Falácias keynesianas - parte II

Este artigo é uma continuação de Falácias keynesianas - parte I

 

Continuando com as falácias do senhor Keynes e seus seguidores, vamos neste mês mostrar mais duas, talvez as mais conhecidas e também as mais perigosas, porque a crença nelas e sua consequente aplicação na política econômica vêm causando enormes problemas em praticamente todo o mundo há muitas décadas. Refiro-me às falácias do "efeito multiplicador" e da "armadilha da liquidez".

3. A falácia do "efeito multiplicador"

Quem, dentre quem fez algum curso de economia, não ouviu falar do "efeito multiplicador", segundo o qual, quanto maior for a disposição para consumir (que equivale a uma menor disposição para poupar) em uma economia, os aumentos de gastos provocarão efeitos mais do que proporcionais no nível de "renda agregada"? Quando Keynes apresentou esse verdadeiro "milagre" em sua Teoria Geral, ele logo alcançou grande popularidade entre economistas e políticos, os primeiros porque acharam que a pólvora tinha sido afinal descoberta e que nunca mais existiriam nem recessões e nem ciclos econômicos e os segundos porque afinal um gênio da economia encontrara a fórmula "científica" para respaldar suas intenções permanentes de gastar o dinheiro subtraído dos pagadores de tributos.

No entanto, o "efeito multiplicador" é uma enorme falácia, porque se baseia no argumento de uma "função consumo agregada ou coletiva" estável. Podemos apresentá-lo e criticá-lo como o fez soberbamente Rothbard em seu livro Man, Economy and State: a Treatise on Economic Principles:

Renda agregada = Consumo + Investimento

O consumo é considerado pelo keynesianismo como sendo uma função estável e conhecida da renda, mediante correlações estatísticas e outros métodos econométricos. Suponhamos que, para simplificar, o Consumo seja sempre de 75% (ou, 0,75) da Renda. Assim, podemos escrever:

Renda = 0,75 (Renda) + Investimento; ou

0,25 (Renda) = Investimento

E, portanto,

Renda = 4 (Investimento)

Nesse exemplo, o "multiplicador" é igual a 4. Se, entretanto, a disposição a consumir fosse maior — por exemplo, se fosse de 0,80% da renda, o "multiplicador" seria maior, pois seria igual a 5. Quanto maior a vontade gastar da cigarra, maior o nível de renda da coletividade! Para Keynes, as formigas, poupadoras, eram mesmo umas chatas e prejudicavam a economia...

Ora, se o "multiplicador" é 4, tudo o que o governo precisa fazer para aumentar a renda agregada em um montante desejado é simplesmente aumentar seus gastos em ¼ desse montante.

Rothbard utiliza uma paródia, obedecendo rigorosamente ao raciocínio keynesiano, para desmascarar a falácia, por reductio ad absurdum, que passo a reproduzir com pequenas alterações:

Sejam: renda agregada = Y; Renda de Jorge = J; e Renda de todos os demais habitantes do país = X, sendo Jorge um habitante desse país.

X é, então, uma função estável de Y, o que pode ser visto se plotarmos ambos em coordenadas e verificarmos que para cada Y haverá um X correspondente. Como Rothbard escreveu, esta é uma função tremendamente estável, bem mais estável do que a função consumo convencional, que não exclui o consumo de Jorge. Se, agora, plotarmos a renda de Jorge, J, contra Y, encontraremos, ao invés de uma correlação perfeita, apenas conexões remotas entre a renda flutuante desse indivíduo e a renda agregada. Portanto, a renda de Jorge é um elemento ativo e volátil de incerteza nessa economia, enquanto o consumo de todos os demais indivíduos é passivo, estável, determinado pela renda da coletividade.

Suponhamos que a equação relevante seja:

X = 0,99999 Y

Temos, então,

Y = 0,99999 Y + J

E, logo,

0,0001 Y = J

Ou seja,

Y = 100.000 J

Este número fantástico é o "multiplicador" de Jorge, muito mais potente do que o multiplicador de investimentos original. Se você for o ministro da Fazenda da Dilma e quiser aumentar a renda agregada e curar a depressão e o desemprego, é necessário e suficiente mandar o Banco Central imprimir certo montante de reais e dá-los a Jorge. Os gastos desse felizardo vão bombear em 100.000 vezes a renda do país! Miracolo di San Gennaro!

