Sobre a atual inflação de preços no Brasil e o problema da SELIC
por , segunda-feira, 15 de abril de 2013

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Alexandre-Tombini-_-ABr.jpgComo atualmente só se fala em tomate, era inevitável tratarmos da crônica inflação de preços por que passa o Brasil.  Qual a sua causa?  Como resolvê-la?

Em episódios passados — por exemplo, entre outubro de 2010 e setembro de 2011, quando o IPCA acumulado em 12 meses pulou de 5% para 7,31% —, o governo ainda se safava dizendo que a alta inflação de preços era culpa do nosso atordoante "crescimento econômico" e da nossa mundialmente invejável "economia superaquecida", e que tal inflação era um aceitável efeito colateral do inegável fato de que o Brasil estava se transformando em uma potência capaz de fazer a China tremelicar...

Agora, no entanto, tal desculpa deixou de surtir o mesmo efeito de antes.  Não somos mais capa da The Economist.  Afinal, como culpar um PIB de 0,9% por um IPCA de 6,59% (acumulado em 12 meses em março de 2013)?  Ainda pior é saber que o INPC, que mensura a inflação de preços para as famílias de baixa renda, está acumulado em 7,22%.

Foi nesse embalo, que um leitor me mandou um email pedindo para comentar o seguinte trecho escrito por Reinaldo Azevedo em seu blog:

Os alimentos continuam a pressionar a inflação, como informa reportagem da VEJA Online. Fosse só isso, tudo certo. Mesmo uma economia em deflação, como a do Japão, pode sofrer um choque de oferta — se não de tomate, daquela raiz-forte insuportável que se deve comer junto com outras coisas insuportáveis… Passa. Caso a inflação "tomatística" persista, o jeito é parar de comer tomate. O preço vai cair.

O problema é que a elevação de preços se espalhou em alguns setores da economia. É só o tomate ou a cebola? Não! O índice de 12 meses, em março, chegou a 6,59%, acima, portanto, da banda superior da meta. Nove desses 12 meses referem-se ao ano de 2012, quando o PIB brasileiro cresceu modestíssimos 0,9%. Tem-se, portanto, uma situação indesejável de baixo crescimento com inflação alta. Ou não se tem?

Agora eu volto lá aos economistas. Desafio os especialistas da Casa das Garças (que reúne muita gente boa e intelectualmente honesta), da Casa dos Tucanos, da Casa dos Falcões, da Casa dos Canarinhos a me demonstrar que a receita para baixar a inflação que está aí é a elevação de juros.

Notem bem: eu não estou contestando que elevação de juros concorra para baixar a inflação, como não contesto que um dos efeitos do antibiótico é baixar febre quando o paciente contraiu uma infecção bacteriana

O desafio é interessante, mas inócuo.  Por quê?  Porque movimentos da SELIC, por si sós, não indicam nada.  Uma elevação da SELIC não é garantia alguma de que o Banco Central está querendo conter a inflação de preços, e por um simples motivo: a elevação da SELIC nem sempre significa um aperto monetário.  E, da mesma forma, uma redução da SELIC nem sempre significa um afrouxamento monetário.  Mais ainda: é perfeitamente possível acontecer o oposto, isto é, a SELIC subir ao mesmo tempo em que está havendo uma forte expansão monetária e a SELIC cair ao mesmo tempo em que está havendo uma redução na expansão monetária.

Em suma, alterações da SELIC, se não analisadas corretamente, podem ser altamente enganosas, pois elas nem sempre indicam corretamente a real postura do Banco Central.

O que é a SELIC e por que seu aumento não necessariamente significa uma restrição à inflação

Para entender por que alterações da SELIC podem ser enganosas, é necessário antes entender o que ela é.

A taxa SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário para emprestar (ou tomar emprestado) dinheiro que possuem em suas reservas.  Os bancos recorrem a essas operações interbancárias diariamente porque, ao final de cada dia, precisam manter um determinado volume de dinheiro em suas reservas.  (Esse volume de reservas é o equivalente a uma determinada porcentagem do total de seus depósitos, e é determinado pelo Banco Central; chama-se compulsório).

Quando o Banco Central cria dinheiro eletronicamente e utiliza esse dinheiro criado do nada para comprar títulos públicos que estão em posse do sistema bancário, as reservas bancárias aumentam.  Este aumento nas reservas bancárias tende a gerar uma diminuição na taxa de juros que os bancos cobram entre si no mercado interbancário.  Ou seja, tende a gerar uma diminuição na SELIC.  Afinal, com mais dinheiro nas reservas, menos bancos se veem na necessidade de pedir dinheiro emprestado no interbancário, e mais bancos se veem com reservas acima do nível estipulado pelo Banco Central.  Ato contínuo, os bancos podem agora criar mais empréstimos para indivíduos e empresas.

Ao estipular um valor para SELIC, o Banco Central manipula o mercado interbancário — injetando dinheiro nele — de modo a fazer com que a taxa de juros neste mercado se mantenha próxima do valor estipulado.

No entanto, essa manipulação monetária do Banco Central não é o fator decisivo na expansão monetária que ocorre na economia.  Quem realmente vai conduzir a expansão monetária é o sistema bancário.  No arranjo financeiro e monetário em que vivemos, são os bancos que jogam dinheiro na economia, e não o Banco Central.  O Banco Central não pode jogar dinheiro diretamente na economia (podia até o ano 2000, quando a Lei de Responsabilidade Fiscal finalmente proibiu esta prática); apenas os bancos podem fazer isso. 

Se os bancos sentirem que o momento econômico é bom, eles irão conceder empréstimos.  E bancos, ao concederem empréstimos, criam dinheiro do nada e jogam este dinheiro na economia (para entender todo este processo em detalhes, recomendo este artigo).  Portanto, se os bancos quiserem emprestar dinheiro, a oferta monetária irá aumentar.  Por outro lado, se eles sentirem que o momento econômico não é muito favorável, eles reduzirão o ritmo de concessão de empréstimos, e a quantidade de dinheiro na economia crescerá a um ritmo bem mais vagaroso.

Outra maneira de os bancos jogarem dinheiro na economia é comprando títulos do Tesouro.  Quando o governo incorre em déficits orçamentários — e o governo brasileiro sempre incorre em déficits orçamentários (chamado de "déficit nominal") —, o Tesouro vende títulos para arrecadar dinheiro.  Esses títulos são adquiridos pelo sistema bancário, sendo que, para comprar estes títulos do Tesouro, os bancos também criam dinheiro do nada.  O Tesouro recebe esse dinheiro e o utiliza para custear suas despesas.  O dinheiro entra na economia.

Tendo entendido esse mecanismo, algumas extrapolações se tornam mais claras.  Por exemplo, se a economia estiver indo bem e os bancos estiverem otimistas, eles concederão mais empréstimos (tanto para o setor privado quanto para o governo).  Isso, por si só, fará com que os juros do interbancário, a SELIC, subam — afinal, como estão concedendo muitos empréstimos, os bancos continuamente terão de recorrer ao mercado interbancário para manter suas reservas naquele nível estipulado pelo Banco Central. 

Ato contínuo, o Banco Central — que trabalha com uma meta SELIC definida — terá de injetar dinheiro no mercado interbancário para conter esta subida na SELIC.  Se ele injetar uma quantia suficiente, a SELIC permanecerá no mesmo nível.  Se ele injetar uma quantidade insuficiente, a SELIC subirá.

E essa conclusão é extremamente importante: sempre que os bancos expandem o crédito, ocorre uma maior atividade no mercado interbancário.  Logo, sempre que os bancos expandem o crédito, a SELIC irá disparar caso o Banco Central nada faça.  No entanto, dado que o Banco Central existe justamente para harmonizar esse processo de expansão monetária, ele irá intervir injetando dinheiro no interbancário a um ritmo que faça com que esta subida da SELIC seja mais branda e suave.  Em outras palavras, o Banco Central irá injetar dinheiro no interbancário a um ritmo suficiente para fazer com que a SELIC suba suavemente.  Neste cenário, temos um aumento da SELIC, mas o Banco Central não está genuinamente restringindo a expansão do crédito bancário.  A quantidade de dinheiro na economia continuará crescendo vigorosamente.  Estará havendo, portanto, um "aumento acomodatício" da SELIC.

Logo, é plenamente possível vivenciarmos um aumento na SELIC e os empréstimos bancários seguirem crescendo a um ritmo forte.  Ou seja: é perfeitamente possível que um aumento na SELIC não seja de forma alguma uma medida anti-inflacionária.

Inversamente, caso os bancos, por algum motivo específico, se tornem mais pessimistas em relação ao futuro da economia e reduzam a concessão de crédito, a atividade deles no mercado interbancário será bem menos volumosa.  Isso significa que, caso o Banco Central continue no mesmo ritmo de injeções monetárias, a SELIC cairá.  E ela cairá sem que isso gere um aumento da expansão do crédito.  Ou seja, é perfeitamente possível que a SELIC caia e que o volume de concessão de empréstimos bancários caia junto.  Ou, para ser mais direto, é perfeitamente possível haver uma situação em que uma queda na SELIC seja acompanhada por uma postura anti-inflacionária dos bancos. 

Um exemplo extremo deste último fenômeno está ocorrendo nos EUA e na Europa neste momento: a SELIC deles está abaixo de 1%, e não está havendo nenhuma explosão na concessão de crédito.  Ou, articulando mais corretamente, a SELIC deles está em níveis historicamente baixos justamente porque não está ocorrendo nenhuma explosão na concessão de crédito.  Como os bancos estão pessimistas, eles não saem concedendo empréstimos a torto e a direito (como fizeram até 2008).  Consequentemente, a atividade no interbancário é menos intensa e os juros ficam baixos.  As injeções monetárias feitas pelo Fed e pelo Banco Central Europeu nos bancos não se traduziram em acentuadas expansões do crédito.

E o Brasil?  Ao nosso modo, estamos também passando por este fenômeno, mas com menos intensidade. 

Onde estamos e como chegamos aqui

O gráfico abaixo mostra a evolução do agregado monetário M2.  O M2 mensura a quantidade total de cédulas e moedas metálicas em poder do público mais depósitos em conta-corrente mais depósitos em poupança mais depósitos a prazo e outros depósitos no sistema bancário. 

Analisar o M2 é interessante porque ele mostra exatamente como os bancos estão se comportando.  Da mesma forma que os bancos jogam dinheiro na economia quando concedem crédito, eles também retiram dinheiro da economia quando vendem algum papel para se recapitalizar, ou quando vendem dólares ou quando pegam algum empréstimo junto a corretoras e fundos de investimento.  É bom ter isso em mente porque é o resultado destas duas medidas opostas (expansão monetária e contração monetária) que determinará a quantidade total de dinheiro na economia

Se o M2 cresce aceleradamente — sempre que a linha do M2 se torna mais inclinada em relação ao ano anterior —, isso significa que os bancos estão otimistas e expandindo o crédito.  Se o M2 desacelera, isso significa que os bancos estão mais contidos em sua concessão de crédito.  Estão criando empréstimos mas também estão retirando dinheiro da economia em um volume maior em relação ao ano anterior.

Veja a evolução do M2 no Brasil desde 2002.

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Gráfico 1: evolução do M2 (01/2002 — 02/2013)

Agora, observe a evolução da SELIC.

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Gráfico 2: evolução da SELIC (01/2002 — 03/2013)

No início de 2003, as alterações na SELIC realmente geraram os efeitos esperados pelos senso comum.  A inflação de preços havia disparado em 2002 (ver gráfico 3) tanto por causa da forte expansão do M2 quanto por causa da acentuada desvalorização cambial (por causa da eleição e Lula), e o Banco Central teve de deixar os juros do interbancário subir de 18 para 26,5%.  A subida dos juros no interbancário tende a ocorrer automaticamente, pois os bancos naturalmente elevarão os juros de seus empréstimos para se protegerem da inflação de preços.  Nesta situação, o Banco Central simplesmente reduz suas injeções monetárias no mercado interbancário — ou, no extremo, ele simplesmente pára de injetar dinheiro.

Tal elevação súbita e acentuada dos juros no final de 2002 e no início de 2003 fez com que ninguém se interessasse em pegar empréstimos, pois estavam muito caros.  Como consequência, o M2 parou de crescer abruptamente, e o país entrou em recessão.

A partir de meados de 2003, ocorre uma forte redução na SELIC, de 26,25% para 16,25%.   Dado que esta redução não gerou nenhuma explosão no M2 até o final daquele ano, isso significa que a SELIC caiu justamente porque os bancos estavam contidos.  Ou seja, primeiro os juros subiram porque a inflação de preços se manifestou de maneira súbita.  Depois, voltaram a cair porque a concessão de crédito estava extremamente baixa, diminuindo a demanda no mercado interbancário. 

A inflação de preços acumulada em 12 meses cairia de 17% em maio de 2003 para 5,15% em maio de 2004 (gráfico 3).

Em 2004, com a inflação de preços contida, o otimismo voltou e houve uma forte aceleração na concessão de crédito (daí o robusto PIB daquele ano).  É possível dizer que a explosão do M2 em 2004 ocorreu por causa da forte redução da SELIC em 2003, sendo que tal redução foi possível porque os bancos praticamente não expandiram o crédito naquele ano.  Após terem se contido por um ano, o que permitiu a redução na SELIC e a acentuada redução na inflação de preços, os bancos voltaram a expandir o crédito.

Ou seja, até aqui, a relação entre SELIC e expansão monetária está indo de acordo com o senso comum.  Um aumento na SELIC gerou contenção monetária, e uma redução na SELIC gerou expansão monetária.

