Bitcoin: o nascimento do dinheiro (Parte 1)
por , segunda-feira, 22 de abril de 2013

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bitcoin2.jpgFrequentemente sou perguntado a respeito do Bitcoin. Há futuro para uma moeda digital? A rede é confiável? Os governos não tentarão proibi-la? Seu preço subirá? A moeda já pode ser considerada uma bolha? Enfim, as perguntas são infindáveis. E, dadas as recentes aparições na mídia e a alta volatilidade no preço da moeda digital, simplesmente não posso mais ignorar essa inovação. O experimento Bitcoin merece um tratamento minucioso e cuidadoso.

Este artigo talvez seja um pouco mais longo do que os artigos anteriores, mas pela riqueza do tema e da quantidade de tópicos a tratar, arrisco afirmar que valerá a pena lê-lo na íntegra. Além disso, ele será publicado em partes, evitando que a leitura fique muito pesada. Mas antes de prosseguirmos, deixo aqui apenas uma conclusão, da qual espero que você se sinta convencido ao final da leitura: o projeto Bitcoin é revolucionário, sem precedentes e tem o potencial de mudar o mundo de uma forma jamais vista.

O que é Bitcoin

Na última vez em que fui perguntado sobre o tema — cerca de um mês atrás —, respondi exatamente da mesma forma que nas outras vezes: "Conheço muito pouco de Bitcoin, mas, pelo pouco que conheço, afirmo que não me parece um sistema monetário seguro. Acho que cedo ou tarde algum hacker pode infiltrar-se nele e perturbá-lo, alterar os saldos das carteiras, criar bitcoins para si mesmo, etc.". Dito isso, ofereço agora um conselho: quando não se sabe o suficiente sobre um assunto, é melhor permanecer em eterno silêncio ou simplesmente responder "não sei" do que oferecer opiniões que beiram a assunção da mais clara ignorância. Não posso voltar no tempo e reprimir o Fernando de um mês atrás. Posso, no entanto, buscar minha redenção oferecendo uma análise mais fundamentada, sob a perspectiva de um estudioso (e entusiasta) de teoria monetária e bancária.

Mas, afinal, o que é o Bitcoin[1]? O que é uma moeda digital? Detlev Schlichter explica que:

O Bitcoin é um dinheiro intangível criado na internet.  É um software.  O Bitcoin pode ser imaginado como sendo uma commodity criptográfica.  Trata-se de uma moeda criada digitalmente, completamente descentralizada, que existe somente no ciberespaço.  Ela é produzida e gerida pelos computadores conectados à rede mundial, os quais formam a rede Bitcoin.  Trata-se de um sistema de pagamento peer-to-peer que permite que as transações sejam assinadas digitalmente.  O Bitcoin não possui um emissor centralizado e não há nenhuma autoridade central controlando o processo.

De acordo com seus criadores, a base monetária se expande de maneira limitada e controlada, sendo programada no software do Bitcoin.  Porém, tal expansão é totalmente previsível e conhecida antecipadamente pelo público usuário, o que significa que tal inflação não pode ser manipulada para alterar a distribuição de renda entre os usuários.  A todo e qualquer momento, qualquer usuário pode saber não apenas quantos bitcoins ele possui, como também quantos bitcoins existem no total.  Ainda de acordo com os criadores, somente 21 milhões de unidades de dinheiro podem ser criadas [até o ano de 2140], o que significa que, após certo ponto, a quantidade de dinheiro torna-se fixa.

Honestamente, quando iniciei minha pesquisa e estudo da moeda digital não esperava nada muito surpreendente. Mas no decorrer das leituras, o entendimento, as descobertas, as implicações e o potencial do projeto fizeram-me adotar uma postura, no mínimo, mais humilde. De soberba indiferença, passei pelos estágios de incredulidade à incompreensão. Do conhecimento veio a estupefação e o fascínio. Não tardou muito para o fascínio tornar-se admiração, com uma boa dose de entusiasmo e otimismo. E digo isso analisando o fenômeno por distintos prismas: i) como economista e estudioso de teoria monetária e bancária; ii) como investidor e empresário; e iii) como amante das liberdades individuais.

O nascimento do dinheiro…

Quem já se aprofundou um pouco em teoria monetária conhece o famoso teorema da regressão de Ludwig Von Mises. Segundo esse teorema, é impossível qualquer tipo de dinheiro surgir já sendo um imediato meio de troca; um bem só pode alcançar o status de meio de troca se, antes de ser utilizado como dinheiro, ele já tiver obtido algum valor como mercadoria. Qualquer que seja a moeda, ela precisa antes ter tido algum uso como mercadoria, para só então passar a funcionar como dinheiro.

Essa é a teoria. Esse é o teorema. No caso do ouro e da prata, sabemos que foram escolhidos pela humanidade como o dinheiro por excelência ao longo de centenas de anos por meio de milhões de intercâmbios no mercado. Mas seria impossível datar precisamente quando o ouro surgiu como mercadoria, quando passou a ser utilizado como meio de troca e quando preponderou como a mercadoria mais "vendável" (marketable), tornando-se por fim, o meio de troca universalmente aceito, ou, simplesmente, dinheiro.

No caso de Bitcoin, temos a data exata: a moeda digital nasceu no dia 3 de janeiro de 2009. Alguns meses depois, passou a ser consumida, ou adquirida, não para ser usada como meio de troca — afinal de contas, pouquíssimos indivíduos sequer conheciam o Bitcoin —, mas sim para satisfazer alguma necessidade individual. E é totalmente irrelevante identificarmos com precisão qual necessidade ou objetivo levou os primeiros compradores de Bitcoin a trocar alguns dólares por uma unidade bitcoin (1 BTC). "No caso de objetos intangíveis, como o Bitcoin", afirma Konrad S. Graf em um espetacular artigo sobre a natureza do Bitcoin, "a demanda para o consumo direto é determinada por valores primariamente psicológicos ou sociológicos". Como o geek que quer ostentar as maravilhas de uma criptografia, ou o sujeito que compra bitcoins como forma de protesto ao status quo.

O que importa não é o porquê, mas sim o fato de que houve demanda real e bitcoins foram adquiridos e preços foram formados na busca por essa "mercadoria" (dígitos eletrônicos no ciberespaço). Nesse sentido, o nascimento do Bitcoin em nada contraria o teorema da regressão de Mises.

