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Bitcoin: melhor que ouro e papel-moeda? (Parte 2)

Na primeira parte desta série sobre o projeto Bitcoin, descrevemos o nascimento da moeda digital e como ela em nada contraria a teoria da regressão de Ludwig Von Mises. Vamos agora aprofundar-nos um pouco mais na teoria e na prática procurando comparar o sistema monetário atual — seja ele baseado em papel-moeda, seja baseado em ouro — com um sistema baseado em bitcoins. É preciso ressaltar, sem embargo, que essa comparação se dá no campo conceitual, pois Bitcoin ainda não está no estágio avançado de vasta aceitação.

Melhor que ouro e papel-moeda?

Pelo bem da argumentação, assumamos que a infraestrutura do Bitcoin, bem como a inelasticidade de sua oferta (lembrem-se do limite de 21 milhões de bitcoins), são invioláveis e não impõem risco algum de fraude, roubo, etc., aos usuários — tratarei desse tema mais adiante.

Somente podemos entender Bitcoin e contestar a crítica de Gertchev utilizando-nos da abordagem austríaca sobre a origem catalática do dinheiro. Em outras palavras, é entendendo que a origem do dinheiro se dá no mercado por meio de trocas voluntárias que podemos compreender a essência do fenômeno Bitcoin. Nesse sentido, se faz necessário destacar que a introdução ou evolução do dinheiro reduz os custos dos intercâmbios. Isto é, ao resolver o problema da dupla coincidência de desejos (tenho uma vaca, quero pão e o padeiro quer um terno), o dinheiro vem a reduzir os custos envolvidos em uma simples troca de produtos. É o que os economistas chamam de "custos de transação". Da mesma forma, em um entorno de competição, preponderará no mercado aquele dinheiro que mais reduz tais custos.

Em sua tese, Surda elenca três elementos principais que influenciam na escolha de uma moeda: liquidez, reserva de valor e custos de transação. No momento, liquidez é a maior desvantagem do Bitcoin em relação às demais moedas, por não ser amplamente utilizado — ainda que cada vez mais pessoas e empresas aceitam transacionar com a moeda.

No quesito reserva de valor, a sua escassez relativa, por sua vez derivada de sua oferta inelástica (atualmente em 11 milhões, com limite máximo de 21 milhões), lhe permite ser considerada uma ótima alternativa na manutenção (e possivelmente elevação) do poder de compra. Ademais, por ser um meio de troca eletrônico, a moeda pode ser preservada indefinidamente — sim, dependemos da internet e da eletricidade.

É na redução dos custos de transação, porém, que entendemos as enormes vantagens e superioridade do Bitcoin. Para começar, não há fronteiras políticas à moeda digital. Você pode enviar e receber bitcoins de qualquer lugar a qualquer pessoa, esteja ela onde estiver, sem ter que ligar ao gerente de banco, assinar qualquer papel, comparecer a alguma agência bancária ou ATM. Nem mesmo precisa usar a VISA, ou um PayPal qualquer. Você pode ter domicílio no Brasil, estar de férias em Xangai e enviar dinheiro a uma empresa na Islândia com a mesma facilidade com que envia um e-mail pelo seu iPhone. Ainda em Xangai, você pode receber em bitcoins o equivalente a quilos de prata (ou ouro, ou milhares de dólares), sem pesar um grama no seu bolso nem mesmo precisar contar as suas cédulas ou pesar o seu metal. Tampouco precisa se preocupar em guardá-lo em algum armazém ou banco. Mais ainda, nem precisa se preocupar se seu banco guardaria de fato 100% do seu dinheiro ou acabaria especulando-o em aventuras privadas.

Dessa forma, e de acordo com Surda, é plenamente possível que, com o passar do tempo, o Bitcoin venha a superar tanto moedas fiduciárias quanto ouro e prata como meio de troca, e finalmente tornar-se dinheiro (meio de troca universalmente aceito). A questão chave será a liquidez, que por sua vez depende da ampliação da aceitação da moeda. "Sem liquidez suficiente, Bitcoin enfrentará obstáculos significantes para evoluir a estágios mais maduros de meios de troca e, finalmente, dinheiro", conclui Surda.

Explicado tudo isso, resta claro que a crítica de Gertchev carece de fundamento. Considerando o atual arranjo monetário de moedas fiduciárias de papel, mais de 90% da massa monetária são meros dígitos eletrônicos no ciberespaço; dígitos estes criados, controlados e monitorados pelo vasto sistema bancário sob a supervisão de um banco central. Dinheiro material ou físico é utilizado apenas em pequenas compras do dia a dia — eu, por exemplo, nem lembro a última compra que fiz usando papel-moeda. O cerne do nosso sistema monetário  é digital.

Sei que Gertchev não julga esse arranjo como desejável, afinal de contas não há lastro algum além dos PhDs que controlam a impressora de dinheiro. Mas mesmo em um sistema monetário lastreado 100% em um dinheiro material ou commodity, como o ouro, não escaparíamos do mundo virtual e eletrônico. Afinal de contas, carregar ouro (ou prata) por todo lugar não é nada eficiente, além de ser altamente perigoso em um país como o Brasil. Dessa forma, embora reconheça o mérito de um sistema monetário baseado no ouro — e efetivamente o considero como superior à desordem atual —, jamais poderíamos prescindir do sistema bancário digital no presente estado da divisão internacional do trabalho.

Mais ainda, Gertchev parece não perceber que não é somente o atual sistema monetário que depende das tecnologias digitais e da internet, mas na verdade toda a economia globalizada e interconectada que conhecemos hoje. Bitcoin nasce nesse entorno, nasce da revolução digital e, certamente, não poderia sobreviver na ausência das tecnologias que hoje dispomos. Tampouco poderia sobreviver a economia mundial, no estágio avançado em que se encontra, na ausência dessas mesmas tecnologias.

E não nos esqueçamos que ouro ou papel-moeda também são formas de dinheiro que dependem de outras tecnologias. Ouro não cai do céu. Você precisa minerá-lo, cunhá-lo e transportá-lo. Quanta tecnologia e capital são necessários para desempenhar essas funções? E o que dizer dos altos custos com fretes e seguros envolvidos na movimentação de ouro de país para país, de continente a continente? Que eu não seja mal compreendido, pois sou a favor do metal precioso, sem dúvida alguma. Mas julgo que a sua grande qualidade como meio de troca jaz na sua escassez relativa, na sua oferta inelástica. Ouro é excelente como reserva de valor, mas sem um sistema eletrônico de pagamentos, o metal seria muito pouco eficiente no quesito "transportabilidade". A grande revolução do Bitcoin é capacidade de replicar a inerente escassez relativa do ouro, mas sem incorporar a grande desvantagem do metal no que tange ao manuseio e transporte, especialmente em longas distâncias.

Outra vantagem sem precedentes reside em uma tecnicalidade, à primeira vista trivial, mas de implicações extraordinárias. Primeiro, você não depende do sistema bancário no mundo dos bitcoins. Você é seu próprio banco. E isso não é tudo. Pela lógica e programação do sistema, é impossível duas pessoas gastarem a mesma moeda digital (double-spending). Isso quer dizer que somente uma pessoa detém o direito de propriedade de uma unidade monetária e somente essa pessoa a controla. E isso ainda não é tudo. No mundo atual de papel-moeda fiduciária, os dígitos da sua conta bancária são substitutos de dinheiro físico. O dinheiro mesmo é o papel-moeda. Ou melhor, uma fração dos seus depósitos é dinheiro físico.

