Os efeitos econômicos da inflação

Este artigo foi extraído do livro "O que o governo fez com o nosso dinheiro", futuro lançamento do IMB.

 

Os governos, ao contrário de todas as outras organizações, não obtêm suas receitas por meio da oferta de serviços.  Sendo assim, os governos enfrentam um problema econômico distinto daquele enfrentado por empresas e indivíduos.  Indivíduos que desejam adquirir mais bens e serviços de outros indivíduos têm de produzir e vender aquilo que estes outros indivíduos desejam.  Já os governos têm apenas de encontrar algum método de expropriar bens sem o consentimento de seus proprietários.

Em uma economia de escambo, os funcionários do governo podem expropriar recursos somente de uma maneira: confiscando bens físicos.  Já em uma economia cujas transações econômicas são mediadas pelo dinheiro, eles descobrirão ser mais fácil confiscar ativos monetários para, em seguida, utilizar o dinheiro para adquirir bens e serviços para si próprios, ou ainda, para conceder subsídios para seus grupos favoritos.  Tal confisco é chamado de tributação.

A tributação, no entanto, é sempre algo impopular e, em épocas menos moderadas, frequentemente gerava revoluções.  O surgimento do dinheiro, uma bênção para a espécie humana, também abriu um caminho sutil para a expropriação governamental de recursos. 

Em um livre mercado, o dinheiro pode ser adquirido de duas formas: ou o indivíduo produz e vende bens e serviços desejados por terceiros, ou ele se dedica à mineração de ouro (um negócio tão lucrativo como outro qualquer, no longo prazo).  Mas se o governo descobrir maneiras de praticar falsificação — criar dinheiro do nada —, então ele poderá, rapidamente, produzir o próprio dinheiro sem ter o trabalho de vender serviços ou de garimpar ouro.  Ele poderá, assim, se apropriar maliciosamente de recursos e de forma bastante discreta, sem suscitar as hostilidades desencadeadas pela tributação.  Com efeito, a falsificação pode criar em suas próprias vítimas uma doce ilusão de incomparável prosperidade.

Falsificação, evidentemente, nada mais é do que outro nome para a inflação — ambas criam um novo "dinheiro" que não é um metal como ouro ou prata, e ambas funcionam similarmente.  E assim podemos entender por que os governos são inerentemente inflacionários: porque a inflação monetária é um meio poderoso e sutil para o governo adquirir recursos do público, uma forma de tributação indolor e bem mais perigosa.

Para mensurar os efeitos econômicos da inflação, vejamos o que acontece quando um grupo de falsificadores dá início ao seu "trabalho".  Suponhamos que a economia tenha uma oferta de $10.000.  E então os falsificadores, tão sagazes que ninguém os percebe, injetam mais $2.000 nesta economia.  Quais serão as consequências?

Primeiramente, os próprios falsificadores serão os primeiros a se beneficiar.  Eles utilizarão esse dinheiro recém-criado para adquirir bens e serviços.  Como bem ilustrou uma famosa charge da revista New Yorker, que mostrava um grupo de falsificadores contemplando solenemente o próprio trabalho: "O consumo está prestes a receber um grande e necessário estímulo".  Exatamente.  Os gastos em consumo, de fato, realmente recebem um estímulo. 

Esse dinheiro novo vai percorrendo, pouco a pouco, todo o sistema econômico.  À medida que ele vai se espalhando pela economia, os preços vão aumentando — como vimos antes, dinheiro criado do nada pode apenas diluir a efetividade de cada unidade monetária.  Mas essa diluição é um processo lento e, por isso, é desigual; durante este ínterim, algumas pessoas ganham e outras perdem.  No início deste processo, a renda e o poder de compra dos falsificadores e dos varejistas locais aumentam antes que tenha havido qualquer aumento nos preços dos bens e serviços que eles compram.  Com o tempo, à medida que o dinheiro vai perpassando toda a economia e elevando os preços, aquelas pessoas que estão nas áreas mais remotas da economia, e que ainda não receberam esse dinheiro recém-criado, terão de lidar com preços maiores sem que tenham vivenciado um aumento de suas rendas.  Os varejistas que estão do outro lado do país, por exemplo, estarão em pior situação.  Terão de lidar com preços maiores sem que sua renda e seu poder de compra tenham aumentado.  Os primeiros recebedores do dinheiro novo se beneficiam à custa daqueles que recebem este dinheiro por último.  Houve uma redistribuição de renda às avessas.

A inflação, portanto, não gera nenhum benefício social; ao contrário, ela redistribui a riqueza para aqueles que obtiveram primeiramente o dinheiro recém-criado, e tudo à custa daqueles que o recebem por último.  A inflação é, efetivamente, uma disputa — uma disputa para ver quem obtém antes dos outros a maior fatia do dinheiro recém-criado.  Aqueles que ficam por último — aqueles que arcam com a redução de seu poder de compra — são majoritariamente aqueles que estão no chamado de "grupo de renda fixa".  Sacerdotes, professores e assalariados em geral estão notoriamente entra aqueles que são os últimos a receber este dinheiro recém-criado.  Aposentados, pensionistas, pessoas dependentes de algum seguro de vida, senhorios com contratos de aluguel de longo prazo, portadores de títulos e credores em geral, aqueles que portam dinheiro em espécie — todos arcarão com o fardo da inflação.  Eles são os únicos "tributados".[1]

Mas a inflação também gera outros efeitos desastrosos.  Ela distorce aquele pilar básico da economia: o cálculo empreendedorial.  Dado que os preços não se alteram de maneira uniforme e com a mesma velocidade, torna-se muito difícil para os empreendedores distinguir aquilo que é duradouro daquilo que é transitório, e mensurar corretamente as verdadeiras demandas do consumidor ou o custo de suas operações. 

