As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

Muito se fala, principalmente nos meios acadêmicos, sobre concorrência e monopólio.  O problema é que as definições utilizadas para estes termos estão quase sempre erradas.  E se o conceito utilizado é errado, então as políticas sugeridas para lidar com ambos também serão erradas.  Pior ainda: gerarão resultados distintos dos esperados.

Concorrência

Comecemos pela concorrência.  Seria a concorrência uma 'situação' ou um 'processo'? 

A função empreendedorial é, por sua natureza intrínseca, sempre competitiva.  O termo 'competitivo' vem do latim cumpetitio, que significa uma concorrência múltipla de reivindicações sobre um determinado bem ao qual um proprietário deve ser atribuído.

A concorrência é um processo dinâmico que envolve rivalidade.  Trata-se de um processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam.  O objetivo de um empreendedor é descobrir, antes dos demais, oportunidades latentes de lucro que existem no processo empresarial.  Uma vez descoberta uma oportunidade de lucro, ele terá de atuar em harmonia com outros empreendedores — pois o mercado é uma rede de trocas altamente complexa e interativa — para se aproveitar dela.

Por isso, diz-se que a concorrência é um processo de emulação, um processo em que se busca superar seus rivais, em todos os âmbitos, criando e se aproveitando de oportunidades de lucros antes deles. 

E isso deve ser contrastado ao chamado "modelo de concorrência perfeita".  Este é o modelo que a esmagadora maioria dos manuais de economia aponta como sendo o ideal máximo de concorrência.  Este modelo enxerga a concorrência como sendo uma situação.  É como se a concorrência fosse analisada como uma fotografia instantânea.  Os defensores deste modelo são os economistas matemáticos que acreditam na tese de que uma economia sempre pode estar em 'equilíbrio'.

Nos modelos matemáticos de concorrência perfeita, a concorrência é definida como perfeita quando, ao se fazer esta fotografia instantânea de um determinado processo de mercado, observa-se nesta foto — que nada mais é do que uma situação estática, sem nenhum movimento — a existência de múltiplos ofertantes, todos eles vendendo o mesmo produto, com exatamente as mesas características e ao mesmo preço.

Esta situação estática — sem nenhum movimento, sem nenhum processo empreendedorial, em que há uma multiplicidade de ofertantes que fazem exatamente a mesma coisa, que ofertam exatamente o mesmo produto e que vendem a exatamente o mesmo preço — ser classificada de concorrência perfeita representa o ápice do escárnio.

Logo, é fácil observar que estes dois conceitos de concorrência são praticamente opostos: de um lado temos a concorrência como um processo dinâmico de rivalidade, que é o conceito correto de concorrência; de outro temos a burla, que supõe uma concorrência jocosamente chamada de perfeita, que é caracterizada por uma situação em que todos os empreendedores fazem absolutamente o mesmo — e portanto ninguém compete com ninguém.

Disso, surge a inevitável pergunta: como é possível que legiões de economistas catedráticos, de enorme distinção e com impecáveis credenciais acadêmicas, tenham feito do modelo de concorrência perfeita — isto é, desta concepção estática de concorrência — a base de todas as suas teorias? 

É aqui que podemos constatar, novamente, um dos exemplos mais claros do nefasto efeito gerado pelo uso da matemática na ciência econômica.  Dado que a ciência econômica nada mais é do que a ciência da ação humana, os fenômenos estudados dependem totalmente da interação voluntária entre bilhões de indivíduos, algo que por definição não pode ser matematizado.

E, justamente para se tornar possível a matematização de algo que é impossível de ser matematizado, a concorrência, que é um processo dinâmico passa a ser analisada como uma situação, um estado de equilíbrio, que é o único matematizável.  E o empenho em se aplicar uma metodologia errônea oriunda do mundo das ciências naturais — onda há constantes, não existe tempo e nem criatividade — ao âmbito das ciências sociais protagonizada por seres humanos pode apenas gerar múltiplos erros, dentre eles o mais importante é o fato de se endeusar um conceito tão absurdo quanto o conceito estático de concorrência perfeita.

Monopólio

Assim como ocorre com a concorrência, há também dois conceitos distintos e opostos para monopólio.  E cada um destes conceitos de monopólio está de acordo com os respectivos conceitos de concorrência.  Ou, falando mais claramente, ao conceito correto de concorrência está relacionado um conceito correto de monopólio, e ao conceito errôneo de concorrência está relacionado um conceito também errôneo de monopólio.

Comecemos por este último. 

O conceito errôneo de concorrência é aquele que vê a concorrência como uma situação, um estado de equilíbrio em que há uma multiplicidade de ofertantes que produzem exatamente o mesmo produto e vendem exatamente ao mesmo preço — ou seja, não há competição nenhuma entre eles. 

E qual o conceito errôneo de monopólio?  Se a característica essencial para se classificar uma situação como sendo de concorrência perfeita é que haja um grande número de ofertantes naquela fotografia instantânea, a característica essencial para se caracterizar uma situação como sendo de monopólio é que nesta fotografia instantânea — ou seja, neste estado de equilíbrio — exista apenas um único vendedor.

Do mesmo conceito errôneo de concorrência perfeita surge o conceito errôneo de monopólio, que é visto como uma situação estática em que há apenas um vendedor de um produto.  Estes "monopolistas", segundo os economistas matemáticos, podem impor os preços que desejarem, preços artificialmente altos, em prejuízo dos consumidores.

Uma situação intermediária seria a de oligopólio, na qual há apenas alguns poucos vendedores (oligo vem do grego e significa poucos).

Porém, tendo por base a perspectiva da teoria dinâmica dos processos de cooperação social protagonizada por empreendedores, este conceito de monopólio e de oligopólio é completamente sem sentido.  Se a definição correta de concorrência é a de um processo dinâmico de rivalidade na qual os empreendedores competem entre si para descobrir, antes dos demais, oportunidades de lucro para se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam, então o conceito correto de monopólio tem de levar em conta se é possível ou não que outros empreendedores possam ter legal acesso a este processo dinâmico de rivalidade.

E a conclusão lógica é que só existe um monopólio genuíno quando o estado sistematicamente impede, por meio da força ou da ameaça de violência, a liberdade de acesso a um determinado mercado ou o livre exercício do empreendedorismo em algum setor da economia.

Logo, o relevante não é se há apenas um ou alguns poucos ofertantes; o relevante é se é legalmente possível ter acesso — se há liberdade de entrada ou não — a um determinado setor da economia.  O relevante é analisar se, em decorrência de alguma coerção sistemática do governo — seja por meio de agências reguladoras, de burocracias volumosas ou de decretos —, há algum impedimento ao exercício da livre iniciativa em qualquer setor da economia.

Notem que este conceito de monopólio e oligopólio é radicalmente distinto daquele que é tido pela academia como a definição correta.

Monopólio X Concorrência

Ainda utilizando a metáfora da fotografia, imagine uma sucessão de fotogramas que constituem o celulóide de um filme.  Imagine que este filme represente o processo dinâmico da concorrência.  Sendo assim, se escolhermos arbitrariamente um fotograma e constatarmos que há apenas um vendedor neste fotograma escolhido, um economista matemático imediatamente gritará "Monopólio! Exploração dos consumidores! O governo tem de intervir e perseguir!"  Já um economista da Escola Austríaca, que entende a perspectiva dinâmica do mercado como sendo um processo marcado pelo empreendedorismo, dirá que é irrelevante que em um ou em vários fotogramas apareçam apenas um único vendedor.  Pois o que tem de ser levado em consideração não é um fotograma avulso, mas sim todo o processo dinâmico contido neste filme, bem como se, ao longo deste filme, há liberdade de entrada nos mercados, isto é, se há um livre exercício do empreendedorismo.

Se ao longo do processo dinâmico houver liberdade de entrada nos mercados, então existe concorrência no sentido dinâmico.  É irrelevante se, em determinados momentos, existe no mercado apenas um ofertante de bens e serviços. 

Mais ainda: se em um determinado momento existe apenas um ofertante, mas há liberdade de entrada neste mercado, então, o fato de existir apenas um ofertante, longe de ser uma comprovação de que há monopólio e exploração dos consumidores, indica apenas que tal ofertante está satisfazendo os desejos e necessidades de seus consumidores de forma bastante eficaz.

Falando de outra maneira: se o processo dinâmico é livre e os empreendedores participam dele emulando-se e concorrendo entre si, então, se em um determinado momento existir somente um empreendedor, isso significa que ele preponderou justamente por ter se mostrado mais apto que seus concorrentes a atender as necessidades dos consumidores.

Logo, a existência de uma única empresa em um determinado setor econômico cuja entrada seja livre para os concorrentes não é prejudicial para os consumidores; significa apenas que esta empresa está ofertando um bom serviço para os consumidores.  Havendo uma ausência de barreiras legais para se entrar no mercado, há concorrência.  Se o mercado é servido por uma única empresa, isso não configura monopólio.  A concorrência existe a partir do momento em que o estado não proíbe legalmente outras empresas de entrar no mercado. 

Em um âmbito de plena liberdade empreendedorial, existir apenas um ofertante significa que este soube como atender aos desejos dos consumidores de forma mais eficaz e satisfatória do que todos os outros.  No livre mercado, não há direitos adquiridos. 

E exatamente por não haver direitos adquiridos, um empreendedor jamais pode se acomodar no livre mercado.  O fato de ele haver triunfado hoje não significa que ele continuará triunfando amanhã.  Se ele deixa de estar alerta e se torna menos perspicaz que seus concorrentes, ou se ele deixa de satisfazer as necessidades de seus consumidores de maneira satisfatória e a preços baixos, surgirá em pouco tempo um exército de concorrentes — reais e potenciais — que colocará em perigo sua situação de predomínio.  Estes concorrentes tentarão lucrar em cima deste seu desleixo.

A IBM, por exemplo, chegou a deter 70% do mercado de computadores.  Converteu-se em uma empresa mastodôntica e arrogante.  Quando lhe apresentaram um projeto sobre computadores portáteis, de uso pessoal, ela desprezou, dizendo que era besteira.  Como resultado desta desconsideração para com as genuínas demandas dos consumidores, esta empresa outrora tão rica e poderosa quase foi à bancarrota.

Portanto, é irrelevante — de uma perspectiva dinâmica — que em uma fotografia apareça apenas um único ofertante.  O próprio processo dinâmico faz com que, ao amanhecer de cada dia, este ofertante tenha de se reinventar diariamente.  Caso não o faça, surgirão concorrentes que se apropriarão de uma fatia de seu mercado.

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Leia também: Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos 


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SOBRE O AUTOR

Jesús Huerta de Soto
, professor de economia da Universidade Rey Juan Carlos, em Madri, é o principal economista austríaco da Espanha. Autor, tradutor, editor e professor, ele também é um dos mais ativos embaixadores do capitalismo libertário ao redor do mundo. Ele é o autor de A Escola Austríaca: Mercado e Criatividade Empresarial, Socialismo, cálculo econômico e função empresarial e da monumental obra Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos.



O IR se encontra todo desonesto. Em principio não se exclui uma só pessoa que não teria direito de buscar todo o seu imposto ou parte dele contra a Receita. Só possui forma e aspecto de honesto. Em primeiro lugar a declaração desenvolvida não abrange situações individuais. Estaria ferindo o principio da individualização do tributo ou capacidade tributária. Mais do menos, não combina os ítens da cesta básica, nem as garantias da saúde, dando um tiro ao vento, alvejando quem possa. Em faixas menores desatende ao principio constitucional do piso mínimo legal.É valentemente ou leão contra a distribuição de renda, pois fixa e presume gastos com educação de parcela dedutiva não real. Só exemplo e o mesmo vale para vários itens. Covarde, o IR financia trapaças dos economicamente mais fortes, vertendo isenções de todo gênero, fazendo gracinhas a título de incremento ao desenvolvimento. Atua como bancos, pegando o dinheiro dos desfavorecidos, e atua como os salários de países pobres, não havendo igualdade de direitos e proporcionalidade nas bocadas. As declarações obrigatórias anualmente são falaciosas e preguiçosas invertendo o ônus da prova, o que contraria o principio da dignidade humana. Se torna medida de Príncipe, não permitida pela Constituição Federal, existente somente em casos de graves prejuízos à ordem econômica e social, o que seria só permitido com o respaldo do congresso. Para quebrar um pouco essa fuga dos objetivos éticos de Estado, até se poderia cogitar da sua apresentação de cinco em cinco anos. É feito guerra,e possui até armísticio pois dispo e de uma série de princípios que permite o ladrão sair pela porta da frente, via atitudes de prescrições e decadência. Só governos e juristas sabem engendrar um galope desses.
Sim, é o poder de compra. E apenas o poder de compra.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2402

Fluxos cambiais atípicos afetam o câmbio no curtíssimo prazo, coisa de um dia. No longo prazo, o que determina o câmbio é pura e simplesmente o poder de compra.

Prova empírica disso é que, em 2015, o fluxo cambial para o Brasil foi positivo, mas o dólar subiu de 2,30 para 4,20.

br.reuters.com/article/businessNews/idBRKBN0UK1WC20160106
"Leila 10/11/2016 14:38
Cobrança de impostos realmente atrapalha a economia.
"

Prove! Prove com raciocínios lógicos e não com argumentos emotivos. A linha de raciocínio de Hope em
The Economics of Taxation é que o imposto atrapalha a formação de longas cadeias de produção, partindo do pressuposto que o produtor arca com o custo do imposto. Eu aceito esse argumento, mas há uma ligação direta em aceitar esse argumento e aceitar a existência da mais-valia. Quando você lê o artigo de Hope, e por alguns instantes pensa na mais-valia, verá que tem uma grande semelhança com os argumentos de Karl Marx. Ora, se existe a mais-valia, uma sociedade sem imposto não estará livre da coerção econômica. Logo, o imposto se justifica por si.
Essa é pra você, Dementador:

Em 2015, a Seguridade Social recebeu R$ 2,5 bilhões em repasses das loterias da Caixa para garantir benefícios previdenciários.

www.loterias.caixa.gov.br/wps/portal/loterias/landing/repasses-sociais/

Como disseram os outros acima -- para desespero seu -- toda a conta do Seguridade Social só fecha por meio do desvio de rubricas.