No caso do Bitcoin, a unidade monetária (1 BTC) é o próprio equivalente ao dinheiro físico (no caso, virtual). E é nesse ponto que surge algo de consequências singulares. Substitutos de dinheiro emergem somente quando estes oferecem uma redução nos custos de transação. Isso quer dizer que os substitutos de dinheiro serão demandados quando proporcionarem ao usuário algo que o dinheiro próprio (dinheiro commodity) não é capaz de lhe oferecer. Pela sua natureza e propriedades digitais, os bitcoins já propiciam muitos dos serviços normalmente restritos aos substitutos de dinheiro. Seus custos de transação são suficientemente reduzidos, tornando altamente improvável o surgimento desses substitutos. Certamente, você já compreendeu as implicações. De uma só vez, o Bitcoin não só tem o potencial de tornar o sistema bancário em grande parte irrelevante e obsoleto, como também reduz substancialmente a probabilidade do aparecimento das reservas fracionárias e, portanto, a expansão artificial de crédito, evitando assim a formação de ciclos econômicos.

A grande sacada do Bitcoin, talvez uma de suas maiores vantagens, é que a moeda digital dispensa o middleman, o "terceiro" na transação. É um sistema peer-to-peer (de igual para igual, ou de par a par). Não é necessário confiar em um banco que guardará seu dinheiro. Você tampouco precisa assegurar-se de que uma empresa de liquidação de pagamentos processará corretamente o seu pedido. Acima de tudo, você não precisa rezar para que um banco central não deprecie a moeda. "Um ponto comum nos atributos avançados do Bitcoin é a reduzida necessidade de confiança no fator humano," observa Surda; "a confiança é substituída por comprovação matemática".

banner_associacao2.jpgAdemais, o caráter dual do método de pagamentos pode ser visto como a combinação das características do dinheiro (commodity) com o sistema de liquidação (serviço). "Enquanto a commodity oferece uma oferta estável e controle físico, o serviço permite baixos custos de transação, serviços de liquidação e registros históricos", conclui Surda; "antes do Bitcoin, essas duas funções estavam separadas". Logicamente, ainda não estamos nesse estágio avançado do Bitcoin, porque sua liquidez ainda é baixa e ainda dependemos bastante das "casas de câmbio" — os pontos de contato entre a rede Bitcoin e o mundo de moedas fiduciárias (abordaremos essa questão nos próximos artigos). Mas o sistema permite que esse ideal seja alcançado.

Por todos esses motivos, pode-se dizer que o Bitcoin é o arranjo monetário que mais se aproxima daquele idealizado pelos economistas da Escola Austríaca. Como muito bem destaca Surda, "É, historicamente, a primeira oportunidade de se atingir a mudança e a manutenção de uma oferta monetária inelástica sem reformas legais e sem precisar endereçar as reservas fracionárias".

Seria o Bitcoin o Santo Graal da ordem monetária? Conceitualmente, a resposta tende a essa direção. Mas não há consenso. No próximo artigo, discutiremos algumas das objeções filosóficas e práticas à moeda digital.


Leia aqui a terceira parte da série Bitcoin.

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Artigo originalmente publicado em O Ponto Base


1 voto

autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Neto  24/04/2013 13:26
    'e como ela em nada contraria a teoria da regressão de Ludwig Von Mises. '

    Não acredito que li isso.Nem os bitcoinzistas negam que o troço tinha utilidade zero antes da troca.
  • Fernando Ulrich  24/04/2013 13:46
    Utilidade zero? Como assim? Para quem?
  • Luiz  24/04/2013 14:18
    Para todos, oras. Para que servia o Bitcoin antes da primeira pessoa aceitá-lo como meio de troca? Essa é a questão imposta pelo "Neto".
  • Andre Cavalcante  25/04/2013 15:15
    "Para que servia o Bitcoin antes da primeira pessoa aceitá-lo como meio de troca?"

    Já respondi isso em outro artigo, mas vai lá: bitcoin é a união de duas tecnologias: distribuição de um banco de dados p2p baseado no protocolo torrent e criptografia de chaves. Ambas as tecnologias tem várias aplicações que não tem nada a ver com dinheiro. Uma troca arquivo e a outra garante a veracidade do conteúdo. O software do bitcoin em si tem um valor intrínseco por ser software e, como tal, pode ser usado como está ou modificado para atender a fins específicos (como já aconteceu), por exemplo em banco de nomes único distribuído.

    Mas o que se levantou aqui é que o bitcoin hoje vem atender a uma necessidade: transacionar valores (BRL, EUR, USD etc.) entre pessoas em diferentes regiões do mundo, à margem do sistema bancário tradicional (e dos impostos dos respectivos governos).

    Como moeda é dúbio e só o futuro dirá se o bitcoin se transformar em moeda de verdade, isto é, eu poder ir na padaria e comprar pão com bitcoins.
  • Andre  26/04/2013 00:09
    Pra que servia o ouro antes das primeiras gramas serem mineradas há milênios atrás?

    Bitcoins serviam apenas para as pessoas ostentarem que tinham números especiais assinados criptograficamente no início.

    Ouro servia apenas para as pessoas ostentarem que tinham uma substância dourada no início.

    A utilidade inicial dessas duas coisas é inútil para a maioria da população.
    O que importa é como a população passa a valorizar essas coisas com o passar do tempo.

    Lembre-se o valor é subjetivo, se você oferecer à uma criança de uns 4 anos duas opções, uma barra de ouro ou uma barra de chocolate ela vai escolher a de chocolate muito provavelmente, à menos que alguém tenha ensinado antes à ela que a barra de ouro pode ser trocada por um montão de chocolate.
  • Caboclo  24/04/2013 14:09
    Neto,

    Acredito que você se equivocou aí nesse ponto. É uma questão de lógica simples e utilitarismo puro. Se você se dispõe a gastar ou a dispender algo para adquirir algum bem ou serviço, aquele bem ou serviço tem alguma utilidade para você, mesmo que tal utilidade seja futura. Não é assim com os investimentos?
  • Henrique  25/04/2013 00:57
    mas a utilidade inicial do bitcoin era meramente especulativa (as pessoas começaram a minerar bitcoins especulando que um dia ele iria se tornar um meio de troca, não por ele ter alguma serventia por si próprio)...
    então se a utilidade do bitcoin é apenas como meio de troca (ainda que isso fosse meramente especulado no início), e todo meio de troca deve ter tido uma utilidade antes de ser meio de troca, isso não seria um paradoxo?

    acho melhor aguardar o próximo artigo do Fernando...
  • Anônimo  24/04/2013 14:32
    Creio que o homem não adora o ouro por estar em seu DNA. Antes de que fosse trocado, também possuía utilidade zero. Nos tempos em que a única preocupação da humanidade era a alimentação e a caverna, garanto-vos que o ouro era visto como as demais rochas, sem qualquer tipo de valor subjetivo agregado a ele.
  • Tiago Moraes  25/04/2013 11:40
    Você falou uma bobagem colossal. É claro que o ouro possuía utilidade bem antes de se tornar meio de troca, ele servia como adorno na confecção de jóias, objetos de culto religioso, alegorias mobiliárias...sendo que se tornou meio de troca, justamente por já possuir essa utilidade precedente. Além disso, você deu um verdadeiro salto histórico nessa tua argumentação, tu foi do homem das cavernas diretamente para uma sociedade de trocas, nessa tua conta aí, pelo menos uns dois milênios foram ignorados...
  • Andre  26/04/2013 00:15
    Ele está falando de antes das primeiras gramas de ouro serem mineradas, ou seja antes mesmo das pessoas saberem que o ouro existia!

    Explique, qual era a utilidade do ouro quando as primeiras gramas foram mineradas?

    Os Biticoins tinha a utilidade de que seus donos podiam ostentar possuirem Biticoins enquanto outras pessoas não tinham. Utilidade é algo subjetivo.

    Qual a utilidade de um adorno de ouro? Não vejo nenhuma.

