Os erros de Keynes
por , sexta-feira, 7 de junho de 2013

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keynes.jpgA Escola Austríaca de economia já forneceu ao mundo devastadoras críticas à obra magna de Keynes, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (doravante Teoria Geral).  Friedrich A. von Hayek, Jacques Rueff, Henry Hazlitt, Murray Rothbard, Ludwig Lachmann, Ludwig von Mises e William Hutt já contribuíram com importantes e sólidos argumentos contra Keynes e o keynesianismo.

Para o júbilo dos defensores da liberdade, podemos agora acrescentar um novo nome a esta distinta lista.  Em 2012, o espanhol Juan Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana, professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri, e graduado sob a orientação de Jesús Huerta de Soto, publicou uma nova crítica à Teoria Geral com o título de Los Errores de la Vieja Economía em homenagem à obra de Henry Hazlitt intitulada The Failure of the 'New Economics'.

Na época de Hazlitt, o programa de Keynes ainda era revolucionário e foi descrito por Hazlitt como sendo um tipo de "Nova Economia" que rompia com as constatações da economia clássica, e especialmente com a Lei de Say.  Hoje, o keynesianismo já se tornou a corrente dominante.  O keynesianismo, e mais especificamente a sua ideia de que os gastos do governo reduzem o desemprego, é o programa majoritariamente ensinado nas universidades, jubilosamente aplicado por políticos (pode haver coisa melhor do que um economista dizendo a um político que ele tem de gastar mais?) e proeminentemente defendido pelo vencedor do Prêmio Nobel de 2008, Paul Krugman.

Com efeito, a imediata resposta política à atual crise financeira do mundo ocidental foi inspirada pela Teoria Geral.  Uma segunda Grande Depressão tinha de ser evitada, diziam os economistas, e as ideias de Keynes foram aplicadas.  Os governos então adotaram uma política monetária expansionista combinada a volumosos estímulos fiscais, e tudo em resposta àquilo que, aos olhos de Krugman, parecia ser uma bolha causada pela 'especulação temerária estimulada pelo mercado', fenômeno este que havia sido inspirado pelo "espírito animal" dos agentes de mercado. 

Sendo assim, ainda que o livro de Rallo fosse apenas um resumo dos velhos argumentos apresentados contra a Teoria Geral, o momento para a sua publicação seria mais do que apropriado, já que as ideias do passado ainda são a prática do presente.  No entanto, Los Errores de la Vieja Economía é muito mais do que um mero sumário e síntese dos argumentos expostos pelo supracitados autores austríacos.  Rallo aproveita, combina e aprimora estes argumentos de uma maneira metódica e ordenada.  Ainda mais importante, ele acrescenta suas próprias e inovadoras ideias para, no final, produzir um argumento devastador contra a Teoria Geral.

A crítica de Rallo à Teoria Geral utilizando a teoria austríaca é rigorosa, sistemática e profunda.  Importante ressaltar que as ideias de Keynes não são em nenhum momento do livro distorcidas ou mal interpretadas.  A completa ausência de espantalhos faz com que o ataque desferido por Rallo ao cerne das crenças keynesianas seja mais forte e poderoso do que o de seus pares.  Rallo também não sai à procura de contradições e inconsistências terminológicas.  Neste sentido, a crítica de Rallo é ainda mais profunda e devastadora do que, por exemplo, os trechos do brilhante livro de Henry Hazlitt que enfatizam as inconsistências, as imprecisões e toda a falta de clareza de Keynes.  Rallo possui um grande e genuíno interesse em fornecer um retrato claro e coerente do raciocínio de Keynes e, por isso, apresenta a teoria keynesiana sob uma luz extremamente favorável.

Vejamos agora alguns dos argumentos de Rallo, começando pela famosa crítica feita por Keynes à Lei de Say.  Para começar, Keynes distorceu a Lei de Say, e esta versão distorcida, que aparece na Teoria Geral, afirma que a oferta cria sua própria demanda.  Rallo corrige essa distorção e descreve a Lei de Say em sua versão original: no longo prazo, a oferta de bens se ajusta à demanda por eles.  Em última análise, bens são ofertados porque o indivíduo quer adquirir outros bens (entre eles, o dinheiro).  Um indivíduo produz com o intuito de demandar, o que significa que é impossível haver um excesso de produção.

A Lei de Say nos leva diretamente ao mais inovador argumento do livro de Rallo, que aborda a velha crítica ao entesouramento.  Até mesmo alguns severos críticos de Keynes — por exemplo, o pessoal do campo monetarista ou neoclássico — admitem que ele ao menos estava correto na questão de que o entesouramento — mais especificamente, o ato de guardar dinheiro dentro da gaveta — é uma atividade perigosa e desestabilizadora.

Rallo, no entanto, demonstra, comprova e enfatiza a função social do entesouramento.  Se as pessoas estão demandando dinheiro — isto é, se elas estão aumentando a quantidade de dinheiro vivo em seus encaixes — isso não significa que elas não estão demandando nada do mercado.  O entesouramento é uma reação natural dos poupadores e dos consumidores a uma estrutura de produção que não está se ajustando às suas reais necessidades.  Trata-se de um sinal de protesto enviado aos empreendedores: "Por favor, ofertem-nos outros bens de consumo e de capital!  Mudem a atual estrutura de produção, pois os bens que ela nos oferece hoje não nos é adequada."

Em uma situação de grande incerteza, é mais prudente entesourar do que imobilizar fundos para o longo prazo.  Rallo nos oferece um exemplo visual.  Suponhamos que a incerteza aumente porque as pessoas estão à espera de um terremoto.  Consequentemente, elas começam a entesourar, ou seja, elas aumentam seus encaixes em dinheiro vivo, o que dá a elas mais flexibilidade.  Tal atitude é completamente racional e benéfica do ponto de vista dos participantes do mercado.  A alternativa keynesiana seria dar este dinheiro para o governo para que ele pudesse gastar.  A construção de arranha-céus estatais não apenas iria contra a vontade da maioria das pessoas prudentes, como também se comprovaria desastrosa casso o terremoto ocorresse.

Entesourar é um seguro contra incertezas futuras.  Rallo argumenta que, se a demanda por dinheiro aumentar (em termos técnicos, se a preferência por liquidez aumentar) por causa desta maior cautela, as taxas de juros de curto prazo tenderão a cair, ao passo que as de longo prazo irão subir.  As pessoas irão investir mais em ativos de curto prazo e menos em ativos de longo prazo, pois elas querem se manter líquidas.  Isso leva a um reajuste na estrutura de produção.  Mais recursos serão direcionados para a produção de bens que apresentarem maior liquidez (em um padrão-ouro, por exemplo, este bem seria o ouro), e para a produção de bens de consumo.  A estrutura de produção será alterada, apresentando agora um maior número de processos mais curtos e menos arriscados e um menor número de processos mais longos e mais arriscados.

O entesouramento, portanto, não faz com que os fatores de produção fiquem ociosos.  No cenário acima, tais fatores serão alocados para a produção de ouro e para outros projetos de curto prazo.  Rallo insiste que não é nada irracional querer entesourar.  Com efeito, quando projetos de longo prazo são mantidos e as condições econômicas se alteram, estes projetos talvez tenham de ser liquidados.  Por exemplo, o terremoto destruiria o arranha-céu que está sendo construído.