Por exemplo, a norma da prática contábil é registrar o "custo" de um ativo pelo valor em que ele foi pago.  Porém, com a inflação, o custo de repor este ativo quando ele já estiver exaurido será bem maior do que aquele valor registrado nos livros contábeis quando o ativo foi adquirido.  Como resultado, a contabilidade das empresas irá sobrestimar acentuadamente seus lucros durante um processo de inflação – podendo até mesmo chegar ao ponto de estar consumindo seu capital ao mesmo tempo em que se imagina estar aumentando os investimentos.[2]  

Do mesmo modo, os detentores de ações, papeis e imóveis auferirão ganhos de capital durante a inflação que não são de modo algum ganhos reais.  Eles podem até acabar consumindo parte destes ganhos sem perceber que estão consumindo seu capital original.

Ao criar lucros ilusórios e distorcer o cálculo econômico, a inflação suspenderá o processo – feito automaticamente pelo livre mercado – de penalização das empresas ineficientes e de recompensa das eficientes.  Quase todas as empresas irão aparentemente prosperar.  Essa atmosfera geral de "mercado propício ao consumo" levará a um declínio na qualidade dos bens e serviços ofertados aos consumidores, uma vez que os consumidores tendem a oferecer menos resistência a aumentos de preços quando estes ocorrem na forma de redução da qualidade.[3] 

A qualidade da mão-de-obra também será pior durante uma inflação e por um motivo mais sutil: as pessoas serão cativadas por esquemas que prometem enriquecimento rápido, os quais, durante uma época de preços em ascensão, parecem estar ao alcance de praticamente todos.  Ao mesmo tempo, várias pessoas passarão a desdenhar o esforço e a prudência.  A inflação também penaliza a poupança e a frugalidade, premia o consumismo e encoraja o endividamento, pois qualquer soma tomada emprestada hoje será paga no futuro com um dinheiro cujo poder de compra será menor do que aquele em que o empréstimo originalmente ocorreu.  O incentivo, consequentemente, passa a ser o de se endividar para pagar mais tarde, em vez de poupar e investir.  A inflação, portanto, diminui o padrão de vida geral ao mesmo tempo em que cria uma falsa e opaca atmosfera de "prosperidade".

Felizmente, a inflação é um processo que não pode continuar para sempre.  Com o tempo, as pessoas inevitavelmente acordarão para esta forma insidiosa de tributação; elas perceberão a contínua redução do poder de compra do seu dinheiro e exigirão providências.

No entanto, um processo de inflação pode chegar a extremos.

Por exemplo, no início, quando os preços sobem, as pessoas dizem: "Bem, isso não é normal; é certamente fruto de alguma emergência.  Adiarei minhas compras e esperarei até os preços baixarem".  Essa é a atitude comum durante a primeira fase de uma inflação.  Essa postura ajuda a conter a subida dos preços e oculta os efeitos da inflação, dado que houve um aumento na demanda por dinheiro.  Mas, à medida que a inflação monetária prossegue, as pessoas começam a perceber que os preços irão aumentar perpetuamente como resultado de uma inflação perpétua.

Neste momento, as pessoas passam a dizer: "Embora os preços estejam 'altos', comprarei agora porque, se esperar mais, os preços ficarão ainda mais altos".  O resultado dessa postura é que a demanda por dinheiro diminui e os preços passam a crescer, em termos proporcionais, mais do que o aumento na oferta monetária.  Neste ponto, o governo normalmente é conclamado para aliviar a 'escassez' de moeda gerada pelo crescimento acelerado dos preços e inflaciona ainda mais aceleradamente.  Em pouco tempo, o país chega ao ponto de descontrole absoluto dos preços, e é aí que as pessoas dizem: "Tenho de comprar qualquer coisa agora — qualquer coisa para me livrar deste dinheiro que só desvaloriza".  A oferta monetária dispara, a demanda por dinheiro despenca e os preços sobem astronomicamente.  A produção cai de forma dramática, pois as pessoas agora dedicam grande parte do tempo tentando descobrir formas de se livrar do seu dinheiro.  O sistema monetário entra em total colapso, e a economia recorre a outras moedas, caso existam – metais ou moedas estrangeiras caso esta inflação seja em um único país; no extremo, a população tem de retornar ao escambo.  O sistema monetário se desintegrou sob o impacto da inflação.

Esta situação de hiperinflação foi observada durante a Revolução Francesa com os assignats, durante a Revolução Americana com os continentais e, especialmente, durante a crise alemã de 1923 com o marco.  Foi também vivenciada pela China e por outros países após a Segunda Guerra Mundial.[4]  Mais recentemente, hiperinflações devastaram os principais países da América Latina.

Por fim, uma última condenação da inflação é o fato de que, sempre que o dinheiro recém-criado é utilizado para conceder empréstimos, essa inflação gera os pavorosos "ciclos econômicos".  Esse processo silencioso, porém mortal, e que passou despercebido por gerações, age da seguinte maneira: o dinheiro é criado pelo sistema bancário de reservas fracionárias, que opera sob os auspícios do governo, e é emprestado para financiar empreendimentos.  Para os empreendedores, esses novos fundos parecem ser investimentos genuínos; mas o problema é que esses fundos não surgiram, como os investimentos que ocorreriam sob um sistema bancário com 100% de reservas, de poupanças voluntárias. 

Após esse dinheiro novo ter entrado na economia e ter sido investido por empreendedores em vários projetos, os preços e os salários começam a subir.  O dinheiro novo é também utilizado para pagar os agora mais altos salários dos trabalhadores e os agora também mais caros fatores de produção.  No entanto, após esse novo dinheiro ter perpassado toda a economia, as pessoas tendem a restabelecer suas antigas e voluntárias proporções entre consumo e poupança.  Em suma, se as pessoas desejam poupar e investir cerca de 20% de sua renda e consumir o restante, esse novo dinheiro criado pelo sistema bancário e emprestado para empreendimentos irá primeiramente fazer com que a fatia destinada à poupança pareça maior.  Quando o novo dinheiro já houver chegado a todo o público, as pessoas restabelecem a antiga proporção de 20/80, o que faz com que muitos investimentos se revelem insolventes e não-lucrativos, pois nunca houve de fato uma real demanda por eles.  A liquidação destes investimentos insolventes, que só se originaram por causa do boom inflacionário, constitui a fase da depressão dos ciclos econômicos.