    ==========================
    Tiago Moraes 25/04/2013 11:40:46

    Você falou uma bobagem colossal. É claro que o ouro possuía utilidade bem antes de se tornar meio de troca, ele servia como adorno na confecção de jóias, objetos de culto religioso, alegorias mobiliárias...sendo que se tornou meio de troca, justamente por já possuir essa utilidade precedente. Além disso, você deu um verdadeiro salto histórico nessa tua argumentação, tu foi do homem das cavernas diretamente para uma sociedade de trocas, nessa tua conta aí, pelo menos uns dois milênios foram ignorados...
    ==========================
  • Tiago Moraes  26/04/2013 19:40
    Ele está falando de antes das primeiras gramas de ouro serem mineradas, ou seja antes mesmo das pessoas saberem que o ouro existia!


    A emenda saiu pior que o Soneto! Além de escrever bobagens como fez o anônimo, você fez uma demonstração explícita de analfabetismo funcional. A colocação que o Anônimo fez, foi em função do contexto do teorema da regressão de Mises, que aborda a necessária utilidade de um bem que se torna moeda, antes de sê-lo, não tem nada a ver com essa trollagem que você postou aí...
    Explique, qual era a utilidade do ouro quando as primeiras gramas foram mineradas?
    O Anônimo indagou sobre a utilidade do ouro antes do mesmo ter se tornado meio de troca, ele foi ao tempo das cavernas porque é tão ignorante em história quanto você em interpretação textual...

    "Os Biticoins tinha a utilidade de que seus donos podiam ostentar possuirem Biticoins enquanto outras pessoas não tinham. Utilidade é algo subjetivo."


    Puxa é mesmo? Eu tinha aprendido na minha faculdade de economia que a utilidade era uma unidade objetiva para aferição de temperaturas...
    A diferença do bitcoin para o ouro, é que o primeiro tornou-se moeda por conta de uma utilidade social a priori. O bitcoin surgiu como um ativo virtual, tendo por base, uma hipotética utilidade social a posteriori, se você não entender isso então significa que não tem nível suficiente para debater tais assuntos.

    "Qual a utilidade de um adorno de ouro? Não vejo nenhuma."


    Eu e nem ninguém quer saber o que você acha, guarde para você. A utilidade, como conceito econômico, tem uma amplitude que vai muito além dos seus gostos pessoais. Então, quando eu escrevi sobre a utilidade do ouro antes do mesmo ter se tornado meio troca, eu estava relatando um fato histórico do ouro como um bem de utilidade social que precedeu sua utilização como moeda. Para algo ser considerado um bem econômico, é preciso que uma multiplicidade de indivíduos, em um contexto socioeconômico, identifique alguma utilidade nele. Então não é porque o "André" considera o ouro, como objeto de adorno, inútil que ele deixará de sê-lo, tendo em vista que MILHÕES de pessoas em todo o mundo, veem utilidade na aplicação do ouro como adorno.
  • Andre  26/04/2013 22:33
    Então explique-nos:

    Como papéis coloridos se tornaram dinheiro se não tinham nenhuma utilidade à priori?
  • anônimo  27/04/2013 12:14
    Quanto ao papel colorido do governo, esse site tem dezenas de artigos sobre isso.Ninguém tem que explicar nada, você que tem que fazer seu dever de casa.
  • Andre  27/04/2013 14:29
    Estou ciente de como os papéis coloridos se tornaram dinheiro.

    Quero que essas pessoas que ficam falando que os Bitcoins nunca se tornarão dinheiro expliquem qual é a diferença entre o processo que transformou papel colorido em dinheiro e o que está ocorrendo gradualmente com os Bitcoins, possibilitando que um dia eles se tornem dinheiro.

  • Henrique  28/04/2013 07:16
    a diferença é que o papel colorido é de curso forçado e o bitcoin não.
  • Neto  28/04/2013 11:10
    Em outras palavras, sem o governo pra obrigar mais cedo ou mais tarde as pessoas notariam que papel colorido é só...papel colorido.
  • Tiago Moraes  28/04/2013 07:44
    André, não confunda fato e sua ignorância sobre a realidade, são coisas totalmente diferentes. Meios fiduciários sem lastro (que você chama de "papéis coloridos") ainda que tenham se tornado moedas, de fato, por imposição estatal, tinham sim utilidade social a priori, eles funcionavam como certificados de depósito, debêntures, títulos...pois, por maior que seja o poder de coerção estatal, a confiança ainda é um dos principais fundamentos de uma moeda, o Estado não teria poder para simplesmente transformar "papéis coloridos" em moeda da noite para o dia, isso só foi possível porque o mercado financeiro já havia atingido um nível em que meios fiduciários tinham alcançado liquidez suficiente para serem tratados por "quase-moedas".
  • Marcio Silva  24/04/2013 16:32
    A utilidade está na capacidade destes bitcoins serem conceitualmente únicos e inconfundíveis , como uma assinatura digital de chaves públicas que se podem ser verificada por qualquer pessoa.

    Mas me surge agora uma dúvida realmente cabulosa...

    Como é o fracionamento de uma unidade de bitcoin?
    As frações são criadas a partir de unidades inteiras de bitcoins ou elas são criadas unitariamente?
  • Paulo  24/04/2013 17:29
    Mas quem acredita que a "teoria", como termo científico, não pode ser violada nos seus fundamentos, pressupostos, relações de causa-efeito e observações empíricas e deve ser mantida "intacta"? Ainda mais neste campo, o da economia, aonde a experimentação técnica está sujeita ao comportamento humano e que, recursivamente, também o modifica.
  • Neto  24/04/2013 19:03
    Paulo, então toda a praxeologia está errada.
    Porque o teorema da regressão é uma dedução praxeológica.
  • Paulo  25/04/2013 00:59
    Se for a objetivista de Mises, no meu entendimento, sim! A proposição de Pierre Bourdieu me parece mais próxima do conhecimento da ação humana, mas iríamos polemizar para um viés ideológico e fugir do assunto do bitcoin.

    Resumindo, para a escola austríaca o bitcoin, ironicamente, se virar "dinheiro" vai abalar alguns de seus fundamentos!
  • Dom Tomasino  25/04/2013 01:45
    Não vejo por quê. Eu concordo com o que o Leandro explicou na parte 1:

    Atualmente, o Bitcoin é um meio de transferência de fundos. Sendo assim, se ele adquirir confiabilidade como meio de transferência de fundos, ele poderá perfeitamente passar a funcionar como dinheiro. Percebeu aí o surgimento de sua utilidade? Percebeu o teorema da regressão?

    O Bitcoin já tem utilidade (e muita) atualmente: meio confiável de transferência de fundos. Daí a ele passar a ser utilizado como dinheiro é apenas mais um (grande) passo.

    O Bitcoin refutaria o teorema da regressão se ele fosse criado hoje e amanhã todo mundo já estivesse transacionando com Bitcoins. Mas não foi isso o que aconteceu. Primeiro o Bitcoin está sendo usado como um simples meio de transferência de fundos (ou seja, criou sua utilidade). Agora o caminho já está sedimentado para que algum dia ele possa virar moeda.
  • Neto  25/04/2013 10:39
    Dom Tomasino, a conversa na parte 1 não foi só isso.
    Pra ser um meio de transferência de fundos o cara tem que trocar reais por bitcoins, mas só uma parcela muito pequena dos donos de bitcoin fez isso, uns 3%, o resto tudo adquiriu seus bitcoins pela mineração.
    Eles adquirem e não vendem, ficam esperando o troço se valorizar.
  • Diogo  25/04/2013 12:13
    Neto, neste ponto voce reconhece a utilidade do bitcoin, a valorização esta diretamente ligada com a utilidade.

