O brasileiro foi às ruas e gostou - mas continua sem entender nada
por , sábado, 29 de junho de 2013

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brasil.jpgApós mais de duas semanas de protestos diários nas ruas, já é possível fazer uma análise mais acurada das motivações das pessoas envolvidas nas manifestações. 

Até o momento, há dois grupos envolvidos.  Um grupo é formado por pessoas que fazem reivindicações as mais diversas e opostas possíveis: há desde libertários pedindo redução de impostos, livre concorrência e desregulamentações a grupos comunistas pedindo a estatização geral do transporte público.  Há grupos que fecham estradas pedindo a construção de viadutos, a instalação de lombadas eletrônicas e o barateamento do sistema de transportes, e há grupos que fecham avenidas exigindo maiores salários para professores e médicos, e mais recursos direcionados para a saúde e a educação.  Há estudantes universitários pedindo mais bolsas e um maior valor para as bolsas, e há professores universitários querendo que seus salários sejam equiparados aos dos professores das "universidades de ponta".  Há alienados que manifestam apenas pelo prazer de segurar um cartaz e gritar refrãos bacanas e há espertalhões que utilizam estes alienados para aumentar o coro em prol de suas reivindicações.

A esmagadora maioria clama pelo "fim da corrupção" e por mais e melhores serviços públicos, o que inclui "transporte público, gratuito e de qualidade", o que é equivalente a um círculo triangular.  E, até o momento, a vitória tem estado majoritariamente do lado estatista: os governadores do Rio Grande do Sul (Tarso Genro, do PT) e de Goiás (Marconi Perillo, do PSDB) acabam de anunciar o passe livre estudantil, o que significa que os pobres agora pagarão pelo transporte de universitários.  Já o senador Renan Calheiros, ávido por melhorar sua reputação perante a esquerda estudantil, foi ainda mais longe e aprovou em regime de urgência a votação da proposta de passe livre estudantil para simplesmente todo o país.  Basta o Senado aprovar e a estrovenga estará implementada.  O PLS 248/2013 "assegura gratuidade no sistema de transporte público coletivo local a estudantes do ensino fundamental, médio ou superior regularmente matriculados e com frequência comprovada em instituição pública ou privada."

Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado já havia aprovado uma PEC que classifica o transporte como um "direito social".

O outro grupo é formado por arruaceiros — que são formados por marginais oriundos de todas as partes do país — que estão ali apenas pelo prazer de vandalizar e destruir propriedade privada.  O ocorrido na quarta-feira passada em Belo Horizonte foi sintomático: várias concessionárias de veículos foram saqueadas, incendiadas e completamente depredadas, levando a uma perda total de estoques.  Uma revendedora de motos foi invadida e, não conseguindo roubar as motos, os arruaceiros optaram por incendiá-las nas ruas.  (Veja as imagens a partir do marco 2:00).  Em Porto Alegre, além de dois prédios públicos, dois prédios residenciais, nove agências bancárias e 21 lojas foram depredadas e saqueadas, e 20 contêineres de lixo foram virados e incendiados.  Atos semelhantes ocorreram nas manifestações de todas as capitais do país.

Quanto a este segundo grupo, não há nenhuma controvérsia sobre o que deve ser feito.  Dado que o governo existe e dado que ele é uma instituição que detém o monopólio da violência, então sua função precípua é utilizar esta violência para defender o indivíduo e a propriedade privada de ataques violentos.  Logo, a polícia deve ser completamente liberada para ministrar punição instantânea a estes arruaceiros.  Mas isso não irá ocorrer porque nossa Constituição socialista não considera que danos à propriedade privada sejam crimes sequer dignos de encarceramento.  No Brasil, se você vandalizar um carro ou destruir uma agência bancária ou uma concessionária de veículos o máximo que irá lhe ocorrer será a prestação de serviços comunitários ou o pagamento de algumas cestas básicas.  Já a depredação de patrimônio público recebe uma punição mais severa e o arruaceiro de fato pode ir para a cadeia.  Tal inversão de valores é digna de países de mentalidade coletivista.  A devoção à inviolabilidade da pessoa e da propriedade privada não faz parte do nosso sistema de valores.

Os motivos das manifestações

Mas a intenção deste artigo não é se concentrar nos arruaceiros, mas sim nos motivos que levaram as pessoas às ruas para fazer reivindicações.  E o fato é que quem acompanha nossos artigos sobre a economia brasileira aqui no IMB não deveria estar surpreso com as reivindicações, mesmo com aquelas que involuntariamente clamam por mais estado.  Tudo está ocorrendo exatamente como explica a teoria dos ciclos econômicos.

Há duas grandes motivações que estão levando as pessoas às ruas: uma é de cunho econômico e a outra é de cunho emocional.  Só que ambas são interligadas.

O período que vai de 2007 até meados de 2011 foi mágico para a economia brasileira.  Mesmo a recessão de 2009 — que foi curta pelos motivos explicados aqui — não abalou em nada a confiança do brasileiro de que o futuro finalmente havia chegado, que o país deixaria de ser uma eterna promessa, e que o gigante finalmente estava desperto. 

Ledo engano.  Tudo não passava de um truque possibilitado pela expansão artificial do crédito, algo com o qual o brasileiro ainda não estava acostumado.  A expansão artificial do crédito não gera prosperidade, mas sim uma enganosa aparência de pujança.

No nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada (na verdade, meros dígitos eletrônicos), emprestam este dinheiro e cobram juros sobre eles. Ou seja, todo esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia.   Esse aumento da quantidade de dinheiro na economia faz com que, no primeiro momento, haja uma grande sensação de prosperidade.  A renda nominal aumenta, os investimentos aumentam, o consumo aumenta e o desemprego cai.

A sensação vivenciada pelas pessoas durante essa fase de prosperidade artificial é maravilhosa: a renda nominal das pessoas cresce anualmente; investidores se animam ao ver que o valor de suas ações cresce diariamente; as indústrias de bens de consumo conseguem vender tudo que põem no mercado e a preços crescentes; os estoques das empresas são prontamente vendidos; apartamentos são vendidos ainda na planta; novos empreendimentos são continuamente iniciados; carros zero são vendidos aceleradamente; novos restaurantes e novas lojas são inaugurados diariamente; os preços e os lucros sobem mensalmente; trabalhadores encontram empregos a salários nominais cada vez maiores; restaurantes estão sempre cheios e com longas listas de espera apenas para arrumarem uma mesa; trabalhadores e seus sindicatos veem o quão desesperadoramente empresários estão demandando seus serviços em um ambiente de pleno emprego, aumentos salariais e (nos países mais ricos) imigração; líderes políticos se beneficiam daquilo que parece ser uma economia excepcionalmente boa, a qual eles venderão ao eleitorado como resultado direto de sua liderança e de suas boas políticas econômicas; burocratas responsáveis pelo orçamento do governo ficam impressionados ao descobrir que, a cada ano, a receita está aumentando em cifras de dois dígitos.

Porém, tal arranjo não pode durar.  Há uma enorme descoordenação entre o comportamento dos consumidores e dos investidores.  Os consumidores seguem consumindo sem a necessidade de poupar, pois a quantidade de dinheiro na economia aumenta continuamente, o que torna desnecessária qualquer abstenção do consumo.  E os investidores seguem aumentando seus investimentos, os quais são totalmente financiados pela criação artificial de dinheiro virtual feita pelos bancos e não pela poupança genuína dos cidadãos.  Tal arranjo é completamente instável.  Trata-se apenas de uma ilusão de que todos podem obter o que quiserem sem qualquer sacrifício prévio.

No Brasil, os indivíduos intensificaram seu endividamento para poder consumir, na crença de que a expansão do crédito continuaria farta e que sua renda futura continuaria aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo estimuladas tanto pela expansão monetária coordenada pelo Banco Central (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos. 

No entanto, este aumento do endividamento também trouxe um aumento nos calotes, o que deixou os bancos mais cautelosos em continuarem expandindo o crédito.  E os bancos estarem mais cautelosos significa menor expansão da quantidade de dinheiro na economia (como mostram os gráficos deste artigo).  Consequentemente, a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia brasileira começou a desacelerar, o que levou a uma estagnação da renda nominal das pessoas.  Isso fez com que o modelo de crescimento baseado na simples expansão do crédito se esgotasse.

No entanto, os preços continuaram subindo, tanto em decorrência de toda a expansão monetária que já havia ocorrido quanto pela súbita desvalorização da taxa de câmbio ocorrida em 2012 e intensificada agora em 2013, o que tornou as importações mais caras e as exportações mais atraentes.  Uma combinação entre menos importações e mais exportações reduz a oferta de bens no mercado interno, o que gera uma pressão nos preços destes bens.

Esse arranjo que combina renda nominal estagnada, preços em contínua ascensão e endividamento (e inadimplência) em alta está gerando não apenas uma enorme sensação de aperto financeiro nos brasileiros, como também trouxe uma grande frustração a estas pessoas.  Aquela economia que outrora parecia invejável e rumo a um futuro auspicioso repentinamente estagnou-se, perdeu todo o seu brilho e, agora sem essa camuflagem, explicitou toda a sua realidade: infraestrutura caótica, serviços públicos marfinenses, inflação de preços sempre acima da meta do Banco Central (meta esta que já é alta até mesmo entre países em desenvolvimento), endividamento crescente, renda estagnada e famílias cujos salários mal chegam ao final do mês.

010210-istoe.jpgUm perfeito exemplo de como uma expansão econômica artificial mexe com o psicológico e com o senso de realidade das pessoas nos foi fornecido por esta capa da revista IstoÉ, de 6 de janeiro de 2010, na qual o hebdomadário dizia que já éramos uma potência:

Segundo a reportagem:

"O Brasil está conseguindo o raro feito de extrair opiniões quase unânimes mundo afora. São poucos, pouquíssimos, os economistas que ousam discordar de que o País entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado. E mais: são ainda mais raros aqueles que duvidam da capacidade de o Brasil se tornar uma das maiores potências econômicas do planeta em um par de dezena de anos."

Dentre os "poucos, pouquíssimos, economistas que ousam discordar de que o País entrou em um ciclo de desenvolvimento sustentado" certamente estão os economistas deste site, que ainda em 2010 alertavam que tudo era infundado.