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Para explicações mais detalhadas sobre essa mecânica dos ciclos econômicos, veja os seguintes artigos:

Manipular juros não gera crescimento econômico 

Explicando a recessão europeia 



[1]   Virou moda ridicularizar a preocupação demonstrada pelos "conservadores" para com "os pobres, as viúvas e os órfãos" prejudicados pela inflação. E, no entanto, esse é exatamente um dos principais problemas que devem ser enfrentados. Será que é realmente "progressista" roubar pobres, viúvas e órfãos e utilizar os proventos para subsidiar fazendeiros ricos e empresários poderosos?

[2] Esse erro será maior naquelas empresas com equipamentos mais velhos e nas indústrias mais pesadamente capitalizadas. Um excessivo número de empresas, por conseguinte, irá fluir para essas indústrias durante uma inflação.

[3]  Nesta época em que se dá atenção extasiada a "índices do custo de vida" (o que gera, por exemplo, contratos em que os salários variam de acordo com a inflação), há um forte incentivo para se aumentar preços de uma maneira que não seja explicitada pelo indicador.

[4] Sobre o exemplo alemão, veja este artigo: A hiperinflação alemã, 1914-1923 


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SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



"ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores não pode ser redução de salário?"

Não. Ajustar as atividades produtivas de acordo com as mais urgentes demandas dos consumidores significa produzir e vender exatamente aquilo que o consumidor quer. Se o empreendedor vai pagar salário astronômico ou mínimo para a mão-de-obra, isso é totalmente irrelevante para o consumidor.

"o trabalho não é fator de produção (um dos)"

Sim.

"o trabalho é um recurso escasso?"

Mão-de-obra é, por definição, algo escasso. Por isso mesmo, sempre haverá mais demanda por mão-de-obra do que mão-de-obra efetivamente disponível.

Falta mão-de-obra para tanto emprego disponível.

Sendo assim, a taxa de desemprego sempre deveria ser zero e os salários dos empregados sempre tende ao aumento. E por que o desemprego não é zero?
Por causa disso.

"demanda pode ser "criada" pelo marketing?"

Desejo pode ser criado pelo marketing, não demanda. Demanda significa aquisição. Eu tenho desejo por uma mansão, por um helicóptero e por uma Ferrari, mas não tenho como demandá-los porque não tenho o poder aquisitivo para os três. E não há marketing que me faça demandar esses três itens. Resta-me apenas desejar.

"sobre o trabalho escravo, nem entrei no mérito e na discussão sobre quando havia mais lucro e riqueza. Mas, o trabalho escravo é um fato que ainda existe. Existe por interferência governamental ou porque tem muitos empresários gananciosos e que buscam o lucro a qualquer custo (humano inclusive)?"

Ué, ainda existe trabalho escravo? Não sabia. Ainda existem pessoas trabalhando sem salário, sob chicotadas, proibidas de pararem de trabalhar e proibidas de pedirem demissão? Não sabia. Manda aí um link, por favor.

Até onde sei, nenhum indivíduo sai escravizado de sua casa e é levado a contragosto para trabalhos compulsórios. Um indivíduo, por definição, encontra trabalho porque saiu à procura de trabalho. Sua intenção sempre é melhorar de vida. Ele faz isso porque quer; porque a situação atual (sem trabalho) não lhe é atraente. Se ele está disposto a "trabalhar muito" é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.

A menos que você comprove que o indivíduo está sendo [u]obrigado[u] a trabalhar sob a ameaça de um chicote, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para ele.

E se ele se sujeita a condições que para nós parecem degradantes é porque, para ele, aquilo ainda é melhor do que a situação econômica em que ele se encontrava antes. Cabe a você provar que esse indivíduo foi seqüestrado, levado a um emprego e ali mantido em cativeiro, contra sua vontade, sendo proibido de parar de trabalhar. Caso isso não tenha acontecido, então a única conclusão empírica é que esse indivíduo ainda prefere seu atual trabalho (assalariado) ao desemprego.
Errado.

Na economia, conhecemos a causa de tudo, pois a ação humana, ao contrário do movimento das pedras, é motivada. Sendo assim, é possível construir a ciência econômica partindo de axiomas básicos -- como a existência incontestável da ação humana e as implicações lógicas da ação --, axiomas estes que são originalmente reconhecidos como verdadeiros.

Destes axiomas, podemos deduzir passo a passo várias leis que também são reconhecidas como incontestavelmente verdadeiras. E este conhecimento é absoluto, e não relativo, exatamente porque os axiomas originais já são conhecidos. Eis alguns exemplos:

• Sempre que duas pessoas, A e B, se envolvem em uma troca voluntária, ambas esperam se beneficiar desta troca. E elas devem ter ordens de preferência inversas para os bens e serviços trocados, de modo que A valoriza mais aquilo que ele recebe de B do que aquilo ele dá para B, e B avalia as mesmas coisas do modo contrário.

• Sempre que uma troca não é voluntária e ocorre em decorrência de uma coerção, uma parte se beneficia à custa da outra.

• Sempre que a oferta de um bem aumenta em uma unidade, contanto que cada unidade seja considerada idêntica em utilidade por uma pessoa, o valor imputado a esta unidade deve ser menor que o da unidade imediatamente anterior.

• Entre dois produtores, se A é mais eficiente do que B na produção de dois tipos de bens, eles ainda assim podem participar de uma divisão de trabalho mutuamente benéfica. Isto porque a produtividade física geral será maior se "A" se especializar na produção de um bem que ele possa produzir mais eficientemente, em vez de "A" e "B" produzirem ambos os bens autônoma e separadamente.