Mas e quando o Bitcoin virou meio de troca? A primeira transação de que se tem notícia se deu em Maio 2010 quando 'laszlo'  trocou uma pizza por 10.000 BTC — em retrospecto pode ter sido a pizza mais cara do mundo (10 mil BTC = 1,2 milhão de dólares, cotação de 19/04/13). Poderíamos dizer que bitcoins ainda não eram um meio de troca geralmente aceito, portanto, isso foi, em realidade, um escambo. Pode ser que sim. Mas é uma mera tecnicalidade desimportante. O fato é que, desde então, bitcoins passaram a funcionar como meio de troca, de acordo com o seu objetivo basilar.

A verdade é que estamos testemunhando em "tempo real" o nascimento de um dinheiro. Como um economista, isso me parece fantástico. Estudar a teoria é fundamental. Mas vivenciá-la na prática é impagável. Ser um especialista na Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos é de suma importância. Mas presenciar uma bolha imobiliária sendo formada, assistir ao seu estouro e a todas as consequências reais e palpáveis é uma lição que não se esquece jamais.

Mas voltando à moeda digital, poderíamos já considerar o Bitcoin como dinheiro? Em sua tese de mestrado, Peter Surda afirma que não, Bitcoin ainda não é dinheiro. Tornar-se-á algum dia. Mas ainda não o é. Seguindo a definição da Escola Austríaca de Economia, "Bitcoin não é um meio de troca universalmente aceito", afirma Surda. Mas se não é dinheiro, então o que é? Seria um "meio de troca secundário" (Mises) ou um quase-dinheiro (Rothbard).

Por outro lado, Graf levanta um ponto interessante: "Se dinheiro é definido como meio de troca universalmente aceito, então temos que qualificar o universalmente". Porque, se dissermos que dinheiro é o meio de troca "mais" universalmente aceito, "então certamente não chamaríamos Bitcoin de dinheiro", conclui Graf, adicionando que "tampouco chamaríamos Pesos Mexicanos de dinheiro dentro dos Estados Unidos". Entramos em uma área cinzenta, sem dúvida, mas há mérito no seu ponto. Graf concede que a única razão — ainda que passível de debate — para não chamar Bitcoin de dinheiro ainda, reside no fato de que, "aparentemente, muitos usuários ainda enxergam os bitcoins através da lente da taxa de câmbio em relação às suas moedas locais".

Em contrapartida, Frank Shostak afirma que Bitcoin "não é uma nova forma de dinheiro que substitui formas antigas, mas na verdade uma nova forma de empregar dinheiro existente em transações. Uma vez que Bitcoin não é dinheiro de verdade, mas meramente uma nova forma diferente de empregar a moeda fiduciária existente, ele não pode substituí-la".

Contrariando Shostak, Bitcoin é um novo meio de troca, sim, ainda que não universalmente aceito. Ele é o que Mises classifica como dinheiro commodity. Mas não no sentido material como normalmente se entende, e sim no sentido de "dinheiro coisa" ou "dinheiro de fato" — exatamente nos termos de sua obra prima original em alemão, Theorie des Geldes und Umlaufsmittel (The Theory of Money and Credit). Dinheiro commodity em alemão é "Sachgeld" (sach=coisa, geld=dinheiro). Logo, como brilhantemente elucida Graf, "uma unidade bitcoin é o próprio meio de troca, é o dinheiro".

Já Nikolay Gertchev oferece uma crítica sob uma ótica distinta, alegando que "não podemos ter um dinheiro que dependa de outra tecnologia (internet)… Bitcoins jamais atingiriam o nível de universalidade e flexibilidade que o dinheiro material permite por natureza. Portanto, no livre mercado, dinheiro commodity, e presumivelmente ouro e prata, ainda tem uma vantagem comparativa". Será que Gertchev tem razão?

No próximo artigo trataremos dessa questão, buscando descobrir se o Bitcoin tem potencial para ser um meio de troca inclusive melhor que o ouro ou o papel-moeda fiduciário.

Leia aqui a segunda parte da série Bitcoin.

Artigo originalmente publicado em O Ponto Base



[1] Não faz parte do escopo desse artigo fazer uma descrição profunda e detalhada da tecnologia e da linguagem de programação do projeto Bitcoin. Ademais, encorajo aqueles que estão lendo sobre Bitcoin pela primeira vez que parem, assistam a alguns vídeos ou leiam artigos sobre o tema e retornem após deter um mínimo de conhecimento sobre Bitcoin. Indicações de leitura logo abaixo. Estou longe de ser especialista em linguagem de programação e na tecnologia que viabiliza esse projeto.

Material introdutório ao Bitcoin:

Bitcoin Brasil 

Artigos no Instituto Mises Brasil

Vídeo do Dâniel Fraga que explica como adquirir bitcoins


Maiores informações técnicas sobre Bitcoin:

Bitcoin Wiki

Bitcoin.org


Fernando Ulrich é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 


96 comentários
96 comentários
Pedro Ivo 22/04/2013 12:44:04

onde acompanho a cotação do Bitcoin?

Responder
Lucas Senra 22/04/2013 22:26:18

preev.com

Responder
Eduardo 1 23/04/2013 02:47:27

O mais líquido e usado como referência é o mtgox.com, parâmetro para quase todas as transações

Responder
anônimo 24/04/2013 10:57:10

Esses são os preços da compra, onde tem os preços da venda?

Responder
Valmir Junior 22/04/2013 12:49:53

Espero que o Bitcoin se beneficie com avanço dos pagamentos via smartphone.

É difícil prever quando as grandes empresas vão começar a aceitá-lo.

Responder
Pedro Ivo 22/04/2013 13:09:24

Se surgirem softwares de pagamento via smartphone em Bitcoin (ou se já existem) os pagamentos podem ser feitos entre usuarios do Bitcoin. Um médico pode cobrar a consulta em Bitcoin, um serralheiro por um portão, um agricultor por sacas de feijão, o locador aceitaria o aluguel em bitcoins. Daí a empresas grandes aceitarem é um pulinho.

E o smartphone é só uma das plataformas possíveis. Eu compro livros pela internet, por ex.. Poderia efetuar o pagamento em Bitcoins via email. Ou tantas outras coisas seriam transacionadas com pagamento via email graças ao Bitcoin.

Responder
Eduardo 1 23/04/2013 02:50:06

Já existe software para smartphone de pagamento em bitcoin: https://blockchain.info/wallet/android-app

Sou médico e aceito com muita alegria pagamento de consultas em Bitcoin!