Vale observar que a maioria dos austríacos não é adepta de uma teoria híbrida que diz que a taxa de juros é determinada tanto pela preferência pela liquidez quanto pela preferência temporal.  Rallo, porém, é adepto desta teoria híbrida, e acredita que a taxa de juros, ou a estrutura das taxas de juros, é determinada tanto pela preferência temporal quanto pela preferência pela liquidez.  A maioria dos austríacos defende apenas a teoria da preferência temporal como formadora das taxas de juros.  Devido à incerteza, um agente prefere estar líquido em vez de ilíquido.  E devido à preferência temporal, um agente prefere estar mais líquido agora do que no futuro.  Consequentemente, em condições normais, os juros de curto prazo tendem a ser menores do que os juros de longo prazo.  Quando a incerteza aumenta, os juros de longo prazo tendem a ficar ainda maiores.  No entanto, em uma crise financeira, um outro efeito tende a prevalecer sobre esta tendência.  Quando a sociedade em geral se torna ilíquida — em consequência do início da crise —, surge uma maior demanda por empréstimos de curto prazo.  Esta busca por liquidez imediata tende a fazer com que os juros de curto prazo aumentem e se tornem maiores do que os juros de longo prazo.

A questão dos recursos ociosos é outro tópico importante do livro de Rallo, uma vez que Keynes recomenda a inflação monetária como forma de evitar que os fatores de produção se tornem ociosos e o desemprego aumente.  Rallo pergunta por que, em primeiro lugar, os fatores se tornaram ociosos e o desemprego aumentou?  A resposta é que os proprietários destes fatores — no caso dos bens de capital, os donos das fábricas; e no caso da mão-de-obra, os desempregados — estão demandando um preço por seus serviços que é maior do que o valor presente de seu produto marginal.  Nestas circunstâncias, a inflação monetária irá apenas gerar uma redistribuição de renda em prol dos proprietários destes fatores, em nada ajudando a reestruturar a economia — ou seja, a estrutura de produção continuará desajustada e a economia vivenciará um consumo de capital, isto é, recursos escassos continuarão sendo utilizados em linhas de produção para a qual não há mais demanda.

Por outro lado, quando os fatores de produção têm seus preços reajustados, isto é, quando os preços dos bens de capital caem e os salários diminuem até chegar ao valor de seu produto marginal, a demanda agregada não cai, como sugere Keynes.  Ao contrário: a demanda aumenta porque, em decorrência do maior número de pessoas agora empregadas e do maior nível de investimentos em decorrência da queda no preço das máquinas, a produção total da economia também aumenta.

Rallo ataca impiedosamente outros conceitos keynesianos.  O famoso "multiplicador do investimento" é uma das vítimas.  Segundo esta teoria, um aumento unitário no volume de investimento de uma economia provoca ondas sucessivas de aumento da renda, cuja dimensão depende da propensão marginal a consumir ou poupar.  Esta teoria requer que todos os fatores de produção estejam apresentando alguma ociosidade.  Mais especificamente, para Keynes estar correto, é necessário que haja desemprego voluntário de todos os fatores de produção e que também haja capacidade ociosa nas indústrias de bens de consumo. 

Vejamos.  Se não houver desemprego voluntário de todos os fatores, o estímulo governamental a novos projetos de investimentos irá gerar apenas gargalos, uma vez que fatores de produção serão retirados de outros projetos mais lucrativos e direcionados para projetos artificiais.  Os keynesianos concordam com isso.  Se todos os tipos de fatores de produção estiverem apresentando alguma ociosidade, mas não houver mais capacidade produtiva nas indústrias de bens de consumo, então estímulos governamentais irão apenas elevar os preços dos bens de consumo e encurtar a estrutura de produção, tornando-a mais voltada para o presente.  Os keynesianos também concordam com isso.  E, finalmente, se os dois fenômenos ocorrerem conjuntamente — isto é, se houver uma ociosidade geral dos fatores e houver folga na capacidade produtiva das indústrias de bens de consumo, que é o pressuposto da teoria de Keynes —, por que então não há um acordo voluntário entre os proprietários dos fatores de produção e os empreendedores?  Keynes não respondeu a essa questão, e preferiu ir diretamente para a defesa do aumento dos gastos do governo e da inflação monetária para corrigir esta situação.

Outra importante ideia keynesiana que Rallo aborda é a famosa armadilha da liquidez.  Uma armadilha da liquidez ocorre quando, em uma economia em recessão, as taxas de juros estão muito baixas.  Nesta situação, Keynes diz que a política monetária se torna inútil, pois os especuladores irão simplesmente entesourar todo o dinheiro que o governo imprimir.  Os especuladores não irão investir em títulos porque eles já estão com preços máximos (os juros são mínimos), e os preços deles irão cair quando os juros finalmente voltarem a subir.  Neste ponto, a política monetária se torna impotente e o aumento do gasto público se torna necessário para estimular a demanda agregada.

Rallo mostra que, após um período de forte crescimento artificial estimulado pela expansão do crédito, em que vários investimentos errôneos foram feitos, a economia entra em recessão quando esta expansão do crédito é reduzida em decorrência da alta dos preços (que levam a um aumento dos juros cobrados pelos bancos).  Neste cenário, os preços estão mais altos e há um endividamento generalizado das pessoas e empresas.  Consequentemente, praticamente não há demanda por novos empréstimos, mesmo que as taxas de juros sejam acentuadamente reduzidas.  Neste caso, a economia na verdade se encontra em uma armadilha de iliquidez, uma vez que indivíduos e empresas estão preocupados em aumentar sua liquidez.  Eles querem reduzir suas dívidas e não pegar mais empréstimos.  A política monetária de redução dos juros irá na realidade piorar a situação, pois com juros baixos não há incentivo para pagar antecipadamente e cancelar as dívidas (pois uma redução dos juros eleva o valor presente da dívida).  A solução para esta situação de incerteza generalizada é o entesouramento, a estabilidade das instituições, a liquidação dos investimentos ruins e a redução das dívidas.

Uma alta incerteza não implica um alto desemprego, uma vez que até mesmo sob uma alta incerteza a redução dos preços dos fatores de produção faz com que novos projetos sejam mais lucrativos.  Sob uma alta incerteza, estes projetos de investimento serão a produção de ouro (se a economia estiver em um padrão-ouro) e a produção de bens de consumo voltada para o curto prazo.

Rallo demonstra que, ao contrário do que diz a Teoria Geral, não é a oferta agregada ou a demanda agregada o que importa, mas sim a composição das duas.  Em uma depressão em que a estrutura da produção está distorcida e a economia apresenta uma "armadilha da liquidez", se a demanda agregada for estimulada pelos gastos do governo, a estrutura existente não terá como produzir os bens que os consumidores querem com mais urgência.  Logo, a solução não é mais gastos e mais endividamento, mas sim uma redução da dívida e a liquidação dos investimentos ruins para fazer com que novos e mais sensatos investimentos sejam exequíveis.

Para Keynes, por outro lado, o problema sempre será de 'demanda insuficiente'.  Sendo assim, o que deve ser feito se consumidores e investidores não quiserem comprar os produtos que as empresas estão oferecendo, preferindo poupar?  Keynes recomenda reduzir os impostos, as taxas de juros e desvalorizar a moeda.  Se isso não funcionar, o governo deve sair comprando os produtos que os consumidores não querem comprar.  Porém, pergunta Rallo, por que os consumidores e investidores deveriam comprar bens que eles não querem?