    Valor é formado pela escassez e utilidade marginal, no tempo real.
  • Fernando Ulrich  24/04/2013 14:49
    Neto e Luiz, o interessante do projeto Bitcoin (independentemente de sua posição), é que ele tem forçado economistas a recorrer aos fundamentos e às lições mais básicas da economia.
    Ora, é preciso diferenciar entre utilidade objetiva(ou valor de uso objetivo) e subjetiva (ou valor de uso subjetivo). As primeiras pessoas que compraram bitcoins, (seja por dinheiro fiduciário, seja trocando por algum outro bem) o fizeram porque a troca satisfazia algum desejo seu. Nenhum terceiro pode "observar" qual desejo foi esse. É subjetivo. Se você está tentando encontrar um "valor de uso objetivo", pode ser bem difícil. Assim como no passado o valor de uso do ouro era bastante difícil de encontrar, fora como adorno, joia, enfeite, etc.
  • Neto  25/04/2013 10:43
    'Nenhum terceiro pode "observar" qual desejo foi esse. É subjetivo. '

    Ô Fernando, mas é claro que pode. O desejo de ficar rico! Esperando seu bitcoin se valorizar ou então minerando bitcoins.
  • Paulo  25/04/2013 13:22
    Subjetivamente, o sujeito pode também querer quebrar um paradigma, fugir de impostos "injustos", "mudar" o mundo, gravar seu nome na "história"... Vai saber!
  • mauricio barbosa  24/04/2013 15:26
    Fernando Ulrich perdoe minha ignorância e me esclareça uma dúvida: Por exemplo se eu resolver vender meu notebook usado pela internet e quiser receber em bitcoin como seria essa operação e mais como eu irei transformar esses bitcoins em reais.Desde já agradeço ansioso a resposta e parabéns pelos artigos.
  • Fernando Ulrich  24/04/2013 17:20
    Mauricio, a pessoa a quem você vendeu simplesmente lhe transferirá X BTC para sua carteira (usando um endereço único da sua carteira). Se vc quiser transformar esse saldo de BTC em reais, tem que usar uma casa de câmbio. No Brasil eu só conheço o Mercadobitcoin.com.br, mas no momento eles não estão operando. Estão preparando a empresa para dar conta da maior demanda do mercado.
  • Lopes  24/04/2013 15:27
    Costumava tomar distância de qualquer discussão a respeito da natureza do Bitcoin e de sua validade como moeda. Na realidade, atenho-me em demasia ao que é antigo e tradicional: Ouro. Entretanto, principalmente sob a abordagem precisa e clara de Fernando Ulrich, não pude evitar o crescimento de um interesse a respeito da quase-moeda e de seu surgimento de muitas formas análogo ao ouro.

    Como antes faziam as elegantes mulheres e reis da Antiguidade com seus colares de ouro, ostentaram inúmeros "Geeks" suas coleções de moedas alternativas, em sua inocência anunciando seu apego às novas tendências tecnológicas e manifestando sua admiração para com a grande capacidade criativa da metabiologia. Tal discreta comparação é essencial para que entendamos o surgimento do Bitcoin e sua ascensão.

    Sobre a ausência de formato físico do Bitcoin, não julgo como obstáculo; façamos como os renascentistas: Criemos certificados físicos de depósito da moeda independentemente e mais resistentes às farsas através da competição entre tais "impressores". Assim como feito com o ouro presente nos cofres da renascença, será mais vantajoso realizar o comércio do dia-a-dia através do uso de tais certificados de papel. Alguma contestação a isso, Ulrich?

    Perdoem-me por ousar dizê-lo, porém recuso-me a compreender a motivação de tamanho alarde a respeito do Bitcoin. Como aprendi através da análise tanto do papel moeda como o uso do sal para fins comerciais, a principal e quase única característica para que um bem seja utilizado de forma espontânea como meio intermediário de comércios é que tenha valor para a maioria dos agentes de troca em uma sociedade. Desde que o Bitcoin seja aceito por uma comunidade, ele é, ao menos sob minha humilde perspectiva, uma moeda válida em tal grupo.
  • andre  24/04/2013 16:26
    Otimismo exagerado, propaganda, mais pessoas aderindo, crescimento, problemas e decadencia. E o que acho dessa coisa.
  • Anônimo  24/04/2013 16:51
    Por que tanto ódio, André? Diferentemente do curso forçado, o uso do Bitcoin e sua aceitação são ambos opcionais.

    É uma forma criativa de alguns indivíduos realizarem trocas seguras.
  • andre  24/04/2013 17:11
    Nao 'e seguro. Esse 'e o problema.
  • Anônimo  24/04/2013 17:28
    O ouro já foi confiscado várias vezes por governos mundiais, sendo a mais famosa durante a grande depressão.

    O dinheiro de papel está submetido à pura boa vontade dos seus donos que o outorgam através da força bruta. Sua perda de valor é absurda e constante, além de o sistema de reservas fracionárias tornar o depósito perigoso.

    O bitcoin, por outro lado, não possui dono ou é outorgado. Existirá conforme o aceitarem e está submetido à competição caso durante uma fraqueza desse apareçam outras moedas virtuais. As chances de do nada seus milhões de usuários deixarem de utilizá-lo são escassas.

    Se o seu valor oscila constantemente, qualquer queda será futuramente compensada pelo ritmo absurdo com o qual o dólar e o euro perdem valor. É uma opção viável de dinheiro.
    Caso a internet sofra uma queda repentina, garanto que a mera ameaça de tal fator já deixaria um grupo de geeks interessados em fazer back up de todas as reservas de Bitcoin na internet, além de certificados de depósito de Bitcoin poderem ser distribuídos por empresas físicas em um futuro próximo.

    Não tenho reservas em Bitcoin, porém torço com todas as minhas forças que ele prospere.
  • Davidson   18/05/2013 23:57
    Você disse que o Diheiro apresenta "desvalorização absurda", meu Deus , você deveria prestar mais atenção ao Câmbio da bitcoin que oscila loucamente , a mesma coisa que pode subir 200% em um dia , pode cair 500% em outro . É só prestar atenção e verá que o cambio da Bitcoin não é algo que passe confiança a ninguém .
  • Andre Cavalcante  24/04/2013 17:45
    Boa. Reais são "seguros"?
  • Davidson  19/05/2013 15:29
    Mew , presta atenção no que você lê antes de responder , o meu ponto nessa questão é que BITCOIN OSCILA MUITO MAIS QUE QUALQUER OUTRA MOEDA o que gera desconfiança financeira , e é por isso que nenhum lugar realmente grande aceita bitcoin , pois se algum ugar fizesse , o preço dos produtos ia ficar sofrendo com valorização e desvalorização , sucessivas ..BRUSCAS ....muito bruscas ...na casa de centenas de porcentagem . E como vender coisas na epoca de superinflação , ninguém é burro a ponto de tentar fazer isso , se vc pode simplesmente se basear no REAL ....QUE É UMA MOEDA MUITO MAIS ESTAVEL QUE BITCOIN = MILHÕES DE VEZES MAIS ESTAVEL e se vc quiser contestar isso , me traga dados não achismo ( duvido que vc conseguirá ) , o REAL a titulo de exemplo oscila na casa 5% ....no maximo ...20% ...num MÊS INTEIRO ...tenta fazer essa conta para a Bitcoin ....vai passar de 200% , e se vc disser que quanto mais oscilação melhor , é porque vc não entende mesmo nada de Economia , e tá vindo aqui falar asneira , o REAL É SIM MAIS SEGURO QUE BITCOIN , essa oscilação da bicoin só é bom para investidores . É por isso que o uso maior da Bitcoin atualmente é como investimento, não como moeda ....porque é impossivel alguém serio basear preços em algo tão oscilátorio que pode tá valendo USS 100 hj e 200 USS amanhã e USS 50 , depois , a não ser claro que vc queira subverter toda a logica economica . VC que sabe ...mas eu quando vim aqui , achei que as pessoas aqui realmente entendiam algo de economia . Mas estou vendo que não são todas .
  • Andre Cavalcante  24/04/2013 17:59
    Boa. E o Real é "seguro"?
  • andre  24/04/2013 18:33
    Sim, 'e mais seguro. O sistema do bitcoin ja foi haqueado varias vezes, dando um preju danado o seus participantes, menos para alguns, 'e claro.Num desses episódios, a cotação foi para a casa de centavos. Um site de bitcoim brasileiro também foi encabelado por hackers, e ate agora estão apanhando para se levantar. Definitivamente 'e pior que o real, uma pena.
    Outro fato irritante nesse exato momento 'e a especulação. Ridículo, tem fulano que esta segurando a moeda para investimento, tirando a principal função dela, de circular e se consolidar como alternativa saudável. Atitude digna de banco!

