Falácias keynesianas - parte II
Este artigo é uma continuação de Falácias keynesianas - parte I

 

Continuando com as falácias do senhor Keynes e seus seguidores, vamos neste mês mostrar mais duas, talvez as mais conhecidas e também as mais perigosas, porque a crença nelas e sua consequente aplicação na política econômica vêm causando enormes problemas em praticamente todo o mundo há muitas décadas. Refiro-me às falácias do "efeito multiplicador" e da "armadilha da liquidez".

3. A falácia do "efeito multiplicador"

Quem, dentre quem fez algum curso de economia, não ouviu falar do "efeito multiplicador", segundo o qual, quanto maior for a disposição para consumir (que equivale a uma menor disposição para poupar) em uma economia, os aumentos de gastos provocarão efeitos mais do que proporcionais no nível de "renda agregada"? Quando Keynes apresentou esse verdadeiro "milagre" em sua Teoria Geral, ele logo alcançou grande popularidade entre economistas e políticos, os primeiros porque acharam que a pólvora tinha sido afinal descoberta e que nunca mais existiriam nem recessões e nem ciclos econômicos e os segundos porque afinal um gênio da economia encontrara a fórmula "científica" para respaldar suas intenções permanentes de gastar o dinheiro subtraído dos pagadores de tributos.

No entanto, o "efeito multiplicador" é uma enorme falácia, porque se baseia no argumento de uma "função consumo agregada ou coletiva" estável. Podemos apresentá-lo e criticá-lo como o fez soberbamente Rothbard em seu livro Man, Economy and State: a Treatise on Economic Principles:

Renda agregada = Consumo + Investimento

O consumo é considerado pelo keynesianismo como sendo uma função estável e conhecida da renda, mediante correlações estatísticas e outros métodos econométricos. Suponhamos que, para simplificar, o Consumo seja sempre de 75% (ou, 0,75) da Renda. Assim, podemos escrever:

Renda = 0,75 (Renda) + Investimento; ou

0,25 (Renda) = Investimento

E, portanto,

Renda = 4 (Investimento)

Nesse exemplo, o "multiplicador" é igual a 4. Se, entretanto, a disposição a consumir fosse maior — por exemplo, se fosse de 0,80% da renda, o "multiplicador" seria maior, pois seria igual a 5. Quanto maior a vontade gastar da cigarra, maior o nível de renda da coletividade! Para Keynes, as formigas, poupadoras, eram mesmo umas chatas e prejudicavam a economia...

Ora, se o "multiplicador" é 4, tudo o que o governo precisa fazer para aumentar a renda agregada em um montante desejado é simplesmente aumentar seus gastos em ¼ desse montante.

Rothbard utiliza uma paródia, obedecendo rigorosamente ao raciocínio keynesiano, para desmascarar a falácia, por reductio ad absurdum, que passo a reproduzir com pequenas alterações:

Sejam: renda agregada = Y; Renda de Jorge = J; e Renda de todos os demais habitantes do país = X, sendo Jorge um habitante desse país.

X é, então, uma função estável de Y, o que pode ser visto se plotarmos ambos em coordenadas e verificarmos que para cada Y haverá um X correspondente. Como Rothbard escreveu, esta é uma função tremendamente estável, bem mais estável do que a função consumo convencional, que não exclui o consumo de Jorge. Se, agora, plotarmos a renda de Jorge, J, contra Y, encontraremos, ao invés de uma correlação perfeita, apenas conexões remotas entre a renda flutuante desse indivíduo e a renda agregada. Portanto, a renda de Jorge é um elemento ativo e volátil de incerteza nessa economia, enquanto o consumo de todos os demais indivíduos é passivo, estável, determinado pela renda da coletividade.

