (ou algo que eles façam) a principal fonte de conflitos no mundo."

    O foco inicial da discussão com o joao não é os EUA serem a principal fonte de conflitos no mundo, mas como eles poderiam diminuir o nível e a quantidade de conflitos que eles estão metidos atualmente.

    Vejo que a humanidade ainda não vai se livrar do monstro da guerra tão cedo, mas já é um passo grande quando as nações se importarem muito mais com a própria defesa e desenvolvimento dos seus do que com "inimigos" externos, muitas vezes criados pelos governos justamente para desviar atenção dos problemas internos.

  • Renato Souza  12/07/2013 17:09
    Bom, discordo de boa parte da sua análise (embora concorde com algumas cosas).

    Um dos vários pontos de discordância é o que você disse neste trecho: "Novamente um estado. Boa parte desse ímpeto da URSS se deveu para desviar atenção dos seus problemas internos".

    Isto está, na minha modesta opinião, absolutamente errado.

    1. O domínio do governo sobre o povo não estava de forma alguma ameaçado. Não existe opinião pública num regime marxista. Tudo o que uma pessoa percebe, que não se coaduna com as versões oficiais, ela tem de guardar para si, é perigoso falar até com a mulher e os filhos. Alguma "divergência" é permitida em alguns pontos específicos, mas só por motivos táticos, e sempre sob controle do partido. Toda comunicação social é controlada pelo partido. Num sistema desses, o regime não precisa de criar uma guerra para distrair, ele não precisa temer o que não pode existir (uma opinião pública variada e independente), porque as pessoas nem podem conversar umas com as outras sobre o que realmente pensam e sabem.

    2. A URSS foi uma continuação do Império Russo por outros meios. Sempre foi um ente expansionista, e só o desejo de controlar um império maior é explicação suficiente para sua expansão. O antigo Império Russo precisava sempre de novas desculpas. O império soviético tinha uma definitiva: implantar o socialismo no mundo todo, conforme previra Marx.

    3. A expansão para o ocidente (Europa Oriental) foi longamente planejada. A aliança com os nazistas incluía a divisão entre Alemanha e URSS da Europa Oriental inteira. Ambos os criminosos planejavam se trair em algum momento, e Hitler foi mais rápido que Stalin. Mas a sorte soprou a favor dos soviéticos, e eles ficaram com o butim todo. Foi claramente uma busca de expansão imperial, e não uma manobra para distrair o povo.
  • Ipiranga  08/07/2013 23:27
    Para quando um artigo destes sobre a independência do Brasil? É escrito que havia um descontentamento geral da população latifundiária contra os impostos da metrópole portuguesa, que por sua vez tomaram partido e incentivaram o infante D. Pedro na sua "birra" com o seu pai. Foi mesmo assim? O contexto brasileiro da altura lembra muito o americano: latifundiários, exploradores, intermediários, esclavagismo geral. As consequências acabaram por ser as mesmas: aumento da tributação para pagar as dívidas concedidas pelo Reino Unido para financiar a guerra da independência, que acabaram de ser pagas no início do séc. XX.
  • anônimo  10/07/2013 17:03
    Excelente artigo como sempre, adoro esse site, vcs poderiam expor livros para compra? Sobre o artigo eu concordo, mas é meio lógico isso. Por essa analogia "Morar com os pais sai mas Barato que morar sozinho", para minha pessoa, toda revolução é válida, claro, temos que ter consciência das consequências...
  • anônimo  11/07/2013 20:09
    Olá, anônimo

    Para comprar, aqui: www.mises.org.br/Products.aspx
    Para baixar, aqui: www.mises.org.br/Ebooks.aspx
  • Andre  11/07/2013 17:50
    Queria eu que o Brasil tivesse sido colonizado pela Inglaterra.
  • Andre Cavalcante  11/07/2013 19:42
    "Queria eu que o Brasil tivesse sido colonizado pela Inglaterra"

    Já ouvi muito esse tipo de frase. Geralmente colocam a culpa do estado atual do Brasil à colonização. Bem, das nações atuais, o Brasil é uma das mais antigas, isto é, teve seu processo de independência a mais tempo (1822) que a maioria que hoje bomba por aí (Alemanha, por exemplo, completou seu processo de unificação em 1871 - e isso sem contarmos o interstício comunista no leste).

    Já estamos tão distantes no tempo da colonização que já não há mais ex-escravos vivos entre nós (se tivesse a criatura teria 142 anos, pois todos os que nasceram após 1871 já nasceram livres).

    Não dá realmente pra aceitar essa de dívida com os negros e índios. Na minha família há vários "caboclos". O meu local de trabalho conta com um "negão", um "alemão", um "portuga", um "japinha" e um "caboclo". E meu local de trabalho tá mais pra lugar comum que exceção no Brasil.

    E, por isso, eu considero uma boa coisa ter sido colonizado por portugueses que se deixaram mestiçar. O mesmo não aconteceu entre franceses e ingleses.