É claro que, após ter sido bombardeado por inúmeras notícias como essa durante quase 3 anos, é natural que o brasileiro médio hoje se sinta deprimido, e até mesmo revoltado, ao constatar que foi enganado e que a economia pujante que lhe haviam prometido nada mais era do que um conto de fadas.  Ludwig von Mises explicou bem este componente emocional em suas obras.  As pessoas se acostumam a um padrão de vida crescente durante a fase da expansão econômica artificial e, mais tarde, quando a nova realidade se impõe avassaladoramente, elas se recusam a aceitar que tudo não havia passado de uma gostosa mentira, pois imaginavam que aquela fase próspera realmente representava um novo e definitivo padrão.  Os países da Europa mediterrânea estão vivenciando o mesmo fenômeno.

Aturar corrupção, uma infraestrutura caótica e serviços públicos moçambicanos é relativamente fácil quando se está com a renda crescendo mais que os preços e com a capacidade de consumo em alta.  Porém, tão logo esses indicadores se invertem e o endividamento teima em não cair, a depressiva realidade se impõe e resta ao cidadão ir protestar nas ruas clamando por medidas que arrefeçam sua situação.  Ninguém vai às ruas protestar contra a corrupção ou para exigir melhorias na saúde, na educação e nos demais serviços públicos quando a economia está com bons indicadores, a capacidade de consumo está em alta e o dinheiro chega até o final do mês.  No entanto, basta esses indicadores piorarem, que todo o esforço de mobilização se torna mais fácil.  Ou será que alguém acredita que Collor caiu por causa de um Fiat Elba?

A verdade é que o povo brasileiro queria crédito farto a juros baixos para comprar imóveis, carros, motos, televisores e outros eletrodomésticos.  Conseguiu.  Queria que o governo expandisse continuamente seus gastos para, dentre outras coisas, aumentar as contratações para o setor público, que é o objetivo de vida de vários integrantes da classe média.  Conseguiu.  Queria que o governo protegesse a indústria nacional e seus empregos aumentando as alíquotas de importação de praticamente todos os produtos estrangeiros (chegando ao ponto de organizar operações ao estilo da Stasi nos aeroportos, abrindo malas e confiscando até mesmo as roupas que os brasileiros compravam no exterior).  Conseguiu.  Aceitou que o governo utilizasse o BNDES para conceder empréstimos subsidiados para grandes empresas, as quais iriam se transformar em "campeãs mundiais".  E defendeu quando o governo obrigou todas as grandes empresas do país a produzir utilizando uma determinada porcentagem de insumos fabricados no Brasil, o que deu a estes fabricantes a capacidade de aumentar seus preços sem sofrer concorrência.

O povo aprovou tudo isso, mas estranhamente não quer arcar com as consequências destas políticas, que são o aumento da inflação e do endividamento, a estagnação da renda, e a perpetuação da ineficiência.  E não apenas não quer arcar, como está pedindo mais ação justamente do ente que causou tudo isso.  Trata-se de um exemplo clássico de um povo que não sabe estabelecer uma relação de causa e efeito.

Conclusão

Como já explicou o economista Gary North, a maioria dos protestos de rua tem uma mesma característica: uma hora eles acabam.  É impossível manter protestos maciços como estes que estamos vivenciando por um longo período de tempo.  Ou os manifestantes se cansam e perdem a motivação, ou as autoridades se tornam mais bem organizadas e passam a reprimir com mais vigor.  Mas há também uma pequena chance de as coisas irem para o lado oposto.  Logo, quando demonstrações como essa começam a ocorrer, ou elas se enfraquecem e desaparecem ou elas se agravam e acabam derrubando o governo.

Para o governo, a melhor estratégia é continuar prometendo reformas.  Se o povo engolir as promessas, as manifestações irão acabar.  Mas essa estratégia é um tanto arriscada, pois pode ser que as manifestações ganhem novos adeptos, se espalhem por todo o país e cheguem a um ponto em que a própria legitimidade do governo é colocada em xeque.  Neste ponto, como é de praxe na América Latina, pode ocorrer um golpe de estado.  O governo é derrubado e uma junta militar assume o controle.

Uma coisa boa que poderia advir destes protestos seria se eles solapassem a confiança e a esperança que o povo brasileiro deposita no estado.  Se eles erodissem a santidade do governo, se eles explicitassem a incompetência do governo e fizessem com que as pessoas finalmente entendessem a verdadeira natureza do governo, já teriam feito algo positivo.  Qualquer coisa que enfraqueça a crença no estado, e que não recorra à violência, é positiva.  Se uma geração de jovens entender que não deve depositar no governo suas esperanças de uma vida melhor, então as manifestações terão gerado resultados positivos.  Para que isso ocorra, é essencial que grupos pró-liberdade e pró- livre mercado se aproveitem desta oportunidade para difundir a mensagem de que menos governo e menos burocracia geram mais liberdade e mais prosperidade.  Isso sim poderia gerar efeitos positivos.

Mas não tenho muitas esperanças quanto a isso.  No geral, estes manifestantes são impermeáveis à lógica e estão defendendo apenas mais espoliação e mais verbas para políticos e sindicatos, ainda que não entendam que é isso que eles estão fazendo.

O fato é que, com a renda estagnada, com a inflação de preços em teimosa alta, com o endividamento e a inadimplência em níveis inauditos, e com o real se esfacelando perante o euro e o dólar, encarecendo sobremaneira as importações de insumos básicos e diminuindo nosso padrão de vida — exatamente como queriam o Banco Central e o Ministério da Fazenda —, há um risco real de o caldo entornar e a situação ficar realmente fora do controle. 

Estamos vivenciando exatamente aquilo que ocorre quando se entrega o comando da economia a pessoas que não têm a capacidade de gerenciar nem sequer uma carroça de pipoca.  A democracia e o apelo das massas — exatamente o arranjo que todo mundo venera — levaram a isso.  Não há por que reclamar e nem há o que se estranhar.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


107 comentários
107 comentários
Angelo Viacava 28/06/2013 10:38:12

Bem vinda, realidade! Excelente artigo.

Responder
JOSUELITO BRITTO 28/06/2013 14:09:48

Leandro: sempre aprendo muito com a leitura dos seus artigos. Mas, peço esclarecer-me o seguinte: qual a relação entre a expansão monetária, via emissão de moeda pelo BACEN (abstraindo-se a expansão do crédito bancária com as reservas fracionárias) e a inflação de preço? V. tem e pode publicar esse quadro (relativo a expansão monetária = emissão de moeda pelo Bacen). Outrossim, seria bom se tivéssemos um livro básico de economia para difundir, contribuindo, assim, para a redução da grave ignorância econômica em nosso meio. Parece-me um bom livro para essa finalidade, "O que deveríamos saber sobre economia e prosperidade", de James D, Gwartney e R. Stroup, edição esgotada. O que v. acha? Seria bom uma nova edição impressa, e-book e áudio livro. Já levei essa sugestão ao Instituto Liberal, mas não obtive resposta até agora.

Responder
Leandro 28/06/2013 14:25:54

Prezado Josuelito, como você corretamente frisou, abstraindo-se a participação dos bancos, não há correlação nenhuma entre a expansão da base monetária feita pelo Banco Central e a inflação de preços. E pelo simples motivo de que o BC pode criar o tanto de dinheiro que quiser, mas se os bancos se recusarem a criar empréstimos, o dinheiro simplesmente não entra na economia.

No atual arranjo monetário e financeiro, o BC pode injetar dinheiro apenas no mercado interbancário; ele não pode, como podia até a década de 1990, injetar dinheiro diretamente na economia por meio da compra de títulos diretamente do Tesouro. Logo, no atual arranjo, quem decide quando e em que setor o dinheiro entra na economia é o sistema bancário.

É por isso que não houve inflação de preços nos EUA. O Fed entupiu os bancos de dinheiro, mas estes não emprestaram todo este dinheiro.

Grande abraço!

Responder
Arthur M M 28/06/2013 17:17:29

Leandro, corrija-me se eu estiver errado, por favor, mas uma coisa que me veio na cabeça ao ler o seu comentário foi:

"Se não podemos com o BC, utilizemos os bancos públicos, para combater essa lei absurda" (PT 2:1)

Afinal de contas, os bancos privados podem não estar expandindo o crédito, mas sabemos que os bancos públicos sim.

app.folha.com/m/noticia/190775

Responder
Leandro 28/06/2013 18:31:38

Prezado Arthur, e é exatamente isso o que já está sendo feito:

Crédito nos bancos públicos deve subir mais que o dobro dos privados

Bancos públicos respondem por metade do crédito no país

Mas ainda assim há um limite para essa expansão, pois mesmo os bancos públicos estão sujeitos às regras de Basiléia e às restrições impostas pelo Banco Central, o qual, embora não pareça, ainda tem sim de entregar a inflação de preços dentro da meta.

Responder
Vinicius Costa 28/06/2013 21:20:04

Leandro, fiquei em dúvida com essa resposta. O programa de QE feito nos Estados Unidos não é o FED comprando diretamente títulos de dívida pública?

Responder
Leandro 28/06/2013 21:34:21

Quase isso. É o Fed comprando títulos hipotecários e títulos da dívida pública que estão em posse dos bancos.

Responder
Vinicius Costa 28/06/2013 22:02:05

Mas se os bancos não estão emprestando esse dinheiro, eles estão investindo em outros países ou algo assim?

Responder
Leandro 28/06/2013 22:47:47

Não. Uma pequena parte deste dinheiro é emprestada (para empresas e para os governos federal, estaduais e municipais), mas a maior parte é voluntariamente depositada pelos bancos no próprio Fed -- são as chamadas "reservas em excesso" --, pois o Fed está pagando juros de 0,25% ao ano (o valor da SELIC deles) sobre estas reservas em excesso.

Os bancos preferem manter este dinheiro depositado junto ao Fed e rendendo 0,25% ao ano (o que dá um rendimento total anual de uns US$ 7,5 bilhões para todo o sistema bancário) a emprestá-lo para empresas e indivíduos, algo arriscado no atual cenário de incerteza.

No entanto, no momento em que quiser, o Fed pode forçar os bancos a emprestar este dinheiro: basta aplicar uma multa sobre estas reservas em excesso.