Suponhamos que a equação relevante seja:

X = 0,99999 Y

Temos, então,

Y = 0,99999 Y + J

E, logo,

0,0001 Y = J

Ou seja,

Y = 100.000 J

Este número fantástico é o "multiplicador" de Jorge, muito mais potente do que o multiplicador de investimentos original. Se você for o ministro da Fazenda da Dilma e quiser aumentar a renda agregada e curar a depressão e o desemprego, é necessário e suficiente mandar o Banco Central imprimir certo montante de reais e dá-los a Jorge. Os gastos desse felizardo vão bombear em 100.000 vezes a renda do país! Miracolo di San Gennaro!

Muitas vezes em sala de aula utilizei esse exemplo para mostrar a falácia do "efeito multiplicador", chamando um aluno pelo nome, dizendo que eu era o governo e que ia dar para ele um grande valor em dinheiro e que quanto mais gastador ele fosse melhor seria para a turma inteira.

E pensar que essa enorme bobagem do "efeito multiplicador" alcançou grande popularidade desde os anos 30 e até hoje, 80 anos depois e com tantos exemplos de recessões, depressões e estagnações no mundo real, ainda é ensinada nas universidades e está nos programas de concursos públicos.

Existe outra maneira de reduzir ao absurdo a falácia do multiplicador. Como sabemos, sua fórmula é 1/1-b, em que b é a "propensão marginal a consumir" e 1-b, portanto, a proporção marginal a poupar. Se supusermos uma situação em que os indivíduos, de tão endividados, gastam mais do que sua renda, recorrendo para isso a empréstimos, então b será um número maior do que 1 (b>1) e, portanto, 1-b será um número negativo (1-b<0). A propensão marginal a gastar é, neste caso, positiva e maior do que 1, o que significa que a propensão a poupar é negativa. 

Logo, o multiplicador, 1/1-b, é o inverso de um número negativo, ou seja, é também negativo. Por exemplo, se b = 1,2, então 1-b = -0,2 e 1/1-b = -5. Isso significa que uma expansão dos gastos públicos de, suponhamos, 100.000 reais vai diminuir a renda agregada em 500.000 reais. Esta parte da história, reduzida ao absurdo, não consta nos manuais de macroeconomia, mas, tal como no exemplo anterior de Jorge, obedece estritamente à fórmula do "multiplicador keynesiano". E mais: neste exemplo a tendência a poupar é negativa, o que satisfaz plenamente o chamado paradoxo da poupança de Keynes, mas, mesmo assim, o multiplicador é negativo...

Por fim, o desmonte da falácia pode ser completado com uma pergunta bem simples: se o governo aumenta seus gastos em ?G, isso significa necessariamente que ou ele emitiu  ?M de dinheiro, ou se endividou em ?D ou — o que é mais comum — que furtou ?T em tributos. Ora, por que cargas d´água esse aumento de gastos públicos ?G seria mais benéfico para a economia do que se o governo, ao invés de tributar, deixasse o montante equivalente (?T) ser gasto pelo setor privado, que foi quem suou para gerar esses recursos?

O "multiplicador" serve para justificar aumentos de gastos públicos e servir como referência para políticas de estímulos à demanda. Mas, além das impropriedades apontadas, das quais a principal é a agregação, os economistas intervencionistas ignoram sempre que a demanda é rápida como uma lebre, a oferta lenta como uma tartaruga e, sobretudo, que o mundo real está muito longe de ser uma fábula de Esopo.

4. A falácia da "armadilha da liquidez"

"A taxa de juros é o que é pela expectativa de que ela seja diferente. Se não há expectativa de que ela seja diferente, não há nada que nos diga por que ela é o que é"Está é a famosa sátira de Sir Dennis Robertson (1890-1963) à celebrada "armadilha da liquidez" formulada por Keynes. Com efeito, a "armadilha da liquidez" é uma situação imaginária em que os agentes econômicos, na presença de uma taxa de juros muito baixa, guardariam moeda na expectativa de que os juros viessem a subir. Se tal expectativa não existir, nada nos explica porque a taxa de juros é assim tão baixa. Ou seja, Keynes carece de uma teoria sobre a taxa de juros que possa ser chamada efetivamente de teoria. Grande Sir Dennis Robertson!