Responder
Pedro Ivo 23/04/2013 12:37:08

viram. falei!

Responder
Tiago RC 22/04/2013 13:14:03

Bravo, Ulrich! :)

Responder
GB 22/04/2013 13:20:26

Cotação bitcoin em tempo real aqui:
bitcoin.clarkmoody.com/
bitcoinity.org/markets?currency=USD&exchange=mtgox

Responder
Breno Almeida 22/04/2013 13:30:40

Finalmente alguém que entende o assunto e consegue explicar! Muito obrigado Fernando Ulrich.

Responder
Henrique Mareze 22/04/2013 14:52:06

O IMB precisa aumentar seu n° de artigos sobre esse grande tema. Genial!

Responder
Marcio Silva 22/04/2013 15:48:39

Quanto à crítica de Nikolay Gertchev, acredito que o Bitcoin é tão digital quanto o dinheiro que temos nas nossas contas bancárias hoje em dia, só que com uma vantagem, O Bitcoin não provocará bolhas enquanto qualquer usuário puder saber quantos bitcoins existem no total, e por cada unidade de bitcoin ser criptografada ele se torna mais seguro que um papel impresso ou que um mero digito no banco, pois nenhuma das modalidades tem lastro real.

Responder
Diones Reis 22/04/2013 19:39:32

A tremenda valorização e queda quase que vertical do Bitcoin, nestes primeiros meses deste ano não foi uma bolha?
Se isto não foi uma bolha, alguém aí me explique o que é.

Responder
Santista 22/04/2013 23:48:35

Foi uma bolha. Justifica pela infância da moeda. O mercado ainda não sabe precificar e todos operadores ainda tem medo.

Responder
Peao 22/04/2013 15:55:41

Parabéns pela qualidade do artigo!
Aguardo ansiosamente a segunda parte!

Responder
Rene 22/04/2013 16:10:38

Imagino que em futuros artigos será tratado disso, mas acredito que é só questão de tempo até o governo proíbir os bitcoins, se a moeda se tornar popular. Além da já existente lei de curso forçado do Real, o governo poderia alegar, por exemplo, que os bitcoins são usados para transações criminosas, como para negociar material de pedofilia, e com base nisso proibir a prática (Da mesma forma como tem feito com as armas de fogo). Ainda que não seja possível rastrear transações P2P envolvendo bitcoins, o governo poderia impor sanções pesadas sobre qualquer empresa legalmente constituída que passe a aceitar bitcoins em transações, ou mesmo confiscar os produtos que tenham sido negociados via bitcoins e enviados pelos correios. Em último caso, poderiam até mesmo criminalizar a simples posse de bitcoins.

Não podemos esquecer que a moeda fiduciária de curso forçado é um dos instrumentos mais importantes do estado. É pouquíssimo provável que os políticos e burocratas abram mão disso sem lutar.

Responder
anônimo 22/04/2013 17:02:55

'Ainda que não seja possível rastrear transações P2P envolvendo bitcoins'

anonymity-in-bitcoin.blogspot.com.br/2011/07/bitcoin-is-not-anonymous.html

Responder
Eduardo 1 23/04/2013 02:54:38

Amigo, se você der uma lida sobre os BTC, perceberá que pode estocar e trocar todos os BTC numa folha de papel (procure por "cold bitcoin wallet" no google). Os governos estão bem cientes da ameaça que o BTC representa, mas não têm como rastrear todos os pedaços de papel, concorda?
Podem ameaçar lojistas, proibir grandes redes, mas a rede p2p é uma força de formigas. O sujeito simplesmente trocaria por reais 1 minuto antes da transação. Para estocar valor, compras pequenas, informalidade e relacionamento com pessoa física e exterior, seguiria com o bitcoin.

Responder
Fun 22/04/2013 16:45:05

Uma dúvida sincera: o que aconteceria se o governo federal simplesmente proibisse as transações com bitcoins?

Não é difícil imaginar que o sucesso do bitcoin seria visto pelos cabeças-de-bagre (do PT ou do PSDB, tanto faz) como uma ameaça ao Estado.

Aí, seja com base na "função social da propriedade" (art. 5º inc. XXIII da CF) ou por qualquer outra fundamentação ("faço porque posso"), eles poderiam simplesmente proibir ou até criminalizar o uso de bitcoins (enquadrando as transações em bitcoins como, por exemplo, lavagem de dinheiro: o que dá penas de prisão altíssimas).

Se fizessem isso, o que ocorreria com o mercado?

E, supondo que haja uma saída caso a medida do governo brasileiro fosse isolada, o que aconteceria se também os EUA, a União Européia, o Japão e até a China seguissem a onda de criminalizar o bitcoin?

Com base no que vocês conhecem da imbecilidade dos governos (especialmente do NOSSO governo), vocês enxergam esse risco como real?

Será que o sucesso do bitcoin pode selar o seu fracasso?

Responder
anônimo 22/04/2013 17:37:11

O governo não precisa proibir nada.Basta os bancos centrais irem comprando bitcoins aos poucos e venderem tudo de uma vez.

Não quero nem saber, vou lá no centro comprar ouro.

Responder
Marcio Silva 22/04/2013 20:38:39

Já houve um ataque especulativo com o bitcoin, surpreendentemente ele superou o ataque mostrando-se extremamente forte tanto no sistema em que opera quanto nos fundamentos.
noticias.sapo.tl/portugues/tek/artigo/425ee265414049fbd8305c4b77e76c86.html

Responder
Eduardo 1 23/04/2013 03:00:21

Amigo, se os governos resolverem comprar todos os BTC, o preço subiria rapidamente, o que faria com que os usuários parassem de vender, esperando subidas ainda maiores. Geraria uma publicidade e demanda extra pelo bitcoin.
Os irmãos Hunt tentaram isso em 79-80, e não deu certo (en.wikipedia.org/wiki/Silver_Thursday). Existe nome para isso em inglês: "corner the market".

Explique como, tecnicamente, um governo pode incriminar alguém por transações em bitcoin, quando tudo que aparece publicamente é algo do tipo: 1Nvtxhs6dhdehGRRRhlayt mandou 2 bitcoins para 1Vtgu6ajf99gd75TTjbL (número gigantesco de endereços, cada um pode gerar zilhões)?