Isso foi explicado neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1182

E há também o fato de que os bancos foram severamente afetados pela bolha imobiliária, cujo estouro depreciou severamente seus ativos e os deixou com sérios problemas contábeis. Este dinheiro depositado junto ao Fed é contabilizado como um ativo, o qual ajuda a melhor o índice de Basileia destes bancos.

Isso foi explicado neste artigo com enfoque na Europa, que passou exatamente pelo mesmo problema:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

Responder
Pobre Paulista 13/07/2013 15:46:46

Deixa eu ver se entendi:

O FED imprime dinheiro para comprar algo dos bancos que não vale nada. Aí o banco pega esse dinheiro e deposita no FED. Ou seja, na prática nada mudou, mas agora o banco magicamente passou de "insolvente" para "solvente" e existe um caminhão de verdinhas guardadas. E ainda por cima, na hora que o fed decidir que é hora de empurrar crédito, vai fazer todos esses dólares entrarem em circulação e certamente teremos inflação monetária e disparada do ouro.

Faz sentido isso?

Responder
Leandro 13/07/2013 15:47:52

É exatamente assim.

Responder
Pobre Paulista 15/07/2013 11:40:41

Leandro, meu comentário foi meio que irônico, mas sua resposta me surpreendeu.

Se é para simplesmente mudar o "status" de "insolvente" para "solvente", porquê não simplesmente fazer isso sem a emissão de moeda? Pra que essa volta toda?

Em outras palavras, já que é para não deixar o banco quebrar via canetada (óbvio que o correto é deixar ele quebrar, mas vamos seguir a lógica vigente), porquê não fazer isso SEM que custe inflação monetária no futuro?

Responder
Leandro 15/07/2013 12:47:42

Pobre Paulista, os bancos, assim como qualquer outra empresa, estão sujeitos a regras contábeis muito bem definidas, as quais não podem ser alteradas ao bel-prazer de um banqueiro. Os bancos não podem alterar seu patrimônio líquido simplesmente inventando números e maquiando sua contabilidade, como você quer que seja feito.

Além de ter de seguir as imposições das regras de Basileia, os bancos também têm de divulgar seus resultados para os acionistas, para o Banco Central e para todo o aparato regulatório. Eles têm de prestar contas para todos.

Se fosse possível fazer isso que você sugere, todas as falências empresariais estariam abolidas por decreto, e viveríamos em uma economia fictícia. Aliás, nem sequer teríamos economia. A destruição do capital seria tanta, que rapidamente voltaríamos ao escambo.

É por tudo isso que, em minha opinião, o estudo das ciências contábeis é imprescindível para um bom economista.

Responder
Pobre Paulista 16/07/2013 12:12:43

Certo, compreendi.

Na realidade havia um erro na minha análise, pois no caso de socorro, o banco ainda tem como ativo as notas depositadas no fed, enquanto no outro caso não existe esse ativo. Na realidade não existe uma "mágica" contábil, pois do ponto de vista contábil o banco de fato deixou de estar insolvente. Nesse caso a única mágica é tirar dinheiro da cartola.

Responder
Pedro Ivo 28/06/2013 14:34:12

Faço coro à necessidade de um livro de economia-básica-brasileira, e faço eco a algo que outros leitores já disseram a cá: o Leandro Roque deveria organizar tudo que já escreveu sobre economia brasileira neste sítio (bem como às contribuições do Antony Mueller, Fernando Ulrich, Domingos Crosseti Branda, Ubiratan Jorge Iorio, Diego von Brixen Montzel Trindade, dentre outros) e elaborar um livro de economia brasileira. O IMB devia dar um sabático ao Leandro para ele poder fazer isto. E não me venha Leandro, com esquivas por modéstia: ainda que cultivar humildade seja louvável (e sei que você é uma pessoa nobre, que evita à soberba; nada + sensato), semear conhecimento e dar subsídeos ao debate público também o é.

Espero esta postagem seja um abaixo assinado em favor deste sabático ao Leandro. Precisamos deste livro de economia brasileira. Quem concordar poste "sim"!

Responder
Leandro 28/06/2013 18:28:36

Prezado Pedro, sua tenacidade é invejável. Mas não. O mundo não será atormentado com isso. Já há sofrimento demais...

Grande abraço!

Responder
Pedro Ivo 29/06/2013 11:13:13

kkkkkkk. Ok. Dessa vez recuou com senso de humor. Contra isto não tem como argumentar.

Responder
Gustavo Freitas 02/07/2013 15:41:06

Uma leitura que recomendo é do Ubiratan Iorio:

Economia e Liberdade: A Escola Austríaca e a Economia Brasileira (Forense Universitária, 2ª edição, 1997))

Um abraço!

Responder
Maikon Souza 30/06/2013 20:08:56

Ótimo artigo! É sempre bom ver que ainda há, mesmo no Brasil, um grupo de seres economicamente pensantes.

Responder
Eduardo 01/07/2013 16:54:26

Parabéns pelo artigo! Muito bom!

Concordo que o motivo maior por trás de todas essas manifestações provem de uma piora expressiva no ambiente econômico do Brasil (tirando o filho do Lula, gênio das finanças).

Responder
Valmir 28/06/2013 11:02:11

Você pagar faculdade desde os 18 anos, para ver pessoas estudando de graça e pedindo mais bolsa estudante, bolsa estágio, transporte de graça é foda demais. Especializei em design desde os 12 anos para poder pagar faculdade e to vendo que to pagando de meus concorrentes, to pagando do médico que vai me cobrar 300 a consulta, do cara que vai me regular depois e por ai vai.

Responder
Pedro Ivo 28/06/2013 14:10:14

Você tem toda razão: pagamos a educação de pessoas que vão passar a vida inteira usando esta educação para pedir e sustentar por privilégios corporativos que serão pagos, de novo, por nós que não fazemos nem parte do estado nem temos lobby forte no parlamento. E estes crápulas posam de benfeitores.



Responder
Roberto 28/06/2013 11:20:25

O artigo e muito oportuno .O que devemos ver,na verdade, e mais estado, mais gastos, mais populismos. Mais veneno no doente ,ja combalido. Nosso pais nao quer um pais capitalista pleno. Nunca. Nao quer concorrencia, nao quer livre mercado.Queremos sim e empregos publicos ou na Petrobras. Infelizmente nunca chegaremos a superar a renda de Portugal, ou Trinidad-Tobago.

Responder
Leandro Torricelli 28/06/2013 11:24:54

Sempre bom ler seus artigos, Leandro!

Eu acredito que o caldo, por mais que alivie temporariamente, tende a engrossar muito já que a paulada final ainda está para vir: o aumento no desemprego. Em meu círculo de amizades, praticamente todos (ao menos no setor privado) estão temendo uma possível demissão, já que suas empresas vêm amargando consecutivos resultados ruins e já dão sinais de "reestruturação". Enquanto isso, nível de endividamento bate record mês após mês. E se especulações de uma "bolha imobiliária" estiverem corretas e essa estourar, temos o coquetel molotov perfeito para mais convulsões sociais.

Infelizmente analisar tudo isso e ainda jovem, me faz querer tirar férias prolongadas (senão permanentes) de terras tupiniquins.

Abraços!

Responder
Dw 01/07/2013 02:50:24

Prezado Leandro, encontro-me em mesma situação: jovem, temerário em relação ao emprego e sem perspectivas positivas em relação ao futuro no médio e longo prazo..
O barco furou e já está afundando, lamentavelmente, ninguém ao meu redor percebe isso..
Vejo nestes protestos pessoas pedindo mais do mesmo, sem realmente saber a forma correta de conquistar aquilo de que necessitam..
Quando tento falar sobre liberdade com qualquer um, mesmo não sendo expert, vejo as pessoas repudiando o que é dito, parecendo gostarem de estarem presas na burocrática estatal..
Boa sorte a todos..

Responder
Angelo T. 28/06/2013 11:47:00

Texto muito bom, Leandro!

Responder
Luiz Gustavo Vianna Almas 28/06/2013 12:32:28

Olá à todos,

Leandro, parabéns por mais este artigo. Como sempre você consegue resumir de forma genial e didática situações ou realidades um tanto complexas. Até a próxima.

Responder
Pobre paulista 28/06/2013 12:36:35

Agora as bolhas vão explodir.

Responder
Leandro 28/06/2013 12:50:03

Prezados Luiz, Torricelli e Angelos, obrigado pelas palavras. Abraços!

Responder
Daniel 28/06/2013 12:59:40

Apenas para comentar:
No dia de hoje temos 94 ações em tendencia de baixa hoje e só cinco em tendência de alta.

Para quem faz analise tecnica, o indice bovespa rompeu um suporte histórico (desde 1995 eu acho). Tem muita gente com medo no mercado financeiro. Todo mundo entrando vendido.

Responder
Pedro Ivo 28/06/2013 14:22:52

Daniel, poste links para as análises que você está citando por favor. Seria ótimo lê-la

Responder
Leandro 28/06/2013 13:13:44

Xará, tu tá com o péssimo costume de ter razão. parabéns pelo artigo

Responder
Leandro 28/06/2013 15:37:45

Como assim? Quer dizer que a identificação de usuáirio "Leandro" não é restrita ao autor do artigo? Deveria ser, para não causar confusões, intencionais ou não.

PS: Também não sou o autor do artigo, e nem sequer me chamo Leandro.

Responder
outro outro Leandro 29/06/2013 11:43:59

mais uma desvantagem de não ter um fórum

Responder
Anarcofóbico 29/06/2013 15:49:55

E tenho dito... creio que devamos ir às ruas pedir ao Mises Brasil iniciar um Fórum por aqui! Fórum Livre já!

Responder
Um burrinho 01/07/2013 01:35:47

É duro quando ficamos sem argumentos, né? Tem que apelar...

Responder
Henrique Mareze 28/06/2013 13:26:18

Qual é a relação do Banco Central com a ''expansão artificial do crédito'' feita pelos bancos privados? E qual é a relação dos bancos públicos nesse processo?

Obrigado.

Responder
Pupilo 28/06/2013 18:54:50

Qual é a relação do Banco Central com a ''expansão artificial do crédito'' feita pelos bancos privados? E qual é a relação dos bancos públicos nesse processo?