Curiosamente, ele trabalhou diretamente com Keynes durante os anos 20 e 30, tempo em que o segundo estava desenvolvendo algumas das ideias que mais tarde incorporaria naTeoria Geral, chegando a elogiar Robertson nestes termos: "it was good to work with someone who had a "completely first class mind". Mas, a partir dos anos 40, Robertson afastou-se de Keynes, por diferenças de temperamento e de valores morais (Robertson era filho de um clérigo da Igreja Anglicana) e visões de teoria econômica, especialmente a partir do debate de 1937 a respeito das relações entre poupança e investimento apresentadas na Teoria Geral.

Como frisa Rothbard (A Grande depressão Americana,São Paulo,IMB, 2012, p. 79 et passim), os keynesianos sustentam que a "preferência pela liquidez" ou demanda de moeda pode ser tão elevada que a taxa de juros não teria como baixar para níveis suficientes para estimular os investimentos privados que possam tirar a economia da depressão. É claro que isto pressupõe que a taxa de juros é determinada pela demanda por saldos monetários e não pelas preferências temporais, como sustentam os austríacos. Ao mesmo tempo, supõe que a ligação entre poupança e investimento seja muito fraca, sendo exercida apenas provisoriamente pela taxa de juros.

Na verdade, a questão não é se a poupança e o investimento recebem ou não isoladamente os efeitos da taxa de juros, porque poupança, investimento e taxa de juros são, individual e conjuntamente, determinados simultaneamente pelas preferências intertemporais individuais no processo de mercado. E a preferência pela liquidez ou demanda de moeda não tem nada a ver com isso.

Ainda seguindo Rothbard, os keynesianos sustentam que se a demanda "especulativa" por moeda subir durante uma depressão (ou seja, se os indivíduos resolverem guardar mais dinheiro) então a taxa de juros subirá. Mas, para os austríacos, uma coisa não decorre da outra de jeito nenhum, porque o aumento no entesouramento pode ser resultado de fundos anteriormente consumidos, de fundos investidos anteriormente ou de um mix de ambos que mantenha inalterada a proporção entre consumo e investimento e, sendo assim, a menos que as preferências temporais se alterem, a última alternativa prevalecerá.

A taxa de juros para os austríacos depende exclusivamente da preferência temporal e nunca de uma "preferência pela liquidez"! Se o maior entesouramento for proveniente do consumo, um crescimento na demanda de moeda baixará as taxas de juros, porque nesse caso as preferências temporais caíram, ou seja, está-se a valorizar menos o consumo presente do que a poupança.

Os adeptos de Keynes sustentam que, em uma crise financeira, os indivíduos esperam aumentos nas taxas de juros e, assim sendo, vão entesourar dinheiro e não comprar títulos e, portanto, vão contribuir para que as taxas de juros se mantenham baixas. Essa "demanda especulativa de moeda" é que se constitui na "armadilha da liquidez", que supostamente indicaria a relação entre a demanda de moeda e a taxa de juros. Mas este tratamento da taxa de juros é muito superficial, porque a considera apenas como sendo o preço dos empréstimos, quando a taxa de juros que importa, a crucial, é a taxa natural, ou seja, a margem de lucro no mercado, que é determinada pelas preferências temporais. E, como empréstimos são apenas uma das formas de investimentos, a taxa que incide sobre esses empréstimos é tão somente um tênue reflexo da taxa natural.