Responder
anônimo 23/04/2013 10:09:24

'se os governos resolverem comprar todos os BTC, o preço subiria rapidamente'

Se você tivesse lido, o que eu disse foi:'basta os bancos centrais irem comprando bitcoins aos poucos'

Responder
anônimo 23/04/2013 10:32:42

'Explique como, tecnicamente, um governo pode incriminar alguém por transações em bitcoin, quando tudo que aparece publicamente é algo do tipo: 1Nvtxhs6dhdehGRRRhlayt'

Mas é a coisa mais fácil do mundo, na hora que quiser ele inventa quebra de sigilo bancário, fiscal, de telefone, de dados, do que quiser.

Responder
anônimo 22/04/2013 17:40:21

Os governos não são imbecis, eles sabem muito bem as consequências de tudo que fazem.

Responder
Valmir Junior 22/04/2013 18:09:30

Não ficaria surpreso se algum governo caçasse os criadores do bitcoin. Eles não teriam menor problema em inventar algo e acabar com isso.

Responder
Gustavo Sauer 22/04/2013 18:28:32

Não há como algum governo do mundo acabar com o bitcoin no sentido que você imaginou. O bitcoin não é um sistema centralizado. A informação do bitcoin está dispersa em toda a rede pelos usuários que usam o bitcoin. Acabar com o bitcoin seria análogo a querer deletar uma foto nua de uma celebridade que caiu na rede...

Responder
anônimo 22/04/2013 19:19:02

Recomenda-se ler as coisas antes de comentar.Ninguém falou em derrubar o sistema.Falou-se em caçar os usuários. E desculpas pra isso não falta: drogas, pedofilia, etc.

Responder
Eduardo 1 23/04/2013 03:01:33

Foi criado por um pseudônimo...

Responder
anônimo 22/04/2013 16:56:32

Se ele quer dizer que o teorema da regressão está errado, isso é até aceitável,afinal se está errado ou não o tempo vai provar, agora falar que bitcoins tinham alguma utilidade antes dos primeiros serem vendidos, é chamar todo mundo de burro.

Responder
Neto 22/04/2013 17:12:05

'O que importa não é o porquê, mas sim o fato de que houve demanda real por bitcoins'

Quem foi que disse? Entender o porquê é importante sim, e não só pro bitcoin mas pra tudo no mundo.

Responder
Cesar Massimo 01/05/2013 23:13:20

Neto
Só estou querendo ajudar.
Para entender o funcionameno do Bitcoin, o autor disse que basta saber que houve demanda. Exemplificando: o produtor de jiló não quer saber por que o cliente compra jiló, ele apenas produz e vende.
P.S. (Eu não como jiló mas planto e vendo).

Responder
zanforlin 22/04/2013 17:12:46

Caro Pedro Ivo:

Interessante seria deixar o estado e sua "insaciável gula extorsiva" de fora dessas transações. Já poder excluir o BTC do âmbito de manipulação dos "shadow money lenders" (futurefastforward.com/) seria um grande passo;se o estado puder ser afastado de obter "sua parte" nessas transações, seu tamanho diminuiria, certamente. Maa, primeiro deixemos o BTC evoluir e o Ulrich concluir seu artigo...

Responder
Pedro Ivo 23/04/2013 12:48:45

Concordo, mas não entendi porque você me disse estas coisas. Elas são respostas a uma postagem minha?!

Responder
Eduardo Bellani 22/04/2013 19:33:58

Continuo com a visão que o bitcoin é uma esquema de pirâmide, pois não existe uso geral do bitcoin como mercadoria, que é o ponto do teorema da regressão.

Mas, cada um faz com seu dinheiro o que quiser, e existem peixes maiores pra fritar. Boa sorte pra quem quiser investir no bitcoin.

Responder
Luciano 22/04/2013 20:55:39

O que impede usarem a mesma tecnologia e lançarem uma nova moeda do tipo Bitcoin ?
Porque isso não foi feito ? Ou porque ninguem fala disso ?
E se uma grande empresa (Google ?) resolver lançar sua moeda digital ?

Responder
Danielbg 22/04/2013 21:22:05

1)O que impede usarem a mesma tecnologia e lançarem uma nova moeda do tipo Bitcoin ?

Nada

2) Porque isso não foi feito? Ou porque ninguem fala disso ?

Pq inovação é assim.

3) E se uma grande empresa (Google ?) resolver lançar sua moeda digital ?

Vai seguir a mesma regra de oferta e procura. Se os usuários sentirem confiança em utilizar como meio de troca, pode surgir uma moeda que se valorize em relação ao Bitcoin.

Responder
anônimo 23/04/2013 00:36:01

Foi feito sim
Aproveitem e tirem suas conclusões quanto à honestidade dos bitcoinzistas:
www.reddit.com/r/Bitcoin/comments/1ax1ml/intellectual_honesty_bitcoin_calls_litecoin_a/

Responder
Valmir Junior 22/04/2013 21:34:57

boas perguntas

Responder
Eduardo 1 23/04/2013 03:06:19

1- Nada...tanto que já existem VÁRIAS cryptocurrencies: litecoin, namecoin, PPcoin, cada uma com suas peculiaridade, mas de modo geral inferiores ao BTC.

2- A mesma pergunta se aplica ao facebook. Qualquer um pode fazer uma rede social, mas quando já existe uma massa crítica de pessoas e aplicativos para a primeira, fica difícil. Boa sorte fabricando uma coca-cola nova, ou uma gillete.

3- Grandes empresas estão realizando, procure por "rippler" no google, ou moedas da amazon.

Responder
Neto 23/04/2013 10:26:57

'mas de modo geral inferiores ao BTC.'

Pensem, dá pra confiar nesse pessoal? Essas moedas economicamente são a mesma coisa! Eu acho incrível a quantidade de gente justamente aqui que anda caindo nessa lorota de bitcoin. Incrível ninguém se questionar sobre os incentivos que fazem um bitcoinzista minerador de bitcoins querer que o troço dele seja dinheiro. Ele tem o próprio banco central na frente dele criando dinheiro do nada! É tão óbvio!