• Sempre que leis de salário mínimo forem impostas obrigando os salários a serem maiores do que os salários que vigorariam em um livre mercado, um desemprego involuntário será o resultado.

• Sempre que a quantidade de dinheiro na economia aumentar sem que a demanda por dinheiro também seja elevada, o poder de compra da moeda irá diminuir.

Por outro lado, não existem elementos simples ou "fatos da natureza" na ação humana; os eventos da história são fenômenos complexos, os quais não podem "testar" nada. Eles, por si sós, somente podem ser explicados se forem aplicadas várias teorias relevantes aos diferentes aspectos de um determinado "fato" complexo que está sendo analisado.

Por que a matemática é tão útil na física? Exatamente porque os próprios axiomas utilizados, bem como as leis deles deduzidas, são desconhecidos e, com efeito, sem significado. Seu significado é exclusivamente "operacional", uma vez que eles são significantes somente na medida em que podem explicar determinados fatos.

Por exemplo, a equação da lei da gravidade, por si só, não tem sentido nenhum; ela só adquire sentido quando nós humanos observamos determinados fatos que a lei pode explicar. Consequentemente, a matemática, que efetua operações dedutivas sobre símbolos por si só inexpressivos (sem significado), é perfeitamente apropriada para os métodos da física.

A ciência econômica, por outro lado, parte de um axioma que é conhecido e possui significado para todos nós: a ação humana. Dado que a ação humana, em si própria, possui significado (o que não quer dizer que ela sempre será avaliada como racional e correta), todas as leis deduzidas passo a passo da ação humana são significativas.

Esta é a resposta para aqueles críticos que exigiram que Mises utilizasse métodos da lógica matemática em vez da lógica verbal. Ora, se a lógica matemática tem de lidar com símbolos inexpressivos, então seu uso iria destituir a economia de todo o seu significado.

Por outro lado, a lógica verbal permite que toda e qualquer lei tenha sentido quando deduzida. As leis da economia já são conhecidas aprioristicamente como significativamente verdadeiras; elas não têm de recorrer a testes "operacionais" para adquirir significância. O máximo que a matemática pode fazer, portanto, é converter laboriosamente símbolos verbais em símbolos formais inexpressivos e, então, passo a passo, reconvertê-los em palavras.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1690
O melhor a fazer, no caso de dúvida, é perguntar a quem conseguiu sobreviver à Cuba, ou imigrou de certa forma. Conheci uma cubana que imigrou há alguns anos, formada em Teologia por lá. Ela contou, e parecia ter medo de falar ou vergonha, que muitos do que vivem em Cuba, necessitam dois empregos para conseguirem viver pelo menos dignamente. Como ela fazia. E quanto aos médicos tão bem falados na boca dos brasileiros, têm de ir de bicicleta para o trabalho e chegam com as mãos tremendo para realizar cirurgias.
O que me faz questionar como seria se o mundo todo fosse socialista e Cuba não tivesse sido isolada tantos anos pelo embargo econômico americano. E por esta mesma linha de pensamento me perguntou porque não olhamos para países como Zimbabwe. A solução não está na mudança drástica para o socialismo, mas em uma evolução gradual do capitalismo que minimize as diferenças tão abruptas que temos em nosso mundo. Será possível um hemisfério sul e norte com os mesmo índices de desenvolvimento humano ? Fico nessa dúvida.

Alguns fatos sobre Zimbabwe.
Desde 2000 encontra-se em uma profunda crise, além da hiperinflação, há um alto índice de desemprego, pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras.

A hiperinflação vem destruindo a economia do país, arrasando com o sector produtivo. Uma medida governamental congelou os preços, causando desabastecimento, fortalecimento do mercado negro e prisão de comerciantes contrários à medida.[3]

Em Julho de 2007, foi lançada a cédula de 200 mil dólares zimbabweanos, que apesar do elevado valor de face, é capaz de comprar pouco mais do que um quilo de açúcar. No mercado paralelo, a moeda era cotada a 1 dólar americano.[2] Em maio de 2008, foi lançada a cédula de 500 milhões[4] e em julho do mesmo ano foram lançadas cédulas com valores a partir de 100 biliões de dólares zimbabweanos.

Houve uma reforma monetária que entrou em vigor em agosto deste mesmo ano, no entanto, a taxa inflacionária parece não ceder, havendo projeções de que haja a necessidade de nova reforma em breve.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Lucio  17/04/2013 13:56
    Excelente aula! Incrível como Rothbard consegue escrever com uma didática clara os efeitos da inflação.

    Como de costume, outra excelente postagem do IMB.
  • Alan  17/04/2013 14:48
    No Currículo Lattes da Dilma tem uma apresentação de trabalho dela na década de 90 com o seguinte título: "O ganho inflacionário..."

    É pra rir ou pra chorar quando se percebe que uma pessoa dessa chegou à presidência?
  • Mohamed Attcka Todomundo  17/04/2013 19:58
    democracia eh isso: o pico de infamia que só a vileza escala (bonito isso, né? li num guardanapo)

    isso sem falar q a etmologia diz tudo: 'democracia', do latim, é 'governo do demo'
  • Luciano A.  18/04/2013 05:16
    O nome do trabalho é esse:

    ROUSSEFF, D. V. . O Ganho Inflacionário e o Repasse das Quotas-Parte do ICM . In: I Encontro dos Prefeitos de Capitais e Secretários de Fazenda, 1987, Corumbá, 1987.