Eu sabia que a Previdência era deficitária, mas eu jurava que a Seguridade Social era superavitária. Nem isso.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anonimo  22/05/2013 13:29
    Bom dia.

    Vou usar um exemplo prático: a Votorantim em determinado momento, dominava o mercado de cimento e sempre que que surgia um novo concorrente, ela simplesmente comprava essa outra empresa, claro que nos momentos em que esse concorrente existia, ela não podia impor um preço, mas tão logo ela comprasse o concorrente, aumentava o preço.

    Sou contra intervenção estatal, mas admito que nesse caso, parece-me algo ruim para o consumidor, é claro que parte do dinheiro da Votorantim vinha das licitações do governo, mas ainda assim é possível uma empresa dominar um mercado sem ajuda do governo e se manter assim. Comprando a concorrência.

    Tem algum argumento que não pensei?

    Obrigado.
  • Anônimo  22/05/2013 14:42
    É a típica problemática do chinês. Diz-se um dia o imperador da China decidiu desarmar o povo japonês comprando as armas que seriam utilizadas por seus guerreiros imediatamente após serem fabricadas ao oferecer pagamentos altíssimos por contratos. O que aconteceu é que após um tempo, os guerreiros japoneses não só não estavam desarmados como também a quantidade de armas compradas pelos japoneses apenas crescia, dado que os ferreiros seguiam produzindo mais e mais ao aproveitar-se da ignorância econômica do imperador.

    Esta companhia de cimento foi dotada da sorte de ter contratos licitados e lobby, o que lhe garantiu vantagem sobre todas as outras companhias do setor(As obras estatais são pirâmides em sua grandiosidade, seus engenheiros são promíscuos e fanáticos por uma super-faturação e loucos para oferecer contratos a amigos específicos e ganhar com isso.

    Diferentemente de consumidores privados, a obra estatal não possui interesse em fazer o projeto mais eficiente pelo menor custo, geralmente, é o contrário; como o caso do aguoduto romano sendo construído por 400 milhões no RJ para alimentar uma refinaria quando 80 milhões poderiam ter sido gastos em uma estação sanitária para oferecer água ao estabelecimento. Conheço inúmeros que conhecem a zona de contratos da Petrobrás e do governo estadual) e acredite, é sujeira pura.

    O estado é o consumidor perfeito: Quase nunca quer velocidade nas obras, opta sempre por contratos mais caros após uma propina aos seus sempre eficientes técnicos, às vezes constrói pirâmides apenas para gerar empregos; seus oficiais são fiéis às companhias associadas por algo que lhe garanto não ser amizade.

    Agora, o que isso tem a ver com a companhia de cimento?
    Tudo:

    - Se não fossem necessários quase 200 dias para fazer uma fábrica de cimento, esta empresa jamais poderia comprar todas as outras. Sua fatia de mercado teria de ser alta por manter eficiência. Lembro: É preciso legitimar o terreno, fazer inscrição no sindicato que "protege" seus funcionários, conseguir licença na secretaria de meio ambiente da prefeitura(Ele terá de enviar um técnico para certificar se sua fornalha não destruirá o mundo) e tudo mais que apenas um criador de uma empresa de cimento pode nos relatar.

    - Se o investimento estrangeiro não fosse restrito, garanto que esta companhia seria peneira na mão de alguma construtora japonesa ou coreana.

    - Se ela não fosse a preferida para licitação governamental, teria de enfrentar consumidores comuns como a fonte de seus lucros ao invés do estado.

    - Partindo da premissa de que não há licitação garantida pelo estado e mercado impedido ou dificultado ad absurdum para a entrada de concorrentes, esta companhia estaria simplesmente oferecendo bons produtos pelo menor preço e não há motivo para alarde. Se outras empresas não puderem lucrar frente essa, é porque estarão apenas destruindo valor e nada mais. O próprio mercado os estaria estimulando a aplicar seu capital em outras áreas, dada a mecânica do lucro e do prejuízo.

    - Há diversos tipos de concorrência. Seus concorrentes menores não precisam necessariamente competir com o mesmo tipo de cimento. Eles podem especializar seu produto para demandas específicas como, por exemplo, cimento "sustentável".
  • Rene  22/05/2013 16:04
    Além deste detalhe do dinheiro fácil vindo do governo, que permite comprar outras companhias, existe ainda o fator político envolvido. Já ouvi de um caso onde uma empresa chinesa tentou vender cimento no Brasil, pela metade do preço. A Votorantim mexeu os pauzinhos, alegando que o cimento não atendia a especificações técnicas de qualidade. Em virtude disso, o governo começou a fiscalizar o cimento nos portos. Como os nossos portos são extremamente ineficientes, e como a análise técnica demorava muito, demorava meses para que o cimento chinês fosse liberado. Como o cimento possui um prazo de validade bem curto, ele estragava nos portos antes de sair o laudo técnico de que estava tudo bem. Obviamente, esta situação afastou os chineses do mercado brasileiro.

    Como eu li uns dias desses em um dos artigos do Ludwing Von Mises: Para uma empresa como a Votorantim, é mais fácil se esforçar para fazer politicagem do que se esforçar para atender aos desejos do consumidor.
  • Julio dos Santos  22/05/2013 17:15
    Bravo Anônino, grande explicação!
  • Henrique Figueiredo Simões  23/05/2013 15:27
    Prezado Paulo, sou advogado e leitor do site. Tenho apenas 25 anos e não sou capacitado para responder a sua pergunta, mas vou tentar, com base na minha experiência em fusões e aquisições societárias.

    Creio que esta questão passa por alguns dos "impeditivos à livre iniciativa" tratados no texto, como as altas cargas tributárias, trabalhistas e previdenciárias. Caso estas fossem menores (leia-se, menos absurdas), o empreendedor teria maior margem de lucro em seu negócio, logo, talvez não fosse interessante para ele vender a empresa, mas continuar no negócio com chances de crescer mais e mais.

    Explico. Hoje, qualquer proposta que ofereça ao empresário maior chance de lucratividade investindo o dinheiro recebido na transação em aplicações de renda fixa, faz com que este venda a sua empresa, pois só um maluco continuaria numa atividade perigosa, com riscos de quebrar, negando, aí, uma quantia que o faria ter o mesmo rendimento mensal que a sua lucratividade gerava.

    Creio que passa por aí o problema. Espero ter contribuído e um abraço.
  • Cesar Massimo  24/05/2013 22:32
    anonimo
    Siga o raciocínio:
    1. Por mais revoltante que seja, o subsolo é propriedade da União. (intervenção do estado). Em 1934 a ditadura de Getúlio Vargas separou a propriedade do solo do subsolo.
    2. Para fabricar cimento, a fábrica precisa de calcário.
    3. O calcário é minerado, é extraído de uma jazida.
    4. Para ter uma jazida, a mineradora precisa de uma infinidade de licenças, MAS uma é muito especial, a licença do DNPM. E esta licença pode demorar até dez anos ou mais. É a Concessão de Lavra.
    5. Além disso, a legislação permite que se 'reserve' as jazidas. É o 'registro'. Grande parte das reservas conhecidas estão registradas mas sem uso, são uma reserva de mercado.
    Conclusão: quem criou o monopólio foi o estado.
  • Mauro  20/03/2014 14:05
    Você próprio apontou a falha: a Votorantim utiliza dinheiro do governo. Ora, isso configura privilégio estatal, algo que vai contra um livre mercado.

    O uso de privilégio estatal configura uma barreira à livre concorrência, pois uma empresa está utilizando o dinheiro que o estado tomou de outra empresa, que era sua concorrente. O efeito é o meso de haver uma agência reguladora escolhendo vencedores e perdedores, definindo quem pode e quem não pode atuar em um mercado.
  • Economistas do CADE  22/05/2013 14:18
    ...Mas se ao estado não caber decidir que empresas devem operar em um setor, quem vai nos empregar?

    É um mundo frio e escuro fora das repartições públicas.
  • Andre Cavalcante  22/05/2013 14:28
    "No livre mercado, não há direitos adquiridos."

    De fato, procuro sempre verificar que, se há "direitos adquiridos por uma empresa" em geral eles vem do governo e não do mercado.

    Entretanto, vejo um tipo de mercado em que há uma espécie de direito adquirido no mercado: sistemas operacionais. Em certa ocasião (na época do saudoso WinXP) a microsoft chegou a ter noventa e tantos por cento do mercado de PCs. Dispositivos móveis e outros embarcados eram um naco minúsculo no mercado de dispositivos com processamento. Então, quem dominava o mercado de PCs dominava o mercado de dispositivos com processamento. MacOS tinha um naco do mercado de PCs e o Linux era muito bom nas universidades e só. Ocorre que, em um mercado desse tipo ele tem um efeito tipo rede: quando mais se usa, mais se depende dele e mais as pessoas são levadas a procurar àquele produto. Resultado: uma cópia em box do WinXP custava mais que o próprio PC. O único concorrente para o Windows era o Windows Pirata! E nem poderia ser diferente devido ao efeito do tipo rede.

    Claro, sei que os governos, ao redor do mundo, facilitaram a vida da MS seja com suas patentes, seja comprando diretamente, o que, por si só, distorce o mercado. Ainda hoje me lembro de licitações que pediam um editor de texto que abrisse o formato .doc - Ora, somente a MS vendia tal editor e este somente executava em seu próprio SO, logo a formação de sua "rede" foi de alguma sorte facilitada pelos governos. Entretanto, há de convir que essa rede foi principalmente criada e mantida no mercado.

    Hoje a coisa se inverteu, os mercados de embarcados e outros dispositivos móveis são dominantes e a participação do mercado de PCs cai ano a ano na conta, o Linux amadureceu e versões para móveis dele (leia-se Android) e do MacOS estão disponíveis em dezenas de sabores e já há uma concorrência de fato entre os SOs para este tipo de dispositivos, entretanto, por causa do efeito da rede, os PCs (ainda que não tenham o peso que tinham antes) ainda mantém em torno de 90% (depende de como você olha o caso) de máquinas que rodam o Windows em vários de seus sabores.

    O "direito adquirido" no caso é técnico - se os programas somente rodam no windows eu estou "preso" à ele. Quando aparece um concorrente, a empresa dominante altera qualquer coisa no "core" (o que sempre acontece nas atualizações - necessárias) e o concorrente morre sem ao menos "entrar de fato" no mercado. Da mesma forma que não é trivial se criar um coquetel para a AIDS - lembrar que o governo teve que quebrar a patente dos fabricantes americanos para poder copiar as fórmulas (escritas na carta patente) e produzir o coquetel aqui no Brasil - também não é trivial fazer 10 milhões de linhas de código e deixar um sistema concorrente e compatível, independente de qualquer eventual patente.

    Está faltando alguma coisa nessa minha análise?

    A dúvida: em caso de mercados com esse efeito de rede (sei que SO não é o único caso), como se dá a concorrência - pelo conceito dinâmico?
  • Anônimo  22/05/2013 14:57
    "A ineficiência de hoje é o dinheiro fácil de amanhã", André.

    Olhe pelo lado bom as consequências do domínio da MS:

    - Empresas grandes que temem ser descobertas usando computadores fraudados procuraram refúgio em companhias privadas de Linux e isso basicamente criou a TI em países como o Brasil. O mercado reagiu contra a autoridade e apesar de, continuou a crescer e ainda se diversificou: Hoje há inúmeros tipos de Linux customizáveis às empresas. O setor ainda é pequeno, entretanto, seu crescimento por aqui é inegável e importante.
    Se não fosse pelo monopólio da MS, tenho um grupo de amigos que nem mesmo teria 1/4 do patrimônio que hoje tem. Sim, foi produto de um mal e teria sido preferível à sociedade se a companhia nunca tivesse existido para começar, entretanto, eles demonstraram o quão poderosa é a capacidade empreendedora.

    - Se a Microsoft dominou o mercado de computadores na década de 90 e utilizou esquemas de documentação através da mudança de formatos de documentos, isso foi o início de sua ruína. Em menos de um ano já haviam programadores rebeldes criando provedores capazes de fazer a leitura do formato, de todos os formatos ou que simulassem o .doc; mas gratuitamente. Resultado da guerra: PDF tornou-se o método universal e preferível para a transmissão de documentos ao invés do .doc. Tais substituições graduais dos serviços prestados pela MS levaram à formação de inúmeros pacotes de programas que são utilizados pelas empresas de TI e por usuários comuns, como o BrOffice. A proibição criou ainda mais programadores dispostos a combater a MS e ganhar dinheiro e reconhecimento com isso.
    A MS ofereceu indiretamente a fonte de recursos que os rebeldes utilizariam para invadir seu mercado.
  • Bruno  22/05/2013 15:03
    Andre, quem chega primeiro sempre tem alguma vantagem. Imagina, por exemplo, uma concorrência no ramo de infraestrutura de transportes. Se você constrói uma estrada onde não há nenhuma, você pode fazer o melhor traçado e passar por regiões cujos terrenos sejam mais baratos. Quem quiser construir uma estrada para concorrer com esta vai ter mais dificuldade, talvez passar por regiões com relevo mais acidentado ou com um subsolo não tão bom. Pra fugir dessas regiões seria necessário, por exemplo, passar por uma região povoada, o que demandaria custos de desapropriação. E por aí vai.

    Aonde quero chegar com isso? Você mesmo disse que construir um sistema operacional não é uma tarefa trivial (10 milhões de linhas de código), então imagina quanto tempo e quanta mão-se obra seriam necessários para se implantar um sistema operacional do zero e fazê-lo popular? Ah, e não é só o sistema operacional que tem que mudar: todos os programas que rodam nele (Office, AutoCAD, CorelDraw, Photoshop, jogos etc.) teriam que ser adaptados a esse novo sistema.