Pelo o que sei, o Banco Central (como regulador) dá permissão de criar dinheiro do nada aos banco, tanto privado, quanto publico. Se não me engano, apenas 10% dos depósitos devem ficar guardados.

Responder
Pepe Legal 28/06/2013 13:26:45

Bom texto, mas tive a impressao que os bancos, brasileiros no caso, tem o poder de expandir credito(imprimir verdinhas). É isso mesmo? Pensei q esse poder era só do BC.

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Leandro 28/06/2013 13:38:15

Prezados Pepe e Henrique, há artigos inteiros versando sobre este assunto. Sugiro estes, nesta ordem:

A taxa SELIC - o que é, como funciona e outras considerações

O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados

Explicando a recessão europeia

Sobre a atual inflação de preços no Brasil e o problema da SELIC

A Teoria dos Ciclos Econômicos e a Economia Brasileira

Um pequeno histórico das políticas monetárias do real - e por que estamos em uma sinuca de bico

E, só para adiantar, os bancos não imprimem dinheiro físico (cédulas e moedas metálicas), mas criam dígitos eletrônicos que funcionam exatamente igual a dinheiro. Insisto que é imprescindível ler os artigos acima linkados.

Responder
Sol Moras Segabianze 28/06/2013 13:33:10

Ótimo, Leandro.

Responder
Lopes 28/06/2013 13:37:23

Leandro, permita-me.

Passo aqui meus comentários sobre as consequências governamentais objetivas das manifestações: (Originalmente publicadas de forma errônea no artigo de 24/06)

ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-06-24/a-governadores-e-prefeitos-dilma-propoe-cinco-pactos-em-favor-do-brasil.html

Diz-se entre os cínicos que se a esperança fosse simpatizante da razão, perder-se-iam os homens em puro desespero. A presidente compartilha da fé irracional daquilo que nos fora traduzido como os gritos das manifestações que vêm tomando ruas por duas semanas: Mais participação do estado na sociedade e menos corrupção, idéias auto-exclusivas.

Pergunto-me se toma grande esforço cognitivo deduzir que a adição de células cancerígenas a um tecido não combaterá o tumor. Diferentemente de um setor privado, um prestador público possui nenhum interesse comercial no sucesso de suas operações. Como adendo, é também imune da mecânica no prejuízo; sua incompetência é recompensada por mais fundos públicos. O capitalista sensato optará pela construção mais ágil e barata que lhe é disponível, pois essa maximiza sua utilidade. E quanto ao responsável pela construção pública? Que incentivo esse possui(Dele ou de seu rsponsável estatal, igualmente imune da própria incompetência) de realizar tais obras? - o modelo privado não lhe dá nenhum benefício, muito pelo contrário, muito mais ganharia ao submeter-se à vontade de construtoras associadas e à decisão por obras faraônicas. Abster-me-ei de comentar o aparelhamento ideológico de tais instituições, que apenas colabora para a perpetuação do arranjo corrupto que promove o desperdício. A tragédia privada apenas prejudica seus empreendedores, a pública consiste no saque de toda a população.

E quando tal modelo esbanjador de recursos inexistentes torna-se não uma consequência indesejada porém o próprio objetivo das obras públicas? Desde antes da Grande Depressão, incontáveis recursos escassos vêm sendo jogados fora tendo o emprego como objetivo. É uma política democraticamente conveniente e economicamente trágica. Ela promove endividamento estatal e ciclos econômicos, quando não inflação como era de costume nos tempos quando os bancos centrais podiam comprar diretamente os títulos do tesouro. Não há riqueza que seja produto do nada e o esbanjamento apenas significa uma depressão mais rigorosa no futuro com maior desperdício de recursos escassos.

Não é de qualquer valia a discussão a respeito do argumento miserável dado pelo governo federal quanto ao emprego dos médicos cubanos. Trata-se de uma possível evidência redentora dos adeptos da conspiração petista. Grupo suspeitoso cujo principal conspirador(PT) aparenta generoso em entregá-los frases suspeitas e orações mal-construídas. Deixarei o ônus de tal discussão aos competentes em fazê-la apenas. Compartilharei apenas a menção de uma proposta reconstituinte pelo governo, que possa abrir as portas à outras futuras reformas por parte de governistas que podem não atrair a simpatia do público como um vago "chamado contra a corrupção".

Fala-se de imediato em educação como a promessa da evolução do homem brasileiro. Entretanto, por que não se menciona o ensino? Por que palavra tão magmática e poderosa deve representar uma necessidade imediata do povo brasileiro - onde deduz-se que consiste em uma ausência tão imprescindível atualmente? Deve-se de fato formar as crianças brasileiras espiritualmente e não apenas acrescentá-las um conhecimento acadêmico? Quem entregara ao Estado o poder quase divino de determinar quais conhecimentos são capazes de "educar" um ser humano e quem lhe dera o direito de impor os mesmos aos estudantes? Quem terá tamanha onisciência para determinar quais são tais sabedorias? Já não é óbvio que o arranjo atual visa preparar almas com um claro viés esquerdista nas universidades e escolas?
(Visitem o site do movimento "Escola Sem Partido")

Fala-se no fim em responsabilidade fiscal. Entretanto, que tipo de inteligência de gastos fora apresentado em toda a redação?! Anunciaram-se gastos governamentais em todos os itens e apenas neste fora glorificada a responsabilidade do Estado para com a inflação e o endividamento público. Por que nenhuma proposta concreta e apenas anúncios vagos? Tais enésimos "investimentos" anunciados pelo Estado em toda sua pauta não sairão de seu orçamento obtido pela taxação escorchante, serão provável produto de mais títulos sendo emitidos pelo tesouro.

E como adendo, menciona-se a formação de Conselhos para que o acidente dos R$0,20 não torne a ocorrer novamente. Abre-se através disso, um aval para ainda mais "amortização" de custos em outros setores que não apenas o do transporte público. Surge uma tendência para o futuro de tomar ainda mais a funcionalidade da mecânica dos preços em setores operando como concessionários no tempo futuro. Lembrar-vos-ei que não há passe livre: Tais tarifas não sentidas advirão da taxação dos cidadãos em setores onde os impostos são menos visíveis(Como costuma ser a conta de luz na tradição tupiniquim) ou mero endividamento. Se tais conselhos obtiverem sucesso, dou-lhes minha palavra de que minha profecia será realizada.

E por fim, lançou-se a discussão a respeito da desoneração(3 bilhões) no PIS, Cofins, ICMS e ISS nos setores de transporte. Após a enchente de "investimentos" nos itens acima, confesso que não me entusiasmou tal anúncio anacrônico(Apenas a arrecadação do ICMS em 2010 foi 9,36% do PIB). Triste é a sina daqueles que descobriram que nada surge do além e a conta sempre será entregue diretamente ou indiretamente aos pagadores de impostos.

Finalmente, após tal longo desabafo, viso apenas deixar registrada minha visão imediata sobre aquilo que fora ouvido pelo estado das estimadas milhões de pessoas "protestando". Os baluartes da recente manifestação orgulham-se de seu caráter multipartidário(E uns inocentemente a chamam de apartidária), entretanto, no idioma político; receio o espetáculo ser irrelevante em prol de como esse é traduzido aos ouvidos do governo. Garanto: As preces que são convenientes a esses foram ouvidas cuidadosamente. Os recentes eventos são o possível início de um novo costume nacional.

Enfim, tenho pouco a oferecer além das divagações supra-escritas. Folhas de Outono são pioneiras de uma tendência futura à experiência democrática brasileira que apenas tendem a revelar-se no longo prazo como mais um tradicional inverno argentino na América do Sul. Como "defensores do indivíduo", estaremos fadados a perder cada batalha que ocorrerá no país. Entretanto, após cada nevasca, resta-me a esperança de que mais uns encontrarão nossa fogueira.
_____________________________________________________________________________________

Leandro, confirmo que meu maior concerne em relação às manifestações é a formação de tais conselhos populares, que muito possivelmente serão uma tendência ao futuro. Sua própria constituição visa uma política de menor volatilidade nos preços oferecidos por concessionárias das prefeituras. Entretanto, receio que tais grupos(Integrados por movimentos sociais, organizações civis, sindicatos e "empresas do ramo", como confirmado pelo prefeito Haddad há dois dias se não estou enganado;) serão tendência ao futuro em ramos que são considerados "direitos do povo"(...de outros pagarem para eles. No Sul, a placa hegemônica fora Vandalismo é lucrar sobre o direito de ir e vir, pobres sejam as bicicletas, taxis, aviões e lojas de tênis!) como alimentação(Onde os preços tendem a flutuar), expandindo tal política de controle de preços.

Responder
marcos 28/06/2013 13:41:05

excelente artigo!

Responder
Angelo Noel 28/06/2013 13:57:51

Mais um artigo de Leandro 'Rocks'.

Responder
anônimo 28/06/2013 14:11:33

Perfeita observação do articulista:

"No Brasil, se você vandalizar um carro ou destruir uma agência bancária ou uma concessionária de veículos o máximo que irá lhe ocorrer será a prestação de serviços comunitários ou o pagamento de algumas cestas básicas. Já a depredação de patrimônio público recebe uma punição mais severa e o arruaceiro de fato pode ir para a cadeia. Tal inversão de valores é digna de países de mentalidade coletivista. A devoção à inviolabilidade da pessoa e da propriedade privada não faz parte do nosso sistema de valores."

Já estamo sem um regime social-comunista há muito tempo, e estamos ainda discutindo se eles estão vindo de foice ou martelo.

Att

Responder
Getúlio Malveira 28/06/2013 14:43:31

Primorosa análise, Leandro, que muito acrescenta a nossa compreensão dos atuais acontecimentos.

Contudo, sou ainda mais pessimista que você no que tange aos efeitos políticos dessas manifestações e a participação dos libertários nas mesmas. Por mais que as manifestações sirvam para deslegitimar o governo representativo, elas não servirão para deslegitimar a figura do estado. Muito pelo contrário: se há algum grande embate político no momento este é entre a democracia representativa e a democracia direta. Se já é suficientemente ruim sermos governados por alguns indivíduos incompetentes, muito pior será o sermos pelo grito das ruas; se nossa constituição é ruim, espere pra ver a que virá; se nosso governo é autoritário, espere pelo próximo...