    tentei procurar o texto completo no google, mas não achei.
    Será que alguém consegue?
  • Mohamed Attcka Todomundo  18/04/2013 11:47
    se eu achar ponho no meu blog na seção "Stand up comedy"
  • Daniel Alves  17/04/2013 15:06
    pessoal, lendo a entrevista que Bernado Santoro deu ao IMP, mais especificamente quando foi perguntado sobre as políticas redistributivas, ele falou sobre uma pesquisa do IPEA dizendo:
    "Sobre bolsa-família, cabe ainda um aprofundamento: de acordo com o IPEA, órgão do governo, as famílias brasileiras que ganham até dois salários mínimos perdem hoje 60% do que ganham para o governo, notadamente através de impostos indiretos, que são embutidos nos preços de produtos e serviços, ou seja, que o pobre não vê que está pagando. Portanto, uma família que ganha um salário mínimo perde mais de R$ 350,00 em impostos que não vê. Como a Bolsa-Família máxima que uma família recebe é de R$ 306,00, na verdade o Governo não está transferindo renda dos ricos para os pobres, mas apenas devolvendo ao pobre parte do que retirou deste mesmo beneficiário. Daí tiramos duas perversidades do sistema: (i) o pobre perde parte do dinheiro em impostos que não vê, mas recebe do Governo através de um programa que ele vê, criando nele a impressão que o Governo é bom, quando na verdade é apenas um ladrão barato; (ii), o próprio dinheiro do Bolsa-Família será reutilizado pelos pobres em produtos e serviços, ou seja, 60% dessa Bolsa-Família máxima será revertida novamente para o governo, o que significa que a ajuda governamental é praticamente nula, mas com grande eficiência eleitoral. O Bolsa-Família é o maior programa de compra de votos oficial da história da democracia mundial."
    Minha dúvida é: o que são esses impostos indiretos(quais?)? Eu entendi direito? Só são pagos pelas famílias de até dois salários mínimos? Ao que parece ele não estava se referindo ao imposto inflação, correto?
  • Arthur Dias  17/04/2013 15:42
    Ele se refere a impostos como ICMS, IPI e outros impostos "embutidos". E não, não são só famílias com 2 salários mínimos que pagam, mas é neles que a mordida desse imposto é maior, incidindo em 60% de toda a renda. Acaba funcionando como um imposto progressivo inverso: quanto mais rico, menor a porcentagem da sua renda que é levada por tais impostos.
  • Blah  17/04/2013 16:43
    Eu diria que o impacto real do estado sobre os preços é muito maior. Pode passar dos 80% e até mesmo dos 90%. Só os impostos diretos já respondem por uma parte disso. O impostos indiretos, que ainda podem ser estimados, chegam aos 60% citados. Agora, pense em todos os tipos de custos indiretos. Pense em custos relativos a leis e regulamentações. O produto precisa passar por uma quantidade incomensurável de procedimentos burocráticos, que vão desde à abertura e manutenção da empresa até a obtenção dos mais diversos tipos de licenças e permissões que você pode imaginar. É impossível, porém, estimar, mesmo que de forma grosseira, o impacto real disso sobre os preços. Como progressistas e socialistas já ignoram prontamente qualquer argumento lógico e coerente, é óbvio que eles ignorarão solenemente um problema cuja extensão não pode ser mensurada. O socialismo é a arte de ignorar a realidade para viver em uma ilha da fantasia.
  • Wagner  17/04/2013 16:51
    Vale lembrar que esses 306 que "voltam" custam muito mais que isso. O povo precisa dar alguns milhares de reais pra pagar uma bolsa família de 306, pois tem todo um custo burocrático e corrupção no caminho que esse dinheiro faz do pagador do imposto ao pobre que recebe o "benefício".
  • pensador consciente  17/04/2013 15:57
    Isso me dá uma revolta que não consigo compartilhar com ninguém afinal as pessoas estão preocupadas com seus próprios umbigos,não querendo enxergar que a atitude delas é semelhante a do avestruz que esconde a cabeça e deixa o corpo a vista dos predadores,é lamentável essa atitude deles dando-me uma angustia saber que a realidade é assim e que eu enquanto indivíduo sou impotente para mudar esse estado de coisas tão dramático.
    É lamentável...
  • Arthur M M  17/04/2013 17:20
    A doutrinação foi muito bem efetuada, diga-se de passagem. Não há o que questionar, pois esse é o "sistema". O governo está simplesmente protegendo o povo da ganância dos empresários.
  • IRCR  17/04/2013 18:37
    Bom mesmo é ver os papagaios do governo profenando "um pouco de inflação faz bem, não podemos cessar o crescimento economico"

    Isso é de matar.

    um boa saida para reduzir os efeitos da inflação poderia ser comprando moedas fortes como o franco suiço para revender no futuro ?
    onde posso comprar francos ? hehe é triste ver nosso capital indo pelo ralo com essa inflação que rendimentos de renda fixa nenhum já não cobre mais
  • Wagner  17/04/2013 20:57
    Eu já ouvi da boca de políticos que deveríamos ter 9% a.a. de inflação para incentivar o crescimento.
    Começar a ler sobre economia é um fardo terrível, você entende como é roubado e não pode fazer nada a respeito...
  • Occam's razor  17/04/2013 22:35
    Mais pura verdade. Eu era tão feliz na minha ignorância ...
  • Lucas  18/04/2013 02:03
    Compre Bitcoins O próprio IMB já fez um artigo sobre essa moeda revolucionária.
  • Brenno  19/04/2013 18:53
    Cuidado com moedas fiduciárias... Bitcoins são de fato protegidas por um algoritmo matemático, mas ainda assim não possui valor intrínseco nenhum...