    Acho que é mais ou menos isso.
  • Aldenir  22/05/2013 16:22
    Olá André, sou novo aqui e ainda estou aprendendo um pouco sobre tudo, mas vou responder sobre a Microsoft e sobre a Votorantim lá em cima do anônimo, porque são coisas similares.

    - Sim, existe uma bagagem técnica (fora os estados) que atrapalha empresas de entrarem em competições gigantes partindo do nada. No entanto, como muitos dos artigos que tratam o MB dizem, o mercado é dinâmico. Nem sempre essa empresa ira surgir do nada. Hoje o maior concorrente da MS não é o Linux, mas o Android e o OS da Apple. Lembre-se que ano passado (acho, não lembro), grande parte do lucro da MS veio do X-Box e não do Windows. Pq? Apesar da MS dominar o mercado de PCs, este não é o mercado que irá prevalecer e ela sabe disso, dado seu investimento em smarphones e tablets cada vez maior. Pq? Porque da mesma forma que o Google e a Apple tinham essa bagagem técnica para entrar no mercado da MS (e talvez não entraram pq acharam que não valia mais o investimento), a mesma tem a bagagem para fazer o inverso e é isso que tenta mostrar o artigo do Huerta.

    - Da mesma forma, a Votarantim, apesar de dominar o mercado por muito tempo, nunca estorquiu realmente seus clientes (sou engenheiro civil :D). Pq? Pq apesar de poucas empresas conseguirem entrar no ramo do cimento, existiam várias empresas menores que trabalhavam com estrutura metálica e madeiras que sonhavam em serem maiores, tinham autorização para funcionarem e só enfrentavam o problema de alto custo devido a pequena procura por seus serviços. Imagina se de repente o serviço em concreto fique caro a ponto desses setores crescerem (e crescem lentamente a cada ano) e se tornarem uma opção, não é que a Votorantim fica com menos clientes, o mercado dela simplesmente sumiria uma hora :D (como é pequeno o mercado de concreto armado fora do Brasil)
  • Pesquidador pertubado  22/05/2013 17:46
    Caro Aldenir queira traduzir o que significa :D,pois essa expressão ficou obscura para eu e acho eu para a maioria,afinal eu não domino a linguagem internetês.Desde já agradeço a resposta.
  • Andre Cavalcante  23/05/2013 09:23
    Olá Aldenir,

    "Olá André, sou novo aqui e ainda estou aprendendo um pouco sobre tudo, mas vou responder sobre a Microsoft e sobre a Votorantim lá em cima do anônimo, porque são coisas similares."

    Não vejo assim: a Votarantim está em um mercado típico: tem custos altos por material produzido e seu lucro vem diretamente da produtividade. Basta que haja possibilidade de entrada de novos competidores para se ter concorrência e ela manter os preços mais baixos possíveis, tanto é, que seu exemplo para a ela, foi exatamente da concorrência potencial. A Microsoft está, por outro lado, em um mercado fortemente afetado pelo efeito da rede: o seu monopólio é gerado tecnicamente. Imagine o seguinte cenário: a MS quebra, o que aconteceria com o Windows? Bom, alguma empresa pode pagar pelos fontes e pelos funcionários e dar continuidade ou as pessoas passam a migrar para outro SO. Neste último caso os custos associados serão gigantescos e a mudança levará vários anos - é claro que para um usuário doméstico há outras alternativas, mas usuário doméstico é um naco do grosso do dinheiro envolvido. Outra diferença substancial é que a MS ganha após o desenvolvimento: uma vez desenvolvido o software a cada nova cópia, não há mais quase nenhum custo envolvido.

    "Sim, existe uma bagagem técnica (fora os estados) que atrapalha empresas de entrarem em competições gigantes partindo do nada. No entanto, como muitos dos artigos que tratam o MB dizem, o mercado é dinâmico. Nem sempre essa empresa ira surgir do nada. Hoje o maior concorrente da MS não é o Linux, mas o Android e o OS da Apple"

    Agora cê misturou as bolas: Android é o kernel linux 2.6 alterado para lidar com certos hardwares para dispositivos móveis. A google já está, inclusive, voltando suas alterações para o projeto principal. O OS da Apple para embedded systems é o iOS.

    Se somar Linux + MacOS temos em torno de 10% do mercado de SOs para PCs (o que inclui um bocado de servidores de internet e aplicações específicas, onde só entra Mac; se usarmos o critério apenas de PCs padrão IBM e uso corporativo+doméstico, a conta não chega a 7%).

    "Lembre-se que ano passado (acho, não lembro), grande parte do lucro da MS veio do X-Box e não do Windows."

    Rapaz, não é a informação que acho no google. Segundo as principais revistas, o relatório fiscal da MS para 2012 apresenta um lucro em queda (USD6.05bi de lucro), principalmente pela queda na venda de PCs (seu peso é menor hoje que foi no passado). A divisão de entretenimento foi responsável por módicos USD 1 bi de faturamento, sendo USD 342 mi vindos do XBox, já o conjunto Windows+Office foi responsável por USD 5.7 bi de faturamento. O alívio veio da parte de serviços que chega a USD 2.5bi de faturamento, já mostrando a clara mudança para uma mundo pós-PC.

    "Pq? Apesar da MS dominar o mercado de PCs, este não é o mercado que irá prevalecer e ela sabe disso, dado seu investimento em smarphones e tablets cada vez maior. Pq? Porque da mesma forma que o Google e a Apple tinham essa bagagem técnica para entrar no mercado da MS (e talvez não entraram pq acharam que não valia mais o investimento), a mesma tem a bagagem para fazer o inverso e é isso que tenta mostrar o artigo do Huerta."

    Não, nem a Google e nem a Apple não tem a bagagem técnica necessária para "entrar no mercado" da MS. De fato, ninguém tem. Novamente, se MS quebrasse hoje, talvez a Apple até tivesse dinheiro para comprar o Windows, mas não poderia/teria como impor o MacOS, mesmo sem a MS na jogada. O único produto que pode substituir o Windows é outro Windows e, como a MS ainda está muito bem viva e vai continuar assim por longos anos, nem adianta aparecer outros "competidores" - uma pequena mudança ou mesmo um "bug" intencionalmente colocado basta para as alternativas morrerem na praia. P.ex. há uma alternativa de código aberto para o Windows, chamado ReactOS. Qual é o problema com ela? Os desenvolvedores não conseguem acompanhar as modificações no kernel Windows (que ocorrem a cada ano ou menos) de forma a deixar o seu SO estável. A última que acompanhei, há coisa de 2 anos atrás, foi o fato de existir um estouro de pilha em uma função bastante corriqueira da interface com o usuário e que deve ser replicada fielmente se não as aplicações não funcionam adequadamente. Agora multiplique esta "dificuldade técnica" por 100 ou 1000 e você verá que não é trivial fazer um SO "concorrente" ao Windows. Tecnicamente o Linux pode ser melhor e mais barato que o Windows, mas nem por isso as pessoas e empresas deixarão de usar o Windows pelo efeito de rede: eu uso porque todo mundo usa - todo mundo usa porque a alternativa é basicamente sair do mercado e ir para outro tipo de solução.

    A minha dúvida permanece, como se dá a concorrência, segundo o Herta, em mercados com esse efeito de rede?
  • Ali Baba  23/05/2013 11:57
    @Andre,

    Não tenho uma resposta objetiva a sua pergunta, somente mais comentários e quem sabe conseguimos uma resposta pensando em conjunto.

    A questão da virtual dominância absoluta da MS em mercado de desktop advém de uma forma de fazer negócio com software que começou com a própria MS. No início dos anos 80 Bill Gates inclusive publicou essa forma em uma revista acadêmica de informática. Ela é intrinsecamente ligada a discussão dos bens tangíveis e intangíveis.

    O modelo que Bill Gates introduziu utiliza-se das leis de patentes e de direito autoral para transformar bens intangíveis em bens tangíveis. IMHO, esse é o segredo do monopólio da Microsoft, e não o efeito de rede. Se não fosse ilegal distribuir um clone do Windows, talvez tivéssemos concorrentes a altura (e louvo a iniciativa do ReactOS, mas duvido que ele chegue perto uma vez que, se chegasse, as leis sobre as quais a Microsoft construiu seu monopólio tratariam de destruí-lo).

    Os austríacos são divididos quanto aos bens intangíveis. A maioria dos textos que eu leio trata bens intangíveis como bens não-escassos... portanto algo semelhante a um não-problema. Veja que a economia trata de como a sociedade lida com o problema da escassez. Ao tornar um software um bem tangível, a Microsoft cria a escassez e a maioria dos austríacos acha que esse arranjo artificial deveria ser execrado (os ancaps como eu vêem como esse arranjo depende dos oficiais armados do governo para ser levado a cabo, ou seja, duplamente execrável). No entanto, há facções que concordam com isso, especialmente os que se dirigem para o espectro conservador.

    Eu fico muito curioso para saber o que o pessoal do IMB pensa sobre isso...
  • Wagner  23/05/2013 13:21
    Eu não entendo a sua dúvida. A concorrência É livre, o fato de ser caro, difícil ou qualquer outro problema técnico não significa nada. Basta portar os aplicativos Windows, ou criar um "Wine" da vida... nada te impede, apenas a sua própria capacidade intelectual e financeira.

    Você pode dizer que não existe concorrência apenas quando alguém artificialmente bloqueia a entrada de outros competidores, algo como "Aqui no Brasil só pode ser vendido o Windows pois ele é homologado pela ANAOS e pronto"; Nesse cenário, mesmo possuindo capital E capacidade intelectual você não pode entrar no mercado.
  • Fellipe  23/05/2013 15:22
    Prezados,

    Não vou entrar no mérito da IP, isso é um outro tema... E que a MS e todos os players deste mercado sabem usar a seu favor.

    Eu não consigo entender a raiva quase marxista contra a MS. Se o Windows é ruim, é só comprar outro OS. Ah, mas o MacOS é muito caro (tem que comprar o hardware junto) e o Linux não é (ou era) tão bom quanto.... Então isso quer dizer que a MS (pirata ou original) é o melhor custo-benefício do mercado e logo o produto que melhor atende seus consumidores, não?

    Particularmente fiquei mais de uma década usando o Windows e mesmo com seus problemas (qual produto não tem?) me atendeu muito bem. Aliás o Win2k e o WinXP, em minha opinião, foram em suas épocas os melhores OS disponíveis. Mudei há alguns anos para o MacOS e iOS porque como consumidor, decidi que dentre as opções disponíveis valia o custo.

    Logo se os consumidores não mudam de OS, por qualquer razão que seja, é porque ponderaram e acharam melhor ficar onde estavam. Se a MS relaxar, vai aumentar o benefício para a troca de produto.

    Deixemos de lado a raiva só porque determinada empresa domina seu mercado. Deveríamos perguntar porque ela consegue, por méritos próprios ou porque bloqueia o acesso da concorrência através do governo.

    Abs,
  • Wagner  23/05/2013 17:08
    Correto Felipe, a MS está no topo por seu próprio mérito... conforme ela conquistou o mercado foi ficando cada vez mais difícil para outros players entrarem, mas essa dificuldade não configura um monopólio.

    Antes da MS dominar o mercado a IBM tinha um ótimo sistema operacional (que era muito mais promissor que o Windows), no entanto para ter acesso a API (conjunto de funções necessárias para criar programas pro sistema operacional) era necessário pagar. A MS entrou no mercado fornecendo de graça sua API pois eles sabiam que o Sistema Operacional dependeria de programas de terceiros para se tornar popular, com isso ela ganhou mercado e se tornou a potência que conhecemos.
    Se outro sistema operacional agora quiser tomar o lugar da Microsoft eles vão ter que oferecer algum benefício extra, assim como a MS ofereceu sua API de graça, que seja forte o suficiente para fazer os usuários e desenvolvedores migrarem.
  • Ali Baba  24/05/2013 16:11
    @Fellipe,

    Não vi nenhuma raiva nos argumentos do André ou no meu comentário. Estamos tentando entender como um monopólio não-usual se forma e se mantém. O monopólio da Microsoft é longe de ser um monopólio usual. O André acredita que isso se deve ao efeito de rede; eu acredito que isso se deve a transformação de um bem intangível em um bem tangível e a proteção desse pela legislação. Só isso. Duas pessoas intrigadas, com experiência inicial em EA, querendo ouvir dos mais experientes se suas impressões empíricas estão corretas.
  • Fellipe  24/05/2013 17:18
    Olá Ali Baba,

    Desculpe se fui ofensivo, não era minha intenção. Mas meu intuito era sim ser provocativo, digo isso porque eu fui no passado uma das muitas pessoas que ficavam criticando a MS e o Bill Gates mas não saíam do Windows. Me pareceu que vocês tinham essa mesma postura.

    Eu pessoalmente não acredito no "efeito rede" ou a questão do bem tangível. Entendo que ao levantar a questão de bem tangível você de alguma forma cai na proteção da propriedade intelectual, como você mesmo comentou, e isso é barreira legal. E o efeito rede em minha opinião é o aumento do custo de migração pelo benefício recebido.

    Somente uma observação, em seu último comentário você reiteradas vezes cita a MS como monopólio. Como disse em meu primeiro comentário, leis de patente não só a MS usa, mas também seus concorrentes (não estou dizendo que concordo, aliás abomino essa barreira legal). O ponto é que não há barreira de entrada, aliás a área de IT é uma das mais livres. Não existe monopólio neste caso.

    Abraços,
  • Andre Cavalcante  24/05/2013 23:37
    "Se o Windows é ruim, é só comprar outro OS."

    Não, não é bem assim. Você somente pode trocar de OS, que um software de base, se ele for compatível com as aplicações que você já utiliza.