A resposta de Keynes é que, se isso não for feito, o desemprego aumentará.  E Rallo contra-argumenta: mas se uma pessoa é forçada a gastar seu salário comprando algo que ela não quer, qual seria seu incentivo para trabalhar?  Por que ela sequer deveria ter um emprego?  A alternativa a forçar as pessoas a gastar é reduzir os salários até o valor de seu produto marginal, o que elevaria a produção e a demanda.  Como demonstra Rallo, a sociedade não se torna mais rica se o governo induzir ou forçar as pessoas a comprar bens que elas não querem. 

Logo, para Rallo, eis a essência da Teoria Geral: quando as pessoas não querem comprar aquilo que está sendo produzido, o governo deveria obrigá-las a agir contra sua vontade.

As observações sobre o livro de Rallo aqui demonstradas são apenas uma pequena amostra.  Dentre outras coisas, Rallo também apresenta uma análise das principais definições inventadas por Keynes e os erros teóricos de cada uma delas (como, por exemplo, seu viés pró-consumismo).  Ele apresenta uma análise austríaca dos mercados financeiros, discutindo as inter-relações que existem entre a estrutura da curva de juros, as taxa de juros, a taxa de redesconto, a estrutura do investimento, a armadilha da liquidez e a bolsa de valores.  Ele analisa a questão dos salários reais e nominais, os ciclos econômicos, as implicações políticas dos ciclos e todos os antecessores intelectuais da Teoria Geral de Keynes, e tudo utilizando a teoria austríaca.  Também extremamente útil é o guia criado por Rallo para os leitores da Teoria Geral, que torna mais fácil e mais eficiente ler e identificar os principais erros de Keynes, capítulo por capítulo.  Como extra, no final do livro, Rallo também apresenta uma crítica ao modelo IS-LM, desenvolvido por John Hicks e Franco Modigliani, que formalizou a teoria de Keynes e que ainda é maciçamente ensinado nas universidades ao redor do mundo.

O livro de Rallo, além de repleto de observações brilhantes, é hoje a obra que fornece a mais poderosa e completa demolição dos argumentos keynesianos.  Los Errores de la Vieja Economía será, no futuro, a referência, tanto dos estudiosos quanto dos leigos, para encontrar todos os erros no pensamento de Keynes e nas políticas adotadas pelos governos.  O único ponto negativo do livro é que, por enquanto, existe apenas a versão em espanhol.  É de se esperar que a obra rapidamente seja disponibilizada em outros idiomas.


Philipp Bagus 

é professor adjunto da Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro A Tragédia do Euro.  Veja seu website.


Tradução de Leandro Roque


47 comentários
47 comentários
Caio - SP 07/06/2013 11:23:39


Que vontade de ler esse livro.

Leandro,como faço para contribuir com traduções para o site? (inglês-português)

Responder
Erivam 21/10/2015 22:19:12

Eu ajudaria fortemente também.

Responder
Antonio Galdiano 07/06/2013 12:16:44

Verifiquem, por favor, a correção dessa dedução: Se em um dado momento as pessoas optam por entesourar dinheiro em vez de investi-lo, há uma menor demanda no mercado de fundos emprestáveis, o que faz com que, por ajuste de mercado, preços destes (a taxa de juros)caia. Como investimento é uma aposta no futuro e que este é cada vez mais incerto quanto mais distante, naturalmente as pessoas atribuem mais risco aos investimentos de longo prazo, remunerando-os (sob condições econômicas normais) mais que os de curto prazo. Nesse sentido, se há uma retração de demanda no mercado de fundos emprestáveis e este é representativo da expectativa de rentabilidade futura por parte dos emprestadores, isso significa que, como um todo, os emprestadores não estão confiantes com relação à viabilidade dos investimentos futuros, e como são avessos ao risco, estão proporcionalmente agora (e pro agora eu digo o momento da decisão de entesouramento) menos propensos (menor demanda relativa aos outros tipos de investimentos) aos investimentos de longo prazo em decorrência da maior incerteza inerente aos investimentos de longo prazo, reduzindo a demanda desses fundos de longo prazo ainda mais que os fundos de curto prazo, o que reflete na elevação de seu custo (taxa de juros maior), o que provoca uma redução dos investimentos de longo prazo e portanto o perfil de risco dos investimentos da economia.

Estou correto?

Já peço desculpas pela linguagem excessivamente redundante, mas em economia é melhor ser redundante do que deixar subentendidos.

Responder
Leandro 07/06/2013 13:31:37

Este é o cerne. É exatamente por isso que o Bagus escreveu um longo parágrafo dizendo que "a maioria dos austríacos não é adepta de uma teoria híbrida que diz que a taxa de juros é determinada tanto pela preferência pela liquidez quanto pela preferência temporal."

Alguns autores afirmam que este aumento na demanda por dinheiro (entesouramento) não irá alterar a estrutura da produção, pois se a taxa de juros representa a taxa intertemporal de troca entre bens presentes (bens de consumo) e bens futuros, então a demanda por dinheiro de maneira alguma afeta essa troca. Afinal, a quantia de dinheiro que passa a ser entesourada estará sendo retirada tanto daquela quantia que seria gasta em consumo, quanto daquela quantia que seria gasta em investimentos. Logo, não há nenhum impacto a priori na proporção entre consumo e investimento -- ou seja, na taxa de juros.

Afinal, se um indivíduo passa a querer guardar mais dinheiro embaixo de seu colchão, não há razão alguma para supor que esse aumento na demanda por dinheiro irá afetar a proporção da quantidade de dinheiro que ele direciona para investimentos e a quantidade de dinheiro que ele direciona para o consumo. Tanto seu consumo quanto seu investimento irão cair, porém não há motivos para imaginar que a proporção entre ambos será alterada. O que esse aumento na demanda por moeda irá provocar é uma redução tanto nos preços nominais quanto na renda. Porém, a estrutura do capital, a renda real e a taxa de juros permanecerão inalteradas.

Agora, caso realmente essa proporção entre investimento e consumo seja alterada, então aí sim o indivíduo estaria alterando sua preferência temporal -- nesse caso, haveria alteração dos juros, e o novo formato da curva de juros iria depender exatamente de como esta proporção entre consumo e investimento foi alterada.

Responder
Caio 07/06/2013 14:12:37

Não me caiu bem a teoria híbrida da taxa de juros defendida por Rallo, ele afirma que em cenário normal a taxa de juros de longo prazo é maior que a de curto prazo, em um cenário de MUITA incerteza a taxa de juros de longo prazo tende a ser maior ainda. No entanto em um cenário de crise a taxa de curto prazo passa a ser maior em virtude da demanda por empréstimos de curto prazo.

Eis a questão, não seria a crise um ambiente de muita incerteza? Qual o acontecimento que torna um ambiente de MUITA incerteza em CRISE, e que é capaz de inverter o princípio de preferência temporal?

Responder
Leandro 07/06/2013 14:25:54

Cenário de crise seria aquele cenário imediatamente após o estouro da bolha e início da recessão. Por exemplo, final de 2008.