    O governo poderia muito bem dizer que expandiria a base monetária baseado em um algoritmo. Mas sendo ele que detém a fórmula a única coisa que você pode contar seria mesmo com a sorte de ele não resolver mudá-la.
  • Marc...  19/04/2013 20:27
    Muito cuidado com Bitcoin, você pode criar um novo com quase nenhum custo (ex. Litecoin).
    Isso retira totalmente sua escassez, leva seu valor a próximo de zero.
  • edison  17/04/2013 19:39
    A respeito da fabricação de dinheiro pelo Banco Central Americano (FED) a partir do nada (reserva fracionada): "A maior deficiência da raça humana é a sua incapacidade de entender a função exponencial"-Albert A.Bartlett,físico., e "Quem acredita em crescimento exponencial eterno num mundo finito só pode ser louco ou economista"-Kenneth Bouding,economista.
  • Mauricio  17/04/2013 23:34
    Vamos jogar areia na engrenagem dessa democracia podre
    O negócio é não comparecer para votar !
    Divulgo essa idéia para todos os meus amigos e conhecidos
    A cada votação que ocorre a abstenção geral esta aumentando
    Vamos participar dessa corrente de informação
  • Fellipe  18/04/2013 01:19
    Tenho uma duvido muito pertinente que discuti com um amigo. Eu aleguei que a inflação no Brasil se deve a grande oferta de empréstimo, que recebeu um apoio massivo do governo com a redução dos juros. Porém ele também afirma que a principal causa da inflação se deve a entrada de dinheiro estrangeiro, obrigando a troca de moeda e aumentando a oferta. Outra consequência é a inflação de determinadas áreas especificas, como aumento da gasolina, reduzindo o poder de compra do consumidor, visto que agora ele terá que pagar mais para ter menos, gerando como consequência uma diminuição do valor da moeda.

    Isso realmente faz sentido?
  • Leandro  18/04/2013 01:41
    A primeira parte é correta. Quando dólares entram no Brasil, o sistema bancário compra estes dólares criando reais (e mais tarde vende estes dólares para o Banco Central). Porém, vale lembrar que, da mesma forma que os bancos criam reais, eles também destroem reais -- por exemplo, quando vendem algum papel para se recapitalizar, ou quando vendem dólares ou quando pegam algum empréstimo junto a corretoras e fundos de investimento.

    Já a segunda parte é confusa incoerente. Se a "a inflação de determinadas áreas específicas, como aumento da gasolina" reduz o poder de compra das pessoas -- o que é verdade --, então o consumo teria de diminuir em outras áreas. Tal diminuição do consumo nas outras áreas da economia levaria a uma redução de preços, e não a um aumento.

    Porém, como a quantidade de dinheiro na economia aumenta continuamente, esta diminuição no consumo não ocorre, o que faz com que estes outros setores da economia possam também elevar seus preços sem sofrerem redução de demanda.

    Em suma, a causa precípua está na expansão monetária. No houvesse essa expansão monetária, um aumento da gasolina causaria diminuição da demanda em outras áreas da economia -- e, logo, redução de preços nestas áreas.
  • contento  18/04/2013 02:52
    Eu já ouvi da boca de políticos que deveríamos ter 9% a.a. de inflação para incentivar o crescimento.
  • IRCR  18/04/2013 03:03
    Alcoolina no momento está até mais barata que ano passado.
    Meteram alcool na gasolina e o preço caiu.
    Camuflagem de inflação. alem de piorar o rendimento do carro.
  • Daniel Alves  18/04/2013 12:58
    Arthur Dias, muito obrigado pela explicação, mas esta parte eu não entendi bem:
    "Acaba funcionando como um imposto progressivo inverso: quanto mais rico, menor a porcentagem da sua renda que é levada por tais impostos."
    Onde reside a maior incidência sobre o pobre, que é o que deu a entender na entrevista? Não? Para ficar mais clara minha dúvida: se o pobre e o rico(ou, o que ganha até dois salários e o que ganha acima) comprar uma geladeira, por exemplo, estarão pagando a mesma porcentagem de IPI, correto, não é? E eu entendi que você disse que tal valor corresponde a uma porcentagem maior do salário do pobre, mas não entendi como isso pode torná-lo mais pobre ainda. Ou melhor, não estaria sendo retirado dos que ganham mais de dois salários na mesma proporção também? Mais uma vez: não seria uma redistribuição de renda do mais rico para o mais pobre e não o contrário, baseando-se apenas nestas informações?
    Abração!
  • Breno  18/04/2013 13:28
    Daniel, se o Zé das Couves e o Antônio Ermírio de Moraes comprarem a mesma geladeira -- a qual custa R$ 800, sendo R$250 só de impostos --, ambos estarão pagando o mesmo valor nominal de impostos (R$250).

    Esses R$250 não representam nem 0,0001% da renda mensal do Antônio Ermírio, mas representam uma porcentagem extremamente alta da renda mensal do Zé das Couves
  • anônimo  18/04/2013 14:00
    'E eu entendi que você disse que tal valor corresponde a uma porcentagem maior do salário do pobre, mas não entendi como isso pode torná-lo mais pobre ainda'
  • Daniel Alves  18/04/2013 13:39
    ops... Assim que cliquei em enviar parece que a preguiça de raciocinar afastou-se de mim e como um esbarrão encontrei o erro do meu raciocínio. O problema todo reside no fato de eu ter pensado no IPI e ICMS como uma porcentagem do salário... Burrice essa minha! Só ocupando desnecessariamente os colegas tão prestativo do IMB. Arthur Dias, espero que esta mensagem chegue a tempo. Apenas corrija-me se estiver errado: sendo uma taxa fixa para todo(com menos ou mais rendimentos), isso representa uma porcentagem menor do salários de quem ganha mais. E visto que tal "ajuda" só incentiva mais o consumo destas famílias que acabam pagando mais impostos ainda o círculo se fecha, e o resultado final é como disse o próprio presidente do Liber: "O Bolsa-Família é o maior programa de compra de votos oficial da história da democracia mundial."
    Aproveitando para fazer mais uma correção: onde se ler(na primeira mensagem minha):IMP, leia: IPM(Instituto País Melhor). Relevem... rs... Abraço!
  • Allan  18/04/2013 16:33
    Tenho uma duvida.


    Em varios artigos do Mises leio criticas em relacao a reservas fracionarias e como isto torna o sistema financeiro instavel e suscetivel a inumeras crises. Uma alternativa a isso seria bancos sem tais reservas.


    Entretanto, qual seria o mecanismo para que os bancos quisessem ter reservas nao-fracionarias ? Regulacao, o que seria contraditorio com o proprio mises.org ?