    "Ah, mas o MacOS é muito caro (tem que comprar o hardware junto) e o Linux não é (ou era) tão bom quanto.... "

    Também não é questão somente do preço ou o aspecto técnico. De novo, se o OS não puder executar o meu ERP que custou milhões para ser desenvolvido, eu simplesmente não posso mudar de OS, ou terei que investir outros milhões para portar o ERP para o novo OS. Para um usuário doméstico isso não faz muita diferença até porque não possui aplicações críticas e/ou somente usa aplicativos piratas, então fica mudando de aplicações de quando em quando. Mas para usuários corporativos isso é fundamental.

    "Então isso quer dizer que a MS (pirata ou original) é o melhor custo-benefício do mercado e logo o produto que melhor atende seus consumidores, não?"

    Perfeito e eu acho que daí veio a superioridade da MS hoje - ela soube oferecer o melhor custo/benefício na época certa, o da formação do TI que usamos hoje. Uma vez formado o arcabouço, torno-me escravo dele, e a MS se beneficiou e se beneficia disso até hoje.

    "Particularmente fiquei mais de uma década usando o Windows e mesmo com seus problemas (qual produto não tem?) me atendeu muito bem. Aliás o Win2k e o WinXP, em minha opinião, foram em suas épocas os melhores OS disponíveis."

    Minha opinião: o XP é muito bom, mas o 2K estava muito bugado.

    "Mudei há alguns anos para o MacOS e iOS porque como consumidor, decidi que dentre as opções disponíveis valia o custo."

    Ha, ha! Você foi "tomado" pelo efeito rede!

    "Logo se os consumidores não mudam de OS, por qualquer razão que seja, é porque ponderaram e acharam melhor ficar onde estavam. Se a MS relaxar, vai aumentar o benefício para a troca de produto."

    Exato. Mas depois da escolha feita, não tem como eu mudar facilmente.

    Mais uma vez, historicamente o preço do XP foi muito superior a todas as outras versões. A MS teve que fazer uma bruta promoção na versão 7 e mais ainda na versão 8 para fazer as pessoas fazerem o upgrade. De fato somente conseguiu vender a versão 8 depois que aposentou de vez o XP.

    A gente acha que a informática muda muito rapidamente, mas a verdade é que ainda temos softwares que estão rodando por aí (e muitos deles são a base das TICs) com 20, 30 anos de existência. Manter tal compatibilidade não é fácil.
  • Fellipe  27/05/2013 03:14
    Andre,

    "Não, não é bem assim. Você somente pode trocar de OS, que um software de base, se ele for compatível com as aplicações que você já utiliza."

    Tomo como exemplo o MS Office. Vários OS, até o próprio Windows, tem programas que são compatíveis. Com emuladores, vc pode usar o pacote office da MS em outros OS. Logo os custos de migração estão cada vez menores, as soluções existem, cabe às pessoas procurar, se quiserem.

    "Ha, ha! Você foi "tomado" pelo efeito rede!"

    Não entendi, acabei de demonstrar q dependendo do custo-beneficio se pode sim mudar, e vc disse q isso é o tal do efeito rede. Sua argumentação é exatamente o contrário, como por exemplo em "Exato. Mas depois da escolha feita, não tem como eu mudar facilmente."

    Concluindo, não entendo essa tara contra a MS. É a mesma coisa que se eu comprar um rifle AR-15, que tem calibre .223 e obviamente não posso usar .308 e sair reclamando que a Colt ou outro fabricante licenciado é "monopolista" e está indo contra o mercado. Ou comprar uma câmera Canon e reclamar que não consigo usar as lentes da Nikon e por isso ela está monopolizando o mercado e impedindo minha liberdade. Cada um que escolha seu produto e arque com as consequências.

    Abs,
  • Ali Baba  27/05/2013 12:47
    Existe uma visão de que grandes empresas como a Microsoft galgaram sua posição pelo mérito de seus produtos melhores (o que seria verdade se operássemos em um Livre Mercado como os libertários pregam). De certa forma, toda a vez que alguém (não necessariamente um libertário) critica uma grande empresa como a Microsoft nesse site sempre tem um (libertário) de plantão dizendo algo ao longo das linhas "o que vocês estão reclamando, é um monopólio legítimo e, se não fosse bom, um outro produto/empresa já teria tomado seu lugar".

    Me parece que a discussão entre Andre e Fellipe está nesse tom. Gostaria de lembrar aos amigos uma passagem de Rothbard que esclarece o que acontece:

    For some time I have come to the conclusion that the grave deficiency in the current output and thinking of our libertarians and "classical liberals" is an enormous blind spot when it comes to big business. There is a tendency to worship Big Business per se … and a corollary tendency to fail to realize that while big business would indeed merit praise if they won that bigness on the purely free market … in the contemporary world of total neo-mercantilism and what is essentially a neo-fascist "corporate state," bigness is a priori highly suspect, because Big Business most likely got that way through an intricate and decisive network of subsidies, privileges, and direct and indirect grants of monopoly protection.

    Talvez o efeito de rede que o André esteja cotejando seja uma boa explicação para o caso do Monopólio da Microsoft, mas eu acredito que a proteção que Bill Gates angariou das leis de propriedade intelectual e de direito autoral quando transformou um bem intangível em um bem tangível é o que explica o tamanho e a dominância da Microsoft, à luz do que Rothbard escreveu acima.

    De qualquer forma, sempre que estejamos diante de uma grande empresa, devemos pensar que ela alcançou essa posição em um ambiente não de livre mercado... e isso tem de pesar quando analisamos se um monopólio é legítimo do ponto de vista libertário ou é mais um artefato de uma sociedade estadista.
  • Fellipe  27/05/2013 13:14
    Ali Baba,

    Irretocável seu comentário no que tange o alerta de Rothbard sobre as grandes empresas e a armadilha em que vários libertários caem.

    Somente gostaria de esclarecer que não estou defendendo a MS, inclusive deixei claro em meus comentários que a MS e seus concorrentes usam muito bem as leis de patentes e IP, e isso significa algum grau de restrição de competição.

    Meu ponto é conceitual, estamos perdendo tempo e energia criticando a MS como sendo um monopólio - o artigo em questão do Jesus Huerta de Soto é bem claro sobre o conceito correto. Existem produtos e empresas concorrentes com liberdade de entrada no mercado, é só isso que quis esclarecer. E em um dos poucos mercados com bom nível de liberdade nossa soberania como consumidores deve prevalecer, se não gostamos da MS devemos penalizá-la gastando nosso suado $$ com a concorrência.

    Devemos usar nosso tempo e energia na direção certa.

    Abs,
  • Ali Baba  27/05/2013 14:18
    @Fellipe,

    Estamos convergindo, mas não posso deixar de apontar que não existe liberdade de entrada nesse mercado. Analisemos por paralelos para poder ressaltar a diferença:

    Considere o caso da Gillete (que não é um caso perfeito, mas serve para o que estamos debatendo). Fazer um barbeador idêntico à Gillete está a meu alcance. Posso, se possuir o capital suficiente, abrir uma fábrica amanhã e inundar o mercado com um barbeador em tudo (inclusive em qualidade) idêntico à Gillete. O que me impede de dominar o mercado e falir a Gillete é o imenso poder que a marca tem. Você vai olhar a caixinha da AliBaballete e vai comparar com a caixinha da Gillete e, apesar de não encontrar diferença nenhuma (a não ser o preço) vai preferir a Gillete por ser um produto tradicional com o qual você tem muitos anos de experiência.

    O caso do Windows é diferente. Eu não posso, não importa o tamanho do meu capital, criar um clone do Windows em tudo semelhante ao da Microsoft, inclusive com a compatibilidade esperada (sim, no AliBabadows você pode executar os seus jogos favoritos). E isso não ocorre por força da marca (embora é provável que ela pese de alguma forma). Isso ocorre porque eu sou proibido de fazê-lo por força de lei. Logo não existe liberdade de entrada.

    Dizer que qualquer um pode fazer um sistema operacional e que portanto há liberdade de entrada nesse mercado é tergiversar. Não estamos falando de qualquer aparelho de barbear, estamos falando de um aparelho idêntico ao da Gillete; da mesma forma não estamos falando de qualquer sistema operacional, estamos falando de um idêntico ao Windows.

    Por outro lado, temos o efeito de rede que o Andre propoe. Uma das consequencias desse efeito e que, IMHO, deve ser considerado é que os grandes fabricantes de computador vendem suas máquinas com o Windows instalado, funcionando perfeitinho. Se você quiser usar outro sistema operacional, tem de passar pelo fardo de instalar você mesmo, o que, sozinho, já é responsável por você nem considerar isso. O fabricante faz isso por que é o que seu consumidor espera (e tudo certo com o Livre Mercado até aqui), mas se houvesse um clone do Windows, os fabricantes de computadores iriam instalar o que fizesse mais sentido do ponto de vista econômico e seu consumidor continuaria sendo atendido. Aqui se identifica claramente o "efeito de rede" a que o Andre se refere... no entanto ele não é mais que um corolário natural de uma violação do Livre Mercado (novamente, IMHO).
  • Fellipe  27/05/2013 16:32
    Ali Baba,

    Sim, realmente temos muitos pontos convergentes. Acredito que o maior exemplo seja a proteção legal que as leis de patentes e IP dão aos players em qualquer atividade e como isso distorce os mercados. Sendo assim não vou me estender nesta questão.

    Mas continuando com o debate de grande nível que estamos tendo, gostaria de continuar a discussão onde divergimos. O que estou querendo ressaltar é que você está confundindo barreira legal de entrada com impossibilidade legal de copiar. Nem o Windows da MS e nem a lâmina de barbear da Gilette podem ser copiados legalmente, isso é fato, sendo irrelevante para nossa discussão o que acontece no mercado negro.

    O Windows não é o mercado, é um produto (SO). E qualquer um tem a plena liberdade de criar outro SO que satisfaça as necessidades dos usuários, se algum programa que roda somente no windows é muito bom e os concorrentes não conseguem chegar no mesmo nível neste momento só mostra a qualidade deste produto, por exemplo o MSOffice. Porém isso não é garantia de nada, o Netscape já foi o padrão de browser, o Lotus 1-2-3 já foi o de planilha eletrônica e por aí vai. Como explicado pelo Huerta de Soto, a concorrência é um processo.

    E esse processo é visto no que a Apple e a comunidade Linux vêm fazendo. Até a Google e a Firefox estão tentando criar seus sistemas operacionais. Algum deles vai desbancar o Windows? Não sei. Mas insisto que o mercado o qual estamos nos referindo tem sim grande nível de liberdade. Tão livre ao ponto de que se você se sinta incomodado com o Windows você pode criar sua própria empresa e desenvolver um produto concorrente. É possível? Sim. É fácil? Claro que não.

    No outro extremo, um exemplo de mercado com baixo nível de liberdade é o de energia elétrica no Brasil. Moro em São Paulo e sou obrigado a comprar energia da AES. Ressalto, sou OBRIGADO legalmente.

    Espero ter esclarecido minha posição.

    Abs,
  • Ali Baba  27/05/2013 20:24
    @Fellipe,

    Esclareceu e realmente convergimos. Deveria ter esclarecido o caso da Gillete. Veja que posso copiar a Gillete igualzinha e vender com outro nome por que a patente do aparelho já expirou (A Gillete reagiu lançando novos modelos com 3 lâminas e com design diferente, etc).

    No caso do Windows a patente é uma barreira muito mais significativa pq o mercado é muito mais volátil. Vamos supor que a patente sobre o Windows 3.1 tenha expirado (e não é o caso, mas vamos supor), de que me adianta copiar o Windows 3.1 se o que o mercado quer é algo como o Windows 8?

    Então, embora a patente proteja a Gillete no seu modelo novo, nos modelos antigos ainda existe um enorme mercado... inclusive esse mercado é explorado hoje pelos concorrentes da Gillete (já viu quantos existem? BIC, Bozanno ...).
  • Bernardo  22/05/2013 17:36
    Parabéns a todos: autor, IMB e comentaristas. Mais um artigo excelente.
    Hoje, entretanto, focarei outro detalhe: a escolha da imagem. Simplesmente genial.
    Deve ser assim que as pessoas (monopolistas? oligopolistas? who cares!) cujo sucesso deriva do talento/trabalho/sorte/competência (e não da roubalheira/demagogia/populismo/corrupção) devem sentir-se (seja o Neymar, o Cristiano Ronaldo, o Justin Bieber, o Bill Gates, o especulador da bolsa, o ganhador da mega-sena, o André Esteves, o Jorge Paulo Lemann, o Hank Rearden etc.) quando são atacadas por todos os lados em função do que conquistaram.
    Mais uma vez, parabéns a todos e desculpe caso tenha citado alguém ou algum fator erroneamente.
  • Guilherme  22/05/2013 21:06

    "A concorrência é um processo dinâmico que envolve rivalidade. Trata-se de um processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam."

    Acho que esta definição é um dos maiores impedimentos que o livre mercado tem para se difundir na sociedade. É muito dificil para as pessoas aceitarem que a rivalidade seria a melhor forma de se obter eficiencia na administração dos recursos.

    Alguem poderia explicar melhor como o livre mercado conseguiria "Auto-Controlar" esta rivalidade para não ser "Destrutiva" no que se diz respeito a propriedade e a ética?

    Obrigado!!!
  • Anônimo  22/05/2013 23:57
    Não se preocupe: A Coca-Cola não mandará homens armados ao escritório da Pepsi.

    Se você quer dizer "Anti-ético com as competidoras":

    *Se o estado não garante condições de segurança e respeito à propriedade, companhias extremamente competitivas nem mesmo existiriam.
    *Sobre a ética, você pode ser ganancioso o quanto quiser; mas nada conseguirá se não converter tal desejo por dinheiro em algo que a sociedade queira comprar. Se desejar forçá-la, volte ao primeiro ponto.
    *Anti-Ético = Violando o direito à vida, liberdade e propriedade de uns.