    Bitcoin virou uma..... opção de investimento.

    A ideia 'e ótima. Mas o ser humano estraga tudo.
  • Neto  24/04/2013 19:10
    A rede é impossível de hackear, mas se você considera como sistema o computador do cara que tem uma carteira...aí sim
  • Andre Cavalcante  24/04/2013 19:15
    "Sim, 'e mais seguro. O sistema do bitcoin ja foi haqueado varias vezes, dando um preju danado o seus participantes, menos para alguns, 'e claro.Num desses episódios, a cotação foi para a casa de centavos."

    Xará, tens que te informar melhor do que está acontecendo...
    Para não poluir a seção de comentário, favor se informar um pouquinho aqui: Equívocos comuns sobre Bitcoin


    "Um site de bitcoim brasileiro também foi encabelado por hackers, e ate agora estão apanhando para se levantar. Definitivamente 'e pior que o real, uma pena."

    Pois é, roubaram a caixa forte do BACEN em Belém e até hoje estão procurando os caras. Virou até filme. Incrível como as comparações só servem num sentido...
    "Site de bitcoin" você quer dizer uma casa de câmbio foi assaltada. O que tem isso a ver com a moeda?

    "Outro fato irritante nesse exato momento 'e a especulação. Ridículo, tem fulano que esta segurando a moeda para investimento, tirando a principal função dela, de circular e se consolidar como alternativa saudável. Atitude digna de banco!"

    No bitcoin você é o banco. Você é livre pra fazer o que quiser, inclusive especular. E daí que alguns usam a moeda de forma equivocada, segundo a sua visão? E outra, porque sua visão é a certa, isto é, especular é ruim? Isso por um acaso não existe com as outras moedas do mundo?

    "Bitcoin virou uma..... opção de investimento."

    Bom, agora já mudou tudo: de um negócio que não tem segurança alguma para uma opção de investimento já mudou completamente o papo. Sugestão: primeiro você pensa, depois você escreve, depois lê o que escreveu para ter certeza que faz sentido (e corresponde ao pensamento), só depois clica em Enviar comentário. Se não, você pode falar uma coisa e desdizê-la no mesmo momento, mostrando um bocado de incoerência.

    "A ideia 'e ótima. Mas o ser humano estraga tudo."

    Agora mostrou incoerência novamente: o problema é o bitcoin ou é o cara que usa? Primeiro se decida de quem vai falar mal...
  • Wagner  24/04/2013 19:20
    Antes de mais nada, sou neutro na questão do Bitcoin (não tenho 1 centavo em BTC, prefiro Ouro).
    O André está usando de má fé ao falar que "O sistema do bitcoin ja foi haqueado"

    O Bitcoin nunca teve nenhum problema de segurança. Quem teve problemas de segurança foram sites de compra e venda de Bitcoins. É como um site de banco ser invadido, não foi a moeda em si que foi atacada, foi o site do banco, só isso.
  • anônimo  24/04/2013 19:34
    Se a moeda em si é atacada, ou se o banco é roubado, que diferença faz pro correntista? Ele que fica no prejuízo de um jeito ou de outro.
  • Ricardo  24/04/2013 19:38
    Bancos são segurados pelo governo. Se eles forem assaltados, o correntista não perde nada. Já um confisco bancário significa o governo bloquear seu acesso ao dinheiro. Se você era vivo em 1990, deve saber o que é isso. Um argentino em 2001 entendeu isso. Um cipriota este ano também.
  • anônimo  24/04/2013 20:10
    Ricardo, banco era uma metáfora.
    Como o Wagner tinha dito: 'É como um site de banco ser invadido'...
    Resumindo, do ponto de vista do 'correntista', não adianta a rede do bitcoin ser segura se os sites que ele precisa usar pra comprar/vender, não são.
  • Wagner  24/04/2013 20:35
    Nós estamos falando da moeda, o André falou que o sistema foi "haqueado" para atacar a segurança do Bitcoin, difundir a mensagem falsa de que bitcoin é inseguro e todos serão roubados... ele usou de má fé. O BTC nunca teve sua segurança comprometida, quem foi atacado foi o site de um "banco" de Bitcoin, coisas completamente diferentes.
  • andre  24/04/2013 23:19
    Errado. Dá no mesmo. E use o termo ma fé para vc mesmo. Se falei uma verdade incoveniente pra vc, lamento, dispenso fanatismos.

    Que tal falarmos da celeuma em questão? Mt-GOX, o site que lida com 90% de todas as transações de bitcoin. Foi haqueado em julho de 2011, lembra? Noventa porcento! É claro que ele faz parte do sistema! Pior: Ficou por isso mesmo!
    Quer vc queira ou nao, o mt-gox faz parte sim do sistema.

    Vc parece entender muito. Por favor, discorra sobre Satoshi Nakamoto, o suposto criador desse sistema.
  • Wagner  25/04/2013 11:53
    O site do banco ser atacado não tem nada a ver com o sistema do Bitcoin.
    Bitcoin é um sistema, um software.
    O Site do mtGox é outro sistema, outro software.
    Eles trocam informações, mas são duas coisas diferentes.

    Veja mais um exemplo, só que dessa vez a prova de idiotas pra você conseguir entender:
    Eu compro Bitcoins, pego a chave de acesso a minha carteira e escrevo em um papel. Alguém invade a minha casa, rouba o papel e pega meus bitcoins.
    Não foi o SISTEMA DO BITCOIN que foi invadido, foi a minha casa que foi roubada; No caso do mtgox não foi o SISTEMA DO BITCOIN que foi invadido, foi o mtgox que foi roubado.

    Se você não tem capacidade de entender essa diferença básica eu tenho pena da sua pessoa.

  • anônimo  25/04/2013 14:04
    'O site do banco ser atacado não tem nada a ver com o sistema do Bitcoin.
    Bitcoin é um sistema, um software.
    O Site do mtGox é outro sistema, outro software.
    Eles trocam informações, mas são duas coisas diferentes.'