Já a partir de 2004, essa relação assume um comportamento errático.  Por exemplo, de 2004 até o final de 2007, não se nota nenhuma correlação entre aceleração do M2 e alterações na SELIC.  A SELIC sobe e desce, e o M2 continua subindo em velocidade constante.

Mas em 2008 ocorre um fenômeno inverso ao de 2003: a SELIC aumenta porque os bancos estavam extremamente animados.  A SELIC começou a se elevar em abril (de 11,25 para 11,75%) e foi até 13,75% em setembro.  E o M2 foi junto.  A elevação da SELIC não conteve o M2 naquele ano simplesmente porque, como explicado no início do artigo, ela foi uma consequência da forte aceleração da expansão de crédito naquele ano, o que gerou uma enorme demanda no mercado interbancário.  Caso o Banco Central interrompesse suas injeções monetárias no mercado interbancário, a SELIC dispararia e toda essa expansão monetária seria interrompida.  Porém, ele não fez isso.  Ele optou por acomodar essa expansão do crédito com contínuas injeções monetárias, fazendo com que a SELIC subisse apenas suavemente.  Esse foi o primeiro exemplo de "aumento acomodatício" da SELIC, isto é, um aumento que visa a possibilitar a continuidade da expansão do crédito.

Já em 2009, o M2 se desacelera abruptamente (daí a recessão daquele ano), e junto com ele vem a SELIC, que cai de 13,75% para 8,75%.  A desaceleração do M2 em 2009 está muito mais correlacionada ao clima de incerteza gerado pela crise financeira de outubro de 2008 do que pela elevação da SELIC ao longo de 2008, tanto é que a forte redução da SELIC ao longo de 2009 não estimula o M2.  Ou seja, o M2 cresceu pouco em 2009, e a SELIC caiu acentuadamente, justamente por causa da postura mais comedida dos bancos, que não apenas se recuperavam dos excessos de 2008, como ainda estavam assustados com a crise de 2009.

Já de abril de 2010 a agosto 2011, a SELIC pula de 8,75 para 12,50%.  Mas o M2 dispara.  Tem-se uma repetição de cenário de 2008.  Os bancos estavam extremamente animados com as perspectivas econômicas do país, e seu crescente volume de empréstimos concedidos gerou grande demanda no mercado interbancário, o que elevou a SELIC.  Novamente, se o Banco Central houvesse interrompido suas injeções monetárias, a SELIC dispararia, e essa expansão creditícia seria interrompida.  Mas como a SELIC aumentou apenas vagarosamente ao passo que o M2 cresceu fortemente, isso significa que o Banco Central injetou de forma contínua dinheiro no mercado interbancário, apenas a um ritmo um pouco menor.  Ou seja, o Banco Central na realidade estimulou essa expansão creditícia.  Se ele quisesse, ele poderia ter interrompido suas injeções monetárias no sistema bancário.  Mas isso não seria popular.  Mais um exemplo de "aumento acomodatício" da SELIC, um aumento que não configurou nenhuma restrição à expansão monetária. 

A partir de agosto de 2011, a SELIC começa a cair.  Cai de 12,50% para seus atuais 7,25%.  E o M2 perceptivelmente desacelera junto: o crescimento do M2 em 2012 foi sensivelmente menor que o de 2011 — daí o baixo PIB do ano passado —, não obstante a SELIC tenha caído quase pela metade.  Tudo indica que a SELIC caiu porque os bancos diminuíram seu ritmo de concessão de crédito, não obstante o Banco Central tenha continuado injetando dinheiro no mercado interbancário.

Conclusão: um aumento da SELIC nem sempre significa contenção monetária (vide 2008, 2010 e 2011) e uma diminuição da SELIC nem sempre significa aceleração da expansão monetária (vide 2009 e 2012).  Uma SELIC baixa, ou em queda, pode ser consequência de uma postura mais cautelosa dos bancos, que estão mais contidos em conceder empréstimos e, por conseguinte, estão demandando menos empréstimos no mercado interbancário. 

O que efetivamente aniquila uma inflação de preços

Tendo entendido que a relação entre SELIC e inflação monetária nem sempre é explícita — aumento da SELIC não necessariamente significa contenção monetária e redução não necessariamente se reverte em expansão monetária —, façamos agora uma análise direta das medidas corretas e comprovadamente eficazes para se combater uma inflação de preços. 

Apenas duas medidas comprovadamente aniquilam uma inflação de preços de maneira efetiva: a quantidade de dinheiro na economia tem de parar de aumentar e a taxa de câmbio tem de se apreciar.  Mais ainda: essas duas têm de ocorrer simultaneamente. 

Se a interrupção da expansão da quantidade de dinheiro na economia for acompanhada de uma depreciação cambial — arranjo esse que é incomum —, a inflação de preços não será debelada.  Isso aconteceu no Brasil em 2003.  Naquele ano, a quantidade de dinheiro na economia cresceu a uma das menores taxas de história do real, mas como o câmbio havia se desvalorizado fortemente no final de 2002 (por causa dos temores com a eleição de Lula), indo de R$2,25 para quase R$4 por dólar, o IPCA de 2003 chegou a um pico de 17% em maio de 2003. 

Observe os três gráficos a seguir.  O primeiro gráfico mostra a variação do IPCA acumulado em 12 meses.  O segundo gráfico mostra a variação do câmbio.  E o terceiro gráfico mostra novamente a variação do M2. 

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Gráfico 3: IPCA acumulado em 12 meses (01/2002 — 03/2013)

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Gráfico 4: evolução da taxa de câmbio (01/2002 — 03/2013)

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Gráfico 5: evolução do M2 (01/2002 — 02/2013)

Logo de início, é possível observar que uma aceleração no M2 — a qual ocorre sempre que a linha do M2 se torna mais inclinada em relação ao ano anterior — é preponderante em determinar a variação do IPCA.  Mas o efeito de uma forte alteração na taxa de câmbio não pode ser ignorado.

Além do já citado exemplo de 2003 — quando o M2 ficou parado, mas o câmbio havia se desvalorizado —, são notáveis também os exemplos de 2005 e 2006.  O M2 cresceu moderadamente nestes 2 anos (não houve nenhuma aceleração no crescimento, dado que a inclinação da linha não se altera), e a taxa de câmbio se valorizou continuamente.  Como consequência, o IPCA acumulado em 12 meses caiu de 8% para 3% (e a SELIC também caiu continuamente, como mostra o gráfico 2).

Já em 2007, embora a taxa de câmbio continuasse caindo, o M2 apresenta uma ligeira aceleração, o que altera o IPCA de 3% para 4,5%.  Em 2008, a coisa degringola: o M2 dispara ao longo do ano, e o câmbio se desvaloriza fortemente nos quatro últimos meses.  O IPCA atinge picos de 6,5%.

Em 2009, há a súbita interrupção no crescimento do M2.  A taxa de câmbio se aprecia.  O IPCA chega a um mínimo de 4,17% naquele ano (ano em que a SELIC apresentou o menor valor de sua história até então). 

Em 2010, a variação cambial é relativamente pequena, mas o M2 apresenta uma aceleração vertiginosa.  O IPCA sai de 4,17% para quase 6%. 

Em 2011, o M2 continua em forte expansão, e o IPCA atinge um pico de 7,31% em setembro, muito embora o câmbio tenha chegado à sua menor cotação (R$1,54 em julho) desde 2008.  E com um detalhe adicional: a SELIC já havia subido de 8,75% para 12,50%, mostrando-se totalmente ineficaz para controlar a escalada da inflação de preços.

Em 2012, há uma desaceleração substantiva do M2, mas tal desaceleração — que deveria ajudar a conter a inflação de preços — é contrabalançada pela desvalorização do câmbio, de R$1,70 no início de 2012 para um pico de R$ 2,11 em dezembro daquele ano. 

É neste ponto em que estamos atualmente. 

Primeira conclusão: a variação da oferta monetária é o fator preponderante para a inflação de preços.  Se a oferta monetária estiver apresentando aceleração (a linha estiver mais inclinada em relação ao ano anterior), os preços subirão. 

E um aumento da SELIC nesta situação — algo que inevitavelmente ocorrerá, por causa da maior demanda no mercado interbancário —, não necessariamente significará uma política contracionista do Banco Central, e pelo seguinte motivo: para realmente conter uma expansão monetária que está em aceleração, o Banco Central tem de interromper por completo suas injeções no mercado interbancário.  Isso faria com que os juros deste mercado — a SELIC — disparassem.  Porém, ao continuar injetando dinheiro, o Banco Central evita esta disparada dos juros, e acaba por acomodar a expansão monetária.  Isso ocorreu em 2008, 2010 e 2011.

Segunda conclusão: apenas uma redução da expansão monetária não é garantia de redução da inflação de preços.  É preciso que o câmbio também se aprecie.  Caso isso não ocorra, pode haver uma estagflação (de certa forma, estamos atualmente neste cenário).

Terceira conclusão: uma SELIC em queda não necessariamente significa aceleração da expansão monetária.  A SELIC pode estar caindo porque, além de o Banco Central estar injetando dinheiro no mercado interbancário, os bancos estão reduzindo seus empréstimos, o que faz com que a atividade no interbancário seja menor.  E como são os bancos que jogam dinheiro na economia, são eles que, em última instância, definem a intensidade da expansão monetária, à revelia do Banco Central.

E agora?

Observe que, de janeiro de 2008 a janeiro de 2013, a quantidade de dinheiro na economia mais do que duplicou.  Isso permite uma explicação para vários fenômenos. 

Por exemplo, o baixo desemprego.  Essa duplicação da quantidade de dinheiro na economia estimulou o aumento do emprego, pois a maior quantidade de dinheiro reduz o custo real dos encargos sociais e trabalhistas — ao menos temporariamente, enquanto os preços e custos estiverem crescendo bem abaixo da inflação monetária.  Se a quantidade de dinheiro aumenta bem mais do que o aumento de preços, o volume de gastos tende a aumentar, o que significa que o desemprego tende a cair.

Outro fenômeno também explicado por essa duplicação na quantidade de dinheiro é o contínuo aumento do salário mínimo sem o subsequente aumento do desemprego.  Um comparativo entre a evolução do salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia.  A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por uma conjunção de circunstâncias, a oferta monetária crescer muito e os preços crescerem bem menos, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.

No momento, como dito, o M2 está em clara tendência de desaceleração.  Após ter crescido 18,7% em 2011, cresceu apenas 9% em 2012.  Essa redução na sua taxa de crescimento foi suficiente para derrubar o PIB, mas, por causa da desvalorização cambial (o dólar foi de R$1,70 para R$2,11) e de todo esse robusto crescimento do M2 desde 2008, a inflação de preços praticamente não foi afetada.  Dado que há uma defasagem entre expansão monetária e aumento dos preços, ainda há "gordura" para os preços subirem, mesmo que o M2 porventura mantenha a atual tendência de desaceleração.

A conclusão, por ora, é que toda a propaganda governamental sobre "forçar" os bancos a conceder mais empréstimos felizmente não surtiu o efeito esperado.  Sim, a carteira de empréstimos continuou se expandindo, mas a um ritmo mais contido, principalmente nos bancos privados, que aumentaram suas carteiras em apenas 7,4% nos últimos 12 meses.  O principal risco, como sempre, vem dos bancos públicos, que aumentaram suas carteiras em 28,9% neste mesmo período.

Bancos privados não são bobos.  Eles sabem que emprestar dinheiro para uma população cujo endividamento está em níveis recordes nunca é uma boa política.  É mais sensato e prudente expandir sua carteira de empréstimos de forma comedida, selecionando bem as pessoas para quem conceder empréstimo, a sair desvairadamente emprestando para qualquer um, como quer o governo.  Sofrer calotes não é algo que nenhum banco privado quer vivenciar, especialmente no mundo pós-2008.

Se os bancos privados mantiverem esta prudência e este comedimento, e os bancos públicos não desvairarem, não há por que esperar que haja grandes elevações na SELIC.

Aliás, na atual situação, dado que a expansão monetária está em desaceleração — o que significa uma menor atividade no interbancário, e consequentemente uma SELIC baixa —, um aumento na SELIC seria algo inédito.  Ainda não vivenciamos uma situação em que a SELIC foi elevada quando o M2 já estava em perceptível desaceleração e o PIB estava perto de zero.  Para isso acontecer, o Banco Central teria de reduzir sobremaneira suas injeções monetárias no mercado interbancário, ou até mesmo retirar reservas do sistema bancário.  Isso seria bastante atípico.

O Banco Central tem sim o poder de elevar a SELIC quando quiser e até o nível que quiser.  Basta ele anunciar que estará vendendo títulos do Tesouro a preços menores que seus valores atuais.  Quanto mais baixos os preços a que ele estiver vendendo (e ele pode reduzir o preço o tanto que quiser), maiores serão os juros, maior será a quantidade de dinheiro que os bancos direcionarão para a compra destes títulos e consequentemente maior será o volume de reservas retiradas dos bancos, o que afetaria diretamente a expansão do crédito.  Mas tal medida é politicamente inviável — ela afetaria todo o leilão de venda de títulos do Tesouro, que agora conseguiria apenas um valor muito pequeno por leilão, dado que todos os investidores prefeririam comprar mais barato do Banco Central.  Consequentemente, o governo teria enormes dificuldades em financiar seus déficits e em rolar sua dívida. Impensável.

Caso o Banco Central opte por deixar tudo como está, que é o que ele vem fazendo já há algum tempo, a única maneira de a inflação de preços cair é se os bancos voluntariamente decidirem conter seus empréstimos — o que também significa que o governo tem de reduzir seus déficits orçamentários — e o dólar se desvalorizar perante o real.