Rothbard coloca, então, a pergunta fulminante: o que, então, realmente significa uma expectativa de que as taxas de juros aumentem? Sua resposta é que significa que os indivíduos esperam um aumento na taxa de retorno líquido no mercado, com salários e outros preços de bens de produção de ordens mais elevadas caindo mais rapidamente do que os preços dos bens de ordens baixas, que são os bens de consumo. Mas isso não requer nenhuma explicação do tipo quebra-cabeças, pois, já que os investidores esperam quedas nos salários e em outros preços de bens de capital, seguram os investimentos nesses bens de capital até que seus preços efetivamente caiam. Tal expectativa, na verdade, além de não ser um elemento perturbador, contribui para acelerar o ajuste, da mesma forma como toda especulação acelera os ajustes aos níveis de mercado, esta também acelera a queda nos salários e outros fatores (bens de capital), acelerando assim a recuperação e permitindo que a economia retorne ao seu estado natural mais rapidamente. Como escreveu Rothbard (p. 80), "o entesouramento "especulativo", longe de ser um bicho-papão da depressão, é na verdade um bem vindo estimulante para uma recuperação mais rápida".

Além disso, somente uma "preferência pela liquidez" infinita, ou seja, uma curva de demanda de moeda horizontal poderia impedir o retorno da economia ao seu estado natural. Só que a demanda de moeda nunca pode ser "infinita", simplesmente porque os agentes no mundo real, independentemente de suas expectativas, sempre precisam continuar a consumir, ou seja, a desfazer-se de dinheiro e, como os indivíduos precisam continuar a consumir, também têm que continuar a produzir, o que nos leva a concluir que pode perfeitamente haver ajuste e estado natural de emprego sem qualquer dependência de haver ou não entesouramento.

Para finalizar, recorramos mais uma vez a Rothbard: "a omissão da justaposição de entesouramento e consumo deriva, mais uma vez, da negligência keynesiana de mais de duas margens ao mesmo tempo e de sua crença errônea de que o entesouramento reduz o investimento, e não o consumo".


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SOBRE O AUTOR

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.


"No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas."

Errado. Poderiam também ser pagos por qualquer um que se voluntariasse a pagar em nome de terceiros. Seria, tenho certeza, o seu caso em relação ao catador de papelão.

"Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido)."

Isso ocorre diariamente no arranjo estatal em que vivemos. E nunca o atropelador é punido.

Aliás, houve um caso em que uma adolescente e modelo foi atropelada em Belo Horizonte, num bairro chique. Ela ficou aleijada (teve a perna amputada) e a motorista embriagada teve apenas uma multa de R$ 1,5 mil.

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/12/29/interna_gerais,603237/jovem-atingida-por-carro-na-raja-gabaglia-tem-perna-amputada.shtml

www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/04/20/interna_gerais,639299/a-superacao-de-paola.shtml

revistaglamour.globo.com/#/noticia/Na-Real/noticia/2015/11/modelo-que-perdeu-perna-posta-foto-de-biquini-e-recebe-elogios-dos-fas.html

Que bela justiça estatal!

Ou seja, o pior cenário que você vislumbra num ambiente anarcocapitalista já ocorre rotineiramente no arranjo de justiça estatal em que vivemos.

Já no caso do catador de papelão, haveria ao menos uma chance: você poderia começar uma campanha nas redes sociais para coletar o dinheiro necessário para processar é punir o motorista. Seria até fácil.Se hoje as pessoas arrecadam dinheiro até para abrir hamburgueria, certamente não faltariam doadores para ajudar nesta causa tão mais nobre.