    Claro que tem a ver, pra usar um eu preciso do outro.
    O que dá pena é o sujeito não ser capaz de entender que mesmo a rede sendo impossível de hackear, você ainda depende de mgtox e cia. DO PONTO DE VISTA DO CORRENTISTA não faz diferença se o hacker atacou o mgtox ou a rede, ele fica no prejuízo do mesmo jeito.
  • Wagner  25/04/2013 14:41
    Você não precisa do mtgox, da mesma forma que você não precisa do Bradesco ou do Banco do Brasil... são apenas facilitadores, você usa se quer.
    Você não consegue entender a diferença entre os dois softwares, não sei se você é completamente ignorante ou se você simplesmente é teimoso.
  • Fernando Ulrich  25/04/2013 14:46
    O Wagner tem razão e faz toda a diferença, sim. Para quem não quer converter suas bitcoins em moeda fiduciária, ataques ao Mt.Gox não impõem problema algum ao funcionamento da rede Bitcoin. É claro que quem quiser usar essa casa de câmbio para adquirir mais bitcoins terá problema (se ela estiver sob ataque ou com problemas de funcionamento). Mas essa não é a única casa de câmbio e a rede Bitcoin não "depende" dela para funcionar.
    É preciso usar bitcoins sem pensar em convertê-los em moeda fiduciária. Quando atingirmos um estágio onde grande parte dos usuários mantenham saldos em bitcoin, recebendo e pagando em bitcoins, as casas de câmbio não serão nem tão relevantes como são ainda hoje.
  • Andre Cavalcante  25/04/2013 14:46
    "DO PONTO DE VISTA DO CORRENTISTA não faz diferença se o hacker atacou o mgtox ou a rede, ele fica no prejuízo do mesmo jeito."

    E porque você TEM QUE usar o mtgox? Você pode guardar suas coins em uma wallet offline. Eu faço isso. Pra mim podem invadir 10.000x o mtgox que continuo bem. E outra, se eu tenho uma quantia guardada em um cofre de banco e um bandido invade o banco e rouba o conteúdo dos cofres, também fico, COMO CORRENTISTA, do mesmo jeito - levo preju (na verdade o seguro do banco vai pagar pelos valores declarados, mas só dos declarados...

    Aqui você não apontou uma "falha" do bitcoin, mas uma falha do mtgox: falta de seguro.

    Mais uma vez, a medida que o bitcoin começar a ser amplamente usado, isso irá acontecer - imagine que uma instituição passe a operar com bitcoins, mas tenha seguro - isso atrairia para ela muitos dos milhares de clientes do mtgox.
  • anônimo  25/04/2013 20:20
    (rolleyes)É sério que ninguém aí consegue ter um pingo de raciocínio lateral?
    TANTO FAZ se eu uso mgtox ou qualquer concorrente dele.TODOS fazem parte do sistema, no sentido de que eu tenho que usar ALGUM deles pra poder usufruir do bitcoin.
    A rede bitcoin pode ser impossível de hackear, mas qualquer site que eu use pra comprar bitcoins, não. Pode ser difícil, mas impossível não.
  • Andre  26/04/2013 11:42
    Então vamos parar de usar a internet pra fazer compras online.
    Já que nenhum site de compras online é 100% seguro, sempre existe a possibilidade de um hacker invadir e roubar os números de cartões de crédito dos clientes.
    Cada um que aparece...

    E caso o Bitcoin seja considerado dinheiro no futuro todas esses sites de câmbio de bitcoin serão desnecessários, todos poderão negociar em Bitcoins diretamente entre si sem ter que converter Bitcoins em papéis coloridos. Pronto.
  • anônimo  26/04/2013 18:25
    'Então vamos parar de usar a internet pra fazer compras online.'

    O que é que tem a ver??????
    Impressionante como esse povo é incapaz de manter o foco no argumento que eles mesmos levantam! O ponto é: o SISTEMA é 100% seguro? É IMPOSSÍVEL de falhas? Se você considera como parte do sistema o momento em que troca reais por bitcoins, a resposta é NÃO.
    O sujeito é incapaz de entender isso e vem com essa infantil falácia da redução ao absurdo... 'então vamos parar de usar a internet'...ô meu filho, claro que ninguém vai parar, claro que tem uns sites mais seguros que outros, e CLARO que isso não muda em nada o fato do sistema NÃO ser essa maravilha impossível de falhas que vocês querem dar a entender.
  • Eduardo França  24/04/2013 17:17
    Como ficaria a questão de os governos mundiais, ao se depararem com o suposto sucesso das transações realizadas com bitcoins, adotarem medidas reguladoras, ou mesmo proibitivas, já que as "empresas" e "famílias" usariam essa moeda para "fugir" dos impostos? Coisas do tipo, diante o futuro "sucesso": estabelecimentos não podem mais receber em bitcoins etc. Ela não tenderia a se tornar uma moeda para mercados "proibidos"?
  • Vitor Sousa  24/04/2013 17:44
    Isso já acontece.
  • Luciano A.  24/04/2013 19:46
    Não apenas os governos, mas também os bancos não vão permitir que o bitcoin tenha sucesso.
  • Eduardo 1  26/04/2013 02:36
    Vão tentar...e não vão conseguir
  • Andre Cavalcante  24/04/2013 18:16
    De fato a esse encaminhamento.

    Mas o bitcoin, como moeda, pode sim ser tributada. Por exemplo, imagine que o Brasil resolva adotar o bitcoin como moeda. Assim, todos os salários seriam pagos com bitcoins e, claro, o governo retiraria a sua parte na fonte, assim como ocorre hoje ocorre com reais.

    Idem para produtos que cheguem no aeroporto e pagos com bitcoins. Neste caso, nem precisaria o Brasil adorá-lo como moeda, uma simples conta de câmbio e você será gentilmente requisitado a deixar até 70% do preço do produto em impostos para o governo.

    O governo ainda não faz isso porque o bitcoin, como ainda não tem aceitação tão ampla não é considerado dinheiro pelo governo.

    Como o Fernando colocou: estamos vendo o nascimento de uma moeda do livre mercado. Temos que dar tempo para ela amadurecer...
  • Wagner  25/04/2013 20:57
    Quanto tempo será que o governo dura sem poder inflacionar a base monetária pra pagar as contas? Se houvesse a adoção do BTC o governo seria OBRIGADO a por a casa em dia. Imagine os funças sendo demitidos pois o governo literalmente não tem dinheiro (Bitcoins) para pagar seus salários exorbitantes, ia ser fantástico. Sem imprimir dinheiro eu acredito que o governo cairia ligeirinho... sem inflação não teria política de "bem estar social" nem 1 zilhão de funcionários públicos pra defender o estado.
  • Tiago RC  26/04/2013 12:16
    Infelizmente acho mais provável eles tentarem aumentar a carga tributária e o déficit do que reduzir gastos. Óbvio que em algum momento isso daria merda, mas enquanto eles conseguirem empurrar para o próximo mandato, "tudo tranqüilo".
  • SPSPJULIANO  24/04/2013 23:29
    Essa moeda jamais vai se sustentar como moeda séria por algumas razões:

    1)Não há um Estado Nacional militar que possa impor a moeda e assegurar que seus possuidores a tomem de volta caso emprestem para alguém

    2)Ela não é de cunho forçado para compra e venda de qualquer mercadoria indispensável a existência humana tal como a conhecemos (como, por exemplo, o dólar é indispensável para compra e venda de petróleo que, por sua vez, é indispensável à existência da sociedade moderna).

    3)Não existe um sistema tributário que permita a arrecadação de bitcons, inviabilizando qualquer atividade administrativa coletiva, aspecto indispensável a existência em sociedade de forma civilizada (com a consequência da necessidade de existir um meio de troca) (Não vale argumentar com idéais anarquistas... se vc gosta de baderna, pode ficar longe de mim :>)

    4)Não há um sistema de pagamento de juros para os empréstimos feitos com essa moeda, ou seja, ela é apenas um instrumento de troca e de reserva de valor (como o ouro). O que, de imediato afasta o interesse em aceitá-la da maioria de nós.

    Ainda que se criasse um sistema para que empréstimos feitos por essa moeda pudessem ser devolvidos com juros; há de se observar que uma vez que a quantidade de bitcons é limitada (como o ouro), chegará um ponto que todo bitcon estará concentrado da mão de poucos pessoas, levando a moeda a exaustão. Tal como aconteceu no final do império romano com o ouro. Quando os imperados não tinham mais ouro para cunhar suas moedas (pois o ouro existênte a época estava na mão de poucos), tiveram que começar a falsear a quantidade de ouro nas suas moedas (ligas de ouro e outros metais)

    Daria para escrever outros motivos. Mas acho que estes já bastam.