Neste período, que é "incerteza máxima", investidores tiram seu dinheiro de quaisquer investimentos considerados volúveis e aplicam em ativos que consideram ser seguros e muito líquidos. Alguns vão para o ouro, mas a maioria vai para títulos do governo, só que títulos de longo prazo. Por que de longo prazo? Porque eles ficam tão receosos com a atual situação depressiva da economia -- uma recessão tende a diminuir ainda mais os juros à medida que a economia afunda --, que acabam buscando refúgio em títulos de longo prazo, comprando-os à taxa de juros vigente hoje. Essa compra maciça de títulos de longo prazo faz com que os preços deles subam, e consequentemente os juros de longo prazo caiam.

Ao mesmo tempo, empresas ilíquidas precisam de empréstimos urgentes para reforçar seu caixa. Essa demanda por empréstimos de curto prazo eleva estes juros.

Logo, você tem essa combinação de juros de curto prazo altos e juros de longo prazo baixos.

Sempre deixando claro que, empiricamente, tal situação é comprovável. Sempre que a curva de juros inverte, há uma recessão vindoura. Isso foi comentado neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1539

Responder
Caio 07/06/2013 18:08:07

Então pode-se entender o seguinte:

A excessiva oferta monetária para títulos de longo prazo derruba os juros destes títulos. E por outro lado a demanda por empréstimos alimenta para cima os juros de curto prazo.

Mas ainda acho inconcebível: Por que então as empresas não solicitam empréstimos de longo prazo pagando juros menores embora suas necessidade sejam de curto prazo?

Ou qualquer especulador poderia ir a farra diante desse cenário, pegando empréstimos baratos a longo prazo, para emprestar a juros mais caros e a curto prazo?

Responder
Leandro 07/06/2013 18:45:33

Não é bem assim. Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que não há uma "excessiva oferta monetária." E isso é um paradoxo que tem de ser explicado.

Sim, é verdade que o boom foi causado pela expansão da oferta monetária, mas o fato é que, quando a crise chega, ocorre o fenômeno da contração do crédito. Não obstante haja muito dinheiro na economia em decorrência de toda a expansão monetária anterior, o fato é que indivíduos e empresas não estavam líquidos. Seu dinheiro estava investido aproveitando os juros crescentes (por que os juros crescem concomitantemente à expansão monetária foi explicado neste artigo). Com a repentina crise, todos ficam ávidos por liquidez. Não existe esta "excessiva oferta monetária". Este é o paradoxo pouco compreendido. Há muito dinheiro na economia, mas poucos estão realmente líquidos. Todo mundo está alavancado.

"Por que então as empresas não solicitam empréstimos de longo prazo pagando juros menores embora suas necessidade sejam de curto prazo?"

Por dois motivos: primeiro porque, como explico, a ordem é ficar líquido e não contrair novas dívidas de longo prazo. Segundo, porque os emprestadores, que também não estão líquidos, preferem emprestar para o governo, cuja rentabilidade é 100% garantida, a emprestar para empresas neste cenário de economia de alta incerteza. Mesmo que um empresário queira empréstimo de longo prazo, ele dificilmente conseguirá competir com os títulos do governo, que é para onde as pessoas direcionam seu dinheiro.

"Ou qualquer especulador poderia ir a farra diante desse cenário, pegando empréstimos baratos a longo prazo, para emprestar a juros mais caros e a curto prazo?"

Bom, se algum especulador conseguir a façanha de fazer exatamente o que o grande empresário do exemplo acima não conseguiu -- isto é, conseguir convencer as pessoas a dar dinheiro para ele em vez de para o governo --, então realmente ele fará a farra.

Responder
Caio 07/06/2013 19:46:51

Então pode-se concluir que o motivo de não existir arbitragem quando os juros de curto prazo se tornam maiores que os de longo, é o fato de o Governo, porto mais seguro durante a crise, absorver todos ou quase todos empréstimos a longo prazo?

Responder
Leandro 07/06/2013 20:20:39

Mas isso já é uma arbitragem. Se você domina inglês, sugiro esta curta e fácil leitura, que explica bem esse ponto.

Responder
Emerson Luis 07/06/2013 16:51:04

O tragicômico é que a maioria das pessoas associa o capitalismo com o consumismo, como se este fosse parte intrínseca daquele. Quando criticam os males do consumismo, o atribuem ao sistema de livre mercado.

Porém, o capitalismo genuíno é baseado na poupança em vez de no consumismo, conforme outros artigos do IMB mostram.

Como os defensores do livre mercado classificam o consumismo? Como socialismo, "social democracia", "capitalismo de estado", intervencionismo ou o quê?

* * *

Responder
anônimo 07/06/2013 17:39:08

Creio que, normalmente, como as três últimas opções dependendo do contexto.

Responder
Cedric 07/06/2013 17:24:55

"eis a essência da Teoria Geral: quando as pessoas não querem comprar aquilo que está sendo produzido, o governo deveria obrigá-las a agir contra sua vontade."

E isso já está em Malthus.

Responder
Eliel 07/06/2013 20:39:51

"O único ponto negativo do livro é que, por enquanto, existe apenas a versão em espanhol."

Melhor pra nós deste lado de cá, latino americanos.
A propósito, é o ressurgimento da Escola de Salamanca?
Melhor mesmo é assistir à entrevista de Rallo:

"Los errores de la vieja economía"
Entrevista a Juan Ramón Rallo grabada en la sede del
Instituto Juan de Mariana el 15/12/2012



Espero ter acertado na inclusão do vídeo. De qualquer forma é só entrar com o nome Rallo em buscar na página www.juandemariana.org.

Abraços.

Responder
Vítor Jó 07/06/2013 21:04:40

Como poderia adquirir esse livro? Só esse texto pequeno já é assustador!
Vontade de chorar. Curso economia numa universidade brasileira. Keynesianismo puro!

Responder
Paulo Kogos 07/06/2013 21:12:17

quando vi que o artigo se chama Os Erros de Keynes tirei da rede sem fio e liguei no cabo q tem velocidade maior, pra poder carregar páginas gigantescas hehe

ta mto bom esse artigo, parabéns ao Bagus que resumiu os principais erros desse mocorongo de forma sucinta e clara

Responder
Eliel 07/06/2013 23:42:56

Muito agradecido ao Mauro.
Abraços.

Responder
MT419 08/06/2013 15:02:11

numa prova de economia para o direito, questionei varias ideias keynesianas apresentando os argumentos encontrados nesse fantástico site.

ja sabendo das consequências , rsss tirei nota baixa...

alguem ja conseguiu apresentar alguma defesa contra as ideias keynesianas em alguma faculdade no Brasil?
o bibliografia que o professor passou é de 2004 (cheia de dados estatísticos inuteis nos dias de hoje, alem de erros, como citar artigos de lei de forma incorreta)

se eu apresentar alguma bibliografia em ingles com as ideias da EA ... acham que tenho alguma chance?