Eis, portanto, o resumo da situação: por causa de um Banco Central totalmente inoperante e submisso ao governo, temos de ficar na torcida para que os bancos, contra seus próprios interesses lucrativos e contra os interesses do governo, se contenham e evitem a expansão de sua carteira de crédito.  E temos de fazer figa para que aquele aloprado que está no comando da Fazenda demonstre algum bom senso e equilibre o orçamento.  E temos de esperar alguma manifestação sobrenatural que faça com que os desenvolvimentistas que ocupam Brasília fiquem repentinamente sãos, abandonem a histeria e permitam uma eventual apreciação do câmbio. 

Ou seja, quando foi que você imaginou que chegaria o dia em que o preço do seu almoço seria totalmente dependente do bom senso e da frugalidade de banqueiros?  


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


118 comentários
118 comentários
Luciano A. 15/04/2013 12:01:35

Artigo muito bom,

mas fiquei com uma dúvida sobre a taxa de câmbio. Eu achava que quando a expansão monetária ocorria o real se desvalorizava e a taxa de câmbio de depreciava e vice-versa. Mas parece que não funciona necessariamente dessa forma.

Poderia me explicar essa questão?

Responder
Leandro 15/04/2013 13:49:57

Luciano, o que determina a taxa de câmbio (poder de compra) de uma moeda não é apenas a sua oferta, mas também a demanda por esta moeda. A demanda por moeda pode ser entendida como 'a procura por moeda para se realizar transações econômicas'. Sendo assim, quanto maior o crescimento de uma economia, maior tende a ser a demanda por sua moeda.

Ou seja: a demanda por uma moeda tende a ser proporcional ao crescimento da economia do país. Se o país está em rápido crescimento econômico, (como o Brasil em 2007, primeira metade de 2008, em 2010, e primeira metade de 2011), a demanda por reais aumenta bastante. Isso influencia a taxa de câmbio e tende a apreciá-la, mesmo que a oferta monetária esteja crescendo.

Há uma seção inteira neste artigo voltada para este ponto. Grande abraço!

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1441

Responder
Carlos Goes 11/07/2013 00:26:54

Leandro,

Uma coisa e' o contrario do que vc diz. A desvalorizacao cambial e' causada pela inflacao, nao o contrario. Quando ha' expectativa de ou efetivo aumento de precos, o cambio se ajusta. O cambio reflete, tambem, o preco relativo das distintas moedas. Quando uma moeda e' mais inflacionada relativamente a outra, e' natural que ela se deprecie nominalmente. Caso contrario, ela estaria demasiadamente apreciada em termos reais (que e' o que ocorre com o Brasil agora).

Responder
Leandro 11/07/2013 00:57:20

Prezado Carlos, que a inflação monetária afete a taxa de câmbio -- e que a taxa de câmbio seja, no longo prazo, definida pelo poder de compra da moeda -- é algo inquestionável. Aliás, tenho um extenso artigo sobre isso, explicando exatamente por que é assim.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087

Porém, como sempre, há um diabo nos detalhes. Além da questão da oferta e demanda citada acima -- que explica a valorização cambial que inevitavelmente ocorre quando o PIB está crescendo (observe esta correlação para o Brasil), há outro ponto:

Quando uma economia ainda em desenvolvimento -- como a brasileira -- adota uma taxa de câmbio flutuante, sua moeda estará diariamente sujeita aos humores dos especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders que atuam no mercado financeiro. Se eles perderem a confiança no governo, a taxa de câmbio poderá se desvalorizar acentuadamente, e permanecer assim por um bom tempo. É isso que está acontecendo no Brasil atual: a inflação monetária não está mais crescendo em níveis acentuados -- na verdade, está bem contida, o que está gerando uma sensação de aperto financeiro, pois os preços seguem subindo --, mas a taxa de câmbio segue se desvalorizando, por causa da atuação de especuladores, dos investidores internacionais e de todos os traders.

Repito: em um cenário de inflação monetária relativamente baixa, o câmbio pulou de R$1,54 para quase R$2,30, o que vem alimentou a inflação de preços atual.

É por isso que há grandes economistas -- como Steve Hanke -- que defendem Currency Boards para economias em desenvolvimento. Segundo eles, deixar a moeda de um país ainda em desenvolvimento flutuar de acordo com a percepção que os agentes externos têm em relação à solidez do governo nacional é loucura.

Abraços!

Responder
Vinicius Costa 15/04/2013 12:07:41

Excelente! Com essa conclusão, já dá pra imaginar o resultado dos próximos meses.

Lendo o texto, fiquei com uma dúvida: podemos encarar o juros como um produto qualquer, ligado a oferta e demanda ou ele tem algumas características que o diferenciam?

Responder
Leandro 15/04/2013 14:00:25

Vinícius, este artigo detalha de forma concisa porém completa os três principais componentes dos juros:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1538

Responder
pensador consciente 15/04/2013 12:29:07

Leandro,se a economia norte-americana é a locomotiva do mundo contemporâneo,sua respectiva estagnação econômica pode gerar uma crise econômica mundial,mas o crescimento chinês aliviaria essa crise ou uma coisa não tem nada a ver com a outra?
Pois a impressão que tenho é que o caso argentino onde era uma potência no começo do século XX e hoje é uma economia decadente numca acontecerá no caso americano haja vista a cultura americana ser por parte da população anti-estado,afinal menos da metade do eleitorado americano vota,dai minha tese de que mesmo com o intervencionismo de obama et all a população americana resiste a esta dependência estatal estéril.

Responder
Thames 15/04/2013 15:15:55

Creio que seja mais ou menos por aí. Mas uma estagnação nos EUA deveria levar a uma redução nos preços das commodities e de outros produtos que eles importam, o que significa que haveria mais oferta destes mesmos produtos para outros países. Se as outras economias souberem ajustar preços, salários e a oferta monetária, e entenderem que uma bonança não dura para sempre e que momentos de austeridade são necessários, não há motivos para se pensar em crise econômica mundial.

Agora, se nada disso for seguido, aí realmente a coisa se torna inevitável.

Responder
evandro 15/04/2013 12:38:13

O que impede um aumento da aceleração do m2 por 10, 20 ,30 anos?
Voce disse... ''Se a quantidade de dinheiro aumenta bem mais do que o aumento de preços, o volume de gastos tende a aumentar, o que significa que o desemprego tende a cair. Outro fenômeno também explicado por essa duplicação na quantidade de dinheiro é o contínuo aumento do salário mínimo sem o subsequente aumento do desemprego. Um comparativo entre a evolução salário mínimo e a evolução do emprego estará totalmente incompleto se você não levar em conta a evolução da quantidade de dinheiro na economia. A análise que diz que aumento do salário mínimo gera desemprego pressupõe uma oferta monetária razoavelmente constante. Porém, se por uma conjunção de circunstâncias, a oferta monetária crescer muito e os preços crescerem bem menos, não há nenhum motivo para um aumento do salário mínimo gerar desemprego.''...

VOLTANDO... por que este arranjo seria ''deletério'' a longo prazo? Seria por que em algum ponto os preços aumentariam ''involuntariamente'' mais do que a expansão do m2? Grato se puder responder, quero tentar ''fechar'' alguns ''buracos'' no conceito que talvez por falta de conhecimento eu ainda tenha...

Responder
Leandro 15/04/2013 13:11:32

Um "aumento da aceleração do M2 por 10, 20 ou 30 anos" levaria à hiperinflação e à total destruição da moeda. Isso foi o que ocorreu na década 1980 e primeira metade de 1990 no Brasil. A moeda vira pó.

E a sua conclusão final também está correta: chegaria um ponto em que, justamente por perceberem que tal processo não terá fim, as pessoas passarão a fazer de tudo para se livrar da moeda (o que reduzirá a demanda por moeda a zero), e a inflação de preços passará a crescer bem mais rapidamente do que a inflação monetária.

Responder
Fausto 15/04/2013 13:08:28

Desculpe, mas não fecha com a lei da oferta e procura a afirmação que a diminuição da atividade econômica dos bancos baixa juros. Pra mim é o contrario: menos dinheiro, juros mais altos...

Responder
Leandro 15/04/2013 13:22:10

Onde entra o "menos dinheiro" neste seu raciocínio? O mercado interbancário está com mais dinheiro disponível

Responder
Caio- SP 15/04/2013 13:10:43

O final do artigo seria mais engraçado se não fosse verdade.

" ficar na torcida..."
" fazer figa..."
" esperar alguma manifestação sobrenatural.."

Vamo que tá facil.

Responder
Vicente Jr. 15/04/2013 13:14:45

Ótima análise, bem reveladora. Não há razões objetivas para o aumento da SELIC nesse momento.

Uma indagação ao Leandro Roque. A expansão monetária reduz o custo real dos encargos trabalhistas, e por consequência, estimula a queda do desemprego. O texto mostrou que em 2012 a velocidade dessa expansão foi menor que em 2011. A tendência, então, é que a taxa de desemprego volte a subir lentamente em 2013. Será que dona Dilma vai deixar isso acontecer?

Responder
Leandro 15/04/2013 13:27:30

As várias desonerações -- que funcionam pontualmente como uma redução de custos -- tendem a adiar este ajuste. Mas ele terá de chegar.

Sobre a SELIC aumentar, vale enfatizar que, na atual situação, em que a expansão monetária está em notável desaceleração e os bancos estão mais comedidos, uma elevação na SELIC de fato configuraria uma medida anti-inflacionária, pois representaria menos liquidez no mercado interbancário e, consequentemente, mais restrições à expansão monetária.

Responder
Andre Cavalcante 15/04/2013 14:03:57

Justamente,

Os analistas de todos os cantos preveem que a SELIC deve aumentar... (ao menos o BC vai dizer que vai aumentar). Agora, como é possível ao BC aumentar a SELIC quando os bancos estão comedidos? Isso sem mexer nas contas do governo, algo impensável.

Responder
Leandro 15/04/2013 14:14:22

Sempre lembrando que, caso o improvável ocorra e a SELIC seja elevada nesta quarta-feira, é preciso ter em mente que a SELIC é apenas uma meta para a taxa de juros que o governo tenta manter. No momento, esta meta é de 7,25%, mas o CDI está em 7,01%, uma discrepância historicamente alta.

Caso o BACEN afirme nesta quarta-feira que a nova meta da SELIC é de 7,50%, o importante será notar o comportamento do CDI. Se o CDI subir, então ele o BACEN de fato terá adotado uma postura bem restritiva. Seria algo até então inédito.

Responder
myself 15/04/2013 13:30:00

Entro no site do Mises Brasil todos os dias, mas leio apenas os artigos sobre economia brasileira. Já li outros artigos no passado, mas não sou anarcocapitalista e não me identifico com várias ideias contidas neles. De qualquer forma o autor está novamente de parabéns.

Agora a pergunta: O gráfico de evolução do M2 apresentado, de 2002 à 2013, não apresenta nenhum momento de contração do M2. No máximo uma estagnaçã em 2003. Uma contração do M2 seria inédito no Brasil? Se já houve antes, quando ocorreu em nossa história? Se uma contração for a única forma de conter a inflação neste momento, ela necessariamente traria uma recessão severa?

Responder
Leandro 15/04/2013 13:39:27

Contração não é a única forma -- e nem a correta -- de se combater a inflação de preços. Uma simples estabilização já basta. Ou até mesmo uma substancial desaceleração. No Brasil, nunca houve contração do M2. Na Europa, isso está ocorrendo em Portugal, na Espanha, na Grécia, na Irlanda. Veja os gráficos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514

Responder
Lopes 15/04/2013 13:40:10

Excelente artigo novamente, Leandro. Um tanto preocupante e até desesperador no que concerne as relações diretas e funcionais entre o BACEN, sua SELIC, os bancos, a expansão do M2, a inflação e o preço de todos os bens que necessitamos.

Responder
Gilberto 15/04/2013 16:22:11

Excelente como sempre. É provável uma recessão até 2014?

Responder
Angelo T. 15/04/2013 17:03:16

Bom texto como sempre, Leandro!

Responder
Leandro 15/04/2013 17:35:04

Obrigado, Gilberto, Ângelo e Lopes.

Gilberto, recessão propriamente dita ocorrerá se a oferta monetária se estabilizar (ou crescer pouco) e os preços continuarem subindo. Isso tende a gerar uma redução no nivel de gastos.

No entanto, vale lembrar que a economia já se encontra estagnada. A inadimplência segue crescente, os pedidos de falência subiram e até mesmo as vendas no varejo estão recuando.

Abraços!

Responder
Melanie Schwartz 15/04/2013 18:09:50

Excelente artigo, como sempre, Leandro. Leitura muito elucidativa a respeito desse tão popular dilema do aumento da taxa SELIC.

Responder
Leandro 15/04/2013 18:51:47

Obrigado, Melanie. Bom ver que você está saindo das trevas (a julgar por este seu site)...

Abraço!

Responder
Bruno D 15/04/2013 23:54:10

EU não se como as pessoas conseguem ler esse folhetim chamado CC..

Responder
Melanie Schwartz 16/04/2013 11:46:45

Hehehe, eu ainda não tenho opinião formada, então gosto de ler um pouco de tudo. É muito bom fazer isso para trocar ideias. Por exemplo, um dos frequentadores do IMB, chamado Giancarlo, posta bons comentários nas matérias da CartaCapital, geralmente refutando as ideias expostas nos artigos. Gosto muito de ler os debates.

Em outro assunto, eu li no livro do Mankiw sobre uma tal de Trindade Impossível. Segundo o autor, um país só pode escolher duas das três opções: política monetária independente, livre fluxo de capital e taxa de câmbio fixa. Essa teoria se aplica na prática?