Solução tem pra tudo; o que é realmente difícil é nêgo conseguir pensar fora da Matrix estatal a qual foi condicionado.
Aos que acompanham Instituto Mises Brasil:
Deixo aqui uma pergunta para reflexão dos que acompanham esta página. Para haver justiça, é necessário investigação.
No caso de justiça privada, com investigação privada, os custos deveriam ser pagos pelas partes envolvidas (e não por um Estado).
Suponhamos que um senhor que cata papelão (e outros recicláveis) na rua seja atropelado por um motorista bêbado que, depois de atropelar e matar o tal senhor, fugiu da cena sem prestar socorro e se escondeu rapidamente (para tentar continuar sua vida como se nada tivesse acontecido).
Suponhamos também que a vítima vivia em uma casa extremamente simples, sozinho (por ter abandonado o contato com a família há muitos anos), e que seus escassos bens fossem insuficientes para cobertura de gastos de investigação e justiça privadas.
Neste caso, para que a investigação descubra a autoria do crime e a sociedade possa vislumbrar a possibilidade de justiça, quem arcaria com os custos? Quem faria a opção pelo tribunal que poderia julgar a causa? Quem acompanharia a causa para que fosse devidamente solucionada?
Lembrando que o motorista irresponsável teria fugido e não deixado vestígios suficientes (à princípio) para ser encontrado e responsabilizado pelo ato.
A sociedade que consistisse em justiça e investigação privadas (com custos 100% privados) não se importaria com a elucidação e punição em casos como o descrito acima? Ficaria o motorista embriagado livre, mesmo tendo atentado contra a vida de outro?
Na suposição, usei como exemplo um catador de papelão, mas a análise serviria para qualquer possível vítima de injustiça que não dispusesse de recursos suficientes para cobrir os custos de investigação e justiça privadas.
O que acham?
É uma dúvida real. Gostaria de verificamos possíveis respostas com educação e respeito.
Grato!
Eu morei 5 anos em Paris. Lá, a educação é gratuíta, obrigatória, e vai de 7 da manhã ás 17:00, De segunda à sexta, menos na quarta-feira. Esse é o dia do "se vire" para os pais, quando eles têm que ficar com os filhos de uma forma ou de outra. Uns levam para o trabalho, outros deixam em creches, outros arrumam uma babá por um dia.

As crianças são obrigadas a decorar poesias. O vestibular é feito no final do segundo grau, pra avaliar o quanto aprenderam, e filosofia é obrigatória. As provas não são de múltipla escolha. São feitas na forma de redações com 4 folhas de papel almaço. Se chama Bacalaureat, ou BAC, como todos chamam.

E por isso os franceses arrumam emprego em qualquer lugar do mundo onde vão, em geral chegam no estrangeiro e criam a próprias empresas. //existe ensino profissionalizante em todos os níveis, os professores, assim como todos, fazem reciclagens e avaliações constantes. é um sistema mais complexo, criado por pessoas com muita cultura. Sem falar que os franceses leem mais de 20 livros por ano. Existe a divisão que existia antigamente no segundo grau, exatas, biomédicas, humanas, artes... Se houvesse mais estudos no Brasil, saberíamos estudar os sistemas de ensino mais adequados para nosso país, na situação que se encontra. Poderíamos copiar as técnicas de sucesso destes países, ou mesmo daqui, de escolas que trazem sucesso aos alunos. Mas quando o povo não tem estudo, e confunde cultura popular com cultura geral, esquizofrênicos delirantes como o Carlos Magno dos pobres fazem um impichement, e ditam regras toscas como suas mentes delirantes, pois acham que ao poder é algo que deve ser conquistado por conchavos de ordens discretas. Me refiro ao presidente em exercício, que é maçom.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Lopes  01/07/2013 13:44
    Excelente. Especialmente o texto a respeito do multiplicador.

    Lembro-me de haver sido coadjuvante de um frustrante debate a respeito do impacto do gasto governamental na economia onde todo o cerne da discussão migrara para aquilo que era chamado de "relutância" das instituições em alavancarem a economia em períodos de investimento com altos riscos. Os tipos em si eram socialistas convictos e um chegara a sugerir o completo controle estatal sobre o crédito, clamando que o grandíssimo festival de inflação da era brasileira dos bancos estaduais havia contribuído em muito ao país e que o "dinheiro deve estar servindo a obra social primeiro independentemente de seus custos às obras privadas". Já o outro, em adendo, fez-nos o favor de lembrar do mal que representa a poupança(Mera demanda por dinheiro!) à toda economia e a "função social" do estado de desestimulá-la "à bem dos trabalhadores".