Nada obriga a história a se repetir, mas nada a obriga a inovar sempre. E, desde a Roma de César até a República de Weimar, ou aos últimos dias do império na Rússia, não houve grito do povo que não anunciasse a tirania.

No melhor dos casos, as pessoas se contentarão com promessas de reforma que nunca virão... no pior, alguma coisa virá e não será mais liberdade individual.

Responder
anônimo 28/06/2013 14:46:36

" Ou será que alguém acredita que Collor caiu por causa de um Fiat Elba?"

Mudando um pouco de assunto do excelente artigo do Leandro Roque, afinal por que o Collor caiu? Até hoje não entendi como não fizeram com o Lula ou a Dilma o que fizeram com ele.

Artigos do Mises quanto a isso?


Att

Responder
Ricardo 28/06/2013 14:56:20

A redução das tarifas de importação irritou profundamente o setor industrial, majoritariamente a FIESP. As montadoras também não gostaram nada de ter de concorrer (apenas um pouco, pois a redução das tarifas não foi substancial) com carros estrangeiros. A Globo ficou irritada porque ele ameaçou mudar algumas legislações que garantiam seu monopólio na concessão. Funças estavam putos com a perda de algumas mamatas. E, por fim, a população estava fula com o confisco da poupança e com a inflação em total descontrole, conseqüência de se ter colocado celerados na Fazenda e no Banco Central.

Corrupção foi apenas a desculpa em comum a que as pessoas recorreram para pedir impeachment.

Responder
Fabio Bastos 03/07/2013 18:06:09

Prezado anônimo. O motivo do Collor ter caído foi que ele roubou e não distribuiu o que foi roubado para os Sindicatos, Sem-terra, UNE, ONGs ligados a políticos etc.. Também ficaram a ver navios as grandes corporações que financiaram a sua campanha política. No Brasil para um governante se manter no poder terá que distribuir recursos do Estado para esses grupos caso contrário não chegará até o final do seu mandato.

Responder
Jeferson 28/06/2013 14:47:01

Ótimo artigo! Já mandei pra 3 pessoas aqui no trabalho, e vou espalhar pelo facebook assim que chegar em casa.

Responder
Mauricio 28/06/2013 14:59:36

O artigo e' interessante de colocar uma visao sobre essas manifestacoes na estagnacao da renda e aumento dos indices de preco decorrentes dessas politicas populistas dos ultimos anos.
Mas sera que explica mesmo todos esses protestos?
Nas ultimas decadas nao teve varios momentos com renda estagnada e inflacao com os mesmos servicos degradantes?A populacao saiu as ruas?
Aqui na minha cidade,80Km de Belo Horizonte,houve duas manifestacoes,quem estava nas ruas eram empresarios,juizes,promotores,uma classe media alta ,poderia se dizer que uma classe alta financeiramente.
Nao tem mais coisas para serem observadas alem da visao do artigo?

Responder
Leandro 28/06/2013 15:15:19

Prezado Maurício, a última vez em que esse fenômeno ocorreu -- renda estagnada e inflação de preços em alta -- foi em 2003. Naquela época, primeiro ano de Lula, não havia motivo nenhum para rebeliões, e nem muito menos organização política para tal.

Em 2001, no segundo semestre, também ocorreu esse fenômeno, e a popularidade de FHC foi pro subsolo.

E antes de 2001, ocorreu também no período 1990-1992, mais acentuadamente em 1992, pois tanto em 1990 quanto em 1991 a inflação estava em desaceleração.

Na década de 1980, este cenário se repetiu de 1980 a 1985. Em 1986, houve euforia com o Plano Cruzado. E de 1987 a 1989, houve uma situação mais complexa de ser explicada: aquela inflação não afetava diretamente a classe média e nem muito menos os ricos, pois estes possuíam aplicações bancárias que os protegiam diariamente de depreciação da moeda. Quem realmente sofria eram os pobres e famintos que não tinham acesso ao sistema bancário. Mas pobres e famintos não fazem revoluções. E, como já bem ressaltou Olavo de Carvalho, todas as revoluções da história do mundo ocorreram em países cuja população estava enriquecendo: Revolução Francesa, Revolução Russa, Revolução Chinesa, Revolução Cubana e até mesmo as eleições de presidentes populistas na Bolívia e na Venezuela ocorreram em sociedades que estavam enriquecendo.

Logo, não havia nenhuma maneira de haver uma organização para protestos naquela época.

Quanto a isso que você falou -- "aqui na minha cidade, 80Km de Belo Horizonte, houve duas manifestações ,quem estava nas ruas eram empresários ,juízes ,promotores, uma classe media alta" --, ora, isso está exatamente de acordo com o que o foi dito no artigo. O fenômeno está atingindo a todos. Funças querem reposições salariais maiores que a inflação e os empresários estão sentindo uma queda de demanda por seus bens e serviços. E disso eu sei porque tenho pequenos empreendedores na família.

Abraços!

Responder
Marcelo Werlang de Assis 28/06/2013 15:04:58

Leandro, minhas congratulações pela publicação de mais um formidável texto seu!

É sempre um prazer ler os seus artigos e os seus comentários!

Encontrei aqui um pequeno problema: "ou elas se enfraquecem e desaparecem ou elas se agravam a acabam derrubando o governo." Ali no trecho se agravam a acabam, creio que o "a" deva ser substituído por um "e" (se agravam e acabam).

De fato, como o internauta já apontou, esta citação é perfeita:

No Brasil, se você vandalizar um carro ou destruir uma agência bancária ou uma concessionária de veículos o máximo que irá lhe ocorrer será a prestação de serviços comunitários ou o pagamento de algumas cestas básicas. Já a depredação de patrimônio público recebe uma punição mais severa e o arruaceiro de fato pode ir para a cadeia. Tal inversão de valores é digna de países de mentalidade coletivista. A devoção à inviolabilidade da pessoa e da propriedade privada não faz parte do nosso sistema de valores.

Forte abraço, Leandro!

Responder
Marcelo Werlang de Assis 28/06/2013 16:48:12

Verifiquei o trecho em que constatei o pequeno problema de português e vi que este foi solucionado. Beleza!

Eu transferi o brilhante texto do insigne Leandro Roque para o Word (eu sempre faço isso quando gosto de um texto do IMB — o que ocorre com enorme frequência). Após mais uma leitura, constatei:

(1) Na passagem "há alienados que manifestam apenas pelo prazer de segurar um cartaz e gritar refrões bacanas", a expressão "refrões" deve ser substituída por "refrãos". O programa Word detectou o erro, e o dicionário eletrônico que tenho me disse que o plural de "refrão" é "refrãos" ou "refrães".

(2) Na passagem "e dado ele é uma instituição que detém o monopólio da violência", faltou o vocábulo "que". Sendo ele acrescentado, o trecho ficaria assim: "e dado que ele é uma instituição que detém o monopólio da violência".

(3) Na passagem "o que torna desnecessário qualquer abstenção do consumo", "desnecessário" deve ser substituído por "desnecessária", ficando assim o trecho: "o que torna desnecessária qualquer abstenção do consumo".

Peço desculpas pela chatice, mas é que não quero que um texto tão bom — e tão iluminador — seja maculado por leves equívocos de atenção e de linguagem.

Com este artigo, aumentei o meu vocabulário ao aprender uma nova palavra: "hebdomadário", que, empregado como substantivo, significa "publicação que aparece regularmente a cada semana; semanário". Eu, quando o li, pensei que fosse um adjetivo com conotação "elogiosa", mas quando fui ao dicionário descobri que se tratava de uma publicação semanal. É sempre salutar consultar o dicionário. Ele nos torna humildes, pois revela o quanto a gente não sabe.

Grande abraço, Leandro & cia.!!!

Responder
Marcelo Werlang de Assis 29/06/2013 05:35:19

Quando me referi à humildade que o dicionário nos impõe em função de fazer com que nós nos demos conta do quanto não sabemos, eu quis também realizar uma referência à "presunção fatal" de que os estatistas estão tão imbuídos:

A tentativa de determinar, invocando razões de natureza política, social ou de qualquer outra natureza, quais devam ser os objetivos individuais só pode ser efetivada pelo uso da coerção e constitui o que FRIEDRICH AUGUST VON HAYEK, no seu último livro, qualificou de "Presunção Fatal", por conter subjacente a pretensão de que alguém — seja o rei-filósofo de Platão, um déspota esclarecido ou um comitê central, ainda que eleito democraticamente — possa conhecer as circunstâncias de cada indivíduo. Essa mesma percepção já havia levado Kant a dizer, com propriedade, que: "Ninguém pode me obrigar a ser feliz à sua maneira."

(DONALD STEWART JR., "A lógica da vida", disponível em institutoliberal.locaweb.com.br/textos.asp?cds=89&ano=1999&mes=.)

Amplexos!!!

Responder
Maykon 28/06/2013 15:17:52

Excelente artigo!

Responder
Eduardo 28/06/2013 15:41:54

Que texto fantástico! Só tenho que agradecer. Muito obrigado, Leandro e IMB!

Responder
Leonardo Couto 28/06/2013 16:03:19


Ótimo artigo!

Pra nós é um lembrete do quanto de trabalho em espalhar ideias temos ainda a fazer.

Responder
Andre 28/06/2013 16:10:34

Excelente artigo, Leandro!

Espero que as pessoas se cansem logo e resolvam PENSAR em como resolver os problemas ao invés de
ficarem pedindo soluções ao papai governo como se fossem criancinhas fazendo pirraça.

Responder
Emerson Luis 28/06/2013 17:03:39

Fora do Tópico:

Comissão aprova criar vagão exclusivo para as mulheres em SP

www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1302226-comissao-aprova-criar-vagao-exclusivo-para-as-mulheres-em-sp.shtml

* * *

Responder
anonimo de cima 28/06/2013 18:00:04

Fora do Tópico²:

Au tá num preço bastante atrativo...

Responder
Emerson Luis 28/06/2013 19:12:24

O governo está começando uma segregação sexual, transigindo os direitos mais fundamentais dos cidadãos, generalizando o mau comportamento de 0,01% dos homens para todos nós e concedendo direitos especiais para uma parcela da população. Isso é esquerdismo e estatização puros. É algo com o qual os liberais deviam se preocupar.