Sendo que o Brasil é bastante aberto ao exterior, há como apreciar o câmbio e reduzir a quantidade de dinheiro na economia? Ou no fundo isso não se aplica, pois o Brasil não é um país aberto e o câmbio flutua dentro de certos limites?

Obrigada.

Responder
Tiago Moraes 16/04/2013 18:43:46

O Brasil não é "bastante aberto ao exterior". Nossa participação global é baixa, o Estado exerce forte controle sobre importações, companhias estrangeiras são obrigadas a compor seus produtos produzidos aqui com um alto percentual de insumos de fornecedores locais e nossas tarifas aduaneiras são, na média, 6x superiores as americanas e 2x superiores as da UE. O Brasil está, na verdade, entre as economias mais fechadas do mundo. Seguimos uma política cambial de flutuação suja, ou seja, considerando a variação das taxas de câmbio o governo atende a lobbies dos exportadores, buscando sempre uma taxa de câmbio que não onere nossas exportações na conjuntura corrente. Nós temos pesadas regulamentações sobre a entrada e circulação de capital estrangeiro, regulamentações essas que remontam ao varguismo. Enfim, o Brasil não segue nenhum dos princípios da tríade de Mankiw.

Responder
Andre Cavalcante 16/04/2013 19:08:53

"Em outro assunto, eu li no livro do Mankiw sobre uma tal de Trindade Impossível. Segundo o autor, um país só pode escolher duas das três opções: política monetária independente, livre fluxo de capital e taxa de câmbio fixa. Essa teoria se aplica na prática?"

Se o país não aplicasse nenhuma política monetária, a quantidade da sua moeda se estabilizaria e apreciaria até o nível da produtividade de sua economia (agricultura, indústria e serviço); aí então o câmbio ficaria relativamente fixo, exceto pelo aumento da produtividade. Mas, pelo jeito o que o cara deve estar querendo dizer é sobre o funcionamento de um Currency Board, o que o Leandro já comentou em vários artigos do site.

"Sendo que o Brasil é bastante aberto ao exterior, há como apreciar o câmbio e reduzir a quantidade de dinheiro na economia? Ou no fundo isso não se aplica, pois o Brasil não é um país aberto e o câmbio flutua dentro de certos limites?"

O Brasil é aberto ao exterior? Como? Um carro europeu só pode ser importado se for zero. Usado não entra de jeito nenhum (apenas como peça de colecionador e a burocracia para provar isso é um inferno). E mesmo o novo tem que pagar algo como 70% do valor em impostos. Idem para produtos eletro-eletrônicos em geral. Você chama isso aberto?

Ao contrário, o Brasil, por ser fechado, é mais suscetível à inflação de preços porque o BACEN e os bancos vivem enchendo a economia de reais (desnecessários). O real só valorizaria em relação ao dólar em duas condições: diminuir a quantidade de reais (ou ao menos parar de emitir nova moeda) na economia; e, aumento grande na produtividade. Este segundo item, que é o modo ideal, só é possível no atual arranjo no reino das probabilidades...

Responder
Melanie Schwartz 17/04/2013 12:03:06

Tiago Moraes e Andre Cavalcante, muito obrigada pelas resposta. Foram bastante esclarecedoras. =)

Responder
IRCR 15/04/2013 18:39:15

Leandro
Para combater a inflação também não seria necessario mais investimento em infraestrutura como logistica e energia para redução de custos e aumento da produtividade para que a oferta se alinhe a demanda ?
E logicamente para que houvesse tais investimentos não seria necessario a diminuição do tamanho do estado na realocação de recursos para essas areas que são extremamente sucateadas no Brasil ?
E por ultimo a abertura da economia para importação para aumentar a competitividade com a industria nacional sendo que ela tb já está sucateada e saturada sendo mais voltada para exportação.

Responder
Leandro 15/04/2013 18:54:06

Todas essas medidas ajudariam muito, IRCR. Mas nunca foram feitas. E não há por que crer que repentinamente toda uma infraestrutura suíça surgirá no Brasil. A única maneira de isso acontecer seria se o governo permitisse irrestritamente a vinda dos gringos para cá, garantindo a eles a liberdade de empreender onde quisessem e de cobrar o preço que quisessem. Alemães, suíços e cingapurianos não são nada dispensáveis quando o quesito é estradas, portos, aeroportos e ferrovias. Mas o governo nunca quis permitir isso. Já era.

Quanto a protecionismo (clique e leia nosso material), somos totalmente favoráveis à abolição total e irrestrita de todas as tarifas de importação. Mas o governo não é. Nem preciso repetir o que pensamos sobre diminuição do tamanho do estado.

Logo, dado que tudo isso está fora do lugar, e que não há a mais mínima perspectiva de que tais coisas serão atacadas tão cedo, sobra exclusivamente para a política monetária fazer todo o serviço.

Responder
Luiz Otávio Fontana Baldin 15/04/2013 19:54:29

Parabéns, Leandro. Ótimo texto.


Responder
Andre 15/04/2013 20:30:39

Excelente artigo!
Pena que a realidade averiguada seja tão desanimadora.

Abs

Responder
Rafael 15/04/2013 22:48:41

Por acaso o Instituto Mises Brasil seria a Casa dos Falcões?

Responder
Leandro 16/04/2013 02:57:48

Obrigado, Getulio. Grande abraço!

Responder
Leandro 16/04/2013 03:01:10

Uma ave invejável. Daria uma mascote perfeita.

Responder
Leandro 15/04/2013 22:49:38

André e Luiz, obrigado pelas palavras. Abraços!

Responder
Getulio Malveira 16/04/2013 00:20:55

Excelente análise. De quebra finalmente entendi o que é a tal da SELIC.

Grande trabalho, Leandro!!

Responder
anônimo 16/04/2013 00:43:42

Mudando e assunto. Vamos falar de algo que ocorre hoje nos EUA.

Hoje, explosões deixaram 2 mortos em mortos em Boston.

Tem algum texto libertário (em português ou estrangeiro) sobre esta questão do terrorismo? Até o que eu sei, os libertário são contra a solução militar. Então qual a solução libertária para o problema do terrorismo?

Responder
Eduardo Bellani 16/04/2013 01:21:09

Procure por Robert Higgs.

Responder
Guilherme 16/04/2013 02:30:05

Leandro, primeiramente parabéns pelo texto. Mas eu fiquei com algumas dúvidas.
Você comenta no texto que são os bancos que decidem a expansão monetária a revelia do bc. Se o bc parar de comprar titulos dos bancos e assim parar de injetar dinheiro na economia, não chegaria um momento que seria impossível a expansão monetária? Ou seja, a expansão e sua intesidade só ocorre por causa do bc de acordo com a intesidade que compra ( ou venda) títulos dos bancos?
Outro ponto, em artigos anteriores vc mencionava a relação dos juros altos com os gastos do governo, não poderia ser essa a causa de um possível aumento na selic nesta quarta? Os gastos estão crescendo cada vez mais e a arrecadação diminuindo, isso não forçaria um aumento nos juros para q o governo consiga rolar suas dívidas?

Abraço!

Responder
Leandro 16/04/2013 02:59:31

"Você comenta no texto que são os bancos que decidem a expansão monetária a revelia do bc. Se o bc parar de comprar titulos dos bancos e assim parar de injetar dinheiro na economia, não chegaria um momento que seria impossível a expansão monetária? Ou seja, a expansão e sua intesidade só ocorre por causa do bc de acordo com a intesidade que compra ( ou venda) títulos dos bancos?"

Peraí, é preciso tomar cuidado com as frases. O termo "à revelia do Banco Central" foi aplicado em um contexto oposto a este seu.

O que eu disse foi: "A SELIC pode estar caindo porque, além de o Banco Central estar injetando dinheiro no mercado interbancário, os bancos estão reduzindo seus empréstimos, o que faz com que a atividade no interbancário seja menor. E como são os bancos que jogam dinheiro na economia, são eles que, em última instância, definem a intensidade da expansão monetária, à revelia do Banco Central."

Este "à revelia do Banco Central" no final de frase significa que, mesmo que o Banco Central queira que os bancos expandam o crédito, estes podem se recusar a fazê-lo. E o Banco Central nada poderá fazer quanto a isso.

Já o inverso não funciona desta maneira. Se os bancos quiserem expandir o crédito, mas o Banco Central quiser restringi-los de todas as formas, aí de fato o poder do Banco Central é maior. Além do correto exemplo que você deu (o BC parar de comprar títulos), ele também pode alterar compulsórios, por exemplo, o que refrearia bastante a expansão.

Portanto, o termo "à revelia do Banco Central" se refere apenas à situação em que o BC quer que os bancos expandam o crédito, mas os bancos estão reticentes. Neste caso, o BC nada pode fazer.


Quanto à questão dos juros altos estarem relacionados com o gasto do governo, você se refere a este artigo? Se sim, o referido artigo fala sobre por que os juros básicos são tão mais altos no Brasil em relação aos outros países. Ou seja, o enfoque era explicar por que a nossa taxa básica de juros era de uma escala muito maior do que os de outros países (os países desenvolvidos operam com juros abaixo de 1% e nós, naquela época, estávamos com 12%), algo que nada tem a ver com um eventual aumento da SELIC na próxima quarta-feira. Um possível aumento na SELIC na quarta-feira será de 0,25%, algo ínfimo. Aquele artigo falava sobre o porquê de a SELIC estar na casa dos 12%.

Por fim, vale ressaltar que, no atual arranjo monetário, gastos do governo não necessariamente geram aumento de juros, pois o Banco Central existe justamente para evitar isso. Gastos do governo geram aumento de juros em um arranjo monetário em que não há uma entidade imprimindo dinheiro à rodo -- por exemplo, uma economia sob um padrão-ouro ou sob um Currency Board.

Grande abraço!

Responder
Guilherme 17/04/2013 01:12:54

Oi Leandro,
quanto a primeira pergunta, entendido, obrigado.
Mas ainda restam duvidas auanto a segunda, se vc me permite ocupar mais um pouco seu tempo.
Se o bc pode imprimir dinheiro a rodo para bancar o governo, isso vai acabar gerando aumento da inflação e aumentar as expectativas de maiores altas no futuro, isso não faria no médio, longo prazo que o bc aumentasse os juros? Caso contrário ninguém compraria os títulos do governo. No nosso atual cenário de inflação oficial rondando os 7% e juros em 7.25% significa que os juros reais estão em torno de .25%
Com esses juros não seria melhor comprar titulos suiços ou alemães ? Ainda nessa linha, aumentar 0.25% poderia ser um início para chegar a um patamar maior?

Abraço e obrigado pela paciência!

Responder
Leandro 17/04/2013 13:48:36

"Se o bc pode imprimir dinheiro a rodo para bancar o governo,"

Essa generalização não é correta. Primeiro porque, no arranjo atual, o BC é proibido por lei (nos países sérios, é claro) de comprar diretamente títulos do Tesouro. O BC pode apenas comprar títulos do Tesouro que estejam em posse do sistema bancário.

É claro que tal arranjo é apenas uma forma indireta de financiamento do governo via inflação, dado que os bancos irão comprar títulos do Tesouro justamente porque sabem que poderão revendê-los ao BC. Mas não é tecnicamente correto sair dizendo que o BC "pode imprimir dinheiro a rodo para bancar o governo".

Uma discussão sobre este assunto está ocorrendo na seção de comentários deste artigo. Veja lá.


"isso vai acabar gerando aumento da inflação e aumentar as expectativas de maiores altas no futuro, isso não faria no médio, longo prazo que o bc aumentasse os juros?"

Os juros aumentarão naturalmente. Os bancos, ao perceberem que há uma tendência de alta nos preços, serão os primeiros a aumentar os juros dos seus empréstimos. Se não o fizerem, receberão como quitação da dívida uma moeda cujo poder de compra é menor do que era quando concedeu o empréstimo. O BC, neste caso, apenas permitirá os juros subirem.

"Caso contrário ninguém compraria os títulos do governo. No nosso atual cenário de inflação oficial rondando os 7% e juros em 7.25% significa que os juros reais estão em torno de .25%. Com esses juros não seria melhor comprar titulos suiços ou alemães ? Ainda nessa linha, aumentar 0.25% poderia ser um início para chegar a um patamar maior?"

Nos EUA, os juros são de 0,25% ao ano, e a inflação de preços é de 2% (na realidade é bem maior, pois o CPI americano ignora preços da alimentação e da energia). E isso não impede o governo americano de obter farto financiamento. Por quê? Porque ele pode emitir títulos de maior prazo de duração, cujos juros são maiores.

O problema, no geral, é o seguinte: aplicar em títulos do governo (que possuem BC livre para imprimir dinheiro) é considerado o investimento mais seguro disponível, pois imagina-se que não há a mínima chance de o governo dar um calote. Sendo assim, alguns governos podem se dar ao luxo de manter um juro real baixo. O Brasil, por causa de todo o cenário mundial de juros reais negativos, está agora podendo também entrar nesse esquema.

Adicionalmente, vale dizer que, para um investidor estrangeiro interessado em comprar títulos do Tesouro brasileiro, ele estará mais interessado no comportamento da taxa de câmbio do que propriamente no IPCA.

Suponha que um estrangeiro compre um título brasileiro quando o dólar está a R$2. Se ele aplicar US$10.000, ele estará investindo R$20.000. Se, após o vencimento deste título, o dólar estiver a R$1,80 (o que significa que cada real pode ser convertido em um maior número de dólares), ele não apenas auferiu juros, como também ganhou em cima do câmbio.