Responder
IRCR 08/06/2013 19:13:33

MT419

cite exemplos que cairam na prova para gente hehehe

Responder
Otavio 12/06/2013 22:42:10

E os erros de Hayek ? Mises ? Ora,acreditar em um sistema em que os indivíduos se organizam sem o Estado, os mercados regulam-se sozinhos só pode ser senil. O ser humano é tão egoísta que se o Estado não intervir ,vira bagunça. Se o mercado regulasse o salário ( sem o Estado definir um mínimo)hoje seria de R$ 200,00 ."Não quer ?? Tem outro miserável na esquina que quer.Lembram da reserva de mão de obra de 8% da cartilha neoliberal de Thacher e Regan???"Trabalhar só 8 horas por dia ??? Que nada ,tem outro miserável ali que trabalha 16 horas ,como na Revolução Industrial. Liberalismo é a humilhação do mais fraco que não nasceu em berço de ouro e depende só do seu trabalho. Seria o caos na Terra. Humaninade na bestialidade, num abismo de diferenças sociais absurdas.Teríamos Zumbies ,como The Walking Dead ,miseráveis que "não têm talento e nem intelecto e por isso não conseguiram chegar lá,então que se danem" vagando pelas ruas.Liberalismo é o contrário de humanidade.Se vivemos aglomerados em sociedade é por que somos seres sociais e não individuais.Não pode o indivíduo ser maior que o todo.

Responder
Marcelo Werlang de Assis 12/06/2013 23:23:55

Otavius, por gentileza, leia com atenção as citações abaixo e, posteriormente, os artigos encontrados por meio deste link: mises.org.br/Subject.aspx?id=34.

Under capitalism private property of the factors of production is a social function. The entrepreneurs, capitalists, and land owners are mandatories, as it were, of the consumers, and their mandate is revocable. In order to be rich, it is not sufficient to have once saved and accumulated capital. It is necessary to invest it again and again in those lines in which it best fills the wants of the consumers. The market process is a daily repeated plebiscite, and it ejects inevitably from the ranks of profitable people those who do not employ their property according to the orders given by the public. But business, the target of fanatical hatred on the part of all contemporary governments and self-styled intellectuals, acquires and preserves bigness only because it works for the masses. The plants that cater to the luxuries of the few never attain big size. The shortcoming of nineteenth-century historians and politicians was that they failed to realize that the workers were the main consumers of the products of industry. In their view, the wage earner was a man toiling for the sole benefit of a parasitic leisure class. They labored under the delusion that the factories had impaired the lot of the manual workers. If they had paid any attention to statistics they would easily have discovered the fallaciousness of their opinion. Infant mortality dropped, the average length of life was prolonged, the population multiplied, and the average common man enjoyed amenities of which even the well-to-do of earlier ages did not dream. (LUDWIG VON MISES, "Liberty and Property")

Sob o capitalismo, a propriedade privada dos fatores de produção é uma função social. Os empreendedores, os capitalistas e os proprietários de terra são mandatários dos consumidores, e o mandato deles é revogável. Para ser rico, não é suficiente apenas poupar e acumular capital; é necessário investi-lo de novo e de novo naquelas linhas de produção em que ele melhor satisfaz os desejos dos consumidores. O processo de mercado é um plebiscito repetido diariamente, o qual, inevitavelmente, expulsa da posição de pessoas bem-sucedidas aqueles que não empregam a sua propriedade de acordo com as ordens dadas pelo público. Mas as empresas, o alvo de fanático ódio por parte de todos os governos contemporâneos e de intelectuais autoproclamados, adquirem e preservam dimensões maiores somente porque trabalham para as massas. As fábricas que fornecem luxos para poucos indivíduos nunca atingem uma tamanho grande. A deficiência dos historiadores e dos políticos do século XIX foi que eles não perceberam que os trabalhadores eram os principais consumidores dos produtos da indústria. Na visão deles, o assalariado era um homem laborando para o exclusivo benefício de uma ociosa classe parasitária. Eles raciocinaram sob a ilusão de que as fábricas destruíram a maioria dos trabalhadores manuais. Se eles tivessem sido atentos às estatísticas, teriam facilmente descoberto a falácia contida no seu entendimento. A mortalidade infantil caiu; a duração média de vida foi prolongada; a população se multiplicou; e o homem comum desfrutou de amenidades com que até mesmo os abastados das épocas anteriores jamais sonharam. (Tradução minha.)

The wealth of the well-to-do of an industrial society is both the cause and effect of the masses' well-being. (LUDWIG VON MISES, "The Ultimate Foundation of Economic Science")

A riqueza dos abastados em uma sociedade industrial é, ao mesmo tempo, a causa e o efeito do bem-estar das massas. (Tradução minha.)

A verdadeira função social da empresa é produzir algo melhor e mais barato. O público, ao comprar, não pergunta se o produto foi produzido por uma empresa que cumpre uma "função social". Ele procura apenas aumentar a sua satisfação. (DONALD STEWART JR., "O que é Liberalismo")

Muitos críticos reclamam que o livre-mercado, ao colocar de lado os empreendedores ineficientes ou em outras decisões, prova ser um "monstro impessoal". A economia de mercado, acusam, é a "lei da selva", onde "a sobrevivência do mais apto" é a lei. Libertários que defendem o livre mercado são, por conseguinte, chamados de "darwinistas sociais" que desejam exterminar o fraco para o benefício do forte.

Inicialmente, tais críticos omitem o fato de que o funcionamento do livre-mercado é incomensuravelmente diferente da ação governamental. Quando um governo age, as críticas individuais não têm força para mudar o resultado. Podem mudar somente se, por fim, conseguirem convencer os governantes de que a decisão deles deve ser modificada; isso pode levar muito tempo ou ser totalmente impossível. No livre-mercado, no entanto, não há decisão final imposta pela força; todos são livres para tomar as próprias decisões e, por meio delas, mudar de modo significativo os resultados do "mercado". Em suma, quem quer que sinta que o mercado está sendo muito cruel para com determinados empreendedores ou para com qualquer outro recebedor de rendas é perfeitamente livre para instituir um fundo de auxílio de doações e prêmios. Aqueles que criticam a existência da caridade privada como "insuficiente" estão perfeitamente livres para preencher tal lacuna. Devemos nos guardar de hipostasiar o mercado como uma entidade real, o gerador de decisões inexoráveis. O mercado é a resultante das decisões de todos os indivíduos da sociedade; as pessoas podem gastar o dinheiro da maneira que lhes agradar e podem tomar quaisquer decisões a respeito de si mesmas e das suas propriedades. Eles não têm de lutar ou convencer alguma entidade conhecida como o "mercado" antes de pôr em prática as próprias decisões.

O livre-mercado, de fato, é o extremo oposto da sociedade "selvagem". A selva é caracterizada pela guerra de todos contra todos. Um homem só ganha às expensas do outro, pela tomada da propriedade deste. Como tudo está no nível da subsistência, há uma verdadeira luta pela sobrevivência, em que a maior força esmaga a mais fraca. No livre-mercado, por outro lado, o homem só ganha ao servir o outro, embora também possa isolar-se numa produção autossuficiente num grau primitivo, caso deseje. É precisamente pela cooperação pacífica do mercado que todos os homens saem ganhando pela divisão do trabalho e pelo investimento do capital. Aplicar o princípio da "sobrevivência do mais apto" à selva e ao mercado é ignorar a questão básica: Apto para quê? O "apto" na selva é aquele que mais adere à utilização da força bruta. O "apto" no mercado é aquele que mais serve à sociedade. A selva é um lugar brutal onde uns se aproveitam dos outros, onde todos vivem num estado de inanição; o mercado é um lugar produtivo e pacífico no qual todos servem a si mesmos e aos demais ao mesmo tempo, vivendo com níveis muito mais altos de consumo. No mercado, o caridoso pode oferecer auxílio, um luxo que não pode existir na selva.