    Se você quer dizer "Anti-ético em seus métodos produtivos":

    *A única forma que consigo pensar em como produzir algo de forma anti-ética é através do trabalho escravo(Forçado) ou tendo fatores de produção produzidos por escravos. Entretanto, receio que se a companhia decidir comprar produtos de algum escravocrata no Congo, ela correrá o risco de:

    - Se descoberta, melhor fechar logo as portas. Aconteceu durante a crise do diamante na Libéria e Costa do Marfim durante seu período de guerra civil, quando para tomar o estado, revoltosos escravizaram seu próprio povo para vender diamantes à uma empresa francesa e pagar pela "revolução".

    - Sair em desvantagem. O custo de forçar uns ao trabalho é altíssimo. Produzido diretamente ou indiretamente através do trabalho forçado, os preços estarão naturalmente altos, tornando a compra de bens produzidos através da escravocracia raramente vantajosa. A melhor defesa contra o financiamento de escravocracias é a presença de economias desimpedidas com muitos bens de capital. Isso desestimulará qualquer empresa a consumir bens vindos de escravos.
  • Joeber B. S. de Souza  23/05/2013 11:01
    Anônimo, bom dia.
    Você não encara a colocação de água e ureia no leite como o caso anti-ético de meio de produção? Seria somente anti-ético se fosse uma mistura feita por escravos?
    Acho que deveríamos expandir o estudo e a discussão da consciência ética na economia. Pois através de seu estudo poderíamos dizer que atitudes radicais ou a busca do meio termo podem não ser conflitantes, ou seja, dependendo do contexto, ambas serão éticas. Concordo que com o aumento do estudo do livre mercado e sua expansão criaríamos uma mentalidade consumidora diferente, que sucumbiria com estas empresas que recebem este leite em pouco tempo. Logo o produtor final seria o nosso principal agente fiscalizador, mas qual a garantia da formação da consciência ética pelo livre mercado? Eu como cidadão empreendedor, mesmo sem garantias, investiria, pois a exemplo dos modelos atuais, só vejo dificuldades na capacidade das pessoas de se tornarem mais cidadãs. Por isso o livre mercado com combate a corrupção, como descrito lá nos princípios da escola austríaca, pode ser uma luz no fim do túnel, claro que não posso esquecer o princípio da liberdade de pensamento.
    Abraços.
  • Fellipe  23/05/2013 15:51
    Mas por que a relutância a acreditar que o livre mercado pode corrigir estes problemas?

    Hoje a anvisa, coercitivamente, impões regras ao setor alimentício e as fiscaliza. De repente aparecem empresários safados que adulteram seus produtos. Isso não seria uma falha de GOVERNO? Precisamos de mais intervenção?

    Abs,
  • Anônimo  23/05/2013 16:22
    Há uma diferença entre competição anti-ética e fraude. A segunda é verificável e facilmente corrigível, é a venda de um produto adulterado e é um crime. Não é uma questão de "ética mercadológica", é uma questão de ética por contra própria. O estado possui pouco incentivo para procurar por essas de forma incansável e inúmeras agências de "fiscalização" terminam servindo como fonte de poder para grandes oligopólios como a questão telefônica.

    Joeber, o debate sobre o leite É importante E deve ser feito. Não venha acreditar na desonestidade intelectual minha e da comunidade de que apenas abordamos os casos que nos são convenientes. Discutimos exaustivamente a questão do leite entre o Faccioni, o Lopes, o Rudson e o Thames no artigo de 14 de maio.

    O mercado não é perfeito e ainda bem. Suas imperfeições são o motivo do empreendedorismo. Ele está constantemente recebendo estímulos financeiros para corrigir os próprios problemas, diferentemente do estado, que manter-se-á no poder independentemente de seus serviços serem satisfatórios.

    Ninguém com bom senso prometerá o paraíso. Mas lhe garanto que o mercado possui todo o estímulo para buscá-lo.

    Abraço.
  • Henrique Figueiredo Simoes  23/05/2013 16:26
    Caro, Joeber, boa tarde. Por favor, me permita responder.

    Claro que se trata de uma conduta não só anti-ética, mas também criminosa. Ocorre que, no livre mercado, onde o consumidor final é o juiz do produto (e, neste mundo, nos importaríamos muito mais com o que estamos consumindo, evoluindo como pessoas e nos tornando indivíduos autênticos), o empresário se vê obrigado a ter a conduta mais ética possível, pois qualquer rumor de que seu leite é adulterado acabaria com ele no mercado.

    Entretanto, quando "terceirizamos" a nossa consciência do que é bom e do que é ruim para os órgãos estatais, estamos fomentando a continuidade das empresas já estabelecidas, uma vez que a Agência fiscalizadora irá multar a empresa (na grande maioria das vezes é uma multa insignificante), cobrar ajuste nos produtos e, pronto, podemos todos voltar a consumir aquele produto daquela mesma empresa.

    Vamos aos supermercados e confiamos piamente no que está nas prateleiras, apenas escolhendo aquele de valor mais baixo ou de marca mais conhecida - prática esta que igualmente fomenta o monopólio (pense no caso do ADES, por exemplo).

    Não obstante, se pesquisarmos o que fez esses produtores de leite adulterarem o produto, podemos ter quase certeza de que foram as condições extremamente precárias de produção, onde o lucro do leite, hoje, é ridículo.

    Espero ter contribuído e um abraço!
  • Joeber B. S. de Souza  24/05/2013 02:06
    Caros colegas, boa noite.
    Não interpreto isso como falha de governo, pois a fraude irá ocorrer em qualquer tipo de modelo de economia ou sistema político, mas como os órgãos de fiscalização são do governo achamos que estamos mais seguros. Isto mudaria se o órgão fiscalizador fosse privado?
    Porém neste caso, a postura antiética do produtor de receber o leite adulterado não mudará caso ele não seja punido de forma exemplar. Mas infelizmente a polícia investiga, e a justiça não julga, por vários obstáculos e brechas da lei.
    Mas por que este sujeito se mantém no mercado quando todos sabem quem foram os responsáveis? Na filosofia do livre mercado como se descobriria esta fraude? Como se daria a punição destes que fazem parte da cadeia de produção do leite adulterado? Como um novo empreendedor usaria isso a seu favor para tomar a fatia deste mercado? Isto leva tempo, imagine se ainda não houvesse concorrente, ficaríamos sem o produto? Ou existiria um órgão privado que gerenciaria esta empresa até a estabilização deste mercado? Ou a saída seria importar o produto? Se sim quem iria importar? Se o produtor antiético continuasse no mercado sem punição até formarmos essa massa crítica de consumidores inteligentes ele já teria sido esquecido e sufocado o concorrente.
    Ou seja, entramos numa sinuca de bico, onde sempre necessitaremos de alguém especializado no produto para fiscalizar, alguém com capacidade gerencial para uma intervenção mesmo que seja para importar ou gerenciar temporariamente e alguém investido de poder para punir e garantir a concorrência. Por isso não vejo a resistência ao monopólio pelo seu lado mercadológico de produzir coisas boas e baratas e com lucro, mas haverá sempre um fator social dependente. Em nossa sociedade isto é chamado de Estado.
    Claro que acredito que uma atuação, mesmo que mínima, mas coerente e ética do Estado deva existir, assim como, educação, saúde tem que ser visto como investimento, e fomento em transporte como estratégia fundamental neste país continental. Tudo isso poderia ser feito pelo livre mercado? Tenho dúvidas. Mas esta corrente de pensamento é válida e se justifica no momento que traz à tona a vontade de mudar o que hoje encontramos no mundo.
    Não podemos ser simplista em achar que a solução de tudo já está pronta e que basta substituirmos A por B, mesmo que achemos que o B seja o mercado internacional, pois se fosse assim, estaríamos globalizando o mercado do Brasil para o mundo, sem que o mundo globalize suas fronteiras e direitos para os brasileiros? Não podemos tratar o Brasil como se fosse uma reserva de mercado consumidor para alguns poucos países do mundo.
    Antes de acreditarmos na solução pelo livre mercado, temos que garantir quebra mínima de todas as fronteiras, moeda única e direito de ir e vir para todos. Sabem aquelas regras básicas que todos têm que conhecer, a forma de revezamento de distribuição das cartas, a condição mínima inicial para começar o jogo? Acho que é o que falta para encarar uma nova realidade. Claro que este governo faz as suas regras e as mantêm em segredo, distribui as cartas sempre e do jeito que lhe convém, e garante o máximo para si e para uma oligarquia perversa de maus empreendedores. Mas o que fazer? Elegemos este estado, mas nem por isso temos que concordar com sua incompetência.
    Temos que descobrir uma forma de quebrar esta hegemonia, e acho que as discussões com vocês é um ótimo começo, pois é um grupo que garante a liberdade de pensamento e sempre tem como a principal arma a informação, e se difundir tais idéias é legal e é o que se quer então torna-se um dever ético difundi-la.
    Concluindo, mesmo que eu tenha uma filosofia um pouco diferente, não fechar minha mente para outros pensamentos é a principal e só me faz crescer como pessoa, logo este grupo da IMB está de parabéns. Acho que não estamos aqui para julgar a pessoa e o caráter de ninguém, mas as nossas idéias e pensamentos expostos sempre serão usados para uma reflexão. E acho que isto contribui muito como fator positivo de interferência em qualquer forma de sociedade. Posso citar como exemplo o excelente debate sobre a EBSERH que assisti hoje entre um professor médico da UFF e o colega Bernardo Santoro que participa das discussões do IMB. Posso afirmar com certeza que a postura do Bernardo com sua filosofia Liberal foi corajosa e só demonstrou como idéias opostas não são capazes de distanciar os homens com consciência ética. Pois quando dois homens de bem discutem ideias diferentes no final ambos ficam com duas ideias para reflexão, mas quando não existe consciência ética,ao final, cada um sai com sua própria ideia destruída.
    Abraços.
  • Márcio  24/05/2013 08:57
    Há vários exemplos práticos disso ocorrendo diariamente. É só saber olhar. Um bastante famoso foi este:

    Regulamentações brasileiras garantem a prosperidade dos vigaristas
  • Joao  23/05/2013 04:24
    Tenho uma dúvida a respeito de monopólios.

    No ideal livre mercado, sem intervenções estatais, afirmam-se por todos os lados que as empresas tem que quebrar mesmo, e que várias novas empresas vão entrando no mercado para concorrer. Mas daí eu pergunto, imagina o tempo que deve ser para fazer uma fábrica de automóveis, de qualidade ainda. Deixa que seja totalmente livre mercado, fazendo com que empresas quebrem e novas entrem, não seria um mercado só de empresas pequenas dado que elas não conseguiriam crescer tanto e então a tecnologia seria pequena? Não teríamos aviões, carros..
  • Leandro  23/05/2013 10:11
    João, a sua dúvida advém de uma confusão muito comum a respeito do tema.

    Quando uma empresa vai à falência, suas instalações e seus equipamentos não desaparecem; eles não viram pó. Eles continuam lá, do mesmo jeito, prontos para ser utilizados a qualquer momento.

    Quando uma montadora vai à falência, sua linha de montagem não desaparece. Seus ativos físicos e bens tangíveis não evaporam e somem no éter. Tudo continua lá, intacto.

    Falência é um fenômeno exclusivamente contábil. Quando uma empresa vai à falência, seus credores assumem o controle destes ativos, fazendo com eles o que bem entenderem.

    Logo, não procede este seu temor. Uma empresa que vai à falência é apenas uma empresa que foi mal administrada. Os novos proprietários poderão agora administrá-la de forma mais condizente com as demandas dos consumidores, e até mesmo mantendo a mesma mão-de-obra. Não há nada disso de "não será mais possível fabricar aviões e carros".

    Abraço!
  • Paulo  23/05/2013 11:48
    Há um artigo em que é feito a comparação de diversas escolas.
    Ex.: Concepção de Salário.
    Ai, é visto como os marxistas veem o trabalho; como os austriacos; como os keynesianos...
    alguém saberia me dizer qual é o artigo???
  • Thames  23/05/2013 11:59
  • Rodrigo Rocha  23/05/2013 14:50
    Sou economista e mestre em estatística e, antes de tudo, gostaria de apresentar-me como um grande defensor e divulgador dos ideais liberais. É justamente por essa razão que aprecio tanto uma discussão desta natureza, em que esses fundamentos são submetidos às mais duras provas, isto é, submetidos a argumentos apartidários e que realmente questionam a teoria de forma idônea e enriquecedora.

    Mesmo no mundo em que vivemos, tão distante de uma situação verdadeiramente próxima à livre concorrência, estou convencido de que temos "monopolistas" (ou mesmo "oligopólios") que obtiveram êxito simplesmente por oferecerem algo que nenhum outro concorrente seria capaz de oferecer e não por gozarem de algum tipo de vantagem desleal.Talvez os melhores exemplos desse sucesso sejam justamente os já mencionados por vocês e o autor, bens e serviços superintensivos em tecnologia como os gadgets da Apple, os sistemas operacionais da Microsoft e os serviços de internet do Google, enfim, bens que destacadamente se opõem ao conceito de commodity por apresentarem menos similaridades com outros bens da mesma categoria oferecidos pela concorrência.

    Saíamos um pouco dessa "zona de conforto" do argumento contra mecanismos antitruste e vejamos, pois, um exemplo hipotético do mercado de commodity.

    Sabidamente hoje a produção de soja se concentra nas mãos de grandes latifundiários no Brasil (evidentemente isso não se constitui num problema per se, na medida que o alto grau de produtividade atualmente obtido é um grande indicativo de que talvez seja essa a melhor forma de organização para a produção de soja e, consequentemente, a que mais beneficia a sociedade como um todo).

    Contudo imaginemos uma situação de um produtor brasileiro de soja de médio porte que descobre uma maneira de dobrar a produtividade do solo. Imaginemos que tal produtividade é suficiente para que o produtor possa, ao mesmo tempo, oferecer um preço mais baixo ao consumidor e obter uma margem maior que a concorrência.