Responder
Marcio Silva 23/04/2013 17:05:49

É claro que qualquer dinheiro tem que ser inventado...
Já ouviu a expressão, dinheiro não dá em árvore?
Você acha que o crédito do seu cartão de crédito é dinheiro real comprimido em mini-notinhas dentro do cartão?
Para mim não tem diferença alguma entre um milhão de adolescentes gerando dinheiro criptografado ou a quadrilha do PT liderados pelo Mantega, forçando os bancos a emprestar e imprimindo dinheiro a rodo no banco central.
Aliás, espero que esses adolescentes criativos fiquem ricos, fazendo o que poucos banqueiros tem feito há pelo menos 500 anos, talvez assim os governos sejam obrigados à para de criar dinheiro do nada.

Responder
anônimo 23/04/2013 23:15:45

'Para mim não tem diferença alguma entre um milhão de adolescentes gerando dinheiro criptografado ou a quadrilha do PT liderados pelo Mantega'

Agora você acertou! Realmente, tirando a vantagem de não ser obrigado a usar bitcoin, é praticamente a mesma coisa.

Responder
Dam Herzog 23/04/2013 00:31:17

É a tecnologia resistindo à coerção antilibertária do governo, diminuindo o roubo que o governo aplica extorquindo ao produto do trabalho do individuo, que só pertence a este individuo.

Responder
Mercado de Milhas 23/04/2013 02:27:56

É óbvio que contraria o teorema da regressão de Mises.
Bitcoin é mercadoria ? Nunca foi nem será.

Essa idéia de Mises é simplesmente um chute histórico. Claro que pode surgir dinheiro do nada. Ainda mais no mundo atual em que a população é fiel aos governos.

A troca de moedas e corte de zeros já desmentiram essa idéia tola. Antigamente sim, hoje não.

Responder
Leandro 23/04/2013 02:43:37

Todas as trocas de moeda que já ocorreram na história do mundo só ocorreram porque a nova moeda criada possuía uma moeda consagrada como lastro. Foi assim com o real (lastreado em dólar), foi assim com o euro (lastreado no marco alemão), foi assim com o peso argentino (lastreado em dólar).

Nenhuma moeda de papel surgiu do nada ou foi criada do nada. Justamente por causa do teorema da regressão. Se fosse fácil assim criar uma moeda de papel do nada -- algo que nunca ocorreu na história --, os países da periferia da zona do euro já o teriam feito.

Quanto a cortar zeros, isso de modo algum configura troca de moeda. Se algo custa $100.000 e o governo corta três zeros da moeda, esse algo passará a custar $100. Isso é algo tão básico, que é inacreditável que esteja sendo usado como exemplo de surgimento de moeda. É tão rudimentar quanto seu conhecimento de teoria monetária.

Responder
pensador perdido 23/04/2013 11:26:50

Leandro qual é o lastro do bitcoin que justifica a teoria de regressão de Mises?
Desde já agradeço a resposta.

Responder
Leandro 23/04/2013 12:49:50

Nenhum. Exatamente por isso Bitcoin não é dinheiro. Você não pode ir à padaria ou a um restaurante e trocar Bitcoins por alimentos. Bitcoin é apenas uma maneira privada de transferir fundos.

Sempre às ordens.

Responder
pensador perdido 23/04/2013 13:05:55

Valeu Leandro,obrigado pela resposta.

Responder
Marcio Silva 23/04/2013 15:37:28

O bitcoin é tão dinheiro quanto os seus créditos no paypal ou no pagseguro.
Ele talvez seja mais dinheiro do que o crédito no paypal, pois pelo sistema em que ele opera, qualquer empresa ou pessoa pode aceita-lo para transações na internet.
Você pode fazer conversão direta ou vender esses créditos se houver interessados, a questão central de usa-lo como moeda não é um lastro físico mas a segurança na originalidade do bitcoin e do limite na emissão da unidade, e no valor em dinheiro que foi gasto para conseguir esse bitcoin.

Não exigimos lastro do Real nem do Dolar, não exigimos a interrupção no incremento de dígitos de crédito para serem emprestados pelos bancos ou a interrupção na emissão de papel moeda pelos bancos centrais, então porque exigir do bitcoin coisas que nenhuma moeda circulante no mundo tem, o que todas as moedas tem são justamente os valores psicológicos ou sociológicos, e ao satisfazer o teorema da regressão, eu acredito que o bitcoin ganhará o status de moeda.

Mas o bitcoin ainda é um experimento, e ele vai ser implementado e modulado, e digo mais, tenho certeza que dentro de alguns anos, dinheiro digital que utilizamos nos cartões de crédito e débito deverá ser gerado também por criptografia sendo essa a solução genial para evitar enxurrada de crédito virtual criado pelos bancos e que alimenta as bolhas, refreia as bolhas e que a cada 10 anos dilapida o patrimônio real das pessoas.

Responder
anônimo 23/04/2013 22:57:37

'Não exigimos lastro do Real nem do Dolar'...
Claro, depois de anos de trabalho duro de desinformação e de mentiras os governos conseguiram que o povo fosse totalmente ignorante nesse assunto.

Responder
Paulo 23/04/2013 15:56:27

Acabei de ler lá em cima que um cara comprou uma pizza com bitcoin.
Ah, desculpa aí! Você também é adepto da ideologia de que pizza não é alimento!

Responder
Leandro 23/04/2013 16:27:11

Se a indireta foi pra mim, perdeu tempo. Torço pelo Bitcoin e espero que ele vire dinheiro algum dia. Mas, no momento, ele não é. Para algo ser dinheiro, ele tem de ser universalmente aceito. Não é porque um cara achou outro disposto a trocar pizza por Bitcoin, que isso já faz do BTC um dinheiro pleno. Em vez de BTC, o sujeito poderia ter fornecido a pizza em troca de, por exemplo, favores sexuais ou de uma lavada de carro. Isso faria com que essas duas coisas fossem dinheiro? Seriam práticas universalmente aceitas em qualquer restaurante?

Domine algumas premissas básicas antes de se entregar ao escárnio

Responder
Andre Cavalcante 23/04/2013 19:37:26

Leandro, tu és um santo. Ainda gastas tempo respondendo?...

Responder
Mr. M. 03/11/2013 12:27:33

[i[Para algo ser dinheiro, ele tem de ser universalmente aceito.[/i]

Então o Real não é dinheiro? Tentei trocar na Áustria e eles não aceitaram, nem nos bancos...

Responder
Leandro 03/11/2013 13:30:22

Universalmente = toda a região geográfica a que ele está circunscrito.