* * *

Responder
Uzbe 28/06/2013 20:45:08

Pior do que os pedidos dos manifestantes desiludidos e valentes poderá ser a reação governamental às manifestações: há o risco de colocar o país em rota de cubanização. Hasta la vista!

Responder
Eliel 28/06/2013 22:02:07

"E o fato é que quem acompanha nossos artigos sobre a economia brasileira aqui no IMB não deveria estar surpreso com as reivindicações, mesmo com aquelas que involuntariamente clamam por mais estado. Tudo está ocorrendo exatamente como explica a teoria dos ciclos econômicos."

Acertou em cheio, caro Leandro. A Verdade Liberta.

Este artigo deveria ser publicada em inglês, espanhol e francês ... e até em norte-coreano e chinês, para o mundo todo via internet.

Abraços.

Responder
Leandro 28/06/2013 22:51:16

Obrigado pelo reconhecimento, caro Eliel. Grande abraço!

Responder
Dercio 29/06/2013 03:29:05

Me arrependi amargamente de ter lido o excelente artigo. a ignorância é uma benção em vários casos pois mantinha a esperança. Ou, para mim, agora, era uma benção...

Parabéns, não conhecia os seus artigos e me tornarei leitor assíduo, aniquilando, de vez, a benção da ignorância para surgir a inquietude do saber!!!

Responder
Luiz 29/06/2013 14:40:32


Leandro, muito boa análise, mas a grande pergunta fica aberta:

Se a população não vai as ruas, o que vcs acham que aconteceria?

Responder
Anonimo3 29/06/2013 17:15:35

O que vocês acham do documentário:
"A doutrina do Choque"(The shock doctrine)

Responder
Amilton Aquino 29/06/2013 18:42:31

Parabéns Leandro! Tenho aprendido bastante e tenho compartilhado meus conhecimentos no meu blog visaopanoramica.net . Recentemente escrevi um artigo sobre este assunto com uma impressão semelhante. Como meu público não é tão especializado, tento passar alguns fundamentos da Escola Austríaca de uma forma quase didática. O interessante é que sempre tive um certo preconceito com a Escola Austríaca. Certamente por sempre tentar fugir de extremismos. Até que um dia recebi um link de um internauta indicando um artigo do Mises. A medida em que lia, era como se tivesse encontrado a teoria para intuições que eu já tinha. Hoje fico admirado como a ignorância no meio econômico pode resistir aos argumentos da Escola Austríaca.

Responder
Samir Jorge 30/06/2013 11:56:46

Sensacional este artigo. A aventura do diagnóstico não é fácil, no entanto permite ao indivíduo identificar seu inimigo.

Responder
Renê 01/07/2013 01:29:48

Leandro

Mas e qual é a alternativa à democracia?
E se há, seria aceita atualmente?

Responder
Leandro 01/07/2013 12:59:29

Prezado Renê, embora eu faça coro à resposta do Ali Babá logo abaixo, quero deixar claro que meu objetivo como economista é apenas o de explicar quais são as consequências econômicas inevitáveis de um arranjo democrático. Se há outros arranjos plausíveis ou até mesmo se o povo apóia estes outros arranjos é uma questão secundária para o economista. A função do economista é explicar as consequências econômicas de um determinado arranjo.

E o arranjo democrático sempre leva a um aumento das intervenções estatais. Sempre. Não há exceções. O que varia é apenas a velocidade com que este aumento ocorre. Na América Latina ele tem sido assustadoramente rápido. Na Suíça, menos. Nas economias do Sudeste Asiático, que não são lá muito chegadas a democracia -- mas que prendem quem cospe na calçada e masca chicletes (como em Cingapura) --, a coisa tem estado mais contida.

Cada um que fique com suas preferências.

Grande abraço!

Responder
Marcos 01/07/2013 13:14:23

Como que para ilustrar isso que o Leandro acabou de dizer...

Bachelet promete educação gratuita se voltar à presidência do Chile

Projeções indicam que candidata pode vencer eleição no primeiro turno

Ao menos na América Latina, não tem pra onde correr, meus caros. Aqui você é obrigado a sustentar marmanjo.

Responder
Andre 01/07/2013 13:50:53

Socialista é tudo psicopata e retardado mesmo.

Se as pessoas que atualmente proveem educação paga no Chile obtêm GRANDES LUCROS
então o que as outras pessoas estão esperando pra abrir mais centros
de educação a aproveitar essa demanda em alta e obterem também grandes lucros
cobrando um pouco menos que os empresários atuais?

Ah, lembrei são socialistas, seus argumentos não têm correlação com a realidade nem lógica. Só apelam para as emoções dos idiotas úteis pra chegarem ao poder com promessas que NUNCA foram e NUNCA serão cumpridas.

Responder
Ali Baba 01/07/2013 12:17:12

@Renê,

A alternativa é o anarcocapitalismo. Tem uma seção dedicada no site o para tratar do tema: www.mises.org.br/Subject.aspx?id=16

Responder
Rodrigo 01/07/2013 13:57:17

Leandro,

Na sua opinião, a TACE pode pode ser uma ferramenta importante para a orientação do empreendedor?

Já vi muita gente falando de seu uso para o investidor, mas nunca tive a oportunidade de ver alguma discussão centrada na figura do empreendedor (não como protagonista do processo econômico, mas como consumidor da teoria enquanto ferramenta de planejamento e tomada de decisão).

Um abraço!

Responder
Leandro 01/07/2013 15:22:12

Prezado Rodrigo, a questão é que, mesmo que você seja um empreendedor totalmente ciente da teoria dos ciclos econômicos, você não poderá se dar ao luxo de ficar de fora da farra permitida pela expansão do crédito. Você sabe que a coisa vai dar errado, mas mesmo assim terá de participar, pois, caso fique de fora, você será demolido pelos seus concorrentes, perderá fatia de mercado, perderá receitas e poderá quebrar antes deles.

Ou seja, durante uma expansão creditícia, aquele empreendedor que se reprimir e não embarcar na euforia -- porque sabe que vai dar errado -- simplesmente irá perder uma importante fatia de mercado. Logo, mesmo os empreendedores mais comedidos e totalmente versados na teoria austríaca acabam sendo obrigados a entrar na farra. Se não o fizerem, seus concorrentes agradecerão, tomarão seus clientes e, com isso, poderão até tirá-lo do mercado antes da recessão. Você simplesmente não pode se dar ao luxo de correr este risco.

Esta é a nocividade de uma expansão creditícia. Ela inevitavelmente pune os prudentes, de um jeito ou de outro.

Fora isso, você também nada pode fazer contra a subida dos preços, pois existe apenas uma moeda, ela é monopólio do estado e sua aceitação é obrigatória. Simplesmente não há para onde correr. Empreendedores prudentes serão punidos por sua frugalidade e contenção. Este sistema monetário praticamente obriga os sensatos a se juntarem aos desatinados.

Responder
Pedro 02/07/2013 01:02:37

Isso é também conhecido como o Dilema do Prisioneiro.

Sem falar que esses booms artificiais também são uma ótima oportunidade para ganhar dinheiro, especialmente para aquele investidor que tem conhecimento da TACE. Entrar e sair na hora certa pode render uma pequena fortuna até para um pequeno investidor.

Em outras palavras, não há motivos para ficar fora do jogo.

Responder
Leandro 02/07/2013 01:32:55

Correto. Mas o timing do cara tem de ser muito bom. Caso contrário, pode ser fatal. Por exemplo, o setor imobiliário. Quem começou a construir no primeiro semestre de 2009, quando os salários do setor estavam em queda e o desemprego aumentando, e vendeu tudo no final de 2011, ápice da bolha, se deu muito bem. Já quem começou a construir em 2011 pra vender agora se estrepou.

Responder
Juliano 01/07/2013 18:10:51

O pior é perceber como não conseguimos aprender com os erros. Parece que o único setor da sociedade que consegue se reinventar para manter os privilégios é a classe política.

Consegue manter as mesmas promessas de sempre, por piores que sejam os resultados, e o apoio é sempre constante. A realidade poder teimar em mostrar as mentiras, mas a população prefere continuar sendo enganada. Todo o progresso tecnológico não conseguiu atacar esse fantasma. Pior, parece que ele está cada vez mais forte.

Responder
Lorenzo 01/07/2013 21:24:41

Parabéns pelo artigo, Leandro! Excelente! Faço coro aos pedidos do livro sobre economia brasileira! Mais um material para estudar pra ANPEC... rsrs

Responder
Zeca 01/07/2013 22:11:37

Prezado Leandro,

Excelente texto. Eu até complementaria com o seguinte: Se o povo nas ruas deseja menos corrupção - Então que defendam menos Estado e menos políticos.

Responder
Daniel 02/07/2013 13:38:47

Senhores, vejam esse texto, parece quem em Santiago no Chile o livre comércio não deu certo, é isso mesmo?

"No início dos anos 90, um sistema de mercado aberto foi criado, com rotas disponíveis a venda; isto resultou em melhorias em termos de freqüência e cobertura. Entretanto, isto levou a um crescimento descontrolado na frota de ônibus, o que por sua vez, causou maiores engarrafamentos, poluição e tempos de viagem mais longos.

Em 2000, o sistema de transporte estava sendo operado por mais de 3.000 micro negócios (com uma média de 2 ônibus cada), consistindo de donos de ônibus organizados em associações. Mais de 7.000 estavam em circulação, cobrindo 323 rotas de transporte.

Estas companhias, quer eram informais e ineficientes, tem agido com "recrutadores". Donos de ônibus contratam motoristas, mantém seus veículos, e coletam suas receitas diárias através da venda de tarifas.

Nenhuma economia de escala pode ser alcançada operando desta maneira.

As leis de emprego são frequentemente quebradas; além do mais algumas das reclamações mais comuns relatam motoristas de ônibus sendo empregados de maneira casual, sem seguro social, e com a expectativa de trabalhar horas excessivas. Uma proporção significante dos salários dos motoristas está diretamente ligada à receita da tarifa, então existe uma competição ferrenha e até mesmo "rachas" para "capturar" passageiros. Esta situação é similar a "guerra del centavo" que ocorreu em Bogotá, Colômbia anteriormente a implementação do sistema Transmilênio.