    Pois em livre-mercado nao entendo como um banco com reservas fracionarias iria 'perder' para um sem reservas. Isto eh, em tempos de bonanca, claramente o com reservas fracionarias teria uma 'vantagem competitiva' e poderia com uma mesma unidade de moeda investir e emprestar mais do que um banco sem reservas fracionarias, logo imagino que o primeiro iria se dar melhor e acabaria com o segundo.


    Obviamente que em tempos de complicacoes economicas o banco sem reservas fracionarias se daria melhor por ser mais solido e o outro quebraria. Mas para isto precisaria acontecer uma corrida bancaria a cada 10 anos para ferrar com os de reserva fracionaria regularmente e alem disso o banco sem reserva fracionaria precisaria sobreviver no mercado ao longo desses 10 anos sem essa 'vantagem competitiva'.



    Abracos !
  • Wagner  18/04/2013 17:53
    Ele vai emitir um papel sem lastro escrito "vale uma promessa"? Boa sorte pra comprar algo com isso em uma economia livre. Se ele falar que vale ouro e ele não tem o ouro pra pagar o papel que ele emitiu o banco está cometendo fraude.
  • Leandro  18/04/2013 18:40
    Um minarquista, um liberal clássico ou até mesmo um social-democrata mais racional delegaria ao governo a tarefa de vigiar os bancos. Como o governo se manteria fiel a essa lei são outros quinhentos.

    Ou ele também poderia defender um arranjo em que empresas privadas voltadas para o supervisionamento do setor bancário façam tal serviço. Aquelas que falharem -- isto é, darem boas avaliações para bancos fraudulentos -- perderiam clientes e estariam fora do mercado.

    Já um anarcocapitalista defenderia a criação de ligas antibancos, associações voluntárias que fiscalizariam os bancos e espalhariam qualquer notícia sobre se tal banco está incorrendo em fraudes. Como qualquer trapaça bancária põe em risco o dinheiro das pessoas, fica claro que seria do próprio interesse delas manter uma fiscalização rígida sobre os bancos.

    Pode também ser que a concorrência entre os bancos -- agora operando em ambiente com entrada totalmente livre -- fizesse com que um delatasse o outro com a intenção de roubar seus correntistas. Qualquer banco iria se esforçar ao máximo para evitar ser o alvo de denúncias de seus concorrentes, o que definitivamente abalaria sua reputação. Dado que qualquer pessoa estaria livre para abrir bancos, seria de seu interesse tentar cooptar os clientes dos bancos concorrentes. E nada mais eficaz para abalar a credibilidade da concorrência do que denunciar seus atos.

    Ou seja, há várias soluções de mercado possíveis. Basta apenas saber pensar fora do "statist" quo. Não há nenhum motivo lógico para dizer que apenas burocratas podem efetuar determinados serviços.

    Desnecessário dizer que qualquer um desses arranjos não pode ter um banco central, pois este existe justamente para arregimentar e defender o cartel bancário, proteger as reservas fracionárias e expandir a oferta monetária.

    Qualquer que seja o arranjo, não há motivo algum para que seus participantes não aceitem a regra sugerida ao final deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=951
  • anônimo  18/04/2013 18:48
    'Um minarquista, um liberal clássico ou até mesmo um social-democrata mais racional delegaria ao governo a tarefa de vigiar os bancos. '

    Leandro, me admiro muito de você vir com essa.Ser minarquista não significa atribuir ao governo esse papel coisa nenhuma.Esse é um problema que a competição é perfeitamente capaz de resolver, como qualquer minarquista sabe.
    Deixa o banco que quiser usar reservas fracionadas, se ele quebrar, azar.
  • Leandro  18/04/2013 19:02
    Você poderia ter segurado o piti por pelo menos mais um parágrafo. Leia o que estava escrito no parágrafo imediatamente seguinte:

    "Ou ele também poderia defender um arranjo em que empresas privadas voltadas para o supervisionamento do setor bancário façam tal serviço. Aquelas que falharem -- isto é, darem boas avaliações para bancos fraudulentos -- perderiam clientes e estariam fora do mercado."

    Agora compare isso que eu escrevi com o que você escreveu:

    "Ser minarquista não significa atribuir ao governo esse papel coisa nenhuma.Esse é um problema que a competição é perfeitamente capaz de resolver, como qualquer minarquista sabe.Deixa o banco que quiser usar reservas fracionadas, se ele quebrar, azar."

    Qual a diferença?

    A ânsia que as pessoas têm de apontar dedos e denunciar supostas falhas no raciocínio alheio -- ânsia tão grande que o sujeito interrompe a leitura em uma determinado parágrafo para criticar, sem sequer se dar ao trabalho de verificar se o parágrafo seguinte ainda é uma continuidade do assunto -- faz com que elas próprias se delatem e mostrem que são incapazes de ler uma simples argumentação até o final.

    Estão despreparadas para qualquer debate.
  • Rudson  18/04/2013 19:11
    Vou tentar dar uma explicada (caso eu esteja equivocado, por favor me corrijam)

    Imagine um sistema em que, para simplificar, existam apenas dois bancos: Itaú e HSBC. O banco Itaú opera com reservas fracionárias e o HSBC tem 100% de reserva.

    O Itaú tem 100 reais depositados, mas emite 200 reais em meios de pagamento. Imagina que João, cliente do banco, pegue 150 reais emprestados do banco e coloque em sua conta. Ato contínuo, João emite um cheque de 150 reais para pagar os serviços de Paulo, que é cliente do HSBC.

    Paulo vai na agência do HSBC e deposita o cheque. O que ocorre então? No final do dia, o HSBC apresenta o cheque na câmara de compensações para o Itaú pagar. Mas o Itaú não tem esse dinheiro: ele conta apenas com os 100 reais depositados. Ou seja, tornou-se insolvente e pode ir a falência.