Já no caso de um pequeno poupador brasileiro, ele não tem muitas opções. Ou ele se contenta em investir em títulos do Tesouro ou ele fica com a poupança. Não é à toa que o governo, em maio do ano passado, diminuiu a rentabilidade da poupança: estava todo mundo saindo dos fundos de renda fixa (que aplicam em títulos do Tesouro) e migrando para a poupança, e o governo não pode se dar ao luxo de perder seus financiamentos.

Responder
IRCR 16/04/2013 03:18:09

Leandro
No caso americano que o FED liga a impressora de dinheiro constatemente pq geralmente a inflação lá é relativamente baixa ?
Seria pq boa parte desse dinheiro é jogado na economia internacional ? por ganhos de produtividade devido sua infraestrutura ? pelo governo optar pelo endividamento interno ? algo com o triangulo de hayek ?
No caso de Singapura por se tratar de economia desenvolvida nos ultimos anos o PIB caiu bastante e a inflação apertou muito (+4%aa) oq se deve tal "estagflação" ?
E no caso do Panama por não ter um BC nos ultimos anos a inflação está bem puxada em torno de 5%aa

Responder
Leandro 16/04/2013 03:39:04

O Fed imprime dinheiro, mas isso não quer dizer que os bancos joguem todo esse dinheiro na economia. E mesmo que jogassem, ainda seria necessário ver o quanto eles retiram da economia. O gráfico abaixo mostra a evolução do crédito concedido ao setor privado nos EUA (ou seja, mostra o total de dinheiro que foi criado via empréstimos). Está no mesmo nível de 2008.

www.tradingeconomics.com/charts/united-states-loans-to-private-sector.png?s=unitedstaloatoprisec&d1=20020101&d2=20130430

Sobre Cingapura, desconheço isso de PIB "caiu bastante". O que houve foi um boom em 2010 e 2011. Qualquer PIB depois de tamanha expansão será necessariamente pequeno. Não há nada ali que configure estagflação. Pelo menos por enquanto. Veja o gráfico.

www.tradingeconomics.com/charts/singapore-gdp-growth-annual.png?s=sgdpyoy&d1=20070101&d2=20130430

Sobre o Panamá, pelo que vi, a inflação lá está em 4%. Dado que o país utiliza o dólar, a inflação de preços estará totalmente ao sabor do saldo entre entrada e saída desta moeda.

Responder
Pedro Bolson 16/04/2013 11:19:45

Leandro,

Primeiramente, parabéns pelo artigo.

Tenho algumas dúvidas. Em parte você já respondeu para alguns leitores, mas vou tomar a liberdade de estruturar melhor o raciocínio e tentar clarificar meu questionamento.

O FED (apenas para citar um banco central específico, o BCE também se encaixa neste contexto) expandiu a níveis inauditos o seu balanço, porém este dinheiro não fluiu para a economia real e ficou nas reservas bancárias - conforme já explicado nos artigos do site, os bancos estão relutantes em fazer circular este dinheiro.

Neste contexto, se analisarmos o período de 2000 a 2011, o M1 brasileiro cresceu muito mais que o M1 americano.

Ainda, um cenário de apreciação do real gerou preocupação do governo federal. Vimos Dilma e Mantega falar de "guerra cambial" e "tsunami monetário" - o governo elevou IOF para desistimular a entrega de capital externo e etc.

Então, como podemos correlacionar estes três eventos? Aumento do balancete do FED e dinheiro que não fluiu para economia. Aumento maior de M1 no Brasil em relação ao EUA. Preocupação do governo brasileiro com um cambio apreciado devido a "guerra cambial" e o "tsunami monetário".

Espero que tenha ficado claro. Desde já, obrigado pela resposta.

Abraço.

Responder
Leandro 16/04/2013 13:00:38

Pedro, dentre todos os agregados monetários americanos, o M1 representa uma fatia ínfima do total de dinheiro na economia. Há várias modalidades de dinheiro que são tão líquidas quanto uma conta-corrente e que não são contabilizadas pelo M1.

Recomendo este mensurador, que é o mais acurado. Veja que não houve nada de ínfimo no crescimento da oferta monetária americana:

research.stlouisfed.org/fredgraph.png?g=hzx

Responder
Pedro Bolson 16/04/2013 13:28:18

Interessante. Realmente neste caso percebe-se um crescimento significativo.

Há algum indicador brasileiro que se assemelhe ao MZM (M2 less small-denomination time deposits plus institutional money funds) para correlacionarmos?

Responder
Leandro 16/04/2013 13:44:59

Pedro, o MZM ainda não é o mensurador ideal porque ele inclui esses fundos mútuos -- que não são exatamente dinheiro --, e exclui depósitos a prazo, os quais, embora não tenham liquidez imediata, são indicadores de quão intensa está sendo a expansão monetária (e, logo, a postura dos bancos).

No site do Fed, é possível você pegar as (inúmeras) variáveis monetárias que quiser e montar um gráfico com elas. Mas tal empreendimento ainda não me apeteceu.

Por último, um bom agregado era o True Money Supply, montado pelo Joseph Salerno, do Mises Institute. Esse agregado mensurava a real quantidade de dinheiro genuinamente líquido na economia. Infelizmente, ele foi descontinuado. Mas era excelente em termos de previsão.

mises.org/content/nofed/chart.aspx?series=TMS

No Brasil, por enquanto, fique com o M2. Ele serve bem.

Abraço!

Responder
Pedro Bolson 16/04/2013 16:56:36

Uma pena o TMS ter sido descontinuado. Seria útil para fazer uma análise em comparação com o M2 brasileiro.

Quanto aos meu outros apontamentos no primeiro comentário, há uma correlação que podemos estabelecer entre os eventos descritos acima?

Obrigado.

Responder
Leandro 16/04/2013 17:49:00

"Então, como podemos correlacionar estes três eventos? Aumento do balancete do FED e dinheiro que não fluiu para economia. Aumento maior de M1 no Brasil em relação ao EUA. Preocupação do governo brasileiro com um cambio apreciado devido a "guerra cambial" e o "tsunami monetário".

O segundo evento é irrelevante, dado que o M1 brasileiro é ínfimo e o M1 americano é completamente subestimado (em suma, eles não são indicadores de nada). O terceiro evento é consequência do primeiro -- mais especificamente, do dinheiro que de fato entrou na economia.

Responder
Flávio Oliveira 16/04/2013 13:25:01

Tudo o que eu desejo é que a bolha imobiliária brasileira estoure logo, para eu comprar meu apartamento. Os preços ainda estão pela hora da morte.

Responder
TL 16/04/2013 13:36:40

Leandro, parabéns pela publicação. Trabalho excelente e muito didático.

Aproveito a oportunidade para consultar uma análise sua sobre M1 e M2, especificamente no Brasil.

Nas suas publicações anteriores, você sempre utilizava o M1 para analisar a inflação. Não posso precisar quando, mas por motivos de mudanças nas regras do BACEN, parece que o M1 não mais compreende todo o dinheiro disponível à vista. Se minha memória não falha, a inflação é melhor analisada quando se sabe o total de dinheiro disponível à vista (dinheiro que pode ser resgatado imediatamente).

Por exemplo, num comentário seu em outro artigo, você disse que sua conta corrente foi transformada em conta de renda fixa com resgaste automático. Funciona igual aos depósitos em conta corrente, entretanto rende juros.

O meu caso é idêntico ao seu, a minha conta corrente foi compulsoriamente transformada em Renda Fixa com resgate automático [Banco do Brasil]. Para o correntista, funciona de forma similar a conta corrente.

Acredito, que contas de renda fixa/variável com resgate automático não sejam contabilizadas no M1, mas sim no M2. Por isso, pressuponho sua preferência pelo M2 nesse artigo, apesar dele também contabilizar depósitos a prazo.

São realmente esses os motivos de você utilizar o M2 ao invés do M1?

Leandro, continue com as boas publicações!

Responder
Leandro 16/04/2013 14:02:59

Caro TL, você diagnosticou corretamente o atual problema com o M1.

A ideia é a seguinte:

Se o M2 está aumentando, então não tem conversa: os depósitos bancários estão aumentando.

Se o M2 está parado, mas o M1 está aumentando, então está havendo uma transferência da contas para depósitos em conta-corrente. Isso pode ser um indicador de que as pessoas estão propensas a gastar mais, o que pode estimular a inflação de preços no curto prazo. (Obviamente, este fenômeno não pode ser duradouro -- não dá pra ficar transferindo dinheiro de uma conta para outra eternamente; chegará um ponto em que isso acabará.)

O M1 era um bom indicador até 2008. De 2004 a 2008, o compulsório de todos os depósitos bancários se manteve constante. Aí, em outubro de 2008, por causa da crise, o BACEN fez alterações. E fez de novo em 2009. E fez mais duas em 2010. E mais duas em 2011. E mais umas 6 em 2012. Aí avacalhou tudo. A cada alteração de compulsório, os bancos ficavam fazendo transferências de contas para escapar das novas taxas.

Como você corretamente disse, eu mesmo fui vítima disso no meu banco. Sem nenhuma autorização minha, jogaram meu dinheiro que estava na poupança para uma aplicação a prazo que não rendia quase nada -- tudo para escapar de compulsório. Sorte que eu acompanho meu estrato e vi o golpe a tempo.

Por tudo isso, o M1 hoje, para mim, é secundário.


Sobre renda fixa, ela está no M3, assim como fundos de curto prazo e referenciado DI. Nestas aplicações, seu dinheiro é aplicado em títulos do governo, e quase sempre este dinheiro é utilizado no mercado interbancário -- ou seja, ele não vai diretamente para economia.

O que é importante ter em mente é que, todo o dinheiro que genuinamente entrou na economia real e está circulando, está ou na forma de cédulas e moedas metálicas ou está na forma de dígitos em alguma conta bancária (seja conta-corrente, poupança, ou depósitos a prazo). Não há outra forma de o dinheiro estar na economia real se não nestas maneiras. Se o dinheiro não está na economia real, então ele está em aplicações interfinanceiras (de banco para banco), fora da economia propriamente dita. Estas aplicações interfinanceiras são contabilizadas no M3 (e são extremamente volumosas, mas não afetam os preços da economia real).

O M2 é o M1 mais depósitos a prazo (CDB, RDB e outros depósitos de liquidez relativamente alta); por ora, ele é o melhor mensurador que há para saber como os bancos estão se portando em relação à concessão de crédito para a economia real.

Abraços e obrigado pelas palavras!

Responder
Anonimo 16/04/2013 18:58:43

Leandro, estou com algumas dúvidas.

1 - Se o BC continuar comprando títulos do governo dos bancos(injetando dinheiro), mas esses bancos não concederem mais "tantos" empréstimos às pessoas, a inflação será "controlada", visto que não entrará mais "tanto" dinheiro na economia, e a taxa selic continuárá mais ou menos no mesmo nível, pois o mercado interbancário não será tanto utilizado.

Nessa primeira análise, concluo que não será muito bom pro governo brasileiro, pois o "PIB" diminuirá ainda mais.

2 - Se o BC continuar comprando títulos do governo do bancos (injetando dinheiro), e esses bancos continuarem a conceder empréstimos às pessoas, a inflação aumentará, e caso o governo não continue comprando títulos do governo dos bancos, a taxa selic aumentará, por outro lado se o governo continuar comprando títulos do governo dos bancos, a taxa selic contiuanará baixa.

Nessa segunda análise, concluo que foi o modelo econômico adotado pelo Brasil, porém é insustentável.

3 - Se o BC parar de comprar títulos do governo dos bancos, e os bancos prudentemente ( sem alavancar seu capital por meio das reservas fracionárias) não concederem "tantos" empréstimos, a inflação tederá a baixar, e a selic tenderá a continuar na mesma.

Nessa análise parece que a conclusão é igual a da primeira. O Brasil provavelmente não crescerá economicamente, apenas acontecerá uma realocação de recursos, povo irá achar ruim e o governo, portanto, tentará não deixar isso ocorrer.

Leandro, minha análises estão certas economicamente? Cada vez fica mais complicado esse sistema bancário, puta a merda.

Obrgiado, forte abraço.

Responder
Leandro 16/04/2013 19:09:59

"1 - Se o BC continuar comprando títulos do governo dos bancos (injetando dinheiro), mas esses bancos não concederem mais "tantos" empréstimos às pessoas, a inflação será "controlada", visto que não entrará mais "tanto" dinheiro na economia, e a taxa selic continuará mais ou menos no mesmo nível, pois o mercado interbancário não será tanto utilizado."

Neste cenário, se os bancos reduziram a concessão de empréstimos, mas o BC continuou comprando títulos dos bancos no mesmo ritmo, então a SELIC diminuirá. O mais beneficiado será o governo, que agora poderá se endividar mais e pagar menos (lembre-se que, quando o governo pega empréstimo, os bancos estão criando dinheiro).

"2 - Se o BC continuar comprando títulos do governo do bancos (injetando dinheiro), e esses bancos continuarem a conceder empréstimos às pessoas, a inflação aumentará, e caso o governo não continue comprando títulos do governo dos bancos, a taxa selic aumentará, por outro lado se o governo continuar comprando títulos do governo dos bancos, a taxa selic contiuanará baixa.

Nessa segunda análise, concluo que foi o modelo econômico adotado pelo Brasil, porém é insustentável."


Correto.

"3 - Se o BC parar de comprar títulos do governo dos bancos, e os bancos prudentemente ( sem alavancar seu capital por meio das reservas fracionárias) não concederem "tantos" empréstimos, a inflação tederá a baixar, e a selic tenderá a continuar na mesma."

Parcialmente correto. Se o BC parar completamente de comprar títulos bancários, mas os bancos continuarem emprestando (mesmo que prudentemente), a SELIC subirá (e talvez muito).

Observe que este resultado é quase que oposto ao primeiro.

Grande abraço!