No entanto, você tem um ponto: se um pedaço de papel não é aceito em absolutamente todos os lugares do globo, então aquele pedaço de papel faz com que você viva em um regime de semi-escambo. Atualmente, só o dólar, o euro, o franco-suíço e o iene são mundialmente demandados. Por isso os países que utilizam essas moedas são os mais ricos. Por isso também só o ouro é um dinheiro genuíno. E por isso, finalmente, um sistema de câmbio flutuante é um regime de semi-escambo.

Responder
pensador perdido 23/04/2013 19:27:01

A reforma monetária do cruzado não houve atrelamento a nenhum lastro dai seu insucesso,está correta essa observação?

Responder
Leandro 23/04/2013 19:41:05

Não, mil vezes não! O Plano Cruzado consistiu apenas em um corte de três zeros e em um congelamento de preços, algo que por si só desarruma todo e qualquer mercado. O Plano Cruzado foi apenas isso.

Já o governo continuou inflacionando a oferta monetária impavidamente. Daí a explosão dos preços quando o congelamento acabou.

Ha um artigo inteiro sobre isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1488

Responder
Neto 23/04/2013 23:06:46

Leandro, acho que o que o Mercado de Milhas falou pode ter sentido. Sim, vendo a história econômica vê-se que todos os dinheiros criados tinham uma base antes, mas você não acha que com um povo digamos, muito ignorante e muito domesticado, gente que idolatra figuras messiânicas, não seria possível o governo criar um dinheiro do nada sem nenhum lastro anterior?
Eu acho que sim.Se o Lula falasse pro povo COMAM MERDA o povo só ia perguntar: com ou sem sal?

Responder
Leandro 24/04/2013 13:10:09

Não. Por mais poderoso e tirânico que um governo seja, ele não tem o poder de subverter as leis econômicas. Ele não tem a capacidade de criar um pedaço de papel e, do nada, sair atribuindo a ele um valor e precificando as coisas de acordo.

Ademais, tal papel não terá aceitação nenhuma no mercado internacional, o que tornará qualquer importação totalmente impossível. Um bom exemplo é a Coréia do Norte e sua moeda.

Responder
Neto 24/04/2013 13:22:37

Então ainda não entendi.Você torce pro bitcoin ter sucesso como meio de transferência de fundos, mas não como dinheiro. Mas dinheiro não é justamente isso? Uma forma de transferir recursos?

Responder
Leandro 24/04/2013 13:40:23

Entendeu errado. Eu torço para o Bitcoin ter sucesso como dinheiro, isto é, que algum dia ele venha a ser utilizado universalmente como meio geral de troca.

Meio de transferência de fundos ele já é; não precisa de minha torcida para isso.

P.S.: não entendo por que você tem tanta agressividade contra o Bitcoin. Parece até que você é um banqueiro central cujo poder está sendo ameaçado. Uma coisa é você não acreditar na viabilidade do Bitcoin; outra coisa é atacar violentamente seus entusiastas, que não fazem mal a ninguém.

Responder
Neto 24/04/2013 14:26:33

Leandro, eu não tenho nada contra os entusiastas.A idéia de criar dinheiro do nada que pra mim parece absurda e imoral, sempre pareceu, não importa se é feita pelo governo ou por um sujeito só ou por meia dúzia de hackers.Quando descobri Mises, Rothbard, falando da origem do dinheiro achei que tinha encontrado meu lugar, e agora vejo com assombro gente que se diz seguidor de Mises indo até o fim do mundo e voltando pra distorcer o teorema da regressão dele.

Mas enfim, se você torce pelo bitcoin como dinheiro, então você também acha que o Mises errou na teoria quanto à origem do dinheiro?

Responder
Leandro 24/04/2013 14:41:24

Esse é o ponto que você ainda não pescou. Atualmente, o Bitcoin é um meio de transferência de fundos. Sendo assim, se ele adquirir confiabilidade como meio de transferência de fundos, ele poderá perfeitamente passar a funcionar como dinheiro. Percebeu aí o surgimento de sua utilidade? Percebeu o teorema da regressão?

O Bitcoin já tem utilidade (e muita) atualmente: meio confiável de transferência de fundos. Daí a ele passar a ser utilizado como dinheiro é apenas mais um (grande) passo.

O Bitcoin refutaria o teorema da regressão se ele fosse criado hoje e amanhã todo mundo já estivesse transacionando com Bitcoins. Mas não foi isso o que aconteceu. Primeiro o Bitcoin está sendo usado como um simples meio de transferência de fundos (ou seja, criou sua utilidade). Agora o caminho já está sedimentado para que algum dia ele possa virar moeda.

Responder
Neto 24/04/2013 19:08:42

Leandro, pode explicar melhor isso?
Que eu saiba transferência de fundos é tipo, mandar meu banco botar tantos reais na conta do fulano.Mas isso só vale depois de eu já ter depositado uns reais por lá.
Agora com o bitcoin o que acontece não é nada disso, o que é transferido são apenas outros bitcoins.

Responder
Leandro 24/04/2013 19:21:15

Não. Você está utilizando reais para adquirir Bitcoins. E está fazendo isso não com a intenção de utilizar Bitcoins para consumir, mas sim como um meio de proteger seu dinheiro contra possíveis confiscos. Ao contrário de depósitos bancários, Bitcoins não podem (pelo menos por enquanto) ser confiscados pelo governo. Os cipriotas descobriram isso. Vários europeus também.

De certa forma, quem compra ouro para guardar em casa está fazendo a mesma coisa, pois não tem a intenção de utilizar ouro para comprar pão.

Responder
Neto 24/04/2013 19:28:56

Me referia aos bancos mas realmente devia ter explicado melhor, bancos sem o governo na história.Como eram os bancos antigos, sem reserva fracionada onde o ouro realmente ficava guardado lá.

Responder
Neto 24/04/2013 19:31:54

'Não. Você está utilizando reais para adquirir Bitcoins. '

Leandro, não necessariamente, eu posso adquirir minerando.

Responder
Leandro 24/04/2013 19:38:08

Pelo que eu entendi do programa, esta atividade é extremamente custosa, demanda muita energia, o retorno é baixíssimo e é decrescente ao longo do tempo. E poucos sabem realmente fazer isso.

Responder
Neto 24/04/2013 19:18:45

O que eu percebi foi uma utilidade em potencial pro código do bitcoin.
Se um banco resolver criar outro programa p2p que facilite a vida dos clientes dele pra transferir dinheiro, sendo que esse dinheiro transferido corresponde ao dinheiro que o banco realmente tem guardado, e esse sistema for mais prático do que transferir dinheiro de uma conta pra outra como é hoje, aí sim existe uma utilidade real do código fonte do programa, mas não dos 'bitcoins' em si.