Muitas vezes em sala de aula utilizei esse exemplo para mostrar a falácia do "efeito multiplicador", chamando um aluno pelo nome, dizendo que eu era o governo e que ia dar para ele um grande valor em dinheiro e que quanto mais gastador ele fosse melhor seria para a turma inteira.

E pensar que essa enorme bobagem do "efeito multiplicador" alcançou grande popularidade desde os anos 30 e até hoje, 80 anos depois e com tantos exemplos de recessões, depressões e estagnações no mundo real, ainda é ensinada nas universidades e está nos programas de concursos públicos.

Existe outra maneira de reduzir ao absurdo a falácia do multiplicador. Como sabemos, sua fórmula é 1/1-b, em que b é a "propensão marginal a consumir" e 1-b, portanto, a proporção marginal a poupar. Se supusermos uma situação em que os indivíduos, de tão endividados, gastam mais do que sua renda, recorrendo para isso a empréstimos, então b será um número maior do que 1 (b>1) e, portanto, 1-b será um número negativo (1-b<0). A propensão marginal a gastar é, neste caso, positiva e maior do que 1, o que significa que a propensão a poupar é negativa. 

Logo, o multiplicador, 1/1-b, é o inverso de um número negativo, ou seja, é também negativo. Por exemplo, se b = 1,2, então 1-b = -0,2 e 1/1-b = -5. Isso significa que uma expansão dos gastos públicos de, suponhamos, 100.000 reais vai diminuir a renda agregada em 500.000 reais. Esta parte da história, reduzida ao absurdo, não consta nos manuais de macroeconomia, mas, tal como no exemplo anterior de Jorge, obedece estritamente à fórmula do "multiplicador keynesiano". E mais: neste exemplo a tendência a poupar é negativa, o que satisfaz plenamente o chamado paradoxo da poupança de Keynes, mas, mesmo assim, o multiplicador é negativo...

Por fim, o desmonte da falácia pode ser completado com uma pergunta bem simples: se o governo aumenta seus gastos em ?G, isso significa necessariamente que ou ele emitiu  ?M de dinheiro, ou se endividou em ?D ou — o que é mais comum — que furtou ?T em tributos. Ora, por que cargas d´água esse aumento de gastos públicos ?G seria mais benéfico para a economia do que se o governo, ao invés de tributar, deixasse o montante equivalente (?T) ser gasto pelo setor privado, que foi quem suou para gerar esses recursos?

O "multiplicador" serve para justificar aumentos de gastos públicos e servir como referência para políticas de estímulos à demanda. Mas, além das impropriedades apontadas, das quais a principal é a agregação, os economistas intervencionistas ignoram sempre que a demanda é rápida como uma lebre, a oferta lenta como uma tartaruga e, sobretudo, que o mundo real está muito longe de ser uma fábula de Esopo.

4. A falácia da "armadilha da liquidez"

"A taxa de juros é o que é pela expectativa de que ela seja diferente. Se não há expectativa de que ela seja diferente, não há nada que nos diga por que ela é o que é"Está é a famosa sátira de Sir Dennis Robertson (1890-1963) à celebrada "armadilha da liquidez" formulada por Keynes. Com efeito, a "armadilha da liquidez" é uma situação imaginária em que os agentes econômicos, na presença de uma taxa de juros muito baixa, guardariam moeda na expectativa de que os juros viessem a subir. Se tal expectativa não existir, nada nos explica porque a taxa de juros é assim tão baixa. Ou seja, Keynes carece de uma teoria sobre a taxa de juros que possa ser chamada efetivamente de teoria. Grande Sir Dennis Robertson!

Curiosamente, ele trabalhou diretamente com Keynes durante os anos 20 e 30, tempo em que o segundo estava desenvolvendo algumas das ideias que mais tarde incorporaria naTeoria Geral, chegando a elogiar Robertson nestes termos: "it was good to work with someone who had a "completely first class mind". Mas, a partir dos anos 40, Robertson afastou-se de Keynes, por diferenças de temperamento e de valores morais (Robertson era filho de um clérigo da Igreja Anglicana) e visões de teoria econômica, especialmente a partir do debate de 1937 a respeito das relações entre poupança e investimento apresentadas na Teoria Geral.