Responder
Anonimo 16/04/2013 19:23:47

Mas no resumo da ópera, se o Brasil, não adotar umas medidas liberalizantes para deixar o livre mercado prosperar, a gente tá fudido, certo? Pois em todas análises só vejo o povo se fudendo. Fora que ainda tem reservas fracionários, a caixa fudendo com tudo, como o Sachsida sempre aponta.

Leandro, depois que a bolha estourar você tem que reunir todos seus artigos desde 2008 e fazer um livro. E mostrar a real culpa da merda que virá.

Grande abraço!

Responder
Anonimo 16/04/2013 19:09:05

Leadro,

www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2013/04/16/internas_economia,360639/copom-inicia-nesta-terca-feira-reuniao-para-definir-taxa-basica-de-juros.shtml

Exemplo de quando saí uma notícia: COPOM esatbele a SELIC em 8.0%.

Isso quer dizer o que? Como que se pode aumentar a taxa de juros se essa taxa de juros é calculada referente as transações do sistema interbancário.

O governo quer abaixar a SELIC, então ele coloca dinheiro nos bancos via compra de títulos públicos. Porém, esses bancos não concedem empréstimos. Então, a selic fica mais ou menos na mesma, visto que o sistema interbacário não vai ser tão utilizado.

Como que o COPOM pode estabelecer algo que não depende dele. Isso que não entendi.

valeu

Responder
Leandro 16/04/2013 19:17:32

Veja minha resposta ao leitor Andre Cavalcante lá em cima. A taxa SELIC é apenas uma meta. O Banco Central estipula que irá fazer injeções no mercado interbancário para manter os juros próximos desta meta da SELIC.

Para você ter uma ideia, atualmente a meta estabelecida para a SELIC é de 7,25%, mas o CDI está em 7,01%.

Responder
Fernando 17/04/2013 01:34:36

A única coisa que me impressiona mais do que a qualidade dos textos desse site é a solicitude e a disponibilidade da equipe do Instituto Mises em responder a todo o tipo de dúvidas e argumentações...
Vocês realmente estão de parabéns.
Uma ilha de lucidez no cenário atual.

Responder
vanderlei 17/04/2013 09:48:25

As crises cíclicas do capitalismo.


Períodos de reajuste de venda futura ou crédito.

Um passo a frente: expansão de crédito
Paradas cíclicas: reajustamento

Imagine uma "venda" que comercializa produtos alimentícios.
Vende fiado ou a prestação.
Em determinadas épocas, o dono faz inventário e balanço.
Ajusta o preço, juros e desconto de acordo com o resultado das vendas futuras.

Entra o socialista e...

Responder
vanderlei 17/04/2013 09:53:02

De acordo com Monteiro Lobato existem dois partidos no capitalismo, o Bull e o Bear.
O Bull joga na alta e o Bear na baixa.

Responder
Allan 17/04/2013 14:54:27

Leandro,
Certa vez li aqui no IMB que não dava pro governo combater o IPCA manipulando o câmbio pois a nossa economia é muito fechada. Haveria níveis diferentes de influência do câmbio na inflação, dependendo de qual economia se trata?

Obrigado
Abs

Responder
Leandro 17/04/2013 15:36:07

Embora o câmbio ajude, sim, a combater a inflação de preços, no Brasil seu efeito é bem menos intenso do que nas outras economias, justamente porque somos bastante fechados -- e lembrando que a intensificação do protecionismo ocorreu no atual governo; os anteriores eram bem melhores neste quesito.

O câmbio seria muito eficaz se o governo, por exemplo, permitisse a importação de bens de capital livre de tarifas de importação. Mas como somos protecionistas e as tarifas de importação são enormes, o efeito de uma apreciação cambial é bem menos intenso -- com tarifas de importação de até 35%, os produtores não irão importar mais só porque o dólar caiu de R$2 para R$1,95. Eles continuarão comprando máquinas dos produtores nacionais, os quais, por estarem protegidos pelo protecionismo, podem se dar ao luxo de cobrar caro por equipamentos ruins.

Sem a importação de máquinas boas e baratas, fica difícil aumentar a produtividade e a qualidade dos produtos. Principalmente, fica difícil reduzir preços.

Ademais, o câmbio é totalmente inócuo no que tange ao setor de serviços. Lavar seu carro, cortar seu cabelo, chamar um eletricista ou um encanador não ficará mais barato se o dólar cair.

Já uma desvalorização cambial provoca o efeito inverso. Como o setor exportador vende para países mais abertos, uma desvalorização cambial faz com que mais produtos sejam enviados para fora do país, inclusive alimentos, o que gera uma redução da oferta interna -- e, logo, pressão altista nos preços.

Portanto, ficamos assim: no Brasil, uma apreciação cambial gera efeitos quase que nulos sobre os preços. Por outro lado, uma desvalorização cambial gera efeitos inflacionários bastante intensos.

Por isso disse no artigo que, se a oferta monetária se estabilizar mas o câmbio se desvalorizar, não haverá nenhum efeito de curto e médio prazo sobre os preços.

Grande abraço!

Responder
Allan 17/04/2013 20:04:32

Obrigado Leandro. Muito elucidativo!

A última frase é "...o câmbio se valorizar...", certo?

Responder
Leandro 18/04/2013 01:48:33

É desvalorizar, mesmo. O que eu quis dizer é que, se a oferta monetária se estabilizar mas o câmbio se desvalorizar, os preços não cairão.

Responder
Leandro 17/04/2013 23:15:39

A SELIC acaba de ser elevado em 0,25 pp (de 7,25% para 7,50%). É um passo na direção correta, mas tímido. Agora é acompanhar como variará o CDI e como isso afetará a expansão do M2.

Vale ressaltar o que foi dito no artigo: um aumento da SELIC em um momento em que o M2 já está em clara desaceleração é inédito na história do real, o que mostra que o Banco Central realmente está preocupado com a situação dos preços. Será interessante ver os desdobramentos.

Responder
myself 18/04/2013 00:57:34

Eu não tenho certeza se o BC está realmente preocupado com a situação dos preços, ou se quer apenas espantar críticas políticas de que estava com o rabo preso com o palácio do planalto.

Responder
Julio dos Santos 18/04/2013 15:12:14

Ver o Leandro dizendo "Será interessante ver os desdobramentos" me deixa bastante preocupado. Nestes desdobramentos, sabe-se lá qual carta o governo vai tirar da manga, eles farão de tudo para não apresentar um PIB negativo e garantir Dilma 2014! Mas uma coisa eu sei, quem vai perder quando ele botar essa carta na mesa seremos nós. Apertem os cintos!

Responder
André 18/04/2013 17:48:31

Minha curiosidasde está em saber quais os possíveis desdobramentos dessa situação, de acordo com a teoria econômica.

Ou o governo não sabe o que está fazendo?

Responder
Rodrigo 19/04/2013 14:08:12

Leandro,

Podemos dizer que estas análises que são feitas a respeito da trajetória de inflação tendo por base apenas a taxa SELIC são, no mínimo, deficientes, e provavelmente bastante equivocadas, correto?

um abraço!

Responder
Leandro 19/04/2013 14:26:41

Se a Selic está subindo, é porque a expansão monetária está intensa. O aumento da Selic é uma consequência natural da expansão monetária. Já o aumento da Selic de quarta-feira foi o primeiro a romper com esta regra, o que mostra o desespero do BACEN. Não é à toa que, embora a Selic tenha sido elevada para 7,50%, o CDI está em 7,24%, bem abaixo do novo valor estipulado -- o que significa que o mercado interbancário está pouco aquecido.

Responder
Wilian Delatorre 20/04/2013 18:20:56

Ótimo artigo. Parabéns ao autor e ao Leandro pelo trabalho.

Responder
Benito 22/04/2013 00:48:33

Leandro:

Primeiramente permita-me congratulá-lo pela sua coerencia e fundamentação.

Em segundo lugar pergunto qual será o panorama que podemos esperar para os proximos meses levando-se em consideração que provavelmente para fins eleitorais o governo procurará em minha opinião:

1- Manter a taxa de desemprego nos niveis atuais

2- Manter os niveis de credito elevados

Como ele procurará atingir estes objetivos e quais as consequencias?

Responder
Leandro 22/04/2013 14:04:23

Prezado Benito,

O item 1 vem se mantendo por meio de desonerações, mas tal mecanismo não pode ser duradouro. Para remediar esta inevitabilidade, o governo pode 1) dificultar ainda mais as demissões, 2) criar mais cargos no setor público e 3) aumentar o número de obras de infraestrutura. Todas essas medidas serão deletérias para a economia no longo prazo, pois, além de serem destruidoras de capital e de gerar mais impostos ou mais inflação monetária para financiá-los, elas retiram recursos escassos de outros setores da economia, setores estes que podem estar genuinamente atendendo as demandas dos consumidores.

O item 2 poderá ser feito exclusivamente por meio dos bancos estatais, mas mesmo estes bancos estão sujeitos às regulações de Basileia, o que significa que tal nível de expansão tem limites.

Responder
Blah 23/04/2013 16:00:02

Não sei por que vocês estão aí, todos preocupados com o Brasil. É claro que o governo está trabalhando duro para resolver os problemas. A Dilma está preparando um inédito Programa Nacional de Trabalho e Emprego. O Programa aparentemente junta "desburocraticar" com uma provável criação de novos direitos trabalhistas. São coisas que combinam perfeitamente, como todos sabemos. Provavelmente o programa tentará dificultar as demissões, ou então fazer uma associação entre a "desburocratização" e o uso de componentes nacionais.

Portanto, fiquem felizes, pois, se o milésimo pacote de estímulos ao consumo não funcionou, é porque não foi grande o suficiente (lógica Krugmaniana), então, o milésimo-primeiro certamente funcionará.

Responder
Deilton 24/04/2013 20:14:11

Leandro,

1°Será que esse aumento da SELIC terá algum efeito sobre a bolha imobiliária?

2° E sobre o mercado de capitais?


Responder
Leandro 24/04/2013 21:05:37

Certamente não ajudará. E isso é o máximo que dá para prever. O resto ficará por conta da ação voluntária de milhões de indivíduos.

Responder
Bernardo 30/04/2013 19:24:42

Leandro,
Li em algum artigo aqui do site (acho que não era de sua autoria) que a quantidade de dinheiro na economia sempre aumenta e que o que geraria a inflação seria o aumento na velocidade de crescimento da quantidade de dinheiro da economia (procurei muito por aqui e não achei, espero não ter inventado isso. Acho que foi em algum texto que falava sobre deflação).

Vendo os gráficos desse artigo, parece que isso realmente faz sentido:
- após o efeito da eleição do Lula, a inflação cai;
- aí o aumento da taxa de crescimento dos meios de pagamento (de 0 para 1) leva a inflação até 7%;
- a manutenção da taxa de crescimento (em 1) até 2008 faz a inflação cair até 3/4%;
- o aumento da taxa de crescimento do M2 (de 1 para 2) em 2008 leva a inflação até 6%;
- a diminuição da taxa de crescimento (de 2 para 1) traz a inflação para 4/4,5% em 2009;
- a nova elevação da taxa de crescimento do M2 a partir de 2010 faz a inflação subir novamente e, ao se manter nesse patamar de crescimento, a inflação volta a recuar;
- a única exceção parece estar ocorrendo agora, quando a taxa de crescimento de M2 manteve-se constante, mas a inflação continuou subindo.
Enxerguei tudo errado, foi apenas coincidência ou fez sentido a observação?
No último caso, alguma ideia do que está ocorrendo atualmente?

Responder
Leandro 30/04/2013 22:21:47

Correto, Bernardo. Você certamente leu isso aqui ou aqui.

A sua interpretação está correta. Quanto ao que está acontecendo atualmente, esta é a grande pergunta. O BC certamente se assustou e resolveu subir a SELIC. Porém, o fato é que, embora a SELIC esteja nominalmente em 7,50%, o CDI (taxa das operações de crédito entre os bancos que utilizam títulos dos próprios bancos) está em 7,23%, o que mostra que a atividade no interbancário não está intensa e que o BC não atuou para retirar grandes quantias das reservas bancárias.

Ou seja, não mudou muita coisa. Por enquanto.

Abraço!

Responder
Bernardo 01/05/2013 10:23:50

Mais dos artigos excelentes.
Sobre o momento atual, está ocorrendo algo semelhante com o que houve pré-Lula: M2 estagnado e inflação. Podem as causas serem parecidas?
Naquela época, a incerteza fez o dólar disparar e alguns meses depois a inflação veio junto. Agora, o câmbio foi depreciado artificialmente e alguns meses depois a inflação veio junto. Não tendo havido mudança na variável M2, o câmbio e os tributos sobre importações poderiam explicar a inflação atual.
Algum outro fator influenciou naquela época? A incerteza da época pode ter gerado redução da oferta de bens e algo semelhante pode estar acontecendo hoje?
Abs.

Responder
Bruno Aguiar 26/05/2013 07:57:10

"Mas tal medida é politicamente inviável — ela afetaria todo o leilão de venda de títulos do Tesouro, que agora conseguiria apenas um valor muito pequeno por leilão, dado que todos os investidores prefeririam comprar mais barato do Banco Central. Consequentemente, o governo teria enormes dificuldades em financiar seus déficits e em rolar sua dívida. Impensável. "

O Tesouro pode vender títulos diretamente ao BC, desde que a taxas de mercado. Ou seja, não existe possibilidade de o Tesouro não conseguir vender seus títulos.

Responder
Leandro 26/05/2013 11:04:35

Não, não pode. Isso foi proibido em 2000, pela Lei de Responsabilidade Fiscal (ainda bem).