O livre-mercado, portanto, transmuta a competição destrutiva da selva pela parca subsistência numa competição cooperativa pacífica no serviço a si mesmo e aos outros. Na selva, uns ganham somente graças aos outros. No mercado, todos ganham. É o mercado –- a sociedade contratual –- que faz emergir a ordem a partir do caos; que domina a natureza e erradica a selva; que permite ao "fraco" viver de forma produtiva (ou dos dons da produção), de maneira régia, comparada à vida dos "fortes" na selva. Além disso, o mercado, ao elevar os padrões de vida, permite ao homem ter horas livres para cultivar as simples qualidades da civilização que o distinguem dos brutos.

É exatamente o estatismo que traz de volta a lei da selva –- ao fazer retornar o conflito, a falta de harmonia, a luta de classes, a subjugação, a guerra de todos contra todos e a pobreza geral. Em vez da "luta" pacífica da competição no serviço mútuo, o estatismo institui o caos calculacional e a luta mortal da competição do darwinismo social por privilégio político e subsistência limitada. (ROTHBARD, "Governo e Mercado")

Otavius, você deve compreender que o estado é tão-somente um aparato de coerção e compulsão; que tudo quanto ele realiza significa o emprego da violência (mesmo a construção de uma escola pública implica o uso da força, pois os recursos arrecadados vieram por meio da tributação); que tal instituição nada produz, apenas retira riqueza à força dos indivíduos produtivos.

Responder
Otavio 14/06/2013 02:12:55

Marcelo Werlang de Assis .....cara, gostei muito da tua resposta estruturada e educada....apesar de não concordar muito como em "Em vez da "luta" pacífica da competição"(A empresa maior compra a menor ,fusões e aí foi-se a competição), achei MUITO BOA.PARABÉNS. Não adianta é como Religião, ninguém muda a crença do outro. Mas não pensem que sou Comunista....longe disto.....essa coisa de racionamento de comida e objetos (2 pães e um chinelinho) pra cada cidadão,como na antiga URSS também não dá. WHAT A FUCK É CUBA ????? Só esquerdista radical acha Cuba uma beleza.Eu acho Cuba um LIXO.Eu na real não acho que tenha um modelo perfeito....é tudo meio utópico que dificilmente um dia acontecerá. Nem tão 8 e nem tão 80.Sei que zoei aqui e em outros artigos ,mas tua resposta foi séria e eu achei bem legal mesmo.

Responder
Marcelo Werlang de Assis 14/06/2013 15:41:47

Otavius, agradeço pelas suas gentis palavras (no caso de você não estar ironizando) em relação ao meu comentário.

Cara, eu, antes de me aprofundar de verdade no liberalismo econômico e na Escola Austríaca, pensava mais ou menos como você. Após muitas leituras e muita reflexão (não adianta só ler, é preciso, diariamente, refletir bastante sobre o que se leu), tornei-me um libertário convicto. Espero que isso aconteça com você também.

Existe uma citação de VON MISES muito pertinente: "Economic knowledge necessarily leads to liberalism." (O conhecimento econômico necessariamente conduz ao liberalismo.)

Eu lhe faço uma recomendação: Leve a sério os seus estudos sobre a Escola Austríaca. Leia os livros e os artigos procurando, primeiro, entender plenamente o ponto de vista dos autores e procurando, depois, aplicá-lo no exame (e na solução) de problemas reais. Você se surpreenderá. Você verá que a perspectiva da Escola Austríaca é de fato lógica e consistente. Estude por assuntos, por tópicos -- ciclos econômicos, monopólios, etc.

Como eu escrevi anteriormente, o estado é apenas um aparato de violência. Toda ação estatal significa o emprego da coerção, da compulsão, da força bruta, enfim. Você concordará que o uso da violência -- exceto na hipótese de retaliação ou de autodefesa -- é algo que vai contra a essência da civilização, contra qualquer noção de civilidade; a violência pura e simples é o componente essencial da "lei da selva". É a partir desse ponto que você deve compreender os ensinamentos da Escola Austríaca.

Quanto ao fato de uma empresa maior comprar uma empresa menor, qual é o problema? Houve uma transação: O dono da empresa menor vendeu-a à empresa maior. E daí? Isso não quer dizer que a concorrência não passará a existir mais naquele específico setor. Enquanto houver plena e irrestrita liberdade de entrada no mercado (ou seja, enquanto o estado não proibir a entrada de novos concorrentes), tal fusão não significará danos aos consumidores. Caso tal nova empresa passe a ofertar produtos piores a preços mais caros, novos empreendedores surgirão em tal setor, pois desejarão aproveitar essa oportunidade de lucro. Ademais, as fusões podem ser até benéficas aos consumidores na medida em que possibilitem redução de custos e melhorias significativas na estrutura produtiva.

Quanto às universidades federais (públicas), faço minhas as palavras do Neto, que postou um comentário logo abaixo. Eu fui estudante da faculdade de Direito da UFRGS e posso endossar tudo quanto o Neto escreveu. A coisa é isso mesmo; é esse lixo todo.

Eu pontualizo: O estado exige que as pessoas tenham diplomas para exercerem as profissões que desejam exercer. Elas são obrigadas, portanto, a frequentar uma faculdade. Como elas já pagam os tributos, então buscam uma vaga nas universidades públicas. Se elas forem para uma universidade particular, estarão, digamos assim, pagando em dobro. O estado nega aos indivíduos a liberdade de poder estudar sozinhos (autodidatismo) e exercer as suas profissões sem diplomas. Isso favorece sobremaneira as universidades privadas, as quais obtêm lucro precisamente através disso.

Um grande abraço!

Responder
anônimo 13/06/2013 00:24:26

"E os erros de Hayek ? Mises ?"

Otario, er, digo, Otavio, comece a citá-los, estamos ansiosos para ouvir.

Responder
Andre Cavalcante 13/06/2013 02:44:04

Otávio, você é novo por aqui?

Todas essas suas questões já foram a saciedade respondidas neste site. Então seja bem vindo se realmente quiser se instruir. Procure a sessão de artigos e biblioteca. Senão, não perca seu tempo estudando, se esforçando, porquê o estado vai resolver todos os seus problemas, lhe dar dinheirinho todo mês para que você não vire um zumbi, ou caia nas mãos dos gananciosos capitalistas... Quem sabe, num passe de magica burocrática, o governo lhe garanta uma bela visita às filas do SUS, dos ônibus lotados, e muito provavelmente do desemprego?

Responder
Otavio 14/06/2013 01:42:58

Espero que nenhum de vocês tenha estudado numa Universidade Federal,pois são da "livre iniciativa" , e as Federais deveriam ser privatizadas. Deveriam pagar pelos seus estudos. Mamam na teta do governo e gritam "Fora Dilma". Espero que nenhum de vocês tenha financiado imóvel com juros baixos na Caixa Econômica Federal ,já que ela também deveria ser privatizada. Aposto que tem carinha aqui que se formou em Federal e financiou imóvel na Caixa. Que comédia essa escolinha.