    Resumindo: num sistema de livre mercado, um banco que resolver arriscar e emprestar mais dinheiro do que efetivamente possui, inicialmente vai ter alguma vantagem (vai poder cobrar juros bem mais baixos). No entanto, no final do dia, caso ele não consiga cumprir com as suas obrigações - o que é certo que ocorrerá, já que seus ativos não serão suficientes para cobrir seus passivos -, ele vai a falência.

    Quanto ao "prazo" para corridas bancárias, acredito que não é bem assim. Hoje em dia todos os bancos são insolventes (todos operam com reservas fracionárias). Isso somente é possível porque existe um Banco Central que diz garantir a liquidez dos bancos em caso de risco. Ele "tranquiliza" a população com essa história.

    Portanto, hoje as corridas bancárias não ocorrem com tanta freqüência porque as pessoas acreditam no que o Banco Central fala. Sem Banco Central, no primeiro sinal de problema com algum banco, uma corrida bancária vai acontecer, já que essa "garantia" não existiria.

    Justamente por esses motivos que, num sistema de livre mercado, as reservas fracionárias não seriam bom negócio.

    Obviamente, não digo com isso que nenhum banco vai tentar agir dessa forma. Pessoas cometendo fraude é uma realidade que ocorre em qualquer lugar e tempo, independente do sistema. Mas num verdadeiro livre mercado (sem a existência de um Banco Central) a fraude pode ser mais facilmente penalizada.
  • Marco Magioli  18/04/2013 18:51
    Havendo aproximações dos bancos e dos senhores banqueiros com o Senado e o Banco Central, vai ocorrer isso:
    www.peticaopublica.com.br/?pi=MAM2012
  • Leonardo Couto  18/04/2013 19:26

    Vejam a lamentável defesa da inflação na metade deste artigo("… and Modest Inflation Isn't a Bad Thing"). Infelizmente, nem todos enxergam o mal que ela é.
  • Marcos Correa  20/04/2013 12:42
    Por falar em dinheiro recém criado e empresas com boas conexões com o governo, o BNDES libera mais 1 bilhão para o saco sem fundo Eike Batista. E o valor de suas empresas na bolsa de valores derrete...

    exame.abril.com.br/negocios/noticias/realidade-ja-atrapalha-eike-diz-wall-street-journal
  • anônimo  20/04/2013 14:46
    Logo vão dizer que as empresas dele são "too big to fail".
  • Thiago  27/04/2013 16:10
    Boa tarde,

    A inflação sofre ao longo dos anos um processo semelhante ao dos juros compostos? Ou seja, em um cenário como o nosso, com inflação constante, há uma tendência de as unidades monetárias perderem valor de forma cada vez mais acentuada, ainda que a inflação pareça permanecer nos mesmos patamares? Seguindo este raciocínio, a economia só se salva no longo prazo se tiver metas de inflação decrescentes ao longo dos anos? Perguntas de um leigo... gostei muito do seu texto.

    Obrigado,

    Thiago
  • Daniel  12/05/2013 14:59
    Apesar da matemática ser uma ciência exata, a sua prima distante
    desvairada e doidivana, a economia não é !

    Esse esboço de volta de inflação é culpa exclusiva do povo(cidadãos,
    empresários,atravessadores e etc..);

    É uma inflação originada na ganância desmedida do brasileiro, não estamos
    em recessão e muito pelo contrário, somos dos poucos países a ofertar vagas
    de emprego em todas as áreas;

    A euforia causada pelo sucesso econômico gerou na cabeça do já avaro "empresário"
    uma sensação de: " É TUDO FREE " chegou a hora de meter a mão !

    Como pode haver sentido por exemplo:
    Uma caixa de fósforos custar em um dia 1,40 e dali a poucos meses custar 2,90/3,00,
    a madeira,o aumentozinho do funcionário da fábrica, o diesel para o transporte no mesmo
    período não subiram todos juntos nem 10%,; Como o aumento pode ser de 100% ??

    Nunca o litro de leite foi produzido tão barato nas fazendas, deve estar em torno de 0,40
    centavos; Como pode nos super mercados chegar até aos 3,00 ??

    Não me venha com historinhas de impostos, pois já está para lá de provado que
    qualquer desoneração é embolsada quase que na integra pelo empresariado e pela
    cadeia distributiva.

    Parte dessa bagunça devemos também ao povo(inclusive o do YR ) que necessita para
    se auto afirmar tomar sempre posições politicamente corretas:

    É bombeiro invadindo quartel e reivindicando salários absurdos e todos aplaudindo;
    É policial federal PÉ DE PANO pleiteando salários de 20.000;

    É médico com o eterno discurso que ganham uma miséria, e o povo aloprado dizendo
    amém sem procurar saber que médicos no Brasil ganham como médicos franceses
    e prestam serviços de médicos do Zimbabwe e etc...

    Tudo isso criou uma sensação de tudo se pode, inclusive se ganhar acima do aceitável
    até mesmo para os critérios(entenda sem critérios) capitalistas.

    O brasileiro adora pagar mais caro, para depois dizer que O fez ! Dá STATUS !!

    Pare de comprar o que você julga que está caro para ver se no mês seguinte não
    caiu o preço pela metade.

    Dizer que os EUA são exemplo para tudo é fácil NÉ ?
    Agora fazer o que eles fazem ninguém faz;

    Quando há um aumento abusivo lá ninguém compra NADA, fazem protestos
    cirúrgicos em portas de super mercados até os preços baixarem; E aqui ?

    Quanto mais caro está mais o desgraçado quer comprar para depois ficar reclamando
    (ou se gabando ) da fortuuuuuuuna que pagou.

    "" Tu que, da liberdade após a guerra,
    Foste hasteado dos heróis na lança
    Antes te houvessem ROTO na batalha,
    Que servires a um povo de mortalha!... "" Castro Alves.

    Ô poveco de terceira linha !!

    Ainda bem que nasci na França ! rsrs


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