    Mas não me iludo que as nossas mazelas atuais seja culpa dos "portugas". Sim, eles nos deram uma cultura um tanto arcaica quando se fala em liberdade e assistencialismo, mas tenho certeza que o que vemos de errado por aí é culpa de alguns brasileiros, e não à colonização.

  • S.D.  12/07/2013 16:06
    Jogue Assassin's Creed 3 que você entende isso fácil. O lugar é bom, existe paz pra todo lado e começa a ficar ruim quando os que buscam pela liberdade querem na verdade se livrar da liberdade que tem.

    Quando você entra nos subterraneos de Boston vê isso claramente. Templos massônicos debaixo da rua? Olha o nível dos caras que querem a liberdade, nem se dão liberdade para exigir liberdade.

    A revolução foi uma baita fraude e depois ainda levaram escravos..
  • Renato Souza  17/07/2013 18:30
    Um artigo que trás informações de interesse.

    amigodeisrael.blogspot.com.br/2013/07/a-historia-que-nos-contam.html#comment-form

    Levanta uma questão importante: o comércio internacional pode ser gravemente prejudicado por corsários apoiados (aberta ou ocultamente) por algum governo (ou simplesmente apoiados em sua própria força). Note que as armadas oficiais não participavam desses tipo ação (até para não darem motivos ainda mais fortes para guerra) nas terceirizavam esses tipo de crime. Historicamente, a sanha desse tipo de gente foi detida por forças navais estatais, até o ponto em que hoje são raras as situações em que esses piratas atuem. Expedições piratas contra as costas de outros países também se tornaram incomuns. Não vemos mais os habitantes das costas atlântica e mediterrânea da Europa temerem ataques de piratas, quer sejam vikings, quer sejam muçulmanos.

    Na visão ancap, todas as marinhas estatais deveriam desaparecer. Mas mesmo os ancaps não imaginarão que todos os estados desaparecerão de uma vez, repentinamente. Se foram as armadas (principalmente ocidentais) que virtualmente extinguiram as ações de corsários e piratas, com a extinção das armadas esses tipo de atividade criminosa voltará com toda força. Alguns estados, ante a extinção das armadas dos estados extintos, apoiarão corsários. E surgirão piratas independentes.

    O custo total das forças marinhas (principalmente de superfície) é bastante pequeno em relação à produção econômica mundial. Mas o comércio mundial é extremamente relevante para a produção econômica. A lei internacional, (isto é, o comum acordo entre todos) tem sido desde épocas antigas que tanto particulares como estatais podem resistir com toda força necessária a atos de pirataria, e podem conduzir piratas a força a tribunais. O século XIX foi um momento de enorme desenvolvimento econômico baseado no livre comércio. E esses livre comércio foi assegurado por armadas dos governos, e não houveram soluções particulares eficazes antes disso. Navios dedicados ao comércio, não podem competir, em termos de armamentos, com navios dedicados à pirataria, ainda mais se estes últimos tem apoio de um estado, como era o caso dos corsários. Seria talvez difícil convencer as pessoas a abandonar o sistema atual (no que concerne à navegação marítima).
  • Lucas  05/07/2017 16:47
    Posso estar enganado, mas pelo que sei a revolução americana não ocorreu por conta dos impostos, mas sim pela falta de representatividade que os americanos tinham no parlamento inglês.

    Eles queriam mais representatividade e isso foi sendo negado sumariamente a eles de forma que os revoltosos ganharam força.

    Além disso, as colonias tinham certas restrições comerciais que as obrigavam a comercializar com a Inglaterra e os proibiam de comercializar certos produtos com outros países.

    Novamente não sou um especialista no assunto.
  • Goodwin  05/07/2017 17:32
    Sim, duplamente errado.

    A justificativa oficial foi a suposta "tirania" do Rei George, o que na verdade era uma mera desculpa para que os próprios colonos se tornassem os tiranos (toda revolução é assim: troca-se uma tirania por outra ainda pior).

    E não havia restrições comerciais. Os americanos importavam de quem quisesse ("negligência salutar"). Restrição comercial houve, aí sim, quando os colonos assumiram o poder. As tarifas de importação chegaram a 50%, o que ferrou as regiões agrárias do sul e culminou na Guerra Cuvil.
  • Eliabe Rodrigues Silva  02/08/2017 20:08
    Essa visão é muito boa, mas dá pra ver que carrega um pouco de ufania britânica. Ao se desmembrar da Inglaterra, os Estados Unidos puderam dar continuidade ao processo de industrialização. Não foi uma guerra por impostos, esse foi um dos motivos, foi uma guerra para se afirmarem como nação. Nessa época, o pacto colonial impedia esse desenvolvimento, pois podiam negociar apenas com quem a Coroa quisesse. Na verdade, a Guerra de Secessão também teve esse motivo em comum, os sulistas desaprovavam a política econômica que o governo central queria.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.