Responder
Neto 14/06/2013 10:49:20

Eu estudo e não tenho absolutamente nenhum remorso, por vários motivos.
Primeiro, é o governo que sustenta as fábricas de diploma com os FIES, PROUNI da vida.Então se o nível delas é porco o governo também tem culpa no cartório, o certo era deixar o mercado eliminar as que não prestam e não ficar dando dinheiro pra elas.
O governo também se beneficia dessas porcarias ao poder falar que 'a educação superior no brasil subiu não sei quantos por cento' etc

Segundo, qualquer coisa que eu tenha numa universidade pública não é favor nenhum, tudo aquilo eu e minha família já pagamos com uma tonelada de impostos, muito mais do que o trabalho daqueles professores vagabundos vale.

Terceiro, e isso ninguém vai ter vergonha na cara pra admitir nunca, o mérito das públicas não vem dos professores, vem dos alunos. A única coisa que os vestibulares, agora o enem faz é selecionar os alunos que já tem o hábito de estudar sozinho várias horas por dia.Quando chega na faculdade o que a gente encontra é um professor vagabundo que fala 'olha pessoal o livro é esse aqui, prova dia tal, cai capítulo tal e tal, meu telefone é esse, qualquer coisa me liguem e adeus'

E quarto, num ambiente de livre mercado provavelmente o que aconteceria seria que não haveria a exigência de diploma, então mais cedo ou mais tarde aconteceria com os diplomas o que já acontece com as certificações na área de informática, você paga só pra fazer a prova e se passar tem o seu certificado. Isso é totalmente diferente de ter que pagar pra assistir uma aula inútil ou até inexistente de um funça. Então, no fim das contas estudando numa pública o governo está me dando 'de graça' (que não é de graça coisa nenhuma, como já comentei) apenas aquilo que, se não houvesse governo, não haveria absolutamente nenhuma necessidade de pagar.

Pelo visto você tem uma grande carreira de funcionário público pela frente, se já não for, não é mesmo? Então vou lhe dar um presente, google por seasteading institute, imagine a possibilidade 'remota' do seu hospedeiro se livrar de você e sinta faltar chão, que é o que você merece.

Responder
Otavio 14/06/2013 20:16:00

Cara ,acertou...do MP Estadual....não tenho do que reclamar, apenas gostaria que que outras pessoas tivessem uma qualidade de vida legal também.....Sou coração mole e tenho pena de quem não tem as coisas,acesso à educação ,etc ...Mas meu mestre de Liberalismo econômico é o Marcelo Werlang de Assis....é o que melhor explica e posta coisas realmente interessantes.Como falei antes,zoei muito aqui e em outros artigos ,mas esse cara eu respeito muito.

Responder
anônimo 14/06/2013 20:38:17

Orra, seja bem vindo. Tem um artigo dedicado exclusivamente a você e seus colegas, sugiro que imprima ele e distribua lá onde você "trabalha":

www.mises.org.br/Article.aspx?id=627

Responder
Otavio 14/06/2013 22:17:01

hahahaha... muito bom esse artigo, só que eu estou no nível mais baixo ainda, no primeiro nível...sou dos novatos....um dia chego lá,...rsrsrsrs.Trabalhei no setor privado ,mas era no Governo FHC e a economia não andava,tudo parado....é daí que veio minha raiva de PSDB que era chamado de liberal....talvez hoje, nem faria concurso.

Responder
Marcelo Werlang de Assis 15/06/2013 15:41:41

Otavius, você escreveu: Apenas gostaria que outras pessoas tivessem uma qualidade de vida legal também... Sou coração mole e tenho pena de quem não tem as coisas, acesso à educação, etc.

Justamente pelo fato de você (a) ser "coração mole" e (b) ter pena das pessoas que não têm "acesso às coisas" é que você deveria estudar com crescente afinco a Escola Austríaca! As propostas dessa Escola são as melhores soluções para a pobreza, para os preços altos e inacessíveis, para os serviços ineficientes, para a pequena variedade de opções de bens (produtos e serviços), para as crises, etc. Somente com um genuíno livre mercado em todos os setores (imagináveis e inimagináveis) é possível que se alcance um elevado padrão de vida para todos.

O estado, através de todas as suas interferências violentas, tão-somente atrapalha o funcionamento da sociedade (i.e., do mercado), destruindo todo o virtuoso processo (a) da poupança, do investimento produtivo e da acumulação de capital, bem como todo o virtuoso processo (b) da infinita ampliação da divisão o trabalho.

O estado, conforme a primorosa lição de FRÉDÉRIC BASTIAT, é "a grande ficção através da qual todos tentam viver às expensas de todos os outros". (L'état, c'est la grande fiction à travers laquelle tout le monde s'efforce de vivre aux dépens de tout le monde.)

A lei básica da economia é a lei da escassez . Os bens econômicos são escassos. Os bens não estão prontos para consumo, tal como o abundante oxigênio que respiramos. Eles precisam ser caçados, coletados, plantados, trabalhados, transformados; numa palavra: produzidos . E, uma vez que foram consumidos, precisam ser novamente caçados, coletados, plantados, trabalhados, transformados, produzidos .

A produção sempre precede a predação. E a predação (i.e., o parasitismo) é o que o estado faz.

O melhor recurso didático para o aprendizado de economia é imaginar-se numa ilha deserta após um naufrágio sem absolutamente algum bem de capital (bem econômico que auxilia num processo produtivo), como ferramentas, maquinários, casa. A pessoa rapidamente compreende a lei da escassez. Ela, caso não queira falecer, tem de se virar como pode para obter alimento, água, vestuário e abrigo.

Ela percebe que os R$ 50 que possui no bolso da sua calça rasgada não são riqueza; ela compreende que "riqueza", na verdade, significa ter à sua disposição bens (produtos e serviços) que tenham a capacidade de lhe suprir as necessidades e os desejos; ela, enfim, percebe que a mera impressão de dinheiro (bem como a mera criação de meios fiduciários) nada acrescenta à economia de uma nação, concluindo que é a produção o motor do desenvolvimento econômico.

Ela percebe que a única solução para a melhoria das suas condições de vida (i.e., para a elevação do seu padrão de vida) está na acumulação de capital (poupança e investimento) e na divisão do trabalho (trocas voluntárias). Se ela conseguir fazer um bom estoque de comida (poupança; abstenção do consumo presente), poderá encontrar tempo para produzir utensílios que facilitem a obtenção de comida -- através dos quais poderá diminuir o tempo gasto para esse fim e liberar a sua energia na concretização de outros fins. (A pessoa poupou comida para obter tempo para produzir utensílios; ela, assim, investiu o estoque na produção de um bem de capital, materializando-se a "acumulação de capital". A pessoa aprende que o investimento advém da poupança e que a acumulação de capital é aquilo que lhe permite produzir mais utilizando o mesmo tempo.) Se ela conseguir encontrar outra pessoa com quem possa realizar um intercâmbio voluntário (o excedente da sua produção pelo excedente da produção da outra), facilitará a sua vida através do acesso a novos bens. (A pessoa compreende, portanto, os benefícios da divisão do trabalho; ela vê o quão difícil é a vida num estado autárquico. Ela percebe que os empecilhos às trocas voluntárias criados pelo estado, que quer obrigar uma das partes a ter prejuízos, somente pode causar a diminuição da divisão do trabalho.)

Abraços!

Responder
anônimo 14/06/2013 10:53:45

Espero que nenhum de vocês tenha financiado imóvel com juros baixos na Caixa Econômica Federal

Aqui tem vários artigos sobre a bolha imobiliária que isso está gerando, serve?