Como frisa Rothbard (A Grande depressão Americana,São Paulo,IMB, 2012, p. 79 et passim), os keynesianos sustentam que a "preferência pela liquidez" ou demanda de moeda pode ser tão elevada que a taxa de juros não teria como baixar para níveis suficientes para estimular os investimentos privados que possam tirar a economia da depressão. É claro que isto pressupõe que a taxa de juros é determinada pela demanda por saldos monetários e não pelas preferências temporais, como sustentam os austríacos. Ao mesmo tempo, supõe que a ligação entre poupança e investimento seja muito fraca, sendo exercida apenas provisoriamente pela taxa de juros.

Na verdade, a questão não é se a poupança e o investimento recebem ou não isoladamente os efeitos da taxa de juros, porque poupança, investimento e taxa de juros são, individual e conjuntamente, determinados simultaneamente pelas preferências intertemporais individuais no processo de mercado. E a preferência pela liquidez ou demanda de moeda não tem nada a ver com isso.

Ainda seguindo Rothbard, os keynesianos sustentam que se a demanda "especulativa" por moeda subir durante uma depressão (ou seja, se os indivíduos resolverem guardar mais dinheiro) então a taxa de juros subirá. Mas, para os austríacos, uma coisa não decorre da outra de jeito nenhum, porque o aumento no entesouramento pode ser resultado de fundos anteriormente consumidos, de fundos investidos anteriormente ou de um mix de ambos que mantenha inalterada a proporção entre consumo e investimento e, sendo assim, a menos que as preferências temporais se alterem, a última alternativa prevalecerá.

A taxa de juros para os austríacos depende exclusivamente da preferência temporal e nunca de uma "preferência pela liquidez"! Se o maior entesouramento for proveniente do consumo, um crescimento na demanda de moeda baixará as taxas de juros, porque nesse caso as preferências temporais caíram, ou seja, está-se a valorizar menos o consumo presente do que a poupança.

Os adeptos de Keynes sustentam que, em uma crise financeira, os indivíduos esperam aumentos nas taxas de juros e, assim sendo, vão entesourar dinheiro e não comprar títulos e, portanto, vão contribuir para que as taxas de juros se mantenham baixas. Essa "demanda especulativa de moeda" é que se constitui na "armadilha da liquidez", que supostamente indicaria a relação entre a demanda de moeda e a taxa de juros. Mas este tratamento da taxa de juros é muito superficial, porque a considera apenas como sendo o preço dos empréstimos, quando a taxa de juros que importa, a crucial, é a taxa natural, ou seja, a margem de lucro no mercado, que é determinada pelas preferências temporais. E, como empréstimos são apenas uma das formas de investimentos, a taxa que incide sobre esses empréstimos é tão somente um tênue reflexo da taxa natural.

Rothbard coloca, então, a pergunta fulminante: o que, então, realmente significa uma expectativa de que as taxas de juros aumentem? Sua resposta é que significa que os indivíduos esperam um aumento na taxa de retorno líquido no mercado, com salários e outros preços de bens de produção de ordens mais elevadas caindo mais rapidamente do que os preços dos bens de ordens baixas, que são os bens de consumo. Mas isso não requer nenhuma explicação do tipo quebra-cabeças, pois, já que os investidores esperam quedas nos salários e em outros preços de bens de capital, seguram os investimentos nesses bens de capital até que seus preços efetivamente caiam. Tal expectativa, na verdade, além de não ser um elemento perturbador, contribui para acelerar o ajuste, da mesma forma como toda especulação acelera os ajustes aos níveis de mercado, esta também acelera a queda nos salários e outros fatores (bens de capital), acelerando assim a recuperação e permitindo que a economia retorne ao seu estado natural mais rapidamente. Como escreveu Rothbard (p. 80), "o entesouramento "especulativo", longe de ser um bicho-papão da depressão, é na verdade um bem vindo estimulante para uma recuperação mais rápida".