  • Marcio Silva  25/04/2013 00:45
    SPSPJULIANO,

    Resumindo...

    Na sua opiniao o bitcoin nao funcionará como moeda porque não se pode fazer agiotagem nem confisco com ele, pois não há um governo que possa ameaçar a população de morte em caso de inadimplencia.

    É , talvez na Coreia do Norte sua tese faça sentido.
  • Anônimo  25/04/2013 01:04
    Você deu 5 motivos precários. Já basta para mim também.

    0) Que diabos é uma moeda séria?

    1) "Emprestei 3000 reais a um amigo há dois anos e não fui pago. Ele também não foi preso. Logo, a moeda é inválida." (?)

    Diga isso aos cipriotas, que colocaram euros em suas contas bancárias e tiveram seus fundos bloqueados pelos devedores(Bancos). Onde está seu exército agora para forçar os bancos e o próprio governo a desbloquear os fundos?

    2) Não utilize cunho forçado quando o termo não é de fato correto. Três coisas: 1) Bitcoin pode ser convertido em dólar. 2) Apesar de o valor do barril de petróleo ser geralmente mensurado em dólar, podemos comprá-lo com o uso de qualquer moeda, até mesmo pesos mexicanos. 3) Qual a relação entre moeda e bens imprescindíveis? Por que para uma moeda ser "séria", ela precisa ter o preço de bens essenciais sendo mensurados nela?

    3) "Não existe um sistema tributário que permita a arrecadação de bitcons, inviabilizando qualquer atividade administrativa coletiva, aspecto indispensável a existência em sociedade de forma civilizada."

    Para piorar, você ainda disse que não vale utilizar idéias anarquistas para refutar. É como se eu dissesse que a terra é plana e não vale utilizar conceitos geográficos para refutar. Ou que 2 + 2 = 5 e não vale utilizar axiomas matemáticos para refutar.
    Tudo bem, não utilizarei idéias opostas às suas para discutir tal asneira proferida.

    Apenas pergunto-me: Apenas porque AINDA não existem métodos de invadir a conta dos usuários de Bitcoins e roubá-los para a formação de uma sociedade justa(?) e civilizada, esse não serve como moeda séria?

    Então, apenas porque ele não pode ser pilhado, significa que ele não serve como moeda séria? Nossa, maravilhoso! Longa vida à moeda de brincadeira! Abaixo a moeda séria!

    E outra: Por que eu preciso ter meu dinheiro pilhado por bárbaros legais para que exista uma sociedade civilizada? Responda-me você, pois deixou bastante explícito que por algum motivo eu não posso responder ao que você disse.

    4) Nossa, sinto muito, mas essa foi risível. Farei algumas perguntas a você e a seu conhecimento econômico infalível:

    a) Por que você acha que é possível penhorar bens? (Como em hipotecas, por exemplo)

    b) Utilizando o que aprendeu na segunda pergunta, não acha estranho que quando o valor de um empréstimo não pode ser pago, bens em hipoteca com valor de mercado semelhantes são dados pelo credor por terem sido garantidos no contrato?

    c) Não acha que existe uma certa relação estranha nisso? Uma espécie de "conversibilidade"? Não acha que caso tal situação apocalíptica supra-citada acontecesse, ninguém teria a brilhante ideia de possuir algum outro bem que tenha valor mensurado em Bitcoins, afinal, eles não são a única moeda existente.
    Outra: É um mistério mesmo. Como será que eram feitos empréstimos na época do ouro? Alquimia?

    Este artigo do Murphy é baseado no contexto atual, mas serve para seu "questionamento":

    mises.org/daily/4569/What-Does-DebtBased-Money-Imply-for-Interest-Payments

    Eu espero que seu comentário recebe contestação não só por parte dos apologistas do Bitcoin, mas por gente como Fernando Chiocca, que com certeza amará seus questionamentos 3 e 4.
  • SPSPJULIANO  25/04/2013 16:13
    Risível por risível...

    Compre bastante bitcom com moeda boa e mantenha em carteira.

    Daqui 10 anos (ou menos) a gente conversa.

    Boa Sorte.

    P.S. Eu jamais venderia nada que eu tenho no mundo real para alguém que me pague em bitcons.

    P.S 2. Ri melhor quem rí por último.
  • mauricio barbosa  25/04/2013 16:58
    SPSP Juliano concordo com você em parte.Vejamos, para o bitcoin vingar é preciso que o livre-mercado o adote voluntariamente e é viável adota-la no momento enquanto moeda paralela e depois como moeda corrente,agora quem deve estar morrendo de ódio com isso são os burrocratas do Banco Central e seus clientes prediletos,governo e bancos,quanto ao mais é aguardar assistindo de camarote o nascimento do dinheiro parafraseando Fernando Ulrich.
  • Marcio Silva  25/04/2013 18:11
    SPSPJULIANO ,

    Diga isso para um argentino, que ha 10 anos votava em Néstor Kirchner e agora está vendo o seu dinheiro virar piada.
    Volte ao passado, no dia 15 de março de 1990, um dia antes do confisco, e diga isso para um brasileiro que acabara de vender um imóvel guardando o dinheiro no banco.

    Quem ri por último é sempre o Banqueiro...
  • anônimo  25/04/2013 20:22
    Tanto o argentino como o brasileiro teriam escapado se tivessem lido Mises, Rothbard, e comprado ouro.
  • anônimo  25/04/2013 20:34
    Genial refutação ao anônimo, Julianosp. Réplica repleta de argumentos, comentários sobre os erros cometidos e acima em rica em razão e rigor lógico. Completamente livre da falta de continuísmo argumentativo e não menciona se quer um fator que fora completamente deixado de lado em sua redação original.

    Sua ausência de falácias lógicas também foi admirável, além de ter se limitado a criticar a proposta do anônimo ao invés de meramente depreciá-la.
    O IMB deveria premiá-lo com um artigo próprio onde poderia compartilhar conosco mais a respeito de seu brilhante poder lógico e sua capacidade de defesa argumentativa.
    Essa sua refutação ao outro anônimo é digna de poemas sobre sua grandeza e racionalidade econômica.

    Parabéns, garoto. Você certamente é o novo Aristóteles. Estou absolutamente certo que após tamanha refutação, o anônimo nem mesmo terá coragem de dar as caras pelo site novamente e defender a criação de um dinheiro independente de bancos centrais. Melhor o IMB também abandonar completamente a postagem de argumentos anarcocapitalistas, pois afinal, como fora brilhantemente demonstrado por você em seu excelente primeiro comentário, argumentos anarquistas não servem para discussão pois são anarquistas.

    Estou boquiaberto com tamanho talento. Ele supera enormemente todos os economistas, austríacos ou não, que estudaram teoria monetária dedicadamente(Incluindo o próprio Fernando Ulrich). Sua resposta não é apenas irrefutável como também impensável por outras mentes, tendo absolutamente ninguém pensado a respeito sobre questões tão básicas postas em sua primeira postagem.