Está escrito lá, nos artigos 35 e 39:

Art. 35. É vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de fundo, autarquia, fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente.
[...]

Art. 39. Nas suas relações com ente da Federação, o Banco Central do Brasil está sujeito às vedações constantes do art. 35 e mais às seguintes:

I - compra de título da dívida, na data de sua colocação no mercado, ressalvado o disposto no § 2o deste artigo;

§ 2o O Banco Central do Brasil só poderá comprar diretamente títulos emitidos pela União para refinanciar a dívida mobiliária federal que estiver vencendo na sua carteira.



Caso ainda não esteja convencido disso, pode ler a resposta que o próprio BACEN enviou para nós. Ele afirma que só pode adquirir títulos diretamente do Tesouro quando sua carteira fica abaixo de R$20 bilhões (uma ninharia, dado que hoje ela está acima de R$900 bilhões) Veja a resposta dada à pergunta D:

"Por seu turno, a Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), vedou ao Banco Central do Brasil a emissão de títulos da dívida pública (art. 39), incluindo, neste último caso, a compra de títulos públicos na data de sua colocação no mercado (art. 39, I) ressalvada a hipótese de refinanciamento da dívida mobiliária federal que esteja vencendo na carteira da Autoridade Monetária (art. 39, § 2º).

Em virtude dos dispositivos mencionados no parágrafo antecedente, o Banco Central do Brasil utiliza exclusivamente títulos de emissão do Tesouro Nacional, em sua carteira, para lastrear operações compromissadas em mercado com vistas ao controle de liquidez, segundo os objetivos definidos para a política monetária.

Para o gerenciamento adequado da política monetária por meio dessas operações compromissadas, pode ser necessária a emissão de Títulos do Tesouro Nacional diretamente para a carteira da Autoridade Monetária, de forma a assegurar que o montante desses títulos em carteira tenha dimensões adequadas à execução da política em questão (inciso IX do art. 1º da Lei nº 10.179, de 6 de fevereiro de 2001, introduzido pelo art. 2º da Lei nº 11.803, de 5 de novembro de 2008). Nesse caso, a emissão de títulos é realizada sem contrapartida financeira (inciso VIII do art. 3º da Lei nº 10.179, de 2001, também introduzido pelo art. 2º da Lei nº 11.803, de 2008), não gerando aumento de recursos colocados à disposição do Tesouro Nacional pelo Banco Central.

Conforme o estabelecido na Portaria nº 241, de 4 de junho d 2009, do Ministro de Estado da Fazenda, com fundamento no referido art. 3º da Lei nº 10.179, de 2001, sempre que a carteira de títulos do Banco Central do Brasil, deduzida dos títulos usados em operações compromissadas e dos vinculados a garantias em operações com derivativos, ficar abaixo de R$ 20 bilhões, o Tesouro deve realizar emissão direta de títulos para a Autoridade Monetária, sem contrapartida financeira, de forma a não comprometer a execução da política monetária.

Assim, as práticas adotadas alinham-se aos dispositivos legais que disciplinam a matéria, não ensejando financiamento ao Tesouro."


Abraços!

Responder
Bruno Aguiar 26/05/2013 15:15:50

Você tem razão, parando para pensar, se isso ainda fosse possível toda a reforma realizada pela LRF e Plano Real estaria em risco.

PS: Em minha defesa fui induzido ao erro pela seguinte frase que consta nas demonstrações financeiras do BC.

36 Partes relacionadas
36.1 Governo Federal
f) Utilização de títulos como instrumento de política monetária

O BCB utiliza títulos de emissão do Tesouro Nacional para realizar a política monetária. Todas as compras e vendas de títulos que ocorrem entre o BCB e o Tesouro Nacional são efetuadas a preço de mercado.

www.bcb.gov.br/Pre/Surel/RelAdmBC/2012/demonstracoes-financeiras/bcb_relatorio_da_administracao_2012_demonstracoes_financeiras.pdf

Responder
Bruno Aguiar 28/05/2013 01:43:44

Pergunta C: Qual é o valor total dos títulos públicos em posse dessa autoridade monetária? De quais instituições bancárias foram eles adquiridos? Favor discriminar.

Resposta do BACEN:

Os títulos públicos na carteira do Banco Central totalizam, atualmente, R$ 861,1 bilhões, todos eles adquiridos/recebidos diretamente do Tesouro Nacional, sendo:

adquiridos para fins de rolagem (renovação) dos vencimentos de títulos de sua carteira, pelo preço médio de venda apurado pelo Tesouro Nacional nas ofertas públicas competitivas (leilões) por ele realizadas, conforme previsto na legislação;
recebidos, sem contrapartida financeira, conforme previsto na legislação, para efeito de cobertura de eventuais prejuízos apurados no balanço do Banco Central do Brasil ou manutenção da carteira de títulos da Autarquia em montante mínimo necessário para fins de política monetária.

É oportuno reiterar que o Banco Central do Brasil, nos últimos anos, tem atuado principalmente na redução da liquidez, de modo que sua carteira possui apenas títulos públicos federais de sua propriedade.


f) Utilização de títulos como instrumento de política monetária
O BCB utiliza títulos de emissão do Tesouro Nacional para realizar a política monetária. Todas as compras
e vendas de títulos que ocorrem entre o BCB e o Tesouro Nacional são efetuadas a preço de mercado.

O quadro a seguir apresenta as principais operações ocorridas no período entre o BCB e o Governo Federal:

Títulos de emissão do Tesouro Nacional
Saldo inicial 754.543.113
(+/-) aquisição líquida (resgate líquido) 59.594.425
(+) remuneração 89.429.703
(+/-) ajuste a valor justo 6.655.693
Saldo final 910.222.934

A portaria do Mantega que disciplina as emissões de títulos para assegurar ao Banco Central do Brasil a manutenção de carteira de títulos da dívida pública em dimensões adequadas à execução da política monetária objetivo de gerenciamento adequado da política monetária tem um paragrafo que você omitiu e abre a porteira para tais operações:

§ 3º Verificada, a qualquer momento, a possibilidade de comprometimento futuro da carteira de títulos disponíveis para a execução da política monetária, o Banco Central do Brasil e a Secretaria do Tesouro Nacional avaliarão a necessidade de aporte emergencial de títulos, independentemente do disposto neste artigo.

O balanço do BC em 2012 mostra aquisições líquidas de títulos do Governo Federal por parte do BC de 59 bilhões.

Ou seja, está claro que o Bacen vem realizando esse tipo de operações, talvez até mesmo antes da MP 435 de 2008, que passou a prever tal hipótese!

Vale investigar...

Responder
Leandro 28/05/2013 02:19:15

Bruno, esta aquisição líquida de R$59 bilhões não significa que o BC comprou títulos diretamente do Tesouro. Significa apenas que, ao longo do ano, a carteira do BC cresceu R$59 bilhões -- ou seja, a diferença entre títulos que o BC adquiriu do sistema bancário e títulos que foram resgatados de sua carteira pelo Tesouro foi de R$59 bilhões.

Quanto ao § 3º (Verificada, a qualquer momento, a possibilidade de comprometimento futuro da carteira de títulos disponíveis para a execução da política monetária, o Banco Central do Brasil e a Secretaria do Tesouro Nacional avaliarão a necessidade de aporte emergencial de títulos, independentemente do disposto neste artigo.], isso é justamente aquilo que falei sobre os R$20 bilhões mínimos em carteira: o BC só pode adquirir títulos diretamente do Tesouro quando sua carteira fica abaixo de R$20 bilhões.

Pode acreditar: por incrível que pareça, esta lei que proíbe o BC de financiar diretamente o Tesouro realmente é obedecida. Pelo menos até hoje. (E olha que eu sou insuspeitíssimo para defender o BC).

Abração!

Responder
Renato 07/06/2013 04:47:39

Olá boa noite!

Primeira vez aqui, parabéns pelo artigo, muito bem escrito. Entendi a relação entre a quantidade de dinheiro disponível e a taxa SELIC; e "era" leigo no assunto.

Bom, vim parar aqui porque tenho dinheiro investido num fundo corrigido pelo IMA-B e IPCA e mais algumas coisas que não entendo. O nome do fundo é FI RF LP PREÇOS e no mês passado (05/06/2013) teve uma queda de - 4,84%.

O Senhor consegue me explicar o motivo dessa grande queda num espaço de tempo tão curto e num fundo considerado de risco médio, sendo que dentre todos os outros de igual risco nenhum teve tamanha variação. Gostaria de saber também se de acordo com seus conhecimentos é possível dar alguma dica sobre como devo me informar, quais índices acompanhar para me manter bem informado e tentar prever uma segunda queda dessa amplitude. Qualquer outras considerações também serão bem vindas.

Muito obrigado Leandro.
Abraço!

Responder
Luan 07/06/2013 13:37:35

O IMA-B (Índice de Mercados Andima composto por títulos do tipo NTN-B) tem sua rentabilidade calculada a partir de juros pré-fixados mais correção pelo IPCA. Como os juros (SELIC) subiram, você perdeu na aplicação.

Aqui o histórico:

www.valor.com.br/valor-data/tabela/5811/ima-indices-de-mercado-anbima

Responder
Anônimo 08/06/2013 01:32:44

1- Maior quantidade de empréstimo, menor reserva, maior Juros, maior Investimento.
2- Menor quantidade de empréstimo, maior reserva, menor juros, maior recessão.
3- Objetivo da economia: expandir atividade industrial, comercial e de serviços.
4- Acredito que o artigo refira-se ao mercado de capital - debêntures.
5- No Brasil este mercado é subdesenvolvido

Responder
Anonimo 08/06/2013 01:36:02

Se é debêntures o que se refere o artigo, então, como diz Monteiro Lobato em seu Livro América, existem dois partidos, um que aposta na alta e outro que aposta na baixa.

E que a recessão global é como um balanço numa "Venda" que fica o ano todo fazendo fiado.

Responder
Daniel Fernandes 12/06/2013 00:02:07

Parabéns pelo artigo. Como sempre, muito didático. Apenas uma dúvida: a expansão monetária, no caso do Brasil, SÓ pode ser empreendida pelo sistema bancário via reservas fracionárias? Qual seria o papel das notas de real e moedas metálicas neste processo? O governo não pode inflacionar a oferta monetária da economia diretamente por meio da emissão de novas cédulas? Pergunto isso porque sempre que ouvia a palavra "inflação", a primeira imagem que me vinha à mente era a de máquinas impressoras na Casa da Moeda imprimindo novas cédulas de dinheiro freneticamente. Existe algum artigo no IMB que trate dessa questão?

Grato

Responder
Leandro 12/06/2013 17:44:07

Daniel, no atual arranjo monetário, a única maneira de o dinheiro entrar na economia é por meio da expansão do crédito feita pelo sistema bancário. Até o ano 2000, o Banco Central podia comprar títulos diretamente do Tesouro, prática essa que é tecnicamente chamada de inflação direta. A partir de 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Banco Central ficou proibido de monetizar a dívida do Tesouro.

Todos os países sérios operam desta maneira atualmente. As exceções são Argentina, Venezuela e outras economias bananeiras, justamente onde a inflação é maior.

Quanto às cédulas, não há segredo. A Casa da Moeda imprime sempre que há demanda para converter moeda eletrônica (conta-corrente ou conta-poupança) em moeda física. Mas vale enfatizar que a moeda eletrônica foi criada pela expansão do crédito. Apenas depois é que ela passa a existir como cédulas e moedas metálicas. Ou seja, não mais existe isso de a Casa da Moeda imprimir dinheiro e sair jogando na economia. Isso ocorreu até o ano 2000 -- só que com muito mais intensidade nas décadas de 1980 até meados da de 1990,

Responder
Daniel Fernandes 15/06/2013 20:01:03

Huumm... Certo, entendi. Mas, então, não faz sentido dizer que o governo imprime dinheiro (ou gera inflação) para cobrir parte de seus gastos, certo? Já li em artigos publicados aqui no próprio site que a inflação seria uma deliberação praticada pelo governo quando este gasta mais do que arrecada via tributação, já que o recurso ao aumento de impostos é bastante inviável politicamente. Sendo assim, ele simplesmente acionaria as máquinas impressoras do BC e utilizaria a nova remessa de cédulas recém-impressas para dar vazão às despesas que transbordaram o seu orçamento. Porém, pelo que você me disse, esta prática foi proibida no Brasil em 2000, e agora não estou conseguindo relacionar o fato de o governo brasileiro incorrer em déficits orçamentários constantes com o surgimento da inflação de preços que vivenciamos atualmente. Como exatamente o fato de o sistema bancário, estimulado ou não pelo BC, estar inflacionando a oferta de dinheiro na economia afeta o orçamento do governo? Como uma política mais expansionista por parte dos bancos ajuda o governo a cobrir suas despesas?

Vejo muitos economistas - muitos deles liberais, inclusive - defendendo o corte de gastos públicos como remédio para a atual inflação. Sei que isso faz sentido, de alguma forma, mas não estou conseguindo chegar ao porquê. Penso assim: se o governo reduzisse seus gastos, consequentemente o Tesouro passaria a emitir menos títulos da dívida pública, uma vez que eles servem apenas para ajudar o governo a cobrir parte de suas despesas, certo? Com um volume menor de títulos à venda, o sistema bancário - maior comprador desses papéis - ficaria com mais dinheiro em reserva para emprestar a indivíduos e empresas, o que provocaria uma queda dos juros, correto? Com juros reduzidos e a concessão de empréstimos em alta, a tendência não seria de um AUMENTO da inflação?

Grato

Responder
Arthur M Meskelis 15/06/2013 20:30:30

Acho que esse artigo explica o que acontece Daniel www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387.