    Um casamento interessante entre obsessões estatistas e a teoria econômica keynesiana que veio fazer apologia dessas durante a grande depressão. Pasmo fico ao observar que inúmeras classes de pós-graduação tornaram-se fã clube do BNDES e abundam de próximos gênios da economia brasileira ao propor, por exemplo, novamente, a permissão do BACEN de comprar diretamente títulos de dívida do governo para elevar o PIB.

    Observar os universitários e ativistas políticos de hoje me estimula a imaginar que tipo de intelectuais governarão a política nacional em 2,5 décadas.
  • Melanie S.  01/07/2013 13:57
    Parabéns, Professor. Muito legal o seu artigo. :)
  • Allan  01/07/2013 15:46
    Onde posso encontrar mais explicações sobre as taxas de juros e sua estrutura a termo?
  • anônimo  01/07/2013 15:52
    Aqui e aqui.
  • Renato  01/07/2013 16:32
    "Ainda seguindo Rothbard, os keynesianos sustentam que se a demanda "especulativa" por moeda subir durante uma depressão (ou seja, se os indivíduos resolverem guardar mais dinheiro) então a taxa de juros subirá. Mas, para os austríacos, uma coisa não decorre da outra de jeito nenhum, porque o aumento no entesouramento pode ser resultado de fundos anteriormente consumidos, de fundos investidos anteriormente ou de um mix de ambos que mantenha inalterada a proporção entre consumo e investimento e, sendo assim, a menos que as preferências temporais se alterem, a última alternativa prevalecerá."

    Alguém pode explicar melhor esse parágrafo? Agradeço se puderem citar um exemplo
  • Renato Souza  01/07/2013 22:34
    Xará

    Pelo que entendi, significa que o dinheiro entesourado pode sair tanto do consumo como do investimentos. Mas se a proporção entre investimento e consumo não se alterar, a taxa de juros, em princípio, não muda. Pelo menos foi isso que entendi.
  • Rhyan  01/07/2013 18:53
    Lendo essa aula, eu pensei em duas coisas: 1) tem gente que fala que economia é coisa fácil, simples; 2) tem gente que fala que Rothbard não foi um economista muito bom.
  • Rodnei  01/07/2013 21:15
    Discordo da sua primeira afirmação. Economia no modo de ver dos austríacos é algo ridiculamente simples, quase óbvio, natural.
    Não sou da área e em menos de 6 meses lendo 1 ou 2 artigos por dia não tenho mais medo nenhum desse "monstro".
    As teorias austríacas não são consideradas "boas" porque não dá pra aplicá-las em benefício de alguns (os que mandam), pois para funcionarem elas invariavelmente tem que beneficiar a todos, logo não agradam e são ignoradas.
  • Rhyan  02/07/2013 20:56
    Sim, em geral é muito simples, complicado é entender o mundo intervencionista. Mas pense em toda questão metodológica da praxeologia, não é algo tão simples assim.
  • Getulio Malveira  01/07/2013 21:01
    "o mundo real está muito longe de ser uma fábula de Esopo." - genial!
  • Renan Fernandez  01/07/2013 22:13
    Excelente artigo, professor!
  • TC  01/07/2013 23:35
    Ótima conclusão do artigo pelo professor Iorio.
    Reduz a Escola Keynesiana a uma pseudociência, criada para justificar as ações dos governantes e o financiamento de seus partidários.
  • Cedric  02/07/2013 11:16
    Grande Ubiratan você faz um grande serviço com esses curtos artigos de crítica certeira e pontual. Torna possível respostas rápidas e eficientes em conversas mais informais ou para com leigos.
  • Adriano N.  04/07/2013 19:47
    Boa tarde Sr. Ubiratan,
    Voçe como responderia as seguintes perguntas:
    - Porque a demanda agregada diminui quando as taxas de juros aumentam?
    - Porque uma taxa de juros mais baixa resulta em um aumento do investimento?
    As seguintes perguntas foram feitas numa prova de Universidade.
    Quero entender melhor este assunto e agradecerei a sua resposta.
    Obrigado.
  • Assis  12/07/2013 12:38
    É no mínimo irônico que economistas de direita criticarem Keynes alegando que ele defendia os interesses de políticos e de governantes interessados em manter o status quo, quando seu pensamento ajudou os EUA e muitos outros países a saírem da recessão, gerarem empregos e renda para as fatias da população que estavam passando até fome e voltarem ao crescimento!