    Desculpe pelo eco, porém essa sua refutação ao Anônimo foi perfeita.
  • anônimo  28/04/2013 11:15
    Esse 5 tem fundamento. Como você vende a prazo com bitcoins?
  • anônimo  28/04/2013 16:26
    Se associe a um banco que aceita depósito de bitcoins. Ou uma operadora de cartão que aceite.
  • anônimo  25/04/2013 01:07
    [Off-Topic]
    Austríacos, leiam o que o Peter Schiff falou sobre o Japão:

    lewrockwell.com/schiff/schiff219.html

    Arrepiante, não?
  • anônimo  26/04/2013 10:21
    O mises gringo está cheio de artigos de libertários que não acreditam no bitcoin
    Pra não dar a falsa idéia de que a conclusão de que ele não viola o teorema da regressão é consenso entre os libertários, como realmente não é, acho que o mises brazuca também devia publicar algum artigo desses.
    mises.org/community/forums/t/33232.aspx
  • Daniel Flores  26/04/2013 13:56
    Se converteu, Fernando? Não parecias tão otimista com o BTC algumas semanas atrás! hehe
  • Fernando Ulrich  26/04/2013 19:14
    Daniel, não tinha como ser otimista antes, afinal, não sabia nada de Bitcoin.
  • Paulo  26/04/2013 18:47
    Sim! Eu sei que vou apanhar, mas não resisto!

    Aí vai o artigo do Paul Krugman:

    ------------------------------------------------------------------------------------
    A rede antissocial dos 'bitcoins'

    A oscilação exagerada do "bitcoin" pode não ter sido a notícia econômica mais importante das últimas semanas, mas foi a mais divertida, com certeza. Num período de menos de duas semanas, o preço da chamada "moeda digital" mais que triplicou. Em seguida, caiu mais de 50% em poucas horas. De repente pareceu que tínhamos voltado à era ponto.com.

    O significado econômico dessa montanha-russa foi basicamente nenhum. Mas o furor em torno do "bitcoin" serviu de lição útil sobre como as pessoas têm concepções equivocadas em relação ao dinheiro, e, em especial, sobre como se deixam enganar devido a seu desejo de divorciar o valor do dinheiro da sociedade à qual o dinheiro serve.

    O que é um "bitcoin"? Às vezes é descrito como uma maneira de realizar transações online --mas isso, por si só, não constituiria novidade num mundo de transações online com cartões de crédito e PayPal. Na realidade, o Departamento de Comércio dos EUA estima que até 2010, cerca de 16% das vendas totais efetuadas nos EUA já eram feitas no comércio eletrônico.

    Então de que maneira o "bitcoin" é diferente? Diferentemente das transações com cartão de crédito, que deixam um rastro digital, as transações com "bitcoin" são criadas para serem anônimas e impossíveis de ser rastreadas. Quando você transfere "bitcoins" a alguém, é como se tivesse ido a uma viela escura e entregado a alguém um saco de papel com cédulas de US$100. E, dito e feito: pelo que é possível saber, tirando seu uso como alvo de especulação, a principal utilização feita do "bitcoin" até agora vem sendo para versões online daquelas transações em ruelas escuras, com "bitcoins" sendo trocados por drogas e outros produtos ilegais.

    Mas os defensores do "bitcoin" insistem que este faz muito mais do que facilitar a realização de transações ilícitas. Os maiores investidores declarados em "bitcoin" são os irmãos Winklevoss, gêmeos ricos que moveram uma ação bem-sucedida para reivindicar uma parcela do Facebook e foram celebrizados pelo filme "A Rede Social". E eles defendem o produto digital em termos semelhantes aos usados por defensores do ouro quando falam de seu metal favorito. Tyler Winklevoss declarou recentemente: "Optamos por investir nosso dinheiro e nossa confiança num quadro matemático que é imune à política e ao erro humano".

    A semelhança com o discurso dos defensores do ouro não é coincidência, já que os entusiastas do ouro e dos "bitcoins" tendem a compartilhar uma posição política libertária e a crença de que os governos abusam profundamente de seu poder de imprimir dinheiro. Ao mesmo tempo, é muito peculiar, já que os "bitcoins" são, em certo sentido, o máximo possível em matéria de moeda fiduciária, com valor que não é baseado em nada concreto.

    O valor do ouro vem em parte do fato de esse metal ter utilizações não monetárias, como em obturações dentárias e na fabricação de joias; as moedas de papel têm valor porque são garantidas pelo poder do Estado, que as define como moeda legal e as aceita no pagamento de impostos. No caso dos "bitcoins", seu valor, quando existe algum, se deve puramente à crença de que outras pessoas os aceitarão como forma de pagamento.

    Mas deixemos essa característica estranha de lado, além do processo peculiar de "garimpagem" empregado para fazer crescer o montante de "bitcoins" --na realidade, um processo de cálculo complexo. Foquemos, ao invés disso, duas grandes ideias equivocadas --uma delas prática, outra de cunho filosófico-- que são subjacentes tanto à crença no valor fundamental do ouro quanto na aposta nos "bitcoins".

    O equívoco prático em questão --e é grande-- é a ideia de que vivemos numa era marcada pela impressão altamente irresponsável de dinheiro, em que a inflação galopante estaria prestes a chegar. É verdade que o Federal Reserve e outros bancos centrais ampliaram suas folhas de balanço em muitos, mas o fizeram explicitamente, como medida temporária em resposta à crise econômica.

    Eu sei que se diz que não é possível confiar em autoridades governamentais e tudo o mais, mas a verdade é que as promessas de Ben Bernanke de que suas ações não terão consequências inflacionárias vêm sendo cumpridas ano após ano, enquanto as previsões agourentas de inflação feitas pelos partidários do ouro insistem em não se concretizar.

    Mas me parece que o equívoco filosófico é ainda maior. Tanto os partidários do ouro quanto os dos "bitcoins" parecem ansiar por um padrão monetário puro, que seja intocado pelas fragilidades humanas.

    Mas esse é um sonho impossível. Como Paul Samuelson declarou certa vez, o dinheiro é um "expediente social", não algo que exista fora da sociedade. Mesmo quando as pessoas usavam moedas de ouro e prata, a utilidade dessas moedas não estava nos metais preciosos que continham, mas na expectativa de que outras pessoas as aceitariam como forma de pagamento.

    Na realidade, poderíamos imaginar que os irmãos Winklevoss entendessem esse fato, já que, de certo modo, o dinheiro é como uma rede social: algo útil apenas na medida em que outras pessoas o utilizam. Mas acho que algumas pessoas simplesmente se incomodam com a noção de que o dinheiro é uma coisa humana e querem os benefícios da rede monetária sem a parte social dela. Lamento --isso é impossível.

    Será que precisamos de um novo tipo de dinheiro, então? Acho que esse argumento poderia ser apresentado se o dinheiro que temos estivesse apresentando problemas de funcionamento. Mas não está. Temos problemas econômicos enormes, mas as folhinhas de papel verde estão funcionando muito bem. Não deveríamos mexer com elas.

  • Adriano  28/04/2013 04:23
    Se o "Krugi" não gostou, então já e um bom começo. Quanto a "função social da moeda" e tão somente ser reserva de valor decente e meio de troca eficaz. Se um dia a bitcoin conseguir atingir tais objetivos, vai cumprir sua função muito melhor que essa b$st@ de dólar.
  • Tiago RC  11/07/2013 13:25
    Olhem só que interessante a mensagem de fechamento nesse site: www.igolder.com/

    É raro as pessoas reconhecerem tão bem que foram superadas.

    Adorei a passagem: "Since iGolder has a central point of failure (our server may be raided by thugs wearing some kind of uniform), we feel it is safer for us to cease operations."
  • Andre  11/07/2013 13:28
    "(our server may be raided by thugs wearing some kind of uniform)"

    Genial!!! :D
  • Israel  25/02/2014 23:12
    ROUBO DE BITCOINS

    www.infomoney.com.br/mercados/cambio/noticia/3208409/roubo-estimado-350-milhoes-maior-corretora-bitcoin-desaparece
  • alessandro   20/10/2016 23:06
    preciso fazer uma folha de conceito bitcoins trabalho cientifico, alguem tem? alguem ja feis


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