Responder
Vanderlei 16/06/2013 00:15:39

O Governo imprime dinheiro porque serve de subsidio para as empresas nacionais e multinacionais, as quais o envia para ao exterior.

As empresas absorvem o dinheiro impresso através das altas nos preços.

E quem paga é o trouxa do eleitor.

Quando o Governo é de esquerda, aumenta os juros para que os mais ricos paguem a conta dos mais pobres.

Assim funciona a economia brasileira...

Responder
Cesar 24/06/2013 15:25:40

Caro Leandro,
Parabens pelo seu excelente artigo, o qual apos uma leitura tardia (junho/2013) apenas comprova o quao certa está sua análise. NO entanto nao entendi o motivo pelo qual voce utiliza o M2, uma vez que no outro excelente artigo sobre a economia brasileira, foi utilizado o M1 e afirmado que M2 seria inútil.
Em tempo, atualizando o gráfico do M2 parece que a oferta monetaria de M2 nao sofreu tamanha queda assim, é isso mesmo? (ou errei na maneira de trabalhar os dados?)
Sucesso ao IMB
Cesar

Responder
Cesar 24/06/2013 17:06:38

Caro Leandro,
Desconsidere a pergunta sobre o uso do M2 apos reler exaustivamente a lista de comentarios observei que já foi respondida

Responder
Melanie S. 27/06/2013 18:24:28

Saiu uma carta do BACEN informando que o governo estava gastando demais e sugerindo que o COPOM iria tornar a decidir por um novo patamar para a taxa SELIC.
Pergunta: sendo que para aumentar a SELIC o governo deve comprar títulos públicos, como eles vão fazer isso? Eles não precisam vender títulos para financiar os excessivos gastos do governo?

Obrigada.

Responder
Leandro 27/06/2013 18:44:41

Melanie, em teoria, para aumentar a SELIC, o Banco Central deve vender títulos do Tesouro que estão em sua posse. Ao vender estes títulos, o BC diminui a liquidez do mercado interbancário.

Eu falei "em teoria" porque, na prática, basta o BC reduzir suas injeções de dinheiro (ou seja, sua compra de títulos) no mercado interbancário. Tal medida faz com que os juros de curto prazo -- isto é, a SELIC -- aumentem imediatamente.

Responder
Melanie S. 27/06/2013 19:52:19

Entendi. Obrigada, Leandro. :)

Responder
Angelo Viacava 06/07/2013 00:20:50

Leandro. Tem fundamento, além da defesa ideológica do governo?
AQUI

Responder
Leandro 06/07/2013 00:53:49

Os valores do IPCA são estes mesmos. Só que a situação atual é atípica. Nos outros anos, preços e oferta monetária subiam concomitantemente, o que não afetava a renda. Atualmente, a oferta monetária -- logo, a renda nominal -- está quase parada (por causa do alto endividamento, o que reduz a expansão do crédito), mas os preços seguem subindo, em grande parte por causa do câmbio. Eu venho dando repetida ênfase a este fenômeno nos meus três últimos artigos, pois o considero de extrema importância. Vou além: ele é a chave para se entender a atual malaise do Brasil. Colo a seguir o trecho que sintetiza tudo:

Essa combinação entre desaceleração do ritmo de crescimento da quantidade de dinheiro na economia (o que faz com que a renda nominal fique estagnada), inflação de preços ainda em alta e alto nível de endividamento está afetando sensivelmente a renda real das pessoas.  Em outras ocasiões em que inflação de preços também estava alta, como em meados de 2011, não havia esta sensação de renda afetada porque a quantidade de dinheiro na economia também estava crescendo acentuadamente, o que gerava um certo alívio.  Agora, no entanto, o arranjo é outro: a inflação de preços está em alta, mas a quantidade de dinheiro na economia está crescendo bem mais contidamente, o que gera esta sensação — real — de aperto financeiro.  Este atual arranjo dificulta ainda mais a capacidade das pessoas de honrarem suas dívidas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1601

Adicionalmente, vale lembrar que a inflação de preços está mundialmente baixa. Só aqui que ela está alta. Esse não era o cenário dos outros anos, em que todo o mundo vivenciava uma inflação de preços mais alta que a alta. Isso torna o atual cenário brasileiro ainda mais atípico.

Responder
Angelo Viacava 06/07/2013 01:16:32

Valeu. Obrigado, Leandro.

Responder
Caio Fratelli 14/07/2013 18:49:47

Parabéns pelo excelente artigo.
Ficou claro os motivos da repentina alta dos preços.
Obrigado

Responder
Hugo 20/10/2013 18:24:46

Adorei o artigo Leandro,parabéns!

Estou no segundo ano de economia e estou tendo macroeconomia 1,e o meu professor infelizmente faz aquela associação automática de que a alta da SELIC significa sempre política contracionista e uma baixa da mesma significa sempre expansionismo,mas felizmente seu artigo sanou todas as minhas dúvidas sobre isso.

Obrigado!

Responder
Lucas Amaro 31/03/2014 00:26:11

Leandro, uma dúvida sobre os impostos no IPCA:

Esse índice leva em conta habitação, transportes, despesas pessoais, etc. Sendo assim, impostos indiretos seriam, grosso modo, "integrados" ao preço dos bens e serviços. Mas e os impostos diretos?

Supondo que o governo aumente alíquotas de impostos diretos acima do IPCA. O índice oficial do governo não demonstraria isso?

Na prática, isso vem ocorrendo no Brasil?

Responder
Leandro 31/03/2014 10:19:22

Impostos diretos seriam o IRPF, IRPJ, IPVA e o IPTU. Embora haja controvérsias, também incluiria neste rol o COFINS, a CSLL e o PIS.

A ligação entre o aumento destes impostos e seu efeito sobre os preços foi explicada neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1156

No entanto, vale dizer que nenhum destes impostos sofreu aumento de alíquotas no Brasil recentemente. E nem precisa, pois a própria expansão monetária -- que ocorre diariamente -- se encarrega de aumentar as receitas do governo.

Responder
Igor 25/04/2015 02:51:24

Leandro, como vc analisa o cenário atual de alta nos juros e estagnação do M2? BC realmente tá apavorado com a inflação e aquele cenário histórico que vc apontou no texto já chegou?

Responder
Felipe 05/08/2015 15:39:39

Leandro, primeiramente parabéns pelo excelente trabalho que você faz para esse site.
Queria saber onde posso encontrar esses gráficos que você postou? Gostaria de visualizar dados mais atualizados.
Abraços

Responder
Henrique 09/09/2015 21:51:41

"Se os bancos privados mantiverem esta prudência e este comedimento, e os bancos públicos não desvairarem, não há por que esperar que haja grandes elevações na SELIC.

Aliás, na atual situação, dado que a expansão monetária está em desaceleração — o que significa uma menor atividade no interbancário, e consequentemente uma SELIC baixa —, um aumento na SELIC seria algo inédito. Ainda não vivenciamos uma situação em que a SELIC foi elevada quando o M2 já estava em perceptível desaceleração e o PIB estava perto de zero. Para isso acontecer, o Banco Central teria de reduzir sobremaneira suas injeções monetárias no mercado interbancário, ou até mesmo retirar reservas do sistema bancário. Isso seria bastante atípico."


E cá estamos nós: O gráfico do M2 atualizado.

M2 praticamente estável e juros em alta.

Seria isso fruto do menor comedimento dos bancos públicos?

------

Dúvida:

"Primeira conclusão: a variação da oferta monetária é o fator preponderante para a inflação de preços. Se a oferta monetária estiver apresentando aceleração (a linha estiver mais inclinada em relação ao ano anterior), os preços subirão."

A oferta monetária não seria o M1? Toda a análise do artigo é feita em cima do M2.

Além disso, Leandro, você próprio já disse aqui (na seção de comentários de algum artigo) que não é a expansão da oferta monetária que gera inflação, e sim a expansão DO CRÉDITO.

É claro que em condições normais de temperatura e pressão, o crédito se expande de forma similar ao M1, mas e nos casos em que os bancos estão inundados de reservas devido a um QE (como nos EUA e na Europa).

Então a pergunta: devemos falar em expansão da oferta monetária ou do crédito? Ou por "oferta monetária", no contexto deste artigo, você se refere ao M2 ao invés do M1?

Grato.

Responder
Leandro 09/09/2015 22:07:00

"A oferta monetária não seria o M1? Toda a análise do artigo é feita em cima do M2."

M1 engloba apenas papel-moeda em poder do público e contas-correntes. Já o M2 engloba o M1 mais contas-poupança e depósitos a prazo. Estes dois últimos têm liquidez diária.

"Além disso, Leandro, você próprio já disse aqui (na seção de comentários de algum artigo) que não é a expansão da oferta monetária que gera inflação, e sim a expansão DO CRÉDITO."

A expansão do crédito gera a expansão monetária. É a expansão do crédito quem governa a expansão monetária. Primeiro os bancos criam dinheiro na forma de empréstimos; e então, só então, surgem os meios de pagamentos que irão compor M1, M2, M3 3 M4.

São os empréstimos que criam depósitos, e não os depósitos que criam empréstimos. Isso foi explicado em detalhes neste artigo.

Se for para prever o avanço da economia, fique com a expansão do crédito. Se for para prever a inflação, fique com a expansão monetária e a taxa de câmbio.

"É claro que em condições normais de temperatura e pressão, o crédito se expande de forma similar ao M1,"

Nem sempre. O dinheiro criado pela expansão do crédito pode ir parar em um depósito a prazo, afetando, portanto, o M2, e deixando o M1 inalterado.

"mas e nos casos em que os bancos estão inundados de reservas devido a um QE (como nos EUA e na Europa)."

Aí afetam só a base monetária (criada pelo Banco Central). Não houve expansão do crédito (bancos comerciais emprestando para pessoas e empresas).

"Então a pergunta: devemos falar em expansão da oferta monetária ou do crédito? Ou por "oferta monetária", no contexto deste artigo, você se refere ao M2 ao invés do M1?"

Respondido acima.

Abraços!

Responder
Henrique 10/09/2015 19:01:15

Em primeiro lugar, grato pela costumeira didática e paciência, Leandro. A seção de comentários deste site consegue ser ainda melhor que os próprios artigos graças ao seu trabalho.

A expansão do crédito gera a expansão monetária. É a expansão do crédito quem governa a expansão monetária. Primeiro os bancos criam dinheiro na forma de empréstimos; e então, só então, surgem os meios de pagamentos que irão compor M1, M2, M3 3 M4.

Got it!


"Aí afetam só a base monetária (criada pelo Banco Central). Não houve expansão do crédito (bancos comerciais emprestando para pessoas e empresas)."


Agora entendi que a base monetária pode ficar maior que o M1 nesse caso, como mostra esse gráfico.

---

Só uma dúvida a mais:

"M1 engloba apenas papel-moeda em poder do público e contas-correntes. Já o M2 engloba o M1 mais contas-poupança e depósitos a prazo. Estes dois últimos têm liquidez diária."

Depósitos a prazo tem liquidez diária? Não é a própria definição de "a prazo" que eles só possuem liquidez no vencimento? Ou aquela CDB de liquidez diária que eu comprei há alguns meses se encaixa nessa categoria?

Responder
Leandro 10/09/2015 20:39:02

"Depósitos a prazo tem liquidez diária? Não é a própria definição de "a prazo" que eles só possuem liquidez no vencimento? Ou aquela CDB de liquidez diária que eu comprei há alguns meses se encaixa nessa categoria?"

Encaixa. Há vários bancos que permitem a você sacar, no caixa eletrônico, dinheiro aplicado no CDB. Na pior das hipóteses, eles permitem que você, quando quiser, retire seu dinheiro do CDB e o jogue para a conta-corrente para então ser sacado. Ou seja, na prática, têm liquidez diária.

Só que a coisa complica: o M2 brasileiro também engloba títulos como LCI e LCA, que não possuem liquidez (não podem ser resgatados a qualquer momento). Por outro lado, o M3, que em tese é menos líquido que o M2, engloba fundos de investimento que possuem liquidez diária.

Mais uma pororoca: no Brasil, um agregado monetário maior possui itens que são mais líquidos do que os itens constantes em um agregado monetário menor.

Responder
Leonardo Furtado 31/03/2016 22:26:50

Leandro,
A intenção de um banco criar dinheiro do nada para comprar títulos do tesouro é o rendimento destes ou a garantia de que o banco central vai comprá-los injetando dinheiro nas reservas?

Muito obrigado.

Responder
Gabriel Medeiros 16/04/2016 12:37:11

Leandro, o que causou alta inflação de preços no fim de 2002 e durante o ano de 2003?
Em outro artigo, você fala que os custos - cambiais, por exemplo - só poderiam ser repassados se houvesse expansão monetária para tal. Mas como você fala neste artigo, a expansão do M2, durante o período de 2003, foi uma das menores. Abraço!

Responder
Leandro 16/04/2016 16:54:48

"Leandro, o que causou alta inflação de preços no fim de 2002 e durante o ano de 2003?"

Majoritariamente, a desvalorização cambial. O dólar foi de R$ 2,20 pra R$ 3,99 em questão de meses.

"Em outro artigo, você fala que os custos - cambiais, por exemplo - só poderiam ser repassados se houvesse expansão monetária para tal".

Correto. No longo prazo, repasses cambiais só se mantêm se a expansão monetária permitir.

"Mas como você fala neste artigo, a expansão do M2, durante o período de 2003, foi uma das menores."

Correto. Daí o surto inflacionário não ter se mantido. A inflação de preços, que chegou a 17% em maio de 2003, desacelerou-se fortemente para 5% em abril de 2004 -- queda essa de uma magnitude que jamais se repetiu desde então.

Abraços!

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