    Pergunto-lhes o que seria mais provável num ambiente de livre concorrência perfeita sem mecanismos antitruste: ele expandir os seus domínios e fazer frente aos grandes produtores (trazendo melhores preços e talvez melhor qualidade para os consumidores) ou ele receber uma proposta irrecusável pela sua inovação, que até entrará em vigor pelos grandes latifundiários por baixar os custos da produção, mas que não estenderá esse benefício ao preço que chega para o consumidor?

    Com isso não gostaria de defender os mecanismos antitruste, não gosto da ideia de confiar a ninguém esse poder, mas gostaria de ouvir de vocês como podemos escapar dessa armadilha teórica?

    Além disso gostaria de fazer uma crítica a esse artigo e, novamente, obter de vocês uma opinião: não gostei da atitude do autor ao demonizar o uso da matemática. A matemática é um instrumento facilitador da criação e exposição de teorias. Ela é como uma arma que pode ser usada para matar ou salvar vidas. A arma não mata ninguém, quem assassina é o seu manipulador. Pareceu-me um argumento vazio e usualmente defendido nas universidades por aqueles contrários ao discurso liberal.

    Cuidado!
  • Leandro  23/05/2013 15:04
    Isso não é armadilha teórica nenhuma. Se o cara recebeu uma proposta atraente para a sua propriedade privada e por seus meios de produção, e aceitou vendê-los, isso é um direito dele. Ninguém tem nada com isso.

    O que você realmente está querendo dizer -- mas não vocalizou explicitamente -- é que você apreciava tão enormemente o trabalho feito por esse pequeno latifundiário, que acabará sentindo falta dele quando ele sair do mercado e entregar sua propriedade e seus meios de produção voluntariamente para outra pessoa. No fundo, você está apenas fazendo um grande elogio ao trabalho dele. Ora, se até você reconheceu esta excelência dele, então não há por que demonizar o outro que se dispôs a pagar um bom dinheiro pelos meios de produção utilizados por esse cara.

    Quanto ao uso da matemática na economia, não apenas foi ela quem deu origem a todos os sistemas de planejamento central ao longo da história, como também é ela que continua sendo diariamente utilizada para justificar políticas intervencionistas de distribuição de renda, de política industrial, de regulação por meio do CADE e de agências reguladoras, e para vários outros tipos de protecionismos.

    Agradecemos seu alerta, mas sabemos bem o que estamos fazendo. Não se preocupe.

    Grande abraço!
  • Rodrigo Rocha  24/05/2013 18:33
    Caro Leandro, boa tarde.

    Na verdade, com relação ao médio produtor, acho completamente genuína a sua escolha em vender sua tecnologia e sair do mercado, sendo essa realmente a sua vontade. Também acho justo e oportuno outros quererem adquirir tais inovações para depois empregá-las em seu próprio benefício.

    O que mais lamento é que o potencial de baixa de preços não possa chegar de maneira mais ampla aos consumidores. Mesmo assim,é justo que o fictício grande produtor fique com todo excedente uma vez que ele certamente foi mais eficiente em achar oportunidades do que os outros consumidores, certo?

    Mas sérá que poderíamos dizer que nesse caso a "mão invisível" realmente está presente, uma vez que não há benefício (pelo menos não diretamente) para o resto da sociedade?

    Com relação ao uso da matemática, respeito sua opinião, entendo as suas motivações em defendê-la mas ainda sigo resistente em aceitá-la.

    Você realmente acha que a matemática só pode apresentar argumentos em favor das políticas antitruste? Você não acha que ela também possa ser empregada para ajudar derrubá-las?

    Revisitemos os ilustres economistas do pensamento liberal mencionados pelo Lopes e como eles empregaram a matemática.

    Abraços
  • Leandro  24/05/2013 18:44
    "Mas será que poderíamos dizer que nesse caso a "mão invisível" realmente está presente, uma vez que não há benefício (pelo menos não diretamente) para o resto da sociedade?"

    Como assim? Por que não haverá benefício? Como você determinou isso de antemão? Segundo as condições que você próprio estabeleceu, esta empresa está atrás de "uma maneira de dobrar a produtividade do solo. [...] tal produtividade é suficiente para que o produtor possa, ao mesmo tempo, oferecer um preço mais baixo ao consumidor e obter uma margem maior que a concorrência."

    Ou seja, trata-se de um processo de fusão ocorrendo no livre mercado, no qual uma empresa quer otimizar seu processo de produção, reduzir seus custos, aumentar sua produtividade, reduzir seus preços e obter uma margem maior que a concorrência. Por que isso não seria benéfico para o resto da sociedade?


    "Com relação ao uso da matemática, respeito sua opinião, entendo as suas motivações em defendê-la mas ainda sigo resistente em aceitá-la. Você realmente acha que a matemática só pode apresentar argumentos em favor das políticas antitruste? Você não acha que ela também possa ser empregada para ajudar derrubá-las?"

    Nunca vi -- e nem visualizo -- a matemática sendo utilizada para esta última situação, muito menos de maneira maciça. A matemática é inaplicável porque envolveria a mensuração de bem-estar e coerção, algo não-matematizável. Envolveria também o cálculo de quais produtos deixaram de ser produzidos em decorrência da intervenção estatal sobre a administração de uma empresa, outra impossibilidade.

    Caso um dia tudo isso se torne possível e ocorra volumosamente, aí talvez eu possa mudar de ideia.
  • Rodrigo Rocha  24/05/2013 19:11
    Concordo plenamente que a nova empresa, fruto da fusão do médio e do grande produtor, estaria reduzindo seus custos, aumentando sua produtividade e obtendo uma margem maior que a concorrência.

    No entanto, "reduzir preço" não é uma prática comum na existência de um ou poucos ofertantes.
  • Leandro  24/05/2013 19:48
    ""reduzir preço" não é uma prática comum na existência de um ou poucos ofertantes."

    Por que não? Se uma redução de preços aumentar a demanda -- e, consequentemente, os lucros e a receita --, então é claro que a empresa fará isso.

    No entanto, é realmente necessário enfatizar este ponto que você citou. No atual mundo inflacionário em que vivemos, uma redução nominal nos preços de fato não é algo corriqueiro. Mas isso não significa que ela não esteja ocorrendo. No nosso mundo inflacionário, a concorrência de preços se dá de outro modo: ela ocorre pela redução de custos, justamente o caso deste exemplo que você citou.

    Toda empresa está interessada em aumentar sua produtividade. Ao fazer isso, ela é capaz de segurar um aumento nos preços, ou, no máximo, aumentá-los menos que a concorrência (em um mercado competitivo e em expansão, os preços só aumentam em decorrência da inflação monetária praticada pelo banco central). Já aquelas empresas concorrentes que não conseguirem aumentar sua produtividade, ainda assim serão obrigadas a reprimir um aumento de seus preços, pois se o fizessem perderiam mercado.

    Consequentemente, se essas empresas menos eficientes quiserem se manter lucrativas e permanecer no mercado, elas terão de encontrar uma forma de aumentar a produtividade de sua mão-de-obra. Elas simplesmente não podem se dar ao luxo de ficar para trás. E isso é um claro exemplo de concorrência de preços. Qualquer empreendedor de verdade sabe que é assim que funciona. Aliás, qualquer pessoa com alguma vivência empreendedorial sabe que é assim que a concorrência funciona.

    A genuína concorrência de preços que ocorre no mercado real não é aquela em que empreendedores saem reduzindo seus preços tacitamente, na esperança de que tal ato não será notado por seus concorrentes -- de modo que, com isso, ele consiga ganhar seus clientes. Não. O empreendedor que porventura reduz o seu preço está perfeitamente cônscio do impacto que isso terá sobre a sua concorrência. Ele sabe que ela tentará acompanhá-lo. Ele, porém, sabe que alguns concorrentes não conseguirão fazê-lo, e é desses que ele quer ganhar clientes. Mas esse empreendedor só poderá reduzir seus preços caso sua produtividade seja maior que as dos concorrentes, pois só assim seus custos de produção serão reduzidos a um nível que a concorrência não poderá igualar.

    É essa capacidade de reduzir custos de produção que é a essência da concorrência de preços que há no mundo real.

    Uma cadeia de supermercados, por exemplo, só conseguirá superar seus concorrentes caso consiga fazer com que seus fornecedores lhe vendam a preços menores. Para tal, esses fornecedores terão de aumentar sua produtividade, aprimorando a eficiência de sua cadeia de produção. É isso que permite que uma cadeia de supermercados venda constantemente mais barato que outras e, ainda assim, apresente um maior lucro.

    Tendo isso em mente, repito a pergunta: por que, neste seu cenário, "não há benefício (pelo menos não diretamente) para o resto da sociedade?"
  • Lopes  23/05/2013 15:17
    O legado dos outros dois marginalistas segue. A tradição matemática de Walras e Jovins permanece extremamente viva no pensamento econômico moderno.
  • Rodrigo Rocha  24/05/2013 17:32
    Bem lembrado, Lopes.
  • Andre Cavalcante  23/05/2013 15:33
    "Sabidamente hoje a produção de soja se concentra nas mãos de grandes latifundiários no Brasil (evidentemente isso não se constitui num problema per se, na medida que o alto grau de produtividade atualmente obtido é um grande indicativo de que talvez seja essa a melhor forma de organização para a produção de soja e, consequentemente, a que mais beneficia a sociedade como um todo)."

    Uummm... Tenho algumas reservas quanto a questão da soja no centro-oeste brasileiro. Os grandes latifundiários somente ganham bastante porque são muito, mas muito subsidiados pelo governo (sempre ele) ano a ano e de várias formas. A primeira é direta: financiamentos agrícolas com juros baixos pelos bancos estatais, com prazos e carências que até os europeus (mestres na arte do subsídio agrícola) gostariam de ter. As outras formas são mais sutis, mas igualmente nefastas: eles somente conseguem aumentar a área agrícola porque invadem a florestas, normalmente terras do governo, e este deixa isso por isso mesmo. Sem falar que a cada ano eles sempre dão um jeito de passar uma lei que isenta de responsabilidade os atacantes da floresta e os que usam agrotóxicos em demasia. Ora, isso é socializar o prejuízo: minha terra não produz mais tão também (geralmente pelo uso intensivo e/ou uso de agrotóxicos) então invado aqui uma área, uso as mesmas técnicas e o governo acha tudo muito bom porque dá uns décimos a mais no PIB e deixa positiva o nosso balanço de pagamentos. Se os mesmos latifundiários tivessem que arcar com todos os custos da produção, transporte e recuperação da área plantada, será que o lucro seria assim tão grande? Será que este seria o modelo ideal? Difícil saber, mas é bom sempre tentarmos ver os impactos indiretos das ações das pessoas.
  • Valente D  20/03/2014 20:30
    Não entendi essa dúvida em relação ao caso da soja.

    Se houve um aumento na produtividade do solo, independente de quem tenha o controle da terra, haveria mais soja no mercado certo?

    Se o mercado de soja for livre e sem restrições de quantidade vendida de soja, então é natural que o preço caia, caso contrário, o excedente criado pelo aumento de produtividade nao seria vendido.

    Se o preço médio da tonelada de soja fosse X e toda a quantidade de soja estivesse sendo vendida e, ao mesmo tempo não houvesse 'falta de soja' no mercado, um aumento na quantidade faria com que sobrasse soja no mercado, já que todos os que desejavam soja, ao preço X, já estariam comprando suas quantidades máximas ao preço X.

    Logo, mais uma vez, para vender a quantidade excedente, o produtor teria que vender a X-Y, o que seria ainda mais lucrativo, devido a queda nos custos.

    Se o preço X estivesse causando uma escassez de soja no mercado, antes do aumento de produtividade, seria lógico que os produtores aumentassem o preço e restrigissem a demanda e, ainda assim, vendessem todo o seu estoque.