Responder
Eduardo Bellani 24/04/2013 19:28:52

Qual a diferença entre "meio de transferência de fundos" e "meio de troca"?

Responder
Leandro 24/04/2013 19:37:26

Acabei de explicar.

Você pode comprar um apartamento para proteger seu dinheiro contra confiscos bancários ou contra a inflação de preços. Mas você não pode utilizar seu apartamento para fazer compras diárias e rotineiras. Você não pode andar com seu apartamento na sua carteira. Com o Bitcoin é a mesma coisa, embora, em muitos casos, ele tenha muito mais liquidez que um apartamento (e seja aceito como meio de troca por várias pessoas).

Responder
Neto 24/04/2013 20:05:07

Leandro, a mineração é a febre, tem tanta gente nisso que já existe até fabricantes de hardware vendendo máquinas planejadas só pra isso.
gizmodo.com/5994446/digital-drills-the-monster-machines-that-mine-bitcoin

E além disso a maioria dos bitcoins não está sendo usada pra troca de nada

www.fool.com/investing/general/2013/04/05/why-bitcoin-is-doomed-to-fail.aspx
'According to these figures, only about 3% of all Bitcoins are in circulation at the moment, and less than 1% of all Bitcoins currently in existence are sold on the exchanges.'

Ou seja, a mineração é a verdadeira corrida do ouro, trocar reais/dólares por bitcoin, quase ninguém faz isso, 3% segundo esses números aí.

Responder
Eduardo Bellani 24/04/2013 20:45:47

Seria justo eu dizer que essas são as definições que você está usando?

"meio de transferência de fundos" -> Bem com baixa liquidez que é de difícil desapropriação. Como exemplo podemos usar apartamentos. Talvez uma terminologia melhor seria "meio de proteção de capital".


"meio de troca" -> Bem com alta liquidez e aceitação universal. Também chamado de dinheiro ou moeda.

Responder
Gustavo BNG 23/04/2013 03:42:08

Segundo a Bitcoin Wiki, estas são as fraquezas do programa Bitcoin (em inglês): en.bitcoin.it/wiki/Weaknesses

Responder
zanforlin 23/04/2013 17:42:03

SIM, veja:

Pedro Ivo 22/04/2013 13:09:24



Se surgirem softwares de pagamento via smartphone em Bitcoin (ou se já existem) os pagamentos podem ser feitos entre usuarios do Bitcoin. Um médico pode cobrar a consulta em Bitcoin, um serralheiro por um portão, um agricultor por sacas de feijão, o locador aceitaria o aluguel em bitcoins. Daí a empresas grandes aceitarem é um pulinho.

E o smartphone é só uma das plataformas possíveis. Eu compro livros pela internet, por ex.. Poderia efetuar o pagamento em Bitcoins via email. Ou tantas outras coisas seriam transacionadas com pagamento via email graças ao Bitcoin.

Responder
Pedro Ivo 24/04/2013 12:12:15

Ok. Antes de todo o mais, só uma sugestão meu caro. Quando for dar prosseguimento a uma postagem, clique em "RESPONDER" e depois digite seu comentário, assim a sua postagem vira um prosseguimento daquela a que você respondeu.

Você disse - "Caro Pedro Ivo: Interessante seria deixar o estado e sua "insaciável gula extorsiva" de fora dessas transações. Já poder excluir o BTC do âmbito de manipulação dos "shadow money lenders" (futurefastforward.com/) seria um grande passo;se o estado puder ser afastado de obter "sua parte" nessas transações, seu tamanho diminuiria, certamente. Maa, primeiro deixemos o BTC evoluir e o Ulrich concluir seu artigo..." - Concordo. Penso que a tecnologia de smartphones, emails e celulares são justamente um modo de colocar o estado fora da jogada, pois seriam transações irrastreáveis. O celular não faria o pagamento através da rede convencional de dados, que pode ser grampeada, mas entre aparelhos (de um celular para outro, de um celular para um caixa ou conta, etc.).

Responder
zanforlin 24/04/2013 13:52:27

Grato:

Releve a falha, que se deve à minha pouca familiaridade com meios eletrônicos. Aliás, considero-me meramente alfabetizado nesse área. Acho que esse comentário/resposta aparecerá na forma como vc sugeriu.

Responder
Andre Cavalcante 23/04/2013 19:50:13

Talvez as pessoas ainda não perceberam o quão é original a ideia do bitcoin.

Quando se fala em software, há duas coisas embutidas: o desenvolvimento do software e o uso do software. O desenvolvimento, em geral, custa muito caro e demora um bom tempo.

Entretanto, uma vez desenvolvido o software, sua existência física é através de um (ou mais) arquivo(s) executáveis em uma plataforma. Ora, o que faz o software útil é o fato de que o mesmo arquivo pode ser copiado e executado em uma outra máquina. É aí que está o ganho do software: custa muito o desenvolvimento, mas uma vez desenvolvido, se ganha a partir de meras cópias. Também o que os softwares geral em termos de informação: códigos, dados etc., estando em um computador podem ser copiados.

Como tal, software não é e nunca poderia ser uma commodity, pois não carece de algo essencial no conceito de commodity: escassez.

Por outro lado, bitcoin foi concebido para ser escasso. Foi o primeiro software que genuinamente criou um conjunto de bits eletrônicos que não podem ser copiados (até podem, mas a rede detecta a fraude).

E mais, a rede gera e distribui bitcoins de maneira absolutamente previsível e de forma absolutamente distribuída. Isto é, não se tem uma entidade centralizada gerindo a criação e distribuição da moeda. Isto é inédito no mundo (ao menos em nossos tempos de estado moderno).

E sim, tem potencial de desestabilizar o sistema que aí está. Agora, se vai ou não, é outra questão.

Responder
Paulo 23/04/2013 22:38:19

Então existe uma escassez artificial, já que ela é algorítmica. Seria uma commodity virtual!