Embora a legislação requer equipamento de bilhetagem eletrônica ou uma pessoa para relaizar essa função, na realidade é o motorista doônibus que recolhe as tarifas. Consequentemente, os motoristas são vítimas de assaltos (ocasionalmente fatais), o que criou um medo alarmante de crimes entre os passageiros.

Este é o cenário antes das mudanças no sistema de transporte público em Santiago de Chile. Originalmente chamado de PTUS (Plano de Transporte Urbano de Santiago), este programa é atualmente conhecido como Transantiago."

www.sistemaredes.org.br/oficial/artigos.asp?codConteudo=303

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Leandro 02/07/2013 13:56:00

Prezado Daniel, atenção aos termos. Livre comércio significa liberdade de transações comerciais entre dois países. Sistema de transportes, seja ele o de Santiago ou o de Teresina, não é algo que possa ser classificado dentro da rubrica "livre comércio".

Entendido isso, nada posso comentar especificamente sobre o sistema de transportes de Santiago, pois desconheço como ele funciona e não sei se este relato -- bastante ideológico -- está realmente correto. O que posso dizer é que há sim uma chance de que uma total liberalização do transporte urbano gere, de início, algum caos. A questão do trânsito é perfeitamente explicável não por Teoria dos Jogos, mas sim pelo conceito de 'indústrias de rede'.

Indústrias de rede são aqueles setores cujo bom desempenho depende essencialmente da utilização de infraestruturas físicas (as redes). A expressão indústria de rede advém do fato de que há um fluxo, uma corrente, circulando por uma rede. No caso do seu exemplo específico, o fluxo representa os elementos móveis dessa rede (os carros), e as ruas seriam as respectivas redes. A eficiência de toda uma rede depende inteiramente da qualidade da coordenação que há entre a rede e o fluxo.

No caso do trânsito, temos uma situação em que o fluxo aumenta continuamente, mas a rede continuar obsoleta. Em outras palavras, o número de carros sobe, mas o espaço físico -- as ruas, totalmente sob controle estatal -- continuam exatamente como são.

Ruas nada mais são do que um bem escasso (espaço físico) ofertado a prezo zero. Quando um bem escasso é ofertado a preço zero o resultado, obviamente, é a escassez. No caso do trânsito, escassez de espaço significa engarrafamento.

O resultado, portanto, é um enorme atrito entre fluxo e rede. Pode ocorrer de os engarrafamentos irritarem as pessoas ao ponto de eles clamarem por mais intervenções estatais para corrigir as distorções causadas por um monopólio estatal. Exatamente o que você advoga.

Mas também pode ocorrer de as pessoas preferirem deixar seus carros em casa e passar a utilizar outros meios de transporte, apostando, por exemplo, na melhoria dos serviços de táxi ou de ônibus. Só que tudo pode, no final, acabar dando na mesma. Tem de ver se vai compensar, em termos de gastos, o cidadão deixar o carro em casa e pegar táxi para ir e voltar do trabalho (duas viagens). Dado que há muitos que costumam voltar em casa para almoçar (quatro viagens), é difícil afirmar com certeza que o trânsito vá melhorar.

Para cada sujeito que deixar seu carro em casa teria de haver ou um aumento proporcional no número de táxis e ônibus ou um aumento da circulação (refiro-me ao número de viagens de cada veículo) de cada táxi, pois agora a demanda estará em todo lugar. Eu realmente não sei o que pode acontecer.

Responder
Marcos 03/07/2013 16:38:25

Ótimo artigo. O brasileiro é um povo que despreza o conhecimento. Esses manifestantes incapazes de procurar respostas para os problemas que sofrem. Sair na rua e gritar palavras de ordem é muito mais fácil do que ler páginas e páginas com o intuito de tentar entender a situação e propor alternativas. O resultado é isso que está acontecendo hoje. Não há nenhuma base sólida para que haja as mudanças que poderiam melhorar a situação do Brasil.

Minha única esperança é que quando ficar claro que a revolta não vai dar em nada, ao menos uma percentagem dos insatisfeitos perceba isso e se debruce sobre os livros para tentar realmente fazer alguma diferença.

Se protestos dessem certo por si só a Argentina não estaria nesse mergulho sem fim no poço do subdesenvolvimento. Engraçado é que o brasileiro sempre fala do argentino como se isso fosse uma vantagem, mas é incapaz de perceber as consequências objetivas desse tipo de comportamento.

Responder
Daniel 02/07/2013 14:04:23

Muito obrigado Leandro,

achei esse artigo também:
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1365

Responder
Henrique Lourenco 02/07/2013 21:42:22

Fantástico artigo, foi direto para minha página do Facebook. Espero que os iludidos leiam e percebam que há muita realidade por detrás das sombras da caverna.

Responder
Renan Fernandez 03/07/2013 21:28:24

Texto impecável.

Responder
Leandro 03/07/2013 22:38:37

Muito agradecido, Renan. Abraços!

Responder
Carlos 03/07/2013 23:58:22

Ótimo artigo.


No dia-a-dia vejo pessoas a falar deste ou daquele político corrupto e....blá,blá,blá.....,sequer percebem que nossa sociedade é tão corrupta quanto...

"Não existem almoços grátis!"
Pura verdade.

Assim como acontece mundo afora aqui não é diferente.Cidadãos se corromperam ao "dinheiro fácil".
Fartaram-se com Carros,casas,peitos de silicone,tv's e todo o tipo de quinquilharias...tudo com dinheiro emprestado...

Pessoas de minha convivência sempre regurgitam o que ouvem por aí: o problema é EDUCAÇÃO! Papo mais furado!

Os principais pontos são : CRISE MORAL aguda e CRISE DE PERCEPÇÃO mais aguda ainda!

Por isso se vê o esforço,principalmente das mídias "convencionais" em destruir a base familiar,pois ela é a base fundamental de uma sociedade sadia.Assim vai para o ralo juntamente com ela a base moral.

Sem base familiar = sem base moral.Se não há valores sólidos moldando o caráter das pessoas de tal sociedade >>>> CRISE DE PERCEPÇÃO.

Não me lembro se foi aqui,mas li em algum lugar:
Escola não educa ninguém.Quem educa é a família.A escola instrui.
100% verdade.

Houve um caso anos atrás de um juiz que "torrou" à queima roupa um segurança de um supermercado porque não quis deixá-lo entrar no estabelecimento pois já estava fechado.

Não me canso de citar este caso.

Por Deus! Isto é ou não é crise moral?É ou não é crise de percepção?
Por Deus! Este show de horrores é um problema de escola?De universidades?De diplomas?

No tempo do meu avô,ele mesmo diz,não se tinha esta quantidade de universidades nem escolas e sequer tinham UM CENTÉSIMO dos problemas que atravessamos hoje!



Obrigado Leandro pelo excelente artigo.



Responder
Alexandre Conte 04/07/2013 10:59:10

Olá Leandro,

Estou de pleno acordo com seu artigo, mas gostaria de salientar, e de pedir para você analisar o seguinte conteúdo.

À economia mundial é controlada á muito tempo por uma unica família no mundo À FAMÍLIA ROTHSCHILD, foram eles quem introduziram os bancos centrais, as políticas de expansão monetária, e de certo modo á oposição de sistemas de governo ( capitalismo versus socialismo ). Gostaria de ver um artigo seu á respeito desse tema. Quando os EUA estavam em formação, quando gente como Carnigie, Vanderbilt, J.P.Morgan, entre outros se empenharam para trazer desenvolvimento e investiram na construção, ainda que na época precária, de uma sociedade livre os Rothschild se empenharam em destruí-la, pois é mais fácil controlar um governante do que controlar um empreendedor.


ATT.


Alexandre Conte

Responder
Leandro 04/07/2013 13:24:06

Essa é uma teoria da conspiração bastante popular. Segundo seus adeptos, todos os bancos centrais seriam secretamente comandados pela dinastia Rothschild, a qual controlaria também a ONU, o FMI, o Banco Mundial, a Comissão Trilateral, o CFR, o grupo Bilderberg e até o Greenpeace.

Teorias à parte, o fato concreto é que quem realmente tem um enorme poder mundial é a família Rockefeller, mais especificamente David Rockefeller. Ele é o real fundador da Comissão Trilateral e é o membro mais reverenciado do CFR. Segundo o Gary North, ele é o membro número 1 da Superclasse (os ricaços que estão no topo da hierarquia mundial). Ninguém chega perto dele neste quesito.

Quanto aos Rothschild, como eles foram os pioneiros europeus do moderno sistema bancário europeu, tendo filiais em vários países, eles se tornaram alvos fáceis de teorias conspiratórias.

Como sou sempre o último a descartar conspirações (interesso-me pelos fatos da conspiração, e não pelas teorias), reservo-me por enquanto a confortável posição de mero espectador deste embate. Por conseguinte, ainda não tenho posição formada sobre o assunto -- aliás, pobre de mim, sequer tenho as "inside informations" necessárias para formar qualquer opinião.

Eis o que já disse o Gary North sobre os Rothschild:

"The Rothschilds have lots of money. Their banking establishments deal with the super rich, not the public. They wisely seek no publicity. They are major players in finance. Branches of the family have their own fiefdoms in finance. I met one of them once 25 years ago. His branch got 5% off the top of European firms coming into central America, he told me. He was learning the ropes."

Responder
Brasileiro puro 05/07/2013 21:39:21

Vou então explicar ao povo brasileiro como funciona.

Ação-Reação-Solução. É aqui onde queriam chegar. Tomar o Brasil de vez, torná-lo um país como Cuba e Venezuela.

Como? Constituinte. Mudança da lei. Eles nunca mais sairão do poder se forem aprovados. E o povo? Escravidão "eterna".

Precisavam do Povo empolgado, com "sede" de mudança. Conseguiram. Todos caíram num belo jogo. Eu sempre falei em casa. Agente ainda vai ver, qual foi o objetivo do PT de começar estas manifestações. Tai ... Constituinte. Estão preparando o golpe.

Se querem ainda que o Brasil seja livre, lutem contra a Constituinte, e a saída do PT imediatamente. Chamem pelas forças armadas porque todos os bandidos estão no poder. Vamos pras ruas chamar as forças armadas agora mesmo.