Responder
Alexandre M. R. Filho 13/06/2013 16:19:20

"O ser humano é tão egoísta que se o estado não intervir" - quem compõe o estado? ETs?

Responder
Luciano 15/06/2013 21:04:19

Olá a todos,

Acompamho o IMB há quase dois anos, mas é a primeira vez que escrevo.
Sou partidário da EA e da filosofia libertária, mas ainda um diletante no campo do conhecimento econômico.
Gostaria de pedir ajuda ao Leandro e/ou a outros participantes mais tarimbados a respeito de uma discussão que venho travando com um amigo economista (com diploma de curso superior), que trabalha no executivo federal.
Ele usa como principal argumento sobre a superioridade das idéias do Keynes o fato de os países desenvolvidos em geral terem experimentado um progresso econômico jamais visto - distribuição de renda, aumento de produção, fortalecimento da classe média - nos 30 anos subsequentes à II Guerra Mundial, justamente por terem seguido políticas keynesianas. Sei que essa afirmação não está muito correta, mas tenho dificuldade em encontrar dados para refutá-la.
Qualquer contribuição é bem-vinda. Desde já grato.

Responder
Arthur M Meskelis 15/06/2013 21:31:48

Simples, subtraia desse aumento de produção a dívida pública. Pib per capita atual, depois subtraia a dívida pública do pib e reveja o Pib per capita. De quanto foi esse avanço ?

Faz uma pesquisa na wikipedia rápida e vai ver quanto foi esse progresso.

Responder
Ricardo 15/06/2013 21:34:21

Qual keynesianismo? Durante essa época até a decada de 1970, todos os países estavam no padrão ouro-câmbio. O inflacionismo era baixo e os deficits governamentais eram praticamente zero. Foi a partir da decada de 1970, justamente com a abolição do padrão-ouro, que o keynesianismo de fato reinou. E foi aí que tudo desandou.

Há inúmeros artigos neste site sobre isso. Um que resume bem a teoria do enriquecimento dos países é este:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=729

Responder
Marcelo Werlang de Assis 15/06/2013 23:46:14

Olá, Luciano!

Eu encontrei este artigo: mises.org.br/Article.aspx?id=1049 ("Keynes e a economia keynesiana").

Eu lhe sugiro que vá à seção deste site que reúne os artigos sobre keynesianismo: mises.org.br/Subject.aspx?id=33.

Se você fizer uma explanação parecida com aquela que fiz acima (partindo da hipótese de um náufrago numa ilha deserta), torna-se-á difícil, após a apresentação de tal linha de raciocínio, qualquer defesa do keynesianismo.

Eu soube que o eminente funcionário do IMB Leandro Roque está de merecidas férias. Não sei quando ele voltará. Espero que ele volte logo.

Grande abraço!

Responder
Luciano 16/06/2013 05:36:02

Artur, Ricardo e Marcelo,
Muito obrigado pela atenção e disponibilidade em esclarecer alguns (dos vários) pontos da minha ignorância.
Li as referências bibliográficas e já estou elaborando a minha contra-argumentação.
Ricardo, curiosamente o meu amigo atribui a derrocada do "bendito" keynesianismo no final dos anos 70 ao crescimento do pensamento neoclássico, amparado pela famigerada "curva de Philips" (sei dos fundamentos, mas não vejo porque isso acabou com o keynesianismo "old school").
Grande abraço.

Responder
Amarilio Adolfo da Silva de Souza 19/06/2013 21:01:13

Somente uma mente distorcida e perturbada, como a de Keynes, poderia conceber ideias tão absurdas e contraditórias. Um exemplo, a de que aumentar gastos "públicos" provocam crescimento econômico. Essa teoria, se aplicada como ele a concebeu, é desumana. o que me provoca admiração é o fato de as pessoas aceitarem, passivamente, esses erros.

Responder
Gabriel 21/12/2015 01:20:17

Boa noite, eu queria entender melhor dois pontos.

"se a demanda agregada for estimulada pelos gastos do governo, a estrutura existente não terá como produzir os bens que os consumidores querem com mais urgência. Logo, a solução não é mais gastos e mais endividamento, mas sim uma redução da dívida e a liquidação dos investimentos ruins para fazer com que novos e mais sensatos investimentos sejam exequíveis."

Como na prática essa dívida seria diminuída? Superavit primário?
E como aumentar os investimentos se os empresários estão com os bens de capital ociosos?

"A alternativa a forçar as pessoas a gastar é reduzir os salários até o valor de seu produto marginal, o que elevaria a produção e a demanda."

Mas se essas pessoas estão endividadas não seria perigoso deixar os salários caírem? ou, para compensar, as dívidas também cairiam? Por exemplo: No cenário atual brasileiro, se permitíssemos os salários das pessoas caírem, o que aconteceria com o resto? Abraços.

Responder
Leandro 21/12/2015 14:09:18

"Como na prática essa dívida seria diminuída? Superavit primário?"

A dívida a que a frase se refere é a dívida privada, a dívida de consumidores e de empresas.

"E como aumentar os investimentos se os empresários estão com os bens de capital ociosos?"

Aí é necessário entender o seguinte: crises e recessões não são causadas por uma misteriosa queda na demanda agregada. Crise e recessões são causadas por investimentos errôneos e insustentáveis -- que foram feitos graças à expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima.

Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

A causa de uma recessão não é demanda agregada, mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer.

Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores.

O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão.

"Mas se essas pessoas estão endividadas não seria perigoso deixar os salários caírem?"

Se os salários não caírem, simplesmente haverá demissões. Não há mágica.

Entre estar empregado com um salário menor ou estar desempregado, a primeira opção facilita muito mais a quitação -- ou até mesmo a renegociação -- das dívidas.

É preferível se manter empregado e com um salário alto? É óbvio que sim. O problema é que há uma coisa chata chamada "realidade econômica", e esta não permite que emoções falem mais alto.

Responder
Gabriel 21/12/2015 19:39:33

Entendi. Então devemos aceitar essa recessão que está acontecendo certo? Pois os investimentos, com o tempo, retornarão de forma natural, é isso?

Responder
Leandro 21/12/2015 19:45:28

'Sim' para a primeira pergunta, e uma "com ressalvas" para a segunda.

Investimentos não retornam "de forma natural". Não quando há um governo fazendo de tudo para afugentá-los, gerando insegurança institucional e acabando com a confiança de investidores, consumidores e empresários. Nesse caso, não há solução a não ser a substituição desse governo.

A teoria dos ciclos econômicos aplicada à economia brasileira foi explicitada neste artigo (modéstia à parte bem profético):

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943

Ou, caso prefira, a versão em formato de palestra:

www.youtube.com/watch?v=R5fvo7yBxJo

Responder
Jefferson Cavalcanti 10/05/2016 13:32:50

Keynes, o maior economista da história, contribuiu 100x mais do que a Escola Austriaca.

Responder
Magno 11/05/2016 18:02:31

Você está corretíssimo! As contribuições de Keynes, principalmente as empíricas, são inigualáveis.

Veja o Brasil dos últimos anos, por exemplo. Keynesianismo puro na veia. E os resultados foram maravilhosos! Tamanha contribuição jamais foi e jamais será superada.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade

Quanto mais o keynesianismo fracassa, mais ele é ressuscitado sob novas promessas de prosperidade

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