    Todo esse raciocínio, entretanto, se desfaz quando o mercado é restrito por alguma barreira imposta pelo governo...
  • Antonio  24/05/2013 01:12
    Caro André,

    Já vi vc participar de debates e gostei mto das suas colocações. No entanto, no caso da soja, vejo gde equívoco dos colegas em suas colocações. Sou originalmente de Goiás, 4º maior produtor de soja do país. Praticamente todos os meus parentes são agropecuaristas. Conheço mto bem a realidade. Se falarmos em lucro econômico, somente talvez os 1% produtores mais eficientes conseguem obter algum. Qdo falamos em lucro econômico, referimo-nos àquele em que nos custos de produção já são embutidos todos os custos explícitos e implícitos. Assim, se o produtor possui várias máquinas agrícolas, a terra etc, a remuneração que ele receberia caso prestasse serviços com as máquinas que usa a terceiros, o arrendo que obteria se cedesse sua terra para terceiros nela produzir, tudo isso faz parte dos custos (são os chamados custos de oportunidade). Pois bem, conheço mtos produtores. Vou relatar o que me disse um que possui 5 mil ha (vale uns R$ 80 milhões essa propriedade), planta uns 3 mil ha em soja, milho, sorgo etc. Ele me disse que o sonho dele era chegar no fnal da colheita e sobrar R$ 20 mil líquidos para ele. Depois de pagar todas as contas. Como o conheço bem, sei que é verdade, pois anda de Uno, está pendurado em agiotas. Veja só, ele possui capital próprio imobilizado de perto de R$ 100 milhões, depois de arriscar, trabalhar domingos, feriados, se tudo der certo, deve empatar, e nem estou falando em lucro econômico, mas apenas contábil (receitas menos custos explícitos). Qto ele teria de lucro se investisse em hotelaria com seus quase R$ 100 milhões de patrimônio, por exemplo, ou ainda se aplicasse no tesouro direto? É verdade que ele aumentou seu patrimônio inicial por ter comprado a fazenda quando ainda não era uma fronteira agrícola, e agora que já é fronteira consolidada vale muito. No entanto, o fato é que a atividade não é lucrativa. A produtividade média que se consegue é coisa de 50 sacas/ha (ao valor de R$ 55,00/saca, equivale à receita de R$ 2.750,00/ha). Os custos giram em torno de R$ 2.500,00/ha. Bem, se tudo der certo (crédito for liberado na hora, chover qdo a planta estiver em crescimento, não chover na colheita), ele meio que empata. Não estou falando no custo de oportunidade do capital imobilizado em terra (se considerarmos juros reais de 3 %aa, sobre 80 milhões, seriam R$ 2,4 milhões de juros não ganhos, na alternativa segura de mais baixo custo de oportunidade, que é emprestar para o governo brasileiro). Se há uma área em que não tenham de se preocupar com monopólios é a produção de soja (há milhões de produtores no mundo produzindo um produto quase homogêneo e em concorrência acirrada, pois há pouca barreira à importação do produto). Sobre os subsídios (ainda que eles totalizem apenas 6% PIB agropecuário no Brasil, contra 18% na UE e uns 70% na Coreia e Japão), creio seria melhor sem eles para os produtores. Maiores subsídios significam mais produção, mais oferta, menores preços. O fato de haver crédito a juros de 3% a.a para comprar máquinas faz com nossas máquinas agrícolas custem quase 3 vezes mais do que nos EUA, duas vezes mais do que na Argentina. Dito isso, se é tão lucrativo, vcs gostariam de ser produtores rurais, que, além viver em isolamento, sem férias, vistos como vilões (como citado sobre supostos desmatamentos criminosos)? Vale lembrar que o Brasil tem 61% do território de matas nativas (que diferentemente das russas, americanas - 18%- são passíveis de serem agricultáveis), os produtores têm de manter intacto no mínimo de 20 a 80% de sua propriedade, tendo de pagar para cercar, vigiar as reservas florestais. Na Inglaterra, por exemplo, que tem perto 0% do território de nativas, o governo propôs que se reflorestasse 7% do território, sendo os produtores remunerados pelos serviços ambientais, e os produtores se recusaram. Como a sociedade brasileira é altmaente urbanizada, noto um desconhecimento tremendo do setor rural, e fico profundamente indignado com o desrespeito a quem produz neste país. Como Roberto Campos disse, o melhor meio de se combater a pobreza é valorizando quem gera riqueza. Creio que, sob essas condições, a produção existe mais por inércia e comodismo dos produtores (observando a economia rural, tenho certeza de que há um componente comportamental, cultural forte como determinante de investimentos), que certamente lucrariam mais em qualquer outra atividade, e ainda seriam mais bem vistos pela sociedade. Creio a única forma de produtores lucrarem (em termos de lucro econômico ou puro) seria via cooperativismo, em que não são dominados pelas tradings e outras indústrias fornecedoras de máquinas e insumos diversos. Não sei como o cooperativismo poderia avançar no país, já que, com o governo no meio, só pioraria. Um excelente tema a ser investigado sob a ótica da escola austríaca de economia. Desculpa aos colegas que tanto prezo se fui mto duro nas colocações.
  • Andre Cavalcante  25/05/2013 17:49
    Desculpe-me Antonio, mas se o que você colocou estiver correto, isto é, que o cara tem R$100 mi empatados e somente faz uns R$25 mil líquidos, então ele tá no lugar errado. Era preferível ele vender tudo o que tem e colocar o dinheiro pra render no mercado financeiro. Ele faria muito mais que os R$25 mil líquidos e teria muito menos dor de cabeça (até porque poderia contratar pessoal especializado em investimentos).

    Por isso lhe digo, a conta não fecha. Se é assim, o Brasil não conseguiria os números de exportação que consegue. Ou então o governo está tão desesperado que está simplesmente maquiando a produção agrícola brasileira, inclusive os valores que o ele gasta com a agricultura, que pode ser até 10% do seu faturamento!

  • TL  25/05/2013 22:40
    Caro, Antônio.

    No entanto, o fato é que a atividade não é lucrativa. A produtividade média que se consegue é coisa de 50 sacas/ha (ao valor de R$ 55,00/saca, equivale à receita de R$ 2.750,00/ha). Os custos giram em torno de R$ 2.500,00/ha. Bem, se tudo der certo (crédito for liberado na hora, chover qdo a planta estiver em crescimento, não chover na colheita), ele meio que empata.

    Os seus custos totais (diretos e indiretos) estão superdimensionados quando comparados aos custos médios dos produtores brasileiros. É fato que o custeio da produção de soja varia conforme a região do Brasil e, inclusive, entre produtores de uma mesma região.

    Em oposição aos seus dados, disponibilizo um documento com as tendências de mercado de maio de 2013 da empresa "Carlos Cogo – Consultoria em Agribusiness". No documento, é possível consultar os custos de produção de soja e margens estimadas por regiões do Brasil na safra 2012/2013 (página 89) [Para os interessados, o documento tem muita informação útil sobre as commodities do agronegócio].

    Para a região do cerrado (MT/GO/BA), na safra 2012/2013, a produtividade média foi de 50,6 sacas/hec e o custo total foi de 39,38 sacas/hec (1.099,77 USD/hec). A receita líquida foi de aproximadamente 11,22 sacas/hec.

    Para a região SU/SE (PR/RS/MG), na safra 2012/2013, a produtividade média foi de 49,7 sacas/hec e o custo total foi de 26,27 sacas/hec (832,58 USD/hec). A receita líquida foi de aproximadamente 23,42 sacas/hec.

    -------------------------------------------------

    Em adendo ao comentário do Antônio, ressalto que a agricultura é um negócio que demanda muito capital além de ser uma atividade de alto risco (climático, MST, índios, financiamento, flutuação dos preços das commodities como do câmbio, funcionários, licenças governamentais, . . .).
  • Joeber B. S. de Souza  24/05/2013 02:43
    Caro Antônio, não posso ficar sensibilizado com o seu caso se julgar pelas regras atuais que o governo encara o agricultor. A visão da sociedade "urbana" que nada tem a ver com possuir capacidade de consumo inteligente, você já relatou. O problema que vejo é a valoração do conhecimento tecnológico agregado ao produto final em detrimento ao produto in natura. Sabendo disso para compensar esta distorção os países que você citou através de suas Leis compensam o produtor com incentivos para manterem os custos baixos da produção, e desta forma, garantir a mola mestra do produtor, o lucro. Vemos neste exemplo o Estado garantindo a comida na mesa do cidadão mantendo o lucro do produtor. No Brasil o governo taxa as máquinas e insumos com altos impostos, o que impede a fomentação de novos empreendedores, tiram os lucros dos produtores, que só conseguem se manter se escravos da terra, assim o forem, e garante a cesta básica para a população carente como moeda de troca para os votos de campanha. Vejam a consciência ética dos nossos governantes. No primeiro mundo o lucro fica com o produtor e os meios de produção, não há necessidade de cesta básica e o Governo é apenas um facilitador. No Brasil o produtor é miserável, o povo é miserento, os meios de produção tornam-se vilões e o governo gasta o lucro para se manter no poder. Acho que este fórum de discussão um meio de associarmos nossas ideias e buscarmos uma solução para este país.
    Abraços solidários.
  • Andre Cavalcante  25/05/2013 00:26
    "Antes da MS dominar o mercado a IBM tinha um ótimo sistema operacional (que era muito mais promissor que o Windows)"

    Era o OS2. Não sei sua idade, mas eu vivi esta época. Lembro inclusive de atores globais vindo à TV em horário nobre dizendo o quanto o OS2 era muito bom e coisa tal.

    O problema era o seguinte: o PC era um projeto "aberto", isto é, qualquer um podia montar um PC, mas o SO dele era o DOS da Microsoft. Alguns outros criaram SOs similares ao DOS e teriam concorrido com MS tranquilamente. Quando do lançamento da arquitetura de 32bits, a IBM precisava de um SO, e então fez o OS2 (também chamado de Warp - pegou o termo do sucesso de Star Trek na época que bombava nos cinemas). Era um SO bem acabado, com interface gráfica e usava o mouse (copiou o conceito do Apple2e, porque apesar de falarem muito a 1a lei da informática é: em informática nada se cria, nada se perde, tudo se copia :-) ). Mas ele tinha um problema crucial além do que cê falou da API: ele não emulava adequadamente o modo MS-DOS. Então quem tinha aplicações em MS-DOS, e não queria se desfazer delas, não podia usar o OS2. Logo, logo, a IBM providenciou um modo de compatibilidade, mas aí a MS, que comeu pelas beiradas, já havia apresentado o seu Win95 com um plus que não tem tamanho: a MS fez parcerias com empresas de PC mundo afora e o seu sistema passou a ser vendido juntamente com o próprio hardware: você comprava o PC e "ganhava" o windows. A MS ganhava um naco do valor do PC, mas era suficiente para sustentar o seu modelo de negócios. Não acho o Bill Gates um sujeito genial em informática, eu o acho genial em gestão! Um detalhe: a MS fechou os olhos pra pirataria. Mais uma vez, o objetivo era criar a dependência dos binários. E conseguiu. Claro, o governo ajudou, teve o problema da IP e direito autoral que evitou a entrada, artificialmente, de novos players, mas creio que o modelo de negócios da MS é que foi o responsável pelo seu sucesso, e no momento certo, porque o que crescia era a venda de PCs.

    O resto o efeito de rede consagrou. Lembre que o MacOS sempre teve hardware próprio e uma legião de fãs muito mais parecida com um culto religioso do que com uma escolha técnica. E, nesta época, o Linux ensaiava, apenas, no mundo dos gráficos e não tinha nenhuma grande empresa a lhe dar suporte, o que só aconteceu justamente com a IBM muitos anos depois.

    O meu primeiro comentário foi a respeito já do "monopólio" estabelecido, já na época do XP (que foi o fim da era dos windows "servidores" e de "casa" separados, ou seja, fim da série que iniciou com o Win95 e o a junção de sua interface (o internet explorer) na série NT. Acho que o dito monopólio se sustentou justamente porque sai muito caro hoje você se livrar da MS (admitindo-se que se queira isso, o que é, obviamente, uma presunção descabida).

    E é tanto isso que a MS pisou a bola pelo menos duas vezes: uma com o Millenium e a outra com o Vista e mesmo assim não perdeu a majestade.

    Em outras palavras: o efeito de rede cria um mecanismo artificial para uma empresa se sustentar no mercado, quase da mesma forma que o governo impede a entrada de outras empresas). Mas o mercado tem suas defesas e, em se tratando de tecnologia então... O mundo mudou e os PCs já não mais dominam o mercado tecnológico e hoje a MS corre atrás de outros mercados. Só espero que apareça um outro Bill Gates para perceber um novo modelo de negócios de sucesso neste nosso novo mundo.

    Abraços

  • Joeber B. S. de Souza  25/05/2013 14:02
    Pessoal foi muito boa algumas discussões durante os comentários. Sugiro a cada um que sempre busque fontes diversas de informação e reflitam, na tentativa de melhorar a sua própria consciência ética, pois nunca conseguirá transformar alguém.
    Não servir de tropeço já é um grande avanço.
    Vejo nas escritas a vontade de mudança, mas mesmo que todos tivessem as mesmas convicções o mundo seria melhor? Se a maioria tivesse os mesmos ideais o mundo seria mais interessante? Mas o indivíduo que acredita em sua transformação pode mudar mundo.
    Abraços a todos.
  • Getulio Malveira  29/05/2013 21:03
    É um artigo muito bom. Só discordo de um ponto do texto: quando Soto afirma que a definição dos neoclássicos do termo "monopólio" está errada. Ao contrário, é exatamente isso que o termo significa, um vendedor único. É claro que todas, ou quase todas, as proposições neoclássicas nos quais o termo ocorre são falsas (Soto mostra isso muito bem), mas isso não por causa da definição e sim porque contrariam a realidade ou são conclusões de raciocínios falaciosos. Dois exemplos:

    1) A proposição "um monopólio pode praticar preços artificialmente altos" é falsa, simplesmente porque nenhum bem tem um preço natural. Sabemos todos que o preço depende de quanto os consumidores estão dispostos a pagar;

    2) Quanto as proposições que se referem ao "domínio de mercado", elas provém de raciocínios evidentemente falaciosos, já que um mercado com dois vendedores não possui mais monopólios do que um mercado com vinte ou vinte mil.

    Posso estar equivocado na minha abordagem, mas para evitar uma oscilação no sentido do termo ou mesmo ir contra sua etimologia, eu argumentaria com base na teoria dos processos de mercado que existem sim monopólios privados, que eles existem no momento em que um determinado mercado é criado por um produto novo e durante o curtíssimo período no qual novos produtores ainda não entraram nele.

    Outro ponto é quando Soto afirma que só há "monopólio genuíno" quando o estado intervém. O melhor seria dizer que só o estado tem capacidade para monopolizar um mercado de forma duradoura, como ocorreu com a produção de petróleo no Brasil até 1997. Vejam que no caso o que o ocorreu foi que o estado confiscou toda as reservas virtuais de petróleo e proibiu sua exploração por outros além dele próprio. Ainda assim, esse é um caso raríssimo. Nem o mercado de moeda, de leis, de justiça ou de segurança contam atualmente com monopólios estatais, embora o estado os domine e seja hostil a entrada de novos fornecedores.

    O que eu queria dizer é que os austríacos não precisam dar outra definição de monopólio, basta usar a definição convencional de modo correto e todas as falhas da teoria neoclássica ficam expostas. E na minha opinião de tão raros que são os monopólios, no sentido estrito do termo, é absolutamente ridículo o espaço que a teoria dos monopólios tem em economia. Para alguém que me perguntasse sobre isso, eu diria simplesmente: "isso non ecziste!"
  • Lucas  05/06/2013 21:22
    Mais um exemplo de por que as regulamentações servem apenas para proteger os interesses dos carteis e prejudicar os consumidores. (E ainda tem gente que acha que agências reguladoras existem para punir empresas e defender os cidadãos...)