Quanto às fraudes, é bom lembrar que não existe código inquebrável e nem sistema inexpugnável. Tudo é uma questão de codificação e poder computacional, que em alguns anos entregara, para o bem e para o mal, na sua telinha um poder no nível de GigaFlops.

www.kickstarter.com/projects/adapteva/parallella-a-supercomputer-for-everyone?ref=category

Responder
anônimo 23/04/2013 23:10:37

Quando se fala em 'entidade centralizada gerindo a criação'...não significa necessariamente um banco central.Por ex, esse número máximo de bitcoins que podem ser criados, quem definiu isso? Foi o mercado? Foi o resultado da decisão coletiva de milhões de compradores e vendedores? Ou foi o tal Satoshi?

Responder
Andre Cavalcante 24/04/2013 01:53:56

Paulo,

"Então existe uma escassez artificial, já que ela é algorítmica. Seria uma commodity virtual!"

Correto, foi a primeira criação de uma escassez dentro dos computadores. Bem como disse o articulista, bitcoin ainda não é moeda de fato principalmente porque o enxergamos ainda como um meio reserva de valor e/ou especulação, sempre sob a ótica da conversão para a moeda local (seja ela USD, EUR, YEN, BRL).

"Quanto às fraudes, é bom lembrar que não existe código inquebrável e nem sistema inexpugnável. Tudo é uma questão de codificação e poder computacional, que em alguns anos entregara, para o bem e para o mal, na sua telinha um poder no nível de GigaFlops."

Não, não existe sistema inexpugnável, mas sistemas práticos que possuem segurança suficiente. O que você fala sobre gigaflops já é uma realidade no mundo bitcoin há um tempo. Na verdade a rede, hoje, já opera em 802 petaflops. Imagine o quanto isso vai chegar quando os tablets operarem em gigaflops?

Se, um dia, for fácil quebrar a criptografia da carteira, várias serão as soluções para melhorá-la.

Responder
Tiago RC 24/04/2013 07:01:57

Quanto às fraudes, é bom lembrar que não existe código inquebrável e nem sistema inexpugnável.

Não é bem verdade (existe código inquebrável), mas ok, aceito. Mas para efeito comparativo, dê uma lida nessa notícia: BitPay Surpasses 10,000 Bitcoin Merchant Transactions, Zero Cases of Payment Fraud

Em Janeiro desse ano a empresa BitPay completou sua transação de número 10.000, sem registrar um único caso de fraude. Compare isso com cartões de crédito, cuja taxa de fraude é de 2% para transações internacionais segundo a própria notícia. Eles já teriam tido cerca de 200 transações fraudulentas!
E detalhe: de Janeiro pra cá o BitPay cresceu bastante, e até agora não ouvi falar de nenhum caso de fraude.

Se quiser informações mais detalhadas sobre os eventuais riscos de fraude na rede Bitcoin, há essa página: https://en.bitcoin.it/wiki/Double-spending

Responder
anônimo 23/04/2013 23:21:06

André, pode ser copiado sim, depende de como você define cópia, ou de aonde você quer colar. O litecoin por ex é uma cópia.

Responder
Andre Cavalcante 24/04/2013 13:54:19

"André, pode ser copiado sim, depende de como você define cópia, ou de aonde você quer colar. O litecoin por ex é uma cópia."

Ok, entendi. Tecnicamente o litecoin é um "fork". Eu estava me referindo aos dígitos criados...

Responder
Paulo Kogos 24/04/2013 04:50:06

nao entendo muito do tema mas o Gertshev comete uma falha logica...

o bitcoin depende da internet? sim...

mas o ouro depende da mineração

nao vejo pq o fato de uma moeda depender de uma tecnologia pre-existente a desqualifica como dinheiro.
nao há relação entre uma coisa e outra, deve haver apenas escassez dos recursos usados, divisibilidade, homogeneidade e demanda genuina...

se eu estiver errado alguem me corrija por favor

Responder
Rhyan 25/04/2013 03:40:30

A mineração não é um comparação válida. Ambos são minerados. O certo é: Se o bitcoin precisa da internet para ser movimentado, o ouro tem um problema de portabilidade e divisibilidade.

Leandro, o ouro então não deve ser considerado moeda atualmente? Você investiria hoje em bitcoins?

Responder
Leandro 25/04/2013 07:34:44

Não entendi a conclusão. Ouro é dinheiro. Sempre foi. Exatamente por ser dinheiro, é um ativo que não traz rendimentos. Qual é o rendimento do ouro? Ele produz juros? Que eu saiba, não. O valor do ouro sobe quando o poder de compra de outras moedas caem. Sendo assim, você compra ouro para se proteger da inflação, isto é, para preservar seu poder de compra.

Ouro não é investimento no sentido estrito do termo. Investimento é aquilo que você faz visando auferir juros/lucros. Com o ouro, você irá obter, tudo o mais constante, apenas uma estabilidade no seu poder de compra -- além de outros benefícios adicionais, como a impossibilidade de um confisco estatal, caso o ouro esteja guardado em sua casa.

Quanto ao Bitcoin, por enquanto estou apenas observando.

Responder
Rhyan 25/04/2013 16:58:53

Pensei que o ouro seria hoje um "meio de transferência de fundos" também.

Responder
Tiago RC 24/04/2013 07:13:06

Aproveitando, ontem mesmo o Detlev Schilichter publicou um ótimo artigo sobre Bitcoin, também visando austro-libertários:

detlevschlichter.com/2013/04/could-bitcoin-be-the-money-of-the-future/

Responder
Peter Šurda 24/04/2013 07:14:37

Thank you for quoting my master's thesis, it's good to see that people all over the world are starting to take Bitcoin seriously and trying to understand it. And your second article where you analyse my thesis in more detail looks like I was successfully able to communicate my ideas.

Responder
Fernando Ulrich 24/04/2013 13:49:34

Peter, we thank you for your thesis. No one had yet analysed Bitcoin in the detailed fashion you did. It is a grand achievement in the advancement towards the understanding of Bitcoin.

Responder
Rhyan 25/04/2013 03:47:55

O Paulo Portella fez excelente vídeos sobre o tema:

Bitcoin, aprenda começar a usar
www.youtube.com/watch?v=GSJ5-m1MP1E

Guardando Bitcoins de uma maneira segura - Paper Wallet
www.youtube.com/watch?v=cUFg8WOs1Wk

Guardar BItcoins "na cabeça" Brain wallet
www.youtube.com/watch?v=W1hvV_cSr4Q

Responder
Daniel 24/11/2013 21:04:02

Sugestão: coloquem os links dessa sequência de artigos ao final deste primeiro.

abç

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