Além disso, somente uma "preferência pela liquidez" infinita, ou seja, uma curva de demanda de moeda horizontal poderia impedir o retorno da economia ao seu estado natural. Só que a demanda de moeda nunca pode ser "infinita", simplesmente porque os agentes no mundo real, independentemente de suas expectativas, sempre precisam continuar a consumir, ou seja, a desfazer-se de dinheiro e, como os indivíduos precisam continuar a consumir, também têm que continuar a produzir, o que nos leva a concluir que pode perfeitamente haver ajuste e estado natural de emprego sem qualquer dependência de haver ou não entesouramento.

Para finalizar, recorramos mais uma vez a Rothbard: "a omissão da justaposição de entesouramento e consumo deriva, mais uma vez, da negligência keynesiana de mais de duas margens ao mesmo tempo e de sua crença errônea de que o entesouramento reduz o investimento, e não o consumo".


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SOBRE O AUTOR

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.


Quem inventou essa tese de que não existe déficit foi uma pesquisadora chamada Denise Gentil. Segundo ela, o déficit da previdência é forjado.

www.adunicentro.org.br/noticias/ler/1676/em-tese-de-doutorado-pesquisadora-denuncia-a-farsa-da-crise-da-previdencia-social-no-brasil-forjada-pelo-governo-com-apoio-da-imprensa

Só que essa mulher nem sabe separar rubricas. Ela mistura a receita da Previdência com a receita da Seguridade Social (que abrange Saúde, Assistência Social e Previdência) e então conclui que está tudo certo.

Nesta outra entrevista dela, ela diz isso:

"O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit."

Certo. Esse é o cálculo da previdência. Receitas da Previdência menos gastos com a Previdência dão déficit, como ela própria admite. Ponto final.

Mas aí ela complementa:

"Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração."

Ou seja, o argumento dela é o de que as receitas para saúde e assistência social devem ser destinadas para a Previdência, pois aí haverá superávit.

Ora, isso é um estratagema e tanto. Por esse recurso, absolutamente nenhuma rubrica do governo apresenta déficit, pois basta retirar o dinheiro de outras áreas para cobri-la. Sensacional.

A quantidade de gênios que o Brasil produz é assustadora.

Não deixa de ser curioso que nem o próprio governo petista -- em tese, o mais interessado no assunto -- encampou a tese dessa desmiolada.

De resto, o problema da previdência é totalmente demográfico. E contra a demografia e a matemática ninguém pode fazer nada.

Quando a Previdência foi criada, havia 15 trabalhadores trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado. Daqui a duas décadas será 1,5 trabalhador trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Ou seja, a conta não fecha e não tem solução. O problema é demográfico e matemático. Não é econômico. E não há ideologia ou manobra econômica que corrija isso.
Não existe déficit da previdência! Para justificar uma reforma que visa somente a tungar e sugar o trabalhador, o governo usa o seguinte estratagema: De um lado, pega uma das receitas, que é a contribuição ao INSS; do outro, o total do gasto com benefícios (pensão, aposentadoria e auxílios). Aí dá déficit! Só que a Constituição Federal estabelece, no artigo 194, que, junto com a saúde e a assistência social, a previdência é parte de um sistema de seguridade social, que conta com um orçamento próprio. Na receita, devem ser incluídas não apenas as contribuições previdenciárias mas também os recursos provenientes da Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep. Aí temos a real situação: Superávit! Talvez você esteja supondo que o dinheiro que sobrou no orçamento da seguridade social mas faltou no da previdência tenha sido usado nas outras duas áreas a que, constitucionalmente, ele se destina. Mas, mesmo com os gastos com saúde e assistência, ainda assim temos saldo positivo. E como esse saldo se transforma em déficit? É que antes de destinar o dinheiro para essas áreas, o governo desvia 20% do total arrecadado com as contribuições sociais, por meio da DRU, para pagar dívidas, segurar o câmbio etc. Fora as renúncias e sonegações fiscais. Portanto, essa conversa de déficit é uma falácia pra empurrar goela abaixo do trabalhador uma "reforma" que tire ainda mais o seu dinheiro e o force a trabalhar por mais tempo.
As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
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" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Lopes  01/07/2013 13:44
    Excelente. Especialmente o texto a respeito do multiplicador.