Constituinte é a morte do Brasil. Eternamente.

Divulguem, espalhem. Se ainda alguma coisa na sua vida vale à pena. Divulguem. Acordem. Pois talvez "não der para voltar para trás". O meu Deus, mostra sua compaixão por nós. Envergonha essa corja que está no poder. Derruba eles. E nos proteja de todo mal. Que seja feita a tua vontade.

...

Responder
Randalf 08/07/2013 16:06:54

Leandro, penso que foi neste site que vi que a constituição argentina era muito parecida com a constituição americana. Mas eu procurei, e a constituição argentina de 1826 nem reconhece propriedade privada ("Artigo 2 - Nunca haverá a propriedade de uma pessoa ou de uma família." - Constituição Argentina de 1826).
Não se importa de me fornecer mais informações acerca deste assunto, ou indicar uma referência onde possa ficar esclarecido?

Responder
Leandro 08/07/2013 16:32:25

Certamente não foi de mim que veio tal informação. Não tenho nenhum conhecimento acerca da Constituição argentina e nem nunca falei nada a respeito. Também desconheço artigos a respeito. Certamente nunca traduzi nenhum assim. Desculpe.

Responder
Randalf 08/07/2013 17:06:06

Página 13 do livro "Let Freedom Ring", no tema "Imitations unsuccessful": library.mises.org/books/Leonard%20E%20Read/Let%20Freedom%20Reign%20-%20Digital%20Book.pdf

ou então:
procure na página 1 de "www.libertyfund.org/downloads/AW13DigitalCatalog.pdf", no tema "Liberal Thought In Argentina, 1837–1940".

Pensei que tinha visto aqui algo sobre a Constituição Argentina. No entanto, já descobri que a constituição liberal que é referida como a próxima à Americana, é a de 1853.
Obrigado na mesma.

Responder
Rhyan 27/07/2013 14:05:23

Leandro, saindo do tema do artigo, rolou um debate sobre aumento de crédito imobiliário no Brasil e ciclos econômicos no facebook. Alguns diziam que uma bolha vai estourar em torno de 2015, outros duvidam. "Austríacos estão sempre falando em crise, por isso não são levados à sério. Uma hora acerta mesmo".

Minhas perguntas são: Em que fase do ciclo o Brasil está? Vai acontecer mesmo um estouro na bolha imobiliária brasileira? Como saber identificar bem as fases dos ciclos econômicos?

Obrigado!

Responder
Leandro 27/07/2013 14:11:07

Estouro já houve. Imóveis estão sendo vendidos com desconto por todo o país, outros estão encalhados, o balancete das construtoras está apertado e as promoções estão por todos os lados. Só que, como os indicadores de preços divulgados pelas estatísticas oficiais computam apenas os valores divulgados pelas imobiliárias -- e não os valores pelos quais os imóveis são realmente vendidos --, esta queda de preços não é divulgada. Fala-se apenas em "ofertas". (No final de 2011, um apartamento no meu prédio chegou a ser cotado em R$900 mil. Atualmente, ninguém consegue vender por mais de R$750 mil, mas continua-se divulgando o valor de R$900 mil.)

Veja este vídeo, que é bem emblemático:




Sobre o crédito imobiliário, a imprensa fez uma fuzarca esta semana dizendo que as concessões no primeiro semestre deste ano foram recorde. Sim, o valor da concessão foi recorde. Mas ignoraram os valores quitados. O fato é que a taxa de crescimento do crédito imobiliário, que havia chegado a 51% ao ano em 2010, está hoje em 35%. Ainda está alto, é claro, mas a desaceleração é patente. E se há desaceleração na concessão de crédito, há desaquecimento. Como já expliquei em detalhes este mecanismo em pelo menos 4 artigos, não vou cansá-lo repetindo aqui novamente

Quanto a austríacos que fizeram previsões catastrofistas, obviamente não posso me responsabilizar por eles. Sou responsável apenas por aquilo que eu falo. E eu sempre disse que o estouro da bolha brasileira não teria absolutamente nenhuma semelhança ao estouro da bolha americana. Repisei isso continuamente em todos os artigos e comentários que escrevi neste site. Nunca disse que a queda de preços nos imóveis levaria a calotes que por sua vez afetariam o sistema bancário. Se outras pessoas falaram isso, não é problema meu; não posso ser responsabilizado. Sempre me limitei a dizer apenas como seria a trajetória dos preços. Fiz o primeiro alerta em fevereiro de 2010. De lá pra cá, modéstia à parte, foi tudo de acordo com o previsto.

Após assistir ao vídeo acima, dê uma olha neste site. Ele é interessante porque faz uma coleta de todas as notícias do setor. Ignore apenas o sensacionalismo dos títulos, e concentre-se apenas nas notícias.

www.observadordomercado.blogspot.com.br/

Abraços!

Responder
Rhyan 27/07/2013 18:13:54

Muito obrigado!

Foi em cima dessa notícia de recorde nas concessões mesmo que começou toda discussão.

Muito bom esse vídeo. Vou dar uma olhada nesse site. Vou reler alguns artigos também.

Abraço!

Responder
Rafael de Souza 08/11/2013 21:35:09

Boa tarde,

Me surgiu uma dúvida ao ler o seu artigo. Se o dinheiro emprestado pelos bancos (dígitos eletrônicos) na verdade são mera fantasia pois não há um real aumento de riqueza.. porque os bancos deixam de emprestar dinheiro após um período de inadimplência se o dinheiro na verdade nem existe?

Parabéns pelo artigo.

Abraço!

Responder
Leandro 08/11/2013 22:59:02

Essa é uma dúvida extremamente comum. As pessoas creem que, só porque os bancos podem criar dígitos eletrônicos do nada, eles também estão totalmente alheios às regras da contabilidade.

Mas não. A realidade contábil -- mais especificamente, o método das partidas dobradas -- também se aplica aos bancos.

Quando um banco concede um empréstimo, ele vai ao seu balancete e cria duas entradas: um ativo e um passivo. Suponha que o empréstimo seja de $100.000. Logo, haverá duas entradas em seu balancete: $100.000 no lado dos ativos (crédito concedido) e $100.000 no lado do passivo (conta-corrente aberta).

Assim que o tomador de empréstimo gastar seu dinheiro, o valor criado na conta-corrente (passivo) cai para zero e o total de reservas (ativo) deste banco será subtraído deste mesmo valor.

Ou seja, o banco perdeu $100.000 de suas reservas. Agora há apenas uma entrada na coluna de ativos escrita "ativos a receber".

E é agora que vem o momento decisivo: se o empréstimo for quitado, o principal ($100.000) volta para as reservas bancárias e o juro cobrado vai para o capital do banco (patrimônio líquido). Ou seja, o banco aumentou seu patrimônio.

Porém, se houver calote, o banco terá perdido $100.000. Seu patrimônio líquido terá decrescido $100.000.

Ou seja: se houver inúmeros calotes, o banco tecnicamente irá à falência, pois seu patrimônio líquido ficará negativo (ele terá zero de ativos e vários passivos).

Conclusão:

1) Uma coisa é os bancos criarem dígitos para emprestar (isso eles podem fazer). Outra coisa é os bancos criarem dígitos para compor seu patrimônio líquido. Isso é contabilmente impossível.

2) Todos os dígitos que os bancos criam afetam igualmente seu ativo e seu passivo. É contabilmente impossível um banco criar dígitos e enviá-los diretamente para o seu patrimônio líquido.

Responder
Andre 27/02/2014 16:42:38

exame.abril.com.br/mundo/noticias/formula-matematica-previu-atual-onda-de-protestos-ha-um-ano

Interessante essa análise mostrando que quando o preço da comida aumenta ocorrem as crises.

Claro que bastaria os governos reduzirem os controles da agricultura, e da economia em geral, para que possamos produzir mais comida.
Pois como sempre nos países com maior liberdade econômica não houveram crises:
www.heritage.org/index/ranking

Responder
Matias 09/03/2015 12:11:33

O artigo continua muito atual!! Vamos ter um repeteco dia 15?

Responder
Gustavo 25/04/2016 12:50:35

Leandro uma dúvida sobre a situação da expansão monetária do FED no pós-crise de 2008. Como vc já bem explicou, como a injeção de dinheiro ocorreu em bancos privados, não houve inflação, por motivos que vc já explicou tbm.

Então pergunto: nos EUA e na UE não existem bancos estilo CEF, BB e BNDES? Imagino que se isso exista, os governos não poderiam ter imitado o Brasil e se utilizar deles para expandir a oferta?

Responder
Leandro 25/04/2016 13:16:38

"Nos EUA e na UE não existem bancos estilo CEF, BB e BNDES?"

Nos EUA, não. Na UE, há alguns bancos estatais. Mas não são destrambelhados quanto os daqui. Visam ao lucro e não a agradar os políticos de turno.

"Imagino que se isso exista, os governos não poderiam ter imitado o Brasil e se utilizar deles para expandir a oferta?"

Não.

Em primeiro lugar, mesmo os juros dos bancos privados lá são muito menores que os juros dos bancos estatais aqui.

Em segundo lugar, não há muito espaço para a redução desses juros, pois eles já estão nas mínimas históricas.

Em terceiro lugar, e acima de tudo, é impossível conceder crédito se as pessoas não estão dispostas a tomar crédito. Para o crédito se expandir, as pessoas têm de estar dispostas a se endividar. E só está disposto a se endividar quem realmente vê boas perspectivas futuras, tanto em termos de emprego quanto de renda.

Ou seja, é impossível empurrar crédito goela abaixo das pessoas, por mais que você reduza os juros. A prática está comprovando essa teoria.

Responder
Gustavo 25/04/2016 13:29:40

Qual a diferença entre os bancos públicos daqui e da UE que permite que lá eles não sejam utilizados para fins sórdidos que nem no Brasil? Supondo um cenário que nem o brasileiro com juros altos.

Responder
Basileia 25/04/2016 18:28:07

Lá a gestão é profissional (ao contrário daqui, em que os altos cargos são indicados por partidos políticos), sua política de crédito não é determinada pelo Tesouro e nem pelo partido que está no poder, eles não recebem subsídios para conceder empréstimos a taxas menores que os bancos privados, e eles estão voltados para o lucro.

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