    O keynesianismo tem seus defeitos, como qualquer escola os tem, mas se a escola austríaca e sua "praxeologia" heterodoxa carente de rigor científico fosse esse suprassumo todo não seria marginalista, seria o pensamento dominante, pois tempo, esforços e dinheiro não lhe faltam!
  • Leandro  12/07/2013 13:11
    Prezado Assis, pare de repetir chavões surrados que você aprendeu na sexta série do colégio e comece a estudar de maneira honesta e não-enviesada a ciência econômica.

    A adoção de políticas keynesianas fez com que uma recessão que normalmente não duraria mais de dois anos acabasse se perpetuando por quase 18 anos. A economia americana só foi se recuperar em 1947, quando o governo cortou seus gastos em 33%.

    Para você ter uma ideia, houve uma profunda depressão nos EUA em 1921. Naquela época, o governo tomou medidas anti-keynesianas: cortou gastos e reduziu o déficit (além de ter reduzido impostos). Resultado: a recessão terminou em um ano e meio. E você nem sequer ouviu falar nela, pois sua professora do colégio não a conhecia.

    Eis uma lista de artigos essenciais para você entender tudo isso que foi dito:

    1920 - a última depressão na qual um governo não se intrometeu foi também a mais rápida

    Um conto de duas grandes depressões

    O New Deal ridicularizado (novamente)

    Como Franklin Roosevelt piorou a Depressão

    A Grande Depressão - uma análise das causas e consequências

    Mais falácias sobre a Grande Depressão

    Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)

    Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (final)

    A teoria austríaca dos ciclos econômicos e as causas da Grande Depressão

    Um governo em dieta - quando os gastos realmente foram cortados

    Muita leitura, hein? Vamos ver se surtirá algum efeito, ou se o ensino brasileiro continuará incrustado indelevelmente em sua mente.


    Para terminar, você afirma triunfantemente:
    "se a escola austríaca e sua "praxeologia" heterodoxa carente de rigor científico fosse esse suprassumo todo não seria marginalista, seria o pensamento dominante, pois tempo, esforços e dinheiro não lhe faltam!"

    Claro! Afinal, uma teoria que defende a redução do poder de burocratas e políticos, bem como a redução de privilégios de funças, do poder do bancos, e de assistencialismo para vagabundos, seria incondicionalmente aceita e apoiada por todos, né?

    Quanta sagacidade...
  • Flex Wheeler  17/08/2013 18:32
    Boa, Leandro!
  • Jocelino Barbacena  19/05/2016 14:10
    Uai Sô! Ouvi o tapa daqui do interiô!
  • Fernando  10/12/2014 19:31
    Pode-se então dizer que o "efeito multiplicador" é basicamente contar várias vezes o mesmo dinheiro?

    Por exemplo, eu compro algo com uma nota de 5 reais e essa pessoa compra outra coisa com a mesma nota. O truque keynesiano aqui é que as transações foram contadas como se fossem independentes da base monetária que as possibilita?

    Obrigado desde já pela resposta.
  • Bruno  19/05/2016 02:52
    Não entendi muito bem o exemplo de Jorge, porque o número de demanda agregada de Jorge deu 0,0001 e ao final sua contribuição foi de 100.000?


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