    Lembro-me de haver sido coadjuvante de um frustrante debate a respeito do impacto do gasto governamental na economia onde todo o cerne da discussão migrara para aquilo que era chamado de "relutância" das instituições em alavancarem a economia em períodos de investimento com altos riscos. Os tipos em si eram socialistas convictos e um chegara a sugerir o completo controle estatal sobre o crédito, clamando que o grandíssimo festival de inflação da era brasileira dos bancos estaduais havia contribuído em muito ao país e que o "dinheiro deve estar servindo a obra social primeiro independentemente de seus custos às obras privadas". Já o outro, em adendo, fez-nos o favor de lembrar do mal que representa a poupança(Mera demanda por dinheiro!) à toda economia e a "função social" do estado de desestimulá-la "à bem dos trabalhadores".

    Um casamento interessante entre obsessões estatistas e a teoria econômica keynesiana que veio fazer apologia dessas durante a grande depressão. Pasmo fico ao observar que inúmeras classes de pós-graduação tornaram-se fã clube do BNDES e abundam de próximos gênios da economia brasileira ao propor, por exemplo, novamente, a permissão do BACEN de comprar diretamente títulos de dívida do governo para elevar o PIB.

    Observar os universitários e ativistas políticos de hoje me estimula a imaginar que tipo de intelectuais governarão a política nacional em 2,5 décadas.
  • Melanie S.  01/07/2013 13:57
    Parabéns, Professor. Muito legal o seu artigo. :)
  • Allan  01/07/2013 15:46
    Onde posso encontrar mais explicações sobre as taxas de juros e sua estrutura a termo?
  • anônimo  01/07/2013 15:52
    Aqui e aqui.
  • Renato  01/07/2013 16:32
    "Ainda seguindo Rothbard, os keynesianos sustentam que se a demanda "especulativa" por moeda subir durante uma depressão (ou seja, se os indivíduos resolverem guardar mais dinheiro) então a taxa de juros subirá. Mas, para os austríacos, uma coisa não decorre da outra de jeito nenhum, porque o aumento no entesouramento pode ser resultado de fundos anteriormente consumidos, de fundos investidos anteriormente ou de um mix de ambos que mantenha inalterada a proporção entre consumo e investimento e, sendo assim, a menos que as preferências temporais se alterem, a última alternativa prevalecerá."

    Alguém pode explicar melhor esse parágrafo? Agradeço se puderem citar um exemplo
  • Renato Souza  01/07/2013 22:34
    Xará

    Pelo que entendi, significa que o dinheiro entesourado pode sair tanto do consumo como do investimentos. Mas se a proporção entre investimento e consumo não se alterar, a taxa de juros, em princípio, não muda. Pelo menos foi isso que entendi.
  • Rhyan  01/07/2013 18:53
    Lendo essa aula, eu pensei em duas coisas: 1) tem gente que fala que economia é coisa fácil, simples; 2) tem gente que fala que Rothbard não foi um economista muito bom.
  • Rodnei  01/07/2013 21:15
    Discordo da sua primeira afirmação. Economia no modo de ver dos austríacos é algo ridiculamente simples, quase óbvio, natural.
    Não sou da área e em menos de 6 meses lendo 1 ou 2 artigos por dia não tenho mais medo nenhum desse "monstro".
    As teorias austríacas não são consideradas "boas" porque não dá pra aplicá-las em benefício de alguns (os que mandam), pois para funcionarem elas invariavelmente tem que beneficiar a todos, logo não agradam e são ignoradas.
  • Rhyan  02/07/2013 20:56
    Sim, em geral é muito simples, complicado é entender o mundo intervencionista. Mas pense em toda questão metodológica da praxeologia, não é algo tão simples assim.
  • Getulio Malveira  01/07/2013 21:01
    "o mundo real está muito longe de ser uma fábula de Esopo." - genial!
  • Renan Fernandez  01/07/2013 22:13
    Excelente artigo, professor!
  • TC  01/07/2013 23:35
    Ótima conclusão do artigo pelo professor Iorio.
    Reduz a Escola Keynesiana a uma pseudociência, criada para justificar as ações dos governantes e o financiamento de seus partidários.
  • Cedric  02/07/2013 11:16
    Grande Ubiratan você faz um grande serviço com esses curtos artigos de crítica certeira e pontual. Torna possível respostas rápidas e eficientes em conversas mais informais ou para com leigos.
  • Adriano N.  04/07/2013 19:47
    Boa tarde Sr. Ubiratan,
    Voçe como responderia as seguintes perguntas:
    - Porque a demanda agregada diminui quando as taxas de juros aumentam?
    - Porque uma taxa de juros mais baixa resulta em um aumento do investimento?
    As seguintes perguntas foram feitas numa prova de Universidade.
    Quero entender melhor este assunto e agradecerei a sua resposta.
    Obrigado.
  • Assis  12/07/2013 12:38
    É no mínimo irônico que economistas de direita criticarem Keynes alegando que ele defendia os interesses de políticos e de governantes interessados em manter o status quo, quando seu pensamento ajudou os EUA e muitos outros países a saírem da recessão, gerarem empregos e renda para as fatias da população que estavam passando até fome e voltarem ao crescimento!