    Cooperativas brigam pela regulamentação de aplicativos de chamada de táxi

  • Com Dúvidas  02/12/2013 23:29
    Me pergunto se ao real significado de Monopólio está atrelado o interesse em aumentar os preços e explorar ao máximo os consumidores.
    O monopólio não seria caracterizado pela existência de apenas um vendedor? Independente de isso ser bom ou ruim. Vejo que ele concebe o monopolista apenas como agente coercivo, aquele que usa de diretos adquiridos para explorar solitariamente determinado segmento econômico. Mas ao meu ver, aquele que explora solitariamente algum setor ou nicho de mercado porém não detém qualquer proteção contra novos entrantes, também é monopolista, mas ao contrário do outro, não há nada de negativo na sua existência, seria o bom monopolista.
  • Nada de Dúvidas  02/12/2013 23:39
    Não. Essa não é a correta definição de monopólio, algo que foi definido desde Adam Smith.

    Monopólio é quando o governo -- por meio de regulações e legislações específicas -- concede a uma determinada empresa a exclusividade de operar em um mercado, proibindo toda e qualquer concorrência. Ou seja, monopólio é quando não há liberdade de entrada em um mercado, pois governo propositadamente restringiu ao máximo este acesso.

    Não há monopólio quando há liberdade de entrada no mercado (o fato de não ser economicamente viável a entrada não configura monopólio). A empresa em questão conseguiu uma supremacia simplesmente porque soube como atender de maneira mais satisfatória aos desejos dos consumidores.

    Já no caso de um monopólio estatal, como a segurança, nada disso ocorre. Logo, é impossível dizer que se trata de um monopólio bom.

    Sugestão:

    Monopólio bom e monopólio ruim - como são gerados e como são mantidos
  • Daniel  20/03/2014 15:53
    bate-se muito na tecla de monopólio como o governo impedindo a entrada de concorrentes, mas não podemos esquecer que ele não é o único que faz isso.. existem gângsteres para todo lado impondo cartéis e monopólios à força, ainda que em âmbito local
  • Guilherme  20/03/2014 16:01
    Cite exemplos práticos e demonstre como esses "gangsteres" criam monopólios legalmente -- afinal, se não for legalmente, isso significa que o próprio estado está fracassando em cumprir a sua autoproclamada função, que é a de manter a segurança e impingir as leis.
  • Marconi  20/03/2014 17:07
    Muito bom o artigo. Não havia pensado nessa possibilidade de apenas uma empresa, sem concorrência, não ser monopólio.
  • Emerson Luis, um Psicologo  20/03/2014 22:29

    Em psicologia, medicina e outras áreas semelhantes, usa-se a palavra "homeostase" para se referir a um equilíbrio ótimo no meio interno de um organismo. Por exemplo, ter uma quantidade de água na medida certa.

    Porém, visto que o organismo está em constante metabolismo, alguns autores preferem o termo "homeodinâmica" para enfatizar que esse equilíbrio tem oscilações e mudanças.

    Isso é paralelo ao que este artigo disse sobre economia.

    * * *
  • Markus  21/03/2014 00:14
    Muito interessante o artigo. De fato, o modelo de concorrência perfeita (Chicago) está ultrapassado. Não obstante, ainda serve de referência para eventual comparação entre um mercado real e como seria aquele mercado em condições de concorrência perfeita. É um parâmetro. Mas o parâmetro mais aceito atualmente é aquele que toma um mercado real e tenta vislumbrar como ele seria nos moldes de uma concorrência eficiente e tangível (workable competition). Entretanto, tais modelos encaram a concorrência sob um enfoque estático, desconsiderando que ela é um processo dinâmico, como bem lembra o autor, em que a inovação, tanto dos fatores de produção, como dos produtos, é uma característica importantíssima do processo (Schumpeter – destruição criativa). Hayek via a concorrência como um processo dinâmico de descobrimento (artigo "Competition as a Discovery Procedure), e isso confirma ainda mais a obsolescência da teoria pura de Chicago. O mais difícil, atualmente, é definir as funções da concorrência. Há várias teses, desde garantia da liberdade econômica, o aumento do welfare (dividido, ainda, entre total welfare e consumer welfare), que é uma análise da eficiência estática, a eficiência dinâmica (inovação), distribuição de renda, etc. Há funções meramente econômicas e funções extraeconômicas, mas estas tendem a ser deixadas de lado, restando o foco sobre as funções econômicas (eficiência estática e dinâmica). Não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, e muitos dos critérios quase sempre são conflitantes.

    Com relação ao monopólio, dificilmente achamos um mercado em que haja, ao mesmo tempo, um agente monopolista e condições razoáveis de entrada, no mercado, de novos players. As barreiras à entrada acontecem tanto com a chancela estatal (lobbies, subsídios, campeões nacionais) quanto por dificuldades econômicas (investimento) e tecnológicas. Avaliar a dificuldade de acesso a mercados monopolizados é tarefa assaz complexa. Até mesmo se discute a possibilidade de entrada de novos players em situações de monopólios naturais, como é o caso de networks compartilhadas (telefonia e alguns serviços até pouco tempo prestados apenas pelo Estado). Há quem afirme que algumas situações de monopólio não devem ser combatidas "per se", pois apresentariam ganhos de escala muito positivos. Entretanto, sabemos que o monopolista, na ausência de concorrência, tende a aumentar seus preços, e quando alguém tenta entrar no mercado, pratica preços predatórios com o intuito de quebrar o concorrente.

    De qualquer forma, a análise da concorrência e de eventuais monopólios deve se pautar pela análise econômica, preferencialmente com a aplicação da "rule of reason", ao invés de proibições e permissões "per se". Fico feliz com a publicação deste artigo, pois o Brasil carece de atenção na defesa da concorrência. Saudações liberais!
  • Joao  21/03/2014 14:04
    Quem disse que concorrência perfeita seria isso? Não sei de onde o autor do artigo tirou isso.
  • Leandro  21/03/2014 14:30
    Segundo a definição do seu provável manual de microeconomia, a teoria da concorrência perfeita diz que, em um ambiente puramente concorrencial, todas as empresas diminuirão seus preços até o ponto em que eles igualem o "custo marginal" da empresa — ou, na melhor das hipóteses, até o ponto em que eles excedam infimamente o "custo marginal", de modo a garantir o lucro minimamente necessário apenas para poder manter suas instalações operando a plena capacidade.

    Ou seja: tal teoria afirma que a produção das empresas deve ser levada até o ponto em que os preços dos produtos são iguais ao seu custo marginal.

    Somente nesse ponto -- preço = custo marginal -- a produção estará em seu "ótimo social". Se os preços estiverem acima do custo marginal, as empresas estarão maldosamente "privando" a sociedade de usufruir esses bens escassos.

    Logo, segundo a teoria, se empresas se recusarem a vender a preços iguais aos seus custos marginais, elas estarão privando a sociedade de usufruir bens escassos. Se uma indústria tem capacidade instalada suficiente para produzir um milhão de unidades por mês, mas a quantidade demandada pelos consumidores -- a um determinado preço acima do custo marginal -- foi de apenas 700.000, então essa indústria está privando seus consumidores de desfrutar 300.000 unidades a mais desses produtos. O "correto" seria ela reduzir seu preço até que todas as suas unidades produzidas -- um milhão -- fossem vendidas. Apenas nesse caso o consumidor seria soberano.

    Não é difícil ver as raízes coletivistas dessa teoria. A teoria da concorrência perfeita está à esquerda do marxismo. Marx criticava o capitalismo apenas por causa da existência dos lucros. Já a teoria da concorrência perfeita o faz porque os empreendedores se recusam a sofrer prejuízos.

    Os seguidores dessa teoria não centram suas reclamações no fato de que os empreendedores estão auferindo lucros excessivos por meio de algum tipo de monopólio; sua reclamação está no fato de que eles "monopolisticamente" se recusam a vender a preços que lhe tragam prejuízos.

    Consequentemente, levando tal teoria ao extremo, nenhuma propriedade é realmente privada. As empresas na verdade pertenceriam à "sociedade", que, no máximo, estaria concedendo a gerência a um empreendedor privado.

    E então, você dizia que há uma incorreção. Até concordo. O autor foi extremamente benevolente com essa teoria.
  • Joao  21/03/2014 15:56
    Entendi, mas, salvo novo engano de minha parte, não consigo imaginar o ponto "estático", essa inércia do mercado onde todos igualariam os preços, posto que, ao meu ver, seria economicamente inviável. Acredito que o mercado rege-se pelas diferentes ofertas, inclusive de qualidade oferecida. Se houve-se essa igaldade de oferta e preço, para mim não seria uma concorrência perfeita, e sim uma concorrência "imperfeita". A teoria é inalcansável. Parece física teórica isso, seria como debater o que aconteceria depois que um corpo fosse sugado por um buraco negro.
  • Malthus  21/03/2014 17:01
    Mas não dá pra imaginar mesmo não, pois ela não existe:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1727

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1373
  • Joao  21/03/2014 16:00
    Curioso que não citei incorreção alguma, apenas disse não saber de onde surgiu isso (por ignorância minha mesmo).
  • Leandro  21/03/2014 17:07
    Ué, não só o tom, como as palavras utilizadas em sua pergunta foram exatamente de negação.

    "Quem disse que concorrência perfeita seria isso? Não sei de onde o autor do artigo tirou isso."

    Mas, se você concorda com o autor, então tá tudo certo.

    Abraço!
  • Antonio  21/03/2014 19:07
    Prezados,

    Creio haver equívocos na interpretação da teoria da concorrência perfeita. Primeiramente, os custos empresariais considerados no cálculo do lucro econômico (não do contábil)nesta teoria inclui os custos explícitos e implícitos (de oportunidade). Assim, Custo Total = pessoal + aluguéis + juros sobre capital imobilizado + remuneração do empreendedor (gerência e risco tomado)+ insumos diversos. Se o lucro econômico é zero, o capital próprio imobilizado, a gerência e risco tomado já foram devidamente remunerados. É claro que um mercado em concorrência perfeita mto dificilmente existe no mundo real, só serve de parâmetro. Exige produto homogêneo, trocas livres, número muito grande de firmas etc. Um mercado que replica bem essas condições é o agrícola. Peguem a soja, é um produto bem homogêneo, praticamente sem barreiras comerciais, milhões de firmas produtoras no mundo etc. A maneira de ter lucro econômico nesse caso é somente inovando em processos, de forma a se ter um custo de produção mais baixo. No entanto, isso não pode durar por muito tempo, pois logo se é copiado por outros. Em concorrência perfeita, não é que a empresa escolhe vender a um preço, ela simplesmente não tem opção, pois é tomadora de preços, e não feitora. Suponha que vc seja um pecuarista, tenha bois para vender, se vc liga para o Friboi, ele dirá o preço que paga, vc como produtor atomizado simplesmente pode dizer se vende ou não, o preço é dado. Isso pq o mercado possui milhões de produtores com um produto bem homogêneo. Vc pode oferecer para outro frigorífico (o que é impossível em mtas regiões, já que o Friboi comprou os pequenos, com subsídios do BNDES, e domina o mercado), mas o preço não vai diferir mto. Se for mto maior, é pq provavelmente o frigorífico vai dar calote. Outra coisa, em concorrência perfeita, o preço é igual ao custo marginal = custo médio = receita marginal.
  • Márcio  21/03/2014 19:45
    Equívoco nenhum. O próprio Leandro já comentou isso logo ali em cima. Gentileza ler os comentários antes de emitir um próprio comentar. Evita repetições e poluições desnecessárias.
  • Henrique  14/05/2014 23:04
    Tenho uma dúvida em relação ao "monopólio voluntário".

    Um exemplo que creio ser cabível nessa situação é a TetraPak na produção de embalagens longa-vida, que detém mais de 90% do mercado.

    Supondo que, um belo dia, a TetraPak consiga 100% do mercado.

    P: O que a impediria de subir deliberadamente os preços das suas embalagens?
    R: Se ela o fizer, um outro concorrente irá surgir e acabar com seu monopólio.

    P: OK, mas e se ela comprar esse concorrente, para continuar tendo o monopólio?
    R: Algum outro surgirá.

    P: E se ela seguir comprando todos os concorrentes que apareçam? Ou utilizando práticas como o dumping -- baixando excessivamente os preços temporariamente até falir seu concorrente -- e em seguida voltar a subir os preços de forma exorbitante?
    R: (????)

    P: E no meio tempo, enquanto o concorrente se instala e começa a operar? O que acontece com os consumidores? Terá esse concorrente a capacidade de suprir de forma significativa a demanda?
    R: (????)
  • Guilherme  14/05/2014 23:44
    Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

    Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

    Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores. Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

    Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

    E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

    Por outro lado, tal prática pode sim ser muito viável em um mercado totalmente regulado e protegido pelo governo, no qual não existe liberdade de entrada para a concorrência. Mas aí, neste caso, obviamente não temos uma falha de mercado, mas sim protecionismo estatal. Em um mercado assim, no qual o que vale é a amizade com políticos, qualquer incapaz prospera.
  • Alberto  19/06/2015 02:53
    Olá,
    É possível afirmar que a teoria da concorrência perfeita está engendrada na teoria do preço (valor-trabalho)??
    Poderia dispor dessa forma as influências das teorias:
    Teoria valor-trabalho -> eficiência estática -> concorrência perfeita -> teoria da competição monopolística

    Teoria da utilidade marginal -> eficiência dinâmica -> emulação -> teoria da competição empreendedora.

    Alguém poderia me indicar uma leitura sobre o surgimento desse conceito de concorrência perfeita?

    obrigado


  • Miscigenado  29/05/2016 16:01
    No brasil a diferença de preços entre um lugar e outro é ridícula, postos de combustível por exemplo fazem diferenças de centavos entre um e outro,supermercados e por aí vai , aqui é monopólio escancarado, protegido por um governo socialista maldito


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