    O keynesianismo tem seus defeitos, como qualquer escola os tem, mas se a escola austríaca e sua "praxeologia" heterodoxa carente de rigor científico fosse esse suprassumo todo não seria marginalista, seria o pensamento dominante, pois tempo, esforços e dinheiro não lhe faltam!
  • Leandro  12/07/2013 13:11
    Prezado Assis, pare de repetir chavões surrados que você aprendeu na sexta série do colégio e comece a estudar de maneira honesta e não-enviesada a ciência econômica.

    A adoção de políticas keynesianas fez com que uma recessão que normalmente não duraria mais de dois anos acabasse se perpetuando por quase 18 anos. A economia americana só foi se recuperar em 1947, quando o governo cortou seus gastos em 33%.

    Para você ter uma ideia, houve uma profunda depressão nos EUA em 1921. Naquela época, o governo tomou medidas anti-keynesianas: cortou gastos e reduziu o déficit (além de ter reduzido impostos). Resultado: a recessão terminou em um ano e meio. E você nem sequer ouviu falar nela, pois sua professora do colégio não a conhecia.

    Eis uma lista de artigos essenciais para você entender tudo isso que foi dito:

    1920 - a última depressão na qual um governo não se intrometeu foi também a mais rápida

    Um conto de duas grandes depressões

    O New Deal ridicularizado (novamente)

    Como Franklin Roosevelt piorou a Depressão

    A Grande Depressão - uma análise das causas e consequências

    Mais falácias sobre a Grande Depressão

    Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)

    Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (final)

    A teoria austríaca dos ciclos econômicos e as causas da Grande Depressão

    Um governo em dieta - quando os gastos realmente foram cortados

    Muita leitura, hein? Vamos ver se surtirá algum efeito, ou se o ensino brasileiro continuará incrustado indelevelmente em sua mente.


    Para terminar, você afirma triunfantemente:
    "se a escola austríaca e sua "praxeologia" heterodoxa carente de rigor científico fosse esse suprassumo todo não seria marginalista, seria o pensamento dominante, pois tempo, esforços e dinheiro não lhe faltam!"

    Claro! Afinal, uma teoria que defende a redução do poder de burocratas e políticos, bem como a redução de privilégios de funças, do poder do bancos, e de assistencialismo para vagabundos, seria incondicionalmente aceita e apoiada por todos, né?

    Quanta sagacidade...
  • Flex Wheeler  17/08/2013 18:32
    Boa, Leandro!
  • Jocelino Barbacena  19/05/2016 14:10
    Uai Sô! Ouvi o tapa daqui do interiô!
  • Fernando  10/12/2014 19:31
    Pode-se então dizer que o "efeito multiplicador" é basicamente contar várias vezes o mesmo dinheiro?

    Por exemplo, eu compro algo com uma nota de 5 reais e essa pessoa compra outra coisa com a mesma nota. O truque keynesiano aqui é que as transações foram contadas como se fossem independentes da base monetária que as possibilita?

    Obrigado desde já pela resposta.
  • Bruno  19/05/2016 02:52
    Não entendi muito bem o exemplo de Jorge, porque o número de demanda agregada de Jorge deu 0,0001 e ao final sua contribuição foi de 100.000?


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